Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.000113/2010-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS.
Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS.
Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante.
Numero da decisão: 9303-004.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.000113/2010-42
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5672369
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.558
nome_arquivo_s : Decisao_16327000113201042.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 16327000113201042_5672369.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6613061
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689052745728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.267 1 1.266 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000113/201042 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.558 – 3ª Turma Sessão de 7 de dezembro de 2016 Matéria PIS e COFINS AUTOS DE INFRAÇÃO Recorrente GRADUAL CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 13 /2 01 0- 42 Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.268 2 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata se de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão 3201001.503, de 26/11/2013, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. BOVESPA. BM&F. SOCIEDADE CORRETORA.AÇÕES RECEBIDAS. VENDA. TRIBUTAÇÃO. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento /receita bruta operacional, incluindose as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.269 3 Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 BOVESPA. BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES RECEBIDAS. VENDA.SOCIEDADE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento /receita bruta operacional, incluindose as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização”. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O presente processo referese a Autos de Infração lavrados para cobrança das contribuições PIS e COFINS, acrescidos de multa de ofício e juros moratórios, incidentes sobre as receitas obtidas com a alienação de ações nas ofertas públicas iniciais (IPO) da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A, ações estas recebidas pela contribuinte em decorrência do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O acórdão recorrido manteve o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, por entender que a compra e venda de ações por conta própria se incluiria entre as atividades da recorrente, ou seja, a receita fora percebida em decorrência de atividade típica, de forma que o resultado financeiro positivo destas operações de compra e venda se caracterizaria como receita bruta/faturamento da mesma. Portanto, diante da natureza das receitas auferidas pela recorrente, logo, sujeitavamse à incidência do PIS e da Cofins. Não se conheceu do recurso no tocante à incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, tendo em vista que a matéria não fora oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância. O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência (fls.1053 a 1117), suscitando divergência em relação a duas matérias: (i) efeitos jurídicos no processo de desmutualização das bolsas; e (ii) juros sobre multa de ofício. O Recurso Especial do sujeito passivo foi admitido parcialmente, apenas em relação aos efeitos jurídicos no processo de desmutualização das bolsas, conforme despacho de admissibilidade às fls. 1241 a 1248. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls.1252 a 1264. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi parcialmente admitido, apenas em relação aos efeitos jurídicos no processo de desmutualização das bolsas, conforme despacho de admissibilidade às fls. 1241 a 1248. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.270 4 Em relação à primeira matéria efeitos jurídicos no processo de desmutualização das bolsas configurase a divergência jurisprudencial suscitada. Enquanto o acórdão recorrido decidiu pela incidência do PIS e da COFINS sobre os valores auferidos pelos contribuintes em razão da venda das ações por eles recebidas em virtude do processo de desmutualização das bolsas, os acórdãos paradigmas, em sentido diverso, entenderam pela não incidência das contribuições. Diante da comprovação dos dissídios jurisprudenciais alegados e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço integralmente do recurso. Dos efeitos jurídicos no processo de desmutualização das bolsas Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre auto de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, incidentes sobre o resultado da venda de ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F), que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram nas referidas sociedades anônimas. Como conseqüência da operação de “desmutualização”, os detentores dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. A Fiscalização considerou que as ações recebidas nessa operação deviam ser contabilizadas no Ativo Circulante e que o resultado de sua venda compunha a base de cálculo das contribuições (faturamento ou receita operacional bruta). O contribuinte, por seu turno, defende que as ações devem ser classificadas no Ativo Permanente, da mesma forma que os títulos das associações anteriormente possuídos, e que, quando de sua venda, não se submetem à incidência das contribuições. Para o deslinde do litígio, necessário se torna discorrer sobre os pormenores da referida operação de "desmutualização". I Antecedentes da "desmutualização". Antes da referida "desmutualização", as bolsas de valores adotavam a forma "associação civil sem fins lucrativos", tendo como função primordial a manutenção de um sistema adequado para a negociação de valores mobiliários. A autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, encontravase disciplinada pela Lei nº 4.728/1965, sendo que, com a edição da Lei nº 6.385/1976, criouse a Comissão de Valores Mobiliários que passou a disciplinar o mercado e as operações realizadas nas bolsas de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.271 5 SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.272 6 sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução CMN nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/1989, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreende seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social é dividido em títulos patrimoniais, adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. De acordo com o art. 3º, § 2º, do Regulamento anexo à Resolução nº CMN nº 1.655/1989, para operar no mercado de capitais, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deviam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades: Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.273 7 como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), nos termos da Resolução CMN nº 1.645/1989, também foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos, direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. Dessa forma, as sociedades corretoras possuíam, antes da operação de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis sem fins lucrativos denominadas Bovespa e BM&F. Em 1997, houve a primeira operação de reestruturação da Bovespa, quando se criaram duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da Bovespa e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da Bovespa, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. II A "desmutualização" da Bovespa e da BM&F. Em 2007, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, por meio de cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa reestruturação, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na Bovespa foram trocados por ações das novas companhias (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.), sendo essa operação que recebeu a alcunha de "desmutualização". A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.274 8 A associação civil sem fins lucrativos denominada Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007 e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007 e seguiu modelo jurídico similar ao da Bovespa, a saber: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em decorrência dessa reestruturação, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, à “desmutualização” seguiuse a abertura do capital das companhias resultantes para a negociação de suas ações em bolsas de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes a essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio do “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de "desmutualização" quando da Oferta Pública Inicial (IPO). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, compromissos de alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e entre a Bovespa Holding S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a Bovespa Holding S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.275 9 (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Ao final, em assembleias realizadas em 8 de maio de 2008, aprovaramse as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da Bovespa Holding S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F Bovespa S.A. III Efeitos contábeis da "desmutualização". Originalmente, os títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução das associações e as subsequentes subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F Holding), as corretoras deixaram de possuir títulos patrimoniais e passaram a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; (g.n.) Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.276 10 II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A definição da forma de escrituração das ações no ativo da empresa se baseia na intenção do detentor de permanecer como proprietário das ações a título de investimento permanente ou de negociálas no curto prazo, situação em que devem ser contabilizadas no Ativo Circulante. Desde o início do processo de "desmutualização", ficou definido que os detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, após o recebimento das ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetuariam a venda dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, a ela foram outorgados poderes para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, ficou claro que a recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de "desmutualização" da BM&F, no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Definiuse, também, que as sociedades corretoras alienariam um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.277 11 Destaquese que o acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso de venda, mas não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa. Nesse caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento e registradas, em sua integralidade, no Ativo Permanente. Nessa toada, em atendimento ao art. 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976, a corretora deveria ter contabilizado os direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que, em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas era que devia ter sido considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. IV Efeitos fiscais da "desmutualização". A incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins. Conforme acima apontado, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido contabilizadas no Ativo Circulante, devendo o produto de sua venda se submeter à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, por se configurar receita bruta operacional. Os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta auferida pelo sujeito passivo será objeto de incidência das contribuições, verbis: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (...) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Dessa forma, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela Bovespa Holding S.A., integra a sua receita bruta operacional, uma vez que as corretoras de valores mobiliários têm como objeto social ou como atividade principal a subscrição e venda de títulos no mercado financeiro, conforme se depreende do contido no art. 2º da Resolução CMN nº 1.655/1989: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. Nesse sentido, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., a corretora exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação e, portanto, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/19981 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita bruta operacional. 1 Nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nº 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), relacionadas à sua atividade Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 16327.000113/201042 Acórdão n.º 9303004.558 CSRFT3 Fl. 1.278 12 Portanto, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A., decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso se sujeitarem à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Fl. 1291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723020/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALIDADE.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), que considera a aptidão agrícola do imóvel, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA.
A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua isenção, mesmo se desacompanhada de ADA.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO.
Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de preservação permanente é necessário a entrega do ADA tempestivamente junto ao IBAMA.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO.
Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de interesse ecológico é necessário, também, a apresentação de ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconheça como de interesse ecológico.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 328,5ha, mantendo a glosa das demais áreas, por falta de documentação comprobatória, e o arbitramento do Valor da Terra Nua - VTN.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALIDADE. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), que considera a aptidão agrícola do imóvel, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua isenção, mesmo se desacompanhada de ADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de preservação permanente é necessário a entrega do ADA tempestivamente junto ao IBAMA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de interesse ecológico é necessário, também, a apresentação de ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconheça como de interesse ecológico. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.723020/2010-95
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673188
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.870
nome_arquivo_s : Decisao_13603723020201095.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA BROSE ADOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 13603723020201095_5673188.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 328,5ha, mantendo a glosa das demais áreas, por falta de documentação comprobatória, e o arbitramento do Valor da Terra Nua - VTN. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6618092
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689057988608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 112 1 111 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.723020/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.870 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALIDADE. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), que considera a aptidão agrícola do imóvel, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua isenção, mesmo se desacompanhada de ADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de preservação permanente é necessário a entrega do ADA tempestivamente junto ao IBAMA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de interesse ecológico é necessário, também, a apresentação de ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconheça como de interesse ecológico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 30 20 /2 01 0- 95 Fl. 112DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 328,5ha, mantendo a glosa das demais áreas, por falta de documentação comprobatória, e o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório Tratase de notificação de lançamento nº 06110/00050/2010 resultante de lançamento suplementar do ITR/2007, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Jangada” (NIRF 1.322.4565), com área total declarada de 1.886,2 ha, localizado no município de Brumadinho/MG, tendo a autoridade fiscal glosado integralmente as áreas ambientais informadas de preservação permanente (375,8 ha), de reserva legal (328,5) e de interesse ecológico (971,7 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 1.320.340,00 (R$ 700,00/ha), arbitrandoo em R$ 3.772.400,00 (R$ 2.000,00/ha), conforme demonstrativo de e fl. 09. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese que: a) discorda do procedimento fiscal, pela glosa das citadas áreas ambientais e por arbitrar um VTN com base no SIPT da RFB, sistema esse discricionário e inacessível à contribuinte, em evidente afronta aos princípios da estrita legalidade, do contraditório e da ampla defesa, sendo inconteste a nulidade dessa autuação; b) as referidas áreas ambientais estão legalmente isentas, apenas pela declaração da contribuinte, sendo desnecessária a apresentação do ADA, por afronta aos princípios da verdade material e da legalidade, além de estar devidamente averbada a área declarada de reserva legal; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13603.723020/201095 Acórdão n.º 2301004.870 S2C3T1 Fl. 113 3 c) transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do TRF1ª R e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, além de ensinamentos doutrinários, para referendar seus argumentos; e d) requer seja julgada procedente sua impugnação e declarada a total insubsistência da autuação fiscal. Em 19/09/2012, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão nº 0349.310 (e fls. 70/79): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade requerida. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para essas áreas ambientais serem excluídas do ITR, devem ter o reconhecimento como de interesse ambiental pelo IBAMA ou o requerimento em tempo hábil do respectivo ADA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal e do ato específico, emitido por órgão competente, para a área de interesse ecológico. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2007 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART/CREA, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, demonstrando de forma convincente o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do imposto, e suas peculiaridades desfavoráveis. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 87/97) repisando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 114DF CARF MF 4 Conselheiro Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele conheço e passo a sua análise. Preliminar de Nulidade O recorrente pleiteia a nulidade da autuação fiscal por cerceamento de defesa sob o argumento de desconhecimento dos critérios utilizados pelo Fisco para arbitrar o valor da terra nua. Entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que a autuação preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e, o recorrente foi informado dos valores considerados para a definição do arbitramento pelo SIPT Sistema de Preços de Terra, tanto na Intimação quanto na Notificação de lançamento. Além do que lhe foi dado o direito de apresentar laudo técnico que confirmasse os valores declarados em sua DITR. Também se observa, que o SIPT utilizado (efl. 6) levou em consideração a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual o arbitramento deve ser mantido, pois atendeu o disposto no art. 14, § 1º da Lei nº 9.396, de 1996, c/c art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; (capacidade potencial da terra) (...) Portanto, ao deixar de apresentar laudo de avaliação registrado no CREA que demonstrasse a veracidade das informações prestadas em DITR com relação ao Valor da Terra Nua, correto o procedimento fiscal de arbitrar tal valor com base nos valores constantes do SIPT, que considerou a aptidão agrícola do imóvel. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13603.723020/201095 Acórdão n.º 2301004.870 S2C3T1 Fl. 114 5 Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Glosa das Áreas de Reserva Legal, de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico Com relação à glosa das áreas declaradas de Reserva Legal (328,5ha), de Preservação Permanente (375,8ha ) e de Interesse Ecológico (971,7ha) alega o recorrente que a declaração dessas áreas na DITR para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, goza de presunção relativa, com fundamento no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: ... II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; ... § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Com relação a este argumento, cumpre salientar que referido parágrafo visava, essencialmente, permitir que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA fosse realizado em momento posterior ao da entrega da DITR, sem que com isso, o contribuinte fosse prejudicado em eventual isenção a que fizesse jus, com relação às áreas de reserva legal e de preservação permanente. Verificase que o dispositivo citado pelo recorrente não se aplica à isenção das áreas de interesse ecológico, que devem ser assim declaradas mediante ato do Poder Público. Fl. 116DF CARF MF 6 Por sua vez, a necessidade de apresentação do ADA para fins de isenção do ITR encontra respaldo no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, com redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, conforme a seguir. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural –ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Conforme o art. 111 da Lei nº 5172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O recorrente deixou de apresentar ADA tempestivamente requerido ao IBAMA, bem como quaisquer outros documentos, tais como: Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do artigo 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal) acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; Ato especifico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural. Portanto nenhum documento que comprove as áreas de preservação permanente e de interesse ecológico foi juntado aos autos afim de demonstrar a veracidade das informações constantes da DITR. Entretanto foi apresentada a Matrícula do Imóvel nº 14.769 (efls. 24/26), "Fazenda da Jangada" na qual consta a averbação (AV214.769), em 29/08/2000, de área de reserva legal totalizando 328,48ha, conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datado de 27/04/2000, portanto, em data anterior ao do lançamento efetuado. Nesse sentido o Acórdão nº 9202003.437, da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, julgado na sessão de 22/10/2014, entendeu que averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13603.723020/201095 Acórdão n.º 2301004.870 S2C3T1 Fl. 115 7 Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrida não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. (grifamos) No mesmo sentido, o recente Acórdão nº 9202004.362 (25/08/2016): Assim, resta claro que a motivação da glosa total da ARLÁrea de Reserva Legal foi a falta de apresentação do ADAAto Declaratório Ambiental, sendo que foi comprovada a averbação de 7.396,89 hectares. (...) Nesse passo, filiome ao posicionamento adotado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a averbação da ARL à margem do registro do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, que no presente caso ocorreu em 1º/01/2001, supre a necessidade de apresentação do ADA. Conclusão Pelo exposto, voto em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 328,5ha, mantendo a glosa das demais áreas, por falta de documentação comprobatória, e o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN. É como voto. Fl. 118DF CARF MF 8 Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001128/2010-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008
TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO
As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.853
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Maria Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Demes Brito - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.001128/2010-28
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5622237
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.853
nome_arquivo_s : Decisao_16327001128201028.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327001128201028_5622237.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Maria Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Demes Brito - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6468732
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689085251584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 52; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.044 1 1.043 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001128/201028 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.853 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria PIS/COFINS Recorrente CITIGROUP GLOBAL MARKETS BRASIL, CORRETORA DE CÂMBIO,TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 28 /2 01 0- 28 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.045 2 Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Maria Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Demes Brito Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo CITIGROUP GLOBAL MARKETS BRASIL, CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. contra o Acórdão nº 3302001.839, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, entendendo que para a sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, constitui receita própria da atividade a decorrente da venda de ações adquiridas para esse fim compondo seu resultado a base de cálculo das contribuições pelo PIS e Cofins. O Colegiado dessa turma acordou, pelo voto de qualidade, que a receita da venda de ações oriunda da “desmutualização da bolsa” conversão das bolsas antigas (associações sem fins lucrativos) em sociedade com fins lucrativos constituídas sob forma de sociedade anônima – estaria sujeita à incidência de PIS e Cofins, sendo publicado acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.046 3 Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic. Recurso Voluntário Negado” Para melhor compreensão dos pontos de discussão, importante trazer parte do voto do relator, que contempla as particularidades do caso concreto (Grifos meus): “[...] Inicialmente, analisase a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, à vista da disposição do art. 62ª do Regimento Interno do Carf e do RE n. 609.096. A ementa do acórdão de repercussão geral do referido RE foi a seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.047 4 Podese verificar que se trata de incidência de Cofins e PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, natureza que, em determinado momento da defesa, a Interessada avoca para definir os resultados tributados no presente auto de infração. Há dois aspectos distintos a serem analisados: primeiramente, a de se a Cofins incide sobre receitas financeiras por ser a obtenção de tais receitas própria da atividade das instituições e, além disso, a existência ou não de sobrestamento dos processos no âmbito do próprio STF. Em relação à primeira questão, como se verá mais adiante, a conclusão dependeria da análise do mérito da matéria, em que se discute a natureza específica dos valores sujeitos à tributação. No tocante à segunda, não houve, no acórdão mencionado, ordem de sobrestamento dos recursos extraordinários, condição para o sobrestamento dos recursos administrativos no âmbito do Carf, de acordo com o dispositivo citado do Ricarf e a Portaria Carf n. 1, de 2012. Além disso, no julgamento da Petição n. 73.745/201STF, em que a Febraban, ao solicitar sua inclusão no processo como “amicus curiae”, requereu o sobrestamento das demais ações e recursos, o relator destacou o seguinte: Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese Brasília, 10 de junho de 2011. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.048 5 Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Portanto, nada disse o relator sobre o sobrestamento dos RE que estariam pendentes de julgamento no âmbito do STF, condição requerida para o sobrestamento dos recursos no âmbito do Carf. Portanto, não é o caso de sobrestar o julgamento do recurso. Feitas as considerações acima, passo à análise do mérito do recurso. A Fiscalização considerou, para concluir que a totalidade das vendas de ações estaria sujeita à incidência das contribuições, os fatos de que a empresa tem como objeto social a negociação de títulos e valores mobiliários, de que adquiriu as ações em questão para revenda e que as vendeu, representando o produto da venda faturamento de venda de mercadorias. À vista das questões levantadas no recurso, as questões a serem analisadas são: a natureza do resultado da venda das ações após a desmutualização; a caracterização do resultado da venda como faturamento; e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação à primeira questão, a Interessada alegou, em resumo, que teria havido apenas transformação do patrimônio, que se trataria de bens classificados no ativo permanente e que, portanto, não estaria o resultado sujeito à incidência das contribuições. Em relação a aspecto importante da questão, devidamente destacado abaixo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu o seguinte, na AC n. 313.991 (processo n. 000870605.2008.4.03.6100): TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.049 6 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. [...] 13. Apelação improvida. Portanto, segundo os fundamentos acima citados, os quais adoto plenamente, não houve, no caso, mera transformação para além do objetivo de continuidade e preservação patrimonial, mas alteração substancial do direito em questão, uma vez que a Interessada não era, anteriormente, detentora de ações da nova sociedade. Essa conclusão não é suficiente ao raciocínio que permite a tributação pela contribuição, uma vez que, segunda a Interessada, tratarseia de bem do ativo permanente e não do circulante. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.050 7 A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007. Ao contrário do que alegado pela Interessada, a operação, embora não houvesse documentação formal a respeito de seus passos constituída previamente, teve todos esses passos planejados desde o começo, para a consecução do objetivo de formar a nova Bolsa de Valores. Ainda assim, quanto à incidência das contribuições, restaria saber qual a natureza específica das receitas decorrentes da alienação das ações. Alega a Interessada que não representaria faturamento, conceituado como receita bruta da venda de produtos e serviços, à vista da inconstitucionalidade parcial do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. De fato, a tributação das referidas operações ou é efetuada de acordo com o que foi acima exposto ou de acordo com os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, uma vez que o caput do referido artigo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo os referidos §§, as exclusões seriam as mesmas do PIS, definidas na Lei n. 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas ações, conforme já exposto anteriormente, ainda que não represente tal venda, estritamente, faturamento de venda de mercadorias e serviços. Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização claramente referiuse ao resultado operacional como parte da base de cálculo das contribuições. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.051 8 Portanto, o produto das referidas vendas está sujeito à incidência de PIS e Cofins, pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras. Finalmente, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, esta matéria foi suscitada pela Recorrente na Impugnação, devidamente apreciada pela decisão recorrida, e reiterada no Recurso Voluntário. Vejase que a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 84 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 13, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.052 9 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício. Quanto à adoção da taxa Selic, aplicase a Súmula Carf n. 4 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. José Antonio Francisco” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, com o cancelamento integral dos autos de infração, considerando que houve mera troca de ativos e não devolução de patrimônio, bem como ser indevida a incidência do PIS e da Cofins sobre o valor correspondente à receita auferida com a venda de bens do ativo permanente. Ademais, trouxe também a questão da aplicabilidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.053 10 O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 996/1000 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho – o que, para melhor compreensão, reproduzo parte (Grifos meus): “Há duas controvérsias suscitadas. A primeira referese à classificação/manutenção no Ativo Permanente das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação e a conseqüente tributação de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas destas ações. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou os paradigmas de nº 3403001.757 e nº 3403001.734, ambos proferidos pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403001.757: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pelas segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.054 11 sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. Acórdão nº 3403001.734: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. No acórdão recorrido restou decidido que a receita da venda das ações recebidas no processo de desmutualização deveria sofrer a tributação para o PIS e Cofins, pois que deveriam ser classificadas no Ativo Circulante e sua venda configuraria receita operacional da recorrente, conforme concluise do excerto abaixo, extraído do voto condutor: “A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007. [...] Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.055 12 ações, conforme já exposto anteriormente, ainda que não represente tal venda, estritamente, faturamento de venda de mercadorias e serviços. Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização claramente referiuse ao resultado operacional como parte da base de cálculo das contribuições. Portanto, o produto das referidas vendas está sujeito à incidência de PIS e Cofins, pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras.” Portanto, a confrontação entre as ementas e o excerto acima comprova a divergência, pois no acórdão recorrido decidiuse pela classificação das ações recebidas no Ativo Circulante e sua conseqüente tributação como receita operacional, enquanto, em ambos paradigmas, decidiuse pela manutenção no Ativo Permanente, e, consequentemente, pela exclusão da receita de vendas das referidas ações da base de cálculo do PIS e Cofins. A segunda controvérsia suscitada referese à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou os paradigmas de nº 910100.722 e nº 130200.655. Transcrevese a ementa do Acórdão nº 910100.722, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. No acórdão recorrido, restou assentado no voto condutor que os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme excerto abaixo: “A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício.” Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.056 13 Portanto, comprovada a divergência quanto à incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício, sendo desnecessária a análise do segundo paradigma indicado. Verificouse que a(s) matéria(s) foi(ram) prequestionada(s), o(s) paradigma(s) apresentado(s) foi(ram) proferido(s) por colegiado(s) distinto(s) do da decisão recorrida e não sofreu(ram) reforma e não foi constatado que a(s) tese(s) paradigma(s) tenha(m) sido superada(s) pela CSRF. Portanto, presentes os pressupostos de admissibilidade, deve o recurso especial ser admitido. Procedida à análise com fundamento nos arts. 24 e 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, e tendo em vista o disposto no art. 18, III, também do Anexo II do RICARF, submeto este exame de admissibilidade ao Presidente da 3a Câmara da 3a Seção de Julgamento do CARF. Assinado digitalmente Paulo Guilherme Déroulède Conselheiro Titular” A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 1004 a 1037, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto, mantendose integralmente o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama O Recurso é tempestivo e entendo que deva ser admitido integralmente, considerando os paradigmas apresentados pelo sujeito passivo, conforme bem analisado pelo Presidente de 3ª Câmara no Despacho de fls. 996/1000. O que concordo em sua integralidade. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, pois tempestivo. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.057 14 Ventiladas tais considerações, passo a iniciar a análise das matérias conhecidas do Recurso Especial do sujeito passivo. Primeiramente, no que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que assiste razão a recorrente ao ter mantido o registro das referidas ações em conta do Ativo Permanente. Nessa operação, vêse que a Bovespa Associação, através da cisão, verteu parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A. A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...]” “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil1, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.058 15 Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.059 16 Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendêlo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.060 17 por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.061 18 reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civil anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.062 19 b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.063 20 associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais : Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal,estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.064 21 indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. [...] Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.065 22 A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.066 23 sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.067 24 Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Na mesma linha, transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim exarado no acordão 3403003447: “[...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.068 25 HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.069 26 desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.070 27 estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigalo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.071 28 Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, indepentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.072 29 os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; (b) mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que, no presente caso, as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e Cofins. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.073 30 não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer os seguintes limites: · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Portanto, vêse que não há que se considerar “engessadamente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si própria – pois sua Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.074 31 atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da Cofins sob a sistemática da cumulatividade. Vêse que as corretoras operam com a carteira própria eventualmente para corrigir eventuais situações de erro operacional – Conta Erro, tendo operadores específicos para Arbitragem e para a função de Market Maker. O que resta afastar a pretensão de considerar que a receita auferida pela venda dessas ações objeto de substituição seriam enquadradas como receitas de suas atividades – para fins de se tributálas pelo PIS e Cofins. Eis que para tais sociedades consideramse como receitas de sua atividade – as comissões e taxas oriundas da intermediação de operações realizadas pelos investidores clientes. Proveitoso trazer que a recorrente ainda vendeu parte dessas ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais em 2008, o que também se torna evidente que não tinha intenção de venda no momento do registro contábil dessas ações. Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins. Quanto à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, ainda que já tenha apresentado manifestação favorável a questão principal, expresso que, relativamente à esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.075 32 pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)” Nesse ínterim, somente considerando esse dispositivo, vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Nessa senda, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN, in verbis: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Tal dispositivo traz que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades assecuratórias. Ademais, temse ainda que, caso ignorássemos tais dispositivos e forçosamente invocássemos o art. 113 do CTN para entender que há incidência de juros sobre a multa de ofício, in verbis (Grifos meus): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.076 33 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Vêse que, mais uma vez, não há como se interpretar que seria cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício, eis que o art. 113, § 1º, do CTN traz que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador. Ora, e qual débito surge com o fato gerador do tributo? O débito que surge com o fato gerador do tributo é o próprio “valor principal” – valor do tributo apurado nos termos da legislação vigente. Entender que a multa de ofício surge com o fato gerador do tributo seria extrapolar a natureza dessa multa, vez que tal multa somente passa a existir com o lançamento de ofício. A motivação de sua existência não é a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim o lançamento de ofício. Sendo assim, tornase equivocado defender ser aplicável os juros sobre a multa de ofício, invocando o art. 113 e o art. 139 do CTN, sob a alegação de que: · O crédito tributário decorre da obrigação principal, nos termos do art. 139 do CTN; · A obrigação principal abrange o valor principal do tributo e as penalidades pecuniárias, nos termos do art. 113, inciso I, do CTN; · Então, o crédito tributário é composto pelo valor principal e multa de ofício; e · Sendo assim, seria aplicável os juros de mora sobre a multa de ofício, por compor o débito tributário a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. Proveitoso também trazer que não há como se invocar o art. 113. § 2º, do CTN para se defender que a obrigação acessória convertese em obrigação principal, vez que a obrigação principal somente ocorre com a ocorrência do fato gerador. O que não é o caso da multa de ofício. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.077 34 Sendo assim, a interpretação equivocada não merece prosperar. Vejamos: 1. Traz o art. 139 do CTN (Grifos meus): “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 2. O art. 139, assim, considera que o crédito tributário surge com a obrigação principal; 3. Traz o art. 113, § 1º, do CTN: “[...] § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” 4. O art. 113, § 1º c/c o art. 139, do CTN, portanto, diz que o crédito tributário decorre com a obrigação principal que, por sua vez, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo; 5. O que se conclui que o crédito tributário não poderia ser composto pelo valor da multa de ofício, eis que tal multa não surge com o fato gerador do tributo, mas com o lançamento de ofício; 6. Por conseguinte, não há que se falar em aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 e do art. 161 do CTN, vez que tais juros somente incidem sobre o crédito tributário. Em vista de todo o exposto, entendo que não são aplicáveis juros sobre a multa de ofício. Frisese tal entendimento o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível também ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial nº 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.027), da 1ª Turma Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.078 35 Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 (Acórdão nº 220100.126). Aproveito ainda trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício. Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. E o art. 29 referendado no dispositivo (Grifos meus): “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos “de qualquer natureza” tratados no art. 30, caput, da Lei, são específicos – ou seja, somente são aqueles decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94, nos termos do art. 29 da Lei 10.522/02. Sendo assim, apenas trago que não há também como se aplicar os juros sobre a multa de ofício, invocando tais dispositivos e cegandose a literalidade da norma. O que resta a essa conselheira entender que assiste razão ao contribuinte nessa parte, sob pena de afrontarmos o CTN e extrapolarmos os dizeres da legislação vigente. Em vista de todo o exposto, conheço do Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, dandolhe provimento. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.079 36 Voto Vencedor Demes Brito Conselheiro Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de seus fundamentos. Explico: Com efeito, compete a esta 3º Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, conforme art. 64,II, arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do "CARF" a época do Recurso Interposto. Como bem esclarecido, o Recurso Especial se presta analisar interpretação divergente da legislação tributária aplicada por outra Câmara ou turma da CSRF. No presente caso, a controvérsia cravase na discussão dos efeitos jurídico tributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” das bolsas, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A). Matéria que subiu para o colegiado julgar. Neste sentido, não há qualquer controvérsia quanto a períodos não abrangidos pela operação ou qualquer outra tese de fundo. Passo ao Voto. Objeto da lide Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da BM&F S/A, relativo aos períodos de apuração 31/10/2007, 30/11/2007 e 30/04/2008, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como conseqüência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. Por seu turno, a Fazenda Nacional alega que as ações recebidas deveriam compor o “ativo circulante” e, quando da venda, haveria a incidência das contribuições; por outro lado, sujeito passivo entende que as ações deveriam ser classificados no “ativo permanente”, da mesma forma que os títulos anteriormente possuídos, e, quando da venda, não sofreriam a incidência das contribuições. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.080 37 Para concluirmos quais são os efeitos jurídicotributários decorrentes do processo de "desmutualização" das bolsas, temos que verificar se as receitas decorrentes das vendas das ações seriam tributadas pelas contribuições PIS/COFINS, percorrendo de modo pragmático o processo de reestruturação societária, incluindo os dispositivos legais sobre o tema, e a correta forma de contabilização das ações recebidas no processo. Dos Títulos Patrimoniais da BM&F Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.081 38 V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.082 39 § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores Em 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi instituída mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou encarregada de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.083 40 suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em conseqüência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.084 41 Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.085 42 continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Do Regime Jurídico das Associações e seus Reflexos Tributários A lide cravase também quanto a questão controvertida no que diz respeito ao regime jurídico a que se submetiam as Bolsas de Valores (Bovespa e BM&F) ao tempo das “operações societárias” de 2007. A Contribuinte defende a aplicação do regime próprio das sociedades anônimas, sendo plenamente aplicável, segundo ela, os institutos da cisão, fusão e incorporação. E ainda, teria havido uma cisão das Bolsas (Bovespa e BM&F) seguida de incorporação da parcela do patrimônio pelos respectivos associados. Ora, ao final da operação, os antigos associados, detentores de títulos patrimoniais, passaram à condição de acionistas das Sociedades Anônimas instituídas. Penso que o regime jurídico a que se submetiam as Bolsas ao tempo das operações só pode ser aquele próprio das associações sem fins lucrativos. Ademais, as normas sobre as associações sem fins lucrativos não contemplam os institutos da cisão, incorporação ou fusão. Certo de que, o enquadramento em um regime jurídico ou outro traz conseqüências tributárias distintas. Sem embargo, a Contribuinte defende que a cisão seguida de incorporação não produz qualquer efeito fiscal quando efetuada a valor contábil, eis que, nesse caso, segundo o contribuinte, não há qualquer acréscimo patrimonial a ser tributado. Discordo, o processo de "desmutualização das Bolsas" culminou com a extinção das respectivas Associações sem fins lucrativos. A extinção das associações, isentas, conduziu a uma devolução de patrimônio social a Contribuinte, não tendo o mesmo oferecido a tributação de ganho auferido. Neste passo, observase que as teses de aplicação do regime jurídico da lei nº 6.404/76 (sociedade por ações) não poderia ter siso aplicado à época dos fatos geradores, oriundos das operações de desmutualização levadas a termo pelas Bolsas. Por outro lado, a Contribuinte suscita que a incorporação, a cisão e a fusão da bolsa de valores eram plenamente aplicável ao caso concreto. Neste sentido, vejamos o que o artigo 5º da Resolução CNM nº 2.690/2000, dispõe: Art. 5º O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.086 43 inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: [...] VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores; [...] Portanto, para os mais aguerridos e apaixonados pela tese, esqueceram de observar a Resolução CNM nº 2.690/2000, a qual, permite que as bolsas de valores á época poderiam ser constituídas como Associações Civis ou como Sociedades Anônimas. Eis que o artigo 1º, da Resolução CMN, também elucida de modo pragmático a questão. Vejamos: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 6º O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 7º As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. (...) Como demonstrado, a Resolução CMN nº 2.690/2000 faculta a constituição societária de qualquer uma das formas, seja por meio de associação civil sem fins lucrativos ou sociedade anônima. Assim, as bolsas de valores poderiam traçar diretrizes tanto para as que adotaram a estrutura jurídica de associação ou quanto para aquelas que adotaram a forma de S.A. Por outro lado, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização indica sua aplicação somente às sociedades empresárias. Ainda assim, não penso como os que defendem a aplicação de institutos próprios de sociedades empresárias com fundamento em interpretação literal e isolada do artigo 2033, verbis: Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.087 44 Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Da interpretação do dispositivo legal, ainda que se admita a aplicação de cisão, incorporação, às sociedades civis, não se pode furtar das conseqüências contidas no artigo 61 do Código Civil. Ou seja, caso se entenda aplicável os institutos da cisão e incorporação às sociedades civis, por força de interpretação isolada do Art. 2.033 do CC, as estipulações próprias à natureza de sociedades civis sem fins lucrativos não podem ser desprezadas, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, prestigiado até mesmo pelo citado artigo 2.033. Contudo, o art..2.033 ressalva sua aplicação em caso de legislação específica. No que se refere às associações civis, a Lei nº 6.015, de 1973, não versa sobre os institutos de fusão, cisão, incorporação e transformação para as associações civis. Portanto, a matéria possui tratamento específico e exclusivo nos artigos 53 a 61 do Código Civil. Em todos os artigos do Codex que versam sobre as Associações fica claro o distanciamento entre elas e a finalidade econômica. Ainda que fosse admitido o apelo da Recorrente, a aplicação de institutos como transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias, apenas para mitigar a solução das atividades desenvolvidas pelas Bolsas de Valores, me parece discrepante dos regimes jurídicos legais, não há como se furtar das normas, considerando que os associados receberam de volta o patrimônio e utilizaramse do mesmo para integralização das ações na sociedade Anônima. Dos Efeitos dos Registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (BM&F Holding), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.088 45 III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a Recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.089 46 poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita bruta operacional. Ressaltando que o sujeito passivo exerce atividade de corretora de valores mobiliários, e tem como atividade principal subscrever títulos para revendelos no mercado futuro. Aliás, essa característica das corretoras está expressamente delineado no art. 2º da Resolução nº 1.655/89: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. (destaques não constam no original) Temse que a recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.090 47 Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, o Supremo Tribunal Federal STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Da incidência de juros (SELIC) sobre multa de ofício A Contribuinte contesta pela não incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Adoto, no presente voto, as razões de decidir do acórdão nº 9303002.399, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Vejamos: "Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.091 48 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise [...] que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR1, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Contudo, o entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Portanto, correta a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Da Jurisprudência dos Tribunais sobre a "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento utilizado no presente voto. Vejamos: 1 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.092 49 TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisa se em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.093 50 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.094 51 TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃOVistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário.Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 do Código Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tão somente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 9303003.853 CSRFT3 Fl. 1.095 52 equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados. "AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 000116433.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3. Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo, para fins de liquidação do julgado, a Unidade Preparadora deverá observar a incidência dos juros moratórios de todo período guerreado. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 31/07/2016 por DEMES BRITO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001372/2004-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL-20. REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS APLICADOS À PRODUÇÃO. PREÇO DE REVENDA. RESTRIÇÃO INDEVIDA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA.
A previsão expressa da aplicação do PRL-60 a bens importados aplicados à produção passou a vigorar apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000 que alterou o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O § 1º do art. 4º da IN SRF nº 38, de 1997 transbordou da sua competência normativa proibir aplicação do PRL-20 para bens submetidos à transformação para posterior revenda, vez que entrou em conflito com a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9101-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL-20. REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS APLICADOS À PRODUÇÃO. PREÇO DE REVENDA. RESTRIÇÃO INDEVIDA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. A previsão expressa da aplicação do PRL-60 a bens importados aplicados à produção passou a vigorar apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000 que alterou o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O § 1º do art. 4º da IN SRF nº 38, de 1997 transbordou da sua competência normativa proibir aplicação do PRL-20 para bens submetidos à transformação para posterior revenda, vez que entrou em conflito com a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.001372/2004-42
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5672709
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.507
nome_arquivo_s : Decisao_16327001372200442.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001372200442_5672709.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6614291
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689117757440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.397 1 1.396 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001372/200442 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.507 – 1ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente MERCK SHARP & DOHME FARMACEUTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS APLICADOS À PRODUÇÃO. PREÇO DE REVENDA. RESTRIÇÃO INDEVIDA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. A previsão expressa da aplicação do PRL60 a bens importados aplicados à produção passou a vigorar apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000 que alterou o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O § 1º do art. 4º da IN SRF nº 38, de 1997 transbordou da sua competência normativa proibir aplicação do PRL20 para bens submetidos à transformação para posterior revenda, vez que entrou em conflito com a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 72 /2 00 4- 42 Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.398 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório MERCK SHARPP & DOHME FARMACÊUTICA LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 1.276/1.307, contra o Acórdão nº 1302 00.266, de 20 de maio de 2010 (efls. 1.252/1.270), que, por maioria de votos, negou provimento ao seu recurso voluntário anteriormente manejado, nos seguintes termos: Ementa: IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS. DECADÊNCIA. As antecipações de IRPJ e CSLL, a título de estimativas, não modificam a data do fato gerador, o qual se submete às regras do regime eleito pelo contribuinte, que in casu é o Lucro Real Anual. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.PRODUTOS APLICADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o produto importado, ao invés de ser revendido, é incorporado, ainda que com pouca representatividade, ao produto final, descabe aplicar, considerada a legislação vigente A. época da ocorrência dos fatos, o método de determinação do prego parâmetro que exige, para a sua utilização, os preços de revenda desse mesmo produto. A Instrução Normativa n° 38/97, ao vedar, em sua redação original, a determinação do preço parâmetro com base no PRL para produtos importados aplicados na produção de outro bem, amoldase, por inteiro, As disposições do artigo 100 do Código Tributário Nacional, eis que cuidou, apenas, de explicitar preceito de lei. Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 910100.487, que recebeu a seguinte ementa: Acórdão nº 910100.487 Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.399 3 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4º, do mesmo artigo. AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados. O período de apuração dos preços médios deve ser o de ocorrência do fato gerador (trimestral ou anual). Recurso especial negado. Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a recorrente destaca o tema contra o qual se insurge: legalidade da restrição imposta pela IN SRF nº 38/97, que vedava, em sua redação original, a determinação do preço parâmetro com base no PRL para produtos importados aplicados na produção de outro bem. A contribuinte, em suas razões recursais, afirma ser inaplicável a IN SRF nº 38/97, uma vez que tal dispositivo teria inovado em relação à Lei nº 9.430, de 1996, por não possuir amparo em tal diploma legal e que seria possível a aplicação do método PRL a produtos utilizados no processo produtivo e não somente aos produtos estritamente revendidos. Ressalta que, no caso, não haveria produção de novo bem, na medida em que os princípios ativos importados não sofrem qualquer alteração em sua estrutura química, havendo apenas adição de excipientes inativos que não mudam a finalidade terapêutica de tais produtos. E que a auditoria fiscal, no que foi acompanhada pelo acórdão recorrido, não apresentou provas técnicas de que haveria, in casu, o referido processo industrial, limitandose a presumir que são produzidos novos bens com os princípios ativos importados. Indica que, admitindose a aplicação do método PIC, não teriam sido atendidas pela fiscalização as disposições do art. 21 da Lei nº 9.430, de 1996, e que seus produtos poderiam estar sendo comparados com outros de qualidade inferior, gerando distorção nos preços. Por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido a fim de que sejam cancelados os lançamentos. Por meio do Despacho de efls. 1.341/1.344, o Presidente da Terceira Câmara dá seguimento ao recurso, entendendo caracterizada a divergência jurisprudencial apontada. Na seqüência, a PFN apresenta Contrarrazões, em que, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que o método utilizado pelo recorrente para calcular o preço de transferência não permite descobrir qual o custo da matéria‑ prima Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.400 4 importada, uma vez que o método PRL, como disposto pela Lei nº 9.430/96, não prevê a possibilidade de dedução dos custos de produção para fins de apuração do preço de transferência, sendo certo que a pessoa jurídica possui outros custos de produção dos medicamentos. Aponta que o método PRL, estipulado pela Lei nº 9.430/96, não previa a hipótese de o recorrente agregar valor à matéria‑ prima importada, permitida posteriormente com a redação da Lei nº 9.959/2000, e que o custo de produção do medicamento vendido não foi segregado na apuração do preço de transferência dos princípios ativos importados, e assim o preço restou distorcido, o que justifica a atuação do Fisco. Salienta que não foi a IN SRF nº 38/97 que impediu a utilização do PRL pelo Recorrido e que essa limitação é inferida apenas com a leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96. A IN SRF nº 38/97 esclareceu algo que já se encontrava na Lei nº 9.430/96. Afirma que a fiscalização apurou os preços de transferência com base nos dados existentes e cuja utilização era possível; que a adoção do método PIC encontrava determinação na Lei nº 9.430/96 e que a recorrente, por seu turno, não teria logrado apresentar nenhuma prova de que a fiscalização errou no reajuste dos preços de transferência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como visto, alega a recorrente que a proibição, relativa ao período autuado (1999), de utilização do método PRL em relação aos bens aplicados à produção contida na IN nº 38, de 1997 art. 4º, § 1º não encontraria respaldo na Lei nº 9.430, de 1996, e que a Lei nº 9.959, de 2000, que criou um segundo percentual de lucro, de 60%, aplicável a partir do ano 2000 para os bens importados aplicados na produção, reconheceu a possibilidade de utilização do método PRL no presente caso. O comando normativo atacado não é ilegal, pois não criou, como afirma a recorrente, restrições não previstas em lei. Para tanto, transcrevese primeiro os trechos da mencionada IN, na redação vigente ao tempo dos fatos geradores: Normas Comuns aos Custos na Importação Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.401 5 nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. § 3º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado por um dos métodos de que tratam os arts. 6º e 13. § 4º Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. ....................................................................................................... Art. 6º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados PIC, definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. ......................................................................................................... Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: ......................................................................................................... Art. 13. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá, ainda, ser efetuada pelo método do Custo de Produção mais Lucro CPL, definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país, na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.402 6 Como também, transcrevese a lei, na redação vigente ao tempo dos fatos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.403 7 respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...) (Grifei) Da análise que faço depreendo que o comando normativo atacado não é ilegal, pois não criou, como afirma a contribuinte, acompanhada pelo colegiado a quo, restrições não previstas em lei. É que, se se analisar a lei vigente ao tempo dos fatos geradores, verificase que o inciso II do art. 18, que previa o método PRL, era bastante claro no sentido de que esse método somente permitia uma margem de lucro de 20%, e esta era calculada sobre o preço de revenda. Com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, temse: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (NR) (Grifei) Ou seja, após a Lei nº 9.959, de 2000, o legislador ainda repetiu a expressão “preço de revenda”, mas percebese que ele admitiu a possibilidade de aplicação do método, na hipótese de bens aplicados à produção. Antes do anocalendário de 2000, não havia essa previsão legal: o PRL era apenas aquele a que se refere o item “2” da alínea “d” acima transcrito, ou seja, somente para revenda, com margem de lucro de 20%. Por conseguinte, a IN SRF nº 37, de 1998, ao dispor que o método PRL não era aplicado indistintamente, e ao dizer que se o produto é aplicado na produção de outro bem só se podia usar PIC ou CPL, na verdade, quis deixar claro o que a lei, de forma implícita, já estabelecia. Por essa razão, não se pode dizer que a mencionada instrução normativa inova ou mesmo contraria a lei. Assim, com relação à possibilidade de aplicação da Lei n° 9.959/2000, é evidente que tal norma não era vigente à época dos fatos, de modo que o método PRL, com margem de lucro de 60%, na hipótese de matériasprimas aplicadas na produção de outro bem, só pode ser adotado para as operações de importação realizadas a partir de 1° de janeiro de 2000, conforme determina a Lei n° 9.959/2000, regulamentada pela IN SRF n° 113/2000, e consolidada pela IN SRF n° 32/2001. Logo, no período sob exame, há que se aplicar o disposto na Lei n° 9.430/96 e na IN SRF n° 38/97, em face do disposto no artigo 144 do CTN, que dispõe que "o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Por oportuno, refuto também o argumento de que a vedação ao PRL deveria estar expressa na lei, para que a IN assim o fizesse, pois há várias formas para um legislador Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.404 8 ordinário dispor sobre uma norma. No caso concreto, a lei dispôs sobre os três métodos e, ao estabelecer a sua forma de apuração, deixou implícito que o PRL seria no caso da revenda. Acrescento, quantos aos argumentos da Recorrente que defendem não se tratar o processo de produção de novo bem, ser de utilização recomendável os conceitos expressos na legislação do IPI, a mais apropriada para se desvendar aqueles que envolvem os processos produtivos industriais, por força do inciso I do artigo 108 do CTN. Os Regulamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados, RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82 e RIPI/98 Decreto n° 2.637/98 (vigentes à época dos fatos), em seus artigos 3° e 4°, respectivamente, com fundamento na Lei n° 4.502/64 e no artigo 46 do CTN, dispõem que caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); ou a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento). No presente caso, à luz dos Regulamentos do IPI, a adição de excipientes confere, de forma inconteste, características diversas à matéria prima importada e, assim, os medicamentos produzidos pela impugnante constituem bem diverso da matéria prima que lhes deu origem e quanto a isso não há dúvida. Os produtos obtidos após essas operações são, portanto, outros produtos, ainda que conservem em seu núcleo os respectivos princípios ativos. A hipótese de simples revenda estaria configurada, apenas, acaso a contribuinte revendesse os princípios ativos na condição em que os adquiriu, o que não é o caso. No que tange à necessidade de a fiscalização comprovar fatos técnicos alegados, no Termo de Constatação Fiscal, de efls. 692 e seguintes, a Fiscalização esclarece as intimações que efetuou para saber quais os princípios ativos utilizados na fabricação de cada um dos medicamentos citados, vendidos pela Recorrente. Aduz que solicitou cópia de certificado de análise de cada princípio ativo. Consta também que a fiscalização teve acesso às fichas com os códigos de movimentação de Estoque dos produtos. E a partir daí a Fiscalização concluiu: “2.2.1.5. Parece absolutamente claro que a atividade da empresa não se enquadra no conceito de revenda, ou seja, ela não torna a vender ao consumidor final as matériasprimas adquiridas anteriormente de pessoas vinculadas. Na realidade, a empresa as utiliza na fabricação de outros produtos (medicamentos), os quais são vendidos ao consumidor final.” Ora, se a contribuinte adquire princípios ativos e revende medicamentos, resta afastada a possibilidade de revenda. Por conseguinte, prescindese de uma avaliação técnica ou perícia ou algo parecido que a recorrente quer sugerir, para demonstrar que os princípios ativos foram utilizados na produção dos medicamentos. Mas a Fiscalização fez, sim, ainda algumas diligências junto a laboratórios. A título de exemplo, destaco a Intimação de efls. 292. Vejase que no item 5 a Fiscalização indaga: “ A substância é aplicada na produção de que medicamento?” E à fl. 289, o Laboratório Ìtaca esclarece que a “substancia maleado de enalapril é utilizada na fabricação do medicamento enalapril” e anexa certificado de análise. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.405 9 Além disso, citou a Decisão Cosit nº 1, de 1999 (processo nº 10880.018189/9897), cujas conclusões foram acatadas pelo colegiado a quo, nos seguintes termos: “1. as formulações e preparações a que são submetidos os princípios ativos provocam transformações nessas matérias primas, que representam custos e importam em agregação de valor, resultando, ao final, alterações das suas funções originais; 2. as formulações/preparações coincidem com as fases de transformação do produto, ficando patente a agregação de valor em cada etapa através de intervenção de mãodeobra e de máquinas sofisticadas até a obtenção do produto final; 3. o termo facilitar designa a ação de tornar ou fazer fácil, removendo obstáculos e/ou dificuldades, conceito absolutamente divergente de possibilitar, que induz à idéia de viabilizar, ou seja, “tornar possível: O oxigênio possibilita a vida aos seres humanos (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa); 4. se os princípios ativos não sofressem formulações/preparações, sua utilização resultaria impossível; 5. ajudar a elucidar a questão, igualmente, os conceitos de intermediário e especialidade contidos no Anuário das Indústrias de Química Fina do Brasil (2ª Edição/1995): intermediário: moléculas puras com a finalidade de uso numa etapa de industrialização subseqüente, quer como matériaprima de uma nova reação química (intermediário de síntese), quer como constituinte de uma mistura (intermediário de uso); especialidade: são os produtos de química fina em que sua natureza, composição, etc., tem pouca ou nenhuma importância para o usuário. Seu valor está intrinsecamente ligado à função que desempenham, ao serviço que possam prestar; 6. a fronteira entre o princípio ativo importado (intermediário) e a formulação com a adição de excipientes (especialidade) é claramente delimitada nessa bibliografia técnica, inexistindo, por conseguinte, respaldo à alegação de que os produtos obtidos dos princípios ativos com eles se confundem;”(Grifos do original) Concluise, portanto, que é correta a interpretação dada pelo colegiado a quo, no sentido de que não é possível a utilização, no presente caso, do método PRL, nos termos do §1° do artigo 4° da IN SRF 38/97. A recorrente ainda contesta o procedimento adotado pela fiscalização na aplicação do método PIC, invocando a impossibilidade de utilização do SISCOMEX, por equívocos no conceito de similaridade e pela impossibilidade de utilização de princípios ativos genéricos. Ora, não há qualquer problema ou vedação legal para uso, por parte da própria Receita Federal, do sistema SISCOMEX, acompanhado de intimações fiscais para a obtenção de dados a serem utilizados em procedimentos de sua alçada. Ademais, é de se ressaltar que todas as informações e documentos obtidos das empresas independentes foram utilizados com a autorização expressa das mesmas. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.406 10 Relativamente à insurgência em relação ao conceito de similaridade utilizado pela fiscalização na busca de produtos de terceiros para a composição do preço parâmetro, lembro que este foi definido pelo art. 26 da própria IN SRF nº 38/97: Art. 26. Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: 1 tiverem a mesma natureza e a mesma função; e II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes Existe, portanto, previsão expressa a respeito do conceito de similaridade, em legislação específica, ou seja, na IN SRF n° 38/97, que regulamentou a Lei n° 9.430/96, nos aspectos relacionados a preços de transferência. Destaquese que a IN apenas complementou a Lei aliás, é esta, exatamente, a sua função sem inovar no ordenamento jurídico Quanto à utilização, pela fiscalização, de princípios ativos "genéricos" importados por terceiros, na apuração do preço parâmetro, destaco que a Lei n° 9.187/99, ao introduzir o conceito de medicamento genérico, igualouo àquele considerado "similar". Foi o que disse textualmente, em seu artigo 1°, que acrescentou o inciso XXI ao artigo 3° da Lei n° 6.360/76, que dispõe que: XXI Medicamento Genérico medicamento similar a um produto de referência ou inovador, que se pretende ser com este intercambiável, geralmente produzido após a expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade, e designado pela DCB ou, na sua ausência, pela DCI (destaquei). Assim, o medicamento "similar", ou "genérico", pode ser utilizado na apuração do preço parâmetro. Ademais, a comparabilidade efetuada na ação fiscal não ficou prejudicada. Em primeiro lugar, porque todas as substâncias adquiridas pelas empresas independentes, exatamente como as adquiridas pela recorrente, têm a denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo aprovada pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária (Denominação Comum Brasileira — DCB). Em segundo lugar, todos os laboratórios farmacêuticos que prestaram as informações são detentores, assim como a recorrente, de autorização de funcionamento para fabricação emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária — ANVISA. Por fim, os princípios ativos e excipientes adquiridos pelas empresas independentes foram utilizados na produção de medicamentos regularmente registrados na ANVISA, os quais são comercializados normalmente. Ainda, no que tange à coleta de amostras do produto importado, tomado como base para comparação, observo que sobre isso se dá presunção (juris tantum) de veracidade das declarações prestadas por terceiros independentes sob intimação fiscal. Tal presunção é robustecida, ao extremo, pela comprovada utilização que fazem os terceiros independentes, de forma harmônica com o conteúdo das declarações de importação, dos princípios ativos importados nos medicamentos que produzem no país. Assim, nem mesmo a Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.407 11 alegação de que parte dos laboratórios já teve medicamentos recolhidos é suficiente para infirmar o método utilizado pela Fiscalização. Milita presunção relativa de veracidade em favor da declaração de importação que foi submetida e aprovada pelos controles legais da época, ainda que a autoridade administrativa tenha decidido pela desnecessidade de extração de amostras ou da anexação de eventuais instrumentos contratuais que as precederam. Nesse aspecto lembro que, a teor do disposto na IN SRF n° 69/96, a decisão sobre a necessidade de retirada de amostras é prerrogativa da fiscalização aduaneira. A autoridade fiscal não está obrigada a concluir pela necessidade de retirada de amostras. Os artigos 28 e 29 da referida IN prescrevem que: Art. 28 O importador prestará à fiscalização aduaneira as informações e a assistência necessárias à identificação da mercadoria e à análise do valor aduaneiro. Parágrafo único. A fiscalização aduaneira, caso entenda necessário, poderá designar técnico credenciado para proceder à identificação e quantificação da mercadoria. Art. 29 Sempre que a fiscalização aduaneira decidir pela retirada de amostra para exame laboratorial ou de outra natureza, o importador ou seu representante legal será notificado, para que participe do cumprimento dessa providência. Notese que a mesma presunção também se faz presente em favor das declarações de importação manejadas pela recorrente. Por fim, lembro que o artigo 6°, da IN SRF n° 38/97, apenas exige que se efetue, para efeito de determinação do custo dos bens adquiridos, a média aritmética dos preços de bens similares, sem, contudo, determinar um número mínimo ou máximo de amostras. Não se pode impor, na apuração do preço parâmetro, nenhuma outra exigência extra não prevista na referida IN e nem em qualquer outro dispositivo normativo. Assim, não procedem as alegações da recorrente. Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte para negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre relatora, peço vênia para divergir no mérito, a respeito da possibilidade de a pessoa jurídica adotar o PRL20, em momento no qual vigorava a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.408 12 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens; serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido pais na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (grifei) (...) Entendeu a Fiscalização que a contribuinte não poderia ter adotado o PRL, em razão da vedação constante na IN SRF nº 38, de 1997, art. 4º, § 1º: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. (grifei) No art. 6º, encontrase o método PIC, e no 13, o método CPL. Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.409 13 Aduz a Contribuinte que, na época dos fatos, não havia vedação no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, para adoção do método PRL, e que a restrição imposta pela IN SRF nº 38, de 1997, art. 4º, § 1º, seria ilegal. Entendo que assiste razão à Contribuinte. De fato, a restrição imposta pela instrução normativa não encontra nenhum respaldo legal. O caput do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, deixa claro que, primeiro, o legislador obrigou o contribuinte a apurar o preço de transferência obrigatoriamente mediante aplicação de um dos três métodos, PRL, PIC ou CPL, e segundo, que a escolha seria livre, sem restrições. Por outro lado, a instrução normativa em debate impôs restrição expressa quando o bem, serviço ou direito fosse para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito. Fato é que, apesar de o PRL20 na redação original mencionar a margem de lucro sobre o preço de revenda, não implicou, necessariamente, em proibição a insumo que eventualmente poderia sofrer transformação e ser comercializado sob a forma de um outro produto. Em nenhum momento a redação deixou transparecer que o PRL20 seria apenas aplicável a insumo que fosse diretamente revendido no mercado interno sem nenhum processo de transformação. Resta mais evidente a situação com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, alterando o inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (NR) (Grifei) A redação dada ao PRL60 é clara: sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Ora, preço de revenda é gênero, aplicável a espécie insumo submetido a transformação e a espécie insumo não submetido a transformação. Na redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, faziase referência ao gênero, e por consequência aplicouse tratamento idêntico às espécies, vez que a lei não trouxe nenhuma distinção de espécie. Com a alteração promovida pela Lei nº 9.959, de 2000, passouse a dispor sobre cada uma das espécies, e, por consequência, cada espécie passou a receber tratamento particular da legislação: ao insumo submetido a transformação aplicase o PRL60, e ao insumo não submetido a transformação o PRL20. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.410 14 O tema já foi debatido em outras oportunidades. Transcrevo excerto do voto vencedor proferido pelo exConselheiro Caio Marcos Cândido, no Acórdão 10194.859, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Quanto à possibilidade de aplicação do método PRL (preço de revenda menos lucro), como método de apuração de preço parâmetro a ser utilizado na identificação de preços de transferência em insumos destinados a produção de outro bem, restringida pelo parágrafo 1° do artigo 4° da Instrução Normativa SRF n° 38/1997, entendo (como já entendeu de forma unânime esta Câmara nos julgamentos dos recursos 137.936 e 134.780) ter a orientação administrativa exacerbado sua função regulamentadora, impondo restrição onde a lei de regência da matéria, lei n° 9.430/1996, não impôs. Tal conclusão se sustenta nas disposições do caput do artigo 18 da citada lei combinado com o conteúdo do seu parágrafo 4°, que prevêem a existência de três métodos: de Preços Independentes Comparados (PIC), do Prelo de Revenda menos Lucro (PRL) e Custo de Produção mais Lucro (CPL) e a possibilidade de livre escolha pelo contribuinte daquele, dentre eles, que lhe for mais favorável. Restringir onde a lei não o fez, impondo ônus tributário ao contribuinte é causa de ilegalidade da regra restritiva, no caso da IN n° 38/1997 (artigo 4°, parágrafo 1°), o que implica o afastamento de seus efeitos. Portanto, a espécie "bens importados aplicados à produção" passou a receber tratamento específico apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, no qual se passou a adotar a margem de lucro de 60% sobre o preço de revenda. Antes disso, não havia nenhuma restrição para que, no caso de bens importados aplicados à produção, pudesse ser utilizado método PRL20. Enfim, resta prejudicada apreciação sobre a outra matéria, se haveria ou não produção de um novo bem, vez que, diante da ilegalidade da instrução normativa, restou afastada por completo a infração fiscal. Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.411 15 Fl. 1411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10516.000008/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/03/2008
SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO
Provado o subfaturamento do bem importado, devem ser cobrados os tributos incidentes sobre a parcela do valor não declarado, com os devidos acréscimos de mora e a multa prevista em lei.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recursos negados.
Numero da decisão: 3402-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF nº 35.182.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 13/03/2008 SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO Provado o subfaturamento do bem importado, devem ser cobrados os tributos incidentes sobre a parcela do valor não declarado, com os devidos acréscimos de mora e a multa prevista em lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recursos negados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10516.000008/2010-08
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5674226
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.773
nome_arquivo_s : Decisao_10516000008201008.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10516000008201008_5674226.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF nº 35.182. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6633832
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689125097472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 388 1 387 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10516.000008/201008 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.773 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente KARLA MAGNABOSCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/03/2008 SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO Provado o subfaturamento do bem importado, devem ser cobrados os tributos incidentes sobre a parcela do valor não declarado, com os devidos acréscimos de mora e a multa prevista em lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recursos negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF nº 35.182. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 00 00 08 /2 01 0- 08 Fl. 388DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a pessoa física em epígrafe e o responsável solidário CONVECTOR DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, de acordo com Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 196/197), lavrado em razão do subfaturamento do valor do bem importado (o automóvel abaixo descrito) ante a diferença ente o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, para fins de cobrança de II, IPI, COFINS, PIS, incidentes na importação, com aplicação da multa de oficio qualificada (150%). Também foi lançada multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão do referido subfaturamento, no percentual de 100 % sobre a diferença entre o preço declarado e o praticado na importação (art. 88, parágrafo único da MP 2.15835), alem da multa do art. 83, I, da Lei 4.502/64 (entregar ao consumo, ou consumir produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no país). O quadro abaixo, extraído do relatório fiscal (fls. 28/54), resume a exação. Consoante o relato fiscal, a ação fiscalizatória teve por base documentos e arquivos magnéticos coligidos em diligência realizada no estabelecimento da empresa CONVECTOR (CNPJ 05.832.157/000105), restando constatado que o automóvel marca Infinity, modelo FX 35 AWD, ano/modelo 2008, chassi JNRASS08W68X200455, fabricado no Japão e introduzido no país pela Declaração de Importação (DI) nº 08/03980157, em 13/03/2008, registrada na modalidade importação direta pela contribuinte Karla Renata Magnabosco, foi importado "fraudulentamente" por meio de declaração de valor inferior ao preço efetivamente praticado na operação. O valor declarado na DI foi de US$ 35.052,00. A fiscalização assim relatou o modus operandi da fraude: O Sr. OSCAR LORENZO INZULZA CONCHA (CPF n.° 262.548.13000), diretor comercial da empresa CONVECTOR, foi o responsável pelas negociações comerciais envolvendo a importação do veículo, ao passo que a despachante aduaneira Sra. MÁRCIA LUCIANA VELLOSO DA SILVA (CPF n.° 479.028.84049), diretora operacional da empresa CONVECTOR, registrou a declaração de importação sob apreço, em nome de KARLA RENATA MAGNABOSCO; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 389 3 A referida importação recebeu da empresa CONVECTOR o número de processo 18307 e foi objeto de contrato firmado, em 08/10/2007, entre a importadora e a referida empresa (fls. 145 a 153), onde consta que o valor do veículo importado, acrescido do valor da CPMF, monta em US$ 48.780,37, conforme o Anexo II deste contrato, à fl 152; Em correspondência também datada de 08/10/2007, o Sr. OSCAR INZULZA informa à importadora KARLA MAGNABOSCO as características do veículo a ser importado e, bem assim, os acessórios que fariam parte da operação (fls. 154 a 157 fotos e dados do veículo), sendo que o automóvel, segundo o documento intitulado de "Previsão de Importação Direta" (fl. 159), teria o preço de US$ 48.475,00; Dentre os documentos, também foi encontrada planilha excel intitulada "Karla R. Magnabosco Infiniti FX 35 x 3 A WD 2008.xls" (fls. 155 a 163), de onde se extrai o seguinte demonstrativo: Ou seja, o valor do automóvel não era, com certeza, o valor FOB declarado na DI (US$ 35.052,00), além do que, à vista da mensagem de correio eletrônico enviada em 10/10/2007, pela Sra. GIOVANNA FERNANDEZ MORIZ, assistente de vendas da revendedora de veículos norteamericana WARREN HENRY, ao Sr. OSCAR INZULZA (fls. 88 e segs.), verificase que o valor do automóvel importado é de US$ 50.125,00 (fl. 94), sobre o qual foi oferecido um desconto de USS 2.000,00 e acrescidos valores correspondentes a uma taxa e ao pacote de manutenção (fl. 99), totalizando o montante de US$ 49.302,30; De sua feita, a ordem de compra enviada pela empresa WARREN HENRY, (fl. 167), revela que o valor do automóvel importado foi de US$ 47.101,50, ao passo que os documentos relativos à contratação de seguro (fls. 186) indicam o valor de US$ 48.758,72, sendo que, relativamente ao seguro, a empresa CONVECTOR inicialmente solicitara nova cotação agregando ao valor da fatura comercial (US$ 35.032,00) os valores de despesas de embarque, da ordem de US$ 5.000,00, e de despesas no Brasil para obtenção da LI, da ordem de US$ 8.000,00, perfazendo o total de US$48.032,00, cópia de mensagem via correio eletrônico colacionada à fl. 189; Em relação aos pagamentos efetuados pela importadora, foi encontrada na empresa CONVECTOR a planilha de fl. 144, demonstrando que o total do pagamento efetuado pela importadora à empresa CONVECTOR montou a R$ 114.351,69, restando um saldo de R$ 435,02, em 03/04/2008, o que evidencia a existência de uma espécie de contacorrente entre a importadora e a CONVECTOR. Consta também nesta planilha, a título de "devolução a cliente", a despesa (saída) de R$ 24.680,66, valor idêntico que aparece em outra planilha referente ao mesmo processo "183/07" (fl. 143), descrito, porém, como "câmbio", ao passo que o valor desembolsado a título de "contrato de câmbio débito conta importador" perfaz R$ 62.883,29, pelo que se conclui que foi remetido um valor de câmbio à empresa WARREN Fl. 390DF CARF MF 4 HENRY pela CONVECTOR, via casas de câmbio, e outro que se refere ao contrato de câmbio, cujo valor foi declarado na DI; De outro turno, mensagem de correio eletrônico enviada pela Sra. GIOVANNA, da revendedora de veículos WARREN HENRY, ao Sr. OSCAR INZULZA (fl. 101), em 01/11/2007, informa que já havia sido remetido o valor de US$ 2.000,00, a título de depósito para a encomenda do veículo importado, e que, considerada a transferência do valor declarado na DI, no montante de US$ 35.052,00 (wire transfer), ainda seria devido pela importadora um saldo de US$ 12.245,30, valor este que, somado ao saldo devido na importação de veículos de outros importadores assessorados pela CONVECTOR, montou a US$ 35.920,10. O valor de US$ 35.052,00 foi enviado pela CONVECTOR em 13/11/2007, conforme demonstra a planilha intitulada de "Resumo câmbios Warren Henry Automobiles" (fl. 104), e que constituiu anexo da mensagem eletrônica enviada pelo Sr. OSCAR INZULZA à despachante MÁRCIA VELLOSO, encontradas também na CONVECTOR (fls. 103/104); A confirmação da referida remessa de US$ 35.920,10, referente ao saldo devido à revendedora de veículos norteamericana pela compra de três automóveis da Marca Infiniti, dentre eles aquele cuja importação é objeto do presente processo, foi, inclusive, tratada em outra mensagem de correio eletrônico enviada pelo Sr. OSCAR INZULZA à Sra. GIOVANNA (fl. 116), o que deixa claro a evidência de um pagamento à margem do controle cambial, para completar o valor do veículo; Não bastasse isso, foi apurado também que a fatura comercial e o romaneio de carga (packing list) que instruíram o despacho aduaneiro do veículo importado (fls. 183/184) foram materialmente falsificados, visto que foram montados em arquivos de planilha excel encontrados nos computadores da empresa CONVECTOR. Ademais, foi encontrada também mensagem de correio eletrônico enviada pelo Sr. OSCAR INZULZA (CONVECTOR) à Sra. GIOVANNA (revendedora WARREN HENRY), ressaltando que o valor FOB que consta na fatura (invoice) corresponde ao preço fiscal do carro no Brasil (fl. 113); Igualmente, foi constatado que tampouco o veiculo importado foi adquirido em uma venda para exportação na modalidade FOB, pois as despesas de embarque, frete interno nos Estados Unidos, frete marítimo e despesas na aduana americana não foram pagas pelo exportador que figura na DI, mas sim pela importadora através da CONVECTOR. Consta o valor de US$ 2.323,00, referente a essas despesas (despesas na origem) na tabela intitulada "Previsão de Importação Direta" (fls. 137 e 156), também encontrada em meio à documentação apreendida em diligência realizada na empresa CONVECTOR; Nos arquivos magnéticos da empresa CONVECTOR, mais precisamente na pasta denominada "CLIENTES" foram encontrados vários documentos relativos à importação do veículo em análise (fls. 172/176), dentre eles a procuração por meio da qual a importadora KARLA MAGNABOSCO nomeia o Sr. RAUL HERNANDEZ, da empresa CARIBEX WORLDWIDE, para representála perante a aduana norteamericana e conduzir todas as operações necessárias à exportação do referido veículo; Referida procuração (fl. 173) é exigida pela aduana norteamericana quando alguém, que não seja o exportador, preenche a declaração de exportação de veículos com valor superior a US$ 2.500,00. Donde se conclui que houve a redução da base de cálculo dos tributos incidentes na importação do veículo em comento, com a remessa de valores à margem do controle cambial, valores esses que deveriam integrar o valor aduaneiro, quer porque correspondem à parcela do preço total pago pelo veículo importado, quer porque configuram despesas de embarque que foram incorridas pela própria importadora, ao revés do que consta na declaração de importação. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 390 5 Impugnado o lançamento pela pessoa física importadora e pelo sujeito passivo solidário, a DRJ Florianópolis julgou parcialmente procedente o lançamento (fls. 259/287), "exonerando os sujeitos passivos do pagamento das multas aplicadas pela fiscalização com base no parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/2001, e no inciso I do art. 83 da Lei nº 4.502, de 1964". A r. decisão foi assim ementada: Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 13/03/2008 SUBFATURAMENTO. FATURA FALSA. MERCADORIA NÃO MAIS APREENSÍVEL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Constatado o subfaturamento e não sendo mais apreensível a mercadoria para aplicação da pena de perdimento, é cabível a exigência do pagamento dos tributos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa qualificada e juros moratórios, sendo passível, ainda, a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. REVISÃO ADUANEIRA. APLICABILIDADE. O fato de o veiculo importado ter sido desembaraçado pela Alfândega não elide a ilicitude constatada no procedimento revisional, sobretudo quando se trata de fraude, eis que a Revisão Aduaneira é voltada, precisamente, para apurar, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de beneficio fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/03/2008 RETENÇÃO E EXAME DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL. Dentre os poderes legalmente conferidos à fiscalização tributária inclui~se o de reter e examinar livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais e fiscais, ainda que mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, constituindo, em contrapartida, obrigação dos contribuintes exibilos ao Fisco. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Indeferese o pedido de diligência consistente na juntada de documentos relativos a outras importações quando a elucidação do litígio está a depender tão somente do exame dos elementos probatórios representativos dos dados e fatos referentes à importação que deu causa ao lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. Fl. 392DF CARF MF 6 CONCURSO DE PESSOAS. Comprovado nos autos que tanto a importadora quanto a empresa que assessorou a importação concorreram para a prática da fraude apurada pela fiscalização, ambos devem responder pelo pagamento dos gravames não recolhidos e demais consectários legais, respectivamente, como contribuinte e responsável solidário. IPI. VEÍCULO IMPORTADO POR PESSOA FÍSICA. USO PRÓPRIO. INCIDÊNCIA. MULTAS CONFISCATÓRIAS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. ESPERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/03/2008 IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Quando a diferença apurada entre O preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida, apenas sendo cabível O lançamento da multa de cem por cento sobre a diferença de preços quando a exteriorização do dano ao Erário ocorrer em momento posterior à aplicação dessa penalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/04/2008 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. É incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI por entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, quando a fraude ou a irregularidade que macula a importação é definida legalmente de forma mais específica como dano ao Erário, porquanto, nesses casos, a não localização da mercadoria sujeita a perdimento em face da entrega a consumo é penalizada expressamente na forma de outra disposição legal. Não resignados com a r. decisão, foram interpostos recursos voluntários. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 391 7 A solidária passiva (fls. 305/313), Convector, alega, em suma, questões quanto à forma de produção das provas que embasam a exação foram coligidas. Afirma que o procedimento da RFB foi feita com "absoluta ausência de causa, não existiam motivos técnicos nem de enquadramento legal que justificassem a intempestiva diligência invasiva, e de surpresa na sede da empresa que foi realizada por elevado contingente de agentes fazendários da Receita Federal na manhã d 11/06/2008, na qual foram retidos arbitrariamente e por coação arquivos magnéticos e físicos de uso privativo da empresa e correspondência pessoal e de colaboradores". Enfim, sustenta que as provas foram obtidas por meio ilícito, e que, por isso, deve julgado improcedente o lançamento. Já a importadora autuada, interpôs o recurso de fls. 320/348, alegando, em síntese: inaplicabilidade da multa de 150 % por entender que esta só é devida quando houver fraude. Acresce que contratou a Convector para efetuar a importação, pois, como pessoa física, não tem conhecimento quanto aos procedimentos de importação, não tendo tido em nenhum momento contato com a empresa exportadora. Aduz que outorgou procuração àquela empresa agir em seu nome de forma lícita, e que os valores que lhe foram cobrados foi para a entrega do veículo no Brasil, não tendo a recorrente conhecimento sobre a documentação para importação de veículos, bem como a tributação do mesmo. Conclui que por tais fatos "não há se falar em fraude, uma vez que a outorga da procuração para a empresa demonstra a licitude dos atos praticados pela recorrente", postulando que a multa de 150% seja afastada; inexistência de responsabilidade pessoal da recorrente em face da inteligência do art. 137 do CTN, pois ao outorgar procuração à Convector, esta deveria agir conforme a lei, sem infringir a legislação tributária, e que, portanto, sendo ela que "praticou atos com excesso de poderes e infração de lei", só ela é que pode punida, pois, "somente quem tenha sido o autor do ato abusivo é que será pessoalmente responsabilizado pela obrigação tributária dele oriunda"; defende que órgãos do executivo podem deixar de aplicar dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional. Com base nesse pressuposto, entende que a multa no patamar aplicado tem natureza confiscatória, postulando que seja reduzida para o percentual de 20%; que os juros de mora com base na taxa SELIC são ilegais, devendo ser aplicado 1% ao mês, consoante art. 161, § 1º, do CTN. De fls. 353/359, cópia da decisão monocrática do Ministro Celso de Mello, de 19/12/2012, na ação cautelar AC 3.091. Em resumo, a cautelar inominada buscava atribuir efeito suspensivo ativo a recurso extraordinário interposto pela Convector, no qual insurgiase contra acórdão do TRF4 que negara provimento à apelação cível nº 2008.71.00.0142387/RS em MS, o que foi deferido pelo Min. Celso de Mello. A ementa da decisão do TRF4, em sede de apelação em mandado de segurança (cujo teor não tem nos autos), objeto do Extraordinário, tem a seguinte dicção: Fl. 394DF CARF MF 8 A Resolução 3803000.513 (fls. 362/366), da 3ª Turma Especial, de 16/09/2014, dispôs o seguinte: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem sobresteja a tramitação deste processo até o trânsito em julgado da Medida Cautelar nº 3091 no STF e do Recurso Extraordinário correspondente, observandose na sua execução o teor da decisão final que vier a ser proferida. À fl. 371, telex enviado ao SRRF na 10ª RF, reproduzindo cópia do decidido pelo STF (fls. 372/384) no Agravo Regimental interposto pelo AdvogadoGeral da União contra a liminar deferida naquela AC 3.091. Transcrevo excertos dessa decisão para já delimitar os termos do meu voto. ... Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 392 9 ... ... Fl. 396DF CARF MF 10 ... E conclui o Ministro Celso de Mello: Sendo assim, restou confirmada a legalidade das provas e a forma de sua obtenção. Diante dessa definição, foi exarado o despacho do InspetorChefe da unidade local (fl. 370), de 15/10/2015, determinando o prosseguimento do feito, dando azo ao despacho de fl. 386, que determinou, em 22/12/2015, o retorno dos autos a esta Terceira Seção. Vieramme os autos pelo sorteio de 17 de março deste ano. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Diante da definição do STF quanto à licitude na forma de obtenção das provas coligidas a estes autos, seu teor, por si só, afasta a pretensão da responsável solidária que em sua peça recursal limitouse a arguir a ilegalidade na obtenção das provas e, em consequência, todos atos delas decorrentes, como o próprio auto de infração. Nos termos do art. 95, I, do RA, deve ser mantida sua responsabilização solidária. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 393 11 Assim, é de ser negado provimento ao recurso da empresa Convector. Igualmente há de ser negado provimento ao recurso da pessoa natural importadora, que se faz de rogada, querendo imputar toda fraude que ajudou a dar causa à empresa que contratou para os trâmites de importação, como se ela, em seu pedestal de retidão, nada soubesse, mesmo que os valores da transação tenham sido por ela suportados. Ela é a contribuinte do imposto, nos termos do art. 104, I, do RA/2009. O fato, de acordo com o robusto arcabouço probatório a que referi alhures, é que houve subfaturamento na importação do veículo discriminado. De gizarse, inclusive, que quanto a essa constatação não houve, quer da importadora quer da responsável solidária, qualquer insurgência. A fatura apresentada para o desembaraço foi forjada com valor a menor do efetivamente pago, com o fim inequívoco de sonegar os tributos incidentes na importação. Todos documentos a que me referi no relatório provam vigorosamente que o valor efetivamente pago foi superior ao declarado na DI. Demais disso, chama sobremaneira a atenção que o veículo tenha sido desembaraçado em 17/03/2008 e, ato contínuo, em 24/04/2008 tenha sido alienado à empresa Alfa Arrendamento Mercantil S.A., conforme articulado no item 3 do TVC (fl. 34). Sendo a Sra. Karla Magnabosco a importadora do veículo, tratandose de importação direta, não pode a mesma querer esquivarse de sua responsabilidade. Esta é objetiva nos termos do art. 136, do CTN. Do mesmo modo, dispõe o RA em seu art. 94: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, hialino que houve fraude com o fim específico para sonegar os impostos incidentes na importação. A fraude está provada pelas provas e fatos a que aludi no relatório, restando inconteste a falsidade da invoice 13307, de 17/10/2007, que arrimou a importação com o preço da mercadoria subfaturada. Aqui já espancamos a alegação da recorrente de que não houve fraude. Dessarte, certo o animus dolandi com o fim sonegatório. A recorrente contribuinte entende que esta instância recursal administrativa pode adentrar no mérito de norma legal vigente para afastar sua aplicação por inconstitucionalidade. In casu, quer ver afastada a multa no percentual aplicado (150%) pela sua natureza confiscatória. Sem razão, pois tratase de questão ultrapassada no âmbito deste colegiado, conforme sua súmula 2, que reproduzo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 398DF CARF MF 12 Portanto, correta a aplicação da multa prevista no art. 44, I e § 1º da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/2007, restando comprovada a conduta típica a que faz menção o art. 71 da Lei 9.430/96. Por fim, quanto ao pugnado afastamento da taxa SELIC como juros de mora, também matéria que já não mais comporta dissídio neste CARF, de acordo com o enunciado da súmula 4 , abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Forte em todo exposto, nego provimento aos recursos voluntários do contribuinte e do responsável solidário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002461/2004-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa:
NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO EMPRESA INCORPORADA - A empresa citada no lançamento extinguiu-se por incorporação pela empresa sucessora em 2001. 0 lançamento efetuado em 2004 deveria ter-se dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e ACOLHÊ-LOS, sem efeitos infringentes, nos termos do voto relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO EMPRESA INCORPORADA - A empresa citada no lançamento extinguiu-se por incorporação pela empresa sucessora em 2001. 0 lançamento efetuado em 2004 deveria ter-se dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18471.002461/2004-78
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5631255
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.913
nome_arquivo_s : Decisao_18471002461200478.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 18471002461200478_5631255.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e ACOLHÊ-LOS, sem efeitos infringentes, nos termos do voto relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6485754
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689129291776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 529 1 528 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002461/200478 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.913 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2016 Matéria IRPJ Recorrente ABBOTT LABORATÓRIOS DO BRASIL LTDA (sucessora de KNOLL PRODUTOS QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS LTDA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: NULIDADE — ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO — EMPRESA INCORPORADA A empresa citada no lançamento extinguiuse por incorporação pela empresa sucessora em 2001. 0 lançamento efetuado em 2004 deveria terse dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e ACOLHÊLOS, sem efeitos infringentes, nos termos do voto relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 61 /2 00 4- 78 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 530 2 Relatório Na sessão plenária de 29 de junho de 2011, a 2ª Turma, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, julgou recurso de ofício interposto nestes autos. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 1302000.671, assim ementado: NULIDADE — ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO — EMPRESA INCORPORADA A empresa citada no lançamento extinguiuse por incorporação pela empresa sucessora em 2001. O lançamento efetuado em 2004 deveria terse dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 464/473) admitido parcialmente, conforme fls. 499/503. Em 18/07/2013 a contribuinte tomou conhecimento do acórdão e da admissibilidade do recurso especial, apresentando as contrarrazões de fls. 515/525, mas antes opondo embargos de declaração, tempestivamente, em 22/07/2013, apontando que a decisão foi obscura na explicitação de sua conclusão, uma vez que não esclareceu a natureza do vício do lançamento, isto é, se formal ou se material. A existência de omissão acerca deste aspecto foi implicitamente reconhecida no despacho de fls. 499/503, que negou seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional na parte em que alegava divergência em face de acórdão paradigma no qual o vício que motivou a nulidade foi declarado de natureza formal. Vejase: Alega a recorrente que a decisão recorrida, ao contrário dos acórdãos paradigmas, teria declarado a improcedência total da exigência em face da nulidade, mas não é o que se vislumbra das conclusões do voto condutor do acórdão, in verbis: O erro na identificação do sujeito passivo é vicio fundamental que acarreta a nulidade do Auto. Nessa medida, não merece reparo a decisão da DRJ que assim deliberou, cancelando a exigência do crédito tributário em questão. Como se vê, o acórdão recorrido mantém a decisão de primeira instância que determinou o cancelamento da exigência em face da nulidade Fl. 530DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 531 3 identificada, mas não declara a improcedência material do lançamento. A decisão é simplesmente omissa quanto a declarar a natureza do vício que ensejou da declaração de nulidade. Ora, se a decisão recorrida foi omissa, ou mesmo obscura, quanto ao ponto que ora se debate a recorrente, imprescindível seria que a questão levantada tivesse sido suscitada pela recorrente mediante a apresentação de embargos de declaração, nos termos do art. 65 do RICARF, o que não foi feito. Com efeito, para que o recurso especial possa ter cabimento é imprescindível que a matéria recorrida tenha sido discutida para que a divergência possa ser caracterizada, o que não se vislumbra neste caso. Em despacho exarado às fls.527/528 dos autos, a presidente da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária admitiu os Embargos de Declaração opostos pelo recorrente, nos termos do art.65 §2º, e no art.49, §5º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade, de acordo com o despacho exarado às fls.527/528 dos autos, por isso deles conheço. No presente caso, a Embargante pede que seja esclarecida se a nulidade verificada pelo erro na identificação do sujeito passivo da relação obrigacional decorre de vício formal ou material. Em se tratando de aspecto crucial que macula o próprio lançamento (erro na identificação do sujeito passivo), resta configurada nulidade decorrente de vício material. Para melhor elucidar a questão, válido transcrever o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 531DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 532 4 correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 acima transcrito representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da autuação, não sua anulação por vício formal. Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regramatriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001, pp. 127129). Na presente hipótese, verificase, claramente, a ocorrência de vício material. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 1302000.671, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no lançamento é de ordem material. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 533 5 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.722793/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008, 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.PRATICA REITERADA. APLICAÇÃO DO §1º DO ARTIGO 29 DA LEI COMPLEMENTAR N.º 123/2006
Incabível a permanência no Simples Nacional de empresa enquadrada em quaisquer das hipóteses de exclusão de oficio prevista na legislação que rege o referido sistema de tributação.
Constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Correta a aplicação do §1º do artigo 29 da lei complementar n.º 123/2006.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento.
Numero da decisão: 1302-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008, 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.PRATICA REITERADA. APLICAÇÃO DO §1º DO ARTIGO 29 DA LEI COMPLEMENTAR N.º 123/2006 Incabível a permanência no Simples Nacional de empresa enquadrada em quaisquer das hipóteses de exclusão de oficio prevista na legislação que rege o referido sistema de tributação. Constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Correta a aplicação do §1º do artigo 29 da lei complementar n.º 123/2006. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10925.722793/2012-95
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646204
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.990
nome_arquivo_s : Decisao_10925722793201295.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10925722793201295_5646204.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6523149
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689131388928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.297 1 1.296 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.722793/201295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.990 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Recorrente TRANSPORTES TANELLO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008, 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.PRATICA REITERADA. APLICAÇÃO DO §1º DO ARTIGO 29 DA LEI COMPLEMENTAR N.º 123/2006 Incabível a permanência no Simples Nacional de empresa enquadrada em quaisquer das hipóteses de exclusão de oficio prevista na legislação que rege o referido sistema de tributação. Constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Correta a aplicação do §1º do artigo 29 da lei complementar n.º 123/2006. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 27 93 /2 01 2- 95 Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.298 2 regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Trata o presente processo de Exclusão do Simples Nacional em conjunto com Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (CSLL, PIS/PASEP e COFINS), conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário de fl. 769. Entretanto, em vista de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 500002289.2013.404.7203/SC, transitada em julgado em 10/06/2014, foi elaborado o Despacho Decisório nº 395/2014DRF/JOA/SC (fl.1281) que determinou a nulidade dos valores em cobrança constituídos por lançamento de ofício e controlados no presente processo. A decisão judicial foi implementada nos sistemas de controle do crédito tributário, conforme se verifica no extrato de fls. 1283/1294, tendo o presente processo retornado a este Conselho para pronunciamento, exclusivamente, acerca da exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.299 3 Isto exposto, cabe relatar o histórico processual que resultou na emissão do Despacho Decisório SAFIS nº 377/2012 (fl. 752), que determinou a exclusão de ofício da empresa em epígrafe do Simples Nacional, à partir do dia 01/01/2008, como o impedimento do contribuinte em optar pelo referido regime unificado de arrecadação no prazo de 03 (três) anos, conforme o §1º do artigo 29 da Lei Complementar n.º 123/2006. Neste Despacho, informase que a exclusão do contribuinte do Simples Nacional operouse pela constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Para detalhar a subsunção dos fatos à norma jurídica de exclusão do Simples Nacional, adotase trecho correspondente do relatório apresentado pela DRJ/SDR no Acórdão da Impugnação apresentada nestes autos, à seguir transcrito: “Com referência à exclusão do SIMPLES, observase que integra o presente feito nas fls. 733 a 736, Representação Fiscal com proposta de exclusão da impugnante do referido sistema, pela prática das infrações abaixo realçadas: Através dos procedimentos fiscais realizados na empresa fiscalizada, foi constatado que sua escrituração não contemplava, em sua totalidade, os depósitos realizados em suas contas correntes, revelandose, assim, imprestável para identificar sua efetiva sua movimentação financeira, inclusive bancária. Tal fato se enquadra na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso VIII, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 / 2006, além de ferir o §2º do art. 26 da mesma Lei, ambos acima transcritos. Tal procedimento da empresa foi realizado de forma reiterada, ao longo de todo o período fiscalizado, que compreende os anos de 2008 e 2009, o que a enquadra também na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso V, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 / 2006, acima transcrito. Além disso, ao ser intimada a apresentar seus extratos bancários, a empresa apresentou apenas documentos sem qualquer elemento que pudesse comprovar sua integridade, veracidade e autenticidade, recusando se a apresentar novos documentos que oferecessem certeza quanto a tais aspectos, conforme podese verificar através do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 549/2011, do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 639/2011 e do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 738/2011 e suas respectivas respostas. Tal fato se enquadra na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso II, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 / 2006, acima transcrito. Ademais, durante os procedimentos fiscais realizados na empresa em questão, também foi constatado que a empresa prestava serviços de transporte sem a emissão do correspondente documento fiscal, como seria o conhecimento de frete. Tal constatação se comprova pelo fato da empresa não ter apresentado os documentos fiscais solicitados através do Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.300 4 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 210/2012 e do TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL Nº 299/2012, indicando não possuir documentos fiscais que comprovassem todas as entradas de recursos em suas contas correntes, o que demonstra a não emissão de tais documentos fiscais. Tal procedimento da empresa foi realizado de forma reiterada, ao longo de todo o período fiscalizado, que compreende os anos de 2008 e 2009, o que a enquadra também na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso XI, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 /2006, acima transcrito. A Representação Fiscal redundou no Parecer SAFIS nº 005/2012 (fls. 740 a 746), cujo teor abaixo se transcreve parcialmente: Em razão dos fatos constatados, resta clara a intenção da empresa de não tributar parte de suas receitas, omitindo sistematicamente valores recebidos durante, pelo menos, vinte e quatro meses sucessivos (janeiro de 2008 a dezembro de 2009). Tal prática se enquadra na definição acima, ou seja, era habitual e repetida, podendo também ser considerada como um costume da pessoa jurídica e, por isso, caracterizada como uma prática reiterada de infração à Lei Complementar 123/2006. No presente caso, além da prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, podemos destacar também a falta de escrituração da integral movimentação financeira, no Livro Caixa ou nos Livros Diário e Razão, a falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço e o embaraço à fiscalização, cabendo assim, as seguintes hipóteses de exclusão, conforme o disposto na Lei Complementar n.º 123/2006. Assim, apesar de a situação da pessoa jurídica enquadrarse em quatro hipóteses de exclusão de ofício do Simples Nacional, entendemos que para os efeitos da exclusão devem prevalecer as hipóteses relacionadas à omissão de receitas, à falta de escrituração da movimentação financeira e a falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, por serem mais abrangentes do que os efeitos da exclusão decorrentes do embaraço à fiscalização. Nesse sentido, conforme a representação fiscal de fls. 733 a 736, a omissão de receitas, a falta de escrituração da movimentação financeira e a falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, vem ocorrendo desde o mês de janeiro de 2008 reiteradamente até, pelo menos, dezembro de 2009, assim, tendo como fulcro os dispositivos legais acima transcritos, entendemos que a exclusão deve reportarse à data 01/01/2008. Isto posto, Entendemos que a representação deve ser acolhida, de modo que seja efetuada a exclusão do Simples Nacional da pessoa jurídica acima qualificada, com efeitos retroativos a 01/01/2008. O Despacho Decisório SAFIS 377/2012 e o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n.° 061, de 21 de novembro de 2012 (fls 752 e 753), convalidaram o Parecer que propôs a exclusão da impugnante do Simples Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.301 5 Federal, com efeito retroativo a 01/01/2008 pela prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço: Despacho Decisório SAFIS 377/2012 Em consonância com o Parecer SAFIS n° 005, de 21 de novembro de 2012, determino a exclusão de ofício da empresa em epígrafe do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Essa exclusão terá como termo inicial o dia 01/01/2008 e impedirá a empresa de fazer nova opção pelo Simples Nacional no prazo de 03 (três) anos, conforme o § 1o do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006. Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n.° 061, de 21 de novembro de 2012 Art. 1º. O contribuinte abaixo citado fica excluído da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, denominada Simples Nacional, face ao disposto nos artigos 3º, 17 e 29 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores e de acordo com o disciplinamento constante da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e, posteriormente, da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011, em razão da constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço. Art. 2º. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 6º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e nos arts. 73 a 76 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. Conforme já relatado, o contribuinte foi pessoalmente cientificado da exclusão do Simples e da autuação em 06/12/2012, porém recusouse a assinar os Termos de Ciência, conforme indicam os Termos de Constatação de fls. 966 e 969 lavrados pelas 03 Autoridades Fiscais responsáveis pelo procedimento. Por medida de prudência e objetivando assegurar ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório, foi, também, cientificada por meio do Edital 027/2012 publicado em 06/12/2012 (fls. 971/972), cuja desafixação ocorreu em 28/12/2012. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.302 6 Tais fatos comprovam que a impugnante foi regularmente cientificada da sua exclusão do Simples, tomou conhecimento de todos os fatos aqui narrados e teve à sua disposição 30 dias para interpor a sua Manifestação de Inconformidade, o que efetivamente ocorreu conforme petição de fls. 1.018 a 1.034. Observase, assim, que a alegação de que Receita Federal do Brasil teria adotado procedimento de exclusão do SIMPLES, sem respeitar a legislação pertinente à matéria, bem como afrontando princípios constitucionais basilares do ordenamento jurídico brasileiro, não se justifica, uma vez que no presente caso foram respeitados todos os procedimentos estabelecidos pela Lei Complementar 123/2006 e pela Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011. Todos os atos que embasaram o Ato Declaratório de exclusão estão inseridos neste PAF e foram regularmente cientificados ao interessado, que exerceu o seu direito de defesa em prazo hábil, o que afasta a possibilidade de ocorrência de qualquer cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Entender de forma contrária equivaleria a negar vigência a dispositivos legais regularmente editados afastandoos do mundo jurídico ou, de forma indireta, caracterizar como inconstitucional a lei instituidora da exclusão e da retroatividade aqui aplicada. A apreciação de tais argüições foge à alçada das autoridades administrativas, que, não dispõem de competência para examinar hipóteses que sustentem a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Tal entendimento, inclusive, já é objeto da Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cujo teor abaixo reproduzimos, que possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, conforme atribuição dada pelo Ministro da Fazenda: Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada cfe. Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009, p. 70 a 72) Como se vê, a emissão do Despacho Decisório que redundou na exclusão da impugnante do Simples, foi resultado da aplicação de dispositivo legal regularmente instituído, e decorreu de ações desenvolvidas pelo próprio contribuinte, cuja conseqüência foi a impossibilidade da sua permanência no sistema de tributação mais favorável, não havendo nenhuma relação com aplicação de qualquer penalidade ou sanção administrativa, como tenta induzir a defesa. Quanto aos argumentos de defesa vinculados à pratica reiterada de omissão de receitas, falta de escrituração da movimentação bancária e falta de emissão de documentos fiscais, são matérias que dizem respeito ao mérito do lançamento e que serão tratadas em item específico deste voto, ressaltandose que a impugnante em nenhum momento justifica de forma Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.303 7 convincente as divergências apontadas pela fiscalização entre o seu movimento financeiro e os valores efetivamente declarados à Receita Federal, limitandose a questionar os aspectos formais do processo. No caso aqui tratado, o fisco demonstra que no período de janeiro/2008 a dezembro/2009, as omissões de receitas corresponderam, em média, a 92% do total de receitas do contribuinte, alcançando a cifra de R$ 9.889.392,21 no período fiscalizado, com ocorrência regular em todos os meses dos anoscalendário objeto do lançamento. A citada Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, nos esclarece o conceito de prática reiterada no § 6º do art. 76, da seguinte forma: § 6 º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nas alíneas "d", "j" e "k" do inciso IV do caput: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, § 9 º) I a ocorrência, em dois ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos cinco anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento, em um ou mais procedimentos fiscais; II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Assim não se sustenta a alegação contida na defesa, de que a teria ocorrido atribuição genérica de prática reiterada de infração. Para que a empresa pudesse integrar o sistema tributário do SIMPLES, seria necessário obedecer às regras estabelecidas na Lei Complementar 123/2006, que dispõe sobre os requisitos necessários para usufruir dos benefícios da tributação simplificada. No caso de descumprimento dos preceitos legais exigidos na citada legislação tributária, operase o efeito excludente, independentemente de ato administrativo posterior, conforme acórdão 30132537 proferido pelo então Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF abaixo transcrito: MOMENTO DA EXCLUSÃO – O direito à manutenção da opção pelo SIMPLES, depende do constante cumprimento, pela pessoa jurídica, dos requisitos fixados pela Lei nº. 9.317/96 e suas subseqüentes alterações, sendo que é a ocorrência do fato gerador excludente, por si só produz os efeitos impeditivos para continuidade no SIMPLES, independentemente da expedição de ato administrativo que tem cunho meramente declaratório. RECURSO NEGADO. (Acórdão 30132537, Primeira Câmara do Terceiro Conselho, sessão em 23/02/2006). Quanto às justificativas apresentadas pela defesa em relação a não emissão de documentos fiscais, e efeitos confiscatórios decorrentes da exclusão Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.304 8 retroativa do Simples, são matérias que serão objeto de abordagem no item específico das nulidades. Resta por fim analisar as alegações quanto à delimitação temporal da exclusão e seus efeitos pretéritos e futuros, já que na defesa alegouse que a exclusão, com suposta vedação à opção devese restringir ao período dos exercícios 2008, 2009 e 201...pois a extensão destes para os anos 2011 e 2012 é totalmente ilegal e arbitrário. Conforme já visto, tanto no Despacho Decisório SAFIS nº 377/2012 como no Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 061, de 21 de novembro de 2012, ambos regularmente cientificados ao contribuinte, consta a informação de que a exclusão de ofício deste do SIMPLES, decorreu da constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Adicionalmente informase que essa exclusão terá como termo inicial o dia 01/01/2008 e impedirá a empresa de fazer nova opção pelo Simples Nacional no prazo de 03 (três) anos, conforme o § 1o do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006 com o disciplinamento dos constante no art. 6º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e nos arts. 73 a 76 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. Lei Complementar n.° 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darse á quando: I – verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; II – for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; III – for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; IV – a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; V – tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VI – a empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.305 9 VII – comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VIII – houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; IX – for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; X – for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. XI houver descumprimento da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 desta Lei Complementar; (Incluído pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1º de julho de 2007) XII omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. (Incluído pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1º de julho de 2007) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. (Redação dada pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1º de julho de 2007) Obs: Grifei Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I – emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011 Dos Efeitos da Exclusão de Ofício Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I – (...) II (...) III (...) Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.306 10 IV a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, incisos II a XII e § 1 º ) a) for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; b) for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; c) a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; d) tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar n º 123, de 2006; e) a ME ou EPP for declarada inapta, na forma da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; f) comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; g) houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; h) for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; i) for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, foi superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; j) não emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de forma reiterada, observado o disposto nos arts. 57 a 59 e ressalvadas as prerrogativas do MEI nos termos da alínea “a” do inciso II do art. 97; ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 101, de 19 de setembro de 2012) k) omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço, de forma reiterada; Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.307 11 Em que pese as afirmações contidas na defesa, não se vislumbra nenhuma ilegalidade, seja na aplicação dos efeitos retroativos da exclusão do Simples, seja no impedimento de nova opção pelos 03 anoscalendário subseqüentes ao período da exclusão. Logo, estando devidamente fundamentada nos autos as razões da exclusão do SIMPLES e o seu efeito retroativo e o período de impedimento legal para nova opção, e tendo sido aplicada a regra legal prevista na legislação tributária, não há como prosperar a argüição de violação a qualquer preceito ou princípio constitucional. (...)” (Grifei) Dessa forma, o órgão julgador de 1ª instância considerou a impugnação improcedente, e manteve a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. No Recurso Voluntário, a recorrente replica os argumentos expostos na peça de impugnação em face da exclusão do Simples Nacional. Em síntese aduz que: 1. DA PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. ATRIBUIÇÃO GENÉRICA Totalmente descabida a exclusão por prática reiterada de infração à Lei Complementar 123/2006 quando ausente menção clara e objetiva de quais os dispositivos legais infringidos, bem como quando a suposta prática infracional tem disciplina específica na legislação tributária; 2. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO CONTABILIZADA Não houve qualquer demonstração da falta de escrituração ou da impossibilidade de identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Não há, em nenhum momento, menção de que houvesse falta de escrituração do livrocaixa no caso em tela. Assim, não há como considerar que a hipótese de exclusão seja pela falta de escrituração do livrocaixa, pois o mesmo foi devidamente entregue à fiscalização. Havendo escrituração do livrocaixa, inclusive tendo sido entregue ao Agente Fiscal, inocorrente tal hipótese para efeito de exclusão”. Resta pois, a hipótese de impossibilidade de apuração da movimentação financeira (bancária). Neste ponto, também inocorrente a hipótese legal, uma vez que a movimentação financeira, inclusive bancária, estava devidamente escriturada. Em que pese faça menção de que a movimentação bancária estava escriturada apenas em parte, o Agente Fiscal deixou de apontar quais seria omissões, razão pela qual torna impossível a impugnação pela contribuinte da tal afirmação”. Ainda que não tivessem sido contabilizados os depósitos bancários, o que se admite apenas a título de argumentação, tal hipótese teria sido Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.308 12 suprida pela obtenção do total das movimentações através de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) emitidas em 24.01.2012 e encaminhadas às respectivas instituições financeiras; 3. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL – Todos os documentos correspondentes a serviços prestados pela empresa contribuinte foram emitidos. No entanto, a simples circulação de depósitos/valores pelas contas correntes desta não caracterizam serviços prestados, o que ocorreu no caso em tela”. A emissão de documento fiscal, no caso o conhecimento de fretes, somente é devida quando corresponda a serviço prestado efetivamente prestado pela contribuinte. No caso em tela, os depósitos considerados como faturamento pela Fiscalização, não correspondem a tal, não sendo devida a emissão de documento fiscal a esse respeito. A contribuinte em tela tem como objetivo social a exploração do ramo de transportes rodoviários de cargas intermunicipal, interestadual e internacional. Nesse sentido tem firmado diversos contratos de frete com grandes empresas produtoras no mercado nacional. Estes, por sua vez, tem como forma de organização do transporte a concessão de vagas para realizar o transporte de seus produtos”. Nesse sentido, estando a contribuinte registrada e apta à realização do transporte, todos os contatos e pagamentos são realizados pelo cliente em nome desta, ainda que não seja esta quem realize o transporte. Então, neste caso, temse que inúmeras vezes o pagamento é realizado em favor da ora autuada, mas, na verdade, é devido a quem realizou de fato o transporte”. Portanto, tais pagamentos simplesmente transitaram pelas contas da contribuinte, mas tiveram destino final os transportadores (pessoas físicas ou jurídicas), mobilizados por esta, para realizarem o serviço, sendolhes posteriormente repassado o valor do frete. Assim, não tendo sido a autuada quem efetivamente realizou o transporte, não há como ser considerado faturamento o valor transitado em suas contas para repasse a quem efetivamente o tenha feito”. Portanto, a mera circulação de valores na conta bancária não caracteriza necessariamente faturamento, não prestando como base de cálculo das contribuições sociais e do imposto sobre a renda que exige o efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte o que no mcaso presente não restou demonstrado pelo agente fiscal. Não se tratando de faturamento, não há como exigir a emissão de documento fiscal. Ainda, a hipótese legal exige "prática reiterada", a qual é definida no § 9º, o mencionado artigo 29”. Acrescentese que não houve qualquer formalização de auto de infração ou notificação de lançamento anterior, o que sequer foi mencionado nos presentes autos. Por essa razão, excluída a hipótese do inciso I. Quanto ao inciso II, trata da utilização de meio fraudulento, que não é o caso Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.309 13 em tela. Como se verifica nos presentes autos, em nenhum momento restou evidenciada a vontade de enganar o fisco, de sonegar ou criar embaraço ao Fisco; 4. DELIMITAÇÃO TEMPORAL DA EXCLUSÃO. ILEGALIDADE DO ATO O ato impugnado trata da exclusão da requerente do regime simplificado de tributação desde 01.01.2008, bem como vedalhe a possibilidade de opção pelo Simples Nacional no prazo de 03 (três) anos, conforme o § 1º do artigo 29 da Lei Complementar n° 123/2006. Em que pese tenha delimitado o início do tempo da exclusão (01.01.2008) e seus efeitos por 3 (três) anos, deixou de especificar ou limitar os efeitos da exclusão quanto ao seu final Temse, portanto, que a exclusão, com a suposta vedação à opção deve se restringir ao período dos exercícios de 2008, 2009 e 2010. No entanto, verificase no sistema mantido pelo Fisco, que a contribuinte consta como excluída do regime simplificado, inclusive para os anos de 2011 e 2012. Ora, há que estar delimitados os efeitos da exclusão, pois a extensão destes para os anos de 2011 e 2012 é totalmente ilegal e arbitrário. Deve, portanto, ser restabelecido imediatamente a opção pelo regime simplificado, para os anos de 2011 e 2012, o que desde logo requer; 5. EXCLUSÃO. EFEITOS. TERMO A QUO Delimitado o período de alcance do Ato Declaratório impugnado, também há que se tratar do termo a quo do mesmo. Afastadas as hipóteses de exclusão de ofício, caso constatada a omissão de receita, o que se admite apenas para argumentar, e feita a apuração tributária, temse que o termo a quo da exclusão deve ser o último dia útil do mês seguinte ao excesso de receita, de que trata o artigo 30, da Lei Complementar n° 123/2006”. Portanto, em que pese não se admita qualquer hipótese de exclusão do regime simplificado, não há como se falar em exclusão antes da ocorrência do excesso ao limite de receita bruta previsto no inciso II, do caput do art. 3º, da Lei Complementar referenciada. Há, portanto, que ser respeitada a opção pelo regime tributário simplificado em cada ano, até que alcançado o limite de receita bruta; 6. TRIBUTAÇÃO RETROATIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO – A cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte”. Discrepa do parágrafo primeiro do art. 97 do CTN, o ato declaratório excludente, posto que este, modificando sutilmente a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado, e impondo a migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Se o faturamento da micro e pequena empresa permanecer o mesmo para uma tributação maior, a onerosidade é Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.310 14 evidente, pois a hipótese de incidência perfectibilizará um aumento da tributação; 7. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SANÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTRIBUINTE A pretexto da temática, a cobrança retroativa dos tributos está na iminência de ocorrer, e o Poder Executivo sinaliza que referida cobrança será realizada com incidência de juros e correção monetária”. A sanção tributária está a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão”. Se não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que este seja excluído da tributação simplificada, é ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob bases de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Tendo em vista que a data da ciência do Acórdão de Impugnação, via postal, se deu em 14/01/2014 (fl. 1171), e tendo a peça recursal sido apresentado em 31/01/2014, resta tempestivo o presente Recurso Voluntário, motivo pelo qual dele conheço. Com relação à lide em julgamento, repiso, tratase de julgamento de exclusão do Simples Nacional. Com efeito, tal exclusão operouse por ter a fiscalização constatado que o contribuinte praticou, reiteradamente, infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas; falta de escrituração da movimentação financeira; e falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, tendo como termo inicial da exclusão o dia 01/01/2008. Demonstrados os motivos da exclusão do Simples Nacional, devese analisar os argumentos ventilados pela autoridade fiscal. Com relação à omissão de receitas, o trabalho da fiscalização apurou que, considerando as movimentações financeiras contabilizadas e as não contabilizadas, de um total de 1.548 movimentações financeiras para as quais foram solicitadas justificativas, a contribuinte só conseguiu comprovar a origem de apenas 31 transações, conforme consta no item 06 do Relatório Fiscal. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.311 15 Adiante, a fiscalização no relatório de atividade fiscal (fls. 867 e segs) elabora planilha que ilustra o conteúdo probatório reunido ao longo do procedimento, o qual confirma que a recorrente deixou de oferecer à tributação, em média, 92% das receitas auferidas. Vejamos: Portanto, no caso aqui tratado, o fisco demonstra que no período de janeiro/2008 a dezembro/2009, as omissões de receitas corresponderam, em média, a 92% do total de receitas do contribuinte, alcançando a cifra de R$ 9.889.392,21 no período fiscalizado, com ocorrência regular em todos os meses dos anoscalendário objeto do lançamento. Verificada a disparidade entre as informações presentes nos livros contábeis e também nos extratos de movimentação bancária da empresa, esta foi intimada a apresentar documentos que comprovassem a efetiva origem das entradas de recursos, porém, conforme exposto alhures, a empresa só conseguira comprovar uma quantidade ínfima das mesmas. A esse respeito, a Lei 9.430/06, em seu artigo 42, dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.312 16 jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em observância à clara disposição legal, este Conselho já se pronunciou sobre o assunto da seguinte maneira: “CARF – Data da Sessão: 03/02/2016 Nº Acórdão: 1402002.105 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, excluise da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada.” De outro lado, a falta de escrituração da movimentação financeira também está claramente demonstrada no Relatório Fiscal, e comprovada pelos documentos constantes deste PAF. A autoridade fiscal atesta que, nas informações obtidas através das RMF encaminhadas ao Banco Bradesco S/A, Banco Santander Meridional S/A, e Banco Real S/A, foi feita comparação com os lançamentos contábeis escriturados pela empresa, de modo que ficou constatado que a movimentação bancária estava escriturada apenas em parte, e que a parte escriturada não transitava por contas de resultado. Tudo em conformidade com o descrito no item 05 do Relatório Fiscal. Ademais, cabe frisar que o fisco demonstra que as infrações foram praticadas no período de janeiro/2008 a dezembro/2009, caracterizando, portanto, a prática reiterada das infrações supra descritas. Para conferir fundamentação legal ao enquadramento da conduta do contribuinte no artigo 29, V, LC 123/2006, a autoridade autuante trouxe o conceito atribuído pela Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, que dispõe no § 6º do art. 76, o seguinte: § 6 º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nas alíneas "d", "j" e "k" do inciso IV do caput: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, § 9 º) I a ocorrência, em dois ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.313 17 verificada em relação aos últimos cinco anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento, em um ou mais procedimentos fiscais; II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Assim, resta correta a atribuição de prática reiterada às infrações cometidas pelo contribuinte, tendo em vista que se amolda ao conceito disciplinado pela Resolução acima citada. Relativamente à definição do termo a quo da exclusão do Simples Nacional, ratifico a correção do Acórdão recorrido em determinar que este seja o dia 01/01/2008. Isto porque, o artigo 29, § 1º, prevê, justamente, que nos casos como o aqui enfrentado, a exclusão produzirá efeitos à partir do próprio mês em que incorridas. No entanto, com relação à delimitação temporal da exclusão, há de se fazer uma ressalva. Delimitado o dia 01/01/2008 como o termo inicial da exclusão do contribuinte do Simples Nacional, e verificada hipótese de exclusão de ofício, como a aqui ocorrida, fica o contribuinte impossibilitado de exercer a opção pelo Simples pelos 3 (três) anoscalendários seguintes. É o que dispõe o § 1º do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006 com o disciplinamento dos constante no art. 6º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e nos arts. 73 a 76 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. Logo, excluído do Simples no dia 01/01/2008, o contribuinte ficará inabilitado a optar pelo regime unificado de arrecadação pelos anos de 2008, 2009 e 2010. À partir do anocalendário 2011 o contribuinte já encontrase em condições de, em caso de preenchimento dos requisitos, optar pelo Simples Nacional. Dessa forma, com relação às infrações objeto desse procedimento fiscal, não subsistirá o impedimento em optarse pelo Simples Nacional à partir do anocalendário 2011, posto que já decorrido o prazo de impedimento legalmente previsto. A Recorrente, ainda aduz ser ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação. Porém, reforçase que a empresa que desfruta dos benefícios do regime unificado de arrecadação, devese submeter constantemente aos requisitos nela impostos, ou seja, os requisitos da LC 123/2006. Uma vez não atendidos os preceitos legais exigidos na citada legislação tributária, operase o efeito excludente, independentemente de ato administrativo posterior. Neste sentido, o próprio CARF já se pronunciou da seguinte forma: “CARF – Data da Sessão: 23/02/2006 Acórdão nº 30132537 MOMENTO DA EXCLUSÃO – O direito à manutenção da opção pelo SIMPLES depende do constante cumprimento, pela pessoa jurídica, dos requisitos fixados pela Lei nº. 9.317/96 e suas subseqüentes alterações, sendo que é a ocorrência do fato gerador excludente, por si só produz os efeitos Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.314 18 impeditivos para continuidade no SIMPLES, independentemente, da expedição de ato administrativo que tem cunho meramente declaratório.” Portanto, o descumprimento dos preceitos legais, por si só, é capaz de operar a exclusão do contribuinte de Simples Nacional. Isto importa que, à partir de quando a empresa começou a praticar as sobreditas infrações, já se encontrava fora do regime. O ato administrativo que formalizou a exclusão do Simples, tem como função a declaração das infrações cometidas e do termo inicial da exclusão. Logo fixado o referido termo inicial, fica formalizado que o contribuinte, à partir daquela data, não mais poderia beneficiarse do regime unificado de arrecadação. Tal questão já fora pacificada em Recurso Repetitivo no STJ, e devidamente reproduzida no âmbito do CARF. Vejamos: “CARF – Data da Sessão: 03/03/2015 Acórdão n.º 1803002.564 Assunto: Simples Nacional Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006). EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ Recurso Repetitivo)” Logo, declarado o momento da exclusão, deve o fiscal realizar o lançamento reportandose à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, como disciplina no artigo 144 do CTN. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.315 19 O raciocínio é aplicável, ainda, à última questão suscitada pela recorrente, ou seja, de que a sanção tributária está a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando está a impor a tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Ora, uma vez que o ato administrativo tem o condão de apenas declarar a situação de inadequação do contribuinte aos preceitos legais do Simples Nacional, formalizando a situação de exclusão do regime, não há razão na afirmação de tratarse de ato sancionatório exercido pela Administração. Em outras palavras, não há sanção quando apenas se declara uma situação motivada por infrações praticadas pelo administrado que, por si só, efetivaram a exclusão contribuinte do Simples Nacional. Por tudo exposto, julgo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional DRF/JOA n. 061, de 21 de novembro de 2012. É como voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12259.003355/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO.
Tratando- se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento e afastada a imputação de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN.
A mera desconsideração de contratos firmados com pessoa jurídica para prestação de serviços que caracterizam vínculo empregatício não é suficiente para se presumir a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte provido e Recurso Especial da Fazenda prejudicado no mérito.
Numero da decisão: 9202-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que restou prejudicado no mérito.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Tratando- se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento e afastada a imputação de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. A mera desconsideração de contratos firmados com pessoa jurídica para prestação de serviços que caracterizam vínculo empregatício não é suficiente para se presumir a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN. Recurso Especial do Contribuinte provido e Recurso Especial da Fazenda prejudicado no mérito.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12259.003355/2009-54
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5637779
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Sep 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.351
nome_arquivo_s : Decisao_12259003355200954.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 12259003355200954_5637779.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que restou prejudicado no mérito. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6503429
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689159700480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.383 1 1.382 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12259.003355/200954 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202004.351 – 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA ART. 150, §4º DO CTN. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. PAGAMENTO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Tratando se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento e afastada a imputação de fraude, dolo ou simulação, aplicase o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. A mera desconsideração de contratos firmados com pessoa jurídica para prestação de serviços que caracterizam vínculo empregatício não é suficiente para se presumir a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN. Recurso Especial do Contribuinte provido e Recurso Especial da Fazenda prejudicado no mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que restou prejudicado no mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 33 55 /2 00 9- 54 Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.384 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para a cobrança da Contribuições Previdenciárias devidas em razão da descaracterização pelo Ministério Público do Trabalho dos contratos de prestação de serviços artístico firmados com pessoas jurídicas e os quais supostamente serviam para mascarar a relação de emprego mantida com jornalistas, radialistas e artistas. Segundo relatório fiscal de fls. 350, a cobrança referese ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 37.093.2080, relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados obrigatórios. Tal débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada como a diferença entre a contribuição efetivamente devida, conforme a época do fato gerador e a remuneração recebida, e a contribuição efetivamente recolhida em nome de cada segurado; contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; contribuição devida por lei a terceiros, a cargo da empresa (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC e SEBRAE); acréscimos legais devidos pelo não recolhimento das importâncias devidas no prazo legalmente estabelecido, compostos de juros de mora e multa moratória. O débito foi apurado para as competências de 01/1997 à 12/2002. Contribuinte foi intimado pessoalmente em 21/12/2007, fls. 01. Da leitura da peça de Impugnação (fls. 439) destacamse as principais alegações de defesa: (i) decadência dos fatos geradores ocorridos entre 12/1996 e 11/2002, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento que atrai a aplicação do art. 150, §4º do CTN, (ii) legalidade da celebração de contratos por meio de pessoas jurídicas e aplicação retroativa do art. 129 da Lei 11.196/05, (iii) falta de amparo legal para lavratura do auto, (iv) cerceamento de defesa, e (v) aplicação do art. 100 do CTN. A Delegacia de Julgamento decidiu pela improcedência parcial da impugnação, declarando a decadência do período de 01/1997 a 11/2001 pela aplicação do art. 173, I do CTN por classificar a conduta do contribuinte como fraudulenta. Contra decisão foi apresentado Recurso de Ofício e interposto Recurso Voluntário, o primeiro julgado improcedente e o segundo provido em parte. O acórdão de nº 2301003.751, ora recorrido, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Diante da fraude nos contratos de trabalho, aplicase ao caso a regra do art. 173, inciso I do CTN. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO TRABALHISTA PARA EFEITOS FISCAIS. COMPETÊNCIA. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de tributos, não carretando essa análise a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as consequências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.385 5 Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. Incabível a aplicação do art. 106, inciso II, alínea "a", pois a retroatividade benigna diz respeito às infrações e suas penalidades, ao passo que o fato gerador deve seguir as determinações do art. 144 do CTN. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E PELAS MULTAS MORATÓRIAS E PUNITIVAS. ARTS. 129 e 133 DO CTN. RESP 923.012 E ART. 62A DO RICARF. Conjugandose a aplicação do art. 62A do RICARF com o conteúdo do Resp 923.012/MG do STJ, cujos fundamentos apontam para os arts. 129 e 133 do CTN, concluímos que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Negado. Recurso Especial da Fazenda Nacional para discutir a aplicação da multa afirmando que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso deve levar em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principal e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Recurso especial interposto pelo Contribuinte contra aplicação do art. 173, I do CTN, argumenta que a mera reclassificação dos contratos não pode levar a presunção de que teria ocorrido conduta fraudulenta. Cita como paradigmas os acórdãos 2401002.924 e 2401002.926. As partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Esclarecimento: Importante citar, conforme muito bem delimitado pelo Contribuinte, o objeto do processo que ainda permanece em litígio referese as contribuições devidas em relação ao período de dezembro de 2001 a novembro de 2002 haja vista decisão proferida pelo Colegiado a quo, o teor dos recursos apresentados e o pagamento à vista, pelo contribuinte com os benefícios da Lei nº 11.941/09, do valor referente ao fato gerador ocorrido no mês de dezembro de 2002. Do Recurso do Contribuinte: Não encontramos óbices para o conhecimento do recurso. Conforme narrado no relatório o contribuinte insurgese contra o entendimento de que há nos autos a comprovação de fraude à lei que justificaria a aplicação do art. 173, I do CTN para apuração do período de decadência. O cerne da questão foi muito bem resumido pelo despacho de admissibilidade da seguinte forma: Enquanto a decisão recorrida decidiu que houve a comprovação de dolo/fraude/simulação, pela utilização de pessoas jurídicas para, em tese, ocultar a condição de segurados empregados, a decisão paradigma decidiu de forma contrária, que só a ocultação, em tese, não é o bastante para deixar de aplicar a regra decadencial expressa no Art. 150, do CTN. Ao contrário do que se pode argumentar, o objetivo do presente recurso não é a revaloração de provas por esta instância superior. O que se pretende é que a Câmara Superior defina o seguinte: a mera utilização de pessoa jurídica para fins de contratação de serviços artísticos seria suficiente para caracterizar dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN? Diante desta delimitação os acórdãos apresentados como paradigmas são suficientes para demonstrar a divergência e em razão disso entendo como cumpridos os requisitos para admissibilidade do recurso. Superado eventuais problemas quanto ao conhecimento, no mérito entendo pertinentes os argumentos trazidos pelo Recorrente, isso porque para fins da aplicação da legislação tributária não basta uma suposição de que a conduta do contribuinte tenha sido fraudulenta, devese demonstrar que agindo com dolo este tenha se utilizado de meio ardil para burlar a legislação. Lembramos que nesta etapa processual não se discute mais sobre o acertamento ou não da decisão do Ministério Público do Trabalho que reconhecendo haver Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.386 7 elementos caracterizadores de relação de trabalho (subordinação, pessoalidade e não eventualidade) desconsiderou os contratos firmados entre o Contribuinte e os sócios das pessoas jurídicas. Portanto, julgo desnecessário emitir juízo de valor acerca da possibilidade ou não da contratação de serviços artísticos por meio de pessoas jurídicas. Diante da caracterização do vínculo empregatício os artistas, jornalistas e radialistas foram classificados como segurados obrigatórios, fato que motivou o presente lançamento. Analisando o teor do Relatório Fiscal, é possível perceber que a existência de fraude é abordada apenas em relação aos contratos de trabalho, não tendo sido feito qualquer avaliação mais específica acerta dos elementos dolosos que caracterizariam o crime de sonegação ou a fraude para fins da legislação tributária pelo uso de pessoa jurídica. Vale citar algumas partes do relatório que demonstram isso: 7 A presente ação fiscal foi iniciada a partir de requisição do MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, como resultado final do INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO n° 602/00, instaurado em face da TV GLOBO LTDA, ora sucedida, que concluiu que: "... a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7o da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação 'civil' com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais." (...) 11 Concluise, portanto, que verificada a prática de qualquer ato com o fito de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos constantes da CLT, devem, conforme o comando legal constante do art. 9o , CLT, ser tais atos considerados nulos, de pleno direito, quer dizer, sem a necessidade de declaração judicial (...) 31 Merece destaque o fato de que a fiscalização, ora parcialmente encerrada, não desconsiderou a personalidade jurídica de qualquer das empresas prestadoras, citadas no item 36 do presente relatório. Tampouco declarou que os artistas/jornalistas são detentores de direitos trabalhistas, mas tãosomente que para a relação jurídica examinada estão presentes as já citadas características de uma relação de emprego, portanto, devida as contribuições sociais ora lançadas. Ora, o art. 150, §4º do CTN em sua parte final traz a exceção à sua aplicação para os casos onde houver sido comprovado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E para compreender esses conceitos nos socorremos dos conceitos trazidos pela Lei nº 4.502/64. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 A sonegação no artigo 71, se refere à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. A Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificando‑ o para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Em que pese a fundamentação do acórdão recorrido, entendo que o lançamento não demonstrou a ocorrência desses eventos jurídicos, limitandose a afirmar que teria ocorrido fraude em relação à legislação trabalhista, fraude essa que a meu ver não se confunde e nem pode ser aproveitada para caracterizar a conduta do contribuinte para fins de afastamento da regra decadencial do tributo prevista no art. 150, §4º do CTN. Importante destacar que tanto não se aproveita que sequer foi instaurado processo de representação fiscal para fins penais. Por fim, como bem colocado pelo Recorrente deve ser considerado o teor do art. 129 da Lei nº 11.196/2005: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Ora, referida norma acaba por demonstrar que a suposta vedação à prática do contribuinte de contratar serviços artísticos por meio de pessoas jurídicas, no que se refere aos aspectos tributários, era no mínimo duvidosa, portanto, sua simples ocorrência não caracteriza automaticamente a existência de conduta dolosa/fraudulenta do contribuinte. Diante do exposto, afastada a existência de dolo, fraude ou simulação e havendo comprovação dos autos da antecipação do pagamento do tributo, devese reconhecer a decadência do crédito tributário referente ao período de dezembro de 2001 a novembro de 2002, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Do Recurso da Fazenda Nacional: A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma do julgado sob o argumento de que para determinar qual a multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Aqui devo esclarecer que embora mereça ser conhecido, em razão do provimento dado ao recurso do Contribuinte e consequente reconhecimento da decadência da totalidade dos fatos geradores ainda discutidos no processo, resta prejudicada a análise do mérito deste Recurso Especial interposto pela União. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.387 9 Diante do exposto, conheço dos Recursos. No mérito dou provimento ao recurso do Contribuinte, restando prejudicado o recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000108/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
Ementa:
VALE-TRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos vales-transporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do vale-transporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos vales-transporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992-B.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: VALE-TRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos vales-transporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do vale-transporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos vales-transporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13839.000108/2005-12
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633144
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.239
nome_arquivo_s : Decisao_13839000108200512.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 13839000108200512_5633144.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992-B. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6492469
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689198497792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.657 1 2.656 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000108/200512 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.239 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de agosto de 2016 Matéria PIS/Pasep Recorrente VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: VALETRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos valestransporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do valetransporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos valestransporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992B. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 01 08 /2 00 5- 12 Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, que julgou procedente o lançamento. Trata o processo de auto de infração, relativo aos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003, com ciência pela contribuinte em 25/02/2005, para a exigência de PIS/Pasep, multa de ofício e juros de mora, sobre os valores de vales/cartões/cupons recebidos pela contribuinte de seus clientes, no montante total de R$19.317.524,22, calculado até 31/01/2005. Constatou a fiscalização que a contribuinte não gozaria da posição de mero intermediário, já que faturaria diretamente contra seus clientes e, por outra, os emissores dos vales/cartões/cupons faturariam diretamente contra a contribuinte. Ademais, por falta de regulamentação, não socorreria a contribuinte o art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/98, ora revogado, que dispunha sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores que, computados como receita, tivessem sido transferidos a outra pessoa jurídica. Além disso, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, concluiu a fiscalização pela ausência de prova quanto à efetividade de ingresso de numerário na conta caixa, eventualmente decorrente de contratos de mútuo, reputando o valor de R$883.022,10 como saldo credor da conta caixa, fato auxiliar para a incidência da presunção legal de omissão de receita prevista no art. 40, inciso I da Lei n° 9.430/96, resultando na exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) no processo nº 13839.000107/2005 60. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: i) Não realizaria operação de compra e venda dos vales/cartões/cupons, agindo mais como agente facilitador da distribuição dos vales transportes, numa combinação de atribuições próprias da intermediação, do mandato e da comissão. ii) Só existiria receita quando o ingresso de numerário no patrimônio se fizesse de modo definitivo. Receita seria elemento novo e positivo no patrimônio, circunstância não ocorrente respeitante ao objeto "ValeTransporte", certo que o tanto quanto repassado pelos seus clientes para a cobertura do preço de determinada quantidade de "ValeTransporte" é exatamente o tanto quanto que ele, contribuinte, repassaria aos emissores de ditos "Vale Transporte". iii) Se receita existe, quem a experimenta seriam tão só as empresas concessionárias de serviço público de transporte coletivo quando do momento da prestação do respectivo serviço. iv) A tributação, a titulo de Contribuição ao PIS e de Cofins, da totalidade do numerário proveniente de seus clientes (aquele correspondente ao valor de face dos "Vale Transporte" mais aquele remuneratório do serviço que presta), levaria ao desrespeito da Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.658 3 capacidade contributiva, da utilização de tributo com efeito de confisco e ofensa ao principio da razoabilidade. Mediante o Acórdão DRJ/CPS N° 9.357, de 10 de maio de 2005, foi julgado procedente o lançamento, em síntese, sob os seguintes argumentos: No escopo do sistema de transporte coletivo público, a circulação dos vales transporte compreende: [1] o operador do sistema, que é obrigado por lei a emitir e a comercializar ditos valestransporte; [2] o empregador, que é obrigado por lei a adquirir os valestransporte; e [3] o empregado, que é obrigado por lei a usar os valestransporte exclusivamente para bancar suas despesas de transporte compreensivas do trajeto residência trabalho residência. Terceiro que se posta entre o operadoremissor e o empregador, assim o faz de modo voluntário (não ex lege) e, obviamente, segundo a perspectiva de mercado, focado na produção, distribuição e consumo da mercadoria "valetransporte". O valetransporte só pode não ser considerado mercadoria entre os agentes intervenientes do sistema de transporte coletivo público, já que a Lei n° 7.418/85 é tendente a descaracterizar, nesse restrito âmbito, o ato de transferência do valetransporte como substrato de uma possível compra e venda. Portanto, com respeito aos valestransporte, terceiro estranho ao sistema de transporte público coletivo opera com compra e venda e a sua receita, tributável pelo PIS/Pasep, corresponde ao total de ingresso de numerário que percebe para fazer frente, justamente, ao custo de aquisição dos "valestransporte", a outras despesas próprias ao seu serviço e, certamente, a alguma margem de lucro adventícia. Tendo sido cientificada dessa decisão em 30/05/2005, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/06/2005, alegando, em síntese: DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Acórdão proferido pela DRJ/CPS deixou de apreciar a matéria arguída pela Recorrente no Parecer que acompanhou a Impugnação, relativa ao conceito de receita para fins de incidência do PIS, à luz da materialidade desta contribuição (art. 195, I, b e 239 da CF) e dos princípios da capacidade contributiva, não confisco e da razoabilidade, eis que a Recorrente não pôs em dúvida a validade de qualquer das normas jurídicas em que a autuação se fundamentou. Conforme demonstrado no Parecer juntado, a recorrente limitouse a demonstrar que a atividade exercida pela Recorrente corresponde à prestação de serviços de gerenciamento de vale transporte e não à compra e venda mercantil, como pretendeu a fiscalização. Valetransporte não é mercadoria, seja quando "distribuído" por agente do sistema de transporte público, seja quando "distribuído" por terceiro Pretendem os d. Julgadores de 1° instância, data venia, de forma totalmente equivocada, que a assertiva de que o valetransporte não é mercadoria, não seja aplicável à Recorrente, sendo somente válida para os agentes intervenientes do sistema coletivo de transporte público, do qual a Recorrente não faria parte, eis que estaria voluntariamente atravessando aquele sistema para revender valestransportes. No entanto, a natureza jurídica de Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 um bem ou direito, no caso o valetransporte é apenas uma, não podendo ser alterada ou variar dependendo das partes envolvidas na relação jurídica. O valetransporte instituído pela Lei nº 7.418/85 está longe de ser uma mercadoria, eis que representa, em sua essência, o direito do trabalhador ao serviço de transporte público no percurso residênciatrabalhoresidência. O exercício desse direito só pode ocorrer na relação jurídica de transporte, e pelo titular do respectivo direito, o trabalhador. A atividade exercida pela Recorrente e sua função delegada no âmbito do sistema de transporte público Conforme já demonstrado na Impugnação, a atividade da Recorrente consiste na prestação de serviços de operacionalização, por delegação, da distribuição do beneficio de valestransporte, conforme previsto na Lei n° 7.418/85 e no Decreto n° 95.247/87 acima mencionados. Os artigos 5º e 6° da Lei n° 7.418/85 prevêem a delegação de funções das operadoras do sistema de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans) a terceiros. No presente caso, a atribuição de "distribuir" valestransporte foi delegada pelas empresas operadoras à Recorrente, através do Termo de Permissão no 4006928104, outorgado pela Companhia do Metrô, e do Termo de Credenciamento para Distribuição de ValesTransporte celebrado com a SPTrans. Portanto, a Recorrente não é terceiro estranho ao sistema de transporte público, eis que atua na condição de permissionária junto às companhias emissoras de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans), com a atribuição delegada de "distribuir" valestransporte às empresas empregadoras. Os Acórdãos 10193.683, 10321076 e 10193.741 abraçaram integralmente a tese aqui sustentada pela Recorrente. A atividade da Recorrente no entendimento da própria SRF é de prestação de serviço sujeita ao PIS somente sobre o valor das comissões art. 14 da IN 306/03, ADI 06/04 e art. 17 da IN 480/04 O Ato Declaratório lnterpretativo SRF nº 6, de 25 de março de 2004, no que diz respeito à norma estabelecida pelo art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12/03/2003, esclareceu que tal regra (i.e. no pagamento por valetransporte, a base de cálculo do PIS e da COFINS é apenas o valor da comissão ou corretagem), aplicase somente às "vendas" efetuadas por intermediárias, sejam elas vinculadas ou não à prestadora do serviço de transporte. O ADI SRF n° 06/04 deixa claro que a base de cálculo do PIS e da COFINS, em relação aos valores pagos pelas empresas da administração pública a uma intermediária (tal como a Recorrente) pelo fornecimento de valestransporte adquiridos junto às empresas emissoras destes vales, é apenas e tão somente o valor da comissão ou corretagem paga pelas empresas empregadoras pela respectiva prestação de serviço. O art. 17 da IN SRF 480/04 estabelece as mesmas regras que o antigo art. 14 da IN SRF 306/03, agregando a elas as normas de interpretação da SRF constantes do ADI SRF n° 06/04. Das normas editadas pela SRF acima descritas, extraise que, se a Recorrente fornecesse valestransporte para uma empresa pública federal, ela sofreria retenção do PIS exclusivamente sobre o valor da comissão ou corretagem paga pela prestação de serviços de aquisição, envelopamento individualizado e entrega dos valestransporte. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.659 5 No caso exato da Recorrente, ela presta os mesmos serviços de aquisição, envelopamento e entrega de valestransporte, mas para empresas do setor privado. Registrese que a atividade exercida pela Recorrente é a mesma, seja quando destinada a empresas públicas, seja quando destinada a empresas privadas, nada há de diferente. Em outras palavras, não é razoável sustentar que a natureza da atividade e a base de cálculo da contribuição ao PIS sejam alteradas pelo fato de o adquirente do valetransporte ser uma empresa pública ou uma empresa privada. As autoridades julgadores têm o dever de seguir as normas e entendimentos da SRF expressos em atos tributários As autoridades julgadoras têm o dever de seguir o entendimento da SRF expresso em atos tributários, conforme reconhece o próprio Acórdão recorrido. Conceito jurídico de receita O que não se subsume ao conceito de receita não pode ser tributado pela contribuição social sobre o faturamento. Nem todos os valores que transitam pelo caixa da pessoa jurídica são receitas, sendo unânime na doutrina o entendimento no sentido de que receitas são apenas as entradas que modificam o patrimônio da pessoa jurídica, incrementando tal patrimônio. No presente caso, os valores recebidos pela Recorrente relativos ao valor de face dos valestransportes adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no patrimônio da Recorrente, mas sim no patrimônio das prestadoras de serviço de transporte público, que ao final fazem o resgate do valor dos vales. No caso da recorrente, embora exista ingresso de valores em conta de ativo circulante da empresa, valores estes entregues por seus clientes e posteriormente repassados às operadoras do sistema de transporte público, tais valores não se incorporam ao patrimônio da Impugnante e sequer representam um incremento positivo liquido no seu patrimônio. Isto porque, o ingresso dos recursos dos clientes em seu ativo tem como contrapartida a obrigação de fornecer valestransporte aos próprios clientes, contabilizada no passivo da empresa. Não há qualquer efeito positivo liquido sobre o patrimônio da Impugnante. Tratandose especificamente de valestransporte, a receita, no sentido técnicojurídico da expressão, será das empresas transportadoras, quando prestam o serviço de transporte das pessoas e que recebem do público transportado os valestransporte em pagamento das viagens. A atividade remunerada que produz a receita é o transporte público. O meio de pagamento desse transporte só pode ser o valetransporte. Só há que se falar em auferimento de receita para a empresa prestadora do serviço de transporte público, quando do efetivo serviço de transporte, pago com a apresentação pelo usuário dos respectivos valestransporte. É a empresa transportadora que na verdade irá auferir receita (e não a Recorrente!), pois ela é quem faz o transporte pago com os vales. A Recorrente, conforme já exaustivamente comprovado, apenas repassa os valores (e não receitas!) entregues por seus clientes no âmbito da delegação expressamente prevista pela Lei n° 7.418/85. Esse inclusive é o entendimento do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, a exemplo das inúmeras decisões administrativas transcritas pela Recorrente em sua Impugnação. Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Decisões de PIS e COFINS relativas à empresa Blue Card Refeições Convênio S/C Os d. Julgadores de 1ª Instância administrativas mencionam no Acórdão recorrido as decisões proferidas por este E. Segundo Conselho de Contribuintes nos autos dos processos 10882.002396/200194 e 10882.002394/200103, relativos a exigências autônomas de PIS e COFINS contra a empresa Blue Cards Refeições Convênio S/C. Ressaltase, contudo, a matéria discutida nos referidos processos administrativos referese à aplicabilidade do já revogado artigo 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98, que permitia à pessoa jurídica excluir da receita bruta "valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Ocorre que a discussão travada pela Recorrente no presente caso não diz respeito ás disposições do artigo 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98. Tal dispositivo legal não se aplica ao presente caso posto que a Recorrente sequer auferiu receita, quanto menos computou algum valor como tal. Mediante a Resolução nº 340200.035 — 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de setembro de 2009, em face de questões atinentes à competência da 3ª Seção de Julgamento, decadência e à natureza das receitas tributadas, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora esclarecesse: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmo do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/200560) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida. c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. Mediante o Relatório Fiscal das efls. 1007/1008, a autoridade fiscal juntou documentos da ação fiscal e esclareceu, em síntese, que: a) O presente auto de infração baseiase em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/200560), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. b) Não constam recolhimentos da contribuinte de PIS/Cofins no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. c) A autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecidos à tributação no tocante às contribuições do PIS e Cofins. Os lançamentos dessas contas constam nas fls. 486/581 e as planilhas de apuração das contribuições nas fls. 582/585 (numeração original no processo em papel). Em sua manifestação em face da diligência, contestou a contribuinte a afirmação da autoridade fiscal sobre a ausência de recolhimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 2000, conforme demonstram as cópias juntadas de Darf´s e DCTF no período, Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.660 7 afirmando que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Mediante a Resolução nº 3402000.566 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de agosto de 2013, o julgamento foi convertido em diligência para que se verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados aos autos. Conforme Relatório Fiscal das efls. 1080/1082, os pagamentos apontados pela recorrente foram localizados em consulta ao sistema SINAL08, informandose dessa vez o código da DRF/Barueri. A recorrente manifestouse pela concordância com o Relatório Fiscal. O Colegiado entendeu pela necessidade de outra diligência, pela Resolução nº 3402000.645 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 23 de abril de 2014, nos termos abaixo, vez que, para a recorrente fazer jus ao tratamento isonômico dado às entidades da administração pública, se faria necessário o cumprimento de requisitos específicos, os quais não estavam comprovados nos autos: (...) Diante desta perspectiva, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem intime o recorrente a apresentar: a) Os contratos celebrados entre 01/01/2000 e 31/12/2003, cujo objeto seja de corretagem ou comissão sobre a venda de vales transporte; b) Os pedidos de compra dos valestransporte feitos pelos clientes da recorrente; c) Comprovantes dos valores recebidos dos clientes para aquisição dos vales transporte; d) Comprovantes dos valores pagos as empresas emissoras dos valestransporte; e e) As notas fiscais emitidas pela recorrente que conste a discriminação dos serviços prestados aos seus clientes. De posse destes documentos, que seja produzido relatório conclusivo que ateste:1) A natureza dos contratos celebrados pela recorrente com seus clientes; 2) Se o valor do pedido confere com o valor repassado pelo cliente e com o valor pago às emissoras dos valestransporte; e 3) Se há destaque em todas as notas fiscais emitidas pelo recorrente para seus clientes do valor da corretagem ou da comissão recebida pelos serviços prestados. (...) No Relatório Fiscal das efls. 2629/2630, a fiscalização juntou a documentação solicitada e esclareceu que: Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 A recorrente apresentou manifestação, aduzindo, em síntese: A documentação acostada comprova a vocação empresária da recorrente na prestação de serviços de administração de benefícios, distribuição e logística, bem como a perfeita separação dos recursos recebidos entre valores de face (repassados aos órgãos emissores) e os valores correspondentes às receitas de serviço (receita da VB Serviços). A diferença entre os valores recebidos e os repassados é insignificante, no montante de 0,027% entre os itens distribuídos aos clientes e os adquiridos nos emissores, conforme memória de cálculo anexa. Na resposta ao quesito 1 formulado pelo CARF, o agente fiscal confirmou a natureza de contratos de prestação de serviços, entre a VB e seus clientes, de corretagem ou comissão, o que demonstra a insubsistência do auto de infração, segundo a qual a Recorrente desempenharia a atividade de compra e venda mercantil. Também, na resposta ao quesito 3, foi confirmado que há destaque no valor da taxa de operacionalização dos valestransportes, preenchendo outro requisito para o tratamento isonômico com as entidades que prestam serviços à administração pública, de forma a permitir a adoção da base de cálculo correspondente ao valor da corretagem ou comissão cobrada pela pessoa jurídica prestadora. Embora a resposta ao quesito 2 tenha sido negativa, tratase de mera presunção. Ademais, há impossibilidade material de sua ocorrência, pois o comportamento descrito pelo AuditorFiscal é vedado pelas companhias emissoras dos valestransporte, constando essa vedação de cláusula expressa no Termo de Permissão e nos contratos que credenciam a Recorrente para a aquisição dos bilhetes. No caso presente, o valetransporte, pela sua natureza, não pode ser visto como mercadoria, tratandose de um documento representativo de um crédito, materializando um direito de acesso ao transporte público a quem o detiver. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.661 9 Sob o aspecto subjetivo, nem a emissora dos vales, nem a Recorrente, nem os seus clientes participam da operação de aquisição dos valestransporte na condição de comerciante, ou seja, para revendêlo, auferindo lucro. Pelo contrário, o valor dos vales corresponde com rigor ao valor da tarifa oficial, sendo vedados descontos ou acréscimos. Também não seria razoável considerar que a variação do preço público pudesse ensejar "lucro na venda de bilhetes de transporte" vislumbrada no Relatório Fiscal. Por tudo isso, o Relatório atesta o preenchimento pela Recorrente dos requisitos que, segundo o CARF, asseguram o mesmo tratamento dispensado às empresas que prestam serviços à Administração Pública, pelo que requer, com base no disposto nas Instruções Normativas nºs 306/2003 e 1540/2015, recém editada, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Decadência: Conforme esclarece o Voto condutor do Relator Manoel Coelho Arruda Junior no Acórdão nº 9202003.589– 2ª Turma da CSRF, de 03 de março de 2015, a questão sobre a aplicação do art. 173, I do CTN ou do art. 150, §4º do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação já se encontra resolvida pela aplicação do entendimento do STJ no julgamento do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF: (...) Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: (...) Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕ PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias". Assim, no caso sob análise, no qual não se verificou dolo, fraude ou simulação, e confirmouse pagamentos da contribuinte relativos ao mês de janeiro e fevereiro Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.662 11 de 2000 (penúltima diligência efls. 1080/1082), é aplicável o art. 150, §4º do CTN para a contagem do prazo de decadência de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que a contribuinte foi cientificada da autuação em 25/02/2005, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário relativa a fatos geradores ocorridos até 25/02/2000, mais precisamente, somente a parte relativa ao fato gerador de 31/01/2000, conforme se vê dos itens mais remotos do auto de infração abaixo transcritos: "DO CERCEAMENTO DE DEFESA" Improcede a alegação de cerceamento de defesa na decisão recorrida. Embora o julgador de primeira instância não tenha conhecido de matéria que julgou ser atinente à constitucionalidade das leis que fundamentaram a autuação, ele expôs os fundamentos suficientes para o enquadramento das operações da contribuinte como receitas tributáveis pelo PIS/Pasep segundo o seu próprio entendimento. É cediço que, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pela parte, conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp nº 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008). No caso, entendeu o julgador a quo, em síntese, que as operações seriam de compra e venda de valestransporte, eis que a contribuinte seria terceiro estranho ao sistema de transporte público coletivo, sendo a receita bruta correspondente (ingresso total de numerário) tributável pelas contribuições sociais, não prosperando, a seu ver, a tese da impugnante de que as operações seriam de prestação de serviços de gerenciamento de valetransporte. Do mérito Conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal, entendeu a fiscalização que os valores constantes nas contas do Ativo Circulante abaixo integrariam a receita bruta, sendo, portanto, sujeitos a tributação do PIS/Pasep, relativamente às operações de compra e venda dos valestransporte: Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 (...) Entendeu o AuditorFiscal autuante que a VB não adquiriria valestransporte por conta e ordem de terceiro, porque se assim fosse estaria atuando na forma de intermediação, o que não teria ocorrido, eis que a companhia emissora de vales não fatura diretamente contra o cliente da VB, mas sim contra a própria VB, que assume todo o risco e a responsabilidade pelos vales adquiridos. Dessa forma, concluiu a fiscalização que: (...) De outra parte, a contribuinte alega que atuaria como permissionária da Companhia do Metropolitano de São Paulo — Metrô e credenciada da SPTrans, empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, para o fim de distribuir "Vale Transporte", de forma que não comercializaria valestransporte, mas prestaria serviços, sendo inclusive cadastrada como contribuinte do ISS junto à prefeitura de Morungaba. Nessa condição, esclareceu a contribuinte na impugnação que as operações cujos valores foram tributados poderiam ser assim descritas: (a) através de um pedido via Internet feito pelo site da Impugnante, os clientes da Impugnante informam a quantidade e espécie de valestransporte que desejam receber (vejam cópia de pedido exemplificativo doc. 3); Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.663 13 (b) com base no pedido recebido pelo site, a Impugnante calcula e informa ao cliente o valor correspondente (i) a tarifa pública vigente dos valestransporte, multiplicada pela quantidade de vales solicitada pelo cliente; e (ii) a taxa cobrada pela Impugnante pelos serviços de compra, envelopamento individualizado dos vales por usuário, seguro e entrega dos valestransporte aos clientes; (c) o cliente faz então uma transferência bancária eletrônica ("DOC") em favor da Impugnante, no valor calculado pela tarifa pública e pela taxa de serviço (vejam cópia de DOC exemplificativo doc. 4), o qual é registrado a débito em conta de ativo circulante (Banco) da lmpugnante, tendo como contrapartida (i) o lançamento a crédito em conta de passivo circulante (Adiantamento de Clientes), pelo valor recebido para aquisição dos valestransporte pela tarifa pública então vigente (b.i acima) e (ii) o lançamento a crédito em conta de resultado, correspondente à receita de prestação de serviço, pelo valor da taxa de serviços de compra, envelopamento individualizado por usuário, seguro e entrega dos valestransporte ao cliente (b.ii acima); (d) após receber o DOC de seus clientes, a Impugnante repassa à empresa emissora de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans) o valor recebido correspondente à tarifa pública vigente, multiplicada pela quantidade de valestransportes solicitados no pedido do cliente (b.i acima). (e) mediante o recebimento do valor correspondente à tarifa pública então vigente, a empresa emissora dos valestransporte (Companhia do Metrô ou SPTrans) emite Recibo em favor da Impugnante (vejam Recibo exemplificativo doc. 5), pelo valor recebido, e entrega os valestransporte à Impugnante; (f) recebidos os valestransportes das emissoras, e após o envelopamento individualizado dos mesmos, é feita a entrega dos valestransporte aos clientes, com a emissão da nota fiscal de serviços também individualizada (vejam Nota Fiscal exemplificativa doc. 6), pondo fim à operação. A nota fiscal discrimina os valestransporte entregues aos clientes, com o respectivo valor de face, e discrimina a taxa de serviço cobrada dos clientes, pelos serviços prestados. Dessa forma, segundo a contribuinte, os valores objeto de tributação seriam aqueles recebidos de seus clientes (empregadores), correspondente à tarifa vigente dos vales transportes solicitados, os quais repassa diretamente às emissoras de valestransporte e operadoras do sistema de transporte coletivo público. Assim, tais ingressos não permanecem no ativo circulante nem representam qualquer incremento ou acréscimo patrimonial positivo para a empresa, sendo que somente os ingressos correspondentes a taxa de serviços cobrada dos clientes é que permanece com a contribuinte, caracterizando, essa sim, sua receita própria, oferecida regularmente a tributação. No recurso voluntário, a recorrente sustenta o entendimento de que os valores autuados não integrariam a receita bruta, essencialmente, nos seguintes pontos: a) vale Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 transporte não é mercadoria; b) exerce prestação de serviços de operacionalização, por delegação, da distribuição do beneficio de valestransporte, conforme previsto na Lei n° 7.418/85 e no Decreto n° 95.247/87; c) a base de cálculo das contribuições seria somente o valor da comissão ou corretagem (art. 14 da IN 306/03, ADI 06/04 e art. 17 da IN 480/04); d) os valores recebidos pela recorrente relativos ao valor de face dos valestransportes adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no seu patrimônio e, logo, não podem ser considerados receita; e, por fim, e) a questão sob litígio não envolve a transferência de valores computados como receita a outra pessoa jurídica (art. 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98, revogado sem regulamentação), vez que a recorrente não auferiu esses valores como receita, nem tampouco os computou como tal. Conforme se depreende dos autos, a recorrente exerce as atividades de relativas às operações objeto de autuação em conformidade com a delegação dada pelo art. 5º da Lei nº 7.418/85, abaixo transcrito: Art. 5º A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e a comercializar o Vale Transporte, ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. (Renumerado do art . 6º, pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (...) § 2º Fica facultado à empresa operadora delegar a emissão e a comercialização do ValeTransporte, bem como consorciarse em central de vendas, para efeito de cumprimento do disposto nesta Lei. § 3º Para fins de cálculo do valor do ValeTransporte, será adotada a tarifa integral do deslocamento do trabalhador, sem descontos, mesmo que previstos na legislação local. [grifei] O Decreto nº 95.247/87, que traz a regulamentação para o valetransporte, dispõe também sobre a proibição de repassar os custos de operacionalização ao valor da tarifa do valetransporte, mesmo que a sua operacionalização se faça por meio de empresa delegada, e outras regras a serem obedecidas por esta empresa: Art. 14. A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e comercializar o ValeTransporte ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. § 1° A emissão e a comercialização do ValeTransporte poderão também ser efetuadas pelo órgão de gerência ou pelo poder concedente, quando este tiver a competência legal para emissão de passes. § 2° Na hipótese do parágrafo precedente, é vedada a emissão e comercialização de ValeTransporte simultaneamente pelo poder concedente e pelo órgão de gerência. § 3° A delegação ou transferência da atribuição de emitir e comercializar o ValeTransporte não elide a proibição de repassar os custos respectivos para a tarifa dos serviços. Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.664 15 Art. 15. Havendo delegação da emissão e comercialização de ValeTransporte, ou constituição de consórcio, as empresas operadoras submeterão os respectivos instrumentos ao poder concedente ou órgão de gerência para homologação dos procedimentos instituídos. Art. 16. Nas hipóteses do artigo anterior, as empresas operadoras permanecerão solidariamente responsáveis com a pessoa jurídica delegada ou pelos atos do consórcio, em razão de eventuais faltas ou falhas no serviço. Assim, como a contribuinte exerce a sua atribuição por delegação do operador do sistema de transporte público coletivo, estando sujeita às restrições legais e regulamentares para operar com os valestransporte, não se poderia dizer, como afirmado pela decisão recorrida, que a contribuinte seria um terceiro elo estranho ao próprio sistema de transporte público coletivo que aderiria voluntariamente ao sistema e, por isso, ainda que se admitisse que os valestransporte não se caracterizassem como bens negociáveis, tal predicado não mais subsistiria com a entrada da contribuinte no sistema. Por certo, a natureza jurídica dos valestransporte não se altera pelo fato de serem operacionalizados antes de chegar ao seu usuário final por um terceira empresa privada, apenas porque esta recebe uma taxa de administração pela atividade por ela exercida. Os valestransportes, recepcionados nos ônibus e trens, não podem ser considerados como meras mercadorias, eis que exercem, do ponto de vista econômico, a função de meio de pagamento dos serviços de transporte prestados pelas concessionárias, atuando, por assim dizer, como uma espécie de moeda, válida exclusivamente para pagamento das passagens de transporte coletivo. Além disso, no valor de face do valetransporte não pode ser incluído qualquer valor de custo sobre a sua operacionalização. Com efeito, a contribuinte juntou aos autos declarações das empresas operadoras do sistema de transporte coletivo Metrô e SPTrans (fls. 442/448), nas quais se registrou que: a) A VB é permissionária ou credenciada para distribuir os valestransporte; b) A VB não obtém qualquer desconto ou participação no produto da venda; c) Há proibição no contrato para a formação de estoque especulativo pela VB; e d) A remuneração da VB é feita unicamente pela prestação de serviços às empresas compradoras. Conforme consta no "TERMO DE CREDENCIAMENTO PARA DISTRIBUIÇÃO DE VALESTRANSPORTE QUE ENTRE SI FIRMAM A SÃO PAULO TRANSPORTE S/A E A EMPRESA VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO LTDA" (fls. 820/830): (...) CLAUSULA PRIMEIRA DO OBJETO 1.1. O objeto do presente instrumento é a distribuição, pela "CREDENCIADA", aos seus clientes, de ValesTransporte de emissão da "SPTRANS", nos formatos de papel ou de crédito eletrônico, a critério exclusivo da SPTrans. (...) Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 2.1.5.1 A medida que os cartões forem distribuídos aos usuários, a CREDENCIADA deverá solicitar a baixa de seus estoques junto a SPTRANS. 2.1.6. É vedado à "CREDENCIADA", sob qualquer hipótese, dar outra destinação aos produtos especificados nos itens 2.1.1 e 2.1.2 entregues pela "SPTRANS", que não esteja previsto neste instrumento. (...) 4.5. Efetuar a distribuição dos ValesTransporte, no formato de papel, ao preço da tarifa vigente. 4.6. Emitir recibo, mecanicamente autenticado, no valor dos valestransporte distribuídos. 4.6.1. Para fins do disposto neste item, a "CREDENCIADA" deverá encaminhar, para conhecimento da "SPTRANS", os modelos de recibos que serão adotados. 4.6.2. Os serviços adicionais prestados pela "CREDENCIADA" a seus clientes, vinculados à distribuição dos valestransporte, serão realizados por sua exclusiva conta e risco, ficando a "SPTRANS" totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer titulo, em relação a tais serviços. (...) CLAUSULA OITAVA DA PROIBIÇÃO DE GANHOS ESPECULATIVOS PROVENIENTES DE AUMENTOS TARIFÁRIOS 8.1 Fica vedado à "CREDENCIADA" efetuar compras de valestransporte que lhe propiciem ganhos especulativos. 8.1.1. Considerarseá ganho especulativo aquele obtido pela "CREDENCIADA" através da compra para estoques, às vésperas de aumentos tarifários, para revenda imediatamente nos primeiros dias de vigência dos novos valores dos vales transporte. 8.2. Para viabilizar a avaliação do disposto no item anterior, fica a "CREDENCIADA" obrigada a fornecer à "SPTRANS", os seguintes documentos: (...) Também consta no CONTRATO N° 4006928104 VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO LTDA DISTRIBUIÇÃO DE VALESTRANPORTE, SOB REGIME DE PERMISSÃO, OUTORGADA PELA COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO METRO (fls. 831/845) que: (...) CLAUSULA PRIMEIRA OBJETO O objeto do presente instrumento é a outorga pela COMPANHIA DO METRO PERMISSIONÁRIA, de Permissão a titulo precário, Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.665 17 oneroso e não exclusivo, para distribuição de ValesTransporte que são comercializados pela COMPANHIA DO METRO, vedada sua transferência a terceiros. 1.2. A distribuição dos ValesTransporte será realizada de acordo com as disposições deste Termo de Permissão e abrangerá, sem a elas se limitar, o seguinte: 1.2.1. Retirada pela PERMISSIONARIA, por meio próprios e sem ônus para a COMPANHIA DO METRO, dos lotes de Vales Transporte, os quais deverão ser mantidos sob sua guarda e responsabilidade, e em perfeitas condições de segurança e ambientação. 1.2.2. Distribuição dos ValesTransporte junto às empresas que vierem a se utilizar dos serviços da PERMISSIONARIA para fornecimento desse beneficio. 1.2.3. Repasse para a COMPANHIA DO METRO, pela PERMISSIONARIA, dos recursos financeiros correspondentes ao somatório dos valores dos ValesTransporte distribuídos. 1.3. A PERMISSIONARIA poderá prestar serviços a seus clientes, concernentes à distribuição dos ValesTransporte, os quais serão realizados por sua conta e risco, ficando a COMPANHIA DO METRO totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer título, em relação a tais serviços. (...) 3.3. A PERMISSIONÁRIA somente poderá solicitar lotes de ValesTransporte cujo somatório dos respectivos valores estejam dentro do valor da garantia apresentada conforme item 7.2. da Cláusula Sétima, considerando a quantidade de Vales Transporte em seu poder e configurado no estoque. (...) 3.4. Na distribuição dos ValesTransporte, a PERMISSIONÁRIA deverá considerar, dentre outros, o que segue: 3.4. 1 . Quando da distribuição dos ValesTransporte aos seus clientes, a PERMISSIONÁRIA deverá cobrar dos mesmos valor igual ao das tarifas oficiais praticadas na data de entrega dos vales, sem quaisquer descontos, com pagamento obrigatoriamente vista, na forma da legislação especifica. (...) Ademais, na última diligência efetuada, após a análise dos contratos entre a recorrente e seus clientes (empregadores que repassam os valestransporte a seus empregados), concluiu a fiscalização que: a) os contratos têm como objeto prestação de serviços, compreendendo a aquisição pela VB de valestransporte nas companhias emissoras, envelopamento individualizado por usuário e posterior entrega à empresa cliente, conforme pedidos de compra; b) o valor cobrado dos clientes corresponde ao preço total dos vales Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 transporte acrescido da taxa de administração do serviço, cujo valor encontravase destacado nas notas fiscais analisadas. Assim, considerando as especificidades das operações da contribuinte acima apontadas, embora tais operações estejam grafadas nos documentos da contribuinte como compra e venda de valestransporte e o faturamento não tenha se dado diretamente da companhia emissora de valestransporte para o cliente da VB, entendo que não se tratam de operações de compra e venda mercantil, como sustentado na autuação e na decisão recorrida, mas de prestação de serviços atinentes a distribuição e gerenciamento de valestransporte, remunerados por uma taxa de administração. Conforme esclareceram no Parecer anexo o Dr. IVES GANDRA DA SILVA MARTINS e a Dra. FATIMA FERNANDES RODRIGUES DE SOUZA, a atividade da recorrente "corresponde a um plexo de utilidades, as quais, vistas no seu conjunto, correspondem ao gerenciamento do benefício do valetransporte para o empregador, evitando que este tenha que pessoalmente cuidar de todas as providências necessárias para sua aquisição, transporte, segurança, manuseio e distribuição individualizada, ou seja, segundo as necessidades de cada funcionário". Nessa esteira, bem aduzem os ilustres Pareceristas que o fato de a aquisição se dar em nome da recorrente "não descaracteriza sua atividade como serviço, pois essa é precisamente a natureza do contrato de comissão (espécie contratual típica do Código Comercial, prevista no art. 165 daquele Código sob o nome comissão mercantil, e hoje prevista no art. 693 da nova Lei Civil), serviço que integra o plexo de utilidades que presta ao cliente". Nesse caso, dispõe o art. 224 do RIR, que a receita bruta é o preço dos serviços prestados: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Conforme bem esclarece o Professor Minatel1, "O ingresso financeiro é um dos atributos que permitem qualificar o conteúdo material da receita, mas nem todo ingresso tem natureza de receita. É preciso caráter de definitividade da quantia ingressada e que tenha como causa o exercício de atividade empresarial". Com a sua peculiar precisão na linguagem, esclarece o Ilustre Professor a diferença entre receita e renda: Já afirmamos que receita pressupõe ingresso, no sentido de contraprestação em dinheiro recebida, por exemplo, pelo comerciante proveniente da venda de mercadorias, ou pela atividade desempenhada pelo prestador de serviços, assim como se qualificam no contexto de receita os juros que remuneram o capital transferido num contrato de mútuo. Nessa concepção, foram tomados sob o genérico rótulo de receita, por não ser demais repetir que tais eventos têm configuração instantânea de circulação de riqueza, aferível na contrapartida instantânea de cada negócio ou operação, portanto, prescindem de apuração de resultado mediante confronto com os custos correspondentes. O 1 MINATEL, José Antonio. O Conteúdo do conceito de receita. São Paulo: MP Editora, 2005. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.666 19 mesmo não acontece com a renda, conceito relacional, pois pressupõe avaliação técnica do efetivo resultado, num determinado período de tempo, segundo métodos e critérios predefinidos, para o que são relevantes todos os fatores inter relacionados para exteriorizálo. A distinção acima apontada é relevante ao presente caso, pois, ao não se considerar como receita bruta o ingresso que não seja definitivo, não se estaria confundindo receita com renda, como afirmou o julgador da decisão recorrida. Nesse ponto, importa citar o entendimento da autoridade fiscal na autuação de que tais ingressos, embora se caracterizassem, a seu ver, receita, não se caracterizariam renda, tendo em vista a ausência de lucro nas operações entendidas como de "compra e venda": (...) No entanto, nas lições do Professor Minatel são consideradas notas determinantes para o conceito de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep, dentre outras, tanto a "definitividade de ingresso", como também a "mensuração instantânea e isolada em cada evento, abstraindose dos custos e de periodicidade para sua apuração". Assim, considerando que as operações objeto de autuação tratamse de serviços, entendo que os valores recebidos dos seus clientes e repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, correspondentes aos valores de face dos valestransporte, são ingressos não definitivos no patrimônio da recorrente, que também não podem ser considerados como custos desses serviços, eis que esses são remunerados pela taxa de administração. No caso, os valores originados das vendas de ValesTransporte não podem ser compreendidos no conceito de receita, tendo em vista que, ao mesmo tempo em que se verifica um aumento no ativo da empresa, ocorre também um aumento de seu passivo em idêntico valor, consistente na obrigação de resgatar os bilhetes emitidos pelos mesmos valores praticados na comercialização com os seus clientes (empregadores que repassam esses vales a seus empregados). Como afirmado pela recorrente, os valores por ela recebidos, relativos ao valor de face dos valestransporte adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no seu patrimônio, mas sim no patrimônio das prestadoras de serviço de transporte público, que ao final fazem o resgate do valor dos vales. Nessa esteira, na definição atual do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no seu parágrafo 4.25, o ingresso deve representar um aumento do patrimônio líquido para ser considerado como receita, nesses termos: 4.25. Os elementos de receitas e despesas são definidos como segue: (a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais; (...) Cabe destacar que o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 306/2003 e o art. 17 da IN SRF n° 480/2004, que tratavam da tributação na fonte de PIS, Cofins e CSLL na aquisição de valestransporte e assemelhados pela Administração Pública, embora não pudessem ser aplicados às operações sob estudo, eis que a recorrente presta os serviços a empresas do setor privado, corrobora com o entendimento acima exposto, eis que reconhece que, na específica situação regulamentada, a base de cálculo para a incidência seria apenas o valor da corretagem ou da comissão destacada na Nota Fiscal de Serviço. Em vários julgados anteriores deste Conselho, abaixo transcritos, que trataram de situação bem similar ao caso presente, manifestouse entendimento no sentido acima exposto, de que os ingressos relativos ao repasse de valores dos valestransportes não se caracterizam como receita: Acórdão n° 140100.707– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Recorrente VIA NOVA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Relator: Antonio Bezerra Neto ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Ementa: CONCEITO DE RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valesbenefício adquiridos por empresa que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transporte tendo como propósito exclusivo de repassar a preço de custo aos clientes e cujo repasse está contratualmente e legalmente bem delimitados nos autos enseja a exclusão desse ingresso do conceito de Receita bruta para efeito do Simples. (...) PROCESSO N°: 10640.000658/9717 RECURSO N° : 114.930 RECORRENTE: ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DE JUIZ DE FORA RECORRIDA: DRJ EM JUIZ DE FORA(MG) SESSÃO DE: 20 DE FEVEREIRO DE 2002 ACÓRDÃO N°: 10193.741 Ementa: (...) IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE VALES TRANSPORTE. Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.667 21 As vendas de valestransportes pela associação de classe, emitidos pela mesma associação, por delegação expressa no parágrafo 2°, do artigo 5°, da Lei n° 7.814/85 (redação da Lei n° 7.855/89), não constituem receitas da associação de classe. Os recursos arrecadados passam a constituir receitas quando utilizados os valestransporte e prestados os serviços de transporte pelas empresas concessionários de transporte coletivo de passageiros que são os titulares dos direitos de emissão de valestransporte pelo caput do artigo 5° da Lei n° 7.814/85. (...) Processo n° 13808.004244/0037 Recurso n° 126.797— EX OFFICIO Recorrente DRJ EM SÃO PAULO — SP,. Interessada: EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOS DE SÃO PAULO — SP. Sessão de 08 de novembro de 2001 Relator: Francisco de Assis Miranda Acórdão n°. 10193.683 Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA NA EMISSÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE VALETRANSPORTE — INOCORRÊNCIA — Valores originários da venda de Vale Transportes, recebidos por operadora, não se enquadram no conceito de receita dado pelo art. 226 do RIR194, por constituir uma obrigação da operadora. Citados valores se destinam na realidade a pagamentos às concessionárias de serviços de transporte municipal, em decorrência das prestações dos referidos serviços, que recebem os bilhetes dos trabalhadores, a título de pagamento das passagens e têm seus valores ressarcidos pela Operadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — O decidido em relação ao IRPJ, se estende às exigências reflexas referentes ao PASEP, COFINS e CSSL, dado o nexo causal existente. Negado provimento ao recurso de ofício. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725114/2009-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.725114/2009-82
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626340
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.148
nome_arquivo_s : Decisao_10580725114200982.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580725114200982_5626340.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6477017
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689207934976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 415 1 414 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.725114/200982 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.148 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente ANA PAULA BACELLAR BITTENCOURT Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 14 /2 00 9- 82 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
