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Numero do processo: 11516.002914/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Por bem resumir a matéria discutida nos presentes autos, abaixo se transcreve o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 0722.358, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC): Por meio da Notificação de Lançamento (fl. 09/11), foi apurado o valor do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 1.773,01, acrescido da multa de ofício e juros de mora, relativo anocalendário 2004. Conforme relatório Descrição dos fatos e Enquadramento Legal, fl. 10, o lançamento teve como fato gerador a omissão de rendimentos tributáveis, no RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 91 4/ 20 06 -1 5 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002914/200615 Resolução nº 2802000.194 S2TE02 Fl. 169 2 valor de R$ 16.264,56, recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, auferido pelo contribuinte. Foi compensado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.337,67. O contribuinte apresenta impugnação, fls. 01/07, a qual em síntese apresenta os seguintes argumentos: Cita que a exigência de imposto sobre a indenização recebida é uma flagrante violação dos dispositivos da Lei 7.713/88 e da Constituição Federal de 1988, uma vez que os valores decorrem de indenização sobre verbas trabalhistas decorrentes de acordo % homologado judicialmente, celebrado entre o impugnante e a empresa RGS Comercial e Distribuidora de Veículos Ltda, na ação trabalhista n° 00557.022/959, do qual resultou o acordo judicial. Alega que as verbas teriam caráter indenizatório e que os encargos fiscais seriam de responsabilidade da reclamada (empregador). Colaciona diversas doutrinas e jurisprudências sobre o assunto no sentido de que os valores recebidos se caracterizariam como verbas indenizatórias que deveria ser afastada a incidência do imposto sobre estas verbas. A DRJ/FNS (SC), julgou a impugnação improcedente, fls. 26 a 28, por entender que: Dos elementos que compõem os autos, se constata que o valor recebido pelo contribuinte decorrente da ação judicial não tem previsão legal para isenção de imposto de renda. Consta do processo, fls. 14/15, discriminação das verbas trabalhistas pleiteadas pelo requerente, na ação judicial, as quais estão claramente identificadas como sendo relativas a Diferenças de Comissões, Integração Comissões, Horas Extras, Diferença Integração Horas Extras. Horas Extras sobre Comissões e Reflexos sobre Horas Extras. Estas foram a natureza das rubricas cujos valores serviram de base para a homologação judicial da demanda trabalhista e também foram os valores considerados pela autoridade fiscal para efetuar o presente lançamento. Resta demonstrado, portanto, de forma inequívoca, que as verbas trabalhistas objeto da demanda judicial que resultou em acordo entre as partes são relativas a comissões e horas extras decorrentes da relação de emprego entre o contribuinte e o seu ex empregador, a empresa RGS Comercial e Distribuidora de Veículos Ltda. De se notar ainda que, em decorrência da atividade econômica da empresa citada, no caso específico, o comercio de veículos, evidentemente os valores pleiteados judicialmente pelo contribuinte foram inerentes a comissões sobre vendas de veículos não pagas pelo empregador, bem como a ocorrência de horas extras, com seus reflexos. No que se refere às isenções tributárias, cabe esclarecer que estas são sempre decorrentes de lei, conforme determina a Constituição Federal, em seu art. 150, § 6o, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17/03/1993, que dispõe: Art. 150. [...] [...] Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002914/200615 Resolução nº 2802000.194 S2TE02 Fl. 170 3 § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2a, XII.g. No mesmo sentido, o artigo 176 do CTN determina: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica, sendo caso, o prazo de sua duração. A isenção tributária para o imposto de renda das pessoas físicas está legalmente estipulada no art. 6o da Lei n° 7.713/88. o qual elenca de forma clara os rendimentos isentos de tributação. Tratase de legislação federal vigente quando do lançamento do presente auto de infração. Desta forma, para a tributação do IRPF, importa observar o total dos rendimentos auferidos. O RIR/1999, vem a consolidar as disposições gerais sobre a abrangência do conceito de rendimento bruto, e assim enuncia em seu artigo 37, in verbis Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os aumentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei n. "5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II. e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º§ 1.°). (g.n.) Já o art. 38 do RIR/99 não deixa margem para dúvidas quanto ao fato de que, independente da denominação que seja dada aos rendimentos ou a forma de percepção da renda ou proventos, para a incidência do imposto sobre a renda ou proventos, basta o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei n 7.713, de 1988, art. 3, § 4°). Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002914/200615 Resolução nº 2802000.194 S2TE02 Fl. 171 4 Portanto, para que um rendimento, embora no campo da incidência, não seja tributado, se faz necessária uma norma explícita que o isente. Cumpre lembrar que as verbas isentas de tributação do IRPF encontramse especificadas, tanto no art. 6o da Lei 7.713/88, b T v mo no art. 39 do RIR/99. Nestes dispositivos citados e colacionados, não existe previsão para a não incidência de imposto de renda sobre verbas decorrentes de rendimentos a título de comissões e horas extras. Cabe ainda salientar que os dispositivos de lei que outorguem isenção devem ser interpretados literalmente, de acordo com disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional. Quanto à suposta violação de princípios constitucionais levantada pelo contribuinte, é mister ressaltar que tais alegações escapam à competência da autoridade administrativa julgadora, pois versam sobre a constitucionalidade de dispositivos legais. Compete à autoridade fiscal verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de possíveis inconstitucionalidades ou ilegalidades das normas vigentes, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142. parágrafo único, do CTN. A autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontrase cingida aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedida de ultrapassar tais fronteiras para examinar questões outras, como as suscitadas na impugnação em tela, uma vez que às autoridades tributárias cabe apenas cumprir e aplicar a lei. Os mecanismos de controle de constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. E inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois a presente autoridade julgadora não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar a norma cuja validade está sendo questionada pela defesa, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do CTN. Postada a intimação para a ciência de tal julgamento em 14/02/2011, fls. 30, o interessado ingressou recurso voluntário em 16/03/2011, fls. 31/37, reiterando as alegações expostas na impugnação para, ao final , requerer o cancelamento do débito fiscal em discussão. Feito o resumo do litígio, passase a deliberar sobre o recurso voluntário. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. No presente caso, o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, decorrentes de ação trabalhista. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002914/200615 Resolução nº 2802000.194 S2TE02 Fl. 172 5 Compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2004 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. “RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL.REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.”. Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 62A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até o trânsito em julgado da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918372/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 113 1 112 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918372/201218 Recurso nº Resolução nº 1803000.133 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 03 de março de 2015 Assunto PER/DCOMP DILIGÊNCIA Recorrente RR COMERCIAL DE AÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 14699.71253.240111.1.7.042689, em 24.01.2011, fls. 14 19, utilizandose de pagamento a maior de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 3373, no valor de R$564,06 contido no DARF de R$27.971,01, arrecadado em 31.03.2010, apurado pelo regime do real do primeiro trimestre do anocalendário de 2010, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 63, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 18 37 2/ 20 12 -1 8 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 114 2 A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data da transmissão" informado no Per/DComp, correspondendo R$564,06. A partir das características do DARF discriminado no Per/DComp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo realizados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/DComp. [...] Diante do exposto, não homologo a compensação declarada. [...]. Enquadramento Legal: Art. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 21.01.2013, fl. 67, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0205, com os argumentos a seguir discriminados: II O DIREITO Como exposto na descrição dos fatos, por um lapso na providência da retificação adequada da declaração que deu suporte ao crédito utilizado na PER/DCOMP, o Contribuinte incorreu na informação inadequada para a formalização da compensação de débitos. Demonstrou o contribuinte, através da DCTF retificadora transmitida em 22/01/2013 que o valor devido de IRPJ/40 trimestre foi R$20.683,96. Por si, esta retificação já embasa a compensação requerida na PER/DCOMP sob análise. Nos termos do previsto na Lei 8.383 de 1991, em seu artigo 66, é passível de compensação em recolhimentos subseqüentes, as importâncias pagas indevidamente ou a maior. A instrução normativa RFB n° 1.110 traz em seu artigo 9º a possibilidade de retificar a DCTF [...]. Também, nos termos do previsto na Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001, em seu artigo 54, é passível de ser utilizado na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos por indébitos, por recolhimento a maior ou mesmo de recolhimento com vício, como o exposto pelo contribuinte. Como se pode verificar, o caso em tela está completamente embasado pelas orientações da própria Receita Federal, não havendo, pois, motivo para se desconsiderar a parcela compensada em sua totalidade conforme os termos do artigo 34 da IN RFB n° 900 [...]. Ainda, nos termos do previsto do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, e dos artigos 145 e 151, do Código Tributário Nacional, é passível de recurso e ampla defesa com meios e recursos a ela inerentes, em contestação à decisão administrativa. Conclui que: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da cobrança do suposto débito indevidamente compensado, espera e requer a seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 115 3 Requer, outrossim, a alteração da data de arrecadação do DARF IRPJ/4º trimestre de 2009 código 3373, de 31/03/2010 para 31/09/2009. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16 53.457, de 09.12.2011, fls. 7080: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de dívida, prescindem de lançamento para serem cobrados, tornandose instrumento hábil por meio do qual o Fisco pode promover a cobrança. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRPJ DO 4º TRIMESTRE. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Foi indicado pela Recorrente débito em DCTF, no mesmo valor recolhido. Após ciência do Despacho Decisório, foi reduzido o montante devido mediante entrega de DCTF retificadora. No entanto, não restou comprovado o motivo da redução do imposto devido, sendo do contribuinte o ônus de provar o por ele alegado. Assim, não provada a existência de crédito líquido e certo em favor da Recorrente, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 27.12.2013, fl. 82, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.01.2014, fls. 8588, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II O Direito II.1 PRELIMINAR Em sua decisão, traz a Delegacia de Julgamento, que o momento para apresentação de provas visando esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato Administrativo, finda no mesmo prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Contudo, o despacho que ensejou a manifestação de inconformidade, não aceitava a compensação por não considerar haver débitos disponíveis para tanto. Feita a DCTF retificadora, apontando corretamente o valor apurado em IRPJ e o valor pago a maior, podese constatar que os valores Inicialmente apresentados no Per/DComp eram corretos e que as compensações estavam corretas. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 116 4 Como razão de decidir da manifestação de inconformidade apresentada, trouxe a Delegacia que, em razão da verdade material, que não restou comprovado o motivo da redução do imposto devido através de escrituração contábil/fiscal do período. Ocorre, senhores julgadores, que em razão do primeiro despacho, uma simples demonstração dos erros cometidos em DCTF e a apresentação da retificação no prazo legal, eram suficientes para demonstrar o motivo da não identidade dos valores apresentados. Tanto isto é verdade, que se não tivesse havido esta diferença e apenas se apresentasse o Per/DComp e a DCTF, não haveria motivo algum para apresentação da escrituração contábil (por exemplo), a não ser que fosse requisitado pelo Fisco. Assim, não se pode aplicar, no caso, o instituto da preclusão. Senão vejamos: O artigo 17 do Decreto 70.235, considera "não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação". Entretanto, este não é caso de matéria não impugnada na Manifestação de Inconformidade por tratarse de fato novo. A não homologação da compensação pelo motivo apontado, qual seja, a falta de apresentação da comprovação fiscal e contábil da diferença apontada na DCTF retificadora, apenas surgiu nas razões de decidir da manifestação de inconformidade. Portanto, o impedimento da Recorrente de apresentar os documentos requeridos agora, fere gravemente o princípio do contraditório e inclusive o próprio princípio da verdade material. II. 2MÉRITO Com relação à comprovação material da diminuição do imposto de renda da pessoa jurídica temse que: 1) Por ocasião do encerramento do 4º trimestre de 2009, após a apuração dos resultados foram calculados o IRPJ e CSLL, importando respectivamente em R$82.599,72 e R$31.896,21. Os valores foram pagos em 3 quotas conforme lhe é facultado. 2) Conciliações de fornecedores ocorridos no exercício seguinte detectaram inconsistências em seus saldos. A investigação constatou que algumas notas fiscais de compras de mercadorias haviam sido lançadas com data do exercício de 2010, no mês de dezembro, o que provocou erro considerável na apuração dos custos do 4º trimestre de 2009. A seguir listamos os valores que causaram o erro na apuração: Data Histórico Conta Contábil Valor 02/12/2009 NF 187337 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 8.519,82 03/12/2009 NF 212226 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 5.433,52 14/12/2009 CTRC 594485 Rodov Bedin Fretes s/ Compras MT 72,37 18/12/2009 NF 217507 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 1.925,03 22/12/2009 NF 218607 Gerdau S/A Compras de Mercadorias MT 5.055,09 23/12/2009 NF 218929 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 61.184,49 Total 82.190,32 3) Após a constatação dos erros nas datas dos lançamentos, foram promovidos os devidos ajustes. O cálculo do IRPJ e da CSLL apontaram novos valores, respectivamente de R$62.051,88 e R$24.498,98. Assim, confrontandose com os Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 117 5 valores das quotas recolhidas, apurouse recolhimento a maior em todos os recolhimentos. Para comprovar todo o alegado e, a fim de que não haja enriquecimento ilícito do Fisco, anexamos: a) Relatório do livro razão do mês 12/2009 das contas: 3.1.1.2.2.01.0001 Compras de Mercadorias MT; 3.1.1.2.2.01.0003 Fretes S/compras MT e 3.1.1.2.2.01.0013 Compras de mercadorias F1; b) Relatório do livro razão do 4o trimestre de 2009 das contas: 2.1.1.1.4.01.0005 IRPJ a recolher e 2.1.1.1.4.01.0007 CSLL a recolher; c) Recibos de entrega do SPED Contábil; d) Livro LALUR do 4º trimestre de 2009. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em relação à solicitação de retificação do DARF, temse que a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, que aprova o Regimento Interno da RFB determina: Art. 226. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuados os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação fiscocontribuinte, de comunicação social, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: [...] Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 118 6 VI desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Nesse sentido, a Unidade da RFB que jurisdiciona a Recorrente tem competência exclusiva de proceder a correção de documentos de arrecadação. Por essa razão, falece competência ao CARF para processar o pedido, que não pode ser deferido nessa segunda instância de julgamento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, oportunidade em que deduz alegações sobre o cerceamento do direito de defesa. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 119 7 legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 63 e o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1653.457, de 09.12.2011, fls. 7080, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente suscita que devem ser analisados os meios de prova apresentados em sede de segunda instância de julgamento de modo a demonstrar seu direito líquido e certo. Sobre a realização de todos os meios de prova, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Privilegiando o princípio da verdade material, em sede de segunda instância de julgamento, cabe apreciar os assentos contábeis produzidos pela Recorrente em relação à comprovação das supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto constantes nos dados informados à RFB procurando evidenciar a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 120 8 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional7. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais8. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Em relação ao lucro real, temse que a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 121 9 O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário9. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza10. Restou demonstrado que no presente caso o direito creditório originase de erros incorridos nos assentos contábeis, que a Recorrente diz ter corrigido na apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora. Atinente à DCTF, temse que a partir de 01.01.1999, o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício11. Com o escopo de demonstrar suas alegações, a Recorrente apresenta a DCTF retificadora em 22.01.2013, fls. 2061, ou seja, depois da ciência do Despacho Decisório 21.01.2013, fl. 67, indicando: valor do IRPJ devido no 4º trimestre de 2004 R$62.051,88; valor do principal da 1ª quota R$27.533,24; pagamento da 1ª quota R$20.683,96; valor do principal da 2ª quota R$27.533,24; pagamento da 2ª quota R$20.683,96; 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 10 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 11 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 122 10 valor do principal da 3ª quota R$27.533,24; e pagamento da 3ª quota R$20.683,96. No Lalur consta o valor de R$62.051,88 a título de IRPJ devido no 4º trimestre de 2004, fl. 99. No Livro Razão está registrado o valor de R$62.051,88 a título de IRPJ devido no 4º trimestre de 2004, fl. 106. No Despacho Decisório Eletrônico, fl. 63, foi informado que o DARF de R$27.971,01 foi integralmente utilizado para quitação do débito e por essa razão o Per/DComp não foi homologado. A Recorrente suscita que houve incorreções na DCTF original em decorrência do fato de haver erros na apuração da base de cálculo pela inobservância do regime de competência, pois "algumas notas fiscais de compras de mercadorias haviam sido lançadas com data do exercício de 2010, no mês de dezembro, o que provocou erro considerável na apuração dos custos do 4º trimestre de 2009": Data Histórico Conta Contábil Valor 02/12/2009 NF 187337 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 8.519,82 03/12/2009 NF 212226 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 5.433,52 14/12/2009 CTRC 594485 Rodov Bedin Fretes s/ Compras MT 72,37 18/12/2009 NF 217507 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 1.925,03 22/12/2009 NF 218607 Gerdau S/A Compras de Mercadorias MT 5.055,09 23/12/2009 NF 218929 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 61.184,49 Total 82.190,32 Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$564,06 contido no DARF de R$27.971,01, arrecadado em 31.03.2010, apurado pelo regime do real do primeiro trimestre do anocalendário de 2010, deve ser averiguado, porque foi produzido um início de prova do erro a partir da análise dos dados escriturados, entre outros assentos contábeis, no Livro Razão, no Livro Caixa, no Lalur e na DCTF retificadora. Observese que os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, os custos, tal como as despesas, devem ser apropriados simultaneamente às receitas que gerarem. Temse que o reconhecimento das receitas e das despesas é um dos aspectos básicos da contabilidade e pelo método de competência os efeitos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 123 11 financeiros das transações e eventos devem ser reconhecidos nos períodos nos quais ocorrem, independentemente de terem sido recebidos ou pagos. Estes custos, para serem dedutíveis, devem ser incorridos, necessários, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São considerados incorridos aqueles de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente. A conta Fornecedores situada no Passivo Circulante representa as origens dos recursos decorrentes de obrigações para com terceiros com valor nominalmente fixado e com prazo para pagamento estabelecido para o curso do exercício subsequente à data do balanço patrimonial. Pode conter obrigações documentadas por duplicata, que é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra ou venda mercantil que tem a característica de ser causal, uma vez que sua emissão está vinculada à relação jurídica que lhe dá origem. No momento da emissão da fatura o vendedor pode extrair uma duplicata que, sendo assinada pelo comprador, serve como documento de comprovação da dívida.12. Temse que a Escrituração Fiscal Digital (EFD) é um arquivo digital, que se constitui de um conjunto de escriturações de documentos fiscais e de outras informações de interesse dos fiscos das unidades federadas e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como de registros de apuração de impostos referentes às operações e prestações praticadas pela Recorrente Este arquivo deverá ser assinado digitalmente e transmitido mensalmente, via Internet, ao ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) 13. O Sped foi apresentado a RFB antes da ciência do Despacho Decisório contendo supostamente as informações trazidos pela Recorrente e assim, desde então essas informações já constavam nos registros internos da RFB, de acordo com as alegações da defesa. No presente caso, a Recorrente deve instruir os autos com as cópias das referidas Notas Fiscais e dos referidos pagamentos comprovando as obrigações para com terceiros e a relação jurídica que lhes deram origem em dezembro de 2009, porque somente são dedutíveis as despesas incorridas, necessárias, usuais a para a realização das transações inerentes à atividade da Recorrente e à manutenção da respectiva fonte produtora. Também não há cópias do Livro Razão e do Livro Diário evidenciando que de fato essas operações não foram registradas. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão em relação ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos14. 12 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977, Resolução CFC nº 1.221, de 28 de março de 2008 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. 13 Fundamentação Legal: Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. 14 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 124 12 Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp pelo afastamento da preliminar do erro material do período do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso15. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente aprecie o acatamento da retificação do pleito inicial e o mérito do litígio e ainda para: (a) reconhecer a possibilidade de formação do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$564,06 contido no DARF de R$27.971,01, arrecadado em 31.03.2010, apurado pelo regime do real do primeiro trimestre do anocalendário de 2010, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, apurando sua liquidez e certeza inclusive nos aspectos de sua existência, suficiência e disponibilidade; (b) fazer a juntada das informações constantes nos registros internos da RFB, tais como DIPJ, DCTF, DIRF, DARF e Sped, e ainda anexar as cópias dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso16; e (c) verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros processos referente ao mesmo direito creditório e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos, cotejando a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança; Na apuração do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$564,06 contido no DARF de R$27.971,01, arrecadado em 31.03.2010, apurado pelo regime do real do primeiro trimestre do anocalendário de 2010, a pessoa jurídica deverá produzir um conjunto probatório robusto dos erros na apuração da base de cálculo pela inobservância do regime de competência, pois "algumas notas fiscais de compras de mercadorias haviam sido lançadas com data do exercício de 2010, no mês de dezembro, o que provocou erro considerável na apuração dos custos do 4º trimestre de 2009”, mediante apresentação dos assentos contábeis e planilhas analíticas. Em especial devem ser verificadas as cópias das referidas Notas Fiscais e dos referidos pagamentos comprovando as obrigações para com terceiros e a relação jurídica que lhes deram origem em dezembro de 2009. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente à existência do direito creditório relativo direito creditório pleiteado de 15 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 16 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918372/201218 Resolução nº 1803000.133 S1TE03 Fl. 125 13 pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$564,06 contido no DARF de R$27.971,01, arrecadado em 31.03.2010, apurado pelo regime do real do primeiro trimestre do anocalendário de 2010 para fins de compensação dos débitos confessados nos Per/DComp objeto de averiguações nos presentes autos. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes17 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 17 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906098/2012-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/10/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/10/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 60 98 /2 01 2- 33 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906098/201233 Acórdão n.º 3801004.765 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003461/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/08/2005
INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-004.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 34 61 /2 00 8- 97 Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento tributário de 19/07/2006. O recurso voluntário foi interposto em 02/03/2007, fls. 1.165, contra decisão de primeira instância que julgou o lançamento procedente, com ciência em 23/11/2006, fls. 1.160. Segue transcrição da ementa e de trechos do acórdão recorrido: PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DO SEGURADO. A empresa é legalmente obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto nas respectivas remunerações, e recolhêlas na mesma data estipulada para as demais a seu cargo. Os descontos legais sempre se presumem feitos oportuna e regularmente pela empresa obrigada a isso, não lhe cabendo alegar omissão para se eximir dos recolhimentos, sendo diretamente responsável pelo que deixar de arrecadar. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... A notificação foi lavrada contra o referido contribuinte por ter ficado constatada a existência de crédito para com a Seguridade Social, constituído de contribuições incidentes sobre os valores devidos, pagos ou creditado aos segurados empregados, no período de 01/1996 a 08/2005. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação, ressaltando a nulidade por vício formal e a decadência. É o Relatório. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.003461/200897 Acórdão n.º 2402004.543 S2C4T2 Fl. 1.224 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Pressupostos de admissibilidade Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, conforme as datas relatadas e o despacho às fls. 1.219, o recurso é intempestivo: A empresa acima identificada apresentou recurso voluntário intempestivo. Com base no art.38 da Portaria 10.875/2007, os recursos intempestivos previdenciários deverão ser remetidos ao 2° Conselho de Contribuintes para apreciação da perempção. Por tudo, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10840.000548/2007-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designada Redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora designada.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Adriano Keith Ijichi Haga.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designada Redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente e Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 05 48 /2 00 7- 04 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 82 2 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Adriano Keith Ijichi Haga. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, em 26/02/2007, relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, do exercício de 2005, ano calendário de 2004, exigindose R$ 6.626,56 a título de imposto, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, narra a Autoridade Fiscal que constatou a seguinte infração: 1 omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica em decorrência de ação trabalhista, pagos acumuladamente, no valor de R$ 81.653,32, complementando que: "valor alterado conforme Termo de Verificação e Intimação Fiscal Malha IRPF...recebido pelo contribuinte em 07/02/2007." Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou Impugnação, onde, em suma, alegou que quando foi chamado pelo Juiz do Trabalho, respondeu que queria receber os "rendimentos líquidos" e por ser "leigo no assunto", não declarou os rendimentos recebidos no ajuste anual, tendo sido prejudicado pela ação de um Contador consultado e por informação equivocada da fonte pagadora. Teve ciência que sua declaração fora retida em procedimento de revisão interna (malha fiscal) pela Receita Federal, mas foi orientado a aguardar a Notificação. Enfim, sentese vítima de "erros diversos". Ao receber os autos para julgamento, a DRJ II em São Paulo percebeu a falta do Termo de Verificação Fiscal citado na Notificação e das partes do processo judicial trabalhista que culminou com o pagamento das verbas ao interessado, propondo o retorno dos autos à Repartição de origem para saneamento, o que foi efetuado trazendose os documentos de folhas 23 a 65 (dossiê da fiscalização) A análise da Impugnação, entendeu o Julgador recorrido, em suma, que: ... a análise do Termo de Verificação e Intimação Fiscal — Malha IRPF — Ex. 2005 n° 023/07 e da Planilha de Apuração dos Rendimentos Tributáveis e Isentos (fls. 55/58), demonstra que a fiscalização, com base nos documentos extraídos da ação judicial trabalhista n° 1.879/997, notadamente os de fls. 24/29 e 40/41, identificou a natureza dos rendimentos recebidos e os tributou de acordo com as normas legais vigentes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 83 3 Os rendimentos referentes a "diferenças de horas extras", "reflexos em dsr's/sábados/feriados" e "integração em férias + 113" e os correspondentes juros de mora, foram computados como rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e representaram cerca de 84,556679% do total dos rendimentos brutos. (...) É preciso ressaltar que, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993, a impugnação, além de mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir, deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Desse modo, compete ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações, especialmente quando pretende refutar valores obtidos pela fiscalização. Como nada foi provado, a autuação merece ser mantida. Decidiuse, então, pela manutenção do lançamento, conforme efetuado. Cientificado dessa decisão em 12/11/2010, conforme AR na folha 73, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/12/2010, com protocolo na folha 77. Em sede de recurso, apenas copiou a Impugnação, nada alterando, em razão daquilo que foi disposto pela DRJ. PEDE que seja dado provimento a seu recurso, cancelandose o débito fiscal reclamado, "demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal". O recurso foi submetido à apreciação deste Colegiado em novembro de 2011, quando decidiuse pela retirada de pauta, como informa o despacho de folha 79, haja vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria que versa sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, pelo STF, e disposição regimental interna, então vigente. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno deste CARF, o processo retorna à pauta de julgamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 84 4 “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Observo que em sede de recurso o Contribuinte não contradiz aquilo que foi tratado no Julgamento de 1ª instância, que se refere à natureza das verbas recebidas, a partir do Termo de Verificação Fiscal, a consideração sobre tributação exclusiva na fonte, rendimentos isentos e rendimentos tributáveis no ajuste anual e, mesmo na Impugnação, não contestou as disposições da Fiscalização sobre a apuração do crédito tributário. Faz apenas uma narrativa dos fatos, para concluir que foi "vítima de erros diversos", citando o desconhecimento da lei, a inabilidade do Contador e a omissão da fonte pagadora. Bem, o desconhecimento da lei é inescusável, ninguém podendo se eximir de seu cumprimento sob a alegação de "ser leigo"; a contratação de um Contador que o orientou indevidamente em nada altera a responsabilidade do Contribuinte, sujeito passivo direto pelos rendimentos recebidos, conforme artigos 121 a 123 do Código Tributário Nacional, e sobre a responsabilidade da fonte pagadora, pelos rendimentos sujeitos ao ajuste anual do imposto de renda, destacase o já esclarecido pelo Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 85 5 entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” (...) Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. ... Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, ... (sublinhei) Observando que no termo de Verificação e Intimação Fiscal de folha 61 a Fiscalização tratou de considerar a natureza de cada verba que constou do acordo celebrado perante a Justiça do Trabalho, que enfim redundou no pagamento de duas parcelas de R$ 50.000,00, substituindose assim, por montantes globais, as importâncias devidas ao trabalhador, e que esse cálculo, expresso nas planilhas de folha 63 não foi questionado pelo Recorrente (artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972), entendo que nada deva ser modificado, nesse sentido. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Em relação à forma de apuração do imposto, pelo regime de caixa, mantenho o entendimento já expressado por esta Turma Especial de que, ao firmar acordo, o montante recebido substitui as competências porventura existentes, para fins de aplicação do regime de tributação. Ou seja, em virtude do acordo, não há que se falar em aplicação de alíquotas e tabelas vigentes em relação a cada período a que referirseiam os rendimentos (regime de competência), uma vez que a composição judicial não os estabelece, mas superaos, homologando uma parcela única, em relação a cada verba acima tratada, a ser paga na data em que determina. Vejamos: Acórdão nº 2801003.839 – 1ª Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2014 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 86 6 JUSTIÇA TRABALHISTA. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DOS RENDIMENTOS MENSAIS A QUE TERIA DIREITO O TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DO TRIBUTO SOBRE O VALOR TOTAL. Em acordo homologado na Justiça do Trabalho as verbas remuneratórias e indenizatórias que eram devidas ao trabalhador são substituídas por um valor único, impossibilitando a aferição da real natureza de cada parcela que seria recebida e dos montantes mensais a que fazia jus o Reclamante, impondose a incidência do imposto de renda sobre o todo, pelo regime de caixa, haja vista a inviabilidade de se apurar a base de cálculo do tributo pelo regime de competência, por ausência dos valores mensais a que teria direito o Interessado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ACORDO CELEBRADO NA JUSTIÇA TRABALHISTA. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores recebidos em decorrência de acordo celebrado na Justiça do Trabalho. Recurso Voluntário Negado Assim, os rendimentos são tributáveis na data em que existe a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, o que ocorreu em 06 e 07/2004, conforme demonstram os documentos acostados aos autos. CONCLUSÃO Dessa feita, entendo que o Recorrente, apenas com alegações genéricas que foram aqui tratadas, em nada logrou êxito para "demonstrar insubsistência e improcedência" da Ação Fiscal, como alude em seu pedido, e VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora Designada. Ouso divergir do brilhante voto do Nobre Conselheiro Relator, pois, conforme consta da Descrição do Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento (fl.10), cuida o presente caso de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista. Conforme documentos do autos da Reclamação Trabalhista ajuizada em 30/07/1999 (fls. 30/37), tais rendimentos, que se referem a acordo celebrado, em 2004, para quitar processo de execução de verbas trabalhistas devidas relativas a vários períodos, foram Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 87 7 tributados acumuladamente, no mês em que foram recebidos, sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O julgamento do referido Recurso Extraordinário (transitado em julgado em 09/12/2014) manteve a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 reconhecida pelo TRF da 4ª Região. A decisão foi assentada no fundamento de que ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveriam ter utilizados, de acordo com o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10840.000548/200704 Acórdão n.º 2801004.024 S2TE01 Fl. 88 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Numero do processo: 10980.724261/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ.
A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 3401-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para acolher a nulidade arguida. Vencido o Conselheiro Robson Bayerl. Declaração de voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Conselheiro
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: Relator Jean Cleuter Simões Mendonça
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Recorrida DRJ CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para acolher a nulidade arguida. Vencido o Conselheiro Robson Bayerl. Declaração de voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Conselheiro Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 42 61 /2 01 1- 47 Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 22/08/2011. Pelo primeiro (fls.1120/1124), é exigida a COFINS de fatos geradores supostamente ocorridos entre março de 2008 e dezembro de 2010, acrescido de juros e multa, o que totalizou R$ 16.047.956,33. Pelo segundo (fls. 1137/1141), é exigido o PIS, do mesmo período, também acrescido de juros e multa, que culminou no montante de R$ 2.607.792,40. Conforme consta no termo de verificação fiscal (fls.2669/2680), a autuada é uma empresa que atua no ramo de seguro de vida. Ela impetrou Mandado de Segurança para afastar a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98. A sentença declarou a inconstitucionalidade da referida norma, mas não discriminou sobre quais receitas o PIS e a COFINS incidiriam. Com base nessa decisão, segundo a autoridade fiscal, a Autuada deixou de recolher o PIS e a COFINS sobre os prêmios dos seguros. Contudo, a Fazenda entende que o prêmio é receita oriunda de prestação de serviço financeiro (o seguro) e como tal compõe a base de cálculo das contribuições em comento. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.2682/2708), mas a DRJ em Curitiba/PR manteve o lançamento integralmente (fls.2895/2915). A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls.2923/2965) alegando, em suma, nulidade do acórdão da DRJ por ter inovado na fundamentação e que o valor referente ao prêmio de seguro não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Em primeira apreciação, esta Turma Julgadora decidiu sobrestar o julgamento do processo com base no art. 62A, § 2º, do Regimento Interno do CARF, em razão dos Recursos Extraordinários nºs 400.479 e 609.096, representativos de controvérsia, que trata da base de cálculo do PIS e da COFINS das instituições financeiras. Não obstante, a norma que determinava o sobrestamento foi revogada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, fazendo com que o presente processo administrativo retornasse para a apreciação deste Colegiado antes do julgamento da matéria pelo STF. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A DRJ manteve o auto de infração lavrado contra a Recorrente, em razão desta não ter recolhido a COFINS sobre os valores dos prêmios recebidos pelo serviço como seguradora. Em seu recurso voluntário, a recorrente devolveu para apreciação as seguintes matérias: nulidade do acórdão da DRJ por deixar de apreciar matérias levantadas pela Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Acórdão n.º 3401002.842 S3C4T1 Fl. 3.011 3 Recorrente; nulidade do acórdão da DRJ por ter inovado na fundamentação jurídica; impossibilidade de lançamento de PIS e COFINS sobre as receitas oriundas dos prêmios de seguro. 1. Da nulidade do acórdão da DRJ A Recorrente alega que o acórdão da DRJ é nulo porque ela deixou de apreciar o item II.3 da Impugnação e seus subitens, que tratam da impossibilidade de enquadramento das receitas de prêmios de seguro, como se receita de prestação de serviço fossem. Nesse ponto não tem razão a Recorrente. Muito embora não tenha tratado especificamente do ponto levantado na impugnação, a DRJ deixou claro seu entendimento no sentido de que os prêmios de seguro se equivalem à receita de venda de bens ou de prestação de serviço, por essa ser a atividade principal da Recorrente. Abaixo segue a conclusão da DRJ acerca desse tema: “Portanto, não se vislumbra a situação cogitada pela interessada de que as receitas decorrentes de sua atividade operacional, ou seja, as receitas decorrentes de prêmios de seguros de vida e previdência complementar, que, a seu ver, se equivalem a receitas financeiras, estariam excluídas da incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, por não fazerem parte de seu faturamento. Ao contrário, nos termos da decisão judicial, ficou estabelecido que não integram o faturamento das pessoas jurídicas, e portanto não compõem a base de cálculo das referidas contribuições, as demais receitas que não a venda de mercadorias e serviços, sendo que, no caso, da interessada, que corresponde a instituição financeira, amoldase perfeitamente à previsão contida no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o que impõe a observância da legislação antecedente à edição da Lei nº 9.718/98, no que se reporta à base de cálculo, especificamente as estabelecidas nas Leis Complementares nº 07/70 e 70/91”. Portanto, não houve omissão por parte da DRJ. A Recorrente ainda alega que o acórdão da DRJ é nulo por ter inovado na fundamentação do lançamento, vez que a autoridade lançadora classificou a receita dos prêmios como decorrentes de serviços financeiros. Neste ponto tem razão a Recorrente. A DRJ inovou ao mudar o fundamento. Enquanto a DRF foi categórica ao afirmar que a Recorrente presta serviços financeiros e que, por isso, o PIS e a COFINS incidem sobre as receitas dos prêmios, a DRJ fundamentou que essas contribuições incidem sobre das receitas dos prêmios porque essas receitas são oriundas Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 4 da atividade fim da empresa e que, portanto, são receitas operacionais. Vejamos trecho do voto da DRJ: “Como se pode ver, o Supremo Tribunal Federal, no Recuso Extraordinário nº 390.8405/MG, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, entendendose que o faturamento compreende somente a receita obtida com a venda de mercadorias ou prestação de serviços e que para o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins em data anterior a EC nº 20 seria necessária lei complementar. Contudo, pelas partes transcritas, verificase que não restou decidido e nem pode ser compreendido que as receitas decorrentes da atividade do setor financeiro, como sua atividade principal, dentre as quais a que a contribuinte se enquadra, estariam desoneradas da tributação do PIS e da Cofins. Vejase que em relação ao assunto houve o entendimento da sinonímia das expressões faturamento e receita bruta, que compreende a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, tendo sido o questionamento direcionado ao fato de a Lei nº 9.718, nas palavras do ministro relator, incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Assim, pela trilha que se seguiu aquele julgamento, não há como se chegar a conclusão de que as receitas provenientes da atividade fim do setor financeiro, como no caso da autuada, compreende as demais receitas que não a venda de mercadorias e serviços. Frisese uma vez mais que ficou claro pelo posicionamento da Mesa, isso sim, é de que o alargamento da base de cálculo, que foi declarada inconstitucional, compreende aqueles ingressos financeiros que não caracterizam a atividade operacional da empresa. Esse alargamento da base de cálculo, portanto, introduzido por meio de lei ordinária, e por isso considerado inconstitucional, consiste em adicionar na receita bruta, para fins de base de cálculo da Cofins e do PIS, o valor das demais receitas que não são decorrentes das atividades principais da empresa, como por exemplo, citado em parte da própria transcrição, as receitas de aluguéis, as receitas financeiras (aqui entendendo os rendimentos de investimentos financeiros – e não a própria receita operacional da pessoa jurídica), as indenizações recebidas, royalties etc”. É interessante frisar que aqui não se trata de mérito, mas sim uma questão processual. Uma vez efetuado o lançamento, o fundamento não pode ser corrigido pelas instâncias julgadoras. A fundamentação da DRJ, muito embora esteja citando decisão do STF, diverge da fundamentação do DRF, o que causa o cerceamento de defesa da Contribuinte, a qual perdeu uma instância para discutir essa nova fundamentação. Nessa linha, o acórdão da DRJ é nulo, nos termos do art. 52, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Acórdão n.º 3401002.842 S3C4T1 Fl. 3.012 5 “Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Nesse sentindo têm decidido as esferas administrativas, conforme decisões colacionadas abaixo: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido.(CARF. 3a SJ, 1a TE. Proc. 10480.914180/200953, julgado em 30/01/2013. Rel.José Luiz Bordignon) “IRPJ NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ FUNDAMENTO DISTINTO DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA É nula a decisão que mantiver o lançamento com fundamentos distintos dos que basearam o auto de infração, em razão de não permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte em face da inovação após a sua impugnação”.(Primeiro Conselho de Contribuintes. Processo 11020.003043/200467, julgado em 17/08/2006) “CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO COM ANÁLISE DE ARGUMENTO QUE NÃO CONSTA NO LANÇAMENTO. A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumentos presentes no lançamento e no recurso. A inovação de motivação confunde o sujeito passivo, cerceando sua defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância”. (Segundo Conselho de Contribuintes. Processo 14041.001182/200749, julgado em 03/12/2008) Assim sendo, não resta dúvida de que a inovação da DRJ ocasionou a nulidade de seu acórdão. Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 6 Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para declarar a nulidade do acórdão da DRJ, para que os autos retornem àquela instância de julgamento, a fim de que seja proferido um novo acórdão, dentro dos limites da fundamentação utilizada no lançamento de ofício. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Peço vênia para expor entendimento divergente do aprovado por este Colegiado, para acatar a preliminar de nulidade com base em inovação do fundamento da exigência em debate. Ouso fazêlo, respeitosamente, considerando os bem balizados argumentos do voto do Ilustre Relator Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. A recorrente rogou pela nulidade do decisum de 1º grau alegando que ele teria inovado na fundamentação do lançamento. Em seu recurso, ela entendeu que a autoridade lançadora teria se baseado no fundamento que os prêmios são receitas decorrentes de prestação de serviços; enquanto que a DRJ teria se baseado no entendimento que os prêmios são receitas provenientes da atividade fim da empresa, que elas são receitas operacionais. Essa proposição não pode prosperar, como veremos a seguir, pois: 1º) não houve inovação no fundamento; 2º) os argumentos ou fundamentos não são excludentes; 3º) os citados argumentos ou fundamentos não são estranhos ao cerne da lide, ao contrário, estão eles nela presentes. Primeiramente, pareceme necessários recuperarmos o fato a partir do qual se constroem os entendimentos em discussão. Lendo os documentos oferecidos pela contribuinte durante a fiscalização, encontramos que os valores registrados em parte importante das seguintes contas contábeis não foram submetidos à tributação em comento: Código Conta Descrição Conta 3111 PREMIO EMITIDO 3112 PREMIO RESTITUIDO 3114 TRANSFERENCIAS CEDIDAS 3115 PREMIOS CANCELADOS 3118 RESGATES DE SEGURO DE VIDA INDIVIDUAL/VGBL 312 VARIAÇÕES DAS PROVISÕES TECNICAS 313 VARIAÇÕES DAS PROVISÕES TECNICAS 341 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS 35 RECEITAS FINANCEIRAS () RENDIMENTOS FINANC GARANTIDORES PROV TÉCNICA S 3921 OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS 41 RENDAS DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS 42 VARIAÇÕES DAS PROVISÕES TECNICAS 43 DESPESAS COM BENEFICIOS E RESGATES 451 OUTRAS REC OPER PREVIDENCIA () SINISTROS EFETIVAMENTE PAGOS Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Acórdão n.º 3401002.842 S3C4T1 Fl. 3.013 7 Os dados carreados aos autos demonstram que, além das receitas não operacionais (conta código 2921), há rubricas que registram os ingressos resultantes das atividades da empresa em suas operações permanentes. A contribuinte tem a decisão judicial transitada em julgado como central para o seu suposto direito de não sofrer tributação do PIS e da COFINS sobre suas receitas de prêmios e previdência complementar. Imperioso conhecermos a ação judicial, pois ela é invocada pela contribuinte e trata da sua relação de obrigação do PIS e da COFINS. Sendo assim, a ação judicial estabelece elementos que não podem ser desconsiderados ou ignorados na apreciação do processo na esfera administrativa. Vejam, Senhores Conselheiros, que a contribuinte coloca no centro da disputa judicial os conceitos de faturamento e receita e a inconstitucionalidade do alargamento da base de tributação do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1999. A contribuinte, em sua petição inicial, rogou: "o reconhecimento de seu direito líquido e certo (i) ao afastamento do artigo 3°, caput, e de seu parágrafo 1°, ambos da Lei n° 9.718/98, por violarem o Texto Constitucional vigente à época de sua edição; bem como, (ii) de sujeitaremse à incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS tomando como base de cálculo o faturamento (e não a totalidade das receitas), assim entendido o produto exclusivamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos, tal como definido pela Lei Complementar n° 70/91, no que concerne aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2001/" A autoridade judicial foi clara ao sublinhar que o afastamento do alargamento trazido pelo § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1999, considerado inconstitucional pelo STF, NÃO significava a exclusão da base de tributação das receitas financeiras obtidas pelas instituições financeiras considerando os argumentos trazidos aos autos que essas se caracterizam como receitas OPERACIONAIS e, portanto, sofrem a incidência do PIS e da COFINS. Senão vejamos: "Via de conseqüência, elucidese que o deferimento da ordem não afasta a obrigatoriedade de pagamento das contribuições consoante sistemática originária, sendo certo que a presente decisão restringese à inexigibilidade das exações na base de cálculo cuja inconstitucionalidade restou reconhecida, mantendose a base de cálculo prevista na legislação reguladora anterior à Lei n° 9.718/98. Aliás, salientese que exatamente neste sentido foi formulado o pedido das impetrantes'" "II.b Do pedido formulado no item III.2.ii da inicial Outrossim, observase que a parte impetrante postula, no item III.2.ii dos pedidos definitivos (fl. 14), o reconhecimento de seu direito de se sujeitarem à incidência das exações tomando por base de cálculo o faturamento (e não a totalidade de suas receitas) assim entendido o produto exclusivamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambas, tal como definido pela Lei Complementar n° 70/91 (desde a competência de janeiro de 2001). De fato, a inserção de tal pedido deu ensejo a ampla manifestação da autoridade coatora a respeito das razões pelas quais as receitas financeiras das instituições financeiras caracterizam receitas operacionais, integrantes de seu faturamento, independentemente do que definido pela Lei n° 9.718/98. E mais, deu azo à oposição de embargos declaratórios pela União Federal, conforme fls. 1.416/14.424. Mas, como já firmado na decisão de fls. 1.425/1.426, apesar das ilações das impetrantes em sua peça inicial no que concerne ao enquadramento de suas atividades ao conceito de faturamento enunciado na legislação que antecedeu a Lei Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 8 n° 9.718/98, inexiste pedido específico de estudo da questão à luz de cada uma das receitas auferidas pelas demandantes. Efetivamente, inegável que eventual controvérsia respeitante a este enquadramento somente poderá ser objeto de deliberação em sede de processo instaurado especificamente para este fim, em que demonstrem as impetrantes a real natureza de cada uma das receitas auferidas, para que se possa deliberar sobre o seu enquadramento, ou não, à descrição da base de cálculo prevista para o recolhimento dos tributos sub exame, em especial com produtos de serviços, razão pela qual não há que se fazer qualquer ilação a respeito neste mandamus." Como se vê, não há como olhar esses argumentos como se eles não estivessem sendo debatidos pelas partes interessadas, no próprio processo judicial e no processo administrativo. Quando se retorna à Lei Complementar 7/70 e 70/91, o esforço é identificar os conceitos de receita e de faturamento considerando as especificidades da instituição financeira. A lei não substitui a realidade; e o que ela representa precisa ser interpretado considerando as características da realidade. A autoridade judicial ressalvou, em sua apreciação, que decidia para afastar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1999, mas que não adentrava na definição de quais receitas operacionais deveriam ser ou não tributadas pelo PIS e pela COFINS. A leitura serena dessas peças processuais nos permitem concluir que os julgadores a quo não mudaram o fundamento do auto de infração ao caso, ao contrário, ao longo de todo o voto podemos constatar que eles o desvelaram considerando os elementos e argumentos presentes na ação judicial e que integram, forçosamente, a definição em disputa neste processo administrativo. Singelamente, a meu ver, eles procuraram demonstrar que, contrariamente à argumentação da contribuinte, a prestação de serviços é parte principal das suas atividades, e que as receitas daí decorrentes integram o seu faturamento. Ou seja, que a atividade securitária e de previdência complementar é atividade fim da contribuinte, perfeitamente classificável como prestação de serviços, e as receitas dela decorrentes são receitas resultante da prestação de serviços. Os julgadores a quo também demonstraram que os Ministros do STF, em seu precioso debate e conclusão, chegaram à sinonímia entre 'faturamento' e 'receita operacional', correspondendo aos ingressos obtidos na realização da contribuinte de sua finalidade institucional, da sua razão social. Portanto, a afirmação, na ementa e conclusão do decisum de primeiro grau, que as receitas de prêmios de seguro de vida e previdência complementar são atinentes à sua atividade operacional e elas não foram afastadas do campo de incidência pela decisão judicial transitada em julgado em discussão, não está inovando o fundamento da autuação, mas apenas: (1º) interpretando e concordando com a autoridade lançadora que a decisão judicial não excluiu as receitas operacionais da base de tributação, (2º) interpretando que essas receitas são atinentes à atividade operacional da contribuinte. Vejam, Senhores Conselheiros, com seus próprios olhos: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SERVIÇOS FINANCEIROS. ARRENDAMENTO MERCANTIL/LEASING. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n° 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios de seguros de vida e previdência complementar, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. (GRIFOS NOSSOS) Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Acórdão n.º 3401002.842 S3C4T1 Fl. 3.014 9 O fundamento da autuação não foi alterado. Basta ler o voto para constatar isso. Ademais, também demonstra essa minha afirmativa ler o título da ementa. Ela traz clara indicação de que o cerne da autuação está nas receitas financeiras auferidas pelas Instituições financeiras e que elas compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS, e que, ao caso, há de se verificar o alcance da decisão judicial. Assim resume o título da ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SERVIÇOS FINANCEIROS. ARRENDAMENTO MERCANTIL LEASING. AÇÃO JUDICIAL. Peço licença para usar de uma imagem Pretender tratar a natureza de prestadora de serviços das instituições financeiras como se isso fosse absolutamente separado de sua finalidade institucional e também da classificação das suas atividades entre operacionais e não operacionais, seria, comparativamente, se me permitem a analogia, afirmar que o tapete é justificado e composto exclusivamente com os fios azuis de sua trama, olvidando os fios de outras cores. Por essas considerações que concluí não se poderia dar provimento à preliminar de nulidade pela alegação de inovação do fundamento da exigência, o que, a meu ver, claramente não aconteceu. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOG UEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Numero do processo: 11634.000811/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2201-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 08 11 /2 00 8- 36 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/CTA, relativo ao lançamento de ofício decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de trabalho com vínculo empregatício decorrentes da RT nº 1030/1999, que tramitou na Vara do Trabalho de Apucarana – PR. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 112 a 119, da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse a omissão de rendimentos tributáveis recebidos nos anoscalendário de 2004 e 2005, e referentes à RT 010301999, conforme a seguir demonstrado. Cientificada do lançamento em 30/12/08 (fl. 124), a recorrente ingressou com Impugnação tempestiva de fls. 125 a 144, em 23/01/09, alegando, em síntese, que: a) o presente lançamento fere a coisa julgada e o ato jurídico perfeito, pois a discussão "acerca da tributação do IRPF foi encerrada no âmbito da Justiça do Trabalho." Além do mais, caso se entenda pela manutenção do lançamento, "não há como se imputar a multa, em especial a multa de ofício, ante não se vislumbrar a prática de qualquer ato ilícito."; b) a fiscalização considerou como isentos apenas o FGTS e o reembolso a título de despesas com combustível, contudo, são também isentos o aviso prévio e as férias indenizadas com o respectivo acréscimo constitucional de 1/3; c) consoante entendimento pacificado no TRT da 4ª Região, a "parcela referente aos juros de mora percebida pela impugnante também não sofre a incidência do IRPF"; d) deve ser recalculada a proporcionalidade dos honorários advocatícios levandose em conta as verbas ora apontadas como isentas, e; e) "os rendimentos auferidos devem sofrer a incidência do tributo mêsa mês, e não sobre o valor total como o fez o Agente Fiscal". O lançamento foi julgado parcialmente procedente, excluindo da base de cálculo do IR apenas o Aviso Prévio indenizado, por existir norma expressa (Lei n. 7.131/88, artigo 6º), mantendo o restante lançado e a multa de ofício. Regularmente cientificada do Acórdão em 06.06.2011 (fl. 169), a contribuinte ora recorrente interpôs recurso, na qual, em síntese, repete os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11634.000811/200836 Acórdão n.º 2201002.602 S2C2T1 Fl. 120 3 Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versa a presente lide recursal sobre acusação fiscal de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de condenação judicial, a ser decidido, necessariamente, à luz do recurso especial representativo de controvérsia n. 1.118.429∕SP . Explico e fundamento. É de se ver que a tributação desses valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES.(...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus).. Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4 Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal diversa daquela reconhecida como correta pelo STJ, ficou reconhecido que a autoridade fiscal se utilizou de critério jurídico equivocado, o que afetou substancialmente a constituição do crédito tributário. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11634.000811/200836 Acórdão n.º 2201002.602 S2C2T1 Fl. 121 5 A adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência prejudicou a correta quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e por consequência, o valor do tributo devido, caracterizandose em insanável vício material. O próprio Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas expostas pela RFB, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ, reconheceu a necessidade de oportunizar aos contribuintes a retificação das informações prestadas, como único meio de se chegar ao valor tributável correto do IRPF: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que determinar a aplicação das alíquotas vigentes à época, representaria novo lançamento com outro critério jurídico, o que é expressamente vedado pelo artigo 146 do CTN. Ademais, não compete a este órgão de julgamento, ainda mais em adiantada fase recursal, refazer o lançamento com critérios jurídicos distintos daqueles utilizados à época, mas tão somente exercer o controle de legalidade em sede contenciosa, caracterizado pelas suas limitações quanto à alteração de alguns aspectos da hipótese de incidência, base de cálculo e alíquotas. Nesse sentido, alguns precedentes deste E. Sodalício: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004) (grifos meus). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013) (grifos meus). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013) (grifos meus). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11634.000811/200836 Acórdão n.º 2201002.602 S2C2T1 Fl. 122 7 No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos meus) Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Dado o reconhecimento da incorreção do lançamento, prejudicadas as demais alegações feitas em razões de Voluntário. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10830.720428/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ABONO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. NATUREZA DE COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Incidem contribuições sociais sobre os valores pagos a segurados empregados a título de abono, quando o benefício possui natureza de contraprestação pelo trabalho, por não ser extensível aos trabalhadores afastados na data do pagamento da verba.
PAGAMENTO A ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS A TÍTULO DE PRÊMIO DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Por falta de previsão legal no sentido de excluir a verba do salário-de-contribuição, incidem contribuições sociais sobre os valores pagos aos diretores não empregados (segurados contribuintes individuais) a título de prêmio de férias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NATUREZA DE COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Incidem contribuições sociais sobre os valores pagos a segurados empregados a título de abono, quando o benefício possui natureza de contraprestação pelo trabalho, por não ser extensível aos trabalhadores afastados na data do pagamento da verba. PAGAMENTO A ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS A TÍTULO DE PRÊMIO DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Por falta de previsão legal no sentido de excluir a verba do saláriode contribuição, incidem contribuições sociais sobre os valores pagos aos diretores não empregados (segurados contribuintes individuais) a título de prêmio de férias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 28 /2 01 4- 67 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.720428/201467 Acórdão n.º 2401003.897 S2C4T1 Fl. 318 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 34.640 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração AI: a) AI n.º 51.049.7837: exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.049.7845: exigência de contribuições patronais para outras entidades ou fundos (terceiros); e c) AI n.º 51.049.7853: exigência das contribuições patronais dos segurados empregados e contribuintes individuais. Segundo o relatório fiscal, fls. 28/36, os fatos geradores contemplados no lançamento foram os pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais a título de Abono Indenizatório e Abono Licença Remunerada. Ressalta que tais pagamentos constam das folhas de pagamento, mas não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Acerca do Abono Indenizatório, o fisco afirmou que se enquadra no conceito de abono de qualquer natureza, integrando, assim, a base de cálculo das contribuições sociais. Menciona que a cláusula sétima do Acordo Coletivo de Trabalho vincula o citado abono ao tempo de serviço, haja vista que somente foi pago aos empregados em efetivo exercício em 31/12/2008. Conclui que o pagamento em questão é vinculado ao salário. Aduz que o Abono Licença Remunerada é uma rubrica vinculada ao pró labore, não havendo razão para sequer ser tratado como abono, haja vista que este conceito previsto na CLT é aplicável apenas a quem mantém vínculo de emprego. Afirma que inexiste previsão de exclusão do saláriodecontribuição desse tipo de pagamento. Cientificada do lançamento em 30/01/2014, a autuada ofertou defesa, fls. 115/134, na qual alega que os abonos tributados possuem natureza indenizatória. Afirmou que aquele concedido aos empregados tem por finalidade compensar os trabalhadores que somente tiveram reajuste salarial dois meses após a data base. Por esse motivo o ACT previu o seu pagamento para indenizar os empregados pelo período em que ficaram sem o aumento salarial. Em adição, afirma que este pagamento pode ser tratado como ganho eventual, o qual é expressamente excluído da base de cálculo das contribuições pela Lei n.º 8.212/1991, até porque foi pago em parcela única. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Com relação ao Abono Licença Remunerada, pago aos dirigentes da recorrente, sustenta que tal abono visa indenizar os mesmos, pelo fato de não gozarem de férias. Afirma que, a despeito de serem administradores da entidade, os seus contratos de trabalho não foram rescindidos e se encontram apenas suspensos, portanto continuam a produzir efeitos, e é nesse diapasão que o Abono Licença Remunerada é concedido. Insurgiuse ainda contra a imposição dos acréscimos de juros e multa. A decisão recorrida, fls. 201/205, entendeu que o Abono Indenizatório representa um ganho decorrente do trabalho e foi pago para suprir diferenças salariais, assim, independentemente da periodicidade com que foi repassado, deve ser considerado saláriode contribuição. Quanto ao Abono Licença Remunerada, o órgão recorrido manifestou o entendimento que esses valores caracterizamse como remuneração pelo trabalho, posto não haver na legislação pátria previsão de pagamentos de férias para pessoas que prestam serviço sem relação de emprego. Foram afastados os inconformismos da recorrente quanto aos acréscimos legais, sob a justificativa de que foram aplicados nos termos da legislação vigente. Por fim, indeferiuse o requerimento para apresentação de novas provas. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 214/240, no qual lançou as mesmas alegações apresentadas na defesa acerca da não incidência de contribuições sobre os abonos pagos aos empregados e contribuintes individuais. Não houve insurgência contra a aplicação dos juros e da multa. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.720428/201467 Acórdão n.º 2401003.897 S2C4T1 Fl. 319 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Abono Indenizatório Para a empresa este pagamento não integra a base de cálculo das contribuições, posto que possui nítida feição indenizatória. Asseverouse no recurso que o abono foi negociado com os empregados para reparar a perda sofrida pelo deslocamento da data de início da incidência do reajuste salarial, que em princípio seria a partir de 01/11/2008, mas foi efetivada somente a partir de 01/2009. Esse atraso na implementação do aumento de correu das negociações que deram ensejo à assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho ACT firmado no início de 2009. Assim, as partes no bojo do próprio ACT pactuaram que a recorrente pagaria um abono aos empregados em valor igual para todos a título de indenização e em única parcela. Apreciando a legislação previdenciária, mais precisamente o art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, observase que os abonos, de maneira geral, compõe a base de incidência das contribuições, como se pode ver do dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Do texto legal é possível se inferir que qualquer vantagem paga ao empregado para lhe retribuir o trabalho prestado, independente da sua denominação, compõe o saláriodecontribuição. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Da mesma forma que o órgão recorrido, entendo que os valores pagos à título de Abono Indenizatório pela recorrente visa a suprir parcelas salariais que não foram pagas no tempo oportuno, em razão do transcurso das negociações que culminaram com o ACT. Não concordo com a tese do caráter indenizatório da verba. Indenização serve para compensar um prejuízo sofrido pelo trabalhador no exercício de sua função ou para cobrir despesas que este tenha na prestação do serviço ao seu empregador. No caso sob enfoque verifico que o Abono Indenizatório, na verdade, é uma complementação salarial repassada aos empregados. Vale a pena transcrever a cláusula do ACT que propiciou o pagamento dessa parcela: “CLAUSULA SÉTIMA – ABONO INDENIZATÓRIO – Por conta da aplicação do ajuste acima a partir de 01/01/2009, os empregados em efetivo exercício em 31/12/2008 receberão em até 3 (três) dias úteis posteriores à aprovação do ACT, o valor fixo de R$ 1.604,33 ( mil seiscentos e quatro reais, trinta e três centavos), com incidência de Imposto de Renda, na forma de ABONO INDENIZATÓRIO não incorporável ao salário.” Chama atenção o fato de que apenas os trabalhadores em efetivo exercício fizeram jus à verba, isso para mim demonstra de forma inquestionável a natureza contraprestativa do pagamento, uma vez que uma segurada que estivesse, por exemplo, gozando da licença maternidade, não receberia a benesse. Também não acolho a tese de que a aplicação do item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 excluiria esta verba da tributação. Vejamos o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Em primeiro lugar esse pagamento não diz respeito a um ganho eventual, antes se refere a uma parcela negociada entre patrões e empregados para recompor a remuneração dos trabalhadores no período entre a data base e a assinatura do ACT. Eventual é o que depende de evento incerto e futuro. O pagamento dessa verba, ao contrário, surge da existência do vínculo de emprego. O dito benefício não foi pago por um infortúnio (uma eventualidade), por exemplo, uma doação no caso de força maior, mas é na verdade uma concessão negociada, uma retribuição, um agrado, ou qualquer outro nome que se queira dar, que nasce de um pacto laboral, representando um ganho pelo trabalho, tanto que os trabalhadores afastados não eram contemplados. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.720428/201467 Acórdão n.º 2401003.897 S2C4T1 Fl. 320 7 Por outro lado, para que os abonos sejam excluídos do saláriode contribuição, nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, fazse necessário que seja expressamente desvinculado do salário por força de lei, como se observa do dispositivo abaixo: Art.214.(...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) j)ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (...) Não esquecendo, como bem asseverou a DRJ, o fato da disponibilização da verba estar previsto em norma coletiva de trabalho não altera sua natureza frente às normas tributárias. É certo que as Convenções e Acordos Coletivas de Trabalho são de observância obrigatória para as partes, todavia, não estão acima da legislação de custeio da Seguridade Social. Em razão do princípio da estrita legalidade tributária, nosso ordenamento não admite que acordos entre patrões e empregados venham afastar a incidência tributária sobre determinado fato gerador. Para finalizar este tópico, irei tratar da aplicabilidade ao presente caso das disposições do Ato Declaratório PFN n. 16/2011, o qual transcrevo: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Como se percebe do texto acima a Fazenda, curvandose a jurisprudência dominante do Egrégio STJ, abriu mão de insistir na cobrança de contribuições incidentes sobre abonos, que guardem, além da previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, as seguintes características: a) seja único; b) não tenha vinculação com o salário; e c) não seja habitual. Assim, para que a verba seja excluída do saláriodecontribuição por força do referido Ato Declaratório, há de se encontrar na norma coletiva de trabalho as três condições acima mencionadas. O termo “único” aí utilizado pode ser entendido no sentido de exclusividade, ou seja, que cada CCT somente poderia conter um abono desta natureza, ou no sentido de quantidade de pagamentos, hipótese em que desembolso teria que ser feito em parcela única. Para mim, a melhor interpretação é de que esse abono, para se compatibilizar com o Ato Declaratório, deve ser pago em parcela única, posto que no sentido contrário as partes, para fugir da tributação, poderiam substituir parte do salário por um abono pago em, por exemplo, doze parcelas, situação que não pode ser admitida. Quanto à vinculação com o salário, o sentido desse termo pode ser extraído da jurisprudência citada no Parecer PGFN/CRJ n. 2.114/2011, o qual originou o Ato Declaratório em questão. Vejamos: 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9. , 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba, e não tem vinculado ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifouse) (STJ, REsp 819.552/BA, 1. Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ ac Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.720428/201467 Acórdão n.º 2401003.897 S2C4T1 Fl. 321 9 Percebese então que na decisão acima um dos elementos a serem analisados para não inclusão do abono no saláriodecontribuição é que o valor a ser pago seja o mesmo para todos os empregados e que seja recebido por todos, o que lhe retiraria o caráter contraprestacional. No caso sob apreciação observase que apesar da parcela ser paga em um mesmo valor para todos, eram excluídos, como já afirmamos acima, os trabalhadores que não estivessem efetivamente prestando serviço na em janeiro de 2009. Assim, é de se concluir que o Abono Indenizado deve ser tratado como verba retributiva e não indenizatória. Vêse, portanto, que o Ato Declaratório PFN n. 16/2011 não é aplicável a situação sob análise, haja vista que o abono era pago como contraprestação pelo serviço. Abono Licença Remunerada Alega a recorrente que essa parcela era paga aos seus administradores como indenização pelo fato deles não usufruírem de férias. Assim, por não se tratar de remuneração, deveria ficar de fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Também discordo desta tese. Vejamos o que diz a legislação acerca da base de cálculo da contribuição incidente sobre as remunerações recebidas pelos contribuintes individuais: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) (…) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º . (…) Ressaltese que inexiste na legislação trabalhista ou previdenciária a previsão de férias para os trabalhadores que não laboram para as empresas privadas com vínculo de emprego. Assim, as quantias que a recorrente disponibilizou a seus diretores deve ser tratada como remuneração, posto que paga por liberalidade do empregador como decorrência de determinado período de tempo que o administrador lhe prestou serviço na condição de contribuinte individual. Não custa ressaltar que todas as verbas pagas aos segurados contribuintes individuais em razão do seu vínculo de prestação de serviço com o seu tomador enquadramse no conceito de saláriodecontribuição. Inexiste regra que exclua da base de cálculo das contribuições os valores pagos como forma de compensar a prestação de serviço ininterrupto deste tipo de segurado. Alega a recorrente que estes trabalhadores estariam com o contrato de emprego suspenso, por isso mereceriam o mesmo tratamento dos segurados empregados, todavia, esta tese não pode ser aceita, posto que no período em que há a suspensão do vínculo empregatício os administradores passam a ser enquadrados perante o RGPS como contribuintes Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 individuais, não havendo previsão legal para exclusão das quantias pagas a esses segurados título de prêmio de férias da base de cálculo. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 15504.016922/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006
CRÉDITOS. PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, os pagamentos realizados para pessoa física, a qualquer título, não gera direito de crédito na sistemática da não cumulatividade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, os pagamentos realizados para pessoa física, a qualquer título, não gera direito de crédito na sistemática da não cumulatividade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 CRÉDITOS. PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, os pagamentos realizados para pessoa física, a qualquer título, não gera direito de crédito na sistemática da não cumulatividade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 69 22 /2 01 0- 15 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 3 2 É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata este processo administrativo de Autos de Infração relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, código de receita 6656, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, código de receita 5477, referentes a períodos de apuração compreendidos entre outubro de 2005 e dezembro de 2006, formalizando as exigências a seguir discriminadas, com valores expressos em reais (fls. 4 a 20) CONTRIBUIÇÃO COFINS 720.052,08 MULTA DE OFÍCIO 540.039,01 JUROS DE MORA 314.555,71 TOTAL 1.574.646,80 CONTRIBUIÇÃO PIS 116.607,63 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 4 3 MULTA DE OFÍCIO 87.455,67 JUROS DE MORA 49.677,37 TOTAL 253.740,67 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 21 a 28, 155 e 156, os lançamentos decorrem de procedimento fiscal, com o fito de verificação das referidas contribuições no período de outubro de 2005 a dezembro de 2006, em que ficaram constatadas insuficiências de recolhimento de PIS e de Cofins. A contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos: Contrato Social e todas as alterações, Livro de Registro de Prestação de Serviços, Livro Diário e Livro Razão relativo ao anocalendário de 2006, Planilhas e memórias de cálculo do PIS e da COFINS, no ano calendário de 2006, Cópias das petições iniciais, liminares, sentenças, recursos e acórdãos referentes is ações propostas, assim como das ordens de levantamento de depósitos judiciais e de conversão em renda da União, relativos à compensação de tributos federais, em 2006. Em seguida, foi intimada a informar a base legal (legislação em vigor) na qual a empresa se fundamentou para considerar os valores pagos a titulo de "remuneração a funcionários", "encargos trabalhistas" e "vale transporte" no cálculo de créditos a descontar da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período de 10/2005 a 31/12/2005. Informa a fiscalização que, diante dos Livros Contábeis e Fiscais, documentos apresentados e análise dos fatos, foi constatada a utilização indevida de créditos sobre os valores pagos a seus empregados, a titulo de salários, ordenados, encargos sociais e outras verbas informadas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, na rubrica "Outras Operações com Direito a Créditos", nos seguintes valores: PA Valor em reais PA Valor em reais out/05 533.581,73 jun/06 610.035,83 nov/05 547.608,92 jul/06 663.499,26 dez/05 940.345,69 ago/06 652.811,18 jan/06 602,187,75 set/06 657.619,90 fev/06 580.388,85 out/06 661.115,30 mar/06 591.031,63 nov/06 690.330,90 abr/06 622.956,13 dez/06 1.167.259,87 mai/06 634.980,66 Conclui a autoridade fiscal, que por determinação legal, os valores pagos a pessoas físicas não podem gerar créditos das contribuições ao PIS e Cofins, devendo ser retiradas da composição da base de cálculo dos créditos apurados pela empresa fiscalizada. Assim, as bases de cálculo mensais dos créditos de PIS e da Cofins foram refeitas pela fiscalização e os valores devidos dessas contribuições recalculados. Em decorrência, conforme demonstrativos às fls. 27, 28, 155 e 156, apurouse as diferenças devidas e não declaradas, que foram objeto de lançamento. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 5 4 Como enquadramento legal são citados, entre outros, os arts. 1º , 3° e 5º da Lei n° 10.833, de 2003 e os arts. 1º , 3º e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. Cientificada em 29/09/2010, fls. 5 e 14, a interessada apresentou, em 29/10/2010, a impugnação às fls. 310 a 327, acompanhada dos documentos às fls. 328 a 374, alegando, em síntese, que: • Em razão de procedimento fiscal foi lavrado junto ao contribuinte, ora impugnante, auto de infração para a cobrança das contribuições para o PIS, no valor de R$ 253.740,67, e Cofins, no valor de R$ 1.574.646,80, em razão de suposta utilização indevida de créditos, referente à competência de outubro de 2005 a dezembro de 2006. Os dois lançamentos acima mencionados totalizam o valor de R$ 1.828.387,00. Entretanto, apesar do entendimento do ilustre auditor da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a descrição dos fatos narrados e que ensejaram as deduções, supostamente indevidas, não condizem com a realidade. Neste contexto, não merece prevalecer o lançamento do crédito tributário atacado, impondose por via de conseqüência o arquivamento do presente auto de infração; • O impugnante tem por objeto a "prestação de serviços de limpeza, conservação, higienização, dedetização, desratização e jardinagem, além de assessoria e consultoria em condomínios e empresas em geral e prestação de serviço de fornecimento de mãodeobra, dos seguintes profissionais: office boy, telefonista, recepcionista, porteiro, ascensorista, auxiliar administrativo, vigia, motoboy, auxiliar de serviços gerais, digitadores, programadores, motorista, ajudante, jardineiro, pedreiro, pintor, eletricista, encanador, bombeiro hidráulico, marceneiro e demais profissionais especializados", estando sujeitas ao recolhimento do PIS e da Cofins; • Não obstante as Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, tenham instituído a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, permitindo o aproveitamento dos créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço, o impugnante foi autuado, por entender a fiscalização que os valores pagos à pessoa física não podem gerar créditos das contribuições ao PIS e a Cofins, retirandoas da base de cálculo dos créditos apurados pela empresa fiscalizada, ora impugnante Em suma, a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e a Cofins, com os propósitos então inseridos, teve em mente incentivar determinadas atividades econômicas e desonerar os efeitos da incidência pobre o faturamento No tocante ao PIS e a Cofins, foram as Leis nº. 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, respectivamente, que se prestaram a tal mister, elencando, no artigo 3° de ambos os diplomas, as hipóteses nas quais poderá o contribuinte compensar o tributo pago em operações anteriores com operações posteriores; • Na espécie, nos interessa o disposto no art. 3o, II das leis citadas, cujo conteúdo é absolutamente idêntico. As leis não especificam de maneira clara o que deve ser entendido por bens e serviços utilizados como insumos. Na ausência de determinação legal mais especifica, os insumos devem ser, compreendidos de maneira ampla. Uma vez atendidos os critérios legais, é preciso admitir a formação de crédito em relação a todo e qualquer insumo envolvido na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou destinados à venda; • Isto porque, parte significativa dos insumos envolvidos na prestação de serviços e na produção de produtos consiste no pagamento dos empregados de uma empresa, principalmente quando o objeto da empresa é o fornecimento de serviços diversos às pessoas jurídicas. E imperioso reconhecer, portanto, a formação de créditos de PIS e Cofins em relação a todo e qualquer valor pago ao seus empregados Ademais, ao excluir as pessoas jurídicas que exploram atividades de Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 6 5 prestação de serviços de limpeza e conservação do beneficio da não cumulatividade, além de não prestigiar um valor constitucionalmente consagrado, está a Fazenda a malferir a Carta Constitucional, posto que. viola diretamente o art. 150, II, que veda a instituição de "tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de. ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimento, títulos ou direitos"; • Noutro passo, impende salientar que o poder regulamentar atribuído à Fazenda se presta a ressaltar alguns elementos menos claros da lei, e não a criálos, já que a atividade administrativa submetese à legalidade estrita, conforme disposto no caput do art. 37 da Constituição Federal, norma reforçada pelo art. 99 do Código Tributário Nacional CTN, consoante também doutrina; • O que se verifica, no caso em tela, é uma extrapolação do poder regulamentar dado à Administração eis que ultrapassa os comandos dados pelas Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 e inova na ordem jurídica, criando restrições onde a lei não o fez e, conseqüentemente, usurpando competência legislativa que não lhe é própria, em claro desrespeito à separação dos Poderes; • Caso esse d. julgador assim não entenda, imperioso anular a autuação em parte, em razão da possibilidade de creditamento das verbas que não integram o conceito de salário e remuneração; • A despeito da clássica diferença entre salário e remuneração, há verbas que não se enquadram em nenhuma destas categorias mas são pagas ao empregado, e dai o corrente equivoco de tomálas corno parcelas contraprestativas. Remuneração é termo que compreende o salário e as gorjetas pagas ao empregado, conforme se depreende do art. 457 da CLT; já o termo salário, nas palavras de Mauricio Godinho Delgado, é "o conjunto de parcelas pagas diretamente pelo empregador ao empregado em função do contrato de trabalho"; • Ressaltese que ponto crucial de diferenciação entre a gorjeta e o salário reside na identificação da pessoa que efetua o pagamento, posto que as gorjetas são pagas por terceiros, enquanto o salário é diretamente pelo empregador. A despeito disto, ao se tratar de qualquer um dos dois institutos não se pode perder de vista o seu viés sinalagmático, ou seja, ambos são parcelas pagas PELO trabalho, e não PARA o trabalho. Neste passo, toda parcela paga ao empregado PARA o trabalho, ou seja, que não seja remuneratória, mas apenas busque viabilizar a prestação do serviço não é considerada salário. Tratandose, pois, de instrumento para efetivação da atividade impõese sua caracterização enquanto insumo, afastandose, outrossim, a incidência do art. 3°, § 2° das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003; • Forçoso concluir que a noção de "valores de mãodeobra pagos a pessoa física" coincide com a de salário, enquanto que o conceito de insumo, no tocante as empresas prestadoras de serviços, corresponde as parcelas que não possuem natureza salarial, tais como vale transportes, vale refeição ou alimentação.seguro de vida, segurosaúde, plano de saúde, fardamento ou uniforme, etc. O fato de que o pagamento de tais parcelas que ora se denominam insumos nem ao menos repercutem no cálculo de outras verbas trabalhistas, como horasextras e 13° salário, reforça a tese esposada de que não se trata de mero valor pago a mãodeobra, mas de verdadeiros insumos necessários à concretização da atividadefim da sociedade; • O salário em si não pode ser considerado insumo. para fins de determinação do regime de nãocumulatividade, haja vista a expressa determinação legal, art. 2°, § 2°, I, no sentido de que o valor da mãodeobra paga a pessoa física não dá direito ao Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 7 6 crédito. Contudo, há outras parcerias que beneficiam o empregado e não se enquadram no conceito de salário, mas que são efetivamente pagas a pessoas jurídicas. A titulo de exemplo, verificase que se encontram nessa situação os seguintes benefícios: valetransporte, valerefeição ou alimentação, seguro de vida, segurosaúde e plano de saúde. O empregador, para proporcionar esses benefícios ao empregado, realiza um contrato com pessoas jurídicas, que admitem o respectivo pagamento como receita que suscita a incidência do PIS e da Cofins. Dessa forma, surgem os créditos que deverão ser reconhecidos como insumos da prestação de serviço, ou do processo produtivo de produto para a venda; • Tal diferenciação é de capital importância para que se dê a devida extensão à nãocumulatividade no PIS e na Cofins, sendo certo que, o tratamento indiscriminado de tais institutos é capaz de gerar onerosidade ao contribuinte, configurandose como cerceamento de direito legalmente conferido; • Em verdade, a conseqüência que se pode extrair do ato impugnado é a de que qualquer verba paga a empregados se encaixaria na restrição contida no § 2° do art. 3°, o que simplesmente anula a possibilidade de compensação para as empresas prestadoras de serviços. Não seria razoável que um mesmo dispositivo introduza uma regra e a torne ineficaz, na medida em que tal providência implicaria aceitar que o dispositivo já nasceu sem a potencialidade de produção de efeitos, por conseguinte, inócuo; • Verificase que o fator diferenciador adotado no Ato Declaratório Interpretativo nº 4, de 2007 não resiste ao crivo dos critérios apontados, posto que não há razão de ser para se excluir as referidas verbas do núcleo de creditamento do PIS e da Cofins, nem para que se exclua determinado seguimento econômico da fruição de tal benesse; • Não é plausível, pois, qualquer interpretação do § 2° do art. 3° que anule a possibilidade de aplicação do inciso II do mesmo artigo, como pretende a Fazenda, pois implicaria a existência de um dispositivo que conteria em seu próprio corpo a razão de sua ineficácia, o que, grosso modo, equivaleria a uma "autorevogação"; • Ao tratar sobre a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins, as Instruções Normativas n° 247, de 2002 (art 66, §5°, incluído pela IN n.° 358, de 2003), e n.° 404, de 2004 (art. 8°, §4°), apresentaram definições de insumo para fins de apuração e crédito tributários relativos às mencionadas contribuições. Ao analisar tais dispositivos cabe recordar que, na qualidade de normas complementares às leis (CTN, art. 100, I) os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas não estão autorizadas a inovar, mas tão somente regulamentar as determinações expressas na legislação. • Neste sentido, a interpretação das normas expedidas pela Receita Federal somente pode ser realizada de modo a não restringir o conceito de insumo, sob pena de caracterização de ilegalidade. Desta forma, cabe observar que as referidas normas complementares em matéria tributária não afastam a possibilidade de inclusão do valerefeição na apuração do crédito de PIS e Cofins tendo em vista a sua qualidade de insumo no desenvolvimento das atividades do impugnante; • O Ato Declaratório Interpretativo nº 4, de 2007 da Secretaria da Receita Federal do Brasil pretendeu vedar a compensação de créditos oriundos do fornecimento de vale transportes, vale refeição ou alimentação, seguro de vida, segurosaúde, plano de saúde, fardamento ou uniforme, entre outros, quando se tratar de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza e conservação. É patente que o ato declaratório em comento violou o Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 8 7 principio da igualdade e da legalidade, previstos no caput do art. 5° e do art. 37 da Constituição Federal, padecendo, pois, de inconstitucionalidade que obsta a produção de efeitos desde sua edição, por se tratar, em última análise, de ato irrito e nulo; • Imperioso ressaltar, outrossim, que a diferenciação a que se procedeu na parte final do novo inciso é manifestamente inconstitucional, posto que quebra a isonomia entre os contribuintes, sem qualquer nexo legitimo, sendo o fator discriminante!; • Ademais, ao mencionar apenas as pessoas jurídicas que exploram atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção ao conceder expressamente o beneficio da nãocumulatividade, além de não prestigiar um principio constitucionalmente consagrado, a legislação está a malferir a Carta Constitucional, posto que viola diretamente o art. 150, § 11, que veda a instituição de "tratamento desigual entre contribuintes que Se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupa cão profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimento, títulos ou direitos"; • De se concluir, pois, que a alteração legislativa procedida pela Lei nº 11.898, de 2009, só fez corroborar a tese ora esposada, sendo certo que a restrição imposta é indiscutivelmente inconstitucional, razão pela qual se impõe sua desconsideração; • Interessante observar que a própria Receita Federal, por intermédio da Superintendência Regional da 3a Região Fiscal, já havia dado interpretação conforme a ora esposada na Solução de Consulta nº 16, da qual consta que: “os valores referentes ao fornecimento de fardamento, alimentação e valetransportes aos funcionários envolvidos diretamente na prestação dos serviços, durante e para a execução destes, quando sejam fornecidos pela própria consulente, ... se enquadram como insumos utilizados na prestação de serviços e podem compor o somatório dos créditos a serem descontados da Cofins, a partir de 10 de fevereiro de 2004 e do PIS a partir de 1° de janeiro de 2003"; • Por todo o exposto, a concessão de aproveitamento do direito ao crédito de PIS e Cofins relativo aos valores pagos em função de fornecimento de vale refeição é premente, vez que o Impugnante não pode se sujeitar a autuação e aplicação de sanções por suposto crédito tributário que inexistiria caso não lhe tivesse sido tolhido o direito à compensação; • Além da exigência acima debatida, foi imputado ao Impugnante uma multa cujo valor corresponde a 75% do valor principal em comento, além do acréscimo de juros de mora. Não resta dúvida de que o ato impugnado emana do poder de polícia exercido pelo Fisco. Entretanto, não se pode olvidar que todos os atos da Administração Pública devem observar os princípios gerais .constitucionalmente estabelecidos, dentre eles os da proporcionalidade/razoabilidade; • Assim, impende salientar que também na instancia administrativa é passível de discussão questões referentes à legalidade ou constitucionalidade de leis e sua não aplicação. Isto porque a legalidade em direito administrativo vem sendo substituída por, uma idéia mais ampla de juridicidade, a qual obriga a administração ao cumprimento do ordenamento jurídico como um todo, devendo ser observadas todas as normas dele constantes. • A conduta de um agente público, dessa forma, não está limitada apenas pela norma que lhe outorgou competência para agir, mas por todos os princípios que Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 9 8 informam a ordem jurídica vigente. A atuação da administração, dessa forma, deve primar pela busca de condutas que satisfaçam em um grau máximo os ditames constitucionais, e não que simplesmente subsumamse à prescrição de uma norma considerada isoladamente; • Desta feita, sendo a decisão que optou pela aplicação da multa ofensiva a Constituição, não pode ser legitimada por sua aparente e questionável subsunção à indeterminação dos conceitos constantes da norma infralegal, razão pela qual há de ser reputada inválida; • A penalidade vergastada consubstanciase na negação da gradação da penalidade, não se levando em conta a natureza e as circunstâncias da falta cometida, bem como a intenção do infrator; • Como se não bastasse todo o exposto, há que ser considerado, ainda, o principio da pessoalidade e da individualização da pena, consagrados na Constituição Federal, em seu artigo 5°, inciso XLV, segundo o qual nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Do mesmo modo neste caso, não pode o impugnante, terceiro de boafé na operação, ser penalizado por eventuais irregularidades constatadas. Ao longo do recurso cita doutrina, julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e dos Tribunais Regionais Federais – TRF e, ao final, solicita a procedência da impugnação, com a conseqüente declaração de nulidade do lançamento e, subsidiariamente, requer a redução da multa isolada aplicada. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte MG julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0245.431, de 24/06/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente geram crédito os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. CRÉDITOS. VALORES PAGOS A MÃODEOBRA. PRESTADORA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. Por expressa vedação legal, os dispêndios realizados com mão deobra não geram créditos. Despesas efetuadas por pessoa jurídica que opere na atividade de prestação de serviços de limpeza e conservação com fornecimento de valetransporte, ticketrefeição, valerefeição, ticketalimentação, vale alimentação, fardamento ou uniforme somente geram direito a créditos a partir da entrada em vigor da Lei nº 11.898, de 2009. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 10 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente geram crédito os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. CRÉDITOS. VALORES PAGOS A MÃODEOBRA. PRESTADORA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. Por expressa vedação legal, os dispêndios realizados com mão deobra não geram créditos. Despesas efetuadas por pessoa jurídica que opere na atividade de prestação de serviços de limpeza e conservação com fornecimento de valetransporte, ticketrefeição, valerefeição, ticketalimentação, vale alimentação, fardamento ou uniforme somente geram direito a créditos a partir da entrada em vigor da Lei nº 11.898, de 2009. Ciente desta decisão em 09/07/2013 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 08/08/2013, com Recurso Voluntário, no qual renova os fundamentos da impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, contra empresa Recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, pelo regime da não cumulatividade, tendo em vista que a Fiscalização constatou a utilização indevida de créditos sobre os valores pagos pela Recorrente a seus empregados, a titulo de salários, ordenados, encargos sociais e outras verbas informadas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, na rubrica "Outras Operações com Direito a Créditos". Preliminarmente, registrese que o auto de infração se reveste de todas as formalidades legais e foi lavrado por servidor competente, não ocorrendo nenhuma das Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 11 10 hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não há se falar em nulidade do mesmo. Quanto ao mérito, a matéria posta em julgamento é fácil solução. A empresa Recorrente, por ser uma empresa de locação de mãodeobra, entende que os gastos realizados com seus empregados geram direito ao crédito do PIS e da Cofins, pelas razões relatadas. As disposições do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, transcritos na decisão recorrida, demonstram claramente que o legislador ordinário adotou, para fins de apuração dos créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e para a Cofins não cumulativas, o critério de listar os bens e serviços adquiridos capazes de gerar créditos e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Com efeito, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar créditos a serem descontados das aludidas contribuições, dependendo da situação concreta do emprego ou da aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para melhor compreender a matéria, é preciso lembrar que o legislador, ao admitir a possibilidade de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a serem deduzidos dos valores apurados mensalmente dessas contribuições, nos casos em que não se referem a insumos consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda ou na prestação de serviços e, nem de bens registrados no ativo imobilizado vinculados ao processo de produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, ele o fez de forma literal, a exemplo dos créditos oriundos de gastos efetuados com: a) combustíveis e lubrificantes; b) energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pago a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa c) valor das contraprestações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Simples; d) edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades das empresas; e e) armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II do art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Nesse mesmo sentido são as disposições do 25 da Lei nº 11.898/2009, com vigência a partir de 09/01/2009, que acrescentou o inciso X ao art. 3º da Lei 10.833/2003, abaixo reproduzido, para admitir o crédito para o PIS e para a Cofins sobre as despesas de vale transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de limpeza, conservação e manutenção e somente para essas empresas. Art. 25. O caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso X: “Art. 3o ..................................................................... X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.” (NR) A exceção criada pela Lei nº 11.898/2009 prova, indubitavelmente, que essas despesas não são e nunca foram consideradas pelas Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 como insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços passíveis de creditamento. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 12 11 Portanto, nos períodos de apuração objeto de lançamento (01/10/2005 a 31/12/2006) não havia previsão legal para a apuração de créditos em relação a essas despesas. Com relação aos pagamentos feitos aos empregados da Recorrente, a qualquer título e independente da natureza desses pagamentos, os mesmos não podem gerar direito a crédito de PIS e de Cofins simplesmente porque há expressa vedação legal para a tomada de créditos para o valor da mãodeobra paga a pessoa física e para a aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins, conforme dispõe o art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo reproduzido. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Como as pessoas físicas não são contribuintes do PIS e da Cofins, sobre as receitas por elas auferidas não incide nem PIS e nem Cofins e, portanto, os pagamentos efetuados pela Recorrente a pessoas físicas, empregados seus ou não, a qualquer título, não gera direito ao crédito das exações. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009), abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório (exorbitante), a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.016922/201015 Acórdão n.º 3302002.858 S3C3T2 Fl. 13 12 cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/961. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 18471.000290/2004-42
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. IRPF. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173 DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9900-000.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, Vice-Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. IRPF. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173 DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 90 /2 00 4- 42 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, VicePresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.000290/200442 Acórdão n.º 9900000.901 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário por divergência, fls. 0201, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), fls. 0194, que negou provimento a seu recurso especial, nos seguintes termos: “A S S U N T O : I M P O S T O S O B R E A R E N D A D E P E S S O A F Í S I C A IRPF Exercício: 1999 IRPF DECADÊNCIA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96). O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato. gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4 o e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator, pelas conclusões, os Conselheiros Julio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto.” Esclarecendo a questão, o litígio versa sobre qual regra decadencial, das expressas no Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Insurgese contra o acórdão proferido pela CSRF, que negou provimento a seu recurso, confirmando a Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 declaração de decadência de constituir crédito tributário do anocalendário de 1998; 2. Há decisão divergente sobre o assunto (Acórdão CSRF/0103.215); 3. A decisão a quo aplicou a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, decidindo que havia decaído o direito de constituição do crédito referente a fatos geradores concretizados em 31/12/1998, já que a ciência do lançamento ocorreu em 07/04/2004; 4. Para a PGFN, como não houve recolhimento parcial deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, conforme paradigmas devidamente indicados e comparados, analiticamente; 5. Em face do exposto, requer o conhecimento e provimento de seu recurso, para afastar a decadência referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1998. Por despacho, fls. 0224, deuse seguimento ao recurso da PGFN. O sujeito passivo – devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.000290/200442 Acórdão n.º 9900000.901 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise de suas razões recursais. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma está na regra decadencial a ser aplicada. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL Fl. 415DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.000290/200442 Acórdão n.º 9900000.901 CSRFPL Fl. 5 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação da fiscalização de que houve recolhimento parcial efetuado (Imposto Pago – Auto de Infração), fls. 040. Assim, como há recolhimentos, deve ser aplicada ao caso a regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 417DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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