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Numero do processo: 12571.720398/2012-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL.
É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1103-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declarar a nulidade da decisão de primeira instância nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ERRO MATERIAL. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declarar a nulidade da decisão de primeira instância nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 98 /2 01 2- 51 Fl. 22008DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório I. MÉRITO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO A recorrente foi autuada, em decorrência da omissão de receitas, constatada nas compra e venda das suas mercadorias, consoante se verifica do Termos de Verificação Fiscal: “I DO OBJETO DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal, programado no MPF.de Fiscalização acima referido, tem por objeto a verificação da apuração e do recolhimento dos tributos e contribuições a seguir, do período de 01/2007 a 12/2009: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (art. 43 do Código Tributário Nacional, arts. 13 e 14 da Lei n°.9.718/1998 e alterações). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (Lei n° 7.689/1988 e alterações). No presente, serão tratados a verificação e o lançamento de ofício do IRPJ, da CSLL,do PIS e dà COFINS dó anocalendário 2007, resultante do levantamento quantitativo de estoques. A fiscalização demonstra no presente relatório e planilhas mencionadas que a pessoa jurídica, conforme o levantamento quantitativo de estoques, omitiu as seguintes receitas da atividade: Omissão de compras R$2.143.326,39 Omissão de vendas R$13.792.125,36 Soma 1 R$15.935.568,76 (...)” Os fatos que levaram o agente fiscal a concluir pelo cometimento da infração e a metodologia utilizada estão descritos no Termo de Verificação, cujo trecho relativo a esse fato segue transcrito: “(...) A fiscalização apurou possível omissão de compras de R$ 2.143.885,61 e omissão de receitas' de R$13.807.507,05, soma de R$15.951.392,66, que, se não houver justificativa,'a legislação tributária determina a tributação (art. 41 da Lei n° 9.430, de 1996). Tais diferenças foram apuradas mediante cotejamento dos inventários de 31/12/2006 e 31/12/2007, bem corno dos arquivos digitais Sintegra (tipos 54, 60R e 75). Fl. 22009DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 4 3 Todos os arquivos mencionados na sequência foram entregues à pessoa jurídica, autenticados no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos (SVA). Os dados apresentados pela pessoa jurídica foram analisados pela fiscalização e demonstrados na forma dos arquivos Tl 20120588 Dad6s.mdb, Tl 20120588 Anexo Planilha.ods e Tl 20120588 Anexo PDF.pdf. (..) Em relação às mercadorias do item 01 da Intimação, com diferenças negativas ou positivas,' respectivamente indicadas como omissão de compras ou de receitas, cujos custos médios de aquisição e preços médios de venda foram arbitrados, em cálculo prévio para demonstração, com . base no inciso I do art. 296 do RIR/1999, apresentar as respectivas notas fiscais de compras ou de' vendas, bem como quaisquer documentos que comprovem a entrada ou a saída. A identificação dos itens de mercadorias pode ser feita pela pessoa jurídica no arquivo Tl 20120588 Anexo Planilha.ods, do seguinte modo: Indicadas como omissão de comprassem notas,fiscais de compras: informar "Compra” no filtro da coluna K Omissão e informar 0,00 no filtro da coluna S CM Compra. Indicadas como omissão de vendas sem notas fiscais de saídas: informar "Receita" no filtro da coluna K Omissão e informar 0,00 no filtro da coluna T PM Venda. Caso não haja justificativa e não sejam apresentadas as notas fiscais solicitadas,, bem como não haja outra metodologia mais adequada para a situação, a fiscalização adotará o arbitramento do custo .médio de aquisição ou preço médio de venda, com base no inciso I do art. 296 do RIR/1999, em caráter derradeiro para o lançamento de ofício. A pessoa jurídica também foi intimada para apresentar as notas fiscais de entradas listadas ' no anexo RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS, que e amostra. A lista está sendo entregue à pessoa jurídica em papel e em meio digital (arquivo 77 20120588 Anexo NF.xis), conforme Recibo SVA. Havendo diferenças preliminares no levantamento quantitativo de estoques, a fiscalização intimou a pessoa jurídica para esclarecimentos e justificativas, conforme a Intimação n° 588/2012, fls. 19501958. Em resposta à Intimação n° 588/2012, após prorrogação, total de 25 dias, a pessoa jurídica informou o que segue, fls. 1220712208: Analisando à extensa planilha encaminhada por V.Sa. observamos várias situações que motivaram as diferenças exorbitantes no estoque da empresa fiscalizada. Abaixo apresentamos alguns aspectos que foram analisados, porém, como o tempo foi muito curto, e a quantidade de itens é expressiva, outras Fl. 22010DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 5 4 incorreções ocorreram na planilha apresentada por • V. Sa. e que deverão ser objeto de análise mais aprofundada.' 1° Vários itens,considerados como de Despesas da empresa foram adicionadas as diferenças de estoque; 2° Vários produtos foram vendidos com a descrição errada, ou seja, de um lado aparece um item como omissão de compra e ao mesmo tempo o mesmo produto com descrição ligeiramente diferente aparece como omissão de venda, e na planilha elaborada por V.Sa. a diferença de estoque fica em duplicidade, ou seja, omissão de compra e omissão de venda. Nas planilhas em anexo agrupamos os produtos com a mesma descrição, onde poderá ser observado que as diferenças diminuem consideravelmente ao recompor o estoque considerando as descrições de forma genérica. 3o Vários produtos, conforme pode ser observado na planilha anexa à presente, por falha no sistema de geração do inventário, apresentou falha, e como pode ser observado pelas planilhas onde encontrase o extrato de cada produto, o estoque do inventário não está em consonância com o extrato apresentado, sendo certo que a correção dos itens mencionados em V. Planilha irá reduzir consideravelmente a diferença encontrada.' 4o V. Sa. considerou um valor de venda exorbitante em diversos produtos, sendo fora da realidade e da política da empresa, em outros (a maioria) V.Sa. considerou uma margem bruta adequada, ou seja, de 70%, sendo certo que em todos os itens deverá ser considerado para efeito de cálculo da omissão de receita um percentual não superior a 70% de margem bruta. Apesar dos esforços da pessoa jurídica nesse período de 25 dias, os esclarecimentos não estão'suficientemente embasados em documentação comprobatória. A fiscalização apreciou os'esclarecimentos e concluiu que: Quanto ao 1° item do esclarecimento: Todas as compras elencadas nas planilhas elaboradas pela fiscalização têm como base os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) das notas fiscais de entradas. Boa parte dos elementos foi aceita e excluída da presunção legal de omissão de receitas, conforme planilha RECLASSIFICAÇÃO DE CUSTOS PARÃ DESPESAS.' No entanto, há mercadorias que a pessoa jurídica solicitou a reclassificação como despesa, para as quais há saídas por vendas, conforme cupons fiscais e notas de saídas. Estes foram mantidos como compras para revenda. A pessoa jurídica poderá constatar as reclassificações na coluna de reclassificação (Reclass.) da planilha LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DE ESTOQUES EM 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. ' Fl. 22011DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 6 5 Quanto ao 2° item do esclarecimento: O agrupamento pleiteado pela pessoa jurídica é demasiado genérico. Não ' é admissível agrupar cerca de 76 mil itens de mercadorias em 244 itens. Por exemplo, há mercadorias, como calças ou agasalhos, de centenas de descrições,.cujo agrupamento é inadmissível, e, inclusive prejudicará a apreciação minuciosa .e adequada de tais estoques caso haja eventual impugnação, com a apresentação de elementos mais substanciais. Quanto ao 3° item do esclarecimento: Os esclarecimentos não estão suportados em documentação comprobatória suficiente para afastar os dados dos Livros Registro de Inventário de 2006 e 2007, fls. 42941 e"l 1381922. Mesmo ajustando os estoques de algumas mercadorias em 31/12/2007 (estoque final); como deseja a fiscalizada, inclusive algumas de 31/12/2006 .(estoque inicial), 'a divergência não desaparece, conforme pode ser constatado na planilha Diferenças 20082009A.xlsx. Além disso, a análise dos estoques'de 2008 e 2009, conforme a planilha já mencionada, indica que a pessoa jurídica pretende transferir as inconsistências para os referidos anos, pois houve opção pelo lucro presumido nestes anos, o que resultaria, em redução significativa.no,lançamento de ofício. No entanto, da análise da documentação apresentada, e à luz da legislação aplicável, tal alteração não é possível. Quanto ao 4° item do esclarecimento: Exorbitante ou não, os valores dos custos e preços médios foram calculados pela fiscalização com basenos elementos fornecidos pela pessoa jurídica e, portanto, não havendo prova que afaste de forma inequívoca tais dados, a fiscalização deve necessariamente utilizar dados custos e preços médios. Os custos e preços e preços médios somente foram arbitrados na ausência de compras ou vendas, respectivamente, nos termos do art. 296 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. (...) IVDA DIFERENÇA APURADA E LANÇADA DE OFICIO A fiscalização apurou as diferenças por, meio da planilha LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DE ESTOQUES EM 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS, ^que é parte integrante do presente relatório e está sendo entregue à pessoa jurídica em CD não regravável, autenticado pelo SVA. Fl. 22012DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 7 6 Demais planilhas mencionadas,no presente também estão sendo entregues à fiscalização no mesmo CD. As diferenças apuradas implicaram em presunção legal de omissão de receitaspor omissão de compras e omissão de vendas, o que resultou no lançamento de ofício de diferença não declarada e não recolhida de IRPJ, de CSLL, do'PIS e da COFINS, com os acréscimos legais, cabíveis, conforme Autos de Infração próprios. Houve, ainda, o lançamento de ofício da'multa isolada por falta de recolhimento da estimativa do IRPJ e da CSLL, conforme os Autos de Infração de IRPJ e CSLL. A apuração" declarada pela pessoa jurídica, para a base de cálculo do IRPJ já é ' superior a R$240.000,00 e,'portanto, toda a omissão apurada está sujeita à alíquota de 15% e adicional de 10%. Da mesma forma, a base de cálculo da CSLL.” II IMPUGNAÇÃO DA RECORRENTE a) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: A recorrente ofertou impugnação, aduzindo: “2.2 No caso deste processo, houve evidente CERCEAMENTO DE DEFESA, porquanto existem divergências numéricas entre os autos de infração, as planilhas entregues junto com este como ‘parte integrante’ (vide item n.° IV, do Termo de Verificação Fiscal) e as planilhas anexas ao Termo de Entrega de Documentos. Ou seja: Os autos de infração tributam, como OMISSÃO DE RECEITAS a importância de R$ 15.935.568,76, originadas de ‘omissão de compras’ (R$ 2.143.326.39) e ‘omissão de vendas’ (R$ 13.792.125,36). As planilhas e demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal lavrado em 26/12/2012, como ‘parte integrante do presente relatório’, apontam, na soma de cada um dos itens das colunas U e V. respectivamente, R$ 135.085,46 e R$ 892.856,16. c) As planilhas e demonstrativos anexos ao Termo de Entrega de Documentos lavrado um dia depois, em 27/12/2012, apontam, na soma de cada um dos itens das colunas U e V, respectivamente, R$ 135.085,46 e R$ 13.792.125.36. 2.3 — Essa divergência numérica entre os autos de infração e as duas planilhas c demonstrativos entregues ao contribuinte, primeiro como ‘parte integrante do presente relatório’ e depois no Termo de Entrega de Documentos, retira a necessária CERTEZA dos autos de infração contestados.” Fl. 22013DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 8 7 (...) b) CRITÉRIO ILEGAL PARA O ARBITRAMENTO “3.1 O arbitramento do valor das omissões de receita expresso nas colunas U e V, dos levantamentos fiscais, revela duas ilegalidades, a saber: a) adotase critério de arbitramento a ser utilizado somente em hipótese de processo industrial; e b) adotase critério específico para AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. 3.2 A autoridade administrativa fundamentou o arbitramento de custos e preços médios ‘nos termos do art. 296 do Regulamento no Imposto de renda de 1999’ (vide frase final do item n.° II, do Termo de Verificação Fiscal). Esse proceder está expresso, também, no título das colunas U e V, dos levantamentos existentes. 3.3 Por um lado, o arbitramento com amparo no artigo 296,do RIR/1999, se aplica EXCLUSIVAMENTE quando existe processo industrial. No caso da impugnante, que se dedica exclusivamente ao comercio varejista, não é aplicável o citado artigo 296. Por outro lado, a utilização de CRITÉRIO PARA AVALIAÇÃO DE ESTOQUES, previsto no incisos II, do artigo 296, do RIR/1999, é ilegal, pois essa regra se aplica unicamente para avaliação de ESTOQUES, jamais para arbitramento de preço de venda. 3.4 Essas duas ilegalidades maculam a totalidade das exigências tributárias, porquanto o arbitramento se fundamenta cm critérios previstos para estabelecimentos industriais e porquanto o arbitramento se fundamenta em critérios previstos para avaliação de estoques.” c) ILEGALIDADE DA CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA COM A DE OFÍCIO. Foi proferido v. acórdão, que julgou parcialmente procedente o pedido da recorrente, fincado nos argumentos que passo a transcrever: “ (...) Com respeito a essa linha de argumentação, não vejo como aferir sua consistência. Ocorre que nos presentes autos existem apenas as planilhas intituladas ‘LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DE ESTOQUES EM 31/12/2007 – OMISSÃO DE RECEITAS’, acostada às fls. 19.19920.308; 20.30920.339 e 20.34020.880, sendo que em todas elas as colunas ‘U’ (Omissões Apuradas – Compras), ‘V’ (Omissões apuradas – Vendas) e ‘W’ Fl. 22014DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 9 8 (Omissões Apuradas – Soma) totalizam, respectivamente, as importâncias de R$ 2.143.326,39, R$ 13.792.125,36 e R$ 15.935.568,76, tomadas como base tanto nos autos de infração como no Termo de Verificação Fiscal, do qual se vê às fls. 20.881, verbis: (...) A impugnante não trouxe aos autos as planilhas que lhe teriam sido entregues junto com o Termo de Entrega de Documentos e cujo somatório divergiria daqueles a que me referi. O relevante, contudo, é que, conforme se vê no Termo de Entrega de Documentos, acostado às fls. 20.926, o servidor fiscal consignou, verbis: (...) Como se vê, a fiscalização afirma que as planilhas entregues à impugnante coincidem com aquelas que instruem os autos. Assim, caberia à impugnante comprovar a existência da diferença que alega. Em não o tendo feito, não é possível acolher a argumentação, uma vez que carece de qualquer elemento probatório, além de contrariar frontalmente a documentação que instrui os autos. Logo, a alegação não encontra condições de ser acolhida. (...) Nenhuma dúvida há, portanto, acerca da possibilidade jurídica de se apurar omissão de receitas praticadas por empresas comerciais, mediante levantamento por espécie das quantidades das mercadorias adquiridas para revenda. Por outro lado, a impugnante (fls. 20.938) contesta com veemência a utilização de CRITÉRIO PARA AVALIAÇÃO DE ESTOQUES, previsto no inciso II, do artigo 296, do RIR/1999, verbis: ‘Por outro lado, a utilização de CRITÉRIO PARA AVALIAÇÃO DE ESTOQUES, previsto no inciso II, do artigo 296, do RIR/1999, é ilegal, pois essa regra se aplica unicamente para avaliação de ESTOQUES, jamais para arbitramento de preço de venda.’ (...) Em meu sentir, a reclamação procede. Com efeito, o critério de valoração da receita omitida se encontra fixado com nitidez no § 2º do artigo 41, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, verbis: § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matérias primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento.” (Grifei). O comando legal é inequívoco ao estatuir que a receita omitida resulta da multiplicação das diferenças encontradas pelos preços médios de venda Fl. 22015DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 10 9 ou de compra, respectivamente, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. Não outorgou o legislador – em decorrência do comando peremptório – competência para o servidor fiscal criar critérios diversos, ainda que lhe pareçam lógicos ou razoáveis. (...) Em virtude desse entendimento, foi exarado o despacho de diligência de fls. 20.958, determinando a feitura de planilhas contendo apenas as omissões de compras e as omissões de vendas cujos custo médio e preço médio de venda foi possível apurar, respectivamente. Em atendimento, foi elaborada a planilha de fls. 20.96021.250 denominada “Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Compras – Valoração pelo Custo Médio de Aquisição”, que totaliza a importância de R$ 1.453.308,39, e a planilha de fls. 21.42821.860 denominada “Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Vendas – Valoradas pelo Preço Médio de Venda”, que totaliza a importância de R$ 12.899.209,02. As omissões de receitas correspondentes ao somatório das diferenças nas entradas e nas saídas apuradas nessas novas planilhas, que observam o critério legal ao considerar apenas os preços médios determinam a redução da base imponível (...). Também considero procedente o inconformismo contra a imposição da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa. (...)” Dessa forma, a impugnação protocolada pela recorrente foi julgada parcialmente procedente, reduzindo o montante das receitas omitidas em R$ 1.583.051,35, conforme segue: ( + ) OMISSÃO EM COMPRAS – PÓS DILIGÊNCIA R$ 1.453.308,39 ( + ) OMISSÃO DIRETA EM VENDAS – PÓS DILIGÊNCIA R$ 12.899.209,02 ( = ) SOMATÓRIO OMISSÕES – PÓS DILIGÊNCIA R$ 14.352.517,41 ( ) OMISSÕES LANÇADAS NO AUTO R$ 15.935.568,76 ( = ) DIFERENÇA A EXONERAR R$ 1.583.051,35 Como conseqüência, deixouse de exigir da recorrente: a) IRPJ: R$ 395.762,84; b) CSLL: R$ 142.474,62; c) COFINS R$ 120.311,90; e d) PIS: R$ 26.120,35. Sem prejuízo da exoneração da multa de ofício exigida isoladamente, por falta de recolhimento de estimativas mensais. Fl. 22016DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 11 10 A autoridade julgadora, de ofício, recorreu do v. acórdão. A recorrente protocolou recurso voluntário, protestando pela declaração de nulidade do v. acórdão, pois, segundo a recorrente, ao determinar a revisão das receitas omitidas e o recálculo dos tributos exigidos, o Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento promoveu a revisão do lançamento, o que lhe seria vedado. Aponta a recorrente erro de fato, art. 10, V, do Decreto nº 70.235/72, visto que o levantamento quantitativo de compras, fls. 20.309 a 20.339, corresponderia a R$ 135.089,46 e não R$ 1.453.309,39. Por fim, alega cerceamento de defesa, na medida em que não teria sido intimado da realização de diligência, para a elaboração de novas planilhas, afrontando do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. NULIDADE DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL Aduz a recorrente que a revisão do lançamento de ofício, efetuada pela autoridade julgadora, afronta os artigos 142, do CTN e 10, V, do Decreto nº 70.235/72, resultando na nulidade do v. acórdão recorrido. Decidiu o v. acórdão recorrido ser possível, juridicamente, a apurar omissão de receitas praticadas por empresas comerciais, mediante levantamento por espécie das quantidades das mercadorias adquiridas para revenda. Restou ainda consignado que, na dicção do art. 3º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, o tributo há que ser cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Significa dizer que, o servidor fiscal não dispõe do poder discricionário de estabelecer critérios alternativos àqueles expressamente previstos na lei. Com efeito, existindo um critério fixado expressamente no texto legal – multiplicação do quantitativo da diferença pelo preço médio de custo ou de venda – não lhe é dado criar critério distinto, ainda que, em um primeiro momento, conte com a aquiescência do contribuinte. Porém, por não entender justo o critério material adotado para a apuração do crédito tributário, a autoridade julgadora modificou o lançamento de ofício firmado pela autoridade fiscal: “Ocorre que o contencioso administrativo constitui mecanismo de controle da legalidade do lançamento. E em assim sendo, o provimento a ser dado consiste em dizer se o lançamento se harmoniza – ou não – à norma legal. E neste caso concreto, com respeito aos valores lançados quando desconhecidos o preço médio de custo ou de venda, não vejo como declarar que o critério criado pela fiscalização presta vassalagem à norma legal. Em virtude desse entendimento, foi exarado o despacho de diligência de fls. 20.958, determinando a feitura de planilhas contendo apenas as omissões de Fl. 22017DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 12 11 compras e as omissões de vendas cujos custo médio e preço médio de venda foi possível apurar, respectivamente. Em atendimento, foi elaborada a planilha de fls. 20.96021.250denominada ‘Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Compras – Valoração pelo Custo Médio de Aquisição’, que totaliza a importância de R$ 1.453.308,39, e a planilha de fls. 21.42821.860 denominada ‘Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Vendas – Valoradas pelo Preço Médio de Venda’, que totaliza a importância de R$ 12.899.209,02. As omissões de receitas correspondentes ao somatório das diferenças nas entradas e nas saídas apuradas nessas novas planilhas, que observam o critério legal ao considerar apenas os preços médios determinam a redução da base imponível conforme cálculo adiante demonstrado: (...)” Destacamos. Assim, a autoridade julgadora, reconhecendo o erro de direito do ato administrativo de lançamento, modificou, de ofício, o trabalho fiscal. O art. 145, do CTN, determina que o lançamento poderá ser alterado nas seguintes hipóteses: “Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.” O saudoso professor Aliomar Baleeiro1, ao estudar o artigo retro mencionado, asseverou que: “O art. 145 do CTN consagra o princípio da inalterabilidade do lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo. Portanto, em princípio, ele se torna definitivo com a notificação regular; não podendo mais ser alterado pela autoridade administrativa, exceto nas hipóteses arroladas no referido artigo. (...) Mas o lançamento já notificado pode estar defeituoso. Lançamento defeituoso é aquele em desacordo com algum ou alguns dos pressupostos formais ou materiais, estabelecidos em normas abstratas e hierarquicamente superiores, imprescindíveis à sua 1 Direito tributário brasileiro. 11ª ed. atualizada por Mizabel Abreu Machado Derzi. Rio de Janeiro: Forense, 2008, pp. 807810. Fl. 22018DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1103001.139 S1C1T3 Fl. 13 12 validade. Se ele se encontra em contradição com pressuposto ou requisito qualquer, que seja fundamento de sua validade, será anulável, quer por iniciativa do sujeito passivo, quer por iniciativa da Fazenda Pública. (...) A doutrina e a jurisprudência têm estabelecido distinção entre erro de fato e erro de direito. O erro de fato é passível de modificação espontânea pela Administração, mas não o erro de direito. Ou seja, o lançamento se torna imutável para a autoridade, exceto por erro de fato.” Presente, portanto, o erro de direito no lançamento administrativo, era vedado ao v. acórdão recorrido revisálo, com a finalidade de sanarlhe o vício. Nesse passo, não há outro caminho senão anular o v. acórdão recorrido. II. DISPOSITIVO Diante do exposto, recebo o recurso da recorrente, para anular o v. acórdão recorrido. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 22019DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 18108.002201/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. ART. 150, § 4° DO CTN. SÚMULA 99 CARF.
O E. Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que tratava da decadência decenal das contribuições previdenciárias.
Conforme a Súmula nº 99 do CARF, havendo recolhimento do tributo, ainda que parcial, a contagem do prazo decadencial inicia-se a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN.
DÉBITO DECLARADO EM GFIP. AUSÊNCIA DE GPS QUE COMPROVE O PAGAMENTO INTEGRAL.
Não tendo o Recorrente comprovado que efetuou o pagamento integral dos débitos declarados em GFIP, tampouco demonstrou que os valores declarados estavam equivocados, o lançamento deve ser mantido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento da decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, § 4° do CTN.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. ART. 150, § 4° DO CTN. SÚMULA 99 CARF. O E. Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que tratava da decadência decenal das contribuições previdenciárias. Conforme a Súmula nº 99 do CARF, havendo recolhimento do tributo, ainda que parcial, a contagem do prazo decadencial inicia-se a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. DÉBITO DECLARADO EM GFIP. AUSÊNCIA DE GPS QUE COMPROVE O PAGAMENTO INTEGRAL. Não tendo o Recorrente comprovado que efetuou o pagamento integral dos débitos declarados em GFIP, tampouco demonstrou que os valores declarados estavam equivocados, o lançamento deve ser mantido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. ART. 150, § 4° DO CTN. SÚMULA 99 CARF. O E. Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que tratava da decadência decenal das contribuições previdenciárias. Conforme a Súmula nº 99 do CARF, havendo recolhimento do tributo, ainda que parcial, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. DÉBITO DECLARADO EM GFIP. AUSÊNCIA DE GPS QUE COMPROVE O PAGAMENTO INTEGRAL. Não tendo o Recorrente comprovado que efetuou o pagamento integral dos débitos declarados em GFIP, tampouco demonstrou que os valores declarados estavam equivocados, o lançamento deve ser mantido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 22 01 /2 00 7- 93 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento da decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, § 4° do CTN. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18108.002201/200793 Acórdão n.º 2402004.534 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de notificação fiscal de lançamento de débito constituída em 05/11/2007 (fl. 55) para exigir contribuição previdenciária correspondente à cota patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e às destinadas a terceiros, nos períodos de 01/2002 a 04/2005. O Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 58/86) requerendo o cancelamento da autuação ante a sua insubsistência. A DRJ de São Paulo II/SP julgou o lançamento procedente (fls. 114/120), mantendo integralmente a autuação, sob os seguintes fundamentos: (i) a NFLD encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada em conformidade com a legislação; (ii) a fiscalização constituiu o crédito previdenciário em conformidade com o que determina o art. 37, da Lei n° 8.212/91 e art. 229 do Decreto n° 3.048/99, com a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, em consonância com a legislação, inclusive, art. 142 do CTN; (iii) a autuação não é fruto de arbitramento, pois decorre da apuração pela fiscalização de diferenças de valores declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos através de GPS; (iv) não houve a apresentação de provas por parte do contribuinte aptas a desconstituir o lançamento, tampouco apresentou argumentos no sentido de demonstrar que os valores apurados não condizem com a realidade; (v) não há que se falar em inclusão no polo passivo das empresas tomadoras de serviço da Recorrente, visto não se tratar de responsabilidade solidária; (vi) o prazo decadencial aplicável às contribuições sociais é de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Intimada da decisão em 07/08/2008 (fl. 125), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2008 (fls. 126/158), visando à reforma da decisão, pois no seu entender: (i) é improcedente o lançamento feito por arbitramento, por absoluta falta de requisitos técnicos no que tange a sua apuração; (ii) o lançamento por arbitramento não respeitou os princípios da liquidez e certeza, da reserva legal, da prova segura, e da tipicidade, não restando comprovada pela autoridade fiscalizadora a ocorrência do fato gerador do tributo; (iii) é de 5 anos o prazo decadencial para constituição de crédito de contribuição previdenciária, conforme art. 173, do CTN; (iv) as empresas contratantes do serviço da Recorrente são responsáveis solidárias; (v) a representação fiscal para fins penais só pode ser lavrada após o esgotamento de todas as formas de defesa quanto à exigibilidade do crédito, momento em que restará comprovado se o valor do débito é efetivamente devido. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de notificação fiscal de lançamento de débito constituída em 31/10/2007 para exigência de contribuições previdenciárias no período de 01/2002 a 04/2005. A decisão proferida pela DRJ entendeu ser de 10 anos o prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, em vista do disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Contudo, o E. Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/97 e dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, tendo editado a Súmula Vinculante 8 (DOU 20/06/2008), nos seguintes termos: “Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.” Nos termos do art. 103A da CF/88, a edição de Súmula Vinculante pelo Supremo Tribunal Federal tem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. Assim, aplicandose a Súmula Vinculante nº 08, deve ser afastada a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Com isso, resta saber qual o termo a quo da contagem do prazo decadencial a ser aplicável ao caso, se aquele previsto no art. 150, § 4° ou o previsto no art. 173, I, ambos do CTN. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, caracterizase pagamento antecipado quando há o recolhimento, ainda que parcial, de valores considerados como devido pelo Recorrente a título de contribuição previdenciária, mesmo que não tenham sido incluídas, na base de cálculo destes recolhimentos, parcelas relativas às rubricas exigidas no presente auto de infração. Veja se: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” A análise do Relatório de Documentos Apresentados – RDA de fls. 228/244 revela que em todos os períodos objeto da presente autuação constam GPS’s, podendo se Fl. 373DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18108.002201/200793 Acórdão n.º 2402004.534 S2C4T2 Fl. 4 5 concluir que esses recolhimentos comprovam a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial. Desta forma, o termo a quo da contagem do prazo decadencial a ser utilizado no presente caso é a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), motivo pelo qual, tendo o presente auto sido constituído em 05/11/2007 (fl. 55), deve ser reconhecida a decadência dos valores exigidos nos períodos 01/2002 a 10/2002. No mérito, o Recorrente alega que o arbitramento feito pela fiscalização para a constituição dos créditos de contribuições previdenciárias exigidas no presente processo seria nulo, tendo em vista que não teria respeitado os princípios da liquidez e certeza, da reserva legal, da prova segura e da tipicidade, de forma que não restou comprovada pela autoridade fiscalizadora a ocorrência dos fatos geradores. Conforme Relatório Fiscal de fls. 274/278, “os valores lançados no presente Levantamento de Débito foram verificados pela fiscalização em confronto com GFIPs e GPS, de 01/2002 a 04/2005, em cada competência.” – fl. 275. Portanto, não há que se falar em arbitramento no presente caso, pois o lançamento realizado pela fiscalização baseouse em informações prestadas pelo Recorrente através de GFIP e aquilo que havia sido efetivamente recolhido. Assim, não tendo o Recorrente trazido argumentos ou provas aptas a desconstituir o lançamento, visto que nas razões do seu recurso trouxe apenas argumentos que não guardam relação com o processo, entendo que a autuação deve ser mantida. Tal como já consignado na decisão da DRJ, não houve a lavratura de Representação Fiscal para fins penais no presente caso, de forma que não há motivação para que haja uma análise neste ponto. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a decadência das contribuições previdenciárias exigidas no período de 01/2002 a 10/2002. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726114/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Decisão Judicial Transitada em Julgado. Ação rescisória. Inexistência.
A eficácia da decisão judicial transitada em julgado pode ser desconstituída por meio de ação rescisória, mas para que isto possa acontecer é necessário que a propositura desta ação seja feita em tempo hábil. A inexistência desta ação e a imutabilidade da decisão judicial transitada em julgado impedem a exigência de contribuição social amparada por aquela decisão.
Numero da decisão: 1301-001.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Ação rescisória. Inexistência. A eficácia da decisão judicial transitada em julgado pode ser desconstituída por meio de ação rescisória, mas para que isto possa acontecer é necessário que a propositura desta ação seja feita em tempo hábil. A inexistência desta ação e a imutabilidade da decisão judicial transitada em julgado impedem a exigência de contribuição social amparada por aquela decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 61 14 /2 01 0- 90 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício manuseado na forma legal e regimental ante a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que exonerou crédito tributário constituído por meio de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da contribuinte foi lavrado auto de infração, na importância de originária de R$ 1.672.823,83, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescida da multa de ofício de 75% e juros, correspondente a fato gerador ocorrido em 31/12/2005. Segundo registrou a Fiscalização, houve apuração a menor da CSLL no ano calendário 2005, decorrente de ajuste de exclusão, na apuração da base de cálculo da dita Contribuição, conforme indicado na linha 31 da ficha 17 da DIPJ/2006 e registrado no Livro de Registro de Apuração da Contribuição Social, sendo a contribuinte intimada a esclarecer o tal ajuste, teria dito que referese às receitas de exportações, cujo montante não estaria sujeito à CSLL, conforme decisão judicial que lhe foi favorável, já transitada em julgado, preferida pelo Tribunal Federal da 5ª Região nos autos do processo de Mandado de Segurança nº 2004.81.00.0108006 da 7ª Vara do Ceará, cujas cópias das principais peças foram trazidas pela empresa e juntadas ao presente auto de infração. Ainda de acordo com a Fiscalização, teria ocorrido que em sessão plenária realizada em 12/08/2010, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar os Recursos Extraordinários nºs. 474132 e 564413, julgou favoravelmente a tese de que as empresas não têm direito de excluir da base de cálculo da CSLL, as receitas oriundas das operações de exportação efetuadas a partir da Emenda Constitucional 33/2001, pois sua base de cálculo é o lucro líquido, que não se confunde com a receita, de sorte que considerando a inexigibilidade do que se chamou de “coisa julgada inconstitucional”, a possibilitar o ajuizamento da competente ação rescisória, que estaria sendo providenciado pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional na 5ª Região visando a desconstituição da coisa julgada em apreço, entendeuse por lavrar o auto de infração, com a suspensão da exigência, com base no art. 151 da Lei 5.172/66 c/c o art. 63 da Lei 9.430/96, a fim de evitarse que a decadência alcance o direito de constituição do respectivo crédito tributário, quando e se referida ação rescisória resultar favorável à Fazenda Pública, uma vez que o valor da exação não foi declarada em DCTF por parte do sujeito passivo sob fiscalização. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação, alegando em síntese que até aquele momento não fora ajuizada nenhuma ação rescisória pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo certo, ademais, que não há mais prazo hábil para tanto, haja vista o decurso de prazo superior a dois anos contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de ela não ser compelida ao pagamento da CSLL sobre as receitas auferidas sobre a exportação de mercadorias. Consignouse nessa ordem de ideias, que o acórdão proferido nos autos do MS nº 2004.81.00.0108006, pelo Tribunal Federal da 5ª Região e que assegurou o direito da ora Impugnante, transitou em julgado no mês de setembro do ano de 2006, de modo que o Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.726114/201090 Acórdão n.º 1301001.759 S1C3T1 Fl. 3 3 direito do Fisco Federal propor a pretendida ação rescisória extinguiuse em setembro de 2008 consoante claramente atesta o artigo 495 do código Processual Civil, de sorte que o auto de infração aqui tratado, não bastasse a total incoerência em a constituir crédito tributário já afastado pelo Poder Judiciário mediante decisão transitada em julgado, ainda se tornou impossível de ser “convalidada”, uma vez que a ação rescisória imaginada pelo Auditor Fiscal não tem a menor condição de ser ajuizada, ante o transcurso do prazo legal admitido para sua propositura. Concluiu assim, que uma vez demonstrada a manifesta impossibilidade da constituição do crédito tributário descrito na autuação combatida, cuja inexistência fora devida e definitivamente reconhecida por decisão judicial transitada em julgado e não mais sujeita à rescisão, requereu fosse a impugnação deferida para cancelar o auto de infração. A 3ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do acórdão e voto de folhas 234 a 239, julgou o lançamento IMPROCEDENTE, concluindo que sob qualquer ângulo que se vislumbre, é certo que o lançamento não tem respaldo legal, seja porque já extinto o prazo para propositura de ação rescisória (art.495 do CPC), seja porque houve um flagrante desrespeito à coisa julgada, ou seja, à decisão judicial passada em julgado e que protegia a contribuinte. Considerado o valor do crédito tributário exonerado efetivouse o Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso de Oficio atende aos pressupostos legais e regimentais. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, a contribuinte fora autuada por realizar uma exclusão, na apuração da base de cálculo da CSLL, na linha 31 da ficha 17 da DIPJ/2006 e registrado no Livro de Registro de Apuração da Contribuição Social, relativamente às receitas de exportações. A própria Fiscalização expôs a justificativa da contribuinte, que dava conta de que o montante excluído não estaria sujeito à CSLL, conforme decisão judicial que lhe foi favorável, já transitada em julgado, preferida pelo Tribunal Federal da 5ª Região nos autos do processo de Mandado de Segurança nº 2004.81.00.0108006 da 7ª Vara do Ceará, cujas cópias das principais peças foram trazidas pela empresa e juntadas ao presente auto de infração. Para a Fiscalização, no entanto, o fato de, em data posterior, o Supremo Tribunal Federal ao apreciar os Recursos Extraordinários nºs. 474132 e 564413, tenha acatado a tese de que as empresas não têm direito de excluir da base de cálculo da CSLL, as receitas oriundas das operações de exportação efetuadas a partir da Emenda Constitucional 33/2001, haveria de prestigiar o que chamou de “inexigibilidade da coisa julgada inconstitucional”, a possibilitar o ajuizamento da competente ação rescisória, que estaria sendo providenciado pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional na 5ª Região visando a desconstituição da coisa julgada em apreço, lavrandose o auto de infração para prevenção da decadência. Afortunadamente a decisão recorrida de ofício corrigiu a distorção sistêmica trazida pelo auto de infração ora analisado. Com efeito, poucas coisas tocam mais a segurança jurídica de um Estado de Direito do que o desrespeito à coisa julgada. A questão deve ser enfrentada com a singeleza que a matéria reclama: decisão judicial irrecorrível há de ser respeitada, mesmo que a autoridade autuante não concorde com ela. No caso dos autos, para dizer o mínimo, o auto de infração se traduzia em verdadeira afronta à soberania das decisões judiciais, não cabe ao Fisco tergiversar sobre o alcance de um provimento jurisdicional, tampouco conjecturar que poderá ser a tal decisão revista em sede processual de ação rescisória. Sabidamente a autoridade administrativa está vinculada à estrita legalidade, assim compreendidas as normas de natureza individual e concreta, como o são as decisões judicias como a que dispunha a contribuinte. No caso dos autos, revelando ainda mais a improcedência do auto de infração, e como bem reconheceu a decisão recorrida, a decisão judicial transitada em julgado não sofreu nenhum revés, por meio de outra ação judicial pertinente e/ou legalmente aplicável, que permitisse a exigência da CSLL, demais disso, não havia mais prazo para propositura de ação rescisória, uma vez que o lançamento pretende alcançar a CSLL relativa a fato gerador (31/12/2005) amparado por aquela decisão judicial. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.726114/201090 Acórdão n.º 1301001.759 S1C3T1 Fl. 4 5 Assiste completa razão à decisão recorrida, o auto de infração é improcedente por qualquer ângulo que se pretenda examinar, de sorte que impõese o desprovimento do Recurso de Ofício. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2015. . (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10845.000421/2001-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1994, 1995
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE. PRAZO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Resp 1002932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos" (art. 543-C do Código de Processo Civil), reafirmou o entendimento de que: "(...) em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.").
Numero da decisão: 2102-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à repartição fiscal de origem para apreciação do pedido de restituição.
assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator
EDITADO EM: 30/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Bernardo Schimidt, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1994, 1995 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE. PRAZO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Resp 1002932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos" (art. 543-C do Código de Processo Civil), reafirmou o entendimento de que: "(...) em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.").
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à repartição fiscal de origem para apreciação do pedido de restituição. assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator EDITADO EM: 30/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Bernardo Schimidt, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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PRAZO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Resp 1002932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos" (art. 543C do Código de Processo Civil), reafirmou o entendimento de que: "(...) em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à repartição fiscal de origem para apreciação do pedido de restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 04 21 /2 00 1- 41 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10845.000421/200141 Acórdão n.º 2102003.170 S2‐C1T2 Fl. 93 2 assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator EDITADO EM: 30/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Bernardo Schimidt, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 68/78, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 62/65, que indeferiu a solicitação de restituição do imposto de renda retido na fonte, correspondente aos anoscalendário 1994 e 1995, da qual o contribuinte tomou ciência em 11/09/2008, conforme AR de fl. 67 dos autos. O presente processo iniciouse em 08/02/2001 com a formalização pelo RECORRENTE, à fl. 02, do pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, incidente sobre valores recebidos em Plano de Demissão Voluntária – PDV instituído pela Companhia das Docas do Estado de São Paulo – CODESP. Para tanto, juntou aos autos diversos documentos, como a Resolução da Presidência da CODESP nº 272/93 (ato que concedeu o PDV) às fls. 24/29, o termo de rescisão do contrato de trabalho, às fls. 43/44, e os certificados nºs 0119/99 e 0120/99, emitidos pela CODESP, indicando os valores do imposto retido na fonte sobre as verbas recebidas a título de incentivo no período entre maio/94 a abril/95, às fls. 04/05. DO DESPACHO DECISÓRIO Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10845.000421/200141 Acórdão n.º 2102003.170 S2‐C1T2 Fl. 94 3 A autoridade administrativa, através do despacho decisório de fls. 45/52, indeferiu o pedido de restituição formulado pelo RECORRENTE. São os seguintes os termos da ementa da decisão proferia na ocasião: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – PRAZO DECADENCIAL INDEFERESE pedido de restituição de valores recolhidos há mais de cinco anos, por ter ocorrido o prazo decadencial previsto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei nr. 5.172/66). Aplicabilidade do disposto no Ato Declaratório nr. 096, de 26/11/1999, do Sr. Secretário da Receita Federal. IRPF/PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – VERBAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. APLICAÇÃO DA IN SRF 165/98 E DA NE SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nr. 02, de 07/06/1999. INDEFERESE pedido de restituição cujo objeto é a isenção do IRRF incidente sobre verbas recebidas em decorrência de adesão a programa de Incentivo à Aposentadoria. Aplicação da IN SRF 165/98 e NE SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS 02/99. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA.” De acordo com os fundamentos da referida decisão, a autoridade administrativa alegou que o pedido de restituição seria intempestivo, nos termos dos arts. 165, inciso I, e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, c/c o Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999, por ter sido apresentado em prazo superior a 05 (cinco) anos contados da data da extinção (pagamento/recolhimento) do crédito tributário. Ademais, no mérito, afirmou que as verbas referentes aos incentivos recebidos pelo RECORRENTE seriam rendimentos tributáveis, visto que tratamse de incentivo à aposentadoria e não de valores recebidos a título de PDV, nos termos do item 1 da Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nº 02, de 07/06/1999. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte, intimado do despacho decisório em 01/03/2003, conforme faz prova o AR de fl. 60, apresentou, em 20/03/2003, Manifestação de Inconformidade de fls. 55/57. Em suas razões, o RECORRENTE alegou, em suma, que não havia consumado o prazo decadencial para apresentação do pedido de restituição, visto que somente teve conhecimento do seu direito quando do recebimento do Ofício enviado pela CODESP, datado de 1º de fevereiro de 1999 (fls. 04/05). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10845.000421/200141 Acórdão n.º 2102003.170 S2‐C1T2 Fl. 95 4 Afirmou também que as verbas por ele recebidas tratamse, efetivamente, de valores recebidos a título de PDV. DA DECISÃO DA DRJ Às fls. 62/65, a DRJ em São Paulo/SP indeferiu o pleito do contribuinte, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1994, 1995 DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. PDV. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, tendo como dies a quo a data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida” O voto que compõe o julgamento da DRJ esclarece que, por força do princípio da hierarquia, a autoridade julgadora de primeira instância no processo administrativo fiscal tem sua liberdade de convicção restrita aos entendimentos expedidos em atos normativos do Sr. Ministro de Estado da Fazenda e do Sr. Secretário da Receita Federal, conforme estabelece o artigo 7° da Portaria MF n° 258, de 24 de agosto de 2001. Assim, com relação à extinção do direito de pleitear restituição de tributos, afirmou que o disposto no Ato Declaratório SRF n° 096/1999 deve ser entendido no sentido de que a extinção do crédito tributário, como referida no art. 168, inciso I, do CTN, significa a data do respectivo pagamento indevido. Portanto, a autoridade julgadora entendeu que, na data de protocolização do pedido sob exame, em 08/02/2001 (fl. 02), já estava extinto o direito de o RECORRENTE pleitear a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre rendimentos recebidos durante os meses de maio a dezembro de 1994 (fl. 05) e de janeiro a abril de 1995 (fl. 04), uma vez que, de acordo com o entendimento oficial constante do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999, já havia transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. Desta forma, a autoridade julgadora manteve o indeferimento da solicitação de restituição do RECORRENTE. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10845.000421/200141 Acórdão n.º 2102003.170 S2‐C1T2 Fl. 96 5 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 11/09/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento”, de fl. 67, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 68/78, em 02/10/2008. Em suas razões, o RECORRENTE alegou que, conforme diversos entendimentos do Superior Tribunal de Justiça – STJ, o prazo para pleitear restituição de imposto de renda é de 10 anos, visto que tratase de tributo sujeito à homologação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, a extinção do crédito somente ocorre com a homologação tácita do Fisco (5 anos contados a partir do fato gerador), data esta que inicia a contagem do prazo para pleitear a restituição. Ademais, citou acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, quando do julgamento do recurso voluntário nº 125.348, o qual expõe que “Relativamente a Programas de Desligamento Voluntário – PDV, o direito à restituição do imposto de renda retido na fonte nasce em 06.01.99 com a decisão administrativa que, amparada em decisões judiciais, infirmou os créditos tributários anteriormente constituídos sobre as verbas indenizatórias em foco.” Ainda de acordo com a jurisprudência citada pelo RECORRENTE, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a PDV, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte, e esta não incidência alcança os empregados inativos ou que reúnam condições de se aposentarem. O RECORRENTE citou também a Súmula nº 215 do STJ, no sentido de que “a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. Desta forma, afirmou que seu pedido de restituição deveria ser julgado procedente. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Inicialmente, devese esclarecer que o recurso voluntário foi apresentado pelo Espólio de José Heriberto Passos, representado por sua inventariante Maria Helena de Paiva Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10845.000421/200141 Acórdão n.º 2102003.170 S2‐C1T2 Fl. 97 6 Chiarello Passos, em razão do falecimento do RECORRENTE, conforme certidão de óbito de fl. 79. A DRF e a DRJ de origem indeferiram o presente pedido de restituição por entender que o mesmo encontrase decadente, uma vez que foi apresentado em 08/02/2001 e se refere a valores de imposto de renda retidos na fonte durante o período de maio/94 a abril/95, portanto proposto após o transcurso de 05 (cinco) anos, contados da data de pagamento do tributo. Para a correta decisão, portanto, cabe fixar o dies a quo da contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributos. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Resp 1002932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos" (art. 543C do Código de Processo Civil), reafirmou o entendimento de que: "(...) em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). Segundo o Regimento Interno do CARF, no caput do art. 62A: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante das razões expostas, entendo que deve ser afastada a decadência do direito do contribuinte de requerer a restituição dos valores retidos sobre as verbas por ele classificadas como decorrrentes de PDV, conforme pedido apresentado em 08/02/2001. Isto posto, considerando que a questão de mérito não foi apreciada pela DRF, VOTO por dar PROVIMENTO ao recurso, para afastar a decadência do direito do RECORRENTE de pleitear a restituição do IRPF pago sobre as verbas por ele classificadas como decorrente de PDV e determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que seja julgado o mérito do pedido de restituição. assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10845.000421/200141 Acórdão n.º 2102003.170 S2‐C1T2 Fl. 98 7 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16349.000036/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE.
O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA.
O contribuinte que apura Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial nos termos da Lei 10.925/04, não tem direito à correção dos valores correspondentes, por ausência de previsão legal.
Inaplicável ao caso o precedente veiculado no Recurso Repetitivo nº. 1035847 decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de utilização dos créditos para ressarcimento/compensação. Pelo Voto de Qualidade, não foi acatado o pedido de correção monetária suscitado em memoriais e durante a sustentação oral. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Leonardo Mussi da Silva, que substituiu o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru, ausente momentaneamente, e Nanci Gama. O Conselheiro Leonardo Mussi da Silva fará declaração de voto quanto ao mérito e o Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, quanto à correção monetária.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente em Exercício e Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. O contribuinte que apura Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial nos termos da Lei 10.925/04, não tem direito à correção dos valores correspondentes, por ausência de previsão legal. Inaplicável ao caso o precedente veiculado no Recurso Repetitivo nº. 1035847 decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000036/200777 Recurso nº 914.817 Voluntário Acórdão nº 3102001.723 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria Per/Dcomp Recorrente INDEPENDÊNCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. O contribuinte que apura Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial nos termos da Lei 10.925/04, não tem direito à correção dos valores correspondentes, por ausência de previsão legal. Inaplicável ao caso o precedente veiculado no Recurso Repetitivo nº. 1035847 decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de utilização dos créditos para ressarcimento/compensação. Pelo Voto de Qualidade, não foi acatado o pedido de correção monetária suscitado em memoriais e durante a sustentação oral. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Leonardo Mussi da Silva, que substituiu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 36 /2 00 7- 77 Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru, ausente momentaneamente, e Nanci Gama. O Conselheiro Leonardo Mussi da Silva fará declaração de voto quanto ao mérito e o Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, quanto à correção monetária. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente em Exercício e Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. 1. INDEPENDÊNCIA S.A, atual denominação de INDEPENDÊNCIA ALIMENTOS LTDA, empresa acima identificada, transmitiu Pedido de Ressarcimento (PER) nº 15786.54694.040206.1.1.099713 em 04/02/2006 (fls. 01/35). Este PER foi retificado pelo PER nº 03827.81172.310107.1.5.099993 (fls. 70/105) em 31/01/2007. 2. Segundo o interessado, a empresa teria apurado, no primeiro trimestre do ano de 2005, crédito decorrente de Cofins não cumulativa – exportação, no valor de R$ 8.761.607,38. Deste montante: 2.1. R$ 1.688.421,14 teria sido utilizado para dedução da COFINS apurada no período; 2.2. R$ 4.473.877,80 teria sido utilizado para compensar débitos controlados nos processos listados nas fls. 75/105; e 2.3. R$ 2.599.308,44 é objeto do Pedido de Ressarcimento. 3. Com o intuito de averiguar a liquidez e certeza do crédito, os autos foram encaminhados à DEFICSP (fls. 38/39). 4. Ao término dos trabalhos de diligência, a autoridade fiscal responsável pela execução dos trabalhos, anexou aos autos os documentos de fls. 48/1.288 e exarou a Informação Fiscal de fls. 1.289/1.293, na qual reconhece o crédito pleiteado pelo contribuinte (ressarcimento), exceto no que tange ao crédito apurado sobre fretes internacionais e pagamento de aluguéis à pessoa física. 5. Após a realização da diligência fiscal, os autos retornaram à DERATSP que proferiu Despacho Decisório de fls. 1.302/1.310, no qual homologou parcialmente as compensações apresentadas, ratificando a posição do diligenciante, no que tange à glosa dos créditos incidentes sobre fretes internacionais (pagamento de frete para não residentes) e pagamento de aluguéis à pessoa física, e concluindo que o crédito presumido – atividades agroindustriais, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento. 6. Ciente desta decisão em 17/07/2007 (fl. 1.312 v), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 10/08/2007 (fls. 1.501/1.516), que pode ser sintetizada da seguinte maneira: Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 3 3 6.1.o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 é inconstitucional, pois fere o princípio da legalidade. Este Ato afronta as Leis nºs 10.833/2003, 10.637/2002, 10.925/2004, 11.116/2005 e 11.033/2004, que prevêem a possibilidade de compensação ou ressarcimento do saldo credor de PIS e de COFINS; 6.2.as Leis nºs 11.116/2005 e 11.033/2004, concedem o direito à compensação/ressarcimento do saldo credor de PIS e de COFINS, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de tais contribuições; 6.3. as Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002 prevêem a não incidência da contribuição ao PIS e COFINS sobre a receita de exportação e asseguram a utilização deste crédito com fins de compensação/ressarcimento; 6.4.o direito ao crédito presumido está previsto na Lei nº 10.925/2004; 6.5.cita a exposição de motivos da MP nº 183/2004, que resultou na Lei nº 10.925/2004. Segundo o contribuinte, fica claro que o crédito presumido foi instituído com a finalidade de anular a acumulação do PIS/COFINS no preço dos produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas. Negar a possibilidade de compensação/ressarcimento do PIS/COFINS significa transferir a acumulação destas contribuições para a indústria que adquiriu os bens e insumos de pessoa física. No caso de empresa exportadora, como o interessado, significa acumular saldo credor de contribuições indefinidamente; 6.6.o Ato Declaratório não se encontra entre as fontes do direito; 6.7.discorre sobre o julgamento administrativo; 6.8.requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de reconhecimento do crédito pleiteado pelo contribuinte não permite a homologação das compensações apresentadas, bem como um eventual ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Assevera que “as Leis 11.116/2005 e 11.033/2004 concedem o direito à compensação/ressarcimento do saldo credor de PIS e COFINS, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de tais contribuições”. Que “as Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 prevêem a não incidência da contribuição ao PIS e COFINS sobre a receita de exportação e asseguram a utilização deste crédito com fins de compensação/ressarcimento”. Que “o direito ao crédito presumido está previsto na Lei 10.925/2004”. E que “na exposição de motivos da MP 183/04, que resultou na Lei 10.925/2004, fica claro que o crédito presumido foi instituído com a finalidade de anular a acumulação do PIS/COFINS no preço dos produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas, contudo, negar a possibilidade de compensação/ressarcimento do PIS/COFINS significa transferir a acumulação destas contribuições para a indústria que adquiriu esses bens e insumos”. Considera que, caso entendase que tais disposições não sejam aplicáveis ao caso concreto, deveria o Fisco lançar mão da analogia como método de integração da norma, para “que a recorrente possa utilizarse de seus créditos presumidos da atividade agroindustrial para compensar tributos ou ser ressarcida em espécie”. Advoga a ilegalidade do Ato Declaratório nº. 15/2005. Por fim, requer atualização dos valores do crédito pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Embora a divergência encontrada entre o valor pretendido pela Recorrente e o valor admitido pelo Fisco decorra não só da glosa do Crédito Presumido para Atividades Agroindustriais, mas também de créditos calculados sobre o valor pago por frete internacional contratado, está claro, desde a impugnação ao lançamento, que somente a primeira matéria foi objeto de contestação.O Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado não inova. Não acusa erro na formulação da decisão de piso, apenas reedita os argumentos já apresentados à instância a quo. Examino o entendimento defendido pelo contribuinte. O argumento de que as 11.116/05 e 11.033/04 concedem, em caráter genérico e indiscriminado, o direito à compensação/ressarcimento do saldo credor de PIS/Pasep e Cofins, decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de tais contribuições, merece ser, uma vez mais, rejeitado. Os artigos das Leis supracitadas que disciplinam a matéria são os seguintes. Lei 11.116/05 Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 4 5 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Inicio por examinar as remissões feitas no caput do artigo 16 da Lei 11.116/05. A Lei 10.865/04 instituiu a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINS Importação. Por seu turno, os artigos 3o das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03, como se sabe, regulamentam o sistema básico de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Nenhum um e nem outro, como se vê, dizem respeito ao assunto objeto da presente demanda, na medida em que aqui se discute não créditos básicos, mas o Crédito Presumido do PIS/PASEP e COFINS da Atividade Agroindustriais. O artigo 17 da Lei 11.033/04 tem o seguinte teor. Lei 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Embora uma leitura apressada possa conduzir a outro entendimento, a observação atenta do enunciado do artigo 16 da Lei 11.116/05, combinado com a permissão outorgada pelo artigo 17, acima, pareceme por demais clara, qual seja, o saldo credor obtido no sistema básico de apuração não cumulativa das Contribuições (art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (também afetado pelos créditos decorrentes da Lei nº 10.865/04)), que tenhase acumulado ao final do período por conta do direito à manutenção do crédito nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência admitida pela Lei 11.033/04, poderá ser compensado, ou ressarcido em dinheiro. Equivocada, portanto, a interpretação da Recorrente de que o artigo 16 da Lei 11.116/05 estaria autorizando, de forma ampla e irrestrita, a compensação dos créditos decorrentes das vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, o que lhe aproveitaria. Na verdade, autoriza apenas a compensação dos chamados créditos básicos, que, em decorrência da desoneração na saída, terminam por acumularse gerando saldo que, não fosse assim autorizado, perderiam a utilidade. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Ainda que se diga que o Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial também se acumula como causa da não incidência das Contribuições na receita decorrente da venda, o fato é que a Lei 11.116/05 é cristalina ao especificar quais créditos podem ser compensados, restringindo seu universo aqueles apurados na forma dos artigos 3o das Leis nºs 10.637/02 e Lei 10.833/03, além dos créditos do art. 15 da Lei nº 10.865/04. Quanto a isso, importante relembrar que o Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, desde 30 de abril de 2004, deixou de estar contemplado nos artigos 3º das Leis 10.637/02 e Lei 10.833/03, passando a ser regido pelas disposições da MP nº 183, de 30/04/2004, convertida na Lei nº 10.925/04 e, mais tarde, Lei nº 11.051/04, com a seguinte redação final. Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Não há qualquer disposição no texto normativo que se refira à prerrogativa de compensação ou restituição do Crédito. Com efeito, com a edição das Leis acima citadas, revogando, a partir do ano de 2004, as disposições do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 que referiam o Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, ele passou a ser regido por Lei própria, não lhe sendo mais aplicáveis especificações delimitadas a outras particularidades do sistema da não cumulatividade das Contribuições. Assim, seja prevalência da lei mais específica, seja pelas disposições literais de lei, não vejo margem para a interpretação desejada pela Recorrente. A esse respeito, merecem ser reproduzidos os esclarecimentos contidos no Voto Condutor da decisão recorrida, enfrentando a alegação de “as Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 prevêem a não incidência da contribuição ao PIS e COFINS sobre a receita de exportação e asseguram a utilização deste crédito com fins de compensação/ressarcimento”, conforme também defendido em sede de Recurso Voluntário. Sustenta a defesa que o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 permitiria a compensação ou ressarcimento do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. Este texto normativo tem a seguinte redação: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 5 7 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 6º são taxativos ao determinar que poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento os créditos apurados na forma do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Conforme anteriormente relatado, o crédito presumido previsto no parágrafo quinto do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 foi expressamente revogado pela Lei nº 10.925/04, destarte não há como entender correto o raciocínio do defendente. Desta forma, não há nenhuma possibilidade de que a exposição de motivos da MP 183/04 possa modificar a interpretação dada às disposições legais acima delineadas. Ainda que, como assevera a Recorrente, o crédito presumido tenha sido instituído com a finalidade de anular a acumulação do PIS/Pasep e Cofins no preço dos produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas, o alcance do favor, na época da ocorrência dos fatos constitutivos do direito requerido no processo, se limitava à autorização para deduzilo do valor das Contribuições devido em cada período, tal como definido pelo legislador na elaboração do texto normativo. Neste ponto, de se acrescentar que não vejo necessidade de perquirir sobre a ilegalidade do Ato Declaratório nº 15/2005. Como até aqui tentouse demonstrar, a solução do litígio depende, exclusivamente, da correta interpretação das Leis que regulamentam a concessão do benefício. Também não há que se falar em analogia. Tratase de um expediente somente aplicável na ausência de disposição expressa de lei, ex vi artigo 108 do Código Tributário Nacional. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (grifos meus) I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Feitas todas essas considerações, há que se fazer menção à inovação legislativa introduzida pela Lei 12.058/09, não referida no corpo do Recurso Voluntário, mas argüida pelo Patrono da Recorrente, diretamente da tribuna. Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Art. 47. O disposto nos arts. 31 a 37 desta Lei produzirá efeitos a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei. As novas regras são claras. A partir do dia 13 de outubro de 2009, desde que atendida a condição definida no parágrafo 2º acima reproduzido, o saldo do Créditos Presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8º da Lei no 10.925/04, Créditos do qual aqui nos ocupamos, passou a ser, ele também, passível de ressarcimento. Prescreveu a norma que os pedidos somente poderiam ser efetuados (i) a partir do primeiro dia do mês subseqüente à publicação da Lei e (ii) a partir de 1º de janeiro de 2010, respectivamente, em relação (i) aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007 e (ii) os créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação da Lei. As datas acima tratamse, salvo melhor juízo, de uma medida destinada a disciplinar o fluxo de ingresso dos pedidos, sem qualquer conseqüência em relação ao direito propriamente dito. Com efeito, não é de se imaginar que a inobservância das datas especificadas nos incisos I e II do parágrafo 1º tivesse o condão de excluir o direito ao aproveitamento do Crédito sob a forma autorizada na Lei. Por certo que a Administração haverá de ter obstaculizado o andamento dos pedidos de ressarcimento de créditos apurados depois do ano de 2007 e que tenham ingressado em data anterior a 1º de janeiro de 2010; contudo, nenhum prejuízo pode ser aventado em relação ao ingresso do pedido de ressarcimento de créditos apurados em data anterior, cuja condição delimita apenas a data a Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 6 9 partir da qual poderseá exercêlo. Enquanto não decaído o direito, pareceme que não exista nada que impeça o administrado de apresentar o pleito. Nestes termos, uma vez que aqui se discute o direito ao ressarcimento de créditos apurados no ano de 2005, não vejo que leitura dos fatos poderia ensejar a negativa à sua concessão. Cogitar de recusálos por que o requerimento se deu em data anterior à fixada em Lei, remeteria a situação, a meu sentir, absolutamente despropositada. Não vejo como conceber uma recusa baseada numa casualidade desta ordem. Pelo simples fato de estar discutindo o direito perante a Administração e, até por isso, impedido de ingressar com novo pedido, a parte restaria severamente prejudicada, negandoselhe direito concedido por Lei. Não creio que a interpretação das disposições legislativas possa levar a tal situação. Noutro giro, no Parecer emitido pela Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo, Equipe de Orientação e Análise Tributária, a Autoridade Fiscal esclarece as razões para glosa dos valores requeridos no pedido de ressarcimento, conforme segue. Dessa forma, o crédito presumido vinculado às receitas de exportação auferidas no mesmo período de apuração somente pode ser utilizado para fins de desconto com débitos da própria contribuição, vedado sua compensação ou ressarcimento em espécie. Uma vez atendida a condição especificada no § 2º do artigo 36 da Lei 12.058/09, deve ser reconhecido o direito pleiteado pela Recorrente, conforme inteligência do caput, inciso II, do mesmo artigo, combinado com inciso I do parágrafo 1º, autorizando o procedimento pretendido no período neste informado. A mesma sorte não socorre à parte quando o assunto diz respeito à atualização dos créditos pela Taxa Selic. Como é cediço, a teor das disposições legais pertinentes, somente se cogita da aplicação de índices de correção ou atualização monetária nas hipóteses de pagamento indevido, conceito no qual o ressarcimento não está incluído. Código Tributário Nacional. Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No caso concreto não há cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 circunstâncias materiais do fato gerador. Em lugar disso, foi concedido o direito a crédito presumido em razão do tipo de atividade exercido pela Recorrente, sem que se tenha configurado, em nenhum momento, o indébito. Descendo à legislação ordinária, encontrase disciplinada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a aplicação da taxa Selic à compensação ou à restituição, nos seguintes termos: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (grifos meus) (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Lei 8.383/91, Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) (grifos meus) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) Não me parece haver dúvidas de que as normas regulamentares, em sintonia com o Código Tributário Nacional, previram correção nos casos de restituição ou de compensação decorrentes de pagamento indevido ou a maior (de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383) de tributos, nunca nos casos de pedido de ressarcimento do valor acumulado por força da não incidência sobre receitas decorrentes de atividade incentivada. Superadas as questões de natureza eminentemente legais, devese acrescentar ao vertente juízo eventual efeito das decisões tomadas em Regime de Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal ou Recurso Repetitivo, em matéria infraconstitucional, pelo Superior Tribunal de Justiça, que, conforme artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 7 11 alteração introduzida pela Portaria 586/2010, devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos submetidos a este Conselho. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Quanto a isso, pareceme que mereçam especial atenção os Recursos Especiais nºs 1.035.847 e 993.164, e a Súmula nº 411, todos decididos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, versando sobre matéria de interesse da lide. RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847 RS (2008/00448972) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO ANGELA T. GOBBI ESTRELLA E OUTRO(S) RECORRIDO : MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA ADVOGADO : HILDA HELENA DE BRITTO FORNI EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA N. 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 8 13 I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ainda que todas as decisões acima transcritas, repitase, de reprodução obrigatória nos julgamentos que versem sobre a matéria nelas decidida, indiquem clara tendência jurisprudencial favorável ao intento da Recorrente, o fato é que, em nenhum caso, identificase exata correspondência entre o assunto versado nos autos e a matéria decidida naquelas. O Recurso Especial nº 1.035.847 e a Súmula 411 fazem referência textual, um, ao Imposto sobre Produtos Industrializados e, outro, aos créditos desse Imposto decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade, afastandose, assim, do caso concreto. Por sua vez, o Recurso Especial 993.164 decide a respeito do direito ao Crédito Presumido previsto na Lei 9.363/96, assunto distinto do que aqui é tratado: Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao ressarcimento/compensação dos créditos discutidos, sem qualquer tipo de atualização/correção dos valores correspondentes. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16349.000036/200777 Acórdão n.º 3102001.723 S3C1T2 Fl. 9 15 Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11516.722421/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011
INDEFERIMENTO DE INCLUSA~O NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINA´RIAS
Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita a`s normas tributa´rias aplica´veis a`s demais pessoas, sendo imperioso o lanc¸amento tributa´rio em honra ao princi´pio da legalidade, uma vez a constituic¸a~o do cre´dito e´ procedimento vinculado a` lei.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte:
Numero da decisão: 2803-004.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011 INDEFERIMENTO DE INCLUSA~O NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINA´RIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita a`s normas tributa´rias aplica´veis a`s demais pessoas, sendo imperioso o lanc¸amento tributa´rio em honra ao princi´pio da legalidade, uma vez a constituic¸a~o do cre´dito e´ procedimento vinculado a` lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte:
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RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINÁRIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 21 /2 01 1- 62 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722421/201162 Acórdão n.º 2803004.037 S2TE03 Fl. 258 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Rodolog Transporte Ltda, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), assim ementado: SIMPLES NACIONAL. NÃO OPTANTE. São devidas as contribuições sociais patronais das empresas não optantes pelo SIMPLES NACIONAL. SIMPLES. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO É vedada a compensação de contribuições previdenciárias e a devida a Outras Entidades ou Fundos com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Devese considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 151/157), o presente processo se refere aos autos de infração abaixo relacionados, consolidados em 28/11/2011, referentes ao período de 01/2009 a 07/2011 (incluindo décimo terceiro), a saber: a) AI DEBCAD Nº 51.009.2403, valor original de R$ 199.135,02, acrescido de juros e multa de ofício: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT); b) AI DEBCAD Nº 51.009.2411, valor original de R$ 49.419,00, acrescido de juros e multa de ofício: contribuições devidas às outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE); c) AI DEBCAD Nº 51.009.2420, valor original de R$ 45,65, acrescido de juros e multa de ofício: contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais (sócios administradores). Informa ainda a Auditoria Fiscal que conforme consulta realizada no sítio do SIMPLES NACIONAL, no período fiscalizado, o contribuinte não esteve incluído no Regime Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), porém, informou indevidamente, no período do lançamento, a opção pelo SIMPLES na GFIP, pelo que foram apuradas as contribuições devidas com base nas remunerações declaradas em GFIP, pagas aos segurados empregados. Também verificou a partir da folha de pagamento e recibos de prolabore que a remuneração de contribuintes individuais não foi declarada totalmente em GFIP na competência 01/2009. A contribuinte, cientificada do lançamento, apresentou impugnação às fls. 160/162, trazendo em suma as seguintes alegações: a) que em momento algum a empresa inseriu informações indevidas, já que a empresa estava incluída no SIMPLES NACIONAL; b) que não foi apresentado recurso administrativo, pois não recebeu nenhum documento, intimação ou qualquer outro tipo de informação a respeito da exclusão; c). que o auditor em seu relatório não excluiu os pagamentos à Previdência Social através de Documento de Arrecadação do SIMPLES DAS, consoante planilha anexas e cópia do Extrato do Simples Nacional, sendo assim, não foram deduzidos do montante devido; A DRJ não acolheu as ponderações apresentadas, mantendo na íntegra o lançamento efetuado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 194/250) aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade da exclusão no Simples; b) a inclusão indevida na base da cálculo dos valores pagos a título de aviso prévio indenizado, 13º. proporcional, saláriomaternidade, adicional de horasextras, adicional noturno, terço de férias, férias gozadas, 15 primeiros dias de auxílio doença, adicionais de insalubridade e periculosidade, transferência e vale transporte pago em dinheiro. c) a impossibilidade de cobrança à contribuição ao INCRA; d) impossibilidade da cobrança à contribuição ao SAT/RAT; e) do caráter confiscatório da multa aplicada; f) a compensação dos pagamentos efetuados pela sistemática do Simples. Sem contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722421/201162 Acórdão n.º 2803004.037 S2TE03 Fl. 259 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, contudo necessita de melhor análise para aferir sua admissibilidade. Em que pese as profícuas razões recursais apresentadas pelo patrono da contribuinte, observase, hialinamente, que as matérias na peça recursal não foram objeto de impugnação pela recorrente no momento oportuno, tanto que, ao analisar a peça impugnatória a DRJ deixou assentado que “devese considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência.” (fl. 179) Ora, os únicos objetos trazidos na impugnação pela recorrente foram a nulidade quanto a sua não inclusão no Simples e, subsidiariamente, a compensação dos valores eventualmente recolhidos nesta sistemática. Destarte, qualquer manifestação deste Conselho sobre matérias não impugnadas e não apreciadas pela instância a quo, transformarseia em verdadeira supressão de instância, uma vez que não houve qualquer sucumbência da recorrente em relação a elas. Como é cediço, os pressupostos recursais são necessários para se avaliar a admissibilidade dos recursos. Os pressupostos recursais são, deste modo, os chamados requisitos de admissibilidade. Os requisitos de admissibilidade, conforme José Carlos Barbosa Moreira, se dividem em dois grupos, quais sejam: a) requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer): cabimento, legitimação, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer; b) requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercício do direito de recorrer): preparo, tempestividade e regularidade formal. Destarte, observase que o interesse recursal é um dos requisitos essenciais para o conhecimento de qualquer recurso. O professor Fredie Didier Jr. Afirma que a definição do interesse processual segue a metodologia do exame do interesse de agir. Ou seja, deve ser analisado a utilidade e necessidade do recurso. Ocorre que, no caso ora em apreço, não se vislumbra o interesse parcial do presente recurso voluntário, visto que alguns objetivos buscados pela recorrente não podem ser obtidos através do manuseio desta peça processual, razão pela qual conheço parcialmente do recurso voluntário, somente no tocante às controvérsias de não inclusão no Simples e das compensações solicitadas. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Da não Inclusão no Simples O relatório fiscal (fls. 153) afima que não foi deferida as três solicitações de inclusão da recorrente no Simples Nacional, sendo que a recorrente recoheu todas as contribuições como se beneficiária fosse desse sistema de tributação. Ademais, a alegação da empresa limitase a afirmar que não tomou conhecimento de nenhum dos três indeferimentos, o que obsta qualquer autuação sob este fundamento. Ora, a contribuinte teve sua solicitação ao Simples Nacional indeferida, contudo quedouse inerte em apresentar defesa em relação à exclusão. Assim, em esfera administrativa, operouse a preclusão, de forma que os motivos da exclusão não podem ser objeto de análise neste feito, mormente por tratarse de débitos junto a municipalidade e não à Fazenda Nacional. Diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a não inclusão no Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar, intempestivamente, a sua não inclusão no Simples Nacional. Diante no exposto, neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. Da Compensação De ofício faço a aplicação da Súmula 76 do CARF, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. É como voto Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722421/201162 Acórdão n.º 2803004.037 S2TE03 Fl. 260 7 (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10830.009085/2002-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 01/08/2002
COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA
Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social.
INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado.
Numero da decisão: 9303-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegreti (substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 01/08/2002 COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado.
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ISENÇÃO Recorrente C.C.C. CENTRO DE CIÊNCIA E CULTURA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 01/08/2002 COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegreti (substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 90 85 /2 00 2- 42 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo Relatório Cuidase de recurso especial interposto contra decisão que entendeu não serem alcançadas pela isenção da COFINS instituída pelo art. 14 da Medida Provisória 2.158 35/2001 as receitas que tenham caráter contraprestacional, in casu as obtidas por instituição de educação constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos relativas às mensalidades pagas pelos seus alunos. O recurso especial socorrese em três paradigmas que, examinando situações análogas, concluíram que não deixam de ser "próprias" no sentido que a MP pretendeu fixar para efeito de isenção as receitas que tenham aquele caráter contraprestacional, tanto no caso de instituições de educação em geral, como no de associações civis sem fins lucrativos. Em contrarrazões, defende a Fazenda Nacional o acerto da decisão combatida. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade na medida em que tempestivo e bem comprovada a divergência alegada. A matéria encontrase, hoje, pacificada no âmbito deste colegiado no exato sentido pretendido no recurso. Com efeito, em mais de uma ocasião assentou esta Turma a irrelevância do caráter contraprestacional como elemento impeditivo da fruição da isenção aqui discutida. Contrariamente à posição fazendária, firmouse o entendimento de que as receitas alcançadas pela isenção são aquelas que decorrem da atividade exercida por qualquer das entidades listadas no dispositivo isentivo. Adoto, no particular, as conclusões a que chegou o Conselheiro Júlio César Alves Ramos por ocasião de julgamento realizado em sessão de fevereiro de 2008 da Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, da qual participei. Transcrevo: Sendo tempestivo o recurso, dele se há de tomar conhecimento. E de lhe dar integral provimento. Como está assentado no relatório, a autuação não decorreu do descumprimento de condições para usufruto da imunidade. Aliás, na descrição dos fatos elaborada pela autoridade fiscal não há uma só linha tratando dela. Tudo o que ali se consigna é Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.361 3 que não cabe isenção, seja pelas disposições do Parecer Normativo já mencionado seja pelas da IN SRF 247/2002. Apesar disso, é necessário, antes de examinar o cabimento da isenção, aprofundar a aplicabilidade da norma constitucional. Sobre o ponto, partilho todas as conclusões do voto da decisão recorrida que repelem a aplicação da imunidade, tanto a prevista no art. 150, quanto aquela versada no 195, § 7º. Para tanto, basta confrontar os dois comandos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Portanto, há imunidade de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços das instituições de educação, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos de Lei. Notese que neste artigo não se exigiu, seja das instituições de educação, seja das de assistência social, que fossem “beneficentes” ou “filantrópicas”. Basta que sejam sem fins lucrativos e atendam aos requisitos de lei. E que essa Lei era, à época da promulgação da Carta Magna, a de nº 5.172/66, também parece estreme de dúvida. Permanece em aberto a questão de se tal lei, recepcionada como lei complementar quanto às matérias a que a Constituição a exija, poderia ser alterada por lei ordinária como é a Lei nº 8.212/91. Despicienda aqui essa discussão dado que não é de imunidade a impostos que se cuida. Com efeito, a que se pode legitimamente aventar é a contida no § 7º do art. 195. Transcrevamolo: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: .... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quanto à expressão “isentas” aí contida, já é pacífico o entendimento doutrinário e jurisprudencial de que deve ser lido como “imunes”, certo não caber à Lei maior a fixação de isenções. No entanto, algumas diferenças em relação ao comando do art. 150 são aqui patentes. Primeiro, não há aqui menção alguma às “instituições de ensino ou de educação”; segundo, as entidades de assistência aqui mencionadas são apenas as “beneficentes”. Por isso mesmo, partilho da interpretação do n. relator do acórdão atacado de que não há, strictu sensu, imunidade das contribuições sociais para as instituições de educação. A imunidade de que elas gozam é tãosomente a do art. 150 restrita aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços e sujeita a exigências menores do que as fixadas aqui para as instituições de assistência social. A razão, já apontada na decisão de que se recorre, é que as atividades que configuram assistência social têm definição precisa no texto constitucional, em seção e capítulo distintos do da educação. De fato, enquanto a primeira integra o trio constituinte da Seguridade Social, ao lado da Saúde e da Previdência Social, conformando a seção III do Capítulo II do Título VIII (“Da Ordem Social”) da Carta Política, a Educação aparece destacadamente em Capítulo externo ao da Seguridade Social – capítulo III do mesmo Título. Diferentemente do que vem entendendo a doutrina predominante, não vejo como os objetivos da assistência social, descritos no art. 203 do Texto maior, possam englobar as atividades de educação strictu sensu, notadamente as de ensino superior. Confirase: Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Ainda que, eventualmente, se pudesse cogitar do enquadramento como “proteção à infância ou à adolescência” a atividade de educação de nível básico ou intermediário, não vemos como estendêla à que é prestada a adultos. Do mesmo modo com respeito aos demais incisos do artigo citado. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.362 5 É por isso que, também no que concerne a essa imunidade, não considero necessário estender a análise quanto ao “cumprimento de requisitos”. Antes de se examinar se a instituição é beneficente há de se admitir que seja de assistência social. As instituições de educação superior não são. Resta, por isso, examinar o cumprimento das condições para o benefício da isenção. E aqui a análise se complica. É que a Lei que instituiu a contribuição já conferira isenção a algumas entidades. Tratase, como se sabe, do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, que, em sua redação original, dispunha: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Não incluía, portanto, nada sobre instituições de educação. Apenas com a edição da Lei nº 9.532/97 é que começa a aparecer alguma disciplina relativa a elas, e que tem gerado bastante polêmica em virtude da remissão que a ela fizeram atos posteriores. Tratase dos arts. 12 a 15 a seguir transcritos: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superavit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430/96. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.363 7 § 4º O disposto na alínea "g" do § 2º do art. 12 se aplica, também, às instituições a que se refere este artigo. Como se vê, sua leitura (porque nem precisa de interpretação) deveria ser fácil: o artigo 12 traz requisitos para fruição da imunidade do art. 150; os art. 13 e 14 estabelecem requisitos para suspensão ou cassação da imunidade (do IR) e o art. 15 cria isenção de IR e CSLL, nos termos que ali define. Não se fala aqui, portanto, de PIS nem de COFINS. Mas essa leitura, aparentemente simples, assim não tem sido. E tudo por causa da edição, em 1999, da Medida Provisória nº 1.858, cujos artigos 13 a 15 assim dispuseram: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; e IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Art. 15. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Aqui, pois, e somente aqui, se estabeleceram isenções (válidas a partir de fevereiro de 1999) de COFINS para instituições de educação, que se aplicam apenas às receitas “relativas às atividades próprias”. Como se nota, também aqui, separaramse claramente as instituições de educação das de assistência social. Para essas últimas, e apenas para elas, o art. 15 expressamente exigiu o cumprimento das disposições do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Para as de educação, não. Todavia, dada a infeliz técnica legislativa adotada, fazse necessário conjugar o inciso X do art. 14, com o inciso III do art. 13, ambos da MP, e eles com o art. 12 da Lei nº 9.532. Para mim, dessa extensa conjugação, apenas resulta que: Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.364 9 São isentas da Cofins as receitas das atividades próprias de instituição de educação que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, desde que não apresente superavit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Assim penso porque ali não se fala de obrigação de gratuidade, nem se exige que ela seja “filantrópica” ou “beneficente”. Entendo que não se aplicam a ela, pois, nem os requisitos previstos na Lei nº 8.212/91 nem os previstos no § 2º do mesmo art. 12 da Lei nº 9.532, este porque expressamente se refere apenas à imunidade lá tratada. De qualquer modo, ainda que se entenda que este último é aplicável, no caso em tela não há qualquer prova de que não tenha sido atendido. Tudo o que resta esclarecer, assim, é o sentido da expressão receitas próprias de suas atividades. A SRF tem dado o entendimento, expresso hoje inclusive em Instrução Normativa (nº 247/2002), de que seriam aquelas que não consubstanciassem contraprestação pelo serviço prestado. Analogamente ao que ocorreria com as associações, entende que, também para as instituições de educação, elas se restringiriam às “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Essa redação da IN simplesmente copiou as conclusões do Parecer Normativo CST nº 05/92. Mas este parecer faz expressa e exclusiva menção às associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Daí porque se refere apenas às mensalidades instituídas por lei, assembléia ou estatuto. Ali se quis excluir de qualquer benefício a receita eventualmente obtida por aquelas associações e entidades em decorrência da venda de bens ou prestação de serviços. Ora, sabese que as associações, espécie do gênero sociedades, se distinguem exatamente pela ausência do recurso ao mercado. Isto é, elas nascem para “prestar serviços” aos seus próprios associados. Em troca, e para viabilizála economicamente, rateiam eles entre si os custos inerentes aos serviços prestados. A relação com o mercado, então, restringese à aquisição dos “insumos” necessários àquele serviço. Para tomar o exemplo de uma associação recreativa ou esportiva: ela nasce para que seus membros possam praticar, em comum, atividades recreativas ou esportivas. Para tanto, precisa comprar e manter determinados equipamentos apropriados às atividades desenvolvidas. Essas despesas é que Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 são cobertas pelos associados mediante contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou estatuto. No caso das demais entidades tratadas no Parecer Normativo – entidades sindicais e representativas de categorias profissionais, tais contribuições são, normalmente, fixadas por lei. Totalmente diverso é o caso de uma sociedade constituída para prestar serviços de natureza civil. Estas vão ao mercado não só para adquirir os “insumos” mas também para ofertar os seus serviços. Analogamente ao exemplo da associação recreativa, agora constituise uma sociedade para, por exemplo, ministrar aulas de uma determinada modalidade esportiva. Nesse caso, sua receita provém da “venda” do serviço prestado. Ora, o texto da lei não restringiu a isenção ao primeiro caso, o das associações. Ao contrário, não fez qualquer exigência de que as instituições de educação fossem constituídas como tal. Aliás, se essa fosse a intenção, não precisaria incluir um item próprio, na medida em que já estariam abrangidas pela expressão “associações a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532 (inciso IV do mesmo art. 13 da MP). Assim, entendo que a “analogia” in casu poderia, quando muito, determinar a exclusão do benefício sobre receitas outras, não oriundas da prestação do serviço educacional, a exemplo de estacionamento, aluguel de ginásio de esportes e de “cantina” e que tais. Nunca sobre a própria receita obtida para financiar a atividade principal da instituição – as mensalidades pagas pelos alunos sob pena de esvaziar a própria isenção concedida. A aplicação da IN implica exigir a COFINS sobre as mensalidades cobradas, restringindo a isenção à parcela repassada pelos mantenedores a título de mensalidades e semelhantes. Não sendo a instituição constituída como associação, pareceme que esta última é que não é a receita das “atividades próprias” da instituição, que não visa prestar educação aos seus mantenedores. Assim, mesmo que entenda incabível a aplicação da imunidade, considero que a entidade cumpre todos os requisitos para fruição da isenção deferida às instituições de educação pelo inciso X do art. 14 da MP 1.858/99. Pelo menos não há nos autos algo que a infirme. De outra banda, para os que entendem possível a aplicação da imunidade, equiparando a educação à assistência social, é mister reconhecer que a jurisprudência oriunda do STF é uníssona no sentido de que o caráter “beneficente” não se confunde com a gratuidade integral. Basta que a instituição também coloque o serviço que presta à disposição de quem precisa e por ele não pode pagar portanto, gratuitamente para estes ainda que para isso cobre de quem pode. Textualmente, em seu voto no julgamento da ADIN 20285, assim se pronunciou o Ministro Moreira Alves: “...Cuidase de entidades beneficentes de assistência social não estando restrito, portanto, às instituições filantrópicas. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.365 11 Indispensável, é certo, que se tenha o desenvolvimento da atividade voltada aos hipossuficientes, àqueles que, sem prejuízo do próprio sustento e o da família, não possam dirigirse aos particulares que atuam no ramo buscando lucro, dificultada que está, pela insuficiência de estrutura, a prestação do serviço pelo Estado”. “Não se contém a impossibilidade de reconhecimento do benefício quando a prestadora de serviço atua de forma gratuita em relação aos necessitados, procedendo à cobrança junto àqueles que possuam recursos suficientes”. No caso em tela, como já dito, a autoridade fiscal autuante sequer questionou a existência de gratuidade parcial. De fato, dos esclarecimentos prestados pela entidade (fls. 28/29) teve aquela autoridade acesso à informação quanto à existência de bolsas de estudo e nada questionou. Na decisão recorrida, também se fez referência a atendimentos gratuitos em hospital mantido pela autuada, desqualificandoos, porém, por considerar que eram “remunerados” pelo SUS. No recurso, a empresa demonstrou que tem até mesmo o certificado de entidade “beneficente” de assistência social expedido pelo CNAS. Com essas considerações, entendo inteiramente descabida a tributação intentada e voto por dar integral provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2008.26 de novembro de 2014 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS No caso de que nos ocupamos, duas diferenças são importantes. Primeiramente, tratase, como já dito no relatório, ao mesmo tempo, de uma associação civil e de uma instituição de educação. Entendo que esse aspecto distintivo é de menor importância na medida em que ambos as entidades são contempladas na norma isentiva. Ademais, a fiscalização não buscou desconfigurar a natureza formal da entidade;com efeito, para o fisco basta o fato de a receita decorrer da prestação de um serviço, ou mais precisamente, constituir a remuneração pela sua prática para que deva ser tributada. Em segundo lugar, a entidade reconheceu expressamente em resposta à fiscalização não se considerar de assistência social. Por isso mesmo, sequer postulou o certificado a que alude a parte final do voto do conselheiro Júlio. Esse aspecto, também, a meu sentir, só é relevante para os que entendam imprescindível o cumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 para o usufruto da isenção prevista na MP. Partilho, entretanto, a conclusão oposta a que chegou o n. relator do acórdão que transcrevi. Diante do exposto e considerando que se mantêm as conclusões alcançadas naquele acórdão, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10670.722001/2011-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO.
Deixa-se de conhecer do recurso voluntário quando considerada intempestiva a impugnação, pelo julgamento a quo, sem que tal circunstância tenha sido enfrentada diretamente em sede recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. Deixa-se de conhecer do recurso voluntário quando considerada intempestiva a impugnação, pelo julgamento a quo, sem que tal circunstância tenha sido enfrentada diretamente em sede recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada.
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INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. Deixase de conhecer do recurso voluntário quando considerada intempestiva a impugnação, pelo julgamento a quo, sem que tal circunstância tenha sido enfrentada diretamente em sede recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, relativo ao imposto sobre a renda da pessoa física, dos anos calendário de 2006 e 2007, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 20 01 /2 01 1- 31 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 327 2 exercícios, respectivamente, de 2007 e 2008, importando em R$ 203.938,50 a título de imposto, acrescido de multa proporcional de 150% e mais juros de mora, calculados pela taxa Selic, conforme valores discriminados na folha 03. Narra a Autoridade Fiscal autuante, no seu “Relatório Fiscal”, que constatou a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Houve qualificação da multa de ofício e lavratura de representação fiscal para fins penais. Na folha 259 observo o Aviso de Recebimento, que acompanhou o Auto de Infração, com data de 20 de dezembro de 2011. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte apresentou Impugnação em 24/01/2012, data que consta do carimbo aposto no envelope de envio da correspondência. Alegou, basicamente, a tempestividade da impugnação, a quebra de sigilo bancário irregular pelo Fisco, a movimentação da conta por terceira pessoa (seu irmão), o comércio de carvão como origem dos depósitos, a existência de ação judicial versando sobre suspensão do crédito tributário, apuração incorreta do tributo, em face da natureza da atividade (rural), e aplicação de multa com efeito de confisco. A manifestação foi assim tratada pelo Órgão Julgador de 1ª instância, em resumo: Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Conforme consta no AR de folha 259, o auto de infração foi entregue no domicílio do interessado em 20/12/2011 (terça feira). Dessa forma, o termo inicial para a contagem do prazo teve início em 21/12/2011 (quarta feira), e final do prazo de trinta dias em 19/01/2012 (quinta feira). Ocorre que a impugnação foi apresentada apenas no dia 24/01/2012 (folha 271), quando, portanto, já havia expirado o prazo para fazêlo. Notou que o próprio contribuinte confirma que o prazo final para apresentação da defesa ocorreu em 19/01/2012. O selo postal apresentado pelo requerente (folha 08 da impugnação) confirma a data da postagem da defesa na Agência dos Correios em Taiobeiras/MG no dia 24/01/2012. O Acórdão da Turma Julgadora foi então resumido no sentido de: “por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de tempestividade arguida e no mérito NÃO CONHECER da impugnação por ser intempestiva.” Cientificado dessa decisão em 18/05/2012, conforme AR na folha 293, apresentou recurso voluntário em 14/06/2012 (envelope, fl. 318) onde, em síntese, traz as mesmas alegações da impugnação, ou seja: nulidade da autuação por quebra irregular do sigilo fiscal do contribuinte; movimentação da conta bancária por terceira pessoa; origem dos depósitos na atividade rural de produção e comercio de carvão vegetal; suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em decisão judicial, no processo envolvendo seu irmão Mark Rogério Freitas Santos, que seria o verdadeiro responsável pela movimentação bancária; apuração equivocada do crédito tributário, sem levar em consideração a atividade rural e suas particularidades. Anexa decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, proferida em 09 de fevereiro de 2012, que “revisa o Acórdão nº Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 328 3 34.350, de 07 de abril de 2011”, explicando que através de Mandado de Segurança, determinouse a revisão do lançamento feito sobre seu irmão Mark Rogério. Por fim, requer que seja recebido e processado seu recurso, para observarse o “cálculo absurdo praticado” e “anular, considerar regular ou diminuir o crédito tributário lançado.” É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). O recurso voluntário é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Infelizmente, sequer adentraremos no mérito da controvérsia. Cumpre esclarecer ao Recorrente que o processo administrativo fiscal está estruturado em fases. A impugnação apresentada tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de trinta dias a contar da ciência da Notificação de Lançamento, instaura a fase litigiosa. Tais regras estão bem claras no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), art. 14. A DRJ, órgão julgador de 1ª instância, não tomou conhecimento das razões materiais do impugnante, não analisando o mérito da questão, pois declarou que a impugnação fora apresentada fora do tempo. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 329 4 Pelo que consta do processo e não é refutado pelo contribuinte em seu recurso, o Auto de Infração, bem como todos os outros documentos e Termos destes autos, foi encaminhado para o endereço informado por ele à Receita Federal, qual seja Rua Santos Dumont, nº 54, Centro, Taiobeiras/MG, tendo sido recebido em 20/12/2011, conforme Aviso de Recebimento cuja cópia está na folha 259. Vale, então, transcrever a Súmula CARF Nº 9 – “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” A impugnação, que deve ser apresentada no prazo de trinta dias a contar da data da ciência da Notificação, não foi conhecida pela DRJ, sob alegação de intempestividade. O art. 5º do Decreto 70.235/1972 disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Conforme explicado, o processo desenvolvese em fases. A impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa, que se compõe de duas instâncias administrativas. Pelas colocações do Julgador de 1ª instância, aqui relatadas e que reputo corretas, o prazo para a apresentação da impugnação expirou em 19/01/2012, sendo que a mesma só foi encaminhada em 24/01/2012, conforme cópia do envelope que consta da folha 270, confirmada pela pesquisa no sitio eletrônico dos Correios, na folha 272, tendo a Unidade preparadora inclusiva lavrado “Termo de Revelia”. Transcrevo do Acórdão recorrido: Conforme consta no AR de folha 259, o auto de infração foi entregue no domicílio do interessado em 20/12/2011 (terça feira). Dessa forma, o termo inicial para a contagem do prazo teve início em 21/12/2011 (quarta feira), e final do prazo de trinta dias em 19/01/2012 (quinta feira). Ocorre que a impugnação foi apresentada apenas no dia 24/01/2012 (folha 271), quando, portanto, já havia expirado o prazo para fazêlo. Notou que o próprio contribuinte confirma que o prazo final para apresentação da defesa ocorreu em 19/01/2012. O selo postal apresentado pelo requerente (folha 08 da impugnação) confirma a data da postagem da defesa na Agência dos Correios em Taiobeiras/MG no dia 24/01/2012. Conforme Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta as normas do processo administrativo fiscal (PAF): Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 330 5 § 1o Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4o Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. § 5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. § 6o Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. (grifei) Entendo que a decisão da Justiça Federal, em sede de Mandado de Segurança cuja cópia não se encontra nestes autos, proferida em relação a outro contribuinte, não se aplica a este processo. Em sede recursal, recorrese da decisão de 1ª instância (art. 33, do PAF). Se não houve decisão sobre o mérito, não há o que se apreciar aqui, a menos que, não é o caso, o recurso tratasse expresamente da tempestividade da impugnação, questionando sobre o prazo de interposição da mesma e/ou as razões de decidir da DRJ, sobre esse aspecto. Destaco que o lançamento pode ser revisto de ofício, nos termos e condições do art. 149 do CTN, mas essa revisão compete ao órgão da administração responsável pelo mesmo, no caso, a Unidade (Delegacia da Receita Federal do Brasil DRFB) competente para efetuálo, não a esta instância recursal. Pelo exposto, considerando a impugnação apresentada intempestivamente, que não instaura a fase litigiosa do procedimento, e não tendo a (in)tempestividade sido questionada (art. 17 do PAF), VOTO por não conhecer do Recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 331 6 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727813/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000.
Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico.
O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN.
Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação.
Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR.
A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão do grupo econômico, pela ausência de demonstração pela fiscalização de que 2 (duas) ou mais empresas estavam sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos - que dava provimento ao recurso, por outros fundamentos, conforme voto ¿ e Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
(Assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação. Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão do grupo econômico, pela ausência de demonstração pela fiscalização de que 2 (duas) ou mais empresas estavam sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos - que dava provimento ao recurso, por outros fundamentos, conforme voto ¿ e Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos - Relator. (Assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 78 13 /2 01 2- 99 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 355 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão do grupo econômico, pela ausência de demonstração pela fiscalização de que 2 (duas) ou mais empresas estavam sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos que dava provimento ao recurso, por outros fundamentos, conforme voto ¿ e Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. (Assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 356 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa FIDENS ENGENHARIA S/A em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito tributário referente ao período compreendido entre janeiro de 2009 a dezembro de 2009. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 13 a 25), o crédito tributário constituise das contribuições sociais patronais destinadas à Seguridade Social, referentes à remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, e não recolhidas, encontradas nos seguintes fatos geradores identificados: a) pagamento de verba a título de Participação nos Lucros – competências 05/2009 a 12/2009: segundo o fisco, o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado, vez que a Convenção Coletiva de Trabalho estabelece tal pagamento como resultado “do menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidente de trabalho”, configurandose verdadeira gratificação ou premiação; b) glosa de compensações indevidas – competências 01/2009 a 10/2009: segundo a fiscalização, decorreram da inexistência do crédito compensado, em virtude de erro do contribuinte na atualização dos saldos de retenção a compensar. 3. Ademais, a fiscalização apontou a existência de solidariedade passiva, por fazerem parte do mesmo grupo econômico as seguintes empresas: FIDENS EQUIPAMENTOS LTDA, VISEN ENGENHARIA LTDA e MINAS EÓLICA LTDA, lavrando os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária – TSPS. 4. Foi aplicada a multa em lançamento de ofício na alíquota de 75%, estabelecida pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, para os créditos incluídos no auto de infração. 5. Inconformadas com o lançamento fiscal, as empresas apresentaram impugnação parcial (fls. 158 a 204), na qual insurgemse apenas contra a autuação referente à cobrança de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa principal a seus empregados a título de PLR e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Isso porque afirmou que a glosa de compensação indevida foi objeto de pagamento com as reduções legais, conforme comprovante juntado à fl. 285. O colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, restando o acórdão recorrido (fls. 295 a 304) assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 357 4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Pagamentos a segurados empregados, a título de premiação/gratificação por assiduidade, tempo de serviço na empresa e não envolvimento em infortúnios trabalhistas, não configuram participação nos lucros/resultados, constituindose em ganhos sobre o qual incidem contribuições sociais. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGALIDADE. A existência de um grupo econômico implica, por expressa disposição legal, o reconhecimento da responsabilidade solidária de seus integrantes pelo crédito tributário constituído. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 6. Após terem sido cientificadas do referido acórdão (conforme fls. 310/311), as empresas apresentaram recurso voluntário tempestivamente (fls. 312 a 347), sustentando, em apertada síntese: a) deve ser afastada a solidariedade passiva, visto que, apesar de integrarem o mesmo grupo econômico, não houve a comprovação de que as recorrentes tenham de alguma forma participado do fato gerador da respectiva pretensão fiscal, visto que o fato gerador referese tão somente ao pagamento de PLR aos empregados próprios da recorrente principal, sem qualquer interesse das recorrentes solidárias; b) o auto de infração e o acórdão recorrido consideraram que a PLR foi paga exclusivamente com base na convenção coletiva de trabalho da categoria, não levando em conta que a dita PLR foi regida pelo acordo coletivo de trabalho celebrado entre a recorrente principal e o respectivo sindicato da categoria; c) o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade real, sendo certo que a intenção da recorrente principal era a de efetivamente promover a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em cumprimento ao art. 7º, XI, da CF/88; d) a PLR é desvinculada da remuneração, sendo indevida qualquer disposição infraconstitucional em contrário, que poderá apenas determinar o modo de sua criação e implementação; 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 358 5 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO E DO INSTITUTO DA SOLIDARIEDADE 2. Sobre a matéria ora analisada, cumpre ressaltar que a legislação que traz o melhor conceito de grupo econômico é a trabalhista. Conforme se encontra disposto no art. 2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, grupo econômico é o composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais, verbis: Art. 2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 3. Assim, verificase que para que haja a caracterização de um grupo econômico, tornase necessária a presença de dois requisitos: a) uma ou mais empresas com personalidade jurídica própria; b) exercício da atividade econômica sob direção, controle ou administração única. 4. As empresas, em sede de recurso voluntário, reconheceram a existência de grupo econômico entre elas, porém afirmaram que as recorrentes solidárias não participaram do fato gerador da pretensão fiscal, “mesmo porque impraticável a coparticipação destas, posto que o fato gerador em discussão referese tãosomente ao pagamento da PLR aos empregados próprios da Recorrente Principal, Fidens Engenharia S/A, sem qualquer ligação ou interesse das Recorrentes Solidárias.” (fl. 319). 5. Assim, não restam dúvidas acerca da existência de grupo econômico pelas empresas apontadas pela auditoria fiscal. Porém, no que se refere à aplicação da Fl. 360DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 359 6 responsabilidade solidária, entendo que deve ser observado o que dispõe o art. 124, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 124. São solidariamente obrigados: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 6. Assim, verificase que, no âmbito fiscal, é o interesse comum que serve de fundamento para essa forma de responsabilidade fiscal. E esse interesse deve ser considerado como decorrente do fato de que dois ou mais contribuintes sejam conjuntamente sujeitos da situação fáticojurídica que deu ensejo ao surgimento da relação tributária, tendo em vista que a solidariedade não se presume, conforme dispõe o art. 265 do Código Civil – CC. 7. Seguindo essa linha de raciocínio, cito o entendimento do Ministro Luiz Fux no julgamento do REsp nº 884.845SC: A solidariedade passiva é um instituto de direito civil aplicável a todos os ramos do direito, segundo o qual, em havendo pluralidade de sujeitos no pólo passivo de uma relação jurídica, cada um deles é obrigado à dívida toda, podendo o credor exigir de um ou alguns, parcial ou totalmente, a dívida em comum. Com efeito, em matéria tributária, a presunção de solidariedade opera inversamente àquela do direito civil, no sentido de que sempre que, numa mesma relação jurídica, houver duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. (...) Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Dessa forma, notase que, diferente do que ocorre no âmbito civil, para a caracterização da responsabilidade solidária que trata o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico para que seja comprovada a solidariedade no pagamento do tributo devido por uma das empresas. Para que isso ocorra é indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. 9. E segundo o ensinamento de Carlo Jorge Sampaio Costa (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador): “(...) a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo”; o que não restou demonstrado no caso ora em análise. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 360 7 10. Nesse mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça – STJ vem firmando sua jurisprudência: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo Regimental improvido (AgRg no AREsp 21073/RS; Ministro Relator Humberto Martins; data do julgamento: 18/10/2011; DJe 26/10/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. Tratase de agravo de instrumento contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul que decidiu pela incidência do ISS no arrendamento mercantil e pela ilegitimidade do Banco Mercantil do Brasil S/A para figurar no pólo passivo da demanda. 2. A Primeira Seção/STJ pacificou entendimento no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Precedentes: EREsp 859616/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/02/2011, DJe 18/02/2011; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010). 3. O que a recorrente pretende com a tese de ofensa ao art. 124 do CTN – legitimidade do Banco para integrar a lide , é, na verdade, rever a premissa fixada pelo Tribunal de origem, soberano na avaliação do conjunto fático probatório constante dos autos, o que é vedado ao Superior Tribunal de Justiça por sua Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1392703/RS; Ministro Relator Mauro Campbell Marques; data do julgamento: 07/06/2011; DJe 14/06/2011). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 361 8 11. Assim, entendo que, embora o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 disponha que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”, este dispositivo deve ser aplicado em conjunto com o que determina o artigo 124, do CTN. 12. A fiscalização considerou que o pagamento de PLR feito em desacordo com a legislação específica pela recorrente principal deve ser imputado solidariamente às demais empresas que compõem o grupo econômico, embora estas não tenham participado, de nenhuma forma, da convenção coletiva que previu a instituição do pagamento de PLR aos empregados. Cumpre ressaltar que esta convenção foi celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada de Minas Gerais e o Sindicato da Indústria da Construção Pesada do referido Estado e o Acordo Coletivo resultante desta convenção foi celebrado diretamente entre a empresa principal e o Sindicato dos Trabalhadores. 13. Dessa forma, entendo que as empresas recorrentes não podem responder de forma solidária com a empresa principal, visto que não participaram conjuntamente da materialidade do fato gerador. DO PAGAMENTO DE PLR 14. A respeito do pagamento da PLR aos trabalhadores, a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais a participação nos lucros ou resultados da empresa, enfatizando a sua desvinculação da remuneração. Eis o teor do dispositivo constitucional: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. 15. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração” (RE 398284, Rel. Min. Menezes Direito, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei nº 10.101/00 (RE 393764 AgRg, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 23/11/2008). 16. A Lei nº 10.101/00 determina os termos essenciais para que o pagamento da PLR não sofra a incidência de contribuição previdenciária, devendo eles serem observados sob pena de descaracterização dos pagamentos feitos a esse título.. 17. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social, em seu art. 28, § 9º, “j”, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 362 9 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 18. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância da legislação especial, in casu, a Lei nº 10.101/2000. E, uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passível, pois, de serem tributadas. 19. Do dispositivo exonerativo anteriormente colacionado, verificase que tal previsão legislativa alcança ou se aplica a PLR paga de acordo com os contornos estabelecidos pela lei que regule a participação, e, no caso, a Lei nº 10.101/2000. Isto significa que uma PLR paga, a qual de uma forma ou outra não atenda os requisitos da referida Lei, entrará no cômputo do salário de contribuição do segurado empregado. 20. Para que uma empresa, portanto, possa efetuar pagamentos aos seus empregados do referido benefício, sem que o mesmo integre o saláriodecontribuição do segurado, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos, em especial os de natureza material, conforme o disposto no art. 2º, da Lei nº 10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) 21. Observese que, ao se falar de requisitos materiais, estes se relacionam ao direito substantivo do trabalhador, bastando a ausência ou inobservância de um deles para que Fl. 364DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 363 10 a PLR deixe de ostentar essa natureza, passando a integrar o saláriodecontribuição do beneficiário. Por outro lado, não terá natureza remuneratória e não será tributada pela contribuição previdenciária a PLR para a qual exista instrumento de negociação, elaborado com a participação obrigatória do sindicato, com regras claras e objetivas, com mecanismo de aferição dos resultados, assim entendido, por exemplo, o mecanismo que comprove como e se foi o objetivo atingido, periodicidade do pagamento, etc., tudo como determina a Lei nº 10.101/2000. 22. Posta a norma, passo a analisar o procedimento adotado pela empresa na concessão do benefício. 23. No presente caso, reiterese que o ponto principal da controvérsia instaurado entre o fisco e a contribuinte concentrase na desconsideração da isenção do pagamento da PLR da empresa. 24. O principal fundamento do fisco para a lavratura do auto de infração é o fato de que a autuada efetuou pagamentos a título de PLR com inobservância de requisitos legais, portanto, em desacordo com a legislação de regência, a respeito do que trago a colação o constatado pela autoridade fiscal: 3.2.5 – Como pode ser constatado, os pagamentos referentes a PLR acima mencionados foram baseados na Cláusula 43ª – PLR da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o SITICOP e o SICEPOT 2007/2008. 3.2.6 – Da análise do conteúdo deste Instrumento, fica claro que os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados foram efetuados de acordo com o parágrafo primeiro da referida cláusula, onde fica estabelecido tal pagamento como resultado “do menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidente de trabalho”; já no parágrafo terceiro são estabelecidos os valores a serem pagos, em função do porte das empresas. 3.2.7 – Tais condições, acima reproduzidas, não podem ser definidas como metas e tampouco as condições listadas no parágrafo seguinte da mesma cláusula. Não se vislumbra ali qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como fica patente a ausência de definição de objetivos a serem atingidos. 3.2.8 – Desta forma, restou claro que o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado. (grifei) 25. Em sua defesa, a recorrente alega que houve equívoco na fiscalização, “ao considerar que a PLR em questão foi paga exclusivamente com base da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria de 2007/2008 e na Cláusula Quadragésima Terceira, transcrita em parte no item 3.2.4 do RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO, sendo certo que dita PLR foi regida pelo ACORDO COLETIVO DE TRABALHO celebrado entre a Recorrente Principal, FIDENS ENGENHARIA S/A, e o SINDICATO DOS Fl. 365DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 364 11 TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO PESADA NO ESTADO DE MINAS GERAIS – SITICOP – MG.” 26. Contudo, analisando o dito Acordo Coletivo de Trabalho (fls. 279/283), verificase que a sua finalidade é “regular a implantação da PLR – Participação nos Lucros e Resultados prevista na Lei 10.101 de 20/12/2000, constante da Cláusula 43ª da Convenção Coletiva 2007/2008, datada de 06 de dezembro de 2007” sendo este acordo complementar denominado de PRR – Programa de Remuneração por Resultados 2008. 27. Em sua cláusula 2ª, o Acordo dispõe que os “agraciados” receberão o PRR de forma complementar à PLR estipulada pela convenção coletiva 2007/2008, deduzidos os valores recebidos originários deste acordo. 28. Dessa forma, o Acordo Coletivo celebrado entre a empresa e o sindicato dos trabalhadores não tem o condão de afastar a PLR estabelecida na Convenção Coletiva da categoria, criando, em verdade, uma nova gratificação aos empregados, a ser paga de forma complementar àquela já estabelecida. Assim, os argumentos da recorrente no sentido de que os requisitos exigidos por lei para o pagamento da PLR constam do acordo coletivo não merecem prosperar, haja vista que, no acordo coletivo, há a instituição de outro pagamento, feito de forma complementar à PLR, tendo, inclusive, outra denominação (PRR). 29. Considerando que a autuação fiscal decorreu da ausência dos requisitos legais para instituição da PLR na Convenção Coletiva de Trabalho e, uma vez afastada a aplicação do Acordo Coletivo no presente caso, passo a analisar a Cláusula 43ª da Convenção Coletiva, que trata da PLR. 30. Os critérios para o recebimento desta verba estabelecidos na Convenção são os seguintes: a) como resultado, elegem o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidentes de trabalho; b) que o empregado tenha trabalhado na empresa por, no mínimo, 8 meses completos no ano de 2008; c) que o empregado tenha comparecido com frequência integral, em todos os meses trabalhados em 2008; d) que o empregado não tenha se ausentado do trabalho por qualquer período, por qualquer licença, salvo no caso de acidente de trabalho ou licença maternidade, em 2008; e) que o empregado não tenha sido vítima de acidente de trabalho em 2008 a que tenha dado causa ou contribuído para sua ocorrência; f) que o empregado não tenha sofrido advertência pelo não uso do EPI ou punição por falta disciplinar em 2008. 31. Desta análise, resta evidente que não há a definição de um plano de metas ou resultados a ser cumprido para o pagamento da PLR, tendo a Convenção Coletiva apenas Fl. 366DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 365 12 previsto um aumento na remuneração dos empregados que mais trabalharam ao longo do ano de 2008, por não terem faltas ou não terem sofrido qualquer acidente de trabalho. 32. Neste contexto, é importante esclarecer que a fixação de regras objetivas e claras constituemse em elemento essencial para conceder validade ao instrumento da PLR. Dessa forma, reiterese que, descumprido esse requisito, inviabilizada estará a aferibilidade do quantum se constitui o benefício e com isto o pagamento da verba perde a sua isenção e consequentemente é incluída na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 33. Feitos esses esclarecimentos, é necessário apontar que a legislação previdenciária, que delimita a base de cálculo das contribuições sociais, qual seja a Lei nº 8.212/91, prevê que somente estarão excluídas as verbas expressamente discriminadas no § 9º do art. 28 da referida norma. 34. No tocante ao pagamento de PLR aos trabalhadores, o texto legal é claro: somente quando paga ou creditada de acordo com a lei específica a PLR deixará de compor o saláriodecontribuição. 35. Por todo o exposto, afasto o defendido pela recorrente, no sentido de que efetivamente tenha ela pago PLR nos moldes preconizados na Lei nº 10.101/00, isto porque requisitos de natureza material e formal deixaram de ser observados, como já apontado anteriormente, de sorte que deve ser mantido o lançamento. CONCLUSÃO 36. Desse modo, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para afastar a responsabilidade solidária das recorrentes, nos termos acima expostos, e rejeitar as alegações no tocante ao pagamento da PLR, por ter sido feito em desacordo com as normas legais. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado. Peço vênia para discordar do Ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito à caracterização da responsabilidade solidária entre as empresas Fidens, Visen e Minas Eólica. Isto, porque o relatório fiscal apenas afirma que as empresas acima compõem grupo econômico, porém sem demonstrar a relação societária entre as empresas, a qual é exigida pela legislação de regência, Lei 8.212/91 e Instrução Normativa nº 971/09, respectivamente: Lei 8.212/91 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 366 13 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; IN 971/09 Art. 494.Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Nesse compasso, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de afastar a responsabilidade solidária entre as empresas Fidens, Visen e Minas Eólica. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 19515.001350/2010-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 50 /2 01 0- 00 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de Instituto Presbiteriano Mackenzie, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/35, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, no período de 12/2006 a 12/2007. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2401002.502, que se encontra às fls.828/838 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO NO RELATÓRIO FISCAL. SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. Recurso Voluntário Negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. Intimado do acórdão em 02/08/2012 (fls. 842), o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 843/850), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão Fl. 939DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 9202003.601 CSRFT2 Fl. 7 3 n° 230200.308, no tocante à possibilidade de convalidação do lançamento por meio de relatório fiscal complementar em caso de falha na descrição dos fatos geradores. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 058/2013, de 15/01/2013 (fls. 912/915). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (917/924). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 230200.308 no tocante à possibilidade de convalidação do lançamento por meio de relatório fiscal complementar. O acórdão paradigma possui a seguinte ementa: “(...) CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO. VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL, INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n 70,235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Auto de infração anulado. Crédito Tributário Exonerado.” A meu ver o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotaram a mesma interpretação não havendo, assim, divergência de teses a permitir o conhecimento do recurso especial de divergência. Explico. Ao analisar a preliminar de nulidade do lançamento o acórdão recorrido considerou que o lançamento original de fato continha lacunas e omissões. Entendeu, no Fl. 940DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 entanto, que tais vícios foram devidamente sanados por meio do Relatório Fiscal Complementar, proferido em atendimento à solicitação de diligência efetuada antes da decisão de primeira instância, nos termos do que determina o artigo 18, parágrafo 3º do Decreto 70.235/1972. Assim o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento O acórdão paradigma, por sua vez, foi expresso em afirmar que não cabe ao CARF (órgão julgador de segunda instância) complementar o lançamento em caso de existência de vícios, na medida em que tal providência, nos termos do artigo 18, parágrafo 3º do Decreto 70.235/1972, compete à autoridade de primeira instância. De fato, no acórdão paradigma, o voto condutor entendeu que diante dos vícios ali presentes, a complementação do lançamento determinada pelo julgador de primeira instância deveria exatamente ter sido a providência a ser adotada. Ausente tal providência determinouse o cancelamento do lançamento. Isto consta expressamente em longo trecho do paradigma: “Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n.° 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, §3º, nestas palavras: “Art. 18 §3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada (Redação dada pelo art.1º da Lei n.º 8.748/93)” Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de oficio, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. É como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo.” Para que não restem dúvidas confronto a seguir trechos dos votos do acórdão recorrido e acórdão paradigma que apontam para a adoção por ambos da mesma tese, in verbis: Acórdão recorrido (2401002.502) Acórdão paradigma (230200.308) De fato, não se pode deixar de reconhecer que o Relatório Fiscal apresentouse omisso e lacunoso quando tratou de descrever as Entendo que o lançamento possui um vício na formalização. Não restou caracterizado o enquadramento dos segurados como Fl. 941DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 9202003.601 CSRFT2 Fl. 8 5 circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, mormente quanto à condição de isenta da entidade autuada. empregados. O relatório fiscal está incompleto, uma vez que não houve detalhamento acerca da subordinação, para a maioria dos casos o Auditor sequer indicou qual seria a atividade prestada pelo segurado, fl. 37. Tal situação revelase muito claramente quando o órgão de primeira instância, ao requerer a diligência lança vários questionamentos sobre fatos narrados no relato da Auditoria e pugna pela emissão de relatório complementar necessário ao saneamento das lacunas presentes na descrição inicial. Com o novo pronunciamento fiscal, todavia, verifico que foram apresentados todos os elementos necessários a boa compreensão dos motivos que deram ensejo ao lançamento. Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto nº 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3º, nestas palavras: (...) Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de ofício, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. E como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. Entendo ser perfeitamente cabível a emissão de relatório complementar quando o órgão julgador, percebendo algum ponto controverso na elaboração da peça inaugural do processo administrativo tributário, baixa o processo em diligência com os questionamentos que entende necessários a boa compreensão do lançamento. É de se ressaltar que, após a emissão do relatório adicional, o sujeito passivo teve a oportunidade de novamente apresentar o seu inconformismo, não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório, posto que todas as vezes em que o Fisco se pronunciou foi facultada a parte adversa possibilidade de contraatacar. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. O trecho constante do paradigma no sentido de distinguir entre erros/vicios que podem ou não ser complementados como resultado de diligência acabou caracterizando, em seu contexto, obter dictum e não razão de decidir, já que naquele caso concreto o voto condutor demonstrou que aceitaria a complementação em diligência determinada a partir da decisão de primeira instância, fato que aconteceu no acórdão recorrido mas não no paradigma. Destarte, tanto o acórdão recorrido quanto o acórdão colacionado como paradigma entendem que nas respectivas hipóteses seria possível a efetivação de lançamento por meio de relatório complementar a partir de diligência determinada em primeira instância. A Fl. 942DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 diferença é que no caso do acórdão recorrido tal providencia se deu enquanto no paradigma ela não aconteceu, disto decorrendo resultado diverso nos respectivos julgamentos. Em outras palavras, não é possível dizer que a adoção da tese do acórdão paradigma aos fatos do acórdão recorrido seria capaz de reverter seu resultado. Este, a meu ver o “teste” para se caracterizar a divergência, não presente na espécie. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 943DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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