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Numero do processo: 11020.915064/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO.
A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado.
INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO.
Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso.
MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4.
A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplica-se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas Súmula CARF nº 2 e n º 4.
INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2.
É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO. Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso. MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4. A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplica-se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas Súmula CARF nº 2 e n º 4. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO. Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso. MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4. A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas “Súmula CARF nº 2 e n º 4. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 64 /2 00 9- 31 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório A Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição visando utilizar em processo de compensação o indébito oriundo de pagamento a maior ou indevido de COFINS período de apuração 01.12.2004 a 31.12.2004. No entanto, por meio do despacho de fl. 6 o pleito foi negado ao argumento da inexistência de saldo disponível. O inconformismo demonstrado na peça recursal se refere em síntese: a) Nulidade do Despacho Decisório por vício de ausência de fundamentação desvio de finalidade, prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; b) No mérito, sustenta em nome do princípio da verdade material o direito de juntar documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação, visto que, o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. c) inaplicabilidade da multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; d) Da inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora dado o limite estabelecido pelo Código Tributário Nacional. Em que pese alegação do direito de provar o crédito, deixou a recorrente de trazer à colação qualquer documento. A discussão nasce com o indeferimento de crédito para compensação de débitos, conforme se extraí do Despacho Decisório de fl.6 É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo que deve ser conhecido. Em razão das preliminares apresentadas impõe conhecêlas inicialmente. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11020.915064/200931 Acórdão n.º 3403002.792 S3C4T3 Fl. 5 3 Andou bem o Julgado “a quo” ao rejeitar as preliminares, claramente constatase tratar de alegações desprovidas de conteúdo jurídico. Vício alegado do Despacho Decisório. A motivação encontra bem bosquejada, com razão a decisão de piso ao afirmar que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, visto que, descreve com precisão que o motivo de negar a compensação é a inexistência do crédito apontado, em razão do DARF indicado ter sido utilizado em quitação de outros débitos, inclusive mencionando o número do pagamento. Assim como, não se vislumbra desvio de finalidade, pois serviu como meio de obstacular a pretensão da recorrente em ver quitado débito com suposto crédito, contra essa decisão lhe foi oportunizado apresentar Manifestação de Inconformidade, e da decisão que manteve o entendimento do despacho denegatório, Recurso Voluntário. A descrição é suficientemente clara e objetiva permitindo defesa dos direitos contrariados. Portanto, os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal foram largamente respeitados, impondo rejeitar as preliminares. No mérito melhor sorte não merece o inconformismo da recorrente. No recurso não há uma linha sequer quanto ao mérito, como é de conhecimento geral, o recurso visa modificar o julgado apontando o desacerto do julgador. No caso presente verificase apenas alegação de que por se tratar de direito creditório esse pode ser provado a qualquer tempo, e, nada mais. Não se contesta a motivação do indeferimento da compensação, que no caso se refere à inexistência de saldo disponível do recolhimento apontado como sendo a maior ou indevido. Portanto, deve manter a decisão recorrida in totum. Argüição de que a multa aplicada se revela confiscatório, bem como, aplicação da Taxa Selic contraria disposições do Código Tributário Nacional, não encontram eco na jurisprudência forense e tampouco administrativa. Tanto a penalidade, multa, quanto exigência juros encontra prevista pela Lei nº 9.430/96, sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculado com base na Taxa Selic: “Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. O Supremo Tribunal Federal já decidiu reiteradamente que aplicação da Taxa Selic não ofende o texto máximo, e, a sua exigência decorre de previsão legal. Esse assunto encontra pacificado no CARF por meio das Súmulas nº 2 e nº 4: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. É vedado ao administrador administrativo apreciar alegação de inconstitucionalidade de norma, pois a última palavra cabe ao Poder Judiciário. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001109/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS.
Tiras de plástico de policloreto de vinila (PVC), sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 0,45mm a 3mm classifica-se no código 3920.41.00 da TIPI, denominadas "fitas de borda" de PVC, classificam-se no código 3920.41.00 da TIPI, até 31 de dezembro de 2001, e no código 3920.49.00, a partir de 12 de janeiro de 2002, com alíquota de IPI de 15%.
Tiras de plástico de copolímero de acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS), sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de lmm a 3mm, denominadas 'fitas de borda" de ABS, classificam-se no código 3920.30.00 da TIPI, com alíquota de IPI de 15%.
Tiras de plástico de polipropileno (PP), não orientado biaxialmente, com espessura de 1,5mm, denominadas "fitas de borda" de PP, classificam-se no código 3920.20.90 da TIPI, com alíquota de IPI de 15%.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Tiras de plástico de policloreto de vinila (PVC), sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 0,45mm a 3mm classificase no código 3920.41.00 da TIPI, denominadas "fitas de borda" de PVC, classificamse no código 3920.41.00 da TIPI, até 31 de dezembro de 2001, e no código 3920.49.00, a partir de 12 de janeiro de 2002, com alíquota de IPI de 15%. Tiras de plástico de copolímero de acrilonitrilabutadienoestireno (ABS), sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de lmm a 3mm, denominadas 'fitas de borda" de ABS, classificamse no código 3920.30.00 da TIPI, com alíquota de IPI de 15%. Tiras de plástico de polipropileno (PP), não orientado biaxialmente, com espessura de 1,5mm, denominadas "fitas de borda" de PP, classificamse no código 3920.20.90 da TIPI, com alíquota de IPI de 15%. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 11 09 /2 00 5- 65 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 06/16) para constituição de crédito de IPI, relativo a diferencial de alíquota apurado pela Fiscalização, em virtude de divergência entre a classificação fiscal de mercadoria, adotada pela Recorrente e a aplicada pelo Fisco. O valor total do lançamento é R$ 660.407,88 e referese ao período de 01/2004 a 09/2004. Segundo Relatório da Auditoria Fiscal (fls. 22/28) a divergência está no fato de que a Recorrente classifica seus produtos – fitas de borda de PVC, ABS e PP – nas classificações 3916.20.00; 3916.90.90 e 3916.90.90 (respectivamente), enquanto a autoridade fiscal entende que tais produtos devem ser classificados nas posições 3920.49.00; 3920.30.00 e 3920.20.00. A divergência, portanto, está entre a adoção da posição 3916 (que se refere a perfis), então sujeita à alíquota de 10% do IPI, ou da posição 3920 (que se refere a tiras), sujeita à alíquota de 15%: 3916 Monofilamentos cuja maior dimensão do corte transversal seja superior a 1mm (monofios), varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície mas sem qualquer outro trabalho, de plásticos. 3920 – Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas, não estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias. A justificativa apresentada pela Recorrente – ainda no curso da fiscalização (fls. 187/ 190), para classificar seus produtos na posição 3916 reside no fato de que os produtos são produzidos por processo industrial de extrusão, que é característico de tal posição. Ressalta, ainda, que classifica seus produtos como “perfis” em razão da descrição constante da Nota 8 do Capítulo 39 que assim estabelece: “(...)Todavia, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis.” Fl. 435DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 4 3 Ainda segundo seu entendimento, não pode ser adotada a classificação apontada pela fiscalização, pois seus produtos não podem ser qualificados como chapas, folhas, películas, tiras ou lâminas (a que se referem a posição 3920). Ao contrário, o processo de extrusão (típico dos perfis, segundo notas apontadas pela Recorrente), definido como “um processo produtivo a partir do qual a matériaprima (no caso, o plástico) é inserida em equipamento (máquina extrusora) apto a transformála, a partir de uma "passagem forçada" (ou orifício) em peça alongada, continua”, transforma a matéria prima utilizada pela Recorrente em perfis alongados e contínuos, que, portanto, lhe definem. Os produtos da posição 3920, por outro lado, se caracterizariam por produtos resultantes de processo distinto do de extrusão, resultando em um corte da matéria prima (que são as tiras) e que, contudo, não se confundem com as fitas de borda produzidas pela Recorrente – que são resultado do processo de extrusão que não as recorta ou fragmenta, mas produz uma “fita” alongada e contínua (a ser aplicada como proteção de móveis). O Fisco, por sua vez, entende que a classificação adequada seria na posição 3920 porque os produtos teriam as características apontadas na referida posição, em especial: “são de plástico não alveolar (PVC, ABS, PP), não reforçados, não estratificados e não associados a outras matérias”. Intimada da lavratura do Auto de Infração a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 195/205), manejando sua defesa nos seguintes termos: A funcionalidade das “fitas de borda” (denominação meramente comercial, pois mantém características técnicas dos perfis e não das tiras em que o Fisco pretende classificálas), comercializadas pela Recorrente, é de proporcionar acabamento a chapas de madeiras (para indústria de móveis); O processo de extrusão (processo no qual um material, quente ou frio, como metal ou plástico, é forçado através do cabeçote, para produzir uma peça contínua, no formato do produto desejado) é o adotado na produção da Recorrente, e este processo caracteriza a produção de perfis, conforme própria definição do termo (constante na TIPI); Aponta notas da NESH para a posição 3916, que a define como sendo aquela aplicável aos perfis, que são produzidos por meio de operação única de extrusão: “(...) perfis. Estes produtos são obtidos em comprimentos indeterminados numa única operação (em Remi, extrusão), e apresentam, de uma extremidade à outra, uma seção transversal constante ou repetitiva."; Reitera que a classificação mais adequada para seus produtos é no código 3916, eis que “(i) são constituídos de material plástico; (ii) obtidos em uma única operação, geralmente através de processo de extrusão e (iii) em comprimentos indeterminados, apresentando, de uma extremidade à outra, uma seção transversal constante ou repetitiva.”; Ressalta que a pretendida classificação de seus produtos como “tiras”, realizada pela autoridade fiscal, não é adequada porque “as tiras são materiais obtidos pelo processo de laminagem ou por corte de folhas, totalmente distinto do processo de extrusão, sendo, portanto, a diferença primordial entre os produtos mencionados: enquanto os perfis advém de uma única operação (geralmente extrusão), as tiras são obtidas através de um descontínuo processo de fabricação, baseado no corte ou laminagem.”; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 5 4 Apresenta laudos técnicos e pareceres que comprovam a adequação da classificação fiscal por ela adotada e requer o cancelamento integral do lançamento. A DRJ manteve o lançamento (fls. 318/ 322), indeferindo a Impugnação, basicamente por entender que os produtos comercializados pela Recorrente se classificam como fitas (na posição 3920) porque são planos e esta é uma característica de tiras e não de perfis. Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente (fls. 329/340), no qual reiterou os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma integral da decisão proferida pela DRJ. Diante da ausência de esclarecimentos suficientes nos autos, esta Turma entendeu por enviálos à diligência, requerendo fossem respondidos os seguintes questionamentos, verbis: “Em vista das dúvidas apresentadas, outra opção não resta a esta relatora do que converter o presente processo em diligência para que as autoridades administrativas competentes: manifestemse sobre o Parecer do INT – Instituto Nacional de Tecnologia; responda: qual foi o critério utilizado pela fiscalização para a classificação do produto, foi o emprego do método de extrusão? restou demonstrado nos autos que o contribuinte utilizou o método de extrusão? no entender da fiscalização, o método empregado é conclusivo para a classificação do produto? Após, o contribuinte deverá ser intimado da resposta da diligência, sendolhe concedido prazo de 30 dias para se manifestar.” Realizada a diligência, foi anexado relatório preparado pela autoridade fiscal (fls. 407/408), no qual não foi feita nenhuma consideração a respeito do Parecer do INT, a não ser para registrar que o mesmo poderia ser utilizado apenas em seus aspectos técnicos, conforme determina o Decreto n° 70.235/72. Ademais, a fiscalização não se manifesta sobre ter sido empregado e/ou demonstrado nos autos o método de extrusão na operação da Recorrente, manifestandose apenas no sentido de que não seria conclusivo para a classificação do produto a utilização do método de extrusão. Foi dada ciência do relatório à Recorrente, para que pudesse se manifestar, o que o fez por meio da manifestação de fls. 415/423, destacando o fato de que não houve manifestação da autoridade fiscal a respeito das considerações constantes do Parecer Técnico do INT e que, não tendo o mesmo tendo sido contestado em suas avaliações técnicas, as mesmas têm de ser observadas, o que levaria à conclusão de que a classificação fiscal adotada pela empresa é a mais adequada. Vieramme, então, os autos para decidir. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O primeiro dos argumentos apresentados pela Recorrente para defender a classificação de seus produtos na posição 3916 é o de que tais produtos se caracterizariam como perfis por serem fabricados através do processo de extrusão. Cita, em sua defesa nota explicativa da NESH. Analisando referida nota, entendo que, embora a NESH faça referência ao processo de extrusão, como sendo o processo usualmente adotado para a confecção dos perfis, em momento algum exclui a possibilidade de o mesmo processo ser utilizado para a confecção de outros tipos de produtos. Assim, concordo com a autoridade fiscal, que em seu relatório de diligência conclui não ser o processo de extrusão ser determinante para a adoção da classificação fiscal indicada pela Recorrente. Destacamos a redação da nota explicativa da NESH – relativa à posição 3916 e citada pela Recorrente em sua Impugnação, verbis: “A presente posição abrange os monofilamentos cuja maior dimensão do corte transversal seja superior á 1 mm (mono fios), as varas, bastões e pedis. Estes produtos são obtidos em comprimentos indeterminados numa única operação (em geral, extrusão) e apresentam, de uma extremidade à outra, uma seção transversal constante ou repetitiva.” (destaquei) Notase que a afirmação é de que o processo de extrusão é aquele geralmente utilizado para a obtenção dos perfis. Não se afirma, contudo, que referido processo é exclusivo para a produção de perfis. Aliás, a conclusão apresentada pela própria Recorrente, em sua defesa é de que “o processo de extrusão tem como principal objetivo transformar a matéria prima (no caso da Impugnante o plástico) em peça alongada, filamentosa e contínua (ou mesmo em formato continuado), sempre em uma única operação”. Da conclusão apresentada é possível inferir, também, que o processo de extrusão pode ser utilizado para a fabricação de qualquer peça alongada, filamentosa e contínua, em uma única operação. Entendo que, por outro lado, tais conclusões não significam, em absoluto, que todo e qualquer processo de extrusão dará origem, necessariamente, a um perfil. Ademais, analisando os produtos mencionados nas posições 3916 e 3920 é possível detectar uma característica que integra os produtos da mesma posição, assim como difere os produtos citados em uma e outra classificação: o formato dos produtos. Na posição 3916 estão monofilamentos, varas, bastões e perfis. Já na posição 3920 classificamse chapas, folhas, películas, tiras e lâminas. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 7 6 Os produtos mencionados na classificação 3916 caracterizamse por um formato similar ao de fios. Por outro lado, os produtos mencionados na classificação 3920 têm formato plano. O estudo da TIPI, bem como ao considerarmos a finalidade e a estrutura das posições, subposições e classificações, indica que os produtos mencionados em uma mesma posição têm de guardar certa similaridade. Portanto, se ao contrário da posição 3920 – que se refere a produtos planos a posição 3916 referese a produtos que têm em comum a característica de uma estrutura mais tubular, ou similar a fios, então, os perfis têm de ser assim identificados também, para que possam ser enquadrados como tal. Neste sentido, destaco nota da NESH (Nota 08, do Capítulo 39) que, embora se refira à posição 3817 (tubos), tem por objetivo distinguir justamente os perfis dos tubos: 8. Na acepção da posição 39.17, o termo tubos aplicase a artigos ocos, quer se trate de produtos intermediários, quer de produtos acabados (por exemplo, as mangueiras de rega com nervuras e os tubos perfurados) dos tipos utilizados geralmente para conduzir ou distribuir gases ou líquidos. Esse termo aplica se igualmente aos invólucros tubulares para enchidos e a outros tubos chatos. Todavia, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis.” (destaquei) Entendo que esta nota corrobora o entendimento de que os perfis têm um formato mais similar aos tubos e fios, pois deles são diferenciados na nota em destaque. Não teriam, portanto, similaridade com chapas, folhas e outros produtos de forma plana. Ademais, a nota faz referencia ao formato poligonal, oval ou retangular dos perfis. Embora os perfis possuam partes laminadas, seu formato não é inteiramente plano, mas sim formado por partes laminadas unidas em ângulos diversos que, como um todo, impedem o formato plano da peça/produto (similares a esquadrias, por exemplo). Da análise dos autos, inclusive de fotos do produto da Recorrente (fls. 240 e sgts.), e, em especial, do Relatório Técnico do INT (fls. 388/397), constato que o órgão técnico conclui pela adequação da classificação fiscal adotada pela Recorrente, com base em critérios técnicos observados pela instituição. Vejamos. De acordo com o laudo no INT, verbis: “11. As de Borda fabricadas pela REHAU são perfis com seção transversal constante projetados para ter um abaulamento na superfície de forma a garantir a adesão da fita de borda ao substrato. O abaulamento permite urna maior concentração de cola no centro do perfil. Além disso, a pressão aplicada para a colagem da fita de borda no substrato é maior no centro e se distribui até as extremidades. O abaulamento garante que durante a colagem sempre haverá contato das extremidades do perfil com o substrato.” Fl. 439DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 8 7 E, adiante, na resposta aos quesitos apresentados para elaboração do laudo, verbis: “5. As ferramentas utilizadas para extrusão dos produtos têm seção transversal retangular ou quadrada? Resposta: Considerando que um retângulo é um paralelogramo, cujos lados formam ângulos retos entre si e que, por isso, possui dois lados paralelos verticalmente e os outros dois paralelos horizontalmente. Considerando ainda que um quadrado pode ser considerado um caso particular de um retângulo em que todos os lados têm o mesmo comprimento, as ferramentas utilizadas para extrusão dos produtos não possuem seção transversal retangular ou quadrada, e sim aparentemente retangular por apresentarem um abaulamento nos lados da seção de maior comprimento, como observado na figura 1 deste parecer.” Da leitura do parecer técnico do INT, inclusive dos trechos acima destacados, pareceme que de fato o produto da Recorrente assemelhase mais a perfis, do que a fitas, na medida em que não são inteiramente planos (como devem ser as fitas), mas possuem um abalroamento, necessário para melhor aplicação aos fins a que se destinam – já que se destinam a proteger, em geral, as extremidades dos móveis e, amoldandose aos ângulos dos móveis. Portanto, entendo que a melhor classificação é aquela utilizada pela Recorrente, qual seja, as da posição 3916 da TIPI. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar seja mantido cancelado o lançamento, dada a adequação da classificação fiscal adotada pelo contribuinte, para os produtos objeto do auto de infração sob análise. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA – Redator Designado. Ouso discorda do voto da Ilustre Conselheira Relatora que aponta para a NCM utilizada pela recorrente enquanto esse Conselheiro Redator entende que assiste razão à fiscalização aduaneira, ou seja, a Recorrente classifica seus produtos – fitas de borda de PVC, ABS e PP – nas classificações 3916.20.00, 3916.90.90 e 3916.90.90 (respectivamente), enquanto a autoridade fiscal entende que tais produtos devem ser classificados nas posições 3920.41.00, 3920.30.00 e 3920.20.90. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 9 8 Antes de adentrarmos especificamente no problema relacionado à adequada classificação do produto objeto da lide, convém tecer rápidos comentários atinentes à classificação fiscal de mercadorias no que importa para a incidência tributária. Como se sabe, a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias – NBM está alicerçada na sistemática de códigos e nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas (hoje, Organização Mundial das Alfândegas – OMA): a Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ou, simplesmente, Sistema Harmonizado – SH (daí a sigla NBM/SH), constituído por 6 dígitos. A convenção internacional relativa ao Sistema Harmonizado foi, no Brasil, ratificada pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23/12/1988. A partir de 1º/01/1997, por força do artigo 2º do Decreto nº 2.092/96, a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (com 8 dígitos) – decorrente do Tratado de Assunção – passou a constituir a nova Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH), para todos os efeitos previstos no artigo 2º do DecretoLei nº 1.154, de 1º de março de 1971, dentre os quais “na cobrança dos impostos de exportação, importação e sobre produtos industrializados” (nos termos de seu inciso III). Com respeito ao Imposto sobre as Importações – II, até 31/12/1994 vigorava a Tarifa Aduaneira do Brasil – TAB, equivalente à NBM/SH acrescida das alíquotas do reportado imposto. A partir de 1º/01/1995 foi adotada a Tarifa Externa Comum – TEC, que tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (com 8 dígitos), decorrente do Tratado de Assunção. O SH é um método internacional de classificação de mercadorias abrangendo uma Nomenclatura, as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). O Acordo Internacional é de adoção obrigatória pelo Brasil, que o internalizou no seu ordenamento jurídico. As Regras Gerais para Interpretação do SH, num total de 6(seis) RGI informam o método a ser seguido pelo classificador e devem ser utilizadas seqüencialmente. Além das RGI existem 2(duas) Regras Gerais Complementares de adoção obrigatória para os países integrantes do Mercosul. Outro ponto que precisa esclarecimento é quanto à utilização de laudos técnicos para a classificação de mercadorias. De acordo com o art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, os laudos devem ser emitidos por órgãos federais e poderão ser aceitos exclusivamente nos aspectos técnicos relativos à mercadoria sob análise: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § lº Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo Fl. 441DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 10 9 Não se considera aspecto técnico a classificação fiscal da mercadoria, por isso o técnico não poderá emitir nenhuma opinião quanto à classificação fiscal, já que ela é competência exclusiva da Receita Federal do Brasil, segundo o Decreto nº 6.764/2009: ANEXO I Art.15. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: [...] XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; Conforme mencionado, a dúvida reside em saber qual a classificação adequada para o produto utilizado para dar acabamento às bordas de chapas de MDF e de chapas de aglomerado: Descrição Fiscalização Recorrente A fitas de borda de poli(cloreto de vinila) (PVC): tiras de plástico de PVC, sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 0,45mm a 3mm; 3920.41.00 3916.20.00 B fitas de borda de copolímero de acrilonitrila butadienoestireno (ABS): tiras de plástico de ABS, sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 1mm a 3mm; e 3920.30.00 3916.90.90 C fitas de borda de polipropileno (PP): tiras de plástico de PP, não orientado biaxialmente, com espessura de 1,5mm 3920.20.90 3916.90.90 Em atendimento à solicitação do CARF constante da Resolução nº 3302 000.230, de 28/06/2012, foi esclarecido pela fiscalização, fls. 580 e sgs., resumidamente que: o método de extrusão não é exclusivo das posições 3916 a 3926, pois os produtos podem ser obtidos por diversos métodos; que a fiscalização baseouse no texto da posição 3920 da TIPI para classificar a mercadoria; as fitas de borda apresentam forma plana e fina espessura, características típicas de uma tira e não de um perfil. Como esclarecido ab initio as regras gerais do SH devem ser aplicadas seqüencialmente, sem deixarse de aplicar nenhuma delas. Não podendo ser aplicada a RGI 3 “a” sem antes verificarmos a aplicação das regras RGI 1, RGI 2 “a” e RGI 2 “b”. De acordo com a RGI 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 11 10 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: [...] Contempla, também, referida Regra Geral, a utilização de regras interpretativas adicionais (regras 2, 3, 4 e 5), mas desde que estas “não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”. Portanto, a RGI1 dá ampla importância à descrição dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo para fins de classificação da mercadoria, aplicandose as demais regras apenas em caráter subsidiário, ou seja, diante da insuficiência da Regra nº 1 para a classificação do produto. A TIPI traz os seguintes textos relacionados às posições de interesse, a informada pela recorrente e a definida pela fiscalização aduaneira, que deverão ser primeiramente observadas: 3916 Monofilamentos cuja maior dimensão do corte transversal seja superior a 1 mm (monofios), varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície mas sem qualquer outro trabalho, de plásticos. 3920 Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, nem associadas de forma semelhante a outras matérias, sem suporte. E a RG1 define também a importância de se considerar as Notas de Seção e de Capítulo. Por isso devermos verificar na Nota 8 do Capítulo 39 da TIPI: [...] Na acepção da posição 39.17, o termo tubos aplicase a artigos ocos quer se trate de produtos intermediários, quer de produtos acabados (por exemplo, as mangueiras de rega com nervuras e os tubos perfurados) dos tipos utilizados geralmente para conduzir ou distribuir gases ou líquidos. Esse termo aplicase igualmente aos invólucros tubulares para enchidos e a outros tubos chatos. Todavia, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos 'mas sim como perfis. [...] O voto da DRJ apresenta um esclarecimento bem detalhado por isso reproduzo parcialmente aqui: [...] o exame do catálogo das fls. 411 a 422 (vol. III) e das amostras constantes da fl. 426 (vol. III) revela que as 'fitas de borda" em causa são formas planas, motivo Fl. 443DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 12 11 pelo qual tais "fitas de borda" não correspondem, evidentemente, aos perfis excepcionados da classificação na posição 3917, pela Nota 8 do Capítulo 39. No âmbito do Capítulo 39 da TIPI, as formas planas são nominalmente citadas nas posições 3919, 3920 e 3921, a saber: chapas, folhas, películas, tiras e lâminas. Podese afirmar, então, no contexto do Capítulo 39 da TIPI, que as "fitas de borda" fabricadas pelo impugnante devem ser classificadas na posição própria para tiras, e não na posição específica para perfis. À mesma conclusão chegou a Decisão SRRF 10 RF 15/00, citada no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 68 a 74 (vol. I), decisão essa cuja ementa foi publicada no Diário Oficial da União de 5 de abril de 2000, e dá conta de que tiras de plástico, não autoadesivas, de plásticos não alveolares, rígidas, de comprimento indeterminado, obtidas por extrusão, próprias para acabamento e proteção de móveis, comercialmente denominadas "bordas", classificamse na posição 3920 da TIPI. Consequentemente, com base na RGI 1, por serem, no caso, tiras não auto adesivas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, nem associadas de forma semelhante a outras matérias, sem suporte, a classificação fiscal das fitas de borda fabricadas pelo impugnante deve ser feita na posição 3920 da TIPI. Com base na RGI 6 (texto das subposições) e Regra Geral Complementar (RGC) 1 (item e subitem), concluise que as "fitas de borda" em causa classificam se, nos períodos de apuração objeto do lançamento de ofício, conforme segue, sendo tributadas pelo IPI à alíquota de 15%, que é o entendimento da fiscalização: a) tiras de plástico de PVC, sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 0,45mm a 3mm, denominadas `fitas de borda" de PVC: código 3920.41.00 da TIPI, até 31 de dezembro de 2001, e código 3920.49.00, a partir de 1' de janeiro de 2002; b) tiras de plástico de ABS, sem plastificante, rígidas, com espessura variáveis de lmm a 3nun, denominadas 'fitas de borda" de ABS: código 3920.30.00 da TIPI; c) tiras de plástico de PP, não orientado biaxialmente, com espessura de 1,5mm, denominadas "fitas de borda" de PP: código 3920.20.90 da TIPI. Logo, peço vênia para discordar da Ilustre Conselheira Relatora e apresentar meu voto seguindo o que foi decidido pela fiscalização aduaneira, ou seja, que os produtos fitas de borda de policloreto de vinila (PVC): tiras de plástico de PVC, sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 0,45mm a 3mm devem ser classificados na TIPI 3920.41.00; asfitas de borda de copolímero de acrilonitrilabutadienoestireno (ABS): tiras de plástico de ABS, sem plastificante, rígidas, com espessuras variáveis de 1mm a 3mm; devem ser classificados na TIPI 3920.30.00; e as fitas de borda de polipropileno (PP): tiras de plástico de PP, não orientado biaxialmente, com espessura de 1,5mm devem ser classificados na TIPI 3920.20.90, pela aplicação das RGI 1, RGI 6 e RGC 1. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001109/200565 Acórdão n.º 3302002.456 S3C3T2 Fl. 13 12 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.003983/2005-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial para que se considere como base de cálculo do PIS exigido, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal somente o valor referente à 'venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços'".
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn , Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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O art. 135 do CTN não exclui a empresa do polo passivo da obrigação tributária, mas apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo, de modo supletivo, ou seja, o artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo, de que trata o art. 121 do CTN. REGISTROS CONTÁBEIS IRREGULARES. PROVA. O ônus da prova de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, quando da fiscalização, à realidade, cabe a quem alega tal fato. Não há nos autos a referida prova da irregularidade naquela oportunidade. PIS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. Na forma da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal deve se considerar como base de cálculo do PIS, exigida com base na Lei nº 9.718/98, somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”. Recurso Voluntário ao qual se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial para que se considere como base de cálculo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 39 83 /2 00 5- 30 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 do PIS exigido, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal somente o valor referente à 'venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços'". MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn , Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, formalizada no auto de infração de fls. 10/18. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001, constituiu crédito tributário no total de R$ 27.752,55, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No corpo do auto de infração, às fls. 11, a autoridade autuante relata que o lançamento foi motivado por divergências constatadas entre os valores das receitas escrituradas para os anoscalendário de 2000 e 2001 e aquelas utilizadas como base de cálculo do PIS. Segundo o auditor, os valores da referida contribuição, declarados nas respectivas DCTFs e pagos pelo contribuinte, se mostraram inferiores aos devidos (...) Cientificada da exigência em 18/08/2005, em 19/09/2005 a contribuinte interpôs a impugnação de fls. 124/150, na qual alega a improcedência do auto de infração argüindo, em síntese, quanto ao mérito, (i) que os ilícitos deveriam ser atribuídos, exclusivamente, aos administradores da Impugnante durante o período objeto de autuação; (ii) que o lançamento estaria fundamentado em dados contábeis equivocados; e (iii) que seria ilegal e inconstitucional a apuração da contribuição ao PIS nos termos da Lei nº 9.718, de 1998. A peça de defesa iniciase pelo relato da situação vivenciada pela impugnante quanto da transição de sua Diretoria Executiva. Informa que, no período de 1996 a 2001, a instituição teria sido administrada pelos Drs. Sílvio Brocchi, José Roberto Franchi Amade e Alexandre Contadores Bierrembach de Castro, pessoas que, valendose de seus cargos, teriam desrespeitado cânones legais e estatutários, e que teriam extrapolado o poder de administração e gerência que lhes foi delegado. Como Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 411 3 conseqüência da má gestão perpetrada por esses administradores, a pessoa jurídica teria deixado de pagar tributos, obrigações trabalhistas e fornecedores, assim como teriam sido constatadas, a posteriori, irregularidades na administração dos planos de saúde, efetivação de pagamentos, na sua maioria, sem qualquer amparo documental, aquisição de produtos superfaturados, dentre outras. Nas palavras da defesa: “(...) tudo isso mitigado pela apresentação de balancetes anuais supostamente corretos, mas que, na verdade, escondiam uma escrituração fiscal e contábil baseada em imprestáveis amontoados de documentos, livros mal escriturados, registros falhos e dados confusos, com o único escopo de impossibilitar a plena compreensão dos cooperados e sócios acerca da temerária, para não dizer enganosa, gestão que promoveram”. Afirma que as práticas adotadas pelos exdiretores teriam sido maléficas, tendo culminado na ausência de recolhimento de praticamente todos os tributos. A seu ver, teria restado caracterizado o total descaso por parte dos exgestores que, em proveito pessoal, teriam deixado de zelar pela manutenção da ordem e pelo cumprimento das obrigações fiscais devidas. A interessada remete à ação judicial de indenização por danos materiais e morais, nº 3.131/2003, em trâmite na 6º Vara Cível de Campinas, objetivando o reconhecimento da responsabilidade dos exgestores pelos atos por eles praticados, a fim de minimizar os prejuízos da Impugnante; assim como, aos inquéritos policiais nº 110/2002, do 5º Distrito Policial de Campinas e nº 90640/2003, da Polícia Federal de Campinas, visando à apuração dos atos fraudulentos praticados pelos exdiretores. Nesse contexto, a Impugnante afirma também ter sido vítima da atuação desonesta e irresponsável dos gestores, concluindo a partir daí ter sido indevida a atribuição de responsabilidade tributária sobre a autuada. Na seqüência, a interessada argúi que, apesar das disposições do art. 20 do Novo Código Civil referendarem a separação entre a pessoa jurídica e a pessoa física dos sócios e administradores e, conseqüentemente, a autonomia patrimonial dessas duas instâncias, há situações em que restaria caracterizada a prática de atos pelos sócios ou administradores contrários à Lei ou ao objeto social da sociedade. Nestes casos, estariam contempladas no ordenamento jurídico normas que afastariam a responsabilidade da pessoa jurídica para atribuíla, de forma exclusiva, às pessoas físicas agentes dos atos dolosos. Nesse contexto, destaca as disposições do art. 135 do CTN acerca das hipóteses de atribuição de responsabilidade pessoal, argumentando que “(...) sendo caracterizada conduta dolosa – é dizer, revestida de máfé – por parte do sócio ou administrador da sociedade, a esta pessoa física deve ser atribuída a responsabilidade pela constituição, bem assim pelo adimplemento da obrigação tributária, uma vez que devidamente comprovada sua concorrência para a prática do fato jurídico – de forma Fl. 429DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ilícita, frisese – que inaugurou esta mesma obrigação (tributária)”. Defende que a responsabilidade atribuída pelo art. 135 é pessoal e exclusiva das pessoas ali indicadas, não tendo natureza subsidiária ou solidária. E continua: “Assim pela análise dos termos constantes da exordial do processo retro referido, aliada à ampla documentação acostada, resta certa e inafastável a conclusão de que houve efetivamente, prática de atos delituosos por parte dos Srs. Sílvio, José Roberto e Alexandre, responsáveis pela gestão e administração da Impugnante no lapso temporal compreendido no presente Auto de Infração, porquanto a responsabilidade pelo adimplemento de TODAS as obrigações – inclusive tributárias – contraídas nesse interregno haverão que lhes ser atribuídas de forma ampla e irrestrita, dentre as quais o débito a título de PIS ora exigido” Enfatiza que, sob o manto de estarem agindo em nome e em favor da impugnante, os exdirigentes teriam feito uso de seu poder de gerência para: (i) a criação de empresas fictícias para a prestação de serviços de ‘gerenciamento administrativo’, em contraprestação ao pagamento de absurdas “taxas de administração”; (ii) a criação de empresas administradoras de planos de saúde para a captação da clientela do plano da Impugnante; (iii) a promoção de copiosas e reiteradas fraudes na escrituração contábil e fiscal da autuada, que culminou na necessidade de contratação de serviços de auditoria independente para refazimento da contabilidade, procedimento esse ainda não concluído, mas que já possibilitou a apuração de diversas irregularidades, como: (i) acertos sem comprovação documental; (ii) emissão de cheques sem os comprovantes de quitação; (iii) débitos junto aos acionistas e aos prestadores de serviços; (iv) repasses médicos sem os devidos comprovantes de quitação; (v) emissão de recibos genéricos; (vi) efetivação de pagamentos de despesas próprias e depósitos bancários na conta corrente particular do Dr. Sílvio Brocchi Neto; (vii) ausência de cumprimento de obrigações fiscais, tributárias, trabalhistas e previdenciárias. Afirma que todas essas irregularidades teriam gerado prejuízos ainda não quantificados à autuada, fato que restaria comprovado no processo judicial em tramitação na 6ª Vara Cível da Comarca de Campinas. Requer a nulidade da autuação, uma vez que não caberia imputação de qualquer responsabilidade à Impugnante, por estar comprovada a atuação dolosa dos exdirigentes, que deveriam responder exclusiva e irrestritamente pelas obrigações decorrentes de seus atos, inclusive pelo débito a título de PIS. No mérito, questiona a formalização da exigência do crédito tributário, no sentido de afirmar que os dados contábeis declarados nas DIPJ e DCTF dos anos calendário de 2001 e 2001 e os registros dos livros Diário e Razão não seriam condizentes com a realidade e, assim, não poderiam dar suporte à imputação fiscal. Alega que os números contábeis teriam inúmeras Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 412 5 inconsistências que não teriam sido detectadas pelos demais acionistas. Somente com a eleição da nova Diretoria e com a determinação de uma auditoria externa no balanço, conforme se inferiria do item 3 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida em 24/08/2001, é que teriam sido apuradas as irregularidades. Ressalta que os resultados contábeis apurados à época dos fatos teriam sido desqualificados pela empresa de auditoria. Transcreve excerto do relatório de seguinte teor: CONSIDERAÇÕES FINAIS Em todos os assuntos relatados neste relatório, ficou evidente a falta de critério e organização administrativa, com alto nível de: Desorganização; Ineficiência; Desencontros de informações; Procedimentos errôneos; e Desconhecimento contábil, fiscal e tributário das normas, regulamentação e disposição legais mínimas. Todos estes fatos simultâneos contribuíram para equívocos, erros e distorções nos resultados contábeis apurados, pois os números finais apresentados foram moldados a livre vontade e arbitramento de seus dirigentes, resultando em uma mera exposição de números sem qualquer possibilidade de utilização como demonstração contábil. É oportuno mencionar que esta situação só foi possível com a adição freqüente e permanente de procedimentos vulneráveis, frágeis e inconsistentes sob a orientação de seus dirigentes e da subordinação passiva dos funcionários. (...) É importante que todos os procedimentos internos sejam revistos para adequar as situações a verdade dos fatos. Conclui daí, a Impugnante, que o presente auto de infração não se sustentaria, de vez que lavrado com base em resultados contábeis desqualificados pelo procedimento de auditoria interna. Questiona não ter a fiscalização considerado a informação prestada pela contribuinte de que a escrituração contábil estaria sendo refeita pela auditoria, e afirma que todos os documentos que teriam servido de base ao procedimento estariam à disposição do Fisco. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Conclui assim que comprovada a imprestabilidade da contabilidade original da Impugnante, não habilitada a refletir seus efetivos resultados, não poderia subsistir a autuação nela fundamentada, por nula, em razão de ofender o princípio da verdade material. Ainda no tocante ao mérito invoca a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da contribuição sobre a base de cálculo definida nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, que teria alargado o conceito de faturamento incluso no texto constitucional para fins de delimitação de competências tributárias. A seu ver, tal vício não teria sido corrigido com a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Contesta a legalidade da penalidade aplicada, haja vista que na ausência de tributos devidos não seriam cabíveis as exigências de multa e de juros moratórios. Também questiona a legalidade e constitucionalidade da utilização da taxa Selic, como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0523.824 de 20/10/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. NÃOCABIMENTO. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tendo em conta a natureza nãotributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos. Lançamento Procedente. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada pela empresa autuada, para manter o crédito tributário exigido mediante Auto de Infração. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 413 7 Inicialmente, esclareçase que o processo que a mim foi distribuído, foi incluído em pauta, na sessão de junho de 2011. No entanto, conforme consulta ao sítio do CARF (abaixo) sobre andamento de processos, observase que o mesmo foi retirado de pauta pela presidente e somente em abril de 2014, foi redistribuído a esta Conselheira, que de pronto indiquei para a pauta de maio/2014. Caso a memória não falhe, um dos motivos foi porque o processo encontravase com a digitalização incompleta, daí a retirada de pauta para as providências cabíveis, creio eu. Movimentação no sítio do CARF: 22/04/2014 DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA RELATOR Unidade: 2ªTE/2ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MF Relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22/04/2014 PARA RELATAR 2ªTE/2ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MF 01/06/2011 RETIRADO DE PAUTA POR DETERMINAÇÃO DO PRESIDENTE Órgão Julgador: 1ªTO/2ª CÂMARA/3ª SEJUL/CARF/MF Relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Data da Sessão: 01/06/2011 Hora da Sessão: 14:00 Tipo da Pauta: Ordinária Tipo Sessão: Normal O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, em sede de preliminar, não obstante, os argumentos de defesa da recorrente, do esforço jurídico em sua pretensão de atribuir a responsabilidade tributária aos antigos administradores, sob alegação de que teriam agido com dolo, fato que implicaria na responsabilização pessoal. Ressaltese que a decisão a quo abordou que a responsabilidade tributária não pode ser transferida, pura e simplesmente, à pessoa física dos exadministradores. Há necessidade de comprovar o nexo causal da responsabilidade subjetiva e individual dos ex administradores à infração, ou seja, omissão de receitas – a fim de que possa a eles ser imputada a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário. Por sua vez, o art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo, de modo supletivo e como bem destacou a decisão recorrida, o artigo Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 referido não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo, de que trata o art. 121 do CTN. Em assim sendo, não há embasamento legal para autorizar a exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica ou a transferência desta responsabilidade para seus administradores, por alegada má administração destes últimos. Portanto, não há erro na identificação do sujeito passivo. Considerando que casos similares (e com a mesma recorrente) já foram decididos dessa forma, tais como os seguintes acórdãos: Acórdão de n° 3201000.812, de 21/11/2011, processo de n° 10830.003984/200584, de relatoria de Marcelo Ribeiro Nogueira: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2000, 2001 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. Não há embasamento legal para autorizar a exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica ou a transferência desta responsabilidade para seus administradores, por alegada má administração destes últimos. REGISTROS CONTÁBEIS IRREGULARES. PROVA. O ônus da prova de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, à época da fiscalização, à realidade, cabe a quem alega tal fato. Não havendo nos autos a referida prova da irregularidade havida naquela oportunidade, deve ser rejeitada a preliminar arguida. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. Na forma da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, deve se considerar como base de cálculo da COFINS, exigida com base na Lei nº 9.718/98, somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”. (ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, afastadas as preliminares de ausência de responsabilidade da sociedade empresária, de invalidade de dados contábeis da empresa e de concomitância de ação judicial. No mérito, por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões.) Acórdão de n° 120200.740, de 10/04/2012, processo de n° 10830.003982/200595, de relatoria de Orlando José Gonçalves Bueno: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS ART. 135 DO CTN – NÃO CABIMENTO. O art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 414 9 tributária, mas apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo, de modo supletivo e como bem destacou a decisão recorrida, o artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo, de que trata o art. 121 do CTN. De toda sorte, demonstrada em juízo a responsabilidade dos antigos administradores estes deverão arcar com as consequências desse ônus. Até lá, sobre o sujeito passivo deve incidir a exigência em relação a tributos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantémse, no lançamento de oficio, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei para tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ACOBERTADAS POR SUPOSTOS EMPRÉSTIMOS Consideramse receitas omitidas os valores contabilizados como empréstimos supostamente praticados entre empresas ligadas, com o intuito de acobertar o recebimento, pela contribuinte, de receitas de prestação de serviços médicos e hospitalares. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL.CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS.CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. PIS/COFINS RECEITAS FINANCEIRAS.Em observância a decisão do Pretório Excelso é de se excluir, parcialmente,em período certo,as receitas financeiras das bases das referidas contribuições. LANÇAMENTO DE OFICIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. TAXA DE JUROS SELIC APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE Não cabe à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas tributárias. Tal competência é exclusiva do Poder Judiciário Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 (ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de erro de eleição da sujeição passiva e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da tributação do PIS as receitas financeiras auferidas até novembro de 2002, e da Cofins, as receitas financeiras de todo o período lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado). Da mesma maneira, o Acórdão de n° 1402000.310, de 10/11/2010, processo de n° 10830.007299/200446, de relatoria de Frederico Augusto Gomes de Alencar: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999,2000 Nulidade Erro de Identificação do Sujeito Passivo – Responsabilidade Pessoal dos Diretores Gerentes ou Representantes das Pessoas Jurídicas Art. 135 do CTN NãoCabimento.A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.Tendo em conta a natureza nãotributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor.Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que a violação de um contrato particular entre as partes in casu, o estatuto da sociedade a regular a competência de atuação dos dirigentes poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000. Auto de Infração Glosa de Despesas Por Falta de Comprovação Imprestabilidade da Escrituração Alegada em Defesa Não CabimentoCumpre ao contribuinte comprovar as despesas operacionais declaradas em DIPJ, quando intimado em regular procedimento de fiscalização. O fato de não ter logrado êxito em fazêlo não implica, por si só, a imprestabilidade de sua escrituração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000. Apreciação de Ilegalidade de Leis Multa de Ofício e Juros de Mora Impossibilidade Falta de Competência dos órgãos Administrativos.Nos termos do art. 102 e art. 103 da CF, o controle da constitucionalidade de leis é matéria reservada ao conhecimento e pronunciamento do Poder Judiciário, não podendo Administração Pública imiscuirse em campo de competência reservado a outro Poder da República, sob pena de ofensa à cláusula pétrea do princípio da separação dos poderes (art. 60, §4º, III, da CF).Lançamento Reflexo CSLLO entendimento adotado no respectivo lançamento acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, e no mérito, negar Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 415 11 provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Antônio José Praga de Souza). Em relação à segunda preliminar sobre alegação de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, à época da fiscalização, à realidade, no entanto, não há nos autos prova da irregularidade havida naquela oportunidade, nem razão para afastar o valor da prova representada pelos referidos registros, portanto, também, rejeito esta preliminar. Ou melhor, a recorrente invoca a nulidade do procedimento sob a alegação de que o lançamento está baseado em livros e documentos que, posteriormente, diante da constatação de inúmeras irregularidades praticadas por antigos administradores, teriam se mostrado imprestáveis a retratar a verdade dos fatos contábeis e fiscais no período objeto da fiscalização. A discussão entre a autoridade fiscal e o sujeito passivo acontece no campo das provas, já que à de diferença entre os valores de PIS declarados em DCTF e aqueles apurados nas informações colhidas dos próprios livros contábeis da fiscalizada, responde a defesa pela incerteza de seus próprios registros. Em relação ao ônus da prova, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Cabe ao sujeito passivo apresentar os fatos que possam impedir, modificar ou extinguir o direito exigido pela fiscalização. Essa relação processual foi resumida pela ementa do Acórdão 10807508, proferido pelo antigo Conselho de Contribuintes, transcrita a seguir, como bem ilustrou a decisão de primeira instância: PAF ÔNUS DA PROVA – cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Destarte, sobre o resultado da auditoria externa contratada e apresentada pela recorrente, não há causa para desqualificar o procedimento fiscal. Quanto à terceira preliminar, não há concomitância com o processo judicial invocado pela recorrente (processo nº 114.01.2003.0420086– nº de ordem 3131/2003), pois esta trata de indenização por danos materiais e morais entre particulares, sendo totalmente alheia à matéria nos presentes autos. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Superadas as preliminares, que as rejeito e quanto ao mérito, a recorrente contrapõe o lançamento em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo na Lei de n° 9.718/98. Remetendo ao AUTO DE INFRAÇÃO, observase: PIS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social PIS.Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores das receitas escrituradas para os anoscalendário de 2000 e 2001 e aquelas utilizadas como base de cálculo do PIS. Os valores da referida contribuição, declarados nas respectivas DCTF's e pagos pelo contribuinte, se mostraram inferiores aos devidos, conforme se verifica através dos demonstrativos, denominados Anexo 1 e Anexo 2, cujas cópias fazem parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. A fiscalização solicitou diversos livros, bem como requereu explicações sobre a sua movimentação financeira. Consta que a descrição da atividade econômica é de atendimento hospitalar. Entretanto, não está se discutindo aqui a inconstitucionalidade daquela norma, já que o STF já a reconheceu em decisão plenária definitiva; declarada inconstitucional; bem como a revogação pelo art. 79, XII, da Lei n° 11.941/2009 do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS. O julgamento do RE 378191 AgR /RJ que bem resume o tema: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PIS. COFINS. LEI Nº 9.718/98. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, apreciou a questão. Ao fazêlo, esta colenda Corte: a) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), para impedir a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e b) entendeu desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no inciso I do art. 195 da Lei das Leis. No que diz respeito ao § 6o do art. 195 da Carta Magna, esta excelsa Corte já firmou a orientação de que o prazo nonagesimal é contado a partir da publicação da Medida Provisória que houver instituído ou modificado a contribuição (no caso, a MP 1.724/98). De outro giro, no julgamento do RE 336.134, Relator Ministro Ilmar Galvão, esta Suprema Corte reputou constitucional a compensação facultada à pessoa jurídica pelo § 1º do art. 8º da Lei nº 9.718/98, afastando, deste modo, a alegação de ofensa ao princípio da isonomia. Decisões no mesmo sentido: REs 388.992, Relator Ministro Marco Aurélio, e 476.694, Relator Ministro Cezar Peluso, entre outras. Agravo regimental desprovido.(grifei) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 416 13 Por sua vez, o art. 26A da Lei nº 11.941/09 dispõe: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o (Revogado). § 2o (Revogado). § 3o (Revogado). § 4o (Revogado). § 5o (Revogado). § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)”(negritei) Assim, entendo, que como o pedido foi com base na inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei de n° 9.718/98, a incidência do PIS e da COFINS deve ser sobre o seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Com efeito, os arts. 62 e 62A do RICARF, dispõem: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) (negritei) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ((Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Entendimento que deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF. Isso posto, neste contexto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para ajustar à base de cálculo a decisão do STJ relativa ao artigo 3º da lei nº 9.718/98. Portanto, considerese como base de cálculo do PIS exigido somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços” Por fim, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que foi aplicada a multa de ofício, em decorrência legal, nos termos do art. 44, inc. I da Lei n°9430/96. O inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 expressa objetivamente: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(grifei) Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.003983/200530 Acórdão n.º 3802003.140 S3TE02 Fl. 417 15 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Assim sendo, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isso posto, REJEITO as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da tributação determinando que a exigência tributária seja adequada para refletir a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ou seja, para que considere como base de cálculo do PIS exigido somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006743/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235/1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235/1972. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele elaborado pelo Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 90), complementandoo ao final: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 67 43 /2 00 9- 05 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.006743/200905 Acórdão n.º 2801003.529 S2TE01 Fl. 108 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2006, ano calendário 2005, emitida para a exigência de R$ 108.966,56 de imposto, sob o código 0211, além de multa de mora e juros de mora, decorrente da constatação de compensação indevida a título de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 108.966,56, constando da descrição dos fatos que: o contribuinte foi intimado a apresentar o contrato de prestação de serviços e recibos (RPAs) e a comprovar o efetivo recebimento relativo aos serviços, por meio de instrumentos financeiros, como cheques, transferências bancárias ou outros; após ser prorrogado o prazo em duas ocasiões, foram apresentados extratos bancários de conta corrente e de poupança (Banco Itaú), não comprovando o recebimento requisitado, sendo considerada indevida a compensação. Cientificado, por via postal, em 09/06/2009 (fl. 86), o interessado apresentou, tempestivamente, em 07/07/2009, impugnação (fls. 03/07), instruída com documentos (fls. 08/80), a seguir sintetizada. Argumenta que firmou contrato de prestação de serviços com a empresa PERFIL RH – ROSANGELA GONÇALVES DA SILVA & CIA LTDA, com o objetivo inicial de “gerar negócios, fazer projetos de viabilidade econômica, auditoria, consultoria e assessoria comercial, financeira e de Marketing”; que, na seqüência, a empresa OPIS & OPIS LTDA, detentora do contrato internacional de resgate do navio VICUNÃ (sic), naufragado em Paranaguá/PR, firmou contrato com a “PERFIL RH” para terceirização de mãodeobra; que, em face de seu conhecimento da língua inglesa, estreitou o relacionamento comercial com a empresa SMIT SALVAGE da Holanda e, juntamente com o Gerente de Operações, assumiu a responsabilidade de executar a empreitada, com apoio da OPIS & OPIS LTDA; que não tinha preocupação com os recebimentos e que ora a empresa “PERFIL RH” efetuava os pagamentos em dinheiro ou cheque de terceiro ao portador, ora os pagamentos eram efetuados pela empresa OPIS & OPIS LTDA, em dinheiro, cheques ao portador e permuta, inclusive na conta do Gerente de Operações, que posteriormente efetuava o repasse; que, com alguns cheques da “OPIS & OPIS”, comprou uma casa, depositandoos diretamente na conta do proprietário; que também abateu dos recebimentos material de construção para reforma de sua casa, recebido dos sócios da “OPIS & OPIS”, com anuência da empresa “PERFIL RH”; que, no final de cada mês, a empresa “PERFIL RH” apresentava RPAs devidamente preenchidos, com os valores combinados, descontados IRRF e INSS, conforme contrato; que, ao manter contato com a fiscalização, ficou indignado ao saber que foi lesado, uma vez que a empresa efetuou os descontos, mas não recolheu o IRRF; que obteve do procurador da empresa, APARECIDO GONÇALVES DA SILVA, declaração de que houve apropriação indébita, em face de dificuldade financeira, cópia de documento que autoriza a empresa “OPIS & OPIS” a “efetuar os Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.006743/200905 Acórdão n.º 2801003.529 S2TE01 Fl. 109 3 pagamentos em seu nome da maneira que o contratado aceitar” e DIRF da empresa “PERFIL RH”; que questiona o fato de a empresa não ter recolhido os valores devidos de IRRF, uma vez retidos à época dos pagamentos, não lhe competindo o ônus junto à Receita Federal; que os devedores são a empresa e seu procurador; e que efetuou a declaração baseada em dados corretos e documentos reais, não sonegando informações e nem agindo de má fé. Pelo exposto, conclui que foi vítima da empresa “PERFIL RH”, sendo indevida a cobrança efetuada, solicitando o cancelamento da notificação e mudança de titularidade da dívida, ponderando que, caso a empresa não tenha declarado o imposto, os sócios é que deverão ser punidos pela apropriação indébita. Conhecida e tratada pela DRJ/Curitiba, a Impugnação apresentada pelo contribuinte foi considerada improcedente, mantendose o lançamento, sob as seguintes razões, em resumo: Segundo o contrato, às fls. 18/20, o contribuinte seria remunerado na importância fixa de R$ 35.000,00 mensais, além de 5% dos contratos “fechados” com a sua participação. A remuneração anual alegada, conforme documento de fl. 23, teria sido de R$ 420.000,00. No caso, não basta ao impugnante pretender demonstrar a disponibilidade financeira para a aquisição de imóvel ou automóvel. Há que comprovar, para a caracterização requerida, que os recursos de que dispunha provieram da fonte pagadora que supostamente teria efetuado retenções de IRRF da ordem de R$ 108.966,56 em face de rendimentos de R$ 420.000,00. Verificase, na verdade, que grande parte dos documentos apresentados não especificam valores e datas de supostos pagamentos, além de não se encontrarem inequivocamente vinculados à fonte pagadora alegada. Nesse sentido, a declaração de fl. 48, atribuída à empresa “OPIS & OPIS LTDA”, datada de 02/02/2009, menciona “eventuais” depósitos, transferências eletrônicas ou pagamentos em cheque, mas não relaciona quais seriam eles especificamente, assim como não há comprovação de operações/negócios entre as partes... (...) Quanto aos documentos produzidos pela empresa ROSANGELA GONÇALVES DA SILVA & CIA LTDA ou seu procurador, não têm eficácia perante a Receita Federal, uma vez que, conforme consta do seu cadastro, à fl. 88 (pesquisa disponível na internet), tratase de empresa INAPTA, que veio a ser baixada na forma do art. 54 da Lei nº 11.941, de 2009. No caso da empresa ROSANGELA GONÇALVES DA SILVA & CIALTDA, CNPJ 04.319.101/000180, a condição de INAPTA decorreu do Ato Declaratório Executivo Corat nº 50, de 15 de julho de 2004, publicado no Diário Oficial da União de 20/07/2004, que, na ocasião, estabeleceu: .... Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.006743/200905 Acórdão n.º 2801003.529 S2TE01 Fl. 110 4 (...) Nesse contexto, os documentos alegados pelo impugnante como provenientes da pessoa jurídica ROSANGELA GONÇALVES DA SILVA & CIA LTDA ou seu procurador, uma vez declarados inidôneos, não têm validade, não produzindo efeitos tributários em seu favor. (...) Não se trata, portanto, de mera discussão acerca da falta de recolhimento de imposto retido, mas da caracterização ou não de que os rendimentos que o contribuinte pretendeu legitimar em sua declaração de pessoa física tinham aquela natureza e origem. (...) Por conseguinte, pelo conjunto de elementos existentes, conclui se inviabilizado o reconhecimento do direito de compensação de IRRF na declaração de ajuste anual, devendo ser mantida a glosa efetuada. Isso posto, voto para que o lançamento seja julgado procedente.(grifei) Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 14/10/2011, conforme AR na fl. 99 e apresentou recurso voluntário em 17/11/2011, conforme protocolo na fl. 102. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: Primeiro, informa que foi cientificado da decisão de 1ª instância em 19/10/2011, da qual vem apresentar “no prazo legal” seu recurso; Após descrever a situação fática já bem esclarecida pelo Julgador a quo, e aqui transcrita, clama por justiça, uma vez que os documentos emitidos por empresa reputada inapta não foram conhecidos, argumentando que os órgãos de controle nada fizeram na época para evitar que tal empresa estivesse em plena atividade, emitindo inclusive notas fiscais e celebrando contratos; Raciocina que se não tivesse declarado sua renda, a empresa teria mais lucro e ele não seria autuado, sendo a União lesada sem ao menos ter conhecimento. Desta feita, requer o Recorrente que seja acolhido o presente recurso cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.006743/200905 Acórdão n.º 2801003.529 S2TE01 Fl. 111 5 PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 96 consta que a Intimação n°: 1268/2011 foi emitida em 04 de outubro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, com a finalidade de dar ciência ao interessado do Acórdão 06335184a turma e, considerando a decisão da Turma de Julgamento, foramlhe facultados vista do processo e a possibilidade de recurso administrativo, no prazo de trinta dias contados a partir do recebimento do expediente (data de assinatura do AR). Na folha 99, consta a cópia do Aviso de Recebimento, entregue no endereço Rua Angélica Maria Taborda Santos, 75Sobrado 11 Boqueirão, CEP 81750230, CuritibaPR firmado por Marina de Angelo, em 14/10/2011, que, observamos, tratouse de um dia de sexta feira, onde não consta feriado. Observo ainda o carimbo dos Correios, com essa mesma data e assinatura do funcionário. Quanto ao endereço, registro que é o mesmo que consta da Impugnação, da Declaração em causa e do Recurso apresentado. Vale, então, transcrever a Súmula CARF Nº 9 – “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Assim, a despeito do que assevera preliminarmente o recurso, a ciência deu se em 14 de outubro de 2011, e não no dia 19 (dezenove) do mesmo mês/ano. Verificase, na fl. 102, que o recurso foi apresentado na Unidade preparadora em 17/11/2011, conforme consta do carimbo aposto no documento. Fez constar ainda o recebedor que foi recepcionado sob alegação de “último dia de prazo”, em 17 de novembro de 2011. O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do prazo da interposição de recurso contra decisão de primeira instância, assim dispõe: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão” Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.006743/200905 Acórdão n.º 2801003.529 S2TE01 Fl. 112 6 Dessa feita, considerando a ciência no dia 14 de outubro de 2011 (sexta feira) e o início da contagem no dia 17 de outubro (segunda feira), o trigésimo dia posterior deuse em 15 de novembro de 2011 (terça feira), feriado nacional, encerrandose o prazo para apresentação do recurso, assim, no dia 16 de novembro (quarta feira). Portanto, o recurso apresentado em 17 de novembro de 2011 é extemporâneo. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Ressalto que o contribuinte alegou sobre a tempestividade em seu recurso, mas sem qualquer fundamento, citando data de ciência que não corresponde à realidade destes autos, como acima exposto. Por essa razão, VOTO por não conhecer do recurso e não se adentra no mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10850.908571/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 130 1 129 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.908571/201106 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.663 – 1ª Turma Especial Data 27 de março de 2014 Assunto Restituição Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 57 1/ 20 11 -0 6 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908571/201106 Resolução nº 3801000.663 S3TE01 Fl. 131 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 1.669,92. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908571/201106 Resolução nº 3801000.663 S3TE01 Fl. 132 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908571/201106 Resolução nº 3801000.663 S3TE01 Fl. 133 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908571/201106 Resolução nº 3801000.663 S3TE01 Fl. 134 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908571/201106 Resolução nº 3801000.663 S3TE01 Fl. 135 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908571/201106 Resolução nº 3801000.663 S3TE01 Fl. 136 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10783.725360/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3202-001.203
Decisão: Recurso voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte as preliminares suscitadas, apenas para realizar o julgamento deste processo em conjunto ao processo nº 10783.725365/2011-03; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente AGRO FOOD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Pedido de perícia/diligência. Prescindibilidade. Indeferimento. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 53 60 /2 01 1- 72 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 259 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte as preliminares suscitadas, apenas para realizar o julgamento deste processo em conjunto ao processo nº 10783.725365/201103; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento, cumulado com a compensação de tributos, embasados em supostos créditos da Cofins na sistemática da não cumulatividade, oriundos da aquisição de café para revenda, cujo valor apontado pelo contribuinte é de R$ 790.000,00, referente ao período de apuração do 4º trimestre de 2007 (e fls. 7/9 e 12/27). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento lastreado em pretensos créditos oriundos da incidência não cumulativa da contribuição para a COFINS, tal como estatuído na Lei 10.833/03 e posteriores alterações, cujo valor apontado pelo contribuinte é de R$ 790.000,00 (setecentos e noventa mil reais) abrangendo o 4º trimestre de 2007. Segundo a Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES nº 114/2011 (fls. 02/06) a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a AGRO FOOD apropriouse ilicitamente de créditos integrais fictos, razão pela qual foram objeto de glosa. As provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam do processo administrativo nº 10783.725365/201103, bem como a presente Informação Fiscal e Despacho Decisório, serão cientificados simultaneamente à AGRO FOOD, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. AGRO FOOD apresentou à fiscalização MEMÓRIA DE CÁLCULO em meio magnético nas quais estão relacionadas, de forma individualizada, por fornecedor, as notas fiscais dos bens adquiridos para revenda utilizadas como BASE DE CÁLCULO dos créditos a descontar de PIS/COFINS constantes dos DACON´s apresentados. Diante das fartas provas e documentos acostados ao processo administrativo nº 10783.725365/201103, a fiscalização constatou na escrituração da AGRO FOOD infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais da contribuição social não cumulativa – COFINS (7,6%), calculados sobre os valores Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 260 3 das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos (Art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (DOU 30/12/2004), que deu nova redação ao artigo 8º da lei nº 10.925/2004). Isso porque as pretensas aquisições de café contabilizadas pela AGRO FOOD em nome de comprovadas pseudo atacadistas, todas verdadeiramente empresas de fachada, foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas, quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas). Os créditos integrais apropriados sobre notas fiscais de empresas de fachada foram glosados na presente auditoria e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Ao final, em face da AGRO FOOD, foram lançados, em determinados períodos de apuração, os valores devidos a título de COFINS em razão da falta/insuficiência de crédito a descontar no período e, principalmente, a apuração dos novos valores passíveis de ressarcimento. O despacho decisório DRF/VIT/ES não reconheceu o direito creditório apontado no pedido de ressarcimento, abrangendo o período do 4º trimestre de 2007, relativo à apuração nãocumulativa da contribuição para a COFINS, nos termos da Lei 10.833/03 e atos normativos pertinentes e não homologou as compensações apresentadas em Dcomp. A interessada foi cientificada em 06/08/2012 (fl. 36) e apresentou manifestação de inconformidade em 03/09/2012 alegando que é imprescindível o julgamento em conjunto com o processo 10783.725365/201103. A interessada reitera as alegações efetuadas no processo 10783.725365/201103, afirmando ter adquirido o café de boafé, que as confirmações do negócio informam o produtor do café para que se saiba a qualidade do café adquirido e que não há provas de seu envolvimento na fraude. Acrescenta que desempenha atividades relacionadas ao comércio de café em grãos e/ou industrializado no País bem como a importação e exportação dos mesmos. Alega também que uma vez mantida a glosa deve ser reduzido o valor do IRPJ e CSLL apurados que foram objeto da Declaração de Compensação. A glosa do crédito impacta na base de cálculo dos débitos de IR e CSLL que vieram a ser compensados pelo crédito pleiteado. Pleiteia perícia sob a alegação de que o crédito pleiteado referese ao 4º trimestre de 2006, ao passo que o Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Descontar acostado às fls. 1.393 do Processo 10783.725365/201103 demonstra a apuração dos créditos mensalmente ao longo de todo o de 2004. Junta DOC. 09 Encerra a impugnação requerendo: a) Seja deferida a produção de prova pericial; b) O julgamento simultâneo do processo 10783.725365/201103, bem como dos processos nº 10783.725360/201172, 10783.725356/201112, 10783.725353/2011 71; c) Sejam reconhecidos os créditos integrais da COFINS apropriados pela Recorrente, no período em questão; d) Sejam desconsiderados todos os argumentos fáticos e jurídicos lançados na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES nº 110/2011, no qual se embasou a glosa a qual se contesta, conforme fundamentação deduzida na presente Manifestação de Inconformidade. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 261 4 Por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessário para demonstrar o seu direito aos créditos de Cofins não cumulativos do período. A 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1254.437, em 03 de abril de 2013 (e folhas nº 178/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento. Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Análise Simultânea. Processo. É cabível a análise simultânea de processos quando a decisão se baseou em provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam em outro processo. Crédito. Poder de investigação. É dever da autoridade investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo quando da análise dos valores pleiteados em Pedido de Ressarcimento ou PER/Dcomp para fins de decisão. Pedido de Ressarcimento. Saldo remanescente. O pedido de ressarcimento deverá ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. Matéria já Apreciada. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo anterior relativo ao mesmo período e mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 07/05/2013 (efolhas 187/188), interpôs Recurso Voluntário em 05/06/2013 (efls. 190/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 262 5 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Do pedido para o julgamento deste processo conjuntamente com o processo nº 10783.725365/201103 A Recorrente requer, em sede de preliminar, seja o presente processo julgado em conjunto com o processo nº 10783.725365/201103, assim como todos os demais processos vinculados à matéria. O pedido da Recorrente está sendo atendido, razão pela qual estaremos julgando na mesma sessão de julgamentos o presente processo conjuntamente com o processo nº 10783.725365/201103 – que trata dos autos de infração do PIS e da Cofins e, ainda, com os demais processos que também tratam de pedido de ressarcimento e compensação das contribuições (nºs 10783.725349/201111, 10783.725353/201171, 10783.725356/201112 e 10783.725360/201172) Assim sendo, acatada a preliminar suscitada pela Recorrente. Do pedido para realização de perícia/diligências A Recorrente requer a realização de diligência a fim de que seja determinado o montante de créditos de Cofins, e ao fim, seja concedida a totalidade dos créditos apurados. Não há necessidade de perícia ou diligência, senão vejamos. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia reveste se das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Compulsandose os autos verificase que a Recorrente foi intimada pela fiscalização para apresentar os documentos que comprovassem o seu direito, assim como teve oportunidade de defenderse amplamente com a apresentação da impugnação e recurso. É certo que o processo deve ter um ritmo, deve andar para frente, sendo que cada fase tem sua finalidade própria. A fase de apresentação de provas já foi superada. Agora, na fase recursal já não mais é o momento próprio para apresentação ou produção de provas. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 263 6 Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini (artigo “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal”, do livro “A Prova no Processo Tributário”, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51): (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) Assim sendo, indefiro o pedido para realização de perícia e diligência apresentado pela Recorrente. Mérito Conforme voto proferido nos autos do processo nº 10783.725365/201103 (onde foram analisados os argumentos e provas trazidos pelas partes), julgado conjuntamente com este processo, restou decidido que a Recorrente não tem direito aos pretensos créditos do PIS e da Cofins solicitados, verbis: Em conclusão, diante do robusto quadroprobante apresentado pela fiscalização (repitase: estão acostados aos autos mais de 1.300 folhas de documentos / efolhas 47 a 1.398), composto por diversas espécies de provas, congruentes e consistentes, estou plenamente convencido da existência dos ilícitos tributários (materialidade), caracterizada pela interposição fraudulenta dos atacadistas de fachada (“laranjas”) entre os produtores rurais e os reais adquirentes do café, o que permitiu a utilização de créditos indevidos e fictícios das contribuições sociais por parte destes últimos, bem como na participação da Recorrente na prática desses ilícitos (autoria). Deste modo, deve ser indeferido o pedido de ressarcimento cumulado com compensação de tributos em decorrência da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito reclamado, nos termos do que prescreve o artigo 170 do CTN. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. Os créditos pleiteados, como se viu no julgamento do processo nº 10783.725365/201103 não é líquido e muito menos certo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 264 7 Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, por se tratar de declaração de compensação invertese o ônus da prova, devendo o contribuinte comprovar o seu direito líquido e certo, dentro do prazo para homologação previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, não há que se falar em decadência do direito do Fisco para verificar os requisitos necessários para a homologação da compensação pretendida. Assim sendo, “não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo anterior de crédito de não cumulatividade demonstrado na Dacon correspondente, e decidir pelo ressarcimento, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (...) Portanto, correta a análise de todo o anocalendário de 2006”. Em nosso ordenamento jurídico, ex vi do artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Esse artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Em outro giro, merece ser acolhido o pedido da Recorrente para que seja “sanado erro material identificado” no acórdão da DRJ (objeto do processo nº 10783.725365/201103), que inovou ao negar tanto o direito ao crédito integral quanto o direito ao crédito presumido, de forma contrária à Informação Fiscal exarada pela autoridade da DRF – Vitória. De fato, na INFORMAÇÃO FISCAL SEFIS/DRF/VIT/ES nº 114/2011 restou consignado o seguinte (vide efolha 2): Os créditos integrais apropriados sobre notas fiscais de empresas de fachada foram glosados na presente auditoria e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Além disso, foram glosados os créditos integrais apropriados sobre compras de café de cooperativas de produção agropecuária, vez que a AGRO FOOD tem direito apenas ao crédito presumido sobre tais compras, e com fim especifico de exportação. Assim, efetuouse a RECOMPOSIÇÃO dos saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Após o desconto dos créditos com as contribuições da COFINS devidas mensalmente, efetuouse o cálculo dos saldos dos créditos passíveis de ressarcimento, os quais foram pleiteados por meio de PER/DCOMP. Ao final, em face da AGRO FOOD, foram lançados, em determinados períodos de apuração, os valores devidos a título de COFINS em razão da falta/insuficiência de Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 265 8 crédito a descontar no período e, principalmente, a apuração dos novos valores passíveis de ressarcimento. A fiscalização limitou o valor do PEDIDO DE RESSARCIMENTO ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do MERCADO EXTERNO (PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO). Como dito, a recomposição dos créditos a descontar da COFINS nãocumulativa além de resultar em saldo a pagar dessa contribuição, acarretou no RECONHECIMENTO PARCIAL do valor dos créditos pleiteados nos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. Entretanto, conforme tabela abaixo, após as glosas e a recomposição dos créditos a descontar, NÃO resultou saldo disponível de crédito no final do trimestre. Dessa forma, NÃO se RECONHECE o crédito oriundo da COFINS EXPORTAÇÃO requerido no PEDIDO DE RESSARCIMENTO, referente ao 4° trimestre de 2005 . (...) Em face de todo acima exposto, propõese ao Delegado da Receita Federal do Brasil em VITÓRIA/ES que: (a) INDEFIRA o direito creditório apontado no pedido de ressarcimento no montante o direito creditório apontado no pedido de ressarcimento no montante de R$790.000,00 (setecentos e noventa mil reais), abrangendo o período do 4º trimestre de 2007, relativo à apuração não cumulativa da contribuição para a COFINS, nos termos da Lei 10.833/03 e atos normativos pertinentes; (b) NÃO HOMOLOGUE as compensações apresentadas em DCOMP. Destarte, ao negar provimento ao recurso voluntário apresentado não se pode agravar a situação da Recorrente (reformatio in pejus). Entretanto, no caso deste processo (depois de refeitos os cálculos) o indeferimento foi total, portanto, não há valores a serem ressarcidos/compensados, nos termos do que foi decidido no Despacho Decisório DRF/VIT/ES (efolha 10). Por fim, quanto ao pedido formulado pela Recorrente de redução dos débitos compensados de IRPJ e CSLL, na hipótese de ser mantida a glosa dos créditos integrais das contribuições, como já destacado na decisão recorrida, tratase matéria que não compete ao CARF manifestarse. Isto porque o pedido de reconhecimento de direito creditório (ou de redução de débitos compensados) deve ser formulado em procedimentos próprios, não se prestando o Recurso Voluntário como instrumento adequado a tais pretensões. Não há, portanto, previsão legal para o atendimento do pedido formulado pela Recorrente na seara do contencioso administrativo federal. Ante ao exposto, em preliminares, acolho o pedido da Recorrente para que o presente processo seja julgado conjuntamente com o processo nº 10783.725365/201103 e nego o pedido para realização de perícia; no mérito, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725360/201172 Acórdão n.º 3202001.203 S3C2T2 Fl. 266 9 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10540.720129/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela autoridade executora.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202-001.483, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202-001.483, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
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Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.483, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 29 /2 00 7- 69 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pela Autoridade Executora, relativo ao Acórdão nº 2202001.483, de 29/11/2011. Aduz a Embargante, que notase que o lançamento só tem uma infração a alteração do valor da terra nua, e o acórdão se manifesta só sobre esse ponto, sendo favorável ao contribuinte. Entretanto a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim nota se que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Registrese que o voto do acórdão embargado foi por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato da contradição ser evidente. A presidência da Câmara, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10540.720129/200769 Acórdão n.º 2202002.607 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto a contradição no acórdão, pois a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim notase que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Assiste razão a Autoridade Executora, ocorreu a contradição apontada. A conclusão do voto condutor é no sentido de dar provimento, mas por lapso ficou consignado dar provimento parcial. Na verdade o acórdão dá provimento ao recurso restabelecendo o valor declarado pelo recorrente como valor da terra nua – VTN. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.483, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001873/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
Ausente a omissão apontada, descabe os embargos, com efeito infringente, para reexame da matéria julgada.
Numero da decisão: 1202-001.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos e negar-lhes provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: Ausente a omissão apontada, descabe os embargos, com efeito infringente, para reexame da matéria julgada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos e negar-lhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos e negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 18 73 /2 00 8- 60 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.001873/200860 Acórdão n.º 1202001.161 S1C2T2 Fl. 7 2 Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que o contribuinte alega OMISSÃO no Acórdão nº 120200.545, proferido pela 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, fls.362 a 369. A matéria tratada neste processo é sobre a exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições SIMPLES, expedido por meio dos Atos Declaratórios Executivos n°. 11e 12, de 12/05/2008 e 19/05/2008. Os autos versam sobre representação fiscal para fins de exclusão do SIMPLES, das empresas Bom Sono Ltda., durante o período de 03/06/1997 a 31/08/2004, e Plumi Confecções Ltda. no período compreendido entre 02/09/2000 e 30/11/2004, tendo em vista a conclusão da autoridade administrativa no sentido de que elas eram meras extensões da empresa Altenburg Indústria Têxtil Ltda, cujo sócio majoritário era o administrador das duas pessoas jurídicas acima mencionadas, e foram criadas no intuito de afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga a seus colaboradores. Além disso, a autoridade administrativa caracterizou o grupo econômico tendo em vista os diversos elementos encontrados, os quais comprovaram que a administração das empresas Plumi e Bom Sono eram, de fato, realizadas pela Altenburg, tratandose, na realidade, de sociedades juridicamente independentes submetidas à unidade e compondo um conjunto de interesses comuns. Cientificadas da exclusão, as empresas através de seu representante legal, apresentaram tempestiva manifestação de inconformidade, na qual alegaram, preliminarmente, (i) irretroatividade da exclusão, posto que as manifestantes preenchiam todos os requisitos para a adesão ao SIMPLES na época da opção; (ii) não há embasamento legal para que os efeitos da exclusão retroajam; (iii) os sócios não representam mera figura ilustrativa, sendo de fato integrantes do quadro social da empresa, e que na época da adesão ao SIMPLES inexistia vedação legal para se constituir uma terceira pessoa na administração da sociedade, mesmo que esta pessoa não figure no quadro societário. No mérito pugnaram pela descaracterização do grupo econômico, tendo em vista que o simples fato das empresas possuírem o mesmo administrador é insuficiente para tal classificação, sendo o principal fator para tal configuração a composição de capital social entre as empresas, o que não ocorre no caso em tela. Alternativamente, alegaram que, caso seja configurado o grupo econômico, tal caracterização não impõe a exclusão das empresas do SIMPLES, uma vez que tal situação não está prevista em lei. Ao final alegaram que o fisco, ao tentar desconstituir a inclusão das manifestantes na sistemática do SIMPLES, sob o argumento de que foram utilizados subterfúgios com o fito de afastar ou reduzir a incidência tributária, em uma tentativa de aplicar o disposto no artigo 116, parágrafo único do código tributário nacional, introduzido pela Lei Complementar 104/2001, conhecido como "norma antielisão", o que não seria permitido uma vez que se trata de norma geral pendente de regulamentação. A autoridade julgadora "a quo" julgou improcedentes as manifestações de inconformidade, considerando incabíveis as alegações apresentadas, eis que, as empresas apresentavam a mesma política salarial aos seus empregados, bem como as mesmas datas iniciais nos programas de participação nos resultados da ALFA Fl. 527DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.001873/200860 Acórdão n.º 1202001.161 S1C2T2 Fl. 8 3 Associação Funcionários Altenburg, sendo que, por muito tempo, os funcionários da Bom Sono e Plumi estiveram inclusos nos contratos de plano de saúde e odontológico da Altenbur, afastando a alegação de que a relação entre as empresas restringese à prestação de serviços; o capital social da Bom Sono e Plumi é incompatível com o objeto social, volume de faturamento e número de empregados, considerando inválido contrato de comodato apresentado para descaracterizar tais fatos, eis que tal ocultação seria de interesse das manifestantes; os sócios, embora distintos, não exercem as funções para as quais foram nomeadas, configurandose em filhos, esposa, e funcionária do principal interessado na constituição das empresas, o Sr. Rui Altenburg, sócio majoritário da Altenburg Indústria Têxtil Ltda, não sendo juntado nos inconformismos qualquer documento comprobatório do exercício de tais sócios, nas competências devidas pelos instrumentos constitutivos das empresas. Sendo as demais alegações afastadas da seguinte forma: Irretroatividade da exclusão: Sustentou a decisão recorrida que a exclusão ocorreu em razão da constituição das pessoas jurídicas terem sido efetivadas por interpostas pessoas que não sejam verdadeiros sócios e acionistas, retroagindo, portanto, desde o mês de ocorrência deste fato; Existência de prova robusta para promover a exclusão: Considerado suficientes as provas juntadas pela autoridade administrativa (fls. 18/138), ressaltando que a exclusão não se fundamenta no fato das sociedades serem administradas pela mesma pessoa, e sim porque o Sr. Rui Altenburg é o verdadeiro dono e gerenciador de todas as empresas em foco; Definição de grupo econômico: A autoridade julgadora "a quo " considerou a situação fática que ensejou a exclusão suficiente para caracterizar o grupo econômico. Não obstante, julgou improcedente a alegação da empresa Altenburg no sentido de que falta interesse comum na constituição do fato gerador, uma vez que a responsabilidade solidária neste caso está pautada na cumulação do art. 124, II, CTN, com o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, acrescentando que a empresa Plumi foi incorporada pela Bom Sono que, por sua vez, era sócia formal da Altengurg até a data da referida incorporação. Além disso, sustentou que atualmente o grupo econômico é caracterizado como "grupo composto por coordenação", bastando a constatação de um grupo de sociedades articuladas para a aplicação destas conseqüências jurídicas; Aplicação indireta da norma antielisão: Entendeu que diante do que fora decidido restou incontroverso que a autoridade administrativa não tentou aplicar o disposto no artigo 116, parágrafo único do CTN, porquanto prescindível em face da legislação apresentada. Foi interposto recurso voluntário em que se reiterou as alegações das manifestações de inconformidade no tocante a definição de grupo econômico e aplicação da norma antielisão. Inovando apenas a respeito da irretroatividade da exclusão do SIMPLES, Fl. 528DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.001873/200860 Acórdão n.º 1202001.161 S1C2T2 Fl. 9 4 pois informou que nos autos de infrações previdenciárias lavados em decorrência da aludida exclusão, foi reconhecida decadência do direito de constituir o crédito tributário, razão pela qual entendeu que deveria ocorrer a reunião dos autos de infração previdenciários com o presente processo a fim de que fosse apurada a inexistência de dolo, reconhecida naqueles autos. No acórdão embargado foi enfrentado primeiramente a questão a respeito do pedido de reunião do auto de infração previdenciário com o presente processo, em que houve por bem entender pela sua improcedência, tendo em vista a incompetência desta Câmara para julgar matéria previdenciária, bem como pela inaplicabilidade do art. 2, IV, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, uma vez que as recorrentes não atentaram contra a legislação do IRPJ. Superada essa questão passouse a analisar a questão da irretroatividade na exclusão do Simples. As recorrentes argumentaram que em momento algum a autoridade administrativa trouxe ao processo provas suficientes que as mesmas constituíamse em interpostas pessoas que não os verdadeiros sócios ou acionistas, acrescentando que nos autos previdenciárias fora reconhecida a decadência, pois não restou comprovado que as mesmas haviam agido com dolo. O relator do acórdão atevese o fato de que os sócios da Recorrente, na realidade, não desempenhariam a função para as quais foram formalmente designados, uma vez que se tratavam de funcionários e filhos do Sr. Rui Altenburg que, conforme comprovada pela documentação trazida aos autos, era quem de fato exercia o comando das empresas, trazendo inúmeros documentos relacionados às fls.6/10, registrando que os sócios constituídos em nada participavam nas decisões das empresas, nem, tampouco, recebiam prólabore em razão da sociedade. Essa decisão pautouse em diversos documentos os quais comprovam que a administração da Recorrente era realizada pela empresa Altenburg, ao passo que a Recorrente em momento algum comprovou que os sócios das empresas exerciam suas competências ou então recebiam pela participação na sociedade. A questão do Grupo Econômico foi superada, pois o processo referese a exclusão do simples de forma retroativa e não de lançamento tributário. Dessa forma encerrouse o voto afirmando que a exclusão teve como fundamento a combinação dos artigos 14, I e IV e 15, V, da Lei 9.317/96, razão pela qual não houve motivo para se manifestar acerca da alegada inaplicabilidade do art. 116, parágrafo único do CTN, uma vez que este dispositivo legal realmente não foi utilizado pelo fisco para promover a exclusão. Inconformadas com decisão acima, apresentaram os Embargos de Declaração no qual entendem que a presente Turma deixou de se pronunciar sobre ponto fundamental para o deslinde da presente demanda administrativa, qual seja, argumentação contida na Impugnação e no Recurso Voluntário, de que não há indícios minimamente suficientes para se chegar a conclusão de exclusão do simples retroativamente, se não utilizando da aplicação do artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, nominado de “norma antielisão”. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.001873/200860 Acórdão n.º 1202001.161 S1C2T2 Fl. 10 5 E afirma que ao proceder desta forma, foram desconsiderados atos jurídicos perfeitos e acabados, em prejuízo da ora embargante, e a única forma para assim proceder é aplicando indiretamente a já mencionada norma “antielisão”, que não foi explorada pelo julgamento ora recorrido. Desta forma, encerra requerendo que seja suprida a omissão de modo que se confira amplamente o direito de defesa em sede de Recurso Especial, no tocante à aplicação indireta da norma antielisão pela Autoridade Administrativa. É o relatório Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. Não se vislumbra no presente recurso omissão a ser sanada. A recorrente equivocase ao alegar que a decisão ora combatida não se pronunciou a respeito da aplicação indireta da “norma antielisão”, pois no último parágrafo do mesmo houve enfrentamento explícito sobre tal questão, se não vejamos: “Portanto, a exclusão retroativa da Recorrente do SIMPLES ocorre em razão da combinação dos artigos 14, I e IV; e 15, V, da Lei 9.317/96, razão pela qual não há porque se manifestar acerca da alegada inaplicabilidade do art. 116, parágrafo único do CTN, uma vez que este dispositivo legal realmente não foi utilizado pelo fisco para promover a exclusão”. E da mesma maneira a decisão “a quo” enfrentou o aspecto levantado pelas Embargantes como omissiva, se não vejamos: “Diante do acima exposto, resta incontroverso que a autoridade administrativa não tentou aplicar o disposto no artigo 116, parágrafo único do CTN, porquanto prescindível em face da legislação apresentada”. Segundo o entendimento do acórdão no sentido de que, em conformidade com a expressiva quantidade de provas juntadas pela autoridade administrativa, fls. 18/138, ficou evidente a qualidade de interpostas pessoas das recorrentes, pois aquelas demonstram que a administração da recorrente era realizada pela empresa Altenburg, além de que a recorrente não comprovou em momento algum que os sócios das empresas exerciam suas competências ou então recebiam pela participação na sociedade. Não se adentrou ao mérito da aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN, UMA VEZ QUE este não serviu de subsidio para a autoridade administrativa e também em virtude das provas constituídas nos autos terem sido suficientes para chegar a decisão prolatada. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.001873/200860 Acórdão n.º 1202001.161 S1C2T2 Fl. 11 6 De acordo com o raciocínio construído no presente despacho e nas decisões prolatadas pela DRJ e no acórdão recorrido, não vislumbro omissão a ser enfrentada, pois a matéria foi apreciada em ambas decisões sobre provas robustas nos autos. Conclusão que se pode depreender é a de que o verdadeiro intuito das embargantes reside no interesse de buscar a reapreciação da matéria de mérito já decidida, situação essa que somente seria possível, em sede de Recurso Especial. Portanto, por não estar presente o requisito de cabimento dos presentes embargos, qual seja, a omissão, em conformidade com o que estabelece o artigo 65, caput do RICARF, votase peno não provimento dos mesmos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 531DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 10580.725709/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Wellington Cesar e Silva.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Presente no julgamento o seu representante legal Dr. Marcio Pinho Teixeira inscrito na OAB/BA sob o nº 23.911.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Wellington Cesar e Silva. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Presente no julgamento o seu representante legal Dr. Marcio Pinho Teixeira inscrito na OAB/BA sob o nº 23.911. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Presente no julgamento o seu representante legal Dr. Marcio Pinho Teixeira inscrito na OAB/BA sob o nº 23.911. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 70 9/ 20 09 -3 8 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.725709/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.431 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ R$ 146.536,58, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação tempestivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1523.136, de 24 de março de 2010. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.725709/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.431 S2C2T2 Fl. 98 3 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. O processo administrativo, versa sobre autuação omissão de rendimentos, onde há a discussão de rendimentos recebidos de forma acumulados decorrentes de processo judicial. Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 586, de 2010 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, que é o caso dos autos, conforme podemos observar na decisão abaixo transcrita: REPERCUSSÃO GERAL EM AG. REG. NO RE N.614.232RS RELATORA: MIN. ELLEN GRACIE TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.725709/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.431 S2C2T2 Fl. 99 4 competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. . A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria 3. .Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001272/2006-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Trata-se de vicio material e não mero erro formal.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9101-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e, João Carlos de Lima Júnior. Ausente momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Trata-se de vicio material e não mero erro formal. Recurso Especial Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e, João Carlos de Lima Júnior. Ausente momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EMPRESA REGULARMENTE EXTINTA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TERRA INSUMOS AGROPECUARIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Tratase de vicio material e não mero erro formal. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e, João Carlos de Lima Júnior. Ausente momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 12 72 /2 00 6- 91 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, cientificada do Acórdão 140100.377, que negou provimento ao recurso de oficio em processo de interesse da empresa TERRA INSUMOS AGROPECUARIOS LTDA., proferido na sessão de 11/11/2010 da Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeiro Seção deste Conselho, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno da CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. O Recurso Especial teve seguimento conforme Despacho 140100.394, às fls. 270 e seguintes, assim redigido (verbis): O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: “ILEGITIMIDADE PASSIVA. LANÇAMENTO NULO. É materialmente nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Deve ser excluída a sujeição passiva dos sócios, na condição de responsáveis, diante da ausência de demonstração do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal e da ausência de prova da atuação dolosa dos sócios, que com seus procedimentos teriam agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto.” Como a própria ementa anuncia, o lançamento foi declarado nulo em razão de a sociedade encontrarse à época regularmente extinta. Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, consubstanciada no seguinte julgado: “CSLL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, a formalização da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal seja atribuída ao sócio, nos termos do inciso VII, do artigo 134, do CTN. A partir de 01/01/1995, a parcela da base de cálculo negativa da contribuição apurada pelo contribuinte poderá ser utilizada nos períodos seguintes, obedecido o limite de 30%, calculado sobre a base positiva do período da compensação. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10514.234, de 16/10/03)” Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 4 3 Do respectivo voto vencedor do acórdão paradigma, confirmase a divergência de interpretação suscitada, haja vista a tese firmada no sentido de que a liquidação não retira da sociedade a condição de contribuinte, devendo os tributos serem dela exigidos. “(...) Apesar de distintos os contextos em que foram lavrados os autos de infração de que cuidaram os acórdãos em confronto, o que importa na presente análise é verificar se há divergência entre teses jurídicas. Da leitura das decisões é possível, neste juízo de cognição sumária, concluir afirmativamente. Enquanto, diante de erro na identificação do sujeito passivo, pelo acórdão recorrido declarouse a nulidade, pura e simplesmente; nos acórdãos paradigmas, a nulidade foi qualificada como sendo oriunda de vício formal, o que à luz do CTN produz consequências outras. Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e 4.3 da Ordem de Serviço CARF nº 01, de 22/10/09, seja ADMITIDO o recurso especial interposto. (...)” (Grifei). Cientificado, fls. 275 e seguintes, o Representante do contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. Os autos foram encaminhados à CSRF e o processo distribuído, a este Relator. É o breve relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva – Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de Recurso Especial em face de Acórdão que negou provimento a recurso de oficio, confirmando a nulidade de auto de infração lavrado contra pessoa jurídica extinta, uma vez que os responsáveis já haviam regularmente comunicado à Receita Federal essa a extinção voluntária antes do início da ação fiscal. A decisão de primeira instância já havia constatado a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, por isso cancelou o lançamento de oficio. Pois bem. A partir da análise distrato social de sociedade limitada, de fls. 80/81, devidamente arquivado na Junta Comercial de Minas Gerais em 14/06/2005 (fl. 81), constatase, que na data de formalização do lançamento em 25/09/2006 (AR da ciência do auto de infração, fls. 173), a empresa indicada como sujeito passivo do lançamento estava efetivamente liquidada e extinta naquele momento. Observase, também, que desde 23/08/2006, quando a fiscalização recebeu os documentos de fl. 79/82 enviados pela contribuinte, em resposta ao "Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento", encaminhado para o sócio Antônio Carlos Feres Barbosa, acima qualificado, o Fisco manifestouse expressamente ciente do fato de que a autuada tratavase de empresa regularmente extinta, porque seu representante legal apresentou a "Certidão de Baixa de Inscrição no CNPJ", com data da baixa em 14/06/2005. Portanto, a extinção da empresa e o encerramento das suas atividades não foram questionados em momento algum pela fiscalização. Logo, tal qual asseverado desde a decisão de 1a. instância, a autoridade fiscal não poderia formular o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, fazendo constar como sujeito passivo uma empresa extinta, que subsistiu somente até o final da liquidação, em 14/06/2005, data anterior ao lançamento, formulado em 25/09/2006, sem fazer prova da responsabilidade do representante da pessoa jurídica nos casos decorrente da incidência no artigo 124 e 135 do CTN. Em conseqüência, os lançamentos formalizados contra essa pessoa jurídica após a sua extinção de fato e de direito e a responsabilização do sócio sem a prova necessária, configuramse vícios insanáveis, por inexistir o pólo passivo da relação jurídicotributária. Nesse sentido é majoritário o entendimento dos colegiados, conforme se verifica nas ementas abaixo transcritas: “LANÇAMENTO FORMALIZAÇÃO CONTRA EMPRESA EXTINTA ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A extinção da pessoa jurídica, por qualquer forma que seja (incorporação, cisão ou distrato, para exemplificar) e o Fl. 289DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 6 5 cancelamento de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária dada como ocorrida "(Acórdão n° 10321.959, Sessão de 18/05/2005, Relator:Victor Luis de Salles Freire. Unânime) DISSOLUÇÃO RREGULAR DE PESSOA JURÍDICA ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Anulamse os lançamentos efetuados em nome de pessoa jurídica que se encontrava extinta, desde o início da ação fiscal, inclusive. Processo anulado. (Acórdão 2° Conselho de Contribuintes. 3° Câmara. 20312.440, Sessão de 21/09/2007, Relator Odassi Guerzoni Filho. Aprovado por unanimidade). SOCIEDADE EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. A pessoa jurídica dissolvida por deliberação social não é titular de direitos, nem sujeito de obrigação. Os direitos se transmitem aos seus membros de acordo com a vontade expressa no contrato de dissolução e as obrigações, inclusive as tributárias., por força de lei. Recurso de oficio a que se nega provimento. (Acórdão 1° CC. 3° Câmara, n° 10322.779, Sessão de 06/12/2006, aprovado por maioria de votos).” Outrossim, entendo que ao contrário do que alega a douta PFN o erro na identificação do sujeito passivo no presente caso não pode ser tratado como erro formal e sim vício material. Vicio formal, à luz do art. 10 do Decreto 70.235/1972 ocorreria na hipótese de simples erro na transcrição do nome do sujeito passivo. Na situação versada nos autos o que ocorreu foi mesmo equivoco na interpretação das normas tributárias por parte da autoridade fiscal. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 290DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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