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Numero do processo: 19647.006159/2006-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial que não demonstra a divergência.
Trechos do acórdão indicado como paradigma que não sejam razões de decidir daquele julgado não servem como indicação de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-004.013
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial que não demonstra a divergência. Trechos do acórdão indicado como paradigma que não sejam razões de decidir daquele julgado não servem como indicação de divergência jurisprudencial.
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DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DISBRAL – DISTRIBUIDORA BRASILEIRA DE ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial que não demonstra a divergência. Trechos do acórdão indicado como paradigma que não sejam razões de decidir daquele julgado não servem como indicação de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 61 59 /2 00 6- 64 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 19647.006159/200664 Acórdão n.º 9101004.013 CSRFT1 Fl. 655 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) (fls. 541571) contra o acórdão 120100.401, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, de 6 de novembro de 2012 (fls. 533540), o qual, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do lançamento de CSLL relativo ao primeiro trimestre de 2001. A decisão restou assim ementada e decidida: Acórdão recorrido: 120100.401, de 6 de novembro de 2012 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. Ressalvadas as hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação regese pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, desde que tenha havido pagamento, ainda que parcial. Considerase pagamento, para efeito da aludida norma, as retenções de tributos promovidas por órgãos públicos federais quando da aquisição de bens ou serviços dos contribuintes, em atenção ao estabelecido no art. 64 da Lei nº 9.430/96. LANÇAMENTO. Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96, passou a ser juridicamente válido o lançamento realizado exclusivamente com base em extratos bancários, desde que, intimada, a contribuinte não comprove a origem dos créditos realizados em suas contas correntes. Desde então, tornouse inaplicável a súmula nº 182 do extinto TFR, que não o admitia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a extinção, por decadência, da CSLL relativa ao 1º trimestre de 2001. Procuradora da Fazenda Nacional tomou ciência desse acórdão em 07/06/2012 (fl. 549), tendo apresentado recurso especial em 8 de junho de 2014 (fls. 551552), portanto tempestivamente. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 19647.006159/200664 Acórdão n.º 9101004.013 CSRFT1 Fl. 656 3 A PFN contesta a forma como foi aplicado o artigo 150, §4o do Código Tributário Nacional (CTN) nessa decisão eis que, no seu entendimento, o prazo de 5 anos seria contado a partir do início da fiscalização, ao passo que no recorrido a contagem retroativa dos 5 anos para a aplicação do artigo 150 § 4º, do CTN considerou a ciência do lançamento. Para demonstrar divergência de entendimentos foi indicado o acórdão 2301 01.568, de 8 de julho de 2010 (fls. 558570), o qual recebeu as seguintes ementa e decisão: Acórdão paradigma: 230101.568, de 8 de julho de 2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO, De acordo com a Súmula Vinculante no 08, do STJ, os artigos 45 e 46 da Lei no. 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à. decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), o prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4o do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4o em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso Ido CTN. Decisão ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento com fundamento no artigo 173, I do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores. A PFN destaca o seguinte trecho do voto condutor do acórdão indicado como paradigma: Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por Fl. 656DF CARF MF Processo nº 19647.006159/200664 Acórdão n.º 9101004.013 CSRFT1 Fl. 657 4 parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso 1 do CTN. Para o lançamento de oficio em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4" do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4o, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: §4o Se a lei fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a cantar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública "considerase homologado" é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado". A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expresso ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4o do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão "pronunciado". Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. O despacho de admissibilidade s/n, da 2ª Câmara da 1ª Seção, proferido em 9 de junho de 2015, deu seguimento ao recurso especial do Procurador. O contribuinte foi intimado do acórdão recorrido e do recurso especial do Procurador em 13 de agosto de 2015 (fl. 582 ciência por decurso de prazo). Posteriormente, por meio da intimação nº 186/2015, foi intimado do despacho de admissibilidade do recurso especial (fls. 605 a 609) o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 607 atesta que o contribuinte teve ciência do despacho de admissibilidade na data de 9 de outubro de 2015, Fl. 657DF CARF MF Processo nº 19647.006159/200664 Acórdão n.º 9101004.013 CSRFT1 Fl. 658 5 enquanto que o Termo de Abertura de Documento de fl. 609 atesta que o contribuinte acessou o teor do despacho de admissibilidade em 4 de novembro de 2015. Referida intimação esclareceu que, além do despacho de admissibilidade do recurso especial, estavam anexos cópias do acórdão de recurso voluntário nº 120100.401 e da peça de recurso especial interposto pela PFN, "das quais o contribuinte supramencionado foi cientificado eletronicamente em 13/08/15, data essa de início do prazo legal para apresentação de contrarrazões e recurso especial à parte do acórdão que lhe foi desfavorável." O contribuinte apresentou contrarrazões em 12 de novembro de 2015 (fls. 625632). É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do Procurador é tempestivo e atendeu aos requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida quanto à admissibilidade do recurso. Não obstante, entendo que este não merece ser conhecido, na medida em que o acórdão paradigma apresentado não se presta a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não se verificando a necessária similitude fática entre ele e o recorrido. No caso, não se questiona que a regra em discussão é a do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN, sendo a questão colocada apenas o dia a partir do qual passa a ser contado o prazo decadencial ali previsto. Tal conclusão resta clara do recurso especial, sendo válido destacar deste os seguintes trechos: "Para satisfazer esta exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocase precedente que, quanto aos tributos submetidos a lançamento por homologação, entende pela aplicação do art. 150, §4o do CTN de forma completamente distinta da determinada pela decisão vergastada. (...) No caso, não se discute a aplicação do art. 150, §4o do CTN, mas a forma pela qual foi aplicada a norma, que dispõe, in verbis: (...)" Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19647.006159/200664 Acórdão n.º 9101004.013 CSRFT1 Fl. 659 6 Ocorre que, enquanto o acórdão recorrido trata de aplicação do artigo 150, §4°, do CTN, o paradigma aplicou regra decadencial constante de outro dispositivo do CTN, no caso, o artigo 173, I. Tal circunstância resta evidente já com a análise da ementa do acórdão paradigma, em especial em seu trecho final, que reproduzo novamente: "(...) No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso I do CTN." A decisão também esclarece que foi acatada a preliminar de decadência nos termos do artigo 173, I, do CTN, tendo restado "vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN". Na verdade, o trecho do voto reproduzido no recurso especial que baseou a conclusão de que se trataria de divergência jurisprudencial não trata da situação específica discutida naqueles autos, mas consiste apenas em introdução genérica sobre a questão do prazo decadencial, após a qual o relator passa a análise do caso concreto ali analisado. Tanto que, logo em seguida àquele trecho, o relator do acórdão indicado como paradigma passa a abordar a regra que entende aplicável que não foi o artigo 150 do CTN mas o artigo 173. Confirase (grifamos): "Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. A recorrente, após ter sido excluída do SIMPLES, foi flagrada em omissão de recolhimento de contribuições previdenciárias retidas de seus empregados, bem como foram constatadas omissões em algumas GFIPs. No caso da retenção e não recolhimento, temos uma clara situação de dolo, pois se realizou o desconto dos empregados a empresa tinha conhecimento de sua obrigação de repassar tais valores no Fisco. Ao não fazêlo agiu de forma consciente e intencional, o que caracteriza o dolo. Quanto as omissões, é fácil concluir que tudo o quanto foi omitido não fez parte da atividade do sujeito passivo que precedeu ao pagamento antecipado, não havendo, nessa parte o que homologar. Ou seja, a falta de recolhimento do tributo não decorreu de divergência de interpretação da legislação sobre aspectos dos fatos geradores considerados pelo sujeito passivo e que estariam aguardando a homologação do fisco, mas decorreu de omissão culposa. ou dolosa. Somente a ação do fisco por meio do lançamento de oficio permitiu que os fatos geradores omitidos fossem atingidos pela tributação. Portanto, seja pela ocorrência de dolo quanto aos valores retidos e não recolhidos ou quanto à omissão nas GFIP´s, temos que a regra decadencial a ser aplicada é aquela do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 19647.006159/200664 Acórdão n.º 9101004.013 CSRFT1 Fl. 660 7 Assim, tendo o lançamento sido cientificado em 01/08/2006, a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, resulta em excluirmos do lançamento todos os fatos geradores ocorridos ate dezembro/2000, com exceção da competência 12/2000. (..) Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos antes de 31/12/2000." Compreendo que trechos do acórdão indicado como paradigma que não sejam razões de decidir daquele julgado não servem como indicação de divergência jurisprudencial. Neste sentido, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial do Procurador. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial do Procurador. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.722999/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda restabelece a dedução glosada.
Numero da decisão: 2001-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda restabelece a dedução glosada.
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score : 1.0
Numero do processo: 10850.902171/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.624
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 17 1/ 20 13 -4 1 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10850.902171/201341 Resolução nº 3401001.624 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10850.902171/201341 Resolução nº 3401001.624 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909055/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 90 55 /2 00 9- 19 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela autoridade jurisdicionante face a ausência de crédito disponível. Cientificada da decisão denegatória de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando o que segue: Preliminarmente requer a nulidade do Despacho Decisório que indeferiu a compensação, sob os seguintes argumentos: " o despacho decisório ora recorrido é absolutamente NULO por (i) cercear o direito de defesa do contribuinte, na medida em que não descreve adequadamente as irregularidades supostamente apuradas e busca conveniente inversão do ônus da comprovação (o que via de regra é um em dever do fisco e não do contribuinte), e (ii) não conter uma descrição adequada dos valores que poderiam ser devidos pela Requerente, em prejuízo do disposto nos incisos III e IV do artigo lº do Decreto n° 70.235/72, e nos artigos 113, § 10 , e 142 do Código Tributário Nacional ("CTN")". No mérito afirma que, em razão das atividades que pratica, realiza diversas operações estaduais que envolvem o pagamento do ICMS, pelo regime de substituição tributária. O art. 7º da Portaria CAT nº 17/99, bem como os artigos 269 e 270 do Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo (Decreto 45.900/2000) autorizam ao contribuinte se restituir do montante indevidamente pago do tributo. Nos anos de 2001 a 2003 a empresa procedeu ao creditamento do ICMSST, retido a maior pelo fornecedor, na compra de mercadorias, tendo em vista o diferencial de margem por ela efetivamente praticada e aquela utilizada pelo fornecedor para fins de cálculo do ICMSST, conforme atestam as anexas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA's). Com base no creditamento dos montantes de ICMSST (principal pago indevidamente, acrescido de juros), a Requerente ofereceu tais valores à tributação pelo(a) COFINS. Contudo, o ICMSST restituído pelo Fisco Estadual à Requerente não pode integrar a base de cálculo da COFINS: a um porque não configura receita do comerciante (mas sim do Estado) e, a dois, porque, não sendo o ICMS parte do faturamento próprio da empresa, não representa acréscimo patrimonial positivo, para fins de incidência do(a) COFINS. De acordo com o entendimento preponderante da doutrina, o termo receita corresponde a um fato que venha a modificar positivamente o patrimônio da pessoa jurídica. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 4 3 Em linhas gerais, o acréscimo patrimonial de uma pessoa jurídica ocorre com a incorporação de um novo direito, definido como tal pela norma jurídica, ao seu patrimônio. Em sendo assim, a princípio, poderseia dizer que a restituição de tributos configura receita para a pessoa jurídica que recebe tais valores. Contudo, por mais que seja caracterizado como um direito novo, a restituição de tributo pago indevidamente guarda intrínseca relação com um direito existente anteriormente no patrimônio da pessoa jurídica, qual seja, o caixa utilizado para efetuar o pagamento do tributo. Logo, em última análise, o direito à restituição nada mais é do que o próprio direito ao caixa utilizado para o pagamento do tributo, que já se encontrava incorporado ao patrimônio da sociedade. Poderseia equiparar a restituição de tributos pagos indevidamente a uma operação de mútuo, sendo o mutuário o Governo, enquanto o mutuante é a pessoa jurídica que tenha recolhido o tributo indevidamente. Como se sabe, em uma operação de mútuo, a devolução do valor do principal configura uma mera recomposição patrimonial. Assim, não há que se falar que a restituição de tributos recolhidos indevidamente é receita, já que lhe falta um dos elementos característicos do conceito de receita, qual seja, acréscimo patrimonial. O próprio legislador tributário já admite, ainda que não expressamente, que o ingresso de direito novo, vinculado a direito previamente existente com caráter de mera recomposição patrimonial, não configura receita. Tal entendimento estaria implicitamente previsto no artigo 30, §2°, II, da Lei 9.718/98 e no artigo 10, § 30, inciso V, alínea "b" da Lei n° 10.833/03. A Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/9a. Regido Fiscal, nos autos do Processo de Consulta nº 222/02 já se manifestou no sentido de que a mera restituição de tributos não é receita e, portanto, não está sujeita à incidência do PIS/COFINS. Também o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 23/12/2003 manifestouse no sentido de que não há incidência de PIS e de COFINS sobre valores de tributos pagos indevidamente. Consequentemente, os pagamentos efetuados a esse título configuram crédito da Requerente, passível de compensação. Os valores relativos ao ICMSST restituídos à Requerente, cuja incidência tem por fundamento o disposto no artigo 155 caput, inciso II, e § 2° da CF/88, foram incluídos na composição da base de cálculo da aludida contribuição, como faz prova as GIA's anexadas a estes autos. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 5 4 O C. STF, recentemente, por entender que a matéria tem cunho constitucional, iniciou o julgamento da constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (Recurso Extraordinário n° 240785). O julgamento foi paralisado com 6 (seis) votos favoráveis aos contribuintes, nos quais se reconheceu que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS. Não sendo faturamento e nem receita, o valor do ICMS pago pelo contribuinte não representa medida de riqueza para fins de incidência de contribuição social instituída com fundamento no artigo 195, inciso I, alínea "b", da CF/88, antes ou depois da EC 20/98. Por esse motivo, a sua inclusão é indevida, uma vez que se está tributando algo que não carrega um signo presuntivo de riqueza para o contribuinte, mas representa uma receita apenas para o Estado. Assim, caso não seja reconhecido que a restituição de tributo indevidamente pago deva ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Requerente entende que, nos termos em que já reconhecido pela jurisprudência é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições. Além disso, a não homologação das compensações pretendida pela Fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto dos referidos processos administrativos. Para que haja a exigência de multa e juros de mora, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento do crédito tributário. No caso, a empresa só estaria em mora se houvesse transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. Diante da Manifestação de Inconformidade, que suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, mesmo depois de findo o referido prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse em curso. Uma vez que a Requerente, ao proceder a compensação, observou todas as normas e atos normativos expedidos pelas Autoridades Fiscais, de acordo com o artigo 100, parágrafo único do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo "a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário". Por todo o exposto, requerse o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, a homologação integral procedimento e o consequente cancelamento da exigência, seguido do arquivamento do processo administrativo. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 6 5 Requer também, enquanto não houver julgamento final do Processo Administrativo, que os débitos compensados não obstem a expedição de CND conjunta da Receita Federal do Brasil/Procuradoria da Fazenda Nacional. Protesta provar, por todos os meios de prova admitidos, a total improcedência da decisão recorrida, inclusive pela posterior e oportuna juntada de documentos" (seleção e grifos nossos). O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão DRJ nº 02063.092. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.548, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.909051/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.548): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: I Preliminares I.1 Nulidade do Despacho Decisório Em sede de preliminares a Manifestante aduz a nulidade do despacho decisório combatido, por falta de descrição clara e precisa dos elementos que redundaram na não homologação da compensação efetuada, fato que lhe teria prejudicado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, além de macular o princípio da legalidade. O argumento não merece guarida. De início, importa destacar que o tratamento da DCOMP sob exame se deu de forma eletrônica. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 7 6 A partir da redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação eletrônica (DCOMP), na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato dessa declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de ulterior homologação. Nesses termos, ao contribuinte cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos informados em DCOMP e, à autoridade fazendária, compete a verificação e a validação dessas informações. Estando em conformidade, sobrevém a homologação do procedimento compensatório, confirmando a extinção dos débitos compensados; do contrário, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, a Contribuinte transmitiu a DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500 para compensar suposto crédito de COFINS (Código 2172) decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação (DARF), recolhido em 14/06/2002, no valor de R$ 6.154.433,30, como origem desse crédito. Como se cuida de tratamento eletrônico, a verificação dos dados informados pela Contribuinte em DCOMP realiza se de forma eletrônica, em cotejo com as demais informações por ela prestadas à RFB em outras declarações (DCTF, DACON, DIPJ, por exemplo), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc),e resulta num despacho decisório de homologação/não homologação/homologação parcial da compensação declarada. Do cotejo dessas informações, o despacho decisório resultou na não homologação da DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, tendo em vista que, embora localizado nos sistemas da RFB o pagamento informado como origem do direito creditório, este se encontra integralmente utilizado na quitação de outros débitos da contribuinte, de forma que não existe saldo de crédito disponível para a compensação declarada na citada DCOMP. Equivale a dizer que, do exame das declarações apresentadas pela própria Interessada à Administração Tributária, é possível concluir pela inexistência de crédito passível de utilização na Dcomp ora analisada. Via de consequência, é de se reconhecer que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, vez que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 8 7 Portanto, clara está a motivação do ato administrativo guerreado, que reside nas próprias declarações e documentos produzidos pela Contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não havendo que se falar em intimação prévia, nem violação ao contraditório, ou cerceamento de defesa. A empresa foi devidamente cientificada do despacho decisório, lavrado por autoridade competente, com observância de todas as prescrições legais; tendolhe sido oportunizada a apresentação de defesa e a produção de provas, no prazo legal. Ademais, as razões suscitadas na peça de defesa demonstram amplo conhecimento dos motivos que levaram à não homologação do procedimento compensatório. (...) II Mérito II.1 Da não incidência do Pis e da Cofins sobre a Restituição de Tributos Pagos Indevidamente O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24/12/2003, que dispõe sobre a tributação de valores restituídos ao contribuinte pessoa jurídica, por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito, prescreve: Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3º Os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep. (...)Do acima transcrito, verificase que o citado Ato Declaratório Interpretativo explicita claramente que não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Todavia, por configurarem receita nova, os juros incidentes sobre o indébito devem compor a base de cálculo das contribuições para o Pis/PASEP e da Cofins, bem como do IRPJ e da CSLL. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 9 8 Além disso, há que se observar o período de apuração sobre o qual a Requerente argúi a existência do direito creditório (Maio/2002). Nesse período de apuração, a exigência da Cofins era regida pela Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do art. 3º foi tido por inconstitucional, em decisão plenária do STF que reconheceu, inclusive, a repercussão geral da matéria (RE nº 585.235, Relator: Min. Cezar Peluso, Data de julgamento: 10/09/2008). Em função dos efeitos das decisões emanadas do STF foram editados, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN nº 294, de 2010, prevendo a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, nos casos em que os precedentes sobre determinados assuntos, divulgados por meio de listas atualizadas periodicamente, oriundos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, forem julgados com base nos artigos 543B (repercussão geral) e 543C (repetitivos). E, da lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN, encontrase aquele objeto do RE nº 585.235, que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98. Portanto, resta atingido o objetivo pretendido no texto do art. 26A do Decreto 70.235/72, que trata da não aplicação, pelo julgador administrativo, de dispositivo legal declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, resguardando a Fazenda Nacional de futuros prejuízos quando da fase de execução fiscal do crédito tributário. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Não obstante o reconhecimento, em tese, do direito vindicado pela Interessada, é preciso examinar a certeza e a liquidez do crédito pretendido, à vista do que dispõe o art. 170 do CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (g.n) Os documentos trazidos à colação não são suficientes à comprovação do alegado. As Guias de Informação e Apuração do ICMS acostadas não se prestam a comprovar Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 10 9 que, no período requerido, os valores escriturados a título de ressarcimento do ICMSST (Cód. 007.19) compuseram, inequivocamente, a base de cálculo do(a) COFINS, como receitas. Tais documentos demonstram, somente, o quantum recuperado a título de ICMSST. Com efeito, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja, o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Nos termos do art. 333 do CPC, o ônus da prova cabe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Adaptandose essa regra ao Processo Administrativo Fiscal, constróise o seguinte raciocínio: por autor, deve ser identificado como a parte, na relação fisco contribuinte, titular de determinado direito, que toma a iniciativa de postulálo, mediante a adoção de algum procedimento; e por réu, a parte oposta, que apresenta resistência ao direito do autor. Nos casos de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, incumbe ao sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do crédito, posto que é dele a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp. De forma que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, caberá a ele o contribuinte , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao contribuinte, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do indébito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o direito creditório, visto que, sem tal evidenciação, o pedido fica inarredavelmente prejudicado. No caso, não tendo sido apresentadas pelo contribuinte provas inequívocas quanto à certeza e liquidez do direito creditório não se pode acatar o pedido. (...) Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 11 10 A Reclamante insurgese, também, contra a cobrança de acréscimos legais (multa e juros moratórios) aos débitos compensados, aduzindo não estar em mora, eis que a Manifestação de inconformidade apresentada teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos alvo da compensação. Neste ponto, releva esclarecer que o objeto do presente litígio é a não homologação das compensações declaradas na DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, através do Despacho Decisório nº 821113075, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Não se trata de apreciação quanto à exigência de penalidades (ou mesmo quanto à cobrança dos débitos indevidamente compensados), mas apenas quanto ao não reconhecimento do direito creditório e à não homologação das compensações. (...) Nada obstante, merece esclarecer que os acréscimos moratórios decorrem da falta de recolhimento tempestivo do tributo devido, evidenciada a partir da não homologação das compensações efetuadas e têm por fundamento legal o art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Quanto aos juros de mora, estes são devidos mesmo que a manifestação de inconformidade tenha suspendido a exigibilidade dos créditos tributários compensados, conforme disposto no artigo 161 do CTN, que tem o seguinte teor: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. (destaque acrescido). Ademais, no caso específico de compensação, assim estabelece a IN 1.300/2012: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Sobre o requerimento para a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, cumpre ressaltar que o diploma processual tributário (Decreto nº 70.235/1972) dispõe, em seu art. 16, §4º, que a prova documental será apresentada na impugnação (no caso, na manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, sendo estipulado, no §5º, ainda, que a juntada de documentos após a Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 12 11 impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do §4º (alíneas essas que apresentam as exceções à regra de preclusão). Não havendo as exceções (fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos), ocorre a preclusão temporal e o contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Assim, caso queira o contribuinte apresentar provas em período posterior, poderá fazêlo desde que demonstre a ocorrência de uma das razões acima indicadas, sob pena de em assim não o fazendo, ter seu pleito de juntada indeferido. De qualquer forma, esta é questão a ser apreciada, concretamente, apenas quando do eventual encaminhamento ou produção de prova nova. À evidência, não é matéria a ser apreciada em tese" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10880.909055/200919 Acórdão n.º 3401005.554 S3C4T1 Fl. 13 12 creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente, que não logrou êxito em demonstrar a liquidez e a certeza do crédito vindicado. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.725421/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide no mês do recebimento ou crédito, momento em que, tendo ocorrido a retenção do imposto de renda na fonte, começa a contagem do prazo para a fazenda laçar o crédito tributário. Descabida a pretensão da defesa de fixar o termo inicial do prazo de decadência por ocasião dos períodos a que se refere cada uma das parcelas que compõem o rendimento.
Numero da decisão: 2202-004.877
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide no mês do recebimento ou crédito, momento em que, tendo ocorrido a retenção do imposto de renda na fonte, começa a contagem do prazo para a fazenda laçar o crédito tributário. Descabida a pretensão da defesa de fixar o termo inicial do prazo de decadência por ocasião dos períodos a que se refere cada uma das parcelas que compõem o rendimento.
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide no mês do recebimento ou crédito, momento em que, tendo ocorrido a retenção do imposto de renda na fonte, começa a contagem do prazo para a fazenda laçar o crédito tributário. Descabida a pretensão da defesa de fixar o termo inicial do prazo de decadência por ocasião dos períodos a que se refere cada uma das parcelas que compõem o rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 54 21 /2 01 0- 53 Fl. 55DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1534.981, proferido pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (DRJ/SDR) que julgou a impugnação improcedente. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de impugnação a notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente ao ano calendário de 2007, no qual o saldo de imposto a restituir foi reduzido de R$ 86.913.96 para o valor de R$ 5.402,75, sendo que este último valor já tinha sido restituído. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na notificação de lançamento, foi apurada omissão de rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste anual, no valor de R$ 343.566,29. A omissão foi apurada com base em Dirf apresentada pela fonte pagadora Secretaria de Finanças do Município de Fortaleza. Na impugnação apresentada, às As. 02/04, o contribuinte contesta o lançamento fiscal, alegando em síntese que os rendimentos apontados como omitidos eram isentos por ser portador de moléstia grave. Tratavase de rendimentos do trabalho anteriores a 1987, recebidos 20 (vinte) anos depois por meio de precatório, sobre os quais incidiram indevidamente IRRF. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/SDA. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 PENSÀO / PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. São isentos os valores recebidos a título de pensão e proventos de aposentadoria, quando o beneficiário for portador de doença relacionada no art. 39, inciso XXXII. do RIR 1999. a partir da data do diagnóstico. A referida isenção não alcança os rendimentos decorrentes do trabalho, mesmo que recebidos após a concessão da aposentadoria. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/05/2014 (fls. 50/51), alegando, em apertada síntese: a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional proíbem a cobrança de qualquer tributo, quando o fato gerador tenha ocorrido num período temporal superior a cinco anos; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10380.725421/201053 Acórdão n.º 2202004.877 S2C2T2 Fl. 56 3 em razão da demora da justiça para efetivar a sua prestação jurisdicional, resultou prejudicado o direito da Fazenda Nacional de cobrar tributo sobre salários, antes de 1987, visto que, o direito de cobrança do imposto já estava prescrito É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da Decadência Em sede de recurso, a defesa sustenta a tese de que o lançamento teria ocorrido quando já estava decaído o direito fazenda pública constituir o crédito tributário, uma vez que já teria decorrido um período superior a cinco anos do fato gerador. A defesa entende que, como os rendimentos recebidos acumuladamente incluem verbas salariais relativas à um período anterior ao ano de 1987, logo teria decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. A tese da defesa não procede. De acordo com o art. 43, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Ao disciplinar a matéria, a Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no seu art. 2º, estabeleceu que “O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos”. Então, à luz da legislação supra, é forçoso concluir que, antes de ter recebido os rendimentos, em 2007, em razão de o sujeito passivo não ter a disponibilidade econômica e jurídica da renda, o fato gerador previsto na lei não havia se materializado, não tendo ocorrido, consequentemente, o nascimento da obrigação tributária (art. 114 e 116, inciso I, do CTN). Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 57DF CARF MF 4 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda , havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial contase nos termos do §4o do art. 150 do CTN, que assim dispõe: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No presente caso, constatase em análise na DIRPF (efls. 23) do contribuinte teve IRRF de R$ 86.913,96. É de se ressaltar que a retenção efetuada pela fonte pagadora é considerada antecipação de pagamento do imposto de renda, o que traz como consequência a utilização da regra da contagem do prazo decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN. Desse modo, no caso em apreço, como houve antecipação do imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase em 31 de dezembro de 2007 e o termo final em 31/12/2012, conforme regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, citado acima. No caso concreto, o sujeito passivo foi notificado do lançamento em 25/10/2010. O crédito tributário se refere à fato gerador ocorrido em 2007, no momento da aquisição da disponibilidade econômica, portanto , antes de decair o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Rejeito, pois, a alegação de decadência levantada pela defesa. Conclusão Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10380.725421/201053 Acórdão n.º 2202004.877 S2C2T2 Fl. 57 5 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000640/2005-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 06 40 /2 00 5- 05 Fl. 55402DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.403 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.889 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Fl. 55403DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.404 3 Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 18 de janeiro de 2017, proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à apresentação extemporânea de documentos e à aplicação da regra da preclusão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: Fl. 55404DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.405 4 [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de Fl. 55405DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.406 5 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não Fl. 55406DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.407 6 apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade exarado no processo n.º 16098.000064/200955, do mesmo Contribuinte, o qual tem idênticos acórdãos recorrido e paradigmas. Naqueles autos, a negativa de seguimento ao apelo especial deuse em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Fl. 55407DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.408 7 Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Fl. 55408DF CARF MF Processo nº 10875.000640/200505 Acórdão n.º 9303007.811 CSRFT3 Fl. 55.409 8 Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 55409DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000094/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-006.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede que conhecia, integralmente, do recurso e lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede que conhecia, integralmente, do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 94 /2 01 1- 33 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 139 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 104109: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 522.772,52, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno com alíquota zero, referente ao terceiro trimestre de 2004 (fls. 5/7). A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DeratSP, por meio do despacho decisório de fls. 66/72, indeferiu o pedido de ressarcimento, fundamentadose nas seguintes razões: 18. Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. (...) 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. (...) 20. Em que pese o raciocínio supracitado, entende o interessado ser possível a apuração de créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção do créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) 21. Como as receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas com as vendas de máquinas, veículos e autopeças submetidos à incidência monofásica estão sujeitos à alíquota zero, em vista do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, o contribuinte sustenta a tese de que, com o advento da Lei nº 11.033, de 2004, se tornou possível a apuração de créditos calculados em relação as referidas aquisições. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 140 3 22. Quanto à referida norma contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, na qual o interessado fundamenta o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), cabem algumas considerações. 23. A legislação tributária, como norma jurídica que é, deve ser interpretada sistematicamente e não isoladamente, como pretende o sujeito passivo. Assim, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, deve ser entendido no sentido de que os créditos que podem ser mantidos são aqueles que existiriam caso a receita ao qual é vinculado não fosse tributada com alíquota zero. Não é lógica a manutenção de crédito que a lei veda desde a sua definição – como no caso em tela, oriundos de veículos e autopeças , pois estes não constituiriam crédito, estando ou não suas receitas sujeitas à alíquota zero, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 24. Assim, o artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tratou de criar novos créditos, mas de possibilitar a manutenção daqueles que existiriam se não houvesse a desoneração tributária nas vendas relacionadas aos créditos em questão. Seria inconsistente e absurdo permitir a manutenção de um crédito que sequer existiu. 25. Ademais, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças tratados aqui – faz incidir toda a carga tributária da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas). A concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. Cientificada do despacho decisório em 08/06/2013 (fl. 75), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 05/07/2013 (fls. 77/79), na qual alega que a decisão é equivocada porque: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Da Existência de Reconhecimento Tácito ao Direito 4. A Contribuinte foi cientificada em 08.06.2013 do Despacho Decisório aqui discutido, referente a PER/DCOMP transmitido em 07.05.2008, portanto havendo entre as duas datas lapso superior a 5 anos. 5. Logo já havia escoado o prado para análise do fisco, e não cabia mais negar o direito ao creditamento pretendido pela Contribuinte. 6. É que, como é óbvio, o fisco não tem direito eterno para analisar pleitos transmitidos via PER/DCOMP; até porque, do contrário, haveria completa insegurança jurídica na relação fisco e contribuinte. 7. Realmente, é certo que o fisco pode constituir ou desconstituir pleitos veiculados em PER/DCOMP, mas tem prazo para exercer esse direito de negar; afinal tudo tem prazo para ser praticado. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 141 4 8. Mutatis mutandis, quando a Constituição Federal admitiu prazos eternos, assim expressamente previu: [transcreve os incisos XLII e XLIV do art. 5º e o § 5º do art. 37 da Constituição Federal] 9. Como se vê, não se encontram entre as exceções constitucionais a possibilidade de o fisco analisar PER/DCOMP pelo tempo que for conveniente, portanto a análise de PER/DCOMP está subordinada a termo final. 10. E, com efeito, a legislação traz referencial que se deve trazer para esta situação, evitando que o fisco não tivesse prazo limite para apreciar um PER/DCOMP: [transcreve o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996] 11. Ressaltese que esse prazo de cinco anos é o maior do Direito Tributário, portanto fica até muito beneficiado o fisco, sendo descabido ainda pretender ultrapassálo. 12. Assim, como a Contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório já com o transcurso do lapso superior a cinco anos, a partir da data de protocolização do PER/DCOMP, portanto em período em que o fisco na não poderia mais negar o creditamento pleiteado, o Despacho Decisório aqui discutido ficou insubsistente, pois, além de equivocado porque as normas permitem o creditamento, findou tratando de creditamento que já se consolidou no tempo, motivos pelos quais esta Manifestação de Inconformidade deve ser julgada procedente para reconhecer o direito ao creditamento pleiteado pela Contribuinte. Em 25 de novembro de 2014, a DRJ/SPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Quando se trata de pedido de ressarcimento, não há que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, tampouco existe nesse caso a hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Cientificado da decisão em 22.05.2015 (fls.111), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.06.2015 (fls.113135), reproduzindo as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 141DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 142 5 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os seguintes argumentos de defesa: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA nº 19515.721292/201379 (acórdão nº 3302005.274), onde restou decido por afastar o direito de tomar crédito em relação as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica, bem como afastar a incidência do instituto da homologação tácita para os pedidos de restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir: Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... Fl. 142DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 143 6 § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 144 7 Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 145 8 (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302005.447 e 3302005.447, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica e a homologação tácita, respectivamente: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 12585.000094/201133 Acórdão n.º 3302006.167 S3C3T2 Fl. 146 9 Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo, previsto no artigo 24, da Lei nº 11.457/07, constatase que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando, assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.034402/99-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
RESTITUIÇÃO - SALDO NEGATIVO FORMADO A PARTIR DE PARCELAS DO IRRF - COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTO MATERIALMENTE IDÔNEO
Ainda que a declaração fornecida pela Instituição Financeira para comprovar a retenção do imposto de renda sobre rendimentos financeiros por ela creditados não respeite o modelo formalmente estabelecido pela legislação então vigente, observando-se a existência de informações que atendem aos requisitos materiais contidos na norma regente, há que se receber tal documento com a mesma eficácia dos informes de rendimentos preconizados pelo sistema normativo.
Numero da decisão: 1302-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca
Nome do relator: Relator
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 44 02 /9 9- 34 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10880.034402/9934 Acórdão n.º 1302003.233 S1C3T2 Fl. 535 2 Relatório Cuida o processo de pedido de restituição, seguido de pedidos de compensação autuados sob o nos 10880.034542/9901, 10880.008341/0010 e 10880.008346/0033, transmitidos em nome de terceiros e anexados, por dependência, a este feito. O pleito, originariamente, descrevia como crédito a recuperar os valores concernentes ao IRRF pretensamente retido e recolhido no anocalendário de 1998, incidente sobre rendimentos provenientes de pagamentos de juros sobre debêntures emitidas pela empresa Verpar Centros Comerciais, no importe total de R$ 650.422.81. Ao analisar o pedido, a Unidade de Origem, primeiramente, convolou o pedido em recuperação de parcela de saldo negativo (dado considerar impossível a restituição do IRRF); num segundo momento o indeferiu por identificar divergências entre o valor informado pela Instituição Financeira responsável pela predita retenção (declaração de efls. 227) e aqueles constantes do Relatório "IRF Consulta", juntado à efls. 306 (os valores concernentes à janeiro, abril e julho não seriam coincidentes e, lado outro, no sistema da receita, não haveria prova de retenção em relação ao mês de agosto), além de destacar a falta de preenchimento dos requisitos formais da declaração prestada pelo Bradesco, previstos na IN 89/97. Cientificado do despacho decisório, a recorrente opôs sua manifestação de inconformidade (efls. 3 e ss)1, a qual a DRJ de São Paulo julgou parcialmente procedente a fim de considerar comprovados os valores relativos à janeiro, abril e julho (validando, inclusive, a Declaração prestada pela Instituição Financeira, a par de sua inconsistência meramente formal), e reconhecer um direito creditório no importe de R$ 517.193,70. Este valor, é resultado da soma das retenções realizadas nos meses janeiro, abril e julho, deduzida a parcela de R$ 2.416,16 que, segundo o voto condutor do acórdão, teria sido objeto de compensação na DIRPJ de efls. 152 (Ficha 8, linha 15). Notem que a DRJ ultrapassou a alegação da Unidade de Origem quanto a afirmação de que haveriam inconsistências entre os valores descritos da DIRPJ e os montantes de receitas financeiras informadas na declaração de efls. 227, porque, de fato, a empresa recorrente passou por dois processos de cisão naquele ano de 1998... ou seja, pelo que alertou o acórdão recorrido, a Unidade de Origem considerou as informações constantes de apenas uma das DIRPJs (efls. 307) sendo que, em decorrência das operações societárias em questão, foram apresentadas três DIRPJs no período (efls. 228/277) cujas informações somadas perfaziam um valor de receitas financeiras compatível com aquelas apontadas pela Instituição Bancária (v. e fls. 374): A contribuinte passou por duas cisões em 1998, tendo apresentado três Declarações de Rendimentos para esse anocalendário, nas quais informou na linha denominada "Outras Receitas Financeiras", os seguintes valores: Declarações (período) Ficha/Linha Valor fls. 01/01/98 a 30/10/98 06/07 R$ 352.687,86 212 31/01/98 a 29/05/98 06/07 R$ 1.665,215,99 235 30/05/98 a 31/12/98 07/23 R$ 2.425.140,58 261 1 A numeração dos volumes I e II está invertida. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10880.034402/9934 Acórdão n.º 1302003.233 S1C3T2 Fl. 536 3 Total 07/23 R$ 4.443.043,43 Vale destacar, ainda, que o acórdão recorrido (efls. 340) também recebeu o pedido do contribuinte como "restituição de saldo negativo" e, ainda, considerou comprovada a tributação da receita decorrente dos valores percebidos pela recorrente, deixando de considerar comprovado, apenas, o valor retido relativo ao mês de agosto, justamente por não constar do relatório "IRF Consulta" o predito montante, a despeito de, como já dito, reconhecer a validade da declaração prestada pelo Banco Bradesco Cientificado do teor do acórdão supra em 27/11/2007 (ciência pessoal de e fls. 348), o contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 26/12/2007 (efls. 374 e ss) em que limita o objeto de sua insurgência ao problema da comprovação da retenção e recolhimento da parcela do IRRF relativa a agosto de 1998, sustentando que a declaração prestada pelo Bradesco, as cópias de seus livros contábeis e sua DIRPJ, seriam suficientes à demonstração do direito pleiteado... mais que isso, afirma, que teria notificado extrajudicialmente o Bradesco à apresentar a respectiva DIRF e que, até a data da interposição do apelo, não teria sido atendido pela citada instituição financeira. Por fim e mais importante, esclarece que o valor relativo à agosto de 1998 não decorreria do pagamento de juros provenientes das Debêntures mas, isto sim, de operação de venda destes títulos à Verpar Centros Comerciais S/A. Inicialmente o processo foi distribuído à 2ª Seção deste CARF que, por meio do acórdão de efls. 526/531, declinou a competência para esta 1ª Seção. Os autos, então, me foram distribuídos para análise e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de cabimento, razão pela qual dele conheço. O objeto que resta sob litígio, no caso, cinge, como já exposto no relatório acima, à comprovação (ou não) da retenção e quitação da parcela do IRRF descrita na declaração apresentada pelo Bradesco à efls. 227, relativa ao mês de agosto de 1998 e que não encontra correspondência com os valores contidos no sistema de controle da receita ("IRF Consulta" efls. 306). O problema, portanto, a ser analisado aqui é, eminentemente, de prova; o contribuinte traz uma declaração da instituição financeira que, não obstante não se adequar aos pressupostos formais da legislação vigente à época, foi admitida, ao menos parcialmente, pela DRJ como suficiente à comprovação de parte do crédito postulado. E isto, porque os valores relativos à janeiro, abril e julho coincidem com os valores relativos a tais meses, constantes do citado sistema "IRF Consulta". O único problema, porém, diz respeito ao mês de agosto, cujo recolhimento não se encontra descrito no aludido relatório... quid iures? Sabese, e, insistase, assim se pronunciou a DRJ, que a DIRF, não obstante importante, não é indispensável à comprovação do pagamento do IRFonte; ao contribuinte é Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10880.034402/9934 Acórdão n.º 1302003.233 S1C3T2 Fl. 537 4 franqueado demonstrar tal fato por qualquer outro meio de prova (faculdade esta, inclusive, surgida como consequência do princípio da verdade material)... qual prova, contudo, seria suficiente para demonstrar a correção da pretensão da empresa recorrente? Eis, de fato, o quid pro quo. I Particularidades do caso. É inegável que o processo em testilha revolve problemas de difícil solução, mormente quando consideramos que o pedido do contribuinte foi protocolado há quase 20 (vinte) anos, cujo crédito se refere à saldo negativo (composto, quase que apenas, por Imposto de Renda Retido na Fonte) cujo fato imponível remonta à 1998. A prova da retenção ou quaisquer outros documentos que pudessem demonstrála se encontra (ou se encontrava) de posse de terceiro, no caso, o Banco Bradesco S/A ao qual não se aplicam, no caso concreto, as regras contidas no art. 37 da Lei 9.430/96 (os informes e mesmo eventuais DARFs de recolhimento do IRFonte não teriam que ser guardados pela instituição financeira, já que ultrapassado o prazo decadencial concernente ao dever de se efetuar o seu pagamento, inclusive à época da prolação do despacho decisório). O documento que poderia, o contribuinte, produzir é a declaração apresentada à efls. 227, em que a instituição financeira declara ter entregue os recursos ao postulante e efetuado a respectiva retenção do imposto... mais que isso, vale dizer, a recorrente ainda tentou, de fato, e por derradeiro, obter um informe de rendimentos que respeitasse os ditames do anexo I da IN 89/97, mediante notificação extraordinária encaminhada ao Bradesco nos idos de 2007 que, aparentemente, não foi atendida pela instituição financeira. Em linhas gerais, e à mingua de outros elementos, o que nos resta, agora, fazer é inferir a força probatória daquele documento e a sua suficiência (ou não) para embasar o pleito creditório em análise. II O demonstrativo de efls. 227 e sua força probatória. No seu recurso voluntário o contribuinte assevera que a despeito de não corresponder, formalmente, ao "informe de rendimentos financeiros" preconizado pelo anexo I da então vigente Instrução Normativa 89/97, a declaração prestada pela instituição financeira Banco Bradesco S/A, especificamente tendo em conta os dados ali inseridos, manteria para com a norma infralegal "uma identidade de informações que acabam por demonstrar com a mesma eficácia o valor da operação realizada, os valores retidos na fonte a título de IMposto de Renda, sua data e os sujeitos envolvidos" (efls. 380). Com efeito, de acordo com a redação da predita IN, por meio de seu artigo 2º, o referido informe deveria "ser fornecido à pessoa física ou jurídica beneficiária até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente àquele a que se referir os rendimentos", devendo, nos termos do seu art. 3º, conter "a indicação dos valores expressos em Reais, observadas as instruções constantes do Anexo II". Este anexo, por sua vez, estipulava como requisitos mínimos de "validade", a inserção dos seguintes dados: (...) I no caso de beneficiário pessoa jurídica, titular de quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, de quotas de fundos de investimento de operações de swap e depósitos em contas de poupança, o Informe de Rendimentos Financeiros Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10880.034402/9934 Acórdão n.º 1302003.233 S1C3T2 Fl. 538 5 deverá discriminar, por mês, os rendimentos pagos ou creditados e o respectivo imposto de renda retido na fonte; Em resumo, o documento tratado pela IN 89/97 deveria conter, a fim de garantir a sua força probatória, as seguintes informações: a) o nome ou beneficiário das aplicações financeiras de renda fixa (em que se enquadram os rendimentos provenientes das debêntures, conforme art. 729, IV, do RIR); b) a indicação de valores em moeda corrente; c) a discriminação, mensal, dos rendimentos pagos ou creditados; d) o valor do imposto retido pela respectiva fonte. Vejase, neste particular, que o documento de efls. 227 contempla, exatamente, todas as informações acima (como aliás, bem apontou o recorrente)... o único fato que, entretanto, culminou com a negativa integral do direito creditório por parte da Unidade da Origem, e em parte, pela DRJ, é a não conformidade eminentemente formal da declaração em análise em comparação com o modelo até então preconizado pelo anexo I da norma infralegal acima mencionada... substancialmente, todavia, a declaração em testilha respeitou todos os pressupostos elencados pelo anexo II da IN 89/97. Por que, então desconsiderála, ainda que em parte? Lembrem que a DRJ considerou válida a predita declaração para fins de comprovação das demais parcelas do IRfonte... porque não considerála em relação ao mês de agosto? Sim, realmente o extrato "IRF Consulta" não descreve nenhuma retenção quanto ao mês supra referido, mas, é de conhecimento geral (art. 374, I, do CPC), que tais dados nem sempre refletem a realidade (ou, de outra sorte, não teríamos que analisar os inúmeros processos que tratam do IRRF e que demandam, justamente, a apresentação das DIRFs). E também não nos é estranho a falta de informação completa por parte das instituições financeiras concernentes ao imposto de renda a ser retido... Lado outro, o próprio acórdão recorrido reconhece que os valores concernentes aos juros percebidos pelo recorrente, incluindose aquele descrito mês de agosto, foram tributados; outrossim, o razão aponta não só a escrituração dos rendimentos produzidos pelas debêntures, como descreve os valores relativos ao IRfonte (vide c/c de nº 0001.510.00036 efls. 107 e 108); igualmente, a própria DIRPJ analisada pela DRJ assim também dispõe (lembrando, mais uma vez, que a delegacia de julgamentos considerou comprovada a tributação dos rendimentos objetos desta demanda). Cogitarseia da necessidade, à míngua da exibição do documento preconizado pela IN 89/97 ou, quando menos, no formato preestabelecido na predita norma de apresentação da comprovação do recolhimento (pagamento) dos valores concernentes ao IRRF pela instituição financeira; mas este próprio Eg. Conselho vem adotando, já há algum tempo, o entendimento de que, comprovada a retenção, a prova do recolhimento efetivo seria despicienda. Neste sentido, confirase: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10880.034402/9934 Acórdão n.º 1302003.233 S1C3T2 Fl. 539 6 A dedução de valores retidos só é permitida se o contribuinte tiver o Comprovante de Rendimento Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte emitido pela Fonte Pagadora em seu próprio nome, sendo despiciendo que ele comprove o recolhimento do tributo retido, mesmo no caso de ser, o contribuinte, sócio ou gerente da pessoa jurídica (Acórdão 2201 003.979, publicado em 14/11/2017 COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Quando comprovada a retenção, o imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, independentemente do efetivo recolhimento pela fonte pagadora (Acórdão de nº 2202003.514, publicado em 06/09/2016) É verdade, contudo, que mesmo pelas informações constantes do razão, não é possível se identificar se o creditamento dos juros decorrentes das debêntures foi feito pelo seu valor líquido, já deduzido o IRRF; tal prova, digase, cinge à declaração prestada à efls. 227 de sorte que, acaso, e somente se, não se a considerar suficiente para demonstrar a procedência do pleito do recorrente, poderseia buscar uma prova adicional (v.g., extratos bancários demonstrando o qual valor teria sido credito à empresa para os cotejar, posteriormente, com a planilha de efls. 95 que resume os lançamentos realizado no razão juntado à efls. 96/104). Particularmente, todavia, respeitados eventuais entendimentos divergentes, e pelo que expus acima, me parece claro que o documento de efls. 227 se reveste dos requisitos materiais necessários (a par de sua inconsistência meramente formal) a o considerar não só válido, mas eficaz, nos estritos dos preceitos do art. 978 do RIR (valendo apenas destacar que a sua apresentação extemporânea pode gerar penalidades ao responsável tributário, mas jamais ao beneficiário dos rendimentos sujeitos à retenção do IR como, aliás, preconizava a por vezes citada IN 89/97 e, também, como bem alertou o próprio recorrente). O apego desmedido ao aspecto formal, aqui, atenta, incontendivelmente, como princípio da verdade material; se a declaração apresentada pela instituição financeira contempla todas as informações exigidas pela norma de regência, o seu formato pouco convencional não pode ser justificativa para afastar a sua validade e eficácia, mormente, para os fins do art. 978 do RIR, anteriormente citado, pelo que considero comprovada a retenção também em relação ao mês de agosto de 1998. Finalmente e apenas em relação à tributação também desta parcela de receita (agosto de 1999), reprisese o que já afirmara a DRJ; o valor somado das receitas tratadas nas DIRPJs apresentadas à efls. 228/277 é compatível e suficiente para abarcar tais receitas, em especial quando analisadas conjuntamente com a invocada planilha de efls. 95. Ou seja, estão presentes todos os requisitos necessários (inclusive a teor da Súmula 80 deste CARF) para se reconhecer a procedência, integral, dos pedidos ora analisados. III Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário a fim de reconhecer a integralidade do crédito cuja restituição se postula, homologando (com as minhas ressalvas pessoais à competência deste colegiado para tal mister), as compensações tratadas Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10880.034402/9934 Acórdão n.º 1302003.233 S1C3T2 Fl. 540 7 nos PAs de nos 10880.034542/9901, 10880.008341/0010 e 10880.008346/0033, até o respectivo limite creditório. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 540DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.001813/2006-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-007.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 18 13 /2 00 6- 08 Fl. 199DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2801003.980, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 28.066,05, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” que foram verificadas as seguintes infrações na declaração de ajuste anual do contribuinte: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (processo judicial trabalhista 622.97.006.17.005); e dedução indevida a título de pensão alimentícia judicial. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 2/5. A DRJ/SDR, às fls. 63/66, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 83 e ss. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 89/95, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11543.001813/200608 Acórdão n.º 9202007.461 CSRFT2 Fl. 10 3 também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 97/102, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: IRPF – Rendimentos recebidos acumuladamente – forma de tributação. A Câmara a quo, no acórdão recorrido, cancelou o lançamento tributário, sob a justificativa de que o cálculo do imposto incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente (verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial) deveria considerar os elementos da exação vigentes nos meses a que se referem os referidos rendimentos (regime de competência), nos termos da jurisprudência do STF, firmada sob a sistemática da repercussão geral. De outro lado, os acórdãos paradigmas entenderam que o IRPF incidente sobre rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deveria ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Consequentemente, mantiveram o lançamento, determinando tão somente o recálculo do valor devido a título de IRPF. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 104/106, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF – Rendimentos recebidos acumuladamente – forma de tributação. Cientificado à fl. 131, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 133/136, anexando inteiro teor do RE 614.406/RS, arguindo que, por se tratar de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, qualquer divergência em âmbito administrativo pretérita ao mencionado julgamento resta prejudicada. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Fl. 201DF CARF MF 4 Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 28.066,05, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” que foram verificadas as seguintes infrações na declaração de ajuste anual do contribuinte: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (processo judicial trabalhista 622.97.006.17.005); e dedução indevida a título de pensão alimentícia judicial. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF – Rendimentos recebidos acumuladamente – forma de tributação. Na decisão recorrida, deuse provimento ao recurso do Contribuinte, para cancelar o lançamento, devido à impossibilidade de refazimento do lançamento na atual fase processual. Da análise do tema, observo que não assiste razão a Fazenda Nacional, pois o referido lançamento não pode prosperar. Isso porque o art. 12 da Lei nº 7.713/88 teve sua constitucionalidade afastada. O referido dispositivo legal que era utilizado para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido, teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da Repercussão Geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, vejamos: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11543.001813/200608 Acórdão n.º 9202007.461 CSRFT2 Fl. 11 5 Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica de dispositivo legal, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que deve ser cancelado, visto que, que utilizou fundamento legal inválido. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Como bem relatado, a matéria em discussão cingese ao exame da possibilidade de recálculo do tributo devido, originalmente lançado com base no regime de caixa, em sede de contencioso administrativo, ante as decisões do STJ, no REsp 1.118.429/SP, e do STF, no RE 614.406/RS, que firmaram o entendimento de que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF deve ser calculado considerandose as bases de cálculo e alíquotas conforme as competências a que se referem os rendimentos. A sucessão dos fatos relevantes é a seguinte: 1) Em 12/06/2006 foi lavrada a Notificação de Lançamento objeto do presente processo; 2) Em 24/03/2010 o Superior Tribunal de Justiça – STJ proferiu o Acórdão no REsp. nº 1.118.429/SP, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 203DF CARF MF 6 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. 3) Em 23/10/2014 o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no RE nº 614.406, assim ementado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. 4) Em 10/02/2015 foi proferido o acórdão de recurso voluntário, cuja decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. Entendeu a Relatora, corroborando o entendimento esposado pelo acórdão recorrido, por manter a decisão quanto à improcedência do lançamento, por entender não ser possível o recálculo do imposto. Apesar das bem articuladas razões da Relatora, divirjo desse entendimento. Com a devida vênia, penso que essa conclusão parte de premissa equivocada: a de que a atividade de julgamento administrativo deve se limitar a confirmar ou infirmar o lançamento na sua totalidade, sem a possibilidade de alteração deste, numa interpretação, a meu juízo, isolada e superficial do artigo 142 do CTN. Essa conclusão simplesmente ignora o comando dos artigos 145 e 146 do mesmo CTN os quais vale ressaltar, integram o capítulo II do Código sob o título “Constituição do Crédito Tributário”, que têm a seguinte redação: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – Impugnação do sujeito passivo; II – Recurso de ofício; III – Iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previsto no artigo 149. (Destaquei) Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fatos geradores ocorridos posteriormente à sua introdução. Ora, se o lançamento pode ser alterado nos casos de impugnação do sujeito passivo, tal alteração somente pode ser realizada pela autoridade julgadora administrativa, limitada essa alterabilidade, em relação a um mesmo sujeito passivo, apenas pela impossibilidade de introdução de novos critérios jurídicos. Digase, a propósito, que a alterabilidade do lançamento nos casos de sua inconformidade parcial com as normas do direito positivo, é amplamente reconhecida pela Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11543.001813/200608 Acórdão n.º 9202007.461 CSRFT2 Fl. 12 7 doutrina, com lastro exatamente na interpretação dos artigos 145, 146 e 149 do CTN. Paulo de Barros Carvalho, por exemplo, diz sobre o ponto: Por alterabilidade do lançamento não devemos nos cingir tão só às circunstâncias da nulidade absoluta ou da nulidade relativa (anulabilidade). Ocasiões há em que o lançamento sofre alterações que agravam a exigência anteriormente formalizada. No quadro das condições estipuladas, o direito positivo brasileiro assegura ao interessado o direito de impugnar a pretensão tributária consubstanciada no ato de lançamento. E o Código Tributário Nacional contempla a matéria da alterabilidade, estatuindo, no art. 145, que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I) impugnação do sujeito passivo; II) recurso de ofício; III) iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149 [...].(CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário – 23 ed. – São Paulo : Saraiva, 2011. p. 497/498) Também Eurico Marcos Diniz de Santi, corroborando o mesmo entendimento, assim se manifesta sobre a alterabilidade do lançamento: A alterabilidade do atonorma de lançamento podese dar pela edição de outro atonorma que lhe substitua, invalidando implicitamente o atonorma anterior, ou podese dar mediante a expressa invalidação do atonorma anteriormente praticado. Pressupõe, portanto, competência administrativa para rever o atonorma, o que implica de outra parte, a competência para invalidálo. Estas normas de competência são aquelas que determinam, de forma genérica e abstrata, quais os supostos e as correspectivas consequências para se proceder a invalidação do atonorma de lançamento. Como o assunto requer certa precisão de conceito e de linguagem, convencionaremos denominar como regramatriz de invalidação do atonorma de lançamento às normas de competência para editar atonorma administrativo invalidador. A regramatriz de invalidação do atonorma de lançamento, regra de estrutura, defluem, no Código Tributário Nacional, dos arts. 145, 146 e 149. (SANTI, Eurico Marco Diniz. 2 ed. – São Paulo : Max Limonad, 2001. p. 255) No caso sob análise, o lançamento referese a rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão em processo judicial trabalhista, tendo sido o imposto apurado em conformidade com a norma em vigor à época da autuação – art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988 – que previa que o imposto seria devido no mês do recebimento. Confirase: Lei nº 7.713, de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre a totalidade dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessários ao seu recebimento, inclusive de Fl. 205DF CARF MF 8 advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Tal dispositivo estabelecia apenas um dos critérios de apuração do imposto devido, com implicação direta no valor deste: com base no regime de caixa. Tanto é assim que o STJ, ao interpretar o dispositivo, e o STF, ao declarar sua inconstitucionalidade, em momento algum afirmaram a não incidência do imposto. E se é assim, o efeito vinculante de tais decisões aos órgãos julgadores administrativos não impõe, em absoluto, a necessidade de declaração da nulidade do lançamento, mas apenas de afastar o critério segundo o qual o imposto deve ser apurado segundo o regime de caixa. Como referido acima, o art. 145, I, do CTN, combinado com as normas que regem o processo administrativo fiscal, confere aos órgãos julgadores administrativos, quando provocados pela impugnação do sujeito passivo, competência para promover a necessária alteração do lançamento quando, dando razão ao sujeito passivo, entender que o mesmo está em desconformidade com as normas de incidência. E, com ainda mais razão, quando a decisão deste órgão administrativo está vinculada a algum comando que imponha uma específica interpretação, como neste caso. No presente caso, vale repisar, a controvérsia cingiase à definição do critério de apuração, se com base no regime de caixa ou no regime de competência. Diante da afirmação de que o procedimento adotado pela fiscalização, que apurou o imposto com base no regime de caixa, foi irregular, compete à autoridade julgadora, no dizer de Eurico De Santi, alterar o atonorma de lançamento mediante a edição de outro atonorma. Nada que justifique, em casos como este, em que há apenas desconformidade parcial do ato com os requisitos instituídos pelo Direito Positivo, e quando esta for sanável mediante correção, a nulidade do lançamento. Realizar essa correção é um dos misteres da autoridade julgadora administrativa. Por tudo o que foi dito acima, o cancelamento total do lançamento por suposta violação ao art. 142 do CTN carece de consistência jurídica. A um, porque o art. 142 do CTN descreve o procedimento do lançamento e não os seus requisitos de validade; a dois, porque o art. 145, I do próprio CTN prevê a hipótese de alterabilidade do lançamento pela autoridade julgadora administrativa, o que tem como pressuposto lógico a possibilidade da imperfeição do lançamento realizado pela autoridade lançadora. Ante esses pressupostos, a afirmação da impossibilidade de se alterar o lançamento em razão de as decisões dos tribunais superiores impactarem no critério quantitativo não se sustenta. Por fim, ressalto que a posição ora esposada, com estes e outros fundamentos, tem prevalecido neste Colegiado. Cito, como exemplo, os Acórdãos nºs. 9202004.518, Sessão de 26/10/2016, 9202005.357, Sessão de 25/04/2017, 9202006.415, Sessão de 29/01/2018 e 9202006.706, Sessão de 18/04/2018. Como, em razão do cancelamento da exigência pelo Colegiado a quo, ora afastada, restaram matérias pendentes de apreciação, é imperioso que os autos retornem à instância de piso para apreciação dessas matérias. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja recalculado o imposto devido mediante aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (regime de Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11543.001813/200608 Acórdão n.º 9202007.461 CSRFT2 Fl. 13 9 competência), com retorno dos autos à instância à quo para apreciação das demais questões do recurso voluntário (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.001077/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.572
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$ 270.286,68 de crédito de Cofins não cumulativa (fls. 02/05) relativo ao 3° trimestre de 2005, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 06205.48318.190406.1.1.119592), apresentado em 19/04/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 01 07 7/ 20 07 -7 2 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 249 2 Às fls. 06/13, juntouse cópia do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo ao 3° trimestre de 2005. Às fls. 14//90, intimações fiscais (Intimação Saort n° 799/2007; Intimação Saort n° 838/2007; Intimação Saort nº 856/2.007; Intimação Saort n° 948/2007, Intimação Saort n° 1.029/2007, Intimação Saort nº 1.149/2007), comprovantes de entrega, cópia de MPF e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (planilhas, notas fiscais, balancetes, etc). O Termo de Informação Fiscal de fls. 91/100, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o não reconhecimento do direito creditório. Às fls. 101/106, Per/Dcomp n° 16791.74233.181007.1.3.114005, transmitida eletronicamente em 18/10/2007, por meio da qual a contribuinte, valendose do crédito relativo ao ressarcimento pleiteado em 19/04/2006, informa a compensação com débitos de PIS Não Cumulativo ( 05/2007 e 06/2007) e Cofins Não Cumulativa (05/2007 e 06/2007) no montante de R$ 107.681,51. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 91/100, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 31/12/2007, o Parecer Saort/DRF/Lon n° 588/2007, que opina pelo indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação. Acolhido o Parecer, na mesma data foi emitido o despacho decisório de fl. 110. Cientificada (fls. 111/112) em 07/01/2008, a contribuinte, em 06/02/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 114/131, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, discorre sobre a sua atividade, salienta que é tributada pelo lucro real, e informa que a “semente de algodão está tributada pelo PIS e Cofins à alíquota zero.” A seguir, fala sobre o pedido apresentado e pede a reforma do despacho decisório. Acrescenta, na sequência, que dada a nãocumulatividade regida pelas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 'realiza' créditos por entradas e débitos por saídas. Reclama da glosa relativa a alguns insumos e serviços e diz que “os insumos que supostamente não geram créditos guardam relação direta com a atividade principal da empresa e são imprescindíveis no processo de industrialização dos produtos da Reclamante. Ainda, tais insumos vem onerados pelo PIS e Cofins na cadeia produtiva." Afirma que o julgador incorreu em erro ao interpretar a definição de insumos fixada pela IN SRF n° 247, de 2002, na redação da IN SRF 358, de 2003, já que a norma “não deixa dúvidas que todo e qualquer bem, mercadoria, matériaprima, etc... e serviços, aplicado ou consumido do processo de fabricação é insumo e como tal deve ser considerado na base de créditos.” Nesse contexto, entende incorreta a exclusão, por exemplo, dos serviços de desratização, aquisição de ferragens e correias utilizadas nas máquinas, aquisição de combustíveis, etc. Tanto é assim, afirma, Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 250 3 que o legislador preocupouse em esclarecer e definir o que da direito a credito no § 3° do art. 3° das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Solicita a reinclusão dos valores glosados e o consequente ajuste da apuração dos saldos de créditos e débitos. Noutro tópico, diz que tem direito ao ressarcimento e que o pedido foi feito na forma da lei. Aduz que as operações com cooperados estão fora da incidência do PIS e da Cofins por determinação constitucional. Esclarece que por operar com cooperado e nãocooperado acumulou créditos em razão da nãoincidência, passíveis de ressarcimento. Questiona a interpretação fiscal de não enquadrar as operações com cooperados em qualquer uma das formas tributárias vigentes e conclui que “se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da não incidência tributária." Insiste que as operações com cooperados geram direito à manutenção de créditos. A seguir, diz que os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções de créditos devem ser anulados, promovendose a reinclusão das notas fiscais excluídas na base de créditos. . Quanto aos débitos que estão sendo exigidos no processo n° 16366.003415/200715, diz que devem ter sua exigibilidade suspensa, posto que as glosas são indevidas. Transcreve o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005 e chama a atenção para o disposto no inc. I do seu § 3º. Ao final, requer a reforma da decisão e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. Pede, também, que se reconheça e determine a condição de receita sujeita a nãoincidência em relação operações realizadas com cooperados, e, ainda, que a manifestação seja vinculada ao auto de infração objeto do processo n° 16366003415/200719, dada a relação existente. As fls. 133/173, documentos que antes compunham o processo administrativo nº 16366.003413/200711, juntado por apensação (Per/Dcomp n” 16791.74233.181007.1.3.114005, cópia do Termo de Informação Fiscal, extrato do processo, cópia do Parecer Saort nº 588/2007, AR, manifestação de inconformidade) ao presente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0626.218, sessão de 19/04/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O F1NANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 0l/07/2005 a 30/09/2005 PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO, DESCONTO DA COFINS. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 251 4 As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da Cofins, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento. SERVIÇOS DIVERSOS. CRÉDITO. DESCONTO DA COFINS. Os serviços prestados por pessoas jurídicas, para que possam ser assim considerados, e permitir o desconto do crédito correspondente da Cofins, devem ser aplicados diretamente sobre o produto em fabricação/beneficiamento. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE COOPERADOS. REMESSAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS DE COFINS NA COOPERATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As aquisições de insumos de cooperados e as remessas para cooperados configuram ato cooperativo, e atos dessa natureza não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não havendo, pois, previsão legal para a manutenção dos respectivos créditos de Cofins pela Cooperativa de produção agropecuária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento do saldo credor da Contribuição nãocumulativa, de que trata o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e a impossibilidade de manutenção de créditos por cooperativa, vinculados às receitas de vendas tributadas à alíquota zero e à operações com cooperados (atos cooperativos). A recorrente é uma cooperativa central de produção agropecuária (congrega outras cooperativas associadas) que se dedica, nos termos de seu contrato social, à (i) prestação de serviços de beneficiamento de algodão em caroço às cooperativas filiadas, pelo qual cobra Fl. 251DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 252 5 taxa de prestação de serviço; e (ii) comercialização de produtos adquiridos de associados e beneficiados. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à cooperativa de produção agropecuária a tomada de créditos nas aquisições de mercadoria para revenda, de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e art. 21 da Lei 10.865/2004. Enfrento primeiramente a matéria das glosas do crédito com bens e serviços não considerados insumos da atividade desenvolvida pela Coceal. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 252DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 253 6 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 000546926.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 254 7 Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente –desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 255 8 insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de nãocumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de essencialidade ou relevância com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça as etapas da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (processo produtivo ou prestação de serviços) e quais são os produtos finais elaborados ou o serviço prestado com os insumos, conforme identificados ou descritos nos documentos apresentados. Análise das glosas Na matéria, a fiscalização glosou os créditos apropriados em relação aos bens e serviços listados por entender que não são aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação dos produtos da Cooperativa, conforme definição do inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/03, nem se enquadram em nenhuma outra hipótese legal geradora de crédito. Às folhas 86/87 estão sintetizados, por empresa fornecedora/prestadora, os bens e serviços glosados: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 256 9 A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço (insumos) participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a identificação desses insumos e sua participação no processo produtivo ou prestação do serviço. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 257 10 Pois bem, a posição adotada pelo Fisco e DRJ não encontram respaldo nas decisões deste Conselho. Não se exige o consumo ou desgaste do insumo quando diretamente em contato com o produto fabricado ou o serviço prestado. Ainda na fase do procedimento de análise do pedido de ressarcimento, em dois momentos a Coceal apontou que suas atividades são voltadas para atender demanda de cooperados e beneficiamento de insumos para vendas à terceiros. Na folha 32 há descrição sucinta da prestação de serviço para as cooperativas filiadas, em que beneficia o caroço de algodão e da venda de derivados do algodão para terceiros, que também passa pelas mesmas etapas quando do serviço prestado a cooperados. Na folha 43, a recorrente discorre acerca do beneficiamento do algodão, a produção de sementes, de caroços e de plumas. Evidenciase que desde o beneficiamento até o produto acabado há menção a etapas de análise laboratorial, testes agronômicos, tratamento químico, germinação, plantio, banho agrotóxico. Nos itens glosados há serviços de limpeza de sacos, de manutenção e desratização, além de bens (peças de máquinas e outros). No confronto entre determinados serviços tomados cujo créditos são glosados e a descrição das atividades econômicas da Cooperativa constatase certa correlação que pode apontar para a essencialidade ou relevância com o produto final vendido a terceiros não cooperados. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, entendo a melhor solução para lide a conversão do presente julgamento em diligência para que: a) A unidade de origem proceda à intimação da contribuinte para que, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente: a1) Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, ou outro regularmente qualificado, que descreva minuciosamente as etapas de obtenção do produto vendido a terceiros não cooperados, apontando para o bem ou serviço utilizado; a2) No caso de bens (peças e outros), além de comprovar que a máquina a que se destina está relacionada à atividade produtiva/prestação de serviços, devese demonstrar, com documentação hábil e idônea, que não se trata de bem do ativo imobilizado ou de serviço cujo dispêndio fora a este incorporado. b) A unidade de origem manifestese sobre conteúdo do Laudo e documentos apresentados pela Contribuinte, se houver interesse e caso entenda necessário, com a elaboração de relatório, podendo, inclusive, solicitar novos documentos ou realizar diligências. c) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, improrrogável, manifestação. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 16366.001077/200772 Resolução nº 3201001.572 S3C2T1 Fl. 258 11 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 258DF CARF MF
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