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Numero do processo: 10875.002132/2004-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DA EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.
Ano-calendário: 1999
LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. REDUÇÃO DO ROL DE ATIVIDADES VEDADAS AO SIMPLES. IRRETROATIVIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO DE NENHUMA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ARTIGO 106 DO CTN.
Não retroage a lei complementar n° 123, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade previstas no artigo 106 do CTN. Primeiro porque não se constitui em lei interpretativa; segundo porque não pertence, a matéria, à seara das infrações tributárias.
Numero da decisão: 9101-001.021
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DA EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. Anocalendário: 1999 LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. REDUÇÃO DO ROL DE ATIVIDADES VEDADAS AO SIMPLES. IRRETROATIVIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO DE NENHUMA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ARTIGO 106 DO CTN. Não retroage a lei complementar n° 123, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade previstas no artigo 106 do CTN. Primeiro porque não se constitui em lei interpretativa; segundo porque não pertence, a matéria, à seara das infrações tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 157DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamentos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann, Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte foi excluído do Simples por exercer atividade econômica não permitida. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 04/15 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 67/69 dos autos, indeferiu a solicitação do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 ENSINO MÉDIO. VEDAÇÃO. As pessoas jurídicas cuja atividade compreenda a exploração do ramo de ensino médio estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 73/83 dos autos. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, às fls. 87/92 dos autos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Eis a ementa do julgado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS DE CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 158DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 3 3 AnoCalendário: 1999. SIMPLES. ATIVIDADE NÃO VEDADA. Não estão impedidas de optar pelo sistema de tratamento diferenciado e favorecido dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, as pessoas jurídicas que ofereçam cursos de nível técnico, nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial com fundamento em divergência jurisprudencial, no que tange à aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/2006. Alegou que, quando da exclusão, a atividade desenvolvida pelo contribuinte encontravase no rol das atividades vedadas à opção pelo Simples, restando incabível a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123, que, posteriormente, a excluiu daquela lista. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 126/133 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A questão que se deve decidir consiste em se saber se a Lei Complementar n° 123/06, que inaugurou o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, retroage, no que se refere às hipóteses de vedação de opção pelo Simples, para beneficiar o contribuinte que, excluído com base na Lei n° 9.317/96, não mais o seria com base naquela Lei Complementar. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo (recurso especial n° 1.021.263), analisou tema semelhante, referente à irretroatividade da Lei n° 10.034/2000, exteriorizando o entendimento da Corte no seguinte sentido: Fl. 159DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 4 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º, DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. 1. A Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (revogada pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006), dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, instituindo o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2. O inciso XIII, do artigo 9º, do aludido diploma legal, ostentava o seguinte teor: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)" 3. A constitucionalidade do inciso XIII, do artigo 9º, da Lei 9.317/96, uma vez não vislumbrada ofensa ao princípio da isonomia tributária, restou assentada pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, quando do julgamento da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643DF, oportunidade em que asseverou: "... a lei tributária esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e os profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º, do art. 145, da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto, é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo." (ADIMC 1643/UF, Rel. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 5 5 Ministro Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgado em 30.10.1997, DJ 19.12.1997) 4. A Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, alterou a norma inserta na Lei 9.317/96, determinando que: "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental ." 5. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu artigo 24, assim dispôs: "Art. 24. Os arts. 1o e 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e préescolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V – agências terceirizadas de correios; VI – (VETADO) VII – (VETADO)' (NR) (...)" 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 161DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 6 6 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." 7. Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 1056956/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no REsp 1043154/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 16/02/2009; AgRg no REsp 611.294/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 19/12/2008; REsp 1.042.793/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 21.05.2008; REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 07.02.2008; e REsp 721.675/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23.08.2005, DJ 19.09.2005). 8. In casu, à data da impetração do mandado de segurança (07/07/1999), bem assim da prolatação da sentença (11/10/1999), não estava em vigor a Lei 10.034/2000, cuja irretroatividade reveste de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Aliás, neste sentido, tem decidido, recentemente, a 1° Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da seguinte ementa: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 1401 00.338 em 02/09/2010 SIMPLES EXCLUSÃO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EMENTA Anocalendário: 1997 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA Conforme dispõe o item XIII do artigo 9° da Lei IV 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de professor ou assemelhados.LEI COMPLEMENTAR N° 123/2006. RETROATIVIDADE. BENIGNA IMPOSSIBILIDADE. O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar n° 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei n° 9.317/96. Tal situação não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente Fl. 162DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 7 7 as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Publicado no DOU em: 14.03.2011 Recorrente: W BLUMENAU SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA ME Recorrida: FAZENDA NACIONAL Com efeito, no caso não se vislumbra hipótese cabível de retroatividade da Lei Complementar n° 123. Isto porque, também aqui, tanto quanto na hipótese discutida no recurso repetitivo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, não se caracteriza quaisquer dos casos previstos de retroatividade, conforme estabelecido no artigo 106 do Código tributário Nacional, que dispõe nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática De fato, em primeiro lugar, temse que a Lei Complementar não é expressamente interpretativa. Pelo contrário, os seus artigos 88 e 89 estabelecem que: Art. 88. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, ressalvado o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, que entra em vigor em 1o de julho de 2007. Art. 89. Ficam revogadas, a partir de 1o de julho de 2007, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. Não faz, destarte, a lei, qualquer menção à sua aplicabilidade retroativa, sobre os dispositivos constantes da Lei n° 9.317/96. Pelo contrário, prevê, de forma expressa, a revogação desta lei. Ora, como poderia uma norma ser interpretativa da norma que revoga? Ademais, lei expressamente interpretativa, por sua própria natureza, não inova no ordenamento jurídico, senão que se refere apenas e tãosomente ao ordenamento já Fl. 163DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 8 8 existente quando do seu surgimento. Não é, sem dúvida, o que se dá com a Lei Complementar n° 123. Por outro lado, não incidem, outrossim, as demais hipóteses de retroatividade da lei, conforme previsto no artigo 106, inciso II, do CTN. Este dispositivo referese, exclusivamente, à superveniência de lei mais branda, mais benigna, em se tratando de matéria concernente, tãosomente, às infrações tributárias. Neste sentido, Eduardo Sabbag, ao cuidar do artigo 106, inciso II, do CTN, esclarece que: “O supracitado dispositivo, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato. (...) Nessa medida, o dispositivo protetor dá azo à retrooperância da lei mais branda, intitulada Lex mitior, na esteira da retroatividade benéfica ou benigna em Direito Tributário, exclusivamente para as infrações”. 1 Inequivocamente, não pertence, a matéria ora em julgamento, à seara infracional do direito tributário. As normas que a integram, assim como no Direito Penal, atendem a uma estrutura característica, composta pelo preceito primário, na qual se prevê a conduta proibida, o fato típico; e pelo preceito secundário, consistente na sanção conseqüente à prática do fato descrito no tipo. No presente caso, cuidase apenas de rol de atividades, antes previstas na Lei n° 9.317/96, e hoje na Lei Complementar n° 123/06, proibidas de serem exercidas pelo contribuinte que pretende optar pelo Simples. Tratase, pois, tãosomente de condições à participação do contribuinte no Simples. Neste sentido: “Quanto à segunda exceção legal, também se entremostra impossível a sua configuração. Isso porque as leis em cotejo não versam, absolutamente, sobre infrações ou penalidades. Em termos mais claros: a opção do contribuinte pelo Simples em desacordo com a Lei n° 9.317/96 não é tipicamente uma infração, nem tampouco a sua exclusão da sistemática simplificada pode ser admitida como uma penalidade. A retroatividade benigna contemplada pela regra em comento deita raízes no Direito Penal, fonte na qual se deve buscar inspiração para interpretação em análise. Nesse cenário, a infração tributária deve ser entendida como o descumprimento de uma ordem emanada da norma, o cometimento de um ato ilícito, uma afronta a um fazer ou não fazer expressamente ditado pelo legislador. A penalidade, por sua vez, é uma decorrência dessa inobservância, e tem caráter nitidamente punitivo, sancionador a exemplo de aplicação de multa. 1 SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009.p. 158/159. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002132/200472 Acórdão n.º 9101001.021 CSRFT1 Fl. 9 9 A par disso, o que se tem na hipótese ora debatida não é infração, nem penalidade, mas, isto sim, um programa governamental de incentivo previsto em lei, no qual se delimitam condições aos pretensos participantes para que nele possam ingressar. Aqueles que preenchem os requisitos podem ser inseridos no Simples; caso contrário não será autorizado o ingresso ou a permanência no regime simplificado. Se os dispositivos das normas em apreço versam particularmente sobre requisitos de acesso a um regime tributário especial voltado a determinadas empresas, é inconcebível rotulálos como veículos legislativos que estabelecem infrações”. 2 Diante disso, tendo em vista não se enquadrar, a Lei Complementar n° 123, em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional, não há como se aquiescer com o desfecho dado ao caso pelo órgão a quo. Em face do exposto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, para restaurar a decisão de primeira instância. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann 2 JÚNIOR, Bernardo Alves da Silva. A Injuricidade da Aplicação Retroativa da Lei Complementarn° 123/06 para a Reinclusão de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no Regime do Simples. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169. Outubro de 2009. p. 21. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000008/2006-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos
preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicá-la.
HIPÓTESES DE EXCLUSÃO OU EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. HIPÓTESES DE EXCLUSÃO OU EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16641.000008/200664 Acórdão n.º 210201.595 S2C1T2 Fl. 88 2 Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra LIVIO MARTINS DE LIMA foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, exercícios 2003, 2004 e 2005, no valor total de R$ 27.689,17, incluindo multa de ofício majorada, no percentual de 112,5%, e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2006. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 13/15, foram dedução indevida de contribuição previdenciária oficial, no valor de R$ 4.264,56, no anocalendário 2003, dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 1.272,00, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 1.998,00, no anocalendário 2004 e dedução indevida de despesas médicas, nos valores de R$ 13.550,00, R$ 14.074,60 e R$ 18.255,50, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 51/55, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento para restabelecer as seguintes deduções: mais um dependente, no valor de R$ 1.272,00, para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004 e contribuição previdenciária oficial, no valor de R$ 4.264,56, no anocalendário 2003 e reduzir o percentual da multa de ofício para 75%, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1020.814, de 01/09/2009, fls. 66/74. Cientificado da decisão de primeira instância, em 25/09/2009, fls. 75, o contribuinte apresentou, em 14/10/2009, recurso voluntário, fls. 78/82, onde requer o que se segue: (i) que seja declarada a nulidade do processo fiscal, em razão de o contribuinte não ter participado do procedimento fiscal, dado que as intimações foram encaminhados para seu antigo endereço. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16641.000008/200664 Acórdão n.º 210201.595 S2C1T2 Fl. 89 3 (ii) que seja concedida a remissão total ou parcial do crédito tributário, pois que o caso em questão pode ser entendido como erro escusável do sujeito passivo, e (iii) que seja arquivado o presente processo e extinta qualquer execução fiscal, em face do princípio da insignificância do valor em questão. É o Relatório Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16641.000008/200664 Acórdão n.º 210201.595 S2C1T2 Fl. 90 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na defesa o contribuinte sustenta que seria nulo o lançamento por ter seu direito de defesa cerceado, dado que não pode participar do procedimento fiscal. Nesse sentido, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Logo, o fato de o contribuinte não ter sido devidamente cientificado do Termo de Intimação, fls. 25, pois que encaminhado, por via postal, para seu antigo endereço, em nada prejudicou sua defesa. Cuida o lançamento de glosa de deduções da base de cálculo do imposto, por falta de comprovação. Logo, comprovadas as deduções, na fase de impugnação ou de recurso, as deduções seriam prontamente restabelecidas, conforme de fato ocorreu quando da decisão de primeira instância. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. O contribuinte requer, ainda, que seja concedida a remissão total ou parcial do crédito tributário, pois que o caso em questão pode ser entendido como erro escusável do sujeito passivo e que seja arquivado o presente processo e extinta qualquer execução fiscal, em face do princípio da insignificância do valor em questão. De imediato, vale dizer que a remissão somente pode ser concedida pela autoridade administrativa, que jurisdiciona o contribuinte, sendo certo que o artigo 172 do Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) estabelece a necessidade de lei para a concessão de remissão total ou parcial do crédito tributário. E mais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Logo, devese manter a decisão recorrida. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16641.000008/200664 Acórdão n.º 210201.595 S2C1T2 Fl. 91 5 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 97DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006041/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais
dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19647.006041/200717 Recurso nº 250.796 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.282 – 2ª Turma Sessão de 08 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FCA SERVIÇOS E CONSULTORIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido Carlos (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório FCA SERVIÇOS E CONSULTORIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.010.1022, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos contribuintes individuais e segurados empregados, inclusive a alimentação “in natura” concedida sem a devida inscrição/convênio no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, infringindo o disposto no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, caracterizando salário indireto, em relação ao período de 01/1999 a 11/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 79/84. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da SRP em Recife/PE, DN nº 15.401.4/0175/2007, às fls. 141/147, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6ª Câmara, em 05/11/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20601.507, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 19647.006041/200717 Acórdão n.º 920201.282 CSRFT2 Fl. 2 3 sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 209/217, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho nº 2400255/2009, às fls. 218/219. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte não ofereceu suas contrarrazões, conforme documentos de fls. 221/223. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, tratase de notificação fiscal exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações (prólabore) dos contribuintes individuais/administradores e dos segurados empregados a título de Alimentação “in natura”, sem a devida inscrição no PAT, contrariando a legislação de regência, configurando, por conseguinte, salário indireto. Objetivando melhor análise da demanda, com mais especificidade, extraise do Relatório Fiscal, às fls. 79/84, que o presente lançamento contempla os seguintes levantamentos e períodos: 1) PNG – Prólabore não declarado em GFIP – 01/1999 a 08/2002; 2) ANG – Autônomos não declarados em GFIP – 07/2000 a 02/2005; 3) SUA – Salário Utilidade Alimentação – 01/2001 a 11/2005. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, por entender em sua maioria ter havido antecipação de pagamento, restando decaída integralidade do crédito tributário, nos termos da parte dispositiva do Acórdão recorrido, in verbis: “ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por Maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas no levantamento PNG até' 08/2001, vencidas as conselheiras Bernadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por declarar a decadência somente até a competência 11/2000; III) por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas no levantamento SUA até 08/2001, vencidas as conselheiras Bernadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por declarar 'a decadência somente até a competência 06/2001; IV) por unanimidade de votos, declarouse a decadência das contribuições apuradas no levantamento ANG até 12/2000, e V) no mérito, em negar provimento ao recurso. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.” Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 19647.006041/200717 Acórdão n.º 920201.282 CSRFT2 Fl. 3 5 legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Com o fito de delimitar a matéria a qual será submetida à análise nesta oportunidade, em face do recurso interposto pela Procuradoria, com esteio no inciso I, do artigo 7o, do RICSRF, somente contemplaremos em nosso voto os levantamentos PNG e SUA, acima discriminados, uma vez que o acolhimento da decadência no levantamento ANG se deu por unanimidade de votos, o que afasta o alcance da presente peça recursal somente viável em decisões tomadas por maioria de votos. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 6 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 19647.006041/200717 Acórdão n.º 920201.282 CSRFT2 Fl. 4 7 lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 8 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entrementes, mister, ainda, constatar se houve ou não pagamento e/ou outro procedimento do contribuinte nesse sentido, porquanto, em que pese não compartilhar com este entendimento, parte dos julgadores defendem ser determinante/relevante à aplicação do prazo decadencial, senão vejamos. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, relativamente ao levantamento SUA, por tratase de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, uma vez que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Igualmente, para o levantamento PNG, vislumbramos a existência de recolhimentos no período de 12/2000 a 08/2001, ainda controverso, como se verifica do RDA e RADA, às fls. 38/40 e 45/48, respectivamente. Assim, ocorrendo à comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua maioria, pela aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 13/09/2006, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, às fls. 140, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 08/2001, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 19647.006041/200717 Acórdão n.º 920201.282 CSRFT2 Fl. 5 9 Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 23/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 13907.000165/00-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS;
DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E OUTROS INSUMOS QUE NÃO INTEGRARAM O PRODUTO FINAL; RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE
TERCEIROS; E ATUALIZAÇÃO SELIC.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas.
DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS.
Não cabe recurso especial que verse sobre matéria já sumulada pelo CARF. DESPESAS HAVIDAS COM LUBRIFICANTES E OUTROS INSUMOS
QUE NÃO INTEGRARAM O PRODUTO FINAL
Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima, de produto intermediário ou de material de embalagem. Não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, os produtos que não se integrem ao produto final,
nem forem consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS
INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS.
Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se
no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros.
Recurso do Sujeito Passivo
Parcialmente Conhecido, e, na Parte Conhecida, Provido Parcialmente.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA SELIC.
No ressarcimento/compensação
de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais
obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: 9303-001.606
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em relação ao recurso especial do sujeito passivo: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante ao
creditamento dos valores relativos à energia elétrica e aos combustíveis, por se tratar de matéria sumulada; e b) na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao
recurso, para determinar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores correspondentes às matérias-primas
adquiridas de pessoas físicas; e, na receita de exportação,
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Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em relação ao recurso especial do sujeito passivo: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante ao creditamento dos valores relativos à energia elétrica e aos combustíveis, por se tratar de matéria sumulada; e b) na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores correspondentes às matérias-primas adquiridas de pessoas físicas; e, na receita de exportação, do valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total na parte conhecia.
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As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Não cabe recurso especial que verse sobre matéria já sumulada pelo CARF. DESPESAS HAVIDAS COM LUBRIFICANTES E OUTROS INSUMOS QUE NÃO INTEGRARAM O PRODUTO FINAL Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima, de produto intermediário ou de material de embalagem. Não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, os produtos que não se integrem ao produto final, nem forem consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Recurso do Sujeito Passivo Parcialmente Conhecido, e, na Parte Conhecida, Provido Parcialmente. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA SELIC. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em relação ao recurso especial do sujeito passivo: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante ao creditamento dos valores relativos à energia elétrica e aos combustíveis, por se tratar de matéria sumulada; e b) na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores correspondentes às matériasprimas adquiridas de pessoas físicas; e, na receita de exportação, do valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total na parte conhecia. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Recurso Voluntário interposto ante a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o indeferimento de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base na Lei 9.363/96, no valor de R$ 1.130.420,61, (um milhão, cento e trinta mil, quatrocentos e vinte reais e sessenta e um centavos). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13907.000165/0001 Acórdão n.º 930301.606 CSRFT3 Fl. 715 3 O Colegiado de Primeiro Grau às fls. 476/484, através do Acórdão DRJ/STM nº 4.706, de 07 de outubro de 2005, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade pelas seguintes razões: a) não integram a receita de exportação, para fins de crédito presumido, o valor das vendas ao exterior de produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização; b) que as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não dão direito ao crédito em face da não tributação dos referidos alienantes; c) não compete à Autoridade decidir sobre a legalidade ou constitucionalidade de atos baixados pelo Poder Executivo ou Legislativo. Inconformado com a decisão retromencionada, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, de fls. 512/527, alegando, em suma, que as mercadorias adquiridas de terceiros geram direito ao crédito, vez que a lei que criou o incentivo o garante ao exportador, independentemente deste ter produzido ou não o produto, não podendo a autoridade administrativa restringir tal benefício. Já os produtos adquiridos de produtores rurais (pessoas físicas) também deveriam ser levados em consideração no cálculo do crédito presumido porque tais produtores são contribuintes do PIS e COFINS, pois, tanto a Lei n° 9.715/98, que dispõe sobre o PIS das pessoas jurídicas não financeiras, quanto à Lei Complementar n° 70/91, que institui a Cofins, prevêem expressamente que as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, são contribuintes do Pis e Cofins. Sustenta, ainda o Recorrente, que as cooperativas são isentas do pagamento do PIS e da Cofins, mas o benefício deixa de existir quando as operações praticadas não envolvem atos cooperados, ou seja, quando as cooperativas comercializam seus produtos com terceiros não associados. Em relação à aquisição de combustíveis e energia elétrica, alega o contribuinte que os referidos insumos integram o processo produtivo, como, por exemplo, para a secagem, torrefação, o que caracterizarlheia como produtos intermediários. Também se insurge contra a negativa do órgão recorrido em não reconhecer outros insumos utilizados no processo produtivo como “produtos intermediários”, tais como ácido sulfúrico, cloreto de sódio, cromato de sódio, soda cáustica, resina aniônica e papel filtro para água. Por fim, quanto à atualização do Pedido de Ressarcimento, pleiteia a aplicação da Taxa Selic, nos termos do artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 IPI. MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. EXPORTAÇÃO. RECEITAS. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, a receita oriunda da exportação de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a processo de industrialização pela empresa produtora e exportadora deve ser excluída do valor total da receita de exportação e também da receita operacional bruta. AQUISIÇAO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Só há que se falar do créditopresumido quando o insumos utilizado no processo produtivo sofrem a incidência do PIS e da COFINS, o que ocorre na aquisição de cooperativas, mas não na de pessoas físicas. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO. Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do produto exportado, que se integram na sua composição final, se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário, razão pela qual aí não se inclui a energia elétrica, combustíveis e demais produtos relativos a preparação indireta do produto. TAXA SELIC. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, dispõe que a partir de 01/01/96, a referida Taxa incidirá sobre o ressarcimento. Recurso provido parcialmente. Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, pugnando contra a atualização monetária dos créditos a ressarcir. O recurso foi admitido, nos termos do despacho de fl. 545. Cientificada do acórdão e, também, do despacho de admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, e, também, recurso especial, onde defendeu a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas, das despesas com energia elétrica, combustíveis, óleos lubrificantes e outros insumos que não integraram o produto exportado, mas que foram consumidos no processo produtivo. defendeu, ainda, a inclusão dos valores correspondentes às vendas para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, no cálculo da receita de exportação. Por meio do despacho de fls. 692 a 695, o recurso do sujeito Passivo foi conhecido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13907.000165/0001 Acórdão n.º 930301.606 CSRFT3 Fl. 716 5 Inicialmente, passo a examinar o recurso da Fazenda Nacional, que é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. A teor do relatado, o inconformismo da Fazenda Nacional diz respeito a atualização monetária do crédito a ressarcir. Nessa matéria, o meu entendimento é no sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Desta feita, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Por conseguinte, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Julgado o apelo da fazenda Nacional, passase de imediato ao recurso do Sujeito Passivo. O recurso é tempestivo, mas deve ser conhecido apenas parcialmente, pelas razões alinhavadas a seguir. A teor do relatado, as questões veiculadas no especial do sob exame versam sobre a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas; das despesas havidas com energia elétrica, combustíveis, óleos lubrificantes e outros insumos que não integraram o produto exportado, mas que foram consumidos no processo produtivo, e ainda, sobre a inclusão dos valores correspondentes às vendas para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros. No tocante a questão da energia elétrica e dos combustíveis, essa matéria encontrase sumulada2 pelo CARF. Esse fato, de per si, impede o conhecimento do recurso, nesta parte, por força da vedação expressa do art. 67 do Regimento Interno do CARF. Aliás, é bom que se esclareça que essa vedação regimental, apenas reflete a lógica do sistema recursal da via especial, qual seja, a uniformização da jurisprudência. Assim, encontrandose a matéria uniformizada por meio de súmula, não faz qualquer sentido o Colegiado debruçarse sobre questão já, completamente, pacificada. As demais matérias veiculadas no especial merecem ser apreciadas, posto que, nesta parte, restou atendido todos os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrarse nas questões trazidas a debate, fazse necessário breve esclarecimento sobre o cálculo do crédito presumido e seus estágios: primeiro, cotejase a receita de exportação com a operacional bruta para se encontrar o coeficiente a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos; segundo, apurase o total das compras de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) utilizados no processo de industrialização do produtor exportador. Nesse total não se incluem, obviamente, os produtos que sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior. Do total das compras de insumos, são excluídos aqueles que não geram direito ao crédito presumido, tais como os que não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Devem ainda ser excluídos os valores correspondentes às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e de produtos acabados, mas não vendidos em estoque no último trimestre do ano ou no último que houve exportação. Feitas as exclusões, sobre o valor restante aplicase o citado coeficiente para se chegar às aquisições incentivadas, que são a base de cálculo do crédito presumido. Para se chegar ao valor do crédito presumido a ressarcir, aplicase sobre essas aquisições incentivadas o percentual de 5,37%. DAS AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. 2 Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13907.000165/0001 Acórdão n.º 930301.606 CSRFT3 Fl. 717 7 Nessa matéria, o meu entendimento é no sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu3 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às matériasprimas adquiridas junto a pessoas físicas. DA INCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES ÀS EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS, NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. 3 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13907.000165/0001 Acórdão n.º 930301.606 CSRFT3 Fl. 718 9 DAS DESPESAS HAVIDAS COM LUBRIFICANTES E OUTROS INSUMOS QUE NÃO INTEGRARAM O PRODUTO FINAL As despesas havidas com produtos utilizados como óleos lubrificantes, ácido sulfúrico, cloreto de sódio, cromato de sódio, soda cáustica, resina aniônica e papel filtro para água que são consumidos no processo produtivo, mas que não integram o produto final nem são consumidos em contato direto com este, o Colegiado temse manifestado, reiteradamente, contra a inclusão na base de cálculo do crédito presumido, por entender que, para efeito da legislação fiscal, tais produtos não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. De outro modo não poderia ser, senão vejamos: o artigo 1o da Lei no 9.363/96 enumera expressamente os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A seu turno, o parágrafo único do artigo 3o da Lei no 9.363/96 determina que seja utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a demarcação dos conceitos de matériasprimas e produtos intermediários, o que é confirmado pela Portaria MF no 129, de 05/04/95, em seu artigo 2o, § 3º. Ditos conceitos, por sua vez, encontramos no artigo 82, I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto no 87.981/82, (reproduzido pelo inciso I do art. 147 do Decreto nº 2.637/1988 – RIPI/1988), assim definidos: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifamos) Da exegese desse dispositivo legal temse que somente se caracterizam como matériaprima e ou produto intermediário os insumos empregados diretamente na industrialização de produto final ou que, embora não se integrem a este, sejam consumidos efetivamente em seu fabrico, isto é, sofram, em função de ação exercida efetivamente sobre o produto em elaboração, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. A contrário senso, não integrando o produto final ou não havendo o desgaste decorrente do contato físico, ou de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, preditos insumos não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário. Na esteira desse entendimento já trilhava a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Receita Federal que, por meio do Parecer Normativo CST nº 65/1979, explicitou quais insumos que mesmo não integrando o produto final podem ser caracterizados como matériaprima ou produto intermediário: “hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, melhor dizendo, de ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida”. No mesmo sentido temse o Parecer Normativo CST nº 181/1974, cujo item 13 foi assim vazado: 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, às partes, às peças e aos acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.. Diante disso, entendo não ser cabível à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com óleos lubrificantes, ácido sulfúrico, cloreto de sódio, cromato de sódio, soda cáustica, resina aniônica e papel filtro para água, já que esse insumos, legalmente, não se enquadram como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. De todo exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional; e de conhecer apenas parcialmente do recurso apresentado pelo Sujeito Passivo, e, na parte conhecida, doulhe provimento parcial para determinar a inclusão: na base de cálculo do crédito presumido de IPI: dos valores correspondentes às matériasprimas adquiridas de pessoas físicas; e, na receita de exportação: do valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11516.002947/2003-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2002
ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A escrituração com lançamento global, sem a minudente individuação dos beneficiários, bem como as contas Caixa e Bancos sem a integralidade dos registros, denotam deficiências insanáveis que tornam a escrituração da autuada imprestável para identificar sua efetiva movimentação financeira e a conseqüente determinação do lucro real.
A escrituração deve ser completa, individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações diárias, pois, a escrituração é o meio material concreto de aferir-se o resultado operacional da pessoa jurídica. Se a escrituração não é mantida na forma da legislação de regência, cabível se torna o arbitramento do lucro.
ARBITRAMENTO. AMPLA DEFESA.
Inexiste um procedimento específico autônomo que estabeleça procedimento contraditório antes do lançamento tributário. No procedimento administrativo no qual se determina o lucro arbitrado, a ampla defesa do contribuinte é assegurada pelo rito do Decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, iniciada pela impugnação que suspende a respectiva
exigibilidade do crédito tributário (CTN, art.151, inciso III) e instância recursal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF.
LANÇAMENTO REFLEXO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao
Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002 ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A escrituração com lançamento global, sem a minudente individuação dos beneficiários, bem como as contas Caixa e Bancos sem a integralidade dos registros, denotam deficiências insanáveis que tornam a escrituração da autuada imprestável para identificar sua efetiva movimentação financeira e a conseqüente determinação do lucro real. A escrituração deve ser completa, individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações diárias, pois, a escrituração é o meio material concreto de aferir-se o resultado operacional da pessoa jurídica. Se a escrituração não é mantida na forma da legislação de regência, cabível se torna o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO. AMPLA DEFESA. Inexiste um procedimento específico autônomo que estabeleça procedimento contraditório antes do lançamento tributário. No procedimento administrativo no qual se determina o lucro arbitrado, a ampla defesa do contribuinte é assegurada pelo rito do Decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, iniciada pela impugnação que suspende a respectiva exigibilidade do crédito tributário (CTN, art.151, inciso III) e instância recursal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. LANÇAMENTO REFLEXO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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ARBITRAMENTO DO LUCRO. A escrituração com lançamento global, sem a minudente individuação dos beneficiários, bem como as contas Caixa e Bancos sem a integralidade dos registros, denotam deficiências insanáveis que tornam a escrituração da autuada imprestável para identificar sua efetiva movimentação financeira e a conseqüente determinação do lucro real. A escrituração deve ser completa, individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações diárias, pois, a escrituração é o meio material concreto de aferirse o resultado operacional da pessoa jurídica. Se a escrituração não é mantida na forma da legislação de regência, cabível se torna o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO. AMPLA DEFESA. Inexiste um procedimento específico autônomo que estabeleça procedimento contraditório antes do lançamento tributário. No procedimento administrativo no qual se determina o lucro arbitrado, a ampla defesa do contribuinte é assegurada pelo rito do Decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, iniciada pela impugnação que suspende a respectiva exigibilidade do crédito tributário (CTN, art.151, inciso III) e instância recursal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. LANÇAMENTO REFLEXO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 198 3 Relatório Por economia processual e bem descrever a lide adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.804/806) que transcrevo a seguir: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de infração às fls.676/683, com a exigência do crédito tributário no valor de R$57.030,38, a titulo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, juros de mora e multa de oficio proporcional. O lançamento se refere ao anocalendário de 2002 e o IRPJ foi apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral, em decorrência da falta de apresentação da escrituração (na forma das leis comerciais e fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 666/675. Item 1 — Receitas Operacionais — Revenda de Mercadorias — Valores decorrentes da comercialização a varejo de lubrificantes e outros apurados com base no demonstrativo elaborado pela contribuinte, fl. 479. Item 2 — Receitas Operacionais — Revenda de Combustíveis e Derivados do Petróleo Valores decorrentes da comercialização a varejo de combustíveis apurados com base no demonstrativo elaborado pela contribuinte, fl. 479. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 259, art. 279 e inciso II do art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999— RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o crédito tributário pelo lançamento formalizado no Auto de Infração, fls. 684/691, com a exigência do crédito tributário no valor de RS199.034,19 a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL, juros de mora e multa de oficio proporcional. Para tanto, foi indicada o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 20 da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 24 de setembro de 1999. Inconformada com as exigências fiscais, das quais teve ciência em 03/12/2003, fls. 677 e 685, a autuada, em 30/12/2003, apresentou a impugnação, fls. 697/704, com as alegações abaixo sintetizadas. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Discorre sobre os procedimentos fiscais contra os quais se insurge. Em relação à movimentação bancária, defende que demonstrou o "lançamento global" e que "não tinha o propósito de esconder eventual insuficiência de caixa". No que se refere ao valor de R$702.050,62, diz demonstrar os equívocos cometidos na escrituração das notas fiscais que identifica. Atinente aos valores constantes nas contas de depósitos mantidas junto a instituições financeiras, esclarece que na conta "Caixa" foram feitos registros incorretos, que foram regularmente ajustados. Argúi que (...) a empresa e seu contador fizeram todo o possível para atender ás intimações da autoridade fiscal, nada omitindo. A sua escrita está em dia com livros fiscais registrando todas as entradas e saídas de mercadoria. No período foram apresentados os documentos informativos obrigatórios, bem como recolhido os tributos devidos, de acordo com a movimentação real da empresa. Se algumas planilhas foram apresentadas com defeitos, os mesmos decorrem do exíguo prazo concedido para o atendimento das diligências fiscais e porque os livros, de fato, não estavam escriturados dentro da melhor técnica contábil, principalmente pela ausência de registro de documentos referentes à movimentação financeira. Mas, em nenhum momento se comprovou (ou sequer alegou) fraude ou uso de documento fiscal fraudulento. A autoridade fiscal, equivocadamente, alega que a contabilidade da empresa é imprestável para apurar o lucro real por terem sido os documentos registrados de forma global, prejudicando a boa técnica contábil. (...) É bom esclarecer que um posto de venda de combustível opera de forma diferente dos demais estabelecimentos comerciais. Entretanto, seus controles são extremamente confiáveis e de fácil conciliação. (...) As entradas de mercadoria são acobertadas por nota fiscal emitida pelo fornecedor e as mesmas são escrituradas, em sua totalidade, no Registro de Entradas de Mercadorias. Não podem surgir dúvidas em relação à receita e ao custo do produto vendido. De fato, todas as compras de combustíveis da empresa foram realizadas da Distribuidora Ipiranga [e estão escrituradas] no Livro de Registro de Entrada [e] no Livro Diário. O fato de ter registrado, somente em dezembro, a diferença ainda não contabilizada, mesmo de forma global, não caracteriza prejuízo aos princípios contábeis ou de procedimentos, autorizando o fisco a desconsiderar a Fl. 200DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 199 5 contabilidade da empresa, optando pelo meio mais fácil de aumentara arrecadação que é a de arbitrar o lucro. Mesmo que o confronto dos livros fiscais e contábeis não fosse suficiente para o convencimento da veracidade e da procedência dos valores contabilizados, a autoridade fiscal deixou de solicitar ao fornecedor, no caso, Distribuidora Ipiranga, as informações sobre as quantidades e os valores vendidos pela impugnante. Tece esclarecimentos sobre as hipóteses legais de cabimento do regime de tributação com base no lucro arbitrado, argumentando que não poderia ser adotado de oficio. COM o objetivo de justificar seus argumentos de fato e de direito, a impugnante cita entendimentos jurisprudenciais e diz que a autoridade fiscal não observou o princípio da legalidade. Diante do exposto, entendendo que a contabilidade da empresa continua sendo suportada por livros e documentos idôneos e hábeis, vem requerer o cancelamento [dos lançamentos que exigem o IRRI e a CSLL] pelo arbitramento, para manter o resultado da contabilidade. Por força da Portaria SRF n°10.621, de 6 de julho de 2007, houve prorrogação da competência para o julgamento em primeira instância do presente processo para esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte. A decisão de primeira instância julgou PROCEDENTES os lançamentos mediante o Acórdão nº 0220.198, de 01/12/2008, da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG (fls.803/811), assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercício: 2003 Lucro Arbitrado O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. CSLL Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. A empresa foi cientificada do mencionado acórdão, em 22/12/2008 (fl.814) e, protocolizou o recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 20/01/2009, (fls.815/822). Na peça recursal a Recorrente sustenta, em síntese, que relativamente ao ano calendário de 2002, a autoridade fiscal encontrou um lançamento contábil em dezembro, englobando pagamentos de duplicatas emitidas pelo fornecedor de combustível. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Aduz que, constatado o fato acima, a autoridade fiscal deu o exíguo prazo de 5 (cinco) dias para ser explicado o mencionado lançamento. E que, no prazo concedido o contador da empresa reconstituiu a conta caixa, demonstrando que se os documentos lançados em dezembro tivessem sido contabilizados nos períodos das respectivas competências, não teria ocorrido "estouro de caixa". Em suma, tratavase de um equívoco contábil e não de um subterfúgio para escamotear eventual insuficiência de caixa (suprimento sem origem). Diz que no curto espaço de tempo os lançamentos de recomposição foram feitos com pequenos equívocos, o que suscitou uma reconstituição do caixa pela própria autoridade lançadora, sem apresentação de saldo negativo. Novas justificativas foram solicitadas, relativamente a dois meses do mesmo exercício, os únicos em que se apurou saldo credor, com a recomposição. Com os novos esclarecimentos restou demonstrado que em nenhum dos meses considerados ocorreu a situação. Queixase a recorrente que, apesar de todos os esclarecimentos prestados, nos exíguos prazos concedidos, e mesmo depois de reconstituída a escrita, revelando que não houve saldo credor de caixa, a autoridade lançadora houve por bem de desclassificar a contabilidade, apesar da mesma ter sido ajustada à época durante o procedimento de fiscalização e antes do lançamento tributário. E que, as solicitações feitas pela autoridade fiscal, foram atendidas e esclarecidas satisfatoriamente. Concluiu a recorrente que, a acusação fiscal é no sentido de que a contabilidade, apesar dos ajustes efetuados, por determinação da própria autoridade fiscal, não merece confiança, sendo portanto aplicável o remédio extremo do arbitramento fiscal do lucro, com exigência do imposto e da multa. A recorrente argumenta que conforme alguns acórdãos citados, um mero erro contábil, não justifica a imposição do arbitramento, mormente se a documentação permita a reconstituição do caixa e nesta não se apontam saldos credores. Afirma que foi o que ocorreu no presente processo, na medida em que a própria autoridade fiscal reconstituiu o "caixa" e apesar de ter apurado pequenos saldos credores em relação a dois meses, devido a nova solicitação de informações, demonstrouse que os referidos saldos decorreram de equívocos cometidos quando do relatório efetuado pelo contador da contribuinte, dado o exíguo espaço de tempo, o que entende ser perfeitamente justificável. Repisa que, ao término do procedimento de fiscalização, depois de reconstituída a escrita, revelouse que não houve estouro de caixa. Lembrando que, a regularização da escrita fiscal se deu antes mesmo da emissão do Auto de Infração. A recorrente argúi que, mesmo tendo regularizado o erro contábil antes do término do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal aplicou o arbitramento, sendo inclusive uma desconsideração exigir do contribuinte a apresentação de relatórios, demonstrativos, documentos, reconstituições e, depois de todo o esforço despendido, lavrar o ato fiscal com base na desclassificação da escrita. Por derradeiro, discorre sobre o processo regular de arbitramento. Sobre tal assunto, alega que, o CTN, no artigo 148, prescreve que o arbitramento será precedido de processo regular, no qual se conceda o direito de defesa. Diz que, o processo regular a que se refere o CTN não é o processo administrativo, Instaurado a partir da impugnação do lançamento, mas um processo autônomo, antecedente. E que, assim sendo, para desconsiderar a escrita da contribuinte a autoridade fiscal deveria ter instituído um procedimento contraditório, possibilitandolhe o direito de defesa. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 200 7 Finalmente, requer seja o presente recurso julgado procedente, cancelandose a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. Tratase de empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis lubrificantes, de peças e acessórios para veículos automotores e intermediária do comércio de veículos automotores. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fl.667) que, o contribuinte apurou o IRPJ do ano calendário 2002 com base no Lucro Real, conforme declarações original e retificadora (doc. fls.481 e seguintes). A autuação decorre de arbitramento do lucro por haver a fiscalização considerado que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas enumeradas no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante dos Autos de Infração, do qual transcrevo os trechos a seguir com o fim de facilitar a contextualização dos fatos que conduziram a fiscalização ao arbitramento do lucro (fls.667/673): (...) Ao analisarmos a contabilidade do contribuinte, constatamos que as contas contábeis referentes à movimentação bancária estavam praticamente sem movimento (doc. fls.47 a 53). Porém, conforme as informações das instituições bancárias sobre o recolhimento de CPMF, o contribuinte movimentou em 2002 mais de quatro milhões de reais em suas contas bancárias. Chamounos a atenção, também, nos registros do Livro Razão um lançamento de ajuste no dia 31/12/2002 a crédito da conta Caixa e a débito da conta "Comp Brasileira de Petróleo Ipiranga". O valor deste lançamento era R$ 702.050,62 (doc. fl. 49). Desta forma, intimamos o contribuinte, através do Termo de Intimação 01/2003 (doc. fls.47 e 48), a justificar a falta do registro da movimentação bancária na contabilidade e a apresentar os documentos comprobatórios do lançamento de ajuste. (...) 3.1 Do lançamento de ajuste. O contribuinte apresentou uma lista de notas fiscais de fornecimento de combustíveis para justificar o lançamento de ajuste de R$ 702.050,62 em 31/12/2002 (doc. fls.54 a 122). Argumentou que não possuía os boletos dos pagamentos, mas que estes eram feitos em dia, pois o fornecedor não aceitava Fl. 204DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 201 9 atrasos. Nas notas fiscais constam as datas dos vencimentos dos boletos. Tratase, então, de pagamentos que foram feitos ao longo do ano e não foram registrados na contabilidade. No final do ano, o contribuinte fez o lançamento de ajuste na conta Caixa, pois esta tinha um saldo registrado que não existia. Neste ínterim, conforme será visto em seguida, o contribuinte apresentou novos registros para as contas contábeis Caixa e bancos, para justificar a falta de contabilização nos Livros Diário e Razão da movimentação financeira (doc. fls. 123 a 345). Com base nestes novos registros da conta Caixa encaminhados após o início da diligência (doc. fls.132 a 288) e com base na lista de notas fiscais relativas aos pagamentos de fornecimento de combustível cujos pagamentos não haviam sido contabilizados (doc. fls. 54 a 122), elaboramos uma planilha refazendo os saldos da conta Caixa. Apuramos saldos credores de caixa nos meses de fevereiro a junho (doc. fl.363). Intimamos o contribuinte a se manifestar acerca destes saldos credores (doc. fls. 360 a 368). O contribuinte apresentou nova lista de notas fiscais para a mesma operação de ajuste, mantendo parte das notas da lista anterior e juntando outras (doc. 369 a 462). Argumentou que os pagamentos de diversas notas fiscais apresentadas na lista original na verdade já haviam sido contabilizados. Ou seja, argumentou que a primeira lista estava errada. Chama a atenção a possibilidade de o contribuinte apresentar duas listas diferentes de notas fiscais que, somadas, dão o mesmo valor. Com este lançamento globalizado (o valor é R$ 702.050,62 e são dezenas de notas fiscais englobadas), não se pode ter certeza que mesmo a segunda lista está correta. De fato, constatamos que as notas fiscais substituídas na lista realmente tinham os pagamentos registrados na contabilidade. Como se trata de posto de combustíveis de bandeira da Ipiranga (o fornecedor em questão), a quantidade de partidas de combustível fornecidas por esta empresa é muito grande, fazendo com que haja enorme quantidade de notas fiscais no mesmo valor. O contribuinte elaborou novo demonstrativo da conta Caixa, com base na nova lista de notas fiscais vinculadas ao lançamento de ajuste. Nesta planilha, o próprio contribuinte assume um saldo credor de R$ 26.716,21 no mês de maio (doc. fl.370). 3.2 Da conta Caixa X a movimentação bancária Quando foi intimado acerca da falta de contabilização da movimentação bancária, o contribuinte informou, verbalmente, Fl. 205DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 que a movimentação estava inteiramente na conta caixa. Em seguida, o contribuinte apresentou novo balancete do ano de 2002 e novos registros das contas Caixa e bancos (doc. fls. 123 a 345). Nestes novos relatórios estaria a movimentação bancária completa. Destacamos que este procedimento de lançar a movimentação bancária de forma englobada na conta Caixa já fere a boa norma contábil, pois a contabilidade deveria expressar fielmente todas as operações da empresa, de forma individualizada e cronologicamente registrada. A conta Caixa deveria representar, como o próprio nome diz, os valores disponíveis diariamente no caixa da empresa. Não se confunde isto com a movimentação bancária. Todavia, para verificar as informações prestadas pelo contribuinte com os novos registros e novo balancete, efetuamos o seguinte teste: cotejamos os saldos mensais das contas Caixa e bancos da contabilidade com as mesmas contas nos novos relatórios. Os somatórios dos saldos mensais na contabilidade deveriam coincidir com os somatórios mensais nos relatórios. Apuramos na planilha que os saldos não coincidem (doc.fl.465). Chegamos a apurar diferenças de mais de trinta e cinco mil reais. Intimamos o contribuinte, novamente, a justificar tais diferenças (doc.fls.463 e 464). E, novamente, o contribuinte fez um ajuste no saldo da conta caixa (doc. fls.466 a 468). O primeiro ajuste, de R$ 14.152,65, diz respeito a um saldo “em excesso" na conta contábil do banco HSBC (doc. fls.466 e 467). Na verdade olhando os registros que foram apresentados depois de iniciado o procedimento observamos que o contribuinte partiu de um saldo anterior de R$14.152,65 e no primeiro lançamento, debitou mais uma vez o mesmo valor (doc. fl.289).Como resultado, o saldo ficou aumentado erroneamente em R$14.152,65. No entanto, nada justifica "devolver" este valor ao Caixa. Como dissemos anteriormente, o Caixa deve refletir aquilo que efetivamente estiver disponível no caixa da empresa. Não se pode ficar modificando este saldo de acordo com a sucessão de intimações. O segundo ajuste feito na planilha do saldo da conta Caixa foi alusivo ao saldo da conta bancária no BESC (doc. fls.466 e 467). Conforme o extrato do banco, o saldo em 31/01/2002 era de R$ 348,41 (doc. fl.665). Nos relatórios entregues após o inicio do procedimento, o saldo registrado na mesma data era R$ 5.509,77 (doc. fl. 340). Ou seja, o saldo do relatório não expressava o saldo de fato no banco. Da mesma forma que no caso do saldo do HSBC, o contribuinte "devolveu" a diferença do saldo do BESC para o Caixa. O procedimento não está correto. O Caixa desta empresa não é confiável, vez que a cada intimação o contribuinte modifica estes saldos de acordo com os valores que tem a justificar. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 202 11 Não existe este procedimento de "devolver" um valor ao Caixa. Ou o fato ocorreu (pagamento, recebimento...) e foi contabilizado, ou não. A que lançamento contábil corresponderia esta devolução? Existe, claro, a possibilidade de estorno de lançamento, quando há um erro num lançamento específico. Mas, no caso em tela, qual seria o lançamento ou os lançamentos errados? Em que data este valor seria "devolvido" ao Caixa? A única conclusão certa é que a contabilidade não espelhava a realidade diária. A conclusão a que chega a fiscalização é que o contribuinte faz uma "conta de chegada" cada vez que se vê na necessidade de justificar diferenças e inconsistências. E a "conta de chegada" é exatamente feita na conta Caixa. A fiscalização não pode voltar no tempo e verificar quanto dinheiro estava disponível de verdade em cada dia de 2002 no caixa da empresa Além de modificar o saldo da conta Caixa, o contribuinte ressaltou na planilha que os saldos mensais credores nas contas de bancos eram transferidos para as contas de passivo com os mesmos bancos, por questão de estética contábil, (doc. fl.467). Estes lançamentos não existem na contabilidade (doc. fls. 530 ). Prosseguindo na planilha, o contribuinte registrou diversas despesas que não transitariam pelo Caixa e, portanto, justificariam parte das diferenças apuradas pela fiscalização (doc. fls.168). Estas despesas também não encontram suporte nos lançamentos contábeis (doc. fl.531). Demonstrase que o contribuinte pretendeu "ajustar" a contabilidade não apenas nas contas Caixa e bancos, mas também nas contas de passivo e despesas. (...) 3.3 Da contabilização da movimentação bancária Após o contribuinte ter apresentado novos registros para as contas Caixa e bancos (doc. fls.123 a 345), elaboramos o seguinte teste: se a movimentação bancária estava inteiramente contida na conta Caixa originalmente contabilizada e se os novos registros apenas fizeram com que os lançamentos fossem registrados nas contas dos bancos, o somatório dos saldos mensais das contas caixa e bancos da contabilidade deveria coincidir com o mesmo somatório nos novos registros. Elaboramos a planilha de fl.465. Constatamos nesta planilha que há diferenças significativas, chegando a mais de R$ 35.000,00. Lavramos o Termo de Intimação n. 03/2003 (doc. fls.463 e 464) pedindo que o contribuinte se pronunciasse acerca das diferenças apuradas. Destacamos que estas diferenças significam que não apenas as constas Caixa e bancos foram alteradas, mas também outras Fl. 207DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 contas, pois não há débito sem crédito. Significa também que a movimentação bancária não estava toda contida na conta Caixa. Conforme relatado acima, o contribuinte alterou mais uma vez os saldos da conta Caixa (doc. fls.466/468). Depois desta alteração, o contribuinte elaborou novo demonstrativo dos somatórios mensais de Caixa e bancos (doc. fls.468). De pronto, destacamos que o demonstrativo do contribuinte continua apontando divergências nestes saldos. As diferenças alcançam mais de R$ 38.000,00. Além desta disparidade, passamos a cotejar os extratos bancários (doc.fls.533665) com os registros contábeis nas contas bancos (doc. fls.289 – 345). Na conta contábil "HSBC BAMERINDUS C/C 54718" (doc. fls.289 – 297) podemos destacar que quase a totalidade dos lançamentos tem como contrapartida a conta Caixa: No entanto, no extrato bancário, há inúmeros registros de recebimento de cartão de crédito. Recebimento de cartão de crédito não deveria ser contabilizado no Caixa, mas em conta de valores a receber. Mas, por hipótese, poderíamos admitir que o contribuinte fizesse transitar tais valores pela conta caixa, o que seria contrário à melhor forma contábil. Todavia, teria de existir nas mesmas datas e valores, as entradas no Caixa. Estas entradas não são verificadas. O mesmo problema é constatado na conta do Bradesco, n. 8466 2 (doc. fls.297 – 329). Em resumo, os registros contábeis das contas de bancos, mesmo após os relatórios entregues pelo contribuinte à fiscalização, não têm todos os registros e não têm confiabilidade. Grifei (...) A recorrente alega que, a autoridade fiscal deu o exíguo prazo de 5 (cinco) dias para as explicações necessárias. E que, no prazo concedido o contador da empresa reconstituiu a conta caixa, demonstrando que se os documentos lançados em dezembro tivessem sido contabilizados nos períodos das respectivas competências, não teria ocorrido "estouro de caixa". Em suma, tratavase de um equívoco contábil e não de um subterfúgio para escamotear eventual insuficiência de caixa (suprimento sem origem). Gizse que o denominado “ estouro de caixa” se dá quando a conta Caixa se apresenta com saldo credor, ou seja, saldo negativo. Isso acontece, quando ocorre, por exemplo, alguma dessas situações: a) Omissão de receitas; b) Contabilização de gastos fictícios ou c) Erros, lançamentos de pagamento em duplicata. Consta do Termo de Verificação Fiscal o seguinte fato: “O contribuinte elaborou novo demonstrativo da conta Caixa, com base na nova lista de notas fiscais vinculadas ao lançamento de ajuste. Nesta planilha, o próprio contribuinte assume um saldo credor de R$ 26.716,21 no mês de maio (doc. fl.370)”. A recorrente não refuta, com dados concretos, tal assertiva. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 203 13 Quanto a exigüidade dos prazos alegados pela defesa, consta do Termo de Verificação Fiscal (fl.467) que o procedimento foi iniciado em 07/10/2003 como diligência para verificação de indícios de pagamentos à margem da contabilidade e que, na mesma data, lavrouse o Termo de Início de Ação Fiscal (doc. fls.04 e 05) no qual foram solicitados documentos relativos à contabilidade do contribuinte a serem apresentados no prazo de 05 (cinco) dias. Posteriormente em 10/10/2003, através do Termo de Intimação 01/2003 (doc. fls. 47 e 48), o contribuinte foi intimado para no prazo de 05 (cinco) dias justificar a diferença de R$ 4.652.877,92 por falta do registro da movimentação bancária (HSBC, BESC e BRADESCO) na contabilidade e a apresentar os documentos comprobatórios do lançamento de “ajuste” – a crédito da conta Caixa (lançamento em 31/12/2002, globalizado, no valor de R$ 702.050,62 , doc.fl.49). Em 24/10/2003, mediante o Termo de Intimação 02/2003 (fls.360/362) o contribuinte foi intimado para no prazo de 05 (cinco) dias, justificar saldos credores apurados pela fiscalização nos meses de fevereiro a junho (doc. fl.363) com base nos elementos apresentados pelo contribuinte. Em 10/11/2003, mediante o Termo de Intimação 03/2003 (fls.463/464), a fiscalização intimou o contribuinte para no prazo de 05 (cinco) dias, esclarecer as diferenças nos somatórios dos saldos mensais apontados na planilha anexa e apresentar os Extratos bancários das contas do HSBC, Bradesco e BESC do ano de 2002. O quarto (4º) Termo de Intimação (04/2003) se deu em 24/11/2003 (fls.476/477) com prazo de 05 (cinco) dias para apresentação dos documentos relativos às verificações obrigatórias do recolhimento dos tributos federais e informações sobre as receitas do contribuinte em 2002, em virtude da constatação pela fiscalização que a empresa não diferencia na contabilidade (venda de combustíveis, prestação de serviços, vendas de outros produtos). A ciência do auto de infração se deu em 03/12/2003. Não merece acolhida a alegada exigüidade do tempo, haja vista que, decorridos 02 meses entre o início e o término da ação fiscal é considerado tempo razoável para a correta recomposição da escrita contábil de acordo com as normas legais. Em sua defesa a recorrente alega que, o CTN, no artigo 148, prescreve que o arbitramento será precedido de processo regular, no qual se conceda o direito de defesa. Diz que, o processo regular a que se refere o CTN não é o processo administrativo, instaurado a partir da impugnação do lançamento, mas um processo autônomo, antecedente. E que, assim sendo, para desconsiderar a escrita da contribuinte a autoridade fiscal deveria ter instituído um procedimento contraditório, possibilitandolhe o direito de defesa. Nesse ponto, melhor sorte não tem a recorrente, pois, inexiste um procedimento específico autônomo com tal escopo, ou seja, procedimento contraditório antes do lançamento tributário. No procedimento administrativo no qual se determina o lucro arbitrado, a ampla Fl. 209DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 defesa do contribuinte é assegurada pelo rito do Decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, iniciada pela impugnação que suspende a respectiva exigibilidade do crédito tributário (CTN, art.151, inciso III) e instância recursal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É sabido que o arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro que se deu no presente caso em virtude de o contribuinte haver deixado de apresentar a escrituração regular, apesar de reiteradas intimações, tal como descrito no Termo de Verificação Fiscal, de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995 e artigo 1º da Lei nº 9.430, de 1996, bem como o artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99.Vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): (...) IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; (...) Consta do aludido Termo de Verificação Fiscal, uma planilha à fl.671 que demonstra de que modo o saldo da conta Caixa foi sendo modificado pelo contribuinte no decorrer da ação fiscal, de sorte que, a cada intimação fiscal (02/2003 e 03/2003) resultavam novos saldos apresentados pelo contribuinte. A recorrente alega que, apesar de todos os esclarecimentos prestados, nos exíguos prazos concedidos, e mesmo depois de reconstituída a escrita, revelando que não houve saldo credor de caixa, a autoridade lançadora houve por bem desclassificar a contabilidade, apesar da mesma ter sido ajustada à época durante o procedimento de fiscalização e antes do lançamento tributário. E que, as solicitações feitas pela autoridade fiscal, foram atendidas e esclarecidas satisfatoriamente. Conforme se pode constatar no Termo de Verificação Fiscal, os procedimentos levados à efeito pelo contribuinte demonstram que a movimentação bancária não estava contida totalmente na conta Caixa da contabilidade. No item 3.1 acima, ficou demonstrado pela fiscalização que o contribuinte fazia diversos pagamentos sem contabilizálos. Tanto foi assim que realizou um lançamento de ajuste no último dia do ano no valor de R$ 702.050,62. A recorrente não nega o fato de ter registrado somente em dezembro de 2002, de forma global, a diferença não contabilizada. No item 3.2 restou demonstrado que a contabilidade não refletia a integralidade da movimentação financeira. O próprio contribuinte, mesmo fazendo uma série de ajustes, quando intimado, não conseguiu justificar as diferenças questionadas. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.002947/200312 Acórdão n.º 1802001.030 S1TE02 Fl. 204 15 No item 3.3 demonstrouse que os registros contábeis das contas de bancos, mesmo após os relatórios entregues pelo contribuinte à fiscalização, não possuem todos os registros. Ou ainda, que a movimentação bancária não estava toda registrada na conta Caixa. Portanto, a contabilidade não espelha a real movimentação financeira da recorrente. Dos mencionados itens é possível concluir que a escrituração com lançamento global, sem a minudente individuação dos beneficiários, bem como as contas Caixa e Bancos sem a integralidade dos registros, não merece fé a favor do contribuinte, denotam deficiências insanáveis que tornam a escrituração da autuada imprestável para identificar sua efetiva movimentação financeira e a conseqüente determinação do lucro real. É cediço que, a escrituração dos livros próprios (Diário, Razão, Caixa etc) deve ser completa, individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações diárias, pois, a escrituração é o meio material concreto de aferirse o resultado operacional da pessoa jurídica. Se a escrituração não é mantida na forma da legislação de regência, cabível se torna o arbitramento do lucro. É o que se depreende do artigo 14 da Lei nº 8.218, de 1991, que assim prescreve: Art. 14 A tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas jurídicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo único. A nãomanutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) A afirmação da recorrente de que, as solicitações feitas pela autoridade fiscal, foram atendidas e esclarecidas satisfatoriamente não é o que se afigura nos autos. No Termo de Verificação Fiscal foram descritas pela fiscalização as inconsistências da escrituração e não se tratam de meros erros justificados pela recorrente. Ao contrário, são fatos suficientes para determinar a inconsistência da escrituração. As razões do arbitramento, apresentadas pelo Fisco, são convincentes, baseadas em provas materiais, suficientes para desprezar a escrituração do contribuinte e determinar o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. LANÇAMENTO REFLEXO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 211DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Fl. 212DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18471.000142/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MULTA ISOLADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS.
CONTEÚDO.
A falta de informação, nos arquivos digitais, dos descontos
concedidos indicados nas notas fiscais não constitui motivo
suficiente para aplicação da multa por omissão ou informação
incorreta de que trata o artigo 12 da Lei n° 8.218/91, sobretudo se
o valor total de cada nota coincide com o registrado naqueles
arquivos.
Recurso de ofício desprovido.
Numero da decisão: 1201-000.622
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcelo Cuba Netto acompanhou o Relator pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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ARQUIVOS MAGNÉTICOS. CONTEÚDO. A falta de informação, nos arquivos digitais, dos descontos concedidos indicados nas notas fiscais não constitui motivo suficiente para aplicação da multa por omissão ou informação incorreta de que trata o artigo 12 da Lei n° 8.218/91, sobretudo se o valor total de cada nota coincide com o registrado naqueles arquivos. Recurso de ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcelo Cuba Netto acompanhou o Relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 18471000142/200771 Acórdão n.º 1201000.622 S1C2T1 Fl. 2 2 Relatório Adoto o relatório da r. decisão a quo, verbis: Cuidase de auto de infração lavrado para aplicação da multa isolada de que trata o artigo 12 da Lei n° 8.218/91, pela falta de informação dos descontos concedidos indicados nas notas fiscais em arquivos digitais, conforme relatório do v. acórdão a quo: “Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 21/23, lavrado pela DFI Rio de Janeiro RJ, contra Guerbet Produtos Radiológicos Ltda., relativo ao ano calendário 2003, para exigir a multa isolada no valor de R$ 1.343.172,27, em virtude de "omissão/erro nos dados fornecidos em meio magnético". Conforme consta do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 16/20, o erro foi caracterizado pelo fato de os registros das notas fiscais emitidas, contidos nos arquivos digitais apresentados pelo autuado, não informarem o valor de descontos concedidos, embora informassem corretamente o valor total de cada nota fiscal. Por isso, a fiscalização entendeu que o autuado prestou informações incorretas quanto ao conteúdo dos arquivos em meio magnético, o que acarretou a aplicação da multa de 5% do valor das operações, limitada a 1% da receita bruta, prevista nos artigo 11 e 12, inciso II, da Lei n° 8.218/91, alterados pela MP 2.15835/2001, reproduzido no termo: "Art. 11 As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período” Cientificado das autuações em 16.02.2007 (fl. 21), o autuado apresentou, em 20.03.2007, a impugnação de fls. 71/80, alegando, em síntese, que: a) A multa aplicada afigurase elevada e desproporcional, em inobservância aos pilares constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva; b) Embora os valores dos mencionados descontos não constem discriminados nos arquivos magnéticos, o valor total de cada nota fiscal informado no referido arquivo é fiel ao valor total das notas de Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 18471000142/200771 Acórdão n.º 1201000.622 S1C2T1 Fl. 3 3 venda, donde se conclui que o autuado não deixou de informar o valor dos descontos, mas apenas de individualizálos, vale dizer, o desconto está embutido no valor unitário e representado no valor total da nota, fato que não trouxe qualquer prejuízo ao erário; Pelo v. acórdão de fls. 131, decidiu a DRJ: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. CONTEÚDO. A falta de informação, nos arquivos digitais, dos descontos concedidos indicados nas notas fiscais não constitui motivo suficiente para aplicação da multa por omissão ou informação incorreta de que trata o artigo 12 da Lei n° 8.218/91, sobretudo se o valor total de cada nota coincide com o registrado naqueles arquivos. Subiram os autos em remessa oficial. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 18471000142/200771 Acórdão n.º 1201000.622 S1C2T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: 1. Do conhecimento. O valor exonerado supera a alçado e, por isso, conheço da remessa oficial. 2. Do fundamento. Vêse que a autoridade fiscal lavrou auto de imposição de multa isolada no montante de R$ 1.343.172,27 por ter o contribuinte fornecido à fiscalização um arquivo arquio magnético contendo os dados corretos das notas fiscais de sua emissão sem, entretanto, contem informação acerca de descontos incondicionais concedidos. Vale dizer, a informação fornecida estava correta e apresentava o valor já descontado sem, entretanto, referência ao próprio desconto. O art. 11 da Lei 8.218/91 exige que o contribuinte que utiliza sistema eletrônico para registrar negócios e escriturar livros mantenha a disposição da RFB os arquivos digitais pelo período de decadência. O art. 12, inc. II impõe pena aqueles “que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas”. O contribuinte manteve os arquivos magnéticos com as informações suficientes e corretas para a fiscalização e apuração dos tributos incidentes, embora tenha deixado de informar em campo próprio os descontos incondicionais. Não causou prejuízo – nem potencial – ao erário. Não se enquadra, em meu entender, na regra repressiva. O mero equívoco que cometeu – de registrar o valor líquido do desconto em vez de o valor bruto e o desconto – é menor e não se insere no bem jurídico protegido pela norma citada pela fiscalização para apenálo. Somese a isto o fato de ter o contribuinte apresentado regiamente todas as notas fiscais em meio físico para a própria fiscalização – que o declara expressamente –, comprovando que os valores líquidos registrados em meio eletrônico estavam absolutamente fiéis. Reforça este entendimento a desproporcionalidade e ausência de razoabilidade do valor da multa em cotejo com o lapso cometido pelo contribuinte, em especial diante da total ausência de má fé, ânimo de fraude e dano ao erário. O contribuinte não se enquadra na norma repressiva. 3 Do dispositivo. Isso posto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 18471000142/200771 Acórdão n.º 1201000.622 S1C2T1 Fl. 5 5 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI
score : 1.0
Numero do processo: 35011.003640/2006-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”.
Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento.
A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento.
Precedentes da 2ª Turma da CSRF.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso por ausência de pressuposto processual. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento. A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso por ausência de pressuposto processual. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 205 00.965, proferido pela antiga Quinta Câmara do 2º CC em 06/08/2008 (fls. 130/136), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 140/148). O acórdão recorrido, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo sua ementa: “DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. Processo Anulado.” A recorrente afirma que a decisão recorrida baseiase na alegação de que houve vicio quanto à descrição dos fatos ensejadores do lançamento, porquanto "há generalidades quanto à descrição dos segurados envolvidos, não contendo a devida clareza e precisão.” Entende que o aresto nãounânime merece reforma, uma vez que, no que tange à declaração de nulidade do lançamento, o acórdão contrariou o art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72; art. 37, da Lei nº 8.212/91; art. 55 da Lei nº 9.784/99 e arts. 59 e 60, do referido decreto. Explica que, na hipótese em apreço, há deficiência na exteriorização das razões de fato que levaram a autoridade fiscal a considerar que o autuado teria deixado de recolher a contribuição previdenciária, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento. Todavia, considera que esse vício não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35011.003640/200621 Acórdão n.º 920201.825 CSRFT2 Fl. 2 3 Ressalta que não é essa a situação retratada nos autos, pois o fato falta de recolhimento de contribuições previdenciárias resta devidamente evidenciado no Relatório da NFLD, este que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados. Cita jurisprudência do Conselho que, ao determinar o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, considerou que se tratava de nulidade por vício de forma. Salienta que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos ensejadores do lançamento constitui vício material, eis que se vicio existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. Ademais, observa que, verificandose a deficiência na descrição do fato gerador (motivação do ato administrativo de lançamento), nada obsta a sua complementação pela autoridade fiscal competente, mediante a expedição de relatório fiscal complementar. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 205/2009 (fls. 150/153), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 156/164. Aponta a descrição deficitária do fato gerador, que atinge a própria demonstração da ocorrência do fato que justifica a lavratura da NFLD. Considera não ter havido a exposição fática com a clareza necessária que lhe era exigida. Explica que, como trata o presente lançamento de caracterização de vínculo empregatício, regido pela CLT, o ônus da prova é do Fisco. Observa que, apesar do Relatório Fiscal informar estarem presentes os requisitos autorizadores do enquadramento dos servidores como empregados celetistas, não há como se constatar se o vinculo era, de fato, aquele (celetista), ou se era de natureza eventual, como no caso da contratação de autônomos (contribuintes individuais). Dessa forma, entende que a falta de detalhamento do fato gerador impede não só a confirmação da valoração jurídica do fato, como também a confirmação do seu fundamento legal. Pondera que a falha na demonstração do fato gerador não pode simplesmente estar no campo exterior do ato, como se ele tivesse aparência válida. Se não há elementos suficientes para comprovar o fato gerador, in casu, o pagamento a servidores empregados, há vício material. Ao final, solicita que o recurso especial não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento. O acórdão recorrido dispôs o seguinte: ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por maioria de votos, anulado o auto de infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira que votou pela anulação da decisão de primeira instância para complementação do relatório fiscal. Ausência justificada do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Entendo que a conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento. Precedentes da 2ª Turma da CSRF: “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à lei e à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35011.003640/200621 Acórdão n.º 920201.825 CSRFT2 Fl. 3 5 A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento. Recurso especial não conhecido.” (Acórdão nº 920201.654, Relator do acórdão: Conselheiro Elias Sampaio Freire) Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/11/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.006572/2002-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008.
Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é
inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional.
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros
no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em
que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 9303-001.543
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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ementa_s : Contribuição para o PIS/PASEP TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NÃO CONHECIDO
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NÃO CONHECIDO Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. EDITADO EM: 01/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte. A primeira requer a reforma da decisão a quo, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Pleiteia que seja aplicado o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da lei 8.212. No caso do sujeito passivo,o que se pleiteia também é a reforma da decisão, porém com a fundamentação na aplicação do prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Voto O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Primeiramente analisarseá o Recurso da PGFN. O recurso interposto pela Fazenda nacional não deve ser conhecido porque inexiste contrariedade à Lei declarada inconstitucional pelo STF com efeitos ex tunc. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.006572/200268 Acórdão n.º 930301.543 CSRFT3 Fl. 2.134 3 O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A recorrente defende a reforma do acórdão para se aplicar o prazo decenal estabelecido pela art. 45 da Lei nº 8.212/1991, e não o qüinqüenal do CTN, com termo de início regulado pelo art. 150, § 4º, do CTN. Já foi pacificado a questão do prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento, calha observar que o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 o enunciado da Súmula vinculante nº 08, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. A adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a norma objeto da declaração de inconstitucionalidade. Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, não há como considerar ser de dez anos o prazo para efetuar o lançamento. Assim teremos que fazer a fundamentação com base no CTN, obrigatoriamente. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.006572/200268 Acórdão n.º 930301.543 CSRFT3 Fl. 2.135 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Esta parte do voto foi baseada em voto anterior do Conselheiro Rodrigo Cardoso Miranda. Por estar muito bem fundamentada, uso aqui os vetores básicos do colega de conselho. O Auto de Infração (fls. 143/147), foi lavrado em 11/06/2002, imputou débito, à Recorrente, de PIS acrescido de juros e multa, que totalizou R$364.281,84. A pendência decorreria de divergências entre bases de cálculo informadas pela autoridade autuante e constantes da escrituração da empresa, no respeitante às competências de 05/97 a 10/00, 12/00 a 05/01, 07/00 a 12/01. Não houve qualquer tipo de pagamento, conforme o próprio contribuinte informa em suas DCTF, para a competência objeto da presente lide. Levando em consideração que a contribuinte tomou conhecimento do lançamento objeto do auto de infração constante do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.006572/200268 Acórdão n.º 930301.543 CSRFT3 Fl. 2.136 7 presente feito administrativo em 11/06/2002, e que a competência objeto da presente lide é somente 05/97, e que somente a partir do primeiro dia do exercício seguinte à lavratura do AI, ou seja, 1º de janeiro de 1998, é que se deu o termo inicial do prazo decadencial. Os levantamentos poderiam ter sido efetivados até o final do ano de 2002. Assim a decadência do crédito tributário correspondente à competência 05/97 (fato gerador), somente ocorreria no final do exercício de 2002. Portanto não há que se falar em decadência. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Por conseguinte, em face de todo o exposto, com base no artigo 62A do RICARF, voto no sentido não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Esclareçase que o Recurso Especial interposto pelo contribuinte não foi admitido, conforme despacho do presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF (fls. 2189 a 2191). É como voto. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/01/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001175/2007-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 17/09/2003
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – PENALIDADE – GFIP – OMISSÕES – INCORREÇÕES – RETROATIVIDADE BENIGNA.
A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constitui-se violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal
infração, que até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário
Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Francisco Assis de Oliveira Junior e Marcelo Oliveira, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/09/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – PENALIDADE – GFIP – OMISSÕES – INCORREÇÕES – RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constitui-se violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/09/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – PENALIDADE – GFIP – OMISSÕES – INCORREÇÕES – RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Francisco Assis de Oliveira Junior e Marcelo Oliveira, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – RedatorDesignado EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2302 00.214, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 28/09/2009 (fls. 783/787), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 790/800). A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, devendo a multa ser aplicada de acordo com o inciso II do art. 32A. Segue abaixo sua ementa: “RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N° 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n° 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n°8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso de Voluntário Provido em Parte.” Em seu recurso, a recorrente afirma que há divergência entre a decisão recorrida e o paradigma que apresenta, pois a primeira entendeu pela aplicabilidade da multa prevista no art. 32A da Lei 8212/91, enquanto que a segunda determinou a aplicação do art. 35A do mesmo diploma legal. Explica que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque ambas tratam de julgamento de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória (não apresentação de GFIP com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias) do qual também derivou lavratura de NFLD. Destaca que o paradigma defende a tese de que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). No seu entendimento, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8212/91, é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Ressalta que houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, pondera, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho de fls. 801/802, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às folhas 805/818. Explica que, à época das notificações, conforme consta dos autos, o cálculo da multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei 8.212/91 obedecia à sistemática traçada no §4º daquele mesmo artigo c/c art. 35, II da referida Lei. Afirma que, com a MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2009, houve mudança na forma de cálculo da multa objeto do presente auto de infração, que decorre exclusivamente do descumprimento da obrigação acessória. Destaca que, apesar das modificações introduzidas pela Lei 11.941/09, a Lei 8.212/91 continuou traçando duas hipóteses de cálculo de multas diferentes, a partir de então, disciplinadas por seus arts. 32A e 35A. Ressalta que a Lei 8.212/91 é clara ao tratar das multas, direcionando a hipótese do art. 32A para os casos em que "o contribuinte (...) deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32" e a sistemática do art. 35A para os casos em que houver "lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei". Do exposto, conclui que não merece acolhida a argumentação da União de que o art. 44 da Lei 9.430/962 aplicarseia aos casos de falta de entrega de declaração. Isso porque a Lei nº 8.212/91 é inexorável: aos casos em que houver lançamento de ofício de contribuições, aplicase a hipótese prevista no citado art. 44. Não se pode ampliar a interpretação conferida restritivamente pelo artigo, sob pena de se perder a sistematicidade estabelecida pela Lei 8212/91. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso interposto pela PGFN. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Conforme consignado alhures, no presente caso o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha o revogado art. 32, § 5º da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: "§ 5o A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitara o infrator a pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior." (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." É Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. O supracitado art. 32, § 5º, destinavase a punir a apresentação, pelo contribuinte, de declaração inexata quanto aos dados relativos a fatos geradores de tributos, independentemente da existência ou não de tributo a recolher. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 4 7 Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009), in verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Isso posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para recalcular o valor da multa, limitandoa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire (Relator) e seguida pelos Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior e Marcelo Oliveira, entendi que a aplicação ao caso da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, enseja a manutenção do acórdão recorrido, pois a penalidade anteriormente prevista no § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, restou substituída por aquela prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, na redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Posição contrária, com a aplicação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, citado no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, poderia, salvo melhor juízo, implicar em retroatividade prejudicial ao contribuinte. Eis um quadro sinótico de como eram (com a Lei n° 8.212/91, em sua redação original) e de como ficaram (com as alterações promovidas pela MP n° 449/2008) as penalidades relativas à matéria: Redação Original Redação Atual Multa por descumprimento de obrigação acessória Art. 32. (...) § 5°. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 deste Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3° deste artigo. Multa de mora Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Multa de ofício Sem previsão. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 6 11 Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§ 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Com esses singelos fundamentos, penso que merece ser mantida a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Com todo respeito ao nobre Conselheiro que redigiu o voto vencedor, divirjo de seu entendimento. Para iniciarmos nossos esclarecimentos, ressaltamos que concordamos com o nobre Conselheiro na seguinte parte de seu voto: Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A sistemática de penalidades com origens na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) foi alterada, necessitando, como determina a Legislação, análise sobre a aplicação da retroatividade benigna, disposta no Art. 106 do CTN, ponto em que não há divergência. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, devemos enfrentar a questão de como aplicar a retroatividade determinada pelo CTN. A infração de que trata os autos estava disposta na Lei 8.212/1991 e era aplicada quando o contribuinte apresentava GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Ou seja, o contribuinte apresentava a Guia, mas faltavam dados relacionados aos fatos geradores. Geralmente essa autuação era aplicada quando o sujeito passivo omitia fatos geradores na declaração, entregandoa à Administração Tributária com valores subdimensionados. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... Fl. 12DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 7 13 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. ... 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Com o advento da Medida Provisória 449/2008, transformada na Lei 11.941/2009, os dispositivos acima foram revogados e outros surgiram, determinando que os julgadores apliquem a nova legislação, caso seja mais benéfica, conforme determina o CTN. Pois bem, o cerne da questão referese a que dispositivo aplicar. Para o Conselheiro que redigiu o voto vencedor devese aplicar o Art. 32A, decisão que não concordamos, pelos motivos a seguir. Lei 8.212/1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Conforme está claro no caput do artigo, aplicase as suas disposições quando: 1. O contribuinte foi intimado e apresentou a GFIP, que tinha sido apresentada fora do prazo fixado ou que continha incorreções ou omissões. Destacase que para esse dispositivo a ação do Fisco, em primeiro lugar, deve ser, obrigatoriamente, a INTIMAÇÃO para apresentação. Ou seja, a legislação prevê a aplicação dessas penalidades quando a GFIP foi entregue corretamente preenchida, depois ou antes da intimação, mas foi entregue com todos os dados e fatos que deveriam constar na declaração. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 14 Portanto, em nosso entender, não é esse o melhor dispositivo que se aplica aos caso, em que o sujeito passivo “apresentou e manteve a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.” Ressaltese que o sujeito passivo poderia ter, ainda na vigência da legislação anterior, corrigido a GFIP, com todos os dados relacionados aos fatos geradores, beneficiando se até de relevação da multa, mas até o momento (julgamento) não procedeu dessa forma, discutindo o mérito da questão. Pois bem, em nosso entender o dispositivo que melhor se aplica ao caso é o disposto no Art. 35A da Lei 8.212/1991: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclarecemos aqui, para àqueles que se antecipam e defendem que o dispositivo acima só trata de obrigação principal, que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Portanto, o disposto no Art. 35A deve ser seguido, também, em caso de descumprimento de obrigação acessória. Resta a pergunta: e há previsão nova para descumprimento da obrigação acessória em questão? Devemos verificar a legislação que o Art. 35A remete. Lei 9.430/1996: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 8 15 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pela leitura do determinado, chegamos à seguinte conclusão: 1. Tantos nos caso de descumprimento de obrigação principal como nos casos de obrigação acessória (lançamentos de ofício) o dispositivo pode e deve ser aplicado; 2. A penalidade será aplicada nos seguintes casos e na seguinte proporção: 2.1 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; 2.2 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de declaração; e 2.3 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de declaração inexata. Portanto, como no caso dos autos houve a entrega de declaração com dados não correspondentes aos fatos geradores de todo o tributo, aplicase a penalidade acima. Assim, como verificamos que descabe a aplicação pelo disposto no Art. 32A e como há a previsão para a aplicação da penalidade pelo Art. 35A, deve se aplicar a penalidade por esse dispositivo. Fato, também, que devemos enfrentar, referese a como fazer a comparação sobre a regra mais benéfica. Antes da alteração da Lei 11.941/2009, o contribuinte que entregasse a declaração com dados referentes a fatos geradores do tributo de forma inexata e não recolhesse era punido com duas autuações. A autuação pelo descumprimento da obrigação estava disposta, como já ressaltamos, no Art. 32, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em Fl. 15DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 16 regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. ... 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Já a penalidade pelo descumprimento de obrigação principal esta disposta no Art. 35, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Antecipandome, não há que se falar que as multas de que tratava o Art. 35 citado são de mora, pois, como já ressaltamos em nossa análise, a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Atualmente, como já demonstramos, a multa é a aplicada pelo I, Art. 44, da Lei 9430/1996. Lei 8.212/1991: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Lei 9.430/1996: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10630.001175/200756 Acórdão n.º 920201.674 CSRFT2 Fl. 9 17 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Portanto, para seguirmos a determinação do Art. 106 do CTN quanto à retroatividade benigna, a multa na autuação em análise deve ser recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, utilizandose o valor que seja mais benéfico ao Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 17DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15455.000581/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO
O comparecimento da recorrente aos autos vem sanar o vício cometido pelo ato que formalizou a ciência da decisão de primeiro grau.
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. PROVA Não havendo nos autos elementos que comprovem que a pessoa jurídica incorreu nas situações relacionadas como impeditivas do tratamento tributário diferenciado dispensado às microempresas e às empresas de
pequeno porte, há que se reconhecer sua opção pelo Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-000.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ementa_s : Simples Nacional Ano-calendário: 2009 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO O comparecimento da recorrente aos autos vem sanar o vício cometido pelo ato que formalizou a ciência da decisão de primeiro grau. SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. PROVA Não havendo nos autos elementos que comprovem que a pessoa jurídica incorreu nas situações relacionadas como impeditivas do tratamento tributário diferenciado dispensado às microempresas e às empresas de pequeno porte, há que se reconhecer sua opção pelo Simples Nacional.
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CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO O comparecimento da recorrente aos autos vem sanar o vício cometido pelo ato que formalizou a ciência da decisão de primeiro grau. SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. PROVA Não havendo nos autos elementos que comprovem que a pessoa jurídica incorreu nas situações relacionadas como impeditivas do tratamento tributário diferenciado dispensado às microempresas e às empresas de pequeno porte, há que se reconhecer sua opção pelo Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. EDITADO EM: 28/10/2011 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Jaci de Assis Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CD PARADIGMA CONSULTORIA LTDA ME, fls. 57, contra decisão da 4ª Turma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 1230.358, fls. 41 a 48, que por unanimidade de votos, não acolheu a manifestação de inconformidade, apresenta às fls. 01, sob as seguintes razões expressas resumidamente em sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deverá ser apresentada no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada qualquer uma das hipóteses discriminadas pela legislação de regência. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA RELACIONADA NO CONTRATO SOCIAL. Se a atividade impeditiva constante do contrato social estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN n° 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que, por hipótese, tal atividade não seja exercida pela pessoa jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente De acordo com a descrição constante do relatório que integra o referido acórdão, tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, datado de 25/08/2009 (fl.02), em face de a interessada ter incorrido nas seguintes situações que impedem a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista as disposições da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art.17, inciso XI: “ Atividade econômica vedada: 74102/01 Design Atividade econômica vedada: 74901/05 Agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas Atividade econômica vedada: 74901/99 Outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente.” Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15455.000581/200955 Acórdão n.º 1301000.735 S1C3T1 Fl. 76 3 Segundo ainda o mesmo Relatório, na citada manifestação de inconformidade a interessada teria alegado que: “a) de acordo com toda a documentação arquivada na RFB, por ocasião da sua inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, e mesmo da alteração Contratual, não foi cadastrada com as atividades relativas aos códigos CNAE 74901/05 e 74901/99; e b) somente agora, em agosto de 2009, é que foi feita a alteração de CNAE.” A relatora do referido acórdão registra ainda que: “Em face das alegações apresentadas, a Dicat/Derat/RJO emitiu a Intimação n° 1071/2009 (fl.16), com o objetivo de que a interessada apresentasse ‘todas as Alterações Contratuais efetuadas, registradas no órgão Competente’. Ainda que a Intimação tenha sido encaminhada para o endereço constante do sistema CNPJ (fl.18), a correspondência retornou com a indicação ‘mudouse’.” Examinando as questões apresentadas pela interessada, a mesma relatora consignou em seu voto que: “As atividades descritas no contrato social (cláusula terceira), juntado pela interessada, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, devidamente registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, em 04/07/2001 (fls.05/06), são as seguintes: "Serviços prestados consultoria e assessoria de marketing e produções artísticas em geral". De acordo com pesquisa efetuada no site do IBGE, podem ser citados como exemplos de códigos CNAE relacionados às atividades constantes no Contrato mencionado os seguintes: Códigos CNAE 2.0 Descrição 73190/04 Assessoria e consultoria em marketing e consultoria em publicidade e propaganda (fls.25, 32 e 34). 74901/99 Outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente, que compreende as atividades de assessoria e consultoria técnica em áreas profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente, inclusive as realizadas por profissionais autônomos ou constituídos como empresas individuais, como por ex: assessoria e consultoria em projetos culturais, assessoria e consultoria na produção de programas de televisão (fls.26 e 34). 59111/02 Produção de filmes para publicidade de qualquer tipo: filmes institucionais, comerciais de tv, filmes para campanhas políticas, filmes para campanhas de responsabilidade social (fl.27). 59120/99 Atividades de pósprodução cinematográfica, Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 de vídeos e de programas de televisão não especificados anteriormente (fl.28) Já o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral, extraído no sistema CNPJ em 21/08/2009 (fl.04) e trazido aos autos pela interessada também à época da manifestação de inconformidade, aponta apenas a atividade principal, que é a seguinte: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 59.12099 Atividades de pósprodução cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão não especificados anteriormente (...) Em vista desses dados, temse que: a) realmente, o código CNAE 74901/99, indicado no Termo em análise como motivador do indeferimento (está relacionado no Anexo I da Resolução CGSN n° 06/2007), tem relação com as atividades descritas no contrato social da interessada. Entretanto, a interessada argumenta que não foi cadastrada no CNPJ com essa atividade; e b) o código CNAE 59120/99, que tem relação com as atividades descritas no contrato social da interessada e consta no CNPJ como atividade econômica principal, não está relacionado em qualquer anexo, correspondendo, portanto, a atividade permitida ao Simples Nacional. (...) Como mencionado, a interessada indicou, no seu Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, como atividade principal, a "atividade de pósprodução cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão não especificadas anteriormente", do código CNAE 59120/99. Entretanto, como já visto, entre as atividades descritas na cláusula terceira do contrato social da interessada, como objeto social, encontramse os serviços prestados de consultoria e assessoria de marketing. Esses serviços são relativos aos códigos CNAE 73190/04 e 74901/99 e estão relacionados no Anexo I da mesma Resolução CGSN n 9 6, de 18 de junho de 2007 Códigos previstos na CNAE impeditivos ao Simples Nacional (Redação dada pela Resolução CGSN n° 50, de 22 de dezembro de 2008, com vigência a partir de 01/01/2009). Consoante orientação emanada pela própria RFB, se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN n° 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que, por hipótese, tal atividade não seja exercida pela interessada. Em face do exposto VOTO pelo indeferimento da solicitação da interessada de inclusão na sistemática do Simples Nacional.” Pelo despacho de fls. 49, datado de 31/05/2010, a DERAT/RJO determinou que a ciência do Acórdão nº 1230.358 fosse realizada no endereço do domicílio tributário do Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15455.000581/200955 Acórdão n.º 1301000.735 S1C3T1 Fl. 77 5 sujeito passivo (R. Guatemala 288 apt..301), por ele fornecido para fins cadastrais à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, conforme respectivo relatório juntado às fls.18. Em atendimento, a autoridade preparadora formalizou a INTIMAÇÃO DIORT N° 0028/2010, datada de 09/06/2010, fls. 50, da qual também fez constar “que poderá o contribuinte interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias, contados a partir do dia seguinte ao da ciência da decisão”. Após este ato administrativo, seguiuse a juntada de dois relatórios extraídos do sistema eletrônico de dados da RFB denominados “CNPJ, CONSULTA, CNPJ (CONSULTA PELO CNPJ )”, fls. 51, e “CPF,CONSULTA ( CONSULTA BASE CPF )”, fls. 52, datados de 24/06/2010, nos quais constam as informações que identificam, respectivamente, os sócios da interessada e os dados cadastrais relativos ao domicílio tributário do sócio Sergio Gentil Porto. Na sequencia dos elementos que integram os presentes autos, em 24/06/2010, a DERAT/RJO formalizou novo despacho, fls. 53, determinando o encaminhamento do processo para a “ARF NOVA FRIBURGO/RJ para que intime o sócio, Sr. Sérgio Gentil Porto (endereço às fls.52), a tomar ciência do Acórdão n° 1230.538 da DRJ/RJO1”. Em atendimento, referida Agência da RFB em Nova Friburgo elaborou a INTIMAÇÃO N° 493/2010, datada de 22/07/2010, fls. 54, desta feita em nome do sócio, sr. Sergio Gentil Porto, mediante a qual noticia o encaminhamento de cópia do mencionado acórdão. Às fls. 55, houve a juntada do respectivo Aviso de Recebimento – AR, remetido via postal para o endereço residencial do referido sócio, atestando que a ciência e o recebimento da referida INTIMAÇÃO N° 493/2010 foram efetivados 30/07/2010, sextafeira, conforme assinatura firmada pelo próprio sócio, sr. Sergio Gentil Porto, no correspondente campo de preenchimento. Em 03/09/2010, por intermédio de sua procuradora (instrumento de mandato anexo à fls. 71), a interessada protocolou o “REQUERIMENTO”, endereçado ao Delegado da Receita Federal do Brasil e datado também de 03/09/2010, fl. 57, acompanhado dos documentos de fls. 58 a 70, no qual reafirma que, de acordo com toda a documentação arquivada na RFB por ocasião da sua inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, “não foi cadastrada com a atividade de agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas, cujo CNAE é 74901/05 e Outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente, cujo CNAE 74901/99.” Aduz, ainda, que se encontra “em fase de alteração contratual no que referese ao endereço”. Ao final, requer a inclusão da empresa no sistema Simples Nacional. Às fls. 56, o responsável pela Agência da Receita Federal em Nova Friburgo/RJ encaminhou os presentes autos a este CARF. É o relatório Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior Do exame dos autos verificase a existência de uma questão prejudicial à análise do mérito. Embora a autoridade administrativa não tenha se pronunciado acerca do atendimento ao requisito atinente à tempestividade do Recurso Voluntário interposto, e tampouco a Recorrente tenha se pronunciado acerca deste pressuposto processual de admissibilidade recursal, dispõe o artigo 35 do Decreto n° 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. De acordo com o artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, o recurso voluntário interposto em face da decisão de primeira grau deve ser apresentado no prazo máximo de 30 (trinta) dias seguintes à ciência desta decisão. Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que os prazos fixados pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Consta dos autos que a Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau em 30/07/2010, via postal, mediante Aviso de Recebimento – AR, fls. 55, enviado ao endereço residencial do sócio da interessada, sr. Sergio Gentil Porto. Embora o recurso voluntário somente tenha sido apresentado em 03/09/2010, época em que já havia transcorrido o prazo regulamentar para sua interposição, cumprese examinar se a intimação realizada nos presentes autos está em conformidade com a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Nesse sentido estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações promovidas pela Lei nº 9.532, de 1997 e pela Lei nº 11.196, de 2005: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15455.000581/200955 Acórdão n.º 1301000.735 S1C3T1 Fl. 78 7 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...)”(grifos não são do original) Percebese da leitura do despacho proferido às fls. 49 e da intimação elaborada às fls. 50 que, dentre os meios previstos nos três incisos do caput do artigo 23 em referência, a intenção inicial da autoridade preparadora era de se adotar aquele previsto no inciso II, qual seja: intimação por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Contudo, do exame dos elementos que integram os presentes autos, não se constata nenhum Aviso de Recebimento – AR que evidencie que a respectiva intimação foi realizada no no endereço postal fornecido pela interessada, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, a teor do disposto no § 4º, inciso I, do citado artigo 23. É de se concluir, portanto, que a prova constante dos presentes autos não atendeu às normas estabelecidas para fins de intimação da interessada, CD PARADIGMA CONSULTORIA LTDA ME, da decisão de primeiro grau administrativo. A despeito disso, o comparecimento da recorrente aos autos vem sanar o vício cometido pelo ato formalizado pela autoridade preparadora, devendo, pois, ser considerado como tempestivo o recurso voluntário apresentado pela interessada. Superada essa questão, passase ao exame das questões de mérito. De acordo com o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, datado de 25/08/2009 (fl.02), negouse à interessada a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, por ter incorrido nas seguintes situações impeditivas: “ Atividade econômica vedada: 74102/01 Design Atividade econômica vedada: 74901/05 Agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas Atividade econômica vedada: 74901/99 Outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente.” Como fundamento legal para o mencionado indeferimento o Termo em referência citou a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art.17, inciso XI, que dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; Dos elementos que integram os presentes autos, constatase que a atividade desenvolvida pela interessada, segundo o contrato social da interessada, fls. 05, trazido aos autos como prova pela interessada, corresponde a “Serviços prestados consultoria e assessoria de marketing e produções artísticas em geral.” Ainda de acordo com esses mesmos elementos, o COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL, extraído do sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, fls. 04, indica no campo destinado à descrição do CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL a seguinte atividade: “59.12099 Atividades de pós produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão não especificadas” Tais elementos corroboram o argumento da Recorrente no sentido de que não foi cadastrada com a atividades de agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas, código 74901/05, e tampouco com outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente, código 74901/99. Do exame realizado pela relatora do voto do acórdão proferido em primeira instância, chegouse à conclusão de que a terceira atividade relacionada pelo Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional “Atividade econômica vedada: 74102/01 – Design”, não se coaduna com os códigos CNAE por ela pesquisados e que eventualmente poderiam relacionar com a atividade da empresa descrita em seu Contrato Social. Ainda do exame do mencionado acórdão, percebese que sua relatora concluiu que a interessada teria por atividade “serviços prestados de consultoria e assessoria de marketing.” A esses serviços a mesma relatora relacionouos ao código CNAE 73190/04. Contudo, além de tal atividade não haver figurado dentre as situações impeditivas relacionadas no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fls. 02, é de se constatar que não se encontra nenhuma prova juntada aos presentes autos, relativamente ao exercício desta atividade pela interessada. Ou seja, a decisão de primeira instância baseouse em mera suposição extraída a partir de descrições abstratas e destituídas de comprovação documental para caracterizar, no caso concreto, qualquer impedimento da atividade exercida pela interessada para a opção pelo SIMPLES. Portanto, não havendo nos autos elementos comprobatórios de que a pessoa jurídica incorreu nas situações relacionadas como impeditivas do tratamento tributário diferenciado dispensado às microempresas e às empresas de pequeno porte, há que se admitir a opção pelo Simples Nacional. Diante do exposto, no mérito, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 21 de Outubro de 2011. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15455.000581/200955 Acórdão n.º 1301000.735 S1C3T1 Fl. 79 9 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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