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Numero do processo: 13864.720199/2011-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MEMBRO DO CONSELHO TUTELAR - VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Vinculam-se ao Regime Geral da Previdência Social, na condição de contribuinte individual, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, situação em que se enquadram os membros dos conselhos tutelares.
SERVIDOR NÃO VINCULADO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL.
Os empregados que não estão vinculados ao Regime Próprio da Previdência Social devem ser incluídos no Regime Geral da Previdência Social.
MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa de ofício das competências de 04/2008 a 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Croscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Vinculamse ao Regime Geral da Previdência Social, na condição de contribuinte individual, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, situação em que se enquadram os membros dos conselhos tutelares. SERVIDOR NÃO VINCULADO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL. Os empregados que não estão vinculados ao Regime Próprio da Previdência Social devem ser incluídos no Regime Geral da Previdência Social. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 99 /2 01 1- 39 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa de ofício das competências de 04/2008 a 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Croscrato dos Santos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720199/201139 Acórdão n.º 2403001.896 S2C4T3 Fl. 200 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 186 a 189 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (São Paulo), às fls. 158 a 162, que julgou parcialmente procedente os lançamentos fiscais constantes dos Autos de Infração, cadastrados sob os DEBCAD 37.356.4287 (contribuição previdenciária correspondente às partes da empresa) e 37.356.4295 (contribuição previdenciária correspondente à parte dos segurados, cujos valores não foram retidos e recolhidos). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 20 a 24), em decorrência da Fiscalização realizada na Prefeitura Municipal de Jacareí, ficou constatada a ausência de declaração na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) das remunerações pagas aos prestadores de serviço no Conselho Tutelar e na Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI), bem como a inexistência de recolhimento referente às contribuições previdenciárias sobre tais remunerações. A fiscalização concluiu que esses trabalhadores não estavam filiados ao Regime Próprio da Previdência Social (RPPS) nem ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo instituto Nacional de Seguro Social (INSS), não havendo, portanto, o recolhimento das contribuições previdenciárias, razão pela qual lavrou os autos de infração. Ao lançarem a multa devida, os Auditores Fiscais, cientes das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 na Lei nº 8.212/91, efetuaram, no período de janeiro a novembro de 2008, a comparação das penalidades previstas na legislação anterior com as previstas na legislação atual, com o objetivo de identificar a sistemática mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao artigo 106, II, do Código Tributário Nacional. Nessa comparação, foram consideradas conjuntamente as multas devidas pelo descumprimento de obrigação principal e acessória (AI 68), de acordo com a legislação antiga, e a multa de ofício prevista na legislação atual, tendo a fiscalização concluído que a sistemática prevista na legislação antiga é mais benéfica no período de janeiro a março de 2008, e que a sistemática atual seria mais benéfica no período seguinte, de abril a novembro de 2008. Para as NFLD objeto do presente processo, a comparação de multas resultou na aplicação da multa de mora prevista na legislação anterior, correspondente a 24% da contribuição apurada, para as competências de janeiro a março de 2008, e na aplicação retroativa da multa de ofício, correspondente a 75%, nas competências seguintes. Desta autuação, o contribuinte foi notificado em 23/11/2011 e apresentou impugnação às fls. 146149, alegando, em breve síntese, que os conselheiros tutelares não estavam sujeitos ao RPPS, podendo, assim, filiarse ao RGPS na condição de segurados facultativos, nos termos do art. 11, § 1º, inc. VI, do Decreto nº 3.048/991. Já,os membros da 1 Art. 11. É segurado facultativo o maior de dezesseis anos de idade que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social, mediante contribuição, na forma do art. 199, desde que não esteja exercendo atividade remunerada que o enquadre como segurado obrigatório da previdência social: [...] VI o membro de conselho tutelar de que trata Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI), por serem servidores públicos e estarem vinculados ao RPPS não poderiam ser incluídos no RGPS como contribuintes individuais. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/São Paulo decidiu excluir as remunerações de três membros do JARI da base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária devida ao INSS, por conta do ofício encaminhado pela Diretora de Recursos Humanos (fl. 150), que atestava a condição de tais segurados como servidores efetivos do Município. Vejamos os termos da decisão proferida, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Não são exigíveis contribuições previdenciárias, para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), de segurados sujeitos a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Comprovada a vinculação a RPPS, os respectivos créditos devem ser excluídos do lançamento fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão acima, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.186 a 189, alegando, em síntese, que: (i) a Lei Municipal nº 4418/2000, que instituiu o Conselho Tutelar e o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, determina, em seu art. 37, que: “O conselho Tutelar fará jus a uma remuneração equivalente à referência 12 (doze) da escala de vencimentos do Quadro dos Servidores da Prefeitura Municipal de Jacareí”; (ii) o art. 38 deste diploma legal prevê que a remuneração fixada ao membro do Conselho Tutelar não gera vínculo empregatício com o serviço público municipal; (iii) nos moldes da legislação municipal e nos termos do art. 11 do Decreto nº 3.048/99, os Conselheiros Tutelares vinculados ao RPPS não poderiam ser incluídos no RGPS e, por outro lado, os conselheiros sem vínculo com outro regime previdenciário poderiam filiarse ao RGPS na condição de segurados facultativos; (iv) por fim, os membros da Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI) são efetivos e, portanto, vinculados ao RPPS, não podendo, assim, estarem vinculados ao RGPS. É o relatório. o art. 132 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, quando não esteja vinculado a qualquer regime de previdência social; [...]. Art. 132 da Lei nº 8069/1990 Em cada Município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros, escolhidos pela comunidade local para mandato de três anos, permitida uma recondução. (Antes da redação dada pela Lei 8.242/91). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720199/201139 Acórdão n.º 2403001.896 S2C4T3 Fl. 201 5 Voto Conselheiro Carolina Wanderley Landim Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. No recuso ora analisado são aventados basicamente os seguintes argumentos: (1) não podem ser exigidas contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos Conselheiros Tutelares não vinculados, tendo em vista que se enquadram na condição de segurado facultativo ao RGPS; e (2) os Conselheiros Tutelares com vínculo com o Município e os membros do JARI, por serem servidores, estão enquadrados no RPPS, pelo que suas remunerações não estão sujeitas às contribuições previdenciárias exigidas no presente processo. No entanto, não assiste razão ao Recorrente, conforme será demonstrado abaixo: Primeiramente, o Recorrente alega que os membros do ConselhoTutelar que não estão vinculados ao RPPS têm a faculdade de escolher se querem, ou não, ser incluídos no RGPS, nos termos doart. 11 do Decreto nº 3.048/99, que considera o conselheiro tutelar como contribuinte facultativo. Ocorre que, como veremos a seguir, o dispositivo legal que embasou a tese do Recorrente já não era vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores objeto deste processo, razão pela qual a tese não deve prosperar. Vejamos. É sabido que, para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresas, conforme dispõe o art. 15 da Lei nº 8.212/91. Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Desse modo, resta claro que o Munícipio de Jacareí, ora Recorrente, é considerado empresa perante a previdência social e, por conta disso, contribui para o RGPS, de acordo com as nuances da lei previdenciária. O art. 12 da Lei nº 8.212/91 conceitua de forma genérica e abstrata os segurados obrigatórios do RGPS, determinando que para ser considerado como segurado Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 obrigatório é necessário que uma pessoa física exerça atividade remunerada, seja em caráter contínuo ou eventual2. Ademais, não custa lembrar que o art. 4º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, conferia a seguinte conceituação a segurados obrigatórios: Art. 4º Segurado obrigatório é a pessoa física que exerce atividade remunerada abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS na qualidade de: I empregado; II trabalhador avulso; III empregado doméstico; IV contribuinte individual; V segurado especial. Verificase, portanto, que toda pessoa física que exercer atividade remunerada não abrangida por regime próprio de previdência social será considerada perante a Seguridade Social como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social. Essa mesma instrução normativa prevê, de forma expressa, no inciso XXXIII do art. 9º, que o membro do conselho tutelar é contribuinte obrigatório, qualificando como contribuinte individual. Vejamos. Art. 9. Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual:[...] XXXIII o membro do conselho tutelar de que trata o art. 132, da Lei nº 8.069, de 1990, quando remunerado; [...] Nesse sentido, manifestase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/05/1996 a 31/03/2006. MEMBRO DO CONSELHO TUTELAR MUNICIPAL; CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O membro do Conselho Tutelar Municipal, se remunerado, é classificado como segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de contribuinte individual. [...] Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 3ª CâmaraACÓRDÃO 230200.444. Processo nº 3707 L006694/200669. Sessão de 24 de março de 2010. 2Como, por exemplo, aquela descrita no inciso V, alínea g, da Lei nº 8.212/91, que prevê: V ‐ como contribuinte individual: [...]g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; [...]. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720199/201139 Acórdão n.º 2403001.896 S2C4T3 Fl. 202 7 Desse modo, constatase que cabia ao Município recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos membros do Conselho Tutelar sem vínculo com o Município, por estarem na condição de segurado obrigatório do RGPS. Em relação ao argumento de que os Conselheiros Tutelares com vínculo com o Município e os membros do JARI, por serem servidores efetivos, estariam enquadrados no RPPS, esta também não merece ser acolhida. Isto porque, além da ausência de comprovação de que tais segurados são servidores efetivos do Município, há manifestação expressa da Diretora de Recursos Humanos da referida municipalidade no sentido de que apenas três membros do JARI, listados na autuação, eram servidores efetivos e recolhiam nos moldes do RPPS (fl. 150). Ressaltese que a remuneração dos referidos servidores já foi excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias exigidas na autuação aqui analisada, de acordo com a decisão proferida pela DRJ. Em relação aos demais prestadores de serviço, tendo em vista que o Recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar sua alegação, o lançamento deve ser mantido, nos termos dosarts. 21 e 22, III da Lei nº 8.212/1991. Aplicação retroativa da penalidade benigna Conforme descrito no relatório acima, a fiscalização, com o objetivo de identificar a sistemática de aplicação de penalidade mais benéfica, efetuou a comparação da multa de mora de 24% devida na legislação anterior, somada à multa por falta de declaração em GFIP das contribuições apuradas (AI 68), com a multa de ofício correspondente a 75% do valor da contribuição apurada. Dessa comparação, chegou a fiscalização à conclusão de que, no período de abril a novembro de 2008, a multa de ofício de 75% seria mais benéfica, diante do que deveria retroagir. Entendo, contudo, que, para efeitos de se identificar a multa mais benéfica aplicada às NFLD aqui tratadas, que constituem o crédito tributário relativo à obrigação principal (contribuição previdenciária a cargo da empresa e segurados, incidentes sobre as remunerações de conselheiros tutelares e membros do JARI), não se deve somar à multa de mora antes devida a multa por descumprimento de obrigação acessória, multa esta que sequer está lançada neste processo. Em outras palavras, multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; a multa por descumprimento de obrigação acessória, do mesmo modo, deve ser comparada com a multa da mesma natureza. Não se compara sistemática, mas sim cada espécie de penalidade, isoladamente. Nesse contexto, a multa de mora prevista na legislação anterior, lançada nos meses de janeiro a março sob o percentual de 24%, deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei n. 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, aplicada retroativamente aos meses de abril a novembro de 2008, deve ser cancelada, por não existir na legislação anterior multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora, e por não se tratar tal multa de penalidade mais benéfica, que possa retroagir para atingir períodos anteriores à sua vigência. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, dou provimento parcial ao presente recurso voluntário e determino a exclusão da multa de ofício aplicada quanto aos meses de abril a novembro de 2008 e recálculo da multa de mora com base no artigo 35 da Lei n. 8212 com a redação da 11941, quanto às competências de janeiro a março de 2008, aplicandose a penalidade mais benéfica. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 07/05 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10469.901089/2010-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 01 08 9/ 20 10 -6 0 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 63 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 48/58 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (fls. 38/40) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 19/07/2010 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária (retificadora) nº 36642.12372.190710.1.7.040680 (fls.04/07), onde consta: a) débito informado (confessado): Cofins – Não Cumulativa, código de receita 5856, do PA abril/2004, data de vencimento 14/05/2004, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 2.887,54; multa moratória: R$ 575,51; juros de mora: R$ 1.767,95; Total: R$ 5.221,00. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 3.819,03 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REALENTIDADES NÃO FINANCEIRASDECLARAÇÃO DE AJUSTE, código de receita 2430, do PA dezembro/2006 (31/12/2006), DARF no valor de R$ 208.000,00 (valor original), data do recolhimento 31/01/2007 (fl. ). Obs: Foi informado, ainda, pela contribuinte o PER/DCOMP Inicial: 15394.96347.240608.1.3.040094 que, também, trata de utilização de direito creditório referente ao citado DARF (fl. 05). O despacho decisório da DRF/Natal, de 03/08/2010, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite de crédito analisado, correspondente ao ao valor de crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 21.772,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 64 3 (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 11/08/2010 (fl. 03), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 08/12 em 08/09/2010 (fl. 15) e conforme despacho (fl.32), aduzindo, em suas razões, in verbis: (...) II Da improcedência da cobrança (...) 2.De acordo com os dados constantes da Decisão, acima transcrita, a empresa recolheu, no código 2430IRPJ, a quantia de R$ 208.000,00, que foram utilizados, integralmente, para quitar débitos, com fato gerador em DEZEMBRO/2006, relativos ao IRPJ, código 2430. 3. Entretanto, tal conclusão é inteiramente improcedente, porquanto, a DIPJ transmitida em 13/7/2010 (Cópia anexada –fls. 13/14), acusou débito de apenas R$ 121.764,39 em dezembro/2006, restando, como crédito, a diferença de R$ 86.235,61 4. Esses R$ 86.235,61 foram utilizados para quitar os débitos constantes do PER/DCOMP N° 42355.31828.140710.1.7.041924. (...) 6.O citado crédito foi informado no PER/DCOMP inicial n° 15394.96347.240608.1.3.040094 (...) Por sua vez, a DRJ/Recife, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 22/03/2012 (fls. 38/40), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, temse por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos, contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 65 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Nesse sentido, o voto condutor dessa decisão está assim fundamentado (fls. 39/40), in verbis: (...) 5. A contribuinte informa que o crédito teria origem na PER/Dcomp Inicial: 15394.96347.240608.1.3.040094. 6. Observase, porém, que tal PER/Dcomp Inicial nº 15394.96347.240608.1.3.04 0094 foi retificada pela (sic) PER/Dcomp nº 01617.41354.250608.17.04.8237, que, ao seu turno, também foi retificada (sic) pela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, a qual se desdobrou no contencioso gerado pela manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte nos autos do Processo 10469.091670/201081, conforme fl. 33. 7. Esta 4ª. Turma da DRJ/Recife, 22/08/2012, efetuou o julgamento administrativo daquele contencioso do Processo 10469.091670/2010 81, nesta mesma sessão de julgamento, por meio do qual ficou decidido, por unanimidade de votos, manter o Despacho Decisório, não homologando o crédito tributário de R$ 86.235,61 ali pleiteado, uma vez que o DARF no valor de R$ 208.000,00, que seria a origem do crédito, tem o mesmo valor informado na última DCTF ativa da contribuinte que informa o débito de IRPJ sob o código de receita 2430, referente ao anocalendário de 2006, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 34 a 36, a qual se constituiu em confissão de dívida. 8. Portanto, além da (sic) PER/Dcomp que consta informada como origem do crédito, a de nº 15394.96347.240608.1.3.040094, não mais existir, uma vez que foi retificada/cancelada, até se chegar naquela (sic) PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, temse que esta última foi objeto de julgamento por essa 4ª Turma da DRJ/Recife nesta mesma sessão de julgamento, que decidiu por manter o Despacho Decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da (sic) PER/Dcomp, em função da falta de comprovação do crédito ali defendido, o qual, na verdade, consta confessado em DCTF, que ainda se encontra ativa, conforme as fls. 34 a 36. (...) Ciente desse decisum em 10/04/2012 (fl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário por via postal em 30/04/2012 (fls.48/58), cujas razões, em síntese, são as seguintes: I – Da improcedência da cobrança e legitimidade do direito creditório pleiteado do PA 31/12/2006: que apurou na DIPJ retificadora, transmitida em 13/7/2010, na Ficha 12A, um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 121.764,39; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 66 5 que, como foram pagos R$ 208.000,00, restou um crédito de R$ 86.235,61, utilizados para quitar o débito relacionado no presente processo; que, para comprovar os valores consignados na DIPJ, bem como a sua coincidência com os registros contábeis no Livro Diário, juntou, nos autos do processo nº 10469.901670/201081, cópia do Livro Diário n° 81, autenticado na Jucern, sob n° 07/0043124, em 19/11/2007, cópia do Livro Razão do 4º trimestre/2006, cópia das DCTF de janeiro a dezembro/2006 e Cópia da DIPJ 2007, anocalendário 2006; que há perfeita coincidência entre a Demonstração do Resultado do Exercício, registrada à fl. 424, e os valores consignados na DIPJ (quadro comparativo constante do recurso); que o IRPJ totalizou R$ 1.705.960,03, e foi quitado pelas seguintes parcelas: 1) R$ 46.835,82 IRFONTE (Linha 12 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 2) R$ 16.499,46 IRFONTE ENT. ADM. PÚBL. FED (Linha 14 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 3) R$ 1.520.860,36 Estimativas do IRPJ de Jan a Dez/2006 (Linha 16 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 11 da DIPJ, bem como nas DCTFs; 4) R$ 121.764,39 Saldo de IRPJ a pagar: valor pago em 31/01/2007, no código 2430, através do DARF de R$ 208.000,00 (R$ 121.764,39 utilizados para quitar o débito e R$ 86.235,61 utilizados como crédito para compensar débitos deste e de outros processos). que, como visto, os dados da DCTF, apontando como saldo do IRPJ a pagar, de 31/12/2006, a quantia de R$ 208.000,00, estão equivocados, porquanto inexiste débito desse montante; que a falta de retificação da DCTF em lide, de R$ 208.000,00 para R$ 121.764,39, não justifica a manutenção da cobrança do presente processo, vez que inexiste débito de R$ 208.000,00, mas, tão somente, de R$ 121.764,39; que houve recolhimento a maior de R$ 86.235,61, a ser compensado com débitos, como ocorreu neste e em diversos outros processos. II – Pedido de diligência: que, não obstante essa juntada de documentos naquele processo, pediu a realização de diligência, com vistas à averiguação, se julgada necessária e imprescindível; que se trata de providência, até a presente data, não realizada, porém acredita ser imprescindível à convicção do julgador. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 67 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Esta Turma, na sessão de 10/04/2013, no processo conexo nº 10469.901086/201026, Resolução nº 1802000.180, converteu o julgamento em diligência para apuração pela unidade de origem da SRF da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pela contribuinte, quanto ao anocalendário 2006. Como o direito creditório pleiteado naquele processo e nestes autos referese ao mesmo período de apuração e ao mesmo DARF, e para evitar decisões contraditórias ou divergentes e também por economina processual, entendo que, no caso, é cabível, por conseguinte, também a conversão do julgamento em diligência, em face da conexão demonstrada. Nesse sentido, destarte adoto, como razão de decidir, a mesma fundamentantação constante do voto condutor da Resolução nº 1802000.180, sessão de 10/04/2003, processo conexo nº 10469.901086/201026, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa, in verbis: (...) Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente à quitação do ajuste anual do anocalendário de 2006. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em suas peças de defesa, a Contribuinte vem informando que o valor total do IRPJ no período é de R$ 1.705.960,03; que após a dedução das retenções e das estimativas, o saldo de IRPJ a pagar no ajuste é de R$ 121.764,39; e que ela recolheu R$ 208.000,00, o que teria gerado o crédito no valor de R$ 86.235,61. A decisão da Delegacia de Julgamento, mantendo a negativa em relação à pretendida compensação, está assim fundamentada: [...] 7. Esta 4ª. Turma da DRJ/Recife, 22/08/2012, efetuou o julgamento administrativo daquele contencioso do Processo 10469.091670/2010 81, nesta mesma sessão de julgamento, por meio do qual ficou decidido, por unanimidade de votos, manter o Despacho Decisório, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 68 7 não homologando o crédito tributário de R$ 86.235,61 ali pleiteado, uma vez que o DARF no valor de R$ 208.000,00, que seria a origem do crédito, tem o mesmo valor informado na última DCTF ativa da contribuinte que informa o débito de IRPJ sob o código de receita 2430, referente ao anocalendário de 2006, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 32 a 34 a qual se constituiu em confissão de dívida. 8. Portanto, além da PER/Dcomp que consta informada como origem do crédito, a de nº 15394.96347.240608.1.3.040094, não mais existir, uma vez que foi retificada/cancelada, até se chegar naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, temse que esta última foi objeto de julgamento por essa 4ª Turma da DRJ/Recife nesta mesma sessão de julgamento, que decidiu por manter o Despacho Decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da PER/Dcomp, em função da falta de comprovação do crédito ali defendido, o qual, na verdade, consta confessado em DCTF, que ainda se encontra ativa, conforme as fls. 32 a 34. 9. Em função disso, as PER/Dcomp, a exemplo da presente de nº 32444.81129.140710.1.7.046427, que pretendiam se utilizar do suposto crédito, que teria origem naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, constante do referido Processo 10469.091670/201081, embora tais PER/Dcomp citem como origem do crédito a PER/Dcomp Inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, que já não existe mais, na verdade, terão, todas elas, o seu pleito indeferido, tendo em vista que, como já mencionado, não restou comprovado o crédito pleiteado naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, mas, ao contrário, foi confessado e assim se manteve informado na última DCTF ativa da contribuinte que se refere a tal crédito de IRPJ, código 2430, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 32 a 34. 10. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Vêse que a decisão da DRJ decorreu de outra decisão proferida por aquele mesmo órgão no processo nº 10469.091670/201081, onde foi realizado o exame do alegado direito creditório. Aquela outra decisão da DRJ (Acórdão nº 1136.368), que não reconheceu o crédito pleiteado, está assim fundamentada: [...] 10. Percebese, portanto, que os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. 11. Se a contribuinte verificar a ocorrência de erro na apuração de tributo informado em DCTF, deve providenciar a entrega da Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 69 8 correspondente DCTF retificadora antes de qualquer procedimento de ofício. 12. Em consulta ao sistema DCTF, realizada por este relator, verifica se que a última DCTF apresentada pela contribuinte em que informa o IRPJ do ajuste anual do anocalendário de 2006 (período de apuração de 31/12/2006), código de receita 2430, é aquela DCTF retificadora/ativa de março de 2007, apresentada em 13/06/2008, conforme fls. 40 a 42, em que o valor ali confessado é justamente de R$ 208.000,00 e não os R$ 121.764,39 informados na sua DIPJ transmitida em 13/07/2010. Além disso, a interessada não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Conclusão 13. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, de fato, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não uma declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – DCOMP (14/07/2010), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 70 9 realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que o saldo a pagar de IRPJ ajuste (apurado na DIPJretificadora) era de R$ 121.764,39 (e não R$ 208.000,00, como declarado em DCTF). Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 71 10 documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário apresentado no processo nº 10469.091670/201081 (que trata do mesmo crédito e que está sendo examinado nesta mesma sessão do CARF) cópias do Livro Diário (contendo a Demonstração do Resultado do Exercício), do Livro Razão, da DIPJ e das DCTF do período, fazendo também uma série de considerações sobre as rubricas que interferem na apuração do IRPJ. Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901089/201060 Resolução nº 1802000.273 S1TE02 Fl. 72 11 Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a DRF/Natal atenda ao acima solicitado. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10980.905782/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 78 2/ 20 08 -0 6 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905782/200806 Resolução nº 3401000.705 S3C4T1 Fl. 104 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 1.565,87 de PIS não cumulativo referente ao período de apuração fev/2003. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório, no qual consta que foi localizado o pagamento referente ao DARF em questão, mas verificouse que ele foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada da decisão, a interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração em discussão, teria efetuado mais de um recolhimento a título de contribuição ao PIS , nos valores de R$ 21.316,08 e R$ 1.556,86, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 22.872,04; Posteriormente, recalculou a contribuição devida, em face da redução à zero da alíquota de PIS sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485 de 2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria de R$ 21.307; acrescenta que fez constar tal informação em DCTF, DIPJ E DACON retificadores; Independentemente da exclusão das referidas receitas decorrentes das comissões sobre as venda diretas, o DARF que indicou na PER/DCOMP contemplaria pagamento a maior ou indevido, que poderia aproveitar; Alega ter demonstrado pagamento a maior de R$ 1.565,87 (valor original), que utilizou para a compensação em tela; O referido crédito utilizado para a compensação do PIS8109 devido relativo à competência fevereiro/2003, não se trata da tentativa de reduzir o tributo devido, mas de corrigir erro material no pagamento do DARF, a fim de que o regime misto de incidência do PIS, ao qual a se submete a recorrente, seja respeitado. Em 9.2.2011, a 3º Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade da contribuinte improcedente, sob os seguintes fundamentos: Quanto à alegação de inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissões de vendas diretas, cumpre destacar que a interessada, juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada, não trouxe provas capazes de corroborar a existência do referido direito creditório, no caso, a demonstração precisa e inequívoca das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora, de que trata o art. 2º, §2º, da Lei nº 10.485, de 2002, nem comprovou que tais comissões teriam sido objeto da incidência de PIS em alíquota diferente de zero por cento. Portanto, não se pode aceitar tal argumentação. Não é correto aceitar a alteração do valor originalmente informado em DIPJ/Dacon do PIS não cumulativo após a emissão do Despacho Decisório, posto que não restou comprovada nos autos a inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissão de vendas diretas. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905782/200806 Resolução nº 3401000.705 S3C4T1 Fl. 105 3 A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.2.2011 e protocolou recurso voluntário em 23.3.2011, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese: No presente processo administrativo, a discussão não diz respeito ao direito creditório pela redução à zero da alíquota incidente sobre as comissões auferidas com as venda diretas e sim ao direito creditório havido com pagamento a maior do PIS no código 8109; Por cautela e para que não lhe fosse cobrada a contribuição relativa ao código 8109, a Recorrente imputou à chancela de “crédito” aos R$ 21.316,08, que já haviam sido recolhidos no mesmo DARF do PIS nãocumulativo. Feito isso, utilizou o referido crédito para a compensação do PIS8109 devido na própria competência Fev/2003, pelo mesmo valor, mediante o PER/DCOMP ora em discussão; Como a compensação foi utilizada apenas para ajustar a quitação do PIS à sistemática mista a que se sujeita a recorrente, não há que se falar na cobrança dos acréscimos de multa moratória, razão pela qual, uma vez reconhecida a existência do direito creditório pleiteado, a homologação da PER/DCOMP é medida que se impõe; Por fim, a contribuinte requer que seja anulado o acórdão recorrido, a fim de que seja procedida à diligência fiscal necessária à solução da controvérsia; subsidiariamente, caso não acolhido o primeiro pedido, pugna pela homologação da compensação da totalidade dos créditos por ela pleiteados. É o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905782/200806 Resolução nº 3401000.705 S3C4T1 Fl. 106 4 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Como os créditos serão valorados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme o art. 28 da Instrução Normativa nº 600 de 28 de dezembro de 2005, estes devem estar devidamente constituídos até este mesmo dia. No caso em análise, não houve a entrega da DCTF retificadora que constituiria os créditos pleiteados, por este motivo o resultado de seu pedido de compensação não seria outro que não o indeferimento. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003) Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905782/200806 Resolução nº 3401000.705 S3C4T1 Fl. 107 5 processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de vista, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante à falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e existindo pagamento a maior deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado, o valor que é devido, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte, do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 11080.721849/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 21 84 9/ 20 10 -7 4 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2008 a 30/09/2009 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno e exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: Créditos Indevidos 1 – Serviços Utilizados como Insumos Fretes incorridos em compras à alíquota zero, com suspensão e com crédito presumido PF. 2 – Serviços Utilizados como Insumos Fretes Transferências MatériaPrima p/depósito. 3 Fretes nas operações de vendas – Fretes de transferências entre estabelecimentos. 4 Crédito indevido de aluguéis veículos. 5 Outras operações com direito a crédito – Controle de pragas e Serviços de Terceiros (serviços prestados por pessoas físicas, serviços de estiva, movimentação de cargas, combustível de veículos, aferição do INMETRO, manutenção de ar condicionado split e outros). 6 Apuração de créditos calculados sobre aquisições de insumos com suspensão das Contribuições. A Auditora fiscal, neste item de infração, esclarece em sua Informação fiscal que: “19. (...). No caso específico do beneficiamento de arroz a empresa adquire o arroz em casca de vários fornecedores, tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas, bem como de cooperativas de produção agropecuária. 20. Em relação ao produto arroz em casca, a empresa calcula crédito integral (1,65% PIS e 7,6% para Cofins) sempre que realiza aquisições de pessoas jurídicas. Ocorre que de acordo com a legislação que regulamenta a matéria não é toda a aquisição de pessoa jurídica que dá direito a crédito integral, sendo que boa parte dos insumos agropecuários é adquirida com suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins”. Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao Fl. 858DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 4 3 pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno e exportação, referente ao período do 4º TRIM. 2008 ao 3º TRIM.2009. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando,em síntese: Defende a apuração de créditos sobre os fretes incorridos nas operações de compra de bens sujeitos à alíquota zero, com suspensão e com crédito presumido. No caso, aponta que as compras de arroz em casca teriam sido todas tributadas pelo PIS e Cofins, alega adiante que não teria cumprido os requisitos para aplicar a suspensão e apurar crédito presumido. Esclarece, também, que a autoridade administrativa teria deixado de perceber que o creditamento realizado foi tãosomente sobre os valores referentes às despesas de fretes dos produtos e não sobre os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero destas contribuições. Entende que a vedação do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições, o frete fosse arcado pelo vendedor. Da mesma forma, considera que ainda que adquirisse o arroz em casca com suspensão e apurado crédito presumido, o art. 8º, § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925/2004, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos o frete fosse arcado pelo vendedor. Explica que na situação em apreço, a aquisição dos insumos e do arroz em casca, tributados à alíquota zero, contempla apenas o preço de aquisição das mercadorias, sendo o frete das mercadorias de responsabilidade do comprador. Cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento e conclui pela legitimidade do creditamento destes valores referentes às despesas de frete, visto que esses serviços foram tributados pelas contribuições. Considera as despesas de fretes na transferência de matériaprima para depósitos como intrínsecas à sua atividade, portanto seriam legítimos os créditos calculados sobre as mesmas. Informa que, eventualmente, contrata serviços de industrialização por encomenda para o beneficiamento de arroz e necessita remeter matéria prima para terceiros, bem como retornála a seus estabelecimentos após o beneficiamento, o que acarreta em despesas com serviços de transporte para estas operações. Desta forma, os correspondentes fretes de transferência integrariam seu processo produtivo, o que legitimaria o respectivo creditamento. Acrescente que a prestação destes serviços de frete, prestados por pessoas jurídicas nacionais, são tributadas pelas contribuições PIS e Cofins, o que já autorizaria o respectivo creditamento sobre estas despesas, com base no art. 3º, inc. II da Lei nº 10.833/2003. Com o mesmo fundamento, defende o direito a apurar créditos sobre as despesas decorrentes dos serviços de estiva e movimentação de cargas, as quais também entende como integrantes do processo produtivo da empresa. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferência entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir diversos centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Conclui, então, que pelas razões logísticas expostas, as Fl. 859DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 5 4 operações de fretes entre seus estabelecimentos seriam apenas um desdobramento das operações de venda e também se enquadrariam como custos, gerando igualmente direito ao correspondente creditamento pela lógica da não cumulatividade. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da não cumulatividade e do nãoconfisco. Sustenta seu direito a apurar créditos sobre as despesas incorridas com aluguel de veículos utilizados nos deslocamentos de seus representantes comerciais, bem como dos combustíveis utilizados nestes veículos, com base no disposto no art. 3º, incisos II e IV, da Lei nº 10.833/2003. Argumenta que o dispositivo legal em comento, ao prever a expressão “máquina”, não estabeleceu a sua definição ou restrição de seu alcance, desta forma os veículos automotores poderiam ser enquadrados como máquinas. Entende que, por ser a comercialização a atividade que dá vazão à sua produção, todas as despesas envolvidas com este fim se demonstram como necessárias. Da mesma forma, entende como legítimos os créditos apurados sobre as despesas com o controle de pragas, o qual se trataria de serviço indispensável, consumido de forma direta em sua atividade. Esclarece que durante seu processo produtivo seria obrigada a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz) dentro da classificação adequada, como apto ao consumo e livre de pragas. Para amparar seus argumentos, cita e transcreve legislação e atos normativos tributários, jurisprudência administrativa, soluções de consulta, bem como trechos de normas e regulamentos expedidos pela ANVISA. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei 10.925/04 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela IN SRF nº 660/2006, portanto não estaria sujeita à obrigatoriedade de observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Novamente cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que o advento da IN RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN SRF nº 660/2006, para tornar obrigatória a aplicação da suspensão em todos os casos elencados no Art. 2º da IN 660/66. Desta forma, sustenta que a nova Instrução Normativa modificou o sentido que até então era vigente para o caso, ou seja, trouxe uma inovação no ordenamento, tornando obrigatório o que antes era facultativo. Conclui, assim, que anteriormente à inovação trazida pela IN 977/09, a utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido não era obrigatória, sendo ela, portanto, uma opção do contribuinte. Acrescenta, ainda, que nas Notas Fiscais de aquisição do arroz em casca emitidas no período de janeiro a setembro de 2008 não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o Fl. 860DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 6 5 PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art. 2º, § 2º da IN 660/06. Cita e transcreve jurisprudência do STJ para amparar seu entendimento. Alternativamente, requer a garantia de que nas operações aqui guerreadas seja mantida a possibilidade de registro do crédito presumido nos termos da Lei 10.925/04. Considera que na hipótese de desprovimento da presente Manifestação de Inconformidade, não poderia restar sem qualquer possibilidade de registro de crédito nestas operações, sendo que se revestiria de caráter lógico a concessão do crédito presumido no caso de desacolhimento dos pedidos aqui trazidos. Ao final, pede que sua Manifestação de Inconformidade seja acolhida, para a imediata reforma do Despacho Decisório ora combatido, com o deferimento total do crédito pleiteado. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido. Com relação aos créditos pleiteados sobre os fretes de transferência, caso não sejam acolhidos como mero desdobramento das operações de venda e exportação, pede, sucessivamente, que lhe seja concedido o creditamento pela forma prevista no art. 3º, inc. II e § 3º, inc. II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois o frete se trataria de insumo utilizado na concretização da comercialização. Requer, ainda, a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal”. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 Ementa: FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COM SUSPENSÃO. Se não ocorreu a tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e serviços que se agregam à matériaprima. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 7 6 CREDITAMENTO SOBRE DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Existe vedação legal para o creditamento sobre despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Preenchidos os requisitos para aplicar a suspensão das contribuições PIS e Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DO DIREITO II. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS II. II – DA AUSÊNCIA DE SUPOSTAS IRREGULARIDADES APONTADAS PELA INFORMAÇÃO FISCAL II.II.1. DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE COMPRA DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, COM SUSPENSÃO E COM CRÉDITO PRESUMIDO II. II. 2. DESPESAS DE FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAPRIMA PARA DEPÓSITO II. II.3 DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS II. II.4 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE VEÍCULOS II. II. 5 DAS DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS II. II. 6 SERVIÇOS DE TERCEIROS Fl. 862DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 8 7 II. III DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SEM SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS II. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 II. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 977/09 II. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. IV DA PERÍCIA III DO PEDIDO: Formula seu pedido nos seguintes termos: “...requer seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legalidade. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido.” Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 9 8 A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: Em que pese alguns fornecedores terem respondido ao item 1.15 do Termo de Início de Fiscalização informando não terem realizado a operação de venda com suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins, é fato inquestionável de que as condições para a ocorrência da suspensão das contribuições ocorreram, tendo portanto o adquirente direito a crédito presumido na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e não crédito integral na forma do art. 6º da Lei 10.833/2003 para a Cofins e art. 5º da Lei 10.637/2002 para o Pis?Pasep, ou seja tal atitude por parte de alguns fornecedores não tem o condão de afastar o disposto no art. 9º da Lei 10.925/2004, tornando portanto ilegítima a pretensão da empresa SLC Alimentos de obter o crédito integral, nos termos da Lei 10.637/2002 e 11.116/2004 referente a estas aquisições. Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais emitidas no período em questão não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições. Diz a Recorrente: Como pode ser observado nas notas fiscais emitidas no período em questão relativas à aquisição de arroz, estas não contém a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, requisito formal exigido pelo art. 2º, § 2º da IN nº 660/06. Diante da inexistência de ressalva quanto às informações constantes na nota fiscal de seus fornecedores, a Recorrente entendeu que as operações de compra de arroz em casca de cooperativas e demais pessoas jurídicas ocorridas no período, não deveriam ensejar o registro de crédito presumido de Cofins. Pelo contrário, às aquisições aplicamse as regras gerais da nãocumulatividade, tal qual exposto alhures, restando à Recorrente o direito de registrar crédito integral sobre estas operações (com alíquota de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS), tendo em vista que as operações realizadas pelos fornecedores devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins (não estando sujeito à suspensão de sua exigibilidade pelo Fisco, por não cumprimento de requisitos necessários). Como prova de sua alegação, a empresa Recorrente juntou cópia de notas fiscais de 04 (quatro) fornecedores. Das notas fiscais juntadas pela Recorrente, as de emissão das empresas POLIAGRO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e AGROPEC VIVEIRO S/A, ao contrário do afirmado, constam a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” no corpo das notas fiscais. Já nas notas fiscais de emissão das empresas SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA e PURO GRÃO IND. E COM. DE ARROZ E SOJA LTDA realmente não consta a referida expressão. Como se vê, a alegação da Recorrente é contraditória e incoerente. De outra banda, confirmase a afirmação da Autoridade Fiscal da DRF de que no corpo de algumas notas fiscais, ou em observação, consta que as vendas foram efetuadas Fl. 864DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 10 9 com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins. No entanto, a Fiscalização não identificou em quais notas fiscais consta a referida informação ou a “observação”. Outro fato relevante é que, no período de apuração objeto deste processo, a Recorrente adquiriu arroz em casca de outros fornecedores, além daqueles que ela trouxe cópia de nota fiscal, conforme “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06, posto que há indícios de que alguns fornecedores não cumpriram as referidas obrigações. Para o julgamento da lide, há necessidade de se comprovar que a mercadoria efetivamente saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário esta comprovação, conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 (possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins). Outro ponto que precisa ser esclarecido é sobre os produtos e serviços utilizados no controle de pragas. Há necessidade de saber em que momento estes produtos são empregados e com qual objetivo. Deve, portanto, a Fiscalização solicitar à Recorrente informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente relacionar cada despesa realizada, identificando a data da apuração do crédito, o número da nota fiscal, o nome e o CNPJ do fornecedor, o produto/serviço adquirido, o valor pago e a descrição do emprego do produto/serviço, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 11 10 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; Fl. 866DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.721849/201074 Resolução nº 3302000.312 S3C3T2 Fl. 12 11 7 Intimar a Recorrente para prestar informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente informar: 7.1 data da apuração do crédito (separar por período de apuração); 7.2 número da nota fiscal de aquisição; 7.3 nome e CNPJ do fornecedor; 7.4 descrição do produto/serviço adquirido; 7.5 valor do produto/serviço adquirido 7.6 descrição do emprego do produto/serviço adquirido, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. 8 Manifestarse sobre a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, a que se refere o item anterior; 9 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 10 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 867DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 14485.001007/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/03/2005 a 31/03/2005, 01/02/2006 a 31/03/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. DOCUMENTOS. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando ausentes as circunstâncias previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto Nº 70235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/03/2005 a 31/03/2005, 01/02/2006 a 31/03/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DOCUMENTOS. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando ausentes as circunstâncias previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto Nº 70235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 14/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea:Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.001007/200732 Acórdão n.º 230201.765 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente levantamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desconformidade com a legislação que regula a matéria, relativas às competências 02/2003, 02/2004, 032005, 02/2006, 03/2006 e 02/2007. De acordo com o relatório fiscal de fls. 22/28, os pagamentos efetuados tinham caráter de bônus, pois consideravam o desempenho individual dos trabalhadores, os valores eram pagos a diretores e gerentes de primeira linha, presidenteempregado, vice presidente, gerente e assessores; obedeciam a um valor mínimo e consideravam fatores externos de lucratividade; eram muito discrepantes para os funcionários beneficiados; os acordos não possuíam regras claras quanto às metas a serem alcançadas, possuíam vigência retroativa; os anexos juntados aos acordos de PLR não possuem data; os documentos foram apresentados em inglês e traduzidos através de Tradutor Juramentado. Aduz o relatório que quanto ao presidente da empresa a PLR paga representa 21,97% do seu salário base e que a partir de 2004, a recorrente excluiu a verba paga a título de PLR, pagandoa a título de bônus, com informação em GFIP e o recolhimento das contribuições previdenciárias. Após a impugnação, Acórdão de fls. 247/264, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) a tempestividade e a desoneração da obrigatoriedade do depósito recursal; b) que a PLR é totalmente desvinculada do salário por expressa determinação constitucional; c) que mesmo a falta de rigor com as formalidades legais do acordo não altera a natureza jurídica quanto à não integração no salário; d) que é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre a PLR, posto que desprovida de habitualidade; e) que a Lei n.º 10101/2000, não proíbe que ao acordos prevejam avaliação individual, tampouco o pagamento de valores mínimos; f) que a Lei n.º 8.212/91, não permite o questionamento das regras transacionadas nos acordos; g) que os critérios de avaliação individual são conhecidos dos empregados; h) que o fato de não conceder PLR ao diretorpresidente a partir de 2004, não desvirtua a verba paga a este título em 2003, conforme programa de Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 metas celebrado em 1999; colaciona as memórias de cálculo dos pagamentos para provar que os valores não foram aleatórios; i) que o fisco não pode ignorar as negociações efetuadas de forma lícita entre empregados, empregador e sindicato; j) que embora o acordo de PLR referente a 2005 tenha sido formalizado no mês do pagamento, os empregados tinham prévio conhecimento das metas pactuadas, através da Proposta de Programa de Remuneração Variável; k) que a autoridade julgadora de primeira instância não se manifestou quanto aos documentos juntados pela recorrente, comprovando que os empregados tinham conhecimento das regras da PLR; l) que a SELIC é ilegal. Requer a insubsistência da NFLD e o cancelamento do débito, bem como a juntada de novos documentos e a realização de perícia. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.001007/200732 Acórdão n.º 230201.765 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 268, conheço do recurso e passo ao seu exame. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. Assim, a PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 376DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.001007/200732 Acórdão n.º 230201.765 S2C3T2 Fl. 4 7 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; Fl. 377DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não há regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. No caso em tela, do exame da documentação acostada aos autos é de se salientar que os documentos colacionados pela recorrente na fase de defesa,fls.194 a 241, estão grafados em inglês e por este motivo não foram considerados por esta relatora, respaldada no disposto pelo artigo 224, do Código Civil: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. A juntada de documento em língua estrangeira nos autos é permitida se acompanhada de tradução e o art. 157 do Código de Processo Civil exige que a tradução seja firmada por tradutor juramentado. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.001007/200732 Acórdão n.º 230201.765 S2C3T2 Fl. 5 9 Portanto, foram examinados os documentos colacionados pelo fisco para embasar o levantamento que se encontram devidamente traduzidos e da análise dos mesmos se constata que a recorrente pagou valores a título de Participação nos Lucros e Resultados, no período de 2003 a 2007, aos segurados empregados que exerciam cargos de diretores e gerentes, mas os acordos firmados não se encontram nos moldes exigidos pela legislação vigente e referida em parágrafos anteriores, senão vejamos: do acordo firmado em 28/01/1999, fls. 37/42, com vigência retroativa a 1998 e validade indeterminada, consta o pagamento de um valor mínimo de R$ 300,00, condicionado ao cumprimento de metas individuais, sem no entanto trazer quais seriam essas metas e se os segurados tinham conhecimento das mesmas. Não há documentos que comprovem a existência de metas. o acordo de 18/12/2003, fls. 43/47, foi firmado com validade retroativa ao exercício de 2003, válido até 12/2004, constando nos anexos I e II, fls. 50/58, indicadores e limites a serem atingidos. o acordo firmado em 16/03/2006, fls. 59/63, tem vigência retroativa a 2005 e validade até 12/2006 e os indicadores e metas constam do anexo I, fls. 65/71 e do Programa de Remuneração Variável, fls. 72/74, e às fls. 75/78, consta o termo de tradução por tradutor juramentado. Desta forma, pela análise dos documentos examinados se conclui que os pagamentos efetuados a título de PLR em 2003, não estão adequados à legislação, pois o Acordo firmado em 1998, não se prestou a respaldar o pagamento, porque não há qualquer referência a metas a serem atingidas, assegurando apenas um pagamento mínimo de R$ 300,00 aos trabalhadores. Já o Acordo firmado em 12/2003, ao se referir retroativamente ao exercício de 2003, por óbvio, fixou metas pretéritas, então como atingir metas que são fixadas após o decorrer do exercício e válidas para a obtenção de vantagem no próprio exercício? O mesmo ocorreu para o Acordo firmado em 03/2006, retroativo a 2005. De acordo com o expresso na legislação pátria o pagamento de valores a segurados empregados desvinculados do salário, a título de “Participação nos Lucros e Resultados” pressupõe que deve ser apurado o lucro ou o resultado do exercício e se o trabalhador alcançou a meta, o parâmetro previamente pactuado pelas partes (empresa, empregados), para fazer jus ao pagamento do valor estipulado e também quantificado previamente. Portanto, não há como se aceitar que toda a negociação seja feita e se refira ao período pretérito. Ou seja, como o empregado vai saber no decorrer do exercício o que ele deve fazer para alcançar o seu objetivo, qual é o objetivo, como alcançar a meta para receber o valor relativo à Participação nos Lucros e Resultados da empresa para a qual trabalha? Se o Acordo visa o lucro auferido no ano em curso, parece bastante evidente que isto não pode ser usado para pagar PLR em exercício anterior. A maneira como a recorrente procedeu desvirtuou o propósito do programa que é a recompensa do trabalhador pelo aumento da produtividade da empresa, pois as metas foram fixadas retroativamente. Quanto à correspondência encaminhada aos diretores, que a recorrente faz referência para dizer que os empregados tinham conhecimento das metas a serem atingidas no período pretérito, a mesma se encontra em inglês, não se prestando a fazer prova para a recorrente, nos termos do já referido artigo 224, do Código Civil. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 De todo o exposto, vislumbro que a PLR foi paga sem critérios objetivos de aferição no exercício de 2003, porque o acordo de 28/01/1999, válido por tempo indeterminado, não trazia qualquer meta, garantindo apenas um valor mínimo de R$ 300,00, a ser pago de acordo com o desempenho individual de cada trabalhador e que também não ficou estabelecido qual seria. A ser considerado o Acordo para pagamento de PLR, assinado em 18/12/2003, este teria efeitos retroativos, com valores e metas fixados após o encerramento do exercício para serem pagos em relação a período pretérito, o que também não estaria de acordo com a legislação. Ainda é de se notar, que este acordo para pagamento de PLR em 2004 e retroativo a 2003, expressava indicadores e pesos nos anexos I e II, fls. 50/56, todavia mesmo que aceito para 2004, no corpo do documento existe menção expressa de que os indicadores, pesos e metas estabelecidos para o respectivo exercício deveria ser comunicado para cada empregado, que com base na informação teria conhecimento dos indicadores de resultado para a empresa, unidade de negócios e área em que estivesse vinculado, bem como o valor da PLR, relacionada com o percentual de atingimento de tais resultados. Ocorre que não há qualquer prova nos autos de que os trabalhadores tiveram conhecimento das metas estabelecidas. A recorrente não trouxe nenhum elemento que demonstrasse que os segurados estivessem cientes de que resultados a empresa almejava e do que precisavam realizar para alcançálos. O Acordo ainda refere que poderão ser definidos novos indicadores para o pagamento da PLR, que também deverão ser comunicados aos empregados, mas repito, nada consta nos autos a este respeito. Ao Acordo datado de 15/03/2006, fls. 59/63, com vigência retroativa a 2005 e válido até 12/2006, se aplicam todas as considerações acima referidas. É inaplicável para o exercício pretérito de 2005 e quanto a 2006, não está evidenciado que os empregados foram comunicados das metas a serem atingidas. Assim, frente a realidade fática encontrada pela fiscalização, correto foi o procedimento de lançar o crédito referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, porque tais pagamentos não obedeceram aos preceitos legais de que dos acordos deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, ou seja, devem estar evidenciados os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Por derradeiro, a recorrente pauta suas razões na impossibilidade constitucional de considerar a PLR como verba salarial. Com efeito a Constituição Federal desvinculou totalmente a rubrica do salário, desde que seja efetivamente considerada Participação nos Lucros e Resultados. Aí reside o ponto chave, os valores pagos aos segurados empregados na forma da Lei n.º 10.101/2000, realmente não integram o salário conforme disposição constitucional. Todavia, nos casos em que valores são pagos a título de PLR, mas não se revestem das características necessárias para tanto, o fisco tem o dever e a prerrogativa de levantar tais valores como salário integrante da base contributiva previdenciária. No caso em questão, pelo exame dos documentos apresentados e grafados em português, não restou demonstrado que os valores pagos aos segurados empregados se revestiram das características e cumpriram os pressupostos legais exigíveis para ser efetivamente parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, devendo, assim integrar o salário de contribuição. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.001007/200732 Acórdão n.º 230201.765 S2C3T2 Fl. 6 11 “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto ao protesto empreendido pela recorrente acerca da produção de provas, temse que caberia a ela apresentar as provas que fossem capazes de ilidir o levantamento do crédito, o que não o fez. Entendo que não é pertinente o protesto, mas sim a produção das provas. Ainda nesta linha de raciocínio, o pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria MPS/GM nº 520/2004: “Art. 9º (...) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Decreto nº 70.235/72 “Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 9º da Portaria MPS/GM acima transcritas. Ressaltese que, de acordo com o § 2º do mesmo art. 9º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrandose a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo. No caso em análise, o impugnante não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, não sendo pertinente a juntada de documentos após a impugnação. Em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, eis que constante de sua escrita contábil, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.001007/200732 Acórdão n.º 230201.765 S2C3T2 Fl. 7 13 aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 383DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10675.901416/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. A contribuinte AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0938.540, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA, que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 41 6/ 20 09 -1 2 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901416/200912 Resolução nº 3802000.108 S3TE02 Fl. 120 2 Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu o Dcomp nº 12063.81599.291105.1.3.042120, visando compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 14/01/2005; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o crédito foi apurado conforme DIPJ e DCTF retificadoras; É o breve relatório” O órgão julgador a quo esclarece que “a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito” e que “a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e comunica à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora).” Prossegue afirmando que “com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso.” Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega que o direito creditório pleiteado seria decorrente do indevido recolhimento da Cofins em função da redução a zero da Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901416/200912 Resolução nº 3802000.108 S3TE02 Fl. 121 3 alíquota do referido tributo incidente sobre a importação e a receita bruta de venda no mercado interno dos produtos mencionados no art. 1º da Lei nº 10.925/04, juntando aos autos diversos documentos fiscais (DIPJ, DCOMP’s, Notas Fiscais e planilhas com resumo de apuração do período considerado. É o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que “procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)”. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim “(defensivos, adubos, sementes, etc.)”. Apresenta então a Recorrente sua tese central de origem dos créditos: Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901416/200912 Resolução nº 3802000.108 S3TE02 Fl. 122 4 Ora, o art. 1o da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9o, § 1o, e 15, § 3o), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1o. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime – o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo. Por outro lado, a documentação comprobatória juntada pela Recorrente é deveras numerosa, de modo que este julgador não tem possibilidade de conferirlhe o exercício de cognição de modo exauriente o suficiente para afirmar seu quantum. Assim sendo, diante da impossibilidade concreta de se confirmar, peremptoriamente, o montante líquido e certo passível de compensação, a prudência recomenda a conversão do feito em diligência. Diante disso, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para que a contribuinte também se manifeste a respeito. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13855.720013/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
RESERVATÓRIO DE USINAS HIDRELÉTRICAS. ÁREAS ALAGADAS E SEU ENTORNO. NÃO INCIDÊNCIA.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre a totalidade das áreas desapropriadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, assim compreendidas as áreas efetivamente alagadas e as áreas em seu entorno.
Numero da decisão: 2202-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ÁREAS ALAGADAS E SEU ENTORNO. NÃO INCIDÊNCIA. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre a totalidade das áreas desapropriadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, assim compreendidas as áreas efetivamente alagadas e as áreas em seu entorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 13 /2 01 0- 70 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 348 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 5, pela qual se exige a importância de R$6.658.590,80, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2007, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado FURNAS 863 USINA HIDRELÉTRICA DE ESTREITO, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 2.707.3408, localizado no município de Pedregulho/SP. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão das DITR/2007, no qual foi solicitado à contribuinte apresentar cópias autenticadas ou cópia simples, acompanhadas dos originais, dos seguintes documentos (fls. 10 e 11): (a) identificação do contribuinte; (b) matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; (c) Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do INCRA; e (d) laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e, preferivelmente, elaborado pelo método comparativo direto de dados de mercado. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 2 e 3, verificase que foi apurada falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude do arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN com base no Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal – SIPT, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou Laudo de Avaliação requerido pela fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 14 a 61, instruída com os documentos de fls. 62 a 89, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 156 a 158): Cientificada do lançamento, por via postal, em 08/02/2010 (fls. 94), a interessada apresentou a impugnação de fls. 14 a 61, assinada em 05/03/2010, sem data de recepção, acompanhada dos documentos de fls. 62 a 89, onde argumentou, em suma, o que segue: • Inicialmente discorreu sobre a forma de constituição das sociedades de economia mista, distinguindoas em duas espécies: as que exploram atividades econômicas e as que prestam serviço público; tratou da natureza da atividade que desenvolve e do regime jurídico a que está sujeita para, entre outros argumentos, concluir que "a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica são serviços essencialmente públicos, sejam eles prestados pelo próprio Poder Público, Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 349 3 diretamente, por órgãos da Administração indireta ou por particulares, nos moldes do que dispõe a Constituição Federal, em seu art. 21, inciso XII, alínea "b"; • Não está isenta ou imune à tributação, mas o Poder Público busca reduzir ou afastar a tributação de certos setores, com vistas a estimular certo contribuinte ou certas atividades; que os incentivos fiscais, entre eles a isenção tributária, devem respeitar limites constitucionais estabelecidos — em especial o princípio da legalidade, previsto no art. 150, § 6°, da CF; • As empresas concessionárias do serviço público de energia elétrica, poderiam, em tese, sujeitarse à incidência de tributos, conforme previsto no art. 41, § 1o do Ato das Disposições Transitórias, contudo, não se pode dizer, efetivamente, se estão sujeitas à incidência de imposto como o ITR, conforme se depreende do exame da regra matriz do imposto, no inciso VI, art. 153 da Constituição Federal; • Os bens foram destinados ao patrimônio da empresas de energia, que passaram a ter a propriedade das áreas destinadas aos reservatórios de água, para uma finalidade específica, e, apesar de estarem localizados na zona rural, não se prestam a nenhuma atividade rural; • As áreas destinadas às margens do reservatório devem ser livres do impacto do tributo, pois são caracterizadas como área de preservação permanente, devendo ser excluídas portanto, da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 10, § 1o, inciso II, alínea "a", Lei 9.393/96, observando também o art. 2° do Código Florestal; e, como as áreas estão, em sua maioria, cobertas de água e são afetadas a uso especial, se caracterizam como imprestável a qualquer tipo de exploração, nos termos da alínea "c", inciso II, do art. 10 da Lei n.° 9.393/96; • Os reservatórios de água não podem sofrer a incidência do ITR, pois são alimentados por correntes públicas reforçando a qualidade de bem público da União, conforme § 3°, do art. 2", do Código de Águas, em consonância com o art. 20 inciso III e VIII da Constituição que determina os bens da União, juntamente com a Lei no 9.433/97 que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, determinando em seu art. 1° que a água é um bem de domínio público, o que é validado pelo inciso XIX, art. 21 da Constituição; • As águas são de domínio público e, enquanto tais, possuem as prerrogativas de inalienabilidade, impenhorabilidade e imprescritibilidade, e a desafetação de um bem nessas condições depende de lei ou de ato do Poder Público; • O art. 30, do CTN, dispõe que a base de cálculo do imposto é o valor fundiário, porém, a legislação específica referese ao "Valor da Terra Nua tributável — VTN", que é obtido pela multiplicação do VTN (valor de mercado das terras) pelo quociente entre a área tributável e a área total, mas que não há valor de mercado para a apuração do VTN do imóvel tratado, por onde começam os cálculos; • Não se poderia aplicar a "alíquota máxima" (20%) como se o grau de utilização do imóvel fosse o mínimo, equiparado, assim, aos latifúndios improdutivos; não sendo crível que a "terra" submersa por represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor que outras destinadas ao cultivo de primeira, de pastagem ou inaproveitável, pois está fora do âmbito de incidência do imposto; considerar como improdutiva a produção, geração, transmissão de energia elétrica — para imensidão da área abrangida por FURNAS é uma falácia incompatível não só com o sistema jurídico vigente, mas com a própria lógica que deve preceder a qualquer julgamento que se pretenda válido e produtor de resultados; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 350 4 • Tomouse o valor da terra — apontado no Sistema de Preços de Terra — SIPT, considerado o mesmo para as "terras submersas" e sobre ele aplicouse o GU sem qualquer exclusão, mesmo as constitucionalmente asseguradas; a busca da verdade material é imperativa para o exercício da atividade administrativa estipulada no artigo 142, do Código Tributário Nacional, em observância aos ditames maiores de índole Constitucional; • Em nenhum momento cuidou a lei de referirse à exploração energética, talvez impulsionada pela legislação antiga, que concedia isenção a tais atividades, deixando ao aplicador da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática que não permite incluir na hipótese de incidência do Imposto Territorial Rural aquela que não estiver ali explícita • O Parecer Cosit n° 15, emitido pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da SRF, não determina nenhuma conduta, não obriga ninguém a fazer ou a deixar de fazer, não cria hipótese de incidência de ITR, não alarga a hipótese de incidência estatuída em lei, e, basicamente, sustenta as teses de que os imóveis rurais adquiridos para construção dos reservatórios são bens de propriedade das Concessionárias, Autorizadas ou Permissionárias, afetados às suas atividades essenciais, e que os reservatórios de água das barragens e potenciais de energia hidráulica, de que trata o texto Constitucional (art. 20, inciso VIII) não significam a mesma coisa. • O art. 20 da Constituição da República estabelece como propriedade da União "os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terreno de seu domínio" e, nesse aspecto, os reservatórios poderão também integrar o conceito de "rio" se considerarmos que sua aparição adveio do represamento do curso de água, continua sendo rio, agora represado; e o Reservatório de Usina corresponde ao Potencial de Energia Hidráulica de que trata o texto Constitucional; • Em síntese: As terras alagadas pelo reservatório não têm valor de mercado, além de constituir área indisponível, são inaproveitáveis para finalidade a que se propõe o ITR, na condição de Imposto regulatório, que visa, exclusivamente, incentivar a atividade agrícola, o que confirma não haver valor de mercado; assim, além da não incidência do imposto, não há base de cálculo, infirmando a hipótese de incidência; • Ao entender como área tributável as terras alagadas da Usina de Estreito, o fiscal autuante descumpriu as normas dispostas na Lei n° 9.393/1996, especialmente seu art. 10, § 1o inciso II, "a" "b" e "c", tomando nula a exigência; Para ilustrar seu entendimento, a interessada transcreveu súmula do CARF, jurisprudência administrativa e doutrina diversa, e, ao final, requereu a improcedência do lançamento e, caso negativo, alternativamente, requereu a realização de diligência, com base no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, para apuração da área total do imóvel, da área alagada, das construções, instalações e benfeitorias, da área de preservação permanente, da área pertencente à União, conforme artigo 20, III, da Constituição Federal, da área tributável, do valor da terra nua, da área aproveitável, da área utilizada e do grau de utilização. Conforme despacho de fls. 154, foram anexados aos autos os documentos de fls. 93 a 153, em sua maioria, documentos apresentados pela interessada em atendimento à intimação fiscal. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 351 5 Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0421.089 (fls. 155 a 165), de 09/07/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A alteração dos dados declarados utilizados para cálculo do imposto somente poderá ser aceita mediante apresentação de elementos concretos que a justifiquem. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e outras não declaradas é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e do cumprimento de exigência legal de entrega do ADA ao Ibama, no prazo fixado na legislação tributária. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 30/07/2010 (vide AR de fl. 168), a contribuinte apresentou, em 24/08/2010, tempestivamente, o recurso de fls. 169 a 198, no qual reitera, basicamente os termos de sua impugnação, sintetizando as razões de sua irresignação com as seguintes conclusões (fls. 196 e 197): (i) a fiscalização federal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário e, sem mensurar a verdadeira base de cálculo, sem efetuar cálculos ditados pela Lei 9.393/96 — apontada como fundamento da capitulação da infração — (sem efetuar qualquer exclusão de valores, qualquer subtração de áreas e sem a multiplicação necessárias à apuração do imposto) — apurou por "arbitramento" o valor da terra nua do imóvel com aptidão agrícola definida com pastagem; (ii) a fiscalização aplicou multa de 75% sobre base de cálculo incompatível —inexistente, aliás — como demonstrado na alínea anterior, além de ser ofensiva aos parâmetros aceitos pela legislação e jurisprudência; (iii) a fiscalização desconsiderou áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal (Lei n° 4.771/65, com redação dada pelo Lei n° 7.803/89 transcrita linhas acima, bem com a RESOLUÇÃO n° 302, de 20/03/2002, expedida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente — CONAMA), no mínimo; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 352 6 (iv) as porções de terra cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas — ou que lhe servem de margem legal, de preservação ou de segurança — são bens de domínio público da União e nunca poderiam se colhidas no critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais ainda de imposto da competência privativa e exclusiva daquela mesma pessoa política de direito público interno. As áreas, por ilação lógica, estão fora do campo de abrangência do imposto, isto é, não são passíveis de sua incidência; (v) a base de cálculo, grandeza fundamental para a consistência lógica da regramatriz, simplesmente inexiste, bastando examinar, a título de demonstração, como ficariam, se porventura houvesse, as funções mensuradora, objetiva e comparativa dessa entidade, como demonstrado linhas atrás. Ademais, a legislação não cuidou para que as hidrelétricas — se exercem atividade "não rural", como consta no Formulário para Declaração — pudessem excluir do valor do imóvel qualquer quantia relativa às instalações, benfeitorias e construções, como qualquer outro contribuinte do imposto, nem mesmo qual o valor que pode ser considerado para a avaliação de terreno alagado que, por certo, não serve às atividades ali nomeadas; (vi) Ainda quando a autoridade administrativa, sob o argumento: "a impugnante não apresentou qualquer documento comprovando os valores das áreas adotou, para o Município onde está situada, para o imóvel com aptidão agrícola definida como de uso misto inaproveitável, campo ou outros e calculou e arbitrou o Valor da Terra Nua do referido imóvel para cada ano. Esse valor somado ao indicado pela declarante a título de benfeitorias correspondem ao valor venal do imóvel nos respectivos exercícios..." Logo, o que se vislumbra, contrariamente ao que assevera a autoridade "a quo" é a flagrante arbitrariedade e ilegalidade com que agiu o Fisco, tanto ao admitir com VTN o valor fundiário genericamente estabelecido para o Município onde está situada a Usina Hidrelétrica, par "terra com aquelas aptidões agrícolas mencionadas, arbitrando o VTN e somandoo ao declarado pela recorrente com benfeitorias, como se encontrasse amparo na Lei n° 9.393/96! E, como não o encontrou na lei, como determina a ordem jurídica, baseouse em "parecer" emitido pela Secretaria da Receita Federal. (vii) A matéria é objeto de Súmula que afasta a exigibilidade do ITR sobre as terras alagadas para fins de reservatório de usina hidrelétrica (Súmula n° 45 CARF). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, inicialmente distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 353 7 DA DILIGÊNCIA Na sessão de 20/02/2013, esta Câmara decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 2202000.444 cujo voto reproduzo a seguir: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, decorrente do arbitramento do VTN, uma vez que a contribuinte havia informado valor zero e não apresentou Laudo de Avaliação, elaborado de acordo com as normas previstas pela ABNT, para se contrapor ao valor fixado pela fiscalização. Por outro lado, a contribuinte apresentou extensa defesa que pode ser sintetizada no fato de que, apesar da área total do imóvel ter sido declarada como tributável, seriam áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas e, portanto, fora do campo de incidência do ITR. No que diz respeito ao mérito da questão, não obstante o lançamento refirase a exercício anterior a vigência do art. 10, §1o, inciso II, alínea “f”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que, a partir do exercício 2009, exclui da área tributável as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, a matéria já se encontra pacificada por meio da Súmula CARF no 45, segundo a qual “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Contudo, existem dúvidas no que diz respeito à delimitação da área alagada, pois a contribuinte não juntou qualquer documento que a quantificasse, sem o qual não é possível fazer a exclusão pretendida. Dessa forma, a fim de que se possa formar convicção acerca da matéria em análise, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime a contribuinte apresentar: 1. Laudo Técnico de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado de acordo com as normas da ABNT, para comprovar a dimensão das áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas e, eventualmente, a existência de área de preservação permanente, descrevendoas e quantificaos objetivamente de acordo com a classificação estabelecida no Código Florestal, e outras passíveis de exclusão que não estejam inseridas nas áreas alagadas; 2. Caso a área total do imóvel não esteja incluída no conceito de áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas e existam outras áreas passíveis de exclusão, apresentar cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, emitido pelo IBAMA correspondente ao exercício fiscalizado e, no caso de área de utilização limitada, comprovar a sua averbação à margem da matrícula do imóvel. Atendendo à solicitação do Colegiado de segundo grau, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 331 a 345. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 354 8 Os autos retornaram de diligência, vindo digitalizados até à fl. 3461. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 223 (fl. 316 da digitalização). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 355 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Importa destacar que a questão submetida a apreciação deste Colegiado diz respeito a incidência ou não do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Não obstante o lançamento decorra do arbitramento do VTN, uma vez que a contribuinte havia informado valor zero e não apresentou Laudo de Avaliação, elaborado de acordo com as normas previstas pela ABNT, para se contrapor ao valor fixado pela fiscalização, verdade é que a contribuinte apresentou extensa defesa centrada no fato de que, apesar da área total do imóvel ter sido declarada como tributável, seriam áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas e, portanto, fora do campo de incidência do ITR. No que diz respeito ao mérito da questão, não obstante o lançamento refirase a exercício anterior a vigência do art. 10, §1o, inciso II, alínea “f”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que, a partir do exercício 2009, exclui da área tributável as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, a matéria já se encontra pacificada por meio da Súmula CARF no 45, segundo a qual “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Contudo, em razão de dúvidas suscitas por esta Relatora no que diz respeito à delimitação da área alagada, foi determina a realizada de diligência para que a contribuinte apresentasse Laudo Técnico de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado de acordo com as normas da ABNT, para comprovar a dimensão das áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas e, eventualmente, a existência de área de preservação permanente, descrevendoas e quantificaos objetivamente de acordo com a classificação estabelecida no Código Florestal, e outras passíveis de exclusão que não estejam inseridas nas áreas alagadas. Às fls. 331 a 335, encontrase anexado Parecer Técnico do qual importa transcrever os seguintes excertos: 5.1. Reservatório O reservatório tem duas partes que podem assim ser consideradas: Área Inundada, limitada pela cota máxima de operação, 622,50m, com um perímetro de 194,685 km e uma área de 4.273,5454ha; Área desapropriada, limitada pela cota de desapropriação 626,30m ou Cota Máxima Maximorum, com um perímetro de 281 km, e uma área de 5.362,7773ha, ou seja, lago mais área de segurança. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 356 10 [...] 5.2. Área de Preservação Permanente APP A desapropriação do reservatório se deu na década de 1960, portanto, anterior a Medida Provisória n° 216667, de 24 de agosto de 2001 e da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA n° 302, de 20 de março de 2002, que determinam a aquisição, por parte da expropriante, da Área de Preservação Permanente também acima da cota de desapropriação. A Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, declarou que: "...Art. 62. Para os reservatórios artificiais de água destinados a geração de energia ou abastecimento público que foram registrados ou tiveram seus contratos de concessão ou autorização assinados anteriormente à Medida Provisória n° 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a faixa da Área de Preservação Permanente será a distância entre o Nível Máximo Operativo Normal e a Cota Máxima Maximorum...." O Nível Máximo Normal do reservatório de Luiz Carlos Barreto se encontra na cota 622,50m, e a Cota de Desapropriação ou Cota Máxima Maximorum é de 626,30m, consoante desenho anexo, proveniente do Levantamento Aerofotogramétrico elaborado pela empresa MAPLAN, no ano de 2006. FURNAS é, portanto, proprietária da área do entorno do reservatório até a cota 626,30m, sendo que a faixa de terras compreendida entre as duas cotas acima referidas (Nível Máximo Normal e Cota de Desapropriação) constituise em Área de Preservação Permanente (APP). Ressaltese que a referida faixa de terras compreendida entre essas duas cotas, embora seja considerada Área de Preservação Permanente (APP), é passível de inundação pelo reservatório da UHE Luiz Carlos Barreto, uma vez que se trata de Área de Segurança do reservatório. Ao final, o engenheiro responsável pela elaboração do parecer esclarece que a área desapropriada para o reservatório declarada na DITR como sendo de 5.115,5ha, foi baseada levantamento de 1950, com equipamentos que não tinham a mesma precisão de hoje, razão pela qual é menor que a área atual. Como se vê, a área total desapropriada fins de construção do reservatório foi de 5.362,7773ha, maior do que a área declarada pela contribuinte, correspondente à área efetivamente alagada e uma faixa de segurança passível de inundação (compreendida entre o Nível Máximo Normal e Cota de Desapropriação), esta última considerada como área de preservação permanente. Não obstante a redação da Súmula CARF no 45, anteriormente transcrita, seja bastante sucinta ao determinar que o ITR“não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.”, pelas ementas dos acórdãos2 paradigmas que lhe deram origem, a seguir reproduzida (Acórdão no 30133.691, de 28/02/2007; Acórdão no 30239.932, de 12/11/2008; Acórdão no 30238.594, de 25/04/2007; e Acórdão no 30335854, de 10/12/2008) inferese claramente que a não incidência alcança a 2 Informação extraída no sitio do CARF em 30/04/2013. (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/Sumulas/listarSumulas.jsf) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13855.720013/201070 Acórdão n.º 2202002.345 S2C2T2 Fl. 357 11 área total desapropriada para fins de constituição dos reservatórios, ou seja, a área efetivamente alagada e área de segurança entorno do lago artificial (área de preservação permanente). ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. NÃO INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do ITR sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu patrimônio nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. Assim, comprovado que a área total do imóvel corresponde a área desapropriada para fins de constituição de reservatório de usina hidroelétrica, não há área a ser tributada. Por fim, há que se fazer uma ressalva em relação a obrigatoriedade de apresentação do ADA. Considerandose que o exercício fiscalizado é anterior a alteração promovida pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008, que incluiu, dentre as áreas passíveis de exclusão da área de tributável do ITR, as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas (art. 10, §1o, inciso II, alínea “f”, da Lei no 9.393, de 1996), não cabe exigir a apresentação do ADA para fins de gozo do benefício fiscal, uma vez que não havia campo específico para informar tais áreas. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10140.720413/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição social a título de distribuição de lucros e dividendos aos sócios da sociedade.
Não existe norma que obrigue a percepção pelos sócios de verba mínima representativa de pró-labore, podendo a remuneração decorrer apenas de distribuição nos lucros, não podendo esse fato ser tido como ausência de discriminação das verbas na contabilidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720413/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.957 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ANGIOCENTRO DIAGNÓSTICOS E TRATAMENTOS VASCULARES AVANÇADOS S/S Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição social a título de distribuição de lucros e dividendos aos sócios da sociedade. Não existe norma que obrigue a percepção pelos sócios de verba mínima representativa de prólabore, podendo a remuneração decorrer apenas de distribuição nos lucros, não podendo esse fato ser tido como ausência de discriminação das verbas na contabilidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 13 /2 01 2- 13 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10140.720413/201213 Acórdão n.º 2403001.957 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0429.334 fls. 190/198, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal consolidada em 26/03/2012 e cientificada à empresa contribuinte em 27/03/2012. Decorrentes da auditoria realizada na ANGIOCENTRO DIAGNÓTICOS E TRATAMENTOS VASCULARES AVANÇADOS S/S, sociedade simples de serviços médicohospitalares na área de angiologia e cirurgia vascular, prestados pessoalmente pelos sócios que a integram, os créditos previdenciários referemse ao período compreendido entre 01/2008 a 12/2008, e foram constituídos através dos seguintes Autos de Infração: 1. AI DEBCAD nº. 37.359.9846 (Contribuinte Individual – patronal – 20%), apurado no montante equivalente a R$ 617.428,27 (seiscentos e dezessete mil, quatrocentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos); 2. AI DEBCAD nº. 37.359.9854 (Contribuinte Individual – segurado – 11%), apurado no importe correspondente a R$ 23.436,40 (vinte e três mil, quatrocentos e trinta e seis reais e quarenta centavos); 3. AI DEBCAD nº. 37.359.9838 (Descumprimento de Obrigação Acessória), imputada a multa no valor de R$ 22.639,68 (vinte e dois mil, seiscentos e trinta e nove reais e sessenta e oito centavos). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 17/25, in verbis: “1.5 As receitas da empresa não são obtidas através de mãode obra médica contratada e sim da força do trabalho médico de seus próprios sócios, conforme pode ser comprovado, dentre outros, no contrato social e na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), a seguir detalhados: a) A cláusula 1a do item III – Objetivo Social do contrato social, que foi consolidado na 1a alteração contratual, estabelece que o objeto social desta empresa é ‘...exames complementares na área de angiologia, cirurgia vascular e cirurgia endovascular e angiorradiologia intervencionista’, ficando claro que a receita da empresa é a prestação de serviços de atendimentos médicos efetuados pelos próprios sócios, já que a única atividade da empresa. Confirmado no parágrafo único do item IX – Pro Labore, que foi consolidade na 1a. alteração contratual, onde estabelece que ‘os honorários devidos aos sócios, pelas atividades médicas, mesmo que provenientes de convênios são receitas da sociedade’. b) A GFIP é o documento previsto no inciso IV do art. 32 da Lei nº. 8.212, de 1991, para a empresa declarar, dentre outros, Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária. Nas GFIP das competências de 01/2008 a 12/2009, detalhadas no anexo I onde não foram informados segurados com classificação de ocupação médica, só tem o sócio administrador que tem retirada pró labore. Como também não consta da contabilidade o pagamento de serviços médicos contratados de outra Pessoa Jurídica, resta concluir que toda a mãodeobra utilizada nos serviços prestados pela empresa, que são privativos de médicos, foram realizados pelos próprios sócios. 1.6. A empresa remunerou seus sócios pelos serviços a ela prestados, da seguinte forma: a) Somente ao sócio Mauri Luiz Comparin, pagou ou creditou a título de prólabore uma remuneração mensal equivalente a um salário mínimo, conforme declarado na GFIP (anexo I), sendo que pelo contrato todos tem direito à retirada (cláusula 1ª – Item IX – PróLabore da 1ª alteração contratual). b) A todos os sócios, inclusive aos administradores, a empresa efetuou vários pagamentos a título de distribuição de lucro, conforme demonstrado na planilha do anexo II. Esses pagamentos foram partilhados entre os sócios de acordo com a produção de cada um, em consonância com o estabelecido no item VI – Exercício Social do contrato social, que foi consolidado na 1ª alteração contratual, a seguir transcrita: ‘Ao término de cada exercício social, em 31 de dezembro de cada ano, serão levantados o balanço patrimonial e o balanço de resultado econômico; os resultados (lucros/prejuízos) serão partilhados entre os sócios na proporção de sua produção. c) O item VI – Exercício Social do contrato social, que foi consolidado na 1ª alteração contratual confirma que os valores repassados aos sócios será proporcional à produção... (...) 1.9. A empresa, ao partilhar os resultados entre os sócios na proporção da produção de cada, de fato os remunera pelos trabalhos médicos a ela prestados. Afinal o sócio (médico) que trabalha menos ganha menos e o que trabalha mais, obviamente, ganha mais. É assim que funciona a remuneração do trabalho prestado por segurados contribuintes individuais. É pelo desempenho pessoal de cada um. Entretanto, por se tratar de remuneração decorrente do trabalho, ela não pode ser titulada de ‘distribuição de lucro’ com o mero propósito de fugir à incidência de contribuições e impostos. 1.10. O inciso II do §5º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/1999 prevê, desde sua redação original, que, para sociedade civil (atualmente sociedade simples) de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, se não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de 20% sobre os valores totais pagos ou Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10140.720413/201213 Acórdão n.º 2403001.957 S2C4T3 Fl. 4 5 creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica. 1.11. Desta forma, como não houve discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo da contribuição é toda a remuneração paga pela empresa aos seus sócios a título de ‘distribuição de lucro’, no período de 01/2008 a 12/2009. Tais pagamentos, conforme ficou demonstrado, se referem na realidade à remuneração pelos serviços médicos prestados pelos sócios e não ‘distribuição de lucro’. 2. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD nº. 37.359.9846 2.1. LANÇAMENTO 2.1.1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração e se refere às contribuições da empresa devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondente à rubrica Contribuinte Individual – patronal – 20%. (...) 3. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD nº. 37.359.9854 LANÇAMENTO 3.1.1. . Este relatório é parte integrante do Auto de Infração e se refere às contribuições da empresa devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondente à rubrica Contribuinte Individual – Segurado – 11%. (...) 4. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD nº. 37.359.9838 – Fundamento Legal 68 DA INFRAÇÃO 4.1.1. A empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias nos meses 01/2008 a 11/2008, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 e parágrafo 3º e 5º, acrescentados pela Lei 9.528/97 combinado com art. 225, IV, parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06.05.99”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 135/147. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Após analisar os argumentos da Recorrente, a 4ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, DRJ/CGE, prolatou o Acórdão n° 04 29.334 (Fls. 190/198), mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. REMUNERAÇÃO. Incide contribuições previdenciárias sobre remuneração paga aos sócios na forma de distribuição de lucro quando não há discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social da empresa. Impugnação Improcedente.” DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 213/226, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Os valores repassados aos sócios realmente configuram distribuição de lucros, e não remuneração a título de prólabore.Quanto a este, só seria devido ao sócioadministrador, diretamente envolvido com questões administrativas e burocráticas da gestão da sociedade, como remuneração pelo tempo despendido em tais questões; 2. Os creditamentos feitos pela recorrente aos seus sócios a título de distribuição de lucro foram feitos em consonância com o seu contrato social, que permite a distribuição assimétrica dos lucros, conforme a produtividade de cada um; 3. A escrituração contábil da recorrente, ao contrário do que foi colocado no relatório fiscal, discrimina na forma legal, a distinção entre tudo aquilo que foi remunerado a título de prólabore e o lucro distribuído proveniente do resultado do exercício, alegando que os valores excedentes do salário pré fixado em contrato social aos sócios devem ser enquadrados como distribuição de lucros; 4. Não há nenhum dispositivo legal que obrigue as pessoas jurídicas a remunerarem seus sócios com valores a título de prólabore. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10140.720413/201213 Acórdão n.º 2403001.957 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 262, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Analisando a matriz constitucional da Contribuição Previdenciária prevista no art. 195 da Constituição Federal, temos o que segue: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Do exposto, verificase que o fato gerador das contribuições previdenciárias é a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Logo, não há previsão constitucional para a incidência de contribuição previdenciária em relação ao lucro distribuído aos sócios. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Ademais, na Lei n. 8.212/91 não há qualquer previsão de incidência da contribuição previdenciária em relação ao lucro. Diferente, por exemplo, da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, que há previsão na Lei n. 7.689/98. A hodierna doutrina dispõe no sentido de que não há, na legislação tributária, nenhuma vedação para o sócio ou acionista receberem apenas os lucros e dividendos1, in verbis: “A nosso ver, em qualquer sociedade, os sócios ou acionistas podem optar por não querer perceber remuneração (prólabore), aceitando apenas os lucros ou dividendos. Não há em nosso ordenamento jurídico norma que obrigue ao sócio ou acionista receber o pagamento de prólabore. Muito pelo contrário; tratase de uma opção do sócio/acionista administrador de uma sociedade, que pode tanto angariar parte do pagamento por força de prólabore e a outra parte a título de lucro/dividendo, como optar por perceber tudo somente como lucro/dividendo.” (sem destaque no original) Sendo, outrossim, o entendimento exarado pelo STJ no julgamento do REsp n. 510.810/MG, onde transcrevo alguns trechos, in verbis: “Analisando o contrato social da Impetrante, fls. 12/32, extraise que este nunca previu o pagamento de pro labore aos sócios em decorrência dos serviços de advocacia prestados a terceiros, mas estabeleceu a distribuição dos lucros auferidos segundo os critérios determinados pelos sócios majoritários. Não se deve olvidar, por outro lado, que retirada a título de pro labore está tãosomente prevista como contraprestação pelo trabalho profissional prestado à sociedade (doc. Fls. 14), não havendo notícia nos autos da realização de pagamento aos sócios a tal título. (...) Desta forma, levandose em consideração a previsão contratual segundo a qual o lucro apurado pela sociedade seria distribuído conforme deliberação dos sócios majoritários, podendo ser antecipações por conta do resultado final do exercício e o disposto no documento de fls. 46, atestando que os valores percebidos pelos sócios estão contabilizados exclusivamente sob a rubrica ‘distribuição de lucros’, entendo que deve ser mantida a sentença a quo, que concedeu a segurança aos impetrantes para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante de não se sujeitar, a partir de setembro de 1988, ao recolhimento da contribuição social incidente sobre a remuneração de autônomos e empresários, disciplinada pelo art. 1º, I, da Lei Complementar nº 84/96, atualmente regida pelo art. 22, III, da Lei nº 8.212/91, com redação que lhe foi conferida pelo art. 1º da Lei nº 9.876/99.” A análise do relatório fiscal permite identificar os seguintes argumentos tecidos pela auditoria para a lavratura da autuação em epígrafe: a) a distribuição não foi feita 1 Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Editora., 2012. P. 347. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10140.720413/201213 Acórdão n.º 2403001.957 S2C4T3 Fl. 6 9 em função da participação social de cada um no capital social; b) a suposta distribuição se deu de acordo com a produção de cada um, conforme item VI – Exercício Social do contrato social, que foi consolidado na 1ª alteração contratual; c) A distribuição não é proveniente do capital social, afinal não seria factível uma repartição de lucro de 918,17% em 2008 ou 866,67% em 2009 para cada R$ 1,00 investido; d) não houve discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Com relação à distribuição não ter sido feita em função da participação de cada um no capital social e a proveniência do capital social em razão dos lucros auferidos, itens “a” e “c”, não há de serem considerados plausíveis para o caso em questão. Primeiramente, não há qualquer limitação na legislação para distribuição de lucros a partir do capital social. Os lucros serão repartidos conforme as disposições societárias e contábeis, se ele ocorreu em determinado período e os sócios desejam sua repartição, que sejam feitas nos limites de sua existência. No que concerne à distribuição ter se dado de forma desproporcional ao capital investido por cada sócio, teria plausibilidade o fundamento aduzido pela autoridade fiscal caso não houvesse disposição contratual específica prevendo a repartição desproporcional, conforme fl. 60 dos autos, nos termos do disposto no art. 1.007 do Código Civil, in verbis: Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Cabe ainda considerar, no caso em tela, que se trata de uma sociedade simples de médicos, cujos sócios exercem as atividades sociais pessoalmente, prestando serviços de alta complexidade, o que torna compreensível que eles sejam remunerados de acordo com seu empenho, responsabilidade e dedicação ao serviço, de modo que a realização do objeto social desta sociedade, em específico, esteja ligada às qualidades pessoais dos sócios e ao empenho destes nas execução de atividades. Ressaltese, também, que a legislação previdenciária não regra o valor mínimo ou máximo a ser pago a título de prólabore, o que permite aos sócios adotarem políticas de gestão baseadas no resultado, para reduzir o valor da remuneração do trabalho, acreditando na remuneração do capital. Em relação a ausência de discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, percebese o equívoco da autoridade fiscal, eis que é constatado o recebimento de um salário mínimo ao sócioadministrador, a título de prólabore, conforme informado no item 1.6. do Relatório Fiscal, fl. 18. O fato de os outros sócios não receberem este tipo de verba, o que ensejaria assim, nos termos do relatório fiscal, fls. 17/25, a ausência de discriminação entre elas, por entender ser obrigatória a remuneração pelos trabalhos prestados e não apenas a decorrente do capital social, é também imputação frágil e, data venia, sem respaldo legal. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Isso porque não existe qualquer disposição legal informando a obrigatoriedade de pagamento de prólabore aos sócios, conforme adrede exposto, de modo que, se assim optarem, estes podem receber apenas valores oriundos da distribuição nos lucros. Portanto, pagar ou não prólabore, quando o sócio presta serviço à empresa, é uma opção da sociedade, até porque, por exemplo, pagamentos de certa quantia – como um salário mínimo – não alteraria a natureza jurídica da distribuição de lucros, que deve ser demonstrada na contabilidade. Assim, é a contabilidade – regular, formalizada seguindo as determinações legais – que demonstra se a distribuição de lucro foi correta ou não, pois caso não haja, por exemplo, resultado positivo (lucro), não haverá, consequentemente, o que distribuir, e todo o valor retirado pelos sócios deve ser considerado prólabore. Dessa mesma forma, já foi decido recentemente nesta Segunda Seção, em julgamento que resultou na prolatação do Acórdão 2301002.905, pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, cuja ementa segue abaixo colacionada: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 21/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do § 5o do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETÊNCIA. SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa de afastar a aplicação de multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10140.720413/201213 Acórdão n.º 2403001.957 S2C4T3 Fl. 7 11 da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº. 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº. 8.212/1991 combinado com o art. 44, I, da Lei nº.9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido. Sendo assim, existindo escrituração contábil regular que demonstre e discrimine a remuneração recebida a título de prólabore, pelo sócio administrador e a existência de lucro e de somente sua distribuição a partir de critério idôneo previsto no contrato social, fls. 58/61, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar provimento, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004386/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FORMULÁRIOS CONTÍNUOS.
Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificam-se no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES.
Envelopes, contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificam-se no código 4817.10.00, Ex 01, da TIPI/2001.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Daniel Monteiro Peixoto - OAB/SP nº 238434
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição de Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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FORMULÁRIOS CONTÍNUOS. Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES. Envelopes, contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4817.10.00, Ex 01, da TIPI/2001. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Daniel Monteiro Peixoto OAB/SP nº 238434 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 86 /2 00 7- 31 Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição de Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra decisão proferida em processo administrativo que tem por objeto auto de infração (fls. 699/703) lavrado em 26/12/2007, para o fim de constituir débito de IPI – Imposto sobre Produto Industrializado, apurado em razão de a fiscalização entender pela aplicação de alíquotas diferentes daquelas utilizadas pela contribuinte em seus produtos. Por refletir a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “De acordo com a descrição dos fatos de fls. 701/703 e o termo de verificação fiscal de fls. 684/691, houve falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a junho de 2002, motivado por erro de classificação fiscal e/ou de aplicação das aliquotas do imposto, referentes a diversos produtos, conforme a Tabela de Incidência do IPI — TIPI/2001, aprovada pelo Decreto n° 4.070, de 28 de dezembro de 2001. Foram constatados erros nos seguintes produtos: Envelopes — classificados pela empresa no código 4817.10.00, EX 01,. aliquota 0%, quando o correto seria a aliquota de 15% porque o produto fabricado não preenche a condição para classificar no EX 01. Além disso, o EX 01 teria aliquota de 5%. Formulários — classificados no código 4820.40.00, EX 01, aliquota 0%, quando o correto seria aliquota de 15%, já que não existe a posição EX 01 na TIPI. Outros papéis e cartões — classificados no código 4802.52.90, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 12%. Carretéis e bobinas de papel — classificados no código 4822.10.00, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 12%. Outras facas e laminas cortantes — classificados no código 8208.90.00, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 8%. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004386/200731 Acórdão n.º 3302002.145 S3C3T2 Fl. 11 3 Partes de máquinas e aparelhos para fabricação de pasta de matérias fibrosas celulósicas — classificada no código 8439.91.00, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 5%. Partes de máquinas e aparelhos de impressão — classificada no código 8443.90.90, aliquota 0%, quando a aliquota correta seria de 5%. O lançamento do imposto foi efetuado com base nas aliquotas corretas como demonstrado As fls. 687/691. Não foram consideradas as devoluções de vendas, porque as mesma geraram créditos nas entradas, anulandose os débitos das saídas. Também não foram considerados os créditos porque a empresa não apresentou o Livro Registro de Apuração de IPI. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 708/745, alegando, em síntese, que: 1. 0 lançamento pautouse unicamente em suposta alegação de que as classificações fiscais adotadas não se enquadram ou não preenchem os requisitos como isentos ou tributados A aliquota zero, sem que fosse devidamente demonstrado o motivo pelo qual a classificação fiscal está incorreta, o que toma insubsistente a autuação; 2. A fiscalização deveria ter demonstrado em que classificação os produtos se enquadram e o porquê de tal enquadramento; 3. Em relação aos formulários continuos, a empresa já foi autuada anteriormente, processo administrativo n° 13805.003395/9602, e o Conselho de Contribuintes, por unanimidade, deu provimento ao recurso, considerando correta a classificação fiscal adotada pela impugnante; a mercadoria em discussão no presente processo é exatamente a mesma que foi objeto de lançamento no processo anterior; 4. Ao contrário do que afirma a fiscalização, o EX 01 da posição 4820.40.00 vigorou até 01/11/2002, ocasião em que foi revogada em razão da edição do Decreto n°4.441/2002; 5. Decaiu o direito de lançar o imposto, pois na data da lavratura do auto de infração, 27/12/2007, já havia passado mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; 6. 0 auto de infração carece de liquidez, porque não foram considerados as devoluções e o saldo credor de IPI existente; 7. Ocorreram aproximadamente 40 devoluções de produtos no período objeto de autuação, e como esses produtos não foram tributados na saída, também não geraram crédito no retorno; entretanto, se a fiscalização apurou o IPI na saída, necessariamente tem que computar créditos no retorno; 8. Em nenhum momento a autuada foi intimada a apresentar o Livro Registro de Apuração do IPI, mas de qualquer forma, a fiscalização teve acesso ao referido Livro em processos relativos Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 a pedidos de ressarcimento, e deveria ter considerado o saldo credor da escrita; 9. Os formulários contínuos e os envelopes foram corretamente classificados na posição EX 01 de seus códigos fiscais, porque todos os produtos fabricados possuem dizeres impressos, que é a condição necessária para que sejam classificados no EX 01; 10. Junta ao processo, doc. 11, consulta sobre classificação fiscal efetuada pela Associação Brasileira de Indústria Gráfica — ABIGRAF, em que a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação classifica o produto que fabrica no código 4820.40.00, EX 01. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, ou ainda a improcedência do lançamento; e que as intimações sejam encaminhadas aos seus advogados.” A decisão de primeira instância administrativa, consubstanciada no Acórdão nº 1432.386 da 2ª Turma da DRJ/RPO, restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FORMULÁRIOS CONTÍNUOS. Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES. Envelopes, contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4817.10.00, Ex 01, da TIPI/2001. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004386/200731 Acórdão n.º 3302002.145 S3C3T2 Fl. 12 5 Em síntese, a decisão recorrida acatou as alegações de mérito cancelando os débitos recorridos (reclassificação e alteração de alíquota de envelopes e formulários contínuos) e manteve o lançamento em relação aos débitos não recorridos. Em virtude de Recurso de Ofício os autos foram remetidos a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF – para revisão e julgamento. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos autos, foi trazido à revisão apenas a questão referente à classificação fiscal e conseqüente alíquota adotada pelo contribuinte para os produtos: formulários contínuos e envelopes. Para atender à fiscalização, o contribuinte apresenta amostras de seus produtos às fls. 177/207 – Vol. I. No que se refere aos “formulários contínuos”, a fiscalização entendeu que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte inexistia, razão pela qual a alíquota incidente deveria ser outra. Ao analisar a questão, a primeira instância administrativa reconheceu que o contribuinte estava com a razão quando alegou a existência de EX tarifário para o seu produto à época da ocorrência dos fatos, neste particular o contribuinte argumenta que a extinção da classificação ocorreu em momento posterior ao fato gerador, a saber: Trecho do acórdão recorrido – fls. 1.174 CLASSIFICAÇÃO FISCAL — FORMULÁRIOS CONTÍNUOS Inicialmente, cabe esclarecer que o autuante equivocouse quando afirmou que não existia o EX 01, para o código 4820.40.00. Abaixo transcrevo parte da TIPI/2001, aprovada pelo Decreto n° 4.070/2001, em que consta o EX 01, aliquota 0%, para formulários continuos com dizeres impressos: (...)” Realmente, com razão a decisão recorrida. Conforme dispõe o Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, que Aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), à época dos fatos existia a posição 4820.40.00 – EX 01, a saber: TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (TIPI) Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 BASEADA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) Desta forma, esta razão da fiscalização não pode prosperar. Superado este argumento, a decisão recorrida analisou outra possibilidade qual seja, o desenquadramento em virtude de o produto do contribuinte não se enquadrar dentre as características de “formulários contínuos”, verbis: Trecho do acórdão recorrido – fls. 1.174 /1.175 “Não há controvérsia sobre o fato de os formulários fabricados pela contribuinte classificaremse no código 4820.40.00. A questão limitase à possibilidade do produto ser incluído no EX 01 destinado aos formulários contínuos, com dizeres impressos. Conforme se constata nas amostras dos produtos juntados as fls. 974/978, a marca fabril está impressa nos formulários. 0 problema a enfrentar é se a impressão da marca fabril é suficiente para considerar que os formulários possuem dizeres impressos, ante a insignificância do que está impresso. Em que pese ser defensável a tese da fiscalização, o fato é que a COANA já se manifestou no sentido de que não importa a relevância do que está impresso para o produto ser classificado no EX 01. Basta que tenha algo impresso. Abaixo transcrevo Decisão da COANA em processo de consulta, formulado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica ABIGRAF NACIONAL: "Decisão COANA n° 5 de 18 de junho de 1997 Processo n°10880.046281/9676 Código TIPI Mercadoria 4820.40.00 Ex01 Formulários continuos, Tipo "Relatório ou CPO (Computer Print Out), tipo "manifold" (de 2,3 ou 4 vias ou com carbono intercalado ou de papel autocopiativo), contendo dizeres impressos, de qualquer importância, na remalina, próprios para serem utilizados em impressoras de computador. Dispositivos Legais: RGI 1 ° (texto da posição 48.20) e 6' (Texto da posição 4820.40) e RGC — 1 (texto do código 4820.40.00 — Ex — 01), todas da TIPI aprovada pelo Decreto n°2.092/96" Portanto, no caso em 4820.40.00 Formulários em blocos tipo "manifold", mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono (papel químico*) 15 Ex 01 Formulários contínuos, com dizeres impressos 0 Ex 02 Formulários contínuos, exceto com dizeres impressos 12 Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004386/200731 Acórdão n.º 3302002.145 S3C3T2 Fl. 13 7 tela, a marca fabril impressa nos formulários é suficiente para determinar a classificação dos produtos no EX 01, aliquota 0%, sendo improcedente o lançamento.” Concordo com a decisão recorrida. A meu sentir a legislação não permite graduação de “impressão” para se classificar o formulário como “EX – 01”. A descrição é simples e objetiva “Formulários contínuos, com dizeres impressos”. Não há qualquer definição do que deve ser considerado como “dizeres impressos” sendo defeso ao intérprete restringir onde a legislação não restringiu. No tocante aos “envelopes” mesma consideração deve ser realizada. É que a fiscalização indicou a infração por entender que a alíquota para o EX 01 do código 4817.10.00 era 5% e não 0% como indicado pelo contribuinte. Vejamos o já mencionado Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, que Aprovou a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI): TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (TIPI) BASEADA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) Claro está que pela legislação da época, os envelopes que continham dizeres impressos eram tributados à alíquota zero. De idêntica forma, no caso em análise a decisão recorrida discorre sobre o significado do termo “dizeres impressos”, concluindo que qualquer impressão – inclusive marca – serve para a conceituação de “dizeres”. Trecho do acórdão recorrido – fls. 1.175/1.176 “Como se pode notar, a condição para os envelopes serem classificados no EX 01 é a mesma dos formulários continuos, qual seja, a existência de dizeres impressos. Sendo a mesma exigência, não é possível adotar entendimento diferente do aplicado à classificação fiscal dos formulários. Assim, a impressão de dizeres de qualquer significância é suficiente para determinar a classificação fiscal dos envelopes no EX 01, aliquota 0%. Verificase nas amostras de fls. 1141/1146 que os envelopes fabricados pela autuada possuem a marca fabril impressa, o que justifica a classificação no EX 01, tornando improcedente o lançamento efetuado.” 4817.10.00 Envelopes 15 Ex 01 Com dizeres impressos 0 Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Assim e, uma vez que entendo que não há restrição para o conceito de “dizeres impressos”, sendo certo, nesta linha de raciocínio, que a impressão de marca deve ser considerada uma “dizer impresso”, concluo por cancelar o auto de infração em relação aos itens: formulário contínuo e envelope impresso. Ante o exposto conheço do presente recurso de ofício para o fim de NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa para o fim de cancelar a autuação no que se refere aos produtos formulário contínuo e envelope impresso, ressaltando que a autuação deve ser mantida em relação a todos os demais itens que não foram combatidos pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003268/2004-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 25/07/2003
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXTRAVIO DE MERCADORIA.
ROUBO DE CARGA MEDIANTE ASSALTO. CASO FORTUITO OU DE
FORÇA MAIOR. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE DO
TRANSPORTADOR. CABIMENTO.
A responsabilidade do transportador é excluída se demonstrado que o
extravio da carga foi motivado por roubo mediante assalto, fato que
caracteriza caso fortuito ou de força maior, por se tratar de fato externo à
atividade de transporte, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-000.949
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/07/2003 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXTRAVIO DE MERCADORIA. ROUBO DE CARGA MEDIANTE ASSALTO. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. CABIMENTO. A responsabilidade do transportador é excluída se demonstrado que o extravio da carga foi motivado por roubo mediante assalto, fato que caracteriza caso fortuito ou de força maior, por se tratar de fato externo à atividade de transporte, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 17-32.029, de 20 de maio de 2009 (fls. 73/85), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em que, por unanimidade de votos, consideraram improcedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/07/2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA Por expressa determinação legal, o Agente Marítimo responde pelo extravio de mercadoria que se encontrava sob custódia do transportador estrangeiro. Decreto-lei n°. 2.472188. Extravio de Mercadoria - Responsabilidade do transportador - A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadorias ocorrido durante o transporte, será do representante do transportador estrangeiro por expressa determinação legal. Lançamento Procedente Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 01 a 11, em face da empresa acima qualificada, para exigência do crédito tributário - Imposto de Importação e multa prevista no artigo 628, III alínea "d" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4543/02, pelo extravio das mercadorias, as quais foram objetos de roubo, conforme se comprovam pelas cópias da documentação anexas às fls. 20/30, no valor R$ 43.706,28 (quarenta e três mil setecentos e seis reais e vinte e oito centavos). Segundo consta dos autos, em 18/07/2003 a interessada teve seu pedido de descarga e baldeação deferido. Desta forma, as unidades de carga existente a bordo do navio "Asian Island", embarcadas no porto de Singapura pelo armador estrangeiro "Nippon Yusen Kaisha Line", detentor de espaço afretado, da qual a empresa "Oceanus Agência Marítima S/A" era seu representante legal. As mercadorias em questão seriam descarregadas no Terminal TECONDI, removidos para o Terminal LIBRA 37 e submetidos à baldeação para o navio "Frota Manaus", que as conduziria ao seu destino final - Porto de Salvador. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.003268/2004-15 Acórdão n.º 3802-00.949 S3-TE02 Fl. 2 3 De acordo com as informações prestadas pela autoridade fiscal, na data programada para a remoção, 27/07/2003, a unidade de carga NYKS 481070668, consignada à empresa Login Informática Com. Rep. Ltda, de acordo com as mercadorias discriminadas na fatura comercial n° A30530 foram carregadas pelo caminhão trator marca Volvo, chapa AEM 1210, conduzido pelo seu proprietário, Sr. Joaquim Pereira de Carvalho, foi objeto de roubo, conforme consta no boletim de ocorrência n°. 77412003, lavrado no 4º Distrito policial de Osasco, cópia fls. 25/29. Pelo exposto, entendeu a autoridade aduaneira que restou configurada a hipótese de extravio de mercadoria, assim definido no artigo 60, inciso II do Decreto-lei n°. 37/66, regulamentado pelo artigo art. 580, inciso II do Decreto 4543/02. Por força do disposto no artigo 592 inciso VI parágrafo único inciso I do mesmo diploma legal acima citado, está sujeito o representante legal do transportador, a empresa Oceanus Agência Marítima S/A ao pagamento do imposto de importação devido sobre as mercadorias roubadas, bem como a multa prevista no artigo 628 inciso II alínea "d" do Regulamento Aduaneiro. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou sua impugnação de fls. 33/55, argumentando em síntese que: 1. Não é contribuinte do Imposto de Importação nem representante da transportadora terrestre sob cuja responsabilidade estava a mercadoria no momento em que foi objeto de roubo à mão armada por uma das quadrilhas de ladrões de carga, mas mera agente mandatária da transportadora emissora do conhecimento de carga NYKS- 481070668; 2. A impugnante acabou sendo eleita pela autoridade administrativa como devedora solidária do imposto de importação e da multa lançada, embora, no momento da coação irresistível, a mercadoria se encontrasse sobre veículo rodoviário de proposto do depositário portuário "TERMINAL RIO CUBATÃO" (sic), em zona de vigilância alfandegada, cuja segurança é de responsabilidade exclusiva da União; 3. A falta de motivação para a exigência fiscal é flagrada quando a autoridade administrativa utiliza-se do art. 592 e incisos para tipificar o fato, qual seja; 4. O fato roubo a mão armada em área sujeita ao poder de polícia da União Federal - não está capitulado no dispositivo legal retro citado; 5. A responsabilidade, nos termos do art. 591 do RA, fica excluía nos casos em que há a comprovação de caso fortuito Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 ou de força maior, à luz do art. 595 do mesmo diploma legal; 6. Cumpre ressaltar que a baldeação de mercadorias é um regime especial de trânsito aduaneiro criado justamente para facilitar o comércio marítimo e o movimento de mercadorias de e para as nossas fronteiras, onde a segurança só pode ser cobrada do Estado; 7. A guia de recebimento de container importação demonstra que o container descarregou sem qualquer sinal de violação. Sendo assim, não cabe à autuada qualquer exigência com relação a tributos nem a penalidades; 8. A autuada é mera mandatária do transportador - emissor do B/L, o que torna o ato anulável, vez que a jurisprudência de nossos tribunais já decidiu que o agente marítimo não responde por tributos devidos pelo seu agenciado; 9. A exigência tributária se baseia nas disposições contidas no art. 32 § único do Decreto 2.472/88, cuja inconstitucionalidade já foi declarada pelo Superior Tribunal de Justiça; 10. A exação impugnada advém de um decreto e não de lei ordinária. É inconstitucional, pois colide com os dispositivos contidos na Constituição Federal; no Código Tributário Nacional e demais leis federais; 11. No mérito, ficou comprovada que a ocorrência de roubo a mão armada na orla portuária, onde a Polícia Federal e a Receita Federal detêm o poder de polícia, de deu pela ausência do Estado, o que possibilitou a subtração da carga; 12. A jurisprudência do STJ é farta no entendimento da isenção de responsabilidade diante da inevitabilidade do evento; 13. No mesmo sentido encontram-se vários acórdãos emitidos pelo Terceiro Conselho de Contribuintes; 14. Resta comprovado que não há motivação lógico/legal para se impor à defendente, mera agente mandatária do transportador, tributos e multas relativas a extravio de cargas decorrente de roubo a mão armada, ocorrido em área sujeita ao poder de polícia da União, além do mais, o agente mandatário não responde por tributos devidos por seu representado; 15. Como se não bastasse as razões explanadas, é vedado ao Fisco, por força de Decreto, imputar ao próprio transportador marítimo gravames fiscais em razão de fato inevitável, ocorrido independentemente da vontade da autuada; Por todo o exposto, pede e espera a anulação do lançamento tributário impugnado, como de direito. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.003268/2004-15 Acórdão n.º 3802-00.949 S3-TE02 Fl. 3 5 Em 01/09/2009 (fl. 87v), a Interessada foi cientificado do referido Acórdão. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 91/96), protocolado em 17/09/2009 (fl. 90), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória, em relação a excludente de responsabilidade por força de caso fortuito ou força maior caracterizado pelo roubo da carga mediante sequestro. No final, a Recorrente requereu o conhecimento e provimento do presente Recurso. Em 17/09/2009, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de outubro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. No âmbito deste Conselho, foram juntados aos autos os documentos de fls. 109/121. É o relatório. Voto O presente Recurso foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, que se enquadra dentro do seu limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. O cerne da presente contenda diz respeito à aplicação ou não ao caso em tela da excludente de responsabilidade ao caso fortuito ou de força maior. De fato, alegou a Recorrente que não poderia ser responsabilizada pelo imposto e multa exigidos, haja vista que a mercadoria extraviada objeto da presente autuação fora roubada, mediante sequestro, por uma quadrilha de bandidos armados, fato inevitável e irresistível que caracterizaria caso fortuito ou de força maior. Informou ainda a Recorrente que o delito fora consumado em plena luz do dia, durante o percurso da operação de baldeação, devidamente autorizada, da unidade de carga (contêiner) entre o Terminal do Tecondi e o Terminal 37 da Libra, localizados na zona primária do Porto de Santos, área afeta à segurança nacional, onde a Receita Federal tem precedência e que deveria estar vigiado pela Polícia Federal e pela Guarda Portuária. Da excludente de responsabilidade pelos tributos e multa devidos pelo extravio de mercadorias importadas. Após a identificação do responsável pelo extravio da mercadoria importada, deve a autoridade aduaneira verificar se os elementos indicados pelo responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que excluir a sua responsabilidade, conforme dispõe, de forma expressa, o art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (RA/2002), vigente na época dos fatos, a seguir transcrito: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1º Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2º As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. Trata-se, portanto, de hipótese excludente da responsabilidade da pessoa a quem foi imputada a responsabilidade pela indenização dos tributos devidos na operação de importação e pelas de multas cabíveis, em decorrência do extravio de mercadoria estrangeira importada. No presente caso, segundo a Descrição dos Fatos que integra o presente Auto de Infração, tal responsabilidade foi imputada ao responsável pela referida operação de baldeação, no caso, a ora Recorrente, na condição de representante, no País, do transportado estrangeiro. Aliás, em relação a este fato, inexiste controvérsia nos autos. Antes da análise da presente controvérsia, entendo oportuna uma rápida digressão sobre as excludentes de responsabilidade civil relacionadas aos nexos de imputação e de causalidade. Das excludentes de responsabilidade civil: aspectos gerais. Previamente, é importante destacar que a aplicação das referidas excludentes de responsabilidade depende da modalidade de responsabilidade, ou seja, se de natureza subjetiva ou objetiva. No esfera da responsabilidade subjetiva, as eximentes podem estar ligadas tanto à inexistência de nexo imputação quanto a de nexo de causalidade, sendo o primeiro isentante da culpa e o segundo da causalidade. Por outro lado, no que concerne a responsabilidade objetiva, só há que se falar em excludentes de causalidade, haja vista que a responsabilidade nesta seara independe de culpa, em sentido lato, do agente. Em face da natureza objetiva da responsabilidade por infração à legislação tributária e aduaneira (art. Art. 136 do CTN, combinado com o disposto do art. 94 1 , § 2º, do Decreto-lei nº 37, de 1966), no caso em tela, interessa apenas à análise das excludentes de causalidade que, segundo a melhor doutrina, compreende três categorias de fatos, a saber: o fato de terceiro, o fato do lesado e o caso fortuito ou de força maior (em sentido estrito 2 ). Ademais, tendo em vista a especificidade do caso em tela, abordarei apenas este último. 1 "Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1º - O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". 2 O caso fortuito ou de força maior em sentido amplo engloba também o fato do lesado e de terceiro. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.003268/2004-15 Acórdão n.º 3802-00.949 S3-TE02 Fl. 4 7 Do caso fortuito ou de força maior. O caso fortuito ou de força maior (em sentido estrito) é aquele que inclui tanto os fatos da natureza (tempestades, terremotos etc.) quanto as ações humanas não individualizadas (greves, assaltos etc.) causadores de dano. Pela peculiaridade do caso em tela, os últimos fatos é que serão o foco da presente análise. Se do ponto de vista teórico, pode ser admitida a existência de diferenças entre o caso fortuito e a força maior, do ponto de vista prático, todavia, a distinção não apresenta qualquer utilidade, razão pela qual as duas expressões, com frequência, são tomadas como sinônimas, a exemplo do que ocorre no citado art. 595 do RA/2002. No direito positivo, a definição/caracterização do que seja caso fortuito ou de força maior é encontrada no parágrafo único do art. 393 do Código Civil, de 2002, a seguir transcrito: “Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir”. (Grifo não original) Depreende-se do referido dispositivo que o legislador não se preocupou em distinguir o caso fortuito da força maior, atribuindo, no entanto, a mesma consequência jurídica para ambos, qual seja, a exclusão da responsabilidade pelos prejuízos resultantes dos referidos eventos. O significado dos termos constantes do preceito legal em destaque foi explicitado pelo Prof. Fernando Noronha 3 com a seguinte dicção, in verbis: “(...) Efetivamente, a expressão ‘fato necessário, cujos efeitos não eram possível evitar ou impedir’ só ganha sentido quando o fato que causa os danos for necessário, porque sempre aconteceria, independentemente da atividade da pessoa (o que significa que terá de ser um fato externo), e quando, além disso, os seus efeitos não pudessem ser evitados (com o que o legislador parece ter querido referir os fatos imprevisíveis), ou não houvesse como impedí-los (com o que parece ter-se querido aludir aos fatos irresistíveis)”. (grifos do original) Com base nas lições do citado Professor, o caso fortuito ou de força maior é o fato externo que apresenta as características ou requisitos da irresistibilidade e imprevisibilidade. O fato externo ou necessário é aquele não ligado à atividade desenvolvida pelo indigitado responsável e que ocorreria independentemente dela (atividade), isto é, um fato estranho ao exercício da atividade do devedor e que, portanto, não lhe poderia ser imputado. 3 NORONHA, Fernando. Direito das obrigações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, v. 1, p. 632-3. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 Por sua vez, a fato externo irresistível (ou não passível de impedimento) seria aquele que a força do suposto devedor não poderia impedir o seu efeito (o dano), enquanto que o fato externo imprevisível ou inevitável seria aquele que até poderia ser impedido o dano, se fosse possível prever a sua ocorrência, mas que não podendo ser previsto, não haveria como ser evitado. Em outros termos, o caso fortuito ou de força maior configura excludente de responsabilidade se presentes dois elementos imprescindíveis: (i) fato externo ou necessário e (ii) impossibilidade de evitar ou impedir os efeitos do fato. Com base nessas considerações, tenho que o roubo, agravado pelas circunstâncias, previstas no art. 157 4 , § 2º, I e V, , do Código Penal, que trata (i) da violência ou ameaça praticada com o emprego de arma (“assalta a mão armada”), acrescida do fato de (ii) o agente ter mantido a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade, evidentemente, caracteriza um típico caso fortuito ou de força maior eximente de responsabilidade. Com efeito, o assalto a mão armada, agravado com o sequestro do motorista,, induvidosamente, é um fato externo a atividade do transportador que reflete plenamente a condição de irresistibilidade e imprevisibilidade que caracteriza o caso fortuito ou de força maior conducente à irresponsabilidade, dada a evidente impossibilidade do motorista, vítima da abordagem criminosa, defender-se da violenta agressão, sem pôr em risco sua vida, bem jurídico mais relevante, de acordo com o ordenamento jurídico vigente no País. Nesse sentido, tem sido o entendimento manifestado pelo E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se observa no enunciado da ementa que segue transcrito: DIREITO CIVIL. TRANSPORTE DE MERCADORIAS. ROUBO. FORTUITO E FORÇA MAIOR. INEVITABILIDADE. FORÇA MAIOR. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR DE INDENIZAR REGRESSIVAMENTE A SEGURADORA QUE COBRIU OS PREJUÍZOS DO CONTRATANTE DO TRANSPORTE. PRECEDENTES DA CORTE. RECURSO PROVIDO. I - A presunção de culpa da transportadora pode ser ilidida pela prova da ocorrência de força maior, como tal se qualificando o roubo de mercadoria transportada, como ameaça de arma de fogo, comprovada atenção da ré nas cautelas e precauções a que está obrigada no cumprimento do contrato de transporte. II - Na lição de "Clóvis", caso fortuito é "o acidente produzido por força física ininteligente, em condições que não podiam ser previstas pelas partes" enquanto a força maior é "o fato de terceiro, que criou, para a inexecução da obrigação, um obstáculo, que a boa vontade do devedor não pode vencer", com a observação de que o traço que os caracteriza não é a imprevisibilidade, mas a inevitabilidade. 4 "Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. § 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade: I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma; (...) V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. (...)". Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.003268/2004-15 Acórdão n.º 3802-00.949 S3-TE02 Fl. 5 9 (REsp 160369/SP, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 25/06/1998, DJ 21/09/1998, p. 190) Embora o precedente em destaque não se refira a matéria tributária, no meu sentir, nada obsta que a conclusão nele adotada seja extensível ao caso objeto dos presentes autos, especialmente, tendo em vista que o art. 595 do RA/2002, em consonância com o disposto no art. 109 do CTN, expressamente estendeu à seara da responsabilidade pelos tributos e penalidades aduaneiros os efeitos excludentes do caso fortuito ou de força maior, desde que devidamente demonstrados pelo suposto responsável. No mesmo diapasão, manifestou-se as Primeira e Segunda Câmaras do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme disposto nos enunciados das ementas dos Acórdãos a seguir transcritos: A subtração de mercadorias decorrente de assalto à mão armada-roubo, ocorrido em navio atracado (ato típico de pirataria), contém os elementos caracterizadores dos eventos de caso fortuito ou força maior, ou sejam, imprevisibilidade, irresistibilidade e insuperabilidade. Recurso provido.(Recurso: 111150, SEGUNDA CÂMARA, Processo: 10845.001776/89-91, Data da Sessão; 30/06/1995, Relator OTACLIO DANTAS CARTAXO, Acórdão 302-33081;Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE) Presente excludente de responsabilidade nos termos do Regulamento Aduaneiro exclui-se a responsabilidade do transportador quanto a falta apurada. Assalto a mão amada objeto de inquérito policial encontrando-se o mesmo a mais de cinco anos para ser concluído. Não identificação dos autores do roubo, conclusão a que se chega pela não apresentação de denúncia. Caracterizada a forca maior. Recurso provido. (Recurso: 112450, SEGUNDA CÂMARA, Processo: 10845.004546/8948, Data da Sessão: 28/06/1996, Relator: RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, Acórdão 302-33366, Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE) FALTA DE MERCADORIA. ROUBO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. EXCLUSÃO. A responsabilidade do transportador nela falta de mercadoria é excluída se o extravio decorre de roubo, evento que corresponde a caso fortuito ou força maior. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE" (Recurso: 121641, PRIMEIRA CAMARA, Processo n°10314.001500/99-47, Data da Sessão: 12/08/2003, Relator LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES,Acórdão 301-30724, Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso). Na Sessão de 2 de junho de 2011, com base no bem fundamentado voto proferido pela i. Conselheira Relatora Tatiana Midori Migiyama, este Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário nº 892.469, com base no entendimento de que o roubo de carga constitui motivo de força de maior, conforme Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 explicitado no enunciado da ementa do Acórdão nº 3802-000.502 do referido julgado, que ficou assim redigido, in verbis: EXTRAVIO TOTAL DA CARGA. ROUBO. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR Constitui motivo de força maior, excludente da responsabilidade da empresa transportadora, o roubo de carga sob sua guarda, desde que evidenciado que a transportadora cercouse de todos os cuidados necessários em sua atividade. De acordo com a referida jurisprudência, em relação a atividade de transporte, o roubo de carga, mediante assalto, configura caso fortuito ou de força maior, fato que, uma vez comprovado nos autos, exclui da responsabilidade do transportador da carga pelos tributos e multas devidos, por se tratar de fato externo à atividade de transporte, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir, ainda que adotadas as cautelas necessárias. Da comprovação do roubo. Analisando as provas carreadas aos autos, em especial, o Relatório Final (fls. 110/111) da Polícia Civil do Estado de São Paulo, proferido no âmbito do Inquérito Policial nº 012/05, o Pedido de Arquivamento do Inquérito (fls. 114/115) apresentado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e o Despacho do MM. Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal de Santos, estou convencido que o fato delituoso noticiado nos autos foram devidamente comprovados pela Recorrente. Além disso, inexiste qualquer notícia ou indício nos autos que demonstre que a Autuada ou seu preposto tenha agido com negligência ou imprudência, desviando do trajeto estabelecida para o transporte da mercadoria. Ademais, o fato de o roubo ter ocorrido dentro da zona primária portuária, durante o período diurno, ao meu ver, evidencia que não houve qualquer facilitação para a consumação do referenciado delito. Dessa forma, demonstrado nos autos que houve o mencionado roubo, com os agravantes de assalto a mão armada e sequestro do motorista, delito e agravantes tipificados no art. 157, § 2º, I e V, do Código Penal, entendo que devidamente configurado o caso fortuito ou de força maior, previsto no art. 495 do RA/2002, fato suficiente para exclusão da responsabilidade da Recorrente pelos tributos e multas objeto das presentes autuações. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para reformar íntegralmente o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.003268/2004-15 Acórdão n.º 3802-00.949 S3-TE02 Fl. 6 11 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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