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Numero do processo: 10945.721869/2014-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
Poderão ser considerados como dependentes a filha ou o filho, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. Poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos e planos de saúde, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. As despesas de educação e médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos. Deduções que não observem essas regras são irregulares.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 32.300,00.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Poderão ser considerados como dependentes a filha ou o filho, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. Poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos e planos de saúde, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. As despesas de educação e médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos. Deduções que não observem essas regras são irregulares. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 32.300,00. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 18 69 /2 01 4- 99 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.721869/201499 Acórdão n.º 2202003.529 S2C2T2 Fl. 124 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrada Notificação de Lançamento de fls. 63 e seguintes, relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2010, ano calendário de 2009, no importe de R$ 11.086,66, acrescido de multa de ofício proporcional de 75% e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Em suma, apontou a Autoridade lançadora as seguintes irregularidades: 1 dedução indevida com dependente, uma vez que Alison Giaretta Taborda (filho) deve ser excluído da relação de dependentes por ser beneficiário de pensão alimentícia e de quem o contribuinte não detém a guarda judicial (R$ 1.730,40); 2 dedução indevida com despesa com instrução vinculada a Alison Taborda, pelas mesmas razões acima (R$ 2.708,94); 3 dedução indevida de pensão alimentícia declarada como paga a Iraci Casteli Finato Taborda, porque consta documento (ofício) destinado ao Poder Judiciário informando a desistência da ação de alimentos requerida e da pensão declarada como paga a Marlene Giaretta porque não foi apresentada decisão ou acordo homologado judicialmente, além de não haver comprovação do efetivo pagamento (R$ 32.300,00); 4 dedução indevida de despesas médicas pagas a Naira Filomena Becker porque vinculadas a Alison Taborda, que não pode ser considerado dependente, pelas razões expostas no item 1, acima; e daquelas declaradas como pagas a Plano de Saúde Itamed, porque o comprovante está em nome de terceiro (R$ 3.575,80). Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, conforme fl. 02, anexando documentos. A manifestação de inconformidade foi tratada pela DRJ no Rio de Janeiro (fl. 76), que dispôs, em suma, que: a) De acordo com a Declaração de Ajuste Anual Exercício 2010, o impugnante declarou R$ 32.300,00 de dedução a título de Pensão Alimentícia Judicial. Foram declaradas beneficiárias de Pensão Alimentícia as alimentandas Marlene Giaretta (R$ 14.400,00) e Iraci Cartele Finato Taborda (R$ 17.900,00). Ocorre que apesar de tão bem explanado pela Autoridade, o impugnante não anexou aos autos cópia de Decisão Judicial, de Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.721869/201499 Acórdão n.º 2202003.529 S2C2T2 Fl. 125 3 Acordo Homologado Judicialmente ou de Escritura Pública, determinando o pagamento das Pensões Alimentícias declaradas. b) Consta da fl. 07, cópia da certidão de nascimento de Alison Giaretta Taborda nascido em 29/06/1989, filho do contribuinte e da Sra. Marlene Giaretta, com 20 anos completos no ano calendário em lide. Deve ser salientado que o contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2010 declarou a Sra. Marlene Giaretta, mãe de Alison, como beneficiária de Pensão Alimentícia Judicial. Deve ser destacado que o interessado não anexou aos autos documento algum que comprovasse ser o mesmo detentor da guarda judicial de seu filho. c) O interessado não anexou aos autos documentação com determinação judicial que demonstrasse a obrigatoriedade do pagamento das despesas com instrução de seu filho e alimentando Alison Giaretta Taborda, bem como não foram anexados aos autos cópia de Decisão Judicial, de Acordo Homologado Judicialmente ou de Escritura Pública que demonstrasse tal obrigatoriedade. d) Consta à fl. 31, cópia de Declaração datada de 29/02/2012 emitida por Naira Filomena Becker, onde a mesma afirma que efetuou tratamento psicoterápico junto a pessoa do Sr. Alison Giaretta Taborda durante o ano de 2009, tendo recebido o valor de R$ 1.500,00. Ocorre que o impugnante não anexou aos autos documentação com determinação judicial que demonstrasse a obrigatoriedade do pagamento das despesas médicas de seu filho e alimentando Alison Giaretta Taborda. e) Consta cópia de Declaração datada de 12/12/2014 emitida pela Associação dos Empregados da Itaipu Binacional Brasil, onde consta que o contribuinte efetuou recolhimentos totalizando o valor de R$ 2.519,04 a título de mensalidades do Plano de Saúde ITAMED no exercício 2010 para sua dependente Aline Finato Taborda. Deve ser destacado que a cópia de documento em questão não pode ser levada em consideração na presente análise, por dizer respeito a ano diverso ao da presente lide, bem como pelo fato de que o interessado não declarou Aline Finato Taborda como sua dependente. Decidiuse julgar improcedente a impugnação. Cientificado dessa decisão em 30/03/2015, conforme Aviso de Recebimento na fl. 87, o contribuinte, irresignado, apresentou recurso voluntário com protocolo em 29/04/2015, conforme folha 93. Em sede de recurso, questiona as glosas das despesas, mencionando documentos já apresentados, complementandoos ou enfatizandoos. Tratase, portanto, de análise documental, conforme se verá, especificamente, no Voto. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.721869/201499 Acórdão n.º 2202003.529 S2C2T2 Fl. 126 4 O recurso é um tanto confuso, transcrevendo integralmente o acórdão recorrido, reproduzindo algumas partes como se redação própria fosse e questionando algumas glosas mediante um quadro que elabora, no final. Entretanto, entendo, como ensina Hely Lopes Meirelles, que foram questionadas todas as glosas efetuadas, uma vez que: Ademais, dentre os princípios que regem o processo administrativo está o do informalismo procedimental. "O princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular. (...) Garrido Falla lembra, com oportunidade, que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que por defeito de forma não se rejeitem atos de defesa e recursos malqualificados."(MEIRELLES, Hely Lopes."Direito Administrativo Brasileiro", 32ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle Filho São Paulo: Malheiros, 2006, pág. 687 Registrese, ainda, que este lançamento aqui em discussão referese ao ano calendário de 2009, exercício de 2010. O documento que consta da folha 14 (Sentença em embargos a execução nº 501265964.2011.404.7002/PR) demonstra que o contribuinte questionou judicialmente a "desconstituição do crédito tributário que embasa a execução fiscal...", ... "referentes aos anos calendário de 2007 e 2008", sustentando, preliminarmente, ausência de notificação e, no mérito, apresentando comprovantes de despesas que pretende sejam reconhecidos. Fazse referência ao processo administrativo nº 10945.600312/201172, diverso, portanto, deste aqui. Em pesquisa no sítio eletrônico da Justiça Federal no Paraná, não localizei outras ações, que envolvessem o ano calendário de 2009. Na declaração de ajuste anual do exercício de 2010, cuja cópia consta da folha 51, observo que o contribuinte declarou, como dependente, o filho Alison Giaretta Taborda, e como beneficiárias de pensão alimentícia Marlene Giaretta e Iraci Cartele Finato Taborda. Conforme levada a efeito, a ação fiscal, ratificada pela decisão de primeira instância, tanto glosaram o dependente quanto a pensão alimentícia, em sua integralidade. Vejamos que a razão para a glosa do dependente é que ele seria "alimentando", mas se foi glosada integralmente a pensão declarada como paga a sua mãe Marlene Giaretta, afigurase uma incongruência. Afirmase que Alison é "alimentando" e que viveria sob os cuidados da mãe (apesar de já contar com 20 anos, na época dos fatos), e por isso não pode ser considerado dependente, mas não se reconhece pagamento de pensão alguma a Marlene. Vejamos: Ocorre que apesar de tão bem explanado pela Autoridade, o impugnante não anexou aos autos cópia de Decisão Judicial, de Acordo Homologado Judicialmente ou de Escritura Pública, determinando o pagamento das Pensões Alimentícias declaradas pelo mesmo...(fl. 79) (...) Consta da fl. 07, cópia da certidão de nascimento de Alison Giaretta Taborda nascido em 29/06/1989, filho do contribuinte e Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.721869/201499 Acórdão n.º 2202003.529 S2C2T2 Fl. 127 5 da Sra. Marlene Giaretta, com 20 anos completos no ano calendário em lide. Deve ser salientado que o contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2010 Ano Calendário 2009 (fls. 50/55), declarou a Sra. Marlene Giaretta CPF 284.942.29915 mãe de Alison, como beneficiária de Pensão Alimentícia Judicial. Deve ser destacado que o interessado não anexou aos autos documento algum que comprovasse ser o mesmo detentor da guarda judicial de seu filho.(fl. 80) (...) Ocorre que o interessado não anexou aos autos documentação com determinação judicial que demonstrasse a obrigatoriedade do pagamento das despesas com instrução de seu filho e alimentando Alison Giaretta Taborda...(fl. 81). (destaquei) Como se afirma que era "alimentando" e na mesma decisão dizse que não há comprovação de pagamento de pensão alimentícia? O que não é possível é pagar a pensão ao filho (alimentos) e, simultaneamente, deduzilo como dependente. A título de esclarecimento, o contribuinte possui dois filhos: Aline Finato Taborda, sua filha com Iraci Carteli Finato (certidão fl. 06) e Alison Giaretta Taborda, seu filho com Marlene Giaretta (certidão fl. 07). Destaco que na ação judicial (embargos à execução, supracitada, relativa a 2007 e 2008) disse a Juíza Federal que (fl. 18/9): No evento 47, determinouse que o autor juntasse prova de que detinha a guarda de sei filho Alisson a fim de se vislumbrar da possibilidade de ser este seu dependente, uma vez que, aparentemente, o filho do autor residia com a mãe, a qual recebe pensão, sendo desta dependente. Apesar de intimado para comprovar que detinha a guarda do filho, o autor quedouse inerte. Desta forma, entendo que tal despesa não se encontra justificada.(sublinhado no original) Por outro lado, na mesma ação, considerou ainda a Sra. Juíza que estava comprovado o pagamento de pensão alimentícia, ao analisar a questão para os anos de 2007 e 2008, de que o pagamento da pensão era regular e, inclusive, declarado ao Fisco pelas beneficiárias. Vejamos (fl. 17): Desta forma, foi comprovado que o embargante efetuou o depósito de R$ 14.400,00 a título de pensão para Iraci Cartela Finato Taborda e efetuou depósito de outros R$ 14.400,00 para Marlene Giaretta. Portanto encontramse justificadas as despesas abatidas na soma de R$ 28.800 pagas a título de pensão alimentícia. Bem, o documento de folha 108 é um Ofício da Vara de Família da Comarca e Foz do Iguaçu, no Paraná, determinando que seja descontado em folha de pagamento do contribuinte, em favor de Marlene Giaretta, a importância de 04 salários mínimos. Na folha 109 o Juiz de Direito diz, em manuscrito, que "homologo por sentença ... o acordo..." citando Alison, Marlene e Carlos Taborda. Nas folhas 117 a 120 constam 12 recibos assinados por Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.721869/201499 Acórdão n.º 2202003.529 S2C2T2 Fl. 128 6 Marlene Giaretta dizendo que recebera de Carlos Mendes Taborda a importância mensal de R$ 1.200,00, no ano de 2009. Assim, a pensão alimentícia, homologada em juízo e comprovada como efetivamente paga pelos recibos, a Marlene Giaretta, naquele ano, seria de R$ 14.400,00. No que diz respeito a Iraci Casteli Finato Taborda, o Ofício que consta da folha 11, reconhece que houve a determinação do pagamento de alimentos à mesma, nos autos nº 256/95 ("... em cumprimento do despacho proferido nos autos nº 256/95 Alimentos..."). Na folha 110, a petição que faz referência a esses autos requer a homologação de acordo entre a mesma e Carlos Taborda, para pagamento de 05 salários mínimos, a serem deduzidos em folha de pagamento. Nas folhas 113 a 117 constam 11 recibos mensais dando conta do recebimento de R$ 1.492,00 e mais um recibo no valor de R$ 1.500,00, totalizando R$ 17.912,00. O contribuinte declarara o pagamento de R$ 17.900,00. Para referência, o valor do salário mínimo em 2009 era de R$ 465,00, conforme Lei nº 11.944/2009, de 29/05/2009 (até então era de R$ 415,00 conforme Lei nº 11.709, de 2008). Assim, a outra conclusão não se pode chegar de que o pagamento de pensão alimentícia ocorreu efetivamente (prova são os recibos assinados pelas beneficiárias) e de que decorriam de decisões judiciais ou acordos homologados judicialmente, não se tratando de mera liberalidade do recorrente, e que os valores declarados não excederam ao determinado. Aliás, a essa conclusão também chegou a Juíza Federal, ao analisar a questão para os anos de 2007 e 2008, de que o pagamento da pensão era regular e, inclusive, declarado ao Fisco pelas beneficiárias. Vejamos (fl. 17): Desta forma, foi comprovado que o embargante efetuou o depósito de R$ 14.400,00 a título de pensão para Iraci Cartela Finato Taborda e efetuou depósito de outros R$ 14.400,00 para Marlene Giaretta. Portanto encontramse justificadas as despesas abatidas na soma de R$ 28.800 pagas a título de pensão alimentícia. Diferentemente, destaco que de fato, mesmo questionado pelo Fisco, não se encontra prova de que o filho Alison fosse dependente do contribuinte, destacando que a ação de alimentos fora movida pelo mesmo, representado por sua mãe Marlene (fl. 08). Ou seja, não se questiona que seja filho, como prova a certidão de nascimento aludida pelo recorrente, cuja cópia consta dos autos, mas, na qualidade de beneficiário de pensão alimentícia (alimentando), em ação na qual foi representado por sua mãe, e cujo valor aqui já se reconheceu aqui como dedutível, não pode, cumulativamente, ser deduzido como dependente. Não foi anexado aos autos nenhum documento judicial que determinasse que, além do pagamento da pensão, o contribuinte deveria arcar com as despesas médicas e de instrução de Alison, para fins do disposto no § 5º do artigo 78. Vejamos que o dispositivo alude ao § 4º do mesmo artigo, ou seja, "quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º)". Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.721869/201499 Acórdão n.º 2202003.529 S2C2T2 Fl. 129 7 Na petição de folha 08/09, que enseja o acordo posteriormente homologado pelo Juiz, o que se diz é que o então menor Alison, além da pensão, "teria direito a assistência médicohospitalar, odontológica e educacional, e as demais oferecidas pela Empregadora, na qualidade de dependente".(destaquei) Isso porque o contribuinte era empregado da empresa Itaipu Binacional e procurouse garantir ao filho menor os benefícios de eventuais planos de saúde e educação oferecidos pela empresa, o que não são, definitivamente, o caso da despesa com a Faculdade de Educação Física de Foz do Iguaçu (CESUFOZ) e a despesa com a psicóloga Naira Filomena Becker. Assim, é de ser mantida a glosa com dependente (filho Alison) e, consequentemente, a glosa com despesas com instrução e despesas médicas do mesmo, uma vez que tais despesas somente são dedutíveis para o próprio declarante e seus dependentes, como determinam os artigos 80, II e 81 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. No que diz respeito à outra despesa de caráter médico, com Plano de Saúde, paga a ITAMED Fundação de Saúde Itaiguapy, declarada no valor de R$ 2.075,80, o documento de folha 32 é claro em dizer que a beneficiária do plano era Aline Finato Taborda. Aline é sua filha com Iraci Finato, como já mencionado neste voto. Iraci é a beneficiária da outra pensão alimentícia que alhures se discutiu. Aline, além disso, não foi incluída como dependente no rol da declaração de ajuste anual, folha 51, mesmo porque, nascida em 19 de agosto de 1981, no ano de 2009 (fl. 06) já contava com 27/28 anos de idade. Repitase que despesas médicas com não dependentes assim considerados pela legislação fiscal, não são dedutíveis (artigo 80, II do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa de "dedução indevida de pensão alimentícia judicial" no valor de R$ 32.300,00 (Notificação fl. 66). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903727/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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J. MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 37 27 /2 00 9- 43 Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 03/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10469.903727/200943 Acórdão n.º 3402003.260 S3C4T2 Fl. 2.647 2 Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, em 28/09/2007, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior" com valor original de R$ 19.177,16. Em 25/05/2009 (fl. 03) foi exarado o despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só forma encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho (fl. 2), alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando na verdade a empresa tem na sua grande maioria a venda de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação n DCTF relativa ao 1º semestre de 2005 e 2006 a fim de demonstrar o indébito. A DRJ/Recife (fls. 50/54) julgou improcedente a manifestação de inconformidade em 29/04/2011. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário (fls. 58/60), no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntado notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, em 17/07/2012, por meio da Resolução 380200.022 (fls. 673/675), converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Concluída a diligência, e dada oportunidade de manifestação da interessada quanto ao seu teor, os autos deverão ser devolvidos a esta 2a Turma Especial da 3a Seção do CARF para julgamento. De fls. 2635/2637, Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal conclui: Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 03/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10469.903727/200943 Acórdão n.º 3402003.260 S3C4T2 Fl. 2.648 3 Concluise, pelo exposto, que o valor correto da Cofins do mês de fevereiro de 2005 seria ainda menor do que aquele de R$ 843,74, defendido pela recorrente. Como não cabe, numa análise de Declaração de Compensação, reconhecimento de crédito superior ao pleiteado, inferese, tão somente, que a interessada comprovou o crédito alegado. Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 03/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 18470.731121/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea.
DESPESAS. MÉDICAS. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS FORMAIS.
A dedução das despesas médicas está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na ficha Pagamentos Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados com documentos que, no mínimo, indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem prestou o serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. DESPESAS. MÉDICAS. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS FORMAIS. A dedução das despesas médicas está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na ficha Pagamentos Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados com documentos que, no mínimo, indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem prestou o serviço. Recurso Voluntário Negado
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA DE LOURDES DUTRA GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. DESPESAS. MÉDICAS. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS FORMAIS. A dedução das despesas médicas está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na ficha Pagamentos Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados com documentos que, no mínimo, indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem prestou o serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 11 21 /2 01 2- 78 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18470.731121/201278 Acórdão n.º 2401004.390 S2C4T1 Fl. 119 2 Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18470.731121/201278 Acórdão n.º 2401004.390 S2C4T1 Fl. 120 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1252.452 (fls. 34/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. As deduções de despesas médicas são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE Ao contribuinte regularmente cientificado do início do procedimento fiscal bem como notificado do lançamento fiscal, é vedado alterar a declaração com intuito de diminuir o valor a pagar de imposto e acréscimos legais, posto que está excluída a sua espontaneidade Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2011/566828770977600, relativa ao anocalendário 2010, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 46.000,00 (fls. 9/14). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 27/9/2012, às fls. 7, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4). 4. Intimada em 26/9/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 39 e 66, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 25/10/2013 (fls. 41/45). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18470.731121/201278 Acórdão n.º 2401004.390 S2C4T1 Fl. 121 4 4.1 Segundo a recorrente, ao contrário do que decidiu o colegiado de 1ª instância, as despesas médicas pagas aos profissionais Cláudia de Barros Gonçalves Amorim, Luiz Cláudio Teixeira Júnior e Miriam de Andrade de Oliveira foram devidamente informadas na DAA/2011, anocalendário 2010, nos valores abaixo indicados: Prestador de serviço CPF Valor (R$) Cláudia de Barros Gonçalves Amorim 003.651.64739 9.000,00 Luiz Cláudio Teixeira Júnior 138.496.92841 15.200,00 Miriam de Andrade de Oliveira 043.408.48670 15.100,00 4.2 Não obstante o valor apontado na glosa de R$ 46.000,00, a recorrente reforça os argumentos deduzidos na sua impugnação no sentido de que o montante total com as despesas médicas lançado na DAA/2011 foi de R$ 43.069,92, nele incluída a quantia relativa ao plano de saúde do Banco Central do Brasil, equivalente a R$ 3.869,92. 4.3 Pondera a recorrente que a autoridade fiscal responsável pela revisão da declaração de ajuste cometeu diversos equívocos quando da análise da documentação apresentada, dentre eles apontou que o montante despendido pelo contribuinte, no importe de R$ 46.000,00, teria sido em benefício de Fernando Canedo Magalhães, inscrito no Cadastro das Pessoas Físicas (CPF) sob o nº 014.083.88723, o que efetivamente não correspondente à realidade dos fatos. 4.4 Especificamente quanto aos recibos emitidos pela Dra. Cláudia de Barros Gonçalves Amorim, afirma que neles constam todas as informações necessárias e cumprem as exigências legais. 4.5 Por fim, com o propósito de comprovar suas alegações, a recorrente trouxe à colação a documentação de fls. 46/65. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18470.731121/201278 Acórdão n.º 2401004.390 S2C4T1 Fl. 122 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifouse) (...) 7. De verse que o direito à dedução das despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. 8. A fiscalização justificou a glosa de despesas médicas no valor de R$ 46.000,00 por falta de identificação do paciente. De acordo com o quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" da Notificação Fiscal, o contribuinte preencheu a DAA/2011, ano Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18470.731121/201278 Acórdão n.º 2401004.390 S2C4T1 Fl. 123 6 calendário 2010, com o nome de Fernando Canedo de Magalhães, CPF 014.083.88723 (fls. 11/12). 9. Os dados acima mencionados foram obtidos a partir da cópia da DAA/2011, anocalendário 2010, transmitida pelo contribuinte e recepcionada pelo Fisco no dia 28/4/2011, às 12:05:44, que apurou um imposto a pagar na importância de R$ 1.340,67, conforme campo "Saldo a Pagar", e indicou despesas médicas no total de R$ 49.869,92 (fls. 32/33). 9.1 Notase que na ficha "Doação e Pagamentos", a declarante preencheu o nº do CPF de Fernando Canedo de Magalhães, mas indicou o nome de Cláudia Amorim. 9.2 De fato, o número do CPF 014.083.88723 pertence ao Sr. Fernando Canedo de Magalhães, conforme se constata da cópia da carteira profissional expedida pela Ordem dos Advogados do Brasil. Ressalto que o Sr. Fernando Canedo de Magalhães subscreve a impugnação e o recurso voluntário em nome da fiscalizada (fls. 5/6). 9.3 Eis a razão pela qual a autoridade lançadora, utilizandose do número único de inscrição da pessoa física informado pela declarante, associou a despesa médica ao nome de Fernando Canedo de Magalhães, e não Cláudia Amorim. 10. Por seu turno, a recorrente contesta a autoridade lançadora e apresenta, a titulo de elementos de prova, a declaração completa de fls. 46/50 e o recibo de entrega, às fls. 51. 10.1 Com efeito, a DAA de fls. 46/50 discrimina o nome dos prestadores individualmente, Cláudia de Barros Gonçalves Amorim, Luiz Cláudio Teixeira Júnior e Miriam de Andrade de Oliveira, além da despesa médica relativa ao Banco Central do Brasil, totalizando o valor de R$ 43.069,92. 11. Acontece que esse dados são referentes a outra declaração de ajuste, em que não há demonstração da sua transmissão e entrega via Internet. Não só o valor total das despesas médicas é distinto, como também o "Saldo de Imposto a Pagar", equivalente a R$ 3.210,67 (fls. 50). 12. O recibo trazido pela recorrente às fls. 51, com a finalidade de fazer prova da entrega da declaração, não corresponde à DAA de fls. 46/50. Ao indicar um "Saldo do Imposto a Pagar" de R$ 1.340,67, o recibo assinala a recepção, em 28/4/2011, às 12:05:44, de uma DAA original, congruente, portanto, com os dados da Declaração de Ajuste objeto de revisão fiscal, os quais dão respaldo fáticojurídico à emissão da Notificação Fiscal nº 2011/566828770977600 (fls. 32/33). 13. Ressalto que a recorrente não alega equívoco no preenchimento da DAA/2011, anocalendário 2010, mas a existência de erros por parte da autoridade lançadora quando da análise da documentação respectiva. 14. Sob a ótica dos fundamentos invocados pela parte recorrente, não há plausibilidade nas suas alegações, inexistindo comprovação da entrega de declaração retificadora pelo contribuinte antes de iniciado o procedimento de ofício da revisão da DAA/2011, anocalendário 2010, de maneira a caracterizar a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do § 1ª do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18470.731121/201278 Acórdão n.º 2401004.390 S2C4T1 Fl. 124 7 15. Em verdade, a recorrente não fez a mínima prova que enviou pela Internet uma Declaração de Ajuste retificadora, com inclusão, para efeito do imposto sobre a renda, das despesas médicas discriminadas pelos prestadores Cláudia de Barros Gonçalves Amorim, Luiz Cláudio Teixeira Júnior e Miriam de Andrade de Oliveira. 16. De qualquer forma, restrito aos recibos emitidos pela Dra. Cláudia de Barros Gonçalves Amorim, poderseia admitir um erro de fato no preenchimento da DAA, como avaliou a decisão de piso. Embora inserido o número de inscrição do CPF de Fernando Canedo de Magalhães, a contribuinte apontou o nome da Sra. Cláudia Amorim na DAA do ano calendário 2010. 17. Os recibos relativos à fisioterapeuta Cláudia de Barros Gonçalves Amorim, no valor total de R$ 9.000,00, encontramse às fls. 15 a 18, tendo sido juntados novamente às fls. 56/59. 18. A legislação tributária não determina, em qualquer caso, a indicação do beneficiário do serviços como requisito formal do comprovante de despesas médicas. Na hipótese de comprovante de pagamento de despesas médicas emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, como ora se cuida, presumese, na falta de indícios de irregularidades, que se refere ao próprio contribuinte. 19. Porém, a falta do endereço do profissional impede a sua aceitação como hábil para comprovação das despesas médicas. O inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, alhures reproduzido, estabelece que os recibos de pagamento devem conter, como requisitos formais, o nome, o endereço e o número de inscrição no CPF do profissional que prestou os serviços. 20. Deixo consignado, por derradeiro, que a recorrente, em que pese a sua idade avançada ao tempo da interposição da impugnação e do recurso voluntário, contou como a assessoria de profissional de direito, que subscreveu as petições, com formação técnica compatível para a compreensão dos termos da acusação fiscal e da decisão de 1ª instância, estando apto, portanto, a orientar a contribuinte sobre as provas necessárias para a comprovação das despesas médicas pleiteadas. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10882.901006/2008-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 06 /2 00 8- 37 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.992, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901006/200837 Acórdão n.º 9303004.032 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10835.002458/2005-57
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 105-01.392
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Irineu Biachi
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Numero do processo: 10580.726612/2009-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Dec 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO. CORREÇÃO DO TEXTO.
Há que se corrigir a omissão no texto que leva à contradição no acórdão embargado.
OMISSÃO. RATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Reconhece-se a omissão do acórdão embargado que omitiu parte do decidido no voto do relator. Demonstrada a omissão, ratifica-se a decisão embargada.
Embargos conhecidos e acolhidos.
Numero da decisão: 9202-004.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com efeitos infringentes para, rerratificando o Acórdão de Recurso Especial nº 9202-004.244, de 22 de junho de 2016, alterar a decisão para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a tributação sobre a verba recebida a título de juros moratórios e para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri", nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 378 1 377 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.726612/200942 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202004.549 – 2ª Turma Sessão de 23 de novembro de 2016 Matéria 10.607.4223 IRPF AJUSTE/OMISSÃO DE RENDIMENTOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA): GERAL: VERBA DE JUROS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ALOISIO BATISTA FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO. CORREÇÃO DO TEXTO. Há que se corrigir a omissão no texto que leva à contradição no acórdão embargado. OMISSÃO. RATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Reconhecese a omissão do acórdão embargado que omitiu parte do decidido no voto do relator. Demonstrada a omissão, ratificase a decisão embargada. Embargos conhecidos e acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 12 /2 00 9- 42 Fl. 378DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com efeitos infringentes para, rerratificando o Acórdão de Recurso Especial nº 9202004.244, de 22 de junho de 2016, alterar a decisão para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para restabelecer a tributação sobre a verba recebida a título de juros moratórios e para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri", nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase dos embargos de declaração relativamente ao acórdão n° 9202 004.244 (efls. 356 a 365), desta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão plenária de 22 de junho de 2016, que foi assim ementado: IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.549 CSRFT2 Fl. 379 3 Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. (Grifei.) MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido, assim como não há previsão normativa para exclusão de multa de mora em sede de julgamento do lançamento. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. O acórdão tinha o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração a esse acórdão (efls. 369 a 372), afirmando a existência de omissão no acórdão do RE, pois este não fez referência quanto à questão da tributação dos valores recebidos a título de juros moratórios havidos sobre o principal, todos recebidos acumuladamente. Tal tributação estaria claramente restabelecida no conteúdo do voto do relator, mas ausente do acórdão, o que poderia gerar dificuldades na execução do referido aresto. Esses embargos foram admitido em despacho (efls. 375 e 376) do Presidente da 2ª Turma Especial da Segunda Seção em 15/09/2016. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 04/08/2016 (efl. 368). Cientificada do acórdão trinta dias após o encaminhamento, nos termos da Portaria MF n° 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 08/09/2016, o Recurso Especial em análise. Sem dúvida, é clara a omissão ao final no acórdão, pois o entendimento omitido resta cristalino em três pontos: a) nas razões de decidir do item II.1 do voto, às efls. 362 a 364; b) na conclusão1 do voto, à efl. 365; e c) na parte grifada da ementa transcrita no relatório acima. Todos deixam claro que sobre a parcela dos juros moratórios pagos, recebidos acumuladamente com o principal, incide o tributo em litígio. Conclusão Pelas razões acima, há que se retificar o acórdão no tocante à tributação dos juros moratórios, para que tenha a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para restabelecer a tributação sobre a verba recebida a título de juros moratórios e para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos 1 Pelo exposto voto por conhecer e dar provimento em parte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a tributação sobre a verba recebida a título de juros moratórios e afastar a exclusão da multa de mora, bem como conhecer e dar provimento em parte ao Recurso Especial do Contribuinte, para determinar o recálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.549 CSRFT2 Fl. 380 5 Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.723935/2011-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanar contradição apontada, quando comprovado que o voto vencedor apresentava em seus fundamentos e parte dispositiva, contradição em relação ao decidido pelo colegiado.
Numero da decisão: 9202-005.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela conselheira relatora, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.780, de 16/02/2016, para, sanando a contradição apontada, manter inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanar contradição apontada, quando comprovado que o voto vencedor apresentava em seus fundamentos e parte dispositiva, contradição em relação ao decidido pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela conselheira relatora, reratificando o Acórdão nº 9202003.780, de 16/02/2016, para, sanando a contradição apontada, manter inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 39 35 /2 01 1- 21 Fl. 1911DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Temse em pauta Embargos de Declaração, a fls. 354/355, opostos por membro do colegiado com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202003.780, deste julgado na sessão plenária de 16/2/2016, fls. 1892/1906, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMPENSAÇÃO REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido O resultado encontrase assim espelhado: Acordam os membros do colegiado, , pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 364 3 indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo, na integra, o relatório do acórdão embargado de relatoria do Dr. Gerson Macedo Gerra, apenas complementandoo na matéria pertinente aos propositura dos embargos. Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados Autos de Infração pela compensação indevida de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2008, e para aplicação de multa isolada pela falsidade nas declarações, conforme determina o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. Transcorrido o regular processo administrativo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF exarou decisão dando parcial provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, por unanimidade de votos, para afastar a aplicação da multa isolada, ao argumento de que a fiscalização não comprovou o dolo do contribuinte. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão, em 14/05/2013, interpôs, tempestivamente, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em seu recurso a Fazenda Nacional traz paradigma donde se pode extrair que a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 Em suas razões a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que: A aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude nos termos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. Estas situações, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta. Em relação às compensações promovidas nos autos, tal procedimento apresenta, sim, elementos suficientes para caracterizar a imposição da penalidade isolada, mormente porque o suposto crédito mostra‑se contrário à disposição normativa e regulamentar. Ocorre que os valores se encontravam prescritos na data da declaração, não houve comprovação de seu pagamento indevido e não houve cumprimento da exigência relativa à GFIP retificadora. Fl. 1913DF CARF MF 4 Por isso se afasta o argumento de mero erro e atrai o emprego da vontade dolosa de falsear a declaração por dela constar crédito ao qual não se tem direito. Regularmente intimado da decisão e do Recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarazões. Isso posto, passo ao exame do caso. O objeto dos embargos referese a contradição entre o resultado proferido e a parte dispositiva do voto vencedor, tendo em vista que enquanto o encaminhamento da voto vencedor deuse pelo provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional o resultado proferido enseja o provimento parcial do recurso. É o relatório. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 365 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos por esta Conselheira, inicialmente, atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 1907 a 1909. Assim, passar a apreciar a questão Da Análise Dos Embargos Apenas, para esclarecer tratase de Autos de Infração pela compensação indevida de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2008, e para aplicação de multa isolada pela falsidade nas declarações, conforme determina o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional buscou a reapreciação da aplicação da multa isolada apresentando paradigma que entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91. No momento de formalização do acórdão em questão, identifiquei erro manifesto nos fundamentos do acórdão e parte dispositiva, implicando contradição que demanda a oposição de Embargos Declaratórios, previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Conforme descrito acima, o processo foi devidamente julgado em 16/2/2016, tendo sido proferido o seguinte resultado: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Entretanto, quando da formalização do acórdão identifiquei que o resultado proferido na ata apresentase em desacordo como o encaminhamento do voto vencedor, razão pela qual foram apresentados os presentes embargos de declaração. A parte dispositiva do voto vencedor encontrase assim descrita: Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerandose válida a exigência em tela. Dessa forma, entendo que o presente processo deva retornar a julgamento, para que seja apreciada a contradição entre o resultado do julgamento que "deu provimento Fl. 1915DF CARF MF 6 parcial" e o voto vencedor divergente apresentado que "deu provimento" ao recurso da Fazenda Nacional. Diante do exposto, entendo devam ser admitidos os presentes embargos. Do mérito Compulsando os autos, mais especificamente o voto vencedor do Acórdão Embargadonº 9202003.780 2ª Turma da CSRF, identifiquei que o acórdão formalizado (voto vencedor), foi apresentado voto no sentido de dar provimento, razão pela qual entendo que existe contrariedade que necessita ser sanada. Contudo, como não existe outro registro que não o descrito no decissum submeto todo o mérito da questão, novamente, a este colegiado para que referende as questões aqui colocadas. Assim, passo a proferir o voto vencedor, já com os ajustes para sanar a contradição, tendo em vista que na reapreciação mais detalhada, identifiquei que o erro foi nos próprios fundamentos apresentados por esta redatora. Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou indevidamente compensações considerando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida pelos agentes políticos. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo relator do Acórdão 2403002.058, que apenas deu provimento ao recurso na parte referente a aplicação da multa isolada, agora objeto de recurso. Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial que delimita o alcance de seu direito, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de declaração do STF acerca da inconstitucionalidade da contribuição dos agentes políticos, não há como afastar as exigências legais para que a empresa possa efetivamente demonstrar o direito "líquido e certo" a compensação. Vejamos, quais os fatos trazidos pela autoridade fiscal para constituir o lançamento, e que foram considerados válidos pelo julgador a quo para negar provimento ao recurso do contribuinte: 4. Das Razões Pelas Quais as Compensações Foram Consideradas Indevidas 4.1. Da Prescrição 4.1.1. Conforme a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional –CTN), em seus artigos 165, inciso I e 168, inciso I, temos que: [...] 4.1.2. Conforme o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 (Regime Geral da Previdência Social – RPS), em seu artigo 253, temos que: [...] Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 366 7 4.1.3. Conforme a Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que dispõe sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212, acrescentada pelo § 1º do artigo 13 da Lei nº 9.506, sobre procedimentos relativos a créditos constituídos, com base no referido dispositivo e outras providências, em seu artigo 3º, temos que: [...] 4.1.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. 4.1.5. Desta forma, como as compensações efetuadas em GFIP pelo Município de Itaporanga tiveram início na competência de 11/2006, cujo vencimento da GPS se deu em 02/12/2006, estariam prescritos todos os créditos decorrentes de recolhimentos indevidamente efetuados antes de 02/12/2001, estando extinto o direito de pleitear restituição ou efetuar compensação dos recolhimentos efetuados entre 10/1997 e 10/2001. 4.2. Da Obrigatoriedade de Retificação das GFIP 4.2.1. A lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da GFIP. Desde a competência 01/1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. A empresa está obrigada à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. 4.2.1. A IN nº 15, em seu capítulo III, artigo 6º, estabelece que: [...] 4.2.3. A obrigatoriedade de retificação das GFIP para exclusão dos exercentes de mandato eletivo informados antes do início das compensações é explicada pelo § 1º do artigo 225 do RPS, abaixo transcrito. A não observância desta norma pode se refletir na concessão de benefícios indevidos e conseqüentes prejuízos aos cofres da Previdência Social, configurando crime conforme a IN nº 15. [...] 4.2.4. Conforme a Planilha 1 do Anexo Único, levantouse através do DCBC da Prefeitura e da Câmara do Município de Itaporanga que, no período de 01/1999 a 09/2004, foram cometidas as seguintes irregularidades nas GFIP declaradas : Fl. 1917DF CARF MF 8 Na Prefeitura Municipal : O prefeito Ledislei Valcazara Chueri (1997 a 2000) nunca foi declarado; O viceprefeito Actavio Martins (1997 a 2000) nunca foi declarado; O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi declarado nas competências 01/2001, 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003; O viceprefeito Ademir Martins Rosa (2001 a 2004) nunca foi declarado. Na Câmara Municipal : O vereador Ademir Martins Rosa (1997 a 2000) nunca foi declarado; Não foram enviadas GFIP nas competências 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004. 4.2.5. A Câmara Municipal do Município de Itaporanga enviou GFIP retificadoras para o período de 01/1999 a 09/2004 entre as datas de 27/02/2007 e 19/03/2007, levantadas no sistema GFIPWEB da RFB, conforme Planilha 2 do Anexo Único, enquanto a Prefeitura Municipal não enviou GFIP retificadoras para o período. Foram constatadas as seguintes irregularidades nas retificações, também relacionadas na Planilha 1 do Anexo Único : Na Prefeitura Municipal : O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi excluído das GFIP nas competências 02 a 12/2001, 02 a 11/2002, 03 a 05/2003 e 07/2003 a 12/2004; Na Câmara Municipal : Os vereadores Ismael Rodrigues de Proença, Jair Nogueira, João Augusto Rodrigues, João Sebastião de Almeida, José Carlos da Silva, José Roberto Ferreira, Nelson Chueri Gurgel, Paulo Floriano de Proença e Rosangela Correa (todos de 1997 a 2000) foram mantidos na GFIP; Os vereadores Actavio Martins, Benedito Dias de Souza Sobrinho, João Evangelista dos Santos, José Coldibelli e Paulo Floriano de Proença (todos de 2001 a 2004) não só foram mantidos na GFIP como foram incluídos nas 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004 em que não haviam sido inicialmente declarados. Na competência 09/2004 os vereadores acima foram incluídos com a remuneração integral. 4.2.6. Diante do exposto, concluise que o Município de Itaporanga não cumpriu as determinações do artigo 6º da IN nº 15, efetuando retificações das GFIP em 02 e 03/2007, após o início das compensações em 11/2006, e de forma parcial, mantendo vários exercentes de mandato eletivo com a finalidade de permitir a concessão de benefícios indevidos, configurando crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Desta forma, as compensações dos Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 367 9 recolhimentos não prescritos de 11/2001 a 09/2004 também são consideradas indevidas. 4.3. Dos Recolhimentos 4.3.1. Para exercer o direito à compensação sobre os valores recolhidos indevidamente sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo, declarado inconstitucional pelo STF, além da observância da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, obviamente o órgão público deve comprovar os efetivos recolhimentos. Foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 10/10/2011, a comprovação do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos prefeitos, vice prefeitos e vereadores para o período de 10/1997 a 09/2004. 4.3.2. Foram apresentadas as GPS da Prefeitura Municipal de 10/1997 a 12/2000 e os extratos do FPM de 01/2001 a 09/2004. Da análise destes documentos, além de informações dos sistemas da RFB, chegouse à Planilha 3 do Anexo Único, comparativo entre as bases de cálculo apresentadas pelo sujeito passivo em sua Memória de Cálculos e as bases de cálculo declaradas em GFIP e com recolhimento comprovado. Cabem as seguintes observações : No período de 10/1997 a 12/1998, antes da implantação da GFIP, verificase claramente que as GPS da Prefeitura Municipal não incluem as remunerações do prefeito e do vice prefeito, com recolhimentos ínfimos, explicável pelo fato do Município de Itaporanga possuir regime próprio de previdência até a competência de 06/1999; No período de 01/1999 a 01/2001, o prefeito e o viceprefeito não foram declarados em GFIP, não cabendo, portanto, a vinculação de qualquer recolhimento; No período 02/2001 a 09/2004, o viceprefeito nunca foi declarado em GFIP e o prefeito deixou de ser declarado em 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003, havendo recolhimentos compatíveis com as GFIP para as demais competências; Na Câmara Municipal, apesar dos vereadores terem sido declarados em GFIP desde 01/1999, foi apresentado Ofício 048/2006 do Presidente da Câmara à época Sr. Hudson Torigoe de Moura (junto com a Memória de Cálculos) explicando que os recolhimentos sobre os subsídios dos vereadores começaram a ser descontados em 06/1999; Analisando os valores que constam nos sistemas da RFB para o CNPJ da Câmara Municipal, não existem recolhimentos para as competências de 08/1999 a 06/2000, 11 e 12/2000, 09/2001 a 04/2003, 05/2004 e 07 a 09/2004. 4.3.3. Como conclusão dos valores apurados na Planilha 3, temos que o valor originário total declarado pelo sujeito passivo foi de R$ 331.784,68, enquanto que o valor originário total apurado em função dos recolhimentos comprovados foi de R$ Fl. 1919DF CARF MF 10 110.446,95 ou seja, 1/3 do apresentado na Memória de Cálculos do Município de Itaporanga. 4.3.4. A taxa SELIC é a única forma de atualização dos valores a serem restituídos ou compensados. A matéria encontrase regulamentada pelo artigo 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme abaixo: [...] 4.3.5. Na Memória de Cálculos apresentada, os valores originários pretensamente compensáveis pelo sujeito passivo estão corrigidos corretamente pela taxa SELIC acumulada até a competência de 09/2006, atingindo o valor de R$ 604.335,56. Após iniciada a compensação em 11/2006, o saldo a compensar também é passível de atualização pela taxa SELIC, porém o Município de Itaporanga extrapolou esta atualização de forma acentuada, conforme demonstrado na Planilha 4 do Anexo Único. Observase que em 11/2008 o saldo a compensar já seria ultrapassado, mas continuaram sendo feitas compensações até 11/2009. Se fosse aplicado o valor apurado na Planilha 3, que corrigido até 11/2006 seria de R$ 180.455,07, o saldo a compensar seria ultrapassado em 07/2007, de acordo com a Planilha 5 do Anexo Único. 4.3.6. As demonstrações efetuadas nas Planilhas 3, 4 e 5 tem por objetivo a comprovação de crime por parte do Município de Itaporanga – Prefeitura Municipal. Se fossem desconsideradas as questões legais da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, provouse que o valor total compensado foi muito superior ao recolhido indevidamente em função de bases de cálculo majoradas, de recolhimentos não comprovados e de atualização do saldo a compensar por índices acima da taxa SELIC. Bastanos uma leitura das informações acima, transcritas do termo de verificação fiscal, para entender que não, simplesmente, equivocou se o autuado em relação as competências alcançadas pela prescrição, nem tampouco, fundamentou o auditor o lançamento e a aplicação da multa isolada simplesmente na ausência de retificação das GFIP, mas, principalmente, na ausência de demonstração de ter efetivamente recolhido a contribuição dos agentes políticos, que declarou em GFIP, sem ter direito líquido e certo a compensação. Ademais, ainda que se falasse em direito (caso tivesse comprovado o recolhimento), descreveu ainda o auditor que a aplicação da taxa SELIC, foi utilizada de forma abusiva, digase fato não comprovadamente rebatido pelo recorrente. Entendo que deve o auditor, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Ou seja, concordo que compete ao auditor apontar efetivamente a falsidade, o que no caso dos autos, entendo ter a autoridade fiscal demonostrado. Notese que o legislador não exigiu a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 368 11 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, da Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de Fl. 1921DF CARF MF 12 intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, mencione a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito, e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições sem efetivamente comprovar o recolhimento indevido, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração no meu entender. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. Podemos concluir que, na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 369 13 fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. Dessa forma, deve ser restabelecida a multa isolada em relação as irregularidades aplicadas (planilhas 3, 4 e 5), posto que demonstrado existir falsidade de declaração em GFIP, face a inexistência de direito líquido e certo para realização das compensações, conforme, muito bem descrito pela autoridade fiscal. Contudo, deve ser mantida a exclusão da multa isolada nos casos em que sua aplicação foi consubstanciada exclusivamente na prescrição, já que existia dúvida razóavel acerca da contagem do prazo e em relação a não retificação da GFIP, considerando que existe autuação própria, por erros em GFIP. Dessa forma, considerando a contradição apontada entre o resultado proferido e os termos do voto proferido, entendo que pertinente o acolhimento dos presentes embargos, para que reratificado o acórdão com os esclarecimentos em relação as imputações fiscais que demonstram a demonstração de "falsidade de valores informados em GFIP", bem como os ajustes promovidos na parte dispositiva do acórdão, conforme consta desse voto, o resultado do julgamento deve ser mantido, qual seja: "dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida." Conclusão Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, re ratificando o Acórdão nº 9202003.780, de 16/2/2016, para, sanando a contradição apontada, manter inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001234/2002-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/1999
IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT)
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.177
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do ex-conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Redator Designado
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.442 1 1.441 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.001234/200284 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.177 – 3ª Turma Sessão de 5 de julho de 2016 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NACIONAL DE GRAFITE LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do exconselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 12 34 /2 00 2- 84 Fl. 1442DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 310100.818, da 1ª Câmara do 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar o impedimento à fruição do benefício ao direito ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei 9.363/96 em face da saída de produtos não tributados pelo IPI (NT). O colegiado, então, consignou acórdão com a seguinte ementa (Grifos Meus): “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 1º trimestre de 1999 e 1º trimestre de 2000 ao 2º trimestre de 2002 IPI. RESSARCIMENTO. SAÍDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS/PASEP E COFINS. O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, alcança, inclusive, produtores de mercadorias não tributadas pelo IPI (NT). Precedentes da CSRF. Recurso voluntário provido em parte.” Inconformada com o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do acórdão proferido pela 1ª Câmara do 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, requerendo seu provimento para Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.443 3 que seja mantida, na integralidade, a decisão de 1ª instância administrativa, com base na divergência apontada em acórdãos paradigmas lá referendados e na contrariedade aos arts. 1º a 4º da Lei 9.636/96 c/c arts. 6º da Lei 10.451/02, art. 150, § 6º, da CF/88 e art. 111, inciso II, do CTN. Aduz, entre outros, que o objetivo da Lei 9.636/96 foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como no caso dos produtos NT. O apelo da Fazenda Nacional em Despacho de Fls. 1403/1404 foi admitido em sua integralidade após análise pelo Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF em exercício à época. Considerando a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões de Fls. 1411/1419 a esse recurso, requerendo que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o Acórdão 310100.818. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade – o que concordo com a análise feita em Despacho de fls. 1403/1404, vez comprovadas as divergências confrontadas. Eis que, pela leitura das decisões, temse que: · No acórdão recorrido foi reconhecido o direito ao crédito presumido do IPI em situação que envolvia a exportação de produto com notação NT na TIPI (não tributado); Fl. 1444DF CARF MF 4 · Nos acórdãos paradigmas o colegiado decidiu que o benefício fiscal não alcança os produtos exportados que possuam a notação NT na TIPI, por não estarem dentro do campo de incidência do imposto. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a lide – se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, à pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). A priori, importante trazer que o sujeito passivo é uma pessoa jurídica de direito privado, que se dedica à mineração em geral em todo território nacional e, especialmente, a pesquisa, mineração, beneficiamento, comércio e indústria de grafite, assim como de outros minerais; à produção e a comercialização de aditivos e combustíveis, graxas, lubrificantes de qualquer espécie, suspensões, pastas, tintas e outros produtos à base de grafite e exportação de seus produtos. Frisase que, atualmente, as exportações efetuadas pela empresa representam 40% (quarenta por cento) de todas as suas operações. Ou seja, grande parte de sua produção é escoada para os países estrangeiros. No caso em comento, o estabelecimento industrial havia formalizado requerimento de ressarcimento do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados NT durante o primeiro trimestre(s) de 1999, primeiro ao quarto trimestres de 2000, primeiro ao quarto trimestres de 2001 e primeiro e segundo trimestres de 2002. Sendo, evidente se tratar de "estabelecimento industrial", pois a empresa adquire os mais variados insumos, os industrializa e em seguida produz mercadorias que são destinadas ao mercado externo, aquecendo desta forma a economia nacional, é patente a configuração de atividade industrial. Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.444 5 Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Fl. 1446DF CARF MF 6 Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a titulo de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. No caso em comento, analisando os autos do processo, é de se verificar que os produtos objeto da industrialização é a "grafita" (entre outros, de classificação 25.04) que, segundo, a TIPI é "NT". Para a fabricação desse produto NT, resta claro que o sujeito passivo com a disposição de várias matérias primas (minérios) obtém com a industrialização o produto a ser exportado (grafite). Para melhor elucidar, importante trazer ainda site do sujeito passivo que, por sua vez, condiz com o produto fabricado, registros e documentos comprobatórios considerados pela fiscalização e DRJ: "Em suas três plantas, todas localizadas próximas a importantes jazidas, no estado de Minas Gerais, Brasil, a Nacional de Grafite beneficia o minério, gerando cerca de 70.000 toneladas anuais de grafite de diferentes características. Todos os processos, desde a prospecção do minério até a entrega do produto final, são certificados com ISO 9001:2008. Os produtos da Nacional de Grafite são comercializados nos cinco continentes diretamente ou através de distribuidores e estão presentes em diversas aplicações na indústria mundial. Na unidade de Itapecerica, Minas Gerais, a Nacional de Grafite conta com um Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.445 7 moderno centro de pesquisas e desenvolvimento, operado por uma equipe de profissionais altamente qualificada. Nesse centro, novos produtos e processos são desenvolvidos, sempre em sintonia com as necessidades do mercado." Ademais, quanto ao processo produtivo, trago, para melhor elucidar, as etapas da industrialização: CONCENTRANDO O GRAFITE MINERAÇÃO O minério de grafite é extraído das minas com o uso de máquinas escavadeiras que carregam caminhões basculantes com o minério bruto. Todo o processo de extração segue um plano de lavra, facilitando a seleção do minério mais adequado a produtos finais. HOMOGENEIZAÇÃO A deposição desse minério no pátio de alimentação é sistematizada para formar pilhas de alimentação em camadas. O objetivo é reduzir a variabilidade natural do minério. CONCENTRAÇÃO MECÂNICA O minério é submetido a sucessivas moagens e processo de separação mecânica das impurezas presentes no grafite. A concentração mecânica objetiva a máxima recuperação do grafite presente no minério, preservando suas características físicas. CONCENTRAÇÃO QUÍMICA A concentração com uso de químicas é utilizada na remoção das impurezas remanescentes no grafite previamente concentrado mecanicamente. A Nacional de Grafite emprega e trata os resíduos de concentração química de forma a não poluir o meio ambiente. FILTRAGEM E SECAGEM Após a concentração química, o grafite é lavado intensamente com água desmineralizada, atingindo pH neutro. Em filtros tipo prensa e secadores rotativos, a umidade restante é removida. TRABALHANDO AS PROPRIEDADES FÍSICAS CLASSIFICAÇÃO Técnicas de peneiramento são utilizadas para classificar as partículas do grafite concentrado, atingindo a distribuição granulométrica desejada. MOAGEM– Moinhos de jato e martelo moem o grafite concentrado até que ele atinja o tamanho desejado. As partículas moídas são classificadas possibilitando controlar a distribuição granulométrica do produto gerado. Os diferentes métodos de moagem e classificação permitem formatar a partícula, dando ao grafite características distintas de densidade e de superfície específicas. BRIQUETAGEM– Neste processo produzemse grãos de grafite aglomerado para o uso como carburante e aditivos de carbono. INTERCALAÇÃO– Devido à sua anisotropia extrema, o cristal de grafite permite que sais sejam intercalados em sua estrutura. Aquecidos, esses sais evaporam provocando o rompimento de ligações interplanares, "expandindo" o grafite. A Nacional de Grafite desenvolveu processos de intercalação e expansão do grafite compatíveis com o meio ambiente. Em vista do exposto, admito o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. Fl. 1448DF CARF MF 8 Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.446 9 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Fl. 1450DF CARF MF 10 Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.447 11 Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Fl. 1452DF CARF MF 12 Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.448 13 Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. Fl. 1454DF CARF MF 14 A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.449 15 dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o Fl. 1456DF CARF MF 16 imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.450 17 Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial Fl. 1458DF CARF MF 18 exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.451 19 Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto dar provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15892.000071/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL.
Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO.
Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis - não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins - não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas - por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar - por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento - por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola - por unanimidade de votos, negou-se provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas - por maioria de votos, deu-se parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas - por unanimidade de votos, negou-se provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ - Por maioria de votos, deu-se provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos - por unanimidade, negou-se provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação - por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação - por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2449; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15892.000071/201062 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.068 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria COFINS Recorrente COSAN S/A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 00 71 /2 01 0- 62 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 3 3 arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a Pedido de Ressarcimento (PER n.º21180.37503.180110.1.1.092262) de créditos da contribuição para a Cofins do período de todo o 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 647.375,06 Este valor é o resultado do saldo do crédito apurado no período R$ 8.241.563,07 deduzido do valor utilizado no pagamento da Cofins do próprio período (R$ 763.377,98) e deduzido do valor já utilizado em declarações de compensações via PER/DCOMP (R$ 6.830.810,03fls. 02). Procurando demonstrar como o contribuinte justifica o cálculo do valor pleiteado: Quadro: crédito exportação x parcela deduzida x parcelas compensadas = saldo para ressarcir abril 2005 maio 2005 junho 2005 total Crédito de COFINS exportação 2.174.819,63 2.368.810,95 3.697.932,49 8.241.563,07 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Parcela usada para deduzir a COFINS 269.186,49 109.430,29 384.761,20 763.377,98 Parcela usada para compensar via PERDCOMP 1.693.856,52 2.012.860,39 3.124.093,12 6.830.810,03 Saldo de crédito para ser ressarcido 0,00 0,00 0,00 647.375,06 Os valores desses créditos foram solicitados em diferentes processos administrativos e a cada um deles foram vinculados vários pedidos de compensação para aproveitar esses créditos, conforme indicados no quadro a seguir: Quadro: Processos administrativos com pedidos de reconhecimento de créditos e valores de compensação cujos pedidos PERDCOMP foram respectivamente vinculados: abril 2005 maio 2005 junho 2005 total 13888.001596/200591 955.169,83 955.169,83 13888.001431/200510 738.686,69 738.686,69 13888.002291/200510 343.783,84 343.783,84 13888.001926/200549 1.508.892,78 1.508.892,78 13888.001886/200535 160.183,77 160.183,77 13888.003087/200501 886.459,71 886.459,71 13888.002818/200593 968.336,,02 968.336,,02 13888.002577/200582 606.159,84 606.159,84 13888.002378/200574 97.252,40 97.252,40 13888.002292/200541 2.938,97 2.938,97 13888.002068/200550 562.946,18 562.946,18 TOTAL 1.693.856,52 2.012.860,39 3.124.093,12 6.830.810,03 A autoridade fiscal realizou diligência para verificar o pleito de reconhecimento de direito creditório dessa contribuição no 2º trimestre de 2005 e nos processos administrativos em que originalmente foram apresentados esses pedidos propôs glosas que significaram redução no valor do crédito, tal como resumido nos 2 quadros a seguir. quadro DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS DE COFINSME GLOSADOS NO 2oTRIMESTRE/2005 Item ' Motivo 04/2005 05/2005 06/2005 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS 3.477,51 4.049,33 7.491,59 BENs JTIl 'AüOS COMO INSUMOS DESPESAS REJEITADAS '. 27.394,69 17.726,69 18.383,64 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS DESPESAS DE ARMAZÉM E TONÉIS REJEITADAS ' 4.386,09 4.122,71 7.758,18 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS REJEITADOS . 5.539,43 1.163,56 1.208,92 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS 13.806,39 12.892,44 18.397,05 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO DESPESAS DE ARMAZÉM E TONÉIS REJEITADAS 7.209,23 8.325,17 21.221,54 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 4 5 INSUMOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS REJEITADOS 32.737,37 31.408,60 85.131,49 ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS .... DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS REJEITADAS 2.813,55 1.897,86 2.508,35 DESPESAS DE ARRENDAMENTO DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA REJEITADAS 75.459,95 91.043,22 224.820,62 BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PF DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA REJEITADAS 780,86 1:027,06 ' 625,67 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE . ■ DESPESAS COM DOCUMENTOS E ESTADIAS REJEITADAS 930,16 1.700,93 3,37 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS COMARMAZENAGEM REJEITADAS 0,00 17.279,91 0,00 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS RELATIVAS A REVENDA (TRADÍNG) REJEITADAS 482.987,46 301.123,72 359.472,69 CRÉDITO NÃO PERMITIDO PARA COMPENSAÇÃO GLOSADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO 0,00 77.935,63 0,00 Total: 657.522,69 571.696,83 747.023,11 Quadro CÁLCULO DO VALOR DOS CRÉDITOS DISPONÍVEIS PARA COMPENSAÇÃO NO 2o TRIMESTRE/2005 . Créditos de COFINS Mercado Externo (2o Trimestre/2005) Mês Apurado pela'. Empresa' . GLOSA Apurado pela Fiscalização • Dedução Disponível para Compensações. A B C D = B C E F = D E 04/2005 2.174.819,63 657.522,69 1.517.296,94 269.186,49 1.248:110,45 05/2005 2.368.810,95 571.696.83 1.797.114,12 109.430,29 1.687.683,83 06/2005 ' 3.697.932,49 747.023,11 2.950,909,38 384.761,20 2.566.148,18 TOTAL 8.241.563,07 1.976.242,63 6.265.320,44 763.377,98 5.501.942,46 Foram as seguintes as razões das glosas propostas pela autoridade fiscal em sua diligência ao analisar a apuração de créditos de COFINS exportação para o 2º trimestre de 2005, em síntese: BENS USADOS COMO INSUMOS: Entendese como insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer, outros bens, que sofram, alterações, tais como o desgaste, o dano óu a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado (IN SRF n° 404/04, art. 8o, §4° c/c §9°). Decorrente da definição, não foram aceitos, na composição Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 da base de cálculo dos créditos, os seguintes itens de bens, que não atendem à condição normativa: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS (Relação Analítica fls. 205 a 207; Resumo fls. 233): São despesas contabilizadas nos seguintes Centros de Custo: Administração, Industrial Corporativa, Administração/Planejamento Industrial, Alojamento Industrial, Brigada de Combate a Incêndio, Diretoria Industrial, Limpeza Operativa, Manutenção e Conservação Civil, Oficina de Caldeiraria^ Oficina Mecânica é Manutenção Automotiva, Oficina Elétrica e Instrumentação e Serviços Auxiliares. Observase que estes centros de custo não estão diretamente vinculados à produção e fabricação dos produtos vendidos, portanto as despesas neles registradas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS DESPESAS REJEITADAS (Relação Analítica fls. 208 a 211; Resumo fls. 233): São despesas com combustíveis (de veículos, não de máquinas), materiais de manutenção civil, materiais elétricos e pneus e câmaras de ar, que obviamente não estão diretamente vinculadas à produção e fabricação dos produtos vendidos, portanto não foram aceitas na base de cálculo dos créditos.. BENS UTILIZADOS COMO' INSUMOS DESPESAS DE ARMAZÉM E TONÉIS REJEITADAS (Relação Analítica fls'. 212/213; Resumo fls. 233): São despesas com consumo de água, materiais de manutenção,, combustíveis, lubrificantes, materiais de manutenção civil, materiais elétricos, pneus e câmaras de ar, registradas nos centros de custo de Armazém, Armazém de Açúcar, Armazém'de Açúcar Externo, Armazém Externo, Tonéis de Álcool e Tonéis de Melaço. De acordo com a legislação, as despesas é custos de armazenagem somente geram créditos se suportados pelo vendedor, nas operações de venda, devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no país (Lei n° 10.833/03, art. 3o, inciso IX). Considerase armazenagem quando uma empresa contrata outra para que esta última preste serviços de armazenagem, com emissão de nota. fiscal específica de armazenagem, em operação de venda de mercadoria da primeira. Os bens adquiridos para manutenção de instalações próprias para armazenagem não dão direito a.créditos, pois não são considerados insumos, visto que não foram consumidos no processo de produção das mercadorias, e não se referem a despesas ou custos com armazenagem propriamente dita. Pelo motivo exposto, estas despesas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS REJEITADOS (Relação Analítica fls. 214; Resumo fls. 233): São despesas com materiais de construção e materiais elétricos usados na área agrícola. As despesas corri estes itens não foram aceitas na,base de cálculo dos créditos, pois não são considerados insumos da produção da matériaprima canadeaçúcar., SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS São insumos os serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, plicados' ou consumidos na produção ou fabricação de produtos destinados à Venda (IN SRF n°404/04,art.8°, §4°c/c§9°). Pela definição, não foram aceitos, na composição da base de cálculo dos créditos, os seguintes itens de serviço, pelo fato de não estarem<diretamente vinculados ao processo produtivo das mercadorias vendidas: SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS (Relação Analítica fls.' 215/216; Resumo. fls..233): São despesas contabilizadas nos seguintes Centros de Custo: Administração/Planejamento Industria Brigada de Combate a Incêndio,! Funcionários Afastados Indústria, Incentivo Vale Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 5 7 Transporte, Limpeza Operativa, Manutenção e Conservação Civil, Oficina Caldeiraria, Oficina Mecânica e Manutenção Automotiva, Oficina Elétrica e Instrumentação, Serviços Auxiliares e Diretoria Industrial. Estes centros de custo não estão diretamente relacionados à produção e fabricação das mercadorias vendidas, portanto as despesas neles registradas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS DESPESAS DE ARMAZÉM E TONEIS REJEITADAS (Relação Analítica fls. 217; Resumo fls. 233): São despesas com , mãodeobra contratada, mãodeobra; de manutenção e' serviços de máquinas registradas nos centros de custo de Armazém, Armazém de Açúcar, Armazém de Açúcar Externo, Tonéis de Álcool e Tonéis de Melaço. De acordo com a legislação, as despesas e custos de armazenagem somente geram créditos se suportados pelo vendedor, nas operações de venda, devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no'país (Lei n° 10.833/03, art. 3o, inciso IX). Considerase armazenagem quando uma empresa contrata outra para que esta última preste serviços de armazenagem, com emissão de nota fiscal específica de armazenagem, em operação de venda de mercadoria da primeira. Os serviços de manutenção e movimentação de mercadorias em instalações próprias para armazenagem(não dão direito a , créditos, pois'não são considerados insumos, visto que não foram consumidos no processo de produção das mercadorias, que obviamente já estavam prontas e acabadas por ocasião dà armazenagem, e não se referem a despesas ou custos com armazenagem propriamente dita. Pelo motivo exposto, estas despesas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. • SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS E. DESPESAS REJEITADAS. (Relação Analítica fls., 218; Resumo fls. 233): São despesas com comissões e corretagens, transporte de turmas, transporte de empregados, despesas com documentação e serviços prestados (indenizações eventuais), que obviamente não estão diretamente vinculadas à produção e fabricação das mercadorias Vendidas, portanto não são insumos e não foram.aceitas na base de cálculo dós créditos. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS ; ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DESPESAS. COM ALUGUEL DE VEÍCULOS REJEITADAS (Relação Analítica fls. 219; Resumo fls. 233): De acordo com a legislação (Lei nó 10:833/03, art. 3o, caput e inciso IV), são seitas na base de cálculo dos créditos as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, usados nas atividades da empresa. Os veículos servem para transportar; coisas ou pessoas de um lugar para outro, e não são considerados máquinas ou equipamentos» portanto as despesas com o aluguel dos mesmos não geram créditos'. ARRENDAMENTO DESPESAS DE ARRENDAMENTO DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLAREJEITADAS (Relação Analítica fls. 220; Resumo fls 233): São despesas com arrendamento agrícola, arrendamento agrícola. Manacá e arrendamento agrícola Coligadas. De acordo com a legislação (Lei n° 10.833/03,.art. 3°, caput e inciso IV), é vedado ó aproveitamento dé créditos sobre o valor dos aluguéis de bens, quando devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no país e não sé enquadrem no conceito de prédios, máquinas e equipamentos, como, por exemplo, o aluguel: ou arrendamento de terrenos e propriedades rurais, entre outros. Por isso, as despesas com arrendamentos agrícolas não foram aceitas na base de cálculo dos Créditos. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS .. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS . DESPESAS : DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA REJEITAdAS (Relação Analítica fls. 22Í; Resumo fls. 233): Somente são aceitas na base de cálculo dos créditos as despesas com aluguel ou arrendamento de prédios, máquinas e equipamentos, contratados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país. Despesas com arrendamentos agrícolas não seriam aceitas nem se contratados junto a pessoas jurídicas. Por, isso, não foram aceitas na base de cálculo dos créditos ás despesas com arrendamentos agrícolas contratados junto á", pessoas físicas. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS INSUMOS FORNECIDOS POR PESSOAS FÍSICAS ; CRÉDITOS , PERMITIDOS SOMENTE PARA DESCONTO (Relação Analítica fls. 222; Resumo fls. 233): A partir de 01/08/2004,' a pessoa jurídica produtora de açúcar pode;aproveitar crédito presumido relativo a bens utilizados como insúmo ná produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoas físicas residentes do país (Lei 10.925/2004, arts. 8o e 15). É vedado, no entanto, utilizar estes créditos para fins de compensação ou ressarcimento, ou seja, tais créditos podem ser utilizados apenas para desconto ou dedução da própria» contribuição apurada, no mesmo mês ou em mesessubseqüentes (Lei 10.925/2004, art. 15). A base de cálculo destes créditos corresponde a 35% do valor dás aquisições (Lei 10.9* !/2004, §3°, inciso III). Com base nos dispositivos citados, não foram aceitos, para "fins de compensação ou ressarcimento, os créditos calculados sobre ás aquisições de insumos (cana) junto a pessoas físicas. Conforme demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 222),.nos meses de 04/2005 e 06/2005 os valores de créditos de Cofins ME destinados a desconto ou dedução foram superiores aos valores de crédito presumido ora em análise, portanto não há glosa a ser feita. Em 05/2005, houve R$ 109.430,29 de desconto, tendo sido glosado, para fins de compensação, apenas o excedente de R$ 77.935,63. ARMAZENAGEM E FRETE ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS COM DOCUMENTOS E DE ESTADIA REJEITADAS (Relação Analítica — fls. 223; Resumo fls. 233): Somente são aceitas na base de cálculo dos créditos as despesas específicas com armazenagem e frete nas operações de venda de mercadorias (Lei n° 10.833/03, art. 3o, inciso IX, e art. 15, inciso II). Por isso não foram, aceitas as despesas com documentação e estadia de navios na base de cálculo dos créditos. ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS COM ARMAZENAGEM (Relação Analítica — fls. 225; Resumo fls. 233): Verificado que o sujeito passivo contabilizou valor; ? elevado (R$ 500.674,27) na conta 6101323202 DESPESAS COM ARMAZENAGEM em 05/2005, tendo incluído este" valor na base de cálculo dos , créditos, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal n°03 (fls. 157/158), para que o mesmo apresentasse as respectivas notas fiscais ou documentos equivalentes. Em resposta, o'.' sujeito passivo apresentou os documentos de fls. 159 a 192,que são os espelhos que contêm os mesmos dados das notas fiscais. Da análise detalhada dos documentos apresentados, constatouse que poderão compor a base de cálculo dos créditos apenas aqueles relacionados em fls. 224 (transporte de insumo e locação de equipamentos), num, total de R$ 51.489,20. Os demais não são de armazenagem, frete ou qualquer outro custo permitido, portanto não. poderão compor a base de cálculo de créditos. Assim sendo,, glosouse a importância de R$ Í7.279,91'em créditos de Cofins ME, em 05/2005 (fls. 225). Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 6 9 ARMAZENAGEM E FRETE REJEITADAS DESPESAS RELATIVAS A REVENDA (TRADING) (Relação Analítica fls. 232; Resumo fls. 233): Conforme Relação Analítica de fls: 232, constatase que o sujeito passivo apropriouse de créditos calculados sobre Despesas Portuárias, Transporte Rodoviário e Frete Marítimo. Os valores de tais despesas foram considerados integralmente, pelo sujeito passivo, como base de cálculo dos créditos vinculados às receitas de, exportação. Pois bem, a fiscalização detectou dois problemas: 1° Nem todas as notas fiscais lançadas como Despesas Portuárias são de armazenagem; 2o Estas despesas não se>referem somente à exportação de produção própria do sujeito passivo, mas também à exportação de mercadorias adquiridas de outras empresas, situação em que é vedado o aproveitamento de créditos.' A autoridade administração de jurisdição, após apreciar os documentos que instruem este processo e as informações prestadas pela autoridade fiscal com relação à pretensão da contribuinte de direito creditório de COFINS exportação para o 2º trimestre de 2005, decidiu indeferir o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: Despacho Decisório SAORT n.º 376/2010 (fls. 4648) (...) O Pedido d e Ressarcimento encontrase amparado na Lei n.º 5.172, de 25/10/66 e, na IN SRF n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, que atualmente trata da matéria, estando revogadas as Instruções Normativas .anteriores, e q u e disciplina, entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos da Cofins nãocumulativa. Conforme Informação Fiscal de fls. 11 a 17, q u e é parte integrante e indissociável d o presente despacho, as informações contidas n o pleito foram analisadas pela Seção de Fiscalização, de acordo com o artigo 24 da IN SRF 600/2005, atual artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, tendo sido constatado' u m crédito passível de ressarcimento/compensação no montante de R$ 5.501.942,46 para o trimestre em questão' e, glosado o valor de R$. 1.976.242,63 do total do crédito informado pela contribuinte. Entretanto, conforme a própria interessada demonstra no pedido d e ressarcimento, referido crédito foi utilizado em compensações nos processos abaixo, relacionados, tendo sido insuficiente para homologação das compensações neles pleiteadas, 'conforme fica evidenciado n a tabela retrocitada; (cópia dos despachos decisórios e dos demonstrativos de cálculo às folhas 18 a 43): Tabela 1 Compensações em processo informadas n o Pedido de Ressarcimento Processos n° > Valor compensado •(R$) 1 13888.001596/200591 955,169.83 2 13888.001431/200510 738.686,69 3. 13888.002291/200505. 343.783,84 4 13888.001926/200549 1.508.892,78 . 5 1.3888.001886/200535 160.183,77 6 13888.003087/200501; 886.459,71 7, 13888.002818/2005>93 .968.336,02 8 13888.002577/200582 606.159,84 9 13888.002378/200574 97.252,40 ; 1 0 13888.002292/200541 2.938,97 1 1 13888.002068/200550. 562.946.18 ■ ' .TOTAL . ■ . 6.830.810.03 Assim, considerando q u e o valor apurado, como passível de ;ressarcimento/compensação a título d e Cofins nãocumulativa referente ao 2° trimestre d e 2005 foi integralmente utilizado em compensações nos processos supramencionados, não resta saldo à ser ressarcido n o presente processo. (GRIFOS NOSSOS) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Pelas razões de fato e de direito acima expendidas,.com fulcro nas Portarias MF n° 125, de 2009 e DRF/Bau n° 80, de 25 de junho de 2007 com alterações posteriores, e por força do disposto no artigo 74, da Lei n? 9.430, de 27 d e d e z emb r o d e 1.996, decido NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado, a título d e ressarcimento de Cofíns nãocumulativa, referente ao 2° trimestre de 2005, n o valor d e R$ 647.375,06 (seiscentos e quarenta e: sete m i l , trezentos e setenta e cinco reais e seis centavos),1 subsidiado pela Informação Fiscal de folhas 10 a 16, tendo em vista q u e o crédito apurado foi integralmente utilizado em compensações nos processos administrativos ; n o s 13888.001431/200510, 13888.001596/200591, 13888.002291/200505, 13888.001926/200549, 13.888.001886/200535, 13888.00308.7/200501, 13888.002818/200593, 13888.002577/200582, 13888.002378/200574, 13888:002292/200541 e 13888.002068/200550, não restando saldo a ser ressarcido tio presente processo. . Contra essa decisão o contribuinte contestou, alegando as razões por que pediu o afastamento das glosas e o deferimento integral do seu pedido de ressarcimento, segundo o resumo feito pelo relator no julgamento de 1ª instância, que aqui reproduzo, pela sua objetividade: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba, em Despacho Decisório de fls. 45/47, acatou as conclusões do Termo de Verificação Fiscal e, com base nos valores do direito creditório reconhecido nos processos n° 13888.001431/200510. (fls. 18), n° 13888.001886/200535 (fls. 26), n° 13888.002068/200550 (fls. 34), e de outros processos relacionados às fls. 47, que utilizaram o crédito objeto de análise em outras compensações, apurou a inexistência de saldo a ressarcir neste processo e, em decorrência, não reconheceu o direito creditório do interessado. Em sua manifestação de inconformidade, fls. 51/66, o interessado inicialmente apresenta a tese da não equiparação do conceito de nãocumulatividade do PIS e da COFINS,. originada em legislação infraconstitucional, com a nãocumulatividade constitucional do ICMS e do IPI, Com, base nessa premissa, alega que o conceito de "insumos" utilizado na legislação do IPI não pode ser equiparado pára fins de PIS e COFINS, uma vez que as Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, não definiram o conceito de insumos e, assim, o legislador quis utilizar o senso comum deste vocábulo. Que a limitação do conceito de "insumos", utilizada pela SRF nas i Instruções Normativas n° 247, de 2002 en° 404, de 2004 é ilegal, pois inovou na ordem jurídica, ampliando ou reduzindo o sentido e conteúdo das leis.. Após essa introdução, combate as glosas efetuadas, a saber: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Alega que os bens utilizados tratamse se ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança da canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pela qual devem ser admitidos como insumos., Que o mesmo se aplica em relação aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis à atividade agroindustrial, na colheita, no transporte de matériaprima para a indústria, no transporte de máquinas e equipamentos, e sobretudo adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados, sem mencionar o transporte de mãodeobra, indispensável em todo o processo. Continua, citando outras atividades de transporte de pessoas, que alega indispensáveis para a produção, concluindo que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção, a despeito de não integrarem fisicamente o produto final. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Alega que todos os serviços glosados estão diretamente ligados ao processo produtivo, tais como a mãodeobra de pessoa jurídica para a manutenção da mecanização industrial, transporte de resíduos industriais (vinhaça), utilizado na lavoura como fertilizante. . Que não se conforma com a glosa dos custos relacionados á armazenagem e transporte de mercadorias destinadas à exportação, pois são despesas ligadas diretamente ao processo produtivo e sem as quais a exportação jamais poderia ser .concretizada e, por conta disso, é absolutamente ilegal e injusta a limitação temporal pretendida pela fiscalização. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 7 11 BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS Alega que os serviços de pessoas físicas se enquadram perfeitamente no conceito de insumos, para efeito de crédito de COFINS não cumulativo. ARRENDAMENTO DE TERRAS Que o art. 3o, IV, da Lei n° 10.637, de 2002, contempla o direito a compensação descréditos decorrentes de aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa e, assim, o arrendamento de terras para cultivo de cana se enquadra nesse conceito, uma vez que o conceito jurídico do termo "prédio" não corresponde ao limitado conceito. popular que define uma construção de vul{o. De acordo com o Estatuto da Terra Lei n° 4.504, de 1964, alterada pela Lei n° 8.629; de 1993, define o imóvel rural como "o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa destinar á exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial" . Assim, o termo "prédio" serve tanto para o rústico (ou rural) como para o urbano e como a Lei n° 10.637, de 2002, não fez qualquer distinção entre os tipos, não há que se excluir os arrendamentos agrícolas. Destaca o disposto no art. 110, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado, para definir ou limitar competências' tributárias. DESPESAS COM EXPORTAÇÃO Alega que a apropriação das despesas dos serviços portuários é amparada .pelo art. 6°, §§ Io e 3o, da Lei n° 10.833, de 2003; que as notas fiscais exibidas representam serviços com o recebimento, armazenagem e embarque, e que o transporte rodoviário para os terminais portuários tem o nítido propósito para exportação. Que as despesas com estadias referem se ao custo adicional do frete pela demora no recebimento das mercadorias pelo terminal portuário e que a apropriação desta despesa é amparada pelo art. 3o, IX, da Lei n° 10.833, de 2003 Que não se conforma com a glosa das despesas com exportação excluídas por proporcionalidade, pois dessa forma vulnera a nãocumulatividade do PIS e da Cofins. ALUGUEIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. Que a glosa ce .créditos sobre veículos, que são utilizados n o transporte de insumos e bens de revenda e produção, ou seja, ligados com a atividade industrial e comercial e que os créditos devem ser realizados sobre os custos de aquisição e, assim, não há porque glosá los. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório, com o reconhecimento integral do crédito da Cofins nãocumulativa do período Após apreciar os argumentos da contribuinte, a respeitável 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e por não reconhecer o direito creditório. O Acórdão n.º 1436.447, proferido em 27/01/2012, ficou assim ementado: Acórdão 1436.447 5a Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 15892.000071/201062 ' Interessado COSAN S/A INDUSTRIA E COMERCIO CNPJ/CPF 50.746.577/000115 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS E ENERGIA ELÉTRICA. PROCESSO PRODUTIVO UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins Não cumulativo, entendese como insumos. utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam ■ incluídas no ativo imobilizado. As despesas cóm energia elétrica somente geram crédito se utilizadas como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Cofíns Não Cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA VENDA DO PRODUTO FINAL E ARMAZENAGEM. VIGÊNCIA. As despesas com frete na venda do produto final e armazenagem só dão direito a crédito da Cofíns Não Cumulativo a partir de 01/02/2004, desde que o ônus tenha recaído sobre o vendedor. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS , COM ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. DESPESAS COM O ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA A despesa com o arrendamento de terras não se confunde com o conceito de aluguel de prédios, para o qual é permitido o direito ao creditamento. A despesa com o aluguel de veículos não se confunde com o conceito de aluguel de máquinas e equipamentos. As normas que criam direito a benefícios fiscais devem ser interpretadas restritivamente, não se permitindo a extensão de conceitos. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BENS E_ SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. O aproveitamento de crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas domiciliadas no país somente é permitido caso os bens e/ou serviços adquiridos se enquadrem no conceito de insumos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual, preliminarmente: (a) roga pela nulidade do lançamento ante a ausência de motivação ampla e genérica de todos os insumos vinculados à área rural; que houve insuficiência de motivação pois a precariedade da análise, cujos parâmetros não foram descritos no auto de infração [sic] inviabilizaram o entendimento do trabalho fiscal e prejudicaram o exercício ao direito de defesa e do contraditório; (b) pede a realização de diligência para se demonstrar a composição dos créditos glosados e a fundamentação de cada glosa; propõe quesitos e indica perito; ( c) pede a juntada de novos documentos que se façam necessários para provar o alegado e que as intimações sejam efetuadas em nome dos seus advogados (nominalmente indicados). A contribuinte, no mérito, repisou as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 8 13 Sobre os requisitos de admissibilidade. O Acórdão de 1º piso foi proferido na sessão de 27/01/2012 e anexado aos autos em 24/02/2012 (fls. 135150). Verifico que o processo foi encaminhado da Delegacia da RFB em Bauru para a DERAT em São Paulo em 07/03/2012 (fls. 151), em função da mudança de jurisdição da contribuinte. E que a contribuinte solicitou cópia do processo em 01/06/2012, e a recebeu em 19/06/2012 tomando ciência dos autos nessa data (fls. 175232, em Piracicaba). Ademais, constato que a contribuinte foi intimada pela DERAT em 04/07/2012 (Intimação n. 2106/2012, às fls. 152) com ciência em 16/07/2012 (AR às fls. 153) do Acórdão da DRj e do prazo para recorrer. A contribuinte novamente solicitou cópia do processo em 26/07/2012, recebendoa em 08/08/2012 (fls. 155172). A contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 09/08/2012 no CAC da DERAT em São Paulo SP. Tendo a Receita Federal intimado a contribuinte do Acórdão da DRJ, apesar do contribuinte já dele ter tomado ciência ao obter cópia do processo e dessa decisão, entendo que a data da sua segunda ciência deve prevalecer sobre a primeira e que há reabertura do prazo para recurso. O recurso voluntário foi apresentado antes do decurso dos trinta dias contados a partir da segunda ciência. Sendo assim, concluo e proponho que seja considerado tempestivo esse recurso. Foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares A recorrente pede a nulidade do lançamento ante a ausência de motivação da glosa ampla e genérica de todos os insumos vinculados à área rural, e que teria havido prejuízo ao exercício do direito de defesa e ao contraditório. Os dados e fatos dão testemunho contrário ao alegado pela recorrente nesse particular, razão por que ele não pode justificar a nulidade pleiteada. Primeiro por que não este processo administrativo não tem um lançamento como seu objeto. Este processo se refere a pedido de ressarcimento de saldo de crédito de COFINS Exportação. O despacho decisório que indeferiu o pedido demonstra que não havia o saldo de créditos para ser ressarcido, pois os créditos apurados, após diligência fiscal e decisão da autoridade administrativa, haviam sido aproveitados para dedução da própria contribuição e para compensação via PER/DCOMP, nada restando ao final de saldo. As glosas propostas pela autoridade fiscal são detalhadas, acompanhadas de planilhas e quadros de demonstração. Esse conjunto de informações instrui os processos administrativos em que foram feitos os pedidos de reconhecimento dos créditos de COFINS Exportação. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 Não constato que as glosas e os motivos para o indeferimento do pedido da contribuinte estejam insuficientes em motivação, ou não tenham deixado claros os parâmetros de análise das autoridades fiscal e administrativa. Ao consultar aqueles processos e este podemos verificar que a contribuinte compreendeu as glosas e apresentou defesa expondo as razões por que elas não deveriam ser mantidas. Neste processo a contribuinte consegue expor as razões por que entende as glosas naqueles processos são, em seu ponto de vista, equivocadas e devem ser afastadas. Não vejo, portanto, que tenha havido prejuízo ao exercício do contraditório e do direito de defesa. Por essas razões, proponho não seja dado provimento à preliminar de nulidade invocada pela recorrente. Sobre o pedido de diligência: O recorrente propõe a realização de diligência e perícia. Poderiam trazer informações para se analisar os créditos de COFINS exportação e as glosas fiscais. Ocorre que o direito ao crédito, o cálculo e apuração desses valores, e as glosas feitas, estão sendo discutidas em outros processos administrativos, e não neste, que se centra no pedido de ressarcimento do saldo, após deduções e compensações. Não cabe neste processo realizar diligências e perícias para tratar o que já é objeto do processo administrativo próprio. Ademais, para o compõe o núcleo do contraditório deste processo o pedido de ressarcimento do saldo restante não me parece que a perícia e a diligência são necessárias, pois o que consta do processo já nos permite formar convicções sobre o mérito. Proponho, por decorrência, não seja aceito o pedido de perícia e diligência. Sobre o pedido de apresentação de documentos novos e de intimação a advogados representantes nos autos: Conforme veremos ao apreciarmos o mérito, creio que não há necessidade de apresentação de novos documentos, pois os que instruem este e os processos de apuração do crédito COFINS Exportação são suficientes para que se possa submeter essa lide a apreciação pelo colegiado. Também não vejo necessidade de intimar os advogados, pois a contribuinte possui endereço suficiente para esse mister. Concluo propondo sejam negados esses pedidos da recorrente. Mérito Com relação às alegações da recorrente quanto ás glosas fiscais: A contribuinte compôs a sua manifestação de inconformidade exclusivamente com argumentos que confrontam as glosas feitas pelas autoridades fiscal e administrativas na apuração dos créditos de COFINS Exportação. Os julgadores de 1º piso apreciaram esses argumentos e compuseram o texto do acórdão essencialmente discutindo as glosas e suas razões. No recurso voluntário, a contribuinte retoma esses argumentos para tratar o mérito do contraditório. Sinto que os argumentos postos pela contribuinte e pelos julgadores a quo a respeito das glosas feitas na apuração do crédito devem ser considerados por este colegiado de 2ª instância. Portanto, a esse respeito dedico os próximos parágrafos. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 9 15 Preliminarmente esclareço que, em meu entendimento, este processo administrativo pretende obter ressarcimento de saldo resultante de aproveitamento de suposto direito creditório com compensações discutidas em outros processos administrativos. A autoridade administrativa de jurisdição e os julgadores de 1º piso concluíram que, daqueles processos, não restou saldo para que, neste processo, pudesse o contribuinte obter ressarcimento. Pareceme claro que há uma relação de dependência deste para com o resultado daqueles processos. As glosas aqui questionadas pela contribuinte se referem à determinação do crédito de COFINS Exportação nos meses de abril, maio e junho de 2005. Esses tópicos e questões também estão sendo discutidos nos processos administrativos 13888.001431/200510 (abril de 2005), 13888.001886/200535 (maio de 2005) e 13888.002068/200550 (junho de 2005). Como esses 3 processos têm precedência sobre este processo, que pretende aproveitar suposto saldo residual daqueles, entendo que as glosas devem ser decididas naqueles, e não, de direito, neste processo. As decisões proferidas neste processo a respeito da manutenção ou não das glosas não tem o condão de se sobrepor às tomadas naqueles. Nas próximas linhas, apreciaremos as alegações da recorrente, mas, sublinho, apenas aqueles processos, e não este, podem decidir sobre os créditos pleiteados pela contribuinte. A este apenas resta a competência para decidir o pedido de ressarcimento de eventual saldo daqueles créditos de COFINS Exportação. Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social; e, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. São as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção, o regime de não cumulatividade, as regras para a determinação do valor devido e para a redução por créditos apurados. A meu ver, a regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. (....) A recorrente invoca o entendimento do IRPJ para servir de fonte aos critérios de determinação dos insumos para o PIS e para a COFINS. Mas não me parece que seja ele adequado. É verdade que a legislação do IRPJ possui uma longa trajetória de existência e consolidação, mas, a principio, creio que a sua simples transposição pode gerar mais imprecisões que soluções. (....) Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essas decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: (....) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 10 17 Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumoprocessoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. (....) Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 11 19 No caso em discussão neste processo, entendo que o preparo da cana de açúcar para ser ela um insumo da industrialização do açúcar e do álcool é, sim, etapa do processo de produção do açúcar e do álcool. Das glosas dos bens utilizados como insumos: Inicialmente, neste tópico, esclareço que me parece informação evidente, de domínio público, que o processo de colheita de cana e o seu aproveitamento para o processo de produção de açúcar e álcool, quando em escala industrial, implica em operações realizadas ininterruptamente, dia e noite, durante semanas, até meses. Ademais, não só essa extensão, intensidade e freqüência de uso, mas também os efeitos abrasivos e erosivos da natureza do material colhido, promovem desgaste substantivo nos instrumentos usados nessas operações. Por isso, julgo razoável que as ferramentas de operação e os materiais elétricos e de manutenção efetivamente aplicados no processo de colheita e tratamento dessa matéria prima possam ser considerados como não ativados ou imobilizados. Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas e as despesas e gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados com maquinário e veículos para serviços diretos no cultivo, lavoura, colheita e tratamento (produção) de cana de açúcar (tais como, por exemplo: o corte e o carregamento) (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atenderiam ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas e gastos relacionados aos centros de custos: "Diretoria administração alojamento industriais", "Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", não teriam demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Faltarlhesia comprovação e previsão legal para afastar as glosas. Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atenderiam ao critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Sobre as despesas relacionadas a armazenamento Pareceme que as despesas e custos glosadas neste processo não são de armazenagem, para os termos da previsão estabelecida pelo inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. As atividades que cuidam dos estoques dos insumos, dos bens em fase de processamento, dos semiacabados e dos acabados Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 20 que ainda não estão prontos para comercialização poderiam ser, a meu ver, como necessárias ao próprio processo de produção. Portanto, divirgeria das decisões anteriores, pois entendo que as despesas com materiais de manutenção, materiais de acondicionamento, materiais elétricos, lubrificantes e combustíveis empregados nas atividades de estocagem seria insumos no processo de produção da cana de açúcar e do açúcar e do álcool. Sobre a glosa das despesas de materiais elétricos e de materiais de construção (por exemplo: das contas contábeis 4301181829 e 4301232301) A autoridade fiscal efetuou esta glosa porque eles não estariam vinculados à produção e não teriam sido diretamente consumidos na fabricação diretamente sobre o produto; e também não são insumos da produção da matéria prima cana de açúcar. A recorrente não contestou especificamente essa glosa, e também não apresentou elementos que pudessem invalidála, nem demonstrou que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Das glosas dos serviços utilizados como insumos: Glosa das despesas e custos com serviços de manutenção (i) de equipamentos, de veículos, das oficinas e (ii) dos armazéns, todos pagos a pessoas jurídicas a autoridade fiscal afirma que esses tipos de despesas não correspondem ao conceito de insumo pois não estão diretamente relacionados ao processo da fabricação do açúcar e do álcool. Mas pareceme que razão assistiria à recorrente. Como já visto anteriormente, o conceito de insumo não pode ficar adstrito ao haurido a partir da legislação do IPI. Separo a apreciação dessas glosas em dois itens. (a) As atividades das oficinas e de estocagem que atendem as outras atividades de preparo da cana de açúcar e de fabrico do açúcar e do álcool são parte do processo de produção. As despesas pagas a pessoas jurídicas para a manutenção dos equipamentos e instalações pertencentes às oficinas e depósitos dedicados ao processo de produção poderiam gerar creditamento. (b) Contudo, a recorrente não demonstrou se tratar de insumos ou como se integrariam com o processo de produção os serviços prestados por pessoa jurídica para os seguintes centros de custo: "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL", ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO INDUSTRIAL", DIRETORIA INDUSTRIAL, FUNCIONÁRIOS AFASTADOS INDÚSTRIA, INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL, BRIGADA DE INCÊNDIO, donde concluiria que, por falta de comprovação e falta de previsão legal, elas não poderiam gerar crédito pelos valores pagos. Glosa das comissões e corretagens pagas a pessoas jurídicas (ex.: como as lançadas nas contas contábeis 6101232311) e as despesas com serviços coom documentação e indenizações eventuais A autoridade fiscal glosou por não ter relação com a produção. A recorrente não contestou especificamente essa glosa, e também não apresentou elementos que pudessem invalidála, nem demonstrou que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Glosa das despesas de transporte pagos a PJ a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo que as despesas de transporte de turmas e de transporte de empregados são alocadas nas contas 4301202001 e 4301202001, localizadas nessas planilhas de modo a Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 12 21 descrevêlas como pertencentes às operações propriamente agrícolas. Nesse ponto, entenderia que razão assistiria à recorrente quando se trata de custos agrícolas, pois elas se refeririam a transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardariam relação direta com a produção de cana de açúcar. Glosa referente às despesas com aluguel de veículos: A contribuinte havia classificado aluguel de veículos como despesas com aluguel de máquinas e equipamento, para se beneficiar do que dispõe o inciso IV e caput do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A autoridade fiscal glosou os créditos decorrentes das despesas com aluguel de veículos, por entender que os veículos não podem ser considerados máquinas e equipamentos para os termos desse inciso da Lei. (...) A contribuinte não trouxe ao recurso demonstração de como os veículos alugados integraram o processo de produção da cana de açúcar ou do processo de fabricação do açúcar ou do alcool. Como explicado anteriormente, a meu ver, os fatores que concorrem diretamente em o processo de produção para a obtenção da receita tributável podem fazer jus à apuração de créditos. Mas a recorrente não provou o que alegou; ela permaneceu na argumentação que veículos são máquinas e equipamentos e que são insumos, mas não demonstra como, onde e quando os veículos alugados podem ser considerados máquinas e equipamentos e se integraram de fato no processo de obtenção da cana de açúcar, ou do açúcar, ou do alcool. A recorrente proporcionaria substância às suas alegações quando a elas juntasse provas ou demonstra prejuízo à verdade material. Mas não caberia à administração e ao tribunal administrativo suprir o que legitimamente se espera da contribuinte. Glosas de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas e despesas de arrendamento junto a pessoas fisicas a autoridade fiscal glosou arrendamento agrícola pago a pessoa física, despesas e gastos com serviços pagos a pessoas físicas (ex.: serviços de ensacamento e de geração de vapor caldeiras). Essas despesas e custos não poderiam gerar crédito para compensação, no entender da autoridade fiscal e dos julgadores de 1º piso. (...) Entendo que a legislação não acodiria a contribuinte: o § 5º do artigo 3º da Lei n. 10.833, de 2003, e a Lei n. 10.637/2002 (art. 3º § 10), admitiam que se pudesse deduzir da contribuição devida em cada período de apuração os créditos presumido calculado sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas e usados como insumos ao processo de produção. § o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 22 § o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2o; I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) A meu ver, correto foi o entendimento fiscal que identificou e delimitou os gastos pagos a pessoas físicas que podem dar direito ao aproveitamento de crédito presumido no mês de apuração do tributo (a partir de 01/02/2003, quando da edição da Lei 10.684/2003, art. 25, ao Introduzir o § 10 ao art. 3o da Lei 10.637/2002 e Lei 10.925/2004, art. 16,1. a). Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, art. 25.). Ademais, para fins de apuração de crédito nos termos do artigo 3º da Leis n. 10.833/2003, as despesas de arrendamento pagos a pessoas físicas não poderiam ser aceitas face a prescrição disposta nessa lei de que só podem ser aceitos ao valores pagos a pessoas jurídicas. Glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural A autoridade fiscal propôs a glosa das despesas com arrendamento agrícola e rural por não se enquadraram na hipótese do inciso IV do art. 3º das Leis em comento. Não consiguiria acompanhar a recorrente em sua argumentação de que o vocábulo 'prédios' desta hipótese legal abrange as propriedades rurais. A meu ver, não há essa equivalência e carece, no texto legal, a expressa autorização para creditamento desse tipo de gasto (arrendamentos rural e agrícola). Glosa (a) das despesas portuárias e (b) das despesas com documentação e estadias nas operações de exportação a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não faziam jus ao creditamento por que lhes falta a previsão legal. Elas se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação e embarque e estadia. A esse respeito a recorrente afirma, sem demonstrar, que elas estão ligadas diretamente ao processo de produção ou que elas deveriam ser consideradas como de frete ou armazenagem. (...) Concluo sublinhando que, a meu ver, as despesas glosadas não se confundem com o frete ou a armazenagem, nem poderiam ser consideradas insumos, como propõe a recorrente, e que não há previsão legal para o creditamento desse tipo de despesa. Glosas das despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação Do valor das despesas portuárias não glosadas e das despesas de transporte rodoviário e frete marítimo , a autoridade fiscal aplicou o que dispõe o § 4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, c/c inciso III art. 15 da mesma Lei, ou seja, apurou o valor correspondente à proporção de receitas de exportação de bens adquiridos no mercado interno sobre o total das receitas. Pareceme correta foi a glosa, pois o texto do § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, c/c inciso III art. 15 da Lei 10.637/2002, é cristalino a respeito: art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 13 23 (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedado, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. A recorrente não contradita o fato de ser comercial exportadora e ter receita de exportação proveniente de bens adquiridos no mercado interno e exportados, nem contesta a apuração dos percentuais adotados pela autoridade fiscal para os cálculos. Foi correta a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, pois ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. Sobre o mérito do pedido de ressarcimento, com relação ao saldo de crédito no 2º trimestre de 2005: Como vimos, este processo tem como objeto o pedido de ressarcimento de saldo de créditos de COFINS exportação ao final do 2º trimestre de 2005. Esse saldo seria o resultado, após se apurar os créditos de COFINS Exportação nos meses de abril maio e junho de 2005, da subtração dos valores usados como dedução da contribuição devida em cada um desses meses, e da subtração dos valores usados em pedidos de compensação. Os créditos de COFINS exportação estão sendo tratados pelos processos indicados a seguir: Período de apuração N. do processo Objeto do processo e processos vinculados Situação do processo abril de 2005 13888.001431/200510 pedido de reconhecimento de crédito COFINS Exportação; PERD/COMPs pedidos de compensação vinculados; 13888.001596/200591 aguardando apreciação de Recurso Especial da PFN pela CSRF. aguardando ciência do acórdão pelo contribuinte. maio de 2005 13888.001886/200535 pedido de reconhecimento de crédito COFINS Exportação; PERD/COMPs pedidos de compensação vinculados; 13888.002291/200505, 13888.001926/200549 aguardando apreciação de Recurso Voluntário pela 1ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção. junho de 2005 13888.002068/200550 pedido de reconhecimento de crédito COFINS Exportação; PERD/COMPs pedidos de compensação vinculados; 13888.003087/200501, decisão da autoridade administrativa é definitiva., pois contribuinte Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 24 13888.002818/200593, 13888.002577/200582, 13888.002378/200574, 13888.002292/200541. perdeu o prazo para recorrer. Com relação aos processos administrativos referentes ao crédito de COFINS Exportação de junho de 2005, a autoridade de jurisdição iniciou os procedimentos para a exigência dos valores devidos pelas compensações não homologadas. A contribuinte ingressou em juízo (em 10/08/2010) com a ação ordinária n.º 000661022.2010.403.6108. A sentença proferida este ano (16/03/2015) nos autos foi desfavorável à pretensão da contribuinte. Ela apelou ao Eg. Tribunal Regional Federal. Com relação aos demais períodos de apuração e respectivos processos administrativos, eles aguardam a conclusão do contraditório na esfera administrativa. Mas essa conclusão, a meu sentir, não conseguirá estabelecer os valores de crédito pleiteados pela contribuinte, de modo a gerar o saldo de crédito para o ressarcimento pedido neste processo. No processo 13888.002068/200550, o crédito de COFINS exportação do mês de junho é insuficiente para as compensações (PER/DCOMP) vinculadas, logo não há qualquer saldo residual a ser ressarcido. No processo 13888.001431/200510, o crédito de COFINS exportação do mês de abril de 2005 é insuficiente para as compensações (PER/DCOMP) vinculadas, logo não há qualquer saldo residual a ser ressarcido. E a apreciação pela CSRF do Recurso Especial da PFN mui provavelmente não vai aumentar esse crédito. No processo 13888.001886/200535, cujo recurso voluntário foi apreciado nesta sessão e foi dado provimento parcial, o crédito de COFINS exportação do mês de maio de 2005 é insuficiente para as compensações (PER/DCOMP) vinculadas, logo não há qualquer saldo residual a ser ressarcido. Não há saldo residual no 2º trimestre de créditos de Cofins Exportação passível de ressarcimento. Portanto, proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Peço vênia para divergir do bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator apenas no que se refere à glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural de pessoas jurídicas. Nesse ponto, propôs o i. Relator o não provimento do recurso, por entender que o vocábulo 'prédios' previsto no inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 não abrange propriedades rurais, não havendo, assim, expressa autorização para o creditamento desse tipo de gasto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 14 25 Contudo, acredito que há direito de crédito nessa hipótese, pelos motivos a seguir. Como se verifica, a questão diz respeito à interpretação a ser dada ao inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que prevê o seguinte: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Mais especificamente, se a norma contida no dispositivo em apreço autorizaria o desconto de crédito relativo a despesas com arrendamento rural pago em favor de pessoa jurídica. Inicialmente, impende destacar que a utilização de créditos no âmbito da não cumulatividade do PIS e da COFINS não se traduz em benefício ou desoneração fiscal outorgado ao sujeito passivo, de modo que as regras que tratam do direito ao crédito não atraem, em sua interpretação, a aplicação do artigo 111, do CTN1. Isso porque, são regras necessárias à própria instituição, existência e operacionalização da nãocumulatividade. Nesse sentido, explica Marco Aurélio Greco2: “toda regra cuja função é desenhar a sistemática da não cumulatividade para formatála adequadamente à realidade de determinado setor, etapa do ciclo, modo de operação dos agentes econômicos etc. não é norma de desoneração ou de benefício. É norma de instituição da própria não cumulatividade. Ou seja, a não cumulatividade para existir e ser operacionalizada necessita da aplicação de regras técnicas de apuração do tributo adequado a ser recolhido; ou seja, o saldo apurado, depois da aplicação de ambos os conjuntos de regras (geradores de débito e de crédito). Por isso, o artigo 111 do CTN não é aplicável às regras que preveem o direito ao crédito, no âmbito do regime normal de não cumulatividade de PIS e COFINS”. Além disso, impendese reconhecer as dificuldades de se empreender em uma interpretação gramatical do termo “prédios”, para fins de aferição do direito de crédito no caso em análise, pois, como bem observado por Carlos Maximiliano “não basta obter o significado gramatical e etimológico; releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou estrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. (...) [deve o intérprete levar em conta] o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as gradações e finura do pensamento”3. Ainda, outro problema que se coloca é que, muitas vezes, o legislador não emprega o vocábulo na sua forma mais correta. Por esse motivo, Carlos Maximiliano adverte que “o intérprete não traduz em clara linguagem só o que o autor disse explícita e conscientemente; esforçase para entender mais e melhor do que aquilo que se acha expresso, o que o autor inconscientemente estabeleceu, ou é de presumir ter querido instituir ou regular, e não haver feito nos devidos termos, por inadvertência, lapso, excessivo amor à concisão, 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 “PIS e COFINS – Fretes pagos para o transporte de mercadorias” in PIS e Cofins à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: volume 2 / Gilberto de Castro Moreira Junior, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). São Paulo: MP Ed. 2013. P. 350. 3 Maximiliano, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 90. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 26 impropriedade de vocábulos, conhecimento imperfeito de instituto recente, ou por motivo semelhante”4. (grifos nossos) Feitas essas considerações, no presente caso, entendo que não é essencial adentrar na discussão em torno do correto sentido do vocábulo prédio, se no significado de gênero que incluiria o “prédio rústico” e o “prédio urbano”, como defende a contribuinte, ou se no significado de uma acessão existente em um bem imóvel consistente em construções ou edificações, pois, ainda que o último sentido seja o adequado, como entendem aqueles que negam direito ao crédito, mesmo nessa hipótese, a meu ver, seria legítimo o direito de crédito. Isso porque, as acessões, nela incluindose as industriais, que aderem ao principal por intervenção da atividade humana, como é o caso de construções, assim como as benfeitorias, são expressamente reconhecidas pela lei como um bem acessório ao bem imóvel, bem principal, nos termos dos artigos 1.248, inciso V, e 96, da Lei nº 10.406/2002 (“Código Civil”). Dessa maneira, à luz do disposto no artigo 92 do Código Civil, pelo qual “principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”, temse que o arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dará de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. E aqui é útil a aplicação das regras contidas no brocardo “no todo se contém a parte”, que se “baseia no argumento a majori ad minus, que parte da premissa de que a solução ou regra aplicável ao todo é também aplicável às suas partes. A norma que incide sobre um determinado contrato incide sobre cada cláusula daquele contrato. Buscar afastar da incidência da norma uma parte do “todo” de que ela trata, significa realizar uma distinção, criar uma exceção. As exceções não se presumem, devem estar previstas – ainda que implícita ou sistematicamente – no ordenamento jurídico”. Também aplicável o brocardo “não deve, àquele a quem o mais é lícito, deixar de ser lícito o menos”, ordinariamente expressa na frase “quem pode o mais pode o menos”5. Assim, nesse caso específico, entendo que a regra aplicável ao todo composto por principal mais acessório, deve ser aplicada somente ao principal (parte do todo), do mesmo modo que se ao contribuinte é lícito descontar créditos sobre arrendamento de principal mais acessório (o mais), a ele deve ser permitido descontar apenas em relação ao principal (o menos). Por fim, destaquese que essa mesma conclusão, pelo direito de crédito, foi alcançada pela 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, desta Seção, por unanimidade, no julgamento do Processo nº 13827.001007/201057 (Acórdão nº 3402002.396), no qual o douto ConselheiroRelator Gilson Macedo Rosenburg Filho expôs: “Já pontuei em momento passado neste voto que o art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, permite ao contribuinte descontar créditos referentes à alugueis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa 4 Maximiliano, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 136. 5 SANTOS, Alberto Marques dos. Regras científicas da hermenêutica. Disponível em: <https://albertodossantos.wordpress.com/artigosjuridicos/regrasdahermeneutica/>;. Acesso em: 17.02.2016. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 15 27 jurídica, desde que utilizados no processo produtivo da empresa. Por amor a coerência, parto dessa premissa para aceitar que na atividade agropecuária o arrendamento das terras a serem cultivadas equiparasse ao aluguel de prédios para implantação do parque fabril, previsto na legislação. Sem muitas delongas, reformo a decisão a quo para incluir no cálculo do crédito das exações o valor com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade”. Ante o exposto, voto no sentido de deferir o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte no item em questão, reconhecendo o direito de desconto de crédito em relação às despesas com aluguel e arrendamento rural de pessoas jurídicas, desde que utilizados nas atividades da empresa. É como voto. Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.009933/2003-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor (Súmula 1°CC n° 2, do Primeiro Conselho de Contribuintes).
REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE.
Por força do disposto no § 10° do artigo 90 da Lei n° 9.249/1995, o valor dos juros sobre o capital próprio deve ser adicionado ao lucro contábil para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, relativa ao ano-calendário de 1996. A revogação da norma citada pela Lei n° 9.430/1996, somente produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE.
Uma vez improcedente a tese de recolhimento a maior da CSLL do ano de 1996, verifica-se a inexistência do crédito que a interessada pretendeu compensar com o débito objeto do lançamento impugnado. A compensação somente é possível com créditos líquidos e certos em face das disposições do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1202-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e indeferir o pedido de realização de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor (Súmula 1°CC n° 2, do Primeiro Conselho de Contribuintes). REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. Por força do disposto no § 10° do artigo 90 da Lei n° 9.249/1995, o valor dos juros sobre o capital próprio deve ser adicionado ao lucro contábil para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, relativa ao ano-calendário de 1996. A revogação da norma citada pela Lei n° 9.430/1996, somente produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Uma vez improcedente a tese de recolhimento a maior da CSLL do ano de 1996, verifica-se a inexistência do crédito que a interessada pretendeu compensar com o débito objeto do lançamento impugnado. A compensação somente é possível com créditos líquidos e certos em face das disposições do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida T TURMATDRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor (Súmula 1°CC n° 2, do Primeiro Conselho de Contribuintes). REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. Por força do disposto no § 10° do artigo 90 da Lei n° 9.249/1995, o valor dos juros sobre o capital próprio deve ser adicionado ao lucro contábil para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, relativa ao ano-calendário de 1996. A revogação da norma citada pela Lei n° 9.430/1996, somente produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Uma vez improcedente a tese de recolhimento a maior da CSLL do ano de 1996, verifica-se a inexistência do crédito que a interessada pretendeu compensar com o débito objeto do lançamento impugnado. A compensação somente é possível com créditos líquidos e certos em face das disposições do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e indeferir o pedido de realização de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente ado ELSON LgiS-0- pLO Presidente C • -1 I~BRIG ES ER Relator EDITADO EM: 9 MAR 2 fl Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Léu° Filho (Presidente de turma), Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Geo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turrna),José Sergio Gomes(suplente convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto(su Sente convocada). 11° 2 Processo n° 13807.009933/2003-80 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 2 Relatório CARREFOUR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. recorre da decisão de primeira instância proferida pela r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP I, assim relatada, in verbis: "Em decorrência de auditoria interna realizada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF referente ao 10 trimestre de 1998, foi lavrado o auto de infração de fls. 69, exigindo do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 3.965.440,37 (três milhões, novecentos e sessenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta Reais e trinta e sete centavos). 2. De acordo com os ANEXOS I — DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fls. 71), Ib — RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCIT (fls. 72) e III — DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR (fls. 73), que instruíram o Auto de Infração, foi apurado, relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL devida em face do primeiro trimestre de 1998, que o contribuinte informou em DCTF a extinção desta exação mediante compensação com DARF não- localizado nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal. 3. Em razão de tal irregularidade foi exigida a CSLL no valor de R$ 1.440.720,96 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil, setecentos e vinte Reais e noventa e seis centavos), acrescida da multa de oficio (R$ 1,080.540,72 — um milhão, oitenta mil, quinhentos e quarenta Reais e setenta e dois centavos) e dos juros moratórios calculados até a data da autuação (R$ 1.444.178,69— um milhão, quatrocentos e quarenta e quatro mil, cento e setenta e oito Reais e sessenta e nove centavos). 4. O lançamento teve como enquadramento legal a legislação discriminada na folha de continuação do auto de infração (fls. 70). 5. Cientificado do auto de infração por via postal em 11/08/2003 (fls. 147), o contribuinte apresentou, em 10/09/2003, a impugnação de fls. 01/31, aduzindo, em sintese, que: 5.1. A autuação em foco deve ser revista, pois a CSLL devida em face do primeiro trimestre de 1998 foi extinta por compensação com valores recolhidos a maior de CSLL no ano- calendário de 1996. Este indébito decorre da Defendente ter incluído na base de cálculo da CSLL do ano-calendário de 1996 o valor da remuneração de seu capital, como determinava o §10 do art. 90 da Lei n°. 9.249/95. Contudo, em decorrência deste dispositivo ser totalmente ilegal e inconstitucional, por contrariar e infringir a legislação que instituiu a CSLL e desrespeitar princípios constitucionais estabelecidos na Carta Magna, os valores em comento adicionados à base de cálculo da CSLL acabaram gerando créditos passíveis de serem compensados com valores vincendos da mesma contribuição. 5.2. De fato, é induvidoso que a CSLL mantém total vinculação com a existência efetiva de lucro, que deve ser apurado de acordo com a legislação comercial, com a necessária dedução de todas as participações, dos prejuízos acumulados e da provisão para o Imposto sobre a Renda. Frisa- se que a concepção de lucro tem como fundamento a necessidade de confrontação, para sua apuração, entre despesas e receitas. 5.3. Em decorrência do conceito de lucro encontrar-se defmido com clareza na legislação comercial, é inapropriada a redefmição por parte da legislação tributária, em face da norma veiculada no art. 110 do Código Tributário Nacional — CTN. 3 5.4. Ate o advento da Lei n°. 9.249/95, o capital social das pessoas jurídicas era remunerado pela via indireta da correção monetária do balanço, a qual gerava uma despesa dedutível para fins de apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Nesse sentido, o capital da pessoa jurídica estava sujeito à correção monetária, que gerava despesa, de forma a compensar a utilização do capital próprio. Com o fim da correção monetária das demonstrações financeiras, apesar da existência de um tímido índice inflacionário, houve a necessidade de um mecanismo que remunerasse o capital, também dedutível na base de cálculo destes tributos. 5.4.1. O art. 90 da Lei n°. 9.249/95 previu que as pessoas jurídicas poderiam deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata, da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP. Contudo, este diploma legal, em arrepio ao art. 195, inciso I, da Constituição Federal, ao art. 110 do CTN e ao art. 189 da Lei n°. 6.404/76, permitiu esta dedução apenas em relação ao 1R.PJ. 5.5. Ao fazer a CSLL incidir sobre os denominados 'juros sobre o capital próprio', em decorrência da adição legalmente prevista, é evidente que esta exação está incidindo sobre o patrimônio da pessoa jurídica, caracterizando-se verdadeiro confisco, pois este dispêndio não é efetivo lucro. 5.6. Cumpre ainda enfatizar que o próprio governo federal, no ano posterior ao da publicação da malfadada Lei n°. 9.249/95, como ato de reconhecimento do aumento indevido da carga tributária das pessoas jurídicas, que foram compelidas a calcular e recolher a exação em questão sobre lucro fictício, revogou expressamente o seu art. 9°, §10 com a edição da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esta alteração legislativa acabou por convalidar o procedimento adotado pela Suplicante, que compensou seus créditos de CSLL originados nos meses de janeiro a outubro do ano de 1996, com o valor da mesma contribuição apurado em 01-01/98, que totalizou o montante de R$ 1.440.720,96. 5.7. Ressalte-se, ainda, que o10 do art. 9° da Lei n''. 9.249/95 somente poderia produzir efeitos a partir de 27/03/1996, pois, ao excluir deduções no processo de apuração da base de cálculo da CSLL acabou por majora-Ia, sujeitando-se à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, §6°, da Constituição Federal. 5.8. O Defendente transcreve excertos doutrinários e jurisprudenciais em animo de suas alegações, especialmente acerca da integral dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio da CSLL no ano-calendário de 1996. 5.9. 0 pedido reside na improcedência da lavratura. 6. O órgão competente encaminhou os autos para julgamento, ante o descabirnento da revisão de oficio do lançamento (fls. 148)." Decisão de primeira instância, fls. 151 a 162, julgou o lançamento tributário procedente em parte, sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa, fls. 151, in verbis: "ASSUMO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFICIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DOS REGISTROS CONTÁBEIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. A mera alegação de que os débitos lançados teriam sido compensados - ainda que declaradas tais compensações em DCTF - não basta para atestar-lhes a extinção. A compensação prevista no art. 66 da Lei n.° 8.383/91 deve estar consignada na escrituraçã. contábil por meio de lançamentos específicos Torna-se mais frágil 41y a." 4 Iffir Processo n° 13807.009933/2003-80 51-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 3 ainda a alegação quando se observa não haver créditos compensáveis, vez que, no ano-calendário de 1996, em vedada a dedução dos valores pagos a titulo de juros sobre o capital próprio para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, em face de expressa determinação legal. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Sobre as diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF, decorrentes de compensações informadas e incomprovadas, incidem somente acréscimos moratórias, em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) da norma veiculada no art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 18 da Lei 11.488/07. Lançamento Procedente em Parte" A autoridade julgadora em primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento tributário em virtude de ter exonerado a exigência da multa de oficio de 75% reduzindo-a ao percentual de 20% a título de multa de mora, tendo consignado os seguintes fimdamentos às fls. 152, a saber: "Deixa-se de recorrer de oficio desta decisão ao 1° Conselho de Contribuintes, em razão da penalidade declarada indevida (R$ 792.396,53 — setecentos e noventa e dois mil, trezentos e noventa e seis Reais e cinqüenta e três centavos) ser inferior ao limite de alçada previsto no art. 1° da Portaria MT n° 03, de 07/01/2008." Cientificada dessa decisão em 21/11/2008, segundo "A. R." afixado às fls. 166, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/12/2008, fls. 169 a 212, instruído com os documentos de fls. 213 a 225, alegando em síntese: 1) a decisão a quo manteve o lançamento parcialmente sob as premissas de que: "a) a recorrente não prestou corretamente as informações em sua DCTF relativa ao 1° trimestre de 1998 e nem instruiu sua impugnação com os documentos contábeis necessários à efetiva aferição da relatada compensação com valores recolhidos a maior no ano-calendário de 1966, evidenciando que não foram preenchidos os requisitos exigidos para o procedimento previsto no artigo 66 da Lei n° 8.383/91; e b) não existem créditos compensáveis, 'vez que, no ano-calendário de 1996, era vedada a dedução dos valores pagos a título de juros sobre capital próprio para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, em face de expressa determinação legal." Assevera que essas premissas não podem prosperar por entender se encontrarem amparadas por norma infralegal em desconformidade com a disciplina correta sobre a matéria, havendo necessidade de se reformar a decisão recorrida; 2) necessidade de conversão do julgamento em diligência: a autoridade julgadora a quo deveria ter intimado a contribuinte a apresentar os supostos documentos necessários à comprovação de sua adequação aos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, ora juntados aos autos por cópias de folhas de livros Dário, Razão Analítico e capas de páginas de DIPJ, que comprovariam a regular escrituração fiscal e comercial da compensação e, por decorrência, a extinção do valor de CSLL questionado neste procedimen administrativo; cujas provas e circunstâncias relevantes para o caso caberia à autoridade fiscal considerar para uma decisão justa e legal; a DRJ em São Paulo deveria ter convertido o julgamento em diligência evitando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte provocado pela ausência de extensiva e necessária análise de seus documentos fiscais e contábeis; pede que este Conselho converta o julgamento em diligência para que possam ser analisados os documentos acostados aos presentes autos e necessários à elucidação deste caso; 3) liquidez e certeza do crédito compensado: nesta parte repete as razões da impugnação, em síntese, pugnando pela inconstitucionalidade do art. 90, § 10, da Lei n° 9.249/95, que justificaria o direito de crédito utilizado para compensação de CSLL no primeiro trimestre do ano-calendário de 1998. Alfirn a contribuinte pede provimento ao recurso para que seja reconhecida a nulidade da decisão a quo, convertendo-se o julgamento em diligência, para que seja confirmada a regularidade formal e material da compensação que provocou a extinção da CSLL questionada neste feito, com a conseqüente anulação da exigência fiscal. É o relatório. to) Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais e regimentais de admissibilidade. Dele conheço. Conforme relatado houve falta de recolhimento de CSLL relativa ao 1° trimestre de 1998, sob a justificativa da contribuinte de ter compensado o débito com crédito de CSLL que teria sido paga a maior no ano-calendário de 1996, em virtude de ter adicionado à base de cálculo da CSLL os valores da remuneração do capital próprio, conforme determinava o § 10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, que vedava a dedutibilidade da referida remuneração da base de cálculo da CSLL, dispositivo legal que considerou inconstitucional. PRELIMINARES Dentre suas razões de defesa a contribuinte argüiu a nulidade da decisão recorrida por não ter convertido o julgamento em diligência para verificar a regularidade de sua escrituração comercial e fiscal no tocante à compensação ora litigada o que, no seu entendimento, também teria ocasionado cerceamento de defesa, alegadamente por ausência de uma extensiva análise de seus documentos fiscais e contábeis. A argüição de nulidade da decisão a quo e de cerceamento do direito de defesa é improcedente. A contribuinte na sua impugnação não requereu a realização de diligência, tendo argüido apenas questão de direito atinente a inconstitucionalidade do § 10, do art. 90, da Lei n° 9.249/95. Em grau de recurso voluntário, lança falsa premissa de que a autoridade julgadora recorrida tinha dúvidas a respeito da regularidade de sua escrituração comercial e fiscal relativamente à compensação empreendida e que forçosamente deveria ter convertido o Processo n° 13807.009933/2003-80 SI-C2T2 Acórdão o.° 1202-00.219 Fl. 4 julgamento em diligência para aclarar essas dúvidas, tentativa nítida da recorrente de criar pretexto para sustentar a alegada nulidade da decisão de primeira instância. A razão não lhe assiste. No processo administrativo fiscal da União as autoridades julgadoras devem realizar diligências e perícias apenas quanto entendê-las indispensáveis à solução do litígio, como se vê das disposições do art 18 do Decreto n o 70.235/72: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1. 0 da Lei n.° 8.748/1993)" (Destaquei). A contribuinte tem o direito de pugnar pela realização de diligência, mas não tem o direito de ditar ou impor ao julgador essa atitude para, na seqüência, pugnar pela nulidade da decisão. A alegada dúvida impingida ao julgador inexiste, pois dentre suas razões de decidir, no item 11 e seus subitens da decisão, fls. 155, ao fazer menção ao fato de que a compensação não fora regularmente informada em DCTF e que deveria ser comprovada mediante a apresentação da escrituração contábil, fê-lo vinculado e na seqüência da análise e constatações especificadas a partir do item 9 da decisão, fls. 154, cujos fundamentos do item 11 foram pela recorrente tomados isoladamente, fora de seu contexto, como se vê da íntegra da referida fundamentação, itens 9 a 1 1 da decisão, fls. 154 e 155, in verbis: 9. A impugnante alega que o débito lançado teria sido compensado com suposto crédito da mesma contribuição resultante de recolhimento da CSLL no ano-calendário de 1996 sobre os juros sobre o capital próprio, adicionados à apuração desta exação com fulcro na norma ventilada no art. 9°, §10, da Lei no . 9.249, de 26/12/1995. 10. Inicialmente, verifica-se que é incontroverso que o contribuinte não informou a aventada compensação em DCTF, pois indicou que teria empreendido compensação com o seguinte DARF: PA 31/03/1998 — Data de Vencimento: 10/04/1998 — Valor Principal: RS 1.440.720,96 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil, setecentos e vinte Reais e noventa e seis centavos — fls. 149). Deste modo, como este pagamento não se refere à CSLL recolhida em face do ano-calendário de 1996, conclui-se que a compensação deduzida na defesa não foi informada na DCTF. 11. A compensação ventilada na impugnação, que não foi regularmente informada em DCTF, deveria ser comprovada mediante a apresentação da escrituração contábil do contribuinte, especialmente pelos registros contábeis contemporâneos à mesma, pois a Defendente, no ano-calendário de 1998, sujeitava-se à tributação pelo lucro real, conforme consta da DCTF que embasa a autuação (fls. 149). Ressalte-se que tal encontro de contas poderia ser registrado unicamente na escrita contábil do sujeito passivo, conforme determinava o art. 66 da Lei n°. 8.383, de 30/12/1 1, com a redação atribuída pela Lei n°. 9.069, de 29/06/1995, in verbis: 7 'Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente.' (Redação dada pela Lei n°9.069. de 29.6.199) 11.1. Frise-se, neste diapasão, que o Defendente encontrava-se obrigado a manter e conservar a escrituração relativa ao ano-calendário de 1998 com observância das leis comerciais e fiscais enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, conforme dispunham os artigos 197 e 210 do RIR11994 (correlatos dos artigos 251 e 264 do RIR/1999): 'Art. 197. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais «fiscais (Decreto-lei n.° 1.598/77, art. 7°). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados em suas atividades no território nacional (Lei n°2.354/54, art. 2°). Art. 210. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-lei n°486/69, art. 4°). § 1 0 Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto-lei n.° 486/69, art. 10). 11.2. Entretanto, o contribuinte não acostou aos autos os livros contábeis suficientes para a comprovação da efetiva realização desta compensação, o que já inviabilizaria o reconhecimento deste encontro de contas. Reforce-se, por relevância, que a mera alegação de que os débitos lançados teriam sido compensados não é suficiente para atestar-lhes a extinção, pois a modalidade de compensação a que se refere o art. 66 da Lei n o. 8.383/91 deve estar consignada na escrituração contábil por meio de lançamentos específicos, cabendo ainda ao sujeito passivo, além de exibir esses registros contábeis, comprovar a existência dos créditos utilizados. Ui" Os fatos e constatações mencionados no item 10 da decisão recorrida não foram ilididos pela recorrente. Assim, neste ponto dessume-se que também é improcedente a argüição de cerceamento do direito de defesa, pois como se verifica nos itens 9 a 11 da decisão recorrida, aqui transcritos, houve detalhada e extensiva análise dos elementos de provas presentes nos autos, além de que o lançamento tributário não foi efetuado sob a acusação de falta de escrituração comercial e fiscal da compensação em litígio, mas por inexistência do alegado crédito de CSLL que seria oriundo de recolhimento a maior no ano-calendário de 1996, aí) 14)I Processo n° 13807.009933/2003-80 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 5 fundamentos da acusação fiscal consignados no auto de infração, que a contribuinte demonstrou claro entendimento, tendo se defendido em extensas peças de defesas, na impugnação e no recurso voluntário, onde expõe seus procedimentos adotados a partir de seu particular entendimento sobre a alegada inconstitucionalidade do §10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, segundo se dessume da análise dos documentos de fls. 71 a 73 e 149. Dessarte, rejeito as preliminares de nulidade da decisão recorrida e de cerceamento do direito de defesa. DILIGÊNCIA A realização de diligência solicitada pela contribuinte no recurso voluntário, "..., para que seja efetivamente confirmada a regularidade formal e material da compensação que provocou a extinção da CSLL questionada neste feito, ..." e tendo em vistas as cópias de peças da escrituração comercial e fiscal carreadas aos autos com o recurso voluntário, fls. 215 a 225, pelos mesmos fundamentos declinados no item anterior mostra-se desnecessária. Como fundamentado no item anterior, quando da análise das questões preliminares, verifica-se que o lançamento tributário não foi efetuado sob a acusação de falta de escrituração comercial e fiscal da compensação em litígio, mas por inexistência do alegado crédito de CSLL (fls. 71 a 73e 149) que a contribuinte assevera ter direito e seria oriundo de recolhimento a maior no ano-calendário de 1996, segundo a acusação fiscal consignada no auto de infração. Assim, mesmo que comprovada a regular escrituração comercial e fiscal da compensação em litígio, este aspecto não empresta legitimidade à compensação glosada e nem gera direito à contribuinte, visto que o núcleo do litígio refere-se à inexistência do pretenso crédito de CSLL utilizado na compensação, questão de direito atinente à alegada ineonstitucionalidade do §10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, analisada a seguir, em sede de mérito. Nesta ordem de raciocínio indefiro o pedido de realização de diligência. Quanto ao mérito anoto que este Colegiado na assentada de 07/12/2009, processo n°11831.000429/2002-19, recurso voluntário n°178.638, acórdão n°1202-00.200, de interesse da mesma empresa e versando sobre questão idêntica, porém relativa ao ano- calendário de 1997, por unanimidade votos decidiu manter a exigência fiscal lá discutida, cujos fundamentos, igualmente, aplicam-se ao presente caso, in verbis. "[...1 A autoridade julgadora recorrida procedeu escorreitamente ao não analisar a argüição da recorrente de que a Lei n° 9249/95 padece de ilegalidade e de inconstitucionalidade visto tratar-se de questão que refoge da sua competência legal. A apreciação de hipotética violação de princípios constitucionais e legais citados no recurso voluntário é matéria reservada e deve ser solucionada no âmbito do Poder Judiciário, sendo defeso aos julgadores na esfera administrativa decidir sobre essa questão. Por oportuno, a Súmula n° 2, dispõe neste sentido, seguinte enunciado: (71 9 "Súmula 1°CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." As Súmulas de n° I a 15, do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, foram publicadas no Diário Oficial da União, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006. Assim, não houve a alagada ofensa ao disposto no inciso LV, do art. 5°, da Constituição Federal, pois a contribuinte vem exercendo todos os recursos e meios de defesa possíveis legalmente no âmbito do processo administrativo fiscal da União. As disposições do § 10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 vigeram para os fatos geradores da CSLL ocorridos no ano-calendário de 1996 e somente foram revogadas, pelo art. 88 da Lei n°9430/96, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997. Ademais, as compensações de débitos tributários somente podem ocorrer com créditos líquidos e certos a teor do disposto no caput do art. 170 do Código Tributário Nacional, a saber: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." No caso dos autos inexiste o alegado crédito de CSLL oriundo do ano-calendário de 1996, que pudesse ser utilizado no ano-calendário de 1997, pois naquele período a contribuinte cumpriu a legislação então vigente e apurou a base de cálculo da CSLL em consonância o mandamento legal esculpido no § 10, do art. 9°, da Lei n°9.249/95. A noventena constitucional para cobrança da CSLL referente ao ano-calendário de 1996, pleiteada pela recorrente em face da edição da Lei n° 9.249/95, não tem razão de ser, pois, em primeiro lugar, nestes autos discute-se falta de recolhimento de CSLL relativa ao 1° trimestre de 1997 e, em segundo lugar porque o § 10, do art. 9 0 , da Lei 9.249/95, ao determinar a adição dos juros sobre o capital próprio a base de cálculo da CSLL não instituiu e nem aumento a referida contribuição visto que os pagamentos a esse titulo já eram indedutiveis, não havendo assim que obedecer a noventena prevista no art. 19$, § 6° ,da Constituição Federal de 1988. Afasto também o entendimento da contribuinte de que as disposições do § 10, do art. 9°, da Lei n°9.249/95, ao vedar a dedutibilidade da remuneração do capital próprio, na apuração da base de cálculo da CSLL, contraria o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, o artigo 110 do Código Tributário Nacional e o artigo 189 da Lei n° 6.404/1976, por representar alteração da definição, do alcance e do conteúdo do conceito de lucro. No § 10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 nada existe, sequer remotamente, que lembre alteração do conceito de lucro, típico da legislação comercial, e que permaneceu incólume, tendo o legislador ordinário laborado exclusivamente na seara tributária ao admitir no caput do art. 9° a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio na apuração do "Lucro Real termo técnico da legislação fiscal do M.PJ, bem como no seu § 10, ao determinar a adição ao lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSLL, do valor da remuneração do capital próprio. A exigência fiscal ora discutida e sua conseqüente manutenção pela autoridade julgadora de primeira instância é corroborada pela jurisprudência administrativa oriunda da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, em grau de recurso especial administrativo, como se vê dos seguintes julgados: 1°) Processo n° 16327.000507/98-99, Recurso n° 123.065, Ac. .70 n° CSRF/01- 04.708, de 13/10/2003: Cl) ro Processo n° 13807.00993312003-80 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 6 'DECISÃO: Pelo voto de QUALIDADE NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Dorival Padovan, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Victor Luis de Saltes Freire, Remis Almeida Estol, José Ribamar Barros Penha, Wilfrido Augusto Marques, Mário Junqueira Franco Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias.' EMENTA: `CSLL — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE — TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL MENSAL — VIGÊNCIA DO PARÁGRAFO 10, DO ARTIGO 9°, DA LEI N° 9.249/95 — ANTERIORIDADE MITIGADA — REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 88 DA LEI N' 9.430/99: As contribuições sociais somente poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da Lei que a houver instituído ou majorado (Art. 195, § 6° da CF) (Ac. Um. r Turma STF, RE n° 195.333-1/CE Rel Min. Marco Aurélio). Porém, no caso específico, mercê da legislação anterior impedir a exclusão dos juros sobre o capital próprio da base de cálculo (Art. 49 da Lei n° 4.506/64), por inexistir tributação a afastar, a anterioridade mitigada não pode beneficiar a recorrente. CSLL - JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE — INÍCIO - Somente a partir de 1° de janeiro de 1997 é dedutível, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o montante dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, por força da revogação do § 10 do art. 9° da Lei n° 9.249/95 promovida pelo inciso XXVI do art. 88 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado.' 2°) Processo n° 13808.001556/00-43, Recurso n° 127.789 Acórdão n° CSRF/01- 05.015, de 09/08/2004: 'DECISÃO: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Declararam-se impedidos de participar do julgamento os Conselheiros Victor Luís de Sanes Freire e José Henrique Longo' EMENTA: 'JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — São indedutíveis da base de cálculo da CSL os juros sobre o capital próprio durante todo ano calendário de 1996. Os juros sobre o capital social eram indedutíveis das bases de cálculo do lucro real e da CSL até 31.12.95 (RIR-94 ART. 287). O artigo 9° do parágrafo 10° da Lei 9.249/95, ao determinar a adição dos juros sobre o capital próprio à base de cálculo da CSL não instituiu e nem aumento a referida contribuição uma vez que os pagamentos a esse titulo já eram indedutiveis, não havendo assim que obedecer a noventena prevista no artigo 195 parágrafo 60 da Constituição Federal de 1988. Recurso provido.' 3°) Processo n° 10980.001882/2001-87, Recurso n° 136.481 Acórdão n° CSRF/01- 05.207, de 14/03/2005: 'DECISÃO: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Victor Luis de Salles Freire e José Carlos Passuello que deram provimento ao recurso.' EMENTA: (r `CSL - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUT1BILIDADE - INICIO - Somente a partir de 1° de janeiro de 1997 é dedutivel, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o montante dos juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio, por força da revogação do §10 do art. 90 da Lei 9249/95 promovida pelo art. 88, XXVI, da Lei 9430/96. Recurso especial negado.' CONCLUSÃO Na esteira destas considerações oriento o meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de realização de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2010 .11-1 ; IDO e r: SN 1: CL(-1) 12
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