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Numero do processo: 10580.721907/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.056
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§1º e 2º, do RICARF
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva (suplente), Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em desfavor de HERDIVAL DA COSTA TOURINHO foi emitido o Auto de Infração às fls. 2 a 13, no qual é cobrado imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente aos anoscalendários de 2003 a 2006 (exercício 2004 a 2007), no valor total de R$ 186.213,47 (cento e oitenta e seis mil, duzentos e treze reais e quarenta e sete centavos), Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 243 2 acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30 de setembro de 2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 397.566,56 (trezentos e noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e seis reais e cinquenta e seis centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 5 a 8), a Fiscalização apurou: a) Omissão de rendimentos recebidos a título de aposentadoria no ano calendário 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0070074, no qual foi pleiteado o afastamento da incidência do imposto de renda sobre a integralidade dos proventos da aposentadoria dos declarantes com idade superior a 65 anos sem a observância dos limites impostos pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que alterou o art. 6º, XV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. No desfecho do processo judicial não prosperou a tese defendida. No entanto, mesmo após o trânsito em julgado do processo, o sujeito passivo não efetuou o pagamento do imposto incidente sobre tais rendimentos. b) Classificação indevida de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos. A Fiscalização entende que o sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos, decorrentes de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia, teriam natureza salarial, sendo tributadas pelo imposto de renda, segundo o Fisco. A Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, não poderia prescrever que a verba em questão é de natureza indenizatória, já que não podem os Estados Federados versar sobre o que não lhes foi constitucionalmente outorgado. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999). c) Classificação indevida de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos. A Fiscalização alega que o sujeito passivo declarou como isentos e não tributáveis a totalidade dos valores recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0070074. O processo transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004, mas o contribuinte não efetuou o pagamento do imposto incidente sobre tais rendimentos. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento (fls. 45 a 109), contestando apenas a infração relativa à diferença de URV. Alegou, em sua defesa, as seguintes razões, assim sintetizadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador: “a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 244 3 aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV.” Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem ajustasse o lançamento ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 2009, medida que não foi tomada tendo em vista a suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1525.971, de 2 de fevereiro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 245 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 11 de abril de 2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 141 a 227), no qual pleiteia que, da base de cálculo do imposto sobre a renda correspondente aos anos de 2004, 2005 e 2006, sejam excluídas as parcelas recebidas a título de diferenças de URV. Em preliminar: a) alega a ilegitimidade da União para cobrar o valor do imposto de renda na fonte que não foi retido pelo Estado membro. Reafirmando que os valores retidos pelos Estados a título de imposto de renda na fonte pertencem aos Estados e não à União. Citando e transcrevendo dispositivos da Constituição Federal e ementas de julgados de nossos Tribunais, pugna pela nulidade do lançamento e pelo deslocamento do julgamento do litígio para a esfera estadual. b) sustenta que a decisão de primeira instância não enfrentou as questões relativas à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda pertencente ao Estado, limitandose a afirmar, sem fundamentar, que a competência é exclusiva da União, pois tratar seia, em tese, de imposto sobre a renda de pessoa física, e não de imposto de renda na fonte que deixou de ser retido, indevidamente, pelo Estado da Bahia. Tal omissão, a seu ver, caracteriza supressão de instância, o que violaria os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Sendo assim, entende que os autos devem retornar à primeira instância administrativa para que seja proferida nova decisão. No mérito: a) Defende que as verbas recebidas a título de URV não têm natureza salarial, mas indenizatória, e, por isso, não sofrem a incidência de imposto sobre a renda. A fim de fundamentar seu entendimento, transcreve, entre outros, trechos da doutrina, ementas de julgados dos Tribunais e do Conselho de Contribuintes e dispositivos da legislação. Alega que, por força do princípio da isonomia, o Ministério Público da União, ante a simetria verificada pela Lei n.º 10.477, de 2002, também é contemplado com a isenção prevista na Resolução STF n.º 245, de 2002. b) Entende que o imposto foi incorretamente lançado, já que, admitindose a tributação, deve ela recair sobre a verba recebida mensalmente, a teor do prescrito na Instrução Normativa SRF n.º1.127, de 2010, calculandose o imposto sobre o montante mensal dos rendimentos pagos, na hipótese, em 36 parcelas mensais. Requer, desse modo, o recálculo do valor lançado, de acordo com a nova orientação. c) Sustenta que o valor lançado não levou em consideração as deduções cabíveis, às quais o recorrente tinha direito, nos termos do artigo 837 do Regulamento do Imposto sobre a Renda. Além do mais, não ocorreu a alegada omissão de rendimentos, pois que declarou os valores recebidos nos campos próprios da sua declaração de ajuste, de acordo com o que lhe foi informado pela fonte pagadora. Não se lhe aplica, portanto, o disposto no artigo 845 do mencionado regulamento. Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 246 5 d) Requer a exclusão das parcelas correspondentes a 13º salário e férias indenizadas. Alega que, se, em tese, forem tributáveis as diferenças de URV, a tributação não deve incidir nem sobre os valores do 13º salário e férias indenizadas nem sobre a correção desses valores, devendo essas parcelas ser excluídas da base de cálculo do tributo. e) Refuta seu enquadramento como sujeito passivo do imposto de renda de que trata este processo com base no Parecer Normativo SRF n.º 1, de 2002. Sustenta que, como membro do Ministério Público do Estado da Bahia, tanto este quanto o Estado da Bahia são os responsáveis pela emissão e declaração de classificação da verba, não tendo o recorrente qualquer responsabilidade no ocorrido. Com base no artigo 121 do CTN, que cita e transcreve, entende que a fonte pagadora, por determinação do artigo 45 do mesmo Código, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributária. Por esse motivo, com base no Regulamento do Imposto sobre a Renda e em decisões dos Tribunais, cujas ementas transcreve, entende não ser sujeito passivo da obrigação tributária em tela, o que requer seja declarado. f) Ante o princípio da boafé, sustenta ter havido, de sua parte, erro escusável na declaração de ajuste, pois foi induzido a equívoco pela fonte pagadora, não se aplicando, no seu caso, a multa de 75%. A fim de fundamentar seu entendimento, transcreve, entre outros, dispositivos da legislação e ementas de julgados do Conselho de Contribuintes. g) Utiliza o artigo 100 e seu parágrafo único para fundamentar ser necessária a exclusão das penalidades, multas, juros e correção aplicados, já que a Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20, de 2002, serviu de substrato para o recorrente prestar sua declaração à Receita Federal. Com base em doutrina e jurisprudência, conclui que tal exigência caracteriza confisco. Requer, ao final, que o débito lançado seja cancelado e, na hipótese de ser mantida a exigência, sejam considerados todos os argumentos trazidos aos autos. É o Relatório Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. No presente caso, temse que o Auto de Infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2007, cumpriu a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988. Em 2009, o tema dos rendimentos recebidos acumuladamente foi objeto do Parecer PGFN n.º 287, de 2009, posteriormente ratificado pelo Ato Declaratório n.º 1, de 2009. Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 247 6 Diferentemente do que determina a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a orientação do referido Parecer PGFN é no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tendo em vista que tal orientação, em última instância, derroga a regra do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, utilizada como fundamento para o cálculo do tributo devido neste processo, tal como se depreende do “Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Devido” (fls. 5 verso), anexo ao Auto de Infração, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 248 7 a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 22/03/2012 14:41:20. Documento autenticado digitalmente por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 22/03/2012. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 28/03/2012 e CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 22/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/11/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.1120.20005.E5SK Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CFBF46D635927D705476A71BE3403CC12825E2F2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10580.721907/2008-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10835.000557/95-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1994
LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL.
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Reconhece-se a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.758
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhecese a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/53) interposto em 15 de dezembro de 1998 contra o acórdão de fls. 40/42, do qual a Recorrente teve ciência em 13 de novembro de 1998 (fl. 50v), proferido pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fl. 03, lavrada em 08 de abril de 1995, em decorrência da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 1994. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: ITR VTN BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE 1994. O valor da terra nua, contestado pelo contribuinte e reconhecido pela administração tributária como inadequado, é passível de revisão, para que se adote reavaliação posterior, através de Laudo Técnico, elaborado por perito habilitado e/ou avaliação de Órgão Público.” (fl. 40). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 51/53, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno do valor da terra nua, relativo ao exercício de 1994, que foi fixado em 299,63 UFIR/ha. pela IN/SRF n.º 16/95, reduzido para 170,0 UFIR/ha. pela decisão recorrida, que acolheu o laudo de avaliação de fls. 28/31, apresentado pela Recorrente. Segundo a contribuinte, ao proceder à retificação do lançamento, a fiscalização desconsiderou a área de reserva legal de 2.830,2 ha., de um total de 14.151,0 ha., assim como, na sua visão, o novo lançamento deveria ser efetuado sem a imposição de multa de ofício e juros moratórios. Preliminarmente, duas questões precisam ser esclarecidas. O despacho de fl. 65 negou seguimento ao presente recurso voluntário, haja vista a inexistência do depósito de 30% da exigência fiscal, como requisito de admissibilidade do recurso, à luz do §2º do art. 33 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 3 3 Ocorre, porém, que contra o aludido dispositivo foi ajuizada a ADIn n.º 19767. O Supremo Tribunal Federal, portanto, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, declarou a inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal, por supressão do direito de recorrer e violação ao princípio da proporcionalidade. Tal declaração, portanto, tem eficácia erga omnes e produz efeitos ex tunc, tendo, a posteriori, sido editada a Súmula Vinculante n.º 21, a qual dispõe o seguinte: “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. Ante o exposto, a decisão do Supremo retroage ao início da validade da norma atacada, alcançando, portanto, o recurso interposto pelo contribuinte, que possui os exigidos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Não obstante, não incide, in casu, o óbice da Súmula n.º 01, deste CARF, segundo a qual “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Tal questionamento poderia ser suscitado porque, ainda que tenha sido negado seguimento ao recurso voluntário que ora se examinará, à fl. 65 consta que os lançamentos de ITR/94, relativos aos imóveis localizados no Estado do Mato Grosso do Sul, estavam suspensos em virtude de liminar obtida em sede de ação civil pública, então pendente de julgamento, a qual foi posteriormente cassada, e julgada a ação improcedente em sede de apelação, pela Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Apelação Cível n.º 000292820.1995.4.03.6000/MS), Relatora a Desembargadora Alda Basto. A concomitância se dá, pois, consoante a súmula acima reproduzida, quando o contribuinte renuncia à esfera administrativa, em virtude de propositura de demanda judicial. A sistemática da ação civil pública, contudo, disciplinada pela Lei n.º 7.347/85, estabelece um rol taxativo de legitimados à sua propositura, dentre os quais o Ministério Público, cuja função precípua, ex vi do art. 129 da CF, é a de tutelar os direitos difusos e coletivos. Neste contexto, portanto, não se vislumbra a opção do contribuinte pela via judicial, em detrimento da administrativa, haja vista que a tramitação da referida ação civil pública independe de sua participação, motivo pelo qual o presente recurso, também por este motivo, deverá ser analisado. Superadas essas necessárias considerações preliminares, o próprio exame do mérito fica prejudicado em razão do reconhecimento, ex officio, da existência de vícios formal e material que maculam o lançamento efetuado in casu. A este respeito, cumpre repisar o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 4 4 Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regra matriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002. p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001. pp. 127129). Na presente hipótese, da notificação de lançamento de fl. 03, verificase, simultaneamente, a existência de vício formal e material que maculam o lançamento em questão: temse o vício formal pela ausência de identificação da autoridade lançadora, ao passo que o vício material decorre da inexistência de descrição da infração. Com efeito, a notificação aludida não expõe os motivos da autuação, comprometendo o direito de defesa da Recorrente. A este respeito, é pacífica a jurisprudência deste CARF, que inclusive já editou a Súmula n.º 21 acerca do vício formal em decorrência da ausência da identificação da autoridade lançadora (“É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”), confirmada pelos seguintes arestos: “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. No entanto, é elemento formal do lançamento a falta de identificação da autoridade fiscal” (CSRF, 2ª Turma, Recurso n.º 143.713, Relator Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, j. em 31/05/2010). “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e consequente nulidade devido a ocorrência de vício material. EMBARGOS ACOLHIDOS.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 240201.058, j. em 16/08/2010). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 5 5 “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 240101.358, j. em 19/08/2010). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003262/2004-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de Apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004
PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO.
A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO, PELA CONTRIBUINTE, DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando não foi dado ciência à contribuinte do Relatório Fiscal resultante do cumprimento da diligência requerida pela DRJ, quando referido Relatório nada acrescenta aos fatos postos na autuação, tendo demonstrado a contribuinte pleno conhecimento das matérias que lhe foram imputadas. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.525
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou- se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO, PELA CONTRIBUINTE, DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando não foi dado ciência à contribuinte do Relatório Fiscal resultante do cumprimento da diligência requerida pela DRJ, quando referido Relatório nada acrescenta aos fatos postos na autuação, tendo demonstrado a contribuinte pleno conhecimento das matérias que lhe foram imputadas. Recurso Voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1 1 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003262/200496 Recurso nº Acórdão nº 3202000.525 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria PIS/PASEP. Recorrente MSX INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO, PELA CONTRIBUINTE, DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando não foi dado ciência à contribuinte do Relatório Fiscal resultante do cumprimento da diligência requerida pela DRJ, quando referido Relatório nada acrescenta aos fatos postos na autuação, tendo demonstrado a contribuinte pleno conhecimento das matérias que lhe foram imputadas. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte anteriormente identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os períodos de apuração de março a setembro de 2004 (PA 03/04 a 09/04), no valor (principal) de R$ 206.615,39, com multa de oficio de 75% no valor de R$ 154.961,50, e juros de mora, calculados até 30/11/2004, no valor de R$ 10.056,57, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 371.633,46, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) acostado à inicial. 2. Na Descrição dos Fatos de fls. 229/230, bem como no Termo de Constatação Fiscal de fls. 223/225, o AFRF autuante informa que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados da contribuição para o PIS, e ainda que: § No ano de 2004, o contribuinte declarou no "DACON" como isenção/exclusão da base de cálculo do PIS nãocumulativo, valores correspondentes a receitas auferidas sujeitas incidência cumulativa (fls. 07/14 e 216/220); § Em 27/09/2004, foi intimado (fl. 15) a demonstrar e esclarecer, juntando documentação comprobatória, os valores declarados na situação de isenção/exclusão acima comentada para os meses de março a junho de 2004, e, em 08/12/2004, foi novamente intimado (fl. 221) a fornecer os mesmos esclarecimentos e documentação, relativamente aos valores declarados na mesma situação para os meses de julho a setembro de 2004; § Em atendimento a ambas as intimações, o contribuinte alegou que os valores em questão se tratam de receitas auferidas sujeitas à incidência cumulativa, sujeitandose a tributação da Lei anterior (alíquota de 0,65%), conforme estabelecido no art. 15, c/c art. 10, inciso XI, alínea "b", ambos da Lei n° 10.833/03 (MP n° 135/03), apresentando demonstrativo de composição dos valores intimados (fls. 16/24 e fl. 222); § A fim de comprovar sua argumentação, apresentou documentação (xerox) correspondente aos contratos firmados em 03/05/2001 e 23/08/2003, com as empresas Siemens Automotive Systems Ltda. (fls. 25/41) e EMBRAER — Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (fls. 42/58), respectivamente, e vários "Pedidos de Compra" efetuados pelos clientes Ford Motor Company Brasil Ltda. (fls. 59/138) e Volkswagen do Brasil Ltda. (fls. 139/214); Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 2 3 § Quis o contribuinte que os contratos fossem substituidos pelos "pedidos de compra", porém, esses não apresentam características determinantes para que se possa apurar o montante (preço predeterminado) da receita de prestação de serviços de cada projeto, e, ainda, quando efetivamente teria sido firmado (assinado) o acordo de prestação desses serviços e o prazo de duração dos mesmos (superior a um ano), para que, eventualmente, se pudesse enquadrá los nos termos dos arts. 15 e 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03; § Portanto, ficam assim constatadas e caracterizadas exclusões indevidas de receitas da base de cálculo do PIS nãocumulativo (para os meses março a setembro de 2004), ocasionando falta de recolhimento da contribuição, e, como os valores da contribuição resultante das citadas exclusões indevidas não foram declarados em DCTF, tornamse os mesmos passíveis de exigência pelo presente processo de Auto de Infração; § Na determinação das bases de cálculo a lançar a título de PIS não cumulativo, que, a princípio, corresponderiam aos valores declarados no DACON na situação de isenção/exclusão da base de cálculo do PIS nãocumulativo, foram deduzidos os valores relativos aos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas EMBRAER e SIEMENS, já que esses valores consideramse como receitas sujeitas à incidência cumulativa, sendo tributados, assim, à alíquota de 3% três por cento), por não terem sido declarados em DCTF e, nem terem os seus recolhimentos comprovados, efetuando se assim, também para tais valores (ref. SIEMENS/EMBRAER), o lançamento de oficio através da lavratura do competente Auto de Infração. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da contribuição para o PIS (v. fls. 224 e 229/230), cientificado ao contribuinte em 14/12/2004, conforme se observa à fl. 228, consistiu nos arts. 1 0, 2°, 30, 40 e 5°, da Lei n° 10.637/02; art. 10, inciso XI, alínea "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03; arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 23, 51, 59 e 63 do Decreto n° 4.524/02. 4. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fl. 227. 5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado, apresentou, em 13/01/2005, a impugnação juntada as fls. 235/243, e documentos anexos de fls. 244/998, listados pelo próprio impugnante à fl. 243, com as alegações abaixo resumidas: 5.1. em que pese o auditorfiscal ter considerado que "pedido de compra" não é contrato, e que, portanto, não se enquadraria nas exclusões previstas no art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03, cumpre analisarse a definição de contrato, para que, a partir de então, haja um entendimento comum que permitirá a análise, um a um, dos "pedidos de compra" e demais contratos de prestações de serviços celebrados pela empresa, os quais, pela legislação, entendemse isentos/excluídos da base de cálculo do PIS nãocumulativo, aplicandose às receitas referentes a estes contratos "pedidos de compra" as regras da anterior legislação, ou seja, a alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento); Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 5.2. na mais singela das definições, temse que "Contrato" é um acordo entre duas ou mais pessoas que transferem entre si algum direito, ou se sujeitam a alguma obrigação, convenção, ajuste ou acordo; 5.3. o contrato, como negócio jurídico, traz a manifestação de duas vontades que se encontram, e, para isso, é necessário que essa vontade contratual se exteriorize de alguma forma; 5.4. a forma determinada em lei existe para aqueles atos em que a lei, ou a vontade das partes, queira imprimir maior respeito e garantia de validade, todavia, a regra geral é de liberdade de forma para os negócios jurídicos em geral; 5.5. a manifestação da vontade contratual pode, na verdade, darse de forma escrita ou verbal, ou, até mesmo, de forma mímica ou gestual, quando tais figuras são admitidas pela categoria dos contratos e pelos costumes; 5.6. após o advento do Novo Código Civil, as próprias partes podem contratar determinada forma de contrato, e, no presente caso, os contratos com a Ford e Volkswagen são celebrados através de "pedido de compra", tratandose de forma prescrita pelas partes e reconhecida em nosso direito, pois a lei não determina que este tipo de contrato deverá ser solene, não fazendo ainda a lei qualquer distinção quanto a seu rótulo, ou seja: porque vem denominado "pedido de compra", não quer dizer que não possui as características do contrato, e, principalmente estes analisados, que possuem todos os elementos necessários que se enquadram na Lei n° 10.833/03, além do que a lei apenas especifica que seja "firmado", e, portanto, os contratos anexos estão dentro de seus parâmetros legais e assim devem ser reconhecidos; 5.7. consoante declarações que seguem em anexo (fls. 268 e 311), tratase o impugnante de empresa prestadora de serviços de engenharia e parceira da empresa Ford, há mais de cinco anos no Brasil e há mais de oito anos a nível mundial; e da empresa Volkswagen, há mais de seis anos; 5.8. no Brasil, os contratos de prestação de serviços com a Ford e a Volkswagen sempre foram celebrados através de "pedido de compra", e contêm: data de inicio de prestação de serviço (data de emissão); data de término da prestação de serviços (data da validade/entrega); preço predeterminado para a prestação do serviço em valor hora, contendo a quantidade total de horas por projeto; condição de pagamento pelo serviço prestado; local da prestação do serviço; demais cláusulas contratuais, contendo as obrigações e responsabilidades assumidas pelas partes, bem como previsão de sanções em caso de descumprimento destas cláusulas; 5.9. portanto, os "pedidos de compra" celebrados com a Ford e a Volkswagen do Brasil possuem todas as características de contrato, ou seja, neles encontrase estampado o conceito de "acordo entre duas pessoas jurídicas que transferem entre si direitos, e se sujeitam a obrigações em troca de um preço predeterminado, convencionam ainda o prazo desta prestação de serviços, bem como outras tantas cláusulas destinadas a regular e permitir a prestação de serviços"; 5.10. além disso, o "pedido de compra" apresenta condições de se auferir (sic) e conferir o montante da prestação de serviço (preço predeterminado), data de seu inicio e término (celebração e duração), e dai se ter com clareza que tais receitas estão sujeitas tributação cumulativa, incidindo a aliquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), prevista nas normas da legislação do PIS/COFINS, vigentes anteriormente A Lei n° 10.833/03, como determina seu art. 10; 5.11. a Lei acima citada e também a Orientação que segue em anexo (fls. 529/532) somente dizem: contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 3 5 prazo superior a 1 ano; preço predeterminado, e a Instrução Normativa (IN) SRF n° 468, de 08/11/2004, prevê, em seu art. 2°, que preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato; 5.13. pois bem, quanto à data da celebração dos contratos, não há dúvida, todos devem ter sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; quanto a seu prazo necessário ser superior a 1 ano; e quanto ao preço dever ser predeterminado como determina a lei, neste tocante quis o legislador que constasse necessariamente o seu "quantum" no momento da celebração do contrato; 5.14. vejase em tal sentido que a empresa autuada é prestadora de serviços especificamente na Área de engenharia (mãodeobra); na maioria dos contratos firmados, os preços são predeterminados em valores hora fixos, contendo a quantidade de horas total por projeto, somente variando as horas mês, mas nunca extrapolando a quantidade de horas, cujo total se encontra previsto no contrato "no seu período de execução"; portanto, para se auferir (sic), "apurar" a receita de cada projeto contratado, basta somar a quantidade de horas no contrato, cujo niunero e identificação encontramse estampados nas faturas, na medida em que todas fazem menção a qual contrato ou pedido de compra se referem; 5.15. o que ocorre é que existem projetos a serem cumpridos ao longo de três ou quatro ou até mais anos, mas todos eles com o preço predeterminado (fixo em valor hora e também fixo em quantidade de horas), e jamais ultrapassando a quantidade de horas; 5.16. não diz a lei que o preço não poderá ser em hora, e sim que o preço seja predeterminado; não faz também a lei qualquer menção a limite de valores, seja em hora ou outro qualquer, apenas considera preço predeterminado aquele "fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução"; 5.17. portanto, as planilhas anexas, confrontadas com o DACON e demais guias de recolhimento, e com as devidas compensações, dão conta de que os tributos foram recolhidos mês a mês na forma cumulativa, consoante prevê a legislação; 5.18. além disso, conforme comprovam os documentos anexos (Planilha de cálculo analítica COFINS — Lei antiga "cumulativa" e Lei atual "lido cumulativa"), não houve por parte do auditorfiscal nenhuma consideração da compensação de créditos da empresa, no que tange aos valores de impostos retidos pelos correspondentes tomadores, referentes às respectivas contribuições, consoante prevê o art. 36 da Lei n° 10.833/03; 5.19. no Termo de Constatação Fiscal, foram procedidas autuações sobre não recolhimento as alíquotas de 0,65% (PIS) e 3% (COFINS), nos faturamentos dos meses de março a junho das empresas EMBRAER e SIEMENS, cujas receitas foram consideradas pelo fiscal autuante como sujeitas à incidência cumulativa, e também que o PIS/COFINS delas decorrentes não teriam sido declarados em DCTF, além do que supostamente não tiveram seus recolhimentos comprovados, o que, portanto, não é correto; 5.20. na ocasião da fiscalização, esclareceuse que as DCTF/DACON não possuem campo para tal informação "demonstração da compensação dos tributos cumulativos", pois (o DACON) contém apenas campo para informação para o caso de créditos/compensações "tributos nãocumulativos", porém, ainda assim, a autoridade autuante procedeu à autuação ora impugnada, sem nada disto ressaltar; Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 5.21. portanto, não há outra forma para se verificar a transparência e regularidade dos recolhimentos dos tributos, senão o acompanhamento das planilhas analíticas anexas, de forma a confrontálas mês a mês com os contratos e faturas, para que se possa também chegar aos valores corretos de créditos compensados entre si, pois não se dispõe de instrução ou formulário para tanto; 5.22. diante do exposto, requerse seja declarada a total insubsistência/improcedência do Auto de Infração, considerandose ainda legalmente tributado e recolhido o PIS incidente e devido sobre a receita da empresa no período apurado. 6. A fl. 1018, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 10.706, de 14/07/2007, que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo Único, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP01) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ02), o presente processo foi encaminhado a esta DRFRJ02, para julgamento. 7. Posteriormente, foi o presente processo encaminhado à. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis/SPO) em diligência (v. fls. 1019/1020), a fm de que, para cada contrato e pedido de compra vinculados aos serviços que compõem a apuração do PIS/COFINS, fosse discriminado se: a) os serviços correspondentes aos contratos ou pedidos prolongaramse por mais de 1 (um) ano contado da data em que foram firmados, considerado o disposto nos artigos 40 e 6° da IN SRF n° 468, de 08/11/2004; b) os preços estabelecidos nos contratos ou pedidos tenham sido fixados em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução, atendendo as disposições do art. 2°, § 1º, da IN SRF n° 468/2004; c) houve qualquer prorrogação ou alteração (reajuste) de preços após 31/10/2003, em "percentual superior Aquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995", conforme § 3° do art. 3° da IN SRF n° 658, de 04/07/2006, c/c arts. 4° e 7° do mesmo ato normativo, discriminandose, em caso positivo, a data de prorrogação e/ou de alteração do preço. 8. Solicitouse ainda à fiscalização, na diligência proposta as fls. 1019/1020, a elaboração de novos demonstrativos de apuração da COFINS, desta feita levando em consideração as antecipações da contribuição, invocadas pelo contribuinte em sua impugnação, conforme arts. 30 e 36 da Lei n° 10.833/2003, regulamentado pela IN SRF n° 459, de 18/10/2004, art. 7°, § 1°. 9. A fiscalização, em atendimento à diligência solicitada, promoveu a juntada da documentação de fls. 1022/1043, sendo que o contribuinte, após intimado (fls. 1022/1023), apresentou os esclarecimentos de fls. 1034/1040, alegando de forma supletiva que: 9.1. o fornecimento de serviços pela MSX aos seus clientes, Volkswagen do Brasil Ltda. e Ford Motor Company do Brasil Ltda., decorre de prática negocial consagrada no relacionamento de empresas e mercado internacional, sendo que ditos atos negociais são também conhecidos por "engeneering"; 9.2. no Brasil, tal ato negocial não é desconhecido da lei brasileira, pela referência a que lhe faz o Decreto n° 64.345/69 e o Decreto n° 66.717/70, que estabelecem que órgãos públicos só poderão contratar serviços de "engeneering" (a lei fala em consultoria e assistência técnica) com empresas estrangeiras, se não Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 4 7 houver empresa nacional capacitada a prestar esses serviços, sendo que, quando contratada empresa estrangeira, o serviço deverá ser executado em convênio com empresa nacional; uma empresa privada, porém, poderá contratar diretamente com empresa estrangeira; 9.3. entre empresas particulares, como no presente caso, a contratação destes serviços dáse como de costume negocial, através da formulação de pedidos de fornecimento, não existindo lei que o exija de modo formal ou epistolar, e o pedido de compra é efetivamente o contrato entre as partes; 9.4. é curial que os atos negociais de "engeneering" abranjam também os fins administrativos, mercadológicos, controle de qualidade, programação e elaboração de estudos e projetos, instalação, montagem e colocação em funcionamento de máquinas, equipamentos e unidades industriais, e outras atividades empresariais que exijam uma organização cientificamente estabelecida, inclusive fornecimento para testes, de protótipos e maquetes, como se dá no caso concreto em análise; 9.5. muito embora a Convenção de Viena não tenha se referido à venda de serviços, este está incluído nas normas de compra e venda, quando se tratar de ato negocial internacional, deixando de lado as mercadorias de uso pessoal ou familiar, para leilão, com penhora ou qualquer constrição judicial, dentre outras; 9.6. assim sendo, cada pais tem a liberdade de disciplinálo, inclusive internamente, e, no Brasil, a compra e venda é um contrato consensual e não real, bastando o consenso das duas partes, para que o contrato se aperfeiçoe, e esta consensualidade se deduz do antigo Código Comercial, artigo 191, e do antigo Código Civil, artigo 1122; 9.7. como característica da maioria dos contratos consensuais, a compra e venda são não solenes, excetuandose alguns casos especiais previstos na legislação extracódigo, como o de compra e venda de imóveis, que exige escritura pública; 9.8. acresçase ainda que o ato negocial praticado entre empresas, o ato jurídico negocial da compra e venda ou de "engeneering", ou de serviços, é de natureza mercantil, por fazer parte da atividade empresarial de cada uma delas, não se exigindo, portanto, ato solene ou epistolar, dandose entre as partes, por consenso; 9.9. o "consensus" é o acordo entre as partes; desde que o vendedor ofereça uma coisa para a venda em determinadas condições e o comprador aceita a oferta nas mesmas condições, chegaram a um consenso e está celebrado o contrato; 9.10. feitos estes esclarecimentos, reproduzse então a "memória" dos extratos envolvendo os atos negociais questionados pelo Fisco Federal no Auto de Infração, conforme Tabelas ("memória") elaboradas, respectivamente, para a Volkswagen (v. fls. 1037/1038) e para a Ford do Brasil (fls. 1039/1040), esclarecendose que delas podese perfeitamente extrair as receitas tributáveis que compuseram a apuração do PIS e da COFINS; 9.11. por derradeiro, mencionese que o detalhamento dos pedidos nas Tabelas ("memória") acima citadas (v. fls. 1037/1040), e sua relação com a matéria tratada nos autos é total, e o que não se reproduziu por motivos técnicos computacionais é juntado a estes esclarecimentos com a finalidade de atender aos termos da intimação fiscal de diligência, colocandose a inteiro dispor para ulteriores esclarecimentos, se necessários; Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 10. Ao final da diligência solicitada, a fiscalização elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1042/1043, no qual esclareceu, em relação aos questionamentos constantes do despacho de solicitação de diligência (fls. 1019/1020) questionamentos estes também solicitados através do Termo de Diligencia Fiscal (fls. 1022/1023) —, e descritos,respectivamente, nos itens a, b, c, do parágrafo 7 do presente Relatório, que: item a não foi possível confirmar, tendo em vista a não apresentação dos contratos de prestação de serviços; item b não se pode apurar o solicitado, pelo mesmo motivo do item a acima; item c não se pode precisar se ocorreu alguma prorrogação ou alteração, em função dos mesmos motivos expostos nos itens a e b acima; 11. Ainda no mesmo o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1042/1043, a fiscalização informou que, relativamente aos valores do PIS/COFINS passíveis de serem considerados como antecipação, o art. 7°, § 1 0, da IN SRF n° 459/2004 determina que os valores retidos de ambas as contribuições na forma da MP n° 135/03 (arts. 30 e 36 da Lei n° 10.833/2003) poderão ser deduzidos da contribuição devida, e, portanto, se o sujeito passivo não mencionou os valores pertinentes as antecipações no DACON, podese entender que o mesmo não quis exercer a opção a que teria direito, e, portanto, como se trata de uma mera liberalidade do interessado, não cabe A. fiscalização proceder a tal dedução. Além disso, e por outro lado, ponderou ainda a fiscalização que, se os valores referentes às antecipações foram porventura mencionados no DACON como créditos, conseqüentemente já foram então considerados pelo contribuinte na apuração do PIS/COFINS.” A DRJRio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento (fls. 1052/1074), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. PIS/COFINS. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO DAS ANTECIPAÇÕES. As contribuições retidas na fonte por outra pessoa jurídica podem ser deduzidas, pelo contribuinte, das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção, devendo a dedução ser registrada na contabilidade da empresa e informada em DIPJ. Lançamento Procedente Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 5 9 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 1082/1093), alegando, em síntese: omissão do julgador de primeira instância, aduzindo que este não identificou qual a legislação vigente à época dos fatos sob autuação; que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois não tomou conhecimento do conteúdo do Relatório Fiscal elaborado em decorrência da diligência solicitada pela DRJ. Em razão disso, juntou ao recurso amostragem de cópias das Notas Fiscais que foram emitidas pela contribuinte, referentes aos contratos/pedidos que envolvem o presente feito, aduzindo que as demais Notas Fiscais seriam juntadas oportunamente; que, à época dos fatos sob autuação, estaria vigente a norma ditada pela Lei n.° 10.833, de 29/12/2003, regulamentada pela IN/SRF n.° 468/2004. Afirma que as alterações sofridas pela referida lei foram posteriores às datas em que teriam sido firmados os contratos/pedidos (17/07/2003, 22/01/2002, e 30/04/2002) e que tais alterações não modificaram a redação original do inciso XI do artigo 10 da Lei n.° 10.833/2003; que, de acordo com o artigo 10, inciso XI, alínea "b" da Lei nº. 10833/2003, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, permanecem sujeitos às normas da legislação do PIS vigentes anteriormente à edição da predita lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8.°; e que a IN/SRF n.° 468/2004 somente foi revogada pela IN/SRF n.° 658, de 04/07/2006, a qual, conforme dispõe o seu artigo 7º, inciso I, somente passou a produzir efeitos a partir de 1º/02/2004, alcançando as receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do artigo 2.°. Ao final, requereu a reforma da decisão de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte MSX INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA para constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, relativo a receitas auferidas pela autuada que foram excluídas de sua apuração, conforme informado na Ficha 05 do DACON ("Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep"), sob a rubrica "Receitas Auferidas Sujeitas à Incidência Cumulativa". Alega a recorrente que a exclusão da receita pretendida estaria ao amparo do art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/2003, a saber: Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Art. 10. Permanecem sujeitas as normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. .1 2 a 82: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, apreço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Assim, pretende a contribuinte que tais receitas sejam apuradas pelo regime cumulativo, à alíquota de 0,65%. De outro lado, entendeu a autoridade fiscal que as referidas receitas, quando originadas dos serviços de que tratam os "pedidos de compra" anexados às fls. 59/214, não preencheriam os requisitos necessários da lei, sujeitandose à incidência nãocumulativa, à alíquota de 1,65%. Em sede de recurso, alega a querelante que a autoridade julgadora foi silente quanto à indicação da legislação que se aplicaria ao caso. Entendo que tal alegação não procede. A autoridade julgadora a quo foi clara em seu posicionamento, norteandose pela aplicação da Lei nº. 10.833/2003, conforme pretendido pela contribuinte. A menção que faz à legislação posterior se dá tão somente para clarificar o seu entendimento em relação à intenção do legislador ao estabelecer o benefício da apuração sob a forma cumulativa, previsto no art. 10, XI, “b” da Lei nº. 10.833/2003. A contribuinte anexou aos autos os contratos de prestação de serviços firmados com a Volkswagen do Brasil Ltda (fls. 269/3210), nos quais se verifica que o prazo de validade destes é definido pelo “pedido de compra”, não trazendo, em si mesmo, um prazo de validade final, de tal forma que cada pedido de compra possui termos próprios para sua realização. Por tal razão é que a autoridade julgadora, acertadamente, considerou não restar atendido o requisito legal para o benefício pretendido. Vejase: 26. Em que pese as datas de validade apostas nos respectivos "pedidos de compra", todos eles vinculados a contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, e todos também mencionando um prazo contratual superior a 1 (um) ano, na forma acima resumida, não pode prevalecer a pretensão do autuado de promover a tributação pelo PIS das receitas originadas dos serviços fornecidos pela empresa a seus clientes, segundo a legislação anterior vigência das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de forma cumulativa e à aliquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 6 11 28. A uma, porque o legislador, ao conceder o beneficio previsto no art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03, nunca quis perpetuar tal beneficio no tempo, mas tãosomente disciplinar situações transitórias, de receitas originadas de contratos que já se encontravam firmados anteriormente ao advento do citado diploma legal (mais precisamente, antes do advento da MP n° 135/03, que lhe antecedeu), tributadas segundo o regime cumulativo, e que, de uma hora para outra, passariam a ser tributadas sob nova sistemática, muito embora se referissem a serviços/fornecimento de bens contratados ainda anteriormente à entrada em vigor na nova Lei. Tal beneficio, todavia, na letra fria da lei, somente subsistiria até a primeira alteração de preços verificada após 31/10/2003 (cf. art. 2°, § 2°, da IN SRF n° 468/04), ou ainda, conforme art. 109 da Lei n° 11.196/05, desde que reajuste de preços, se houvesse, se desse em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art.27 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. 29. Ocorre, todavia, que, ao remeter o prazo de validade contratual àquele estabelecido no "pedido de compra", o contribuinte acaba por "ferir de morte" o próprio objetivo intentado pelo legislador com a concessão do beneficio, já que nada impediria, por exemplo, que, a cada novel pedido de compra vinculado a um determinado Contrato (cf. Cláusula 1.2), novo prazo de validade fosse estabelecido, perpetuando no tempo a tributação das receitas originadas de ditos contratos pelo regime cumulativo da contribuição, e, que, assim, nunca passariam a ser tributadas pela sistemática da não cumulatividade, situação essa nunca objetivada pelo legislador ao conceder o beneficio ora em comento. 30. Além disso, a Cláusula 12, que dispõe sobre as formas em que a rescisão do contrato poderá se dar, estabelece que o mesmo poderá ser rescindido a qualquer tempo, sem qualquer tipo de indenização, indicando, portanto, que não se tem, no caso concreto ora examinado, contrato no qual se estabeleça um prazo, previamente estipulado, para a satisfação dos serviços nele previstos, o que levaria, por exemplo, à aplicação de determinada penalidade pelo não cumprimento dos serviços contratados. Os referidos contratos trazem, isso sim, situações nas quais os serviços ou mãodeobra, requisitados pelos clientes do autuado, são solicitados a qualquer tempo, de acordo com a necessidade dos primeiros, a partir de "pedidos de compra", que podem ser emitidos até mesmo em seqüência, Ines a mês, sendo que, a permanência de tributação de tais receitas pela legislação anterior do PIS/COFINS, sem que se saiba ao certo o prazo de validade do contrato firmado, certamente não se trata de situação que o legislador quisesse abonar, com a disposição do art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03. (...) Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 38. Devese também ratificar que tais ponderações a respeito da Cláusula 7.3. de reajuste dos preços contratados, que não se dá na forma exigida para a permanência da tributação das receitas envolvidas pelo regime anterior (cumulativo), fazse aqui tão somente de forma supletiva, já que os contratos e respectivos "pedidos de compra" anexados não se fazem passíveis de gozar do citado beneficio, porquanto neles, muito antes de qualquer outro aspecto, e como já visto, não se pode determinar inequivocamente o seu prazo de duração, porquanto passível de alteração a cada nova versão do pedido de compra emitido,conforme os próprios contratos analisados estabelecem em sua Cláusula 10.1, aqui anteriormente transcrita, situação essa que impede de que seja verificado o atendimento da condição prevista no art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03. Em relação aos atos negociais praticados entre a contribuinte e a Ford do Brasil Ltda, temse que não há nos autos qualquer contrato firmado entre as partes, mas tão somente os “pedidos de compra”, que não se revestem da formalidade necessária para que a requerente possa usufruir do benefício pretendido. Isso porque, em se tratando de benefício tributário, não basta o consenso entre as partes para que se tenha firmado um contrato, caso contrário, o simples ajuste verbal, na presença de testemunhas, seria capaz de lastrear as pretensões da recorrente. Por tal razão, mais uma vez, acertadamente, posicionouse a autoridade julgadora contrária às pretensões da contribuinte, ao assim se manifestar: 40. Ainda que alguns poucos "pedidos de compra" juntados possuam a descrição de obrigações e direitos entre as partes tal como o pedido n° 741496, fls. 59/63 — deve prevalecer, em tais situações, diante da inexistência de instrumento contratual no qual se pudesse verificar o prazo contratual estabelecido; o preço estipulado; condições, índices e periodicidade de eventuais reajustes, o entendimento da fiscalização expresso no Termo de Constatação Fiscal de fls. 223/225, dando conta de que, nessa situação, os "pedidos de compra" "lido apresentam características determinantes para que se possa apurar o montante (preço predeterminado) da receita de prestação de serviços de cada projeto e, ainda, quando efetivamente teria sido firmado (assinado) o acordo de prestação desses serviços, e o prazo de duração dos mesmos". 41. Em sua impugnação, o autuado alega que a "Data de Emissão" constante dos pedidos corresponderia A data de inicio da prestação de serviço, e que a "Data da Validade/Entrega" corresponderia à data de término da prestação de serviços. Além disso, pondera que o caráter predeterminado do preço para a prestação do serviço também se encontraria presente em cada pedido, seja em valor hora, seja contendo a quantidade total de horas de cada projeto (na dicção do § 1° do art. 3° da IN SRF n° 658/06), valendo ainda dizer ter sido finalmente discriminado, na Tabela ("memória") de fl. 1039, constante do documento apresentado à fiscalização no curso da diligência instaurada, a participação de cada projeto/pedido na composição da base tributável mensal do PIS. Aduz ainda, em linhas gerais, que os "pedidos de compra" anexados guardariam a definição do que seria contrato, que consistiria, basicamente, em "um acordo entre duas ou mais pessoas que transferem entre si algum Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 7 13 direito, ou se sujeitam a alguma obrigação, convenção ajuste ou acordo". 42. Em alguns dos "pedidos de compra" anexados às fls. 59/138 (Ford), verificase que o lapso temporal decorrido entre a "Data de Emissão" e a "Data de Validade" neles apostas contemplam prazo superior a 1 (um) ano. Ocorre, todavia, que a lei (art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03) referese a contrato e nunca a "pedido de compra", motivo pelo qual esse último nunca poderia suprir a falta do primeiro. 43. E, em que pese o alegado, não basta que o denominado "pedido de compra" eventualmente possua algumas convenções consensuais, estabelecendo obrigações e direitos entre as partes, se, naqueles "pedidos", não se possa inequivocamente aferir, como acima comentado, a existência de cláusulas que estabeleçam o prazo avençado evidentemente não passível de modificação a cada "pedido" firmado , condições e prazos para o reajuste de preços, etc, indispensáveis para que se possa verificar o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do beneficio. Desta forma, resta clara a improcedência das alegações firmadas pela interessada em sede de recurso. As receitas auferidas as quais pretende ver excluídas da apuração do PIS/PASEP sob a forma nãocumulativa não se enquadram no benefício previsto no art. 10, XI, “b” da Lei nº. 10.833/2003, visto os “pedidos de compras” que as embasam não guardarem os elementos contratuais necessários à fruição do benefício previsto naquele diploma legal, tampouco substituírem o instrumento contratual exigido pela lei. Por último, temse que não houve qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente em razão de não lhe ter sido dado ciência dos termos do Relatório Fiscal elaborado quando do cumprimento da diligência requerida pela DRJ (fls. 1042/1043). O contraditório, no processo administrativo fiscal, tem por escopo dar oportunidade ao sujeito passivo de conhecer os fatos apurados pela autoridade fiscal, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, para que, dentro do prazo legalmente previsto, possa ele rebater, de forma plena, as irregularidades que lhe foram imputadas, apresentando a sua versão dos fatos. No caso, temse que a diligência efetuada em nada acresceu aos fatos até então apurados e de pleno conhecimento da autuada. Isso porque naquele Relatório limitouse a autoridade fiscal a informar a não apresentação dos contratos de prestação de serviços pela interessada, bem como a reproduzir o texto da lei, nada acrescentando aos fatos postos na autuação, dos quais demonstrou a contribuinte ter pleno conhecimento. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10725.002636/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a retenção efetuada pela fonte pagadora, de rigor a aceitação da compensação pela contribuinte, devidamente informada na DIRF. Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.634
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a retenção efetuada pela fonte pagadora, de rigor a aceitação da compensação pela contribuinte, devidamente informada na DIRF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10725.002636/200830 Acórdão n.º 210101.634 S2C1T1 Fl. 58 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 23/26) interposto em 03 de janeiro de 2011 contra o acórdão de fls. 18/19, do qual a Recorrente teve ciência em 03 de dezembro de 2010 (fl. 21), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 05/07, lavrada em 24 de novembro de 2006, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 GLOSA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O valor de imposto retido pela fonte pagadora pode ser utilizado na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário em que os rendimentos foram auferidos. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Comprovada a existência de erro de fato havido no preenchimento da declaração, é de se alterar o lançamento para ser restabelecida a situação correta em favor do contribuinte. Impugnação Improcedente. Outros Valores Controlados” (fl. 18). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso de voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno da comprovação da compensação, pela Recorrente, de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.658,08, proveniente de rendimentos pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não sendo discutidas quaisquer questões atinentes à outra notificação de lançamento por ela mencionada em seu Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10725.002636/200830 Acórdão n.º 210101.634 S2C1T1 Fl. 59 3 recurso (Notificação n.º 2007/607450712074090), por se tratar de anocalendário distinto do ora fiscalizado, tampouco se cogitando das verbas recebidas em relação ao seu irmão, Amilton de Oliveira Terra. Consoante se infere do acórdão recorrido, analisado em conjunto com as alegações da Recorrente, a comprovação teria se dado por meio do documento de fl. 04 (repetido à fl. 34), o qual foi refutado pela autoridade julgadora a quo por, supostamente, referirse ao anocalendário de 2006, devendo constar da declaração de ajuste anual de 2007, posto que o crédito estaria à disposição da contribuinte entre 17/01/2006 e 28/02/2006. Tal entendimento, com a devida vênia, não merece prosperar. Do aludido documento é possível aferir que a competência é, sim, relativa a 2005, como se denota do campo superior esquerdo “Compet 12/2005”, cujo período foi de 12/12/2004 a 30/11/2005. Entendo que, no caso, o extrato faz referência a valores pagos em 2005, relativamente ao período de 12/12/2004 a 30/11/2005. Corrobora essa conclusão o fato de o informe de 2006 não incluir o valor do imposto de renda na fonte de R$ 3.658,08. Sendo inconteste que os rendimentos auferidos atingiram a soma bruta de R$ 15.098,08, com R$ 3.658,08 retidos na fonte a título de antecipação, tal como informado na declaração de ajuste de fls. 09/11, fazse mister aceitar a compensação efetuada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13819.001659/99-88
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 16 59 /9 9- 88 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 29/06/1999, Panificadora Joia do ABC por meio dos documentos de fls. 01/58, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes ao 0,5% relativo ao período de 05/1988 a 03/1992. A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0305.808, que se encontra às fls. 207/211 e cuja ementa é a seguinte: “FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucional idade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/0811995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precendentes: AC, CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13819.001659/9988 Acórdão n.º 9900000.411 CSRFPL Fl. 9 3 Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.” Intimada do acórdão em 30/09/2008 (fls. 213) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 215/227, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 410/2008 de 08/10/2008 (fls. 236/238). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou contrarazões (fls. 245/258). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito preenche os requisitos de admissibilidade. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” Verifico que a divergência está caracterizada na interpretação, dada pelos julgadores da Segunda e Terceira Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da norma que define o prazo e seu termo inicial de contagem, para o exercício do direito de restituição de indébito tributário. O dissídio jurisprudencial resta claro ante o confronto das referidas decisões enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal circunstância.. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13819.001659/9988 Acórdão n.º 9900000.411 CSRFPL Fl. 10 5 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Nos termos da decisão acima referida, temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13819.001659/9988 Acórdão n.º 9900000.411 CSRFPL Fl. 11 7 del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 29/06/1999, verificase que de fato ocorreu a decadência em relação a recolhimentos de FINSOCIAL relativos às competências até 05/1989 (fatos geradores até 31/05/1989), haja vista o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Em relação aos recolhimentos relativos às competências 06/1989 e seguintes não foi configurada a decadência tendo em vista o não transcurso do prazo de dez anos. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para RECONHECER a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição em relação aos recolhimentos relativos às competências até 05/1989. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11020.000629/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
Ementa:
PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Sendo devidamente justificado pelo julgador de primeira instancia os motivos de seu livre convencimento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por ausência de fundamentação da decisão.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DA COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SUMULA CARF Nº. 2
Conforme preconiza a Súmula CARF n° 2, o Conselho Administrativo de recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CPMF. PRORROGAÇÃO DA VIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 0,38%. MAJORAÇÃO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
A prorrogação da alíquota da CPMF no patamar de 0,38%, determinada pela EC 42/2003, ao invés de passar a vigorar pelo percentual de 0,08%, conforme previsto na EC 37/2002, não importou em majoração de tributo, não submetendo-se ao prazo de anterioridade nonagesimal para que pudesse ser exigida pela alíquota superior. Precedente do STF, no RE 566.032.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimentos ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Adriana de Oliveira Ribeiro (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira,Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Sendo devidamente justificado pelo julgador de primeira instancia os motivos de seu livre convencimento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por ausência de fundamentação da decisão. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DA COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SUMULA CARF Nº. 2 Conforme preconiza a Súmula CARF n° 2, o Conselho Administrativo de recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CPMF. PRORROGAÇÃO DA VIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 0,38%. MAJORAÇÃO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. A prorrogação da alíquota da CPMF no patamar de 0,38%, determinada pela EC 42/2003, ao invés de passar a vigorar pelo percentual de 0,08%, conforme previsto na EC 37/2002, não importou em majoração de tributo, não submetendo-se ao prazo de anterioridade nonagesimal para que pudesse ser exigida pela alíquota superior. Precedente do STF, no RE 566.032. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Sendo devidamente justificado pelo julgador de primeira instancia os motivos de seu livre convencimento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por ausência de fundamentação da decisão. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DA COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SUMULA CARF Nº. 2 Conforme preconiza a Súmula CARF n° 2, o Conselho Administrativo de recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CPMF. PRORROGAÇÃO DA VIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 0,38%. MAJORAÇÃO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. A prorrogação da alíquota da CPMF no patamar de 0,38%, determinada pela EC 42/2003, ao invés de passar a vigorar pelo percentual de 0,08%, conforme previsto na EC 37/2002, não importou em majoração de tributo, não submetendose ao prazo de anterioridade nonagesimal para que pudesse ser exigida pela alíquota superior. Precedente do STF, no RE 566.032. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 06 29 /2 00 9- 84 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimentos ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Adriana de Oliveira Ribeiro (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira,Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.000629/200984 Acórdão n.º 3402001.975 S3C4T2 Fl. 109 3 Relatório Versa este processo de Pedido de Restituição de Crédito de CPMF relativos ao período de 01/01/2004 a 31/03/2004, originado na diferença de alíquota de 0,08% e 0,38%, fundamentado no ferimento da anterioridade nonagesimal pela EC 42/2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, em análise ao pedido formulado pelo contribuinte proferiu o Despacho de fls. 46 – numeração eletrônica, de nº. 925DRF/CXL, onde alegou não ser de sua competência o julgamento quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, sendo esta prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, indeferindo o pedido apresentado. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do lançamento em 16/11/2009, conforme AR de fls. 51 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/12/2009 (fls. 52/62 – numeração eletrônica), aduzindo essencialmente: a) A nulidade do referido despacho pela autoridade negarse a exercer o controle de constitucionalidade sem fundamentação, sendo decorrência direta deste ato o cerceamento de seu direito de defesa; b) No mérito alega que a majoração da alíquota de CPMF pela EC 42/2003 afronta os princípios jurídicos da anterioridade e da nãosurpresa. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ/POA), houve por bem em considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 1030.181, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CPMF EC 42/2003 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Falece competência aos órgãos julgadores administrativos para se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária válida, vigente e eficaz. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que foram utilizados argumentos consistentes, com base em doutrinas e jurisprudências quanto ao descabimento da autoridade julgadora exercer o controle de constitucionalidade e que a questão é pacificada pelo Decreto 70.235/72. Ressalta ainda o fato da declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, ser feita pela maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial (princípio da reserva do plenário), como prevê a Constituição em seu art. 97, sendo descabível a RFB, em decisão monocrática declarar inconstitucionalidade da Emenda Constitucional suscitada pelo sujeito passivo. Quanto a aplicação da alíquota 0,38% o STF, em RE 566.0320 entende não haver tal direito creditório. DO RECURSO Cientificado do Acórdão em 23/05/2011, conforme informação de fls. 78 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 81/93) em 22/06/2011, repisando os argumentos utilizados na manifestação de inconformidade e alegando com base doutrinária que: a) Deve haver nulidade da decisão por ferir os basilares princípios administrativos e constitucionais: o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal e ainda suscita a teoria dos motivos determinantes; b) O sujeito passivo não se limitou a discutir a constitucionalidade de lei mas também a questão da majoração da alíquota, que feriu o princípio da anterioridade sendo que deve ser analisado o indébito decorrente do pagamento a maior do período fiscalizado, não devendo se eximir de tal consideração sob pena de haver pronunciamento desprovido de fundamentação por parte da RFB, ferindo então o art.. 37 da CF; c) Não haver respeito a norma contida no Art. 1 do DecretoLei 4.657/42, sendo este o fundamento do pagamento indevido alegado (princípio da anterioridade). Diante do exposto, requereu fosse declarada a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou ainda, que seja provido o recurso e reconhecido o direito creditório do sujeito passivo, deferindo a restituição pleiteada. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerados até a folha 107 (cento e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.000629/200984 Acórdão n.º 3402001.975 S3C4T2 Fl. 110 5 Voto Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A bem do que se pode obter do relatório acima, a discussão em tela versa sobre o entendimento do contribuinte quanto ao direito de ressarcimento de valores pagos a título de CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, em face da majoração da alíquota da referida contribuição (efetuada por meio da Emenda Constitucional nº. 42/2003) não ter respeitado o prazo de 90 dias para entrar em vigor, motivo este que torna inconstitucional os efeitos do mencionado ato legislativo, e que legitima, portanto, o indébito perseguido pelo contribuinte. A despeito do fato de que não cabe à este Colegiado a apreciação de arguição de inconstitucionalidade de lei, conforme veremos adiante, insta salientar que o STF reconheceu a repercussão geral da discussão nos autos do RE 566.032 RG, não determinando, entretanto, o sobrestamento dos feitos que versem sobre esta questão, pelo que passo à análise dos argumentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Inicialmente, quanto a preliminar de nulidade por falta de fundamentação, entendo que a decisão recorrida não incorreu em nulidade, pois que embora pudesse ter enfrentado cada uma das questões discutidas pelo contribuinte, emitindo seu livre convencimento a respeito, a decisão a ser tomada conteria motivação suficiente para o esclarecimento da opinião jurídica nela contida, o que, sob forma alguma, ofende o princípio do contraditório e da ampla defesa. Na prática, para que a Delegacia de Julgamento ora recorrida pudesse acolher a contenda do contribuinte, teria de deixar de aplicar norma vigente, e, desta forma, a motivação da decisão tomada, ainda que objetiva, considerou este ponto como essencial ao deslinde da controvérsia, concentrando seus fundamentos em afastálo, não sendo necessário o enfrentamento de todas as outras argüições do contribuinte, pois que demonstrados amplamente os elementos de sua convicção. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho comprova esse entendimento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DE TODOS OS ARGUMENTOS.CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Em decisão administrativa não se requer abordagem expressa de todos os pontos levantados pelas partes, podendo o julgador decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção.(CARF Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 3a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 340100977 em 29/09/2010) Na esteira das considerações acima, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte, e passo à análise do mérito. Quanto aos fundamentos trazidos pelo recorrente no recurso de fls. 8193 (numeração eletrônica), ainda que sustentado pelo mesmo que suas razões não se limitam a discutir a inconstitucionalidade de Lei, mas sim ofensa à segurança jurídica pela lesão do princípio da anterioridade, os efeitos pretendidos com o provimento do recurso acabariam, necessariamente, por afastar a aplicação de lei vigente, ou seja, tangentemente considerála inconstitucional. A busca do contribuinte nas razões sustentadas em seu recurso objetiva a declaração de que a Emenda Constitucional nº. 42/2003, na mesma oportunidade em que prorrogou a vigência da CPMF, majorou a alíquota prevista para o exercício de 2004 de 0,08%, para 0,38%, ofendendo o artigo 195, §6 da Constituição Federal, o que, apesar do louvável raciocínio desenvolvido pelo recorrente, em outros termos, é considerar inconstitucional a determinação contida no comando da referida Emenda. Da mesma forma como a DRJ de Porto Alegre expôs seu entendimento, a acolhida do pleito do contribuinte, implicaria necessariamente na análise (ainda que indireta ou reflexa), da manutenção da alíquota da CPMF no patamar de 0,08%, determinada pela Emenda Constitucional nº. 37/2002 para o ano de 2004, afastandose o que a novel legislação apresentava ao cenário jurídico naqueles idos, qual seja, a alíquota de 0,38% trazida em Dezembro de 2003 pelo §2º do artigo 3º da então publicada Emenda Constitucional nº. 42. Neste sentido, é cediço nesta Casa que não compete à Administração Pública, nem ao CARF, proferir juízo de valor de inconstitucionalidade de norma jurídica, pelo que entendo não se poder observar um direito creditório, oriundo de um indébito pretensamente decorrente da interpretação de inconstitucionalidade de uma majoração de alíquota, introduzida pela Emenda Constitucional nº. 42/2003. Este entendimento, inclusive, está contido na Súmula nº. 2 do CARF, in verbis: Súmula CARF Nº. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A despeito de ser defeso à este Conselho pronunciarse acerca da inconstitucionalidade alegada pelo contribuinte, ainda assim, proferindo juízo de valor sobre a celeuma travada nos autos, tenho que mesmo assim o pleito do recorrente não merece guarida, pois que, conforme já frisado, ainda que impossível decidir acerca de ser ou não constitucional a modificação da alíquota da CPMF trazida pela EC 42/2003, à este Conselho também é imputado o respeito e atenção ao rumo dado pelos Tribunais Superiores nos julgamentos de mesma matéria. Neste ponto, mesmo que não julgado na sistemática dos artigos 543B e 543 C do CPC (e, conforme preceitua nossa obediência o artigo 62A do RICARF), o fato é que o Supremo Tribunal Federal vêm entendendo ser legítima a cobrança da CPMF na alíquota de 0,38% estabelecida na já citada Emenda Constitucional, devastando assim qualquer pretensão de indébito alegada pelo contribuinte. É o que se extrai do julgado no RE 566.032, julgado em 25/06/2009: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.000629/200984 Acórdão n.º 3402001.975 S3C4T2 Fl. 111 7 “EMENTA: 1. Recurso extraordinário. 2. Ementa Constitucional nc 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve a alíquota de 0,38% para o exercício de 2004. 3. Alegada violação ao art. 195, § 6O , da Constituição Federal. 4. A revogação do artigo que estipulava diminuição de alíquota da CPMF, mantendose o mesmo índice que vinha sendo pago pelo contribuinte, não pode ser equiparada à majoração de tributo. 5. Não incidência do princípio da anterioridade nonagesimal. 6. Vencida a tese de que a revogação do inciso II do§ 3o do art. 84 do ADCT implicou aumento do tributo para fins do que dispõe o art. 195, § 6 0 da CF. 7 . Recurso provido.” E não de forma diversa é o entendimento de outros colegas, Conselheiros neste Colegiado, em cujo voto aplicase expressa e diretamente o entendimento emanado pelo STF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 A 31/03/2004 CPMF. IINCIDÊNCIA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. PRECEDENTE DO STF. O E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.032, declarou legítima a cobrança da CPMF em alíquota de 0,38% nos 90 dias posteriores à publicação da EC nº 42/2003. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 330201.405. 3ª Sec. 3ª Cam. 2ª TO. Cons. Gileno Gurjão Barrto. Julg em. 26/01/2012.) Por fim, o recorrente ainda suscitou a ofensa ao princípio da anterioridade previsto na Lei de Introdução ao Código Civil (DecretoLei 4.657/42), porém, convém ressaltar que o dispositivo legal mencionado não se aplica ao caso em tela, pois a Constituição Federal – ainda que emendada, sobrepõese ao mesmo, e, em sendo mantida cobrança no patamar de 0,38% por considerada legítima pelo Pretório Excelso, não há o que se falar em afastar sua aplicação. Ante o exposto, na esteira das considerações acima, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10830.006807/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. OBJETO DO RECURSO DIVERSO DO CONTIDO NOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso que suscite matéria diversa daquela agitada desde o pedido inicial até a decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido..
Numero da decisão: 3402-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(Assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Adriana de Oliveira Ribeiro (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira,Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OBJETO DO RECURSO DIVERSO DO CONTIDO NOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso que suscite matéria diversa daquela agitada desde o pedido inicial até a decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Adriana de Oliveira Ribeiro (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira,Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 68 07 /2 00 7- 11 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Relatório Tratamse os autos de Pedido de Ressarcimento de Crédito Prêmio de IPI, conforme previsão contida no artigo 1º do DecretoLei 491/69 cuja impossibilidade de extinção é sustentada pela interpretação da Resolução nº. 71/2005, apresentado pelo sujeito passivo em 02/09/2007, no valor de R$ 8.024.844,28 (oito milhões e vinte e quatro mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e vinte e oito centavos) e relativo ao período de 11/1998 a 12/2002, conforme requerimento de fls. 8 e petição de fls. 2 a 7 – numeração eletrônica. No despacho decisório nº. 576/2007 (fls. 26 – numeração eletrônica), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos, indeferiu o pleito do contribuinte alegando que ao mesmo não alcança o direito de pleitear qualquer indébito efetuado há mais de 5 anos da data do pedido de restituição, motivo pelo qual os créditos anteriores a 09/2002 estariam decaídos, bem como, meritoriamente, que o benefício fiscal denominado Crédito Prêmio de IPI subsistiu somente até 05/10/1990, não sendo possível nem para os demais períodos o deferimento do crédito pretendido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório por meio do AR de fls. 32 (numeração eletrônica) em 13/11/2007, o contribuinte apresentou tempestivamente em 13/12/2007 sua Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: 1) Que o prazo prescricional para requerer o ressarcimento do crédito prêmio de IPI contase a partir da publicação da decisão que reconhece a inconstitucionalidade de sua extinção e, portanto, não teria decorrido o prazo para a mesma pleitear seu direito. 2) No mérito – que a despeito das modificações introduzidas na legislação que regulamenta o Crédito Premio de IPI, por se tratar este de um benefício setorial, não está o mesmo submetido ao disposto no §1º do artigo 41 do ADCT, permanecendo tal benefício em vigor, razão pela qual a Manifestante é possuidora do direito creditório pleiteado, devendo este ser ressarcido com a correspondente atualização monetária (SELIC); DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (DRJ/RPO), houve por bem em considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 14035894, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2002 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.006807/200711 Acórdão n.º 3402001.974 S3C4T2 Fl. 317 3 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido benefício fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Dessa forma, conclui a DRJ em afastar o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, atinente ao crédito prêmio relativo ao período de 01/11/1998 a 31/12/2002, por entender, em resumo, que conforme interpretação da Administração Tributária o direito material ao créditoprêmio foi extinto em 30/06/83 nos termos do DL n° 1.658/79, citando precedentes dos Tribunais Regionais Federais da 3ª e 4ª Região. Logo, entende que o pleito da interessada não há de ser acolhido, uma vez que se refere ao período de 01/11/1998 a 31/12/2002. Quanto ao pleito de atualização monetária (taxa Selic), a DRJ entende que diante da inexistência do direito material ao ressarcimento do principal, desnecessário abordar e discutir questão, em razão de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino, e que em se tratando de incentivo fiscal não haveria como conceder ressarcimento de crédito com acréscimo de taxa Selic. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da Decisão da DRJ/RPO por meio de AR em 07/02/2011 (Fls. 75 – numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 07/03/2012, aduzindo em apertada síntese: Que diante da consideração como “não formulado” de seu pedido de ressarcimento, foi ajuizado Mandado o Mandado de Segurança nº. 00526755.2010.403.6119, no qual foi proferida sentença “reconhecendo a inexistência de prescrição no que toca ao pedido de restituição de crédito de IPI formulado no processo administrativo nº. 40653.89612.150803.1.3.018054, devendo a Administração proceder ao exame do respectivo pleito de restituição.”; Que a decisão recorrida é teratológica e se fundamenta em questão distinta da discutida nos autos, além de não respeitar decisão judicial relativa à prescrição do pedido de restituição de IPI; Que qualquer decisão administrativa que desrespeite decisão judicial é inócua e inoportuna; Que apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, apurado no 2º Trim. De 2003 e não de créditoprêmio de IPI; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Que a decisão recorrida deve ser integralmente reformada por se equivocada e se fundamentar em crédito distinto daquele preiteado; No mérito o recorrente discorre sobre sua escrituração de crédito presumido de IPI, mencionando a legitimação parcial (no valor de R$ 100.717,61 – cem mil, setecentos e dezessete reais e sessenta e um centavos) de seus créditos pelo agente fiscal, fato que, exclui a possibilidade de deferimento integral por “erro de escrituração”; Que se a fiscalização reconhece parte do crédito, mas indefere outra parte pela alegação de erro de escrituração, diante disso qual o procedimento que deve adotar para o reconhecimento integral de seu pedido? Que equívocos no cumprimento da obrigação acessória não pode prejudicar um crédito legítimo, devendo ser aplicado o princípio da razoabilidade; Ao final, requer que, uma vez reconhecido seu direito creditório, seja o mesmo corrigido pela SELIC, sendo dado integral provimento ao seu recurso para reconhecer seu direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 315 (trezentos e quinze), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.006807/200711 Acórdão n.º 3402001.974 S3C4T2 Fl. 318 5 Voto Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior O recurso é tempestivo, atendendo os pressupostos de admissibilidade, devendose dele, portando, passo a análise do seu conhecimento. Acerca da discussão travada nos autos, é imprescindível, inicialmente, delimitar corretamente a discussão que se passará à análise, pois que curiosamente a mesma toma rumo diverso no recurso voluntário, tendo sido clara em seus termos até o momento em que analisado o processo pela DRJ/RPO. É que, até o momento em que os referidos autos foram encaminhados à Delegacia de Julgamento em Primeira Instância, tanto o pedido apresentado pelo contribuinte, quanto a analise primeiramente efetuada pela DRF, a manifestação de inconformidade e, ainda, o julgamento da já citada DRJ, continham em seu bojo a discussão acerca do deferimento do direito ao Crédito Prêmio de IPI requerido pelo mesmo, tendo sido tal origem modificada nas razões de recurso voluntário, onde o recorrente aduziu ser a decisão recorrida “teratológica”, ou seja, notoriamente equivocada. Diante destas afirmações, antes de analisar o mérito, é imperioso delinear nos autos qual a matéria efetivamente em discussão, ou mais precisamente, qual a origem do direito creditório perseguido pelo contribuinte. Do que se pode colher dos autos, e, de onde notoriamente o julgador teria de se basear para sua livre convicção, notase que todos os momentos processuais – à exceção do inovador recurso voluntário – no qual o contribuinte teve oportunidade de se manifestar, a questão posta em voga se tratava do seu direito creditório relativo ao Crédito Prêmio de IPI e da inexistência de prescrição/decadência da possibilidade de pleiteálo. A petição inicial que acompanhou o pedido de ressarcimento em papel (fls. 2/7 e fls. 8 – numeração eletrônica, respectivamente), continha no próprio parágrafo inicial, expressamente a seguinte descrição: “(...) perante Vossa Senhoria apresentar PEDIDO DE RESSARCIMENTO de CréditoPrêmio de IPI, conforme previsto no artigo 1º do Decreto Lei nº. 461/69 (...)” E no mesmo sentido, a decisão da DRF foi prolatada e igualmente recorrida, onde, na Manifestação de Inconformidade de fls. 34/47 o contribuinte amplamente discorre sobre suas razões de fato e de direito acerca do Crédito Prêmio de IPI e da impossibilidade de se considerálo prescrito/decaído. Não seria também nem necessário mencionar que no mesmo sentido a decisão da DRJ houve por bem em confirmar as razões da DRF de Guarulhos, mantendo o indeferimento do pedido do contribuinte, versando sobre a mesma matéria. No entanto, a situação se modificou com a interposição do recurso voluntário, no qual o recorrente aduziu ser a decisão recorrida teratológica (monstruosa, segundo conceito Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 que se colhe do dicionário) posto que a mesma traria em seu contexto assunto completamente diferente daquele a qual se referia seu pleito. Nas razões de seu recurso o contribuinte aduziu que possuía, nos autos do Mandado de Segurança nº. 000526755.2010.403.6119, decisão favorável, para, reconhecendo se a inocorrência de prescrição, autorizar de imediato o ressarcimento de crédito de IPI (repita se, nas razões de recurso, Crédito Presumido de IPI), além de outras inúmeras descrições de fatos até então inexistentes no processo, que não exatamente guardam relação com os documentos que se consegue observar destes autos. Ora, do que se infere das razões recursais, tanto as menções relativas às decisões no processo, quanto a menção à realização de diligência para análise de documentos, ou ainda, a menção ao fato de que o pedido teria sido considerado “não formulado”, não são provenientes destes autos, e sim, de outro que o contribuinte tenha apresentado à Administração Pública e no qual discutia provavelmente o direito ao Crédito Presumido de IPI e à inocorrência de sua prescrição para ressarcimento. Colhese ainda do recurso interposto, que nem o valor ao qual o contribuinte se refere como a ser ressarcido confere com o valor do pedido aventado nestes autos, ficando claro que as razões aduzidas na peça em análise não se relacionam com a discussão destes autos, sendo, portanto, crível entender que o pedido inicial, e o processo até o momento em que tratado como Pedido de Ressarcimento de Crédito Prêmio de IPI, no valor de R$ 8.024.844,28 (oito milhões e vinte e quatro mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e vinte e oito centavos), seja de fato o que se busca nestes autos. Ainda, apesar de ter sido juntada cópia do andamento processual e da decisão mencionada pelo recorrente como favorável à questão proferida no Mandado de Segurança já mencionado, vêse do relatório que a análise judicial da questão não guarda relação com este pedido de ressarcimento, tendo sido a segurança parcialmente concedida especificamente para pedido diverso, qual seja o de nº. 40653.89612.1508.03.1.3.018054 no valor de R$116.891.92, transmitido à administração pública em 15/08/2003 e não em 02/09/2007, como é o caso dos autos. Assim, por não vislumbrar que a matéria tratada no Recurso Voluntário seja a mesma da versada nestes autos, forçoso concluir pela inexistência de recurso quanto à decisão prolatada pela DRJ/POR, pois que não foram abordados os fatos contidos nos autos. Assim sendo, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário ora apresentado pela Recorrente. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10983.901454/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 31/12/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DA DRJ QUE NÃO ENFRENTA TODOS OS ARGUMENTOS DO CONTRIBUINTE. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DA NULIDADE.
Não obstante o descumprimento da regra contida no artigo 31 do Decreto nº 70.235, de 1972 [a DRJ não se manifestou sobre o argumento de parte do crédito tinha origem em pagamento a maior por conta de ter sido o recolhimento da contribuição baseado em receitas projetadas, não confirmadas], de se aplicar ao caso o enunciado constante do inciso II do art. 59 do mesmo Decreto, segundo o qual “Quando puder decidir no mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a
autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta”.
RECOLHIMENTO A MAIOR. CRÉDITO RECONHECIDO.
Demonstrado pelo contribuinte que o recolhimento se deu com base em receitas projetadas, as quais não se confirmaram; antes, se deram em valor menor que o esperado, de se reconhecer o crédito correspondente.
COFINS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE
CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA.
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou e serviços, de se reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito correspondente ao pagamento a maior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.770
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DA DRJ QUE NÃO ENFRENTA TODOS OS ARGUMENTOS DO CONTRIBUINTE. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DA NULIDADE. Não obstante o descumprimento da regra contida no artigo 31 do Decreto nº 70.235, de 1972 [a DRJ não se manifestou sobre o argumento de parte do crédito tinha origem em pagamento a maior por conta de ter sido o recolhimento da contribuição baseado em receitas projetadas, não confirmadas], de se aplicar ao caso o enunciado constante do inciso II do art. 59 do mesmo Decreto, segundo o qual “Quando puder decidir no mérito a favor so dujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta”. RECOLHIMENTO A MAIOR. CRÉDITO RECONHECIDO. Demonstrado pelo contribuinte que o recolhimento se deu com base em receitas projetadas, as quais não se confirmaram; antes, se deram em valor menor que o esperado, de se reconhecer o crédito correspondente. COFINS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 de serviços, de se reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito correspondente ao pagamento a maior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901454/200631 Acórdão n.º 340101.770 S3C4T1 Fl. 152 3 Relatório O presente processo retorna a este Colegiado após a conclusão da diligência determinada pela Resolução nº 3401400.303, de 31/08/2011, fls. 132/133, que, em resumo, versou sobre a necessidade de regularização da representação processual e da ciência da interessada quanto aos termos do resultado da diligência determinada pela Resolução nº 301 00.058, de 30/09/2010, esta, por sua vez, voltada para o esclarecimento quanto às receitas não financeiras e receitas não operacionais incluidas na base de cálculo. Respectivamente, às fls. 121/122 e fls. 130/131. Elaboro a seguir um novo relato dos principais fatos deste processo já considerando as informações colhidas dos Per/Dcomp, do Despacho Decisório, da Manifestação de Inconformidade, da decisão da DRJ, do Recurso Voluntário e dos documentos e conclusões que resultaram de nossas Resoluções referidas acima. Em 12/11/2003, a interessada entregou um Per/Dcomp indicando a existência de um crédito no valor original de R$ 683.708,37 decorrente de pagamento a maior da Cofins do período de apuração de dezembro de 2002, havido no dia 15/01/2003. Nesse mesmo documento indicou o aproveitamento de parte desse crédito [atualizado monetariamente] para compensar parte do valor devido a título da Cofins de fevereiro de 2003, no valor original de R$ 266.707,76. Estamos falando do Per/Dcomp nº 15364.30933.121103.1.7.046356, às fls. 1/5. No mesmo dia, nova Dcomp foi entregue, desta feita indicando como origem do crédito a ser aproveitado, a parte remanescente daquele indicado no Per/Dcomp anterior, no valor de R$ 423.503,96. Neste caso, a compensação indicada foi a de parte do débito da Cofins de setembro de 2003, no valor original de R$ 485.729,69. Aqui, estamos falando da Dcomp nº 41546.51047.121103.1.3.048670, às fls. 6/10. Em 30/06/2006, a interessada entregou outro Per/Dcomp, desta feita indicando a existência de crédito no valor original de R$ 284.969,54, também decorrente de pagamento a maior da Cofins do período de apuração de dezembro de 2002, havido no dia 15/01/2003 acima já mencionado. Neste caso, a compensação indicada mediante a utilização do referido crédito atualizado monetariamente foi a do débito de IRPJ do período de apuração de maio de 2006, no valor original de R$ 453.813,99. Falamos agora do Per/Dcomp nº 08559.54752.300606.1.3.047520, às fls. 11/15. Referidos Per/Dcomp foram trabalhados pela DRF em FlorianópolisSC, tendo referida Unidade concluido pela inexistência de qualquer crédito a ser reconhecido, uma vez que, do confronto realizado entre o valor do débito da Cofins de dezembro de 2002 na DCTF correspondente e o valor do Darf recolhido não se encontrou nenhuma diferença; consequentemente nenhuma das compensações restou homologada, tendo sido expedida Carta de Cobrança para a exigência dos débitos. Informação Fiscal e Despacho Decisório datados de março de 2007, porém, cientificados à interessada somente em 10/04/2007, às fls. 31/36, e 40. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, reportandose exclusivamente ao Per/Dcomp nº 15364.30933.121103.1.7.046356 e à Dcomp nº Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 41546.51047.121103.1.3.048670, explicou que o crédito postulado, no valor R$ 683.708,37, teria origem em pagamento a maior havido no recolhimento da Cofins realizado 15/01/2003, relativa ao período de apuração de dezembro de 2002, porquanto, diante do prazo iminente de recolhimento e ainda não dispondo do valor exato do faturamento, efetuara o pagamento com base numa projeção de receitas que não se confirmou. Assim, recolhera R$ 7.910.987,50, quando, a seu ver, deveria ter recolhido R$ 7.227.279,13, consoante, aliás, informou na ocasião, fora indicado na DCTF retificadora, entregue em 23/04/2007 [cópia à fl. 89]. Juntou também demonstrativo de apuração da contribuição à fl. 82, no qual estão indicadas receitas projetadas e as realizadas. Defendeu, portanto, a existência do crédito e a homologação das compensações realizadas. De outra parte, reportandose exclusivamente ao Per/Dcomp nº 08559.54752.300606.1.3.047520, a interessada argumentou que o crédito indicado teria origem em pagamento a maior da Cofins por conta de ter incluido na formação da base de cálculo receitas financeiras e receitas não operacionais, as quais, de acordo com o recente entendimento do STF não haveriam de ser oneradas pela dita contribuição. Elaborou demonstrativo à fl. 92 evidenciando que o crédito postulado de R$ 284.969,54 tinha origem apenas em receitas financeiras e em receitas operacionais. Assim, também defendeu o reconhecimento do crédito e a homologação das compensações. A 4ª Turma da DRJ em FlorianópolisSC, todavia, enfrentou, e rechaçou, apenas a argumentação relacionada ao Per/Dcomp nº 08559.54752.300606.1.3.047520, qual seja, a que se referia à inclusão na base de cálculo da Cofins de receitas financeiras e receitas não operacionais, não tendo se debruçado sobre a outra parte da argumentação da recorrente e que se referia ao pagamento a maior por conta de projeções de faturamento que não se confirmaram. Provavelmente sem atentar para essa omissão da DRJ, a interessada em seu Recurso Voluntário apresentou argumentação apenas relacionada ao tema tratado pela instância de piso, de sorte que não expressou qualquer reação contra essa omissão da instância de piso e quanto ao mérito daquele alegado direito de crédito tido como recolhido a maior por conta de projeções de receitas não confirmadas. Este Colegiado, por sua vez, fiandose na minha proposição contida no Relatório da Resolução nº 340100.058, de que a única matéria em discussão seria aquela envolvendo o alargamento da base de cálculo da contribuição, acompanhoume no sentido de que a diligência deveria aterse unicamente a esse quesito, qual seja, de se apurar se as receitas financeiras e as receitas não operacionais haviam, de fato, sofrido a incidência da Cofins no período de apuração de dezembro de 2002. Da análise dos mapas enviados pela empresa, a diligência concluiu que as receitas financeiras montavam a R$ 8.771.531,51, diferindo, portanto, do valor indicado pela interessada, da ordem de R$ 9.199.198,91, não tendo sido encontradas diferenças em relação às receitas não operacionais. Regularizando a sua representação processual a recorrente, manifestandose acerca do teor da diligência, parece, s.m.j., não ter compreendido o teor da conclusão do fisco na diligência, visto que, embora reproduzindo o texto do item “3” da referida informação fiscal, na qual, à toda prova, está claro que há uma divergência entre os valores apurados e o valor utilizado pela interessada a título de receitas financeiras, entendeu correto o seu procedimento de compensação, pugnando, pois, pelo integral provimento do seu Recurso Voluntário. E foi além a recorrente, verbis: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901454/200631 Acórdão n.º 340101.770 S3C4T1 Fl. 153 5 “Portanto, a DRF/Florianópolis confirma as informações numéricas, ou seja, de que o valor compensado pela Recorrente está correto. Em razão disso, o presente processo somente tem por objeto a tese jurídica da base de cálculo da COFINS, ou seja, a inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n. 9.718/98, que já foi reconhecida pelo Superior Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do AI n. 715.423, acórdão publicado em 05.09.2008. Diante do exposto, com fundamento no art. 61A, do RICARF, o julgamento a ser proferido por Vossas Excelências no recurso voluntário não poderá ser outro sendo seu provimento.” (grifei) Observese que nem desta feita a recorrente tratou daquela omissão da DRJ a que me referi alhures. No essencial, é o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheiro Relator Odassi Guerzoni Filho Inicialmente, não se deve perder de vista que a consequência prática do não reconhecimento de uma parte que seja dos créditos aqui em discussão, implica no exsurguimento de débitos em favor do Fisco por conta de compensações que não haverão de ser homologadas. Temse, então, até neste ponto do processo, que da interessada estão sendo exigidos os débitos cuja compensação não foi homologada e que se referem, em valores originais: à à Cofins de fevereiro de 2003, no valor de R$ 266.707,76; à à Cofins de setembro de 2003, no valor de R$ 485.729,69; e à ao IRPJ de maio de 2006, no valor de R$ 453.813,99. Todavia, consoante o relato feito acima, essas exigências não se sustentam, ao menos como estão postas, não obstante, de um lado, a forma um tanto confusa com que a interessada postulou seu direito [por exemplo, retificando apenas parcialmente sua DCTF para informar um valor devido sem considerar a exclusão da base de cálculo das receitas não operacionais e receitas financeiras, numa época em que já havia entregue uma Dcomp com esse desiderato, bem como quando afirma taxativamente em seu recurso voluntário que a lide se refere exclusivamente à questão do alargamento da base de cálculo da contribuição]; de outro, a DRJ, que não enfrentou a argumentação trazida pela interessada relacionada aos efeitos do recolhimento feito com base em projeções de receitas, e, por fim, este Relator, que bem poderia ter suscitado esses aspectos quando da elaboração das Resoluções acima referenciadas. De qualquer modo, não obstante essa omissão da DRJ possa ser caracterizada como a nulidade tipificada no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 [cerceamento ao direito de defesa], recorro à letra do próprio artigo 59, desta feita ao parágrafo 3º, acrescentado pela Lei nº 8.748, de 09/12/1993, segundo o qual “Quando puder decidir no mérito a favor so dujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” É que, conforme exporei a seguir, a recorrente tem razão, exceção feita a uma pequena diferença apontada pelo fisco na diligência. Além disso, acredito desta forma estar prestigiando os princípios da economia processual e da eficiência administrativa, vez que a decretação da nulidade da decisão da DRJ e sua substituição por outra tratando da referida matéria, em nada modificaria o entendimento que firmei a partir especialmente das conclusões da autoridade fiscal que efetuou a diligência acima reportada, já que, nenhum óbice colocou sobre os valor do faturamento real da empresa obtido no mês de dezembro de 2002. Pois bem. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901454/200631 Acórdão n.º 340101.770 S3C4T1 Fl. 154 7 Não obstante estejamos diante de dois Per/Dcomp, em cada qual tendo sido indicado um crédito [R$ 683.708,37 no primeiro e R$ 284.969,54 no segundo], ambos, na verdade, têm uma só motivação: a de que se tratam de recolhimento a maior da Cofins de dezembro de 2002 quando do pagamento efetuado por Darf em 15/01/2003. E o valor desse recolhimento a maior, agora se sabe após a realização da diligência, é mesmo no valor de R$ 968.677,91, indicado pela interessada nos dois Per/Dcomp, calculado que foi a partir da diferença obtida entre o valor efetivamente devido, no montante de R$ 6.942.309,59 [calculado sobre o faturamento real obtido em dezembro de 2002, no montante de R$ 231.410.319,651 sem a inclusão de receitas financeiras e das receitas não operacionais], e o valor efetivamente recolhido pela empresa, da ordem de R$ 7.910.987,50. Por sua vez, esse recolhimento a maior contém duas parcelas, as quais não são exatamente as mesmas indicadas pela interessada, não obstante sua soma coincida, o que produz efeitos significativos para fins de sua utilização na compensação dos débitos em face da sua atualização monetária. A primeira delas, no valor de no valor de R$ 696.541,39, obtida mediante a aplicação da alíquota da Cofins sobre as diferenças das receitas projetadas e das receitas efetivamente realizadas, neste caso, considerando as receitas financeiras e as receitas não operacionais como integrantes da base de cálculo porquanto na data da entrega do Per/Dcomp correspondente, a interessada ainda não cogitava de expurgálas. Vejamos no quadro abaixo como se chega a referido valor: (R$) Projetado Realizado Cofins recol a maior (2) Faturamento 229.238.900,00 231.410.319,65 (65.142,59) Rec. Financ. 34.181.140,32 8.771.531,51(1) 762.288,26 Rec. Não Operac. 279.543,11 299.685,69 (604,28) Somas 263.699.583,43 240.909.304,25 696.541,39 (1) Valor encontrado pelo fisco na diligência e não contestado pela recorrente; (2) {[Realizado – Projetado] x 3%} Então, o deslinde dessa questão depende apenas de uma análise dos valores constantes dos demonstrativos elaborados pela interessada desde a apresentação de sua manifestação de inconformidade e que estão relacionadas ao recolhimento da Cofins de dezembro de 2002 feito a maior por conta de seu equívoco na adoção da base de cálculo; adotouse uma “receita projetada” que, posteriormente, não se concretizou; ao contrário, realizouse a menor. Voto, portanto, pela reforma da decisão da DRJ e pelo reconhecimento do crédito de R$ 696.541,39 no Per/Dcomp nº 15364.30933.121103.1.7.046356. Também o crédito referente à segunda parcela, no valor de R$ 272.136,52, deve ser reconhecido em favor da interessada no Per/Dcomp nº 08559.54752.300606.1.3.04 7520. 1 Ver demonstrativo à fl. 92. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 É que esse valor resulta da aplicação da alíquota da Cofins sobre o valor das receitas financeiras [R$ 8.771.531,51] e das receitas não operacionais [R$ 299.685,692], e, conforme nossos julgamentos anteriores, o entendimento deste Colegiado tem se baseado na decisão definitiva do STF quanto à impossibilidade de se incluir na base de cálculo da Cofins os valores das receitas financeiras e das receitas não operacionais, porquanto julgouse ser inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. É que, a partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do Carf, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf. São esses, portanto, os créditos a serem reconhecidos nos Per/Dcomp para fins de aproveitamento nas compensações declaradas, devendo a Unidade de origem proceder ao encontro de contas. Odassi Guerzoni Filho 2 Aqui, de ressaltar que a diligência, no penúltimo parágrafo do item 3, comete um erro de digitação quando toma o valor das receitas nao operacionais como sendo de R$ 284.969,54, numa clara confusão com o valor da Cofins indicada como recolhida a maior. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14751.000087/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA DA CSLL ANTES DA LEI Nº 10.865/04 e de 1º/01/05 (arts. 39 c/c 40). ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SOLIDARIEDADE. A Constituição Federal não concedeu imunidade tributária para a incidência de CSLL às sociedades cooperativas. Somente a partir de janeiro de 2005 a norma tributária concedeu-lhes a isenção dessa contribuição social. Até então a CSLL era devida pelas cooperativas e a base de cálculo é o resultado positivo auferido no exercício, não distinguindo a lei entre atos cooperados ou não cooperados, seguindo a norma que institui a CSLL e o espírito do Poder Constituinte em responsabilizar toda a sociedade ao financiamento da seguridade social, privilegiando o princípio da solidariedade.
Numero da decisão: 1801-000.736
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fez Declaração de Voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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INCIDÊNCIA DA CSLL ANTES DA LEI Nº 10.865/04 e de 1º/01/05 (arts. 39 c/c 40). ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SOLIDARIEDADE. A Constituição Federal não concedeu imunidade tributária para a incidência de CSLL às sociedades cooperativas. Somente a partir de janeiro de 2005 a norma tributária concedeulhes a isenção dessa contribuição social. Até então a CSLL era devida pelas cooperativas e a base de cálculo é o resultado positivo auferido no exercício, não distinguindo a lei entre atos cooperados ou não cooperados, seguindo a norma que institui a CSLL e o espírito do Poder Constituinte em responsabilizar toda a sociedade ao financiamento da seguridade social, privilegiando o princípio da solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fez Declaração de Voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edjalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe, constituída sob a forma de cooperativa médica, tem como objeto social “a congregação dos integrantes da profissão médica especializada em cirurgia” e contrata com pessoas jurídicas de direito público e privado. Auditada nos anos de 2004 e 2005, com relação ao primeiro ano, verificouse que não recolheu a CSLL, consoante estabelecido pela Lei nº 7.689/88, a qual não excepciona subjetivamente, não se tratando, ainda, de pessoa jurídica que goze da imunidade prevista no artigo 195, §7º, da Constituição Federal. Desta forma, com base nos valores registrados pela cooperativa em seus balancetes mensais e apuração anual de resultados, foram extraídas as bases de cálculo para a CSLL devida para os trimestres de 2004, ressaltando que para o anocalendário de 2005, a Lei nº 10.865/04, em seus arts. 39 e 48, isentou as cooperativas do recolhimento desta contribuição. Ressaltase também que os valores retidos pelas fontes pagadoras, a título de CSLL, devidamente registrados na contabilidade como “CSLL a recuperar” foram considerados nos cálculos pela fiscalização. Os trabalhos fiscais resultaram na exigência de CSLL no valor de R$ 26.295,60, mais os acréscimos legais devidos. Tudo conforme explicitado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Fiscal, parte integrante do Auto de Infração de fls. 03 a 07. Aproveito trecho do relatório do Acórdão nº 1125.810/09 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, fls. 109 e seguintes, ora recorrido, para expor as razões de defesa da cooperativa, na impugnação: “Não conformada, a interessada apresentou impugnação, As fls. 46 a 72, contrapondo — depois de longa exposição acerca das características inerentes As sociedades cooperativas —, substancialmente, que a incidência da CSLL limitarse ia aos resultados decorrentes de atos nãocooperativos, motivo por que haveria necessidade de perícia para que fossem apurados os faturamentos mensais decorrentes da prática desses atos.” Aquela turma de julgamento manteve na íntegra o lançamento tributário pelos seguintes fundamentos: “7. Não se há como dar razão à defesa. A CSLL incide sobre os resultados positivos das cooperativas, sejam eles decorrentes de atos cooperativos ou não. A Receita Federal já se pronunciou sobre o assunto por meio da Instrução Normativa n° 390, de 30 de janeiro de 2004 (nesse mesmo sentido dispunha a IN SRF n° 198 de 29 de dezembro de 1998) — de observação obrigatória por força do disposto no art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006) — que em seu art 6o dispõe: [...] 8. O Conselho de Contribuintes também já esposou esse entendimento, como noticiam as seguintes ementas: (Acórdão n°l0322.296, de 23 de fevereiro de 2006) (Acórdão 10513.823, sessão de 9 de julho de 2002). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 14751.000087/200711 Acórdão n.º 180100.736 S1TE01 Fl. 138 3 (Acórdão 10513.855, sessão de 21 de agosto de 2002). 9. Essa turma de julgamento também assim já se posicionou, como se vê do trecho do Acórdão DRJ n° 18.807, de 30 de abril de 2007, transcrito a seguir: Da incidência da CSLL sobre os resultados positivos das sociedades cooperativas. 6.Consoante a fiscalização, sobre os resultados positivos conseguidos pelas cooperativas, advindos ou não de atos cooperativos, incide a CSLL. Na peça de defesa, com apoio em longa explanação acerca de tais sociedades e dos atos que as mesmas praticam, contraarrazoouse que apenas os resultados advindos de atos não cooperativos — os quais, afirmouse, não teriam sido praticados — sofreriam tal incidência. Cumpre esclarecer, de plano, que independentemente do alcance da definição do ato cooperativo, prevista no art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971, ou das características peculiares das sociedades cooperativas ressaltadas na impugnação, a CSLL incide sobre a totalidade dos seus resultados positivos. 8 .A Constituição Federal estabelece em seu art. 195 que a seguridade social deve ser financiada por toda a sociedade, tendo como fonte de recursos, entre outras, a Contribuição Social sobre o Lucro. Dispõe tal artigo no caput, inciso I, § 7°: "Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) § 7o São isentas de contribuição para a seguridade social às entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em Lei". 9.Como se depreende, a previsão constitucional de isenção (imunidade) para tal contribuição cingese às entidades beneficentes de assistência social, que não é o caso da interessada. 10. Por seu turno, ao instituir a Contribuição Social sobre o Lucro, a Lei n° 7.689, de 1988 atendeu ao disposto no referido caput do art. 195 da CF, definindo, no art. 4° que "são contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária ". 11. A mencionada Lei também não isentou as sociedades cooperativas do recolhimento da CSLL. O seu art. 2° § 1°, alínea 'c\ com a redação dada pelo art. 2a da Lei n° 8.134, de 1990, que relaciona os valores que devem ser adicionados/excluídos do resultado do períodobase, na obtenção da base de cálculo, não previu a exclusão dos resultados das sociedades cooperativas decorrentes da prática dos atos cooperativos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA 4 12.Da mesma forma, a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que trata da organização da seguridade social, também não estabeleceu a referida isenção, e equiparou a cooperativa a uma empresa (que assume risco comercial), para efeito de aplicação de seus dispositivos, como se vê dos seus artigos 10 e 15, a seguir transcritos: "Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda sociedade, de forma direta e indireta, nos termos do art. 195 da Constituição Federal e desta Lei, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de contribuições sociais. (...) Art. 15. Considerase I — empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa , a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras. "(Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99, grifei). 13. Como se deduz, não existe nenhum comando normativo isentando ou retirando do campo de incidência da CSLL os resultados positivos conseguidos pelas cooperativas. E de concluir, portanto, a intenção do legislador ao criar a mencionada contribuição foi que a mesma fosse financiada por toda sociedade, inclusive pelas sociedades cooperativas. 14. Essa mesma linha de raciocínio é adotada pela Receita Federal, como se observa do disposto na IN SRF n° 198 de 29 de dezembro de 1998, que faz a ressalva de dedução como despesa da parcela da contribuição, relativa a operações com não associados, apenas para efeito de cálculo do Lucro Real (base do IRPJ), nos seguintes termos: " 9. As sociedades cooperativas calcularão a contribuição social sobre o resultado do períodobase, podendo deduzir como despesa na determinação do lucro real, a parcela da contribuição relativa ao lucro nas operações com nãoassociados." (g.n.) Ao final, o acórdão vergastado explica as razões do indeferimento da perícia solicitada e a impossibilidade de analisar a ilegalidade/inconstitucionalidade de norma tributária por fugir à sua competência. Tempestivamente, a cooperativa interpôs o Recurso de fls. 119 e ss, reprisando os termos da defesa inicial sobre as atividades cooperativas e a não obtenção de lucros passíveis de tributação. Solicita a realização de perícia para ser dissociada a receita da empresa proveniente de atos não cooperados. É o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 14751.000087/200711 Acórdão n.º 180100.736 S1TE01 Fl. 139 5 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. O cerne do litígio que ora se debate é se as cooperativas de crédito estão ou não sujeitas ao recolhimento da CSLL, antes de 1º de janeiro de 2005, e, se estão, qual a base de cálculo a ser utilizada, se todo o resultado ou apenas o resultado proveniente dos atos não cooperados, no caso, aplicações financeiras. É cediço que o artigo 111 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/66) dispõe, claro e expressamente, que as isenções tributárias se interpretam literalmente, além da obrigatoriedade de estarem expressamente previstas em lei. Também é matéria recorrente a discussão sobre as contribuições sociais e a sua regulação por intermédio do artigo 195 da Constituição Federal, que, salientamos, trouxe às contribuições essa ‘marca’ do princípio da solidariedade, pelo qual todos devem financiar a seguridade social, com as exceções, impropriamente denominadas ‘isenções’, quando tratamos na verdade de ‘imunidades’, estão inseridas, sabiamente, pelo poder constituinte, no próprio dispositivo, em seu parágrafo sétimo. Vale a pena retranscrever, haja vista ter sido matéria tratada no acórdão vergastado: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA 6 § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) § 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao fixado em lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Ao me debruçar sobre tão importante tema, observo, ainda, que a Carta Magna cuidou das contribuições sociais com tal zelo que até aos produtores rurais, pescadores artesanais, ainda que não empreguem terceiros e se trate de economia familiar, o legislador não os poupou da obrigação tributária de contribuir para a seguridade social. É o que está escrito no parágrafo 8º. Nem a eles foi reconhecida imunidade. E, lendo os demais parágrafos a seguir, vemos que as contribuições sociais discriminadas no inciso I (e aí estão as calculadas sobre as folhas, os trabalhadores individuais, as receitas ou faturamento, ou sobre o lucro) poderão ter alíquotas ou base de cálculo diferenciadas em razão da atividade exercida. É o que dispõe o parágrafo 9º. E eu creio que o legislador deixou aqui uma porta para diferenciar as pessoas jurídicas em geral das demais, tais como as cooperativas. Mas não há concessão de imunidade, ainda. Cuidou ainda o Poder Constituinte de prever, no caso das contribuições sociais, as hipóteses de nãocumulatividade e substituição tributária, a serem reguladas por lei (§§ 12 e 13), e, limitar valores para a concessão de remissão ou anistia (§ 11). Também não pude deixar de lembrar a interpretação realizada pela Suprema Corte ao impingir aos aposentados e pensionistas a continuidade da obrigação em recolher a contribuição previdenciária, em vista de sobrepesar os princípios constitucionais, sobretudo o princípio já mencionado da solidariedade. Mesmo essa classe social está obrigada a contribuir, pois faz parte de ‘toda a sociedade’, por mais paradoxo que possa parecer. Não foram contemplados nem com imunidade, nem com lei que os isentasse. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 14751.000087/200711 Acórdão n.º 180100.736 S1TE01 Fl. 140 7 Por conseguinte, ao instituir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Lei nº 7.689/88, entendo, preservou, acuradamente, o espírito do Poder Constituinte ao dispor sobre as contribuições sociais, sujeitando toda a sociedade, respeitandose apenas a quem aquele Poder concedeu a imunidade. E, é claro, a cooperativa não é pessoa jurídica que se classifica como entidade beneficente de assistência social. Portanto, afasto a argumentação trazida pelo contribuinte de que as cooperativas não se sujeitam à incidência da CSLL porque não possuem como objetivo o lucro, ou que não auferem ‘lucro’ ou ‘receitas’, mas ‘sobras’ ou resultados positivos. Este não é o alcance da norma ao criar a contribuição social em obediência e consonância com as disposições constitucionais. E como dispõe o artigo 109 do CTN, os princípios gerais do direito privado não podem ser utilizados para definir os efeitos tributários dos institutos que regula, no caso, ao referirse a um conceito de ‘sobra’ ou ‘resultado positivo’, ao tratar das cooperativas no campo cível e da sua regulação. No aspecto tributário, lucro líquido é definido pelo art. 248 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000/99): Conceito de Lucro Líquido Art.248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). E lucro operacional como (art. 277 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000/99): LUCRO OPERACIONAL Seção I Disposições Gerais Art.277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, §1º). São, pois, as tais ‘sobras’ ou ‘resultados positivos’, termos utilizados no direito privado, mas cuja utilização não impedem os efeitos tributários decorrentes. Por isso, concluo, bem tratou a Instrução Normativa SRF nº 390/04 em seu artigo 6º ao esclarecer (anteriormente a IN SRF nº 198/88): Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA 8 Art. 6º As sociedades cooperativas calcularão a CSLL sobre o resultado do período de apuração, decorrente de operações com cooperados ou com nãocooperados. A própria Lei nº 7.689/88 já cuidava de não excepcionar qualquer pessoa jurídica, ou definir a base de cálculo sobre esta ou aquela operação, ou mesmo sobre o ‘lucro’, preferindo referirse a ‘resultado do exercício’: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. E, retornando à discussão sobre imunidade e isenção, já visto que das imunidades tratou a própria Carta Magna (situando os fatos geradores praticados pelas entidades beneficentes de assistência social fora do campo de incidência tributária) , no que respeita às isenções é matéria afeta, privativamente, à lei (que pode retirar os fatos geradores do campo de incidência tributária). E esta, no que se relaciona às sociedades cooperativas, veio a ser editada somente em 2004 não tratando em seu bojo de ‘reconhecimento’ pretérito ou sequer de disposição ‘interpretativa’. Muito pelo contrário, expressamente dispôs que só alcançaria aos fatos geradores praticados a partir de 2005. Lei nº 10.865/04: Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. (Vide art.48 da Lei nº 10.865, de 2004) Art. 48. Produz efeitos a partir de 1o de janeiro de 2005 o disposto no art. 39 desta Lei. Em assim sendo, devo, forçosamente, curvarme à legislação vigente à época, não declarada inconstitucional, entendendo, ao contrário e conforme raciocínio esposado perfeitamente adequada aos anseios constitucionais, sistematicamente coerente com o direito público, e inserida nos moldes defendidos e ensinados pela Corte Suprema. Pelas mesmas razões, não consigo encontrar argumentos para diferenciar o resultado das operações das cooperativas entre atos de cooperados e não cooperados, para atribuir a incidência da CSLL sobre um e isentar o outro. A lei vigente à época dos fatos geradores não os diferenciou. Finalizando, vale reprisar, se toda a sociedade – incluindo aposentados, produtores rurais, pescadores artesanais, entidades sem fins lucrativos que não as definidas no parágrafo sétimo do artigo 195 da CFB – foram constitucionalmente elevados à condição de contribuintes das contribuições sociais, cuja base de cálculo instituída por lei, no presente caso, é o valor do resultado do exercício, antes da provisão do imposto de renda, não vejo como embutir na norma cogente a classificação de resultados da pessoa jurídica, diferenciando valores onde a norma tributária não o faz; nem o fez até o presente momento, digase por oportuno, o Supremo Tribunal Federal. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 14751.000087/200711 Acórdão n.º 180100.736 S1TE01 Fl. 141 9 Por conseguinte, descabida a realização de perícia para dissociar uma receita de outra, quando ambas são tributáveis antes de 01/01/2005 (Lei nº 10.865/04, arts. 39 e 48), motivo pelo qual indefiro o pedido da recorrente. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância, privilegiando, de igual forma, as normas tributárias vigentes. Por todo o exposto, voto em indeferir o pedido de realização de diligências, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos deste voto. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Declaração de Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Na sessão do mês de outubro de 2011, a ilustre Conselheira Relatora Ana de Barros Fernandes apresentou as razões do seu voto e o colegiado, por maioria negou provimento ao recurso voluntário. E, aproveitando o momento para render as minhas homenagens a Relatora, entendo que em relação ao mérito, apresento a declaração de voto: Cabe esclarecer que pela relevância do tema quero trazer alguns pontos que considero relevantes, pontos que dão lastro a minha posição. O processo trata de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no qual se discute, a incidência da CSLL sobre o resultado positivo obtido pela sociedade nas operações que constituem atos cooperativos. Entendo, apesar dos sólidos argumentos apresentados pela Relatora que considerou, de forma especial, que a lei que instituiu a CSLL não isentou as cooperativas do recolhimento dessa exação sobre os atos cooperativos. Isto porque, há necessidade de uma lei que expressamente isente os atos cooperativos da incidência da CSLL, o que ocorreu apenas com o advento do art. 39 da Lei n° 10.865/2004, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2005, “verbis”: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA 10 “Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.” E, essa minha posição acontece por entender que o fato gerador da CSLL é a obtenção de lucro, o que não acontece com as sociedades cooperativas, uma vez que eventual resultado positivo obtido é sobra e não lucro. Na verdade, vejo não ser possível apegarse tão somente ao texto da norma tributária que fala em isenção do IRPJ e da CSLL incidente sobre os atos cooperativos, e ignorar completamente os dispositivos da Lei n° 5.764/71. Nos termos do art. 4° do CTN, a natureza jurídica específica de cada tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Já no IRPJ temos que o fato gerador é a renda e os proventos de qualquer natureza, ao passo que, na CSLL, o fato gerador é o lucro. São fatos geradores distintos, sendo o segundo mais restrito que o primeiro. Não se sustenta o argumento de que o art. 79, parágrafo único da Lei n° 5.764/71 teria sido revogado pelas normas que instituíram a CSLL. A lei que regula as cooperativas foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, estando plenamente em vigor os dispositivos que denominam de sobras líquidas os resultados positivos auferidos sobre os atos cooperativos. Sobra e lucro são conceitos distintos, com natureza jurídica própria. Como nos ensina Eros Roberto Grau, não se interpreta o direito em tiras: “A interpretação do direito é interpretação do direito, no seu todo, não de textos isolados, desprendidos do direito. Não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços”(GRAU, Eros Roberto. Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito. 5ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009.) Entender que a CSLL incide sobre o resultado positivo dos atos cooperativos, ou seja, sobre as sobras líquidas, é olhar apenas para uma norma – a que isentou os atos cooperativos da CSLL a partir de 2005 em detrimento do restante do sistema jurídico que regula as atividades das cooperativas. É fazer justamente o que Eros Grau recrimina, interpretar o direito em tiras. A matéria tem entendimento pacificado nesse Conselho, conforme ementas a seguir reproduzidas: “ACÓRDÃO 10517.179 COOPERATIVAS CSLL COOPERATIVA SOBRAS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO As sobras apuradas pelas cooperativas, resultado de atos exclusivamente cooperativos, não podem ser confundidas com o lucro. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91 não ensejam o entendimento Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 14751.000087/200711 Acórdão n.º 180100.736 S1TE01 Fl. 142 11 de que a CSLL deva incidir sobre as denominadas "sobras", mas somente sobre a renda derivada de atos nãocooperativos. RECEITAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS: Por não revestirem a forma de ato cooperado, se sujeitam à incidência da CSLL. ACÓRDÃO 10708.906 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL COOPERATIVA DE CRÉDITO ATOS COOPERATIVOS – A contribuição social sobre o lucro líquido não incide sobre o resultado positivo obtido pela sociedade nas operações que constituem atos cooperativos. o ato cooperativo não configura operação de mercado, seu resultado não é lucro e está fora do campo de incidência da contribuição instituída pela lei nº 7.689, de 1988. Somente os resultados decorrentes da prática de atos com não associados estão sujeitos à tributação. ACÓRDÃO 10322.735. COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO As sobras, entendendose como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição. ACÓRDÃO 10195.626 CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS O resultado positivo em decorrência de operações de atos praticados com seus cooperados, não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Por outro lado, revelandose impreciso o critério adotado pelo fisco para determinar a parcela do resultado tributável decorrente de atos não cooperados, impõese o cancelamento integral da exigência.” Por qualquer ponto que se analise não há possibilidade de enquadrar as sobras líquidas das cooperativas, quando advindas dos atos cooperados, dentro do campo de incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. A incidência da CSLL é regida, essencialmente, pelas Leis nº 7.689/88 e 8.034/90, confirmadas pelo art. 11 da Lei Complementar nº 70/91, cujo aspecto material da regra matriz de incidência é o resultado do exercício, apurado nos termos da legislação comercial que não se confunde com as sobras líquidas das sociedades cooperativas, advindas dos atos cooperados. Assim, considerando tudo o que consta dos autos e a minha posição sobre o tema, peço vênia a Relatora para votar no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA 12 (assinado digitalmente) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 10976.000563/2008-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ÔNUS DA PROVA
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da
pretensão fazendária.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC
Súmula CARF nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de moratórios
incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do
Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do
Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE APRECIAÇÃO.
INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE
De acordo com a Súmula CARF nº 2 este órgão julgador não é competente
para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.660
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ÔNUS DA PROVA Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE De acordo com a Súmula CARF nº 2 este órgão julgador não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, fls. 05/13, em razão de ter sido verificado pela fiscalização que o contribuinte deixou de recolher ou recolheu valor a menor de imposto devido no período compreendido entre Abril e Dezembro de 2003 (20/04/2003 – 10/12/2003). O referido Auto de Infração constituiu crédito tributário no montante total de R$ 185.684,30, com multa de ofício equivalente a 150%, uma vez que a autoridade fiscalizadora entendeu tratarse de evidente intuito de fraude contra a Fazenda Pública. Contra o Auto de Infração foi apresentada Impugnação (fls. 65/87), que, em síntese, arrazoou o contribuinte pela nulidade do auto, uma vez que teria sido lavrado por autoridade incompetente, já que a jurisdição a que pertenceria é a de Betim/MG, enquanto que o servidor fiscalizador estaria vinculado à unidade da RFB de Contagem/MG. Argumentou o contribuinte que o Auto de Infração estaria maculado de nulidade pelo fato de ter sido lavrado por fiscal não habilitado pelo Conselho Regional de Contabilidade, o que contrariaria a legislação vigente. Ademais, afirmou que não foi considerado qualquer crédito de IPI durante a fiscalização, créditos esses relativos à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregado no processo industrial. Ressaltou que todos os créditos teriam sido escriturados em seus livros fiscais pertinentes. Em razão disso, pleiteou a realização de perícia técnicocontábil. Alegou, ainda, o contribuinte que toda sua linha de produtos fabris goza de “suspensão do imposto, nos exatos termos do artigo 29 da Lei 10.637/2002 (alterada pela Lei 10.684/2003)” (fls. 73). Requereu, também, a diminuição do valor referente à multa de ofício, indicando que a multa menos gravosa, prevista no artigo 61, § 2º, da Lei n.º 9.430/96, seria de 20% e não 150%, como a aplicada pela autoridade fiscalizadora. Por fim, clamou pela improcedência da incidência da taxa de juros com base na taxa SELIC, por entender que essa taxa tem caráter remuneratório e que deve ser destinada apenas para aplicadores do mercado financeiro. O acórdão n. 1132.690, de fls. 175/184, proferido pela 6ª Turma da DRJ/REC, sediada em Recife/PE, acolheu parcialmente a Impugnação apresentada e entendeu: 1) por não acolher as preliminares de nulidade arguidas pela Recorrente, por vislumbrar que, nos termos do artigo 9º do PAF, o Auto de Infração é válido, mesmo que lavrado por servidor de jurisdição diversa do contribuinte, uma vez que o dispositivo legal previne a jurisdição e prorroga a competência, bem como que a competência para fiscalização tributária e análise dos documentos contábeis decorre da lei e, portanto, não se exige formação técnicoprofissional específica ou registro do auditor em conselho regional de profissão regulamentada; 2) por manter a exigência do IPI, sob o argumento de que a falta de recolhimento enseja lançamento de ofício; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10976.000563/200890 Acórdão n.º 340301.660 S3C4T3 Fl. 2 3 3) por manter a exigência dos juros de mora pela taxa SELIC; e, por fim, 4) em reduzir o percentual da multa de ofício para o importe de 75%, por não vislumbrar o evidente dolo em fraudar a Fazenda Nacional por parte da Recorrente. Inconformada com a decisão a empresa contribuinte interpôs o Recurso Voluntário e, ab initio, exaltou a tempestividade da peça recursal, tendo em vista que a data de ciência formal da decisão de primeira instância ocorrera em 06/07/2011 e o devido protocolo do recurso em 05/08/2011. Já no mérito, buscou a Recorrente rechaçar os argumentos do acórdão de primeira instância e reiterar os pleitos tecidos na Impugnação. Para tanto, inicialmente, alegou que o Fisco teria desconsiderado os créditos de IPI , conforme se verifica às fls. 195, momento em que novamente argumentou que seus eventuais créditos sobre o IPI em hipótese alguma poderiam ser desconsiderados, interpelando novamente pela produção de perícia contábil no Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e nas Notas Fiscais juntadas aos autos, pedido indeferido em primeiro julgamento. Reforçou esse argumento invocando o princípio constitucional da ampla defesa. Ademais, buscou a Recorrente o reconhecimento da suspensão do IPI na saída, já que, segundo ela, sua linha de produção goza de tal benesse, indicando para tanto o artigo 29 da Lei n.º 10.637/02 (alterado pela lei n.º 10.684/03). Além disso, clamou a Contribuinte pela improcedência da aplicação da taxa SELIC para apuração dos juros, valendose para tal de extensa exposição acerca do caráter remuneratório desse índice, o que, segundo seu argumento, afastaria a natureza fiscal da autuação dandolhe caráter remuneratório típico das movimentações financeiras, o que, para ela, criaria a idéia de “tributo rentável” (fls. 196), situação que seria inadmissível. Argumentou, ainda, que a aplicação da taxa SELIC acabaria por punir duas vezes o contribuinte (bis in idem – fls. 198), bem como, que a remuneração dessa taxa prevê índices futuros, ou seja, a “correção monetária ante acta (antes de efetivada), ou seja, por mera estimativa [...]” (fls. 199), o que, para a Recorrente, é inaceitável. Por fim, arrematou esse argumento afirmando que tal modo de capitalização agride o princípio constitucional da legalidade, da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Primeiramente, cumpre analisar o argumento da Recorrente de que não teriam sido considerados pelo Fisco os créditos de IPI decorrentes das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/17) e os documentos acostados aos autos (fls.18/47) se pode verificar que os cálculos do IPI apurado e lançado no Auto de Infração foram feitos pelo Fisco com base no Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI escriturado e apresentado ao Fisco pelo próprio contribuinte (fls. 19/36), e as insuficiências de imposto lançadas pelo Fisco também foram calculadas com base nas diferenças entre os valores informados nas Declarações de Débitos e CréditosDCTF´s apresentadas pelo contribuinte e o valor por ele lançado no RAIPI (fls.37/43). Assim, não merece ser acolhido o argumento da Recorrente de que não foram considerados os créditos para efeito de apuração do IPI lançado de ofício. No tocante ao pedido da Recorrente para o reconhecimento da suspensão do IPI na saída, já que, segundo ela, “sua linha de produção goza de tal benesse”, cumpre destacar que a Recorrente não apresenta qualquer prova ou indício que justifique a suspensão do referido imposto, limitandose a indicar que seu pleito estaria fundamentado no artigo 29 da Lei n.º 10.637/02. Esse argumento também não merece ser acolhido, uma vez que de acordo com RAIPI apresentado pelo contribuinte não se verifica no Registro de Saída nenhum registro no campo “operações sem débito do imposto”, que indicaria saídas com suspensão do IPI, sendo que as vendas de produção própria foram registradas pelo contribuinte sempre no campo “operações com débito do Imposto”. Também não há nenhuma observação no campo “demonstrativo de débitos”, que pudesse demonstrar qualquer saída com suspensão. Outro fator que comprova que as saídas do contribuinte seriam tributadas é que o contribuinte apurou saldo devedor do imposto em todos os decêndios do período fiscalizado. Fossem as saídas suspensas, o contribuinte apuraria saldo credor do IPI. A Recorrente também não apresenta sequer uma Nota Fiscal de saída de seus produtos, ou mesmo indica qual(is) o(s) produto(s) por ela fabricado(s), a respectiva classificação fiscal na Nomenclatura Comum do MercosulNCM, ou a sua posição na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, ou qualquer outra prova que justifique a pretendida suspensão do IPI, limitandose a alegar a suspensão do imposto com base em dispositivo legal já mencionado. Assim, por absoluta falta de prova, também não há como acolher esse argumento da Recorrente. Relativamente à contestação da Recorrente, de não ser cabível a aplicação da taxa SELIC para a atualização do crédito tributário apurado pelo Fisco no Auto de Infração, sob o argumento de manifesta agressão ao princípio constitucional da legalidade e da anterioridade, dentre outros, cumpre destacar que a aplicação da taxa SELIC para corrigir os créditos tributários está prevista no artigo 13 da Lei 9.065/95, tendo sido tal matéria inclusive já sumulada pelo CARF, conforme Súmula nº 04, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Também, há que se ressaltar que não cabe ao CARF afastar lei sob o argumento de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula nº 02, verbis: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10976.000563/200890 Acórdão n.º 340301.660 S3C4T3 Fl. 3 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nestes termos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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