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Numero do processo: 10680.015201/2004-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000
LIMITES DA COISA JULGADA.
Inobstante o trânsito em julgado da decisão judicial favorável à contribuinte, os seus termos não podem se projetar indefinidamente para o futuro, especialmente porque o Supremo Tribunal Federal concluiu pela constitucionalidade da exigência da CSLL pela Lei nº 7.689/1988, afastando apenas a sua cobrança no ano de 1988, entendimento que foi amplificado pelo efeito erga omnes da Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995.
STJ. RESP nº 1.118.893/MG. ART. 543-C DO CPC. NÃO HÁ EFEITO VINCULANTE PARA O JULGAMENTO DO PRESENTE CASO. NÃO SE APLICA O ART. 62, §2º, DO RICARF.
No julgamento do RESP nº 1.118.893/MG, o STJ tratou apenas dos efeitos retroativos em relação ao que restou decidido pelo STF, especificamente quanto à exigência de débito de CSLL com fato gerador ocorrido em 1991. O STJ não se manifestou sobre a eficácia prospectiva das decisões do STF, não tratou da implicação destas decisões que reconheceram a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (somadas à Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995) sobre os fatos geradores ocorridos a partir de então. Trata-se de matéria ainda controversa, por não haver decisão definitiva de mérito a esse respeito, nem do STF, nem do STJ, que enseje a aplicação do art. 62, §2º, do regimento interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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COISA JULGADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CCM CONSTRUTORA CENTRO MINAS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 LIMITES DA COISA JULGADA. Inobstante o trânsito em julgado da decisão judicial favorável à contribuinte, os seus termos não podem se projetar indefinidamente para o futuro, especialmente porque o Supremo Tribunal Federal concluiu pela constitucionalidade da exigência da CSLL pela Lei nº 7.689/1988, afastando apenas a sua cobrança no ano de 1988, entendimento que foi amplificado pelo efeito erga omnes da Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995. STJ. RESP nº 1.118.893/MG. ART. 543C DO CPC. NÃO HÁ EFEITO VINCULANTE PARA O JULGAMENTO DO PRESENTE CASO. NÃO SE APLICA O ART. 62, §2º, DO RICARF. No julgamento do RESP nº 1.118.893/MG, o STJ tratou apenas dos efeitos retroativos em relação ao que restou decidido pelo STF, especificamente quanto à exigência de débito de CSLL com fato gerador ocorrido em 1991. O STJ não se manifestou sobre a eficácia prospectiva das decisões do STF, não tratou da implicação destas decisões que reconheceram a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (somadas à Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995) sobre os fatos geradores ocorridos a partir de então. Tratase de matéria ainda controversa, por não haver decisão definitiva de mérito a esse respeito, nem do STF, nem do STJ, que enseje a aplicação do art. 62, §2º, do regimento interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 52 01 /2 00 4- 95 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 348 2 convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio de recurso especial contra o acórdão nº 130100.675, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em epígrafe. A decisão recorrida recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000, 2001 CSLL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Alterações legislativas supervenientes apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei nº 7.689/1988, ou Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 349 3 dispuseram sobre a forma de pagamento, não criando nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário de CSLL por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1999 e 2000. De acordo com o que consta do Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte atua no ramo da construção civil e é filiado ao Sindicato da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais — SICEPOT/MG (ExSindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação, Obras de Terraplenagem em Geral no Estado de Minas Gerais). O referido sindicato, na condição de substituto processual, discutiu judicialmente a cobrança da CSLL, propondo dois mandados de segurança coletivos: o primeiro foi o de n° 1989.00.012568, que correu na 2° Vara da Justiça Federal/MG; o outro, de n° 1996.00.364583, proposto perante a 10° Vara da Justiça Federal/MG. No primeiro mandado de segurança coletivo, o impetrante obteve decisão transitado em julgado em seu favor declarando inconstitucional a Lei nº 7.689/1988. A Receita Federal pretendeu exigir novamente a CSLL, desta vez argumentando que a Lei n° 8.212, de 1991, teria renovado a autorização para a cobrança da contribuição, anteriormente julgada inconstitucional. Pela tese, os efeitos da primeira coisa julgada não alcançariam a Lei n° 8.212, de 1991, que se constituiria em instrumento legislativo suficiente à exigência da referida contribuição. Em razão disso, o SICEPOTMG propôs o outro mandado de segurança coletivo, processo n° 96.00364583, solicitando a tutela jurídica no intuito de não recolher CSLL, com base na Lei n° 8.212, de 1991, arguindo a eficácia da coisa julgada resultante do mandado de segurança também sob a égide dessa nova lei. Mais uma vez, a decisão judicial lhe foi favorável, igualmente transitando em julgado. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional propôs uma Ação Rescisória (processo AR 2001.01.00.0150718/DF) junto ao TRF da 1ª Região, obtendo acórdão que rescindia a decisão do segundo mandado de segurança. Nesse meio tempo, a 2ª Turma da DRJ em BH/MG julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve o crédito tributário (fls. 140 e ss do vol. 1) Em seguida, o SICEPOTMG apresentou Recurso Especial contra essa decisão do TRF1 e o julgamento foi sobrestado nos termos do art. 543C, do CPC, em despacho proferido em 30/03/2011 pelo Desembargador Federal Olindo Menezes. Isto porque o STJ, julgando o REsp. 1.118.893/MG, decidiu ser a matéria nele tratada representativa de controvérsia, então, até o pronunciamento definitivo daquela Corte sobre a questão, o MM. Desembargador atendeu ao quanto dispõe o art. 543C do Código de Processo Civil. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário contra o acórdão proferido pela DRJ em Belo Horizonte/MG. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 350 4 O recurso voluntário foi julgado pela 1ª Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, em 29/11/2011 que, por unanimidade de votos, deulhe provimento e aplicou, ao caso, o então vigente art. 62A do antigo Regimento Interno do CARF que determinava que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, fossem reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada e interpôs recurso especial, tempestivamente, suscitando divergência jurisprudencial em relação à tese defendida no acórdão recorrido de que deveria ser aplicada, ao caso, sentença transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 que instituiu a CSLL, e que legislação superveniente não teria restabelecido relação jurídica permitindo a exigência da CSLL. Apresentou como paradigmas o Acórdão nº 10513.884 e o Acórdão nº 10320.057, que veicularam as seguintes ementas, no que respeita ao tema: Acórdão nº 10513.884 CSLL Decisão judicial sobre relação tributária continuativa não tem força de coisa julgada para períodos subseqüentes, mormente se o advento de nova legislação modifica tal relação. Acórdão nº 10320.057 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA A jurisprudência pátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas e, uma vez que os fatos geradores da obrigação tributária aqui discutidos são posteriores a alteração legislativa, nada obsta que seja realizado o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro via Auto de Infração, independentemente do resultado final da Ação Rescisória. Argumenta a recorrente, em apertada síntese, que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, decisão judicial sobre relação tributária continuativa não tem força de coisa julgada para períodos subsequentes quando o advento de nova legislação modifica tal relação. Observa, ainda, que, em que pese a decisão recorrida, amparada no art. 62A do RICARF, tenha aplicado o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça –STJ, no âmbito do Resp. nº 1.118.893, em rito de recurso repetitivo, tal hipótese não se amoldaria ao caso concreto, pois neste a autuação estaria fundamentada na Lei nº 8.212/1991 que não teria sido ventilada no referido recurso. Faz referência ao Parecer PGFN/CRJ/ Nº 2.434/2008, e ao Parecer PGFN/CRJ/N°2.363/2008, que analisam os limites objetivos da coisa julgada e consideram que estes devem ser obtidos a partir de uma análise que leva em conta, além do próprio conteúdo das decisões, os demais elementos integrantes da demanda sob análise, pois a tutela Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 351 5 judicial é concedida nos limites da pretensão formulada pelo próprio autor/impetrante. Invoca, ainda, a aplicação da Súmula 239 do STJ que dispõe: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". Ressalta, por fim, "que a ação judicial invocada pela recorrente não apreciou as alterações posteriores, não integrando a causa de pedir da demanda, motivo pelo qual não integram a lide, ensejando o surgimento dos créditos tributários, oriundos da subsunção dos fatos geradores posteriores à decisão às hipóteses de incidência referentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido". Afirma que, a persistir na exceção da coisa julgada, haveria violação à Constituição Federal que determina tratamento igual e isonomia tributária. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial e pede, ao final, pelo conhecimento e provimento do recurso especial, para reforma do acórdão recorrido, com a restauração do entendimento firmado na decisão de 1ª instância. Em despacho de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso do contribuinte. Cientificado, o contribuinte, em contrarrazões, preliminarmente, diz que a ação rescisória apresentada pela Fazenda Nacional foi julgada improcedente pelo TRF da 1ª Região e, assim, permaneceria a decisão anterior que lhe foi favorável e que transitou em julgado. Afirma que em razão da propositura da ação rescisória teria aderido ao parcelamento especial PAES instituído pela Lei nº 10.684/2003, incluindo a CSLL referente aos anos de 1999 e 2000. Volta a defender que a Lei nº 8.212/91 não teria instituído nova CSLL, mas apenas reprisado os contornos definidos pela Lei nº 7689/88 e, assim, não teria estabelecido nova relação jurídica mas pretendido restabelecer uma relação jurídica julgada inconstitucional por sentença transitada em julgado. Ressalta que o mandado de segurança não tratou do tema a respeito de uma incidência específica, mas sobre a inexistência da relação jurídica no seu cerne, eis que inconstitucional o ato criador. Da mesma forma teria tratado a decisão judicial transitada em julgado, que não se limitou a um determinado período específico. Salienta que a Súmula nº 239 é inaplicável ao caso e requer, ao final, seja negado provimento ao apelo e mantida a decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso é conhecido nos termos do despacho de admissibilidade. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 352 6 A lide a ser aqui apreciada cingese a decidir se o contribuinte estaria submetida à cobrança da CSLL para os anoscalendário 1999 e 2000 ou se, ao contrário, não se submeteria a incidência dessa contribuição em relação aos períodos referenciados por força de decisão judicial transitada em julgado. Com efeito, o contribuinte deixou de declarar em DCTF e, consequentemente, de recolher a CSLL dos anos de 1999 e 2000 sob a alegação, trazida a partir da impugnação, de que estaria amparada por decisões judiciais transitadas em julgado que teriam declarado a inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento dessa contribuição. Conforme relatado, as ações judiciais se referem a mandados de segurança coletivos impetrados pelo Sindicato da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais — SICEPOT/MG (ExSindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação, Obras de Terraplenagem em Geral no Estado de Minas Gerais), ao qual o contribuinte é filiado e que atua como substituto processual nessas ações. Nas referidas ações judiciais o impetrante pleiteou o reconhecimento da inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento da CSLL, pugnando pela inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, na primeira ação e, na segunda ação pela inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao pagamento da CSLL com base na Lei nº 8.212/91, alegando existência de coisa julgada material em ambas as ações. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou ação rescisória, sob o n° AR 2001.01.00.0150718/DF, junto ao TRF da 1ª Região, obtendo acórdão que rescindia a decisão do segundo mandado de segurança. Contudo, esse acórdão foi reformado pelo TRF1, que proferiu a seguinte decisão: EMENTA AÇÃO RESCISÓRIA JUÍZO DE RETRATAÇÃO PROCESSO CIVIL TRIBUTÁRIO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689/88 QUE INSTITUIU A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL EFEITOS DA COISA JULGADA QUE RECONHECE A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA QUE OBRIGUE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSSL EXTENSÃO ÀS LEIS SUPERVENIENTES QUE CONSERVARAM A MESMA ESTRUTURA MATERIAL DA LEI RECONHECIDA INCONSTITUCIONAL POSSIBILIDADE, CONSOANTE JULGAMENTO PROFERIDO, NOS TERMOS DO ART. 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E DA RESOLUÇÃO STJ Nº 08/2008, NO RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893/MG RELATOR MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA SÚMULA Nº 239/STF INAPLICABILIDADE IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO EM JUÍZO DE RETRATA Ç Ã O . a) Ação Juízo de retratação em Ação Rescisória. 1 Esta Egrégia Seção, na esteira de manifestações deste Tribunal e do próprio Superior Tribunal de Justiça, vinha Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 353 7 entendendo que os efeitos da coisa julgada que declara a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/89, que instituiu a Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSSL, não se transmite às normas que, posteriormente, passaram a regulála, notadamente à Lei nº 8.212/91, o que resultaria na legalidade de cobrança da exação na vigência de tais normas, ainda que em relação às partes resguardadas pela coisa julgada decorrente da indevida exigência desse tributo com fundamento na inconstitucional Lei nº 7.689/88. 2 Em recente julgamento, proferido, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução STJ nº 08/2008, no Recurso Especial nº 1.118.893/MG Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe de 06/4/2011, a 1ª Seção daquela Colenda Corte, à UNANIMIDADE, alterou seu posicionamento, esclarecendo que "declarada a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência". 3 Na espécie, portanto, transitada em julgado decisão que declarara a inexistência de vínculo jurídicotributário (relação de direito material) que obrigue os filiados do Réu ao recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSSL, instituída pela Lei nº 7.689/88, declarada inconstitucional, os efeitos da coisa julgada estendemse e aplicamse às normas supervenientes que conservaram a mesma estrutura e fundamento material da norma inconstitucional, as Leis nºs 7.856/89, art. 2º, 8.034/90, art. 2º, 8.212/91, art. 23, II, e a Lei Complementar nº 70/91, art. 11. 4 Consoante entendimento também proferido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, no Recurso Especial nº 1.118.893/MG, quando os preceitos legislativos supervenientes conservam a essência dos elementos materiais (relação de direito material) de norma declarada inconstitucional por não alterarem, substancialmente, a regra anterior, não se aplica a Súmula nº 239 do Supremo Tribunal Federal: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 5 Pedido improcedente. ACÓRDÃO Decide a Quarta Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em juízo de re tratação, à unanimidade, negar provimento a Ação Rescisória. Brasília, 21 de setembro de 2011. (Data de julgamento.) Desembargador Federal CATÃO ALVES Relator Analisando recurso especial apresentado naqueles autos de ação rescisória, o Ilustre Desembargador Federal Olindo Menezes, proferiu o seguinte despacho, em 30/03/2011: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 354 8 O Superior Tribunal de Justiça, julgando o REsp. 1.118.893/MG decidiu ser a matéria nele tratada representativa de controvérsia, afetandoa a exame da Seção. Tal o contexto, determino o sobrestamento do presente recurso especial, até o pronunciamento definitivo daquela Corte sobre a questão, atendendo ao quanto dispõe o art. 543C do Código de Processo Civil, acrescido pela Lei 11.672/2008 e regulamentado pela Resolução 8, de 07/08/2008, do Superior Tribunal de Justiça, com vigência a partir de 08/08/2008. Esse é o status da ação rescisória até a presente data. Diante desse quadro e considerando que no REsp. 1.118.893/MG decidiuse ser a matéria nele tratada representativa de controvérsia, o colegiado a quo entendeu por aplicar as disposições do art. 62A, no então vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O relator do voto recorrido foi além e observou que o acórdão do STJ se referiu apenas a algumas das alterações legislativas supervenientes, especificamente as Leis 7.856/89 e 8.034/90, a Lei Complementar 70/91 e as Leis 8.212/91, 8.383/91 e 8.541/92, enquanto o enquadramento legal do auto de infração aqui discutido traz, além daqueles, outros diplomas legais posteriores. Ainda assim, entendeu que os dispositivos posteriores citados no auto de infração, limitarseiam, a "dispor sobre aspectos tais como alíquota, base de cálculo, condições de dedutibilidade, forma de pagamento, sempre se referindo à legislação até então vigente. Ou seja, fica reforçada a conclusão acerca da não criação de nova relação jurídico tributária, mas tão somente a alteração daquela pretérita e, para esta contribuinte, declarada inconstitucional". É verdade que o art. 62A do Regimento Interno do CARF não se encontra mais em vigor. Mas permanece vigente a redação do art. 62, do Anexo II, do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 355 9 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, a matéria a ser aqui apreciada cingese ao tema dos efeitos prospectivos de coisa julgada material atinente à constitucionalidade da incidência da CSLL sob a égide da Lei nº 7.689/88, frente à superveniência de decisões e leis posteriores e às disposições do art. 62, II, "b" do RICARF. Esta turma tem decidido de forma reiterada no sentido de que, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica , de forma a verificarse se há descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG. São inúmeros os precedentes proferidos por esta 1ª Turma da CSRF nessa direção. Peço permissão para fazer menção à ementa e a trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101003.221, proferido em sessão realizada em 8/11/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Precedentes. Acórdãos nº 9101002.013, 9101002.044, 9101002.287, 9101002.291 e 9101002.530. Assim, para aplicarmos um acórdão julgado em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos em que dispõe o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, precisamos cotejar o caso concreto com o analisado pelo Tribunal Superior. Nesse contexto, como visto do relato, no primeiro mandado de segurança coletivo, de n° 1989.00.012568, que correu na 2° Vara da Justiça Federal/MG, o Impetrante obteve decisão, que ao final transitou em julgado no TRF da 1ª Região em seu favor, declarando inconstitucional a Lei nº 7.689/1988, conforme Acórdão de Apelação em MS nº 90.01.051154MG, abaixo reproduzido: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 356 10 O referido mandado de segurança objetivava a declaração do direito de o impetrante (e por conseguinte seus afiliados) não pagar a exigência no que respeita ao exercício de 1989, anobase 1988, de novo tributo instituído pela Lei nº 7.689/88, por desrespeito ao mecanismo de introdução de novo tributo exigido pela Constituição Federal, com a decretação da inconstitucionalidade da exigência. Já, o segundo mandado de segurança, sob o n° 1996.00364583, pugnava tutela jurídica no intuito de não recolher CSLL, com base na Lei n° 8.212, de 1991, arguindo, a impetrante, a eficácia da coisa julgada resultante do mandado de segurança também sob a égide dessa nova lei. É certo que a CSLL sofreu substanciais alterações, desde a sua instituição: Lei Complementar nº 70/91 (art. 11); a Lei nº 8.383/91 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95); a Lei nº 8.541/92 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43); a Lei nº 9.249/95 (arts. 19 e 20); a Lei nº 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei); e a Lei nº 10.637, de 2002 (arts. 35 a 37, 45). No auto de infração de que trata este processo administrativo, a exigência da CSLL referese aos anoscalendário 1999 e 2000 e tem por enquadramento legal os seguintes Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 357 11 dispositivos: art. 10; letra d do parágrafo único do art.11; inciso I do art. 15 e inciso II do art. 23, todos da Lei 8.212/91; art. 19 da Lei n° 9.249/95; art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Já a legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei nº 7.689/88, corresponde à Lei Complementar nº 70/91, e as Leis nº 7.856/89, nº 8.034/90, nº 8.212/91, nº 8.383/91 e nº 8.541/92. Verificase que o voto do Ministro Arnaldo Esteves Lima, relator do REsp, é calcado, na parte que analisa as citadas leis, no voto da Min. Eliana Calmon, por ocasião do REsp 731.250/PE, que analisa detalhadamente cada dispositivo dessas leis. Mas apenas essas leis. Confirase a partir do seguinte trecho do voto proferido no REsp: [..] No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, há diplomas supervenientes legitimando sua exigibilidade, a saber: Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. Ocorre que referida tese já foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contribuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Transcrevo a ementa do acórdão: [...] Do voto condutor do julgado extraio o seguinte trecho, que bem esclarece os fundamentos que prevaleceram: Na específica hipótese dos autos, a decisão transitada em julgado atingiu a relação de direito material, ao concluir que a cobrança da contribuição social das Lei 7.689/88 e 7.787/89 seria inconstitucional, e a exação somente poderia ser cobrada a partir de uma nova relação jurídicotributária estabelecida em lei nova. Por isso, pertinente verificar quais foram as alterações introduzidas pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, 8.383/91 e 8.541/92. Vejamos: Lei 7.856/89: Art. 2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota da contribuição social de que se trata o artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de dez por cento. Parágrafo único. No exercício financeiro de 1990, as instituição referidas no art. 1º do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, pagarão a contribuição à alíquota de quatorze por cento. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 358 12 Lei 8.034/90: Art. 2º A alínea c do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 2º... § 1º ... c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase." LC 70/91: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Lei 8.383/91: 10. O imposto e a contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988), apurados em cada mês, serão pagos até o último dia útil do mês subseqüente. (...) Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 359 13 deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Art. 79. O valor do imposto de renda incidente sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, da contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35), relativos ao exercício financeiro de 1992, períodobase de 1991, será convertido em quantidade de UFIR diária, segundo o valor desta no dia 1° de janeiro de 1992. Parágrafo único. Os impostos e a contribuição social, bem como cada duodécimo ou quota destes, serão reconvertidos em cruzeiros mediante a multiplicação da quantidade de UFIR diária pelo valor dela na data do pagamento Art. 89. As empresas que optarem pela tributação com base no lucro presumido deverão pagar o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988): I relativos ao períodobase de 1991, nos prazos fixados na legislação em vigor, sem as modificações introduzidas por esta lei; II a partir do anocalendário de 1992, segundo o disposto no art. 40. Lei 8.541/92: Art. 38. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de pagamento estabelecidas por esta Lei para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. § 1° A base de cálculo da contribuição social para as empresas que exercerem a opção a que se refere o art. 23 desta Lei será o valor correspondente a dez por cento da receita bruta mensal, acrescido dos demais resultados e ganhos de capital. § 2° A base de cálculo da contribuição social será convertida em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 3° A contribuição será paga até o último dia útil do mês subseqüente ao de apuração, reconvertida para cruzeiro com base na expressão monetária da UFIR diária vigente no dia anterior ao do pagamento Art. 39. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, apurada no encerramento do anocalendário, pelas empresas referidas no art. 38, § 1°, desta Lei, será convertida em UFIR diária, tomandose por base o valor desta no último dia do período. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 360 14 § 1° A contribuição social, determinada e recolhida na forma do art. 38 desta Lei, será reduzida da contribuição apurada no encerramento do anocalendário. § 2° A diferença entre a contribuição devida, apurada na forma deste artigo, e a importância paga nos termos do art. 38, §1°, desta Lei, será: a) paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual, quando positiva; b) compensada, corrigida monetariamente, com a contribuição mensal a ser paga nos meses subseqüentes ao fixado para entrega da declaração anual, se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior. As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. Disso se depreende que algumas das normas que serviram para fundamentar o auto de infração não foram analisadas no julgamento do REsp 1.118.893/MG. É o caso do art. 19 da Lei n° 9.249/95, do art. 28 da Lei n° 9.430/96 e do art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 (e suas reedições). Assim, não se pode dizer que a Lei n° 9.249/95, a Lei nº 9.430/96, bem como a Medida Provisória n° 1.858/99, estariam alcançadas pelo REsp 1.118.893/MG, a ponto de não poderem ser aplicadas a quem porventura tenha uma decisão judicial favorável fundamentada na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, que foi o objeto de pedir no primeiro mandado de segurança, ou na Lei nº 8.212/91, objeto do segundo mandado de segurança, e o julgamento proferido no REsp 1.118.893/MG. Neste momento, peço vênia para mais uma vez fazer referência ao seguinte trecho do voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101003.221, no exato ponto em que o ilustre conselheiro transcreve o seguinte trecho do voto do então Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, proferido no precedente de nº 9101002.530, e que analisou um importante aspecto da questão: tratandose de constitucionalidade de leis, as decisões definitivas do STF com efeitos erga omnes: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à adequada aplicação a ser dada ao decidido no Recurso Especial (REsp) do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 1.118.893/MG, proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. [...] A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp.1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 361 15 qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG. No caso em questão temos três aspectos, analisados a seguir. 1) A decisão em favor do contribuinte, exarada em 10 de fevereiro de 1992, inquinou de inconstitucionalidade a Lei nº 7.689/1988, alicerçada no AMS nº 89.01.136147/ MG (ver julgado acima transcrito), o qual teve entre seus fundamentos o fato de que a Lei nº 7.689/1988 só poderia instituir contribuição social caso fosse editada como lei complementar e, assim, não considerou a LC nº 70/1991, aspecto que, conforme o entendimento, poderia ter sido superado, considerando o que dispõe o art. 11 da referida LC nº 70/1991 (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”). Há que se ressaltar, também, que foi a Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994, quanto também em 1996 — anos anteriores ao anos calendário em referência (2007 e 2008) reafirmada constitucionalmente pelas Emendas Constitucionais nºs 1, de 1994, e 10, de 1996, (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”), o que, por si só, convalidaria qualquer outra possível pecha de inconstitucionalidade que, até então, se lhe pudesse impingir (v.g., mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do imposto de renda, administração e fiscalização por parte da Receita Federal do Brasil, criação antes da entrada em vigor do sistema tributário, entre outras). Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 362 16 2) Após prolatada a decisão em que, indiretamente, se estriba o contribuinte (AMS nº 89.01.136147/ MG – 03/10/1991), diversas normas que vieram tratar da CSLL foram editadas antes de 2007 (primeiro anocalendário do lançamento em questão), e.g.: LC nº 70/1991 (art. 11), 8.383/1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95), 8.541/1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (arts. 19 e 20), 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei) e 10.637/2002 (arts. 35 a 37 e 45). Dessas normas, apenas as LC nºs 70/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (além das Leis 7.856/1989, 8.034/1990 e 8.212/1991) estão cotejadas no REsp. 1.118.893/MG. Ou seja, não se pode aplicar o referido REsp. 1.118.893/MG sob os aspectos materiais do caso presente em virtude de que ele não tratou de diversas alterações legislativas que aqui se aplicam e que afetaram a materialidade e os aspectos de contorno do fato gerador da CSLL – o que, evidentemente, não teria mesmo o condão de fazer, ainda que fosse uma lei. Aceitarse isso configuraria uma extensão indevida, uma legiferação abusiva por via de decisão judicial, com efeitos prospectivos no ordenamento que só são possíveis de existir em texto constitucional. Vejase que o lançamento, consubstanciado no Auto de Infração, além da Lei nº 7.689/1988, remete expressamente à Lei nº 8.981/1995 (art. 57), à Lei nº 9.249/1995 (art. 2º) e à Lei nº 9.316/1996 (art. 1º) – leis que não foram objeto de análise no REsp. 1.118.893/MG. De lembrar que, quando a Lei 9.430/1996 foi publicada, já era pacífico que a CSLL poderia ser regulada por lei ordinária, um dos fundamentos do acórdão que transitou em julgado a favor do contribuinte, quando afastou a incidência da CSLL com base na Lei nº 7.689/1988. Assim, por estes dois motivos, afasto a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, porém, necessário destacar, sem descumprir o art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II – é que o REsp. 1.118.893/MG não se aplica aqui. 3) Vejase que os dois aspectos acima considerados são suficientes para a manutenção integral da exigência, mas há outro aspecto a ser discutido. Tal aspecto, enfrentado e afastado pelo contribuinte, diz respeito aos efeitos das decisões do STF proferidas em sentido contrário à decisão transitada em julgado, que não teriam o condão de afetála, e o faz também com supedâneo no REsp. 1.118.893/MG, afastando também a aplicação da Súmula STF nº 239. Porém, há que se observar que o referido Acórdão do STJ não considerou, ao decidir, os efeitos específicos das decisões em sede de controle concentrado (nem mesmo em obter dicta). Apenas se referiu a decisões do STF de forma genérica (consta do Acórdão: “O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado...”), porém sem considerar este relevantíssimo aspecto. É que a decisão em sede de controle Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 363 17 concentrado tem efeito erga omnes, à semelhança de lei, irradiando efeitos gerais após sua edição e afastando as normas e as decisões (normas individuais) que lhe sejam contrárias. O próprio REsp. 1.118.893/MG, em sua fundamentação, deixa claro que, se houver lei superveniente que afete a cobrança que foi afastada pela coisa julgada, ela deve ser considerada (grande parte da rationale da decisão é elaborada com base nesta fundamentação). Ora, uma decisão do STF em sede de controle concentrado tem exatamente o efeito de uma lei e, no caso, uma lei de efeito substancial, que irradia seus efeitos estabelecendo um novo marco jurídico dali em diante e consolidando os atos já praticados para aqueles que não tinham em seu favor uma decisão com trânsito em julgado. Entendo que o tema não foi enfrentado especificamente pelo REsp. 1.118.893/MG, não fazendo parte do que ali foi decidido e, portanto, com relação a essa questão, o REsp. 1.118.893/MG não se aplica. Vejase, por oportuno, que foi dito o seguinte, na ementa daquela decisão do STJ (grifei): 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Adotandose essa mesma linha de raciocínio, os efeitos futuros ou prospectivos do Recurso Extraordinário nº 146.7339SP, de 1992, do STF, transitado em julgado em 1993, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle difuso seguido de Resolução do Senado!!! Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle difuso seguido de Resolução do Senado, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada — ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ , mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, portanto e apenas para ele, fazse necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. Ao julgar o RE nº 146.7339/SP, de 1992, e também o RE nº 150.7641/PE, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seu art. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão daquele primeiro RE tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 364 18 NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1º, 2º E 3º DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. [...]. Considerando que a decisão do RE nº 146.7339/SP foi proferida pelo STF em 29/06/1992 e publicada em 01/07/1992, com trânsito em julgado em 13/04/1993 e que a Resolução do Senado de nº 11, foi editada em 04/03/1995 e publicada em 12/04/1995, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Ademais, há um argumento contundente no presente caso, que são os efeitos os efeitos futuros ou prospectivos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 152/ DF, de 2007, do STF, transitada em julgado, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle concentrado de constitucionalidade!!! Esse aspecto foi muito bem captado pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF e nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, ao anotar que, respectivamente (destaques do original): 13. Anotese que o egrégio STJ já assentara, em paradigmáticas decisões, [...] que a declaração de inconstitucionalidade não elimina os efeitos já consumados ao abrigo de sua eficácia (REsp 1.118.893/MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11), assim abrindo o caminho para se harmonizar os dois modos de controle (difuso e concentrado) de verificação de adequação das leis à Constituição: [...]. 28. No STJ, essa matéria já foi objeto de recurso repetitivo, em julgamento relatado pelo eminente Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, que assim pronunciou a preservação dos efeitos da coisa julgada difusa, até que a sua eficácia fosse eliminada por decisão do STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle concentrado de constitucionalidade, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ —, mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 365 19 portanto e apenas para ele, fazse necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. E nem poderia ser diferente, pois do contrário (cf. Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, do STJ) (destaques do original): [...], se não se der pronta prevalência à decisão do STF, terseá de afirmar invertendose a hierarquia das decisões judiciais que a supremidade seria atributo do decisum anterior, em detrimento do julgado do Pretório Máximo. Ao julgar a ADIn nº 152/DF, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seus arts. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: EMENTA: [...] IV. ADIn: L 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação da Medida Provisória 22, de 1988. [...] 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo tribunal federal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela análise do permissivo constitucional que devolve ao STF o conhecimento de toda questão da constitucionalidade da lei. Considerando que a decisão da ADIn nº 15 foi proferida pelo STF em 14/06/2007 e publicada em 31/08/2007, com trânsito em julgado em 12/09/2007, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Tal lançamento, em nosso entendimento está em perfeita consonância com o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011, pelos motivos acima alegados, especialmente o que se contém em seus §§ 51, 52 e 99. Assim, por estes motivos, afastase a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, destacando, porém, que isso não implica em descumprir o art. 62, § 2º, do RICARF, Anexo II, uma vez que o REsp. 1.118.893/MG aqui não se aplica. Cumpre observar que, inobstante o trânsito em julgado de decisão judicial favorável ao contribuinte, os seus termos não podem se projetar indefinidamente para o futuro, especialmente porque o Supremo Tribunal Federal, pelo seu tribunal pleno, em várias oportunidades (RE 146.7339/SP, em 29/06/92, RE 138.2848/CE, em 01/07/2002, e RE 150.764/PE, em 16/12/92) concluiu pela constitucionalidade da exigência da CSLL pela Lei 7.689/88, afastando apenas a sua cobrança no ano de 1988, entendimento que foi amplificado Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 366 20 pela Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/95, quando se deu efeito erga omnes para essa inconstitucionalidade apenas pontual da referida lei (relativamente à cobrança da CSLL no próprio ano de sua instituição), conforme havia concluído o STF. Há, também, recursos extraordinários no STF, pendentes de julgamento, tratando exatamente dessa matéria referente aos efeitos prospectivos das decisões relativas à coisa julgada da CSLL, e com repercussão geral já reconhecida. Por fim, quanto a informação, em sede de contrarrazões, de inclusão dos débitos referentes à CSLL dos anos de 1999 e 2000 no parcelamento especial PAES, a própria autoridade fiscal já havia checado e concluído que referidos valores não foram incluídos no mencionado parcelamento. Do Termo de Verificação Fiscal extraio o seguinte trecho: Em cartaresposta datada de 23/11/2004, a fiscalizada apresentou planilha onde demonstrou: a apuração anual da CSLL referente aos anos calendários de 1999, 2000 e 2001, e os valores devidos da CSLL por estimativa mensal. Informou ainda que o montante de R$ 29.672,63 fora incluído em DCTFs, sendo R$ 4.505,68, R$ 6.457,79, R$ 3.298,63, R$ 2.926,32, R$ 2.883,47, R$ 4.218,95 e R$ 5.381,79, respectivamente referentes a janeiro, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1999; que no ano de 2000, não houve lançamento na DCTF e que, a partir de junho de 2001 todos os valores apurados foram declarados em DCTF e recolhidos, tanto os referentes à estimativa mensal, como a CSLL apurada anualmente. Informou também que os valores apurados anualmente de 1999 a 2000 foram incluídos no cálculo do parcelamento especial — PAES e que as parcelas vinham sendo recolhidas. A Lei 10.684 de 30 de Maio de 2003, publicada no D.O.U. de 31/05/2003 e retificada pelo D.O.U. de 09/06/2003, que instituiu o parcelamento especial — PAES, determina, em seu art. 1°, que os débitos junto à Secretaria da Receita Federal poderão ser parcelados, e em seu § 2°, que os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável. Isto significa que, o referido dispositivo legal condicionou a inclusão dos débitos, no referido parcelamento, à constituição ou à confissão irretratável e irrevogável. Ao examinarmos os documentos apresentados pela empresa, verificamos que: a) os débitos da CSLL referentes aos anos de 1999 e 2000, que informou ter incluído no PAES, nem estavam constituídos, nem confessados, em quase sua totalidade, pois não foram declarados em DCTF, não foram contabilizados, sequer Informados na DIPJ, portanto, de acordo com a legislação do Parcelamento Especial — PAES, apenas o montante de R$ 29.672,63, referente ao ano calendário de 1999 foi incluído no PAES, ainda assim em 29/10/2003, através de retificação das DCTFs apresentadas inicialmente. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10680.015201/200495 Acórdão n.º 9101003.939 CSRFT1 Fl. 367 21 Logo, constatase que não há, nos autos, nada que comprove que o contribuinte aderiu ao referido parcelamento, como afirmou. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001007/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas suas razões de defesa (arts. 14-16, Decreto nº 70.235/1972). Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, mandatório o reconhecimento da preclusão consumativa.
Numero da decisão: 2202-004.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas suas razões de defesa (arts. 1416, Decreto nº 70.235/1972). Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, mandatório o reconhecimento da preclusão consumativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 10 07 /2 00 5- 44 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 16707.001007/200544 Acórdão n.º 2202004.921 S2C2T2 Fl. 96 2 Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MARIA DAS GRAÇAS AGUIAR DA CUNHA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) DRJ/REC, que rejeitou a impugnação apresentada para declarar devido IRPF/2002, no valor de R$17.217.48 (dezessete mil, duzentos e dezessete reais e quarenta e oito centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. O mencionado acórdão (fls. 6669), em síntese, sublinha que o auto de infração tem como fundamento a dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor supramencionado, incidente sobre valores transferidos à contribuinte a título de pensão alimentícia. Transcrevo, no que importa, trechos da objurgada decisão: [A] a contribuinte apresentou documentos, onde ficou comprovado que rendimento tributável no valor de R$ 78.217,48, foi recebido de Lindberg Figueiredo Cunha, (...), sendo excluído dos rendimentos tributáveis do separando e transferido para a contribuinte a titulo de pensão alimentícia (...). Às fls. 01/02, consta requerimento apresentado pela contribuinte, que deu origem ao presente processo, alegando em resumo que "a declaração foi feita apenas de forma equívoca e não dolosa, pois a requente usufruía direitos total do percebido na Marinha do Brasil pelo o excônjuge (...).” Primeiramente, ressaltase que o contribuinte não se manifesta quanto à infração relativa à glosa do imposto de renda retido na fonte. Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto n° 70.23572, considerase não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada, razão pela qual mantémse o lançamento da referida glosa. Constatase que de fato a contribuinte errou ao preencher sua declaração de ajuste anual, ao informar rendimentos pagos pela PAGADORIA DE PESSOAL DAMARINHA quando na realidade pertencente ao seu excônjuge, passando a lhe pertencer num segundo momento, e em virtude do pagamento realizado a título de pensão judicial. (...) Consequentemente, a utilização do imposto retido na fonte foi igualmente incorreta, uma vez que o ônus da retenção não foi suportado pela contribuinte, mas pelo excônjuge, a quem pertence o direito de compensar, sendo compensado conforme consta do processo n° 16707.000471/200432, em que a contribuinte apresentou impugnação como procuradora. Caberia a contribuinte ter efetuado mensalmente o recolhimento do imposto de renda na fonte, que seria compensado na declaração de ajuste anual, inclusive deveria ter sido lavrado auto de infração referente multa isolada por não ter efetuado Fl. 102DF CARF MF Processo nº 16707.001007/200544 Acórdão n.º 2202004.921 S2C2T2 Fl. 97 3 recolhimento do carnêleão, conforme determina a legislação vigente. Consequentemente, a utilização do imposto retido na fonte foi igualmente incorreta, uma vez que o ônus da retenção não foi suportado pela pensionista, mas pelo contribuinte, a quem pertence o direito de compensar, em seu ajuste anual, o valor retido. No que pese as alegações da contribuinte que houve sim, forma errônea quanto a maneira de declarar seus rendimentos, que não houve omissão dolosa, vale salientar que foi deduzido do imposto devido, imposto de renda retido na fonte cujo ônus não foi suportado pela contribuinte, resultando em recolhimento do imposto devido menor do que devido, sendo devidamente apurado pela autoridade fiscal, através do auto de infração. O Sistema Tributário Brasileiro está submetido ao principio da legalidade. (sublinhas deste voto). Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 17/09/2007, recurso voluntário (fls. 75/85), sustentando estar sendo responsabilizada pelo lançamento integral do imposto de renda relativo à decisão de separação judicial. Diz que da leitura da decisão judicial que estabeleceu os parâmetros da pensão alimentícia, (...) fica evidente que a pensão é paga para o sustento dos filhos do casal e dá sua mulher no valor 1% (hum por cento) do valor total da pensão que corresponderá a 28 salários mínimos, ou seja, a autora não percebeu o valor que está sendo tributado como de sua responsabilidade integral, ela recebeu apenas 1% (um por cento) da quantia tributada (fl. 83; sublinhas deste voto). Afirma inexistir fato gerador na hipótese e repisa que, por não ter recebido a integralidade dos valores tributados, não poderia ser cobrada por obrigação pecuniária que foge à sua responsabilidade. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Reservo a aferição do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal para após o cotejo das razões deduzidas em primeira e segunda instância administrativa. Consabido que o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 determina que será considerada “não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Peço licença para transcrever breve excerto da sucinta impugnação (fls. 4 e 6): A devida declaração foi feita apenas de forma equívoca e não dolosa, pois a requerente usufruía direitos através do repasse Fl. 103DF CARF MF Processo nº 16707.001007/200544 Acórdão n.º 2202004.921 S2C2T2 Fl. 98 4 total do percebido na Marinha do Brasil pelo o excônjuge. Então, no seu entendimento, viuse a requerente na obrigação de reconhecer todo o rendimento que lhe era repassado pela Marinha do Brasil, em sua declaração de imposto de renda, sem o mínimo escopo de burlar o fisco, tanto é que sempre pagava imposto devido, nunca tendo recebido alguma devolução que fosse. Observese que em momento algum houve por parte tanto da requerente quanto pelo seu excônjuge omissão dolosa que pudesse causar prejuízo ao Erário Público da União. Houve sim, forma errônea quanto à maneira de declarar o seu imposto de renda, pura e simplesmente por ignorância quanto à orientação dada pela Receita Federal. Por todo o exposto, requer seja acatada a presente justificação e, consequentemente, impugnado o auto de infração supramencionado, valendose da documentação apensa como demonstração dos fatos alegados, reservandose, ainda, ao direito de usar tudo que for necessário para a comprovação dos mesmos, por ser de indiscutível Justiça (sublinhas deste voto). Em suma, a recorrente alega que, por desconhecimento, declarou erroneamente os rendimentos percebidos por seu marido. Já em sede recursal, nada diz sobre o único pilar de sua impugnação – a indigitada “ignorância” quanto à orientação dada pela Receita Federal – e passa a pleitear o seguinte: [S]eja reformada a decisão ora recorrida, anulando integralmente o lançamento efetuado, porquanto não existe o fato gerador da obrigação cobrada, posto que a recorrente não recebeu os valores informados, sendo inobservado pelo julgado recorrido os documentos de fls. 29 e 29v, quanto à distribuição da pensão alimentícia. Caso Vossas Senhorias não acatem o pedido retro que, anulada a decisão recorrida, determinem o lançamento do tributo calculado sobre 1% (um por cento) do valor relativo à pensão alimentícia, pois foi efetivamente o que coube à autuada/recorrente, observando, neste caso, a ocorrência de prescrição para o lançamento e a eventual inclusão da recorrente nas faixas de isenção dos contribuintes do imposto de renda (sublinhas deste voto). Com o manejo do recurso voluntário, a parte impugna a decisão da DRJ e provoca o reexame da causa pelo órgão administrativo de segundo grau, almejando a sua reforma total ou parcial. No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Justamente por isso é inadmissível, em grau de recurso, modificar a decisão de primeiro grau baseada em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Do cotejo analítico das razões deduzidas em primeira e em segunda instância, me parece evidente a inovação recursal, não merecendo, por esta razão, ser o pleito da recorrente apreciado por este Conselho. Frisese ainda não se tratar de fato novo, cuja ciência Fl. 104DF CARF MF Processo nº 16707.001007/200544 Acórdão n.º 2202004.921 S2C2T2 Fl. 99 5 apenas veio a ocorrer após a apresentação da impugnação e do julgamento “a quo”, o que comprova estar configurada a preclusão. De toda sorte, ainda que fosse possível superar o fato de ter a recorrente inovado em suas razões recursais, a questão em discussão no processo não diz respeito à base de cálculo do tributo, mas sim à dedução indevida de IRRF. Transcrevo o que consta no demonstrativo das infrações (fl. 19): Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. O IRRF no valor de R$ 17.217,48 referese a rendimentos recebidos por Lindberg Figueiredo Cunha, CPF (...), e transferidos para a contribuinte a título de pensão alimentícia. Portanto, não pode a mesma se beneficiar do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de seu excônjuge. Sendo assim, ainda que superado o não conhecimento do recurso, resta claro que a (nova) argumentação da recorrente é alheia ao objeto dos autos, motivo pelo qual não afastaria a glosa. Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910421/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
A CPMF não incide sobre o lançamento errado e seu respectivo estorno, desde que não caracterizem a anulação de operação efetivamente contratada (art. 3°, II da Lei n° 9.311/96). Então, para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o indébito de R$ 13.919,61, a título de recolhimento indevido de CPMF.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. A CPMF não incide sobre o lançamento errado e seu respectivo estorno, desde que não caracterizem a anulação de operação efetivamente contratada (art. 3°, II da Lei n° 9.311/96). Então, para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o indébito de R$ 13.919,61, a título de recolhimento indevido de CPMF. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 04 21 /2 01 1- 69 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 146 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 25052.14728.261007.1.3.041608, transmitida em 26 de outubro de 2007, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 427.206,69, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), mediante Darf código 5869, em 18 de outubro de 2007, no valor de R$ 200.714.541,25, relativo ao período de apuração de 10 de outubro de 2007. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo – Deinf/SP pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, às folhas 74 e 75, emitido em 03 de janeiro de 2012, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, em razão de que, a partir das características do Darf discriminado na Dcomp, foi localizado o pagamento sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados. Nas Informações Complementares da Análise de Crédito, a Deinf esclarece que a contribuinte, intimada, não logrou comprovar o pagamento a maior de CPMF. E, que o pagamento no valor original de R$ 200.714.541,25 foi vinculado pela contribuinte ao débito de CPMF, código 5869, relativo ao período de apuração de 10 de outubro de 2007, no valor de R$ 199.528.030,32 (v. folha 75). Em Observação, a Deinf/SP informa que às folhas (numeração em papel) 2758 a 2781; 3341 a 3343 e 3453 a 3479 do processo administrativo nº 16327.000765/201087, a contribuinte foi intimada a comprovar o alegado pagamento a maior de CPMF, mediante Intimações Deinf/Diort nº 259/2011 e 304/2011, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, com ciência pessoal em 09 de setembro de 2011 e 13 de outubro de 2011. Relata a autoridade fiscal que a contribuinte apresentou documentos e explicações, conforme se transcreve abaixo: [...] CRÉDITO ALEGADO POR MOVIMENTOS INDEVIDOS DE 2.669 FATOS GERADORES, APRESENTANDO EXPLICAÇÃO PARA 81% DO CRÉDITO EM QUESTÃO REFERENTE À MOVIMENTAÇÃO DE 12 CONTAS, SENDO: ESTORNO DE LANÇAMENTO A DÉBITO DE CONTA CORRENTE PARA CONTA INVESTIMENTO DE MESMO TITULAR; ESTORNO DE LANÇAMENTO DE REDUÇÃO DE SALDO DEVEDOR; MOVIMENTOS DE LANÇAMENTO A DÉBITO EM CONTA CORRENTE DE CONTRIBUINTES ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSIST. SOCIAL. APRESENTOU EXTRATO DAS CONTAS DOS CONTRIBUINTES EM TELA PARA COMPROVAÇÃO DOS LANÇAMENTOS, RESPECTIVOS Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 147 3 ESTORNOS E DEVOLUÇÕES. QUANTO AOS ESTORNOS, NÃO FOI COMPROVADA A CONDIÇÃO ESTABELECIDA PELO INCISO II DO ART. 3º DA LEI Nº 9.311/96; TAMBÉM GLOSADO: VALOR ATRIBUÍDO A ENTIDADES DE ASSIST. SOCIAL, POR FALTA DA DECLARAÇÃO EXIGIDA PELOS ART. 1º E 2º DA IN/SRF Nº 531/05; LEGISLAÇÃO APLICADA: (VER SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT 8ª SRRF Nº 316/2004 DE 5/11/2004). OBSERVESE QUE A PRESENTE DECISÃO DECORRE DE ANÁLISE INFORMAÇÕES E DOCUMENTAÇÃO PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 2 a 7, na qual alega que tem direito ao crédito no valor de R$ 427.206,69, em razão do pagamento de R$ 200.714.541,25, relativo ao débito de CPMF do período de apuração de 10 de outubro de 2007, informado na DCTF no valor de R$ 200.283.717,36. Argumenta que o pagamento indevido decorre do fato de ter efetuado a retenção e o pagamento da CPMF, na qualidade de responsável tributário, sobre diversas operações praticadas por seus clientes. E, por inúmeras razões, tais como estorno de redução de saldo devedor, estorno de transferência de valor, estorno por conta da natureza jurídica do cliente, dentre outros, o fato gerador da CPMF não se concretizou, sendo que o valor retido e recolhido tornouse indevido. A contribuinte explica a situação ocorrida com cada cliente, a fim de comprovar o pagamento indevido no valor de R$ 345.525,81 (81% do crédito compensado), como se transcreve: No caso em tela, destacamse 05 clientes que sofreram retenções indevidas de CPMF no valor total de R$ 345.525,81 (81% do crédito compensado), pelos motivos a seguir detalhados: 1) Cliente Associação Cultura Franciscana CNPJ 60.806.577/000177 (R$ 83.450,91) O cliente em questão é entidade beneficente de assistência social, conforme comprovado pelo seu cartão do CNPJ (doc. 06) bem como pela Resolução CNAS n° 03/2009 (doc. 07) e, por essa razão, goza de imunidade tributária, nos termos do art. 195, § 7o da Constituição Federal1. A não incidência da CPMF para movimentações financeiras efetuadas por entidades beneficentes de assistência social também se encontra disciplinada no artigo 3o, V da Lei n° 9.311/96. Assim, considerando que, por equivoco, o Manifestante efetuou a retenção e o recolhimento de CPMF de entidade imune, procedeu ao estorno dos referidos valores ao cliente, conforme é possível verificar no extrato de sua conta corrente (doc. 08), que evidencia a cobrança da CPMF, multa e juros em 09/10/2007 e o estorno da operação em 19/10/2007. 2) Cliente IBM Brasil Indústria Máquinas e Serviços Limitada CNPJ 33.372.251/000156 (R$ 233.574,60) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 148 4 Cliente Prevdow Sociedade de Previdência Privada CNPJ 62.282.017/000136 (R$ 7.311,35) Cliente Instituto Adventista de Jubilação e Assistência CNPJ 00.494.427/000193 (R$ 7.269,34) No tocante aos clientes acima mencionados, o indébito de CPMF é decorrente da indevida retenção do tributo, em face das operações praticadas pelos clientes estarem sujeitas à alíquota zero, nos termos do artigo 8º, VII da Lei 9.311/965. Um todos os casos, em razão da transferência de conta corrente para conta investimento, houve a retenção da CPMF, mas por conta da previsão legal de que tal operação está sujeita à alíquota zero, o Manifestante procedeu à devolução dos valores aos clientes, tal como demonstrado nos extratos anexos (doc. 09). Nos referidos documentos, é possível constatar: (i) a cobrança indevida de CPMF do cliente IBM Brasil Indústria Máquinas e Serviços Limitada em 15/10/2007 e a devolução em 18/10/2007, no valor de RS 233.574,60; (ii) a cobrança indevida de CPMF do cliente Prevdow Sociedade de Previdência Privada em 15/10/2007 e o estorno em 22/10/2007, no valor de R$ 7.311,35 e (iii) a cobrança indevida de CPMF do cliente Instituto Adventista de Jubilação e Assistência em 15/10/2007 e a devolução em 22/10/2007, no valor de RS 7.269,34. 3) Cliente Xerox Comércio e Indústria Ltda. CNPJ 02.773.629/000108 (R$ 13.919,73) Com relação ao cliente em referência, a retenção de CPMF foi indevida em razão de operação indevida de redução de saldo devedor do cliente. Nos termos do artigo 3% inciso II da Lei nº 9.311/96, a contribuição não incide no lançamento errado e o seu respectivo estorno, tal como ocorreu no caso em tela. Assim, o Manifestante procedeu ao estorno do valor lançado para redução do saldo devedor, bem como ao estorno da CPMF indevidamente retida, como se verifica no extrato anexo (doc. 10). A contribuinte prossegue sua defesa afirmando que, considerando o disposto na Lei nº 9.311/96, estornou a CPMF indevida aos clientes, arcando, portanto, com o ônus do referido tributo, passando a ser o detentor do crédito, nos termos do artigo 166 do CTN. Alega a interessada que o direito ao ressarcimento se encontra amparado pela garantia do direito à propriedade, bem como pelos princípios da estrita legalidade tributária e da moralidade administrativa, dentre outros. E, argumenta que a autoridade administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, bem como tem o poderdever de apreciar todas as informações e documentos que se possa ter a Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 149 5 respeito da matéria. Neste sentido, conclui a contribuinte que as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento indevido e a assunção de seu encargo financeiro. Em sua defesa, a contribuinte junta aos autos cópia da DCTF original do mês de setembro de 2007, às folhas 27 a 29, comprovante de arrecadação, à folha 30, bem como cadastros de clientes, Resoluções de entidades beneficentes, extratos bancários, entre outros, às folha 31 a 57. Em 27 de fevereiro de 2012, a contribuinte apresenta aditamento à manifestação de inconformidade, solicitando a juntada de documentos a fim de comprovar a retenção indevida de CPMF da cliente Associação Cultura Franciscana. Alega a interessada que, por se tratar de entidade beneficente de assistência social, goza de imunidade tributária, nos termos do art. 195, §7º da Constituição Federal. A contribuinte explica que a não incidência da CPMF para movimentações financeiras efetuadas por entidades beneficentes de assistência social também se encontra disciplinada no artigo 3º, V, da Lei nº 9.311/96. E, que a Instrução Normativa n° 531/05 estabeleceu que a entidade beneficente de assistência social deve apresentar, à instituição responsável, declaração assinada por seu representante legal, bem como cópia autenticada do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, válido para o período objeto da não incidência da contribuição. A 4ª Turma da DRJ/FNS, acórdão nº 0736.415, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: CPMF. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Para que a entidade beneficente de assistência social faça jus à não incidência da CPMF, é necessário que sejam atendidos os requisitos estabelecidos na legislação. CPMF. ESTORNO. NÃO INCIDÊNCIA. A CPMF não incide no lançamento errado e seu respectivo estorno, desde que não caracterizem a anulação de operação efetivamente contratada. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Foi provida em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 331.606,20, relativo à CPMF do período de apuração encerrado em 10 de outubro de 2007. O voto condutor da DRJ apontou que o Banco cumpriu seu ônus probatório quanto aos recolhimentos indevidos referentes a: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 150 6 Das entidades beneficentes de assistência social A contribuinte trouxe aos autos, à folha 66, cópia da Declaração para Isenção da CPMF da cliente Associação Cultura Franciscana CNPJ 60.806.577/000177 informando que é portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), para fins de não incidência da CPMF sobre as operações efetuadas a débito na conta corrente 400807, agência 3001 do Banco Itaú. Verificase, ainda, que a Certidão de folha 65, emitida pelo CNAS, informa que a referida entidade solicitou, tempestivamente, pedido de renovação do CEAS que se encontra em análise. No extrato bancário, às folhas 34 e 35, observase que a contribuinte reteve indevidamente o valor de R$ 83.450,91 em 09 de outubro de 2007, estornando tal valor em 19 de outubro de 2007. Desta forma, reconhecese o crédito da contribuinte, no valor de R$ 83.450,91. Da alíquota zero Do estorno das operações Retornando ao caso concreto, observase que para as clientes IBM Brasil Indústria Máquinas e Serviços Limitada CNPJ 33.372.251/000156; Prevdow Sociedade de Previdência Privada CNPJ 62.282.017/000136 e Instituto Adventista de Jubilação c Assistência CNPJ 00.494.427/000193 a operação de transferência da conta corrente de depósito para conta corrente de investimento foi estornada, assim como a respectiva CPMF, retida no período de 01 a 10 de outubro de 2007, devolvida aos clientes (v. folhas 36 a 39, 42 e 43, 46 e 47). Portanto, em razão da operação de transferência ter sido estornada não há razão para a incidência da CPMF. Deste modo, devese reconhecer o direito creditório da contribuinte, no valor de R$ 248.155,29, conforme tabela abaixo: (...) A DRJ negou provimento quanto à alegação de redução de saldo devedor, estorno das operações da cliente Xerox Comércio e Indústria Ltda. Em recurso voluntário, o Banco aduz que demonstrou incorretamente as operações que geraram a tributação indevida pela CPMF. Anexa extratos da conta para provar tal alegação. Por fim, como bem apontou a DRJ, o Banco pleiteou na Dcomp o crédito no valor de R$ 427.206,69, mas somente trouxe aos autos documentos relativos ao valor de R$ 345.525,81. Desta forma, considerouse não contestada a quantia de R$ 81.680,88. É o relatório. Voto Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 151 7 Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, tomo conhecimento. O fundamento para a negativa do reconhecimento do indébito da redução de saldo devedor, estorno das operações da cliente Xerox Comércio e Indústria Ltda, deuse nos seguintes termos: A contribuinte alega que para a cliente Xerox Comércio e Indústria Ltda. CNPJ 02.773.629/000108, houve pagamento indevido de CPMF, nos termos do disposto no artigo 3º, inciso II da Lei nº 9.311/96, em razão de operação indevida de redução de saldo devedor do cliente. Afirma a interessada que procedeu ao estorno do valor lançado para redução do saldo devedor, bem como ao estorno da CPMF, no valor de R$ 13.919,73, indevidamente retida. Em análise aos autos, observase no extrato da conta corrente 015980, agência 0911, às folhas 50 a 55, três reduções de saldo devedor assinaladas pela contribuinte como base de cálculo para retenção da CPMF: R$ 1.164.404,37, em 02/10, R$ 426.839,03 em 03/10 e R$ 2.071.849,39, em 09/10. O valor da CPMF retido para o período 01/10 –10/10, em 15 de outubro, foi de R$ 133.979,69. Em 17 de outubro houve estorno da redução do saldo devedor nos valores de R$ 426.805,59, R$ 2.071.849,39 e R$ 1.164.404,37. E, por fim, em 19 de outubro, verificase o estorno da CPMF no valor de R$ 13.919,61. Ocorre que o valor estornado da CPMF, cujo histórico no extrato é EST CPMF PERÍODO ANTER, não corresponde ao valor aplicado sobre as bases de cálculo indicadas pela contribuinte. Desta forma, não há certeza de que o valor da CPMF estornado se refira a fatos geradores ocorridos no período de apuração que se aprecia, ou seja, 01/10 a 10/10. Desta forma, não se reconhece o pleito da contribuinte. Em recurso voluntário, o Banco aduz que, por um equívoco, demonstrou como parte das operações que geraram a tributação indevida pela CPMF, aquela ocorrida em 03/10/2007, quando, na verdade, a operação a ser considerada na composição do crédito é aquela ocorrida em 04/10/2007, cuja base de cálculo tributável monta o valor de R$ 426.805,59, que somada às demais ocorridas em 02/10/2007 e 09/10/2007, totalizam o valor correto do crédito de CPMF pleiteado pelo Recorrente de R$ 13.919,61: Observase nos extratos da conta os lançamentos apontados (efls. 132138): Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.910421/201169 Acórdão n.º 3301005.586 S3C3T1 Fl. 152 8 A CPMF não incide sobre o lançamento errado e seu respectivo estorno, nos termos do art. 3°, II da Lei n° 9.311/96. Entendo que está comprovado o indébito tributário em favor do Banco, com fundamento nos art. 165, I do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Diante disso, a unidade de origem deve proceder ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP, homologando total ou parcialmente, de acordo com o reconhecimento do indébito de R$ 13.919,61, a título de recolhimento indevido de CPMF. Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o indébito de R$ 13.919,61, a título de recolhimento indevido de CPMF. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720736/2007-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/03/2005
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.819
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 36 /2 00 7- 15 Fl. 729DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403002.623, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/12/2002 a 31/03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA INDISPENSÁVEIS. Incumbe à fiscalização, nas autuações, a apresentação dos termos, documentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação da irregularidade detectada (cf. art. 9o do Decreto no 70.235/1972).” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O colegiado a quo considerou que a insuficiência de provas conduziria ao cancelamento da autuação; · Por outro lado, o acórdão paradigma entende que a ausência de prova gera nulidade por vício formal. Requer, assim, que o Auto de Infração seja anulado por vício formal e lavrado um novo, revestido de todos os requisitos legais, resguardado o disposto no art. 173, inciso II, do CTN. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10283.720736/200715 Acórdão n.º 9303007.819 CSRFT3 Fl. 565 3 Em Despacho às fls. 649 a 652, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O Recurso especial não reúne condições para ser conhecido e, ainda que assim não fosse, os pretensos fundamentos utilizados pela PGFN, em sua peça recursal, não podem, de nenhum modo, ensejar a decretação de nulidade, por vício formal, do Auto de Infração; · Por meio de auto de infração que originou o processo administrativo restou a seguinte acusação fiscal: não incluir as receitas de subvenção – oriundas de um benefício fiscal de ICMS concedido pelos Estados do Amazonas – na base de cálculo do PIS, gerando, com isso, pagamento inferior ao devido nos períodos entre dez/02 e mar/05; · O contribuinte demonstrou com suporte na escrituração contábil de cada um dos períodos de apuração auditados – que as mencionadas receitas de subvenção, ao contrário do que foi apontado pela DRF, foram computadas na base de cálculo do PIS dos períodos auditados; · E, mesmo que assim não fossem, o contribuinte estaria amparado pela ação judicial nº 2005.32.00.0015280, na qual obteve o reconhecimento do direito de não incluir na base de cálculo do PIS as receitas provenientes de incentivos fiscais; · Desde a instauração da fase litigiosa, a recorrida se limitou a demonstrar que os fundamentos materiais da autuação eram, em verdade, improcedentes; · A DRJ determinou a conversão de julgamento em diligência fiscal, a fim de que as próprias autoridades preparadoras analisassem os documentos acostados à impugnação e atestassem que as receitas de subvenção foram computadas na base de cálculo do PIS não cumulativo; Fl. 731DF CARF MF 4 · Se já restou demonstrado e comprovado que não há diferença entre os valores de PIS escriturados e pagos pelo contribuinte, não há que se falar em um novo lançamento de ofício para exigir justamente a diferença “identificada” entre o valor de PIS escriturado e pago. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, nos termos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15. Para melhor elucidar esse direcionamento, importante recordar que: · O auto de infração trouxe como acusação fiscal que o contribuinte não incluiu as receitas de subvenção – oriundas de um benefício fiscal de ICMS concedido pelos Estados do Amazonas na base de cálculo do PIS; · Não obstante, o contribuinte demonstrou com suporte na escrituração contábil de cada um dos períodos de apuração auditados que as receitas de subvenção foram computadas na base de cálculo do PIS dos períodos auditados; · Tanto é assim, que a DRJ/BEL e, posteriormente, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu, por bem, “cancelar” a autuação. Eis trecho do voto constante do acórdão recorrido: “[...] Longe das conjecturas, apontase como seguro o caminho do cancelamento da autuação, por não restar comprovada a argumentação nela expressa, nem esclarecida a posteriori a dúvida do julgador, pois incumbe à fiscalização, nas autuações, a apresentação dos termos, documentos, laudos e demais elementos de prova Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10283.720736/200715 Acórdão n.º 9303007.819 CSRFT3 Fl. 566 5 indispensáveis à comprovação da irregularidade detectada (cf. art. 9o do Decreto no 70.235/1972). E foi nesse sentido a decisão da DRJ, da qual se recorre de ofício. “LANÇAMENTO. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário ou da prática de infração, como condição para que se realizem a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa.” É de se endossar, por fim, que a diligência efetuada amparou o julgamento de dois processos (este, em relação a Contribuição para o PIS/PASEP, e o processo no 10283.720737/200751, em relação a COFINS). E esse outro processo teve, recentemente, igual destino ao que se propõe para o presente: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005 LANÇAMENTO. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário ou da prática de infração, como Fl. 733DF CARF MF 6 condição para que se realizem a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Recurso de Ofício Negado.” (Acórdão n. 3301001.846, Rel. Cons. Bernardo Motta Moreira, unânime, sessão de 22.mai.2013)” Vêse, assim, que as turmas de julgamento decidiram considerar improcedente o lançamento – cancelando o auto de infração, por não ter sido observado pela autoridade fiscal o disposto no art. 9º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” Ademais, constatase da leitura dos acórdãos da DRJ e da turma ordinária do CARF, que em nenhum momento se aventou em discutir a nulidade por vício formal, tampouco qual vício deveria ser aplicável – se formal ou material. É de se verificar ainda que o Colegiado a quo em nenhum momento procedeu com a discussão acerca dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/72, vez que, nessa parte, todos os requisitos haviam sido observados. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, instigando tais dispositivos – arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/72, requer que o Auto de Infração seja anulado por vício formal, resguardando o disposto no art. 173, inciso II, do CTN. Traz como paradigma o acórdão 310200.577, que consignou a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/04/2005 a 12/03/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PROVA DO FATO ILÍCITO. OBRIGATORIEDADE. Por força dos princípios tributários da estrita legalidade e da tipicidade, a autoridade fiscal tem o dever de provar, nos autos do processo administrativo fiscal, o fato ilícito tributário que motivou a aplicação da Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10283.720736/200715 Acórdão n.º 9303007.819 CSRFT3 Fl. 567 7 penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. VICIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. O ato fiscal deve estar alicerçado em provas materiais e objetivas que, necessariamente, deverão ser acostadas aos autos do processo administrativo fiscal em que formalizado. Consequentemente, é nulo, por vício formal insanável, o auto de infração que formaliza exigência de crédito tributário, consistente na aplicação de penalidade pecuniária, se estiver lastreado em meras suspeitas ou em simples suposições e desacompanhado dos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito tributário (art. 9° do PAF). DECISÃO PRELIMINAR. INCOMPATIBILIDADE COM A QUESTÃO DE MÉRITO. APRECIAÇÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Não será analisada a questão de mérito do recurso, se incompatível seu julgamento com a decisão proferida em relação à questão preliminar (art. 28 do PAF). Processo Anulado.” Vêse claro que o caso em questão não trata de discussão de nulidade do lançamento, mas sim de “cancelamento” do auto de infração, pois a autoridade fiscal não trouxe prova do ilícito imputado ao contribuinte. Por isso, nem foi discutido no âmbito da 1ª e 2ª instância a natureza de algum vício – se vício formal ou vício material. Em vista de todo o exposto, entendo que não há como se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois trouxe discussão “estranha” da tratada nos acórdãos da turma ordinária do CARF e da DRJ. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 735DF CARF MF 8 Fl. 736DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000056/2008-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
MANIFESTAÇÃO SOBRE PROCEDIMENTO PARA SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA.
Se a tese não foi apresentada, não há como alegar que houve omissão na sua apreciação. Também não é da alçada da Câmara Superior de Recursos Fiscais investigar todas as incorreções possíveis e imagináveis que podem ocorrer em um procedimento fiscal. Isso não é exigido nem mesmo das instâncias administrativas inferiores. Mas tratando-se de órgão com função de pacificação das divergências jurisprudenciais, como é o caso da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a necessidade de prequestionamento é muito mais evidente. A turma julgadora não estava obrigada a se manifestar sobre a matéria objeto dos embargos. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 9101-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conhecimento do certificado CEBAS, apresentado às fls. 1.504/1.511 e 1.530/1.537, vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei, que suscitou a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 MANIFESTAÇÃO SOBRE PROCEDIMENTO PARA SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Se a tese não foi apresentada, não há como alegar que houve omissão na sua apreciação. Também não é da alçada da Câmara Superior de Recursos Fiscais investigar todas as incorreções possíveis e imagináveis que podem ocorrer em um procedimento fiscal. Isso não é exigido nem mesmo das instâncias administrativas inferiores. Mas tratando-se de órgão com função de pacificação das divergências jurisprudenciais, como é o caso da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a necessidade de prequestionamento é muito mais evidente. A turma julgadora não estava obrigada a se manifestar sobre a matéria objeto dos embargos. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conhecimento do certificado CEBAS, apresentado às fls. 1.504/1.511 e 1.530/1.537, vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei, que suscitou a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
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OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Se a tese não foi apresentada, não há como alegar que houve omissão na sua apreciação. Também não é da alçada da Câmara Superior de Recursos Fiscais investigar todas as incorreções possíveis e imagináveis que podem ocorrer em um procedimento fiscal. Isso não é exigido nem mesmo das instâncias administrativas inferiores. Mas tratandose de órgão com função de pacificação das divergências jurisprudenciais, como é o caso da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a necessidade de prequestionamento é muito mais evidente. A turma julgadora não estava obrigada a se manifestar sobre a matéria objeto dos embargos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conhecimento do certificado CEBAS, apresentado às fls. 1.504/1.511 e 1.530/1.537, vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei, que suscitou a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 56 /2 00 8- 94 Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de omissão que estaria presente no Acórdão nº 9101 002.971, proferido por este colegiado na sessão de 05/07/2017. O acórdão embargado apresenta a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2003, 2004 ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR SEM FINS LUCRATIVOS. SUJEITO PASSIVO. A inclusão das "entidades de previdência privada abertas e fechadas" como contribuintes da CSLL está expressa não só na Lei 8.212/1991, mas também na própria Constituição. Não havendo norma de isenção no período de apuração, incluemse no campo de incidência da CSLL as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos. RECURSO ESPECIAL DA PGFN. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO FICTA E PESSOAL DO PROCURADOR. DECRETO 70.235/1972, ART. 7º, §7º, §8º E §9º. O recurso especial interposto depois de mais de um ano da primeira intimação da parte não é conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Marcos Aurélio Pereira Valadão não votaram quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, por se tratar de questão já votada pelos conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto em sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 05/2017 e concluído em 05/07/2017 no período da tarde. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 4 3 Em despacho monocrático datado de 21/03/2018, a Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) entendeu que o autor não demonstrou a existência da alegada omissão no acórdão embargado, e por essa razão rejeitou os embargos de declaração, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Mas na sequência, a contribuinte obteve uma liminar em mandado de segurança (Processo nº 101061874.2018.4.01.3400), para que fosse dado seguimento aos embargos, de modo que eles fossem apreciados e julgados por esta 1ª Turma da CSRF: O impetrante, valendose do seu direito, conforme dispositivo acima transcrito, e por entender presente divergência de compreensão entre as Câmaras do CARF, interpôs Recurso Especial e, posteriormente, opôs Embargos de Declaração, em que questiona a nulidade do auto de infração, por desrespeito ao devido processo legal, ao qual foi negado seguimento. Nesse exame de cognição sumária, vislumbro a necessidade do esgotamento da matéria no âmbito administrativo. Sendo assim, não vejo justificativa plausível para a decisão administrativa a não ensejar o cabimento e a apreciação pela instância especial das razões recursais expostas pelo demandante. Ante o exposto, DEFIRO O PEDIDO LIMINAR para que dê seguimento aos Embargos de Declaração opostos pela parte impetrante, para que sejam apreciados e julgados pela E. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. Em cumprimento à ordem judicial, os embargos foram encaminhados ao colegiado, para a sua apreciação e julgamento. A embargante opõese ao referido acórdão em face de alegada omissão em relação a questão de ordem pública ventilada nos Memorias e na Sustentação Oral. Segundo a embargante, a Fiscalização não poderia ter efetuado o lançamento tributário em tela antes de cumprir procedimento legal de suspensão da imunidade/isenção, conforme o seguinte excerto: De fato, da analise do Acórdão ora embargado, vêse que em nenhum momento essa E. Turma enfrentou a questão relativa à matéria de ordem pública, que ensejaria, caso a enfrentasse, a nulidade do lançamento, porquanto, o mesmo (lançamento) desrespeitou o disposto no art. 32, da Lei n. 9.430/96, que estabelece os procedimentos que devem ser respeitados nos casos de suspensão da imunidade (regra estendida também à isenção), qual seja, expedição de ato administrativo determinando a suspensão do beneficio na hipótese de ter sido apurado desrespeito a requisito para o seu usufruto, vejamos: [...] Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 5 4 Além dessa previsão legal, também a Lei n. 9.532/97 estabelece, em seu art. 13. situações determinantes da suspensão do benefício, determinando que a Secretaria da Receita Federal suspenda o gozo da imunidade (ou isenção), relativamente aos anoscalendário em que a pessoa jurídica houver praticado ou por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, a ver: [...] Entretanto, a despeito dessa questão ter sido ventilada nos Memorias e na Sustentação Oral pela ora Embargante, esta E. Turma achou por bem não conhecer dessa argumentação, talvez por entender encontrarse ausente o seu prequestionamento no recurso especial, embora esse fato ficou omisso no acórdão ora embargado, justificando, portando, os presentes embargos para que esta Colenda Turma supra a presente omissão, esclarecendo o porquê dessa matéria não ter sido enfrentada no julgamento. O processo foi pautado no dia 05 de dezembro de 2018. Ao dia 30 de novembro de 2018, sextafeira, às 16:44h e 16:54h, feriado em BrasíliaDF, o contribuinte apresentou petições, onde, às fls. 1.504/1.511 e 1.530/1.537, traz ao processo questões inéditas, tratando a respeito de certificado CEBAS. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme mencionado, a Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) proferiu despacho rejeitando os embargos de declaração, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do RICARF. Mas a contribuinte obteve uma liminar em mandado de segurança, para que fosse dado seguimento aos embargos, de modo que eles fossem apreciados e julgados por esta 1ª Turma da CSRF. E em cumprimento à ordem judicial, os embargos foram encaminhados ao colegiado, para a sua apreciação e julgamento. Assim, passo a apreciação dos Embargos, por força da decisão judicial. Relativamente às questões relacionadas ao certificado CEBAS, estas não estão em discussão, pois não foram objetos do constante na decisão judicial. No mérito, é importante transcrever as razões pelas quais os embargos haviam sido rejeitados pela Presidente da 1ª Turma da CSRF: O embargante opõese ao referido acórdão em face de alegada omissão em relação ao argumento o qual o contribuinte teria trazido em sede de memoriais e que seria de ordem pública. Segundo o embargante, a fiscalização não poderia ter efetuado o lançamento tributário em tela antes Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 6 5 de cumprir procedimento legal de suspensão da imunidade/isenção, conforme o seguinte excerto (fls. 1434): [...] A decisão embargada assim se manifestou sobre a finalidade da empresa autuada e sua relação com a tributação realizada (fls. 1423): Além disso, a transcrição do "RE 612686 AGR/SC, 1ª Turma STF, Sessão de 05/03/2013" demonstra que o STF, tratando de entidades fechadas de previdência privada, firmou o entendimento de que "mesmo que não possuam fins lucrativos, é cabível a incidência do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro, pois na sua atividade captam e administram os recursos destinados ao pagamento de benefícios de seus associados." E essa mesma posição também vem sendo adotada em outras esferas do Poder Judiciário, conforme decisões também transcritas no acórdão recorrido. Conforme transcrito no acórdão recorrido, "a autuada não está incluída na categoria das instituições de assistência social, uma vez que a relação jurídica da qual se deriva o sistema previdenciário aludido não dispensa ao contrário, impõe a participação dos beneficiários em seu custeio" (Súmula STF n° 730). Afastada, portanto, a hipótese de imunidade constitucional. O art. 6º do Decretolei n° 2.065/1983, por sua vez, prevê a isenção do IRPJ para as entidades de previdência privada sem fins lucrativos (fechadas e abertas). E o art. 5º da Lei n° 10.426/2002 prevê a isenção da CSLL, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2002, somente para as "entidades fechadas" de previdência complementar. Desse modo, as entidades abertas de previdência privada, como é o caso da recorrente, devem sofrer a incidência normal da CSLL. Verifico nos autos do processo que não há qualquer reclamação do contribuinte, até a propositura dos presentes embargos, quanto ao alegado descumprimento de procedimento legalmente instituído, tendente à suspensão de imunidade/isenção que beneficiaria o contribuinte. O embargante afirma que apresentou memoriais (fls. 1442), mas estes não foram juntados aos autos e ele não faz prova de que esses memoriais levantariam tal questão. Assim, concluo que a reclamação, se apresentada, não foi feita de forma competente, de maneira que não obrigaria a manifestação expressa da turma julgadora. Ademais, entendo que o alegado vício no procedimento da fiscalização não é de conhecimento obrigatório da turma julgadora, ao contrário do que afirma o embargante. Em outras palavras, a turma julgadora não estava obrigada a colocar em questão o procedimento adotado pela fiscalização e investigar a sua completa correção quando o próprio interessado não o fez, não o questionou oportunamente, não o demonstrou. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 7 6 A Câmara Superior de Recursos Fiscais é a instância superior, especial, em relação ao contencioso administrativo fiscal. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com as instâncias especiais do Poder Judiciário (notadamente os Tribunais Superiores), sua missão primária não é atender aos interesses particulares das partes da lide, mas sim buscar a segurança da ordem jurídica por meio da pacificação das divergências jurisprudenciais. Dessa forma, não é o simples fato de uma matéria ser considerada de ordem pública (ainda que o fosse) que obriga a instância superior a apreciá la independentemente do cumprimento dos requisitos formais da espécie recursal manejada pela parte insatisfeita. A este respeito, já se manifestaram reiteradas vezes os Tribunais Superiores pátrios: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. MATÉRIA CRIMINAL. AGRAVO REGIMENTAL QUE NÃO ATACA TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA STF 284. PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. OFENSA AO ART. 93, IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO. (...) 2. Se a questão constitucional invocada no Recurso Extraordinário não foi objeto de debate e decisão no acórdão recorrido, fica desatendido o pressuposto recursal do prequestionamento, imprescindível para o conhecimento do apelo extremo, inclusive para as matérias de ordem pública. Precedentes. (...) (AIAgR 823893. Relatora Ministra Ellen Gracie. STF Segunda Turma. Julgamento em 15/03/2011) (grifouse) REPERCUSSÃO GERAL. VÍCIOS PROCESSUAIS E FORMAIS QUE IMPEDEM A REGULAR FORMAÇÃO E TRAMITAÇÃO DO RECURSO. PREJUÍZO DO EXAME DAS QUESTÕES DE FUNDO. INVOCAÇÃO DO DEVER DE CONHECIMENTO POR OFÍCIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA E SOCIAL. NÃO CABIMENTO NO EXAME DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE ANULAR A COBRANÇA DE CONTA DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INCONTÁVEIS ARGUMENTOS. ARGUMENTO PARCIAL RELATIVO AO ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RAZÕES DE AGRAVO QUE NÃO ATACAM FUNDAMENTO SUFICIENTE DA DECISÃO AGRAVADA. INÉPCIA. (...) 2. A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão do argumento nas razões recursais (art. 317, § 1º do RISTF). (...) (AIAgR 601767. Relator Ministro Joaquim Barbosa. STF Segunda Turma. Julgamento em 15/02/2011) (grifouse) Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 8 7 AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. ACOLHIMENTO. 1. DECISÃO AGRAVADA. OFENSA AOS ARTS. 245, 522 E 557 DO CPC E À COISA JULGADA. SÚMULAS 283 E 284 DO STF E 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. 2. VIOLAÇÃO DO ART. 586 DO CPC. ALEGAÇÃO DE LIQUIDEZ, CERTEZA E EXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. MODIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 7/STJ. 3. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ÓBICE APLICADO INCLUSIVE EM MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. 4. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO EM PARTE, E, NESSA PARTE, DESPROVIDO. (...) 3. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, não é possível o conhecimento de recurso especial se ausente o prequestionamento dos preceitos legais ditos violados, mesmo no caso de matéria de ordem pública. (...) (AAGARESP 201501646167, Relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, STJ Terceira Turma, Julgamento em 30/06/2016. Publicação no DJE em 01/07/2016) (grifouse) Conforme se observa nas ementas dos julgados apontados, tanto o Supremo Tribunal Federal quanto o Superior Tribunal de Justiça têm como pacífico o entendimento de que a observância do requisito formal do prequestionamento é indispensável ao seguimento dos recursos extraordinário e especial, respectivamente, mesmo quando se trata de matéria de ordem pública. Em outras palavras, o fato de o tema objeto de irresignação ser matéria de ordem pública não afasta a obrigatoriedade de cumprimento dos pressupostos recursais específicos exigidos pelas instâncias superiores. No caso do contencioso administrativo tributário, a última instância é a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sendo assim, o fato de uma das partes contestar, pela via do recurso especial, o entendimento dado por uma Turma Ordinária do CARF a uma matéria tida como de ordem pública não desobriga o recorrente do cumprimento de todos os requisitos recursais previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. O principal pressuposto específico do recurso especial, intrinsecamente ligado à sua finalidade maior de pacificação da jurisprudência administrativa, é a demonstração da existência de divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e outra(s) proferida(s) no âmbito do CARF. É exigido do recorrente que ele demonstre que, apreciando a aplicação da mesma legislação tributária a uma situação fática semelhante, a(s) decisão(ões) apontada(s) como paradigma(s) chegou(aram) a conclusão diversa daquela exposta no acórdão recorrido. Assim, no caso, o contribuinte deveria ter demonstrado o prequestionamento da matéria (procedimento do art. 32 da Lei nº 9.430/96) Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 9 8 desde a impugnação, passando pelo recurso voluntário; e restando apreciado pela decisão da Turma Ordinária do CARF. E, uma vez em sendo desfavorável nesta matéria, trazer à instância especial outro Acórdão do CARF, paradigma, que entendesse que a ausência do procedimento citado tornaria o lançamento inválido. Mas nada disso ocorreu. Portanto, não se pode admitir que tivesse havido omissão de ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma, de forma a justificar o processamento dos presentes Embargos. Por fim, ainda assim, entendo que a turma julgadora superou essa questão quando concluiu que os fatos geradores dos tributos em tela não estavam enquadrados em hipótese de imunidade tributária ou de isenção tributária, conforme transcrito acima. Não havendo imunidade ou isenção, não há que se falar em procedimento para suspender a imunidade/isenção, de forma que, por mais esse motivo, a turma julgadora não estava obrigada a se manifestar sobre esse procedimento. Pelo exposto, entendo que o autor não demonstrou a existência da alegada omissão no acórdão embargado, razão pela qual rejeito os embargos de declaração em tela, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Em essência, não há muito a acrescentar ao despacho acima transcrito, que havia rejeitado os embargos. Vêse que no recurso especial a contribuinte não apresentou nenhuma alegação quanto ao descumprimento do procedimento legal previsto para a suspensão de imunidade/isenção. Como alegar omissão na apreciação de argumento que não foi apresentado? Se houve omissão, essa omissão foi da contribuinte, de não ter trazido seu questionamento no seu recurso. E não é da alçada da Câmara Superior de Recursos Fiscais investigar todas as incorreções possíveis e imagináveis que podem ocorrer em um procedimento fiscal. Isso não é exigido nem mesmo das instâncias administrativas ordinárias. Assim, mesmo que a matéria tivesse sido trazida no recurso especial, esta deveria estar prequestionada, ou seja, constar da decisão recorrida (ou do recurso voluntário) ou, ainda, de Embargos com efeitos de prequestionamento ficto (CPC, art. 1025) Art. 1.025. Consideramse incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de préquestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. Isso porque, tratandose a Câmara Superior de Recursos Fiscais de órgão com função de pacificação das divergências jurisprudenciais, então há necessidade de prequestionamento da matéria, que é requisito de admissibilidade (RICARF, art. 67, parágrafo 5º, abaixo transcrito), ainda que uma matéria seja denominada de matéria de ordem pública, Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 10 9 como vem entendendo os Tribunais Superiores, segundo as decisões constante do despacho atacado. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Assim é a jurisprudência desta 1ª Turma da CSRF no Acórdão 9101003.439, de 7 de fevereiro de 2018: Ademais, a competência da CSRF é restrita às hipóteses em que houver interposição de recurso especial com a demonstração de divergência de interpretação no âmbito de diferentes Turmas do CARF, ou seja, havia necessidade de apresentação de acórdão paradigma hábil apto a demonstrar a divergência de interpretação na legislação tributária em face da decisão recorrida do Acórdão Embargado. Logo, como a turma julgadora não estava obrigada a se manifestar sobre a matéria objeto dos embargos então, realmente, não houve nenhuma omissão por parte do acórdão Embargado, devendo os Embargos serem rejeitados. Desse modo, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 19740.000056/200894 Acórdão n.º 9101003.945 CSRFT1 Fl. 11 10 Fl. 1560DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.910014/2011-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/07/2009
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante.
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A compensação de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito não restar confirmada.
Numero da decisão: 3002-000.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/07/2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A compensação de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito não restar confirmada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 86 1 85 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.910014/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.596 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria IPI. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente VIBELPLAST EMBALAGENS PLASTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/07/2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A compensação de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito não restar confirmada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 91 00 14 /2 01 1- 69 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10875.910014/201169 Acórdão n.º 3002000.596 S3C0T2 Fl. 87 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 41 dos autos: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que homologou parcialmente as compensações declaradas, dada a constatação de insuficiência de saldo credor passível de ressarcimento para o 2º Trimestre de 2009. O crédito solicitado não foi reconhecido em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos (aquisições de CNPJ cancelado – CFOP não admitido). Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Regularmente cientificado do deferimento parcial da compensação, o contribuinte apresentou singela manifestação de inconformidade, na qual, argumentou que os valores impugnados estão amparados no artigo 165 do Decreto nº 4.544 de 26/12/2002, cujo aproveitamento foi de 50% do imposto conforme lei. Por fim, solicitou o CANCELAMENTO do referido despacho, diante da JUSTIFICATIVA e COMPROVAÇÃO. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (vide fls. 40/43): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/07/2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante. Neste caso, presumese verdadeiro o fato, deixando de ser controvertido e, portanto, deixa de ser objeto de recurso, não podendo mais ser alegado. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 07/06/2016 (vide Termo de ciência à fl. 50 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, apresentou em 06/07/2016 petição nos autos (fl. 55), por meio da qual alegou que teria havido um equívoco quanto ao CFOP indicado, pugnando, então, pela consideração do CFOP correto. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10875.910014/201169 Acórdão n.º 3002000.596 S3C0T2 Fl. 87 3 É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, é válido mencionar que, em que pese o contribuinte não ter denominado a sua petição de fl. 55 dos autos de recurso voluntário, entendo que, em atenção ao princípio da fungibilidade, este Colegiado deverá recebêla e processála como tal. Até porque, verificase que esta petição fora apresentada dentro do prazo legal de 30 dias para interposição de dito recurso. Nesse mesmo sentido, vide despacho de encaminhamento à fl. 66 dos autos. Conheço, portanto, do Recurso Voluntário interposto. Consoante acima narrado, dois foram os fundamentos constantes do despacho decisório, para fins de não homologação da compensação apresentada: Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos (aquisições de CNPJ cancelado – CFOP não admitido). Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ao analisar o caso, assim se manifestou a DRJ: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. GLOSA DE CRÉDITO. O contribuinte não questionou a glosa referente à aquisição do CNPJ nº 62.227.509/000390 no valor de R$ 393,03, nem as alterações efetuadas no cálculo do saldo credor do trimestre (saldo inicial, no total de R$ 1.965,65) . Não tendo sido expressamente contestada a matéria, há que se considerála não impugnada ou aceita pelo contribuinte, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 972, artigo 17: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Desta forma, presumese verdadeiro o fato, deixando de ser controvertido e, portanto, deixa de ser objeto de recurso, não podendo mais ser alegado. CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS – MATERIAL DE USO E CONSUMO (CFOP 1.556 E 2.556). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10875.910014/201169 Acórdão n.º 3002000.596 S3C0T2 Fl. 87,5 4 O contribuinte alegou que os créditos glosados estão amparados no artigo 165 do Decreto nº 4.544 de 26/12/2002, cujo aproveitamento foi de 50% do imposto conforme lei. Dita o artigo 165 do Decreto nº 4.544 de 26/12/2002: Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decretolei nº 400, de 1968, art. 6º). Pelo mencionado dispositivo admitese o crédito de IPI relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (MP, PI e ME) adquiridos de comerciantes atacadistas não contribuintes, calculado mediante a aplicação de 50% do valor da alíquota que estiver sujeito o produto em questão. Vêse, no entanto, que as aquisições glosadas foram as relativas ao CFOP 1556 e 2556 – Compras de Material para Uso e Consumo – que não estão incluídas no conceito de MP, PI e ME. No caso em análise, pareceme que o contribuinte ou equivocouse em sua manifestação apresentando alegações que não coadunam com o fato em análise ou está alegando que os créditos escriturados no CFOP 1556 e 2556 Compras de Material para Uso e Consumo – são na realidade compras de MP, PI e ME, já que foram incluídos como créditos de IPI sujeitos à aplicação do artigo 165 do Decreto nº 4.544 de 26/12/2002. No entanto, nada no processo indica ou comprova tal erro ou direito. É ônus do manifestante provar o alegado em sua contestação: Dizia o anterior Código (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. Tais disposições encontram correspondência nos artigos 373 e 435 do novo Código, atualmente em vigência (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). O argumento apresentado também não se aplica às duas outras glosas já que tratam explicitamente de aquisições de CNPJ cancelado e de alterações no calculo do saldo inicial. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10875.910014/201169 Acórdão n.º 3002000.596 S3C0T2 Fl. 88 5 Portanto, considero que também esta glosa não foi contestada explicitamente pelo manifestante. No Processo Administrativo Tributário não se admite a negativa geral. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. Ato contínuo, na petição de fl. 55 dos autos, recebida como Recurso Voluntário, o Recorrente, então, alegou: Houve erro de fato em nossa escrituralização ao mencionar o CFOP 1556 e 2556 (material de uso e consumo). Onde consta o CFOP 1556 e 2556 Leiase CFOP 2101 e 1101 o crédito que foi aproveitado de 50% é referente Matéria Prima usada no meu processo Industrial, onde o crédito foi permitido por lei conforme mencionando no paragrafo abaixo. Os valores impugnados estão amparados no ART 165 do decreto 4544 de 26/12/2002 — cujo o aproveitamento foi de 50% do imposto conforme lei. Diante da JUSTIFICATIVA e COMPROVAÇAO Solicitamos CONSIDERAR O CFOP correto. Ou seja, esclarece o contribuinte que teria havido, em verdade, um equívoco no que tange aos CFOPs indicados em sua escrituração (1556 e 2556), os quais estão relacionados a materiais de uso e consumo, enquanto os CFOPs corretos (2101 e 1101) estão relacionados a matériasprimas. Ocorre que, em que pese ter trazido tal fundamentação aos autos, não trouxe qualquer elemento probatório apto à comprovação do que alega. E, como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Como se não bastasse, relevante repisar que o único argumento que fora objeto da impugnação apresentada fora no sentido de que os valores impugnados estariam amparados no art. 165 do Decreto nº 4.544 de 26/12/2002. Ou seja, não trouxe o Recorrente, naquela oportunidade, qualquer esclarecimento acerca do equívoco relativos aos CFOPs ora relatado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10875.910014/201169 Acórdão n.º 3002000.596 S3C0T2 Fl. 88,5 6 Nesse contexto, verificase que a Recorrente, além de não ter se manifestado sobre o tema no momento oportuno, não trouxe aos autos nesta oportunidade qualquer elemento apto a afastar a conclusão a que chegou a DRJ sobre o presente caso. Entendo, portanto, que a decisão recorrida há de ser mantida. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002180/2010-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, bem como o próprio transporte do produto (frete) são essenciais a sua proteção e integridade e geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas, com exceção dos casos do frete nas operações de venda destas mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, nos termos do § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
Numero da decisão: 3003-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, bem como o próprio transporte do produto (frete) são essenciais a sua proteção e integridade e geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas, com exceção dos casos do frete nas operações de venda destas mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, nos termos do § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
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E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, bem como o próprio transporte do produto (frete) são essenciais a sua proteção e integridade e geram direito a créditos no regime das contribuições nãocumulativas, com exceção dos casos do frete nas operações de venda destas mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, nos termos do § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório sobre os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 80 /2 01 0- 76 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 101 2 materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, por meio de PER/DCOMP, de PIS/PASEP exportação, apurado no regime nãocumulativo, com base no inciso I do §1º do artigo 5º da lei 10.637 de 2002, relativo ao 1º. trimestre de 2009, no valor de R$ 4.616,32. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, foram realizadas as seguintes glosas: 1) Embalagens (caixa de papelão ondulado, etiquetas, cinta, cantoneira, selo, bandeja para maçã, rótulo, fundos e tampos de papelão ondulado), porque essas embalagens, embora essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo, por não conterem rótulos dispensáveis ou indicações promocionais que tenham implicado em despesas mais elevadas em sua elaboração, não tinham o objetivo de, por si, motivar a compra do produto nelas acondicionado ou valorizálos em razão dos materiais e acabamentos nelas empregados, que é o que caracteriza uma embalagem de apresentação; 2) despesas com fretes nas operações de vendas dos produtos industrializados, vinculados às exportações, tendo em vista que este processo se refere aos créditos decorrentes das vendas no mercado interno. Nesse sentido foi reconhecido apenas parte do pedido de ressarcimento, nos seguintes termos do resumo do crédito: 2.4. DO RESUMO DO CRÉDITO Antes desta auditoria fiscal, o contribuinte tinha apurado um crédito total, conforme Dacon, no valor de R$ 6.338,81, sendo R$ 1.722,49 a título de mercado interno nãotributado e R$ 4.616,32 a título de mercado externo, conforme os rateios realizados pelo contribuinte. Em virtude das glosas, o montante do crédito apurado pelo contribuinte reduziu para R$ 1.240,71, sendo R$ 108,65 a título de mercado interno nãotributado e R$ 1.132,06 a título de mercado externo, conforme o devido rateio em relação às receitas de vendas. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 102 3 Em face de tais glosas, com o consequente não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (sem acrescentar nenhuma prova), na qual alegou, em síntese, que há previsão legal para o creditamento das despesas com frete, acondicionamento e armazenagem, assim como das despesas com materiais de embalagem necessários para o acondicionamento de produtos e para a garantia de sua integridade até a entrega ao cliente. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis proferiu acórdão n. 0731.958. cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividade fim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo a sua aplicação direta ao produto fabricado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação, para fins de direito creditório da não cumulatividade aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 103 4 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (sem acrescentar nenhuma prova), sustentando o seguinte: 1. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens: sustenta a recorrente que as glosas foram realizadas em virtude da receita aplicar o conceito do IPI para definição de insumos e utilizar o mesmo conceito para aplicar na apuração dos créditos de PIS/PASEP, para fins da nãocumulatividade e por essa razão as embalagens terem sido consideradas embalagens de transporte. Argumenta, porém, que os gastos com materiais de embalagem são necessários para o acondicionamento e integridade do produto. Nesse caso, sustenta a recorrente, que os materiais de embalagem caixas de papelão, etiquetas, pallets, etc. não se destinam meramente ao fim de transporte, mas de materiais necessários para que o produto chegue em ótimas condições no ponto de venda. Aduz, por fim, que as referidas despesas devem ser consideradas como insumo, uma vez que necessárias para a preservação da integridade dos produtos comercializados (frutas); 2. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes: a recorrente afirma que a glosa de parte das despesas com frete se deu pela ausência se sua comprovação. A recorrente sustenta, então, que possui sim direito a esses créditos, eis que as mercadorias foram adquiridas com a incidência de PIS/PASEP e, portanto, devem gerar créditos em sua saída em razão da nãocumulatividade e que todos os documentos foram apresentados tempestivamente pela Recorrente em atendimento à intimação anterior do Fisco. Por fim, a recorrente aduz que a decisão recorrida aplicou o conceito de insumos previsto na legislação do IPI, distanciandose, assim, do entendimento de diversas decisões, inclusive do CARF, que corroboram a sua tese. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. I Do conceito de insumos Inicialmente, importa destacar que, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda, posto que o judiciário também tem entendido que cabe a relativização do conceito de insumos analisando caso a caso, conforme veremos. Nesse sentido o conceito de insumos, no âmbito do PIS/PASEP não cumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 104 5 crédito de PIS/PASEP por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e sua inerência ao processo produtivo (grifo meu): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 105 6 E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...) Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Não posso me furtar de sinalizar que tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), vejamos a decisão: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 106 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Conforme se verifica, o STJ relativizou o conceito, atribuindo a análise do caso concreto a responsabilidade por decidir a essencialidade e a relevância, afastando, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Assim, o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. O conceito formulado pelo STJ, baseado na essencialidade e relevância é de grande abrangência e não esta vinculado a conceitos contábeis (custos, despesas, imobilizado, intangíveis e etc), de forma que a modalidade de creditamento sobre a aquisição de insumos deve ser vista como regra geral de apuração de créditos para as atividades de produção de bens e de prestação de serviços, sem prejuízo das demais hipóteses previstas em lei. Entendo que andou bem o STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, que de forma clara determina a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Sendo de relevante importância a fase instrutória do processo administrativo. Nessa mesma linha, porém de forma mais material, se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais na votação do acórdão nº. 9303007.719– 3ª Turma assim ementado: CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 107 8 fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Feitas tais ponderações e esclarecido o posicionamento desta relatoria, passamos a analisar o caso concreto posto em julgamento. II Da glosa dos créditos referentes a despesas com embalagens No caso concreto, constatase que o colegiado a quo sustentou a glosa de despesas com material de embalagem, pois, segundo seu entendimento, construído a partir da interpretação das IN´s nº 247/2002 e 404/2004, as embalagens para transporte não dão direito a créditos no regime nãocumulativo: a decisão recorrida adota a distinção entre embalagens de transporte e embalagens de representação. No tocante ao creditamento das despesas com embalagens, cabe lembrar que a 3ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu sobre tal matéria recentemente, tendo assumido o conceito de insumos esposado na decisão do STJ acima exposta, exarando o Acórdão nº. 9303006.068, cujos excertos importantes para a presente análise, extraídos do voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, estão a seguir transcritos (grifamos algumas partes): A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 108 9 No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. (...)Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 109 10 A fundamentação acima exposta esta em linha com a decisão do STJ (Resp n.º 1.221.170 PR), de maneira que descordo do entendimento assumido na decisão recorrida, já que ela esta apoiada em atos normativos já ultrapassados. Analisando o caso concreto, e tendo em mente a atividade desenvolvida pela recorrente produção e comercialização de frutas verificase que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente são essenciais para a conservação e integridade de seus produtos. Nesse passo, o meu entendimento, que é filiado ao entendimento do STJ, é de reconhecer que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos devem integrar o conceito de insumos, de maneira que deve ser afastada a glosa das respectivas despesas que foram devidamente comprovadas, aqui observo que, em concordância com a análise fiscal, o crédito deve considerar apenas as despesas devidamente comprovadas. III Da glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes Alega a recorrente que possui direito ao crédito relativo aos fretes das mercadorias adquiridas com a incidência de PIS e COFINS já que elas geram créditos em sua saída em razão da nãocumulatividade. O despacho decisório, ao tratar do assunto, afirmou que essas despesas de fretes nas operações de venda, na sua maioria, foram consideradas corretas, contudo, careceu de provas em alguns lançamentos, vejamos: Em relação aos serviços, a memória de cálculo apresentou valores referentes a transporte nas vendas das frutas, tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo. Essas despesas de fretes nas operações de venda, na sua maioria, foram consideradas corretas, apesar de terem sido lançadas em linha equivocada do Dacon (deveriam ter sido lançadas na linha 07 das fichas 06A e 16A). Todavia, alguns valores de fretes relacionados às exportações foram glosados, visto que alguns Conhecimentos de Transporte estavam vinculados a notas fiscais de venda que não foram localizadas nos arquivos apresentados pela requerente, e para outros Conhecimentos não foi informada a nota fiscal de venda vinculada, ou seja, nesses dois casos não houve a comprovação de que os respectivos fretes vinculavamse, de fato, a operações de venda. Foi constatado, também, que vários Conhecimentos estavam vinculados a notas fiscais de venda cujo CFOP era 7501 (exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação). Como a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação não gera direito ao crédito, conforme § 4o do art. 6 da Lei n° 10.833/2003, transcrito abaixo (grifos nossos), o frete nas operações de venda destas mercadorias (adquiridas com o fim específico de exportação) também não gera direito ao crédito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 110 11 Quanto aos créditos das despesas com fretes, observase que houve glosa de créditos em virtude ter sido constatado, que dois conhecimentos estavam vinculados a notas fiscais de venda cujo CFOP era 7501 (exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação). Como a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação não gera direito ao crédito, conforme § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003 (grifos nossos), o frete nas operações de venda destas mercadorias (adquiridas com o fim específico de exportação) também não gera direito ao crédito. Vejamos o que diz a lei 10.833 de 2003. Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n" 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 111 12 Nesse sentido, a lei nos termos expostos acima deve ser aplicada, de maneira que a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação não gera direito ao crédito, tendo em vista que a empresa recorrente é uma empresa exportadora. Ocorre que a recorrente insiste no pedido de crédito dessas despesas em seu Recurso Voluntário, embora que de forma genérica, o que me leva a crer que seu pedido esta relacionado ao que não foi homologado no despacho decisório: a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação. Assim, o entendimento ao qual me filio é de que cabe créditos das despesas com fretes, posto que o transporte do produto é essencial "para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte",contudo, no que for comprovado que as referidas despesas tenham sido realizadas na aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação esse crédito não é devido, bem como as demais despesas não comprovadas também devem ser glosadas. E no que se refere as provas, fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que estabelece o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, o relato fiscal fundamentado com as planilhas alimentadas a partir das informação do DACON é a prova que contribui para o entendimento de que os valores referentes ao frete de bens para revenda com o fim específico de exportação, não gera direito ao crédito. Nesse lastro, observo que o recorrente não tratou dessa matéria em seu recurso, de modo que não impugnou o posicionamento fiscal, não trouxe provas que desconstituísse essas informações fazendo com que o fato seja incontroverso, acarretando inclusive na preclusão da matéria, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10925.002180/201076 Acórdão n.º 3003000.088 S3C0T3 Fl. 112 13 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Reconheço que os valores referentes a transportes nas vendas das frutas, conhecidos como despesas com frete, devem integrar o conceito de insumos, contudo, no que for comprovado que as referidas despesas tenham sido realizadas na aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação esse crédito não é devido por determinação legal do § 4° do art. 6º da Lei n° 10.833/2003. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório nos seguintes termos: dar provimento ao pedido de crédito sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos, apenas no que foi devidamente comprovado; negar provimento ao pedido sobre as despesas com frete. Márcio Robson Costa Relator Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910151/2012-24
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 267 1 266 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.910151/201224 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.079 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente JPTE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 51 /2 01 2- 24 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 268 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 00849.56104.200412.1.3.040798 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 6.237,47, referente ao período de apuração (PA) de set/09. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, acórdão nº. 09 407.509, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 269 3 confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 270 4 O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 271 5 contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 272 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 273 7 homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF o Parecer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13896.910151/201224 Acórdão n.º 3003000.079 S3C0T3 Fl. 274 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002253/2004-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1999
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-007.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1999 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1999 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 330100.153, de 10/07/2009, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 53 /2 00 4- 88 Fl. 629DF CARF MF 2 O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para excluir da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/1999 COFINS TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS E VARIAÇÃO CAMBIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENÁRIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS n°s 346.084/PR e 390.840/MG. A Lei n. 9.718/98, ao determinar a tributação de receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras e de variação cambial, pelo PIS e COFINS, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional n. 20/1998. De acordo com o conceito de faturamento dado pelo E. STF, só devem figurar na base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS, as receitas relacionadas à atividade normal da empresa, diretamente vinculadas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.” Intimado desse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, alegando omissão, contradição e obscuridade. Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados, nos termos do Acórdão de Embargos nº 3301001.792, de 19/03/2013, às fls. 606e/609e. Irresignada, apresentou recurso especial, suscitando divergência, quanto à exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição, alegando, em síntese, que em face das atividades do contribuinte, que incluiu a exportação de mercadorias, o caráter financeiro, por si só, não permite a exclusão de tais receitas da base de cálculo da contribuição, tendo em vista que decorrem de suas atividades. Sob essa ótica, integram seu faturamento e não se enquadram, no alargamento da base de cálculo, nos termos do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998. Alegou ainda que não cabe a aplicação da decisão do STF que julgou inconstitucional aquele parágrafo. Por meio do despacho às fls. 610e/614e, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. É o Relatório. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 19515.002253/200488 Acórdão n.º 9303007.727 CSRFT3 Fl. 630 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. A matéria analisada e decididas na Câmara Baixa foi a exclusão das receitas financeiras, inclusive variações cambiais ativas, da base de cálculo da contribuição, com base no julgamento dos REs n°s 346.084/PR e 390.840/MG, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. A Fazenda Nacional defende a inclusão de tais receitas na base de cálculo da contribuição, alegando, em síntese, que tais receitas derivam de exportações de mercadorias, atividade exercida pelo contribuinte. Assim, integram seu faturamento e, consequentemente, a base de cálculo da contribuição e também não se enquadram no referido parágrafo, inexistindo motivação para a aplicação da decisão do STF naqueles recursos extraordinários.. Para comprovar a divergência, apresentou como paradigmas os Acórdãos nº 20179.494 e 130100.443. No entanto, os paradigmas apresentados não servem para comprovar a suscitada divergência, em relação ao acórdão recorrido. As suas ementas foram assim redigidas: "Acórdão nº 20179.494 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01 /07 /2000 a 31/08/2000 Ementa: BASE DE CALCULO. RECEITA. CRÉDITO DO ICMS. O valor do ICMS registrado extemporaneamente não representa entrada de receita e não integra a base de cálculo do PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363/96 deverá ser apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim especifico de exportação, e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida d tributação do PIS. BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. ERRO MANIFESTO. Procedese à correção na apuração da base de cálculo, em face da inclusão indevida de receitas de exportação nas vendas de mercado interno. Recurso provido em parte". Acórdão nº 130100.443 Fl. 631DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 NORMAS PROCESSUAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EFEITOS. No julgamento do recurso extraordinário nº 346.084, a composição plena da Suprema Corte fixou o entendimento de que a noção de faturamento para efeito de exigência das contribuições PIS/PASEP e COFINS, na forma prevista na Lei 9.718/1998, não se confunde com a totalidade das receitas auferidas como pretendia o § 1º do art. 3º daquela lei, considerado inconstitucional. No mesmo julgamento ficou assentado que, para as empresas comerciais e de prestação de serviços, o faturamento se restringe ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades, não alcançando receitas de natureza financeira, aluguéis e outras. Assim, à luz do disposto no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS incidentes sobre receitas financeiras." O primeiro paradigma, Acórdão nº 20179.494, não tratou de receitas de variações cambiais ativas e sim da correção da base de cálculo, em face da inclusão indevida de receitas de exportação no total das vendas no mercado interno. Já o segundo, Acórdão nº 130100.443, faz prova contra a recorrente, ao assentar "que, para as empresas comerciais e de prestação de serviços, o faturamento se restringe ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades, não alcançando receitas de natureza financeira". Assim, demonstrado e comprovado a falta de similitude entre a matéria decidida no acórdão recorrido e as decididas nos acórdãos paradigmas, o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. À luz do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Fl. 632DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.724175/2011-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 41 75 /2 01 1- 95 Fl. 110DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. Não foi feita ementa do acórdão de impugnação. Passagens do voto do acórdão de impugnação sustentaram o seguinte: Os recibos oferecidos pelo interessado, às fls. 10/20, e a declaração de fl. 21, suprem parte das falhas apontadas no lançamento no concernente ao documento entregue anteriormente à fl. 39, contudo continua ausente a indicação do endereço da profissional. Destarte, já que perene o vício aos requisitos estampados no art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/1999, mantémse a respectiva glosa no valor de R$ 1.100,00. Associação Vista Alegre – R$ 665,00 Os recibos entregues pelo impugnante, às fls. 7/9, firmados pela psicóloga Renata Prata dos Santos, não saneiam o que fora observado pela autoridade revisora sobre a Associação Vista Alegre – beneficiário dos pagamentos registrados na DAA/2010 (fl. 68). Noutro escopo, se entendido que a profissional prestava por sua conta os atendimentos, isso corresponderia à retificação da DAA, o que é vedado na forma expressa no art. 832 do RIR/1999. Permanece, assim, a glosa em análise equivalente a R$ 665,00. Trechos do recurso voluntário sustentaram o seguinte: . Voto Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10640.724175/201195 Acórdão n.º 2001000.876 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de glosa do valor de R$ 1.110,00 e R$ 665,00, referente a despesas médicas. Demais itens do lançamento já foram providos ou não foram objeto de recurso. No caso, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. De toda forma, a partir da fl.101, o contribuinte apresentou novos recibos indicando o pagamento das despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 112DF CARF MF
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