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7970473 #
Numero do processo: 13884.003020/2003-37
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IMPOSTO. ALÍQUOTA ZERO, IMUNE E NÃO-TRIBUTADO. O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero, ou não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado. EFEITO VINCULANTE DE DECISÕES DO STF. AUSÊNCIA NO CONTROLE DIFUSO. Apenas as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado de constitucionalidade têm o condão de vincular a Administração Fiscal, o que não ocorre com as decisões proferidas em Recurso Extraordinário, por encerrar controle difuso de constitucionalidade, cuja eficácia é meramente inter partes. Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.291
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA

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ementa_s : IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IMPOSTO. ALÍQUOTA ZERO, IMUNE E NÃO-TRIBUTADO. O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero, ou não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado. EFEITO VINCULANTE DE DECISÕES DO STF. AUSÊNCIA NO CONTROLE DIFUSO. Apenas as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado de constitucionalidade têm o condão de vincular a Administração Fiscal, o que não ocorre com as decisões proferidas em Recurso Extraordinário, por encerrar controle difuso de constitucionalidade, cuja eficácia é meramente inter partes. Recurso negado.

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Numero do processo: 13707.000512/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003, 2004, 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. CONVERSÃO DE RESERVA REMUNERADA EM REFORMA. São isentos do Imposto de Renda os rendimentos de reforma recebidos por portador de moléstias isentivas. A natureza dos rendimentos retroage à data da concessão retroativa da reforma.
Numero da decisão: 2301-006.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL

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MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. CONVERSÃO DE RESERVA REMUNERADA EM REFORMA. São isentos do Imposto de Renda os rendimentos de reforma recebidos por portador de moléstias isentivas. A natureza dos rendimentos retroage à data da concessão retroativa da reforma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata-se de pedido de restituição (e-fl. 2) do Imposto de Renda incidente sobre o 13º salário, relativo aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, sob alegação de ser, o contribuinte, portador de moléstia grave e perceber rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. O pedido foi negado (e-fls. 56 a 58) por ausência de prova da natureza dos rendimentos recebidos. Foi apresentada manifestação de inconformidade (e-fl. 65) na qual o contribuinte fez juntar a portaria que o reformara (e-fl.67). A manifestação de inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 05 12 /2 00 6- 64 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.567 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13707.000512/2006-64 foi indeferida (e-fls. 75 a 79) porque o ato de reforma é de 22/8/2005, posterior à percepção dos rendimentos cujo imposto retido se pleiteou a restituição. Manejou-se recurso voluntário sustentando-se que os rendimentos recebidos pelo recorrente tiveram natureza de rendimentos de reforma. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, destaco que, por força do que consta no inc. II do art. 111 do CTN, a legislação que outorga isenção somente pode ser interpretada literalmente. O inc. XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não atribui isenção aos rendimentos de militares percebidos enquanto estejam na reserva remunerada, mas apenas aos rendimentos decorrentes de reforma. Os incisos I e II da alínea b do § 1º do art. 3º da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980, distingue reserva remunerada de reforma ao tratar do militar inativo. No presente caso, a controvérsia é quanto à data em que se considera reformado o recorrente. O ato que outorgou a reforma é de 22/8/2005 (e-fl. 67), mas faz referência à reforma retroativa a 10/5/2002, quando o militar foi diagnosticado com a moléstia isentiva. O colegiado a quo entendeu que essa retroatividade não teria efeitos fiscais, dada a interpretação literal da norma que concede isenção. Entendo de forma diferente. Sem deixar de aplicar a literalidade ao dispositivo que concede a isenção, o relevante é compreender qual a natureza dos rendimentos recebidos entre 10/5/2002, data do diagnóstico da doença, e 22/8/2005, data do ato reformatório. E, ao que me parece, a natureza era de rendimentos de reforma. A reforma foi concedida pela autoridade competente, não há como questionar o ato oficial que a concedeu retroativamente, o que pressupõe todos os efeitos da reforma a partir da data de 10/5/2002, inclusive a natureza dos rendimentos e, por conseguinte, a isenção tributária. Justifico o meu entendimento com base no § 1º do art. 110 da Lei nº 6.880, de 1980, que estabelece que o militar da reserva remunerada considerado inválido terá sua reserva remunerada convertida em reforma. Ora, a Marinha do Brasil resolveu reformar o militar a partir de 2002, ainda que o ato somente ocorreu em 2005. Não pode, o contribuinte, ver-se prejudicado pela demora do serviço de pessoal do órgão em que trabalha porque demorou três anos para converter sua reserva remunerada em reforma, como exige a lei. Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.567 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13707.000512/2006-64 Por fim, destaco que os valores de restituição solicitados (e-fl. 2) não correspondem ao Imposto de Renda retido, mas aos rendimentos líquidos sujeitos à tributação exclusiva na fonte (e-fls. 8, 10 e 12). Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 92DF CARF MF

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7918924 #
Numero do processo: 13603.001550/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO COM DATA RETROATIVA. Ausência de comprovação de erro de fato. Os documentos constantes nos autos não evidenciam que a requerente teve a intenção inequívoca de aderir ao Simples.
Numero da decisão: 1402-004.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO COM DATA RETROATIVA. Ausência de comprovação de erro de fato. Os documentos constantes nos autos não evidenciam que a requerente teve a intenção inequívoca de aderir ao Simples.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 124          1 123  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.001550/2007­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­004.020  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2019  Matéria  IRPJ  Recorrente  IVANETE PRATA DE ARAUJO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2007  SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO COM DATA RETROATIVA.   Ausência  de  comprovação  de  erro  de  fato.  Os  documentos  constantes  nos  autos não evidenciam que a requerente teve a  intenção inequívoca de aderir  ao Simples.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do  Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento mantendo a decisão recorrida.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves,  Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo  Mateus Ciccone (Presidente). Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 15 50 /2 00 7- 83 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 125         2   Relatório    Trata­se de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da  DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente e decidiu negar  o pedido de inclusão retroativa no Simples Federal.   Para evitar repetições, adoto o relatório do v. acórdão recorrido.   Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  contra o Despacho Decisório do DRF/Contagem/MG, fls. 24/26,  que  indeferiu  o  pedido  da  pessoa  jurídica  de  sua  opção  com  efeitos  desde  26/10/2006  no  Sistema  Integrado  de  Pagamentos  de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas  de  Pequeno  Porte  —  Simples,  com  fundamento  de  que  houve  erro  cadastral  e  além  disso  a  requerente  não  efetivou  os  Pagamentos  mensais  por  intermédio  do  Darf­Simples  (Ato  Declaratório Interpretativo SRF n° de 02 de outubro de 2002).  Cientificada em 07/09/2007,  fl. 27, a  requerente apresentou em  20/09/2007,  fl.  28,  a manifestação  de  inconformidade  contra  o  procedimento fiscal ao argumento de que não deu causa ao erro  cadastral.  Em  face  do  exposto,  requer  o  deferimento  de  seu  pedido.    Os fundamentos para indeferimento da manifestação de inconformidade do v.  acórdão recorrido são os seguintes:  A manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte  atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°  70.235, de 6 de março de 1972 e no o § 6° ao art. 8° da Lei n°  9.317,  de  5  de  dezembro  de  1996.  Assim  a  fase  litigiosa  no  procedimento está instaurada.  A contribuinte discorda do procedimento de oficio.  O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro  de 2002, determina:  Artigo  único.  O  Delegado  ou  o  Inspetor  da  Receita  Federal,  comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio  tanto  o  Termo  de  Opção  (TO)  quanto  a  Ficha  Cadastral  da  Pessoa Jurídica (FCPJ) para a  inclusão no Simples de pessoas  jurídicas  inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas  Jurídicas  (CNPJ),  desde  que  seja  possível  identificar  a  intenção  inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.  Parágrafo único. São  instrumentos hábeis para se comprovar a  intenção  de  aderir  ao  Simples  os  pagamentos  mensais  por  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 126         3 intermédio  do  Documento  de  Arrecadação  do  Simples  (Datf­ Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.   Verifica­se que, embora tenha sido constatado erro cadastral, a  requerente  apresentou  as  DSPJ  —  Simples.  Todavia,  não  efetivou os pagamentos mensais por intermédio do Darf­Simples,  fls. 61/62.  Por  conseguinte,  os  documentos  constantes  nos  autos  não  evidenciam  que  a  requerente  teve  a  intenção  inequívoca  de  aderir ao Simples.  Em  face  do  exposto  voto  por  indeferir  a  solicitação  da  requerente.  Inconformada,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  repetindo  as  mesmas  alegações  da  manifestação  de  inconformidade,  refutando  a  fundamentação  do  v.  acórdão recorrido e acostando ao recurso documentos que entende que podem comprovar suas  alegações.   É o relatório.                                  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 127         4       Voto               Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator         ­ Recurso Voluntário:        O Recurso Voluntário  é  tempestivo,  trata  de matéria  de  competência  desta  Corte Administrativa  e  preenche  todos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade previstos  em  lei, portanto, dele tomo conhecimento.     A matéria discutida nos autos trata sobre o requerimento da Recorrente para  ser incluída de forma retroativa no Simples Federal a partir de sua abertura em 26/10/2006. Ou  seja, não se trata de lançamento de ofício e não consta qualquer exigência de imposto, mesmo  porque, caso a Fazenda Nacional não tenha cobrado o imposto devido nos meses de outubro à  dezembro de 2006, não poderia mais exigir tal montante devido a decadência.     Segundo a Recorrente, apesar de ter cometido erro de fato no preenchimento  do  cadastro  do  Simples  Federal,  sempre  agiu,  cumpriu  com  as  obrigações  acessórias  e  arrecadou os impostos como se tivesse albergada pelo regime simplificado.    A Recorrente apresentou nos autos as seguintes cópias:    1  ­  o  comprovante  de  pagamento  de multa  por  atraso  na  entrega  da DSPJ,  paga em 15/08/2007 (fls. 35/36),    2  ­  Declaração  Simplificada  do  Simples  Nacional  relativa  ao  período  de  26/10/2006 até 31/12/2006 (ano­calendário de 2006), transmitida em 29/06/2007 (fls. 37/46);    3 ­ cópia do comprovante de recolhimento do Documento de Arrecadação do  Simples Nacional ­ DAS (fls. 47/48);    4 ­ cópias de comprovantes de recolhimentos de Guias da Previdência Social  (fls. 49/59);    Dos documentos acima indicado, se pode constatar que a Recorrente apenas  recolheu algum imposto e efetuou alguma declaração relativa ao Simples no segundo semestre  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 128         5 do 2007,  inexistindo  qualquer prova  de que  a  contribuinte  tenha  tido  alguma  atitude de  que  estava albergada pelo Simples Federal no período de 26/10/2006 até 31/12/2006.     Também  pode  se  constatar,  que  os  documentos  acostados  aos  autos  pela  Recorrente são  todos referentes ao Simples Nacional, abrangidos pela Legislação do Simples  Nacional, que difere da regulamentação do Simples Federal.    Assim,  conforme  apontado  pelo  v.  acórdão  recorrido  não  consta  nos  autos  provas de que a Recorrente tenha recolhido imposto por meio do DARF­Simples do Simples  Federal, inviabilizando a aceitação de seu requerimento para que seja incluída retroativamente  no Simples Federal.     No mais, adoto os fundamentos tanto do r. Despacho Decisório, como do v.  acórdão recorrido para fundamentar meu voto.     Vejamos o r. Despacho Decisório:       A Lei n° 9.317/96, norma de regência do SIMPLES FEDERAL,  dispõe o seguinte a respeito da opção:  Art. 8° A opção pelo SIMPLES dar­se­á mediante a inscrição da  pessoa  jurídica  enquadrada  na  condição  de  microempresa'ou  empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes  do Ministério  da  Fazenda —  CGC/MF,  quando  o  contribuinte  prestará todas as informações necessárias,(..)   §1 As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF  exercerão  sua  opção  pelo  SIMPLES  mediante  alteração  cadastral.  Com  o  fim  de  atender  ao  disposto  no  parágrafo  primeiro  do  citado  artigo,  foi  criado  o  "Termo  de  Opção"  aprovado  pela  Instrução Normativa SRF n° 75, de 20 de Dezembro de 1996, o  qual  foi  utilizado  até  31/12/1997.  A  partir  de  01/01/1998,  a  opção  passou  a  ser  feita  exclusivamente  por  meio  da  Ficha  Cadastral da Pessoa Jurídica — FCPJ.  A IN SRF N° 608 de 09/01/2006, assim dispõe sobre o assunto:  Art. 16. A opçgo pelo Simples dar­se­á mediante a inscrição da  pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de  empresa  de  pequeno  porte  no  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  (CNPJ),  quando  o  contribuinte  prestará  todas  as  informações necessárias, inclusive quanto:  1­ aos impostos dos q1uais é contribuinte (IPI, ICMS, ISS);  I II ­ ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de  pequeno porte).  §  12A  pessoa  jurídicn1a,  inscrita  no  CNPJ,  formalizará  sua  opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral.  Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 129         6 § 22A pessoa jurídica em início de atividade poderá  formalizar  sua  opção  para  adesão  ao  Simples  imediatamente,  mediante  utilização  da  própria  Ficha  Cadastral  da  Pessoa  Jurídica  (FCPJ). I1,  § 3 As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples serão  formalizadas mediante preenchimento da FCPJ.  Art.  17. A  opção  exercida  de  conformidade  com  o  art.  16  será  definitiva para todo o período a que corresponder e submeterá a  pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir:  1­ do primeiro dia do ano­calendário da opção, na hipótese do §  1 2 do art. 16, se aquela for exercida no mês/de janeiro;  II­ do primeiro dia do ano­calendário subseqüente ao da opção,  na  hipótese  do  §  12  do  art.  16,  no  caso  de  aI  opção  ser  formalizada entre os meses de fevereiro e dezembro; n  III ­ do iníciocef atividade, na hipótese do § 22 do art. 16.  Parágrafo  único.  No  caso  de  a  empresa  iniciar  as  suas  atividades no mês de janeiro e não exercer a opção pelo Simples  quando  da  inscrição  no  CNPJ,  poderá  fazê­la  mediante  alteração cadastral até o último dia útil do mês de janeiro desse  ano­calendário, retroagindo a opção para a? data de início das  atividades.  i  A  Coordenação  Geral  de  Tributação  (COSIT),  através  da  Solução  de  Consulta  Interna  n°  21,  de  22  de  julho  de  2003,  concluiu  ser  admissivel  incluir  no  Simples,  administratixiamente,  a  empresa  que  deixou  de  comandar  a  alteração  cadastral  no  CNPJ  comunicando  sua  opção  pelo  sistema  simplificado  de  tributação  (obrigação  acessória), mas  que  se  comportou  como  optante  fosse. No  entanto,  a  referida  SCI é aplicável somente a fatos ocorridos até o ano calendário  de 2002:  (...)  no  ano­calendário  2002  (exercício  2003),  foram  incluídas  críticas  na  recepção  da  Declaração  Anual  Simplificada  que'  passaram  a  permitir  o  conhecimento  da  inexistência  de  cadastramento de algumas pessoas jurídicas como optantes pelo  Simples.  A  falta  dessa  informação  no  programa  gerador  da  declaração  pode  ter  levado  alguns  contribuintes  a  crer  que  já  estavam  cadastrados  no  Sistema  e  que  não  necessitariam  apresentar  o  TO,  aprovado  pela  Instrução Normativa  SRF  n  2  74,  de  24  de  dezembro  de  1996,  ou  a  opção  para  adesão  ao  Simples  mediante  FCPJ.  Assim,  para  fatos  ocorridos  até  o  exercício  de  2003,  há  também  possibilidade  de  inclusão  retroativa de oficio da pessoa  jurídica que não  tenha  incorrido  em nenhuma das hipóteses de vedação previstas no art. 9 da Lei  n  9.317,  de  1996,  desde  que  tenha  sido  demonstrada  sua  intenção de promover a alteração cadastral prevista no § 1 do  art.  8  da  Lei  n2  9.317,  de  1996,  mediante  entrega  das,  Declarações  Anuais  Simplificadas  ou  pagamento  por  meio  de  Darf­Simples.  Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 130         7 Para  fatos  ocorridos  a  partir  de  2003,  nos  casos  de  inclusão  retroativa no SIMLES será obrigatório, além do comportamento  inequívoco de optante (apresentação de Declaração Simplificada  e recolhimentos sob o código 6106), a demonstracão do erro de  fato quando da  formalização da opção de adesão ao SIMPLES  (deve  existir  FCPJ,  transmitida  dentro  do  prazo,  com  o  evento  301).   No  caso  em  tela,  não  houve  demonstração  de  erro  de  fato  comprovando que a empresa transmitiu, dentro do prazo legal, o  evento  301,  solicitando  sua  inclusão  no  SIMPLES. Além disso,  analisando­se o sistema SINAL06, verifica­se que, até a presente  data,  a  requerente  não  efetuou  recolhimentos  sob  o  código  6106,(DARF­SIMPLES) (fls. 23).  Ante o exposto, haja vista que a contribuinte não demonstrou os  pressupostos  necessários  para  a  inclusão  retroativa no  sistema  simplificado de tributação, não faz ela jus ao enquadramento no  regime a partir da data solicitada (26/10/2006), motivo pelo qual  proponho o INDEFERIMENTO da pretensão formulada.    Vejamos os fundamentos do v. acórdão recorrido:     A contribuinte discorda do procedimento de oficio.  O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro  de 2002, determina:  Artigo  único.  O  Delegado  ou  o  Inspetor  da  Receita  Federal,  comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio  tanto  o  Termo  de  Opção  (TO)  quanto  a  Ficha  Cadastral  da  Pessoa Jurídica (FCPJ) para a  inclusão no Simples de pessoas  jurídicas  inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas  Jurídicas  (CNPJ),  desde  que  seja  possível  identificar  a  intenção  inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.  Parágrafo único. São  instrumentos hábeis para se comprovar a  intenção  de  aderir  ao  Simples  os  pagamentos  mensais  por  intermédio  do  Documento  de  Arrecadação  do  Simples  (Datf­ Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.  Verifica­se que, embora tenha sido constatado erro cadastral, a  requerente  apresentou  as  DSPJ  —  Simples.  Todavia,  não  efetivou os pagamentos mensais por intermédio do Darf­Simples,  fls. 61/62.  Por  conseguinte,  os  documentos  constantes  nos  autos  não  evidenciam  que  a  requerente  teve  a  intenção  inequívoca  de  aderir ao Simples.    Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13603.001550/2007­83  Acórdão n.º 1402­004.020  S1­C4T2 Fl. 131         8 Desta forma conheço do Recurso Voluntário e nego provimento mantendo o  v. acórdão recorrido na integra.   É como voto.     (assinado digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves                             Fl. 131DF CARF MF

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Numero do processo: 10480.721648/2011-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.914
Decisão: CONTRIBUIÇÕES A PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO Podem ser deduzidas as contribuições à previdência privada complementar, atendidas as condições e limites legais, quando comprovadas por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-28T19:14:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-28T19:14:21Z; Last-Modified: 2019-10-28T19:14:21Z; dcterms:modified: 2019-10-28T19:14:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-28T19:14:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-28T19:14:21Z; meta:save-date: 2019-10-28T19:14:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-28T19:14:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-28T19:14:21Z; created: 2019-10-28T19:14:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-10-28T19:14:21Z; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-28T19:14:21Z | Conteúdo => S2-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.721648/2011-82 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001-000.914 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Recorrente CLEIDE MARIA MIRANDA LUCENA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. CONTRIBUIÇÕES A PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO Podem ser deduzidas as contribuições à previdência privada complementar, atendidas as condições e limites legais, quando comprovadas por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 16 48 /2 01 1- 82 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-000.914 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.721648/2011-82 Trata-se de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2007, ano-calendário de 2006, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 26.362,36. Também foi apurada dedução com previdência privada (FAPI), no valor de R$ 6.943,86. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 44/50. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 90/96. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Com relação às contribuições para previdência privada, alega que a autoridade lançadora deveria investigar e diligenciar para descobrir se os recolhimentos são na modalidade PGBL ou VGBL. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. CONTRIBUIÇÕES A PLANOS DE PREVIDÊNCIA. Conforme apontado na decisão de primeira instância, a recorrente trouxe dois extratos de fundos de previdência. Um do Banco do Brasil (Brasilprev), outro de UnileverPrev Sociedade de Previdência Privada. Referidos extratos foram juntados às f. 8/9 destes Autos. Conforme também já noticiado na decisão da DRJ, nos referidos extratos não há nenhuma menção à modalidade do plano, se VGBL ou PGBL. Trata-se de questão fundamental, pois somente as contribuições a estes últimos (PGBL) são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Não cabe nem à autoridade lançadora, nem ao julgador, investigar e diligenciar a fim de descobrir de qual modalidade é o plano de previdência contratado pela contribuinte. A esta cabe fazer prova das deduções declaradas. Mediante simples comunicado aos bancos, a contribuinte poderia obter a informação que lhe seria útil, haja vista que a dedução lhe aproveitaria. Entretanto, não foi juntado aos Autos nenhum comunicado ou esclarecimento adicional acerca dos planos de previdência, relativos aos extratos anexados. Portanto, não feita a prova da condição de estar apta a deduzir tais despesas, há de se manter a glosa efetuada a este título. DESPESAS MÉDICAS O interessado, no recurso, insurge-se contra estas glosas, pelas razões que enumera. Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-000.914 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.721648/2011-82 Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação probante do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verifica-se que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratar-se de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontra-se devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Trata-se de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtém-se extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. Fl. 78DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-000.914 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.721648/2011-82 O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. A Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se manifestando no sentido da necessidade da comprovação do efetivo pagamento, sendo desnecessária a caracterização, pela fiscalização, de inidoneidade dos recibos. A título de exemplo, trazemos a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. REQUISITOS FORMAIS DA DOCUMENTAÇÃO. A critério da autoridade fiscal, a comprovação do efetivo pagamento de despesas é necessária. Hipótese em que, tendo sido devidamente intimada para comprovação do efetivo pagamento das despesas, não foi apresentada a requerida documentação comprobatória. Recurso Especial do Procurador Provido." Convém citar o trecho em que o Relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, defende ser desnecessário a autoridade lançadora evidenciar a inidoneidade dos recibos: "Contudo, pela aplicação do critério jurídico que entendo correto, não há qualquer necessidade de apontamento de falsidade nos recibos e outros documentos formais para exigência de prova do pagamento. Assim, quando o contribuinte não comprova o efetivo pagamento de valores que deduz, desde que isso tenha sido a acusação inicial, resta mandatória a glosa dos valores." Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Trata-se de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicá-la em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Redator Designado ad hoc. Quando da formalização do acórdão, o Conselheiro Jorge Henrique Backes, Redator Designado, já se encontrava aposentado, razão pela qual houve a necessidade de designação de “Redator Designado ad hoc”. Assim, como Redator Designado ad hoc ressalvo Fl. 79DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-000.914 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.721648/2011-82 que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro. Contribuições a planos de previdência Discordo do Relator em relação às contribuições a planos de previdência privada complementar. Da notificação de lançamento consta, como justificativa para as glosas sobre contribuições a planos de previdência privada, somente o seguinte: “Contribuinte não comprovou o efetivo pagamento à título de Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Esse foi o motivo da glosa.” A DRJ, em seu acórdão, quanto aos comprovantes apresentados (fls 8/9), não mais questionou a efetividade dos pagamentos, entretanto apontou não haver nos documentos a indicação da modalidade de plano contratada, se PGBL ou VGBL. Tal pendência não fora antes levantada no documento de lançamento, levando a crer que não haveria dúvidas da autoridade lançadora a esse respeito. Também não afirmou a DRJ tratar-se de VGBL, logo não dedutível. Não cabe ao órgão julgador administrativo inovar na lide, apontando infrações e pendências não descritas no lançamento, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Desta forma, entendo que devam ser restabelecidas as glosas sobre deduções de contribuições a previdência privada. Despesas médicas Discordo do Relator também em relação às despesas médicas. Os recibos não têm valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Entretanto, mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa à aceitação de simples recibos, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, o fundamento para lançar limita-se a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Fl. 80DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-000.914 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.721648/2011-82 Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido Decreto-Lei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Far-se-á o lançamento ex- officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 81DF CARF MF

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Numero do processo: 11516.003296/2006-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-009.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 96 /2 00 6- 21 Fl. 617DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.627 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.003296/2006-21 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência da Contribuição ao PIS relativa aos fatos geradores de 02/2001 a 12/2005. De acordo com o termo de verificação fiscal o sujeito passivo é uma cooperativa de eletrificação rural, cujas receitas, independente ou não de ser ato cooperativo, estão sujeitas à incidência do PIS. Após ter sido negado provimento à sua impugnação, o contribuinte apresentou recurso voluntário, que veio a ser julgado, por meio do acórdão nº 3102-002033, de 26/09/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. FATOS GERADORES A PARTIR 1º DE OUTUBRO DE 1999. VALORES DEDUTÍVEIS NÃO COMPROVADOS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/PASEP calculada com base no faturamento, que compreende a receita bruta mensal, independente desta ser proveniente de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Somente os valores dedutíveis devidamente comprovados podem ser excluídos da receita bruta mensal, para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, tomar parcial conhecimento do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento. Em face da contradição constante do referido acórdão, houve a apresentação de embargos, os quais foram admitidos e levados a julgamento por meio do acórdão nº 3301- 002879, de 15/03/2016, o qual apenas corrigiu a contradição, trascrevendo o voto do relator Fl. 618DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.627 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.003296/2006-21 original, cujas conclusões são evidentes à respeito de se negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O contribuinte apresentou recurso especial de divergência abordando as seguintes matérias: 1) Quanto às exclusões da base de cálculo do PIS, permitidas para as cooperativas de eletrificação rural; e 2) Quanto ao conceito de faturamento, como base de cálculo do PIS, em vista da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. O recurso especial teve seu seguimento negado pelo presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. O contribuinte apresentou agravo, o qual foi admitido parcialmente pelo então presidente da CSRF, somente em relação à primeira matéria: exclusões da base de cálculo do PIS, permitidas para as cooperativas de eletrificação rural. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por dois motivos: 1) os acórdãos paradigmas apresentados foram proferidos pela mesma turma do acórdão recorrido; e 2) de fato não houve a necessária comprovação da divergência. Como visto o acórdão recorrido foi proferido em 26/09/2013 pela turma 3102 e, por essa razão levou o número 3102-002033. Por sua vez os acórdãos paradigmas foram proferidos pela mesma turma 3102. Tratam-se dos acórdãos 3102-002.400 e 3102-002.401, proferidos em sessão de 18/03/2015. Assim dispõe o regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a esse respeito: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 619DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.627 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.003296/2006-21 Ressalte-se que o acórdão de embargos, acórdão nº 3301-002879, não alterou em nada o que foi decidido no mérito no acórdão 3102-002033. Portanto, entendo que o acórdão recorrido é proveniente da mesma turma que proferiu os acórdãos paradigmas. Mesmo superando tal fato, ainda assim entendo que o recurso especial não comprovou a divergência na interpretação da legislação tributária. O recurso especial admitido foi em relação à seguinte matéria: "exclusões da base de cálculo do PIS, permitidas para as cooperativas de eletrificação rural". Pois bem, em seu recurso voluntário, e-fls. 124 e segs, o contribuinte não aborda esta matéria. Nele o contribuinte concentra quase toda a sua argumentação em tentar demonstrar a nulidade do lançamento em face do suposto vício de inconstitucionalidade da MP nº 1858-6/1999, por ter revogado isenção veiculada por meio de lei complementar. Para que não reste dúvidas quanto a este ponto, transcrevo na íntegra a parte do recurso voluntário que cuidou da nulidade aventada: (...) Assim, o Supremo Tribunal Federal fez constar seu entendimento, pacifico por sinal. Sempre que a Constituição exigir lei complementar, não poderá supri-la a lei ordinária; menos ainda, medida provisória, por expressa disposição constitucional. Ante a inconstitucionalidade expressa dos lançamentos objeto deste processo fiscal, o recurso deve ser provido para declarar a nulidade de todos os lançamentos. Compete registrar, não obstante o posicionamento uníssono do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria dos autos, esta foi causa de admissibilidade de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal. Entretanto, por amor ao debate, ainda que hipoteticamente admitida à eficácia da medida provisória para alterar texto de lei complementar, não incidiria PIS, sobre o ato cooperativo. Em relação à base de cálculo, no acórdão é mencionada a revogação do inciso II, do art. 2° na Lei 9.715/98, todavia, o pedido se refere ao inciso I. Logo, apenas os atos praticados por não associados é que serão objeto da base de cálculo. Assim, embora de caráter subsidiário, deve o acórdão ser reformado neste sentido. Eis então a causa de pedir recursal. Do Requerimento Isto posto, requer que Vossas Excelências recebam e processem o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do acórdão16-23.205 da 8° Turma da DRJ/SPI e declarar provimento a impugnação efetuada pelo recorrente, em especial para anular os lançamentos de PIS, código da receita 2986, no período (ano calendário PA/EX) de Fevereiro de 2001 à Dezembro de 2005, objeto da presente. Fl. 620DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.627 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.003296/2006-21 Não há nenhuma linha em que se pede a exclusão de rubricas específicas da base de cálculo do PIS. Até mesmo porque, consta do auto de infração que foram excluídas da base de cálculo os valores previstos na legislação de regência. Portanto, o acórdão recorrido não tinha como deliberar sobre questões não suscitadas no recurso especial. Veja como conclui o voto do acórdão recorrido: (...) Acontece que a recorrente, apenas requer a exclusão de todos os ingressos de valores da base de cálculo de forma genérica, sem demonstrar nem provar quais seriam os custos com serviços prestados, limitando-se a afirmar que todas as receitas se revertem em prol dos cooperados. Assim, observando a impossibilidade de se comprovar o crédito pretendido, apesar de oportunizada ao contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário. Ora, ao contrário do que entendeu o despacho de agravo, as circunstâncias fáticas entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados não se equiparam, na medida em que o acórdão recorrido não foi suscitado a discutir a exclusão ou não dos custos mencionados, tendo sido feito somente em sede de seu recurso especial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 621DF CARF MF

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Numero do processo: 11070.902861/2009-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos, incumbindo ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1003-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos, incumbindo ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 28 61 /2 00 9- 63 Fl. 138DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.984 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.902861/2009-63 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 12-037.177, proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não conhecendo do direito creditório. Conforme consta nos autos, a Recorrente transmitiu, em 26/10/2006, PER/DCOMP nº 13118.97956.261006.1.3.04-1230 (fls. 02/08) informando compensação de crédito decorrente pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód 5993- mês dez/2005), no valor de R$ 17.901,13, cujo pagamento foi efetuado em 31/01/2006 (fls. 05 e 61), com débitos de IRPJ (cód 5993-01 – venc 31/10/2006) no valor de R$ 10.803,09 e débito de CSLL (cód 2484-01 – venc 31/10/2006) no montante de R$ 6.885,03. Todavia, o crédito de R$ 17.901,13 não foi reconhecido e a compensação, por consequência, não homologada, vez que, a partir das características do DARF discriminado do no PerDcomp, a DRF constatou que o pagamento informado já teria sido utilizado paga pagamentos de débito da própria Recorrente, não restando, destarte, crédito disponível para compensação do débito destacado no PER/DCOMP e não homologou a compensação declarada. Cientificado, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, “que o PER/DCOMP a que se refere o Despacho Decisório, em questão, teve como crédito informado o pagamento indevido de R$ 17.901,13, que por estar registrado, equivocamente, como débito em DCTF, foi considerado como já utilizado”. Assim, para sanar tal inconsistência, a Recorrente apresentou DCTF retificadora referente a dezembro de 2005, excluindo o débito, restando um pagamento indevido de IRPJ. Logo, efetuada a dita correção, pleiteou a homologação da compensação e o cancelamento do débito fiscal. Por sua vez, a 15ª Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade em questão e não reconheceu o direito creditório postulado e não homologou as compensações em litígio, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não comprovada a liquidez nem a certeza do crédito pleiteado, deixa-se de homologar a compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Crédito Não Reconhecido. Fl. 139DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.984 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.902861/2009-63 Inconformada, a Recorrente, visando à reforma da decisão que indeferiu compensação, interpôs Recurso Voluntário, ratificando os argumentos já expostos por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Conforme já relatado, o cerne da discussão reside no PER/DComp apresentado pela Recorrente, no qual pleiteou o deferimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 17.901,13 e declarou a compensação deste crédito com débitos de IRPJ (montante de R$ 10.803,09 e débito de CSLL (no valor de R$ 6.885,03). Porém, tal compensação não foi homologada pela constatação de indisponibilidade do crédito declarado, ante a constatação de que o pagamento informado, já teria sido utilizado para pagamentos de débito da própria Recorrente. Fl. 140DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.984 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.902861/2009-63 No presente recurso, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida para que a compensação declarada seja homologada, informando que retificou sua DCTF sanado equívoco cometido em seu preenchimento, causa da não homologação da compensação declarada. Todavia, por ocasião da apresentação da peça recursal não houve a produção conjunto probatório robusto que demonstrasse a liquidez, certeza e disponibilidade do direito creditório pleiteado. E, em verdade, tal documentação é indispensável, in casu, pois a DCTF retificadora, alterando o IRPJ a pagar no montante do débito de R$17.901,13 para o valor ZERO, e que originou um crédito naquele mesmo valor, somente foi entregue em 20/05/2009. Portanto, em momento posterior ao do Despacho Decisório não homologando a compensação em discussão, que foi prolatado em 24/04/2009. No mínimo, a Recorrente deveria ter exibido documentos contábil-fiscais da empresa suficientes para comprovar o crédito informado no PER/DCOMP e o suposto erro de fato do qual decorreu a retificação da DCTF. Ora, sem essas informações é impossível verificar a exatidão das informações declaradas pela Recorrente acerca do erro de fato. Importante lembrar que as situações de erro material (ou erro de fato 1 ) podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento, após prolação de despacho decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, desde que comprovadas. Aludido Parecer assim determina: Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não 1 O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 141DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.984 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.902861/2009-63 homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir provas em conjunto; com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, Fl. 142DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.984 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.902861/2009-63 segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Contudo, a Recorrente não carreou aos autos documentos de sua contabilidade que dessem suporte ao reconhecimento do crédito pleiteado, mesmo sendo seu o ônus da prova. Assim, é o contribuinte quem deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Afinal, os equívocos identificados na DCTF original não são meros erros formais. Em verdade, eles alteram significativamente as condições do pedido inicial. É importante registrar que a DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Qualquer alteração da DCTF, após o despacho decisório, deve ser realizada munida de documentos fiscais suficientes para comprovar eventual erro anterior. Ademais, essa Julgadora entende que a juntada de documentos pode ser admitida, ainda que produzidos em sede de interposição do Recurso voluntário. Essa possibilidade jurídica encontra-se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. Afinal, a autoridade julgadora deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defender-se plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. O contrário - homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis - não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Assim sendo, não vejo razão para a reforma do acórdão de piso, já que, conforme mencionado, a Recorrente não apresentou nenhuma justificativa respaldada em documentação hábil esclarecendo o real motivo da retificação da DCTF, com alteração de valores. Que fique claro: nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, nos termos já mencionados, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação. Fl. 143DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.984 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.902861/2009-63 O ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito. Em suma, de acordo com o já exposto, conclui-se que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a provar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e dos argumentos contidos no recurso voluntário objetivando a demonstração do suposto erro de fato que deu origem à retificação da DCTF. Verifica-se que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram apresentados pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Destaque-se que todos os documentos apresentados foram examinados. Assim, tem-se que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 144DF CARF MF

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Numero do processo: 19311.720103/2016-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Data do fato gerador: 15/06/2016 COFINS. INSUMO. CONCEITO. Nos termos de Precedente Vinculante do Tribunal da Cidadania, despesa é considerada insumo caso ligada por vínculo direto ou indireto de necessidade ou importância ao processo produtivo ou ao serviço executado pela empresa que pleiteia o crédito. BENFEITORIA. DESPESAS COM MERA CONSERVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de benfeitorias é restrito as obras, não alcançando toda e qualquer despesa com a conservação do imóvel. Ademais, o inciso III § 1° do artigo 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/03 determinam que o desconto de créditos seja feita com base em encargos de depreciação e amortização e a despesa foi contabilizada a débito no resultado. VALE ALIMENTAÇÃO. VALE REFEIÇÃO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O crédito descrito no inciso X do artigo 3° das Leis é 10.637/2002 e 10.833/03 é concedido as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. PROVA. ERRO. CONTRIBUINTE. Por meio da comparação entre lançamentos contábeis (SPED) e declarações fiscais (DACON e DCTF) apurou-se a majoração artificial das bases de cálculo de insumos o que resultou em declaração em DCTF de débitos do PIS e da Cofins menores do que os efetivamente devidos. Portanto, caberia à contribuinte demonstrar o motivo em que se fundou o equívoco. SÓCIO. REPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. Não há indicação no lançamento de conduta imputada ao sócio da contribuinte e tampouco em que provas ou indícios se funda o dolo. Em assim sendo, deve ser afastada a responsabilidade solidária deste.
Numero da decisão: 3401-006.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (a) afastar as glosas em relação a aluguel de veículos exclusivamente para transporte de material de limpeza; (b) afastar as glosas em relação a contratação de mão-de-obra temporária junto a pessoa jurídica, para prestação dos serviços de conservação, limpeza e portaria, que constituem o objeto da recorrente; e (c) manter as demais glosas. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente)
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO

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INSUMO. CONCEITO. Nos termos de Precedente Vinculante do Tribunal da Cidadania, despesa é considerada insumo caso ligada por vínculo direto ou indireto de necessidade ou importância ao processo produtivo ou ao serviço executado pela empresa que pleiteia o crédito. BENFEITORIA. DESPESAS COM MERA CONSERVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de benfeitorias é restrito as obras, não alcançando toda e qualquer despesa com a conservação do imóvel. Ademais, o inciso III § 1° do artigo 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/03 determinam que o desconto de créditos seja feita com base em encargos de depreciação e amortização e a despesa foi contabilizada a débito no resultado. VALE ALIMENTAÇÃO. VALE REFEIÇÃO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O crédito descrito no inciso X do artigo 3° das Leis é 10.637/2002 e 10.833/03 é concedido as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. PROVA. ERRO. CONTRIBUINTE. Por meio da comparação entre lançamentos contábeis (SPED) e declarações fiscais (DACON e DCTF) apurou-se a majoração artificial das bases de cálculo de insumos o que resultou em declaração em DCTF de débitos do PIS e da Cofins menores do que os efetivamente devidos. Portanto, caberia à contribuinte demonstrar o motivo em que se fundou o equívoco. SÓCIO. REPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 03 /2 01 6- 80 Fl. 1274DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 Não há indicação no lançamento de conduta imputada ao sócio da contribuinte e tampouco em que provas ou indícios se funda o dolo. Em assim sendo, deve ser afastada a responsabilidade solidária deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (a) afastar as glosas em relação a aluguel de veículos exclusivamente para transporte de material de limpeza; (b) afastar as glosas em relação a contratação de mão-de-obra temporária junto a pessoa jurídica, para prestação dos serviços de conservação, limpeza e portaria, que constituem o objeto da recorrente; e (c) manter as demais glosas. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente) Relatório 1.1. Trata-se de lançamento de ofício de PIS e COFINS cumulado com juros de mora, e multas qualificada e de ofício no valor total de R$ 16.825.374,12. 1.2. Para tanto, narra a fiscalização que a Recorrente: 1.2.1. “Descontou valores a título de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas com serviços de assessorias, consultorias, advocacia, cartórios, combustível para veículos e aeronaves, despachantes, encargos de depreciação sobre veículos, computadores, móveis e utensílios e aeronaves, hangaragem para aeronaves, manutenção de veículos e aeronaves, serviços aeroportuários, lavagem de uniformes e toalhas, serviços de mensageiros, viagens a serviço, refeições, táxi, mão de obra temporária, manutenção de equipamentos não aplicados diretamente nos serviços, manutenção predial, locação e manutenção de veículos, o que está em desacordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 e no art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004”; Fl. 1275DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 1.2.2. “Creditou-se integralmente sobre os gastos com uniformes, vale-transporte e alimentação de empregados, o que fere a legislação de regência, porquanto somente 60% de seu quadro de pessoal desempenha as atividades de serviços de limpeza predial, conforme se verifica na “Relação de Empregados em 01/01/2013 a 31/12/2013”, apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 0005”; 1.2.3. Alterou em DACON o valor dos bens e serviços utilizados como insumos o que culminou com a minoração do valor devido de PIS e COFINS. 1.3. Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação argumentando que: 1.3.1. “A Lei permite abatimento de custos, despesas e encargos consumidos nas atividades e estabelecimentos da Recorrente afetos à realização de receita tributável”; 1.3.2. “Independentemente de os empregados trabalharem ou não diretamente na limpeza predial, a legislação é cristalina ao permitir o creditamento de vale- transporte, vale refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecido aos empregados de pessoa jurídica que explore atividade de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção”; 1.3.3. Os veículos alugados são necessários ao transporte dos equipamentos e produtos utilizados para a execução dos serviços por si prestados. Ademais, “disponibiliza veículos para porteiros considerados líderes, tendo em vista a necessidade de diligenciar nos postos para verificar ocorrências, faltas, folgas, etc”; 1.3.4. É possível o creditamento das rubricas manutenção e conservação predial por enquadrarem-se no conceito de edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros; 1.3.5. “Como os veículos (da frota própria) são essenciais para a prestação dos serviços da Recorrente, não resta dúvida, os valores desembolsados para aquisição de combustíveis, peças e serviços de manutenção devem ser considerados como crédito para abatimento do PIS e da COFINS devidos no mês"” 1.3.6. A limpeza dos uniformes dos funcionários desligados da empresa para entrega a novos funcionários é essencial a sua atividade; 1.3.7. Para que possa prestar os serviços, os tomadores e a própria medicina e higiene do trabalho determinam que o local de trabalho seja sinalizado (placa de piso molhado) para evitar acidentes; 1.3.8. Devido à velocidade de comunicação e ao amplo espaço de cobertura há necessidade de uso de aparelho de rádio comunicação para a prestação de serviços; Fl. 1276DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 1.3.9. A contratação de mão-de-obra temporária é necessária para substituição de funcionários em gozo de férias e para registro eletrônico de obrigações previdenciárias; 1.3.10. Os porteiros e coordenadores de limpeza percorrem grandes distâncias com o intuito de prestar os serviços ou de fiscalizar a prestação dos mesmos, logo é necessário o uso de Segway; 1.3.11. “Os serviços de aviação executiva são necessários, seja para fechamento de contrato ou manutenção da qualidade dos mesmos”; 1.3.12. Todas as demais glosas enquadram-se no conceito de insumos; 1.3.13. Não há fraude ou dolo aptos a atrair a responsabilização solidária dos sócios e a aplicação da multa qualificada, pois: 1.3.13.1. As receitas foram tempestivamente declaradas; 1.3.13.2. Trata-se de manifesto equívoco a discrepância entre o declarado nos registros contábeis e em DCTF e DACON que culminou com a majoração do valor devido a título de IRPJ e CSLL; 1.3.13.3. Não há descrição de qualquer das hipóteses descritas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/96; 1.3.14. A multa qualificada é confiscatória; 1.3.15. “Em caso de provimento da presente impugnação, o arrolamento determinado, a responsabilização solidária passiva do sócio Wagner Martins, bem como da (SIC) representação fiscal para fins penais devem ser revistos a fim de que sejam cancelados”. 1.4. Arrolado como responsável solidário o senhor Wagner Martins apresentou Impugnação em que argumenta: 1.4.1. Foi arrolado como responsável solidário pelo tributo, logo, tem legitimidade para Impugnar, nos termos da Súmula CARF 71; 1.4.2. “Não consta do relatório fiscal a submissão de qualquer possível conduta dolosa supostamente praticada pela Recorrente àquelas abstratamente previstas nos supratranscritos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, o que entendemos ser suficiente para afastar a sujeição passiva solidária”; 1.4.3. “As informações prestadas pela empresa da qual o Impugnante é sócio através de SPED e DACON deve ser interpretado (SIC) como inequívoca presunção de boa-fé que não foi ilidida pela Autoridade Fiscal”; 1.4.4. “O artigo 135 do CTN trata de responsabilidade pessoal e exclusiva, de modo que, ao ser invocado para justificar a exigência do crédito tributário Fl. 1277DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 perante o terceiro, não mais poderia subsistir a exigência fiscal em face do contribuinte”; 1.4.5. “Não existe autorização legal para formalização de termo de sujeição passiva solidária pelo Auditor Fiscal”; 1.4.6. “A responsabilidade solidária e a representação fiscal para fins penais invocadas somente poderiam ocorrer após a decisão final administrativa e com a cabal comprovação de infração à lei, crédito tributário definitivamente constituído e, se eventualmente, o sujeito passivo da obrigação tributária não honrar com os supostos débitos imputados”; 1.4.7. Apenas o abuso de personalidade e a confusão patrimonial autorizam a desconsideração da personalidade jurídica e a imputação do débito exigido ao sócio. 1.5. A DRJ do Rio de Janeiro deu parcial provimento à Impugnação, afastando a responsabilidade solidária e a multa qualificada, afastando em parte as glosas (rádio comunicadores, placas sinalizadoras, Segway) mantendo o lançamento nas demais matérias, pois: 1.5.1. “A Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da RFB, instada a se pronunciar sobre o tema, editou a Solução de Consulta nº 219, de 06 de agosto de 2014, cuja ementa segue abaixo, com grifos nossos, por meio da qual firmou o entendimento de que não é permitida a apuração de créditos decorrentes de dispêndios com vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme relativos à mão-de-obra empregada em relação a outras atividades não relacionadas no inciso X do caput do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003” 1.5.2. “Descabe considerar como insumo a locação de veículos para uma empresa cujo objeto é a prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, ainda que tais veículos sejam utilizados na movimentação de máquinas, equipamentos, outros bens e funcionários”. Ademais, o conceito de veículos e máquinas não se confundem para efeitos da legislação de PIS e COFINS; 1.5.3. “Somente os encargos de depreciação ou amortização gerados pela incorporação ao ativo imobilizado de benfeitoria geram direito a crédito, o qual não será admitido na hipótese de tais dispêndios terem sido contabilizados diretamente a débito do resultado”; 1.5.4. Os veículos da frota da Recorrente não são utilizados diretamente na prestação de serviços, logo, não há direito ao crédito na aquisição de combustíveis e peças de manutenção; 1.5.5. “A possibilidade de apuração de créditos em relação a dispêndios com vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme decorre de autorização legislativa específica, de modo que o permissivo deve ser Fl. 1278DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 interpretado de forma restritiva e não extensivamente, a ponto de contemplar os gastos com lavagem de uniformes, como pretende a Impugnante”; 1.5.6. “Segundo a definição constante nas IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, entende-se como insumos na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, o que se amolda ao caso em questão, uma vez que tais placas (de identificação) são utilizadas efetivamente durante a prestação do serviço” 1.5.7. “Pelos motivos expostos no item anterior, além de ser enquadrada como aquisição de insumo, como requer a Impugnante, a compra de aparelho rádio comunicador enquadrar-se-ia também na hipótese de aquisição de máquina e equipamento destinado à prestação de serviço e se amolda à norma prevista no art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008, com a redação dada pela Lei 12.546/2011”; 1.5.8. “Há, tanto na Lei nº 10.637/2002 quanto na Lei nº 10.833/2003, vedação específica à apuração de créditos em relação a pagamentos de mão-de-obra”; 1.5.9. “Os serviços prestados por empresa de trabalho temporário não podem ser enquadrados no conceito de insumo, para fins de aproveitamento de créditos do Pis e da Cofins, visto que as atividades de recrutamento, agenciamento e de disponibilização de mão-de-obra obviamente contribuem apenas de forma indireta para as atividades fim do tomador dos serviços”; 1.5.10. “Os equipamentos Segway locados são utilizados diretamente durante a ronda, que é uma atividade integrante do serviço de vigilância, de modo que inequívoco o seu enquadramento como máquina ou equipamento utilizado na prestação do serviço, ensejando o direito ao crédito”; 1.5.11. “As despesas incorridas com serviços aeroportuários e hangaragem para o deslocamento de funcionários, gerentes e diretores não se enquadram no conceito de insumos, uma vez que não são aplicados e nem consumidos na prestação dos serviços de limpeza portaria, monitoramento eletrônico, vigilância e segurança, como exigido pelas IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004”; 1.5.12. A Recorrente não apresenta provas de eventual erro ocorrido em sua escrituração que justifique a discrepância entre esta e o descrito em DACON e DCTF; 1.5.13. “Não constam nos autos a indicação de documentos, fatos ou quaisquer outros elementos que sirvam de prova à imputação à recorrente da prática de quaisquer das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, limitando-se a autoridade fiscal a vincular as divergências significativas encontradas de forma reiterada na escrituração contábil à qualificadora da penalidade”; 1.5.14. “A constatação de divergências significativas e reiteradas entre a escrituração contábil e os Dacon, isoladamente, não seja suficiente como Fl. 1279DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 elemento caracterizador das condutas dolosas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964”; 1.5.15. “O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário administrado pela Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 6º, I, a, da Lei nº 10.593/2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007”; 1.5.16. “A imputação da responsabilidade solidária não decorre da sua condição de sócio da sociedade e sim da sua condição de administrador e representante da pessoa jurídica, nos termos do art. 135, III, do CTN”; 1.5.17. “Não há qualquer relação entre as várias hipóteses de responsabilidade tributária previstas no Código Tributário Nacional e a norma contida no art. 50 do Código Civil” 1.5.18. “O entendimento, tanto da RFB, como da PGFN, é no sentido de que a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135 do CTN traduz-se, também, em responsabilidade solidária”; 1.5.19. “Não consta nos autos o apontamento de quais condutas concretamente praticadas pelo sócio-gerente da autuada, Sr. Wagner Martins, incorrem em infração de lei a ensejar a sua responsabilização. O mero preenchimento do Dacon em discordância com a contabilidade, isoladamente, ainda que de forma reiterada e com diferenças relevantes, não faz prova do seu dolo e, nesse caso, em que o preenchimento do Dacon é encargo da assessoria contábil da autuada e não do Sr. Wagner Martins, da sua culpa” 1.5.20. “A autoridade fiscal deixou de mencionar expressa e especificamente qual ou quais condutas elencadas nos incisos do art. 1º da Lei nº 8.137/1990 foram praticadas pelo sujeito passivo”; 1.6. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando as teses descritas em Manifestação de Inconformidade somada às seguintes: 1.6.1. Impossibilidade de ativamento das despesas com manutenção predial vez que o imóvel em que é feito o serviço é de terceiros; 1.6.2. A Solução de Consulta COSIT 105/2017 permite o creditamento de peças de manutenção de veículos automotores e para contratação de mão-de-obra temporária; 1.6.3. O CARF no Acórdão 3402.002.976 concedeu o direito ao crédito na lavagem de uniformes para estabelecimento agroindustrial do ramo alimentício; 1.6.4. “A glosa aqui debatida deve ser reduzida em razão do aumento da carga tributárias no que concerne ao IRPJ e CSLL” Fl. 1280DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. Para justificar o creditamento a Recorrente equivale o CONCEITO DE INSUMOS DAS CONTRIBUIÇÕES em voga ao conceito de custos e despesas do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica; para a Recorrente “a Lei permite abatimento de custos, despesas e encargos consumidos nas atividades e estabelecimentos da Recorrente afetos à realização de receita tributável”. 2.1.1. De outro lado, ao negar o direito ao crédito à Recorrente, a fiscalização aproxima o conceito de insumos aqui debatido do conceito de MP, PI e ME do Imposto sobre Produtos Industrializados, exigindo contato direto do insumo com o produto acabado. 2.1.2. Em verdade, a tese da Recorrente em muito se aproxima daquela inicialmente defendida pelo Ilustre Ministro Napoleão Nunes Maia ao julgar - no rito dos Repetitivos (Temas 779 e 780) - o REsp 1.221.170/PR: “Todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços necessários ao exercício da atividade empresarial, direta ou indiretamente, devem ser consideradas insumo, para o efeito de creditamento de PIS e COFINS, porquanto deve-se entender como abrangidas no conceito a totalidade das despesas com a aquisição dos diversos componentes do produto final, não sendo cabível distinguir, entre eles, hierarquia ou densidade de essencialidade". 2.1.3. Já a tese esposada pela fiscalização encontra guarida no portentoso Voto de lavra do não menos Eminente Ministro Og Fernandes: “O conceito de 'insumos' para fins de incidência das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 compreende as matérias-primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado” 2.1.4. Todavia, como de conhecimento, ambas as teses acima foram expressamente afastadas pelo Tribunal da Cidadania. Em primeiro porque (citando voto do Ministro Campbell Marques), quando a Legislação quer equiparar conceitos de insumos de PIS/COFINS com o de custos e despesas do IRPJ ou com MP, PI e ME de IPI o faz expressamente. 2.1.4.1. Em segundo lugar, a desoneração no IRPJ é demasiado alargada, culminando por desonerar o produtor e não o processo produtivo; processo que se intenta desonerar. Ainda, ao excluir o custo de serviços e mercadorias e as despesas operacionais da base de cálculo das contribuições esta base transforma-se em lucro operacional somado às Receitas não operacionais, desnaturando as contribuições. 2.1.4.2. Ademais, a materialidade do IPI é restrita apenas aos bens produzidos, o que não ocorre com a PIS e COFINS, cuja materialidade é a aferição de receitas. Por fim, a Fl. 1281DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 admissão de creditamento de serviços como insumos é “prova cabal de que o conceito de ‘utilização como insumo’ não tem por critério referencial o objeto físico” (GRECO). 2.1.5. Assim, após a adequação do voto do Ministro Campbell Marques e alteração do voto do Ministro Napoleão Nunes Maia, restaram assentados pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça os critérios da essencialidade e relevância para definição do conceito de insumos passíveis de creditamento para efeito da incidência do PIS e da COFINS. Coube a Douta Ministra Regina Helena Costa (relatora do voto condutor) melhor desenhar os critérios de essencialidade e relevância: O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI) 2.1.6. Como se nota da descrição acima, não há um apego a conceitos econômicos ou contábeis na definição de insumos e, tampouco, vínculo direto com o produto final ou com o serviço prestado. Os critérios da relevância e da essencialidade estão umbilicalmente ligados por vínculo direta ou indiretamente de necessidade ou importância ao processo produtivo ou ao serviço executado pela empresa que pleiteia o crédito. Em assim sendo, impossível afirmar categoricamente se determinado custo ou despesa podem ou não ser caracterizados como insumos antes de analisar qual o processo produtivo da empresa ou o serviço executado. 2.1.7. O objeto social da ora Recorrente é: 2.1.8. Inobstante a amplitude do objeto social, em todos os momentos que lhe fora concedida a palavra neste processo, a Recorrente argumentou ser prestadora de serviços de conservação, limpeza e portaria. Ademais, na lista de empregados contratados pela Recorrente encontramos cargos de porteiro, auxiliar de limpeza, jardineiro, motorista, controlador de acesso, limpador de vidro, zelador, auxiliar administrativo, monitor de alunos, lavor de carros, conservador de frotas etc. Em assim sendo, embora possa prestar serviços de reformas e locação Fl. 1282DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 de equipamentos, não há nos autos nada que indique que tal serviço foi efetivamente prestado pela Recorrente. 2.1.9. Portanto, na esteira do raciocínio traçado acima, para ser tipificado como insumo, o custo ou a despesa devem estar vinculados, direta ou indiretamente, aos serviços de conservação, limpeza, manutenção de prédios, manutenção de jardins, portaria, administração de condomínios, recepção e serviço de manobristas. Dito de outro modo, para se caracterizar como insumo, as despesas e custos devem ser essenciais ou relevantes aos serviços de conservação, limpeza, manutenção de prédios, manutenção de jardins, portaria, administração de condomínios, recepção e serviço de manobristas. 2.1.10. A Recorrente argumenta que os VEÍCULOS ALUGADOS são necessários ao transporte dos equipamentos e produtos utilizados para a execução dos serviços por si prestados. Ademais, “disponibiliza veículos para porteiros considerados líderes, tendo em vista a necessidade de diligenciar nos postos para verificar ocorrências, faltas, folgas, etc”. 2.1.10.1. Em resposta, com fundamento em conceito restritivo de insumos - que exige que o objeto dos dispêndios sejam aplicados ou consumidos na prestação de serviços – a DRJ afirma que “descabe considerar como insumo a locação de veículos para uma empresa cujo objeto é a prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, ainda que tais veículos sejam utilizados na movimentação de máquinas, equipamentos, outros bens e funcionários”. Ademais, o conceito de veículos e máquinas não se confundem para efeitos da legislação de PIS e COFINS. 2.1.10.2. É certo que o Tribunal da Cidadania ao analisar o repetitivo base do presente voto afastou para o caso concreto então em análise (empresa agroindustrial) o creditamento decorrente de gastos com veículos. Não menos correto é o fato de o órgão de fiscalização ter reconhecido a possibilidade de créditos decorrentes de aquisição de dispêndios com veículos desde que estes “participem efetivamente do processo produtivo” (item 143 do Parecer Normativo COSIT 05/2018), citando, como exemplo “veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes” (item 144 do Parecer Normativo COSIT 05/2018) – embora o mesmo parecer negue direito ao crédito de gastos com veículos utilizados “a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes”. 2.1.10.3. Quer parecer que o transporte de materiais e equipamentos de limpeza para os locais onde o serviço será prestado é essencial a execução do serviço de limpeza. Ao subtrairmos o produto de limpeza do serviço prestado pela Recorrente, este serviço perde sua característica; quando muito torna-se um espalhar de sujeira. 2.1.10.4. Não se nega que o transporte de material de limpeza é indiretamente ligado à execução do serviço prestado pela Recorrente. Todavia, o fato de ligar-se imediatamente a execução do serviço é despiciendo para o direito ao crédito, bastando para a caracterização como insumo o fato de o produto de limpeza ser direta ou indiretamente essencial à limpeza. Logo, a glosa deve ser afastada neste ponto. Fl. 1283DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 2.1.10.5. Sem embargo do descrito acima, o uso de veículo para transporte de pessoal para fiscalização e controle não se enquadra no conceito de insumos. Tal transporte eé despesas administrativas que podem ou não culminar com melhoria na qualidade dos serviços. Destarte, como o uso de veículo automotor para transporte de pessoal de fiscalização se trata de fato que independe de prova – vez que a afirmação partiu da própria Recorrente - (artigo 374, III do Código de Processo Civil - de rigor a manutenção da glosa neste ponto. 2.1.11. Além dos veículos alugados, a Recorrente afirma que utiliza veículos da frota própria para o transporte de materiais e equipamentos de limpeza bem como de pessoal de fiscalização. Assim, assevera que OS SERVIÇOS, PARTES E PEÇAS UTILIZADOS PARA MANUTENÇÃO DE FROTA PRÓPRIA E OS COMBUSTÍVEIS devem ser considerados insumos para efeito de creditamento de PIS/COFINS. 2.1.11.1. De outro lado, ao negar o direito ao crédito, a DRJ afirma que os veículos da frota da Recorrente não são utilizados diretamente na prestação de serviços, logo, não há direito ao crédito na aquisição de combustíveis e peças de manutenção. 2.1.12.2. Os veículos da frota própria da Requerente são parte de seu ativo imobilizado, bem como as peças que nele se aderem, logo, estão sujeitos à depreciação e não sendo possível o creditamento a título de insumos. 2.1.13. A Recorrente alega que no momento da contratação de pessoal entrega uniformes “devidamente limpos e impecáveis”. Entretanto, no momento da demissão, os antigos colaboradores devolvem os uniformes sujos, tornando imperiosa LIMPEZA DOS UNIFORMES antes do novo uso. Portanto, “o serviço de lavanderia é essencial para atividade da Recorrente”. 2.1.13.1. Em contraponto, a DRJ argumenta que há autorização legal apenas para creditamento na aquisição de fardamentos e uniformes (artigo 3°, inciso X das Leis 10.637/2002 e 10.833/03) e que tal autorização legal deve ser interpretada restritivamente. 2.1.13.2. De saída, dada a amplitude do conceito conferida pelo STJ, parte dos dispêndios que não se subsomem nos demais incisos do artigo 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/03 podem vir a se incluir no inciso II do artigo 3° das mesmas matrículas – conclusão esta compartilhada pelo citado Parecer Normativo citado: “105. (...) Se o dispêndio efetuado pela pessoa jurídica não se enquadrar em nenhuma outra modalidade específica de creditamento, ele permitirá a apuração de créditos das contribuições caso se enquadre na definição de insumos e não haja qualquer vedação legal, independentemente das regras contábeis aplicáveis ao dispêndio”. 2.1.13.2. Entretanto, se bem que recomendável, a limpeza de uniformes não é essencial a execução de nenhum dos serviços prestados pela Recorrente, que - a rigor - poderiam ser prestados sem qualquer uniforme, inclusive. Destarte, de rigor a manutenção da autuação no tema em análise. Fl. 1284DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 2.1.14. A Recorrente narra que os SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS E DE HANGARAGEM são necessários para o deslocamento de líderes e gerentes para atendimento de clientes e conclusões de contrato. 2.1.14.1. A DRJ mantém a autuação neste ponto, vez que “as despesas incorridas com serviços aeroportuários e hangaragem para o deslocamento de funcionários, gerentes e diretores não se enquadram no conceito de insumos, uma vez que não são aplicados e nem consumidos na prestação dos serviços de limpeza portaria, monitoramento eletrônico, vigilância e segurança, como exigido pelas IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004”. 2.1.14.2. Como já dito, as despesas com deslocamento de líderes são meramente administrativas, sem qualquer vínculo de essencialidade ou relevância com os serviços prestados pela Recorrente. 2.1.14.3. Some-se ao argumento anterior o fato de - segundo narra a Recorrente – os gastos com transporte aéreo serem essenciais a ações anteriores à execução dos serviços por ela prestados, nomeadamente, “fechamento de contratos”. 2.1.14.4. Por fim, o Ministro Campbell Marques, no voto vogal que iniciou a divergência que conduziu ao repetitivo em liça, afasta especificamente os gastos descritos pela Recorrente como insumos: Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídico-contábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Veja-se (in, José Carlos Marion. Contabilidade empresarial. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 118 e ss.): As Despesas Operacionais são as necessárias para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Os principais grupos de Despesas Operacionais são os especificados a seguir: A. Despesas de Vendas Abrangem desde a promoção do produto até sua colocação ao cosumidor (comercialização e distribuição). São despesas com o pessoal da área de venda, comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, marketing, estimativa de perdas com duplicatas derivadas de vendas a prazo (provisão para devedores duvidosos) etc. B. Despesas Administrativas: São as necessárias para administrar (dirigir) a empresa. De maneira geral, são gastos nos escritórios visando à direção ou à gestão da empresa. 2.1.15. A Recorrente contrata MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA para supressão de lacunas na prestação de serviços (tais como férias). Ademais, contrata MÃO DE OBRA DE Fl. 1285DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 TERCEIROS para manutenção do sistema de disponibilização de comprovantes de pagamentos de INSS e FGTS aos tomadores. Por entender essências ao serviço prestado por si prestado, a Recorrente creditou-se destes dispêndios. 2.1.15.1. No tema em voga, a DRJ mantém a autuação, pois “os serviços prestados por empresa de trabalho temporário não podem ser enquadrados no conceito de insumo, para fins de aproveitamento de créditos do Pis e da Cofins, visto que as atividades de recrutamento, agenciamento e de disponibilização de mão-de-obra obviamente contribuem apenas de forma indireta para as atividades fim do tomador dos serviços”. Igualmente, há, tanto na Lei nº 10.637/2002 quanto na Lei nº 10.833/2003, vedação específica à apuração de créditos em relação a pagamentos de mão-de-obra 2.1.15.2. Do acima temos a indiferença do contato direto com a prestação de serviços para que determinado gasto seja compreendido como insumo, basta o vínculo de essencialidade ou relevância com a execução do serviço para tanto. Em assim sendo, a contratação de mão de obra temporária para execução dos serviços prestados pela Recorrente é essencial a continuidade do mesmo; com a diminuição da mão de obra (contato direto com a execução do serviço) há, no mínimo, perda de qualidade do serviço. Assim, o dispêndio com mão de obra temporária é insumo, como descrito nos itens 123 ao 125 do Parecer Normativo COSIT 05/2018: 123. Certamente, a vedação de creditamento estabelecida pelo citado inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, alcança apenas o pagamento feito pela pessoa jurídica diretamente à pessoa física. 124. Situação diversa é o pagamento feito a uma pessoa jurídica contratada para disponibilizar mão de obra à pessoa jurídica contratante (terceirização de mão de obra), o que afasta a aplicação da mencionada vedação de creditamento. 125. Neste caso (contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra), desde que os serviços prestados pela pessoa jurídica contratada sejam considerados insumo nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça e aqui explanados e inexistam outros impedimentos normativos, será possível a apuração de créditos em relação a tais serviços. 2.1.15.3. Solução oposta deve ser dada à contratação de mão de obra para manutenção de software de controle de documentos (despesa administrativa paralela a execução dos serviços), vez que trata-se de despesa administrativa, relevante para a manutenção dos contratos da Recorrente, mas indiferente à execução dos serviços por ela prestados. Assim, o auto neste ponto deve ser mantido em sua integralidade. 2.1.16. A Recorrente aventa a possibilidade de creditamento das rubricas MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO PREDIAL por enquadrarem-se no conceito de edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros. 2.1.16.1. A DRJ afasta a possibilidade de creditamento dos anteditos gastos, vez que “somente os encargos de depreciação ou amortização gerados pela incorporação ao ativo imobilizado de benfeitoria geram direito a crédito, o qual não será admitido na hipótese de tais dispêndios terem sido contabilizados diretamente a débito do resultado”. Fl. 1286DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 2.1.16.2. Nos filiamos à doutrina de BEVILÁQUA e entendemos que o conceito de benfeitorias é restrito as obras, não alcançando toda e qualquer despesa com a conservação do imóvel. Entendimento em sentido contrário permitiria a retenção do imóvel pelo valor da “não deterioração” (mera conservação) quando a solução legal é a indenização pelo mau uso do possuidor direto, isto é, a mera conservação (limpeza) não dá direito a retenção, logo não é benfeitoria. 2.1.16.3. Ademais, como bem ressaltado pela DRJ, o inciso III § 1° do artigo 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/03 determinam que o desconto de créditos seja feita com base em encargos de depreciação e amortização. Destarte, para gerarem direito das contribuições, as despesas com manutenção e conservação devem ser incorporados ao ativo imobilizado. Como os gastos em questão foram contabilizados a débito do resultado a autuação deve ser mantida para manutenção e conservação predial. 2.1.16.4. Não é impossível que despesas com manutenção predial enquadrarem-se como insumos, nos termos do artigo 3° II das Leis 10.637/2002 e 10.833/03, entretanto, a Recorrente não traça qualquer argumento neste sentido e não se trata de matéria cognoscível ex officio. 2.1.17. Argumenta a Recorrente que “independentemente de os empregados trabalharem ou não diretamente na limpeza predial, a legislação é cristalina ao permitir o creditamento de VALE-TRANSPORTE, VALE REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO, FARDAMENTO OU UNIFORME FORNECIDO AOS EMPREGADOS de pessoa jurídica que explore atividade de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção”. Ademais, a Recorrente aventa que uniformes são essenciais ao serviço que presta. 2.1.17.1. De outro lado, a DRJ mantém o auto neste ponto, uma vez que “a possibilidade de apuração de créditos em relação a dispêndios com vale-transporte, vale- refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme decorre de autorização legislativa específica, de modo que o permissivo deve ser interpretado de forma restritiva e não extensivamente, a ponto de contemplar os gastos com lavagem de uniformes, como pretende a Impugnante”. 2.1.17.2. Acerca da essencialidade ou relevância dos uniformes reporta-se ao quanto dito no item destinado a lavagem dos mesmos. Uniformes não são exigidos por nenhuma norma cogente, não são necessários ao serviço executado e não aumentam a qualidade dos serviços, logo, não são insumos para as atividades em discussão. 2.1.17.3. Entretanto, nos termos do descrito no inciso X do artigo 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/03 o crédito a reservado às pessoas que prestam serviço de limpeza, conservação e manutenção. Desta feita, de rigor a manutenção da glosa. 2.1.18. Sobre as DEMAIS RUBRICAS descritas no auto de infração, efetivamente, ante a discussão à exaustão de conceitos e matérias de acusação e defesa, podemos afirmar, sem outros rodeios que serviços de assessoria e consultoria, assessoria, assessoria Fl. 1287DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 jurídica, serviços terceirizados de despachante, serviços de mensageiros, copos de água, instalação e manutenção de software são despesas administrativas não vinculadas com a execução da atividade, logo não são insumos e correta a autuação. 2.2. Em detida análise a fiscalização observou por meio da comparação entre lançamentos contábeis (SPED) e declarações fiscais (DACON e DCTF) MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DAS BASES DE CÁLCULO DE INSUMOS o que resultou em declaração em DCTF de débitos do PIS e da Cofins menores do que os efetivamente devidos. 2.2.1. Em resposta a Recorrente argumenta mero equívoco que pretende comprovar demonstrando que com o procedimento incorreto majoraram-se os débitos de CSLL e IRPJ; débitos indevidos que requer abatimento com o valor devido pela autuação. 2.2.2. Se bem que tratemos de um auto de infração em que o ônus probandi cabe ao fisco, entendemos que a prova do fato constitutivo foi plenamente realizada com a apresentação dos valores divergentes de DACON e dos lançamentos contábeis. 2.2.3. Com isto se quer dizer que caberia a Recorrente apresentar provas de eventual equívoco, ônus ao qual não se desincumbiu. Destarte, a autuação deve ser integralmente mantida e eventual pagamento indevido de outros tributos deve ser discutido na forma e em sede própria (pedido de compensação ou restituição). 2.3. Por fim, o termo de verificação fiscal fixa a RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE SÓCIO DA RECORRENTE de maneira lacônica, com fundamento fático na reiteração da conduta infracional de descrever de maneira divergente as despesas em DACON e em escrituração e jurídico nos termos do disposto nos artigos 124, 128 e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional c.c. art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Tal capacidade de síntese já seria suficiente a afastar a autuação – como bem aponta a DRJ. 2.3.1. Ademais, embora não se possa concordar com a responsabilidade solidária tributária por crime culposo (até pela escassez de tipos penais culposos), com razão a DRJ quando dispõe: Nesse sentido, não consta nos autos o apontamento de quais condutas concretamente praticadas pelo sócio-gerente da autuada, Sr. Wagner Martins, incorrem em infração de lei a ensejar a sua responsabilização. O mero preenchimento do Dacon em discordância com a contabilidade, isoladamente, ainda que de forma reiterada e com diferenças relevantes, não faz prova do seu dolo e, nesse caso, em que o preenchimento do Dacon é encargo da assessoria contábil da autuada e não do Sr. Wagner Martins, da sua culpa. Não há qualquer ponderação da autoridade fiscal que aponte para situação em que o responsável Impugnante tenha agido com imprudência, negligência ou imperícia a ensejar a sua culpa. Da mesma forma, não há qualquer elemento a comprovar o seu dolo em “reduzir de forma ilegal a dívida tributária”. No que diz respeito à efetiva ocorrência de ato antijurídico, observe-se que as diferenças entre as bases de cálculo no Dacon e a escrituração contábil podem, de fato, decorrer de sua prática, mas também podem decorrer de diferença de entendimento da legislação Fl. 1288DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 tributária, de diferença de critérios na escrituração contábil, da conjugação de ambos ou de outros fatores a serem discutidos em litígio administrativo, se for o caso, mas que, a priori, não são infração de lei em sentido estrito. Ademais, a norma tida como transgredida por parte do Sr. Wagner Martins é o art. 1º da Lei nº 8.137/1990, abaixo transcrita, que capitula os crimes contra ordem tributária: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Note-se que, tal como ocorreu com a qualificação da multa de ofício por suposta prática dos comportamentos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a autoridade fiscal deixou de mencionar expressa e especificamente qual ou quais condutas elencadas nos incisos do art. 1º da Lei nº 8.137/1990 foram praticadas pelo sujeito passivo. Além disso, tendo em vista que se trata de norma penal tributária, sua incidência demanda a presença do dolo do agente por força da norma contida no parágrafo único do art. 18 do Código Penal, abaixo transcrito, o que não foi comprovado pela autoridade fiscal. Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (...) Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Mesmo que para imputação da responsabilidade do art. 135, III, do CTN não seja necessária a conduta dolosa por parte do agente, bastando que se configure a sua culpa, vale ressaltar que, no caso em tela, a infração de lei apontada pela autoridade fiscal é crime contra ordem tributária, o que faz com que, especificamente para esse caso, para a comprovação de sua prática, seja necessário o elemento doloso. 2.3.2. Destarte, de rigor o afastamento da responsabilidade solidária do sócio da Recorrente. Fl. 1289DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-006.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720103/2016-80 Dispositivo: 3. Pelo exposto, conheço dos recursos voluntário e de ofício e: 3.1. Nego provimento ao recurso de ofício; 3.2. Dou provimento ao recurso voluntário para afastar a autuação das despesas com: a) aluguel de veículos exclusivamente para transporte de material de limpeza; (b) contratação de mão-de-obra temporária junto a pessoa jurídica, para prestação dos serviços de conservação, limpeza e portaria, que constituem o objeto da recorrente; (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 1290DF CARF MF

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Numero do processo: 10183.720551/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ARL. FALTA DE AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. LAUDO TÉCNICO. A partir do exercício de 2001, necessária para a redução da base de cálculo do ITR a apresentação de ADA, protocolizado junto ao Ibama até o início da ação fiscal. Incabível o afastamento da glosa da APP com existência não comprovada devidamente em Laudo Técnico e não informada em ADA. Não é possível a reversão da glosa da ARL ,sob falta de apresentação de ADA, e quando não consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. ITR. ÁREA INDÍGENA. Somente não incidirá o ITR sobre área indígena, se esta estiver demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, ainda que o registro do imóvel esteja em nome do ora proprietário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFICIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de oficio legalmente embasada, tendo em vista o caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. SUMULA CARF NO 04. Conforme Súmula n° 04 deste Conselho, de teor vinculante, os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC.
Numero da decisão: 2202-005.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo o VTN declarado pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

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ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ARL. FALTA DE AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. LAUDO TÉCNICO. A partir do exercício de 2001, necessária para a redução da base de cálculo do ITR a apresentação de ADA, protocolizado junto ao Ibama até o início da ação fiscal. Incabível o afastamento da glosa da APP com existência não comprovada devidamente em Laudo Técnico e não informada em ADA. Não é possível a reversão da glosa da ARL ,sob falta de apresentação de ADA, e quando não consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. ITR. ÁREA INDÍGENA. Somente não incidirá o ITR sobre área indígena, se esta estiver demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, ainda que o registro do imóvel esteja em nome do ora proprietário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFICIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de oficio legalmente embasada, tendo em vista o caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 51 /2 00 7- 21 Fl. 176DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. SUMULA CARF N O 04. Conforme Súmula n° 04 deste Conselho, de teor vinculante, os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo o VTN declarado pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 149/173) interposto contra o Acórdão 04- 19.136, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS – DRJ/CGE (e-fls. 119/133) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento que levantou Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo a Área de Preservação Permanente – APP, Área de Reserva Legal - ARL e a Valor da Terra Nua – VTN, declarados em Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR e não comprovados. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão combatido. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de fls. 01/06, mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercício 2005, no valor total de R$ 885.750,36, referente ao imóvel rural Fazenda Anabru, de Número na Receita Federal = NIRF 6.103.476-2, localizado no município de Tabaporã/MT. Na descrição dos fatos (fis. 02/03), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente da glosas nas áreas de preservação permanente e reserva legal informadas. Houve também alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. Da Impugnação Após tomar ciência do lançamento, em 27/07/2008 (fl. 23), o contribuinte protocolou, em 25/08/2008, a impugnação de fls. 26/46, acompanhada dos documentos de fls. 48/110. Em síntese, alega e solicita que: • O imóvel é constituído por matas nativas e é usado pelos condôminos, exclusivamente, como reserva legal; Fl. 177DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 • A Autoridade Administrativa, na elaboração do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, não considerou as Áreas de Reserva Permanente e de Reserva Legal existentes no imóvel, que totalizam 7.908,0 hectares, conforme faz prova os documentos juntados, em especial o Laudo Técnico, com imagem satélite; • Esta é a verdadeira situação do imóvel, que poderá ser comprovada pelo Autuante a qualquer momento mediante a necessária e oportuna diligência "in loco"; • O entendimento tributário concentra-se na perfeita instrução da DITR/2005, alusiva ao NIRF 6.103.476-2, com área total de 9.885,0 hectares, sendo Preservação Permanente de 300,0 hectares e Reserva Legal de 7.608,0 hectares, apresentando o VTN de R$ 500,000,00 (quinhentos mil reais) em área localizada na REGIÃO AMAZÔNICA (AMAZÔNIA LEGAI.), que por si, exige e merece tratamento diferenciado; • Anexamos a presente Impugnação cópia da Escritura Pública de Cessão de Direitos de Posse e Benfeitorias, lavrada em 03/07/1995 firmado entre o cedente Sr. Anísio Vicente da Silva e o cessionário Sr. Dalton Benoni Martini, ora impugnante; • Cumpre ainda esclarecer que tramita na Comarca de Tabaporã-MT processo judicial sob o n° 025/2005, originário da Comarca de Portos dos Gaúchos (processo n° 290/96), Ação de Usucapião, movida pelo Impugnante em desfavor de João Antônio Ferreira e outros, conforme cópia da consulta do andamento processual anexa; • Assim devidamente comprovado que o Impugnante possui apenas a posse do imóvel em questão, por isso não existe ainda matrícula do imóvel em seu nome, bem como averbação de área de Reserva Legal na matrícula. Também não existe Termo de Compromisso de Averbação, pois a área total do imóvel, juntamente com outras da região; está em estudo para criação de Reserva Indígena, o que será exposto a seguir. Tão logo ocorra o julgamento favorável da Ação de Usucapião, e seu trânsito em julgado, será providenciado o registro em cartório, bem como a averbação da área de reserva legal; • Porém importante frisar que o impugnante sempre esteve atento às questões ambientais e as limitações administrativas à propriedade, respeitando as disposições do Código Florestal mantendo as s áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal intactas no imóvel em questão. Nestes termos tem direito à exclusão de referidas áreas da incidência do ITR, nos termos da Lei; • Em 18 de dezembro de 1996 no Processo FUNAI 08620-2.558/96, iniciou-se a coleta de informações sobre a área do Batelão, onde está encravado o imóvel em questão; • Em 1999 foi instaurado Processo Administrativo pela Funai sob o n° 08620. 3.477/99, para identificação e Delimitação da Terra Indígena Batelão, dos Índios Kayabi, localizado no Município de Tabaporã - MT; • Tramitam na Justiça Federal várias ações judiciais, como, pedido de suspensão do processo administrativo de demarcação da área, produção antecipada de provas (2004.36.00.009616-7) entre outras; • O processo de Identificação e estudo para criação de Reserva Indígena Batelão, foi cadastrado no Cadastro Radan Brasil, o que impossibilita obtenção de qualquer documentação junto aos órgãos públicos, tanto federal quanto estadual, pela indefinição da questão; • E também pela indefinição da questão o Valor da Terra - preço de mercado baixou muito, ninguém quer adquirir área que está em processo de demarcação de Reserva Indígena, por isso o valor apresentado pelo auditor fiscal, como valor da terra, está muito além da realidade vivida pelos proprietários de imóveis abrangidos pela delimitação da Reserva; Área de Preservação Permanente não comprovada • Conforme documentos que se junta, em especial Laudo Técnico e imagem satélite (atual), fica claramente demonstrado que o imóvel rural em questão possui área de preservação permanente, conforme constou da DITR apresentada pelo contribuinte; Fl. 178DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 • A não solicitação de emissão do ADA pelo contribuinte não pode ser considerado empecilho para isenção do ITR em relação às áreas de preservação permanente, conforme estabelece o §7°, do art. 10 da Lei n° 9.393/96, sendo este inclusive o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. No mesmo norte aponta o Terceiro Conselho de Contribuintes. • Pelo laudo técnico ficou provada a existência de área de Preservação Permanente no imóvel em questão, que inclusive é maior do que a declarada pelo contribuinte, e está totalmente intacta e devidamente preservada conforme exigência e imposição legal; Área de Reserva Legal não comprovada • O imóvel rural está localizado na Amazônia Legal, e segundo o Código Florestal - Lei 4.771/65, de 15/09/1965, a área de Reserva Legal nesta região é de 80% da propriedade; • De acordo com as orientações do Programa da Receita Federal para apresentação da DITR/ 2005 deveria se considerar como Reserva Legal a área desta, diminuindo-se a área de Preservação Permanente; • Assim, a área total do imóvel é de 9.885,0 hectares, segundo o Código Florestal a área de Reserva Legal na Amazônia Legal deve ser de 80%, ou seja, 7.908,0 hectares, e para efeitos da DITR-2005, deveriam ser subtraídas as áreas em comum de Preservação Permanente, que no caso declarado, 300,0 hectares, portanto restaram 7.608,0 hectares de Reserva Legal que foi declarada pelo contribuinte; • Segundo o Laudo Técnico a área de Preservação Permanente é de 931,35 hectares, assim para efeitos de ITR dos 80% de Reserva Legal, ou seja, 7.908,0 hectares (Reserva Legal = 80%), subtraindo-se a área de Preservação Permanente temos 6.976,65 hectares, que nenhuma diferença ou acréscimo causou na DITR/2004 apresentada pelo contribuinte; • Conforme Laudo Técnico, o contribuinte mantém em sua propriedade área de Reserva Legal intacta conforme exigência legal, e a não solicitação do ADA junto ao IBAMA e a não Averbação ou apresentação de Termo de Compromisso de Averbação da Reserva Legal não podem ser obstáculo à exclusão da referida área da base de cálculo do tributo; • O Código Florestal exige a averbação da área de Reserva Legal para efeitos de exploração das florestas e outras formas de vegetação, e não para limitar administrativamente seu uso, pois a limitação já decorre da Lei, como é o caso da isenção do ITR sobre referida área, que independente de averbação ou não da Reserva Legal à margem da matrícula; • Diante do exposto, evidente e sobejamente provada a existência fálica da área de Reserva Legal no imóvel rural em questão. E a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de calculo do ITR deve ser mantidas e o imposto suplementar lançado totalmente anulado; Valor da Terra Nua declarado não comprovado • Quanto à desconsideração do VTN, consignado na DITR-2005, o auto de infração/notificação de lançamento apresentou como base a média dos VTN apresentados pelos contribuintes do município de localização naquele exercício, porém deixou de levar em consideração outros aspectos imprescindíveis, entre os quais, a citada delimitação da Reserva Indígena; • Imprescindível salientar que o município de Tabaporã-MT possui uma área de 849.925 hectares, e a Reserva em estudo 117.050 hectares, o que corresponde a apenas 14% da área total do Município, neste norte, ao utilizar os valores de todos os contribuintes e fazer uma média, a autoridade lançadora penalizou sobremaneira o impugnante, pois 86% dos proprietários rurais do município de localização não foram atingidos pela medida administrativa da FUNAI, e suas terras não foram desvalorizadas; • E ainda, a localidade onde se encontra encravada a propriedade subanálise ainda é desprovida de infra-estrutura, especialmente de rodovias pavimentadas, que no seu Fl. 179DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 conjunto trazem o Valor da ferra Nua, verdadeiramente em níveis baixos de valorização; • Assim o valor de R$ 218,90 por hectares arbitrado pela autoridade lançadora, como sendo o VTN/há da época (2005) é totalmente descabido; • Portanto, o valor declarado pelo impugnante, ou seja, R$ 50,59 ha, correspondia ao valor de mercado à época do fato gerador (2005), devido à situação fálica exposta anteriormente, e deve ser mantido; Multa e juros • Ao apresentar a sua DITR - 2005 a fez em conformidade com o programa eletrônico da Receita Federal disponível à época e seguiu as normas. Ao estabelecer os critérios do Grau de Utilização da Terra, baseou-se nos índices permitidos pela legislação ambiental vigente e a real situação fálica de sua propriedade, e o fato de haver (ou não) discrepância, que poderá ser apurado por Vossa Senhoria, não caracteriza em momento algum, que houve qualquer infração por parte deste impugnante, portanto, entende ser descabível, ilegal e inoportuna a aplicação de multa incidente sobre o crédito tributário, à ordem de 75% sobre tal montante, vez que em momento algum, tentou locupletar-se mediante apresentação de dados inexistentes ou falsos; • Quanto aos juros de mora, que também desde já ficam impugnados, há de se ver que, com a comprovação do GUT em 100 %, devido a exclusão das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente), o que culminará na manutenção da taxa de tributação em 0,45%, também não poderão os mesmos ser considerados quanto à aplicação, até mesmo porque, entende este, que em não havendo diferença a ser recolhida, não há porque se falar em juros de mora, ou outros acréscimos. 3. A Ementa do Acórdão combatido, por bem espelhar a apreciação da lide pela DRJ, é colacionada a seguir: PRESERVAÇÃO PERMANENTE - RESERVA LEGAL REQUISITOS DE ISENÇÃO A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente - APP e Áreas de Utilização Limitada - AUL, como Área de Reserva Legal - ARL, está vinculada à comprovação de suas existências, como laudo técnico específico para a APP e averbação na matrícula da AUL, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. RESERVA LEGAL - POSSE Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação ITR. ÁREA INDÍGENA Somente não incidirá o ITR sobre área indígena, se esta estiver demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, ainda que o registro do imóvel, perdure em nome do ora proprietário. Inteligência dos artigos 150, inciso VI, alínea `a'; 20, inciso XI; e 231, §s 2° e 4% da Constituição Federal. ISENÇÃO - INTERPRETAÇÃO LEGAL A legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpreta-se literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. VALOR DA TERRA NUA - VTN Fl. 180DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. DA MULTA LANÇADA (75,0%) E DOS JUROS DE MORA. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração - ITR, cabe exigi-lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. 4. Destaque-se também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ: Voto (...) Área de reserva legal e preservação permanente (...). O artigo 14, da mencionada Lei 9.393/1996, embasa o lançamento de ofício no caso de informações inexatas ou não comprovadas. Relativamente às áreas de florestas, o impugnante não concordou com sua glosa embasada na ausência do ADA e, no caso da reserva legal, também da averbação à margem da matrícula. Afirmou a existência de tais áreas em sua propriedade, comprovada segundo laudo técnico apresentado. Assim sendo, o principal argumento de discordância e, em suma, que as florestas preservadas existem, realmente, fato que tornaria legítimo o cabimento ao desfrute da isenção, sem a necessidade de atender a mais exigências para tal. Entre os argumentos de sustentação reproduziu jurisprudência administrativa, que considera isentas essas áreas, independentemente de ADA. (...). Com os argumentos apresentados se pretende demonstrar que as mesmas existem, independentemente das formalidades exigidas, entretanto, para obter a isenção tributária, (...), é necessário o cumprimento de requisitos legais. Não basta, somente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além de existirem, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei exigir para serem contempladas com a isenção. Para melhor entendimento (...) requisitos legais para que as áreas reservadas sejam isentas (...), sendo os principais a averbação da área de Utilização Limitada na matrícula do imóvel, a demonstração da existência da Preservação Permanente, através de laudo técnico, e a apresentação tempestiva do ADA ao IBAMA, informando as áreas em questão. Segundo a legislação que rege a matéria, a Reserva Legal, com dimensão mínima dependendo da região do país, sendo a menor 20,0% da propriedade, deve ser averbada à margem da matrícula de registro de imóveis. (...) (...) Passando-se à situação concreta, o próprio contribuinte alega que o ADA não foi apresentado e também diz que não averbou a área de reserva legal, devido ao fato de ser possuidor da área, sem deter a titularidade da mesma e também pelo fato de esta área estar prestes a ser demarcada como reserva indígena. Quanto à ausência de ADA, este fato por si só já justificaria a não aceitação das áreas isentas, (...) Em relação ao fato de se tratar de áreas de posse, a reserva legal deve ser assegurada mediante Termo de Ajustamento de Conduta, consoante § 2º , art. 12, do Decreto n o Fl. 181DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do ITR), que consolidou toda a legislação do ITR, (...): (...) (...). Não tendo cumprido nem o requisito do ADA e nem do Termo de Ajustamento de Conduta, não deve ser tal área considerada isenta. No tocante à preservação permanente, o laudo apresentado não identifica a correta distribuição das áreas, informando de forma clara do que é composta a área de preservação permanente. O laudo menciona apenas de forma genérica existir 1.977,00 hectares de preservação permanente, sem identificar em que situação se enquadra na Lei no 4.771/65. Desta forma, nem foi provada a existência da área e nem foi atendido o requisito da entrega do ADA, logo tais áreas também não podem ser consideradas isentas. Reserva Indígena Quanto à área indígena, que o contribuinte alega estar em processo de demarcação, ele próprio menciona que ainda há uma indefinição em relação à questão, sendo que há um estudo para a criação da Reserva Indígena Batelão, o que não ocorreu ainda. Desta forma não há como considerar tais áreas isentas, a não ser com a homologação desta demarcação e a prova cabal de que a sua propriedade esteja dentro desta área, pois se assim o fosse estas áreas poderiam ser consideradas de preservação permanente, obviamente que somado ao requisito de apresentação do ADA, consoante perguntas n° 71 e 72 da publicação Perguntas e Respostas, (...): (...) Não tendo ocorrido, portanto, a homologação da reserva indígena, por decreto presidencial, e nem existindo ADA da referida área, classificando-a como de preservação permanente, não cabe considerar tal área como isenta. Pelas razões apresentadas, as pretensas áreas não deveriam estar declaradas como isentas, pois não estavam amparadas para essa concessão, fato que configura declaração incorreta. Para a questão é necessário observar que, em atendimento ao disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional — CTN, o dispositivo legal de concessão de benefício fiscal interpreta-se restritivamente: (...) Desta forma, em atenção a esse dispositivo, não atendido o requisito legal da averbação no prazo regulamentar ou Termo de Ajustamento de Conduta ou não requerido o Ato Declaratório Ambiental dentro do prazo estipulado, as pretensas áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada ficarão sujeitas à tributação. Além disso, para efeito do ITR, serão enquadradas como áreas aproveitáveis do imóvel e não explorada pela atividade rural, afetando, assim, o grau de utilização e alíquota de cálculo, também questionados pelo impugnante. Este entendimento, aliás, a Secretaria da Receita Federal incluiu na publicação "Perguntas e Respostas do ITR/2000", constando da pergunta n° 166 (...): (...) Jurisprudência administrativa e judicial Outrossim, quanto à jurisprudência do Conselho de Contribuintes, na qual, entre outros temas, basta a comprovação de existência. das áreas em foco para que sejam isentas, independentemente de ADA tempestivo, é importante que se esclareça que essas decisões se referem aos exercícios em que, então, se discutia a base legal da exigência, IN/SRF, sendo que fiscalização em pauta é relativa a exercício posterior a 2003, para os quais, como já visto, existe base legal definida. Além disso, se sabe que o entendimento do Conselho não é unânime nas câmaras daquele Órgão. Nas pesquisas efetuadas, Fl. 182DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 provavelmente, o impugnante haja constatado esse fato, pois, há mais decisões em sentido contrário. Também, de acordo com o artigo 100, do CTN, as reiteradas decisões dos Órgãos singulares ou coletivos, da jurisdição administrativa, são normas complementares da lei, porém, desde que seja atribuída eficácia normativa através de lei. Como não há determinação legal para vincular julgamentos de primeira instância a decisões do Conselho, especialmente às que consideram as áreas isentas independentemente de ADA e/ou averbação, não há como aplicar aqui o entendimento, não unânime, daquele Órgão. (...) Veja-se também o Parecer Normativo CST n o 390/1971: (...). Logo, mesmo que o Conselho de Contribuintes tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26-A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei no 11.196/2005. Em relação às decisões judiciais, observe-se o disposto nos arts. 102, § 2°, e 103-A da Constituição Federal (DOU de 31/12/2004), com redação dada pela Emenda Constitucional n.° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. (...) Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes supramencionadas deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Nesse passo, também não serão conhecidas a decisão judicial suscitada pelo litigante, posto que vincula somente às partes envolvidas naquele litígio específico, não abrangendo terceiros. Mesmo em relação ao entendimento dos Tribunais Superiores, data vênia sua respeitabilidade, não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do CTN, salvo no caso de súmulas vinculantes de que trata a Emenda Constitucional n° 45/2004, o que não ocorreu na espécie. Todavia, antecipadamente esclareço que, mesmo sem força vinculante, foram utilizadas algumas decisões neste voto, entretanto nunca com a função de norma complementar de que fala o art. 100 do CTN, mas simplesmente para reforço na argumentação. Valor da terra nua Quanto ao valor da terra nua, o contribuinte alega que a autoridade fiscal utilizou o valor com base na média dos VTN apresentados pelos contribuintes do município de localização naquele exercício, porém deixou de levar em consideração outros aspectos imprescindíveis, entre os quais, a citada delimitação da Reserva Indígena. A título de esclarecimento, quando da análise das DITR o fiscal verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, o procedimento da fiscalização deve ser a intimação do declarante para comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no art. 14 da Lei n° 9.393/96. A norma veiculada pelo art. 14 não se trata de arbitramento. Além disso, o dispositivo impõe a formalização da exigência do imposto suplementar, mediante lançamento, do qual será intimado o contribuinte para apresentação de suas razões de defesa. Percebe-se, portanto, que o procedimento fiscal pautou-se pela legalidade. Além do mais o próprio contribuinte, ao questionar o fato de não ter sido a tabela SIPT utilizada de forma adequada, reconhece que na ausência de informações para se apurar o VTN, a tabela SIPT poderia valer-se da utilização do valor médio informado nas outras declarações de ITR, logo há permissão legal para a Fl. 183DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 utilização da tabela SIPT mesmo que não haja esta informação por parte das Secretarias Estaduais e Municipais de Agricultura. (...). É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. No caso em questão, o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação elaborado conforme NBR 14653-3 e com grau de fundamentação II. Desta forma, não cabe ser alterado o valor do VTN apurado pela fiscalização. (...) Desta forma, deve ser mantido o VTN utilizado no lançamento (...). (...) Recurso Voluntário 5. Inconformado após cientificado da decisão a quo, o ora Recorrente apresentou seu Recurso, de onde seus argumentos são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - traz brevíssimo relato dos fatos e passa a repisar seus argumentos já apresentados em sede impugnatória; - inicia destacando preliminarmente seu entendimento da correta instrução da DIRT/2005 do imóvel NIRF 6.103.476-2, com área total de 9.885,0 hectares, sendo 300,0 ha de APP, 7.608,0 hectares de ARL, VTN de R$ 500.000,00 e em área localizada na região Amazônica (Amazônia Legal) - destaca que possui apenas a posse do imóvel e por isso não existe ainda matrícula em seu nome e averbação da ARL, tendo já apresentado Escritura Pública de Cessão de Direitos de Posse e Benfeitorias (fls. 58) e cópia de consulta de andamento processual de Ação de Usucapião (fls. 60/62) - e destaca também preliminarmente que em 18 de dezembro de 1996 no Processo FUNAI 08620-2.558 96 iniciou-se a coleta de informações sobre a área do Batelão, onde está encravado o imóvel em questão; que em 1999 foi instaurado Processo Administrativo pela FUNAI sob o n° 08620. 3.477/99, para identificação e Delimitação da Terra Indígena Batelão, dos Índios Kayabi, localizado no Município de Tabaporã - MT; e que tramitam na Justiça Federal várias ações judiciais, e pela indefinição da questão o Valor da Terra - preço de mercado baixou muito, e por isso entende que o valor apresentado pelo auditor fiscal, como valor da terra, está muito além da realidade; - passando ao Mérito, entende que apesar do acórdão atacado destacar que não foi comprovado por ADA a existência da APP, conforme documentos já juntados (fls. 100/110), em especial o Laudo Técnico e a imagem de satélite (22/05/2008), entende estar demonstrado que o imóvel possui APP, inclusive maior do que a declarada; - sustenta que a falta do ADA não pode ser considerada empecilho para isenção do ITR em relação às áreas de preservação permanente, conforme estabelece o § 71, do art.10 da Lei n° 9.393/96, sendo que sua declaração é verdadeira e devidamente comprovada, e ainda não está sujeita à prévia comprovação; - destaca jurisprudência do STJ e do Terceiro Conselho de Contribuintes nesse sentido e que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal; Fl. 184DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 - em continuidade, discorda do entendimento do Acórdão em relação à ARL, que não a afastam de tributação por falta de averbação á margem da matrícula ou falta de Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação; - alega que seu imóvel está localizado na Amazônia Legal, onde segundo o Código Florestal (Lei 4.771/65, artigo 16, inciso I) a ARL deve ser de 80%, ou seja, 7,908,0 hectares de 9.885,0 hectares, subtraídos APP de 300 hectares, resultando em 7.608,0 hectares de ARL; ainda segundo o Laudo Técnico, a APP é de 931,35 hectares, assim da ARL de 7.908,0 hectares (Reserva Legal = 80%), subtraindo-se APP do Laudo tem-se 6.976,65 hectares, que nenhuma diferença ou acréscimo causou na sua DITR/2005 apresentada; - aduz que conforme o Laudo Técnico, mantém em sua propriedade ARL intacta conforme exigência legal, e não solicitação do ADA junto ao IBAMA e a não Averbação ou apresentação de Termo de Compromisso de Averbação da Reserva Legal não podem ser obstáculo à exclusão da referida área da base de cálculo do tributo; - cita doutrina no sentido da independência de averbação para conhecimento da ARL e defende que o Código Florestal exibe tal averbação para efeito de exploração de florestas e não para limiar administrativamente seu uso, já que a isenção do ITR decorre de lei e independe portanto da averbação; - cita jurisprudência do STJ, do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do TRF1 nesse sentido; - passa então a apresentar seus argumentos em relação ao VTN e destaca que o acórdão sustenta que tal valor não foi comprovado pela reclamante em Laudo nos moldes da NBR ABNT 14.653-3 e que a Notificação teria considerado o VTN médio do município sem considerar aspectos importantes como a delimitação da Reserva Indígena, que corresponde somente a 14 % da área do município mas atinge o imóvel em questão, mas os outros imóveis, em média, não foram afetados, ou ainda o aspecto de que o imóvel sob análise encontra-se em localidade desprovida de infra estrutura; - entende assim que o valor de R$ 218,90 por hectare arbitrado pela autoridade lançadora é descabido e o valor declarado de R$ 50,59 por hectare correspondia ao valor de mercado à época do fato gerador (2005); - argumenta ainda que apresentou sua DITR conforme as normas vigentes e sem cometimento de qualquer infração, sem qualquer tentativa de locupletar-se, e dessa forma, descabida, ilegal e inoportuna seria a multa de 75% aplicada, ainda mais sobre um imposto que suplementar que entende ilegal por glosou indevidamente áreas isentas; - expõe que comprova o grau de utilização correto com a exclusão das áreas isentas, o que não traria então diferença a ser recolhida, afastando juros de mora e outros acréscimos; - apresenta quadros com a comprovação do grau de utilização da terra que entende cabível, considerando a APP e a ARL, tanto com o VTN que entende correto como o apontado pela fiscalização, destacando que eventual diferença de imposto devida seria muito inferior ao apurado na notificação; e - argumenta que não é cabível o crédito tributário cobrado equivaler a cerca de 40% do valor total do imóvel e o Estado estaria desrespeitando sua capacidade contributiva, parecendo confisco. Fl. 185DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 6. Seu pedido final é pelo reconhecimento da existência da APP e da ARL, pelo acatamento do seu VTN declarado e pelo cancelamento da Notificação, mantendo assim a sua DITR original. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Preliminarmente, quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 10. Com isso, fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo CARF. E mais, as decisões administrativas e as respeitáveis citações doutrinárias levantadas pelo recorrente não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 11. Pertinente o destaque feito pela Decisão de piso de que “Todavia, antecipadamente esclareço que, mesmo sem força vinculante, foram utilizadas algumas decisões neste voto, entretanto nunca com a função de norma complementar de que fala o art. 100 do CTN, mas simplesmente para reforço na argumentação”. 12. Ainda em sede preliminar, muito pertinente a manifestação da DRJ sobre as alegações da interessada no que tange a existência da Reserva Indígena, cujo excerto é apresentado a seguir, quando passo a tomar tal citação como razões de decidir neste quesito: (...) Também não pode o contribuinte pretender que o VTN seja reduzido em razão de existência de terra indígena sobreposta ao imóvel. O VTN só poderia ser reduzido com base em laudo técnico de avaliação acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, e que demonstre o atendimento das normas da ABNT. Da análise dos documentos dos autos, verifica-se que a área eventualmente declarada indígena ainda não foi objeto de desapropriação, motivo pelo qual deveria ser considerada como áreas não utilizadas pela atividade rural. (...) Para exclusão do ITR, a área declarada como sendo indígena deve ser devidamente demarcada. Este é o entendimento do Conselho de Contribuintes: Fl. 186DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 Ementa: ITR/94. RESERVA INDÍGENA. DEMARCAÇÃO. EFEITOS SOBRE O TRIBUTO. A exclusão da tributação pelo ITR da área do imóvel pertencente a nação indígena ocorre a partir da demarcação definitiva da reserva. Negado provimento por unanimidade (Recurso n° 125.584. Processo 10283.008082199- 32. Primeira Câmara. Sessão de 2610212003 14:00:00. Acórdão n'301.30547. Desta forma, deve ser mantido o VTN utilizado no lançamento, uma vez que, quando do fato gerador as terras não eram declaradas como sendo indígenas, o que inviabiliza a consideração de não tributação destas áreas.(grifos não presentes no original) (...) 16. Verifica-se no Recurso que as alegações sobre a existência da Reserva Indígena viriam a justificar o VTN pretendido como correto, quesito então que será abarcado na apreciação do mérito, onde também serão apreciados seus argumentos iniciais sobre posse e averbação de áreas à margem do registro. 17. Complemente-se a apreciação preliminar destacando que ao verificar a Notificação de Lançamento presente neste processo, constata-se a presença de todos os requisitos exigidos no art. 11 do Decreto n.º 70.235/1972 e, concomitantemente, a ausência de qualquer situação de nulidade prevista art. 59 do mesmo Decreto, o que permitiu ao sujeito passivo exercer seu direito ao contraditório e impugnar o lançamento efetuado, nos termos do disposto no art. 14 do mesmo diploma legal. Atendido ao princípio da legalidade, observados foram, por consequência, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Nada há que justifique a declaração de nulidade do lançamento ou de qualquer ato contido na presente lide. 18. Em apreciação às questões de necessidade e tempestividade de apresentação do ADA, da existência da APP e da averbação da ARL, deve ser, de pronto, verificado o hodierno entendimento deste Conselho sobre tais quesitos. 19. Em suma, o entendimento maioritário presente no CARF sobre a apresentação do ADA é que realmente há a obrigatoriedade legal de sua apresentação mas não há determinação legal que delimite a sua tempestividade. Por outro lado, entende-se que tal Ato deve ser aceito caso apresentado antes do início da ação fiscal e a existência da APP deve estar comprovada para aceite de ADA eventualmente intempestivo. Quanto à ARL, realmente sua averbação tempestiva à margem ou a apresentação de documentos emitidos tempestivamente por órgãos ambientais suprem a apresentação do ADA. Senão vejamos as ementas de recentes Acórdãos abaixo colacionados: ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. TERMO DE RESPONSABILIDADE COM PODER PÚBLICO. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ART. 16, §§8º E 10 DA LEI Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel e, nos casos de ser mero possuidor, haver comprovação pelo contribuinte da celebração de Termo de Responsabilidade com o Fl. 187DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 Poder Público, desde que antes da ocorrência do fato gerador. Acórdão 9202-005.180 – 2ª Turma - Sessão de 26 de janeiro de 2017. --------- ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrida apresentou o ADA e averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador, bem como comprovou a área de preservação permanente mediante apresentação de laudos técnicos, devidamente acompanhados de ARTs. Acórdão nº 9202003.474 - Sessão de 10 de dezembro de 2014. 20. O entendimento deste Conselho consolida-se também no sentido de que a apresentação de Laudo Técnico não exime a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para o benefício fiscal da isenção de ITR, nas áreas de Preservação permanente (APP), a apresentação somente de laudo não satisfaz os requisitos da legislação. Acórdão nº 9202 - 003.052 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014. 21. No caso concreto, verifica-se que não ocorreu apresentação de ADA nem antes do início da ação fiscal, nem mesmo a qualquer tempo, e que o laudo de e-fls. 103 e seguintes não atende ao normativo ABNT para sua aceitação (fundamentação e grau de precisão II, NBR 14.653 da ABNT), como já apontado pela DRJ, conforme excerto a seguir colacionado; (...) É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. No caso em questão, o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação elaborado conforme NBR 14653-3 e com grau de fundamentação II. Desta forma, não cabe ser alterado o valor do VTN apurado pela fiscalização. (...) 22. Portanto, sem comprovação da APP no Laudo Técnico apresentado e sem sua declaração em ADA, não assiste razão ao contribuinte neste quesito, devendo pois ser mantida a glosa da Área de Preservação Permanente pretendida pelo interessado. 23. Já quanto à ARL, a mesma poderia ser reconhecida mesmo sem a apresentação do ADA. Mas no caso concreto, não há averbação nem parcial nem total de ARL Fl. 188DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 no registro do imóvel, nem mesmo realizada antes da concretização da posse do imóvel pelo interessado, conforme indicado inclusive pelo mesmo, e também não há comprovação pelo contribuinte da celebração de Termo de Responsabilidade com o Poder Público, que poderia suprir tal requisito. Dessa forma, também não há como reverter a glosa da ARL procedida pela Fiscalização 24. Não há como atender à pretensão do interessado ao aduzir que deve ser presumido seu cumprimento da determinação do Código Florestal no sentido de preservação de 80% de floresta de seu imóvel. A presunção não cabe diante da ausência da comprovação da realidade material necessária à consideração da reserva legal: não há a devida averbação, não há juntada de Termo de Responsabilidade, não há comprovação por Laudo técnico competente, não há apresentação de manifestação de Órgão competente para reconhecimento de área de utilização limitada. 25. Quanto ao Valor da Terra Nua inconformado com o valor do SIPT utilizado, que, conforme extrato de e-fl. 08, foi o VTN-médio atribuído, deve ser dada razão à contraposição do contribuinte. 26. Como razões de decidir, recorro, com a devida vênia, ao recentíssimo Acórdão proferido pelo I. Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, prolatado em Sessão desta mesma Segunda Turma Ordinária, na data de 09 de julho do corrente ano, que recebeu o n o 2202- 005.291 e cuja argumentação correlata colaciono a seguir: (...) Da Apuração do Valor da Terra Nua – VTN Alega o Recorrente que não cabe arbitramento do VTN pela fiscalização com base no SIPT. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observando-se nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizando-se como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Passemos então a analisar as normas legais que tratam do tema posto. O arbitramento do VTN, com base no SIPT - Sistema Integrado de Preços de Terras, está previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Fl. 189DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 Assim manifesta o art. 12 da Lei n. 8.629, de 1993: "Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1° A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel." Com as alterações da Medida Provisória n° 2.18.356, de 2001, a redação do art.12 , da Lei n° 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art. 12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias, (grifei) Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais acima especificadas. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município (e-fls. 198), então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica deste Tribunal, vejamos: VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel, (acórdão CSRF n° 9202-005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel, (acórdão CSRF n° 9202-005.687, de 27/07/2017) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante. (acórdão CSRF n° 9202-007.331, de 25/10/2018). Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência , deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosada pela autoridade fiscal.(grifos não presentes no original) 27. Quanto à aplicação da multa de 75% e da taxa SELIC, os procedimentos seguidos pela fiscalização no levantamento do tributo e no cálculo dos acréscimos legais atenderam plenamente às normas legais vigentes e, estando cumprindo o princípio da legalidade, Fl. 190DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 a Notificação não se caracteriza como confisco nem descabidos, ilegais ou inoportunos seriam o imposto suplementar ou a multa de 75% aplicada, com aplicação dos respectivos juros de mora. Senão, vejamos a escorreita manifestação da DRJ nestes quesitos: Da Multa Lançada (75,0%) Quanto à multa aplicada de 75% do valor encontrado, o impugnante se insurge, por considerar "pesada multa de oficio". Cabe esclarecer que, a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei no 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 45. Para aplicação da multa de 75,0% foi observado, primeiramente, o disposto no § 21 do art. 14, da Lei no 9.393/1.996, que assim dispõe: "Art. 14 (..) § 1 ° (...) § 2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. " Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1.996, que estabelece: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. " Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei n o 9.430/1996). Desta forma, considerando-se que a exigência de multa de ofício de 75,0% se baseia em dispositivo legal contra o qual o impugnante não se insurgiu judicialmente, não podem ser acatadas, neste colegiado, as razões de defesa apresentadas com respeito à essa questão, pois a norma legal goza de presunção de validade e eficácia. Juros de mora pela taxa SELIC De acordo com o enquadramento legal aposto no auto de infração, os juros de mora foram calculados em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic (§ 3. 1 do art. 61 da Lei n o 9.430/96). Donde concluir que a lei autorizou que os juros de mora incidentes sobre créditos tributários vencidos fossem calculados levando-se em conta o referido índice. Ressalte-se, ainda, que a legislação infraconstitucional que fundamenta a exigência dos juros de mora no período considerado atende rigorosamente ao preceituado no § 1º do art. 161 do CTN, (...): (...). Dessa forma, uma vez verificada a existência de norma legal dispondo sobre a atualização do crédito tributário não pago no vencimento, não resta outra alternativa ao julgador administrativo senão aplicar as leis e seus regulamentos, como imposição de dever funcional ao servidor público (art. 116, inc. III, da Lei 8.112/90). Portanto, pelas mesmas razões anteriormente expendidas, reputo válida a determinação dos juros de mora sobre tributos com base na Selic. (...) Fl. 191DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-005.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720551/2007-21 28. É imperioso ainda transcrever a Súmula CARF n o. 4 (Vinculante): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 29. Embora pretendendo a aplicação de seu entendimento do grau de utilização da terra que seria cabível, o mesmo foi corretamente obtido na Fiscalização, como consequência da desconsideração da APP e da ARL, cabendo apenas a utilização do VTN que interessado entende como correto, já que incabível se perfaz a utilização do VTN médio. 30. Portanto, de todos os argumentos expostos pelo contribuinte, só é possível considerar e acatar os apresentados no sentido de ser considerado o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte, para alterar a Notificação de Lançamento lavrada. Conclusão 31. Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo o VTN declarado pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 192DF CARF MF

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Numero do processo: 10850.721460/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2007 PER/DCOMP. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (art. 150, § 4º e art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de restituição do contribuinte. Em se tratando de tributo não cumulativo, o exame compreende os créditos e os débitos gerados nos períodos a que se refere o pedido, podendo a autoridade fiscal reconstituir, com o propósito de atestar a autenticidade, ou não, do pedido, a apuração. CRÉDITOS DA NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. Considera-se insumo, para fins de crédito das contribuições (PIS/COFINS) as aquisições de produtos e serviços essenciais ou relevantes para o desenvolvimento das atividades fins do contribuinte (produção, industrialização, comercialização e prestação de serviços), conforme decidido no REsp 1.221.170/PR julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho, não importando que sejam desempenhadas de forma verticalizada ou separadamente. PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CICLO PRODUTIVO. FASES DE PRODUÇÃO E DE FABRICAÇÃO. BENS E SERVIÇOS APLICADOS NAS DUAS FASES. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. O ciclo produtivo da atividade agroindustrial compreende a atividade de produção rural ou agropecuária e a atividade de fabricação ou industrialização do produto final comercializado. No âmbito da referida atividade, são considerados insumos de produção ou fabricação tanto os bens e serviços aplicados na fase de produção agropecuária, quanto os bens e serviços aplicados na fase de fabricação do bem final. Dada essa característica, se utilizada matéria prima agropecuária de produção própria, a empresa agroindustrial submetida ao regime não cumulativo da Cofins tem o direito de apropriar os créditos calculados sobre os valores de aquisição dos bens e serviços aplicados nas duas fases do ciclo produtivo.
Numero da decisão: 3302-007.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer a vigência do benefício da suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, bem como o direito à apropriação de créditos de bens e serviços utilizados na fase agrícola. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2007 PER/DCOMP. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (art. 150, § 4º e art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de restituição do contribuinte. Em se tratando de tributo não cumulativo, o exame compreende os créditos e os débitos gerados nos períodos a que se refere o pedido, podendo a autoridade fiscal reconstituir, com o propósito de atestar a autenticidade, ou não, do pedido, a apuração. CRÉDITOS DA NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. Considera-se insumo, para fins de crédito das contribuições (PIS/COFINS) as aquisições de produtos e serviços essenciais ou relevantes para o desenvolvimento das atividades fins do contribuinte (produção, industrialização, comercialização e prestação de serviços), conforme decidido no REsp 1.221.170/PR julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho, não importando que sejam desempenhadas de forma verticalizada ou separadamente. PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CICLO PRODUTIVO. FASES DE PRODUÇÃO E DE FABRICAÇÃO. BENS E SERVIÇOS APLICADOS NAS DUAS FASES. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. O ciclo produtivo da atividade agroindustrial compreende a atividade de produção rural ou agropecuária e a atividade de fabricação ou industrialização do produto final comercializado. No âmbito da referida atividade, são considerados insumos de produção ou fabricação tanto os bens e serviços aplicados na fase de produção agropecuária, quanto os bens e serviços aplicados na fase de fabricação do bem final. Dada essa característica, se utilizada matéria prima agropecuária de produção própria, a empresa agroindustrial submetida ao regime não cumulativo da Cofins tem o direito de apropriar os créditos calculados sobre os valores de aquisição dos bens e serviços aplicados nas duas fases do ciclo produtivo.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer a vigência do benefício da suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, bem como o direito à apropriação de créditos de bens e serviços utilizados na fase agrícola. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2007 PER/DCOMP. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (art. 150, § 4º e art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de restituição do contribuinte. Em se tratando de tributo não cumulativo, o exame compreende os créditos e os débitos gerados nos períodos a que se refere o pedido, podendo a autoridade fiscal reconstituir, com o propósito de atestar a autenticidade, ou não, do pedido, a apuração. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. Considera-se insumo, para fins de crédito das contribuições (PIS/COFINS) as aquisições de produtos e serviços essenciais ou relevantes para o desenvolvimento das atividades fins do contribuinte (produção, industrialização, comercialização e prestação de serviços), conforme decidido no REsp 1.221.170/PR julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho, não importando que sejam desempenhadas de forma verticalizada ou separadamente. PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 14 60 /2 01 3- 41 Fl. 7312DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CICLO PRODUTIVO. FASES DE PRODUÇÃO E DE FABRICAÇÃO. BENS E SERVIÇOS APLICADOS NAS DUAS FASES. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. O ciclo produtivo da atividade agroindustrial compreende a atividade de produção rural ou agropecuária e a atividade de fabricação ou industrialização do produto final comercializado. No âmbito da referida atividade, são considerados insumos de produção ou fabricação tanto os bens e serviços aplicados na fase de produção agropecuária, quanto os bens e serviços aplicados na fase de fabricação do bem final. Dada essa característica, se utilizada matéria prima agropecuária de produção própria, a empresa agroindustrial submetida ao regime não cumulativo da Cofins tem o direito de apropriar os créditos calculados sobre os valores de aquisição dos bens e serviços aplicados nas duas fases do ciclo produtivo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer a vigência do benefício da suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, bem como o direito à apropriação de créditos de bens e serviços utilizados na fase agrícola. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 7313DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação de crédito de Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido(s) por meio de PER/DComp. Após várias intimações, a DRF de origem proferiu Relatório Fiscal de abrangendo o período ora analisado, tendo apurado que o contribuinte à época denominado Agrotur Agropecuária do Rio Turvo Ltda. exercia apenas atividade agrícola até 30/03/2006, quando foi incorporado pela Usina Moema, passando a exercer atividade agroindustrial. O contribuinte teria justificado os pagamentos indevidos pela não apropriação de créditos apurados através de laudo técnico. A autoridade fiscal constatou as seguintes irregularidades: 1) Receita de Vendas: Entre 04 e 12/2005, teriam sido excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas relacionadas à venda de cana-de-açúcar destinada à fabricação de açúcar, sob a alegação de que as contribuições ficariam suspensas, conforme art. 8° da Lei n° 10.925/04. Contudo, apenas a partir de 04/04/2006 teria ficado suspensa a exigibilidade do PIS e da Cofins, de acordo com os arts. 8° e 9°, da Lei 10.925/2004 e art. 11, da IN SRF n° 660/2006. Além disso, o interessado teria declarado a menor a base de cálculo do PIS e da Cofins nos meses apontados. 2) Rateio: A Usina Moema teria adotado o critério de rateio proporcional, com base na receita bruta mensal auferida, para apurar créditos nos mercados interno/externo e nos regimes cumulativo e não-cumulativo. Contudo, até 30/03/2006, o contribuinte explorava apenas atividade agrícola, tendo somente receitas submetidas ao regime não cumulativo, integralmente oriundas do mercado interno. Assim, até 30/03/2006, não deve ser aplicado rateio, sendo que os valores devem ser aproveitados integralmente. Para os períodos posteriores a tal data, foram utilizados os mesmos percentuais de rateio que os calculados pelo contribuinte. 3) Glosa de insumos adquiridos com alíquota zero: De acordo com o § 2º, art. 3º, Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, os produtos tributados com alíquota zero, adquiridos pelo contribuinte, não podem gerar crédito. Tais produtos são defensivos agropecuários, classificados na NCM 38.08, e adubos classificados no Capítulo 31 da TIPI, os quais teriam alíquota zero desde 26/07/2004, conforme art. 1°, inciso II, da Lei 10.925/2004. Os créditos relacionados com a aquisição de tais insumos foram glosados. 4) Glosa de produtos que não se enquadram como insumo: Fl. 7314DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 Para analisar se os produtos adquiridos poderiam ser considerados como insumo, a autoridade fiscal apartou dois momentos: - Até 30/03/2006, a empresa exercia apenas atividade agrícola, tendo como produto destinado à venda basicamente a cana-de-açúcar; - Após 31/03/2006, a empresa passou a ser agroindústria e os produtos destinados à venda passaram a ser essencialmente o açúcar e o álcool. Deste modo, após 31/03/2006, a Usina passou a consumir grande parte da cana- de-açúcar na produção de açúcar e álcool. De acordo com o conceito de insumo previsto na legislação, os insumos aplicados na produção de cana só poderiam ser deduzidos como crédito em relação à parcela vendida a terceiros. Por tal motivo, a autoridade fiscal apurou o percentual de cana consumida pelo própria Usina Moema em relação à quantidade total produzida, para apurar o valor dos insumos que seria passível ou não de crédito. Com relação ao combustível, teria sido apartado o consumo na produção de cana (insumos parcialmente glosados) do consumo na usina/indústria (insumos que não foram glosados). 5) Glosa de Produtos que não se enquadram no conceito de insumo aplicados em outros centros de custo: A autoridade fiscal verificou o aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de produtos aplicados nos centros de custo denominados "compras" e "estação de tratamento de águas", os quais não seriam diretamente empregados na fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumos. Com base no Relatório Fiscal, foi proferido o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas. Devidamente cientificado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, para requerer o apensamento e o julgamento conjunto dos presentes autos com os processos de PER/Dcomps de pagamento indevido de PIS e Cofins dos períodos 09/2004 a 11/2008. O contribuinte alegou que os créditos tributários "lançados" pela fiscalização ao reconstituir sua escrita estariam decaídos, por decurso de prazo superior a cinco anos. Alegou que como o Fisco não teria revisto a apuração das contribuições no prazo previsto na legislação, restaria impedido de recompor a base de cálculo do PIS e da Cofins. O mesmo raciocínio seria aplicável às glosas referentes aos insumos adquiridos com alíquota zero, pois o prazo para a glosa e lançamento de ofício teria expirado. O interessado alegou que a fiscalização não poderia glosar créditos devidamente escriturados, pois a suposta constituição do crédito tributário teria ocorrido somente na data de ciência do Relatório Fiscal. Afirmou que o valor apurado no Dacon estaria extinto por homologação tácita do auto-lançamento e por tal motivo, o crédito tributário acrescido em decorrência da majoração da receita tributável estaria extinto por decadência. Fl. 7315DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 O contribuinte discorreu sobre as glosas decorrentes de bens e insumos não classificados como insumos defendendo que tal conceito abrangeria a soma de todas as despesas incorridas, necessárias para o desenvolvimento das atividades comerciais do contribuinte, ou seja, essenciais para a geração da receita a ser tributada, não podendo sofrer limitações. Alegou que não se poderia adotar a legislação restritiva do IPI e que com a incorporação teria ocorrido apenas a ampliação das atividades da empresa, mas que todas as atividades e itens contribuiriam para a composição da receita de PIS e de Cofins, inclusive, os materiais de reparo e serviços vinculados ao centro de custo compras e estação de tratamento de águas, pois diretamente relacionados com a produção de cana-de-açúcar. O interessado alegou que haveria isenção fiscal de PIS e Cofins em relação às receitas decorrentes da venda de cana-de-açúcar destinada à fabricação do açúcar, conforme arts. 8º, 9º e 17º, da Lei nº 10.925/2004. A autoridade fiscal teria exarado entendimento de que o § 2º, art. 9º, Lei nº 10.925/2004, incluído pela Lei nº 11.051/2004 teria condicionado a fruição do benefício às condições a serem estabelecidas pela RFB, o que só teria ocorrido com a edição da IN SRF nº 636/2006. Por tal motivo, teria sido desconsiderada a suspensão da incidência do PIS e da Cofins sobre tais receitas entre 01/08/2004 e 04/04/2006. O contribuinte afirmou que haveria confusão de conceitos entre a IN SRF nº 636/2006 e a Lei nº 10.925/2004, pois a primeira trataria de suspensão da exigibilidade e a segunda, suspensão da incidência. Defendeu, ainda, que a Instrução Normativa poderia apenas interpretar a lei, não podendo inovar ou modificar o texto da lei originária, em respeito aos princípios constitucionais. Citou a hierarquia das leis e alegou que a IN teria extravasado a competência regulamentar. Afirmou que a lei seria autoaplicável e teria eficácia plena. Defendeu que, de qualquer forma, a anulação da isenção estaria abrangida pela decadência, conforme § 4º, art. 150 do CTN, pois a fiscalização teria realizado lançamento de ofício de receita tributável, após decorridos mais de cinco anos entre o fato gerador e a "constituição do crédito tributário". Alegou que tal procedimento anularia a segurança jurídica. Afirmou, ainda, que mesmo tendo retificado o Dacon, o valor da receita isenta decorrente da venda de cana-de-açúcar destinada à fabricação do açúcar teria permanecido o mesmo. Concluiu, para requerer o provimento de seu recurso, o reconhecimento integral do direito creditório, com a consequente homologação integral das compensações. Requereu também a juntada de documentação adicional, conversão do julgamento em diligência e o endereçamento das intimações ao advogado da empresa. Por seu turno, a DRJ proferiu acórdão negando provimento à Manifestação de Inconformidade, resultando que o prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte, nem a recomposição da base de cálculo por exclusões indevidas. Firmou ainda o entendimento de que na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda Fl. 7316DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. Por fim, restou decidido que a suspensão da exigibilidade da Cofins prevista no artigo 9o da Lei 10.925/2004 somente se aplica a partir de 4 de abril de 2006, após a sua regulamentação pela Instrução Normativa SRF 636/2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete, basicamente, os mesmo argumentos já declinados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.450, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 10850.721139/2013-66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.450): I – DA TEMPESTIVIDADE: A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 17/08/2018 (fl. 3.628) e protocolou Recurso Voluntário em 03/09/2018 (fl. 3.630) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II – DA IMPOSSIBILIDADE DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL PARA MAJORAÇÃO DA RECEITA MEDIANTE A GLOSA DE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE NOVEMBRO DE 2007 EM PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA FINALIZADO EM ABRIL DE 2013 EM VIRTUDE DO TRANSCURSO DO LAPSO DECADENCIAL: Preliminarmente, argumenta a Recorrente com fundamento no § 4º do artigo 150 do CTN, cumulado com artigo 156, inciso V, do mesmo codex, que o crédito tributário resultado da glosa de insumos adquiridos com alíquota zero e gastos outrora não considerados insumos, aproveitados por ela a título de créditos básicos em novembro de 2007, estão absolutamente decaídos, haja vista o transcurso de lapso temporal superior ao quinquênio legalmente previsto entre a data da ocorrência dos fatos 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 7317DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 geradores e a constituição do crédito tributário, que ocorreu em abril de 2013 com a intimação da Recorrente do encerramento da diligência. Contudo, esse entendimento não merece prosperar. Cumpre relembrar que, como relatado, o presente processo se refere à pedido de compensação (DCOMP), criado em 09/03/2010 (fls. 01/04), relativo à competência de novembro de 2007, respaldada no suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – não cumulativa no montante de R$ 524.986,69 (quinhentos e vinte e quatro reais, novecentos e quatro mil e oitenta e seis reais e sessenta e nove centavos), por meio de DARF recolhido em 30/11/2007 valor total de R$ 876.820, 23 (oitocentos e setenta e seis mil, oitocentos e vinte reais e vinte e três centavos), com código de receita 5856. Os créditos pleiteados são alusivos a insumos empregados no processo produtivo, relativos às contribuições PIS/COFINS, que não teriam sido utilizados nos períodos de apuração respectivos. Às fls. 18 e seguintes, constam os demonstrativos relacionando os documentos fiscais referentes às aquisições dos insumos cujo crédito foi pleiteado. Após análise da autoridade fiscal dos documentos relacionados pela Contribuinte, bem como auditoria pela mesma efetuada nos períodos respectivos, culminando com a proposição de não aprovação do pedido de compensação, em face das inconsistências verificadas, as quais evidenciam que não ocorreu o indébito fiscal (fls. 3472/3499). O despacho decisório (fls. 3509/3512), consta a seguinte conclusão: “Tendo em vista que na verificação fiscal não foi constatado pagamento indevido ou a maior no recolhimento da COFINS relativa ao mês de novembro de 2007, deduz-se que o interessado não tem direito aos créditos informados nas declarações de compensação e as compensações declaradas devem ser consideradas não homologadas.” A ciência do despacho se deu em 11/04/2014 (fl.3520), antes de transcorridos os cinco anos da transmissão dos PER/DCOMP. Não há, pois, falar em decadência. Irrepreensível, neste aspecto, o posicionamento do Acórdão recorrido sobre a distinção entre a decadência, regida pelo § 4º, do art. 150, do CTN, e a compensação de que trata a Lei 9.430, art. 74 2 . Como sustentou, com propriedade, o Acórdão recorrido, apesar do procedimento de fiscalização ter sido aberto em 2012 e da norma do § 4º, do art. 150, do CTN dispor que somente poderiam ter sido revistos os lançamentos preliminares efetuados pela própria contribuinte nos 5 (cinco) anos anteriores, a regra em questão está inserida no contesto do procedimento de revisão do lançamento provisório a que se refere o art. 150, do mesmo diploma, ao passo que a resolução do presente pleito se insere no contexto de instituto diverso, embora semelhante, que é o da compensação. O dispositivo do CTN, acima citado, trata do poder jurídico que tem o Fisco de revisar os lançamentos efetuados pelo sujeito passivo, com o propósito de exigir eventual diferença, ou seja, de constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do mesmo diploma legal. Já a compensação é regulada pela Lei 9.430/96, combinada com o art. 168, do CTN. Efetuado o pagamento indevido, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, contados da data em que ocorreu o evento, para pleitear a restituição. Esta última norma (direito à repetição) é do CTN. A Lei 9.430/96, regula a forma de restituição, no âmbito dos tributos federais, tendo estabelecido a possibilidade do próprio sujeito passivo auto concretizá- la, mediante compensação. A partir da compensação, o Fisco dispõe do prazo de 5 anos para averiguar a sua licitude. Dentro deste último prazo, se constatar que o valor compensado é indevido, pode efetuar a cobrança. Não se trata de um lançamento tributário propriamente dito, mas da simples e singela cobrança do que fora declarado pelo sujeito passivo e extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Resta induvidoso, neste caso, que a autoridade fiscal não só pode como deve verificar todos os períodos compreendidos no pedido de restituição/compensação. É da própria recorrente a informação de que os pedidos de compensação aludem aos exercícios de 2004/2005. 2 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) – grifou-se Fl. 7318DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 Nos tributos não cumulativos, a dedução dos créditos faz parte da norma de incidência, integrando o que os autores chamam da base de incidência. Quando tais tributos são objeto de auditoria, por parte das autoridades fiscais, elas não podem calcular os créditos isoladamente dos débitos, pois o confronto entre ambos é que gera o dever de pagar ou de transferir eventual saldo para o período seguinte. Essa diretriz rege eventual pedido de restituição, mediante o qual o sujeito passivo afirma ter pago tributo a maior que o devido. Para apurar se a pretensão tem, ou não, fundamento legal, a autoridade fiscal encarregada da revisão tem o poder/dever de investigar as atividades do sujeito passivo no contexto da legislação de regência: o fim último é apurar se o valor a restituir está, ou não, de acordo com a legislação. O argumento da recorrente envolveria dissociar, no procedimento de fiscalização dos pedidos de restituição, o débito do crédito. Demais disso implicaria em que, toda vez que o sujeito passivo deixar para pleitear a restituição perto do fim do prazo estabelecido pelo art. 168 do CTN, uma parte do seu pleito já estaria acobertado pelo manto da preclusão do direito do Fisco de constituir eventual crédito tributário. A jurisprudência invocada pela Recorrente é alusiva ao IR e a prejuízos fiscais advindos de exercícios anteriores. É óbvio que se, por exemplo, ao fiscalizar o ano/base de 2010, em 2015, a autoridade fiscal se louva em erro no prejuízo fiscal acumulado, advindo de exercícios anteriores, já atingidos pela preclusão, a alteração do respectivo valor, para fins de cobrança do imposto de 2015, envolve revisão de períodos já atingidos pelo decurso do prazo decadencial. Não é esse, todavia, o caso dos autos. Os pedidos de restituição/compensação encetados pela Recorrente envolvem indébitos fiscais alusivos aos anos de 2004 a 2008. Nestes termos, a atuação da autoridade fiscal revisora tem que, necessariamente, envolver as atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo nesses períodos, não sendo de mais lembrar que na repetição do indébito o ônus da prova é de quem alega. A rigor caberia ao contribuinte demonstrar, cabalmente, que o imposto então pago foi maior do que o devido, seja por questões atinentes à geração dos débitos pelas vendas, seja por questões atinentes aos créditos derivados das aquisições dos insumos. O certo é que em se tratando de tributo não cumulativo, o valor a pagar, ou a creditar, sempre e necessariamente envolve um e outro, ou seja, os créditos e os débitos incorridos. O montante a pagar é indissolúvel, sempre e necessariamente, do cotejo entre créditos e débitos. A assertiva vale para o imposto eventualmente pago a maior e a restituir/compensar. Descabe, assim, a invocação da jurisprudência trazida à colação, entre outras, alusiva ao IRPJ. Não se pode confundir análise de pedido de restituição/compensação com exigência de crédito tributário de ofício, por iniciativa da autoridade fiscal. O procedimento fiscalizatório, no caso de pedido de restituição, envolve, necessariamente, o exame dos fatos e documentos relativos no suposto indébito fiscal. O objetivo é confirmar se houve, ou não, pagamento indevido ou a maior do que o devido. Em se tratando de tributo sujeito ao princípio da não cumulatividade, isso só é possível mediante a reconstituição da conta gráfica, como feito no presente processo. Quem provocou a atividade fiscalizadora foi a alegação do contribuinte de que pagou imposto indevido, incumbindo-lhe, em princípio, o ônus da prova. Afasto, assim, a prejudicial de decadência. III – DA VIGÊNCIA, OU NÃO, DO BENEFÍCIO FISCAL PARA A RECEITA PROVENIENTE DAS VENDAS DE CANA-DE-AÇÚCAR DESTINADA À FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR ENTRE ABRIL A DEZEMBRO DE 2005, PREVISTO NOS ARTIGOS 8º, 9º E 17, DA LEI N.º 10.925/2004: Fl. 7319DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 De acordo com o entendimento da autoridade fiscal, secundado pelo despacho decisório e pelo Acórdão recorrido, o benefício discal previsto na Lei nº 10.925/2004 não tinha eficácia plena, dependendo de Instrução Normativa definidoras das condições que condicionam o seu uso. Desse modo, no período de abril a dezembro de 2005 não poderia ter produzido efeitos jurídicos. A recorrente sustenta, com base no inciso III, do art. 17, da lei citada, que, por expressa previsão legal, a dispensa do imposto vigorou a partir de 1º de agosto de 2004, de modo que as operações realizadas no período referido pelas decisões administrativas, acima citadas, estariam compreendidas na suspensão da incidência. A discussão traz à baila a IN RFB 636/2006 a qual foi revogada logo depois por outro ato normativo da mesma natureza. Neste caso assiste razão à Recorrente, tendo em vista que este Colegiado vem decidindo no sentido de que a referida Instrução Normativa exorbitou do poder regulamentar, como por ela sustentado. O Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, no processo nº 10680.921286/2011-71 - Acórdão nº 9303-007.852 – 3ª Turma, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: No mérito, a discussão restringe-se à determinação da data a partir da qual passou a ter eficácia o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 (e alterações da Lei nº 11.051/2004, publicada em 30/12/2004), que criou hipóteses de suspensão da incidência PIS/Cofins nas vendas de produtos e insumos da atividade agropecuária, nos termos e condições estabelecidos pela Receita Federal. Vejamos a evolução legislativa de interesse: Lei nº 10.925/2004 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos Fl. 7320DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) III - a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Instrução Normativa nº 636/2006 (Publicada em 04/04/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Instrução Normativa nº 660/2006 (Publicada em 17/07/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e II - em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. É maciça (eu diria, praticamente toda no mesmo sentido) a jurisprudência do CARF no sentido de inadmitir que norma administrativa (no caso a IN/SRF nº 660/2006), pudesse limitar a eficácia a partir de uma data bem posterior à prevista na própria lei instituidora do regime suspensivo – ainda mais quando outra norma do mesmo Órgão, revogada pouco depois, atribuía seus efeitos retroativamente à data estabelecida no diploma legal, como está retratado em recentíssimo Acórdão, unânime (3402-005.118, de 17/04/2018, que serviu inclusive de paradigma para diversos outros julgados naquela Sessão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Fl. 7321DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 A ementa prende-se exclusivamente ao que dispõe a lei, e no Voto Condutor não é muito diferente, dada à clareza da norma legal e à vasta jurisprudência administrativa a que me referi: "A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do § 2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401-002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012..." Do Voto Condutor do citado Acórdão de 2012, extraio o seguinte excerto: "Se por um lado é certo que “os termos e condições” estabelecidos pela RFB pode limitar a suspensão da incidência das duas Contribuições, na hipótese do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, por outro, tal limitação não pode impedir por completo a suspensão da incidência das duas Contribuições, a começar necessariamente em 1º de agosto de 2004. Muitos menos pode a RFB, ao deixar de regulamentar a norma, tornar nulos seus efeitos a partir do momento em que já tem alguma eficácia, segundo a Lei nº 10.925, de 2004." Naquele julgado é evocada decisão do STJ (não vinculante, é verdade, mas bem incisiva a respeito), qual seja, o Acórdão no REsp nº 1.160.835/RS, sendo que, em pesquisas no site daquele Tribunal Superior na Internet, encontrei o de nº 1.143.568/SC (trazido no Voto Condutor do Acórdão Recorrido – fls. 2.245 e 2.246), que remete ao primeiro e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (e que adoto como razões de decidir): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discute-se nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática não-cumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. (...) 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. Fl. 7322DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n. 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Assim, há de ser considerado vigente o benefício da suspensão pleiteado no período do presente pedido, reformando-se a decisão recorrida nesta parte. IV – DO CONCEITO DE INSUMO: Acerca do conceito de insumo, adoto e transcrevo o recente voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède no processo 13656.721092/201597: "Relativamente à definição de insumos, a não-cumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 7323DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º - A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei º10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - VETADO) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X - vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI – bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º - A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. Fl. 7324DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 7325DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II - utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II - utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, que defendeu, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Todavia, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, Fl. 7326DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço parao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR O Ministro-relator adotou as razões expostas no voto da Ministra Regina Helena Costa: "Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na Fl. 7327DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência. No caso em tela, observo tratar-se de empresa do ramo alimentício, com atuação específica na avicultura (fl. 04e). Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observando-se essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inserem-se no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não-cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostra-se necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI." As teses propostas pelo Ministro relator foram: 43. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e Fl. 7328DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...] Feitas essas considerações, conclui-se que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulativida-de da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003;e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadra-se na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº10.522, de 2002[6], cumprindo-lhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, como a Fl. 7329DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressalte-se, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o Auditor Fiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Deve-se, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. V - Encaminhamentos 69. Ante o exposto, propõe-se seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Por seu turno, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo Fl. 7330DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matéria prima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matéria prima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividade fim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matérias primas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de serviços (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço malsucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Destarte, embora ainda pendente de julgamento de embargos de declaração, dada a edição da Nota SEI nº 63/2018, adoto a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, nos termos do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Assim, as premissas estabelecidas no voto do Ministro relator foram: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, Fl. 7331DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Com base nestas premissas, o julgado afastou a tese restritiva da Fazenda Nacional, bem como a tese ampliativa lastreada no IRPJ, como sendo todas os custos e despesas necessárias às atividades da empresa. Ainda, no caso concreto analisado, foram afastados os creditamentos sobre alguns gastos gerais de fabricação e sobre as despesas comerciais. Considero que o critério da essencialidade não destoou significativamente do entendimento que vinha sendo por este relator, especificamente no que concerne a afastar o creditamento sobre as despesas operacionais das empresas como inseridas na definição de insumo. Por outro lado, o critério da relevância abre espaço para que determinados custos, ainda que não essenciais (intrínsecos, inerentes ou fundamentais ao processo) possam gerar créditos por integrar o processo de produção, seja por singularidades da cadeira produtiva, seja por imposição legal. A partir das considerações acima, afasto a tese da recorrente de que todos os custos e despesas necessários à obtenção das receitas gerariam créditos das contribuições, o que equivaleria, em outros termos, à tese do IRPJ, ou seja, todos os custos e despesas operacionais dedutíveis para o IRPJ gerariam créditos da contribuições. Assim, despesas operacionais, como as administrativas e de vendas, embora necessárias à recorrente para exercer suas atividades em geral, não se enquadram no normativo de que trata o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos da decisão proferida no REsp 1.221.170/PR." Estabelecidas estas premissas, é de se iniciar a análise dos pontos controvertidos. ATIVIDADE AGRÍCOLA Segundo o Acórdão recorrido, a partir do momento em que passou a ser agroindustrial, os insumos consumidos na atividade rural não poderiam mais gerar créditos, porque não relacionados com a produção dos produtos vendidos (açúcar e álcool). A fiscalização considerou que devido a mudança da atividade da empresa de agrícola para agroindustrial os insumos empregados na atividade rural deixaram de ser aproveitáveis. É o que se constata do seguinte trecho do acórdão: A fabricação de açúcar e álcool e a produção de cana-de-açúcar são dois processos diferentes e que não se confundem para fins de apuração de PIS e Cofins no regime não-cumulativo. Eventuais custos e despesas com a cultura de cana-de-açúcar e seu transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool, não se enquadram no conceito legal de insumo para a fabricação de tais produtos. A Recorrente discorda dos fundamentos da decisão recorrida, em que o Fisco defende que os itens glosados não se enquadravam no conceito de insumo crivado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04, partindo da equivocada premissa de que todo o processo realizado na fase agrícola de produção não deve ser considerado como parte do processo produtivo da Recorrente. Por não concordar com a fiscalização, cita julgados administrativos do CARF, bem como jurisprudência Judicial (STJ). No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo de insumos, aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB, também utilizado no acórdão recorrido. O Fisco defende que os itens glosados não se enquadram no conceito Fl. 7332DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 de insumo crivado nas citadas Instruções Normativas, valendo-se do conceito de matéria-prima da legislação do IPI, que não vem sendo mais adotado. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Nesse sentido, segue o Acórdão nº 3402-003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. A meu ver, o argumento desenvolvido pelo Acórdão recorrido contraria a própria origem do denominado princípio da não cumulatividade, que foi o de tornar mais neutra a tributação das atividades econômicas dedicadas ao processo produtivo. Implicaria em que as empresas que não verticalizem a produção se submetessem a uma carga tributária menor do que aquelas que desdobrassem os seus investimentos em mais de uma pessoa jurídica. Tratando-se de uma empresa que se dedica ao cultivo da cana de açúcar para a fabricação do açúcar e do álcool, portanto agroindustrial, aliás, em conformidade com o seu contrato social trazido aos autos, os bens e serviços da fase agropecuária devem ser admitidos como custos da atividade produtiva. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3201-005.488, julgado em 24/07/2019, Relator Presidente Charles Mayer de Castro Souza, cuja ementa ora se transcreve: CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda, nele se enquadrando as despesas com frete de matérias primas entre estabelecimentos. Na fundamentação do seu voto, o eminente Relator transcreve trechos de outro julgamento no qual foi sustentado: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é Fl. 7333DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". Dispositivos Legais. Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, inciso II; Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, inciso II. Aliás, em análise análoga foi realizada por este colegiado no dia 25.09.2018 quando do julgamento do processo 10880.723245/2014-16 – Acórdão 3302-006.736, julgado em 27/03/2019, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Raphael Madeira Abad, na ocasião na qual foi reconhecido o direito a crédito relativo a fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2010 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana de açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. O mesmo entendimento foi compartilhado Pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, como se observa da ementa abaixo transcrita e extraída do voto da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula o qual, diga-se de passagem, tratou de questão afeta a empresa com a mesmíssima atividade da Recorrente (produção de açúcar e álcool): Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso da agroindústria, admite-se o creditamento não só dos bens e serviços qualificados como insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede. (...). (CARF; 2ª Turma da 4ª da 3ª Seção; Processo nº 16004.720550/201371; Acórdão nº 3402-003.041. j. em 27/04/2016.) (Grifei) Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de cana-de-açúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. Em face dos precedentes citados, não pode prevalecer a assertiva do respeitável Acórdão recorrido, quanto á ampliação da atividade da Recorrente de empresa rural para agroindústria, com o escopo de glosar os créditos pretendidos. Na falta de outro Fl. 7334DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3302-007.467 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.721460/2013-41 suporte para tal exigência, deve-se afastar o óbice para fins de apuração de crédito para a Contribuição em destaque. Ante o exposto, vota-se pela rejeição da prejudicial de decadência e no mérito dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício da suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, bem como reconhecer o direito de apropriação de créditos utilizados na fase agrícola. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício da suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, bem como o direito de apropriação de créditos utilizados na fase agrícola. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 7335DF CARF MF

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Numero do processo: 15504.004417/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. No presente caso, houve o recolhimento parcial de contribuições previdenciárias, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 150, § 4º do CTN Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo-se a ocorrência da decadência em relação à parcela do lançamento referente à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga apenas aos segurados empregados, nas competências de 01/2005 e 02/2005. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal, Renata Toratti Cassini (relatora) e Gregório Rechmann Júnior, que reconheceram a ocorrência da decadência em relação a todo o lançamento referente a essas duas competências. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
Numero da decisão: 2402-007.417
Decisão: (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI

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2402­007.417  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de julho de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  TECAST FUNDIÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  DECADÊNCIA.  ART.  150,  §  4º  DO  CTN.  COMPROVAÇÃO  DE  ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES.  O critério de determinação da  regra decadencial  (art.  150, § 4º ou  art.  173,  inc. I do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que  parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica  ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.  No  presente  caso,  houve  o  recolhimento  parcial  de  contribuições  previdenciárias,  de  modo  que  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito tributário é regido pelo art. 150, § 4º do CTN  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento  parcial ao recurso voluntário, reconhecendo­se a ocorrência da decadência em relação à parcela do  lançamento  referente  à  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  paga  apenas  aos  segurados  empregados,  nas  competências  de  01/2005  e  02/2005.  Vencidos  os  conselheiros  João  Victor  Ribeiro Aldinucci,  Fernanda Melo  Leal,  Renata  Toratti  Cassini  (relatora)  e Gregório Rechmann  Júnior, que reconheceram a ocorrência da decadência em relação a todo o lançamento referente a  essas duas competências. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira  Righetti.      (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini ­ Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 44 17 /2 01 0- 28 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 291          2   (assinado digitalmente)  Mauricio Nogueira Righetti ­ Redator designado      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:    Denny  Medeiros  da  Silveira,  Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti,  Paulo Sergio  da Silva,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Fernanda  Melo  Leal  (Suplente  Convocado),  Gregório  Rechmann  Junior e Renata Toratti Cassini.        Relatório  Cuida­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 02­33.247,  da 8ª Turma da DRJ/BHE (fls. 193/199), que julgou improcedente a impugnação apresentada  pelo contribuinte e manteve o lançamento constituído por meio do Auto de Infração DEBCAB  nº 37.262.079­5, que tem por objeto a cobrança de:  1  ­  contribuições  devidas  pela  empresa  à  seguridade  social  sobre  a  remuneração paga a segurados empregados a título de PLR em desacordo com a legislação e  não declaradas em GFIP nem recolhidas antes do inícío da ação fiscal referentes ao período de  01 e 02/2005;  2 ­ contribuições devidas sobre remunerações pagas a segurados empregados  que prestaram serviçõs à empresa não declaradas em GFIP nem recolhidas antes do início da  ação fiscal referentes ao períodos 05, 06, 07, 09, 10, 11 e 12/2005;  3 ­ contribuições devidas sobre remunerações pagas a título de pro­labore ao  sócio administrador da empresa nos períodos 08, 09, 10, 11 e 12/2005;  4  ­  contribuições para o  financiamento dos benefícios concedidos em  razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho  (GILRAT)  incidentes sobre as  remunerações pagas aos segurados empregados no período de  01 a 12/2005; e  5  ­  contribuições  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  contribuintes  individuais transportadores autonômos referentes aos períodos 01, 02, 03, 04, 06 e 12/2005 não  declaradas em GFIP nem recolhidas pela empresa antes do inicio da Ação Fiscal.  Notificada  da  autuação  aos  23/03/2010  (fls.  01),  a  empresa  apresentou  impugnação tempestivamente aos 22/04/2010 (fls. 144/154) alegando, em síntese:  ­  decadência parcial  do  lançamento,  relativamente às  competências de 01  a  03/2005;  Fl. 291DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 292          3 ­ que a contribuição ao SAT/GILRAT somente  incide  sobre a  remuneração  de segurados empregados e não sobre remuneração de autônomomos;  ­ que a PLR paga em 2005 se baseia na CCT firmada entre o Sindicato das  Industrias  Metalúrgicas,  Mecânicas  e  de  Material  Elétrico  de  Várzea  da  Palma,  Corinto  e  Lassance  e  o  Sindicato  dos  Trabalhadores  nas  Industrias  Metalúrgicas,  Mecânicas  e  de  Material Elétrico de Várzea da Palma, não sendo, pois, procedente o lançamento;  ­  que  ao  contrário  do  que  afirma  a  fiscalização,  a mencionda CCT  contém  regras claras e objetivas e que o engano do auditor decorre da adoção de premissa consistente  na obrigatoriedade de fixação de metas ou resultados;  ­ que o estabelecimento de metas é uma faculdade dada às partes e não uma  obrigatoriedade.  Tanto  que  o  dispositivo  legal  elencou  a  instituição  de  metas  como  uma  possibilidade;  ­  que a multa,  nos  termos da  legislação anterior,  era  inferior  a 75%  ,  razão  pela qual é a que deve ser aplicada ao caso, por ser menos gravosa;  ­ que os juros não podem incidir sobre multa, mas somente sobre o valor do  tributo;  A  8ª  Turma  da DRJ/BHE  julgou  a  impugnação  improcedente, mantendo  o  lançamento, em decisão assim ementada:   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.  Entende­se por salário de contribuição a remuneração auferida,  assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou  creditados  a  qualquer  título,  inclusive  os  ganhos  habituais  sob  forma de utilidades.  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o  salário de contribuição.  Para  o  contribuinte  individual,  entende­se  por  salário  de  contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas  ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o  mês.  O processo administrativo não é via própria para a discussão da  constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto  vigentes tais diplomas devem ser cumpridos, principalmente em  se  tratando  da  administração  pública,  cuja  atividade  está  atrelada ao princípio da estrita legalidade.  Impugnação Improcedente  Fl. 292DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 293          4 Crédito Tributário Mantido  Cientificada  dessa  decisão  aos  21/05/12  (fls.  209),  o  recurso  voluntário  interposto  tempestivamente,  aos  20/06/12,  reproduz  a  impugnação  apresentada,  cujas  razões  foram sintetizadas acima.   Não houve contrarrazões.  Vindo  os  autos  a  este  Tribunal  para  julgamento,  este  colegiado  houve  por  bem  determinar  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  fiscalização  prestasse  esclarecimentos acerca de eventuais pagamentos de contribuições efetivados pela recorrente no  período autuado (fls. 227/232).   Cumprida a diligência e devolvidos os autos a este Tribunal, este colegiado  entendeu por bem converter o julgamento em diligência novamente para que a fiscalização  (i)  especificasse  a  quais  rubricas  se  referem  os  valores  constantes  do  relatório  fiscal  no  levantamento  “FP1  –  FOLHA  DE  PAGAMENTO”  nos  períodos  de  05/2005,  06/2005,  07/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005 e 12/2005 e  (ii)  intimasse a  recorrente para se  manifestar acerca de seu vínculo com as empresas mencionadas na convenção coletiva juntada  aos autos, de forma a verificar se estava ou não sujeita às suas regras (fls. 252/256).  Em cumprimento a essa diligência, esclarece a autoridade fiscal, a fls. 275, o  seguinte:  (...)  3­ Período de apuração 01/2005 a 12/2005.  4­ No levantamento PA I (pagamentos a Autônomos) apurado,  constatou­se  remunerações  pagas  pela  empresa  a  transportadores  autônomos,  categoria  15,  não  declarada  em  GFIP e nem recolhidas pela empresa, antes do inicio da Ação  Fiscal,  gerando  Autos  de  obrigação  principal  (contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  Contribuinte  Individual)  e  acessórias  (omissão  de  informações  na GFIP), no período: 01, 02, 03, 04, 06 e 12 de 2005.  5­  No  levantamento  FP1(folha  de  pagamento)  se  constatou  remunerações pagas a  segurados empregados,  categoria 01, a  titulo de PLR em desacordo com a Legislação e não declaradas  em  GFIP  e  nem  recolhidas  pela  empresa  antes  do  inicio  da  ação Fiscal,  também  gerando Autos  de  obrigação  principal  e  acessória, no período: 01 e 02 de 2005, uma vez que a empresa  não  reconheceu  esses  pagamentos  como  salário  de  contribuição.  Nesse mesmo  levantamento,  FP  1,  se  constatou  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  que  prestaram  serviços  a  empresa,  categoria  01,  não  declarados  em GFIP  e  nem recolhidas  pela  empresa,  antes  do  inicio  da Ação Fiscal,  também gerando Autos de obrigação principal e acessória, no  período:  05,  06,  07,  09,  10,  11  e  12  de  2005.e  ainda  nesse  mesmo levantamento, FP1, se constatou remunerações pagas a  titulo  de  pró­labore,  categoria  11,  não  declarados  em GFIP e  nem  recolhidas  pela  empresa,  antes  do  inicio  da  ação  fiscal,  Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 294          5 também gerando autos  de obrigação principal  e  acessória,  no  período: 08, 09, 10, 11 e 12.  6­  Diante  do  exposto  acima,  e  após  analise  da  documentação  solicitada no TIPF e apresentada pela empresa, verificamos que  a  empresa  promoveu  pagamentos  a  segurados  contribuintes  individuais,  denominado  transportador  autônomo,  efetuou  pagamentos  a  titulo  de  PLR  a  todos  os  seus  segurados  empregados,  pagou­  alguns  segurados  empregados  que  prestaram serviços à empresa e pagou remuneração aos sócios a  titulo  de  pró­labore,  sem declarar  em GFIP  e  sem  recolher  as  contribuições  previdenciárias  devidas  antes  do  inicio  da  ação  fiscal nas competências discriminadas no item 5.  7­ Portanto as rubricas apuradas devidas e cobradas nos Autos  não foram declaradas em GFIP e. nem recolhidas antes da ação  fiscal.  (...). (Destacamos)  Cumprida a diligência, os autos  retornaram novamente a este Tribunal para  julgamento.  É o relatório.      Voto Vencido  Conselheira Renata Toratti Cassini ­ Relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  estão  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, pelo que dele conheço.  MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS  Inicialmente,  necessário  observar  que  conforme  se  verifica  da  análise  da  impugnação  e do  recurso  voluntário, o  recorrente não  se manifestou,  em nenhmas dessas  oportunidades,  a  respeito  do  lançamento  de  contribuições  devidas  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  não  declaradas  nem  recolhidas,  pagas  a  título  de  pro­ labore,  pagas  a  contribuintes  individuais  transportadores  autônomos,  nem  sobre  a  contribuição  ao  SAT/GILRAT,  a  não  ser,  com  relação  a  esses  dois  últimos  tópicos,  para  afirmar que a contribuição ao SAT/GILRAT somente incide sobre a remuneração de segurados  empregados e não sobre a remuneração de autônomomos. Nada mais.  A defesa do contribuinte, em suma, está centrada na alegação de decadência  parcial do lançamento, na regularidade dos pagamentos efetivados a título de PLR e na  multa aplicada.  Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 295          6 Desse  modo,  somente  serão  objeto  de  apreciação  as  matérias  impugnadas,  uma vez que  sobre  as matérias não  impugnadas,  não há controvérsia  a  ser dirimida,  estando  elas, ademais, atingidas pela preclusão.      PRELIMINAR DE MÉRITO ­ DECADÊNCIA  O recorrente alega decadência parcial do lançamento, que atingiria o período  de  janeiro  a  março/2005,  ao  argumento  de  que  o  que  se  exige  no  presente  lançamento  é  a  diferença de tributos não recolhidos pelo recorrente:  "a União exige diferença de tributos — tendo havido, em relação  ao  global  de  contribuições  previdenciárias  e  contribuições  a  terceiros  devidas  no  período,  recolhimento  de  uma  parte  (os  tributos  do  período  foram  antecipados  em  regime  de  autolançamento; a União lançou e exige diferença)".  Desse modo, argumenta que o prazo para o Fisco exigir essa "diferença" não  recolhida é aquele previsto no art. 150, § 4º do CTN, segundo o qual o Fisco tem o prazo de 5  anos,  a  contar  do  fato  gerador,  para  homologar  o  pagamento  do  tributo  antecipado  pelo  contribuinte,  expirado  o  qual  não  mais  poderá  fazê­lo,  considerando­se  homologado  o  lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário.  A decisão recorrida, de sua parte, entendeu que incide no caso o art. 173, I do  CTN, sob o fundamento de que não houve antecipação do pagamento do tributo ora lançado,  pois o  sujeito passivo  sequer  reconhecia  a base  de  cálculo  apurada  ­ PLR  ­  como  salário de  contribuição.  Embora  haja  nos  autos  informações  da  própria  fiscalização  de  que  foram  constatados  recolhimentos  e  GFIP's  entregues  pela  empresa,  cujos  documentos  foram,  inclusive,  examinados  pelo  auditor,  o  que  atestaria  a  existência  de  recolhimentos  parciais  relativos ao mesmo tipo de contribuições exigidas (item 23 do REFISC, a fls. 18, e Termo de  Encerramento do Procedimento Fiscal, a fls. 25), como mencionado no relatório, este colegiado  houve  por  bem  determinar  a  realização  de  diligência  para  que  a  fiscalização  prestasse  esclarecimentos acerca dos pagamentos noticiados.  Em sua resposta, de fls. 236/238, o auditor esclareceu, em síntese, que:  1. as GPS constantes do Sistema da Receita Federal do Brasil no período de  01/2005  a  12/2005  analisadas  pela  fiscalização  se  referem  a  salários  de  contribuições  de  segurados  reconhecidos  pela  empresa  antes  da Ação  fiscal,  ou  seja,  declaradas  e  recolhidas  pela empresa, e não às contribuições sociais apuradas pela fiscalização;  2.  o  foco  da  Autuação  fiscal  foram  constribuições  sobre  as  remunerações  pagas somente a contribuintes  individuais  transportador autônomo e pagamentos de PLR aos  empregados não declarados em GFIP nem recolhidas antes da Ação Fiscal, porque a empresa  não  reconheceu  estas  bases  de  cálculo  como  salário  de  contribuição  previdenciária.  Isto  foi  constatado após analise das folhas de pagamento apresentadas pela empresa, nas quais consta o  pagamento de PLR aos empregados em descordo com a Lei especifica, e análise da DIRF, de  que consta pagamento a contribuintes individuais sem reconhecer como salário de contribuição  previdenciário;  Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 296          7 3. quanto aos recolhimentos efetuados pela empresa antes do início da ação  fiscal (04/12/2009), referem­se tão somente à base de cálculo reconhecida por ela como salário  de  contribuição  em  suas  folhas  de  pagamento,  não  estando  inseridos  no  total  da  base  de  calculo, nas respectivas folhas e nos recolhimentos efetuados os fatos geradores constatados e  apurados na ação fiscal (Salário de Contribuição de Contribuintes Individuais e pagamentos a  empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR).  Desses esclarecimentos prestados pela fiscalização (especialmente no item 1),  constata­se  que  houve  antecipação  de  pagamento  de  contribuições  previdenciárias  pelo  recorrente no período.  Pois bem.  A respeito do prazo de decadência para a constituição pelo Fisco do crédito  tributário de contribuições previdenciárias, adoto, como razões de decidir, o seguinte trecho do  voto  proferido  pelo  eminente  colega  João Vitor  Ribeiro  Aldinucci  constante  do Acórdão  nº  2402006.577, julgado neste colegiado aos 12/09/18:  O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º  ou  art.  173,  inc.  I)  é  a  existência  de  pagamento  antecipado do  tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na  sua  base  de  cálculo  a  rubrica  ou  o  levantamento  específico  apurado pela fiscalização.  Se  o  sujeito  passivo  antecipa  o  montante  do  tributo,  mas  em  valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade  administrativa  manifestar  se  concorda  ou  não  com  o  recolhimento  tem  início;  em  não  havendo  concordância,  deve  haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150,  § 4º, salvo a existência de dolo,  fraude ou simulação, casos em  que se aplica o art. 173, inc. I.  Expirado  o  prazo,  considera­se  realizada  tacitamente  a  homologação  pelo  Fisco,  de  maneira  que  essa  homologação  tácita  tem  natureza  decadencial.  Mutatis  mutandis,  pode  ser  citado o verbete sumular abaixo reproduzido:  "Súmula CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação,  mesmo que não  tenha sido  incluída, na base de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente exigida no auto de infração."  No  mesmo  sentido,  é  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  proferido no julgamento do REsp 973.733/SC, processado sob o rito do art. 543­C do antigo  CPC/73, dos recursos representativos de controvérsia.  Desse modo,  considerando  que  a  própria  fiscalização  informa que  houve  o  recolhimento parcial de contribuições previdenciárias pelo recorrente, o prazo decadencial para  a constituição do crédito tributário, no presente caso, rege­se pelo art. 150, § 4º do CTN.   Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 297          8 Assim,  tendo  em  vista  que  o  recorrente  foi  notiticado  do  lançamento  aos  23/03/2010  (fls.  01),  foram  atingidos  pela  decadência  os  períodos  de  janeiro/2005  e  fevereiro/2005.  MÉRITO  A) CONTRIBUIÇÃO AO SAT   O  recorrente  alega  em  seu  recurso  que  a  contribuição  ao  SAT  exigida  no  lançamento estaria sendo calculada sobre as remunerações pagas aos empregados da empresa  e, também, sobre as remunerações pagas a não­empregados, em afronta ao art. 22, II da Lei nº  8.212/91, que dispõe que a pessoa jurídica é obrigada a pagar tais contribuições apenas sobre a  a remuneração de empregados, que não incidem sobre a remuneração de autônomos.  A esse respeito, está correto o recorrente quando afirma que as contribuições  em questão somente incidem sobre a remuneração de segurados empregados, todavia, não tem  razão  em  sua  irresignação,  pois  no  presente  caso  concreto,  conforme  se  pode  constatar  do  Discriminativo  do  Débito  de  fls.  06/09,  sobre  as  remunerações  dos  segurados  contribuintes  individuais, incidiu apenas a alíquota de 20%, referente à contribuição da empresa, nos termos  do artigo 22, III, da Lei n° 8.212/91.  B) DA MULTA  Considerando  que  o  recurso  voluntário  apenas  reproduziu  os  argumentos  apresentados em sede de impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II  do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria  MF nº 343/2015, adoto, neste ponto, como razões de decidir, o seguinte trecho da decisão de  primeira instância:  A  multa  e  juros  cobrados  no  presente  AI  possuem  o  devido  respaldo legal e são de caráter irrelevável. Foi aplicada a taxa  SELIC  na  cobrança  de  juros  decorrentes  de  contribuições  não  recolhidas no prazo legal, conforme disposto no artigo 34 da Lei  n° 8.212/91.  Nesse tocante, ressalte­se que os juros incidiram apenas sobre o  valor dos  tributos  e não  sobre o  valor da multa,  como alega a  contribuinte.   Já a multa foi aplicada conforme disposto no artigo 35­A da Lei  n° 8.212/91, c/c art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, ambos com  a  redação  da  Medida  Provisória  n°  449,  de  03/12/2008,  convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009.  A  referida MP n° 449/2008 modificou a  sistemática do  cálculo  das  multas  de  mora,  de  ofício  e  daquelas  decorrentes  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias  relacionadas  à Guia  de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  anteriormente  previstas  nos  artigos  32  e  35  da  Lei  n°  8.212/1991,  acrescentando os artigos 32­A e 35­A.  Assim, a partir da publicação da MP n° 449/2008, para os fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  anteriores  a  esta  Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 298          9 data, deve ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá  retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve  ser  observado  o  disposto  no CTN,  artigo  106,  inciso  II,  alínea  "c".  A  data  da  lavratura  do  presente  processo,  foi  efetuado  o  comparativo  da  multa  aplicável,  planilhas  de  fls.91/93  e  constatou­se  que  a  multa  aplicada  (conforme  legislação  posterior a edição da MP n° 449/2008) era inferior à soma das  multas  aplicáveis  conforme  determinava  a  legislação  de  regência (legislação anterior a edição da MP 449/2008).  Contra  este  contribuinte  foram  lançados  de  ofício  os  créditos  previdenciários  listados  no  Termo  de  Encerramento  do  Procedimento Fiscal ­ TEPF de fl.24.  Diante  das  alterações  da  legislação  previdenciária,  nos  termos  da  Portaria Conjunta  PGFN/RFB  n°  14,  de  4  de  dezembro  de  2009, o valor da multa aplicada deverá ser verificado e revisto,  se for o caso, por ocasião do pagamento.  Adicionalmente,  ressalte­se  que  a  questão  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa de ofício está pacificada no âmbito deste Tribunal administrativo, conforme enunciado  de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante:  Enunciado  CARF  108:  Incidem  juros moratórios,  calculados  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.    CONCLUSÃO  Por  todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao  recurso  voluntário para reconhecer ao extinção do crédito tributário relativo ao período de janeiro/2005  e fevereiro/2005, nos termo do art. 156, V do CTN.  Renata Toratti Cassini  Relatora Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 299          10 Voto Vencedor  Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti ­ Redator Designado  Em que  pese  o  entendimento  da Relatora,  dela  ouso  a discorda  nos  termos  que seguem.  A  divergência  resume­se,  pode­se  assim  dizer,  ao  reconhecimento  da  decadência relativa às competências de janeiro e fevereiro de 2005 no que toca às contribuições  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  contribuintes  individuais  transportadores  autônomos  não declaradas em GFIP nem recolhidas pela empresa antes do inicio da Ação Fiscal.  Ocorre que,  consoante  relatado,  tais  transportadores  autônomos não haviam  sido incluídos em GFIP, é dizer, sobre as remunerações pagas a tais contribuintes individuais  não teria havido qualquer pagamento antecipado.  O fato é que o entendimento ora assentado é no sentido de que em sede de  lançamento  de  ofício  a  sistemática  a  ser  adotada,  com  relação  aos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação, é aquela preconizada pelo artigo 150, § 4º do CTN, que deve ser  substituída, ai sim pela do artigo 173,  I do mesmo diploma, quando  inexistente o pagamento  antecipado a que alude aquele dispositivo ou quando verificada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.   No  caso  do  prazo  decadencial  previsto  no  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  a  necessidade  de  haver  pagamento  antecipado  já  está  sedimentada  não  só  no  CARF,  mas  no  próprio Judiciário, conforme se observa no REsp 973.733/SC.  Note­se que a Súmula CARF nº 99 1 estabelece que para fins de aplicação da  regra prevista no  artigo  150, § 4º do CTN, para  as  contribuições previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado o  recolhimento,  ainda que parcial,  do valor  considerado como devido  pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente exigida no auto de infração.  Ou  seja,  com  relação  a  pagamento  a  determinado(s)  segurado(s)  (FG),  se  houve  o  pagamento  antecipado  daquela  exação  (cota  empresa,  contribuição  do  empresa  ou  terceiros,  conforme  seja  o  caso),  o  lançamento  de  eventual  diferença  estaria  sujeito  à  regra  especial. A contrario sensu, se o pagamento antecipado refere a segurado não declarado ou a  exação  sob  fundamento  legal  diverso,  não  haveria  que  se  falar  em  lançamento  por  homologação,  mas  sim  do  típico  lançamento  de  ofício,  cuja  regra  para  o  cômputo  da  decadência é regida pelo artigo 173 do codex tributário.                                                              1 Súmula CARF nº 99: Para  fins de aplicação da  regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se  referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida no auto de infração.      Fl. 299DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 300          11 Confira­se  entendimento  semelhante  ao  deste Relator,  posto  no Acórdão  nº  9202­005.177,  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  de  relatoria  da  Conselheira  Elaine  Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto:  De  imediato,  refuto  a  tese  do  acórdão  recorrido  de  que  aplicável,  ao  caso  concreto,  a  súmula CARF  nº  99.  A  referida  súmula  teve  por  objetivo  pacificar  entendimento  nos  casos  de  salários  indiretos,  em  que  ocorrem  lançamentos  de  diversas  rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será  aplicável,  unicamente,  aos  lançamentos  que  envolvam  salários  indiretos,  tais  como:  PLR,  vale  alimentação,  fornecimento  de  educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que  podem constituir salários  indiretos, quando  fornecidos  fora das  hipóteses  de  exclusão  do  conceito  de  salário  de  contribuição,  previstas  no  art.  28,  §9º  da  lei  8212/91.  Fica  fácil  essa  constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a  aprovação da súmula CARF nº 99.  Em  resumo  e  em  outras  palavras:  penso  que  para  que  um  "pagamento  antecipado" possa ser considerado como aquele de que trata o artigo 150 do CTN, é primordial  não  apenas  que  diga  respeito  ao  mesmo  fato  gerador  e  base  de  cálculo  da  autuação,  mas  também ao mesmo fundamento legal que dá amparo à exação lançada de ofício.   Nessa  mesma  linha,  o  Acórdão  nº  9202­005.227,  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF) do CARF, cuja ementa transcrevemos a seguir:   CS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  RECOLHIMENTO  ANTECIPADO.  REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN.  Inexistindo recolhimento antecipado sobre os  fatos geradores e  fundamentação  legal  lançada de  ofício,  a  decadência  deve  ser  aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuados  antecipadamente  como  entidade  isenta  não  são  aproveitados  para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício  fiscal.  (Grifo nosso)   Registre­se, ainda, o acórdão 9101­003­231, com a seguinte ementa:  IR­FONTE  SOBRE  PAGAMENTO  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  DECADÊNCIA.  APLICAÇÃO DO  ART.  173,  I, DO CTN.  Cada  fato  gerador  de  IR­fonte  (cada  pagamento  efetuado  pela  fonte  pagadora  a  um  beneficiário)  é  um  fato  gerador  próprio,  completo,  autônomo,  individual,  que  não  se  comunica  com  outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte  pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IR­fonte é  um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura  do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ  e a CSLL. Se cada fato gerador de IR­fonte é único, não há como  falar  em  pagamento  parcial  de  tributo.  Não  há  como  utilizar  Fl. 300DF CARF MF Processo nº 15504.004417/2010­28  Acórdão n.º 2402­007.417  S2­C4T2  Fl. 301          12 recolhimentos de  IR­fonte  referentes a outras  retenções  (outros  fatos geradores), independentemente do código de recolhimento,  da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência  para  a  regra  do  art.  150  do  CTN.  O  deslocamento  da  regra  decadencial  só  seria  possível  se  o  contribuinte  apresentasse  recolhimento  parcial  de  IR­fonte  para  uma  determinada  retenção feita por ele, o que é difícil de acontecer, e também não  é o caso dos autos. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria  esse  específico  fato  gerador,  e  não  serviria  para  antecipar  a  contagem da  decadência  para  todos  os  demais  fatos  geradores  de IR­fonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na  mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo  ano, etc.  Com efeito, tem­se que o fisco poderia constituir o crédito tributário relativo  às competências de janeiro e fevereiro de 2005, no caso aqui abordado, até 31/12/2010, à luz  do artigo 173, I do CTN.  Forte nos fundamentos acima, VOTO no sentido de reconhecer a ocorrência  da  decadência  em  relação  à  parcela  do  lançamento  referente  à  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  paga  apenas  aos  segurados  empregados,  nas  competências  de  01/2005  e  02/2005.   (assinado digitalmente)  Mauricio Nogueira Righetti                Fl. 301DF CARF MF

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