Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13851.720290/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 07/05/2008
DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma.
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO À PRELIMINAR: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 07/05/2008 DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Preliminar rejeitada. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13851.720290/2011-01
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5353615
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.561
nome_arquivo_s : Decisao_13851720290201101.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13851720290201101_5353615.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO À PRELIMINAR: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5491175
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813639966720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.720290/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.561 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria IRF Recorrente MARCHESAN IMPLEMENTOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS TATU S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 07/05/2008 DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Preliminar rejeitada. Recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 02 90 /2 01 1- 01 Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO À PRELIMINAR: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado). Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, MARCHESAN IMPLEMENTOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS TATU S.A., em face do contido no Ofício nº 039/2008/Desig/Gabin, do Banco Central do Brasil (BACEN) que informou perdão de dívida de juros com a empresa controlada “Orwell Business Ltd.”, com sede em Nassau – Bahamas (paraíso fiscal), doravante denominada Orwell, resultou a constatação da seguinte infração à legislação tributaria: ∙ Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte IRRF, incidente sobre pagamentos sem causa. Segundo o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 1.496/1508) apoiado nos documentos acostados ao processo, a fiscalizada, em 07/05/2008, efetuou transferências financeiras para o exterior, na quantia de R$.40.693.740,76 correspondente a US$24.440.685,14 (nº 08/004672) e de R$.36.995.398,10, correspondente a US$22.219.458,32, (08/004674), totalizando nessa data a remessa de US$ 46.660.143,76 em benefício da Orwell. A contribuinte foi diversas vezes intimada a prestar esclarecimentos e apresentar comprovantes, com o objetivo de se verificar a regularidade de sua situação tributária diante dessas operações de câmbio destinadas a sua controlada, sediada no exterior, naquela data. Todavia, segundo o Fisco, não comprovou a obrigatoriedade de efetuar tais pagamentos em benefício da Orwell. Conseqüentemente, foi lavrado o Auto de Infração (AI) que exige crédito tributário no total de R$ 84.936.937,89, sendo IRRF no valor de R$ 41.832.613,23, Multa Proporcional de R$ 31.374.459,92 e Juros de Mora de R$ 11.729.864,74 (calculados até 28/02/2011). O lançamento teve fulcro nas seguintes disposições legais: ∙ IRRF: RIR, de 1999, art. 674, § 1º; ∙ Multa Proporcional : Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 (75%). ∙ Juros de Mora: Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. Cientificada da autuação em 24/03/2011, conforme consta do AI, a contribuinte ingressou com impugnação em 25/11/2011, na qual refuta o lançamento, em suma, mediante as alegações: ∙ Expirou o prazo para a Fazenda Pública constituir crédito tributário, pois o fato gerador ocorreu nos anos calendários de 1998 e 1999. Restou comprovado no curso da fiscalização que as remessas de divisas efetuadas pela impugnante, as quais totalizaram US$ 46.660.143,46, foram realizadas nos anos Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 calendário de 1998 e 1999, e tiveram o único, exclusivo e efetivo objetivo de pagar obrigações financeiras da contribuinte no exterior ou por ela garantidas, conforme os documentos que atestam as transferência internacionais de reais (TIR), os quais, foram apresentados como anexos da carta que atendeu o Termo de Intimação Fiscal 02, e pelas cópias dos contratos, instruções a bancos no exterior e demais documentos dos pagamentos realizados em 1998 e 1999. ∙ Quanto às operações de câmbio ocorridas em 07/05/2008, os documentos que as atestam já foram apresentados no atendimento à intimação anteriormente referida. Deramse em vista da publicação da Medida Provisória nº 315, de 2006, convertida na Lei nº 11.371, de 2006, apenas com o fito de possibilitar, em face dessa nova regra cambial, a liquidação de obrigações recíprocas então existentes entre a impugnante e Orwell, tendo em vista a vedação à compensação privada de crédito de natureza cambial em nosso sistema. ∙ O cenário cambial a ser considerado é o seguinte: Em 23/04/2008, a impugnante celebrou contratos de câmbio via SISBACEN (Sistema do Banco Central) nos quais converteu, mediante operação simbólica, câmbios de natureza comercial no montante total de U$ 46.660.143,46, relativos a operações de prépagamento de exportação, cujos recursos foram captados no exterior por empresa vinculada, a Orwell Business Ltd., com aval patrimonial e financeiro da impugnante e operações de reciprocidade de garantia em câmbios de natureza financeira (empréstimos). ∙ Referida conversão deuse mediante os contratos de câmbio nº 08/004103 e 08/001523, de 23/04/2008 e 08/001593 e 08/004365 de 29/04/2008, apresentados anexos às cartas de atendimento às intimações fiscais 02 e 03. ∙ As respectivas liquidações se deram em 07/05/2008 por meio dos contratos de câmbio nº 08/001667 – 08/004672 – 08/004674 – 08/001668 – 08/001669, também apresentados como anexos das referidas cartas. ∙ Em termos cambiais, o débito da impugnante junto à Orwell restou reconhecido mediante registro no Banco Central do Brasil, por meio de operações de câmbio “SIMBÓLICAS” e, posteriormente liquidado por meio de operações de câmbio “SIMULTÂNEAS”, realizadas no mercado oficial de câmbio controlado e fiscalizado pelo Banco Central do Brasil e registradas pelo SISBACEN, permissão dada pela Lei nº 11.371/2006. ∙ Assim, a possibilidade do registro do débito para com o exterior que viabilizou legalmente a formalização de contratos de câmbio ocorrida em 2008, para liquidar a pendência jurídico contábil que decorreu de remessas e efetivos pagamentos 10 (dez) anos antes, não pode ser tratada como fato gerador da obrigação tributária constituída no auto de infração, já que se tratou apenas da via formal que permitiu a eliminação da distorção gerada pela vedação da compensação cambial na Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 4 5 liquidação de haveres com o exterior e assim exigido para fins de registro no Bacen. ∙ Restou claro pelas normas que tratam do assunto, que o fato gerador do IRRF é o pagamento crédito ou remessa de rendimentos, por fonte situada no país, para pessoa jurídica domiciliada no exterior. Em que pese não concordarmos com a capitulação legal, já que não se trata de beneficiário não identificado ou operação sem causa, notase que o § 2º do artigo 674 do RIR de 1999, deixa claro que imposto considerase vencido no dia do pagamento da importância, ou seja, na data da efetiva remessa do numerário ao exterior, quando faz nascer a obrigação tributária de eventual recolhimento do imposto, independentemente de regularização junto ao Banco Central ou qualquer outro órgão. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial deverá tomar como base a data das efetivas remessas efetuadas entre 1998 e 1999. ∙ O auto de infração a que se refere o processo administrativo nº 13851.001380/200543 vinculase à exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no montante de R$ 63.575.557,86, tendo sido lavrado em 14/10/2005. Versa referido auto sobre o suposto não reconhecimento de receitas financeiras por parte da Impugnante, nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, relativas a juros e variação cambial decorrentes de empréstimos firmados pela impugnante entre outubro de 1998 e fevereiro de 1999, em favor da Orwell. A autoridade fiscal ao efetuar aquele lançamento tributário desconsiderou a existência das obrigações anteriores da impugnante, contraídas junto à controlada. As obrigações mencionadas encontravamse formal e efetivamente constituídas em termos documentais e financeiros estando devidamente consignadas entre os elementos passivos dos registros contábeis da impugnante. ∙ É importante sublinhar que não obstante o trabalho da impugnante no sentido de fornecer todos os documentos e detalhadamente explicálos, o auditor, preferiu ignorálos, principalmente os seus fundamentos legais e regulamentares. ∙ O trabalho do Fisco se baliza na investigação da existência de um “perdão de dívidas” informado pelo Banco Central do Brasil. Não houve uma “denúncia” do Bacen, como quis fazer parecer o Sr. Auditor, mas como desde logo esclarecido na resposta ao TIF nº 2, era impossível no sistema SISBACEN, à época, outra codificação para hipóteses de desconto ou ajuste de contas, não havia a codificação de “cancelamento” aplicável aos juros, que atualmente já está disponível no sistema eletrônico disponibilizado pelo Banco Central do Brasil. Por isso houve a codificação única então disponível: “perdão de dívida”. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 ∙ Os ROF’s, TA452971 e TA459125 mencionados no TIF acima referido apesar da utilização do código não aplicável à hipótese, mas único naquela data disponível para registrar as operações no SISBACEN, na mesma tela relativa aos juros está escrito no campo descrição do evento: “Liberação do pagamento de juros através do instrumento particular composição de débitos DTD 15/01/2007, assinado entre as partes.” ∙ Os registros junto ao BACEN, no sistema SISBACEN, das operações que fundamentaram as obrigações (passivos) da impugnante para com a Orwell, constituíramse sob o regime da Lei nº 11.371, de 2006. Portanto, haveres de pessoa domiciliada no exterior, legitimamente aplicados em pessoa jurídica brasileira – a impugnante – efetuou de forma legal a remessa (operação simultânea de compra e venda) de divisas para pagamento de obrigações da impugnante para com a Orwell, atendendo ao disposto no art. 5º da referida lei. Foram apresentados os documentos originais para serem apreciados pelo Sr. auditor, fazendo juntar as cópias, ficando bem esclarecido que ficariam à disposição para exame a qualquer tempo. ∙ A formação do passivo da impugnante para com a Orwell e do ativo da Marchesan contra a Orwell, nasceram no bojo das crises do mercado externo, no final do ano de 1997 e o ano de 1998. A impugnante, por intermédio da Orwell, na qual ainda não detinha qualquer participação societária até setembro de 1998, logrou captar recursos remetidos para o país mediante operações de câmbio, a título de prépagamentos de exportações, cujos recursos remetidos para o Brasil a favor da impugnante permitiram saldar suas obrigações relativas a “adiantamento sobre contrato de câmbio” (ACC), dada a não efetivação das vendas realizadas para o exterior – a não realização dos embarques das exportações que haviam sido previstas pela impugnante. ∙ Todo o crédito foi obtido no exterior, contratado pela Orwell para mediante remessa para o país, em favor da impugnante, permitissem saldar suas obrigações relativas as ACC(s) anteriormente contratadas. As captações no exterior (contratação de empréstimos junto a bancos no exterior) foram realizadas pela Orwell em nome próprio, sob respaldo patrimonial e garantia da impugnante, para remessa dos montantes ao país em favor da Marquesan, mediante operações de câmbio de exportação na modalidade de prépagamento de exportação. ∙ Todos os contratos relativos a essas operações foram apresentados em atendimento à intimação nº2, identificados no item 2 e anexados sob nº4. ∙ Os recursos enviados pela impugnante à Orwell e os correspondentes recursos foram efetivamente utilizados para promover a liquidação de obrigações financeiras contraídas pela Impugnante ou pela Orwell, sob garantia daquela junto a bancos no exterior , tudo devidamente escriturado e mantido em seus registros contábeis, pois que vedada a compensação cambial, e finalmente liquidadas as posições ativas e passivas Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 5 7 correspondentes uma vez cumpridas as exigências para admissibilidade do registro de capital estrangeiros (os passivos liquidados) de conformidade com a nossa legislação cambial. ∙ Diante das provas presentes nos autos resta cristalina a improcedência do lançamento perpetrado pela autoridade com supedâneo na total desconsideração das obrigações, do passivo contraposto necessariamente àquele ativo (assim caracterizados por exigência legal de nossa disciplina cambial). A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/05/2008 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de ofício, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se extingue após o prazo de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 07/05/2008 PAGAMENTO SEM CAUSA COMPROVADA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da Preliminar de decadência, indicando que as remessas que as remessas objeto do lançamento foram realizadas em 1998 e 1999; Complementando que as operações de câmbio ocorridas em 07 de maio de 2008, cujos documentos que atestam já foram apresentados inclusos na carta antes referida e acostados aos autos, operações essas consideradas pela fiscalização como fato gerador do presente lançamento, se deram em virtude da Medida Provisória No. 315/2006 convertida na Lei No. 11.371/2006, apenas com o fito de possibilitar, em face dessa nova regra cambial a liquidação de obrigações recíprocas, então existentes entre a recorrente e a empresa estabelecida no exterior (Orwell Business Ltd). Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Da natureza da operação e o Passivo Consolidado com a Orwell; Da vedação a compensação cambial; Da inexistência do suposto pagamento sem causa, tendo em vista que os rescursos enviados pela Recorrente à Orwel, foram efetivamente utilizados para promover a liquidação de obrigações financeira contraídas pela Recorrente. A Fazenda Nacional às fls.1653 a 1668, apresenta contrarazões para o recurso voluntário: Da Decadência Em sede de preliminar, insiste o Recorrente em dizer que o crédito constituído foi extinto pela decadência, uma vez que o seu fato gerador não teria ocorrido no ano de 2008, mas sim nos anos de 1998 e 1999, quando os recursos auditados teriam sido efetivamente remetidos ao exterior. Segundo afirma, a efetiva remessa dos recursos a ORWELL para pagar os empréstimos contraídos por essa empresa ocorreu nos anos de 1998 e 1999, com a operação de mútuo. Os contratos de câmbio firmados no ano de 2008 serviram apenas “para liquidar a pendência jurídico contábil que decorreu desses pagamentos anteriormente realizados; uma via formal que permitiu a eliminação da distorção gerada pela vedação da compensação cambial na liquidação de haveres com o exterior e assim exigido para fins de registro no Bacen”. Não obstante a tese apresentada, ela não merece prosperar. Como muito bem decidido pela decisão de primeira instância, uma vez tendo ocorrido no dia 07/05/2008 a remessa ao exterior da quantia de US$ 46.660.143,46, e no dia 24/03/2011 a ciência do contribuinte acerca do lançamento, não há que se falar em decadência. Em que pese o Recorrente afirmar que em 07/05/2008 não houve efetiva remessa de recursos à empresa ORWELL, que a liquidação foi meramente simbólica, os contratos de câmbio acima referidos são claros ao dispor que A FORMA DE ENTREGA DA MOEDA ESTRANGEIRA, na data da liquidação dos valores neles previstos se dará por TELETRANSMISSÃO. Do Pagamento sem causa onde estão nos presentes autos a comprovação da remessa desses recursos pela ORWELL a MARCHESAN? O Recorrente insiste em dizer que o ingresso dessas divisas estrangeiras é comprovado pelos “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação” que trouxe. Segundo afirma, esses documentos são suficientes para averiguar a remessa de recursos da ORWELL para a MARCHESAN, e, assim, a dívida da segunda com a primeira. Contudo, diante de uma análise detida desses contratos e dos demais documentos constantes dos autos, o que se vê é que tais “contratos de câmbio” não atestam nenhuma remessa de recursos da ORWELL para a MARCHESAN. E mais, ao comparar esses contratos de câmbio com os documentos relativos à liquidação das exportações realizadas pelo Recorrente, vê se que os “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação” trazidos foram remunerados diretamente pelas empresas importadoras, sem qualquer intervenção da ORWELL. Por certo, os “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação” juntados pelo Recorrente não atestam que a empresa ORWELL fosse a intermediária da operação de Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 6 9 exportação que seria realizada pela MARCHESAN. Em nenhum campo, os documentos prevêem que as ordens de pagamento do exterior seriam de responsabilidade da ORWELL fato é que tais contratos não mencionam a origem das divisas estrangeiras que estão sendo negociadas, e, pelas demais provas constantes do processo, verifica‑ se que elas foram enviadas diretamente pelos consumidores da atividade de exportação do contribuinte. Desta feita, vêse, então, que, pelas provas trazidas pelo Recorrente ao longo do presente processo, em especial os “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação”, não há como confirmar que a ORWELL enviou a MARCHESAN qualquer recurso a título de pré‑ pagamento de exportação. Pelo contrário, da leitura atenta do processo, verifica-se que a MARCHESAN obteve os recursos citados nesses contratos de câmbio mediante a efetiva exportação dos frutos de sua atividade. Se a ORWELL não repassou a MARCHESAN os recursos captados no exterior, a correspondente obrigação de saldar os empréstimos é exclusiva da ORWELL, nunca direta da MARCHESAN; Assim, em ambas as dívidas registradas pelo Recorrente, a questão é muito simples: sem o comprovante de que os recursos registrados em sua contabilidade foram efetivamente enviados pela ORWELL, não há como reconhecer a correspondente obrigação de devolver esse numerário a essa empresa. A suposta dívida com a ORWELL foi registrada contabilmente pelo Recorrente de forma concentrada, de uma única vez e em um único registro não segregada em face das diferentes formas de obrigações assumidas e conforme os recursos iam sendo captados pelo Recorrente. Ademais, tal obrigação concentrada foi reconhecida contabilmente antes do reconhecimento do respectivo débito por meio do “Instrumento Particular de Confissão de Dívida” firmado com a ORWELL. Nota-se, assim, duas características importantes dessa dívida assumida pelo Recorrente: a uma, em que pese ela ter sua origem dividida pelo Recorrente, contabilmente, ela foi registrada como uma só; a duas, ela foi registrada na contabilidade sem qualquer lastro documental. A falta de lastro documental também ressalta esse aspecto. Como é possível uma empresa reconhecer contabilmente uma dívida antes mesmo de ela existir? Como pode o Recorrente reconhecer sua dívida com a ORWELL em 03/2006, mediante a confissão por escrito de seu débito, e registrá‑ la contabilmente em 02/01/2006 autuação do Banco Central no presente caso se limitou a atestar que houve a efetiva saída de recursos ao exterior da MARCHESAN para a ORWELL no dia 07/05/2008 e no montante de US$ 46.660.143,46. O que se discute no presente processo, e que não pode ser confundido, é se essa saída de recursos se encaixa no fato gerador do IRRF previsto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. É o relatório. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de lançamento de IRRF por pagamento sem causa, relativa a supostas remessas ao exterior. Preliminarmente, registro que não vejo Decadência, pois o pagamento/transferência foi realizado em 05/2008. Uma vez que o fato gerador apontado ocorreu no dia 07/05/2008, a remessa ao exterior da quantia de US$ 46.660.143,46, e no dia 24/03/2011 a ciência do contribuinte, não há que se falar em decadência. No que diz respeito ao Imposto de Renda na Fonte, entendo que a hipótese trazida pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, reproduzido pelo art. 674 do RIR/99, não se enquadra no disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, eis que, nos termos do referido dispositivo, as regras ali estampadas estão dirigidas para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Resta evidente que a hipótese de incidência em discussão (pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado ou pagamente sem causa) revela se, sempre, a partir de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. Na hipótese de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95, repiso, estamos diante de LANÇAMENTO DE OFÍCIO, e, por conta disso, sendo inaplicáveis as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional, a decadência é regida pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. A ausência total de pagamento faz com que se afaste a regra específica do artigo 150, e se utilize a regra geral do artigo 173, ambos do CTN. Descabe, portanto, a argüição de caducidade, visto que, nesse caso. No mérito, na analise dos elementos presente no auto de infração, resta a convicção de que não está provada a dívida da Marchesan em relação ao Orwell ltd, devido a uma série de inconsistências tal como relatado no Termo de Verificação Fiscal. Nesse ponto cabe destacar as evidências trazidas aos autos no Termo de Verificação Fiscal particularmente nas fls. 1500 – 1505, no qual em detalhes são descritos os fatos mediante os quais se justifica o lançamento. No caso concreto da análise dos elementos do processo, restoume a convicção pessoal de que os pagamentos relativos a transferência para o exterior não estão devidamente justificados. Não está demonstrado a existência de um passivo que justificase Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 7 11 os pagamentos realizados. Contexto no qual tem pertinência o entendimento de pagamento sem causa. O Recorrente aponta que o ingresso dessas divisas estrangeiras é comprovado pelos “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação” que trouxe. Para o recorrente, esses documentos são suficientes para averiguar a remessa de recursos da ORWELL para a MARCHESAN, e, assim, a dívida da segunda com a primeira. Porém, a análise desses contratos e dos demais documentos constantes dos autos, notase que tais “contratos de câmbio” não atestam remessa de recursos da ORWELL para a MARCHESAN. Na verdade ao comparar esses contratos de câmbio com os documentos relativos à liquidação das exportações realizadas pela Recorrente, observase os “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação” trazidos foram remunerados diretamente pelas empresas importadoras, sem qualquer intervenção da ORWELL. Não se afirme também que os “contratos de câmbio de compra tipo 01 exportação” juntados pelo Recorrente atestam que a empresa ORWELL fosse a intermediária da operação de exportação que seria realizada pela MARCHESAN. Em nenhum campo, os documentos preveem que as ordens de pagamento do exterior seriam de responsabilidade da ORWELL. Concluise que eles foram enviadas diretamente pelos consumidores da atividade de exportação do contribuinte. Desse modo a MARCHESAN obteve os recursos citados nesses contratos de câmbio mediante a efetiva exportação dos frutos de sua atividade. Sem prova que os recursos registrados em sua contabilidade foram efetivamente enviados pela ORWELL, não há como reconhecer a correspondente obrigação de devolver esse numerário a essa empresa. Merece análise também como a dívida com a ORWELL foi registrada contabilmente pelo Recorrente de forma concentrada, de uma única vez e em um único registro não segregada em face das diferentes formas de obrigações assumidas e conforme os recursos iam supostamente sendo captados pelo Recorrente. A obrigação concentrada foi reconhecida contabilmente antes do reconhecimento do respectivo débito por meio do “Instrumento Particular de Confissão de Dívida” firmado com a ORWELL. Dois pontos chamam atenção na dívida assumida pelo Recorrente. Primeiro em que pese ela ter sua origem dividida pela Recorrente, contabilmente, esta foi registrada como uma só; e segundo, ela foi registrada na contabilidade sem qualquer lastro documental. A falta de lastro documental também compromete a argumentação da recorrente. Como é possível uma empresa reconhecer contabilmente uma dívida antes mesmo de ela existir? Como pode o Recorrente reconhecer sua dívida com a ORWELL em 03/2006, mediante a confissão por escrito de seu débito, e registrá-la contabilmente em 02/01/2006. A questão central que motivou o lançamento, e que deve ser aqui enfatizada, foi a falta de comprovação das causas que motivaram a transferências de recurso da Marchesan para Orwell Ltd, dando origem a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os pagamentos efetuados, considerados como pagamentos a terceiros, sem causa, nos termos do art. 674, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, cuja matriz legal é o art. 61 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2o , do art. 74 da Lei no 8.383, de 1991. §2o Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3o O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O dispositivo acima transcrito prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte em três hipóteses distintas: (a) pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, não identifica a quem os recursos foram pagos; (b) pagamentos sem causa, quando a pessoa jurídica não comprova a efetividade da operação relacionada ao pagamento; (c) concessão de benefícios indiretos, na situação prevista no art. 74, §2o, da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Nas duas primeiras situações, deve o fisco comprovar a ocorrência do pagamento, uma vez que o fato gerador decorre justamente pela percepção desses valores pelos beneficiários, o que pode ser feito por meio dos registros na contabilidade da própria empresa. Na hipótese “c”, compete ao fisco provar os benefícios indiretos recebidos. Trata de tributação exclusiva na fonte, em que a pessoa jurídica que realizou o pagamento é o sujeito passivo da obrigação tributária. No caso dos autos, os beneficiários do pagamento foi identificado, porém a contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade da operação registrada em sua contabilidade que teria dado causa ao referido pagamento. Nestes termos, posicionome no sentido de rejeitar a preliminar de decadência, e no mérito, negar provimento ao recurso de voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 8 13 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, O voto do nobre relator conselheiro Antonio Lopo Martinez, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que o levaram a chegar a tal conclusão, tenho entendimento diverso do dele em alguns pontos, daí a razão de ter necessidade de elaborar a presente declaração de voto No presente caso, verificase que a exigência do imposto de renda na fonte foi apurada em operações de pagamentos efetuados, quando não for comprovada a operação ou sua causa, que serão tributados pelo imposto de renda na fonte, conforme previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95. A partir de 1995, os pagamentos a beneficiário não identificado e os pagamentos sem causa estão sujeitos à tributação de imposto de renda exclusivamente na fonte, cabendo as pessoas jurídicas reter e recolher o respectivo imposto de renda na data da ocorrência do fato gerador. Desta forma deve ficar provado, pela fiscalização, que a conjugação dos pagamentos efetuados com o preceito legal contido no art. 61 e parágrafos, da Lei n.º 8.981/95, atributivo de efeito àquele acontecimento, compõe o fato jurídico gerador do imposto de renda na fonte ali vislumbrado. Nestes termos, por ser oportuno, tornase necessário a transcrição do dispositivo legal infringido, onde constatase a necessidade da identificação ou não do beneficiário e da origem da operação, bem como do nexo causal com o emitente (comprovação da operação ou a sua causa), além do mais é fundamental que haja a comprovação do pagamento ou saída de recursos da fonte pagadora ao beneficiário do rendimento. Diz o diploma legal Lei n° 8.981, de 1995: “Art. 61 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 É verificado nos autos que em 2008 houve uma operação de câmbio simbólico onde a Recorrente para fins de regularidade perante o BACEN liquidou um ativo e passivo contraído no exterior. Entretanto, no meu entender a autoridade lançadora não trouxe aos autos documentação comprobatória ou a constatação de que houve o efetivo pagamento ou transferência de recursos ao beneficiário, requisito fundamental para o enquadramento da infração prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95. Conforme devidamente demonstrado pela Recorrente, a origem das operações objeto do presente lançamento são operações realizadas em 1998 a 1999, e não o contrato simbólico de câmbio realizado em 2008. O que no meu entender estariam fulminadas pela decadência. Somente o fato de não haver a identificação de quais são os beneficiários reais dos recursos providos pela suplicante, se houve a identificação e não restando comprovada a operação ou a sua causa, bem como não havendo a comprovação do efetivo o pagamento ou transferência de recursos aos beneficários, não estariam caracterizadas com perfeição as hipóteses previstas no artigo 61, da Lei n° 8.981/95. A autoridade lançadora entendeu que no caso em concreto não ficou comprovada a operação ou causa dos pagamentos realizados, razão pela qual considerou ilícito os procedimentos, porque, entendia que estes revelavam a intenção clara da recorrente em omitir a verdadeira intenção do repasse dos recursos. É de se esclarecer, que é cristalino que os pressupostos de incidência são diversos, ou seja, “quando não for indicada a operação”, “quando não for indicada a causa”, mas há necessidade da conjugação do fator “quando o comprovante do pagamento ou transferência de recursos” caso contrário não há como se aplicar o disposto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95. O art. 61 da Lei nº 8.981/95 traz uma presunção legal da existência de rendimentos, cujo fato indiciário a ser provado pelo fisco é a ocorrência de efetivo pagamento, cuja causa ou o beneficiário não é identificado. Nos casos em que a pessoa jurídica identifica beneficiário e causa, mas o fisco mostra que é falsa a indicação, também cabe a aplicação da tributação na fonte, mas não se pode, nessa modalidade de tributação, presumir o pagamento, sem que haja efetiva e individualizada saída de recursos das contas do disponível. Cabe aqui transcrever os comentários do artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda editado pela Fiscosoft, que esclarece a questão da aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981/95: “A correta inteligência do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que dá base legal ao artigo 674 em foco, ainda não foi feita. Está sendo construída a partir dos casos conhecidos e principalmente pela reflexão que o tempo impõe, que quase sempre leva a revisões de posições anteriormente lançadas. Aparentemente, o dispositivo em foco tentou criar uma nova espécie de substituição tributária, exigindo da pessoa jurídica pagadora o imposto exclusivo na fonte, com base de cálculo ajustada, em lugar do imposto devido pelo real contribuinte (o beneficiário do pagamento), que não pôde ser alcançado pela Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 9 15 falta de sua identificação, ou pela falta de comprovação da operação ou da sua causa. Se a intenção foi essa, há sérios obstáculos para a concretização desse intento. Em primeiro lugar, na substituição tributária é imperativo que se conheça o substituído, que é o real contribuinte que se pretende alcançar pela via da tributação na fonte, a fim de assegurar ao substituto a possibilidade de se ressarcir perante o substituído do encargo tributário que lhe foi indiretamente atribuído. O substituto não é o titular da renda tributada. Por isso, na construção da regra de substituição, embora formalmente centrada na pessoa do substituto, é preciso conformála com os elementos próprios do substituído. Tais elementos não estão presentes no Art. 61 em exame. Acrescese observar que a tributação em análise é a título de imposto de renda, mas tem como materialidade de incidência e base de cálculo o "pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas...". Ora, "pagamento" não é fato gerador do imposto de renda por absoluta ausência de materialidade de incidência. Pagamento não traduz acréscimo patrimonial; pelo contrário, representa decréscimo patrimonial. Assim, no rigor jurídico, não é despropositado concluir que o Art. 61 não criou mais uma modalidade de tributação exclusiva na fonte, já que o fato tomado para essa tributação o pagamento não tem signo de renda, como exige o Art. 43 do CTN. Na verdade, o Art. 61 instituiu uma efetiva penalidade, dissimulada como imposto de renda na fonte, para punir o "pagamento a beneficiário não identificado", o que é problemático, pois o Art. 3º do CTN veda a utilização de tributo como substituto da penalidade. No contexto de uma efetiva penalidade, tornase impossível aplicar conjuntamente a multa de ofício, de 75% ou de 150%, pois isso representaria um "bis in idem" inadmissível. E a multa de 150% de forma alguma porque na própria conformação do artigo 61 não está presente a figura da fraude. O dispositivo faz referência à falta de identificação do beneficiário ou à falta de comprovação da operação, que são simples condutas omissivas. Seja como for, ainda que se considere que esse dispositivo criou uma substituição tributária excepcional, essa nova tributação exclusiva na fonte não tem a abrangência defendida oficialmente. Em primeiro lugar, sofre a limitação da identificação do pagamento, que é a condição indispensável para a aplicação do dispositivo em foco. Cabe ao Fisco provar a existência do pagamento. E de forma direta, não podendo ser presumida. Além disso, a sua aplicação está delimitada pela sua diretriz básica, qual seja, a impossibilidade criada pela pessoa jurídica pagadora no alcance do real titular da renda presente no pagamento efetuado. Assim, a prova do fato tributado não se exaure com a simples indicação de que na escrituração não há identificação do Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 beneficiário do pagamento. A investigação deve ser aprofundada no sentido de revelar e tributar o real titular da renda vinculada ao referido pagamento. Isso é perfeitamente possível, já que os cheques de valores maiores devem ser nominais. Esgotado esse campo de prova, cabe a aplicação da norma pela falta de identificação do beneficiário do pagamento, na forma do caput do Art. 674 do RIR atual. O § 1º do artigo em análise traz uma outra hipótese numa norma de entendimento bem mais difícil do que a relativa à ausência de identificação do beneficiário, a saber: "quando os recursos forem entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa". A primeira reação é interpretar esse parágrafo com os mesmos elementos adotados em relação ao artigo 304 do atual Regulamento, que grava como não dedutíveis "as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento". Em primeiro lugar, o artigo 304 tem alcance restrito: atinge apenas os pagamentos a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes. Não alcança qualquer pagamento. Neste contexto restrito, há coincidência entre as duas regras, a do Art. 304 e a do Art. 61 da Lei nº 8.981/95. No segundo momento, pretendese aplicar o Art. 61 em análise em relação aos valores constantes de documentos que a fiscalização afirma serem inidôneos, a teor do disposto no artigo 217 do presente Regulamento. Vale dizer, defendese a tese de ser possível impugnar (glosar) as despesas ou custos lastreados nesses documentos e também exigir o imposto de fonte do Art. 61 em foco. São duas situações radicalmente distintas. A primeira vinculada à incerteza de que o pagamento apropriado efetivamente contribuiu para a geração da correspondente receita. É uma regra que tem como destinatária a pessoa jurídica que apropria as despesas, impedindo a redução artificial do lucro tributado. Sendo assim, os influxos dessa regra não são válidos para definir o alcance da regra do Art. 61, por várias razões. Inicialmente, cabe observar que a regra do Art. 61 tem como destinatário pessoa externa à pessoa jurídica pagadora, que seria desconhecido. Ademais, no caso dos documentos tidos como inidôneos, há pelo menos duas situações fáticas distintivas. Na primeira, constatase que o beneficiário do pagamento é a pessoa que figura dos documentos, mas a operação pode não ser verdadeira. Neste caso, a dúvida sobre a efetividade da operação autoriza impugnar a despesa apropriada, mas não é suficiente substituir a tributação do beneficiário do pagamento pela incidência exclusiva na fonte. Isto porque, como visto, em primeiro plano, o juízo de inidoneidade dos documentos visa impedir a redução artificial do lucro da pessoa jurídica que apropria as despesas. É uma condição adicional em relação à comprovação da operação ou de sua causa no contexto do § 1º do Art. 61: aqui, basta que a documentação permita atribuir ao Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13851.720290/201101 Acórdão n.º 2202002.561 S2C2T2 Fl. 10 17 terceiro a titularidade da operação na qual afirma ter participado. Na segunda hipótese, a contabilidade registra o pagamento a um destinatário irreal e por uma operação igualmente irreal, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Neste caso, é razoável admitir a glosa das despesas e a concomitante exigência do imposto na fonte do artigo 61. Todavia, essa situação fática confirma que o referido Art. 61, com o título de imposto na fonte, verdadeiramente, instituiu uma penalidade, que não pode ser cumulada com outra penalidade de ofício. Muito menos com a multa de 150%, visto que a aplicação do Art. 61 estaria centrada na presunção da existência de pagamento a terceiro não identificado Como no meu entender a autoridade lançadora não efetuou a comprovação do efetivo pagamento ou transferência de recursos ao beneficiário sediado no exterior por se tratar de operação simbólica de câmbio, o presente auto de infração não subsiste, pois carece dos pressupostos do artigo 61 de Lei n° 8.981/95. Devo ressaltar que esse tribunal administrativo já se manifestou sobre a matéria conforme podemos verificar nos acórdãos abaixo transcritos: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 2003, 2004, 2005 INIDONE1DADE DE DOCUMENTOS EMITIDOS POR PESSOA JURÍDICA DECLARADA INAPTA. INÍCIO DA FALTA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS MESMOS EM FAVOR DE TERCEIROS. Descabe a glosa de documentos de empresas que a fiscalização considerou inaptas quando inexiste Ato Declaratório Executivo de situação de inscrição inapta ou quando o efeito do mesmo se inicie em períodobase posterior ao autuado, devendo ser mantida a glosa dos documentos cuja inaptidão da Pessoa Jurídica emitente tenha sido declarada, mesmo após os períodosbase autuados, mas com efeitos retroativos aos mesmos, apenas quando a beneficiária do documento não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso representativo de Controvérsia nº 1148444/MG. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE A autoridade fiscal deve instruir o auto de infração com a prova do ilícito. Divergência entre o valor compensado na DIPJ e o valor informado na DIRF é apenas indício do ilícito (compensação indevida por inocorrência de retenção), sendo indispensável a intimação prévia ao contribuinte para apresentar o documento que comprove a retenção. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE QUANDO NÃO COMPROVADO O DOLO. A aplicação da multa qualificada de 150% somente é admitida quando o intuito de fraude resta cabalmente comprovado nos autos. Dolo não se presume, devendo ser provado objetivamente por elementos seguros de Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 prova, que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES CSLL, IRF, PIS E COF1NS. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. IRF PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O que justifica o lançamento do imposto de renda na fonte previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95 é existência de um pagamento sem que esteja identificado o beneficiário ou sua causa. A efetividade do pagamento é elementar na caracterização da infração. Se a fiscalização duvida da efetividade dos pagamentos e utiliza a falta de comprovação como elemento indicativo da inexistência das aquisições formalizadas pelas notas fiscais, não subsiste o lançamento. (ACÓRDÃO: 1401000.852). Desta forma, entendo que não é devida a presente tributação com base no artigo 61 da Lei n° 8.981/95. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720141/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 20/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2010
VALORES DEVIDOS. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO.
Os valores do imposto apurados com base na documentação fiscal e na escrituração contábil e fiscal que não foram declarados nas respectivas nem pagos estão sujeitos a lançamento de ofício.
INCONSTITUCIONALIDADE. PIS/COFINS. IMPORTAÇÃO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO (AGRAVAMENTO). FRAUDE.
A falta de lançamento e destaque do imposto nas respectivas notas fiscais de saída/venda do produto, de forma reiterada, durante três anos calendários consecutivo, para todos os períodos de apuração, constitui fraude que enseja o agravamento da multa ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO
Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da sociedade por ter agido com infração à legislação tributária, visando excluir e/ ou reduzir os tributos devidos na industrialização e comercialização dos produtos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, e pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários dos dois sócios, termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martinez Lopes que davam provimento aos recursos dos sócios.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 20/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2010 VALORES DEVIDOS. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. Os valores do imposto apurados com base na documentação fiscal e na escrituração contábil e fiscal que não foram declarados nas respectivas nem pagos estão sujeitos a lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS/COFINS. IMPORTAÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO (AGRAVAMENTO). FRAUDE. A falta de lançamento e destaque do imposto nas respectivas notas fiscais de saída/venda do produto, de forma reiterada, durante três anos calendários consecutivo, para todos os períodos de apuração, constitui fraude que enseja o agravamento da multa ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da sociedade por ter agido com infração à legislação tributária, visando excluir e/ ou reduzir os tributos devidos na industrialização e comercialização dos produtos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.720141/2013-01
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354607
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.159
nome_arquivo_s : Decisao_19515720141201301.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 19515720141201301_5354607.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, e pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários dos dois sócios, termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martinez Lopes que davam provimento aos recursos dos sócios. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5498009
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813647306752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.450 1 2.449 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720141/201301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.159 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria IPI AI Recorrente PHOENIX INDÚSTRIA E COMÉERCIO DE TABACOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 20/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 20/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2010 VALORES DEVIDOS. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. Os valores do imposto apurados com base na documentação fiscal e na escrituração contábil e fiscal que não foram declarados nas respectivas nem pagos estão sujeitos a lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS/COFINS. IMPORTAÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO (AGRAVAMENTO). FRAUDE. A falta de lançamento e destaque do imposto nas respectivas notas fiscais de saída/venda do produto, de forma reiterada, durante três anos calendários consecutivo, para todos os períodos de apuração, constitui fraude que enseja o agravamento da multa ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 41 /2 01 3- 01 Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da sociedade por ter agido com infração à legislação tributária, visando excluir e/ ou reduzir os tributos devidos na industrialização e comercialização dos produtos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, e pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários dos dois sócios, termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martinez Lopes que davam provimento aos recursos dos sócios. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedentes as impugnações interpostas contra o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos mensais de competência janeiro a julho e dezembro de 2008, janeiro a dezembro de 2009, e janeiro a dezembro de 2010. O lançamento decorreu da falta de declaração/pagamento total e/ ou parcial do imposto escriturado para os decêndios de 112/2008; 104/2009; 204/2009; 34/2009; e para os meses de junho e novembro de 2010 e também da saída de carteira de cigarros sem o lançamento do IPI nas respectivas notas fiscais, para as competências de janeiro de 2008 a dezembro de 2010, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 2.035/2.040 e Termo de Verificação Fiscal às fls. 2.195/2.201. Inconformada com o lançamento, a recorrente impugnouo (fls. 2.204/2.235), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: 1) A apuração das diferenças a lançar foi baseada em legislação eivada de inconstitucionalidade, pois até junho de 1999 o recolhimento do IPI se dava com base em alíquota ad valorem (41,25% sobre o preço de venda a varejo do cigarro); porém, com o Decreto nº 3.070/99 instituiu o cálculo do imposto por unidade de produto (por vintena), ou seja, mediante alíquota específica, e o Decreto nº 4.544/2002 manteve a forma de tributação, com a fixação de quatro classes distintas (I a IV); 2) Houve violação da hierarquia das leis, pois antes do advento do Decreto Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.720141/201301 Acórdão n.º 3301002.159 S3C3T1 Fl. 2.451 3 nº 3.070/99 as operações com cigarros eram tratadas pela Lei nº 7.798/89, pela qual a base de cálculo corresponde ao valor da operação (arts. 46 e 47); pela Constituição Federal de 1988, art. 146, III, “a”, somente lei complementar pode definir base de cálculo de impostos, jamais lei ordinária ou decreto, consoante doutrina aduzida; 3) Também conforme doutrina, não pode haver fixação de alíquota não prevista em Lei pelo Poder Executivo mediante a edição do referido Decreto; 4) O princípio da legalidade é um dos paradigmas do Estado de Direito, ainda de acordo com a mais lúcida doutrina: é o princípio básico que rege a Administração Pública e a sobredita alteração na tributação do IPI não poderia ter sido implementada sem autorização em lei; 5) O princípio de igualdade também é vulnerado com a modificação na tributação dos cigarros, sendo que a aplicação da alíquota ad valorem equilibra a relação entre os contribuintes de IPI; 6) A multa qualificada somente pode ser aplicada se houver fraude, dolo ou conluio, sendo a máfé o elemento nuclear da conduta e que deve ser caracterizada por provas na lavratura de autuação, sendo o ônus da prova da autoridade fiscal, o que é corroborado por decisões do Conselho de Contribuintes: inexistem provas nos autos de que o sujeito passivo tenha praticado fraude ou simulação, mas somente “fortes indícios” e fatos que caracterizam “em tese” a ocorrência de crime contra a ordem tributária; a aplicação de multa isolada de valor exorbitante configura atitude extrema do Fisco, sendo o respectivo cancelamento medida inafastável ante a inconstitucionalidade da legislação aplicada; 7) A descrição dos fatos do auto de infração, apenas com indícios, não comprova a prática de ato ilegal e caracteriza cerceamento do direito de defesa de que trata a CF/88, art. 5º, LV; não há a inequívoca configuração das circunstâncias qualificativas já referidas. Por fim, requer que seja acolhida a defesa administrativa e que seja julgado improcedente o auto de infração, em virtude da apuração de valores com fulcro em legislação manifestamente inconstitucional, sendo também ausentes as hipóteses que dão causa à imposição da multa de 150%. Além do lançamento contra a recorrente, foram também lavrados termos de sujeição passiva solidária, nos termos do CTN, art. 135, contra Ursino da Silva Guídio Filho, CPF nº 797.358.00835, e Luis Fernando Nabuco de Abreu, CPF nº 814.179.50820, ambos sócios com poderes de administração à época dos fatos geradores. Intimados dos respectivos termos, ambos apresentaram impugnações com o mesmo teor da impugnação interposta pela recorrente. Analisadas as impugnações, aquela DRJ, julgouas improcedentes, conforme Acórdão nº 1441.555, datado de 24/04/2013, às fls. 2.345/2.356, sob as seguintes ementas: “FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. CIGARROS. CLASSES DE VALORES. É devido o imposto não lançado ou lançado a menor nas notas fiscais de saída em desacato à legislação que trata do regime tributário das classes de valores para cigarros. FALTA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO EM DCTF DO IMPOSTO. É devido o imposto lançado nas notas fiscais de saída mas não recolhido ou não declarado em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. É infligida a multa exasperada de 150% se observada uma das circunstâncias qualificativas previstas em lei, como a sonegação, Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 inclusive se houver falta de lançamento, total ou parcial, com cobertura de créditos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento do direito de defesa se o auto de infração ostentar os requisitos legais e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade extrapolam a competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em controle concentrado de constitucionalidade, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a respectiva aplicação se houver autorização do Secretário da Receita Federal.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 2.376/2.408), requerendo, em preliminar, a nulidade do auto de infração sob a alegação de “que a descrição minuciosa dos fatos não se destina a comprovar a prática de ato ilegal pela impugnante”, contrariando o disposto no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal (CF) de 1998; e, no mérito, o cancelamento do crédito tributário sob o fundamento de inconstitucionalidade dos dispositivos legais em que se fundamentou a sua exigência, por infringir os princípios da hierarquia das leis, da ilegalidade da fixação de alíquota específica, da legalidade e da igualdade; contestou, ainda, a qualificação da multa de ofício, sob o argumento de que não foi comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou conluio, concluindo que “FACE O EXPOSTO, requer a Recorrente seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para o fim de que seja homologado o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, pelas razões já expostas na sua manifestação de inconformidade. Caso não seja esse o entendimento esposado por V.Sª., o que se admite apenas para argumentar, a Recorrente requer seja concedido prazo de 30 dias para apresentação de todos os documentos contábeis que comprovam a origem do crédito que se pleiteia compensar”. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: “1. DOS FATOS; 2. DO DIREITO; 2.1 DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS; 2.2 DA ILEGALIDADE DA FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA ESPECÍFICA; 2.3 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE; 2.4 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA IGUALDADE; 2.5 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO; 2.5.1 DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA”. Também intimados da referida decisão, os responsáveis solidários interpuseram os respectivos recursos voluntários (fls. 2.422/2.433; e fls. 2.435/2.446), requerendo o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva, alegando, em síntese, que não podem ser responsabilizados pelas obrigações contraídas, em nome da sociedade, em virtude da prática de atos regulares de gestão, exceto se restar comprovado que foram praticados com culpa, dolo, violação de lei ou do contrato social. Para fundamentar seus recursos, discorreram sobre: “I. DOS FATOS; 2. DO DIREITO; 2.1 DA FALTA DE EVIDÊNCIA QUANTO À OCORRÊNCIA DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI; 2.2 DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS NA CONSTRUÇÃO DOS FATOS PARA DEMONSTRAR INFRAÇÃO À LEI OU CONTRATO SOCIAL; 2.2.1 OS MEIOS DE PROVAS ACEITOS PELA LEGISLAÇÃO CIVIL E SUA IMPORTÂNCIA PARA OS ATOS DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO NOS CASOS DE SIMULAÇÃO E FRAUDES”. Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.720141/201301 Acórdão n.º 3301002.159 S3C3T1 Fl. 2.452 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Inicialmente, quanto ao pedido constante do final do recurso voluntário em discussão para que “...seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para o fim de que seja homologado o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, pelas razões já expostas na sua manifestação de inconformidade. Caso não seja esse o entendimento esposado por V.Sª., o que se admite apenas para argumentar, a Recorrente requer seja concedido prazo de 30 dias para apresentação de todos os documentos contábeis que comprovam a origem do crédito que se pleiteia compensar”, sua apreciação e julgamento ficou prejudicado, porque se trata de matéria estranha aos autos. Com a proliferação dos instrumentos dos programas de informática para a redação de textos (Word, etc.), a cultura de copiar e colar se disseminou e, com segurança, posso afirmar que aquele pedido foi copiado de outro processo e colado no presente recurso por equívoco. Assim, as matérias a serem analisadas e julgadas nesta fase recursal serão somente aquelas apresentadas contra a exigência do IPI, ou seja, em preliminar, a nulidade do lançamento; e, no mérito, a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que fundamentam sua exigência e a qualificação da multa de ofício. I – Nulidade do auto de infração A suscitada nulidade do auto de infração sob o argumento de que “a Autoridade Fiscal não logrou demonstrar que a Impugnante praticou fraude ao promover o lançamento do IPI, pois a indicação de indícios não são suficientes para demonstrar que a conduta adotada foi determinante no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características principais, são equivocadas e não tem amparo legal. O auto de infração somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” O auto de infração em discussão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal (RFB), servidor competente para exercer fiscalização externa de pessoas jurídicas e, se constatadas irregularidades no cumprimento das obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Do seu exame, verifiquei que nele estão demonstradas as infrações imputadas à recorrente, falta de declaração/pagamento do imposto lançado e escriturado e saída de produto sem o destaque e lançamento do imposto nas respectivas notas fiscais o que implicou na constituição do crédito tributário para exigir de ofício os valores devidos nos termos da legislação vigente, Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, que tem como matriz a Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Ao contrário do entendimento da recorrente, o lançamento não teve como fundamento indícios de conduta adotada por ela, visando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características principais, mas falta de declaração/pagamento do imposto devido. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento. II – Mérito II1 – Valores lançados e exigidos Os valores das parcelas não foram impugnados. A discordância da recorrente, quanto a sua exigência, se limitou à alegação de inconstitucionalidade do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, que o fundamentou. Segundo, seu entendimento, esta norma legal é inconstitucional por infringir os princípios da hierarquia das leis, da ilegalidade da fixação de alíquota específica, da legalidade e da igualdade. II2 Inconstitucionalidade Conforme citado e informado, o lançamento em discussão teve como fundamento legal o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, que tem como matriz a Lei nº 4.564, de 30/11/2004. No entanto, a apreciação de constitucionalidade de normas tributárias (leis, decretos, etc.) compete exclusivamente ao Poder Judiciário. Tratase de matéria sumulada pelo Conselho Administrativa de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da Súmula nº 2 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, por força do disposto no art. 72, § 4º, em relação à suscitada inconstitucionalidade, adotase esta súmula. II3 – Multa qualificada (agravada) Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.720141/201301 Acórdão n.º 3301002.159 S3C3T1 Fl. 2.453 7 A qualificação (agravamento) da multa de ofício teve como fundamento nº art. 80, caput e § 6º, inciso II, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, c/ a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007, que assim dispõe: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...]. § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: [...]; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. [...]. § 8º A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; [...].” Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; [...]. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” No presente caso ficaram caracterizadas e provadas a sonegação e fraude. A falta de destaque e lançamento do imposto nas respectivas notas fiscais de saídas/vendas dos produtos durante 3 (três) anos consecutivos, para todos os períodos de operações (decenais e/ ou mensais) implicou sonegação e fraude, nos termos definidos nos arts. 71 e 72, citados e transcritos acima. III – Sujeição passiva Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 A sujeição passiva solidária imputada aos sócios, em relação à obrigação tributária, administradores da recorrente, à época em que ocorreram os fatos geradores, Ursino da Silva Guídio Filho, CPF nº 797.358.00853, e Luis Fernando Nabuco de Abreu, CPF nº 814.179.50820, teve como fundamento o art. 135 do CTN que assim dispõe: O CTN assim dispõe quanto à solidariedade tributária: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...]; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Conforme demonstrado nos autos, os referidos sócios administradores, no período objeto dos lançamentos em discussão, praticaram atos com infração da lei tributária, Lei nº 4.502, de 30/11/1964, e Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, o que implicou em sonegação e fraude do IPI devido e ora exigido por meio de lançamento de ofício. Assim, correta sua responsabilização solidária pelo pagamentos dos tributos decorrentes das importações fraudadas. Em face do exposto, rejeito a suscitada preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, nego provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720015/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso (rendimentos recebidos acumuladamente), nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10580.720015/2009-12
conteudo_id_s : 6376772
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 06 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2102-000.052
nome_arquivo_s : 210200052_10580720015200912_201203.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580720015200912_6376772.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso (rendimentos recebidos acumuladamente), nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 5523253
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813650452480
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-27T17:46:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-02-27T17:46:41Z; Last-Modified: 2020-02-27T17:46:41Z; dcterms:modified: 2020-02-27T17:46:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:f482793c-e87f-4bd1-979e-61881aeef516; Last-Save-Date: 2020-02-27T17:46:41Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-27T17:46:41Z; meta:save-date: 2020-02-27T17:46:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-27T17:46:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-02-27T17:46:41Z; created: 2020-02-27T17:46:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-02-27T17:46:41Z; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-27T17:46:41Z | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 212 1 211 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720015/200912 Recurso nº 905.556 Voluntário Resolução nº 210200.052 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2012 Assunto Sobrestamento do Julgamento – rendimentos acumulados Recorrente HÉLIO CARNEIRO MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso (rendimentos recebidos acumuladamente), nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura e presente o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.720015/200912 Resolução n.º 210200.052 S2C1T2 Fl. 213 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2006 (fls. 6/11), referente à omissão dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos se compõem de diversas verbas indenizatórias isentas do Imposto de Renda e que o valor tributável é menor que o levantado como base de cálculo no lançamento do imposto. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, por meio do Acórdão nº 1524.342, entendeu ser a impugnação procedente em parte, excluindo do valor tributável os honorários advocatícios não computados no auto de infração. Cientificado em 15 de março de 2011(fl. 204), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês subsequente (fls. 205/207) alegando que “os comprovantes de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, [..] atestam que R$ 231.880,31, são rendimentos isentos e não tributáveis” e que R$ 12.608,80 referemse à taxa de custas judiciais É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.720015/200912 Resolução n.º 210200.052 S2C1T2 Fl. 214 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. O pleito do recorrente é que parte dos rendimentos oriundos da sentença judicial seja considerada isenta, porque é composta de rendimentos não tributáveis. Antes enfrentar a questão, devese observar a possibilidade de apreciação da matéria, já que o processo em análise trata de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, nos termos do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) A decisão foi tomada na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, obrigando o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. E, conforme determina o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, também devem ser sobrestados, de ofício, na instância administrativa, os recursos que versem sobre temas em que for reconhecida a repercussão geral pelo egrégio Supremo Tribunal Federais. Diante do exposto, voto para sobrestar o presente recurso até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.720015/200912 Resolução n.º 210200.052 S2C1T2 Fl. 215 4 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001639/2008-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.001639/2008-30
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352115
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.022
nome_arquivo_s : Decisao_11065001639200830.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11065001639200830_5352115.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5482443
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813652549632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001639/200830 Recurso nº 999.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.022 – 2ª Turma Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente POCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado CALÇADOS MARTE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 39 /2 00 8- 30 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001639/200830 Acórdão n.º 9202003.022 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0438, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0429, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. ART.173, I, CTN. COMPETÊNCIA 12. NÃO RECONHECIMENTO. No caso em tela, a competência 12/2002 não deve ser excluída, pois a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorrerem nessa competência dar se á somente a partir de 01/01/2003, quando poderia ter sido efetuado o lançamento pelo preceito do art.173, I, do Código Tributário Nacional. PRELIMINAR. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA. AUDITOR FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. O auditor fiscal designado para o cumprimento da ação fiscal não infringiu os limites determinados para a auditoria, motivo pelo qual não há o que se falar em causa de nulidade. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente autuação, foi verificado que ocorreu o pagamento habitual, aos segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao trabalho, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa de mora previsto no art.35 da Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Sinteticamente, o recurso em questão trata da forma de cálculo da aplicação da multa, com a aplicação do determinado no Art. 106, do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões que divergem do entendimento exarado; 2. A decisão determinou, de forma equivocada, a comparação entre multa de mora e multa de ofício; 3. Assim, para correção na decisão, deve ser dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n°11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei if 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei 8.212/91. Por despacho, fls. 0492, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, que mais se assemelham a recurso especial, mas sem as formalidades exigidas. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001639/200830 Acórdão n.º 9202003.022 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 550DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Fl. 551DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001639/200830 Acórdão n.º 9202003.022 CSRFT2 Fl. 5 7 Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades sofridas de ofício antes da legislação, com as penalidade que podem ocorrer com a nova legislação. Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, para dar razão ao pleito da recorrente, conforme solicitado. Por fim, cabe destacar que o sujeito passivo apresentou “contra razões” ao recurso especial, mas com argumentos contra a parte que lhe foi desfavorável, o que poderia ocorrer em recurso especial. Ocorre que não há nenhuma dos requisitos exigidos para impetração de recurso especial, para análise da peça, conforme Regimento Interno do CARF (RICARF). RICARF: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001639/200830 Acórdão n.º 9202003.022 CSRFT2 Fl. 6 9 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Assim, como a peça elaborada pelo sujeito passivo não possui nenhum dos requisitos que o configurem como recurso especial, nem mesmo o nome, não há como analisá lo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM DAR PROVIMENTO ao recurso, , nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 555DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910056/2011-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/05/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13819.910056/2011-62
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362139
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.422
nome_arquivo_s : Decisao_13819910056201162.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 13819910056201162_5362139.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5533696
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813681909760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 109 1 108 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.910056/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.422 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Receitas Financeiras Recorrente MAKITA DO BRASIL FERRAMENTAS ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 56 /2 01 1- 62 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910056/201162 Acórdão n.º 3801003.422 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910056/201162 Acórdão n.º 3801003.422 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910056/201162 Acórdão n.º 3801003.422 S3TE01 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910056/201162 Acórdão n.º 3801003.422 S3TE01 Fl. 113 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910056/201162 Acórdão n.º 3801003.422 S3TE01 Fl. 114 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910056/201162 Acórdão n.º 3801003.422 S3TE01 Fl. 115 7 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002658/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
Ementa.
EMBARGOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO.
O vicio caracterizado como obscuridade que enseja a interposição de embargos de declaração diz respeito à clareza do posicionamento do Colegiado naquele julgamento. Ou seja, trata-se da hipótese de uma decisão que por sua leitura, seja ela total, seja referente a algum ponto específico, a parte tem dúvidas a cerca da real posição do Colegiado em virtude de uma manifestação confusa.
Numero da decisão: 3402-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração e acolhê-los, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Ementa. EMBARGOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. O vicio caracterizado como obscuridade que enseja a interposição de embargos de declaração diz respeito à clareza do posicionamento do Colegiado naquele julgamento. Ou seja, trata-se da hipótese de uma decisão que por sua leitura, seja ela total, seja referente a algum ponto específico, a parte tem dúvidas a cerca da real posição do Colegiado em virtude de uma manifestação confusa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.002658/2005-31
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362302
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.390
nome_arquivo_s : Decisao_10840002658200531.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10840002658200531_5362302.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração e acolhê-los, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5533859
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813685055488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 330 1 329 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002658/200531 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.390 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria PIS/Cofins Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BELA VISTA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Ementa. EMBARGOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. O vicio caracterizado como obscuridade que enseja a interposição de embargos de declaração diz respeito à clareza do posicionamento do Colegiado naquele julgamento. Ou seja, tratase da hipótese de uma decisão que por sua leitura, seja ela total, seja referente a algum ponto específico, a parte tem dúvidas a cerca da real posição do Colegiado em virtude de uma manifestação confusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração e acolhêlos, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 26 58 /2 00 5- 31 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório O processo trata de declaração de compensação com o aproveitamento de créditos do PIS no regime da não cumulatividade, referente ao período de apuração julho de 2005, no valor de R$ 75.607,90. A Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto deferiu parcialmente o valor pleiteado e homologou as declarações de compensação até o limite do valor reconhecido. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade pleiteando a totalidade dos créditos requeridos e a Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 3402002.170, de 22 de agosto de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Ementa: RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002658/200531 Acórdão n.º 3402002.390 S3C4T2 Fl. 331 3 A Fazenda Pública opôs embargos de declaração sob alegação de obscuridade entre a decisão proferida e seus fundamentos, uma vez que o decisum admite a) a inclusão dos custos com transporte de pessoal e de açúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na sistemática da não cumulatividade; e b) o ressarcimento e compensação desses créditos, enquanto o voto condutor, em sua conclusão, ainda propõe determinar a inclusão das receitas com venda de sucata, assim como das receitas financeiras, esta quando decorra de venda de sujeitos a não cumulatividade, na receita bruta, e em qualquer hipótese, na receita bruta total (denominador). Afirma, ainda, que o relator incorre em obscuridade ao decidir sobre as receitas de sucatas e sobre os custos transportes de pessoal, pois essas matérias não fizeram parte da ação fiscal, logo, não estão em lide. Por essas razões, a embargante pede que sejam sanadas as obscuridades. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso é tempestivo e observou os demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele conheço e paço a análise do mérito. Os embargos de declaração têm o objetivo de afastar obscuridade, de suprir a omissão ou de eliminar a contradição da decisão proferida. Neste passo só caberá embargos quando uma das hipóteses de cabimento se fizer presente. O professor Bernardo Pimentel trata das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração com singular brilhantismo, de sorte que trago seus ensinamentos para elucidar a matéria. Diz o autor, “(...) Consiste a omissão no silêncio do órgão julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes ou pelo Ministério Publico. Também configura omissão a inércia do órgão julgador diante de matéria apreciável de ofício. Padece de obscuridade o pronunciamento jurisdicional que não é claro, inteligível, compreensível. A obscuridade pode ter origem na transmissão das idéias pelo julgador, no momento da redação da decisão. A obscuridade pode estar relacionada a vício formal do pronunciamento jurisdicional, como no caso de superposição de linhas em decisão datilografada ou impressa. Também é possível a ocorrência de obscuridade quando a decisão é manuscrita pelo magistrado, cuja caligrafia produz textos que não são compreensíveis. Já a contradição consiste na incompatibilidade entre proposições constantes do julgado, que são incoerentes entre si. Realmente, a contradição reside na existência de premissas ou conclusões inconciliáveis na decisão jurisdicional. Portanto, só há contradição interna, ou seja, entre proposições lançadas pelo juiz ou tribunal no bojo da decisão jurisdicional. Passadas as condições para o acolhimento dos embargos, resta saber a natureza jurídica do instituto. Passo a recorrer aos ensinamentos do professor Luiz Guilherme Aidar Bondioli sobre o assunto: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 (...) Tendo em vista a diversidade de vícios que autorizam a oposição dos embargos de declaração e as diferentes atividades necessárias para a extirpação de cada dessas distintas imperfeições nos atos decisórios, eles ora terão aptidão para remoção de gravames, ora não. Ou seja, os embargos ora atuarão como um recurso, ora serão simples mecanismo para integração, correção, retificação, complementação e elucidação do ato decisório. Esse estado de coisas reflete na natureza dos embargos, que é, assim, híbrida. É certo que a função institucional dos embargos é a de aclarar e não a de remover sucumbências. Todavia, não menos certo é que para a efetividade do aclaramento, da correção ou da integração a ser promovida pelos embargos, em alguns casos, é necessária a alteração das conclusões constantes do ato decisório, com a remoção do sucumbimento ou da situação desfavorável à parte. Nesses casos, a atividade do julgador extrapola a fórmula que veicula seu pensamento e passa necessariamente por uma reformulação da própria idéia veiculada no pronunciamento embargado, ou seja, sua substância. Quando os embargos forem dotados dessa aptidão a produzir uma modificação substancial do julgado e remover gravames como consequência indissociável do seu julgamento, eles gozarão do status de recurso. Assim, fórmula e idéia interpenetramse e comunicamse. Imperfeições existentes na fórmula podem trazer distorções na idéia veiculada e vícios na idéia serão refletidos na fórmula que a contém. Um defeito na expressão da vontade poderá deixar dúvidas com relação ao exato sentido dessa vontade. Um pensamento contraditório e vacilante certamente será expresso por uma fórmula igualmente eivada de contradições e vacilações. Isso reafirma que a sanação de vícios existentes na fórmula pode passar por alterações na idéia nela expressa e viceversa. Aliás, existem situações passíveis de embargos em que o ataque à idéia é até mais forte do que à fórmula. São hipóteses em que o vício está no próprio julgamento, enquanto obra do intelecto, e não meramente na sua expressão escrita. É o caso da omissão do julgador quanto a fundamento para o acolhimento de dada pretensão. Neste caso buscase a correção do próprio raciocínio lógico desenvolvido pelo julgador para o deslinde da causa, que se desenvolveu de forma incompleta e lacunosa, sem a consideração de elementos que devem ser integrados e conciliados com o contexto decisório. Isso passa necessariamente pela reabertura do próprio julgamento e pode tornar insustentáveis as conclusões até então prevalentes. A formulação de novas proposições pelo órgão julgador é, então, inexorável, o que leva naturalmente à modificação do resultado decisório e à remoção de gravames. E isso é uma consequência típica dos recursos. A condição recursal dos embargos fica ainda mais evidenciada nas raríssimas hipóteses de erro de julgamento que autorizam a sua oposição, vinculadas a um equívoco evidente. Nessas hipóteses, a insurgência é direta e voltada induvidosamente contra a idéia contida no ato decisório. O efeito modificativo é o próprio móvel do embargante, o que realça o caráter recursal. Regressando aos autos, a Fazenda Pública está com a razão, restou incompleta a transcrição da decisão tomada pelo Colegiado, de forma que entendo necessária a retificação da decisão do Colegiado para conter o mesmo texto da parte dispositiva do voto condutor. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002658/200531 Acórdão n.º 3402002.390 S3C4T2 Fl. 332 5 Assim sendo, retifico a decisão do Acórdão nº 3402002.170, de 22 de agosto de 2013, para conter o seguinte texto: “ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) admitir a inclusão dos custos com combustível, transporte de pessoal e de canadeaçúcar no cálculo do valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade; b) determinar que a receita com venda de sucata e receita financeira, esta quando decorra de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, componham a receita bruta (numerador); c) determinar que a receita com venda de sucata e receita financeira componham a receita bruta total (denominador) em qualquer hipótese, nos termos da fundamentação; e d) admitir a utilização dos créditos presumidos do PIS e da Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade seja objeto de pedido de ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior.” Quanto à obscuridade levantada pela embargante referente as receitas de sucatas e os custos transportes de pessoal, entendo que a Fazenda Pública se equivocou ao embasar seus embargos na obscuridade. Como já dito, obscuridade que enseja a interposição de embargos de declaração diz respeito à clareza do posicionamento do Colegiado naquele julgamento. Ou seja, tratase da hipótese de uma decisão que por sua leitura, seja ela total, seja referente a algum ponto específico, a parte tem dúvidas a cerca da real posição do Colegiado em virtude de uma manifestação confusa. Não é o caso da decisão embargada. O silogismo utilizado para análise das matérias referentes as receitas com sucatas e custos com transporte de pessoal foi tecnicamente perfeito. As matérias foram tratadas de forma didática e explícita, de forma a não restar dúvidas sobre a posição da Turma, fato que afasta qualquer alegação de obscuridade na decisão proferida. Em face do exposto, conheço e acolho parcialmente os embargos declaratórios para sanar a obscuridade reclamada pela Fazenda Pública e fazer constar da decisão o mesmo texto que consta na parte dispositiva do voto condutor. Sala de sessões, 28/05/2014 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000001/2010-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
IRPJ - GANHO DE CAPITAL - VENDA DE IMÓVEL - REFORMA AGRÁRIA.
Pelos fins teleológicos da norma imunizante, o disposto no art. 184, §5°, da Constituição Federal alcança o resultado apurado na venda de imóvel ao INCRA, cuja desapropriação era vedada por se tratar de terras produtivas, mas cuja aquisição pela União decorreu da necessidade de distender tensões sociais provocadas pela presença de numerosas famílias acampadas em torno da propriedade.
Numero da decisão: 9101-001.886
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso, e, na parte conhecida, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes e Henrique Pinheiro Torres. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Esteve presente e procedeu à sustentação o patrono da recorrente, Dr. Alberto Rabelo Limoeiro OAB-DF 21.718.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 IRPJ - GANHO DE CAPITAL - VENDA DE IMÓVEL - REFORMA AGRÁRIA. Pelos fins teleológicos da norma imunizante, o disposto no art. 184, §5°, da Constituição Federal alcança o resultado apurado na venda de imóvel ao INCRA, cuja desapropriação era vedada por se tratar de terras produtivas, mas cuja aquisição pela União decorreu da necessidade de distender tensões sociais provocadas pela presença de numerosas famílias acampadas em torno da propriedade.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14120.000001/2010-82
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5363775
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.886
nome_arquivo_s : Decisao_14120000001201082.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 14120000001201082_5363775.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso, e, na parte conhecida, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes e Henrique Pinheiro Torres. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Esteve presente e procedeu à sustentação o patrono da recorrente, Dr. Alberto Rabelo Limoeiro OAB-DF 21.718. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Suzy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5546082
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813689249792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14120.000001/201082 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101001.886 – 1ª Turma Sessão de 18 de março de 2014 Matéria IRPJ Recorrente Fazenda Eldorado S.A. Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IRPJ GANHO DE CAPITAL VENDA DE IMÓVEL REFORMA AGRÁRIA. Pelos fins teleológicos da norma imunizante, o disposto no art. 184, §5°, da Constituição Federal alcança o resultado apurado na venda de imóvel ao INCRA, cuja desapropriação era vedada por se tratar de terras produtivas, mas cuja aquisição pela União decorreu da necessidade de distender tensões sociais provocadas pela presença de numerosas famílias acampadas em torno da propriedade. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso, e, na parte conhecida, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes e Henrique Pinheiro Torres. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Esteve presente e procedeu à sustentação o patrono da recorrente, Dr. Alberto Rabelo Limoeiro OABDF 21.718. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 01 /2 01 0- 82 Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 9101001.886 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 16 de março de 2012, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, analisando recurso voluntário do contribuinte Fazenda Eldorado S.A., rejeitou as preliminares suscitadas e negoulhe provimento, mediante o Acórdão 140200.928. O contribuinte interpôs Embargos de Declaração, que foram julgados em sessão plenária de 07 de novembro de 2012, tendo a Turma, por unanimidade de votos, conhecido e acolhido os embargos para retificar e ratificar o acórdão embargado e dar provimento parcial ao recurso voluntário e excluir da exigência do IRPJ e CSLL os valores dos TDA com vencimento a partir de jan/2006, nos termos do relatório e voto que integram o julgado (Acórdão 1402001.249). Inconformado, o contribuinte ingressou com Recurso Especial em relação às seguintes matérias: i) Descabimento da incidência do Imposto de Renda sobre ganho de capital obtido na alienação de imóvel rural ao INCRA, destinada à reforma agrária; e ii) Redução/Isenção do ganho de capital obtido na alienação de imóvel rural adquirido antes do ano de 1988, seja por pessoa física ou jurídica, nos termos do art. 18 da Lei de 7.713 de 1988. Foram apontados como paradigma os acórdãos 10615.264, de 25/01/2006, para a primeira matéria, e 10417.337, de 26/01/2000, para a segunda matéria. O Presidente da 4ª Câmara admitiu o recurso em relação a ambas às matérias, assim justificando: Compulsando os autos verificase que ambas as matérias foram prequestionadas, inclusive apontando as divergências jurisprudenciais desde o recurso voluntário. A divergência em relação à matéria “i” é patente: o Acórdão recorrido não reconheceu a imunidade da tributação do ganho de capital na alienação do imóvel ao INCRA, mesmo destinado à reforma agrária, por se tratar de compra e venda. Por seu turno, no aresto paradigma, diante de semelhante situação fática, o Colegiado da antiga 6ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exonerou a exigência por entender que “a compra e venda de imóveis rurais para fins de reforma agrária, visando minimizar os efeitos das invasões de terras produtivas, é hipótese idêntica àquela prevista na Constituição Federal quanto à desapropriação para fins de reforma agrária. Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 9101001.886 CSRFT1 Fl. 4 3 Por sua vez, a divergência no tocante a “ii”, redução do ganho de capital na venda de imóvel adquirido antes de 1988, dáse em relação a um ponto específico, objeto de veemente contestação da contribuinte, qual seja, o fato de a lei não estabelecer tratamento diferenciado entre pessoas físicas e jurídicas, garantindo o benefício fiscal às PF em detrimento às PJ, distinção que não foi feita no acórdão paradigma, nº 104 17.337, cuja decisão foi no sentido de que o percentual de 5% ao ano para reduzir o ganho de capital, é sempre aplicável quando comprovada a aquisição do imóvel até 1988. Evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando pela manutenção do julgado. Alega a Fazenda Nacional que, conforme § 6º do art. 150 da Constituição, qualquer isenção depende de lei específica, e que no mesmo sentido dispõe o art. 176 do CTN. Aduz que as normas instituidoras de isenção devem ser interpretadas literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, que não existe previsão legal autorizando a exclusão da tributação sobre a operação de compra e venda, e que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. No que se refere à redução do ganho de capital obtido na alienação de imóvel rural adquirido antes do ano de 1988, o paradigma indicado não se presta a configurar divergência, pois se refere a ganho de capital auferido por pessoa física, e o acórdão recorrido, ao não acolher a redução postulada com fulcro na Lei nº 7.713/88, fundamentase exatamente no fato de os dispositivos legais invocados se aplicarem apenas a imposto de renda de pessoa física, não alcançando o lucro de empresa. Portanto, não conheço do recurso quanto a essa matéria. Em relação à primeira matéria mencionada no relatório, o Acórdão recorrido não reconheceu a imunidade da tributação do ganho de capital na alienação do imóvel ao INCRA, mesmo destinado à reforma agrária, por se tratar de compra e venda. Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 9101001.886 CSRFT1 Fl. 5 4 O contribuinte, pessoa jurídica, excluiu do lucro líquido do exercício, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, valor correspondente a venda de imóveis ao INCRA, tendo a fiscalização considerada indevida a exclusão, ao argumento de que a isenção prevista no art. 423 do RIR/99 abrange apenas as operações de transferência de imóveis para fins de reforma agrária. O julgado recorrido (Ac.140200.928; integrado pelo Ac. 1402001.249) considerou legítima a tributação, apenas diferindo a tributação dos valores pagos mediante TDA com vencimento a prazo, para as épocas de liquidação dos títulos pelo INCRA. A Recorrente invoca a decisão veiculada pelo Acórdão 10615.264, por meio do qual a antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, analisando recurso de pessoa física, em situação fática de venda de imóvel ao INCRA para fins de reforma agrária, entendeu tratarse de hipótese idêntica à prevista na Constituição, e aplicoulhe a imunidade, em decisão assim ementada: IRPF – COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – REFORMA AGRÁRIA – A Constituição Federal prevê uma indenização para todos aqueles que tiverem suas terras desapropriadas para fins de reforma agrária. A desapropriação é vedada nos casos de terras produtivas, razão pela qual a União Federal editou o Decreto n° 2.614/98, que prevê a compra e venda de imóveis rurais para fins de reforma agrária, visando minimizar os efeitos das invasões de terras produtivas. Hipótese idêntica àquela prevista na Constituição Federal quanto à desapropriação para fins de reforma agrária. O acórdão objeto do presente recurso especial, diferentemente, entendeu legítima a tributação, com base nos seguintes fundamentos: (i) A operação de venda de imóveis rurais ao INCRA, ainda que destinados à reforma agrária, não está ao abrigo da imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição, que só alcança as transferências por desapropriação, instituto que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode recusar o negócio. (ii) Também não se faz ao abrigo de isenção, uma vez que não há lei que a estabeleça, conforme exige o §6º do art. 150 da Constituição, e o art. 176 do CTN. Logo, caracterizada a divergência, conheço do recurso. Inicialmente, observo que não há que se falar em interpretação literal, com base no art. 111 do CTN, como invoca a Fazenda Nacional em contrarrazões, pois a norma interpretada é de imunidade. E é pacífico, na doutrina e na jurisprudência, que as normas de imunidade, por serem normas constitucionais que buscam valores garantidos na Constituição, devem ser interpretadas de forma ampla e teleológica, buscando o exato alcance e sentido que a Lei Maior pretendeu. Na apreciação do presente recurso especial esta Turma deve se limitar a decidir se foi adequada a interpretação à lei tributária dada pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em relação ao caso a ela submetido. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 9101001.886 CSRFT1 Fl. 6 5 Dispõe a Constituição: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. (...) § 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: (...) II a propriedade produtiva. A imunidade veiculada pela norma dirigese a uma perda forçada da propriedade, para atender interesse social. O caso do paradigma, submetido à Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentava particularidade que justificam plenamente a decisão do Colegiado. Conforme relatado naquele julgado, o ganho de capital nele questionado era decorrente do valor recebido do Estado do Rio Grande do Sul em razão da "compra e venda para fins de reforma agrária" de glebas de terra de propriedade da pessoa física autuada, e que haviam sido invadidas por participantes do Movimento Sem Terra (MST). Diante da situação apresentada, não obstante o imóvel fosse insuscetível de desapropriação, por ser produtivo, a transferência de propriedade era forçosa, e destinouse a cumprir os fins constitucionais de reforma agrária. Por isso, aquele caso, o voto condutor do acórdão assentou: Diante de tal situação, resta claro que a situação do Recorrente é idêntica àquela de desapropriação para fins de reforma agrária — prevista no art. 184, § 5° da Constituição Federal, razão pela qual tal alienação também deve estar isenta do recolhimento do Imposto sobre a Renda, sob pena de desvirtuar o sentido daquela regra constitucional. Aliás, não se reconhecendo tal isenção, estarseia criando um duplo ônus aos contribuintes em tal situação, pois os valores recebidos através desta venda de terras correspondem a verdadeira indenização, uma vez que os mesmos estarão privados, de exercer a atividade agrícola em suas terras produtivas, pelo simples fato de tais terras terem sido invadidas por colonos "sem terra”. No presente caso, à semelhança do paradigma, a Recorrente traz agora certidão subscrita pelo Superintente Regional do INCRA no Mato Grosso do Sul, acolhendo Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 9101001.886 CSRFT1 Fl. 7 6 manifestação da Advocacia Geral da União/Procuradoria Geral Federal/Procuradoria Federal Especializada – INCRA, atestando que: “(...) O complexo Eldorado, composto pelos imóveis aqui citados, foram adquiridos pelo INCRA visando implementar o Plano Nacional de Reforma Agrária, via desapropriação e compra e venda, conforme previsto em Lei, e, este complexo, localizado no município aqui referenciado, foi elencado pelo INCRA como um dos imóveis aptos a integrar o programa de reforma agrária regional pois, além de atender a demanda social, constituíase em um grande latifúndio a ser combatido. Saliento que havia em torno do imóvel complexo Eldorado inúmeras famílias acampadas, principalmente o lugar denominado “capão seco” e na estrada Estadual de acesso á sede do município, local de tensão social, com ameaça de invasão do complexo, o que impôs a esta Autarquia proceder a inúmeras fiscalizações de imóveis rurais naquela região, com a finalidade de selecionar imóveis de boa qualidade que viessem a atender aquelas famílias que se encontravam acampadas nas rodovias. Para atender a demanda, o INCRA selecionou os imóveis que compunham o complexo Eldorado, e após a realização da fiscalização para aferição da produtividade, estes foram considerados como Grande Propriedade Produtiva. (...) Por se tratar de Grandes Propriedades Produtivas, o que impede a desapropriação por interesse social, após vários estudos técnicos de viabilidade visando à aquisição dos imóveis, a Autarquia através das Resoluções (...), autorizou a compra dos imóveis pelo Decreto nº 433/92. Após a aquisição dos imóveis, o INCRA assentou cerca de 2.120 (duas mil cento e vinte) famílias no local, que exploram as parcelas em regime de agricultura familiar, corrigindo com isso distorções sociais, diminuindo significativamente o número de famílias acampada naquela região, atendendo a própria natureza do programa de reforma agrária que visa extinguir os latifúndios.” Portanto, restou demonstrado que houve o interesse da União em adquirir o imóvel para atender os fins sociais da reforma agrária numa área de tensão social, e que essa aquisição só não foi veiculada por desapropriação porque a Constituição veda a desapropriação de áreas produtivas. Assim, atendendo os fins teleológicos da norma imunizante, voto pelo provimento do recurso. Da mesma forma em relação a CSLL, aplicase, no que couber, a mesma disposição da legislação do IRPJ sobre as indenizações havidas em decorrência de desapropriações, uma vez que inexiste o lucro por parte da empresa que foi desfalcada de sua Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 9101001.886 CSRFT1 Fl. 8 7 propriedade em favor do Poder Público por interesse social, mas mera reposição do valor do bem que lhe foi expropriado. Pelas razões expostas, conheço parcialmente o recurso e doulhe provimento. Sala das Sessões, 18 de março de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904390/2012-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 29/02/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.904390/2012-08
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352720
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.204
nome_arquivo_s : Decisao_11030904390201208.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 11030904390201208_5352720.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5488891
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813692395520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 88 1 87 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904390/201208 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.204 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 90 /2 01 2- 08 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904390/201208 Acórdão n.º 3801003.204 S3TE01 Fl. 89 2 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904390/201208 Acórdão n.º 3801003.204 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 29/02/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904390/201208 Acórdão n.º 3801003.204 S3TE01 Fl. 91 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904390/201208 Acórdão n.º 3801003.204 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904390/201208 Acórdão n.º 3801003.204 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904390/201208 Acórdão n.º 3801003.204 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732903/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DESPESAS COM ARRENDAMENTO. ARRENDATÁRIO PERTENCENTE AO MESMO GRUPO ECONÔMICO DO ARRENDANTE.
Não subiste a constatação fiscal fundada meramente em dúvidas por conta da mera relação de proximidade entre as empresas que estabeleceram o arrendamento, eis que ambas, arrendante e arrendatária, detinham no quadro social a mesma sócia majoritária. É desacertado o caminho de reputar, genericamente, que os pagamentos eventualmente feitos pela recorrente à arrendante podem ser fruto de qualquer outra relação, sem demonstrar que realmente não se deram em contraprestação ao arrendamento em questão.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS EXPORTADAS. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de imputação de omissão de receitas cumpre ao Fisco, ao impor a censura, demonstrar (provar) os elementos pelos quais chegou a tal convencimento, salvo as hipóteses de presunção contidas na própria lei. No caso dos autos a situação deu-se a concluir pela ocorrência de omissão de receitas apenas pela divergência encontrada entre os valores registrados no SISCOMEX com aqueles constantes na contabilidade da recorrente, ao fundamento de que a devolução não foi comprovada, mas ignorou-se a justificativa de que os produtos exportados eram perecíveis e, portanto, não retornaram fisicamente ao Brasil.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). ESPONTANEIDADE.
O MPF não exclui a espontaneidade do contribuinte, mas, sim, o primeiro ato escrito da autoridade encarregada de realizar o procedimento fiscal.
PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extingue-se após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal.
DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS. COMPROVAÇÃO.
Somente os descontos incondicionais comprovadamente concedidos podem ser reduzidos da receita bruta, para o efeito de determinação da receita líquida de vendas e serviços.
JUROS DE MORA. MULTA COMPENSATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÃO.
Somente quando pagas podem ser deduzidas as despesas com juros de mora e com multa compensatória.
NÃO CABIMENTO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO
Ponto que reclama detida análise respeita à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a Recorrente tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso.
Numero da decisão: 1301-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas quanto a multa isolada.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM ARRENDAMENTO. ARRENDATÁRIO PERTENCENTE AO MESMO GRUPO ECONÔMICO DO ARRENDANTE. Não subiste a constatação fiscal fundada meramente em dúvidas por conta da mera relação de proximidade entre as empresas que estabeleceram o arrendamento, eis que ambas, arrendante e arrendatária, detinham no quadro social a mesma sócia majoritária. É desacertado o caminho de reputar, genericamente, que os pagamentos eventualmente feitos pela recorrente à arrendante podem ser fruto de qualquer outra relação, sem demonstrar que realmente não se deram em contraprestação ao arrendamento em questão. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS EXPORTADAS. ÔNUS DA PROVA. Tratando-se de imputação de omissão de receitas cumpre ao Fisco, ao impor a censura, demonstrar (provar) os elementos pelos quais chegou a tal convencimento, salvo as hipóteses de presunção contidas na própria lei. No caso dos autos a situação deu-se a concluir pela ocorrência de omissão de receitas apenas pela divergência encontrada entre os valores registrados no SISCOMEX com aqueles constantes na contabilidade da recorrente, ao fundamento de que a devolução não foi comprovada, mas ignorou-se a justificativa de que os produtos exportados eram perecíveis e, portanto, não retornaram fisicamente ao Brasil. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). ESPONTANEIDADE. O MPF não exclui a espontaneidade do contribuinte, mas, sim, o primeiro ato escrito da autoridade encarregada de realizar o procedimento fiscal. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extingue-se após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS. COMPROVAÇÃO. Somente os descontos incondicionais comprovadamente concedidos podem ser reduzidos da receita bruta, para o efeito de determinação da receita líquida de vendas e serviços. JUROS DE MORA. MULTA COMPENSATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÃO. Somente quando pagas podem ser deduzidas as despesas com juros de mora e com multa compensatória. NÃO CABIMENTO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Ponto que reclama detida análise respeita à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a Recorrente tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.732903/2011-41
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358616
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.385
nome_arquivo_s : Decisao_10380732903201141.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10380732903201141_5358616.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas quanto a multa isolada. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5516198
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813731192832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.732903/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.385 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente INTERMELON COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM ARRENDAMENTO. ARRENDATÁRIO PERTENCENTE AO MESMO GRUPO ECONÔMICO DO ARRENDANTE. Não subiste a constatação fiscal fundada meramente em dúvidas por conta da mera relação de proximidade entre as empresas que estabeleceram o arrendamento, eis que ambas, arrendante e arrendatária, detinham no quadro social a mesma sócia majoritária. É desacertado o caminho de reputar, genericamente, que os pagamentos eventualmente feitos pela recorrente à arrendante podem ser fruto de qualquer outra relação, sem demonstrar que realmente não se deram em contraprestação ao arrendamento em questão. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS EXPORTADAS. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de imputação de omissão de receitas cumpre ao Fisco, ao impor a censura, demonstrar (provar) os elementos pelos quais chegou a tal convencimento, salvo as hipóteses de presunção contidas na própria lei. No caso dos autos a situação deuse a concluir pela ocorrência de omissão de receitas apenas pela divergência encontrada entre os valores registrados no SISCOMEX com aqueles constantes na contabilidade da recorrente, ao fundamento de que a “devolução” não foi comprovada, mas ignorouse a justificativa de que os produtos exportados eram perecíveis e, portanto, não retornaram fisicamente ao Brasil. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). ESPONTANEIDADE. O MPF não exclui a espontaneidade do contribuinte, mas, sim, o primeiro ato escrito da autoridade encarregada de realizar o procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 29 03 /2 01 1- 41 Fl. 8189DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS. COMPROVAÇÃO. Somente os descontos incondicionais comprovadamente concedidos podem ser reduzidos da receita bruta, para o efeito de determinação da receita líquida de vendas e serviços. JUROS DE MORA. MULTA COMPENSATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÃO. Somente quando pagas podem ser deduzidas as despesas com juros de mora e com multa compensatória. NÃO CABIMENTO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Ponto que reclama detida análise respeita à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a Recorrente tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas quanto a multa isolada. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 8190DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRL em Recife/PE. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da recorrente foram lavrados autos de infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, referentes aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, acrescido o crédito tributário dos juros de mora, multas de ofício e multas isoladas. Relativamente ao IRPJ, de acordo com os autos de infração foram apuradas as seguintes infrações (fls. 6.991 – 7.005): i) 001 – OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE MERCADORIAS VENDIDAS” (ano calendário de 2008); ii) 002 – OMISSÃO DE RECEITAS (anocalendário de 2008); iii) 003 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS (anocalendário de 2008); iv) 004 – IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIÇÕES (NÃO DEDUTÍVEIS) (anocalendário de 2008); v) 005 – GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS (anocalendário de 2008); vi) 006 – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS (anoscalendário 2006 e 2007); vii) 007 – MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA (todos os meses do ano calendário de 2008). Já em relação à CSLL (fls. 7.006 – 7.018), foram apuradas as seguintes infrações: i) 001 – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL (anocalendário de 2008); ii) 002 – OMISSÃO DE RECEITAS (anocalendário de 2008); Fl. 8191DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 iii) 003 – CSLL SOBRE LUCRO ARBITRADO (anoscalendário 2006 e 2007); iv) Auto de Infração de folhas 7.022 a 7.029), versando exigência de multa isolada por falta de recolhimento sobre base de cálculo estimada (todos os meses do anocalendário de 2008). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 7.030 – 7.062), descreve as infrações apuradas e relata o procedimento fiscal, assinalando que em relação ano calendário 2006 não foram entregues os documentos e arquivos contábeis, utilizandose as informações contidas nos livros fiscais e no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX (informa a autoridade autuante que os registros das exportações nos livros fiscais não obedeceram ao regime de competência, daí que ajustados). As informações contidas nos livros fiscais e no SISCOMEX foram devidamente ajustadas e as receitas tributáveis apuradas importaram, no anocalendário de 2006, em R$ 60.337.681,31, que é somatório das receitas de vendas no mercado interno e das vendas de mercadorias exportadas. Consignouse que na DIPJ original, a contribuinte apurou o lucro pela sistemática do lucro real e após o início da fiscalização, promoveu a entrega, em 10/08/2010, de nova DIPJ, optando pela sistemática do arbitramento e informando valores expressivos de receitas e ganhos de capital e que na mesma data entregou DCTFs do 1º e 2º semestres do anocalendário de 2006, informando débitos do IRPJ e da CSLL estimados pelo lucro arbitrado, assinalandose que intimada, a contribuinte informou não ter a documentação que deu suporte aos valores declarados. Foram afastadas a DIPJ e as DCTFs apresentadas durante a ação fiscal. O lucro foi arbitrado, uma vez que a contribuinte não entregou seus apontamentos contábeis. Não há lançamento reflexo do PIS e da Cofins, em virtude da redução da alíquota para zero, tal como prevista no art. 28 da Lei n.º 10.865, de 2004. Em relação ao anocalendário 2007, assentou a Fiscalização que não foram entregues os documentos e arquivos contábeis, daí que utilizadas as informações contidas nos livros fiscais e no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX (informa a autoridade autuante que os registros das exportações nos livros fiscais não obedeceram ao regime de competência, daí que ajustados). As informações contidas nos livros fiscais e no SISCOMEX foram devidamente ajustadas conforme informações colhidas com a contribuinte, quando comprovadas com documentação hábil (notas fiscais originais e cópias de notas fiscais; algumas nas notas fiscais foram registradas com CFOPs incorretos). As receitas tributáveis apuradas importaram, no anocalendário de 2006, a quantia de R$ 78.671.357,39, que é somatório das receitas de vendas no mercado interno e das vendas de mercadorias exportadas. Segundo a Fiscalização as informações das saídas de mercadorias informadas nos livros fiscais foram ajustadas de acordo com a documentação apresentada (notas fiscais originais e cópias de notas fiscais), o que demonstra que algumas das notas fiscais foram registradas com CFOPs incorretos, registrandose que na DIPJ originalmente entregue a contribuinte apurou o lucro pela sistemática do lucro real e após o início da fiscalização, em 10/08/2010, promoveu a entrega de nova DIPJ optando pela sistemática do arbitramento e informando valores expressivos de receitas e ganhos de capital e que na mesma data, entregou DCTFs de todos os meses do anocalendário de 2007, informando débitos do IRPJ e da CSLL estimados pelo lucro arbitrado. Fl. 8192DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 4 5 Sendo intimada a contribuinte informou não ter a documentação que deu suporte aos valores declarados. Foram afastadas a DIPJ e as DCTFs apresentadas durante a ação fiscal. O lucro foi arbitrado, uma vez que, regularmente intimada, a contribuinte não entregou seus apontamentos contábeis. Não há lançamento reflexo do PIS e da Cofins, em virtude da redução da alíquota para zero, tal como prevista no art. 28 da Lei n.º 10.865, de 2004. No que toca ao anocalendário 2008, registrou a Fiscalização que não foram entregues os documentos e arquivos contábeis, sendo utilizadas as informações contidas nos livros fiscais e no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX (informa a autoridade autuante que os registros das exportações nos livros fiscais não obedeceram ao regime de competência). Apurouse omissão de receitas decorrentes de vendas de mercadorias nos mercado interno e externo (as receitas tributáveis apuradas somaram R$ 93.725.041,55, enquanto que a receita bruta registrada nos livros contábeis Diário e Razão alcançou a quantia de R$ 87.893.327,27, caracterizando a diferença omissão de receitas, no montante de R$ 5.831.714,28). Segundo a apurou a Fiscalização a contribuinte escriturou conta de despesa financeira com código 4.2.3.02.001 – Descontos Concedidos (fl. 6.798), reduzindo o resultado operacional, no anocalendário 2008, em R$ 10.917.695,17. Intimada a apresentar a documentação que deu suporte a tais descontos, e apesar de já ter apresentado alguns documentos de sua própria emissão como “Credit Note”, “Invoice” etc., concluiuse que a contribuinte não fez prova da existência e do montante do desconto financeiro, glosandose o valor escriturado. Registrouse ainda, que a contribuinte escriturou as contas 4.2.3.01.002 – Juros e 4.2.3.01.003 – Multas, pertencentes ao subgrupo Tributos Federais (4.2.3.01). As contrapartidas dos lançamentos de despesas foram realizadas em contas de obrigações. Os históricos de tais lançamentos demonstrariam a apropriação de despesas com juros e multas relativos ao IRPJ e à CSLL dos trimestres de 2005, 2006 e 2007. Tais lançamentos decorrem das retificações das DIPJs e das DCTFs dos referidos anoscalendário, que ocorreram em 10/08/2010 (após o início da ação fiscal) e estas retificações promoveram o reconhecimento, pela contribuinte, de lucros arbitrados e, portanto, de débitos de IRPJ e de CSLL, só reconhecidos no anocalendário de 2010. Segundo a Fiscalização, tais valores não foram pagos (os débitos referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006 não foram pagos e se encontram em aberto para cobrança; quanto ao anocalendário de 2007, pleiteouse a compensação dos valores devidos, através de PER/DCOMP). Assim, os débitos de IRPJ e de CSLL e dos respectivos juros e multas dos anoscalendário de 2005 a 2007 não foram pagos, ocorrendo que para ser aceita a dedutibilidade no anocalendário de 2008, os débitos de juros e multas do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2005 a 2007 deveriam ter sido pagos em 2008 e a contribuinte deveria estar espontânea quando da apresentação dos instrumentos retificadores (DIPJ e DCTF), de sorte que foi glosado o valor de R$ 1.149.126,86 a título de multa moratória dos débitos de IRPJ e de CSLL (arbitrados) dos anoscalendário de 2005 a 2007 somente reconhecidos em DCTF entregue em 2010, pois não foram pagos nos seus respectivos períodos de competência. Fl. 8193DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Ainda de acordo com as imputações, a contribuinte escriturou R$ 8.853.921,91 na conta 4.1.3.02.006 – Arrendamento (conta pertencente ao grupo Custeio de Produção). Deste valor, foram glosados R$ 8.474.621,81, que se referem ao arrendamento da Fazenda Famosa, localizada em Icapuí/CE. Não se escriturou nenhum pagamento em favor da Agrícola Famosa Ltda. (arrendante). Os valores mensais supostamente devidos pela Intermelon foram escriturados, em contrapartida, na conta 2.1.6.002.001 – Agrícola Famosa, do subgrupo Credores por Arrendamento de Terras. A contribuinte autuada e a arrendante tinham como sócio em comum, no anocalendário de 2008, a High Quality Sociedad Anonima, com sede no Uruguai, que detinha, neste ano de 2008, 99% do capital de ambas. Em 05/07/2010, após intimada, a High Quality Sociedad Anonima deixou o quadro societário da Agrícola Famosa, ingressando em seu lugar a Famosa Participações S/A. Intimada a apresentar os documentos comprobatórios da referida despesa, a contribuinte promoveu apenas a entrega de um contrato de arrendamento de imóvel rural sem registro em cartório, mas não apresentou nenhum comprovante de pagamento, “mesmo que os pagamentos tivessem sido realizados nos anos calendário de 2009 a 2011”. A arrendante não reconheceu a receita proveniente do arrendamento. Assim, não se comprovou que houve tal negócio oneroso entre as empresas citadas. Também foram glosados R$ 231.126,63 lançados na conta 3.1.1.02.100 – Devolução de Mercadorias, do subgrupo Receitas de Exportação – Produção de Terceiros – Vendas Produtos de Terceiro Mercado Externo, em face de a contribuinte, embora intimada, não ter apresentado documentação comprobatória das devoluções e por fim foram lançadas multas isoladas previstas no inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, em virtude do não recolhimento das estimativas de IRPJ e da CSLL sobre as bases de cálculo estimadas pela fiscalização. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 7.066 – 7.083), alegando em síntese que na data em que cientificada do lançamento, já havia decorrido o prazo decadencial e extinto o direito de constituição de crédito tributário referente aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Ainda em sede preliminar afirmou que e 15/07/2010, recebeu o Termo de Intimação Fiscal, e que a fiscalização foi encerrada em 05/08/2010, sendo que 13/08/2010, recebeu novo MPF, o de n.º 03.1.01.002010011249, em vista de possuir domicílio fiscal em Fortaleza/CE. Assim, o primeiro MPF era oriundo de autoridade incompetente para a prática do ato e dessa forma, combinando o art. 47 da Lei n.º 9.430/96, com o art. 7º, § 2º, do Decreto n.º 70.235, de 1972, concluise que houve o restabelecimento da espontaneidade da empresa (entre o encerramento do anterior MPF e abertura do novo MPF), reputando a partir deste raciocínio que em 10/08/2010, enviou DIPJs retificadoras referentes aos anoscalendário 2006 e 2007, informando a adoção da apuração pelo lucro arbitrado, as quais foram desconsideradas pela autoridade autuante. Defendeu que em relação ao anocalendário 2006 (só o 4º trimestre) e 2007, só deve ao Fisco os valores confessados por meio das DIPJs e das DCTFs retificadoras. No que toca ao mérito, em relação aos custos e despesas não comprovadas – glosa de despesas com arrendamento, assentou que tal despesa foi glosada sob a alegação de que na contabilidade não foi escriturado nenhum pagamento em favor do arrendante (no item 11 do Relatório Fiscal referente ao anocalendário de 2008, discorrese sobre a escrituração do passivo da empresa, na conta 2.1.6.002.001 – Agrícola Famosa Ltda., com contrapartida lançada na conta de Produção 4.1.3.02.006 – Arrendamento, do valor de R$ 8.474.621,81), defendendo, no entanto, que o fato de ainda não ter havido o desembolso do dinheiro não significa que este valor não fez parte do custo de produção, cujo lançamento se deu pelo Fl. 8194DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 5 7 regime de competência, nos termos dos arts. 247, § 2º, e 273 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (RIR/99), e art. 177 da Lei n.º 6.404, de 1964 (Lei das S/A). Defendeu ainda, que as despesas com arrendamento foram e são extremamente necessárias para a atividade da empresa, pois a terra arrendada é gasto imprescindível para o aumento da produção e para a obtenção de receita maior. Nos termos do art. 299, § 1º, do RIR/99, são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Para o IRPJ, o que se tributa é o acréscimo patrimonial (afirma estar anexando cópias de todas as transferências bancárias efetuadas para a empresa arrendante, a Agrícola Famosa Ltda., no montante de R$ 8.558.313,34, uma vez que não houve tempo hábil para apresentar à fiscalização). No que toca à a devolução não comprovada de mercadorias, omissão de receitas e impostos, taxas e contribuições (não dedutíveis), aduziu que no item 11 do Relatório Fiscal (anocalendário de 2008), informase terem sido glosados R$ 231.126,63, que se referem a devoluções de mercadorias exportadas, contabilizadas na conta 31102100, por falta de comprovação das respectivas devoluções, porém, estaria impossibilitada de comproválas, uma vez que, como se trata de produtos perecíveis, quando não aceitos pelos clientes, é totalmente inviável o seu retorno ao Brasil, sendo que em várias ocasiões a empresa paga, no exterior, para que se dê o descarte dos produtos. Arrazoou ainda, que nos itens 1 a 7 do Relatório Fiscal (anocalendário de 2008), a autoridade autuante discorre sobre a suposta omissão de receitas, baseandose na constatação de diferenças entre as somas dos valores trimestrais escriturados nos livros fiscais, o valor das exportações constantes no SISCOMEX e os valores lançados na contabilidade. No entanto, existem diversas possibilidades de ocorrência de tais diferenças entre o controle feito pelo SISCOMEX e os livros fiscais, dentre as quais: mercadorias faturadas e não embarcadas, por desistência do importador; embarques efetuados e não concretizados os recebimentos, por perecimento da fruta; e outras razões ligadas ao transporte etc. Tais fatos não foram explorados pela fiscalização. Defendeu ainda, que no item 10 do Relatório Fiscal (anocalendário de 2008), registrase que foram contabilizados na conta 4.2.3.01.002 – Juros, o valor de R$ 894.725,27, e na conta 4.2.3.01.003 – Multas, o valor de R$ 1.149.126,86, uma vez que não teriam sido pagos em seus respectivos períodos de competência. De acordo com o art. 344 do RIR/99, são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, os valores correspondentes a tributos e contribuições suportados pelo contribuinte. O texto referese genericamente ao regime de competência, “e isto significa a ocorrência do fato gerador do tributo”. A dedutibilidade, como custo ou despesa de rendimentos pagos ou creditados a terceiros, abrange o imposto sobre rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto. Apenas não são dedutíveis como custo ou despesa operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Quanto às glosas de despesas financeiras, reputou a contribuinte que no item 9 do Relatório Fiscal (anocalendário de 2008), a autoridade autuante discorda da escrituração do valor de R$ 10.917.695,17, na conta 4.2.3.02.001 – Descontos Concedidos, que foram concedidos “a fim de guardar a razoabilidade da documentação suporte pertinente a tais descontos”. Este ano foi um ano sui generis no que respeita à crise econômica e financeira Fl. 8195DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 mundial. Assim, para não perder mercado, teve que conceder descontos fora da normalidade. Dispõe de vários documentos, inclusive já citados pela fiscalização (“Credit Note” e documentos de clientes), bem como correspondências enviadas via emails, que comprovam referidos descontos (doc. 5 a 14). Sustentou, ademais, que em muitos casos, face à desistência de alguns clientes, perdia os produtos exportados. Os descontos representam em torno de 10% da receita total do anocalendário de 2008 (ver tabela de fl. 7080). Protesta pela apresentação de memorial, compondo todos os descontos financeiros do período. Quanto às receitas operacionais (atividade não imobiliária) – revenda de mercadorias, sustentou que em relação ao 4º trimestre de 2006 e ao anocalendário de 2007, só deve ao Fisco os valores confessados por meio das DIPJs e DCTFs retificadoras. Por fim, quanto às multas isoladas – falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada, discordou da cobrança em razão da impossibilidade de aplicação da penalidade isolada por bis in idem. Como já foi tributada e multada “como rendimento omitido de pessoa jurídica, não pode haver nova cobrança de ‘multa isolada’, tratandose efetivamente de duplicidade” Ao final, requereu a improcedência do lançamento. Adicionalmente, requereu a apresentação posterior de memorial, o que fez em 01/02/2012 (fls. 7.286 – 8.073), por meio do qual a impugnante alega demonstrar, com base nos documentos a ele anexados, a composição do desconto financeiro concedido, no montante de R$ 10.917.695,17, que fora escriturado na conta 4.2.3.02.001. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE, nos termos do acórdão e voto de folhas 8.075 a 8.088, julgou o lançamento procedente em decisão que ficou assim ementada: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS COMPROVADA. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Uma vez inequivocamente comprovada a omissão de receitas, deve ser mantido o lançamento para exigir os tributos não recolhidos. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou a insuficiência no recolhimento do tributo devido enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS.COMPROVAÇÃO. Somente os descontos incondicionais comprovadamente concedidos podem ser reduzidos da receita bruta, para o efeito de determinação da receita líquida de vendas e serviços. JUROS DE MORA. MULTA COMPENSATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÃO. Fl. 8196DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 6 9 Somente quando pagas podem ser deduzidas as despesas com juros de mora e com multa compensatória. ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. A omissão do contribuinte quanto ao recolhimento das estimativas mensais sujeitao à multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei nº. 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basearse nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança as tributações reflexas dele decorrentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). ESPONTANEIDADE. O MPF não exclui a espontaneidade do contribuinte, mas, sim, o primeiro ato escrito da autoridade encarregada de realizar o procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. [...] Devidamente cientificada da decisão desfavorável a contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 8197DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidades. Admitoo para julgamento. Tal como verificado no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de autos de infração relativo ao IRPJ e à CSLL dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008. As imputações foram assim resumidas pela Fiscalização, em relação ao IRPJ: i) OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE MERCADORIAS VENDIDAS” (anocalendário de 2008); ii) OMISSÃO DE RECEITAS (anocalendário de 2008); iii) CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS (anocalendário de 2008); iv) IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIÇÕES (NÃO DEDUTÍVEIS) (anocalendário de 2008); v) GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS (anocalendário de 2008); vi) RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS (anoscalendário 2006 e 2007); vii) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA (todos os meses do ano calendário de 2008). Em relação à CSLL foram apuradas as seguintes infrações: i) 001 – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL (anocalendário de 2008); ii) 002 – OMISSÃO DE RECEITAS (anocalendário de 2008); iii) 003 – CSLL SOBRE LUCRO ARBITRADO (anoscalendário 2006 e 2007); iv) Auto de Infração de folhas 7.022 a 7.029), versando exigência de multa isolada por falta de recolhimento sobre base de cálculo estimada (todos os meses do anocalendário de 2008). Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte reitera as preliminares já aventadas em sua Impugnação, pleiteando inicialmente a nulidade da autuação por não Fl. 8198DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 7 11 reconhecer o restabelecimento da espontaneidade e na sequência defende a parcial extinção do crédito tributário em vista da alegada decadência. Após as ditas preliminares a contribuinte apresentou, tópico a tópico, suas razões de mérito para insurgirse contra o conteúdo da decisão impugnada e, por óbvio, das autuações. Sendo assim, passarei ao enfretamento também por tópicos das razões contidas na peça recursal da contribuinte. I – PRELIMINARES I.1 – Restabelecimento da espontaneidade Resumidamente, na aventada preliminar de nulidade, sustenta a contribuinte que as exigências fiscais são nulas em relação ao 4º trimestre do anocalendário 2006 e todo o anocalendário 2007, porquanto teria confessado os valores glosados com a apresentação de DCTF e DIPJ retificadoras, em momento em que restabelecida a espontaneidade. O alegado restabelecimento da espontaneidade, segundo sustenta a recorrente, deuse com o encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) primitivo, e a reabertura de novo MPF, considerando que o primeiro fora emitido por autoridade incompetente, porquanto em 15/07/2010, recebeu o MPF nº 04.2.02.002010000287 e em 05/08/2010 foi ele encerrado, sendo que no dia 10 do mesmo mês e ano, teria apresentado ao Fisco DIPJ e DCTF retificadoras, relativas aos anocalendário 2006 e 2007, confessando os valores glosados, e somente no dia 13/07/2010 foi cientificada do novo MPF, de número 03.1.01.002010011249, eis que a Fiscalização constatou a necessidade de apresentarse outro MPF em vista do domicílio fiscal diverso daquele que constou no primeiro instrumento (Fortaleza/CE e não Mossoró/RN). Conjugando a incompetência da autoridade primitivamente encarregada do MPF encerrado, com o fato de ter apresentado confissão dos débitos glosados durante o interregno da expedição de novo MPF, é que a recorrente entende restabelecida a espontaneidade e improcedentes, por conseguinte, as exigências materializadas em auto de infração relativas ao 4º trimestre do anocalendário 2006 e todo o anocalendário 2007. A decisão recorrida ao apreciar a alegação da contribuinte firmou entendimento de que o MPF é mero instrumento de controle administrativo e não caracteriza ato de ofício de que trata o art. 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972, para o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte sob ação fiscal. Com efeito, em análise dos argumentos invocados pela contribuinte verifico que o entendimento sufragado pela decisão recorrida não merece qualquer reparo. Para além dos precedentes administrativos citados no aresto recorrido, os quais consagram que o MPF não é mesmo o instrumento apto a excluir a espontaneidade, me parece que o argumento da contribuinte, de restabelecimento da espontaneidade, retira a própria lógica do sistema. Digo isso porque ela foi cientificada em 16/07/2010 (fl. 1.665), por meio do Termo de Intimação Fiscal (fls. 1.663 – 1.664), a apresentar livros e documentos fiscais, situação que a despeito de alguma pecha no MPF, revela que na data em que apresentadas as DIPJs e DCTFs retificadoras, 10/08/2010, a contribuinte inequivocamente sabia da intenção Fl. 8199DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 fiscalizatória, o que retira sua espontaneidade, por força do art. 7º, § 2º, do Decreto n.º 70.235, de 1972, combinado com o parágrafo único do art. 138 do CTN. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. I.2 – Decadência parcial No que toca à alegação de decadência, sustenta a contribuinte a extinção do crédito tributário em relação aos três primeiros trimestres do anocalendário de 2006, defendendo, em síntese, que o prazo seja contado na forma do § 4º do artigo 150, do CTN, considerando tratarse de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Novamente não vejo reparos a serem feitos no entendimento da decisão recorrida, porquanto prestigiouse a moderna jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, coincidente, até por razões regimentais, ao posicionamento adotado por este colegiado administrativo. Importa registrarse, diante disso, que o prazo decadencial a que estão sujeitos os tributos submetidos a lançamento por homologação somente são regidos pela regra invocada pela recorrente (cinco anos a contar do fato gerador), se verificada a existência de pagamento antecipado, ressalvadas as hipóteses de dolo, a fraude ou a simulação. Subsiste na jurisprudência pátria, portanto, o entendimento de que inexistindo pagamento antecipado, e a decisão recorrida bem registrou que no caso dos autos, em consulta aos sistemas da RFB, se comprova não ter havido qualquer pagamento de IRPJ e de CSLL relativos ao anocalendário de 2006), o cômputo do prazo decadencial dáse pela regra do artigo 173, I, do CTN (cinco anos a contar do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Feitos estes esclarecimento, é irretorquível a conclusão da decisão recorrida ao assinalar que para o 1º trimestre de 2006, o prazo decadencial se iniciou no primeiro dia útil de 2007, e somente se extinguiria no mesmo dia do ano de 2012, data posterior àquela em que a recorrente foi cientificada do lançamento, o que se deu em 13/12/2011. Sendo assim, igualmente rejeito a preliminar de decadência. II – MÉRITO Superadas as questões preliminares passo ao enfretamento segregado das razões de mérito contidas no presente processo administrativo, seguindo a ordem contida no Recurso Voluntário manuseado pela contribuinte. II.1 – Glosa de despesas com arrendamento De acordo com a Fiscalização, a recorrente escriturou R$ 8.853.921,91 na conta 4.1.3.02.006 – Arrendamento (conta pertencente ao grupo Custeio de Produção) e deste valor foram glosados R$ 8.474.621,81, atinentes ao arrendamento da Fazenda Famosa, localizada em Icapuí/CE. A Fiscalização reputou ainda, que a contribuinte autuada e a arrendante tinham como sócio comum, no anocalendário de 2008, a High Quality Sociedad Anonima, com sede no Uruguai, que detinha, neste ano de 2008, 99% do capital de ambas e em Fl. 8200DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 8 13 05/07/2010, após intimada, a High Quality Sociedad Anonima deixou o quadro societário da Agrícola Famosa, ingressando em seu lugar a Famosa Participações S/A., considerando que a recorrente, para comprovar as ditas despesas, teria apresentado apenas um contrato de arrendamento de imóvel rural sem registro em cartório, mas não apresentou nenhum comprovante de pagamento, a despeito de os “pagamentos” terem sido realizados nos anos calendário de 2009 a 2011, frisandose ainda que a arrendante não reconheceu a receita proveniente do arrendamento, a revelar, em conclusão, que não se comprovou que houve tal negócio oneroso entre as empresas citadas. A decisão recorrida acatou os fundamentos da Fiscalização, frisando, sobretudo, que não se questionava as despesas em vista de alguma infringência ao disposto no artigo 299 do RIR/99, antes, porém, evidenciouse que não haveria provas de que o negócio oneroso se aperfeiçoou entre as partes, ou seja, não se provou a efetiva despesa (paga ou incorrida). Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte reitera que as despesas em questão são essenciais à manutenção da fonte produtiva e que a alegação do Fisco de que não houve desembolso de dinheiro não significa que esse valor não tenha composto seu custo de produção que se deu pelo regime de competência, assinalando ainda que os valores “recebidos” teriam sido tributados pela empresa arrendante, mas tal fato seria irrelevante para o deslinde da questão. Por fim, reputou que anexou à primitiva Impugnação todas as transferências efetuadas para a empresa arrendante, no valor total de R$ 8.558.313,34, fazendo prova do pagamento. Por fim, referiu que apresentava cópia do Razão Contábil da arrendante com a evidência de que foram baixados os valores recebidos dele recorrente. Adianto que o conteúdo decisório contido neste tópico do aresto impugnado está a merecer reparo. Em verdade, me parece que o trabalho de Fiscalização se satisfez, ou melhor, se limitou, em lançar dúvidas acerca das despesas em questão pela mera relação de proximidade entre as empresas que estabeleceram o arrendamento, eis que ambas, arrendante e arrendatária, detinham no quadro social a mesma sócia majoritária. Ocorre, que tal relação, ainda que possa mesmo gerar dúvidas acerca da efetividade das despesas, não pode ser alçada ao patamar de certeza absoluta e inarredável, de sorte que não me parece acertado o caminho tomado pela decisão recorrida de reputar, genericamente, que os pagamentos eventualmente feitos pela recorrente à arrendante podem ser fruto de qualquer outra relação, sem demonstrar que realmente não se deram em contraprestação ao arrendamento em questão. Torno a dizer, o caminho trilhado pela decisão recorrida, tornou a prova da efetividade da operação que resultou na despesa de feitura quase impossível, porém, levou em conta o mero “preconceito” de serem as partes envolvidas, de certa forma relacionadas entre si. Entendo que o quadro documental apresentado, demonstra que a recorrente efetuou pagamentos à arrendante, bem como que ela arrendante reconheceu tais pagamentos, de sorte que à mingua de provas produzidas pela Fiscalização de que a operação de fato não existiu, voto por prover o Recurso Voluntário neste item, julgando insubsistentes as acusações fiscais. Fl. 8201DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 II.2 – Devolução não comprovada de mercadorias Neste item específico da autuação a Fiscalização glosou valores referentes à devoluções de mercadorias exportadas, porquanto a contribuinte não teria comprovado a efetiva devolução. A contribuinte, por seu turno, sustenta estar impossibilitada de comprovar a efetiva devolução, eis que se trataria de produtos perecíveis, tornando inviável o retorno ao Brasil quando não aceitos pelos importadores no exterior. Já a decisão recorrida sufragou entendimento de que “alegar e não provar, equivaleria a não alegar”. Parece que o caminho de enfretamento da Fiscalização e da decisão recorrida conferem à situação dos autos a correta valoração dos elementos de convencimento. , e terminam por impor à recorrente prova de feitura impossível ou pior, inversão do próprio ônus probatório. Ora, aqui se trata de imputação de omissão de receitas no caso dos autos a situação deuse a concluir pela ocorrência de omissão de receitas pela divergência encontrada entre os valores registrados no SISCOMEX com aqueles constantes na contabilidade da recorrente, ao fundamento de que a “devolução” não foi comprovada e de fato não foi até a presente data. Não é aceitável que diante de imputação de omissão de receitas, baseada nesta “investigação” (diferença dos valores constantes do SISCOMEX com a escrituração), a recorrente não traga provas para elidir a imputação, assim deve prevalecer este item da imputação. II.3 – Impostos, taxas e contribuições não dedutíveis Neste item temse que foi efetivada glosa de despesas com juros e multa moratória que foram contabilizadas nas contas 4.2.3.01.002 – Juros e 4.2.3.01.003 – Multas, pertencentes ao subgrupo Tributos Federais (4.2.3.01). As contrapartidas dos lançamentos de despesas foram realizadas em contas de obrigações, porque a recorrente não as teria pago. Apurou a Fiscalização que tais lançamentos demonstram a apropriação de despesas com juros e multas incidentes sobre os valores de IRPJ e de CSLL devidos no ano calendário de 2005, 2006 e 2007, estimados nas retificações das DIPJs e das DCTFs entregues após o início da ação fiscal e que esses valores não foram pagos e tais declarações não foram aceitas, porquanto excluída a espontaneidade da impugnante, como alhures já destacamos. De fato a espontaneidade, apreciada no item I.1 deste voto fica afastada. Como bem registrou a Fiscalização a contribuinte escriturou as contas 4.2.3.01.002 – Juros e 4.2.3.01.003 – Multas, pertencentes ao subgrupo Tributos Federais (4.2.3.01). As contrapartidas dos lançamentos de despesas foram realizadas em contas de obrigações. Os históricos de tais lançamentos demonstrariam a apropriação de despesas com juros e multas relativos ao IRPJ e à CSLL dos trimestres de 2005, 2006 e 2007, porém tais lançamentos decorrem das retificações das DIPJs e das DCTFs dos referidos anoscalendário, que ocorreram em 10/08/2010 (após o início da ação fiscal) e estas retificações promoveram o reconhecimento, pela contribuinte, de lucros arbitrados e, portanto, de débitos de IRPJ e de CSLL, só reconhecidos no anocalendário de 2010. Fl. 8202DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 9 15 Assiste razão à Fiscalização, pois tais valores não foram pagos (os débitos referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006 não foram pagos e se encontram em aberto para cobrança; quanto ao anocalendário de 2007, pleiteouse a compensação dos valores devidos, através de PER/DCOMP). Assim, os débitos de IRPJ e de CSLL e dos respectivos juros e multas dos anoscalendário de 2005 a 2007 não foram pagos, ocorrendo que para ser aceita a dedutibilidade no anocalendário de 2008, os débitos de juros e multas do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2005 a 2007 deveriam ter sido pagos em 2008 e a contribuinte deveria estar espontânea quando da apresentação dos instrumentos retificadores (DIPJ e DCTF), de sorte que subsiste a glosa do valor de R$ 1.149.126,86 a título de multa moratória dos débitos de IRPJ e de CSLL (arbitrados) dos anoscalendário de 2005 a 2007 somente reconhecidos em DCTF entregue em 2010, pois não foram pagos nos seus respectivos períodos de competência. II.4 – Glosa de despesas financeiras Por fim temse a glosa relativa aos descontos que teriam sido concedidos a alguns clientes, no exterior, da recorrente, de sorte que a contribuinte apresentou documentos, por ela própria emitidos, intitulados “Credit Note”, “Invoice” etc., os quais foram desconsiderados, como prova de sua existência, pela autoridade autuante e pela decisão recorrida. A decisão recorrida aliás, tratou do tema da seguinte maneira: [fls. 8.087 ...] Com efeito, para que a impugnante pudesse comprovar a realidade dos descontos supostamente concedidos, bastaria demonstrar, para todas as exportações em que ocorridos, haver diferenças entre os valores faturados (aqueles informados nos despachos de exportação) e os efetivamente recebidos dos importadores de seus produtos, não se afigurando suficiente que documentos, de sua própria emissão, sejam utilizados como prova da concessão dos descontos. Digase de passagem, até mesmo documentos de emissão de seus clientes não comprovam os descontos, se não forem corroborados por outros que demonstrem o não recebimento da diferença. De conseguinte, também aqui é de se manter a exigência. Tratandose de glosa de despesa e verificando que a contribuinte apenas alega que o ano de 2008 foi um ano de crise mundial que precisou conceder os tais descontos, entendo que a glosa levada a efeito deva mesmo prevalecer, cumpria à recorrente, ao meu sentir, demonstrar que os descontos concedidos de fato ocorreram, quais os patamares aplicados entre outros elementos. II.5 – Receitas operacionais Neste item específico a contribuinte limitouse a alegar que os valores relativos ao 4º trimestre de 2006 e ao AC 2007 são aqueles objetos de confissão pelas DIPJ e DCTF retificadoras, que implicariam em confissão espontânea, contudo, como verificado acima, não subsistem tais alegações a consequência é manutenção das exigências. Fl. 8203DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 III – MULTAS ISOLADAS Considerando a parcial exoneração do crédito tributário proposta acima de rigor o enfretamento da questão relativa à multa aplicada isoladamente. Tratandose da multa isolada, conforme tenho reiteradamente me manifestado, entendo que encerrado o anocalendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do anocalendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Em verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário, a revelar o inerente dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele anocalendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique, sendo certo que a partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Relembrese, por oportuno que a jurisprudência predominante neste E. Conselho e mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme se depreende do Acórdão CSRF/0105.838, Sessão de 15 de abril de 2008. Em vista de todo o exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de despesas com arrendamento e a multa isolada. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 8204DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732903/201141 Acórdão n.º 1301001.385 S1C3T1 Fl. 10 17 Fl. 8205DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000048/2011-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10166.000048/2011-40
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354756
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-000.171
nome_arquivo_s : Decisao_10166000048201140.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10166000048201140_5354756.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 5498908
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813757407232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 167 1 166 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.000048/201140 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.171 – 1ª Turma Especial Data 21 de novembro de 2012 Assunto IRPF Recorrente BENEDITO FERNANDES PINTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 300/303), que reproduzo a seguir: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 115 a 123, em 20/12/2010, referente ao exercício 2010, anocalendário de 2009, que reduziu o imposto a restituir apurado de R$ 72.721,24 para R$ 32.980,65. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 00 04 8/ 20 11 -4 0 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.000048/201140 Resolução nº 2801000.171 S2TE01 Fl. 168 2 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2010, anocalendário de 2009, quando foram verificadas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, relativo ao exercício 2010, anocalendário 2009, Fonte Pagadora: FHDF. Valor: R$ 192.495,23. Complementação da descrição dos fatos: Constatada omissão de rendimentos tributáveis decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho, no valor de R$ 192.495,23, referente à Ação Trabalhista nº 0016200 63.1986.5.10.004, Precatório nº 449/1994, impetrada contra a FHDF, CNPJ 00.394.684/000153, recebidos no anocalendário 2009, conforme cálculos abaixo, os quais decorrem de valores constates na certidão nº 067/2010, em documentos comprobatórios apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde do DF e pelo contribuinte: Rendimento Bruto: R$ 233.371,67 Honorários Advocatícios: R$ 14.227,89 (80,94% de R$ 17.578,38) Honorários Periciais: R$ 6.467,99 (80,94% de R$ 7.991,12) = Total de rendimentos tributáveis (precatório): R$ 192.495,23 +Total de rendimentos aposentadoria: R$ 0,00 (isento moléstia grave) = Total dos rendimentos apurados pela fiscalização: R$ 192.495,23 Total dos rendimentos declarados pelo contribuinte: R$ 0,00 = Diferença de rendimentos apurada: R$ 192.495,23 IRRF s/ precatório: R$ 55.975,79 + IRRF s/ aposentadoria: R$ 15.644,20 = Total do IRRF apurado pela fiscalização: R$ 71.619,99 Total do IRRF declarado pelo contribuinte: R$ 71.619,99 = Diferença de IRRF apurada: R$ 0,00 Os valores dos honorários advocatícios e periciais passíveis de dedução correspondem a 80,94% do total pago, tendo em vista que, para efeito de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual, os rendimentos totais recebidos na ação devem ser separados entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, rendimentos isentos e não tributáveis e créditos sujeitos ao ganho de capital. No presente caso, o percentual de 80,94% corresponde ao valor tributável sujeito ao ajuste anual, conforme abaixo: Valor total bruto do acordo, conforme certidão nº 67/2010: R$ 1.010.825,64 FGTS corrigido: R$ 77.242,11 Valor total cedido: R$ 115.424,41 = Valor tributável sujeito ao ajuste anual: R$ 818.159,12 (80,94%) Os enquadramentos legais encontramse às fls. 117/119 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 125, o impugnante foi cientificado da autuação em 29/12/2010. Em 05/01/2010, apresentou impugnação (fls. 03/05) ao lançamento alegando, em síntese, que os rendimentos são isentos de tributação do imposto de renda, pois quando recebeu o rendimento já estava aposentado e já era considerado portador de cardiopatia grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda retroativa a 02/04/1998. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.000048/201140 Resolução nº 2801000.171 S2TE01 Fl. 169 3 Acrescenta que é vedada por lei a tributação dos juros do precatório. Alega o contribuinte que o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Portanto, como referido numerário só integrou o patrimônio do contribuinte em 2006, não pode ser tributado em razão de, na data do recebimento e disponibilidade econômica e jurídica art. 43 do CTN – já ser aposentado e isento, conforme entendimentos expressos nas decisões judiciais citadas na impugnação. Além do mais, mesmo que se retroaja à data dos salários ou do precatório (1994), já teria ocorrido a decadência/prescrição. Assim, impugna o lançamento efetuado e requer a isenção de tributos sobre o precatório e seus juros. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Estão isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos acumuladamente por pessoa física portadora de moléstia grave, desde que atestada por laudo médico oficial, e correspondentes a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, ainda que referentes a período anterior à data em que foi contraída a doença. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DE TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Por expressa previsão legal, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil só produzem efeitos entre as partes envolvidas nos litígios, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Cientificado da decisão em 11/11/2011 (fl. 161), o interessado apresentou recurso em 30/11/2011, alegando, dentre outros pontos, que a decisão recorrida usou dois pesos e duas medidas, na medida em que negou o direito à isenção por moléstia grave pelo fato de os rendimentos se referirem a verbas salariais anteriores à aposentadoria (a emissão do precatório e a aposentadoria do Recorrente ocorreram em 1994), mas aplicou o regime de caixa para tributar os rendimentos recebidos em 2009. Nesse contexto, entende o Recorrente que “ou se retroage ao tempo do reconhecimento do crédito ou dos meses dos salários devidos – e aí já teria ocorrido a decadência/prescrição , ou se considera o regime de caixa – e aí teria ocorrido a isenção”. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.000048/201140 Resolução nº 2801000.171 S2TE01 Fl. 170 4 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Depreendese, da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 117, que a presente Notificação de Lançamento foi lavrada em face da omissão de rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho, pagos por intermédio do Precatório nº 449/1994 e recebidos no anocalendário de 2009. Em 20/10/2010, o Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a repercussão geral em relação à (in) constitucionalidade da regra constante do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, que estabelece que o IR incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos que versem sobre a mesma matéria, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema aqui versado, entendo que o presente recurso não deve ser apreciado por este Conselho, até que ocorra o julgamento final do recurso extraordinário que decidirá sobre a forma de cálculo do IR sobre pagamentos acumulados (se por regime de caixa ou de competência), em face do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, haja vista o teor dos parágrafos 1º e 2º do mesmo artigo, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.000048/201140 Resolução nº 2801000.171 S2TE01 Fl. 171 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Face ao exposto, voto por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente. Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
