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Numero do processo: 19647.000905/2007-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 05/09/2006 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 05/09/2006 a 01/06/2010 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado.
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 4 3 Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 5 4 Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 6 5 possível sua renovação. Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 7 6 Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 8 7 transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 9 8 estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000905/200797 Acórdão n.º 3801004.402 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13603.000465/99-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995
PIS. DECRETOS 2.445/88 E 2.449/88. RECONHECIMENTO DO DIREITO À COMPENSAÇÃO MEDIANTE MANDADO DE SEGURANÇA. PREVALÊNCIA DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO PODER JUDICIÁRIO.
A apuração do crédito a ser compensado deve ser levada a efeito nos moldes decididos pelo Juízo. Assim sendo, se da apuração houver falta de crédito a ser compensado, procede-se à cobrança do valor remanescente.
Numero da decisão: 3301-002.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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DECRETOS 2.445/88 E 2.449/88. RECONHECIMENTO DO DIREITO À COMPENSAÇÃO MEDIANTE MANDADO DE SEGURANÇA. PREVALÊNCIA DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO PODER JUDICIÁRIO. A apuração do crédito a ser compensado deve ser levada a efeito nos moldes decididos pelo Juízo. Assim sendo, se da apuração houver falta de crédito a ser compensado, procede-se à cobrança do valor remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA POSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 2 Relatório Trata-se de retorno de Diligência, determinada pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em Sessão de 03.02.2009, por meio da Resolução nº 202-01.282, mediante a qual os autos retornaram à repartição fiscal de origem para que fosse aguardado o trânsito em julgado da sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.037745-7. Referida decisão se encontra em fls. 247 a 250. O processo versa sobre pedido de restituição, bem como de compensação, de créditos decorrentes de recolhimento indevido de PIS, períodos de apuração de janeiro de 1993 a setembro de 1995 na forma dos Decretos-Lei nº 2.445 e 2.448/88, com valores a recolher de Cofins (2172) períodos de apuração de janeiro de 1999 a junho de 2001 (fl.339). O nobre Conselheiro Relator Antônio Lisboa Cardoso foi bastante minucioso em descrever a lide, razão pela qual, colhe-se de sua manifestação os trechos a seguir: Conforme relatado, trata-se de recurso contra decisão da DRJ que não conheceu da impugnação relativa ao pedido de restituição/compensação do indébito de PIS no período de apuração de 01/01/1990 a 30/09/1995, com base nos inconstitucionais Decretos-Leis n's 2.44588 e 2.449/88, requerido em 10/03/99 (fl. 2), para compensação de débitos de Cofins (02/99 a 02/99, 03/99 a 06/2001), por entender a DRJ que esse mesmo objeto foi aduzido junto ao Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.0.037745-7 (fls. 189/197), ainda pendente de transito em julgado, devendo ser aplicado ao caso o disposto no art. 170-A do Código Tributário Nacional. Entretanto, conforme consta da petição de fl. 207, a recorrente requereu e juntou, As fls. 295/298, cópia da sentença prolatada pelo Juízo Federal da 17a Vara Federal de Minas Gerais, nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.38.00.018024-8, sendo autor a Polimetal Ligas e Metais Ltda e Impetrados o Procurador Chefe da Fazenda Nacional em Belo Horizonte - MG e o Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte - MG. Consta do mandamus que a segurança foi concedida parcialmente para "determinar que as autoridades impetradas que recebam e analisem os recursos interpostos pela impetrante, no âmbito de suas competências, relativamente aos PTA's 13603.000464/99- 55, e os recursos voluntários nºs 13603.000465/99-18 e 10680.002800/99-57. Conseqüentemente, fica deferido o pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inscrito sob n°60.6.06.0008289-28, até que seja esgotada a instância recursal, ou até trânsito em julgado da decisão exarada nos autos do mandado de segurança le 1999.38.00.037745-7. Do teor da sentença prolatada nos autos do Processo n° 1999.38.00.037745-7, em trâmite na Justiça Federal de Minas Gerais (18a Vara Federal), a única providência que poderia ser adotada na esfera administrativa seria analisar o alcance do art. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 13603.000465/99-18 Acórdão n.º 3301-002.573 S3-C3T1 Fl. 348 3 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2000, por tratar-se de legislação superveniente aos créditos e também A v. sentença, corno, aliás, temos feito no âmbito deste colendo Segundo Conselho de Contribuintes. Todavia, essa questão também foi analisada pelo novo mandado e segurança impetrado (MS n°2006.38.00.018024-8), conforme a seguinte fundamentação: "11. Por outro lado, impende, ainda, assentar que o pedido de compensação objeto de contestação judicial somente é possível após o trânsito em julgada da decisão que reconheceu o direito da impetrante ao aproveitamento cio crédito tributário decorrente do recolhimento indevido do PIS na vigência dos Decretos-Leis n°2.445 e 2.449, ambos de 1988 (CTN: art. 170- A)." Assim, há que se verificar a efetiva incidência da denominada Renúncia Administrativa tácita, vez que há a discussão concomitante das mesmas matérias nas instâncias administrativa e judicial. Em razão de existir ordem judicial determinando o recebimento e análise do recurso voluntário, o Relator conheceu do recurso, consignando que: A referida decisão encontra-se pendente de confirmação perante o colendo TRF/la Região, nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 1999.38.00.037745-7, distribuído a Des. Federal Maria do Carmo Cardoso. Portanto, de acordo com a decisão judicial, já foi reconhecida a semestralidade da base de cálculo do PIS sob a vigência dos inconstitucionais Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, bem como sobre a decadência e ainda sobre a possibilidade de compensação com outras contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil. Assim, estão estes autos retornando à apreciação deste CARF, após o trânsito em julgado da mencionada ação . Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima A douta Procuradoria da Fazenda Nacional informou nestes autos, na fl. 209, que decisão proferida pelo Juízo da 17ª Vara Federal de Minas Gerais determinou o prosseguimento dos julgamentos administrativos dos processos nº 13603.00464/99-55 e Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 4 13603.000465/99-18, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário "até que seja esgotada a instância recursal ou até o trânsito em julgado da decisão exarada nos autos do mandado de segurança n° 1999.38.00.037745-7". Portanto, conheço do Recurso. O deslinde do direito aqui narrado passa, necessariamente pelo controle do resultado da ação judicial proposta pela Contribuinte, bem como pelo levantamento dos cálculos para o estrito cumprimento da ordem judicial. Estas incumbências cabem à Delegacia de origem, DRF-Contagem, que, cumpriu seu mister, através de Relatórios circunstanciados Fls. 243 a 346. Em 08.04.2011, a Seção de Controle e Acompanhamento do Crédito Tributário - SECAT-DRF-CON-MG encaminha os autos para a Seção de Orientação e Análise Tributária - SAORT da mesma Delegacia, com o seguinte despacho (fl. 258): (...) sejam procedidos os cálculos necessários afim de se apurar o crédito do contribuinte e, conseqüentemente, a validação dacompensação informada no presente processo administrativo. Em ocorrendo o transito em julgado da ação judicial deverá o presente processo administrativo ser retornado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), haja vista a Resolução n° 202-01.281 da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que determinara a diligência (vide fls. 327/330). Foram, então, elaborados os demonstrativos de apuração de débitos, de pagamentos e de resumo das vinculações auditadas fls. 284 e seguintes. Na fl. 338 a Autoridade Administrativa apresenta planilha de "valores informados em DCTF com vínculo a compensação requerida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00037745-7 - saldo credor de PIS recolhido na vigência dos Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88". Em seu Relatório final, a DRF Contagem , inicialmente, resume a segurança obtida pela Contribuinte: No mérito, concede a segurança para declarar o direito das autoras de efetuarem a compensação de seus créditos provenientes do pagamento indevido das majorações das contribuições para o PIS com tributos ou contribuições vencidas ou vincendas administradas pela Receita Federal, com incidência de correção monetária e juros moratórios, não capitalizáveis, nos termos da fundamentação; - Utilização da OTN (outubro/88 a dezembro/88), BTN (fevereiro/89 a janeiro/91), INPC (março/91 a dezembro/91), UFIR (janeiro/92 em diante), com expurgos inflacionários de janeiro/89, março/90, abril/90 a maio/90, fevereiro/91 e juros Selic a partir de janeiro/96; Acolhida a prejudicial de ocorrência da prescrição decenal, declarando prescrito o direito de ação relativo a eventuais pagamentos realizados antes de 11/11/1989; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 13603.000465/99-18 Acórdão n.º 3301-002.573 S3-C3T1 Fl. 349 5 Reconhecido no período compreendido entre a edição dos Decretos-leis 2.445 e 2.449 e a vigência da Medida Provisória n° 1.212/95 o direito a observar, como base de cálculo do PIS, o faturamento do sexto mês anterior ao de competência, sendo indevida a correção monetária da base de cálculo da contribuição;(...). Depois de proceder aos cálculos, apresenta a seguinte conclusão: Os parâmetros de cálculo do saldo credor a que as autoras fazem jus foram definidos em Sentença de Mandado de Segurança e decisões posteriores do Tribunal Regional Federal la Região, quando se atende em parte A pretensão das autoras, deixando de acatar a pretensão de atualizar o indébito com aplicação dos expurgos do Plano Real e reduzindo desta forma o saldo que a autora pretende compensar. Em levantamento ao saldo credor e sua compensação revelou- se sua suficiência para homologação parcial da compensação promovida, restando validada a compensação dos valores controlados nos processos n° 13603.000019/2011-70(PIS), n° 13603.000465/99-18(Cofins), n° 10680.002800/99-57(Cofins) (...). Do exposto, é de se notar que a decisão judicial declarou procedentes os pedidos formulados pela ora Recorrente, à exceção da correção pelos expurgos do Plano Real. Tal decisão já se encontra cumprida, conforme informação dos autos. Diante da prevalência das Decisões proferidas pelo Poder Judiciário, não cabe a este Colegiado alterar as determinações do julgado, razão pela qual cristalizou-se o Direito da Contribuinte à compensação de pagamentos indevidos de PIS recolhidos na forma dos Decretos-Lei 2.445 e 2.449/88. Nos autos deste processo específico, a apuração levada a efeito (fl. 339) revela a existência de créditos compensáveis de janeiro a maio de 1999. Desta feita, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à compensação, até o limite do crédito apurado. Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 6 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000808/2008-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004
AUXÍLIO UNIFORME. CUSTEIO.
Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços.
SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI-1) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU- RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR- RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Ivacir Julio de Souza Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 AUXÍLIO UNIFORME. CUSTEIO. Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI-1) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU- RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR- RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Ivacir Julio de Souza Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000808/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.922 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente AUTO ONIBUS FAGUNDES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 AUXÍLIO UNIFORME. CUSTEIO. Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 08 08 /2 00 8- 12 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Ivacir Julio de Souza – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000808/200812 Acórdão n.º 2403002.922 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nº 1224.459, fls. 347/355, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.130.6418, referente ao período de 01/12/2003 a 31/12/2004, no valor de R$ 83.752,05 (oitenta e três mil setecentos e cinquenta e dois reais e cinco centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente às contribuições sociais a cargo do empregado, consubstanciados no pagamento de “indenização horarefeição” e “indenização uniforme” e outras verbas remuneratórias, ante o batimento entre folha de pagamento e GFIP, todas não declaradas em guia própria. Foi elaborado pela fiscalização três levantamentos para abarcar os fatos acima, entendidos como tributáveis pelo fiscal: DFP – FP SUPERIOR A GFIP OU NFLD; HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO e; IU – RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME. Os fatos foram explicitados conforme explicados no Relatório Fiscal, fls. 272/283, cujos trechos pertinentes se colaciona abaixo: 3. FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS 3.1 VERBAS REMUNERATÓRIAS DIVERSAS O pagamento mensal de verbas remuneratórias aos segurados empregados, constantes nas folhas de pagamento da empresa e consideradas pela mesma como base de incidência das contribuições sociais. 3.2 INDENIZAÇÃO HORA/REFEIÇÃO O pagamento mensal da verba remuneratória: Indenização Hora/Refeição (cód. 217) aos segurados empregados, constante da folha de pagamento da empresa e não considerada pela mesma como base de incidência das contribuições sociais. ... 3.3 INDENIZAÇÃO UNIFORME 3.3.1 O pagamento mensal (quadrimestral a partir de 11/2004) da verba remuneratória: Indenização Uniforme (cód. 51) aos segurados empregados, constante da folha de pagamento da empresa e não considerada pela mesma como base de incidência das contribuições sociais. ... 3.3.4 A previsão legal se aplica aos casos de pagamento de salários através de utilidades, ou seja, toda prestação in natura Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 que a empresa fornecer ao empregado, em caráter de habitualidade, por força do contrato ou do costume”; situação esta, que não acontece no caso em questão, pois a empresa paga em espécie (moeda corrente nacional) na folha de pagamento, sob o Título: Indenização Uniforme. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 291/314. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 12 24.459, fls. 347/355, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL SEGURADOS É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados (art. 20, da lei 8.212/91). UNIFORME. PAGAMENTO DE IMPORTÂNCIA MENSAL FIXA. NATUREZA SALARIAL. O pagamento de importância mensal fica a título de uniforme, quando desvinculada de qualquer comprovação de despesas, equivale a instituir gratificação mensal ajustada, integrando, assim, o salário de contribuição VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. São passíveis de tributação, dada a sua natureza remuneratória, as horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. Lançamento Procedente (destaques do original) DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, AUTO ÔNIBUS FAGUNDES LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 364/368, requerendo a reforma do acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A natureza indenizatória do pagamento efetuado a título de Indenização Uniforme; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000808/200812 Acórdão n.º 2403002.922 S2C4T3 Fl. 4 5 2) Que a categoria de funcionários da recorrente seja enquadrada na exceção contida no art. 62, inciso I, da CLT. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 370, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DO AUXÍLIO UNIFORME O pagamento a título de ajuda de custo para aquisição de uniformes é realizado por força de norma de Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 presente nas fls. 126/133, e na Convenção Coletiva de Trabalho 2004/2005, fls. 134/141 do processo 15540.000805/200889, do qual este é processo anexo. A Cláusula 21 estabelece o padrão dos uniformes a serem utilizados pelos trabalhadores da companhia de transportes, que, por sua vez, obedece ao estabelecido pelo Decreto 3.893/81 do Estado do Rio de Janeiro, in verbis: CLÁUSULA 21 Fica padronizado para o pessoal de tráfego o seguinte uniforme: a) camisa azul; b) calça, cinto, meias gravata e sapatos pretos. § ÚNICO Nas linhas urbanas fica dispensado o uso de gravata. A Cláusula 23 da CCT, por sua vez, trata da ajuda de custo que deu origem a esta autuação: CLÁUSULA 23 As empresas concederão aos motoristas, cobradores, fiscais, e despachantes, que tenham trabalhado mais de 15 dias em cada mês, e a título de ajuda de custo para aquisição de uniformes, o valor quadrimestral de R$ 48,00 (quarenta e oito reais), com pagamento até o 5º dia útil de março de 2005, correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2004, janeiro e fevereiro de 2005, correspondente a R$ 12,00 por cada mês trabalhado nas condições ora ajustada. Em outubro de 2004 o valor da ajuda de custo será de R$ 12,00. O artigo 28, § 9º, alínea "r" afasta os valores pagos a título de vestuário a serem utilizados no local de trabalho, vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000808/200812 Acórdão n.º 2403002.922 S2C4T3 Fl. 5 7 r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; Tendo em vista que a quantia paga de R$ 48,00 paga em período quadrimestral, equivalente a R$ 12,00 mensais, é de se ver que o valor é considerado razoável, não devendo incidir contribuições previdenciárias. Inclusive, destaco que de acordo com o Código disciplinar dos serviços de transporte, aprovado pelo Decreto nº 3.893/81, constituem infração as seguintes condutas: 3.1.5. Manter pessoal de tráfego em serviço com ausência de uniforme. G1 ... 4.10. Trabalhar com o uniforme sem asseio devido. G1. Dessa forma, o uniforme é essencial à prestação dos serviços, e o valor pago a título deste auxílio é compatível e razoável para os fins a que se destina. Os fundamentos acima são os mesmos esposados em oportunidade pretérita por esta turma, em voto de relatoria do Presidente Carlos Alberto Mees Stringari, no julgamento do processo 15540.720315/201106 no dia 20 de novembro de 2012, em julgamento unânime, quando foi prolatado o acórdão nº 2403001.727, contribuinte Expresso Garcia Ltda., atuante no mesmo ramo empresarial e na mesma base territorial que a do contribuinte sob julgamento. Colacionase abaixo a ementa do julgado e trechos do voto condutor, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 UNIFORME Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para a prestação dos respectivos serviços Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte **************************************************** Quanto à questão de fundo, entendo que os valores referemse sim a uniforme utilizado no local de trabalho para prestação de serviços. Os valores são compatíveis e existe obrigatoriedade de trabalhar uniformizado, conforme contrato de trabalho, convenção coletiva e Decreto nº 3.893/81 do Estado do Rio de Janeiro. Este último estabelece o Regulamento do Transporte Rodoviário Intermunicipal do Estado do Rio de Janeiro, que inclusive prevê Fl. 386DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 como infração "Manter o pessoal de tráfego em serviço com ausência de uniforme." ... Entendo que a situação fática descrita no processo enquadrase na hipótese prevista no artigo 28, § 9º, "r", da Lei 8.212/91, do que resulta em os valores correspondentes e "ajuda uniforme" não integrarem o salário de contribuição Entendo, dessa forma, que a parcela paga a título de indenização uniforme não é hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, § 9º, "r", da Lei 8.212/91. DA INDENIZAÇÃO INTRAJORNADA Entende a recorrente que os valores pagos a título de indenização intrajornada, paga pelo fato de ser suprimido o intervalo do trabalhador, é de caráter indenizatório, vez que não há fruição do intervalo de direito trabalhista, o mesmo está disposto no art. 71 da CLT: Art. 71. Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4º Quando o intervalo para repouso ou alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente, com um acréscimo de no mínimo de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. Conforme ventilado no recurso, e de fácil constatação ante a natureza do serviço prestado, os motoristas e cobradores não utilizam uma determinada hora fixa para o descanso, razão pela qual são indenizados pela supressão do direito trabalhista ordinário. O caso em questão trata de clara supressão de direito trabalhista, que, no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização e, portanto, não integrante do conceito de salário de contribuição, critério material da regra matriz de incidência da contribuição previdenciária. Neste sentido, há precedente da 1ª Turma da 3ª Câmara, que, inclusive, abarca o tema dos uniformes, ratificando o entendimento acima, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARCELA PAGA EM CONTRAPARTIDA À SUPRESSÃO DO INTERVALO ALIMENTAR. ARTIGO 71 § 4º DA CLT. O caput do dispositivo é prescritor de direito trabalhista, consistente na concessão pelo empregador de intervalo de repouso ou alimentação considerado entre lapsos temporais determinados. O § 4° é norma sancionatória, cujo antecedente é Fl. 387DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000808/200812 Acórdão n.º 2403002.922 S2C4T3 Fl. 6 9 o descumprimento da obrigação prescrita na endonorma. O conteúdo da sanção é pecuniário, consistente no pagamento do valor pactuado no contrato de trabalho adicionado de 50%. Tratase de clara hipótese de supressão de direito trabalhista, que no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização. VALOR CORRESPONDENTE A VESTUÁRIO. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. Não integram a remuneração do trabalhador o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. ... (CARF. SEGUNDA SEÇÃO – 3ª CÂMARA – 1ª TURMA ORDINÁRIA, Processo n. 15540.720076/201186, Acórdão n. 2301003.768, sessão de 15 de outubro de 2013) Transcrevo abaixo trecho do voto vencedor do acórdão, de relatoria do Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que fundamentam a decisão do colegiado acima, in verbis: O caput do art. 71 da CLT é prescritor de direito trabalhista, consistente na concessão pelo empregador de intervalo de repouso ou alimentação considerado entre lapsos temporais determinados. O parágrafo 4º é norma sancionatória, cujo antecedente é o descumprimento da obrigação prescrita na endonorma. O conteúdo da sanção é pecuniário, consistente no pagamento do valor pactuado no contrato de trabalho adicionado de 50%. Tratase de clara hipótese de supressão de direito trabalhista, que, no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização. As verbas de caráter indenizatório carecem do elemento contraprestação pelo trabalho e são hipóteses de não incidência por via das contribuições sociais previdenciárias. Nestes termos, entendo que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento desta verba. DAS VERBAS REMUNERATÓRIAS DIVERSAS – DIFERENÇA DE FP E GFIP Além das rubricas especificas acima apontadas pela fiscalização, foi encontrado também diferenças entre folha de pagamento e aqueles declarados em GFIP, estando, por vezes, a primeira com valores maiores do que a segunda. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 O contribuinte em momento algum rebate essa imputação fiscal, deixando de apresentar argumento capaz de infirmar a autuação, razão pela qual, há de ser mantida essa exigência. DO RECÁLCULO DA MULTA DE MORA A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Fl. 389DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000808/200812 Acórdão n.º 2403002.922 S2C4T3 Fl. 7 11 Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar a exclusão dos valores pagos a título de Auxílio Uniforme (Levantamento IU – RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME) e Indenização Hora Refeição (Levantamento HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO) e, por fim, determinar o recálculo da multa de mora do saldo Fl. 390DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 391DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.000808/200812 Acórdão n.º 2403002.922 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Vencedor O i. Relator arrazoou seu voto no sentido de dar provimento às alegações do contribuinte no que concerne ao que fora classificado de "Indenização Hora Refeição (Levantamento HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO)" Afirma que : "O caso em questão trata de clara supressão de direito trabalhista, que, no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização e, portanto, não integrante do conceito de salário de contribuição, critério material da regra matriz de incidência da contribuição previdenciária." Com todo respeito ao entendimento trazido à colação, cumpre divergir tendo em vista que a matéria consta pacificada Tribunal Superior do Trabalho TST na forma da edição da Súmula 437 , verbis: "SÚMULA 437 INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 I Após a edição da Lei nº 8.923/94, a nãoconcessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento total do período correspondente, e não apenas daquele suprimido, com acréscimo de, no mínimo, 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho (art. 71 da CLT), sem prejuízo do cômputo da efetiva jornada de labor para efeito de remuneração. II É inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. III Possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. IV Ultrapassada habitualmente a jornada de seis horas de trabalho, é devido o gozo do intervalo intrajornada mínimo de uma hora, obrigando o empregador a remunerar o período para descanso e alimentação não usufruído como extra, acrescido do Fl. 392DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 respectivo adicional, na forma prevista no art. 71, caput e § 4º da CLT." Relevante destacar que na forma do item III da Súmula 437 do TST, possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. Compulsório notar, ainda , que no § 4º do sobredito art. 71 da CLT, na hipótese de ocorrência de trabalho no intervalo intrajornada, o legislador, a contrario sensu, define que o valor pago referese a remuneração de HORA EXTRA posto que trata como acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da hora normal de trabalho. "Art. 71 Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4º Quando o intervalo para repouso e alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho." Pelo exposto, voto por não dar provimento às alegações do contribuinte quanto a não incidência tributária das verbas pagas à título Indenização Hora Refeição (Levantamento HR – RUBRICA HORA REFEIÇÃO).. Mantenhase o crédito. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator designado. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10680.912800/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO.
Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO.
O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3201-001.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO. Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO. O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 00 /2 00 9- 63 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 3201001.854 S3C2T1 Fl. 256 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por Federação Interfederativa das Cooperativas de Trabalho Médico do Estado de Minas Gerais, doravante simplesmente Embargante, contra o Acórdão nº 3201001.257, datado de 23/04/2013, proferido por este colegiado, que negou provimento ao seu recurso voluntário. O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2004 COOPERATIVAS EM GERAL. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE SOBRE FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com a decisão, a Embargante recorreu na forma do art. 65, inc. II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. Em síntese, a Embargante alega o seguinte: a) A Embargante não procedeu às deduções trazidas pelo Decreto nº 4.524, de 2002, na apuração do PIS Faturamento, não havendo sequer o enquadramento na suposta exigência do PIS Folha. Portanto, o acórdão Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 3201001.854 S3C2T1 Fl. 257 3 foi omisso com relação aos documentos juntados (não apenas balancetes) e com relação à possibilidade de se converter o julgamento em diligência, em face da primazia da verdade real; b) Ainda que a Embargante houvesse deduzido as sobras cooperativistas previstas no inciso VI daquele Decreto, a legislação que introduziu a possibilidade de as cooperativas deduzirem da base de cálculo do PIS/Cofins os valores referentes às suas sobras não ampliou o rol de deduções do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e não há previsão na Lei nº 10.676, de 2003, para que as deduções das sobras se sujeitem à incidência do PIS Folha. Com efeito, o acórdão foi omisso com relação à base legal para a incidência do PIS Folha; foi obscuro na construção do raciocínio que levou o colegiado a decidir pela incidência de PIS Folha sobre as deduções das sobras; e foi contraditório quando mencionou que o Decreto nº 4.542, de 2002, incluiu nova hipótese de dedução àquelas contidas originariamente no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual, todavia, já era implícita; c) Ainda que o legislador ordinário houvesse optado por incluir um sexto inciso no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, permitindo a dedução das sobras (ou outras quaisquer) na base tributável do PIS/Cofins, seria inadmissível a imposição à Embargante do recolhimento do PIS Folha, haja vista o teor do vigente § 2º do mencionado dispositivo, que restringe a subsunção a essa modalidade relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput do mesmo dispositivo legal. Por fim, a Embargante pleiteia o saneamento dos vícios apontados com os efeitos infringentes cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. I – Omissões Inicialmente cumpre esclarecer que, de acordo com os arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, embora o sujeito passivo possa pleitear a realização de diligências, a sua realização é uma faculdade da autoridade julgadora, uma vez que ela precisa estar certa dos fatos sobre os quais proferirá a decisão. Quando o sujeito passivo pleiteia um direito, incumbelhe trazer provas robustas de que esse direito existe, salvo quando ele não dispuser dos meios necessários para fazer essa prova. Nestes casos, a autoridade julgadora tende a acolher o pedido de diligência, embora não esteja obrigada a fazêlo. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 3201001.854 S3C2T1 Fl. 258 4 De todo modo, para não restar quaisquer dúvidas acerca do acórdão embargado, convém sanear as alegadas omissões. No caso concreto, houve a relativização da preclusão material, aceitandose os documentos trazidos em fase recursal. Em suma, a Embargante trouxe o inteiro teor da Solução de Consulta nº 412, de 2004, expedida pelo Chefe da DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região, com o objetivo de demonstrar que não estava sujeita ao regime de PIS Folha; e parte dos balancetes, a fim de demonstrar que não efetuou a dedução das sobras cooperativistas no cálculo do PIS Faturamento. Contudo, tais documentos não foram suficientes para formar a convicção dos julgadores na medida em que a solução de consulta apenas informou que as receitas da Embargante não estavam isentas da Cofins e sujeitas ao PIS Folha, na forma do art. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Em outras palavras, a solução de consulta não entrou no mérito da incidência do PIS Folha especificamente sobre as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ou no art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003. Desse modo, permaneceu a dúvida acerca da não sujeição da Embargante à incidência do PIS Folha no caso específico da exclusão prevista no art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003. Por outro lado, a Embargante não provou, de forma cabal, que deixou de realizar a exclusão permitida no art. 1º, § 2º, da Lei nº 10.676, de 2003, com a simples juntada parcial dos balancetes contábeis. A conduta da Embargante contrariou, pois, o comando legal previsto no art. 333, inc. I, do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Confirase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Registrese que, no caso concreto, o processo é de iniciativa da Embargante, e não da fiscalização. Tratase de um pedido de compensação. Com efeito, cabia à Embargante, no momento oportuno, demonstra a existência do seu direito creditório, o que não conseguiu com a Solução de Consulta SRRF 6ª Região nº 412, de 2004, nem com os balancetes contábeis. Para isso, bastaria que a Recorrente juntasse a memória de cálculo detalhada da apuração do PIS Faturamento, o que não foi feito em momento algum. No tocante à omissão com relação à base legal para a incidência do PIS Folha no caso das sobras cooperativistas, a Embargante está parcialmente correta. De fato, a legislação poderia e deveria ser mais clara sobre o assunto, pois não há lei strictu senso que diga expressamente que a parcela das deduções de sobras cooperativas está sujeita à incidência de PIS Folha. Essa previsão somente está contida, de forma expressa, no art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Porém, quando o legislador incluiu a hipótese das sobras cooperativistas entre as hipóteses de exclusão do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, por meio do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002, quis lhe dar o mesmo tratamento tributário aplicável Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 3201001.854 S3C2T1 Fl. 259 5 às demais exclusões. Após a edição da referida medida provisória, foram editados o Decreto nº 4.524, de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Contudo, no processo de conversão da Medida Provisória nº 66, o art. 36 não foi aprovado, quando, então, tanto o decreto quanto a instrução normativa ficaram sem embasamento legal. Contudo, isso ocorreu por pouco tempo, pois logo foi editada uma outra medida provisória que acabou sendo convertida na Lei nº 10.676, de 2003, saneando a falta de base legal temporária para os dispositivos infralegais citados anteriormente. Como o período em discussão no presente processo administrativo é posterior à Lei nº 10.676, de 2003, a incidência de PIS Folha sobre a exclusão de sobras cooperativistas já estava respaldada em lei strictu senso. Mesmo que a Embargante discorde desse raciocínio, não poderia ignorar a existência do Decreto nº 4.524, de 2002, sem estar protegida por decisão judicial, ainda que precária. Logo, repitase, a Embargante deveria ter comprovado, de forma cabal, que não excluiu qualquer sobra cooperativista da base de cálculo do PIS Faturamento, a fim de justificar que o recolhimento que motivou a sua declaração de compensação era realmente indevido pelo simples fato de ser recolhimento de PIS Folha. II – Obscuridade A Embargante também alega que o acórdão embargado foi obscuro na construção do raciocínio que levou o colegiado a decidir pela incidência de PIS Folha sobre as deduções das sobras. Na medida em que a Embargante não trouxe aos autos do presente processo prova (i) de que estava amparada por decisão judicial que afastasse a aplicação do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002, ou (ii) de que não excluíra as sobras cooperativistas da base de cálculo do PIS Faturamento, o colegiado partiu da premissa lógica de que o PIS Folha era devido e foi recolhido de forma acertada, assim como fizeram as autoridades integrantes das Delegacias de Fiscalização – DRF e de Julgamento – DRJ. O raciocínio é simples: a Embargante é uma cooperativa de serviços médicos e recolheu um DARF no código de PIS Folha. Logo, pressupõese que a Embargante excluiu da base de cálculo do PIS Faturamento as sobras cooperativistas, tendo recolhido, em contrapartida, o PIS Folha, nos termos do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Qualquer raciocínio diverso demandaria prova em contrário. Saneado o vício de obscuridade, fazse imperioso analisar o vício de contradição. III – Contradição O relator do acórdão embargado concorda que se expressou de forma contraditória quando mencionou que o Decreto nº 4.542, de 2002, incluiu nova hipótese de exclusão àquelas contidas originariamente no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual, todavia, já era implícita. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 3201001.854 S3C2T1 Fl. 260 6 Portanto, propõese a supressão da parte destacada no trecho do voto abaixo transcrito: Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, o referido decreto apenas estabelece, em seu art. 32, uma nova hipótese de exclusão de base de cálculo na apuração do PIS Faturamento, qual seja, o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. Naturalmente, se o valor das sobras poderia ser excluído da base de cálculo do PIS Faturamento, caberia a incidência cumulativa do PIS Folha, a exemplo das demais exclusões já previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, o decreto em questão apenas tratou de explicitar algo que já estava implícito na própria norma que tratava das demais exclusões de base de cálculo do PIS Faturamento. É preciso ressaltar, ainda, que a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: [...] Como decorrência dessa supressão, o trecho em questão deverá integrar o acórdão embargado da seguinte maneira: Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: [...] Diante de todo o exposto, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos declaratórios para sanear a contradição e demais vícios do acórdão embargado, sem lhe emprestar, contudo, os efeitos infringentes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 3201001.854 S3C2T1 Fl. 261 7 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10840.002745/2003-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, LEI N° 9.718/98
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ADMISSIBILIDADE AFASTADA. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. A divergência deve ocorrer entre Câmaras de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, LEI N° 9.718/98 A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 45 /2 00 3- 26 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 546 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recuso especial interposto pelo contribuinte contra Acórdão nº 20216.023, proferido pela então Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em que foi negado provimento. Consta dos autos que inicialmente foi lavrado auto de PIS e de COFINS. O processo foi desmembrado em dois. Os débitos da COFINS permaneceram no processo original, por força da Resolução nº 20200.327 proferida pelo Conselho de Contribuintes. Restaram, neste processo administrativo exigência do PIS, por suposta insuficiência de recolhimento. A análise recaiu sobre o direito à compensação, na forma da Lei nº 8.383/91, dos valores recolhidos a maior, a titulo do PIS, com base nos DecretosLeis 2445 e 2449/88, com parcelas do próprio PIS, da COFINS c da CSLL. E nesse contexto, discutese a base de cálculo da contribuição: semestralidade e inclusão dos valores das receitas de “bônus sobre vendas”. No curso, da ação fiscal o Fisco considerou, no cálculo dos valores a serem compensados, a base de cálculo da contribuição devida nos termos da LC n° 07/70, como sendo o faturamento do próprio mês e não o do sexto mês anterior. Sobre tal tema versaram a impugnação, a decisão recorrida, e o recurso. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse por meio da Decisão DRJ/RPO nº 1.374, dei1/08/1999, fls. 229/236, considerando procedente o lançamento, e ementada nos seguintes termos, naquilo que aqui diz respeito: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/1111997, 31705/1998, 30/06/1998, 31107/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 Ementa: PIS. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO SEMESTRALIDADE. As disposições legais relativas à data de depósito da contribuição para o PIS referemse aprazo de recolhimento. (...) Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 547 3 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRAL1DADE. As disposições legais relativas à data de depósito da contribuição para o PIS referemse a prazo de recolhimento. LANÇAMENTO PROCEDENTE”. Houve recurso. A ementa da decisão guerreada (Acórdão nº 20216.023) está assim redigida: PIS. SEMESTRALIDADE. CONCOMITÂNCIA NAS ESFERAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. BASE DE CÁLCULO. BÔNUS SOBRE VENDAS. Considerase como base de cálculo da contribuição os ingressos havidos na contabilidade do contribuinte caracterizados como receitas, que é o caso dos bônus sobre vendas concedidos pelas montadoras de veículos a concessionária. Recurso não conhecido na parte objeto de ação judicial, qual seja, a semestralidade do PIS, e negado quanto á base de cálculo. Dessa decisão, sob o entendimento de ter ocorrido “ omissão” a contribuinte apresentou embargos de declaração, na qual alega (sic) “que a questão relativa à semestralidade da base de cálculo do PIS, não restou decidida pelo Poder Judiciário”. Os embargos não foram acolhidos sob entendimento de não ter havido omissão. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso especial de divergência. Pelo Despacho nº 202.612, de fls. 74D, (522) deuse seguimento parcial ao recurso para admitir apenas a análise do computo dos valores das receitas de “ bônus sobre vendas”. Dessa decisão, cientificado do despacho denegatório do recurso em 24/01/2007 (conforme AR de fls. 529), o sujeito passivo, tempestivamente (em 29/01/2007 fls. 530), apresentou o agravo de fls. 530/535, onde aduz ser imperioso o conhecimento completo do Recurso Especial, uma vez que, “[..] tal como fundamentado no Acórdão n°203.08.103, o Acórdão proferido nos autos do processo judicial (98.03065564) se limitou a pronunciarse sobre compensação do PIS com base na declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 [...]”. Assevera não haver discrepância entre a questão trazida. A discussão na petição de Recurso Especial e a objeto de discussão no Acórdão n° 203.08.103, posto que em ambos os acórdãos paradigma e recorrido a questão limitarseia a ausência de pronunciamento pelo Judiciário da questão relativa a semestralidade da base de cálculo do PIS, “[..] mormente porque como visto pelo Acórdão juntado aos autos proferido no processo judicial Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 548 4 (98.03065564), houve a extinção do processo não havendo qualquer pronunciamento quanto a semestralidade da base de cálculo do PIS, mas tão somente sobre discussão atinente a possibilidade da compensação na forma da IN SRF 21/97”. E continua ressaltando ser a mesma a questão enfrentada nos acórdãos recorrido e paradigma, “[..] qual seja, a de que no processo judicial o Poder Judiciário se limitou á compensação da contribuição, nada decidindo quanto a semestralidade da base de cálculo do PIS”. Por meio do Despacho nº 9303142, o recurso foi admitido também quanto à semestralidade da base de cálculo. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Admissibilidade Passo à análise de apreciação da preliminar dos pressupostos processuais. Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Duas matérias são objeto de análise deste Colegiado. A primeira, diz respeito a semestralidade da base de cálculo, e a segunda, ao computo dos valores das receitas de “bônus sobre vendas”, valores descontados do crédito do contribuinte, por entender fazer parte da base de cálculo. semestralidade da base de cálculo PIS No que diz respeito a semestralidade da base de cálculo, a contribuinte (recorrente) inicialmente, contesta o nãoconhecimento do recurso voluntário no tocante a matéria submetida concomitantemente a apreciação do Judiciário (semestralidade do PIS). Neste sentido, argúi a ocorrência de interpretação divergente da legislação tributária ao argumento de que, como a questão da sistemática de apuração da base de cálculo do PIS não restou decidida no processo judicial, justificase sua discussão na seara administrativa a exemplo do Acórdão n° 20308.103, de 16/04/2002, assim ementado: “PIS AÇÃO JUDICIAL LIMINAR SENTENÇA ACÓRDÃO COMPENSAÇÃO SEMESTRALIDADE Não constando da ação judicial interposta e nem das decisões nas diversas instâncias o direito emanado do parágrafo único do artigo 6° da LC n° 07/70, como tratando de base de cálculo, deve a instância administrativa suprir a lacuna, uma vez arguida a matéria na impugnação e no recurso, já que pacificado, esse direito, pelo Poder Judiciário. Compensação amparada por ordem judicial. Recurso provido. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 549 5 Penso, que o Acórdão n° 20308.103 em nada pode socorrer a recorrente. Isto porque naquele procedimento a opção pela via judicial, na realidade, não restou configurada em razão da inexistência de discussão concomitante da mesma matéria no Judiciário e na via administrativa. A questão de mérito suscitada nos arestos confrontados (paradigma/203 08.103 e recorrido/20216.023) é a mesma: aplicação do critério de semestralidade para efeito de cálculo do PIS. Ocorre que, neste caso em análise, simplesmente a matéria deixou de ser conhecida em razão da concomitância de discussão nas esferas administrativa e judicial. 1 No citado Acórdão (paradigma), porém, procedeuse ao julgamento da matéria porque discutida apenas administrativamente; já que no âmbito do Judiciário o cerne da questão fora a compensação dos créditos. Logo, diante de acórdãos com razões de decidir pautadas em circunstâncias cujos fatos não coincidem, verificase, pois, a absoluta impossibilidade de se estabelecer comparação e deduzir divergência de interpretação da legislação tributária. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. A divergência deve ocorrer entre Câmaras de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. No entanto, por meio do Despacho nº 9303142, o recurso foi admitido quanto à semestralidade da base de cálculo, sob outro argumento, pelo qual o recorrente não traz paradigma. Confirase: Antes, porém, de examinar a questão especificamente de direito atinente ao cabimento ou não do recurso, é importante destacar, primeiramente, não haver nenhuma dúvida concernente a. interposição de ação judicial, pela ora agravante, onde esta buscou provimento jurisdicional relativo à semestralidade do PIS. Tal demanda, protocolizada sob o n° 98.03065564, chegou a ter seu mérito examinado pela Justiça Federal em Ribeirão Preto SP, tendo tal decisão, no entando, sido reformada no TRF 3ª. Região (onde o processo recebeu o n° 1999.03.99.083881 4), que, por sua vez, extinguiu o feito sem julgamento do mérito face a ausência de interesse processual, já que a própria Administração, mediante requerimento do contribuinte, permitia a compensação de créditos decorrentes do recolhimento efetuado nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88. Assim, com efeito, materialmente, o Poder Judiciário, de forma definitiva, não se pronunciou quanto à semestralidade do PIS, posto que, instado a se manifestar sobre a questão, entendeu por prolatar uma sentença de efeitos meramente processuais, a qual, nas palavras de James Marins, “[..] não estabiliza a relação 1 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às i’nstâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 550 6 jurídica incerta uma vez que não julga a lide posta sub judice e permite a repropositura da ação, ressalvados os casos de perempção (art. 268 do CPC)”. Ou seja, no caso, o Poder Judiciário não supriu a buscada estabilidade na relação intersubjetiva entre o cidadãocontribuinte e o Estado, posto que a dúvida concernente à questão aduzida permaneceu incólume. De fato, é regra no âmbito da Administração Tributária Federal que a mera opção pela via judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente autuação, importe em renúncia à instância administrativa, tornando definitivo o crédito tributário lançado, já que o exame da legitimidade desse crédito foi deslocado para o Poder Judiciário. Tal entendimento, embora de indiscutível razoabilidade dado que não é admissível haver posicionamento administrativo conflitante com o entendimento definitivo do Poder Judiciário , pode ensejar a ocorrência de situações especiais nas quais o sujeito passivo finda por não ver seus questionamentos respondidos pelo Estado, como, por exemplo, nos casos em que o processo é extinto sem exame do mérito, e eventual pleito administrativo, em vista da protocolização da ação judicial, e, em função disso, arquivado. O que ocorre no caso presente, em que o Estado foi acionado judicial e administrativamente para responder a demanda especifica (semestralidade do PIS), tendo o Poder Judiciário apesar de, num primeiro momento, se pronunciado sobre a querela decidido, em caráter definitivo, extinguir o processo sem examinar do mérito, fato que levou a Administração Tributária a se abster de analizar a questão. Diante da particularidade do caso, e muito embora, ressaltese, entenda como formalmente admissivel o entendimento exarado no despacho que não acolheu o Recurso Especial nessa parte lembrese, em que o Poder Judiciário não julgou o mérito relativo semestralidade do PIS , penso que caminha em maior sintonia com a razoabilidade posicionamento que viabilize o exame da conformidade entre os acórdãos recorrido e paradigma considerando a materialidade das situações objeto dos mesmos. Aliás, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao examinar situação semelhante, se pronunciou em sintonia com o posicionamento acima defendido, conforme excerto do Acórdão n° 10196.433, abaixo reproduzido: RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA MANDADO DE SEGURANÇA EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO LANÇAMENTO EX OFFICIO POSTERIOR INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA APRECIAÇÃO – POSSIBILIDADE O exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário impede que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. 0 ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazêlo pela via Fl. 550DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 551 7 administrativa. 0 fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões, o não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciação de mérito, por não possibilitar decisões conflitantes. (grifo nosso). Com base nesse foco, temse que ambos os acórdãos, paradigma e recorrido, tratam de situações materialmente idênticas: a) no primeiro (paradigma), não se considerou existir concomitância entre a demanda judicial e a administrativa, já que o pedido judicial foi' atinente apenas à utilização do crédito tributário decorrente dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, não abordando a análise do Judiciário a semestralidade decorrente da interpretação do parágrafo único do art. 6° da LC n° 7/70, questão esta cujo exame foi admitido no âmbito administrativo; b) por sua vez, no julgado recorrido, onde a Administração foi demandada a se manifestar com respeito às mesmas questões aduzidas no acórdão paradigma (direito á compensação do que foi pago com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e semestralidade do PIS), entendeuse por não se conhecer da impugnação concernente a semestralidade do PIS, visto tal matéria haver sido demandada no âmbito do poder Judiciário, o qual, no entanto, ao final, também não examinou a querela. Diante da situação fática acima exposta, e considerando as razões acima aduzidas que demonstram a inexistência de conflito entre as demandas judicial e administrativa, penso que, materialmente, existe sim similitude entre os julgados paradigma e recorrido, onde se observa que a Administração Tributária deu tratamento diverso à mesma situação fática, motivo pelo qual proponho seja o presente agravo acolhido também em relação ao exame atinente A semestralidade do PIS, questão esta, vale lembrar, já objeto da Súmula n° 15 do CARF. Compulsando os autos, o que se depara, conforme exposto, é não haver similitude entre os julgados paradigma e recorrido. Incidência de PIS sobre valores de “bônus” Base de cálculo: Já, no que se refere ao segundo item objeto do recurso especial incidência de PIS sobre valores de “bônus” concedidos pelas montadoras à concessionária, registrese que a adoção de entendimentos distintos para pressupostos fáticos e jurídicos semelhantes restou efetivamente demonstrada. Senão vejamos: no decisum recorrido (20216.023), os valores correspondentes â receita de bônus sobre vendas referentes a períodos anteriores a janeiro/1999 foram incluídos na base de cálculo da contribuição social ao PIS; no julgado dito divergente (29310300), porém, o Colegiado se posicionou contra a inclusão das receitas financeiras e nãooperacionais correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 31/01/1999 na base de cálculo da COFINS. Esclareçase que o dissenso referente ao PIS foi comprovado mediante paradigma de COFINS, considerandose que, para efeito de juizo das questões suscitadas nos procedimentos comparados, a composição da base de cálculo das contribuições sociais em referência é a mesma. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 552 8 Assim, pelos motivos acima, conheço do recurso tão somente quanto a base de cálculo (incidência de PIS sobre valores de “bônus” concedidos pelas montadoras à concessionária) Mérito: Bônus sobre as vendas A questão recorrida sob a alegação de divergência jurisprudencial cingese ao cômputo dos valores de “bônus sobre vendas” na base de cálculo do eis. Segundo a contribuinte, os “bônus” são receitas nãooperacionais c, como tal, não podem integrar a base de cálculo da Contribuição social, relativamente aos fatos geradores ocorridos até 31/01/1999. Transcrevo parte das alegações da contribuinte (fls. 208/209 D) A fiscalização incluiu na base de cálculo do PIS e da COF1NS apurados, valores não previstos na lei como assim fossem. Tratamse de créditos advindos de “incentivos de vendas” da montadora da qual é concessionária a Impugnante. Inobstante o lançamento destes valores como sendo comissões, portanto em conta própria de “comissões” integrante do grupo de Receitas Brutas Operacionais, na verdade tais incentivos não são comissões, ainda mais por prestação de serviços, como pretende fazer valer a fiscalização. Tratase de um plano de incentivo de vendas proporcionado pela montadora da qual é concessionária a Impugnante, de forma que recebe determinada quantidade de veículos em seu pátio, transferido da montadora a um preço fixo. O estoque permanece no pátio da impugnante até, logicamente, o momento em que é vendido sendo que, neste ínterim, o mercado sofre mutações constantes, havendo na maioria das vezes redução no preço final dos veículos. De forma a incentivar as vendas e proporcionar à rede de distribuidores a diminuição de estoque, a montadora concede um bônus para a Impugnante representando uma redução no preço de compra dos veículos, o que entrou, inobstante não ser, como comissão na escrituração contábil da empresa. Desta forma, os incentivos tidos como “comissão” não podem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista serem somente reduções no valor de compra não constituindo venda ou fazendo parte do FATURAMENTO (base de cálculo tributável das contribuições. Para comprovar suas alegações, reportase a recorrente ao Acórdão nº 203 10.300 (fls. 511/513), de 07/07/2005, cuja ementa se transcreve: “COF1NS. BASE DE CÁLCULO. As receitas financeiras e as não operacionais não compõem a base de cálculo da Cofins relativa a fatos geradores ocorridos até 31 de janeiro de 1999. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 553 9 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. OMISSÃO SANÁVEL. A omissão de ato legal na fundamentação do auto de infração que não tenha resultado em prejuízo à defesa da autuada pode ser sanada com a emissão de auto de infração complementar. Recurso de oficio provido em parte.” Consta da decisão guerreada no que diz respeito ao bônus, o que a seguir reproduzo: No que diz respeito ao bônus considerado pela recorrente como incentivo à venda, mas concedido como redução no preço de compra, as considerações tecidas pela decisão recorrida merecem ser acatadas. Realmente tal incentivo à venda não poderia ser feito mediante redução do preço de compra dos veículos já que tais compras já haviam sido realizadas entre fornecedor e concessionária, inclusive no que tange ao preço pago pelo veículo. Conforme diz a própria recorrente em seu recurso, “recebe determinada quantidade de veículos em seu pátio, transferido da montadora a um preço fixo.” Ou seja, o preço de compra já havia sido acordado e estabelecido antes que ocorressem as vendas dos veículos aos consumidores finais, não podendo, portanto, tais bônus incidirem sobre o preço da compra. Os valores chamados de bônus incidem na verdade como um estimulo dado pelas montadoras para que a concessionária efetue a venda ao consumidor final de forma mais rápida. O que se verifica é que tal bônus representa um subsidio às vendas concedido pelas montadoras à concessionária, o que representa receita desta última, devendo ser tributada pelo PIS. A própria decisão recorrida entende tratarse de um subsídio às vendas e não de comissão. Penso assistir razão à recorrente. Para tanto alega: (SIC) não se pode considerar que subsídio de vendas seja faturamento mensal, pois, o subsídio não corresponde a valor de faturamento da comercialização de veículos, mas sim receita não operacional auferida pelo concessionário junto ao fabricante, não representando, portanto, faturamento decorrente da comercialização de veiculo nem mesmo de prestação de serviços que no caso somente podem ser de assistência técnica pelo próprio objeto social da recorrente bem como pela previsão do art. 3ºda Lei n° 6.729, de 1979.” Com efeito, antes do advento da Lei nº 9.718/98, o PIS, por conta das disposições da Medida Provisória nº 1.212/95, sucessivamente reeditada e afinal convertida na Lei nº 9.715/98, incidia sobre o faturamento, assim definido como a receita de venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda de mercadorias e prestação de serviços. Com o advento da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da referida contribuição foi ampliada, e passou a incidir sobre qualquer receita (receita bruta), mesmo aquelas que não se enquadram no conceito de faturamento: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002745/200326 Acórdão n.º 9303003.083 CSRFT3 Fl. 554 10 Lei nº 9.718/98: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Quanto à inclusão na base de cálculo de receitas outras estranhas à atividade da empresa, em razão da sentença proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, entendo serem pertinentes as alegações da contribuinte. Tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. E mais. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Conclusão: Em razão do acima exposto, voto no sentido de: conhecer em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento. Maria Teresa Martínez López Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10283.721458/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF Nº 2.
NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
Quando a impugnação denotar perfeita compreensão dos fatos que ensejaram o lançamento fiscal, não há que se falar em nulidade.
GLOSA DE CUSTO. COMPROVAÇÃO.
A mera alegação de manutenção de sistema de contabilidade integrada de custos não é suficiente para afastar a glosa de custos. A referida alegação deverá ser adequadamente provada a fim de propiciar a aplicação da avaliação de estoques.
DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF.
Mantém-se a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os declarados na DCTF, quando os elementos apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não sendo demonstrada a fraude visando reduzir o montante do tributo na aquisição de mercadorias, a multa de ofício aplicável é de 75%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se a tributação reflexa, no que couber idêntica solução ao lançamento principal em face de estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-001.348
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que dava provimento ao recurso; b) em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Guilherme Pollastri, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Eduardo de Andrade Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF Nº 2. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Quando a impugnação denotar perfeita compreensão dos fatos que ensejaram o lançamento fiscal, não há que se falar em nulidade. GLOSA DE CUSTO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação de manutenção de sistema de contabilidade integrada de custos não é suficiente para afastar a glosa de custos. A referida alegação deverá ser adequadamente provada a fim de propiciar a aplicação da avaliação de estoques. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. Mantém-se a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os declarados na DCTF, quando os elementos apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não sendo demonstrada a fraude visando reduzir o montante do tributo na aquisição de mercadorias, a multa de ofício aplicável é de 75%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se a tributação reflexa, no que couber idêntica solução ao lançamento principal em face de estreita relação de causa e efeito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.943 1 1.942 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.721458/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.348 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente ITAUTINGA AGRO INDUSTRIAL S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF Nº 2. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Quando a impugnação denotar perfeita compreensão dos fatos que ensejaram o lançamento fiscal, não há que se falar em nulidade. GLOSA DE CUSTO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação de manutenção de sistema de contabilidade integrada de custos não é suficiente para afastar a glosa de custos. A referida alegação deverá ser adequadamente provada a fim de propiciar a aplicação da avaliação de estoques. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E O DECLARADO EM DCTF. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os declarados na DCTF, quando os elementos apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não sendo demonstrada a fraude visando reduzir o montante do tributo na aquisição de mercadorias, a multa de ofício aplicável é de 75%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase a tributação reflexa, no que couber idêntica solução ao lançamento principal em face de estreita relação de causa e efeito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 58 /2 01 1- 91 Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que dava provimento ao recurso; b) em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Guilherme Pollastri, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Eduardo de Andrade Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.944 3 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, do anocalendário de 2010, no valor de R$ 38.831.516,44, incluindo o principal, multa de ofício de 150% e juros de mora. Segundo o TVF de fls. 172 e seguintes, a ação fiscal decorreu da continuidade de ações fiscais antecedentes, instauradas em decorrência de prática de infrações reiteradas à legislação tributária, do qual resultaram os créditos apurados em diversos processos administrativos fiscais, nos AC de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive com formalização de Representação Fiscal Para Fins Penais. De acordo com o auto de infração, o sujeito passivo incorreu nas seguintes infrações: 001 – Custos de Bens ou Serviços Vendidos. Glosa de despesas: comprovação inidônea, com reflexos na apuração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, com exigência da multa qualificada de 150%; e, 002 Falta de Recolhimento/Insuficiência de Recolhimento, com exigência da multa regulamentar de 75%. Para justificar as exações a autoridade lançadora assevera no TVF que: Intimou a interessada para apresentação de documentos, comprobatórios dos lançamentos contábeis lançados na planilha de fls. onde estão demonstrados diversos lançamentos a débito de 3 contas contábeis de custos/despesas: 1 Conta Fluvial, 2 Conta Juros e Descontos Passivos, e, 3 Conta Calcário. Que em 17.01.01, a interessada anexou como documentação comprobatória, os seguintes elementos: a) Demonstrativos de lançamentos contábeis efetuados pela CBE Companhia Brasileira de Equipamento, sem identificação do responsável; b) Relação de Consumo de Matéria Prima emitido por Itautinga Agro Industrial S/A. A fiscalização emitiu nova intimação, pois considerou que os elementos apresentados não eram hábeis e idôneos para comprovar os lançamentos mencionados. A interessada esclareceu que os lançamentos cujos históricos descrevem "encargos decorrentes de atividades extrativas" referemse "a encargos contratados de consultoria e engenharia de geologia, mineração e ambiental", contudo não apresentou as Notas Fiscais. Ressalta a fiscalização que os valores relacionados na planilha, com o histórico mencionado, lançados a débito das contas Calcário e Fluvial, tiveram suas contrapartidas lançadas a crédito na conta CBE Cia. Brasileira de Equipamento. A empresa apresentou ainda: 02 Contratos de mútuo entre a Contribuinte e a CBE Cia. Brasileira de Equipamento; Conhecimento de Transporte de Aquaviário de Cargas da Déborah Log LTDA e 02 Notas Fiscais da Trairi Comércio de Derivados de Petróleo LTDA e Tespav Terrap Pav Saneamento LTDA. Após analisar a resposta e os documentos a fiscalização concluiu o seguinte: que os contratos de mútuo, têm os valores de R$ 30.480,00 e R$ 15.000,00, em que a fiscalizada é Credora e a empresa CBE é Devedora. Dessa forma, os referidos instrumentos não estão relacionados aos lançamentos contábeis efetuados na conta de Despesas 621010001 Juros e Descontos Passivos, a qual pressupõe que o contribuinte figure como Devedor; Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 4 de acordo com os lançamentos contábeis, a empresa que figura como prestadora dos serviços aos quais a fiscalizada faz referência, quando menciona os "encargos contratados de consultoria e engenharia de geologia, mineração e ambiental" é a CBE, no entanto, apresenta, como documentos comprobatórios, 2 (duas) cópias de notas fiscais emitidas por Trairi Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. e Tespav Terrap Pav Saneamento Ltda., que não tem qualquer ligação entre esses documentos e a empresa CBE de que trata a intimação; que apresentou cópia de Conhecimento de Transporte Aquaviário emitido por Deborah Log Ltda, contudo, os lançamentos efetuados na contacontábil n° 513010004 (Fluvial) tem por contrapartida lançamentos a crédito na conta de passivo n° 221010002 (CBE). Não foi evidenciada qualquer relação entre esses lançamentos e os documentos apresentados. A fiscalização intimou a CBE, solicitando a apresentação de notas fiscais e demais documentos que dessem respaldo aos lançamentos efetuados nas contas contábeis especificadas. A CBE informou que as notas de débito por ela emitidas eram as apresentadas pela ITAUTINGA e apresentou cópias de contratos de Prestação de Serviço de Assessoria Geológica, Mineral e Ambiental, de Compartilhamentos Rateio de Custos e Despesas Administrativas, e de abertura de crédito em que a fiscalizada é mutuaria. Ocorre que além dos contratos e das notas fiscais, a diligenciada foi intimada a apresentar os demonstrativos dos lançamentos contábeis registrados nas datas dos pagamentos efetuados pela fiscalizada à CBE e tais documentos não foram apresentados. Entendeu a fiscalização que as Notas de Débito, consistem em meros meios de controle, mas não dão respaldo aos custos nem comprovam as prestações dos serviços. Novamente intimada para apresentar os elementos solicitados e prestar os esclarecimentos solicitados quanto aos valores lançados nas contas contábeis de custo nº 712010001 (Calcário), e despesa nº 513010004 (Fluvial), com contra partidas a crédito da conta passivo nº 221010002 (CBE) que compõe a apuração do resultado da pessoa jurídica em 2010, não apresentou qualquer novo documento. A fiscalização então glosou os custos/despesas das mencionadas contas e lançou o IRPJ, PIS e COFINS acrescidos da multa de 150%. Verificado que os valores declarados na DIPJ/2010 nos 1º e 2° trimestres do anocalendário 2010, não foram declarados em DCTF, a fiscalização ainda fez lançamento complementar pela Insuficiência de Recolhimento, com exigência da multa regulamentar de 75% dos seguintes valores: a) Ficha 12, linha 21: 1º Trimestre/2010 – IRPJ – R$ 430.274,10 2º Trimestre/2010 – IRPJ – R$ 177.234,40 b) Ficha 17, linha 83: 1º Trimestre/2010 – CSLL – R$ 157.058,67 2º Trimestre/2010 – CSLL – R$ 65.964,38 Intimada do lançamento em 30/12/2011, a Interessada, apresentou impugnação tempestiva em 27/01/2012 alegando basicamente o seguinte: que a multa aplicada no percentual de 150% é inaceitável e equivocada, uma vez que o fiscal autuante não fez a indispensável representação fiscal para fins criminais. que são subsistentes as glosas dos valores lançados nas contas contábeis nº 513010004 (Fretes e Carretos PJ – Fluvial) e 712010001 (MatériaPrima – Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.945 5 Calcário), cuja contrapartida foram efetuadas a crédito na conta nº 22101.0002 (CBE), que segundo a fiscalização foram contabilizadas com suporte em documentação inidônea. que a autoridade lançadora glosa despesas relativas ao consumo de calcário, conforme “demonstrativo de lançamentos contábeis”, sob a justificativa de não estarem comprovados apesar de a fiscalizada ter colocado a disposição dela os livros e documentos que efetivamente comprovam a ocorrência de tais operações. que a impugnante comprovou a regularidade dos custos do consumo de calcário na fabricação de cimento, durante todo o período de funcionamento da fábrica inclusive nos períodos, valores e quantidades de toneladas, referidos no citado “demonstrativo”. que a impugnante tem uma fábrica de cimento em Manaus/AM, cuja principal matériaprima é o calcário extraído de suas próprias jazidas, situadas no Município de Urucará/AM, interior do Amazonas, e transportado para o seu estabelecimento industrial pelas vias fluvial e rodoviária. que todas as entradas de calcário, deslocados do estabelecimento extrator são acobertadas por notas fiscais de transferências, conhecimentos de transporte e demais notas fiscais de prestação de serviços que formam e compõem o custo final do calcário. que junta agora notas fiscais de transferências, conhecimentos de transporte e notas fiscais de prestação de serviço, dos meses de janeiro (docs. 04 a 58), fevereiro (docs. 59 a 72), março (docs. 73 a 77), abril (docs. 78 a 161), maio (docs. 162 a 263) e junho (docs. 264 a 346). que tais documentos são legítimos e idôneos para comprovação do custo do calcário consumido no processo de produção, e suas quantidades estão acobertadas pelas requisições de materiais, como demonstram os documentos de fls. 347 a 352, de modo não ser verdade que não houve comprovação dos custos ou que os mesmos foram apropriados com base em documentos inidôneos. que os documentos se encontram a disposição da Corte Julgadora para eventual diligência se necessário, e que tais documentos demonstram a insubsistência da exigibilidade do crédito tributário. que da mesma forma, também não procede a glosa dos custos no que toca aos valores apropriados a título de “Encargos Decorrentes de Atividades Extrativas”, já que a Impugnante através de contrato se serve da eficiência e expertise operacional de sua coligada CBE Companhia Brasileira de Equipamento, para pesquisa, desenvolvimento, orientação e gestão na seara de mineração. que os inúmeros serviços prestados pela CBE constam da Cláusula Primeira, Parágrafo Segundo do Contrato firmado com a Impugnante, que a CBE mensalmente é reembolsada das despesas por ela suportadas. que por solicitação da Impugnante a CBE disponibilizou cópias do razão, cujas folhas anexa (doc. 354 a 408) demonstram que os valores lançados a crédito, por recuperação de despesas, foram oferecidos à tributação. Isto é, à medida que os valores eram registrados como crédito por recuperação de despesas, compunham o resultado do período e integravam a base tributável do IRPJ e da CSLL, sem qualquer prejuízo ao fisco. que pesquisa, lavra, extração e consumo de calcário e argila, são inerentes à atividade de fabricação de cimento, cujos dispêndios são custos e despesas operacionais necessários, usuais e normais à atividade produtiva, não havendo, razão para glosálos. Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 6 que as provas retro mencionadas afastam por completo a alegação de fraude e a aplicação da multa de 150% tem efeito confiscatório. que além de ser submetida a exigibilidade de tributo indevido, com improcedente glosa de despesas, ainda é severamente penalizada com a malsinada multa. que também é improcedente o lançamento consubstanciado na premissa que a Impugnante teria deixado de recolher diferenças de IRPJ e CSLL, entre os valores apurados na DIPJ e os declarados em DCTF. que a autoridade lançadora não aponta os valores que teriam sido declarados em DIPJ e não constavam em DCTF. Por desconhecer a materialidade das diferenças de valores, está impossibilitada de questionar o lançamento. que em relação a multa não pretende a Impugnante que seja reconhecida a inconstitucionalidade de lei na esfera administrativa, mas inaplicabilidade de lei que fere a Constituição. que o STF já decidiu, por diversas vezes, a inconstitucionalidade de multa que supera em 30% do valor do tributo. Apresentou, ainda, em 27/01/2012, impugnações aos lançamentos do PIS, COFINS e CSLL, nas quais reitera os argumentos apresentados contra o IRPJ. A 1ª Turma da DRJ/BEL, pelo Acórdão nº 0126.304, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. NOTAS DE DÉBITO. EMISSÃO POR EMPRESA INTERLIGADA. NÃO ACEITAÇÃO PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS/CUSTOS OPERACIONAIS. Documentos intitulados Notas de Débito, emitidos por empresa interligada e relativos a fornecimentos de serviços, são insuficientes para a comprovação de valores contabilizados a título de despesas/custos operacionais, visto desacompanhadas de qualquer documento fiscal (Notas Fiscais, especificamente, relativas a tais fornecimentos) que viesse a lhes dar a devida sustentação, para fins de dedutibilidade. GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. As despesas necessárias à atividade da empresa são indedutíveis, para efeito da apuração do lucro real, quando não forem lastreadas em documentação hábil e idônea que comprove a efetividade e regularidade das operações com emissão de documento fiscal, se for o caso e o pagamento. GLOSA DE CUSTOS. MATÉRIAPRIMA. IMPROCEDÊNCIA. A falta de comprovação dos custos de produção da principal matéria prima utilizada no processo produtivo, não pode dar ensejo à simples glosa da totalidade dos gastos, mormente quando a fiscalização não esgota os meios para efetuar a auditoria de estoque e fazer sua avaliação, se for o caso. DÉBITO ESCRITURADO E NÃO DECLARADO. É procedente o lançamento do crédito tributário, cujo respectivo débito estiver escriturado em DIPJ e não estiver pago ou declarado em DCTF. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.946 7 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal prova de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa, no que couber, idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. A DRJ entendeu ser improcedente a glosa do custo do calcário, em razão de não ter a autoridade lançadora procedido a auditoria do estoque, nos termos dos arts. 294 e 296 do RIR/99 e concluiu também pela improcedência da multa de 150%. Uma vez que o valor exonerado extrapolou o limite previsto no art. 34 do Decreto nº 70.235/72, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 3/2008, o Presidente da Turma recorreu de ofício da parte da decisão que exonerou o lançamento para apreciação deste Conselho. Intimada da decisão da DRJ em 19/07/13, a Interessada apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 05/08/13, reiterando os argumentos de impugnação e acrescentando basicamente o seguinte: em preliminar, contestou o recurso de ofício, por ter o fiscal autuante glosado os custos de produção do calcário que é a principal matéria prima do cimento e ainda lançou a multa de 150% como se houvesse algum crime, o que definitivamente não ocorreu. que não obstante a certeza quanto a nulidade da glosa do custo do calcário, pela inércia do fiscal em não analisar a contabilidade dos custos da contribuinte, em relação ao mérito, por ter certeza da idoneidade de seus procedimentos internos, a recorrente contratou auditoria externa a fim de corroborar os argumentos da impugnação. que o Laudo Pericial Contábil, com Parecer Técnico e documentos não chegaram a ser analisados pela DRJ, uma vez que o mesmo foi anexado em 19/06/2013 enquanto o julgamento se deu em 16/05/2013, antes da ciência do julgamento por parte da Recorrente, que se deu somente em 05/07/2013. que o trabalho da auditoria só foi entregue em 14/06/2013, em razão da quantidade de documentos apresentados, porém nele resta claro a idoneidade da técnica do custo por absorção realizado e agrupado na conta de Almoxarifado, no ativo circulante. O montante envolvido nesta glosa correspondia a R$ 13.496.186,24. que as etapas de produção do calcário consumido pela Recorrente são as seguintes: a) inicialmente procede a extração do calcário de sua jazida mineral, no Rio Jatapú em Urucará/AM, que envolve custos diversos de lavra e extração; b) posteriormente o calcário extraído é transportado por diversas transportadoras para a fábrica em Manaus/AM; c) adentrando na fábrica tem outros gastos necessários para que o produto possa ser utilizado. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 8 que para todas estas fases foram elaboradas relação das notas fiscais e documentos relativos aos custos de lavra, extração e transporte do calcário que correram por sua conta. Tais documentos foram anexados juntamente com o laudo técnico. que os anexos estão subsidiados por planilhas com descrição dos serviços prestados e respectivas notas fiscais e estão organizados da seguinte maneira: Anexo I – Custos de Lavra; Anexo II – Custos de Transporte; Anexo III – Outros Custos (Decapeamento da camada de solo na mina); Anexo IV – Notas de Transferência; Anexo V – Consumo de Matéria Prima; que em decorrência da distancia entre a extração e a fábrica, além dos gastos com lavra, os gastos com transporte são incorporados ao custo final do produto na contabilidade. que para comprovar os custos com transporte do calcário, além das notas de transferência, junta 184 notas fiscais (anexo 2 do Laudo Pericial). que em relação aos custos com lavra, anexou 52 notas fiscais (anexo I e II do Laudo Pericial), que correspondem a serviços de topografia e sondagem geológica, locação de carretas tanque e motoniveladoras, serviços de reparo e conserto de equipamentos, assessoria técnica em meio ambiente e Decapeamento de camada de solo em mina de calcário. que a recorrente mantém sistema contábil de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração e avalia os custos de produção pelo método de absorção, que consiste na apropriação de todos os custos de produção, diretos e indiretos, variáveis ou fixos, de acordo com o art. 290 do RIR/99. No mesmo sentido é o art. 13 da Lei nº 1.598/77. que alem da nulidade da glosa do custo do calcário por inobservância do RIR/99, resta demonstrado inequivocamente a materialidade destes custos pelo Laudo Pericial e documentos acarreados aos autos. em relação à multa qualificada junta farta jurisprudência a seu favor e requer a manutenção de sua redução. no mérito contesta o crédito mantido, alegando que com a participação de empresa coligada na atividade de mineração e em face do compartilhamento de despesas fez, lançamentos a crédito da CBE, mediante nota de débito, encargos que tem base contratual e se referem a despesas efetivamente comprovadas. que por serem coligadas, adotou procedimento semelhante a contrato de conta corrente entre holding, para efeito de fluxo de caixa, no sentido de mediante nota de débito, dar efetividade aos registros dos valores creditados. Tal procedimento não tem o condão de tornar inidôneos os documentos apresentados. que o livro razão da CBE comprova efetivamente o registro da recuperação das despesas e é prova válida. que os arts. 46 e 47 da Lei nº 4.506/64, asseguram a dedutibilidade dos aludidos encargos de custos/despesas, necessário, usuais e normais à atividade produtiva da Recorrente. que não obstante parte dos gastos desse tópico terem sido contabilizados como despesas operacionais, eles foram classificados de incorretamente na escrita contábil. Os documentos de fl. 80/81 Planilha Anexa ao Auto de Infração Demonstrativo de Lançamentos Contábeis, demonstram que os valores lançados a título de custo de calcário e despesa fluvial, foram lançados com os mesmos históricos, encargos decorrentes de atividades extrativas. Ou seja, tratamse dos mesmos fatos, contabilizados em contas diversas, mas que não merecem tratamento desigual. Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.947 9 que os referidos gastos são verdadeiros custos de produção, e tendo o mesmo tratamento jurídico tributário, deveria a DRJ, ter o mesmo entendimento no sentido de que o auditor fiscal, deveria ter estendido os seus trabalhos com a auditoria do estoque, nos termos dos arts. 294 e 296 do RIR/99. que tanto o PIS quanto a COFINS são tributos não cumulativos, perante as empresas que são tributadas pelo Lucro Real. que o art. 3o das Leis n. 10.637/2002, e 10.833/2003, respectivamente, garantem direito ao crédito dos gastos com insumos e outros gastos ordinários. Dessa forma, a glosa das despesas com custos de calcário e as despesas com frete, dentre outras, também, via reflexa, tem efeito na base de cálculo dos referidos tributos. Assim, reconhecida a improcedência da glosa tal como decidido pela DRJ, é inquestionável o direito ao crédito desses gastos. que por tal razão é que se justifica, de um lado, o acerto do aludido acórdão no tocante à improcedência da glosa de custos e, de outro, a insubsistência da exigibilidade de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS reflexos. enfim o recorrido acórdão merece reforma também no que se refere a exigência de IRPJ sobre alegadas diferenças entre os valores declarados na DIPJ e na DCTF. Porém, apesar da divergência entre estes valores, não procede a afirmação da DRJ de que não tenha declarado qualquer valor a titulo de IRPJ. Razão porque também não pode ser mantida a exigência reflexa de PIS e CSLL. que todas as operações de transferência de calcário e toda prestação de serviço de transporte (fluvial/rodoviário), foram acobertadas pelos respectivos documentos fiscais, o que demonstra a improcedência da glosa destes custos e, de outro, a insubsistência da exigibilidade de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS reflexos. que as autoridades fiscais ora afirma que os valores foram declarados em DCTF, ora afirmam que não. Diante de suas incertezas o auto é nulo e não cabe ao julgador consertar, recompor, suprir a deficiência do lançamento para fazer prosperar a exigibilidade do crédito tributário. Junta decisões administrativas neste sentido. É o relatório. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 10 Voto Vencido Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relator. Tomo conhecimento dos recursos de ofício e voluntário por atenderem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. O recurso de ofício das decisões de primeira instância é disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Eis o dispositivo em comento: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite estabelecido pela norma de regência, razão porque dele conheço. Analisando a decisão da DRJ se constata que a mesma exonerou do lançamento, a glosa da conta custos nº 712010001 Matéria Prima – Calcário, realizada sob o histórico de consumo do insumo no mês e restabeleceu a multa de ofício ao patamar regulamentar de 75%. Em relação a glosa do calcário, a autoridade fiscal procedeu a glosa deste custo de produção, principal matéria prima no processo de industrialização do cimento, por não ter documentos hábeis e idôneos para sua comprovação. Contudo, entendo que a DRJ decidiu corretamente no sentido de que a fiscalização deveria ter apurado o custo como determina o art. 294 do RIR/99, que dispõe como deve ser feita a avaliação de estoque. Como não aceitou a escrituração da Recorrente, deveria ter realizado o arbitramento dos valores de custo do calcário através da avaliação dos estoques como determina o art. 296 do mesmo RIR/99, in verbis: “Art. 296 – Se a escrituração do contribuinte não satisfizer às condições dos §§ 1º e 2º do art. 294, os estoques deverão ser avaliados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14, § 3º): I os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matériasprimas adquiridas no período de apuração, ou em oitenta por cento do valor dos produtos acabados, determinado de acordo com o inciso II; II os dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda no período de apuração. § 1º Para aplicação do disposto no inciso II, o valor dos produtos acabados deverá ser determinado tomando por base o preço de venda, sem exclusão de qualquer parcela a título de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS. § 2º O disposto neste artigo deverá ser reconhecido na escrituração comercial.” Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.948 11 Portanto, resta comprovado que a fiscalização não adotou os procedimentos legais para apuração do valor dos custos de produção do calcário, de forma que a glosa realizada desta conta não deve prosperar. Não obstante, a Recorrente junta ainda, uma série de documentos para comprovar o custo do calcário, como notas de transferências, notas ficais, notas de prestação de serviço, corroborados por Laudo Pericial Contábil com Parecer Técnico de auditoria externa da empresa TAX Accounting Auditoria e Consultoria Tributária. O laudo está subsidiado por planilhas com descrição dos serviços e respectivas notas fiscais e recibos que demonstram pelos anexos o Custo da Lavra (I), Custo de Transporte (II), Outros Custos (III), Notas de Transferência (IV) e Consumo de Matéria Prima (V). Em relação a qualificação da multa, já da leitura do TVF tinha ficado evidente que era tíbio o fundamento da sua aplicação, que foi a falta de comprovação dos valores escriturados que serviram indevidamente como redutores da base de cálculo do imposto. Há uma grande diferença entre comprovar a inexistência de uma operação e a presunção de sua inexistência. Na primeira, tem se a certeza que o fato não existiu. Na segunda, apenas não se comprova sua existência. A comprovação da inexistência permite entrar na seara do dolo do sujeito passivo porque não há dúvida da que o fato não se consumou. A falta de comprovação da operação não admite a apreciação do dolo porque a ocorrência do fato continua incerta. A incerteza da existência de um determinado custo admite a glosa na apuração do resultado, por falta de comprovação do fato ocorrido, mas não permite a conclusão do dolo. Para fundamentar o suposto dolo, o fiscal assevera a reincidência na infração em vários outros processos administrativos, argumento este insuficiente para fundamentar sua existência neste processo, ainda mais porque não restou demonstrado o nexo causal deste com aqueles processos. Portanto, entendo que a qualificação da multa, neste caso, importaria equiparar uma insuficiência de documentação em lastrear uma despesa, a fatos delituosos ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo, da adulteração de comprovantes, movimentação de conta bancária em nome fictício, de morto ou de “laranja”, dentre tantos outros. Não se encontram, no caso sob análise, conduta delituosa ou circunstâncias que poderiam firmar a convicção sobre o intuito doloso, razão pela qual a multa deve ser reduzida a 75%. Diante do exposto, resta claro que a DRJ procedeu corretamente ao exonerar a Recorrente desta glosa e da multa de 150% que definitivamente são indevidos, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em relação ao recurso voluntário, analiso primeiramente as alegações de juntada posterior de documentos em razão do princípio da verdade material, a inaplicabilidade de lei que fere a constituição e a anulação do auto de infração por vício formal, diante de sua incerteza e recomposição. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 12 Em relação às alegadas nulidades, entendo que o art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, estabelece todas as situações em que os atos administrativos podem vir a ser considerados nulos, “in verbis”: "Art. 59. São nulos: I. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II. os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Somente estes vícios seriam capazes de determinar a nulidade do ato administrativo e como nenhum deles veio, efetivamente, a ocorrer no presente processo descarto a pretensão de nulidade. Além disso depreendese da leitura das razões de impugnação que a Recorrente conhece plenamente todas as acusações as quais lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa. Também inexistiu cerceamento de defesa por qualquer ato das autoridades administrativas que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa. O Recorrente teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, tendo sido intimado de todos os atos praticados. Quanto a documentação anexada em sede de recurso voluntário, entendo que deve ser aceita em obediência ao princípio da verdade material, visto que a documentação e os laudos anexados, certamente demandaram muito tempo de trabalho e, de qualquer forma, deve a autoridade fiscal procurar, sempre, se a realidade dos fatos tipificam o fato gerador. Com referência às argüições de legislações que ferem a constituição, tais aferições só podem ser feitas pelo Poder Judiciário, cabendo ao Poder Executivo, e a todos os seus agentes, o estrito cumprimento dos atos legais regularmente editados. Esta matéria está consolidada na esfera administrativa tendo sido inclusive sumulada, através da Súmula CARF Nº 2, que determina: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A glosa mantida pela DRJ foi em razão de não aceitar os documentos apresentados pela Recorrente para comprovar o lançamento de custos/despesas às contas 513010004 Fretes e Carretos PJ – Fluvial e 712010001 MatériasPrimas – Calcário. DOS CUSTOS DE FRETE FLUVIAL Segundo a DRJ, em relação à apropriação dos custos de frete fluvial (conta 513010004 Fretes e Carretos PJ – Fluvial), apesar da Recorrente ter alegado que tais custos foram alocados erradamente e na verdade são “encargos contratados de consultoria e engenharia de geologia, mineração e ambiental” junto à CBE, mas que deveriam ser apropriados com custos/despesas da recorrente na apuração resultado, a argumentação é improcedente por falta de provas. Alega que ela não comprova a inexistência dos custos de frete fluvial, nem que estes custos não foram consideradas nas contas de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica utilizadas na apuração do custo de produção (ficha 04A da DIPJ) e na despesa operacional (ficha 05A da DIPJ). E ainda que houvesse comprovação do equívoco, ainda assim as provas apresentadas pela Recorrente são insuficientes para comprovar a despesa. Explica. As notas de débito são meros instrumentos de controle contábil, na qual se cientifica à terceira pessoa a ocorrência de um débito que lhe será atribuído, proveniente de Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.949 13 remessas de mercadorias, de despesas ou de outras origens, desprovido, per si, de qualquer atributo que lhes possa assegurar a devida sustentabilidade para fins fiscais. O contrato de prestação serviços aventado entre as partes, comprova a existência de uma obrigação de fazer. Todavia, sozinho, não comprova a efetiva execução da obrigação. A existência da execução obrigação, para fins fiscais, se comprova mediante expedição do documento fiscal hábil para a operação. Os contratos de serviços assinados pelas partes prevêem a forma de remuneração dos contratos o que não foi comprovado, nem por parte da CBE nem pela Recorrente. Não tem as notas fiscais por isso as notas de débito não me parecem suficientes Outros meios podem ser utilizados para a comprovação da execução das obrigações, ainda que seja questionável sua utilização para fins fiscais. Entretanto tais meios devem assegurar de maneira inequívoca a execução da obrigação. No caso de prestação de serviços, mister a comprovação da efetiva prestação dos serviços e o correspondente pagamento. Provas estas não trazidas aos autos. O contrato de rateio de despesas, também comprova a existência de uma obrigação de fazer, mas não comprova a efetividade da execução da obrigação. Para tanto, mister a existência de provas da efetividade das despesas a serem rateadas e do respectivo pagamento. Fatos não comprovados. Os documentos trazidos às folhas 354358, que segundo a Recorrente seriam cópias do lucro razão da CBE, também não se prestam para assegurar a efetividade da operação. É que além de não poderem ter sua legitimidade conferida (pela ausência do livro diário), não demonstram que as supostas despesas recuperadas foram de fato consideradas na apuração do resultado. E ainda que superados estes obstáculos, não comprovam o vínculo entre as supostas despesas recuperadas e a recorrente. Razões porque mantenho integralmente a glosa efetuada à conta 513010004 Fretes e Carretos PJ – Fluvial. DOS CUSTOS DO CALCÁRIO, RELATIVOS AOS ENCARGOS DECORRENTES DE ATIVIDADE EXTRATIVA Em relação a este custo a DRJ entendeu que no que se refere à apropriação dos custos de calcários, realizadas sob histórico encargos decorrentes da atividade extrativa (conta 712010001 MatériasPrimas – Calcário), a Recorrente também alegou serem eles referentes aos “encargos contratados de consultoria e engenharia de geologia, mineração e ambiental” junto à CBE. Como prova do alegado, carreia aos autos os mesmos elementos citados no tópico anterior (notas de débito, contrato de prestação de serviço, contrato de rateio de despesa e folhas do razão da contratada). Assim, com base nos mesmos argumentos utilizados no tópico anterior, manteve a DRJ a glosa desses custos. A jazida de calcário explorada pela Recorrente está no Rio Jatapú, sendo que ela mantém estoque de peças e materiais para o processo de mineração em Santa Maria. Em decorrência disto, além dos gastos com lavra ela tem gastos com transporte que devem ser incorporados ao custo final. Para comprovar este custo de transporte, além das notas de transferência, foram acarreados aos autos 184 notas fiscais que demonstram pelo menos parcialmente a composição destes gastos através do anexo 02 do Laudo Pericial Contábil da TAX Accounting Auditoria e Consultoria Tributária. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 14 Então os custos com lavra, assim como os de frete, estão comprovados por este mesmo laudo só que no anexo I e III, acompanhados de 52 notas fiscais, que correspondem a serviços de topografia e sondagem geológica, locação de carretas e motoniveladoras, reparo e concerto de equipamentos e assessoria técnica de meio ambiente. Portanto, assim como ocorreu no caso do recurso de ofício entendo que a fiscalização deveria ter apurado o custo como determina o art. 294 do RIR/99, que dispõe como deve ser feita a avaliação de estoque. Como não aceitou a escrituração da Recorrente, deveria ter realizado o arbitramento dos valores de custo do calcário através da avaliação dos estoques como determina o art. 296 do mesmo RIR/99. A Recorrente em sua peça recursal apesar de não ter levantado a tese do arbitramento diretamente, ela requer expressamente que fosse adotado o mesmo entendimento da DRJ sobre esta glosa. Portanto, entendo não serem legitimas estas glosas por integrarem diretamente o processo produtivo do calcário e estarem estas deduções do custo final do produto previstas na legislação de regência e assim como o calcário necessitariam de auditoria, razão porque o lançamento deve ser exonerado nesta parte. O CARF já se pronunciou neste sentido, através de diversos julgados, entendendo que não pode subsistir a glosa de custos quando a pessoa jurídica demonstra a compatibilidade entre a matéria prima e a produção, como no presente caso. DO IRPJ ESCRITURADO E NÃO DECLARADO A Recorrente alega a nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do lançamento referente ao IRPJ escriturado na DIPJ e não declarado na DCTF, porque a autoridade lançadora não teria apontado as divergências dos valores. O argumento não tem razão de ser. Primeiro, ninguém melhor que a própria Recorrente para saber o valor declarado em DCTF, vez ser ela mesma a prestadora das informações. Segundo, a fiscalização afirmou no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração, que “os valores calculados pelo sujeito passivo na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ referentes aos 1º e 2° trimestres do anocalendário de 2010, não foram declarados em Declaração de Créditos Tributários Federais –DCTF” (fl. 177), que leva a concluir que o sujeito passivo não declarou qualquer valor a título de débito de IRPJ. Não sem razão, a totalidade dos valores apurados na DIPJ foi exigida no lançamento. Neste ponto, em verdade, a Recorrente limitouse a classificar como indevida a ação da autoridade fiscal, sem, contudo, oferecer um único documento ou fato capaz de ilidir o lançamento, razão porque o mantenho nesta parte. Sendo os lançamentos do PIS e da COFINS decorrentes do IRPJ, aplicamse a elas o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Ante todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, aceitando como comprovada somente a conta 712010001 MatériasPrimas – Calcário, relativos aos encargos decorrentes da atividade extrativa que está diretamente ligada ao negócio da recorrente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relator Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Processo nº 10283.721458/201191 Acórdão n.º 1302001.348 S1C3T2 Fl. 1.950 15 Voto Vencedor Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Redator Designado Em que pese o brilhante voto do Conselheiro Guilherme Pollastri, dele ouso divergir no que tange aos “Custos do Calcário – Atividade Extrativa”. O Ilustre Conselheiro relator usou os seguintes fundamentos como razão de decidir: “A jazida de calcário explorada pela Recorrente está no Rio Jatapú, sendo que ela mantém estoque de peças e materiais para o processo de mineração em Santa Maria. Em decorrência disto, além dos gastos com lavra ela tem gastos com transporte que devem ser incorporados ao custo final. Para comprovar este custo de transporte, além das notas de transferência, foram acarreados aos autos 184 notas fiscais que demonstram pelo menos parcialmente a composição destes gastos através do anexo 02 do Laudo Pericial Contábil da TAX Accounting Auditoria e Consultoria Tributária. Então os custos com lavra, assim como os de frete, estão comprovados por este mesmo laudo só que no anexo I e III, acompanhados de 52 notas fiscais, que correspondem a serviços de topografia e sondagem geológica, locação de carretas e motoniveladoras, reparo e concerto de equipamentos e assessoria técnica de meio ambiente. Portanto, assim como ocorreu no caso do recurso de ofício entendo que a fiscalização deveria ter apurado o custo como determina o art. 294 do RIR/99, que dispõe como deve ser feita a avaliação de estoque. Como não aceitou a escrituração da Recorrente, deveria ter realizado o arbitramento dos valores de custo do calcário através da avaliação dos estoques como determina o art. 296 do mesmo RIR/99. [...] Portanto, entendo não serem legitimas estas glosas por integrarem diretamente o processo produtivo do calcário e estarem estas deduções do custo final do produto previstas na legislação de regência e assim como o calcário necessitariam de auditoria, razão porque o lançamento deve ser exonerado nesta parte.” Divirjo aqui quanto ao entendimento da necessidade do arbitramento dos valores de custo de calcário, através da avaliação de estoques, porque apesar da alegação da recorrente de que mantém sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, porém, durante todo o curso deste procedimento, tais documentos não foram apresentados. Razoável supor que o laudo apresentado fora feito por encomenda, a posteriori, como forma de contribuir com a elucidação do objeto aqui discutido, porém os documentos comprovatórios da alegada contabilidade de custo integrado, poderiam (ou deveriam, melhor dizendo) ter sido apresentados à fiscalização. Acerca dos custos rateados com a CBE, a recorrente insiste em que as notas de débito seriam suficientes para provar as alegadas despesas, e que, ainda que assim não se entendesse, que o Livro Razão da CBE confirmaria tais gastos. De fato, a diligência na CBE constatou que os custos na Itautinga correspondem a recebimentos (via mútuo) na CBE. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO 16 É também verdade que o contrato de rateio de despesas prevê textualmente a possibilidade de comprovação do rateio via notas de débito. Pragmaticamente falando, só é possível obter os benefícios do rateio de despesa se tal rateio for demonstrado via ND, haja vista que se foram emitidas notas fiscais, estas acabariam por ensejar toda uma tributação que com o rateio se deseja evitar. Contudo, o referido contrato de rateio de despesas só é válido para as despesas administrativas. Diferentemente o contrato de prestação de serviços de assessoria geológica, mineraria e ambiental (fls. 102 e segs.), prevê descrição muito mais detalhada para os dispêndios efetuados e cobrados, conforme se verifica do Cláusula 2ª, § 3º do referido contrato. A referida descrição detalhada dos dispêndios efetuados, nunca foram apresentados pela recorrente. Assim, em que pese a alegação de contabilidade integrada de custos, nada há nos autos comprovando o fato alegado. Ademais, em relação ao contrato de assessoria, também não há compravação, através de documentos contábeis e idôneos, da despesa lançada, razões pelas quais entendo que a glosa efetuada deve ser mantida. Com base na acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário também neste ponto. Sala de Sessões, 08 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Redator Designado Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PI NTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Numero do processo: 13896.004279/2002-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002
Recurso Especial Privativo da PGFN, necessidade de demonstração da Contrariedade à Lei ou à Evidência das Provas.
O recurso previsto no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, para ser admitido, deveria versar sobre decisão não unânime, e que a recorrente demonstrasse, além da tempestividade, da legitimidade e do interesse de agir, à contrariedade à lei ou à evidência das provas. A inobservância de qualquer desses requisitos leva, necessariamente, à não admissibilidade do recurso. Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. A conselheira Nanci Gama, declarou-se impedida. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 Recurso Especial Privativo da PGFN, necessidade de demonstração da Contrariedade à Lei ou à Evidência das Provas. O recurso previsto no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, para ser admitido, deveria versar sobre decisão não unânime, e que a recorrente demonstrasse, além da tempestividade, da legitimidade e do interesse de agir, à contrariedade à lei ou à evidência das provas. A inobservância de qualquer desses requisitos leva, necessariamente, à não admissibilidade do recurso. Recurso não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-12-29T12:35:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-12-29T12:35:52Z; Last-Modified: 2014-12-29T12:35:52Z; dcterms:modified: 2014-12-29T12:35:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:e98933fc-6399-45e8-b8ee-9d20e658d29c; Last-Save-Date: 2014-12-29T12:35:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-12-29T12:35:52Z; meta:save-date: 2014-12-29T12:35:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-12-29T12:35:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-12-29T12:35:52Z; created: 2014-12-29T12:35:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2014-12-29T12:35:52Z; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-12-29T12:35:52Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 267 1 266 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.004279/200285 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.173 – 3ª Turma Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria Restituição/Compensação de Cide Royalties Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SONY PICTURES HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 Recurso Especial Privativo da PGFN, necessidade de demonstração da Contrariedade à Lei ou à Evidência das Provas. O recurso previsto no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, para ser admitido, deveria versar sobre decisão não unânime, e que a recorrente demonstrasse, além da tempestividade, da legitimidade e do interesse de agir, à contrariedade à lei ou à evidência das provas. A inobservância de qualquer desses requisitos leva, necessariamente, à não admissibilidade do recurso. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. A conselheira Nanci Gama, declarouse impedida. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 42 79 /2 00 2- 85 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Os fatos foram assim narrados pelo Acórdão recorrido: Tratase de processo administrativo em que é controlado débito que o recorrente pretende ver compensado com crédito afirmado nos autos do processo n.° 13896.003705/2002 63, o qual foi julgado por esta Câmara em 13/06/2007. Í Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Resolução DRJ/CPS n° 785, de 04/10/2005, (fls. 54/55), onde tomam como base do julgamento a decisão DRJ/CPS n° 10.799, de 04/10/2005, juntada em anexo (fls. 56 /65). As fls. 67 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário, arrolamento de bens e documentos de fls. 68/203, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. A Câmara recorrida, julgando o feito, deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: CIDE ROYALTIES. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ DEFERIDO. Restando validado administrativamente o crédito do contribuinte objeto de pedido de compensação e realizado o referido requerimento nos moldes do previsto art. 74 da Lei n.° 9.430/96, deve este ser deferido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.. Irresignada com esse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração com o intuito de ver sanada suposta obscuridade no acórdão embargado. Submetido a julgamento, os embargos foram rejeitados pelo Colegiado a quo sob o fundamento de não se ter verificado a omissão (a PGFN alegou obscuridade) no julgado. Ainda não resignada, a PGFN apresentou recurso especial, por contrariedade à lei. Por meio do despacho de fls. 238/240, o Recurso foi admitido. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde defende a inadmissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, e no mérito, seu improvimento. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13896.004279/200285 Acórdão n.º 9303003.173 CSRFT3 Fl. 268 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo, mas não merece ser conhecido pelas razões a seguir aduzidas. Examinando os autos, verificase que o nobre representante da Fazenda Nacional não apontou onde estaria a contrariedade à Lei ou à evidência das provas, como exigia o dispositivo regimental vigente à época da interposição do recurso. Na realidade, essa omissão na peça recursal decorreu, a meu sentir, de entendimento equivocado do signatário da peça recursal, dos pressupostos de admissibilidade do então recurso especial privativo da PGFN. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época do julgamento que culminou no acórdão recorrido, exigia que o recurso previsto no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, versasse sobre decisão não unânime e que se demonstrasse, fundamentada, a contrariedade à lei ou à evidência da prova. Tal exigência consta expressamente do 1§ 1º do art. 15 da citada portaria. Entender que o recorrente está desobrigado de demonstrar à violação à lei ou à prova dos autos, como alegou o nobre representante da Fazenda Nacional, é fazer letra morta do dispositivo regimental acima aludido. De outro lado, no exame de admissibilidade pelo presidente do Colegiado recorrido ou pelos membros da Turma da CSRF, devese ater aos aspectos formais da alegada contrariedade, pois, a efetiva violação da lei ou a real inobservância das provas trazidas à colação constituemse no mérito recursal e só será examinada se o recurso for conhecido. Em outras palavras, para que o recurso pudesse preencher os requisitos de admissibilidade, além da tempestividade, da não unanimidade da decisão, da legitimidade e do interesse de agir, a recorrente, necessariamente, deveria ter apontado qual dispositivo legal ou qual prova foram contrariados. À mingua dessa providência, o recurso não preenche todos os requisitos formais de admissibilidade, não merecendo, por isso, ser conhecido. Anotese, por oportuno, que não se está se exigindo aqui, que, em sede de preliminar de admissibilidade, seja trazida as razões de mérito acerca da contrariedade à lei ou à evidência das provas. Tampouco se está se afirmando aqui, que, no exame da admissibilidade seja examinado, à exaustão, o mérito da suposta contrariedade. Na realidade, o que se exigia, em sede de admissibilidade, é que a recorrente apontasse, na decisão recorrida, onde estaria a contrariedade à lei ou à prova dos autos, providência que a recorrente, confessadamente, não o fez no caso sob exame, e uso o termo confessadamente porque o signatário do recurso 1 Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo,deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 consciente e deliberadamente optou por não demonstrar onde estaria a suposta violação à lei ou à prova dos autos, ao contrário, carregou nas tintas para tentar provar que tal providência seria despicienda, e, por assim pensar, não gastou uma linha sequer de seu recurso para tentar demonstrar a contrariedade à lei ou à evidência das provas, adentrando, diretamente, no mérito do recurso. Diante do exposto e considerando que o recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional não preenche todos os requisitos de admissibilidade, voto no sentido dele não conhecer. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11020.002637/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
NORMAS PROCESSUAIS - DECLARAÇÃO DE NULIDADE - É nula a decisão que não enfrenta todas as questões que compuseram o litígio.
Decisão Anulada Parcialmente.
Numero da decisão: 1101-001.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
[assinado digitalmente]
Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Decisão Anulada Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. [assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 26 37 /2 00 5- 31 Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11020.002637/200531 Acórdão n.º 1101001.242 S1‐C1T1 Fl. 4.027 2 Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão n° 1018.254 1a Turma da DRJ/POA, julgado na sessão de 16 de janeiro de 2009, que julgou improcedente a impugnação e mantendo o crédito tributário relativo ao IRPJ dos anoscalendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, Constam do auto de infração as seguintes exigências: 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NÃO TRIBUTAÇÃO DOS CREDITOS EXTEMPORÂNEOS DE ICMS (2000, 2001, 2002, 2003 e 2004). Insuficiência de declaração do imposto de renda devido, resultante do não oferecimento A tributação dos créditos extemporâneos de ICMS utilizados pelo contribuinte, conforme Termo de Verificação fiscal. 002 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DIFERENÇA ENTRE 0 IRPJ ANUAL DECLARADO E 0 ESCRITURADO Durante o procedimento de fiscalização foram constatadas divergências entre os valores de IRPJ LUCRO REAL ANUAL declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. (2000, 2001 e 2004) 003 MULTAS ISOLADAS MULTA ISOLADA SOBRE IRPJ ESTIMATIVA MENSAL DECLARADO A MENOR (ICMS EXTEMPORÂNEO) Falta de declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, estimativa mensal, incidente sobre os balanços de suspensão ou redução, em decorrência do não reconhecimento dos créditos extemporâneos de ICMS, conforme Termo de Verificação Fiscal. (2000,2001, 2002, 2003 e 2004) 004 MULTAS ISOLADAS MULTA ISOLADA SOBRE DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 VALOR ESCRITURADO E 0 DECLARADO EM DCTF IRPJ ESTIMATIVA Durante o procedimento de fiscalização foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Juridica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal. (2000, 2001, 2002, 2003 e 2004). Conforme sintetiza o Termo de Verificação Fiscal de fls. 50/73 (processo digitalizado), o presente processo trata da tributação de IRPJ e CSSL sobre estes valores (RESULTADOS EXERCÍCIOS FUTUROS), bem como do lançamento de oficio dos valores escriturados e não declarados (Lucro Real Anual) e da multa isolada incidente sobre os valores não recolhidos, ou não declarados a titulo de estimativas mensais. Estes assuntos serão tratados em quatro tópicos abaixo descritos, além desta introdução: Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11020.002637/200531 Acórdão n.º 1101001.242 S1‐C1T1 Fl. 4.028 3 2. Multa isolada incidente sobre valores de IRPJ e CSLL Estimativa Mensal e não declarados em DCTF, ou declarados a menor. 3. Valores escriturados e não declarados — IRPJ e CSLL anuais. 4. Tributação dos créditos extemporâneos de ICMS escriturados na conta "Resultados de Exercícios Futuros". 5. Da Multa Isolada incidente sobre os valores de IRPJ E CSLL estimativas mensais, declarados a menor em decorrência do não reconhecimento da receita oriunda dos créditos extemporâneos de ICMS. Consta dessas informações que a contribuinte não declarou em DCTF a totalidade dos valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL, segundo os registros dos livros contábeis ou fiscais, na apuração do lucro real anual dos anoscalendários 2000, 2001 e 2004; e Em relação ao outro ponto, em todos os períodos analisados, não foram oferecidos à tributação os créditos extemporâneos de ICMS, os quais foram contabilizados como resultados de exercícios futuros e não como receitas; A contribuinte foi intimada dos lançamentos em 2/9/05 (fl. 300) e apresentou impugnação em 4/10/05 (fls. 306/383). A impugnante pede a declaração de insubsistência dos autos de infração e sustenta, requerendo, preliminarmente, nulidade dos autos de infração: a) por não conterem todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento de como a Receita Federal alcançou os valores indicados; b) por não preencherem os requisitos elencados na legislação própria; e c) por não pormenorizarem a incidência (origem e natureza dos débitos) — ainda que informem a legislação —, prejudicando os direitos ao contraditório e à ampla defesa; Em relação ao mérito: a) a compensação dos créditos extemporâneos de ICMS não gera os fatos geradores de IRPJ e CSLL, já que a concretização desses créditos estaria sujeita à condição resolutória de posterior homologação pelo fisco estadual; b) a contabilização dos créditos extemporâneos em resultados de exercícios futuros justificase pelo principio da competência dos exercícios: sobre as receitas recebidas recairia a obrigação de entregar bens e serviços por um evento futuro ou pela fluência do tempo; c) o art. 150, § 1 0, do CTN corrobora o direito da impugnante de somente tributar as compensações após o implemento da condição resolutória de não homologação dos créditos extemporâneos pela fazenda estadual; d) não há norma legal que determine a obrigação de o contribuinte antecipar o recolhimento dos tributos sobre as compensações efetivadas antes da homologação, expressa ou tácita; Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11020.002637/200531 Acórdão n.º 1101001.242 S1‐C1T1 Fl. 4.029 4 e) a fiscalização errou ao exigir multa isolada e cobrança de IRPJ e CSLL, já que foram protocolados pedidos de compensações com base em processo judicial com trânsito em julgado, declarados em DCTF e DCTF complementar; f) diversas razões justificam a improcedência do lançamento das multas isoladas por suposta falta de pagamento de estimativas mensais (as justificativas constarão do voto, quando da análise do tema); a multa isolada incidente sobre as estimativas declaradas a menor em virtude da falta de reconhecimento das receitas por créditos extemporâneos de ICMS é indevida, pois não pode haver penalização se não houver ilícito no principal; h) não procede a aplicação da multa agravada, uma vez que foi escancarada a boa fé no atendimento das solicitações da Receita e porque o fisco, ao aceitar os documentos, ainda que dois dias de atraso, acaba por entender as dificuldades em cumprir todas as solicitações; i) a multa isolada foi aplicada em circunstância desprovida de qualquer resquício de tipicidade, antijuridicidade ou culpabilidade e se revestiu de matiz confiscatório e contrário A ordem constitucional; é flagrante a ilegalidade/inconstitucionalidade das multas isoladas aplicadas, face A ausência de ação ou omissão dolosa nos fatos que lhe deram origem, bem como porque as compensações efetuadas foram devidamente escrituradas e porque o momento próprio e legal para a incidência da tributação das compensações é por ocasião da homologação, seja expressa ou tácita. Vários argumentos e matérias doutrinárias foram apresentados pela impugnante para reforçar suas teses contra a aplicação da multa isolada. Nesse sentido, a contribuinte navegou sobre: 1. a questão da elisão tributária, discorrendo sobre os fundamentos e limites da liberdade fiscal no direito brasileiro, com enfoque nos princípios da estrita legalidade, reserva da lei e tipicidade, nas nulidades, na interpretação do art. 118 do CTN etc.; 2. a licitude dos atos praticados de conformidade com a liberdade comercial consagrada pela Constituição Federal e pela legislação pertinente, comentando sobre temas como elisão, evasão, engenharia fiscal, planejamento legal de tributos, simulação e negócio jurídico indireto; 3. a impossibilidade jurídica de aplicação da multa isolada por ausência de tipicidade da infração, sendo incomprovada qualquer ação ou omissão dolosa da contribuinte para ensejar a incidência da multa; 4. a impossibilidade de aplicação de pena administrativa com arrimo na responsabilidade objetiva, enfatizando que todas as garantias do direito penal devem valer para as infrações administrativas. A impugnante adenda que, na eventualidade da verificação de alguma inconsistência, o fisco deve lavrar auto de infração apenas em relação aos respectivos valores e não sobre todos os aproveitamentos legitimamente efetuados, ignorando a existência desses valores. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11020.002637/200531 Acórdão n.º 1101001.242 S1‐C1T1 Fl. 4.030 5 A decisão recorrida manteve parcialmente o lançamento, tendo reduzido a multa isolada aplicada de 75% para 50%, em conformidade com a Lei nº 11.488/2007, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE ICMS. Os créditos extemporâneos de ICMS devem compor o resultado do período em que forem compensados, ainda que a eficácia do reconhecimento possa ser afastada pelo implemento de condição resolutória (nãohomologação do lançamento). LUCRO REAL. FALTA OU INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO. A partir da vigência da Lei 11.488/07, a multa isolada de 75% lançada sobre estimativas não pagas deve ser reduzida para o percentual de 50%, tendo em conta a aplicação do principio da retroatividade benigna. Lançamento Procedente em Parte A v. decisão considerou que a impugnante não pode impingir à União o risco de o fisco estadual não homologar os valores dos créditos extemporâneos, contabilizandoos como resultado de exercícios futuros. Caso venha a perdelos, as despesas respectivas ainda poderão reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, ao final, pois, os valores dos créditos extemporâneos devem ser considerados tanto para a determinação do montante de tributo exigível e seus consectários como para a cobrança das multas sobre estimativas não pagas, sendo por isso mantido o crédito tributário com a redução da multa isolada para 50%. Cientificada em 09/03/2009 (AR – fls. 3929), foi interposto recurso voluntário recebido em 31/03/2009 (enviado por AR), sendo reiterados os argumentos constantes da impugnação, especialmente quanto à preliminar de nulidade do lançamento, reclamando cerceamento do direito de defesa pelo fato de não constar os elementos necessários à perfeita compreensão dos fatos a ela imputados, sendo ao final requerido a improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11020.002637/200531 Acórdão n.º 1101001.242 S1‐C1T1 Fl. 4.031 6 O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. Tanto o auto de infração como a decisão recorrida deixaram claro que a Recorrente escriturou créditos de ICMS em períodos que não seriam os de sua competência (extemporâneos), tendo os registrados como resultados de exercícios futuros para, supostamente, convertêlos como receitas quando da homologação tácita ou expressa dos créditos tributários de ICMS em que tais valores foram compensados. O que fez com que a Recorrente obteve auferimento de renda imediato, pelo que os créditos deveriam ter sido reconhecidos, desde logo, como receita. Essa é a principal acuação mantida através da decisão recorrida (em relação ao principal). A Recorrente centra seu recurso pugnando pela nulidade do lançamento, todavia, me parece que foi a decisão recorrida que não analisou detidamente a Impugnação apresentada, porquanto passou de largo contra a segunda acusação “002 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DIFERENÇA ENTRE 0 IRPJ ANUAL DECLARADO E O ESCRITURADO” (Durante o procedimento de fiscalização foram constatadas divergências entre os valores de IRPJ LUCRO REAL ANUAL declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. (2000, 2001 e 2004)). O fato da DRJ ter deixado de se manifestar conclusivamente sobre assunto submetido a julgamento enseja a nulidade da decisão por implicar ao contribuinte o cerceamento do direito de defesa, inclusive reclamado pela Recorrente em seu recurso, em conformidade com o disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim claramente dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do si jeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Em relação à decisão que deixa de analisar todos os pontos submetidos a julgamento, a jurisprudência deste colendo CARF reiteradamente tem declarada esta nulidade, in verbis: Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11020.002637/200531 Acórdão n.º 1101001.242 S1‐C1T1 Fl. 4.032 7 Ementa NORMAS PROCESSUAIS DECLARAÇÃO DE NULIDADE É nula a decisão que não enfrenta as questões que compuseram o litígio. Decisão de primeira instância nula. (Ac. Acórdão nº 10705664 do Processo 138230000749666 data 09/06/1999 , relatora Conselheira Maria Ilca Castro Lemos Diniz). No mesmo sentido decidiu este de forma unânime este colegiado: Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.ANOCALENDÁRIO: 2005 NULIDADE. É NULA A DECISÃO DE TURMA JULGADORA QUE NÃO ENFRENTA ARGUMENTO DE DEFESA QUE PÕE EM CHEQUE O LANÇAMENTO EFETUADO. (Acórdão nº 110100569 do Processo 11065000011200906 Data 04/08/2011, relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para anular parcialmente a decisão recorrida para que outra seja proferida em boa e devida forma, analisandose todos os assuntos a ela submetidos. Sala das Sessões, em 5 de fevereiro de 2015 [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725339/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto a alegação da existência de área de preservação permanente ou de interesse ecológico: (a) a apresentação de ADA e sua respectiva data e (b) a eventual existência de ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico.
Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Ivo de Oliveira Lima - OAB/PE 25263.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto a alegação da existência de área de preservação permanente ou de interesse ecológico: (a) a apresentação de ADA e sua respectiva data e (b) a eventual existência de ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Ivo de Oliveira Lima OAB/PE 25263. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 25 33 9/ 20 13 -4 3 Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.744 ___________ Em 2013 foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 04 a 09 para a exigência de ITR do Exercício 2009, relativo ao imóvel rural “GRUPO TRIUNFANTE E OUTROS”, NIRF 0.124.9177, localizado no município de Igarassu/PE. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte e das informações constantes da DITR/2009, a fiscalização resolveu alterar a área total originariamente declarada de 9.122,2 ha para 8.906,7 ha, glosar parcialmente a área de produtos vegetais de 7.280,0 há e alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$22.805.500,00 (R$2.500,00/ha), arbitrando o valor de R$31.353.702,21 (R$3.520,24/ha), com base no Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, em resposta à intimação inicial, com consequente redução da área utilizada na atividade rural, do Grau de Utilização, aumento do VTN tributável e da alíquota aplicada e disto resultando o imposto suplementar de R$5.371.504,09, conforme demonstrado às fls. 08. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou a Impugnação de fls. fls. 935/955, instruída com os documentos de fls. 956/1.611, alegando, em síntese (i) que, conforme comprovam os Laudos Técnicos de Avaliação, dos exercícios de 2008 a 2010, com ART, que trazem todas as informações para a apuração do ITR, bem como os outros documentos juntados aos autos, restou devidamente comprovada a existência da Área de Produtos Vegetais, (ii) que não se opõe à alteração no VTN procedida pela Fiscalização e efetuou o pagamento da parte relativa a diferença no VTN entre a DITR e a Notificação de Lançamento, considerando ser parte incontroversa da Notificação no valor de R$33.192,96, cujo pagamento já efetuou, acrescido da multa de ofício (com redução legal de 50% para pagamento à vista) e juros SELIC; (iii) entende que que a multa aplicada seria confiscatória e exorbitante, afrontaria o princípio do não confisco, nos termos do art. 150, IV, da Constituição da República, e afetaria o direito de propriedade, sendo, portanto inconstitucional. Ao analisar a Impugnação, a DRJ de Brasília deu provimento parcial à Impugnação: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL Tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos, cabe ser restabelecida parcialmente a área de produtos vegetais originariamente declarada. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO Processo nº 10480.725339/201343 Resolução nº 2101000.199 S2C1T1 Fl. 1.745 3 A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.” (acórdão de fls. 1.637/1.649) Como o crédito tributário exonerado é superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), foi interposto o presente Recurso de Ofício. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.659/1.667), requerendo (i) que fosse aumentada a área de preservação permanente, nos termos do laudo técnico apresentado e (ii) que a multa de 75% seja considerada inconstitucional. Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deles conheço. Conforme já exposto anteriormente, no procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte e das informações constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu alterar a área total originariamente declarada de 9.122,2 ha para 8.906,7 ha, glosar, integralmente, a área de produtos vegetais de 7.280,0 ha, glosar, integralmente, a área de pastagens de 500,0 ha além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20.068.840,00 (R$2.200,00/ha). Tendo em vista que a Fiscalização não intimou a Recorrente a comprovar a existência das áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, em homenagem ao princípio da verdade material, é importante esclarecermos a existência das mesmas. Assim, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, quanto a alegação da existência de área de preservação permanente ou de interesse ecológico: (a) a apresentação de ADA e sua respectiva data e (b) a eventual existência de ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Em ambos os casos, os documentos comprobatórios devem ser juntados aos autos. É o meu voto. (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000735/2010-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.DIÁRIAS. AJUDA DE CUSTO.
Denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas pagas de forma habitual, sempre aos mesmos empregados, sem que se tenha havido comprovação mediante relatórios dos empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, (artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996), que estabelece multa de 0,33%, ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Ausente momentaneamente o conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI- - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Ausente , momentaneamente o Conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.DIÁRIAS. AJUDA DE CUSTO. Denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas pagas de forma habitual, sempre aos mesmos empregados, sem que se tenha havido comprovação mediante relatórios dos empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000735/201057 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101002.676 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.DIÁRIAS. AJUDA DE CUSTO. Denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas pagas de forma habitual, sempre aos mesmos empregados, sem que se tenha havido comprovação mediante relatórios dos empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 35 /2 01 0- 57 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, (artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996), que estabelece multa de 0,33%, ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Ausente momentaneamente o conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Ausente , momentaneamente o Conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000735/201057 Acórdão n.º 1101002.676 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização que de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 68/81), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e, ao pagamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no período de 01/2006 a 12/2007. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas aos segurados empregados (conforme planilha anexa), não declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e constante em Folhas de Pagamento, nas rubricas "Ajuda de Custo" e "Diária Alim Moradia", cujos valores foram discriminados no Relatório de Levantamentos RL anexo.Os fatos geradores foram designados pelos seguintes levantamentos: ACI Ajuda de Custo e; DAI Diária Alim Moradia. DA IMPUGNAÇÃO Em apertada síntese a empresa alegou que : não passam de 12 funcionários da contribuinte nesta situação, e os valores mensais devolvidos ao funcionários são diferentes mês a mês; a empresa apenas devolve o valor que o funcionário gastou com alimentação, hospedagem e ajuda de custo (gasolina, etc) os funcionários utilizam veículo próprio, que não são residentes no município da empresa, e que se alimentam em viagem, à ordem da empresa, são reembolsados pelos valores despendidos. Notese que não há neste caso contraprestação para o serviço restado, mas apenas recomposição do valor despendido pelo funcionário; não é porque o funcionário tem reembolso mensalmente que tais valores integram o conceito de salário/remuneração; DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 11ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 17 de março de 2001, exarou Acórdão de n°1236.180, fls.270, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. Fls.291, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De plano, ressaltese que o presente Auto de Infração está sendo julgado em conjunto com os processos de n° 15586000735/201057(SEGURADOS) e n° 15586000738/201091(TERCEIROS) por estarem reciprocamente vinculados aos créditos apurados. DO MÉRITO Enfrentando as reiteradas alegações quando interpostas em sede de impugnação, a instância a quo manifestou efetivos argumentos para negar provimento, verbis: "De acordo com a legislação, a ajuda de custo que não integra o saláriodecontribuição é a parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT, isto é, o direito dos empregados, em caso de necessidade de serviço, receberem ajuda de custo resultante das despesas de sua transferência para localidade diversa da que resultar do contrato de trabalho. Então, para fazer jus à isenção sobre a ajuda de custo deve a mesma mudança de local de trabalho, paga de uma só vez, eis que o § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97) C) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000735/201057 Acórdão n.º 1101002.676 S1C1T1 Fl. 4 5 § 9" Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(grifei) Conforme se constata nas planilhas de fls. 71/73, a empresa efetuou pagamentos mensais aos mesmos segurados empregados, a título de ajuda de custo, sem que houvesse a comprovação da mudança do local de trabalho dos empregados, além do que, o fato de tais pagamentos terem ocorrido mensalmente descaracteriza o pagamento em parcela única, o qual, para estar isento das contribuições previdenciárias, deveria ser exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. Portanto, não assiste razão à impugnante ao afirmar que não incidem contribuições previdenciárias sobre a rubrica ajuda de custo em questão, haja vista não estar comprovada a natureza jurídica indenizatória da mesma, adquirindo portanto natureza salarial, e integrando o saláriodecontribuição. as Despesas com Viagens e/ou Deslocamento Segundo a defendente, os funcionários que utilizam veículo próprio, e que não são residentes no município da empresa são reembolsados pelos valores despendidos, assim como a alimentação efetuada por funcionário em viagem, à ordem da empresa. Verificase que a defendente apenas afirma efetuar o reembolso das despesas oriundas da utilização de veículo próprio por parte de seus empregados, assim como da alimentação efetuada em viagem, sem apresentar documentos que comprovem as referidas despesas, motivo pelo qual o presente crédito deverá ser mantido. Se a parcela é paga indiscriminadamente ou sem comprovação, integra o salário de contribuição. Por outro lado, se devidamente justificado e evidenciado o caráter ressarcitório do pagamento, este não constituiria em remuneração." Não obstante, também, o art. 28, § 9°, "g" e "s" da Lei nº 9.528 de 10 de Dezembro De 1997 preceituou o abaixo : Fl. 248DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 "g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas" Compulsado os autos, cumpre corroborar o decisium a quo em razão de que denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas pagas de forma habitual, sempre aos mesmos empregados, sem que se tenha havido comprovação mediante relatórios dos empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração. Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. DAS MULTAS Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD de fls.19, item 701, registra que a multa foi aplicada observando o comando do art. 35A com a redação dada pela Medida provisória 449, de 2008 , convertida na Lei n 11.941/2009. DO ART. 144 Conforme o comando do art. 144 do Código tributário Nacional CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, verbis: " Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." À época dos fatos geradores , período 01/2006 a 12/2007, para aplicação das multas em comento vigiam os incisos I, II e III do alterado art. 35 da Lei n 8.212/91. A alteração supra ocorreu em razão da nova redação para o art. 35, que, nas hipóteses de inadimplência com a União, decorrentes das contribuições sociais em tela prevê aplicação de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 verbis; "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei ° 11.941, de 2009) " Fl. 249DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000735/201057 Acórdão n.º 1101002.676 S1C1T1 Fl. 5 7 DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA muito embora às fls, 68 a Autoridade autuante registre que teria aplicado o Principio da Retroatividade Benígna para aplicação das multas, na prática isto não se consolidou posto que impuseramse o comando do art. 35A com percentual de 75% do valor do principal. A planilha de cálculos colacionada às fls.79, mesmo que não tendo sido aludida a Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 14/2009 de 04 de dezembro de 2009, o procedimento praticado pela Autoridade autuante teve suporte nesta. Sobre o referido procedimento ressalto que meu entendimento não tem assento pacificado neste e. Colegiado posto que ilustres pares ecoam vozes dissonantes por entenderem correto o cálculos feitos à semelhança do ora em comento. Entretanto, salvo o contido na Portaria supra e na Instrução Normativa SRF nº 1.027, de 22/04/2010, não há, efetivamente, nenhum comando específico determinado por Lei ou Decreto para que se proceda os cálculos da forma implementada. MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106, II, "c" do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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