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Numero do processo: 10680.927897/2016-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/08/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 78 97 /2 01 6- 38 Fl. 40DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10680.927897/201638 Acórdão n.º 3401006.451 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 42DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10680.927897/201638 Acórdão n.º 3401006.451 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 44DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 45DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.901728/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relato´rio da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relato´rio da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relatório da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por expor adequadamente os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, ao qual farei as necessárias complementações. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .9 01 72 8/ 20 12 -3 2 Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.581 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento cumulado com Declarações de Compensação (PER/DCOMP) cujos créditos são relativos ao PIS não cumulativo, vinculados a receitas obtidas no mercado externo. No Despacho Decisório, assinado digitalmente em 20/09/2016, o AuditorFiscal relata como se desenvolveram os trabalhos do procedimento fiscal e informa que durante a diligência fiscal o contribuinte original, VOTORANTIM METAIS S.A, foi incorporado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO; que paralelamente às informações prestadas pelo contribuinte foram baixados arquivos de notas fiscais eletrônicas (Sped NFe), Sped Contábil e SpedContribuições junto ao servidor “ReceitanetBX”, e também foram usados como fontes de informações o portal da Nota Fiscal Eletrônica e DWAduaneiro. Também comenta que na atividade do contribuinte, de metalurgia, os principais produtos comercializados no ano 2011, considerandose o volume das vendas informadas, foram níquel eletrolítico, matte de níquel, cobalto e ácido sulfúrico, e as principais etapas da produção são a lavra (extração do minério nas minas), o beneficiamento (do minério concentrado para obtenção do matte de níquel) e a fundição (produção do níquel eletrolítico), enquanto os principais insumos utilizados, considerandose o volume dos custos de aquisição informados, foram minério de níquel sulfetado, óleo combustível, coque de petróleo, níquel concentrado e amônia anidra. No tópico FUNDAMENTAÇÃO LEGAL trata das regras dos créditos do regime nãocumulativo do PIS e Cofins à luz das Leis nºs 10.637, de 2002, 10.833, de 2003, alteradas pelas Leis nºs 11.033, de 2004, e 11.116, de 2005 (transcreve os arts. 17 e 16 destas duas últimas), e interpreta: 16. Diante do exposto, concluise que as únicas hipóteses legais de utilização do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou no ressarcimento desses créditos relacionamse às seguintes situações: Créditos vinculados a receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior, nos termos do art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637/02, e do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833/03; Saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário nos termos do art. 16, inciso II, da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, em razão do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que assegura a manutenção de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativos e para o COFINS. 17. Poderão, ainda, ser objeto de compensação os créditos decorrentes de aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833/03, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1° de abril de 2005. Cabe ressaltar que os créditos decorrentes de aquisições de embalagens para revenda não são passíveis de ressarcimento, a legislação permite apenas sua utilização na compensação com outros tributos. 18. Regra geral posta pela legislação é de que os créditos do PIS/Pasep e da COFINS somente podem ser utilizados para dedução de débitos da mesma contribuição, apenas sendo permitido a compensação e o ressarcimento em casos excepcionais. 19. A legislação que permite o ressarcimento e a compensação dos créditos de PIS/Pasep e COFINS, apurados na forma do art. 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03, prevê uma ordem para a utilização de tais créditos. Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.582 3 20. Dispõem as leis no art. 5º, § 1°, incisos I e II da Lei 10.637/02 e art. 6°, § 1°, incisos I e II da lei 10.833/03, respectivamente, que o crédito apurado na forma do art. 3° dessas leis, poderá ser aproveitado, devendo sua utilização ocorrer na seguinte ordem: 1° dedução de débitos da mesma contribuição; 2° compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 21. Por fim, o § 2° do art. 5° da Lei 10.637/02 e o § 2° do art. 6° da Lei 10.833/03 dispõem, como última forma de utilização dos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, o ressarcimento em espécie. 22. A Lei ainda determinou que fosse observada a legislação específica da matéria. Em consonância à lei, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, dispõem sobre o Ressarcimento, Restituição e Compensação de tributos administrados pela RFB. 23. Importante consignar que as regras que versam sobre o crédito do PIS/Pasep e da COFINS não cumulativos, pela natureza exoneratória, representam uma exceção à regra geral de tributação, devendo ser interpretadas de modo literal, restritamente, porquanto compreendem um incentivo fiscal ou benefício fiscal implementado pelo Estado. Esse princípio está expressamente inserido na Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172/66, em seus artigos 111 e 176. Continua com o tópico ANÁLISE DOS CRÉDITOS, onde considera: 27. (...) verificouse que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos de determinadas rubricas do DACON, itens cuja natureza está relacionada a rubrica diversa. Como exemplo, temos o caso da linha Serviços Utilizados como Insumos, em que o contribuinte incluiu itens que se referem a Frete na Operação de Venda, Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, Despesas de Energia Elétrica, que têm suas linhas próprias de apuração. Tal procedimento ocasionou maior dificuldade na aplicação dos procedimentos de auditoria fiscal. Entretanto, quando puderam ser identificados corretamente, créditos erroneamente alocados foram considerados validados, em atenção aos princípios da economia processual e verdade material. 28. A partir da consolidação das informações declaradas mensalmente nos DACON, verificase que os créditos pleiteados para o ano de 2011 tiveram por base as seguintes rubricas: Bens para revenda Bens utilizados como insumos Serviços utilizados como insumos Despesas de Energia Elétrica Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de PJ Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de PJ Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Sobre bens do Ativo Imobilizado (com base nos encargos de depreciação) Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Devoluções de Vendas Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.583 4 Ajustes Positivos e Negativos de Crédito (...) 30. A análise dos créditos para cada uma das rubricas acima teve por base os memoriais de cálculo apresentados pelo contribuinte para o ano de 2011, contidos nas planilhas eletrônicas em arquivo Excel, anexo à fl. 482, doravante referidas como planilhas apresentadas pelo contribuinte. As informações contidas nas planilhas foram ainda cruzadas e verificadas com informações trazidas dos sistemas da RFB e dos portais da NFe, dentre outros. 31. Consignese que a rubrica “Bens para revenda” é a única que contem itens adquiridos no mercado externo, estando seus valores, portanto, inseridos nas fichas 06B/16B do DACON. Já as demais rubricas apresentam valores somente nas fichas 06A/16A do DACON. 32. Como resultado da análise de cada uma das rubricas, quando houve glosa, foram elaborados novos arquivos Excel, separandose em diferentes planilhas os itens validados dos que foram glosados. os casos em que a rubrica teve itens que foram validados parcialmente, uma terceira planilha contendoos foi montada para facilitar a compreensão. Assim, os novos arquivos em Excel, anexos às fls. 1.342 a 1.347, contêm as seguintes planilhas: Resumo Créditos: tabela com resumo mensal das bases de cálculo dos itens pleiteados e itens validados. Pleiteados: planilha com todos os itens originais apresentados pelo contribuinte e extraídos das planilhas apresentadas pelo contribuinte. Validados: contém os itens que foram validados na análise de auditoria. Valid Parc: contem itens cujos valores foram validados parcialmente (para alguns casos). Glosados: planilha com itens que tiveram seus valores totalmente glosados, segundo a razão apresentada na coluna “Motivo da Glosa”. Em seguida cuida das glosas que resultaram no indeferimento, tudo conforme os tópicos a seguir do Despacho Decisório. Bens Para Revenda (linha 01): glosados os valores relativos a importações em períodos posteriores (anos de 2012 e 2013). Bens Utilizados como Insumos (linha 02): glosa subdividida em três tipos: bens e serviços que reflitam indiretamente na fabricação do produto final, por considerar a fiscalização que somente geram créditos as “aquisições de insumos aplicados ou consumidos em razão de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado ou produzido destinado à venda, sejam matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagens ou outros insumos que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda das propriedades físicas ou químicas”. A fiscalização explicou, mencionando o art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, o art. 8º da IN SRF nº 404, de 2004, e as Soluções de Consulta nºs 415, da SRRF08/Disit, de 23 de novembro de 2009 e 36 – SRRF07/Disit, de 24 de março de 2010, : 46. No caso da empresa contribuinte em questão, anteriormente ao beneficiamento e fabricação do produto final, existe a etapa que compreende a detonação das minas, a extração do minério (insumo) e seu transporte até os estabelecimentos da empresa. Assim, anteriormente à etapa de industrialização, há a fase obtenção do insumo. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.584 5 47. Os bens e serviços, adquiridos para essa fase de obtenção do minério, não se configuram como insumos, conforme o conceito acima explicado, mas se tratam de despesas indiretas, utilizadas para obtenção de seu principal insumo, o minério, e dessa forma, não podem gerar direito a crédito. (...) 49. Pelo exposto, valores constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte e referentes a itens como explosivos, pneus, partes e peças de veículos e máquinas utilizados nas minas foram glosados do cálculo dos créditos; partes e peças de manutenção que, ainda que integrem máquinas/equipamentos usados no processo produtivo, não se desgastam ou danificam em razão de ação diretamente exercida sobre o bem em fabricação/produção. Explicou, mencionando a Solução de Consulta nº 76 – Cosit, de 23 de março de 2015: 51. Assim, fica claro que numa máquina/equipamento existem algumas partes/peças que sofrem ação direta sobre o produto em fabricação, se desgastando em razão desta ação; já as outras se desgastam simplesmente com o passar do tempo, em função do próprio funcionamento da máquina. Daí porque, aquelas primeiras, quando adquiridas para reposição, são consideradas como insumo segundo o conceito acima e geram direito a crédito, e estas últimas, a contrario sensu, não. 52. Dentre os itens glosados nesse sentido encontramos rotores, rolamentos, motores, placas, parafusos, porcas, arruelas, abraçadeiras, barras de cobre, etc. aquisições de bens não sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep e da COFINS, como óleo diesel (monofásico), gás GLP (monofásico) e minério Mirabela (drawback), em face do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Serviços Utilizados como Insumos (Linha 03): depois de reapresentada pelo contribuinte a planilha desta rubrica, com classificação por tipo de serviços, a fiscalização glosou “itens relativos a serviços de limpeza, de consultoria, de análise, aluguel de veículos, dentre outros, por não haver previsão legal expressa e não se enquadrarem no conceito de insumo.” O AuditorFiscal informa o seguinte: 59. Verificase que parte dos itens presentes nas planilhas de serviços utilizados como insumos, foram indevidamente incluídos nessa rubrica, pois na realidade tratamse de aquisições que se relacionam a fretes sobre vendas, aluguéis de máquinas/equipamentos, despesas com energia elétrica, etc., dificultando muito a análise. Entretanto, embora alocados erroneamente, tais itens, quando efetivamente possível, foram validados dentro da própria rubrica Serviços Utilizados como Insumos, considerando o princípio da economia processual e verdade material. (...) 62. Os valores relativos a frete de venda e a frete de compra foram aceitos, tendo em vista que, embora somente não haja previsão expressa para o crédito relativo a “frete na operação de venda”, na compra de bens, o frete, quando pago pelo adquirente, consoante a boa técnica contábil, integra o custo de aquisição desses bens, o que está consagrado no art. 289, § 1º, do RIR/1999 (“o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte”). Assim, poderá o valor do frete compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS/Pasep e da COFINS não cumulativos, uma vez que o frete integra o custo de aquisição das mercadorias. 63. Já os itens relativos aos serviços que foram identificados pelo contribuinte como fretes de entrada, de transferência e internos, foram considerados pela fiscalização como Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.585 6 fretes intercompany, para os quais não há previsão legal para direito a crédito, conforme explicado nos parágrafos 86 a 92 adiante. 64. Outros itens glosados referemse a serviços de manutenção, conserto ou reparo, que não sejam aplicados em máquinas/equipamentos diretamente utilizados na produção de bens destinados a venda. Por exemplo, valores relativos a manutenção de máquinas utilizadas nas minas, retroescavadeiras, smartmine, equipamentos de perfuração e veículos usados no transporte do minério até os estabelecimentos industriais, também foram glosados por ser relacionarem a fase de obtenção do insumo, como explicado nos parágrafos 46 a 48. 65. Os itens relativos a alugueis de máquinas/equipamentos, indevidamente alocados na rubrica em comento, foram alguns validados totalmente, enquanto outros apenas parcialmente, tendo em vista que, para estes, foi glosada a parte dos valores constantes das notas fiscais apresentadas e que se referiam a serviços de mãodeobra. Note que a legislação nos incisos IV dos art. 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 permite obter crédito de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, não havendo previsão legal para aluguel com mão deobra. Despesas com Energia Elétrica (Linha 04): glosados valores que não se referem a energia elétrica, “e sim a outros serviços, como manutenção nas linhas e outros itens não minimamente identificados, não podendo gerar direito a crédito por falta de previsão legal”, a outros itens, “em razão dos valores pleiteados para base de cálculo dos créditos serem superiores aos valores nas notas ficais/faturas apresentadas pelo contribuinte (fls. 749 a 842 e fls. 986 a 993). Inclusive alguns itens pleiteados incluíam indevidamente em sua base de cálculo o valor do ICMSsubstituição tributária, o qual foi subtraído dos valores respectivos, por não integrarem o custo de aquisição.” Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica (Linha 05): glosa integral, porque “Após intimação, o Interessado apresentou planilha contendo apenas um item, referente ao mês março/2011, para demonstrar os valores desta rubrica, não havendo nela qualquer menção a qual seria o imóvel e o locador, ou seja, ausentes as informações básicas para possibilitar a verificação do direito ao crédito”. A fiscalização empregou aqui o art. 76 da IN RFB nº 1.300, de 2012, considerando não ter sido comprovado o direito creditório. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de PJ (linha 06): glosa parcial, parte “tendo em vista que parte dos valores constantes das notas fiscais apresentadas não se referem a aluguel de máquinas ou equipamentos, mas são pagamentos relativos à mãodeobra fornecida ao contribuinte”; parte relativa a aluguéis de veículos, tratores e caminhões (estes dois classificados como veículos pela fiscalização haja vista o art. 2º, III, da Lei nº 9.729, de 1979), “posto que não há previsão legal para apuração de crédito sobre tais itens, de acordo com a Solução de Consulta nº 1 – Cosit, de 2 de janeiro de 2014”; e ainda “outros itens que não continham informações básicas sobre o equipamento locado ou não continham nem o fornecedor nem o documento fiscal, ou este não foi apresentado.”. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07): glosa integral, porque “alguns itens constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte se referem simplesmente a serviços de transporte para descarte de escórias e cinzas”, enquanto outros não tiveram apresentadas pelo contribuinte a nota fiscal ou se referem a itens duplicados, que já constavam da planilha de Serviços Utilizados como Insumos. A fiscalização observa que muitos itens que deveriam constar nessa rubrica foram indevidamente alocados pelo contribuinte na planilha de Serviços Utilizados como Insumos e lá já foram devidamente analisados, conforme descrito nos itens 62 e 63. Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.586 7 Sobre Bens do Ativo Imobilizado com base nos encargos de Depreciação (Linha 09) e Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11): glosa integral, por falta de detalhamento. O AuditorFiscal afirma: 98. O contribuinte foi intimado em 13/04/2016, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação Fiscal, em seus itens 9 e 11, a apresentar as planilhas com o detalhamento do memorial de cálculo para as duas rubricas em questão, contendo itens como: Mês em que o valor foi apropriado; Nome e CNPJ do fornecedor; Número e data de emissão da nota fiscal; Descrição ou serviço do bem adquirido; Valor da depreciação ou amortização mensal considerada; Identificação se o bem é utilizado no processo produtivo ou nas demais atividades Endereço do imóvel onde foi feita a benfeitoria Identificar se o imóvel é próprio ou de terceiros 99. Entretanto, após ainda deferida prorrogação de prazo para atendimento, nas planilhas apresentadas pelo contribuinte em resposta não consta a maioria das informações acima solicitadas. 100. Observese que o contribuinte foi intimado a reapresentar as planilhas corretamente, sendo que apenas se fez solicitar prorrogações de prazo, informando ter dificuldade em apresentação das informações para a totalidade dos itens, tudo conforme consta do Termo de Indeferimento de Pedido, de fls. 971 e 972. Devoluções de Vendas (Linha 12): todos os créditos desta rubrica foram reconhecidos. Ajustes Positivos de Créditos (Linha 22): glosa integral, porque os itens alocados sob a rubrica em questão se referem a créditos extemporâneos que o contribuinte deixou de apurar em períodos anteriores (anos 2005 a 2010) e tais créditos “somente podem ser pleiteados desde que obedeçam ao prazo prescricional de 5 (cinco) anos e seja efetuado por meio de DACON retificador no período correto”. Sobre a necessidade da retificação, menciona a Solução de Consulta nº 87 – SRRF09/Disit, de 25 de março de 2009. Ao final a fiscalização informa que s valores de receita de vendas apurados pelo contribuinte estão condizentes com nos DACON mensais e na DIPJ do referido ano calendário e com os valores de PIS/Pasep e COFINS devidos; a proporcionalidade entre os tipos de receita (tributada no mercado interno, não tributada e de exportação) foi verificada, validandose os rateios proporcionais utilizados pelo contribuinte para vinculação dos créditos. Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva (fl. 2193), a contribuinte, apesar de requerer a “reforma integral” da decisão recorrida, não trata das glosas relativas aos seguintes itens: Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica (Linha 05), Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de PJ (linha 06), Devoluções de Vendas (Linha 12) e Ajustes Positivos de Créditos (Linha 22). Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.587 8 Depois de sintetizar os fatos do Despacho Decisório, contesta as demais rubricas alegando basicamente o que segue. 03. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS GLOSADOS PELA DECISÃO IMPUGNADA: afirma que o Auditor Fiscal “deve verificar item a item elencado em cada nota fiscal, e não simplesmente analisar a nota fiscal como um todo, uma vez que esta conduta simplificada do fiscal representou, para a Impugnante, a glosa de produtos que certamente lhe assegurariam o registro do crédito e que sequer foram analisados.” Referese, a titulo exemplificativo, às Notas Fiscais nºs 19.183 e 46.813, emitidas respectivamente pelos fornecedores LIEBHEER Brasil Guindastes e Hidrau Torque Indústria e Comércio, e a aquisições constantes delas (“garfo LIEBHEER 4007” e TORCA 4K0367 CATERPI”), e alega que os demais itens desses dois documentos fiscais não foram analisados pela fiscalização, finalizando esse tópico assim: Demonstrada de forma exemplificativa o erro no cálculo dos créditos glosados (planilha completa doc. 04), a decisão recorrida deve ser reformada a fim de reduzir o valor da glosa ao item específico que foi glosado dentro de cada nota fiscal, reconhecendo a legitimidade do crédito dos demais itens que não foram objeto de glosa por parte do fiscal. 04. DA NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS: trata do regime não cumulativo do PIS e Cofins, se referindo à legislação constitucional e infraconstitucional e ainda às Instruções Normativas SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004 e Solução de Consulta sobre a definição de insumo. Afirma que a legislação das duas Contribuições adotou o denominado método indireto subtrativo apropriação de créditos sobre determinados custos e despesas (inputs – insumos), com aplicação da mesma alíquota sobre as receitas auferidas (outputs), menciona doutrina de Marco Aurélio Greco e defende que “a interpretação autêntica da legislação de regência do PIS e da COFINS tem de privilegiar o entendimento segundo o qual há o aproveitamento de créditos das aludidas contribuições sobre todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita”. 05. DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS: continua a tratar dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins e, interpretando o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com apoio da jurisprudência do CARF e do STJ que menciona afasta a legislação do IPI e a interpretação restritiva dada pela Receita Federal dada das IN SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, defendendo que na definição de insumo devem ser computadas todas as despesas essenciais ao funcionamento ou manutenção do fator de produção. 06. DOS CRÉDITOS DOS PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA: alega que, apesar de os produtos terem ingressados no território brasileiro em 2012 e 2013, dão direito a crédito porque fez o adiantamento ao vendedor no exterior. Considera que a expressão “adquiridos no mês”, constante do inc. I do parágrafo 1º do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, não é tão clara, mas a dúvida foi esclarecida nas Perguntas Frequentes da EFDContribuições, da qual transcreve a Pergunta 61, e finaliza este tópico assim: Logo, a própria Receita Federal estabelece que cabe ao contribuinte definir o momento da aquisição, sendo certo que é determinante que tenha ocorrido o pagamento pela mercadoria adquirida, exatamente como se tem no presente caso, quando a Impugnante pagou antecipadamente pela aquisição dos produtos importados. Destarte, é de rigor o reconhecimento dos créditos glosados indevidamente pela decisão ora recorrida. Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.588 9 07.1. DOS CRÉDITOS DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – Do Processo Industrial Integrado da Impugnante: no subtópico 07.1 a contribuinte trata, inicialmente, do seu processo industrial, com destaque para a etapa da obtenção do insumo (fase anterior à industrialização e que compreende a detonação das minas, a extração do minério e seu transporte até o estabelecimento industrial). Argui que deve ser permitido “o aproveitamento destes créditos, tendo em vista que o processo produtivo da Impugnante é integrado, composto por diversas etapas, iniciandose com a extração do minério, seu beneficiamento, e só então é remetido e aplicado na planta produtora de níquel”, que é “indevida a segregação realizada pela fiscalização” e que “os bens e serviços relativos à exploração das minas compõem e são indispensáveis à atividade industrial da Impugnante.” Explica: Nesta primeira etapa de produção estão compreendidos os bens e serviços utilizados a partir do desmonte da rocha, inclusive a movimentação do minério do local da extração ate a unidade de beneficiamento. Logo, são consumidos uma série de produtos, como broca, haste, manto (correia transportadora), chapa de desgaste, óleo diesel, tela de peneira, filtro, bola de moinho, amido, amina/soda cáustica, dentre outros, consumidos na lavra, na movimentação do material e no beneficiamento, além do material de reposição, faróis, lanternas, engates, etc, utilizados em veículos como os das fotos abaixo: (...) Como a Impugnante terá o minério se não tiver caminhões ou esteiras para levar o minério da jazida até a fábrica? Como estes caminhões rodarão sem os pneus? (...) Da mesma forma, como a Impugnante pode obter o minério se não dinamitar a rocha bruta para obter pedaços menores a fim de leválos ate a fabrica? Feita a breve explanação, a Impugnante passara a demonstrar a necessidade de utilização dos bens cujos créditos de PIS foram glosados no seu processo produtivo, eis que se trata de processo industrial integrado, e sem estes o contribuinte não teria como realizar a sua atividade econômica principal, qual seja, a venda de níquel. Os explosivos são essenciais para promover a extração do minério da rocha e possibilitar o seu manuseio e utilização. Da mesma forma, as partes e pecas (pneus, rolamentos, faróis, lanternas, limpadores de Párabrisa, engates, etc.), que são utilizadas e consumidas nos caminhões fora de estrada, que realizam a movimentação da rocha ate a área de estocagem e o seu transporte ate a planta de beneficiamento. A própria Receita Federal, na Solução de Consulta no 39 SRRF/6a RF/Disit, de 22 de abril de 2009, confirma o entendimento de que os bens empregados na exploração de minério conferem o direito ao credito de PIS e COFINS, in verbis: (...) Desta forma, tratandose de processo integrado, os bens e serviços utilizados na extração do minério, que vai do desmonte da rocha ate a fase de estocagem, inclusive a movimentação do minério do local da extração ate o beneficiamento, devem conceder o direito ao crédito (...). Importante destacar que, caso a Impugnante adquirisse o minério de um terceiro, com ou sem beneficiamento, faria jus ao credito do bem adquirido e do frete, eis que haveria compra e transporte a partir de seu vendedor, sem qualquer oposição da autoridade fazendária. Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.589 10 O fato da Impugnante ter o processo de produção integrado, realizando todas as atividades essenciais dentro de uma mesma pessoa jurídica ou dentro de um mesmo CNPJ não e fundamento econômico ou jurídico para decidir que os itens utilizados/consumidos na etapa de extração mineral não asseguraria o direito ao credito. Assim sendo, deve ser reformado o r. despacho ora recorrido, a fim de que todos os bens e serviços utilizados como insumos na etapa que tem inicio com o desmonte da rocha ou remoção de estéril ate a fase de estocagem, inclusive a movimentação do minério do local da extração ate o beneficiamento ou estocagem, tenha o direito ao credito de PIS reconhecido. Em seguida, no restante do subtópico 07.1, cuida de per si dos diversos insumos dessa etapa da mineração. 07.2 Dos créditos relativos ao frete interno: considerando que “os fretes internos de transferência do níquel da unidade industrial da Impugnante em Niquelândia/GO para a sua unidade no bairro de São Miguel Paulista em São Paulo/SP, foram glosados pelo simples fato de não haver previsão legal para a transferência interna de insumos”, defende o crédito relativo a essa espécie de fretes. Argui “tal transporte está inserido no processo produtivo integrado da Impugnante e para que seja transformado no produto final comercializado pela Impugnante precisa ser transportado de uma unidade da Impugnante para outra que detém as técnicas e aparelhagens competentes para o seu refinamento.” Reportase ao Laudo nº 20130322, de autoria do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 07, do qual menciona a fl. 9), onde se verifica que o "carbonato de níquel é produzido a partir do minério laterítico de níquel na unidade industrial da Impugnante em Niquelândia/GO", e que "Referido carbonato é transportado para a unidade de São Miguel Paulista em São Paulo/SP, onde o cobalto residual é separado do níquel, por um processo denominado extração de solventes. Após esta extração as soluções ricas em níquel e em cobalto são purificadas e enviadas às células eletrolíticas, onde catodos de níquel e de cobalto metálico são obtidos, verificase pois, que se trata de várias etapas de um mesmo processo produtivo.” Conclui, então, que “sem o transporte do níquel da unidade de Niquelândia/GO para a unidade de São Miguel Paulista em São Paulo/SP, todo o processo de industrialização deste minério não seria possível, visto que cada uma das unidades tem suas funções específicas, com aparelhos e técnicos especializados, conforme didaticamente listado” na citada fl. 9. Considera que é tão comum a atividade de transporte de produtos internamente, como se dá com o níquel, que o CARF reconhece a possibilidade de creditamento do PIS e da COFINS nos casos em que haja o transporte de insumos, ainda que tal transporte seja entre estabelecimentos da mesma empresa, mencionando os Acórdãos nºs 3401002.075 (no qual fui designado relator para a matéria ora em debate, quando atuava no CARF) e 330100.424. 07.3 Dos créditos relativos ao frete na aquisição de produtos (frete de compra): observa que o AuditorFiscal admite créditos em frete de compra, mas considera que ele não adotou um posicionamento linear porque validou os de alguns materiais e glosou outros, como se vê na Tabela de Serviços Insumos 2011 (exemplifica com a aquisição de “amônia anidra PA”, reproduzindo parte da referida Tabela, com destaques). Indo além dessa inconsistência apontada, defende que, mesmo quando os produtos transportados não ensejem o direito ao crédito, o frete relacionado a tais Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.590 11 produtos é passível de creditamento. Para o contribuinte, é o que acontece com o frete do transporte de gasolina e óleo diesel quando destinados à revenda, por exemplo, em que o CARF já reconheceu por diversas vezes que ainda que o adquirente comerciante intermediário não possa ter direito ao crédito referente ao combustível que será revendido, o valor do frete dará direito ao crédito (menciona o Acórdão nº 3402 002.896). Apresenta a tabela Apresenta tabela com Notas Fiscais, materiais e bases de cálculos dos créditos cuja glosa defende seja revertida (fls. 1739/1740), visando demonstrar que “os produtos como coque da caldeira, amônia anidra PA, coque petróleo a granel, carbonato de níquel, ácido sulfúrico e o sulfeto sódico, por exemplo, são insumos adquiridos e têm o frete suportado pela Impugnante.” Reportase à fl. 7 do Laudo n° 131008 do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc 08), às fls. 6 e 7 do Parecer Técnico n° 100608 do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 09) e fls. 9 do Laudo n° 20130322 do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 07), e trata dos seguintes insumos empregados no seu processo produtivo: coque da caldeira e o coque petróleo a granel, utilizados para a secagem e a redução do minério; amônia e o ácido sulfúrico, que também são insumos essenciais ao processo produtivo da Impugnante; e carbonato de níquel, “utilizado no processo produtivo do níquel metálico, e consoante detalhado no item referente ao direito ao crédito do frete interno, sendo o principal insumo adquirido pela Impugnante.” 07.4 Dos créditos relativos ao transporte e descarte e movimentações diversas: na linha do quanto exposto nos dois tópicos anteriores, de que o frete de compra ou de entrada e de transferência dão direito ao crédito, argui que o próprio serviço de transporte para o descarte de cinzas e transportes de diversos insumos também dão o direito ao crédito, por fazerem efetivamente parte do processo produtivo da Impugnante. Reportase às fls. 46 a 49 do Laudo 2014 07 155 VM Ni do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 10), informando que “as empilhadeiras, pás carregadeiras e caminhões, por exemplo, são utilizadas para movimentar os minérios pelo setor produtivo da Impugnante” e concluindo: Verificase, portanto, que o serviço de transporte de materiais, seja para manter o próprio fluxo dos minérios inerentes à atividade da Impugnante, seja para descarte, é estritamente necessário e considerase verdadeiramente como insumo do processo produtivo. 07.5 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de óleo diesel e gás GLP: levando em conta que a fiscalização glosou óleo diesel e gás “sob o pretenso fundamento de que tais produtos foram adquiridos com alíquota zero” (o Despacho Decisório informa que esses dois produtos são submetidos à incidência monofásica e menciona o inc. II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), a contribuinte defende o crédito se baseando no art. 3º, II, das mesmas Leis. Transcreve este dispositivo e argumenta: Note que o dispositivo acima não condicionou o direito ao crédito a que tais itens tivessem seu recolhimento realizado no método regular de apuração das contribuições. Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.591 12 Tratase de regra específica, que afasta a norma geral aplicável às demais hipóteses, qual seja, a vedação ao crédito quando a operação decorrente da venda não sofra incidência das contribuições. Tal interpretação é mandatória visto que, quando da publicação das Leis n+s 10.637/2002 e 10.833/2003 instituidoras da sistemática não cumulativa para o PIS e a COFINS, as contribuições incidentes sobre as receitas de venda desses produtos já era calculada adotandose o método monofásico. Com efeito, a Lei nº 9.990, publicada em 21 de julho de 2000, instituiu a cobrança concentrada nos produtos e importadores das contribuições incidentes na cadeia de comercialização de derivados de petróleo. Ao longo dos anos, as alíquotas sofreram diversas alterações, sendo sempre mantida a metodologia de apuração e pagamento. Atualmente, o art. 4+ da Lei n+ 9.718/98, tem a seguinte redação, dada pela Lei n+ 10.865/2004, in verbis: (...) Neste contexto e considerando que a lei não contempla palavras inúteis, forçoso o entendimento de que combustíveis derivados de petróleo consumidos no processo produtivo de bens destinados à venda asseguram o direito ao crédito das contribuições, ainda que sua apuração ocorra de forma concentrada. Menciona as SC nº 89, de 30 de abri de 2012, e 351, de 28 de setembro de 2007, esta última interpretando que na hipótese de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica para revenda é vedado o desconto de créditos, e afirma: Depreendese que outra é a situação da Impugnante. A Impugnante não adquire óleo diesel e gás GLP para revenda, e desta forma, no presente caso, equivocado o entendimento da fiscalização e não é possível a adoção do entendimento consubstanciado na solução de consulta acima transcrita, bem como as decisões do CARF que negam o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos para distribuidoras e revendedores. Ao contrário, restou demonstrado que o combustível e o GLP são consumidos no processo produtivo desenvolvido pela Impugnante e desta forma, o direito ao crédito das contribuições lhe é assegurado, na forma do item II, do art. 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Acrescese o fato de que a cadeia de revenda dos derivados de petróleo é tributada, ainda que a tributação seja concentrada no produtor ou importador. É expresso na legislação que o distribuidor de óleo diesel e gás GLP não pagam PIS e COFINS nãocumulativos na saída de seu estabelecimento, assim como não lhes é dado o crédito da operação de entrada. Entretanto, o fato desta etapa estar sujeita à alíquota zero da COFINS não significa que o valor incidente na primeira etapa da cadeia tenha sido extinto. O crédito pode sim ser aproveitado pelas etapas posteriores quando o produto não for destinado à revenda, isto é, quando o óleo diesel ou o gás GLP for utilizado como insumo em determinado processo produtivo, como se verifica no caso concreto. A Impugnante adquire três tipos de óleo diesel, quais sejam, “B”, “ZINS” e “ZINSS”, que tem destinações semelhantes. O óleo diesel tipo B é utilizado para abastecimento dos caminhões que levam o minério das minas para os depósitos de cada estabelecimento. Sem este tipo de veículo, que carrega grande quantidade de minério da mina até o depósito a atividade econômica da Impugnante restaria inviabilizada. (...) Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.592 13 Os óleos diesel dos tipos ZINS e ZINSS também são utilizados no abastecimento de escavadeiras, tratores, pás carregadeiras, mas principalmente para abastecimento de geradores elétricos na unidade de Niquelândia, quando há falta de energia elétrica. Para confirmar o uso do óleo diesel tipo ZINS nos geradores elétricos, se reporta à página 10 do Laudo “20150513 VM Ni PIS_COFINS 2010”', de autoria do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Minerais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doe 10), e finaliza: Portanto, sem a utilização deste tipo de óleo diesel a atividade da Impugnante seria essencialmente prejudicada, seja porque não poderia fazer a lavra do minério sua movimentação e transporte até os seus estabelecimentos, seja porque tal insumo é necessário para alimentação dos fornos em caso de desabastecimento de energia elétrica. 07.6 Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de óleo combustível 2A: defende o crédito das Contribuições na aquisição do óleo combustível 2A sob o regime de drawback, afirmando: A leitura da IN RFB n° 845/2001 veda expressamente o destaque do valor do IPI suspenso, mas não tem qualquer vedação expressa para o aproveitamento do crédito do PIS suspenso. O fato de haver suspensão de PIS em determinado elo da cadeia do produto não significa que a sua cadeia não seja tributada, razão pela qual é legítimo o aproveitamento do crédito de PIS na referida situação. (...) Fornecimentos ocorridos em datas próximas, foram faturados com valores distintos, exatamente pelo equívoco do fornecedor que a desconsiderou a suspensão das contribuições (doc. 20), assegurada consoante Ato Concessório do Drawback (doc. 21). Uma vez, identificado o equívoco, a Impugnante registrou os créditos correspondentes, em estrita observância à sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS. Como pode ser verificado nas páginas 19 e 38 a 40 do Parecer Técnico n° 100608 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 09), o óleo combustível 2A é utilizado no processo produtivo de duas formas distintas: (i) como combustível para proporcionar a atmosfera necessária para realização do processo químico de redução controlado, que é realizado a altas temperaturas (1000+ C na região da chama), por meio da combustão parcial deste produto, não havendo contato direto com o minério (quando parcela dos gases gerados pela queima do óleo entram em contato com o minério); e (ii) participar do processo de secagem do minério, entrando em contato direto com o minério os gases gerados pela queima do óleo 2A. Continua tratando da utilização do óleo 2A, e conclui dizendo que esse insumo é essencial na fabricação do carbonato de níquel, razão pela qual tem direito ao crédito da Contribuição. 07.7 Do direito ao crédito (...) sobre insumos essenciais ao processo de industrialização do minério de níquel: afirma que a planilha “Bens Insumos – 1º Trim 2011” indica uma série de bens cujo creditamento foi indeferido pelo fiscal em razão deste ter considerado que tais itens não tem contato direto com o minério durante o processo de industrialização, mas diversos produtos tem sim um contato direto, “seja moendo as pedras e o substrato contendo o minério inicialmente trazido pelos caminhões até as esteiras das plantas industriais, a partir de onde o minério passa por todo um processo de purificação e concentração.” Em seguida trata de diversos materiais e produtos, na sequência abaixo. Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.593 14 Do direito ao crédito (...) sobre a arruelas e porcas Metso Mineral: referindose à fl. 35 do Parecer Técnico n° 20130321 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 06), onde se encontra a descrição do britador com mandíbulas (mandíbula MetsoMineral), defende o direito ao crédito, argumentando: Em que pese o fato de tais bens não terem contato direto com o minério, se desgastam em virtude de sua utilização no suporte e fixação do britador de mandíbulas (mandíbulas MetsoMineral), equipamento utilizado na britagem e moenda do minério de níquel, essencial para a atividade em questão. (...) Portanto, sem a arruela e a porca de fixação do britador de mandíbula não seria possível fixar este equipamento utilizado no processo de britagem e moenda do minério, razão pela qual estes bens, apesar de seu diminuto tamanho, devem ser considerados essenciais no processo de industrialização da Impugnante. Do direito ao crédito (...) sobre Elemento Milani/DES 538/3B82618891, Elemento Outokumpu 2 e Elemento 1130 MM pyromet/des. MSF2002027: a contribuinte defende o crédito das Contribuições decorrentes das aquisições desses 3 produtos, afirmando: O Elemento Milani/DES 538/3B82618891 é utilizado no forno Flash para refrigerar os tijolos refratários, evitando maiores desgastes e, portanto, aumentando a vida útil dos refratários do forno, como pode ser verificado em fls. 38/39 do Parecer Técnico n° 20130321 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 06), a seguir transcrito: (...) O Elemento Outokumpu 2 também é utilizado no forno Flash para refrigerar os tijolos refratários, evitando maiores desgastes e, portanto, aumentando a vida útil dos refratários do forno, como pode ser verificado em fls. 48 do Parecer Técnico n° 20150228 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 12), a seguir transcrito: (...) Embora os bens em questão não se confundam com os tijolos refratários dos fornos, a sua utilização aumenta a vida útil do bem em questão, permitindo a sua utilização por mais tempo. O emprego destes itens de otimização faz com que a Impugnante tenha que trocar os tijolos refratários com menor frequência, reduzindo sua despesa com a aquisição dos referidos tijolos e, consequentemente, favorecendo a União Federal porque precisa conceder um crédito menor de PIS nãocumulativo. Do direito ao crédito (...) sobre as telas metálicas de aço utilizadas para estabilizar as galerias: explica que “utiliza as referidas telas nas galerias das minas de níquel, onde são fixadas com ganchos de aço, com o intuito de dar estabilidade para as referidas galerias, impedindo o eventual desmoronamento de pedaços de rochas nos caminhões, escavadeiras e trabalhadores, além de reduzir a deformação das galerias e permitir a regular exploração da mina, como pode ser verificado em fls. 35 do Parecer Técnico n° 20130321 do Departamento de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (doc. 06),” que transcreve. Conclui este subtópico infirmando: Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.594 15 É necessário indicar que este produto não é utilizado na industrialização propriamente dita, ainda que o fiscal tenha glosado o direito ao crédito juntamente com outros produtos vinculados à industrialização, mas sim utilizado nas minas para dar estabilidade nas galerias e impedir a queda de resíduos sobre os caminhos utilizados por escavadeiras, tratores e caminhões, além dos próprios mineradores. Assim, como produto essencial para a exploração segura das minas de níquel, deve ser concedido o direito ao crédito de COFINS relativa à sua aquisição. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de chapa de aço inox AISI 316L de 4MM. 1183X960MM: explica que referida chapa é utilizada no processo industrial da Impugnante de duas formas: “para a formação da catodo de partida (placa fina de níquel) descrito na página 69 do Parecer Técnico nº 20150228 (doc. 12)”, e, com diferentes espessuras, “na recuperação de vasos, reatores e outros equipamentos de produção da Impugnante, como indicado em fls. 81 do Parecer Técnico n° 20150228” (doc. 14). Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de dispersante OU REF. 3DT190 NALCO: informa que o dispersante é usado “em seu processo produtivo para evitar a formação de crostas nas caldeiras para geração de vapor”, se reportando à fl. 7, coluna finalidade, do Parecer Técnico 100608 (Doc. 9), que transcreve. Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de tijolo e concreto refratários: alega que os tijolos e concreto refratários entram em contato físico direto com o minério dentro dos fornos da Impugnante e por isso jamais o AuditorFiscal poderia ter considerado que tais bens não são insumos. Transcreve parte do Parecer Técnico n° 100608. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de eixos: informa que “tais eixos são adquiridos pela Impugnante para compor seus equipamentos rotativos, que se desgastam ao longo do tempo devido à abrasão e/ou corrosão em virtude do seu contato direto com os minérios manipulados nos equipamentos”, citando a fl. 80 do Parecer Técnico nº 20150228, que transcreve, e defende o direito ao crédito afirmando também o seguinte: Ainda, caso a Impugnante não adquirisse mais tais eixos, diversas máquinas como centrifugas, sopradores, roletes de correias transportadoras, mencionados no Laudo Técnico, parariam de funcionar, podendo ocasionar em uma falha em todo sistema produtivo da Impugnante. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição dos rolamentos: explica que “Os rolamentos são componentes mecânicos utilizados em todos os equipamentos rotativos da Impugnante, desde equipamentos de grandes dimensões (por exemplo: britadores, resfriadores rotativos, fornos de redução para acionamento dos raspadores) até equipamentos pequenos, como as milhares de motobombas” e argui que são essenciais para compor os diversos equipamentos. Relaciona diversos equipamentos, nas unidades de São Miguel Paulista e Niquelândia, menciona a figura 81, à fl. 74 do Parecer Técnico nº 201550228 (correia transportadora suportada em roletes inclinados, fixados pelos eixos referidos no item anterior), e ao final defende sejam os rolamentos considerados insumos para fins do PIS e Cofins, por estarem serem utilizados "em praticamente todo o processo produtivo da Impugnante e por estarem, muitas vezes em contato direto com o produto final, ou ainda são utilizados para transportar o produto final”. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição do concreto isolante: defende o crédito na aquisição do concreto isolante considerando que “é essencial para as Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.595 16 atividades da Impugnante na medida em que é utilizado para manutenção da Bica no forno Flash, para recuperar o níquel contido nos restos de matte solidificados no interior das panelas de vazamento e bicas, estes são acondicionados no forno elétrico, conforme se verifica em fls. 49 do Parecer Técnico nº 20150228”. Comparao aos tijolos e concretos refratários, por ser “um elemento essencial para manutenção dos fornos”. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição de barras de cobre: explica que “as barras de cobre que são utilizados para condução elétrica de altíssima intensidade de corrente a partir do transformador de baixa voltagem até as cubas eletrolíticas”, observa que a energia elétrica é um importante insumo essencial na obtenção do produto final, menciona a fl. 72 do Parecer Técnico nº 20150228 e conclui a defesa do direito ao crédito em questão afirmando: Em outras palavras, como as barras de cobre são utilizadas para condução elétrica de altíssima intensidade de corrente a partir de transformadores de baixa voltagem até cubas eletrolíticas, que transformarão o níquel eletrolítico, verificase que estas barras estão em contato direto com o principal insumo da Impugnante, e consoante mencionado acima, sofrem desgastes por estar em contato constante com soluções ácidas como os eletrólitos. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição do Enxer Envirotech AU160421 e do Enxer Envirotech AU160501: referese às fls. 5 a 7 do Parecer Técnico nº 20151031 (doc. 13), e informa que “referidos materiais são utilizados no revestimento da voluta de bomba”, sendo necessários “para revestir os equipamentos metálicos, posto que o ácido sulfúrico é extremamente corrosivo”. Explica que “o ácido sulfúrico era um dos subprodutos da produção de matte de níquel, em Fortaleza de Minas, decorrente da oxidação parcial do concentrado sulfetado e produzindo também dióxido de enxofre (SO2 gasoso) que é matéria prima para produção de ácido sulfúrico”, e que “O caráter corrosivo do ácido resulta na necessidade de troca dos componentes das bombas, em particular da voluta”. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição dos 'big bags': defende o direito ao crédito sobre tal insumo afirmando que entram em contado físico direto com o minério dentro dos fornos, citando a fl. 102 do Parecer Técnico 201520228 e considerando, ainda, que “não só estão em contato direto com o produto comercializado pela Impugnante, como também são uma das principais formas de embalagem utilizada para poder comercializar tais produtos”. Cita os Acórdãos nºs 3402003.150 e 3301002.167, do CARF, que reconhecem, respectivamente, os créditos da Cofins e PIS sobre big bags, e conclui: Portanto, não há qualquer tipo de dúvida a respeito da essencialidade das “big bags”, que entram em contato físico com o minério dentro dos fornos, sendo desgastados pelo seu contato contínuo, bem como pelo fato de que é o material que embala o produto final da Impugnante, fatores suficientes para justificar o aproveitamento dos créditos de COFINS nãocumulatividade no caso concreto, devendo ser reformada a decisão ora recorrida. Do direito ao crédito (...) sobre o valor da transmissão de energia elétrica: defende o crédito sobre a transmissão de energia elétrica, argumentando: Ainda que o valor pago pela Impugnante a título de transmissão de energia utilização de redes de energia elétrica de terceiros não seja um insumo que esteja em contato direto com a produção, é inegável que sem a utilização da rede os estabelecimentos da Impugnante não teriam como receber a energia. Desta forma, não obstante a segregação da cobrança, tais valores integram o custo da energia e como tal devem ser considerados para fins de creditamento das contribuições. (...) Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.596 17 A 3a Seção de Julgamento do CARF já decidiu pelo direito ao crédito de PIS e COFINS até mesmo sobre os tributos pagos (TUSD e CUSD) incidente sobre a aquisição de energia elétrica no mercado livre, pois o creditamento deve abranger todo o custo da aquisição da energia elétrica consumida pelo estabelecimento deve abranger todo o custo da aquisição da energia elétrica consumida pelo estabelecimento... Cita o Acórdão nº 3401003.096, do CARF, e doutrina de Marco Aurélio Greco e reitera que sem o pagamento pela utilização das redes de transmissão a Impugnante não teria acesso à energia contratada no mercado livre, além do que, caso tivesse comprado a energia da concessionária local, o valor da transmissão estaria incluído no valor final da conta de energia e não haveria qualquer tipo de questionamento. Do direito ao crédito (...)sobre o valor da aquisição de energia elétrica: defende que o valor do ICMSST deve ser incluído na apuração da base de cálculo do crédito da Contribuição porque integra o total do valor pago pela Impugnante na aquisição de energia elétrica. Argumenta que os contribuintes substituídos não recolhem mais qualquer valor referente ao ICMS sobre as mercadorias e serviços, visto que tudo já foi revertido para os cofres públicos desde a primeira etapa da circulação econômica, de mo que o ICMSST recolhido antecipadamente pelo substituto tornase parte do custo de aquisição, tal como expressamente afirmou o Min. Nelson Jobim no julgamento da Ações Diretas de Inconstitucionalidade nºs 2.675 e 2.777 (ainda em apreciação no Supremo Tribunal Federal). Considera que o entendimento do Despacho Decisório é manifestamente ilegal, por interpretar equivocadamente as normas que regem aquisição de bens para revenda, já que não há nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de /2003, qualquer restrição que embase essa limitação, veiculada pela Instrução Normativa RFB nº 594/2005. Argui que, na medida em que a não autorização de inserir o ICMSST na base do crédito permite a incidência sobre valores referentes ao custo da empresa, os quais decorrem exclusivamente de uma receita estatal antecipada, há instituição de uma contribuição social sem fundamento constitucional e sem previsão legal, o que justifica fortemente a reforma da decisão impugnada. Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de adaptadores: explica que os adaptadores são utilizados como parte das conexões entre dois componentes a serem juntados, servindo de posicionamento de uma sobre a maior ou para conexões entre partes com terminais de dimensões diferentes, e que a glosa se deu como se suas aquisições não fossem necessárias ao processo produtivo, defendendo que o crédito em questão deve ser admitido. Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de água mineral: referindose à glosa pela aquisição correspondente à Nota Fiscal nº 367, do fornecedor Italbot Ancoragens e Escoramentos Ltda, valor R$ 31.211,97, e considerando que o AuditorFiscal glosou o crédito correspondente por não considerar o insumo utilizado no processo produtivo, afirma que a água é um item essencial para a produção do vapor d’água, como se verifica na fl. 29 do Parecer Técnico 20150228, que transcreve. Do direito ao crédito de COFINS sobre o valor da aquisição de barras de aço inox AISI: explica que as barras em questão “são utilizadas na manutenção de equipamentos da Impugnante, mediante o derretimento do aço para consertos de chapas, barras e outros equipamentos”. Menciona a 81 do Parecer Técnico n° 20150228, segundo a qual “As demais chapas de aço inoxidável (AISI 316L, AISI 316, AISI310, AISI 3014L, AISI 304, etc.), de diferentes espessuras, são consumidas na recuperação de vasos, reatores e outros equipamentos de produção da VMNi. Exemplos de uso são: troca das chapas da câmara ciclone, de caldeira, e tanques de soluções acidas (eletrólise).” Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.597 18 Do direito ao crédito (...)sobre o valor da aquisição de válvulas: arrola diversos tipos de válvulas, diz da utilização delas em equipamentos industriais para controle de vazão e para abertura e fechamento do fluxo de material, como pode ser verificado na pg. 19 do Anexo II do Parecer Técnico 20150228 (menciona também a pg. 63 desse Parecer, sobre a necessidade de trocas constantes das válvulas), e ao final argui: Verificase com facilidade que as válvulas são elemento de conexão entre as diversas tubulações da área industrial da Impugnante, muitas vezes com contato direto com os produtos finais ou semiacabados, razão pela qual é injustificada a glosa ora guerreada. Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de vedantes: referindose à aquisição de vedação CJ;SANDVIK/8, informa que o elemento vedante em questão é utilizado para dar estanqueidade, principalmente em bombas, junto aos eixos com rolamentos, destaca sua importância para o processo produtivo e por isso entende deva ser concedido o crédito. Do direito ao crédito (...) sobre o valor da aquisição de graxas: defende o direito sobre aquisição de graxas um lubrificante de máquinas e equipamentos do processo industrial , porque são insumos dentro do processo produtivo industrial. Do direito ao crédito (...) sobre a aquisição do fosfato de amônia monobásico: considerando que o AuditorFiscal glosou os créditos pela aquisição do fosfato de amônia monobásico em alguns casos porque a entrada não foi tributada, defende o crédito alegando que, “à época da ocorrência dos fatos geradores, não era obrigatória a informação a respeito do pagamento do PIS e da COFINS no preenchimento do arquivo .XML da nota fiscal eletrônica”. em relação às NF com ausência de tributação, que “à época da ocorrência dos fatos geradores, não era obrigatória a informação a respeito do pagamento do PIS e da COFINS no preenchimento do arquivo .XML da nota fiscal eletrônica”; Também trata do emprego do produto, mencionando a fl. 45 do Parecer Técnico nº 100608 e afirmando que é empregado para extração do níquel e cobalto metálicos, sendo fundamental para geração do composto final do níquel. Explica: E sendo produto fundamental para a geração do composto final do níquel, é patente sua caracterização como insumo. Além disso, o fosfato de amônia ao reagir quimicamente para purificar a solução do níquel, além de estar em contato direto com o produto final da Impugnante, sofre perdas de suas propriedades físicas e químicas. Em outras palavras, seja pelo fato de estar em contato direto com o produto final da Impugnante, seja pelo fato de que quando utilizado reage com outros elementos, perdendo propriedades físicas e químicas, verificase que o fosfato de amônia monobásico é insumo essencial que dá direito ao crédito... Do direito ao crédito de COFINS sobre a aquisição do calcário para caldeira e do calcário para caldeira a coque: levando em conta que o AuditorFiscal considerou o calcário adquirido sem pagamento de PIS e Cofins (na planilha “Bens Insumos – 2011”, a L, “Observações”, informa “NFe base de calculo zero”), a contribuinte alega que à época não era obrigatória a informação a respeito do pagamento do PIS e da COFINS na NFe. Observa que conforme a NF nº 43921, emitida em 29/04/2016 pela ARAGUAIA MINERAÇÃO E INDÚSTRIA LTDA (doc. 22), o calcário sofre a incidência das duas Contribuições, considerando que sua emissão anos depois do período do presente Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.598 19 processo não a invalida como prova, eis que não houve qualquer alteração na legislação da tributação do calcário para caldeiras de 2011 para 2016. Dando por superada a questão atinente à tributação do calcário para caldeira e do calcário para caldeira a coque, para demonstrar a essencialidade desses dois produtos informa que ambos servem para reduzir as emissões de dióxido de enxofre (SO2), esclarecendo e argumentando, em prol do reconhecimento do crédito: Isto porque, com a alimentação da pedra calcária no leito da caldeira, ou da caldeira a coque, é alcançada uma alta taxa de retenção de enxofre com uma baixa relação molar calcário/enxofre. A caldeira, ou a caldeira a coque, por sua vez, são utilizadas para geração de vapor. Este vapor é utilizado no aquecimento do óleo combustível A2, nas torres de lama, nas torres de precipitação do carbonato e na geração de energia elétrica. (...) Além de todo exposto, é exigência da legislação ambiental que quando da utilização das caldeiras ou das caldeiras a coque, a Impugnante utilize o calcário para diminuição do percentual de enxofre posteriormente eliminado. E é entendimento do CARF de que produtos ou materiais adquiridos para o cumprimento de legislação ambiental, sanitária, ou do Poder Publico, em geral, são considerados insumo (cita o Acórdão n° 9303002.218, cuja ementa, reconhece o crédito do PIS não cumulativo sobre “indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida”). Do direito ao crédito (...) sobre os demais insumos cujo crédito (...) foi glosado pela Receita Federal: num último item do subtópico 07.7 constesta as demais glosas, afirmando: Considerando que o fiscal glosou o crédito de PIS de uma quantidade muito grande de insumos, sendo que estes muitas vezes tem valores diminutos, inferiores a R$ 10,00 (dez reais), como braçadeiras que podem ser utilizadas nos veículos ou nas instalações da Impugnante, e que a descrição pormenorizada da utilização de tais itens já está descrita nos laudos do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Metais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo apresentados nos demais itens, a Impugnante remete a descrição de necessidade de todos os demais itens ao quanto descrito nos laudos em questão como razões de sua Manifestação de Inconformidade, requerendo desde já a reforma do despacho decisório em relação a todos eles, a fim de que seja autorizado o creditamento do PIS nos montantes glosados pela Receita Federal. Do direito ao crédito de COFINS sobre a depreciação de bens do ativo e amortização de edificações e benfeitorias: depois de comentar o procedimento fiscal e relembrar que foram solicitadas informações sobre os bens do ativo imobilizado, se refere ao britador fornecido pela Jaraguá Equipamentos Industriais Ltda e utilizado para a moagem do minério em pedaços menores, como pode ser verificado, segundo afirma, na fl. 82 do Parecer Técnico n° 20150228 , ao ciclone – “fornecido pela Indústria e Comércio de Ferro Oliveira Ltda., que é utilizado na separação do minério fracionado após a sua passagem pelos britadores, como pode ser verificado em fls. 16 do Parecer Técnico n° 20150228” , ao moinho e ao corpo moedor – também com vida útil superior a um ano e têm contato direto com o minério, como indicado em fls. 45 do Parecer Técnico n° 20150228 – e às correias transportadoras – “equipamentos caros e instalados de forma definitiva no estabelecimento da Impugnante, fornecidas pela Correias Mercúrio S/A Indústria e Comércio, que são utilizados para o transporte de Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.599 20 minério, como pode ser visto na definição extraída do sitio na internet do fornecedor em referência” , e afirma ao final deste tópico: Pelo porte e características deste equipamento, não há dúvidas de que está registrado no ativo imobilizado da Impugnante, razão pela qual justificase o aproveitamento dos créditos de COFINS sobre a sua depreciação. Considerando o número de bens envolvidos, a Impugnante protesta pela juntada de posteriores informações e laudos periciais a respeito dos bens de seu ativo imobilizado que geraram o direito ao crédito glosado pelo despacho decisório ora recorrido. 08 DAS PROVAS: requer sejam intimados alguns fornecedores e protesta pela juntada de provas, como segue: Em relação à comprovação do pagamento de COFINS nas aquisições de calcário para caldeira, calcário para caldeira a coque, fosfato de amônia monobásico e manta filtro Larox, a Impugnante requerer que as empresas fornecedoras sejam intimadas para comprovar o recolhimento da COFINS nas vendas para a Impugnante, considerando cada uma das notas fiscais por elas emitidas. (i)fornecedor de calcário para caldeira e calcário para caldeira a coque:Araguaia Mineração e Indústria Ltda., CNPJ 05.691.237/000260; (ii)fornecedor de fosfato de amônia monobásico: Fertigran Fertilizantes Vale do Rio Grande Ltda., CNPJ 53.400.818/001300; e (iii)fornecedor de manta filtro Larox: Inbra Têxtil Indústria e Comércio de Tecidos Técnicos Ltda. CNPJ 04.729.192/000122. Protesta a Impugnante pela posterior juntada de novos laudos periciais, bem como de informações e documentos complementares, haja vista que o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar Manifestação de Inconformidade é extremamente exíguo face aos inúmeros elementos probatórios e informações envolvidas neste feito, inclusive em razão da necessidade de rechaçar novas premissas (falaciosas) adotadas pelo r. Despacho Decisório ora recorrido. DO PEDIDO: requer a reforma integral do Despacho Decisório, para deferir o Pedido de Ressarcimento Eletrônico e homologar as compensações objeto das DCOMP em questão, que enumera, “de forma a extinguir os débitos tributários compensados definitivamente, a teor do inciso II do art. 156 do CTN.” É o relatório. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a A DRJ decidiu, por maioria de votos, julgála procedente em parte, nos termos do voto do Relator, registrando o Acórdão nº 1157.928 2ª Turma da DRJ/REC, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS RECONHECIDOS. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. SALDOS DEVEDORES REMANESCENTES. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. 1. Os créditos apurados no sistema da não cumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições, sendo lançados de ofício os saldos credores remanescentes não declarados em DCTF nem pagos. Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.600 21 2. Reconhecidos créditos adicionais da Contribuição em sede Manifestação de Inconformidade, que no entanto são inferiores aos saldos devedores lançados de ofício, seus valores são utilizados para reduzir o lançamento, em vez de ressarcido. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. IN SRF 404, DE 2004. Nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404, para fins da não cumulatividade do PIS e Cofins são insumos a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. MATERIAIS E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. DESGASTE OU ALTERAÇÃO COM O PASSAR DO TEMPO E USO DOS EQUIPAMENTOS. INADMISSIBILIDADE DO CRÉDITO. Ferramentas, materiais e peças de reposição, como arruelas, porcas, telas metálicas de aço utilizadas para estabilizar galerias de minas, eixos, rolamentos, adaptadores, barras de aço, válvulas e vedantes, por se desgastarem com o passar do tempo, em função do uso e funcionamento dos equipamentos, mas não da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, não dão direito aos créditos de PIS e Cofins cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AUSÊNCIA DE CONTATO DIRETO COM O PRODUTO INDUSTRIALIZADO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Na produção de níquel e cobalto, por deixarem de entrar em contato direto com produto final industrializado ou não restar comprovado o consumo ou o desgaste do insumo em função desse contato, não geram crédito de PIS e Cofins não cumulativos bens como Elemento Milani/DES 538/3B82618891, Elemento Outokumpu 2 e Elemento 1130 MM pyromet/des. MSF2002027, dispersante, tijolo e concreto refratários, concreto isolante e barras de cobre, Enxer Envirotech AU160421 e Enxer Envirotech AU160501. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ADIANTAMENTO PARA COMPRA. IMPORTAÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR AO DO PERÍODO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Na hipótese de adiantamento visando à aquisição de insumo cuja importação somente ocorre em período posterior ao do pedido de ressarcimento, não se admite os créditos de PIS e Cofins não cumulativos porque ainda não caracterizada a aquisição da mercadoria. Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.601 22 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRODUÇÃO DE NÍQUEL. ETAPAS ANTERIORES À INDUSTRIALIZAÇÃO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Na produção de níquel, os bens utilizados nas etapas de detonação de minas, extração de minério e transporte ao estabelecimento industrial, por serem anteriores à industrialização, não dão direito a créditos do PIS e Cofins não cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. DESCARTES. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Despesas com fretes entre estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica, bem como para descartes, não geram créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda nem se referirem à operação de venda (aplicação da Solução Cosit 26, de 2014). INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BEM QUE NÃO DÁ DIREITO A CRÉDITO. INCORPORAÇÃO AO CUSTO DO BEM. CRÉDITO APARTADO NÃO ADMITIDO. O valor do frete na aquisição de bem não caracterizado como insumo para fins da não cumulatividade do PIS e Cofins não dá direito a crédito porque o custo do transporte se incorpora ao do bem transportado, de modo que somente quando permitido o crédito em relação ao insumo adquirido é que se admite o mesmo em relação ao valor do seu frete. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ÓLEO DIESEL E GLP. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Óleo diesel e GLP adquiridos com alíquota zero do PIS e Cofins, apesar de submetidos na etapa anterior de fabricação ou importação à alíquota monofásica, não dão direito a crédito do PIS e Cofins em face do art. 3º, § 2°, II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FOSFATO DE AMÔNIA MONOBÁSICO. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição do insumo fosfato de amônia monobásico, classificado no código NCM 3105.40.00 e submetido à alíquota zero do PIS e Cofins por força do art. 1º, I, da Lei nº 10.925, de 2004, não dá direito a créditos do PIS e Cofins em face do art. 3º, § 2°, II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMBUSTÍVEL. AQUISIÇÃO COM SUSPENSÃO EM FACE DE REGIME DE DRAWBACK. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Em consonância com o art. 3º, § 2°, II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, combustível comprado no mercado interno com Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.602 23 suspensão, porque o adquirente é beneficiário do regime de drawback, não dá direito a crédito do PIS e Cofins por ter sido adquirido sem pagamento das Contribuições. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. GRAXAS. NÃO CLASSIFICAÇÃO COMO LUBRIFICANTES. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Graxa não se classifica como lubrificantes, pelo que os gastos respectivos não geram direito a créditos do PIS e Cofins não cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. MATTE DE NÍQUEL. BIG BAG. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Big bags, utilizados como embalagem de apresentação do matte de níquel, por acompanhar o produto vendido e não retornar ao industrial que também o comercializa, constitui insumo e gera créditos do PIS e Cofins não cumulativos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSUMIDOR SUBSTITUÍDO. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. O ICMS Substituição Tributária, pago pelo adquirente de energia elétrica, substituído, à concessionária, substituta, não gera créditos de PIS e Cofins não cumulativos porque não integrou a receita bruta da concessionária (entendimento que se extrai do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, consoante a Solução de Consulta Cosit nº 99050, de 2017). NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM TRANSMISSÃO/ DISTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Cabível o creditamento, no âmbito da nãocumulatividade da contribuição, sobre dispêndios relativos à aquisição de energia elétrica, compreendida bem móvel consumível, perante pessoas jurídicas domiciliadas no País, sendo descabido o creditamento em relação a dispêndios com sua transmissão/distribuição, especialmente quando realizadas por intermédio de redes próprias da consumidora. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES. Os créditos apurados no sistema da não cumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições no próprio período de apuração, sendo autorizado o ressarcimento e a compensação apenas na hipótese de saldo credor remanescente no encerramento de cada trimestre calendário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 ALEGAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.603 24 Tratandose de supostos erros cometidos pela fiscalização, o ônus de apontálos com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe a alegação genérica, desacompanhada de provas. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. Tratandose de ressarcimento ou restituição o ônus de provar a existência do direito creditório é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento parcial contra o qual o contribuinte alega direito que em tese lhe protege, mas não o comprova por apontar de forma genérica que insumos manteriam contato com produto final industrializado ou apenas referenciar documento sem a necessária análise do seu teor. PRODUÇÃO DE PROVAS DEPOIS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA O ATRASO. PRECLUSÃO. INTIMAÇÃO DE FORNECEDORES VISANDO À PRODUÇÃO DE PROVAS A CARGO DO IMPUGNANTE. DESARRAZOABILIDADE. Em consonância com os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 não se admite a apresentação tardia de laudos periciais, tampouco a intimação de fornecedores do contribuinte visando à produção de provas que cabia a ele apresentar junto com a Manifestação de Inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada diante do resultado do julgamento, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual traz suas contestações estruturadas da seguinte forma: I. DA TEMPESTIVIDADE II. DA SÍNTESE DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA III – PRELIMINAR: DA NULIDADE DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO. A REFERÊNCIA A QUESTÕES QUE NÃO ERAM OBJETO DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE TÓPICOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IV. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS GLOSADOS. V. DO MÉRITO: A NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS VI. DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS VII. DOS CRÉDITOS DOS PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA VIII. DOS CRÉDITOS DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS VIII.1 – Do Processo Industrial Integrado da Recorrente VIII.1.1 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de pneus utilizados em equipamentos e veículos de mineração Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.604 25 VIII.1.2 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de molas de suspensão utilizados nas áreas de mineração VIII.1.3 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de peças de trator utilizados nas áreas de mineração VIII.1.4 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de mangueiras para equipamentos e veículos utilizados nas áreas de mineração e de transporte de insumos VIII.1.5 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de árvore Volvo 1111325 VIII.1.6 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de lâminas VIII.1.7 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de filtros e óleos para motores de equipamentos e caminhões VIII.1.8 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de garfo LIEBHERR/40007 VIII.1.9 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de outras peças e equipamentos VIII.1.10 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de explosivos e de dinamite orica e respectivos detonadores utilizados na mineração VIII.1.11 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de cordoalha de aço com 7 fios VIII.1.12 – Dos insumos utilizados na perfuração de furos para extração de minério VIII.1.13 – Do direito ao crédito de PIS na locação de máquinas e equipamentos utilizados na atividade extrativa VIII.1.14 – Do direito ao crédito de PIS na aquisição de joystick para controle remoto de veículos de mineração em áreas de risco para pessoas VIII.2 Dos créditos relativos ao frete interno VIII.3 Dos créditos relativos ao frete na aquisição de produtos (frete de compra) VIII.4 Dos créditos relativos ao transporte e descarte e movimentações diversas XIII.5 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de óleo diesel e gás GLP XIII.6 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de óleo combustível 2A adquirido sob o regime de drawback VIII.7 – Do direito ao crédito de PIS sobre insumos essenciais ao processo de industrialização do minério de níquel VIII.7.1 – Do direito ao crédito de PIS sobre a arruelas e porcas – Metso Mineral VIII.7.2 – Do direito ao crédito de PIS sobre Elemento Milani/DES 538/3B8261 8891, Elemento Outokumpu 2 e Elemento 1130 MM pyromet/des. MSF2002 027 VIII.7.3 – Do direito ao crédito de PIS sobre as telas metálicas de aço utilizadas para estabilizar as galerias Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.605 26 VIII.7.4 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de dispersante QU REF. 3DT190 NALCO VIII.7.5 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de tijolo e concreto refratários VIII.7.6 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de eixos VIII.7.7 Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição dos rolamentos VIII.7.8 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição do concreto isolante VIII.7.9 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição de barras de cobre VIII.7.10 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição dos Enxertos VIII.7.11 – Do direito ao crédito de PIS sobre o valor da transmissão de energia elétrica VIII.7.12 Do direito ao crédito de PIS sobre o ICMSST na aquisição de energia elétrica VIII.7.13 Do direito ao crédito de PIS sobre o valor da aquisição de adaptadores VIII.7.14 Do direito ao crédito de PIS sobre o valor da aquisição de barras de aço inox AISI VIII.7.15 Do direito ao crédito de PIS sobre o valor da aquisição de válvulas VIII.7.16 Do direito ao crédito de PIS sobre o valor da aquisição de vedantes VIII.7.17 Do direito ao crédito de PIS sobre o valor da aquisição de graxas VIII.7.18 – Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição do fosfato de amônia monobásico VIII.7.19 Do direito ao crédito de PIS sobre a aquisição do calcário para caldeira e do calcário para caldeira a coque VIII.8 Do direito ao crédito de PIS sobre a depreciação de bens do ativo e amortização de edificações e benfeitorias IX – DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS X DO PEDIDO É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressuposto de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.606 27 Conversão do Julgamento em Diligência. Novamente estamos diante da "queda de braço" entre o Fisco e o contribuinte no que diz respeito ao conceito de insumos, os quais representam maioria das glosas efetuadas pela Fiscalização nestes autos. Sobre este assunto, já tivemos a oportunidade de nos debruçar em outros casos, notadamente após o advento do julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Aqui estamos diante de situação em que a fiscalização e a DRJ pautaramse nas sobreditas INs consideradas ilegais pelo STJ, sobrevindo, então, nova orientação vinculante no âmbito da RFB, consubstanciada no Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Assunto: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 10665.901728/201232 Resolução nº 3301001.142 S3C3T1 Fl. 2.607 28 b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente encontrase na área de metalurgia, cujo processo produtivo se estende desde a lavra (extração do minério nas minas), o beneficiamento (do minério concentrado para obtenção do matte de níquel) e a fundição (produção do níquel eletrolítico), o que, em tese, pode envolver que a maioria das despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Portanto, é imperiosa a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente, nos moldes delineados pela RFB no Parecer Normativo nº 5, de 17 de dezembro de 2018. É sabido que em processos de ressarcimento/compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Por outro lado, consta nos autos que a empresa apresentou diversos documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração das planilhas de glosas construídas pela Fiscalização. Indubitavelmente, o contexto no anocalendário de 2011 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB, o que justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para: a) a Unidade Preparadora intimar a contribuinte a elaborar relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao seu processo produtivo; b) a Autoridade Fiscal se manifestar sobre o relatório da contribuinte e laudos técnicos, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018; c) a Unidade Preparadora dar ciência à contribuinte sobre a manifestação fiscal para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias; e d) após a adoção das ações anteriores, a Unidade Preparadora devolver os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 2607DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.720050/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora esclareça se, no ano do lançamento, o imóvel estava situado em zona urbana ou rural.
JOÃO MAURÍCIO VITAL - Presidente.
REGINALDO PAIXÃO EMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora esclareça se, no ano do lançamento, o imóvel estava situado em zona urbana ou rural. JOÃO MAURÍCIO VITAL - Presidente. REGINALDO PAIXÃO EMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora esclareça se, no ano do lançamento, o imóvel estava situado em zona urbana ou rural. JOÃO MAURÍCIO VITAL Presidente. REGINALDO PAIXÃO EMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício de 2004, constante às efls. 3 a 6. O lançamento decorreu dos trabalhos de revisão da Declaração do Imposto Territorial Rural (DITR) do exercício de 2004. O contribuinte foi intimado a apresentar cópia do Ato Declaratório Ambiental (ADA), Laudo Técnico acompanhado de ART registrada no CREA, certidões, matrícula do registro imobiliário, dentre outros, conforme Termo de Intimação Fiscal de efls 9 a 10. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .7 20 05 0/ 20 07 -1 9 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 18471.720050/200719 Resolução nº 2301000.826 S2C3T1 Fl. 252 2 Após análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2004, a fiscalização lavrou a presente Notificação de Lançamento, glosando as áreas declaradas como sendo de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural, além de alterar para maior o VTN declarado, com base no SIPT, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, e disto resultando o imposto suplementar lançado, conforme demonstrativo às efls. 5. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação (efls. 14 a 17), que foi julgada improcedente, com manutenção do crédito tributário, por meio do acórdão nº 0344.918 da 1ª Turma da DRJ Brasília/DF (efls. 145 a 158). Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário (efls. 165 a 170), com as seguintes argumentações: que o imóvel é servido por logradouros públicos asfaltados, com meio fio, e é beneficiado pelo fornecimento de água e esgoto sanitário, tem iluminação pública, inclusive destinada ao uso domiciliar, e reúne todos os requisitos que o art. 32.1 do CTN exige para que se declare a existência de zona urbana; que não se pode considerar como rural uma área que pela sua natureza é urbana, sendo a competência para tributar a propriedade do município; que requereu o seu cadastramento como contribuinte do IPTU, pleiteando isenção pela condição de associação sem fim lucrativo e que tal pedido foi indeferido, tendo sido a decisão objeto de recurso, ao final provido para se reconhecer a isenção do IPTU (processo 04.00.013.854/910); que o deferimento do pedido de isenção de IPTU supõe que o imóvel era integrante da zona urbana, o que torna impossível o lançamento do ITR, configurandose um caso de não incidência de ITR; que a área do imóvel foi considerada de interesse ambiental pelo Decreto nº 12.330 de 08/10/93, o que fundamenta a caracterização das áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural; que a apresentação de ato declaratório ambiental e a averbação das áreas citadas, exigidas da recorrente, são atos de natureza declaratórios, que não criam direitos em favor de terceiros e que tais áreas estão, desde a sua natureza, gravadas pelas limitações de uso consequentes da sua destinação; que a constituição dessas áreas de reservas decorre da lei; que a fixação do VTN efetuada é distorcida, pois o imóvel é quase integralmente de relevo acidentado e coberto por mata natural de preservação permanente; que a área total é de 619,000m2, mas a área coberta por mata natural é de 470,000m2, sendo a única área disponível para utilização não superior a 152,000m2 e que, somente com relação a esta área final, é que se pode apurar o valor de mercado sobre o qual incide o tributo. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 18471.720050/200719 Resolução nº 2301000.826 S2C3T1 Fl. 253 3 É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele conheço. Argumentou a recorrente que o imóvel reúne todos os requisitos que o caracterizam como urbano e que não poderia sujeitarse à tributação pelo ITR. Para provar a condição do imóvel como urbano, sujeito ao IPTU, o recorrente juntou os documentos de efls. 171 a 180, que se constituem em peças de um processo administrativo junto à Prefeitura do Rio de Janeiro, em que o Clube de Engenharia teve deferido, em sede de recurso, um pedido de isenção do IPTU. Em análise de tal documentação, verificase que nela não há nenhum elemento que a vincule ao imóvel da sede campestre do Clube de Engenharia, propriedade sobre a qual recaiu o lançamento do ITR, mas somente ao contribuinte Clube de Engenharia, que tem sede à Av. Rio Branco, 124 Rio de Janeiro. O endereço do imóvel objeto do lançamento do ITR é: Estrada da Ilha, 241, Guaratiba Rio de Janeiro/RJ. Não obstante a insuficiência das provas apresentadas em sede recursal, verifica se na legislação municipal do Rio de Janeiro/RJ, que o imóvel, localizado em Guaratiba, pode estar inserido no perímetro urbano, sujeito ao IPTU. O Decreto municipal 14.327 de 01/11/1995, que regulamenta as disposições legais relativas ao IPTU, à taxa de iluminação pública e à taxa de coleta de lixo e limpeza pública, em seu anexo TABELA I REGIÕES FISCAIS, lista o bairro de Guaratiba como integrante da região fiscal A. Assim, é necessário que essa questão seja esclarecida. Conclusão Com vistas a evitar a emissão de uma decisão em desalinho com a realidade dos fatos, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora esclareça se, na data de ocorrência do fato gerador, no dia 1º/01/2004, o imóvel estava situado em zona urbana ou rural. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926669/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/12/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/12/2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 69 /2 01 6- 41 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.926669/201641 Acórdão n.º 3401006.394 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 50DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.926669/201641 Acórdão n.º 3401006.394 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 52DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 16403.000178/2006-51
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
IPI - INSUMOS ISENTOS E NÃO TRIBUTADOS.
Impossibilidade de crédito relativo a aquisições de insumos sujeitos a alíquota zero ou não tributados. Precedentes do STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.115
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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'\fr,.', WA'f: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ,.. , Processo n° 16403.000178/2006-51 Recurso n° 156.950 Voluntário Acórdão n° 2102-00.115 — P Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente IBERKRAFT INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE LTDA. Recorrida DRJ - RIBEIRÃO PRETO/SP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI - INSUMOS ISENTOS E NÃO TRIBUTADOS. Impossibilidade de crédito relativo a aquisições de insumos sujeitos a alíquota zero ou não tributados. Precedentes do STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC G ' IAM os Me aros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂM • • da - GUNDI • ÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISC . , por in. mid. G e d • votos, em negar provimento ao recurso. é , là I' F ' (1) I' ia (Q1126 : , # rFIN4 ,. IA 1 OE HO MARQUESf ,evi,ar' 4 % dent - i LOCA IRE GO à R - lator P. iciparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da . Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. • 1 1, Processo n° 16403.000178/2006-51 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.115 Fl. 371 Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, relativos ao 1° trimestre do ano de 2005, oriundos das aquisições de insumos não-tributados ou sujeitos à aliquota zero Em seu despacho decisório a DRF/Ponta Grossa-PR julgou no seguinte sentido: "De acordo com o parecer retro, faço uso da competência delegada pela Portaria DRF/PTG n° 119, de 10 de agosto de 2006, para reconhecer parcialmente o crédito do interessado no montante de R$32.063,32 (trinta e dois mil sessenta e três reais e trinta e dois centavos) e homologar as compensações referidas neste processo até o limite do direito creditório reconhecido." Inconformada, a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, arguindo, como base de sua fundamentação legal, o artigo 153, § 3 0, II, da Constituição Federal. Traz à baila posicionamento da doutrina e da jurisprudência a respeito do tema. A DRJ/Ribeirão Preto-SP posicionou-se no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2005 a 31/03/2005 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPL É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à aliquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Solicitação Indeferida Irresignada, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário discorrendo sobre a mesma fundamentação legal utilizada em sua manifestação de inconformidade, ou seja, baseando-se no principio da não-cumulatividade que rege o I1I. Ao final, requer: i) a reforma da decisão proferida pela 2 turma da DRJ/POR, com a decretação da nulidade do AIIM; ii) caso seja dado provimento ao AIIM, a di ensa da cobrança da multa de 75% sobre o valor do imposto, bem como dos juros moratórios. WiL 2 • Processo n° 16403.000178/2006-51 52-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.115 Fl. 372 Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator O presente recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente a análise do mérito do presente recurso, convém diferenciar, sucintamente, os regimes de tributação referentes à isenção, alíquota zero e produtos não- tributáveis, pois, embora na prática - com relação ao princípio da não- cumulatividade do IPI - possuam resultados idênticos ao produtor, no âmbito jurídico não se confundem. Para elucidar, transcrevo as palavras do Senhor Ministro Cezar Peluso, em voto proferido no Recurso Extraordinário n° 353.657-5/PR: "A difèrença jurídica aplicável entre isenção e alíquota zero reside no fato de que esta pode ser concedida pelo Presidente da República mediante decreto, nos limites fixados em lei (art. 153, § 1°, da CF), ao passo que a isenção somente pode sê-lo por lei específica (art. 150, § 6 0, da CF). A motivação política de uma ou de outra é variável, inspirada em razões de extrafiscalidade (instrumento célere de intervenção na economia), ou de maior proteção por força da exigência de trânsito pelo procedimento legislativo ordinário." Pode-se acrescentar que a isenção trata-se de um benefício fiscal concedido a sujeito passivo determinado, com o intuito de reduzir a carga tributária imposta ao mesmo e, conseqüentemente, estimula a compra de determinado produto que será utilizado no processo de industrialização. Ademais, há ocorrência do fato gerador objeto da obrigação tributária que não será efetivamente paga pelo sujeito passivo em virtude da lei dispensá-lo deste dever. Com relação à alíquota zero o insumo também é tributado. Ocorre que em razão do coeficiente de sua alíquota ser zero, ou seja, neutro, nulo, sem valor, o resultado dessa tributação também será igual a zero, fazendo com que o sujeito passivo responsável pelo pagamento do imposto não tenha que arcar com valor algum ao fisco. Note-se que nesta hipótese o que ocorre é a nulidade do resultado aritmético da tributação, sendo este o motivo que faz com que o contribuinte não deva quantia alguma ao fisco. Por fim em relação aos insumos classificados como não-tributados não há incidência de tributação. No presente processo a Recorrente creditou-se de valores relativos às aquisições de insumos não tributados e os sujeitos à aliquota zero. Por determinação constitucional o IPI esta sujeito aos princípios da "o- cumulatividade e da seletividade. Hugo de Brito Machado', entende que o primeiro princ p o "existe para impedir que o ônus do imposto se vá acumulando em cada operação", já e WIL I Machado, Hugo de Brito, Crédito de IPI na aquisição de insumos não-tributados. 18/06/2004. Disponível e www.hugomachado.adv.br. 3 • Processo n° 16403.000178/2006-51 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.115 Fl. 373 relação ao principio da seletividade leciona que "o ônus do IPI deve ser diferente em razão da essencialidade do produto", ou seja, quanto mais essencial menor a aliquota do IPI. Por fim, o renomado jurista conclui no sentido de que "as aquisições de insumos não tributados, ou com afiquota zero, não devem ensejar os créditos porque estes viriam a amesquinhar o princípio da seletividade. O direito ao crédito quando se trata de aquisição de produto isento somente se justifica, então, para a preservação da eficácia da norma jurídica que concedeu a isenção." A questão relativa a possibilidade de utilização de créditos em relação aos insumos não tributados e aos sujeitos a aliquota zero sempre gerou muita discussão, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, tendo esta discussão gerado inúmeras decisões favoráveis aos contribuintes, inclusive no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Ocorre que em decisões mais recentes, o plenário do Egrégio STF firmou nova posição, no sentido de vedar a utilização de créditos em relação aos insumos sujeitos à aliquota zero e os não tributados, senão vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. 2. IN. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. (RE n° 370.682, Supremo Tribunal Federal, Relator Min. limar Gaivão, Julgamento em 25/06/2007) IPI - INSUMO - ALÍQUOTA ZERO - AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso lido § 3 0 do artigo 153 da Constituição Federal, observa-se o princípio da não-cumulatividade compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI - INSUMO - ALIQUOTA ZERO - CREDITAMENTO - INEXISTÊNCIA DO DIREITO - EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrando-se o princípio da segurança jurídica. (RE n° 353.657, Supremo Tribunal Federal, Relator Min. Marco Aurélio, Julgamento em: 25/06/2007) Assim, por conta das decisões acima transcritas, que passo a adotar, entendo indevidos os créditos relativos às aquisições de insumos sujei a aliquota zero e os não tributados. Esta Turma já vem decidindo neste sentido, co • e se verifica da decisão abaixo ementada; Assunto: Imposto sobre Produtos industrializados — 4 Processo n° 16403.000178/2006-51 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.115 Fl. 374 Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 IPI. CRÉDITO BASE. PERÍODO ANTERIOR À LEI N° 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. ENTENDIMENTO SUMULADO. Não se admite aplicação retroativa da Lei n°9.779/99. É cediço que os benefícios tributários devem ser analisados de forma restritiva. Ademais, a questão já foi sumulada por este Egrégio Segundo Conselho: "O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento contribuinte a partir de 1° de janeiro de 1999." CRÉDITO DE IPL INSUMOS SUJEITOS À ALIOUOTA ZERO NA ENTRADA OU NÃO TRIBUTADOS. Recentemente o Supremo Tribunal Federal posicionou-se contrariamente ao direito de crédito no caso dos insumos não tributados e tributados à alíquota zero. Desta forma, independentemente da saída do produto ser ou não tributada, não há crédito a ser restituído. Impossibilidade de aproveitamento de qualquer crédito neste sentido. CRÉDITO DE IN. INSUMOS SUBMETIDOS AO REGIME DE ISENÇÃO. A tese defendida pelo Supremo Tribunal Federal privilegia o principio da não-cumulatividade e para tanto pretende a concessão de créditos de IPI mesmo quando não há incidência do tributo na entrada (em razão da isenção), na intenção de alcançar o objetivo de compensar o tributo recolhido na saída, chegando, portanto, ao efeito de onera ção zero. Ocorre que, se a saída do produto do contribuinte também é zero, ou isenta, isto é, na hipótese de inexistir recolhimento de tributo na entrada do insumo e na saída do produto, não há qualquer efeito financeiro a ser equalizado, assim como não há desrespeito ao princípio da não-cumulatividade. Ao contrário, porque se evita o ganho unilateral de apenas um dos envolvidos na cadeia produtiva. Impossibilidade de aproveitamento de crédito neste sentido. Recurso negado. (Recurso 134596 — Acórdão n° 201-80975 — Primeira Câmara - Relatora Fabiola Cassiano Keramidas) Em relação às aquisições tributadas à afiquota zero, no âmbito desta Turma, a matéria também se encontra pacificada, tendo inclusive ocorrido edição de sumula, nos seguintes termos: SÚMULA n°10 A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários - material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de In. 4e(A-' 5 Processo n° 16403.000178/2006-51 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.115 Fl. 375 Por fim, quanto à alegação de abusividade da multa de 75% aplicada, tenho que a mesma se encontra prevista em legislação em vigor, falecendo este órgão de competência para afastá-la. Neste sentido, aplicável a sumula 2 do Segundo Conselhos de Contribuintes, que diz: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislaçã o tributária." Ainda a respeito da multa aplicada, a alegação de aplicação do disposto no art. 100, incisos I e II, do CTN também não merece prosperar. Assim dispõe a referida norma: Art. 100 - São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (.) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A respeito do assunto, entendo que as decisões emanadas pelos órgãos colegiados do Conselho de Contribuinte não possuem eficácia normativa, tendo validade restrita para as partes envolvidas no processo, face à ausência de expressa previsão legal, conforme, inclusive, exige o dispositivo legal citado. Sobre a matéria já decidiu o Conselho de Contribuintes: IRF - ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIRF - É cabível a aplicação da multa nos casos de entrega da DIRF fora dos prazos fixados, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente, uma vez que não se caracteriza a denúncia espontânea de que trata o artigo 138, do CTN, em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei para todos os contribuintes obrigados a cumpri-las. DECISÕES DO CONSELHO - As decisões do Conselho de Contribuintes não são normas complementares da legislação tributária, uma vez que inexiste lei que lhe atribua efic[cia normativa, como exigido no art. 100, II, do I N. Recurso negado. (Recurso 146.575. Sexta Câmara do Pri ei • Conselho. Relator Luiz Antônio de Paula) DECADÊNCIA - O imposto de renda pessoa fisica é trib sujeito ao regime do lançamento por homologação, de modo q 6 • " Processo n° 16403.000178/2006-51 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.115 Fl. 376 o prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4 0, do C7'N. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS - A Lei n° 10.174/01 instituiu norma que tratam de "novos critérios de apuração ou processo de fiscalização", possuindo, assim, aplicação imediata. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES DO CONSELHO - As decisões do Conselho de Contribuintes não são normas com plementares da lezislação tributária, uma vez que inexiste lei que lhe atribua eficácia normativa, como exieido no art. 100, II, do CTIV. Recurso negado. (Recurso 139.561. Segunda Câmara do Pri • i o Conselho. Rei ' tor Alexandre Andrade Lima da Fonte Filo) • s te o a . • e ,00sto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. bal., as . .ões, -m I 8demaiode2009 ?CA ' E G 0 MES 4Ifá, 7
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900662/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 62 /2 01 4- 81 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.371 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900662/2014-81 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.371 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900662/2014-81 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.371 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900662/2014-81 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.371 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900662/2014-81 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 72DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.371 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900662/2014-81 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720017/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-006.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 17 /2 01 1- 41 Fl. 198DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.455 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720017/2011-41 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13609.720142/2011-51, paradigma deste julgamento. “Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto - SP (DRJ/RPO) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza dos créditos objeto de compensação. O presente processo trata do pedido de compensação declarado em PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, no qual pretende utilizar crédito relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF - de cooperativas. O Contribuinte, após ser intimado, apresentou os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do Imposto de Renda na fonte relativos aos pagamentos efetuados por Pessoas Jurídicas a ele, com Código Receita 3280. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas/MG emitiu Despacho Decisório onde homologa parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório parcial. No Despacho Decisório a Autoridade Fiscal afirma que o art. 64 da Lei nº 8.541/1992 restringiria a compensação ao imposto incidente sobre o montante pago ou creditado por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, quando se tratasse de serviços pessoais que lhes fossem prestados por associados das mesmas (Código Receita 3280). Portanto, o imposto incidente sobre a remuneração de serviços gerais prestados a pessoas jurídicas pelas cooperativas (Código Receita 1708) e outras modalidades de retenção não estão abrangidas pelo dispositivo legal. No Despacho foi destacado que o IRRF de Código Receita 1708 somente poderia ser compensado com o saldo credor do IRPJ (receitas oferecidas à tributação decorrentes de atos não cooperados). O Despacho conclui dizendo que as retenções constantes do PER/DCOMP efetuadas com Códigos Receita diferentes de 3280 foram descartados, razão pela qual o direito creditório foi parcialmente reconhecido e o PER/DCOMP parcialmente homologado. A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e, inconformado com a decisão proferida, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade instruída com os documentos acostados aos autos. O Processo foi encaminhado para a DRJ/RPO que decidiu julgar a Manifestação de Inconformidade IMPROCEDENTE. Fl. 199DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.455 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720017/2011-41 A Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/RPO e inconformada com o Acórdão prolatado, tempestivamente, interpôs seu Recurso Voluntário instruído com documentos. Em seu Recurso Voluntário a Contribuinte, em síntese, aduz que: 1. A Prática de ato cooperativo goza de isenção do Imposto de Renda conforme previsto no art.182 do RIR/99 e na Lei nº 5.764/71; 2. Valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, em decorrência dos serviços prestados pelos associados, a outras pessoas ainda que não associados, é ato cooperativo, não sendo tributável pelo IRPJ; 3. O entendimento da Autoridade Fiscal, mantida pela DRJ, desprezou todas as provas produzidas no processo administrativo, uma vez que foi demonstrado que até mesmo o IRRF recolhido sob o código 1708 se referiu ao imposto retido por pagamento dos cooperados do Contribuinte; 4. A compensação efetuada pelo Contribuinte foi regular pois se trata de pleitear a compensação de tributos retidos na fonte que não se relacionam na hipótese de incidência do Imposto de Renda; 5. Os serviços a cargo das cooperativas de trabalho se sujeitam à retenção do Imposto de Renda, tenham sido eles efetivamente prestados ou simplesmente colocados à disposição dos Contratantes, portanto, o Acórdão da DRJ, ao afirmar que os valores recebidos nos contratos firmados sob a modalidade pré-pagamento não estariam sujeitos à retenção de IRRF, motivo pelo qual seria inviável a compensação pretendida, incorre em violação ao Princípio da Legalidade. Finaliza seu Recurso pedindo seu provimento para que seja reformado o Acórdão recorrido, homologada integralmente a compensação efetuada e cancelada a cobrança referente aos débitos tidos como "indevidamente compensados". É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13609.720142/2011-51, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.454 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Juízo de admissibilidade Fl. 200DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.455 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720017/2011-41 O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Recorrente se insurge contra a homologação parcial da compensação por ela efetuada, aduzindo que algumas tomadoras de serviços apresentaram código equivocado do IRRF (1708 – Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), quando deveriam ter apresentado o código 3280 (Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho). Afirma que é isento do IRPJ quando da prática de atos cooperados e que a compensação das retenções com o Código Receita 1708 são aplicáveis apenas às demais pessoas jurídicas tendo em vista a isenção a que tem direito. O Código Tributário Nacional estabelece a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II), cujo procedimento ocorre entre créditos líquidos e certos, com débitos vencidos e vincendos do sujeito passivo (art. 170), através de estipulação legal e que encontra-se disciplinado através da Lei nº 9.430/96. No tocante à possibilidade de compensação de IRRF por cooperativas de trabalho, cabe destacar que o art. 64 da Lei nº 8.981/95 deu nova redação ao art. 45 da Lei nº 8.541/92, nos seguintes termos: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Notoriamente, é indubitável a possibilidade de compensação direta entre o IRRF pelos tomadores de serviços e o IRRF quando dos pagamentos (repasses) aos associados das cooperativas de trabalho, como a Recorrente. Destaque-se que a Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, dispõe o seguinte: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. No entanto, dentro das atividades da contribuinte, há a prática de outros atos que não os eminentemente os cooperativos, tais como pagamentos efetuados por Fl. 201DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.455 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720017/2011-41 contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Vejamos o que preceitua a Lei nº 9.656/98: Art. 1º Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) O Superior Tribunal de Justiça já definiu que as operações realizadas diretamente (e não através de seus cooperados) com terceiros não associados, embora indiretamente se busque a consecução do objeto social da cooperativa, consubstanciam atos não-cooperativos. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543-C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. A jurisprudência deste STJ já se firmou no sentido de que é legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, sendo que por faturamento deve ser compreendido o conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF. Precedentes: REsp 635.986/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 25.9.2008; REsp 1081747 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, 15.10.2009. 2. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 3. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. 4. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da Fl. 202DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.455 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720017/2011-41 cooperativa), consubstanciam 'atos não-cooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. Desse modo, definido que se tratam de atos não-cooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. 6. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, e RE 598.085-RJ o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com o estabelecido pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.158-35, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali especificados. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 24/10/2013) De acordo com a decisão de piso, há ainda que se esclarecer que no presente caso a contribuinte formulou consulta através da qual restou estabelecido na Solução de Consulta nº 6.017 - SRRF06/Disit, de 29 de abril de 2016, que os pagamentos efetuados na modalidade pré-pagamento, como as mensalidades, não se sujeitam à retenção do Imposto de Renda. No entanto, embora indevida a retenção do IR na fonte, a compensação realizada pela contribuinte não está abrangida pelo art. 64 da Lei nº 8.981/1995, tendo em vista que não restou comprovado que se trata de importâncias creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Com efeito, in casu, não há subsunção do fato à norma do art. 45 da Lei 8.541/92, posto que não se enquadra exclusivamente como atividade cooperada dado o exercício de atividades diversas que não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Destaque-se ainda que as retenções foram realizadas com código da receita 1708 - Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, sendo que a Recorrente não comprovou se tratar de retenção com o código 3280 - Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho. Vejamos trechos da decisão de piso: As demais retenções foram efetuadas com outros Códigos Receita e as provas constantes do processo levam à conclusão de que realmente não são caso de retenção do IR nos pagamentos efetuados a serviços pessoais prestados pelos associados, e sim nos pagamentos efetuados por contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Lembro que as provas apresentadas pelo interessado, quando intimado, foram levadas em consideração pelas autoridades fiscais que proferiram o despacho decisório, não tendo comprovado se tratar da retenção do Imposto de Renda com Código Receita 3280. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte não trouxe outros documentos de sua escrita contábil e fiscal, ou demonstrativos com força para comprovar as importâncias que, de fato, referem-se à prestação de serviços pessoais pelos associados Fl. 203DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.455 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720017/2011-41 da cooperativa, limitando-se apresentar apenas planilha com relação de retenções do IR, discriminando CNPJ, banco e valor, o que não comprova o tipo de serviço prestado. Se o Código Receita do IRRF realmente estivesse incorreto, o interessado deveria apresentar, ainda, o Redarf efetuado pelo tomador de serviço, bem como novo comprovante de retenção. Em se tratando de Declaração de Compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório, devendo apresentar provas sobre suas alegações. O reconhecimento do direito creditório depende de liquidez e certeza, atributos que não estão presentes no caso em tela. Dessa forma, a compensação pleiteada pelo contribuinte no presente caso só é aplicável para os casos em que a retenção do Imposto de Renda ocorrer sobre serviços pessoais prestados pelos cooperados. Como não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Destarte, não há previsão legal que ampare as compensações declaradas. Assim, as retenções sofridas somente poderiam ser utilizadas na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ao final do período de apuração, cabendo ainda ao contribuinte a restituição do indébito, observando a legislação pertinente. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO.” Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.001011/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-006.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 216 1 215 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001011/200215 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.139 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria COFINS Recorrente TAMOYO COMERCIO DE FERRAMENTAS FERRAGENS E ARTIGOS PARA MARCENARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 10 11 /2 00 2- 15 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10909.001011/200215 Acórdão n.º 3301006.139 S3C3T1 Fl. 217 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 152 a 161) interposto pelo Contribuinte, em 19 de maio de 2010, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0719.242 (fls. 146 a 148), de 9 de março de 2010, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) – DRJ/FNS – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Por meio do auto de infração eletrônico (fls. 03/09) decorrente de auditoria interna de DCTF, a contribuinte acima identificada foi autuada por falta de recolhimento da COFINS no período 04/1997 a 06/1997 e 08 a 09/1997, no valor de R$ 34.464,95, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 04), bem como o Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fls. 05/06), os valores devidos representam débitos de COFINS declarados como compensados ou com exigibilidade suspensa (04/1997), com base no processo judicial nº. 97.20045019. Na impugnação ao lançamento (19/04/2002), a contribuinte se refere aos lançamento como se tratasse de débito relativo ao PIS – código 8109 – referente aos meses 04/97, 05/97 e 06/97, nos valores de R$ 9.573,10, R$ 7.747,71 e R$ 9.194,84, respectivamente. Após, alega que é improcedente o lançamento em razão de terem sido compensados mediante processo judicial de nº. 97.20045019, conforme cópia anexada aos autos para apreciação. Consta dos autos o despacho emanado da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRFB/Itajaí – em 09/10/2008, onde é relatado que o presente processo foi encaminhado ao Grupo de Acompanhamento de Ações Judiciais para análise e revisão da autuação, com base no determinado na referida ação judicial, onde foi verificado que a impugnante obteve o reconhecimento do direito à compensação dos valores efetivamente recolhidos a título de PIS com débitos do próprio PIS. Em consulta ao processo administrativo nº. 19994.000246/9798 (Compensação), do qual foram extraídas as cópias de fls. 45/141, verificouse que os valores constantes do presente Auto de Infração, relativos à COFINS, informados em DCTF como exigibilidade suspensa/compensação sem DARF nos períodos de apuração 04 a 06/1997 e 08 a 09/1997 não estão acobertados pela ação judicial nº. 97.2004501 9/SC. Diante da decisão que julgou procedente em parte a Impugnação, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10909.001011/200215 Acórdão n.º 3301006.139 S3C3T1 Fl. 218 3 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0719.242 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇAO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES. É indevida a compensação de débitos com créditos já utilizados em outro procedimento compensatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte alega em seu recurso, em preliminar, por questão de ordem pública, a prescrição. Assim sustenta (fls. 158): 12. Ou seja, desde o momento da confissão do débito através da entrega da DCTF, este (o débito da COFINS) restou “definitivamente constituído” na esfera administrativa, tornandose assim exigível, isto é, passível de inscrição em dívida ativa para posterior execução em juízo. 13. A implicação jurídica do papel de instrumento de confissão de dívida encampado pela DCTF, é que eventual confissão de débito, seja mediante termo específico, seja mediante declaração em DCTF, embora não afaste a discussão acerca da sua existência ou validade na esfera judicial, torna o crédito espontaneamente reconhecido definitivo na esfera administrativa, não mais sujeito à impugnação de qualquer espécie. Em que pese esse entendimento do Contribuinte a questão é que o Auto de Infração foi lavrado por falta de recolhimento da COFINS no período de 4 a 6 e 8 a 9 de 1997. O Auto de Infração (fls. 4 e seguintes) foi lavrado em 20 de fevereiro de 2002, portanto, afasto a preliminar de prescrição alegada pelo Contribuinte. No mérito o Contribuinte aduz que decisão judicial autorizava a compensação do indébito de Finsocial com prestações da COFINS, nestes termos (fls. 159): 17. Acaso considerada não alcançada pela prescrição a pretensão creditícia da Fazenda Nacional, à luz dos princípios da legalidade e da verdade material, não merece prosperar o lançamento da COFINS impugnado, pois, diversamente do que suscitado pela autoridade administrativa, os valores de COFINS poderiam ter sido compensados, vez que acobertados por decisão judicial proferida nos autos do Processo nº 97.20.045027 (status do processo em anexo). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10909.001011/200215 Acórdão n.º 3301006.139 S3C3T1 Fl. 219 4 18. O que ocorreu por parte da RECORRENTE foi um singelo equívoco por ocasião das informações prestadas nas DCTF’s apresentadas à SRDB, já retificadas (recibos de entrega das DCTF’s retificadoras em anexo), pois a mesma havia ajuizado duas ações em desfavor da União Federal (Fazenda Nacional), as quais foram julgadas procedentes, em que: (1) restou declarado o seu direito à compensação do indébito do PIS com prestações do próprio PIS (Processo nº 97.20045019/SC); bem como em outra, (2) foi declarado o direito à compensação do indébito de Finsocial com prestações (vencidas e/ou vincendas) da Cofins (Processo nº 97.20.045027/SC). 19. Logo, estando os débitos da COFINS informados em DCTF (retificada) como exigibilidade suspensa/compensação sem DARF, regularmente acobertadas pela sentença judicial transitada em julgado proferida nos autos do Processo nº 97.20.045027/SC, ante a prevalência da verdade material sobre a verdade formal, o reconhecimento da extinção do crédito tributário da COFINS, constituído mediante o Auto de Infração Eletrônico (fls. 03/09), em face da de sua regular compensação com créditos de Finsocial acobertados pela decisão judicial proferida nos autos do Processo nº 97.20.045027/SC, é medida que se impõe! Na decisão ora recorrida assim entendeu o julgador: Conforme visto no relatório, o despacho da Seção de Arrecadação e Cobrança – Sarat (fls. 142/143), cumprindo o procedimento exigido para os casos de Auto de Infração (AI) emitido pelo Sistema Integrado de Informações Fiscais (SIEF) no âmbito de procedimento de auditoria da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de 1997 (Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32, de 19/02/2002), nos trouxe a informação de que os valores constantes do presente AI, relativos à COFINS, informados em DCTF como exigibilidade suspensa/compensação sem DARF nos períodos de apuração 04 a 06/1997 e 08 a 09/1997 não estão acobertados pela ação judicial nº. 97.20045019/SC. Corroborando com estes dados, depreendese da própria impugnação de fl.01, que o pleito ali contido referese à compensação de PIS – código 8109 – referente aos meses 04/97, 05/97 e 06/97, diferentemente do que foi lançado: o lançamento se refere a débitos de COFINS dos períodos 04/1997 a 06/1997 e de 09/1997 a 10/1997. Verificase alguma similaridade entre o lançamento e a impugnação apenas no que se refere aos valores impugnados nas competências 04/97 e 05/97 as quais convergem com àqueles constantes dos autos: R$ 9.573,10 e RS 7.747,71, respectivamente. Independentemente de qualquer eventual equívoco por parte do contribuinte ao formular a sua impugnação, a questão relevante para os autos é que os valores de COFINS não poderiam ter sido compensados com créditos de PIS, visto que sequer havia decisão com trânsito favorável ao contribuinte para compensação de quaisquer créditos à época da apresentação da DCTF. Ademais, mesmo no atual contexto, conforme verificado pela Sarat, os valores cobrados pelo presente Auto de Infração, débitos da COFINS, informados em DCTF como exigibilidade suspensa/compensação sem Darf, não estão acobertados pela ação judicial n°. 97.20045019/SC. Verificase que na decisão da DRJ teve por pressuposto o Processo Judicial nº 97.20045019/SC, enquanto que sobre a presente matéria existe outro processo, o Processo Judicial nº 97.20.045027/SC. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10909.001011/200215 Acórdão n.º 3301006.139 S3C3T1 Fl. 220 5 Percebese a existência da discussão da mesma matéria no presente processo e também no Processo Judicial nº 97.20.045027/SC, portanto, importa em renúncia à instância administrativa a propositura do processo judicial referido. Diante da concomitância assim estabelece a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, de acordo com a Súmula CARF nº 1, voto por não conhecer do recurso do Contribuinte devido a concomitância. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.901765/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.275
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 17 65 /2 01 5- 37 Fl. 62DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.901765/201537 Acórdão n.º 3401006.275 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 64DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10865.901765/201537 Acórdão n.º 3401006.275 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000090/00-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1999
IPI. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE.
No direito constitucional positivo vigente, o princípio da não cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente
o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações
anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS. LEI Nº 9.779/99.
O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI, bem como do
saldo credor decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto
intermediário e material de embalagem utilizados na
industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota
zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo
estabelecimento contribuinte a partir de 10 de janeiro de 1999.
Os créditos referentes a tais produtos, acumulados até 3 1 de
dezembro de 1998, devem ser estornados. Também não há
permissão legal para aproveitamento de créditos referentes à
aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não
tributados (NT) na TIPI. Outrossim, é inadmissível o
creditamento referente a aquisições de insumos que não
integrem o produto final ou que não tenham sido consumidos
diretamente na fabricação deste.
CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE BENS
DO ATIVO IMOBILIZADO E MATERIAL DE CONSUMO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica o princípio da não-cumulatividade em relação ao
IPI pago na aquisição de bens do ativo permanente e material de
consumo, sendo, portanto, indevido o seu creditamento.
TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE.
Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de
créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua
característica de incentivo, o legislador optou por não alargar
seu beneficio.
INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE.
ARGÜIÇÃO.
Não cabe à autoridade administrativa abster-se do cumprimento
de lei vigente e nem declarar sua inconstitucionalidade, uma vez
que estaria violando o princípio da legalidade ou invadindo
competência alheia, respectivamente. Ademais, a
impossibilidade deste Conselho se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de legislação tributária encontra-se
consignada na Súmula nº 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.064
Decisão: ACORDAM os Membros da 1º a CÂMARA / 2º TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por
unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1999 IPI. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. No direito constitucional positivo vigente, o princípio da não- cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS. LEI N2 9.779/99. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI, bem como do saldo credor decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento contribuinte a partir de 10 de janeiro de 1999. Os créditos referentes a tais produtos, acumulados até 3 1 de dezembro de 1998, devem ser estornados. Também não há permissão legal para aproveitamento de créditos referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT) na TIPI. Outrossim, é inadmissível o creditamento referente a aquisições de insumos que não integrem o produto final ou que não tenham sido consumidos diretamente na fabricação deste. CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO E MATERIAL DE CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. wv., o II III 1 • `" Processo n° 13876.000090/0009 S2--C1T2 Acórdão n.° 2102-00.064 r b....2.3_CNODNVE°R.:E4 i , Fl. 383 Não se aplica o princípio da não-cumulatividade em relação ao IPI pago na aquisição de bens do ativo permanente e material de consumo, sendo, portanto, indevido o seu creditamento. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. Não cabe à autoridade administrativa abster-se do cumprimento de lei vigente e nem declarar sua inconstitucionalidade, uma vez que estaria violando o princípio da legalidade ou invadindo competência alheia, respectivamente. Ademais, a impossibilidade deste Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária encontra-se consignada na Súmula n2 2. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da I a CÂMARA / 2 1' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. dikatiOkn (9-"t8/049LCVVO • OSE A MARIA COELHO MARQUES Presidente MAURÍCIO E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente), José Antonio Francisco, Ivan Allegretti (Suplente) e Gileno Gurjão Barreto. 2 Processo n° 13876.000090/00-09 - - S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.064 rrNi7 - SEGUNDO CONSELHO C'E C.0t.;(. 1 Fl. 384 CONFERE COM O ORIGINAL , Brasília, t=.2-1 / ÇO 5 i ço '') Relatório GHADIEH & CIA. LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 343/372, contra o Acórdão n2 14-13.486, de 25/08/2006, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto - SP, fls. 324/337, que indeferiu solicitação de ressarcimento de saldo credor de IPI, com base na Lei n2 9.779/99, a ser utilizado em pedidos de compensação (fls. 61, 67, 69, 72, 75 e 78), referente ao período de 01/01/1995 a 30/09/1999, protocolizado em 25/02/2000 (fl. 01). . Conforme Despacho Decisório de fls. 230/234, a DRF indeferiu o pedido por falta de amparo legal para o ressarcimento pleiteado no período de 01/01/1995 a 31/12/1998 e, em relação ao período de 01/01/1999 a 30/09/1999, por se tratar de crédito de aquisição de imobilizado e material de consumo e, ainda, referente ao ressarcimento de insumos aplicados em produtos não tributados - NT, arroz e feijão, que não gozam do direito à manutenção e utilização do crédito. Irresignada, em 12/04/2006, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 243/270, aduzindo que o seu pleito tem supedâneo nos princípios da não-cumulatividade e da seletividade em função da essencialidade. A DRJ indeferiu a solicitação em cujo Acórdão consigna a seguinte ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1999 Ementa: IPL RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779/1999 do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999 e que tenham sido utilizados na industrialização. IPL RESSARCIMENTO. CRÉDITO GLOSADO. ATIVO IMOBILIZADO. Existe vedação legal ao crédito do imposto pela entrada no estabelecimento de bens para o ativo imobilizado. RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO- TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. (5-Lir 3 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE.. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° I 3876.000090/00-09S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.064 Brasília, %..-2-1 (:).) / ej te.;À Fl. 385 RESSARCIMENTO. JUROS OU CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPL INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. Solicitação Indeferida". Tempestivamente, em 31/10/2006, a contribuinte postou, via Sedex, recurso voluntário de fls. 343/372, repisando seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, ou seja, que o seu pleito tem supedâneo nos princípios da não-cumulatividade e da seletividade em função da essencialidade. Deve ser permitida a transferência desses créditos para terceiros ou a compensação com outros tributos, bem assim corrigidos monetariamente, não havendo óbice ao reconhecimento de ilegitimidade de norma pelos órgãos judicantes administrativos. Por fim, requer o reconhecimento do direito à restituição do saldo credor de IPI, devidamente atualizado, assim como declarar homologados os débitos tributários compensados no processo em epígrafe. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Não assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. De acordo com o relatado, o presente recurso decorre do indeferimento do ressarcimento de IPI, por falta de amparo legal para o ressarcimento pleiteado no período de 01/01/1995 a 31/12/1998 e, em relação ao período de 01/01/1999 a 30/09/1999, por se tratar de crédito de aquisição de imobilizado e material de consumo e, ainda, referente ao ressarcimento de insumos aplicados em produtos não tributados - NT, arroz e feijão, que não gozam do direito à manutenção e utilização do crédito. Diferente do que aduz a recorrente, o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O indigitado princípio, insculpido no art. 153, § 3 2, inciso II, da CF/88, determina: "será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;". Lv 4 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL... Processo n° 13876.000090/00-09 CONFERE COM O ORIGINAL Ti S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.064 Fl. 386 Brasília, ‘21 (7)1 4.) Portanto, a única garant . • s. u ' um e e que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi pago na operação anterior. Não há referência quanto à existência de eventual saldo credor e seu ressarcimento ou compensação. A primeira disposição infraconstitucional sobre o saldo credor se verifica no art. 49 do CTN, verbis: "Art. 49. O imposto é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transfere-se para o período ou períodos seguintes." Portanto, conforme se verifica, os créditos de IPI devem ser utilizados apenas para abatimento dos débitos do mesmo imposto, transferindo-se eventual saldo credor para os períodos seguintes, não havendo previsão de ressarcimento de saldo credor. Desse modo, o princípio da não-cumulatividade, da forma como colocado na CF e no CTN, o crédito de IPI tem a natureza de um crédito meramente escritural, pois garante apenas a transferência do saldo credor para o período seguinte, em vez do ressarcimento em dinheiro. Esta situação só foi modificada a partir de janeiro de 1999 com a edição da Lei n2 9.779/99, que possibilitou a utilização de saldo credor da escrita fiscal de IPI para compensação ou ressarcimento. Através do seu art. 11, o legislador autorizou a utilização do saldo credor decorrente de aquisições de insumos a serem aplicados em produtos isentos ou tributado à aliquota zero, mantendo a vedação aos insumos aplicados na elaboração de produtos "NT", conforme disposto no art. 193, inciso I, alínea "a", do Decreto n 2 4.544/2002, RIPI/2002, o qual consigna: "Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita .fiscal, o crédito do imposto (Lei nl! 4.502, de 1964, art. 25, 31', Decreto- lei n2 34, de 1966, art. 22, alteração 8", Lei n2 7.798, de 1989, art. 12, e Lei n2 9.779, de 1999, art. 11): 1- relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não-tributados;" Portanto, conforme se verifica, não há previsão legal ao aproveitamento de crédito de IPi decorrente de aquisições de insumos a serem aplicados em produtos isentos ou tributado à aliquota zero, antes da edição da Lei n2 9.779/99, ou seja, antes de 01/01/99. Já, com relação a insumos aplicados em produtos não tributados - NT, como arroz e feijão, persiste a impossibilidade de aproveitamento de crédito, uma vez que tais produtos não são considerados produto industrializado para fins do IPI. De forma clara, a lei 4? 5 a , MF - SEGUNDO CONSELHO DE CCNTRIBUINT ES Processo n° 13876.000090/00-09 CONFERE COM O ORIGINAL S2-C1T2• Acórdão n.° 2102-00.064 Brasília, o21 (3 1.4) te'L? Fl. 387 possibilita a utilização de créditos : - - - - . - • ". . .9 • na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero. Acaso houvesse interesse de estender o beneficio aos produtos NT, obrigatoriamente deveria tê-lo mencionado, pois, em se tratando de beneficio fiscal, sua interpretação deverá ser restritiva e, portanto, a determinação precisa do seu significado enseja uma interpretação literal. A despeito da existência de alguns procedimentos ensejadores de industrialização, como beneficiamento ou acondicionamento, para os efeitos fiscais-tributários, não ocorre industrialização quando os elementos produzidos são produtos NT. Registre-se que a compensação de débitos com créditos de terceiros encontra- se impossibilitada desde a edição da IN SRF n2 41/2000. Quanto aos supostos créditos decorrentes de bens do ativo permanente e material de consumo, cabe registrar que a legislação do IPI, através dos arts. 82, I, do RIPI/82, e 147, I, do RIPI/98, menciona que a possibilidade de creditamento decorre de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados, incluindo-se os insumos que, não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Assim, ficam definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização, como, por exemplo, os destinados ao ativo imobilizado e materiais de consumo. Visando ao esclarecimento desses conceitos foram editados os Pareceres Normativos CST n2s 181/74 e 65/79, mencionando que os insumos, embora não se integrando ao novo produto fabricado, devem ser consumidos em decorrência de contato direto com o produto em fabricação; não podem ser partes nem peças de máquinas e não podem estar compreendidos no ativo permanente. Para maior clareza, traz-se à colação o item 13 do PN CST n 2 181/74, verbis: "13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, às partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc."(grifei) Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, uma vez que os bens compreendidos no ativo permanente e materiais de consumo não entram em contato direto e não se integram ao novo produto fabricado e também não se enquadram no conceito de MP, PI ou ME. Ainda que fizesse jus ao ressarcimento, registre-se que a aplicação da taxa Selic, sobre os créditos incentivados do IPI, em pedidos de ressarcimento por aplicação top k_, 6.19( 6 a - SEGUNDO CONSELHO DE CONTÁ . . .• CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13876.000090/00-09 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.064 Brasília, /0 Fl. 388 410 analógica do art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95, que trata se re ituição, não á como concordar, dada a natureza distinta dos institutos. A incidência da taxa Selic prevista no art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, sobre os indébitos tributários, a partir do pagamento indevido, decorre do justo tratamento isonômico para com os créditos da Fazenda Pública e aqueles dos contribuintes, decorrentes de pagamento de tributo, indevido ou a maior. Não há como equiparar a situação originária de um indébito com valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados de IPI. Neste caso não houve ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas sim renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão deve se subsumir estritamente aos termos e condições estipuladas pelo poder concedente, responsável pela outorga de recursos públicos a particulares. Portanto, por se tratar de situação excepcional de concessão de beneficio, não cabe ao intérprete ir além do que nela foi estipulado, concedendo um beneficio não autorizado pelo legislador. Por fim, há de se ressaltar que este Colegiado não deve apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, uma vez que essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal de 1988, art. 102. As normas emanadas do órgão competente passam a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão-somente velar pelo seu fiel cumprimento até que sejam eliminadas do mundo jurídico por uma outra norma superveniente ou por resolução do Senado, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, sobre o tema este Conselho já se manifestou através da Súmula n 2 2, a qual consigna: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Tendo em vista que a contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de fato ou de direito capaz de infirmar a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 05 de março de 2009. MA ÍCIO TAV E SILVA ‘0)\-/. 7
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