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Numero do processo: 13007.000095/2004-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiu-se pelo sobrestamento com base no art. 62-A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 244 1 243 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13007.000095/200485 Recurso nº 259.926Embargos Resolução nº 3401000.574 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2012 Assunto PIS Embargante IPIRANGA PETROQUÍMICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiuse pelo sobrestamento com base no art. 62A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 07 .0 00 09 5/ 20 04 -8 5 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000095/200485 Resolução nº 3401000.574 S3C4T1 Fl. 245 2 Relatório Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolados pela contribuinte Ipiranga Petroquimica S/A, referentes à decisão de 18.3.2010 proferida por esta câmara. Por considerar suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls.01/02) de débito da CSLL e do IPI de junho de 2004, com crédito do PIS nãocumulativo de janeiro de 2004 no valor de R$ 102.038,59. Após verificação contábil, a fiscalização constatou falta de inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS nãocumulativo, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005, e que o saldo passível de compensação limitase apenas a R$ 4.690,60 (fl.68). Diante dessas verificações o pleito foi parcialmente deferido e a compensação homologada até o limite de R$ 4.690,60 (fl.69), pelo Delegado da Receita Federal em Porto Alegre RS. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.80/90), alegando, em resumo, que o crédito presumido do IPI é mero redutor de gasto, não configurando receita e esse entendimento se coaduna com a jurisprudência do TRF da 4ª Região, do STJ e do Conselho de Contribuintes. A DRJ em Porto AlegreRS protocolou acórdão (fls.118/119) indeferindo o pleito da contribuinte, sob fundamentação de que o PIS incide sobre qualquer receita, independentemente da classificação contábil, havendo exceções somente se expressas em lei, como não há lei que exclua expressamente o crédito presumido do IPI da incidência do PIS, aquele crédito compõe a base de cálculo desta contribuição. Vejase a ementa do acórdão da DRJ: ‘CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Sob a égide das Lei 10.637/2002, os valores relativos ao Crédito Presumido de IPI integram a base de cálculo do PIS nãocumulativo até a extinção do beneficio’. A contribuinte foi intimada do acórdão em 04/07/2008 (fl.142) e interpôs Recurso Voluntário em 24/07/2008 (fls.143/157), reforçando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando que se o crédito presumido não é receita, não necessita de disposição expressa para sua exclusão da base de cálculo do PIS, haja vista a contribuição incidir somente sobre receita. Por fim, pediu a homologação integral da compensação. É o relatório”. Em 27.7.2010 esta câmara decidiu por negar o Recurso sob o fundamento de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil e que as Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000095/200485 Resolução nº 3401000.574 S3C4T1 Fl. 246 3 possíveis exclusões devem estar previstas em lei, portanto não caberia a exclusão do Crédito do IPI, uma vez que não existe norma permissiva para tanto. Em 23.3.2011, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 28.3.2011, protocolou embargo de declaração, alegando que houve omissão, em síntese, dos seguintes pontos: a) O voto vencedor não cita os argumentos do Recurso Voluntário, ou seja, os argumentos de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS representa conduta própria contraditória e, especialmente, que representará ilegal e inconstitucional exigência de Contribuição para o PIS sobre receitas decorrentes de exportação; b) O ponto central do tema do julgamento também deixou de ser apreciado; c) Não restou analisada se a natureza jurídica do crédito presumido do IPI seria efetivamente receita; d) Há ainda de ser corrigido erro material na indicação do número do presente processo, que foi tombando sob o nº 13007.00095/85, no acórdão embargado, no entanto, consta o nº 13007.000952/200485. Por fim a contribuinte requer que sejam recebidos seus embargos de declaração, acolhidos e providos, inclusive para procederse ao préquestionamento da matéria para fins de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de sanar omissão: a) Quanto à análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito presumido do IPI, que entende a Embargante não se tratar de receita na linha do subcapítulo 3.4 do Recurso Voluntário; b) Sobre o fundamento de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS encontrará óbice na vedação ao venire contra factum proprium, conforme argumentado no subcapítulo 3.5 do Recurso Voluntário; c) Quanto à análise do argumento de que restariam violados o art. 5º, Inc. I, da Lei nº 10.637/02 e também o Inc. I do parágrafo 2º do art. 149 da Constituição Federal, como exposto no subcapítulo 3.6 do Recurso Voluntário. A contribuinte requer ainda que se aplique os efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração, dandose provimento o Recurso Voluntário e prestigiandose a jurisprudência que se encontrava pacificada no âmbito da presente turma. Conclui solicitando a correção do erro material relativo à numeração do presente processo. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000095/200485 Resolução nº 3401000.574 S3C4T1 Fl. 247 4 Voto Verificada a tempestividade da interposição destes embargos, passo a apreciá los A recorrente alega que toda a matéria não foi devidamente questionada, declarando que não foi feita a análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito do IPI, que a embargante entende não se tratar de receita. Devo ressaltar que a matéria sobre se o crédito presumido de IPI integra ou não a base de cálculo do PIS e da COFINS está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº. 593.544, com repercussão geral já definida pela corte. Assim não pode o presente processo ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em conformidade com o § 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como consta no site daquele Tribunal na internet, consultado em 15 de outubro de 2012, o debate no RE nº. 593.544 (tema 504) versa sobre o seguinte: Recurso extraordinário, em que se discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I, 150, § 6º e 195, I, da Constituição Federal, a possibilidade, ou não, de o crédito presumido do IPI decorrente de exportações, instituído pela Lei 9.363/96, integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Frente a todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a incidência do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Apenas após decisão transitada em julgado sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901842/2006-66
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 42 /2 00 6- 66 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 120/124 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Sobre o débito vencido incidem juros e multa de mora, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação, a qual foi homologada apenas parcialmente, uma vez que o crédito indicado pela empresa foi insuficiente para quitar totalmente os débitos indicados do PER/DCOMP. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que o que fundamenta o referido despacho é o fato de a requerente haver entregue declaração de compensação relativa a tributo já vencido; c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901842/200666 Acórdão n.º 3802003.351 S3TE02 Fl. 160 3 A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 05/07/2011 (fls. 157). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/08/2011, o recurso voluntário de fls. 126/146, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação integral da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda se restringe à contestação da incidência de juros de mora e de multa de mora, uma vez que o tributo já se encontrava vencido quando da formalização do PER/DCOMP. Tal incidência é legítima, como demonstraremos a seguir. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. No que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento integral do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento integral do tributo ou de sua quitação completa via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Por fim, com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901842/200666 Acórdão n.º 3802003.351 S3TE02 Fl. 161 5 reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação integral pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários em aberto, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000097/2003-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2003
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado e presidente em exercício.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma).
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2003 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado e presidente em exercício. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma). Relatório Em sessão transcorrida em 08 de dezembro de 2010, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 380200.289, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 97 /2 00 3- 64 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Data do fato gerador: 15/04/2003 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. MESMO CRÉDITO. REUNIÃO. Os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser reunidos em um único processo administrativo. COMPENSAÇÃO. DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 – convertida na Lei nº 10.833/03 –, a manifestação de inconformidade e o recurso suspendem a exigibilidade do débito objeto de compensação nãohomologada. Aplicação do princípio tempus regit actum, tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada da referida decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, tempestivamente, interpôs embargos de declaração (fls. 60/61) onde alega o seguinte: A decisão fundamentou a suspensão da exigibilidade com base na MP 135/03, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, data anterior a intimação do despacho decisório. Dispôs que pelo principio do tempus regit actum, deve ser aplicada a citada lei ao caso concreto tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. Ocorre que há contradição no acórdão, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (15/04/2003) e não a data da intimação do despacho decisório. A declaração de compensação apresentada antes de 30/10/2003, não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído o crédito tributário, e não tem o condão de suspender a exigibilidade do credito. Neste sentido o acórdão nº 280100431 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. Anocalendário: 2002 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA ANTES DE 30/10/2003. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído, por meio de lançamento de oficio, o credito tributário relativo aos débitos constantes das declarações de compensação não homologadas até então apresentadas. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que considerou não homologada a Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não tem o condão de suspender a exigibilidade de crédito tributário lançado em processo distinto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Ante o exposto, requer a União sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para suprir a contradição apontada. Diante da tempestividade do recurso – já que foi observado o prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13956.000097/200364 Acórdão n.º 3802002.356 S3TE02 Fl. 64 3 –, os autos foram movimentados para este conselheiro para exame dos argumentos aduzidos pela Fazenda Pública. É o relatório. Voto A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão desta Segunda Turma de Julgamento, alega ter havido contradição no acórdão, “[...] pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (15/04/2003) e não a data da intimação do despacho decisório”. De fato, ao analisar o pleito, esta Turma entendeu que a nova lei processual “[...] não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais” (conforme extraído de doutrina de Ada Pellegrini Grinover, Cândido R. Dinamarco e Antônio Carlos A. Cintra – Teoria Geral do Processo, 21 ed., 2005, Malheiros: São Paulo, p. 100102). Assim, tendo em conta que o novo regime para as compensações iniciou em 31/10/2003 – data da publicação da MP nº 135/03, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03 – entendeu a Turma, em sintonia com o princípio do tempus regit actum, que a nova norma, de natureza processual na parte que interessa para a lide, deveria ser aplicada a partir da data da intimação do despacho decisório (08/06/2005), quando já vigente a nova sistemática de tratamento das compensações. Com a devida vênia, não há que se falar em contradição no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Mas o julgado contestado, definitivamente, não apresenta nenhuma mácula que justifique acolhimento de embargos de declaração, notadamente a contradição a que alude a Fazenda Nacional. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2014. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10073.902012/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 126 1 125 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902012/200917 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.070 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 12 /2 00 9- 17 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902012/200917 Acórdão n.º 3802003.070 S3TE02 Fl. 127 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902012/200917 Acórdão n.º 3802003.070 S3TE02 Fl. 128 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001030/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/08/2010 a 29/02/2012
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
APLICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32ª -A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E CLAREZA NA APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A folha de rosto do presente Auto de Infração traz a descrição sumária da infração, embasada com toda sua fundamentação legal. E, tanto o Relatório Fiscal e planilhas anexas, corno o Relatório Fiscal Complementar, descrevem, de forma detalhada, as informações, as quais não foram devidamente apresentadas.
ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais.
Numero da decisão: 2302-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente.
LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/08/2010 a 29/02/2012 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. APLICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32ª -A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E CLAREZA NA APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A folha de rosto do presente Auto de Infração traz a descrição sumária da infração, embasada com toda sua fundamentação legal. E, tanto o Relatório Fiscal e planilhas anexas, corno o Relatório Fiscal Complementar, descrevem, de forma detalhada, as informações, as quais não foram devidamente apresentadas. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/08/2010 a 29/02/2012 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. APLICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32ª A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E CLAREZA NA APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A folha de rosto do presente Auto de Infração traz a descrição sumária da infração, embasada com toda sua fundamentação legal. E, tanto o Relatório Fiscal e planilhas anexas, corno o Relatório Fiscal Complementar, descrevem, de forma detalhada, as informações, as quais não foram devidamente apresentadas. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 10 30 /2 00 7- 87 Fl. 3330DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.048.9926 (AI 68), lavrado em 25/07/2007, em face da COOPERATIVA TRITICOLA MISTA ALTO JACUI LTDA., no valor de R$ 2.946.284,40.(dois milhões, novecentos e novecentos e quarenta e seis mil,duzentos e oitenta e quatro reais e quarenta centavos),referente à multa por omissão na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, no período de 01/08/2010 a 29/02/2012. Segundo o relatório fiscal, a empresa não cumpriu sua obrigação quando apresentou GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social) sem os seguintes fatos geradores: a) Valor da produção rural adquirida de pessoa física b) Valores de diferenças (entre os valores apurados pela fiscalização e os declarados pela empresa) de aliquotas de contribuições previdenciarias devidas a titulo de financiamento dos benefícios concedidos em vazão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — cujas siglas utilizadas são SAT, RAT ou GIRALT c) Pagamentos a contribuintes individuais — freteiros e autónomos d) Pagamentos a contribuintes individuais — Conselheiros — Cédulas de Presença e) Valores pagos a Cooperativas de Trabalho . f) Remunerações indiretas de segurados empregados feita através de ajuda alimentação e valores pagos 5 Associação dos Funcionários da COTRIJAL Diante disso, entendeu a fiscalização que o contribuinte incorreu na previsão legal capitulada no Artigo 32, Inciso IV, Parágrafo 5° da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97 Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11030.001030/200787 Acórdão n.º 2302003.192 S2C3T2 Fl. 3 3 c/c Art.284, inc. II do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) com a redação dada pelo Decreto 4.729/03. A empresa apresentou impugnação e, dentre outras alegações,mencionou o cerceamento de defesa, posto a não observância ao principio da ampla defesa e do contraditório, quando a fiscalização, não demonstrou de onde foram levantados os valores discriminados nas diversas planilhas acostadas. Assim sendo, a DRJ de Santa Maria/RS apontou que os vícios de motivação, quando resultarem em cerceamento ao direito de defesa, devem ser saneados com a prática de novo ato — RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR — entendeu pois, que para afastar a irregularidade, seria necessário esclarecer o embasamento (contabilidade, folha de pagamento, documentos de caixa ou outros), por rubrica, de todos os fatos geradores que motivaram a presente autuação. O relatório fiscal complementar (fls. 3263/3265) foi elaborado detalhando todos os fatos geradores omitidos pela empresa e como estes foram obtidos. Neste, informouse que foram examinados Livros Diário e Razão, folhas de pagamento, GFIP, bem como arquivos digitais e planilhas, contendo dados fornecidos pela Cooperativa que foram devidamente validados e assinados por representante responsável pelo fornecimento da informação e por técnico encarregado pelo processamento de dados da empresa, conforme recibos de entrega de arquivos digitais. Apresentada nova impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/07/2007 GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS EINFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL .GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR.PRODUTO RURAI.. SAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CÉDULAS DE PRESENÇA.COOPERATIVAS DE TRABAL110.REMUNERAÇÃO INDIRETA. A entrega dc GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias constitui infração a obrigação acessória expressa na Lei8.212191, ensejando a aplicação de multa. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.ARGÜIÇÃO. Não são analisadas, na instância administrativa,alegações relacionadas a legalidades!inconstitucionalidades de leis vigentes, tendo em vista que a avaliação de tal ocorrência é competência do Poder Judiciário. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°8 Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 A existência de Súmula Vinculante obriga os demais órgãos da administração pública direta a rever seus atos. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, e sem atacar o mérito da decisão recorrida (fls. 3292/3316), alega, em síntese, que: a) Não cabe aplicação de multa ao caso, na medida em que todos os recolhimentos foram realizados tempestivamente e, dessa forma, o equivoco da Recorrente não resultou em prejuízo ao erário público. O equivoco se deu no preenchimento da GFIP, especificamente no campo destinado à base de cálculo dessas contribuições, em que restou informado o valor recolhido. Destarte, um mero equivoco não deve ser equiparado à nãoentrega do documento ou mesmo à omissão de informações, como entendeu a fiscalização ao lavrar o auto de infração; b) A imposição fiscal não pode prosperar, é patente a ausência e fundamentação, bem como de clareza na apuração e verificação dos valores que entenderam devidos em razão da nãodeclaração por parte da Recorrente. Assim sendo, todo o procedimento deve ser anulado. Ademais, não obstante o relatório fiscal complementar,a fiscalização não logrou êxito em demonstrar de onde foram levantados tais valores. c) A multa aplicada tem caráter confiscatório pelo modo como fora calculada, (mês a mês) com base no artigo 32, inciso IV, §5° da Lei n.° 8.212/91, atentando aos ditames e princípios constitucionais, em especial ao não confisco, ao direito de propriedade, à razoabilidade e à proporcionalidade. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11030.001030/200787 Acórdão n.º 2302003.192 S2C3T2 Fl. 4 5 Importa consignar que o recorrente não atacou o mérito. Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada em conseqüência da omissão, na GFIP, de informações referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento nega que deixou de informar os dados especificados no Relatório Fiscal. Ou seja, apresentou uma defesa genérica, baseada na nulidade do Auto de infração por falta de fundamentação e clareza na apuração e verificação dos valores entendidos como devidos, pela fiscalização, em razão da nãodeclaração por parte da Recorrente. De outra parte, se restringiu a atacar a imposição da multa e alegar seu caráter confiscatório. Notese que a Recorrente não aponta, especificamente, quais informações consideradas como omissas na GFIP não constituem fato gerador a cobrança do crédito aqui tratado, o que torna preclusa a matéria. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 6 ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Fundamentação da apuração dos valores do Lançamento Fiscal Compulsando os autos, constatase que não procede a alegação de ausência de embasamento legal e falta de correta descrição da conduta da contribuinte. Claro está que a folha de rosto do presente Auto de Infração traz a descrição sumária da infração, embasada com toda sua fundamentação legal. E, tanto o Relatório Fiscal e planilhas anexas, corno o Relatório Fiscal Complementar, descrevem, de forma detalhada, as informações, as quais não foram apresentadas pela ora recorrente, com a identificação dos arquivos digitais validados, fornecidos pela empresa, e que foi utilizado para apuração de cada fato gerador de contribuições previdenciárias, inclusive. Da impossibilidade de análise de alegação do caráter confiscatório da multa Aduz a recorrente, que a multa aplicada tem caráter confiscatório, porquanto, atenta contra os ditames constitucionais. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da FazendaNacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma doart. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11030.001030/200787 Acórdão n.º 2302003.192 S2C3T2 Fl. 5 7 Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de confisco da multa aplicada ao presente caso. Da aplicação da Multa Afirma a fiscalização que o contribuinte incorreu na previsão legal capitulada no Artigo 32, Inciso IV, Parágrafo 5° da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97 c/c Art.284, inc. II do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) com a redação dada pelo Decreto 4.729/03, ao omitir na GFIP alguns dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Alega, todavia, a contribuinte, não ser cabível a aplicação da multa ao caso, justificando que os recolhimentos foram efetuados em tempo, e que, assim sendo, inexiste prejuízo ao erário público. Contudo, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, tal alegação não merece êxito. Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 8 Em primeiro lugar, há que se ter em mente que as informações prestadas ao Fisco Federal mediante GFIP não possui finalidade unicamente tributária, nem visa unicamente à arrecadação. Elas têm uma função social paralela àquela de natureza arrecadatória eis que tais informações prestadas nas GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirão a base de dados da própria autarquia previdenciária visando à concessão de aposentadorias e pensões em tempo ágil, dispensando a comprovação dos requisitos de concessão por parte do segurados. A inclusão de informações na base de dados do CNIS visa a garantir que novos subsídios para o reconhecimento dos benefícios passem a constar do Cadastro, além daqueles já disponíveis como o registro de pessoas físicas e jurídicas, vínculos empregatícios, remunerações e contribuições. Em termos tributários, a entrega da GFIP, muito além de uma mera obrigação acessória, configurasse como o próprio lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias nela declaradas, podendo o Fisco Federal, vencido o prazo para o recolhimento da exação nela consignada, ajuizar imediatamente a competente ação de execução fiscal. A não entrega das GFIP ou a sua entrega com omissões/incorreções impõe à administração tributária o ônus de instaurar auditoria fiscal na empresa infratora visando a promover o lançamento tributário das contribuições previdenciárias não declaradas no citado documento declaratório, o que implica relevante atraso na realização do crédito previdenciário de titularidade do Fisco. Tal atraso importa em redução do Orçamento Público, o que compromete a realização das metas traçadas pelo Governo Federal. Não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a sindicância, pela Administração Tributária, do efetivo cumprimento das obrigações ditas principais, bem como na prestação de informações de relevante interesse para o Estado, como é o caso ora em apreciação. Destarte, a mera violação objetiva de obrigação de natureza instrumental, acarreta, por presunção legal, prejuízo imediato no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, bem como outros de natureza parafiscal e extrafiscal. Em que pese ser cabível a aplicação da multa, a decisão recorrida merece ser reformada, devendo ser aplicada a multa prevista no Art, 32A da Lei 8.212/ 91, posto ser a norma vigente à data do fato gerador. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória, ora ilustrada,o art. 32 –A do Pergaminho Legal em foco, incluído pela MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, aviou norma tributária sancionatória prevendo a punição do infrator, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, observada a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais). Lei 8.219, de 24 de julho de 1991: Art. 32 – A Empresa é também obrigada a:a: (...)IV –informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS,por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11030.001030/200787 Acórdão n.º 2302003.192 S2C3T2 Fl. 6 9 fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração deque trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez )informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).§1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte a término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação,a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº11.941/2009). §3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, concluise de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 10 mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no art. 32 – A da Lei nº8.212/91, e, ao fim, devidamente somadas. Nesse contexto, o lançamento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória tem matriz legal e decorre da atividade plenamente vinculada da autoridade fiscal. Cabe, repito, a aplicação da multa, com base no Art, 32A, I, da Lei 8.212/ 91. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando a decisão, ora recorrida, para aplicar a multa prevista no Art, 32 A, I, da Lei 8.212/ 91, caso mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10425.720028/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 224 1 223 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.720028/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.150 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente SÃO BRAZ S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 28 /2 01 0- 18 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de Cofins apurada no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao terceiro trimestre de 2004. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720028/201018 Acórdão n.º 3803006.150 S3TE03 Fl. 225 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O valor incidente a título de ICMS, que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13 de agosto 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720028/201018 Acórdão n.º 3803006.150 S3TE03 Fl. 226 5 que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720028/201018 Acórdão n.º 3803006.150 S3TE03 Fl. 227 7 Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001920/96-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ERRO DE FATO - CABIMENTO
É passível de embargos de declaração a decisão que contiver erro de fato. In casu, a decisão recorrida determinava o aproveitamento de valores depositados sendo que demonstrativos anexados aos autos comprovam a inexistência de saldo nos depósitos, posto os valores terem sido aproveitados para a compensação ou pagamento por meio de conversão com outros tributos. Embargos acolhidos, decisão retificada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ERRO DE FATO - CABIMENTO É passível de embargos de declaração a decisão que contiver erro de fato. In casu, a decisão recorrida determinava o aproveitamento de valores depositados sendo que demonstrativos anexados aos autos comprovam a inexistência de saldo nos depósitos, posto os valores terem sido aproveitados para a compensação ou pagamento por meio de conversão com outros tributos. Embargos acolhidos, decisão retificada. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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Interessado FAZENDA NACINAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ERRO DE FATO CABIMENTO É passível de embargos de declaração a decisão que contiver erro de fato. In casu, a decisão recorrida determinava o aproveitamento de valores depositados sendo que demonstrativos anexados aos autos comprovam a inexistência de saldo nos depósitos, posto os valores terem sido aproveitados para a “compensação” ou “pagamento” por meio de conversão com outros tributos. Embargos acolhidos, decisão retificada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 19 20 /9 6- 55 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 19/06/96 (fls. 01 – 02) para o fim de constituir débitos de COFINS – Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social, referente aos fatos geradores incorridos entre abril/1992 e novembro/1993. O auto de infração informa textualmente que o crédito tributário está em discussão nos autos da Ação Ordinária nº 92.02038031 e com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar proferida nos autos da Medida Cautelar nº 92.02030987, com fundamento nos incisos II e IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Os valores autuados foram depositados, sendo que alguns períodos estavam depositados corretamente, outros a menor e alguns a maior. Em resumo, por meio do Acórdão nº 330200.671, proferido em 28/10/2010, o Colegiado analisou o recurso apresentado pelo contribuinte deu provimento parcial ao recurso voluntário por diversas razões, todos claramente indicados no voto relator, sendo que no item da “possibilidade de autuação de valores depositados judicialmente” foram analisados dois pontos (i) os saldos de valores que foram depositados a maior e (ii) a incidência de multa sobre os valores depositados, a saber: “Por fim resta avaliar a possibilidade de a fiscalização autuar valores depositados judicialmente, sob a alegação de que os depósitos foram insuficientes. (...) Pelos “Demonstrativos de Vinculação” acostados às fls. 177/184, verificase o procedimento de imputação de valores que foi realizado pela Delegacia de origem, sendo que nesta análise verificase que não houve aproveitamento dos valores depositados a maior nos períodos de maio e jun/92; fev/93; jul/93; ago/93 e nov/93. A primeira questão a ser avaliada, portanto, é a possibilidade de aproveitamento dos valores recolhidos a maior neste período, para fim de redução do débito tributário. Neste particular entendo que os valores depositados a maior devem ser considerados, aplicandose para este caso o mesmo entendimento de aproveitamento dos valores recolhidos a maior no mesmo exercício tributário. Quando o agente fiscalizados for apurar a diferença a ser exigida deve considerar o valor Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 3302002.557 S3C3T2 Fl. 11 3 depositado a maior como se fosse pagamento a maior realizado no momento do depósito. A segunda questão a ser analisada referese à manutenção de multa de 75% sobre os valores quase totalmente depositados, isto é, a Recorrente deve recolher multa sobre valores que já estavam disponibilizados por meio de depósito judicial ? Entendo que não. Não há sentido em penalizar o contribuinte, se este já disponibilizou valores para garantir seu débito com a Fazenda.” – destaquei. Constatase que a decisão de aproveitamento do saldo credor está vinculada a análise dos demonstrativos constantes dos autos. Ocorre que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional embargou o primeiro ponto acima debatido, argumentando em seus embargos que, ao contrário do disposto no voto, os demonstrativos esclarecem que houve sim o aproveitamento do saldo credor dos depósitos realizados a maior. Da análise da petição da PGFN, que trouxe uma demonstração de cada valor depositado e ao constatar os diferentes códigos de recolhimento (2960 = Recolhimento de COFINS e 7498 = Cofins Depositado Judicialmente), esta relatora entendeu pela procedência do alegado pela Embargante, razão pela qual os presentes Embargos foram acolhidos. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, relatora Como relatado, os presentes embargos foram acolhidos apenas e tão somente para se tratar da determinação constante no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário, de aproveitamento dos valores depositados a maior nos períodos base de maio e jun/92; fev/93; jul/93; ago/93 e nov/93.” De acordo com os termos da decisão embargada, nos “Demonstrativos de Vinculação” acostados às fls. 177/184, verificouse que o procedimento de imputação de valores realizado pela Delegacia de origem deixou de aproveitar os saldos depositados a maior em alguns períodos. Todavia, ao analisar a petição da PGFN, que trouxe uma demonstração de cada valor depositado individualmente, constatei que o demonstrativo da autoridade fazendária indicava diferentes códigos de recolhimento, sendo um para o pagamento regular da COFINS (2960) e outro aplicável para a Cofins Depositada Judicialmente (7498). Nos itens referentes ao Código 7498 realmente há a indicação de “saldo disponível”, o que demonstra a utilização dos saldos, seja porque estão zerados, seja porque Fl. 636DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 verificase que foram transferidos para outros meses. Para tal conclusão é preciso analisar a petição da PGFN (fls. 297/305) e os “Demonstrativos de Vinculação” (fls. 177/184). Em virtude desta constatação, altero o voto da seguinte forma declarado: “A primeira questão a ser avaliada, portanto, é a possibilidade de aproveitamento dos valores recolhidos a maior neste período, para fim de redução do débito tributário. Neste particular entendo que os valores depositados a maior devem ser considerados, aplicandose para este caso o mesmo entendimento de aproveitamento dos valores recolhidos a maior no mesmo exercício tributário. Quando o agente fiscalizados for apurar a diferença a ser exigida deve considerar o valor depositado a maior como se fosse pagamento a maior realizado no momento do depósito.” Para que passe a vigorar da seguinte forma: “A primeira questão a ser avaliada, portanto, é a possibilidade de aproveitamento dos valores recolhidos a maior neste período, para fim de redução do débito tributário. Neste particular entendo que o procedimento correto é o aproveitamento dos valores depositados a maior, exatamente o que foi realizado pela autoridade administrativa lançadora, não havendo qualquer reparos a fazer em relação a este procedimento de apuração.” Ainda, no que se refere à parte final do voto, assim prolatado: “Em vista do arrazoado apresentado, entendo que todos os valores depositados judicialmente devem ser considerados para a redução do auto de infração, até mesmo aqueles considerados como “depósito a maior”, devendo, após a imputação dos valores, ser apurada a existência de saldo devedor, com a incidência de juros e multa.” Altero para que passe a vigorar nos seguintes termos: “Em vista do arrazoado apresentado, entendo que todos os valores depositados judicialmente devem ser considerados para a redução do auto de infração, até mesmo aqueles considerados como “depósito a maior”, procedimento adotado pela administração tributária, devendo, após a imputação dos valores, ser apurada a existência de saldo devedor, com a incidência de juros e multa.” Ante o exposto, recebo os presentes Embargos de Declaração e os acolho para o fim de rerratificar o Voto do Acórdão nº 330200.671, alterando o teor do voto para Fl. 637DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 3302002.557 S3C3T2 Fl. 12 5 que passe a adotar as modificações acima aduzidas e mantendo incólume o resultado de julgamento então proferido. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de março de 2014 (assinado eletronicamente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 638DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 19515.002334/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se, por presunção legal, como omissão de receita, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
JUROS DE MORA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS, de CSLL e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Arthur José André Neto que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase, por presunção legal, como omissão de receita, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 34 /2 00 7- 21 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 704 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS, de CSLL e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Arthur José André Neto que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 198207, com a exigência do crédito tributário no valor de R$63.105,86 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2004, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Fl. 729DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 705 3 O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas da atividade a partir de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 1431 e aqueles escriturados no Livro Caixa, fls. 3346, no Livro de Registro de Entradas, fls.4772 e com as Notas Fiscais de Saída apresentadas pelos fornecedores (Camargo Correa Cimentos S/A, CNPJ 62.258.884/000489, Cimento Rio Branco S/A, CNPJ n°. 64.132.236/003856, e nº 64.132.236/003937, Holcim (Brasil) S/A, CNPJ 60.869.336/0003 89, fls. 136157), em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 162184; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 1431. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 208216 com a exigência do crédito tributário no valor de R$63.105,86 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 217224 com a exigência do crédito tributário no valor de R$102.608,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 225232 com a exigência do crédito tributário no valor de R$205.216,52 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 706 4 art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 233240 com a exigência do crédito tributário no valor de R$412.605,69 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º e art. 5º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 243250, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Antes, contudo, de se adentrar nas razões pelas quais os débitos exigidos são indevidos, cumpre traçar breve relato dos fatos da presente autuação fiscal, importantes para a compreensão do teor da autuação. A Impugnante foi intimada pela d. fiscalização federal a apresentar seus livros fiscais e Contrato Social, o que fez prontamente. Não satisfeita com os esclarecimentos e documentação apresentada pela Impugnante, a d. fiscalização federal intimou os supostos principais fornecedores da Impugnante para que lhe fossem apresentadas as notas fiscais de venda de materiais de construção, especialmente cimento. Apenas com base na análise de informações fornecidas por terceiros, as autoridades administrativas arbitraram uma suposta omissão de receitas e lavraram a presente autuação fiscal. 5. Em resumo, com fundamento no artigo 40, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a Impugnante foi autuada por suposta omissão de receitas tributáveis, em razão de alegados pagamentos a fornecedores com recursos estranhos à sua escrituração. 6. Notese que essa conclusão foi obtida, exclusivamente, pela análise de notas fiscais e planilhas apresentadas por terceiros, possíveis fornecedores, as quais, aparentemente, tinham como destinatária a Impugnante. 7. Ora, desde já é essencial afirmar que a infração imputada à Impugnante é descabida, porquanto mantém sua contabilidade e escrituração em total acordo com a realidade e com a legislação do SIMPLES, não existindo qualquer receita que não tenha sido reconhecida e levada A tributação. Ademais, tais notas fiscais não provam qualquer irregularidade na contabilidade da Impugnante, pois não estão amparadas em mais nenhum elemento que demonstrem irregularidades, tais corno contabilidade das próprias empresas que forneceram os documentos e/ou outros indícios e provas que levassem as autoridades administrativas ao arbitramento das receitas da Impugnante. 8. Em suma, Ilustres julgadores, a d. fiscalização baseouse exclusivamente em documentos apresentados por terceiros, pretensos fornecedores, para presumir urna omissão de rendimentos da Impugnante desconsiderando sem qualquer elemento probatório adicional e sólido toda a contabilidade e escrituração fiscal da Impugnante. 9. Ocorre que, como se passará a demonstrar, não ocorreu omissão de rendimentos, devendo o presente auto de infração e imposição de multa ser anulado, Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 707 5 determinandose o arquivamento do processo administrativo instaurado. É o que se passa a tratar. II. Inexistência de omissões de receitas. 10. A partir da análise que a Impugnante efetuou da presente autuação fiscal, restou constatado que o principal fundamento para o lançamento tributário foi a suposta omissão de receitas que refletiria na ausência de escrituração de' notas fiscais e origem para o pagamento efetuado a fornecedores, relativo às operações realizadas no anocalendário de 2004. Em outras palavras, a d. fiscalização pautou sua alegação de 'omissão de receitas' exclusivamente com base nas planilhas e notas fiscais apresentadas por possíveis fornecedores, as quais, aparentemente, não estavam refletidas na contabilidade da Impugnante. 11. Ocorre que essa simples análise não é suficiente para concluir uma omissão receita. Isso porque, para que seja aplicada a referida presunção é preciso restar caracterizada uma das hipóteses previstas na legislação. No caso em tela, a fundamentação adotada pela d. fiscalização para justificar a presunção de omissão de receitas está prevista no artigo 40, da Lei n.° 9.430/96, que dispõe: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita". 12. Assim, segundo o referido dispositivo, se houver falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, presumese omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte produzir provas no sentido contrário, porquanto se trata de presunção ‘iuris tantum’. Todavia, para haver a presunção de omissão de rendimentos, exigese a comprovação da falta de escrituração de pagamentos e/ou a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Não se trata de hipótese de inversão do ônus da prova, cabendo às autoridades administrativas a incumbência de provar a efetiva falta de escrituração de pagamentos. 13. Assim sendo, podese afirmar que (i.) a falta de escrituração dos pagamentos feitos por pessoa jurídica constitui presunção legal de omissão de rendimentos se e somente se (ii.) as autoridades tributárias provarem que de fato houve omissão do contribuinte na escrituração de pagamentos, fato que justificaria a omissão de receitas de forma a balancear os custos de aquisição com as receitas de venda. Sem isso, não há que se falar em aplicação de presunção legal de omissão de rendimentos. Ou seja, o elemento prova é essencial para a aplicação da previsão de presunção. 14. Todavia, não foi o que se verificou na prática. Em verdade, a d. fiscalização não recolheu elementos suficientes que pudessem comprovar a falta de escrituração de pagamentos feitos a fornecedores. Ressaltese que a d. fiscalização somente analisou planilhas e notas fiscais entregues por terceiros, sem sequer apurar detalhadamente a contabilidade desses terceiros para verificar se os documentos que lhe foram apresentados eram legítimos e se não era o caso de emissão indevida de notas fiscais. A d. fiscalização federal, frisese, não se deu ao trabalho de ao menos analisar se tais documentos estavam refletidos na contabilidade de tais supostos fornecedores. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 708 6 15. Caso essa análise tivesse sido realizada, a d. fiscalização teria percebido que a contabilidade da Impugnante reflete sua realidade financeira, tendo contabilizado todas as compras e pagamentos realizados. [...] 16. Notese que, as notas fiscais apresentadas por terceiros, no máximo, poderiam ser indícios de falta de escrituração contábil. Ocorre que esse indicio deve ser investigado e apurado de forma a se verificar se realmente houve omissão por parte do contribuinte. No caso, o que as d. autoridades administrativas fizeram foi simplesmente ignorar a contabilidade da Impugnante e considerar todas as notas fiscais de venda apresentadas por terceiros, alheios à ação fiscal, como receita omitida pela Impugnante. Destaquese que considerar as supostas entradas na Impugnante como receita omitida é de todo abusivo. Por exemplo, no curso da ação fiscal sequer foi analisado o estoque da Impugnante e os possíveis empréstimos por ela tomados. 17. Diante desse quadro, não há como imputar à Impugnante omissão de receitas, uma vez que não restou comprovado a falta de escrituração de pagamento a fornecedores. A simples alegação de que se verificaram irregularidades na contabilidade, pautada em documentos fiscais apresentados por terceiros, não é suficiente para aplicação da regra de arbitramento e presunção de omissão de receitas. [...] 19. Em casos em que a lei prevê uma presunção legal de omissão de rendimentos, o fisco não está isento de produzir provas, não podendo autuar contribuintes baseado em meros indícios ainda não devidamente apurados. Em outras palavras, no caso em tela, a pretensa omissão de rendimentos teria ocorrido por falta de escrituração de pagamentos efetuados a fornecedores, nos termos do artigo 40 da Lei n.° 9.430/96. Entretanto, para que essa presunção pudesse ser aplicada, a d. fiscalização teria que ter provado a efetiva falta de escrituração dos pagamentos, o que não se verificou no presente caso. Frisese que, de fato, a d. fiscalização somente se pautou em notas fiscais fornecidas por terceiros para apontar a suposta falta de escrituração de pagamentos e presumir os rendimentos omitidos. Isso, por si só, não prova a falta de escrituração e omissão de receitas! [...] 21. Salientese que qualquer 'presunção' depende da soma de indícios convergentes, e não de um indicio isolado. Na espécie, um único indicio [notas fiscais apresentadas por terceiros] foi suficiente para justificar a autuação. Não há outros indícios, como provas dos fluxos financeiros, análise de estoque da Impugnante análise de estrutura de financiamento etc., que pudessem indicar a suposta omissão de rendimentos realizada pela Impugnante. Por essa razão, a autuação fiscal não deve ser mantida' [...]. 23. Não há dúvidas, portanto, de que, ainda que se admitisse que houve omissão de receitas, o que se nega, a presente autuação fiscal deveria ser cancelada, porque partiu de premissa não verdadeira e não se deu ao trabalho de analisar, com profundidade, os documentos apresentados por terceiros à fiscalização. A simples imputação d• e que a soma dos valores constantes em documentos apresentados por terceiros seria receita obtida pela Impugnante é de todo absurda e insustentável. Esta espécie de acusação, sem provas com amparo em 'indicio' haurido de prova emprestada, representa violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, cf artigo 5°, LIV e LV, da Constituição Federal. 24. Dessa forma, o procedimento adotado pela d. fiscalização federal na elaboração do auto de infração e imposição de multa não foi adequado porque partiu de documentos alheios ao âmbito da Impugnante, simplesmente desconsiderando sua escrituração fiscal e contábil, de forma que ela se vê em uma situação de prova Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 709 7 impossível, uma vez que não possui meios lícitos para provar que os documentos apresentados pela d. fiscalização não correspondem a receitas auferidas por ela. Essa esdrúxula situação decorre da má conduta administrativa em arbitrar receita auferida pela Impugnante sem provas concretas para tanto. [...] 25. Diante desse quadro, todos os débitos ora exigidos devem ser cancelados de imediato porque, ao proceder a autuação simplesmente com base nas notas fiscais de saída de terceiros, a d. fiscalização deixou de procurar provas concretas que atestassem as operações efetivamente realizadas pela Impugnante. Assim sendo, a sistemática utilizada para efetuar o lançamento tributário no presente caso foi equivocada e o presente procedimento administrativo deve, nesse caso, ser anulado. 26. Tanto não bastasse, devese mencionar que a d. fiscalização federal ao elaborar a presente autuação fiscal fundamentou, e ao mesmo tempo violou, o quanto previsto no artigo 18 da Lei n.° 9.317/05 de maio de1996, reproduzido no artigo 199 do Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda — "RIR99"): "Art. 199. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na Lei n.° 9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas" (destaques nossos). 27. Da leitura do referido dispositivo, concluise que para aplicar as presunções legais As empresas optantes pelo SIMPLES, há a necessidade de se verificar as eventuais irregularidades com base nos livros e documentos da própria empresa, jamais com base em documentos de terceiros alheios A competência da Impugnante. Ou seja, para que possa aplicarse uma hipótese de presunção legal de omissão de receitas, devem ser apontadas irregularidade nos livros obrigatórios do contribuinte optante pelo SIMPLES, o que não se passou no caso em análise. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 28. Em face de todas as considerações tecidas nos itens anteriores, podem ser sintetizadas as seguintes conclusões, as quais comprovam a necessidade de afastamento da cobrança ora imposta a Impugnante: i. em casos em que a lei prevê uma presunção legal de omissão de rendimentos, o fisco não está isento de produzir provas, porquanto cabe provarse a caracterização de uma hipótese de presunção legal; ii. todavia, a d. fiscalização somente se pautou em notas fiscais fornecidas por terceiros para apontar a suposta falta de escrituração de pagamentos e presumir rendimentos omitidos; com fundamento no artigo 40 da Lei n.° 9.430/96; iii. contudo, a Impugnante mantém toda sua contabilidade condizente com a realidade de suas operações, de modo que as incongruências apontadas pela d. fiscalização, por si só, não provam a falta de escrituração de pagamento efetuados a fornecedores. São meros indícios e que isoladamente não podem ser considerados como fundamento para uma autuação fiscal; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 710 8 iv. de fato, não há provas contra a Impugnante. Não foram acostados aos autos documentos que possibilitem afirmar que há outros indícios de uma omissão de receitas; muito pelo contrário, há apenas documentos emitidos por terceiros, alheios ao presente processo administrativo, o que torna o exercício de defesa da Impugnante quase que impossível; v. ou seja, a autuação foi elaborada com base em uma presunção, amparada em 'prova emprestada', o que não é admitida no direito brasileiro, consoante jurisprudência reiterada do E. Primeiro Conselho de Contribuintes. Esta espécie de acusação, sem provas e com amparo em 'indicio' haurido de prova emprestada, representa violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, cf. artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal; e vi. tanto não bastasse, as presunções de omissão de rendimento devem ser baseadas nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, nos termos do artigo 199 do RIR99; o que não foi observado no caso em análise pela d. fiscalização, que pautou a autuação em documentos de terceiros. 29. Ex positis, diante dos . argumentos esposados ao longo da presente Impugnação, requerse o seu integral acolhimento, para que, anulandose o auto de infração e imposição de multa que exige crédito absolutamente indevido, seja determinada a extinção e o conseqüente arquivamento do presente procedimento administrativo. Ademais, requerse a reinclusão da Impugnante no SIMPLES nos anoscalendário subseqüentes. 30. Por fim, a Impugnante requer que todas as intimações referentes a este procedimento administrativo sejam encaminhadas aos p4tronos subscritores da presente, com escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.° 1744, 6° andar, Capital do Estado de sac) Paulo, 01451001, telefone 3038 1000. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1630.747, de 13.04.2011, fls. 433447: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004,31/12/2004 PAGAMENTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 711 9 Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004,31/12/2004 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004,31/12/2004 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receitas. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema t tributação no anocalendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. LANÇAMENTOS DECORRENTES. 0 decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para a Seguridade Social INSS Simples, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. Intimações devem ser enviadas ao domicilio tributário do sujeito passivo, entendido como o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. Notificada em 10.10.2011, fl. 458, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.11.2011, fls. 657669, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: I. Objeto do Recurso Voluntário. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 712 10 Voltase o presente Recurso Voluntário contra o v. acórdão n.° 1630.747, de 13 de abril de 2011, que manteve integralmente o auto de infração e imposição de multa consubstanciado no processo administrativo em referência, no âmbito do qual se exige da Recorrente créditos tributários relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas ("IRPJ"), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), Contribuição ao Programa de Integração Social ("PIS"), Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social ("Cofins") e Contribuições previdenciárias sob o regime do SIMPLES, referentes ao período de jan./04 a dez./04, acrescido de juros de mora e multa de ofício. De acordo com a d. fiscalização federal, a Recorrente teria omitido rendimentos durante o anocalendário 2004, presumidamente apurados em razão de pretensa falta de escrituração de notas fiscais e pagamentos relativos a compra de mercadorias para sua revenda. Por outras palavras, entendeu a d. fiscalização que a Recorrente teria 'omitido' receitas tributárias na medida em que não teria declarado e tributado como receita os recursos que, posteriormente, teriam sido utilizados para compra de materiais comercializados por ela. Assim, a suposta omissão de receitas incorrida pela Recorrente [diferença de origens declaradas e o montante necessário para a aquisição das mercadorias destinadas a revenda] foi levada à tributação, com os devidos acréscimos legais.^ Diferentemente do comum e de forma absolutamente ilegal e inválida, entretanto, a exigência fiscal ora guerreada tem como fundamento único a análise de informações fornecidas por terceiros, tãosomente, que, na perspectiva da d. fiscalização federal, seriam suficientes para legitimar a lavratura do presente auto de infração e imposição de multa. Com efeito, na origem do procedimento fiscal do qual desencadeou a presente exigência tributária, a Recorrente foi intimada a apresentar seus livros fiscais e Contrato Soe: \ o que fez prontamente. Não apurando qualquer irregularidade, a d. fiscalização intimou, em seguida, os supostos principais fornecedores da Recorrente para que lhe fossem apresentadas as notas fiscais de venda de materiais de construção, especialmente cimento, que tivessem a Recorrente como adquirente. Assim, em resumo, com fundamento no artigo 40, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a Recorrente foi autuada por suposta omissão de receitas tributáveis, em razão de alegados pagamentos a fornecedores com recursos estranhos à sua escrituração. Isso significa que as autoridades administrativas arbitraram uma suposta omissão de receitas e lavraram a presente autuação fiscal. Frisese: essa conclusão foi obtida, exclusivamente, pela análise de notas fiscais e planilhas apresentadas por terceiros, possíveis fornecedores, as quais, aparentemente, tinham como destinatária a Recorrente. Contra essa despropositada exigência, a Recorrente apresentou Impugnação perante a 1ª Turma da DRJ/SP1, sustentando a inconsistência do auto de infração e imposição de multa sub examinen em virtude das seguintes razões: i) a infração é descabida, porquanto a Recorrente mantém sua contabilidade e escrituração em total acordo com a realidade e com a legislação do SIMPLES, não existindo qualquer receita que não tenha sido reconhecida e levada à tributação. Ademais, as notas fiscais apresentadas pelos supostos fornecedores não provam qualquer irregularidade na contabilidade da Recorrente, pois não estão amparadas em mais nenhum outro elemento que demonstrem irregularidades, tais como contabilidade das próprias empresas que forneceram os documentos e/ou outros Fl. 737DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 713 11 indícios e provas que levassem as autoridades administrativas ao arbitramento das receitas da Recorrente; ii) meros documentos apresentados por terceiros, pretensos fornecedores, não podem, per se, permitir a presunção de omissão de rendimentos da Recorrente, desconsiderando,sem qualquer elemento probatório adicional e sólido, toda a contabilidade e escrituração fiscal da Recorrente; em casos em que a lei prevê uma presunção legal de omissão de rendimentos, o fisco não está isento de produzir provas, porquanto cabe provarse a caracterização de uma hipótese de presunção legal; de fato, não há provas contra a Recorrente. Não foram acostados aos autos documentos que possibilitem afirmar que há outros indícios de uma omissão de receitas; muito pelo contrário, há apenas documentos emitidos por terceiros, alheios ao presente processo administrativo, o que torna o exercício de defesa da Recorrente quase que impossível e viola a proibição da utilização da 'prova emprestada; e iv)as presunções de omissão de rendimento devem ser baseadas nos livros e documentos aque estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, nos termos do artigo 199 do RIR99;o que não foi observado no caso em análise pela d. fiscalização, que pautou a autuação em documentos de terceiros. A despeito da Impugnação apresentada, a r. decisão de primeira instância manteve integralmente a exigência fiscal referida, com amparo nos seguintes fundamentos: i) afigurase legítima a realização de circularização em fornecedores da fiscalizada, a fim de comparar as informações coletadas com o Livro Caixa; assim, nas diferenças encontradas na análise e não explicadas pela Recorrente, a autoridade fiscal tem o dever de aplicar a presunção legal de omissão de receita; (ii) além disso, a inversão legal do ônus da prova, a partir da presunção, é aceita pelo ordenamento jurídico, estando regulada no artigo 334, IV, da Lei n.° 5.869/73, aplicado subsidiariamente ao Decreto n.° 70.235/72 no processo administrativo fiscal; (iii) assim, sendo a Recorrente optante pelo SIMPLES, a omissão de receita, decorrente de pagamentos não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tratados no sistema simplificado; e (iv) por fim, quanto aos acórdãos citados pela Recorrente em sua Impugnação, devese esclarecer que as decisões administrativas ou judiciais, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do direito tributário; destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos. No entanto, nenhuma dessas razões merece prosperar, devendo o auto de infração e imposição de multa ora discutido ser integralmente cancelado, com o posterior arquivamento dos respectivos autos do processo administrativo. Como será demonstrado a seguir, a Recorrente comprovou de maneira suficiente a ilegitimidade e ilegalidade da exigência fiscal com fundamento único e exclusivo em suposta 'prova' fornecida por terceiro. Comprovou, outrossim, que toda a escrituração fiscal e contábil da Recorrente estava de acordo com as normas legais pertinentes, bem como com a realidade fática, sendo absolutamente improcedente a presunção de omissão de receita, Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 714 12 sobretudo com a inversão do ônus da prova, submetendo a Recorrente à odiosa e repelida 'prova impossível. Assim, seja pela total improcedência do lançamento, seja pela violação ao princípio de que nenhuma infração pode ser imputada sem o correspondente e válido conjunto probatório, tornase imperioso o provimento integral do Recurso Voluntário ora interposto, para que seja reformado o v. acórdão n.° 1630.747, de 13 de abril de 2011, proferido pela Colenda Ia turma da DRJ/SP1. É do que se passa a tratar. II. Necessário provimento ao Recurso Voluntário ora interposto. II.i. Inexistência de omissões de receitas. A partir da análise que a Recorrente efetuou da presente autuação fiscal em sua Impugnação, restou constatado que o principal fundamento para o lançamento tributário foi a suposta omissão de receitas que refletiria na ausência de escrituração de notas fiscais e origem para o pagamento efetuado a fornecedores, relativo às operações realizadas no anocalendário de 2004. Em outras palavras, a d. fiscalização pautou sua alegação de 'omissão de receitas' exclusivamente com base nas planilhas de notas fiscais apresentadas por possíveis fornecedores, as quais, aparentemente, não estavam refletidas na contabilidade da Recorrente. Ocorre que essa simples análise não é suficiente para concluir uma omissão receita. Isso porque, para que seja aplicada a referida presunção é preciso restar caracterizada uma das hipóteses previstas na legislação. No caso em tela, a fundamentação adotada pela d. fiscalização para justificar a presunção de omissão de receitas está prevista no artigo 40, da Lei n.° 9.430/96 que dispõe: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita". Assim, segundo o referido dispositivo, se houver falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, presumese omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte produza provas no sentido contrário, porquanto se trata de presunção 'iuris tantum'. Todavia, para haver a presunção de omissão de rendimentos, exigese a comprovação da falta de escrituração de pagamentos e/ou a manutenção, no passivo, de infrações cuja exigibilidade não seja comprovada. Não se trata de hipótese de inversão do ônus da prova, cabendo às autoridades administrativas a incumbência de provar a efetiva falta de escrituração de pagamentos. Assim sendo, podese afirmar que: (i.) a falta de escrituração dos pagamentos feitos por pessoa jurídica constitui presunção legal de omissão de rendimentos se, e somente se (ii.) as autoridades tributárias provarem que, de fato, houve omissão do contribuinte na escrituração de pagamentos, fato que justificaria a omissão de receitas de forma a balancear os custos de aquisição com as receitas de venda. Sem isso, não há que se falar em aplicação de presunção legal de omissão de rendimentos. Ou seja, o elemento prova é essencial para a aplicação da previsão de presunção. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 715 13 Todavia, não foi o que se verificou na prática. Em verdade, a d. fiscalização não recolheu elementos suficientes que pudessem comprovar a falta de escrituração de pagamentos feitos a fornecedores. Ressaltese que a d. fiscalização somente analisou planilhas de notas fiscais entregues por terceiros, sem sequer apurar detalhadamente a contabilidade desses terceiros para verificar se os documentos que lhe foram apresentados eram legítimos e se não era o caso de emissão indevida de notas fiscais. A d. fiscalização federal, frisese, não se deu ao trabalho de ao menos analisar se tais documentos estavam refletidos na contabilidade de tais supostos fornecedores. Caso essa análise tivesse sido realizada, a d. fiscalização teria percebido que a contabilidade da Recorrente reflete sua realidade financeira, tendo contabilizado todas as compras e pagamentos realizados. Por exemplo, no mês de fevereiro de 2004, está registrado no Livro Caixa n.° 8, à fls. 3, compras no valor de R$4.243,43. Igualmente, esse pagamento está refletido no Livro de Registro de Entradas. Ou seja, todas a compras efetuadas no mês de fevereiro estão lançadas corretamente, não gerando qualquer possibilidade de questionamento e arbitramento por parte da d. fiscalização federal. Notese que, as notas fiscais apresentadas por terceiros, no máximo, poderiam ser indícios de falta de escrituração contábil. Ocorre que esse indício deve ser investigado e apurado de forma a se verificar se realmente houve omissão por parte do contribuinte. No caso, o que as d. autoridades administrativas fizeram foi simplesmente ignorar a contabilidade da Recorrente e considerar todas as notas fiscais de venda apresentadas por terceiros, alheios à ação fiscal, como receita omitida pela Recorrente. Destaquese que considerar as supostas entradas na Recorrente como receita omitida é de todo abusivo, sobretudo porque, no curso da ação fiscal, sequer foi analisado o estoque da Recorrente e os possíveis empréstimos por ela tomados. Diante desse quadro, não há como imputar à Recorrente omissão de receitas, uma vez que não restou comprovado a falta de escrituração de pagamento a fornecedores. A simples alegação de que se verificaram irregularidades na contabilidade, pautada em documentos fiscais apresentados por terceiros, não é suficiente para aplicação da regra de arbitramento e presunção de omissão de receitas. [...] Em suma, em casos em que a lei prevê uma presunção legal de omissão de rendimentos, o fisco não está isento de produzir provas, não podendo autuar contribuintes baseado em meros indícios ainda não devidamente apurados. Em outras palavras, no caso em tela, a pretensa omissão de rendimentos teria ocorrido por falta de escrituração de pagamentos efetuados a fornecedores, nos termos do artigo 40 da Lei n.° 9.430/96. Entretanto, para que essa presunção pudesse ser aplicada, a d. fiscalização teria que ter provado a efetiva falta de escrituração dos pagamentos, o que não se verificou no presente caso. Frisese que, de fato, a d. fiscalização somente se pautou em notas fiscais fornecidas por terceiros para apontar a suposta falta de escrituração de pagamentos e presumir os rendimentos omitidos; isso, por si só, não prova a falta de escrituração e omissão de receitas! [...] Salientese que qualquer 'presunção' depende da soma de indícios convergentes, e não de um indício isolado. Na espécie, um único indício [planilhas de notas fiscais apresentadas por terceiros] foi suficiente para justificar a autuação. Não há outros indícios, como provas dos fluxos financeiros, análise de estoque da Recorrente análise de estrutura de financiamento etc, que pudessem Fl. 740DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 716 14 indicar a suposta omissão de rendimentos realizada pela Recorrente. Por essa razão, a autuação fiscal não deve ser mantida [...] Não há dúvidas, portanto, de que, ainda que se admitisse que houve omissão de receitas, o que se nega, a presente autuação fiscal deveria ser cancelada, porque partiu de premissa não verdadeira e não se deu ao trabalho de analisar, com profundidade, os documentos apresentados por terceiros à fiscalização. A simples imputação de que a soma dos valores constantes em documentos apresentados por terceiros seria receita omitida pela Recorrente é de todo absurda e insustentável. Esta espécie de acusação, sem provas e com amparo em 'indício' haurido de prova emprestada, representa violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, cf. artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal. Dessa forma, o procedimento adotado pela d. fiscalização federal na elaboração do auto de infração e imposição de multa não foi adequado porque partiu de documentos alheios ao âmbito da Recorrente, simplesmente desconsiderando sua escrituração fiscal e contábil, de forma que ela se vê em uma situação de prova impossível, uma vez que não possui meios lícitos para provar que os documentos apresentados pela d. fiscalização não correspondem a receitas auferidas por ela. Essa esdrúxula situação decorre da má conduta administrativa em arbitrar receita auferida pela Recorrente sem provas concretas para tanto. É absurdo que possa parecer, o v. acórdão recorrido houve por bem ratificar tamanha arbitrariedade, devendo, por conseguinte, ser prontamente reformado. Diante desse quadro, mister se faz a reforma do v. acórdão 1630.747, cancelandose, de imediato, todos os débitos ora exigidos da ora Recorrente, na medida que, ao proceder a autuação simplesmente com base nas notas fiscais de saída de terceiros, a d. fiscalização deixou de procurar provas concretas que atestassem as operações efetivamente realizadas pela Recorrente. Assim, a sistemática utilizada para efetuar o lançamento tributário no caso foi equivocada e o presente procedimento administrativo deve, nesse caso, ser anulado. Tanto não bastasse, devese mencionar que a d. fiscalização federal ao elaborar a presente autuação fiscal fundamentou, e ao mesmo tempo violou, o quanto previsto no artigo 18 da Lei n.° 9.317, 05 de maio dei996, reproduzido no artigo 199 do Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda "RIR99"): "Art. 199. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na Lei n.° 9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas" (destaques nossos). Da leitura do referido dispositivo, concluise que para aplicar as presunções legais às empresas optantes pelo SIMPLES, há a necessidade de se verificar as eventuais irregularidades com base nos livros e documentos da própria empresa, jamais com base em documentos de terceiros alheios à competência da Recorrente. Ou seja, para que possa aplicarse uma hipótese de presunção legal de omissão de receitas, devem ser apontadas irregularidade nos livros obrigatórios do contribuinte optante pelo SIMPLES, o que não se passou no caso em análise.. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 717 15 Conclui que: De acordo com todas as considerações tecidas nos itens anteriores, podem ser sintetizadas as seguintes conclusões, as quais comprovam a necessidade de reforma imediata do v. acórdão recorrido, afastandose, definitivamente, a cobrança ora imposta à Recorrente: i) em casos em que a lei prevê uma presunção legal de omissão de rendimentos, o fisco não está isento de produzir provas, porquanto cabe provarse a caracterização de uma hipótese de presunção legal; ii) todavia, a d. fiscalização somente se pautou em notas fiscais fornecidas por terceiros para apontar a suposta falta de escrituração de pagamentos e presumir rendimentos omitidos; com fundamento no artigo 40 da Lei n.° 9.430/96; iii) contudo, a Recorrente mantém toda sua contabilidade condizente com a realidade de suas operações, de modo que as incongruências apontadas pela d. fiscalização, por si só, não provam a falta de escrituração de pagamento efetuados a fornecedores. São meros indícios e que isoladamente não podem ser considerados como fundamento para uma autuação fiscal; iv) de fato, não há provas contra a Recorrente. Não foram acostados aos autos documentos que possibilitem afirmar que há outros indícios de uma omissão de receitas; muito pelo contrário, há apenas documentos emitidos por terceiros, alheios ao presente processo administrativo, o que toma o exercício de defesa da Recorrente quase que impossível; v) ou seja, a autuação foi elaborada com base em uma presunção, amparada em 'prova emprestada', o que não é admitida no direito brasileiro, consoante jurisprudência reiterada do antigo E. Primeiro Conselho de Contribuintes. Esta espécie de acusação, sem provas e com amparo em 'indício' haurido de prova emprestada, representa violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, cf. artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal; e tanto não bastasse, as presunções de omissão de rendimento devem ser baseadas nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, nos termos do artigo 199 do RIR99; o que não foi observado no caso em análise pela d. fiscalização, que pautou a autuação em documentos de terceiros. Ex positis, requerse o acolhimento do presente Recurso Voluntário para que seja integralmente reformado o v. acórdão n.° 1630.747, proferido pela Colenda Io Turma da DRJ/SP, para que seja cancelado o auto de infração e imposição de m ita consubstanciado no âmbito do presente processo administrativo [...], determinando se sua extinção e conseqüente arquivamento dos correspondentes autos. Ademais, a partir do julgamento de procedência do presente Recurso Voluntário, requerse a reinclusão da Recorrente no SIMPLES, nos anoscalendário subseqüentes à 2004. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Fl. 742DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 718 16 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade a partir de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 1431 e aqueles escriturados no Livro Caixa, fls. 3346, no Livro de Registro de Entradas, fls.4772 e com as Notas Fiscais de Saída apresentadas pelos fornecedores (Camargo Correa Cimentos S/A, CNPJ 62.258.884/000489, Cimento Rio Branco S/A, CNPJ n°. 64.132.236/003856, e nº 64.132.236/003937, Holcim (Brasil) S/A, CNPJ 60.869.336/000389. fls. 136157), em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 162184. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 719 17 processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. No presente caso não há que se falar em prova emprestada, uma vez que as Notas Fiscais de Saída foram emitidas à Recorrente pelos fornecedores: Camargo Correa Cimentos S/A, CNPJ 62.258.884/000489, Cimento Rio Branco S/A, CNPJ n°. 64.132.236/003856, e nº 64.132.236/003937, Holcim (Brasil) S/A, CNPJ 60.869.336/0003 89, em conformidade com o Demonstrativo às fls. 136157. Em face dessas informações a Recorrente foi regularmente notificada para apresentar esclarecimento e não se manifestou. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB3. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é efetivada, com prova de recebimento pessoal ou no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ainda que eletrônico. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 720 18 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, PIS, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos tributos apurados pela sistemática do Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, conforme art. . Caracterizase como omissão de receita, a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente4. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a escrituração dos recursos informados para acobertar os pagamentos efetuados. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimada a demonstrar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos efetuados. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas a escrituração, presumem receitas omitidas. 4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 721 19 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade a partir de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 1431 e aqueles escriturados no Livro Caixa, fls. 3346, no Livro de Registro de Entradas, fls.4772 e com as Notas Fiscais de Saída apresentadas pelos fornecedores (Camargo Correa Cimentos S/A, CNPJ 62.258.884/000489, Cimento Rio Branco S/A, CNPJ n°. 64.132.236/003856, e nº 64.132.236/003937, Holcim (Brasil) S/A, CNPJ 60.869.336/000389. fls. 136157), em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 162184e com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2004 Período 2004 (A) Receita Bruta Apurada de Ofício R$ (B) Receita Bruta Declarada (C) Receita Bruta Omitida R$ (D) Janeiro 179.649,13 2.650,00 176.999,13 Fevereiro 264.489,50 7.970,00 256.519,50 Março 342.717,97 7.040,00 335.677,97 Abril 296.182,84 9.710,00 286.472,84 Maio 288.288,05 8.525,00 279.763,05 Junho 304.594,16 5.664,00 298.930,16 Julho 321.704,28 11.090,00 310.614,28 Agosto 428.703,17 18.784,24 409.918,93 Setembro 367.874,51 17.278,00 350.596,51 Outubro 374.535,21 10.480,00 364.055,21 Novembro 518.389,13 24.237,00 494.152,13 Dezembro 508.914,36 11.865,00 497.049,36 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 162184, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 1. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A ESCRITURAÇÃO 1.1 A empresa apresentou sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples PJSI 2005 SIMPLES, relativa ao anocalendário de 2004, na condição de enquadramento como empresa de pequeno porte, consoante declaração recepcionada e arquivada sob n°. 6826394; 1.2 Dentro dos procedimentos da ação fiscal, a fiscalizada foi pelo Termo de Início de Ação Fiscal intimada a apresentar os livros fiscais e contábeis e o ato constitutivo da empresa e suas alterações. Por outro lado, foram também intimados os fornecedores mais relevantes para apresentar uma declaração/planilha contendo informações de todos os fornecimentos (vendas de mercadorias, produtos e/ou serviços) efetuados fiscalizada no AC de 2004, bem como informar os respectivos pagamentos desses fornecimentos e disponibilizar uma cópia autenticada da nota fiscal correspondente; Fl. 746DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 722 20 1.3 Com base no cotejamento dessas informações, constatei divergências na escrituração na qual varias notas fiscais e respectivos pagamentos não estavam escriturados. Intimada (Intimação n°. 01 e 03) e reintimada (Intimação n°. 2) a comprovar w escrituração dos pagamentos das operações de compras e, caso não escriturado, comprovar a origem dos recursos para as liquidações financeiras dessas compras, a fiscalizada não se manifestou sobre as notas fiscais elencadas nas Intimações n°. 01 e 03, acima referida; 1.3.1 Ante a falta de manifestação da fiscalizada para comprovar a escrituração dos pagamentos das operações de compras e, caso não escriturado, comprovar a origem dos recursos para as liquidações financeiras dessas compras, considerarseão como não escrituradas. 1.4 Os pagamentos das operações de compras de mercadorias para revenda cuja origem não foram comprovadas podem ser assim demonstradas [...]. 3. Dessa forma, fica patente que a empresa, acima identificada, recolheu e/ou declarou a Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES nos períodos de apuração do anocalendário de 2004, demonstrados mês a mês nos itens 1.4 e 1.5 supra; 4 Em face do exposto, a empresa, acima identificada, deixou de recolher o SIMPLES consistente nos tributos unificados: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ SIMPLES, Contribuição Social Sobre o Lucro — CSLL SIMPLES, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social —COFINS SIMPLES, Programa de Integração Social — PIS SIMPLES e INSSPATRONAL SIMPLES, sobre a base de calculo no montante de R$4.060.749,07, consoante demonstrado no item 1.5, acima, sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio nos termos do artigo 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3.000, de 26/03/1999, por infração legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e SIMPLES mencionada acima no item 2 e subitens. No presente caso a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela Recorrente caracteriza omissão de receita presunção legal. O lançamento baseouse em provas apresentadas pelos seus fornecedores, em face das quais a Recorrente foi validamente cientificada para se defender e não se manifestou. Nessa fase recursal traz mero argumento de que esses documentos não constam de seus assentos fiscais o que, por si só, não se corrobora. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 162184, é explícito, claro e congruente e traz todos os fatos ilícitos imputados à Recorrente de forma minuciosa. O simples fato de nos autos não constarem todas as cópias das referidas Notas Fiscais de Saída emitidas pelos fornecedores Camargo Correa Cimentos S/A, CNPJ 62.258.884/000489, Cimento Rio Branco S/A, CNPJ n°. 64.132.236/003856, e nº 64.132.236/003937, Holcim (Brasil) S/A, CNPJ 60.869.336/000389, é suprida pelo Termo de Verificação Fiscal, fls. 162184, não tem força de ilidir o lançamento efetuado, já que foram apresentada as planilhas onde constam todas as informações a elas pertinentes, inclusive em relação aos pagamentos. Cabe à Recorrente comprovar a escrituração dos recursos informados para acobertar os pagamentos efetuados. As provas foram obtidas por meios lícitos dentro do regular exercício de atividade de fiscalização fazendária. Reiterese que nas planilhas contendo discriminadamente as Notas Fiscais de Saída emitidas pelos fornecedores constam minuciosamente as informações a elas referentes inclusive em relação aos pagamentos efetuados pela Recorrente. Não se caracterizou, portanto, a prova emprestada, porque os referidos demonstrativos são de pleno Fl. 747DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 723 21 conhecimento da Recorrente pela notificação válida (Intimações de fls. 135159) e cujos valores não constam em seus assentos contábeis. Assim, diferente do entendimento da Recorrente, não houve qualquer arbitrariedade na constituição dos créditos tributários pelo lançamento de ofício, que foram levados a efeito nos estritos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. No presente caso também houve presunção na apuração da omissão de receitas, já que o ilícito fiscal baseouse na falta de escrituração de pagamentos efetuados, em face das quais a Recorrente foi validamente cientificada para se defender. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente suscita que deve ser enquadrada novamente no Simples. Consta no Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1630.747, de 13.04.2011, fls. 433447, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: EXCLUSÃO DO SIMPLES A PARTIR DE O1/JANEIRO/2005 38. Termo de Informação e Esclarecimentos Fiscais foi baixado com ciência em 23/08/2007, informando a requerente acerca da formalização da Representação Fiscal para Exclusão do Simples conduzida no processo 19515.002335/200775, com fulcro nos artigos 9°, inciso II, 12, 14, inciso I, e 15, inciso IV, da Lei n°9.317/1996 (fl. 150). 39. A Representação Fiscal para Exclusão de Oficio do Simples (fls. 338 a 340), devido à ultrapassagem em 2004 do limite de receita para permanência no regime em questão, foi lavrada originalmente no processo 19515.002335/200775, juntado ao presente por anexação por força da Portaria do Secretário da Receita Federal do Brasil n° 666, de 24 de abril de 2008 (fls. 337, 381 e 383), compondo as fls. 338 a 380. 40. Em 25 de setembro de 2007 foi emitido o Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 188, excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005 (fl. 373). Enviada correspondência para endereço que consta em seu cadastro no sistema CNPJ à época (Avenida Carlos Alberto Bastos Machado n° 62, Jardim Almeida Prado, São Paulo, Capital, CEP 04856080 — fl. 387) e no contraditório apresentado ao AI (fl. 231), esta foi devolvida em 08/10/2007 com a informação "desconhecido" (fl. 374) . A seguir, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária emitiu o Edital Simples n° 80, afixado em 07/11/2007 e desafixado em 26/12/2007 (fl. 375). 41. Não tendo a interessada apresentado defesa, tornouse definitiva a exclusão da sistemática simplificada com efeitos a partir de 01/01/2005. 42. Quanto ao pleito da recorrente, expresso no contraditório ao AI, para reinclusão no Simples nos anoscalendário subsequentes, esclareçase que os efeitos da exclusão do ADE à fl. 373 valem a partir de 01 de janeiro de 2005, inclusive quanto aos anoscalendário posteriores a 2005, ainda que a contribuinte tenha auferido nestes anos posteriores receita inferior ao limite estabelecido para opção Fl. 748DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 724 22 pelo Simples Federal, já que a lei (inciso IV do artigo 15 da Lei n°9.317/1996) determina os efeitos da exclusão "a partir do anocalendário subseqüente" e não "no anocalendário subseqüente". Nesse sentido, o Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 188, de 25.09.2007, tornouse definitivo por falta de instauração da fase litigiosa no procedimento, nos termos do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês5. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20096 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que 5 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 6 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 7 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 725 23 pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos8. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 11. Os lançamentos PIS, de COFINS, de CSLL e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 8 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 11 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002334/200721 Acórdão n.º 1803002.181 S1TE03 Fl. 726 24 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 751DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16707.004649/2008-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Aguiar Teles, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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GLOSA. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Aguiar Teles, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 46 49 /2 00 8- 48 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 16707.004649/200848 Acórdão n.º 2801003.478 S2TE01 Fl. 95 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a.Turma da DRJ/RCE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: A interessada impugna auto de infração do ano calendário de 2006, onde foram incluidos rendimentos omitidos ( R$ 23.685,78) e glosadas deduções de despesas médicas (R$ 13.761,60), despesas de instrução ( R$ 2.373,84), e contribuição para previdência privada ( R$ 5.229,14),. Apresenta documentos para comprovar as deduções declaradas. Não contesta a inclusão dos rendimentos omitidos. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.36/46), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 DESPESA MÉDICA COMPROVAÇÃO REQUISITOS O valor pago pelo sujeito passivo a título de despesa médica deve ser comprovado mediante documento do qual constem o nome, o endereço e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de quem o recebeu. ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA E JUROS DE MORA Sobre o valor do tributo apurado mediante procedimentos fiscal incidem a multa de ofício e os juros de mora previstos em lei. Assunto: Classificação de Mercadorias Anocalendário: 2005 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 31.01.2011( fl.56 ), a contribuinte, representada por seu advogado, apresentou recurso em 02.03.2011, às (fls.58/62). Em sua defesa, requer seja restabelecida a dedução de despesas médicas, eis que, com a apresentação da declaração do profissional de (fl.66), atendido os requisitos da alegação levantada pela Autoridade Fiscal: É o Relatório Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 16707.004649/200848 Acórdão n.º 2801003.478 S2TE01 Fl. 96 3 Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese na glosa de despesas médicas referente a profissional Kenyo Roriz Meireles no valor de R$ 7.600,00, por falta de identificação do pagador e do beneficiário no recibo apresentado. Na fase recursal a Recorrente apresentou a declaração fornecida pelo profissional Kenyo Roriz Meireles (fl.66), onde consta a identificação do beneficiário e o pagador do tratamento odontológico, suprindo a falta apontada pela Autoridade fiscal. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 19740.000006/2004-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constitui-se em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco-contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal.
PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. SÚMULA CARF Nº 6.
É legítima a lavratura do auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
LUCRO ARBITRADO.
O fato de o contribuinte deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado, enseja o arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE.
Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL
Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL os mesmos reflexos da decisão dada ao IRPJ por terem o mesmo suporte fático que os originou.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
. (assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 8ª Turma da DRJ/RJO1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. SÚMULA CARF Nº 6. É legítima a lavratura do auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 06 /2 00 4- 83 Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 3 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO ARBITRADO. O fato de o contribuinte deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado, enseja o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE. Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL os mesmos reflexos da decisão dada ao IRPJ por terem o mesmo suporte fático que os originou. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cumulados com juros e multa de ofício qualificada, calculados com base no lucro arbitrado, referentes ao ano calendário de 1998 e lavrados em razão da suposta omissão da receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados de origem não comprovada. As circunstâncias que culminaram no lançamento encontramse detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 31/57) e podem ser resumidas da seguinte forma: a) A Contribuinte, que tem por objeto social a prática de fomento mercantil (factoring), intimada e reintimada, deixou de apresentar os documentos e os livros solicitados; b) ação fiscal foi motivada em razão de uma Representação Fiscal Memorando Sefis/DRF/VIT nº. 251/2003 de 010703 (fl. 554), feita a partir do trabalho de fiscalização da DRF/Vitória referente ao Sr. Gelson Machado, versando sobre movimentação financeira incompatível com rendimentos; c) no transcurso do procedimento apuraramse indícios de tratarse o Sr. Gelson de interposta pessoa da Contribuinte, que antes tinha a denominação VIX Factoring Fomento Comercial Ltda, cujo sócio majoritário (95%) é o Sr. Mário José Santos Lacourt, procurador do referido Sr. Gerson, e real emitente de todos os cheques de valor igual ou superior a R$ 1.000,00 da conta bancária mantida no Banco Banestes pelo Sr.Gelson; d) conforme documentos de fls. 545, 546, 546v., e 551, o Sr.Gelson concedeu amplos poderes ao Sr. Mario Lacourt (sócio gerente da Contribuinte), não só para abrir contas junto ao Banestes, como também, para movimentálas livremente; e) conforme fls. 555/556, o Sr. Gelson deixou de apresentar declarações em 2001 e 2002, e informou ser isento nas declarações de 1999, 2000 e 2003. Ademais, nos documentos de cadastro bancário (fls. 547 e 549), consta como renda mensal do Sr. Gelson os valores de R$ 470,00 e R$ 528,51; f) às fls. 38/40 e 566/593, 596, 605/622, 703/705 e 786/787, há informações prestadas por diversas pessoas, em resposta às intimações feitas pela DRF/Vitória, esclarecendo sobre as operações mercantis que envolveram os cheques da contacorrente do Banestes; g) as fls. 41/42, consta que o Sr. Gelson Machado era empregado do Sr. Mário Lacourt na VIX Factoring Fomento Comercial Ltda; Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 5 4 h) às fls. 42/43, consta que a Contribuinte foi intimada a apresentar documentos e registros contábeis relativos a suas contas bancárias, bem como, a responder as perguntas no sentido de esclarecer a real titularidade dos recursos financeiros movimentados na conta do Banestes em nome do Sr.Gelson Machado. Em resposta (fls. 44, 804/809), a Contribuinte afirmou que esteve inativa em 1998, conforme DIPJ/1999 (fls.810/811); que o Sr.Gelson Machado nunca prestou serviço nem foi empregado da VIX Factoring Fomento Comercial Ltda; que não utilizou aquela conta corrente; e, que os valores movimentados na conta corrente pertenciam ao Sr.Gelson Machado, tendo sido movimentados pelo Sr. Mário Lacourt por aquiescência e conveniência do Sr.Gelson; i) às fls. 46 e 812/824, consta que, objetivando esclarecer a real titularidade dos recursos movimentados na conta do Banestes, o Sr.Gelson Machado foi intimado e reintimado a prestar esclarecimentos, porém não atendeu às intimações; j) em face do exposto, a fiscalização considerou os valores creditados na conta do Banestes como receita omitida da Contribuinte e utilizou tais valores para fins de apuração dos tributos devidos com base no lucro arbitrado (fls.49/55), cumulandoos, ainda, com multa de 150% em razão da conduta dolosa de utilizar interposta pessoa. Formalizou, ainda, processo de representação fiscal para fins penais. Objetivando embasar a ação fiscal, os Auditores Fiscais juntaram ao processo, como elementos de prova, os seguintes documentos: (i) às fls.66/75, informações fiscais e judiciais do Sr. Gelson Machado; (ii) às fls.139/276, extratos da referida conta corrente do Banestes, no ano de 1998; (iii) às fls.277/785, cópias dos cheques emitidos da respectiva conta; (iv) às fls.561/788, informações prestadas por pessoas jurídicas e físicas, em resposta a intimações feitas pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, referentes a esclarecimentos sobre operações que envolveram cheques da contacorrente do Banestes; (v) às fls.787/803, termos de intimação e reintimação; (vi) às fls.8271845, informações referentes a inquérito na Polícia Federal acerca dos fatos relatados, sendo que, às fls. 828/868, consta laudo de exame econômicofinanceiro elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Policia Federal acerca da movimentação financeira do Sr.Gelson Machado. A Contribuinte apresentou impugnação aos autos de infração (fls. 896/925), instruída dos documentos de fls. 926/1004, alegando, em síntese, que: a) o auto de infração foi lavrado por agente incompetente, (autoridade do Rio de Janeiro que autuou contribuinte do Espírito Santo), e fora do local da verificação da falta, fatos estes que impossibilitaram a defesa; b) houve violação ao principio da irretroatividade e o da segurança jurídica, pois o Fisco não poderia ter utilizado para fato gerador de 1998, a Lei 10.174/2001, que alterando o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/1996 veio permitir a utilização das informações advindas da CPMF para o início de procedimento de fiscalização. Da mesma forma, não poderia invocado o artigo 6º, da LC 105/2001 para fundamentar a quebra do sigilo bancário e fiscal; c) uma vez que o art. 11, § 3°, da Lei 9.311/1996, á época, vedava a utilização das informações advindas da CPMF para o início de procedimento fiscal, in casu, houve a utilização de prova ilícita, proibida pelo art. 5º, inc. LVI, da CF, e ilegítima, vedada pelo art. 233 do CPP; Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 6 5 d) a movimentação financeira não caracteriza a disponibilidade econômica da renda e proventos, conforme dispõe o art. 43 do CTN. Ademais, o fisco não comprovou a correlação lógica direta e segura entre os depósitos bancários e o auferimento de renda ou proventos; e) as multas exigidas são abusivas e excessivas, ferindo o principio do não confisco; f) é indevida a cobrança de juros à Taxa Selic. A 8ª Turma da DRJ/RJO1 julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 ARBITRAMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributaria os livros e documentos integrantes da escrituração comercial e fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira que não sejam decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, serão caracterizados como receita bruta omitida. Artigo 42 da Lei n°. 9430 de 1996. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). JUROS DE MORA. É legitima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa Selic, nos termos do artigo 5° parágrafo 3º, da Lei 9.430 de 1996, pois não representa ofensa ao disposto no parágrafo 1º do artigo 161, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. CSLL. COFINS. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 7 6 Decorrendo o lançamento do PIS, da CSLL e da COFINS, da omissão de receita constatada na autuação do IRPJ, reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 1025/1054) repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminares Não merece amparo o apelo da Recorrente no sentido de que os autos de infração teriam sido lavrados por autoridade incompetente, uma vez que, consoante art. 2º, letra “5” da Portaria SRFB nº. 563/1998, determina que terá jurisdição sobre os contribuintes a que se refere o artigo 1°, dentre os quais estão as empresas de factoring (art. 1º, inciso XXIX), localizadas nos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras DEINF da 7ª Região Fiscal. Nesse passo, a DEINF da 7ª Região é a DEINF/RJ. Portanto, não houve inobservância do que dispõe o art. 10 do Decreto n°. 70.235/72, uma vez que, o auto de infração foi lavrado por agente competente, Auditor Fiscal em exercício na DEINF/RJ, órgão este que tem jurisdição no Estado do Espírito Santo. De outro giro, digase também que não há prejuízo na análise de documentos fiscais do contribuinte na repartição fiscal. O art. 10 do Decreto nº 70.235/72 determina, tão somente, que o auto de infração seja lavrado por servidor competente no “local de verificação da falta”. No entanto, o “local da verificação da falta” não significa, como pretende a Recorrente, o local em que foi praticada a infração, mas, sim, o local onde esta foi constatada. Nesse sentido, já foi editada, inclusive, a Súmula CARF nº 6, segundo a qual: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Além disso, as minuciosas defesas apresentadas pela Recorrente demonstram que ela compreendeu todos os fatos relacionados ao lançamento e que não houve preterição do seu direito de defesa. Notese, como bem afirmou a decisão recorrida, que o fornecimento de Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 8 7 cópias ou esclarecimentos que porventura tivesse sido necessário, teria sido suprido pelo órgão da Receita Federal no próprio domicilio fiscal da Contribuinte, não havendo, em hipótese alguma, a necessidade do seu deslocamento para o Rio de Janeiro. Tanto assim sabe a Recorrente, que protocolou seus recursos na DRF/Vitória, conforme fls. 896 e 1025. De toda sorte, tenhase em mente que o MPF não constitui ato essencial ao procedimento fiscal e, conseqüentemente, ao lançamento fiscal, por representar, tão somente, instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A função do MPF é a de delimitar, para fins de organização interna, o sujeito passivo e os tributos objeto do procedimento fiscalizatório, o período de apuração, os atos sob investigação e o prazo de duração do procedimento fiscal, não se consubstanciando em ato que atribua competência ao Auditor Fiscal para efetuar o lançamento. Pelo contrário, o lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN. Adiante, também não merecem respaldo os argumentos contra a suposta quebra ilegal de sigilo bancário, já que a ação fiscal movida para a apuração das inconsistências na movimentação bancária do Sr. Gelson encontravase amparada por decisão de quebra de sigilo bancário prolatada no processo nº 2001.50.01.00002388 da 5ª Vara Federal do Espírito Santo (fl. 93/96). Recordando os fatos, vale dizer que o Sr. Gelson ingressou com Mandado de Segurança 2001.50.01.0041084 para impedir a quebra do seu sigilo bancário e teve sua liminar deferida. Todavia, em 24/04/2002, foi denegada a segurança pleiteada no citado processo judicial, instaurandose nova fiscalização. Esse novo procedimento fiscal, bem assim como o procedimento fiscal instaurado contra a Recorrente, foram iniciados no anocalendário de 2003 (fl. 112 e fl. 1), quando já vigiam as novas regras sobre quebra de sigilo bancário. No que toca à Recorrente, vale lembrar que, após o início da fiscalização, foi intimada 3 (três) vezes a apresentar, dentre outras coisas, a relação de todas as contas bancárias utilizadas no anocalendário de 1998, bem como a cópia de todas as planilhas de cálculo das operações de factoring realizadas naquele mesmo ano. No entanto, apresentou esclarecimentos afirmando, tão somente, que não possuía vínculo com a movimentação financeira do Sr. Gelson e que esteve inativa no anocalendário fiscalizado. Em vista disso, considerando, ainda, tudo quanto apurado na fiscalização movida contra o Sr. Gelson, a autoridade fiscal não teve alternativa senão emitir a RMF diretamente às instituições financeiras. Nesse passo, antes de mais, é preciso esclarecer que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº. 256/09, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 9 8 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do RICARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, como a matéria não foi definitivamente julgada pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às instituições financeiras. Diante do contexto que se apresentava, a autoridade fiscal julgou ser indispensável o exame da movimentação financeira da Recorrente para a apuração da prática de infração à legislação tributária, entendimento que reputo correto. Logo, não merece reparo o procedimento em comento. Mérito Conforme narrou o Termo de Verificação Fiscal, a simples comparação entre as assinaturas do Sr. Mário Lacourt (sócio gerente da Contribuinte), constantes da proposta (fl. 546) e do cartão de assinaturas utilizado para abertura da conta corrente n° 5.543.251 do Banestes (fl. 545), e as constantes dos cheques debitados dessa mesma conta (exemplos em fls. 277 a 544), mostram que praticamente todos os cheques foram por assinados pelo Sr. Márcio Lacourt. Da mesma forma, ficou evidenciado que a participação do Sr. Gelson limitouse à assinatura da procuração (fls. 551) passando plenos poderes ao Sr. Mário Lacourt. Trabalhando com a hipótese de que o Sr. Mário Lacourt estaria utilizando a contacorrente de titularidade do Sr. Gelson Machado para movimentar recursos da VIX Factoring (antiga denominação da Recorrente), passou então a intimar os destinatários dos cheques debitados da conta corrente n° 5.543.251 do Banestes, no intuito de descobrir o real responsável pela movimentação financeira nela efetuada, bem como a que título esta teria sido realizada. As respostas apresentadas pelos destinatários dos cheques convergem no sentido de que as operações se tratavam da compra de cheques e duplicatas vinculadas a vendas a prazo, objeto social das empresas de factoring. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 10 9 Citese, por exemplo, o depoimento da empresa Vitória Equipamentos para Escritório Ltda ME (Intimação, MPF e AR em fls. 560 a 563), CNPJ 01.727.801 1000116, beneficiária do cheque n°. 2642, no valor de R$ 6.590,00 (fls. 564 e 565), que, no documento de fls. 566, afirma que a operação que motivou o recebimento do cheque emitido por "Gelson Machado" (em verdade, Mário Lacourt), e depositado em sua conta corrente, foi a troca de cheques "prédatados" originados de vendas a prazo efetuadas pela Vitória Equipamentos (que totalizavam R$ 6.896 45, vide notas fiscais de vendas fls. 567 a 593). Afirmou, ainda, que o cheque foi entregue na sede da empresa selo Sr. Mário José Lacourt (fl. 596). Vale acrescentar que intimado a apresentar as planilhas que evidenciassem as operações de factoring que efetuou no ano de 1998, a origem dos recursos depositados, bem como a documentação comprobatória dessas mesmas operações (contratos de fomento mercantil, registro nos livros contábeis, documentos comprobatórios dos direitos de crédito adquiridos, etc), o Sr. Mário José Lacourt nada apresentou ou comprovou, alegando estar a Contribuinte inativa em 1998. No entanto, a Contribuinte não só operou em 1998, como ainda o fez através da conta corrente nº. 5.543.251 do Banestes, aberta em nome de interposta pessoa, o Sr. Gelson Machado. Assim, aplicável o do art. 42 da Lei n°. 9.430/96, devendo o lançamento do crédito tributário ser efetuado não contra o titular da conta corrente (Gelson Machado), mas, sim, contra o real proprietário dos recursos movimentados, a MTL Serviços (antiga VIX Factoring). Consoante art. 42 da Lei nº. 9430/96, caracteriza omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo acima, portanto, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), cabendo à Autoridade Fiscal comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Neste ponto, devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário, nem se afirmando que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira à disposição da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita tributável auferida e não declarada (receita omitida). Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa à autuada que terá a obrigação de comprovar a origem dos recursos. Desta forma, observandose os critérios estabelecidos na legislação de regência e intimado o contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete a este, e não ao Fisco, provar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser se eximir da exação ou, caso fique constatada sua origem tributável, que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 11 10 No presente caso, conforme consta dos autos e acima relatado, a autoridade fiscal intimou a Recorrente a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, bem assim como os documentos de sua escrituração contábil, mas a Recorrente limitouse a dizer que esteve inativa no anocalendário fiscalizado e que não tinha relação com a movimentação financeira da conta em nome do Sr. Gelson. Reiterese que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido (ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação) e o fato desconhecido (auferir rendimentos). Essa correlação induz à presunção legal de que o valor creditado em conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. Observese, ainda, que esta presunção legal torna desnecessário para a fiscalização reunir outros indícios ou provas. Neste sentido, vale citar a Súmula nº 26 do CARF: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Do arbitramento do lucro e da multa de ofício qualificada Como visto, a Recorrente foi intimada, mas não forneceu seus documentos fiscais e contábeis. Para esses casos, o art. 47, inc. III, da Lei nº. 8981/95 assim dispõe: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; Dessa forma, o procedimento adotado pela Recorrente de não fornecer seus documentos contábeis/fiscais configura hipótese de arbitramento do lucro. Ademais, para justificar a multa de ofício qualificada, basta lembrar que a Recorrente e seu sócio se utilizaram de interpostas pessoas para ocultar a verdadeira titularidade da movimentação financeira realizada na conta do Sr. Gelson, com evidente intuito de fraude e sonegação. Tais fatos demonstram claramente a prática de ações e omissões dolosas, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº. 4502/64, in verbis: “Art. 71. Sonegação é toôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19740.000006/200483 Acórdão n.º 1402001.661 S1C4T2 Fl. 12 11 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. No que tocam às alegações de infração ao princípio constitucional do não confisco, descabe tal análise pelo julgador administrativo, conforme preconiza o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho. Por tudo isso, correta a aplicação da multa de 150%, nos termos do §1º do artigo 44 da Lei nº. 9430/96. Juros de Mora. Taxa Selic. A Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora. Sobre esse tema, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O decidido em relação ao tributo principal aplicase ao lançamento da CSLL, PIS e COFINS, em razão da estreita relação de causa e efeito. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente os valores lançados. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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