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Numero do processo: 10880.724028/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 2201-004.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 40 28 /2 01 5- 16 Fl. 555DF CARF MF 2 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. (fls. 500/514), por bem relatar os fatos ora questionados. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela DEMAC – Belo Horizonte/MG, foi lavrado o Auto de Infração (fl. 02/06), decorrente do MPF 0618500.2014.00220, por meio do qual foi exigido o Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao período de apuração 07/2010 no valor de R$ 7.033.410,00, acrescido da multa de ofício de 75% no montante de R$ 5.275.057,50 e dos juros de mora calculados até 07/2015 de R$ 3.357.749,93. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 03), parte integrante do referido Auto de Infração, foi apurada a infração “omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores”. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 08/18) consta, relativamente à infração apurada, que: ● (...); 2 – Históricos das empresas Steck da Amazônia e Steck Investimentos: ● A empresa Steck da Amazônia Indústria Elétrica Ltda foi constituída em 03/11/2003. Tem como objetivo social a fabricação de tomadas e quadros de distribuição para instalações elétricas, caixas de passagem, painéis, consoles e cabines, conforme pode ser confirmado por meio do contrato social e suas alterações anexadas ao item “Steck Amazônia CS” do processo. Foi constituída com um capital social de R$ 2.500.000,00, divididos em 2.500.000 quotas, sendo o Sr. Gabriel Gananian detentor de 2.499.999 das quotas e o Sr. Carlos Gondim Gananian proprietário de 1 quota; ● Tal configuração permaneceu inalterada até 19/12/2007 quando, mediante a 8ª Alteração Social de seu contrato, houve um aumento de capital da sociedade com emissão de novas quotas. O capital social a partir desta data passa a ser de R$ 4.138.486,00, dividido em 4.138.486 quotas, sendo o Sr. Gabriel Gananian detentor de 4.138.485 quotas; ● Em 30/12/2008 o Sr. Gabriel Gananian transfere suas quotas para a empresa Steck Investimentos S/A, conforme transcrito na 10ª Alteração Contratual. Posteriormente, por meio da 13ª Alteração do Contrato Social, ocorrida em 20/07/2011, são efetuadas diversas modificações no quadro societário da Steck da Amazônia, na seguinte ordem; o A sócia Steck Investimentos S/A se retira da sociedade transferindo suas 4.138.485 quotas para o Sr. Gabriel Gananian; o O Sr. Gabriel Gananian, ato contínuo, cede suas 4.138.485 quotas para a empresa Scheneider Electric Participações do Brasil Ltda; Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10880.724028/201516 Acórdão n.º 2201004.690 S2C2T1 Fl. 556 3 o O sócio Sr. Carlos Godim Gananian cede sua única quota de capital para a empresa Scheneider Electric Participações do Brasil Ltda; ● Após essas alterações a empresa Scheneider Electric passa a ser proprietária das 4.138.486 quotas do capital social da Steck da Amazônia no valor de R$ 4.138.486,00; ● Consultando os atos arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP, apurase o seguinte histórico para a companhia Steck Investimentos S/A. Constituída em 03/12/2007 com a denominação social de V.V.Y.S.P.E. Empreendimentos e Participações S/A, tinha capital de R$ 500,00. Posteriormente foi alterada a razão social para Steck Investimentos S/A, após a entrada do Sr. Gabriel Gananian como sócio majoritário da sociedade em 28/01/2008 (ver contratos sociais no item “Steck Investimenots CS” do processo); ● Por meio da Ata da Assembléia Geral e Extraordinária realizada em 29 de julho de 2010, foi alterado o capital social que passou de R$ 500,00 para R$ 66.000.000,00. O aumento foi procedido com a incorporação de R$ 14.999.500,00 da Reserva de Lucros e de parte do crédito detido pelo acionista Gabriel Gananian contra a companhia no montante de R$ 51.000.000,00; ● Em 22 de novembro de 2011 procedese o arquivamento da ata da Assembléia Geral Extraordinária onde se deliberou pela dissolução da sociedade; 3 – Ganho de capital na integralização do Capital Social com bens e direitos: ● A legislação fiscal e societária admite que o aumento do capital da companhia seja integralizado por bens e direitos. É o que se confirma pelos artigos 7º e 8º da Lei 6.404/76 e artigo 23 da Lei nº 9.249/95; ● Em se tratando da legislação societária, a valoração se submete à aceitação do subscritor do bem à precificação dada pela sociedade a este bem, normalmente embasada em laudos de avaliação feitos por peritos; ● No caso aqui examinado inferese que o preço das quotas de capital da empresa Steck da Amazônia, objeto de cessão onerosa em 09/98, foi valorado levando em consideração o montante do seu Patrimônio Líquido à época da transação. É o que afirma o contribuinte em sua resposta ao Termo de Intimação nº 2 e o que se depreende pela análise do Patrimônio Líquido da Steck da Amazônia, constante de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, entregue para o exercício de 2009 (ver cópia da declaração no item “DIPJ 2009” e “Resposta ao TIF 2” do processo); ● A cessão das quotas de capital foi formalizada por meio do contrato de compra e venda de quotas, cuja cópia encontrase Fl. 557DF CARF MF 4 anexada ao processo no item “Resposta ao TIF 2”. Assinado em 30 de setembro de 2008, o documento previa em seu item 2 que o valor da compra era de R$ 51.371.573,00, devido ao vendedor em parcela única em até 36 meses contados da data da sua assinatura; ● A transferência de titularidade das quotas foi registrada na 10ª Alteração Contratual da Steck da Amazônia, arquivada na Junta Comercial do Estado do Amazonas em 30/12/2008 (ver cópias do documento no item “Contrato Social Steck Amazônia” do processo). Na contabilidade da Steck Investimentos lançouse a aquisição das quotas de capital na conta ativa representativa de investimento contra uma conta passiva representativa da obrigação para com o Sr. Gabriel Gananian (ver lançamentos no tem “Razão Steck Investimentos” do processo); ● Efetivada a venda das quotas da Steck da Amazônia, não houve por parte do contribuinte a devida informação em sua declaração de bens da transformação de seu patrimônio. Se em 31/12/2007 possuía 4.138.485 quotas de capital da Steck da Amazônia pelo valor de R$ 4.138.486,00, no final do ano seguinte tal bem se tornou um direito junto à empresa Steck Investimentos no valor de R$ 51.371.573,00. Também não foi preenchido o Demonstrativo de Ganho de Capital que deveria acompanhar a DIRPF do anocalendário de 2008; ● No quadro abaixo foram transcritas as informações prestadas pelo contribuinte em suas DIRPFs. Percebese que os valores das ações da Steck Investimentos permanecem inalterados, ainda que em julho de 2010 tenha havido o aumento de capital social efetivado pela transformação da dívida para com o Sr. Guananian em ações da companhia (ver declarações no item “DIRPF ano” do processo); ● (...); ● Não obstante as informações equivocadas inseridas nas DIRPFs do contribuinte, é fato que em 30/09/2008 houve a alienação das quotas de capital que possuía na empresa Steck da Amazônia. A cessão destes bens se sujeita à incidência do imposto de renda calculado sobre o ganho de capital, conforme preconiza o artigo 3º da Lei nº 7.713/88 e artigo 117 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), abaixo transcrito: ● (...); ● Os mesmos diplomas legais fixaram regras específicas para a apuração do ganho de capital quando o recebimento do produto da alienação de bens ou direitos é feita a prazo, senão vejamos: Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10880.724028/201516 Acórdão n.º 2201004.690 S2C2T1 Fl. 557 5 ● Portanto nas alienações parceladas, apurase o ganho de capital e o percentual referente a cada parcela na data da alienação, no entanto a tributação do IRPF devido pelo sujeito passivo ocorre nas datas de recebimento de tais parcelas. É o que estabelece a legislação tributária, pois no momento da alienação ainda não há imposto devido, uma vez que o fato gerador e a respectiva obrigação tributária surgem com a aquisição das disponibilidades representadas pelos valores decorrentes da operação de venda, em consonância ao que determina o artigo 43 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66); ● Em 29 de julho de 2010, a quase totalidade dos créditos que o contribuinte possuía junto à Steck Investimentos S/A pela venda de quotas societárias serviu para aumentar o capital da companhia, conforme se lê na ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 19/07/2010 arquivada na JUCESP. Foi aprovado um aumento de capital na Steck Investimentos no valor de R$ 65.999.500,00, sendo que R$ 14.999.500,00 tiveram como origem a conta de Reserva de Lucro constante de seu Patrimônio Líquido e R$ 51.000.000,00 na conversão do crédito que o Sr. Gabriel Gananian detinha na companhia (ver cópia da ata nos itens “Resposta ao TIF 2” e “CS Steck Investimentos” do processo); ● Após o aporte de capital realizado, o contribuinte passa a deter 65.339.522 ações ordinárias da Steck Investimentos, no valor de R$ 65.339.522,00; ● Quitado em 29/07/2010 a quase totalidade do crédito que possuía junto à Steck Investimentos, o contribuinte deveria recolher o IRRF sobre o ganho de capital até o dia 31/08/2010, no entanto nenhum pagamento foi encontrado nos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O restante do crédito do contribuinte junto à companhia, no valor de R$ 371.573,01, teve a sua quitação postergada para data posterior ao evento de incorporação de capital aqui estudado; ● Tendo ocorrido o fato gerador e não pago nenhum imposto, impõese a sua constituição e cobrança. O imposto devido incidente sobre o ganho de capital encontrase abaixo demonstrado: Fl. 559DF CARF MF 6 ● Constituise por meio do presente Auto de Infração o imposto acima calculado; 4 – Finalização: ● Diante dos fatos, lavramos o presente Auto de Infração para constituir o IRPF incidente sobre o ganho de capital na alienação das quotas de capital social da Steck da Amazônia, cujo fato gerador ocorreu em 29 de julho de 2010. O lançamento darseá no auto de infração, de acordo com o seguinte enquadramento legal: ● (...). Cientificado do Auto de Infração, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Encerramento em 06/07/2015 (cópia do A.R. – fl. 456), apresentou o interessado, em 03/08/2015 (fl. 462), a impugnação de fl. 462/470, juntamente com os documentos de fl. 471/490, por meio da qual alega, em síntese, que: ● Segundo se pode ler do Termo de Verificação Fiscal, o requerente era titular de 4.138.486 quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada uma, de Steck da Amazônia Indústria Elétrica Ltda. (a “Steck da Amazônia”); ● Em 30 de dezembro de 2008 o requerente cedeu todas as quotas de que era titular na Steck da Amazônia para a Steck Investimentos S.A. (a “Steck Investimentos”) por R$ 51.371.573,00. O preço da cessão deveria ser quitado em parcela única em trinta e seis meses, ou seja, em 29 de dezembro de 2011; ● Em 29 de julho de 2010 a quase totalidade do crédito que o requerente possuía contra a Steck Investimentos pela cessão de quotas que fizera foi utilizada para aumentar o capital desta Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10880.724028/201516 Acórdão n.º 2201004.690 S2C2T1 Fl. 558 7 companhia. Na assembleia geral ordinária e extraordinária da Steck Investimentos realizada em 29 de julho de 2010 foi aprovado aumento do capital no valor de R$ 65.999.500,00, com a emissão de 65.999.500 quotas. Parte do aumento do capital – R$ 14.999.500,00 – ocorreu com o aproveitamento do saldo da conta de reserva de lucro. Foram emitidas 14.999.500 quotas, pelo preço de R$ 1,00 cada uma, que foram entregues aos acionistas, como bonificação; ● As 51.000.000 de quotas restantes foram subscritas pelo requerente e integralizadas mediante parte do crédito que ele detinha contra a companhia, pela cessão de quotas que fizera a ela; ● Lêse do termo de verificação fiscal (pág. 10) o seguinte: ● Entretanto, no momento da lavratura do auto de infração, a União Federal já decaíra de seu direito de constituição do crédito tributário; ● Cita o art. 43 do Código Tributário Nacional; ● Para a caracterização do fato gerador (ou imponível, como preferem alguns) do tributo é preciso distinguir disponibilidade jurídica e disponibilidade econômica; ● Cita ensinamentos doutrinários de Ricardo Mariz de Oliveira e de Hugo de Brito Machado sobre o assunto; ● Percebese, assim, que a disponibilidade jurídica corresponde a renda produzida, mas não percebida, representativa de um crédito exigível. A disponibilidade econômica corresponde a renda já percebida ou adquirida, “fruto já colhido”; ● O Código Tributário Nacional não elegeu como fato gerador do imposto sobre a renda a disponibilidade econômica e a Fl. 561DF CARF MF 8 disponibilidade jurídica, mas a disponibilidade econômica ou jurídica. Assim, ocorrendo a disponibilidade jurídica da renda (ou do provento) nasce o fato gerador do imposto sobre a renda, não sendo necessário para isto aguardar que surja, também, a disponibilidade econômica; ● Como se verifica do termo de verificação fiscal (pág. 7), ● Fica claro que o fato gerador do imposto ocorreu em 30 de setembro de 2008. Nesta data (dia em que celebrado o contrato de cessão de quotas) surgiu para o requerente crédito contra a Steck Investimentos. Com o surgimento do crédito, surgiu, também, a disponibilidade jurídica; ● É clara a disponibilidade jurídica: o requerente tinha o poder, se quisesse, de ceder seu crédito a terceiros; de descontálo em instituições financeiras; de securitizálo; de dálo em pagamento de dívida; de doálo etc.; ● E poderia – como fez – integralizar ações subscritas com o crédito, antes do vencimento dele; ● O douto auditor fiscal que lavrou o auto de infração, no entanto, considerou como ocorrido o fato gerador apenas com a disponibilidade jurídica e a disponibilidade econômica; ● O termo de verificação fiscal, em mais de uma vez, reconhece já ter existido a disponibilidade jurídica em 2008, embora sem usar tal denominação; ● O auto de infração, porém, leva em consideração como fato gerador do tributo a disponibilidade econômica (que ocorreu muito tempo depois da disponibilidade jurídica): ● Quando quitado (disponibilidade econômica) o crédito (disponibilidade jurídica) surgiu a obrigação de pagar o imposto. Isto não se confunde, porém, com o fato gerador dele; Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10880.724028/201516 Acórdão n.º 2201004.690 S2C2T1 Fl. 559 9 ● Não se confunde fato gerador com apuração do tributo e com dia de pagamento dele. O artigo 116 do Código Tributário Nacional determina que se considera ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída (a situação jurídica, por óbvio); ● A cessão de quotas do requerente para a Steck Investimentos ficou definitivamente constituída com a celebração do contrato de venda delas, em 30 de dezembro de 2008. Definitivamente constituída a situação jurídica (cessão de quotas) em 30 de dezembro de 2008, nesta data ocorreu o fato gerador do imposto, segundo o artigo 116 do Código Tributário Nacional; ● Pouco importa que a quitação (disponibilidade econômica) ou a apuração do valor do imposto devido ou a data de pagamento tenham ocorrido mais tarde, apenas em 2010. A disponibilidade jurídica e o fato gerador do tributo já tinham acontecido em 2008; ● O lançamento do tributo ocorreu além dos cinco anos previstos no artigo 173 do Código Tributário Nacional. E o fato de, neste caso, ocorrer pagamento a prazo não interfere na questão; ● Cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que corrobora o entendimento; ● Além disso, indevida é a multa, nos termos da Súmula 14 do CARF, já que não se afirmou no auto de infração ter agido o requerente com dolo ou fraude; ● Em face de todo o exposto, aguardase o acolhimento da impugnação. 2 – Atentando aos argumentos de defesa, a 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (SC) proferiu decisão que restou assim ementada: A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do Fl. 563DF CARF MF 10 efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito. O imposto de renda pessoa física decorrente da apuração de ganho de capital é tributo devido de forma definitiva e sujeito a lançamento por homologação. Assim, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houver pagamento de imposto. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. COMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício, cabendo à Administração Pública cumprimento da lei no sentido de aplicar sobre o imposto apurado a multa de ofício e os juros Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte fls. 521/531. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O Acórdão nº 1285.043 da 1ª Turma da DRJ/RJ (fls. 500/514) foi cientificado ao contribuinte em 08/02/2017 (fl. 518), uma quartafeira. 5 Com efeito o prazo para interposição de Recurso Voluntário, de 30 dias (art. 33 do Decreto 70.235/72), esgotouse em 10/03/2017, uma sextafeira (art. 5º do Decreto 70.235/72). 6 O Recurso Voluntário somente foi apresentado em 13/03/2017, segunda feira, conforme atesta o carimbo de protocolo de recepção à fl. 521 na unidade da RFB de São Paulo. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10880.724028/201516 Acórdão n.º 2201004.690 S2C2T1 Fl. 560 11 7 Às fls. 553 informação da unidade da Receita Federal informando a intempestividade do recurso. 8 Não houve questionamento de tempestividade, e não consta a existência de feriado nacional, estadual ou municipal, ou ausência de funcionamento normal das repartições da Receita Federal, para as datas acima referidas. 9 Tratase, portanto, de recurso intempestivo, que não pode ser conhecido (art. 42,I do Decreto 70.235/72), nos termos rígidos das regras processuais de preclusão temporal a que este órgão administrativo não pode se furtar. 10 Desse modo, voto por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade. Conclusão 11 Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso diante de sua intempestividade na forma da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914073/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 73 /2 01 2- 16 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.914073/201216 Acórdão n.º 1201002.573 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721757/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 03/12/2012 a 17/01/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
Numero da decisão: 3302-006.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, sem atribuir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/12/2012 a 17/01/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, sem atribuir-lhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.928036/2009-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/02/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido.
SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF.
Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito.
Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/02/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito. Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/02/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratarse de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 80 36 /2 00 9- 91 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 208 2 facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp, em face da decadência do referido direito. Constatandose, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer temse notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.261, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 26315.54880.070705.1.3.049820. Da síntese dos fatos Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 209 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 45 a 53), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 26315.54880.070705.1.3.049820), na data de 07/07/05 (página 1 PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos de PIS 69121, referente à competência de jan e fev/04, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 14/02/2003, no valor de R$ 23.441,79 (código de receita: 8109). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 11, datado de 20/04/09, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. 3. Cientificada, em 28/04/09, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 12, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 13 a 15, tempestivamente, conforme fls. 44, com a juntada de documentos de fls. 16 a 43, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), referente ao ano calendário 2003/1º trimestre (jan). 3.2. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva, para proceder a alteração do campo débito apurado do valor informado de R$ 24.280,77, para o quanto entendido correto, correspondente a R$ 838,98. 3.3. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/02/2003 Ementa: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 210 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 138/2012" (efl. 54) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 55), conheceu do teor do acórdão vergastado em 26.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 24.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 56 a 203). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário, identificando, também, os documentos nele juntados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição ao PIS, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 desde o ano de 2003, está sujeito à incidência da contribuição ao PIS determinada sobre a sistemática não cumulativa, conforme prevê a Lei 10.637 de 2002, estando obrigado, portanto, à apuração mensal de débitos e créditos relativamente a tal contribuição; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 211 5 2 apesar de o regime não cumulativo do PIS ter sido estabelecido a partir de dezembro de 2002, foi somente no ano de 2004 que passouse, segundo a IN SRF 387 de 2004, a exigir a entrega do Dacon relativamente aos quatro trimestres do ano de 2003; 3 somente após revisar seus procedimentos para entrega do Dacon respectivo é que constatou que valor do PIS devido para o período era inferior àquele originalmente declarado em DCTF; 4 por equívoco não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor pago indevidamente naquele período constaria nas bases de dados da RFB como devido; 5 na Ficha 04 da mencionada Dacon, declarou a composição da base de cálculo dos créditos que apurou, os quais se lastrearam na aquisição de bens utilizados como insumos, nas despesas com energia elétrica, com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e com financiamentos de empréstimos, além dos encargos com depreciação; 6 os mencionados créditos decorrentes das aquisições de insumos referiam se às compras de produtos para industrialização, industrializações efetuadas por encomenda para si e aquisições de material de uso consumo realizadas no período, conforme consta das notas fiscais selecionadas por amostragem, ora anexadas, do Resumo de CFOP do Livro Registro de Entrada e do arquivo do Sintegra do período (Docs. 09, 10 e 11); 7 referidos documentos comprovam a legitimidade dos créditos que apurou, pois que os bens adquiridos foram e aplicados em seu processo produtivo, enquadrandose no conceito de insumo, à exceção dos materiais de uso e consumo, que optou por efetuar o pagamento com a inclusão da multa e dos juros, conforme Darf (Doc. 12); 8 quanto às despesas com energia elétrica, na época apropriava apenas os créditos relativos à produção, conforme razão contábil, pagas conforme o valor constante na respectiva nota fiscal e escrituradas no LRE (Docs. 13/14); 9 quanto às despesas com aluguéis, tais valores são também legítimos, líquidos e certos por decorrerem de pagamento a pessoa jurídica, pela locação do prédio no qual desempenha suas atividades, conforme demonstra o respectivo contrato, bem como sua contabilidade (Docs. 15/16); 10 os créditos de despesas de financiamento se encontram devidamente comprovados pelos documentos que à época deram azo às operações de arrendamento mercantil, conforme se depreende do razão contábil da conta relacionada (Doc. 17); 11 os créditos com os encargos de depreciação do ativo imobilizado foram calculados e regularmente contabilizados (Docs. 18/19); 12 os documentos ora juntados não se tratam de novas provas, pois tratamse de meros detalhamentos do crédito já demonstrado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do Dacon. Não obstante, mencionese que o Carf já se manifestou pela possibilidade de juntada de provas em fase recursal, por aplicação do principio da verdade material, ao qual o processo administrativo está intrinsecamente subsumido; 13 a jurisprudência no âmbito administrativo garante que o crédito pago indevidamente pelo contribuinte seja compensado. Cita legislação e jurisprudência; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 212 6 14 o mero erro formal, consubstanciado na não retificação da DCTF à época não descaracterizar o direito material legalmente atribuído, devendolhe ser garantida a recuperação, mediante compensação, dos valores pagos a maior em virtude do não cômputo dos créditos legais; 15 as declarações a que está obrigada a apresentar, como, por exemplo, a DCTF, DIPJ, etc., nada mais são do que obrigações acessórias mediante as quais o contribuinte declara as suas informações econômicofiscais. Assim, a falta ou a incorreção do preenchimento do formulário não tem o condão de criar ou extinguir direitos, já que tal nada mais é que um meio para o Fisco "agilizar" o procedimento fiscalizatório; 16 é pacifica a jurisprudência do Carf em admitir que a verdade material deve prevalecer em detrimento da formal quando há erro de preenchimento em DCTF, ainda mais que referido equívoco não causou prejuízo ao Erário Público. 17 acaso necessário, solicita a conversão do julgamento em diligência para que se comprove a existência da totalidade do crédito pleiteado. Formula quesitos a serem respondidos pelas autoridades fiscais; 18 seja intimada, na pessoa de seu procurador/patrono, para fins de realizar sustentação oral. Diante do alegado, requer o provimento do recurso e consequente deferimento do direito creditório pleiteado, homologandose a compensação realizada extinguindo respectivo crédito tributário. Juntamente com a presente peça recursal, o contribuinte apresenta: DOC. 01 Cópia autenticada do Contrato Social e alterações posteriores; DOC. 02 Cópia autenticada do instrumento de procuração pública; DOC. 03 Cópia autenticada do documento do Representante Legal; DOC. 04 DARF de recolhimento da Contribuição para o PIS (8109); DOC. 05 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); DOC. 06 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); DOC. 07 PERD/DCOMP; DOC. 08 Memória de cálculo do crédito de PIS; DOC. 09 Notas fiscais de aquisição de insumos; DOC. 10 Resumo de CFOP do Livro Registro de Entradas (LRE); DOC. 11 Arquivo do SINTEGRA relativo As entradas de insumos; DOC. 12 DARF de recolhimento do valor inconteste; DOC. 13 Razão contábil da conta de despesas com energia elétrica; DOC. 14 Nota fiscal de aquisição de energia elétrica; DOC. 15 Contrato de locação de bem imóvel firmado com pessoa jurídica; DOC. 16 Razão contábil da conta de despesas com aluguel; DOC. 17 Razão contábil da conta de arrendamento mercantil; DOC. 18 Memória de cálculo de encargos de depreciação; e DOC. 19 Razões contábeis das contas de encargos de depreciação. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 06.01.2014 (efl. 205), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 213 7 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 24.02.2012, depois da ciência ocorrida em 26.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do crédito tributário informado e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da intimação ao patrono Registrese que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte para fins de sustentação oral. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Ricarf. Razão pela qual, nego a solicitação. Da sustentação oral Quanto a sustentação oral pretendida perante as turmas extraordinárias convém esclarecer que o artigo 61A do Anexo II do Ricarf, inserido pela Portaria MF 329 de Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 214 8 04.07.2017, dispõe que referido pleito seja realizado dentro de um prazo regulamentar e mediante apresentação de requerimento próprio, cuja aceitação "implica a retirada do processo para inclusão em pauta de sessão não virtual". Logo, inexistindo, nos autos referido requerimento, resta descumprido o regramento estatuído pela norma de regência. Razão pela qual não provejo o pedido. Da matéria de ordem pública Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratarse de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade, ainda que seja para confirmar o que decidiu o colegiado a quo. Da fundamentação Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que o valor do crédito compensado deriva de apuração constante no Dacon, mas que, por lapso, deixou de apresentar a DCTF retificadora respectiva para alterar o valor incorretamente informado no campo débito, uma vez que o correto correspondente a uma importância menor que aquela; tanto que, embora não o fazendo, comprometeuse a retificar a DCTF em questão no intuito de regularizar o crédito indicado no Per/Dcomp. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 215 9 Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "Do Crédito em Análise", que reproduzo, verbis: Voto (...) 5. Ademais, cumpre suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo Sujeito Passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do PER/DCOMP, se presta a formalizar a compensação e, por consequência, a extinção dos débitos compensados, sob condição resolutória de sua posterior homologação pela Administração Fiscal. Assim, as informações sobre a origem do direto de crédito e do débito compensado, de inteira responsabilidade do Contribuinte, devem estar conformes, sob o risco de o declarante ver seu procedimento não homologado. 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS 69121, competência jan e fev/04, e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do suposto pagamento Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 216 10 indevido e, por conseguinte, do reclamado crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. O ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante atinente ao indigitado DARF, vez que integralmente utilizado para quitar o débito correspondente, declarado por intermédio da DCTF, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria Interessada à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Destaquese, ademais, que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Do Crédito em Análise 8. O Contribuinte contesta o Despacho Decisório DD que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação acostou aos autos cópias de DACON que suportaria o crédito que alega possuir e, ainda, solicita prazo para entrega da DCTF Retificadora. 8.1. Primeiramente, é de ser ressaltado que não é suficiente, para os fins pretendidos pela Requerente, a apresentação de DACON Retificador, nos casos em que as informações de débitos restaram inferiores àqueles confessados em DCTF. Permanece a necessidade de o Contribuinte comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos em questão. 8.2. À guisa de complementação, deve ser observado que há grande distinção, mormente no tocante aos efeitos jurídicos, entre as informações prestadas por intermédio da DCTF e do DACON, vez que, enquanto a primeira, consoante predito, revelase como instrumento de constituição de crédito tributário, o segundo desempenha papel meramente informativo, cujo intuito é o de corroborar ou complementar informações de interesse da Administração Tributária. 8.2.1. Ademais, a própria legislação tributária prevê a necessidade de o Contribuinte apresentar DCTF retificadora Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 217 11 sempre que eventual retificação do DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) 8.2.2. Tal comando normativo permanece vigente até o momento, tendo sido convalido nas instruções normativas posteriores. 8.3. Insta mencionar, neste ponto, tomandose por base as previsões estampadas nos atos normativos que regulam o procedimento de retificação de declarações, conforme o atualmente disposto no inciso II, do § 2º, do art. 9º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, que seria ineficaz qualquer retificação de DCTF após a ciência de início de procedimento administrativo, consubstanciado na não homologação da compensação expressa pelo combatido DD, nos moldes da previsão constante no art. 142 do CTN, especialmente no tocante à matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido. Transcrevese os termos da citada instrução normativa: § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: [...] II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (original sem destaques) 8.4. De outro giro, deve ser observado que a análise em apreço, mormente quanto ao alegado crédito da Manifestante, perpassa questão que envolve lançamento na modalidade por homologação, vez que a Insurgente apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 8.5. Neste ponto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 218 12 Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento. (...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 8.6. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 8.7. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento”, como muitos doutrinadores intitulam esta modalidade, sem entender ferido o art. 142 do CTN. 8.8. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos reputados devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento” no caso em tela. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 219 13 8.9. Em adição e reforço, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84), quando regularmente apresentada, tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em dívida ativa do débito denunciado pelo Contribuinte, caso não pago, consoante pacífico entendimento das mais altas cortes do país. Desta sorte, o indigitado documento encerra instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. 8.10. Em decorrência do predito, de acordo com o vaticinado no § 1º, do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação daquele. 8.11. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerandose homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 8.12. Neste ponto, não é despiciendo relembrar que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 8.13. No caso vertente há de ser ressaltado que se aprecia tributo referente ao período de apuração findado em 31/01/03, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 8.14. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/01/08, o crédito tributário em testilha foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 8.15. Ademais, emerge do quanto articulado que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF em epígrafe, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. 8.16. Assim, tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 8.17. Em adição a tudo quanto articulado, apenas ad argumentandum, fossem superadas as questões já enfrentadas, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 220 14 insta mencionar que é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante vaticina o art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 8.18. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditício que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. 8.19. Tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, a Manifestante tinha por obrigação dar conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF Retificadora. 8.20. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 8.21. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o Contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. 8.22. A inércia da Insurgente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. 8.23. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. (...) Da questão material, em complemento aos termos da decisão recorrida Conforme reafirmado, o despacho decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pelo recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignado, o recorrente alega que apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon informando os supostos verdadeiros débitos correspondentes ao exercício em questão, mas que, por lapso, deixou de apresentar a devida DCTF retificadora. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 221 15 Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, no seu prazo devido, foi apresentado o Dacon original, referente ao período de apuração do tributo em questão. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostrase incompatível o que fora declarado no referido Dacon. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta informado no Dacon original, e sem ter retificado a DCTF original, o recorrente apresentou o Per/Dcomp pleiteando, em face do suposto saldo credor, a compensação em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Porém, mesmo após ter sido cientificada do despacho decisório, o recorrente, frisese, embora tenha manifestado a intenção de retificar a DCTF original, a fim de semelhar as informações contidas no Dacon, pelo que depreendese destes autos, tal intento não se concretizou. Logo, no caso que se examina, não há dúvidas que o recorrente não retificou sua DCTF original. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pelo Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a DIPJ, o Dacon tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ainda que o recorrente pretendesse efetuar a retificação da DCTF original, resta evidente o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Da conclusão Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.928036/200991 Acórdão n.º 3001000.467 S3C0T1 Fl. 222 16 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar os pedidos de diligência, de intimação dos patronos e de sustentação oral e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.924807/2016-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2015
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.923
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 48 07 /2 01 6- 57 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10680.924807/201657 Acórdão n.º 3301004.923 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.504. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.924807/201657 Acórdão n.º 3301004.923 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.924807/201657 Acórdão n.º 3301004.923 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.924807/201657 Acórdão n.º 3301004.923 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.924807/201657 Acórdão n.º 3301004.923 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.728594/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007
31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007,
30/11/2007, 31/12/2007
DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO.
Caracterizado o dolo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do CTN.
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO.
A informação reiterada e razoavelmente discrepante em DCTF/DACON e DIPJ caracteriza conduta dolosa, para fins de qualificação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CONFISCO.
A caracterização da multa de oficio e dos juros de mora com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, analisar de ofício, em razão de ser matéria de ordem pública, a qualificadora da multa de oficio, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que não reconheciam como de ordem pública a qualificação da multa. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro (Relatora), que reduziu a multa ao patamar de 75% e deu provimento para a decadência parcial do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Redator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Caracterizado o dolo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do CTN. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. A informação reiterada e razoavelmente discrepante em DCTF/DACON e DIPJ caracteriza conduta dolosa, para fins de qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CONFISCO. A caracterização da multa de oficio e dos juros de mora com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, analisar de ofício, em razão de ser matéria de ordem pública, a qualificadora da multa de oficio, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que não reconheciam como de ordem pública a qualificação da multa. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro (Relatora), que reduziu a multa ao patamar de 75% e deu provimento para a decadência parcial do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Redator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Caracterizado o dolo, a decadência regese pelo art. 173, I, do CTN. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. A informação reiterada e razoavelmente discrepante em DCTF/DACON e DIPJ caracteriza conduta dolosa, para fins de qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CONFISCO. A caracterização da multa de oficio e dos juros de mora com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, analisar de ofício, em razão de ser matéria de ordem pública, a qualificadora da multa de oficio, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que não reconheciam como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 85 94 /2 01 2- 54 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 455 2 de ordem pública a qualificação da multa. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro (Relatora), que reduziu a multa ao patamar de 75% e deu provimento para a decadência parcial do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Redator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase auto de infração de IPI de R$ 1.412.713,66, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 4.286.647,64, em razão de estabelecimento industrial ter efetuado recolhimento a menor do imposto, nos prazos estabelecidos pela legislação. O Termo de Verificação fiscal (efls. 215/219) descreve a infração da seguinte forma: 01 OMISSÃO DE RECEITA RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA Em 05/04/2011, o contribuinte tomou ciência pessoal, do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do Termo de Intimação Arquivos Digitais, onde foram solicitados Livros, documentos de escrituração, extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras e arquivos magnéticos, conforme IN86/2001 e ADECOFIS n° 15/2001. Em 20/04/2011, o contribuinte disponibilizou os Livros e documentos intimados e solicitou prazo adicional de 30 dias para a apresentação dos extratos bancários e arquivos digitais contábeis e fiscais, no que foi atendido, por intermédio dos Termos de Prorrogação de Prazo n° 0001 e do Termo de Prorrogação de Prazo n° 0002. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 456 3 Em 26/05/2011, o sujeito passivo formalizou novo pedido de suplementação de prazo para a entrega dos arquivos magnéticos, cujo deferimento deuse conforme Termo de Prorrogação de Prazo n° 003, de 02/06/2011. Somente em 16/06/2011, a empresa completou o atendimento às intimações iniciais e, dessa forma, em 21/07/2011, procedemos a retenção dos Livros Diário, Razão, Registro de Apuração de IPI e Arquivos Digitais, conforme Termo de Retenção n° 0001, de 21/07/2011. Da análise dos documentos e informações prestadas pelo sujeito passivo até então, pudemos constatar uma significativa diferença nos valores de faturamento escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 Clientes, visàvis aqueles efetivamente declarados em DIPJ e DACON, como segue: Em decorrência, verificamos a mesma divergência entre os valores declarados em DCTF e os valores escriturados na Conta Razão: 2.1.1.04.0000 – Obrigações Tributárias e Livro RAIPI, como segue: Dessa forma, os valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS escriturados e não declarados em DCTF, foram lançados de ofício, mediante Auto de Infração, Processo 10880728.584/201219, e, nos termos do art. 127, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2.002, RIPI/2002, abaixo transcrito, formalizase no presente Auto de Infração a exigência do devido Imposto sobre Produtos Industrializados escriturado e não declarado/recolhido. Na efl. 217 foram relacionados, mês a mês, os valores do IPI informados no Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e na DCTF e o IPI devido. A autoridade fiscal assim justificou a aplicação da multa qualificada: Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 457 4 Como amplamente demonstrado, o sujeito passivo no ano calendário de 2007 informou em DCTF/DACON e DIPJ, reiteradamente por 12 meses, valores muito inferiores àqueles que escriturou em seus livros contábeis e fiscais. Não fosse a intervenção fiscal, por certo as quantias ora autuadas estariam definitivamente inumadas pelo instituto da decadência, o que nos leva a concluir que, em tese, a conduta do contribuinte, tendente a impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, por quase 5 (cinco) anos, foi dolosa e visou o enriquecimento próprio em detrimento do pagamento dos impostos e contribuições devidos. Pelo exposto, considerando que a conduta do contribuinte, subsomese aos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1.964, combinados com o art. 1º, incisos I e II, da Lei nº 8.137/90; sujeitase o contribuinte à qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária por responsabilidade pessoal dos sócios administradores à época dos fatos, nos termos do art. 135, III , do CTN. Em impugnação, a empresa sustentou que: (...) o Auto carece de informações corretas, de forma errada o auditor fiscal fez o lançamento, do qual, não se reputa ao fato gerador NA SUA INTEGRALIDADE, carecendo assim da verdade e recaindo no erro formal e material. Diante o exposto, requer: Que seja acolhido o Instituto da DECADÊNCIA do Auto de Infração e Imposição de Multa do Processo Administrativo Fiscal n° 10880728.5847201219 e n° 10880728.594/201254, bem como, que sejam anulados. Seja afastada por este Douto Delegado a OMISSÃO DE RECEITAS E CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS pelos fundamentos ora apresentados; Os juros de mora e a multa aplicada sejam em proporcionalmente em percentuais inferiores no Auto de Infração e Imposição de Multa do Processo Administrativo Fiscal n° 10880728.584/201219 e n° 10880728.594/201254, pelas razões de CONFISCO; O Auto de Infração e Imposição de Multa do Processo Administrativo Fiscal n° 10880728.584/201219 e n° 10880 728.594/201254 sejam ANULADOS por erro formal e material na sua constituição. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 458 5 A 5ª Turma da DRJ/RPO, no acórdão nº 1443.018, julgou procedente o lançamento, com decisão assim ementada: LANÇAMENTO. NULIDADE. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não houve ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando na ausência de pagamento ou quando constatado fraude, simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN. FALTA DE RECOLHIMENTO E/OU RECOLHIMENTO A MENOR. A falta ou insuficiência de recolhimento de débito do imposto, constatada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício, com os respectivos consectários legais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. Em recurso voluntário, a empresa pleiteia o reconhecimento da decadência de parte do período e aduz que a multa aplicada e os juros são confiscatórios. Não consta no recurso voluntário insurgência da empresa contra a omissão de receita e os termos de sujeição passiva solidária dos sócios. Não há impugnação ou recurso voluntário dos sócios arrolados como responsáveis solidários. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 459 6 Voto Vencido Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. I. Preliminar de competência, suscitada de ofício O auto de infração lavrado no presente processo decorreu do MPF n° 0811300.2011.001739. O mesmo procedimento fiscal resultou na autuação de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI. O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), livro II, elenca as hipóteses de competência da 1ª Seção. No seu inciso IV, constam os casos que versam sobre PIS, COFINS e IPI, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 460 7 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Por sua vez, o § 5º do art. 6º do RICARF dispõe: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Todavia, entendo que não há que se declinar da competência desta Seção para apreciação deste caso. Explico. As bases utilizadas nas autuações são diferentes: o auto de infração que formalizou as exigências de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, teve como base a diferença nos valores de faturamento escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 Clientes, e aqueles efetivamente declarados em DIPJ e DACON. Assim, a diferença apurada, mês a mês, entre as receitas escrituradas no total de R$ 19.715.958,96 e as receitas brutas declaradas em DIPJ e na DACON no montante de R$ 5.673.875,26 foram levadas à tributação como omissão de receita da atividade (receita escriturada e não declarada). Ademais, nos autos desse processo, há a tributação pelo PIS, COFINS, IRPJ e CSLL de depósitos bancários de origem não comprovada. Tal processo já foi julgado pela 1ª Seção do CARF, acórdão n° 1301001.825, no qual a ementa restou assim redigida: DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN. O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 461 8 pretendidas, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2). TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Em pesquisas efetuadas no portal “Acompanhamento Processual”, observase que tal processo já não está no CARF, tendo sido remetido à origem. Por sua vez, neste processo que constitui a exigência de IPI, a base de cálculo utilizada foi a escrituração do livro RIPI, omitida nas Declarações Fiscais: Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 462 9 Em relação à infração de IPI, a Recorrente não apresentou qualquer contestação, visto que a apuração se deu com base nas próprias informações por ela passadas à fiscalização. Por isso, analiso o recurso voluntário da Recorrente a seguir. II. Nulidade do Auto de Infração Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração, sem tecer qualquer argumentação. Afasto a pretensão, porquanto entendo terem sido observados os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 463 10 V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Logo, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Portanto, voto por não acolher a preliminar. III. Multa qualificada como matéria de ordem pública e reflexo no reconhecimento da decadência A DRJ negou a ocorrência de decadência, em virtude da aplicação do art. 173, I, do CTN, já que entendeu presentes os elementos de caracterização de fraude. Observese novamente a motivação da aplicação da multa qualificada: Como amplamente demonstrado, o sujeito passivo no ano calendário de 2007 informou em DCTF/DACON e DIPJ, reiteradamente por 12 meses, valores muito inferiores àqueles que escriturou em seus livros contábeis e fiscais. Não fosse a intervenção fiscal, por certo as quantias ora autuadas estariam definitivamente inumadas pelo instituto da decadência, o que nos leva a concluir que, em tese, a conduta do contribuinte, tendente a impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, por quase 5 (cinco) anos, foi dolosa e visou o enriquecimento próprio em detrimento do pagamento dos impostos e contribuições devidos. Pelo exposto, considerando que a conduta do contribuinte, subsomese aos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1.964, combinados com o art. 1º, incisos I e II, da Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 464 11 Lei nº 8.137/90; sujeitase o contribuinte à qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Entendo que há reparos a serem feitos na decisão de piso nesse ponto. Em primeiro lugar, analiso os pressupostos de aplicação da multa qualificada, mesmo sem questionamento do sujeito passivo, pois trato a questão como matéria de ordem pública. Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídicotributário, o que in casu, entendo que não foi demonstrado pela Fiscalização. A fraude tributária é a violação intencional da norma jurídica tributária, sendo imprescindível a existência do dolo, que é a intenção de empregar expediente ardiloso para “mascarar” a ocorrência do fato jurídicotributário. Não basta a simples suspeita de fraude, é necessária a prova do intuito doloso aplicado com a finalidade de modificar as características essenciais do fato jurídicotributário. Eis que, no que tange às infrações tributárias, o dolo e a culpa não podem ser presumidos, devem sim ser provados. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9202 003.764, expressou: MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação. (...) Acórdão nº 9202003.764, julg. 16/02/2016. A lição abaixo esclarece o papel da multa qualificada: É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação de penalidade em decorrência de dolo, fraude ou simulação na prática do ato jurídico tributário. É aplicada quando a Administração Pública demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Para caracterizar a multa agravada, é necessário, outrossim, a existência de fato doloso, fraudulento ou simulado, devidamente provado, Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 465 12 para se produzir a correta subsunção do fato infracional à norma autorizadora do agravamento da penalidade. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. 6.ed. São Paulo: Editora Noeses, 2015, p. 894). À luz do Decreto nº 70.235/1972 (art. 16, II e 17), que rege o processo administrativo fiscal, cumpre aos julgadores apreciar as matérias expressamente recorridas. A despeito disso, é pacífico o entendimento que é dever do colegiado apreciar de ofício as matérias de ordem pública, ou seja, ainda que não tenham sido contestadas, bem como corrigir os erros materiais que, porventura, agravarem incorretamente a exigência fiscal. Diante do papel da multa qualificada no ordenamento jurídico, é inegável seu caráter de matéria de ordem pública. A rigor, a aplicação de penalidades tributárias são matérias de ordem pública, pois, o Estado não pode punir indevidamente os administrados, por imperativo do art. 37, caput, da CF/88 e art. 2º, parágrafo único, I, VI e IX da Lei nº 9.784/99. As questões de ordem pública são aquelas que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do art. 303, II e III do CPC/73 e, 342, II e III do CPC/2015. A aplicação de penalidade, sendo matéria de ordem pública, integra a lide de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo julgador, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão. O CARF já se manifestou nesse sentido, vejase: MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DA MULTA DE PENALIDADE. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública podem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenha sido objeto do recurso voluntário. Isso se aplica à exigência de penalidades, dentre elas a multa de oficio isolada por falta de recolhimento do tributo por estimativa, que foi lançada em concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no anocalendário. Embargos conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão nº 1402000.246, julg. 04/08/2010. Não vislumbro os elementos que legitimam a aplicação da qualificadora, uma vez que a omissão de valores em DCTF não caracteriza o intuito doloso, se a própria Autoridade lançadora se socorre, para a lavratura do feito, da escrituração fiscal do contribuinte, sem contestálos. Isso porque a lavratura do auto está fundada no livro RIPI do sujeito passivo, tido como apto e legítimo pela fiscalização. Logo, a contagem do prazo de decadência do direito de constituir o crédito Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 466 13 tributário deve ser regida pela regra do art. 150, §4°, do CTN. A notificação do lançamento se deu em 09/10/2012. Logo, houve a decadência dos períodos de 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007. Remanescem para cobrança os fatos jurídicotributários de 31/10/2007, 30/11/2007 e 31/12/2007, com multa de 75%. IV. Multa e juros de mora confiscatórios Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Quanto à Selic, a Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício, a falta de recolhimento do IPI, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício de multa. A caracterização da multa de ofício e juros de mora com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deve ser afastado também esse pleito da Recorrente. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a ocorrência de decadência dos períodos de 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007; bem como afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 467 14 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Redator Apesar do excelente voto da relatora, divirjo quanto à questão do cabimento ou não da qualificadora da multa lançada, desta decorrendo o tratamento da decadência aplicável. O Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator do voto vencedor no presente acórdão. Como bem trouxe a relatora, a autuação assim justificou a aplicação da multa qualificada: Como amplamente demonstrado, o sujeito passivo no ano calendário de 2007 informou em DCTF/DACON e DIPJ, reiteradamente por 12 meses, valores muito inferiores àqueles que escriturou em seus livros contábeis e fiscais. Não fosse a intervenção fiscal, por certo as quantias ora autuadas estariam definitivamente inumadas pelo instituto da decadência, o que nos leva a concluir que, em tese, a conduta do contribuinte, tendente a impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, por quase 5 (cinco) anos, foi dolosa e visou o enriquecimento próprio em detrimento do pagamento dos impostos e contribuições devidos. Pelo exposto, considerando que a conduta do contribuinte, subsomese aos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1.964, combinados com o art. 1º, incisos I e II, da Lei nº 8.137/90; sujeitase o contribuinte à qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Ao meu sentir, resta clara a conduta dolosa nos termos dos dispositivos citados, tendo em conta a grande discrepância entre os valores ofertados nas declarações em pauta e a reiteração por 12 meses. Tal quadro fático só pode advir de atividade consciente no ato de declarar, não se tratando de mero erro. Vale citar decisões deste Conselho em situações as quais entendo tratam de situações similares: MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. A apresentação reiterada (4 anos) de declarações com valores ínfimos de receita bruta se comparados com o declarado ao Fisco Estadual, além da apresentação de declaração zerada constitui sonegação, justificando a qualificação da multa de oficio. (CARF, 1ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 1301002.321, de 26/07/2017, rel. Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho). Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10880.728594/201254 Acórdão n.º 3301004.787 S3C3T1 Fl. 468 15 RECURSO VOLUNTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO REGISTRADA E NÃO DECLARADA. CONDUTA DOLOSA. SONEGAÇÃO FISCAL. PROVA DIRETA. MULTA QUALIFICADA MANTIDA. Restando caracterizada e comprovada a conduta intencional tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como de suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante conduta de omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias, mantémse a qualificação da multa de ofício. (CARF, 1ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 1301003.064, de 17/05/2018, rel. Conselheiro Nelson Kichel). Por decorrência, a decadência do direito de constituir crédito tributário em havendo dolo regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, pela exceção da parte final do art. 150, §4°, do mesmo Diploma, de forma que o lançamento sob julgamento não é atingido pelo instituto. Assim, pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nesses pontos. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Redator Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926613/2016-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 13 /2 01 6- 96 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10680.926613/201696 Acórdão n.º 3301004.946 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.528. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.926613/201696 Acórdão n.º 3301004.946 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10680.926613/201696 Acórdão n.º 3301004.946 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.926613/201696 Acórdão n.º 3301004.946 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10680.926613/201696 Acórdão n.º 3301004.946 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 323DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.926618/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2015
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 18 /2 01 6- 19 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10680.926618/201619 Acórdão n.º 3301004.951 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.533. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.926618/201619 Acórdão n.º 3301004.951 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10680.926618/201619 Acórdão n.º 3301004.951 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.926618/201619 Acórdão n.º 3301004.951 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10680.926618/201619 Acórdão n.º 3301004.951 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 323DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.005497/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
Numero da decisão: 2402-006.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
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Recorrente TGM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes destas relações de emprego. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 54 97 /2 00 9- 71 Fl. 1086DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0339.508 (fls. 836 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de crédito tributário constituído contra a empresa MENEGOTTI FORMAS ME TÁLICAS LTDA, por meio do auto de infração DEBCAD n° 37.225.1943, no valor de R$ 1.142.554,06, consolidado em 23/11/2009, relativo às competências 01/2005 a 03/2009. Os valores levantados no AI n° 37.225.1943, são referentes às contribuições previdenciárias devidas pela empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e sobre as remunerações pagas ou Creditadas aos segurados contribuintes Individuais (EMPRESA), e às contribuições devidas para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), tudo conforme legislação constante do relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 47/49) e do Relatório Fiscal (fls. 51/86). Segundo consta do Relatório Fiscal (fls. 51/86), a empresa fiscalizada é a Menegotti Formas Metálicas Ltda, cuja atividade é a fabricação de máquinas e equipamentos para uso industrial específico. Os valores constantes do lançamento referemse às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, pela empresa PAMAX. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 3 3 Conforme relatado, a empresa PAMAX nunca existiu de fato e sua constituição teve a finalidade de diminuir a incidência tributária sobre a empresa Menegotti Formas Metálicas Ltda. Conforme relatado pela fiscalização, a empresa PAMAX nunca existiu de fato como entidade empresarial autônoma, não incorre no risco da atividade econômica, pois sempre operou no interior da empresa Menegotti exclusivamente sob controle desta. A conclusão é que sua existência é meramente formal. A PAMAX foi constituída com a única finalidade de se enquadrar nos regimes tributários do SIMPLES federal (Lei 9.317/96) e, posteriormente SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006) e, nesta condição, registrar em seu nome parte dos empregados da MENEGOTTI FORMAS METÁLICAS LTDA com o intuito de não reconhecer as contribuições sociais da empregadora sobre a folha de pagamento. Esta prática se deve ao fato de a empresa Menegotti estar impossibilitada de aderir ao regime do SIM_PLES, uma vez que seu faturamento é muito superior aos limites impostos. Embora não tenha sido objeto desta fiscalização, consta no Relatório Fiscal a informação de que foram constatados indícios de que a empresa BOPREL (atualmente inativa) exercia o mesmo papel junto à Menegotti até 2002/2003, sendo nesta época substituída pela PAMAX. A fiscalização faz uma síntese dos elementos de convicção que a levaram a concluir que a existência da empresa PAMAX é meramente formal, se prestando apenas para registrar parte dos trabalhadores da MENEGOTTI e para aderir ao sistema tributário SIMPLES, vejamos: estabelecimento no mesmo local; mesmo objeto social, acrescentandose na PAMAX a prestação de serviços de industrialização; constituição de empresa industrial (PAMAX) por capital social irrisório de R$ 2.000,00; inclusão fraudulenta de empregados e exempregados, bem como o filho dos sócios proprietários da MENEGOTTI, no quadro societário da PAMAX; constituição de procuração " em favor do sócio proprietário da MENEGOTTI, com amplos poderes para gerir e representar a PAMAX, inclusive os especiais, por prazo determinado; movimentação de empregados entre as empresas MENEGOTTI, BOPREL e PAMAX, mediante demissão e posterior admissão; adesão da PAMAX aos regimes tributários do SIMPLES; chamamento conjunto das empresas em demandas trabalhistas de exempregados sob alegação de existência de grupo econômico e/ou unicidade empresarial entre as demandadas; alegação em ação trabalhista, pelo exgerente administrativo MAURO AUGUSTO MINELLI, de sua inclusão fraudulenta no quadro societário da PAMAX para fins de sonegação fiscal e supressão de direitos trabalhistas; inexistência de máquinas, equipamentos e instalações da PAMAX; em verificação na contabilidade constatouse, entre outros, os seguintes fatos: os únicos saldos relevantes nos balanços patrimoniais da PAMAX são o caixa, direitos e obrigações relacionados à mãodeobra, tributos e transações com a Fl. 1088DF CARF MF 4 MENEGOTTI (recebimento por serviços prestados, única fonte de receita da PAMAX, sem o correspondente custo dos serviços prestados); inexistência de despesas de funcionamento como energia, água, telefone, aluguel; confusão patrimonial onde a MENEGOTTI arcou com despesas e benefícios dos empregados registrados na PAMAX. simulação de prestação de serviços de industrialização, onde a PAMAX (prestadora) recebia as mercadorias, industrializava (mesmo sem dispor de meios) e devolvia à contratante MENEGOTTI com a cobrança pelos serviços; foi firmado contrato entre a empresa Menegotti Formas Metálicas Ltda e PAMAX Indústria de Formas Ltda, cujo objeto é a execução de serviços relacionados a atividade fim da contratante (Menegotti). Pela leitura das cláusulas contratuais, verificase que o fornecimento da matéria prima, materiais e equipamentos, bem como a responsabilidade técnica pela execução dos serviços é da Menegotti. Por esta razão, a fiscalização concluiu que a PAMAX não passa de fornecedora de mãodeobra para a Menegotti, para atuar em sua atividade fim. Por estes motivos e pelo conjunto probatório, composto pelas informações constantes do Relatório Fiscal (fls 51/86) e documentos juntados aos autos (fls. 87/694), a fiscalização concluiu que o vínculo dos segundos empregados (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) se deu efetivamente com a empresa MENEGOTTI, constatando a presença dos requisitos do art. 3° da CLT, quais sejam, a pessoalidade, a não eventualidade, asubordinação, a alteridade e a onerosidade. O que ocorreu, segundo a fiscalização, foi a interposição de empresa fictícia (PAMAX) entre os empregados e o empregador de fato. DO LANÇAMENTO Segundo a fiscalização, ficou evidenciado que a empresa não registrou em sua contabilidade a remuneração de todos os segundos a seu serviço, haja vista que uma parte dos segurados foi registrada em empresa diversa, mas prestavam serviço à autuada mediante contratos de prestação de serviços simulados (entre Menegotti e PAMAX). A fiscalização também concluiu que a empresa PAMAX, optante pelo SIMPLES, foi criada e utilizada para registrar em seu nome parte dos empregados da MENEGOTTI, deixando de reconhecer indevidamente as contribuições sociais sobre as remunerações dos segurados, a cargo do empregador. Pelos motivos acima expostos, a fiscalização considerou os segurados formalmente registrados na PAMAX, para fins previdenciários, segurados vinculados à empresa onde de fato prestaram serviços, a MENEGOTTI. Foram feitos os levantamentos FPI, FP2 e FP3, os salários de contribuição foram apurados por aferição indireta, com base nas Guias de Recolhimento e Informações a Previdência Social — GFIPs da PAMAX no período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha RELAÇÃO DE EMPREGADOS FORMALMENTE REGISTRADOS NA PAMAX E REMUNERAÇÕES. Os levantamentos RAI, RA2 e RA3, são referentes aos pagamentos feitos aos administradores da PAMAX, que foram considerados remunerações a Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 4 5 empregados feitos pela MENEGOTTI, pois os recursos são desta empresa (via simulação de transações) e os administradores eram, na mesma época, empregados da MENEGOTTI (mais o filho dos sócios proprietários), além disso, os administradores da MENEGOTTI que de fato geriam a PAMAX. Os salários de contribuição foram apurados por aferição indireta com base nas GFIPs da PAMAX, do período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha RELAÇÃO DE SEGURADOS AUTOENQUADRADOS COMO DIRIGENTES E SUAS REMUNERAÇÕES. Os levantamentos LSI, LS2 e LS3, são referentes aos pagamentos feitos aos sócios, enquadrados pela fiscalização como remunerações feitas pela MENEGOTTI a empregados, a título de distribuição de lucros. Os salários de contribuição foram apurados por aferição indireta, com base nos dados dos registros contábeis da PAMAX, do período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha RELAÇÃO DE REMUNERAÇÕES A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DA PAMAX. O fato de considerar como pagamento de salários, os valores distribuídos aos sócios da PAMAX, se deve ao fato de os recursos para o pagamento serem da MENEGOTTI. Os sócios, na verdade eram empregados desta empresa (MENEGOTTI) que foram chamados a ingressar no quadro societário da PAMAX, de forma fraudulenta, mediante o aporte irrisório de R$ 1.000.00. O reclamante MAURO AUGUSTO MINELLI nos autos da Ação Trabalhista n° 1099/2008 explicita esta situação. Por último, os levantamentos DV1, DV2 e DV3, são referentes a despesas realizadas com cartão de crédito da "American Express", que foram consideradas prólabore indireto, pois segundo a fiscalização os documentos examinados indicam que foi o sócio proprietário e/ou sua família que realizaram os gastos. Os salários de contribuição foram apurados com base nos registros contábeis da MENEGOTTI do período de 01/2005 a 03/2009, conforme planilha DESPESAS COM CARTÃO DE CRÉDITO SEM COMPROVAÇÃO DE FINALIDADE. Por fim, em razão das alterações trazidas pela da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, em observância ao disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e em cumprimento ao disposto na Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 14, de 4 de dezembro de 2009, foi aplicada a penalidade mais benéfica, conforme o demonstrativo da comparação na planilha "Comparativo entre as penalidades antes e depois da MP 449/2008". Nesta fiscalização foram lavrados, além deste auto de infração, os autos de infração AIOP 37.225.1951 (segurados) e 37.225.1960 (terceiros) e os MOA 37.225.1927 e 37.225.1935. IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 25/11/2009, a empresa apresentou impugnação às fls. 697/713, em 22/12/2009, alegando, em síntese que: Fl. 1090DF CARF MF 6 A impugnante contesta o fato de a fiscalização ter considerado que há uma unicidade entre as empresas Menegotti e Pamax e de ter lançado contribuições previdenciárias sobre os salários pagos aos segurados registrados na empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. Segundo a impugnante, embora as empresas atuem no mesmo ramo, são empresas distintas, tendo cada uma personalidade jurídica própria, não fazendo parte sequer de um mesmo grupo econômico. As empresas exercem suas atividades produtiva, financeira ou administrativa, em galpões separados, conforme fotos anexas, com funcionários próprios e contabilidade completamente independente, possuindo livros e registros próprios. Alega ainda que o quadro societário das empresas é completamente distinto e que o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierslci (sócio da Pamax) ser filho dos sócios da impugnante, de forma alguma pode levar à conclusão de que há unicidade entre as empresas, como enseja a fiscalização. Ressalta que todos os empregados da Pamax Indústria de Formas Ltda foram devidamente registrados e as contribuições previdenciárias incidentes sobre seus salários foram efetivamente pagas conforme comprovantes de pagamento anexados. A empresa alega que a opção pelo Simples foi realizada em total observância à Lei 9.317/96, de forma que a empresa tem direito de efetuar os recolhimentos por meio do referido sistema. Confirma o fato a postura adotada pelo auditor fiscal, que ao invés de excluir a empresa do SIMPLES desconsiderou sua personalidade jurídica. Alega que o auditor fiscal se baseou em indícios e que houve uma ilegal desconsideração da personalidade jurídica. Insurge a empresa contra o arbitramento efetuado, uma vez que possui contabilidade regular que lhe faz prova a favor. A impugnante alega que a autoridade fiscal não detém competência para efetuar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa PAMAX ENDUSTRIA DE FORMAS LTDA, desconsiderando por conseguinte, todas as declarações prestadas e pagamentos efetuados, para autuar a impugnante como devedora das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários dos empregados registrados na PAMAX. A empresa reclama o aproveitamento dos créditos recolhidos pela empresa PAMAX por meio de Documento de Arrecadação Federal DARF e Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS, alegando com isto haver enriquecimento ilícito do fisco. Por fim, requer: a) seja julgada procedente a impugnação com o cancelamento do presente auto de infração por ilegalidade no arbitramento; Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 5 7 b) a apropriação dos valores efetivamente recolhidos pela PAMAX INDÚSTRIA DE FORMAS LTDA; c) requer a produção de todos os meios de prova, especialmente a documental anexa. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa do Acórdão nº 0339.508 abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2009. SIMULAÇÃO NA CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constatado pela fiscalização que a contratação de serviços ocorre de forma simulada, apenas para burlar o fisco, correto o enquadramento dos empregados e contribuintes individuais na empresa a que estão materialmente vinculados. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS POR EMPRESAS INTERPOSTAS. Inexiste autorização para que os recolhimentos efetuados por empresas interpostas sejam abatidos em processo de lançamento fiscal lavrado contra terceira empresa, verdadeiro sujeito passivo da obrigação. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (de fls 849 e seguintes), por meio do qual reiterou os argumentos defensivos aduzidos na impugnação apresentada. Às fls. 874, o contribuinte peticiona esclarecendo que, conforme requerido no recurso voluntário, apresenta os documentos extraídos dos autos do Processo Administrativo n° 10920.005669/200914 que que comprovam a existência de fato da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Nos termos do relatório supra, a ação fiscal desenvolvida evidencia, segundo a Fiscalização, a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições previdenciárias (cota patronal), por meio da constituição de CNPJ em nome de interpostas pessoas (parentes e empregados) pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES. Fl. 1092DF CARF MF 8 A manutenção de empresa ME/EPP tem por objetivo registrar parte dos empregados em firmas contempladas pela LC 123/2006 e, assim, deixar de recolher as contribuições (patronal) sobre a folha de pagamento dos empregados registrados nesses CNPJ, bem como as destinadas ao SAT. A irresignação do contribuinte, em linhas gerais, gira em torno do fato de ter sido desconsiderada a personalidade jurídica da empresa vinculada Pamax Indústria de Formas Ltda e, como consequência, terem sido lançadas as contribuições previdenciárias em seu nome, assumindo se que os empregados contratados formalmente pela Pamax de fato prestaram serviços à ora Recorrente. Cingese, pois, a controvérsia, no caso concreto, em verificar se houve simulação (ou não) na instituição da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. Pois bem!! No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora constatou diversas situações e circunstâncias fáticas, devidamente consignadas no Relatório Fiscal (fls. 52 e seguintes), que respaldam a ocorrência de simulação consubstanciada na utilização, pela empresa Autuada, da empresa Pamax, na condição de interposta, com o fito de reduzir os encargos tributários previdenciários, usufruindo dos benefícios do regime de tributação Simples, mediante vinculação dos segurados empregados desta última (Pamax) à primeira (TGM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA). Nesse sentido, assim concluiu a fiscalização (fls. 24): (...) concluise que a PAMAX não existe de fato como entidade empresarial autônoma, não incorre no risco da atividade econômica, pois sempre operou no interior, da MENEGOTTI exclusivamente sob controle esta. Logo, sua existência é apenas formal. Ela foi constituída com a única finalidade de se enquadrar nos regimes tributários do SIMPLES FEDERAL (Lei n°9317/1996) e, posteriormente, SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006) e, nesta condição, registrar em seu nome parte dos empregados da MENEGOTTI com o intuito de não reconhecer as contribuições sociais dos empregadores sobre a folha de pagamento. Tudo isto, em razão da MENEGOTTI estar impossibilitada de aderir ao regime do SIMPLES, seu faturamento é muito superior aos limites impostos. 3.13.2. Neste contexto, os registros de segurados em nome da PAMAX também eram apenas formais, pois na realidade estes prestaram serviços à MENEGOTTI. 3.13.3. Para justificar a existência formal de segurados em nome da PAMAX, bem como os pagamentos das remunerações, encargos e benefícios desta mão de obra, as empresas forjaram contratos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, figurando a PAMAX como prestadora. Assim, os recursos financeiros eram transferidos da MENEGOTTI à PAMAX sob os títulos de pagamentos pelos "serviços prestados". 3.13.4. Todos os elementos encontrados nas empresas fiscalizadas, bem como em outras fontes, conforme exposto já neste relatório, apontam nesta direção. Para melhor entendimento, expõese a seguir uma síntese dos elementos de convicção: a.) Estabelecimento no mesmo local; b.) Mesmo objeto social, acrescentandose na PAMAX a prestação de serviços de industrialização; c.) Constituição de empresa industrial (PAMAX) por capital social irrisório de R$ 2.000,00; d.) Inclusão fraudulenta de empregados e exempregados, bem como o filho dos sócios proprietários da MENEGOTTI, no quadro societário da PAMAX; Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 6 9 e.) Constituição de procuração em favor do sócio proprietário da MENEGOTTI, com amplos poderes para gerir e representar a PAMAX, inclusive os especiais, por prazo indeterminado; f.) Movimentação de empregados entre as empresas MENEGOTTI, BOPREL e PAMAX, mediante demissão e posterior admissão; g) Adesão da PAMAX aos regimes tributários do SIMPLES; h.) Chamamento conjunto das empresas em demandas trabalhistas de exempregados sob alegação de existência grupo econômico e/ou unicidade empresarial entre as demandadas; i.) Alegação em ação trabalhista, pelo exgerente administrativo MAURO AUGUSTO MINELLI, de sua inclusão fraudulenta no quadro societário da PAMAX para fins de sonegação fiscal e supressão de direitos trabalhistas; j.) Inexistência de máquinas, equipamentos e instalações na PAMAX; k.) Os únicos saldos relevantes dos balanços patrimoniais (ativo e passivo) da PAMAX são o caixa, direitos e obrigações relacionados à mãodeobra (salários e honorários, encargos e benefícios), tributos e "transações" com a MENEGOTTI; l.) As receitas da PAMAX são oriundas exclusivamente da MENEGOTTI, mediante "prestação de serviços", sem existência de custos dos serviços prestados e destinadas apenas às despesas abaixo; m.) As únicas despesas são as relacionadas à mão de obra (salários e honorários, encargos e benefícios) e tributos; n.) Inexistência, por quase todo o período, de despesas essenciais ao funcionamento, como energia elétrica, água, comunicações, aluguel de local; o.) Confusão patrimonial entre a MENEGOTTI e PAMAX, onde a primeira arcou com despesas e benefícios dos empregados registrados na segunda; p.) Simulação de prestação de serviços de industrialização, onde a "prestadora" PAMAX "recebia" as mercadorias, "industrializava" (mesmo sem dispor de meios), e "devolvia" à "contratante" MENEGOTTI com a cobrança pelos serviços. As situações e circunstâncias fáticas, minuciosamente detalhadas e comprovadas no Relatório Fiscal (fls. 52/87), bem assim abordadas na decisão recorrida, afastam quaisquer dúvidas quanto ao liame que vincula as empresas citadas, que, na verdade, tratamse de uma única empresa e não duas como aparentam ser, mediante simulação de terceirização que desmembrou atividades. Nesse contexto, resta caracterizada a simulação, impondose a desconsideração da relação meramente formal constatada pela autoridade lançadora, privilegiandose a real vinculação da Recorrente com os trabalhadores que lhe prestaram serviços, não obstante o registro laboral junto à empresa aparentemente "terceirizada". Sobre o tema, este colegiado, em recente julgado da relatoria do Conselheiro Luis Henrique Dias Lima (PAF 11065.003144/201060), por unanimidade de votos, assim se manifestou naquela oportunidade: Com efeito, respaldada na legislação, não há óbice para que a autoridade lançadora desconsidere a existência de certos negócios ou situações jurídicas, formalmente existentes entre os trabalhadores das empresas envolvidas, vez que os arts. 114, 116 e 149 do CTN permitem a busca da realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, com fulcro na constatação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador, culminando com o poder de requalificar o Fl. 1094DF CARF MF 10 negócio aparente entre as três empresas em tela, visando à apuração e cobrança do tributo efetivamente devido. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fundase a argumentação da Recorrente no fato de a autoridade lançadora ter tratado como ilícitos atos que, no seu entendimento, caracterizamse elisão fiscal e não evasão fiscal. De fato, é cediço que é tênue linha que distingue o direito legítimo do contribuinte de organizar a sua empresa, com base na livre e na autonomia negocial, do poder do EstadoFiscal considerar tais disposições ineficazes, a partir de pressupostos fáticos lastreados em fraude, abuso de forma e simulações. É oportuna a definição de simulação, na seara tributária, conferida pela jurisprudência do TRF4 e STJ, nos julgados sumarizados nas ementas abaixo reproduzidas: "INCORPORAÇÃO. AUTUAÇÃO. ELISÃO E EVASÃO FISCAL. LIMITES. SIMULAÇÃO.EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. 1. Dáse a elisão fiscal quando, por meios lícitos e diretos o contribuinte planeja evitar ou minimizar a tributação. Esse planejamento se fundamenta na liberdade que possui de gerir suas atividades e seus negócios em busca da menor onerosidade tributária possível, dentro da zona de licitude que o ordenamento jurídico lhe assegura. 2. Tal liberdade é possível apenas anteriormente à ocorrência do fato gerador, pois, uma vez ocorrido este, surge a obrigação tributária. 3. A elisão tributária, todavia, não se confunde com a evasão fiscal, na qual o contribuinte utiliza meios ilícitos para reduzir a carga tributária após a ocorrência do fato gerador. 4. Admitese a elisão fiscal quando não houver simulação do contribuinte. Contudo, quando o contribuinte lança mão de meios indiretos para tanto, há simulação. 5. Economicamente inviável a operação de incorporação procedida (da superavitária pela deficitária), é legal a autuação. 6. Tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, restando demonstrado claramente que, de fato, esta "absorveu" a deficitária, e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas a fim de serem aproveitados os prejuízos fiscais da empresa deficitária, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada, e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação. 7. Não há fraude no caso: a incorporação não se deu mediante fraude ao fisco, já que na operação não se pretendeu enganar, ocultar, iludir, dificultando ou mesmo tornando impossível a atuação fiscal, já que houve ampla publicidade dos atos, inclusive com registro nos órgãos competentes. 8. Inviável economicamente a operação de incorporação procedida, tendo em vista que a aludida incorporadora existia apenas juridicamente, mas não mais economicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, a fim de serem aproveitados seus prejuízos fiscais cujo aproveitamento a lei expressamente vedava. 9. Uma vez reconhecida a simulação deve o juiz fazer prevalecer as consequências do ato simulado no caso, a incorporação da superavitária pela deficitária, consequentemente incidindo o tributo na forma do regulamento não havendo falar em inexigibilidade do crédito, razão pela qual a manutenção da decisão que denegou a antecipação de tutela pretendida se impõe. (grifei) Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 7 11 (TRF4 AG: 44424 RS 2004.04.01.0444240, Relator: DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Data de Julgamento: 30/11/2004, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 26/01/2005 PÁGINA: 430)" "PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ. 1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa Supremo Industrial e Comercial Ltda. formalmente incorporou Suprarroz S/A (posteriormente incorporada pela Recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Supremo pela Suprarroz), seria impossível a compensação de prejuízos realizada, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. 4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados (Supremo) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a Recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da Suprarroz (empresa financeiramente sólida) pela Supremo (empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de Supremo e Suprarroz, a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ REsp: 946707 RS 2007/00926564, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/08/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: > DJe 31/08/2009)" No caso concreto, a autoridade lançadora, para fins tributários, deu prevalência à essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores das empresas IBS e IM de forma interposta, com vistas ao fracionamento dos respectivos faturamentos e Fl. 1096DF CARF MF 12 consequente redução das contribuições previdenciárias a recolher, haja vista a opção das empresas IBS e IM pelo regime de tributação Simples. A valoração jurídica das situações e circunstâncias fáticas efetuada pela Fiscalização da RFB, e corroborada pela decisão recorrida, revela posição avançada sobre o conteúdo do conceito jurídico de simulação previsto no art. 167 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. Restou evidenciado, no caso em tela, o confronto da visão globalizante, material e causalista em face da tradicional visão formalista e voluntarista de simulação sustentada pelo Recorrente. Nessa perspectiva, prevaleceu o conceito amplo de simulação, que, na sua essência, privilegia aspectos econômicos e operacionais, na medida em que a autoridade lançadora examinou, no caso em apreço, a causa concreta dos negócios, comparandoa com a causa típica ou a finalidade prática para a qual os negócios jurídicos foram engendrados pelo ordenamento jurídico, avaliando as operações em sua totalidade com o fito de aferir o quanto artificiosos e ausentes de substrato jurídico efetivo podem ter sido os atos e os negócios jurídicos praticados pelas empresas Saturno, IBS e IM. (...) Por sua vez, o Direito Tributário, apesar de constituirse microssistema formado por um complexo conjunto de normas, não é hermético, nem indiferente aos demais ramos do Direito. Assim, nenhum óbice se opõe à autoridade lançadora buscar conceitos, definições e conteúdos em outros ramos do Direito visando a fortalecer a sua argumentação para fins da constituição do crédito tributário, com mais razão ainda quando o Direito em questão é fundamental à compreensão do suporte fático da hipótese de incidência tributária, conforme evidenciase nos autos o Enunciado TST 331 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) DecretoLei n. 5.452/1943. (...) Outrossim, o princípio da primazia da realidade ou da verdade real, não obstante a sua ampla aplicação na seara justrabalhista, não é incompatível com o Direito Tributário, como sugere o Recorrente. Bem ao contrário, mantém estreita vinculação com o princípio da verdade material, tão festejado na seara tributária. Com efeito, o princípio da primazia da realidade ou da realidade dos fatos visa à priorização da verdade real em face da verdade formal, enquanto que o princípio da verdade material busca a realidade dos fatos, conforme ocorrida. Como se observa, a proximidade conceitual e teleológica é óbvia, o que dispensa maiores ponderações. Como se vê, a situação fáticajurídica objeto do susodito julgado assemelhase àquela ora em análise, razão pela qual adoto, nesta oportunidade, a fundamentação jurídica acima reproduzida, já apreciada e acolhida por este colegiado, por ocasião do julgamento do processo nº 11065.003144/201060. Sobre o tema, a DRJ sinalizou que: Primeiramente é preciso esclarecer que, embora as empresas possuam formalmente funcionários próprios, contabilidade e registros separados, de fato o que se conclui é que Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 8 13 o verdadeiro vínculo dos segundos se estabelece com a empresa MENEGOTTI como amplamente demonstrado no Relatório fiscal (fls. 51/86) e documentos (fls. 87/694). A fiscalização não desconsiderou a contabilidade da empresa como afirma a impugnante, muito pelo contrário, o auditor fiscal fez a análise dos fatos baseada na contabilidade da empresa PAMAX, onde verificou no Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado referentes aos anos de 2005/2006/2007 (fls. 395/441), que a empresa não possui em seu patrimônio maquinário próprio e nem capital suficiente para empreender um negócio da envergadura do operado por ela, qual seja, a manufatura de máquinas e equipamentos para a construção civil. A empresa PAMAX tem como, única cliente a empresa MENEGOTTI, empresa da qual provém todo seu faturamento. Os lançamentos mensais referemse unicamente a despesas com funcionários e recebimento pelos "serviços prestados" à empresa MENEGOTTI conforme contrato firmado entre as duas empresas (fls. 328/331). Como se pode verificar, a fiscalização não agiu de forma ilegal, mas baseada em documentos fornecidos pela própria empresa. (...) A impugnante tentou comprovar que as empresas funcionam em locais distintos por meio de fotos (fls. 812/816) e Contrato de posse provisória com possibilidade de doação de área de terras pelo município de Corupá à empresa PAMAX INDÚSTRIA DE FORMAS LTDA (fls. 717/720). Contudo, as fotografias apresentadas não lograram comprovar que as empresas funcionam em local distinto, até porque se pode visualizar um local bem parecido tanto nas fotos da empresa PAMAX, quanto na da empresa MENEGOTT1, mas sem chegar a uma conclusão definitiva sobre o fato de serem locais distintos, de forma que a prova não se mostra suficiente para o convencimento. Quanto ao contrato de posse provisória juntado às fls. 717/720 demonstra apenas uma doação de terras no Condomínio Industrial Lauro Carneiro de Loyola, com a cláusula obrigacional de iniciar as obras de construção no prazo de 12 (doze) meses da assinatura do contrato (fumado em 01/04/2008), o que não comprova efetivamente o endereço de funcionamento da empresa. Ademais, em consulta ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ da empresa PAMAX, (fl. 818) verificase que a empresa encontrase INAPTA desde 17/01/2001. Segundo consta do Relatório Fiscal, a sede social da empresa PAMAX, de acordo com o contrato social e alterações posteriores, sempre foi à Rua Progresso, S/N, lote 2C, Bairro Condomínio Industrial, Corupá/SC. Sendo este o endereço informado no CNPJ e demais declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil. Já a empresa MENEGOTTI está situada à Rua Progresso 221, Bairro Distrito Industrial, Corupá/SC, conforme contratos e CNPJ. Ocorre que a fiscalização, em verificação in loco, constatou que os endereços acima se confundem, tratandose do mesmo local de fato, localizado no interior do Condomínio Industrial Lauro Carneiro de Loyola (coincidentemente, o mesmo que consta do contrato de doação da PAMAX), no município de Corupá/SC. Como se verifica, as provas apresentadas não são suficientes para comprovar que as empresas funcionam em local distinto. Fl. 1098DF CARF MF 14 É de se lembrar contudo, que o auditor fiscal não se baseou unicamente neste fato para considerar que a empresa PAMAX não tem condições de operar sem a empresa MENEGOTTI, conforme elementos constantes do Relatório Fiscal e farta documentação juntada aos autos. A impugnante alega ainda que o quadro societário das empresas é completamente distinto e que o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierski (sócio da Pamax) ser filho dos sócios da impugnante, de forma alguma pode levar à conclusão de que há unicidade entre as empresas. Quanto a este ponto, conforme descrito no Relatório Fiscal (fls.54/55) todos os sócios e exsócios da empresa PAMAX foram ou são empregados da MENEGOTTI, PAMAX ou BOPREL (empresa que funcionou nos mesmos moldes da PAMAX e está inativa desde 2004), tudo conforme documentos juntados às fls.684/694. Ademais, consta procuração da empresa PAMAX em favor de Álvaro Kasmierski (fls. 324/327), sócio da MENEGOTTI, conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar todos os seus bens, direitos e interesses. Esta procuração foi revogada em 03/05/2007, coincidentemente com a época em que seu filho, o Sr. Thiago Villela Kasmiersk ingressa como sócio na PAMAX. Desse modo, demonstrase que não foi o simples fato de o Sr. Thiago Vilela Kasmierski ser filho dos sócios da impugnante que levou à conclusão de que a empregadora de fato é a empresa MENEGOTTI. (...) Assim, ficou demonstrado que o que ocorreu foi uma simulação, uma vez que a empresa PAMAX INDÚSTRIA DE FORMAS LTDA não existia de fato, embora tivesse sua existência jurídica formalizada. Registrese, pela sua importância, que o contribuinte, no recurso voluntário apresentado, traz afirmações expressas que confirmam o quanto já exposto no presente voto, conforme se infere dos excertos abaixo reproduzidos: “10. Ora, a empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. foi constituída com o objetivo de assumir parte dos serviços de industrialização da Recorrente, isto é fato!” “12. Nesse sentido, o contrato particular de prestação de serviços demonstra, claramente, que a empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. presta serviços de industrialização dos produtos vendidos pela Recorrente, especialmente moldes metálicos para artefatos de concreto prémoldado, outros produtos e equipamentos.” “14. Nesse diapasão, é importante destacar que a terceirização de parte do serviço de industrialização da Recorrente, justamente, se deu com o objetivo de diminuir custos de produção. Jamais, houve a intenção de fraudar o Fisco.” “15. O ingresso de exempregados da Recorrente e do filho do sócio da referida empresa no quadro societário da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda. apenas vem a corroborar que a intenção foi, de fato, terceirizar os serviços de industrialização.” “16. Nessa mesma senda é que foi outorgada procuração para o sócio da Recorrente pela empresa Pamax Indústria de Formas Ltda., já que, durante algum tempo, se fez Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10920.005497/200971 Acórdão n.º 2402006.615 S2C4T2 Fl. 9 15 necessária a transferência da expertise relativa ao processo de industrialização (instrumento de revogação lavrado em 2007).” “17. Diversamente do que consta do v. Acórdão recorrido, o fato da empresa Pamax Indústria de Formas Ltda., em conformidade com o contrato firmado com a Recorrente, dispor de seu maquinário, orientações técnicas e instalações, não afasta a sua existência de fato, conquanto comprovada a efetiva industrialização por encomenda.” Neste contexto, concluise pela perfectibilidade da decisão de primeira instância neste particular. Da Desconsideração dos Pagamentos Efetuados – Enriquecimento Ilícito do Fisco Aduz a Recorrente que a autoridade fiscal deveria proceder à compensação dos tributos já recolhidos na modalidade de pagamento do SIMPLES pela empresa Pamax. Razão não assiste à Recorrente. No Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, estão incluídos os seguintes impostos e contribuições: Federais: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para a Seguridade Social. Estaduais: Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS. Municipais: Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS. O ingresso de empresa no Simples Nacional implica o recolhimento mensal por meio de DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional. O recolhimento da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais é efetuado mediante Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS. Ocorre que consoante o parágrafo 10º do art. 21, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – Simples Nacional, os créditos apurados no Simples Nacional não poderão ser utilizados para extinção de outros débitos para com as Fazendas Públicas, salvo por ocasião da compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou após a exclusão da empresa do Simples Nacional. Fl. 1100DF CARF MF 16 Reforça este entendimento o disposto no § 7º art. 84, da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, a seguir reproduzido: Art. 84. (...) § 7º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Diante do exposto, está claro que os valores recolhidos pela empresa Pamax para o Simples Nacional não podem ser compensados com os valores apurados pela fiscalização neste processo. Entretanto, os valores pagos indevidamente ao Simples Nacional podem ser objeto de pedido de restituição. Conclusão Face ao exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1101DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003561/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/12/2002 a 14/01/2005
LANÇAMENTO. SUPOSTO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL.
Eventual inconsistência de identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar um vício formal ou instrumental, nos termos do artigo 10 do Decreto-Lei nº70.235/72, o vício, por conseqüência, será formal, eis que provenientes de erro de fato, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra inserida no art. 173, II, do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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SUPOSTO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL. Eventual inconsistência de identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar um vício formal ou instrumental, nos termos do artigo 10 do DecretoLei nº70.235/72, o vício, por conseqüência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra inserida no art. 173, II, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 35 61 /2 00 9- 19 Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.361 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por HUDSON IMPORTS COMPANY LTDA., na qualidade de responsável solidário a TWS INTERNACIONAL TRADE LTDA., ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra Acórdão nº 3403003.174, proferido pela 4º Câmara da 3º Turma Ordinária, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 04/12/2002 a 14/01/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do decretolei no 37/1966). IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.362 3 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à configuração de vício formal para fins de aplicação da regra do inc. II do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 3802 00.932. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso por entender que a decisão recorrida assentou que, ao contrário do entendimento expresso no acórdão nº 380200.932, de 24/04/2012 não vislumbrou erro material em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Aduziu que, ainda que se adotasse a mesma fundamentação distintiva de vícios formais e materiais do acórdão indicado, mesmo assim o vício referirseia à pressuposto de formação (procedimento estabelecido normativamente) e não a componente da estrutura interna do ato, conforme depreendese no despacho de admissibilidade, ás fls. 3346/3349. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls.3351/3357, requer que seja negado provimento ao Recurso. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratese de auto de infração lavrado em 23/10/2009 (fls. 2 a 61, com ciência à empresa “TWS” Internacional Trade LTDA em 28/01/2010 fl. 1010, figurando como responsável solidária a empresa “HUDSON” Imports Company LTDA), para exigência de multa substitutiva do perdimento (prevista no art. 23, § 3º do Decretolei no 1.455/1976), no valor de R$ 1.348.371,17, em virtude de se ter detectado que a real adquirente das mercadorias importadas pela empresa “TWS” é a empresa “HUDSON” (às fls. 31 e 32 são listadas as declarações de importações correspondentes às mercadorias consumidas e/ou não localizadas). A divergência posta a julgamento nesta E. Câmara Superior, diz respeito quanto à natureza do vício apontado no acórdão recorrido, e suas conseqüências para a contagem do prazo decadencial, uma vez que o auto de infração anteriormente lavrado (no bojo do processo administrativo nº 12466.004797/200519) foi considerado nulo pelo Acórdão nº 079.272/ 06, da DRJ/Florianópolis, entendendo o julgador que deveria ser lavrado um auto de infração específico para cada uma das exigências e respectivo imputado como responsável Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.363 4 solidário, decisão mantida em definitivo pelo CARF, no Acórdão nº 30239.912, de 12/11/2008 (fls. 7 a 16), o que se faz na segunda autuação, presente neste processo. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, assentou que, ao contrário do entendimento expresso no Acórdão nº 380200.932, de 24/04/2012 não vislumbrou erro material em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Por sua vez, a Contribuinte aduz que não se aplica o disposto no inciso II do artigo 173 do CTN, ao contrário do que fundamentou o acórdão recorrido, pois não se trata de erro formal, mas sim de erro material que ensejou a nulidade do primeiro auto de infração. Compulsando aos autos, verifico que não se trata de vício material, o Relator da decisão recorrida, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, fundamentou o decisum de modo correto e irretocável. Vejamos: "Portanto, ao contrário do entendimento expresso no Acórdão no 380200.932, de 24/04/2012 (processo referente a um dos outros 16 reais adquirentes), referido em sede recursal, estamos longe de ver erro material no presente processo, em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Ainda que adotássemos a mesma fundamentação distintiva de vícios formais e materiais naquele acórdão externada, mesmo assim visualizaríamos que o vício se refere a pressuposto de formação (procedimento estabelecido normativamente) e não a componente da estrutura interna do ato. E os precedentes utilizados naquele acórdão, e citados no recurso voluntário, não guardam relação com o caso especificamente tratado nestes autos (no qual os sujeitos passivos da segunda autuação já figuravam, com responsabilidade delimitada, na primeira autuação, não tendo o autuante atentado para o fato de que a forma eleita para lavrar a autuação em um único processo não permitiria o desmembramento das responsabilidades em relação a cada importação, e ainda cercearia o direito de defesa dos responsáveis solidários em relação às operações nas quais estes sequer tinham atuado ou adiantado recursos). Realmente, nos moldes da autuação lavrada inicialmente, por certo restaria cerceado o direito de defesa da “HUDSON”, por exemplo, em relação aos lançamentos correspondentes a importações nas quais ela sequer atuou (nem diretamente nem antecipando recursos), ou seja, em relação a R$ 7.470.609,83 lançados. Tendo em conta que o vício que ensejou a nulidade da primeira autuação foi formal, aliás, como reconhece o próprio tribunal que havia declarado a nulidade (sendo a segunda decisão da DRJ relatada por membro do colegiado que atuou na primeira, na qual se identificou a nulidade), acordamos com a DRJ que é aplicável ao caso o art. 173, II do Código Tributário Nacional, pelo que se refuta o argumento decadencial apontado. Ademais, destaquese que o argumento sobre ser material o erro ensejador da nulidade sequer é suscitado na impugnação apresentada pela “HUDSON” no presente processo, sendo na ocasião apresentada somente a alegação de que não se aplicaria o art. 173, II porque a empresa não havia Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.364 5 integrado a autuação anterior. Nas palavras da então impugnante (fl. 1032)." Como visto, não se trata de vício material, o lançamento cumpriu todos os requisitos para se formalizar o Auto de Infração: (i) subsunção dos fatos apurados, identificados no auto de infração, hipótese abstrata presente na norma jurídica instituidora do tributo; (ii) descrição dos fatos e material probatório; (iii) conclusões do auto de infração juridicamente validadas. Tais requisitos, vão ao encontro do que dispõe o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 1. Sem embargo, o procedimento administrativo que culmina na lavratura do auto de infração deve se pautar na verificação da efetiva obrigação tributária, sem o quê temse um lançamento desprovido de fundamentação legal e, por conseguinte, desprovido de motivo. Recorrendo a literatura administrativista, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 2. Com fundamento nesta classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos motivo, requisitos procedimentais e causa. Celso Antônio Bandeira de Mello3, leciona o seguinte:"o motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. 1 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. 2 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 3 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.365 6 Neste contexto, não se está diante de um mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento anterior, mas de alteração do conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN acima reproduzido. Leandro Pausen, aborda a matéria no mesmo sentido. in verbis: Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei. 4 Aqui, também, se discriminam os requisitos configuradores dos vícios formal e material; aquele atinente ao procedimento e ao documento e este relativo à validade da aplicação da norma tributária. Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 do CTN abarcam os elementos essenciais à sua constituição, cuja ausência, ainda que apenas de um deles, acarreta a invalidade da autuação e não a mera anulação por vício formal. Destarte, eventual inconsistência de identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar um vício formal ou instrumental, nos termos do artigo 10 do DecretoLei nº70.235/72, o vício, por conseqüência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra inserida no art. 173, II, do CTN. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito5, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)6 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1164. 5 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 6 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.366 7 reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 3366DF CARF MF
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