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Numero do processo: 10840.900017/2012-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/05/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/05/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 17 /2 01 2- 72 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.900017/201272 Acórdão n.º 9303007.182 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.470, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/05/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900017/201272 Acórdão n.º 9303007.182 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900017/201272 Acórdão n.º 9303007.182 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.900017/201272 Acórdão n.º 9303007.182 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10840.900017/201272 Acórdão n.º 9303007.182 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10952.720270/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. APURAÇÃO INCORRETA DA BASE DE CÁLCULO. AJUSTE. INOCORRÊNCIA.
A mera constatação de erro na apuração da base de cálculo, passível de correção, não enseja a nulidade do lançamento.
NULIDADE. APLICAÇÃO DE PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA.
A hipótese legal de presunção de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, dispensa o Fisco de provar o consumo da renda representada pelos créditos cuja origem não foi comprovada, com vistas à caracterização do fato gerador do imposto de renda, qual seja a disponibilidade econômica ou jurídica da renda.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO.
Se o contribuinte, regularmente intimado a justificar e comprovar a origem de recursos creditados em sua contas bancária, não se desincumbe de seu mister, revela-se correta a aplicação da presunção legal de omissão de receitas.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE.
Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelando-se inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos.
MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA DE OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Evidenciada apenas a falta de recolhimento dos tributos devidos e inexistindo elementos suficientes para caracterizar o dolo do sujeito passivo no sentido de ocultar suas receitas ao Fisco, é inaplicável a qualificação da multa. Aplicação da Súmula CARF nº 14.
Numero da decisão: 1302-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por manter a aplicação da multa qualificada quanto ao 3º e 4º trimestre. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 NULIDADE. APURAÇÃO INCORRETA DA BASE DE CÁLCULO. AJUSTE. INOCORRÊNCIA. A mera constatação de erro na apuração da base de cálculo, passível de correção, não enseja a nulidade do lançamento. NULIDADE. APLICAÇÃO DE PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. A hipótese legal de presunção de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, dispensa o Fisco de provar o consumo da renda representada pelos créditos cuja origem não foi comprovada, com vistas à caracterização do fato gerador do imposto de renda, qual seja a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO. Se o contribuinte, regularmente intimado a justificar e comprovar a origem de recursos creditados em sua contas bancária, não se desincumbe de seu mister, revela-se correta a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelando-se inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA DE OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Evidenciada apenas a falta de recolhimento dos tributos devidos e inexistindo elementos suficientes para caracterizar o dolo do sujeito passivo no sentido de ocultar suas receitas ao Fisco, é inaplicável a qualificação da multa. Aplicação da Súmula CARF nº 14.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por manter a aplicação da multa qualificada quanto ao 3º e 4º trimestre. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE. APURAÇÃO INCORRETA DA BASE DE CÁLCULO. AJUSTE. INOCORRÊNCIA. A mera constatação de erro na apuração da base de cálculo, passível de correção, não enseja a nulidade do lançamento. NULIDADE. APLICAÇÃO DE PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. A hipótese legal de presunção de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, dispensa o Fisco de provar o consumo da renda representada pelos créditos cuja origem não foi comprovada, com vistas à caracterização do fato gerador do imposto de renda, qual seja a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO. Se o contribuinte, regularmente intimado a justificar e comprovar a origem de recursos creditados em sua contas bancária, não se desincumbe de seu mister, revelase correta a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelandose inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA DE OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 72 02 70 /2 01 3- 68 Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 845 2 Evidenciada apenas a falta de recolhimento dos tributos devidos e inexistindo elementos suficientes para caracterizar o dolo do sujeito passivo no sentido de ocultar suas receitas ao Fisco, é inaplicável a qualificação da multa. Aplicação da Súmula CARF nº 14. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por manter a aplicação da multa qualificada quanto ao 3º e 4º trimestre. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 846 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1465.336, de 13 de abril de 2017, proferido pela DRJRibeirão Preto/SP, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo contra os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, efetuada por meio dos competentes autos de infração. O lançamento foi efetuado com base em divergência apurada pela fiscalização entre os valores escriturados na escrita fiscal e contábil do sujeito passivo e os valores informados em DIPJ e DCTF e, ainda, com base em créditos bancários cuja origem não foi identificada/comprovada pelo sujeito passivo. À primeira infração foi imputada a multa de ofício qualificada de 150%, sendo que à segunda infração aplicouse a multa de ofício de 75%. A decisão de primeiro grau está sintetizada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS. Excluemse da base de cálculo do IRPJ as saídas de mercadorias escrituradas no livro de Apuração do ICMS que não representam receita. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 847 4 Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do acórdão de primeiro grau em 11/05/2017 (fls. 803), a recorrente interpôs recurso voluntário no qual repete, em síntese, os argumentos trazidos em sua impugnação, do qual destacase: a) a nulidade da parte da autuação com base na escrita fiscal, tendo em vista a inclusão equivocada de valores referentes à saídas, escriturados no livro fiscal do ICMS, como receitas omitidas, mas que não correspondem de fato à vendas de mercadorias; b) a nulidade do lançamento fundamentada exclusivamente em depósitos bancários de origem não comprovada, haja vista que não caracterizam disponibilidade de renda e proventos, não podendo por consequência, caracterizarem sinais exteriores de riqueza; Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 848 5 c) que, ainda que não seja mantida a tributação com base em depósitos bancários, ainda assim o lançamento não deve prosperar vez que os depósitos considerados pela fiscalização para fundamentar essa parte da autuação são na verdade empréstimos recebidos o que pode ser constado pelo próprio histórico das entradas tida como depósitos não justificados, que discrimina "CRED TED", que significa recursos vindos de fundos de empréstimos; d) que mesmo que não fossem empréstimos a origem desses depósitos como não justificados, de toda sorte descaberia essa parte do lançamento, uma vez que também estão sendo tributadas as receitas com base no faturamento, sob pena de se exigir dupla tributação; e) que deve ser decotado o ICMS da base de cálculo do lançamento do PIS e da Cofins, pois não se enquadra no conceito de faturamento, conforme decisão do STF; f) que a multa de ofício aplicada é abusiva e ilegal e que não restou caracterizada o intuito doloso ou fraudulento do sujeito passivo, pois a simples declaração inexata de receita não o revela, mormente tendo o lançamento sido amparado integralmente nos livros contábeis e fiscais do contribuinte. Ao final pede o cancelamento da autuação. É o relatório. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 849 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. Preliminares de nulidade A recorrente sustenta, inicialmente, a nulidade do lançamento, tendo em vista a inclusão equivocada de valores referentes à saídas, escriturados no livro fiscal do ICMS, como receitas omitidas, mas que não correspondem de fato à vendas de mercadorias. Não é caso de nulidade. Tratase de matéria atinente ao mérito, concernente à apuração da base tributável dos tributos exigidos. A questão foi corretamente apreciada, nesse sentido, pelo colegiado recorrido que, inclusive, deu razão à recorrente, procedendo a ajustes na base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, conforme se colhe do voto condutor, verbis: Receita de Revenda. A contribuinte alega que a apuração da receita está incorreta, pois foram consideradas saídas escrituradas no livro de Apuração do ICMS, no qual estão incluídos valores que não representam receita. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 49 a 56), foram tributados os seguintes valores de “saídas de mercadorias” contidos nos quatro livros de apuração do ICMS, apresentados pela contribuinte: [tabela omitida] Observase, nos livros de apuração do ICMS (fls. 340 a 367 e 468 a 495), que assiste razão à contribuinte, pois foram considerados no total da receita mensal tributada valores de saídas lançados com os códigos 6202 (devolução de mercadorias) e 6915 (remessa de mercadorias para conserto), os quais não correspondem à receita auferida, motivo pelo qual devem ser excluídos da tributação. A seguir, demonstrase o total das receitas tributadas: [tabela omitida] Desta feita, não há que se falar em nulidade da autuação, pois a mera constatação de erro na apuração da base de cálculo, passível de correção, não enseja a nulidade do lançamento. A recorrente alega, ainda, a nulidade do lançamento fundamentada exclusivamente em depósitos bancários de origem não comprovada, haja vista que não Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 850 7 caracterizam disponibilidade de renda e proventos, não podendo por consequência, caracterizarem sinais exteriores de riqueza. Também não assiste razão à recorrente quanto ao ponto. Tratase de aplicação hipótese legal de presunção de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que dispensa o Fisco de provar o consumo da renda representada pelos créditos cuja origem não foi comprovada, com vistas à caracterização do fato gerador do imposto de renda, qual seja a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Ao Fisco impõese apurar e comprovar o fato indiciário (existência de depósito ou crédito em conta bancária do contribuinte) e intimálo a justificar cada crédito individualizadamente. Não logrando o sujeito passivo a comprovar a origem dos recursos, seja em face de operações já tributadas ou não sujeitas à tributação (tais como o alegado empréstimo), presumese caracterizada a omissão de receitas. Neste sentido, como bem apontou a decisão recorrida, a Súmula CARF nº26, verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. Mérito No mérito, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, no sentido de que, ainda que não seja mantida a tributação com base em depósitos bancários, ainda assim o lançamento não deve prosperar vez que os depósitos considerados pela fiscalização para fundamentar essa parte da autuação são na verdade empréstimos recebidos o que pode ser constado pelo próprio histórico das entradas tida como depósitos não justificados, que discrimina "CRED TED", que significa recursos vindos de fundos de empréstimos. Defende que mesmo que não fossem empréstimos a origem desses depósitos como não justificados, de toda sorte descaberia essa parte do lançamento, uma vez que também estão sendo tributadas as receitas com base no faturamento, sob pena de se exigir dupla tributação. Esta questão foi bem enfrentada no acórdão recorrido, cujos fundamentos transcrevo abaixo e adoto como razões de decidir, para negar provimento ao recurso nesta parte, verbis: [...] Quanto à alegação de que os depósitos tributados pela fiscalização são empréstimos recebidos, o que poderia ser verificado pelo histórico das entradas na conta corrente que discrimina "CRED TED", observase que esse histórico indica apenas tratarse de transferência eletrônica, a qual não se refere a Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 851 8 empréstimo bancário. Ao ser intimada, durante o procedimento fiscal, a contribuinte não comprovou que tais transferências foram acobertadas por contratos de empréstimos e mesmo em sua contabilidade não constava os registros de tais operações. Também, na fase impugnatória, não foram apresentados quaisquer documentos para comprovar essa alegação. Com relação à alegação de que não há omissão de receitas baseada em depósitos não justificados, uma vez que as receitas tidas como escrituradas são superiores aos depósitos, temse que foram tributados apenas os valores de R$ 238.910,61, depositado em 29/04; R$ 185.527,25, creditado em 10/07 e R$ 156.314,07, depositado em 22/09, na Caixa Econômica Federal, ag. 1558 c/c 10636, e alguns valores creditados no Banco do Brasil, para os quais não foram encontrados lançamentos contábeis nas contas relativas à venda de mercadorias, tampouco a empréstimos recebidos. Dessa forma, não procede essa alegação. Na sequência a recorrente alega que, se mantida a autuação, ao menos deve ser decotado o ICMS da base de cálculo do lançamento do PIS e da Cofins, pois não se enquadra no conceito de faturamento, conforme decisão do STF. Com efeito, durante o julgamento do RE nº 574.706 com Repercussão Geral reconhecida sob o tema 691, o Supremo Tribunal Federal STF analisou o conceito constitucional de faturamento e receita para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, decidindo pela inconstitucionalidade da inclusão dos valores destacados a título de ICMS na base de cálculo daquelas contribuições. Veja ementa do Acórdão, publicado em 02/10/2017: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 852 9 operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29 092017 PUBLIC 02102017) O Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, parágrafo 2º do Anexo II1, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática dos arts. 1036 a 1041 do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Não obstante, no caso sob exame, até a data em que foi proferido o presente acórdão, não houve o trânsito em julgado do RE º 574.706, tendo em vista o pedido de modulação de efeitos elaborado pela União Federal. Desta feita, não sendo ainda definitiva a decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelase inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. De outra parte, impõese observar que a recorrente não alega, nem tampouco comprova ser autora de ação judicial, em caráter individual ou coletivo, com trânsito em julgado favorável, nos termos suscitados em seu recurso. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação. Por fim, a recorrente alega que a multa de ofício aplicada é abusiva e ilegal e que não restou caracterizada o intuito doloso ou fraudulento do sujeito passivo, pois a simples declaração inexata de receita não o revela, mormente tendo o lançamento sido amparado integralmente nos livros contábeis e fiscais do contribuinte. No tocante a alegação de abusividade ou ilegalidade da multa de ofício aplicada, verificase que as mesmas estão previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, de modo que sua aplicação pela autoridade fiscal é vinculada e obrigatória. Com relação à aplicação da multa de ofício qualificada sobre a infração apurada de Receitas da Atividade Escriturada e Não Declarada, no entanto, entendo que assiste razão à recorrente. O Termo de Verificação Fiscal assim justificou a sua aplicação, verbis: 5 A INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA – MULTA QUALIFICADA No presente procedimento é aplicável a multa qualificada de 150% sobre o crédito tributário constituído a partir da omissão de receita proveniente da venda de mercadorias, cujos tributos não foram pagos, parcelados, compensados ou confessados à administração tributária federal. 1 Art. 61. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 853 10 O levantamento e o cotejamento dos valores das receitas auferidas, a partir da contabilidade apresentada pelo sujeito passivo, das declarações prestadas ao longo do procedimento fiscal e de suas obrigações tributárias acessórias, permitem concluir pela prática reiterada de omissão de receitas da atividade, em todos os fatos geradores tributários do anocalendário sob análise. A apuração de omissão de receitas, de acordo com as circunstâncias elencadas neste relatório comprova a infração penal, intencional, à legislação tributária federal, ou seja, o não cumprimento de suas obrigações principais (pagamento dos tributos) e acessórias (ausência de declarações corretamente preenchidas relativas a receitas e tributos devidos), na modalidade sonegação fiscal. A prática de declarar receitas diversas a entes tributantes distintos (fiscos federal e estadual), de maneira sistemática e reiterada, evidencia, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir ou dificultar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes ao auferimento de receitas e lucros, o que caracteriza sonegação. A circunstância de manter em sua escrituração comercial e fiscal valores de receitas superiores aos informados nas declarações DIPJ (informada com todos os campos “zerados”) e DCTF, além de não ter pago os tributos devidos, de forma reiterada, durante todo o anocalendário de 2009, obviamente não pode ser creditada a simples erro contábil, ou de preenchimento da declaração, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Tivesse o sujeito passivo outra intenção, teria voluntariamente tomado a iniciativa de retificar suas declarações fiscais, confessando, parcelando ou pagando os tributos devidos. Tempo não lhe faltou para tanto, tendo em vista o lapso temporal desde os fatos geradores apurados e o início do presente procedimento fiscal. Deve ser lembrado que o sujeito passivo era assistido tecnicamente específica por profissionais contábeis por ele contratados, à época dos fatos geradores aqui apurados. Por conseguinte, a conduta lesiva do sujeito passivo revela a intenção de eximirse, deliberada e persistentemente, do pagamento de parte significativa dos impostos e contribuições devidos à administração tributária federal. Agiu, assim a fiscalizada, por sua conta e risco e não pode se esquivar das conseqüências tributárias impostas, qual seja, a aplicação da multa qualificada de 150%. No caso concreto, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º e § 2º, II, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, “in verbis”: [...] Isso porque, à luz da legislação acima transcrita, constitui hipótese de qualificação da multa de ofício a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, nos seguintes termos: sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 854 11 circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; e conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos anteriormente como sonegação ou fraude. Ficou assim demonstrado que a fiscalizada agiu dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais. Examinando os elementos dos autos, verificase que, com relação aos valores apurados pela fiscalização quanto aos dois primeiros trimestres de apuração, é ínfima a diferença entre os valores dos tributos apurados e informados na DCTF semestral (fls. 595/602) e os valores lançados nos Auto de Infração (fls. 2/48). Com relação aos dois trimestres seguintes (3ª e 4º), verificase que, de fato, o contribuinte apresentou DCTF semestral (fls. 603), sem indicação de qualquer valor de tributo à recolher. Também a DIPJ do exercício 2010 foi apresentada com todos os campos de valores zerados. No entanto, a própria fiscalização destacou em seu TVF que, o valor das saídas das mercadorias apurado pelo contribuinte para fins de cálculo do ICMS é bastante próximo dos valores registrados nos livros comerciais e que o valor da receita da atividade apurado era muito superior aos depósitos bancários a serem justificados, verbis: Percebese que o valor acumulado de “saídas de mercadorias” (resultado do exercício),apurado pelo próprio contribuinte para o fim de cálculo do tributo ICMS, R$ 3.994.761,75, é bastante próximo do contido em seus livros comerciais, R$ 3.973.223,89, o que sugere sua adequação para os objetivos deste procedimento fiscal. Em função do valor apurado da receita da atividade ser em muito superior ao valor dos depósitos bancários a serem justificados, além do fato de que para boa parte dessa receita haver a certeza do seu recebimento pela via bancária (cartões de débito e crédito), além dos valores desses depósitos, exceto os referidos nas alíneas A) e B) deste item 3.4, estarem devidamente registrados na escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, há de se considerálos como justificados, oriundos da receita da atividade, afastandose assim a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. (destaquei me negrito) Ora, no presente caso me pareceu evidenciada apenas a falta de recolhimento dos tributos devidos, inexistindo elementos suficientes para caracterizar o dolo do sujeito passivo no sentido de ocultar suas receitas ao Fisco. A apresentação da DIPJ e da DCTF do segundo semestre, com valores zerados não me parecem suficientes para caracterizar a intenção de "impedir ou retardar o total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10952.720270/201368 Acórdão n.º 1302003.038 S1C3T2 Fl. 855 12 fato gerador da obrigação tributária principal" ,e, muito menos, de alterar "sua natureza ou circunstâncias materiais, mediante a exclusão ou modificação de suas' características essenciais". Tendose em conta que o contribuinte escriturou regularmente suas receitas e sua movimentação financeira, da qual se valeu o Fisco, sem qualquer dificuldade, para exigir os tributos devidos e não recolhidos, me parece perfeitamente aplicável ao caso concreto, o disposto na Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa qualificada, reduzindo a multa de ofício aplicada ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 855DF CARF MF
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Numero do processo: 13654.720256/2016-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.904707/2009-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente (DRF/Fortaleza) analise a documentação acostada à manifestação de inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente (DRF/Fortaleza) analise a documentação acostada à manifestação de inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. RELATÓRIO Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0825.915, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR que, na sessão de julgamento realizada em 10.07.2013 (efls. 54 a 58), que reconheceu em parte o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp 06336.26589.110406.1.3.045161. Da ementa do acórdão recorrido A mencionada Turma de julgamento da DRJ/FOR, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 04 70 7/ 20 09 -6 0 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 123 2 Anocalendário: 2005 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 06336.26589.110406.1.3.045161. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de Cofins (cód. 2172), efetuado em 31/01/2006. O Despacho Decisório (fls. 07/08) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 124 3 O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado da decisão, o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 10), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, alegando que efetuou as retificações necessárias da DCTF depois do decisório. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 62 a 119), para aduzir, após síntese dos fatos, que: (i) no período em referência emitiu faturas contra as empresas CBEE Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (doc. 03), referente à potência garantida, e Manaus Energia S/A (doc. 04), relativo à energia fornecida, mas que não obstante os valores de face das referidas faturas, mencionados montantes sofreram glosas por parte das empresas pagadoras (doc. 05); (ii) excluídas referidas glosas e as retenções de tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), o valor efetivamente recebido é de R$ 9.935.252,45 (doc. 06), conforme evidencia seu Livro Razão (doc. 07), evidenciando um recolhimento a maior na ordem de R$ 20.139,02, uma vez que o valor do recolhido, mediante Darf, foi de R$ 44.934,53 (cód. 2172) e o saldo a recolher de Cofins no período perfazia a valor de R$ 24.795, 51; (iii) a representação do fato, na espécie, tem sua causa originária em fatos anteriores à DCTF retificadora, o que não pode ser negado pela autoridade fazendária, na medida em que um dos princípios que informam o processo administrativo é o da verdade material, bem como no fato de o Colegiado ad quem vem admitindo as provas carreadas aos autos dentro do prazo recursal, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado, acompanhando a inclinação doutrinária e jurisprudencial moderna, no sentido de se abrandar os rigores das regras preclusivas prescritas no Direito Administrativo, em atenção, também, ao princípio da efetividade do processo, que objetiva um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um desiderato de cunho social, sendo dever do julgador conduzir o exame das questões de forma a conciliar, com razoabilidade, os valores e os princípios que norteiam o processo administrativo, procurando harmonizar a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas. Desta feita, com base nos elementos fáticos e jurídicos arguidos, bem assim fundada nas provas ora colhidas, requer seja dado provimento ao presente recurso voluntário, no sentido de cassar o acórdão recorrido, para reconhecer e deferir o pedido de compensação formulado. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 22.10.2013 (efl. 121), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 125 4 É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 10.09.2013, conforme depreendese da sua "Folha de Rosto", depois da ciência ocorrida em 13.08.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 60), portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese, verbis: (...) O cerne da questão referese a comprovação da base de cálculo do tributo. (...) O requerente retificou a DCTF em 07/05/2009 (fl. 22) relativa ao suposto pagamento indevido depois da ciência do despacho decisório (conforme fl. 07/04/2009). Com essas retificações, exsurgiria em prol do requerente o alegado crédito. Está claro que o decisório levou em conta as informações prestadas na DCTF original, na qual se registra débito de Cofins igual ao pagamento objeto do pedido, donde a inexistência de crédito. O administrado pretende comprovar que o pagamento foi realizado em montante indevido, tendo em conta o débito informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, c/c o §1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com a DIPJ, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo dos tributos, sem, portanto, força de confissão. Ademais, se há contradição entre DIPJ e DCTF, não se pode aferir a priori qual dos dois documentos apresenta a informação correta, somente dissipando se a dúvida com a escrituração do administrado, que não foi aduzida aos autos. Em vista disso, é pertinente perquirir acerca da possibilidade jurídica de o requerente fazêlo e da eficácia probatória que a DCTF retificadora carreia na comprovação do alegado indébito. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 126 5 A primeira questão suscita o tema concernente à natureza do despacho impugnando. Nesse passo, é conveniente lembrar que o referido decisório tem por objeto o procedimento adotado pelo contribuinte de antecipar o recolhimento (ou a compensação) do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a fim de testificar a exatidão do pagamento ou compensação em face do tributo devido segundo levantamento da autoridade fiscal isso no âmbito dos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação (art. 150 do Código Tributário Nacional CTN). (...) Sendo o despacho decisório o próprio lançamento por (não)homologação, há de se lhe aplicar o princípio da imutabilidade do lançamento (regularmente notificado ao sujeito passivo), já que só admite seja ele alterado nas situações expressamente contidas nos incisos do art. 145 do CTN, verbis: (...) As duas primeiras hipóteses são ocorrentes no processo administrativo tributário, ou seja, o lançamento pode ser alterado mediante voluntária contestação do sujeito passivo à exigência do crédito tributário lançado de ofício ou defluente da não homologação da autocompensação (via PER/DCOMP, p.ex.); ou por meio do obrigatório recurso, que a autoridade judicante de primeira instância administrativa interpõe de suas decisões favoráveis ao contribuinte. Já a terceira, temse a revisão de ofício cabível em todos os casos enumerados no art. 149 do CTN. Como a apresentação da declaração retificadora não se enquadra numa das exceções taxativas, concluise que tal mecanismo não é instrumento hábil a modificar o despacho decisório regularmente notificado ao contribuinte. A par disso, a retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações existentes à época da decisão, nas quais corretamente está lastreado o decisório. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez, o requerente deveria (além de ter retificado a DCTF) ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu pedido, uma vez que a Administração demonstrou que o pagamento, pretensamente a maior, já havia sido utilizado para quitar o próprio débito de tributo no mês de apuração. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que o alega ter (art. 333, I, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da interposição da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Eis o teor dos dispositivos legais mencionados: (...) Assim, em princípio avultase correto o ato da Administração em não homologar a compensação declarada, pois a comprovação da Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 127 6 disponibilidade do crédito somente pode ser aferida em relação à DCTF vigente no momento do decisório, que era a DCTF antes de ser retificada. No segundo momento, verificase que o requerente não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora. Em arremate, cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação. Na espécie, como o administrado não aduziu tal documentação, a DCTF retificadora não se sustenta. (...) Da diligência Esclareçase que não obstante a moderna tendência de mitigarse os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entendo que para aplacarse tais regras o comportamento do sujeito passivo é determinante, ou seja, uma vez ciente dos motivos pelos quais as provas até então por ele coligidas não foram consideradas suficientes para seu desiderato, é seu dever procurar envidar esforço no sentido de sanar tais lacunas probatórias. Em síntese, deve o interessado agir de forma proativa, ou seja, empenhandose antecipadamente para comprovar o direito que alega possuir, para que tornese, inclusive possível aventar o novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo Novo Código de Processo Civil Lei 13.105 de 16.03.2015, cujo artigo 6º afirma: “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Feito este brevíssimo esclarecimento, passese à análise do presente feito. Compulsando os autos verificase que o pedido de compensação do recorrente foi indeferido, por meio de despacho decisório eletrônico, número de rastreamento 824966727, em decorrência da inexistência de crédito, é o que depreendese da sua fundamentação, a seguir reproduzida, verbis: 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 20.139,02. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 128 7 relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por sua vez, temse que o recorrente apresentou, além do Darf, a DCTF e a Dacon retificadoras, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade, que no seu entender estaria sanada a irregularidade apontada no referido despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação, desta feita, sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer documento contábil/fiscal que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, o fundamento da decisão recorrida está assentado na falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O sujeito passivo, por seu turno, ao apresentar o presente recurso voluntário, não obstante ainda manter sua compreensão pela suficiência da apresentação da DCTF e Dacon retificadoras para comprovar o alegado direito à compensação, de forma proativa, carreou também aos autos as faturas emitidas contra as empresas CBEE Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial e Manaus Energia S/A, as notas fiscais de saída de fornecimento de energia, emitidas contra a empresa Manaus Energia S/A, a planilha, na qual condensa as informações quanto às glosas e retenções já referenciadas, além do montante de Cofins devido para o período em questão, os extratos bancários informando depósitos efetuados em seu favor e os extratos do livro Razão, do período compreendido entre 01.10.2005 a 31.12.2005 e 01.01.2006 a 30.06.2006. Não obstante assistir razão ao Colegiado recorrido quando assenta ser condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos dispostos no artigo 170A da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), a meu sentir, na medida em que a documentação ora juntada faz emergir razoável certeza quanto à liquidez do alegado direito creditório e tendo em conta as balizas antes explicitadas, bem assim a necessidade de se conduzir o exame das questões probatórias de forma a conciliar, com razoabilidade, os valores e os princípios que norteiam o processo administrativo, a fim de harmonizar a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade competente do órgão fiscal de jurisdição do sujeito passivo analise a documentação acostada à manifestação de inconformidade, complementada pelos documentos apresentados conjuntamente com o recurso voluntário. Também, se assim desejar, intime o interessado para apresentar outros elementos de prova que entenda necessário para evidenciar a existência do direito creditório utilizado na compensação dos tributos declarados como devidos. Desta forma, devem os presentes autos retornar para a DRF/Fortaleza atendimento da diligência determinada. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10380.904707/200960 Resolução nº 3001000.119 S3C0T1 Fl. 129 8 Outrossim, findados os exames, deverá ser elaborado relatório conclusivo sobre os fatos nela apurados, manifestandose objetivamente sobre a existência ou não do direito creditório pleiteado para fins de compensação com os débitos declarados no Per/Dcomp 06336.26589.110406.1.3.045161. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este Colegiado, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002354/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
PROCESSO REFLEXO. SEGURANÇA JURÍDICA.
Há que se considerar decisão transitada em julgado em processo reflexo que não foi juntado por anexação por ineficiência da entidade pública.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Os Conselheiros do CARF são incompetentes para tratar de inconstitucionalidade de norma jurídica.
POSTERGAÇÃO DE RECEITA.
Os valores não tributados em um ano-calendário, mas oferecidos a tributação em períodos posteriores devem ter tratamento de postergação de receita, nos termos legais.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXONERAÇÃO PARCIAL.
Deve ser exonerada de tributação a parcela dos depósitos bancários cuja origem seja comprovada e que tenham sido oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 1302-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, que foi substituído pelo conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, que foi substituído pelo conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado)
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PROCESSO REFLEXO. SEGURANÇA JURÍDICA. Há que se considerar decisão transitada em julgado em processo reflexo que não foi juntado por anexação por ineficiência da entidade pública. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Os Conselheiros do CARF são incompetentes para tratar de inconstitucionalidade de norma jurídica. POSTERGAÇÃO DE RECEITA. Os valores não tributados em um anocalendário, mas oferecidos a tributação em períodos posteriores devem ter tratamento de postergação de receita, nos termos legais. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Deve ser exonerada de tributação a parcela dos depósitos bancários cuja origem seja comprovada e que tenham sido oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, que foi substituído pelo conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 54 /2 00 5- 30 Fl. 1505DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, que foi substituído pelo conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) Relatório A Empresa acima qualificada apresentou Recurso Voluntário contra acórdão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo 1, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o lançamento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), crédito tributário de R$672.083,21 e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), crédito tributário de R$147.921,85. Os lançamentos se referem aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Em sessão de 3 de setembro de 2013 a 1ª Turma Especial exarou acórdão dando parcial provimento ao recurso voluntário, fundamentando sua decisão unicamente nos motivos apresentados no julgamento dos lançamentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) realizados no processo nº 19515.002353/200595, julgado em 8 de outubro de 2013 pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho. A PGFN apresentou embargos apontando a precariedade do acórdão, mesmo porque a decisão da 2ª Turma, que serviu de alicerce ao julgado, estaria pendente de formalização, inapta a definir o julgamento do PIS e da Cofins em discussão nos autos. Admitidos, os embargos foram julgados por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que, em sessão de 12 de abril de 2017, decidiu anular o acórdão embargado para que fosse proferida nova decisão em relação ao recurso voluntário. Vieram os autos, por sorteio. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O recurso é tempestivo e a representação está documentada, pelo que, dele conheço. Preliminares Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.506 3 Sobre as referidas afrontas a princípios constitucionais, fique registrado que aos Conselheiros do CARF não é dado deixar de aplicar norma jurídica por análises de constitucionalidade e que, no caso concreto, o lançamento albergouse em lei formal que atribui inversão do ônus da prova, por presunção. É o que prevê o Regimento Interno, Anexo II, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A autoridade administrativa fez uso do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, lançando, após intimação à empresa para que comprovasse a origem dos depósitos bancários, os valores de origem nãocomprovada. Tratase de presunção juris tantum, permitindose a apresentação de provas que a afastem. Os valores decorrentes desta presunção são considerados receitas da atividade da Empresa, pelo que compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, nada há que macule, preliminarmente, o lançamento. Compulsando os autos do processo nº 19515.002353/200595, que diz respeito aos lançamentos de IRPJ e CSLL, vêse que o presente processo é reflexo daquele, nos termos do inciso III, do § 1º do artigo 6º do Anexo II do RICARF, uma vez que tratase do mesmo procedimento fiscal e dos mesmos elementos de prova, diferindo apenas em relação aos tributos lançados: PIS e Cofins, no caso. Todavia, como não compuseram um único processo, tampouco foram vinculados nesta casa, encontramse em fases distintas, uma vez que aquele já foi objeto de decisão administrativa transitada em julgado. A Recorrente entendeu que existiriam 3 processos: uma para o IRPJ e CSLL (19515.002353/200595), um para a Cofins (19515.002354/200530) e um para o PIS (19515.002359/200562). pelo que requer preliminarmente que sejam apensados para julgamento em conjunto. Ocorre que o presente processo versa sobre os lançamentos de PIS e de Cofins, como se vê dos Termos de Verificação e autos de infração. O requerimento de juntada se mostra impossível, uma vez que os processos encontramse em fases distintas: o 19515.002353/200595 já tem decisão administrativa transitada em julgado; o presente (19515.002354/200530) pendente de decisão em recurso voluntário. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de folhas 515 e seguintes, verificase que a Auditora Fiscal da Receita Federal considerou, para o PIS, uma base de cálculo correspondente à soma dos depósitos bancários de origem não comprovada e dos recebimentos de clientes não oferecidos à tributação. Após calcular a contribuição devida, subtraiu o valor declarado em DCTF, lançando a diferença. O mesmo procedimento foi adotado em relação à Cofins, como se lê no TVF de folhas 88 e seguintes. Fl. 1507DF CARF MF 4 O cálculo é resumido nas tabelas de folhas 90 (Cofins) e 517 (PIS). Tratandose de autos de infração reflexos, consideram as infrações atribuídas ao lançamento de IRPJ e CSLL, quais sejam: a omissão de receitas presumida, em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada; e, resultados operacionais nãodeclarados no anocalendário de 2000. Pois bem, este julgador enfrenta processo que deveria ter integrado o julgado relativo ao IRPJ e à CSLL, uma vez que desde a Portaria SRF 6.126, de 2005, passando pelas Portarias SRF 666, de 2008; 354, de 2016 e 1668, de 2016, considerando ainda o vínculo previsto no RICARF em seu artigo 6º, § 1º inciso III, todos do Anexo II, os lançamentos que decorram do mesmo procedimento fiscal e calcados nos mesmos elementos probantes devem ser reunidos em um mesmo processo, evitando que sejam exaradas decisões conflitantes. Uma vez que existem processos distintos, cabe, quanto aos argumentos e motivos idênticos das duas defesas apresentadas, acolher o resultado do julgado do processo geralmente chamado de principal (IRPJ e CSLL) ou devese proceder análise independente, decidindo como se os processos não tivessem relação? Não há previsão normativa que obrigue o acolhimento do decidido no processo de IRPJ quando não é feita a juntada por anexação prevista na norma da Receita Federal, ou da norma do RICARF, que está, inclusive, redigida com a expressão "podem ser vinculados". Tampouco é prevista consequência do seu descumprimento. Sabemos que o procedimento de juntada objetiva a segurança jurídica, visando a evitar que o mesmo fato, comprovado com os mesmos elementos, tenha interpretações diversas, ante olhos e momentos díspares. Mais difícil é saber como conduzir o julgado quando se observa que, no caso sub judice, no que diz respeito ao julgado do IRPJ, tivemos uma decisão limítrofe, com voto de qualidade. O que deve prevalecer: o entendimento da turma que julga o processo do PIS e da Cofins ou a segurança jurídica, respeitando as consequências de julgado externo e alheio às convicções desta Turma, mas que dá ao contribuinte a certeza de uma decisão única para situação idêntica? Decido pela segunda opção e justifico. A uma, não há prejuízo ao Erário, uma vez que o caso passou por todas as instâncias do processo administrativo fiscal que se fizeram apropriadas; a duas, porque não se pode considerar nenhum equívoco de julgamento na decisão adotada no processo de IRPJ e "refletidas neste", considerandose que foram disponibilizados todos os recursos à Fazenda, tendo transitado em julgado a decisão; a três, porque o contribuinte solicitou a juntada dos processos, o que só não ocorreu por conta da demora da administração em cumprir suas próprias normas, o que deveria ter acontecido na origem, digase de passagem; a quatro, entendo que a insegurança jurídica gerada por decisão díspar acarretaria situação surreal à vista da sociedade, inexplicável ao esperto e ao leigo, a demonstrar inaceitável fragilidade do suporte sobre o qual estaria sustentada a tributação; e, finalmente, a cinco, porque o julgamento das contribuições para o PIS e a Cofins tratadas isoladamente sequer são da competência desta Primeira Seção, a teor do inciso IV do artigo 2º do anexo II do RICARF, sendo de responsabilidade da Terceira Seção desta casa. Assim, decido por atribuir a este processo os efeitos do acórdão 1102 000.937 (Recurso Voluntário) e 1302002.104 (Embargos) que passo a analisar, destacando, Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.507 5 inicialmente, que a citação de folhas do processo de IRPJ e CSLL será seguida da expressão "do processo de IRPJ" enquanto que a citação de folhas do processo de PIS e Cofins (em julgamento) não fará referência a que processo pertence. O TVF do processo de IRPJ (fls. 897 do processo IRPJ) descreve duas infrações: I) Movimentação bancária de origem não comprovada, com a seguinte tabela demonstrando a base de cálculo: II) Resultados operacionais não declarados no ano calendário de 2000, com a seguinte tabela demonstrando a base de cálculo: A auditora Fiscal informa que foram lavrados autos de infração próprios para o PIS e a Cofins. O auto de infração de IRPJ (fls. 922 do processo de IRPJ) tem três infrações: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E/OU DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 1509DF CARF MF 6 Aqui são registrados valores para os trimestres dos anoscalendário de 2000 e 2001, quando a Empresa era tributada pelo lucro real. 002 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor correspondente ao lucro operacional escriturado mas não declarado conforme TVF. 003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E/OU DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Aqui são registrados os valores relativos ao anocalendário de 2002, quando a Empresa era tributada pelo lucro presumido. O TVF dos autos de infração de PIS (fls. 515 e seguintes) e Cofins (fls. 88 e seguintes) é descrito que, uma vez constatada movimentação bancária superior à receita declarada, a empresa foi intimada, demonstrando que: 1 parte dos depósitos eram transferências entre contas de mesma titularidade; 2 parte corresponde a empréstimos, estornos e reapresentação de cheques anteriormente devolvidos; e, 3 parte dos depósitos era recebimento de clientes. Não comprovou, contudo, a totalidade dos créditos efetuados em suas contas correntes. Comparando os débitos de PIS e Cofins declarados em DCTF com os valores devidos com base no faturamento (créditos bancários de origem não comprovada somados aos valores para os quais foi informado que seriam recebimentos de clientes), a fiscalização apurou diferenças registrada nas seguintes planilhas: PIS Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.508 7 Cofins Fl. 1511DF CARF MF 8 Da comparação das tabelas que registram a base de cálculo dos TVF do processo de IRPJ e do processo do PIS/Cofins, e dos respectivos autos de infração, constatase que o lançamento dos recebimentos de clientes do PIS/Cofins dos anoscalendário de 2001 e 2002 não são objeto de lançamento no IRPJ e CSLL. O julgamento do processo de IRPJ e CSLL ocorreu em 8 de outubro de 2013 pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção, e o voto vencido do acórdão que julgou o lançamento do IRPJ e da CSLL assim descreveu as infrações: Constituindo o crédito tributário, para os períodos base de 2000, 2001 e 2002, apurandose as irregularidades abaixo indicadas, que resultaram na cobrança de IRPJ e CSLL por: Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.509 9 Movimentação bancária de origem não comprovada nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, as quais a recorrente alega que decorrentes de: o Recebimento de vendas de unidades imobiliárias; o Empréstimos provenientes de um dos sócios; o Cheques devolvidos ou caso de duplicidade. Resultados operacionais não declarados no ano calendário de 2000. Pois bem, com relação aos resultados operacionais não declarados assim decidiu o acórdão do IRPJ e CSLL: II RESULTADOS OPERACIONAIS CONSIDERADOS COMO NÃO DECLARADOS Primeiramente, cabe destacar que durante os exercícios de 2000 e 2001, a recorrente foi optante do regime do lucro real trimestral, e, no exercício de 2002, fez a transição para o lucro presumido. Neste contexto, analisando o item 02 da atuação, referente aos Resultados Operacionais não declarados no ano calendário 2000, afirma a autoridade lançadora que: “[...] A atividade de compra e venda, construção, loteamento e incorporação de imóveis tem procedimentos próprios de apuração do lucro real do período base. Nas vendas a prazo ou em prestações a empresa deixa de reconhecer as receitas e os custos da atividade pelo regime de competência. No caso em tela, e durante o ano de 2.000, havia uma obra em andamento e os apartamentos já teriam sido vendidos no início ou no curso das obras. O contribuinte, contrariando todas as hipóteses levantadas pela legislação, lançou os recebimentos dos clientes durante a execução da obra e os custos incorridos, em resultados de exercícios futuros, acumuladamente, de forma que o valor, a título de exemplo, de R$7.660.170,85, informado no item 23, da ficha 39 A, da DIPJ, na coluna do "ano da declaração" corresponde ao valor total recebido, desde o início da obra. Assim, lavrouse o auto de infração tendo sido considerado, para efeito de base de cálculo do IRPJ e CSLL, como resultado operacional não declarado, o valor de R$1.718.761,81 (total anual). (fls. 897) A autoridade fiscal, a partir da planilhas de Receitas, Custos e Resultados da recorrente presente às fls. 192 e 1241, somou as receitas no ano de 2000, subtraiu os custos do mesmo ano e apurou o resultado operacional escriturada, mas não declarado, conforme planilha a seguir: (...) Destaca ainda que o contribuinte, contrariando todas as hipóteses levantadas pela legislação, lançou os recebimentos dos clientes durante a execução da obra e os Fl. 1513DF CARF MF 10 custos incorridos, em resultados de exercícios futuros, acumuladamente, de forma que o valor, a título de exemplo, de R$ 7.660.170,85, informado no item 23, da ficha 39 A, da DIPJ, na coluna do "ano da declaração" corresponde ao valor total recebido, desde o início da obra (fls. 898). Por outro lado, argumenta a defesa que o lucro operacional foi escriturado e declarado ao término da obra e que este procedimento resulta inexistência de prejuízo para o Fisco, dado que o lucro foi declarado e oferecido à tributação ao término das obras em andamento e está de acordo com o art 413 do Regulamento do Imposto de Renda e Parecer Normativo CST n° 57/79, nos termos da impugnação administrativa (fls. 954 – 984) e do recurso voluntário (fls. 1665 – 1710): Com os procedimentos adotados pela Impugnante, resulta inexistência de prejuízo para o Fisco, dado que o lucro foi declarado e oferecido à tributação ao término das obras em andamento. [...] Configurase, ainda, duplicidade de incidência, na medida em que os valores de depósitos bancários objeto de autuação no item 001 do Termo também fazem parte da base de cálculo do item 002. O acórdão recorrido não acata a tese da recorrente, julgando pela improcedência da impugnação administrativa, sob os seguintes argumentos: i) Os artigos 411 e 413 do RIR/99 determinam que o lucro bruto na venda de cada unidade será apurado e reconhecido quando contratada a venda. Ora, no presente caso, conforme relatado pela auditora fiscal, as unidades já haviam sido vendidas no início ou no curso das obras; ii) À fls. 192/193 dos autos consta uma planilha denominada Saldo da Obra do período de dezembro/1998 a dezembro/2001, onde se discriminam os valores de Receita Custos e Resultado e demonstram claramente que no ano de 2000, ao contrário do que alega o contribuinte, houve apuração de resultados positivos (lucro), os quais serviram de base cálculo para este lançamento, conforme demonstrativo apresentado no TFV (fl. 898); iii) Portanto, restou caracterizado o resultado operacional não declarado, não havendo que se falar em postergação do lucro. Vejase que na DIPJ2001, não foram declarados quaisquer valores a título de Receitas da Unidades Imobiliárias Vendidas (ficha 06 A); iv) Após o procedimento fiscal de diligência, constatouse que os recebimentos dos valores referentes às unidades comercializadas tiveram o débito da conta Bancos e ao invés de terem como lançamento a crédito em contas de Receitas de Unidades Vendidas tiveram como contrapartidas lançamentos a crédito de contas de Passivo, concluindo se que os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovaram que as receitas de vendas de unidades imobiliárias teriam sido oferecidas à tributação. v) Já em relação à autuação por resultados operacionais não declarados no ano calendário 2000, foram constatados valores escriturados, porém não declarados. vi) É possível a ocorrência de algum valor de origem não comprovada e que não esteja declarado, porém caberia ao impugnante Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.510 11 demonstrar claramente a duplicidade. Assim, considerando que os fatos geradores são diversos, cabe a manutenção da exação. Analisando a documentação acostada aos autos, percebese que assiste razão à recorrente. Através da análise das DIPJ 2001 (fls. 38, 39, 40 e 41) e 2002 fls. 76, 77 e 78), notase que nenhum valor foi levado a resultado pela recorrente, com exceção do último trimestre de 2001, no qual foram levadas a Resultado todo o saldo das Contas de Adiantamentos de Clientes. Isso decorreu do errado método de contabilização da recorrente, a qual somente reconhecia o resultado da venda de suas unidades imobiliárias ao final da obra, em violação ao art. 413 do RIR/99 – aspecto este que será analisado em momento oportuno. Conforme analisado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 895 – 909) e no acórdão recorrido (fls. 1634 – 1654), analisandose esses lançamentos contábeis, constatase que os recebimentos dos valores referentes às unidades comercializadas tiveram o débito da conta Bancos e, ao invés de terem como lançamento a crédito as contas de Receitas de Unidades Vendidas conta 411.01.001 de acordo com o Plano de Contas apresentado (fls. 1332 – 1338), tiveram como contrapartidas lançamentos a crédito de contas de Passivo conforme descrição abaixo: Conta 211.06 ADIANTAMENTOS OBRA KENZO Conta 211.07 ADIANTAMENTOS OBRA CUBATÃO Conta 211.08 ADIANTAMENTOS OBRA NAPOLEÃO DE BARROS Através da análise do Razão Analítico referente ao ano 2001 (fls. 1257 – 1282), verificase mês a mês o acúmulo de saldo credor nas referidas contas, até dezembro de 2001, quando foram transferidos para conta de Resultado. Utilizando a mesma planilha (fls. 192 ou 1241) a qual a fiscalização se baseou para autuar a recorrente, vêse o saldo total das receitas auferidas em 1999, 2000 e 2001: Verificando agora os valores declarados na Conta “Receita de Anos Futuros” na DIPJ 2001 (fls. 58) e na conta “Receita Líquida de Atividades” na DIPJ 2002 (fls. 75), temos o seguinte: Comparando os valores, verificamos que os saldos de 1999 e 2001 são coincidentes, e foi declarada uma receita a maior no exercício de 2000 de R$ 30.932,67. Fl. 1515DF CARF MF 12 O saldo total das receitas dos empreendimentos, no valor total de R$ 9.056.758,41, foi de fato declarado e levado à tributação, conforme se constata na análise da DIPJ 2002 (fls. 75), o que corrobora a alegação da recorrente. Analisando mais profundamente os documentos dos autos, é possível se constatar o mesmo através de outros fundamentos da documentação acostada. Somando todas as transferências dos valores para a Conta Resultados efetuadas no Razão Analítico do ano de 2002 (fls. 1257 1282), apresentado pela Recorrente, chegase ao valor de R$ 8.918.418,38 (oito milhões, novecentos e dezoito mil, quatrocentos e dezoito reais e trinta e oito centavos), conforme planilha abaixo: Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.511 13 Fl. 1517DF CARF MF 14 Na DIPJ 2002, ano calendário 2001, verificase que a recorrente declarou como Receita Líquida de Vendas (oferecendo, por conseguinte, à tributação), o valor de R$ 9.056.758,41– fls. 75, como já relatado, sendo a diferença restante, no valor de R$ 138.339,95 (cento e trinta e oito mil, trezentos e trinta nove reais e noventa e cinco centavos), exatamente o valor declarado na DIPJ 2002, ano calendário, 2001, às fls. 99, na Ficha 38A, na Conta Clientes, levado à tributação em decorrência da mudança de regime de tributação (lucro real para lucro presumido). Ou seja, na transição para o lucro presumido, o que ocorrera em 2002, a recorrente levou todo o saldo das contas de “Adiantamentos de Clientes” e os recebíveis da conta “Clientes” clientes para o Resultado, levandoos, por conseguinte, à tributação. De fato, houve a contabilização equivocada por conta da recorrente, a qual deveria obedecer o disposto no art. 413 do RIR99, que aduz que na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o término do anocalendário da venda, o lucro bruto poderá, para efeito de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado de cada período de apuração proporcionalmente à receita da venda recebida, in verbis: RIR/99 Art. 413. Na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o término do anocalendário da venda, o lucro bruto poderá, para efeito de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado de cada período de apuração proporcionalmente à receita da venda recebida, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 29): I o lucro bruto será registrado em conta específica de resultados de exercícios futuros, para a qual serão transferidos a receita de venda e o custo do imóvel, inclusive o orçado (art. 412), se for o caso; II por ocasião da venda será determinada a relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda e, em cada período de apuração, será transferida para as contas de resultado parte do lucro bruto proporcional à receita recebida no mesmo período; III a atualização monetária do orçamento e a diferença posteriormente apurada, entre custo orçado e efetivo, deverão ser transferidas para a conta específica de resultados de exercícios futuros, com o conseqüente reajustamento da relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda, de que trata o inciso II, levandose à conta de resultados a diferença de custo correspondente à parte do preço de venda já recebido; IV se o custo efetivo foi inferior, em mais de quinze por cento, ao custo orçado, aplicarseá o disposto no § 2º do art. 412. § 1º Se a venda for contratada com juros, estes deverão ser apropriados nos resultados dos períodos de apuração a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 29, § 1º). § 2º A pessoa jurídica poderá registrar como variação monetária passiva as atualizações monetárias do custo contratado e do custo orçado, desde que o critério seja aplicado uniformemente (DecretoLei nº 2.429, de 14 de abril de 1988, art. 10). Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.512 15 No ano calendário 2000, deveria ter a corrente levado à tributação os valores auferidos a título de receitas das unidades vendidas, descontados os valores de custo, inclusive o orçado, conforme a legislação regente. Entretanto, não o fez, tendo declarado na DIPJ 2001 o valor de R$ 7.660.170,84, a título de “Receita de Anos Futuros” (fls. 58); e R$ 0,00, a título de “Receita Líquida de Atividades” (fls. 30, 31, 32 e 34) em seus 4 trimestres. O procedimento de contabilização da recorrente se confirma à medida que o procedimento se alonga durante os três primeiros trimestres do ano calendário 2001, quando nenhuma Receita Líquida de Vendas é declarada (fls. 72, 73 e 74). Somente no 4º trimestre de 2001, a recorrente declarou como Receita Líquida de Vendas (oferecendo, por conseguinte, à tributação), o valor de R$ 9.056.758,41– fls. 75 (DIPJ 2002). Diferentemente do asseverado no acórdão recorrido, no qual foi consignado que “restou caracterizado o resultado operacional não declarado, não havendo de se falar em postergação de lucro” (fls. 1651), pedimos vênia para discordar do alegado, no sentido de se entender de que houve sim postergação do lucro, haja vista sua contabilização e sua posterior declaração na DIPJ. Caberia ao fisco verificar os exercícios seguintes e ajustálos, cobrando tão só eventuais diferenças por aumento de alíquotas, correção monetária e juros, mas jamais desconsiderar o valor já declarados nos períodos seguintes. Neste sentido, cabe destacar o Acórdão n° 0105.314 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual a contribuinte, tal qual neste caso, desobedeceu a legislação vigente quanto às regras de contabilização e compensou base de cálculo negativa superior aos 30% permitidos legalmente, tendo se decidido que os valores pagos posteriormente deveriam ter sido levados em consideração pelo lançamento de ofício: Câmara Superior de Recursos Fiscais Processo :10435.000074/200189 Recurso n° :105131.214 Matéria : CSL Recorrente : IVEL IPANEMA VEÍCULOS LTDA. Interessada: FAZENDA NACIONAL Recorrida: 5a CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de: 21 de setembro de 2005 Acórdão n° : CSRF/0105.314 CSL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO — Na situação em que o contribuinte desobedeceu o limite de 30%, mas em períodobase posterior apurou tributo a pagar Fl. 1519DF CARF MF 16 sobre lucro que não foi diminuído por compensação, a autoridade fiscal deve verificar os efeitos da postergação da apuração do tributo de um para outro períodobase. Isto é, o montante de CSL do período seguinte, superior àquele calculado se houvesse compensado a base de cálculo negativa correspondente ao saldo existente em face do limite em período anterior, deve ser levado em consideração, sob pena de ser exigida CSL em duplicidade. Recurso especial provido. Com efeito, a recorrente, ao postergar indevidamente a base de cálculo da receita tributável relacionado ao ano calendário 2000, deixou de recolher IRPJ/CSLL relativos a esses fatos geradores em sua apuração trimestral. Antes mesmo de qualquer atuação do Fisco, a recorrente levou tais valores à tributação, e tal fato deveria ter sido levado em consideração no lançamento de oficio, para que se verificasse o efeito desse destempo na apuração e respectivo recolhimento do IRPJ e da CSLL. É importante fazer a observação no sentido de que a fiscalização deveria proceder de modo diverso ao verificado, inclusive no tocante à extinção do crédito tributário apurado nos anos seguintes, para que se formasse o efetivo quantum debeatur. Nesta linha de entendimento, cabe destacar o item “5” do Parecer COSIT nº 02/96, o qual trata especificamente do caso de postergação do pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita: 5. No que se refere à postergação do pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo, despesa, inclusive em contrapartida a conta de provisão, dedução ou do reconhecimento de lucro, determinações de natureza semelhantes vigem desde 1977, com o Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro daquele ano, de onde se transcreve: "Art. 6º (...) (...) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou de reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; b) redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência de aplicação do disposto no § 4º. Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.513 17 § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência." (os grifos são nossos) 5.1 O art. 6º , de onde foram transcritos estes parágrafos, trata, em seu todo, de definir o que é o lucro real e de estabelecer os critérios para a sua correta determinação, seja pelo contribuinte, seja pelo fisco, como, aliás, esta CoordenaçãoGeral já se manifestou por intermédio do referido Parecer Normativo CST nº 57/79. 5.2 O § 4º, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao períodobase indevido e adicionála ao lucro líquido do períodobase competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência. 5.3 Chamase a atenção para a letra da lei: o comando é para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real; não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratandose de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do períodobase em houver sido reconhecido e adicionálo ao lucro líquido do períodobase de competência; b) tratandose de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro líquido do períodobase em que houver ocorrido a dedução e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência; c) apurar o lucro real correto, correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; d) efetuar a correção monetária dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação, bem assim dos valores das diferenças do imposto e da contribuição social, considerando seus efeitos em cada balanço de encerramento de períodobase subseqüente, até o períodobase de término da postergação; e) deduzir, do lucro líquido de cada períodobase subseqüente, inclusive o de término da postergação, o valor correspondente à correção monetária dos valores mencionados na alínea anterior; f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada períodobase, inclusive o de término Fl. 1521DF CARF MF 18 da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o da correção monetária, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. Nos termos do § 5º do art. 6º do Decretolei nº 1.598, a inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou de reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Constatada a postergação, deve o Fisco proceder no procedimento explanado no item 5.3 do referido Parecer. Não foi o ocorrido no caso em apreço. Tendo em vista que o lançamento assim não procedeu, não vejo como manter o lançamento de tributo que, pelo raciocínio acima, e ao menos em parte, já teria sido oferecido aos cofres do tesouro. Não pode haver exigência de tributo já recolhido, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Todas as vezes nas quais um determinado ato ilícito do contribuinte provoque consequências futuras, que importem em incremento da base de tributação em período posterior, e estejam, tanto o pagamento a menor em determinado período, quanto o pagamento a maior em período futuro, umbilicalmente ligados, há de se considerar os efeitos de postergação, sob pena de se cobrar duplamente. No caso em apreço, como demonstrado cabalmente, houve a transferência dos resultados do ano calendário de 2000 e anteriores para o resultado do 4º trimestre de 2001, não podendo se falar em não recolhimento do tributo, apenas em sua postergação. Por fim, impossível o mero ajuste do lançamento, pois nova base se faz necessária em sua essência, podendo inclusive ser apenas de juros pelo pagamento extemporâneo. Ademais, esta instância não está habilitada para constituição de crédito tributário, pois apenas lhe compete a função de julgar, conforme já se decidiu no Acórdão n°: CSRF/0104.872: Câmara Superior de Recursos Fiscais Processo n° : 13851.000964/0052 Recurso n° : 105127.031 Matéria : IRPJ Recorrente : BRANCO PERES CITRUS LTDA. Recorrida : QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado(a) : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 16 DE FEVEREIRO DE 2004 Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.514 19 Acórdão n° : CSRF/0104.872 LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – POSSIBILIDADE DE EFEITOS DE POSTERGAÇÃO – COBRANÇA EM DUPLICIDADE – IMPOSSIBILIDADE – Restando provado que, até a data da autuação, deixou o contribuinte de compensar prejuízos fiscais observando o limite de 30% do lucro líquido ajustado, em razão do saldo dos mesmos ter se esgotado ou diminuído por compensação anterior integral e indevida, o lançamento de ofício deve considerar os efeitos da postergação de pagamento de tributos, pois não se pode exigir tributos em duplicidade. Não sendo este Conselho autoridade lançadora, competente para promover a constituição de crédito tributário, cancelase a autuação. Recurso provido. Por estas razões, neste ponto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto pela recorrente, no sentido de julgar para IMPROCEDÊNCIA dos Autos de Infração IRPJ e CSLL referentes a resultado operacionais escriturados, mas não declarados (item 002 – IRPJ – fls. 923,924 / item 001 CSLL – fls. 936, 937), exonerandoa das seguintes bases tributáveis: (...) Com efeito, a constatação de postergação de receitas quanto ao item 2 do auto de infração de IRPJ e CSLL tem repercussão direta nos autos de infração de PIS e Cofins, uma vez que o oferecimento posterior das receitas supostamente omitidas constitui faturamento, do que decorre que as citadas contribuições já foram objeto de tributação nos meses subsequentes, não havendo espaço para dupla cobrança e enriquecimento sem causa do Estado. Notase que as bases tributáveis subtraídas dos autos de IRPJ e CSLL estão líquidas dos custos, o que não ocorre em relação aos lançamentos de PIS e Cofins, uma vez que a base de cálculo é o faturamento. Assim, fica afastada a tributação do PIS e da Cofins sobre as seguintes bases de cálculo, constantes das tabelas de folhas 90 e 517: RECEBIMENTO DE CLIENTES jan/00 465.753,21 fev/00 264.452,57 mar/00 702.164,83 abr/00 501.669,11 mai/00 203.524,56 jun/00 147.351,49 jul/00 174.068,35 Fl. 1523DF CARF MF 20 ago/00 58.148,54 set/00 91.374,14 out/00 189.450,52 nov/00 172.298,42 dez/00 78.740,74 Total 3.048.996,68 E prossegue a decisão do acórdão de IRPJ: III COMPROVAÇÃO PARCIAL DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Como já relatado, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 concede ao Fisco Federal a presunção legal de omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Comprovada a origem da receita, cabe ainda ao contribuinte provar que levou tais parcelas à tributação, quando cabível. No presente caso, a recorrente afirma que os depósitos bancários são originados de: a) Recebimentos de unidades imobiliárias; b) Empréstimos do Sr. Renato Ishikawa c) Cheques devolvidos e estornos; Um a um, a recorrente afirma que juntou aos autos elementos de prova suficientes para comprovar a origem de cada um dos recebimentos das receitas de vendas das unidades imobiliárias, entretanto a autoridade administrativa limitouse a aduzir no Termo de Instrução Processual (fls. 1501 – 1510), o qual serviu de base para o acórdão de 1ª Instância inclusive com sua transcrição (fls. 1641 1648, que: “Os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam que as receitas de vendas de unidades imobiliárias teriam sido oferecidas à tributação.” Não houve a análise da documentação juntada pela recorrente. A autoridade administrativa que redigiu o TIP, quanto às alegações de depósitos bancários e às respectivas comprovações, limitouse a asseverar que nada comprovava, sem haver qualquer cotejo entre os valores lançados e os documentos. A decisão de 1ª instância, por sua vez, tão somente transcreveu o TIP e julgou pela improcedência da impugnação administrativa, sem nem ao menos ter o cuidado de excluir valor que o próprio TIP teve como origem comprovado, conforme trecho a seguir: Na folha 965 da impugnação o contribuinte alega relativamente à conta n° 109.7555 Bradesco ano 2002 "... 11.03.2002 R$ 4.433,60 cheque devolvido e reapresentado". Nesse caso é procedente a alegação do contribuinte. De acordo com o extrato bancário da conta n° 109.7555, agência n° 05045 – Banco Bradesco S.A. ano 2002, consta Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.515 21 depósito em 11.03.2002, no importe de R$ 4.433,60, em 2.03.2002, cheque devolvido retirar ag. , no valor de R$ 4.433,60 (fl. 745) e outro depósito no importe de R$ 4.433,60 em 13.03.2002 o qual foi compensado regularmente (fl. 746). A despeito da dificuldade em analisar a documentação da forma como se apresenta nos autos, todavia primando pela justiça fiscal, é de se ressaltar algumas congruências nas afirmações da recorrente. Considerando a documentação relativa a cada grupo, analisemos cada um em separado. II.a) Comprovação parcial relativa ao recebimento de unidades imobiliárias A recorrente alega haver apresentado documentação hábil e idônea para justificar os depósitos bancários em suas contas bancárias. Analisemos um a um seus argumentos por anocalendário, ressaltando novamente que nos anoscalendário 2000 e 2001, a recorrente era optante do lucro real; e, no em 2002, do lucro presumido. Ano 2000 Em relação ao depósito de R$ 15.000,00 em abril/00, realizado na conta Bradesco 91.7486, tido como não comprovado, temos que este valor foi devidamente escriturado e levado à tributação e deve ser excluído da base tributável. No livro Diário (fls. 1007), considerando o Plano de Conta apresentado pela recorrente (fls. 1332 – 1338): · D 111.02.001 (Conta Banco Bradesco S/A – Faria Lima) – R$ 15.000,00 – Nosso recebimento antec unid. 31 · C 211.06.005 (Conta Recebimento por conta da unidade 31 – conta do Passivo Circulante do Grupo Adiantamentos Obra Kenzo) – R$ 15.000,00 – Nosso recebimento antec unid. 31 No livro Razão Analítico (fls. 1259), podese verificar o acúmulo do saldo credor da Conta C 211.06.005 (Conta Recebimento por conta da unidade 31 – conta do Passivo Circulante do Grupo Adiantamentos Obra Kenzo). Constatase ainda que na competência de dezembro de 2001, verificamos que o saldo total da conta foi transferido para apuração do Resultado do exercício de 2001, no valor de R$ 296.774,70, conforme demonstrado no Tópico II deste voto. Comprovandose a contabilização do depósito R$ 15.000,00, depositado no Bradesco, Conta 91.7486, sua efetiva origem e seu oferecimento à tributação, temos que afastada a presunção legal de omissão de receitas, devendo este valor ser excluído da infração tributária. Em relação ao depósito de R$ 75.149,22 em abril/00, realizado na conta Bradesco 91.7486, tido como não comprovado, temos que este valor foi devidamente escriturado e levado à tributação e deve ser excluído da base tributável. No livro Diário (fls. 1008), considerando o Plano de Conta apresentado pela recorrente (fls. 1332 – 1338): Fl. 1525DF CARF MF 22 · D 111.02.001 (Conta Banco Bradesco S/A – Faria Lima) – R$ 75.149,22 – Nosso recebimento antec unid. 072 · C 211.06.014 (Conta Recebimento por conta da unidade 072) – conta do Passivo Circulante do Grupo Adiantamentos Obra Kenzo) – R$ 75.149,22 – Nosso recebimento antec unid. 072 No livro Razão Analítico (fls. 1269), podese verificar o acúmulo do saldo credo da Conta C 211.06.014 (Conta Recebimento por conta da unidade 31 – conta do Passivo Circulante do Grupo Adiantamentos Obra Kenzo). Constatase ainda que na competência de dezembro de 2001, verificamos que o saldo total da conta foi transferido para apuração do Resultado do exercício de 2001, no valor de R$ 275.660,56, conforme demonstrado no Tópico II deste voto. Comprovandose a contabilização do depósito R$ 75.149,22, depositado no radesco, Conta 91.7486, sua efetiva origem e seu oferecimento à tributação, temos que afastada a presunção legal de omissão de receitas, devendo este valor ser excluído da infração tributária. Em relação ao depósito de R$ 100.466,00 em outubro/00, realizado na conta Bradesco 91.7486, tido como não comprovado, temos que este valor foi devidamente escriturado e levado à tributação e deve ser excluído da base tributável. No livro Diário (fls. 1016), considerando o Plano de Conta apresentado pela recorrente (fls. 1332 – 1338): · D 111.02.001 (Conta Banco Bradesco S/A – Faria Lima) – R$ 100.466,00 – Nosso recebimento ref. Unidade 61 · C 211.06.011 (Conta Recebimento por conta da unidade 61 – conta do Passivo Circulante do Grupo Adiantamentos Obra Kenzo) – R$ 100.466,00 No livro Razão Analítico (fls. 1265), podese verificar o acúmulo do saldo credo da Conta C 211.06.011 (Conta Recebimento por conta da unidade 61 – conta do Passivo Circulante do Grupo Adiantamentos Obra Kenzo). Constatase ainda que na competência de dezembro de 2001, verificamos que o saldo total da conta foi transferido para apuração do Resultado do exercício de 2001, no valor de R$ 315.992,48, conforme demonstrado no Tópico II deste voto. Comprovandose a contabilização do depósito R$ 100.466,00, depositado no Bradesco, Conta 91.7486, em 04/10/2000, sua efetiva origem e seu oferecimento à tributação, temos que afastada a presunção legal de omissão de receitas, devendo este valor ser excluído da infração tributária. Por estes motivos, entendemos pela exclusão dos valores tidos como comprovados da base tributável do auto de infração em epígrafe. Ano 2001 Em relação ao ano de 2001, não houve depósitos bancários tidos como recebimentos de clientes. Ano 2002 Em relação ao ano de 2002, como asseverou a recorrente em seu recurso voluntário, com exceção de 3 valores correspondentes a empréstimos, devidamente contabilizados e de algumas devoluções de cheques, os demais valores se referem a recebimentos de unidades vendidas (fls. 1697). Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.516 23 Os depósitos deste ano estão sintetizados na planilha a seguir, na qual se faz referência à conta bancária, data, valor e página do processo digital em que se encontra a prova apresentada pela recorrente de sua origem: Fl. 1527DF CARF MF 24 Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.517 25 Fl. 1529DF CARF MF 26 Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.518 27 Fl. 1531DF CARF MF 28 De fato, a recorrente prova que escriturou os depósitos bancários tidos como omissão de receita. Os lançamentos se referem ora ao creditamento da conta do Passivo, ora ao creditamento da conta Resultado. Falhou, entretanto, em demonstrar que tais valores foram levados à tributação de fato. A simples contabilização dos valores não é meio idôneo o suficiente para comprovação de sua efetiva tributação a fim de afastar a presunção de omissão de receitas. Deveria a recorrente ter juntado aos autos documentação hábil e idônea para comprovar a efetiva tributação destes valores, tais como balancetes contábeis que comprovassem a composição das quantias levadas à tributação em sua DIPJ 2003 (ano calendário 2002 – fls. 104 – 134). Por estes motivos, entendemos por não afastar a omissão de receitas levantada, mantendo o lançamento tributário em relação depósitos bancários relativos a recebimento por unidades vendidas referentes ao ano calendário 2002. Neste ponto, o voto do I. Relator foi vencido, por voto de qualidade, nos seguintes termos: Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator no tocante à comprovação da origem de depósitos no montante de R$ 3.535.377,23 no ano calendário 2002 (listados na tabela de fls. 26 a 31 do voto vencido), entendimento que prevaleceu pelo voto de qualidade do Presidente da Turma. Ora, o Relator entendeu comprovada a escrituração dos depósitos bancários no Livro Diário, ora com contrapartida em conta de Passivo, ora em conta de Resultado. Contudo, não considerou comprovada a origem desses depósitos, pois não constava dos autos documentação hábil e idônea para demonstrar a efetiva tributação destes valores, tais como balancetes contábeis que comprovassem a composição das quantias levadas à tributação em sua DIPJ 2003. Todavia, metade dos julgadores considerou que tal entendimento foi por demais rigoroso, em especial diante das demais provas dos autos. Com relação aos lançamentos contabilizados em conta de Resultado, a presunção deveria ser no sentido de que tais contas foram levadas à tributação, e não o contrário. Com relação aos lançamentos contabilizados em conta de Passivo, é razoável entender que a empresa utilizou, no ano de 2002, o mesmo procedimento do ano de 2000, deixando para reconhecer o resultado da venda do imóvel apenas no final da Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.519 29 obra. Nesse caso, a origem dos depósitos estaria comprovada, e a tributação deveria se dar na modalidade de postergação dos lucros, como decidido em outro capítulo do voto. De qualquer modo, entendeuse que a falta de balancetes de verificação não poderia, por si só, negar o direito do contribuinte, em especial quando os procedimentos adotados nos outros anoscalendário levam à conclusão de que a obtenção dos documentos por meio de diligência confirmaria a tributação das receitas, ainda que parte dela em exercício posterior. Nas discussões ocorridas na sessão de julgamento, metade dos julgadores entendeu ser desnecessário o procedimento de diligência, já que a escrituração dos depósitos no Livro Diário poderia, neste específico conjunto probatório, ser considerada como comprovação da origem dos créditos, afastando a presunção de omissão de receitas. Foram essas as razões porque a Turma Julgadora, pelo voto de qualidade de seu Presidente, entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar também comprovado o montante de R$ 3.535.377,23 no ano calendário 2002, relativo aos depósitos bancários por recebimentos de clientes. E continua o voto condutor do acórdão de IRPJ: III. b) Empréstimos bancários concedidos supostamente pelo Sr. Renato Ishikawa Os depósitos listados no acórdão da impugnação às fls. 1645 – 1647 se referem, segundo a recorrente, a empréstimos efetuados pelo exsócio Sr. Renato Ishikawa, o qual foi submetido ao procedimento de fiscalização corrente sob o nº 10882.002351/200624 (fls. 1355 – 1476), no qual se constatou que havia recebíveis a título de mútuo junto à recorrente no valor de R$ 3.204,758,70 e que, por determinação da Receita Federal, havia retificado suas Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda para que constassem os referidos mútuos. O acórdão recorrido, parafraseando as constatações do Termo de Instrução Processual (1501 – 1510), julga por manter o lançamento tributário quanto a estas parcelas, sob o argumento de que (fls. 1647 – 1648): 1) Na Declaração de Ajuste Anual 2002 anocalendário de 2001 do Sr. RENATO ISHIKAWA CPF nº 016.732.11887 (original) mais especificamente na Declaração de Bens e Direitos (fls. 933 e 934 do presente processo) não consta qualquer empréstimo ou mútuo que o Sr. RENATO ISHIKAWA CPF nº 016.732.11887 Teria efetuado à empresa EWF ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA. CNPJ nº 00.811.267/000149. 2) Ainda consta na Declaração de Bens e Direitos do Sr. RENATO ISHIKAWA (original) do anocalendário de 2.001, no item 41 Dinheiro em caixa ano de 2.001: R$ 0,00 (fl.1363) 3) Igualmente na Declaração de Ajuste Anual 2003 ano calendário de 2002 do Sr. RENATO ISHIKAWA CPF nº 016.732.11887 (original) mais especificamente na Declaração de Bens e Direitos (fl. 1367 a 1368 do presente processo) não consta qualquer empréstimo ou mútuo que o Sr. RENATO ISHIKAWA CPF nº Fl. 1533DF CARF MF 30 016.732.11887 teria efetuado à empresa EWF ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA. CNPJ nº 00.811.267/000149. 4) Apesar de não constarem nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário de 2.001 e 2.002 os empréstimos que o Sr. RENATO ISHIKAWA teria efetuado à EWF ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA., os valores dos empréstimos fizeram parte da planilha "Demonstrativo da Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal Variação Patrimonial a Descoberto" elaborada pela DRFOSASCO (fl. 978 anocalendário de 2.001), entretanto, os valores mencionados na planilha não batem com as datas e valores dos depósitos efetuados em 2.001 depósitos esses que constam da própria impugnação do contribuinte (fls. 962 e 963). Igualmente, no anocalendário de 2.002 constou na planilha "Demonstrativo da Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal Variação Patrimonial a Descoberto" elaborada pela DRFOSASCO valor de empréstimo concedido no importe de R$ 299.999,40 no mês de janeiro de 2002, entretanto esse valor também não bate com o valor dos depósitos de 2.002 (indicados na impugnação do próprio contribuinte às folhas 964 a 970). A recorrente, por sua vez, no recurso voluntário (fls. 1688), assevera que: Os documentos relativos aos valores correspondentes aos empréstimos concedidos pelo Sr. Renato Ishikawa À empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda. são os seguintes: 1. Lançamentos contábeis dos Livros Diário e Razão da empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda.; 2. Extratos de movimentação bancária de titularidade da empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda.; 3. Contratos de mútuo e outras avenças e respectivos aditamentos firmados entre o Sr. Renato Ishikawa e a empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda.; 4. Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração (processo nº 10882.002351/200624), no qual a autoridade fiscal atesta a existência de mútuos entre o Sr. Renato Ishikawa e a empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda., empréstimos estes que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual do contribuinte pessoa física; 5. Declarações de Ajuste Anual do Sr. Renato Ishikawa, nas quais não foram informados os empréstimos concedidos à empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda.; Dos cinco elementos e documentos acima discriminados, quatro constituem prova da existência de empréstimos concedidos pelo Sr. Renato Ishikawa à empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda. Apenas esta constatação seria suficiente para evidenciar a insubsistência da presunção legal, posto que todos os indícios e provas apontam para a inequívoca origem dos depósitos considerados não comprovados, provenientes dos referidos empréstimos. Neste ponto, não merece prosperar o apelo da recorrente. Embora haja de fato indícios dos empréstimos que o exsócio Sr. Renato Ishikawa prestou à companhia, o que foi atestado através do Processo nº Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.520 31 10882.002351/200624, não é possível, através das provas acostadas nos autos, elidir a presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96, uma vez que não foi comprovada a origem dos depósitos, mediante documentação hábil e idônea. A uma, porque, tratandose de partes ligadas, a simples contabilização dos depósitos e a apresentação de contrato de mútuo não é suficiente para provar a origem do depósito. A duas, porque os contratos de mútuo e aditamentos apresentados (1346 – 1357) albergam tão somente três dos depósitos efetuados (07/12/2000 – R$ 123.771,59; 08/12/2000 – 73.228,41). Para afastar a presunção de omissão de receitas, devem ser comprovadas, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos à pessoa jurídica por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador da companhia. Como tal documento de mútuo foi o único apresentado pela contribuinte, correta está a autoridade fiscal ao invalidar esse documento, bem como sem outras evidências de sua efetiva realização, tais como recibos, extratos do mutuante ou contratos bancários, cheques, identificação dos depósitos em conta, etc. A simples contabilização dos empréstimos, sem a identificação da origem dos depósitos, e a apresentação de documentos elaborados pela própria interessada são insuficientes para afastar a imputação fiscal ora sob análise, como contratos de mútuo, declarações escritas, alterações contratuais ou recibos, ou a simples alegação da capacidade econômica ou financeira dos sócios. Tais requisitos são cumulativos e indissociáveis e seu atendimento é ônus do sujeito passivo. Só a ocorrência concomitante dessas condições será capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas. Todavia, primando pelo princípio da boafé administrativa, é de se considerar que a própria Receita Federal reconheceu a existência de empréstimos do Sr. Renato Ishikawa à empresa recorrente no Processo nº 10882.002351/200624, no montante de R$ 2.026.464,94 (dois milhões e vinte e seis mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e noventa e quatro centavos) no ano calendário 2000, conforme fls. 1460, e R$ 299.999,79 (duzentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e setenta e nove centavos), no anocalendário 2001, conforme fls. 1461: Ano Calendário 2001 1.3). O contribuinte não declarou créditos a receber junto à empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda., CNPJ 00.811.267/000169, decorrentes de contratos de mútuos e respectivos aditamentos, conforme datas e valores discriminados no Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, anexo ao Processo Administrativo Fiscal, que no período de fevereiro a agosto de 2001 totalizou R$ 2.026.464,94 (dois milhões e vinte e seis mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e noventa e quatro centavos). [...] 2) Ano Calendário 2002 2.1 – Variação Patrimonial Fl. 1535DF CARF MF 32 2.1.1) O contribuinte não havia declarado créditos a receber junto à empresa EWF Engenharia e Serviços Ltda., CNPJ 00.811.267/000169, devido ao aditamento ao contrato de mútuo e outras avenças celebrado entre o contribuinte e a empresa citada, aditamento este efetuado em janeiro de 2002 no valor de R$ 299.999,79 (duzentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e setenta e nove centavos). Assim, entendemos que estes valores, reconhecidos pela própria RFB como decorrentes de empréstimos do Sr. Renato Ishikawa à empresa recorrente, devem ser abatidos da base tributável do auto de infração em epígrafe à proporção dos empréstimos escriturados como omissão de receita nos anos calendário 2001 e 2002, os quais foram objetos de fiscalização do processo nº 10882.002351/200624. Por estas razões, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário da recorrente, no sentido de excluir o valor de R$ 134.000,00 referente ao ano calendário 2001 e R$ 292.625,00, referente ao ano calendário 2002, da base tributável do presente auto de infração. III. c) Cheques devolvidos e estornos Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.521 33 Quanto aos valores os quais a recorrente alega serem decorrentes de cheques devolvidos e estornos, verificase que no Termo de Instrução Processual (1501 – 1510) houve a correta averiguação das alegações da recorrente e das provas acostadas nos autos, razão pela qual se pede vênia para transcrever o texto: Na folha 961 da impugnação alegou o contribuinte que o valor de R$ 12.500,00 é crédito indevido já que o valor em questão foi devolvido, entretanto a alegação não procede já que de acordo com o extrato da conta n°91.7486, agência 05045 do Banco Bradesco S.A. (fl. 410 do processo) o citado valor referese a cheque compensado em 23.11.2000, não constando nos extratos dos dias seguintes que o referido cheque tenha sido devolvido (fls. 411 e seguintes). Na folha 963 da impugnação o contribuinte alega que o valor de R$ 5.320,00 depósito efetuado na conta n°109.7555, agência 05045 do Banco Bradesco S.A. (fl. 281) "... corresponde a erro de lançamento do Banco", entretanto, conforme extrato (fl. 281) o depósito foi efetuado em 17.07.2001 e não foi estornado pelo Banco Bradesco. Na folha 963 da impugnação o contribuinte alegou que "... o valor de R$ 7.299,18 corresponde a cheque devolvido. Há equívoco no lançamento que o considerou no mês de setembro quando, na realidade, o depósito e o estorno por devolução do cheque ocorreram no mês de outubro...". A alegação do contribuinte não procede. Conforme extrato (fls. 293 a 294) o depósito foi efetuado em 18.10.2001 e não consta sua devolução nos dias posteriores. Quanto à alegação do contribuinte constante à folha 963 de que relativamente à conta n° 1111230 UNIBANCO 2001, "... Setembro o valor de R$ 4.036,66 referese a troca de cheque Bradesco/Unibanco (fl. 460) depósito em cheque no dia 05.09.2001, no valor de R$ 4.036,66 e, no mesmo dia saída do mesmo valor com o histórico "cheque pago caixa da agência documento 0102094", não ficou comprovado que o mesmo valor já consta de outra conta do Bradesco, nem tampouco foi mencionado qual seria essa conta e não foi anexado o extrato bancário do Bradesco em que consta o depósito coincidente em datas e valores com o depósito efetuado no Unibanco. Na folha 964 da impugnação o contribuinte alegou relativamente à conta n° 91.7486 Banco Bradesco S.A. ano 2002 que o valor de R$ 6.528,69, depositado em 14.01.2002 referese a cheque devolvido. Entretanto, de acordo com o extrato bancário da conta n° 91.7486, agência 05045, do Banco Bradesco S.A. (fl. 605) consta o depósito em 14.01.2002, no valor de R$ 6.528,69, mas não consta a devolução do cheque nos dias posteriores (fls. 606 a 609). Na folha 965 da impugnação o contribuinte alega relativamente à conta n° 91.7486 do Banco Bradesco ano 2002 que "... 12.12.2002 R$ 9.623,08 transferência entre contas." No extrato bancário anexado (fl. 728) consta no dia 12.12.2002 depósito em dinheiro no importe de R$ 9.623,08. O contribuinte, entretanto, não comprovou a transferência entre contas já que não indicou qual foi a outra conta e nem anexou o outro extrato, com depósito de idêntico valor, em mesma data. Fl. 1537DF CARF MF 34 Na folha 965 da impugnação o contribuinte alega relativamente à conta n° 109.7555 Bradesco ano 2002 "... 11.03.2002 R$ 4.433,60 cheque devolvido e reapresentado". Nesse caso é procedente a alegação do contribuinte. De acordo com o extrato bancário da conta n° 109.7555, agência n° 05045 – Banco Bradesco S.A. ano 2002, consta depósito em 11.03.2002, no importe de R$ 4.433,60, em 12.03.2002, cheque devolvido retirar ag. , no valor de R$ 4.433,60 (fl. 745) e outro depósito no importe de R$ 4.433,60 em 13.03.2002 o qual foi compensado regularmente (fl. 746). Na folha 966 da impugnação relativamente à conta n° 109.7555 Banco Bradesco S.A. ano 2.002 – o contribuinte alega que "...01.out R$ 19.800,00 transferência entre contas do Unibanco para o Bradesco. Na folha 810 do presente processo consta cópia do extrato da conta n° 109.7555, agência 05045 – Banco Bradesco S.A. ano 2002 no qual, no dia 01.10.2002, foi efetuado o depósito no valor de R$ 19.800,00. O contribuinte não informou em sua impugnação que conta do Unibanco foram transferidos os recursos e não anexou cópia do extrato do Unibanco no qual estivesse explicitado, com coincidência de datas e valores o mencionado depósito. Afora os depósitos supramencionados, é de se destacar outros a que a não se fez referência. Na folha 1696, a recorrente afirma que o valor de R$ 16.480,00 corresponde a recebimento por serviços prestados e está contabilizado. No livro Diário (fls. 1102), considerando o Plano de Conta apresentado pela recorrente (fls. 1332 – 1338): · D 111.02.001 (Conta Banco Bradesco S/A – Faria Lima) – R$ 16.480,00 – Crédito em C/C ref. Serviços prestados Alameda Santos; · C 211.01.02 (Empréstimo Salas Alameda Santos) – R$ 16.480,00 – Crédito em C/C ref. Serviços prestados Alameda Santos; Ao contrário do alegado pela recorrente, a contabilização do valor aduz que se trata de empréstimo, sendo creditado em conta do Passivo. Não provada que a receita foi levada à tributação, é de se manter o lançamento tributário. Na folha 1696, a recorrente afirma que os valores de R$ 873,73 e R$ 3.126,27 correspondem a estornos de depósitos efetuados a favor da Sra. Aparecida, esposa do sócio Renato Ishikawa. No livro Diário (fls. 1105), considerando o Plano de Conta apresentado pela recorrente (fls. 1332 – 1338): · D 111.02.001 (Conta Banco Bradesco S/A – Faria Lima) – R$ 873,73 – Crédito em C/C ref. Estorno depósito ref. Cida; · C 211.01.04 (Empréstimos a pagar) – R$ 873,73 – Crédito em C/C ref. Estorno depósito ref. Cida; · D 111.02.001 (Conta Banco Bradesco S/A – Faria Lima) – R$ 3.126,27 – Crédito em C/C ref. Estorno depósito ref. Cida; · C 211.01.04 (Empréstimos a pagar) – R$ 3.126,27 – Crédito em C/C ref. Estorno depósito ref. Cida; Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.522 35 Na folha 514, verificamse os referidos valores creditados na conta do Bradesco da recorrente em 03/05/2001, entretanto não se verifica o referido estorno nos dias adjacentes (fls. 508 – 520, de forma que deve ser mantido o crédito tributário. Na folha 1697, a recorrente afirma que os valores de R$ 16.480,00 corresponde a serviços prestados referentes aos imóveis (salas) da Al. Santos e está contabilizado e a incidência está duplicada, tendo em vista que este valor foi tributado pelo depósito na conta 91.7486, Bradesco, em 9 de março, e por sua transferência, em 21 de março para a conta acima. Na folha 504, há a comprovação do depósito em 09/03/2001 na conta do Bradesco 91.7486 no valor de R$ 16.480,00. Na folha 505, há a compensação de cheque no mesmo valor. Na folha 251, há a comprovação de que o valor foi depositado na conta Bradesco 105.4309, no dia 21/03, conforme atesta a recorrente. Considerando o § 3º do art. 42 da Lei 9.430/96 determina que as transferências entre contas da titularidade da mesma pessoa jurídica devem ser desconsideradas, é de ser exonerar o valor de R$ 16.480,00 da base tributável dos autos de infração. Na folha 1697, a recorrente afirma que o valor de R$ 41.104,00 corresponde a crédito em conta corrente relativo a obras dos imóveis (salas) da Alameda dos Santos. No livro Diário (fls. 1101), considerando o Plano de Conta apresentado pela recorrente (fls. 1332 – 1338): · D 111.02.002 (Conta Unibanco S/A) – R$ 41.104,00 – Crédito em C/C ref. Depósito Alameda Santos; · C 211.01.02 (Empréstimo Salas Alameda Santos) – R$ 41.104,00 – Crédito em C/C ref. Depósito Alameda Santos; Embora contabilizada a receita, a recorrente não logra êxito em provar que foi levada à tributação, devendo ser mantido o lançamento tributário. Por todo exposto, votase no sentido de se manter o crédito tributário quanto às parcelas não comprovadas e exonerar da base tributável o valor de R$ 16.480,00. IV – MULTAS Afirma o corrente que não tendo ocorrido infração, seria incabível a incidência da multa. Neste ponto, não merece reparos a decisão recorrida. Nos casos em que ocorrência de infração à legislação tributária é perfeitamente cabível a aplicação da multa, nos termos do artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, com redação à época dos fatos geradores: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1539DF CARF MF 36 I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por este motivo, a multa de ofício deve ser aplicada. V UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC Aduz o recorrente que a taxa Selic corresponderia a juros remuneratórios, não sendo possível admitila como correção dos créditos da Fazenda. Neste ponto, não merece reparos a decisão recorrida. Os juros de mora são devidos nos termos do artigo 161 do Código Tributário Nacional, o qual é taxativo ao determinar que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Desta maneira, deve ser lançado o montante referente aos juros moratórios, contados a partir do vencimento. Transcrevese a seguir o diploma legal retrocitado: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta , sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (g.n.). Os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN, acima transcrito. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1%(um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que, valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei nº 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Transcrevese o citado diploma legal: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (g.n). Portanto, a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de 1 (um) por cento ao mês é a expressa previsão legal, requisito preenchido pela Lei nº 9.065/1995, artigo 13. Ressaltese, não há vedação legal para a utilização como juros de mora, de taxas instituídas por atos administrativos, desde que sua aplicação esteja prevista em lei. Sobre a matéria o CARF já editou a Súmula 4, a qual consolida o entendimento que os juros moratórios sobre débitos tributários administrados pela Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.523 37 Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Súmula CARF n° 4: "A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Assim, correta a cobrança de juros moratórios, nos exatos termos da autuação. Por todo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para, afastando as preliminares, julgar: a) totalmente improcedente o lançamento tributário do anocalendário de 2.000 sobre os resultados operacionais escriturados mas não declarados (item 002 – IRPJ – fls. 923, 924 / item 001 CSLL – fls. 936, 937), vez que todas as bases tributáveis foram devidamente declaradas no anocalendário de 2001; b) parcialmente procedente os lançamentos tributários do anocalendário de 2.000 sobre os depósitos bancários não comprovados, exonerando da base de cálculo da autuação os depósitos nos valores de R$ 15.000,00 em abril/00, de R$ 75.149,22 em abril/00, de R$ 100.466,00 em outubro/00, todos realizados na conta Bradesco 91.7486, vez que se tratam de valores comprovados e decorrentes de recebimentos de vendas de unidades imobiliárias, embora inadequadamente contabilizados foram oferecidos à tributação no anocalendário de 2001, exonerando ainda os depósitos bancários considerados e reconhecidos pela própria Receita Federal no Auto de Infração n. Processo nº 10882.002351/200624 (às fls. 1433) como contratos de mútuos do Sr. Renato Ishikawa à empresa recorrente, no montante de R$ 2.026.464,94 (dois milhões e vinte e seis mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e noventa e quatro centavos) no ano calendário 2000, conforme fls. 1460; c) parcialmente procedente os lançamentos tributários do anocalendário de 2.001 sobre os depósitos bancários, exonerando o montante de R$ 299.999,79 considerado e reconhecido pela própria Receita Federal no Auto de Infração n. Processo nº 10882.002351/200624 (às fls. 1434) como contratos de mútuos do Sr. Renato Ishikawa à empresa recorrente, conforme fls. 1461; d) procedente o lançamento tributário do anocalendário de 2.002 sobre os depósitos bancários decorrentes de recebimentos de vendas de unidades imobiliárias, devidamente comprovados e contabilizados, mas que não restou provado pelo contribuinte se foram oferecidos a tributação: Com relação ao item "d" acima, a Turma, por voto de qualidade, considerou improcedente o lançamento em relação aos valores citados, ficando assim o acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e dar parcial provimento ao recurso para: (i) cancelar a infração relativa aos resultados operacionais escriturados, mas considerados não declarados relativos ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 1.718.761,81; (ii) com relação à omissão de receitas por depósitos bancários, considerar comprovados os seguintes valores: R$ 134.000,00 no ano calendário 2001, e R$ 299.999,79 no ano calendário 2002, relativos aos empréstimos do sócio; R$ 16.480,00 em maio de 2001, em razão de duplicidade; R$ 4.433,60 relativo a reapresentação de cheque; e R$ 204.277,76 no ano calendário 2000, relativo aos recebimentos de clientes; e, pelo voto de Fl. 1541DF CARF MF 38 qualidade, considerar também comprovado o montante de R$ 3.535.377,23 no ano calendário 2002, relativo aos depósitos bancários por recebimentos de clientes, vencidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares (relator), Ricardo Marozzi Gregório e Antonio Carlos Guidoni Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo. Acórdão de embargos de declaração propostos pela Fazenda Nacional corrigiu o valor R$299.999,79 do item "ii" para R$292.625,00 e, no mesmo item, alterou de R$204.277,76 para R$190.149,22 o valor considerado comprovado relativo a recebimento de clientes em 2000. Por derradeiro, com relação aos valores constantes das tabelas de folhas 90 e 517 como sendo "Recebimentos Clientes" nos meses dos anoscalendário de 2001 e 2002, que não foram objeto dos autos de infração de IRPJ e CSLL, a Recorrente nada fala, pelo que considerase matéria não litigiosa. Isto posto, em respeito ao julgamento proferido no acórdão 1102000.937, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, rejeito as preliminares de inconstitucionalidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para: (i) cancelar as lançamentos de PIS e Cofins relativos à base e cálculo correspondente à coluna "Recebimentos de clientes" do anocalendário de 2000 constantes das tabelas de folhas 90 e 517 (Cofins e PIS, respectivamente), totalizando um valor tributável exonerado de R$R$3.048.996,68 em cada tabela; (ii) considerar comprovados, na coluna "Depósitos de Origem Não Comprovada", das citadas tabelas, os seguintes valores: Anocalendário de 2000 a) R$15.000,00 e R$75.149,22 referentes a abril; b) R$100.466,00 referente a outubro. Anocalendário de 2001 a) R$ 4.000,00 referente a abril; b) R$ 16.480,00 referentes a maio; c) R$ 50.000,00 e R$ 80.000,00 referentes a dezembro; Anocalendário de 2002 a) R$10.253,40, R$ 1.713,60, R$ 6.000,00, R$ 17.000,00, R$ 1.259,25, R$ 2.212,50, R$ 3.462,16, R$ 6.810,30, R$ 1.929,65 e R$ 14.792,00 referentes a janeiro; b) R$ 13.305,20, R$ 39.410,00, R$ 1.346,63, R$ 2.112,00, R$ 895,00, R$ 6.888,00, R$ 5.396,12, R$ 35.240,00 e R$ 7.884,44 referentes a fevereiro; c) R$ 10.039,20, R$ 48.616,72, R$ 77.760,00, R$ 6.011,60, R$ 5.772,80, R$ 12.884,89, R$ 9.000,00, R$ 900,00, R$ 4.167,20, R$ 7.800,00, R$ 144.625,00 e R$4.433,60 referentes a março; Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302003.033 S1C3T2 Fl. 1.524 39 d) R$ 7.800,00, R$ 4.047,20, R$ 16.115,00, R$ 44.439,84, R$ 43.127,61, R$ 2.500,00, R$ 6.694,20, R$ 3.122,39 referentes a abril; e) R$ 22.275,17, R$ 9.636,73, R$ 12.266,00, R$ 14.159,67, R$ 12.395,20, R$ 5.970,00, R$ 6.223,23, R$ 19.144,00 e R$ 48.000,00 referentes a maio; f) R$ 3.230,00, R$ 19.278,72, R$ 46.170,00, R$ 14.205,00, R$ 600,00 e R$ 764,51 referentes a junho; g) R$ 3.200,00, R$ 87.480,00, R$ 13.565,00, R$ 24.008,00, R$ 24.176,00, R$ 12.000,00, R$ 3.000,00, R$ 15.000,00, R$ 19.278,72, R$ 1.534,76, R$ 14.205,00, R$ 13.265,52, R$ 19.664,29 e R$ 2.500,00 referentes a julho; h) R$ 136.820,00, R$ 24.120,00, R$ 16.925,60, R$ 11.308,20, R$ 1.534,76, R$ 7.298,40, R$ 47.010,00, R$ 14.205,00, R$ 30.340,00 e R$ 32.000,00 referentes a agosto; i) R$ 181.248,00, R$ 12.575,14, R$ 19.265,60, R$ 92.323,20, R$ 43.622,83, R$ 15.102,56, R$ 28.305,96, R$ 50.000,00, R$ 93.901,60, R$ 16.586,35, R$ 3.660,56, R$ 88.106,00 e R$ 19.630,00 referentes a setembro; j) R$ 38.850,23, R$ 3.167,73, R$ 43.896,00, R$ 24.000,00, R$ 19.000,00, R$ 88.879,68, R$ 91.679,04, R$ 43.896,00, R$ 2.604,00, R$ 192.000,00, R$ 97.800,00, R$ 11.862,80, R$ 128.700,00, R$ 8.080,00, R$ 2.086,80, R$ 1.425,32, R$ 74.820,00, R$ 5.000,00, R$ 7.696,91 e R$ 100.000,00 referentes a outubro; k) R$ 185.982,48, R$ 11.543,20, R$ 23.465,43, R$ 6.590,68, R$ 38.722,00, R$ 9.450,00, R$ 45.600,00, R$ 2.349,60, R$ 29.219,00, R$ 4.400,00 e R$ 179.820,00 referentes a novembro; e, l) R$ 3.167,73, R$ 24.705,87, R$ 56.625,28, R$ 42.154,69, R$ 14.629,50, R$ 67.324,00, R$ 1.123,56 e R$ 2.065,52 referentes a dezembro. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 1543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720244/2012-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 02 44 /2 01 2- 41 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional impõe ao contribuinte a redução do imposto a ser restituído de R$ 9.324,38 para R$ 3.180,60, referente ao anocalendário de 2009. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter disponibilizado comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, além dos recibos apresentados. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Teresina, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009. Após a revisão da Declaração, o imposto a restituir foi ajustado de R$ 9.324,38 para R$ 3.180,60. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 22.341,00, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação e/ou previsão legal. Complementação dos fatos: HOSPITAL DE OLHOS FRANCISCO VILAR (R$ 7.346,00) SILVIO LEMOS (R$ 2.500,00) MARIA HELENA ARAÚJO QUEIROZ (R$ 7.140,00) MARIA HELENA ARAÚJO QUEIROZ (R$ 2.355,00) FRANCISCO GOMES LEAL (R$ 3.000,00) Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, vejase o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas e da dedução de despesas médicas: (...) Em sua defesa, o contribuinte discorre sobre os fatos e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. Com relação às despesas médicas supracitadas, como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10384.720244/201241 Acórdão n.º 2001000.625 S2C0T1 Fl. 86 3 O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Em sede de impugnação, o interessado somente apresentou as certidões de casamento e nascimento (fls. 03/04), comprovante de matrícula em faculdade (fl. 05) e os recibos emitidos pelos profissionais e pelo hospital (fls. 06/13). Entretanto, tais documentos não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, mas somente os serviços prestados. Caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através das cópias de cheques nominativos e/ou extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Assim, fica mantida a glosa das despesas médicas (R$ 22.341,00). Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada pela autoridade lançadora. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Ref. Processo: 10384.720.244/201241 Eu, Lourival de Moura Sousa, CPF 183.456.11320, não conformado com a decisão do Acórdão 03.61.337, venho encaminhar a esse órgão documentos comprovando o pagamento das despesas glosadas, que são: Hospital de olho Francisco Vilar (R$ 7.346,00). Extrato bancário da C/C de minha esposa Ângela Mª Norberto de Sousa onde consta toda movimentação inclusive saques, páginas 01 a 09. Fl. 87DF CARF MF 4 Silvio Lemos (R$ 2.500,00), página 10. Maria Helena Araújo Queiroz (R$ 7.140,00), páginas 11 a 14. Maria Helena Araújo Queiroz (R$ 2.355,00), páginas 15 a 17. Francisco Gome Leal (R$ 3.000,00), páginas 18 a 20. Extratos bancários de Loudival de Moura Sousa, Ag. 16217 cc 606.9983, Banco do Brasil S.A., páginas 21 a 39. Total 39 documentos. Diante do exposto, peço que libere. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10384.720244/201241 Acórdão n.º 2001000.625 S2C0T1 Fl. 87 5 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para Fl. 89DF CARF MF 6 identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10384.720244/201241 Acórdão n.º 2001000.625 S2C0T1 Fl. 88 7 valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Fl. 91DF CARF MF 8 Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10384.720244/201241 Acórdão n.º 2001000.625 S2C0T1 Fl. 89 9 Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço, embora apresentadas, porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. No caso, constatase nos autos que os serviços prestados correspondem a especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos e declarações assinadas por profissionais habilitados, além de extratos bancários do Recorrente e de sua esposa. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento dos profissionais, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão Fl. 93DF CARF MF 10 porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas na sua totalidade. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento do lançado na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.912347/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 23 47 /2 01 2- 32 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.912347/201232 Acórdão n.º 1201002.560 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002083/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
EXPORTAÇÃO. MOMENTO DE OCORRÊNCIA PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO.
A receita bruta de exportação é o produto da venda, ou seja, o preço da operação no momento da ocorrência do fato gerador (saída do produto do estabelecimento industrial), sendo esse momento o que deve ser considerado na apuração do crédito presumido de IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
A aquisição de insumos atrelados ao processo produtivo junto a pessoas físicas e cooperativas deve ser considerada no cálculo do crédito presumido do IPI. Precedentes do CARF e REsp nº 993.164, julgado pela sistemática de recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PEÇAS DE REPOSIÇÃO DE MÁQUINAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação dos gastos na aquisição de peças de reposição de máquinas integrantes do processo produtivo (produtos intermediários) inviabiliza a análise do mérito dessa matéria.
CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. MULTAS E JUROS DECORRENTES DE PAGAMENTO EM ATRASO. CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. INAPLICABILIDADE.
Não devem ser considerados, para os fins de cálculo do crédito presumido do IPI, despesas diversas pagas conjuntamente à fatura de energia elétrica, quais sejam, penalidades contratuais (multas e juros por pagamento em atraso) ou a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS "INATIVAS". OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Inexistindo comprovação da efetividade das operações, devem ser glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas jurídicas inativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Francisco José Barroso Rios, Sólon Sehn e Mércia Helena Trajano dAmorim (Presidente).
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 EXPORTAÇÃO. MOMENTO DE OCORRÊNCIA PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. A receita bruta de exportação é o produto da venda, ou seja, o preço da operação no momento da ocorrência do fato gerador (saída do produto do estabelecimento industrial), sendo esse momento o que deve ser considerado na apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A aquisição de insumos atrelados ao processo produtivo junto a pessoas físicas e cooperativas deve ser considerada no cálculo do crédito presumido do IPI. Precedentes do CARF e REsp nº 993.164, julgado pela sistemática de recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PEÇAS DE REPOSIÇÃO DE MÁQUINAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação dos gastos na aquisição de peças de reposição de máquinas integrantes do processo produtivo (produtos intermediários) inviabiliza a análise do mérito dessa matéria. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. MULTAS E JUROS DECORRENTES DE PAGAMENTO EM ATRASO. CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. INAPLICABILIDADE. Não devem ser considerados, para os fins de cálculo do crédito presumido do IPI, despesas diversas pagas conjuntamente à fatura de energia elétrica, quais sejam, penalidades contratuais (multas e juros por pagamento em atraso) ou a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 20 83 /2 00 2- 14 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 839 2 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS "INATIVAS". OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Inexistindo comprovação da efetividade das operações, devem ser glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas jurídicas inativas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Francisco José Barroso Rios, Sólon Sehn e Mércia Helena Trajano d’Amorim (Presidente). Relatório Na condição de Presidente em exercício da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), designome Redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o Relator originário não mais integra nenhum dos Colegiados deste Conselho. Por bem explicitar os fatos ocorridos até o momento da decisão recorrida, adotase o relatório da autoridade julgadora de primeira instância: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, tendo como fundamento a Lei nº 10.276/01 e a IN SRF nº 69/01, referente ao segundo trimestre de 2002, no valor de R$ 1.130.247,00, conforme pedido de ressarcimento, da fl. 2. Também foram apresentados os pedidos de compensação das fls. 217 e 229, e os pedidos de compensação constantes dos processos 13971.003056/200251, 13971.003128/200260 e 13971.003185/200249. O pleito foi apreciado pelo despacho decisório das fls. 543 a 559, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 840 3 Blumenau/SC, que deferiu parcialmente o ressarcimento, reconhecendo o direito creditório de apenas R$ 544.439,03, homologando os pedidos de compensação até o limite do crédito reconhecido. O ressarcimento foi deferido parcialmente pelos seguintes motivos: 1. Foram efetuados ajustes na receita de exportação direta no mês e nas vendas a comercial exportadora no mês porque de acordo com as instruções de preenchimento do programa gerador da DCTF 2.0 aprovado pela IN nº 154/2002, considera se ocorrida a exportação para efetivos de apuração do crédito presumido, na data da efetiva saída dos produtos do estabelecimento industrial constante na nota fiscal; 2. Foram efetuados ajustes nos custos com energia elétrica, decorrentes de divergências entre o valor declarado na DCTF e o efetivamente encontrado pela soma das notas entregues em resposta à intimação fiscal, como também excluiu valores relativos às multas e juros nos pagamentos em atraso e às contribuições de iluminação pública; 3. Foram desconsiderados integralmente os custos das aquisições de insumos adquiridos de cooperativas e de pessoas físicas nãocontribuintes, que não geram direito ao crédito presumido conforme disposto no art. 5º, § 2º, e art. 16 da IN SRF nº 69/01, ressaltando que essas aquisições deveriam ter sido informadas pela requerente por ocasião da Intimação Fiscal nº 028/07 (quesito 6 fl. 240), porém, não o foram; 4. Foram desconsiderados os custos das aquisições de peças para reposição em máquinas que, ainda que sejam consumidas pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; 5. Foram desconsideradas as aquisições cujas notas fiscais foram emitidas por fornecedores que apresentaram declaração de INATIVAS para o anocalendário 2002 (fls. 455 e 457), pois se o crédito solicitado se destina a ressarcir o valor das contribuições que deveriam ter gravado os insumos e tais aquisições não foram oferecidas à tributação, não haverá o que ressarcir, sob pena de proporcionar o benefício em dobro; 6. Ressalva que, de acordo com planilha de cálculo do Despacho Decisório do processo administrativo nº 13971.001226/200262 concernente ao 1º trimestre de 2002 (fl. 541), foram efetuados ajustes nos três primeiros meses de 2002, ocasionando, conseqüentemente, os respectivos efeitos no período ora analisado. Devidamente cientificada do despacho decisório, em 11/09/2007, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade das fls. 584/594, instruída com os documentos de fls. 595/748, alegando o que vem sintetizado na seqüência: Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 841 4 1. A Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido não estabeleceu que a data da saída da mercadoria do estabelecimento industrial será considerada como o momento da ocorrência da exportação e/ou da venda para comercial exportadora, assim, poderia a requerente considerar como ocorrida as exportações e as vendas à comercial exportadora a data da emissão das notas fiscais; 2. A legislação aplicável ao assunto previu que para a apuração da base de cálculo do crédito presumido serão considerados os custos integrais com energia elétrica utilizada no processo produtivo. Ao final de cada mês, a empresa fazia a previsão do custo estimado com energia elétrica, promovendo o ajuste ao receber as respectivas faturas. E, para a apuração do crédito presumido, a empresa utilizouse dos valores lançados em sua contabilidade, por se tratar do custo incorrido no mês, acrescido do valor do ICMS lançado no Livro de Apuração, que também compõe o seu custo. Portanto, não há o que questionar quanto aos valores apontados pela empresa em seu pedido; 3. As vedações ao crédito de pessoas físicas e de cooperativas previstas na IN 69/2001 não encontram respaldo na lei que instituiu o benefício; 4. As peças e partes de máquinas devem ser consideradas como insumos, pois são consumidas pelo desgaste na produção, e sem as mesmas, as atividades industriais da empresa não poderiam ser levadas a efeito, sendo, portanto, geradoras de crédito de IPI. Inclusive, o posicionamento do fisco é contrário ao do STF; 5. As empresas que apresentaram declaração de inativas no ano calendário de 2002, constam como ativas no cadastro do CNPJ, não competindo aos contribuintes, a fiscalização afeta à fazenda; 6. Ao final, requer a reforma do despacho decisório para o deferimento do pedido de ressarcimento inicialmente pleiteado. Em 29 de janeiro de 2014, por meio do acórdão nº 1448.323, a DRJ Ribeirão Preto/SP julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A receita de exportação é obtida dos valores escriturados no livro Registro de Apuração do IPI, com base no valor, em Reais, registrado nas notas fiscais emitidas nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 842 5 Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento, e suas peças e partes. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS INATIVAS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Inexistindo comprovação da efetividade das operações, devem ser glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas jurídicas inativas. RESSARCIMENTO DE IPI. REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Constatado nos autos erro no cálculo do crédito presumido do IPI, impõese a correção dos valores e a homologação da compensação nos limites do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Inconformado com a decisão recorrida, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual aduz que: a) quanto ao momento no qual se deve considerar ocorrida a exportação, tal deve ser no da emissão da nota fiscal, e não da saída física do produto do estabelecimento exportador; b) quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, a questão já está pacificada em favor do contribuinte conforme REsp julgado em sede de recurso repetitivo; c) quanto aos produtos intermediários, ainda que estes não se integrem fisicamente ao produto final, caso sejam consumidos no processo de industrialização, devem ser considerados para fins de cálculo do crédito presumido; d) quanto à energia elétrica, andou mal a decisão recorrida ao excluir os custos relativos a multas e juros decorrentes do pagamento em atraso, assim como a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública; e) em conformidade com o princípio da verdade material, devem ser aceitos no cálculo do crédito presumido os valores relativos às aquisições provenientes de empresas "inativas", cujas notas fiscais foram devidamente apresentadas à Fiscalização. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 843 6 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc A elaboração deste voto, para o qual designeime para formalizálo, nos termos do art. 17, III, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, deve refletir a posição adotada pela unanimidade do Colegiado, tendose em conta o resultado constante da ata de julgamento. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como visto ao final do relatório, o presente Recurso se dedica à defesa de alguns argumentos relativos ao crédito presumido de IPI, a saber: a) momento no qual se deve considerar ocorrida a exportação; b) insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; c) direito ao crédito presumido em relação aos produtos intermediários; d) inclusão dos valores relativos a multas e juros e à Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública pagos nas faturas de energia elétrica; e) no cálculo do crédito presumido, devem ser computados os valores relativos às aquisições provenientes de empresas "inativas", cujas notas fiscais foram devidamente apresentadas à Fiscalização. 1 Do momento no qual se deve considerar ocorrida a exportação. No que se refere a este item, entendo que não assiste razão à Recorrente. A celeuma diz respeito ao momento no qual juridicamente se considera ocorrida a exportação: se no momento de emissão da nota fiscal ou no momento da saída física do estabelecimento. A decisão recorrida sustenta seu entendimento nas normas de regência, buscando esteio no RIPI então vigente, o qual, ao seu turno, encontra esteio na Lei nº 4.502/1964, cujo art. 2º assim dispõe: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 844 7 Ao seu turno, a Recorrente defende que deve ser tomado o critério de incidência do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º da Lei 9.363/1996, a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Nada obstante o caput do art. 3º da Lei 9.363/1996 dispor que a apuração do montante da receita de exportação será efetuada nos termos das normas de regência de PIS e Cofins, o parágrafo único do mesmo artigo determina a utilização subsidiária da legislação do IR e do IPI para o estabelecimento dos conceitos de receita de produção. As saídas para exportação compõem a receita bruta do contribuinte, mas promovem primordialmente receitas de produção (parcela do todo que, pelo próprio nome, é a receita bruta). Ou seja, os conceitos de receita de produção e de receita bruta são dados subsidiariamente pela legislação do IR e do IPI, e a apuração dessas receitas será regida pela legislação de PIS e Cofins. Essa a leitura que se afigura mais apropriada, a meu ver, para o caso em tela. A partir do parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/1996, entendo como adequada a interpretação feita pela decisão recorrida, uma vez que a antiga lei do imposto sobre o consumo (plenamente válida e eficaz para o IPI, que lhe sucedeu após a EC 18/65) considera como ocorrido o fato gerador somente no momento da saída do estabelecimento. Por oportuno, para evitar que se identifique contradição no julgado, reputo válido esclarecer que não vejo antagonismo na conjugação dessas normas. A rigor, o normal é que os produtos sejam objeto de saída do estabelecimento produtor pouco tempo depois da emissão das notas, pelo que eventual divergência resta reduzida. Para os casos, contudo, de emissão da nota ao final de um período de apuração e saída física somente no período seguinte, o cálculo do crédito presumido deverá considerar tal peculiaridade, atendendo ao que o art. 3º da lei 9363/96, em seu caput e parágrafo único, dispõe. Diante disso, não acolho o pleito da Recorrente, no que tange a esse item. 2 Da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas. Quanto a esse item, de fato o STJ já julgou esse assunto no REsp nº 993.164, nos termos abaixo: Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 845 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 846 9 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 847 10 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; Resp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 848 11 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Além de o referido acórdão ter subsidiado a edição da Súmula 494 do Sodalício Superior (“O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP”), o julgado da Primeira Seção daquela Corte submeteuse à sistemática dos recursos repetitivos, favoravelmente ao contribuinte, o que obriga o CARF a reproduzir o entendimento nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Nesse sentido, uma vez que o despacho decisório (fl. 554 do processo digital) é categórico ao afirmar que efetivamente se trata de insumos no processo produtivo, mas que, por terem sido adquiridos junto a pessoas físicas e cooperativas, não podem ser computados no cálculo do crédito presumido, entendo seja o caso de dar provimento ao Recurso nesse aspecto. 3 Dos produtos intermediários. No que tange a este item, o inconformismo da Recorrente com relação à decisão a quo cingese à negativa de reconhecimento de peças de reposição das suas máquinas. Ocorre que, nada obstante em tese os argumentos do sujeito passivo serem relevantes, em termos concretos a questão carece de substância. A Recorrente é enfática ao afirmar que todos os produtos intermediários são peças de reposição de máquinas integrantes do seu processo produtivo. Todavia, não consta dos autos qualquer laudo técnico ou indicação de quais peças se trata, nem a manutenção de quais máquinas elas se destinam. Nesse sentido o CARF já se manifestou, reconhecendo o direito de crédito somente mediante comprovação quanto a tais peças: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. LEI Nº 9.363/96. DESGASTE PELO CONTATO FÍSICO. BASE DE CÁLCULO. Comprovado por laudo técnico que os insumos sofrem desgaste no processo produtivo, em função de seu contato Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 849 12 com o produto em fabricação, demandando sua constante reposição, deve ser reconhecido o direito de crédito de IPI sobre tais insumos. Não se enquadra no conceito de produto intermediário, os produtos químicos utilizados para tratamento de água das caldeiras para produção de vapor, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 3402002.122, Rel. Cons. João Carlos Cassuli Junior) No mais, não se pode considerar que tais peças sejam insumos, mas sim ativo imobilizado – devendo ser tratadas como tal, e não como insumos para fins de composição do crédito presumido do IPI. Diante do exposto, não há como se reconhecer o pleito da Recorrente quanto a esse item. 4 Da aquisição de energia elétrica. A Recorrente defende que a decisão recorrida equivocouse ao excluir, do cálculo do crédito presumido, os gastos incorridos com multas e juros decorrentes do pagamento em atraso das faturas de energia elétrica, assim como dos valores pagos a título de Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP). Aduz que “a referida lei [10.276/2001], assim como a IN n. 69/01, que regulamentava a matéria na época dos fatos, não trouxeram qualquer exclusão dos valores pagos a título de energia elétrica. Ela fala em custos”. O pleito da Recorrente, no entanto, não merece ser acolhido. Em que pese seus argumentos, parece claro que somente os gastos incorridos com a energia elétrica despendida no processo produtivo devem ser considerados para fins de composição do cálculo do crédito presumido do IPI. A rigor, eventuais despesas relativas à penalidade contratual (multas e juros por pagamento em atraso) decorrem da relação jurídica entre a Recorrente e a concessionária de energia elétrica. É diferente do quanto regido pela legislação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a qual, mesmo mais ampla quanto às despesas incorridas pelo sujeito passivo, ainda traz nuances que não merecem ser pormenorizadas aqui. De toda forma, mesmo essa ilustração já permite visualizar que, no âmbito do crédito presumido de IPI, o relevante é o atrelamento entre certas despesas e o processo produtivo do contribuinte – o que de plano afasta rubricas distintas da energia elétrica em si. A preocupação com relação a isso é tamanha, que a própria IN 69/2001 trouxe disposição própria para assegurar que o ICMS incidente sobre a energia elétrica consumida pelo sujeito passivo componha o cálculo: Art. 18. Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, bem assim os valores do frete e seguro, desde que cobrados ao adquirente. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 850 13 Assim é que somente as despesas relativas à energia elétrica em si podem ser consideradas para fins de cálculo do crédito presumido, afastandose multas e juros por adimplemento em atraso, uma vez que se trata de gastos com penalidades contratuais – e não com a energia elétrica aplicada ao processo produtivo. A questão se torna ainda mais nítida quando se trata da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), paga pela Recorrente e considerada custo de energia elétrica. A COSIP é tributo, é gasto totalmente distinto da energia elétrica, e que é cobrada como uma rubrica distinta na fatura apenas por permissibilidade constitucional (art. 149A, § 2o , da CRFB). Mas sua natureza é totalmente diversa, pelo que não se pode equipararlhe aos gastos com energia elétrica consumida na produção da Recorrente. De se negar provimento, portanto, ao Recurso Voluntário, nesse aspecto. 5 Das aquisições de insumos junto a empresas com declaração de “inativa”. O último item do Recurso Voluntário destinase a combater a restrição ao aproveitamento do crédito presumido referente a aquisições junto a pessoas jurídicas que, para o exercício de 2002, apresentaram declaração de inativas. A DRJ entendeu que, sem prova do pagamento a tais pessoas jurídicas (cuja denominação era das antigas “firmas individuais”), não há como se reconhecer validade às operações. A Recorrente, ao seu turno, defende que a comprovação de que as notas emitidas pelas referidas pessoas jurídicas foram escrituradas em seu Livro Registro de Entradas do ICMS é suficiente para demonstrar a regularidade da operação; e que o fato de, à época, o CNPJ das pessoas jurídicas constar como “ativo” no sítio da RFB na internet seria suficiente para demonstrar sua boafé na qualidade de adquirente dos produtos. Entendo que assiste razão à decisão recorrida. Mesmo reconhecendo a importância da boa fé do adquirente, que se presume, o que consequentemente exige que qualquer ilação em sentido contrário deve ser provada, a questão processual peculiar ao caso concreto demanda questão probatória simples suscitada pela DRJ: a prova do pagamento. A instância a quo assim se manifestou sobre o ponto: Contudo, dada a situação de inatividade dos fornecedores assim identificados, deve haver a comprovação das efetivas operações que geraram os créditos em litígio, tais como cópia do cheque se o pagamento foi efetuado por esse meio, registro de entrada, etc. Cabe à postulante o ônus da prova, e ela deveria comprovar não apenas que as operações existiram, mas que aconteceram do modo em que foram declaradas, ou seja, que os fornecedores, valores e datas são aqueles mesmos indicados nas notas fiscais. (grifei) Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13971.002083/200214 Acórdão n.º 3802004.299 S3TE02 Fl. 851 14 Instada pela DRJ a demonstrar a verdade material das operações, a Recorrente apresentou somente uma parte do quanto suscitado: cópias dos Livros Registros de Entradas. Diante de uma situação em que se põe em xeque a efetividade de certa operação, por fundadas suspeitas quanto à manutenção das atividades dos fornecedores, a comprovação da escrituração das notas fiscais não me parece suficiente para assegurar a veracidade dos negócios jurídicos considerados. Assim, a prova do pagamento (indicada como primeiro meio comprobatório pela decisão recorrida) é fundamental para se confirmar a verdade material das aquisições junto às pessoas jurídicas que apresentaram declarações de inativas à RFB para o anocalendário 2002. Conclusão Com base no acima exposto, o relator originário votou, sendo acompanhado pela totalidade do Colegiado, por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 851DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.914828/2012-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora: a) tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância; b) especifique quais os documentos ainda entende necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que votou contra a realização da diligência e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora: a) tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância; b) especifique quais os documentos ainda entende necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que votou contra a realização da diligência e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 14 82 8/ 20 12 -6 2 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 112 2 O despacho decisório, emitido em decorrência do envio da Dcomp, houve por bem, não homologar a compensação, em razão de não ter localizado, quando em consultas ao sistema informatizado da RFB, créditos suficiente para a extinção do débito pretensamente posto em compensação. Manifestação de Inconformidade Na sua peça de defesa, a recorrente buscou demonstrar a existência de seu crédito e demonstrar a base de cálculo para, assim, atingir o real valor a ser recolhido, logrando comprovar o pagamento a maior ao qual submeteu ao processo compensação. Informa que teria apurado o Pis e recolhido mediante 02 guias DARF juntadas aos autos e enviado as competentes DACON e DCTF. A seguir, procedeu à revisão das apurações de seu Pis, constatando a existência de pagamento indevido, uma vez que o valor apurado, após a revisão, resultou em valor menor. Retificação DACON A fim de informar corretamente a base de cálculo, retificou a DACON, e, a partir deste valor constante na DACON retificadora, transmitiu a Dcomp, na intenção de ver compensado o valor constatado como indevido. Ausência de DCTF Retificadora Aduz que a compensação não fora homologada em razão da ausência de retificadora da DCTF, havendo, no sistema de controle da Receita, apenas a informação do pagamento efetuado sobre a apuração equivocada. Desta forma, a análise efetivada, qual seja, a confrontação da DCTF com a Dcomp, resultou em conclusão na qual inexiste saldo de crédito suficiente para quitar o débito informado na Dcomp. DCTF original x DACON retificadora Sobre o aparente conflito, entre valores constantes na DCTF original, e da DACON retificadora, alega que deve prevalecer o constante na DACON indicando os valores em tabela. Ainda, sustenta que a mera formalidade, decorrente da falta de retificação da DCTF, não pode impedir a compensação postulada. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada pela delegacia de julgamento, que a entendeu como improcedente. A seguir, a ementa: PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 113 3 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Devido à objetividade e concisão, vale a transcrição do relatório do acórdão de primeira instância administrativa, para obter compreensão do contexto fático: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 05061.92130.240412.1.3.047931. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de PIS/Pasep (cód. 6912) (oriundo de DARF no valor total de 41.880,16, pago em 20/03/2008, relativo ao período de apuração fev/2008). O Despacho Decisório (fls. 44) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outro(s) débito(s). Cientificado da decisão em 21/01/2013 (fl. 37), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/05), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, alegando: (a) a impossibilidade de transmissão da retificação da DCTF; (b) a correção dos dados informados no DACON. Os fundamentos do voto condutor do acórdão guerreado são transcritos a seguir, no intuito de esclarecer o cerne da discussão, qual seja, a formação da correta base de cálculo do tributo em questão e a forma apropriada para comprovála. Neste sentido, o excerto a seguir bem destaca a particularidade deste caso, resumida, brevemente, no confronto de informações trazidas ao sistema da receita através da DACON e da DCTF. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 114 4 O cerne da questão referese a comprovação da base de cálculo do tributo. O administrado alegou em sua manifestação de inconformidade que efetuara a retificação da DCTF depois do decisório que denegou a compensação.Ocorre que o requerente não retificou a DCTF relativa ao suposto pagamento indevido, ou seja, mesmo depois da ciência do despacho decisório (que ocorreu em 21/01/2013, conforme fl. 37), o administrado não corrigiu seu suposto erro na DCTF, nem demonstrou o obstáculo à transmissão da DCTF retificadora, contemporaneamente à manifestação de inconformidade. Está claro que a Administração Tributária levou em conta as informações de DCTF transmitida previamente ao decisório O administrado pretende comprovar que o pagamento foi realizado em montante indevido, tendo em conta o débito informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, c/c o § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 482, de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com o DACON, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo dos tributos, sem, portanto, força de confissão. Ademais, se há contradição entre DACON e DCTF, não se pode aferir a priori qual dos dois documentos apresenta a informação correta, somente dissipandose a dúvida com a escrituração do administrado, que não foi aduzida aos autos. A par disso, a retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações existentes à época da decisão, nas quais corretamente está lastreado o decisório. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez, o requerente deveria (além de ter retificado a DCTF) ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu pedido, uma vez que a Administração demonstrou que o pagamento, pretensamente a maior, já havia sido utilizado para quitar o próprio débito fiscal no mês de apuração. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que o alega ter (art. 333, I, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da interposição da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972). Por fim, arremata: incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da DCTF retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. Na espécie, como o administrado não transmitiu a DCTF retificadora, tampouco aduziu a escrituração que fundamentasse a referida declaração (DCTF retificadora), permanece a situação de crédito indisponível para fins de compensação no presente processo. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 115 5 Recurso Voluntário A Recorrente, por meio de novo relato dos eventos ocorridos, declara que efetuou compensação com base em crédito oriundo de pagamento a maior e junta planilha especificando a natureza dos créditos de PIS. Pagamento a maior Segundo argumenta, teria demonstrado a base de cálculo e seus créditos, além de ter comprovado sua legítima existência. DACON retificadora com meio suficiente de prova Destaca, como na manifestação de inconformidade, que a DACON retificadora seria suficiente para comprovar a ocorrência do pagamento indevido. Da Ausência de DCTF retificadora Alega a impossibilidade de retificar a DCTF ante o prazo disposto no §5º do art. 9° da Instrução Normativa RFB n° 1.110/2010 Assegura, também, que a formalidade de não ter havido retificadora da DCTF não pode obstaculizar seu direito a crédito legítimo, decorrente de erro na apuração do Pis. Apuração do Pis Esclareceu, em seu recurso, que teria apurado o PIS, referente à competência em questão, em valores pagos mediante duas guias DARF. Sobre essas Guias DARFs, esclareceu que, equivocadamente, uma DARF foi excluída da Dcomp. Legitimidade da Compensação Em continuidade, menciona que em revisão de seu procedimento contábil, verificou que o valor correto de PIS a ser apurado era menor do que o efetivamente recolhido, motivo pelo qual, retificou a DACON. Com base na retificação da DACON, buscou a compensação. O motivo alegado, para a não homologação da compensação, entendeu a recorrente, ter sido a ausência de DCTF retificadora, que não fora retificada, uma vez que foi limitada a análise do crédito por confronto entre DCTF e DARF. Da legitimidade do Crédito A recorrente entende que seu crédito está comprovado, e, portanto, encontrase líquido e certo, e, por isso, deve proceder ao disposto no artigo 73 e 74 da lei 9.430/96. Em seu argumento central, encontrase o raciocínio no qual, em que pese a recorrente não ter apresentado a DCTF Retificadora, não haveriam dúvidas sobre a existência do crédito compensado, uma vez que teria juntado, em sua manifestação de inconformidade, "os demais documentos hábeis à comprovação do direito creditório”. Em especial, menciona a força probante da DACON retificadora, bem como a comprovação do pagamento via a juntada do DARF. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 116 6 A recorrente alega, por fim, em que pese a ausência de DCTF retificadora, teria demonstrado a formação da base de cálculo mediante a DACON retificadora e o DARF originalmente recolhido. É o relatório. VOTO Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento para propor diligência, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso voluntário, os seguintes argumentos. Dos Fatos A recorrente, sustenta que, recolheu por meio de DARF, PIS em determinado valor. No entanto, ao revisar seus procedimentos de recolhimento fiscal, verificou que apurou PIS equivocadamente, sendo que o valor correto a ser recolhido era inferior ao efetivamente recolhido. Logo, retificou a DACON, para constar o valor correto do débito. Crente de seu direito creditório, a contribuinte apresentou DCOMP, pleiteando a liquidação de débitos, utilizandose do crédito proveniente do pagamento a maior já citado. Com isso, foi proferido Despacho Decisório pela DRF – Porto Alegre – RS, que não homologou a compensação pleiteada pela razão de ter localizado pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no DCOMP. Em suma, alega que a causa da não homologação, foi o confronto da DCTF, que não foi retificada, com o valor recolhido no DARF discriminado. Por fim, aduz que não retificou a DCTF do trimestre relativo, pelo impedimento do prazo de 5 anos disposto no art. 9° da Instrução Normativa RFB n° 1.110/2010, tendo em vista que apenas percebeuse do equívoco após sua ciência do Despacho Decisório. Mérito Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 117 7 O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre, que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda que tais documentos sejam acostados aos autos, ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três pocionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 118 8 Pagamento a maior A partir então, da constatação desta apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado, que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu PIS. A fim de corrigir o rumo do referido processo e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verificouse a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 119 9 integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 120 10 também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 121 11 "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 122 12 recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos Documentos efetivamente acostados O contribuinte se limitou a juntar nos Autos somente o DARF pago, a DACON retificadora, a DCOMP, o comprovante da impossibilidade de retificação da DCTF e planilha de apuração PIS de 02/2008. As Conversões em Diligência A práxis processual administrativa, considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 123 13 O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 124 14 Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 125 15 Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante o tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, VOTO pela conversão deste processo em diligência, para: a) intimar a recorrente para apresentar: o Livro Razão contábil da empresa, as notas fiscais referentes aos serviços tomados e considerados como insumos, os comprovantes das despesas de energia elétrica, bem como de arrendamento mercantil; b) intimar a autoridade preparadora para analisar a planilha anexada no Recurso Voluntário, e afora os documentos acima mencionados, especifique quais ainda entende necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Conselheiro Relator do Voto Condutor da proposta de conversão do julgamento em diligência, e concessa venia aos meus pares, que entendem diferentemente, pontuo as razões pelas quais conclui pela não concessão do presente feito, bem como esclareço que, tal como realizado pelo nobre Relator, a presente Declaração de Voto é pertinente para todos os processo do Contribuinte VERDE ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO S.A., quais sejam: 11080.914859/201213, 11080.914828/201262, 11080.914849/201288, 11080.914850/2012 11, 11080.914852/201200 e 11080.914854/201291, referentes às Resoluções: 3001000.109, 3001000.110, 3001000.111, 3001000.112, 3001000.113 e 3001000.114; para tanto, uso como paradigma os autos do processo 11080.914828/201262. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 126 16 Da ementa do acórdão recorrido Transcrevo a respectiva ementa, verbis: PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Dos termos do voto condutor da decisão vergastada Reproduzo os trechos do Voto Condutor que importam para a explicitação da presente Declaração de Voto, ipsis litteris: (...) O cerne da questão referese a comprovação da base de cálculo do tributo. O administrado alegou em sua manifestação de inconformidade que efetuara a retificação da DCTF depois do decisório que denegou a compensação.Ocorre que o requerente não retificou a DCTF relativa ao suposto pagamento indevido, ou seja, mesmo depois da ciência do despacho decisório (que ocorreu em 21/01/2013, conforme fl. 37), o administrado não corrigiu seu suposto erro na DCTF, nem demonstrou o obstáculo à transmissão da DCTF retificadora, contemporaneamente à manifestação de inconformidade. Está claro que a Administração Tributária levou em conta as informações de DCTF transmitida previamente ao decisório Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 127 17 O administrado pretende comprovar que o pagamento foi realizado em montante indevido, tendo em conta o débito informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, c/c o § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 482, de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com o DACON, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo dos tributos, sem, portanto, força de confissão. Ademais, se há contradição entre DACON e DCTF, não se pode aferir a priori qual dos dois documentos apresenta a informação correta, somente dissipandose a dúvida com a escrituração do administrado, que não foi aduzida aos autos. A par disso, a retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações existentes à época da decisão, nas quais corretamente está lastreado o decisório. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez, o requerente deveria (além de ter retificado a DCTF) ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu pedido, uma vez que a Administração demonstrou que o pagamento, pretensamente a maior, já havia sido utilizado para quitar o próprio débito fiscal no mês de apuração. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que o alega ter (art. 333, I, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da interposição da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972). (...) Incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da DCTF retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. Na espécie, como o administrado não transmitiu a DCTF retificadora, tampouco aduziu a escrituração que fundamentasse a referida declaração (DCTF retificadora), permanece a situação de crédito indisponível para fins de compensação no presente processo. Dos fundamentos quanto a discordância deste conselheiro De plano, convém pontuar que no caso destes autos e, igualmente dos autos dos demais processos paradigmáticos, conforme já aventado, resta evidente que o único argumento traçado pelo Recorrente, seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja nesta fase recursal, com a trazida do seu Recurso Voluntário, para justificar seu pleito à compensação pretendida, via transmissão do respectivo Per/Dcomp, em face da sua não homologação, está centrada no fato de que, em que pese não ter apresentado a DCTF Retificadora, dúvida não haveria sobre a existência do crédito compensado, haja vista a "teria demonstrado a formação da base de cálculo mediante a DACON retificadora e o DARF originalmente recolhido". Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.914828/201262 Resolução nº 3001000.110 S3C0T1 Fl. 128 18 Esclareçase, que compartilho do entendimento segundo o qual, em prestígio, dentre outros, do princípio da verdade material, permitese a juntada de documentos, dentre outros, os de natureza contábil fiscal, a fim de dar suporte aos argumentos tecidos em seus petições recursais, inclusive após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Ainda, por oportuno, esclareço que este Colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. De outra forma dizendo, estando o Contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o Recorrente, ao adotar a linha de argumentação concretizada nestes autos, no sentido de que, em síntese, a DACON retificadora seria suficiente para comprovar a ocorrência do pagamento indevido, ainda que sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua escrituração contábil fiscal, preferiu agir de forma não proativa; logo, ao não se empenhar em provar o direito que alega possuir, impede, a meu ver, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como me pronuncio. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000514/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DE RECURSO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-001.028
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer
do recurso voluntário, por ser intempestivo.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
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PRAZO DE APRESENTAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DE RECURSO. PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente em Exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 05 14 /2 01 0- 88 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 430 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto por GIAGUI S/A TERRAPLENAGEM E PAVIMENTAÇÃO, já qualificada nos presentes autos, em face do acórdão nº 0538.660, proferido pela 4ª Turma da DRJ/Campinas, em 14 de agosto de 2012 que, ao apreciar sua Impugnação, concedeu provimento parcial. O crédito tributário compreende os autos de infração IRPJ e CSLL, por falta de recolhimento dos tributos, com multa de ofício de 75%, mais o lançamento da multa isolada de 50% por falta de recolhimento das antecipações, correspondentes ao anocalendário de 2005. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 94/100), consta em resumo, o seguinte: “o contribuinte apurou o Imposto sobre a Renda no ano de 2005 na modalidade do lucro Real com período de apuração anual, o que obriga o fiscalizado ao recolhimento do IRPJ por estimativa; o contribuinte recolheu o IRPJ por estimativa para os meses de fevereiro (R$ 28.370,17) e abril de 2005 (R$ 20.121,30) (...). Assim, será constituído o crédito tributário da multa pelo não recolhimento do IRPJ por estimativa, conforme disciplina o inciso IV da Lei n. 9.430/96 para os meses de janeiro, março, abril, maio, junho e julho de 2005; em sentido contrário, a DIPJ Normal que compreende os meses de setembro a dezembro de 2005 não demonstra o cálculo do IRPJ Estimativa e os balancetes daquele período apontam prejuízo, desobrigando o contribuinte ao recolhimento do IRPJ por estimativa; de outra feita, consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil aponta que o contribuinte recolheu a título de CSLL Estimativa os seguintes valores: R$ 61.124,22 em maio de 2005 e R$ 151,02 em setembro de 2005. Estes valores abaterão o valor do crédito tributário a ser lavrado para evitar o empobrecimento sem causa do contribuinte.” A seguir, a autoridade autuante transcreve as infrações apuradas, assim caracterizadas: 1) Insuficiência de recolhimento ou declaração Promovemos a constituição do crédito tributário dos valores informados nas Declarações de Informações EconômicoFiscais do ano de 2005 a título de IRPJ e CSLL a Pagar”. Nos quadro abaixo, a demonstração dos valores a serem lançados no ano de 2005: Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 431 3 2) Multa pela falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada O contribuinte não recolheu o Imposto de Renda Pessoa Jurídica incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta para os meses de janeiro, março, abril3, maio, junho e julho de 2005, conforme demonstrado no quadro abaixo o valor do crédito tributário da multa devida pelo não recolhimento do IRPJ apurado por estimativa: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 432 4 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 128/147), com a juntada dos documentos de fls. 148/288, onde expõe, em síntese, os seguintes argumentos: · que efetuou a entrega de duas DIPJ no anocalendário de 2005, a primeira que chamou de “Especial” (em razão de processo de incorporação havido), compreendendo o período de 01/01/2005 a 31/08/2005 e a segunda, de “Normal”, abrangendo de 01/09/2005 a 31/12/2005 para rematar que as Declarações “apresentam os seguintes valores como “Lucro Real”, a saber”: Lucro Real na DIPJ Especial: R$ 3.220.633,78. Lucro Real na DIPJ Normal: R$ 3.506.640,11; · que, embora os valores acima descritos estejam alocados na linha que recebe o nome de Lucro Real, estes não refletem a realidade dos fatos, pelo seguinte: os valores lançados na coluna de outras adições são mera previsão gerencial de valores a serem recebidos no curso do ano subseqüente. Os valores lançados na coluna outras exclusões são mera previsão gerencial de valores objeto de inadimplência no curso do ano subseqüente; · que o lançamento utiliza como base de cálculo uma medida imponível, incorreta e superior à que corresponde a verdade e em desacordo com o conceito de Lucro Real. Requer a conversão do julgamento em diligência “para comprovação de que os valores adicionados e excluídos ao Lucro Líquido do Exercício não refletem qualquer elemento econômico e jurídico que possam ser objeto de incidência do IRPJ e da CSLL; · que, embora tenha optado pelo Lucro Real anual, não efetuou recolhimentos regulares das estimativas e nem os declarou em DCTF e que, por isso mesmo, sua opção (pelo referido Lucro Real anual), não poderia subsistir; · que, como não obedeceu as determinações da legislação para se valer da apuração anual, deveria a Receita Federal, ao constatar a conduta praticada pela impugnante, ter promovido a apuração do IRPJ pela modalidade do Lucro Arbitrado, conforme preceitua o tipo descrito no inciso I, do artigo 47, da Lei n. 8.981 de 29 de janeiro de 1995 e não se limitar a simplesmente lançar de ofício o valor do IRPJ e da CSLL a Pagar informados na DIPJ do exercício 2006, ou seja, a Administração Tributária também não agiu em conformidade com a Lei; · que houve um descompasso entre a conduta por ela praticada, de optar pela apuração anual do IRPJ e não recolher os valores estimados mensais nem o saldo constante da DIPJ e a sanção prevista para esta conduta indevida, que seria o arbitramento do lucro, não realizado pelo Fisco; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 433 5 · que o lançamento foi equivocado e contrariou o Princípio da Tipicidade, ou seja, não houve a subsunção do fato pratica à norma, pois o correto seria a apuração do IRPJ e da CSLL, por parte do Fisco, pela modalidade de Lucro Arbitrado; · que a exigência da multa de lançamento de ofício isolada sobre diferenças de tributos não recolhidos mensalmente, somente daria sentido se operada no curso do próprio anocalendário, uma vez que os recolhimentos por estimativa revestemse de caráter transitório ou provisório; · que, conforme se depreende do descrito no Termo de Verificação Fiscal, a IMPUGNANTE não recolheu o imposto por estimativa, porém encerrado o período de apuração anual de incidência dos tributos e entregue a declaração de rendimentos, concluise por encerrado o ciclo provisório, mediante a definição das bases de cálculo declaradas pela IMPUGNANTE; · que, esses fatos evidenciam que o regime de recolhimento mensal por estimativa tem na sua gênese um entendimento de previsibilidade de que o montante do tributo devido no curso do ano calendário, quando a contribuinte opta pela apuração anual do lucro real, ao final do anocalendário deveria corresponder ao montante do tributo devido no período, em tese, ou em valor bastante aproximado ao efetivamente devido que viesse a ser apurado; · que, em vista da exposição de motivos que demonstram que a multa ora cobrada encontrase em desacordo com a legislação que trata da matéria, pede a IMPUGNANTE que a presente infração seja tornada insubsistente. Conclui reafirmando o pedido de diligência, ratifica os argumentos antes expendidos e requer o cancelamento dos lançamentos. Ao apreciar a defesa apresentada, a colenda Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP manteve parcialmente a exigência, nos termos do acórdão mencionado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Diligência/Perícia. Prescindibilidade. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 434 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Ofício. Cabimento. Ocorridos recolhimentos a menor a título de IRPJ estimativa mensal durante diversos meses de 2005 e, por consequência, constatada, na apuração do ajuste anual, insuficiência nos pagamentos de referido tributo, cabível o lançamento de ofício pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. Multa Isolada. Falta ou Insuficiência de Recolhimento de Estimativas Mensais. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Multa Isolada. Base de Cálculo. A Multa Isolada prevista no artigo 44, Inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 1996 tem como base de cálculo o valor não recolhido ou recolhido a menor das estimativas mensais devidas pela pessoa jurídica, calculadas estas sobre sua receita bruta mensal e não acumulada, impondose retificar os lançamentos, adequandoos aos valores corretamente apurados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Ofício. Cabimento. Ocorridos recolhimentos a menor a título de CSLL estimativa mensal durante diversos meses de 2005 e, por consequência, constatada, na apuração do ajuste anual, insuficiência nos pagamentos de referido tributo, cabível o lançamento de ofício pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 03/09/2012 (fls. 331), a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário em 04/10/2012 (fls. 333), onde reforça os argumentos expendidos na defesa inicial. É o relatório Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 435 7 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator A prescrição do artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, é que, das decisões proferidas pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrárias aos contribuintes, caberá recurso voluntário, dentro de trinta dias contados da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, antigo Conselho de Contribuintes. Da mencionada prescrição ressaltam dois pressupostos básicos a serem necessariamente observados pelo contribuinte, quando no exercício do direito ao recurso, tais sejam: 1. que o recurso seja dirigido à autoridade competente para apreciar e decidir sobre a matéria; e 2. que o recurso seja apresentado no órgão competente, dentro de trinta dias, quando muito, contados da ciência da decisão singular. Assim sendo, o descumprimento de qualquer dos pressupostos acarreta a ineficácia do recurso, impedindo o seu conhecimento por parte da autoridade a quem é dirigido. No caso em tela, resta caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso, conforme pode ser verificado às fls. 331 (A. R.), onde consta que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03 de setembro de 2012 (segundafeira), tendo, todavia, solicitado o encaminhamento de suas razões de apelo a este Colegiado somente no dia 04 de outubro de 2012 (terçafeira), conforme registrado no carimbo de protocolo aposto na petição de fls. 333. A contagem do prazo aponta o dia 03 de outubro de 2012 (segundafeira), como fatal para apresentação da peça recursal, o que, no caso, não foi observado. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer das razões do recurso, por perempto. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10932.000514/201088 Acórdão n.º 1302001.028 S1C3T2 Fl. 436 8 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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