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Numero do processo: 16327.910696/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 30/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.562
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 96 /2 01 1- 01 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.306, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908255/2011-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10850.908255/201126 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.186 – 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 55 /2 01 1- 26 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.740, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000065/2009-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 65 /2 00 9- 40 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 253DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 254DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 255DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 257DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902708/2015-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de inconsistências é feita por meio da apresentação de prova hábil e idônea.
Numero da decisão: 1402-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de inconsistências é feita por meio da apresentação de prova hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 08 /2 01 5- 49 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1672.950, julgado em 19 de maio de 2016, pela 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, complementandoo com as pertinentes atualizações processuais. A contribuinte transmitiu DCOMP, objetivando a utilização de pagamento indevido de IRPJ, referente ao anocalendário de 2011 (PA de 30/05), no montante de R$ 21.286.091,31 para a compensação de débitos. A DEINF/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.90) não homologando as compensações informadas em DCOMP. A não homologação das compensações deuse pelo motivo exposto a seguir: A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 14/07/2015 (fl. 89) e dela recorreu a esta DRJ em 13/08/2015 (fls. 02/20). As alegações da interessada são resumidas a seguir: A presente decisão administrativa é nula em razão de não estar devidamente infirmadas as explicações deduzidas pela requerente; A requerente incluiu, por equívoco, alguns resultados positivos referente aos contratos de “SWAP – SCC” na apuração das estimativas mensais mesmo não ocorrendo a liquidação das respectivas operações; A tributação das operações de SWAP somente ocorrem quando da liquidação dos contratos; A contribuinte excluiu os valores referentes aos contratos de SWAP não liquidados da base de cálculo do lucro real do PA de 05/2011; Todos os processos, os quais tratam do prejuízo fiscal e utilização de ágio, os quais foram mencionados pela Fiscalização, estão ativos, pendentes de apreciação, portanto, não podem ser glosados; A glosa de do prejuízo fiscal e utilização de ágio ocasiona a oneração dupla da requerente por apenas uma suposta infração tributária; Os processos pendentes relacionados a presente demanda devem ser sobrestados até a decisão definitiva das lides. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 187 3 A Manifestação de Inconformidade do contribuinte foi julgada totalmente improcedente, não tendo sido reconhecido o direito creditório do fiscalizado. O argumento de nulidade trazido por ele, foi afastado pela autoridade julgadora de primeira instância com base no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. No mérito, a autoridade julgadora, com base nos requisitos de liquidez e certeza dos créditos para compensação, previstos no artigo 170 do CTN, determinou a necessidade de comprovação por meio de documentação hábil e idõnea quanto às informações de dados declarados. Concordando com a fiscalização, a autoridade julgadora administrativa entendeu que, frente ao equívoco do contribuinte, a retificação da DCTF não seria suficiente para comprovar a liquidez e certeza do crédito alegado por ele; fundamentou seu argumento no artigo 147, §1º do CTN. Ainda, na matéria de mérito, a decisão de 1ª instância afastou o argumento sobre a bitributação, sob a seguinte fundamentação (efl. 108): "Referido argumento não merece prosperar, uma vez que a glosa dos mencionados valores interfere na apuração do lucro real e, consequentemente, na quantificação da estimativa mensal. A liquidez e certeza do direito creditório deve ser aferida não se admitindo em sua composição parcelas pendentes de decisão." O pleito de sobrestamento também foi indeferido com base no Decreto nº 70.235/72 e no argumento de que a análise de concessão do direito creditório pleiteado no presente processo só será reconhecível no caso de haver decisão favorável dos processos pendentes. Em referência a cobrança de estimativas e a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativas e não recolhidos, acompanhando novamente o alegado pela Fiscalização, a 2ª Turma da DRJ/SPO compreendeu como correta a glosa, sob o argumento de que após o encerramento do anocalendário a exigência das estimativas que não foram recolhidas durante o transcorrer do anocalendário poderá ser feita pelo Fisco, por expressa previsão legal. Cita, ainda, a IN SRF nº 93/97, artigo s 15 e16. As alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade foram rejeitadas, ao passo que como fez constar em seu voto a autoridade julgadora apenas o Poder Judiciário é competente para avaliálas. Analisando os efeitos das jurisprudências judiciais e administrativas, a decisão "a quo" ressaltou que, com base no artigo 100, inciso II, do CTN, que tais fontes não constituem normas complementares do Direito Tributário e que por este motivo, não devem ser ampliadas genericamente ao caso concreto. Complementou seu raciocínio da seguinte maneira: Sob este aspecto, o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, já se manifestou com relação a esse assunto, nos seguintes termos: “3. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de Fl. 188DF CARF MF 4 seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência se não aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinteparte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado.” Quanto à extensão dos efeitos das decisões judiciais, relembrou que, na esfera da SRFB, a existência de decisão definitiva do STF acerca da inconstitucionalidade da lei que está em litígio é um pressuposto, e que ainda assim, deve haver um ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil a ser editado neste sentido. Concluiu, nos termos do artigo 472 do CPC, que as sentenças judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. Como o fiscalizado não é parte interessada nos julgados que mencionou na sua defesa, eles não foram conhecidos. Por fim, diligência pleiteada não foi deferida, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2011 PAGAMENTO A MAIOR. Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de inconsistências é feita por meio da apresentação de prova hábil e idônea. Inconformado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual requer a nulidade do acórdão recorrido em face da rejeição do pedido de diligência e da falta de análise do direito creditório pleiteado. O contribuinte pauta sua alegação no artigo 53 da Lei nº 9.784/99 que trata do dever da Administração de anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, além de alegar ofensa ao direito de ampla defesa e contraditório. Em seguida, passa a alegar a) a nulidade do Despacho Decisório por conta da insuficiência de justificativa da fiscalização na apreciação do PER/DCOMP nº 17197.38040.170413.1.3.047000; b) a impossibilidade de bitributação por meio da glosa de ágio e prejuízos fiscais; c) a correta contabilização das operações de derivativos para apuração de estimativa de IRPJ (Maio/2011); e d) o direito ao reconhecimento do pagamento indevido ou a maior. É o relatório Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 188 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator É importante ressaltar, inicialmente, que a questão controvertida neste feito não é a existência de pagamento, via DARF, de valor devido a título de IRPJ por estimativa no PA 31/05/2011, no importe de R$ 88.737.130,21, confirmado pela fiscalização como pago. O ponto controvertido cingese à retificação de DCTF’s em relação ao valor devido, a título de estimativa de IRPJ no referido período de apuração diversas vezes (Relatório Fiscal p. 42/46), sendo que entre a mudança de R$ 88.737.130,21 (DCTF original transmitida em 20.07.2011) para R$ 67.451.038,90 (4ª DCTF retificadora, transmitida em 16.04.2013), transcorreuse praticamente 21 meses, situação que permitiu ao contribuinte “formar” o crédito pleiteado de R$ 21.286.091,31. A redução de tributo devido, por retificação em declaração prestada pelo contribuinte, sempre deve vir subsidiada em documentos que evidenciem o equívoco inicial e a correção da nova declaração prestada. Por essa razão, a Fiscalização, através do Termo de Intimação 128/2015, requereu ao contribuinte (p. 35 / 36): A intimação foi cumprida nos termos do documento de p. 38/39, sendo relevante o esclarecimento prestado pelo contribuinte ao item 1: Fl. 190DF CARF MF 6 À vista dessas informações, a Fiscalização firmou um Relatório de p. 42/46, no qual conclui: Às p. 90/93 encontrase o Despacho Decisório, cuja conclusão adiante segue: Ou seja, para a Fiscalização o contribuinte não fez prova de seu direito creditório, o qual decorre, como dito acima, de uma retificação em DCTF, na qual se alterou o valor declarado como devido, a título de IRPJ por estimativa, para o PA 31.05.2011. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, de forma a comprovar seu direito creditório, planilhas de apuração do IR e CS, antes de depois dos ajustes mais acima indicados, conforme p. 47/53, 54/54 e 55/62, cópia do LALUR (p. 63/68), contudo, sem outros documentos a embasarem os números apresentados. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 189 7 Assim, no Acórdão 1672.950, da 2ª Turma da DRJ/SPO, de p. 101/109, asseverou o i. Julgador às p. 104/105: E reforça: Como se denota, tanto no Relatório que embasou o Despacho Decisório, quanto no Acórdão da DRJ, ao analisar os documentos adicionados pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, a conclusão é a mesma: as operações de derivativos, que ensejaram a retificação do valor originalmente declarado em DCTF como devido a título de estimativa de IRPJ no PA 31.05.2011 não foram devidamente comprovadas e, desta forma, afastada a retificação, inexiste crédito que permita a compensação pleiteada. Assim, quando a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de p. 121/168, além de repisar os argumentos já apresentados anteriormente, reforçou a necessidade de diligência para verificar a documentação coligida em comparação com as informações e registros contábeis e fiscais da Recorrente. Argui nulidade do Despacho Decisório por conta da insuficiência de justificativa da fiscalização na apreciação do PER/DCOMP nº 17197.38040.170413.1.3.04 7000, argumento que, salvo melhor juizo, confundese com o mérito, pelo que será tratado juntamente com ele, adiante. Fl. 192DF CARF MF 8 Aqui registro um fato, no mínimo curioso, desses dignos de registro histórico: o mesmo contribuinte foi autuado, pelos mesmos motivos, contudo em outra competência (do mês imediatamente anterior, ou seja, abril/2004), noutro processo administrativo (nº 16327.902707/201502). Este processo, por absoluta coincidência, foi distribuído para este mesmo relator, no mesmo lote de distribuição eletrônica. Digo coincidência pois tais processos apesar de sua identidade não estavam por nenhuma razão vinculados (por conexão, dependência etc). Mesmo assim, pautei ambos para o mesmo dia de julgamento, na seqüência cronológica dos períodos de apuração (PA). Mas o mais curioso está por vir. O contribuinte, ao contratar advogados para defendêlo administrativamente, contratou profissionais diferentes, mesmo considerando todos os fatos narrados acima. Não me cabe questionar os critérios de contratação da recorrente, mas tal atitude fez com que os patronos agissem com estratégias diversas, obviamente. Explico: No outro processo mencionado (nº 16327.902707/201502), além de inscreverse para sustentação oral, o patrono providenciou a juntada de documentos e esclarecimentos adicionais na fase recursal, o que proporcionou, em respeito ao principio da busca da Verdade Material, a conversão em diligência daquele processo (acórdão 1402 000.465). Isto se deu pois, assim como no presente caso, aquele estava carente de provas e sua respectiva contextualização, o que, aparentemente, foi suprido no âmbito naquele processo por meio da juntada de documentos da BM&F BOVESPA, esclarecendo a liquidação dos instrumentos financeiros que são o cerne da controvérsia. Ora, a situação tornouse sui generis pois, diante de tais provas este julgador tomou conhecimento de que ambos os casos têm condições de ser resolvidos de forma justa. Contudo apenas um deles tem os documentos que viabilizam uma adequada diligência. Minha proposta de voto para a turma foi, diante de tudo isso, "aproveitar" neste feito os novos documentos anexados ao processo administrativo nº 16327.902707/2015 02, que lhe é correlato e principal (ou melhor: anterior), conforme extratos emitidos pela BM&F (p. 157/170 e 171/184 daquele processo), nos quais estão indicados, em código, contratos de Swap mantidos pela Recorrente no PA 31.05.2011, os números a eles referentes no último dia do mês de apuração (tributação), bem como a informação que não teriam se encerrado no referido período, razão pela qual não deveriam ter sido oferecidos, na ocasião, à tributação. Os extratos, por si só, não fazem uma prova cabal da informação prestada pela Recorrente. No entanto, para demonstrar o impacto dessa comprovação em sua contabilidade, a Recorrente anexou, também, p. 185, arquivo não paginável contendo diversas planilhas com a demonstração de seus diversos ativos financeiros, razão contábil e conciliação. E, nas p. 186/188, posição, informações sobre “termo de swap cambial com ajuste mark to market”. (Obs.: páginas citadas do processo administrativo nº 16327.902707/201502) Porém, tal proposta de voto, após exaustivamente discutida no âmbito da turma, não foi aceita, devido ao fato de importar em usar provas de outra competência (abril/2017) e de outro processo, como base da diligencia nos presentes autos. Tão pouco foi aceita proposta alternativa de circularização junto à BM&F BOVESPA para que Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 190 9 providenciasse tais demonstrativos, visto que tal prova, em ultima análise, caberia ao contribuinte, que não o fez nos presentes autos. Assim, diante dos fortes argumentos dos colegas conselheiros, curveime ao entendimento de que no presente processo não há provas suficientes para acolher o pleito recursal. Por fim, em relação à utilização de prejuízos fiscais pelo contribuinte, entendo que o Recurso não trouxe novos elementos que pudessem mudar a posição adotada pela DRJ, os quais estou de acordo, em sua integralidade. À vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720289/2008-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008.
BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230.
A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorá-la.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorála. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 89 /2 00 8- 26 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 346 2 vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (1) à necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ; e (2) à possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Apenas a segunda divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação à primeira divergência, conforme o despacho decisório exarado em 24/07/2015 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. E a negativa de seguimento do recurso em relação à primeira divergência foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 28/07/2015. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301001.730, 26/11/2014, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, manter a negativa em relação à compensação pretendida pela contribuinte. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 347 3 O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior), a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: BREVE HISTÓRICO DOS FATOS a Recorrente apresentou Declaração de Compensação eletrônica (programa PER/DCOMP), informando como origem de crédito valores mensais pagos a maior durante o anocalendário de 2003, no caso pagamento em excesso a título de estimativa do Imposto de Renda (IRPJ) do mês de março de 2003 que foi recolhida em 30/04/2003, conforme DARF com o código de receita 2362. Esse valor excedente no montante de R$ 5.764.173,16 foi utilizado na questionada PER/DCOMP para a compensação de IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário; naquele mês, a Recorrente recolheu um DARF no valor de R$ 8.126.509,32, referente à estimativa de março/2003. No entanto, revendo a apuração da estimativa, identificou que havia recolhido R$ 5.764.173,16 a mais do que o efetivamente devido, conforme DIPJ tempestivamente apresentada. Identificado o indébito, a DCTF do período foi retificada para demonstrar o valor correto do débito apurado, assim como a existência de valor indevido (recolhido a maior); a DRF/Limeira, ao proceder à análise das declarações de compensação entregues pela Recorrente, entendeu por bem não homologálas; a negativa em relação à compensação foi mantida na primeira e na segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido); contudo, o r. Acórdão ora recorrido deve ser reformado, pois confronta persuasiva jurisprudência deste E. Tribunal e, até mesmo, pronunciamentos da Secretaria da Receita Federal do Brasil favoráveis aos interesses da Recorrente, o que será demonstrado em sequência; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL QUANTO À POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 348 4 logo de início, cumpre ressaltar que o acórdão recorrido marcha contra matéria já sumulada, pois a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. Tribunal já pacificou a controvérsia tratada no atual processo, de tal forma que o entendimento foi consolidado na recente Súmula n° 84, cujo enunciado tem o seguinte teor: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. importa destacar que o Acórdão n° 120100.404, indicado como uma das decisões que serviram de fundamento para o enunciado da Súmula n° 84 do CARF, foi proferido nos autos de outro processo desta mesma empresa, contendo idêntica matéria referente a outro período de apuração, com decisão em favor da contribuinte ora Recorrente, conforme se vê da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004. COMPENSAÇÃO. O pagamento da estimativa mensal do IRPJ realizado em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos traduz se em pagamento maior que o devido e, portanto, é passível de restituição/compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Anocalendário: 2004. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. MOMENTO. Inexistindo, na data da transmissão da DCOMP, norma que proíba a compensação da estimativa de IRPJ paga a maior antes de encerrado o período de apuração anual, não há razão para exigirse que o indébito integre o saldo do imposto a pagar ou a restituir calculado ao final do ano. tal acórdão foi mantido por esta C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais na ocasião do julgamento de recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional (Acórdão n° 9101002.063); nesse mesmo sentido entendeu o Acórdão n° 1202000.458, proferido por este C. Conselho Administrativo, com o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 349 5 contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. na linha da citada jurisprudência administrativa, os valores a titulo de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subsequente ao do pagamento; contudo, mesmo diante da existência da Súmula CARF n° 84 em favor do contribuinte e de todos os acórdãos paradigmas que fundamentaram a sua criação, o r. Acórdão recorrido decidiu negar provimento ao recurso voluntário e afastar matéria já decida definitivamente no âmbito administrativo; ora, existindo Súmula contrária ao entendimento acima transcrito, proferido pelo r. Acórdão recorrido, é de se considerar que estão superados todos os argumentos ali esgrimidos, notadamente o seu principal fundamento, no sentido de que não é possível postular créditos derivados do pagamento por estimativa mensal, para fins de compensação, uma vez que, como se tratam de meras antecipações, devem ser levadas ao ajuste anual do imposto, cabendo a restituição unicamente de eventual saldo negativo (fls. 07 do acórdão); como é sabido, as Súmulas aprovadas pelo CARF são de adoção e aplicação obrigatória por seus membros, conforme reza o §4º, do art. 72 do RICARF, sob pena de perda de mandato (inciso VI, do art. 45 do RICARF); dessa forma, versando a discussão exclusivamente sobre questão de direito, qual seja: "a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido", demonstrada a divergência jurisprudencial entre acórdãos proferidos em casos idênticos, e, principalmente, em razão da existência de Súmula, o presente Recurso Especial deve ser conhecido e provido para que seja aplicado ao caso o entendimento sumulado por este E. Tribunal Administrativo no Enunciado n° 84, de 10/12/2012. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 24/07/2015, deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à segunda divergência, que trata da possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior, nos seguintes termos: [...] Como primeiro aspecto de recurso a recorrente alega divergência jurisprudencial quanto à necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ. A recorrente alega que a decisão diverge dos acórdãos indicados como paradigmas que trazem entendimento de que é imperativa a realização do lançamento de apuração constante da DIPJ do sujeito passivo, ainda que dessa alteração não resulte a exigência de crédito tributário. Os acórdãos trazidos como paradigmas têm as seguintes ementas sobre a matéria: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 350 6 [...] Examinando os acórdãos trazidos como paradigmas verificase que os mesmos tratam da exigência, por parte do Fisco, de diferenças entre os valores informados em DIPJ e DCTF por meio de lançamento de ofício e apontam para a necessidade de constituição do crédito pela autoridade lançadora sempre que detectada a diferença entre os valores informados na DIPJ e os confessados em DCTF para que o Fisco possa exigilo, uma vez que a DIPJ não tem o condão de constituir o crédito tributário. Distinta é a situação apresentada no acórdão recorrido, que trata do reconhecimento de direito creditório pleiteado pela recorrente, ao argumento de que os valores pagos são superiores ao informados na DCTF a título de estimativa mensal. Neste caso, o acórdão recorrido entendeu correto o procedimento da autoridade administrativa, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, uma vez que o imposto recolhido correspondia à base de cálculo efetivamente apurada e, ainda, que seria prescindível a realização de lançamento por se tratar de reconhecimento de direito creditório, para o qual se exige liquidez e certeza do crédito pleiteado, e não de exigência de crédito; este sim carente de lançamento. Ou seja, os acórdãos paradigmas tratam de exigência, pelo Fisco, de crédito tributário não constituído por declaração hábil (DCTF), enquanto que o acórdão recorrido trata de reconhecimento de direito creditório, pleiteado pelo sujeito passivo, a quem incumbiria provar o crédito alegado. Desta feita, sendo distintas as situação analisadas nos acórdãos cotejados, não se configura a divergência jurisprudencial suscitada, motivo pelo qual o recurso não pode ter seguimento quanto ao seu primeiro ponto. Passo a examinar o segundo ponto do recurso. No segundo ponto recursal a recorrente alega que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência administrativa, inclusive já estabelecida em súmula do CARF, ao negar a possibilidade de restituição/compensação de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Indica como paradigmas da divergência os acórdãos cujas ementas estão reproduzidas abaixo: [...] Analisando a questão apresentada e destacada nos acórdãos paradigmas e recorrido, entendo que restou caracterizada a divergência alegada. Os acórdãos paradigmas, entendem que o pagamento a maior ou indevido de estimativas caracteriza indébito na data de seu recolhimento, podendo ser compensado mediante apresentação de DComp. O acórdão recorrido, por outro lado, traz entendimento de que os recolhimentos mensais a título de estimativas não caracterizam pagamento do imposto, a ser apurado com o balanço patrimonial levantado ao final do anocalendário, mas sim meras antecipações. Embora não disponha textualmente sobre a impossibilidade de reconhecimento de indébito de estimativas mensais, o acórdão recorrido aponta nesse sentido ao tratála como meras antecipações e ao fixar a Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 351 7 apuração anual do imposto como marco inicial do prazo prescricional para que o contribuinte possa exercitar seu direito à repetição de indébito, conforme se extrai da conclusão do voto, verbis: [...] Por todo o exposto, opino no sentido de negar seguimento ao recurso com relação à matéria argüida no primeiro ponto, cuja divergência não restou caracterizada, e dar seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face da matéria discutida no segundo ponto do recurso. Em 27/08/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 10/09/2015, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, alegando que o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos, que estão transcritos nas contrarrazões. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 352 8 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) em que utilizou crédito a título de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ referente ao mês de março/2003, para quitar débito do próprio IRPJ, referente ao ajuste anual desse mesmo ano de 2003. A Delegacia de origem não homologou a compensação pleiteada, e essa negativa foi mantida tanto pela decisão de primeira instância administrativa, quanto pela decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido). A controvérsia que chega a essa fase de julgamento do recurso especial diz respeito à possibilidade de compensação de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Essa matéria realmente foi pacificada pelo CARF, inclusive com a edição da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O problema é que a referida súmula não é suficiente para reverter as decisões anteriores. Chamo a atenção para o fato de que a Súmula CARF nº 84 foi aprovada pela 1ª Turma da CSRF na sessão de 10/12/2012, muito antes portanto da sessão em que foi proferido o acórdão recorrido (26/11/2014), e que, mesmo assim, o acórdão recorrido manteve, por unanimidade de votos, a negativa em relação à compensação pleiteada. Esse aspecto já é indicativo de que a controvérsia estabelecida nos presentes autos envolve outras questões, além daquela tratada pela referida súmula. O despacho decisório da Delegacia de origem apresenta de forma bastante detalhada as razões que justificaram a negativa da compensação: RELATÓRIO Trata o presente processo da declaração de compensação eletrônica n.° 14069.37496.120304.1.3.047013, em que houve a utilização do crédito no montante de R$5.764.173,16 (cinco milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, cento e setenta e três reais e dezesseis centavos), referente ao recolhimento de IRPJ do mês de março de 2003 (fls. 1 a 5). O contribuinte foi intimado a esclarecer o que motivou o recolhimento da estimativa de IRPJ a maior, a apresentar demonstrativo de apuração do valor recolhido a maior e do que considerava correto e o Livro Diário (fls. 6 e 7). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 353 9 Em atendimento apresentou os demonstrativos, informou que o valor que considerava recolhido a maior havia sido utilizado para liquidação do saldo de ajuste anual e que o novo cálculo foi decorrente de erro na apuração das estimativas mensais calculadas por meio de sistema informatizado, mas que havia efetuado as correções devidas e preenchido a DIPJ com valores recalculados (fls. 8 a 44). Posteriormente, encaminhou o livro Diário do qual foi extraída cópia (fls. 45 a 69). O pagamento foi confirmado (fl. 87). FUNDAMENTAÇÃO O contribuinte considera que ao pagar R$ 8.126.509,32 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de março de 2003, R$ 5.764.173,16 seriam indevidos (fl. 2) e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário (fl. 4) Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de março era R$ 8.126.509,32 (fl. 71), mas após o encerramento do período a retificou (fl. 70) a fim de reduzilo para R$ 2.362.336,16 (fl. 72), mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 83). De acordo com os demonstrativos encaminhados pelo contribuinte, a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento de balancete, devidamente registrado no Livro Diário (fls. 47 a 69), com apuração do lucro real do período (fls. 30 a 33) e depois com base na receita bruta (fls. 34 e 35): [...] Observase que com a mudança de metodologia o valor do IRPJ apurado foi significativamente reduzido. A legislação permite que o contribuinte obrigado à apuração pelo lucro real o apure somente no dia 31 de dezembro de cada ano, mas deve efetuar recolhimentos mensais com base em estimativas, conforme art. 2° da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: [...] Por sua vez o art. 35 da Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 permite a suspensão ou a redução do pagamento devido em cada mês, desde que fique demonstrado que o valor acumulado já pago excedia o valor do imposto calculado com base no lucro real do período, inclusive o adicional: [...] Comparandose os pagamentos de IRPJ efetuados pelo contribuinte durante o anocalendário de 2003 (fl. 87) com o IRPJ a recolher informado nos demonstrativos (fl. 32/v), verificase que haveria recolhimento a maior somente para os meses de novembro e dezembro de 2003: [...] Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 354 10 De acordo com a anotação feita pelo contribuinte, seriam maiores que o devido R$417.275,10 do mês de novembro e R$ 30.998,23 do mês de dezembro (fl. 32/v). Não por mera coincidência o IRPJ total apurado no demonstrativo, no valor de R$68.118.545,89 é exatamente o valor do IRPJ antes da dedução dos recolhimentos por estimativa (fls. 81 e 82): [...] Ao levantar os balanços para apurar o lucro real do período, o contribuinte foi obtendo o valor correto do IRPJ que deveria ter sido recolhido, motivo pelo qual até os centavos batem, após a exclusão da diferença dos valores de novembro e dezembro. Durante o anocalendário, esses recolhimentos poderiam ser considerados maiores que o devido já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2° da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele que recolheu, não se pode mais falar em recolhimentos a maior. A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente, e o faz de forma correta, fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor do IRPJ pago durante o ano foi exatamente aquele que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos, exceto pelos valores de novembro e dezembro: [...] Tanto que o total do crédito indicado nas declarações de compensação, excluídos os R$ 448.273,33 relativos à diferença de recolhimentos dos meses de novembro e dezembro resulta em R$ 42.395.501,08, mesmo valor do IRPJ a pagar apurado na Ficha 12A da DIPJ/2004: [...] Portanto, não se pode dizer que o pagamento do IRPJ devido por estimativa no mês de março de 2003 foi maior que o devido. Em contrário senso, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele (o IRPJ) não poderia mais ser exigido. Ocorre que, após o encerramento do perÍodo, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 355 11 Esse tipo de procedimento não é inócuo, pois permite a correção do valor que teria sido “recolhido a maior” pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos, numa forma de planejamento tributário. Acrescentese que como o contribuinte efetivamente pagou o IRPJ do anocalendário de 2003, o crédito tributário encontrase extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. A compensação pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário de 2003 já foi extinto por pagamento. CONCLUSÃO Isso posto, submeto à apreciação da Sra. Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária a proposta de que não seja homologada a compensação declarada por ausência de crédito em favor do contribuinte e de crédito tributário em favor da União Federal, condições indispensáveis à compensação. Vêse que a negativa da compensação não foi motivada pelo superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. A negativa foi motivada pelo não reconhecimento do alegado excedente no mês de março/2003, o que é bem diferente. O alegado excedente ficou vinculado ao ajuste anual por uma série de razões que sintetizo a seguir: a contribuinte recolheu durante todo o anocalendário de 2003 exatamente os valores de estimativa que apurou nos balancetes cumulativos, e não houve erro nessa apuração; os balancetes foram registrados no livro Diário, e o valor das estimativas foram declarados em DCTF; no encerramento do período de apuração, os recolhimentos de estimativa deixaram de ser meras antecipações, e passaram a configurar pagamento do IRPJ anual; as estimativas recolhidas foram suficientes para a quitação do IRPJ anual, e ainda geraram um pequeno excedente (saldo negativo); Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 356 12 após o encerramento do período, a contribuinte percebeu que os valores das estimativas seriam menores se elas tivessem sido calculadas com base na receita bruta mensal, em vez de terem sido apuradas com base nos balancetes cumulativos; na DIPJ, a contribuinte registrou estimativas apuradas com base na receita bruta, e retificou as DCTF anteriormente apresentadas, para que essa declaração também indicasse valores de estimativas calculadas com base na receita bruta (que eram menores que os valores das estimativas apuradas com base nos balancetes); é com base nos valores constantes dessas declarações que a contribuinte alega a ocorrência de recolhimento indevido ou a maior de estimativa; por outro lado, ficaram constando na DIPJ valores menores a título de estimativas (estimativas apuradas com base na receita bruta), o que resultou na apuração de saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; o que se tinha em 31/12/2003 era o IRPJ anual quitado, com a formação de um pequeno saldo negativo. Com o procedimento adotado pela contribuinte, passouse a ter excessos mensais nas estimativas, com saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; a contribuinte, então, apresentou declarações de compensação dos alegados excessos mensais de estimativas de 2003 para quitar o IRPJ desse mesmo período apuração; com tal procedimento, a contribuinte pretendeu levar não só as estimativas para o ajuste anual (no seu valor nominal), mas as estimativas acrescidas da Selic, o que não foi admitido. É importante registrar que a Delegacia de origem não concluiu apenas pela inexistência do direito creditório em favor da contribuinte (pagamento indevido ou a maior de estimativa). Ela também apontou a inexistência do débito objeto da compensação (IRPJ/ajuste anual), consignando que esse débito já estava definitivamente quitado pelas estimativas recolhidas ao longo de 2003, com base nos balancetes. A controvérsia neste processo se deu porque a Administração Tributária, desde o início, não reconheceu que houve pagamento indevido ou a maior de estimativa. O que esteve em questão foi o não reconhecimento do direito creditório, e não aquele superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. O litígio se deu sobre a própria comprovação do excesso na estimativa, e não sobre a possibilidade de compensação desse excesso. No curso do processo, a contribuinte procurou demonstrar que ela poderia modificar o valor das estimativas que inicialmente havia apurado e recolhido, que poderia retificar a DCTF para reduzir o valor das estimativas inicialmente declaradas, que o Fisco tinha que realizar um procedimento específico para não aceitar os valores das estimativas informadas na DIPJ e na DCTFretificadora, etc., mas não logrou êxito nesse intento. Nem mesmo conseguiu apresentar um paradigma para que essas questões pudessem ser examinadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 357 13 Isso demandaria a apresentação de um paradigma que não só tratasse da possibilidade de modificação no regime de apuração de estimativas após o encerramento do período de apuração, para fins de caracterização de excedentes mensais num contexto fático semelhante ao que foi acima retratado, mas que também tratasse da possibilidade de computar juros Selic no aproveitamento de estimativa para a quitação de IRPJ do próprio período a que ela se refere, o que não foi feito. Por outro lado, a parte admitida do recurso especial, que trata apenas da possibilidade de compensação/restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (Súmula CARF nº 84) não é suficiente para reverter os fundamentos apontados desde o início para a negativa da compensação, e que foram encampados pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. A controvérsia neste processo se deu porque a Administração Tributária, desde o início, não reconheceu que houve pagamento indevido ou a maior de estimativa. O que esteve em questão foi o não reconhecimento do direito creditório, e não aquele superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. O litígio se deu sobre a própria comprovação do excesso na estimativa, e não sobre a possibilidade de compensação desse excesso. A parte admitida do recurso especial, que trata apenas da possibilidade de compensação/restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (Súmula CARF nº 84) não é suficiente para reverter os fundamentos apontados desde o início para a negativa da compensação, e que foram encampados pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre recorrido e paradigma, para fins de caracterização de divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Uma vez vencido no conhecimento, no mérito o recurso especial não deve ser provido. A contribuinte efetivamente pagou o IRPJ do anocalendário de 2003, o crédito tributário encontrase extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; A compensação pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 358 14 de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário de 2003 já foi extinto por pagamento. Ademais, adoto, como razões de decidir, os demais fundamentos do despacho decisório da Delegacia de origem anteriormente transcrito. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 359 15 Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada Com a devida vênia ao ilustre Relator, ouso divergir no que concerne ao conhecimento e mérito do recurso especial. Para o conhecimento, adoto as razões da Presidente de Câmara, além das razões de mérito a seguir tratadas. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar. Nestes autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação (PERDCOMP), identificando recolhimentos a maior de estimativas mensais do ano de 2003. A compensação foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal em Limeira, em decisão proferida em 08/12/2008 (fls. 94): A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente e o faz de forma correta fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor do IRPJ pago durante o ano foi exatamente aquele que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos, exceto pelos valores de novembro e dezembro: (...) Portanto, não se pode dizer que o pagamento do IRPJ devido por estimativa de fevereiro de 2003 foi maior que a devido. Em contrário senso, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele não poderia mais ser exigido. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 360 16 Ocorre que, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. Notase que a DRF aplicou o entendimento da IN SRF 600/2005 então vigente. Diante disso, entendeu que inexistiria crédito (a compensar) considerando o saldo ao final do período, mas não analisou as estimativas individualmente – cujo recolhimento indevido foi apontado pelo contribuinte. Ressaltese que a opção pelo pagamento de estimativas mensais é manifestada com o pagamento correspondente ao mês de janeiro, nos termos do parágrafo único artigo 222, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo da estimativa mensal é um percentual da receita bruta, nos termos do artigo 223, do RIR/99 e alíquota é definida pelo artigo 228, do mesmo regulamento. O contribuinte pode suspender ou reduzir o pagamento da estimativa, desde que demonstre que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido, por balanços e balancetes mensais, na forma do artigo 230, do RIR/99: Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Como o artigo 230 menciona a suspensão ou redução do pagamento do imposto, o balancete mensal não legitima o aumento do valor da estimativa, considerando a base de cálculo e alíquota definidas por demais dispositivos anteriormente citados. Sobreleva considerar, ainda, que a estimativa mensal não é obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação, pela qual se antecipam pagamentos de IRPJ e da CSLL. A relação entre a estimativa e o fato gerador ao final do ano é confirmada pelo artigo 231, do RIR/99, que estabelece a compensação destas no saldo a pagar ao final do período. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 361 17 Não obstante a relação umbilical entre a obrigação à estimativa e a obrigação de pagamento do saldo ao final do ano, tal fato não altera a base de cálculo da estimativa, como tampouco a possibilidade de retificação de declarações que contenham informações equivocadas. Ressalto que a legislação autoriza a retificação de declarações em caso de erro, como expressamente prescreve o artigo 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Em sentido similar, é o artigo 832, do RIR/99 ao tratar da possibilidade de retificação de declaração de rendimentos na hipótese de erro: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. Sobreleva considerar, outrossim, que não há norma impedindo a retificação de estimativas mensais, em hipótese de erro. A único impedimento, por força da legislação vigente, é para retificação da opção pelo pagamento de estimativas mensais: Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será irretratável para todo o ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º). Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 362 18 § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data do evento, observado o disposto nos §§ 1º a 5º do art. 235 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). § 2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 2º). Nesse panorama, o recolhimento em valor superior ao devido, de acordo com as normas acima citadas, constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação. Acrescento que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal – coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais impedida a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O caso destes autos, no entendimento da maioria deste Colegiado é de aplicação da Súmula CARF 84, assegurandose a análise dos créditos do contribuinte pleiteados nestes autos. Por fim, acrescento como razão de decidir o voto do Conselheiro Marcelo Cuba Neto proferido no acórdão nº 120100.413 (processo administrativo nº 10865.720311/200838), originado também por compensação do contribuinte International Paper do Brasil Ltda: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 363 19 O art. 2º da Lei nº 9.430/96, a seguir transcrito, estabelece que as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual ficam obrigadas a realizar pagamentos mensais por estimativa, calculados a partir da receita bruta e acréscimos, a título de antecipação do imposto devido ao final do período. (...) Ocorre que o art. 35 da Lei nº 8.981/95, adiante transcrito, facultou àqueles contribuintes reduzirem ou suspenderem os referidos pagamentos mensais de IRPJ calculados com base na receita bruta e acréscimos, desde que demonstrem, através de balancetes mensais, que o somatório daqueles pagamentos excede o imposto devido com base no lucro real do período em curso: (...) De ver que em relação à CSLL valem as mesmas regras de apuração ora mencionadas, desde que o contribuinte, como no caso sob exame, tenha optado pela apuração anual do IRPJ. Pois bem, pela análise das normas acima transcritas é possível concluir o seguinte: a) o contribuinte que optar pelo lucro real anual tem a obrigação de realizar pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, cujo montante é calculado com base na receita bruta e acréscimos; b) tal obrigação, entretanto, pode ter seu montante reduzido, ou mesmo ser suspensa, caso o contribuinte demonstre que o somatório das estimativas pagas com base na receita bruta e acréscimos, até determinado mês, excede o valor do IRPJ ou da CSLL devidos com base no lucro real ajustado, calculado até aquele mês. Em outras palavras, a obrigação de pagar a estimativa mensal de IRPJ ou CSLL tem como montante máximo um valor calculado a partir da receita bruta e acréscimos. A apuração do lucro real do período em curso, mediante o levantamento de balancete, tem o condão de reduzir o montante daquela obrigação, ou mesmo suspendêla, mas nunca o de atribuir ao contribuinte obrigação de pagar estimativa de IRPJ ou CSLL em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos. Assim sendo, o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado em montante superior ao legalmente exigido à extinção da obrigação é considerado pagamento maior que o devido, ainda que apurado através de balancetes. No caso sob exame a ora recorrente, optante pelo lucro real anual, levantou balancete mensal e pagou a CSLL devida com base no lucro líquido do período em curso, ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação da contribuição. Posteriormente, percebeu que o montante da CSLL assim calculado e pago era superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos. Assim, em face de tudo o que foi visto acima, e por força do disposto no art. 165 do CTN, combinado com o art. 74, caput, da Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 364 20 Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, concluise que a contribuinte tem direito a compensar a CSLL por estimativa paga a maior. Quanto à possibilidade dessa compensação ser realizada antes de encerrado o período base anual, é de se dizer que a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente em 12/03/2004, data da transmissão da DCOMP sob exame, não o proibia, razão pela qual devese ter por permitida. Por fim, como não estavam em vigor à época da transmissão da referida DCOMP, desnecessário adentrar ao exame da legalidade do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, e do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que passaram a proibir a compensação da estimativa de IRPJ e CSLL paga a maior antes de encerrado o período base anual. Ressaltese ainda que o art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, atualmente em vigor, aboliu tal proibição. Por tais razões, voto por conhecer o recurso especial do contribuinte e darlhe provimento para reformar o acórdão recorrido e, assim, determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito de estimativa mensal pleiteado nestes autos. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.005008/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/01/2007
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
PAGAMENTO DE VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO.
Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado.
Numero da decisão: 3401-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/12/2002 a 31/01/2007 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa. PAGAMENTO DE VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO. Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado.
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LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. PAGAMENTO DE VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO. Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 50 08 /2 00 7- 27 Fl. 98DF CARF MF 2 André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 101, lavrado em 10/12/2007, para exigência de IPI, no valor original de R$ 2.766.063,12, acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%), totalizando R$ 5.258.093,51, por divergência entre valores declarados e escriturados, de 31/12/2002 a 31/01/2007 (datas específicas e valores individualizados às fls. 6, 30 e 31). No Termo de Verificação Fiscal, anexo à autuação (fls. 12 e 13), narrase que: (a) em 2003 e 2004, foram verificados débitos registrados não declarados, em cotejo de DCTF com livros fiscais; e (b) em 2002 (terceiro decêndio de dezembro), 2006 (agosto e dezembro) e 2007 (janeiro), foram verificados valores lançados no Livro de Apuração do IPI mas não oferecidos a tributação em DCTF. Ciente da autuação em 14/02/2007 (fls. 5 e 41), a empresa apresenta Impugnação em 14/01/2008 (fls. 47 a 49), alegando, em síntese, que: (a) ocorreu decadência para o fato gerador de 30/06/2002 (sequer autuado); e (b) o tributo referente aos fatos geradores 31/08/2006 e 31/12/2006 foi recolhido, como se comprova com DARF anexo à peça de defesa (fl. 54). Em 29/08/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 79 a 83), no qual se decide, unanimemente, pela parcial procedência dos lançamentos, unicamente para acolher os pagamentos realizados e comprovados, referentes a fatos geradores de 31/08/2006 e 31/12/2006. Em função do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. Frustrada a tentativa de ciência da decisão de piso por AR (fl. 89), foi afixado Edital (fls. 90/91) em 07/11/2013 (com desafixação em 22/11/2013), não havendo apresentação de recurso voluntário, tendo sido apartada do presente processo a parte referente aos valores mantidos pela DRJ (R$ 594.158,57, mais juros de mora e multa de ofício), conforme Informação Fiscal de fl. 96. Resta ao CARF, assim, somente a apreciação do recurso de ofício interposto, referente aos valores de R$ 1.799.663,55 e R$ 372.241,00, comprovadamente pagos, também acrescidos de juros de mora e multa de ofício. O processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta desde julho de 2017, mas não incluído em pauta pelo excesso de número de processos a julgar. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10660.005008/200727 Acórdão n.º 3401004.010 S3C4T1 Fl. 99 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Não havendo recurso voluntário, em função de revelia, apreciase nestes autos o recurso de ofício, preliminarmente, quanto aos requisitos de admissibilidade. O valor originário exonerado pela DRJ é de R$ 2.171.904,55 (R$ 1.799.663,55 + R$ 372.241,00), a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%). Sobre a interposição de recurso de ofício, assim dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda” (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” (grifo nosso) À época em que foi proferida a decisão de piso (29/08/2013), o Ministro da Fazenda fixava, para efeitos do disposto no artigo 34, I, do Decreto no 70.235/1972, o valor de R$ 1.000.000,00, na Portaria MF no 3/2008. Legítima, assim, em primeira análise, a interposição de recurso de ofício. No entanto, dispõe a Súmula CARF no 103, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, que: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. E, na data de apreciação em segunda instância, já vige o limite fixado na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00. No entanto, somandose o valor exonerado a título de principal (R$ 2.171.904,55), com a multa de ofício, de 75%, certamente se extrapola a alçada de R$ 2.500.000,00, pelo que, mesmo em face da Súmula CARF no 103, deve ser conhecido e analisado o recurso de ofício. Fl. 100DF CARF MF 4 A análise, no entanto, é pouco controversa, visto que a exoneração decorre tão somente de pagamentos comprovados pela instância de piso, sequer havendo discussão jurídica remanescente. Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. Rosaldo Trevisan Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.008004/2008-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003,2004
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003,2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 04 /2 00 8- 20 Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial pretendendo o reconhecimento da inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, em que se compreendeu que a análise dos paradigmas evidenciou que a recorrente logrou demonstrar o dissídio jurisprudencial, apresentando julgados nos quais, ao contrário do acórdão recorrido, afastouse a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): Por meio do acórdão 9101002.349, de 14/06/2016, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 5 4 Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o exConselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 6 5 obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 7 6 CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, como se vê, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável aos débitos de que aqui se trata, aí Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 8 7 incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendose a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1010DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.001073/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
Recurso Voluntário parcialmente conhecido
Numero da decisão: 3301-004.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, negar provimento na parte conhecida, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Recurso Voluntário parcialmente conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, negar provimento na parte conhecida, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Recurso Voluntário parcialmente conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, negar provimento na parte conhecida, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 10 73 /2 00 6- 43 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 315 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 202 a 228) interposto pelo Contribuinte, em 30 de julho de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0824.462 (fls. 126 a 132), de 19 de dezembro de 2012, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou, por unanimidade de votos, parcialmente procedente a Impugnação (fls. 92 a 99) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de impugnação ao Auto de Infração lavrado face o contribuinte em epígrafe, para cobrança de CofinsImportação e PIS/PASEPImportação, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo, no momento da atuação, o montante de R$ 223.387,93 (duzentos e vinte e três mil, trezentos e oitenta e sete reais e noventa e três centavos). Reproduzse a seguir os termos em que foram descritos no Relatório Fiscal os fatos que ensejaram o lançamento: A autuada registrou, entre o período de dezembro de 2004 a abril de 2005, as Declarações de Importação (DI) n. 04/12620981, 05/00345435, 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044. Desembaraçou as respectivas mercadorias sem o recolhimento dos impostos e contribuições, com base no Agravo Instrumental AGTR 60081CE 2005.05.00.000.4911 5a. Região (M.S. Nr. 2004.81.00.0264843, da 2a. Vara do Ceara). Pretendeu, a interessada, imunidade para o Imposto de Importação e o IPI com base no art. 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal, c/c o art. 14 do Código Tributário Nacional e não incidência do PIS/PASEP e da COFINS com base no art. 2o., inciso VII da Lei 10.865/04. Ora vejamos: é incabível a pretensão da autuada de não incidência das contribuições, com base no art. 2o, inciso VII, da Lei 10.865/04, uma vez que a empresa perdeu, em dezembro de 2004, a condição de entidade beneficente de assistência social. A Resolução n° 178 do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de 8.12.2004 (publicada no DOU de 14.12.2004 seção 1), indeferiu à autuada pedido de renovação do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social", informando que a entidade distribuiu parcela de seu patrimônio a outra entidade, o que contraria o requisito previsto no art. 14, inciso I, do Código Tributário Nacional (Lei n ° 5.172/66). Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 316 3 Com relação à não aceitação da imunidade pretendida, esta está justificada e formalizada nos autos de infração lavrados para cobrança dos impostos sobre o comercio exterior (II e IPI). A autuada, inicialmente, não obteve sucesso em seu pleito perante a Justiça, uma vez que a liminar concedida, em parte, condicionou a pretensão dos benefícios requeridos ao atendimento do disposto no art. 14 do CTN e no art. 55 da Lei 8.212/91. Desembaraçou, entretanto, as mercadorias, sem os devidos recolhimentos, por meio do Agravo de Instrumento Nr. 60081CE, que determinou o desembaraço aduaneiro sem o prévio pagamento dos tributos, mas sem prejuízo de seu lançamento posterior. Cientificada do Auto de Infração em 09/10/2006, o contribuinte interpôs impugnação em 07/11/2006, na qual alega em síntese que: é destinatária da regra da imunidade contida no Art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. as condições para o usufruto da imunidade estabelecida pela Constituição Federal deveria advir de lei complementar e não de uma lei ordinária, nos termos do art. 146, II da CF/88. Pelo que não se pode admitir qualquer limitação normativa infraconstitucional que possa comprometer a finalidade dos mandamentos constitucionais. Devendo a entidade submeterse, somente, às condições elencadas no art. 14 do Código Tributário Nacional. a alegação de que a entidade não poderia gozar da referida imunidade, em virtude de ter seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferido por meio da Resolução 178/2004, não pode prosperar, pois a decisão do Conselho Nacional de Assistência Social não se tornou definitiva, em razão de recurso administrativo apresentado contra o mencionado ato. possui direito adquirido face a sua constituição ter se dado anteriormente ao DecretoLei 1.577/77, o que desampara os fundamentos do Auto de Infração. Requer ao fim que sejam acolhidos seus argumentos e que seja declarado improcedente o lançamento. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, para que seja reformada a referida decisão afastando a multa de ofício aplicada e reconhecer o direito a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", art. 195, §7º da Constituição Federal, c/c o art. 14 do Código Tributário Nacional. Houve ainda, a juntada de dois Requerimentos do Contribuinte (fls 268 a 271 e 304 a 306), em 22 de setembro de 2014 e 22 de outubro de 2015, visando a suspensão da exigibilidade do Processo nº 11131001.073/200643 na consulta fiscal da empresa, uma vez que considera que os débitos estão integralmente garantidos pelos depósitos já realizados. É o relatório. Voto Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 317 4 Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0824.462, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado, em, por unanimidade de votos, conhecer PARCIALMENTE A IMPUGNAÇÃO para: I – DECLARAR DEFINITIVO, na esfera administrativa, o crédito tributário referente ao valor principal de R$ 110.541,04 (cento e dez mil, quinhentos e quarenta e um reais e quatro centavos) e os respectivos juros de mora, montante que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial nº 2005.05.00.000.4911; II – considerar PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO referente à multa de 75%, prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, matéria não apreciada pelo Judiciário, para MANTER R$ 35.203,52 (trinta e cinco mil, duzentos e três reais e cinquenta e dois centavos), referente às DI nº 04/12620981 e 05/00345435 e EXONERAR R$ 47.702,28 (quarenta e sete mil, setecentos e dois reais e vinte e oito centavos) referente às DI nº 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial, perdendo automaticamente a validade e eficácia, acaso se torne incompatível com aquela decisão. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 318 5 O ora analisado Recurso Voluntário visa a reforma do referido Acórdão para exonerar o valor mantido referente as declarações de importação números 04/12620981 e 05/00345435, afastando a multa de ofício e reconhecendo o direito alegado à imunidade tributária de acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "c", art. 195, §7º da Constituição Federal, c/c o art. 14 do Código Tributário Nacional. O Contribuinte, ao juntar o primeiro dos Requerimentos, em 22 de setembro de 2014, traz o seguinte (fl. 271): Vale salientar que o presente requerimento tem por finalidade levar ao conhecimento da Receita Federal que os créditos tributários oriundos das exações incidentes nas Declarações de Importação discutidas no Mandado de Segurança em questão, encontramse suspensos por força dos depósitos judiciais realizados não sendo devida a imposição de óbice de qualquer natureza à emissão de Certidão Conjunta da Fundação Edson Queiroz, ora requerente. Diante de todo o exposto, a Fundação Edson Queiroz requer que V. Sa. se digne em suspender a exigibilidade do Processo nº 11131.001.073/200643 na consulta fiscal da empresa, considerando que os débitos estão integralmente garantidos pelos depósitos judiciais realizados, aqui comprovados, de modo a não representarem mais qualquer óbice à emissão de sua Certidão. Já o segundo Requerimento juntado, de 22 de outubro de 2015, o Contribuinte conclui da seguinte forma (fl. 306): Diante de todo o exposto, a Fundação Edson Queiroz requer que V. Sa. se digne em suspender a exigibilidade do Processo de nº 11131.001.073/200643 na consulta fiscal da empresa, considerando que os débitos estão integralmente garantidos pelos depósitos judiciais realizados, bem como considerando a existência de discussão administrativa ainda em andamento, o que configura a suspensão da exigibilidade dos débitos por força da aplicação do art. 151, inciso II e III do Código Tributário Nacional, de modo a não haver óbice à emissão de sua certidão. O Acórdão ora recorrido utilizou, como fundamento de seu voto, o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 0824.299 da 5ª Turma da DRJ/FOR, do processo nº 11131.001074/200698, de 28 de novembro de 2012. Conforme se verifica, o Acórdão ora recorrido entendeu por conhecer da Impugnação de forma parcial, que, a princípio, declarou definitivo, na esfera administrativa, o crédito tributário referente ao valor principal de R$ 110.541,04 e os respectivos juros de mora, sendo esses valores subordinados ao que for decidido no processo judicial nº 2005.05.00.000.4911; e considerou procedente em parte o lançamento referente à multa de 75% (matéria não apreciada pelo judiciário), para manter os R$ 35.203,52 referente às DI nº 04/12620981 e nº 05/00345435 e exonerar os R$ 47.702,28 referente às DI nº 05/00395742, nº 05/02288803 e nº 05/03551044, ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial supra citado. Sendo assim, o Contribuinte visa que seja cancelada a aplicação da multa de ofício referente as duas DIs já citadas, afastando a cobrança que foi confirmada pelo ora recorrido Acórdão com os seguintes fundamentos (fls. 131 e 132): Assim, no presente caso, no que concerne ao lançamento da parcela principal do crédito tributário constituído, equivalente aos tributos, submetida à apreciação do Poder Judiciário, incumbe à autoridade julgadora a observância do disposto na alínea “c”, do referenciado ADN Cosit nº 3/96, para, em não conhecendo da Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 319 6 impugnação, declarar a definitividade das exigências formalizadas por meio dos autos de infração integrantes deste processo. No entanto, nos termos do parágrafo único, do art. 87, do Decreto nº 7.574/11, a análise deve ter continuidade no que se refere ao lançamento da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96. Estabelece o art. 63, da mesma Lei nº 9.430/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 19662, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. [...] No plano infralegal, a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nº 17, que, de acordo com a Portaria MF nº 383, de 12/07/10, possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, estabelece: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Verificase que a juíza federal deferiu o pedido de liminar relacionado ao Mandado de Segurança nº 2004.81.00.264843 no dia 12/01/05, conforme fls. 73/74, após, portanto, o registro das DI nº 04/12620981 e 05/00345435 que ocorreram, respectivamente nos dias 09/12/04 e 11/01/05, de modo que, quanto a estas DI, o lançamento da multa de ofício é procedente, com base no art. 7º, inc. III, do Decreto nº 70.235/723 c/c o art. 63, da Lei nº 9.430/96 e, ainda, de acordo com a Súmula CARF nº 17, acima copiados. No entanto, em relação às DI nº 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044 registradas, respectivamente, em 12/01/05, 07/03/05 e 07/04/05, quando a fundação já se encontrava amparada por medida judicial, não se pode afirmar o mesmo, devendo, pois, ser exonerada a parcela da multa de 75% relacionada a estas últimas DI, com base nos mesmos dispositivos citados. A questão primeira que se coloca é referente a existência ou não da concomitância entre a esfera judicial e administrativa. A decisão ora recorrida entendeu que há concomitância parcial. Cito o voto do ora recorrido acórdão para bem ilustrar a questão (fls. 128 e seguintes): Voto Da admissibilidade A impugnação é tempestiva, atende aos requisitos de admissibilidade e dela tomo conhecimento parcial para analisar as razões trazidas pelo impugnante. Da renúncia parcial às instâncias administrativas Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 320 7 De acordo com o Relatório Fiscal, a autuada ajuizou ação com o propósito de obter a dispensa da obrigação de recolhimentos dos tributos relativos às operações de importação abrangidas pelas DI de números 04/12620981, 05/00345435, 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, quando liminarmente logrou êxito em desembaraçar as mercadorias sem o recolhimentos dos tributos com amparo no Agravo Instrumental AGTR 60081CE 2005.05.00.000.4911 5a. Região (M.S. Nr. 2004.81.00.0264843, da 2a. Vara do Ceará. Além da constituição do CofinsImportação e do PIS/PASEPImportação, incidiu também sobre as operações em análise o lançamento do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação (IPIv) que, em situação análoga, originou o processo administrativo fiscal de número 11131.001074/200698, recentemente apreciado por este turma, no qual restou vencedor o voto apresentado pela julgadora Marli Gomes Barbosa que reproduzse a seguir, pela pertinência em relação à presente lide: Conforme relatado, antes mesmo da constituição dos presentes autos de infração, o interessado solicitou junto ao Poder Judiciário, no Agravo Instrumental AGTR 60081CE 2005.05.00.000.4911 5a. Região (M.S. no 2004.81.00.0264843,da 2a. Vara do Ceará), o desembaraço das mercadorias relacionadas à DI no 04/12620981 e às faturas comerciais: 002001SP, 7928Q1, B001004,FS0344 e 130504P, defendendo que as mesmas não poderiam ser objeto de nenhuma tributação face à alegada imunidade que lhe seria outorgada pelo art. 150, inc. VI, alínea “c” da Constituição Federal. Diante da dúvida se as referidas faturas comerciais guardariam alguma relação com as demais DI objeto do auto de infração, o processo foi submetido para manifestação da unidade preparadora. Na Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Fortaleza, conforme despacho de fls. 141/142, foram desarquivados os envelopes com os documentos que instruíram as DI no 05/00345435, 05/00395742,05/02288803 e 05/03551044, constatando, a autoridade aduaneira responsável pela análise, que a decisão judicial em questão também amparava estas DI: “Concluindo, observase que a decisão judicial em questão autorizou o desembaraço das DI ́s n.o 05/00345435, 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, fazendo referência as faturas proformas e não pela numeração das faturas comerciais.” Retomando à análise das peças judiciais verificase que, no que concerne ao lançamento da parcela principal do crédito tributário constituído, equivalente aos tributos (II e IPIv), há identidade entre o objeto tratado na via judicial e o que é discutido no presente processo administrativo, como demonstram, a título de exemplo, os excertos abaixo das decisões: Fls. 65/66 e 68: No caso, alegando ser entidade educacional e de assistência social, a impetrante impugna a exigência à sua pessoa de pagamento de IPI, II, PIS e COFINS relativamente às importações que efetua de bens destinados ao cumprimento de suas finalidades estatutárias sob alegação da imunidade descrita no art. 150 e 195 da Constituição Federal de 1988. Por sua vez, a autoridade impetrada nega o pedido de liberação das mercadorias importadas pela impetrante sob alegativa de que a imunidade de que trata o art. 150, inciso VI, da referida Carta, “não abrange os impostos do comércio exterior” e, em relação ao PIS e à COFINS, de que devem ser atendidos os requisitos dos arts. 139 e 210 do regulamento vigente, Ato Declaratório Normativo Cosit no 3, de 14 de fevereiro daquele Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 321 8 ano (DOU 15/02/96), que assim dispõe: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou a desistência de eventual recurso interposto. b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex. aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.). c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN. d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando sede fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN. e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). [Destaquei]. Assim, no presente caso, no que concerne ao lançamento da parcela principal do crédito tributário constituído, equivalente aos tributos, submetida à apreciação do Poder Judiciário, incumbe à autoridade julgadora a observância do disposto na alínea “c”, do referenciado ADN Cosit no 3/96, para, em não conhecendo da impugnação, declarar a definitividade das exigências formalizadas por meio dos autos de infração integrantes deste processo. No entanto, nos termos do parágrafo único, do art. 87, do Decreto no 7.574/11, a análise deve ter continuidade no que se refere ao lançamento da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei no 9.430/96. Estabelece o art. 63, da mesma Lei no 9.430/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 19662, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. [...] No plano infralegal, a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) no 17, que, de acordo com a Portaria MF no 383, de 12/07/10, possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, estabelece: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 322 9 prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Verificase que a juíza federal deferiu o pedido de liminar relacionado ao Mandado de Segurança no 2004.81.00.264843 no dia 12/01/05, conforme fls. 73/74, após, portanto, o registro das DI no 04/12620981 e 05/00345435 que ocorreram, respectivamente nos dias 09/12/04 e 11/01/05, de modo que, quanto a estas DI, o lançamento da multa de ofício é procedente, com base no art. 7o, inc. III, do Decreto no 70.235/723 c/c o art. 63, da Lei no 9.430/96 e, ainda, de acordo com a Súmula CARF no 17, acima copiados. No entanto, em relação às DI no 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044 registradas, respectivamente, em 12/01/05, 07/03/05 e 07/04/05, quando a fundação já se encontrava amparada por medida judicial, não se pode afirmar o mesmo, devendo, pois, ser exonerada a parcela da multa de 75% relacionada a estas últimas DI, com base nos mesmos dispositivos citados. Verificada a similaridade de circunstâncias, sem ocorrência de qualquer fator superveniente que justifique a proposição de solução divergente do que foi decidido de acordo com o voto transcrito, proponho: I DECLARAR DEFINITIVO, na esfera administrativa, o crédito tributário referente ao valor principal de R$ 110.541,04 (cento e dez mil, quinhentos e quarenta e um reais e quatro centavos) e os respectivos juros de mora, montante que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial no 2005.05.00.000.4911; II considerar PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO referente à multa de 75%, prevista no art. 44, inc. I, da Lei no 9.430, de 27/12/96, matéria não apreciada pelo Judiciário, para MANTER R$ 35.203,52 (trinta e cinco mil, duzentos e três reais e cinquenta e dois centavos), referente às DI no 04/12620981 e 05/00345435 e EXONERAR R$ 47.702,28 (quarenta e sete mil, setecentos e dois reais e vinte e oito centavos) referente às DI no 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial, perdendo automaticamente a validade e eficácia, acaso se torne incompatível com aquela decisão. Conclusão Ante o exposto, voto julgar procedente em parte a impugnação, não conhecer do que dela verificouse renúncia às instâncias administrativas, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido Desta forma, de acordo com a decisão ora recorrida entendeuse pela concomitância parcial exonerando a parcela da multa de 75% referentes às DI 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044 registradas, respectivamente, em 12/01/05, 07/03/05 e 07/04/05, quando o Contribuinte já se encontrava amparado por medida judicial. Na decisão ora recorrida entendeuse que é procedente o lançamento de multa de ofício referente às DI 04/12620981 e 05/00345435, respectivamente de 09/12/04 e 11/01/05, pois não foram alcançadas pelo Mandado de Segurança n º 2004.81.00.264843, visto que este é de 12/01/05, após, portanto, o registro das DI. Assim, entendese correta a posição da DRJ pela concomitância parcial quanto às multas de ofício. Assim, de acordo com a exoneração das três DI e mantendo a multa de ofício para prevenir a decadência referente às DI 04/12620981 e 05/00345435, visto que as mesmas não foram alcançadas pelo Mandado de Segurança interposto posteriormente ao registro das referidas DI. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 323 10 No que tange a matéria principal envolvendo a questão da alegada imunidade do Contribuinte com base no art. 150, VI, c, da Constituição Federal e os requisitos previstos no art. 14 do Código Tributário Nacional, sustentada tanto no Recurso Voluntário, quanto nas medidas judiciais, entendese que há concomitância total. Corrobora com essa constatação a própria decisão ora recorrida quando afirma: " (...) ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial, perdendo automaticamente a validade e eficácia, acaso se torne incompatível com aquela decisão". Portanto, de acordo com os autos do processo e a legislação vigente, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Da parte conhecida nego provimento quanto à multa de ofício, mantendo integralmente a decisão ora recorrida, da parte não conhecida voto pela concomitância total da matéria entre a esfera judicial e administrativa no que tange a alegada imunidade. Valcir Gassen Relator Fl. 330DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900675/2008-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL.
Vislumbrando-se erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório.
Numero da decisão: 9101-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negar-lhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL. Vislumbrandose erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negarlhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 06 75 /2 00 8- 87 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, indeferido porque “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O recurso voluntário foi julgado pela Turma a quo, que o acolheu em parte, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Os autos foram encaminhados à Procuradoria, que interpôs recurso especial, por divergência na interpretação da lei tributária a respeito de dois temas: (i) A possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Indica como paradigmas os acórdãos nº 10708.989, no qual se decidiu que “Os pagamentos de estimativa não são, por si só, passíveis de restituição” e 110200.291, do qual se extrai: “Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida”. (ii) A possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório, constando como paradigma o acórdão nº 180200.153, no qual se decidiu: “a rigor, a retificação da PER/DCOMP apresentada pela recorrente em 13/07/2005 (fl. 52) de fato não deveria ser aceita, já que a contribuinte fora notificada do Despacho Decisório em 23/06/2005”. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, conforme despacho do qual se extrai: (...) Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 4 3 estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, uma vez comprovado o indébito. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. O contribuinte foi intimado, apresentando contrarrazões, nas quais requer (i) o não conhecimento do recurso especial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas; (ii) no mérito a manutenção do acórdão recorrido pelos seus fundamentos. Diante da omissão no primeiro despacho de admissibilidade do recurso especial quanto à segunda matéria, foi proferido despacho complementar, admitindo o recurso especial também quanto ao tema, com fundamento nas seguintes razões: (...) Em resumo temos que: a) a contribuinte apresentou PER/DCOMP apontando como direito creditório PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA; b) na DIPJ, não informou qualquer valor correspondente a saldo negativo; e c) em sede de defesa, promovendo a retificação da DIPJ anteriormente apresentada, pretendeu alterar a natureza do direito creditório antes indicado, de PAGAMENTO INDEVIDO para SALDO NEGATIVO, alterando com isso as informações registradas na DCOMP. O acórdão recorrido, embora não tenha homologado a compensação pleiteada, acolheu o pedido da contribuinte, determinando que a unidade de origem aprecie a liquidez e certeza do saldo negativo indicado na DIPJ retificadora. O acórdão paradigma, por sua vez, apesar de enfrentar circunstâncias fáticas distintas da apreciada pela decisão recorrida, no contexto estritamente jurídico, cuidou de analisar a possibilidade, ou não, de se retificar uma declaração de compensação após ter sido proferida decisão quanto à que foi retificada, e, neste particular, colide com o entendimento esposado no acórdão nº 1.80100.899, eis que, diferentemente desse, além de apontar óbice normativo à pretensão da contribuinte de retificar declaração após a emissão de despacho decisório, entendeu que não encontravamse reunidos nos autos elementos capazes de comprovar a liquidez e certeza do crédito indicado na peça de defesa. O acórdão recorrido, além de não levar em conta a retificação da declaração promovida após a emissão do despacho decisório, determinou que a unidade de jurisdição promovesse Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 5 4 averiguações necessárias à comprovação da liquidez e certeza do crédito apontado em sede de defesa. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retroexpostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. O contribuinte foi intimado quanto ao despacho complementar de admissibilidade do recurso especial, apresentando contrarrazões, pleiteando o não conhecimento do recurso, por falta de similitude fática e, no mérito, sejalhe negado provimento. Nesta oportunidade, o contribuinte apresenta laudo pericial contábil para corroborar suas razões. É o relatório. Voto Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.184, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900733/200872. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.184): O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, conforme decisão do Presidente de Câmara que adoto. Não obstante isso, não conheço do recurso especial quanto ao primeiro tema (possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais), conforme razões a seguir. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação (PER/DCOMP), informando recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal no ano de 2002 (código 2362: IRPJ – PJ obrigadas ao lucro real entidades não financeiras – estimativa mensal). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento confirmou o indeferimento da compensação por duas razões: (a) a pessoa jurídica somente poderia utilizar o pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para dedução do IRPJ ao final do ano calendário e (b) seria vedada a retificação da DCOMP após a decisão da DRF. Em sentido contrário, entendeu a Turma Especial deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, admitindo a restituição do recolhimento indevido ou a maior de estimativa, diante da IN RFB 900/2008, afastando a restrição da IN SRF 600/2005. Ademais, admitiu a retificação de declarações, concluindo por determinar à unidade de origem que analise o crédito tributário. Destaquese trechos do voto condutor nesse sentido: Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. (...) A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de IRPJ, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. (...) Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 7 6 Com efeito, o recolhimento de estimativa mensal em valor superior ao devido constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação. Tanto assim que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais vedada a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015) prescreve que não é cabível recurso especial contra decisão que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que aprovada posteriormente à data da interposição do recurso: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da q que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A Turma a quo aplicou o entendimento da atual Súmula CARF 84, razão pela qual voto pelo não conhecimento do primeiro tema do recurso especial (possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais). Passo à análise do segundo tema (possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório da DRF). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 8 7 O contribuinte sustenta a ausência de similitude fática com o acórdão paradigma (nº 180200.153, processo administrativo nº 10280.001604/200541). O acórdão paradigma trata do seguinte quadro fático, descrito em seu relatório: Versam o autos sobre pedido de compensação efetivado pela recorrente por meio da PER/DCOMP encartada às folhas 2 a 6, na qual a recorrente indicou crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ respeitante ao ano calendário 1999 e a imposto de renda retido na fonte — IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, e débito a ser compensado atinente à COFINS não cumulativa (5856) de janeiro de 2004. (...) Referida PER/DCOMP não foi homologada nos termos do Parecer SEORT/DRF/BEL n°. 240/2005 e consequente Despacho Decisório de folhas 25 e 26 respectivamente, assentandose, que conforme documento de folha 14, a recorrente optara, no ano calendário de 1999 pelo lucro real, com apuração anual do IRPJ, e tal sistemática impunha recolhimentos mensais com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, ocorrendo, que o documento de folha 16 demonstrava que a recorrente não efetuou recolhimentos mensais de IRPJ, de modo que, saldo negativo do mencionado imposto, se houvesse, poderia ser decorrente de imposto de renda retido na fonte não utilizado para dedução na DIPJ. Com maior razão, na DCOMP a recorrente teria informado que o saldo negativo foi originado por retenções da fonte pagadora de CNPJ n°. 35.592.510/000154 (Companhia Vale do Rio Doce) sobre aplicações de renda fixa, e, em pesquisa efetuada na DIRF de folhas 21 a 23, com doze declarações, não se constatou nenhuma entregue pela referida fonte pagadora, não homologandose, por conseguinte a compensação Notificada do Despacho Decisório mencionado, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 30 32), alegando em resumo, que o Despacho Decisório levou em consideração informações prestadas equivocadamente na DCOMP quanto ao período de apuração das retenções do imposto de renda, e, verificado o equívoco teria protocolado via internet, em 13/07/2005, PER/DCOMP retificadora (fls. 52 57 e 75 80), constando como período de apuração o exercício de 2001 (AC 2000) e não mais o exercício de 2000 (AC 1999), o que no entender da recorrente permitiria a constatação das retenções do imposto de renda sobre aplicações de renda fixa, requerendo fosse homologada a compensação. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma Julgadora do acórdão paradigma (nº 180200.153) pela impossibilidade de retificação da DCOMP: A discussão ventilada nos autos circunscrevese, inicialmente, à possibilidade de se retificar uma declaração de compensação após proferida decisão administrativa quanto à declaração retificada. (...) Como se pode extrair do teor da Instrução Normativa acima referenciada, conteúdo que ainda vigora no seio da IN SRF Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 9 8 900/08, a rigor a retificação da PER/DCOMP apresentada pela recorrente em 13/07/2005 (fl. 52) de fato não deveria ser aceita, já que a contribuinte fora notificada do Despacho Decisório em 23/06/2005. Tal fato, por si só, ao meu sentir já inviabiliza o provimento do Recurso Voluntário já que mérito das alegações da recorrente é no sentido de demonstrar que indicou equivocadamente o ano calendário 1999 (EX 2000) como sendo aquele em se apurou o Imposto de Renda Retido pela fonte pagadora de CNPJ n°. 33.592.510/000154 passível de restituição/compensação, sendo certo que a DCOMP Retificadora apresentada corrigiu o erro material ao indicar como correto o ano calendário 2000. A despeito de algumas particularidades em cada um dos casos, entendo que há similitude fática, na medida em que ambos os acórdãos apreciaram a possibilidade jurídica de retificação de DCOMP, como também entendeu a Presidente de Câmara. Assim, voto pelo conhecimento do recurso especial quanto ao segundo tema, rejeitando o pedido de não conhecimento formulado pelo contribuinte. Passo à análise do mérito deste segundo tema. O contribuinte sustentou ao longo do processo que cometeu equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ, pela ausência de identificação das estimativas mensais pagas, a despeito de constarem na Ficha 11A. Ademais, houve equívoco na identificação da DCOMP como estimativas mensais, quando deveria pleitear o saldo negativo do mesmo ano. Os erros foram reconhecidos pela Turma a quo, como acima referido. Ao dispor sobre lançamento tributário, o Código Tributário Nacional menciona a possibilidade de retificação de declarações na hipótese de erro, verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. A ressalva do § 1º é de que só poderá ser retificada a declaração, por iniciativa do contribuinte para reduzir ou excluir tributo, com a comprovação do erro e antes da notificação de lançamento. Possivelmente inspirado por tal disposição legal, a IN RFB 900 vigente ao tempo do despacho decisório previa a possibilidade de retificação da PER/DCOMP na hipótese de inexatidões materiais: Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 10 9 Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0 Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. A mesma IN RFB 900/2008, em seu artigo 95, definia limite temporal para a retificação: Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. A IN 460, portanto, limitava a retificação da DCOMP até o momento da decisão da DRF. Esse foi um dos fundamentos da DRJ para negar a compensação pleiteada nos autos, pois entendeu que não seria possível a retificação da DCOMP depois da decisão da DRF. A atual IN RFB 1717/2017 tem dispositivos em sentido semelhante, verbis: Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 108. A retificação da declaração de compensação gerada por meio do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do documento. A IN RFB 1717/2017 reproduz a limitação temporal para retificação da DCOMP: Art. 115. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto neste Capítulo, a declaração de compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso, em relação ao qual o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado do despacho decisório proferido pelo Auditor Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 11 10 Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. De toda forma, alinhome à interpretação menos restritiva a respeito da possibilidade de retificação da DCOMP. Até porque não há lei limitando temporalmente a retificação de DCOMP na qual se verifique erro material evidente, sendo, portanto, admissível a sua correção na forma do artigo 147, do CTN. Diante dos erros materiais evidentes, voto pela manutenção do acórdão recorrido, negando provimento ao recurso especial quanto ao segundo tema. Conclusão Por tais razões, não conheço o recurso especial quanto ao primeiro tema e nego provimento ao recurso quanto ao segundo tema, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Ainda conheço do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negolhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.007009/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1202-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento.
documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
RELATÓRIO
Como se pode constatar no relatório resumido da autoridade julgadora de primeira instância, foi solicitada a RMF (fls. 21 a 42), a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte.
Trata-se de processo administrativo fiscal relativo a auto de infração e imposição de multa levado a efeito em decorrência da ação fiscal deflagrada contra a Recorrente.
O referido lançamento contemplas exigências relativas a (i) IRPJ; (ii) CSLL; (iii) PIS; e (iv) COFINS, supostamente devidos nos anos-calendários de 2004 e 2005, relativos a supostas receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da receita obtida pela prestação de serviços que correspondem a atividade econômica da empresa (desenvolvimento de programas de computador).
Referido lançamento foi apurado de acordo com o lucro arbitrado uma vez que os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL.
A Recorrente apresentou impugnação tempestivamente, pleiteando o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que (i) a autoridade lançadora violou os termos da Constituição Federal, quebrando o seu sigilo bancário sem autorização judicial; (ii) erro na apuração da base de calculo, porquanto a base de calculo não corresponde a faturamento, e muito menos a lucro; (iii) desqualificação da multa de ofício, pois não foi comprovada a pratica de conduta dolosa; e (iv) produção de prova pericial, a fim de comprovar a inaplicabilidade do arbitramento.
A autoridade julgadora de origem manteve o lançamento tributário, refutando os argumentos dispensados pela Recorrente conforme a ementa abaixo:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004, 2005
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, - tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE.
É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
SIGILO BANCÁRIO
Os agentes do Fisco .podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei.
PERÍCIA.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem i conhecimentos especializados pára o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações.
Lançamento Procedente.
Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual pleiteia a reforma da decisão acima ementada, alegando a (i) competência dos órgãos administrativos para apreciar arguições de inconstitucionalidade; (ii) cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da produção de prova pericial; (iii) da quebra ilegal do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; (iv) erro na apuração da base de calculo em razão da aplicação do arbitramento; e (v) desqualificação da multa de ofício ante a não comprovação da prática de conduta dolosa.
Nome do relator: Não se aplica
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O referido lançamento contemplas exigências relativas a (i) IRPJ; (ii) CSLL; (iii) PIS; e (iv) COFINS, supostamente devidos nos anos-calendários de 2004 e 2005, relativos a supostas receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da receita obtida pela prestação de serviços que correspondem a atividade econômica da empresa (desenvolvimento de programas de computador). Referido lançamento foi apurado de acordo com o lucro arbitrado uma vez que os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL. A Recorrente apresentou impugnação tempestivamente, pleiteando o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que (i) a autoridade lançadora violou os termos da Constituição Federal, quebrando o seu sigilo bancário sem autorização judicial; (ii) erro na apuração da base de calculo, porquanto a base de calculo não corresponde a faturamento, e muito menos a lucro; (iii) desqualificação da multa de ofício, pois não foi comprovada a pratica de conduta dolosa; e (iv) produção de prova pericial, a fim de comprovar a inaplicabilidade do arbitramento. A autoridade julgadora de origem manteve o lançamento tributário, refutando os argumentos dispensados pela Recorrente conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, - tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco .podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem i conhecimentos especializados pára o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações. Lançamento Procedente. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual pleiteia a reforma da decisão acima ementada, alegando a (i) competência dos órgãos administrativos para apreciar arguições de inconstitucionalidade; (ii) cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da produção de prova pericial; (iii) da quebra ilegal do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; (iv) erro na apuração da base de calculo em razão da aplicação do arbitramento; e (v) desqualificação da multa de ofício ante a não comprovação da prática de conduta dolosa.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento. documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Como se pode constatar no relatório resumido da autoridade julgadora de primeira instância, foi solicitada a RMF (fls. 21 a 42), a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte. Tratase de processo administrativo fiscal relativo a auto de infração e imposição de multa levado a efeito em decorrência da ação fiscal deflagrada contra a Recorrente. O referido lançamento contemplas exigências relativas a (i) IRPJ; (ii) CSLL; (iii) PIS; e (iv) COFINS, supostamente devidos nos anoscalendários de 2004 e 2005, relativos a supostas receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 00 9/ 20 08 -1 3 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 9 2 receita obtida pela prestação de serviços que correspondem a atividade econômica da empresa (desenvolvimento de programas de computador). Referido lançamento foi apurado de acordo com o lucro arbitrado uma vez que “os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro – CSLL”. A Recorrente apresentou impugnação tempestivamente, pleiteando o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que (i) a autoridade lançadora violou os termos da Constituição Federal, quebrando o seu sigilo bancário sem autorização judicial; (ii) erro na apuração da base de calculo, “porquanto a base de calculo não corresponde a faturamento, e muito menos a lucro”; (iii) desqualificação da multa de ofício, pois não foi comprovada a pratica de conduta dolosa; e (iv) produção de prova pericial, a fim de comprovar a inaplicabilidade do arbitramento. A autoridade julgadora de origem manteve o lançamento tributário, refutando os argumentos dispensados pela Recorrente conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 10 3 SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco .podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem i conhecimentos especializados pára o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Lançamento Procedente. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual pleiteia a reforma da decisão acima ementada, alegando a (i) competência dos órgãos administrativos para apreciar arguições de inconstitucionalidade; (ii) cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da produção de prova pericial; (iii) da quebra ilegal do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; (iv) erro na apuração da base de calculo em razão da aplicação do arbitramento; e (v) desqualificação da multa de ofício ante a não comprovação da prática de conduta dolosa. VOTO À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 11 4 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme relato seguinte. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 12 5 Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 13 6 O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 14 7 uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela verificação de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf (RICARF). Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 15 8 Diante de todo o exposto, propõese o sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. (assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1054DF CARF MF
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