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Numero do processo: 13811.002218/99-82
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/12/1995
PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do PIS, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 24/08/1999 visando a restituição dos valores de PIS relativos aos fatos geradores compreendidos entre dezembro de 1988 e janeiro de 1996, entendo que o direito do contribuinte decaiu apenas para o período compreendido entre dezembro de 1988 e julho de 1989, eis que anterior a 24/08/1989.
SEMESTRALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 7/70.
Tendo o pedido de restituição ou de compensação do contribuinte se baseado na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n.os 2.445/88 e 2.449/88, é necessário que o julgador administrativo aplique integralmente a Lei Complementar 7/70 de forma a zelar pelos princípios da verdade material, da legalidade, sendo mister que se reconheça, independentemente de requerimento expresso do contribuinte, a semestralidade da base de cálculo de PIS, conforme, inclusive, manifestaram reiteradas decisões do STJ.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto à semestralidade e em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar prescrito o direito à repetição de indébito cujos fatos geradores ocorreram até agosto de 1989.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1988 a 31/12/1995 PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do PIS, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 24/08/1999 visando a restituição dos valores de PIS relativos aos fatos geradores compreendidos entre dezembro de 1988 e janeiro de 1996, entendo que o direito do contribuinte decaiu apenas para o período compreendido entre dezembro de 1988 e julho de 1989, eis que anterior a 24/08/1989. SEMESTRALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 7/70. Tendo o pedido de restituição ou de compensação do contribuinte se baseado na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n.os 2.445/88 e 2.449/88, é necessário que o julgador administrativo aplique integralmente a Lei Complementar 7/70 de forma a zelar pelos princípios da verdade material, da legalidade, sendo mister que se reconheça, independentemente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 22 18 /9 9- 82 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 de requerimento expresso do contribuinte, a semestralidade da base de cálculo de PIS, conforme, inclusive, manifestaram reiteradas decisões do STJ. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto à semestralidade e em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar prescrito o direito à repetição de indébito cujos fatos geradores ocorreram até agosto de 1989. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 56, inciso II do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 7º, inciso I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, em face ao acórdão de nº 20402.698, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para entender que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS pagos na sistemática dos DecretosLeis n.os 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pela Resolução do Senado Federal de nº 49/95, deve ser contado a partir da publicação de aludida Resolução, bem como, por unanimidade de votos, reconheceu a semestralidade da base de cálculo do PIS, conforme ementa a seguir: “NORMAS PROCESSUAIS RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para se pedir a restituição do tributo pago indevidamente tem como termo inicial a data de publicação da Resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Até a vigência da Medida Provisória nº 1.212/95 a contribuição para o PIS deve ser calculada observandose que a alíquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o Fl. 467DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13811.002218/9982 Acórdão n.º 9303001.750 CSRFT3 Fl. 384 3 faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial insurgindose tanto contra a decadência quanto contra o reconhecimento de ofício da semestralidade do PIS. Quanto à decadência, a Fazenda alegou que, ao contrário do entendido pelo acórdão a quo, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear restituição deve ser contado a partir da data da extinção do crédito tributário, conforme dispõem os artigos 165, inciso I e 168, caput e inciso I, ambos do CTN, o que, inclusive, foi dirimido com a publicação da Lei Complementar nº 118/2005, a qual, a seu ver, se trataria de uma norma de caráter interpretativo que deveria ser aplicada a fatos pretéritos a teor do que dispõe o artigo 106, inciso I do CTN. Dessa forma, entendeu a Fazenda Nacional que na data em que o contribuinte pleiteou sua restituição, ou seja, em 24/08/1999, o seu direito de restituir os créditos tributários de PIS recolhidos no período de dezembro de 1988 a janeiro de 1996, já teria sido atingido pela decadência. Quanto à semestralidade, a Fazenda Nacional alegou que acórdãos suscitados como paradigmas teriam entendido que a semestralidade da base de cálculo do PIS não pode ser reconhecida de ofício eis que não se trataria de matéria de ordem pública, sendo impreterível que a mesma seja expressamente requerida pelo contribuinte, o que não teria ocorrido in casu. Em despacho de fls. 376, o i. Presidente da Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, aprovando a informação de fls. 372/375, deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado por meio do edital nº 363/2009, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, a meu ver, reúne os pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar dois pontos, quais sejam: (i) o prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição dos créditos de PIS recolhidos sob a sistemática dos DecretosLeis n.os 2.445/88 e 2.449/88; e (ii) se a semestralidade de é possível de ser conferida de ofício quando o contribuinte não a requer expressamente. Quanto à decadência, conforme consta do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo decadencial deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da Fl. 468DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual declarou aludidos DecretosLeis como inconstitucionais, ou seja, a partir de 10/10/1995. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário, conforme determinaria a literalidade dos artigos 165 e 168 do CTN, os quais, inclusive, teriam sido expressamente interpretados pela Lei Complementar 118/2005, a qual, exatamente por ter caráter interpretativo, deveria ser aplicada retroativamente aos períodos objeto do pedido de restituição in casu. A relevância de aludida controvérsia é nítida tendo em vista que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição no dia 24/08/1999 e os créditos de PIS objeto de referido pedido se referem ao período de dezembro de 1988 a janeiro de 1996. Considerando que segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que aludida Lei Complementar se tratou de lei nova e não de lei interpretativa, cabendo a sua aplicação tão somente a partir de 09/06/2005, ou seja, apenas a partir da vacacio legis de 120 dias somada à data da sua publicação dada em 09/02/2005. Entendeu aludida decisão, ainda, que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deveria ser de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, §4º c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I do CTN, conforme se tratava do entendimento do STJ respaldado no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 469DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13811.002218/9982 Acórdão n.º 9303001.750 CSRFT3 Fl. 385 5 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, em que pese o entendimento pessoal dessa Relatora acerca da inaplicabilidade da tese dos 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150,§4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN), cumulandose num prazo de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, mister se faz, por força do atual Regimento Interno do CARF, que a mesma a reproduza integralmente, tendo em vista que se tratou do objeto de decisão repetitiva do Superior Tribunal de Justiça e que o PIS se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação. Sendo certo que o contribuinte protocolou seus pedidos de restituição/compensação no dia 24/08/1999, e que os fatos geradores ocorreram entre dezembro Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 de 1988 e janeiro de 1996, entendo que apenas restouse decaído o direito de pleitear restituição para os valores de PIS relativos ao período de dezembro de 1988 a julho de 1989. Nesse sentido, quanto a esse primeiro ponto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento apenas para reconhecer decaído o direito do contribuinte de pleitear a restituição dos valores de PIS relativos ao período compreendido entre dezembro de 1988 e julho de 1989, eis que anteriores a 24/08/1989. Quanto à matéria relativa à possibilidade do reconhecimento “de ofício” da semestralidade da base de cálculo do PIS, vale mencionar, primeiramente, que, de fato, o contribuinte não a requereu de forma expressa nem em seu pedido inicial, nem em sua manifestação de inconformidade nem, tampouco, em seu recurso voluntário. Quanto a esse ponto, entendo ter sido devidamente demonstrada a divergência entre o acórdão recorrido, que reconheceu de ofício a semestralidade da base de cálculo do PIS, e o acórdão utilizado como paradigma, o qual entendeu que não é possível o reconhecimento de ofício da semestralidade da base de cálculo do PIS sem que tenha havido pedido expresso do contribuinte, eis que não se trataria de matéria de ordem pública, razão pela qual conheço do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à esse ponto. No entanto, em que pesem os argumentos suscitados pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que o fato de o contribuinte ter deixado de alegar, de forma expressa, tanto em sua impugnação, quanto em seu recurso voluntário, a semestralidade da base de cálculo do PIS, não impossibilita que esta seja reconhecida, eis que a partir do momento que o contribuinte se embasou na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445/88 e 2.449/88 para pleitear sua restituição, o mesmo obviamente requereu a aplicação da Lei Complementar 7/70. A decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou aludidas normas impositivas como sendo inconstitucionais foi assertiva ao determinar que deveria ser aplicada a Lei Complementar 7/70. Além disso, o ordenamento jurídico brasileiro ampara o princípio do da mihi factum, dabo tibi ius, o qual consiste no princípio do dáme os fatos, que lhe darei o direito e, por sua vez, consubstancia exatamente a necessidade de que seja dado o direito para os fatos que tenham sido devidamente esclarecidos, como é o caso dos presentes autos. Além disso, mister se faz considerar que cabe ao julgador administrativo zelar, de forma precípua, pelo princípio da verdade material, aplicando ao caso concreto a totalidade da lei pertinente. Nesse sentido, inclusive, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça em diversos julgados como os acórdãos proferidos nos Recursos Especiais de nos 873.364, 939.335 e 759.213, ao entender que “não se configura decisão extra petita o fato de o Tribunal de origem entender que o PIS é devido nos moldes da LC 7/70”. E, inclusive, no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.136.210, restouse definitivamente entendido, pelo STJ, que “o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70”. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13811.002218/9982 Acórdão n.º 9303001.750 CSRFT3 Fl. 386 7 Assim, sendo certo que o pedido de restituição do contribuinte se baseou na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, entendo ser plenamente cabível que o julgador administrativo, zelando pelos princípios da verdade material, da legalidade e do da mihi factum, dabo tibi ius, aplique integralmente a Lei Complementar 7/70 para reconhecer a inafastável semestralidade da base de cálculo do PIS a ser considerada para o período não atingido pela decadência. Nesse segundo ponto, portanto, voto no sentido de conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional tanto quanto à divergência como à matéria relativa à semestralidade de ofício, para, no mérito, darlhe parcial provimento quanto à decadência, reconhecendo ter decaído o direito do contribuinte de pleitear restituição dos períodos compreendidos entre dezembro de 1988 e julho de 1989, eis que anteriores a 24/08/1989, e, paralelamente, negarlhe integral provimento quanto à semestralidade, para entender ser possível o reconhecimento da semestralidade da base de cálculo do PIS pelo julgador administrativo. Nanci Gama Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 15374.913846/2008-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados, no momento processual adequado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 38 46 /2 00 8- 04 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório SABINA MODAS COMÉRCIO LTDA. transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 25876.43386.020804.1.3.042101, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor 1.749,26. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781147229, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alega, em síntese, que: a) possui o direito creditório lastreado no DARF indicado no PER/DCOMP b) recolheu a contribuição social em valor estimado para o período de apuração c) mais tarde, apurou a contribuição social em valor da menor do que o estimado/recolhido d) utilizou no presente PER/DComp o saldo do DARF na compensação aqui analisada e) apresentou demonstrativo dos valores do débito estimado, do débito apurado, e da diferença a seu favor; f) tais informações constam das declarações DCTF e DIPJ do período. A 5 ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13036.475, de 4 de agosto de 2011, fls. 40 a 43, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/12/2000 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913846/200804 Acórdão n.º 3403002.304 S3C4T3 Fl. 66 3 indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/RJ25ª Turma. O arrazoado de fls. 48 a 59 repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações (pagamento efetuado com base em estimativa do valor da contribuição, constatação de pagamento a maior a partir da apuração real do valor da mesma, utilizando a diferença no pleito ora sub judice), reiterando que a realidade dos fatos está plasmada na DIPJ respectiva. Quanto à falta de provas do indébito, referida na decisão recorrida, entende que não é tarefa do julgador administrativo aferir bases de cálculo, seara exclusiva da Fiscalização. Mesmo assim, rechaça a acusação, oferecendo o DARF do pagamento a maior e “quadro demonstrativo” como prova do indébito. Na continuação, discorre sobre a autorização legal para a compensação almejada, acrescenta ementas de soluções de consulta e jurisprudência judicial, que entende ampararem suas teses recursais. Quanto à preclusão do direito de apresentação de provas, mencionada na decisão recorrida, ao atribuir à recorrente a obrigação de provar que o valor recolhido e devido estavam de acordo com a escrituração contábil, argumenta que tal obrigação não se coaduna com o disposto no art. 65 do Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que prevê que a autoridade competente para decidir sobre a compensação possa realizar diligências. Assim, se a autoridade julgadora de primeira instância tinha dúvidas quanto às informações prestadas pela recorrente, deveria sanálas, antes de emitir sua decisão. Refere doutrina. Invoca o princípio da verdade material. Conclui, requerendo reforma da decisão recorrida para o efeito de reconhecimento do direito creditório, no valor 1.749,26 e da homologação da compensação declarada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 48 a 59 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13036.475, de 4 de agosto de 2011. Mérito – Prova do indébito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913846/200804 Acórdão n.º 3403002.304 S3C4T3 Fl. 67 5 formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/DComp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar o DARF representativo do pagamento alegadamente indevido e as declarações que a Receita Federal do Brasil já possui em sua base de dados. Nesse ponto, destaco a insuficiência dessas documentos e demonstrativos. A DIPJ tem natureza meramente informativa e não é hábil, de per si, para sobreporse ao confessado na DCTF. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/11/2000 a 30/11/2000, confessado na DCTF vigente, foi efetivamente apurado com base numa estimativa, conforme alegado na Manifestação de Inconformidade? A resposta, evidentemente, é negativa. Tal comprovação deveria ser feita mediante demonstração lastreada, necessariamente, na escrituração contábilfiscal, revestida das formalidades intrínsecas e extrínsecas exigidas para tanto, sem o que não se pode afastar o atributo de irretratabilidade inerente à confissão espontânea do débito. Tal comprovação, repito, não foi feita. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913846/200804 Acórdão n.º 3403002.304 S3C4T3 Fl. 68 7 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007326/2002-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1995 a 30/09/1996
PIS. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM A COFINS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. ART. 62-A DO RICARF.
Mesmo que decisão judicial tenha estabelecido a compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS, lastreada no regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda fica ressalvado o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com a normas posteriores segundo entendimento do E.STJ no Resp 1.137.738-SP.
Numero da decisão: 9303-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE nº 52.013, advogado do sujeito passivo.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM A COFINS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. ART. 62A DO RICARF. Mesmo que decisão judicial tenha estabelecido a compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS, lastreada no regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda fica ressalvado o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com a normas posteriores segundo entendimento do E.STJ no Resp 1.137.738SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE nº 52.013, advogado do sujeito passivo. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 73 26 /2 00 2- 64 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Nas fls. 171/184 Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, admitido pelo Despacho de nº 3300375 de 30.12.2011, contra o Acórdão de fl. 166 que rejeitou embargos de declaração anulando o acórdão embargado e concomitantemente julgando novo acórdão colocado em votação cuja decisão por maioria de votos, deu provimento ao recurso reconhecendo o direito à compensação de PIS também com débitos da Cofins. O acórdão recorrido, retificados pelos aclaratórios de fl. 166 tem a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício:1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DEVOLUTIVIDADE. Pode o julgador conhecer de questões de ordem pública inclusive de ofiício, mesmo em sede de embargos de declaração e mesmo que disse reulte efeitos infringentes do julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE. A tempestividade dos atos no processo administrativo é contado do ato formal de intimação. NOTA COSIT 141/03. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA. A melhor interpretação da Nota COSIT 141/03 é aquela que, de fato, traz isonomia aos Contribuintes, e que cumpre o papel social da norma. Assim, a mesma se aplica mesmo para legislação contemporânea às decisões judiciais limitadoras da compensação. Recurso Voluntário Provido. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10380.007326/200264 Acórdão n.º 9303002.238 CSRFT3 Fl. 263 3 Aduz a Fazenda Nacional que o entendimento adotado no acórdão recorrido contraria a jurisprudência deste CARF, transcrevendo, como amparo, às fls. 175/178, inteiro teor de acórdão divergente. Segue argumentando que “ de acordo com o acórdão divergente apontado, não poderia o contribuinte se utilizar da "sobra" (saldo credor) de PIS, referente a recolhimento a maior de PIS no período de agosto de 1988 a setembro de 1996, em que houve autorização judicial transitada em julgado para compensação de créditos de PIS somente com débitos do próprio PIS, na Ação Declaratória n° 94.00135564, e ver compensado com débito de COFINS. Isto porque a imutabilidade da coisa julgada proferida na ação referida permite apenas compensação de PIS com PIS. Entretanto, o acórdão recorrido permitiu a utilização do saldo credor de PIS para compensar com COFINS, referente a fevereiro de 1995 a setembro de 1996, em claro e notório descumprimento de decisão judicial imutável pelo manto da coisa julgada.” À fl. 180, transcreve artigos 467 e 468, CPC, ambos em defesa da imutabilidade da coisa julgada. Traz como ponto fulcral de sua tese o fato de a decisão declaratória transitada em julgado não trazer em seu bojo a possibilidade da compensação de créditos de PIS com débitos de COFINS. Transcreve às fls. 182/183 acórdãos deste CARF que dão suporte à tese argüida. Por fim, requer não seja admitida a compensação deferida no acórdão, em vista da imutabilidade da decisão judicial em referência. ContraRazões da Contribuinte às fls. 193/239. Aduz a Contribuinte que o princípio da coisa julgada material não pode impedir a Contribuinte de se beneficiar de Lei nova, que veio conferir a ela o direito de compensar créditos de PIS com débitos de COFINS. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Neste sentido, cita, com efeito, a inovação legal trazida pela Lei nº 9430/96, em seu artigo 74, transcrito à fl. 198, que permite a compensação de créditos para quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Inclusive, argumenta que esta é a orientação do PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011, cujo trecho transcreve à fl. 199 com manifestação do E. STJ sobre a matéria, ambos também integralmente anexados às ContraRazões. Por fim, pede a mantença da decisão e o não provimento do Recurso Especial trazido pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de saber se no caso ora em tela a coisa julgada material pode ser contrariada por lei editada após sua prolatação. O conjunto legislativo correspondente ao art. 66 da lei 8.383/91; ao art. 39 da lei 9.250/95; aos arts. 73 e 74 da lei 9.430/96 e ainda os atos infralegais constantes do art. 12 da IN SRF 21/97, da Nota COSIT 141/03 e também da Solução de Consulta da 9a Região Fiscal 36/04 (fl. 121) foram utilizados para fundamentar a decisão recorrida (fl. 166). Levo em consideração sobretudo, a imperiosa necessidade de salvaguardar a isonomia entre o Fisco e o Contribuinte, certo de que o inciso XXXVI do art. 5º da CF/88 comanda a ocorrência de prejuízo ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido ou a coisa julgada e não a benefício que a mesma lei possa trazer como no presente caso propiciando compensação com outro tributo que não o definido em decisão judicial. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10380.007326/200264 Acórdão n.º 9303002.238 CSRFT3 Fl. 264 5 O objeto de minha atenção vai precisamente na direção de considerar a coisa julgada na forma que o direito recomenda no presente caso, objetivando evitar qualquer desvio que possa tisnar esta decisão. É indubitável que a Lei nº 9.430/96 foi editada posteriormente à decisão judicial que conferiu direito a ora Recorrida de efetuar compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS. O E. STJ, em 09.06.2011, no Resp 1.137.738 ressalva o direito do contribuinte em compensar crédito tributário na forma constante da lei vigente ainda que diferente da lei de vigência no momento da propositura da ação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional, com retorno a Repartição origem para verificação de créditos e débitos. Sala das Sessões, 07 de maio de 2013. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13161.720303/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo do acórdão embargado e a conclusão do seu voto condutor, acolhem-se os embargos declaratórios que apontaram o vício, para solucionar a contradição.
Embargos acolhidos
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2201-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201-1.477, de 19/01/2012, alterar a conclusão do voto, adaptando-a ao dispositivo do julgado. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 56.658.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 10 de maio de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo do acórdão embargado e a conclusão do seu voto condutor, acolhem-se os embargos declaratórios que apontaram o vício, para solucionar a contradição. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201-1.477, de 19/01/2012, alterar a conclusão do voto, adaptando-a ao dispositivo do julgado. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 56.658. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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CONTRADIÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo do acórdão embargado e a conclusão do seu voto condutor, acolhemse os embargos declaratórios que apontaram o vício, para solucionar a contradição. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 22011.477, de 19/01/2012, alterar a conclusão do voto, adaptandoa ao dispositivo do julgado. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 56.658. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 03 03 /2 00 8- 15 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 220101.477, 19 de janeiro de 2012. Aduz a Embargante que o acórdão apresenta contradição entre a sua parte dispositiva e a conclusão do seu voto condutor: enquanto no primeiro se diz que o recurso foi parcialmente provido, no segundo consta que o recurso foi negado. Em exame preliminar de admissibilidade a Sra. Presidente da Câmara acolheu os embargos e determinou a inclusão do processo em pauta para seu exame pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Os embargos foram interpostos tempestivamente. Fundamentação Como se colhe o relatório, a embargante aponta contradição entre o dispositivo do acórdão e seu voto condutor. Reproduzo a seguir um e outro: Dispositivo do acórdão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, rejeitar o a proposta de diligência. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Preliminarmente, por voto de qualidade, manter a sujeição passiva no tocante ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por maioria, dar provimento parcial para deduzir da área tributável a área de reserva legal averbada. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Conclusão do voto: Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13161.720303/200815 Acórdão n.º 2201002.098 S2C2T1 Fl. 3 3 Como se vê, há um evidente descompasso entre a conclusão do voto condutor do acórdão e o seu dispositivo. Tratase, pois, de contradição que precisa ser sanada, sendo os embargos declaratórios a via adequada para tanto. Acolho, portanto os presentes embargos e passo ao exame da contradição apontada. Compulsando o acórdão embargado verifico que há contradição não só entre o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto, como entre esta e seus fundamentos. Reproduzo a seguir trecho do voto condutor do acórdão que evidencia essa contradição: Sobre a alegação de que não foram consideradas as áreas de reserva legal, embora, como ressaltou a primeira instância, o lançamento se limitou a alterar o valor total do imóvel, não se pode desprezar o fato de que, efetivamente, o imóvel tenha uma área de reserva legal, a qual, devido às circunstâncias específicas do caso, não foram declarada. Nessas condições, penso que deve ser reconhecida a área de reserva legal, que mede 553,42 hectares, correspondente a 20% das áreas dos lotes nºs 172, 173, 174, 177, 180 e 257, conforme averbações nos registros correspondentes, acostados aos autos. Portanto, o voto condutor do acórdão, coerentemente com o dispositivo, referiuse expressamente ao reconhecimento de uma área de reserva legal, o que, por evidente lapso, não constou da conclusão do voto. Assim, resolvo a contradição, retificando a conclusão do voto condutor do acórdão embargado para: Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para deduzir da área tributável a área de reserva legal averbada, de 553,42ha. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, sanando a contradição, alterar a conclusão do voto condutor do acórdão embargado nos termos acima referidos. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.005235/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato gerador:19/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO
DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA - Constitui
falta passível de multa, deixar a empresa de
apresentar as informações em meio digital, após intimação do fisco, nos
padrões estabelecidos pela legislação previdenciária.
CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AO CONTRADITÓRIO INOCORRÊNCIA -
Não havendo comprovação de que a fiscalização reteve
documentos que a empresa julgava serem imprescindíveis à sua defesa, não
há que se falar em cerceamento de defesa.
ATO ADMINISTRATIVO - PRESUNÇÃO
RELATIVA DE
VERACIDADE - Os
atos administrativos gozam de presunção relativa de
veracidade que, somente não será acolhida mediante prova em contrário por
parte do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.349
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Declarou-se
impedido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato gerador:19/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - Constitui falta passível de multa, deixar a empresa de apresentar as informações em meio digital, após intimação do fisco, nos padrões estabelecidos pela legislação previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AO CONTRADITÓRIO INOCORRÊNCIA - Não havendo comprovação de que a fiscalização reteve documentos que a empresa julgava serem imprescindíveis à sua defesa, não há que se falar em cerceamento de defesa. ATO ADMINISTRATIVO - PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE - Os atos administrativos gozam de presunção relativa de veracidade que, somente não será acolhida mediante prova em contrário por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AO CONTRADITÓRIO INOCORRÊNCIA Não havendo comprovação de que a fiscalização reteve documentos que a empresa julgava serem imprescindíveis à sua defesa, não há que se falar em cerceamento de defesa. ATO ADMINISTRATIVO PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE Os atos administrativos gozam de presunção relativa de veracidade que, somente não será acolhida mediante prova em contrário por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Declarouse impedido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 11618.005235/200731 Acórdão n.º 2401002.349 S2C4T1 Fl. 50 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, inciso III do art. 32, que consiste em a empresa deixar de apresentar os arquivos digitais de interesse do órgão fiscalizador. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06, a empresa, mesmo após intimada através de TIAD, deixou de apresentar as informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação previdenciária. Inconformada com a Decisão de fls. 27/31, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em síntese: Em sede preliminar argúi cerceamento de defesa e afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, pois, segundo relata, toda documentação exigida fora entregue à fiscalização, que se recusou a assinar o protocolo de recebimento. Aduz que a cópia digital dos documentos, juntada ao recurso, comprova que a mesma havia sido gerada e não haveria justificativa para não apresentála, já que tal procedimento somente acarretaria prejuízo à própria recorrente. Sustenta que a não devolução dos documentos entregues ao Auditor Fiscal gerou prejuízos à impugnação da recorrente pois, se tratava de documentação necessária para a elaboração de sua defesa, caracterizando ferimento ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Tece comentários, acerca do princípio constitucional da ampla defesa citando artigo da Constituição Federal e jurisprudências sobre o tema. Requer a juntada de cópia da folha de pagamento da competência 05/2007, que ensejou a lavratura da autuação. Por fim pugna pela improcedência do presente AI bem como de suas decisões subseqüentes. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tendo o recurso apresentado argumentos apenas em sede preliminares, tenho como não impugnada a matéria relativa ao mérito da autuação. Alega a recorrente cerceamento de defesa e ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, fundamentando sua tese na afirmativa de que os documentos que originaram a presente autuação foram entregues ao Auditor Fiscal e este não os teria devolvido ou ainda os teria extraviado. A argüição da recorrente é desprovida de provas nos autos. Não é crível que o Auditor Fiscal teria se recusado a devolver documentos entregues pela empresa, principalmente relativos a uma única competência. E mais, que a recorrente não tivesse em seu poder cópias da referida documentação a tempo de apresentála junto a impugnação. Consta do documento de fls. 13, que a recorrente recebeu a autuação em 01/11/2007, com o prazo de 30 dias para apresentar impugnação e sanar a falta. Em 30/11/2007 apresentou impugnação sem juntar qualquer documento comprobatório de suas alegações, razão pela qual a decisão de primeira instância entendeu pela manutenção da autuação. Somente quando da apresentação do Recurso Voluntário, dignouse a recorrente a aprestar o documento, que ensejou a lavratura da presente autuação. O mesmo argumento levantado pela recorrente, repitase, sem qualquer prova em seu favor, poderia ser lançado pela fiscalização. Se o Auditor Fiscal tivesse recebido os documentos digitais, por que teria efetuado o lançamento sabendo que a recorrente, a qualquer momento até a impugnação poderia apresentálo? Como dito na decisão, ora guerreada, o ato administrativo goza de presunção relativa de veracidade dos fatos, até que a prova em contrário produzida pelo sujeito passivo refutem de forma robusta as sanções a ele impostas. No presente caso, a recorrente não logrou êxito em demonstrar a veracidade de suas alegações, limitandose a imputar ao agente fiscal, a responsabilidade da comprovação de que não teria recebido o documento que originou a autuação. Neste contesto, não há que se falar em cerceamento de defesa ou de ofensa ao princípio do contraditório, já que a autuada, desde o início do procedimento fiscal, teve conhecimento de todos os documentos que lhe estavam sendo solicitados, teve a oportunidade de apresentálos à fiscalização e, uma vez lançada a autuação, poderia ter juntado à impugnação as cópias que posteriormente juntou ao seu recurso. Em não o fazendo dentro do prazo legal, assumiu para si a responsabilidade pela infração à obrigação acessória contida na Lei 8212/91, com a respectiva multa pela falta cometida. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 11618.005235/200731 Acórdão n.º 2401002.349 S2C4T1 Fl. 51 5 Há que salientar que a juntada da documentação que objetivou a autuação em sede de recurso, não releva ou atenua a multa aplicada. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 10530.901531/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 326 1 325 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.901531/200923 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.230 – 2ª Turma Especial Data 11 de junho de 2013 Assunto Determinação para realização de diligência Recorrente COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E AÇO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 53 1/ 20 09 -2 3 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 327 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls / contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. /) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 09/11/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 18544.37259.091105.1. 3.040971 (fls.36/39), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, assim especificado: principal: R$ 663,00; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 663,00. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 656,17 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 31/12/2004, DARF valor de R$ 26.126,33 (valor original), data do recolhimento 31/01/2005. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 11), consta, quanto ao PA 31/12/2004, débito informado do IRPJ estimativa mensal o valor de R$ 26.126,33, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 187). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado do IRPJ = R$ 26.126,33 (fl. 71). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 34), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 656,17. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 328 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fl. 288), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 04/19 em 13/05/2009, conforme protocolo (fls. 268/270) e despacho de fl. 289. Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em síntese, aduziu: que a compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, pela inexistência do crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála; que, em seguida, faz longo arrazoado acerca da impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de se criar tributação sobre o patrimônio, e não sobre o lucro e renda. Transcreve o art. 42 da Lei n° 8.981, de 1995, e o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995, que tratam do limite para a compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores até o limite de 30% do lucro líquido ajustado, por entender que foram esses dispositivos legais que motivaram a negativa de homologação da compensação em litígio; que, ainda, cita trechos doutrinários, assim como jurisprudência administrativa e judicial acerca da trava de 30% e, por último, requer a procedência da sua defesa, para se declarar a homologação da compensação; A Manifestação de Inconformidade veio acompanhada dos documentos de fls. 20 a 275, dentre os quais se destacam cópias: das DCTF originais relativas aos anoscalendário de 2004 e 2005; dos Darf correspondentes aos recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL dos períodos de apuração ocorridos em 2004; da DIPJ 2005, anocalendário 2004; do Balanço Patrimonial; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos Exercícios de 2004 e 2005. Posteriormente, por meio do requerimento de fl. 276, datado de 14/07/2009, e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte solicitou a juntada das DCTF retificadoras, relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, "zerando" todos os débitos relativos às estimativas mensais de IRPJ e de CSLL anteriormente confessados para os períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2004, que se encontram às fls. 277/287. Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls. 299/304), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) As s u n t o : Imposto sobre a Renda de Pessoa Ju r í d i c a IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 329 4 O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (fls. 309/317) , conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 324). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...) O credito foi originário do DARF 5993 IRPJ de dezembo de 2004 para pagamento de debito (IRPJ e CSLL) referente a MAIO de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do ano calendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 09A Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl.186), vêse que a pessoa jurídica apurou prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 12 A Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao mês de dezembro de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa de IRPJ do mês de de dezembro 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...) Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 330 5 anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da D1PJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...),tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 12 A e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675.524,73. (...) Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 331 6 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 09/11/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 18544.37259.091105.1. 3.040971 (fls.36/39), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993 do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA dezembro/2004, data do recolhimento 31/01/2005. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 31/01/2005 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito do IRPJ estimativa mensal do PA dezembro/2004, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de IRPJ estimativa mensal do PA dezembro/2004, pois apurara prejuízo no encerramento do ano calendário, conforme declaração de ajuste anual – DIPJ 2005, anocalendário 2004 (fls. 178/259); b) que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, não tem como apresentar DIPJ retificadora para corrigir a declaração original, em face do prazo decadencial; que, não obstante, não pode ser prejudicada, pois apresentou a DCOMP tempestivamente; Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 332 7 estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou os pagamentos por antecipação terem superado o imposto apurado no ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola o valor, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), ainda no anocalendário respectivo e sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA dezembro/2004: a) embora a recorrente alegue apuração de prejuízos no encerramento do ano calendário 2004 (Ficha 09) e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, há necessidade de análise da escrituração contábil, que não consta cópia nos presentes autos do processo, se o imposto estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 12A, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Resolução nº 1802000.230 S1TE02 Fl. 333 8 b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou o imposto apurado no ajuste anual restou superado pelas antecipações pagas; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 333DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 17883.000037/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Sep 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados.
ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA
A pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atendia, cumulativamente, os requisitos do art. 55, da Lei 8.212, deveria solicitar a isenção para o gozo do benefício fiscal.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Leonardo Henrique Pires Lopes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados. ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA A pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atendia, cumulativamente, os requisitos do art. 55, da Lei 8.212, deveria solicitar a isenção para o gozo do benefício fiscal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
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ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA A pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atendia, cumulativamente, os requisitos do art. 55, da Lei 8.212, deveria solicitar a isenção para o gozo do benefício fiscal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 37 /2 01 0- 22 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 217 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas aos Terceiros. Conforme Relatório do AI (fls. 13), o fato gerador da contribuição lançada é a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados da recorrente, declarada em GFIP. A autoridade lançadora informa que a entidade se autoenquadrou, indevidamente, como isenta, declarando, em GFIP, o código FPAS 6390, sem, contudo, preencher todos os requisitos e condições estabelecidos no art. 55, da Lei 8.212/91, pois teve sua isenção cancelada por meio do AC 004/95, a partir de 11/91, e não requereu novamente a isenção previdenciária perante o INSS, contrariando o parágrafo primeiro, do referido dispositivo legal. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1231.910, da 13a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 175), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 191), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da decisão de primeira instância, uma vez que a autoridade julgadora administrativa deixou de enfrentar o mérito sob o argumento de que houve renúncia ao contenciosos administrativo fiscal em razão da existência de uma suposta concomitância entre os pedidos formulados pela recorrente e aqueles formulados nos autos do Processo 1997.34.00.0233017. Destaca que, para averiguar se haveria identidade entre as causas de pedir e pedidos, a autoridade julgadora se restringiu a analisar a ementa dos julgados, ignorando o fato de que a causa de pedir e pedido da referida ação constam de sua petição inicial, conforme preceitua o CPC, em seu art. 282, II e IV, e não da ementa do julgado. Entende que, para que pudesse ser realizada a devida verificação quanto a identidade entre as causas de pedir e pedidos constantes da Impugnação e da Ação Judicial, bastaria ser realizada a conversão do julgamento em diligencia e determinarse a intimação da ora Recorrente a juntar aos autos cópia da petição inicial da referida Ação. Sustenta que houve manifesto cerceamento do direito de defesa da recorrente na decisão de primeira instância administrativa, o qual decorreu da insuficiente análise da suposta renúncia ao contencioso administrativo, maculando o Acórdão recorrido de vício insanável. Ainda em preliminar, faz um histórico da legislação que trata da imunidade/isenção tributária, para concluir que as exigências dispostas no art. 55, da Lei 8.12/91 não são aplicadas à ora recorrente, tendo em vista que ela já possuía direito adquirido à referida isenção antes mesmo da edição do referido normativo legal, bem como da Constituição Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Federal de 1988 e do Decretolei n° 1.572/77, sendo que todas as condições e requisitos que a Recorrente deveria cumprir se encontram disciplinados na Lei n° 3.577/59 e, se alguma destas condições fosse descumprida, deveria a autoridade lançadora instaurar previamente o procedimento para suspender a isenção e/ou imunidade. Informa que, em decorrência da cassação da sua isenção e da negativa de renovação do CEAS, a Recorrente ajuizou Mandado de Segurança perante o Superior Tribunal de Justiça, autuado sob o n° 9.220/DF, buscando o reconhecimento de seu direito liquido e certo à manutenção da isenção/imunidade tributária em tela, bem como de obter o referido certificado, unicamente sob as condições previstas na Lei n ° 3.577/59, o que foi concedido pelo STJ, restando reconhecido o seu direito líquido ao CEAS e à isenção/imunidade, cujo acórdão transitou em julgado. Qualifica como absurda a proposição da autoridade lançadora, na medida em que pretende insinuar que a recorrente estaria há trinta anos utilizando de isenção que teria sido cassada sem que nenhuma providência tivesse sido tomada pelas autoridades do INSS. Assevera que qualquer ato administrativo que contrarie o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, ou seja, que pretenda revogar a referida isenção com amparo em dispositivos legais diversos dos previstos na Lei n ° 3.577/59 estará indo de encontro à coisa julgada e, portanto, eivado de ilegalidade. Defende que não há qualquer dúvida que os requisitos constantes da Lei n ° 8.212/91, artigo 55, não são aplicáveis ao caso da Recorrente em função do direito adquirido, assegurado por coisa julgada, não restando dúvidas que foi tornado nulo o Ato Cancelatório n° 004/95, eis que amparado em suposto descumprimento de dispositivos legais constantes da Lei n° 8.212/91 aos quais, segundo decisão judicial definitiva e transitada em julgado, não está sujeita a ora Recorrente. Reitera que é muito difícil crer na teoria advogada pela autoridade lançadora segundo a qual a isenção teria sido cancelada por meio do Ato Cancelatório acima citado, questionando que, se a Recorrente não fosse isenta das contribuições previdenciárias desde 1995, porque a Autoridade Lançadora teria esperado décadas do suposto cancelamento para finalmente promover o lançamento das contribuições que entende devidas somente referente ao ano calendário de 2006. Reafirma que não pode a Autoridade Lançadora vir autuar a Recorrente para cobrança das contribuições previdenciárias de que é isenta antes de ser promovida, formalmente, a quebra desta isenção e com a observância do devido processo legal. Observa que RFB tentou mais uma vez, sem sucesso, a suspensão da isenção/imunidade em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição ao Programa de Integração Social —PIS, e o procedimento de lançamento em análise é nulo por inobservância do disposto na Lei 9.430/96, art. 32. Entende, ainda, que a autoridade lançadora não se preocupou em observar o devido processo legal e a garantia de defesa no curso do procedimento de fiscalização e, da acusação fiscal contida na autuação, relacionada ao suposto gozo indevido pela Recorrente do direito à isenção das contribuições à seguridade social, não se encontra uma linha sequer no relatório fiscal contendo a descrição exata e precisa de qual teria sido a infração cometida ou a Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 218 5 condição descumprida pela Recorrente para justificar o cancelamento de seu direito ao beneficio fiscal. Reitera que houve cerceamento ao direito de defesa, na medida em que não foi exposto, pela autoridade lançadora, de forma clara, qual foi o dispositivo legal supostamente infringido que a autorizaria a chegar à conclusão de não ter a Recorrente direito à isenção das contribuições à seguridade social, como também não foram apontadas as razões pelas quais a fruição do beneficio fiscal seria indevida. Aponta o que, segundo entende, demonstra a precariedade e insuficiência do relato fiscal, que seria a citação de dispositivos legais inaplicáveis à Recorrente e que, inclusive, estão com sua eficácia suspensa por decisão STF, como se infere da leitura do item 6.3 do relatório fiscal, ao mencionar o parágrafo 4°, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91 para embasar a acusação fiscal. No mérito, reafirma sua condição de isenta e de possuidora do CEAS e cumpridora do todos os demais requisitos constantes da legislação, seja a Lei n° 3.577/59, seja a Lei n° 8.212/91, ou ate mesmo a Lei n° 12.101/09, ressaltando que sempre que as autoridades tentaram negar a expedição do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a Recorrente recorreu às vias administrativa e judicial e sempre teve reconhecido o seu direito ao certificado e à manutenção de sua condição de pessoa jurídica isenta do pagamento de tributos. Tece considerações acerca da alteração legislativa imposta pela Lei n° 12.101/09, que atualmente regulamenta a isenção prevista na Carta Magna, em seu artigo 195, parágrafo 7o, revogando expressamente a Lei n° 8.212/91, artigo 55, ressaltando que não é mais necessário formalizar qualquer requerimento ao INSS ou à RFB, no sentido de reconhecimento desta isenção, exatamente como previa a Lei n° 3.577/59, aplicável ao caso da Recorrente. Entende que, segundo a já mencionada Lei n° 12.101/09, compete à Fiscalização comprovar o eventual descumprimento, pela a entidade beneficente, das condições estabelecidas para a fruição do benefícios e, só após, poderá obrigála a recolher os tributos conforme as demais pessoas jurídicas. Chama atenção para o fato de que a Recorrente é portadora de CEAS válido para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 31/12/2009, como informado pela própria Autoridade Fiscal em seu relatório, e que não restou comprovado, pela Fiscalização, que a Recorrente descumpriu qualquer dos requisitos previstos, seja na Lei n° 3.577/59, 8.212/91 ou 12.101/09 para a fruição do beneficio. Faz um apanhado histórico dos atos administrativos de concessão do CEAS e do reconhecimento da isenção, comentando acerca dos seus efeitos temporais, para tentar demonstrar que a recorrente possui o direito liquido e certo à isenção das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, conforme a Lei n° 3.577/59. Traz entendimentos do STF e STJ de que a concessão do CEAS e o próprio reconhecimento da isenção pelas autoridades administrativas são atos de cunho meramente declaratório, e possuem efeito ex tunc, ou seja, retroagem até a data em que fora feito o respectivo requerimento, e como os requerimentos administrativos feitos pela Recorrente foram formalizados em 2003 e 2006, conclui que, no período do débito, a Recorrente deverá Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 ser considerada isenta das contribuições previdenciárias, tornando insubsistente a cobrança ora pretendida, motivo pelo qual deve ser cancelado o auto de infração ora recorrido. Expõe os motivos pelos quais entende que o Ato Cancelatório 004/95, já anexado aos presentes autos, é manifestamente improcedente, eis que eivado de vícios, devendo ter seus efeitos cassados, em homenagem aos princípios da moralidade e da verdade material que regem a Administração Pública. Conclui que, diante da clara nulidade do Ato Cancelatório n° 004/95, temse que a Recorrente jamais perdeu seu direito a isenção, motivo pelo qual o óbice apontado pela Fiscalização de fato não existe, tornando, portanto, desnecessária a formulação de novo requerimento perante o INSS para reconhecer e/ou renovar sua isenção. Afirma que os diversos protocolos de processos apresentados ao MPS — referentes a Relatórios Anuais de Atividade são, na realidade, justamente os requerimentos de isenção protocolizados anualmente perante as repartições competentes, sendo certo que os mesmos continuam pendentes de apreciação ate os dias de hoje. Finaliza requerendo o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 219 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, argumentando que a autoridade julgadora administrativa deixou de enfrentar o mérito sob o argumento de que houve renúncia ao contenciosos administrativo fiscal em razão da existência de uma suposta concomitância entre os pedidos formulados pela recorrente e aqueles formulados nos autos do Processo 1997.34.00.0233017. Entende que, para averiguar se haveria identidade entre as causas de pedir e pedidos, a autoridade julgadora, ao invés de se restringir a analisar a ementa dos julgados, deveria verificar a petição inicial, conforme preceitua o CPC, em seu art. 282, II e IV. Entretanto, não vislumbro a nulidade da decisão de primeira instância alegada pela recorrente. Verificase que a autoridade julgadora rechaçou cada alegação trazida pela recorrente em sua peça impugnatória, expondo, com muita clareza, os motivos pelos quais entendeu que o lançamento deveria ser mantido incólume. O fato de constar, no acórdão recorrido, que não seriam analisadas as matérias do direito à isenção da entidade não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que tal matéria se confunde com a trazida em sede preliminar, e foi objeto de análise pelos julgadores de primeira instância. Em relação ao argumento de que deveria ter sido requerida uma diligência para solicitar a apresentação da petição inicial da referida ação, para a verificação da concomitância, entendo que cabe à autoridade julgadora, e não à recorrente, determinar quais são os documentos necessários para formação de sua convicção. E, no caso presente, verificase que a decisão de primeira instância demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Portanto, não se verifica a nulidade do acórdão de primeira instância, alegada pelo contribuinte. Ainda em preliminar, a recorrente traz um extenso arrazoado na tentativa de demonstrar que as exigências dispostas no art. 55, da Lei 8.12/91 não são aplicadas à Entidade, tendo em vista que ela já possuía direito adquirido à referida isenção antes mesmo da edição do referido normativo legal, e que todas as condições e requisitos que a Recorrente deveria cumprir se encontram disciplinados na Lei n° 3.577/59. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Em relação a essa matéria, convém, para sua melhor compreensão, tecer algumas considerações acerca da legislação que trata da isenção e/ou imunidade previdenciária para, depois, fazer algumas observações sobre direito adquirido ao referido benefício fiscal. A Lei 3.577/59 que, no art. 1º, concedeu isenção a todas as entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública e cujos membros não percebessem remuneração, foi revogada em 1977 pelo DecretoLei nº 1572, que resguardou, porém, o direito à isenção das entidades que tinham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do referido DecretoLei e que fossem portadoras do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos com validade por prazo indeterminado. Em 1988, a Constituição Federal veio amparar a isenção de contribuições previdenciárias dispondo, em seu art. 195, § 7º, serem isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Observase que o texto constitucional remeteu à lei ordinária o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/91 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal. Com relação ao direito adquirido, para melhor análise da matéria, segue transcrita a redação do art. 1º e § 1º do Decretolei 1.572/77: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto Lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. Entretanto, de uma simples leitura do art. 2º, do mesmo Decretolei resta afastada, inequivocamente, qualquer possibilidade de entendimento no sentido de direito adquirido à isenção, verbis: Art. 2º O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao dessa revogação. Essa regra contida no art. 2º transcrito acima exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 1º, 2º e 3º do art. 1º , do referido diploma legal, mantenham a condição de entidades filantrópicas, bem como o reconhecimento de utilidade pública federal, caso contrário, perdem automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do direito à isenção ficou sujeita a não ocorrência da condição resolutiva. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 220 9 Assim, ao prever a possibilidade de perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos, depreendese que o Decretolei 1.527/77 manteve, conseqüentemente, no ordenamento jurídico, a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção das contribuições previdenciárias. Corrobora nesse sentido o Parecer 3.133/2003, da Consultoria Jurídica do INSS: (...) 33. O instituto do direito adquirido protege um determinado direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu titular, contra alterações posteriores da legislação. Para tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular, bem como tenha determinado a intangibilidade deste direito. 34. Concluise, portanto, que o direito à isenção não foi resguardado pela cláusula da intangibilidade, muito pelo contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos em que seria revogado. Nunca, em nenhum momento, o direito à isenção tornouse um direito intocável, de forma a configurar direito adquirido das entidades beneficiárias, como quer fazer crer, equivocadamente, a recorrente. 35. A tese da recorrente, na verdade, defende direito adquirido a um regime jurídico, na medida que ela, simplesmente, não teria que atender qualquer novo requisito criado por meio de lei para a obtenção da isenção, permanecendo, tão somente, as exigências estabelecidas pela legislação anterior, a qual encontrase revogada. Em outras palavras, a pretensão da recorrente é de não se submeter à legislação atualmente em vigor, legislação esta de conteúdo abstrato e comando imperativo erga omnes, cuja previsão encontra respaldo no próprio Texto Constitucional quando determina que: “ Art. 195. (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 36. Portanto, não pode prevalecer a proposição de direito adquirido alegada pela impetrante, sob pena de termos reconhecido o direito adquirido a um regime jurídico que não está mais em vigor, em detrimento da nova regulamentação estabelecida por meio de lei. Portanto, para se beneficiar da isenção de que trata o art. 55, da Lei 8.212/91, a recorrente estava obrigada, sim, a observar todos os requisitos do mencionado dispositivo legal, o que não ocorreu no presente caso, já que não consta que houve pedido de isenção após o trânsito em julgado do processo administrativo que cancelou a isenção da entidade. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 E como a recorrente não requereu a isenção, não faz jus ao referido benefício para o período objeto do AI em tela, já que não observou os requisitos estabelecidos em Lei, mais especificamente aquele inserido no § 1o , do art. 55, da Lei 8.212/91. Quanto ao argumento de que, se alguma destas condições fosse descumprida, deveria a autoridade lançadora instaurar previamente o procedimento para suspender a isenção e/ou imunidade, cumpre observar que foi exatamente isso que ocorreu no procedimento fiscal que culminou na emissão do Ato Declaratório nº 17.624/004/1995, em 11/09/1995. Assim, já foi instaurado o procedimento para cancelamento de isenção, resultando na emissão do citado Ato, objeto de processo já transitado em julgado na esfera administrativa. Portanto, a recorrente já teve oportunidade de se defender do cancelamento de isenção e, ao ter seu benefício cancelado, a entidade deveria ter requerido, junto ao INSS ou RFB, novo pedido de isenção. A insistência da recorrente em afirmar que é possuidora do CEAS para o período do débito apenas demonstra que a recorrente confunde a atividade beneficente e sua certificação, ou mesmo a filantrópica, com a isenção. Cumpre, contudo, esclarecer, que a filantropia é apenas o pressuposto da isenção, sendo que, à época da ocorrência do fato gerador, a isenção consistia em uma relação jurídica de exclusão do crédito tributário e a sua obtenção e manutenção está sempre condicionada à existência de determinadas formalidades essenciais. Dessa forma, quando da lavratura do AI em comento, a entidade deveria preencher os requisitos legais, comproválos junto à Receita Previdenciária ou à Receita Federal do Brasil, dependendo do período, e requerer a outorga da isenção. Nesse sentido, o direito ao benefício da isenção das contribuições previdenciárias não era, à época da ocorrência do fato gerador, exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Administração Pública, estabelecido a título precário, passível de anulação quando a entidade deixasse de preencher as condições legais de manutenção. Portanto, consoante determinação contida no § 1o, do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época, para a entidade beneficente usufruir a isenção previdenciária deveria requerer o benefício no INSS, o que não restou comprovado no caso em estudo. Os diversos protocolos de processos apresentados ao MPS, referentes a Relatórios Anuais de Atividade, não comprovam que a entidade autuada tenha requerido a outorga da isenção, como quer fazer crer a recorrente, como também não consta pedido de isenção deferido pela Autarquia Previdenciária, ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verificase, sim, dos autos, que a recorrente não possui mais a isenção, já que foi emitido o Ato Cancelatório e, para usufruir do referido benefício fiscal novamente, a entidade deveria têlo requerido, à época, junto ao órgão competente, em consonância com os ditames legais, em especial os inseridos no art. 55 da lei 8.212/91 e em obediência ao princípio da legalidade. Relativamente ao Mandado de Segurança ajuizado pela recorrente perante o Superior Tribunal de Justiça (n° 9.220/DF), constatase, dos documentos acostados aos autos, que a decisão foi no sentido de que reconhecer seu direito ao CEAS, o que, como amplamente Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 221 11 exposto acima, não lhe dava direito, por si só, à isenção previdenciária, uma vez que deveriam ser observados os demais requisitos elencados no art. 55, da Lei 8.212/91. Da mesma forma, não procede a afirmação feita de que a recorrente estaria há trinta anos utilizando de isenção que teria sido cassada sem que nenhuma providência tivesse sido tomada pelas autoridades do INSS, uma vez que, conforme demonstrado no Acórdão recorrido, houve várias ações fiscais junto à recorrente nesse período, tendo sido levantado débito contra a entidade, o que não foi negado pela autuada em seu recurso. A atuada questiona que, se não fosse isenta das contribuições previdenciárias desde 1995, porque a Autoridade Lançadora teria esperado décadas do suposto cancelamento para finalmente promover o lançamento das contribuições que entende devidas somente referente ao ano calendário de 2006. Contudo, como já exposto acima, houve outros lançamentos de débito no período, e o AI ora discutido se refere à contribuições relativas às competências de 2006 e 2007, uma vez que a recorrente informa, em GFIP, uma condição de isenta sem possuíla, uma vez que não requereu a isenção, contrariando o disposto no § 1o , do art. 55, da Lei 8.212/91. Também não houve inobservância do disposto na Lei 9.430/96, art. 32, uma vez que referido dispositivo legal trata de impostos incidentes sobre patrimônio, renda ou serviços, o que não é o caso presente. A entidade autuada alega, ainda, que não se encontra uma linha sequer no relatório fiscal contendo a descrição exata e precisa de qual teria sido a infração cometida ou a condição descumprida pela Recorrente para justificar o cancelamento de seu direito ao beneficio fiscal. Entretanto, restou claro, no relatório fiscal, que a entidade deixou de requerer, junto ao INSS, a isenção pretendida. A fiscalização deixou claro que a recorrente não faz jus ao benefício de isenção de contribuição a Terceiras Entidades por ter tido sua isenção cancelada pelo Ato Declaratório, e por não ter requerido, junto ao INSS ou RFB, a outorga da isenção. Ademais, a recorrente demonstrou plena ciência do motivo do lançamento ao afirmar, em seu recurso, que “Na verdade, a Autoridade Lançadora apontou apenas um dos requisitos, que seria a suposta ausência de requerimento perante o INSS de renovação da isenção em tela, para não reconhecer a isenção da Recorrente”. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa ou ausência de motivos No mesmo sentido, entendo que a citação de dispositivo legal objeto da ADIN não invalida o AI, que foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Dessa forma, verificase que o processo foi instruído em conformidade com o que dispõe o Decreto 70.325/72, que estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, como todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. No mérito, a recorrente reafirma sua condição de isenta e de possuidora do CEAS e cumpridora do todos os demais requisitos constantes da legislação, seja a Lei n° 3.577/59, seja a Lei n° 8.212/91, ou ate mesmo a Lei n° 12.101/09, e tece considerações acerca da alteração legislativa imposta pela Lei n° 12.101/09, que revogou expressamente o art. 55, da Lei n° 8.212/91, ressaltando que não é mais necessário formalizar qualquer requerimento ao INSS ou à RFB, no sentido de reconhecimento desta isenção, exatamente como previa a Lei n° 3.577/59, aplicável ao caso da Recorrente. Porém, entendo que deva ser levado em conta requisitos de isenção vigentes na data do fato gerador, de acordo com o art. 144 do CTN, e como ocorreu modificação da lei revogada que tratava dos requisitos para o reconhecimento da filantropia, são os requisitos da primeira que devem ser analisados. O Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamenta a Lei no 12.101/2009, e dispõe sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a Seguridade Social, dispõe que: Art.44.Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único.Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. Art.45.Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 222 13 Observase que foi exatamente dessa forma que agiu a autoridade autuante. Aplicou, no AI discutido, a legislação vigente à época do fato gerador, qual seja, o art. 55 da Lei 8.212/91, que estabelecia que a entidade deveria requerer a outorga da isenção junto ao Órgão Previdenciário. E como a recorrente não requereu a isenção, não faz jus ao referido benefício para o período objeto do AI em tela, já que não observou os requisitos estabelecidos em Lei, mais especificamente aquele inserido no § 1o , do art. 55, da Lei 8.212/91 vigente à época do fato gerador. Em relação às alegações de improcedência e ilegalidade do Ato Cancelatório 004/95, entendo que a recorrente deveria demonstrar seu inconformismo nos autos que discute o referido Ato, e não no presente processo administrativo fiscal, que tem como objeto o lançamento de contribuições devidas e não recolhidas. Conforme esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância e não negado pela autuada, a recorrente já exerceu seu direito ao contraditório e à ampla defesa no processo que discutiu o Ato Cancelatório, que já foi julgado definitivamente na esfera administrativa. Concluise, portanto, que não cabe, por meio do processo ora discutido, apreciar as alegações de nulidade de um Ato Cancelatório que já teve seu trânsito em julgado. Da mesma forma, é descabida a referência ao art. 3o, da Lei 9.429/96, uma vez que, conforme bem observado pela autoridade julgadora de primeira instância, o Ato Cancelatório citado não foi motivado pela não apresentação de pedido de renovação de isenção de contribuição social E como a recorrente não requereu a isenção, não faz jus à isenção para o período objeto do AI em tela, já que não observou os requisitos estabelecidos em Lei, mais especificamente aquele inserido no § 1o , do art. 55, da Lei 8.212/91. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a Autoridade Fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento das contribuições devidas, lavrou corretamente o presente AI, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse sentido e. Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 14 Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Leonardo Henrique Pires Lopes Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 223 15 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA 16 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17883.000037/201022 Acórdão n.º 2301003.069 S2C3T1 Fl. 224 17 Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 19647.008503/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS EMPREGADOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE PRÊMIO. INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS EMPREGADOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE PRÊMIO. INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS EMPREGADOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE PRÊMIO. INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 85 03 /2 00 8- 11 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 184 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 185 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela PARTNER INFORMÁTICA LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Auto de Infração (fl.24), o lançamento se deu em razão das contribuições devidas à Seguridade Social (parte segurados), cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito do INSSDATAPREV. 3. Ademais, o fisco informa que o sujeito passivo efetuou pagamentos de forma continuada, mês a mês, para a empresa Neo Incentive Marketing Integrado LTDA. Na contabilidade, os lançamentos foram descritos como ‘reembolso com Neo card’, conforme discriminado no Anexo I (fls. 26 e ss). Os valores não foram lançados como despesas de marketing, mas ora como despesas administrativas, ora projeto e tecnologia, ou suporte técnico. Nas notas fiscais, há o destaque de ‘honorários’ por parte da prestadora, denotando comissão típica de operadoras de cartão de crédito. Relata que, conforme anexo II (fls. 28/29), o Neo Card é um cartão eletrônico onde o premiado poderá sacar seu prêmio, em dinheiro, em qualquer terminal ligado ao sistema VISA PLUS. Diz, ainda, que o autuado conta com a média de 30 empregados por mês, e tem despesas de aproximadamente R$35.000,00 mensais para propaganda/marketing, fato incomum, para uma empresa de pequeno porte, num período de 19 meses. 4. A empresa autuada foi intimada para apresentar o contrato de prestação de serviços que celebrou com a empresa Neo Incentive Marketing Integrado LTDA., conforme termo anexo (fl. 22). 5. Uma vez que a intimação fiscal não foi atendida, o Fisco realizou a aferição indireta, tendo considerado os valores constantes das faturas da empresa Neo Incentive Marketing Integrado LTDA. como saláriodecontribuição, com fulcro no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. 6. As notas fiscais que serviram de base para o lançamento estão discriminadas no anexo I (fls. 28/29), como indicação da folha do livro Diário onde foram contabilizadas. 7. Os honorários da operadora foram deduzidos, sendo considerado apenas o valor dos serviços como saláriodecontribuição. 8. O acórdão (fl. 166) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 186 4 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a autoridade fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. PRODUTIVIDADE. Possui natureza salarial, sendo, portanto, base de cálculo de contribuição previdenciária, o pagamento, mediante cartão magnético, de prêmio para estímulo ao aumento da produtividade dos segurados empregados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 9. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) que o auto de infração lavrado em substituição à notificação anulada continua com o mesmo vício que ensejou a anulação anterior, qual seja a “inexistência nos autos de documento que comprovasse a existência de fato gerador da contribuição previdenciária; b) que o § 6º do art. 33 da Lei 8.212/91 aplicase na hipótese de desconsideração da escrita fiscal, fato que não ocorreu, até porque não houve aferição indireta, vez que os valores foram levantados por meio de documentos apresentados ao fisco; c) que se inexiste documento comprobatório de pagamento a empregados, não se pode asseverar que há impossibilidade declarada pelo auditor, vez que a documentação aponta para a prestação de serviços de pessoa jurídica; d) diferentemente do que alega o agente fiscal, ainda que erro no enquadramento no Plano de Contas, não se pode inferir que a despesa teria caráter salarial; e) não há prova de que o pagamento de prêmio é realizado em pecúnia; f) o serviço de marketing tomado pela recorrente não tem natureza jurídica de remuneração e não está no rol de hipóteses de incidência fixadas pela Lei 8.212/91. 10. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA AUTUAÇÃO FISCAL 2. O contribuinte foi autuado em razão das contribuições devidas à Seguridade Social (parte segurados), cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa. 3. Sobre o fato gerador, o auto de infração assim descreveu: “(...). 4. FATO GERADOR: A empresa conforme item 3, subitem ‘e’, não apresentou o Contrato entre a mesma e a empresa Neo Incentive Marketing Integrado Ltda, tendo sido lavrado o AI Auto de Infração n.37.169.2962. Assim, na impossibilidade de verificar se os valores são de prestação de serviços de pessoa jurídica ou pagamentos aos empregados, fato, este último que constitui FATO GERADOR de contribuição previdenciária, o signatário conforme art. 33 § 3º e 60 da Lei 8.212/91, normatizado pelo Decreto 3.048/99 (arts. 233 e 235), AFERIU estes valores como salário de contribuição, aplicando as alíquotas devidas. (...).” 4. A recorrente, em suas alegações, dispôs, em síntese, que o auto de infração lavrado em substituição à notificação anulada continua com o mesmo vício que ensejou a anulação anterior, qual seja a “inexistência nos autos de documento que comprovasse a existência de fato gerador da contribuição previdenciária”; afirma que o § 6º do art. 33 da Lei nº. 8.212/91 aplicase na hipótese de desconsideração da escrita fiscal, fato que não ocorreu, até porque não houve aferição indireta, vez que os valores foram levantados por meio de documentos apresentados ao fisco; aduz que se inexiste documento comprobatório de pagamento a empregados, não se pode asseverar que há impossibilidade declarada pelo auditor, vez que a documentação aponta para a prestação de serviços de pessoa jurídica; diferentemente do que alega o agente fiscal, ainda que erro no enquadramento no Plano de Contas, não se pode inferir que a despesa teria caráter salarial; não há prova de que o pagamento de prêmio é Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 188 6 realizado em pecúnia; o serviço de marketing tomado pela recorrente não tem natureza jurídica de remuneração e não está no rol de hipóteses de incidência fixadas pela Lei nº. 8.212/91. 5. Nesse contexto, cabe enfatizar que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fl. 22, exigiu os seguintes documentos abaixo relacionados (matriz e filial): “i) CONTRATO(S) REFERENTE A NEO INCENTIVE MARKETING CNPJ 05.568.6531000195; ii) LIVRO DIÁRIO ANO DE 2006; iii) NOTAS DE FATURAS DE SERVIÇOS DA NEO INCENTIVE.” 6. Pela análise do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), fl. 23, extraise que o contribuinte não apresentou o contrato solicitado. 7. Dessa forma, a fiscalização não teve condições de verificar se os valores são de prestação de serviços de pessoa jurídica ou pagamentos aos empregados. 8. Por consequência houve a aferição dos valores como salário de contribuição. 9. Como visto anteriormente, o contribuinte busca a nulidade da autuação, por considerar a não comprovação da existência do fato gerador da contribuição social previdenciária, no entanto, não apresentou devidamente os documentos solicitados pela fiscalização, que acarretariam a devida constatação da afastabilidade ou não de incidência tributária. 10. A aferição indireta é considerada via excepcional que tem cabimento quando impossível verificar documentos do contribuinte comprometedores do objeto a se provar. 11. O Código Tributário Nacional (CTN) assim trata da aferição indireta: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” 12. A Lei nº. 8.212/91, em seu art. 33, § 6º, também dispõe sobre o mesmo tema: “À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 189 7 de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” 13. Assim, a aferição indireta está expressamente prevista em lei, e, havendo a recusa da apresentação de documentos, é cabível a aferição indireta com lançamento das contribuições previdenciárias. Caso contrário, o contribuinte se beneficiaria do descumprimento de uma obrigação inerente à sua atividade. 14. Destacase que à recorrente caberia provar que os valores foram pagos em contrapartida da prestação de serviços de pessoa jurídica, o que não ocorreu no caso em análise. 15. No mesmo sentido, foi o acórdão prolatado na 1ª Turma, da 4ª Câmara, deste Conselho, que restou ementado nos seguintes termos: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (1ª Turma, 4ª Câmara, CARF, Recurso 251.960, Processo n.º 11474.000055/200744, Acórdão 240100619, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa).” Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 190 8 16. Assim, diante da jurisprudência apresentada tanto no âmbito da esfera judicial quanto no CARF, mantenho os termos da autuação, por não identificar irregularidade quanto ao procedimento adotado, pois o auditor agiu de acordo com o previsto na legislação de regência. DA NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO DE PRÊMIO 17. A decisão do colegiado a quo considerou o prêmio pago pela empresa como integrante do salário de contribuição e a empresa, por sua vez, apresentou peça recursal, na qual argumenta que tais valores, ao seu juízo, não integram o salário de contribuição, pois os prêmios não possuem qualquer caráter remuneratório. 18. In casu, é necessário identificar o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que é delimitado no art. 195, I, alínea “a” da Constituição Federal de 1988, o qual estabelece que além da “folha de salários”, que é composta de todas as parcelas devidas aos empregados em decorrência da prestação de serviço, os “demais rendimentos do trabalho” também compõe o campo de incidência das contribuições. “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998).” 19. A legislação que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, a Lei nº. 8.1212/91 no art. 28, por sua vez prevê que entendese por salário de contribuição, sobre o qual incidirá a contribuição social, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” 20. Assim, partindo da premissa conduzida pela Carta Magna e pela legislação de regência previdenciária, podese vislumbrar que o pagamento de prêmio aos Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 191 9 empregados está inserido no conceito de salário de contribuição, uma vez que não deixa de ser uma quantia paga em decorrência do trabalho do funcionário. 21. Insta mencionar que ao olharmos para o que preleciona a doutrina trabalhista ao analisar a natureza jurídica do pagamento de prêmio, perceberemos que esta não diverge da afirmativa supra, uma vez que Amauri Mascaro Nascimento, em sua obra “Manual do Salário”, Editora LTr, p. 334 afirma que: “prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os Prêmios Caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos”. 22. No mesmo sentido, cumpre mencionar julgados do Superior Tribunal de Justiça, que reconhecem o caráter remuneratório do pagamento do prêmio, considerando irrelevante o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. "PRÊMIODESEMPENHO". CARÁTER REMUNERATÓRIO. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. 1. Cuidase de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região que negou provimento ao apelo autoral ao concluir que a Lei n. 5.890/73 é taxativa e impõe a incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer parcela paga ao empregado. A recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 535, II, do CPC, 76 da Lei n. 3.807/60, 173 do Decreto n. 60501/67, 223 do Decreto n. 72771/73 e 457 da CLT, além de divergência jurisprudencial. Em suas razões, sustenta, em síntese, que: a) embora devidamente suscitado no recurso integrativo, não houve pronunciamento acerca do conceito de remuneração e salário decontribuição previsto nos Decretos n. 60.501/67 e 72.771/73 e na CLT; b) as parcelas recebidas pelos empregados a título de "prêmiodesempenho" foram pagas eventualmente sem nenhuma contraprestação, logo não se enquadram no conceito de salário decontribuição. 2. Se o Tribunal de origem adota entendimento diverso do pretendido pela parte analisando a questão sob o prisma que julga pertinente à lide de forma motivada e fundamentada, não há violação do art. 535, II, do CPC. 3. A legislação vigente à época dos débitos em discussão (08/1973 a 02/1974), Lei n. 3.807/60, art. 76, bem como o entendimento do egrégio STF, assinalado na Súmula n. 241, reconhecia que as parcelas recebidas pelo empregado, pagas a qualquer título, integravam o saláriodecontribuição. 4. Na espécie, diante das circunstâncias fáticas apresentadas em juízo destacou o Tribunal de Origem: "O caso é que o "bônus" Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 192 10 ou "prêmio desempenho" tem caráter remuneratório, sendo irrelevante, o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador." (fl. 120). 5. Recurso especial nãoprovido. (REsp 910.214/ES, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 293) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89.INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUÇÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. O lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CTN, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3º da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exação é "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "prêmio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada à recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl. 167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal. 3. Recurso especial interposto pelo INSS provido e recurso da Brasil Telecom S/A prejudicado. (REsp 565375/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/08/2006, DJ 31/08/2006, p. 199).” 23. Sobre a matéria, é necessário observar que esse Conselho já proferiu diversos acórdãos na mesma linha decisória do STJ, conforme ementas transcritas a seguir: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 193 11 Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte (2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº 14041.000407/200740, Acórdão nº 2401 01.795, data da sessão 14/04/2011, Relatora: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) SUCESSÃO Ocorre sucessão de fato toda vez que uma empresa é absorvida por outra, sem solução de continuidade, devendose levar em consideração, principalmente, os elementos que integram a atividade empresarial, quais sejam: ramo do negócio, ponto, clientela, móveis, máquinas, organização e empregados PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido (2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº 10510.003261/200760, Acórdão nº 2302 00.779, data da sessão 02/12/2010, Relatora: Liege Lacroix Thomasi).” 24. Dessa forma, não assiste razão à recorrente em seus argumentos, tendo em vista que tanto a jurisprudência desse Conselho quanto a doutrina trabalhista e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consideram que incide contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de prêmio de incentivo ao trabalhador. 25. Dessa forma mantenho a autuação nos termos lavrados pelo auditor fiscal. DA MULTA APLICADA 26. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 194 12 que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 27. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 28. E o supracitado art. 61, da Lei nº. 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 29. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 30. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 31. Ante ao exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento parcial, para aplicar a multa prevista no artigo 35, da Lei nº. 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº. 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 2803002.387 S2TE03 Fl. 195 13 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10880.961177/2008-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 61 17 7/ 20 08 -3 5 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1625.735, às fls. 39 a 41: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 05 a 09), PER/DCOMP n° 29787.20136.261004.1.3.046772, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita 2089), referente ao período de apuração de 31/03/2001. Despacho Decisório (fl. 02) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SÃO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Inconformada, a contribuinte apresentou, em 03/02/2009, manifestação de inconformidade (fls. 10 e 11), alegando, em síntese, o seguinte: que é empresa optante pelo Lucro Presumido e possui como atividade a construção civil; que de janeiro de 1999 a junho de 2003 recolheu a titulo de IRPJ o equivalente a 15% sobre a base de cálculo de 32% sobre o faturamento bruto, inclusive sobre as receitas em que houve emprego de materiais; que conforme o ADN Cosit n° 6 de 1997, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% quando houver emprego de materiais; que com base nessa legislação foram retificadas todas as DCTFs compreendidas no período do 1° trimestre de 1999 ao 2° trimestre de 2003 para corrigir o valor dos débitos de IRPJ, onde foram considerados base de cálculo de 32% nos casos em que houve a prestação de serviço com emprego de materiais. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I manteve a negativa em relação à referida declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto que orientou a decisão a decisão de primeira instância administrativa (acima referida) apresenta o seguinte fundamento: A interessada alega que efetuou pagamento a maior ao aplicar o percentual de 32% sobre a receita bruta para a apuração da base de cálculo do lucro presumido, sendo que para o caso em que diz se enquadrar (atividade de prestação de serviço de construção civil com emprego de materiais) o percentual a ser utilizado é de 8%. Dessa forma, a controvérsia fica restrita à existência ou não do direito creditório da interessada. Quanto a esta questão, a pleiteante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito credit6rio, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (artigo 170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de oficio pela autoridade fiscal. Nenhuma documentação foi apresentada para comprovar que naquele período a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais. Tal circunstância deve ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Dessa forma, por não haver comprovação da veracidade das alegações da interessada quanto à existência de direito creditório (falta de liquidez e certeza), fica mantido o Despacho Decisório proferido nos presentes autos. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/07/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/08/2010 (fls. 43 a 48). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 5 4 Ela faz primeiramente uma síntese dos fatos, para em seguida alegar: que tem como atividade a execução de obras de construção civil, CNAE 4120400, sendo optante pela apuração do imposto de renda da pessoa jurídica pelo lucro presumido; que é incontroverso que o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade (ADN Cosit nº 6, de 1997); que se equivocou no cálculo da apuração de seu imposto de renda de pessoa jurídica pelo lucro presumido no período de apuração trimestral encerrado em 31 de março de 2001; que aplicou 32% sobre o total da receita bruta para apurar o imposto de renda pessoa jurídica pelo lucro presumido, no referido período de apuração, sem considerá1a se decorrente de emprego unicamente de mãodeobra ou se houve emprego de materiais; que, assim, apurou o imposto de renda a maior do que era o devido, como se pode verificar no demonstrativo contido no recurso, onde nas notas fiscais/fatura de serviços com emprego de materiais, de números 091, 092, 093, 094, 096, 097 e 099, o percentual de presunção do lucro foi de 32%, quando o certo seria de 8% (a Recorrente apresenta planilhas para demonstrar como seria a apuração correta do imposto); que houve recolhimento a título de imposto de renda pessoa jurídica de R$ 10.836,63, quando o correto seria de R$ 4.311,10, e que, assim, a requerente tem o direito de crédito da diferença, em razão do recolhimento a maior de imposto de renda pessoa jurídica do período de apuração encerrado em 31/03/2001, de R$ 6.525,53; que logo após a constatação de seu equívoco na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, acima mencionado, providenciou as retificações das DCTF's dos respectivos períodos de apuração, conforme comprovantes anexos (Doc. 003); que os materiais utilizados na prestação de serviços, no período de apuração encerrado em 31/03/2001, relativo ao primeiro trimestre de 2001, foram deduzidos para apuração do imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN), sendo que os lançamentos correspondentes foram homologados pela Secretaria de Finanças da Prefeitura do Município de São Paulo; que comprova a existência de seu direito creditório com cópias dos seguintes documentos: 1) Notas Fiscais Fatura de Serviços (NFFS) emitidas no período de janeiro, fevereiro e março de 2001 e respectivas notas fiscais de compra de materiais anexadas (Docs. 004 a 013); 2) Folhas 001, 015 e 016 do Livro de registro de notas fiscais fatura de serviço modelo 53 da Prefeitura do Município de São Paulo, escrituradas com as notas fiscais fatura de serviços do item 1; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 6 5 3) Folhas 001 a 015 do Livro Diário de número 04, onde estão os lançamentos das aquisições de materiais empregados na prestação de serviços; 4) Folhas 001, 047, 048 e 049 do Livro Razão de número 04, referentes à conta de Materiais; 5) Folhas 001 a 014 do Livro de Entradas de Mercadorias modelo 1A de número 04, da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, onde estão escrituradas as notas fiscais de compras de materiais empregados na prestação de serviços. Este é o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação por ela apresentada em 26/10/2004. O crédito utilizado nesta compensação tem origem em alegado pagamento a maior de IRPJ, relativamente ao primeiro trimestre de 2001. A Contribuinte atua no ramo da construção civil. Ela argumenta que auferiu no referido período receitas no montante de R$ 210.458,00, R$ 49.600,00 correspondendo a serviços com emprego exclusivo de mão de obra (Notas Fiscais nº 90, 95 e 98) e R$ 160.858,00 decorrentes de serviços com emprego de materiais (Notas Fiscais nº 91, 92, 93, 94, 96, 97 e 99). Informa também que aplicou indiscriminadamente o coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido, quando o correto seria aplicar o coeficiente de 8% no caso dos serviços com emprego de materiais, conforme estabelecido no ADN Cosit nº 6, de 1997. Nestes termos, o débito correto de IRPJ seria de R$ 4.311,10, e não R$ 10.836,63 (valor pago), o que caracterizaria o pagamento a maior no valor de R$ 6.525,53, que é a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP sob exame. A primeira negativa ao pleito da Contribuinte se deu pelo despacho decisório da Delegacia de origem (fls. 2), com o fundamento de que o mencionado pagamento de R$ 10.836,63 tinha sido integralmente utilizado para a quitação de débito informado pela Contribuinte, não restando crédito disponível para a pretendida compensação. Na manifestação de inconformidade, a Contribuinte informou que retificou a DCTF para corrigir as informações nos sistemas da Receita Federal. Contudo, a Delegacia de Julgamento, ao examinar essa manifestação, registrou que nenhuma documentação havia sido apresentada para comprovar que naquele período a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais, e que tal circunstância deveria ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Foi mantida, portanto, a negativa em relação à compensação, e a Contribuinte ingressou com o recurso voluntário sob exame. Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 8 7 Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (26/10/2004), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2001. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 9 8 na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que nenhuma documentação foi apresentada para comprovar que no período em questão a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais, e que tal circunstância deveria ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao seu recurso voluntário cópias de notas fiscais por ela emitidas; de notas fiscais referentes a compras de materiais; do Livro que contém a demonstração do Imposto sobre Serviços; do Livro Diário, “onde estão os lançamentos das aquisições de materiais empregados na prestação de serviços”; do Livro Razão, referente à conta de Materiais; e do Livro Registro de Entradas, “onde estão escrituradas as notas fiscais de compras de materiais empregados na prestação de serviços”. Como mencionado pela Recorrente, o ADN Cosit nº 6/1997 tratava do coeficiente de presunção de lucro para a atividade de construção por empreitada, distinguindo duas situações: quando houvesse emprego de materiais, em qualquer quantidade; e quando houvesse emprego unicamente de mãodeobra, sem o emprego de materiais. O entendimento manifestado neste Ato Declaratório Normativo foi superado pelas disposições contidas no art. 1º, §§ 7º e 9º, c/c art. 32 da IN SRF 480/2004 (com as alterações da IN SRF 539/2005). Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 10 9 Tais dispositivos passaram a admitir a aplicação do menor coeficiente apenas para a contratação por empreitada de construção civil que fosse realizada na modalidade total, em que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à sua execução, e que tais materiais sejam incorporados à obra, não sendo considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Mas os fatos em questão ocorreram no primeiro trimestre de 2001, antes da citada mudança legislativa, e devem, portanto, ser tratados sob a ótica do ADN Cosit nº 6/1997. Os elementos apresentados pela Recorrente denotam que houve prestação de serviços na área de construção civil com emprego de materiais por ela fornecidos. As notas fiscais relativas às compras feitas pela Recorrente neste período demonstram a aquisição de vários materiais normalmente aplicados em obras de construção civil, como areia, brita, cimento, concreto, ferro para construção, bloco, tijolo, tinta, etc. No recurso voluntário, a Contribuinte discrimina as notas fiscais cuja receita deveria ser submetida aos coeficientes de 32% ou de 8%. Contudo, ainda não é possível concluir qual é efetivamente o montante da receita que decorreu da prestação de serviços na área de construção civil com fornecimento de materiais. O julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP, para que, mediante o exame dos documentos já mencionados acima, da DIPJ (ainda não juntada aos autos), dos contratos firmados pela Recorrente com seus clientes (ou de informações obtidas junto a estes), e de outros documentos que sejam considerados relevantes para o deslinde da questão, a referida unidade de origem verifique e esclareça: o valor da receita bruta do período em questão; a parcela desta receita que decorre da prestação de serviços na área de construção civil com fornecimento de materiais; e o valor do IRPJ efetivamente devido em relação ao primeiro trimestre de 2001. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DERAT/SP atenda a solicitação acima. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961177/200835 Resolução nº 1802000.258 S1TE02 Fl. 11 10 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012988/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 28/02/2005
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE
CORESPONSÁVEIS.
DOCUMENTO INFORMATIVO.
A relação de coresponsáveis
é meramente informativa do vínculo que os
dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO
FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO,
ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26A
do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a
aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,
sob fundamento de inconstitucionalidade.
RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICÍLIO FISCAL.
INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA O
RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS.
Em consonância com a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação
por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte,
confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este
não seja o representante legal do destinatário.
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de
remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, fazendo
parte do campo de incidência da contribuição previdenciária.
MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes
aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA
GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei
11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme
consta do art. 32A
da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106,
inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratandose
de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos
severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO
LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE
PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido
ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a
capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála
.
Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da
infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade
pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto
no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis
é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já
que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos
termos do voto do Relator; II) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso,
no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A,
da Lei 8.212/91, caso este seja mais
benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros, Leôncio
Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no
mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º
9.430/1996, como determina o Art. 35A
da Lei 8.212/1991, deduzindose
as multas aplicadas
nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 28/02/2005 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICÍLIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA O RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS. Em consonância com a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; II) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros, Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente.
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RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICÍLIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA O RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS. Em consonância com a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de co responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; II) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros, Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.012988/200786 Acórdão n.º 230101.870 S2C3T1 Fl. 139 3 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leoncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Auto Infração nº 37.025.4805, lavrada em 23/10/2006, que constituiu crédito tributário relativo a multa por descumprimento da obrigação acessória de incluir em GFIP todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de empregados sob a denominação prêmios pagos pela empresa Incentive House, no período de 07/2001 a 02/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 693.138,56, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 27/10/2006, fls. 18, a recorrente apresentou impugnação, fls. 21/54, na qual alegou: vício de ciência, natureza não salarial das supostas verbas omitidas na GFIP, caráter confiscatório, bitributação e outras inconstitucionalidades na multa, ausência de razoabilidade, que os prêmios seriam pagamento por locação de veículos; necessidade de exclusão dos coresponsáveis. Na DecisãoNotificação de fls. 68/76, a DRP/Belo Horizonte concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 26/04/2007, fls. 79. O recurso voluntário, apresentado em 25/05/2007, fls. 82/121, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. De início, argumenta que houve vício de ciência, pois a decisão não foi recebida por qualquer representante legal da empresa. No tocante aos prêmios pagos pela empresa Incentive House S/A, alegou boa fé e insistiu não ter a parcela natureza salarial e sobre não deve incidir a contribuição previdenciária. Argumentou que os pagamentos representavam, na verdade, pagamentos por locação de veículos. Teria adotado a intermediação da Incentive House na locação de veículos por questões de logística e segurança. Pretende a relevação da multa e dos juros, ou fixação da multa em 10% pela aplicação da razoabilidade, bem como requer a exclusão da coresponsabilidade dos sócios. Reclama do caráter confiscatório da multa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.012988/200786 Acórdão n.º 230101.870 S2C3T1 Fl. 140 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Ciência de intimação. Nulidade. Inocorrência. A recorrente alega que a primeira intimação foi recebida por pessoa sem poderes para tanto, o que acarretaria sua nulidade. Como podemos notar em fls. 06/07, o Sr. Osmar do Amaral deu ciência ao Mandado de Procedimento Fiscal em 27/03/2006, apresentandose como Diretor Técnico da recorrente. Novamente, em fls. 09/12, o mesmo Diretor recebeu intimações em nome da empresa até 30/03/2006. A partir dessa data, a empresa recuouse a assinar as intimações, tendo a fiscalização deixado os respectivos Termos no estabelecimento da recorrente, fls. 13/18. Sobre a validade da ciência de intimações, este Colegiado já emitiu a Súmula CARF 09, in verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Como se vê, o documento emitido pela fiscalização que é recebido no domicílio fiscal da autuada é considerado como de conhecimento desta, ainda que o funcionário que o receba não seja seu representante legal, pois prevalece a responsabilidade da empresa de manter funcionários diligentes em seu estabelecimento. O Poder Judiciário também acolhe entendimento no mesmo diapasão: ADMINISTRATIVO RECURSO ADMINISTRATIVO INTIMAÇÃO POSTAL DOMICÍLIO FISCAL ELEIÇÃO PELO CONTRIBUINTE CONDOMÍNIO PORTEIRO ART. 23, DO DECRETO Nº 70.235/72 1 O art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72 dispõe que se considera realizada a intimação por via postal na data do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conforme prevê o citado dispositivo, não existe a obrigatoriedade de que a intimação postal seja feita com a assinatura do sujeito passivo (exigência feita tão somente às intimações pessoais art. 23, I). Para a intimação postal basta, apenas, a prova do recebimento da correspondência no Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio de condomínio, data a partir da qual passa a correr o prazo processual administrativo. Precedentes de ambas as Turmas de direito público do STJ (REsp 754.210/RS; REsp 1029153/DF). 2 Apelação e remessa oficial providas: segurança denegada. 3 Peças liberadas pelo Relator, em 07/12/2009, para publicação do acórdão. (TRF1ª R. ApRN 14/05/2009 Rel. Juiz Fed. Rafael Paulo Soares Pinto DJe 29.01.2010 p. 522) Anexo CORESP. Lista apenas indicativa sem valor para inclusão na CDA. Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, não procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos os processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Considerando que não houve apuração de responsabilidade dos sócios no procedimento fiscal e que estes não foram intimados a apresentarem suas respectivas defesas, voto por manter a lista nominal CORESP como uma relação meramente indicativa de representantes legais já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em dívida ativa tãosomente com base nesta lista. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.012988/200786 Acórdão n.º 230101.870 S2C3T1 Fl. 141 7 Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Prêmios. Incentive House. Com relação às premiações pagas pela empresa Incentive House, adotamos a argumentação do Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que extraímos do voto no Recurso 253.133: “quando a Recorrente realizava um pagamento a empresa Incentive House, e esta repassava tais valores aos segurados Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 daquela, mostrado está que a Incentive House atuou como mera intermediária entre a Recorrente e seus segurados. Assim, tal procedimento possuía o único fim de burlar o Fisco, com intuito descaracterizar a ocorrência de fato gerador de contribuição social, ou seja, retirar o caráter remuneratório das verbas pagas pela Incentive House aos segurados da Recorrente. Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, a Recorrente alega que os valores pagos através da empresa Incentive House S/A não dizem respeito a salários, mas sim a “premiação de incentivo”, razão pela qual não poderia incluí los em folha de pagamento, tampouco recolher o valor destinado à Seguridade Social. (...) Desta feita, caso houvesse a adequada utilização do suposto benefício “Flexcard”, corretamente regularizado e atendendo aos requisitos de público alvo, condição, termo e premiação, bastaria a empresa comprovar tais premissas, em atendimento a intimação, que tal NFLD não seria sequer emitida. Ademais, o pagamento de recompensa não pode ser estendido indiscriminadamente a todos os funcionários e colaboradores da empresa promovedora da campanha de marketing, devendo ser reservado somente àqueles participantes que obtiverem os desempenhos mais destacados. Em sendo assim, as premiações de incentivo somente se afastam da fisionomia salarial quando administradas de acordo com um regulamento detalhado, de publicação obrigatória, segundo o qual apenas um seleto grupo de funcionários ou colaboradores fará jus a uma bonificação excepcional após o alcance de uma determinada meta de produtividade. (...) Resta indubitável, portanto, que as verbas pagas aos segurados empregados e empresários, a título de “premiação”, possuem natureza salarial, e, conseqüentemente, integram o salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias.” Assim, concluímos que tais pagamentos de prêmios por meio da empresa Incentive House tem natureza remuneratória e devem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Quanto à alegação da recorrente de que os valores pagos pela Incentive House representam, na verdade, aluguel de veículos, concordamos coma decisão a quo no sentido de que tal situação não pode ser comprovada no contrato com a referida empresa de premiação, pois a recorrente alega que celebrou contrato verbal e não escrito. Fora de dúvida que se trata de modalidade de contratação possível, mas não permite às partes fazer prova perante terceiros do conteúdo do contrato. Ademais, é notório que o objeto social da empresa Incentive House não tem relação com aluguel de veículos, administração de frota ou similar. As declarações fornecidas pelos locadores de veículos de que as locações eram pagas pela empresa Incentive House não possuem idoneidade probante por serem extemporâneas. Portanto, afastamos todos os argumentos quanto à veículos. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.012988/200786 Acórdão n.º 230101.870 S2C3T1 Fl. 142 9 Multa de mora e juros. Legalidade. A multa de mora e os juros de mora tem previsão legal no art. 35 da Lei 8.212/091, não havendo fundamento para sua relevação ou fixação em percentual diverso daquele constante do lançamento. Multa de ofício confisco O impugnante suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Multa por não apresentação da GFIP. Adequação ao art. 32A. O valor da multa por apresentação da GFIP com incorreções ou omissões sofreu modificações com o advento da Lei 11.941/09 que introduziu o art. 32A na Lei 8.212/91, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 Com relação ao tema, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Logo, a perfeita adequação do lançamento à legalidade exige que a multa aplicada seja confrontada com a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que resultar em menor ônus para a recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (i) manter a lista nominal CORESP como uma relação meramente indicativa de representantes, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em dívida ativa tão somente com base nesta lista; (ii) aplicar o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA
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