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Numero do processo: 13701.000806/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PDV. ISENÇÃO. FALTA DE PROVA. INDEFERIMENTO DA PRETENSÃO.
Para caracterizar um programa de demissão voluntária - cujas verbas estejam sujeitas à isenção do Imposto de Renda, é necessário que o mesmo preencha determinadas características, entre as quais: i) implique na efetiva perda do emprego; e ii) seja direcionado a uma generalidade de funcionários, que serão elegíveis para aderir ao plano. Sem a prova de existência do plano, não se pode considerar isenta a verba recebida pelo Recorrente.
Numero da decisão: 2102-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Bernardo Schmidt, que participou do julgamento em primeira instância.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 26/11/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PDV. ISENÇÃO. FALTA DE PROVA. INDEFERIMENTO DA PRETENSÃO. Para caracterizar um programa de demissão voluntária - cujas verbas estejam sujeitas à isenção do Imposto de Renda, é necessário que o mesmo preencha determinadas características, entre as quais: i) implique na efetiva perda do emprego; e ii) seja direcionado a uma generalidade de funcionários, que serão elegíveis para aderir ao plano. Sem a prova de existência do plano, não se pode considerar isenta a verba recebida pelo Recorrente.
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ISENÇÃO. FALTA DE PROVA. INDEFERIMENTO DA PRETENSÃO. Para caracterizar um programa de demissão voluntária cujas verbas estejam sujeitas à isenção do Imposto de Renda, é necessário que o mesmo preencha determinadas características, entre as quais: i) implique na efetiva perda do emprego; e ii) seja direcionado a uma generalidade de funcionários, que serão elegíveis para aderir ao plano. Sem a prova de existência do plano, não se pode considerar isenta a verba recebida pelo Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Bernardo Schmidt, que participou do julgamento em primeira instância. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 1. 00 08 06 /2 00 7- 27 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 57/60, por meio da qual foi alterado o valor do Imposto de Renda Pessoa Física a restituir declarado de R$63.163,86 (sessenta e três mil, cento e sessenta e três reais e oitenta e seis centavos), para Imposto a Restituir Ajustado de R$16.467,53 (dezesseis mil, quatrocentos e sessenta e sete reais e cinquenta e três centavos), relativo ao exercício 2004, anocalendário 2003, motivado pela “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício”. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$182.690,56 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s)abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. Do total de R$231.140,58, foram excluídos os seguintes valores: R$1.200,00 – pagamento ao perito R$35.385,43 – pagamento de honorários advocatícios R$11.864,59 – pagamento de honorários advocatícios Estes valores foram comprovados através de recibos. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 03, por meio da qual alegou que: Referente declaração n° 0715627306, data de entrega 1803 2004, exercício 2004, anocalendário 2003. Com resultado de omissão do valor de R$182.690,56 (cento e oitenta e dois mil, seiscentos e noventa reais, e cinqüenta e seis centavos). Comunico que este rendimento foi de uma causa movida contra o empregador em valores referentes ao PDV (Programa de Demissão Voluntária), no processo de n° 00505016/974. Proc. (CS) nº50505.016/990 (anexos e condições ITE nº 3. Acordo foram apurados conforme ali demonstrado). Valor bruto foi de R$231.140,58 (duzentos e trinta e um mil, cento e quarenta reais, e cinqüenta e oito centavos), subtraídos os pagamentos de perito e honorários advocatícios no valor de R$48.450,02 (quarenta e oito mil, quatrocentos e cinqüenta reais, e dois centavos), sendo esta ação movida em termos de Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13701.000806/200727 Acórdão n.º 2102003.178 S2C1T2 Fl. 66 3 rescisão do contrato de trabalho pelo acordo PDV em 19/11/1996. Na análise de suas alegações, os integrantes da 1ª Turma da DRJ/RJ2 decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, ratificandose o valor a restituir apurado pela Fiscalização, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 VALOR PAGO POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE PDV. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Valores recebidos não comprovadamente caracterizados como incentivo à adesão a programa de demissão voluntária são tributáveis pelo Imposto sobre a Renda, uma vez que as isenções e nãoincidências requerem interpretação literal da disposição legal concessiva. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 49, por meio do qual reitera as alegações contidas em sua Impugnação, apresentando novos documentos, e ressalta ainda o seguinte: “Com esta e alertando a pesquisar Ref. Este processo em andamento a tantos anos. Foi verificado que não foi lançado o valor de: R$231.140,58 na declaração de exercício 2004 e nem enviado o comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fontePessoa Físicaanocalendário 2003 segue anexo. Venho por meio deste relatório acrescentar o Darf que é o valor: R$63.140,58 Guia da Previdência SocialGPS Notificação de lançamento Nº 2004/607450239904028. Também sem o lançamento deste valor: R$231.140,58 no campo Rend. Recebidos de Pessoa JurídicaCNPJ Nº90.400.888/0001 42Banco Santander Meridional S/A. Somente o valor de R$63.140,58 de Imposto na Fonte”. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 11.04.2011, como atesta o AR de fls. 48. O Recurso Voluntário foi interposto em 11.05.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da omissão de rendimentos que o Recorrente alega serem isentos por se tratar de valores recebidos no âmbito de PDV. A decisão recorrida negou sua pretensão baseada na ausência de provas de que os valores recebidos seriam relativos a um verdadeiro PDV, pois decorrentes de acordo firmado em ação trabalhista. No recurso, o Recorrente discorre sobre o valor recebido, o IRRF retido e o valor pago a título de contribuição previdenciária sobre a parcela recebida em juízo. Não traz, porém, qualquer argumento e/ou documento que pudesse contraditar as razões expostas na decisão recorrida. Com efeito, compulsando os autos, não há prova de que os valores recebidos pelo Recorrente se referiam a PDV, pois as cópias extraídas do processo judicial trabalhista demonstram que o montante de R$ 231.140,58 recebido por ele era decorrente de acordo firmado entre as partes no processo judicial. Releva notar ainda que, a despeito de haver uma correspondência nos autos (fls. 19) por meio da qual o Recorrente pugna a sua inclusão em um “programa de reestruturação organizacional – PRO”, não há maiores detalhes sobre o que seria o referido programa. Ademais, o documento de fls. 22 demonstra que a rescisão do contrato de trabalho entre o Recorrente e o Banco Meridional foi extinta por demissão sem justa causa, verbis: Comunicamoslhes que, a partir desta data, fica rescindido seu Contrato de Trabalho, até aqui existente, sem justa causa. Dessa forma, solicitamos seu comparecimento no Sindicato dos Bancários desta localidade, no dia 22/11/1996, às 14:00 horas, para quitação do Contrato de Trabalho e recebimento de seus haveres trabalhistas. (Não havendo Sindicato na localidade a homologação darseá nesta Unidade, na mesma data e hora) Outrossim, foi determinada a realização de diligência (fls. 32) para que o Recorrente trouxesse aos autos documentação comprobatória de suas alegações. Intimado, ele trouxe aos autos cópias dos mesmos documentos já anexados anteriormente. Assim, é de se concluir que realmente não há qualquer prova nos autos que permita confirmar a alegação do Recorrente de que as verbas recebidas se refariam a PDV, razão pela qual não se pode falar em isenção sobre as mesmas, devendo ser mantida a decisão recorrida. Assim, VOTO no sentido NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13701.000806/200727 Acórdão n.º 2102003.178 S2C1T2 Fl. 67 5 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004871/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 75 1 74 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.004871/200946 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.333 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRACAO ADUANEIROADUANA Recorrente TAM LINHAS AEREAS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 71 /2 00 9- 46 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004871/200946 Acórdão n.º 3801005.333 S3TE01 Fl. 76 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004871/200946 Acórdão n.º 3801005.333 S3TE01 Fl. 77 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 25.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada à fl. 10, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 15 a 23, argumentando, em síntese, que: a) não houve subsunção do fato acusado com a hipótese normativa prevista no art. 107, inciso IV da Lei n° 10.833, de 2003; b) ocorreu violação ao princípio da razoabilidade; c) a exigência para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave é exacerbada; d) há um excesso de punição, não pode ser considerado cada um dos vôos realizados como base para a aplicação da multa; e e) o registro intempestivo dos dados de embarque das mercadorias não se confunde com a falta de prestação de referidas informações. ,.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004871/200946 Acórdão n.º 3801005.333 S3TE01 Fl. 78 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional... É o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004871/200946 Acórdão n.º 3801005.333 S3TE01 Fl. 79 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram em 2004, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004871/200946 Acórdão n.º 3801005.333 S3TE01 Fl. 80 6 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004871/200946 Acórdão n.º 3801005.333 S3TE01 Fl. 81 7 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges . Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.014920/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Comprovados o efetivo pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família.
DEDUÇÕES. DEPENDENTES. ENTEADO.
É possível a dedução de enteado como dependente, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, desde que não incluído também como dependente na declaração de ajuste anual do cônjuge.
DEPENDENTES. DEDUÇÃO CUMULATIVA COMO DEPENDENTE E COMO ALIMENTANDO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível, na declaração de ajuste anual, cumulativamente, a dedução com dependentes e com o pagamento de pensão alimentícia, relativa aos mesmos beneficiários. Art. 78 do RIR/1999.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, despesas com instrução do dependente relacionado na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer os valores de R$ 100.236,69 como dedução de pensão alimentícia judicial e R$5.091,24 como dedução de despesas médicas.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Comprovados o efetivo pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. ENTEADO. É possível a dedução de enteado como dependente, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, desde que não incluído também como dependente na declaração de ajuste anual do cônjuge. DEPENDENTES. DEDUÇÃO CUMULATIVA COMO DEPENDENTE E COMO ALIMENTANDO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível, na declaração de ajuste anual, cumulativamente, a dedução com dependentes e com o pagamento de pensão alimentícia, relativa aos mesmos beneficiários. Art. 78 do RIR/1999. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, despesas com instrução do dependente relacionado na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Comprovados o efetivo pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. ENTEADO. É possível a dedução de enteado como dependente, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, desde que não incluído também como dependente na declaração de ajuste anual do cônjuge. DEPENDENTES. DEDUÇÃO CUMULATIVA COMO DEPENDENTE E COMO ALIMENTANDO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível, na declaração de ajuste anual, cumulativamente, a dedução com dependentes e com o pagamento de pensão alimentícia, relativa aos mesmos beneficiários. Art. 78 do RIR/1999. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, despesas com instrução do dependente relacionado na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 49 20 /2 00 7- 12 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer os valores de R$ 100.236,69 como dedução de pensão alimentícia judicial e R$5.091,24 como dedução de despesas médicas. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife (PE) – DRJ/REC. Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 3036, no qual é exigido o Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar, relativamente ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 33.274,65, que, acrescidos dos encargos legais, perfaz um crédito tributário total de R$ 68.262,93. 2. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 0304) os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: "Dedução Indevida de Dependente Conforme disposto no art. 73 do Decreto nº 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação, até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 6.360,00, deduzido indevidamente a título de Dependentes, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Despesas Médicas Conforme disposto no art. 73 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.014920/200712 Acórdão n.º 2202002.982 S2C2T2 Fl. 151 3 Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação, até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 15.768,98, deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Despesas com Instrução Conforme disposto no art. 73 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação, até à presente data. Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 5.994,00, deduzido indevidamente a título de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial Conforme disposto no art. 73 do Decreto nº 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação, até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de RS 100.239,69, deduzido indevidamente a título de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação." 3. O contribuinte apresentou em 12/12/2007 a impugnação de fl. 01, com as seguintes alegações, em síntese: 3.1. que fora encaminhada para a antiga residência do autuado uma comunicação para comparecimento na Delegacia da Receita Federal, a fim de prestar esclarecimentos relativos a dependentes, despesas com instrução, despesas médicas e pensão alimentícia; 3.2. ao dirigirse à delegacia foi informado que sua despesa teria sido desconsiderada por não esclarecimento durante a verificação mais detalhada; 3.3. apresenta cópia dos comprovantes das despesas citadas e pede reconsideração do seu imposto de renda, cancelando o aviso de cobrança. A DRJ/REC julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES PRÓPRIOS. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Na hipótese de declaração entregue em separado, o contribuinte apenas pode efetuar as deduções correspondentes a seus dependentes próprios. Os dependentes próprios podem ser incluídos na declaração apresentada em nome do outro cônjuge ou companheiro, somente se um cônjuge ou companheiro apresentar declaração em conjunto onde estejam sendo tributados rendimentos de ambos os cônjuges ou companheiros. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, despesas com instrução do dependente relacionado na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as importâncias pagas em dinheiro a titulo de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão em 27 de agosto de 2010 (fl. 77), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 23 de setembro de 2010 (fls. 78 a 139), no qual alega, em resumo: embora todos os pagamentos lançados por ele em sua declaração de imposto de renda do exercício 2005 tenham sido feitos diretamente pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, a DRJ/REC não acatou as suas razões; as pensões alimentícias pagas pelo recorrente decorrem todas de decisão judicial de são pagas diretamente pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, órgão empregador do recorrente, por meio de desconto em folha de pagamento; nesse sentido, devem ser mantidos os abatimentos das seguintes pensões alimentícias judiciais: a) Casimiro de Medeiros Ulisses R$ 29.922,60; b) Marília de Medeiros Ulisses R$ 29.922,60; c) Isabel de Araújo Ulisses R$ 22.441,96; d) Giovani Parente Ulisses R$ 17.953,61, pago através de sua genitora Eleneuza Granja Parente; em um total de R$ 100.240,77; a decisão recorrida excluiu do rol de dependentes as suas enteadas Jéssica Brito Noronha e Eduarda Brito Noronha, sob argumento de que são dependentes próprios de Nelma Maria Brito Ulisses, contrariando o disposto no art. 35 da Lei nº 9.250/1995; o recorrente pagava as despesas com educação e saúde das enteadas Jéssica Brito Noronha e Eduarda Brito Noronha, conforme demonstrativo de pagamento emitido pelo plano de saúde Campe; tendo a Lei n° 9.250/1995 permitido a opção de qualquer dos cônjuges lançar os dependentes na declaração de imposto de renda, não há qualquer ilegalidade ou mesmo equivoco do recorrente ao lançar as enteadas Jéssica Brito Noronha e Eduarda Brito Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.014920/200712 Acórdão n.º 2202002.982 S2C2T2 Fl. 152 5 Noronha como dependentes em sua declaração de renda, nos termos do inciso III, do art. 35 da referida lei; estão demonstrados e individualizados os pagamentos com plano de saúde feitos pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, por meio de desconto em folha de pagamento, nos seguintes valores: a Romão Ulisses Sampaio R$ 3.038,40; b) Eduarda Brito Noronha R$ 1.026,42; c) Eleneuza Granja Parente Ulisses R$ 3.038,40; d) Jéssica Brito Noronha R$ 1.026,42; e) Nelma Maria Brito Ulisses R$ 1.828,26; em um total de R$ 9.957,90. O recorrente anexo ao recurso voluntário cópia dos seguintes documentos: a) Comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte do anocalendário 2004; b) Planilha de pagamentos ao plano de saúde CAMPE – Caixa de Assistência dos Magistrados de Pernambuco , individualizada por beneficiário; c) Ofício do Juiz de Direito determinando o pagamento de pensão alimentícia para Isabel de Araújo Ulisses, a partir de 09/1997; d) Sentença do divórcio e ofícios do Juiz de Direito, de 07/12/2004 e de 30/03/2009, determinando o pagamento de pensão alimentícia para Casimiro de Medeiros Ulisses e Marilia de Medeiros Ulisses; e) Certidão de casamento de Romão Ulisses Sampaio e Tereza Maria Bezerra de Medeiros; f) Certidões de nascimento de Casimiro de Medeiros Ulisses e Marília de Medeiros Ulisses; g) Certidão de óbito de Tereza Maria Bezerra de Medeiros; h) Sentença do divórcio entre Romão Ulisses Sampaio e Eleneuza Granja Parente Ulisses; i) Ofício do Juiz de Direito, de 22/07/2003, determinando o pagamento de pensão alimentícia para Giovani Parente Ulisses. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Tratase de Notificação de Lançamento, pela qual é exigido o Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar, relativamente ao anocalendário de 2004, referente à glosa de dedução de dependentes, de pensão alimentícia e de despesas médicas e de instrução. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Da dedução com pensão alimentícia judicial O recorrente relacionou em sua DAA o pagamento de R$ 100.239,69, a título de pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, para o anocalendário 2004, exercício 2005 (fl. 12 do eprocesso), onde se verifica o desconto de R$ 100.240,77, a titulo de pensão alimentícia, estando relacionado nas Informações Complementares do comprovante que este montante se destina a Casimiro de Medeiros Ulisses (R$ 59.845,20), Márcia Corte Real de Araújo (R$ 22.441,96) e Eleneuza Granja Parente Ulisses (R$ 17.953,61). A DRJ manteve a glosa efetuada pela Fiscalização por entender que o contribuinte não comprovou que o pagamento deuse em razão e por força de cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. No entanto, por ocasião do recurso voluntário, o contribuinte logrou comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos (fls. 87 a 143), que os valores pagos a título de pensão alimentícia foram em obediência às decisões judiciais Os valores pagos a título de pensão alimentícia totalizaram R$ 100.240,77 no ano de 2004, e foram assim destinados; R$ 59.845,20, pagos a Casimiro de Medeiros Ulisses, correspondentes à pensão alimentícia dele, Casimiro, e de sua irmã Marília de Medeiros Ulisses, no valor de R$ 29.922,60 para cada um; R$ 22.441,96, pagos a Márcia Corte Real de Araújo, relativos à pensão alimentícia de Isabel de Araújo Ulisses; R$ 17.953,61, pagos a Eleneuza Granja Parente, referentes à pensão alimentícia de Giovani Parente Ulisses. Portanto, tendo em vista os documentos acostados aos autos, deve ser afastada a glosa de R$ 100.239,69 referente ao pagamento de pensão alimentícia judicial. Da dedução de dependente O contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA – os seguintes dependentes: Código Nome do dependente 21 Jéssica Brito Noronha 21 Eduarda Brito Noronha Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.014920/200712 Acórdão n.º 2202002.982 S2C2T2 Fl. 153 7 21 Isabel de Araújo Ulisses 21 Romão de Araújo Ulisses 21 Giovani Parente Ulisses A decisão de primeira instância acatou a dedução do valor de R$ 3.816,00, referente aos dependentes Isabel de Araújo Ulisses, Romão de Araújo Ulisses e Giovani Parente Ulisses, por ter sido comprovado que são filhos do contribuinte fiscalizado. No entanto, manteve a glosa de R$ 2.544,00, relativa aos dependentes Jéssica Brito Noronha e Eduardo Brito Noronha, por considerar que eles são seus enteados e não poderiam ser incluídos como dependentes, pois a mãe deles, Nelma Maria Ulisses Brito cônjuge do contribuinte apresentou declaração em separado. Conforme excerto do voto condutor da decisão da DRJ, o cônjuge do contribuinte, Nelma Maria Ulisses Brito, apresentou DAA do exercício 2005 no modelo simplificado, não tendo relacionado nenhum dependente. 18. O impugnante informou na DIRPF o CPF n° 593.971.44472 de sua cônjuge (Nelma Maria Silvino Brito). A fl. 13 está acostada a certidão de casamento de Romão Ulisses Sampaio (impugnante) e Nelma Maria Silvino Brito, a qual passou a adotar o nome Nelma Maria Brito Ulisses a partir de 12/12/2003, tendo entregue D1RPF para o exercício 2005 no modelo simplificado, não relacionando nenhum dependente. 19. Por seu turno, constam às fls. 2425 que os dependentes Jessica Brito Noronha e Eduarda Brito Noronha, nascidos nas datas acima declaradas, são filhos de Nelma Maria Brito Noronha e Arnõ Rodrigues Noronha. É possível inferir, pelo nome de familia2 constante na certidão de casamento citada que Nelma Maria Brito Noronha é o nome adotado por Nelma Maria Silvino Brito. A DRJ entendeu que no caso de contribuintes apresentarem declaração em separado, apenas os dependentes comuns podem ser declarados na declaração de um ou outro declarante. Nesse caso, o contribuinte somente pode efetuar as deduções correspondentes aos seus dependentes próprios. A decisão cita as orientações contidas no Livro de Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Física, para o exercício 2005, editado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e disponível em seu sitio na internet: DEPENDENTE PRÓPRIO, DECLARADO PELO OUTRO CÔNJUGE 318 — Para efeito de dedução, os dependentes próprios de um dos cônjuges ou companheiros podem ser considerados na declaração do outro cônjuge companheiro? Não. O contribuinte pode efetuar apenas as deduções correspondentes a seus dependentes próprios. Assim, somente se um cônjuge ou companheiro apresentar declaração em conjunto onde estejam sendo tributados rendimentos de ambos os cônjuges ou companheiros, seus dependentes próprios podem ser incluídos na declaração apresentada em nome do outro cônjuge ou companheiro. Contudo, se o cônjuge ou companheiro apresentar declaração em separado, os seus dependentes próprios só podem constar em sua declaração de rendimentos. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 A DRJ entendeu que Jéssica Brito Noronha e Eduardo Brito Noronha são dependentes próprios de Nelma Maria Ulisses Brito e, portanto, apenas poderiam ser dependentes do recorrente, caso ele apresentasse sua DAA em conjunto com aquela. Entretanto, entendo que está equivocado o entendimento da turma da DRJ, pois Jéssica Brito Noronha e Eduardo Brito Noronha são enteados do contribuinte fiscalizado e, nessa condição, são também seus dependentes próprios. Vejase que enteado é considerado dependente, conforme o disposto no art. 35 da Lei nº 9.250/1995. Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. A condição de enteado/enteada é diferente da condição de sogro/sogra, cunhado/cunhada, pois esses são dependentes próprios do cônjuge, só podendo ser incluídos quando a declaração for efetuada em conjunto. Já o enteado/enteada está incluído no rol de dependentes do art. 35, acima referido, do mesmo modo que um filho/filha. Se fosse um filho, ele somente não poderia ser dependente se constasse também na declaração do outro cônjuge. A meu sentir, a única restrição de inclusão de enteado como dependente é se ele for relacionado como dependente na declaração do outro cônjuge, de acordo com o § 4º do art. 35, assim como o filho/filha. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.014920/200712 Acórdão n.º 2202002.982 S2C2T2 Fl. 154 9 Se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador incluir o enteado/enteada no rol de dependentes do artigo 35, uma vez que eles já seriam dependentes do cônjuge, na condição de filho/filha. Dessa forma, entendo que os enteados Jéssica Brito Noronha e Eduardo Brito Noronha podem ser incluídos como dependentes na DAA do seu padrasto, Romão Ulisses Sampaio, ora recorrente, posto que não foram incluídos na declaração de sua mãe, cônjuge do recorrente. Por conseguinte, devem ser afastadas as glosas relativas a eles, no valor de R$ 2.544,00. Quanto aos dependentes Isabel de Araújo Ulisses e Giovani Parente Ulisses, observase que eles são alimentandos do contribuinte fiscalizado e as pensões alimentícias pagas a eles foram acatadas nesta decisão como dedutíveis, conforme abaixo. R$ 22.441,96, pagos a Márcia Corte Real de Araújo, relativos à pensão alimentícia de Isabel de Araújo Ulisses; R$ 17.953,61, pagos a Eleneuza Granja Parente, referentes à pensão alimentícia de Giovani Parente Ulisses. O contribuinte não pode deduzir, na declaração de ajuste anual, cumulativamente, o pagamento com pensão alimentícia e a dedução com dependentes, relativa aos mesmos beneficiários. O pagamento da pensão alimentícia, para efeito da legislação do imposto de renda, substitui as outras deduções que possa ter o contribuinte com os alimentandos. É o que dispõe o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n º9.250, de 1995, art. 4 º , inciso II). § 1 º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. [...] Desse modo, devem ser glosados os valores relativos à dedução dos dependentes Isabel de Araújo Ulisses e Giovani Parente Ulisses, que correspondem a R$ 2.544,00. Como a decisão de primeira instância glosou esse mesmo valor, só que relativo aos dependentes Jéssica Brito Noronha e Eduardo Brito Noronha, glosa essa que foi afastada nesta decisão, concluise que, em termos de valores glosados, não há alteração a ser feita na decisão da DRJ, consoante tabela abaixo. Dependentes Deduções na DAA (R$) Glosas pela DRJ (R$) Glosas nesta decisão (R$) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Jéssica Brito Noronha 1.272,00 1.272,00 0,00 Eduarda Brito Noronha 1.272,00 1.272,00 0,00 Isabel de Araújo Ulisses 1.272,00 0,00 1.272,00 Romão de Araújo Ulisses 1.272,00 0,00 0,00 Giovani Parente Ulisses 1.272,00 0,00 1.272,00 Total 6.360,00 2.544,00 2.544,00 Da dedução de despesa com instrução O recorrente relacionou em sua DAA ter efetuado pagamento ao Colégio Boa Viagem para a dependente Isabel de Araújo Ulisses, no valor de R$ 4.716,00. Também relacionou despesas a título de instrução efetuadas em favor de Jéssica Brito Noronha e Eduarda Brito Noronha, pagas ao Colégio Damas, no valor de R$ 4.260,00 para cada uma. Entretanto, não apresentou nenhum comprovante desses dispêndios. O RIR/99 assim dispõe sobre as deduções com instrução: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8ª , inciso II, alínea "b"). § 1 º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , inciso II, alínea "b"). § 2 º Não serão dedutíveis as despesas com educação de menor pobre que o contribuinte apenas eduque (Lei n º 9.250, de 1995, art. 35, inciso IV). § 3 º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , § 3 º ). § 4 º Poderão ser deduzidos como despesa com educação os pagamentos efetuados a creches (Medida Provisória n º 1.74937, de 1999, art. 7 º ). Dessa forma, em virtude da falta de comprovação dos valores pagos, devem ser mantidas as glosas referentes às deduções de despesas com instrução, no valor de R$ 5.994,00. Da dedução com despesas médicas O contribuinte relacionou em sua DAA o pagamento de R$ 15.768,98 a título de despesas médicas, sendo R$ 14.658,98 pagos à AMEPE – CAMPE e R$ 1.110,00 ao Hospital Progresso. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.014920/200712 Acórdão n.º 2202002.982 S2C2T2 Fl. 155 11 O recorrente juntou aos autos os seguintes comprovantes: a) Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, para o anocalendário 2004 (fl. 12 do eprocesso), onde consta o valor pago de R$ 11.459,15, a título de despesas médicas, odontológicas e hospitalares; b) Declaração da Caixa de Assistência dos Magistrados de Pernambuco (fl. 21 do eprocesso), informando que o contribuinte pagou a importância de R$ 11.459,15, mediante débito em folha, referente ao plano de saúde; c) Declaração da Associação dos Magistrados do Estado de Pernambuco (AMEPE) (fl. 22 do eprocesso), informando que o contribuinte pagou a importância de R$ 3.199,83 referente às mensalidades de associado no ano de 2004; d) Planilha da Caixa de Assistência dos Magistrados de Pernambuco (fl. 86 do eprocesso), onde constam os pagamentos efetuados ao plano de saúde CAMPE, por beneficiário. Conforme a planilha de fl. 86 do eprocesso, os valores informados pelo plano de saúde estão assim discriminados, por beneficiário: Beneficiário Valor (R$) Romão Ulisses 3.038,40 Eduarda Brito Noronha 1.026,42 Eleneuza Granja Parente Ulisses 3.038,40 Jéssica Brito Noronha 1.026,42 Nelma Maria Brito Ulisses 1.828,26 Total 9.957,90 O art. 80 do RIR/99 dispõe sobre as deduções de despesas médicas. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Somente podem ser deduzidos os pagamentos de despesas médicas relativas ao próprio contribuinte e seus dependentes. Eleneuza Granja Parente Ulisses é sua exesposa e Nelma Maria Brito Ulisses é a atual esposa, mas apresentou declaração em separado. Assim, como elas não são suas dependentes, os valores pagos relativos a elas devem ser excluídos das deduções do imposto de renda. No entanto, devem ser afastadas as glosas referentes às despesas médicas de Romão Ulisses, Eduarda Brito Noronha e Jéssica Brito Noronha, no valor de R$ 5.091,24, por se tratar de despesas médicas com o próprio contribuinte e com seus dependentes. Assim, devem ser mantidas as seguintes glosas referentes às despesas médicas, em um montante de R$ 10.677,74: Eleneuza Granja Parente Ulisses e Nelma Maria Brito Ulisses, no valor de R$ 4.866,66, por não serem dependentes do contribuinte fiscalizado; AMEPECAMPE, no valor de R$ 4.701,08, sendo R$ 3.199,83, por ser referente às mensalidades de entidade associativa e R$ 1.501,25, por falta de comprovação; Hospital Progresso, no valor de R$ 1.110,00, por falta de comprovação. Segue um resumo das glosas efetuadas de deduções de despesas médicas: Glosas de despesas médicas Valor (R$) Efetuadas pela Fiscalização 15.768,98 Mantidas pela DRJ 15.768,98 Mantidas nesta decisão 10.677,74 Afastadas nesta decisão 5.091,24 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar as seguintes glosas: a) R$ 100.239,69, referente ao pagamento de pensão alimentícia judicial; b) R$ 5.091,24, por se tratar de despesas médicas realizadas com o próprio contribuinte e com seus dependentes Eduarda Brito Noronha e Jéssica Brito Noronha. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.014920/200712 Acórdão n.º 2202002.982 S2C2T2 Fl. 156 13 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000112/2002-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O Despacho Decisório, ao não apreciar os documentos do contribuinte juntados aos autos, cerceou o direito de defesa do contribuinte, incorrendo, assim, na nulidade prescrita no inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF - Processo Administrativo Fiscal).
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-001.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de cerceamento do direito de defesa, para declarar a nulidade do processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente DF MADEIRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O Despacho Decisório, ao não apreciar os documentos do contribuinte juntados aos autos, cerceou o direito de defesa do contribuinte, incorrendo, assim, na nulidade prescrita no inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF Processo Administrativo Fiscal). É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de cerceamento do direito de defesa, para declarar a nulidade do processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 01 12 /2 00 2- 45 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13977.000112/200245 Acórdão n.º 3202001.459 S3C2T2 Fl. 566 2 O presente processo trata de pedido de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, protocolizado em 15/05/2002, no montante de R$ 5.062,27, referente ao 1º trimestre de 2002, a ser compensado com débitos declarados (efls. 2/ss). Para tentar elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, apurado no período em destaque, para fins de compensação dos débitos declarados. Por entender que a administração não o atendeu no prazo adequado, ingressou com o Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0051978/SC, cuja sentença determinou que o processo administrativo fosse instruído em 30 dias e decidido nos trinta dias seguintes. Intimado a apresentar, em vinte dias, a documentação necessária para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, o contribuinte nada apresentou e solicitou mais quinze dias de prorrogação. Por ultrapassar o prazo determinado pela ordem judicial, a prorrogação foi negada e o pleito indeferido pela falta de comprovação do crédito alegado. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que nada impediria que a autoridade administrativa solicitasse ao Poder Judiciário a dilatação do prazo determinado pela ordem judicial , mormente em razão do volume e complexidade dos documentos exigidos, sendo que, face ao principio da verdade material, poderia juntar tais documentos a qualquer tempo. Encerrou solicitando que seja revisto o Despacho Decisório e que se devolva o processo para a realização da análise do pedido pela autoridade competente. É o relatório. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14.20.741, em 01 de outubro de 2008 (e folhas nº 502/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ONUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Solicitação Indeferida A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 29/10/2008 (efolhas 514), interpôs Recurso Voluntário em 27/11/2008, onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, os quais podem ser sintetizados como segue: houve afronta ao princípio da verdade material, uma vez os documentos juntados pela Recorrente juntamente com a impugnação não foram apreciados pela autoridade Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13977.000112/200245 Acórdão n.º 3202001.459 S3C2T2 Fl. 567 3 julgadora da DRJ – Ribeirão Preto sob o argumento de que “não cabe às Delegacias de Julgamento suprir ou substituir a competência de outras unidades da SRF (...)”. Contudo, alega que os documentos apresentados fornecem todas as informações necessárias para o deferimento do pleito da Recorrente; que é facultado ao contribuinte a apresentação de elementos probantes na fase impugnatória; houve cerceamento do direito de defesa e afronta ao art. 38 da Lei nº 9.784/99, ao julgar improcedente o pedido da Recorrente. Isto porque o citado dispositivo legal prevê que o interessado junte documentos e pareceres, requeira diligências e perícias, bem como aduza suas alegações antes de ser prolatada a decisão; por fim, requer seja declarado nulo o Despacho Decisório lavrado, de modo que a autoridade preparadora analise o pedido da interessada à luz dos documentos juntados por ela aos autos. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Como relatado, o pedido da Recorrente (protocolizado em 15/05/2002) foi denegado pela unidade de origem pelo fato de a mesma não ter apresentado os documentos solicitados em intimação dentro do prazo solicitado, conforme trechos do Despacho Decisório, proferido em 13/03/2007 pela autoridade fiscal da DRF – Blumenau (efls. 260/278), abaixo transcritos: Com o objetivo de possibilitar à requerente o cumprimento de sua obrigação, esta Delegacia, em conformidade com a disposição do art. 39 da Lei 9.784/99, intimoua a apresentar as informações necessárias para a apreciação de seu pleito. Porém, a interessada não as apresentou nas condições fixadas para o atendimento, não oferecendo os elementos necessários para a quantificação do direito alegado. Relevante, nesse contexto, transcrever a observação constante na Intimação Fiscal no 040/07: "O atendimento integral, no prazo citado no "caput" desta Intimação, dos quesitos acima formulados, é de caráter obrigatório para fins de análise do pleito, sob pena do indeferimento do pedido, da não compensação do(s) pedido(s)/declaração(des) de compensação a ele relativo(s) e da consequente cobrança do(s) débito(s) compensado(s). "(grifouse) Conforme mencionado anteriormente, a requerente protocolizou pedido de prorrogação do prazo em 15 (quinze) dias para a entrega dos documentos. Importante, neste momento, destacar a exigüidade dos prazos para cumprimento da decisão determinados pela 2a Vara Federal de Blumenau nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0051978/SC (fls. 104 a 111), sendo de 30 dias para a instrução e de 30 dias para a decisão administrativa. Ora, os pretendidos 15 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13977.000112/200245 Acórdão n.º 3202001.459 S3C2T2 Fl. 568 4 (quinze) dias de prorrogação do prazo para a entrega da resposta à intimação inicial, somados aos 20 (vinte) inicialmente concedidos, iriam transpor em demasia o tempo determinado para a completa instrução do processo administrativo, tomando inexequível o cumprimento do prolatado na sentença supracitada. Diante dos fatos narrados, considerando a restrição temporal imposta pelo Judiciário e a negligencia da requerente no atendimento ao prazo concedido, resta indeferir o pedido de prorrogação pleiteado e reputar não atendida a Intimação Fiscal SAORT/DRF/Blumenau n° 40/07. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, ocasião que, segundo alega, apresentou os documentos e informações necessárias para o deferimento de seu pedido de ressarcimento e compensação. Contudo, a Turma julgadora da DRJ – Ribeirão Preto denegou o pedido da Recorrente, em apertada síntese, pelo fato de os documentos terem sido apresentados após a instauração do contencioso administrativo, de modo que estaria prejudicada a análise no mérito do pedido, sob o fundamento que não caberia às Delegacias de Julgamento suprir ou substituir a competência de outras unidades da SRF. Pois bem. A meu ver, a Recorrente se viu envolvida em uma situação “kafkiana”, sem uma solução adequada o seu pedido, até o presente momento, de modo que ainda não se analisou o seu direito ao ressarcimento/compensação. Vejamos: A empresa protocolizou o pedido de ressarcimento/compensação em 15/05/2002; socorreuse do Judiciário para ter uma solução célere ao seu direito e obteve sentença favorável (efls. 208/222) em 13/12/2006. Foi intimada (Intimação Fiscal SAORT/DRF/BLUMENAU nº 040/07 – efls. 228/232), em 09/02/2007, para apresentar documentos e informações, no prazo de 20 dias. Em 01/03/2007, requereu prorrogação de prazo, por 15 dias, para apresentar os documentos solicitados pela fiscalização (efls. 258). Seu requerimento não foi atendido, sendo, então, exarado Despacho Decisório, em 13/03/2007 (e fls. 260/278), por falta de prova dos “fatos que teriam dado a ela o direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI”. Impugnou tempestivamente a Despacho Decisório e apresentou (segundo alega) os documentos/informações necessários para análise do pedido de ressarcimento. Por fim, em 01/10/2008, a DRJ – Ribeirão Preto não analisa os documentos por entender que não é de sua competência tal tarefa. Em suma: após mais de 14 anos (!) do pedido de ressarcimento de crédito presumido a Recorrente ainda não obteve uma decisão de mérito de sua pretensão, ou seja, o EstadoFisco não disse se há ou não direito ao crédito pretendido. Entendo que, objetivamente, devese analisar o direito ao crédito pretendido, em atendimentos aos princípios constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Destarte, assiste razão à Recorrente quando afirma que houve cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que apresentou os documentos/informações com vistas à análise do seu pedido de ressarcimento e que os mesmos não foram apreciados pelas autoridades fiscais competentes. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13977.000112/200245 Acórdão n.º 3202001.459 S3C2T2 Fl. 569 5 Neste sentido, no meu entender, tanto o Despacho Decisório como a decisão recorrida preteriram o direito de defesa do contribuinte, ao não apreciarem os documentos do contribuinte juntados aos autos, o que implica em suas nulidades nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF – Processo Administrativo Fiscal), verbis: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. Destarte, diante de tudo o que foi exposto, acolhese a preliminar de cerceamento do direito de defesa do Despacho Decisório da DRF – Blumenau e assim voto por declarar a nulidade do processo a partir deste Despacho, inclusive. O processo deverá retornar a DRF – Blumenau SC para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900008/2008-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 00 00 8/ 20 08 -7 1 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10983.900008/200871 Resolução nº 3802000.365 S3TE02 Fl. 167 2 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 03085.33259.141103.1.3.045855. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ 21.629,93 (fls. 46), relativo ao suposto pagamento a maior na competência março de 2002, cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 24.630,00 (fls. 05). É o Relatório. Conselheiro Solon Sehn A Recorrente foi intimada em 21/03/2014 (fls. 147), interpondo recurso tempestivo em 14/04/2014 (fls. 155). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que o Recorrente apresentou diversas planilhas e anexos, aduzindo que seu direito de crédito estaria assentado em pagamento à maior, decorrente da não observância do prazo para reconhecimento de receita na forma prevista no art. 35 da Lei n° 10.637/2002: Art. 35. A receita decorrente da avaliação de títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de hedge, registrada pelas instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, instituições autorizadas a operar pela Superintendência de Seguros Privados – Susep e sociedades autorizadas a operar em seguros ou resseguros em decorrência da valoração a preço de mercado no que exceder ao rendimento produzido até a referida data somente será computada na base de cálculo do Imposto de Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10983.900008/200871 Resolução nº 3802000.365 S3TE02 Fl. 168 3 Renda das Pessoas Jurídicas, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição para o PIS/Pasep quando da alienação dos respectivos ativos. § 1º Na hipótese de desvalorização decorrente da avaliação mencionada no caput, o reconhecimento da perda para efeito do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido será computada também quando da alienação. § 2º Para fins do disposto neste artigo, considerase alienação qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a liquidação, o resgate e a cessão dos referidos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros derivativos e itens objeto de hedge. § 3º Os registros contábeis de que trata este artigo serão efetuados em contrapartida à conta de ajustes específica para esse fim, na forma a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 4º Ficam convalidados os procedimentos efetuados anteriormente à vigência desta Lei, no curso do anocalendário de 2002, desde que observado o disposto neste artigo. Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente o sujeito passivo e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifestarem, retornandose os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001402/2005-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO E VOTO Em face do contribuinte PAULO PINTO CUNHA, CPF/MF nº 886.895.30800, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/04/2005, auto de infração (fls. 443 e seguintes), com ciência 12/05/2005 (fl. 461). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 01 40 2/ 20 05 -9 8 Fl. 3305DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001402/200598 Resolução nº 2102000.096 S2C1T2 Fl. 3 2 IMPOSTO R$ 579.167,03 MULTA DE OFÍCIO R$ 434.375,26 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 1999 e 2000, nos montantes de R$ 1.038.821,86 e R$ 1.077399,78, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado, com créditos bancários em múltiplas contas correntes, alguma com cotitularidade. Devese anotar que os extratos bancários das contas mantidas nos bancos Bradesco, Itaú e Caixa foram obtidos a partir de expedição de Requisições de Informação de Movimentação Financeira – RMFs (fls. 26 a 28). Regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a origem dos depósitos bancários, sofrendo o ônus da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ainda, compulsando os autos, vêse que não houve qualquer pagamento de imposto antecipado na declaração de ajuste do anocalendário 1999 (fl. 04), havendo pagamento de cotas na declaração do anocalendário 2000 (fl. 08). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando (como consta como relatório da decisão aqui recorrida): (...) a) O disposto no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, não pode ser aplicado retroativamente, citando jurisprudência, doutrina e o Pacto de San José da Costa Rica; b) As provas' utilizadas para a constituição do suposto crédito tributário em pauta foram obtidas de forma ilegal, desrespeitando princípios constitucionais, ou seja, provas emprestadas de outro contribuinte, bem como, provas obtidas junto à instituição financeira sem autorização judicial; c) Não é possível o lançamento com base apenas em extratos e depósitos bancários, citando doutrina, jurisprudência e a Súmula TRF n° 182; d) É ilegal a utilização de dados da sua movimentação bancária, pois resultou da violação do seu sigilo bancário; e) Deve ser reconhecida e declarada a decadência do direito de lançar o crédito relativo ao anocalendário de 1999. Quanto ao mérito, alegou, em apertada síntese, que: a) Juntou à impugnação planilhas atinentes à movimentação diária de depósitos de suas contas correntes, discriminando, item a item, os reais valores que compuseram sua movimentação financeira e que comprovam a origem de todos os recursos depositados; Fl. 3306DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001402/200598 Resolução nº 2102000.096 S2C1T2 Fl. 4 3 b) A movimentação financeira, devidamente justificada, não caracteriza omissão de receitas, citando o acórdão n° 10420448, de 23/02/2005, da DRJ do Rio de Janeiro; c) Dentre as citadas planilhas e respectivos comprovantes, que comprovam as movimentações ocorridas em 1999 e 2000, encontram se contratos de mútuo firmados entre o impugnante e a pessoa jurídica Excel, da qual faz parte do quadro societário, sendo tal instituto contratual previsto no art. 586 e seguintes do Código Civil Brasileiro, sendo denominado por muitos como contrato de empréstimo; d) Os valores das contas n° 5010 na agência 2858 do Bradesco, n° 84186 na agência 1529 do Banco Itaú e n° 203883 na agência 3790 do Banco Itaú, cuja titularidade pertencia a duas pessoas, foram totalmente incluídas na base de cálculo do IRPF para a lavratura do auto de infração, fato este inadmissível, uma vez que a titularidade múltipla das contas correntes resta exaustivamente comprovada com documentos acostados à presente. Finalizou requerendo que fosse declarada a insubsistência do auto de infração. (...) A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0416.423, de 23 de janeiro de 2009 (fls. 2.836 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão acima em 02/07/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 03/08/2009. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. considerando a data da ciência do lançamento (12/05/2005), deve ser decretada a decadência dos fatos geradores até abril de 2000, pois lançados após o qüinqüênio decadencial contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN; II. deve ser declarada a ilegitimidade passiva do recorrente para figurar no pólo passivo da imputação em relação às contas bancárias para as quais houve movimentação em prol de empresas das quais o recorrente é sócio ou atua como gerente, como se demonstrou na impugnação, especificamente as contas correntes: n° 59.2835, Agência n° 0351, da Caixa Econômica Federal; n° 59.2827, Agência n° 0351, da Caixa Econômica Federal (recursos financeiros pertencentes às pessoas jurídicas Excel – Consultoria de Imóveis S/C Ltda. e Megaron Engenharia de Comércio Ltda.); n° 5010, Agência n° 288, do Banco Bradesco S.A. (recursos financeiros pertencentes ao Clube Atlético Joseense), n° 10006, Agência n° 2858, do Banco Bradesco S. A. (recursos financeiros pertencentes às pessoas jurídicas Montante Incorporações Ltda. e Megaron Engenharia de Comércio Ltda.) e n° 203883, Agência n° 3790, do Banco Itaú S. A. (recursos financeiros pertencentes às pessoas jurídicas Excel – Consultoria de Fl. 3307DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001402/200598 Resolução nº 2102000.096 S2C1T2 Fl. 5 4 Imóveis S/C Ltda. e Montante Incorporações Ltda.), para declarar nulo o Auto de Infração, determinandose seu cancelamento; III. a Lei ordinária nº 10.174/2001, que permitiu o acesso das informações bancárias por parte da Receita Federal para instrumentalizar lançamentos tributários, não pode retroagir para atingir períodos anteriores a sua edição, por malferimento do princípio da irretroatividade das leis tributárias; IV. teve seu sigilo bancário quebrado, quer porque a fiscalização fez uso de prova emprestada no tocante à conta bancária nº 10006, agência nº 2.858, do Banco Bradesco, a partir de feito fiscal instituído em desfavor de Paulo Roberto Neves Fernandes, quer porque utilizou as faculdades da Lei complementar nº 105/2001, de forma retroativa, o que não pode ser aceito, inclusive porque o sigilo está protegido por cláusula de reserva de jurisdição; V. conforme antiga jurisprudência cristalizada na Súmula TFR nº 182, os depósitos bancários, em si mesmos, não são meios hábeis a levar a constituição do crédito tributário; VI. como deduzido em preliminar, e comprovado quando da apresentação da impugnação, deve ser reconhecida a origem dos depósitos bancários feitos em prol das empresas das quais o recorrente era sócio ou gerente, afastando tais montantes da omissão, por manifesta interposição de pessoa. Indo além de tais depósitos, devem ser acatadas as demais origens comprovadas na impugnação, pois a decisão recorrida apenas acatou as demais origens parcialmente (pro labore, contratos de mútuo, etc.); VII. a multa de ofício aplicada tem efeitos confiscatórios, devendo ser reduzido para o percentual máximo de 20%; VIII. os juros de mora devem ser limitados ao percentual de 12% ao ano, tendo em vista a latente inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic, como demonstrada no recurso. É o relatório. Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 02/07/2009, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 03/08/2009, segundafeira, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 03/08/2009. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Entretanto, neste momento, inviável processar e julgar o recurso voluntário, como se demonstra a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Fl. 3308DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001402/200598 Resolução nº 2102000.096 S2C1T2 Fl. 6 5 Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a Fl. 3309DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001402/200598 Resolução nº 2102000.096 S2C1T2 Fl. 7 6 repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso destes autos, vêse que o dados bancários do contribuinte foram assenhoreados compulsoriamente pela Receita Federal, como se vê pelas RMFs de fls. 26 a 28, sendo que o contribuinte recorrente debateu a quebra de seu sigilo bancário pelo fisco, bem como a irretroatividade da Lei nº 10.174/2001, implicando que o julgamento do recurso voluntário deve ser sobrestado. Ante do exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso, devendo o feito ser transferido para a atividade SOBRESTAR PROCESSO do eprocesso, aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal no tema referido acima. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 3310DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10530.723286/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO ATO DECISÓRIO. PRETENSÃO IMPROCEDENTE.
Descabe falar em decretação da nulidade do ato decisório de primeiro grau, quando se constata que o argumento utilizado como fundamento para a adoção da providência (cerceamento do direito de defesa) não encontra lastro nos atos e fatos espelhados no processo.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. AUSÊNCIA
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas.
Numero da decisão: 1301-001.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que votaram pelo cancelamento da multa isolada.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO ATO DECISÓRIO. PRETENSÃO IMPROCEDENTE. Descabe falar em decretação da nulidade do ato decisório de primeiro grau, quando se constata que o argumento utilizado como fundamento para a adoção da providência (cerceamento do direito de defesa) não encontra lastro nos atos e fatos espelhados no processo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. AUSÊNCIA À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 32 86 /2 01 1- 21 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 913 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que votaram pelo cancelamento da multa isolada. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 914 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e MULTAS ISOLADAS, relativas ao ano calendário de 2008, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Em sede de impugnação, a contribuinte argumentou (fls. 769/779): que, tributada pelo Lucro Real, manteve e mantém os seus registros contábeis em rigoroso atendimento à legislação tributária, atendendo ao disposto no artigo 251 do Decreto nº 3.000, de 1999 (dever de escriturar), bem como a todos os artigos do Regulamento do Imposto de Renda que tratam do assunto; que o fato acima mencionado foi reconhecido pelo próprio autor do feito nas suas considerações preliminares (item 2.1 do Termo de Verificação Fiscal); que o art. 923 do mesmo Regulamento do Imposto de Renda (transcreve) determina a validade da escrituração contábil como elemento de prova a favor do Contribuinte; que é com base na legislação e jurisprudência administrativa que entendia que de fato o Auditor Fiscal cometeu erros na interpretação da legislação tributária, efetuando os lançamentos sem ter a certeza da efetiva liquidez destes e, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador; que, tratandose de atividade plenamente vinculada prevista nos arts. 3º e 142 do CTN, cumpre à Fiscalização realizar inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza à constituição do crédito tributário, pois, do contrário, subsistindo a incerteza no caso de prova, o Fisco deve absterse de praticar o lançamento, em homenagem à máxima in dubio pro reu; que no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal é informado que houve omissão de receitas por conta da existência de “Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada” no valor total de R$109.050,00, alegando para tanto que ela, regularmente intimada, não comprovou a origem/natureza dos referidos depósitos, mas, há de se ressaltar, em primeiro lugar, que todos os documentos exigidos pela Fiscalização a respeito dos depósitos bancários feitos em contas correntes de sua titularidade foram apresentados, e restou também comprovado que todos os valores depositados nas suas contas correntes foram devidamente registrados na contabilidade da empresa, ficando descaracterizada e insuficiente a argumentação do Fisco de que houvera omissão de receitas por falta de registro contábil dos valores depositados em sua contacorrente bancária; que no tópico 2.3 do Termo de Verificação Fiscal foi considerado que, embora tenha sido devidamente comprovada a origem dos recursos financeiros depositados em contas correntes, não foram os mesmos contabilizados como receitas de vendas, porém, o Auditor incorre em grande equívoco, pois os depósitos bancários foram devidamente Fl. 914DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 915 4 escriturados na conta do Ativo Circulante – Clientes Nacionais Diversos – 1103010100, conforme se observa em cópia da referida conta extraída do Livro Razão e que faz parte integrante da contestação; que na referida conta estão registrados a débito todos os valores referentes às vendas efetuadas para recebimento futuro – valores a receber, sendo a mesma creditada quando do recebimento do valor comercializado (no caso das vendas “à vista”, a contrapartida do lançamento contábil está registrada na conta “Revenda de Mercadorias no País”, conta nº 6101010100, sendo esta a rubrica contábil utilizada para registro das operações de venda, sendo depois transferidas para a conta de resultados representativa do encerramento do exercício para efeitos de tributação); que, como se observa nos Demonstrativos de Apuração da Base Tributável da lavra do autuante, em que estão relacionados todos os depósitos bancários, em uma das colunas – NATUREZA DO CRÉDITO, a autoridade fiscal denominou, ao seu livre arbítrio, todos os depósitos como sendo “VENDAS”, o que não é correto, pois, como se verifica no HISTÓRICO dos referidos depósitos efetuados na conta corrente de nº 36.5246 mantida junto ao Banco do Brasil, além dos depósitos propriamente ditos, existem também valores que se referem a “DESBLOQUEIO DE DEPÓSITOS” e “LIBERAÇÃO DE DEPÓSITOS BLOQUEADOS”; que o Desbloqueio de Depósito e a Liberação de Depósitos Bloqueados referemse a valores anteriormente depositados em cheque e que apenas nestas respectivas datas foram liberados e/ou desbloqueados, não cabendo, portanto, serem adicionados aos depósitos feitos anteriormente e também relacionados nos Demonstrativos, sob pena de se somar valores em duplicidade – o valor do depósito original mais o valor do desbloqueio do mesmo depósito; que para que se possa verificar o total dos depósitos bancários como decorrente de vendas, tornase necessária a exclusão de todos os valores registrados como DESBLOQUEIO DE DEPÓSITOS E LIBERAÇÃO DE DEPOSITO BLOQUEADO do total levantado pela fiscalização nos já referidos Demonstrativos, por se tratar de medida de justiça, dando a devida segurança jurídica ao lançamento de ofício; que a Fiscalização considerou na relação dos depósitos efetuados na conta corrente nº 448.1, mantida junto à Caixa Econômica Federal, os valores cujos históricos referemse a “Cobranças” como se fossem vendas, novamente ao seu livre arbítrio, sendo que cheques em cobrança decorrem de vendas efetuadas anteriormente e já registradas na contabilidade, não cabendo considerar tais valores como receita tributável, visto que já o foram no momento da efetiva venda e entrega da mercadoria vendida; que considerar cheques em cobrança como receitas de vendas fere os princípios contábeis universalmente aceitos bem como a própria legislação tributária; que em ambos os casos – depósitos efetuados no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, a coluna “E” dos Demonstrativos elaborados pelo autuante informa que a origem do crédito fora denominado como “RECEBIMENTO DE CLIENTE”, donde se confirma o equívoco da autuação, pois não se pode confundir a rubrica contábil “Recebimento de Clientes” com a rubrica contábil representativa de venda de mercadorias; Fl. 915DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 916 5 que o autuante informa que a motivação para a aplicação da multa isolada foi a adição das pretensas omissões de receitas relatadas, as quais foram devidamente contestadas nas razões de defesa acima delineadas, não existindo, portanto, nenhum motivo e nem cabimento legal para a sua aplicação; que, mesmo que fosse verdadeira a hipótese de omissão de receitas, o que não o é, como já demonstrado, não seria cabível no presente caso a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, não sendo legítima quando incide sobre a mesma base de cálculo; que descabe, portanto, a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, com a multa de ofício, esta proporcional ao imposto devido, pois na espécie decorreram ambas da pretensa omissão de receitas levantadas pelo fisco (cita jurisprudência administrativa); que vêse claramente a ilegalidade da aplicação da penalidade da multa isolada, por contrariar a legislação tributária e a própria jurisprudência que trata do assunto; que relativamente aos autos de infração das contribuições para o PIS, para a Cofins e da CSLL, por serem decorrentes, ou reflexos, do Auto de Infração do IRPJ, valem os mesmos argumentos destinados a este. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas em sede de impugnação, decidiu, por meio do acórdão nº 1528.107, de 26 de agosto de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores de depósitos bancários cuja origem houver sido comprovada, mas não houverem sido contabilizados e computados na base de cálculo do imposto a que estiveram sujeitos, devem ser submetidos à tributação como receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 917 6 Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, o lançamento de ofício abrangerá a multa isolada sobre os valores devidos por estimativa, e não recolhidos, além das diferenças apuradas no ajuste anual, acrescidas de multa de ofício e juros de mora. Irresignada, a contribuinte fiscalizada apresentou recurso voluntário (fls. 893/902), sustentando: ser necessária a anulação do acórdão recorrido, haja vista o manifesto cerceamento do direito de defesa; a necessidade de realização de diligência para identificação dos depósitos bancários na sua escrituração contábil; a existência de decisões administrativas que afastam as multas isoladas por falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). É o Relatório. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 918 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e MULTAS ISOLADAS, relativas ao ano calendário de 2008, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Os lançamentos tributários foram mantidos, na íntegra, pela autoridade julgadora de primeira instância, motivo pelo qual a fiscalizada interpôs recurso voluntário, cujas razões passo a apreciar. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E PEDIDO DE DILIGÊNCIA A Recorrente requer a anulação do ato decisório de primeira instância e conversão do julgamento em diligência “para o correto exame dos fatos e provas colacionadas”, pois, para ela, a Turma Julgadora não abordou adequadamente as alegações trazidas em sede de impugnação. Diz que, no caso, a decisão recorrida limitase a afirmar que não restou demonstrado no Livro Razão os registros correspondentes aos depósitos bancários questionados pela Fiscalização, deixando de analisar adequadamente a conta do ativo circulante CLIENTES NACIONAIS DIVERSOS (1103010100). A ação fiscal retratada nos presentes autos alcançou o ano calendário de 2008, ano que a ora Recorrente apurou o IRPJ e a CSLL com base no LUCRO REAL ANUAL. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 46/53, temos que: i) a fiscalizada não declarou em DCTF débitos relativos ao IRPJ e à CSLL, tendo sido constatados recolhimentos de PIS e COFINS que, da mesma forma, não foram objeto de registro na citada declaração (DCTF); ii) a partir de extratos bancários fornecidos por ela própria, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas bancárias; iii) excluindo créditos bancários relativos a transferências entre contas e os identificados como sendo provenientes de empréstimos, bem como os correspondentes a cheques devolvidos e aqueles para os quais a contribuinte admitiu serem decorrentes de receitas auferidas, a autoridade fiscal determinou os montantes de depósitos cuja origem não restou comprovada por parte da contribuinte, aplicando em relação a estes a presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; Fl. 918DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 919 8 iv) na medida em que a própria fiscalizada reconheceu como receita determinados créditos bancários, a autoridade fiscal, efetuando confronto com as receitas escrituradas e que foram oferecidas à tributação, quantificou os montantes que não foram computados na base de cálculo dos tributos e contribuições, aplicando, no caso, as disposições do parágrafo 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; v) em razão da recomposição das correspondentes bases de cálculo, haja vista a apuração de receitas omitidas, aplicou multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimento das antecipações obrigatórias. Verifico às fls. 115/147 e 150/159 intimações dirigidas à Recorrente, por meio das quais a Fiscalização solicitou que ela comprovasse a origem e natureza de valores creditados em suas contas bancárias. Na ocasião, foram entregues à contribuinte ANEXOS com a relação dos créditos bancários e, nas referidas intimações, foi consignada orientação no seguinte sentido: “Para cada um dos créditos relacionados nos ANEXOS, preeencher os campos ORIGEM DO CRÉDITO, NATUREZA DO CRÉDITO, DOCUMENTO e FLS. DO LIVRO RAZÃO, nas quais a operação encontrase devidamente escriturada, anexando também a documentação hábil e idônea que a comprove”. (GRIFEI) Em atendimento, a Recorrente devolveu os ANEXOS que lhe haviam sido entregues pela Fiscalização, preenchendo os campos ORIGEM DO CRÉDITO e NATUREZA DO CRÉDITO com as informações RECEBIMENTO DE CLIENTE e VENDA, respectivamente, porém, deixando em branco os campos relativos a DOCUMENTO e FLS. DO LIVRO RAZÃO (fls. 160/199). Apresentou também RELAÇÃO DE CHEQUES DEVOLVIDOS e RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA (fls. 200/229). Em sede de impugnação, a contribuinte, trazendo alegações genéricas no sentido de que “manteve e mantém os seus registros contábeis em rigoroso atendimento à legislação tributária” e de que o agente fiscal cometeu erros na interpretação da legislação tributária, sustentou, em apertada síntese, que: a) todos os documentos exigidos pela Fiscalização foram apresentados; b) restou comprovado que todos os valores depositados nas suas contas bancárias foram registrados na contabilidade; c) os depósitos bancários foram escriturados na conta do ativo circulante – CLIENTES NACIONAIS DIVERSOS – 1103010100; d) a autoridade fiscal denominou, ao seu livre arbítrio, todos os depósitos como sendo VENDAS, o que não seria correto; e) seria necessária a exclusão de todos os valores registrados como DESBLOQUEIO DE DEPÓSITOS e LIBERAÇÃO DE DEPÓSITO BLOQUEADO; f) considerar CHEQUES EM COBRANÇA como receita de vendas fere os princípios contábeis universalmente aceitos bem como a própria legislação tributária; e g) seria ilegítima a cobrança de multa isolada. Para servir de lastro para as suas alegações, a Recorrente anexou à impugnação os seguintes documentos: cópia de fls. do Razão, relativas à conta 1103010100 – CLIENTES NACIONAIS DIVERSOS (fls. 780/815) e cópia de fls. do Razão, relativas à conta 6101010100 – REVENDA DE MERCADORIAS PAÍS (fls. 816/849). Os fragmentos do voto condutor abaixo reproduzidos demonstram, em sentido contrário ao sustentado pela Recorrente, que as alegações merecedoras de análise trazidas por meio da defesa inaugural foram adequadamente apreciadas e fundamentadamente rejeitadas, senão vejamos: [...] Fl. 919DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 920 9 Devese salientar que, ao contrário do alegado pela Impugnante, não foi a Autoridade Fiscal que, a seu livre arbítrio, denominou como “Vendas” a “Natureza do Crédito”, para todos os depósitos relacionados nos Demonstrativos de Apuração da Base de Cálculo. Foi a própria Contribuinte que, em resposta às intimações fiscais, declarou que tais depósitos tiveram origem em recebimentos de clientes, provenientes de vendas, sem, contudo, indicar os correspondentes registros destas quantias em contas de receitas, no seu Livro Razão, informação esta, também solicitada pela Autoridade Fiscal. A Fiscalização então confrontou os totais mensais desses depósitos com as receitas de vendas contabilizadas e verificou a ocorrência de receitas de vendas não contabilizadas nos montantes indicados nos demonstrativos apresentados no Auto de Infração. Referente aos depósitos efetuados na conta nº 36.5246, mantida no Banco do Brasil, com o histórico “Desbloqueio de Depósitos” e “Liberação de Depósitos Bloqueados”, não houve a alegada soma de valores em duplicidade – o valor depositado original bloqueado mais o valor do desbloqueio do mesmo depósito. Comparandose o extrato da citada conta bancária com a relação dos depósitos considerados no demonstrativo fiscal, percebese que somente foram considerados neste demonstrativo os depósitos com histórico “Desbloqueio de Depósitos” e “Liberação de Depósitos Bloqueados”. Ressaltese que os correspondentes depósitos originais bloqueados nem figuram como lançamentos de créditos, no extrato bancário. Portanto, não pode prosperar a pretensão da Impugnante de se excluir todos os valores levantados pela fiscalização, registrados como “Desbloqueio de Depósitos” e “Liberação de Depósitos Bloqueados”. Com relação aos depósitos efetuados na contacorrente nº 448.1, da Caixa Econômica Federal, com o histórico “Cobranças”, verificase que, em atendimento à intimação fiscal, a Impugnante informou que os recursos utilizados nestas operações são provenientes de vendas. Agora, na Impugnação, pleiteia a exclusão de tais valores arguindo serem decorrentes de vendas efetuadas, anteriormente, e já registradas na contabilidade, sem, contudo, indicar os correspondentes registros no Livro Razão. Logo, não restou comprovado que tais depósitos tratavam de receitas já contabilizadas. Sobre a afirmação de que não se pode confundir a rubrica contábil “Recebimento de Clientes” com a rubrica contábil representativa das operações de vendas de mercadorias, convém ressaltar que, sem dúvida, acontece de o recebimento não ocorrer no mesmo período de competência da correspondente operação de venda, todavia, caberia à Contribuinte comprovar a ocorrência e, o mais importante, a contabilização desta(s) venda(s) em período(s) de apuração diferente(s) daquele(s) em que houve o(s) respectivos(s) recebimento(s). Portanto, não pode ser acolhido o pleito da Impugnante, quanto à exclusão dos depósitos efetuados na contacorrente nº 448.1, da Caixa Econômica Federal, com o histórico “Cobranças”. ... Quanto à omissão de receita operacional representada por depósitos bancários de origem não comprovada, descrita no item 2 do Auto de Infração do IRPJ, o Fisco, para levantála, valeuse de uma presunção legal de omissão de receitas, cuja matriz Fl. 920DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 921 10 legal é o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ocorre que a partir de 1º de janeiro de 1997, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos utilizados na realização de depósitos bancários, por meio de documentação hábil e idônea, fica caracterizada omissão de receita. Estáse, pois, diante de uma presunção legal, contra qual a Impugnante não produziu qualquer prova adequada e suficiente no sentido de elidila. ... A Contribuinte argúi que todos os documentos exigidos pela fiscalização a respeito dos depósitos bancários foram apresentados, e também, teria restado comprovado que todos os valores depositados nas suas contascorrentes foram devidamente registrados na contabilidade, mas os elementos constantes dos autos não confirmam tais argumentos. Está evidente no presente processo que a Contribuinte, quando regularmente intimada, não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos depósitos efetuados em sua conta de nº 088280, mantida no Banco do Nordeste de Brasil, discriminados no demonstrativo elaborado pelo Fisco, tampouco, apontou os registros contábeis destes depósitos. Ao omitir as informações necessárias à identificação dos fatos que originaram o recebimento dos valores depositados, justificouse a necessidade de se construir, por meio da presunção legal, a prova da infração. À luz portanto de tal pronunciamento, penso que restaram adequadamente apreciados em primeira instância os argumentos trazidos pela Recorrente por meio da peça impugnatória, cabendo repisar que, relativamente às folhas do Razão aportadas ao processo, efetivamente a contribuinte não produziu qualquer documento capaz de relacionar os valores ali registrados com os indicados nas peças de autuação como decorrentes de receitas contabilizadas. Quanto a tal aspecto, inclusive, adito que o total contabilizado na conta 6101010100 – REVENDA DE MERCADORIAS PAÍS (R$ 2.069.424,98), e que consta das folhas do Razão anexadas pela contribuinte à impugnação, representa exatamente o valor considerado pela autoridade fiscal como ESCRITURADO para fins de determinação das RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS, conforme quadro demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 49 do processo). Em resumo, o que temos é o seguinte: com base em extratos bancários fornecidos pela Recorrente, a Fiscalização identificou créditos bancários que, segundo a própria contribuinte, na sua quase totalidade (R$ 8.837.800,28), derivaram de vendas. Relativamente a uma pequena parcela (R$ 109.050,00), a contribuinte não comprovou a origem dos créditos bancários correspondentes. A partir de tais elementos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte duas infrações, quais sejam: omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada (R$ 109.050,00); e ausência de contabilização de receitas (R$ 6.768.375,30, correspondentes à diferença entre o total que a própria contribuinte admite que decorreu de receitas auferidas – R$ 8.837.800,28 – e o que foi efetivamente escriturado – R$ 2.069.424,98 – conforme folhas do Razão anexada à impugnação). Revelase improcedente, também, o pedido de diligência, eis que ausente qualquer motivo capaz de justificar o procedimento. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 922 11 Com efeito, a Recorrente dispôs de tempo significativo para aportar ao processos documentos que pudessem concorrer para comprovar as suas alegações, contudo, limitouse a simplesmente corroborar a verificação empreendida pela Fiscalização, eis que carreou aos autos documentação contábil que demonstra que o valor efetivamente escriturado foi exatamente igual ao considerado por parte da autoridade autuante para fins de determinação da receita omitida. MULTA ISOLADA Colacionando pronunciamentos desta instância julgadora, a Recorrente sustenta não ser possível a exigência de multa isolada aplicada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), seja pelo fato de o período de apuração em que as importâncias eram devidas já ter sido encerrado, seja em virtude de não se admitir a coexistência dela com a multa de ofício incidente sobre os tributos lançados. Não se pode deixar de admitir que a questão da aplicação da multa isolada nas circunstâncias versadas nos presentes autos constitui matéria controversa no âmbito deste Colegiado. Não obstante, alinhome ao entendimento de que os óbices apontados pela Recorrente em sua peça de defesa não encontram ressonância na legislação de regência. Com efeito, em primeiro lugar, inexiste na lei instituidora da sanção a condição explicitada pela Recorrente, isto é, a lei, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada não poderia ser aplicada. Destaco que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado (ou ter efetuado com insuficiência) o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigese no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado pela Recorrente decorre de exercício de interpretação da norma sancionadora que, a meu ver, não pode ser recepcionado, sob pena de violação ao disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional. Filiome, também, ao entendimento de que inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição sobre receitas comprovadamente omitidas; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). A meu ver, a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº. 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 923 12 Tenho que o fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Cabe registrar que a multa isolada em questão teve por fundamento o art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, de modo que, aqui, não é aplicável a súmula CARF nº 105, recentemente publicada e que abaixo reproduzo. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Notese que o enunciado trata especificamente da multa isolada lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, na redação original do dispositivo legal, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 923DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10530.723286/201121 Acórdão n.º 1301001.742 S1C3T1 Fl. 924 13 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 13804.003019/2008-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NECESSIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário que objetiva benefício que não compete ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, não existindo, assim, necessidade para o manuseio da peça recursal, faltando ao contribuinte interesse para recorrer.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NECESSIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário que objetiva benefício que não compete ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, não existindo, assim, necessidade para o manuseio da peça recursal, faltando ao contribuinte interesse para recorrer. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 30 19 /2 00 8- 60 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13804.003019/200860 Acórdão n.º 2803004.121 S2TE03 Fl. 259 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Clube de Campo Associação Atlética Guapira em face acórdão proferido pela Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo Norte (SP), assim ementado: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECLARADAS EM GFIP. MULTA. JUROS. PARCELAMENTO. As informações constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS (Parágrafo 2º do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97). Sobre as contribuições sociais em atraso incidem, a partir de 01/04/97, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, e multa de mora que não pode ser relevada, artigos 34 e 35 da Lei n° 8212/91 e alterações posteriores. O parcelamento das contribuições devidas à Seguridade Social só pode ser concedido para pagamento em até 60 meses (art. 38, caput, da Lei n°. 8.212/91). LANÇAMENTO PROCEDENTE Trata o processo em epígrafe de lançamento de créditos tributários envolvendo o Auto de Infração Debcad nº 35.634.9837 referente a lançamento de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e as destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SEBRAE), relativo às competências 09/2000 a 03/2005. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumenta que a “a situação dos Clubes, está indo de mal a pior, situação esta que é de conhecimento de todos, ainda mais dos Senhores que fiscalizam diadia a arrecadação” (fl. 42 – último parágrafo), tendo postulado anistia tributária dos créditos lançados. Ao analisar as alegações da contribuinte, a DRJ de origem rejeitou as ponderações apresentadas, mantendo incólume o crédito tributário lançado. Irresignada, a contribuinte apresentou a petição de fls. 54/55, recebida como recurso voluntário, reiterando, em apertado escorço, as alegações trazidas em sua peça de impugnação. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Às fls. 59/60 consta informação fiscal em que a DRJ nega seguimento ao recurso voluntário apresentado, considerandoo deserto, em razão da ausência do depósito de 30% do montante do crédito lançado. Encaminhados os autos à Procuradoria Regional da Fazenda Nacional, em virtude de a contribuinte não ter efetivado a consolidação de parcelamento anteriormente aderido, aquele órgão constatou vício nos procedimentos adotados. Dessa forma, determinou o retorno à DRJ para que se viabilize o julgamento do recurso voluntário pendente apreciação. Sem apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13804.003019/200860 Acórdão n.º 2803004.121 S2TE03 Fl. 260 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo, contudo necessita de melhor análise para aferir seu conhecimento. A recorrente baseia sua irresignação na alegação de que não possui condições de honrar com o crédito tributário, não o negando em nenhum momento, tampouco impugnando a lançamento perpetrado pela fiscalização. Os pressupostos recursais são necessários para se avaliar a admissibilidade dos recursos. Os pressupostos recursais são, deste modo, os chamados requisitos de admissibilidade. Os requisitos de admissibilidade, conforme José Carlos Barbosa Moreira, se dividem em dois grupos, quais sejam: a) requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer): cabimento, legitimação, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer; b) requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercício do direito de recorrer): preparo, tempestividade e regularidade formal. Destarte, observase que o interesse recursal é um dos requisitos essenciais para o conhecimento de qualquer recurso. O professor Fredie Didier Jr. Afirma que a definição do interesse processual segue a metodologia do exame do interesse de agir. Ou seja, deve ser analisado a utilidade e necessidade do recurso. Ocorre que, no caso ora em apreço, não se vislumbra a necessidade do presente recurso voluntário, visto que o objetivo buscado pela recorrente (anistia do crédito lançado) não pode ser obtido através do manuseio desta peça processual. Assim, deixo de apreciar o presente recurso, não conhecendoo. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10830.725870/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA.
CRÉDITOS DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO E FRAUDE. Sujeita-se à multa isolada, em sua forma qualificada, quem declara compensação com crédito que, além de não ter natureza tributária e ter sido cedido por terceiros, é informado como originário de processo administrativo, mas decorre de operações notoriamente conhecidas como meio para postergar a cobrança de créditos tributários ou ensejar sua prescrição.
Numero da decisão: 1101-001.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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MULTA. CRÉDITOS DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO E FRAUDE. Sujeitase à multa isolada, em sua forma qualificada, quem declara compensação com crédito que, além de não ter natureza tributária e ter sido cedido por terceiros, é informado como originário de processo administrativo, mas decorre de operações notoriamente conhecidas como meio para postergar a cobrança de créditos tributários ou ensejar sua prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 58 70 /2 01 2- 18 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório DE PAULA SANTOS E LOPES TAVARES ADVOGADOS ASSOCIADOS, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/09/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.226.952,65. A exigência decorre da aplicação da multa de 150% sobre o valor de débitos compensados indicados em Declarações de Compensação DCOMP apresentadas com fraude, consoante exposto na conclusão do Termo de Verificação Fiscal à fl. 537: A fiscalizada protocolou as DCOMP em comento a partir de 03/11/2011, submetendose, pois, à legislação acima citada. O malfadado crédito, utilizado nos procedimentos compensatórios, adveio única e exclusivamente do processo administrativo nº 10168.001414/200277, que, conforme exaustivamente comprovado, não traz direito creditório algum reconhecido em seus autos, além de referirse a litígio de caráter cível em que não figuram como partes nem a União, nem o contribuinte em tela. Ademais, salientase a expedição das Notas PGFN/CRJ/Nº 145/2009 e PGFN/CRJ/Nº 552/2012, aduzindo que o processo nº 10168.001414/200277 é alvo de diversas denúncias de fraude. Por todos esses motivos, as respectivas DComps foram consideradas não declaradas, com base no art. 74, §12, II, “a” e “e” da Lei nº 9.430/96, e art. 34, §3º, I, “a” e “e”, da IN/RFB nº 900/08, sujeitando o contribuinte em foco ao lançamento de ofício da multa isolada prevista no art. 39, §6º, da IN/RFB nº 900/08, como exposto alhures. As DCOMP foram analisadas nos autos do processo administrativo nº 10166.008245/201115 e restaram nãodeclaradas porque comprovada a inexistência dos créditos postulados, além de, mesmo se existentes, desprovidos de caráter tributário (não administradas pela RFB) e pertencentes a terceiros (adquiridos de terceiros). As declarações foram apresentadas em papel, consignandose no campo destinado à origem e valor do crédito utilizado a seguinte referência: PROCESSO ADMINISTRATIVO JUNTO À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOB O NRO: 10168.001414/200277. A contribuinte juntou às declarações pedido de compensação/quitação de título executivo judicial "precatório" asseverando ser legítimo possuidor de Crédito Tributário, constituído por meio de Cessão Pública de Crédito junto ao Tabelionato do 2º Ofício de Notas, protesto, Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Alexânia GO, 1º Translado, Livro 90 E, folhas 182 a 183, do Direito Creditório nº. 10168.001414/200277, transitado em julgado, Prazo da Rescisória vencido e já Homologado junto a RFB (Receita Federal do Brasil) através do Protocolo de número 00.21.1008.88, cujas Escrituras originais seguem anexado à presente inicial. Referida escritura pública tem por objeto direitos de crédito oriundos do processo que tramitaram na 1ª Vara de Fazenda Pública de CuritibaPR, e apelações Cíveis nºs 28.635 e 35.521, transitado em julgado pelo Supremo Tribunal Federal por Carta de Sentença, bem como da certidão expedida pelo Superior Tribunal de Justiça referente ao Recurso Especial nº 37.056/PR (registro nº 93/00203169), transitado em julgado em sessão de 18 de junho de 1998. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 4 3 No despacho decisório de nãodeclaração das DCOMP, a autoridade fiscal afirmou tratarse da já desgastada e combalida tese de direitos oriundos da gleba Apertados, cujo descabimento já foi, inclusive, motivo de matéria jornalística, publicada no jornal Valor Econômico em 17/01/2005, bem como no Jornal Diário do Nordeste (Paranavaí/PR), em 15/12/2005. Complementou que: De fato, trata tal ação de litígio iniciado no século XIX, em que são partes pessoas físicas e o Estado do Paraná, em torno de direitos sobre a gleba rural então conhecida como “Fazenda Apertados”. Pelo que se conclui da leitura da Escritura Pública de fls. 42 e 43, direitos ao pretenso crédito sofreram transferências com o passar do tempo, tendo a interessada adquirido supostos direitos que montam em R$ 600.000,000 de FINANCE BUSINESS & SERVICES LTDA, CNPJ: 09.452.149/000186. Ora, do estudo do objeto da ação judicial representativa do crédito posto em compensação, concluise, indubitavelmente, acerca de seu caráter cível, pois cuida de direito indenizatório. Considerando que o crédito não tinha natureza tributária e foi objeto de transferência por parte de terceiros, a não declaração restou fundamentada no art. 74, §12, inciso II, alíneas "a" e "e", da Lei nº 9.430/96. A autoridade fiscal também entendeu presente a fraude, porque: No caso vertente, o epigrafado contribuinte escriturou em suas DComp o processo administrativo nº 10168.001414/200277 como originário do indébito compensado. Conforme fls. 230/238, por meio das quais trazemse à baila as Notas PGFN/CRJ/nº 145/2009 e PGFN/CRJ/Nº 552/2012, o processo creditório em questão – nº 10168.001414/200277 é alvo de diversas denúncias de fraude, vez que nunca existiu crédito algum ali reconhecido. Corrobora com tal assertiva o fato de o contribuinte, ao ser inquirido acerca do indébito compensado, ato contínuo ter apresentado pedido de desistência das DComp apresentadas. Está claro o dolo, pois o sujeito passivo incluiu em documentação fiscal informações que sabia inverídicas com a cristalina intenção de burlar o fisco, abstendose de pagar débitos tributários. E conclusão outra não pode prosperar, vez que não se pode conceber erro quando fatos, que em verdade nunca ocorreram, são descritos tão pormenorizadamente como tentou fazer o interessado. Nessa toada, vale consignar que o sujeito passivo chegou ao ponto de afirmar, em sua petição – “IBreve Resenha dos Fatos” que se tratava de crédito já homologado pela RFB, reconhecido definitivamente nos autos do processo nº 10168.001414/200277! Como comprovado nos autos, tal fato nunca ocorreu. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou violado seu direito à ampla defesa e ao contraditório, por não poder exercer seu direito de recurso contra o despacho decisório de nãodeclaração das DOCMP, bem como por inexistir no Auto de Infração, mas apenas no Termo de Verificação Fiscal, menção ao fundamento legal que justifica o percentual da multa aplicada. Argumentou que a desistência da habilitação do crédito anularia qualquer ato dele consequente, e discordou dos fundamentos apresentados para rejeitar sua desistência, dado que procurou substituir o crédito utilizado por outro, formalizando novas compensações objeto do processo administrativo nº 10166.002553/201218, também consideradas não declaradas, com aplicação de nova penalidade, objeto do processo administrativo nº 10830.724987/201284, em evidente bis in idem. Justificou a desistência da utilização do crédito aqui referido, e defendeu a inaplicabilidade da multa, sem que seja aferida sua culpabilidade, além de seu evidente caráter confiscatório. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 5 4 A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CANCELAMENTO PER/COMP. A desistência do PER/DCOMP pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento e antes da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a DCOMP será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela unidade da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/04/2014 (fl. 762/763), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/05/2014 (fls. 765/784), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Inicialmente destaca que o tributo relativo a diferença entre os valores que foram confessados em DCTF e GFIP e os valores constantes da compensação objeto do Processo Administrativo nº 10166.008245/201115, foi objeto de nova compensação, objeto do Processo Administrativo nº 10166.002553/201218, em operação substitutiva do crédito inicialmente utilizado. Desta forma, antes de qualquer procedimento fiscal teria corrigido erros nas informações prestadas em DCTF e GFIP. Posteriormente, desistiu da habilitação do crédito objeto do processo administrativo nº 10166.008245/201115, e requereu o cancelamento das compensações antes de qualquer solicitação para apresentação de documentos comprobatórios destas operações. Assim, o Fisco teria conhecimento das desistências e cancelamentos citados, e na análise do novo procedimento constataria que os valores compensados seriam equivalentes aos confessados em DCTF e GFIP, devidamente corrigidos. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 6 5 Menciona que em decorrência da nãodeclaração da compensação objeto do processo administrativo nº 10166.008245/201115 houve majoração de 112% por aplicação de multa decorrente de inconsistências apuradas entre o que foi confessado em DCTF e GFIP, além da lavratura deste auto de infração aplicando multa em razão da não consideração da compensação, ao passo que o valor do débito compensado já deverá ser inscrito em dívida ativa e objeto de cobrança judicial, sem que tenha sido permitido à Impugnante a chance de se manifestar contra as razões que fundamentaram tal decisão, nos termos do Decreto 70.235/72. Assevera que o entendimento da Fazenda Nacional contra a possibilidade de recurso contra a nãodeclaração da compensação, e a ausência da devida fundamentação legal quanto ao percentual decorrente da penalidade aplicada configuram violação ao Decreto nº 70.235/72 e ao princípio da legalidade. Transcreve excertos da decisão recorrida e se opõe ao que ali consignado, na medida em que os arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 exigem a indicação do fundamento legal no auto de infração. Acrescenta que: Dizer que o fato do presente auto de infração possuir fundamentação e fatos semelhantes ao que teria o auto de infração que deveria ser lavrado, mas não o foi sob o fundamento do art. 74, da Lei nº 9.430/96, chega a ser escarnio ao fato de vivermos num Estado de Direito. O fato do parágrafo 13º desta Lei estabelecer que as regras aplicadas a compensação não homologada, presentes nos §§2º e 5º a 11º do referido artigo, não se aplica às hipóteses previstas no §12 deste artigo, relativas a compensação não declarada, não implica em entender que não há possibilidade de recurso contra tal decisão. O direito a ampla defesa e ao contraditório, constitucionalmente consagrado, não permite a interpretação de que foi negado o direito ao recurso contra decisão que considerar como não declarada uma compensação, mas tão somente que os procedimentos para exercício de tais direitos que não serão aqueles previstos para as compensações não homologadas. Complementa que a competência para legislar sobre compensação não autoriza disposições sobre direitos constitucionalmente consagrados, e que há omissão na norma que deve ser preenchida nos termos do art. 108 do CTN. Entende que o débito objeto da compensação não declarada tem que ser lançado em Auto de Infração competente, para a partir de sua negativa ser aplicada a multa objeto desta autuação, porque lhe é acessória, sob pena de ser impedido o exercício de seu direito à ampla defesa e ao contraditório, restando eivados de nulidade os atos daí consequentes. Cita o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, lições de Sacha Calmon Navarro Coêlho, e discorda da aplicação do art. 59 da Lei nº 9.784/99 em detrimento aos arts. 14, 15 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, vez que resta assegurada a ampla defesa da contribuinte e não há efeito suspensivo. Conclui que o lançamento é nulo porque lavrado com preterição do direito de defesa da contribuinte, nos termos do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Invoca os arts. 37, caput e 150, inciso I, ambos da Constituição Federal; art. 97, inciso I e art. 142, parágrafo único, ambos do CTN; e art. 2º da Lei nº 9.784/99 para afirmar que todo ato administrativo deve possuir uma fundamentação correta, cuja omissão ou equívoco impede o direito de defesa do autuado. Diz que no presente caso, foi aplicada uma multa de 75%. Não há no Enquadramento Legal do referido auto de infração, norma que justifique a aplicação deste percentual... Por que não 20%, 50%, etc...? E conclui que a Fl. 809DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 7 6 nulidade do lançamento não pode ser afastada frente a uma violação clara e objetiva, que deve ser observada pelo administrador, nos termos do art. 4 do CTN, uma vez que a lei não permite discricionariedade e não excetua sua aplicação em caso de apresentação de defesa por parte do contribuinte. Passando ao mérito, reportase à habilitação prevista no art. 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, asseverando que sua observância era necessária, na medida em que o crédito utilizado em compensação tinha por origem decisão judicial transitada em julgado. Por sua vez, a habilitação prévia competia à PGFN, uma vez que o processo originário do crédito lá tramita, de modo que a burocracia e a comunicação interna existentes nos órgãos administrativos do Ministério da Fazenda não podem ser utilizados como desculpas nem argumentos para impedir o contribuinte de exercer o seu direito. Acrescenta que sua manifestação expressa e inequívoca pela desistência da compensação deve ser considerada como ato de boafé, e não resultar em ato punitivo ou meramente arrecadador. Conclui que o cancelamento da habilitação do crédito decorrente das petições protocoladas no dia 16/05/2012 colocou fim em qualquer procedimento compensatório que o utilizou para extinguir créditos tributários perante a RFB, e entende que este ato enseja o afastamento da multa por falsidade na declaração. Reportase a excerto da decisão recorrida do qual ressalta que sem a devida habilitação prévia, nos termos da lei, é nula a compensação efetuada, por falta de atendimento a este requisito legal, não podendo sequer ser recepcionada. Assim, se a compensação é nula na origem, não pode ser considerada existente para ser julgada declarada ou nãodeclarada e, por conseguinte, ensejar a penalidade aqui questionada. Na sequência, por mero exercício do princípio da eventualidade, dada a desistência do crédito utilizado em compensação, opõese à imputação de fraude ou de falsidade defendendo que o crédito utilizado é de natureza financeira, objeto de pedido de conversão em renda, pois foi dinheiro emprestado a União e tem que ser pago em dinheiro e neste caso a compensação é amplamente admitida, conforme doutrina que cita. Aliás, neste sentido, em se tratando de pagamento, e não de compensação, haveria erro na fundamentação jurídica da nãodeclaração. Diz ser indiferente a questão constitucional suscitada e utilizada como fundamento para afastar o mérito do pedido, porque o importante, e que não foi objeto de análise por parte do julgamento de primeira instância, é que a norma utilizada como embasamento para não declarar a compensação e, por conseguinte, a aplicação da multa objeto da presente autuação (art. 74, da Lei nº 9.430/96), versa sobre compensação tributária, não possuindo incidência no presente caso, uma vez que se trata de PAGAMENTO! Observa que o pagamento e a compensação são tratados em dispositivos diferentes no CTN, e que a doutrina admite a quitação de tributos por meio de títulos públicos ou outro bem que não a moeda em curso legal no país. Cita o art. 6º da Lei nº 10.179/2001 e o art. 78, §2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, defendendo a aplicabilidade imediata deste, como já reconhecido pelo Poder Judiciário. E isto porque no processo administrativo nº 10168.001414/200277 o detentor do crédito requereu a conversão do débito da Fazenda Pública Federal em Títulos Públicos Federais, para fins de cessão e quitação de tributos federais, nos termos do inc. II, do art. 1º c/c arts. 2º e 6º, todos da Lei 10.179/01. Defende que a vedação contida no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 alcança apenas créditos de terceiros de natureza tributária, diversamente do que Fl. 810DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 8 7 consignado no despacho decisório de nãodeclaração da compensação, sob pena de violação dos arts. 108 e 111 do CTN, porque não cabe interpretação literal para legislação tributária sobre compensação, enquanto meio de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. Menciona violação ao art. 110 do CTN e conclui que em momento algum tentou levianamente utilizar crédito para compensação, mas sim entendia haver o direito ao crédito e sua liquidez, além da viabilidade jurídica do pedido e da compensação, e ausência de qualquer indeferimento no processo administrativo nº 10168.001414/200277, sendo que a decisão de substituir o crédito utilizado decorreu de cautela, ante aos indícios de fraude e a possibilidade de que tais indícios promovessem um despacho desfavorável no referido processo. Afirma configurada a denúncia espontânea porque, apesar do equívoco na prestação das informações constantes na DCTF e GFIP, estes foram devidamente corrigidos e antes de qualquer procedimento fiscalizatório, e unido a isto, uma operação de compensação, substitutiva da anterior, foi iniciada, onde já se poderia constatar a correção das citadas informações. Entende que basta ao Fisco desconsiderar a compensação cancelada e iniciar a análise do novo procedimento, sendo que a aplicação da multa de 112%, desconsiderando os fatos ora apresentados, consiste numa tentativa de burlar os preceitos legais que regem a denúncia espontânea, configurandose num efetivo confisco. Observa que os julgadores de 1ª instância reconhecem que toda a fundamentação do voto está baseada na aplicação de 75% de multa e não de 150%, evidenciandose o erro na decisão recorrida que reformou a multa aplicada na lavratura do auto de infração de 150% para 75%, nos termos da fundamentação apresentada. Cita doutrina acerca da necessidade de se auferir a culpabilidade do contribuinte (sic) para imputação da multa de mora, dada sua natureza penal, afirma correta a redução da multa aplicada, e reafirma que se é verdade que não existe crédito reconhecido, é igualmente verdadeiro que não crédito negado, vez que o processo administrativo nº 10168.001414/200277 ainda estava em andamento, e se ali houvesse fraude, ou se constatada a inexistência do crédito, já teria sido julgado pelo indeferimento do pedido e arquivado. A ausência desta decisão dá causa a que terceiros de boafé sejam vítimas na aquisição e uso de um suposto crédito fraudulento, contribuinte pela suposta falsidade na declaração. Acrescenta que não foi intimada das Notas PGFN/CRJ nº 145/2009 e 552/2012 citadas no lançamento, e que a desistência da habilitação foi apresentada logo depois da segunda nota, iniciandose a substituição do crédito supostamente inidôneo. Por tais razões, pede a improcedência do lançamento quanto à imputação da multa e da conclusão de falsidade na declaração. Discorre sobre o caráter confiscatório da multa, citando doutrina e arguindo danos às atividades empresariais caso exigida sua quitação, defendendo a possibilidade de o julgador reduzir a multa excessiva e reportandose a manifestação do Superior Tribunal de Justiça neste sentido. Diz que a manutenção da exigência resultará na violação do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, do inciso I do art. 156 do CTN e do art. 312 da Instrução Normativa INSS/DC nº 070/2002, e afirma seu direito à aplicação de atenuante à penalidade, com sua consequente desconsideração. Pede, assim, a declaração de nulidade do lançamento ou, então, a declaração de inexistência da pretensa relação jurídica obrigacional. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente esclareçase que o litígio nestes autos circunscrevese à penalidade imputada à recorrente em razão de compensação indevida declarada nos autos do processo administrativo nº 10166.008245/201115 entre 03/11/2011 e 09/05/2012. Não se discute, aqui, os créditos tributários que retomaram sua exigibilidade em razão da não declaração da compensação, ou a procedência de outras compensações eventualmente formalizadas para quitação destes mesmos débitos. Assim, não serão apreciadas as alegações de retificação de DCTF ou GFIP acerca de débitos compensados, as referências a exigências correlatas e a pretensão de aplicação de atenuante à penalidade, prevista na legislação previdenciária, que regeria parte dos débitos compensados. Já a nova compensação formalizada no processo administrativo nº 10166.002553/201218 estará implicitamente considerada na avaliação dos efeitos da alegação de desistência da compensação aqui punida. E isto porque a penalidade aqui exigida não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. A falta de recolhimento dos débitos compensados sujeitase a multa de mora se eles estiverem declarados, ou à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma outra infração a ser punida com multa isolada, independentemente das providências adotadas para satisfação da obrigação tributária principal. Esta distinção fica evidente, desde a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação Fl. 812DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 10 9 por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve promover: a cobrança dos débitos indevidamente compensados e o lançamento de ofício de multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurado, dentre outras hipóteses, que o crédito utilizado não era passível de compensação por expressa disposição legal, ou se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é incompatível com a aplicação de multa isolada, pois esta não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, em lançamento de ofício, se ele não estivesse declarado. Tratase, sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas. De fato, não é possível cogitar que um mesmo débito sofra a aplicação de multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora, como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Negase provimento ao agravo regimental, em face das razões que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há configuração de denúncia espontânea quando o contribuinte declara e recolhe com atraso o seu débito perante a Administração Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. SÚMULA 168/STJ. [...] 2. Deveras, pacificouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de "não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a Fl. 813DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 11 10 destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340 – MG, Rel. Min. Luiz Fux) Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de recolhimento do tributo declarado, infração que mereça penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que autorizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Vejase que é admissível, inclusive, a aplicação da multa de ofício isolada sobre valor representativo de multa de mora, nos casos em que a compensação, mediante DCOMP, se faça com débito em atraso, dado que a multa por compensação indevida tem por base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado de ofício for objeto de compensação, e reste caracterizado o abuso de forma ou a fraude na apresentação da DCOMP. A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 12 11 Logo, a exigência da multa isolada por compensação indevida é compatível com a exigência de multa (moratória ou de ofício) sobre os débitos indevidamente compensados. Passando ao mérito da multa isolada aqui aplicada, a autoridade lançadora justifica a exigência no fato de a compensação ter sido considerada não declarada e porque comprovada fraude na declaração apresentada. A não declaração da compensação resultou da classificação do crédito como de terceiros e de viés cível, e a fraude restou evidenciada pela referência ao processo administrativo nº 10168.001414/200277, alvo de diversas denúncias de fraude, vez que nunca existiu crédito algum ali reconhecido. Como antes mencionado, a multa por compensação indevida é uma penalidade nova, criada pela Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se vê, o caput originalmente previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida em razão de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que para as hipóteses de evidente intuito de fraude a referida lei assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 13 12 Já com a Lei nº 11.051/2004, a estipulação da penalidade passou a estar assim redigida: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento imposto às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros ou de natureza não tributária: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Naqueles termos, a multa isolada para a hipótese de nãodeclaração de compensação com crédito de terceiros ou de natureza não tributária (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “c” da Lei nº 9.430/96) passou a ser a mesma aplicável aos casos de nãohomologação com evidente intuito de fraude (art. 18, caput da Lei nº 10.833/2003). Para além disso, a inovação legislativa operou efeitos significativos no campo da exigibilidade dos débitos compensados, a qual, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de não declaração, e não mais de nãohomologação. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 14 13 Mais à frente, a Lei nº 11.196/2005 deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ ............................................................................................................. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) [...] Referida alteração esclareceu que a multa isolada por compensação não declarada somente se sujeitaria a multa qualificada se caracterizado o evidente intuito de fraude, e adotou outra forma de redação: ao invés de tomar por empréstimo os percentuais aplicáveis à penalidade prevista para os casos de nãohomologação de compensação com evidente intuito de fraude, prevista no § 2o do art. 18, trouxe a indicação, no próprio inciso II do § 4o do percentual aplicável. Além disso, no inciso I do §4º, passou a cogitar de casos de nãodeclaração de compensação sujeitos a multa sem qualificação. As infrações em tela foram cometidas de 03/11/2011 a 09/05/2012, quando o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já sofrera outra alteração, decorrente da nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, então, passou a ter a seguinte redação, vigente até hoje: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 15 14 § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há dúvida, portanto, que a não declaração da compensação, fundamentada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é motivo suficiente para a aplicação da multa isolada minimamente no percentual de 75%. Somente o cancelamento da DCOMP, promovido espontaneamente pelo sujeito passivo antes de qualquer intimação fiscal, poderia impedir a aplicação da penalidade, pois em regra este procedimento desfaz a extinção do débito compensado e permite sua cobrança por parte do Fisco, caso ele esteja, por outro meio, declarado. Outras condutas do sujeito passivo, ainda que tendentes à extinção definitiva dos débitos irregularmente compensados, não produzem o mesmo efeito, pois enquanto a DCOMP estiver ativa, os débitos estarão extintos por compensação, e a segunda extinção do mesmo débito poderia, a qualquer momento, ser arguida como indevida, inclusive com pedido de repetição dos valores eventualmente pagos. No presente caso, a recorrente limitase a alegar que os débitos compensados foram objeto de nova compensação, objeto do Processo Administrativo nº 10166.002553/2012 18, em operação substitutiva do crédito inicialmente utilizado. Informa, também, que desistiu da habilitação do crédito objeto do processo administrativo nº 10166.008245/201115, e requereu o cancelamento das compensações antes de qualquer solicitação para apresentação de documentos comprobatórios destas operações. Todavia, não há qualquer prova do cancelamento das DCOMP que deflagraram as multas aqui aplicadas, sendo certo que a legislação vigente à época estipulava, para o cancelamento, a observância da mesma forma adotada na declaração da compensação. Neste sentido a Instrução Normativa RFB nº 900/2008: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Constatase às fls. 432/443 que a contribuinte, depois de intimada a esclarecer as compensações declaradas no processo administrativo nº 10166.008245/201115, informou ter requerido o cancelamento, apenas, dos pedidos de habilitação juntados nos autos do Processo nº 10168.001414/200277. E, somente ao comunicar à autoridade fiscal daquele requerimento apresentado em 14/05/2012, a contribuinte requereu, na mesma petição, o cancelamento do pedido de compensação. Assim, além de o cancelamento da DCOMP não ter observado a forma prescrita, a petição em referência somente foi protocolizada em 11/07/2012, Fl. 818DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 16 15 depois de a contribuinte ter sido cientificada da intimação de fls. 432/434, em 20/06/2012. Mais à frente, a recorrente reportase a denúncia espontânea, mencionando retificações de declarações (DCTF e GFIP) e formalização de compensação substitutiva da anterior, porém tais providências, como já se demonstrou, ainda que comprovadas, seriam inócuas ante a inexistência de cancelamento das DCOMP originalmente apresentadas. Registrese também não ter lugar, aqui, a discussão acerca da ilegalidade da cobrança dos débitos compensados sem prévia discussão administrativa da compensação considerada não declarada, ou da necessidade de prévio lançamento de ofício dos débitos compensados. Como antes demonstrado, o presente litígio circunscrevese à aplicação de multa isolada por compensação indevida, e a contribuinte deve dirigir aqueles questionamentos contra os atos de cobrança ou de inadmissibilidade de manifestação de inconformidade contra a rejeição da compensação declarada. A multa aqui aplicada decorre do abuso de forma/fraude na declaração da compensação, e não se confunde com as penalidades devidas ou outras consequências administrativas da falta de recolhimento/declaração dos débitos compensados. A recorrente também afirma a nulidade do lançamento porque, no presente caso, foi aplicada uma multa de 75%. Diz que não há no Enquadramento Legal do referido auto de infração, norma que justifique a aplicação deste percentual... Por que não 20%, 50%, etc...? Contudo, o auto de infração não só faz referência ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e às suas alterações até a Lei nº 11.488/2007, como também no Termo de Verificação Fiscal estão apontados os fatos que justificam o percentual adotado e a referência à consolidação legislativa exposta na Instrução Normativa RFB nº 900/2008, destacando o excerto abaixo negrejado: Art. 39. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 34. § 1º Também será considerada não declarada a compensação ou não formulado o pedido de restituição, de ressarcimento ou reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 98, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação ou formular o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso. § 2º Nos casos previstos no caput e no § 1º, a declaração ou o pedido será analisado em caráter definitivo pela autoridade administrativa. § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 34 e nos arts. 37 e 66, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1224, de 23 de dezembro de 2011) § 3º A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados ou a cobrança dos débitos já lançados de ofício ou confessados. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) I não extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento; e II é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 4º Nas hipóteses a que se refere o § 1º não se aplica o disposto no inciso V do § 3º do art. 34. § 5º Verificada a situação a que se refere o caput em relação à parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 17 16 § 6º Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso I do § 3º do art. 34, aplicandose o percentual de: I 75% (setenta e cinco por cento); ou II 150% (cento e cinqüenta por cento), quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 7º As multas a que se referem os incisos I e II do § 6º passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos ou arquivos magnéticos. § 8º O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AFRFB da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. Por sua vez, o art. 34, §3º, inciso I da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 reportase às hipóteses que, na forma do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, autorizam a não declaração de compensações: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 1 tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 2 tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 3 tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) Fl. 820DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 18 17 4 seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) [...] Assim, a acusação fiscal validamente fundamenta a penalidade na apresentação de DCOMP considerada não declarada por veicular crédito de terceiros e de natureza não tributária, e justifica o percentual aplicado de 150% em razão da fraude evidenciada pela origem do crédito compensado. A multa assim fundamentada encontra amparo no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e nos atos normativos expedidos pela Receita Federal, de forma que inexiste qualquer deficiência a macular o lançamento. Em sua defesa, a recorrente também procura negar efeitos à compensação declarada, ante a inexistência de prévia habilitação de crédito exigida pelo art. 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Ocorre que as DCOMP foram, mesmo assim, apresentadas em papel, e ainda que a partir do ato de não declaração deixem de produzir qualquer efeito em relação aos débitos compensados, a conduta contrária à lei foi praticada, e as demais disposições legais que procuram impedir sua prática não podem ser invocadas para anular a penalidade prevista, justamente, para os casos de infração à lei. Aliás, a alegação assim produzida pela defesa somente evidencia a inquestionável intenção do sujeito passivo de contornar os controles administrativos e criar a aparência de compensação de um crédito objeto de outro processo administrativo existente, submetido à apreciação administrativa. A autuada também faz referências à demora da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em se manifestar sobre o pleito a ela dirigido no processo administrativo nº 10168.001414/200277, e pede que seja considerado como ato de boafé a desistência manifestada naqueles autos. Ora, não bastasse a contribuinte ter apresentado DCOMP em papel fazendo referência a um crédito demonstrado em processo administrativo, com o qual alcançou a extinção imediata dos débitos compensados, pretende, agora, que outra petição encartada àquele mesmo processo administrativo, desacompanhada do cancelamento das correspondentes DCOMP, associada à demora da Fazenda Nacional em apreciálo, se preste como evidência da boafé de quem não poderia ter outro objetivo senão contar com os efeitos da extinção dos débitos compensados enquanto a análise do processo administrativo nº 10168.001414/200277 não se verificava. Os demais argumentos deduzidos pela defesa contra a imputação de fraude também em nada lhe socorrem. De fato, ao defender que o crédito utilizado teria natureza financeira e corresponderia a pagamento, e não a compensação, a contribuinte apenas agrega outras justificativas para a total inadmissibilidade das DCOMP. Em verdade, todas as referências feitas pela recorrente acerca da natureza do crédito utilizado somente conduzem à conclusão de que o direito supostamente a ela cedido poderia, no máximo, autorizar a pretensão de uma dação em pagamento, correspondente à quitação de tributos por meio de títulos públicos ou outro bem que não a moeda em curso legal no país, inclusive com base no art. 6º da Lei nº 10.179/2001 e no art. 78, §2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. A recorrente ainda vislumbra na lei a possibilidade de compensação de créditos de terceiros que não tenham natureza tributária, invocando as disposições do Código Tributário Nacional acerca da interpretação das leis tributárias. Olvidase, porém, da amplitude das vedações expressas no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que alcançam créditos Fl. 821DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 19 18 de terceiros de qualquer natureza, e créditos de natureza não tributária de qualquer titularidade, em razão da própria dicção do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em compatibilidade com o art. 170 do CTN. Argumenta, também, que em momento algum tentou levianamente utilizar crédito para compensação, mas sim entendia haver o direito ao crédito e sua liquidez, além da viabilidade jurídica do pedido e da compensação. Todavia, como demonstrado na acusação fiscal, não se pode cogitar de boafé frente à utilização de créditos que há anos são noticiados na imprensa como destituídos de qualquer validade para fins de compensação tributária, criados por uma verdadeira indústria de direitos creditórios, com vistas a postergar a cobrança, ou até alcançar a prescrição de débitos, mediante formalização de compensações indevidas. Não é crível que diante deste cenário amplamente divulgado pela imprensa, a contribuinte somente tenha suspeitado da fraude em maio/2012, quando apresentou petição de desistência junto ao processo administrativo nº 10168.001414/200277. Quanto à alegação de que a autoridade julgadora de 1ª instância teria reformado a multa aplicada na lavratura do auto de infração de 150% para 75%, não é o que se constata às fls. 738/760, em argumentação na qual é declarada improcedente a impugnação e, especificamente em relação à qualificação da penalidade, consignase que: 30.1 Em síntese, todos os procedimentos adotados pelo contribuinte ao longo do tempo indica seu total conhecimento das irregularidades cometidas, afastando qualquer hipótese da boafé alegada; ao contrário, o comportamento do contribuinte demonstra a sua clara intenção de eximirse do pagamento do tributo. 31. Por outro lado, os dispositivos legais utilizados pelo fisco quando do lançamento, além de vedar a utilização de precatórios na extinção de débitos tributários pela compensação e a utilização de crédito de terceiros, vai mais além, prevê – expressamente – a aplicação de multa isolada quando intentada. Vejamos: [...] 32. Como se vê, a compensação tributária prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 é uma faculdade do contribuinte no recebimento de seus créditos para com a União com mais celeridade. Contudo, assim como prescreve o art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer nas condições e sob garantias estipuladas em lei; exatamente neste sentido, o legislador criou a multa isolada para coibir a compensação indiscriminada, desprovida de amparo legal, unicamente para suprimir ou retardar o pagamento do tributo. 33. No presente caso, o contribuinte – ciente da ilegalidade de seu ato – apresenta DCOMP onde indica como origem de crédito processo protocolizado por terceiros, que nada tem haver com restituição/ressarcimento: nas declarações apresentadas pelo contribuinte não há indicação da origem do crédito – títulos da dívida publica e de terceiros. O ato praticado tem a nítida intenção de impedir ou retardar o pagamento do tributo devido, mediante apresentação de informações falsas. 33.1 Cabe lembrar que, na hipótese de utilização de crédito reconhecido judicialmente, a primeira providência a ser tomada pelo sujeito passivo é o “pedido de habilitação do crédito”. Mesmo ciente deste procedimento, o sujeito passivo esquivouse de apresentálo à RFB, indicando a sua clara intenção de ludibriar o fisco. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725870/201218 Acórdão n.º 1101001.259 S1C1T1 Fl. 20 19 Por todo o exposto, o fato de inexistir decisão indeferindo o crédito apontado no processo administrativo nº 10168.001414/200277 é irrelevante para reduzir a penalidade aplicada. Como bem exposto na acusação fiscal, era de conhecimento público a imprestabilidade dos créditos referidos pela contribuinte, e para ocultar sua utilização a recorrente valeuse da apresentação de DCOMP fazendo referência a outro processo administrativo, no qual inexistia qualquer direito reconhecido. Irrelevante, assim, se a contribuinte não foi cientificada das Notas PGFN/CRJ nº 145/2009 e 552/2012, ou se a desistência da habilitação foi apresentada logo depois da segunda nota. A contemporaneidade da desistência com o referido ato não exclui o descompasso de sua conduta com fato que já era notório muitos anos antes. Ademais, para manifestar sua boafé a contribuinte deveria ter requerido o cancelamento das DCOMP antes de ser intimada pela autoridade fiscal, o que não se verificou. Quanto ao caráter confiscatório da multa, importa apenas reiterar que a lei estipula o percentual aplicado, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Assim, por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 823DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10120.002671/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
O fato de o contribuinte ser portador de miocardiopatia isquêmica do coração não faz prova suficiente de que possui cardiopatia grave apta a ensejar a isenção do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, devendo haver indicação expressa acerca desta última condição em laudo médico oficial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. O fato de o contribuinte ser portador de miocardiopatia isquêmica do coração não faz prova suficiente de que possui cardiopatia grave apta a ensejar a isenção do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, devendo haver indicação expressa acerca desta última condição em laudo médico oficial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 26 71 /2 00 8- 68 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (BSB) que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.452,34 relativo ao anocalendário 2006 (fls. 4/8). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos no montante de R$ 66.873,61, sendo observado na respectiva descrição dos fatos: Contribuinte apresentou laudo médico emitido por junta médica datado de 01/10/2007. Portaria de aposentadoria datada de 19/02/1998. Diante dos fatos constatamos omissão de receita relativa ao anocalendário 2006. Em sede de impugnação (fls. 2/3), o notificado alegou que retificou a declaração primitiva para considerar isentos por moléstia grave os rendimentos de aposentadoria percebidos, argumentando que as informações médicas colhidas por médico da Agência de Administração do Estado de Goiás demonstram que, há pelo menos sete anos, o contribuinte, aposentado por invalidez, tem direito à isenção prevista na legislação do imposto de renda, juntando nesse sentido o documento de fl. 9. A DRJ/BSB manteve o lançamento (fls. 28/32), sob o entendimento de que a existência de miocardiopatia isquêmica referida pelo documento de fl. 9 não se consubstancia em moléstia grave. O contribuinte, interpôs o recurso voluntário em 4/12/2009 (fls. 38/39), retomando as razões da impugnação e aduzindo, em síntese que: o relatório da "Equipe do Coração" juntado com o recurso atesta que a miocardiopatia isquêmica está contida no conceito de cardiopatia grave (fl. 40); e que os auditores da Receita Federal de Goiás já reconheceram a isenção postulada no tocante aos décimosterceiros de 2003, 2004, 2005 e 2006 (fls. 42/46), conforme decisão que anexa, não se justificando a contradição. Às fls. 59/80 foram, posteriormente, juntados pelo recorrente outros documentos de cunho médico. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10120.002671/200868 Acórdão n.º 2802003.364 S2TE02 Fl. 119 3 com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 O recorrente é aposentado desde 19/2/1998, cingindose a controvérsia à comprovação da condição de portador de moléstia grave. O contribuinte juntou à fl. 9 documento denominado "Solicitação de Aposentadoria por Invalidez", datado de 13/7/2007, e emitido pela Gerência de Saúde e Segurança do Servidor da Agência de Administração do Estado de Goiás, no qual consta diagnóstico médico de que o contribuinte é portador de "Miocardiopatia Isquêmica — CID 10: I.250" há mais ou menos oito anos. No entanto, essa doença não se encontra no rol das moléstias discriminadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, o qual faz referência, isto sim, à condição de portador de cardiopatia grave. A respeito do tema, não vislumbro razões para dissentir do entendimento já consolidado nesta Turma no acórdão de nº 2802001.976 (j. 18/10/2012) e em outros do mesmo jaez, segundo o qual nem toda doença grave do coração é uma cardiopatia grave para efeitos legais. Do minucioso voto de lavra do Presidente deste Colegiado, Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso, colho as seguintes passagens: Tomese como exemplo a patologia infarto agudo do miocárdio que para o leigo e para o paciente é uma doença do coração grave, o que permitiria considerála uma cardiopatia grave. Possivelmente, um cardiologista clínico também a considere uma doença do coração grave, portanto uma cardiopatia grave sob um critério estritamente médico. A II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave descreve os tópicos importantes que precisam ser valorados para que um infarto agudo do miocárdio forma aguda da cardiopatia isquêmica seja considerado uma cardiopatia grave. Isso evidencia que nem todo infarto agudo do miocárdio é uma cardiopatia grave. No mesmo sentido é a lição extraída do Consenso Nacional Sobre Cardiopatia Grave,com a participação de 40 cardiologistas, em Angra dos Reis, de 02 a 04 de Abril de 1993, no sentido de que as cardiopatias agudas, habitualmente rápidas em sua evolução, podem tornarse crônicas, passando ou não, a caracterizar uma cardiopatia grave, ou evoluir para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como Cardiopatia Grave, com todas as injunções legais. (Disponível em Acesso em 07 Out. 2010.) (...) No mesmo caminho é a orientação do cardiologista Dr.Reinaldo Mano, ao explicar que possuir uma doença cardíaca não significa obrigatoriamente que o paciente tenha uma cardiopatia grave na forma da lei, especialmente porque com o avanço da tecnologia, dos métodos diagnósticos e dos tratamentos, diversas condições cardiológicas antes reconhecidamente causadoras de morte e invalidez, hoje são passíveis de cura, assim, depende do cardiologista a emissão de laudos baseados em escalas objetivas, atualmente constantes de Diretrizes da SBC, tanto para evitar excessos em relação a aposentadorias e benefícios de portadores de cardiopatia, que já se encontram potencialmente tratadas e controladas, quanto para dar amparo a caracterização da cardiopatia grave (Anamnese Cardiológica Situação Laborativa do Paciente, de 13/11/2004, Disponível em Acessoem07Out.2010). No caso concreto deve ser sublinhado, ademais, que os documentos de fl. 40 (relatório da "Equipe do Coração") e de fls. 62/80 (exames e relatórios médicos diversos) são de lavra particular, não se traduzindo em laudo médico oficial nos termos requeridos pela legislação acima reproduzida. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10120.002671/200868 Acórdão n.º 2802003.364 S2TE02 Fl. 120 5 A outro giro, conquanto tenha sido reconhecida pela Delegacia da Receita Federal em Goiânia no bojo do processo nº 10120.000917/200867 o direito à isenção do imposto de renda retido na fonte sobre o 13º salário relativamente ao ano sob análise (fls. 42/56), tal decisão não é suficiente, por si só, para dar amparo ao pedido do contribuinte veiculado no presente litígio. Este Colegiado é Turma julgadora componente do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão distinto da Receita Federal do Brasil no âmbito da estrutura do Ministério da Fazenda, não estando submetido na apreciação dos fatos em comento à decisão da precitada DRF, mas sim à legislação de regência, bem como a normas específicas tais como o RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Nesse sentido, é oportuno trazer à colação a Sumula CARF nº 63, aprovada pela segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 29/11/2010, de observância obrigatória para os membros deste Colegiado, na forma do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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