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Numero do processo: 13804.000632/2001-59
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
DEDUÇÃO DO IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CÔMPUTO DAS RECEITAS CORRESPONDENTES NA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. SÚMULA CARF Nº 80.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 1803-002.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DEDUÇÃO DO IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CÔMPUTO DAS RECEITAS CORRESPONDENTES NA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. SÚMULA CARF Nº 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 06 32 /2 00 1- 59 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.021 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.022 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 149): Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fls. 40/44, pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO, analisando o pedido de restituição protocolizado no formulário de fl. 01, concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório correspondente a saldo credor de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2000 e, consequentemente, pela não homologação das compensações declaradas no processo (fls. 02/04), bem como nos PER/DCOMPs em que a contribuinte informou compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000. No formulário de restituição a fl. 01, a contribuinte informou que o valor pleiteado, de R$ 68.602,37, seria referente a “IR Retido sobre aplicação financeira cfe. planilha em anexo”, embora não se encontre em anexo qualquer planilha de IRF elaborada pela requerente, somente informes de rendimentos e de retenções (fls. 05/10). Consignando que o IRF é antecipação do imposto devido ao final do período, a autoridade recorrida analisou a DIPJ 2001 e nela verificou que a contribuinte, tendo optado pela tributação trimestral, nos quatro trimestres do anocalendário de 2000, apurou imposto a pagar, ou seja, não dispunha de crédito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no referido período. Cientificada da decisão em 21/01/2010 (AR a fl. 45, verso), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/02/2010, a fls. 47/49, na qual postula pela reforma do despacho recorrido, com base nas alegações abaixo sintetizadas: ∙ Em observância ao art. 526 do RIR/99, como a tributação da contribuinte é pelo lucro real, claramente ocorreu a tributação da receita proveniente de aplicações financeiras, tendo as mesmas integrado a base de cálculo do IRPJ; ∙ Atendendo o artigo 66 da Lei 8.383/91, os valores de IRPJ devido no ano de 2000 foram compensados com os valores de IRRF sobre aplicações financeiras; [...]; 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 147): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.023 4 Constatado que a contribuinte apurou IRPJ a pagar em todos os trimestres do ano, a despeito da suposta existência de IRF que poderia ser descontado do IR devido, inexiste crédito relativo a saldo negativo de IRPJ a ser compensado. [...]. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 16/08/2010 (fls. 169), a tempo, em 16/09/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 175 a 186, instruído com os documentos de fls. 187 a 387, nele argumentando, em síntese: a) que teve imposto de renda retido na fonte (IRF), em decorrência da aplicação financeira nos anos de 1999 e 2000, totalizando o valor de R$ 185.302,42, em 31/12/2000; b) que, por conseguinte, lançou, em sua DIPJ 2001, no campo “Ativo Circulante”, o referido valor, como “imposto e contribuições a recuperar”; c) que efetuou, em seguida, a apuração do IRPJ do ano 2000, pelo Lucro Real, trimestralmente; d) que, no entanto, não procedeu à dedução dos créditos referentes ao imposto retido na fonte, já mencionados acima, apurando, de forma totalmente equivocada, imposto a pagar em todos os trimestres; e) que, por fim, utilizandose dos créditos oriundos do IRF do ano 2000, efetuou as compensações com impostos e contribuições a pagar nos períodos subsequentes; f) que essas compensações não foram, em parte, aceitas, pela ausência de saldo negativo de IRPJ naquele ano, conforme fundamentado no acórdão combatido; g) que, em suma, por um nítido equívoco no momento do preenchimento da DIPJ 2001, admitido e retificado neste ato pela Recorrente, não houve a negativação do saldo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, embora o contribuinte tivesse crédito para tanto; h) que o crédito do IRF existe e pode ser utilizado pelo contribuinte para compensação, havendo discussão apenas quanto à forma da declaração desse crédito na DIPJ 2001; i) que resta evidente que houve nítido equívoco do contribuinte no preenchimento de sua DIPJ 2001, configurandose o erro de fato em sua declaração; j) que, nas planilhas, é possível verificar exatamente a origem do crédito, que reflete o imposto retido na fonte, em virtude de aplicações financeiras do ano 1999 e 2000; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.024 5 k) que, embora devidamente escriturado nos livros fiscais, o IRF do ano de 1999, os informes relativos àquele ano não foram microfilmados a tempo da interposição do presente recurso, embora tenham sido solicitados à instituição financeira que, pelo decurso do tempo, encontra dificuldades na entrega; l) que, assim, visando evitar o perecimento do seu direito, por deixar de interpor o recurso pela carência de tal documento, preferiu protocolar o recurso e requerer prazo hábil e razoável para apresentação dos informes relativos ao ano de 1999; m) que, com os informes de rendimentos descritos, bem como com a escrita fiscal nos livros da empresa, está suficientemente provado o imposto retido na fonte; n) que, dessa maneira, entende razoavelmente comprovado o imposto retido na fonte no ano de 1999 e 2000, com base nos extratos/informes de rendimentos juntados; o) que refez sua DIPJ 2000 e DIPJ 2001 com base nos dados que, de fato, foram escriturados em sua contabilidade; p) que junta, neste ato, duas novas declarações com os dados corretos daqueles exercícios (1999 e 2000), e requer sirvam essas novas declarações de retificadora da DIPJ 2000 e DIPJ 2001; q) que o suporte das informações é feito pelos livros contábeis e informes de rendimentos bancários da época; r) que, em homenagem ao princípio da verdade material, que rege o procedimento administrativo fiscal, requer dignemse Vossas Senhorias em receber e analisar a retificadora DIPJ 2001, juntada aos autos, para comprovação dos fatos que realmente se verificaram naquela época; s) que, entendendo necessário, requer a Vossas Senhorias que baixem o processo em diligência, para confirmação das informações lançadas na contabilidade da Recorrente; e t) que, demonstrado que, de fato, existiu saldo negativo na apuração do IRPJ relativo aos anoscalendário 1999 e 2000, em virtude da dedução do IRF ocorrido naqueles anos, o que originou o crédito utilizado pela Recorrente para efetuar as compensações nos anos de 2004 a 2007, requer, pelos motivos já mencionados, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para homologar as compensações de fls. 22, 33, 63, 72, 77, 82, 89, 92, 94, 99, 101, 106, 115, 121, 126, 128, 130 e 132. Em mesa para julgamento. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.025 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A Recorrente, ao preencher a sua Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2001, pelo lucro real trimestral, deixou de informar, nas linhas próprias, o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente a rendimentos financeiros, apurando apenas imposto a pagar em cada um dos quatro trimestres. 5. Como consequência desse erro de preenchimento de sua DIPJ/2001, não foram homologadas as diversas DComps eletrônicas apresentadas ao longo do processo. Apenas as Declarações de Compensação de fls. 2, 3 e 4 (R$ 4.792,28, R$ 22.118,14 e R$ 41.691,95, respectivamente) foram consideradas, pela decisão recorrida, como tacitamente homologadas, exaurindo todo o direito creditório pleiteado no correspondente Pedido de Restituição de fls. 1 (R$ 68.602,37). 6. Dispõe a Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 7. A “comprovação da retenção” se verifica, no presente caso, pelos informes e comprovantes de rendimentos e de retenção na fonte, relativos ao anocalendário de 2000, juntados por cópia de fls. 5 a 9, e totalizados na sequência (R$ 167.145,52). 8. De se observar, por oportuno, que a Recorrente, em suas planilhas de fls. 178 e 215, apura apenas o valor de IRRF de R$ 164.527,57, tendo, equivocadamente, desconsiderado o valor de fonte de R$ 2.617,95, relativo ao mês de fevereiro, e constante do informe de fls. 5. 9. Já o “cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto” se comprova, no presente caso, pelo confronto dos mesmos informes e comprovantes de rendimentos e de retenção na fonte, relativos ao anocalendário de 2000, juntados por cópia de fls. 5 a 9, com os dados constantes da DIPJ/2001 (Ficha 06A – Demonstração do Resultado, Linha 24 – Outras Receitas Financeiras), de fls. 26, 27verso, 29 e 30verso, como se observa na sequência. 10. Assim, com a documentação já constante dos autos e acima apontada, não se faz necessária a diligência solicitada pela Recorrente. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.026 7 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.027 8 11. Em prosseguimento, deduzindose dos valores de IRRF trimestrais do ano calendário de 2000 os correspondentes valores trimestrais de IRPJ a pagar apurados na DIPJ/2001 (fls. 27, 28verso, 30 e 31verso), temse saldos negativos trimestrais de R$ 19.273,64, R$ 15.156,11, R$ 19.228,44 e R$ 24.437,10, totalizando R$ 78.095,29 (e não R$ 408.924,56, como indevidamente indicado nas DComps eletrônicas apresentadas ao longo do processo), como segue: FONTE IRRF MENS. IRRF TRIM. IRPJ SD. NEG. Janeiro 13.528,52 Fevereiro 13.284,08 Março 13.429,69 40.242,29 20.968,65 19.273,64 Abril 10.830,03 Maio 13.889,65 Junho 17.551,43 42.271,11 27.115,00 15.156,11 Julho 14.806,97 Agosto 16.708,29 Setembro 13.868,87 45.384,13 26.155,69 19.228,44 Outubro 13.565,17 Novembro 12.024,68 Dezembro 13.658,14 39.247,99 14.810,89 24.437,10 TOTAL 167.145,52 167.145,52 89.050,23 78.095,29 12. De se observar que a própria Recorrente, em sua declaração retificadora DIPJ/2001, chega a valores idênticos de saldos negativos de IRPJ em todos os trimestres, com pequena diferença a menor no primeiro trimestre (R$ 19.268,64 fls. 314 a 317). 13. Considerandose, por fim, a anterior utilização do direito creditório de R$ 68.602,37, também relativo ao anocalendário de 2000, pleiteado no Pedido de Restituição de fls. 1 e totalmente compensado nas Declarações de Compensação de fls. 2, 3 e 4, tacitamente homologadas, resta um crédito a ser reconhecido de R$ 9.492,92 (e não de R$ 286.824,84, como apontado na DComp de fls. 33verso e na planilha de fls. 239). 14. Por fim, com relação às supostas fontes retidas no anocalendário de 1999, não podem ser admitidas neste processo, por não terem sido objeto de indicação, como direito creditório, em nenhuma das DComps eletrônicas apresentadas ao longo do processo, sendo, ainda, irrelevante a sua eventual inclusão em saldo contábil de conta de “imposto a recuperar”. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para reconhecer o direito creditório de R$ 9.492,92, relativo ao anocalendário de 2000, homologando as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 523DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13804.000632/200159 Acórdão n.º 1803002.508 S1TE03 Fl. 1.028 9 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10972.720027/2013-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2014
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.
DIMOB. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) foi instituída com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas (a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim, (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis, (c) que realizarem sublocação de imóveis e (d) e ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DA DIMOB.
Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada pelo por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2014 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. DIMOB. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) foi instituída com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas (a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim, (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis, (c) que realizarem sublocação de imóveis e (d) e ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DA DIMOB. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada pelo por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. DIMOB. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) foi instituída com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas (a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim, (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis, (c) que realizarem sublocação de imóveis e (d) e ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 27 /2 01 3- 10 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.065 2 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DA DIMOB. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada pelo por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mês calendário. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 380384, com a exigência do crédito tributário no valor de R$198.000,00 a título de multa de ofício isolada pelo não atendimento à intimação para entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) dos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, e 2012. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: 0001 Demais Infrações à Legislação dos Impostos e Contribuições não Atendimento à Intimação para a Entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) O sujeito passivo não atendeu a intimação para a apresentação da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), ensejando a aplicação de multa no valor de R$1.000,00 (um mil reais) por mêscalendário, conforme Termo Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.066 3 de Verificação Fiscal anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração [...] Fatos geradores ocorridos entre 03/06/2013 e 03/06/2013: Art 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 com redação do art. 8º da Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. Cientificada, fl. 394, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 397421, com as alegações a seguir transcritas: 03. Das Preliminares. 3.1. Da Decadência O dever instrumental tornase obrigação tributária principal, quando não observado. É o que determina o art. 113, §3º do CTN [...] Sendo a Impugnante optante pelo lucro presumido, como consta do termo de verificação fiscal [...] e DIPJ's do período em exame, 20007/2008, 2008/2009, 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012 [...] os tributos federais que lhe são impostos, PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, são todos sujeitos a lançamento por homologação. Conforme jurisprudência já pacífica do STJ e do CARF, endossada pela doutrina majoritária, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase a regra de contagem contida no art. 150, §4º do CTN. Ocorre que o prazo que a Fazenda dispõe para fiscalizar o pagamento e lançar eventuais diferenças é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de homologação tácita e extinção do crédito tributário, tudo como determina o já referido art. 150, § 4º do CTN. [...] Relevante no contexto é assinalar que a multa adotada no auto de cobrança pela não apresentação da DIMOB foi imposta com incidência mensal, ou seja, período de apuração mensal e cumulativo, nos termos do aplicado II, art. 57 da MP 2.15835. Desse modo, forçoso é concluir pela extinção do crédito tributário, pois decadente, das competências consideradas na autuação até 05/2008, haja vista que a notificação do al só ocorreu em 06/2013, como atesta o comprovante de recebimento ora juntado [...]. Cabe ainda consignar que no caso em debate não há de se falar na aplicação do art. 173, I do CTN, uma vez que não houve dolo, conluio ou fraude, bem como foram efetuadas as antecipações de pagamento dos tributos devidos. Notese que os tributos (PIS, COFINS, CSLL, IRPJ) foram todos recolhidos, provandose a antecipação (relação de pagamentos emitida pela SRFB [...]. A apuração fiscal, frisese, não encontrou documentos falsos ou simuladas. O caso é de simples ausência de um dever instrumental. [...] Não havendo ausência de pagamento e não se constatando dolo, fraude, uso de documento falso ou simulação, é de rigor a aplicação do art. 150, §4º do CTN, e por consequência, o reconhecimento da decadência nos períodos acima especificados. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.067 4 3.2. Da Nulidade do Auto de Infração por Erro quanto ao Aspecto Temporal do Fato Gerador [...] Salta aos olhos a incongruência. É patente o equívoco quanto ao assinalado para os fatos imponíveis, prejudicando a defesa e o contraditório, acarretando, por consequência cidade do lançamento. Ofendido aqui o art 142, caput, do CTN, bem como os princípios da ampla e do contraditório. Havendo erro na regra matriz tributária aplicada, especificamente no seu aspecto temporal, data do fato gerador, é nula a cobrança. [...] O equívoco verificado no lançamento quanto a data do fato gerador não ocorreu em relação a fato desconhecido, superveniente ou omitido. Tratase de fato já de conhecimento do Fisco que foi valorado de forma errônea, caracterizando o erro material e ensejando a nulidade do lançamento, em respeito ao princípio da tipicidade tributária, a segurança jurídica e a ampla defesa. 3.3. Da Nulidade do Auto de Infração por Ausência de Capitulação Legal da Infração Há ainda defeito grave no enquadramento legal. às fl. 382 que trata da suposta infração praticada consigna o art. 16 da Lei nº 9.779 e art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835. Ambos os normativos tratam da penalidade, um deles sobre a conduta genérica, mas nenhum aponta a infração específica. Falta o mais importante: a capitulação legal da conduta penalizada em concreto. Por ali não se consegue saber qual declaração deixou de ser apresentada ou qual intimação deixou de ser atendida. Aplicouse a norma genérica, in abstrato, quando é necessário individualizála no mundo concreto, individual, dos fatos aplicáveis a Impugnante, sob pena de nulidade. [...] Ante ao exposto, é imperativa a decretação da nulidade do lançamento por ausência de capitulação legal específica, uma vez que ausente no Al a consignação da norma com a infração em concreto. 3.4. Do Erro quanto ao Fundamento Legal A nulidade ocorre ainda por mais razões. O auto de infração está fundamentado em dispositivo que não se aplica ao caso concreto. A DIMOB é decorrente do art. 197 do CTN, sendo este o normativo que fundamenta sua existência. É indevido o arrimo na Lei nº 9.799/99, pois genérica, ainda mais quando se há norma mais específica no ordenamento jurídico. Vale O princípio da especialidade, onde norma especial prevalece que prevalece sobre a geral. [...] Esse é o verdadeiro fundamento da DIMOB e também da DOI, o art. 197 do Código Tributário Nacional, que obriga aos agentes do mercado imobiliário a prestarem as informações sobre suas transações. Alí não consta a obrigação para empresas Agropecuárias que administram imóveis próprios. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.068 5 04. Do Mérito Por certo, as preliminares suso arguidas serão acolhidas para acarretar a nulidade do lançamento tributário ora atacado na sua integralidade. Todavia, por dever de ofício, em atenção ao princípio da eventualidade, passamos ao mérito, que, por sua vez, também não reserva melhor destino ao auto de infração. 4.1. Da Atividade da Impugnante A atividade da Impugnante é atividade rural. Basta verificar seu CNAE, CÓDIGO 0151201, inserido no cadastro CNPJ: criação de bovinos para corte. [...] Insistese nesse ponto. É o CNAE, inserido no CNPJ, que determina a atividade da empresa para fins fiscais. É verdade que o objeto social traz ainda a atividade de administração de seus imóveis. No entanto, tratase tão somente, de observação implícita a toda empresa que tem ativo imobiliário, pois são os proprietários as responsáveis pelos seus bens. [...] Mais uma razão que corrobora a atividade rural é a classificação contábil dos imóveis como ativo permanente e não em estoque, como afirma o próprio auditor [...]no termo de verificação. Outro ponto que merece atenção é a enorme predominância dos ativos rurais em relação aos urbanos, o que se percebe pela diferença abismal entre os valores atribuição para fins de ITR e IPTU. Notese que as propriedades rurais, oS mais valiosos ativos da Impugnante estão em comodato, conforme afirma a autoridade administrativa à fl. 388 do termo de verificação fiscal [...], não havendo receita daí decorrente. O objetivo do contribuinte é a atividade rural e sua fruição, o que se corrobora com os comodatos. A Impugnante não exerce atividade imobiliária, tão somente cuida de seus bens, não compra, venda, capta, administra ou loca imóveis de terceiros. Assim, seja pela razão social, pelo ativo permanente, pelo objeto social, pelo CNAE ou pelo valor dos bens rurais, a atividade da impugnante é rural. A atividade imobiliária não consta do CNPJ [...] do contribuinte do seu CNAE cadastrado ou de sua denominação social. 4.2. Da Não Aplicação da Dimob à Impugnante A Impugnante não compra, vende, administra, loca ou subloca ativos no mercado imobiliário, o seu pecado é apenas cuidar dos imóveis de sua propriedade e só. O contribuinte não está obrigado a apresentar a DIMOB, pois não se enquadra em nenhuma das hipóteses legais que obrigam à apresentação do documento. [...] No caso da IN 694 com aplicação para os anos calendários 2007, 2008 e 2009, o disposto aplicase claramente para agentes do mercado imobiliário em empresas constituídas para tal finalidade. Não é a hipótese dos autos. Conforme já demonstrado alhures a Impugnante não foi constituída para tais fins e sim para questões rurais. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.069 6 Entender diferente é incorrer em um contrassenso. Quer dizer que todo proprietário rural pessoa jurídica que arrendar sua propriedade ou parte dela, aliás algo muito comum no meio, tem que apresentar a DIMOB? Tal conclusão afastase da realidade do meio rural e será certamente atingida pela inocuidade. Já quanto a IN 1115/2010, sua aplicação é para empresas que se constituírem para tal finalidade. Novamente não é a situação dos autos, posto que a empresa existe como agropecuária desde 28 de dezembro de 1988, como comprova a segunda alteração contratual em anexo, [...]. A questão é que a Impugnante, inclusive conforme afirmado no termo de verificação fiscal ora anexado, apenas loca alguns de seus imóveis urbanos, recebe e não está inserindo em nenhum dos incisos acima transcritos! Não houve no período, qualquer construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, ou pagamentos efetuados por locação, sublocação ou intermediação de locação. A contabilidade do contribuinte, a disposição dos julgadores, caso entendam necessário examinar, e o termo de verificação provam tal fato. Frisese que a acusação fiscal não apontou nenhuma operação nesse sentido, uma vez que não ocorrida, cingese a alegar que administra e loca alguns imóveis próprios. O ponto, data venia, merece maior atenção. Como exigir a apresentação da DIMOB se o artigo que trata das informações a serem apresentadas não cabe para o contribuinte. Não tendo as operações referidas, por certo, desobrigada está de sua apresentação. Mais uma razão para concluir que a DIMOB não se destina à Impugnante. Como se pode constatar pela leitura do referido artigo 22 e incisos, acima transcritos, presentes em ambas as instruções normativas, não existe a obrigatoriedade de informação quanto aos aluguéis recebidos!!!! [...] A DIMOB tem endereço certo e conhecido: empresas imobiliárias e não qualquer outra que apenas faz a locação de parte do seu ativo. São situações muito diferentes que merecem tratamentos distintos. 4.3. Da Correta Interpretação acerca da Obrigatoriedade de Entrega de Dimob [...] Para que se possa interpretar adequadamente um dispositivo, não raras vezes, fazse necessário buscar o espírito da Lei e inserilo no contexto histórico e sistemático. [...] Verifiquese que o dever instrumental nasceu voltado aos agentes do mercado imobiliário e não alcança os que apenas cuidam dos bens de sua propriedade. [...] Se a própria receita divulga mensagens com conteúdo destinado a imobiliárias e ao setor imobiliário, não pode agora, ofendendo a boa fé da Impugnante, cobrar em sentido contrário à sua orientação. É atentado contra o que dispõe o art. 29, parágrafo único, IV, da Lei n.e 9784/99. Ainda no contexto da adequada hermenêutica, fazse importante uma interpretação harmônica e sistemática com o disposto no art. 197 do CTN, que determina aos agentes do setor imobiliário, e a somente eles, que prestem as informações de seu conhecimento ao Fisco. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.070 7 4.4. Da Entrega das Informações Mediante DCTF e Da Ausência de Prejuízo ao Fisco. É relevante assinalar que nenhum prejuízo foi causado ao Fisco, seja pelo ângulo da prestação da informação ou do pagamento de tributos. Todas os aluguéis de imóveis próprios foram devidamente informados, cujas receitas foram devidamente reconhecidas e pagas, como provam as DCTF [...]. O relatório de verificação fiscal anexado aos autos do presente processo administrativo corrobora a informação. Relevante o ponto. Frisese que as informações que supostamente deveriam constar da DIMOB foram transmitidas ao Fisco por meio da DCTF e da DIPJ. A penalidade pela exigência de prestar as informações em dobro é abuso não tolerável no Estado Democrático de Direito! Também é de se considerar que todos os contratos de locação, matrículas, escrituras e informações sobre os alugueis solicitados foram devidamente entregues a fiscalização, sem qualquer notícia de embaraço à ação fiscal, tudo conforme termo de verificação fiscal. Portanto, se a multa é por falta de cumprimento de intimação para apresentação da DIMOB, faltalhe razoabilidade, posto que todos os esclarecimentos, de forma ainda mais detalhada e minuciosa do que no formato da declaração, foram prestados e os documentos exigidos fornecidos, como atesta o termo de verificação fiscal. O princípio da razoabilidade deve pautar a Administração em respeito ao art. 22 da Lei nº 9.784/99. 4.5. Da Negativa do Auditor Fiscal em Receber os Documentos em Formato Papel. Outro fato deve ser levado em consideração. O contribuinte, mesmo não sendo obrigado, para atender a intimação fiscal, tentou entregar as declarações DIMOB no período autuado, com o preenchimento do que foi possível, já que o documento não se destina a empresas como a Impugnante. Contudo, foi impedido de fazêlo em razão da negativa de recebimento por parte da autoridade administrativa, sob o fundamento de que somente receberia as declarações em formato eletrônico. Tal fato pode ser corroborado em intimação ao fiscal responsável pela fiscalização, o que desde já, se requer. Ora, a intimação seria atendida, só não o foi, porque o fiscal se negou aceitar os documentos, o que contraria até os mais comezinhos princípios norteadores do processo administrativo. 4.6. Da Multa Ainda que prospere a autuação, o que não se imagina, o valor da multa de ofício encontrase equivocado. A previsão contida no art. 57 da MP 2158 é genérica para o caso em julgamento, sendo destinada a declarações mensais. A sua aplicação aqui merece limites, sendo circunscrita pelo art. 112 do CTN, que prevê interpretação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.071 8 A previsão legal para aplicação por mês calendário é, no caso concreto, genérica e desproporcional, sendo que deve ser interpretada sobre cada ato não cumprido, isto é cada dimob não entregue se devido fosse, ou seja, uma por ano, haja vista que se deve entregar a declaração anualmente. Se a declaração deve ser entregue anualmente, a multa também deve ter a incidência anual, sob pena de dispositivo teratológico. Não se pode penalizar o mesmo ato cumulativamente. Imaginese o absurdo da pena sem limite, caso a declaração nunca seja entregue. [...] Cabe ainda invocar a proporcionalidade como princípio a ser seguido pela Administração Pública e Tributária por força no disposto no art. 2º da Lei nº 9784/99. A aplicação da multa como se fosse moratória faz ainda com que ela adquira caráter confiscatório, em afronta ao art. 150, inc. IV, da CF. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Diante do que foi exposto, é de se concluir: (i) O dever instrumental tomase obrigação tributária principal, quando não observado. É o que determina o art. 113, §3º do CTN. O prazo decadencial para o lançamento de multa decorrente de inadimplemento de obrigação acessória segue o mesmo prazo de constituição do tributo ao qual se vincula. Conforme jurisprudência já pacífica do STJ e do CARF, endossada pela doutrina majoritária, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação aplicase a regra de contagem contida no art. 150, §4$ do CTN. Não havendo ausência de pagamento e não se constatando dolo, fraude, uso de documento falso ou simulação, é de rigor a aplicação do art. 150, §4º do CTN, e por consequência, o reconhecimento da decadência das competências até 05/2008. (ii) O auto de infração é nulo, posto que praticado com ofensa à regra matriz tributária e ao art. 142 do CTN. Há erro grosseiro no aspecto temporal do fato gerador apontado. (iii) O equívoco verificado no lançamento quanto a data do fato gerador não ocorreu em relação a fato desconhecido, superveniente ou omitido. Tratase de fato já de conhecimento do Fisco que foi valorado de forma errônea, caracterizando o erro material e ensejando anulidade do lançamento. (iv) É imperativa a decretação da nulidade do lançamento por ausência de capitulação legal específica, uma vez que ausente no Al a consignação da norma com a infração em concreto. (v) O auto de infração está fundamentado em dispositivo que não se aplica ao caso concreto. A DIMOB é decorrente do art. 197 do CTN, sendo este o normativo que fundamenta sua existência. É indevido o arrimo na Lei 9799/99, pois genérica, ainda mais quando se há norma mais específica no ordenamento jurídico. Vale o princípio da especialidade, onde norma especial prevalece sobre a geral. É nulo o Al também por erro na sua fundamentação legal. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.072 9 (vi) A atividade da Impugnante é atividade rural. Basta verificar seu CNAE, código 0151201,inserido no cadastro CNPJ: criação de bovinos para corte. É o CNAE, inserido no CNPJ, que determina a atividade da empresa para fins fiscais. Outro aspecto que determina sua atividade como rural é a sua denominação social: AGROPECUÁRIA RODRIGUES DA CUNHA LTDA EPP em estrita observância ao que dispõe o art. 1158, §29, do Código Civil. Mais uma razão da sua atividade como rural é a ampla predominância dos imóveis rurais no seu ativo, como meios de produção da atividade no campo, como provam as DITR's ora anexadas. Notese que as propriedades rurais, os mais valiosos ativos da Impugnante estão em comodato, conforme afirma a autoridade administrativa à fl. 388 do termo de verificação fiscal, não havendo receita daí decorrente. (vii) A Impugnante não exerce atividade imobiliária e sim rural, tão somente cuida de seus bens, não compra, venda, capta, administra ou loca imóveis de terceiros, o que lhe desobriga da apresenta " a DIMOB. (viii) Ar DIMOB é destinada aos agentes do mercado imobiliário, como veiculado nos esclarecimentos disponíveis no próprio sítio na internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (ix) O contribuinte não está obrigado a apresentar a DIMOB, pois não se enquadra em p nenhuma das hipóteses legais que obrigam à apresentação do documento. (x) A Impugnante, conforme comprovam seus atos constitutivos, não foi constituída para cumprir finalidade imobiliária e sim para questões rurais, produção no campo. (xi) Não houve no período objeto do Al, qualquer construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, ou pagamentos efetuados por locação, sublocação ou intermediação de locação que pudesse justificar a exigência da DIMOB. (xii) A questão é que a Impugnante, inclusive conforme afirmado no termo de verificação fiscal ora juntado, apenas loca alguns de seus imóveis urbanos, recebe e não paga, não se inserindo em nenhuma das hipóteses de informações determinadas pelo art. 2º e incisos das Instruções Normativas nºs 694/2006 e 1115/2010. (xiii) A DIMOB tem endereço certo e conhecido: empresas imobiliárias e não qualquer outra que apenas faz a locação de parte do seu ativo. São situações muito diferentes que merecem tratamentos distintos. (xiv) Se a própria receita divulga mensagens com conteúdo destinado a imobiliárias e ao setor imobiliário, não pode agora, ofendendo a boa fé da Impugnante, cobrar em sentido contrário à sua orientação. É atentado contra o que dispõe o art. 29, parágrafo único, IV, da Lei nº 9.784/99. (xv) É relevante assinalar que nenhum prejuízo foi causado ao Fisco, seja pelo ângulo da prestação da informação ou do pagamento de tributos. Todas as informações que supostamente deveriam constar da DIMOB foram minuciosamente disponibilizadas a autoridade administrativa durante a fiscalização. (xvi) Deve se considerar ainda a negativa do auditor fiscal em receber os documentos em formato papel. (xvii) A previsão contida no art. 57 da MP 2158 é genérica para o caso em julgamento, sendo destinada a declarações mensais. A sua aplicação aqui merece Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.073 10 limites, sendo circunscrita pelo art. 112 do CTN, que prevê interpretação mais benéfica ao contribuinte. A multa não pode ser .cada por mês de atraso, sob pena de transformar penalidade punitiva em moratória. Ademais, sendo a declaração anual, um só ato teria sido descumprido. A infração não é cumulativa e não pode ser capitalizada ou seria permitir penalidade tendente ao infinito, o que, por certo, não se tolerará. [...] Face ao exposto e por tudo mais que dos autos consta, requer a Impugnante seja reconhecida a decadência no período já especificado, sejam acolhidas as preliminares de nulidade do auto de infração em epígrafe pelos muitos motivos acima desenvolvidos, cancelandose a exigência irregularmente imposta ao contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 47.848, de 14.11.2013, fls. 10231032: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 DECLARAÇÃO. MULTA POR NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO DA RFB, PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO. DIMOB Cabe aplicação de multa pelo não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar a Dimob, quando comprovado que a contribuinte estava obrigada à sua apresentação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA Tratandose do cumprimento de obrigação acessória, a contagem do prazo decadencial de 5 anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA A lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.074 11 Notificada em 28.11.2013, fl. 1035, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.01.2014, fls. 10231032, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta: 03. Das Preliminares. 3.1. Da Decadência O Sr. Julgador a quo afirmou que para o caso em comento a norma que trata da decadência aplicável seria o art. 173 do CTN [...]. Com o devido respeito, devese repisar que é equivocado o raciocínio empregado pelo D. Julgador, pois se aplica a regra geral do artigo 173 do CTN, se, somente se, a declaração estivesse embasada no fundamento da ocorrência de dolo, fraude, ou simulação, o que não se verificou. A situação em julgamento decorre tão somente de divergências na interpretação da legislação posta. Vejase que a contagem empregada para verificar a ocorrência da decadência foi extraída do regramento do Imposto de Renda. Como o tributo está sujeito a apurações anuais, para os contribuintes que o apuram pelo lucro real, para esta hipótese a conclusão seria adequada. Mas este não é o caso. Não se nega, nem pela Autuada, nem pelo Sr. Fiscal, que a apuração do IRPJ se deu pela sistemática do lucro presumido, ou seja, o imposto foi apurado pela forma trimestral, com a entrega das declarações e recolhimento dos tributos devidos de forma definitiva. Por este prisma deveria ser analisa a questão. Não se pode separar o dever instrumental do dever principal de pagar tributo por um simples motivo: se o instrumento acessório foi instituído para o controle do principal, a ele está umbilicalmente ligado, devendo seguir seus passos, bem como a legislação que o rege. Portanto, o raciocínio apresentado na peça impugnatória deve prevalecer, sendo a norma aplicável ao presente caso a descrita no art. 150, § 4º, do CTN, e por ela deve ser avaliada a questão da decadência. Se o fato gerador se deu em 02/2008, é certo que o prazo para lançamento se encerrou em 02/2013. Se a ciência da lavratura do auto se deu em 06/2013, a penalidade resta atingida pela decadência. Importante é destacar que para o trimestre em comento, houve antecipação do recolhimento dos tributos pertinentes à receita que a DIMOB visa informar, todos eles sujeitos a lançamento por homologação, tudo nos termos do que determina o entendimento dominante acerca da aplicação do art. 150, §4º do CTN. O raciocínio é simples, e conta com amplo respaldo na jurisprudência pátria, inclusive do próprio CARF, que deve ser seguidas pela administração para evitar o prolongamento indefinido de litígios desnecessários, em ofensa aos princípios da eficiência e da duração razoável do processo, posto saber que ao final, se chegar a questão ao crivo do Poder Judiciário, certamente será a cobrança cancelada. É a famosa economia processual, tão comentada e resguardada pela Constituição Federal. [...] Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.075 12 Portanto, Nobres Julgadores, há decadência parcial no lançamento em questão, devendo ser reconhecida para que não se perpetue cobrança fulminada pela caducidade, ante a falta de amparo legal e jurisprudencial. 3.2. Da Nulidade do Lançamento [...] A Recorrente, igualmente ao item supra, também demonstrou a nulidade do lançamento em razão do erro no apontamento dos fatos imponíveis, acarretando a cobrança. Na ocasião provou que o entendimento do próprio Tribunal Administrativo, CARF, é no sentido da anulação da cobrança quando provados os erros materiais incorridos pela autuação [...]. Oportuno é frisar que, conforme trecho da decisão acima transcrito, o julgador reconhece que houve erro no lançamento quanto ao aspecto temporal do fato gerador, um dos mais importantes elementos do lançamento. No sentido da argumentação da então Impugnante, mas tendo sido o erro reconhecido, é de se aplicar seus efeitos. Ora, a irregularidade no que se refere ao aspecto temporal, não pode ser convalidado. Cuidase de erro material que não pode ser ratificado, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade e da segurança jurídica. O vício constatado nos autos de cobrança é substancial e não formal. A data da suposta infração não passou a ser conhecida após a fiscalização, e nem se omitiu qualquer informação nesse sentido que pudesse induzir o agente fiscal a erro. Pelo contrário, apesar do pleno conhecimento sobre os fatos, a autoridade administrativa elegeu aspecto temporal errado, o que se mostrou equivocado. O lançamento quanto ao aspecto temporal não coincide com a penalidade mensal aplicada, em flagrante contradição. Erro de direito, o qual não admite revisão, é aquele decorrente da aplicação incorreta da norma sobre fato conhecido, como no caso do auto de infração em julgamento. O erro aqui ocorreu na valoração jurídica dos fatos no tempo. A diferença entre o erro material e o formal, registrese, é sutil, mas acarreta consequências bem diversas. Enquanto o erro formal é passível de retificação nos termos do art. 149 do CTN, o erro material indica alteração de critério jurídico, sendo possível fazêlo apenas para fatos geradores futuros, conforme dispõe o art. 146 do mesmo diploma normativo. [...] O disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional não autoriza a revisão do lançamento efetuado e notificado ao contribuinte quando constatado erro de direito, ou seja, erro decorrente de acontecimento de pleno conhecimento do Fisco, ao qual só passou a atribuir relevância jurídica em momento posterior ao lançamento. O que permite a revisão para fatos anteriores é apenas a desconsideração jurídica do fato que não era do conhecimento da autoridade administrativa tributária. Ou seja, por todos os ângulos que se analise a questão não se pode negar que a autuação não agiu corretamente, por não ter respeitado integralmente o que determina a legislação. Por tudo isso, não poderia o Sr. Julgador manter a cobrança, sob o questionável fundamento subjetivo da possibilidade de inexistência de prejuízo ao contribuinte. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.076 13 O art. 37 da Constituição Federal determina que a administração deve respeitar o princípio da estrita legalidade. Se o trabalho do Fiscal não respeitou o ordenamento jurídico, ele é nulo de pleno direito, e desde seu nascimento! O que não se pode perder de vista é o fato de que o auto de cobrança indica única data para o fato gerador, mas exige multa mensal por período de muitos meses. Deveria ter indicado o período, todos os meses sobre os quais incidiu a multa mensal, o que não se verifica no lançamento. Tal fato, per si, é suficiente para acarretar a nulidade da cobrança. É, no mínimo, temerário afirmar que se a Recorrente entendeu completamente o teor da autuação, apresentando defesa,seus argumentos sobre a nulidade estariam desprovidos de sustentação. Tal razão, além de amplamente subjetiva, decorre de interpretação extensiva não autorizada por Lei. Não se pode presumir ausência de prejuízo, quando se está a tratar de garantias constitucionais, como a ampla defesa e o contraditório. Afirmar que não houve prejuízo é adentrar no perigoso campo da suposição, da ilação, o que não se pode admitir. 3.3 Da Nulidade por Ausência/Erro de Capitulação Legal da Infração No mesmo item que tratou da nulidade da determinação da data do fato gerador, o Sr. Julgador tratou da questão levantada pela Recorrente sobre a ausência e erro da capitulação legal da suposta infração. A peça impugnatória apresentou claramente as justificativas legais que deveriam ser aplicadas para cancelamento da cobrança, pois de fato a Fiscalização aplicou norma genérica a fato específico, deixando de individualizála no mundo concreto, individual, dos fatos imputados ao contribuinte. Nem mesmo a conduta teoricamente desrespeitada foi descrita na norma invocada. Decorrência natural seria o cancelamento, porém este não foi o resultado. [...] Tal previsão é genérica e não pode ser aplicada ao caso concreto, que necessita de individualização da norma a hipótese individual. Pela leitura do dispositivo, não se pode nem saber ao certo se a penalidade aplicada foi por ausência de entrega de declaração ou de cumprimento de intimação, o que prejudica, inclusive, o direito a ampla defesa e ao contraditório, corolários do processo administrativo. Qual foi a infração cometida? A não entrega da DIMOB de forma espontânea no prazo do regulamento, ou a não entrega após a intimação para fazêlo? Não se sabe, porque do auto não se pode depreender tal informação. [...] Contudo, notese que a legislação não autoriza a aplicação da penalidade pela falta de entrega, a autorização é para regulamento sobre forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A decisão não enfrentou o principal, a alegação de ausência de capitulação legal, pois no auto não se observa a descrição detalhada da conduta supostamente descumprida. É grave o defeito no enquadramento legal. Às fl. 382 que trata da suposta infração praticada consigna o art. 16 da Lei 9779 e art. 57 da Medida provisória nº 2.15835. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.077 14 Ambos os normativos cuidam da penalidade, um deles sobre a conduta genérica, mas nenhum aponta a infração específica. falta o mais importante: a capitulação legal da conduta penalizada em concreto. por ali não se consegue saber qual declaração deixou de ser apresentada ou qual intimação deixou de ser atendida. Aplicouse a norma genérica, in abstrato, quando é necessário individualizála no mundo concreto, individual, dos fatos aplicáveis a Impugnante, sob pena de nulidade. É inegável que a ausência de capitulação legal específica invalida o ato, e consequentemente o lançamento. São dois os defeitos na capitulação legal: As normas apontadas não indicam a suporta infração cometida, e não se referem ao caso individual e específico aqui ocorrido. 04. Do Mérito 4.1 Da Não Obrigatoriedade aa Entrega da DIMOB A r. decisão afirmou que a obrigatoriedade da apresentação da Dimob resulta da atividade de administração de imóveis próprios. Vejase que a Dimob é uma obrigação acessória criada para acompanhar as atividades de recebimento de alugueis, compra, venda, etc, e que se destina, por óbvio, àquelas pessoas jurídicas que se dedicam ao setor imobiliário, como imobiliárias, loteadoras, administradoras e construtoras. E este não é o caso da contribuinte, não se pode negar. A atividade da Recorrente é rural, criação de bovinos para corte, como se pode verificar no seu CNAE. Notese que o fato de receber alugueres dos imóveis próprios não justifica a manutenção de suposta obrigatoriedade de cumprimento deste acessório, pois como já dito, todas as informações fiscais que seriam necessárias para acompanhar a evolução dos recebimentos foram devidamente apresentadas ao Fisco por outros meios, como a DCTF e a DIPJ. A recorrente tão somente administra imóveis próprios, de seu ativo fixo. Não faz intermediação, não administra para terceiros, não intermedeia compra ou venda. Não constrói e nem faz loteamentos. Não se trata de empresa de atividade principal imobiliária. Também é de sublinhar para a falta de manifestação sobre os fundamentos apresentados na peça impugnatória, pois o Sr. Julgador não logrou êxito em desconstituir os esclarecimentos extraídos da própria Instituição, que trazem as informações sobre quem está obrigado à apresentara Declaração demandada. [...] Repitase, em raciocínio lógico inverso: se a empresa não tem como atividade principal as acima listadas, por óbvio, fica desobrigada de entregar a obrigação acessória! Tal fato, por si, já é suficiente para se afastar a aplicação da obrigatoriedade de apresentação da DIMOB, que se destina aos agentes do mercado imobiliário. Mas não é o único motivo. Também nada foi dito em relação às instruções normativas que tratam de obrigações acessórias, e que demonstram a inaplicabilidade da entrega da Dimob à Recorrente. [...] Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.078 15 Não houve no período, qualquer construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, ou pagamentos efetuados por locação, sublocação ou intermediação de locação." Dessa forma, por qualquer fundamento que se analise a questão, resta evidente que a Recorrente não se insere no rol das empresas obrigadas a apresentar a Dimob, sendo ilegítima a cobrança de multa por suposta falta de entrega. Ressalvase, como exposto acima, que não há imposição nas referidas IN pela apresentação da DIMOB por empresas como a Recorrente. Não há hipótese prevista para a apresentação da referida declaração para empresa cuja atividade não seja imobiliária destinada a terceiros. O referido art. 2º da IN 694 corrobora a conclusão, uma vez que a Recorrente recebe aluguel de imóveis próprios e não efetua os pagamentos. Ademais, não houve no período nenhuma das operações previstas no inciso I da citada IN. Não é demais destacar a informação prestada pela própria Secretaria da Receita Federal, onde afirma que tal declaração se destina ao setor imobiliário, para confirmar novamente que a cobrança não a atinge. [...] Portanto, a autuação deve ser cancelada, uma vez que restou demonstrada ser indevida a cobrança a empresa que apenas administra imóveis próprios. A Dimob é destinada a empresas do mercado imobiliário, loteadoras, imobiliárias, construtoras, administradoras e etc, como a própria receita federal já esclareceu no passado como transcrito acima. A Recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses normativas que obrigam à apresentação da referida declaração. 4.2 Da Multa Outra questão merece reparo. Demonstrouse que a cobrança da multa é genérica e desproporcional, pois se a Dimob deve ser entregue de forma anual, se devida fosse, a penalidade pela falta deveria ser aplicada uma única vez, ou seja, uma por ano. A obrigação acessória e a respectiva penalidade devem respeitar o mesmo regramento, se a entrega é anual, a penalidade também deve ter a mesma leitura. Não se pode aplicar multa mensal para declaração que é de periodicidade anual, uma vez que o acessório deve seguir o principal. Como dito, e não abarcado na r. decisão, a penalidade cumulativa, sem limites para finalização, transforma uma pena punitiva em moratória, tendente ao infinito, sem que haja na legislação qualquer autorização legal para tanto. [...] Cabe ainda invocar a proporcionalidade como princípio a ser seguido pela Administração Pública e Tributária por força no disposto no art. 22 da Lei nº 9.784/99. A aplicação da multa como se fosse moratória faz ainda com que ela adquira caráter confiscatório, expropriatório, em afronta ao art. 150, inc. IV, da CF. Assim, é de rigor o provimento do recurso, o que ora se requer. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.079 16 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Diante de todo o exposto, requer a Recorrente seja reconhecida a decadência no período especificado, sejam acolhidas as preliminares de nulidade do auto de infração em julgamento, cancelandose, in totum, a exigência irregularmente imposta. Caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, o que se admite apenas em homenagem ao princípio da eventualidade, requer seja determinado o cancelamento da totalidade, que restou remanescente após o julgamento da peça impugnatória, em todos os seus termos, julgandose procedente integralmente o presente Recurso Voluntário. A Recorrente não tem a obrigação de apresentar a DIMOB, visto que não se enquadra nas hipóteses previstas na legislação para a entrega da referida declaração, não sendo empresa do ramo imobiliário. Tão somente recebe alugueis de seus imóveis próprios. Assim, por ausência de obrigatoriedade de entrega da declaração, deve ter a penalidade cancelada, reformandose a decisão recorrida. Protesta, também, pela realização da sustentação oral, a ser realizada no julgamento deste recurso perante este E. CARF. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente requer que seja deferida a sustentação oral. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referentes a tributos administrados pela RFB1. Em conformidade com as normas processuais, Na sessão, o julgamento de cada recuso é facultado à Recorrente ou ao seu 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 55 e art. 58 do Regimento Interno do CARF. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.080 17 representante legal fazer sustentação oral por quinze minutos, prorrogáveis por igual período. A pretensão aduzida pela defendente tem possibilidade jurídica, desde que observadas as formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes, o ato de exclusão e os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, cujos autos devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por atos administrativos que, como uma espécie de ato jurídico, devem estar revestidos dos atributos que lhes conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produzam efeitos que vinculem o administrado deve ser emitidos (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratando se de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Tendo em vista que a atividade do lançamento é vinculada, a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados podem ser examinados pelo Erário e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos 4. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.081 18 Ademais, as exigências de ofício podem ser realizadas sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 46. A autoridade administrativa competente privativamente constituiu o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo em que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, identificou o sujeito passivo e, sendo caso, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Portanto, todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária estão precisamente expostos nos Autos de Infração, quais sejam: temporal, material, subjetivo, quantitativo e espacial. Além disso, consta nesse ato expressamente a descrição dos fatos e o enquadramento legal, entre outros, especificamente no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Auto de Infração, fls. 380384 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0947.848, de 14.11.2013, fls. 10231032, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente argui que a exigência da multa de ofício isolada pelo não atendimento à intimação para entrega da DIMOB foi alcançada pela decadência. Compete analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC6, cujo 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.082 19 trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Estas são regras aplicáveis a tributo sujeito a lançamento por homologação7. No presente caso, pertinente a exigência de multa isolada pelo não atendimento à intimação para cumprimento da obrigação acessória, o termo de início da contagem do prazo decadencial em exame se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), porque não se tratar de procedimento fiscal relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação com pagamento antecipado, que é característico de obrigação principal. A Recorrente foi notificada do Auto de Infração em 07.06.2013, fls. 390394 atinente a exigência da multa de ofício isolada pelo não atendimento à intimação para entrega da DIMOB dos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, e 2012. Especificamente em relação ao anocalendário de 2007, o início do prazo decadencial ocorreu em 01.01.2009. Desse modo não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade de cinco anos até a ciência válida da exigência em 07.06.2013. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). Cabe esclarecer que a obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária8. 7 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 8 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.083 20 As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 9 No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), instituída pela Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003 com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas (a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim, (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis, (c) que realizarem sublocação de imóveis e (d) e ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios10. Em relação ao argumento da Recorrente de que exerce qualquer atividade de criação de bovinos para corte e por essa razão não está obrigada a apresentação da DIMOB, temse que consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 385391, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: II VERIFICAÇÕES PRELIMINARES O contribuinte é empresa domiciliada em Uberaba/MG, cuja atividade constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ é CNAE: 0151201 Criação de bovinos para corte, e não consta o registro de filiais no cadastro CNPJ, conforme extrato de fls. 158 a 161. Na sétima alteração contratual apresentada (fls. 105 a 112) consta o Objetivo Social: “O objetivo da sociedade é o cultivo, industrialização, comercialização de produtos agrícolas, a produção, cria, recria e engorda de bovinos, bufalinos, criação de eqüinos, comercialização, importação e exportação destes produtos, inclusive em parceria com terceiros, que pessoas físicas, quer jurídicas, bem como a administração de todos os seus imóveis rurais e urbanos.” Adotou o regime de tributação do lucro presumido nos anoscalendário 2008 a 2010, consoante Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ EX 2009 (fls. 113 a 127), DIPJ EX 2010 (fls. 128 a 142) e DIPJ EX 2011 (fls. 143 a 157). III – DESCRIÇÃO DOS FATOS 9 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006 e Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.084 21 O Contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos, arquivos magnéticos, comprovantes de retenção na fonte e extratos bancários de todas as contas correntes, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, consoante Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 02 a 07), com ciência postal em 22/11/2012. Em 28/11/2012 protocolou pedido de dilação de trinta dias úteis de prazo para atender os itens 1, 2, 3, 4, 6 e 7 do Termo de Início (fls. 08). Em 10/12/2012 protocolou pedido de dilação de trinta dias úteis de prazo para atender os itens 5 e 8 do Termo de Início (fls. 09). Acatamos os pedidos de dilação consoante Termo de Constatação Fiscal de 07/01/2013 (fls. 10 a 12). Apresentou resposta em 16/01/2013 (fls. 13 a 14). Na resposta foram acostados os documentos: Livros Diário e Razão de 2008 a 2010; Cópia dos documentos de identificação do sócio gerente (fls. 14); Sétima Alteração Contratual; Consoante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 01/02/2013 (fls. 15 a 18), o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos em relação à falta de receitas escrituradas relativas à exploração dos imóveis rurais de sua propriedade e apresentar contratos de comodato/arrendamento. Em 14/02/2013 protocolou pedido de dilação de vinte dias úteis de prazo para atender o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 01/02/2013 (fls. 19). Consoante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 05/03/2013 (fls. 20 a 24), o contribuinte foi cientificado da inexistência nos sistemas de controle da Receita Federal das Declarações de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob relativas aos anoscalendário 2007 a 2012. No mesmo ato foi intimado a prestar esclarecimentos em relação ao todos as constatações, apresentar as Dimob e apresentar as alterações contratuais de 01 a 06. Apresentou resposta em 14/03/2013 (fls. 25 a 31) acostando alterações contratuais e contrato de comodato, e solicitou nova dilação de prazo para apresentação de extratos bancários, que foi negada no mesmo ato. Consoante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/03/2013 (fls. 32 a 36), o contribuinte foi intimado a apresentar cópias de escrituras e de contratos de locação de imóveis. Em 02/04/2013 apresentou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/03/2013, acostando Certidões de Registro de Imóveis, contratos de locação de imóveis urbanos, 2º aditivo ao contrato de comodato de imóveis rurais e solicitou prazo de vinte dias para atender os itens 2.1 e 2.2 do Termo (fls. 37 a 39). Na mesma data, esclareceu que não apresentou as DIMOB porquanto o objeto social principal da sociedade é ligado à agropecuária (fl. 40). Consoante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 03/04/2013 (fls. 41 a 44), o contribuinte foi cientificado de que a previsão legal que obriga à apresentação da DIMOB não restringe essa obrigação ao objeto principal da sociedade. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.085 22 No mesmo ato foi estendido o prazo para apresentação da DIMOB para 45 dias a contar da intimação inicial, 07/03/2013, em obediência ao disposto no inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com redação do art. 8º da Lei nº 12.766 de 27 de dezembro de 2012. Em 22/04/2013 o contribuinte apresentou esclarecimentos segundo os quais entende não estar sujeito à apresentação da DIMOB (fls. 45 a 46). Findo o prazo concedido em 22/04/2013, as DIMOB não foram apresentadas. Acostamos nas fls. 47 a 112 as Alterações Contratuais apresentadas. Acostamos cópias dos livros Diário e Razão [...]. Temse que a Recorrente exerce principalmente a atividade econômica de "criação de bovinos para corte", conforme o Contrato Social e alterações, fls. 47112. Mesmo que a "administração de todos os seus imóveis rurais e urbanos" seja desempenhada de forma secundária, ainda assim fica obrigada a apresentar a DIMOB, pois inclusive a legislação de regência da matéria adota o parâmetro da equiparação para esse fim. O fato gerador da obrigação tributária acessória é o exercício, por si só, da atividade de administração e locação de imóveis, não distinguindo se urbanos ou rurais. se próprios ou de terceiros, e ainda se está é a atividade principal ou secundária da pessoa jurídica. O escopo dessa obrigação acessória é de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis e decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos. A legislação impõe necessariamente como requisito de obrigatoriedade para apresentação da DIMOB a administração de imóveis, o que resta caracterizada pelos contratos de locação de imóveis e as escrituras públicas dos correspondentes registros de imóveis, fls. 309369. A própria Recorrente em sua defesa deixa cristalino que "todos os aluguéis de imóveis próprios foram devidamente informados, cujas receitas foram devidamente reconhecidas e pagas, como provam as DCTF". Ressaltese que a obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória, já que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, a multa de ofício isolada por falta de atendimento à intimação para entrega da DIMOB independe do cumprimento das obrigações principais a que o sujeito passivo está sujeito pelas normas que regem a matéria. Por essas razões está correta a exigência da multa de ofício isolada pelo não atendimento à intimação para entrega da DIMOB dos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, e 2012, já que em 05.04.2013 a Recorrente foi intimada do Termo de Constatação Fiscal dando conta da obrigatoriedade de apresentação da DIMOB no prazo legal de 45 dias, nos termos do art. 57 da Medida Provisório nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e alterações e permaneceu inerte até a ciência válida do Auto de Infração em 07.06.2013, fls. 390394. Sobre a questão, a Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006, prevê: Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.086 23 informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >. Parágrafo único. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I deste artigo tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob. A Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, determina: Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento. [...] Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.087 24 § 1º Para a apresentação da Dimob referente aos fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital, exceto para as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). § 2º O recibo de entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II 5% (cinco por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem, por termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Sobre a matéria, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, com alterações introduzidas pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, assim determina: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.088 25 c) R$100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos acrescentados) Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.089 26 Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. [...]11 No presente caso, restou comprovado que tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada pelo não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar a DIMOB, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 385391, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: IV MULTA – DIMOB – NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DA DIMOB Nos termos do inciso IV do art. 1º da Instrução Normativa da SRF nº 694/2006 e inciso IV do art. 1º da Instrução Normativa da RFB nº 1.115/2010, abaixo transcritos, as pessoas jurídicas constituídas para a administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, estão obrigadas à apresentação da DIMOB [...] Na sétima alteração contratual apresentada (fls. 105 a 112) consta o Objetivo Social do contribuinte: “O objetivo da sociedade é o cultivo, industrialização, comercialização de produtos agrícolas, a produção, cria, recria e engorda de bovinos, bufalinos, criação de eqüinos, comercialização, importação e exportação destes produtos, inclusive em 11 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.090 27 parceria com terceiros, que pessoas físicas, quer jurídicas, bem como a administração de todos os seus imóveis rurais e urbanos.”. O contribuinte possui vários imóveis urbanos e rurais registrados no seu Ativo Permanente, consoante se pode verificar nas cópias do Diário e Razão acostadas (fls. 162 a 305). Questionado quanto à falta de escrituração de receitas decorrentes da exploração dos imóveis rurais de sua propriedade, o contribuinte esclareceu que foram cedidos em comodato (fls. 25 a 31 e fls. 37 a 39), consoante Contrato de Comodato e aditivos apresentados (fls. 306 a 311) não existindo receitas da atividade rural ou de arrendamento de imóveis rurais escrituradas. Portanto, a única atividade que o contribuinte exerce é a atividade imobiliária concernente à locação de imóveis urbanos de sua propriedade, consoante se verifica nas cópias extraídas do livro Diário e Razão (fls. 162 a 305), contratos de locação de alguns dos imóveis urbanos apresentados (fls. 312 a 343 e 371 a 379) e escrituras de propriedade de alguns dos imóveis urbanos (fls. 344 a 370). Salientamos que nas escrituras figura a razão social anterior do contribuinte, Lar Imobiliária e Engenharia Ltda. O exercício dessa atividade obriga o contribuinte à apresentação da DIMOB. [...] A falta de apresentação da DIMOB ou o não atendimento à intimação para apresentála sujeita o contribuinte às multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com redação do art. 8º da Lei nº 12.766 de 27 de dezembro de 2012 [...]. Como o contribuinte não atendeu a intimação para apresentação das DIMOB ficou sujeito a multa prevista no inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35 acima transcrito. (grifos acrescentados) Meses em Atraso DIMOB Prazo 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Total de Meses Multa R$ 2007 29/02/2008 10 12 12 12 12 5 63 63.000,00 2008 27/02/2009 10 12 12 12 5 51 51.000,00 2009 26/02/2010 10 12 12 5 39 30.000,00 2010 28/02/2011 10 12 5 27 27.000,00 2011 29/02/2012 10 5 15 15.000,00 2012 28/02/2013 3 3 3.000,00 Total 198.000,00 Restou comprovado que a Recorrente exerce "atividade imobiliária concernente à locação de imóveis urbanos de sua propriedade, consoante se verifica nas cópias extraídas do livro Diário e Razão". O valor da multa de ofício isolada, entretanto, deve ser reduzido para R$500,00 por mêscalendário pelo não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.091 28 Consta no Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 47.848, de 14.11.2013, fls. 10231032: Dessa forma, a multa aplicada deve ser reduzida para o valor de R$500,00 por mês tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CÁLCULO DO VALOR REMANESCENTE AnoCalendário Prazo Quantidade de Meses Multa R$ 2007 29/02/2008 61 30.500,00 2008 27/02/2009 49 24.500,00 2009 26/02/2010 37 18.500,00 2010 28/02/2011 25 12.500,00 2011 29/02/2012 13 6.500,00 2012 28/02/2013 1 500,00 Total 93.000,00 O ajuste do valor da multa de ofício isolada já foi regularmente procedido pela autoridade julgadora de primeira instância na sua integralidade. A alegação de boafé pelo cumprimento das obrigações tributárias pela suposta ausência de prejuízo ao Erário, não tem qualquer influência no presente lançamento de ofício, uma vez que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Pertinente a alegada solicitação da Recorrente de apresentar as DIMOB mediante formulário papel, temse que todo ato deve ser produzido no tempo, no lugar e na forma previstos em lei, circunstâncias essas que lhes conferem existência, validade e eficácia. Nesse sentido, a entrega da DIMOB por meio eletrônico é uma formalidade legal a ser observada, imprescindível para que o tenha efeito jurídico e que não foi regulamente realizada. Destaquese que de acordo com o princípio da legalidade o agente público somente pode fazer o que lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Está correta a conduta das autoridades fiscais em não aceitar a apresentação das DIMOB em formulário papel e em mãos, já não há previsão legal expressa para tanto. A ilação designada pela defendente destaca se como improcedente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10972.720027/201310 Acórdão n.º 1803002.586 S1TE03 Fl. 1.092 29 sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A autoridade julgadora não pode aplicar o princípio que veda o confisco, porque não existe previsão expressa nesse sentido para o presente caso. Além disso, esse princípio, como limitador do poder de tributar estatal, tem como destinatário o legislador e não cabendo intérprete das normas tributárias aplicálo sem que exista legislação explicitando o instituto. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.915350/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.257
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 53 50 /2 00 9- 61 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada nos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Belo Horizonte/MG: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n° rastreamento 831642077 emitido eletronicamente em 20/04/2009 (fl. 17), referente ao PER/DCOMP n°36962.08559.291206.1.3.044327 (doc. de fls. 18/24). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 31/01/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP (folha 23). Das análises processada foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 29 de abril de 2009, conforme doc. de fl. 50, o interessado apresenta manifestação de inconformidade de fls. 01/06, protocolada em 29 de maio de 2009, argumentando que: apurou a estimativa de CSLL do mês de dezembro de 2004, no montante de R$ 21.276,76, em 31/01/2005 efetuou o recolhimento por meio de DARF e entregou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF correspondente, referente ao 4° trimestre de 2004. constatou erro na base de cálculo da contribuição, não apurando montante a pagar a título de estimativa de CSLL referente ao mês de dezembro de 2004, o que gerou o recolhimento a maior de R$ 21.276,76. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.915350/200961 Acórdão n.º 1801002.257 S1TE01 Fl. 3 3 destaca que os valores apurados estão de acordo com a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2005, anocalendário 2004. em decorrência da não homologação da presente Declaração de Compensação, está sendo exigido o principal do tributo não compensado, além de multa e juros. em razão de erro na apuração da CSLL de estimativa mensal referente ao mês de dezembro de 2004 foi recolhido a maior o valor de R$ 21.276,76, que se transformou em crédito tributário passível de compensação via PER/DCOMP. em 19/05/2009, retificou a DCTF do 4° trimestre de 2004, demonstrando que não houve apuração de CSLL para o período de dezembro de 2004. ocorreu no caso mero desencontro de informações e a possível não análise por parte da autoridade fiscal dos dados apresentados na DIPJ 2005. demonstrada a existência do crédito originário de pagamento indevido, requer a reforma do Despacho Decisório para que sejam homologadas as compensações realizadas com base nesse crédito, afastandose a exigência do tributo, objeto de compensação realizada no PER/DCOMP n º 36962.08559.291206.1.3.044327 (doc. de fls. 18/24). por fim, caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação em discussão requer seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentadas, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 anos previsto no art. 168 do (Código Tributário Nacional Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966). se o Despacho Decisório não for reformado, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação por força do art. 169 do CTN. Diante do exposto, requer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para reformar o Despacho Decisório n° 831642077 homologando a compensação pleiteada. Requer, ainda, o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. Instância consignou, quanto ao mérito, que haveria vedação, prevista no art. 10 da IN SRF n º 460, de 2004, para utilização em compensações, como direito creditório, de recolhimentos de estimativas de IRPJ e CSLL, e que tais recolhimentos somente poderiam ser aproveitados como dedução ou na composição do saldo negativo do respectivo período de apuração anual. Cientificada da decisão, em 29/09/2011 (AR efl. 116), apresentou a interessada, em 31/10/2011, recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que a vedação contida na IN SRF n º 460, de 2004, reproduzida na IN SRF n º 600, de 2005, é ilegal e que a jurisprudência administrativa e judicial já superaram a questão da possibilidade de utilização de recolhimentos por estimativa como indébitos tributários em declarações de compensação. Observou, ainda, que a IN SRF n º 900, de 2008, também superou a questão, ao suprimir a vedação. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Requer, assim, o reconhecimento de direito creditório a título de pagamento a maior de estimativa de CSLL para utilização nas compensações declaradas. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No mérito observase que a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao argumento de que não pode haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de CSLL do mês de dezembro de 2004, indevidamente. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a Turma Julgadora de 1a. instância, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o mérito da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade julgadora da DRJ centrou sua decisão na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.915350/200961 Acórdão n.º 1801002.257 S1TE01 Fl. 4 5 questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela Turma Julgadora de 1a. instância, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oportunidade de aditar suas razões recursais, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Turma Julgadora de 1a. instância, com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10480.722787/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 78 7/ 20 10 -4 2 Fl. 3304DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.305 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade Social INSS, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte em sede de impugnação, reproduzo relato feito em primeira instância. [...] Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, do Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para a Seguridade Social INSS, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente a períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2005, no valor total de R$ 1.864.046,52, incluídos multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora. 2. No lançamento referente ao IRPJ SIMPLES (matriz; fls. 20/23), encontrase registrada a seguinte infração, ao final tipificada: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS”. 3. No minucioso Relatório de Fiscalização de fls. 70/119, as autoridades autuantes consignaram, entre outras informações concernentes ao procedimento fiscal: 3.1. Através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a contribuinte declarouse inativa no período fiscalizado (optante do regime simplificado desde 18/02/1999). Também não recolheu quaisquer tributos no mesmo período. No entanto, movimentou recursos, em contascorrentes mantidas na Caixa Econômica Federal – CEF e no Bradesco S/A, no montante de R$ 6.556.968,16 (informação obtida por meio de Declarações de Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – DCPMF); 3.2. Embora se encontre ativa no cadastro do CNPJ, a contribuinte autuada não foi localizada em seu endereço cadastral, situado na periferia do município de Escada/PE, onde há uma humilde residência, portanto absolutamente incompatível com uma empresa que faturou, no anocalendário da autuação, mais de R$ 6.500.000,00. O Termo de Intimação enviado a sua filial (também ativa no CNPJ), localizada na zona rural do município de Barreiros/PE, também retornou pelo fato de não haver sido procurado, nos Correios, pela contribuinte; 3.3. Os sócios cadastrais não foram localizados pela fiscalização (seus perfis não correspondem ao esperado para uma empresa com a movimentação financeira apresentada MANCAL); Fl. 3305DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.306 3 3.4. A partir da análise dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, foram constatados depósitos nas contascorrentes da contribuinte autuada no montante de R$ 6.176.328,88 (já diminuídas as transferências, baixas automáticas da poupança, reduções de saldo devedor, devoluções e estornos). Intimada a comprovar a origem dos referidos depósitos bancários, a contribuinte não se manifestou; 3.5. Aplicouse a multa de ofício de 150%, nos termos do art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430, de 1996 (art. 71, §1º, da Lei n.º 4.502, de 1964). 4. Às fls. 64/69, encontramse anexados Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados em nome de JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA e ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELO NETO. 5. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, impugnação ao lançamento (fls. 3041/3044), por meio da qual requer a sua anulação, sob alegação de que o AuditorFiscal promoveu, com efeitos a partir de 2006, a sua exclusão do Simples federal, ao fundamento de que obtivera receita bruta superior ao limite estabelecido para a permanência no regime. Afirma, no entanto, que, se fossem verdadeiras as alegações expostas pelo mesmo AuditorFiscal no Relatório de Fiscalização, a representação para a sua exclusão deveria ter sido fundada nos arts. 14, IV, e 15, V, da Lei n.º 9.317, de 1996, de modo que, embora o procedimento esteja todo calcado na interposição fraudulenta, o AuditorFiscal utilizou, como motivação, para fins de exclusão do Simples, a ultrapassagem da receita bruta. Se fosse utilizada a interposição fraudulenta, a exclusão se daria já a partir de 2005, caso em que a pessoa jurídica deveria ser tributada de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 6. No prazo legal, compareceu aos autos o responsável solidário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELO NETO, CPF n.º 831.388.11434, através da impugnação de fls. 3054/3070, na qual alega, depois de descrever os fatos: Nulidades 6.1. É nula a tentativa de a fiscalização imputarlhe a responsabilidade de que trata os autos, por absoluta falta de competência, conforme entende o atual Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (reproduz ementa); 6.2. À época dos fatos, dedicavase a produzir cana de açúcar em propriedade rural arrendada (fls. 2895/2903). Dedicouse, à exaustão, em busca de documentos que atendessem às exigências da auditoria, porém encontrou dificuldades, às vezes intransponíveis, em vista das inundações, episódio já conhecido, que ocorreram na região banhada pelo rio Una. No entanto, conseguiu reunir, junto a alguns fornecedores, documentos esclarecedores de sua atividade (como contrato de arrendamento rural, e seu distrato, firmado com a empresa INTERIORANA – SERVIÇOS E CONSTRUÇÃO LTDA., bem como relatório de informações para o imposto de renda tratando das operações realizadas, entre 2003 e 2005, com a mencionada empresa). Assim, foram apresentados, em 29/09/2010, novos documentos à fiscalização, os quais atestam a realização de sua atividade, entre os quais o Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento de Cana de Açúcar, por meio do qual beneficiava a cana de açúcar que fornecia juntamente com o seu parceiro empresarial JOSÉ LUIZ DE MENEZES. Em contrapartida, referida empresa lhe remunerava com sacas de açúcar (fls. 2932/2937 e 2939/2940), posteriormente repassadas, em grande parte, para os seus clientes e os do Sr. JOSÉ LUIZ DE MENEZES, entre os quais a empresa fiscalizada, conforme amostragem de notas fiscais que anexa (fls. 2942/2965), as quais totalizam R$ 86.400,00, valor compatível com os recursos que o favoreceram. Outros negócios foram celebrados, como, p. ex., com a USINA CUCAÚ, mas os documentos a eles relativos Fl. 3306DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.307 4 não foram localizados, em vista dos acontecimentos ocorridos na região, tendo sido apresentadas à fiscalização, através de expediente protocolado pelo Sr. JOSÉ LUIZ DE MENEZES, declarações de moagem da aludida empresa (fls. 2988/2989). Caso se entenda necessária, que seja realizada diligência nas empresas citadas, para confirmar o que se afirma; 6.3. Rotineiramente, a sua produção era vendida a diversas empresas produtoras de açúcar – usinas, que remuneravam o fornecimento da cana com o próprio açúcar, conforme notas fiscais em anexo (doc. 9). Tais rendimentos da atividade rural eram sempre declarados; 6.4. Por sua vez, o açúcar era vendido pelas próprias empresas industriais, com a sua anuência e com a anuência do Sr. JOSÉ LUIZ DE MENEZES, que se tornavam, quando não recebido o pagamento em dinheiro, credores dos compradores, a exemplo da MANCAL, o que se comprova com a juntada de notas fiscais emitidas em nome da UNA AÇÚCAR E ENERGIA em favor da MANCAL, com quem detinha créditos que se acumulavam e eram transferidos para os anos subsequentes (como o de 2005, quando recebeu créditos de períodos anteriores). Os valores que recebeu são compatíveis com seus créditos. Os documentos apresentados o foram por amostragem, em vista da inundação que acometeu a região; 6.5. Os valores devidos foram amortizados com a emissão de cheques, para pagamento de despesas ou investimentos seus. É o caso da quitação das prestações dos edifícios Saint Roman (R$ 30.024,00) e First Village (R$ 31.295,91), transferências bancárias em que foi favorecido (R$ 43.060,16), cheque (R$ 2.000,00) e pagamentos dos honorários advocatícios ao escritório Farias e Moreira Advogados Associados (R$ 40.006,53). Não há nada de errado no fato de que os cheques emitidos para pagamento de tais compromissos apresentemse em valores exatos, visto que, como credor da empresa autuada, solicitava que a emissão se realizasse dessa forma. Um mero acerto de contas e uma forma de evitar a CPMF. Referidos pagamentos somam R$ 106.480,07, apenas 1,63% do volume de saídas verificadas na conta da MANCAL; 6.6. Ressalta o AuditorFiscal a entrada de recursos da UNA FACTORING, empresa da qual era sócio, por intermédio de cheques endossados, os quais atingiram a importância de R$ 989.530,46. Neste caso, o percentual é próximo de 15%. 72% foram deixados de lado pela fiscalização, o que é muito limitado; 6.7. Em nenhum momento, a fiscalização logrou demonstrar a prática de atos de gerência de sua parte; 6.8. Dizse que a MANCAL não passa de uma empresa “laranja” e que sequer possuía inscrição estadual. No entanto, era regularmente cadastrada até o ano de 2004. Por outro lado, se a MANCAL se prestou ao papel de “laranja”, nenhuma responsabilidade tem com este fato; 6.9. As atividades da MANCAL eram exercidas eminentemente nos estabelecimentos do cliente ou utilizandose de um depósito. Apesar de afirmar que haveria uma filial na cidade de Barreiros/PE, a fiscalização não efetuou qualquer tentativa de intimála neste local nem visitou as suas dependências; 6.10. Os acórdãos administrativos ou judiciais trazidos ao processo sempre fazem referência a sóciogerente ou representante da empresa, posições que nunca foram as suas. Há de haver prova inequívoca da existência de poderes gerenciais, como também a prática de atos com excesso de poderes ou contra a lei (reproduz ementas de decisões do então Conselho de Contribuintes); Fl. 3307DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.308 5 6.11. O AuditorFiscal tinha o dever de buscar de ofício a verdade a partir de uma análise profunda das contas bancárias da MANCAL, o que não se fez. Dessa análise, poderiam sair os nomes dos sócios da empresa ou daquelas aos quais se destinou a quase totalidade dos recursos. A falta de cumprimento desse dever, aliada ao fato de que os autos não trazem essas informações, impede que possa exercer plenamente o seu direito de defesa; Mérito 6.12. O AuditorFiscal promoveu, com efeitos a partir de 2006, a exclusão da empresa do Simples federal, ao fundamento de que obtivera receita bruta superior ao limite estabelecido para a permanência no regime. Afirma, no entanto, que, se fossem verdadeiras as alegações expostas pelo mesmo AuditorFiscal no Relatório de Fiscalização, a representação para a sua exclusão deveria ter sido fundada nos arts. 14, IV, e 15, V, da Lei n.º 9.317, de 1996, de modo que, embora o procedimento esteja todo calcado na interposição fraudulenta, o AuditorFiscal utilizou, para fins de exclusão do Simples, como motivação, a ultrapassagem da receita bruta. Fosse utilizada a interposição fraudulenta, a exclusão se daria já a partir de 2005, caso em que a pessoa jurídica deveria ser tributada de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso, o AuditorFiscal deveria ter arbitrado o lucro; 6.13. Já transcorreu o prazo de cinco anos relativo aos meses de janeiro a setembro de 2005, devendose excluir da cobrança referidos períodos; 6.14. No auto de infração, o AuditorFiscal cobrou a multa de 50% prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, porém, no cálculo da exigência, utilizouse do percentual de 150%. 7. Após expor os motivos que o levam a requerer a realização de perícia contábil, para a qual indicou perito e apresentou quesitos a serem respondidos, e repisar argumentos já expostos na peça de defesa, requer a nulidade do lançamento e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 8. Também no prazo legal, compareceu aos autos o responsável solidário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, CPF n.º 149.503.91453, através da impugnação de fls. 3174/3182, na qual sustenta, depois da descrição dos fatos: Cerceamento do direito de defesa 8.1. Somente depois do lançamento é que teve acesso aos autos, quando constatou que 80% dos ingressos na conta bancária da empresa estão desprovidos de identificação dos depositantes. Como poderia exercer o seu direito de defesa sem ter acesso a tais informações? Embora tenha agora o seu direito de defesa assegurado, no momento que antecede o lançamento foram negadas informações que propiciassem uma visão do cenário que lhe era imposto, o que cerceou o seu direito de defesa; Inconsistência da imputação da responsabilidade tributária 8.2. À época dos fatos era procurador da MANCAL com poderes específicos para representála perante o Bradesco. A despeito de limitados os seus poderes, optou o AuditorFiscal por atribuirlhe a condição de gerente, o que não se demonstrou pelos documentos trazidos aos autos; 8.3. Não foram aprofundadas questões como quem são os interessados nas operações da empresa, os beneficiados, se existem sócios ocultos; Fl. 3308DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.309 6 8.4. Tem rendimentos parcos e condizentes com a sua realidade financeira e patrimonial; Decadência 8.5. Já ocorreu a decadência relativamente aos ingressos ocorridos no período entre de janeiro e setembro de 2005; Dispositivo legal que fundamenta a exclusão do Simples 8.6. Ao mesmo tempo em que se faz a exclusão do Simples com fundamento no excesso de receitas, tanto no Relatório Fiscal quanto no Termo de Sujeição Passiva Solidária atribuiuse a responsabilidade com base na interposição fraudulenta; 8.7. A representação para a sua exclusão deveria ter sido fundada nos arts. 14, IV, e 15, V, da Lei n.º 9.317, de 1996, de modo que, fosse utilizada a interposição fraudulenta, a exclusão se daria já a partir de 2005, caso em que a pessoa jurídica deveria ser tributada de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; Fato gerador e base de cálculo do INSS 8.8. O fato gerador da contribuição para o INSS incide sobre a folha de salários e demais rendimentos e a contribuição do empregado. Equivocouse o AuditorFiscal ao utilizarse da receita bruta, sendo evidente o erro no fato gerador e na base de cálculo, o que torna nulo o lançamento; Mérito 8.9. O AuditorFiscal levantou a existência de depósitos bancários com origem não confirmada. Constatou que a importância de R$ 100.000,00 beneficiou o Sr. ROBERTO BRITO para o pagamento de seus compromissos; 8.10. Sempre se reportou à Sra. VERA LÚCIA BARBOSA, sócia majoritária da empresa e administradora, que, naquele ano, estava procurando honrar compromissos antigos da empresa. Para corroborar essa assertiva, junta declaração do então procurador da empresa no ano de 1999, o Sr. AGNELO APARECIDO SEGURA, para evidenciar que a administração estava a cargo da Sra. VERA LÚCIA; 8.11. Dos valores movimentados pela empresa não obteve qualquer proveito. Constatada a ausência de identificação da maior parte dos depósitos/saídas das contas correntes da empresa, não se justifica a sua responsabilização; 8.12. A tributação com base nos depósitos bancários agride o CTN (reproduz escólios doutrinários e ementas de decisões do então Conselho de Contribuintes). O extinto Tribunal Federal de Recursos considerou ilegítimo o lançamento com base apenas em depósitos bancários; 8.13. O AuditorFiscal não produziu provas da omissão de receitas; 8.14. A tributação da contribuição para o Simples deveria ter como base a folha de pagamentos. 9. Ao final, requer a nulidade do lançamento ou, no mérito a sua improcedência. Requer, ainda, a exclusão de sua responsabilidade. Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, notadamente intimação à CEF e ao Bradesco, para que informem Fl. 3309DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.310 7 os depositantes e os beneficiários dos recursos movimentados nas contas bancárias da empresa. 10. Através da petição de fl. 3198, o Sr. ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELO NETO requer, em complemento a sua impugnação, a juntada de fluxograma de entradas e saídas de recursos financeiros movimentados pela MANCAL em 2005. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, apreciando as razões trazidas pelas defesas interpostas, decidiu, por meio do acórdão nº 1138.146, de 13 de setembro de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ATO PRATICADO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO DE FATO. INTELIGÊNCIA DO ART. 135, III, DO CTN. Responde pelos créditos tributários os sócios de fato da pessoa jurídica quando tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte. Analisados os autos, restou identificado, apenas, recurso voluntário interposto por ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO (fls. 3.230/3.248). Na citada peça recursal, o referido senhor, repisando a argumentação expendida na peça impugnatória, teceu Fl. 3310DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.311 8 considerações acerca das seguintes matérias: incompetência da Fiscalização para imputar responsabilidade (competência da Procuradoria da Fazenda Nacional); ausência de fundamentação legal na imputação de responsabilidade; cerceamento do direito de defesa (necessidade de novas diligências); exclusão irregular do regime simplificado (SIMPLES); caducidade do direito de constituir créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro de 2005; e indicação equivocada do percentual da multa de ofício aplicada. O presente processo teve o julgamento da lide nele tratada sobrestado, em obediência às disposições dos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno (Anexo II), conforme Resolução de fls. 3.273/3.286. Entretanto, em virtude da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou tais dispositivos, desapareceu o motivo que impedia a apreciação da controvérsia. Assim, em sessão realizada em 11 de março de 2014, esta Primeira Turma ordinária, apreciando a lide, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem adotasse as seguintes providências: i) esclarecesse se, em razão da ausência de ciência da contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME) pela via postal, haviam sido adotadas as providências previstas no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (intimação por edital); ii) caso a contribuinte autuada tivesse sido intimada por edital, anexasse a cópia do documento correspondente, no qual deveria constar as datas de afixação e desafixação (caso a contribuinte não tivesse sido intimada, providências nesse sentido deveriam ser adotadas); iii) anexasse o aviso de recebimento relativo à ciência, por parte do responsável tributário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, da decisão exarada em primeira instância; iv) anexasse a intimação e comprovante de ciência, por parte do responsável tributário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, relativos à decisão exarada em primeira instância (caso o citado responsável tributário não tivesse sido intimado, providências nesse sentido deveriam ser adotadas). Em atendimento, a Agência da Receita Federal em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 1 O Contribuinte foi intimado do Acórdão da Impugnação em 02/10/2012 e o AR foi devolvido conforme Páginas 3224 a 3271 2 Antes da emissão do Edital, o Contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 20/12/2012, conforme Páginas 3230 a 3269, sendo esta a data utilizada para Ciência e tempestividade. É o Relatório. Fl. 3311DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.312 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Como visto, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, haja vista a existência de questões pendentes relacionadas às pessoas incluídas no pólo passivo da obrigação tributária formalizada. Por meio da Resolução nº 1301000.192, esta Primeira Turma Ordinária requisitou à unidade administrativa de origem as seguintes informações: i) esclarecesse se, em razão da ausência de ciência da contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME) pela via postal, haviam sido adotadas as providências previstas no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (intimação por edital); ii) caso a contribuinte autuada tivesse sido intimada por edital, anexasse a cópia do documento correspondente, no qual deveria constar as datas de afixação e desafixação (caso a contribuinte não tivesse sido intimada, providências nesse sentido deveriam ser adotadas); iii) anexasse o aviso de recebimento relativo à ciência, por parte do responsável tributário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, da decisão exarada em primeira instância; iv) anexasse a intimação e o comprovante de ciência, por parte do responsável tributário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, relativos à decisão exarada em primeira instância (caso o citado responsável tributário não tivesse sido intimado, providências nesse sentido deveriam ser adotadas). Em atendimento, a Agência da Receita Federal em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, limitouse a informar que; a) o contribuinte foi intimado do Acórdão da Impugnação em 02/10/2012 e o AR foi devolvido conforme Páginas 3224 a 3271; e b) antes da emissão do Edital, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 20/12/2012, conforme Páginas 3.230 a 3.269, sendo esta a data utilizada para Ciência e tempestividade. A princípio, revelamse absolutamente equivocadas as informações prestadas pela Agência da Receita Federal. Ademais, indagações veiculadas pela Resolução antes mencionada sequer foram tangenciadas. Com efeito, temos que: 1. de fato, por meio da intimação nº 035/2012 (fls. 3.224), buscouse cientificar a pessoa jurídica fiscalizada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA) acerca do resultado do julgamento em primeira instância, porém, o Aviso de Recebimento correspondente, juntado ao processo às fls. 3.271, indica que tal providência não logrou êxito, vez que consta assinalada no citado documento a expressão MUDOUSE; e Fl. 3312DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10480.722787/201042 Resolução nº 1301000.246 S1C3T1 Fl. 3.313 10 2. o Recurso Voluntário de fls. 3.230/3.269 não guarda relação com a intimação de fls. 3.224, cabendo registrar que, nele, resta consignado pelo Sr. ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO: ...o Recorrente não foi ainda regularmente intimado do Acórdão nº 1138.146 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife. Teve conhecimento do seu teor apenas no dia 21/11/2012, quando do comparecimento ao Serviço de Atendimento ao Contribuinte – CAC – onde obteve cópia do processo. Cabe esclarecer que, sob pena de nulidade de eventual pronunciamento por parte desta segunda instância julgadora, é essencial que a unidade administrativa responsável pelos procedimentos de ciência às pessoas incluídas no pólo da obrigação tributária formalizada por meio dos presentes autos (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA.; ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO; e JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA) preste, efetivamente, as informações e, se for o caso, adote as providências requisitadas por meio da já citada Resolução nº 1301000.192. Assim, conduzo meu voto no sentido de, mais uma vez, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade administrativa de origem adote as providências anteriormente requeridas, quais sejam: i) esclareça se, em razão da ausência de ciência da contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME) pela via postal, foram adotadas as providências previstas no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (intimação por edital); ii) caso a contribuinte autuada tenha sido intimada por edital, anexar a cópia do documento correspondente, no qual deverá constar as datas de afixação e desafixação (caso a contribuinte não tenha sido intimada, providências nesse sentido deverão ser adotadas); iii) anexar o aviso de recebimento relativo à ciência, por parte do responsável tributário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, da decisão exarada em primeira instância; iv) anexar a intimação e o comprovante de ciência por parte do responsável tributário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, relativos à decisão exarada em primeira instância (caso o citado responsável tributário não tenha sido intimado, providências nesse sentido deverão ser adotadas). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 3313DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10510.721979/2011-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 76 1 75 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721979/201118 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.144 – 2ª Turma Especial Data 15 de maio de 2013 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente ANETE CARVALHO COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls.05 e ss.), relativo ao anocalendário de 2007, exercício de 2008, em razão das seguintes supostas infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 21 97 9/ 20 11 -1 8 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10510.721979/201118 Resolução nº 2802000.144 S2TE02 Fl. 77 2 Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação a fls. 02, ao fundamento de que o rendimento recebido merece tratamento de rendimentos recebidos acumuladamente de acordo com a legislação vigente. Em julgamento a 3a Turma da DRJ/SDR, em sessão de 07/03/2012 julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que os documentos apresentados pelo contribuinte apenas confirmam a omissão de rendimentos apurada; Intimado (fls.4445), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls.59 e ss., aos fundamentos de que recebeu verbas oriundas de causa judicial contra a União; que parte das verbas recebidas tinham cunho salarial e parte, caráter indenizatório, esta não tributável a título de IRPF. Em sede preliminar, os autos versam sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. Carlos André Ribas de Mello Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000526/2004-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
RECURSO DE OFÍCIO - NÃO CONHECIMENTO - VALOR DE ALÇADA - PORTARIA MF Nº 3/2008.
Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixa-se de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso.
Numero da decisão: 2202-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perda de objeto. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela intempestividade.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RECURSO DE OFÍCIO - NÃO CONHECIMENTO - VALOR DE ALÇADA - PORTARIA MF Nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixa-se de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perda de objeto. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela intempestividade. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIMENTO VALOR DE ALÇADA PORTARIA MF Nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixase de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perda de objeto. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela intempestividade. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 05 26 /2 00 4- 83 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1118.340, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) – DRJ/REC. 1. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 324 a 328, relativamente aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 551.506,29, acrescido de juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 457.154,52, e Multa de oficio no valor de R$ 620.444,56, totalizando a exigência do crédito tributário de R$ 1.629.105,37. 2. Conforme informado pela fiscalização na Descrição dos Fatos, as fls. 325 e 326, o Auto de Infração foi decorrente: • Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. 3. Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 338 a 349, em 30/12/2004, com as seguintes argumentações, em síntese: 3.1. requer que desde logo seja atribuído efeito suspensivo ao Auto de Infração impugnado; 3.2. que a impugnação é tempestiva uma vez que tomou ciência do Auto de Infração em 02/12/2004 pela via postal, sendo o prazo final o dia 02/01/2005; 3.3. que houve cerceamento ao direito de defesa e abuso pelo Fisco federal quando da autuação infracional sem a oitiva do contribuinte, havendo desrespeito ao principio constitucional da igualdade e ferimento ao devido processo legal; 3.4. que se surpreendeu com o Termo de Inicio de Fiscalização que foi remetido para um endereço em Natal/RN, que "por puro acaso do destino, chegou ao conhecimento do contribuinte"; 3.5. que quando do recebimento do Termo de Inicio de Fiscalização foi apresentado tempestivamente requerimento para prorrogação do prazo para apresentação dos documentos, mas que em nenhum momento houve resposta do Fisco Federal; 3.6. que foi lavrado o auto de infração em valor estratosférico sem ter sido disponibilizado ao contribuinte apresentar a documentação pertinente bem como as razões que levaram a passar pela conta corrente do contribuinte algum valor monetário, que alguns sequer eram do seu conhecimento; 3.7. que o auto de infração é nulo ou em última anulável porque "o funcionário do fisco não atentou para a forma da confecção do auto de infração, ou seja, não distinguiu na constituição do suposto crédito tributário o pagamento de penalidade e tributo, destoando da responsabilidade tributária do contribuinte" e porque "houve cerceamento de defesa, quando não mais foi colocado à disposição do contribuinte Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000526/200483 Acórdão n.º 2202002.988 S2C2T2 Fl. 467 3 novo prazo para apresentar a documentação pertinente a matéria vestibular, bem como, o modo e as razões que os fatos ocorreram"; 3.8. requer a juntada das declarações de Imposto de Renda da época da fiscalização tributária; 3.9. que houve ilegitimidade passiva do contribuinte porque os valores não fazem parte do seu patrimônio e não lhe geraram lucros, não estando sujeitos A tributação; 3.10. que na época era sócio minoritário com somente 5% da empresa denominada Construtora Pinheiro, CNPJ 40.998.486/000113 e tal Construtora prestava serviço para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte — CAERN, tendo recebido vários pagamentos pelos serviços prestados; 3.11. que por se tratar de pessoa jurídica que tinha a grande maioria de suas obras realizadas no interior do Estado, os pagamentos a funcionários e fornecedores que sempre pertenciam A região eram efetivados em dinheiro/espécie, considerando sempre se tratar de locais pobres e distantes e os trabalhadores não tinham conta bancária; 3.12. que o dinheiro destinado A Construtora Pinheiro era repassado para a conta do contribuinte e repassado imediatamente para os trabalhadores, fornecedores, além de custear dos demais gastos operacionais da empresa, não ficando absolutamente nada na conta corrente do contribuinte; 3.13. justifica ainda a ilegitimidade passiva i luz do artigo 121, parágrafo único, inciso II, do CTN, para atribuir i Construtora Pinheiro o dever de satisfazer o crédito tributário, alegando a intima e pessoal relação desta com o fato gerador da obrigação; 3.14. que detendo somente 5% das cotas da empresa não respondia solidariamente para efeitos fiscais; 3.15. que obteve qualquer lucro pela passagem do dinheiro em sua conta, não adquirindo, A luz dos arts. 43 e 45 do CTN, disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos; 3.16. que cabia A fonte pagadora da renda (CAERN) a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Se não retido não se pode transferir a responsabilidade para o contribuinte; 3.17. que com base no art. 173 do CTN houve a decadência para os anoscalendário de 1998 e 1999; 3.18. que a Administração Pública deve proporcionar condições para que o contribuinte tenha conhecimento e acesso ao que se está sendo apurado, razão pela qual deve exigir nesta fase a comprovação mínima das condições que lhe assegurem não se estar indo de encontro à legislação da espécie; 3.19. que ocorreram erros e vícios gravíssimos sobre a natureza do ato administrativo que originou esse recurso administrativo, suscetível de questionamento até mesmo em sede Jurídica; 3.20. que os atos administrativos que não estão de acordo com a Lei devem ser considerados nulos; Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 3.21. que as decisões e atos administrativos para se revestirem de legalidade devem preservar os direitos fundamentais assegurados na Constituição Federal e observar os princípios do devido processo legal, da razoabilidade e racionalidade da atuação administrativa; 3.22. que a Administração Pública goza de discricionariedade, "não podendo tal principio servir para agasalhar o arbítrio e a ilegalidade, como no caso sob apreciação", e que "a coletividade necessita que as normas ditadas pelo Poder Público sejam cumpridas e não desrespeitadas"; 3.23. que "o Estado não deve, não pode e não se curvará diante de interesses espúrios deste ou daquele agente público, que de forma irregular atropela vergonhosamente as Leis, Normas e Regulamentos. Tais agentes públicos são passageiros na administração dos negócios do Estado, entretanto, imputáveis de responsabilidade diante dos desmandos praticados"; 3.24. requer a nulidade e, caso haja entendimento diferente, "que seja aberto novo prazo para que o contribuinte possa apresentar, ainda em sede de inicio de fiscalização, fase esta que foi atropelada, toda a documentação necessária"; 3.25. protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito permitidos, seja no âmbito administrativo ou fora dele, testemunhal, documental, pericial e demais outros necessários ao livre convencimento do julgador. A DRJ/REC, por unanimidade de votos, rejeitou em parte as preliminares argüidas, tendo reconhecido a ocorrência de decadência para o anocalendário de 1998, excluindose o imposto e acréscimos legais relativos àquele ano, e, no mérito, manteve o valor do imposto referente aos anoscalendário de 1999 e 2000, conforme ementa abaixo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA. Rejeitase as alegações de cerceamento do direito de defesa, quando o sujeito passivo apresenta sua impugnação tempestiva, demonstrado ter o devido conhecimento de tudo o que consta no processo administrativo Fiscal. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura do auto de infração, não há que se falar em violação ao Principio do Contraditório e da Ampla Defesa, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000526/200483 Acórdão n.º 2202002.988 S2C2T2 Fl. 468 5 base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, quando devidamente intimado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. No caso do Imposto de Renda, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário extinguese após cinco anos contados do fato gerador. IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, devendo o prazo decadencial, na hipótese de entrega tempestiva da declaração e pagamento do imposto, ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, que é complexivo e ocorre em 31 de dezembro. Lançamento Procedente em Parte O Presidente da 1ª Turma da DRJ/REC interpôs recurso de ofício, de acordo com o voto condutor, do qual extraise o excerto abaixo. Ressaltese que o imposto exonerado por decadência relativo ao anocalendário de 1998, foi no valor total de R$ 240.616,83, e a multa correspondente de 112,5% alcançou o montante de R$ 270.693,93, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física de fl. 329 e Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fl. 332, totalizando a exoneração de R$ 511.310,76, o que enseja o recurso de oficio previsto no artigo 34, I, do Decreto 70.235/1972 e art. 2° da Portaria MF n° 375 de 2001, para os casos de exoneração de imposto e multa com total superior a R$ 500.000,00. (grifo nosso). O contribuinte foi cientificado da decisão em 29 de junho de 2007, por edital (fl. 409), tendo em vista que a tentativa de ciência por via postal foi improfícua, tendo os Correios devolvido a correspondência enviada, por recusa no recebimento (fl. 406). Os autos do processo foram então encaminhados ao Primeiro Conselho de Contribuintes, para julgamento do recurso de ofício. Em 31 de agosto de 2011, o contribuinte apresentou “Aditamento ao Recurso Voluntário” contra parte do acórdão da DRJ/REC (fls. 422 a 444), com base no artigo 3º, III, da Lei nº 9.784/99 e artigo 16, § 6º do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, no qual alega, em síntese: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 não foi intimado a apresentar os extratos bancários, pois a Receita Federal não verificou a mudança de seu domicílio; a requisição das informações de movimentação financeira feita diretamente à rede bancária, sem base em autorização judicial, contraria a Carta Magna; o procedimento adotado configurou cerceamento de defesa, pois a descrição dos fatos não foi transparente e minudente; a Fiscalização não procedeu às exclusões previstas no artigo 42 da Lei nº 9.430/96; os depósitos bancários, por si só, não implicam em fato gerador da obrigação tributária; A Lei Complementar 105/2001, que fundamentou o procedimento de fiscalização, é inconstitucional no que toca à quebra do sigilo bancário, conforme já decidido em definitivo pelo STF. Cita decisões do STF; existem diversas decisões do CARF no sentido de não aceitar comprovantes bancários obtidos sem autorização judicial. Cita julgados do CARF. Ao final, requer a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Inicialmente, cabe analisar a petição do contribuinte, entregue após o prazo do recurso voluntário. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 29 de junho de 2007 e a entrega da petição somente ocorreu em 31 de agosto de 2011. Ele fundamenta seu pedido no artigo 3º, III, da Lei nº 9.784/99 e artigo 16, § 6º do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Lei nº 9.784/99 Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: [...] III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000526/200483 Acórdão n.º 2202002.988 S2C2T2 Fl. 469 7 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Contudo, a Lei nº 9.784/99 só se aplica ao processo administrativo fiscal de forma subsidiária, em face do disposto no seu artigo 69: “ Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto 70.235/72, que disciplina os prazos dos recursos, conforme abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. O § 6º do artigo 16 do PAF, alegado pelo contribuinte, deve ser interpretado em conjunto com os parágrafos anteriores do mesmo artigo. O § 5º dispõe que a juntada de documentos após a impugnação deverá demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior, quase sejam: a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; referência a fato ou a direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, não está presente nenhuma das condições previstas no referido decreto para que sejam aceitas as alegações trazidas pelo contribuinte em sua petição, entregue após o prazo legal para interposição de recurso. Ressaltese que, embora o contribuinte chame a petição de “Aditamento ao Recurso Voluntário”, não consta dos autos nenhum outro recurso apresentado por ele. Talvez, ele quisesse se referir ao recurso de ofício. Assim, o pedido do contribuinte foi apresentado intempestivamente e não deve ser conhecido. Quanto ao recurso de ofício, verificase que o crédito exonerado pela decisão de primeira instância foi no montante de R$ 511.310,76. O Presidente da 1ª Turma da DRJ/REC interpôs recurso de ofício, tendo em vista o disposto no artigo 34, I, do Decreto 70.235/1972 e no art. 2° da Portaria MF n° 375 de 2001, vigente à época da decisão. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Decreto nº 70.235/72 Art. 34. A autoridade administrativa de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Portaria MF nº 375/2001 Art. 2º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento parcial e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). A Portaria MF nº 375/2001 foi revogada pela portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, que alterou o limite de alçada para fins de recurso de ofício, nos seguintes termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Como se trata de norma processual, essa nova disposição legal deverá ser aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, conforme jurisprudência deste CARF. Seguem algumas ementas de julgados nesse sentido. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.652, CSRF, Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000526/200483 Acórdão n.º 2202002.988 S2C2T2 Fl. 470 9 Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado. (Acórdão nº 2202002.542, Rel. Pedro Anan) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIMENTO VALOR DE ALÇADA – PORTARIA MF Nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixase de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato com efeito retroativo. Recurso de Ofício não conhecido. (Acórdão nº 2202002.528, Rel. Rafael Pandolfo) Em virtude de o valor total do crédito exonerado ser inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o recurso de ofício não deve ser conhecido, de acordo com o disposto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto, e não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 474DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900732/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO.ERRO FORMAL.DESTAQUE EQUIVOCADO DO IMPOSTO EM NOTA DE DEVOLUÇÃO.
Ainda que o contribuinte não tenha adotado o procedimento correto, como lançou indevidamente o imposto, tinha o direito material de cancelá-lo, o que o fez apropriando-se de créditos em valor idêntico ao débito indevidamente destacado em nota fiscal de devolução.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO.ERRO FORMAL.DESTAQUE EQUIVOCADO DO IMPOSTO EM NOTA DE DEVOLUÇÃO. Ainda que o contribuinte não tenha adotado o procedimento correto, como lançou indevidamente o imposto, tinha o direito material de cancelálo, o que o fez apropriandose de créditos em valor idêntico ao débito indevidamente destacado em nota fiscal de devolução. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 07 32 /2 01 0- 43 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, por entender que não geram direito ao crédito de IPI os produtos destinados ao ativo imobilizado. O contribuinte transmitiu PER/DCOMP nº 06831.87445.131006.1.3.01022 tendo por objeto o ressarcimento de saldo credor de IPI, apurado no final do 3º trimestre de 2006. Foi proferido Despacho Decisório Eletrônico (DDE), fl. 4 do processo digital, reconheceu parcialmente o direito creditório declarado no PER/DCOMP. Do crédito declarado no montante de R$ 32.844,09, foi reconhecido o total de R$ 28.881,55. O valor não reconhecido teve por fundamento a “ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos” e a “constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado”. Pelas Informações Complementares da Análise do Crédito, disponíveis na página da Receita Federal do Brasil na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), verificase, na Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos – Créditos por Entradas no Período, que a glosa dos créditos deuse pelo motivo 1 – Crédito de IPI não admitido para o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) registrado. Nessa relação consta que foram glosados os créditos de IPI destacados nas notas fiscais nºs. 3660 e 3726, ambas emitidas pelo contribuinte cadastrado no CNPJ sob nº 07.500.596/000138, com IPI destacado nos valores de R$ 2.510,90 e R$ 1.451,64, respectivamente. Nessa mesma relação, está registrado o CFOP 2.551 para as duas operações – Compra de bem para o ativo imobilizado. Inconformada, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em estreita síntese, que: (i) em 04.09.06 creditouse do valor do IPI destacados nas Notas Fiscais de n°s 3660 e 3726 da AIDC Tecnologia Ltda., sendo uma no valor de R$ 2.510,90 e outra de R$ 1.451,64 respectivamente. (ii) constatado um desacordo comercial nesta operação, providenciouse a devolução das mercadorias, conforme NF 346929, 346930 e 346931 em 25.09.06, efetuandose, nestas o destaque dos mesmos valores de IPI; (iii) assim sendo, créditos e débitos de IPI automaticamente anulamse; e (iv) o crédito de IPI oriundo da operação CFOP 2.551 somente foi tomado em virtude que houve débito de igual valor gerado na devolução – CFOP 6.553. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos seguintes termos: CRÉDITOS INDEVIDOS. COMPRAS PARA O ATIVO IMOBILIZADO O IPI destacado em notas fiscais de aquisição de produtos destinados ao ativo imobilizado, CFOP 2.551, não dá direito à sua escrituração. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho alegando reafirmando as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.900732/201043 Acórdão n.º 3102002.365 S3C1T2 Fl. 11 3 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, diversamente do que sugere a decisão recorrida, o contribuinte não se insurge contra a parte do despacho decisório que não reconheceu integralmente seu direito creditório, sob o argumento de que as aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado dariam direito ao crédito de IPI. Pelo contrário, desde o primeiro momento, a ora Recorrente sustenta que tomou o crédito em questão para anular débitos destacados em notas fiscais de devolução de bens (NF 346929, 346930 e 346931) adquiridos para o ativo imobilizado, em face de desacordo comercial nestas operações. Assim, não tendo a autoridade julgadora analisado o único argumento de defesa apresentado na manifestação de inconformidade, limitandose a manter a glosa sob o argumento de que as aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não dão direito ao crédito de IPI, resta evidente à nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa. Todavia, em face do que prescreve o art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, passo à análise do mérito, voltando à presente preliminar apenas se este colegiado decidir contrariamente à Recorrente. Pois bem. Como é possível perceber, a ora Recorrente não pretende propriamente tomar créditos de IPI sobre a aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado. Pelo contrário, deixa evidente que apenas tomou créditos para neutralizar os débitos lançados em notas fiscais de devolução de mercadorias, em face de distrato comercial. Nas suas palavras, o IPI oriundo da operação CFOP 2.551 somente foi tomado em virtude que houve débito de igual valor gerado na devolução – CFOP 6.553. Com efeito, as operações de devolução de produtos industrializados não estão sujeita à exigência do presente imposto. Justamente por conta disso, os estabelecimentos comerciais que realizarem a devolução de produtos/bens para estabelecimentos industriais sujeitos ao IPI não devem destacar o imposto nos campos próprios, mas apenas informar o valor do IPI referente a devolução no campo “informações complementares” da nota fiscal que acobertar a devolução. É o que determina expressamente o art. 342, XIV, do Decreto nº 4.554/02 (vigente à época dos fatos, mantido pelo RIPI/2010, art. 416, XIV): Art. 342 Na utilização do modelo de nota fiscal, observarseão as seguintes normas: (...) XIV na nota fiscal emitida relativamente à saída de produtos em retorno ou em devolução, o número, a data da emissão e o valor da operação e do imposto da Nota original deverão ser indicados no campo "Informações Complementares"; Desta forma, ainda que a ora Recorrente não tenha adotado o procedimento correto, como lançou indevidamente o imposto, tinha o direito material de cancelálo, o que o fez apropriandose de créditos em valor idêntico ao débito indevidamente destacado em nota fiscal de devolução. Por conta disso, entendo que referidos créditos devem ser considerado na Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 apuração do saldo credor do tributo, haja vista que os débitos a que visaram cancelar não tinham fundamento legal para serem exigidos/lançados. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer os créditos glosados relativos às notas fiscais de devolução de bens (NF 346929, 346930 e 346931) adquiridos para o ativo imobilizado, em face de desacordo comercial nestas operações. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001451/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESVIRTUAMENTO DO ESCOPO DE ESTIMULAR A PRODUTIVIDADE.
As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos.
O critério de tempo de serviço, assim como a simples obtenção de lucro, sem estabelecimento de metas, não se coaduna com a finalidade do programa, pois não tem qualquer relação com a participação do trabalhador nos resultados da empresa.
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2302-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, conforme Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011, e para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Igor Nascimento de Souza OAB/DF 173.167.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESVIRTUAMENTO DO ESCOPO DE ESTIMULAR A PRODUTIVIDADE. As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. O critério de tempo de serviço, assim como a simples obtenção de lucro, sem estabelecimento de metas, não se coaduna com a finalidade do programa, pois não tem qualquer relação com a participação do trabalhador nos resultados da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 51 /2 00 9- 68 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 3 2 VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, conforme Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011, e para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Igor Nascimento de Souza OAB/DF 173.167. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 4 3 Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.265.6710, lavrado em 29/12/2009, em face de Itaú Vida e Previdência (atual denominação de Unibanco Vida e Previdência S.A.), no valor de R$ 112.980,30 (cento e doze mil novecentos e oitenta reais e trinta centavos), referente à multa por ter o contribuinte apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias (CFL 68), infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS. Segundo o Relatório Fiscal houve omissão acerca de valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e Vale Transporte, no período de 01/2004 a 12/2006. Ainda, a penalidade aplicada foi a prevista no art. 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, c/c arts. 284, II, e 373 do RPS. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 15 e seguintes), tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) mantido o lançamento, através de Acórdão de fls. 126 e seguintes, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃOCORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 5 4 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do a rtigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. O valetransporte concedido em desacordo com a legislação própria Lei n.° 7.418/85 e Decreto n.° 95.247/87 integra o saláriodecontribuição. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1° do a rt . 161. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 6 5 a) O Art. 7°, XI, da Constituição Federal contempla uma imunidade constitucional, desvincula a PLR da remuneração do empregado, e sendo assim não se deve exigir contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados; b) O julgamento do presente Recurso Voluntário deve ser sobrestado, em obediência ao art. 62A, §1º, do Regimento Interno do CARF, uma vez que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede do Recurso Extraordinário nº 569.441/RS, a Repercussão Geral acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR, em razão da imunidade prevista no dispositivo constitucional acima referido. c) Ocorreu a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2004 e 11/2004, posto que, ao caso, deve ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN; d) O pagamento da PLR se deu em conformidade com as exigências da Lei 10.101/00; e) Não incidem contribuições previdenciárias sobre pagamentos à título de vale – transporte, na medida em que tais valores não integram o conceito de remuneração do empregado, mas apenas visam a indenizar o empregado em virtude do custo, por ele despendido, com transporte; f) A aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora é ilegal, posto o seu caráter remuneratório, ou seja, apresenta natureza jurídica diferente da mora. Ademais, tal taxa foi criada por resolução e não por lei, e sendo assim deve ser aplicada a taxa de 1% a.m., conforme o art. 161, parágrafo 1° do CTN. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da decadência Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 7 6 No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 8 7 ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 9 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 10 9 No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . Tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicasse o art. 173, I, do CTN. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 29/12/2009 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre 01/2004 a 12/2006, tenho como certo que nenhuma competência foi atingida pelo prazo decadencial. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas O Auto de Infração em exame se refere à multa por ter o contribuinte apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que se limita a afirmar que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 11 10 “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, que dispõe: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 12 11 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal, verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; Mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; Previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 13 12 Sobre o tema, o 2º Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão 20501.331, fundamentandose no voto da ilustre Conselheira Liege Lacroix: Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não já regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Afora os parâmetros estabelecidos pela lei,não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas de participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com o três artigos da Lei nº 10.101/2000 acima transcritos. Além das regras claras e objetivas do acordo, o legislador impediu a substituição da remuneração pela distribuição do lucro e o seu pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. A preocupação é justificável. Buscando preservar o intuito do legislador sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça também proferiu acórdão sobre a matéria, preservando ao máximo a subsistência do PLR e a sua produção de efeitos. Cumpre transcrevêlo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 14 13 incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 15 14 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede do Recurso Extraordinário nº 569.441/RS, a Repercussão Geral acerca aplicabilidade do art. 7º, XI, da CF/88, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DA EMPRESA. ART. 7º, INCISO XI, CF. MEDIDA PROVISÓRIA 794/94. REPERCUSSÃO GERAL. . A controvérsia envolvendo debate acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre a parcela denominada participação nos lucros concernente a período posterior à Constituição Federal de 1988 e anterior à Medida Provisória nº 794/94, à luz do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, possui densidade constitucional suficiente para ensejar o exame da matéria pelo Pleno da Corte. 2. Repercussão geral reconhecida. Contudo, é irrelevante se a norma constitucional possui eficácia plena, limitada ou contida, quando o pagamento da PLR é feito de forma a desvirtuar o próprio escopo da imunidade, qual seja, o estímulo à produtividade. Da análise dos autos, observase dois aspectos relevantes que, de pronto, levam à conclusão de que a PLR em questão estava sendo utilizada como um disfarce para a remuneração dos empregados. Primeiramente, temse o fato da primeira parcela ser paga obrigatoriamente, independentemente de resultado, ou seja, totalmente desvinculada do alcance de metas ou da auferição de lucro. Ademais, o valor foi pago igualmente a todos os empregados, respeitando se apenas a proporcionalidade ao tempo de serviço. A segunda parcela, por sua vez, depende da obtenção de lucro, entretanto, não há definição do parâmetro do lucro obtido a fim de ensejar o pagamento da PLR. Dessa forma, tornase praticamente certo o recebimento da PLR por parte dos empregados, sem que seja necessário qualquer esforço por parte deles, principalmente em razão da natureza da atividade exercida pela Recorrente. Observese ainda, que as metas financeiras do presente Programa seriam “metas em tese”, posto que não quantificadas nem parametrizadas com qualquer valor, bastanto existir o lucro para exsurgir o seu pagamento. As metas financeiras nos dizeres do próprio Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 16 15 auditor fiscal do presente lançamento são as metas “mais obejtivas” por natureza, desde que parametrizadas, já que o lucro sem quantificação é o objetivo de qualquer empresa privada. E mais, em relação as datas de assinatura dos programas de participação, embora a Legislação não defina claramente o que seria “previamente” acertado, tenho para mim que o requisito terá sido atendido quando o programa tiver sido assinado antes do fim do primeiro semestre (30/06) do período de apuração das metas e resultados, em se tratando do primeiro Programa de Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados da Empresa, e até o dia 31/12 em suas renovações (também levando em consideração o período de apuração), desde que mantidas em seu conteúdo as metas e condições a serem alcançadas. Adoto esse posicionamento face a dificuldade de se entabular acordos com os Sindicatos que muitas vezes protelam e dificultam a assinatura dos mencionados programas e porque asseguram ao trabalhador o conhecimento das regras com um razoável lapso temporal que assegure o seu comprometimento para atingimento dos resultados, bem como busco me adequar ao espírito do legislador que não teve a intenção de restringir, ao contrário, teve sim de incentivar a celebração desses programas como mais um benefício a ser concedido ao trabalhador brasileiro. Ressalto, que tenho conhecimento de decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF que utilizam como parâmetro a possibilidade de assinatura do programa até 31/12 do ano relativo ao período de apuração dos Lucros ou Resultados, como também tenho conhecimento de recente acórdão de lavra do Insigne Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, a unanimidade referendado por sua Turma, que aceita as atas de reunião com as comissões/sindicatos iniciais como suficiente para se aferir o cumprimento do requisito da “previedade” do acordo de participação. Em relação ao entendimento esposado na decisão da 2 Turma, da 4 Câmara, da Segunda Seção, acima indicado, ressalto que caso fique assente a realização das negociações ainda no primeiro semestre do ano relativo ao período de apuração, aqui abro um parênteses para registrar que para mim não basta abrir negociação mas sim ter prova de vários acontecimentos que corroborem com a existência de uma intensa negociação, faltando apenas a assinatura do acordo, a data limite mencionada acima poderá ser excepcionalmente deslocada. No presente lançamento, os acordos foram sempre assinados no fim do ano do período de apuração ou no início do ano do pagamento da participação, o que também, no meu entendimento, conforme razões acima, inviabiliza o programa por essa razão em alguns anos. Resta evidente, portanto, que a PLR sobre que incidiram as contribuições previdenciárias lançadas não obedece à sua finalidade, que é o estímulo à produtividade dos empregados. Pelo exposto, neste aspecto, não merece reforma a decisão recorrida. Do grupo econômico O Relatório Fiscal afirma, ainda, que o PLR previu metas tendo em vista resultados globais do grupo econômico, inclusive de empresas localizadas no exterior, o que dificultaria, segundo afirma, o conhecimento pelos empregados do alcance das metas. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 17 16 Ocorre que a legislação não faz qualquer exigência neste ponto. A utilização de metas que considerem o grupo econômico tem total consonância com a finalidade do PLR, que é a de integrar o empregado à empresa como um todo. Toda empresa tem no seu recurso humano o mais precioso insumo. É justamente o somatório dos esforços que faz a empresa se desenvolver, tanto analisada uma empresa isoladamente, quanto um grupo econômico, inclusive porque os resultados de uma das empresas do grupo reflete no das demais. O fato de alguma empresa do grupo econômico ser localizada no exterior não impede que o empregado acompanhe o atingimento das metas, se houver divulgação desses resultados. Em particular, o ramo de atividade da Recorrente e o nível de fiscalização a que se submete pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários, dentre outros órgãos competentes, faz com que os resultados se tornem ainda mais transparentes. Vejase que não se discute nos autos o desconhecimento dos empregados sobre as regras previstas. Se a comissão de negociação tomou como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. As empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, as vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. Da Remuneração em Forma de Vale Transporte Aqui, o cerne da questão consiste na legalidade ou não dos valores pagos a titulo de “vale transporte” integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese, desde já, que restou comprovado pela fiscalização que as parcelas que receberam o nome de “vale transporte” eram pagas em dinheiro. No meu sentir, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois, destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 18 17 (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterize ou alterar a natureza jurídica do vale transporte. Até porque, o fato de o empregador descontar parcela inferior ao exigido pelo Decreto regulamentador do benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. De mais a mais, o fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, até mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, ratifica o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do valetransporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: “ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALETRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO – VALIDADE. ‘Acordo coletivo – Validade – Antecipação do valetransporte em janeiro. Ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador.” (Ac da SDC do TST – Ação Anulatória 366.360/97. 4 – Rel. Min. Fernando Eizo Ono – j. 1º.06.98 – Autor: Ministério Público do Trabalho; Réus: Federação Nacional dos Bancos e outros – DJU 1 07.08.98, pp 314/6 – ementa oficial)” (in “Repertório IOB de Jurisprudência, Caderno 2, pág. 381) (negritamos e sublinhamos) Deixo registrado, também, que o pagamento ora questionado não gera nenhum prejuízo ao trabalhador e a empresa não agiu com o intuito de sonegar tributos. Também não há ganho salarial para o trabalhador, pois a verba é paga especificamente para que o trabalhador faça o percurso para o seu trabalho, ou seja tem caráter estritamente indenizatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 19 18 Cabe registrar por fim que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária. Nesse julgamento, ficou assente que o vale transporte mesmo quando pago em pecúnia, não perde o seu caráter indenizatório, sendo portanto, incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 20 19 equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 21 20 descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 22 21 Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar a incidência da multa sobre os valores pagos a título de vale transporte, bem como para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2013. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 13881.000233/2002-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
PERÍODO DE APURAÇÃO: 09/09/1997 a 06/05/2002
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO SOFRERAM COBRANÇA DO IPI. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO.
Em obediência ao princípio da não-cumulatividade aplicável ao IPI, somente dão direito ao crédito do imposto para compensar com o que for devido em cada operação o montante do imposto cobrado nas anteriores.
CRÉDITO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. SÚMULA STJ Nº 411.
Somente é devida a correção monetária ao crédito de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, não reconhecer a nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges e Paulo Sérgio Celani (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor nesta matéria o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. II - Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 09/09/1997 a 06/05/2002 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO SOFRERAM COBRANÇA DO IPI. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. Em obediência ao princípio da não-cumulatividade aplicável ao IPI, somente dão direito ao crédito do imposto para compensar com o que for devido em cada operação o montante do imposto cobrado nas anteriores. CRÉDITO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. SÚMULA STJ Nº 411. Somente é devida a correção monetária ao crédito de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, não reconhecer a nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges e Paulo Sérgio Celani (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor nesta matéria o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. II - Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO SOFRERAM COBRANÇA DO IPI. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. Em obediência ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao IPI, somente dão direito ao crédito do imposto para compensar com o que for devido em cada operação o montante do imposto cobrado nas anteriores. CRÉDITO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. SÚMULA STJ Nº 411. Somente é devida a correção monetária ao crédito de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por maioria de votos, não reconhecer a nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges e Paulo Sérgio Celani (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor nesta matéria o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. II Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 33 /2 00 2- 56 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 3 2 Flávio de Castro Pontes – Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Trata o presente de manifestações de inconformidade, todas de mesmo teor, O contribuinte em epígrafe pediu a restituição do IPI, corrigido monetariamente, que teria recolhido à maior por não ter se creditado de entradas de insumos não oneradas pelo imposto. O pleito foi negado, em regular Despacho Decisório, por falta de base legal. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que seu direito estaria amparado constitucionalmente, inclusive no que tange à atualização monetária, conforme julgados que cita. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 09/09/1997 a 06/05/2002 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A manifestação de inconformidade é intempestiva. À folha 1.078 do eprocesso encontrase Termo de Anexação de Documentos lavrado pela DRF/Cruzeiro, no qual se evidencia a intempestividade da manifestação de incoformidade, conforme segue: A ciência ao contribuinte do despacho decisório se deu em 20/11/207 (terça feira, dia útil), fl. 1.071 do eprocesso, por intermédio da Comunicação nº 203/2007. A contagem do prazo de 30 (trinta) dias se iniciou em 21/11/2007, quarta feira, dia útil, vencendose em 20/12/2007, quintafeira, dia útil. A manifestação de inconformidade foi protocolada em 21/12/2007, fl. 1.072 do eprocesso, logo, um dia após o vencimento do prazo. A intempestividade foi observada pelas autoridades administrativas da DRF/Cruzeiro e da DRF/Taubaté, fls. 1.278/1.279 do eprocesso. No despacho de fl. 1.279 do eprocesso, verificase que a autoridade administrativa somente encaminhou o processo para julgamento na DRJ/RPO, porque entendeu que a contribuinte havia suscitado preliminarmente a tempestividade da manifestação de inconformidade. Nesta, apesar de haver a expressão “oportuno tempore”, nada se alega em defesa da tempestividade da peça. A DRJ/RPO, por sua vez, apesar de no voto condutor conter a afirmação de que a manifestação é tempestiva, não enfrentou a questão da tempestividade. As informações constantes do Termo de Anexação de Documentos, fl. 1.078 do eprocesso, não foram consideradas na decisão recorrida. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, aplicável às manifestações de inconformidade contra decisões da RFB que indefiram pedidos de restituição, dispõe: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 6 5 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, dispõe: “Art. 48. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. § 1º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 2º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1º obedecerão ao rito processual do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972. (...)” No presente caso, em que a manifestação de inconformidade foi apresentada após o término do prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, logo, perempta, não foi instaurada a fase litigiosa do processo. A DRJ/RPO, ao enfrentar o mérito sem ter abordado a questão preliminar da tempestividade da manifestação de inconformidade, proferiu decisão que deve ser anulada, pois o julgamento de mérito é incompatível com a questão preliminar que deveria ter levado ao nãoconhecimento da peça impugnatória. Por estas razões, voto por declarar perempta a manifestação de inconformidade, anulando o processo a partir da decisão recorrida, mantendo o despacho decisório que indeferiu o pleito da contribuinte. MÉRITO Aquisições não submetidas à cobrança do IPI não dão direito a crédito deste imposto. Sobre o Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI e sua não cumulatividade, vejase como dispõe o ordenamento jurídico brasileiro, com grifos meus: Constituição Federal de 1988: “Art. 153 – Compete à União, instituir impostos sobre: (...) IV – produtos industrializados; (...) §3.º O imposto previsto no inciso IV: Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 7 6 (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (...)” Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário NacionalCTN): “Art. 49 O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte,transferese para o período ou períodos seguintes.” Lei nº 4.502, de 30/11/1964: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) Depreendese das normas acima, conforme também assentado no acórdão recorrido, que se compensa o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. Não tendo sido cobrado o imposto nas aquisições de insumos, seja por não incidência, isenção ou alíquota zero, não há direito a crédito destas operações. Assim também se pronunciou o STF, ao apreciar, por exemplo, os REs 353.657 e 370.682, em que entendeu que a utilização de créditos de IPI alusivos à alíquota zero e à nãotributaçao afronta o art. 153, §3º, inc. II, da Constituição Federal de 1988, e o RE 566.819/RS, em que assentou que a aquisição de insumos isentos constitui hipótese que não gera créditos de IPI a serem compensados. Vejase a ementa do RE 566.819/RS, relatado pelo Ministro Marco Aurélio de Melo.: “IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 8 7 Perfilando igual entendimento, o CARF editou a Súmula nº 18, que possui o seguinte enunciado: “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Apesar de súmula tratar apenas de aquisições à alíquota zero, o entendimento em que se baseou é o de que se não houve cobrança de tributo na operação de entrada não há falarse em direito a crédito ou nãocumulatividade. Vejase parte da ementa do Acórdão 20215.515, que serviu de paradigma para a súmula acima. “(...) IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALiQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS (NT). O Principio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à aliquota zero, não há valor algum a ser creditado. (...)” E, abaixo, trechos do voto condutor deste paradigma, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido, nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial, o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o tributo referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. (...) A premissa básica da nãocumu1atividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em razão de sua não tributação (produto NT) ou da tributação à alíquota zero, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade.” Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 9 8 Pelo exposto, a contribuinte não tem o direito de se creditar do IPI nas operações de entradas de insumos que não foram submetidas à cobrança do imposto. Atualização monetária. No caso, não se trata de restituição de indébito tributário, pois não ocorreu pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Logo, não há que se falar em correção monetária ou acréscimo de juros. Ainda que fosse reconhecido o direito ao crédito pleiteado, não seria cabível sua atualização monetária, nem acréscimo de juros. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Também a Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Alegações quanto a inconstitucionalidades. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conclusão. Pelo exposto, considerando que a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente, não se instaurando por isso a fase litigiosa do processo, e que a DRJ omitiuse em tratar desta questão preliminar, voto por anular a decisão recorrida, declarando perempta a peça impugnatória e mantendo o despacho decisório. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 10 9 Se ficar vencido na anulação da decisão de primeira instância, então, tendo em vista que não geram direito a crédito de IPI as entradas de insumos que não tenham sofrido a cobrança do imposto, que não há previsão legal para atualização monetária de créditos de IPI e que não houve resistência ilegítima do Fisco voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pese o entendimento do ilustre relator ouso dele discordar naquilo a que se refere ao prazo de apresentação da Manifestação preliminar pela Recorrente. Conforme o citado despacho entendeu a DRF ter sido a manifestação intempestiva tendo sido iniciada a contagem de prazo no dia 20/11/2007. Ocorre que tal data corresponde ao Dia Nacional da Consciência Negra. Em princípio o dia não corresponde a Feriado Nacional, entretanto não correspondeu a dia normal na repartição pública, porque o entendimento expresso pelo poder judiciário e de parecer da AGU é de que o feriado assemelhase aos feriados religiosos. A lei por sua vez expressa que “Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, bem como seus servidores públicos, devem observar apenas os feriados civis e religiosos elencados na Lei n.o 9.093/1995”, e o artigo 2º da Referida Lei expressa que são feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a SextaFeira da Paixão. O entendimento expresso é que se equivalem aos feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local. O Município de Cruzeiro no qual encontrase a Agencia da RFB na qual o recurso foi protocolizado estabeleceu através da Lei Municipal n.º 3.798, de 19 de outubro de 2007 que tal data encontrase entre suas datas comemorativas, assim se expressando: LEI Nº 3.798, de 19 de outubro de 2007 Assunto: “Institui no Município de Cruzeiro, o Dia da Consciência Negra, e dá outras providências”. O Exmo. Senhor Prefeito Municipal de Cruzeiro, Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais, FAZ SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE CRUZEIRO APROVOU E ELE SANCIONA A SEGUINTE LEI: Artigo 1º Fica instituído, no Município de Cruzeiro, o Dia da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro. Artigo 2º O Poder Executivo fará realizar, anualmente, durante o mês de novembro, eventos sob as diversas formas de manifestações artísticoculturais, como, peças de teatro, pintura, artesanato, festivais de músicas e dança e outras afins, visando incentivar, estabelecer, difundir e doutrinar os mais variados aspectos culturais da raça negra. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 12 11 § 1º Os eventos de que trata este artigo deverão ser precedidos por seminários, debates, exposições e palestras, a serem realizadas em escolas, entidades e órgãos públicos e privados, ocasião em que serão discutidos temas como a discriminação, o preconceitos, índice de desemprego na população negra e outros. § 2º As manifestações deverão ser realizadas em todas as escolas da rede municipal de ensino, bem como em áreas públicas de lazer e recreação visando difundir a cultura negra em toda a sociedade. § 3º Todas as atividades previstas no presente artigo deverão ser realizadas em conjunto com movimentos e entidades municipais que atuem em prol da raça negra. Artigo 3º As despesas decorrentes da execução deste Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário. Artigo 4º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Cruzeiro, 19 de outubro de 2007 Prof. Celso de Almeida Lage Prefeito Municipal de Cruzeiro Por outro lado, assim se expressa o CPC: Art. 173. (...) Parágrafo único. O prazo para a resposta do réu só começará a correr no primeiro dia útil seguinte ao feriado ou às férias. Nesse sentido, tenho que o prazo deveria ser acrescido de um dia, sendo tempestivo o recurso. Não fosse isso, a própria DRJ entendeu tempestivo o recurso sendo improdutivo à essa turma tornar nulo julgamento realizado por motivo meramente processual. Por isso, quanto a esse elemento voto por julgar tempestivo o recurso. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10680.723882/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO.
Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados - PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizando-o na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000.
Numero da decisão: 2403-002.625
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO. Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizandoo na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 38 82 /2 01 0- 15 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0240.073 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte conforme ementa abaixo transcrita. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas na legislação específica. ERRO NA APLICAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. REVISÃO DA MULTA A prática de nova infração em período anterior à data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes a autos de infração lavrados em ação fiscal anterior, ou após transcorridos cinco anos da referida data, não configura reincidência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração ao art. 32, I, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, I e § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99,, por ter a Empresa Brasileira de Engenharia e Comércio S/A – EBEC apresentado folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 5/6, a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento de segurados, nas competências dezembro/2006, janeiro/2007, fevereiro/2007, abril/2007, maio/2007, junho/2007, novembro/2007 e dezembro/2007, as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados referentes à participação nos lucros paga em desacordo com a legislação. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Foi aplicada penalidade no valor de R$2.863,58, de conformidade com o previsto nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e nos artigos 283, I, alínea ‘a’ e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 30/06/2010, já elevada em duas vezes tendo em vista ter o infrator incorrido em reincidência, conforme previsto no inciso IV do art. 292 do RPS. A interessada foi cientificada da autuação em 25/10/2010, conforme assinatura de seu representante legal às fls. 2. Em 24/11/2010, apresentou impugnação, consoante documentos de fls. 64/94, cujos argumentos relatamos, em síntese. Inicialmente ressalta a tempestividade da defesa apresentada. No mérito, diz que a Participação nos Lucros e Resultados, nos termos da Constituição Federal de 1988, não tem caráter salarial. Transcrevendo o artigo 2º da Lei 10.101/2000 diz que o referido dispositivo é claro quando determina que a PLR será objeto de negociação entre as partes. Alega que a PLR, distribuída pela EBEC em sua filial de Ipatinga, respeita integralmente a Lei 10.101/2000, bem como a forma de celebração determinada em seu art. 2º, uma vez que foi criada através de negociação entre as partes, por intermédio do acordo coletivo com o sindicato local da categoria, fora arquivado na entidade sindical dos trabalhadores, possui regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, a periodicidade de distribuição é de apenas 1 vez ao ano, e o prazo de vigência e de revisão do acordo está previsto no mesmo. Argumenta que em nenhum momento o texto da Lei 10.101/00 dispõe sobre a proibição ou descaracterização da PLR quando esta for paga apenas para empregados de uma das filiais da empresa, bem como, sobre a obrigatoriedade da PLR ser devida ou paga para todos os empregados da empresa, ficando excluído o pagamento por estabelecimento. Diz que o sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. Se a empresa possui diversos estabelecimentos terá necessariamente diversos acordos coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR e outros não, respeitando as particularidades de cada região e de cada sindicato. Diz que a interpretação de que a PLR não poderia ser paga apenas para os funcionários de um determinado estabelecimento, não se preocupando com as particulariedades de cada base territorial, chega até a ser ofensiva à Carta Magna, contrariando um dos seus postulados, ou seja, a participação nos resultados prevista no art. 7º, IX, como um “direito do trabalhador”, desvinculado da remuneração. Conclui que se a Lei 10.101/00 admite a PLR pela via do acordo coletivo, a hipótese contempla, necessariamente, um Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 4 5 determinado estabelecimento da empresa, e não todos, que se vincula à base territorial do sindicato profissional. Assevera que, com mais razão ainda, podese comprovar que a Lei 10.101/00 admite o pagamento da PLR específica por estabelecimento, respeitando as singularidades deste, uma vez que em seu art. 2º determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, com a presença do representante do sindicato local. Alega que a suposta irregularidade apontada na autuação pelo fato das metas só terem sido assinadas após o pagamento da PLR é descabida, pois tais metas já eram de conhecimento dos empregados desde o início do ano, tendo as mesmas sido criadas de comum acordo com a recorrente, o sindicato e um grupo de empregados selecionados pelo sindicato. Diz que em 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. Invocando o art. 2º da Lei 10.101/00 diz que ele determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, sendo, portanto, um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem por escrito, em um documento formal. Pressupõe se, assim, que as metas, assim como a PLR podem ser feitas verbalmente, oralmente, não tendo nenhuma exigência legal de estarem por escrito. Alega que a empresa não infringiu as orientações legais quando criou, oralmente, mas em comum acordo com o sindicato da categoria e empregados, metas para serem alcançadas ao longo do ano e só formalizou as mesmas através de um aditivo ao acordo coletivo no mês de dezembro, logo após o pagamento da PLR. Argumenta ser pacífica a jurisprudência quanto à natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art. 7º XI da CF e art. 2º da Lei 10.101/00, bem como que esta é objeto da livre negociação entre as partes, não existindo requisitos formais para a sua criação. Transcreve julgados do STJ para reforçar seus argumentos. Alega, também, que não se pode alegar reincidência antes do trânsito em julgado dos processos administrativos indicados na autuação (Debcads 37.218.9202 e 35.072.3370). Argumenta que a empresa recorrente em momento algum fora intimada da decisão nestes processos administrativos, portanto, não ocorreu o trânsito em julgado e, desta forma, não pode ser legalmente reincidente. Requer seja extinto ao auto de infração, bem como toda e qualquer anotação feita em nome da impugnante. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 A DRJ afastou a circunstância agravante identificada quando do lançamento e reduziu a multa ao valor mínimo. Desta forma, pelos motivos apontados, não caberia, no presente AI, a aplicação da majoração da multa, uma vez que na data da prática das novas infrações a Empresa Brasileira de Engenharia e Comércio – EBEC, não era considerada reincidente. Excluída a aplicação da reincidência genérica o valor do AI 37.305.5641, passa de R$2.863,58 para R$1.431,79. Isto posto, voto pela procedência parcial da impugnação apresentada, e pela manutenção em parte do crédito apurado no Auto de Infração 37.305.5641. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A PLR distribuída para a filial de Ipatinga está conforme a lei 10.101/2000. · A lei não proíbe pagar PLR apenas para 1 estabelecimento e não obriga pagar para todos. · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, dela constando um representante do sindicato da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A Lei 10.101/2000 admite pagamento da PLR específica por estabelecimento. · A alegação do auto de infração que aponta como motivo da autuação uma suposta irregularidade, pelo fato de as metas só terem sido assinadas após o pagamento da LPR, é descabida, pois Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 5 7 tais metas já eram de conhecimento dos empregados desde o início do ano. · Em 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/207 (para o ano 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. · O artigo 2º da lei 10.101/2000 determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funconários, portanto, é um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem escritas num documento formal. · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a atuação foi motivada pelo fato de a empresa ter deixado de incluir nas folhas de pagamento a PLR paga em desacordo com a legislação. A recorrente entende que seu proceder está correto e que não incide tributação sobre a PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 6 9 Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 7 11 do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 8 13 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 PLR CASO CONCRETO – REGRAS PACTUADAS A POSTERIORI. O Relatório Fiscal da obrigação principal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente. A Lei 10.101/2000 textualmente estabelece que as metas devem ser pactuadas previamente. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 9 15 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Entendo que o pagamento antes do estabelecimento do acordo definindo as metas nada contribui para a integração capital e trabalho e caracterizase como abono. Entendo também que o procedimento da empresa está em desarmonia com a Lei 10.101/2000 e que devese considerar procedente o lançamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Extraído do Relatório do voto em comento, a recorrente alega que as assinaturas deram caráter formal ao que fora anteriormente pactuado entre as partes, verbis: “ que em 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. Invocando o art. 2º da Lei 10.101/00 diz que ele determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, sendo, portanto, um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem por escrito, em um documento formal. Pressupõe se, assim, que as metas, assim como a PLR podem ser feitas Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 verbalmente, oralmente, não tendo nenhuma exigência legal de estarem por escrito.” DA MOTIVAÇÃO DO RELATOR O i. Relator, sem outro aspecto levantado, centrou sua motivação e concluiu seu convencimento na forma dos registros abaixo transcritos: “ PLR CASO CONCRETO – REGRAS PACTUADAS A POSTERIORI.O Relatório Fiscal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente.” “ Entendo que o pagamento antes do estabelecimento do acordo definindo as metas nada contribui para a integração capital e trabalho e caracterizase como abono. Entendo também que o procedimento da empresa está em desarmonia com a Lei 10.101/2000 e que devese considerar procedente o lançamento. ” O i. Relator exortou , ainda, que “a Lei 10.101/2000 textualmente estabelece que as metas devem ser pactuadas previamente”. De fato no art. 2°, II, assim exige. Relevante ressaltar que a palavra utilizada é “ pactuados ”, verbis : “ II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente” A lei fala da necessidade de pacto anterior o que num primeiro momento implica concomitante assinatura.Entretanto, os pactos ainda que informais devem ser respeitados sobretudo se aperfeiçoados com as assinaturas. Pactuar é apalavrar, contratar, acertar, combinar, estabelecer, prometer, acordar. ajustar, unir , concordar e vários outros sinônimos. Admitese que é de se estranhar o incomum e reiterado procedimento das partes em tela. Cumpre notar que, à rigor, a lei não exige que os procedimentos estejam previamente assinados mas sim pactuados. Editado nos termos do sobredito art. 2°, II da Lei 10.101/2000, o Legislador deixou aberta a possibilidade de se apor as assinaturas em momento posterior ao que fora pactuado. Entretanto, faço ressalva de que fora observado o mesmo exercício contábil. No caso em comento, na forma dos acordos colacionados, os pactos, embora assinados depois dos pagamentos, contêm as metas, resultados , prazos e as datas dos pagamentos previstas tal qual foram executados. Relevante notar que do modo descrito os documentos foram referendados pelo forte Sindicato da categoria de siderúrgicos e metalúrgicos o que torna implícito contemplar que os termos foram previamente acordados. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 10 17 O episódio faz lícito excluir eventual comunhão de desígnios entre empresa, sindicato e até mesmo os empregados beneficiados para meramente implementar uma fraude anual com a pretensão de dissimular a ocorrência de um fato gerador de incidência previdenciária. Considerando que os acordos não foram levados à autenticação em cartório de registros, penso que se houvesse de fato a intenção de fraudar seria simples reeditar os documentos com datas tempestivas para ilidir qualquer questionamento inclusive o lançamento. Cumpre ressaltar a decisão ora implementada se faz compulsória em face do contexto o que mitiga a hipótese de servir de paradigma noutra circunstância e cenário. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, ouso divergir do i. Relator para NO MÉRITO DAR PROVIMENTO ao contribuinte. É Omo voto Ivacir Julio de SouzaRelator Designado Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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