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Numero do processo: 11128.724284/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/07/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão.
Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3402-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência da omissão apontada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Celso Costa, OAB nº 148.255 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência da omissão apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. Efetuou sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Celso Costa, OAB nº 148.255 (SP).
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OMISSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência da omissão apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 42 84 /2 01 2- 55 Fl. 1623DF CARF MF 2 Efetuou sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Celso Costa, OAB nº 148.255 (SP). Relatório Tratase de embargos de declaração, com fulcro nos artigos 65 e seguintes do RICARF, opostos em tempo hábil pela UNIÃO (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) às fls. 1.585/1.586), em razão da alegada existência de omissão no Acórdão nº 3402003.199, de 23/08/2016 (fls. 1.554/1.583). O Acórdão embargado, possui a ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Data do fato gerador: 13/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil. LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita. O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferronióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio. Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afastase a incidência da multa regulamentar da exportação Recurso de Ofício Negado. A embargante (PGFN) alega em seu recurso que "verificando o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão na sua fundamentação, pois a e. Turma não justificou o afastamento do art. 718, §1º do Regulamento Aduaneiro". A seguir, transcreve a redação do referido dispositivo: Art. 718. Aplicamse ao exportador as seguintes multas, calculadas em função do valor das mercadorias: Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402004.190 S3C4T2 Fl. 1.624 3 § 1º Não constituirá infração a variação, para mais ou para menos, não superior a dez por cento quanto ao preço e a cinco por cento quanto à quantidade da mercadoria, desde que não ocorram concomitantemente (Lei nº 5.025, de 1966, art. 75). (Destaquei) A Fazenda Nacional alega que o acórdão recorrido discutiu sobre a diferença em torno do preço praticado pela contribuinte, mas silenciou sobre a variação na quantidade da mercadoria. Portanto, como o acórdão recorrido teria tratado apenas sobre o preço, requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esta Turma julgadora, sanando a omissão, apresente manifestação sobre a variação na quantidade da mercadoria, conforme determina o art. 718, §1º do RA. A empresa ANGLO AMERICAN NIÓBIO BRASIL LTDA, tomou conhecimento dos Embargos declaratórios opostos pela PFN, através do eprocesso e apresentou suas contrarazões às fls. 1.590/1.594. Os declaratórios foram, então, admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara/3ª Seção do CARF, consoante Despacho de fls. 1.598/1.599. É relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Admitidos os Embargos, por tempestivos, entendo que eles devem ser rejeitados, eis que, inexistente a omissão no Acórdão quanto ao argumento trazido pela Fazenda Nacional. É cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. O presente processo versa sobre Auto de Infração lavrado em 31/07/2012, em face de infração na atividade da empresa ANGLO AMERICAN NIOBIO BRASIL LTDA, atual denominação social da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA, formalizando a exigência de multa de exportação no valor de R$ 11.386.618,52. De acordo com o Fisco, a embargante efetuou diversas operações de exportações do produto "ferronióbio" (liga de ferro e magnésio), durante os anos de 2011 e 2012, alegando que continha teor de nióbio superior ao informado pela empresa através das Declarações de Exportação DE’s registradas no SISCOMEX. A referida conclusão estava embasada em análises efetuadas pelo Laboratório Falcão Bauer ("LFB") em amostras extraídas do material exportado pela Embargante. Os autos tiveram sua apreciação pela DRJ em São Paulo I, que julgou improcedente por unanimidade, com cancelamento integral do crédito tributário exigido. A Fl. 1625DF CARF MF 4 referida decisão foi objeto de Recurso de Ofício, julgado por esse Colegiado, que manteve a decisão da instância a quo em sua integralidade. Da alegada OMISSÃO De acordo com a PGFN, constatase a existência de omissão na fundamentação do Acórdão nº 3402003.199. Vejase: "(...) Verificando o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão na sua fundamentação, pois a e. Turma não justificou o afastamento do art. 718, $1° do Regulamento Aduaneiro. (...) O acórdão recorrido discutiu sobre a diferença em torno do preço praticado pela contribuinte, mas silenciou sobre a variação na quantidade da mercadoria. A Fiscalização questionou o preço e quantidade de nióbio indicada pela contribuinte. (...) Portanto, como o acórdão recorrido tratou apenas sobre o preço, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esta e. Câmara, sanando a omissão, apresente manifestação sobre a variação na quantidade da mercadoria, conforme determina o art. 718, §1º do RA". Entendo não haver razão à Embargante. Explico. Como pode ser verificado na extensa análise efetuada nestes autos, o principal ponto de discussão foi justamente a existência de divergências (variações) no teor de nióbio da liga exportada pela Embargante. Tanto é assim que ambos os acórdãos (DRJ e do CARF), contêm a reprodução dos quadros elaborados pela perita para cotejo das metodologias de aferição do teor de nióbio e diversas transcrições de suas conclusões. Há que se destacar que, conforme exposto pela empresa em seus recursos e ainda em suas contrarazões (fls. 579/811 e 1.590/1.594), os contratos celebrados pela ANGLO AMERICAN com seus clientes (partes nãorelacionadas) dispõem que o preço do produto será baseado na quantidade de nióbio na liga de ferronióbio exportada. Nesse contexto, verificase que a análise da quantidade do nióbio exportado não está dissociada da análise do preço do material exportado. Ao contrário, o preço da liga exportada é decorrência direta da quantidade de nióbio nela existente. Para melhor evidenciar isso, vide o excerto abaixo, extraído do Parecer técnico emitido pela perita designada nos autos, que consta das fls. 1.109/1.170 e reproduzido às fls. 1.571/1.572 do Acórdão embargado: "(...) A metodologia utilizada no Laboratório Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras referência. Em média os resultados do Laboratório Falcão Bauer apresentaram valores 6,3% maiores do que os conhecidos nas referências. Não pode ser observada tendência de variação dos resultados provenientes da metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão, nas diferentes faixas de percentual de Nióbio das amostras. Em média os resultados do laboratório da Mineradora Catalão apresentaram valores 1,6% menores do que os conhecidos nas referências; Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402004.190 S3C4T2 Fl. 1.625 5 No entanto, a metodologia aplicada pelo Laboratório da Mineradora Catalão tende a apresentar desvios menores (+0,55%) em relação a resultados esperados, quando as análises são efetuadas na faixa de trabalho próximo e abaixo de 65% de teor de Nióbio nominal." Ressaltese também que às fls. 1.579 e 1.581 (Acórdão embargado), foram reproduzidos e analisados gráficos e tabelas contendo comparativo entre os resultados das análises efetuadas pela Embargante e pelo laboratório LFB a fim de aferir o percentual bruto de nióbio existente nas amostras preparadas pela perita. Desta forma, quedouse demonstrado que as divergências na quantidade e preço de nióbio que ensejaram a lavratura do presente auto de infração decorriam de divergências entre a metodologia aplicada de aferição dos elementos da liga exportada adotada pela Embargante e a metodologia adotada pelo LFB. E, foi exatamente nesse sentido que concluiu o Acórdão embargado. Vejase trecho abaixo reproduzido (fl. 1.582). "(...) O fato a ser analisado é que a Perícia realizada demonstrou que havia motivos técnicos para que resultados obtidos pelo Laboratório Falcão Bauer tendem a se mostrarem superiores aos da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA. Portanto, ainda que a amostra referente ao do laudo de assistência técnica n° 1954/2011 revele um teor de nióbio de 71.692%, foi demonstrado no Parecer da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível esse desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada". Em resumo, o principal ponto de discussão desses autos, foram justamente as variações existentes na quantidade de nióbio (revelado pelo teor de nióbio) exportado pela ANGLO AMERICAN. Posto isto, entendo que por ter enfrentado os argumentos da Fazenda Nacional, ainda que de forma sintética, o acórdão recorrido não possui o vício de omissão apontado pela Embargante na forma do art. 65 do RICARF. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração opostos, por serem tempestivos, mas REJEITOOS por não vislumbrar o vício de omissão apontado. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1627DF CARF MF 6 Fl. 1628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720556/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 546 1 545 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.720556/201391 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.757 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 4 de abril de 2017 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ARILDO SILVA DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10508.720556/201391, em face do acórdão nº 1274.065 julgado pela 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 55 6/ 20 13 -9 1 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 547 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 02/09, lavrado em 07/11/2013, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2010, no valor total de R$ 8.331.790,16, assim composto: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) às fls. 04 e ss, o crédito tributário decorre da apuração da seguinte infração: 1. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA O procedimento fiscal encontrase detalhado no Termo de Verificação de Infração, às fls. 10/11 do qual se extrai que: 1. Foram solicitados os Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo contribuinte junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao ano calendário de 2010. 2. Após a negativa da apresentação da documentação bancária, foi solicitada RMF por não restar outra alternativa, dando continuidade à ação fiscal. 3. Foram enviadas às instituições financeiras CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e SICOOB Cooperativa de Credito Livre Admissão Associação de Teixeira de Freitas LTDA, Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF), com base no art.3° do Decreto 3724/2001, solicitando os extratos de movimentação de conta corrente do contribuinte no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2010, além de informações cadastrais e procurações dando poderes a terceiros para movimentar a conta corrente. 4. De posse dos extratos de movimentação bancária foi intimado novamente o contribuinte através da via postal, ciência em 02/09/2013, para que comprovasse, no prazo de 10 dias, a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, no período abrangido pela ação fiscal, justificando e comprovando a sua não tributação. 5. Em 04/09/2013, o contribuinte compareceu ao SIANA/IRF/ILH, e fez um relato dos fatos acontecidos em 2010 com relação aos seus negócios mas não apresentou nenhuma documentação comprobatória naquele momento. 6. O contribuinte foi orientado a elaborar um demonstrativo detalhado juntando documentação pertinente a fim de comprovar os valores creditados em suas contas correntes, além de justificar a não tributação. Foi prorrogado o prazo para atendimento da Intimação 01 em quinze dias a partir do dia do comparecimento. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 548 3 7. Na resposta à intimação, datada de 17 de setembro de 2013, o contribuinte informa diversos acontecimentos destacando os seguintes: 7.1. que agricultores da região lhe solicitavam que descontasse cheques em sua conta bancária por não possuírem uma. Dessa forma, estaria o contribuinte apenas ajudando os agricultores mas não mencionou qualquer tipo de intermediação de produtos agrícolas; 7.2. que obteve diversos empréstimos junto ao Banco SICOOB LTDA em particular um empréstimo de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) feito através da conta de sua esposa; 7.3. que fez transferências da conta de sua esposa para sua conta corrente, assim como de um Caixa Lotérico "CAIXA AQUI", também pertencente a sua esposa a fim de cobrir despesas pessoais de seus negócios na sua conta corrente; 7.4. que movimentou recursos das empresas de sua esposa e filho em suas contas correntes. 8. Quanto a ter descontado diversos cheques de produtores rurais em suas conta correntes não apresentou qualquer documentação comprobatória como os cheques depositados, recibos ou contratos, nem demonstrou forma, valores e enumeração/indicação dos depósitos. 9. Quanto aos empréstimos, feitos por sua esposa não houve comprovação de que os mesmos transitaram por sua conta corrente. Sendo assim, não é possível identificálos. 10. Quanto às transferências feitas por sua esposa, o contribuinte as identificou em extrato de sua conta corrente, por ele apresentado, a débito de sua conta para a dela. 11. Quanto aos recursos das empresas de sua esposa e filho e de Caixas Lotéricos e Eletrônicos, também não apresentou nenhuma comprovação/identificação dos depósitos em sua conta, de forma que ficasse demonstrado que o dinheiro não era rendimento seu ou que teria apenas transitado temporariamente por sua conta bancária. 12. Verificouse que a conta mantida pelo contribuinte na Caixa Econômica Federal tratase de conta conjunta com a Sra. Nelice Silva de Almeida. Dessa forma, de acordo com art. 42 da Lei 9430/96, foi considerado apenas 50% dos valores creditados nessa conta corrente. 13. Tendo em vista os fatos descritos acima, que o contribuinte não apresentou nenhuma documentação comprobatória da movimentação financeira, os créditos efetuados na conta bancária da mesma caracterizam a omissão de rendimentos no valor de R$ 15.313.223,07 para o ano calendário de 2010, conforme planilha de créditos em conta corrente anexa. Cientificado, conforme fl. 187, em 12/12/2013, o interessado apresentou impugnação (fls. 189/206), recepcionada na unidade local da RFB em 06/01/2014 na qual, após uma breve síntese dos fatos, alega: 1. A nulidade do Auto de Infração – DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL DO CONTRIBUINTE SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO VIOLAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 2. A inconstitucionalidade do art. 42 da Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 549 4 Lei 9.430/96. Que há uma violação dos princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e da razoabilidade e sua compatibilidade com o uso das presunções legais no direito tributário. 3. Que estando um conflito entre o fisco e o contribuinte, não é a autoridade fiscal que vai dizer se os documentos bancários sigilosos são ou não indispensáveis. Um terceiro imparcial, é quem pode solucionar o conflito ocorrente entre o interesse do Fisco e o direito de privacidade do indivíduo. Este terceiro é o Juiz. 4. Que é o contribuinte um Pequeno Produtor Rural que participou do Pólo Maracujá, no Município de Alcobaça/BA, projeto desenvolvido pela Prefeitura daquele Município em convênio com a Suzano Papel e Celulose, e um dos poucos que mantinha conta corrente em banco. 5. Que, nessa condição, dezenas de outros produtores rurais se utilizaram da boa vontade do Autuado para TROCAR (compensar) os cheques que eles recebiam de compradores de frutas de São Paulo e de outras Regiões do país, assim como cedeu a cota para que pagamentos fossem realizados por esses compradores, e em seguida repassados ao legítimos credores. (lista os produtores) 6. Que nos idos de 2010 o Banco SICOOB liberava o crédito antes mesmo da compensação dos cheques, sendo que destes, MUITOS DOS CHEQUES FORAM POSTERIORMENTE DEVOLVIDOS SEM FUNDOS, conforme demonstram os extratos anexos, razão pela qual, não se pode simplesmente considerar o que ingressou como crédito na conta, como fez a fiscalização, mas também o que foi realizado de débito pagamentos, devolução de cheques, etc. para que na confrontação crédito débito, se possa apurar o que, em tese, seria receita. 7. Que a Fiscalização também deveria ter solicitado a relação de cheques depositados e devolvidos sem a provisão de fundos, assim como a microfilmagem de todos os cheques que foram compensados na referida conta, para somente então concluir que o Autuado teve movimentação superior a R$15 milhões. 8. Que nem o contribuinte nem sua família adquiriu bens móveis ou imóveis desde os idos de 2003/2004, que uma pequena propriedade está hipotecada em favor de SICOOB e, portanto, a afirmação da fiscalização foge do princípio da razoabilidade; Que há uma exclusão do princípio da presunção da inocência. Que deveria ser concedido prazo razoável para obtenção das cópias, já solicitadas, dos cheques depositados. Que há diversas Inconstitucionalidades do art. 42 da Lei 9.430/96 9. Que a Fiscalização não considerou o que fora lançado a débito, pois se o fizesse, facilmente constataria que muitos cheques foram lançados na conta, mas FORAM POSTERIORMENTE DEVOLVIDOS SEM FUNDOS, portanto jamais poderia se constituir em receita tributável, como quer fazer crer a fiscalização. Como prova disso, anexa à presente os Extratos Mensais da conta do Banco SICOOB, relativos a movimentação financeira do ano de 2010, para que se possa confrontar CRÉDITO com DÉBITOS, e os repasses aos produtores, para se constatar que seria impossível ao Autuado, um pequeno produtor rural, de baixa formação cultural, ter movimentado mais de 15 milhões de Reais. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 550 5 10. Que não houve dolo ou fraude, por parte do autuado; 11. Requer a intimação do SICOOB para que sejam fornecidas todas as cópias de cheques depositados, especialmente os que foram devolvidos. E a realização de perícia contábil, além da produção de outros meios de prova. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 358/372, reiterando as alegações expostas em impugnação. Ainda, anexou ao recurso documentos de fls. 373/543. Prevaleceu o entendimento no acórdão recorrido de que a alegação do contribuinte de que a movimentação por si só não poderia servir para lavratura de auto de infração não poderia ser aceita, considerando que a tributação com base na presunção estaria definida em lei. De igual forma, a 19ª Turma da DRJ/RJO entendeu que por ser ausente a comprovação de origem dos depósitos efetuados a título de produção rural, devendo ser mantida a tributação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, necessário referir a necessidade de diligência, pois o processo não é possível ser julgado na forma como se encontra. Ocorre que, consoante relatado, verificou a fiscalização que a conta mantida pelo contribuinte na Caixa Econômica Federal (conta nº 1131.001.000073702) tratase de conta conjunta com a Sra. Nelice Silva de Almeida. Dessa forma, foi considerado apenas 50% dos valores creditados nessa conta corrente. Todavia, não consta nos autos se foi intimada a Sra. Nelice Silva de Almeida. Entendo por imprescindível constar nos autos a intimação do cotitular para que igualmente comprove a origem de seus depósitos. Este Conselho tem entendido, cujo entendimento encontrase pacificado por meio de súmula, de que em se tratando de conta conjunta deve ser também intimado o co titular para a comprovação da origem dos depósitos realizados. Neste sentido, há a Súmula CARF nº 29, que assim dispõe: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 551 6 Contudo, não consta nos autos intimação, ou indícios de sua existência, do co titular da conta bancária para justificar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a autoridade preparadora informar se houve a intimação da cotitular da conta bancária conjunta, para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a comprovar tal intimação. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 551DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.002455/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto..
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto..
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(assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.. RELATÓRIO Tratamse de pedidos de restituição, com declarações de compensação que visam o reconhecimento do direito creditório oriundo de saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001, e débitos de PIS e COFINS referentes a períodos de apuração de meses dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Apenso aos autos, encontrase o processo n° 10120.002455/200146, objeto das compensações de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados na DIPJ, referentes aos exercícios de 2001 e 2002, sendo reconhecido parcialmente o direito creditório ao referido período, conforme despacho decisório às fls. 03/51 dos autos apensados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 02 45 5/ 20 01 -4 6 Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.027 2 Nos termos do Despacho Decisório de fls. 1796/1797, o pedido de restituição foi parcialmente deferido, reconhecendo a favor da Recorrente o montante de R$ 1.819.647,95, referentes aos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas DIPJs apresentadas, conforme disposição a seguir: Após o reconhecimento parcial, foram homologadas as compensações efetuadas pela contribuinte até o limite do crédito acima. dos valor de R$ 3.558.713,17 pleiteados Contra essa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela 4° Turma da DRJ/BSB, para reconhecer a homologação tácita da compensação efetuada pela contribuinte, referente aos período de apuração de 01/2001 a 08/2001, mantendose a cobrança dos débitos de PIS e COFINS referentes aos períodos da apuração de 10/2002 a 11/2002, conforme despacho de fls. 1938/1939, itens 09 e 10. Em sede de Recurso de Voluntário, a Recorrente alega em síntese que: (a) os saldos negativos de IRPJ e CSLL foram apurados a partir de 1993, originados de: (i) quitação de estimativas mensais dos referidos tributos em montantes superiores aos devidos no encerramento do anocalendário; e (ii) por deduções de valores retidos de IRRF sobre aplicações financeiras. Dessa maneira a redução das estimativas mensais pelo agente fiscal do anocalendário 1993 acabou por impactar nos anoscalendário Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.028 3 subseqüentes. Assim, os PER/DCOMPs apresentados pela Recorrente nos anos de 2001 e 2002, deveriam ser alçados pelo decadência. (b) a glosa referente as retenções é descabida, pois o procedimento fiscal adotado foi equivocado quanto a verificação dos valores das estimativas mensais IRPJ e CSLL declarados, obtendo um número inferior ao do contribuinte. Nesse ponto, a Recorrente aponta que juntou aos autos 5 guias de recolhimento de estimativas referente ao anocalendário de 1993, que confrontadas com os valores informados na DIPJ (fl.s 1381) resulta no mesmo valor declarado. Requer, ao final, que este Colegiado homologue as compensações declaradas pela Recorrente. Eis a síntese do necessário. VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Cuidase de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados em DIPJ, nos anoscalendário de 2001 e 2002 seguido de Declaração de Compensações (DCOMP) a serem compensadas com débitos de PIS/COFINS períodos de apuração de meses dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Como visto, a decisão reconheceu parte das DCOMPs no tocante aos débitos tacitamente homologados, no período de janeiro a agosto de 2001, bem como manteve a cobrança de PIS e COFINS do período de outubro e novembro de 2002, sob o argumento de insuficiência do saldo e pela inocorrência da homologação tácita. Passamos as razões de decidir. Da decadência quanto à retificação de saldos apurados em períodos já homologados tacitamente. A Recorrente alega que o agente fiscal apontou que os saldos utilizados teriam se originado de apurações efetuadas desde o anocalendário de 1993, pois antes desse período só havia saldo devedor de IRPJ e CSLL. Isso porque no anocalendário de 1993 foi verificada uma inconsistência na quitação das estimativas mensais, resultando em uma redução nos valores declarados na respectiva DIPJ, o que ocasionou em sucessivas reduções do saldos de IRPJ e CSLL apurados nos anoscalendário de 1993 a 2001. Assim alega que o ajuste realizado pelo agente fiscal de 260.349,49 para 54.107,84 UFIRs (tabela abaixo) foi materialmente incorreto, tendo em vista a comprovação do valor recolhido a titulo das estimativas de IRPJ e CSLL em montante maior que o reconhecido no Despacho Decisório. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.029 4 Ademais, afirma que se os pedidos de restituição/compensação foram protocolizados em 2001 e 2002 , o que faz crer que se remetem à créditos apurados nos últimos 5 anos, embora os saldos de IRPJ e CSLL terem sido parcialmente influenciados por créditos de períodos anteriores. Dessa maneira, conclui que o fisco deveria ter considerado tacitamente homologados os créditos adotados até 1997, pois estes já estariam alcançados pela decadência. A decisão da DRJ entendeu que a homologação tácita da compensação declarada ocorre após o decurso de 5 anos da data de entrega da DCOMP. No entanto, ressalva que a Administração Pública tem cinco anos para rever seus atos, nos termos do art. 54 da Lei 9.784/1999. Nesse ponto, argumenta que as retenções na fonte que compuseram os saldos negativos pleiteados (fls. 1800/1830) foram parcialmente reconhecidas, isto é, as retenções não validadas não estavam respaldadas por comprovante de retenção emitido em nome da Recorrente como fonte pagadora, conforme excerto a seguir: (1) os confirmados pelo sistema SIEFDirf, nos casos em que o valor confirmado pelo sistema é inferior ao informado no PER, já que a contribuinte não conseguiu comprovar este último valor por meio de comprovantes hábeis de retenção solicitados; (2) os informados na Dcomp, nos casos em que o valor deste é inferior ao confirmado pelo SiefDIRF, já que foi escolha da contribuinte solicitar este valor no PER, mesmo que pudesse pedir valor maior de retenção na fonte. Nesse sentido, ressaltou que o procedimento adotado pelo agente fiscal no Despacho Decisório foi amparado pela legislação, in verbis: Decreto 3000/1999 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.030 5 Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Dessa maneira, concluiu que apenas o valores retidos comprovados e aprovados pela Receita Federal do Brasil poderiam ser compensados e sujeitos a decadência. É importante esclarecer que esse entendimento está em consonância com a jurisprudência desta Turma: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação (...) (ACÓRDÃO 1301001.300) (...) SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação ou compensação direta (DCTF), devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito.(ACÓRDÃO 1301001.703) Por tais razões, entendo ser irretocável a decisão da DRJ no que tange à decadência dos saldos apurados até 1997. Da comprovação do crédito Conforme Despacho Decisório, verificase que foi levantado retenções em valores superiores aos informados, conforme sistema de controle da Receita Federal (fls. 1600/1608), totalizando um valor de R$ 346.514,26. Nesse sentido, sinaliza que o valor declarado à título de "imposto pago incidente sobre ganhos no mercado de renda variável" foi de R$ 181.632,89, no entanto, a Recorrente teria informado que a compensação de IRRF sobre operações financeiras havia sido de RS 161.682,33. Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.031 6 Assim, a fiscalização acabou por considerar como crédito compensável apenas o menor valor. A Recorrente entende que a conduta do agente fiscal é condenável, pois ainda que não fosse apresentada a documentação que suporta o crédito, o agente fiscal teria que levar em consideração quando do levantamento do crédito. Com efeito, afirma que o direito ao crédito decorre do recolhimento antecipado do tributo, embora seja feito pelo responsável, quem efetivamente suporta o tributo é o contribuinte de fato, e não o cumprimento da obrigação acessória. Adiante, ressalta que a exigência ainda persistiria, caso o Fisco não tivesse condições de verificar a efetividade das retenções. Ainda assim, informa que todos os dados constam no sistema interno do Fisco, conduzidas pela DIRF. Conclui, que houve uma presunção do Fisco, sem ter ao menos aprofundado a ação fiscal para apurar se as informações prestadas estariam incorretas ou até mesmo realizando qualquer diligência a respeito. Informa que a Recorrente apensou 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontados com os informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1381 dos autos. Desse modo, a Recorrente requer seja reconhecidas as estimativas, com base na documentação carreada aos autos. Neste ponto, impende destacar que a autoridade fiscal cumpriu o que determina a lei quanto à utilização do imposto retido na fonte como antecipação do devido na declaração, ou seja, a empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome, in verbis: Decreto 3000/1999 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.032 7 pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (Grifos) Destarte, da leitura dos dispositivos acima se verifica que somente os valores informados pelas fontes pagadoras ou comprovados serão considerados como imposto retido na fonte. Dessa forma, entendo que não restou comprovada nos autos a efetividade das retenções informadas na DIRF para comprovação do direito creditório aqui pleiteado. Assim, no sentido de se buscar a verdade material e se certificar que de fato o contribuinte obteve rendimentos de retenção na fonte do IRRF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que estes autos retornem à Delegacia de origem para análise da certeza e liquidez do direito creditório, bem como se manifeste sobre o que se segue: 1) apurar o valor do crédito compensável declarado à título de retenções na fonte informados pelas fontes pagadoras, a ser confirmado no SIEFDirf; 2) confirmar a validade e a existência dos créditos de IRRF informado na DIPJ R$ 252.198,31 para o anocalendário de 1997 e R$ 208.144, 97 para o anocalendário de 1998; 3) analisar as guias apensadas pela Recorrente 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontadas com os valores informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1381 dos autos; 4) caso se entenda que os documentos acostados pela Recorrente não sejam suficientes para a elaboração do relatório conclusivo, que seja intimada a Recorrente para comprovar o valor pleiteado no tocante as retenções efetuadas. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à Recorrente, sobre o relatório conclusivo, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2032DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000895/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 01/08/2002, 02/11/2002, 01/02/2003
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PELA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune),pela pessoa jurídica obrigada,sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 3201-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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MULTA PELA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune),pela pessoa jurídica obrigada,sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 95 /2 00 5- 23 Fl. 198DF CARF MF 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de multas por falta de entrega da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune). Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 70/73, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação:3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 1° trimestre de 2002 e o 4° trimestre de 2002, atingiu o montante de R$ 595.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei n° 9.779/1999; art. 57, inc. I e parágrafo único da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001; art. 344 do Decreto n° 2.637/98 c/c arts. 212, 368 e 505 do Decreto n°4.544/2002 (RIPI/02); arts. e 10 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71/2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.90.002004 028065 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação às entregas das DIFs — Papel Imune ou apresentar os comprovantes de entrega das declarações relativas ao período acima mencionado (fl. 03). Em atenção à intimação fiscal, a intimada apresentou cópia de decisão liminar exarada nos autos de Mandado de Segurança Coletivo, impetrado pela Câmara Brasileira do Livro (fls. 60/62). Foi, então, intimada "a apresentar Certidão de Objeto e Pé original, ou cópia autenticada da sentença definitiva, referente ao Mandado de Segurança Coletivo cujo número não está mencionado nas cópias das peças entregues à fiscalização" (fl.63). Em atenção a esta intimação, a fiscalizada solicitou, em 10/02/2005, mais 30 dias para atendimento, "independentemente de nova notificação". Transcorrido in albis o prazo solicitado, como a fiscalizada não comprovou a entrega das declarações, a autoridade fiscal lançou as multas pela falta de entrega, computadas por mês de atraso, até o mês de lavratura do auto de infração, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 67/68). Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 94 3 O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 28/03/2005, por meio de correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento (fl. 75), tendo protocolado sua impugnação em 20/04/2005, conforme peça de fls. 77/85 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 86/91), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) em dezembro de 2001 a Câmara Brasileira do Livro, "legítima representante do Centro de Estudos e de outras editoras por todo o território nacional", impetrou Mandado de Segurança Coletivo, visando impedir qualquer obstáculo à fruição da imunidade tributária incidente sobre operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Isto porque a IN SRF n° 71/2001 "trouxe exigências arbitrárias e coercitivas de ordem pessoal para aqueles que operam com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos", padecendo de flagrante inconstitucionalidade; b) a alteração da IN SRF n° 71/2001, pela IN SRF n° 101/2001, especialmente em relação ao art. 4°, não invalidou o pedido ajuizado pela citada ação mandamental, conforme entendimento esposado pelo Ministério Público Federal, em sua manifestação naquele processo. Segundo o parecer do MPF, o Decretolei n° 1.593/77 foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de Lei Complementar, "qualquer alteração somente poderia se proceder mediante edição de lei complementar superveniente"; c) foi deferido pedido liminar na referida ação "para que o Secretário da Receita Federal se abstivesse de praticar qualquer ato da Instrução Normativa SRF n° 71/2001, que pudesse embaraçar ou impedir a livre fruição da imunidade tributária aos associados da Câmara Brasileira do Livro". E esta decisão vigorou até setembro de 2002, quando a sentença cassou a liminar anteriormente concedida; d) contra referida decisão foi impetrado recurso de apelação que visou afastar a necessidade de inscrição no Registro Especial, "além da abstenção de apresentar a Declaração Especial de Informação Relativa ao Controle de Papel Imune — DIF Papel Imune". E a sentença não apreciou os pedidos formulados pela Câmara Brasileira do Livro; e) "como houve a cassação da liminar e a interposição do Recurso de Apelação, a matéria em questão — as condicionantes e os obstáculos à livre fruição da imunidade tributária — estão sob a guarda e apreciação do Poder Judiciário". Assim sendo, "deve ser imediatamente suspensa a cobrança desta multa, visto que o principal fundamento e embasamento da cobrança reside em Instrução Normativa cuja legalidade e exigibilidade estão sendo objeto de discussão no Poder Judiciário"; f) a falta de cumprimento do prazo para justificar a não entrega das declarações não pode fundamentar a exigência da multa. "Isto porque, como já dito anteriormente, o objeto e fundamento Fl. 200DF CARF MF 4 de tal cobrança está sendo questionado no Poder Judiciário, e que ainda não houve uma decisão final acerca destes conflitos". E, pela mesma razão, também não deve prosperar o argumento de que "nos documentos apresentados não houve a concessão expressa do efeito suspensivo"; "as cobranças de débitos fiscais se sujeitam a legislação própria, e a Receita Federal se torna incompetente para dispor sobre novas formas e espécies de cobrança, principalmente embasadas em dispositivos que agridem direitos constitucionalmente garantidos, como as imunidades tributárias"; h) a multa aplicada é desproporcional quando comparada ao ato não praticado. Isto porque não houve sonegação de impostos, em razão da imunidade tributária. Assim sendo, "a lei que determina tal cobrança deveria ser revista para que os parâmetros de aplicação das multas sejam condizentes com a gravidade do ato praticado"; i) caso seja mantida "a constitucionalidade e legalidade" da norma combatida, "tenham seus prazos iniciados à partir do trânsito em julgado da ação judicial, pois neste momento teremos uma definição acerca dos conflitos levantados e qual regra deverá ser seguida". Conclui a impugnante requerendo "a suspensão da multa e sua respectiva cobrança até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança Coletivo, e na eventualidade de se confirmar a legalidade e constitucionalidade das Instruções Normativas e leis que regram o assunto, que sejam restabelecidos os prazos determinados para o cumprimento das normas estabelecidas para inscrição no Registro Especial e a entrega das Declarações de Papel Imune —DIF — Papel Imune". A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO COINCIDÊNCIA DE OBJETOS. Verificado que o objeto da ação judicial em verdade não coincide com a matéria impugnada, há que se tomar conhecimento da impugnação apresentada, prosseguindose o julgamento administrativo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. MEDIDA JUDICIAL. ALCANCE. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 95 5 Constatado que não há provimento judicial assegurando a dispensa de entrega das declarações, procede o lançamento da multa em face da falta de entrega. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Não havendo expresso provimento judicial que se preste a obstaculizar a exigência do crédito tributário, sua exigibilidade só deve restar suspensa em face da pendência do julgamento administrativo, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Às instâncias administrativas não compete apreciar argüições de ilegalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Lançamento Procedente Sobre a prejudicialidade da ação judicial sobre o lançamento de ofício em tela, entendeu a Delegacia de Julgamento que: Considerandose que não foi negado o fato gerador da multa, qual seja, a falta de entrega das DIFs, foi mantido o lançamento, sendo os demais argumentos, como o de inconstitucionalidade da penalidade, igualmente rechaçados, por força dos limites da competência administrativa. Fl. 202DF CARF MF 6 Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conforme o relatório, o primeiro ponto a ser abordado é sobre a concomitância entre o presente processo administrativo e o mandado de segurança coletivo n. 2002.34.00.0000718, impetrado pela Câmara Brasileira de Livros, que, segundo a recorrente, teria como um dos pedidos, a ilegitimidade da exigência da DIF papel imune. O referido mandado de segurança teve medida liminar concedida, sentença de extinção sem resolução do mérito e, em pesquisa sobre o seu andamento processual, verificou se que o Tribunal Regional da 1a Região, julgou procedente o recurso de apelação, sendo a decisão objeto de recurso especial e extraordinário, ainda pendentes de julgamento. Na exordial do mandado de segurança juntado aos autos, temse como pedidos (fls.119): A IN n. 71/2001, em seus arts. 4o, inciso III e art. 1o, tinha a seguinte redação: art.1 Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e Fl. 203DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 96 7 periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei Nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. § 1º A concessão do registro especial darseá por estabelecimento, de acordo com a atividade desenvolvida, e será específico para: I fabricante de papel (FP); II usuário empresa jornalística ou editora que explore a indústria de livro, jornal ou periódicos (UP); III importador (IP); IV distribuidor (DP); e V gráfica impressor de livros, jornais e periódicos, que recebe papel adquirido com imunidade tributária (GP). § 2º Na hipótese da pessoa jurídica exercer mais de uma atividade prevista no parágrafo anterior será atribuído registro especial a cada atividade. § 3º Não goza de imunidade o papel destinado à impressão de livros, jornais ou periódicos, que contenham, exclusivamente, matéria de propaganda comercial. Art. 4 A unidade da SRF referida no caput do art. 2º instruirá o processo indicando: [...] III a existência de débitos referentes a tributos e contribuições administrados pela SRF, em relação às pessoas físicas e jurídicas mencionadas nos incisos I e II; e A referida instrução normativa, cujo texto foi alterado posteriormente, dispõe sobre registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e institui a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). Os dispositivos mencionados no pedido do mandado de segurança referemse ao registro especial, que não se confunde com a obrigação acessória em comento, cuja previsão está no art.10 do mesmo diploma, in verbis: Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Fl. 204DF CARF MF 8 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Embora em sede de recurso de apelação, como bem apontado pela decisão recorrida, tenha sido modificado o pedido para que expressamente constasse a extensão do pedido para a DIF papel imune, é certo que a medida liminar foi concedida, nos estritos termos do pedido, para afastar a aplicação do art.1o da IN, sem que a recorrente tivesse embargado a decisão, à época. Confirase o dispositivo medida liminar: Por essas razões, entendese que não há concomitância entre o mandado de segurança e o presente processo, razão pela qual, deve ser julgado procedente o lançamento, porque, ademais, de acordo com a Súmula CARF 2, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não sobrando outros argumentos da recorrente, sobre a improcedência do lançamento. Entendendose pelo cabimento da penalidade, uma outra questão emerge: verificase que a penalidade foi aplicada com base no art. 57, inciso I, da MP 2.158 34/01, que apresentava, à época, a seguinte redação: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 97 9 A Lei nº 11.945/ 2009 tratou especificamente sobre a falta de apresentação da DIF papel imune, sendo mais favorável ao contribuinte, como se verifica: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 206DF CARF MF 10 § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Destarte, verificase que o dispositivo grifado modifica a penalidade, passando de cinco mil reais por mêscalendário para cinco mil reais por declaração não apresentada. Por conseguinte, é de ser aplicado o art. 106, II, “c” do CTN, tratando se de norma que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, deve a mesma ser aplicada ao ato não definitivamente julgado, como aliás, já decidiu essa turma, em acórdão de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento Pinto, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003,31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30 /07/2004 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PELA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune), pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3201002.086 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 ) Assim, em face do exposto, deve ser aplicado o inciso II, do §4º, do art. 1º da Lei nº 11.945/09, mantendo a penalidade no valor de R$ 5.000,00 por DIF não apresentada, julgandose parcialmente procedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 207DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 98 11 Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900349/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 49 /2 01 4- 61 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900349/201461 Acórdão n.º 3401003.721 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900349/201461 Acórdão n.º 3401003.721 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900349/201461 Acórdão n.º 3401003.721 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720125/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.758
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 25 /2 01 1- 16 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.270. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002598/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999
RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA.
Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-cumulativa sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-003.497
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que afastava apenas a aplicação da multa de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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INCIDÊNCIA. Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasepcumulativa sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que afastava apenas a aplicação da multa de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 98 /2 00 3- 41 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 301 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls.1 123/130) lavrado, em 05/11/2003, e cientificado pessoalmente, em 12/11/2003, para exigência de créditos tributários relativos à contribuição para o PIS/PASEP (R$3.575,55) cumulativa, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, referentes às insuficiências de recolhimentos resultantes de recomposições da base de cálculo, confrontadas com os valores declarados e confessados (DCTF), no período de janeiro a dezembro de 1999, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 121/122). No TVF, restou consignado: "1Que o contribuinte deixou de incluir as receitas discriminadas no Quadro Demonstrativoanexo ao presente Auto de Infração na base de cálculo do Programa de Integração Social(PIS) pelo que impõemse a presente tributação." Cientificada pessoalmente do auto de infração, em 12/11/2003 (fl. 123), apresentou impugnação, em 12/12/2003 (fls. 152/157), em síntese, argüindo que: na receita registrada na conta "Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001" no valor de R$ 490.717,11, está incluso R$ 275.321,09, referente à êxito nos processos n° 96.00072779 (FINSOCIAL) e n° 95.07755825 (INSS), de recuperação de tributos pagos indevidamente, valores que não geram ingresso de novas receitas, razão pela qual não integram a base de cálculo do PIS; a receita registrada na conta "Recuperações de Vale Transporte", se refere ao limite de 6% descontado dos funcionários pela sua participação na aquisição de vales transporte, foram lançados a crédito de resultado, mas, não configuram ingresso de novas receitas, razão pela qual, não integram a base de cálculo do PIS; quanto as demais receitas, o interessado concorda que indevidamente não foram incluídas na base de cálculo; comunica juntada de cópias de DARFs, recolhidos em função dos valores que compõem a parte não impugnada do auto de infração. A decisão de primeira instância, proferida em 15/03/2007 (fls. 209/214), foi pela procedência parcial da impugnação, no que tange à receita registrada na conta "Recuperações de Vale Transporte", excluindose tais valores da base de cálculo da exação. Assunto: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999 Ementa: RECEITAS NÃO INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. As alegações desprovidas de prova não elidem a infração. RECUPERAÇÕES DE VALE TRANSPORTE. A recuperação de despesa com vale transporte não caracteriza faturamento. Lançamento Procedente em Parte 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 302 3 Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 221), em 09/05/2007, apresentase, em 08/06/2007, o recurso voluntário (fls. 223/226) quanto ao crédito mantido, relativo à inclusão na base de cálculo das receitas registrada na conta "Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001", em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação, sobre: Recuperação de despesas não geram ingresso de novas receitas; inovando quanto ao questionamento: Da nãoincidência dos juros de mora e da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Reitera o contribuinte ser indevida à inclusão, na base de cálculo do PIS, de parcela (R$275.321,09) das receitas registradas (R$490.717,11) na conta "Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001", alegando que despesas recuperadas, no caso, a título de tributos pagos a maior ou indevidamente, não geram ingressos de novas receitas. Sobre a questão, assim pronunciouse o órgão julgador recorrido, in verbis: "16 Quanto à primeira receita contestada ("Recuperações Diversas"), alega o interessado que se refere à recuperação judicial de créditos relativos ao FINSOCIAL e às contribuições para o INSS pagos indevidamente. 17 Ocorre que, embora mencionado na impugnação "processo no 96.72779 e n° 95.07755825 (anexados)", não há nos autos qualquer documento que possibilite comprovar tal alegação. 18 Os documentos juntados pelo interessados estão assim dispostos: 19 — fl. 156: copia de documentos de identificação do signatário da impugnação; 20 — fls. 157/166: cópias da AGE de 14/04/2003 e do Estatuto Social Consolidado; 21 — fl. 157: cartão CNPJ; 22 — fls. 168/180: cópia do auto de infração; 23 —fls. 181/192: cópias de DARFs. 24 Além disso, em se tratando de impugnação de valor parcial, totalizado no ano (R$ 275.321,09), deve o interessado apresentar demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir, visto que o período de apuração do PIS é mensal." Junto às alegações recursais, o contribuinte apresentou demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir, corroborado por documentos e pela escrituração contábil, demonstrando detalhadamente os valores compensados dos créditos lançados à conta de "Recuperações Diversas", que entende, não devem compor a base de cálculo da exação, suprindo o processo dos elementos de prova, sobre razões posteriormente trazidas aos autos, somente pela decisão recorrida, dentro da exceção, da alínea 'c', do §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), à concentração das provas no momento da impugnação. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 303 4 Superada a ausência de provas sobre as questões de fato e guardado o momento oportuno de suas valorações, resta a aplicação do direito, consubstanciado na hipótese de incidência da Lei nº 9.718/99, no que se refere à inclusão na base de cálculo do PIS cumulativo dos valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente. Sobre valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa, assim pronunciouse a Divisão de Tributação DISIT da 7ª Região Fiscal, circunscrição que encontrase domiciliado o recorrente: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 127, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2010 7ª REGIÃO FISCAL ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: RECUPERAÇÃO DE DESPESAS INCIDÊNCIA. Os valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa, constituem receita nova e deverão integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, pois não estão relacionados entre as exclusões permitidas em lei. Os juros e a correção monetária incorporados ao valor da indenização representam receita nova, com afetação positiva do patrimônio líquido, estando, portanto, sujeitos à incidência do PIS/Pasep não cumulativo. Tais acessórios, quando ativos, são considerados como receitas financeiras, as quais, em relação ao PIS/Pasep apurado no regime não cumulativo, encontramse sujeitas à alíquota de zero por cento. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Nº 10.637, de 2002, art. 1º, §§ 1º, 2º e 3º; Decreto Nº 5.442, de 2005 Por outro lado, especificamente, sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, a Divisão de Tributação DISIT da 8ª Região Fiscal, pronunciouse de maneira distinta: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 369, DE 19 DE OUTUBRO DE 2009 8ª REGIÃO FISCAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. Não há que se falar em incidência da Cofins sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, uma vez que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável da contribuição. No entanto, o valor dos juros decorrentes do indébito tributário recuperado, por se tratar de receita nova, compõe a base de cálculo da contribuição. A alíquota sobre receitas financeiras, por sua vez, encontrase reduzida a zero. Dispositivos Legais: Lei Nº 9.430, de 1996, art. 53; ADI SRF Nº 25, de 2003; Decreto Nº 5.164, de 2004; Decreto Nº 5.442, de 2005. Dentre os dispositivos legais que embasam a solução de consulta especifica, sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24 de dezembro de 2003 (DOU de 29/12/2003), que expressamente dispõe, em seu "Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 304 5 A Solução de Consulta DISIT 07 nº 127/10, mais atual e ampla, pois, diz respeito a quaisquer valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa, entende que tais valores constituem receita nova e devem integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, pois, não estão relacionados entre as exclusões permitidas em lei, inovando, em relação à Solução de Consulta DISIT 08 nº 369/09 e ao ADI SRF nº 25/03, os quais entendem receita nova, somente, os acréscimos moratórios do indébito recuperado. Além de mais específico, o ADI SRF nº 25/03 é mais completo, na medida que promove uma análise conjunta dos efeitos da recuperação de despesas tributárias no IRPJ, na CSLL, na COFINS e no PIS/Pasep. Para o IRPJ e para CSLL, os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados, se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL (art. 1º). Já para o PIS e para a COFINS, não há incidência sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente (art. 2º). Notar que a SC DISIT 08 nº 369/09, adotando expressamente o ADI SRF nº 25/03, segue a mesma lógica de interpretação dos fatos para os quatro tributos analisados. Enquanto o art. 1º, do ADI SRF, afirma tributável pelo IRPJ e pela CSLL se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis; e o art. 2º, diz que não há incidência do PIS e da COFINS; a SC DISIT 08, complementa a interpretação, afirmando que não há que se falar em incidência sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, uma vez que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável destas contribuições sociais, entendimentos harmonizados com o princípio da continuidade da empresa. Já a SC DISIT 07 nº 127/10, promove uma análise mais isolada do fato, naquele instante, o ingresso é receita nova, com afetação instantânea positiva do patrimônio líquido, e, portanto, tributável, salvo, relacionadas entre as exclusões permitidas em lei. No caso concreto, em período de apuração (1999) sob a regência da Lei nº 9.718/98, ainda que entendase que os valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa de tributo pago a maior ou indevidamente, constituem receita nova e devem integrar a base impositiva da Contribuição para o PIS/Pasep, esbarrariase na inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, prevista no art. 3º, § 1º, da lei de regência, decisão definitiva de mérito do STF no RE 585.235/MG, decidido na sistemática da repercussão geral, do art. 543 B, do CPC/1973, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (§2º, do art. 62, do RICARF/15), visto não tratarse de receitas de vendas de mercadorias e/ou da prestação de serviços, nem tampouco, oriundas do exercício das atividades empresariais. Diante da plausibilidade do direito, passemos, então, à valoração das provas, apresentadas junto com o recurso voluntário (alínea 'c', do §4º, do art. 16, do PAF). Como provas das suas alegações, o recorrente apresenta demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir (fls. 291/292), contendo os valores mensais compensados durante o ano de 1999 (fls. 245/256), e lançados em "Recuperações Diversas", detalhados por dia e valor dos lançamentos, além de indicação e cópias das decisões judiciais e das folhas dos livros diário e razão (fls. 257/290), resultando nos seguintes valores mensais à excluir da base tributável da infração: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 305 6 Mantido DRJ Pago DARF Em Recurso Exonerado CARF JAN 241,15 134,27 106,88 16.444,73 0,65% 106,88 FEV 259,33 155,73 103,60 15.941,03 0,65% 103,60 MAR 198,86 198,86 ABR 247,55 153,61 93,94 14.452,45 0,65% 93,94 MAI 262,49 154,56 107,93 16.605,16 0,65% 107,93 JUN 221,29 114,07 107,22 16.495,67 0,65% 107,22 JUL 231,57 119,73 111,84 17.205,94 0,65% 111,84 AGO 217,43 109,44 107,99 16.613,65 0,65% 107,99 SET 211,48 106,23 105,25 16.191,75 0,65% 105,25 OUT 223,17 114,35 108,82 16.742,01 0,65% 108,82 NOV 199,55 115,26 84,29 12.966,91 0,65% 84,29 DEZ 868,72 116,92 751,80 115.661,79 0,65% 751,80 3.382,59 1.593,03 1.789,56 275.321,09 0,65% 1.789,56 Nesse ponto, entendo deva ser revista a decisão recorrida, visto, provado que os valores creditados na conta contestada referemse à recuperação de tributos pagos indevidamente, valores que, pelas razões expostas, não integram a base de cálculo do PIS cumulativo no período de apuração autuado. Ex positis, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004019/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.727157/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1301-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. Ausente, momentaneamente o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. Ausente, momentaneamente o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 71 57 /2 01 2- 54 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 667 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 647/656) opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.842, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 8 de dezembro de 2015 (fls. 533/559). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para a) excluir de tributação os valores discriminados no quadro abaixo; e b) reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%, relativamente às infrações OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO e OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 PASSIVO. OBRIGAÇÕES COMPROVADAS. EXCLUSÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PROCEDÊNCIA. No caso em que as próprias autoridades autuantes, em procedimento de diligência requerido na instância julgadora de primeiro grau, revisam o lançamento e concluem que as obrigações anteriormente tidas como não comprovadas efetivamente existiram, restando regular a escrituração contábil em relação a essas obrigações, não há reparo a ser feito na decisão que, com suporte em tais conclusões, exclui de tributação a matéria tributável correspondente. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSOS CONEXOS. APRECIAÇÃO POR UNIDADES ADMINISTRATIVAS DISTINTAS. AUTORIZAÇÃO POR NORMA REGIMENTAL. EXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presente autorização regimental para que a autuação refletida em processo conexo seja apreciada por autoridade julgadora distinta da competente para Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 668 3 julgar o denominado lançamento matriz, os pronunciamentos promovidos em primeira instância revelamse regulares, eis que observado o devido processo legal. Não gozando referidos pronunciamentos de caráter definitividade, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a norma processual faculta ao contribuinte meios para, em âmbito administrativo, reclamar pela uniformização dos entendimentos declinados. DOCUMENTAÇÃO. ANEXAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE AUTUANTE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se a documentação supostamente não trazida aos autos pela autoridade fiscal é, em sede de defesa, devidamente aportada ao processo pelo autuado, descabe falar em cerceamento, vez que tal providência, à evidência, além de comprovar que ela, a documentação, compunha o acervo auditado, faz desaparecer a própria razão que serve de suporte à alegação. SALDO CREDOR DE CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO OU NÃO COMPROVADO. Nos exatos termos do disposto no parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, "o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção". Também caracteriza a omissão de receita, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada (art. 40 da Lei nº 9.430/96). SALDO CREDOR DE CAIXA. MÚLTIPLAS INCIDÊNCIAS. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em multiplicidade de incidência sobre a mesma base de cálculo, na situação em que a apuração do SALDO CREDOR foi feita subtraindose do montante apurado em determinado mês os valores submetidos à tributação nos meses anteriores. PASSIVO NÃO COMPROVADO. DOCUMENTAÇÃO. ANÁLISE. Tratandose de passivo não comprovado, a eventual apresentação por parte do autuado de documentos que, ao seu juízo, são hábeis e idôneos à comprovação das obrigações questionadas, impõe à autoridade responsável pela sua análise o dever de realizar cuidadosa apreciação, mormente na circunstância em que a referida análise é empreendida pelas próprias autoridades responsáveis pela autuação. Nessa linha, a rejeição dos documentos oferecidos pela contribuinte fiscalizada deve estar consubstanciada em robusta argumentação, e, principalmente, em elementos que permitam concluir, longe de qualquer dúvida, que a operação espelhada no documento submetido ao seu crivo não foi ou não poderia ser concretizada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 669 4 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. Alega a embargante que o Acórdão combatido estaria eivado de omissões e contradições relacionados a pontos de importância fundamental para o deslinde da matéria e de maior relevância mais precisamente quanto a erro material em razão da existência de outro processo administrativo, alegando conexão, e num segundo momento, pugna que se aclare a contradição da planilha de fls. 568 e num terceiro ponto, acerca de contradição sobre a penalidade agravada de 150% e sua redução para 75%. Despacho de admissibilidade às fls. 664/665. É o relatório. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 670 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A ciência do acórdão ora embargado, formalmente, se deu em 27/06/2016, o embargante protocolou os Embargos em 01/07/2016 (fl. 646). Dessa forma, tenho que os embargos são tempestivos, conforme o estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e demais alterações. 1) De erro material A embargante alega erro material em razão da existência de outro processo administrativo, alegando conexão com outro processo administrativo PA nº 10380.727160/201278, que trata dos reflexos do IPI sobre as infrações aqui tratadas. Alegando prejuízo à sua defesa em razão da apreciação das questões por Turmas Julgadoras diferentes. Analisando a decisão embargada, veja como tal questão foi tratada: Registro em primeiro lugar que a apreciação, em primeira instância, do presente processo e a do de nº 10380.727160/201278 se deu de forma absolutamente regular, eis que, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil aprovado pela Portaria MF nº 125, de 2009, e Portaria RFB nº 1916, de 2010), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza era a unidade administrativa competente para apreciar os litígios relacionados aos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal decorrentes de lançamentos tributários contra contribuintes domiciliados em sua circunscrição territorial (3ª Região Fiscal, na qual o estado Ceará está incluído), exceto, além do ITR, o IPI e lançamentos conexos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por sua vez, nos termos dos referidos atos administrativos, era a unidade competente para apreciar os litígios decorrentes dos lançamentos do IPI, inclusive os conexos, relacionados a contribuintes domiciliados na circunscrição territorial da 3ª Região Fiscal. Cumpre destacar que o estabelecimento, por parte do Secretário da Receita Federal, de especialização de turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento encontra amparo no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, que é aprovado por Portaria do Ministro de Estado da Fazenda. No caso vertente, o inciso XXVII do art. 261 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, estabelecia: Art. 261. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: ... XXVII estabelecera especialização das turmas das DRJ, no tocante à matéria de competência da respectiva unidade; Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 671 6 No que tange ao alegado cerceamento, penso não assistir razão à recorrente, eis que o decidido em primeira instância não tem natureza de definitividade, merecendo destaque o fato de que, uma vez mantida a divergência em segunda instância, ao contribuinte é facultado a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais com o intuito de buscar a uniformização de entendimento acerca da matéria. Dessa forma, verificase que a Turma Julgadora não se omitiu ao analisar a questão conforme acima descrito. Ademais, apenas para contraargumentar este ponto, verifico em pesquisa ao "site" de acompanhamento processual na internet, que o PA em questão, que se encontrava na 3ª Seção de Julgamento do CARF, para a análise do Recurso Voluntário teve seu acórdão prolatado em 25/02/2015, determinando a remessa para a 1ª Seção, justamente em razão da existência deste processo. Ora se este processo é o principal da qual as demais são reflexos, não vejo prejuízo ou cerceamento, nos devidos termos já julgados. Assim, no meu entender o embargante apenas quer trazer novamente toda a discussão, não se tratando, portanto de omissão. Menciona também, confusão acerca da tarjeta localizada às fls. 570/619, de "documento inválido" em cópia do auto de infração. Uma simples análise mais atenta demonstra que a embargante não leu o documento inicial de fls. 567/570, onde é realizado todo o recálculo das infrações, após o julgamento do Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, em que algumas infrações foram exoneradas e as multas de ofício reduzidas. O documento que consta como "inválido" se trata da memória de cálculo conforme tratado no início à fl. 567. 2) Da Contradição do parágrafo de fl. 553 do acórdão e solicitação de retificação da planilha de fl. 568, nos termos do acórdão. Nesse item, aduz o embargante que o parágrafo abaixo, pertencente ao acórdão ora embargado diz uma coisa e a planilha de fls. 568, que é a execução do acórdão, traz outra, gerando a suposta contradição: Vejamos o que fiz o mencionado parágrafo: "No que diz respeito à recomposição do CAIXA promovido pela autoridade fiscal, equivocase a Recorrente ao afirmar que, no caso, houve incidências múltiplas sobre um mesmo valor. Com efeito, analisando os quadros demonstrativos de fls. 117/138, constato que o responsável pela autuação cuidou de, ao determinar o valor correspondente ao saldo credor de CAIXA no mês, subtrair os montantes submetidos à tributação nos meses anteriores, de modo que a incidência se deu única e exclusivamente sobre a diferença." Alega a embargante que nos termos do acórdão, o valor em aberto em 28/02/2008, depois tributado há de recompor o saldo à mesma data, para que em 01/03/2008, esteja com o saldo zerado. E que a planilha de fls. 568, em vez de indicar o maior a tributar, indica a soma de todos os meses, gerando a contradição, não respeitando a decisão. Em análise das argumentações, primeiramente, percebo que a contradição mencionada pela embargante não se refere à própria decisão ou entre a decisão e seus Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 672 7 fundamentos, e sim entre a decisão e a planilha que faz parte da minuta de cálculo para execução da decisão, o que simplesmente já é motivo de se refutar a suposta contradição, que de fato inexiste. Entretanto, apenas para aclarar o entendimento da embargante, ressaltese que este tópico da autuação, referente à omissão de receitas por saldo credor de caixa não foi alterado seja pela decisão da DRJ, seja em sede de recurso, a decisão embargada manteve tanto a decisão da DRJ, quanto a glosa efetuada através do Auto de infração. Assim, a própria planilha mencionada de fls. 568 começa dizendo que nada foi modificado da autuação inicial, sequer a multa qualificada, o que é verdade! Verificandose os autos, de fato é isso que ocorre, todos os meses são exatamente iguais. Apenas para auxiliar a embargante na compreensão do dito na decisão, ela diz: que a autuação cuidou de, ao determinar o valor correspondente ao saldo credor de caixa do mês, subtrair os montantes submetidos à tributação nos meses anteriores, para que a incidência se dê única e exclusivamente sobre a diferença: mês de fevereiro = o primeiro R$708.869,44 mês de março = maior saldo credor do caixa do mês dia 26/03 R$1.098.039,38 () o valor já tributado do mês anterior R$708.869,44 = R$389.169,94 mês de abril = maior saldo credor do caixa do mês dia 28/03 R$ R$1.863.006,21 () o valor já tributado nos meses anteriores (708.869,44+389.169,94) = R$764.966,83. E dessa forma os meses subsequentes. Ou seja, notório o intuito da embargante em se trazer à tona toda a discussão já feita em sede recursal, o que, data vênia, não se permite em fase de embargos de declaração. 3) Da contradição com relação à aplicação da penalidade agravada. As razões da embargante neste tópico ocorrem pois a multa qualificada que foi aplicada no auto de infração para todas as três glosas, quais sejam, omissão de receitas por saldo credor de caixa, omissão de receitas por passivo fictício e omissão de receitas por depósito de origem não comprovada, na decisão embargada, foram reduzidas para 75%, com exceção da primeira, a qual foi mantida em 150%, o que para ela gerou a suposta contradição. Em análise da decisão neste item temos os seguintes excertos: "No caso vertente, todas as imputações formalizadas pela Fiscalizada decorreram da aplicação de presunções legais (saldo credor de caixa; passivo fictício; e depósito de origem não comprovada). Para fins de qualificação da penalidade, as autoridades autuantes indicaram os seguintes elementos: utilização de artifícios para omitir registros de vendas; ausência de manifestação acerca da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00; ausência de manifestação sobre os empréstimos tomados junto a instituições financeiras; ausência de apresentação dos documentos comprobatórios dos direitos de credor junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA; e o suprimento do CAIXA com baixa de duplicatas a receber, no montante de R$ 7.918.488,22, quando a referida conta apresentava um saldo de R$ 4.862.209,04. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 673 8 No que tange à ausência de comprovação da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00 e de manifestação sobre os empréstimos tomados junto a instituições financeiras, esses fatos, por si sós, não me parecem suficientes à exasperação da penalidade, até porque foi exatamente em função deles que as presunções foram aplicadas. A ausência de origem do depósito bancário atraiu a aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto a falta de comprovação da exigibilidade dos passivos com as instituições financeiras, autorizou a aplicação da presunção prevista no art. 40 do mesmo diploma legal.(gn) Relativamente ao saldo credor, contudo, penso de forma diversa, eis que me parece induvidosa a intenção da Recorrente de, por meio de registro contábil absolutamente contrário à realidade refletida na escrituração, evitar o denominado "estouro" do CAIXA. No caso, refirome ao suprimento que teve como contrapartida a conta "duplicatas a receber".(GN) Ressalto que, no caso do saldo credor de caixa, embora aponte suposições para a origem dos recursos, a própria Recorrente admite a sua existência, discordando, apenas, do montante tributável apurado pela Fiscalização. A meu ver, tal conduta amoldase ao disposto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, vez que a ação da Recorrente objetivou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta dolosa somente descortinada a partir da ação fiscalizadora empreendida pela autoridade fiscal." (gn) Evidente, o descontentamento da embargante com o resultado, diz que está se direcionando ao banco para comprovar tais depósitos. Ora, a fiscalização ocorre desde 2011, com certeza já teve diversas oportunidades para tanto e não o fez até o momento, apenas argumenta. Assim, no meu entendimento, vejo que tanto a redução para alguma das glosas, quanto a manutenção da multa qualificada para a outra infração foram devidamente e muito bem embasadas, não havendo contradição a ser aclarada. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto em conhecer os presentes embargos para no mérito rejeitarlhes provimento. Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.907938/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 38 /2 01 1- 27 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.625 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de COFINS não cumulativo(a) exportação. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 225DF CARF MF
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