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Numero do processo: 10670.721526/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER.
Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1302-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 15 26 /2 01 1- 59 Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.184 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 3.170 a 3.174), em relação ao Acórdão nº 1302001.858, proferido por esta Turma, em julgamento realizado em 04 de maio de 2016, sob a alegação da existência de obscuridade e contradição. O Acórdão embargado possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. FALTA DE INCLUSÃO DE TRIBUTO LANÇADO. EXPIRAÇÃO DE PRAZO. Nos termos da legislação então vigente, era desnecessária a inclusão, no MPF, de tributos cuja lançamento se verificasse com base nos mesmos elementos de prova do tributo principal nele indicado. A execução do procedimento fiscal, por sua vez, poderia ter seu prazo prorrogado por autoridade competente. ARBITRAMENTO. VÍCIOS QUE IMPEDEM A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Subsiste o arbitramento dos lucros se o sujeito passivo não escritura o movimento de suas contas bancárias nem apresenta documentos que permitam correlacionar os registros da conta caixa com os depósitos/créditos bancários do período. Ainda que as receitas escrituradas superem tais ingressos, o registro de todas as entradas financeiras como vendas à vista impede qualquer conferência para aferição da efetiva movimentação financeira da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. ALEGAÇÃO DE PARCELAMENTO. A adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, alcança, apenas, débitos constituídos, e somente dispensa o lançamento de ofício daqueles confessados espontaneamente, antes do início do procedimento fiscal. DIPJ ZERADA. DÚVIDA. A justificativa de que a DIPJ foi apresentada sem informações porque ainda não consolidada a contabilidade, associada ao fato de que o Livro Diário somente foi levado a registro depois do início do procedimento fiscal, promovido oito meses depois do prazo final para entrega da DIPJ, suscita dúvida razoável quanto ao intuito de fraude e impõe a redução da penalidade ao percentual básico de 75%. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. A fonte pagadora é responsável pelo imposto de renda na fonte quando promove pagamentos a beneficiários não Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.185 3 identificados ou relativamente aos quais não prova a operação ou causa que os motiva. A escrituração comercial não se presta como prova quando deixa de espelhar os pagamentos questionados por não estar integrada pela movimentação bancária, cumprindo ao sujeito passivo identificar o beneficiário e a operação/causa mediante documentação apresentada em resposta a intimação fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM DECORRENTE DE SONEGAÇÃO/FRAUDE. Se a imputação de responsabilidade tributária está fundamentada, apenas, no art. 124, I do CTN e na constatação de sonegação e fraude, o afastamento da qualificação da penalidade determina o provimento do recurso voluntário dos responsáveis tributários, ainda que outras circunstâncias presentes nos autos pudessem autorizar a responsabilização dos sócios sob outro fundamento legal." A Embargante funda o seu recurso no fato de que a decisão guerreada adota como pressuposto a existência de Recurso Voluntário conjuntamente apresentado pela contribuinte pessoa jurídica e pelas pessoas físicas a quem foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos nos presentes autos. Contudo, não haveria Recurso conjunto, mas apenas Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte pessoa jurídica. Assim, a contradição consistiria no fato de que "se fala em interposição de recurso conjunto, mas no dispositivo e no acórdão se aborda a questão como se dois recursos existissem". A obscuridade, por sua vez, versaria sobre a dúvida gerada na execução do julgado, com a concessão total do pedido do inexistente recurso voluntário dos responsáveis, motivo pelo qual não seria possível se descobrir qual seria a extensão desse provimento. Os Embargos foram objeto de Despacho de admissibilidade (fls. 3.177 a 3.179), que os considerou tempestivos; e entendeu que o erro apontado acabou "por suprimir do Colegiado a apreciação acerca do interesse recursal da contribuinte em questionar a responsabilidade tributária atribuída a seus sócios". Assim, a questão extrapolaria a mera obscuridade ou contradição apontada pela Embargante, de modo que, pela aplicação do princípio da fungibilidade dos recursos, os Embargos foram admitidos com base na "omissão de ponto sobre o qual a Turma deveria se manifestar". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Os Embargos foram regularmente admitidos, devendo ser conhecidos. Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.186 4 Efetivamente, o Recurso Voluntário apresentado em face à decisão de primeira instância (fls. 3.071 a 3.095) foi interposto, exclusivamente, pela pessoa jurídica autuada, e não de forma conjunta com os sócios apontados como responsáveis solidários. De outra parte, a decisão deste Colegiado, em todos os instantes, adota como premissa a referida interposição conjunta, de modo que, ao final, chega a dar provimento ao "recurso voluntário interposto por Rodrigo Magela Castro Campos e Renata Cristina Mendes Campos". Os Embargos de Declaração, na forma do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, prestase, não apenas ao saneamento de omissão ou contradição em decisão, mas também para possibilitar ao julgador a oportunidade de se pronunciar sobre questão sob a qual deveria haver se manifestado. In verbis: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." É essa a precisa hipótese presente nestes autos, em que, como bem indicou o Despacho de Admissibilidade, "o erro apontado no relato do recurso voluntário acabou por suprimir do Colegiado a apreciação acerca do interesse recursal da contribuinte em questionar a responsabilidade tributária atribuída a seus sócios". Passo, portanto, à análise das consequências do fato de os responsáveis solidários não haverem apresentado Recurso Voluntário, que, no meu entender, não pode ser outra senão o reconhecimento da definitividade da decisão de primeira instância em relação a eles, com a manutenção da sujeição passiva solidária. O Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica, assinado por Procuradora por ela constituída à fl. 3.092, não pode ser conhecido na parte em questiona a atribuição da responsabilidade solidária, por ausência de interesse recursal da pessoa jurídica para defender interesses de terceiros (ainda que estes sejam os seus sócios). A conclusão similar chegou a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Primeira Seção do CARF, por meio dos Acórdãos nº 1103000.834 (Relator Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado Sergio Luiz Bezerra Presta, sessão de 09 de abril de 2013) e 1103000.905 (Relator André Mendes de Moura, sessão de 06 de agosto de 2013). Pedese vênia para transcrever parte da Ementa da primeira decisão acima referida: "RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. AVALIAÇÃO DAS PROVAS EM SEDE DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte quanto à matéria. Fl. 3186DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.187 5 O responsável tributário, no processo administrativo tributário, tem legitimidade para recorrer, em concretização às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. O fato de constar como sócio, ou mesmo como beneficiário econômico de atos que, salvo prova em contrário, não foram por ele praticados, não justifica a sua inclusão como sujeito passivo indireto, ainda que solidariamente. Recurso voluntário do responsável tributário provido." O Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 1.347.627 (Rel. Min. Ari Pargendler, DJe 21/12/2013), também, entendeu pela ilegitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso em defesa de interesse dos seus sócios. Tratouse de julgado conforme o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, na forma do art 543C, do Código de Processo Civil de 1973, o que atrairia o art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, pelo que transcrevo a ementa: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08." Recentemente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao enfrentar o tema da legitimidade da pessoa jurídica para defender interesse dos responsáveis solidários, apesar de suscitar dúvidas sobre a aplicação obrigatória do citado posicionamento do STJ, decidiu com base no mesmo raciocínio que o motivou: "Tenho dúvidas se o REsp n. 1.347.627/SP apresenta aplicação obrigatória ao caso concreto, especialmente porque se dirige a espécie bem delimitada de ação judicial, qual seja, embargos à execução. Contudo, me parece que o racional da aludida decisão deve ser acolhido no caso. Notese que o CPC/73 trazia conhecida regra em seu art. 6o, qual seja: Art. 6o. Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Aludida regra passou a constar no art. 18 do CPC/2015: Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. A observância da referida regra no presente caso decorre também do art. 15 do CPC/2015: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.188 6 No presente caso, a pessoa jurídica foi quem requereu, em nome próprio, a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da autuação fiscal, padecendolhe, portanto, legitimidade para tanto. Nesse seguir, voto no sentido de também dar provimento a essa parcela do recurso especial da PFN, de forma a restabelecer a responsabilidade tributária em questão." (Acórdão nº 9101 002.986, Relator Luís Flávio Neto, sessão de 07 de agosto de 2017) Neste sentido, entendo que o Acórdão embargado deve ser modificado para a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, na parte referente à responsabilidade tributária dos sócios, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRPJ e CSLL; e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Do mesmo modo, a ementa do referido Acórdão deve ser alterada, para excluir a menção à responsabilidade tributária dos sócios, passando ao seguinte texto: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. FALTA DE INCLUSÃO DE TRIBUTO LANÇADO. EXPIRAÇÃO DE PRAZO. Nos termos da legislação então vigente, era desnecessária a inclusão, no MPF, de tributos cuja lançamento se verificasse com base nos mesmos elementos de prova do tributo principal nele indicado. A execução do procedimento fiscal, por sua vez, poderia ter seu prazo prorrogado por autoridade competente. ARBITRAMENTO. VÍCIOS QUE IMPEDEM A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Subsiste o arbitramento dos lucros se o sujeito passivo não escritura o movimento de suas contas bancárias nem apresenta documentos que permitam correlacionar os registros da conta caixa com os depósitos/créditos bancários do período. Ainda que as receitas escrituradas superem tais ingressos, o registro de todas as entradas financeiras como vendas à vista impede qualquer conferência para aferição da efetiva movimentação financeira da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. ALEGAÇÃO DE PARCELAMENTO. Fl. 3188DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.189 7 A adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, alcança, apenas, débitos constituídos, e somente dispensa o lançamento de ofício daqueles confessados espontaneamente, antes do início do procedimento fiscal. DIPJ ZERADA. DÚVIDA. A justificativa de que a DIPJ foi apresentada sem informações porque ainda não consolidada a contabilidade, associada ao fato de que o Livro Diário somente foi levado a registro depois do início do procedimento fiscal, promovido oito meses depois do prazo final para entrega da DIPJ, suscita dúvida razoável quanto ao intuito de fraude e impõe a redução da penalidade ao percentual básico de 75%. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. A fonte pagadora é responsável pelo imposto de renda na fonte quando promove pagamentos a beneficiários não identificados ou relativamente aos quais não prova a operação ou causa que os motiva. A escrituração comercial não se presta como prova quando deixa de espelhar os pagamentos questionados por não estar integrada pela movimentação bancária, cumprindo ao sujeito passivo identificar o beneficiário e a operação/causa mediante documentação apresentada em resposta a intimação fiscal." Isto posto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para alterando o Acórdão nº 1302001.858, nos termos acima explicitados, não conhecer de parte do Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica e manter a responsabilidade solidária dos sócios Rodrigo Magela Castro Campos e Renata Cristina Mendes Campos, pelos créditos tributários constituídos no âmbito do presente processo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000034/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA.
Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria.
PROVA TESTEMUNHAL.
No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF.
NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS.
Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples.
AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2:
DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO.
Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicando-se a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade.
NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS.
Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata-se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA.
O artigo 112 do CTN refere-se à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada.
Numero da decisão: 1201-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA. Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS. Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO. Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicando-se a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade. NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata-se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA. O artigo 112 do CTN refere-se à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada.
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ME, atual denominação de KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA. Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 34 /2 00 9- 72 Fl. 372DF CARF MF 2 Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO. Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicandose a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade. NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA. O artigo 112 do CTN referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 3 3 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1803000.129 da 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, de 3de março de 2015, complementandoo a seguir: Tratase, o presente feito, de auto de infração relativos aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e o 1º e 2º trimestre de 2007, exigindo PIS, acrescido de juros de mora e decorre de exclusão do Simples Federal (processo 10925.002074/200878), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o PIS relativa a falta de recolhimento/declaração. Juntamente com o presente procedimento, também foi constituído processo de exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002074/200878 e 10925.002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/200983, 10925.000033/200928, 10925.000035/200917, 10925.000036/200961, 10925.000037/200914, 10925.000038/200951, 10925.000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.000041/200974, 10925.000042/200919, 10925.000043/200963, 10925.000044/200916, 10925.000045/200952, 10925.000046/200905, 10925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/200931, 10925.000051/200918. Temse que a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. O pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME. Os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. Fl. 374DF CARF MF 4 A empresa K.F. Industrial Ltda., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004", situação esta, juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fls.22/23. Em relação à contabilidade das empresas, constatouse a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. A empresa também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. "Esses fatos também levam à conclusão de que o 'Grupo' é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil." Quanto ao tributo apurado, refere que para apuração do PIS devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples. E, quanto à multa qualificada de 150%, entendeu a fiscalização caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da fiscalizada, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação, alegando que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes com base no regime de tributação normal. Atenta a recorrente que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declarações ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 4 5 *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas, foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. Aduz a recorrente que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente. De igual modo, referese acerca dos dois sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa J.S., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, o CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Fl. 376DF CARF MF 6 Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito, por parte do contribuinte, para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, ao exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem as sócias, Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo qua se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 5 7 01/01/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, local utilizado pelas empresas J.S. e IDUGEL, apensar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme se verifica em planta anexada, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projets, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa J.S. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e J.S. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Portanto, a IDUGEL explora seu knowhow, diante da sua grande credibilidade no mercado motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Salienta a existência de empréstimos entre as empresas, mas que isso não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da J.S. perante a IDUGEL. Ademais, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. Fl. 378DF CARF MF 8 A recorrente ainda argumenta cerceamento de defesa, já que as intimações fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. E, observa ser necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela recorrente, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo. De igual modo, afirma que a aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. E reproduz: "A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal." "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária". Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real". Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na sua contabilidade, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP's foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da recorrente para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, ora em comento. Afere, quanto à exclusão do Simples, que os argumentos apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa do processo relativo à referida exclusão (processo n° 925.002074/200878), cuja manifestação de inconformidade foi objeto Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 6 9 de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 1425.629, proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado. Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de nulidade no lançamento, vez que não foi ferido o disposto no art. 59 do Decreto 70232/75, assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações fiscais e lançamentos dos tributos por regime diverso do Simples. Também observa que não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Afere que nos termos do art. 15, §3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Segundo o julgador, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. E, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, salienta que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Já no tocante à multa qualificada, argumenta o julgador de primeira instância que a mesma foi aplicada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. De igual modo, afere que houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Salienta, o julgador a quo, que o artificio fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, Fl. 380DF CARF MF 10 empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Também aborda o julgador de primeira instância a solicitação de produção de prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual administrativo. Mas, frisa que os testemunhos que a empresa recorrente tenha em seu favor devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação. No que diz respeito ao apedido da recorrente de apresentação de documentos durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo o objeto o presente pedido. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. Em face da referida Resolução, converteuse o julgamento em diligência, o que se deu nos seguintes termos: Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente examine o provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 com base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da ação judicial, bem como oficie a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se pronuncie sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial a respeito dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Baixados os autos à DRF/Joaçaba, após os trâmites e análises efetuadas tanto pelo setor especializado dessa unidade de Receita Federal do Brasil, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi proferida a Informação nº 438/2016– SACAT/DRF/JOA/SC (fls. 360 a 363), verbis: Tratase de processo administrativo relativo a Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), correspondente aos períodos de apuração 04/2004 a 12/2004, 02/2005, 04/2005 a 09/2005, 11/2005 a 01/2006, 04/2006, 08/2006 a 11/2006, 02/2007 e 04/2007, do qual resultou crédito tributário na importância de R$ 8.255,95 (oito mil, duzentos e cinquenta e cinco reais e noventa e cinco centavos), já computados os juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 7 11 2. Segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 17 a 31), o presente processo decorre da exclusão da contribuinte do Simples Federal levada a efeito no processo administrativo nº 10925.002074/200878, fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurada o PIS relativo à falta de recolhimento/declaração. 3. Ainda segundo o mencionado Relatório, o Auto de Infração teve como objetivo prevenir a decadência dos valores apurados, enquanto não julgada a impugnação do ato de exclusão do Simples Federal. 4. Irresignada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 34 a 80. Todavia, o recurso foi considerado improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 151 a 172). 5. Na sequência, houve a interposição de Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 177 a 233). 6. Iniciado o julgamento, os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, resolveram converter o julgamento na realização de diligência (fls. 243 a 255). Nesse contexto, é pertinente transcrever o Voto Vencedor: [...] 7. Observase que o objeto da diligência é o mandado de segurança nº 2008.72.03.002825. A autoridade julgadora requer a instrução do presente processo com a documentação pertinente ao referido mandamus, bem como o pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais nele proferidos quanto ao Auto de Infração de PIS. 8. Pois bem. A documentação relativa ao mandado de segurança foi anexada às fls. 257 a 273, sendo que todo o histórico de tramitação foi delineado na Informação Fiscal de fls. 344 a 350. Além disso, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Joaçaba concluiu no seguinte sentido quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais em relação ao Auto de Infração em epígrafe (fls. 351 a 359): a) Não houve impugnação do mérito do auto de infração por meio do writ; b) O mandado de segurança impetrado pela contribuinte teve apenas por objetivo assegurar o efeito suspensivo das impugnações administrativas, mantendoa no regime do SIMPLES até o julgamento definitivo dos recursos; c) Com o julgamento definitivo das impugnações na esfera administrativa, não há óbice para que os atos questionados, caso sejam mantidos, produzam seus efeitos normais, uma vez que a decisão judicial sustava somente os efeitos específicos da exclusão do SIMPLES até a conclusão dos recursos. d) Com o desfecho no âmbito administrativo, não remanescem os efeitos da sentença, ainda que transitada em julgado. 9. A contribuinte deverá ser cientificada acerca do teor da presente Informação Fiscal, em relação à qual poderá haver manifestação no prazo de 30 Fl. 382DF CARF MF 12 (trinta) dias, bem como da Resolução nº 1803000.129 – Turma Especial / 3ª Turma Especial. Ao término do referido prazo, com ou sem manifestação, o processo será remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para continuidade do julgamento. Em face da extinção das Turmas Especiais, o presente processo foi redistribuído por sorteio no âmbito desta Turma Ordinária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e preenche aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se deve conhecer. Exclusão do Simples Federal. O presente processo referese a auto de infração de contribuição para o PIS/Pasep relativa aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 e aos 1º e 2º trimestres de 2007. O principal do tributo foi acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%. A exigência decorre da exclusão da recorrente do Simples Federal, que foi objeto de discussão administrativa no processo nº 10925.002074/200878. Quanto a esse processo, já houve decisão administrativa irrecorrível, tendo sido mantida a exclusão. Em face disso, relativamente às alegações veiculadas no recurso, específicas à defesa quanto à exclusão do Simples Federal, a matéria está preclusa, nenhum julgamento sendo mais possível. A título informativo, transcrevese o entendimento esposado no citado processo, conforme abaixo: A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 8 13 a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais. O ato de exclusão foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional. Assim, o ato de exclusão e a decisão de primeira instância contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Fl. 384DF CARF MF 14 A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. No presente caso, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA/SC nº 22, de 21.10.2008, fl. 136, com efeitos a partir de 01.12.2003, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba Santa Catarina, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria Ministerial n° 095, de 30 de abril de 2007, declara: Art. 1°. A pessoa jurídica abaixo identificada fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, denominada Simples, face ao disposto nos artigos 9° ao 16 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores, e de acordo com o disciplinamento constante da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, em razão de constituição por interpostas pessoas e prática de atividade vedada, conforme fatos apurados no processo administrativo n° 10925.002074/200878. Art. 2°. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no artigo 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006. Art. 3°. Fica intimada a pessoa jurídica, ainda, de que no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste poderá manifestar, por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, assegurando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Art. 4°. Não havendo manifestação no prazo indicado no artigo anterior a exclusão tomarseá definitiva. Esse procedimento não gera qualquer efeito nos atos constitutivos da Recorrente, tendo alcance tão somente na sistemática de tributação e fundamentase nas justificativas jurídicas constantes no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135: Trata o presente processo administrativo de representação fiscal, de fls. 01 a 06, na qual se informa que a empresa em epígrafe, optante pelo Simples Federal, faz parte de um “grupo” empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 9 15 prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal “grupo”, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência naquele regime simplificado de tributação. Segundo a mencionada representação fiscal, o pretenso “grupo” empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Industrial Ltda. ME (cujo nome original era K.F. Montagens Industriais Ltda. ME). Quanto aos sócios destas duas últimas empresas, todos possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, Sra. Elita Schazmann e Sra. Claudia Schazmann Perottoni, respectivamente, tendo a empresa K.F. Industrial Ltda. ME como únicos sócios consignados no contrato social o Sr. Fellipe Marques Schazmann e a Sra. Karinne Marques Schazmann, ambos filhos do Sr. José Schazmann, conforme quadro de fls. 03. Aduzse ainda, na representação fiscal, que as empresas KS Industrial Ltda. ME e J.S. Máquinas Ltda. ME, na prática, são meras fornecedoras de mãodeobra para a empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e os custos em geral (exceto custos com folha de pagamento, incluindo gastos com matérias primas e outros insumos, como energia, etc.). A fim de se demonstrar a distribuição do faturamento, custos, folha de pagamento, número de empregados registrados por empresa e as relações custos/receita, folha de pagamento/receita, e receita/empregado, incluiuse na representação fiscal um quadro específico (fls. 05 a 06), com dados anuais, para o período de 2003 a 2007. Em tal demonstrativo informase, por exemplo (fls. 05), que a empresa Idugel registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos (2005 a 2007), e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004. A respeito da contabilidade das empresas envolvidas, relatase, na representação fiscal, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade, ou seja, “quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recursos da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias” (fls. 04). Fl. 386DF CARF MF 16 São tecidas ainda outras considerações sobre as práticas contábeis e econômicas das empresas mencionadas, tendo sido anexadas cópias de documentos contábeis para exemplificação de tais práticas. Como fundamentos legais para a exclusão, no caso do Simples Federal, apontamse, na representação fiscal, o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96, dispositivo que trata da constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, e o art. 9°, inciso XIII, da mesma lei, que estabelece vedação à atividade de prestação de determinados serviços profissionais. Concluise, na representação fiscal, que a pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME não poderia ter optado pelo Simples Federal, nem pelo Simples Nacional, representandose, ao final, para a exclusão da empresa de ambos os regimes de tratamento diferenciado. [...] Em consonância com o Parecer SACAT n° 351, de 21 de outubro de 2008, que aprovo, e fazendo uso da competência delegada pelo artigo 238, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, com fundamento nos artigos 9°, XII, “f”; 14, IV; e 15, V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e com observância dos artigos 20, XI, “e”; 22, II, “a”; 23, I e IV; e 24, VII, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, determino a exclusão da pessoa jurídica em epígrafe do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), instituído pela supracitada Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir do dia 01/12/2003. No que se refere à interposição de pessoas, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em qualquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; A interposição de pessoas consiste em uma pessoa, que não é a titular dos interesses em causa, praticar um ato jurídico no lugar daquela que é a verdadeiro titular desses direitos. Esse instrumento pode ser utilizado para criação de pessoas jurídicas com o intuito formação de grupo econômico, mediante procuração com outorga de amplos poderes em que é nomeado como procurador o real titular dos interesses e sócio de uma delas para gerir e administrar todos os negócios concernentes às demais pessoas jurídicas integrantes. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais pessoas jurídicas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. A constituição de várias pessoas jurídicas, que ocupam um espaço físico contíguo, desenvolvem objeto social similar, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e distribuir receitas, caracteriza constituição de grupo econômico de fato e impede a opção pelo Simples. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 10 17 Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: O presente Parecer Sacat tratará somente da exclusão do Simples, regime diferenciado e favorecido instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, atualmente conhecido como Simples Federal. A exclusão do Simples Nacional, regime de que trata a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, será apreciada no processo administrativo n° 10925.002253/200813, originário do presente processo. A trajetória da J.S. Máquinas Ltda. ME e sua exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, foram abordadas, respectivamente, nos processos administrativos n° 10925002073/200823 e 10925.002252/200861. A Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, ao instituir e disciplinar o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, restringiu o universo de empresas aptas a aderir ao mesmo. Tais limitações tiveram como escopo não apenas vedar o acesso de empresas cujas características tomam prescindíveis qualquer tratamento tributário privilegiado, mas também impedir que empresas inicialmente inaptas a aderir ao Simples utilizem meios transversos para adquirir a legitimidade necessária à opção. No caso em tela, constatase com clareza que a criação da pessoa jurídica em epígrafe é o coroamento de uma movimentação orientada a manter sob o total controle do Sr. José Schazmann, e de sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, três pessoas jurídicas, com aparência de empreendimentos econômicos distintos, que formariam um pretenso “grupo” empresarial, o qual, na verdade, consiste em uma única empresa de fato, a Idugel Industrial Ltda., e duas empresas simuladas, sem autonomia econômica ou administrativa, as já citadas K.F. Industrial e J.S. Máquinas, mantidas na forma de pessoas jurídicas individualizadas, fundamentalmente para se proceder à segmentação artificial das atividades, do faturamento, e da contratação da mãodeobra do “grupo”, com o fim de se reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Federal, especialmente as contribuições previdenciárias patronais, manipulandose contabilmente os gastos com mãode obra, alocados em sua quase totalidade às empresas simuladas, optantes do Simples Federal até 01/07/2007, e mantendoas com faturamento dentro dos limites para opção, uma vez que as receitas auferidas pelo “grupo” , como um todo, ultrapassam sistematicamente os limites para opção e permanência no Simples Federal, o que, em condições normais, impediria o Fl. 388DF CARF MF 18 ingresso do empreendimento, como empresa única, no citado regime diferenciado de tributação. Enquanto a J.S. Máquinas teve suas atividades incorporadas, na prática, pela Idugel Industrial Ltda., após ter sido aparentemente fundada como empresa de constituição autônoma, conforme constatado nos processos n° 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, a K.F. Industrial já nasceu sob o comando do Sr. e da Sra. Schazmann, quando estes já eram os únicos donos da Idugel e da J.S., sendo que, desta última, como proprietários de fato da pessoa jurídica, constituída, então, por interpostas pessoas, época em que a J.S., enquanto empreendimento econômico autônomo, já não passava de uma ficção. Por economia processual transcrevemos abaixo um trecho do Parecer Sacat n° 341/2008, desta DRF/JOASC, integrante do processo n° 10925.002252/200861, no qual analisamos a evolução societária da empresa Idugel e da pessoa jurídica J.S., bem como a questão de passarem ambas a ter sede no mesmo endereço comercial, assim como a K.F.. Isto propiciará o entendimento sobre a constituição do pretenso “grupo” empresarial. Em seguida, incluiremos considerações adicionais sobre o surgimento da K.F., no mesmo contexto. Assim nos pronunciamos no referido Parecer Sacat n° 341/2008: “..constatase com clareza que, pelo menos a partir de determinado momento, a pessoa jurídica em epígrafe perdeu, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda. A partir de tal momento, a empresa J.S. Máquinas Ltda. ME assumiu existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, da inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda., beneficiandose indevidamente, esta última (Idugel), pelo fato de acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda. ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente as contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo” empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Notase uma incontestável movimentação visando a que se submetesse o controle administrativo da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME ao casal que atualmente domina com exclusividade a composição societária da empresa Idugel Industrial Ltda., o Sr. José Schazmann e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann. Tal controle administrativo, sobre a J.S. Máquinas, vem sendo exercido tanto de fato, segundo constatou a fiscalização da RFB, quanto formalmente, em virtude dos amplos poderes conferidos ao casal para “gerir e administrar" a J.S. Máquinas Ltda. ME, segundo procuração de fls. 07 a 10. Também se cuidou para que o contrato social da J.S. Máquinas Ltda. ME evoluísse de modo a manter como únicos sócios Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 11 19 formais parentes de primeiro grau do Sr. José Schazmann, o que reforça a intencionalidade de se atribuir o controle absoluto desta pessoa jurídica à vontade do casal detentor de todos os poderes para administrála. A dinâmica da composição societária da J.S. Máquinas Ltda. ME demonstra que desde sua constituição original, em 15/01/1997, o Sr. José Schazmann já estava em seu comando, como sócio fundador, ao lado de sua mãe, Sra. Elita Schazmann. Observase que o Sr. Schazmann optou por se retirar formalmente do quadro societário da empresa em epígrafe (J.S. Máquinas) para ingressar, juntamente com sua esposa, em 22/09/1997, no quadro societário da Idugel Industrial Ltda., criada em 06/02/1995. Pouco mais de um ano após o ingresso do casal na sociedade empresarial Idugel Industrial Ltda., ou seja, a partir de 20/11/1998, o Sr. e a Sra. Schazmann se tornaram oficialmente proprietários exclusivos das cotas societárias daquela empresa (Idugel), na mesma data em a J.S. Máquinas Ltda. ME passou a ter como sócias formais, exclusivamente, a mãe do Sr. Schazmann, e uma irmã deste, a Sra. Claudia Schazmann. Ao lado desta movimentação societária, verificase que a partir do ingresso do casal Schazmann no quadro societário da Idugel, em 22/09/1997. a J.S. deixou de ter sede própria, alterandose o endereço de sua sede, no contrato social, para o mesmo endereço no qual a Idugel passara a funcionar dois meses antes. na Av. Caetano Natal Branco. 3800. Centro. Joacaba/SC. conforme primeira alteração contratual da J.S., de 22/09/1997 (fls. 15 a 18), e alteração contratual da Idugel, de 31/07/1997 (fls. 28 a 30). Atualmente as duas pessoas jurídicas têm como endereço o imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC. Segundo os respectivos contratos sociais, a Idugel ocuparia o Bloco A, enquanto a J.S. Máquinas estaria instalada no Bloco B deste imóvel. Contudo, segundo constatou a fiscalização da RFB, esta pequena diferença é apenas formal. Para se ter uma ideia mais clara do grau de simulação da existência de um “grupo” formado por três empresas distintas, vale destacar, quanto à localização destas, o seguinte relato da fiscalização da RFB, às fls. 04 da representação de fls. 01 a 06, com alguns grifos nossos: “No mesmo imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. e J.S. MÁQUINAS LTDA. Embora a empresa K.F. MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, trata se na verdade de um endereço residencial, o mesmo das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S." Fl. 390DF CARF MF 20 (...) “A cessão de mãodeobra fica claramente caracterizada uma vez que as empresas envolvidas, JS e IDUGEL, ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas." (...) “As empresas IDUGEL, J.S. e K.F., na verdade, funcionam num mesmo estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a elas, com uniforme contendo a descrição 'GRUPO IDUGEL', trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. Portanto, a supremacia dos fatos revela tratarse de uma só empresa." A K.F. Industrial Ltda. ME, conforme elementos a seguir abordados, foi constituída no mesmo contexto e com os mesmos objetivos que orientaram a movimentação societária da J.S. Máquinas Ltda. ME, que culminou na atual constituição desta última. A diferença é que a J.S. passou por um processo de depuração de seus sócios formais, e mudança do endereço de suas instalações, até ser completamente absorvida, de fato, pela Idugel Industrial Ltda., conforme transcrição acima. De outro modo, a K.F. já nasceu, como dissemos, sob completo controle do casal Schazmann, com sede no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, segundo relata a fiscalização da RFB, na representação fiscal (fls. 04). O controle da K.F. pelo Sr. José Schazmann tornase evidente por todas as circunstâncias verificadas e, especialmente, pelo fato de que seus atuais sócios formais, além de serem seus filhos, ingressaram na sociedade antes de completarem a maioridade civil, representados, nos respectivos atos de subscrição de cotas, pelo próprio Sr. José Schazmann, de modo coerente com a estratégia de nomear somente parentes muito próximos como sócios das pessoas jurídicas do pretenso “grupo” empresarial, mantendo para si e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, amplos poderes para “gerir e administrar”, conferidos por procuração, conforme fls. 14. Até este ponto, analisamos a movimentação societária e a evolução da localização das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME, J.S. Máquinas Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., principalmente a partir de informações extraídas de seus contratos sociais. Abordamos também a questão do controle administrativo daquelas pessoas jurídicas. São elementos que corroboram o entendimento de que a constituição da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME como uma empresa autônoma é simulada, e que esta constituição fictícia conta com a participação de pessoas interpostas pelos proprietários da empresa Idugel. Contudo, tais elementos não devem ser isoladamente considerados, e sim em conjunto com as demais informações trazidas na representação fiscal que inaugurou o presente processo administrativo. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 12 21 A questão central do caso em apreço é a caracterização da simulação, conforme descrito na representação fiscal; se tal simulação é motivo para exclusão do Simples Federal, sob quais fundamentos, e com efeitos a partir de qual momento. Para tanto, tornase importante a análise do quadro demonstrativo incluído na representação fiscal, fls. 05, que relaciona dados contábeis referentes aos exercícios financeiros de 2003 a 2007. Neste demonstrativo foram separados os custos com folha de salários dos demais custos, estes na coluna “Total Custos” que incluem principalmente insumos, inclusive matériasprimas, energia, etc., podendo englobar também outros custos operacionais. Quanto ao objeto social da K.F., vale ressaltar que embora seu nome original fosse K.F. Montagens Industriais Ltda., que sugere serviços de montagem, alterado para o nome atual, K.F. Industrial Ltda. ME (fls. 35), mais identificado com a produção fabril, somente após a segunda alteração contratual, de 03/08/2007 (fls. 42), observase que desde sua constituição original está presente em seu objeto a “fabricação” de máquinas e equipamentos industriais. Apenas no período de 26/04/2007 (primeira alteração contratual, fls. 34) a 03/08/2007 (segunda alteração contratual, fls. 42) foi suprimida do objeto social a referência à atividade fabril, conforme as respectivas cláusulas de fls. 20, 28 e 36. Portanto, somente durante pouco mais de três meses a referência foi suprimida. Este detalhe formal (presença da referência da atividade fabril no objeto social) apenas vem reforçar a análise ora desenvolvida. Por outro lado, a ocorrência de período com supressão da atividade fabril no contrato social não tem o condão de provocar qualquer impacto na presente análise, frente a todos os elementos levantados, que comprovam a simulação de atividade empresarial autônoma para a K.F. Industrial Ltda. ME. Verificase, desse modo, que os objetos sociais das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócios, nada indica serem verossímeis as discrepâncias detectadas para os percentuais anuais da relação custos/receita das duas empresas. Nos exercícios financeiros de 2004 e 2005, por exemplo, mesmo registrando receitas entre R$123.705,30 e R$266.623,09, a K.F. não registrou sequer um centavo de real a título de custos, evidenciando sua total ausência de autonomia empresarial. Ainda que as receitas referidas hajam tido como contrapartida apenas a prestação de serviços de montagem, que demandariam principalmente custos com mãodeobra, notase a injustificável ausência de custos com aluguel da sede administrativa, energia Fl. 392DF CARF MF 22 elétrica, telefone, água, etc. Mesmo em 2003 quando não houve registro de receita, tais custos operacionais deveriam ter sido contabilizados, caso houvesse intenção de se construir uma atividade empresarial de fato. Concluise que a K.F. não registrou tais custos simplesmente em razão de não haver distinção, na prática, entre sua atividade e a atividade da empresa Idugel, do modo como afirma a fiscalização da RFB. Embora no exercício financeiro de 2006 o percentual custos/receita da K.F. (24%) mostrese compatível com o da Idugel (34%), segundo os registros contábeis compilados no demonstrativo, observase que em para uma receita de apenas R$8.298,04, a K.F. registrou custos não salariais de R$204.689,36, elevando o percentual custos/receita da K.F. para extraordinários 2.467%, contra 16% da Idugel. Mais uma vez, não se encontra substrato para a existência de uma atividade empresarial real da K.F. Já para a relação folha de pagamento/receita, no período 2004 a 2007, comparandose as duas empresas, as discrepâncias alcançam patamares ainda mais absurdos, variando entre 1 e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%, no caso da K.F. São números que causam perplexidade. Importante também ressaltar que no ano de 2003, mesmo sem contabilizar receita, a K.F. manteve, em dois meses de funcionamento, o número médio mensal de 4 empregados contratados, que corresponde ao mesmo número médio de empregados da Idugel, contingente supostamente capaz de propiciar a geração da receita de R$1.164.065,76. O que chama mais à atenção, no referido quadro de fls. 05, efetivamente, são os valores relativos aos números de empregados. A maior prova isolada de que ocorre a simulação da existência de atividades empresariais autônomas, em nosso entendimento, é a informação contábil de que a Idugel, com apenas dois a quatro empregados (médias mensais) nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 1 a 5 milhões, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, no mesmo local, e sob a mesma administração, precisou de 15 a 25 empregados (médias mensais) para obter um faturamento da ordem de apenas R$8 a 266 mil anuais. Verificase que estas discrepâncias tomaramse progressivamente mais profundas, chegandose a registrar para a K.F., em para uma receita de apenas R$62.482,54, a manutenção de vinte e cinco empregados contratados, em média, e custos salariais anuais de R$268.821,85, equivalentes a 430% da receita. O auge desta progressão ocorre em 2007, com receita de R$8.298,04, custos (exceto salários) de R$204.689,36 (2.467%), salários de R$303.340,20 (3.656%) para um número médio de vinte e quatro empregados. Desse modo, os dados tomam óbvio que a Idugel utiliza para obtenção de sua receita, os empregados contratados pela K.F. Industrial Ltda. ME. Conjugados com os demais, já Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 13 23 mencionados, são extremamente reveladores de que ambas as empresas, de fato, atuam como uma só, juntamente com a J.S. Máquinas Ltda. ME, com faturamento total superior ao permitido para ingresso e permanência no Simples Federal (mesmo que não considerados os faturamentos da K.F. e da J.S.). Estes dados (e outros apresentados no mesmo quadro de fls. 05) comprovam a informação da fiscalização da RFB de que a Idugel concentra o faturamento com vendas, enquanto as outras pessoas jurídicas do “grupo” (inclusive a K.F.) assumem a maior parte dos gastos com mãodeobra, com consideráveis vantagens tributárias, em razão de sua inclusão no Simples. especialmente com relação às contribuições previdenciárias patronais. Ocorre que outras informações trazidas pela fiscalização devem, ainda, ser levadas em conta. É também muito reveladora a informação incluída na representação fiscal, de que as empresas, além de ocuparem o mesmo espaço físico, têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas, trabalhando com o mesmo uniforme, com a inscrição “Grupo Idugel”. Além disso, e não menos importante, os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc.) atendem indistintamente às duas empresas. Verificou a fiscalização, também, a ocorrência de diversos pagamentos cruzados por meio da utilização frequente de contas bancárias de uma pessoa jurídica para pagar despesas de outra, ostensivamente, ferindo se o princípio contábil da entidade, princípio reconhecido como essencial para caracterizar a autonomia de uma empresa em relação a seus sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou em relação a outras empresas do mesmo grupo empresarial. Foram incluídas no presente processo diversas cópias de documentos que comprovam as práticas contábeis acima descritas, as quais agridem frontalmente o princípio contábil da entidade (fls. 07 a 13 e 82 a 115). Em virtude dos argumentos e documentos trazidos aos autos pela fiscalização da RFB, consideramos fartamente provada a simulação da existência de empresas distintas e autônomas. Na representação fiscal, de fls. 01 a 06, como fundamento para a exclusão do Simples Federal, apontase o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. [...] No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa K.F. Industrial Ltda. ME, bem como os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda., concluise que a empresa K.F. Industrial Ltda. ME, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, no mundo real, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. Fl. 394DF CARF MF 24 As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a K.F. Industrial Ltda. ME destinase apenas, como pessoa jurídica formalmente constituída, a que a Idugel Industrial Ltda., através dela, possa beneficiarse do Simples, não se constituindo de fato a J.S. como empresa, o que exigiria um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que figuram formalmente como sócias da K.F. Industrial Ltda. ME, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, nem exercem atividade empresarial de fato. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Restou evidenciado que a Idugel Industrial Ltda tem com sócios Silvana Marques Schazmann e José Schazmann, que foram nomeados os bastantes procuradores com poderes amplos para gerir e administrar todos os negócios concernentes a Recorrente. Por seu turno, a Recorrente tem como sócios Fellipe Marques Schazmann e Karine Marques Schazmann, ambos filhos de José Schazmann, conforme consta expressamente no Contrato Social e alterações e no Instrumento Público de Procuração. Temse que a Idugel Industrial Ltda e a Recorrente têm objetos sociais similares, são domiciliadas em espaços físicos contíguos e ainda utilizam empregados, em cujos uniformes está estampado o logotipo do “Grupo Idugel”. As despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico de fato por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Atinente à locação de mão de obra, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XII que realize operações relativas a: [...] f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Para elucidar, cabe mencionar excertos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. [...] Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 14 25 § 3ª Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse, na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Atinente à realização de operações relativas à locação de mãodeobra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas, fornece os equipamentos, bem como fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da mão de obra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mãodeobra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição nos sistemáticas. Outra possibilidade reúne a colocação da mão de obra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Tem cabimento a aplicação subsidiária da Consolidação das Leis do Trabalho que determina: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 396DF CARF MF 26 Neste sentido, os sujeitos do contrato de trabalho são: o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados; o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação. Assim, podese inferir que a pessoa jurídica que não assume o risco da atividade econômica, ou seja, transfere os custos decorrentes do empreendimento realiza operação relativa à locação de mão de obra. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Por outro lado, em razão de tudo o que foi apurado, chegase à conclusão de que estas duas pessoas jurídicas são mantidas nesta condição, pelos seus verdadeiros controladores, primordialmente para a contratação de empregados em nome destas entidades jurídicas, K.F. e J.S., a fim de que esta força de trabalho seja cedida e se mantenha à disposição da única empresa de fato do pretenso “grupo” empresarial, a Idugel Industrial Ltda.. A atividade de cessão ou locação de mãode obra realizada por uma empresa também constitui motivo impeditivo à opção ou permanência no Simples Federal, conforme dispõe o art. 9°, inciso XII, alínea “f”, da Lei n° 9.317, de 1996. Ainda que a K.F. Industrial Ltda. ME exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda., visto que, segundo seus próprios registros, os gastos da K.F. com mãodeobra mostramse extremamente exagerados e incompatíveis com seu faturamento, ainda mais quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. (fls. O5), conforme já abordado. Desse modo, mesmo se considerarmos apenas os registros contábeis da K.F. Industrial Ltda. ME, abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, entendemos que fica caracterizada a incidência em vedação ao Simples Federal, também com fundamento no art. 9°. inciso XII. alínea “f". da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (cessão de mãodeobra. Portanto, o exame conjunto dos dispositivos legais supracitados e dos documentos mencionados leva à conclusão da impossibilidade da permanência da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME no Simples Federal. Os documentos constantes nos autos evidenciam que a Recorrente realiza operação relativa à locação de mão de obra, uma vez que não assume o risco e não se responsabiliza pela atividade econômica, ou seja, as despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 15 27 afastar a entidade e a autonomia patrimonial, bem como seus empregados usam uniformes com o logotipo do “Grupo Idugel”. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Relativamente aos efeitos da exclusão, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei. [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso o ato de exclusão surte efeito a partir da ocorrência das situações excludentes ainda que coincida com a data do início das atividades, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser Fl. 398DF CARF MF 28 reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. Esclareçase que o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagem à data da efetiva ocorrência da situação excludente. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Superada a questão do cabimento da exclusão, parecenos que o próximo ponto a ser enfrentado reside na data de início dos efeitos desta exclusão. Considerando que as informações analisadas, entendemos que os elementos que constam do presente processo permitem caracterizar de forma plena a ocorrência das referidas situações de exclusão a partir da abertura da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME, tendo sido iniciados os efeitos da opção pelo Simples Federal em 01/12/2003. Definido que desde a sua constituição inicial é possível caracterizar plenamente a ocorrência de situações de exclusão do Simples Federal, com base nos documentos incluídos no processo, importante trazer à baila o disposto nos artigos 20, 22, 23 e 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, que ora transcrevemos [...] Uma vez que restou plenamente comprovada no presente processo, a nosso juízo, a ocorrência do fato mencionado no inciso IV, do art. 23, acima transcrito, desde o ingresso da pessoa jurídica no Simples Federal, e sendo este fato o principal e mais grave motivo para a exclusão, entendemos que prevalece a regra do inciso VII. do art. 24, da IN SRF n° 608/2006, acima reproduzido, incluindose, quanto aos efeitos da exclusão do Simples Federal. o mês de dezembro de 2003. As situações impeditivas de opção pelo Simples de interposição de pessoas para formação de grupo econômico e de locação de mão de obra estão efetivamente evidenciadas nos autos desde o início das atividade da Recorrente. Por essa razão os efeitos da exclusão do Simples desde 01.12.2003 está correta. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 16 29 março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Lançamento de ofício. No que tange ao lançamento a que se refere o presente processo, foi alegado: a cobrança de tributos de forma retroativa tem efeitos confiscatórios; não houve ilícito praticado pelo contribuinte para a exclusão, pelo que é ilegítima a cobrança retroativa de tributos à época da vedação, acrescidos de multa e juros; "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado"; "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra"; "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida"; há cerceamento do direito de defesa, "na medida que ainda pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas"; o auto de infração é nulo, pois fundamentado no artigo 149, inciso VII, do CTN e, no entanto, não houve qualquer revisão efetuada por superior hierárquico ao autuante; operouse a decadência quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração; não houve fraude, pelo que impossível a manutenção do lançamento, pois ausente a hipótese legal do artigo 149, inciso VII, do CTN; deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela; é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica; "não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente". É requerida a produção de prova oral, cujo rol será apresentado oportunamente. No que tange à cobrança retroativa de tributos e o alegado efeito confiscatório, temse que, enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o Fl. 400DF CARF MF 30 lançamento de tributos. E, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. Quanto ao alegado efeito confiscatório, havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A decadência também foi alegada quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração. Como pode ser visto no auto de infração de fls. 3 a 16, o primeiro período autuado foi o mês de abril de 2004, pelo que não tem substância a alegação. A título de esclarecimento, temse que a ciência, pessoal, quanto ao lançamento ocorreu em 28 de janeiro de 2009. Considerandose a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, como invocado pela própria recorrente, o lançamento relativo a abril de 2004 poderia ser efetuado em maio desse mesmo ano. Assim, o prazo decadencial iniciouse em 1º de janeiro de 2005, com termo final em 31 de dezembro de 2009. Portanto, não se operou a decadência quanto a nenhum dos períodos considerados para o lançamento de ofício. Alegouse ainda a nulidade porque "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado". Ainda, "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra" e, "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida". Quanto a tais alegações, não se vislumbra qualquer irregularidade, pelo que nulidade não ocorreu. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, conforme pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 17 a 31, aplicandose a multa no percentual de 150% previsto na legislação. A descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Aduz ainda a recorrente que é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica. Quanto a essa questão, basta uma simples consulta ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 26 e 27) para se constatar a impropriedade da alegação. Consta ali o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 17 31 Argumentou a recorrente que deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela. Ocorre que tal dispositivo referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo. Como se viu e, também, como restará consignado abaixo, não se está diante de nenhuma dúvida quanto à infração cometida, pelo que não é aplicável ao caso o dispositivo em tela. No que tange à produção de prova oral, não há disposição legal que a permita. No entanto, como evidenciado no voto da decisão de piso, os depoimentos de testemunhas poderiam ser reduzidos a termo que deveriam ter sido carreados junto com a impugnação, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. Quanto às demais alegações, no voto condutor da decisão de piso elas são abordadas com propriedade, pelo que se transcreve abaixo excerto desse voto, cujas conclusões são adotadas como razões de decidir: 2 — NULIDADES Inicialmente, quanto à nulidade do lançamento, o disposto no PAF, art. 59, tratando das hipóteses de nulidade, assim estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, não ocorreram aquelas irregularidades. O auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não se constata cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. A descrição dos fatos, os cálculos nela demonstrados e a capitulação legal contida no auto de infração foram suficientes para que a contribuinte pudesse Fl. 402DF CARF MF 32 exercer seu direito de defesa. Além disso, não cabe falar em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte e este se mostra conhecedor do motivo da autuação. Não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações ficais e lançamento dos tributos por regime diverso do Simples. Também não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Nos termos do art. 15, § 3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. Da mesma forma, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, conforme já mencionado, o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Destarte, não há vício de nulidade no lançamento. 3 — MULTA QUALIFICADA As multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, §1°, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) Os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 18 33 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72". No caso, foi aplicada a multa qualificada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Procede a fundamentação da Autoridade Fiscal, pois como fartamente demonstrado no presente processo, bem como nos procedimentos de exclusão do Simples, houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. O artifício fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do Simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da impugnante como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. Portanto, ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Portanto, é devida a multa de oficio qualificada no lançamento em análise. Conclusão. Fl. 404DF CARF MF 34 Em face de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000792/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2002
SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. PROCEDÊNCIA. SERVIÇOS DE DESPACHANTE. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que prestem serviços de
despachante.
EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES. CABIMENTO. INICIO DOS EFEITOS. Os efeitos da exclusão do regime simplificado, em razão de atividade
econômica vedada, operam-se a partir do mês subseqüente àquele em que for incorrida a situação excludente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.676
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. PROCEDÊNCIA. SERVIÇOS DE DESPACHANTE. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que prestem serviços de despachante. EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES. CABIMENTO. INICIO DOS EFEITOS. Os efeitos da exclusão do regime simplificado, em razão de atividade econômica vedada, operamse a partir do mês subseqüente àquele em que for incorrida a situação excludente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 10909.000792/200565 Acórdão n.º 140200.676 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 6ª Turma da DRJ/FNS que manteve a exclusão do contribuinte do Simples (ADE DRF/ITJ n° 462.616, de 7 de agosto de 2003 fl. 08), com efeitos a desde de 01/02/2002, por incorrer em vedação prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/1996; ou seja, por haver realizado atividade econômica vedada (6340 1/01 — atividades de despachantes aduaneiros). A exclusão do Simples foi fundamentada nos arts. 9º, XIII, 12, 14, I, e 15, II, da Lei n° 9.317/1996, art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834/2001, e arts. 20, XII, 21, 23, I, e 24, II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 250/2002. O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que (i) jamais omitiu ou apresentou falsa informação sobre a sua situação e enquadramento; (ii) na época, seguiu todos os procedimentos para o enquadramento no sistema, sendo todas as informações prestadas e conferidas à Receita Federal; (iii) discorda do efeito retroativo do ato declaratório; (iv) questiona acerca do motivo da aceitação do pedido de inclusão no regime e do tempo que levou a Receita Federal para excluíla; (v) colaciona ementa de acórdão do 3° Conselho de Contribuintes e, por fim, conclui afirmando que a melhor solução é a convalidação dos atos praticados pelo contribuinte de 02/2002 a 08/2003. O acórdão recorrido mantém a exclusão do contribuinte do Simples, sob o argumento de que a interessada não contesta que seu objeto social englobe a atividade de despachante aduaneiro, contestando, apenas, o marco inicial dos efeitos do ADE. Nesse ponto esclareceu que, por força do art. artigo 15, II, da Lei n°9.317/96, o ADE produz efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente (atividade vedada). Inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repisando os argumentos de sua peça impugnatória e afirmando que: 1) Se a empresa já exercia atividade impediente à opção pelo SIMPLES, a hipótese não seria de exclusão e sim de indeferimento da opção. Se a opção foi admitida, tem se ato administrativo revestido da presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituído. Assim, a mudança de critério jurídico por parte da autoridade administrativa não tem o condão de ensejar a revisão do lançamento e, por conseguinte, produzir efeitos retroativos ao ato de exclusão (art. 146 do CTN). 2) Até a presente data não foi lavrado auto de infração para constituir o crédito tributário sobre o período que foi disposto no Ato Declaratório Executivo. Por isso, em vista do prazo decadencial do art. 150, 4º do CTN, perdeu o Fisco o direito de constituir suposto crédito tributário referente aquele período. É o Relatório. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 10909.000792/200565 Acórdão n.º 140200.676 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. De início, cumpre ressaltar que a Recorrente não nega o fato de que pratica atividade de despachante aduaneiro desde a data da abertura da empresa. Nesse sentido, vejamos o que dispõe o contrato social da Recorrente (fl. 33): Cláusula III Objeto Social A sociedade tem por objetivo social a exploração no ramo de: COMÉRCIO EXTERIOR; DESPACHO ADUANEIRO; FEIRAS INTERNACIONAIS E CONGRESSOS; INTERMEDIAÇÃO NA COMPRA E VENDA DE BENS MOVÉIS EM GERAL e AGENCIAMENTO DE PASSAGENS E TURISMO. Assim, resta saber se a atividade de despachante aduaneiro é realmente vedada e, em sendo, se é possível ao ADE retroagir à data da abertura da empresa mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente (atividade vedada). A Lei nº. 9.317/96, definiu as regras para fruição do regime tributário do Simples, estabelecendo, contudo, em seu art. 9º , exceções que vedam a opção pelo regime jurídico diferenciado pelas pessoas jurídicas ali especificadas. Em seu art. 9º a citada Lei aponta a hipótese de exclusão que justificaria a exclusão do contribuinte, a saber: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;(...). Nesse contexto, tenho dito que esse dispositivo é problemático, visto que algumas das hipóteses ali mencionadas trazem expressões muito abrangentes, e que, por isso, geram dúvidas no momento de sua aplicação aos casos concretos. Sendo assim, tenho entendido que quando inciso XIII veda a prestação dos serviços profissionais que enumera, bem assim como de "qualquer outra profissão cujo Fl. 115DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 10909.000792/200565 Acórdão n.º 140200.676 S1C4T2 Fl. 4 4 exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida", há de se entender que a pessoa jurídica não pode prestar serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Nesse contexto, verifiquese que o Simples Federal, aprovado pela Lei nº 9.317/96 e extinto em 1/7/2007 (conforme disposto no art. 89 da Lei Complementar nº 123/2006), listava no artigo em referência atividades denominadas como de profissão legalmente regulamentada. Assim, muito embora as sociedades simples possam optar pela tributação pelo lucro real ou presumido, relativamente ao Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317/96, é clara a sua vedação para as sociedades aqui tratadas. Isso porque, o legislador impediu a adesão ao Simples por pessoa jurídica que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, bem assim como qualquer tipo de intermediação de negócios. Em suma, sempre que o exercício da profissão for legalmente regulamentado e, consoante esse regulamento, sua atividade dependa: (i) de curso superior completo na área; ou (ii) de diploma/certificado correspondente à habilitação profissional de 2º Grau (dentre outros atestados de capacitação profissional); ou, ainda, de (iii) registro específico em entidade de classe ou órgão; não poderá a pessoa jurídica optar pelo Simples. Diante disso, tenho afastado a aplicação do dispositivo comentado quando resta comprovado que a atividade praticada pelo contribuinte não se enquadra como atividade exclusiva de tais profissões legalmente regulamentadas ou nos casos em que a própria norma regulamentadora da profissão não exija habilitação para aquele determinado ato. Pois bem. A Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria nº. 397/2002 do Ministério do Trabalho e Emprego, assim descreve as atribuições dos despachantes aduaneiros: 342210 Despachante aduaneiro Despachante alfandegário Descrição Sumária: Desembaraçam mercadorias e bagagens, requisitando vistoria aduaneira, formalizando desistência de vistoria aduaneira, pagando taxas e impostos e apresentando documentos à receita federal e demais órgãos pertinentes. Os despachantes aduaneiros classificam mercadorias, analisando amostras, verificando funções, uso e material constitutivo de mercadorias e enquadrando mercadorias em sistemas de classificação e tarifação, tais como: tec, nesh, naladi, icms e tipi. Operam sistema de comércio exterior, registrando informações da operação de importação e exportação de mercadorias, assessoram importadores e exportadores, elaboram documentos de importação e exportação e contratam serviços de terceiros. Condições gerais de exercício Trabalham prestando serviços de despacho aduaneiro a empresas agropecuárias, comerciais, industriais e de serviços, Fl. 116DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 10909.000792/200565 Acórdão n.º 140200.676 S1C4T2 Fl. 5 5 inclusive empresas e órgãos estatais. Trabalham por conta própria, em equipe e sem supervisão, exceto o ajudante de despachante aduaneiro que pode trabalhar com supervisão ocasional. Tratamse de ocupações regulamentadas, cujo exercício depende de licença para operar junto à receita federal. Atuam como pessoa física, ainda que possam trabalhar em empresas de despacho aduaneiro. Exercem suas funções em ambiente fechado e em horário diurno. Eventualmente, estão expostos ao estresse e pressão decorrentes de risco financeiro. Formação e experiência O exercício dessas ocupações requer ensino médio completo. O pleno desempenho das atividades ocorre após cinco anos de experiência (despachante aduaneiro) e de três a quatro anos (ajudante de despachante aduaneiro). A(s) ocupação(ões) elencada(s) nesta família ocupacional, demandam formação profissional para efeitos do cálculo do número de aprendizes a serem contratados pelos estabelecimentos, nos termos do artigo 429 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, exceto os casos previstos no art. 10 do decreto 5.598/2005. Importa frisar que a norma regulamentadora da atividade há época, Decreto nº 646, de 9 de setembro de 1992, exigia registro específico na Receita Federal do Brasil, vejamos: Art. 5° O exercício da profissão de despachante aduaneiro somente será permitido ao inscrito no Registro de Despachante Aduaneiros, mantido pelo Departamento da Receita Federal. (...) Art. 42 Ficam criados, em cada Região Fiscal, o Registro de Despachantes Aduaneiros e o Registro de Ajudantes de Despachante Aduaneiro. Com efeito, o que se verifica é que o contribuinte desenvolve atividade referente à profissionais da categoria de despachante aduaneiro, cuja habilitação é imposta pela lei. Vêse que despachantes aduaneiros e seus ajudantes são regularmente inscritos em registros especiais existentes nas Superintendências Regionais da Receita Federal, identificados com número próprio e assim formalmente credenciados (Cartão de Identificação e Credenciamento), além de atuarem mediante procuração outorgada pelo interessado e habilitação prévia no Siscomex. Assim, resta claro que a execução dos serviços de despachante exige profissional legalmente habilitado, ainda que essa habilitação seja conferida pela Receita Federal e não por uma entidade de classe, e ainda que essa habilitação não seja exigida de profissionais com curso superior, mas, sim, de profissionais de nível médio. Ressaltese, por fim, que a prestação de tais serviços exige o exercício de atividade intelectual complexa, envolvendo uma série de conhecimentos de natureza técnica, Fl. 117DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS PELA Processo nº 10909.000792/200565 Acórdão n.º 140200.676 S1C4T2 Fl. 6 6 tais como o pleno domínio da Tarifa Externa Comum (TEC) e suas Regras, das negociações tarifárias firmadas pelo Brasil (ALADI, MERCOSUL e GATT/OMC), dos regimes suspensivos e isencionais de tributação na área da importação e exportação, dentre tantas outra normas na área do direito marítimo, comercial, administrativo, etc. Posto isso, entendo que não é possível ao contribuinte enquadrarse no Simples, haja vista prestar serviços que constituem atividade vedada. No que toca aos efeitos da exclusão, entendo acertada a decisão recorrida, já que a exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Noutras palavras, conforme artigo 15, inc. II, da Lei n° 9.317/96, os efeitos da exclusão do regime simplificado, em razão de atividade econômica vedada, operamse a partir do mês subseqüente àquele em que for incorrida a situação excludente. Nesse ponto, faço minhas as palavras do acórdão 140100.252: Relativamente à questão, tenho conhecimento da existência de decisões judiciais entendendo pela inaplicabilidade da exclusão retroativa, conforme determina a legislação ordinária, em cumprimento à irretroatividade constitucional tributária. Não obstante, a instância administrativa não é competente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei formal vigente. Entendo que as leis nascem com a presunção de constitucionalidade que somente pode ser enfrentada em foro próprio, qual sejam na esfera judicial. Ademais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) determina, em seu artigo 62, que "fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Finalmente, uma vez que não existem valores lançados ou crédito tributário constituído nesse processo, descabem os argumentos da Recorrente no sentido de que (i) o ato de exclusão retroativa não possa ensejar revisão do lançamento e (ii) decaiu o direito da Fazenda Pública de lançar os valores recolhidos a menor. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 118DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 13832.000090/2002-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente MAROSCAR SECOS E MOLHADOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 90 /2 00 2- 68 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13832.000090/200268 Acórdão n.º 9303006.296 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 280100.112, de 01 de junho de 2009 (efolhas 179 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO.CONDIÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao PIS está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. RESTITUIÇÃO.DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, ocorrendo esta com o pagamento, mesmo quando se tratar de pagamento com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF. PIS. VIGÊNCIA. Suspensa a aplicação de medida provisória durante o período de anterioridade nonagesimal, aplicase o disposto na legislação então vigente. ANTERIORIDADE. CONTAGEM DO PRAZO Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13832.000090/200268 Acórdão n.º 9303006.296 CSRFT3 Fl. 4 3 O termo a quo do prazo de anterioridade da contribuição social criada ou aumentada por medida provisória é a data de sua primitiva edição e não daquela que após sucessivas edições tenha sido convertida em lei. Recurso Voluntário Negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 195 e segs) referese ao dies a quo do prazo decadencial/prescricional para restituição de Contribuição para o PIS/Pasep indevidamente recolhida por força do disposto na MP n° 1.212/95. Se a data do pagamento ou da publicação do acórdão do STF na ADIn no 1.4170/DF. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 231 e segs. A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Não há reparos a fazer no exame de admissibilidade. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A decisão recorrida considerou que o prazo inicia na data do pagamento; os paradigma, na data da publicação do acórdão do STF na ADIn nº 1.4170/DF que considerou inconstitucional a expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995" presente no artigo 17 da Medida Provisória n° 1.325/96. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13832.000090/200268 Acórdão n.º 9303006.296 CSRFT3 Fl. 5 4 O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da decisão do STF na ADIn nº 1.4170/DF sobre a contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição. O prazo contase, sempre, da data do pagamento do tributo/contribuição (ou do fato gerador, como adiante se verá). Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13832.000090/200268 Acórdão n.º 9303006.296 CSRFT3 Fl. 6 5 orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13832.000090/200268 Acórdão n.º 9303006.296 CSRFT3 Fl. 7 6 de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. Esclareçase que o contribuinte solicitou pedido de restituição do PIS relativos aos períodos de novembro/1995 a fevereiro/1999. As instâncias recorridas analisou o mérito do pedido em relação aos períodos que elas entenderam não estar prescritas, qual seja, de abril/1997 até fevereiro/1999. Portanto a matéria devolvida para julgamento refere_se somente ao período considerado prescrito pelas instâncias a quo, ou seja de novembro/1995 até março de 1997. Uma vez que o pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 26/04/2002 (efolha 2) assim não há que se falar em prescrição/decadência do direito de repetição relativos aos fatos geradores ocorridos entre novembro/1995 até março de 1997. Afastada a prejudicial de exame de mérito, caberá à Unidade Preparadora atestar o efetivo direito ao crédito reclamado para o período sob exame. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13832.000090/200268 Acórdão n.º 9303006.296 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte apenas para afastar a prejudicial de decadência/prescrição. A concessão do direito ficará sujeita à análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722303/2011-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO.
BASE
DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE
O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação
a todos os
empregados e dirigentes, enquadrase
na exceção legal prevista na alínea
“t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de
contribuição.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PAGAMENTO EM
DESCONFORMIDADE COM REGRA ISENTIVA PREVISTA NO ART.
28 DA LEI 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. CONFIGURAÇÃO.
O pagamento de contribuições pagas pela pessoa jurídica relativo a programa
de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra o
salário de contribuição
quando disponível à totalidade de seus empregados e
dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo dos DEBCAD 37.284.951-2 e DEBCAD 37.284.953-9 os valores referentes às verbas pagas a título de auxílio educação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
Nome do relator: Oséas Coimbra
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM REGRA ISENTIVA PREVISTA NO ART. 28 DA LEI 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. CONFIGURAÇÃO. O pagamento de contribuições pagas pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra o salário de contribuição quando disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT. Recurso Voluntário Provido em Parte
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BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM REGRA ISENTIVA PREVISTA NO ART. 28 DA LEI 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. CONFIGURAÇÃO. O pagamento de contribuições pagas pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra o saláriodecontribuição quando disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo dos DEBCAD 37.284.9512 e DEBCAD 37.284.9539 os valores referentes às verbas pagas a título de auxílio educação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 23 03 /2 01 1- 46 Fl. 4263DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 2803003.394 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 4264DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 2803003.394 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados, referentes a contribuições devidas em razão de pagamentos de bolsas de ensino superior, ticket alimentação e custeio de previdência complementar a dirigentes. Foram lavrados os seguintes autos: >> DEBCAD 37.284.9512 (fls.3 a 14) : contribuições patronal e SAT/RAT; >> DEBCAD 37.284.9539 (fls. 15 a 24) : contribuições aos Terceiros Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE ; >> DEBCAD 37.284.9547 (f. 25) : multa por omitir fatos geradores em GFIP O r. acórdão – fls 4178 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando os autos de infração lavrados em razão da supressão dos valores referentes a alimentação. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Os valores pagos a título de auxílio educação não se constituem em base de cálculo de contribuições previdenciárias. · Não incidência sobre os valores pagos a título de previdência complementar. O fato de a totalidade de empregados não estar abarcado pelo plano, não significa que este não tenha sido disponibilizado a todos os empregados. · Informa ainda que o DEBCAD 37.284.9547 foi pago. · Requer a extinção do crédito tributário DEBCAD 37.284.9547 em razão do pagamento. A declaração de não incidência sobre verbas referentes a auxílio educação e previdência complementar. É o relatório. Fl. 4265DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 2803003.394 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DAS BOLSAS DE ESTUDO O ponto controverso apontado cingese decidir se bolsas de estudo oferecidas para as modalidades de graduação e pósgraduação configuram salário de contribuição. Vejamos a legislação a respeito – lei 8.212/91: Art. 28. ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Alínea acrescentada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97 e convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97 Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98 (grifei) Da legislação retro, temos que avaliar se cursos de graduação e pós graduação se enquadram como “a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”. A evolução das relações de trabalho e das atividades desenvolvidas, há muito exigem uma formação multidisciplinar de seus atores. A busca de atividades que levem a um desenvolvimento cognitivo, seja ele qual for, influencia na qualidade do empregado e, dessa feita, o melhor qualifica e o capacita. Nesse sentido também já aponta a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 4266DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 2803003.394 S2TE03 Fl. 6 5 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE AUXÍLIOEDUCAÇÃO DE EMPRESA (PLANO DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL). DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que considerou não incidir contribuição previdenciária sobre as verbas referentes ao auxílioeducacional de empresa (plano educacional), por considerar que as mesmas não integram o saláriodecontribuição. 2. O § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, com as alterações efetivadas pela Lei nº 9.528/97, passou a conter a alínea 't', dispondo que 'não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. 3. Os valores recebidos como 'formação profissional incentivada não podem ser considerados como salário in natura, porquanto não retribuem o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, afinal, investimento na qualificação de empregados não há que ser considerado salário. É um benefício que, por óbvio, tem valor econômico, mas que não é concedido em caráter complementar ao salário contratual pago em dinheiro. Salário é retribuição por serviços previamente prestados e não se imagina a hipótese de alguém devolver salários recebidos. 4. Recurso não provido." (RESP 365.398/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 18/3/2002) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. Os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar aos seus empregados, não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. A Lei nº 9.528/97, ao alterar o § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, que passou a conter a alínea 't', confirmou esse entendimento, reconhecendo que esses valores não possuem natureza salarial. Precedente desta Corte. Agravo regimental improvido." (AGRESP 328.602/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 2/12/2002) Fl. 4267DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 2803003.394 S2TE03 Fl. 7 6 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido.(AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.330.484 – RS, 1ª Turma, Min. Luiz Fuz. Julgado em 18.11.2010 Assim sendo, o pagamento de bolsas de graduação e pósgraduação pode ser enquadrado na exceção legal, não se configurando como base de cálculo de contribuições previdenciárias. DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR O relatório fiscal aponta: ...consta do contrato de previdência complementar firmado em 16/02/2006 com a BRASILPREV Seguros e Previdência S/A que o referido plano de aposentadoria abrange tão somente os dirigentes e diretoria executiva da contratante, conforme disposto na cláusula primeira que trata do objeto do contrato (arquivo PDF anexo) A recorrente, em sua defesa, contesta apenas os valores levantados e não o mérito da autuação referente aos pagamentos de previdência complementar aos dirigentes. No recurso apresentado tenta agora impugnar as razões do levantamento, o que encontra óbice nos arts. 16,IV e 17 do decreto 70.235/72, que transcrevo. Art. 16. A impugnação mencionará: ... Fl. 4268DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 2803003.394 S2TE03 Fl. 8 7 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ad argumentandum tantum, o argumento trazido, de que o plano era oferecido a todos, mas apenas alguns aderiram, não veio acompanhado de elementos de prova, devendo assim a autuação ser mantida, nesse ponto. Quanto ao pedido referente a declaração de extinção do crédito tributário do AI DEBCAD 37.284.9547, tal requerimento extrapola a competência deste Colegiado, conforme art. 78 §3º do RICARF, sendo de competência da Administração Tributária o que solicitado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir da base de cálculo dos DEBCAD 37.284.9512 e DEBCAD 37.284.9539 os valores referentes às verbas pagas a título de auxílio educação. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 4269DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0218.15448.60IS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por OSEAS COIMBRA JUNIOR em 18/07/2014 14:32:00. Documento autenticado digitalmente por OSEAS COIMBRA JUNIOR em 18/07/2014. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/07/2014 e OSEAS COIMBRA JUNIOR em 18/07/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 28/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP28.0218.15448.60IS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D9C4E90DA21B8CBF4AB792B3648AD70F4E20F31E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10480.722303/2011-46. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10825.900725/2008-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2004
DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este
indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2004 DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SENDI ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA., já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 04/06/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/18, na qual alega, em síntese: a) que compensou CSLL devida por estimativa, do mês de maio de 2004, com saldo negativo de CSLL decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no anocalendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, anobase 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de nº 05423.86561.160604.1.3.044525, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 3 A decisão recorrida está assim ementada: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto de renda devido nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. No voto condutor do aludido acórdão, destacamse os seguintes fundamentos: O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de nº 05423.86561.160604.1.3.044525. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de julho de 2003, no valor de R$ 11.963,32, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de julho de 2003, no valor de R$ 11.963,32. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/8/2011(fls. 69 a 75) , no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento . É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, o contribuinte apontou na DCOMP um direito creditório relativo a recolhimento de CSLL que seria indevido. Após a DCOMP não ter sido homologada, apresentou declaração retificadora do IRPJ, dentro do prazo de 5 anos do fato gerador original, para aflorar saldo negativo de recolhimentos (SNR) e na manifestação de inconformidade alegou erro no preenchimento da DCOMP afirmando que este seria a origem do credito. Em que pese as veementes alegações da peça recursal, bem como os elementos de prova apresentados, verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito seja compensado com outros créditos, até porque na data de apresentação da DCOMP o contribuinte não possuía Saldo Negativo de Recolhimentos do ano Fl. 98DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 5 calendário 2003. Tal procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide Outrossim, registro que o contribuinte pode pleitear esse mesmo crédito em outro processo, pois, o prazo para aproveitamento do Saldo Negativo de Recolhimento dos IRPJ é de 5 anos, contado de quanto não mais possa ser utilizado, conforme vem decidindo esse colegiado, a exemplo do acórdão 140200.697 de 5/8/2011. ISSO POSTO, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 99DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904140/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 40 /2 00 9- 91 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu COFINS não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de COFINS não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de COFINS não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 16032.745. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.003782/2003-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF/2015. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DIVERSIDADE DE DISCUSSÕES JURÍDICAS. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Se os contextos fáticos analisados pelos acórdãos recorrido e paradigma são distintos e as discussões jurídicas que suscitam são diversas, logicamente constata-se a inexistência da divergência jurisprudencial requerida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (a exemplo do que já acontecia na vigência do RICARF/2009), devendo, como consequência, ser negado o conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL SÃO NICOLAU LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF/2015. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DIVERSIDADE DE DISCUSSÕES JURÍDICAS. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Se os contextos fáticos analisados pelos acórdãos recorrido e paradigma são distintos e as discussões jurídicas que suscitam são diversas, logicamente constatase a inexistência da divergência jurisprudencial requerida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (a exemplo do que já acontecia na vigência do RICARF/2009), devendo, como consequência, ser negado o conhecimento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 37 82 /2 00 3- 47 Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 15/05/2012, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 110300.608, por meio do qual os membros da 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida exonerou a cobrança dos créditos tributários de IRPJ e de CSLL lançados pela Fiscalização em relação ao anocalendário de 1998. O lançamento foi motivado pelo fato de a contribuinte COMERCIAL SÃO NICOLAU LTDA. (que foi posteriormente incorporada pela empresa SAINT GOBAIN VIDROS S.A., até então sua controladora) não ter adicionado às bases de cálculo dos tributos as parcelas não dedutíveis de custos relativos a aquisição de bens importados. Os produtos cujos custos foram considerados parcialmente indedutíveis foram adquiridos de empresas integrantes do grupo SAINT GOBAIN, o mesmo da contribuinte, sediadas em vários países. Assim, as exportadoras foram consideradas vinculadas à contribuinte importadora, nos termos do inciso V do art. 23 da Lei nº 9.430/1996, o que implicou na submissão das operações às regras relativas a preços de transferência. O preço parâmetro, considerado como teto de dedutibilidade dos preços dos produtos importados de empresas vinculadas estrangeiras, foi calculado pela Fiscalização pelo método do Preço de Revenda menos Lucro PLR, adotandose uma margem de lucro de 20%, nos termos então previstos no art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997. A diferença entre tal preço e aquele praticado pela contribuinte para cada item adquirido foi, então, adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. A autuação fora integralmente mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, cancelada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 4 3 O fato gerador de IRPJ e de CSL ao optante do pagamento mensal por regime de estimativa se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano calendário. Não consumação de decadência inclusive à luz do art. 150, § 4º, do CTN. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO – MENOR TRIBUTAÇÃO COMPENSADA COM MAIOR TRIBUTAÇÃO NA CONTROLADORA A transferência indireta de lucros para a pessoa vinculada no exterior, evitandose sua tributação no Brasil, permanece mesmo com a menor tributação na recorrente importadora compensada por maior tributação na sua controladora no Brasil. Além disso, não vige no País a tributação em conjunto de pessoas jurídicas. TRATADOS INTERNACIONAIS – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, § 2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas somente o § 1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm’s length price. Inexistência de ofensa ao art. 9º dos Tratados celebrados pelo Brasil. PRL – APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO COM BASE EM VENDAS PRATICADAS COM PESSOA LIGADA A expressão “não vinculados” no contexto do art. 18, § 3º, da Lei 9.430/96 deve ser interpretada lógica, sistemática e teleologicamente. Nesse sentido, ela compreende a vedação da apuração do preço parâmetro pelo método PRL, com base nas vendas feitas pela importadora a pessoa ligada (situada no País). Tratase de norma de apoio, e não de norma base de preços de transferência. O contrário torna sem sentido a regra de ajuste, distorcendoa completamente, além de colidir com o princípio arm’s length concretizado através desse método. Aplicação do método PRL efetuada pelo autuante que resulta derruída. Os autos foram encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 23/03/2012 e lá recebidos em 29/03/2012, conforme consta no carimbo aposto na Relação de Movimentação do sistema Comprot encontrada à fl. 975 da versão digital do presente processo. Nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados pessoalmente intimados das decisões do contencioso administrativo em 30 (trinta) dias contados da data do recebimento do processo pela PGFN. No caso específico dos autos, a intimação presumida da Procuradora se deu, portanto, em 30/04/2012, uma vez que o dia 28/04/2012, trigésimo dia da contagem, foi um sábado, dia nãoútil. Em 15/05/2012, último dia do prazo de 15 (quinze) dias para a interposição recursal, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial tempestivo se insurgindo contra o Acórdão nº 110300.608, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da adotada em outro processo julgado no âmbito do extinto Primeiro Conselho de Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 5 4 Contribuintes, no que diz respeito ao correto conceito do termo "pessoas vinculadas" contido no art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou como paradigma, que teria dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido, o Acórdão nº 10195.211, prolatado pela 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A recorrente narra que o acórdão recorrido decidiu que o método PRL não poderia ser aplicado com base em preços praticados pela contribuinte autuada com empresas a ela vinculadas e situadas no Brasil, mas apenas com compradores independentes. Ao assim proceder, a decisão recorrida teria entrado em conflito com o Acórdão paradigma nº 101 95.211. A decisão paradigma apontada teria, segundo a recorrente, exposto entendimento contrário ao adotado pelo acórdão recorrido, ao defender que o conceito de pessoas vinculadas contido no art. 18 da Lei nº 9.430/1996 apenas se refere a compradores vinculados situados fora do território nacional, não obstando a utilização do método PRL quando se tratarem de empresas vinculadas situadas no Brasil. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a recorrente apresenta ainda uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: O legislador brasileiro, ao estabelecer na Lei nº 9.430/1996 as regras aplicáveis aos preços de transferência, determinou que, nas importações realizadas por contribuintes nacionais junto a empresas estrangeiras vinculadas, o custo de aquisição dos bens, serviços e direitos não pode ser dedutível do lucro real na parte que exceder o custo apurado com base em um dos seguintes métodos: Método dos Preços Independentes Comparados (PIC); Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL); e Método do Custo de Produção mais Lucro (CPL); Tal limitação de dedutibilidade não ofende ao conceito de renda e não representa penalidade. De acordo com o art. 6º do DecretoLei nº 1.598/1977, o lucro real é o lucro líquido do período, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Assim como ocorre no art. 18 da Lei nº 9.430/1996, a legislação prevê várias outras limitações para a dedução de custos da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL; Se o contribuinte não ajusta o preço de transferência, sem apresentar nenhuma razão plausível para tanto, ou efetua o ajuste com base em método que não poderia ser aplicado ao seu caso particular, ou não utiliza dados consistentes ou confiáveis, ou, ainda, infringe o método utilizado, cabe ao Fisco sanar o equívoco; O método PRL adotado pelo legislador brasileiro difere daquele criado pela OCDE. O método idealizado por aquela organização internacional visa à comparação de margens de lucro entre as operações controladas e as independentes, com o objetivo de se Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 6 5 estender a margem que seria de mercado às operações de revenda entre empresas vinculadas. Já o método brasileiro trabalha com a revenda dos mesmos produtos importados estabelecendo uma margem fixa de 20%, que deve ser alcançada nas operações, independentemente da natureza vinculada ou não dos compradores; A vedação contida no § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 deve ser analisada à luz do entendimento do método PRL dado pela legislação brasileira, não das normas da OCDE que sejam conflitantes com a legislação interna; Ao estabelecer que o método PRL não pode levar em conta, por ocasião dos cálculos que determina, os preços praticados pela empresa com compradores vinculados, o § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 implicitamente remete ao art. 23 do mesmo diploma legal; Todos os incisos do aludido art. 23 dispõem acerca de hipóteses de vinculação entre uma pessoa residente e outra não residente, uma vez que é a transferência de lucro para o exterior, sem a devida tributação, o cerne da política de preços de transferência. As eventuais alocações de lucro entre empresas de um mesmo grupo econômico situadas em território nacional não se enquadrariam nas regras de preços de transferência, mas sim nas aplicáveis à Distribuição Disfarçada de Lucros; Assim, resta evidente que o conceito de pessoa vinculada que impede a utilização do método PRL não compreende pessoa vinculada localizada no território nacional, mas sim e tão somente a situada fora do país; Tampouco procede a alegação de que a contribuinte poderia ser enquadrada como interposta pessoa (trading company), uma vez que existe vinculação societária entre ela e a compradora dos produtos que importa. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento tributário. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 17/09/2015. O aludido despacho considerou cumpridos os requisitos formais de admissibilidade e configurada a divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma indicado, conforme arguido pela recorrente. Assim, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em 09/10/2015, mesmo antes de ser oficialmente intimada acerca do teor do Acórdão nº 110300.608, da interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e do despacho que o admitiu (em conformidade com o art. 69 do Anexo II do RICARF/2015), a contribuinte protocolou contrarrazões ao recurso fazendário. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pela contribuinte recorrida: O posicionamento da jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que "a aplicação do método PRL devese dar através de preços de revenda praticados com pessoas Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 7 6 independentes [no Brasil], sob pena de se corromper o método PRL". Assim, inexiste qualquer precedente em sentido contrário, o que por si comprova o descabimento do recurso especial fazendário, pela ausência de divergência jurisprudencial; Tanto é assim que o Acórdão nº 10195.211, indicado como paradigma no recurso especial da Fazenda Nacional, aborda situação fática que sequer é similar à tratada nos presentes autos; A decisão paradigma apenas considera que o método PRL seria aplicável para apurar ajustes de preços de transferência em relação a operações entre partes vinculadas no Brasil e no Exterior, mas em nenhum momento faz referência à possibilidade de aplicação do aludido método nas hipóteses em que as revendas de mercadorias no Brasil são feitas pela sociedade importadora a parte não independente (do mesmo grupo econômico), como acontece nos presentes autos; Assim, o recurso especial apresentado pela PGFN sequer deve ser conhecido, tendo em vista a imprestabilidade do acórdão paradigma indicado; Em conformidade com o entendimento manifestado no acórdão recorrido, o art. 18, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 estabelece que, para fins de aplicação do método PRL, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados; A mesma vedação consta do art. 241, § 3º, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999) e do art. 12, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (que repete a regra já trazida pelas Instruções Normativas SRF nº 38/1997 e nº 32/2001); A regra contida nos dispositivos mencionados é clara e não comporta discussão: o PRL não pode, em hipótese alguma, tomar como base o preço de revenda dos bens importados para empresas que não sejam independentes entre si; No caso dos autos, como a contribuinte vendia os bens e equipamentos que importava exclusivamente para sua então controladora (SAINT GOBAIN VIDROS S.A., à época denominada de COMPANHIA VIDRARIA SANTA MARINA), compradora obviamente a ela vinculada, não há que se falar na aplicação do métodos PRL, em razão do que dispõe o § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996; A interpretação dada ao termo "pessoa vinculada" não pode, como defende a recorrente, ficar restrita ao conceito do art. 23 da Lei nº 9.430/1996, aplicandose somente às pessoas vinculadas situadas fora do Brasil. O objetivo da regra que veda a aplicação do método PRL às operações de revenda a pessoas vinculadas é evitar que o preço de revenda seja influenciado pelas questões corporativas que distanciam o valor de revenda do justo valor de mercado; Assim, para que haja vinculação, pouco importa se as revendas são realizadas para compradores brasileiros ou estrangeiros. Se houver qualquer tipo de relação entre as empresas que possa ensejar a prática de preços diferentes dos de mercado, será inaplicável o método PRL; Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 8 7 A contribuinte recorrida centralizava as importações realizadas por diversas fábricas possuídas por sua controladora sediada no Brasil. Os produtos importados eram posteriormente revendidos por sua controladora a terceiros independentes e somente neste momento o justo preço de revenda era apurado. Assim, é evidente que o preço praticado na revenda dos bens importados pela recorrida à sua controladora era influenciado por outras questões comerciais relevantes, não podendo ser validamente utilizado como parâmetro para aplicação do PRL; Embora o Brasil não faça parte da OCDE, a Exposição de Motivos da Lei nº 9.430/1996 afirma expressamente que as regras de preços de transferência foram propostas em conformidade com as regras adotadas nos países integrantes da OCDE. Assim, as orientações da OCDE servem como importante guia de interpretação das regras de preços de transferência adotadas no Brasil, inclusive aquela contida no item 2.14 do Relatório de 1995 da OCDE, que dispõe que "o método do preço de revenda iniciase com o preço pelo qual o produto foi adquirido de uma empresa vinculada e revendido para uma empresa independente"; Assim, de acordo com o disposto no acórdão recorrido, a interpretação lógica, sistemática e teleológica do § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 leva à conclusão de que é vedado o cálculo do preço parâmetro do método PRL com base em vendas a pessoa ligada no Brasil; Como a aplicação do método PRL era inviável (por conta da vedação do § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996) e também seriam inaplicáveis no caso concreto da contribuinte recorrida, conforme reconhecido pela decisão de primeira instância, os métodos PIC ou CPL, os preços efetivamente praticados nas operações de importação devem prevalecer para fins de dedutibilidade dos resultados tributáveis; Ainda que não houvesse tais impedimentos à utilização do PRL no caso analisado pelo acórdão recorrido, mesmo assim não poderiam ser realizados ajustes relativos a preços de transferência por força de tratados firmados pelo Brasil com vários países (Argentina, Espanha, França, Itália, Japão, Países Baixos, Suécia, entre outros) para fins de evitar a dupla tributação em matéria de imposto de renda; De acordo com estes tratados bilaterais internacionais, somente podem ser realizados ajustes nas bases de cálculo dos tributos quanto ficar comprovada a transferência de resultados para o exterior (mediante a manipulação de preços), sendo vedada a adoção de presunções desprovidas de comprovação técnica, como ocorreu no caso dos presentes autos; A multa de ofício aplicada contra a contribuinte recorrida, no percentual de 75% do crédito tributário lançado, é abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, em total confronto com o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; No que diz respeito aos juros de mora, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que a lei não criou tal taxa para este fim; Os juros de mora à taxa SELIC não podem incidir sobre a multa de ofício, já que esta configura penalidade e não tem natureza tributária. A multa não configura débito decorrente de tributos e contribuições e, por isso, não se submete à regra legal que determina a correção pela aplicação de juros de mora. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 9 8 Por conta de tudo que expôs, a contribuinte recorrida pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial fazendário, mantendose os termos do Acórdão nº 110300.608 e, consequentemente, o cancelamento das exigências de IRPJ e de CSLL veiculadas nos autos de infração. Os autos seguiram então para a CSRF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme foi relatado, a contribuinte trouxe, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, arguição preliminar de não conhecimento recursal fundamentada na alegação de que inexistiria divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma. Inicio meu voto pelo exame de tal tese. Vencida tal etapa, passarei ao exame da única matéria de mérito que foi objeto de recurso especial, atinente à interpretação a ser dada ao termo "compradores não vinculados" presente no § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Conhecimento do recurso especial A contribuinte recorrida defende que o Acórdão nº 10195.211, único paradigma elencado no recurso especial da Fazenda Nacional, não aborda situação fática sequer similar à tratada nos presentes autos. Ainda nas palavras da recorrida, a decisão paradigma somente analisa a aplicabilidade do método PRL para apurar ajustes de preços de transferência em operações realizadas entre partes vinculadas situadas no Brasil e no exterior. Em nenhum momento o acórdão paradigma teria se referido à possibilidade de aplicação do aludido método em situações como a analisada nos presentes autos, em que as revendas de mercadorias no Brasil são feitas pela sociedade importadora a parte não independente. A análise das alegações trazidas pela contribuinte recorrida demanda, inicialmente, que sejam identificados o contexto fático examinado e a controvérsia jurídica desenvolvida no Acórdão nº 10195.211. Com este intuito, transcrevemse as seguintes passagens de interesse: "EMENTA (...) IRPJ — PREÇO DE TRANSFERÊNCIA — IMPORTAÇÃO — LIMITE DA DEDUTIBILIDADE DOS CUSTOS — ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDOS DOS EXCESSOS APURADOS — Os custos constantes dos documentos de importação em operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos estabelecidos na legislação de regência. Correta a tributação de ofício sobre as diferenças dos preços praticados na importação que superam o preço parâmetro, apurado conforme determinação legal, quando na apuração do lucro real a empresa deixa de fazer a adição ao lucro líquido do exercício dos excessos verificados. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 11 10 MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS O LUCRO — PRL — APLICABILIDADE — REVENDA DE EQUIPAMENTOS — Sendo perfeitamente aplicável à situação da empresa fiscalizada o Preço de Revenda menos o Lucro (PRL), tornase insubsistente a contestação acerca da viabilidade do método adotado na apuração do preço parâmetro, sobretudo quando nos autos foi mantido o método antes adotado pela autuada. (...) RELATÓRIO (...) Cientificada da decisão de primeiro grau em 07/01/2004, conforme AR às fls. 894, a contribuinte protocolizou, no dia 30/01/2004, o recurso voluntário, no qual apresenta em síntese, os seguintes argumentos: a) que a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 18, ao estabelecer regras fixas e percentuais específicos de margem de lucro, engessa a procura pelo equilíbrio nas transações, pois deixa de analisar aspectos econômicos, sociais e transacionais existentes, capazes de interferir nos negócios jurídicos ou econômicos da pessoa jurídica, não podendo, portanto, a fiscalização e os ilustres julgadores de primeira instância afirmarem que o referido dispositivo legal respeita regras da OCDE, quando na verdade, as leis brasileiras empregam métodos inflexíveis; (...) c) que, conforme entendimento manifestado no acórdão, não está enquadrada na situação de venda atípica relacionada pelo art. 29 da citada instrução normativa. A legislação não define, mas apenas exemplifica o que vem a ser "operação atípica", aliás cabendo outras operações que não apenas as citadas ao longo do transcrito artigo 29 do IN SRF 38/97. Assim, nada impede que seja adotado o entendimento de considerar atípica toda atividade que de alguma forma não seja normalmente realizada pela empresa, como foi o caso da extraordinariedade das operações com os equipamentos relacionados; d) que, através dos esclarecimentos prestados pela recorrente, verificase que as máquinas foram adquiridas principalmente com o objetivo de demonstrar a existência de um novo produto para comercialização no País. Portanto, apesar de não serem especificamente máquinas que devem ter estoque eliminado, nos encerramentos de atividades ou nas vendas com subsídio governamental, são máquinas adquiridas com uma finalidade distinta, vale dizer, para abertura de um mercado e, como tais, com preços ainda sob análise. Portanto, devem referidas operações serem enquadradas nas regras do art. 29 da IN 38/97, por serem operações atípicas e, conseqüentemente, não devem servir como parâmetro de preço para apuração do preço de transferência; (...) Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 12 11 k) que a Lei n° 9.430/96, em especial seu artigo 18, possui legalidade e constitucionalidade duvidosa, devendo os argumentos expostos na impugnação serem considerados, pois certamente será afastada a incidência da lei do preço de transferência. (...) VOTO (...) Como visto do relatório, tratam os autos de lançamento de ofício, decorrente da ação fiscal relativa aos preços de transferência praticados pela recorrente em relação à comercialização dos produtos importados no ano calendário de 1997, provenientes de empresas vinculadas e de países com tributação favorecida. (...) A recorrente insurgese contra o lançamento, suscitando inicialmente, preliminar de inconstitucionalidade da Lei n° 9.430/96, a qual rejeito de pronto, pois cabe esclarecer que inexiste na norma citada, qualquer impossibilidade da sua aplicação no caso ora em discussão e ainda mais, tampouco o STF declarou a sua inconstitucionalidade. Não obstante, com relação à aplicação dos dispositivos legais supedâneos da exigência fiscal objeto deste processo, é de se ratificar que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se alega a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, competência reservada com exclusividade ao Poder Judiciário pelo ordenamento jurídico pátrio (Constituição Federal, art. 102, I "a" e III "b"). (...) Insiste a recorrente em afirmar que as máquinas que foram adquiridas com o objetivo de demonstrar a existência de um novo produto para comercialização no País, apesar de não serem especificamente máquinas que devem ter estoque eliminado no caso de encerramento de atividades ou nas vendas com subsídio governamental, são máquinas adquiridas com uma finalidade distinta, para abertura de um mercado e com preços ainda sob análise. Com relação às operações atípicas, a IN SRF n° 38/97, em suas disposições gerais, prevê: Disposições Gerais Subseção IV Operações Atípicas Art. 29. Em nenhuma hipótese será admitido o uso, como parâmetro, de preço de bens, serviços e direitos praticados em operações de compra e venda atípicas, tais como nas liquidações de estoques, nos encerramentos de atividades ou nas vendas com subsídios governamentais. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 13 12 A esse respeito, a contribuinte informou à fiscalização (fls. 299), quando intimada a prestar esclarecimentos, o que segue: Exceção Esclarecemos que em nossos cálculos identificamos a venda de 2 tipos de máquinas que apresentaram valores de custo de importação em valor superior ao método arbitrado — PRL (no total foram 4 máquinas vendidas). A nosso ver, estas máquinas devem ser enquadradas no conceito de operações atípicas, uma vez que a quantidade e os valores são irrelevantes em relação ao total de importações e ao número de unidades vendidas. (...) Não obstante, as operações mencionadas pela recorrente não se enquadram naquelas situações identificadas pela instrução normativa como sendo operações atípicas. Ora, a definição de operações atípicas não tem qualquer vínculo com a quantidade de produtos comercializados, tampouco com a habitualidade das operações realizadas no mercado, pois o que a norma prevê são situações anormais ocorridas no mercado, capazes de provocar uma redução extraordinária do preço de produtos em decorrência de liquidação de estoque com o intuito de lançar novos produtos, ou ainda, a ocorrência de preços subsidiados. Caso fossem considerados os preços praticados na comercialização dos produtos em situações atípicas, com o objetivo de apurar a média dos preços de comercialização, nesse caso, a margem de lucro da empresa seria substancialmente reduzida, e o resultado alterado de forma imprópria, decorrendo daí, que o preço parâmetro redundaria em valor artificialmente reduzido, majorando, dessa forma, a parcela não dedutível, obrigando a empresa a oferecer à tributação valores fictícios que não representariam resultado positivo na comercialização. Diante disso, a norma legal estabelece a exclusão das operações realizadas em caráter extraordinário que não demonstrem a real situação do mercado, contudo, não se encaixam nesse caso, aquelas operações efetuadas com objetivo de estratégia mercadológica, as quais são consideradas como operações normais, independentemente da natureza e da quantidade comercializada. Assim, tratandose de tática mercadológica da empresa, com o objetivo de incrementar sua participação no mercado, não é aceitável que tal estratégia possa influenciar no parâmetro de dedutibilidade dos custos. Com relação ao preço de transferência a que a recorrente alega não ter sido devidamente utilizado pela fiscalização, a legislação brasileira exige que os contribuintes demonstrem, nas operações de importação ou exportação praticadas com a matriz, uma filial ou subsidiária localizada no exterior, que o preço praticado seja o preço de mercado. Com isso, objetivase evitar o subfaturamento ou superfaturamento nessas operações. São adotados métodos de demonstração do preço de transferência, conforme dispuser a legislação de cada país. Cabe ao contribuinte comprovar que o preço por Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 14 13 ele efetuado está em conformidade com o preço de mercado, ou o preço praticado com um terceiro não relacionado. Para a transferência, considerando uma empresa brasileira com a sua vinculada localizada no exterior, cujas operações objetivam a realização de maior lucro possível fora do Brasil, o valor da importação seria o maior possível para aumentar o lucro no exterior e reduzir o lucro no Brasil. O objetivo da legislação brasileira foi o de tributar no Brasil os lucros das empresas internacionais aqui localizadas, os quais poderiam estar sendo transferidos para o exterior através dos preços de transferências das operações de importação ou exportação para empresas vinculadas, localizadas em países com tributação favorecida ou naqueles que foram eleitos para recepcionar esses resultados, causando prejuízos para o erário brasileiro. Na Exposição de Motivos apresentada pelo Ministro da Fazenda ao Projeto de Lei convertido na Lei n° 9.430 de 27.12.96, em conformidade com as regras adotadas nos países integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), são propostas normas que possibilitam o controle do Preço de Transferência, de forma a evitar a prática lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações e exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. (...) Necessário também se faz o registro da impropriedade da defesa em relação à afirmativa de que o método adotado pela fiscalização não teria validade por não terem sido considerados produtos similares no estabelecimento do preço parâmetro. A própria recorrente prestou a informação, por ocasião dos trabalhos de fiscalização, que o mercado não dispunha de equipamentos similares aos produtos da empresa, razão pela qual não poderia ser aplicado o método PIC. Além disso, com a utilização do método PRL, não há que se cogitar em produtos similares, pois o preço parâmetro é obtido nas operações de venda da própria empresa com outras não vinculadas. (...)" (grifouse) Pois bem. A partir da análise do acórdão indicado como paradigma e de sua comparação com o acórdão recorrido, concluo que cabe razão à contribuinte em sua alegação de que inexiste a divergência jurisprudencial exigida regimentalmente para fins de conhecimento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. O Acórdão paradigma nº 10195.211 descreve as alegações trazidas pelo recurso voluntário julgado naqueles autos. Entre outros argumentos (que não interessam à presente análise), a contribuinte que figura no pólo passivo daquela lide aduz que: a) o art. 18 da Lei nº 9.430/1996 (que trata das regras de preços de transferência e dos métodos de cálculo das parcelas dedutíveis dos custos, despesas e encargos de bens, serviços e direitos importados de pessoa vinculada) é inflexível, pois "engessa a Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 15 14 procura pelo equilíbrio nas transações" e "deixa de analisar aspectos econômicos, sociais e transacionais existentes, capazes de interferir nos negócios jurídicos ou econômicos da pessoa jurídica"; b) o mesmo art. 18 da Lei nº 9.430/1996 possuiria legalidade e constitucionalidade duvidosas; c) o método de cálculo utilizado pela Fiscalização para fins de quantificação da parcela dedutível dos preços de importação praticados, Preço de Recenda menos Lucro PRL, não tem validade por não levar em conta produtos similares no estabelecimento do preço parâmetro; d) Algumas das operações que a Fiscalização considerou para fins de fixação do preço de revenda (base da aplicação do método PRL) são atípicas e não poderiam, segundo o disposto no art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997, servir como parâmetro de preço para apuração de preço de transferência. Verificase, portanto, que o acórdão paradigma sequer menciona o ponto caracterizador da controvérsia discutida nos presentes autos: o alcance da vedação contida no § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 ("Para efeito do disposto no inciso II (método PRL), somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados"). Como se sabe, discutese no presente processo se o referido dispositivo veda que sejam utilizados como parâmetro para apuração do preço de transferência (pela aplicação do método PRL) somente os preços praticados com compradores vinculados domiciliados no exterior (como defendem a Fiscalização e a PGFN, apontando o conceito de "pessoa vinculada" trazido pelo art. 23 da Lei nº 9.430/1996) ou também aqueles praticados com compradores vinculados sediados em território brasileiro (como entende a contribuinte). As discussões jurídicas desenvolvidas em cada um dos acórdãos, recorrido e paradigma, são diversas inclusive porque são distintos os contextos fáticos analisados em cada caso: enquanto no acórdão recorrido os produtos importados foram integralmente revendidos à então controladora da contribuinte, localizada no Brasil, no acórdão paradigma sequer é mencionado se alguma operação de revenda teria envolvido comprador vinculado, fosse ele nacional ou estrangeiro. O acórdão paradigma, apreciando a alegação do sujeito passivo de que algumas operações atípicas estariam servindo de parâmetro para apuração de preço de transferência, o que seria vedado pelo art. 29 da IN SRF nº 38/1997, discorda da atipicidade de tais operações, afastando a aplicação do dispositivo infralegal. Já o acórdão recorrido, ao se pronunciar sobre o argumento da contribuinte de que o § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 vedaria a utilização, para fins do cálculo inerente ao método PRL, de operações de venda a pessoa vinculada no Brasil, discorda da interpretação que a defesa deu ao dispositivo legal, defendendo que a vedação ali estabelecida somente aplicarseia a pessoas vinculadas domiciliadas no exterior, conforme a inteligência do art. 23 daquela mesma lei. Em outras palavras, no paradigma há discussão acerca da subsunção de uma situação concreta a uma hipótese estabelecida pela IN SRF nº 38/1997. Já no acórdão recorrido, não existe controvérsia a respeito da natureza das operações, mas apenas acerca da Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 16 15 interpretação jurídica mais adequada a ser dada à vedação do §3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. As discussões travadas nos dois processos apresentam ainda outra diferença fundamental: a aplicação do art. 29 da IN SRF nº 38/1997, defendida pelo sujeito passivo que figura no acórdão paradigma, independe de o comprador dos produtos importados ser vinculado ao importador ou não. Da mesma forma, independe de o comprador estar sediado em território brasileiro ou no exterior. Como se vê, aspectos fundamentais à lide objeto do presente processo são totalmente ignorados no acórdão paradigma, por serem irrelevantes para aquela discussão. O trecho do acórdão paradigma que a PGFN reproduz em seu recurso especial, para fins de comprovação da existência de divergência jurisprudencial frente ao acórdão recorrido, efetivamente traz algumas passagens em que sempre se associa uma empresa vinculada ao fato de ela estar localizada no exterior. É o que se verifica, por exemplo, em "sua vinculada localizada no exterior" ou em "empresas vinculadas, localizadas em países com tributação favorecida ou naqueles que foram eleitos para recepcionar esses resultados" ou ainda em "operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior". Ocorre que o Acórdão nº 10195.211, na parte transcrita pela recorrente, está apenas desenvolvendo uma explanação genérica a respeito dos preços de transferência. Para tanto, começa expondo a própria razão da existência da legislação que trata do tema: tributar no Brasil os lucros que empresas aqui sediadas tentam transferir para outro país por meio da manipulação dos preços pactuados nas operações de importação e exportação de bens, serviços e direitos. É neste contexto que são mencionadas as empresas vinculadas localizadas no exterior: são aquelas envolvidas no processo de importação ou de exportação em que, em tese, poderia haver manipulação de preços. Tratase obviamente de contexto diverso daquele que importa para a controvérsia verificada no presente processo. No acórdão recorrido, as empresas vinculadas que têm sua nacionalidade levada em consideração não são as empresas estrangeiras que vendem bens à importadora brasileira, mas sim àquelas que compram de tal importadora os bens anteriormente importados. A discussão gira em torno da eventual repercussão da nacionalidade da compradora vinculada na aplicabilidade da vedação estabelecida pelo §3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Quanto a este tema, restou patente que o Acórdão paradigma nº 10195.211 sequer faz menção. Tal fato, por si só, já é suficiente para que se conclua pela imprestabilidade do acórdão para fins de caracterização de dissenso jurisprudencial frente ao acórdão recorrido. Diante de todo o exposto, concluo que não restou configurada a divergência jurisprudencial requerida pelo art . 67 do Anexo II do RICARF/2009 (e também pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015) para fins de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à única matéria contestada, razão pela qual voto por NÃO CONHECER do aludido recurso. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 17 16 Fl. 1203DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.908983/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.358
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 98 3/ 20 12 -0 1 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.908983/201201 Resolução nº 3401001.358 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu tratarse de recolhimento indevido de Cofins e atribuiu a não homologação da compensação a erro no preenchimento na DCTF. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e DACON. A DRJ Brasília/DF julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” O recurso voluntário asseverou que o indébito tem origem em erro no recolhimento da contribuição, oportunidade que juntou planilhas de apuração, balancete e demonstrativos para comprovação da alegação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.352, de 20 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10380.908971/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.908983/201201 Resolução nº 3401001.358 S3C4T1 Fl. 5 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.352 "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10380.908983/201201 Resolução nº 3401001.358 S3C4T1 Fl. 6 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.907551/2009-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL.
Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 75 51 /2 00 9- 82 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 19/12/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 12364.07040.191206.1.1.015085 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 2º Trimestre de 2005, no valor de R$ 5.430,53 vinculando cinco pedidos de compensação de débitos PER/DCOMP 02842.98099.180108.1.3.010057, 35509.11567.201207.1.3.015163, 08546.03788.280509.1.7.010964, 01723.85678.250509.1.7.013375, e 05066.91315.280509.1.7.010556. Do Despacho Decisório A DRF de Divinópolis, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.5), pela homologação parcial do crédito, considerando parte do crédito indevido, por se tratar de aquisição de empresa do Simples e de empresa com o CNPJ cancelado. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando que: a) a parte do crédito glosado relacionado a aquisição de produtos de empresa optante do Simples, foi incluído em processo de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009; b) e a parte do crédito correspondente a Notas Fiscais de aquisição de empresa com o CNPJ cancelado é válido, porque essa empresa foi sucedida e a empresa sucessora obteve junto a SEF/MG autorização para uso de notas fiscais da empresa sucedida, cujo IPI destacado foi registrado nos livros fiscais da empresa sucessora. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta colocou sob suspeita o direito ao crédito pleiteado, em função das saídas (pedra britada) enquadraremse na tabela do IPI como N/T. Determinou, então, o retorno dos autos à DRF de origem para que verifique a legitimidade dos créditos alegados pelo Contribuinte: “Comprovada a legalidade de tais créditos, o processo deverá retornar à DRJ/JFA/MG para prosseguimento. Se comprovada a ilegalidade da petição, a DRF/DIV/MG deverá avaliar a possibilidade de revisar o despacho decisório e promover todos os ajustes necessários para consecução de tal objetivo. Nesse caso, se revisado o despacho decisório, os autos só retornarão à DRJ/JFA/MG diante de eventual contestação do contribuinte em face da emissão de novo despacho decisório”. Retornando os autos à unidade de origem foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal (Efls.86), foi intimado o contribuinte a apresentar relação de produtos de sua fabricação no período relacionado e o Livro de Apuração do IPI. Às Fls. 88 foi feita a junta das informações e documentos solicitados pela autoridade fiscal, sendo que a empresa produz apenas “Pedra Britada”, imune ao IPI e possui classificação fiscal 25171000. Às fls.108 foi apresentado o Termo de Verificação Fiscal – TVF elaborado pelo Auditor Fiscal responsável pela averiguação dos créditos de IPI identificados no PER/DCOMP, concluindo pela improcedência em face de não haver tributação nas saídas do Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 4 3 produto fabricado pela contribuinte interessada, conforme previsto no Regulamento do IPI (Decreto 4.544/2002). A DRF de origem (fls.119), com base no TVF decidiu pelo cancelamento do Despacho Decisório eletrônico anteriormente emitido, revisando de ofício, desconsiderando a totalidade do crédito pleiteado. Emitiu novo Despacho Decisório com a seguinte conclusão: “A compensação requer segurança quanto aos créditos envolvidos. No caso em tela, o valor apurado pelo contribuinte a título de saldo credor de IPI no 2º trimestre de 2005 não lhe confere certeza (quanto à existência) nem liquidez (quanto ao valor), elementos essenciais ao crédito que se pretende seja compensado, razão pela qual proponho que não sejam homologadas as declarações de compensação analisadas neste processo (discriminadas na tabela acima apresentada), prosseguindose com a cobrança dos débitos não compensados”. O sujeito passivo da obrigação tributária foi cientificado do novo Despacho Decisório e apresentou nova manifestação de inconformidade (fls.128). Aborda em primeiro plano a decadência, pela inercia do Ente Público, devendo ser decretada a decadência e a homologação tácita do crédito apresentado, em benefício dos princípios da segurança jurídica e da paz social (CTN art.156 e 150, § 4º e art. 74 da Lei 9.430/96); que o prazo para a RFB analisar o pedido de crédito é de 05 (cinco) anos contado da data da entrega dos PER/DCOMP’s, 19 de dezembro de 2006, a intimação do despacho decisório ocorreu em 17/05/2012, quando a decadência se efetivou na data de 19/12/2011; No mérito defende o direito ao crédito de IPI pela característica própria atinente ao seu processo de produção, de onde se retira que o minério denominado “pedra britada” é produto industrializado (beneficiado), nos termos do RIPI/02; Que tratandose de produto mineral está imune à incidência do IPI por previsão Constitucional (art.155) e que a TIPI/02 aprovada pelo Decreto 4.542/02 não utiliza o termo imunidade para descrever o produto desonerado do imposto, mas tão somente à alíquota zero ou N/T (não tributado); Que a partir da vigência da Lei nº 9.779/99 ficou assegurado a recuperação e manutenção dos créditos de IPI, mesmo que o produto saído fosse isento ou tributado à alíquota zero desse imposto, desde que mantidas três características, quais sejam: que as aquisições sejam matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; que esses produtos sejam utilizados no processo de industrialização; e que o produto industrializado seja isento ou tributado à alíquota zero de IPI; Quanto ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, entende a manifestante que essa norma não alcança os créditos escriturados de IPI, por ser de data posterior ao aproveitamento; Que exigir o crédito da forma como pretendido pela RFB é interferir na livre concorrência entre empresas do mesmo ramo de atividade, pois várias empresas mineradoras obtiveram solução de consulta favorável ao aproveitamento do crédito de IPI na aquisição de MP, PI e ME adquiridos para serem empregados na industrialização de minério; Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 5 4 Por fim, elenca vasta jurisprudência de tribunais superiores, julgando de forma favorável ao aproveitamento do crédito de IPI, na forma como procedido pela Manifestante e pugna pela homologação das compensações requeridas. Voltando os autos à DRJ/JFA – 3ª Turma, foi julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconhecido o direito creditório, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/PEDIDO DE RESSARCIMENTO Não há disposição legal que estabeleça prazo de decadência ou de homologação tácita para Pedidos de Ressarcimento, existindo tal instituto apenas em relação à declaração de compensação, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). IN SRF nº 33/99. Art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. IMUNIDADE. ALCANCE A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/99, bem como o benefício instituído pelo art. 5º do Decreto nº 491, de 1969, regulam apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, §3º, do art.153 da Constituição Federal. Destacase do voto: “No caso em tela, o interessado exerce a atividade de extração e comercialização de pedras (pedra britada), classificada no Código 25171000, da Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28/12/2001, com notação NT. Esse fato ratifica que em sendo produto imune pela própria natureza, como é o caso da energia elétrica, dos derivados de petróleo, dos combustíveis e minerais do país, nos termos do art. 155, §3º, da Constituição da República (CR), independentemente da operação a que se submetam (se exportados para o exterior ou destinados ao mercado interno), jamais se sujeitam à tributação do IPI. Assim, os estabelecimentos que os processam ou elaboram não se configuram como industriais. Situamse, pois, tais produtos como “imunes”, fora do campo de incidência do IPI, sendo justamente por isso que todos eles são classificados na TIPI como nãotributados (NT). É este o caso da pedra britada”. Do Recurso Voluntário Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 6 5 Em grau de recurso voluntário a recorrente limitase a repisar literalmente todos os argumentos e teses de sua Manifestação de Inconformidade, com o qual espera ver reformada a decisão recorrida em prol da homologação do crédito pretendido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Discutese no presente processo preliminar de decadência por inércia do Ente Público de não se manifestar no prazo estabelecido por lei, nos casos de pedidos de compensação. De acordo com o entendimento da Recorrente teria ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos da data de transmissão da PER/DCOMP (19/12/2006) e a data de cientificação do despacho decisório (17/05/2012). Primeiramente cabe aqui destacar que o presente processo reúne uma PER/DCOMP nº 12364.07040.191206.1.1.015085 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI, vinculando cinco pedidos de compensação de débitos PER/DCOMP 02842.98099.180108.1.3.010057, 35509.11567.201207.1.3.015163, 08546.03788.280509.1.7.010964, 01723.85678.250509.1.7.013375, e 05066.91315.280509.1.7.010556. Vêse que os pedidos de compensação são de data distinta do pedido de ressarcimento. Nesse sentido convém reproduzir excertos da decisão de piso, pela clareza de exposição do tema: O contribuinte apresenta argumento preliminar acusando a decadência do Pedido de Ressarcimento. A interpretação é de que há um paralelo entre o exame do lançamento por homologação e o exame de Pedido de Ressarcimento. Para ambos, foi estipulado o prazo de cinco anos. Para o lançamento por homologação, no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, CTN. Para o pedido de Ressarcimento, no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. O ato foi redigido com o seguinte teor: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Da leitura do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é fácil deduzir a confusão feita pelo contribuinte. O prazo de que trata o Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 7 6 referido dispositivo é para a homologação da compensação, a que se dá o nome de homologação tácita, isto é, homologação pelo decurso do prazo de cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem que sobre ela tenha havido a oportuna manifestação da autoridade competente. Não trata o dispositivo legal de prazo para o exame do Pedido de Ressarcimento, que obviamente é objetivo distinto da compensação, não obstante a declaração de compensação ser precedida de análise de crédito, no caso presente, saldo credor de IPI. Só se dispensará o exame de Pedido de Ressarcimento, ou melhor, do saldo credor, se coincidirem em seus montantes crédito requerido e débitos a compensar. Contrário senso, o pedido de ressarcimento sempre será examinado, independentemente do momento em que o faça a autoridade competente, o que não ocorre com a declaração de compensação que poderá ser homologada tacitamente. Se o interesse do contribuinte é de que seja declarada a homologação tácita, há de se verificar a ocorrência do instituto previsto na Lei nº 9.430, de 1996, ainda mais porque é questão de ordem pública e deve sempre ser apreciada pela autoridade administrativa, ainda que não mencionada pelo contribuinte. No caso presente, estão em litígio todas as compensações declaradas, vinculadas ao saldo credor do 1º trimestre de 2005, tendo em vista que o Despacho Decisório de fls. 05 foi anulado e o substituiu, no tocante às compensações declaradas, o Despacho Decisório de fls. 240/241. Assim as Declarações de Compensação em litígio são: DCOMP EM LITÍGIOATIVA DCOMP RETIFICADA TOTAL DÉBITO/ VALOR PER DATA DA TRANSMISSÃO 35509.11567.201207.1.3.015163 4.747,76 20/12/2007 02842.98099.180108.1.3.010057 169,46 18/01/2008 01723.85678.250509.1.7.013375 35427.63104.080208.1.3.011488 10,50 25/05/2009 05066.91315.280509.1.7.010556 34504.76887.100108.1.3.017070 367,37 28/05/2009 08546.03788.280509.1.7.010964 06659.63756.200208.1.3.018670 135,44 28/05/2009 No quadro acima é possível verificar que as DCOMP em litígio foram transmitidas pelo contribuinte, respectivamente, em 20/12/2007, 18/01/2008, 25/05/2009, 28/05/2009 e 28/05/2009. Já o Despacho Decisório foi entregue ao contribuinte em 17/05/2012, conforme Aviso de RecebimentoAR, à fl. 126. Confrontandose as datas de transmissão das DCOMP ativas e do recebimento do Despacho Decisório, é patente que não ocorreu homologação tácita em relação a nenhuma das Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 8 7 declarações de compensação. Ainda que o contribuinte viesse a questionar a homologação tácita das declarações em razão daquela que foi retificada, o que seria afastado prontamente no presente voto, é bom esclarecer que foi originalmente apresentada já em 2008. Assim sendo, se não há previsão legal para a homologação tácita de pedidos de ressarcimento e provado que não houve homologação tácita em relação a nenhuma das compensações declaradas, válido é o Despacho Decisório que, em tempo hábil, não as homologou. DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI Em questão de mérito, a discussão gira em torno do direito a manutenção do crédito de IPI incidente nas aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagens (ME), utilizados na produção (beneficiamento) de produtos que possui anotação N/T na TIPI, no caso dos autos “pedra britada” classificada na posição 2517.10.00.00 da TIPI. A recorrente apurou crédito de IPI sobre aquisições de MP, PI e ME ocorridas no 2º trimestre de 2005 e buscou a compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, cuja redação assim se apresenta: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. Importante destacar que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006 veio consignar que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9. 779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 9 8 III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." A muito que o entendimento firmado em nível de CARF é no sentido contrário ao interesse do contribuinte, tanto que a matéria veio a ser simulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pelo não reconhecimento do crédito pleiteado na PER/DCOMP (ressarcimento) e por consequência a não homologação das PER/DCOMP’s (compensação) a ela atreladas. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 246DF CARF MF
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