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5442735 #
Numero do processo: 11610.014892/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo.
Numero da decisão: 3201-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 140          1 139  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11610.014892/2002­34  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­001.607  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de março de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO PIS  Recorrente  PROVIG FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA S/C LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  DCTF.  MOTIVAÇÃO  INCONSISTENTE. CANCELAMENTO.  Deve ser cancelado por  falta de amparo  fático o auto de  infração que  toma  como  pressuposto  de  fato  a  inexistência  de  processo  judicial  em  nome  do  contribuinte,  e o contribuinte demonstra  a existência desta ação, bem como  que figura no pólo ativo.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  JOEL MIYAZAKI  ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joel  Miyazaki  (presidente), Winderley Morais  Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento  e  Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.  Relatório  Por  bem descrever  a matéria  de que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida.   Em  ação  fiscal  levada  a  efeito  em  face  do  contribuinte  acima  identificado  foi  apurada  falta  de  recolhimento  da Contribuição     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 92 /2 00 2- 34 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/2002­34  Acórdão n.º 3201­001.607  S3­C2T1  Fl. 141          2 para  o PIS/Pasep  dos  fatos  geradores  ocorridos  no período  de  10/1997 a 12/1997 não recolhidos e declarados na DCTF, pois  foi constatado “Proc  jud não comprovado” razão pela qual  foi  lavrado o Auto de Infração de fls. 33 e 34 integrado pelos termos  e  documentos  nele  mencionados,  apurando­se  o  crédito  tributário  composto  de  contribuição,  multa  de  ofício  e  juros  calculados  até  31/05/2002,  perfazendo  o  total  de  R$5.358,14  (cinco  mil  e  trezentos  e  cinquenta  e  oito  reais  e  quatorze  centavos),  com  o  seguinte  enquadramento  legal:  Art.  1º  e  3º,  alínea  “b”,  da  Lei  Complementar  nº  07/70;  art.  83  inc.  III,  L.8981/95; art 1º, L 9249/95; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8  inc. I, MP 1495/9611 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8  inc. I, MP 1546/96 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc.  I, MP 1623/9727 e reed.  2.  Inconformado  com  a  autuação,  da  qual  foi  devidamente  cientificado em 11/06/02 (AR à fl. 93), o contribuinte protocolou  em  10/07/2002  a  impugnação  de  fl.  2  a  5,  acompanhada  dos  documentos de fls. 673, na qual alega:  DO DIREITO  Da suspensão do crédito tributário  2.1. O crédito tributário ora exigido está em discussão judicial.  Tal  afirmação  pode  ser  cabalmente  demonstrada  através  de  cópia do agravo de instrumento (doc. 04) e da liminar deferindo  o agravo (doc. 05), publicada no Diário da Justiça da União em  05 de  junho de 1996, que comprovam a existência do processo  judicial  n°  96.03.036092­9  ora  enunciado  no  presente  Auto  de  Infração como "Proc. judicial não comprovado".  2.1.1.  Podemos  afirmar  com  segurança,  portanto,  que  a  exigibilidade do débito fiscal está integralmente suspensa, tendo  em vista a comprovação do referido processo judicial.  2.1.2. Assim, resta evidente a improcedência do presente Auto de  Infração, uma vez que  tem por objeto a  exigência de  valores a  título de PIS com exigibilidade suspensa.  II. 2 Da ilegalidade da cobrança de multa e juros de mora.  2.2.  Conforme  demonstrado  no  tópico  anterior,  encontra­se  a  ora Impugnante em procedimento judicial, o que impede que se  proceda a lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em  relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a  ser apurada.  2.2.1. De outra parte, o artigo 62 do Decreto 70.235/72 veda a  autuação de contribuinte escorado em decisão judicial, conforme  reproduzido.  2.2.2.  Confirma  a  impossibilidade  da  autuação  nos  casos  de  prevenção  da  decadência,  bem  como  a  impossibilidade  da  cobrança  de  qualquer  multa  de  ofício  o  artigo  63,  da  Lei  9430/96 reproduzido.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/2002­34  Acórdão n.º 3201­001.607  S3­C2T1  Fl. 142          3 2.2.3. Como conseqüência do total descabimento de cobrança de  tributos,bem  como  de  multa,  é  evidente  a  impossibilidade  da  incidência de juros de mora sobre um montante que nem mesmo  é devido.  2.2.4. Diante disso conclui­se que foi efetuado equivocadamente  o lançamento tributário. Por esse motivo, não se pode chegar a  outra conclusão senão que tal ato administrativo é nulo de pleno  direito, razão pela qual deve ser completamente cancelado.  DO PEDIDO.  2.3. Diante de todo o exposto, serve­se a Impugnante da presente  para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em  todos os seus efeitos.  2.3.1. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações  a  serem  feitas,  relativamente  às  decisões  proferidas  neste  processo,  sejam  encaminhadas  aos  seus  procuradores,  todos  com  escritório  nesta  Capital  do  Estado  de  São  Paulo,  na  Rua  Padre  João  Manoel,  n°  923,  8  o  andar,  em  atenção  ao  Dr.  RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias  à Impugnante, no endereço constante destes autos.  2.4. Protesta  ainda  a  Impugnante  por  todos os  tipos  de  provas  admitidas em direito.  3. No Despacho da EQAMJ de 01/12/2011 (fl. 92) consta:  “Trata­se de AI­DCTF de débitos do PIS declarados  em DCTF  como  compensados,  vinculados  ao  Mandado  de  Segurança  n°  96.00099650 / 20ª VF SP.  Em  análise,  verifica­se  que  a  ação  transitou  em  julgado,  em  18/12/2009 (fl. 77), no STF, com Acórdão negando provimento  ao Recurso  Extraordinário  interposto  pelo  contribuinte  em  face  de  decisão  do TRF3  que  deu  parcial  provimento  à  apelação  da  União  Federal  e  à  remessa  oficial.  Tal  recurso  de  apelação  foi  interposto  contra  a  sentença  que  concedeu  a  segurança  para  afastar  a  exigência  do  PIS  na  forma  instituída  pela  Medida  Provisória n° 1.212/95 e suas sucessivas reedições.”.  Sobreveio  decisão  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo  parcialmente  o  crédito  tributário  exigido.  Os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido encontram­se consubstanciados na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997  PIS – DECISÃO JUDICIAL – APLICA­SE A MP 1212/1995.  Foi decido pelo STF no Mandado de Segurança impetrado pelo  Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/1995  e  suas  reedições  convertida  em  Lei  nº  9.715/98,  que  terão  eficácia a partir do período de apuração de março de 1996.  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/2002­34  Acórdão n.º 3201­001.607  S3­C2T1  Fl. 143          4 CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  ­  MEDIDA  JUDICIAL SUSPENSIVA ­ COMPATIBILIDADE.  Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito  tributário,  faz­se  necessária  sua  prévia  constituição.  Assim,  o  provimento  judicial  suspensivo  da  exigibilidade  do  crédito  tributário não obsta o lançamento.  PRODUÇÃO DE PROVAS.  As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não  se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que  não  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior,  não  se  referir  a  fato  ou  direito  superveniente  ou  não  se  destinar  a  contrapor  fatos  ou  razões posteriormente trazidos aos autos.  MULTA DE OFÍCIO ­ RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART.  18 DA LEI Nº 10.833/2003.  Com  a  edição  da  MP  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003,  não cabe mais  imposição  de multa  excetuando­se  os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável  aos  lançamentos  ocorridos  anteriormente  à  edição  da  MP  nº  135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do  CTN), impõe­se o cancelamento da multa de ofício lançada.  JUROS DE MORA.  Os  juros  de  mora  independem  de  formalização  através  de  lançamento  e  serão  devidos  mesmo  durante  o  período  em  que  permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário.  JUROS DE MORA – TAXA SELIC.  Procede  a  cobrança  de  encargos  de  juros  com  base  na  taxa  SELIC, porque encontra­se amparada por lei, cuja legitimidade  não pode ser aferida na esfera administrativa.  Inconformada  com  a  decisão,  apresentou  a  recorrente,  tempestivamente,  o  presente  recurso  voluntário.  Na  oportunidade,  reiterou  os  argumentos  colacionados  em  sua  defesa inaugural.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  Trata­se o presente processo de auto de infração eletrônico que promoveu a  constituição de  crédito  tributário da Contribuição  ao PIS/Pasep  em  relação a  fatos  geradores  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/2002­34  Acórdão n.º 3201­001.607  S3­C2T1  Fl. 144          5 ocorridos entre outubro e dezembro de 1997. A contribuinte informou em DCTF ter procedido  com  a  compensação  destes  débitos  com  créditos  decorrentes  do  processo  judicial  nº  96.03.036092­9.  O  auto  de  infração  informa  que  os  créditos  não  foram  confirmados,  indicando, de forma genérica, a ocorrência de “Proc jud não comprovado”.  Do  exposto,  constata­se  que  a  autuação  tem  por  única  motivação  a  não  comprovação da ação judicial nº 96.03.036092­9, informada pela recorrente em sua DCTF.  Observa­se,  contudo,  que  a  recorrente  trouxe  aos  autos  provas  de  que,  efetivamente,  ingressou  junto  ao  Poder  Judiciário  com  a  ação  judicial  nº  96.03.036092­9,  comprovando, portanto, a existência da ação.  Desta forma, mostra­se incorreto o pressuposto de fato que dá suporte ao auto  de infração.  Como  consequência,  em  não  tendo  sido  constatada  a  situação  que  fundamenta  o  presente  lançamento,  o  mesmo  deve  ser  cancelado,  exonerando  o  crédito  tributário nele exigido.  Neste mesmo sentido, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  como a decisão cuja ementa se transcreve abaixo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 30/11/1998 a 31/12/1998  LANÇAMENTO  ELETRÔNICO.  DCTF.  MOTIVAÇÃO  INCONSISTENTE.  CANCELAMENTO  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  Deve ser cancelado o auto de  infração quando a motivação do  lançamento  (“proc  jud  de  outro  CNPJ”  e  “proc  inexist  no  Profisc”)  não  se mostrou  verdadeira,  notadamente  em  face  do  conteúdo  fático­probatório  trazido  aos  autos.  (Ac.  9303­ 001.700, 3ª Turma, sessão de 05/10/11, relator Rodrigo Cardozo  Miranda)  Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto ­ Relator                              Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/2002­34  Acórdão n.º 3201­001.607  S3­C2T1  Fl. 145          6   Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI

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5372327 #
Numero do processo: 10925.905124/2012-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 57          1 56  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.905124/2012­57  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­002.906  –  1ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  PARATI SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/03/2006  PIS.  COFINS.  RESTITUIÇÃO.  EXCLUSÃO DO VALOR DO  ICMS DA  BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.  A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que  corresponde  à  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  pouco  importando qual é a composição destas  receitas ou se os  impostos  indiretos  compõem o preço de venda.  INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da  Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 24 /2 01 2- 57 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/2012­57  Acórdão n.º 3801­002.906  S3­TE01  Fl. 58          2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/2012­57  Acórdão n.º 3801­002.906  S3­TE01  Fl. 59          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado pela contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joaçaba/SC decidiu indeferi­lo (Despacho Decisório à folha  5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição  solicitada no PER.  Inconformada  com  o  não  deferimento  de  seu  Pedido  de  Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos  pleiteados referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao  PIS  e  da Cofins,  em  razão  da  inclusão  do  ICMS  nas  bases  de  cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  alega  que  a  exigência  da  prévia  retificação  da  DCTF  como  condição  para  reconhecer  o  crédito  tributário  pleiteado  pela  recorrente  não  possui  qualquer  fundamento  legal,  devendo  ser  enfrentado  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/2012­57  Acórdão n.º 3801­002.906  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial  e  o  acórdão  de  primeira  instância,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados  a débitos  em DCTF e  não  teriam sido demonstradas  a  liquidez  e  a  certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Apesar  da  alegação  da  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  não  ter  sido  acompanhada  na  peça  impugnatória  da  retificação  da  respectiva  DCTF,  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  a  princípio  estaria  na  esfera  de  responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido  da prevalência da verdade material,  sendo que a  falta de apresentação de DCTF retificadora,  por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito,  nos termos do art. 165 do CTN, in verbis:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do  ICMS nas  bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/2012­57  Acórdão n.º 3801­002.906  S3­TE01  Fl. 61          5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do  contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém,  refere­se  a  uma  universalidade,  um  todo  composto  pelas  receitas  da  empresa,  pouco  importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço  de venda.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS  integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou  seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/2012­57  Acórdão n.º 3801­002.906  S3­TE01  Fl. 62          6 INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  No  mais,  o  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  no  1.127.877­SP  foi  submetido ao rito do artigo 543­C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá  ser  seguido  pelos  conselheiros  no  âmbito  do  CARF,  conforme  caput  do  artigo  62­A1  do  Regimento  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  256/2009,  com  alterações  introduzidas pela Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.                                                              1 Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/2012­57  Acórdão n.º 3801­002.906  S3­TE01  Fl. 63          7 (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10680.918613/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da  DRJ  em  Belo  Horizonte  (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho  decisório  que  homologou,  em  parte,  as  compensações  dos  débitos  tributários  declarados  na  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  nº  08190.31710.031007.1.7.04­5790,  às  fls.  75/80,  transmitida na data de 03/10/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/  ou a maior da Cofins não cumulativa, efetuado em 15/03/2005.  A  homologação  parcial  decorreu  da  insuficiência  do  crédito  financeiro  disponível  para  a  compensação  de  todos  os  débitos,  acrescidos  de multa  de mora,  conforme  Despacho Decisório às fls. 97, datado de 09/09/2011.  Intimada  daquele  despacho,  a  recorrente  interpôs  manifestação  de  inconformidade, insistindo na homologação integral das compensações, alegando razões assim  resumidas por aquela DRJ:  ... a administração fazendária incorreu em erro ao considerar a compensação  pleiteada  por meio  da  PER/Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201,  uma  vez  que  o  crédito  não  foi  utilizado  para  quitação  do  débito  nela  constante,  e  que  a  cobrança  de  multa  de  mora  é  indevida,  posto  que  não  houve  ausências  de  recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que,  ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art.  138  do  CTN,  de modo  que  o  débito merece  ser  cancelado  e  transcreve  doutrina,  jurisprudência  e  julgados  administrativos  que  entende  virem  ao  encontro  de  seus  argumentos.  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente, conforme Acórdão nº 02­37.909, datado de 12/03/2012, às fls. 110/114, sob as  seguintes ementas:  “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO.  A  desistência  do  pedido  de  compensação  poderá  ser  requerida  pelo sujeito passivo mediante pedido de cancelamento gerado a  partir  do  programa PER/Dcomp,  o  qual  somente  será  deferida  caso o pedido de compensação se encontre pendente de decisão  administrativa  à  data  da  apresentação  do  pedido  de  cancelamento.  COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS.  A  compensação  total  ou  parcial  de  tributo  administrado  pela  Receita  Federal  do  Brasil  deverá  ser  acompanhada  da  compensação,  na  mesma  proporção,  dos  correspondentes  acréscimos legais.”  Cientificada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (120/139), requerendo a sua reforma, a fim de que se homologue integralmente a compensação  dos débitos declarados, alegando, em síntese, a improcedência da multa de mora, exigida sobre  os  débitos  cuja  compensação  foi  homologada,  sob  o  argumento  de  que  ocorreu  a  denúncia  espontânea dos  créditos  tributários declarados  e  compensados,  nos  termos do CTN,  art.  138,  tendo  em  vista  que  as  DCTF  foram  retificadas  e  as  diferenças  apuradas,  compensadas,  mediante a  transmissão da Dcomp, antes de qualquer procedimento  fiscalizatório. Discorreu,  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.918613/2011­16  Acórdão n.º 3301­002.276  S3­C3T1  Fl. 250          3 ainda,  sobre  a  Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201,  requerendo  o  seu  cancelamento  sob o argumento de que o crédito financeiro, nela declarado, não foi utilizado por ela.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  O  presente  processo  trata  exclusivamente  da  Dcomp  nº  08190.31710.031007.1.7.04­5790, às  fls. 75/80. Assim, a apreciação e  julgamento do pedido  de cancelamento da Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.04­4201 ficou prejudicado.  A homologação parcial da Dcomp, pela autoridade administrativa, teve como  fundamento a  insuficiência do crédito  financeiro declarado para  compensar  todos os débitos,  tendo vista o acréscimo da multa de mora.  A recorrente contestou a incidência dessa penalidade, alegando a ocorrência  da  denúncia  espontânea,  tendo  em  vista  que  retificou  e  transmitiu  as  respectivas  DCTF  retificadoras  em 02/10/2008  e  as  compensações  foram  efetuadas  em 03/10/2007, mediante  a  transmissão da Dcomp.  A multa moratória  devida  sobre  débitos  pagos  a  destempo  está  prevista  na  Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe:  “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  [...].”  Segundo este dispositivo legal, a multa de mora é devida sempre que o débito  tributário  for  pago  depois  do  prazo  do  seu  vencimento  previsto  na  legislação  específica,  independentemente  de  ter  sido  declarado  ou  não  e  de  ter  sido  efetuado  antes  de  quaisquer  procedimentos administrativos, visando sua cobrança.  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   4 Já  o  instituto  da  denúncia  espontânea  está  previsto  no  CTN,  art.  138,  que  assim estabelece:  “Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.”  Ora,  segundo  este  dispositivo,  a  responsabilidade  somente  é  excluída  pelo  pagamento  tempestivo  do  tributo  devido  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade administrativa.  No meu entendimento, a extinção de débito tributário declarado, mediante a  transmissão de Dcomp, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não corresponde  a  pagamento,  para  efeito  da  denúncia  espontânea,  nos  termos  do  dispositivo  legal  citado  e  transcrito acima.  No  entanto,  por meio  do REsp  nº  1.149.022,  de  relatoria  do Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  09/06/2010,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  pronunciou­se  de  outro  modo, conforme registram as razões de decidir nos seguintes termos:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IRPJ  E  CSLL.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  PARCIAL  DE  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  ACOMPANHADO  DO  PAGAMENTO  INTEGRAL.  POSTERIOR  RETIFICAÇÃO  DA  DIFERENÇA  A  MAIOR  COM  A  RESPECTIVA  QUITAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA. CABIMENTO.  1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que  o  contribuinte,  após  efetuar  a  declaração  parcial  do  débito  tributário  (sujeito  a  lançamento  por  homologação)  acompanhado  do  respectivo  pagamento  integral,  retifica­a  (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária),  noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá  concomitantemente.  2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com  a  conseqüente  exclusão  da  multa  moratória,  nos  casos  de  tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo  contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou  parceladamente,  ainda  que  anteriormente  a  qualquer  procedimento  do  Fisco  (Súmula  360/STJ)  (Precedentes  da  Primeira  Seção  submetidos  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008;  e  REsp  962.379/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008).  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.918613/2011­16  Acórdão n.º 3301­002.276  S3­C3T1  Fl. 251          5 3.  É  que  "a  declaração  do  contribuinte  elide  a  necessidade  da  constituição  formal do crédito, podendo este  ser  imediatamente  inscrito  em  dívida  ativa,  tornando­se  exigível,  independentemente de qualquer procedimento administrativo ou  de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro  Castro  Meira,  Primeira  Seção,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  07.02.2008).  4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor  declarado  a  menor  (integralmente  recolhido),  elide  a  necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à  parte  não  declarada  (e  quitada  à  época  da  retificação),  razão  pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN.  5.  In  casu,  consoante  consta  da  decisão  que  admitiu  o  recurso  especial na origem (fls. 127/138):  ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  ano­base  1995  e  prontamente  recolheu  esse  montante  devido,  sendo  que  agora,  pretende  ver  reconhecida  a  denúncia  espontânea  em  razão  do  recolhimento  do  tributo  em  atraso,  antes  da  ocorrência  de  qualquer procedimento fiscalizatório.  Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso,  mas  uma  verdadeira  confissão  de  dívida  e  pagamento  integral,  de  forma  que  resta  configurada  a  denúncia  espontânea,  nos  termos  do  disposto  no  artigo  138,  do  Código  Tributário  Nacional’"  6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo  em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub  examine .  7. Outrossim,  forçoso  consignar  que  a  sanção  premial  contida  no  instituto  da  denúncia  espontânea  exclui  as  penalidades  pecuniárias,  ou  seja,  as  multas  de  caráter  eminentemente  punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes  da impontualidade do contribuinte.  8.  Recurso  especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.”  (grifos  constam do original)  No presente caso, a Dcomp foi transmitida na data de 3 de outubro de 2007 e  as  DCTF  retificadoras,  informando  os  débitos  e  as  respectivas  compensações  foram  transmitidas em 2 de outubro de 2008.  Dessa  forma,  por  força  do  disposto  no  art.  62­A  do Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adota­se para o presente julgamento,  a  decisão  do  STJ,  reconhecendo­se  a  ocorrência  da  denúncia  espontânea,  para  afastar  a  exigência de multa de mora sobre os débitos declarados na Dcomp em discussão.  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS   6 Em  face  do  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário  apenas  e  tão  somente  para  afastar  a  exigência  de  multa  de  mora  sobre  os  débitos  cuja  compensação  foi  homologada pela autoridade administrativa.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                                Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 10909.720865/2012-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. EMBALAGEM PARA BEBIDAS. TRIBUTAÇÃO AD REM VARIÁVEL DE ACORDO COM A DESTINAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA SUJEITO A AJUSTE. ART. 54 DA LEI 11.196/2005. ART. 5º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 604/2006. Nas operações de importação submetidas à sistemática de recolhimento por estimativa sujeito a ajuste - prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005 e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB 604/2006 -, o lançamento de ofício deve tomar como critério, para a determinação das alíquotas aplicáveis, a destinação efetivamente dada às embalagens. O lançamento de diferenças do valor da estimativa apenas se legitima se as embalagens importadas não receberam destinação, não tendo sido submetidas ao ajuste. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF nº 28.460.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF nº 28.460.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2  Ivan  Allegretti.  Sustentou  pela  recorrente  o  Dr.  Bruno  dos  Santos  Padovan,  OAB/DF  nº  28.460.    Relatório  Trata­se de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário  de  PIS/Cofins­Importação  quanto  a  fatos  geradores  ocorridos  entre  fevereiro  de  2008  e  fevereiro de 2011 (fls. 2/1044).  A motivação do lançamento, detalhada no termo de fls. 1045/1058, reside na  divergência da Fiscalização quanto à  forma de proceder a apuração por estimativa e o ajuste  previstos  no  art.  5º  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  604/2006,  o  qual  deve  ser  aplicado  na  importação  de  embalagens  para  a  fabricação  de  bebidas,  com  fundamento  no  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Importação,  previsto  no  art.  51,  II,  “b”  da  Lei  10.833/2003  e  regulamentado pela Instrução Normativa SRF 604/2006.  Neste Regime, o valor devido das contribuições é apurado em valor fixo por  unidade, a depender do peso em gramas e da destinação que se dará às embalagens importadas.  Mas no caso de importações em que não se saiba ainda qual será a destinação  das  embalagens,  o  valor  é  recolhido  por  estimativa  para,  depois,  ser  submetido  a  um  ajuste,  respeitando a destinação efetivamente dada às embalagens.  A  Fiscalização  constatou  diferenças  entre  as  quantidades  indicadas  pela  contribuinte  na  Declaração  de  Importação  e  as  quantidades  que  teriam  sido  efetivamente  comercializadas  no  trimestre  calendário  imediatamente  anterior,  o  que  teria  implicado  na  incorreta  aplicação  das  alíquotas  cabíveis  e  no  conseqüente  recolhimento  a  menor  das  contribuições devidas.  A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1572/1617) alegando, em síntese,  que:  1)  uma  das  causas  das  divergências  apontadas  pelos  cálculos  da  Fiscalização  seria  a  inclusão  indevida  de  embalagens  pré­formas  que  não  foram  importadas, mas  sim adquiridas no mercado nacional;  2)  algumas  das  embalagens  pré­formas  que  foram  importadas  teriam  sido  equivocadamente  consideradas  pela autoridade fiscal como destinadas ao envase de água  ou  refrigerante,  ainda  que  hajam  notas  fiscais  que  atestem o contrário;   3)  outra  explicação  para  as  divergências  apontadas  pela  Fiscalização  seria  a  inclusão de valores de notas  fiscais  de vendas que foram canceladas;   4)  a  Fiscalização  não  respeitou  o  texto  da  alteração  introduzida  pelo  art.  19  da  Lei  11.774/2008,  pois  não  baseou  suas  estimativas  nos  três  meses  imediatamente  Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.720865/2012­68  Acórdão n.º 3403­002.665  S3­C4T3  Fl. 3.859          3 anteriores  ao  período  análise,  mas  sim  no  trimestre­ calendário anterior;   5)  ainda que existissem tais diferenças, não seriam devidas  considerando­se  a  natureza  não  cumulativa  do  PIS/Cofins­Importação,  cujo  regime  possibilita  a  compensação do que é devido em cada operação com o  montante cobrado nas anteriores.   A Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  de  Florianópolis/SC  (DRJ),  por meio do Acórdão nº 07­31.298, de 30 de abril de 2013 (fls. 3844/3853), julgou procedente  a impugnação, cancelando integralmente a exigência fiscal, conforme o seguinte entendimento  resumido na sua ementa:  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011  REGIME  ADUANEIRO  ESPECIAL.  PIS/PASEP­ IMPORTAÇÃO. COFINS­IMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA  DE  VENDAS.  PRÉ­FORMAS  PARA  ÁGUA E REFRIGERANTES. GRUPOS DE GRAMATURAS.  No Regime Aduaneiro Especial  previsto no artigo 52 da Lei nº  11.156/2005,  relativo  às  embalagens  pré­formas  referidas  na  alínea  “b”  do  inciso  II  do  artigo  51  da  Lei  nº  10.833/2003,  é  permitido o recolhimento por estimativa das contribuições para  o PIS/Pasep­importação e para a Cofins­importação, aplicando­ se sobre as mercadorias, no momento do registro da Declaração  de  Importação,  o  percentual  de  vendas  de  embalagens  no  trimestre ou nos três meses anteriores. A partir do momento em  que  houve  a  detecção  da  diferença  de  valores  recolhidos  pelo  contribuinte posterior ao momento da venda devido à destinação  dada  às  embalagens  após  a  importação,  em  ato  de  verificação  fiscal,  o  cálculo  do  valor  devido  deve  ser  feito  com  base  nas  vendas efetivas das mercadorias importadas.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado  Tendo em vista que o cancelamento do  lançamento significou a exoneração  de  crédito  tributário  em  valor  superior  ao  previsto  na  Portaria  MF  nº  3/2008,  houve  a  interposição de Recurso de Ofício.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator  Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4  O  acórdão  da  DRJ  afastou  integralmente  a  exigência  fiscal,  exonerando  o  contribuinte de valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a  interposição  de  recurso  de  ofício,  na  forma  do  art.  34  do  PAF.  Por  esta  razão,  conheço  do  recurso de ofício.  A discussão  gira  em  torno da aplicação da  sistemática de  recolhimento  por  estimativa, prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº  11.774/2008, e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB nº 604/2006, cujo texto prevê o seguinte:  Art. 5º  A  pessoa  jurídica  comercial  importadora,  habilitada  ao  regime,  caso desconheça a destinação das  embalagens na data  de  registro  da  declaração  de  importação,  recolherá  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep­Importação  e  a  Cofins­ Importação  por  estimativa,  tendo  por  base  os  percentuais  de  vendas  das  embalagens  importadas  no  último  trimestre­ calendário.  (...)  § 3º Verificado o recolhimento a menor da Contribuição para o  PIS/Pasep­Importação  e  da  Cofins­Importação,  em  função  da  destinação  dada  às  embalagens  após  sua  importação,  a  diferença,  no  período  de  apuração  em  que  se  verificar,  será  recolhida com o acréscimo de juros de mora e multa, de mora ou  de ofício, calculados desde a data do registro da declaração de  importação.  Como se percebe, o recolhimento por estimativa não é definitivo, não resolve  em si mesmo a obrigação tributária, mas depende de ajuste posterior, de acordo com a efetiva  destinação dada à embalagem importada.   Entendo,  por  isso,  que  não  há  nenhum  reparo  a  fazer  na  decisão  da  DRJ,  quando explica que “o momento do cálculo por estimativa é ́o do registro da Declaração de  Importação quando não  souber a destinação do produto. A partir  do momento que houve a  detecção da diferença de valores recolhidos pelo contribuinte posterior ao momento da venda  devido à destinação dada às embalagens  após a  importação, em ato de  verificação  fiscal, o  cálculo  do  valor  devido  deve  ser  feito  com  base  nas  vendas  efetivas  das  mercadorias  importadas, e não em estimativas. Assim determina a Instrução Normativa SRF nº 604/2006  em seu parágrafo 3º” (fl. 3852).  Assim,  quando  já  é  possível  o  cálculo  do  valor  efetivamente  devido  do  tributo, não se pode cogitar da sua apuração com base na estimativa.  O  recolhimento  por  estimativa  toma  lugar  em um  regime  transitório,  como  forma de  adiantar o  recolhimento do  tributo,  até que  aconteça  a destinação da mercadoria  e,  com isso, se consiga determinar qual a alíquota aplicável e, enfim, o valor definitivo do tributo  devido.  Por esta razão, entendo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício,  mantendo­se o entendimento da DRJ pelo cancelamento do lançamento fiscal.  (assinado digitalmente)  Ivan Allegretti    Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.720865/2012­68  Acórdão n.º 3403­002.665  S3­C4T3  Fl. 3.860          5                             Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 10935.904581/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/07/2007 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/2012­13  Acórdão n.º 3801­002.375  S3­TE01  Fl. 63          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva Murgel,  Marcos  Antônio  Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/2012­13  Acórdão n.º 3801­002.375  S3­TE01  Fl. 64          3   .  Relatório  Trata­se de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou  a maior  formulado  pelo  ora Recorrente, Anhambi Alimentos  Ltda.,  que  não  foi  reconhecido  pela Delegacia da Receita Federal de origem.  Não  concordando  com  o  indeferimento  do  seu  pleito,  o  Recorrente  apresentou manifestação  de  inconformidade  que  foi  julgada  improcedente  pela Delegacia  de  Julgamento. Restou assim ementado o acórdão:  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.   Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de  se indeferir o pedido de restituição apresentado.   EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.   Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de  cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido  valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços  prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.   CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.   Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da  conformidade  da  atividade  de  lançamento  com  as  normas  vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar  validade  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente.   Inconformado  com  a  decisão  proferida  e  repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional  “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”.  É o relatório.   Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/2012­13  Acórdão n.º 3801­002.375  S3­TE01  Fl. 65          4     Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  Presentes  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  dele  conheço.  O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de  crédito  tributário pago  indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito  decorre  da  inconstitucional  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  do  valor  do  ICMS devido aos Estados­membros.   Sem  trazer  nenhum  provimento  jurisdicional  favorável,  em  suas  razões  recursais, alega que o  ICMS é  tributo devido aos Estados­membros e, por  isso, não pode ser  considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o  tema para embasar suas alegações.  Em  que  pese  essa  Relatora  ter  o mesmo  entendimento  do  Recorrente  com  relação  à  matéria,  ou  seja,  o  ICMS,  de  fato,  não  poderia  compor  a  base  de  cálculo  da  contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Assim,  como muito  bem  colocado  no  acórdão  recorrido,  “cumpre  registrar  que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de  cálculo  do PIS  e  da Cofins,  já  que  esse  valor,  ainda  que  assim não  entenda  a  interessada,  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias  e  serviços  vendidos,  exceção  feita  para  o  ICMS  recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se  depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”.  Inexistindo na  legislação em vigor  a possibilidade de o contribuinte excluir  da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o  direito creditório do Recorrente.   Ademais,  importante  ressaltar  que  os  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade  da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a  favor dos contribuintes.   Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força  da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em  2007  e  ainda  pendente  de  julgamento.  Assim,  não  há,  até  o  presente  momento,  qualquer  definição do Poder Judiciário acerca da questão.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/2012­13  Acórdão n.º 3801­002.375  S3­TE01  Fl. 66          5   Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento.       (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel                                      Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES

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Numero do processo: 10935.904550/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 62          1 61  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.904550/2012­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­002.350  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de novembro de 2013  Matéria  DCOMP ELETRÔNICO ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  ANHAMBI ALIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 13/02/2004  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  EM  SEDE  ADMINISTRATIVA.  Não  existindo,  na  legislação,  norma  que  autorize  a  exclusão  do  valor  do  ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o  julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta  é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram  pelas conclusões.     (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relatora         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 50 /2 01 2- 54 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/2012­54  Acórdão n.º 3801­002.350  S3­TE01  Fl. 63          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva Murgel,  Marcos  Antônio  Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/2012­54  Acórdão n.º 3801­002.350  S3­TE01  Fl. 64          3   .  Relatório  Trata­se de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou  a maior  formulado  pelo  ora Recorrente, Anhambi Alimentos  Ltda.,  que  não  foi  reconhecido  pela Delegacia da Receita Federal de origem.  Não  concordando  com  o  indeferimento  do  seu  pleito,  o  Recorrente  apresentou manifestação  de  inconformidade  que  foi  julgada  improcedente  pela Delegacia  de  Julgamento. Restou assim ementado o acórdão:  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.   Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de  se indeferir o pedido de restituição apresentado.   EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.   Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de  cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido  valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços  prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.   CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.   Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da  conformidade  da  atividade  de  lançamento  com  as  normas  vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar  validade  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente.   Inconformado  com  a  decisão  proferida  e  repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional  “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”.  É o relatório.   Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/2012­54  Acórdão n.º 3801­002.350  S3­TE01  Fl. 65          4     Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  Presentes  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  dele  conheço.  O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de  crédito  tributário pago  indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito  decorre  da  inconstitucional  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  do  valor  do  ICMS devido aos Estados­membros.   Sem  trazer  nenhum  provimento  jurisdicional  favorável,  em  suas  razões  recursais, alega que o  ICMS é  tributo devido aos Estados­membros e, por  isso, não pode ser  considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o  tema para embasar suas alegações.  Em  que  pese  essa  Relatora  ter  o mesmo  entendimento  do  Recorrente  com  relação  à  matéria,  ou  seja,  o  ICMS,  de  fato,  não  poderia  compor  a  base  de  cálculo  da  contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Assim,  como muito  bem  colocado  no  acórdão  recorrido,  “cumpre  registrar  que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de  cálculo  do PIS  e  da Cofins,  já  que  esse  valor,  ainda  que  assim não  entenda  a  interessada,  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias  e  serviços  vendidos,  exceção  feita  para  o  ICMS  recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se  depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”.  Inexistindo na  legislação em vigor  a possibilidade de o contribuinte excluir  da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o  direito creditório do Recorrente.   Ademais,  importante  ressaltar  que  os  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade  da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a  favor dos contribuintes.   Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força  da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em  2007  e  ainda  pendente  de  julgamento.  Assim,  não  há,  até  o  presente  momento,  qualquer  definição do Poder Judiciário acerca da questão.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904550/2012­54  Acórdão n.º 3801­002.350  S3­TE01  Fl. 66          5   Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento.       (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel                                  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES

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Numero do processo: 10380.913370/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 826          1 825  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.913370/2009­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­002.037  –  2ª Turma Especial   Sessão de  11 de março de 2014  Matéria  Compensação Tributária  Recorrente  TERMOCEARÁ LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  LUCRO  REAL  ANUAL.  CÁLCULO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  MENSAL  POR  ESTIMATIVA  COM  BASE  EM  BALANÇO  OU  BALANCETE  DE  SUSPENSÃO  OU  REDUÇÃO.  INOCORRÊNCIA  DE  BASE  IMPONÍVEL.  RECOLHIMENTO  INDEVIDO  DE  IMPOSTO.  CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.  Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de  diligência,  a  inocorrência  de base  tributável  para o  período  de  apuração  do  imposto  a  que  se  refere  o  pagamento,  é  cabível  a  apresentação  de  DCTF  retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do  imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste  anual  (apuração  de  saldo  negativo),  justamente  por  não  ter  relação  com  a  apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante  inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título  de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível  de restituição ou compensação”.  DCOMP.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS  E  CRÉDITOS.  HOMOLOGAÇÃO.  Restando  comprovada  a  liquidez,  certeza  e  disponibilidade  de  crédito,  cabe  homologar  a  compensação  tributária  até  o  limite do direito creditório deferido.                 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 70 /2 00 9- 81 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 827          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.    (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel­ Relator.  Participaram da  sessão  de  julgamento  os Conselheiros: Ester Marques Lins  de  Sousa,  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Nelso  Kichel,  Marciel  Eder  Costa,  Gustavo  Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.  Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 828          3   Relatório  Cuidam  os  autos  de  Recurso  Voluntário  de  fls.27/39  contra  decisão  da  3ª  Turma  da  DRJ/Fortaleza  (fls.  23/24­verso)  que  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente,  não  reconhecendo  o  direito  creditório  pleiteado,  não  homologando  a  compensação tributária informada.  Quanto aos fatos, consta dos autos que:  ­  em 20/05/2008,  a  contribuinte  transmitiu  pela  internet  o PER/DCOMP nº  04226.81356.200508.1.3.04­2165 (fls. 01/04), informando compensação tributária:  a) débitos informados: IRPJ, código de receita 2362­01, período de apuração  abril 2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 104.686,14; CSLL, código de receita 2484­01,  período de apuração abril/2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 77.117,40;  b)  crédito utilizado  (valor original na data da  transmissão): R$ 134.063,52;  que  o  suposto  direito  creditório  decorreu  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  IRPJ  do  período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJ­OPTANTES APURAÇÃO C/  BASE NO LUCRO REAL­ESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor  do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42).  Em  07/10/2009,  houve  emissão  do Despacho Decisório  (eletrônico)  de  fls.  05/06,  pela  DRF/Fortaleza,  denegando  o  direito  creditório  pleiteado,  com  a  seguinte  fundamentação:  (...)  3­FUNDAMENTACÃO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL   Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito  original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  882.606,23. A partir das características do DARF discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP.  (...)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.  (...).  Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de  outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro  de 1996.  Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 829          4 (...)  Ciente  dessa  decisão  em  21/10/2009  (fls.  07/08),  a  contribuinte,  em  20/11/2009,  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  09/12),  juntando  ainda  documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes:  ­ Da existência do crédito pleiteado:  a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente  ao IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, conforme comprovante de  pagamento (fls.14 e 42);  b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível do IRPJ mensal por  estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa);  c)  que  ao  findar  o  ano­calendário  2005,  também,  foi  apurado  resultado  negativo (prejuízo fiscal);  d)  que,  nesse  sentido,  consta  expressamente  da Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ  2006  a  apuração  de  RESULTADO  DO  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  do  ano­calendário  2005,  o  valor  de  R$  ­  73.173.069,26  (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15);  e)  que,  inexistindo  resultado  positivo  do  PA  julho/2005  e  também do  ano­ calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a  configurar a incidência do IRPJ;  f) que não há que se cogitar em incidência do IRPJ, uma vez que não houve  base tributável nesse ano, para efeito desse imposto;   g)  que,  assim,  o  valor  recolhido  por  estimativa,  referente  ao  PA  julho  de  2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ  2006 (prejuízo fiscal). E, sendo  indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito  para  compensar  valores  (débitos  de  tributos  a  pagar)  do  ano  de  2008;  que  no PER/DCOMP  objeto dos autos utilizou parte desse crédito;  h)  que  referido  prejuízo,  também,  foi  devidamente  informado  na  DCTF  retificadora,  transmitida  em 27/10/2009  (obs: DCTF  retificadora  transmitida  após  ciência  do  despacho decisório);  Por fim, com base nessas razões, conclui a Contribuinte que o crédito existe,  decorrente  da  inexistência  de  base  tributável,  em  face  da  apuração  de  prejuízo  contábil  devidamente  comprovado  e  informado  na DIPJ  2006  e  na  DCTF Retificadora  (ano­base  de  2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza  a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,  razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada.  A  DRJ/Fortaleza,  conforme  Acórdão  de  fls.  23/24­verso,  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente,  não  reconhecendo  o  direito  creditório  pleiteado  pela  impossibilidade de  aproveitamento  de pagamento  de  estimativa  como  crédito,  cuja ementa transcrevo:  Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 830          5 (...)  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Exercício: 2008   COMPENSAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APROVEITAMENTO  DE  PAGAMENTO  DE  ESTIMATIVA  COMO CRÉDITO.  As  estimativas  efetivamente  recolhidas  são  antecipações  do  tributo  devido  ao  final  do  ano­calendário.  Em  conseqüência,  passível  de  restituição  somente  é  o  saldo  negativo  apurado  na  Declaração de Ajuste Anual.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   (...)  Ciente  desse  decisum  em  27/07/2010  (fl.  26),  a  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário  em  25/08/2010  (fls.  27/39),  juntando  ainda  os  documentos  de  fls.40/57,  reiterando  as  razões  já  apresentadas  na  impugnação  na  primeira  instância  de  julgamento;  porém, nesta instância recursal, acresceentou:  ­  que,  embora  tendo  efetuado  o  pagamento  do  IRPJ  Estimativa Mensal  no  montante de R$ 1.876.090,74 do período de apuração  julho 2005, constatou, posteriormente,  que não havia  imposto de renda a pagar nesse período, pois,  ­ na Ficha 11 – Cálculo do  Imposto  de  Renda Mensal  por  Estimativa,  mediante  Balanço  ou  Balancete Mensal  de  Suspensão/Redução ­, apurou resultado negativo R$ (­22.238.973,21), conforme demonstra  cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, ano­calendário 2005, juntada aos autos (fl. 43);   ­  que  no  encerramento  do  ano­calendário  2005,  também,  foi  apurado  resultado negativo (prejuízo fiscal);  ­  que,  nesse  sentido,  consta  expressamente  da  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ  2006  a  apuração  de  RESULTADO  DO  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  do  ano­calendário  2005,  o  valor  de  R$  ­  73.173.069,26  (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15);  ­  que  a DCTF  retificadora,  transmitida  em  27/10/2009,  também,  comprova  que,  com  base  em  Balanço  ou  Balancete  de  Suspensão/Redução,  sequer  havia  valor  a  ser  apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56);  ­ que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto  mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução,  que a soma do imposto pago por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor  do imposto apurado com base em Balanço ou Balancete mensal;  ­  que,  utilizando  o  direito  disposto  no  artigo  74,  da  Lei  n.°  9.430/96  cumulado  com  Instruções  Normativas  baixadas  pela  RFB,  apresentou  Declaração  de  Compensação,  utilizando  parte  do  referido  crédito  do  IRPJ  apurado  por  estimativa  e  indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e  Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 831          6 nesse  ano,  sendo  que,  no  presente  PER/DCOMP,  como  já  dito,  utilizou  apenas  parte  desse  crédito original, atualizado pela SELIC;  ­ que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165  do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos  tributários  com  créditos  advindos  de  pagamentos  feitos  indevidamente  ou  a maior,  teve  seu  direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser  compensado  já  havia  sido  utilizado  integralmente  para  quitação  de  débitos  tributários  da  contribuinte,  não  havendo  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP;  ­  que  a  DRJ/Fortaleza,  decisão  ora  recorrida,  apesar  de  não  rechaçar  a  existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido  utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal ­ pagamento  indevido ou a maior,  mas  somente  como  saldo  negativo.  De  fato,  quando  do  preenchimento  da  PER/DCOMP,  o  valor  do  crédito  a  ser  compensado  foi  classificado  no  campo  "Tipo  de  Crédito"  como  "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito  deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do ano­calendário”;  ­  que o  acórdão objurgado ainda  sugere que  a Recorrente  formule no novo  pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito;  ­  que,  mesmo  se  admitindo  que  houve  o  equívoco  no  preenchimento  do  campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da  eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo  à RFB, não poderia  servir de  fundamento para  a negativa do direito creditório, uma vez que  restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração  de  julho  do  ano  de  2005.  Os  documentos  acostados  também  comprovam  cabalmente  a  existência do crédito de R$ 1.876.090,74;  ­  que  a  decisão  a  quo  negou  vigência  aos  principios  informadores  do  processo  administrativo,  dentre  eles,  os  da  finalidade,  eficiência  (economicidade),  razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º);  ­  que  outro  ponto  para  análise,  que  merece  reparo,  refere­se  à  alusão  do  acórdão  recorrido  ao  art.  10  da  Instrução  Normativa'SRF  n.°  600/2005.  Vale  ressaltar  que  referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com  esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso;  ­ que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por  estimativa  mensal  do  IRPJ  e  da  CSLL,  em  nenhum  momento  disciplina  que  os  valores  indevidamente  pagos  ou  a  maior  de  estimativa  mensal  somente  poderiam  ser  utilizados  na  declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo  negativo  do  período.  Citou,  em  favor  de  sua  tese,  o  Acórdão  nº  105­16.205,  Sessão  de  06/12/2006, Relator  José Clóvis Alves. Ainda,  no mesmo  sentido, mencionou o Acórdão  da  CSRF nº 01­00.406, de outubro/2009;  ­ que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74  da Lei nº 9.430/96.  Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 832          7 Por  fim,  com  base  nessas  razões,  a  Recorrente  pediu  reforma  da  decisão  recorrida,  para  que  seja  deferido  o  crédito  pleiteado  e  homologada  a  compensação  tributária  objeto dos autos.  Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento,  na  sessão  de  04  de  dezembro  de  2012  (Resolução  nº  1802­000132)­  fls.  65/73,  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  instrução  complementar,  baixando  os  autos  do  processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências  conforme consta do voto condutor (fls. 72/73), in verbis:  (...)  Em  face  disso,  para  complementação  das  provas  e  em  consonância  com  o  princípio  da  verdade  material,  propugno  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  retorno  dos  autos  do  processo  à  unidade  de  origem  da  RFB,  no  caso  à  DRF/Fortaleza, para as seguintes providências:  1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, ano­calendário 2005;   2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período  de apuração julho/2005;   3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009;   4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia  dos balancetes de suspensão/redução do ano­calendário 2005 de  que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e  transcritos no Livro Diário;   5)  intimar  a  contribuinte  para  apresentar  à  fiscalização  sua  escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur  do  ano­calendário  2005,  para  comprovação  do  seu  direito  creditório;   6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do  resultado  da  diligência,  quanto  à  existência  ou  não  do  direito  creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível  para  utilização  para  compensação  com  os  débitos  informados  nos autos;   7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência,  abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em  querendo, apresentar contrarrazões.  Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite,  retornem os autos para julgamento.  (...)  Realizada  a  diligência  solicitada,  houve  a  juntada  dos  documentos  (fls.  78/822).   Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 819/821).   Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 833          8 Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 822),  não  se  manifestou,  deixou  transcorrer  o  lapso  temporal  in  albis,  conforme  despacho  de  encaminhamento/devolução  dos  autos  a  este  CARF  pela  DRF/Fortaleza,  de  12/11/2013  (fl.823).  É o relatório.  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 834          9   Voto             Conselheiro Nelso Kichel, Relator.  O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de  admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço.  Conforme  relatado,  os  autos  tratam  de  Declaração  de  Compensação  Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o  despacho  decisório  da  DRF/Fortaleza,  denegou  o  crédito  pleiteado,  não  homologando  a  compensação informada nos autos.  A Recorrente  pleiteou  crédito  de R$ 134.063,52  (valor  original),  relativo  a  suposto pagamento indevido de R$ 1.876.090,74 (valor original) de IRPJ estimativa mensal do  PA 31/07/2005,  código de  receita 5993, data de  arrecadação 31/08/2005,  conforme cópia do  DARF (fl. 42).  O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos:  a)  inexistência  de  crédito  disponível,  pois  o  valor  recolhido  do  IRPJ  estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito do imposto,  de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando  esse  débito)  não  poderia  ser  aceita,  pois  foi  transmitida,  eletronicamente,  após  ciência  do  despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a  Contribuinte  não  teria  comprovado  nos  autos,  de  forma  cabal,  com  cópia  de  livros  e  documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto  informado/confessado na DCTF primitiva;  b)  inviabilidade  do  pleito  de  restituição/aproveitamento  de  crédito  de  determinado  pagamento  a maior  ou  indevido  de  IRPJ  estimativa mensal;  que  as  estimativas  efetivamente  recolhidas  são  antecipações  do  tributo  devido  ao  final  do  ano­calendário.  Em  conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento  do ano­calendário e informado na Declaração de Ajuste Anual.  Inexistindo preliminar a  ser enfrentada, passo à análise do mérito do  litígio  deduzido.  A decisão recorrida deve ser reformada.  Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do  crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte:  1)  –  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO  PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP:  Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade  de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 835          10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado  na DCOMP.   Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência  para  a  complementação  de  provas,  conforme  Resolução  nº  1802­000.132,  de  04/12/2012,  baixando  os  autos  para  a  unidade  de  origem  da  RFB,  no  caso  a  DRF/Fortaleza,  para  as  providências determinadas (fls. 65/73).  Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência.  O  Relatório  de  Diligência  da  Fiscalização  da  DRF/Fortaleza  consigna  conclusão  pela  certeza,  liquidez  e  disponibilidade  do  crédito  pleiteado/utilizado  na DCOMP  pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 819/821), in verbis:   (...)  3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal,  apresentamos  nossas  conclusões  nos  moldes  como  se  verá  adiante.  4.  No  presente  processo,  o  contribuinte  reivindica  o  direito  creditório  de  R$  1.876.090,74,  referente  ao  IRPJ  –  Estimativa  Mensal  do  período  de  apuração  julho  de  2005,  que  teria  pago  indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê­ lo  compensado  com  o  débito  de  R$  181.803,54,  DCOMP  nº  04226.81356.200508.1.3.04­2165.. Segundo o contribuinte, para  o  referido  período,  ocorreu  prejuízo  fiscal  do  IRPJ,  não  sendo  devido,  portanto,  o  imposto  a  título  de  estimativa  mensal.  O  pagamento de R$ 1.876.090,74 seria fruto de equívoco.  5. Em 13/06/2006, o contribuinte  transmitiu  sua DIPJ original,  ano­calendário  2005,  a  qual  encontra­se  ativa  até  a  presente  data,  sem  quaisquer  retificações.  Nessa  DIPJ,  o  contribuinte  apurou o prejuízo fiscal do IRPJ de R$ 73.103.028,52 e, a título  de estimativa mensal, os seguintes valores:    PA  Base de Cálculo do IRPJ   Valor devido (estimativa IRPJ)  Jan/2005  ­3.343.907,66  0,00  Fev/2005  ­6.645.519,07  0,00  Mar/2005  ­20.346.492,32  0,00  Abr/2005  ­17.722.420,69  0,00  Mai/2005  ­13.191.204,02  0,00  Jun/2005  ­11.986.991,25  0,00  Jul/2005  ­22.238.973,21  0,00  Ago/2005  ­36.844.078,00  0,00  Set/2005  ­43.249.497,34  0,00  Out/2005  ­53.546.298,28  0,00  Nov/2005  ­64.061.290,22  0,00  Dez/2005  ­73.173.069,26  0,00    Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 836          11 6.  Na  Ficha  12A  da  DIPJ  do  contribuinte  consta  o  seguinte  resultado:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL  VALOR  À alíquota de 15% + 6% + Adicional  0,00  DEDUÇÃO    (­) Campos 04 a 16  0,00  (­) Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa  0,00  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  0,00  7.  Resta  evidente,  mediante  essa  referida  Ficha  12A,  a  não  utilização  do  valor  ora  requerido  de  R$  1.876.090,74  na  composição de saldo negativo do IRPJ. Portanto, afastada está a  hipótese  de  aproveitamento  em  duplicidade  do  crédito  ora  pleiteado.  8.  Por  outro  lado,  em  sua  DCTF  original,  enviada  em  08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 1.876.090,74  (IRPJ  ­  N  OBR  L  REAL  ESTIMATIVA  IRPJ,  cód.  5993).  Há  dissonância,  portanto,  entre  referida  declaração  e  àquela  informada  em  DIPJ,  onde  inexistiu  valor  apurado,  o  que  ensejaria uma retificação.  9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de  modo  a  se  adequar  a  sua  DIPJ  original  do  período  correlato.  Nessa retificação  foi excluído o débito de R$ 1.876.090,74. Em  consequência,  restou  disponibilizado  o  correspondente  recolhimento  desse  débito  que  fora  excluído,  passando­o  a  figurar como um pagamento indevido.  10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte  trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real,  fls.139/147. Em  tais documentos, há registros de que, em todos  os meses do ano­calendário de 2005, exceto junho e julho, houve  prejuízo  fiscal.  O  acumulado  desse  prejuízo  fiscal,  meses  jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de  exercício  nos  meses  junho/2005  e  julho/2005,  culminaria  na  inexistência de IRPJ a pagar a título de estimativa mensal.  11.  Em  suma,  considerando­se  a  DIPJ  original  e  a  DCTF  retificadora do contribuinte,  bem como os  respectivos  registros  contábeis  ora  demonstrados,  relativamente  ao  IRPJ,  ano­ calendário  2005,  como  a  expressão  da  verdade,  restou  disponibilizado o valor creditório de R$ 1.876.090,74.  12. Consoante  tela,  fls.  815/818,  reservou­se parte desse  valor,  R$  134.063,52,  para  a  compensação  de  que  trata  o  presente  processo,  caso  essa  douta  Turma  de  Julgamento  entenda  procedente a reivindicação do contribuinte.  (...)      Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 837          12 Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve  ser recohecido, pois:  a)  quanto  ao  PA  julho/2005,  conforme  Balanço  ou  Balancete  de  Suspensão/Redução,  elaborado  e  registrado  na  forma  do  art.  35  da  Lei  nº  8.981/95,  que  a  Recorrente teve resultado negativo de R$ (­22.238.973,21) e, no final desse ano­calendário  2005  (dezembro),  teve prejuízo  fiscal  acumulado no ano de R$  (­73.103.028,52)  – DIPJ  2006/Ficha 11;  b) que as cópias dos  livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal  comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822);  c)  que  o  valor  pago/recolhido  do  IRPJ  estimativa  do  PA  julho/2005,  por  conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando  erro material a informação de apuração e confissão de débito do IRPJ estimtiva mensal do  PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que  corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível  para apuração do imposto para esse PA;  d) que, na Ficha 12A­ DIPJ 2006 (ano­calendário 2005), restou consignado  que a Contribuinte não  levou o valor  recolhido  indevidamente para o  ajuste  anual,  pois não  preencheu a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada  com os valores zerados);  e) que o  crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto  destes  autos  existe,  está  disponível  e  foi  reservado  para  saldar  os  respectivos  débitos  confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência.  2)  ­  PAGAMENTO  INDEVIDO  DE  IMPOSTO  ESTIMATIVA  MENSAL. ERRO DE FATO. MATÉRIA SUMULADA:  No  caso,  o  pagamento  do  IRPJ  mensal  por  estimativa  do  PA  julho/2005  decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal  sequer houve base  imponível para  apuração do  imposto,  em  face da  apuração de prejuízo  já  demonstrado  anteriormente,  ou  seja,  conforme  transcrição  das  conclusões  do  Relatório  de  Diligência.  Pela  Súmula CARF  nº  84,  não  é  necessário  levar  para  o  saldo  negativo,  o  imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu  por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma  com a escrituração contábil/fiscal, considerando­se, ainda, o recolhimento indevido na data de  arrecadação.  A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84:  Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  Portanto,  reconheço  o  crédito  pleiteado  pela  Recorrente  de R$  134.063,52  (valor original) utilizado na DCOMP, e homologo a compensação  tributária objeto dos autos  até o limite do crédito reconhecido.  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.037  S1­TE02  Fl. 838          13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso.    (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel                                Fl. 838DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL

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Numero do processo: 10215.720007/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO — RECOLHIMENTOS NO SIMPLES COM O VALOR LANÇADO Devem-se abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os valores do lançamento, quer na fase administrativa do lançamento, quer em sua fase processual.
Numero da decisão: 1401-001.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM DAR provimento parcial ao recurso apenas para que os recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO — RECOLHIMENTOS NO SIMPLES COM O VALOR LANÇADO Devem-se abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os valores do lançamento, quer na fase administrativa do lançamento, quer em sua fase processual.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 586          1 585  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10215.720007/2007­64  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1401­001.092  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de dezembro de 2013  Matéria  SIMPLES  Recorrente  LIMA IRMAOS LTDA EPP   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE  Tendo  o  auto  de  infração  preenchido  os  requisitos  legais  e  o  processo  administrativo  proporcionado  plenas  condições  à  interessada  de  contestar  o  lançamento, descabe a alegação de nulidade  ARBITRAMENTO. Excluída do Simples,  a  falta de escrituração contábil  e  fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro.   OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM  CONTA  BANCÁRIA.  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ÔNUS  DA  PROVA.  A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão  de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em  sua conta corrente ou de investimento.  COMPENSAÇÃO  DE  OFÍCIO  —  RECOLHIMENTOS  NO  SIMPLES  COM O VALOR LANÇADO  Devem­se abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os  valores do  lançamento, quer na fase administrativa do  lançamento, quer em  sua fase processual.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 07 /2 00 7- 64 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 587          2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  EM  REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM DAR provimento parcial ao recurso apenas para  que os recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de  ofício.    (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro,  Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva.  Fl. 587DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 588          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da  Receita Federal de Belém­PA.   Adoto  e  transcrevo  o  relatório  constante  na  decisão  de  primeira  instância,  compondo em parte este relatório:  Versa  o  presente  processo  sobre  o(s)  Auto(s)  de  Infração  de  fls.  554­578,  relativo(s)  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica­IRPJ,  Contribuição  para  o  Programa de Integração Social­PIS. Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social­COFINS  e  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido­CSLL,  ano(s)­ calendário 2002, 2003 e 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 451.678,15,  incluindo  o  principal,  a  multa  de  ofício  e  os  juros  de  mora,  atualizados  até  31/01/2007.  Também  integra o Auto de  Infração o Termo de Verificação de  Infração de  folhas 409­423.  De  acordo  com  a  Descrição  dos  Fatos  do(s)  Auto(s)  de  Infração,  o(s)  süjeito(s)  passivo(s)  incorreu(am)  na(s)  seguinte(s)  infração(ões):  (a)  Omissão  de  receitas de revenda de mercadorias, obtidas a partir dos repasses das operadoras de  cartão de crédito, e (b) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de  origem não comprovada.  Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75%.  Foi  juntado, por apensação,  a  este o processo de  exclusão do SIMPLES, n°  10215­720.058/2006­13, em que também é interessada a recorrente.  O  lucro  do  contribuinte  foi  arbitrado  por  não  ter  apresentado  os  livros  necessários para apuração do lucro real ou presumido.  O(s)  sujeito(s)  passivo(s)  tomou(aram)  ciência  do(s)  lançamento(s)  em  10/02/2007 (lis. 582) e apresentou(am) sua(s) impugnação(ões) em 14/03/2007 (fls.  586­628), na(s) qual(is) alegou em síntese que:  Da nulidade do lançamento  1. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa porque o auditor  descreveu,  no  termo de  verificação, que  efetuou  o  lançamento  pelo SIMPLES  (ac  2002  e  2003)  e  pelo  Lucro  Presumido  (ac  2004)  e  não  encaminhou  cópia  dos  respectivos lançamentos;  2..  Entretanto,  o  lançamento  foi  efetuado  com  base  no  lucro  arbitrado,  prejudicando sua defesa;  3.  O  lançamento  também  é  nulo  por  erro  no  enquadramento  legal,  conforme os fatos descritos acima (confusão no lançamento);  4.  Há  também  cerceamento  do  direito  de  defesa  pelo  fato  do  auto  de  infração não expor com clareza as razões que levaram ao lançamento tributário;  Fl. 588DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 589          4 5.  O  lançamento  padece  de  nulidade  por  não  demonstrar  as  infrações  detalhadas do SIMPLES e do Lucro Presumido;    Da decadência  6.  Os  valores  autuados  relativos  ao  mês  de  janeiro  de  2002  estão  fulminados pela decadência, na forma do art. 150. § 4o. do Cl N:  7.  Dessa  forma,  todo  o  procedimento  fiscal,  assim  como  o  lançamento,  padece de nulidade, como autêntico fruto da árvore envenenada;    Da exclusão do SIMPLES  8.  Optara  pelo  SIMPLES  desde  01/01/97  e  foi  excluído  dessa  forma  de  tributação  em  01/06/2006.  Todavia,  mesmo  havendo  impugnado  a  exclusão,  foi  autuado pelo Lucro Arbitrado:  9.  A  retroatividade  da  exclusão  é  ilegal  por  desrespeitar  o  direito  adquirido de opção pelo SIMPLES;  10.  A  jurisprudência  entende  que  a  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  SIMPLES  somente  surtirá  efeitos  a  partir  do  mês  subseqüente  à  ciência  ato  declaratório de exclusão;    Do lucro arbitrado  11.  Na hipótese de exclusão do SIMPLES, deveria ser tributada pelo Lucro  Presumido. Isto porque não excedeu ao limite de receita bruta estabelecido para esta  modalidade de tributação:  12.O  lançamento  efetuado,  com  base  no  lucro  arbitrado,  é  completamente  nulo, pois transforma o tributo exigido em sanção pecuniária;  13.0  lançamento  efetuado  com  base  no  lucro  arbitrado  tem  caráter  confiscatório, ofendendo o art. 150, IV, CF;    Do sigilo bancário  14.  O  procedimento  fiscal  baseado  nas  informações  da  CPMF  constitui  verdadeira ofensa ao sigilo financeiro e bancário consagrado na CF;  15. O art. 5o e 6 da LC n° 105/01 e o art. 11, §§2° e 3o, da Lei n° 9.311/96,  assim  com o Decreto  n°  3.724/2001,  são  inconstitucionais  por  ofenderem o  sigilo  bancário, a intimidade, a vida privada e o devido processo legal;  16.  A  jurisprudência majoritária  tem se posicionado no  sentido de que  só  por  prévia  apreciação  do  poder  judiciário  poderá  ser  decretada  a  quebra  do  sigilo  bancário;  Da omissão de receitas baseada nos depósitos bancários  Fl. 589DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 590          5 17.  O  lançamento,  fundamentado  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96,  é  ilegal  porque foi baseado em simples presunção (relativa), quando deveria estar lastreado  em presunções absolutas;  18.  A fiscalização deveria comprovar os fatos que deram origem a omissão  de receitas;  19.  A autoridade lançadora deveria aprofundar as investigações com o fito  de identificar, de modo individualizado, os valores depositados nas contas corrente e  de poupança;    Da omissão de receitas das operações com cartão de crédito   20.  As compras com cartão de crédito, assim como os depósitos bancários,  se constituem indícios e, não, prova de omissão de rendimentos. Não caracterizam,  por  si  só,  disponibilidade  econômica  de  renda  e  proventos  e  nem  podem  ser  tomados, isoladamente como acréscimos patrimoniais;  21.O art. 112 do CTN prevê que, em caso de dúvidas, as infrações devem ser  interpretadas de maneira mais favorável aos contribuintes;  Dos lançamentos reflexos  22.  Anulando­se  o  IRPJ,  aplica­se  o  que  foi  decidido  aos  lançamentos  reflexos.  É o relatório.  A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2002, 2003. 2004 Ementa:  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  APRECIAÇÃO  VEDADA.  ENTENDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  A  autoridade  administrativa  não  possui  atribuição  para  apreciar  a  arguição  de  inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o  ato  de  lançamento.  As  leis  regularmente  editadas  segundo  o  processo  constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até  decisão  em  contrário  do  Poder  Judiciário.  As  alegações  de  inconstitucionalidade  ou  de  ilegalidade  somente  são  apreciadas  nos  julgamentos administrativos quando houver expressa autorização.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  Nos  lançamento  cuja  exação  se  faz  por  homologação,  havendo  pagamento  antecipado  do  imposto,  ou  da  contribuição,  e  ausentes  o  dolo,  fraude  ou  simulação, realiza­se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4°  do art. 150 do CTN.  SIGILO  BANCÁRIO.  É  lícito  ao  fisco,  mormente  após  a  edição  da  Lei  Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte,  constantes de documentos,  livros e  registros de  instituições  financeiras e de  entidades a elas equiparadas,  inclusive os referentes a contas de depósitos e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 591          6 curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis,  independentemente  de  autorização  judicial.  A  obtenção  de  informações  junto  às  instituições  financeiras,  por  parte  da  administração  tributária,  a  par  de  amparada  legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência  deste,  porquanto  em  contrapartida  está  o  sigilo  fiscal  a  que  se  obrigam  os  agentes fiscais por dever de ofício.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  Ementa:  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  MANISFESTAÇAO  DL  INCONFORMIDADE. EFEITOS. A manifestação de inconformidade contra  o  ato  executivo  que  exclui  o  contribuinte  do  SIMPLFS'nao  tem  efeito  suspensivo,  apenas  devolve  o  objeto  de  litígio  para  ser  apreciado  em  outra  instância do contencioso administrativo.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  AUSÊNCIA  DO  LIVRO  CAIXA.  O  arbitramento  do  lucro  é  medida  necessária  quando  o  contribuinte.  si>h  intimação,  não  apresenta  os  livros  exigidos  para  apuração  do  lucro  real mi  presumido, conforme o caso.  ARBITRAMENTO DO  LUCRO. ATO VINCULADO. O  arbitramento  cio  lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei n° 8.981/95, é  ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela  autoridade  administrativa,  mormente  quando  ¿o  exercício  do  lançamento  tributário, sob pena de responsabilidade funcional.  PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal  júris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso. a autoridade lançadora fica  dispensada  de  provar  que  o  depósito  bancário  não  comprovado  (fato  indiciário)  corresponde,  efetivamente,  ao  auferimento  de  rendimentos  (fato  jurídico tributário), nos termos do art. 334. IV. Do Código de Processo Civil.  Cabe  ao  contribuinte  provar  que  o  fato  presumido  não  existiu  na  situação  concreta.  REPASSE DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DL OPERADORAS  DE CARTÃO DE CRÉDITO.  Provada  a  entrada  de  recursos  recebidos  de  operadoras de cartão de crédito, não oferecidos à  tributação, procedente é o  lançamento,  mormente  quando  a  contribuinte  não  consegue  refutar  a  acusação com a apresentação de provas hábeis.  LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica­se às contribuições sociais reflexas, no  que couber, o que foi decidido para o IRPJ dada a íntima relação de causa e  efeito  que  os  une.  Irresignada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  a  este  CARF,  repisando  os  tópicos  trazidos anteriormente na impugnação.    A  interessada  foi  cientificada  desse  Acórdão  em  17/02/2010  (fls.  653).  Irresignada,  interpôs Recurso Voluntário em 05/03/2010 (fls. 654/684),  reprisando os  tópicos  trazidos anteriormente na impugnação.  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 592          7 A Recorrente também tomou ciência da ADE, por via postal, em 15/12/2006  e  apresentou  sua  manifestação  de  inconformidade  ao  ato  administrativo  (fls.  2729),  em  15/01/2007. A DRJ manteve a exclusão. Em sede recursal (fls. 49/55), reprisa os argumentos  da manifestação de inconformidade, alegando em síntese que:  1.  O ADE  afronta  o  art.  179  da  Constituição  Federal,  que  visou  conferir  maior desburocratização ao empreendedorismo;  2.  Os  efeitos  da  retroatividade  do  ADE  violam  o.  art.  150,  §2º,  "a"  da  Constituição Federal;  3.  Nos termos do art. 15, II, da Lei n° 9.317/96, não se pode admitir que o  mês em que ocorreu a situação não seja outro que não aquele em que recebeu o ADE;  4.  Cabe  à  SRF  a  apuração  das  opções  de  ingresso  no  SIMPLES,  não  podendo ser penalizado por essa omissão;  5.  É parte hipossuficiente da relação, cabendo, portanto, ao fisco comprovar  desde o início a utilização de má­fé do SIMPLES por parte do sujeito passivo.  A  matéria  relativa  à  exclusão  do  Simples  consta  do  processo  n°  10215­ 720.058/2006­13, juntado por apensação a este.  É o relatório.  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 593          8 Voto             Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator  Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade.  Preliminares de nulidade  A princípio  cabe  esclarecer  que  os  extratos  bancários,  base da  autuação  da  omissão  de  receitas  por  falta  de  comprovação  da  sua  origem,  foram  fornecidos  espontaneamente  pela Recorrente  sem  a  necessidade  da  expedição  de RMF  para  os  bancos,  motivo  pelo  qual  se  afasta  do  caso  concreto  da  necessidade  de  sobrestamento  por  questão  ligada à Repercussão geral no STF.  Nesse  contexto,  é  também de  se  rejeitar  de  plano  a  preliminar  de  nulidade  relacionada à quebra de sigilo bancário. Como se sabe, a constitucionalidade do art. 6º da Lei  Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco  sem  autorização  judicial,  encontra­se  sob  a  análise  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  RE  601.314­RG/SP (sob a sistemática do art. 543­B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Porém, no  caso concreto, como já se disse, não houve emissão de RMF aos bancos porque o contribuinte  entregou os extratos bancários espontaneamente.   Quanto às demais alegações de nulidade seja por cerceamento do direito de  defesa, seja por falta de fundamentação adequada ou da suposta erro de enquadramento legal,  apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcreve­se o dispositivo que rege a  matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova  redação dada pela Lei 8748/93:  Art. 59 ­ São nulos:  I­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II­ os despachos e decisões proferidos por  autoridade  incompetente ou com  preterição do direito de defesa;    Por  conseguinte,  considera­se  nulo  o  ato,  se  praticado  por  pessoa  incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das  situações,  pois  não  se  põe  em  dúvida  a  competência  do  autor,  auditor  fiscal,  bastando  para  tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os  fatos  apurados  foram  descritos  com  o  respectivo  enquadramento  legal,  e  levados  ao  conhecimento,  da  autuada,  levando  a  mesma  a  defender­se  plenamente  através  da  peça  impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez.  Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato  administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10  do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação:  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 594          9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da  verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:  ..............................................................................................................  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  (....)  A Recorrente  reclama  também  em  falta  ou  insuficiência  do  fundamentação  do  lançamento,  na  medida  em  que  a  Autoridade  Lançadora  tenha  descrito  que  efetuou  o  lançamento com base no SIMPLES e no Lucro Presumido e, na prática terminou por arbitrar  todos os perídos.   Ora, o que consta do TVF cristalinamente é descrição de um fato feito pelo  fiscal,  qual  seja,  que  a  recorrente  utilizou  dessas  formas  de  tributação  durante  os  anos­ calendário 2002, 2003 (Simples) e 2004 pelo lucro presumido, mas fora tributada pelo Lucro  Arbitrado  em  razão  da  exclusão  retroativa  do  SIMPLES  e  da  impossibilidade  de  tributação  pelo lucro presumido.  A  esse  respeito  a  DRJ  já  deixou  isso  bem  claro  e  não  foi  refutado  pela  Recorrente em seu recuso:  Obtém­se dos autos (fl. 399) que a exclusão do SIMPLES, a que se refere o  item 8 do Termo de Verificação de Infração, ocorreu na verdade em 01/06/2003.  Obtém­se  ainda  (fl.  373)  que  a  exclusão  do  SIMPLES,  efetuada  durante  o  procedimento  fiscal,  teve  efeito  retroativo  à  01/01/2002,  com  fundamento  no  embaraço a fiscalização.    Sintetizando:  O  contribuinte  era  optante  do  SIMPLES  e  foi  excluído  desta  modalidade de tributação em 01/06/2003. Por essa razão, (o contribuinte) apurou o  IRPJ, CSLL,  PIS  e COFINS,  com  base  no  SIMPLES,  durante  os  anos­calendário  2002 e 2003, e com base no Lucro Presumido, durante o ano­caleñdário 2004. No  curso do procedimento  fiscal,  iniciado em 14/03/2006,  foi  novamente  excluído do  SIMPLES,  por  embaraço  à  fiscalização,  desta  vez  com  efeitos  retroativos;  à  01/01/2002.  Como  (o  contribuinte)  não  apresentou  os  Livros  Comercias  exigidos  para a apuração do lucro real, e tão pouco o Livro Caixa, necessário para apuração  do lucro presumido, foi tributado com base no lucro arbitrado em todos os períodos  submetidos à fiscalização (ac 2002, 2003 e 2004).  Logo, não é verdade que a Autoridade Lançadora tenha descrito que efetuou o  lançamento  com  base  no  SIMPLES  e  no  Lucro  Presumido.  O  que  esta  afirma,  inequivocamente, é que a recorrente utilizou dessas formas de tributação durante os  anos­calendário  2002,  2003  e  2004,  mas  fora  tributada  pelo  Lucro  Arbitrado  em  razão da  exclusão  retroativa do SIMPLES e da  impossibilidade de  tributação pelo  lucro presumido, por sua imotivada pela ausência de livros exigidos pela legislação  tributária.    Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 595          10 Por  fim,  a  recorrente  ainda  deseja  que  nulidade  do  lançamento  fulminado  pela decadência acolhida para DRJ parcialmente, se estenda a todo procedimento fiscal e suas  conseqüências. Melhor explicando, a  recorrente alegou em sede  impugnatória que os valores  autuados, relativos ao mês de janeiro de 2002 estariam alcançados pela decadência, ex vi art.  150, § 4o, do CTN. A DRJ acolheu então parcialmente o pleito para as contribuições sociais  que tem fatos geradores mensais (PIS e COFINS).  O  pedido  de  extensão  é  improcedente,  pois  o  acolhimento  da  decadência  além de não se tratar de nulidade, conforme bem colocado pela decisão de piso, só tem efeitos  sobre os  tributos  e os períodos de  apuração por  ela  alcançados,  não havendo qualquer  razão  para se estender a outros tributos ou períodos de apuração que possuem fatos geradores e bases  de cálculo distintos    Por todo o exposto, rejeito as preliminares.    Exclusão do Simples  Conforme  relatado,  a  Recorrente  foi  excluída  do  Simples  com  efeitos  retroativos por embaraço à fiscalização e teve seus lucros arbitrados pela falta de apresentação  dos Livros Caixa e/ou Diário e Razão.   Nesse  ponto  é  preciso  delimitar  a  lide  nesse  aspecto.  É  que  a  Recorrente  desde  a  fase  de manifestação  de  inconformidade  não  se  insurge  contra  o motivo  que  levou  efetivamente à sua exclusão do simples, o embaraço a fiscalização, limitando­se a contestar os  seus  efeitos.  Portanto,  tal  matéria,  a  causa  da  exclusão  do  Simples  está  fora  do  litígio,  constituindo­se em matéria definitivamente julgada na esfera administrativa.  A  recorrente  contesta  a  apuração  com  base  no  lucro  arbitrado,  vez  que  apresentara manifestação de inconformidade à exclusão do SIMPLES, e ainda a retroatividade  da exclusão do SIMPLES.  Os  argumentos  têm  eficácia  restrita  aos  lançamentos  referentes  aos  anos­ calendário 2002 e 2003, pois somente nestes períodos o contribuinte utilizou­se do SIMPLES.   Em primeiro lugar, como já bem colocado pela decisão de piso:  A  manifestação  de  inconformidade  contra  o  ato  executivo  que  exclui  o  contribuinte  do  SIMPLES  não  tem  efeito  suspensivo,  ou  seja,  apenas  devolve  o  objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo.  Diferentemente,  do  que  ocorra  com  os  recursos  contra  a  exigência  do  crédito  tributário, onde. por exemplo o dispositivo legal (art. 151, III, CTN), há suspensão  da exigibilidade do crédito tributário até a extinção do processo administrativo.  Em  relação  aos  efeitos  da  exclusão  do  SIMPLES,  assim  dispõe  o  RIR/99,  aprovado pelo Decreto 3.000/1999:  Art. 195. A exclusão dar­se­á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em  quaisquer das seguintes hipóteses (Lei nº 9.317, de 1996, art. 14):  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 596          11 (...)  II  ­  embaraço  à  fiscalização,  caracterizado  pela  negativa  não  justificada  de  exibição  de  livros  e  documentos  a  que  estiver  obrigada,  bem  assim  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios  ou  de  terceiros,  quando  intimado,  e  demais  hipóteses  que  autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº  5.172, de 1966 (CTN);  (...).  Art. 196. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 194 e  195 surtirá efeito (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15):  (...)  V  ­  a  partir  do  mês  de  ocorrência  de  qualquer  dos  fatos  mencionados  nos  incisos II a VII do artigo anterior.  Parágrafo  único. A exclusão  de  ofício  dar­se­á mediante  ato  declaratório  da  autoridade  fiscal  da  Secretaria  da Receita  Federal  que  jurisdicione  o  contribuinte,  assegurado  o  contraditório  e  a  ampla  defesa,  observada  a  legislação  relativa  ao  processo tributário administrativo Lei nº 9.317, de 1996, art. 15, § 3º e Lei nº 9.732,  de 1998, art. 3º).  Art.  197. A  pessoa  jurídica  excluída  do  SIMPLES  sujeitar­se­á,  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos  da  exclusão,  às  normas  de  tributação  aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.317, de 1996, art. 16).  Conforme  está  cristalinamente  estampado  nos  preceptivos  legais  acima,  os  efeitos da exclusão, no caso concreto,  retroagem, no caso, “a partir do mês de ocorrência de  qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior ‘  E foi exatamente o que aconteceu. O ADE n° 14 de 29 de novembro de 2006,  publicado no DOU de 30 de novembro de 2006. expedido pela Delegacia da Receita Federal de  Santarém/PA, retroagiu ao mês da ocorrência do fato que ocasionou a exclusão. E qual o fato  que  ocasionou  a  exclusão?  O  embaraço  do  interessado,  caracterizado  pela  negativa,  não  justificada, de exibição dos livros e documentos que estava obrigado a escriturar referentes aos  anos  calendário de 2002 a 2004  . Logo,  conforme comanda o  art.  197  do RIR/99,  cuja base  legal é o art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, “A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar­se­ á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação  aplicáveis às demais pessoas jurídicas”, no caso a partir de 01/01/2002.  Ademais,  como  é  sabido  o  “Direito  cria  sua  própria  realidade”,  podendo  o  legislador  em determinadas  situações pretender,  sim,  fazer  com que  essa  retroação  aconteça.  Embora não se desconheça a  existência do princípio de  irretroatividade de  lei,  é bom que se  diga que ele se destina a servir de diretiva estabelecendo uma regra geral ao poder legislativo e  não  propriamente  ao  intérprete.  No  caso,  o  intérprete  quando  estiver  diante  de  uma  tal  construção na figura de um dispositivo válido e vigente, não cabe a ele desprezá­lo.  Saliente­se  ainda  que  estando  previstos  em  disposição  legal  em  vigor,  não  cabe  a  este  órgão  do  Poder  Executivo  deixar  de  aplicá­los,  encontrando  óbice,  inclusive  na  Súmula nº 2 deste CARF:  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 597          12   Por  todo o exposto, mantenho a exclusão do Simples constante do processo  n° 10215­720.058/2006­13, juntado por apensação a este.  ARBITRAMENTO  Excluída do Simples, não se desincumbiu de apresentar os livros obrigatórios  seja por um regime de tributação ou pelo outro (Livros Caixa e/ou Diário e Razão).  A  não  apresentação  dos  livros  obrigatórios  exigidos  pela  legislação  de  regência  (Livros  Caixa  e/ou Diário  e Razão.)  ocasionou  o  arbitramento,  consoante  art.  530,  cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 8.981/95:  “Art.  47.  O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro arbitrado, quando:  (...)  III ­ o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária  os  livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o  livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único;  (...)”          Conforme  consta  dos  autos,  resulta  patente  que  a  documentação  efetivamente  não foi entregue à fiscalização, mormente livros obrigatórios e indispensáveis, como é o caso  do Livro Diário e Razão. Também não apresentou o Livro Caixa em substituição àqueles, no  caso  da  opção  pelo  lucro  presumido.  E  justamente  esse  fato  já  havia  sido  o  motivo  para  a  exclusão do simples.      Em sua defesa, insiste no fato de que o regime adequado seria o lucro presumido  (2002,2003) porque  sua  receita bruta  estaria  ainda acobertada por  esse  regime de  tributação.  Ora nada mais equivocado.   É preciso sublinhar novamente que a Recorrente deve manter a escrituração  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais,  que  faz  prova  em  seu  favor  dos  fatos  nela  registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua movimentação  financeira,  inclusive  bancária.  Não  tendo  apresentado o Livro Caixa para se adequar ao lucro presumido ou mesmo apresentado os livros  Diário  e Razão,  Lucro Real  para  sujeitar­se  ao  lucro  real,  automaticamente  teve  seus  lucros  arbitrados.  Portanto,  foi  adotado  o  regime  jurídico  de  tributação  consistente  com  a  legislação de  regência da matéria. Não  tem cabimento, assim,  falar em adoção do  regime de  tributação com base no lucro presumido.  A  esse  respeito  cumpre  gizar  que  ao  julgador  administrativo,  que  se  encontra  totalmente  vinculado  aos  ditames  legais,  mormente  quando  do  exercício  do  controle  de  legalidade  do  lançamento  tributário  (art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN),  não  é  dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido  e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF:  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 598          13 Súmula CARF nº 2:   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei  tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010).  PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  Depósitos  Bancários  Sem  Comprovação  da  Origem dos Recursos  O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de  receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  Ora,  como  se  vê  da  descrição  dos  fatos,  a  empresa  não  apresentou  documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A  recorrente  não  logrou  comprovar,  através  de  documentação  hábil  e  idônea,  coincidentes  em  datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária.   Em sede impugnatória e  recursal, a  interessada ao  invés de  tentar provar os  fatos  alegados,  se  limita  a  tecer  considerações  de  direito,  no  sentido  de  enfraquecer  o  lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções.  Em verdade, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento  da existência do art. 42 da Lei nº 9.430­96 que representa um verdadeiro marco em termos de  presunção legal de omissão de receitas, verbis:  LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ­ DOU de 30.12.96   “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Tratando­se de uma presunção  legal de omissão  de  rendimentos,  o ônus da  prova  fica  invertido,  a  autoridade  lançadora  exime­se  de  provar  no  caso  concreto  a  sua  ocorrência,  transferindo  o  ônus  da  prova  à  contribuinte.  O  contribuinte,  por  sua  vez,  não  logrando  êxito  nessa  tarefa  que  se  lhe  impunha,  como  ocorre  no  caso  presente,  tem­se  a  autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como  verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar  de  uma presunção  relativa  juris  tantum,  somente  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas  pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.  Feitas  tais  digressões  e,  evidenciada  a  absoluta  licitude  do  estabelecimento  das  presunções  legais,  cumpre  dizer  que,  em  relação  aos  anos­calendários  autuados,  as  alegações trazidas pelo contribuinte mostram­se despropositadas, visto que, o simples fato da  existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva  de omissão de receitas,  cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito,  não as apresentou.  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 599          14 Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a  existência  de  depósito  bancário  sem origem  comprovada. À  recorrente,  comprovar  a origem  desses depósitos.  Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto.    Omissão de receitas das compras com cartão de crédito  Por não ter nada reparar, transcrevo abaixo os fundamentos da DRJ que não foram  infirmados pela Recorrente:  A  recorrente  contesta  a  omissão  de  receitas,  com  base  nos  numerários  recebidos por meio das operações de cartão de crédito, por entender que estas não  caracterizam  disponibilidade  jurídica  de  renda  e  proventos  e  nem  acréscimo  patrimonial.  Diferentemente do que ocorre com os créditos bancários  (em que os valores  depositados podem ser derivados de meras entradas de numerários, sem se revestir  da  condição  de  receitas,  havendo  a  necessidade  de  uma  norma  autorizadora  da  presunção de omissão de receitas), os valores transferidos pelas operadoras de cartão  de crédito às empresas  representam a própria  receita da atividade empresarial pela  venda de bens e serviços.  Por conseguinte, os valores repassados pelas operadoras de cartão de crédito,  que  não  foram  oferecidos  a  tributação,  representam,  diretamente,  uma  receita  omitida no período.  Portanto, mantenho o lançamento neste item também.    Aproveitamento dos recolhimentos feitos no Simples Nacional    A recorrente insurge­se contra os valores recolhidos a título de Simples e não  foram  aproveitados  no  presente  processo.  Utiliza  isso  como  argumento  de  defesa  contra  a  forma em que foi apurado o imposto. Nesse sentido, tomo isso mesmo que indiretamente como  um pleito e aqui assim será analisado.  A esse respeito, tem seguido o entendimento pacífico nesta Turma de que se  impõe  o  abatimento  dos  valores  recolhidos  indevidamente  sob  o  Simples  contra  o  que  fora  lançado  de  ofício,  com  repercussão,  inclusive  no  abatimento  das  multas  de  ofício  correspondentes, quer na fase administrativa do lançamento, quer na fase processual.  O que está em jogo aqui é princípio da verdade material conjuntamente com a  proibição de enriquecimento ilícito do Estado.. Não se trata nem mesmo de compensação, mas  de mero abatimento, como corolário do exposto.  Por  todo  o  exposto,  dou  provimento  parcial  ao  recurso  apenas  para  que  os  recolhimentos indevidos a título de Simples sejam alocados para os débitos lançados de ofício.  Fl. 599DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10215.720007/2007­64  Acórdão n.º 1401­001.092  S1­C4T1  Fl. 600          15 Lançamentos Reflexos  Por  estarem  sustentados  na mesma matéria  fática,  os mesmos  fundamentos  devem  nortear  a  manutenção  e  o  cancelamento  (parcial)  das  exigências  lançadas  por  via  reflexa,    Por  todo  o  exposto,  rejeito  as  preliminares  e,  no  mérito,  dou  provimento  parcial  ao  recurso  apenas  para  que  os  recolhimentos  indevidos  a  título  de  Simples  sejam  alocados para os débitos lançados de ofício.         (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto                                    Fl. 600DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA

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Numero do processo: 11020.901526/2012-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 93          1 92  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.901526/2012­39  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­002.771  –  2ª Turma Especial   Sessão de  26 de março de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  MÓVEIS WELFARE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2004 A 30/04/2004  COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO  CREDITÓRIO  É  ônus  do  contribuinte  comprovar  a  liquidez  e  certeza  de  seu  direito  creditório,  conforme  determina  o  caput  do  art.170  do  CTN,  devendo  demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual  se nega provimento.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.    MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno  Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 26 /2 01 2- 39 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 O  interessado  acima  identificado  recorre  a  este  Conselho,  de  decisão  proferida pela primeira instância.  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de  Compensação  enviada  pela  empresa,  nos  quais  não  foi  homologado  seu  pedido  por  ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco.  A  empresa  contesta  a  decisão  administrativa  alegando,  preliminarmente,  a  nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por  prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal.  No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem  como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da  taxa Selic como juros de mora.  O  pleito  foi  indeferido,  no  julgamento  de  primeira  instância,  ou  seja,  o  julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a  não homologação da compensação, por falta de direito creditório.  Regularmente  cientificado  do  Acórdão  proferido,  o  Contribuinte,  tempestivamente,  protocolizou  o Recurso Voluntário,  no  qual,  reproduz  as  razões  de  defesa  constantes em sua peça impugnatória.   Ressalta  que  não  concorda  pela  não  homologação  por  falta  de  direito  creditório,  bem  como  insiste  que  o  despacho  decisório  deve  ser  anulado  por  estar  sem  motivação.  E,  pela  não  aplicação  da  multa,  em  face  do  princípio  constitucional  do  não  confisco,  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade.  Assim  como,  a  imputação  dos  juros  moratórios seriam ilegais e inconstitucionais.  O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira.  É o Relatório.      Voto             Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM  O presente  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.    Trata  o  presente  da  não  conformidade  pela  não  homologação  da  compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em  razão  de  constar  nos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  que  o  alegado  recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do  contribuinte.  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901526/2012­39  Acórdão n.º 3802­002.771  S3­TE02  Fl. 94          3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste  razão a  recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado,  já que o mesmo  preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade.   O  despacho  decisório  possui  todos  os  elementos  necessários  para  que  a  empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração  de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo  de  determinado  pagamento  apontado  pela  empresa  na  Dcomp,  bem  como  o  período  de  apuração  a  que  se  refere,  assinado  pela  autoridade  competente.  No  tocante  à  motivação/fundamentação  pela  não  homologação  da  compensação  há  a  indicação  que  os  pagamentos  tidos  como  indevidos  foram  localizados,  mas  já  se  encontram  “integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”.   Enfim, o alegado pagamento  indevido não  fora  compensado/restituído, pois  já tinha sido usado para quitar outros débitos.  Quanto  aos  argumentos  relacionados  à  legalidade  ou  constitucionalidade  a  qualquer  ato  legal,  o CARF,  assim  se  posicionou  através  do  enunciado  nº  2  de  sua  Súmula  consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009:  SÚMULA CARF Nº 2  O  Carf  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto,  no que diz  respeito  ao caráter confiscatório da multa de ofício,  como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de  mora  de  20%  sobre  os  valores  indevidamente  compensados. Assim  sendo,  a multa  de mora  aplicada está correta sua exigência.  Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma  da  lei,  ao  contrário  do  entendimento  da  empresa,  pois  o  artigo  161  do  Código  Tributário  Nacional determina:  “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros  de mora, seja qual  for o motivo determinante da  falta, sem prejuízo da imposição  das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista  nesta Lei ou em lei tributária.    § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa  de 1% ( um por cento ) ao mês.”     Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu  que os débitos  tributários  junto  à Fazenda Nacional,  originados  a partir  1° de abril  de 1995,  teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic:  Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  14  da  Lei  8.847,  de  28  de  janeiro  de  1994,  com  redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da  Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei  8.981/1995,  serão  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4   Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que  trata da exigência de  juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor,  não  competindo  a  este  julgador  apreciar  sua  constitucionalidade,  função  reservada  ao  poder  judiciário, como já comentado.  Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC  como  fator  de  correção  do  débito  da  empresa,  incide  na  hipótese  a  Súmula CARF  n°  4,  in  verbis:  Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Passando ao mérito, o cerne da questão é a  comprovação ou não do direito  creditório para fins da compensação/restituição.  Para  a  verificação  do  direito  creditório  afirmado,  a  recorrente  não  traz  ao  processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as  quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades.  Ocorre  que  nos  sistemas  da  Receita  Federal  constam  que  os  valores  recolhidos  já  foram utilizados para quitar outros débitos e nada a  recorrente contrapõe sobre  isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular.  Não  procede  a  argumentação  da  recorrente  no  sentido  de  que  haveria  a  obrigação  do  Fisco  em  comprovar  a  inexistência  de  indébito,  socorrendo­lhe  o  Princípio  da  Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício.  No  caso  da  compensação,  o  marco  inicial  do  contencioso  é  declaração  produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a  relação de  indébito do Fisco (pagamento  indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do  CTN,  que  fica  sujeita  a  posterior  homologação,  i.e.,  submete­se  ao  poder­dever  da  Administração de verificação de sua regularidade.   Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a  liquidez e certeza de  seu  direito  creditório,  conforme  determina  o  caput  do  art.170  do  CTN,  devendo  demonstrar  de  maneira  inequívoca  a  sua  existência,  e,  por  conseguinte,  o  erro  em  que  se  fundou  a  não  – homologação dos créditos.   Em face do exposto, observa­se que a inércia da recorrente, que detém o ônus  da  prova  para  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório  é  determinante  pelo  não  reconhecimento do direito creditório reivindicado.  Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  Recurso Voluntário.  MÉRCIA  HELENA  TRAJANO  DAMORIM  ­  Relator             Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901526/2012­39  Acórdão n.º 3802­002.771  S3­TE02  Fl. 95          5                   Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 10830.001279/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE. A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão-somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para que o contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrado retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007. Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõe-se o arbitramento do lucro. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. Na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos. As operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparam-se, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços. Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplica-se, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplica-se, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas.
Numero da decisão: 1402-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que votaram por dar provimento e apresentarão declaração de voto. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE. A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tão-somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para que o contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser reenquadrado retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007. Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração à legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao limite permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõe-se o arbitramento do lucro. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. Na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos. As operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparam-se, para fins de determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis, conforme a atividade, às operações de consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços. Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplica-se, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32% (trinta e dois por cento); na determinação do lucro arbitrado aplica-se, quando conhecida a receita bruta definida nos termos acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas.

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Exercício: 2007, 2008  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA.  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  LOCAL DA LAVRATURA.  O  auto  de  infração  deverá  conter,  obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição  de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de  infração é que se  instaura o  litígio  entre o  fisco  e o  contribuinte,  podendo­se,  então,  falar  em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  NORMAS  PROCESSUAIS. MANDADO DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF).  IRREGULARIDADE  FORMAL.  AUSÊNCIA  DE  PREJUÍZO.  NULIDADE INEXISTENTE.   Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal ­ MPF não tem o  condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento,  atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 12 79 /2 01 1- 91 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 3          2 Nacional  ­ CTN,  se verificados os  pressupostos  legais. Ademais,  não  tendo  havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.  SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO  DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE.  A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às  operações  de  consignação,  não  se  aplica  às  empresas  tributadas  pelo  SIMPLES  Federal,  que  tenham  por  objeto  social,  declarado  em  seus  atos  constitutivos,  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores,  as  quais  devem  efetuar  os  recolhimentos  dos  tributos  e  contribuições  devidos  com  base  na  receita  bruta  mensal  apurada  integralmente,  ou  seja,  a  receita  bruta  a  ser  considerada  é  o  produto  da  venda  a  terceiros  dos  veículos,  excluídas  tão­ somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.  SIMPLES  FEDERAL.  TRIBUTAÇÃO  PELO  LUCRO  ARBITRADO.  INAPLICABILIDADE.  Inexiste  previsão  legal  para  que  o  contribuinte,  ao  constatar  que  não  lhe  convém  ter  estado  no  Simples  Federal,  requeira  ser  reenquadrado  retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a  ser mais conveniente.  SIMPLES  FEDERAL.  EXCLUSÃO.  EXCESSO  DE  RECEITA  BRUTA.  PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007.  Verificado  o  excesso  de  receita  bruta,  diante  da  constatação  de  infração  à  legislação tributária na adoção da base de cálculo, que se mostrou superior ao  limite  permitido  pela  legislação  aplicável,  correta  a  exclusão  do  Simples  Federal, com efeitos a partir do ano­calendário subsequente.  SIMPLES  FEDERAL.  EFEITOS  DA  EXCLUSÃO.  APLICAÇÃO  DAS  NORMAS  GERAIS  DE  TRIBUTAÇÃO  PARA  AS  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS.  A  partir  do  momento  em  que  operados  os  efeitos  da  exclusão,  a  pessoa  jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de  tributação aplicáveis  às demais pessoas jurídicas.  LUCRO ARBITRADO.  AUSÊNCIA DE  ESCRITURAÇÃO.  EXCLUSÃO  DO SIMPLES FEDERAL.  À  falta  da  escrituração  regular  para  adoção  do  lucro  real,  nos  períodos  de  apuração em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, impõe­ se o arbitramento do lucro.  COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. EQUIPARAÇÃO  A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO.  Na determinação  das  bases  de  cálculo  estimada,  presumida ou  arbitrada  do  Imposto  de Renda,  devido  pelas  pessoas  jurídicas  que  tenham como objeto  social,  declarado  em  seus  atos  constitutivos,  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores,  a  receita  bruta  das  operações  de  venda  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  bem assim dos  recebidos  como parte  do  preço  na  venda  de  veículos  novos  ou  usados,  será  a  diferença  entre  o  valor  da  alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos.  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 4          3 As  operações  de  venda  de  veículo  usados,  no  caso  das  pessoas  jurídicas  tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparam­se, para fins de  determinação das bases de cálculo e dos percentuais aplicáveis,  conforme a  atividade,  às  operações  de  consignação  por  comissão,  ou  simplesmente  de  comissão, atividade de prestação de serviços.  Na  determinação  das  bases  de  cálculo,  estimada  ou  presumida,  aplica­se,  sobre  a  receita  bruta  assim  definida,  auferida  no  período  de  apuração,  o  percentual  de  32%  (trinta  e  dois  por  cento);  na  determinação  do  lucro  arbitrado  aplica­se,  quando  conhecida  a  receita  bruta  definida  nos  termos  acima, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte  por cento).  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não  descaracteriza  o  poder­dever  de  a  administração  lançar  com  multa  de  oficio  as  receitas  ou  os  rendimentos  omitidos  na  declaração  de  imposto  de  renda.  INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS  Tratando­se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ)  constitui  prejulgado  às  exigências  fiscais  decorrentes,  no  mesmo  grau  de  jurisdição  administrativa,  em  razão  de  terem  suporte  fático  em  comum.  Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  implica  os  lançamentos  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  da  Contribuição  Social  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS),  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a  Seguridade  Social  (INSS),  também  se  aplica  a  estes  outros  lançamentos  naquilo em que for cabível.  Preliminares Rejeitadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos,  negar provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que  votaram por dar provimento e apresentarão declaração de voto.   Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 5          4   (Assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente      (Assinado digitalmente)  Paulo Roberto Cortez ­ Relator     Participaram do presente julgamento os Conselheiros  Leonardo de Andrade  Couto,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar,  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Moisés  Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.      Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 6          5 Relatório  LORIVAL  EMIDIO  ­  EPP,  contribuinte  inscrito  no  CNPJ/MF  sob  nº  67.537.365/0001­20,  com  domicílio  fiscal  na  cidade  de Campinas,  Estado  de  São  Paulo,  na  Rua Willian  Booth,  nº  860,  Bairro  Jardim  Paulicéia,  jurisdicionado  a  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil em Campinas ­ SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls.  1293/1364, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em Campinas – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a  sua reforma, nos termos da petição de fls. 1385/1417.  Contra o contribuinte, acima identificado,  foram lavrados pela Delegacia da  Receita Federal do Brasil em Campinas ­ SP, em 18/01/2011, os Autos de Infração de Imposto  de Renda Pessoa Jurídica  (IRPJ);  da Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido  (CSLL); da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS);  da  Contribuição  para  o  Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Seguridade Social (INSS) de (fls.  45/95),  com  ciência  pessoal,  em  28/01/2011  (fl.  56),  exigindo­se  o  recolhimento  do  crédito  tributário no valor total de R$ 1.714.249,31, a título de tributos e contribuições, acrescidos de  multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao  mês,  calculados  sobre  o  valor  do  imposto  e  contribuições  referentes  ao  exercício  de  2007,  correspondente ao ano­calendário de 2007.  A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  externa  referente  ao  exercício  2007,  onde  a  autoridade  fiscal  lançadora  entendeu  haver  as  seguintes irregularidades:  1  –  DIFERENÇA  DE  BASE  DE  CÁLCULO:  Valor  apurado  conforme  Termo  de Verificação  Fiscal,  parte  integrante  e  indissociável  do  presente Auto  de  Infração.  Infração capitulada nos arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea “a”, 5° e 7°, § 1°, da Lei n° 9.317, de  1996; art. 3° da Lei n° 9. 732, de 1998; art. 186 e 188, do RIR/1999;  2  –  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO:  Insuficiência  de  valor  recolhido apurada conforme Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada no art. 5° da Lei  n° 9.317, de 1996 c/c art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; arts. 186 e 188, do RIR/1999.  É  importante observar, que a exclusão do Simples Federal operou­se com a  edição  do Ato Declaratório Executivo  (ADE)  nº  02,  de  17  de  janeiro  de  2011,  emitido  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas, o qual delimitou seus efeitos ao primeiro  semestre  do  ano­calendário  de  2007,  conforme  fl.  19  do  processo  administrativo  número  10830.000679/2011­89, juntado a este a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em Campinas – SP.  Da mesma forma, é importante observar que as exigências fiscais, referentes  ao  ano­calendário  de  2007,  se  encontra  formalizado  por  meio  do  processo  administrativo  número  10830.725586/2011­61,  também  juntado  a  este  a  pedido  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, tendo em conta que o lançamento relativo  ao 1º semestre daquele ano­calendário é decorrente da exclusão do Simples já referida acima.  Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 7          6 Em razão da juntada do processo administrativo número 10830.725586/2011­ 61  é  importante  observar  que  no  processo  juntado  a  este  foram  detectadas  infrações  à  legislação tributárias, que dão suporte aos lançamentos formalizados, relativos ao Imposto de  Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições  para o Programa de  Integração Social  – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social  –  COFINS, cientificados à contribuinte em 12 de dezembro de 2011. Houve a formalização dos  seguintes créditos tributários, cujas irregularidades encontram­se descritas no auto de infração  do IRPJ: Valores: R$ 111.903,08, referido ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); R$  23.717,21,  relativo  à Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido  (CSLL),  fatos  geradores de  janeiro  a  junho de 2007; R$ 13.720,32,  também da CSLL,  fatos  geradores  em 30/09/2007  e  31/12/2007;  R$  14.915,55,  da  Contribuição  Para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS); R$ 4.278,50, da Contribuição para o PIS/Pasep.  O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição  do  crédito  tributário  lançado  esclarece,  ainda,  através  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  02/26), entre outros, os seguintes aspectos:  ­ que o presente Termo de Verificação refere­se exclusivamente Imposto de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (Simples  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte)  ano­calendário  2006,  em  atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, da seguinte forma e amplitude;  ­  que durante  a  ação  fiscal  constatou­se que, para o  ano­calendário 2006,  a  fiscalizada  ultrapassou  o  limite  de  receita  bruta  permitido  para  as  empresas  optantes  pelo  Simples, motivo pelo qual,  através do Ato Declaratório Executivo n° 02 de 17 de  janeiro de  2011, a mesma foi excluída do Simples no ano­calendário 2007;  ­  que  é mister  esclarecer  que  o  encerramento  é  parcial  e  se  refere  única  e  exclusivamente  ao  ano­calendário  2006,  ficando  cientificado  da  inclusão  do  período  compreendido entre janeiro a dezembro de 2007, para prosseguimento da ação fiscal;  ­ que tendo em vista que a fiscalizada declarou a menor o Simples devido no  ano­calendário  2006,  procedemos  à  lavratura  do  presente  Auto  de  Infração,  concernente  à  legislação que disciplina a matéria, conforme a seguir será explanado;  ­  que em conformidade  com o disposto no  artigo 173,  I,  combinado com o  artigo  150  e  parágrafo  quarto,  ambos  do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  n°  5.172/66)  procedemos ao lançamento de ofício, na forma do artigo 142 do mesmo diploma legal, relativo  aos  fatos  apurados  por  este  Serviço  de  Fiscalização  concernente  exclusivamente  ao  ano­ calendário 2006;  ­ que, no que diz respeito da impossibilidade de equiparação às operações de  consignação na revenda de veículos próprios, é de se dizer que em petição protocolizada (fls.  903) em 26/02/2010, a fiscalizada afirmou que exerce, de forma exclusiva, a comercialização  de veículos usados, cuja atividade tem regime jurídico­tributário especifico;  ­ que afirmou, também, que a receita tributada é obtida pela diferença entre o  valor da nota fiscal de venda e o valor da nota fiscal de entrada do veículo e que entende que,  no ano de 2006, não haveria impedimento para a tributação pelo Simples, seguindo a apuração  da receita pela regra do artigo 5º da Lei 9.716/98;  Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 8          7 ­  que  a  fiscalizada  está  equivocada,  pois  não  há  previsão  legal  para  a  apuração das receitas de acordo com o artigo 5º da Lei 9.716/98, para a apuração do Simples,  eis que este regime (Simples) possui regras específicas, não se admitindo qualquer redução de  sua  base  de  cálculo  (receita  bruta),  com  exceção  das  vendas  canceladas  e  dos  descontos  incondicionais;  ­  que  o  Simples  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte,  é  um  regime  de  tributação  favorecido, instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, com amparo no inciso IX, do artigo 170 e do  artigo 179 da Magna Carta;  ­ que esta assertiva é corroborada através das Soluções de Consulta na RFB e  nas Decisões administrativas, na qual, a possibilidade de equiparação das operações de venda  de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, prevista no art. 5°  da Lei 9.716/98 e na Instrução Normativa SRF n° 152/98, não se aplica às empresas tributadas  pela sistemática do SIMPLES, pois estas não podem deduzir o custo de aquisição do veículo  para determinar a base de calculo do valor do mensal devido;  ­  que  das  apurações  efetuadas,  apuração  correta  das  bases  de  cálculo  do  simples,  portanto,  para  a  presente  autuação,  foram  extraídos  os  dados  contidos  nos Livros  e  documentos apresentados pela  fiscalizada, bem como dos resumos de faturamento  informado  nas petições, da DSPJ – original (fls. 863/864), referente ao ano­calendário 2006;  ­  que  a  fiscalizada  reduziu  indevidamente  as bases de  cálculos do Simples,  através da dedução do custo de aquisição dos veículos;  ­ que em função da apuração das diferenças de base de cálculo (a maior) e a  conseqüente  alteração  das  alíquotas  das  aplicáveis  as  Base  de  cálculo  declaradas  pela  fiscalizada, foi apurada a insuficiência do valor recolhido sobre a receita bruta declarada;  ­  que  do  arrolamento  de  bens  de  direito,  ou  seja,  da  firma,  empresário  individual,  confusão  patrimonial  da  pessoa  física  equiparada  à  jurídica.  Sendo  assim,  no  presente  lançamento  o  credito  tributário  é  superior  a  R$  500.000,00  e  excede  a  30%  do  patrimônio  conhecido  do  sujeito  passivo,  motivo  pelo  qual  à  luz  da  legislação  em  vigor  é  mister efetuar o arrolamento de bens e direitos;  ­ que será efetuado o arrolamento dos bens constantes nos sistemas da RFB e  da última Declaração de Ajuste do único sócio, para garantia do crédito tributário, na qualidade  de sujeito passivo tendo em vista a ausência de bens no CNPJ da firma individual e, a confusão  patrimonial da pessoa física equiparada à jurídica;  ­  que,  tendo  em  vista  que  os  elementos  apresentados  são  suficientes  para  formação  de  convicção  no  que  tange  a  infração  à  legislação  tributaria,  lavramos  o  presente  Auto  de  Infração  do  Simples  em  face  do  Lorival  Emidio  EPP,  a  efeito  no  contribuinte  anteriormente  citado,  referente  ao  Simples  (AC  2006),  ficando  cientificado  da  inclusão  e  prosseguimento da ação fiscal para o ano calendário de 2007.  Em sua peça impugnatória de fls. 1254/1274, apresentada, tempestivamente,  em 23/02/2011, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à  impugnação  para  declarar  a  insubsistência  do  Auto  de  Infração,  com  base,  em  síntese,  nos  seguintes argumentos:  Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 9          8 ­ que, no que diz respeito à nulidade pela inobservância do tempo fixado para  a duração da  fiscalização,  é de  se dizer que o principio da  razoável duração do processo  foi  positivado na Constituição Federal, recentemente, pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004,  de  forma  explicita  no  artigo  5°,  inciso  LXVIII.  Trata­se  de  um  direito  fundamental  (na  realidade, uma garantia) determinando que os Órgãos estatais devem solucionar os processos  num  prazo  razoável.  A  idéia  central  desse  novo  direito  individual,  a  evidencia,  é  que  seria  improdutivo (meramente simbólico) garantir o direito sagrado ao devido processo legal, se esse  direito nunca se materializa. Ficava  sempre postergado para o  futuro,  dificilmente  alcançado  pelo titular do direito;  ­  que  a  impugnante  pede  aos  julgadores  examinem  as  intimações,  repetidamente, lançadas, pois esse exame confirmará que a fiscalização postergou a execução  da auditoria, por quase dois anos, sem qualquer justificativa fosse dada;  ­ que os prazos para a duração razoável do procedimento fiscal, fixados pela  Portaria  Receita  Federal  do  Brasil  n°  11.371,  de  12.12.2007,  não  foram  obedecidos,  o  que  determina a nulidade dos questionados lançamentos;  ­  que,  no  que  diz  respeito  do  paradoxo  de  que  a  tributação  pelo  simples  tornou­se  infinitivamente  superior à  tributação pelo  lucro  arbitrado,  é de  se dizer que quer a  Impugnante insistir na informação de que o Fisco atestou que a sua movimentação financeira  está suportada pelo faturamento das empresas. Sendo assim, a suspeita da prática de omissão  de receita, que havia determinado a abertura da fiscalização, foi afastada pela força das provas  apresentadas pela intimada;  ­ que a autuação dentro do Simples tomando­se o valor de saída dos veículos,  no final, ganha foros de penalidade;  ­  que  do  ângulo  da  receita,  o  absurdo  é  ainda  maior.  Deveras,  a  receita  declarada  pela  empresa  foi  de  R$  560,001,00  e,  num  passe  de  mágica,  sem  que  tenha  um  centavo de omissão, a  receita  tributada passou para a cifra estratosférica de R$ 6.288.174,27  (ver Demonstrativo de Percentuais aplicáveis sobre a receita bruta do auto de infração);  ­ que, considerando a regra de hermenêutica que impede interpretar a Lei de  forma a alcançar conclusão absurda, a decretação da improcedência das exigências em questão  é medida que se impõe;  ­  que,  no  que  diz  respeito  à  negativa  de  vigência  ao  art.  5°,  da  Lei  n°  9.716/98, portanto, não há “beneficio fiscal”, pois a definição de base de cálculo é matéria de  reserva legal, é de se dizer que da interpretação das normas com berços constitucional, ou seja,  a D.  Fiscalização,  no  item  55  do Termo  de Verificação  Fiscal,  afirma  que”  o  simples  é  um  regime de tributação favorecido, instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, com amparo no inciso  IX, do artigo 170 e do artigo 170 da Magna Carta”;  ­  que  a  interpretação  restritiva  guarda  compatibilidade  com  as  normas  de  isenção, enquanto norma constitucional deve receber a interpretação mais ampla possível, em  especial quando tal norma visa dar efetividade ao magno principio da igualdade, que para ser  alcançada pode exigir uma discriminação positiva, como é o caso do regime do Simples;  Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 10          9 ­ que a definição de base de cálculo é matéria de reserva legal, portanto, sem  embargo, a interpretação dada pela D. Fiscalização sobre o regime do Simples Federal não tem  a devida sustentação jurídica;  ­ que, deveras, a definição da base de cálculo do art. 5°, da Lei n° 9.716/98,  não pode ser derrogada por mera interpretação. Alem disso, essa definição é prévia a qualquer  regime de tributação, sendo matéria vedada ao estratégico manejo do aplicador da lei;  ­ que a instrução normativa é ato vinculado à lei, portanto, a D.Fiscalização  enxergou no art. 4°, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006, apoio para a tese levantada;  ­ que, seja como for, uma simples Instrução Normativa não pode ingressar no  âmbito da definição da base de cálculo de qualquer regime de tributação, pois essa matéria é de  reserva legal;  ­ que não há antinomia entre a Lei 9.716/98 e a Lei 9.317/96 (Lei do Simples  Federal), portanto a prevalência da Lei especial sobre a geral. Sendo assim, a D. Fiscalização  se  esforçou  para  encontrar  um  artigo  na  Lei  do  Simples  Federal  (Lei  9.317/96)  que  desse  respaldo à tese levantada. Não consegui. Deveras, o art. 5° da Lei n° 9.317/96 (Lei do Simples)  não tem o comando pretendido;  ­ que a D. Fiscalização não conseguiu encontrar na Lei do Simples uma regra  que respalde a cerebrina tese que dá suporte aos questionados lançamentos;  ­ que a tributação superior ao do lucro arbitrado, portanto, tomando­se como  elemento comparativo o imposto de renda, vê­se que na forma heterodoxa de tributação dentro  do Simples Federal há uma diferença abissal entre o Simples e o lucro arbitrado, que representa  a tributação mais onerosa do nosso sistema legal;  ­ que, portanto, a tributação no Simples, mediante a base de cálculo inventada  pela D. Fiscalização, transcendeu o campo tributário, tornando a aplicação da Lei do Simples  uma efetiva penalidade;  ­ que a ausência de liquidez dos lançamentos, sendo assim, a Impugnante tem  plena certeza que os questionados lançamentos serão afastados. Todavia, por cautela, consigna  que  esse  atos  de  oficio  não  tem  a  imprescindível  liquidez  porque  não  foram  abatidos  os  recolhimentos efetuados pela empresa;  ­ que da exclusão do simples, quer a  Impugnante, com a  ênfase necessária,  rechaçar a afirmativa que, no ano­calendário de 2006, foi constatado que a empresa ultrapassou  o limite de receita bruta permitido. Isto não é verdade. A D. Fiscalização é que tentou construir  essa  realidade  mediante  a  tributação  no  Simples  com  base  no  valor  de  saída  dos  veículos,  negando vigência ao Art.5°, da Lei n° 9.716/98;  ­ que a exclusão do Simples, além das razões contidas na presente defesa, é  nula  porque o  ato  de  exclusão  foi  assinado  por  pessoa que  não  tem  competência para  tanto.  Ademais, a empresa deveria ter sido cientificada do aludido ato de exclusão.  Inconformado com a exclusão formalizada, o contribuinte, por meio de seus  representantes legais, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 22/37, do processo  administrativo nº 10830.000679/201189, em 23 de fevereiro de 2011, alegando, em síntese, as  Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 11          10 mesmas  razões  de  fato  e  de  direito  da  impugnação  ofertada  nos  autos  do  processo  administrativo que trata das exigências fiscais, com os acréscimos a seguir destacados:  ­  que  a  exclusão  do  Simples,  ora  questionada,  decorreu  de  fiscalização  ultimada contra a empresa, que resultou na acusação de que a ora Requerente teria superado o  limite da receita no ano­calendário de 2006;  ­  que,  na  realidade  a  causa  apontada  para  a  exclusão  é  uma  criação  da  D.  Fiscalização, justificada conforme Item 54, do Termo de Verificação Fiscal presente nos autos  do processo administrativo que formalizou os lançamentos;  ­  que  Requer  a  nulidade  do  Ato  Declaratório  Executivo  de  exclusão  do  Simples, publicado no DOU de 14/01/2001,  tendo em conta que está assinado pelo Chefe do  Serviço  de  Fiscalização,  sem  que  tenha  sido  indicada  a  portaria  de  delegação,  pois  tal  competência é privativa do Sr. Delegado.  Inconformado  com  as  exigências  fiscais,  referentes  ao  ano­calendário  de  2007,  se  encontra  formalizado  por  meio  do  processo  administrativo  número  10830.725586/20101­69, também juntado a este a pedido da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Campinas  –  SP  apresenta  a  sua  peça  impugnatória  alegando,  em  síntese, as mesmas razões de fato e de direito da  impugnação ofertada nos autos do primeiro  processo  administrativo  que  trata  sobre  as  exigências  fiscais  relativo  ao  ano­calendário  de  2006, com os acréscimos a seguir destacados:   ­  que  a  auditoria  foi  concluída  com  a  emissão  de  lançamentos  baseados  na  forçada e equivocada tese de que a compra e venda de veículos usados, atividade desenvolvida  pela empresa, se insere no contexto da intermediação de negócios, o que determina a tributação  com os percentuais presuntivos de lucros destinados às prestadoras de serviços;  ­ que tal  tese foi afastada pela Solução de Divergência nº 4, de 09/03/2011,  DOU de 14/03/2011, mediante a qual  restou atestado, em caráter definitivo que “a venda de  veículos  em consignação, mediante  contrato de  comissão ou  contrato  estimatório,  é  feita  em  nome próprio. Por esse motivo, não constitui mera intermediação de negócios;  ­  que  o  arbitramento  referente  ao  primeiro  semestre  de  2007  é  mera  decorrência do  ato de  exclusão do Simples. Assim, o  juízo  sobre o  arbitramento depende da  apreciação da manifestação de inconformidade oposta quanto à exclusão do Simples;  ­ que os autos de infração questionados foram emitidos antes da impugnação  contra  o  ato  de  exclusão  do  Simples,  o  que  seria  juridicamente  impossível,  sob  pena  de  esvaziar a defesa contra a exclusão formalizada. Acrescenta que,  facultada a apresentação de  manifestação  de  inconformidade  contra  o  ato  de  exclusão,  este  se  reveste  de  precariedade,  passando  a  ter  efeitos  jurídicos  definitivos  somente  com  o  transito  em  julgado  na  esfera  administrativa;  ­ que ao dizer que o termo de exclusão “se tornará efetivo quando a decisão  definitiva  for  desfavorável  ao  contribuinte”,  o  texto  normativo  define  que  qualquer  efeito  decorrente da exclusão não pode gerar conseqüências, enfim, não é possível emitir lançamento  de ofício que  tenha  como suporte  tal  exclusão. Como parte do crédito  tributário  formalizado  está ligada ao processo de exclusão do Simples, a autoridade fiscal estaria impedida de ultimar  o lançamento;  Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 12          11 ­ que  tal  fato  tem origem no entendimento  equivocado de que, no Simples,  não é possível adotar a sistemática prevista no art. 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, que define a  receita das empresas vendedoras de veículos como sendo a diferença entre o valor da entrada  (aquisição)  e  o  valor  da  saída  (venda).  Tal  definição  precede  à  definição  do  regime  de  tributação.  Enfim,  não  há  sustentação  jurídica  para  a  exclusão  do  Simples,  que  no  final  é  o  fundamento  para  a  adoção  do  arbitramento  no  primeiro  semestre  de  2007.  Dessa  forma,  reconhecida a impossibilidade de exclusão do Simples, impõe­se reconhecer a inviabilidade do  arbitramento  dos  lucros  e  da  base  de  cálculo  da  contribuição  social.  Da  mesma  forma,  as  diferenças  exigidas  referentes  ao  PIS  e  a  COFINS  são  indevidas,  porque  centradas  no  equivocado arbitramento efetuado, em substituição ao Simples Federal.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pelo  impugnante, os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Campinas – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela  manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações:   ­ que destaque­se a este processo administrativo, formaliza exigências fiscais,  conforme  já  ressaltado  no  relatório,  foram  juntados  por  anexação  os  seguintes  processos:  (i)  10830.000679/2011­89, que  trata da exclusão do Simples Federal,  e  (ii) 10830.725586/2011­ 69, que trata das exigências fiscais com fatos geradores no ano­calendário de 2007;  ­ que como a exclusão do Simples decorre, na visão da fiscalização, do fato  da  contribuinte  ter  auferido,  no  ano­calendário  de  2006,  receita  bruta  superior  a  R$  2.400.000,00,  e  os  lançamentos  formalizados,  para  o  ano­calendário  de  2006,  têm  por  fundamento  a  discussão  sobre  a  base  de  cálculo  a  ser  utilizada  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições  pelo  Simples,  a  qual  teria  ultrapassado  aquele  limite,  aprecia­se  em  primeiro  lugar o litígio referente às exigências fiscais referidas ao ano­calendário de 2006;  ­ que, de  início, a contribuinte  refere­se ao prazo disposto no art. 24 da Lei  11.457, de 2007, o qual  teria  sido ultrapassado pela autoridade  fiscal, no  intuito de afastar  a  exigência, pleiteando sua nulidade;  ­  que,  em  uma  primeira  aproximação,  o  artigo  transcrito  foi  inserido  no  Capítulo II que trata da Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, o que indica não se tratar de  dispositivo afeito à duração do procedimento de fiscalização ou ao julgamento administrativo  no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é matéria do Capítulo I da referida  lei;  ­ que, por outro lado, ainda que se admita a extensão de tal mandamento ao  procedimento de fiscalização, ou ao julgamento administrativo regulado pelo Decreto 70.235,  de  06  de  março  de  1972,  a  Lei  11.457,  de  2007,  não  define  qualquer  repercussão  sobre  o  lançamento por conta da extrapolação do prazo, menos ainda a sua nulidade ou extinção por  decadência;  ­ que, portanto, nos termos da legislação, o ato administrativo somente seria  nulo caso lavrado por pessoa incompetente, ou com preterição do direito de defesa, o que não  acontece no presente processo. No mesmo sentido, o Código Tributário Nacional, não prevê,  em seu art. 156, modalidade de extinção do crédito tributário consoante com o art. 24 da à Lei  11.457, de 2007;  Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 13          12 ­  que,  assim,  a  legislação  tributária não dá  guarida à  reclamação do  sujeito  passivo;  ­ que quanto à argumentação de que o prazo dado pelos artigos 11 e 12, da  Portaria  RFB  nº  11.371,  de  12  de  dezembro  de  2007,  para  que  o  agente  fiscal  execute  o  procedimento de fiscalização é de 120 dias, prorrogável quantas vezes necessárias pelo prazo  de 60 dias, desde que sob motivação;  ­  que  a  contribuinte  sustenta  que  a  prorrogação  dos  prazos  de  validade  do  MPF­Mandado  de  procedimento  Fiscal  exigiria motivação,  e  diante  de  sua  ausência,  estaria  caracterizada a nulidade dos lançamentos;  ­  que,  nesse  sentido,  recorrendo­se  a  voto  do  Ilustre  Relator  Paulo Mateus  Ciccone, proferido no Acórdão 0534.714, de 16 de agosto de 2011 (Acórdão da 2ª Turma desta  DRJ), é pacífico que o MPF é mero instrumento de controle interno dos atos da Fiscalização da  Receita Federal;  ­ que, nesse contexto, cabe ao Auditor­Fiscal que preside o feito elaborar os  termos  que  entender  necessários  para  o melhor  cumprimento  do  trabalho  fixado,  sendo  tais  termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram o procedimento;  ­  que,  assim,  reversamente  ao  entendimento  exposto  na  defesa,  o  que  ENCERRA  a  ação  fiscal  NÃO É O MPF, mas,  sim,  o  “Termo  de  Encerramento”  da  Ação  Fiscal, quando se cientifica o contribuinte de tal fato;  ­ que o AFRFB que conduziu a ação fiscal é servidor de carreira, integrante  dos quadros da Receita Federal, lotado e em exercício na DRF/Campinas – SP, e competente,  no  exercício  de  suas  atribuições,  para  lavrar  todos  os  termos  necessários  para  o  correto  desempenho de suas funções;  ­  que,  sendo  os  atos  e  termos  lavrados  por  servidor  competente,  dentro  da  estrita  legalidade  e  garantido  o mais  absoluto  direito  de  defesa, mediante  abertura  do  prazo  legal de impugnação, não há que se cogitar em qualquer nulidade;  ­  que,  ora,  concluído o procedimento  fiscal,  com ele  encerrou­se – ou  seja,  extinguiu­se – o MPF respectivo;  ­  que,  portanto,  inexistentes  irregularidades  ou  ilegalidades  que  pudessem  levar à nulidade requerida pela defesa, pelo que não se acolhe a preliminar suscitada;  ­ que a autoridade fiscal manifesta o entendimento de que o artigo 5º, da Lei  n.º  9.716,  de  1996,  não  é  aplicável  às  empresas  que  aderiram  ao  Simples,  mas  somente  às  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  tributação  pelo  IRPJ  com  base  no  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado;  ­  que  acrescenta  que  tal  assertiva  é  corroborada  por  diversas  Soluções  de  Consulta  da  RFB,  que  transcreve,  bem  como  decisões  administrativas,  nas  quais  a  possibilidade  de  equiparação  das  operações  de  venda  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda, às operações de consignação, prevista no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998 e na IN  SRF  nº  152,  de  1998,  não  se  aplica  às  empresas  tributadas  pelo  SIMPLES,  pois  estas  não  Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 14          13 podem  deduzir  o  custo  de  aquisição  do  veículo  para  determinar  a  base  de  cálculo  do  valor  mensal devido;  ­  que,  dessa  forma,  o  lançamento  tem  por  fundamento  o  entendimento  da  autoridade  fiscal  de  que  as  empresas  optantes  pelo  Simples,  que  tenham  por  atividade  operações  de  vendas  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  não  podem,  para  fins  tributários, se utilizarem da mesma base de cálculo, na apuração dos  tributos e contribuições  devidos, facultada às pessoas jurídicas com a mesma atividade, mas tributadas pelo lucro real,  presumido  ou  arbitrado,  devendo  utilizar  como  base  de  cálculo  a  receita  bruta,  conforme  definida na legislação;  ­  que,  portanto,  as  empresas optantes pelo Simples não poderiam deduzir o  custo de aquisição dos veículos para determinar a base de cálculo dos tributos e contribuições  devidos;  ­ que, por seu turno, a empresa alega, em síntese, que a base de cálculo a ser  utilizada  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições  devidos  na  Sistemática  do  Simples,  na  atividade de compra e venda de veículos usados, é a diferença entre o valor pelo qual o veículo  usado houver sido alienado e o seu custo de aquisição, e não o valor de saída do veiculo;  ­  que,  entretanto,  como  se  depreende  da  legislação  que  rege  a  sistemática  simplificada para cumprimento das obrigações  tributárias, a possibilidade de equiparação das  operações  de  vendas  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  às  operações  de  consignação, prevista no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, e na IN/SRF nº 152, de 1998, não  se aplica às empresas tributadas pela sistemática do SIMPLES, pois estas não podem deduzir o  custo  de  aquisição  do  veículo  para  determinar  o  valor  do  pagamento  mensal  unificado,  relativamente a operações que não sejam efetivamente de consignação;  ­  que,  de  fato,  o  SIMPLES  Federal,  instituído  pela  Lei  n.º  9.317,  de  1996,  com  amparo  no  artigo  170,  inciso  IX,  da  Constituição  Federal,  trata­se  de  um  regime  de  normas próprias para empresas que optem por uma sistemática de tributação simplificada, que  prevê a aplicação de alíquotas para apuração dos tributos e contribuições devidos, diretamente  sobre a receita bruta das empresas que, por estarem dispensadas da escrituração comercial, não  efetuam  a  apuração  do  lucro  real  do  período.  Tais  alíquotas  são  fixadas  pela  legislação  em  função do lucro presumível dessas empresas, com base nas vendas efetuadas;  ­  que  efetuada  a  opção  por  tal  regime  e  até  que  solicite  sua  exclusão,  ou  venha a ser excluída do SIMPLES, a empresa se submete à sistemática do regime jurídico do  SIMPLES, para o qual o artigo 5º, da Lei n.º 9.317, de 1996, com a alteração do art. 3º, da Lei  nº 9.732, de 1998, prevê uma alíquota única determinada em função da receita bruta mensal;  ­ que, portanto, não se mostra cabível a equiparação pretendida pela autuada,  pois,  em  se  tratando  de  atividade  de  compra  e  venda  de  veículos,  atividade  exercida  pela  contribuinte,  a  receita  bruta  a  ser  considerada  é  o  produto  da  venda  a  terceiros  do  veículo  recebido,  excluídas  tão­somente  as  vendas  canceladas  e  os  descontos  incondicionais  concedidos, sendo, repita­se, inaplicável a equiparação do artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998;  ­ que cabe enfatizar que, diferentemente do que alega a autuada, o artigo 5º,  da Lei n.º 9.716, de 1998, não se trata de regra especial da Lei n.º 9.317, de 1996, pois, reitere­ se, o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, refere­se, exclusivamente, às empresas tributadas pelo  lucro real, presumido ou arbitrado, não se aplicando às empresas optantes pelo Simples;  Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 15          14 ­  que,  portanto,  a  totalidade  dos  valores  recebidos  pela  fiscalizada  nas  operações de compra e venda de veículos integra a base de cálculo para apuração dos valores  devidos pela sistemática do SIMPLES;  ­ que no que se refere às alegações de que a tributação pelo Simples, no ano­ calendário  de  2006, mostra­se mais  desvantajosa  do  que  a  tributação  pelo  Lucro Arbitrado,  ainda  que  utilizado  o  maior  percentual  previsto  pela  legislação  de  regência,  é  importante  ressaltar que a opção pelo Simples, assim como a decisão de se excluir dele, é da contribuinte,  e para tanto, existem trâmites e prazos determinados pela legislação aplicável;  ­  que a  autoridade  fiscal  justifica o procedimento  adotado com  fundamento  no fato de a autuada, na condição de empresa de pequeno porte,  ter auferido, durante o ano­ calendário de 2006, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil  reais),  sendo  vedada  sua  permanência  naquele  sistema  de  recolhimentos  de  tributos  e  contribuições;  ­  que  se  trata  de  uma  opção  da  contribuinte,  ou  seja,  a  inclusão  nessa  sistemática não é compulsória. Tão­somente por essas razões, já se verifica ser incabível aqui  suas alegações;  ­  que  se  acrescente  que,  por meio  da  sistemática  do  Simples,  adotada  pela  autoridade  fiscal  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições  devidos,  evita­se  que  a  tributação  incida  sobre  o  patrimônio,  pois  os  valores  devidos  são  obtidos  mediante  aplicação  de  percentual sobre a receita, em função da faixa em que essa se enquadra, conforme preceitua o  artigo  23  da  Lei  nº  9.317,  de  1996,  partindo­se  do  pressuposto  de  que  em  mencionados  percentuais já se consideram embutidos os custos e despesas gerais compatíveis com o porte da  empresa optante por tal sistemática de tributação;  ­  que  cabe  acrescentar,  diante  dos  demonstrativos  elaborados  pela  empresa  em sua impugnação, ao comparar os valores do IRPJ devidos pela sistemática do Simples com  eventual  Arbitramento,  não  pode  o  Fisco  simplesmente  efetuar  o  arbitramento  quando  não  caracterizadas  as  condições  e  situações  exigidas pela norma  jurídica aplicável,  simplesmente  porque  tal procedimento  resultaria à autuada uma exigência  fiscal de menor valor,  em suma,  mais favorável;  ­  que  também  não  é  lícito,  à  Administração  Tributária,  visando  atender  a  vontade da contribuinte, desrespeitar a legislação aplicável, alterando de ofício seu regime de  tributação com efeitos retroativos, simplesmente porque se mostra mais vantajoso para ela;  ­  que  também  se  mostra  descabida  sua  pretensão  de  que  agora,  depois  de  autuada,  a  Administração  Tributária  formalize,  em  flagrante  desrespeito  à  legislação  já  reiteradamente  citada,  exigências  fiscais  com  base  no  arbitramento  de  lucros,  quando  não  houve  a  caracterização  das  situações  e  condições  previstas  na  legislação  que  demandam  tal  procedimento, repita­se, para o ano­calendário de 2006;  ­  que  conforme  apreciação  já  efetuada,  a  empresa  foi  excluída  do  Simples  Federal,  a  partir  de  1º  de  janeiro  do  ano­calendário  de  2007.  Tanto  que  as  exigências  formalizadas  para  o  ano­calendário  de  2007,  e  aqui  apreciadas,  foram  efetuadas  a  partir  da  apuração pelo Lucro Arbitrado e pelo Lucro Presumido, portanto, sem a utilização da apuração  pelo Simples, Federal ou Nacional;  Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 16          15 ­  que  cabe  destacar  que,  conforme  apreciação  já  efetuada,  a  empresa  foi  excluída do Simples Federal, a partir de 1º de janeiro do ano­calendário de 2007. Tanto que as  exigências  formalizadas para o ano­calendário de 2007, e aqui apreciadas,  foram efetuadas a  partir da apuração pelo Lucro Arbitrado e pelo Lucro Presumido, portanto, sem a utilização da  apuração pelo Simples, Federal ou Nacional;  ­  que  a  referida  exclusão  não  se  deu  sob  a  justificativa  de  que  a  empresa  autuada  exercesse  a  atividade  compra e venda de veículos  em consignação, mas porque,  em  decorrência da inaplicabilidade da equiparação do art. 5º, da Lei n.º 9.716, de 1999, para fins  do  Simples  Federal,  a  receita  bruta  a  ser  considerada  é  o  produto  da  venda  a  terceiros  do  veículo  recebido,  excluídas  tão  somente  as  vendas  canceladas  e  os  descontos  incondicionais  concedidos. E como tal receita bruta superou, no ano­calendário de 2006, a importância de R$  2.400.000,00, houve tal exclusão;  ­  que,  portanto,  o  contribuinte  deseja  que  seja  afastada  a  multa  de  ofício  porque  diante  de  sua  exclusão  do  SIMPLES,  apresentou manifestação  de  inconformidade,  o  que  impediria,  segundo  ela,  até mesmo  a  formalização  do  lançamento  de  ofício,  questão  já  objeto de apreciação;  ­  que  o  presente  caso  não  se  trata  de  concessão  de  medida  liminar  em  mandado de segurança (inciso IV, artigo 151, do CTN), nem da concessão de medida liminar  ou  de  tutela  antecipada  em  ação  judicial,  razão  pela  qual  não  há  qualquer  motivação  para  exclusão da multa de ofício, exigida em regular procedimento de fiscalização, nos  termos da  legislação aplicável;  ­ que os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo este  sido mantido, igual sorte devem colher as exigências relativas à Contribuição para o Programa  de  Integração  Social  –  PIS,  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  – COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, observadas as especificidades de cada  um;  ­ que no tocante às questões suscitadas a respeito da constitucionalidade e/ou  legalidade dos preceitos que fundamentam a exigência fiscal, cumpre destacar que o controle  da constitucionalidade das leis não é da alçada dos órgãos administrativos;  ­  que,  enquanto  a norma  jurídica não  tem declarada  a  inconstitucionalidade  pelos órgãos  competentes do Poder  Judiciário  e  não  é  expungida do  sistema normativo,  tem  presunção de validade, vinculante para a administração pública;  ­  que,  assim,  não  há  como  acatar  as  ponderações  da  interessada,  pois  quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis validamente  editadas, exorbitam da competência das autoridades administrativas.  A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário:2006, 2007  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  CONTESTAÇÃO. JULGAMENTO. PRAZO.  Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 17          16 O prazo definido para a formalização de decisão administrativa  a  contar  do  protocolo  da  defesa,  ainda  que  extrapolado,  não  acarreta  a  extinção  ou  a  nulidade  do  crédito  constituído  de  ofício, por falta de previsão legal.  NULIDADE. MPF.  Tendo  sido  o  lançamento  efetuado  com  observância  dos  pressupostos  legais  e  não  havendo  prova  de  violação  das  disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do  Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do  lançamento  em  questão.  O  MPF  é  mecanismo  de  controle  administrativo  e  o  prazo  de  180  dias,  nele  previsto,  para  execução  das  auditorias  por  parte  da  fiscalização  da  Receita  Federal, pode ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias,  sendo válidas as prorrogações feitas tempestivamente, por meio  eletrônico.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Na  medida  em  que  as  exigências  reflexas  têm  por  base  os  mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda,  a  decisão  de mérito  prolatada  naquele  constitui  prejulgado  na  decisão dos autos de infração decorrentes.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES  Ano­calendário: 2006  SIMPLES  FEDERAL.  OPERAÇÕES  COM  VEÍCULOS.  EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.º 9.716, DE 1998.  A  equiparação  das  operações  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  às  operações  de  consignação,  não  se  aplica  às  empresas  tributadas  pelo  SIMPLES  Federal,  que  tenham  por  objeto  social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e  venda  de  veículos  automotores,  as  quais  devem  efetuar  os  recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na  receita  bruta mensal  apurada  integralmente,  ou  seja,  a  receita  bruta  a  ser  considerada  é  o  produto  da  venda  a  terceiros  dos  veículos,  excluídas  tão  somente  as  vendas  canceladas  e  os  descontos incondicionais concedidos.  TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO.  Inexiste previsão legal para que uma contribuinte, ao constatar  que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira ser  re­enquadrada  retroativamente  em  outra  sistemática  de  tributação porque assim lhe passou a ser mais conveniente.  SIMPLES  FEDERAL.  EXCLUSÃO.  EXCESSO  DE  RECEITA  BRUTA. PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2007.  Verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de  infração  à  legislação  tributária  na  adoção  da  base  de  cálculo,  Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 18          17 que  se  mostrou  superior  ao  limite  permitido  pela  legislação  aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a  partir do ano­calendário subsequente.  EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.  A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a  pessoa  jurídica  excluída  do  SIMPLES  se  sujeita  às  normas  de  tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2007  COMPRA  E  VENDA  DE  VEÍCULOS  AUTOMOTORES.  EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO.  Na determinação das  bases  de  cálculo  estimada,  presumida  ou  arbitrada  do  Imposto  de Renda,  devido  pelas pessoas  jurídicas  que  tenham  como  objeto  social,  declarado  em  seus  atos  constitutivos,  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores,  a  receita  bruta  das  operações  de  venda  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  bem  assim dos  recebidos  como  parte  do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença  entre o valor da alienação e o custo de aquisição dos referidos  veículos.  As operações de venda de veículo usados, no  caso das pessoas  jurídicas  tipificadas  no  artigo  5º,  da  Lei  n.º  9.716,  de  1998,  equiparam­se, para fins de determinação das bases de cálculo e  dos  percentuais  aplicáveis,  conforme a  atividade,  às operações  de  consignação  por  comissão,  ou  simplesmente  de  comissão,  atividade de prestação de serviços.  Na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida,  aplica­se,  sobre  a  receita  bruta  assim  definida,  auferida  no  período  de  apuração,  o  percentual  de  32%  (trinta  e  dois  por  cento);  na  determinação  do  lucro  arbitrado  aplica­se,  quando  conhecida  a  receita  bruta  definida  nos  termos  acima,  o  percentual de 32%  (trinta  e  dois por  cento),  acrescida  de  20%  (vinte por cento).  LUCRO  ARBITRADO.  AUSÊNCIA  DE  ESCRITURAÇÃO.  EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL.  À  falta da escrituração regular para adoção do  lucro real, nos  períodos de apuração em que operados os efeitos da exclusão do  Simples Federal, impõe­se o arbitramento do lucro.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  MULTA DE OFÍCIO.  Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 19          18 A multa de oficio foi exigida nos termos da legislação aplicável,  em regular procedimento de fiscalização, tendo em conta que o  caso concreto não se  trata de concessão de medida  liminar em  mandado de segurança (inciso IV, artigo 151, do CTN), nem da  concessão  de medida  liminar  ou  de  tutela  antecipada  em  ação  judicial),  não  se  caracterizando  qualquer  razão  para  sua  exclusão.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006, 2007  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa,  mas  sim  exclusiva do Pode Judiciário.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Após  ser  cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  05/10/2012,  conforme Termo constante à fl. 1382, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs,  em  tempo  hábil  (01/11/2012),  o  recurso  voluntário  de  fls.  1385/1417,  no  qual  demonstra  irresignação  contra  a  decisão  supra,  baseado,  em  síntese,  nas mesmas  razões  expendidas  na  fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações:  ­ que, inicialmente, é importante destacar que foram juntados a este processo  destacado  em  epígrafe  os  processos  \administrativos  n  º  10830.000679/2011­89  e  nº  10830.725586/2011­61,  que  tratam,  respectivamente,  da  exclusão  da Recorrente  do  Simples  Federal  e  das  exigências  fiscais  pela  sistemática  do  lucro  arbitrado  referentes  ao  primeiro  semestre do ano­calendário de 2007, decorrentes da aludida exclusão;  ­ que, no que diz respeito ao aspecto da questão prejudicial da avaliação de  decisão  que manteve  a  exclusão  do  simples,  é de  se  dizer  que  a Recorrente  apresentou  uma  defesa isolada contra o ato de exclusão do Simples, defesa esta que foi juntada a este processo  e  à  qual  foi  dada  improcedência.  Todavia,  tendo  em  vista  a  vinculação  com  as  razões  de  impugnação dos questionados lançamentos, a Recorrente pede o exame da exclusão do Simples  seja ultimado com questão prejudicial;  ­ que assim como na Impugnação, quer a Recorrente explicar que as razões  de defesa aqui disposta alcançam todas as exigências  fiscais, visto que a discussão central  (a  negativa de vigência ao art. 5°, da Lei n° 9.716/98) é a mesma em relação ao IRPJ, e CSLL, o  PIS, a COFINS e a Contribuição Previdenciária;  ­ que a mencionada questão é a que deu substrato para as três autuações aqui  discutidas,  quais  sejam:  a  do  Simples  Federal  no  ano­calendário  de  2006,  a  exclusão  do  Simples  para  o  ano­calendário  de  2007  e  a  conseqüente  autuação  pelo  lucro  arbitrado  no  primeiro semestre de 2007;  ­  que,  no que diz  respeito da nulidade do  lançamento prévio  à  exclusão do  simples, é de se dizer que consta do segundo parágrafo do relatório da decisão recorrida que a  Exclusão  do  Simples  operou­se  com  a  edição  do Ato Declaratório Executivo  n°  2  de  17  de  Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 20          19 janeiro  de  2011,  com  os  seus  efeitos  ao  primeiro  semestre  do  ano­calendário  de  2007.  Está  averbado no primeiro parágrafo do aludido relatório que os autos de  infração foram lavrados  em 28 de  janeiro de 2011,  antes,  portanto,  de  transcorrido o prazo de 30  (trinta) dias para  a  manifestação de inconformidade com o ato de exclusão do Simples;  ­ que na impugnação aos lançamentos de ofício, a impugnante reclamou pela  emissão dos lançamentos antes do julgamento da manifestação de inconformidade contra o ato  de exclusão do Simples. A decisão recorrida, em seus itens 101 e 102, diz ser “desnecessário o  esgotamento do contraditório e da ampla defesa relativamente à exclusão do Simples para fins  da lavratura do Auto de Infração para exigências de tributos”;  ­ que, no caso presente, o açodamento do Fisco foi além: os autos de infração  foram  lavrados  antes  de  decorrido  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  a  manifestação  de  inconformidade contra o ato de exclusão. Ora, antes de decorrido esse prazo, não cabe falar em  ato de exclusão definitivo. A  sua eficácia  tem  termo  inicial  quando decorrido o prazo de 30  (trinta) dias. Assim, no tocante aos lançamentos do primeiro semestre de 2007, os questionados  autos de infração foram emitidos quando a empresa ainda estava no regime do Simples, o que  determina a sua nulidade desses questionados lançamentos;  ­  que,  no  que  diz  respeito  ao  afastamento  indevido  da  equiparação  da  operação de compra e venda de veículos usados à operação de consignação mercantil: negativa  de vigência ao art. 5° da Lei 9.716/98, é de se dizer que jamais se quis afirmar que a Recorrente  não exercia a atividade que de fato exerce, que é a compra e venda de veículo usados. O que se  afirmou e que se continuará afirmando, por ser o correto, é que a operação de compra e venda  de veículos usados  foi  legalmente  equiparada  à  atividade de  consignação mercantil  para  fins  tributários;  ­  que  para  sustentar  essa  absurda  tese,  foram  escolhidos  dois  caminhos:  o  primeiro, com base na redação do art. 1° da IN/SRF n° 152/98, afirmando que o art. 5°, da Lei  n°  9.716/98,  não  poderá  ser  aplicada  pelas  empresas  optantes  pelo  Simples,  pois  seria  dispositivo  exclusivo  das  empresas  sujeitas  à  tributação  pelo  imposto  de  renda  com  base  n  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado;  e,  o  segundo  com  base  na  redação  do  art.  4°,§  1°,  da  IN/SRF 608/2006, afirmando que art. 5°, da Lei n° 9.716/98 estabelece beneficio de redução de  base de cálculo, o que seria incompatível com a sistemática do Simples;  ­  que,  entretanto,  ambas  as  teorias  utilizadas  para  dar  alicerce  aos  questionamentos lançamentos de oficio não resistem aos óbvios testes jurídicos;  ­ que a instrução normativa não pode criar restrição não contida na Lei, e que  a D. Fiscalização e a R. Decisão a quo afirmam que a regra do art. 5°, da Lei n° 9.716/96, não  se aplicaria ao caso da Recorrente;  ­  que se queria  atribuir  razão  a essa  absurda  interpretação, o que  se  admite  apenas para encaminhar o debate, o regime do simples, de forma alguma, pode ser colocado na  mesma esteira das formas de apuração do lucro para fins do IRPF e da CSLL;  ­ que o artigo 5° da Lei 9.716/98 trata da definição de base de cálculo e não  de incentivo fiscal, e, portanto, a definição de base de cálculo é matéria de reserva legal. Sendo  assim, num dos seus pontos principais, a  tese fiscal embasa­se no entendimento de que o art.  5°, da Lei n° 9.716/98,  criou um beneficio  fiscal consistente na exclusão da  receita bruta do  valor adquirido. Portanto, isto não e correto;  Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 21          20 ­ que a definição da base de cálculo do art. 5°, da Lei n° 9.716/98, não pode  ser derrogada por mera interpretação. Além disso, essa definição é previa a qualquer regime de  tributação, sendo matéria vedada ao estratégico manejo do aplicador da lei;  ­  que  o  regime  de  recolhimento  do  simples  não  representa  modalidade  autônoma de apuração de lucro, portanto, segue a forma do lucro presumido e também não é  veículo de  instituição de benefício  fiscal,  ou  seja,  a D. Fiscalização quanto  à n. Autoridades  Julgadoras de primeira instancia, fazendo interpretação isolada e equivocada da regra contida  no art. 1°, da IN/SRF 152/98, sobrepondo­a ao texto legal, defendem que a autoridade apenas  para as empresas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Não e verdade na lei não  há restrição. Isto representa uma criação autônoma do art. 1° da IN SRF 152/98;  ­  que  a  interpretação  restritiva  guarda  compatibilidade  com  as  normas  de  isenção, enquanto a norma constitucional deve receber a interpretação mais ampla possível, em  especial quando visa dar efetividade ao magno princípio da igualdade, que para ser alcançada  pode exigir uma discriminação positiva, como é o caso do regime do Simples;  ­ que não há antinomia entre a Lei 9.716/98 e a Lei 9.317/96 (Lei do simples  federal) prevalência da Lei especial sobre a geral, sendo assim, a D. Fiscalização se esforçou  para encontrar um artigo na Lei do Simples Federal  (Lei 9.317/96) que desse respaldo à tese  levantada. Não  conseguiu,  ou  seja,  o  art.  5° da Lei  n° 9.317/96  (Lei do Simples) não  tem o  comando pretendido;  ­ que a D. Fiscalização não conseguiu encontrar na Lei do Simples uma regra  que respalde a cerebrina tese que dá suporte aos questionados lançamentos;  ­ que o paradoxo, ou seja, na forma adotada pelo fisco, já no mês de julho de  2006 houve o “estouro” do limite do simples. A tributação com caráter de penalidade, adoção  imperativa da excludente do art. 106, II, do CTN. Neste ponto, a tese fiscal atingiu o paroxismo  da  volúpia  arrecadadora. Deveras,  a  tese  arquitetada  pelo  ilustre Autuante  é  que  a  forma  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  art.  5°  da  Lei  9.716/98  seria  incompatível  com  o  Simples.  Muito  bem,  esperava­se,  assim,  que  a  empresa  fosse  excluída  do  Simples  e  tributada,  por  exemplo, pelo lucro arbitrado;  ­ que não há margem de duvida de que a exclusão do regime do Simples tem  conteúdo de  penalidade  (equipara­se),  uma vez  que  a  empresa  deixa de  ter  a proteção  desse  regime de índole constitucional. Ora, sendo assim, contrariamente ao açodado entendimento da  r.  decisão  recorrida,  impõe­se  aplicar  retroativamente  no  controle  da  legalidade  do  ato  de  lançamento,  impedindo  que  a  forçada  permanência  da  empresa  no  Simples  resulte  numa  tributação com caráter de penalidade, em conformidade com o que dispõe o inciso  II, do art.  106, do CTN;  ­  que a  tributação pelo Simples  torno­se  infinitamente  superior à  tributação  pelo  lucro  arbitrado,  sendo  assim,  quer  a  Recorrente  insistir  na  informação  de  que  o  Fisco  atestou  que  sua  movimentação  financeira  esta  suportada  pelo  faturamento  das  empresas.  Portanto,  a  suspeita  da  pratica  de  omissão  de  receita,  que  havia  determinado  a  abertura  da  fiscalização, foi afastada pela força da provas apresentadas pela intimada;  ­ que da inviabilidade do arbitramento do lucro e da base de cálculo da CSLL  no primeiro semestre de 2007, ou seja, nas alegações que demonstraram a improcedência dos  lançamentos do ano 2006, foi observado que a tributação perpetrada no âmbito do Simples era  Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 22          21 muito  superior  à  tributação  pelo  lucro  arbitrado,  que  indiscutivelmente  é  a  mais  gravosa  existente  no  nosso  ordenamento  jurídico.  Essa  assertiva  resta  confirmada  pelo  questionado  lançamento centrado no arbitramento do lucro, cujo crédito tributário lançado é infinitamente  inferior ao apurado de oficio no âmbito do Simples;  ­  que,  como  as  questões  anteriormente  levantadas  são  determinantes  para  a  conclusão sobre a exclusão do Simples, que tem reflexo direto na avaliação do questionado no  arbitramento  do  lucro  e  da  base  da  contribuição  social,  a  Recorrente  pede  que  ela  seja  devidamente  sopesada.  No  discurso  direto:  reconhecida  a  impossibilidade  da  exclusão  do  Simples, impõe­se reconhecer a inviabilidade do arbitramento do lucro e da base de cálculo da  contribuinte social;  ­ que a revenda de veículos é atividade de consignação mercantil, ademais, a  Recorrente se opôs frontalmente ao arbitramento do lucro do primeiro semestre de 2009. Além,  disso, nesse equivocado arbitramento foi adotado o percentual de 32%, sob o pressuposto de  que a revenda de veículos é remunerada por comissão;  ­ que, portanto, não há sustentação jurídica para a equiparação da operação de  consignação mercantil  à  intermediação  de  negócios,  como  incorretamente  entendeu  o  ilustre  autuante  e  confirmou  o  acórdão  recorrido.  O  contrato  de  comissão  e  a  consignação  são  institutos, além de o consignatário agir em nome próprio;  ­ que da  inaplicabilidade da multa de oficio aos  lançamentos vinculados  ao  questionado  arbitramento,  sendo  assim,  parte  das  exigências  formalizadas  em  face  da  ora  Recorrente decorre de sua exclusão do Simples. Também foi relatado e comprovado que esse  Ato  Declaratório  foi  tempestivamente  impugnado,  sendo  que  a  manifestação  de  inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela r. decisão a quo;  ­ que caso o entendimento alcançado seja pela manutenção do arbitramento,  hipótese  admitida  apenas  para  argumentar,  a  exclusão  da  multa  de  oficio  indevidamente  aplicada aos lançamentos relativos ao primeiro semestre de 2007 é medida que se impõe;  ­ que a tributação reflexa no PIS e na COFINS, por conta da substituição do  Simples Federal pelo arbitramento do lucro, além das diferenças do imposto sobre a renda e da  contribuição social sobre o lucro, foram emitidos lançamentos para exigir diferença de PIS e de  COFINS.  Tais  diferenças  são,  igualmente,  indevidas  porque  centrados  no  equivocado  arbitramento substitutivo da tributação pelo Simples Federal.      É o relatório.      Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 23          22 Voto             Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 1385/1417), interposto contra o  acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas ­  SP (fls. 1283/1364).   A exigência fiscal inicial em exame trata­se dos autos de infração relativos ao  Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­  IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às  Contribuições  para  o  Programa  de  Integração  Social  –  PIS,  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social  – COFINS,  e Contribuição  para Seguridade Social  ­  INSS,  apurados  pela  Sistemática  do  Simples  Federal,  referidos  ao  ano  calendário  de  2006,  cientificados  à  contribuinte  em  28  de  janeiro  de  2011,  no  valor  total  de  R$  1.714.249,32,  devido  às  irregularidades  detectadas  em  regular  procedimento  de  fiscalização,  formalizado  através  do  processo nº 10830.0012279/2011­91.   Numa etapa posterior houve a exclusão do Simples Federal o qual se operou  com a edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 02, de 17 de janeiro de 2011, emitido  pela Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em Campinas,  o  qual  delimitou  seus  efeitos  ao  primeiro  semestre  do  ano­calendário  de  2007,  conforme  fl.  19  do  processo  administrativo  número 10830.000679/2011­89, juntado a este (processo nº 10830.001279/2011­91).  Por  sua  vez,  a  exigência  fiscal  referente  ao  ano­calendário  de  2007,  está  formalizado  por  meio  do  processo  administrativo  número  10830.725586/2011­61,  também  juntado a este, tendo em conta que o lançamento relativo ao 1º semestre daquele ano­calendário  é decorrente da exclusão do Simples já referida acima.  Para o ano­calendário de 2007, por meio do processo administrativo número  10830.725586/201169, foram detectadas infrações à legislação tributárias, que dão suporte aos  lançamentos  formalizados,  relativos  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  à  Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), e às Contribuições para o Programa de Integração  Social  (PIS)  e  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS),  cientificados  ao  contribuinte  em  12  de  dezembro  de  2011.  Houve  a  formalização  dos  seguintes  créditos  tributários,  cujas  irregularidades  encontram­se  descritas  no  auto  de  infração  do  IRPJ:  R$  111.903,08, referido ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); R$ 23.717,21, relativo à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  fatos  geradores  de  janeiro  a  junho  de  2007;  R$  13.720,32,  também  da  CSLL,  fatos  geradores  em  30/09/2007  e  31/12/2007;  R$  14.915,55,  da  Contribuição  Para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS);  R$  4.278,50, da Contribuição para o PIS/Pasep, cujas infrações foram as seguintes:  01  ­  LUCRO  PRESUMIDO.  APLICAÇÃO  INDEVIDA  DE  PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO: Aplicação incorreta  Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 24          23 do  percentual  de  determinação  do  Lucro  Presumido  de  8%  sobre  as  receitas  tributárias  auferidas na atividade de revenda de veículos (intermediação de negócios), quando o correto,  para  esta  atividade  seria  32%,  o  que  acarretou  diferenças  a  menor  de  IRPJ  apurado  e  recolhido/declarado  pela  contribuinte,  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  em  anexo.  Infração capitulada no art. 3º da Lei n.º 9.249, de 1995 e arts. 518 e 519, do RIR/99.  Razão do arbitramento no(s) período(s): 06/2007 Arbitramento do lucro que  se faz, tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua  escrituração,  conforme  Termo  de  Início  de  Fiscalização  e  termo(s)  de  intimação  em  anexo,  deixou de apresentá­los, conforme previsão no art. 530, inciso III, do RIR/99.  2 ­ RECEITAS DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO  DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS: Arbitramento do lucro realizado  com  base  na  receita  bruta  de  prestação  de  serviços  de  intermediação  de  negócios  (comercialização  de  veículos),  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  em  anexo.  Infração  capitulada art. 3º da Lei n.º 9.249, de 1995 e art. 532 do RIR/99.  Portanto, a apreciação que se faz por meio deste acórdão abrange:  1  ­  os  lançamentos  formalizados  para  o  ano­calendário  de  2006,  por  meio  deste  processo  administrativo  (10830.001279/2011­91),  cujas  exigências  fiscais  foram  apuradas dentro da sistemática do Simples Federal;  2 ­ a Exclusão do Simples Federal, com efeitos no primeiro semestre do ano­ calendário de 2007 (processo administrativo número 10830.000679/2011­89);  3 ­ os lançamentos formalizados para o ano­calendário de 2007, por meio do  processo administrativo número 10830.725586/2011­61.  A decisão recorrida manteve o lançamento baseado, em síntese, nos seguintes  argumentos:   ­  que  a  equiparação  das  operações  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  às  operações  de  consignação,  não  se  aplica  às  empresas  tributadas  pelo  SIMPLES  Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda  de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições  devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser  considerada  é o  produto  da  venda  a  terceiros  dos  veículos,  excluídas  tão  somente  as  vendas  canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Assim como, Inexiste previsão legal para  que uma contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples Federal, requeira  ser re­enquadrada retroativamente em outra sistemática de tributação porque assim lhe passou a  ser mais conveniente;  ­ que verificado o excesso de receita bruta, diante da constatação de infração  à  legislação  tributária  na  adoção  da  base  de  cálculo,  que  se  mostrou  superior  ao  limite  permitido pela legislação aplicável, correta a exclusão do Simples Federal, com efeitos a partir  do ano­calendário subseqüente;  ­ que a partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa  jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas  jurídicas;  Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 25          24 ­ que na determinação das bases de cálculo estimada, presumida ou arbitrada  do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado  em  seus  atos  constitutivos,  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores,  a  receita  bruta  das  operações  de  venda  de  veículos  usados,  adquiridos  para  revenda,  bem  assim  dos  recebidos  como parte do preço na venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor da  alienação e o custo de aquisição dos referidos veículos;  ­ que as operações de venda de veículo usados, no caso das pessoas jurídicas  tipificadas no artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, equiparam­se, para fins de determinação das  bases  de  cálculo  e  dos  percentuais  aplicáveis,  conforme  a  atividade,  às  operações  de  consignação por comissão, ou simplesmente de comissão, atividade de prestação de serviços;  ­ que na determinação das bases de cálculo, estimada ou presumida, aplica­ se, sobre a receita bruta assim definida, auferida no período de apuração, o percentual de 32%  (trinta  e  dois  por  cento);  na  determinação  do  lucro  arbitrado  aplica­se,  quando  conhecida  a  receita  bruta  definida  nos  termos  acima,  o  percentual  de  32%  (trinta  e  dois  por  cento),  acrescida de 20% (vinte por cento);  ­ que à falta da escrituração regular para adoção do lucro real, nos períodos  de  apuração  em  que  operados  os  efeitos  da  exclusão  do  Simples  Federal,  impõe­se  o  arbitramento do lucro.   Inconformado,  em  virtude de  não  ter  logrando  êxito  na  instância  inicial,  o  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais pleiteando a  reforma da decisão prolatada na Primeira  Instância onde, em sua defesa,  ataca o que  entende  terem sido os  fundamentos do  lançamento  apresentando preliminares de  nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito.  Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  devido  processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais,  não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo.   Entendo  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelos  agentes  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a  liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 26          25 A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  seja,  erro  de  capitulação  legal,  descrição  confusa dos  fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração  cometida pela recorrente.  Inicialmente, verifica­se que para o contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a  sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se,  ainda,  que  os  Autos  de  Infrações  às  fls.  45/95,  bem  como  o  Termo de Constatação Fiscal de fls. 02/26,  identifica por nome e CNPJ o autuado, esclarece  que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas ­ SP, cuja ciência foi  pessoal  e  descreve  as  irregularidades  praticadas  e o  seu  enquadramento  legal  assinado  pelos  Auditores­Fiscais da Receita Federal do Brasil,  cumprindo o disposto no art. 142 do Código  Tributário Nacional ­ CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo  de Auditor­Fiscal.   Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 27          26 Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das  irregularidades  apontadas  no  Auto  de  Infração  lavrado  sem  que  o  recorrente  comprovasse  efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para  que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão  do  procedimento  adotado  da  base  tributável  apurada  e  do  cálculo  do  imposto  resultante, permitindo o interessado o pleno exercício do seu direito de defesa.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 28          27 Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto, bem como a matéria de prova.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Além  disso,  o  art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.  No que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer  que, como visto no relatório o suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento  de  que  os  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  foram  emitidos  fora  dos  critérios  estabelecidos na legislação de regência.  Indiscutivelmente,  o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado  pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de  2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle  das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela  Secretaria da Receita Federal. Desta  forma, o mandado consiste  em uma ordem emanada de  dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem  atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do  sujeito passivo.  Ora,  com a  devida vênia,  neste  processo,  não  há que  se  falar  em nulidade,  porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o  processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração.  É  equivocada  a  conclusão  do  suplicante  no  sentido  de  que  as  informações  sucintas  e  falhas  na  emissão  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  levaria  à  incompetência do agente fiscal para o ato constitutivo do crédito tributário. A competência do  auditor  fiscal  para  os  procedimentos  de  fiscalização  e  lavratura  dos  autos  de  infração  não  advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as  atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação.  A elementar alegação do  recorrente de que o prazo dado pelos artigos 11 e  12, da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, para que o agente fiscal execute o  Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 29          28 procedimento de fiscalização é de 120 dias, prorrogável quantas vezes necessárias pelo prazo  de 60 dias, desde que sob motivação, jamais provocaria a nulidade do auto de lançamento.   Ademais,  é  posição majoritária  neste Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  que  a  alguma  irregularidade,  por  ventura,  existente  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal não provoca nulidade do  lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos  abaixo citados:  Acórdão n° 201­77049  PAF.  MPF.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  O  Mandado  de  Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que  tem  por  objetivo  o  gerenciamento  da  ação  fiscal.  Por  tal,  eventuais  vícios  em  relação  ao  mesmo,  desde  que  evidenciado  que  não  houve  qualquer  afronta  aos  direitos  do  administrado,  não ensejam a nulidade do lançamento.  Acórdão n° 108.07458  NULIDADE  –  INOCORRÊNCIA  –  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constitui­se  em  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  disciplinado  por  ato  administrativo.  A  eventual  inobservância  de  norma  infralegal  não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo  fiscal.  Acórdão n° 202.14949  NORMAS  PROCESSUAIS.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE  PREJUÍZO. NULIDADE  INEXISTENTE.  Irregularidade  formal  em MPF não  tem o condão de retirar a competência do agente  fiscal  de  proceder  ao  lançamento,  atividade  vinculada  e  obrigatória  (art.  142,  CTN),  se  verificados  os  pressupostos  legais.  Ademais,  não  tendo  havido  prejuízo  à  defesa  do  contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.  Acórdão n° 107.06797  MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  POSTULADOS.  INOBSERVÂNCIA.  CAUSA  DE  NULIDADE.  ARGÜIÇÃO  RECURSAL.  IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento  Fiscal  (MPF)  fora  concebido  com  o  objetivo  de  disciplinar  a  execução  dos  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições  sociais  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  Não  atinge  a  competência  impositiva  dos  seus  Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da  sociedade  democraticamente  organizada  e  em  benefício  desta,  há  de  subsistir  em  qualquer  atos  de  natureza  restrita  e  especificamente  voltados  para  as  atividades  de  controle  e  planejamento  das  ações  fiscais.  A  não  observância  –  na  instauração  ou  amplitude  do  MPF  –  poderá  ser  objeto  de  repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar  Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 30          29 a  competência  das  autoridades  fiscais  na  concreção  plena  de  suas atividades  legalmente próprias. A  incompetência  só  ficará  caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais  do agente que o praticou.  Acórdão n° 107.06820  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  –  MPF  –  A  atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim  a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a  execução  do  procedimento,  são  atividades  que  integram  o  rol  dos  atos  discricionários,  moldados  pelas  diretrizes  de  política  administrativa  de  competência  da  administração  tributária.  Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão  da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida  para  a  execução  do  trabalho  de  auditoria  fiscal,  b)  atende  ao  princípio  constitucional  da  cientificação  e  define  o  escopo  da  fiscalização  e  c)  reverencia  o  princípio  da  pessoalidade.  Questões  ligadas  ao  descumprimento  do  escopo  do  MPF,  inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no  âmbito  do  processo  disciplinar  e  não  tem  o  condão  de  tornar  nulo  o  lançamento  tributário  que  atendeu  aos  ditames  do  art.  142 do CTN.  Verifica­se,  pelo  exame  do  processo,  que  não  ocorreram  os  pressupostos  previstos no Processo Administrativo Fiscal,  tendo  sido  concedido ao  sujeito passivo o mais  amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo em resposta às  intimações  que  recebeu  argumentos,  alegações  e  documentos  no  sentido  de  tentar  elidir  as  infrações apuradas pela fiscalização.  Dessa  maneira,  se  revela  totalmente  improfícua  sua  alegação  de  nulidade,  porque  a  apuração  da  infração  foi  feita  com  estrita  observância  das  normas  legais  e  com  obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores).   Mesmo  que  verdadeira  fosse  à  assertiva  do  recorrente,  é  de  se  dizer  que  eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o  condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente.   No que diz respeito ao ano­calendário de 2006, resta claro, nos autos, de que  a autoridade fiscal manifesta o entendimento de que o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1996, não  é aplicável às empresas que aderiram ao Simples, mas somente às pessoas jurídicas sujeitas à  tributação pelo IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado.  Assim sendo é cristalino, nos autos, de que o lançamento tem por fundamento  o entendimento da autoridade fiscal de que as empresas optantes pelo Simples, que tenham por  atividade operações de vendas de veículos usados, adquiridos para  revenda, não podem, para  fins  tributários,  se  utilizarem  da  mesma  base  de  cálculo,  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições devidos,  facultada  às pessoas  jurídicas  com a mesma  atividade, mas  tributadas  pelo lucro real, presumido ou arbitrado, devendo utilizar como base de cálculo a receita bruta,  conforme  definida  na  legislação.  Portanto,  as  empresas  optantes  pelo  Simples  não  poderiam  deduzir  o  custo  de  aquisição  dos  veículos  para  determinar  a  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições devidos.  Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 31          30 Por  seu  turno,  a  empresa  alega,  em  síntese,  que  a  base  de  cálculo  a  ser  utilizada  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições  devidos  na  Sistemática  do  Simples,  na  atividade de compra e venda de veículos usados, é a diferença entre o valor pelo qual o veículo  usado houver sido alienado e o seu custo de aquisição, e não o valor de saída do veiculo.  A decisão  recorrida  já deixou cristalino o entendimento de que a  legislação  que rege a sistemática simplificada para cumprimento das obrigações tributárias, fixa critérios  e  determina  a  possibilidade  de  equiparação  das  operações  de  vendas  de  veículos  usados,  adquiridos para revenda, às operações de consignação, prevista no artigo 5º, da Lei n.º 9.716,  de 1998, e na IN/SRF nº 152, de 1998, não se aplica às empresas tributadas pela sistemática do  SIMPLES,  pois  estas  não  podem deduzir o  custo  de  aquisição  do  veículo  para  determinar  o  valor do pagamento mensal unificado, relativamente a operações que não sejam efetivamente  de consignação.  Com  todas  as  vênias  possíveis,  o SIMPLES Federal,  instituído  pela Lei  n.º  9.317, de 1996, com amparo no artigo 170, inciso IX, da Constituição Federal, trata­se de um  regime  de  normas  próprias  para  empresas  que  optem  por  uma  sistemática  de  tributação  simplificada,  que  prevê  a  aplicação  de  alíquotas  para  apuração  dos  tributos  e  contribuições  devidos,  diretamente  sobre  a  receita  bruta  das  empresas  que,  por  estarem  dispensadas  da  escrituração  comercial,  não  efetuam  a  apuração  do  lucro  real  do  período.  Tais  alíquotas  são  fixadas pela legislação em função do lucro presumível dessas empresas, com base nas vendas  efetuadas.  É lógico e razoável de que efetuada a opção por tal regime e até que solicite  sua  exclusão, ou venha  a  ser  excluída do SIMPLES,  a  empresa  se  submete à  sistemática do  regime  jurídico  do  SIMPLES,  para  o  qual  o  artigo  5º,  da  Lei  n.º  9.317,  de  1996,  com  a  alteração do art. 3º, da Lei nº 9.732, de 1998, prevê uma alíquota única determinada em função  da receita bruta mensal.  Assim sendo, não se mostra cabível a equiparação pretendida pela autuada,  pois,  em  se  tratando  de  atividade  de  compra  e  venda  de  veículos,  atividade  exercida  pela  contribuinte,  a  receita  bruta  a  ser  considerada  é  o  produto  da  venda  a  terceiros  do  veículo  recebido,  excluídas  tão­somente  as  vendas  canceladas  e  os  descontos  incondicionais  concedidos, sendo, repita­se, inaplicável a equiparação do artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998.  Cabe enfatizar, ainda, que, diferentemente do que alega a autuada, o artigo 5º,  da Lei n.º 9.716, de 1998, não se trata de regra especial da Lei n.º 9.317, de 1996, pois, reitere­ se, o artigo 5º, da Lei n.º 9.716, de 1998, refere­se, exclusivamente, às empresas tributadas pelo  lucro real, presumido ou arbitrado, não se aplicando às empresas optantes pelo Simples.  Assim, em conclusão, a totalidade dos valores recebidos pela fiscalizada nas  operações de compra e venda de veículos integra a base de cálculo para apuração dos valores  devidos pela sistemática do SIMPLES.   No  que  se  refere  às  alegações  de  que  a  tributação  pelo  Simples,  no  ano­ calendário  de  2006, mostra­se mais  desvantajosa  do  que  a  tributação  pelo  Lucro Arbitrado,  ainda  que  utilizado  o  maior  percentual  previsto  pela  legislação  de  regência,  é  importante  ressaltar que a opção pelo Simples, assim como a decisão de se excluir dele, é do contribuinte,  e para tanto, existem trâmites e prazos determinados pela legislação aplicável.  Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 32          31 Ora,  não  pode  o  Fisco  simplesmente  efetuar  o  arbitramento  quando  não  caracterizadas  as  condições  e  situações  exigidas pela norma  jurídica aplicável,  simplesmente  porque  tal procedimento  resultaria à autuada uma exigência  fiscal de menor valor,  em suma,  mais favorável. Também não é lícito, à Administração Tributária, visando atender a vontade do  contribuinte,  desrespeitar  a  legislação  aplicável,  alterando de ofício  seu  regime de  tributação  com efeitos retroativos, simplesmente porque se mostra mais vantajoso para ela.  No  que  se  refere  à  exclusão  do  Simples  Federal,  o  contribuinte  pleiteia  inicialmente  o  reconhecimento  da  nulidade  do  Ato  Declaratório  Executivo  nº  02,  de  17  de  janeiro de 2011, sob a justificativa de que teria sido assinado por autoridade incompetente.  Ora, sem mais delongas, o próprio ato questionado traz de forma expressa, já  em seu preâmbulo, a identificação do documento de outorga de delegação ao Chefe do Serviço  de  Fiscalização  para  sua  emissão,  inexistindo  a  pretensa  nulidade,  ou  seja,  resta  claro  a  designação de competência “... no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 3º da  Portaria de Atribuições dos Setores nº 09, de 09 de janeiro de 2009, do Delegado da Receita  Federal  do  Brasil  em Campinas,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  de  13  de  janeiro  de  2009...”.  Como visto no relatório a autoridade fiscal justifica o procedimento adotado,  para  fins  de  exclusão  do  SIMPLES,  fundamentado  no  fato  de  o  autuado,  na  condição  de  empresa  de  pequeno  porte,  ter  auferido,  durante  o  ano­calendário  de  2006,  receita  bruta  superior  a  R$  2.400.000,00  (dois  milhões  e  quatrocentos  mil  reais),  sendo  vedada  sua  permanência naquele sistema de recolhimentos de tributos e contribuições.  Indiscutivelmente, dispõe o artigo 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, que  não  poderá  optar  pelo  Simples  Federal,  a  pessoa  jurídica  que,  na  condição  de  empresa  de  pequeno porte, tenha auferido, no ano­calendário imediatamente anterior, receita bruta superior  a R$ 2.400.000,00. Por sua vez, os efeitos da exclusão operaram­se a partir do mês de janeiro  do ano­calendário de 2007, até o mês de junho do mesmo ano, conforme previsão contida no  inciso IV, do artigo 15, da Lei n.º 9.317, de 1996.  Já sobre os efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal, no que se  refere às exigências com fatos geradores no ano­calendário de 2007, conforme a determinação  contida no art. 16 da referida Lei nº 9.317, de 1996, “a pessoa jurídica excluída do SIMPLES  sujeitar­se­á a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de  tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”.  Assim,  a  exclusão  da  sistemática  do  SIMPLES  é  requisito  legal  para  a  sujeição da pessoa  jurídica  à  sistemática de  tributação  aplicável  às demais pessoas  jurídicas,  impondo­se  tal  prática,  portanto,  a  fim  de  assegurar  o  direito  de  a  Fazenda  Nacional  em  constituir o crédito tributário devido em outra modalidade de tributação, quando verificados os  impedimentos legais à opção pela sistemática simplificada.  Enfim,  basta  a  exclusão  do  Simples  para  que  os  efeitos  do  referido  ato  administrativo se façam sentir, dado os seus já mencionados atributos da autoexecutoriedade e  da imperatividade ou coercibilidade, os quais, para serem aplicados, independem da declaração  de validade ou invalidade do ato.  Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 33          32 Assim, a manifestação de inconformidade em relação ao ato de exclusão do  SIMPLES não é empecilho ao lançamento dele decorrente, relativo ao ano­calendário de 2007,  apenas obstando o atributo da exigibilidade conferido ao ato administrativo.  Por outro lado, resta claro nos autos de que a autoridade fiscal fundamenta o  lançamento  nos  artigos  518  e  519  do  RIR/99  (artigos  15  e  16  da  lei  n.º  9.249,  de  1995),  conforme  seu  entendimento  de  que  os  percentuais  a  serem  aplicados  sobre  a  receita  bruta  conhecida, proveniente da atividade de vendas de veículos, deve ser equiparada à operações de  consignação, na apuração do Lucro Presumido, é de 32%, tendo em vista tratar­se de atividade  equiparada à intermediação de negócios.   É de se ressaltar que referida exclusão não se deu sob a justificativa de que a  empresa  autuada  exercesse  a  atividade  compra  e  venda  de  veículos  em  consignação,  mas  porque, em decorrência da inaplicabilidade da equiparação do art. 5º, da Lei n.º 9.716, de 1999  para fins do Simples Federal, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros  do veículo recebido, excluídas tão­somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais  concedidos. E como tal receita bruta superou, no ano­calendário de 2006, a importância de R$  2.400.000,00, houve tal exclusão.  É  de  se  ressaltar  que o  percentual  aplicável  sobre  essa  diferença,  calculada  nos termos do § 1º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF nº 152, de 1998, há de ser 32%  (trinta  e  dois  por  cento),  previsto,  segundo  o mesmo  Parecer  Cosit  nº  45,  de  2003,  para  as  atividades de prestação de serviços em geral.   Note­se  que,  no  âmbito  da Administração Tributária,  diversas Soluções  de  Consulta, inclusive, entre ela, a de nº 76, da SRRF10/Disit, de 18 de outubro de 2011, afirmam  que o percentual aplicável há de ser de 32% (trinta e dois por cento) no caso do IRPJ previsto  no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, para as atividades de prestação  de serviços em geral.  Portanto, corretos os percentuais utilizados pela autoridade fiscal, conforme a  atividade,  na  determinação  das  bases  de  cálculo  para  incidência  de  tributos  e  contribuições,  tanto no Lucro Arbitrado como no Lucro Presumido.  No que se refere ao arbitramento efetuado, para o primeiro semestre do ano­ calendário de 2007, a contribuinte havia optado pelo Simples Federal e, pelo Lucro Presumido,  no segundo semestre.  Assim,  excluída  do SIMPLES,  o  art.  16  da  referida Lei  nº  9.317,  de 1996,  determina  que  a  pessoa  jurídica  sujeitar­se­á  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.  Nesse sentido, a empresa foi intimada a recompor sua escrituração através da  sistemática  do  Lucro  Real,  manifestando­se  no  sentido  de  que  tal  procedimento  não  era  cabível, motivo pelo qual não o efetuou.  Resta  claro  nos  autos,  que  a  interessada  foi  intimada,  por  diversas  vezes  (28/01/2011, 03/03/2011, 15/04/2011, 11/07/2011) a  recompor  sua escrituração para o Lucro  Real, mas  a  contribuinte  afirmou  que,  no  primeiro  semestre  do  ano­calendário  de  2007,  era  optante  pelo  Simples,  e  no  segundo  semestre  do  ano­calendário  de  2007,  pelo  Lucro  Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 34          33 Presumido, o que lhe retiraria as condições formais e materiais de uma tributação pelo Lucro  Real.  Da mesma  forma,  resta  claro nos que, a partir da análise dos Livros  fiscais  apresentados, constatou­se a impossibilidade de efetuar a recomposição da escrituração para o  Lucro Real,  pois  não  foi  possível  apurar, mensalmente,  o  Custo  das Mercadorias Vendidas,  conforme detalhamento feito pela fiscalização no TVF.  Em  conseqüência,  para  o  primeiro  semestre  do  ano­calendário  de  2007,  arbitrou­se o lucro, tendo em vista que a empresa não efetuou a recomposição da escrituração  contábil e fiscal necessária à apuração por meio do Lucro Real.  É de se observar, que se tratando de exclusão de ofício do Simples Federal,  uma vez iniciado o procedimento de ofício, fica excluída a espontaneidade do sujeito passivo e,  portanto, vedada a sua opção pela tributação na forma do lucro presumido.  Com certeza que o  lucro  arbitrado é,  forma excepcional de  se quantificar  a  renda  tributável,  é  utilizada  pela  Administração  Tributária,  em  casos  de  omissões  ou  erros  graves  constatados  na  escrituração  na  qual  se  deve  respaldar  a  contribuinte.  E  este  é  o  fato  determinante para a adoção dessa modalidade de apuração do lucro.  A  legislação  de  regência,  bem  como  a  jurisprudência  administrativa  e  jurisprudencial  nos  ensina  que  o  imposto  de  renda  devido  será  determinado  com  base  nos  critérios do lucro arbitrado quando:  1)  ­  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária;  ou  determinar o lucro real;  2)  ­  o  contribuinte  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  e  documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual  deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo  lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular;  3) ­ o contribuinte optar indevidamente pelo lucro presumido;  4)  ­  o  comissário  ou  representante  da  pessoa  jurídica  estrangeira  deixar  de  escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou  domiciliado no exterior;  5)  ­  o  contribuinte  não  mantiver,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir, totalizar, por conta ou  subconta, os lançamentos efetuados no Diário;  6) ­ o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e  fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, nos  casos em que o mesmo se encontre obrigado ao  lucro real;7) o contribuinte não escriturar ou  deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º  do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 e § 2º do artigo 8º do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977.  Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 35          34 As  irregularidades  da  escrita  apresentada,  apontada  no  auto  de  infração  e,  posteriormente  analisada  pela  decisão  recorrida,  ao  enfrentar  os  argumentos  da  impugnação,  deixam claro que não foram atendidas as condições das leis comercial e fiscal, de forma a que  permitisse ao fisco verificar a exatidão do lucro real apurado.  Assim, a manutenção de uma escrita, sem o preenchimento dos requisitos da  legislação  comercial  e  fiscal,  para  as  empresas  optantes  pela  tributação  com  base  no  Lucro  Real, enseja o abandono da contabilidade e o cálculo do lucro tributável por arbitramento, por  determinação legal e em consonância da reiterada jurisprudência deste Colegiado.  Ora, a falta de apresentação dos livros e documentos ou a não reconstituição  da escrita em prazo razoável, concedido em juízo de admissibilidade, quando necessário, por  não  permitirem  a  conferência  fiscal,  acarretam  ao  sujeito  passivo  o  ônus  de  ter  seu  lucro  arbitrado,  medida  necessária  para  a  apuração  das  exigências  fiscais  formalizadas  mediante  lançamento de ofício.  Enfim,  alcançada  a  conclusão  acerca  da  impossibilidade  da  apuração  pelo  Lucro  Real,  cumpre  ao  Fisco,  tão­somente,  adotar  o  arbitramento  como  única  forma,  com  respaldo legal, para se apurar o resultado da pessoa jurídica, eis que as outras modalidades de  apuração  ensejam,  necessariamente,  como  requisito  legal,  o  apoio  em  escrituração  e  documentação regular, a qual deve ser mantida de acordo com a sistemática escolhida (Lucro  Real ou Presumido).  Resta  observar,  que  a  apresentação  e/ou  alegação  da  existência  dos  livros  comerciais  e  fiscais,  após  o  encerramento  da  fiscalização,  não  tem  o  condão  de  afastar  o  arbitramento,  efetuado  exatamente  pela  ausência  dessa  de  exibição  dessa  documentação,  porquanto  essa  forma  de  apuração  de  lucro  não  é  condicional  e  alterável  pela  posterior  apresentação dos livros exigidos.  Quanto à exigência da multa de ofício, para as exigências fiscais referentes ao  ano­calendário de 2007, reitere­se que a manifestação de inconformidade em relação ao ato de  exclusão  do  SIMPLES  não  é  empecilho  ao  lançamento  dele  decorrente,  relativo  ao  ano­ calendário  de  2007,  apenas  obstando  o  atributo  da  exigibilidade  conferido  ao  ato  administrativo. Isto porque o artigo 151 do Código Tributário Nacional relaciona as hipóteses  de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas nada dispõe sobre qualquer forma de  impedimento  à  sua  constituição. E  o meio  correto  para  isto  é o Auto  de  Infração,  conforme  preceituado  nos  artigos  9º  e  10  do Decreto  n.º  70.235,  de  6  de março  de 1972,  com a  nova  redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993.  Da mesma  forma,  não  cabe  razão  a  recorrente  no  que  tange  a  alegação  de  ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (capacidade contributiva e confisco), o exame  das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 36          35 considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 37          36 No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  (...).  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal e, por não constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista em  lei,  é  inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 38          37 Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  De  qualquer  forma,  há  que  se  esclarecer  que  o  Imposto  Renda  da  Pessoa  Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levando­se  em  consideração  aos  rendimentos  tributáveis  auferidos  e  em  razão  do  valor  é  enquadrada  dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito  passivo da obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Nesta linha de entendimento, não vejo como se poderia acolher o argumento  de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa  SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na  Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC).  É  entendimento,  neste Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  que  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais  é  inócua,  já  que  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência para poder promulgar a  lei  não  seria  razoável  que,  subordinados  na  hierarquia  administrativa,  considerassem  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 39          38 não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.  Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  então  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  Por  fim,  infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de  Integração  Social  (PIS),  da Contribuição  Social  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS), da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) e da Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e,  especificamente,  em  razão  das  irregularidades  apuradas  pela  autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida.  Em observância ao princípio da decorrência e a certeza da relação de causa e  efeito  existente  entre  o  suporte  fático  em  ambos  os  processo,  o  julgamento  daquele  apelo  principal, ou seja,  Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos  presentes  julgados,  eis  que  o  fato  econômico  que  causou  a  tributação  por  decorrência  é  o  mesmo  e  já  está  consagrado  na  jurisprudência  administrativa  que  a  tributação  decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude  da  íntima  correlação  de  causa  e  efeito.  Considerando  que,  no  presente  caso,  o  autuado  não  conseguiu  elidir  a  totalidade  das  irregularidades  apuradas,  deve­se  manter  o  exigido  no  processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências  que  a  formalizada  no  processo  principal  quer  as  dele  originadas  (lançamentos  decorrentes)  repousam sobre o mesmo suporte fático.  Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 40          39 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as  considerações  expostas  no  exame  da matéria,  voto  no  sentido  de  rejeitar  as  preliminares  suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.    (Assinado digitalmente)  Paulo Roberto Cortez              Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 41          40 Declaração de Voto  Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva  Em face de problemas momentâneos no sistema de acesso informatizado (e­ processo)  e  por  não  ter  condições  de  deixar  para  fazer  esta  declaração  de  voto  em  outra  oportunidade, propugnando pela celeridade processual, destaco que faço a presente sem acesso  aos autos, louvando­me, contudo, das informações contidas no relatório do voto vencedor e o  quanto anotei quando do julgamento, dados que tenho por suficientes à presente análise.  Em síntese, pode se dizer:  a) que é fato incontroverso que a fiscalizada exerce a atividade de compra e  venda de veículos usados e que em momento algum lhe é imputado inobservância ao disposto  no parágrafo único do artigo 5º da Lei nº 9.715, de 1998.  b) que no ano­calendário de 2006 fez opção para ser  tributada com base no  SIMPLES;  c) que a exigência, neste auto de  infração, em relação ao ano­calendário de  2006, deu­se com base no SIMPLES;  d) que apesar da exigência tributária, em relação ao ano­calendário de 2006,  ter se dado com base no SIMPLES, o  lançamento entendeu  inaplicável, para as empresas do  SIMPLES, o disposto no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998;   e)  ao  entender  inaplicável  as  disposições  do  artigo  5º,  da  Lei  nº  9.716,  de  1998,  às  empresas do SIMPLES, o  acórdão  recorrido  fixou como  receita o valor  integral  da  venda dos veículos e não apenas a diferença entre o preço de aquisição e de venda, conforme  estabelece o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998;   f) a adoção do critério de apuração de receita indicado na letra "d", acima, fez  com que, para o ano de 2006, se apurasse receita superior ao limite previsto para o SIMPLES,  o  que  resultou  sua  exclusão  a  partir  de  2007  e  exigência,  para  este  ano,  com  base  no  lucro  presumido.  É o breve relatório, passo ao voto.  Em primeiro lugar deixo consignado que é entendimento pacífico no sentido  que as empresas que se dedicam à compra e venda de veículos usados podem optarem em ser  tributadas com base no SIMPLES.  Na  linha do entendimento aqui  registrado, a exigência do crédito  tributário,  no presente lançamento, em relação ao ano­calendário de 2006 deu­se com base no SIMPLES.  Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 42          41 Nesta mesma linha, a título exemplificativo, cito a Solução de Divergência Cosit nº 4, de 09 de  março de 20111.  Da receita das empresas que negociam veículos usados   As empresas que negociam veículos usados, nos termos do art. 5º da Lei nº.  9.716, de 19982,  se submetem a um regime fiscal específico, qual seja, admitem, à opção do  contribuinte,  um  conceito  de  receita  bruta  diferente  do  usual  (equiparam  receita  às  consignações)3.  Ao inserir no sistema jurídico a norma contida no artigo 5º da Lei nº 9.716,  de  1998,  (equiparando  receita  às  consignações),  adotou­se  a  técnica  legislativa  da  ficção  jurídica, procedimento admitido em nosso sistema. Outro exemplo neste sentido encontra­se  no artigo 5º da Lei nº 8.023, de 1990, que dispõe sobre o resultado da atividade rural onde a  norma  prevê  que,  à  opção  do  contribuinte,  o  resultado  da  atividade  rural,  quando  positivo,  "limitar­se­á a vinte por cento da receita bruta no ano­base."   Se  para  efeitos  da  venda  de  veículos  usados  receita  é  igual  a  consignação  pode se dizer que, neste caso, por ficção jurídica, "receita é igual a diferença entre o valor pelo                                                              1 SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 4, DE 9 DE MARÇO DE 2011 ­ D.O.U.: 14.03.2011  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  EMENTA: A venda de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou contrato estimatório, é feita  em nome próprio. Por esse motivo, não constitui mera intermediação de negócios, de sorte que o exercício dessa  atividade, por si só, não veda a opção pelo Simples Nacional. O contrato de comissão (arts. 693 a 709 do Código  Civil)  tem por objeto um serviço de comissário. Nesse caso, a  receita bruta  (base de cálculo) é a comissão, e a  tributação se dá por meio do Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Já o contrato  estimatório (arts. 534 a 537 do Código Civil) recebe o mesmo tratamento da compra e venda. Ou seja, a receita  bruta  (base de  cálculo),  tributada por meio  do Anexo  I da Lei Complementar  nº 123, de 2006,  é o produto da  venda a terceiros dos bens recebidos em consignação, excluídas tão­somente as vendas canceladas e os descontos  incondicionais concedidos. Inaplicável a equiparação do art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, para  fins de Simples Nacional.  DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Constituição  Federal,  art.  146,  inciso  III,  alínea  'a'  e  parágrafo  único;  Lei  Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 3º, 17 e 18; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, arts.  534  a  537,  e  693  a  709;  e  Lei  nº  9.716,  de  26  de  novembro  de  1998,  art.  5º.FERNANDO  MOMBELLI  ­  Coordenador­Geral.    2 Art. 5º. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e  venda  de  veículos  automotores  poderão  equiparar,  para  efeitos  tributários,  como  operação  de  consignação,  as  operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da  venda de veículos novos ou usados.  Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da  venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitando­se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação."    3 Entende­se por consignação mercantil o contrato pelo qual uma pessoa consignador ou consignante, entrega a  outra,  consignatário, mercadorias,  a  fim de que esta última as venda por conta própria e em seu próprio nome,  prestando o consignatário ao consignante o preço entre ambos ajustado para a operação, qualquer que seja o valor  alcançado pela venda feita a terceiros. Difere a consignação mercantil, essencialmente do mandato e da comissão  mercantil. Difere do primeiro, porque, enquanto o mandatário age em nome do mandante, o consignatário age em  seu próprio nome. Difere de ambos mandato e comissão, porque, enquanto o mandatário e comissário agem por  conta,  respectivamente,  do  mandante  e  do  comitente,  o  consignatário  age  por  conta  própria.  Em  verdade,  a  distinção não se limita a esses aspectos exteriores ou formais. Há uma maneira de ser íntima, substancial, interior  na  consignação  mercantil,  que  lhe  dá  tipicidade  específica.  É  que  nela  duas  operações  de  venda  transcorrem,  quando  se  completa  a  operação.  No  momento  em  que  o  consignatário  vende  mercadoria  a  terceiro,  automaticamente ele a compra ao consignante." (Amilcar de Araújo Falcão).  Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 43          42 qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de  aquisição.4"  Do conceito de receita às empresas do SIMPLES  É possível  existir um conceito de  receita para  as  empresas  optantes  do  SIMPLES e outro conceito às demais empresas?  Diante  do  preceito  constitucional  contido  no  art.  170,  IX,  da Constituição,  prevendo que o legislador deve dispensar tratamento favorecido para as empresas de pequeno  porte, seria possível existir norma impondo um conceito de receita às empresas do SIMPLES  que  resultasse  em  algo  mais  abrangente  do  que  o  conceito  de  receita  aplicado  às  demais  empresas?  No momento em que a legislação admite que as empresas que se dedicam ao  comércio de veículos usados podem optar com base no SIMPLES, e que o artigo 5º da Lei nº  9.716, de 1998, por ficção, equiparou receita à consignação, tem­se que para as empresas que  se dedicam a este ramo, estando ou não no SIMPLES, por ficção legal, "receita é a diferença  entre o preço de aquisição e de venda".   Com  a  devida  vênia  e  o  respeito  que  tenho  pelo  ilustre  relator  e  pelos  Conselheiros  que  o  acompanharam,  a  solução  adotada  no  voto  vencedor  sustentando  que  o  artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, não se aplica às empresas do SIMPLES decorre de premissa  equivocada,  qual  seja,  que  para  as  empresas  do  SIMPLES  que  se  dedicam  ao  comércio  de  veículos usados receita é algo diferente daquilo que a lei, por ficção, considera como tal para as  outras empresas que atuam neste mesmo segmento, o que é um grande equívoco.  Ademais, no momento em que o artigo 170, IX, da Constituição, prevê que o  legislador deve dispensar tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, afronta a  norma constitucional aqui indicada a interpretação legislativa que leva à conclusão de que duas  empresas que atuem no mesmo setor, só que uma no SIMPLES e outra não, para a primeira se  tenha  um  conceito  de  receita  tributável  que  resulte  em  maior  exigência  de  tributos.  Como  apontado em voto da lavra do ilustre Conselheiro Frederico "Seria uma incongruência político­ jurídica  se  um  tratamento  tributário  privilegiado  destinado  às  micro  e  pequenas  empresas  acabasse por prejudicá­las. (acórdão 1402­001.389, jul. um. 11/06/2013).  Do alcance do artigo 5º da Lei nº. 9.716, de 1998 e das Instruções Normativas referente à  natureza das atividades das empresas que se dedicam ao comércio de veículos usados.  Conforme dito anteriormente, a lei pode, por ficção, à opção do contribuinte,  definir o que seja receita. Neste sentido, o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, definiu que na  atividade de compra e venda de veículos usados receita equivale ao resultado da consignação,  isto é, "a diferença entre o preço de aquisição e de venda".   Contudo, indago:  A norma também teria estabelecido que a atividade comercial de compra  e venda de veículos usados, por ficção, equivale à prestação de serviços?                                                              4 Neste mesmo sentido artigo 96, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004.  Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 44          43 Em  relação  à  pergunta  acima  indicada  a  resposta  é  negativa.  Não  existe,  ficção jurídica estabelecendo que a atividade de compra e venda de veículos usados, para fins  tributários,  equivale  à  prestação  de  serviços,  justificando  tributação  com  base  de  cálculo  de  32%.  A edição de Instruções Normativas prevendo base de cálculo de 32%, para a  receita  decorrente  da  venda  de  veículos,  apurada  na  forma  do  artigo  5º  da  Lei  nº  9.716,  de  1998, ao meu sentir, afrontam o artigo 97, IV, do CTN.   É  importante  que  se  tenha  presente  que  não  se  pode  confundir  a  ficção  jurídica definindo o que seja receita no comércio de veículos usados para, sem previsão legal,  criar nova ficção, isto é, que tal atividade de compra e venda equivale à prestação de serviços.  Neste  sentido,  e  somente  a  título  de  notícia,  constatei  que  o  assunto  já  foi  objeto  da Mandado de Segurança Coletivo  impetrado  pela Associação  dos Revendedores  de  Veículos Automotores do Estado de Santa Catarina ­ ASSOVESC, resultando reconhecido, nas  decisões proferidas5, que "a existência de autorização  legal, destinada ao contribuinte, para  que  equipare  as  vendas  de  veículos  usados  às  operações  de  consignação  (art.  5º,  da  Lei  9.716/98)  não  significa  que  estas  atividades  devem  ser  consideradas  como  prestação  de  serviço, para  fins de definição da alíquota do  IRPJ e da CSLL (arts. 15,  III,  "a" e 20 da Lei  9.249/95).". Neste sentido, destaco a ementa do citado julgamento:  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  COMPRA  E  VENDA  DE  VEÍCULOS  USADOS.  POSSIBILIDADE  DE  EQUIPARAÇÃO  À  CONSIGNAÇÃO.  DETERMINAÇÃO  DA  ALÍQUOTA  PARA  FINS  DE  APURAÇÃO  DO  IRPJ  E  DA  CSLL.  PRETENSÃO DA FAZENDA DE ENQUADRAR TAIS ATIVIDADES À  CATEGORIA  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  IMPOSSIBILIDADE.  DESRESPEITO À LEGALIDADE ESTRITA.  1.  Caso  em  que  se  discute  a  legalidade  da  interpretação  conferida  pela  Fazenda  Nacional  ao  artigo  5º  da  lei  9.716/98,  nos  termos  da  IN  SRF  n.  390/2004, segundo a qual as operações de compra e venda de veículos usados  realizadas  por  suas  associadas  equivalem  à  consignação mercantil,  de  sorte  que  devem  ser  equiparadas,  para  fins  de  apuração  do  IRPJ  e  da CSLL,  às  atividades  de  prestação  de  serviços  de  intermediação  de  negócios,  as  quais  são tributadas pela alíquota de 32%.  2.  A  existência  de  autorização  legal,  destinada  ao  contribuinte,  para  que  equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação (art. 5º,  da Lei 9.716/98) não  significa que  estas  atividades devem ser  consideradas  como prestação de serviço, para  fins de definição da alíquota do  IRPJ e da  CSLL (arts. 15, III, "a" e 20 da Lei 9.249/95).  Não  há  como  se  vislumbrar  tal  alcance  às  normas  em  questão,  mormente  porque,  nem  no  caso  de  compra  de  veículo  para  revenda,  nem  no  de  recebimento  de  automóvel  como  parte  do  pagamento  de  outro,  há,  efetivamente, uma prestação de serviço, mas simples operações de compra e  venda, as quais não se encontram nas exceções previstas pelos artigos 15 e 20  da Lei 9.249/95.                                                              5 sentença, acórdão do TRF 4 e RESP 1.160.907  Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 45          44 3. Esta Corte, em caso análogo, já decidiu ser "Inconcebível que, para fins de  incidência de PIS e Cofins, a compra e venda de veículos seja uma operação  mercantil, devendo as contribuições incidir sobre o valor total da operação, e,  para efeitos de base de cálculo de IRPJ e CSLL, a mesma operação seja uma  prestação de serviços, sujeitando o contribuinte à regra do inciso III do § 1º  do art. 15 da Lei 9.249/1995" (REsp n. 1.201.298/SC, Rel. Ministro Herman  Benjamin, Segunda Turma desta Corte, cujo acórdão foi publicado no DJE do  dia 4/2/2011).  4. Agravo regimental não provido (AgRg no Recurso Especial nº 1.1160.907  ­ SC. Jul. 14 de fevereiro de 2012. Rel. Ministro Benedito Gonçalves).    À minha decisão contida nesta declaração de voto agrego os fundamentos da  decisão  do  REsp  1.160.907  ­  SC,  que  resultou  no  agravo  regimental  cuja  ementa  acima  transcrevi. Eis os fundamentos utilizados pelo Ministro Benedito Gonçalves:  "A  recorrente,  com  fundamento  no  artigo  5º,  da  Lei  9.716/98,  defende  que  as  operações  de  venda  de  veículos  usados,  por  serem  equiparadas  às  operações  de  consignação  devem  ser  consideradas  como  prestação  de  serviço  de  intermediação  de  vendas  e,  por  consequência,  o  IRPJ  e  a  CSLL  sobre  elas  incidente devem ser calculados com base na alíquota de 32%, à  qual estão sujeitas as empresas prestadoras de serviço.  Para dirimir a controvérsia,  faz­se pertinente a transcrição dos  artigos de lei referentes ao tema.  Com efeito, o artigo 5º, da Lei 9.716/98, determina que:  Art. 5º. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado  em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores  poderão  equiparar,  para  efeitos  tributários,  como  operação  de  consignação,  as  operações  de  venda  de  veículos  usados,  adquiridos  para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda  de veículos novos ou usados.  Por  seu  turno, os artigos 15,  inciso III, alínea "a" e 20, da Lei  9.249/95, os quais prevêm a alíquota de 32% para apuração do  IRPJ e da CSLL, assim dispõem:  Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada  mediante a aplicação do percentual de oito por cento  sobre a  receita  bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da  Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205)  III  ­  trinta  e  dois  por  cento,  para  as  atividades  de:  (Vide  Medida  Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a  de  serviços  hospitalares  e  de  auxílio  diagnóstico  e  terapia,  patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes  serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda  às  normas  da  Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária  –  Anvisa;  (Redação dada pela  Lei  nº  11.727,  de  2008).  [...]  Art.  20. A  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  devida  pelas  pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem  os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas  pessoas  jurídicas  desobrigadas  de  escrituração  contábil,  Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 46          45 corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na  legislação  vigente,  auferida  em  cada  mês  do  ano­calendário,  exceto  para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o  inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e  dois  por  cento.  (Redação  dada  Lei  nº  10.684,  de  2003)  Medida  Provisória nº 232, de 2004).  Da leitura dos dispositivos acima, verifica­se que o artigo  5º, da Lei 9.716/98 garante aos contribuintes que tenham  como  objeto  social  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores,  o  direito  de  proceder  à  equiparação  das  vendas  de  veículos  usados  com  as  operações  de  consignação, para fins tributários. (grifos no original)  Os artigos, 15, III, "a" e 20, da Lei 9.249/95, por sua vez,  definem  que  as  bases  de  cálculo  do  IPRJ  e  da  CSLL  referentes  aos  contribuintes  que  realizam  atividades  de  prestação de serviços, correspondem ao percentual de 32%  sobre a receita bruta.  Como  mencionado,  a  Recorrente,  com  fundamento  nas  normas  acima,  editou  a  IN  SRF  nº  390/04  ,  na  qual  se  regulamenta a  forma de determinação da base  de cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  devidos  pelas  pessoas  jurídicas  que  realizam  operações  de  venda  de  veículos  usados,  estabelecendo  que,  a  partir  de  2003,  tais  tributos  serão  apurados com base na alíquota de 32%.  Eis o teor da mencionada norma, no que aqui importa:  [...]Art.  96.  As  pessoas  jurídicas  que  tenham  como  objeto  social,  declarado  em  seus  atos  constitutivos,  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores  poderão  equiparar,  para  efeitos  tributários,  como  operação de  consignação, as operações  de  venda de  veículos usados,  adquiridos  para  revenda,  bem  assim  dos  recebidos  como  parte  do  preço da venda de veículos novos ou usados.  §  1º Os  veículos  usados,  referidos  neste  artigo,  serão  objeto  de Nota  Fiscal  de  Entrada  e,  quando  da  venda,  de  Nota  Fiscal  de  Saída,  sujeitando­se  ao  respectivo  regime  fiscal  aplicável  às  operações  de  consignação.  §  2º  Considera­se  receita  bruta,  para  efeito  deste  artigo,  a  diferença  entre o valor pelo qual o veículo usado  tiver  sido alienado, constante  da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota  fiscal de entrada.  §  3º  Na  determinação  da  base  de  cálculo  estimada  e  do  resultado  presumido ou arbitrado, aplicar­se­á  o  percentual de 12%  (doze por  cento) sobre a receita bruta, definida no § 2º, auferida nos períodos de  apuração ocorridos até 30 de agosto de 2003, e o percentual de 32%  (trinta e dois por cento) para os períodos ocorridos a partir de 1º de  setembro de 2003.  § 4º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata  esta Seção, é o preço ajustado entre as partes.  Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 47          46 § 5º A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da  SRF, o demonstrativo de apuração da base de cálculo a que se refere o  § 2º.  § 6º As disposições desta Seção aplicam­se exclusivamente para efeitos  fiscais (grifos no original).  Conjugando­se  os  artigos  de  lei  acima  transcritos  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa,  percebe­se  claramente  que  esta  extrapolou os limites daqueles, em clara ofensa ao Princípio da  Legalidade  Estrita,  preconizado  pelo  artigo  97,  inciso  IV,  do  CTN, na medida em que agravou a exação existente sem prévia  lei que o permitisse.  De  fato,  a  existência  de  autorização  legal,  destinada  ao  contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às  operações  de  consignação  não  significa  que  estas  atividades  devem  ser  consideradas  como  prestação  de  serviço.  Não  há  como se vislumbrar tal alcance às normas em questão.  Ora, nem no caso de compra de veículo para revenda, nem no de  recebimento  de  automóvel  como  parte  do  pagamento  de  outro,  há,  efetivamente,  uma  prestação  de  serviço,  mas  simples  operações  de  compra  e  venda,  a  qual  não  se  encontra  nas  exceções previstas pelos artigos 15 e 20 da Lei 9.249/95.  No REsp 1.201.298­ SC, julgado em 16/11/2010, tendo por relator o Ministro  HERMAN BENJAMIN, a essência do apelo da Fazenda Nacional era de que "(...) o art. 5º da  Lei  9.716/98,  ao  equiparar  a  operação  de  venda  de  veículos  usados  à  consignação,  para  fins  tributários, acabou na verdade por equipará­la a um contrato de prestação de serviços, haja vista que  a  consignação  seria  um  contrato  de  comissão  e  este  uma  prestação  de  serviço."  Sustentava  a  recorrente de que "os Tribunais já se manifestaram no sentido de que na venda por consignação aquele  que aliena não é possuidor do bem, mas mero intermediário que aufere no caso da venda determinada  comissão. Assim que, a consignação prevista na Lei n. 9.716/98 é uma modalidade de consignação por  comissão." (e­STJ, fl. 190)." Com base em tais argumentos, a recorrente sustentava a legalidade  da  IN 390/04  estabelecendo  base  de  cálculo  de  32% para  as  atividades  que  se  dedicavam  à  compra  e  venda  de  veículos  usados. O STJ,  ao  apreciar  a  questão,  na mesma  linha  em  que  defendo em meu voto, assim decidiu:  IRPJ  E  CSLL.  BASE DE  CÁLCULO.  COMPRA  E  VENDA DE VEÍCULOS  E  RECEBIMENTO  DE  AUTOMÓVEL  COMO  PARTE  DO  PAGAMENTO.  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  AUSÊNCIA  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ART. 15, § 1º, III, DA LEI 9.249/95.  1. As  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL  são,  em  regra,  respectivamente,  8% e  12% da receita bruta. Para as atividades previstas no inciso III do § 1º do art. 15, no  entanto, as bases de cálculo dos tributos corresponderão a 32% da receita bruta.  2.  A  Lei  9.716/95  autorizou  o  contribuinte  a  equiparar,  como  operações  de  consignação, aquelas em que recebe veículo usado como parte do pagamento de um  que foi vendido e em que adquire um outro usado para revenda.  3.  O  comando  legal  é  dirigido  ao  contribuinte.  A  norma  seria  esvaziada  por  completo  se,  com  isso,  fosse  consideravelmente  aumentado  o  custo  tributário  das  operações.  Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 48          47 4. Não ocorre, efetivamente, prestação de serviço, mas simples operação de compra  e  venda,  nos  casos  de  compra  de  veículo  para  revenda  ou  de  recebimento  de  automóvel como parte do pagamento de outro.  5.  Inconcebível que, para fins de incidência de PIS e Cofins, a compra e venda de  veículos seja uma operação mercantil, devendo as contribuições incidir sobre o valor  total  da  operação,  e,  para  efeitos  de  base  de  cálculo  de  IRPJ  e  CSLL,  a  mesma  operação seja uma prestação de serviços, sujeitando o contribuinte à regra do inciso  III do § 1º do art. 15 da Lei 9.249/1995.  6.  Recurso  Especial  não  provido.  (REsp  1.201.298­  SC.  Rel. Ministro HERMAN  BENJAMIN. Julgado em 16/11/2010).     Em resumo, em se tratando de compra e venda de veículos usados, quer seja  por  empresas  do SIMPLES  ou  não,  por  ficção  legal,  tem­se por  receita  "a  diferença  entre  o  preço  de  aquisição  e  de  venda  do  veículo."  No  caso  das  empresas  do  simples  a  base  legal  tributável será a integralidade do valor correspondente "a diferença entre o preço de aquisição e  de  venda  do  veículo".  Para  as  empresas  tributadas  com  base  no  lucro  presumido  pega­se  a  receita apurada conforme o artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998 e aplica­se o percentual de 8%,  previsto no artigo 15, caput, da Lei nº 9.249, de 1997.  No  caso  concreto,  do  equívoco  da  autoridade  fiscal  quanto  à  apuração  da  receita  tributável,  resultou  a  conclusão  de  que  a  contribuinte,  em  2006,  teria  extrapolado  os  limites para continuar operando no SIMPLES, motivo pelo qual, para o ano seguinte, resultou  tributada com base no lucro arbitrado. Contudo, quando se corrigem os equívocos tem­se que  não persiste a autuação, quer em relação ao ano de 2006, quer em relação ao ano de 2007.     ISSO  POSTO,  voto  no  sentido  de  prover  o  recurso  para  canelar  o  lançamento.     (Assinado digitalmente)  Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva    Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 49          48     Declaração de Voto      Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.    Em apertada síntese, a empresa, optante do Simples no ano­calendário 2006,  foi autuada para aquele período por entender o Fisco não ser cabível a aplicação do disposto no  artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Como consequência, foi fixado como receita o valor integral  da  venda  dos  veículos  e  não  apenas  a  diferença  entre  o  preço  de  aquisição  e  de  venda,  conforme  estabelece  o  referido  comando  legal.  Decorreu  disso  a  exclusão  da  empresa  da  sistemática  simplificada,  a  partir  do  ano­calendário  2007,  já  que  apurada  receita  acima  do  limite permitido para o Simples, e a apuração de exigência com base no lucro presumido.   Com efeito, o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, estabelece que:  “As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado  em  seus  atos  constitutivos,  a  compra  e  venda  de  veículos  automotores  poderão  equiparar,  para  efeitos  tributários,  como  operação  de  consignação,  as  operações  de  venda  de  veículos  usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como  parte do preço da venda de veículos novos ou usados.  Parágrafo  único.  Os  veículos  usados,  referidos  neste  artigo,  serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de  Nota Fiscal de Saída,  sujeitando­se ao  respectivo  regime  fiscal  aplicável às operações de consignação”.   O fato de o artigo não particularizar as pessoas jurídicas beneficiadas com o  tratamento  tributário  nele  estabelecido  deixa  claro  que  a  sua  intenção  é  a  de  privilegiar  a  atividade explorada. Quer­me parecer claro, portanto, que qualquer pessoa jurídica que cumpra  os  requisitos  estabelecidos  no  sobredito  dispositivo  legal,  independentemente  do  regime  de  tributação  adotado  ou  da  opção  pela  forma  de  pagamento  dos  tributos  devidos,  fará  jus  ao  tratamento tributário favorecido nele previsto.   Não obstante, a  Instrução Normativa SRF nº 152, de 1998, ao regulamentá­ lo, estabeleceu, no seu art. 1º, que a beneficiária do tratamento tributário ali previsto é a pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação  pelo  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado.   Seguramente para alguns, entre os quais se encontra a autuante, o  fato de a  norma  complementar  não  mencionar  a  pessoa  jurídica  optante  pelo  Simples  a  exclui  do  tratamento tributário favorecido previsto na lei.  Com a devida vênia daqueles que compartilham tal entendimento, frustrar­se­ ia, por certo, o objetivo da Lei nº 9.317, de 1996, e da Lei Complementar nº 123, de 2006, caso  prevalecesse  essa  interpretação.  Afinal,  seria  uma  incongruência  político­jurídica  se  um  Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 50          49 tratamento  tributário  privilegiado  destinado  às  micro  e  pequenas  empresas  acabasse  por  prejudicá­las.  Por outro lado, há de se convir que, afora o lucro real, qualquer outro lucro é,  em  última  análise,  presumido,  tenha  ele  a  denominação  que  tiver.  O  lucro  arbitrado,  por  exemplo, não deixa de ser presumido. Aliás, lembro que a ele se chega mediante o emprego do  coeficiente  de  determinação  do  lucro  que  a  lei  houve  por  bem  denominar  de  “presumido”,  majorado em 20% (vinte por cento).  Como tanto o imposto quanto a contribuição incidem sempre sobre o lucro, é  certo  que,  mesmo  aqueles  que  optam  pelo  sistema  simplificado  de  pagamento,  pagam  o  imposto  e  a  contribuição  com  base  num  lucro  que  também  é  presumido.  Isto  é  matematicamente provável. A simplificação do sistema, porém, faz com que se salte a etapa de  apuração  do  lucro,  indo­se  direto  para  a  quantificação  dos  tributos,  que,  englobados,  são  recolhidos sob um único código de receita.  E  para  fulminar  qualquer  dúvida  de  que  a  Administração  Tributária  reconhece  o  direito  da  pessoa  jurídica  optante  pelo  Simples  de  se  equiparar  a  que  efetua  operações de consignação, transcrevo uma das ementas do Parecer Cosit nº 45, de 17.10.2003,  que diz:  “POSSIBILIDADE DE INGRESSO NO SIMPLES. OPERAÇÕES  EM  CONSIGNAÇÃO  POR  COMISSÃO.  OPERAÇÕES  DE  VENDA DE VEÍCULOS USADOS.  É  facultado  às  pessoas  jurídicas  que  realizem  operações  em  consignação  por  comissão  (contratos  de  comissão,  arts.  693  a  709, do Novo Código Civil, Lei no 10.406, de 2002), e às a elas  equiparadas, o ingresso no Sistema Integrado de Pagamento de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno Porte (Simples), por não configurarem estas atividades  mera intermediação de negócios.   Dispositivos Legais: Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996,  art. 9o, XIII.”  Estou certo, portanto, de que o procedimento fiscal contrariou a legislação de  regência da matéria ao estabelecer, como ponto de partida dos lançamentos, o preço de venda  dos veículos adquiridos para revenda.  Assentado  este  entendimento,  observo  que,  de  acordo  com  o  art.  142  do  CTN, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento; é da  sua  competência,  portanto,  determinar  a matéria  tributável  e  calcular  o  montante  do  tributo  devido. E a autoridade administrativa que constitui o lançamento é a que procede à auditoria, a  que fiscaliza. Logo, a ela compete determinar a matéria tributável e o tributo por ventura não  determinados pelo contribuinte objeto de fiscalização. Se a autoridade se equivoca ao aplicar a  legislação  de  regência  da  matéria  examinada  e,  por  conseguinte,  deixa  de  determinar  corretamente a matéria tributável e o tributo devido, não cabe à autoridade julgadora fazer os  acertos  necessários  para  ajustar  o  lançamento  à  legislação  tributária,  pois  este  procedimento  configuraria inovação, inadmissível na fase contenciosa do processo.  Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 10830.001279/2011­91  Acórdão n.º 1101­001.615  S1­C1T1  Fl. 51          50 É de bom alvitre notar que, neste caso, não se trata de afastar uma parte da  matéria  tributável  que  se  reputa  improcedente;  trata­se  de  dar  nova  configuração  a  um  lançamento cuja matéria  tributável e, consequentemente, o  tributo cobrado se apresentam em  desacordo com a lei, em virtude de lapso na sua interpretação.  Diante do exposto, não vejo outro caminho senão o de rejeitar integralmente  os lançamentos decorrentes da acusação de omissão de receitas de vendas, dando provimento  ao recurso voluntário apresentado.    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar.         Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assina do digitalmente em 28/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR

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