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Numero do processo: 10510.003148/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para que sejam apreciados os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação.
Numero da decisão: 2301-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente USINA SÃO JOSÉ DO PINHEIRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para que sejam apreciados os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 31 48 /2 00 8- 65 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração 37.016.1939, o qual exige o recolhimento integral das contribuições a título de subrogação da responsabilidade pelo recolhimento das contribuições devidas pelo empregador rural pessoa física, referente a contribuições destinadas a entidades e fundos definidos como terceiros, de 0,2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, que o fisco teria se equivocado na leitura da documentação contábil, pois os senhores Antonio Carlos Leite Franco e Osvaldo Leite Franco eram os únicos sócios da impugnante e a cana de açúcar advinha de fazendas que eram de suas propriedades e que posteriormente ingressaram no patrimônio do sujeito passivo. Ademais, caso fossem relevados esses esclarecimentos, a contribuição de 0,2% ao RAT já teria sido recolhida pelas próprias fazendas como demonstraria a documentação arrolada no Anexo III. A DRJ de Salvador julgou improcedente a impugnação, o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário interposto, além de repisar alguns fundamentos apresentados em sede impugnação, sustenta que houve cerceamento de defesa na medida em que a r. decisão a quo não teria se manifestado sobre o recolhimento do RAT à alíquota de 2% devida pelo produtor rural, o qual já teria por esse recolhido no período autuado. Vejase trecho do recurso: Porém, afastandose totalmente da verdade material constante das provas documentais produzidas nos autos, bem como dos princípios da ampla defesa e do contraditório, a autoridade julgadora foi silente em relação à demonstração de que tais recolhimentos em questão já haviam sido recolhidos na origem pelos produtores rurais, através dos CEI's das respectivas fazendas, quais sejam, 2203600019/89 ( Faz. São Diniz ), 2203600020/85 ( Faz. Campo Grande ) e 2203600018187 ( Faz. Poção ). Como se vê dos autos, visualizamse nitidamente as GPS's e as respectivas GFIP's retificadas, comprovandose os integrais recolhimentos e declarações de tais valores, o que jamais poderia ter deixado de ser apreciado, sob pena da recorrente sofrer cerceamento em seu direito de defesa. E, no Anexo III da impugnação foram juntadas planilhas, cópias de folhas de pagamento e GPS, as quais não foram confrontadas pela decisão recorrida, pois acerca do levantamento específico (SU 2), limitouse a afirmar o seguinte: Acerca do Levantamento SU2, temos que consta da contabilidade da impugnante, em conta de passivo 2140300007, montante contabilizado do valor devido referente a subrogação Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10510.003148/200865 Acórdão n.º 2301004.159 S2C3T1 Fl. 179 3 decorrente da compra de canadeaçúcar. Portanto, a operação comercial está claramente configurada, ainda que com os sócios da mesma, haja vista que não é vedado pela legislação. A meu ver a decisão recorrida afronta o artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, bem como o artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Ante o exposto, VOTO no sentido de ANULAR a decisão recorrida, determinandose que outra seja proferida, para que os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação sejam devidamente apreciados, sendo que após deverá ser intimado o sujeito passivo, para que no trintídio legal exerça o direito a ampla defesa e ao contraditório nos exatos termos do artigo 5º, inciso LV da Constituição e Decreto nº 70.235/72. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002397/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 02 39 7/ 20 06 -5 1 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório FRANCISCO JOSÉ SOARES JUNIOR, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 015.798.35872, com domicílio fiscal na cidade de Limeira, Estado de São Paulo, à Rua Boa Morte, n.º 922 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 690/702, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 705/739. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira SP, em 13/11/2006, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/11), com ciência por AR, em 14/09/2006 (fls. 271), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.137.339,45 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2002 e 2006, correspondente aos anoscalendário de 2001 e 2005, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2002 e 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme termo de verificação de infração exarado pelo AFRF autuante, o qual fica fazendo parte integrante e inseparável do presente auto de infração. Infração capitulada no art. 849 do RIR, de 1999; art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999.; art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório da Ação Fiscal, datado de 17/11/2006 (fls. 16/29), entre outros, os seguintes aspectos: que regularmente intimado, o contribuinte em tela apresentou os extratos bancários (relativos às contas bancárias que deram origem à movimentação financeira nas precitadas instituições bancárias), mas até a presente data não apresentou a documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, comprovando a origem dos recursos depositados naquelas contas bancárias; que tendo em mira a grande quantidade de valores ingressados na movimentação bancária da pessoa física em tela, foram analisados minudentemente os respectivos extratos bancários, dos quais foram desconsiderados os seguintes depósitos/créditos: (1) Os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física (Art. 42, § 3°, Inciso I, da Lei n° 9.430/96; Art. 849, § 2°, inciso I do RIR/99); e, (2) Os referentes a resgates de aplicações financeira, estornos, cheques devolvidos, e empréstimos bancários; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 4 3 que em ato contínuo, a pessoa física em tela foi regularmente intimada a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, comprovando a origem dos recursos depositados, constantes dos respectivos extratos bancários. Referida documentação nunca foi apresentada; que os únicos documentos exibidos pelo fiscalizado em 31 de outubro de 2006 foram uma cópia xerográfica do cartão de assinaturas junto à nossa caixa e um demonstrativo identificando os titulares das contasconjuntas e suas respectivas participações percentuais; que conforme o estabelecido no art. 849 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.° 3000, de 26/03/1999 (RIR/99), caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, artigo 42). Esse é também o entendimento da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Recurso n° 125.986, Seção de 19.09.2001, ACÓRDÃO n° 10418.307). O valor das receitas ou dos rendimentos omitido considerase auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; que conforme o estabelecido no inciso III do artigo 841 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999 (RIR/99), o lançamento será efetuado de ofício sempre que o sujeito passivo fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir qualquer elemento que implique na redução do imposto a pagar ou restituição indevida. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 14/01/2007, a sua peça impugnatória de fls. 401/433, instruído pelos documentos de fls. 280/323, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que preliminarmente requer a nulidade do auto de infração, uma vez que, sua origem está alicerçada em lei inconstitucional em sua base é irretroativa, a sua vigência; que diante da recusa daquela Auditora Fiscal em receber e protocolar aquele requerimento, cujo recebimento foi, também, recusado pelo protocolo dessa Delegacia de Fiscalização, sob a alegação de que só poderia protocolar expedientes dos Auditores Fiscais, foi o requerente obrigado a enviar aquele requerimento através do correio, com aviso de recebimento, conforme cópias ora anexas; que os valores referentes à movimentação bancária foram extraídos pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal, através do cruzamento das informações relativas à CPMF obtidas pelo órgão, fazendário junto à rede bancária, valendose da Lei n° 10.174/2001, a qual modificou o § 3º do art. 11 da Lei 9.311/96, determinando a faculdade da utilização de dados do pagamento da CPMF para instauração de procedimento administrativo, tendente a verificar a existência de credito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento relativo a omissões de receitas baseadas em depósitos bancários na forma do art. 42 da Lei 9.430/96. (Edmar de Oliveira Andrade Filho, in: Revista Dialética de Direito Tributário, nº 70, de julho/2001, pág 42); que o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, por sua vez, regulamentado pelo Decreto de n.° 3.724, também publicado e tendo corno inicio de vigência a data de 10 de Fl. 637DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 5 4 janeiro de 2001, regulamentando a "requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a, elas equiparadas"; que se chamar a atenção para o fato de que o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação, financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício; que ora, para que depósitos bancários sejam configurados corno renda ou receita, necessário se faz provar o nexo causal entre os depósitos e a renda. E de conhecimento geral que a totalidade dos depósitos bancários não configura renda, mas sim fluxo de entradas e saídas em que, somente uma parte do mesmo é renda. Sua totalidade, nunca; que como se verifica das declarações de rendimentos pessoa física, e, referente ao anoscalendário 2001 a 2005; não houve acréscimo patrimonial para, o impugnante que pudesse ensejar um auto de infração de R$ 2.137.339,45 (dois milhões cento e trinta e sete mil, trezentos e trinta e nove reais e quarenta e cinco centavos). Mesmo tal quantia que referese a imposto e multa aplicada, além dos juros legais, jamais ingressou no patrimônio do declarante, ou mesmo não representa renda consumida nos referidos anos; que o início do procedimento administrativo de fiscalização ora combatido, teve seu início com a quebra do sigilo bancário do impugnante em 27062006, quando lhe foi Solicitado a entrega de todos os extratos de contas bancários mantidas em Instituições Financeiras; que no dia 30112006, o ora impugnante foi surpreendido com o recebimento do Auto de Infração ora combatido, sendo para este de tamanha surpresa, motivo pelo qual estava naquele tempo, providenciando as justificativas dos depósito, vez que os documento anteriormente citados, já estavam em posse do Sr. Fiscal autuante, e embora o contato junto ao Fiscal de Rendas tenha sido de maneira informal, existiu boafé por parte do impugnante. Tanto existiu, que os extratos anteriormente solicitados pelo impugnante à terceiros, chegaram em suas mãos. Então, de posse dás documentos ,comprobatórios, sendo estes representados por 98% (noventa a oito), do total questionado pelo fico, seguem justificativas, sendo estas acompanhadas por documentos comprobatórios. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que irresignado, o contribuinte alegou preliminarmente nulidade em razão da violação do princípio da irretroatividade e do direito ao sigilo de dados. Afirmou que a Lei n° 10.174 e a Lei Complementar n° 105, ambas de 2001, ferem o princípio da irretroatividade ao permitirem o uso de dados relativos à movimentação bancária de anos anteriores ao início de vigência de seus dispositivos. Violam igualmente o direito ao sigilo de dados, quando proporcionam à Fiscalização, independentemente de ordem judicial, o acesso a informações protegidas por sigilo bancário; que especificamente no tocante à origem dos depósitos, alegou transferência entre contas do mesmo titular; cheques depositados e depois devolvidos; receitas oriundas da atividade rural; resgates de aplicações financeiras; empréstimos obtidos junto a instituições Fl. 638DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 6 5 financeiras; e valores pertencentes a terceiro, que ele identifica como sendo Márcio José Soares que, temporariamente, esteve impossibilitado de movimentar suas próprias contas bancárias; que aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 9.311/1996, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001. A aplicação das normas contidas nos aludidos diplomas legais não invalida o lançamento, porquanto não produziu alteração nos elementos objetivos ou subjetivos da relação jurídica tributária nascida de fato pretérito. Não ocorreu, por conseguinte, violação ao princípio da irretroatividade; que o procedimento de fiscalização encontra amparo nas disposições da Lei Complementar n° 105 e nas Leis n° 9.311 e 9.430. Portanto, se existe, como sustenta o impugnante, desconformidade do lançamento com a Constituição, o vício que teria se projetado sobre o ato administrativo provém das leis citadas, cujo exame de constitucionalidade é defeso a este órgão de julgamento; que no caso dos autos, o acesso da Fiscalização restringiuse aos valores lançados a débito e a crédito nas contas bancárias do impugnante, sem avançar sobre qualquer outro dado ou informação inerente à intimidade do contribuinte. Além disso, todas as informações obtidas, mediante acesso aos dados da movimentação financeira, estão protegidas pelo sigilo fiscal imposto pelo art. 198 do CTN, de modo que os dados, antes protegidos pelo sigilo bancário, permanecem agora protegidos pelo sigilo fiscal; que o art. 6° da Lei n° 8.021 falava efetivamente em sinais exteriores de riqueza. Daí o entendimento que se formou na jurisprudência, segundo o qual, mesmo diante de depósitos e aplicações em instituições financeiras, a higidez do lançamento de crédito tributário dependia sempre da vinculação desses recursos a outros indícios de omissão de receitas. Todavia, tal a exigência foi superada com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430, diante do qual sucumbiu o entendimento consolidado no verbete da Súmula n° 182 do extinto TFR; que os demais valores creditados nas contas do impugnante devem ser mantidos. A alegação de que parte desses valores advém da atividade rural não pode ser aceita como justificativa da origem, porquanto o parágrafo 3° do art. 42 da Lei n° 9.430 exige que a explicação seja dada para cada depósito, de forma individual e não de forma global, como pretendeu o impugnante. Além do que, não basta indicar que determinado depósito é receita da atividade rural, é necessário apresentar documento hábil para dar respaldo à afirmação. Nesse sentido, a documentação apresentada, embora copiosa, não se mostra suficiente para estabelecer um vínculo entre os depósitos e as operações inerentes à atividade rural. As notas fiscais, por exemplo, provam as operações de venda, mas não provam quando, nem de que forma os pagamentos foram feitos. Por outro lado, os documentos atribuídos à empresa adquirente dos produtos fornecidos pelo impugnante não têm assinatura, nem carimbo ou chancela do emitente, razão pela qual não podem ser admitidos como prova; que cabe ainda ressaltar que as cópias de cheques emitidos pelo próprio impugnante, por si mesmas, não provam a origem dos valores depositados; revelam tão somente a destinação dada à parte desses valores. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 7 6 A legislação que disciplina o processo administrativo tributário e regimento interno da Receita Federal do Brasil não prevêem a possibilidade de sustentação oral nos julgamentos de primeira instância. DILIGÊNCIAS E PROVA PERICIAL. CABIMENTO. O requerimento de prova pericial só pode ser deferido se presentes os requisitos da pertinência, necessidade, possibilidade. Ausente qualquer um deles, a prova deve ser indeferida. UTILIZAÇÃO DE DADOS RELATIVOS À CPMF. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTERIOR A JANEIRO DE 2001. POSSIBILIDADE. Tratandose de regra que amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa, é possível, nos termos do § 1° do art. 144 do CTN, a utilização de dados relativos à CPMF para lançamento de crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes de janeiro de 2001. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DIREITO À PRIVACIDADE, INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS. VIOLAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. POSSIBILIDADE. SIGILO FISCAL. Não cabe, no âmbito do processo administrativo, o controle de constitucionalidade de leis. Ademais, considerando que não existem direitos absolutos, é possível, respeitado o critério da proporcionalidade, que alguns direitos cedam em favor de outros igualmente tutelados pelo ordenamento jurídico. Quanto aos dados relativos à movimentação financeira, antes protegidos pelo sigilo bancário, passam a ficar sob o sigilo fiscal. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção Vuris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Referida comprovação não se limita a identificar a pessoa do depositante, mas exige que se esclareçam os negócios jurídicos de que se originam os recursos. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/06/2009, conforme Termo constante às fls. 690/702, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (22/09/2009), o recurso voluntário de fls. 705/739, instruído pelos documentos de fls. 740, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que requer a nulidade do Acórdão ante a decadência de parte do período constante do Auto de Infração, eis que os referidos lançamentos se deram por homologação, tendo tratamento específico de acordo com o art. 150, IV do CTN, combinado com o art. 42, § 4º, da Lei 9.430/96, bem como pelos demais vícios que ensejam sua nulidade; Fl. 640DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 8 7 que de forma inquestionável, no tocante à natureza jurídica do lançamento tributário do Imposto de Renda Pessoa Física como modalidade por homologação, mister analisar pormenorizadamente a ocorrência da decadência em relação ao fato gerador; que assim, não há como o presente Auto de Infração subsistir, uma vez que parte dos valores supostamente recebidos ocorreu nos meses de Janeiro/2001 a Outubro/2001, em cujo período o lapso decadencial lá se encontrava instalado, com base no art. 42 da Lei 9.430/96; que de se atentar para o fato de que o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício; que porém, o Fisco é o responsável pela apresentação das provas que ensejaram lançamentos de crédito tributário, cabendo a ele (e apenas a ele) demonstrar fundamentação do lançamento; que o uso de presunções subsiste unicamente na finalidade de demonstrar a existência do fato jurídico tributário por meio de provas indiretamente relacionadas a ele (nexo causal), desde que seja impraticável chegar à verdade real através de provas diretas. Tudo sempre em observância aos princípios constitucionais (segurança jurídica, capacidade contributiva, não confisco, etc.); que como se verifica das declarações de rendimentos pessoa física, referente aos anoscalendário 2001 a 2005, não houve acréscimo patrimonial para o recorrente que pudesse ensejar um auto de infração de R$ 2.137.339,45 (dois milhões, cento e trinta e sete mil, trezentos e trinta e nove reais e quarenta e cinco centavos). Mesmo tal quantia que se refere a imposto e multa aplicada, além dos juros legais, jamais ingressou no patrimônio do declarante, ou mesmo não representa renda consumida nos referidos anos; que primeiramente, vale ressaltar que embora haja alguma divergência em relação aos valores informados e os recursos movimentados, estes foram quase que integralmente justificados através da vasta documentação acostada aos autos, acompanhadas de relatórios, demonstrativos, planilhas; que releva ainda lembrar que durante o mandado de procedimento fiscal, o prazo (10 dias) constante do termo de prosseguimento de ação fiscal e intimação não foi suficiente para comprovação de valores trazidos na relação de depósitos apresentada pelo fisco, o que não se presume, por óbvio, apresentação insatisfatória de documentos; que mencionase também que não fora considerado pelo nobre Julgador uma transferência de mesma titularidade, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), fato facilmente comprovado pelo próprio histórico dos extratos bancários; que como já mencionado anteriormente existem valores que transitaram pelas contas bancárias do fiscalizado e que eram pertencentes de fato e de direito a terceiros. É bem sabido que não há condições de serem "memorizadas" todas as operações ocorridas em longo espaço de tempo de 05 (cinco) anos por qualquer cidadão, por mais controle que possa ter. Ainda mais se a pessoa física não está obrigada a manter contabilidade de suas negociações É o Relatório. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 16/29, onde consta o Termo de Verificação Fiscal, o seguinte excerto: O contribuinte alegou preliminarmente nulidade em razão da violação do princípio da irretroatividade e do direito ao sigilo de dados. Afirmou que a Lei n° 10.174 e a Lei Complementar n° 105, ambas de 2001, ferem o princípio da irretroatividade ao permitirem o uso de dados relativos à movimentação bancária de anos anteriores ao início de vigência de seus dispositivos. Violam igualmente o direito ao sigilo de dados, quando proporcionam à Fiscalização, independentemente de ordem judicial, o acesso a informações protegidas por sigilo bancário. Com visto, a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 10 9 Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Fl. 643DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 11 10 Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 12 11 Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 13 12 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 14 13 O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 15 14 Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 16 15 entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002397/200651 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.379 S2C2T2 Fl. 17 16 Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10120.900460/2006-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/02/2002
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DO OBJETO.
O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, razão pela qual o recurso não merece ser conhecido por perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 02/02/2002 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DO OBJETO. O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, razão pela qual o recurso não merece ser conhecido por perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DO OBJETO. O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, razão pela qual o recurso não merece ser conhecido por perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 04 60 /2 00 6- 21 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.900460/200621 Acórdão n.º 3801004.066 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 20532.42605.081003.1.3.047202 (fls. 1/5), transmitida eletronicamente em 8/10/2003, com base em créditos de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 3.126,44. Em 16/6/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 6), fundamentado, nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, e do artigo 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. Cientificado, via postal, dessa decisão em 27/6/2008, bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp (fls. 47/48), o sujeito passivo apresentou em 25/7/2008, manifestações de inconformidade às fls. 10/18, acrescida de documentação anexa. Cabe destacar que foram juntadas aos autos duas manifestações de inconformidade referentes ao presente processo, com igual teor. A manifestação de inconformidade, contém, em síntese, as seguintes alegações: Cerceamento do Direito de Defesa: que a nãohomologação eletrônica impediria a contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois faltaria ao despacho decisório a demonstração das razões que teriam levado a nãohomologação da compensação, como por exemplo, quais valores teriam sido utilizados em outros pagamentos; que o fisco teria trazido ao processo somente a descrição dos valores apurados; que o despacho decisório não teria sido necessariamente motivado; cita a Constituição Federal e doutrinadores; Erros na DCTF que a contribuinte teria, por erro, declarado na DCTF do 1º trim/02, “1ª semana de fevereiro”, o valor de R$ 48.771,92, como DARF vinculado a débito do período. Afirma que tal valor corresponderia a pagamento parcialmente efetuado a maior. Indica como documentos que comprovariam essa alegação o Per/Dcomp transmitido em 8/10/2003 (fls. 1/5), a DCTF do 1º Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.900460/200621 Acórdão n.º 3801004.066 S3TE01 Fl. 12 3 trimestre de 2002 (fls. 37/39) e o comprovante de arrecadação (fl. 40); apresenta DCTF do 4º trimestre de 2003 (fls. 41/45), contendo a vinculação do crédito informado na presente Per/Dcomp, no valor de R$ 3.126,44, à extinção do débito apurado na 1ª semana de outubro de 2003, que totalizou R$ 40.254,44, antes de efetuadas as compensações. Ao final requer que seja julgado improcedente o despacho decisório, reconhecendose o direito de compensação, bem como o cancelamento da cobrança através do processo administrativo nº 10120.902041/200623 (fl. 46). A DRJ em Brasília (DF) indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo transcrita: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DO CITADO VÍCIO. O despacho decisório deverá conter, entre outros requisitos formais, obrigatoriamente, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do despacho nãohomologatório, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NÃO COMPROVAÇÃO DE EQUÍVOCO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: 1. Que em 13.06.2003, a recorrente recebeu correspondência do cliente Cooperativa Industrial de Carnes e Derivados de Goiás Ltda — Goiás Carne (doc. 05), requerendo a devolução de valores de IOF incidentes sobre operações de crédito, sob alegação de que foram retidos indevidamente de sua conta, no período de abril de 2001 a abril de 2002. 2. Que tal requerimento fundamentavase no art. 8º, inciso I, do Decreto n.° 2.219/97, então vigente na época dos fatos Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.900460/200621 Acórdão n.º 3801004.066 S3TE01 Fl. 13 4 geradores, segundo o qual as operações de crédito, em que a cooperativa figurasse como tomadora, estavam sujeitas à alíquota zero do IOF. 3. Que após analisar o pedido do cliente e verificar sua procedência, a recorrente apurou o montante de R$ 47.595,65, conforme relação dos débitos de IOF indevidos (doc. 06), que foi atualizado até outubro de 2003, perfazendo a quantia de R$ 65.924,95 (doc. 07). Tal valor foi devolvido em 09.10.2003, mediante crédito na conta corrente de titularidade da Cooperativa (Agência 190— Caldazinha, C/C 038087 — doc. 08). 4. Que a recorrente assumiu o ônus do recolhimento indevido do IOF, passou, então, a ter um crédito de R$ 65.924,95 para ser compensado (conforme Razão Auxiliar da conta contábil onde foi contabilizado o valor de ressarcimento do IOF para o cliente — doc. 09). 5. Que na DCTF do 4º trim/03, 1ª semana de out/03, código 7893 IOF consta declarado corretamente o valor de R$ 3.126,44 (doc. 08 anexo à manifestação de inconformidade), que corresponde ao crédito pleiteado pelo Recorrente. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal apurasse o valor devido do IOF para o período 106/2001, à luz dos documentos de fls. 99 a 104 e demais documentos que entendesse necessário. A DRF de origem informou que o débito objeto da DCOMP 20532.42605.081003.1.3.047202 (vide fl.159) foi extinto por meio de pagamento, portanto fica constatada a perda de objeto da presente lide administrativa. Neste sentido o extrato do sistema SIEF Processos, de fls. 159. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.900460/200621 Acórdão n.º 3801004.066 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo, todavia dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal informou que o débito em discussão foi extinto pelo pagamento. O extrato do sistema SIEF confirma essa assertiva, fl.159. Nos termos do disposto no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, o pagamento extingue o crédito tributário. “Art. 156. Extinguem o crédito tributário I – o pagamento; (...)” Desta forma, estando extinto o crédito tributário, não mais existe litígio administrativo, não havendo como prosseguir no julgamento do processo, razão pela qual o recurso interposto perdeu seu objeto. Neste sentido o art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010 dispõe: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.(grifouse). Em remate, pelos elementos que compõe os autos, concluise que este processo administrativo fiscal perdeu seu objeto, uma vez que o crédito tributário em discussão foi objeto de pagamento. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.900460/200621 Acórdão n.º 3801004.066 S3TE01 Fl. 15 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11070.721350/2011-67
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada.
A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1801-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 13 50 /2 01 1- 67 Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Transportadora Butzke Ltda. ME, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contra acórdão proferido pela 1a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra as exigências consubstanciadas nos autos. Contra a empresa foram lavrados autos de infração para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com crédito tributário constituído no valor total de R$ 728.759,55, aí incluídos os valores principais, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas nos anoscalendário 2007 e 2008. Descreveu a auditoria fiscal que a empresa optou, no período auditado, pela tributação de seus resultados com base nas regras do lucro presumido. Fora intimada, então, a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e extratos bancários. Entregue a documentação acompanhada dos extratos, elaborou a auditoria relação contendo créditos bancários para que a contribuinte comprovasse a origem da diferença entre a receita declarada e os recursos creditados. Após várias prorrogações de prazo, foram apresentados os esclarecimentos. Foram excluídos do total dos depósitos bancários as operações de empréstimos bancários, os valores referentes à transferências interbancárias entre contas de titularidade do contribuinte e os depósitos bancários justificados pelo contribuinte como “títulos frios”, por se tratarem de títulos artificialmente fabricados para obter “empréstimos bancários”. Do saldo que restou da movimentação financeira foram excluídos os valores correspondentes à receita declarada. O saldo foi considerado omissão de receita com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme demonstrado nas folhas 1678 e 1679. A auditoria identificou que alguns dos depósitos referirseiam a pagamento de CTRC que não foram contabilizados. Tais valores foram excluídos das planilhas de depósitos bancários, mas foram tributados como receita da atividade, conforme demonstrado nas folhas 1680 e 1681. Foram aplicadas as multas de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os valores decorrentes da omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, e de 150%, prevista no § 1º do referido art. 44, sobre os valores relativos à omissão de receitas da atividade. Foram lavrados termos de responsabilidade tributária em nome dos administradores e sóciosgerentes, com base no art. 135 do Código Tributário Nacional (fls. 1742/1745). A empresa apresentou impugnação tempestiva pela qual observou que, no início das atividades, possuía frota de 6 (seis) caminhões, posteriormente aumentada para 10 (dez). Cada veículo colocado em produção geraria receita mensal média de R$ 30.000,00. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.721350/201167 Acórdão n.º 1801002.172 S1TE01 Fl. 3 3 Apresentou demonstrativo daquilo que entende seria sua capacidade de produção, calculada, no período, em R$ 4.140.000,00, muito aquém daquela calculada pela fiscalização, de R$ 9.548.833,36, com base nos depósitos bancários (R$ 9.237.851,03) somados às receitas da atividade (R$ 310.982,33). Qualificou de inconcebível o arbitramento de um rendimento médio mensal de R$ 69.194,44 por veículo, quando a capacidade de produção não ultrapassaria o valor médio mensal de R$ 30.000,00. Justificou que a movimentação bancária desproporcional ao faturamento da empresa estaria ligada à emissão de títulos “frios” e ao desconto de cheques “frios”, o que se tornou numa “bola de neve”, pois a empresa se viu obrigada a emitir mais títulos “frios” para pagar os títulos “frios” emitidos anteriormente, o que teria “inflado” a movimentação bancária criando dificuldade em justificar, individualmente, cada crédito. Salientou que somente os valores depositados no SICREDI, no montante de R$ 2.012.758,16 é que, de fato, não tiveram sua origem comprovada, e, por tal razão, o crédito tributário a ele correspondente, de R$ 146.223,76, não seria objeto de impugnação, mas que todos os demais valores teriam sido justificados e, portanto, impugnados, observando, ainda, que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996, somente se verifica se não houver comprovação da origem dos valores depositados A Turma Julgadora de 1a. Instância consignou que o art. 42 da Lei n º 9.430/96 seria claro ao estabelecer que todos os depósitos deveriam ter sua origem devidamente comprovada, depois de intimação regular nesse sentido. Salientou, ainda, que o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Transcreveu a Súmula CARF n º 26 que dispõe sobre o assunto. Cientificada da decisão, em 02/12/2011 (AR efl. 1.810), apresentou a interessada, em 28/12/2011, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação. Acrescenta que, em resposta às intimações, apresentou as justificativas e comprovação da origem de créditos efetuados no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Bradesco, Santander e, assim, as receitas declaradas justificam os referidos créditos. Afirma que em relação a instituição Sicred Nordeste apresentou alguns comprovantes dos créditos bancários, mas que inúmeros teriam ficado pendentes de comprovação. Nesse sentido, teria atendido parcialmente à intimação da auditoria, e seria esta a única situação que justificaria a imposição tributária sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Por tal razão, não teria se defendido contra tais valores, não instaurando litígio sobre eles, transferindose para outro processo, referidos valores. Alerta, ainda, que não foram impugnados os créditos tributários decorrentes da apuração de omissão de receitas da atividade. Ao final, pede pelo provimento do recurso. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica, não se encontram em litígio os valores dos créditos tributários correspondentes a depósitos bancários efetuados na Sicred Nordeste, sem comprovação da origem admitida pela defesa. Também não se encontra em litígio o crédito tributário correspondente a receita da atividade omitida, detectada a partir de CTRC não contabilizados, sobre o qual incidiu a multa qualificada. Da mesma forma, o responsável tributário, Pedro Balduíno Butzke não apresentou impugnação e nem recurso voluntário, ficando definitivamente constituída, assim, a responsabilidade solidária a ele atribuída, ao menos nesta esfera administrativa de julgamento. Resta, portanto, a ser analisado o litígio remanescente, correspondente ao crédito tributário exigido sobre omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse sentido a defesa argüiu que a norma estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, facultaria ao agente tributante a possibilidade de caracterizar como omissão de receitas os créditos bancários sem a comprovação de origem, mas que tal procedimento só seria possível quando não houvesse a comprovação da origem dos valores depositados e, ainda, desde que haja prova de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza do sujeito passivo. Afirmou, também, que justificou de forma insofismável todos os créditos em suas contas bancárias, com exceção daqueles antes mencionados. Além disso, não haveria nos autos qualquer elemento que comprove acréscimo patrimonial ou disponibilidade de recursos por parte da recorrente. Depois de analisar as razões da defesa e os elementos constantes dos autos, verifiquei que os valores creditados no Banco do Brasil, relacionados no recurso (efl.1.821), como de origem comprovada, na verdade não foram considerados pela auditoria fiscal como depósitos bancários de origem não comprovada. A própria auditoria, nos itens “1” a “3” do Relatório Fiscal, à efl 1.677, fez essa afirmação, como se verifica da transcrição abaixo: 1. [...] Logo, os depósitos referentes a empréstimos bancários foram excluídos da movimentação financeira do contribuinte por não se configurarem receitas, conforme documentação anexa ao processo. 2. Foram também excluídos da movimentação financeira do contribuinte os valores referentes às transferências interbancárias entre contas de mesma titularidade, a documentação de suporte apresentada pelo contribuinte encontrase anexa ao processo. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.721350/201167 Acórdão n.º 1801002.172 S1TE01 Fl. 4 5 3. Os depósitos bancários justificados pelo contribuinte como “títulos frios” foram excluídos de sua movimentação financeira por se tratarem de títulos fabricados pelo mesmo a fim de obter “empréstimos bancários”, ainda que por meios não convencionais, através da emissão de títulos descontáveis por conhecidos, amigos e parentes. Tais títulos seriam posteriormente reembolsados/baixados da operação de desconto e cobrados do próprio contribuinte. Logo tais valores não podem ser considerados como receita de sua atividade operacional, sendo portanto excluídos de sua movimentação, conforme extrato do Banco do Brasil apresentado pelo contribuinte e datado de 02/09/2011. Inclusive, os valores reclamados pela recorrente atinentes ao Banco do Brasil se encontram discriminados no anexo denominado “Transferências de Mesma Titularidade e Empréstimos” de efls. 1.300 a 1.557. O mesmo se dá em relação aos créditos bancários efetuados na Caixa Econômica Federal, Banco Bradesco e Banco Santander, reclamados pela defesa como tendo a origem comprovada (efls. 1.822). De fato, a auditoria considerou que a origem desses créditos foi comprovada, tanto que não os considerou no demonstrativo consignado no Relatório Fiscal à efl. 1.678 e 1.679. Observese que no mencionado demonstrativo, a primeira coluna, à esquerda, constam os valores dos créditos já depurados, das transferências intercontas, dos empréstimos e dos títulos “frios”. Portanto, não tem razão a defesa. Os créditos não comprovados e considerados pela auditoria como receita omitida dizem respeito àqueles créditos realmente não justificados, já expurgados os valores reclamados pela recorrente. E nesse ponto, importante salientar que a própria recorrente admitiu não ter controle sobre a totalidade de sua movimentação financeira. Observese a seguinte afirmação consignada nas razões recursais (efl. 1.818): “Toda a situação criada, ou seja, a movimentação bancária desproporcional ao faturamento da empresa está ligada à emissão de títulos “frios” e ao desconto de cheques “frios” o que tornou uma “bola de neve”, pois a impugnante, acabou emitindo títulos “frios”, para pagar os títulos “frios” emitidos anteriormente. Tal situação, inflou a movimentação bancária, e criou uma dificuldade de justificar, individualmente, cada crédito bancário.” Assim, vêse que a própria defesa admite que não tem como justificar, individualmente, cada crédito bancário. E, como bem observou a Turma Julgadora de 1a. Instância, nesse sentido a Lei é clara. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio, justamente, dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta o Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de recitas. A legislação em vigor permite a presunção de omissão de receitas, formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, independentemente do estabelecimento de “liame” entre os depósitos e os fatos geradores dos tributos. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei no. 9.4.30 de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.000142/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, à unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(Assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(Assinado digitalmente)
Carlos Augusto de Andrade Jenier - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, à unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 14 2/ 20 08 -6 1 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000142/200861 Resolução nº 1301000.069 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Analisando as informações contidas nos autos, verifico que tratase de autuação efetivada contra a contribuinte decorrente do apontamento de débito constituído e nãopago a título de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e, ainda, contribuições previdenciárias (INSS), decorrentes das atividades por ela desenvolvidas sob a sistemática própria e específica do SIMPLES, acrescidos de multa no importe de 75% e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos no ano de 2003. A razão fundamental do lançamento efetivado, conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, seria decorrente da constatação de “omissão de receitas”, apurada a partir da identificação da existência de depósitos bancários cuja natureza e origem não teriam sido comprovadas, acarretando, assim, a existência de diferenças não recolhidas em decorrência da mudança de faixa da alíquota do SIMPLES daí decorrente. Devidamente notificada, a contribuinte apresentou a sua impugnação, onde pugna pela improcedência do lançamento a partir dos seguintes e específicos fundamentos: a) Cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a inexistência de intimação para a apresentação de comprovação da origem e natureza dos apontados depósitos; b) Ausência de intimação da contribuinte quando do encerramento das diligências; c) Ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório, verdade material, legalidade, tipicidade, segurança jurídica, motivação dos atos administrativos, isonomia, capacidade contributiva, e do nãoconfisco; d) Indevida inversão do ônus da prova; e) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade pela aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento); e f) Ilegalidade da aplicação da taxa SELIC na cobrança de juros moratórios. Além desses argumentos, requereu pericia, apresentando, para tanto, um vasto rol de quesitos a serem enfrentados para a adequada apreciação da matéria trazida ao debate. A partir dessas considerações, entretanto, manifestouse a douta DRJ no sentido da improcedência da impugnação, em Acórdão cuja ementa apresentada foi a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003. NULIDADE. RELATÓRIO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para a identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000142/200861 Resolução nº 1301000.069 S1C3T1 Fl. 4 3 Eventual vício em emissão, notificação ou até mesmo inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal em nome do fiscalizado não causa nulidade do lançamento, porque não constitui requisito de validade do ato, mas mero instrumento de controle da administração tributária, sendo que, no caso, sequer foi demonstrado tal irregulaidade. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de presunção por lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido não aconteceu em seu caso particular. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de leis e atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise do ato impugnado em face da legislação infraconstitucional. Assunto: Normas Gerais em Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento de tributo, constatada em procedimento fiscal, implica em sua exigência cumulada com multa de oficio e juros moratórios calculados de acordo com a Taxa Selic. Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetido a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Assunto: Sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte – SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003. LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000142/200861 Resolução nº 1301000.069 S1C3T1 Fl. 5 4 As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação da exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Regularmente intimada, a contribuinte apresenta então o seu competente Recurso Voluntário, reiterando os termos e argumentos trazidos em sua impugnação e requerendo, ao final, a reforma da decisão vergastada, com o reconhecimento da procedência de suas razões e, com isso, a completa e total insubsistência do lançamento efetivado. Em síntese, esse é o relatório. VOTO A questão tratada nos autos, conforme aqui então devidamente apontado, refere se à efetivação de lançamentos fiscais contra a contribuinte, em decorrência da suposta omissão de receita verificada a partir da constatação da inexistência de inclusão em sua contabilidade de diversos créditos recebidos em suas contas bancárias, conforme informações obtidas a partir da emissão de RMF’s – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, expedidos contra diversos bancos, nos termos determinados pelas disposições do Art. 6o da Lei Complementar no 105/2001. Em que pese todas as matérias discutidas nos autos, verificase que, antes de sua regular apreciação, surge como de relevante destaque a discussão a respeito da validade do procedimento adotado para a informação das referidas informações, tema que, indubitavelmente, tangencia a constitucionalidade das disposições da apontada norma de regência. Em que pese não se mostrar admissível, per se, a discussão em sede administrativa – a respeito da (in)constitucionalidade de específicos atos legislativos, conforme, inclusive, expressamente contido nas disposições da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), verificase que, recentemente, a matéria fora destacada como de “Repercussão Geral” pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, fora reconhecida a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Observese a ementa da decisão: RE 601314 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe:RE Procedência:SÃO PAULO Relator:MIN. RICARDO LEWANDOWSKI PartesRECTE.(S) MARCIO HOLCMAN ADV.(A/S) RICARDO LACAZ MARTINS RECDO.(A/S) UNIÃO ADV.(A/S) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria:DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Garantias Constitucionais | Proteção da Intimidade e Sigilo de Dados EMENTA: Fl. 791DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000142/200861 Resolução nº 1301000.069 S1C3T1 Fl. 6 5 CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 20/11/2009 ATA Nº 26/2009 DJE nº 218, divulgado em 19/11/2009 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui inteira relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 601314, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62 A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 792DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000142/200861 Resolução nº 1301000.069 S1C3T1 Fl. 7 6 Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso apontado.. Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao ProcuradorGeral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000142/200861 Resolução nº 1301000.069 S1C3T1 Fl. 8 7 Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (regularidade da quebra de sigilo bancário promovida pelos agentes da Receita Federal com espeque nas disposições do Art. 6o da LC 105/2001) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verificam, no caso, as disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 794DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002921/2006-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA.INOCORRÊNCIA.
A fundamentação do acórdão recorrido é suficiente, não acarretando nulidade de julgamento por falta de fundamentação, não violando a ampla defesa, contraditório e ao devido processo legal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
Este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF.
TAXA SELIC. SÚMULA Nº 03 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA.INOCORRÊNCIA. A fundamentação do acórdão recorrido é suficiente, não acarretando nulidade de julgamento por falta de fundamentação, não violando a ampla defesa, contraditório e ao devido processo legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 03 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA.INOCORRÊNCIA. A fundamentação do acórdão recorrido é suficiente, não acarretando nulidade de julgamento por falta de fundamentação, não violando a ampla defesa, contraditório e ao devido processo legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 03 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 29 21 /2 00 6- 99 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.002921/200699 Acórdão n.º 3801004.540 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11020.002921/200699, contra o acórdão nº 1028.326, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que não foi conhecida a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho de fl. 250v, que, com base na informação fiscal de fl. 248/250, reconheceu parcialmente direito creditório, apurado no primeiro trimestre de 2005, no montante de R$25.654,90, e homologou as compensações declaradas no limite do crédito reconhecido. O relatório de ação fiscal de fl. 248/250, informa que a empresa declarou na PER/DCOMP 26755.73598.020505.13.018658, crédito de IPI no valor de R$235.591,78, sendo R$209.936,88 a título de crédito presumido e R$25.654,90 referente a crédito básico. Relata a fiscalização que a empresa é exportadora de produtos industrializados nacionais e, por essa razão, é potencialmente detentora de crédito presumido neste processo PE feita pelo regime alternativo, regulado pela Lei 10.276/2001 – sem custo integrado. Segue discorrendo que este cálculo leva em consideração o valor dos bens exportados, em relação ao total das vendas, a compra de mercadorias presumidas e o valor dos estoques mensais para determinar o valor das mercadorias consumidas no processo produtivo no período como um todo e assim determinar a proporção de insumos utilizada nos bens exportados, sendo igual procedimento utilizado para calcular os créditos correspondentes à utilização de energia elétrica e aos combustíveis. Consigna também a autoridade fiscal que após análise do Demonstrativo de Crédito Presumido –DCP correspondente, a empresa não efetua corretamente o cálculo presumido, por deixar de registrar o valor dos estoques mensais, o que, conclui o fisco, aumenta artificialmente o volume de consumo de insumos nos meses de fevereiro a novembro, pois o registro do estoque “0” espelharia no cálculo o consumo total de todo o montante de estoque existente em 31/12 do ano anterior, mais a totalidade das compras do período, desta forma gerando crédito em desacordo com a legislação. A seguir, conclui que o procedimento utilizado pelo contribuinte de não registrar os estoques mensais, no mínimo antecipa créditos, o que lhe permite deixar de recolher impostos, utilizandose do instituto da compensação, subvertendo o período de utilização trimestral dos créditos. Finaliza relatando que elaborou planilha com recálculo Fl. 372DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 do crédito presumido, fl. 247, em que demonstra que o crédito presumido no primeiro trimestre de 2005 não cobre o saldo devedor do exercício anterior. Não resignada, a empresa manifestou sua inconformidade contra o r. despacho, fls. 268/272, aduzindo que o fiscal retroagiu o cálculo do crédito presumido a janeiro de 2004. Averba que com as compensações homologadas tacitamente tiveram o efeito de extinguir o crédito tributário, passando a discorrer acerca da decadência. Conclui que se as compensações já haviam sido homologadas por decurso de prazo, também homologados estariam os créditos e débitos nela utilizados, o que tornaria indevido o recálculo do crédito presumido. Por fim. Alega que a fiscalização lançou a título de estoque em setembro de 2004 o valor de R$1.974.770,63, quando o correto seria R$1.936.662,60, o mesmo ocorrendo em dezembro de 2005, quando o correto seria R$1.881.111,08, enquanto valor considerado seria R$1.940.936,44. A DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa. ASSUNTO: Imposto sobre Produto Industrializado IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO. Devese registrar, para cálculo de crédito presumido, valor dos estoques mensais, na forma da legislação vigente. Refeito o demonstrativo do crédito presumido e não apontado erro específico neste procedimento, considerase correto os ajuste efetuados pela autoridade fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário fl. 274/278, em que expõe: 1 A necessidade de reforma decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando o contraditório e a ampla defesa; 2 O reconhecimento do crédito em sua integralidade com a primazia da verdade material, tendo em vista supostos erros de lançamento, bem como o dever de intimar o recorrente no caso de se ter presumido a inexistência do crédito; 3 A inaplicabilidade da multa e da taxa SELIC. É o sucinto relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.002921/200699 Acórdão n.º 3801004.540 S3TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, deve ser refutado o argumento de que uma vez havendo compensação tácita, homologados estariam os créditos e débitos nela encerrados, pois tratam estes autos de compensação declarada há menos de cinco anos da data do despacho decisório. Logo, não assiste razão tal argumento. Quanto à nulidade da decisão, igualmente esta não se verifica. A decisão está devidamente fundamentada, não havendo assim violação ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo. Também não se verifica violação ao princípio da ampla defesa e contraditório, assim como ao devido processo legal, devendo ser refutada tal alegação. O que foi imputado ao contribuinte, e que se quer foi feito menção na manifestação de inconformidade, ou em recurso voluntário, o cálculo do presumido, refeito pelo auditor (fl.251/265) não foi contraditado, o contribuinte limitouse a informar que os valores por ele atribuídos estariam corretos, ou seja, com a supressão dos estoques mensais. Isto posto, uma vez silente o contribuinte sobre a forma de cálculo do auditor, visto que foi notificado da decisão (fl.273), presumise aceitada a conclusão pela inexistência de crédito. Diante disso, deve ser mantido o acórdão ora recorrido que considerou que eventuais erros nos estoques apontados pelo contribuinte não alteram os cálculos do trimestre em análise, e a conclusão fiscal de que no período não há saldo de crédito presumido. E caso tivessem repercussão na escrita fiscal refeita, seria ônus da empresa demonstrar em que medida eles influíram naquele. Contudo, não foi feita prova nesse sentido. Inviável neste caso a aplicação do princípio da verdade material, pois mesmo ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Além disso, sequer realiza a recorrente a impugnação aos argumentos trazidos no acórdão recorrido, devendo ser considerado como matéria não impugnada. Discordase do argumento da Recorrente de que não há como se admitir que os seus argumentos sejam afastados sob o fundamento de que "seria ônus da empresa demonstrar em que medida eles influíram" nos cálculos em análise. Nem há como acompanhar o conceito de princípio da verdade material adotado pela Recorrente de que deveria o Agente Fiscal, antes de presumir a inexistência de qualquer crédito, intimar a ora Recorrente a apresentar os documentos que comprovassem o quanto por ela alegado. Portanto, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese considerar correto o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar o que alega. Neste sentido, a jurisprudência está já sedimentada neste Conselho. Desta forma, em especial pela falta de juntada pela contribuinte de documentos hábeis a comprovar o seu direito, assim como não ter impugnado os argumentos do acórdão recorrido, entendo que deve ser negado provimento a presente alegação. Por fim, necessário verificar dois argumentos trazidos pela recorrente: i) insurgência contra a multa confiscatória e ii) não aplicação da taxa Selic ao presente caso. Ocorre que nestes dois argumentos a contribuinte não está se referindo ao crédito que lhe foi negado, mas sim sobre o saldo devedor consequente da negativa de seu crédito, ou seja, o valor que foi sugerido à compensação. Quanto à alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, a moratória, em percentual de 20% (vinte por cento), este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Diante disso, por se tratar de matéria constitucional, deixo de analisar tal argumento. Quanto a não aplicação da taxa Selic, necessário referir ao julgamento do Superior Tribunal de justiça, quando da apreciação pela Primeira Seção daquele Tribunal do REsp 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, julgado em 10/06/2009, sob a sistemática prevista no art. 543C do CPC, em que foi entendido pela aplicação da taxa Selic para atualização de débitos tributários. Em igual sentido, possui o CARF a Súmula de nº 03, in verbis: A partir de 1º de abril de1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa Selic em matéria tributária. Em face do exposto, encaminho o voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.002921/200699 Acórdão n.º 3801004.540 S3TE01 Fl. 5 7 É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 16641.000199/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatando-se erro no acórdão, devido a lapso manifesto, acolhem-se
os Embargos, para que a decisão seja corrigida.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DA TELA DO SIPT.
Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, sem a juntada pela autoridade fiscal nos autos do processo de tela do Sistema de Preços de Terras, tendo em vista que sem respectiva tela, resta prejudicada a defesa do contribuinte em aferir se valor, localidade e período são condizentes ao imóvel rural.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). PEDIDO DO CONTRIBUINTE.
Em sendo o VTN arbitrado pela fiscalização afastado, deve ser estabelecido o VTN pleiteado pelo contribuinte em sua peça de defesa.
Numero da decisão: 2201-002.240
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201-001.650, de 19/06/2012, alterar a decisão para dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN de R$ 1.888.865,00.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora ad hoc.
EDITADO EM: 07/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Conselheiro suplente), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD e MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente).
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatando-se erro no acórdão, devido a lapso manifesto, acolhem-se os Embargos, para que a decisão seja corrigida. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DA TELA DO SIPT. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, sem a juntada pela autoridade fiscal nos autos do processo de tela do Sistema de Preços de Terras, tendo em vista que sem respectiva tela, resta prejudicada a defesa do contribuinte em aferir se valor, localidade e período são condizentes ao imóvel rural. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). PEDIDO DO CONTRIBUINTE. Em sendo o VTN arbitrado pela fiscalização afastado, deve ser estabelecido o VTN pleiteado pelo contribuinte em sua peça de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201-001.650, de 19/06/2012, alterar a decisão para dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN de R$ 1.888.865,00. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora ad hoc. EDITADO EM: 07/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Conselheiro suplente), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD e MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatandose erro no acórdão, devido a lapso manifesto, acolhemse os Embargos, para que a decisão seja corrigida. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DA TELA DO SIPT. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, sem a juntada pela autoridade fiscal nos autos do processo de tela do Sistema de Preços de Terras, tendo em vista que sem respectiva tela, resta prejudicada a defesa do contribuinte em aferir se valor, localidade e período são condizentes ao imóvel rural. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). PEDIDO DO CONTRIBUINTE. Em sendo o VTN arbitrado pela fiscalização afastado, deve ser estabelecido o VTN pleiteado pelo contribuinte em sua peça de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201001.650, de 19/06/2012, alterar a decisão para dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN de R$ 1.888.865,00. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 99 /2 00 8- 26 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc. EDITADO EM: 07/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Conselheiro suplente), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD e MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração, opostos pela Presidente da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª SEJUL que, quando da formalização do Acórdão 2201001.650, de 19/06/2012 (fls. 262 a 265), verificou a omissão acerca do arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua, conforme descrito a seguir: · O VTN declarado pelo Contribuinte foi de R$ 1.373.720,00; · O VTN arbitrado pela Fiscalização foi de R$ 3.497.731,52; e · O Contribuinte pede, em seu Recurso Voluntário, que seja aceito o VTN de R$ 1.888.865,00. Entretanto, não houve qualquer menção, por parte do Relator, a esse pedido do Contribuinte, tampouco foi mencionado tal valor, o que levou o Colegiado a restabelecer o VTN declarado. Desta feita, os Embargos foram acolhidos e o recurso retornou à pauta de julgamento. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão de Embargos, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc (fl. 268), conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia – Redatora ad hoc. Os presentes Embargos de Declaração estão previstos no art. 65, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 65, de 2009, e são aplicáveis nos casos de o acórdão conter obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Assim, os Embargos foram acolhidos para que o recurso retornasse à pauta, para que o Colegiado se pronunciasse acerca do VTN pleiteado pelo Contribuinte. Pelo Acórdão original (nº 2201001.650) restou decidido que o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) efetuado pela fiscalização não pode ser mantido, tendo em vista a ausência de tela do SIPT. Confirase trecho do Acórdão embargado: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16641.000199/200826 Acórdão n.º 2201002.240 S2C2T1 Fl. 3 3 “No que tange o VTN, a utilização do SIPT é condicionada pela observância do art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelecendo: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. do SIPT a comprovar que a observância do que dispõe a legislação, como por exemplo a aptidão agrícola. No caso em exame, entretanto, o arbitramento não se justifica porque não há nos autos a tela do SIPT a comprovar que a observância do que dispõe a legislação, como por exemplo a aptidão agrícola. Além disso a ausência do SIPT caracteriza flagrante Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 cerceamento de defesa, uma vez que impede o contribuinte de verificar a legalidade do arbitramento. Por inúmeras vezes esse colegiado vem decidindo que o SIPT sem aptidão agrícola não serve de base para o arbitramento.” Ao afastar o arbitramento, foi restabelecido o VTN reportado pelo Contribuinte na sua Declaração de ITR (DITR). Contudo, o Contribuinte, quando do Recurso Voluntário (fls. 192 e 193) requereu que fosse estabelecido o VTN de R$ 1.888.865,00, valor superior àquele reportado na sua DITR. Assim, com vistas a decidir no limite do pleito do Contribuinte, o valor a ser considerado como VTN deve ser de R$ 1.888.865,00, ou seja, aquele requerido pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário. Conclusão Por todo o acima exposto, o voto é no sentido de acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201001.650, de 19/06/2012, alterar a decisão para dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN de R$ 1.888.865,00. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721520/2010-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF Nº 43. SÚMULA CARF Nº 63.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército (fls. 7), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF Nº 43. SÚMULA CARF Nº 63. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército (fls. 7), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF Nº 43. SÚMULA CARF Nº 63. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército (fls. 7), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 15 20 /2 01 0- 18 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, em virtude de omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal CEF em decorrência de ação trabalhista (R$1.397,45, com IRRF de R$41,92) e indevida classificação de rendimentos tributáveis como isentos, no valor de R$114.332,67, porque o contribuinte não comprovou a condição de reformado. Na impugnação, o contribuinte sustentou o direito à isenção em razão de moléstia grave e apresentou laudo médico e portarias. A impugnação foi indeferida, em síntese, porque o impugnante não trouxe qualquer comprovação de que os valores recebidos na ação judicial se tratam de proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e a declaração do médico do Exército (fls. 12) não é hábil para fins da isenção porque não contém indicação de que tenha sido resultado de procedimento pericial, nem aponta delegação de competência para que o médico represente a entidade em caráter oficial na realização de perícias, sendo certo que o órgão dispõe de peritos para esse fim. A ciência da decisão efetivouse em 25/06/2013. O Recurso Voluntário foi interposto em 19/07/2013 e contém, em resumo, as seguintes razões: a) a isenção por moléstia grave não foi reconhecida por ter sido rejeitado o laudo emitido por Serviço Médico da União, embora o mesmo laudo tenha sido admitido no acórdão unânime de nº 280200.817, de 12/05/2011; b) apresenta novo laudo emitido por uma Junta Médica do Serviço Médico da União; e c) requer o reconhecimento da isenção a contar do mês da concessão da reforma (maio de 2006), sobre os rendimentos recebidos no anocalendário 2008. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de setembro de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Tratase do anocalendário 2008 e discutese o direito à isenção dos rendimentos recebidos a partir da concessão da reforma ocorrida em maio de 2006. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721520/201018 Acórdão n.º 2802003.232 S2TE02 Fl. 56 3 O cerne do litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Aqui representada pela neoplasia maligna. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). O acórdão recorrido apontou que não fora comprovado que os valores recebidos na ação judicial se tratam de proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, sobre esse ponto o recorrente não faz qualquer alegação. Não há qualquer alegação que se reporte à omissão desses rendimentos. É matéria preclusa, não integra o litígio, nesta fase recursal. Em relação aos valores recebidos do Comando do Exército, o acórdão recorrido, reconhece que são proventos de reforma, porém se ampara na premissa de que a declaração do médico do Exército (fls. 50) não é hábil para fins da isenção porque não decorreu de procedimento pericial, nem aponta delegação de competência para que o médico represente a entidade em caráter oficial na realização de perícias. O recurso voluntário é acompanhado de Laudo emitido pela Junta de Perícia Médica do Hospital Geral do Exército em Salvador (fls. 48/49), expedido em 08/07/2013, e que, após informar o diagnóstico de adenocarcinoma de próstata desde outubro de 2000, e teve como parecer que o periciado “é portador de adenocarcinoma de próstata com controle bioquímico”. A nomeclatura Adenocarcinoma significa “neoplasia maligna de epitélio glandular” (Fonte: anatpat.unicamp.br/classifneo.HTML; e http://dtr2001.saude.gov.br/sas/decas/neoplas.mansia.htm. Acesso em 23Out2014). Esse laudo atende ao requisito do art. 30 da lei 9.250/1995, estando, portanto, comprovado que o recorrente atendeu os dois requisitos para o reconhecimento da isenção sobre os rendimentos recebidos do Comando do Exército. Essa conclusão atende aos enunciados: 1. da Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. 2. da Súmula CARF nº 63: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército (fls. 7). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11075.002594/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO.
Não se aplica o prazo decadencial/prescricional previsto no art. 168, I, do CTN aos procedimentos de compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Estes procedimentos devem observância apenas aos requisitos prescritos pelo art. 74 e seguintes da Lei nº 9.430/96 e, para o caso dos autos, da Instrução Normativa SRF nº 517/05.
Numero da decisão: 3102-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a prejudicial de prescrição e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Demes Brito, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO Recorrente CEOLIN AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. Não se aplica o prazo decadencial/prescricional previsto no art. 168, I, do CTN aos procedimentos de compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Estes procedimentos devem observância apenas aos requisitos prescritos pelo art. 74 e seguintes da Lei nº 9.430/96 e, para o caso dos autos, da Instrução Normativa SRF nº 517/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a prejudicial de prescrição e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Demes Brito, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 25 94 /2 00 8- 00 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Salvador que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que, em relação à parte do crédito em litígio, teria ocorrido a decadência do direito à repetição. A ora Recorrente apresentou, originariamente, em 20/05/2008, Declaração de Compensação para que fosse reconhecido seu direito creditório relativo a valores recolhidos a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no período compreendido entre fevereiro de 1999 a outubro de 2005. Os PER/DCOMP foram analisados e indeferidos parcialmente pela DRF de Uruguaiana, sob os argumentos de que (i) a decisão judicial em Mandado de Segurança que reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins pela Lei n°9.718, de 1998, não garante o atendimento do pedido administrativo de restituição e compensação, (ii) teria operado a decadência do direito de devolução dos valores recolhidos no período de fevereiro/1999 a maio/2003, em face do que prescreve o art. 168, I, do Código tributário Nacional. Inconformada, a ora Recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando em síntese que: (i) o direito à restituição pleiteada estaria amplamente garantido na decisão proferida no Mandado e Segurança, desde fevereiro de 1999, data de início da vigência da Lei n° 9.718, de 1998, na parte excedente à receita bruta, eis que pagos indevidamente; (ii) mediante Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado foi informado pela Receita Federal ser detentor de crédito no valor de R$26.166,09, em 17/03/2008, mas a Delegacia da Receita Federal em Uruguaiana ao analisar o pedido o deferiu parcialmente, pois tomou por base não a data do trânsito em julgado da decisão judicial, mas as datas de recolhimento da Cofins, apesar de informar o deferimento do pedido na habilitação do crédito; (iii) obteve do Poder Judiciário decisão de procedência da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins, instituída pelo §1°, do art.3°, da Lei n°9.718, de 1998, com trânsito em julgado em 07/04/2006, assim, tudo que recolhera a maior desde fevereiro de 1999 se transformou em crédito passível de restituição/compensação, à luz do art.165, I do CTN, destacandose que adotou os procedimentos que deram amparo aos seus pedidos, IN SRF n°600, de 28/12/2005, art.26; (iv) o fisco ao mesmo tempo em que reconhece que houve pagamento a maior, desatende ao art.165,1 do CTN, e depois de fazer extenso arrazoado procurou demonstrar que a requerente não teria direito à compensação pleiteada porque tal fato não foi objeto da ação judicial, tornando sem efeito tudo quanto foi alegado pelo próprio fisco, porque o valor reconhecido de R$894,29 decorre do pedido reconhecido judicialmente; (v) o fisco tomou por base para não homologar as compensações a data de apresentação do DCOMP, 20/05/2008, retroagindo a cinco anos, mas por se tratar de direito assegurado por decisão judicial transitada em julgado em 07/04/2006, somente a partir desta data é que nasceu seu direito, na conformidade do art. 170A do CTN, tendo cinco anos para efetuar o pedido de restituição/compensação de pagamentos indevidos desde quando a ação foi ajuizada, em 1999; (vi) admitir tal tese do fisco é absurda, pois se na hipótese de a ação judicial demorar mais de 10 anos para seu desfecho, mesmo que reconhecido não seria exercitável. A DRJ em Salvador julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, nos seguintes termos: MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITOS. A tutela judicial que reconhece a inconstitucionalidade de dispositivo legal não garante a repetição do valor pago de Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.002594/200800 Acórdão n.º 3102002.241 S3C1T2 Fl. 12 3 tributo a maior, a menos que já tivesse sido ajuizada na respectiva ação judicial. PRAZO DECADENCIAL Declarada a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins em decisão judicial transitada em julgado, cabe a devolução com pedido cumulado de compensação na via administrativa dos recolhimentos efetivados a maior pelo sujeito passivo, obedecendose o prazo decadencial de cinco anos contados desde o recolhimento até a data do pedido, na hipótese de o contribuinte não ter requerido na via judicial. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o indeferimento do crédito pleiteado pelo ora Recorrente e a consequente não homologação da compensação declarada decorreu, exclusivamente, do reconhecimento da decadência do direito à repetição do indébito tributário. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Devese esclarecer que o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente ao precedente acima transcrito. Afinal, tratase de declarações de compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. Ocorre que, olvidouse a autoridade julgadora que a despeito de a declaração de compensação de créditos ter sido originalmente transmitida em 20/05/2008, ela teve como fundamento de pedir decisão judicial, transitada em julgado, na qual se reconheceu o indébito, protocolada em 1999, ou seja, anteriormente a 09/06/2005. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.002594/200800 Acórdão n.º 3102002.241 S3C1T2 Fl. 13 5 Neste contexto, como o pedido de reconhecimento do indébito se refere à ação judicial ajuizada muito antes da data fixada no referido precedente (09/06/20005) se lhe aplica o antigo prazo de 10 (dez) para repetição. Assim, não resta dúvida que não há razões jurídicas para, no caso concreto, reconhecer a decadência. De fato, o art. 168, do CTN, ao fixar o prazo para pleitear a restituição dos valores indevidamente pagos a título de tributo, está regulando, em última análise, o próprio prazo para a constituição do indébito tributário, seja ela em âmbito judicial ou administrativo. E não poderia ser diferente, afinal, antes de declaração específica no sentido de que os valores recolhidos pelo sujeito passivo efetivamente são indevidos não há nada a repetir. A diferença fundamental entre essas declarações reside no fato de que, em se tratando de processo administrativo, a certificação do indébito é feita no mesmo procedimento da sua devolução (pedido de compensação), já se a via eleita for a judicial, exigirseá procedimento autônomo para a devolução, que poderá ser no próprio âmbito judicial (execução de sentença/precatório) ou no administrativo (compensação com base em sentença transitada em julgado). É por conta dessas nuanças que concluo que o prazo para a “execução” de sentença transitada em julgado que reconhece o pagamento indevido não é nem de decadência nem de prescrição tributária. Já tendo sido exercitado o direito à constituição do indébito tributário, não há mais razão para evocar estes institutos, independentemente da via eleita (administrativa ou judicial). Isso não significa dizer, todavia, que o sujeito passivo não deva observar um prazo para tal. Apenas o que se está afirmando é que a partir desse momento terão aplicação apenas as normas processuais que disciplinam especificamente a “execução” de sentença na esfera administrativa e judicial. Assim, no caso concreto, a procedência ou não da pretensão da ora Recorrente requerer exclusivamente a verificação da observância dos requisitos determinados pela legislação para a compensação de créditos reconhecidos judicialmente. É o que passamos a analisar. A compensação administrativa de créditos tributários reconhecidos pelo Poder Judiciário é disciplinada pela Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Ao exercer a competência regulamentar que lhe foi outorgada por referido enunciado normativo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa SRF nº 517/05, que era a vigente à época dos autos, nos seguintes temos: Art. 3 º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1 º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo Único desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e V – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2 º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1 º , o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4 º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3 º , será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.002594/200800 Acórdão n.º 3102002.241 S3C1T2 Fl. 14 7 § 5 º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a IV do § 2 º ; ou II as pendências a que se refere o §3 º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6 º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. § 7º A apresentação da Declaração de Compensação, do Pedido Eletrônico de Restituição e do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, na hipótese prevista no caput, fica condicionada à informação do número do processo administrativo no qual tenha havido o deferimento do pedido de habilitação do crédito. Compulsando os autos verificase que é incontroverso que a ora Recorrente realizou o prévio pedido de habilitação do crédito reconhecido em sentença transitada em julgado no Processo nº 199971030007392 dentro do prazo legal e que também procedeu à renúncia da execução do título judicial. Tanto é verdade que a própria DRFURU homologou parte das compensações declaradas que se referiam aos pagamentos indevidos realizados dentro do prazo de cinco anos. Sendo assim, preenchidos os requisitos legais, não há razões jurídicas para não analisar a efetiva existência do crédito da ora Recorrente. Por fim, vale esclarecer que o contribuinte de fato exerceu o seu direito ao reconhecimento do indébito na via judicial. A circunstância de ter se valido de Mandado de Segurança para tal, bem como a inexistência de comando específico autorizado a compensação não compromete a existência do reconhecimento pelo Poder Judiciário dos pagamentos indevidos. É isso e apenas isso que é relevante para que se possa falar em execução de indébito reconhecido judicialmente. Também foi este o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 330100.156, sob a relatoria do Conselheiro Mauricio Taveira e Silva: Por outro lado, a decisão judicial transitada em julgado, consoante o art. 468 do CPC, tem força de lei entre as partes. Nesse sentido releva observar que, em conformidade com o art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Assim, se o crédito tributário devido se encontrava em discussão, somente após a decisão final é que se pode verificar a extinção do crédito tributário. Nesse passo, importante mencionar a Súmula n° 150 do STF, a qual registra: "Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação." Nesse contexto, o art. 1° do Decreto n° 20.910/32 preceitua um prazo prescricional quinquenal, nos seguintes termos: “Art. 1º As dividas passivas da união, dos Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem”. Destarte, no presente caso, o trânsito em julgado da decisão que reconheceu, individualmente, a inconstitucionalidade daqueles Decretosleis, ocorreu em 16/08/1999 e suas declarações de compensação se deram de 21 de maio a 10 de dezembro de 2002, dentro, portanto, do prazo prescricional, consoante entendimento supramencionado. A corroborar o que fora posto, trazse à colação a ementa do acórdão que abaixo se transcreve: COMPENSAÇÃO AUTÔNOMA REGIDA PELO ART. 66, 1º DA LEI 8383/91. TITULO JUDICIAL. EFEITOS COISA JULGADA. COMPENSAÇÕES INFORMADAS EM DCTF DENTRO DO PRAZO DE CINCO ANOS DO TRÂNSITO EM JULGADO. FORMULÁRIO SUBSEQUENTE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO MERAMENTE INFORMATIVO, E, PORTANTO, NÃO CONSTITUTIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE AFASTADA (Acórdão 30333858; Recurso 133848; Relator Nilton Luiz Bartoli; Data da Sessão 05/12/2006) (destaquei) Ademais, neste caso, a contribuinte iniciou seu pleito jurisdicional em 1992, ocorrendo o trânsito em julgado das ações em 1999 e, a contrario sensu da máxima "o direito não protege os que dormem", a contribuinte nunca esteve inerte na busca do que entendeu devido. Postas essas razões jurídicas, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para afastar a preliminar de perda do prazo para apresentar pedido de compensação do indébito de COFINS, cabendo à unidade de origem apurar os créditos financeiros da Recorrente, nos termos determinados na decisão judicial transitada em julgado e homologar os débitos até o limite do crédito reconhecido. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 14041.720014/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrilizados IPI, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2011 e 2012, no valor total de R$ 7.472.767,15, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de Auto de Infração (fls. 263/269) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente aos períodos de apuração de maio, julho a dezembro de 2011; e janeiro, fevereiro, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .7 20 01 4/ 20 13 -0 2 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 385 2 junho a dezembro de 2012. Foram lavrados, ainda, os Termos de Sujeição Passiva Solidária às folhas 275/280. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 270/274) que: Conforme acompanhamento realizado por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por meio dos processos administrativos de n° 11853.000391/200811 e n° 11853.000392/200858, a fiscalizada ajuizou, em 07 de junho de 2005, a ação ordinária de n° 2005.34.00.0164604 com o objetivo, dentre outros, de que fosse reconhecida a classificação de determinados produtos de sua fabricação na posição 2309.90.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, constante da Tabela de Incidência do IPI Tipi, cuja alíquota é 0 (zero), bem como a não incidência do imposto para os produtos acondicionados em embalagens cujo peso ultrapassasse os 10 (dez) quilogramas. Vale registrar que a empresa já pretendeu classificar três dos produtos que fabrica (dois deles mencionados na referida ação ordinária) na posição ora mencionada, mediante consulta a esta RFB, cuja decisão constante da Solução de Consulta SRRF/1ª RF/Diana n° 6, de 28 de outubro de 2004, foi no sentido de que os produtos objeto da consulta caracterizados como alimentos para cães e gatos acondicionados para venda a retalho classificamse no código 2309.10.00 da NCM, cuja alíquota na Tipi é de 10 (dez) por cento. Amparada na ação judicial ora referida, a partir do período de apuração de novembro/2005, a empresa passou a realizar depósitos judiciais dos débitos de IPI apurados por seu estabelecimento matriz e declarados a esta RFB , que se encontram com sua exigibilidade suspensa. No entanto, no anocalendário de 2011 foram efetuados depósitos suficientes para suspender a exigibilidade dos débitos declarados somente para os períodos de janeiro a abril, e junho, situação que se repetiu no curso do anocalendário de 2012, quando foram depositados valores tão somente para os períodos de março, abril ambos também suficientes para suspender os débitos declarados, e maio, cujo débito não foi declarado à RFB, encontrandose, portanto, exigível. Cumpre ainda destacar que, conforme consta da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 16 de novembro de 2012 registrada na Junta Comercial do Distrito Federal sob o n° 20120909103, foi aprovada a incorporação da fiscalizada pela empresa FVO Brasília Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. CNPJ sob o n° 08.471.163/000164. Como até o presente momento não foram realizados os procedimentos necessários junto a esta RFB para a efetiva incorporação da empresa Basa Alimentos S/A, esta permanece existindo de pleno direito, como prevê o Protocolo de Incorporação apresentado pela fiscalizada. II. DO PROCEDIMENTO FISCAL (...) Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 386 3 Finalmente, em 18/06/2013, a empresa informou, em resposta ao Termo Constatação e de Intimação Fiscal n° 001, que realmente não depositou judicialmente as diferenças apuradas por esta Fiscalização, bem como apresentou recibo de entrega da DCTF retifícadora referente ao período de maio/12, com a informação do débito de IPI que fora depositado judicialmente. III. INFRAÇÃO APURADA 1) FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI Como assinalado nos tópicos anteriores, a empresa questiona judicialmente a exigibilidade do IPI mudança na classificação de determinados produtos e não incidência para produtos em situação específica, e vem realizando desde o ano de 2005 depósitos judiciais integrais dos débitos do imposto apurados por seu estabelecimento matriz, depósitos esses suficientes para suspender a exigibilidade desses débitos. Consultandose os processos administrativos de n° 11853.000391/200811 e n° 11853.000392/200858, que controlam os débitos do IPI discutidos pela empresa na ação ordinária de n° 2005.34.00.0164604, as informações dessa ação apresentadas pela fiscalizada, bem como o andamento do processo no sítio da Seção Judiciária do Distrito Federal, podese verificar que inexiste decisão de mérito favorável à empresa, nem mesmo em sede de liminar. Ou seja, os débitos do IPI apurados pela fiscalizada e não amparados por depósitos judiciais, não se encontram com sua exigibilidade suspensa. Ante o exposto, e considerando o conjunto de informações apresentado pela empresa, os dados obtidos via Sped por esta Fiscalização referentes às notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada, bem como a retificação da DCTF relativa ao período de maio/12, elaborou se a Tabela 01 a seguir que demonstra os valores dos saldos devedores do IPI referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012 que estão sendo lançados de ofício mediante o presente Auto de Infração, com fundamento nos arts. 24, incisos II e III, 181, 183, 186, 259, 260, inciso IV, e 262, inciso III, do Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Ripi/2010): (...) V RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), em seu art. 124, inciso II, prevê que as pessoas expressamente designadas por lei respondem solidariamente pelo crédito tributário. Nesse contexto, o art. 8º do DecretoLei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, dispôs de forma expressa que os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado entendase como aqueles que detêm o poder de decisão respondem solidariamente pelos créditos decorrentes do não recolhimento do IPI, sendo essa responsabilidade restrita ao período da respectiva administração, gestão ou representação. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 387 4 Na situação em tela, a fiscalizada foi constituída sob a forma de uma sociedade anônima de capital fechado, sendo administrada por uma diretoria composta de 3 (três) diretores eleitos por três anos pela assembléia geral, conforme prevê seu estatuto social. Uma vez que a fiscalizada deixou de recolher o IPI apurado nos anoscalendário de 2011 e 2012, cumpre verificar quem efetivamente administrava a empresa nesses períodos. Conforme consta da Ata da Assembléia Geral Ordinária da empresa realizada em 20 de julho de 2009 registrada na Junta Comercial do Distrito Federal sob o n° 20090657799, foram reeleitos para o triênio 2009/2012 os então diretores Sr. Valério Folador, CPF sob o n° 214.072.15787 – como Diretor Presidente e Sr. Laerte Antônio de Oliveira, CPF sob o n° 042.735.91715 como Diretor Comercial) permanecendo vago o cargo de Diretor Superintendente. Já na Ata da Assembléia Geral Ordinária da empresa realizada em 30 de abril de 2012 registrada na Junta Comercial do Distrito Federal sob o n° 20120582422, constatouse que foram reeleitos para o triênio 2012/2014 os então diretores Sr. Valério Folador como Diretor Presidente e Sr. Laerte Antônio de Oliveira como Diretor Comercial, bem como eleitos o Sr. José Marcos Zandonadi, CPF sob o n° 244.114.50704 como Diretor Administrativo e o Sr. José Waldyr Machado Vasconcellos Júnior, CPF sob o n° 008.112.14745 como Diretor Comercial Filial Viana/ES, todos assumindo seus cargos a partir do dia 01 de janeiro de 2012. Ante o exposto, e considerando que os valores lançados no presente Auto de Infração referemse aos saldos devedores do IPI apurados tão somente pelo estabelecimento matriz da empresa, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Valério Folador e do Sr. Laerte Antônio de Oliveira pela totalidade dos créditos tributários lançados de ofício, bem como do Sr. José Marcos Zandonadi tão somente pelos créditos referentes ao anocalendário de 2012. O Auto de Infração e os Termos de Sujeição Passiva foram cientificados aos sujeitos passivos em 27/06/2013, que em 29/07/2013 apresentam impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Nos termos do art. 135, III, do CTN, o gestor da pessoa jurídica responderá pelos créditos tributários advindos dos atos ilícitos que praticar, tratandose de responsabilidade subjetiva que exige a comprovação, a cargo do credor, de que o não recolhimento do tributo resultou da atuação dolosa ou culposa do administrador; 2. O mero inadimplemento, a insuficiência patrimonial ou a cessação das atividades da empresa sem o pagamento dos valores devidos, isoladamente consideradas, não determinam a responsabilização do sóciogerente; 3. A esse respeito, a Súmula n° 430 do STJ dispõe que “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente"; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 388 5 4. A obrigação pelos tributos, portanto, somente poderá ser direcionada contra os sóciosgerentes ou administradores quando concretizada e suficientemente provada alguma das hipóteses que impõem a responsabilidade tributária, e, com efeito, a sujeição dos mandatários da empresa à execução de créditos fiscais somente se legitimará quando evidenciada uma prática ilícita subjacente, sob pena de se operar responsabilidade objetiva, rechaçada pela jurisprudência; 5. Postas essas premissas, devese ressaltar que o art. 8º do Decreto Lei nº 1.736, de 1979, apesar de aparentemente encontrar apoio no art. 124, II, do CTN, contrasta com as normas gerais do Código Tributário a respeito da responsabilidade pelos créditos tributários, não se cogitando, dessa sorte, de responsabilização dos gerentes quando não houver elementos caracterizadores de atuação dolosa; 6. Sendo assim, não há como responsabilizar os gestores pela simples aplicação do art. 8º do DL 1.736, de 1979, sem a presença dos pressupostos da responsabilização tributária, conforme jurisprudência nesse sentido; 7. Na hipótese presente, o Auditor Fiscal não demonstrou a prática pelos ora Impugnantes de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, limitandose a afirmar que o art. 8º do Decreto nº 1.736, de 1979, prevê que os diretores respondem solidariamente pelo não recolhimento do IPI; 8. No caso em tela, portanto, nada aponta no sentido da ocorrência dos fatos previstos pelo art. 135 do CTN, razão pela qual merece ser afastada a responsabilização tributária dos diretores da empresa; 9. Quanto à classificação fiscal, é correto o código adotado pela impugnante, 2309.90.10; 10. Ademais, impende verificar que a cobrança de IPI sobre as preparações balanceadas somente seria cabível quando esses produtos estiverem acondicionados em embalagens de até 10kg (dez quilogramas), pois a Lei n° 4.502, de 1964, que em sua anexa Tabela instituiu a incidência do IPI sobre rações (alimentos para animais), veio a ser alterada pelo Decretolei n° 400/68, cujo artigo 2º dispôs que a incidência do IPI passou a recair sobre os produtos que menciona na hipótese desses estarem acondicionados em unidades de até 10 kg, e que, em relação às unidades acondicionadas em embalagens com capacidade de peso superior, a legislação não fez qualquer referência, caracterizando, pois, nítida hipótese de não incidência; 11. Aliás, o Executivo Federal já reconheceu tal realidade, tanto que no Regulamento do IPI da época (Decreto n° 73.340, de 1973) lançou a Nota Complementar n° 231 na abertura do Capítulo n° 23 da TIPI; 12. A legislação havia reconhecido a não incidência do IPI, desrespeitada a partir do advento do Decreto n° 89.241, de 1983, e posteriores tabelas anexas aos regulamentos do IPI; 13. Analisandose a atual TIPI, percebese que o Executivo utiliza como subterfúgio elencar duas classificações fiscais, 2309.10.00 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 389 6 (alimentos para cães ou gatos, acondicionados para venda a retalho) ou 2309.90.90 (outras Ex 01 preparações alimentícias para cães ou gatos, não acondicionadas para a venda a retalho), lhes distinguindo para a venda a retalho ou não, fortalecendo, entretanto, a pretensão de uma alíquota de 10% (dez por cento) para qualquer dos casos; 14. Para reconhecerse o direito da impugnante, basta compreender que o Decreto n° 89.241, de 1983, suprimira o texto da Nota Complementar n° 231, considerando a incidência do IPI tanto em relação aos produtos acondicionados em unidades inferiores a 10 kg como em relação aos produtos acondicionados em embalagens com capacidade superior; 15. Em nenhum momento o Decretolei nº 1.199, de 1971, autorizou o Poder Executivo a instituir nova hipótese de incidência para o IPI, que havia sido excluída com o advento do DL nº 400, de 1968, artigo 2º, não sendo de se admitir qualquer imposição que venha a onerar as preparações para cães e gatos acondicionadas em unidades superiores a 10kg; 16. Há, pois, ilegitimidade do Decreto nº 89.241, de 1983, na parte em que ampliou a hipótese de incidência, ilegitimidade que perduraria ainda que o Decretolei nº 1.199, de 1971, contivesse autorização para tanto, porquanto implicaria delegação de poder legislativo; 17. Transcrevese jurisprudência que corroboraria seus argumentos, tais como julgados dos Tribunais Regionais Federais – TRF da 2ª e da 4ª Regiões, do Superior Tribunal de Justiça (RE nº 953519) e do Supremo Tribunal Federal (RE nº 160.392SP); 18. Nessa linha, não restam dúvidas de que os Tribunais Pátrios consagram a correta classificação fiscal das rações produzidas pela Impugnante na posição 2309.90.10 da TIPI, correspondente à anterior classificação fiscal n° 2309.90.0200, bem como lhe atribui a não incidência do IPI para as unidades acondicionadas em embalagens acima de 10 kg, impondose, pois, o cancelamento do auto de infração em comento, por totalmente dissociado ao entendimento da doutrina e jurisprudência atuais; 19. Ante o exposto, requer: (a) preliminarmente, que seja reconhecida a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva, ante a ilegitimidade passiva dos diretores da empresa Impugnante, já que não incorreram em nenhuma das hipóteses do art. 135 do CTN; (b) que seja julgada integralmente procedente a impugnação, reconhecendo a correta classificação dos produtos fabricados pela Impugnante na subposição 2309.90.10 da TIPI, e da ocorrência do fenômeno da não incidência para os produtos acondicionados em embalagens cujo peso ultrapasse os 10 (dez) quilogramas, com a consequente declaração da inexistência de relação jurídico tributaria válida para autorizar a cobrança de IPI sobre os referidos produtos, cancelandose o auto de infração; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 390 7 (c) caso assim não se entenda, seja, desde logo, decretada a suspensão dos atos executórios até o julgamento definitivo da ação ordinária no 2005.34.00.016404. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1534.389, de 26/12/2013 (fls. 321 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011, 31/07/2011 a 29/02/2012, 30/06/2012 a 31/12/2012 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, inexistindo, no âmbito das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, previsão legal para o sobrestamento do seu julgamento. DIRETORES DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Ausente a imputação de atos cometidos pelos diretores da pessoa jurídica que possam ser enquadrados no artigo 135 do Código Tributário Nacional, excluemse do polo passivo as pessoas físicas consideradas como sujeitos passivos solidários. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011, 31/07/2011 a 29/02/2012, 30/06/2012 a 31/12/2012 ALIMENTOS PARA CÃES E GATOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A opção do contribuinte pela via judicial para discussão da mesma matéria, objeto de processo fiscal, implica a desistência da esfera administrativa, que se submete à determinação daquele Poder. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 347 e ss., por meio do qual repete os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 14041.720014/201302 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 391 8 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento do IPI referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2011 e 2012. Afirma o relator da decisão recorrida, com base no Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/274, que a matéria controvertida está sendo discutida em sede judicial (exceto , obviamente, a questão da responsabilidade solidária). Todavia, não há nos autos cópia da petição inicial e das decisões judiciais prolatadas na ação ordinária n° 2005.34.00.0164604, necessárias para verificar se, de fato, os objetos da ação judicial e do presente processo administrativos são idênticos. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem intime a Recorrente para promover a entrega da petição inicial objeto do processo judicial n.º 2005.34.00.0164604 e das decisões judiciais neste prolatadas e certificar o estado em que esta se encontra. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 391DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI
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