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Numero do processo: 10830.904021/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.540
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 04 02 1/ 20 11 -4 8 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.904021/201148 Resolução nº 3301000.540 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.424. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.904021/201148 Resolução nº 3301000.540 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.904021/201148 Resolução nº 3301000.540 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.904021/201148 Resolução nº 3301000.540 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.722741/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Constatada regularidade na ação fiscal, inclusive na identificação do sujeito passivo, dos responsáveis e no procedimento que levou ao arbitramento dos lucros, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS - CABIMENTO.
Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal.
LUCRO ARBITRADO. DESPESAS.
Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - EFEITO CONFISCATÓRIO.
Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Quando não restar devidamente comprovado a prática dos atos descritos nos dispositivos relativos qualificação da penalidade, deve-se reduzir multa de ofício de 150% para 75%.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE.
Não se admite responsabilizar solidariamente sócio-gerente ou terceiro pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias, quando não restar devidamente comprovado nos autos a prática dos atos previstos nos dispositivos relativos a matéria.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1402-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e ii) por voto de qualidade quanto à preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor nessa questão. Por maioria de votos, ratificar a decisão de primeira instância quanto à intempestividade da impugnação apresentada pelo coobrigado Manoel Teodoro dos Santos Martins e não conhecer do mérito do recurso voluntário por ele apresentado. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por excluir de ofício esse coobrigado da relação jurídico-tributária.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Constatada regularidade na ação fiscal, inclusive na identificação do sujeito passivo, dos responsáveis e no procedimento que levou ao arbitramento dos lucros, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS - CABIMENTO. Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. DESPESAS. Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - EFEITO CONFISCATÓRIO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Quando não restar devidamente comprovado a prática dos atos descritos nos dispositivos relativos qualificação da penalidade, deve-se reduzir multa de ofício de 150% para 75%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE. Não se admite responsabilizar solidariamente sócio-gerente ou terceiro pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias, quando não restar devidamente comprovado nos autos a prática dos atos previstos nos dispositivos relativos a matéria. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e ii) por voto de qualidade quanto à preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor nessa questão. Por maioria de votos, ratificar a decisão de primeira instância quanto à intempestividade da impugnação apresentada pelo coobrigado Manoel Teodoro dos Santos Martins e não conhecer do mérito do recurso voluntário por ele apresentado. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por excluir de ofício esse coobrigado da relação jurídico-tributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2084; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 8.686 1 8.685 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.722741/201424 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.785 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrentes GHF COMERCIO INTERNACIONAL TRADING LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Constatada regularidade na ação fiscal, inclusive na identificação do sujeito passivo, dos responsáveis e no procedimento que levou ao arbitramento dos lucros, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS CABIMENTO. Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. DESPESAS. Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFEITO CONFISCATÓRIO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Quando não restar devidamente comprovado a prática dos atos descritos nos dispositivos relativos qualificação da penalidade, devese reduzir multa de ofício de 150% para 75%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE. Não se admite responsabilizar solidariamente sóciogerente ou terceiro pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias, quando não restar devidamente comprovado nos autos a prática dos atos previstos nos dispositivos relativos a matéria. TRIBUTAÇÃO REFLEXA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 27 41 /2 01 4- 24 Fl. 8687DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.687 2 Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e ii) por voto de qualidade quanto à preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor nessa questão. Por maioria de votos, ratificar a decisão de primeira instância quanto à intempestividade da impugnação apresentada pelo coobrigado Manoel Teodoro dos Santos Martins e não conhecer do mérito do recurso voluntário por ele apresentado. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por excluir de ofício esse coobrigado da relação jurídicotributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Presidente. Fl. 8688DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.688 3 Relatório Tratamse de Recursos de Ofício interposto pela DRJ e de Recursos Voluntário interpostos pela empresa Autuada (com decretação de falência) e por pessoa física responsável solidário Sr. Manoel Teodoro Martins, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu por manter parcialmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração (anocalendário 2010), relativas ao arbitramento do lucro relativo a falta de comprovação de despesas e custos escriturados e não comprovados e cancelar a acusação de omissão de receita constatada por meio de cruzamento de depósito bancário. Após ter se esgotado o prazo de atendimento das solicitações feitas por meio de intimação por edital, a fiscalização decidiu se subsidiar de outros meios para coletar informações e provas. Importante ressaltar, que durante a investigação foi constatado junto a JUCESP, que foi decretada a falência da empresa autuada por meio de sentença judicial prolatada em 08/10/2013, com a nomeação de administrador judicial Sr. Nelson Garey. (o administrador judicial não foi indicado como responsável solidário nos Autos de Infração). A fiscalização coletou informações por meio de duas fontes distintas, sendo uma por meio de Requisições de Movimentação Financeira (RMF) às instituições financeiras as quais a empresa autuada possuía contas de depósito e a outros, providenciamos diligências junto às principais empresas que retiveram tributos na fonte, cujo beneficiário seria a pessoa jurídica fiscalizada, ora Recorrente. Em relação a constatações feitas por meio das principais empresa que retiveram imposto, foi feito o seguinte procedimento pela fiscalização: As empresas diligenciadas estão apontadas às fls. 2/3 do TVF, onde constam empresas públicas e privadas retentoras do imposto. Outro observação importante indicada no TVF, é que as diligências realizadas comprovaram que os valores indicados nas DIRFs procedem e como os códigos de retenção incidem sobre uma mesma base de cálculo, a fiscalização retirou a duplicidade indicada nas respectivas DIRFs, para encontrar os valores da Receita Bruta. A fiscalização também considerou que a empresa autuada prestou serviços a terceiros e por tal motivo os valores indicados no tabela de fl. 3 do TVF, foram calculados considerando que os códigos de retenção 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por Pessoa Jurídica) e o 5952 (Retenções de Contribuições de pagamento de Pessoa Jurídica a Pessoa Jurídica de Direito Privado). Para as empresas que realizaram retenções de ambos os códigos no mesmo mês, consideramos somente o de maior valor, caso fossem diferentes. A planilha contendo a abertura dos valores mensais encontrados em DIRF foi anexada ao presente processo (fls. 2321). Fl. 8689DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.689 4 Em relação aos depósitos bancários com origem não comprovada, a fiscalização adotou o seguinte procedimento: Inicialmente, verificou que a empresa autuada teve sua inscrição no CNPJ declarada inapta, conforme processo administrativo 10882.722479/201337. Portanto, emitiu as RMF com base no art. 3º, inciso VIII, alínea b, do Decreto Nº 3.724, de 10/01/2001, para as instituições financeiras os Bancos Bradesco, BRB Brasília, BVA, Daycoval e Banco do Brasil. Após receber as informações dos Bancos, a fiscalização realizou a conciliação bancária dos extratos bancários obtidos, excluindo as transferências entre contas da própria pessoa jurídica, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, DOC devolvidos, TED devolvidos, empréstimos bancários e demais lançamentos que não constituem rendimento que puderam ter sua origem comprovada pela simples análise dos extratos. Em seguida, intimou a empresa autuada, através do TIF nº 01, a apresentar a comprovação de origem dos depósitos bancários. Os depósitos bancários foram indicados de acordo com o descrito na tabela que consta às fls. 414 a 425, parte indicada na fl.5 do TVF. Após não ter sido atendido pela empresa autuada a intimação 01, foi lavrado Termo de Constatação de Irregularidade Fiscal n. 01 intimando o Administrador Judicial a informar e comprovar a origem dos depósitos bancários listados na tabela de fls. 1696/1710, nos termos do art. 22, inciso I, alínea b e inciso III, alínea d, da Lei 11.101, de 09/02/2005. Como o Administrador Judicial não atendeu a intimação, no dia 06/06/2014, a fiscalização lavrou Termo de Reintimação Fiscal nº 01 em que, novamente, intimou a empresa autuada a apresentar a comprovação de origem dos depósitos. No dia 30/07/2014, o agente fiscal lavrou o Termo de Constatação de Irregularidades nº 02, em que intimou a empresa Recorrente, pela 3ª vez, a comprovar a origem dos depósitos, ressaltando e informando que a não comprovação dos valores, sujeitará a contribuinte ao lançamento de ofício por omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96; Também não houve manifestação do Administrador Judicial nas 2 intimações anteriores. (a fiscalização ressalta que confirmou o domicílio tributário do administrador judicial através de contato telefônico no escritório de advocacia do mesmo). A fiscalização também obteve junta a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo a GIAICMS do período de 01/2010 à 12/2010 onde informa valores de receita (fls. 2308/2320) considerados pela fiscalização como receita bruta os valores das operações indicadas com os códigos CFOP 5405, 6403 e 6404, que totalizaram o montante de R$ 1.059.980,81. (fl. 6 do TVF). Ademais, após o inicio dos trabalhos de fiscalização, no dia 18/11/2013 a empresa apresentou a DIPJ anocalendário 2010. (fls. 6/ do TVF). Ao analisar a Ficha 7 A da DIPJ, a fiscalização constatou que a empresa autuada indicou valores de receita bruta relativos a revendas de mercadorias no mercado interno, que somando os quatro trimestres compõe o valor de R$ 1.059.980,81 e receita de prestação de serviços para o mercado interno, que também somando os quatro trimestres chagase à importância de R$ 42.817.644,21. Fl. 8690DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.690 5 Assim, a fiscalização observou/ressaltou que o valor encontrado nas GIAs de 2010 apresentadas pela empresa autuada perante a Fazenda do Estado de São Paulo é a mesma indicada na linha 4 da Ficha 7 A da DIPJ relativa a receita de revenda de mercadorias no mercado interno, aceitando o valor de R$ 1.059.980,81. Com relação à receita de prestação de serviços no mercado interno, a fiscalização utilizou outras informações que comprovam que a receita de serviços procede, vejamos quais são: No dia 13/12/2013, a fiscalização verificou que a empresa autuada apresentou no SPED Contábil a Escrituração Contábil Fiscal (ECD) do anocalendário 2010, onde foi verificado que os valores totais declarados na linha 5 da Ficha 7A da DIPJ, de R$ 42.817.644,21 coincidem em exato valor com o total de receitas lançada nas Contas Contábeis relacionas à Receita de Prestação de Serviços, conforme tabela indicada na fl. 7 do TVF. Assim, ao fazer a comparação da DIPJ com a ECD, a fiscalização entendeu que os valores de R$ 42.817.644,21 relativos a receita de prestação de serviços dentro do mercado interno, procedem. Ao aprofundar, a fiscalização verificou que estas Receitas foram lançadas com contrapartidas em contas de Duplicatas à Receber conforme abaixo explicado. (os lançamentos das Contas de Receitas foram adicionados ao presente processo nas fl. 2322). D – Duplicatas a Receber (Diversas contas); C – Receitas de Prestação de Serviços; Em seguida, o agente autuante averiguou que à medida que os pagamentos relacionados às Notas Fiscais de Serviço emitidas pela empresa autuada eram efetuados, as baixas nas contas de Duplicatas à Receber ocorriam conforme modelo abaixo: D – Duplicatas a Receber (Diversas contas); C – Bancos Conta Movimento (Diversas contas); Como a fiscalização obteve vasta documentação dos principais clientes do Contribuinte autuada nas diligências supracitadas, constatou nas baixas nas contas de Duplicatas à Receber a identificação de diversos depósitos bancários de origem não comprovada, anteriormente intimados. As contas contábeis das movimentações bancárias analisadas são: Código Conta 111020010000 BANCO DE BRASÍLIA C/C 0230236002163 1110200100007 BANCO BRADESCO S/A C/C 129046 1110200100012 BANCO DE BRASÍLIA S/A C/C 600049302 1110200100024 BANCO DAYCOVAL S/A C/C 7036053 1110200100036 BANCO BVA S/A C/C 10462101 Fl. 8691DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.691 6 Assim, ao observar os lançamentos (fl. 2323) a fiscalização verificou a verdadeira origem dos depósitos, quando fez a comparação dos valores lançados na contabilidade, com as Notas Fiscais obtidas nas diligências e os seus respectivos comprovantes de pagamento. (todos estes documentos foram obtidos nas próprias diligências anexados ao processo). Aprofundando ainda mais a investigação, a fiscalização constatou que dos R$ 42.817.644,21 declarados em DIPJ como receita de Prestação de Serviço, a quantia de R$ 29.986.522,04 comprova a origem dos depósitos bancários do item acima. A fiscalização fez o cruzamento de informações constantes nas Notas Fiscais e seus respectivos comprovantes de pagamento, com os lançamentos contábeis e com os extratos bancários (conforme planilha arrolada nas fls. 2324). Como essa quantia representa 70,03% da receita bruta de Prestação de Serviços declarada em DIPJ, considerou esta amostragem mais do que suficiente para garantir o modus operandi dos lançamentos contábeis destas receitas, validando o valor declarado em DIPJ e comprovando a origem dos demais depósitos bancários que puderam ser identificados cujas contrapartidas ocorreram com contas de Duplicatas a Receber. Adicionalmente, ressaltou que os valores declarados em DIPJ são compatíveis com os valores encontrados em DIRF, o que reforça que as Receitas foram corretamente lançadas na ECD do Contribuinte. Por fim, asseverou que observando os lançamentos contábeis em comparação com os extratos bancários, encontrou outros depósitos que se referiam a transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos, que foram retirados da relação de depósitos bancários cuja origem não pode ser identificada. Constatou também que a Receita Bruta de Prestação de Serviços informada na DIPJ procede. Paralelamente a isto, verificou que os depósitos bancários de origem não comprovada totalizados mensalmente, compõe o valor de R$ 15.704.313,43 e os relacionou na tabela de fls. 8 do TVF. (a relação dos depósitos bancários de origem não comprovada encontramse na tabela de fl. 2325 dos autos). Segunda a fiscalização, estes R$ 15.704.313,43 estavam associados a lançamentos que não transitaram no Resultado, cujas naturezas da operação não puderam ser confirmadas. Destes depósitos destacamse as seguintes observações: 1 R$ 13.025.160,00 se referem a depósitos recebidos da empresa ECOBRAS COMERCIAL LTDA EPP, CNPJ: 03.522.097/000190, cujos lançamentos possuíam o seguinte formato: D – Bancos conta movimento (Ativo Circulante) C – Bancos conta de transferência (Ativo Circulante) Fl. 8692DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.692 7 2 R$ 574.50,00 se referem a depósitos recebidos de GUILHERME HANNUD FILHO, CPF: 000.591.31870, cujos lançamentos possuíam o seguinte formato: D – Bancos conta movimento (Ativo Circulante) C – Empréstimos – Guilherme Hannud Filho (Ativo Circulante) 3 R$ 513.374, se referem a depósitos recebidos da empresa LT COMERCIAL LTDA, CNPJ: 04.463.885/000116, cujos lançamentos possuíam o seguinte formato: D – Bancos conta movimento (Ativo Circulante) C – Empréstimos LT LASER TECHNOLOGY LTDA (Passivo Circulante) 4 R$ 400.000, se referem a depósitos recebidos de MARIA ROSANA ZURITA, CPF: CPF: 791.441.95834, cujos lançamentos possuíam o seguinte formato: D – Bancos conta movimento (Ativo Circulante) C – Empréstimos em Geral (Passivo Circulante) 5 Os demais depósitos possuíam contrapartidas diversas. Nestes lançamentos também não foi possível confirmar a natureza da operação envolvida. Continuando a dissecar a DIPJ, a fiscalização constatou que a empresa autuada informou valores de despesas operacionais e custas das atividades, nas Fichas 4A e 5A respectivamente. Foi informada custos de atividade em geral, no importe de R$ 4.125.582,12 (Ficha 4 A) e despesas operacionais das atividades em geral com valor de R$ 35.014.616,18 (Ficha 5A), totalizando o valor de R$ 39.140.198,30 para os quatro trimestres. Assim, após o cruzamento por amostragem entre os lançamentos contábeis (DIPJ) e as despesas informadas no ECD e verificar que conferem/batem uns com os outros, a fiscalização intimou o Administrador Judicial a apresentar documentos comprobatórios das escriturações feitas na DIPJ e no ECD, por entender que a ECD por si só (apenas a ECD) não é suficiente para comprovar as despesas, sendo necessário que a escrituração das despesas e custas esteja acompanhada de documentos, nos termos do artigo 923 do RIR/99. Após diversas intimações não respondidas, a fiscalização entendeu que os lançamentos contábeis selecionados por amostragem do Termo de Intimação Fiscal n. 2 não estavam comprovados e decidiu arbitrar o lucro do imposto de renda, nos termos do artigo 47, inciso III da Lei 8.981/95. Fl. 8693DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.693 8 Como os lançamentos contábeis selecionados por amostragem pela fiscalização totalizam a quantia de R$ 29.246.062,77, representando 74,72% das despesas mais os custos informados na DIPJ do contribuinte (R$ 39.140.198,30), foi arbitrado nos termos do art. 47, inciso III, da Lei 8.981/95. A fiscalização entendeu que não seria razoável glosar as custas e despesas relativas a totalidade dos documentos selecionados por amostragem e manter a autuada no Lucro Real, visto que a amostragem representa um índice elevado das despesas e custos, vejamos as palavras da fiscalização. 37) Ora, não seria razoável se glosássemos a totalidade de documentos selecionados por amostragem e mantivéssemos o Sujeito Passivo no regime do Lucro Real, visto que a amostragem representa um índice elevado de despesas mais os custos; 38) Não há como aceitar a escrituração desta forma. Destarte, seguindo o que preceitua o dispositivo legal anteriormente descrito, não resta dúvida quanto ao arbitramento do lucro do Contribuinte. Inclusive, sendo esta forma de tributação mais benéfica ao fiscalizado do que se o mantivéssemos no lucro real e simplesmente glosássemos suas despesas; 39) Considerando que oferecemos ampla oportunidade para que o Contribuinte se manifestasse e, ainda assim, este optou por não se pronunciar, o Sujeito Passivo se sujeitará ao arbitramento do lucro com base na Receita escriturada e não declarada, que consta na DIPJ entregue após o início do procedimento fiscal adicionada dos depósitos bancários cuja origem não pode ser comprovada. Assim a fiscalização decidiu arbitrar o lucro nos termos do artigo 530, inciso III do RIR/99, determinando o IRPJ mediante a utilização de percentual de 9,6% sobre a receita bruta apurada para a venda e revenda de mercadoria e de 38,4% sobre a receita bruta apurada sobre a prestação de serviço, nos termos do artigo 532 e 518. Para infração de omissão de receita relativa a depósitos bancários com base no artigo 42 da Lei 9.430/96, devido a impossibilidade de identificação da atividade de omissão de receita com base nos depósitos, a alíquota a ser aplicada será a de 38,4%, por ser o percentual mais alto das receitas do contribuinte, nos termos do artigo 537 do RIR/99. Resumidamente, as omissões de receita foram constatadas por meio de depósitos bancários sem comprovação da origem e natureza, cruzamento do SPED ECD com a DIPJ anocalendário 2010, a GIA e com diligência/circularização feita com terceiros que retiveram impostos em favor da empresa Recorrente. Basicamente as acusações que constam no Termo de Verificação Fiscal são as seguintes: Fl. 8694DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.694 9 Como a empresa e o Administrador Judicial não atenderam as notificações e não apresentaram a documentação (escrituração fiscal e contábil) solicitada, a fiscalização se viu obrigado a arbitrar o lucro nos termos do artigo 530, inciso III do RIR/99, com base na receita escriturada e não declarada (receita de revenda de mercadoria e receita de prestação de serviço), que consta na DIPJ anocalendário 2010, entregue após o início do procedimento fiscal, somandoas aos depósitos bancários cuja origem e naturaza não puderam ser comprovadas. A fiscalização, ao verificar que existiam despesas e custas escrituradas na DIPJ anocalendário 2010 e a na ECD, solicitou, por amostragem, que a Recorrente e seu Administrador Judicial apresentassem documentos para comprovar tais despesas e custas. Após diversas intimações sem respostas, a fiscalização entendeu que as despesas e custas escrituradas não estavam comprovadas e decidiu desconsiderar a escrita fiscal da autuada e arbitrar o lucro com base no artigo 530, inciso III do RIR/99 e no artigo 47, inciso III da Lei 8.981/15. Para infração de omissão de receita relativa a venda e revenda de mercadorias e prestação de serviço, conforme determina o artigo 537, a fiscalização aplicou respectivamente a alíquota de 9,6% e a alíquota de 38,4%, nos termos do artigo 532 e 518 do RIR/99. Em relação terceira infração de depositos bancários sem origem e natureza comprovada, a fiscalização aplicou o parágrafo único do art. 537 do RIR/99, pois levou em consideração a impossibilidade de identificação da atividade relativa aos depósitos bancários, aplicando a alíquota de 38,4%, por ser o percentual mais elevado das receitas do Contribuinte. Ou seja, a fiscalização pegou os valores descritos na DIPJ relativos a prestação de serviços e de revenda de mercadoria escriturados e não declarados, somouos com os valores dos depósitos bancários sem origem comprovada, compondo assim a base de cálculo e aplicou a alíquota de 9,6% para as receitas identificas como revenda de mercadorias, a alíquota de 38,4% para as receitas identificadas como prestação de serviço e aplicou a aliquota de 38,4% aos depósitos bancários devido a impossibilidade de indentificação da atividade da receita (artigo 537 do RIR), arbitrando o lucro nos termos do artigo 530, inciso III do RIR/99. Por fim, excluiu/descontou do lançamento de cada tributo os valores de tributos retidos na fonte, declarados em DIRFs. Também foi aplicada multa qualificada de 150%. Responsabilizou solidariamente as seguintes pessoas e empresas com exposição dos fundamentos às fl. 16/28 do TVF, com a seguinte conclusão relativa aos responsáveis solidários no TVF (fl. 28): ∙ GUILHERME HANNUD FILHO, CPF: 000.591.31870, na qualidade de Sócioadministrador, com base no art. 135, inciso III, do CTN (Lei Nº 5.172, de 25/10/1966); Fl. 8695DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.695 10 ∙ MARIA ROSANA ZURITA, CPF: 791.441.95834, na qualidade de Administradora e mandatária, com base no art. 135, inciso II, do CTN, e pelo interesse comum, com base no art. 124 do CTN; ∙ ECOBRAS COMERCIAL LTDA, CNPJ: 03.522.097/000190, por interesse comum e pela continuidade de atividades coincidentes pelo sócio de empresa em processo de extinção (falência), com base no art. 124, inciso I, e no art. 132, parágrafo único, ambos do CTN; ∙ LT COMERCIAL LTDA, CNPJ: 04.463.885/000116, por interesse comum, com base no art. 124 do CTN; ∙ AME AMAZONAS MOTOCICLETAS ESPECIAIS LTDA, CNPJ: 50.265.677/000120, por interesse comum e pela continuidade de atividades coincidentes pelo sócio de empresa em processo de extinção (falência), com base no art. 124, inciso I, e no art. 132, parágrafo único, ambos do CTN; ∙ MANOEL TEODORO DOS SANTOS MARTINS, CPF: 798.210.73891, na qualidade de Administrador e mandatário, com base no art. 135, inciso II, do CTN e pelo interesse comum, com base no art. 124, inciso I, do CTN; ∙ JULIANO HOSSRI RIBEIRO, CPF: 184.251.22856, na qualidade de Administrador e mandatário, com base no art. 135, inciso II, do CTN, e pelo interesse comum, com base no art. 124 do CTN; Em seguida, a DRJ de Ribeirão Preto, proferiu v. acórdão (fls. 8472/8521) mantendo parcialmente os Autos de Infração, excluindo a tributação dos valores a titulo de omissão de receitas com base em depósitos bancários das exigências do IRPJ e Reflexos, retirando do pólo passivo os responsáveis solidários, Sr. Guilherme Hannud Filho, Maria Rosana Zurita, LT Comercial Ltda, Juliano Hossri Ribeiro, reduzindo a multa de 150% para 75%, mantendo a infração relativa a omissão de receita de revenda de mercadorias e prestação de serviço e devido a falta de comprovação das despesas/custa manteve o respectivo arbitramento do lucro, reduzindo a multa de 150% para 75%. Manteve a responsabilidade solidária do Sr. Manoel Teodoro Martins, devido não ter conhecido da impugnação por ser intempestiva, registrando a seguinte ementa: (importante esclarecer que as empresas responsáveis solidárias Ecobras Comercial Ltda e Ame Amazonas Motocicletas Especiais não apresentaram impugnação) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe apreciar impugnação interposta após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. Verificada a correção dos procedimentos fiscais, inclusive quanto ao arbitramento dos lucros e determinação da base de cálculo, não há que se falar em nulidade do lançamento de oficio. Fl. 8696DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.696 11 IRPJ E REFLEXOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação de documentos comprobatórios de custos e despesas, durante a auditoria fiscal, inviabiliza a apuração do lucro real e enseja o arbitramento. OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM DEPOSITO BANCÁRIO. Comprovada a origem dos depósitos bancários, no caso empréstimos de coligadas, cancelase a tributação dos valores calcados nessa presunção legal. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Cabe ao Fisco fazer prova inequívoca da intenção do contribuinte em ocultar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária para aplicação da multa de ofício qualificada. ADMINISTRADOR. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE. Afastase a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a administrador quando não restar comprovada a prática dolosa a ele atribuída, tampouco que agiu com excesso de poderes ou infração à lei. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INAPLICABILIDADE. Afastase a sujeição passiva solidária quando não restar comprovado que os responsabilizados se beneficiaram dos tributos que deixaram de ser recolhidos, tampouco que praticaram de atos ou operações da empresa junto a terceiros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformados com a decisão exarada no v. acórdão, a empresa autuada GHF Comercial e o responsável solidário Sr. Manoel dos Santos, interpuseram separadamente Recurso Voluntário, clamando respectivamente pelo cancelamento total dos Autos de Infração e a exclusão da responsabilidade solidária da pessoa física acima indicada. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 8697DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.697 12 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator As empresas Ecobras Comercial Ltda e AME Amazonas Motocicletas Ltda., não apresentaram impugnação e Recurso Voluntário, sendo assim, em relação as pessoas jurídicas acima indicadas, a acusação deve ser mantida. Recurso Voluntário do Sr. Manuel que apresentou impugnação intempestiva. O Recurso Voluntário da pessoa física responsável solidária preenche todos os requisitos previstos em lei, devendo ser admitido apenas em relação a matéria da tempestividade da impugnação. O Recorrente clama pela reversão da decisão do v. acórdão recorrido que considerou a impugnação intempestiva. Como muito bem apontado no acórdão recorrido, entendo que não assiste razão o Recorrente, eis que apresentou impugnação 67 dias após ter sido cientificado da lavratura dos Autos de Infração. Vejamos. O Sr. MANOEL TEODORO DOS SANTOS MARTINS, cuja tentativa de ciência postal em 3/9/2014 restou frustrada (fl. 2476), pelo que foi cientificado por Edital afixado em 12/09/2014 (fls. 2478), apresentou em 18/11/2014 a impugnação de fls. 81588177, 67 (sessenta e sete dias) dias depois de cientificado, na qual nada alega quanto a tempestividade. Consoante art. 23, § 1º, inciso I, e § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), com a redação dada pelas Leis nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a ciência do Sr. MANOEL TEODORO, via edital, ocorreu em 27/9/2014, tendo sido lavrado em 30/10/2014 o Termo de Revelia de fls. 8097. Portanto, a impugnação do Sr. MANOEL TEODORO não será aqui apreciada em face da sua intempestividade, haja vista que foi interposta após o prazo de 30 (trinta) dias da ciência, estabelecido no art. 15 do PAF. Sendo assim, entendo que a decisão relativa a intempestividade da impugnação deve ser mantida em seus termos, restando prejudicadas os restante das matérias postas no Recurso Voluntário do responsável solidário Sr. Manuel. Fl. 8698DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.698 13 Recurso Voluntário da empresa autuada GHF. O Recurso Voluntário é tempestivo e possui todos os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual deve ser admitido. Da nulidade do Auto de Infração por erro na sujeição passiva do Auto de Infração e por não ter comunicado o juízo da falência sobre a fiscalização: Em relação a alegação de erro na sujeição passiva do Auto de Infração, entendo que assiste razão a Recorrente. Vejamos. A sentença judicial que decretou a falência da empresa foi proferida em 08/10/2013, antes de terem sido lavrados os Autos de Infração, em 29/08/2014, que imputaram infrações com fatos geradores que ocorreram entre 01/2010 à 12/2010. Assim, a falência foi decretada antes do lançamento de ofício em analise. Em relação a sujeito passivo tributário, consta a definição sobre esta matéria no artigo 121 do CTN, abaixo reproduzido: Art. 121. "Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." O artigo 60 da Lei 9.430/96, por sua vez, equiparou a massa falida à pessoa jurídica para efeito de pagamento de impostos e contribuições sociais da competência impositiva da União Federal, e seu texto determina o seguinte: "As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo." De acordo com doutrina e jurisprudência, com a decretação da falência a empresa falida perde sua personalidade jurídica. Fl. 8699DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.699 14 Face a inexistência de personalidade jurídica a fiscalização deveria ter dirigido sua autuação para a massa falida, responsabilizando o administrador judicial nos termos do inciso V, do artigo 134 do CTN. A fiscalização lavrou os Autos de Infração contra a empresa falida e seu sócioadministrador, envolvendo também responsáveis de fato e de direito que entendeu que participaram e se beneficiaram dos atos que geraram a omissão de receita que supostamente reduziram o pagamento do imposto. Ao agir assim, entendo que a fiscalização se equivocou ao indicar a empresa autuada no pólo passivo da autuação, caracterizandose em erro na sujeição passiva dos Autos de Infração, contrariando um dos requisitos do artigo 142 do CTN, qual seja indicar no lançamento de ofício o legitimo sujeito passivo para a exigência do crédito. Isso pois, o art. 142 do CTN, que traz os elementos necessários do lançamento de ofício válido, claramente arrola a identificação do sujeito passivo como requisito fundamental desse ato/procedimento administrativo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destacamos) A falta de atendimento de algum destes requisitos ou a presença de equívoco substancial, relacionado à realidade dos fatos ou ao seu respectivo regramento legal, configura erro material, acarretando nulidade do lançamento de ofício, não podendo ser sanado ou convalidado no curso do processo administrativo, devendo à Administração Tributária proceder à lavratura de nova autuação. Confirmando a hipótese de equívoco na identificação do sujeito passivo como erro material, o qual implica na nulidade do lançamento, confirase o Acórdão nº 9101 002.536, prolatado pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de votação unânime e relatoria da I. Conselheira Cristiane Silva Costa, publicado em 22/02/2017: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 8700DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.700 15 RECURSO ESPECIAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ART. 142, DO CTN. ARTS. 10, E 59, DO DECRETO 70.235/1972. Recurso especial conhecido diante da similitude fática com acórdãos paradigmas que tratam da nulidade de lançamento por violação ao artigo 142, do CTN e 10, 11 e 59, do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Definese como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE MATERIAL. A identificação equivocada do sujeito passivo é causa de nulidade material do lançamento (destacamos) Posto isso, tal demonstração e argumentos já bastam para anular o lançamento por presença de vício material. Desta forma, voto por anular a autuação devido ao erro insanável na indicação do sujeito passivo, quando indicou a empresa autuada nos autos de infração, sendo que o certo seria indicar a massa falida nos autos de infração. Por conseqüência do voto acima, entendo que as outra alegações, matérias constantes no Recurso Voluntário e no Recurso de Ofício, restam prejudicadas. 1 Caso, vencido, segue o voto em relação ao restante das alegações e matérias constantes nos autos. Em relação a alegação de que a fiscalização não intimou o administrador judicial, eis que a empresa autuada não existia mais devido a falência, impedindo que a Recorrente tivesse conhecimento da solicitação para entrega de documentos, entendo que não deve prosperar. A Fiscalização intimou a empresa autuada, seus sócios e o administrador judicial para apresentar a documentação solicitada. Ninguém respondeu a fiscalização ou entregou algum documento. Importante ressaltar que a fiscalização intimou a empresa Recorrente e não obteve resposta, nem dos sóciosadministradores. Fl. 8701DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.701 16 Em seguida, intimou o Administrador Judicial e também não obteve qualquer retorno. Em relação a alegação de que deveria intimar o juízo da massa falida sobre a fiscalização, também entendo que não deve prosperar. A comunicação deve ser feita ao juízo da falência quando o créditos estiverem constituídos definitivamente, não em fase de fiscalização. O Fiscal pode notificar o juízo falimentar quando entender necessário obter documentos que constam nos autos daquele processo. De resto, deve cientificar o Administrador Judicial e intimálo a entregar os documentos que se encontram sob seus cuidados. Sendo assim, não verifico qualquer nulidade no auto de infração relativa a falta de comunicação do juízo da falência sobra o procedimento de fiscalização. 2 Em relação a alegação da Recorrente de nulidade eis que não era necessário o arbitramento do lucro relativo a despesas e custos escriturados na DIPJ ano calendário 2010 e na ECD, não comprovados: O arbitramento foi feito devido a Recorrente não ter entregue a documentação solicitada para comprovar as despesas e custas escrituradas na DIPJ e no ECD. Como a Recorrente não entregou a documentação solicitada, a fiscalização considerou a despesas e custas não comprovadas e desconsiderou a escrituração fiscal da contribuinte, inexistindo assim o lucro bruto, entendendo por bem arbitrar o lucro sobre as operações de serviços e venda e revenda de mercadorias. Após compulsar os autos, entendo que o arbitramento do lucro como foi feito deve subsistir. Não constam nos autos livros e documentos distintos dos que foram encontrados pela fiscalização por meio de diligências. A Recorrente alega que entregou os outros documentos necessários para a apuração do lucro, pelo método de lucro real e que a autuação desconsiderouos, preferindo arbitrar o lucro. Tal alegação da recorrente não deve ser provida, em primeiro por que os documentos que a Recorrente alega ter entregue a fiscalização não constam nos autos e em segundo por que a fiscalização notificou a empresa autuada, o administrador judicial e todos os responsáveis solidários e ninguém entregou o conteúdo probatório solicitado. Assim, a fiscalização não continha documentos para encontrar o lucro pelo método do lucro real e coletou informações junto a DIPJ entregue após o início da fiscalização Fl. 8702DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.702 17 e no SPEDECD onde estavam escrituradas as despesas e custas. (cumpre ressaltar que a fiscalização fez a comparação com as DIRFs relativas a retenção do imposto de terceiros). As despesas e custos serviram para comprovar a omissão de receita e para a fiscalização encontrar a base para arbitrar o lucro. Desta forma, entendo que o arbitramento do lucro feito pela fiscalização nos termos do artigo 530, inciso III do RIR/99, está correto, negando provimento a nulidade alegada pela Recorrente. Em relação a multa qualificada, responsabilidade solidária das pessoas físicas e jurídicas e a infração de omissão de receita com base em depósitos bancários com origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, serão analisadas no Recurso de Ofício. RECUSO DE OFÍCIO. O cancelamento da exigência relativa a omissão de receita de deposito bancário no importe de R$ 15.0000 se deu devido aos julgadores da DRJ estar comprovada a origem e a natureza da maior parte dos depósitos, por terem sido feitos entre empresas pertencentes ao mesmo grupo, com finalidades específicas e a menor parte restante dos depósitos estar comprovadas por meio de contratos de mútuo entre sócios e pessoas ligadas ao grupo. O v. acórdão cancelou a maior parte da exigência por entender que a transferência entre empresas do mesmo grupo, como o mesmo sócio, comprovaria a origem dos depósitos e sua natureza devido as operações que foram praticadas. Acolheu também como prova para o restante dos valores de menores monta, os contratos de mútuos/aportes feitos pelo sócioadministrador e partes ligadas ao grupo para cobrir necessidades financeiras. Reduziu a multa qualificada por entender que não restou comprovado nos autos a prática dos atos previstos na legislação para majorar a multa e excluiu a responsabilidade dos sujeitos passivos solidários de fato e de direito. Pois bem, conforme asseverado às fl. 4/5 do Relatório Fiscal, mediante intimações às instituições Financeiras, a Fiscalização obteve os extratos bancários e outros documentos da Contribuinte. A seguir, realizou os seguintes procedimentos (verbis): "(...) Após receber as informações dos Bancos, realizamos a conciliação bancária dos extratos bancários obtidos. Assim sendo, excluímos as transferências entre contas da própria pessoa jurídica, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, DOC devolvidos, TED devolvidos, empréstimos bancários e demais lançamentos que não constituem rendimento que puderam ter sua origem comprovada pela simples análise dos extratos; Fl. 8703DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.703 18 19) Em seguida, intimamos o Contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal Nº 01, a apresentar a comprovação de origem dos depósitos bancários. Os depósitos bancários foram intimados de acordo com o descrito a seguir (a abertura da tabela a seguir consta nas fls. 414 a 425): 20) Como não houve manifestação do Contribuinte, lavramos o Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais Nº 01 (fls. 1696 a 1710) em que intimamos o Administrador Judicial a informar e comprovar a origem dos depósitos bancários listados na tabela anterior. A intimação teve como base o art.22, inciso I, alínea b e inciso III, alínea d, da Lei 11.101, de 09/02/2005, conforme descrito a seguir: (...) 21) Não houve manifestação do Administrador Judicial; 22) No dia 06/06/2014, lavramos o Termo de Reintimação Fiscal Nº 01 em que, novamente, intimamos o Contribuinte a apresentar a comprovação de origem dos depósitos; 23) No dia 30/07/2014, lavramos o Termo de Constatação de Irregularidades Nº 02, em que intimamos, pela 3ª vez, a comprovar a origem. Frisamos que a não comprovação sujeitará a lançamento de ofício por omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96; 24) Não houve manifestação do Administrador Judicial nas 2 intimações anteriores. Ressaltase que confirmamos o domicílio tributário do administrador judicial através de contato telefônico no escritório de advocacia do mesmo; (...) 26) O Contribuinte apresentou os seguintes valores de Receita Bruta em DIPJ, ano calendário 2010, conforme ficha 07A da DIPJ: Fl. 8704DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.704 19 (...) Desta forma, observandoas (cujos lançamentos estão arrolados nas fl. 2323), podese averiguar a verdadeira origem dos depósitos, comparando: Valores lançados na Contabilidade, com as Notas Fiscais obtidas nas Diligências e com seus respectivos comprovantes de pagamento (vide documentos obtidos nas Diligências anexados ao processo); Destarte, dos R$ 42.817.644,21 declarados em DIPJ como Receita de Prestação de Serviço, identificamos a quantia de R$ 29.986.522,04 que comprova origem dos depósitos cruzando informação das Notas Fiscais e seus respectivos comprovantes de pagamento, com os lançamentos contábeis e com os extratos bancários (conforme planilha arrolada nas fls. 2324); Como essa quantia representa 70,03% da Receita Bruta de Prestação de Serviços declarada em DIPJ, consideramos esta amostragem mais do que suficiente para garantir o modus operandi dos lançamentos contábeis destas Receitas, validando o valor declarado em DIPJ e comprovando a origem dos demais depósitos bancários que puderam ser identificados cujas contrapartidas ocorreram com contas de Duplicatas a Receber; Adicionalmente, ressaltase que os valores declarados em DIPJ são compatíveis com os valores encontrados em DIRF, o que reforça que as Receitas foram corretamente lançadas na ECD do Contribuinte; Por fim, observando os lançamentos Contábeis e comparandoos com os extratos bancários encontramos outros depósitos que se referiam a Transferências entre Contas de mesma titularidade e Empréstimos, que foram retirados da relação de depósitos bancários cuja origem não pode ser identificada; (...) Paralelamente, verificamos que os depósitos bancários de origem não comprovada totalizados mensalmente são os relacionados na tabela a seguir (a relação dos depósitos bancários encontramse arrolados na fl. 2325): Fl. 8705DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.705 20 Estes R$ 15.704.313,43 estavam associados a lançamentos que não transitaram no Resultado cujas naturezas da operação não puderam ser confirmadas. " Na peça impugnatória tais conclusões fiscais são contestadas com a seguinte argumentação: "(...) Ora, a maioria praticamente absoluta das transações financeiras mencionadas correspondem a movimentações de conta corrente entre empresas de propriedade do Impugnante Sr. Guilherme, quais sejam GHF, AME AMAZONAS MOTOCICLETAS ESPECIAIS LTDA. e ECOBRÁS COMERCIAL LTDA. Outras transações financeiras verificadas e apontadas, de valores significativamente inferiores, se tratam de mútuos com terceiros, ou seja, pessoas físicas e jurídicas estranhas a GHF e sua administração. 51. Logo, referidos depósitos não constituem omissão de receita e tampouco, renda! 52. O Sr. Auditor, inclusive, reconhece em seu TVF que as empresas GHF, AME AMAZONAS e ECOBRÁS possuem o mesmo sócio e as mesmas atividades fim, o que por si só demonstra a plausibilidade das operações declaradas. 53. importante dizer que referidos mútuos foram devidamente lançados nas declarações fiscais da Impugnante, inexistindo razão para desconsiderálos. 54. A Impugnante não concorda com as alegações proferidas pelo Sr. Auditor no TVF, a exemplo da afirmação relacionada a atuação das empresas acima na forma de grupo ou uma única entidade, contudo não nega que existiu a necessidade de realização de empréstimos entre a GHF e a AME AMAZONAS, e entre a GHF e a ECOBRÁS, no ano calendário de 2010. 55. De toda forma, apesar de considerar a existência de grupo ou entidade única com relação a essas 03 (três) empresas, o Sr. Auditor considerou que houve"omissão de receitas" de forma sumária. Ora, tal conduta não pode ser admitida! 56. O que em essência entende o Sr. Auditor? Que os valores creditados pelas empresas AME AMAZONAS e ECOBRÁS à GHF se trataram de contraprestação por serviços prestados ou equipamentos fornecidos por esta última àquelas? Ou que eventualmente a GHF se tratava de destinatária final dos pagamentos recebidos em nome daquelas? Qual a vantagem nisso? O mesmo sócio arcar com a carga tributária em 02 (duas) empresas distintas? Ou até mesmo em 03 (três)? Por que o Sr. Administrador Judicial aceitaria uma situação como esta (lembrando que a administração da GHF era exercida pelo Fl. 8706DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.706 21 Sr. Administrador Judicial no ano calendário de 2010 e constantemente sujeita a averiguações periciais e judiciais)? Por que uma empresa sob recuperação judicial estaria envolvida numa operação destas? (...) 59. Ora, tais transações financeiras correspondem a movimentações provenientes de obrigações assumidas pela G H F em virtude da realização de contratos de mútuo, em tempo apresentados à fiscalização, conforme esclarecido pelo próprio Sr. Auditor no PAF. 60. Novamente: tais depósitos não constituem omissão de receita e, tampouco, renda! 61. Ainda, o Sr. Auditor, quanto aos contratos de mútuo apresentados, quais sejam, os realizados entre G H F e LT Comercial Ltda. e G H F e a Sr. Maria Rosana Zurita, para desconsiderálos, indica que não localizou 01 (uma) transação nos extratos bancários e que os mesmos não foram registrados em registro público e, por isso, não poderiam produzir efeitos perante a SRFB. 62. Registrese que não há qualquer dispositivo legal indicando que os pagamentos relativos a quaisquer tipos de contratos devem seguir qualquer formalidade, ou seja, a Impugnante não é obrigada a enviar ou receber valores exclusivamente por meio de transações bancárias. 63. Lembrandose ainda que o próprio fiscal reconhece que as operações transitaram pelas contas contábeis traduzidas na ECD. 64. Ainda, as declarações fiscais e contábeis da G H F , sempre fiéis, realizadas por duas décadas não podem ser desconsideradas e, neste momento, darse tratamento de pária à Impugnante, obrigandoo a realizar atos e formalidades sem qualquer exigência legal. 65. Permitir tal conduta é permitir o desvio dos preceitos básicos da SRFB, é afastarse de sua missão, objetivo e visão de futuro. 66. É inadmissível que a boafé da Impugnante seja descartada e que seus contratos válidos e efetivos de mútuo sejam desconsiderados por falta de cumprimento de uma exigência não prevista em qualquer texto legal, qual seja, a realização de pagamento de mútuos por meio de depósitos bancários. 67. Ainda no rol de arbitrariedades, o Sr. Auditor desconsidera sumariamente os contratos de mútuo apresentados por não terem sido registrados em cartório competente. 68. Ora, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), órgão máximo na esfera de julgamento administrativo no âmbito da SRFB, já decidiu tal matéria em sentido contrário ao entendimento relatado pelo fiscal. Vejase: "IRRF CONTRATO DE MÚTUO REGISTRO: O "Contrato de Mútuo", para sua validade, independe de registro em Cartório de Títulos e Documentos, isto porque esse ato meramente "formal" não é de suasubstância, mormente quando o conjunto de provas atesta sua efetividade". (1o. Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10420.354 em 01.12.2004) (g.n.) 69. Note, inclusive, que referido rigor excessivo relacionado a exigência por parte da SRFB de registro de mútuos em Cartório, exigência esta meramente formal, inaceitável e que só gera custas e Fl. 8707DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.707 22 carimbos sem aplicação prática, aplicase, via de regra, a situações envolvendo lançamentos contra procuradores de empresas off shore, e não em situações claras e facilmente identificáveis por meio de documentos como as que se discute nestes autos. 70. Este é o caso em tela! As transações realmente ocorreram! Houve sucessivos mútuos! Houve remessa de valores nos dois sentidos, como em todo e qualquer contrato desta natureza, sendo inadmissível considerar o valor recebido como renda, ignorando todos os pagamentos realizados por tais valores recebidos. (...)" Verificase pela análise dos autos que a Fiscalização constatou que: a maior parte dos depósitos bancários considerados receitas omitidas foram realizados pela ECOBRAS (coligada da contribuinte), da qual o Sr. Guilherme Hannud Filho detinha 99,5% do Capital Social em 2009 e passou a 100% em 8/7/2010 (TVF, fl. 20); a ECOBRAS recebeu mais recursos do que enviou à GHF em 2010: "78) Identificamos nos extratos bancários obtidos junto às instituições financeiras que a empresa ECOBRAS recebeu do Sujeito Passivo a elevada quantia de R$ 14.416.500,00. Adicionalmente, enviou ao fiscalizado a quantia de R$ 13.025.160,00. Os recebimentos e os envios ocorreram ao longo de todo ano calendário 2010" (TVF, fl. 20); "86) Assim sendo, a elevada movimentação financeira ocorrida entre as empresas ECOBRAS e GHF, pela mesma administração exercida em ambas as empresas pelo Sr. GUILHERME HANNUD FILHO, pela forte característica de ambas as empresas atuarem como se fossem um grupo ou uma única entidade, pelo recebimento de mercadorias, recentemente, pela ECOBRAS no mesmo endereço cadastrado na base de dados da RFB como da GHF, concluímos que existem fortes interesses comuns entre ambas as empresas" (TVF, fl. 21); Ora, dos R$ 15,7 Milhões de depósitos bancários tratados como receitas omitidas da GHF, R$ 13,0 Milhões foram enviados pela ECOBRAS, também via bancária, evidenciando a existência de um contacorrente entre ambas, que a própria Fiscalização considerou tratarse, verdadeiramente, de uma só empresa. Essa constatação fiscal, aliado ao fato de que todas as transferência se deram entre contasbancárias, autoriza, inclusive, a considerar que são transferência entre contas da mesma titularidade, à luz do art. 42 da lei 9.430/1996 (§3o., inciso I). Formei convencimento, portanto, que essa parcela dos depósitos bancários está satisfatoriamente justificada e não pode ser tratada como receitas omitidas. De igual forma, considero comprovado o restante dos depósitos bancários, justificados pela Contribuinte, mediante os contratos de mútuos com a Sra. Maria Rosana Zurita, que segundo a própria Fiscalização (TVF, fl. 18) enviou à GHF o valor total de R$ 400.000,00 via bancária e recebeu da mesma R$ 639.132,50 no ano de 2010. Ao contrário da Fiscalização, entendo que a falta de registro em cartório dos contratos de mútuo às fls. 2209 e seguintes, não lhes Fl. 8708DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.708 23 retira a força probante, mormente quando corroborado por transações bancárias. Aliás, para fins tributários, mais importante que o registro em cartório é a motivação do empréstimo, a efetividade da entrega dos recursos e a capacidade financeira e econômica do mutuante para efetuar os desembolsos. Quanto a isso não se tem dúvidas nos autos, sendo que a própria Fiscalização destaca o fato de a Sra. Rosana ter sido casada como o Sr. Guilherme. Considero também comprovada o origem de R$ 500.374,00 depositados pela empresa LT em contabancária da GHF. Isso porque a própria Fiscalização constatou que " 89) A empresa LT COMERCIAL LTDA (doravante chamada de LT), CNPJ: 04.463.885/000116, recebeu a quantia de R$ 568.374,00. E enviou a quantia de R$ 500.374,00 para a GHF." (TVF, fl. 21). A Fiscalização refutou as justificativas da LT, no sentido de que se trataram de mútuos, conforme contrato de fls. 22672286, pela falta de registro em cartório desses contratos e falta de recolhimento do IOF. Por certo, deixar de recolher o IOF é uma irregularidade passível de lançamento de oficio por parte da Fiscalização, à medida que alem dos contratos tem a comprovação bancária das transações. Além disso, restou comprovado que se tratam de empresas coligadas, pelo que é normal fazerem empréstimos umas as outras tal qual conclui a Fiscalização à fl. 24 do TVF: "100 Por todo exposto, concluímos pelo seguinte modus operandi da empresa LT: o Sr. GUILHERME continuava a manter a administração da LT (ainda que 85% do Capital Social estivesse em posse de seu filho, mantendo o controle no seu âmbito familiar), conjuntamente com a ECOBRAS e a GHF. À medida que as empresas necessitavam de quantias financeiras, elas se “emprestavam” umas às outras". De igual forma, as transferências bancárias entre a GHF e a empresa AME devem ser excluídas da tributação por omissão de receitas, por se tratarem de empresas coligadas e também por estar configurado o contacorrente entre as mesmas, tal qual constatado pela própria Fiscalização no TVF (fl. 24): "102) Inicialmente, identificamos que a AME AMAZONAS MOTOCICLETAS ESPECIAIS LTDA (doravante chamada de AME), CNPJ: 50.265.677/000120, recebeu R$ 150.730,13 da GHF. Ao passo que enviou à GHF R$ 150.000,00. 103) Após enviarmos ofícios às instituições financeiras questionando o destinatário/remetente de alguns lançamentos bancários, verificamos que: 3 transferências bancárias (fls. 439 a 441) foram destinadas à empresa AME: 1º de R$ 100.000,00 no dia 06/01/2010; 2º de R$ 605.830,00, no dia 18/01/2010; 3º de R$ 758.395,17, no dia 30/06/2010. Totalizando a quantia de R$ 1.464.225,17; Todos as 3 transferências foram realizadas através do Banco BVA S.A; As 2 primeiras transferências citadas anteriormente foram feitas através de uma Autorização de Débito enviada ao Banco pela GHF em que solicita a transferência para a conta da AME para (sic) “amortização do Contrato Nº 4373/09R03, onde a GHF Comercial International Trading LTDA é a terceira garantidora” (fl. 439); Fl. 8709DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.709 24 A 3ª transferência foi feita através de uma Autorização de Débito enviada ao Banco pela GHF. 104) Ademais, verificando o quadro social da empresa AME obtivemos o seguinte cenário: Conforme consta nos sistemas da RFB, até o dia 18/06/2010, o sr. GUILHERME HANNUD FILHO possuía 99% do Capital da AME. Após esta data, passou a deter 100%; ∙ O Sr. Guilherme também exerce a função de sócio administrador da empresa AME." Quanto aos demais valores considerados não comprovados pela Fiscalização, cujo planilha foi juntada ao processo (arquivo não paginável, imagem de fls. 2327), constatei que no valor total de R$ 15.704.313,43 estão incluídos, ainda: duas transferências internas para a própria conta da empresa no banco Bradesco, nos valores de R$ 1.300.000,00 em 24/02/2010 (linha 21) e 50.000,00 (linha 144); duas transferências da conta do Sr. Guilherme Hannud Filho, sócio majoritário da empresa, nos valores de R$ 45.000,00 (linha 143) e R$ 479.500,00 em 17/12/2010 (linha 151), também no Banco Bradesco. No extrato do Banco Bradesco, arquivo não paginável anexado à fl. 73 dos autos, verificase que o Sr. Guilherme não só enviou recursos para empresa, mas também recebeu em todos os meses, a exemplo do valor de R$ 79.000,00 em 06/04/2010. É operação comum o suprimento de recursos do sócio à empresa, sendo que caso não tenha origem, a omissão de receitas deve ser caracterizada no art. 282 do RIR/99 (suprimento de caixa). Uma vez que a própria Fiscalização considerou que todos esses valores estão contabilizados, considerando também que transferências entre contas da empresa não devem ser tributadas (Lei 9.430/1996, art 42, §3o., inciso I), formei convencimento de que não restou caracterizado que a empresa GHF utilizou de suas contas bancárias para acobertar omissões de receitas oriundas de depósitos bancários, devendo ser integralmente cancelada a exigência desse item. Sendo assim, conforme bem analisado no v. acórdão, entendo que restou comprovado a origem dos depósitos feitos entre empresas do mesmo grupo e por meio de contratos de mútuo, desconstituindo a presunção de omissão de receita feita pela fiscalização. Redução da multa qualificada: Adoto como fundamenta para decidir, os argumentos descritos no v. acórdão recorrido e os colaciono abaixo. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO QUALIFICADA (150%) No TVF, às fls. 1516, a Fiscalização assim justifica a qualificação da multa de ofício (verbis): "(...) Fl. 8710DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.710 25 45) Na DIPJ 2010, ano calendário 2009, o Contribuinte apresentou uma receita de R$ 55.418.249,88, segundo consta nos sistemas da RFB. Conseqüentemente, conforme os preceitos do art. 14, inciso I, da Lei nº 9.718, de 27/12/1998, ele estava obrigado a apurar o IRPJ pelo Lucro Real no ano calendário seguinte (2010). 46) Ainda assim, o Contribuinte não recolheu o IRPJ lucro real pago por estimativa ou o IRPJ lucro real apuração trimestral, e omitiu do Fisco Federal a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ 2011), ano calendário 2010, não sendo a RFB capaz de averiguar as informações econômicofiscais do Contribuinte. 47) Somente após o início do presente procedimento fiscal, no dia 18/11/2013, o Sujeito Passivo apresentou a DIPJ 2011. E, no dia 13/12/2013, o Contribuinte apresentou a Escrituração Contábil Digital (ECD). Muito embora não tenha atendido às intimações, o sujeito passivo regularizou suas obrigações acessórias (DIPJ, ECD), após o início do procedimento fiscal, o que comprova a ciência do procedimento fiscal e o embaraço à fiscalização mediante recusa em apresentar a documentação exigida. 48) Intimado e reintimado a apresentar a documentação de suporte dos lançamentos contábeis selecionados por procedimento de amostragem, o Fiscalizado não se manifestou. Destarte, o Contribuinte foi submetido à apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, restando comprovado nos autos uma receita bruta estimada de R$ 59.895.083,45. 49) Nas Diligências realizadas, foram apresentadas Notas Fiscais pelas empresas Diligenciadas que totalizam a quantia de R$ 40.114.397,62. E assim sendo, não se pode admitir uma omissão de receitas comprovadamente auferidas na atividade da empresa, através da extensiva quantidade de Notas Fiscais arroladas no presente processo, sem que o Contribuinte não tivesse a intenção de realizála. Então, não se vislumbra possível a descaracterização da conduta dolosa da empresa autuada, pois assumiu o risco de produção do lançamento de ofício. 50) Cumpre esclarecer que no direito tributário penal, as condutas decorrentes de dolo são apenadas com a multa de ofício qualificada de 150%. 51) Aos valores submetidos à tributação por esta fiscalização, referente à omissão de receitas, foi aplicada a multa qualificada por ter o contribuinte praticado atos que se enquadram no artigo 71 da Lei 4.502/64, incorrendo na hipótese prevista no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Lei 11.488/07). Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Fl. 8711DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.711 26 Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” 52) No presente caso, cumpre reconhecer a sonegação, na tentativa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, quando deixou de oferecer a tributação os valores acima descritos reconhecidos e identificados, por esta fiscalização durante o presente procedimento. (...)" Grifei. Por sua vez, na peça impugnatória, fl. 2950 dos autos, a Contribuinte contesta essa majoração alegando que: "(...) 93. A assertiva acima contabiliza o rigor excessivo do TVF elaborado pelo Sr. Auditor, cujo intuito não é a busca pela verdade real, mas, apenas, de promover a arrecadação e atingir suas metas individuais na SRFB a qualquer custo! 94. Em nenhum documento juntado aos autos há qualquer comprovação de dolo da Impugnante, pois, nesse caso, sequer houve a conduta indicada, qual seja, a omissão de receitas. Destacandose ainda que sequer a omissão de informações/documentos foi promovida pelas pessoas jurídicas e físicas listadas e arroladas como corresponsáveis pelos débitos lançados. 95. Ainda que houvesse a omissão de receitas, o que admitese apenas a título argumentativo, não houve dolo. Em outras palavras, não houve a vontade consciente de realizar uma conduta que a lei define como crime. 96. Para que seja configurado o dolo, é necessário que estejam presentes os elementos do dolo, quais sejam, o elemento intelectual (conhecimento) e o elemento volitivo (vontade). 97. Em nenhum momento há a comprovação de que os Impugnantes cometeram qualquer ação ou omissão com dolo para impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco de fato gerador de tributo, nos termos do artigo 717 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 ("Lei n° 4.502/64"). 98. Se houve dolo, o que admitese, novamente, apenas para fins de argumentação, este foi do Sr. Administrador Judicial que por omissão, fez com que o Sr. Auditor desconsiderasse as declarações apresentadas por falta de documentos de suporte e entendesse que houve omissão de receitas. Fl. 8712DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.712 27 (...)" Grifei. Pois bem, anos participei de centenas de julgamentos em que foi apreciada a aplicação da multa qualificada. Formei critérios para estabelecer minha convicção nessescasos, os quais sempre observo, visando manter coerência em meus votos. Cabe aqui reportaralguns desses julgamentos: i) Acórdão 140200.337 de 14/12/2010 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não elide a prática dolosa anterior. Naquele processo, verificouse que as receitas auferidas e escrituradas pelo contribuinte, que inclusive eram declaradas ao Fisco Estadual pela totalidade, eram reduzidas em 99% para fins de apuração dos tributos federais. Para acobertar o conhecimento da Receita Federal, o contribuinte apresentava regularmente suas DIPJ e DCTF, bem como efetuava os recolhimentos dos tributos, porém, sobre esse 1%, e durante pelo menos 3(três) anos consecutivos. A prova do dolo, no caso Sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64) foi justamente as Declarações de Pessoa Jurídica (DIPJ e DCTF), sistemática e reiteradamente, grafando valores a menor. No citado julgamento, a multa de 150% foi mantida por 5 votos a 1. ii) Acórdão 140200.494 de 31/03/2011 Ementa: GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. (Grifei). A autuada teria adquirido por R$300milhoes de Reais, debêntures cujo valor de face era de R$1mil (ágio de 299 milhões), sendo que o pagamento teria sido feito mediante TBills (Títulos do Governo dos Estados Unidos da America do Norte), cuja existência não foi comprovada. Na situação versada, a decisão de 1a. instância afastou a aplicação de multa qualificada “por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação mesmo que se reconheça nela todo o artificialismo argüido pela Fiscalização”. Porem, este Julgador, à época Conselheiro no CARF, entendeu que eram robustas as provas trazidas aos autos da artificialidade das operações. A começar pelo fato de a empresa, que teria emitido as debêntures possuir apenas existência formal. Nas palavras da Fiscalização: “a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo (...)”. No aludido acórdão, pelo voto de qualidade, a multa qualificada foi restabelecida. iii) Acórdão 10248.633 de 14/07/2007 Fl. 8713DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.713 28 Ementa: MULTA DE OFICIO QUALIFICADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem ou acréscimo patrimonial a descoberto, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964.) Naquele processo, o contribuinte omitiu na declaração de IRPF a conta bancária de sua titularidade. Além disso os valores movimentados eram elevadíssimos em relação aos rendimentos tributados. Todavia, a Fiscalização deixou de demonstrar a conduta dolosa, considerandose ainda que o lançamento de oficio se deu calcado na presunção legal (fraude não se presume). Mais a mais, “ao informar rendimentos ínfimos em sua declaração, ao invés de elidir a ação fiscal, o efeito foi justamente o contrário, o procedimento chamou a atenção do fisco.” A multa foi desqualificada à unanimidade. Situação semelhante foi observada em diversos outros acórdãos da relatoria deste julgador, cujo lançamento se deu exclusivamente com base em depósitos bancários, sendo que a contacorrente era de titularidade do próprio contribuinte. Voltando a situação versada no presente processo, constatase que a multa foi qualificada em virtude de uma omissão do contribuinte qual seja, deixar de apresentar a DIPJ. Resta saber se essa conduta realmente é dolosa e realmente impediu ou retardou o conhecimento do fato gerador pelo Fisco. Considero que não. Isso porque deixar de apresentar a DIPJ é conduta omissiva, porém não se pode afirmar que é dolosa. Situação distinta seria apresentar a Declaração com valores de receitas a menor, reiteradamente, ou zeradas/sem movimento. Aliás, ao deixar de apresentar a DIPJ no prazo, a contribuinte ao contrário de impedir ou retardar o conhecimento de suas receitas em verdade fez foi chamar a atenção do Fisco, isso porque: as receitas da GHF, na ordem de 40milhões ao ano, continuaram sujeitas a retenções em fonte, seus clientes continuaram apresentando DIRF; as receitas efetivamente auferidas continuaram sendo depositadas em contas correntes de sua titularidade, ou seja, o Fisco tinha pleno conhecimento de sua movimentação bancária pelas declarações de movimentações financeiras apresentadas pelos bancos; a GHF apresentou DCTF, DACON e DIRF no prazo. Ora, uma empresa com esses números certamente estava sujeita ao acompanhamento especial. Definitivamente não é crível que suas receitas pudessem ser ocultada do Fisco nessas condições, o que em verdade não ocorreu. Registrese, ainda, que a Fiscalização arbitrou uma parte das receitas tributadas no auto de infração, com base em depósitos bancários, por consideralas omitidas, ou seja, aplicou presunção para apurar parte base de calculo, logo, este seria um motivo para desqualificar a multa de oficio, pois: a fraude não se presume. Fl. 8714DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.714 29 Tanto é assim que o parágrafo 3o. do artigo 24 da lei 9.249/1995, que em sua redação original estabelecia a aplicação de multa qualificada sempre que apurada omissão de receitas1, foi revogado no ano seguinte pelo art. 88 da Lei 9.430/1996. Em face do exposto, até mesmo diante do detalhamento e clareza do Termo de Verificação Fiscal, formei convencimento de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 75%. Da exclusão da responsabilidade solidária das partes que apresentaram impugnação tempestiva e canceladas no v. acórdão recorrido. Em relação a exclusão da responsabilidade solidária do Sr. Guilherme Hannud Filho, da Sra. Maria Rosana Zurita, da LT Comercial Ltda e do Sr. Juliano Hossri Ribeiro que apresentaram a impugnação, também adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido para decidir pela não procedência do Recurso de Ofício. GUILHERME HANNUD FILHO Consoante fls. 31 e Seguintes do TVF, a Fiscalização atribuiu responsabilidade solidária ao sr. Guilherme pelos seguintes motivos: "(...) O art. 135, inciso III, do CTN, determina: [...] 55) Ora, analisando o dispositivo legal acima, fica evidente que se aquelas pessoas narradas no inciso III, do art. 135 do CTN praticarem atos com infração à lei, estas mesmas pessoas serão pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias resultantes destes atos; 56) Observando a Ficha Cadastral da JUCESP do Sujeito Passivo (arrolada nas fls. 2287 a 2294), consta que o Sr. GUILHERME HANNUD FILHO, CPF: 000.591.31870, encontravase, no ano calendário de 2010, “na situação de sócio e administrador, assinando pela empresa” (NUM.DOC: 000.934/094, Sessão de 12/01/2009; grifo nosso), detendo 99,50% do capital social da empresa autuada; (...) 59) Dos itens 56 a 58, resta claro que o Sr. GUILHERME exercia a administração da sociedade; 60) Extraise também, dos itens 45 a 53, que não se pode admitir uma omissão de receitas tão expressivas, com valores não declarados espontaneamente ao fisco, como sendo um erro do Sujeito Passivo. Então, não se vislumbra possível a descaracterização da conduta dolosa da empresa autuada; 61) No presente caso, cumpre reconhecer a sonegação e a fraude, na tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, quando deixou de oferecer à tributação os valores acima descritos reconhecidos e identificados, por esta fiscalização durante o presente procedimento; Fl. 8715DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.715 30 62) Como o sócio possuía a competência para administrar as contas bancárias, não há como admitir que o mesmo não soubesse da expressiva movimentação financeira da empresa e de não ter declarado nada ao fisco à época dos fatos. (...)" (grifos do original) Na peça impugnatória, às fls. 2949 e seguintes, o Sr. Guilherme questiona essa responsabilização solidária aduzindo que: "(...) Conforme esclarecido anteriormente, o Auditor Fiscal simplesmente ignora a existência da massa falida da GHF e desconsidera a personalidade jurídica da devedora GHF, em flagrante prejuízo aos terceiros (corresponsabilizados por sujeição, credores, etc) que acabam envolvidos com o lançamento tributário sem possuírem qualquer responsabilidade a respeito. 88. Ora, além de inexistirem provas relacionadas às condutas descritas no TVF como realizadas pelos devedores solidários, o Auditor Fiscal age com ilegalidade ao promover referida desconsideração desamparado de decisão judicial que a assegure e valide. Na prática, o Auditor Fiscal se ampara em meras alegações e aplica os artigos 124, 134 e 135 do CTN para sustentar suas fantasiosas presunções de ilegalidades. 89. Em suma: errou o Auditor Fiscal ao promover a desconsideração da personalidade jurídica da GHF e direcionar os débitos lançados aos responsáveis ditos solidários, devendo referido erro ser corrigido por meio da exclusão do Impugnante Sr. Guilherme Hannud Filho e de todos os outros corresponsabilizados do polo passivo do presente AIIM impugnado. (...)" (grifos do original). Entendo que cabe razão à peça impugnatória, especificamente em relação ao Sr. Guilherme Hannud Filho, isso não só pelo fato de ter sido afasta a aplicação da multa qualificada na presente decisão, haja vista a inocorrência da conduta dolosa de que trata o art. 71 da Lei 4.502/1964, também não só pelo cancelamento das exigências calcadas nos depósitos bancários considerados de origem não justificada pela Fiscalização, mas principalmente por não ter sido comprovado nos autos que ele tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, muito menos que tenham se beneficiado diretamente das de eventuais irregularidades na administração da empresa. É certo que, a partir do arbitramento dos lucros aflorou um montante de crédito tributário maior que declarado/recolhido pela contribuinte no ano de 2010, em todos os tributos federais. No regime do lucro real, é possível que teriam sido apuradas diferenças a partir de uma auditoria perspicaz nos custos e despesas computados pela empresa, tal qual foi feito com as receitas efetivamente auferidas. Outrossim, tendo acesso à Escrituração Contábil Digital (ECD) da empresa, de seus extratos bancários e alguns outros instrumentos, a Fiscalização nada apurou quanto a desvio de recursos para as contas do sócios ou até mesmo contabilização de custos/despesas a partir de notas fiscais de empresas fictas ou inidôneas. Frisese que da mesma forma que intimou os principais clientes da empresa, o Fisco poderia verificar os principais fornecedores pela ECD e fazer o mesmo, ao Fl. 8716DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.716 31 menos para robustecer a acusação fiscal em relação às infrações atribuídas ao Sr. Guilherme. Afasto, pois, a responsabilidade solidária do Sr. Guilher Hannud Filho, atribuída no presente processo, sem prejuízo da possibilidade de restabelecimento em eventual execução fiscal, a partir de fatos novos. MARIA ROSANA ZURITA No TVF, fls. 17 e seguintes, a Fiscalização justifica a responsabilidade solidária da Sra. Maria Rosana nos seguintes termos (verbis) "(...) Analisando as informações prestadas pela diligenciada, destacamos os seguintes fatos: ∙ Com relação aos depósitos referentes a Aluguel, o Contrato apresentado possui um valor de locação de R$ 26.642,00. No entanto, a Sra. ROSANA recebia a quantia de R$ 20.000,00; Com relação aos Contratos de Mútuo, o Código Civil (Lei Nº 10.406, de 10/01/2002) prevê o seguinte: “Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. (...) Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (...)” Portanto, dos dispositivos legais supracitados, podese afirmar que o Contrato do Mútuo só produz efeitos perante a Receita Federal, que no caso é o terceiro envolvido, se estiver registrado no Registro Público, fato que não ocorreu; Com relação à quantia de R$ 45.000,00 recebida do fiscalizado, não conseguimos encontrar o devido envio da mesma quantia que justificasse o empréstimo efetuado; Com relação à quantia de R$ 34.000,00, a documentação apresentada (recibo) não comprova os termos e elementos do acordo amigável supracitado. 70) Ressaltamos que, conforme descrito no item 17, solicitamos às instituições financeiras, através do RMF, procurações emitidas pelo Sujeito Passivo que outorgasse poderes a terceiros para movimentar as contas bancárias do fiscalizado; 71) Obtivemos uma procuração (fl. 303 a 307), lavrada no dia 27/05/2008, no 2º Tabelião de Notas de Osasco, em que o Sujeito Passivo, representado por seu sócioadministrador GUILHERME HANNUD FILHO, nomeia e constitui como sua procuradora, MARIA ROSANA ZURITA, CPF: 791.441.95834, conferindo o seguinte: (...) 72) Da procuração citada, resta claro que a Sra. ROSANA recebeu os mais amplos poderes de administração do Sujeito Passivo. Inclusive, a referida procuração não estabeleceu prazo para exercêlos. Fl. 8717DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.717 32 73) Destacase que enviamos um ofício (fl. 1712) ao 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos da Comarca de Cotia solicitando cópia das procurações registradas neste Tabelionato, cujo Sujeito Passivo seja qualificado como Outorgante. Em todas as procurações obtidas (fls. 1714 a 1765), o Sujeito Passivo teve o cuidado de registrar o prazo de determinados poderes que ofereceu a terceiros diversos; 74) Ora, diante disso, não há dúvidas que o fiscalizado concedeu poderes à Sra. ROSANA sem prazo de vencimento conscientemente, pois, em diversas procurações concedidas, teve o devido cuidado de estipular uma data de resolução. 75) Ademais, informase que a Sra. ROSANA permaneceu como sócia do Sujeito Passivo do dia 10/09/1993 até o dia 31/08/2005, conforme consta na Ficha da JUCESP (fls. 2287 a 2294). Ora, soa muito estranho, que a Sra. ROSANA se retire da sociedade, e quase 3 (três) anos posteriores, receba uma procuração que lhe conceda os mais amplos poderes de administração. 76) Concluindo o exposto, resta claro que a Sra. MARIA ROSANA ZURITA possuía fortes interesses comuns com a empresa autuada, caracterizando sua responsabilidade sobre os créditos tributários ora lançados, além de deter plenos poderes de administração da GHF. (...)" (grifos do original). Em sua defesa, fls. 7192 e seguintes, a impugnante contesta veemente sua responsabilização, alegando que: "(...) 51. A Impugnante não se desincumbiu de suas obrigações de contribuinte e esclareceu, em sua competente "Resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 10010.007188/031446", que celebrou contratos de mútuo com a GHF no ano de 2010. 52. Após a indicação do fluxo de valores relativos aos créditos e débitos relacionados aos contratos de mútuo acima indicados, o Sr. Auditor Fiscal afirmou no TVF (i) que não pôde identificar em extratos bancários da GHF um dos valores a remetidos pela Impugnante a GHF, bem como (ii) que referidos contratos não produzem quaisquer efeitos perante a Secretaria de Receita Federal do Brasil, em virtude da ausência de registro em Registro Público. 53. Registrese, inicialmente, que referida matéria não é relevante para a apuração de responsabilidade tributária e não pode, de forma alguma, servir de bojo para a inclusão de um terceiro, estranho à administração da empresa autuada, no pólo passivo do presente PAF. 54. No entanto, novamente demonstrando sua mais absoluta boafé, a Impugnante aclarará os fatos, colaborando para que o processo administrativo fiscal busque a verdade real dos fatos, como deve se prestar a fazer. (...) 63. Na prática, o Sr. Auditor Fiscal atribuiu a responsabilidade tributária solidária a Impugnante baseandose, única e exclusivamente, no fato da Impugnante se tratar de ex cônjuge do ex administrador da devedora principal, na existência de instrumento de procuração, nunca utilizado, digase de passagem, e em fantasiosas alegações relacionadas ao não reconhecimento do fluxo financeiro dos Fl. 8718DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.718 33 contratos de aluguel e mútuos existentes entre a Impugnante e a GHF no ano de 2010. 64. Ora, inexiste qualquer "prova" nos autos do PAF e, consequentemente, no TVF ou AIIM que demonstre: > o efetivo exercício da administração da GHF por parte da Impugnante a partir da outorga do instrumento de procuração ventilado no TVF; > que os créditos tributários lançados são resultantes de atos praticados pela Impugnante, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; > que existem ilegalidades ou irregularidades no fluxo financeiro e nos contratos de locação e mútuos firmados entre a Impugnante e a GHF no ano de 2010. 65. Importante esclarecer que inexiste nos autos, igualmente, qualquer prova da legalidade da medida do fiscal que desconsiderou a personalidade jurídica da devedora principal e os interesses da massa falida e credores com relação a este lançamento que se impugna! 66. Ou seja, a autoridade fiscal não se incumbiu de provar o fato constitutivo do direito de promover o lançamento fiscal contra a Impugnante! 67. Por seu turno, não é forçoso se concluir que a Impugnante traz aos autos, por meio da presente defesa, esclarecimentos fáticos reais e de direito, devidamente amparado em P R O V A S , que logram êxito em desconstituir os fatos e direito que a autoridade fiscal não se incumbiu de provar. 68. Ora, no sentido processual, a prova estabelece condão entre a verdade dela transmitida e a decisão a ser prolatada. Ao se utilizar dos princípios gerais que regem as relações do Direito Civil (e Penal) e ao se defrontar com as diferentes possibilidades de provas, o Processo Administrativo Fiscal busca aliar o conhecimento da lei e da verdade do fato, para aplicação efetiva da justiça. (...)" (grifos do original). A meu ver, a acusação fiscal contra a Sra. Rosana também carece de provas robustas que a responsabilizada efetivamente exerceu a administração da empresa e de que se beneficiou das irregularidades tributárias atribuídas pela Fiscalização à GHF. A existência da aludida procuração do Sr. Guilherme para a Sra. Rosana, por si só, nada comprova contra ela. Isso porque nenhum ato irregular praticado pela sra. Rosana com uso dessa procuração foi trazido ao processo pela Fiscalização. Aliás, nada foi juntado, seja regular, seja irregular. Quanto aos contratos firmados entre a Sra. Rosana e a GHF, a Fiscalização apegouse a falta de registro em cartório para retirarlhes a credibilidade, ainda que tenha constatado diversas transferências bancárias entre a empresa e a impugnante (entradas e saídas). cabe aqui mais uma vez indagar: numa hipótese de as partes apresentarem contratos registrado em cartório ao tempo da celebração, mas inexistir provas da materialidade dos mesmos (no caso de mútuos, falta prova da origem dos recursos, da capacidade econômica/financeira do mutuante, da efetiva entrega ao mutuário, etc.), tais instrumentos seriam aceitos para fins tributários? Evidente que não. Fl. 8719DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.719 34 No presente caso, consoante TFV (fl. 18) ,a própria Fiscalização assevera que "Nos extratos bancários da empresa fiscalizada (doravante chamada de GHF), identificamos que houve movimentações financeiras entre a GHF e a Sra. MARIA ROSANA ZURITA. Esta recebeu a quantia de R$ 639.142,50 daquele. E enviou ao Fiscalizado a quantia de R$ 400.00,00. " O contrato de locação de imóvel da impugnante para a GHF, apresentado à Fiscalização, durante a auditoria, fls. 2196 e seguintes, faz prova de que um imóvel de propriedade da Sra. Rosana estava cedido à empresa em 2010 para uso administrativo, pelo valor mensal de R$ 26.642,00. Vejamos o facsimile parcial da 1a. folha desse contrato: Além disso, a Sra. Rosana apresentou cópia de sua Declaração de Imposto de Renda (fls. 2201 e seguintes) onde consta que recebeu e tributou R$ 212.136,16 da GHF. [...] Ora, diante de provas materiais apresentadas pela Sra. Rosana, durante a auditoria fiscal, ao invés de aprofundar nas investigações para infirmálas, a Fiscalização apegouse em aspectos formais e conjecturas para concluir que chamou de "a Sra. MARIA ROSANA ZURITA possuía fortes interesses comuns com a empresa autuada, caracterizando sua responsabilidade sobre os créditos tributários ora lançados, além de deter plenos poderes de administração da GHF". Diante da insuficiência das provas da Fiscalização, cumpre afastar a sujeição passiva solidária da Sra. Maria Rosana Zurita. JULIANO HOSSRI RIBEIRO No TVF, fls. 28 e seguintes, a Fiscalização justifica a sujeição passiva solidária do Sr. nos seguintes termos (verbis): Fl. 8720DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.720 35 "(...) Obtivemos uma procuração (fl. 303 a 307), lavrada no dia 27/05/2008, no 2º Tabelião de Notas de Osasco, em que o Sujeito Passivo, representado por seu sócioadministrador GUILHERME HANNUD FILHO, nomeia e constitui como seu procurador, JULIANO HOSSRI RIBEIRO, CPF: 791.441.95834. Esta procuração foi lavrada no mesmo dia e no mesmo cartório em que a GHF lavrou procuração conferindo amplos poderes à Sra. MARIA ROSANA ZURITA. Na procuração em que outorga poderes ao JULIANO, a GHF conferiu os seguintes poderes: (...) 121) Da mesma forma como procedeu com a Sra. ROSANA, da procuração supracitada, resta claro que o Sr. JULIANO recebeu os mais amplos poderes de administração do Sujeito Passivo. Inclusive, a referida procuração não estabeleceu prazo para exercêlos. 122) Destacase que enviamos um ofício (fl. 1712) ao 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos da Comarca de Cotia solicitando cópia das procurações registradas neste Tabelionato, cujo Sujeito Passivo seja qualificado como Outorgante. Em todas as procurações obtidas (fls. 1714 a 1765), o Sujeito Passivo teve o cuidado de registrar o prazo de determinados poderes que ofereceu a terceiros diversos; 123) Ora, diante disso, não há dúvidas que o fiscalizado concedeu poderes ao Sr. JULIANO, sem prazo de vencimento, conscientemente, visto que, em diversas procurações concedidas, teve o devido cuidado de estipular uma data de resolução. 124) Ora, à época dos fatos, o Sr. JULIANO era exsócio da ECOBRAS, sócio da empresa LT, que movimentava recursos com a GHF, e ainda por cima detinha uma procuração da GHF que lhe concedia os mais amplos poderes de administração. 125) Diante de todo o exposto, não resta dúvida que o Sr. JULIANO HOSSRI RIBEIRO possuía fortes interesses comuns com a empresa autuada, caracterizando sua responsabilidade sobre os créditos tributários ora lançados, além de deter plenos poderes de administração da GHF, reforçando a idéia de que atuava na administração das empresas que operacionalizavam em Grupo. (...)" (grifos do original). Na sua impugnação, às fls. 5345 e seguintes, o Sr. Juliano afirma e alega que (verbis): "(...) 4. Vale esclarecer, desde já, que o Impugnante em momento alQUITI foi procurado pelo Sr. Auditor Fiscal no curso da fiscalização para prestar esclarecimentos ou documentos acerca da imputação que lhe é feita por meio do presente lançamento fiscal, o que por si só demonstra a má condução técnica do lançamento por parte do fiscal, pois o Impugnante já poderia ter apresentado resposta sobre os fatos e evitado todo o desgaste que envolve a instauração do procedimento contencioso. (...) Fl. 8721DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.721 36 6. Conforme se verifica dos argumentos manifestados pelo Sr. Auditor Fiscal em seu TVF, o Impugnante foi incluído no polo passivo do PAF e AIIM, em virtude da verificação por parte do Sr. Auditor Fiscal da existência de um instrumento de procuração, outorgado unilateralmente pela GHF ao Impugnante, na data de 27/05/2008. 7. Importante esclarecer que o Impugnante e o então representante legal da GHF, Sr. Guilherme Hannud Filho, sempre possuíram bom relacionamento. 8. Mister deixar cristalino que o Impugnante inclusive não se lembrava da existência dessa procuração até tomar conhecimento do presente PAF e AIIM correlatos. 9. A realidade dos fatos, conforme esclarecimentos recentes prestados pelo Sr. Guilherme Hannud Filho ao Impugnante, dá conta de que o Sr. Guilherme fora acometido por uma profunda depressão e problema específico de saúde que acabou suprimindo 70% (setenta por cento) de sua visão em meados de 2008. 10. Referido fato teria gerado no Sr. Guilherme justo receio de perder suas capacidades físicas e até mesmo a vida, o que o motivou, enquanto representante legal da GHF, a nomear e constituir, unilateralmente, como procurador da empresa o Impugnante, com a intenção de possibilitar uma eventual organização da empresa acaso o pior viesse a lhe acontecer. 11. Contudo, diferentemente das meras suposições e alegações trazidas pelo Sr. Auditor Fiscal nos autos do TVF, exclusivamente lastreadas na letra fria de instrumento de procuração registrado em cartório, importante se frisar, desde já, que apesar de nomeado e constituído como procurador da empresa autuada, o Impugnante não praticou qualquer ato de administração em nome da GHF que pudesse dar ensejo a responsabilidade tributária discutida nestes autos. 12. Nesse sentido, requerse a juntada da anexa documentação administrativa (DOC. 01), emprestada pela GHF em razão dos prejuízos acarretados ao Impugnante, tais como efetivações de contratações e demissões de empregados, emissões de cheques, formalização de contratos com fornecedores, dentre outros, que refletem inúmeros atos de administração da empresa contemporaneamente aos efeitos da procuração em questão, e que cabalmente comprovam a afirmação do Impugnante de que não exerceu atos voltados a administração da empresa em questão. 13. Em outras palavras, o Sr. Auditor Fiscal se apoia em meras e vãs suposições para constituir a responsabilidade solidária do Impugnante em torno de um mero instrumento de procuração, de natureza constitutiva unilateral, que nunca foi utilizado. (...)" Grifei. Tal qual ocorrido em relação à Sra. Rosana, a acusação contra o Sr. Juliano também carece de provas robustas de que o responsabilizada efetivamente exerceu a administração da empresa e de que se beneficiou das irregularidades tributárias atribuídas pela Fiscalização à GHF. A existência da aludida procuração do Sr. Guilherme para o Sr. Juliano, por si só, nada comprova contra o mesmo, haja vista que nenhum ato irregular praticado pela Sr. Juliano com uso dessa procuração foi trazido ao processo pela Fiscalização. Fl. 8722DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.722 37 Frisese que o Sr. Juiano nega, categoricamente que tenha praticado atos irregulares com o uso da aludida procuração. Na situação aqui versada, o ônus da prova é de quem acusa, no caso da Fiscalização. Assim, diante da insuficiência dessas provas, resta afastar a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Juliano Hossri Ribeiro. LT COMERCIAL LTDA A Fiscalização justifica a sujeição passiva solidária da empresa LT Comercial às fls. 21 e seguintes do TVF (verbis): "(...) 89) A empresa LT COMERCIAL LTDA (doravante chamada de LT), CNPJ: 04.463.885/000116, recebeu a quantia de R$ 568.374,00. E enviou a quantia de R$ 500.374,00 para a GHF. 90) Conseqüentemente, iniciamos uma Diligência na LT para que nos informasse a natureza das operações envolvidas nestas movimentações bancárias (fls. 2233 a 2236). A empresa diligenciada alegou (fls. 2240 a 2286): R$ 60.000,00 recebidos são referentes a um Contrato de Transação Extrajudicial em que a GHF se compromete a pagar a quantia em 2 parcelas de R$ 30.000,00, para “prevenir litígio entre as partes”; R$ 508.374,00 recebidos se referem a pagamentos referentes a Contratos de Mútuo; R$ 8.000,00 se referem a Ágio pelas operações realizadas. 91) Analisando as informações prestadas pela diligenciada, destacamos os seguintes fatos: Sobre o recebimento por motivo de transação extrajudicial, citase o art. 840 do Código Civil (Lei Nº 10.406, de 10/01/2002) “Art. 840. É lícito aos interessados prevenirem ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas.” Ou seja, na Transação Extrajudicial deve existir uma situação prévia controvertida. E mediante concessões mútuas, a Transação prevenirá o litígio judicial. Assim sendo, a empresa LT poderia detalhar os motivos que levaram a assinarem um Contrato de Transação, as situações controvertidas envolvidas, as concessões mútuas propostas. No entanto, se limitou a apresentar o Contrato Particular, sem detalhar nada. Somente informando que era para “prevenir litígio entre as partes”. Ora, não havendo concessões ou situações que possam levar ao litígio, o Contrato seria uma mera doação disfarçada. Com relação aos Contratos de Mútuo apresentados, novamente, citamos o Código Civil que prevê o seguinte: “Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. (...) Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os Fl. 8723DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.723 38 seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (...)” Portanto, dos dispositivos legais supracitados podese afirmar que o Contrato do Mútuo só produz efeitos perante a Receita Federal, que no caso é o terceiro envolvido, se estiver registrado no Registro Público, o que não é o caso; (...) Ou seja, resta claro que o suposto mutuante, sendo pessoa jurídica, tem o dever de consignar, nos seus livros contábeis e fiscais, os fatos contábeis decorrentes do contrato de mútuo, o IOF deve ser recolhido e também escriturado. A LT não apresentou nenhum elemento adicional que pudesse corroborar a versão de mútuo. 92) Os depósitos bancários questionados na Diligência são os que puderam ter identificado os destinatários/remetentes pela simples análise dos extratos. Adicionalmente, enviamos um ofício às instituições financeiras (fls. 427 a 1692) para que nos informassem os remetentes/destinatários de alguns depósitos específicos. 93) Em resposta, o Banco do Brasil nos identificou mais um lançamento em que a LT recebeu R$ 13.000,00 da GHF, no dia 18/11/2010 (fls. 433 a 435). Ou seja, pelo volume de lançamentos presentes nos extratos de diversos bancos, não teríamos como apurar o destinatário da totalidade de movimentações. Contudo, o modus operandi baseado nas informações supracitadas comprova que as empresas GHF e LT movimentavam quantias entre si. (...) 95) Resumindo o quadro seguinte, o ano calendário de 2007 termina com o Capital Social da LT dividido com 85% para o GUILHERME HANNUD FILHO e 15% para o JULIANO HOSSRI RIBEIRO (o mesmo que até 2007, exercia a administração da ECOBRAS, junto com GUILHERME, detendo 10% do Capital). 96) Em 2008, GUILHERME se retira e JULIANO passa a deter 100% do Capital Social. 97) Em 2009, JULIANO vende 85% para JOAO GUILHERME (filho de GUILHERME). 98) Ou seja, do desenrolar dos fatos entre 15/08/2008 a 29/05/2009, essa engenharia societária serviu para que GUILHERME transferisse suas cotas a seu filho JOAO GUILHERME, que em 2008 tinha apenas 18 anos de idade. 99) Situação que se manteve até o fim do ano calendário 2010. 100) Por todo exposto, concluímos pelo seguinte modus operandi da empresa LT: o Sr. GUILHERME continuava a manter a administração da LT (ainda que 85% do Capital Social estivesse em posse de seu filho, mantendo o controle no seu âmbito familiar), conjuntamente com a ECOBRAS e a GHF. À medida que as empresas necessitavam de quantias financeiras, elas se “emprestavam” umas às outras. Fl. 8724DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.724 39 101) Em que pese atualmente a LT estar com uma estrutura societária mais pulverizada (vide ficha cadastral da JUCESP arrolada às fls. 2302 a 2307), no ano calendário 2010, existiam fortes interesses comuns entre a LT e a GHF, caracterizando a Responsabilidade Tributária da LT pelos créditos tributários lançados de ofício na presente fiscalização. (...)" Na sua impugnação, às fls. 8310 e seguintes, a empresa LT Comercial Ltda. alega que (verbis): "(...) 3. Conforme restará devidamente comprovado nas linhas abaixo, com amparo na documentação juntada neste ato, a Impugnante não deve ser responsabilizada pelo lançamento fiscal ocorrido contra a empresa (falida') em questão, uma vez que, diferentemente do que alega o Sr. Auditor Fiscal no Termo de Verificação Fiscal ("TVF") e AIIM lavrados, a Impugnante jamais contribuiu para a constituição do fato gerador dos tributos em questão e tampouco possuía (ou possui) interesse comum com a empresa GHF, não havendo que se falar em seu enquadramento nas situações contidas no artigo 124 do CTN. (...) 5. Conforme se verifica dos argumentos manifestados pelo Sr. Auditor Fiscal em seu TVF, a Impugnante foi incluída no polo passivo do procedimento administrativo fiscal, em virtude da realização de algumas transações financeiras de baixo valor com o sujeito passivo tributário, quais sejam, mútuos e uma transação extrajudicial (em razão de mútuos anteriores), e, ainda, por supostamente ter realizado dita "engenharia" para manter o senhor Guilherme Hannud Filho ("Sr. Guilherme") como administrador da Impugnante. 6. Importante esclarecer que o Sr. Guilherme não possui quotas sociais da Impugnante desde 15 de agosto de 2008 e, desde então, jamais praticou qualquer ato de administração em nome da LT, seja de forma direta ou indireta. 7. Mister igualmente deixar cristalino, que desde a supra referida data, o senhor Juliano Hossri Ribeiro ("Sr. Juliano") se trata do único administrador da LT Comerciai Ltda. ("LT"), função que exerce desde 10 de junho de 2003. 8. Apesar disso, fato é que o Sr. Auditor Fiscal, desprovido de material comprobatório ("PROVAS"), buscou amparar suas meras alegações na assertiva de que a Impugnante, por supostos interesses comuns com a empresa autuada e seu representante legal, possui responsabilidade sobre os créditos tributários ora combatidos. (...) 51. O Sr. Auditor Fiscal cita em seu Termo de Verificação Fiscal a existência de mútuos e de uma transação extrajudicial (relacionada aos próprios mútuos) entre o sujeito passivo GHF e a Impugnante, que de fato existiram. 52. Após indicar o fluxo de valores relativo aos contratos de mútuo acima indicados, fornecidos pela própria Impugnante em resposta a diligência promovida pelo Sr. Auditor Fiscal durante o Termo de Diligência Fiscal n° 10010.007178/031419, a autoridade fiscal afirma em seu TVF que tais contratos não produzem quaisquer efeitos perante Fl. 8725DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.725 40 a Secretaria de Receita Federal do Brasil, em virtude da falta de registro em Registro Público. 53. Ademais, desconsidera o contrato de transação extrajudicial por entender que não foram detalhados de forma precisa quais os motivos para a sua realização. 54. Desde já, indicase que, caso o Sr. Auditor Fiscal tivesse buscado tal informação, a Impugnante apresentaria todos os esclarecimentos solicitados, como acreditava ter realizado em sua resposta ao Termo de Diligência Fiscal. 55. Referido termo particular, de transação extrajudicial é anterior aos referidos contratos de mútuo de 2010 e foi realizado para que a empresa GHF quitasse contratos de mútuos anteriores e, assim, mantivesse a boa relação com a Impugnante. 56. Não há, portanto, qualquer irregularidade nas operações realizadas e, registrese que tal matéria não é relevante para a apuração de responsabilidade tributária e não pode, de forma alguma, servir de bojo para a inclusão de um terceiro, estranho à administração da empresa autuada, no pólo passivo do presente processo administrativo fiscal. 57. No entanto, para demonstrar sua mais absoluta boafé, a Impugnante, novamente, aclarará os fatos discutidos, relacionados a operações datadas de 2010, colaborando para que o processo administrativo fiscal busque a verdade real dos fatos, como devido. (...) 65. Ora, inexiste qualquer "prova" nos autos do Processo Administrativo Fiscal e consequentemente, no Termo de Verificação Fiscal ou Autos de Infração que demonstre: a contribuição da Impugnante para a constituição dos créditos tributários da GHF; e o efetivo exercício da administração da Impugnante por parte do Sr. Guilherme. 66. Ou seja, a autoridade fiscal não se incumbiu de provar o fato constitutivo do direito de promover o lançamento fiscal contra a Impugnante! 67. Por seu turno, não é forçoso se concluir que a Impugnante traz aos autos, por meio da presente defesa, esclarecimentos fáticos reais e de direito, devidamente amparado em PROVAS, muitas delas oficiais, que logram êxito em desconstituir os fatos e direito que a autoridade fiscal não se incumbiu de provar. (...)" (Grifos do original). Verificase neste item que novamente a Fiscalização busca caracterizar a responsabilidade solidária da empresa LT pelos débitos da GHF a partir de fatos indiciários, da efetiva ligação entre as empresas e da inobservância de formalidades em contratos celebrados entre as partes que efetivamente não envolvem terceiros. A efetiva ligação entre essas duas empresas, pelo fato de o Sr. Guilherme ter sido sócioadministrador da LT, e o filho deste continuar no quadro societário daquela empresa em 2010, a meu ver, é Fl. 8726DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.726 41 insuficiente para configurar a existência de uma única empresa de fato, tal qual parecer ser o caso da ligação entre a empresa GHF e a ECOBRAS. Ainda mais considerando que não foi comprovada uma única operação sequer envolvendo a LT e a GHF em negócios com terceiros. Repitase: afora os empréstimos da LT para a GHF, que a Fiscalização considerou não comprovados pelos aspectos formais já tratados nesta decisão, embora tenha constatado à fl. 22 do TVF que "A empresa LT COMERCIAL LTDA (...) recebeu a quantia de R$ 568.374,00. E enviou a quantia de R$ 500.374,00 para a GHF." nada mais há nos autos que possa configurar interesse comum entre tais empresa, muito menos ainda em situações que constituam fato gerador de tributos devidos pela GHF, cujo crédito tributário foi constituído no presente processo. Assim, afasto a sujeição passiva solidária da empresa LT Comercial Ltda. Desta forma, conforme muito bem fundamentado no v. acórdão recorrido, em relação aos que apresentaram impugnação, excluo a responsabilidade do Sr. Guilherme Hannud Filho, Sra. Maria Rosana Zurita, e empresa LT Comercial Ltda e o Sr. Juliano Hossri Ribeiro. Tributação Reflexa: Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para excluir a responsabilidade solidária do Sr. Alberto Pereira e do Sr. Reinaldo Pereira. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 8727DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.727 42 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Minha divergência com o ilustre Relator consiste unicamente em relação ao seu entendimento de que os autos de infração revestirse iam de “nulidade” em face de o agente autuante ter se equivocado na eleição do sujeito passivo da obrigação tributária, identificando a pessoa jurídica GHF COMERCIAL INTERNATIONAL TRADING LTDA. como contribuinte. No pensar do D. Relator, como sobreveio sentença judicial decretando a falência da empresa (proferida em 08/10/2013) e os lançamentos foram perpetrados em 29/08/2014 (fatos geradores entre 01/2010 à 12/2010), ou seja, como a falência foi decretada antes do lançamento de ofício em análise, o referido equívoco se manifestaria e provocaria a nulidade aventada. Na verdade, embora as colocações do I, Relator não possam ser desprezadas, faço uma leitura diferente dos fatos estampados nestes autos e que me levaram a entender não ter havido o suposto “erro na identificação do sujeito passivo”. Explico, em primeiro, sob o aspecto fático Está claro nos autos que o auditor realizou parcimoniosa e cuidadosa ação fiscal na qual todas as intimações e procedimentos adotados foram regular e sistematicamente informados à contribuinte, inclusive mediante dezenas de intimações que quedaram absolutamente silentes em relação às informações requeridas. E isto – frisese, por relevante – envolveu o próprio administrador judicial que, nesta fase dos autos, era o lídimo representante da contribuinte. Depois, a apresentação regular de impugnação (1ª Instância) e recurso voluntário, já em nível deste Colegiado, denotando todas as possibilidades para ampla defesa, o que, sistematicamente foi feito. Acresçase que tais peças foram assinadas por advogado constituído pela empresa e com poderes de procuração assinada por seu administrador Guilerme Hannud Filho em 2014, ou seja, APÓS a sentença falimentar. Mais ainda, houve cumprimento de obrigações acessórias, como entrega de GIA, DIPJ, etc. mostrando a manutenção – ainda que precária – da atividade da empresa. De outro lado, o fato de não constar a identificação “massa falida” no cabeçalho dos autos infração (fls. 2358/2425) ao reverso do pensamento do I. Relator, não me parece fundamento suficiente para inquinar de nulidade o procedimento, mais porque, indubitavelmente, foi a GHF quem emitiu as notas fiscais, fez compras, movimentou milhões em estabelecimentos bancários, enfim praticou os fatos geradores que culminaram com a imputação de ofício levada a efeito. Na verdade, a saída da administração da companhia de seus originais gestores, substituídos pelo “administrador judicial da falência” tem, no fundo, apenas um significado: impedir que aqueles que levaram à quebra continuem na gestão da empresa, não implicando em sua extinção. Fl. 8728DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.728 43 Confirase entendimento do STJ, em tudo aplicável (destaques acrescidos): 1. Na forma dos precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, "a mera decretação da quebra não implica extinção da personalidade jurídica do estabelecimento empresarial. Ademais, a massa falida tem exclusivamente personalidade judiciária, sucedendo a empresa em todos os seus direitos e obrigações. Em consequência, o ajuizamento contra a pessoa jurídica, nessas condições, constitui mera irregularidade, sanável nos termos do art. 284 do CPC e do art. 2º, § 8º, da Lei 6.830/1980" (REsp 1.192.210/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 4/2/2011) No mesmo segmento: 4. O simples fato de não ter sido incluído ao lado do nome da empresa executada o complemento "massa falida" não gera nulidade nem impõe a extinção do feito por ilegitimidade passiva ad causam. A massa falida não é pessoa diversa da empresa contra a qual foi decretada a falência. Não há que se falar em redirecionamento nem mesmo em substituição da CDA. Tratase de mera irregularidade formal, passível de saneamento até mesmo de ofício pelo juízo da execução. (REsp 1.359.041/SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/6/2013, DJe 28/6/2013) Em outro dizer, o sujeito passivo é o mesmo, apenas com gestão diferente, ou seja, continua sendo aquele que se obriga ao “pagamento de tributo ou penalidade pecuniária” e que tem “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. (CTN, artigo 121, parágrafo único, I). Evidente que, por todos os fatos presentes nos autos, como não poderia deixar de ser e aqui corretamente feito, houve imputação como “responsáveis” a todos aqueles que, de uma forma ou outras, tiveram participação e concorreram com tais fatos. Também não penso que o artigo 60 da Lei nº 9.430/96, quando dispôs que a massa falida seria equiparada à pessoa jurídica para efeito de pagamento de impostos e contribuições sociais da competência impositiva da União Federal, inovou no sentido de que o sujeito passivo original teria deixado de existir relativamente a fatos geradores havidos ANTES da quebra decretada. Ao contrário, alinho entendimento com a decisão do STJ antes reproduzida (REsp 1.192.210/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 4/2/2011) de que tal dispositivo apenas definiu que, a partir de sua vigência, as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência devem ter o mesmo tratamento e realizar os mesmos procedimentos exigidos das sociedades em geral; ou seja, não cuidou de por uma pá de cal na entidade jurídica que precedeu à decretação judicial ou extrajudicial. Com isso quero dizer que as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às pessoas jurídicas ativas, relativamente a essas contribuições, nas operações praticadas durante Fl. 8729DF CARF MF Processo nº 10882.722741/201424 Acórdão n.º 1402002.785 S1C4T2 Fl. 8.729 44 o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, o que só pode levar à conclusão de que tais procedimentos anteriores não estariam dentro desta conjuntura, por motivos óbvios, inclusive temporais. Tudo isso, friso mais uma vez, sem prejuízo da corretíssima imputação como responsáveis de todos aqueles que o Fisco elegeu e que tiveram tais imputações ratificadas no voto do I. Relator e com o qual, nesta matéria, perfilei. Por fim, ainda voltando à responsabilização da massa falida trazida pelo artigo 60, da Lei nº 9.430/1996, não se deve perder de vista que tal imputação tem direta relação com a cobrança do crédito tributário via execução fiscal, como se vê na decisão abaixo, do STJ: RECURSO ESPECIAL Nº 1.372.243 SE (2013/00699280) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO: Discutese neste recurso especial se a execução fiscal promovida contra pessoa jurídica com falência já decretada, sem mencionar a sua condição de massa falida, pode ensejar a extinção do feito por ilegitimidade passiva do devedor. Entendo que não. (...) Doutrinariamente, sabese que a massa falida possui, apenas, personalidade judiciária, para o fim de legitimar o síndico a promover, no interesse dos credores, a administração de universo de direitos e obrigações deixadas pelo falido. Essa legitimação, no entanto, não induz a extinção da personalidade jurídica do devedor. Com efeito, a pessoa jurídica já dissolvida pela decretação da falência subsiste durante seu processo de liquidação, sendo extinta, apenas, depois de promovido o cancelamento de sua inscrição perante o ofício competente Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à preliminar de nulidade aventada (erro na identificação do sujeito passivo) mantendo, pois, a sociedade GHF COMERCIAL INTERNATIONAL TRADING LTDA. no pólo passivo na qualidade de autuada e contribuinte, como identificado nos autos de infração (fls. 2358/2425). É como voto. Brasília (DF), em 18 de outubro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 8730DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001277/2010-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas formalmente e previamente ao período de aferição para o qual se realiza o pagamento. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto à retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que deram provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Ana Paula Fernandes e designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas formalmente e previamente ao período de aferição para o qual se realiza o pagamento. Não tendo sido obedecidas tais condições para o anobase sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 77 /2 01 0- 97 Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 559 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto à retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que deram provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Ana Paula Fernandes e designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Redatora Designada. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 12/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, prolatandose o Acórdão nº 2403002.666, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 560 3 Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza." (destaques originais) O processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN em 03/03/2015 (Despacho de encaminhamento de fls. 405). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu 30 dias após a referida data. Em 02/04/2015, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 406 a 411 (Despacho de Encaminhamento de fls. 412), os quais foram acolhidos por meio do Acórdão de Embargos 2201003.064 (fls. 419 a 425), cuja ementa é reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 561 4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Embargos Acolhidos" Essa decisão foi registrada nos seguintes termos: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403002.664, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de 'ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza'." O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: impossibilidade de excluir da tributação valores pagos a título de PLR sem a formalização de acordo previamente ao exercício; e multa relacionada às Contribuições Previdenciárias relativamente a fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 2008. No que diz respeito à primeira matéria, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos 240100.276 e 240100.545. No tocante à segunda matéria multa relacionada às Contribuições Previdenciárias relativamente a fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 2008 , a Fazenda Nacional indica os Acórdãos 2401002.453 e 9202003.290 como paradigmas. O Contribuinte em suas contrarrazões alega, inicialmente que : Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 562 5 Contesta a identidade fática entre o recorrido e os paradigmas, uma vez que ambos os paradigmas trazidos Na origem: Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 563 6 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 564 7 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 565 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Admissibilidade Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 566 9 Quanto a matéria , ressalto que esta Câmara Superior tem sido absolutamente diligente na observação dos requisitos de admissibilidade, especialmente em um assunto em que houve mudança de posicionamento desde a composição anterior. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 567 10 Outrossim, entendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido, uma vez que há paradigmas específicos para a questão, pois a diferença fática apontada, qual seja, que nos Acórdãos paradigmas não houve comprovação de que as regras do Acordo de PLR já eram previamente conhecidas pelos empregados. Reforça este posicionamento Caso vencida quanto ao conhecimento, voto pela manutenção da decisão a quo, que por seus próprios e integros fundamentos, colaciono excertos do voto vencedor: Por maioria de votos esta Colenda Turma resolveu afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator. Eis , pois, a questão de fundo ...voto vencido... Na seqüência, exortouse o preceituado artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 : "Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados." artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o (...) II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. " Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 568 11 Extraído da condução do voto, o texto abaixo reproduzido aduz que o i.Relator verificou cumpridas as exigências para o período imediatamente anterior ao em comento: "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006)." Não se pode deixar de notar que na forma do encimado a empresa, costumeiramente , vinha de conceder o benefício combinado com seus empregados. Dessa forma não causa constrangimento inferir que o acordo em comento sempre esteve pactuado, entretanto, no período em comento, aperfeiçoado de maneira retardada. Relevante ressaltar que acordos, ainda que informais, também são de ser respeitado na legislação pátria. Por óbvio que no caso presente qualquer que tenha sido o pactuado, o acordo somente se aperfeiçoa mediante a assinatura das partes. Entretanto a lei requer que tenha havido o pacto prévio mas, embora as assinaturas sejam decorrente por coerência, não determina que sejam contemporâneas. Afirmar que não houve o pacto requer provas cabais que não se materializam pelo fato de as assinaturas terem sido apostas extemporâneamente. Relevante notar que foram firmadas em 22/12/2006 no mesmo ano em que ocorreram os lucros distribuídos na PLR em 01/2007. Penso que se tivesse havido intenção de burla, as partes teriam combinado de colocar outra data qualquer, anterior , e tal ato passaria ao largo e sequer estaria sendo questionado devido a impossibilidade de fazêlo. Noutro giro, tendo presente que o contrato o pacto é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, embora a Lei específica estabeleça as condições de pactuar no caso em tela, isto não afasta observar a aplicação subsidiária do art. 112 do Código Civil, quando revela que o contrato deve ser interpretado com prevalência da intenção dos contraentes à literalidade das cláusulas, neste sentido o melhor meio de interpretar o contrato é a conduta das partes, ou seja, a forma como vinham executando o contrato nos anos anteriores e antes da aposição das assinaturas. "Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem" Por óbvio, para pagar o benefício a empresa se valeu de documentos expressos em relatórios de produção, formulários e outros instrumentos de controle cuja existência encerra a materialização de pacto prévio. Ademais, por incidência do princípio da primazia da realidade sobre a forma, segundo o qual a realidade fática sobrepõese aos aspectos meramente Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 569 12 formais do contrato, em matéria trabalhista o que importa é o que ocorre na prática. Por derradeiro, exortando o brocardo “Exceptio non adimplenti contractus” da exceção de contrato não cumprido o legislador reservou o art. 476 do Código Civil preceituando que nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Assim, se os empregados não tivessem conhecimento prévio das metas não poderiam cumprir seus compromissos e exigir da empresa a reciprocidade implícita e a empresa estaria livre para inadimplir e não proceder aos pagamentos realizados. "Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro." Assim, em razão de tudo que foi exposto, sou de concluir que se dava afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007. Retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 570 13 a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 571 14 administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 572 15 (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 573 16 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 574 17 reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 575 18 Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 576 19 CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 577 20 legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 578 21 Voto Vencedor Conselheira Ana Paula Fernandes Redatora Designada 1. Quanto ao conhecimento Em que pese o voto da Relatora peço vênia para discordar quanto a decisão de conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O Regimento interno deste Tribunal Administrativo exige como requisitos necessários ao conhecimento do recurso especial, resumidamente, que haja entre o recorrido e o paradigma: similitude fática e divergência de posicionamento. Diferentemente do que fora alegado no voto que restou vencido, quando analisadas as decisões comparadamente dos acórdãos recorrido e paradigma podese perceber uma clara divergência de entendimento entre os colegiados julgadores. A discussão central de ambos os processos gira em torno do pagamento de PLR a empregados com descumprimento do requisito legal: pacto prévio, ou seja, assinatura do acordo de PLR antes do seu efetivo pagamento. Insurgese o Contribuinte contra o conhecimento do referido recurso sob a argumentação de que o paradigma não serve para o conhecimento do caso concreto, já que nele se discutem duas verbas, e no recorrido apenas uma as quais seriam interdependentes. Ocorre que, a discussão de pacto prévio em nada depende da análise das regras claras e objetivas, ao contrário, o primeiro ponto a ser discutido é a assinatura prévia do acordo, pois somente depois de assinado podese analisar se as regras eram claras ou não de conhecimento de todos os empregados. Isso por que para conhecer a sistemática adotada é preciso que o acordo esteja firmado entre as partes. Observo que o caso do acórdão recorrido fosse analisado pelo colegiado do paradigma, teria resultado divergente independentemente deste também discutir a questão das regras claras e objetivas as quais em nada interferem no resultado do julgamento sobre pacto prévio. Deste modo, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 579 22 Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior Redator Designado 2. Quanto ao mérito Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir no mérito, quanto a possibilidade de exclusão dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007, a partir da inexistência acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, caracterizada, assim, violação aos ditames da Lei no. 10.101, de 2000. Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o., II, expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 580 23 §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos empregados). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 581 24 Mais especificamente, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização, leia se, a assinatura do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 582 25 compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores contendo metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o. respalda a interpretação aqui adotada de forma integral. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, na forma relatada, no presente caso (efl 17), o Acordo de PLR referente ao anobase de 2006 foi assinado somente em 22.12.2006 Assim, uma vez formalizado, para o Progrema de PLR de 2006, somente após ou durante o período de aferição o instrumento de acordo, entendo como violados os requisitos legais estabelecidos pela Lei no. 10.101, de 2000, não havendo, assim, que se falar em possibilidade de exclusão da incidência das contribuições previdenciárias para os valores assim distribuídos a título de Participação nos Lucros e Resultados referentes ao anobase de 2006, pagos em 10/2006 e 01/2007. A propósito, ainda, entendo, pedindo vênia aos que entendem de forma diversa. como incapazes de suprir a violação legal acima apontada, considerações acerca do possível aproveitamento de instrumentos de acordos de PLR referente a anosbase anteriores (2005), de forma a suprir o requisito de assinatura formalização prévia para cada exclusão de PLR, uma vez que, notese, não se poder garantir o atingimento dos objetivos, já aqui resumidos e que fundamentam a exclusão em análise, através de acordos informais. Por fim, novamente com a devida vênia ao referido entendimento, entendo que não caberia à autoridade fiscal produzir "provas cabais" da inexistência do pacto prévio para o ano de 2006 a partir da assinatura tardia durante o período de aferição (ocorrida em 22/12/2006), mas sim à autuada produzir provas no sentido de obediência aos ditames da Lei no. 10.101, de 2000, como fato autorizativo de exercício de seu direito à exclusão da base de Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16327.001277/201097 Acórdão n.º 9202006.490 CSRFT2 Fl. 583 26 cálculo, legalmente estabelecido (aplicação subsidiária do art. 333, I do CPC). E, repitase, conforme acima citado, requer a Lei, no entendimento deste Redator, a formalização do acordo específico, relativo a cada períodobase, prévia em relação ao respectivo período de aferição, o que, notese, não ocorreu, in casu, para a PLR do anobase de 2006 (assinatura ocorrida somente em 22/10/2006 e pagamentos realizados nas competências 10/2006 e 01/2007). Nenhuma divergência quanto ao voto condutor possuo no tema de retroatividade benigna, e, assim, acompanho a Relatora no sentido de também aceder à tese fazendária. Todavia, noto que ainda que se aceda aos dois pontos levantados pela Fazenda em seu pleito recursal, não se está aqui a aceder integralmente ao pedido constante daquele recurso, no sentido de restabelecer a decisão de 1a. instância e à autuação em sua inteireza, visto que permanecem como não tributáveis os valores pagos nas competências 01/2005, 10/2005 e 01/2006, já excluídos pelo Colegiado a quo e objeto de trânsito em julgado, uma vez que, notese, não se insurge o pleito fazendário contra a conclusão, pelo Colegiado a quo, no sentido de cumprimento do requisito de regras claras e objetivas para o anobase de 2005 (motivação da autuação). Destarte, quanto ao mérito recursal, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900036/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 36 /2 00 8- 80 Fl. 114DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 57/62, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 48/52, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 29628.68679.191103.1.3.047258, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 8.226,07, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 8.443,24. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; 3.4) que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.5) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.6) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.900036/200880 Acórdão n.º 2201004.426 S2C2T1 Fl. 102 3 3.7) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos autos; 3.8) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e 3.9) que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 48/52): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 33). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Fl. 116DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 10/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 56 e a tela de consulta dos Correios de fl. 77, apresentou o recurso voluntário de fls. 57/62 em 08/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 1703/99, que tramitou na 69ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 88/92). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$ 7.994,77 a título de IRRF (conforme cálculos de fls. 88/89). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 8.226,07 (fl. 85). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 7.994,77 (fl. 92). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 06/09/2003. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.900036/200880 Acórdão n.º 2201004.426 S2C2T1 Fl. 103 5 Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 118DF CARF MF 6 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 1703/99, que tramitou na 69ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.900036/200880 Acórdão n.º 2201004.426 S2C2T1 Fl. 104 7 Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 120DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721709/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 2402-006.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 17 09 /2 01 3- 11 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Por bem retratar os fundamentos trazidos no auto de infração e as considerações veiculadas na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 03072.188, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), ora recorrido: Relatório Por meio da Notificação de Lançamento nº 09201/00202/2013 de fls. 02/07, emitida em 09.12.2013, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário, no montante de R$400.897,63, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2008, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Sítio Ressacada Matrícula 27.103”, cadastrado na RFB sob o nº 8.251.2841, com área declarada de 491,9 ha, localizado no Município de Morro Grande/SC. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2008 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 09201/00040/2013 de fls. 08/12, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei nº 4.771/1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001; 6º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10983.721709/201311 Acórdão n.º 2402006.187 S2C4T2 Fl. 3 3 registrada no CREA, que comprovem as áreas de florestas nativas declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos do inciso II, “e”, do § 1º, art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 7º Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2008, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: terra de campo ou reflorestamento R$5.500,00; várzea nãosistematizada R$24.000,00; várzea sistematizada R$34.000,00. terra de primeira R$11.000,00; terra de segunda R$8.000,00. Por não ter recebido nenhum documento de prova exigido e procedendose a análise e verificação dos dados constantes na DITR/2008, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 49,1 ha, de reserva legal de 98,3 ha e coberta por florestas nativas de 344,5 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$245.950,00 (R$500,00/ha), arbitrando o valor de R$5.410.900,00 (R$11.000,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente aumento da área tributável e do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$178.549,70, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03/05 e 07. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 16.12.2013, às fls. 37, ingressou o contribuinte, em 13.01.2014, às fls. 54/55 e 57, com sua impugnação de fls. 41, instruída com os documentos de fls. 42/53, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: informa que, em data anterior, já havia sido protocolada uma justificativa que comprova de forma cabal que os valores lançados a título de ITR estavam equivocados, cuja cópia integral junta em anexo; reportase aos argumentos da defesa anterior como forma de julgar insubsistente a Notificação de Lançamento. Fl. 160DF CARF MF 4 A DRJ/BSB considerou a impugnação improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS As áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas por florestas nativas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), além da averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fl. 76/77) informando, em síntese, que apresntou, em conjunto com a peça recursal, laudo escorreito e de acordo com a NBR 14.6533 o qual apontaria o correto valor venal da área objeto de lançamento. Em vista disso, requer a retificação do lançamento. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10983.721709/201311 Acórdão n.º 2402006.187 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 24/10/2016, por via postal, com aviso de recebimento AR, conforme documento de fl. 74. O carimbo aposto na folha de rosto do recurso voluntário (fl 76) demonstra que esse foi interposto em 25/11/2016. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, na espécie, o recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24/10/2016 (segundafeira). Dessa forma, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, a contagem do prazo para apresentação de recurso teve início em 25/10/2016 (terçafeira) e o trigésimo dia ocorreu em 23/11/2016 (quartafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado em 25/11/2016 (sextafeira), portanto, fora do prazo legalmente estabelecido. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte não verificou o prazo para interposição do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento do interstício legal que se encerrou em 23/11/2016 e não no dia 25/11/2016 (data de apresentação da peça recursal). Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade do apelo do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso. Fl. 162DF CARF MF 6 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13861.000034/2003-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2003
EMBARGOS INOMINADOS ACOLHIDOS. LAPSO MANIFESTO COMPROVADO. PEREMPÇÃO NÃO CARACTERIZADA.
Comprovada a tempestividade do recurso apresentado, integra-se o acórdão embargado.
CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA.
Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantém-se o indeferimento da compensação.
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO PERTINENTE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada que a fundamentação do despacho decisório é clara e objetiva quando aos fatos analisados, torna-se incabível a nulidade arguida.
CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA
Segundo as regras do processo administrativo fiscal, descabe a arguição de cerceamento de defesa na fase procedimental.
Numero da decisão: 3302-005.409
Decisão: Embargos Acolhidos.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, tomar conhecimento do recurso voluntário e em rejeitar as preliminares suscitadas e negar-lhe provimento.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: Relator
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LAPSO MANIFESTO COMPROVADO. PEREMPÇÃO NÃO CARACTERIZADA. Comprovada a tempestividade do recurso apresentado, integrase o acórdão embargado. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse o indeferimento da compensação. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO PERTINENTE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada que a fundamentação do despacho decisório é clara e objetiva quando aos fatos analisados, tornase incabível a nulidade arguida. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA Segundo as regras do processo administrativo fiscal, descabe a arguição de cerceamento de defesa na fase procedimental. Embargos Acolhidos. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 1. 00 00 34 /2 00 3- 67 Fl. 415DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, tomar conhecimento do recurso voluntário e em rejeitar as preliminares suscitadas e negarlhe provimento. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de Embargos inominados, opostos pela contribuinte em face do acórdão nº 3102000.820, proferido em 08 de dezembro de 2010, pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. Destaca o despacho de fls. 387/388: Alega a defesa que, apesar de a ilustre relatora ter considerado o seu recurso intempestivo por 1 dia, na verdade, ele foi postado nos Correios no dia 01/04/2009 e recepcionado na unidade da Receita Federal em SantosSP no dia 02/04/2009, conforme comprova o aviso de recebimento anexado às fls. 374/375, anexado apenas por ocasião da interposição dos vertentes embargos. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 387/388, com fundamento no art. 66, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o presidente da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, entendeu estar presente a hipótese de lapso manifesto, passível de saneamento, ex vi do disposto no art. 32 do Decreto 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos inominados, para análise do lapso manifesto suscitado. Os excertos do acórdão embargado assim retratam: O recurso voluntário não merece conhecimento, por ter sido interposto fora do prazo legal. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13861.000034/200367 Acórdão n.º 3302005.409 S3C3T2 Fl. 342 3 Com efeito, o Contribuinte foi intimado via carta registrada da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I no dia 3 de março de 2009 (terça feira), conforme consta na fl. 300. No entanto, protocolou o recurso voluntário apenas no dia 3 de abril de 2009 (sexta feira), 31 (trinta e um) dias após sua intimação, conforme consta no carimbo de protocolo à fl. 301. Constatase dos autos que a empresa foi cientificada da decisão de primeira instância, em 03/03/2009, conforme AR de fl. 313, apresentando em 03/04/2009, conforme carimbo à fl. 314, Recurso Voluntário fls. fl. 314/324, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, sendo considerado perempto pelo acórdão embargado. Ocorre que em petição, à fl. 357/361, argui a interessada a tempestividade do citado recurso, visto que conforme envelope postal, fl.356, foi postado em 01/04/2009. Com efeito, razão assiste à embargante, haja vista a regra especial, para aferição da tempestividade, quando da remessa pelos Correios, conforme ATO DECLARATÓRIO (NORMATIVO) N.º 19, de 26/05/1997: Processo Administrativo Fiscal. Remessa da impugnação pelos Correios. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria n.º 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. Fl. 417DF CARF MF 4 Nesse sentido constatase dos autos, conforme envelope postal, fl.356, que o recurso foi postado em 01/04/2009, cuja data de recebimento pela unidade, segundo o AR de fl.374, foi de 02/04/2009, sendo portanto tempestivo o recurso interposto, nos termos do artigo 115 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ultrapassada a preliminar de tempestividade, reproduzse o relatório do r. acórdão embargado para conhecimento da situação fática dos autos: O presente processo se refere a compensação de créditos inerentes ao Programa de Integração Social (PIS) recolhidos a maior ou indevidamente. Por se constituir em sucinto relato dos fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório (fls. 290 e 291) proferido pela DRJ: Em 14/8/2003 a empresa transmite à SRF uma DComp de débitos de Pis de janeiro de 2003 (R$ 19.642,03) e fevereiro de 2003 (R$ 35.433,89), vinculandoa a este processo (fls 261/264). Em 22/12/2003, a empresa alega erro em dezembro de 2002 e janeiro de 2003 na apuração do PisNãoCumulativo devido e que no mês subseqüente apurou Pis que quer compensar (fl 20, in fine). Retifica sem ressalva as compensações declaradas e reduz o crédito para R$ 180.750,04, contrapondo a este compensações do Pis apurado em fevereiro de 2003, diminuída agora para R$ 21.590,17, e a do Pis de março de 2003, minorada para R$ 159.124,87 (fls 37/38). Nesse dia a empresa também retifica e denuncia espontaneamente fatos relativos ao PisNãoCumulativo, visando regularizar recolhimentos (fls. 113/118), informando os mesmos valores de Pis compensados em fevereiro e março e postos na derradeira Dcomp retificadora (fl. 114). Embora a empresa considere haver inter relação, tal pedido foi ter ao Processo 13807.002029/200424 (fl 60 e 270). Em 5/10/2004, a derradeira Dcomp retificadora foi admitida (fl.109) e em 3/1/2008, seguiuse a intimação para apresentar esclarecimentos (fl. 111). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2003 DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Em havendo na decisão informações e justificativas • que permitam ao contribuinte oferecer contraposição fundamentada e completa, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.NULIDADE. 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13861.000034/200367 Acórdão n.º 3302005.409 S3C3T2 Fl. 343 5 Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2003 PROVAS. PRECLUSÃO. Há preclusão se não apresentar com a impugnação todos os documentos sustentadores das alegações, ou não demonstrar quaisquer das situações do § 4°, do art. 16, do PAF. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. A autoridade competente pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo facultado examinar, dentre outros, na escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações em que se funda o alegado direito. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar por meios hábeis a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO .PRAZO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto para a homologação será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Solicitação Indeferida Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, reitera os argumentos já expostos na impugnação. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS PRELIMINARES DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Segundo a Requerente a r. decisão recorrida é nula, uma vez que as razões de decidir estão em descompasso com a realidade fática dos autos. Verificase não assistir razão à recorrente conforme a seguir fundamentado. Da leitura da Manifestação de Inconformidade em cotejo com a decisão vergastada é possível constatar que todas as matérias postas em lide foram pertinentemente apreciadas pela referida decisão, estando a situação fática devidamente analisada conforme se depreende dos seguintes excertos da referida decisão: Fl. 419DF CARF MF 6 Direito Creditório Comprovação documental!O contribuinte visa a restituir recolhimentos de Pis pela via compensatória. Segundo o Despacho Decisório, a empresa informara que notas fiscais de compras de insumos ensejaram crédito, pelo não aproveitamento de crédito no cálculo dos Pis não cumulativo e a ausência da documentação solicitada prejudicou o exame e impediu o reconhecimento da liquidez e certeza do direito (fl 212). A empresa contesta dizendo que declarou um débito de Pis e recolheu em DARF quantia Superior; o direito ao crédito pode ser aferido bastando analisar os valores registrados nos DARFs e os declarados nas DCTF/DIPJ para esse período de apuração; é forçoso concluir pelo direito' à. restituição dos valores indevidamente recolhidos ao Pis especificados no demonstrativo anexo à Dcomp e comprovado pelos documentos já acostados; menciona a quantidade de documentos na apuração do valor do Pis, tais como: Livro Razão, Livro Diário, INotas fiscais de Entradas, Notas Fiscais de Saídas e outros; diz possuir todos os documentos i relacionados à apuração da contribuição no período. • A apuração de direito creditório pressupõe existir suporte comprobatório. Os originais dos documentos dos quais se extraem os créditos são as provas por excelência Na impossibilidade de anexálos, seu conteúdo pode ser transladado para outros suportes;documentais, tais como fotocópias. O. não tem como saber em quais documentos cada contribuinte se baseia para extrair os dadOs em que funda o direito crediário pleiteado, e.g., sentença judicial, notas fiscais, contratos, a ponto de discriminálos, individual e especificamente, caso a caso. Por isso é Plausível uma intimação com cláusula genérica que permita ao destinatário suprir o direito *alegado,pelos meios documentais idôneos que julgue possuir. Pelo art 4° da Instrução Normativa SRF 210/02, que regulava a matéria ao tempo da Primeira Dcomp apresentada, a autoridade competente para decidir sobre a restituição pode examinar a escrituração contábil e fiscal da interessada para verificar a exatidão dos informes. A empresa foi intimada e não supriu todo o conteúdo documental solicitado. ai' Como exemplo, não consta dos autos declaração assinada pelo representante legal da empresa assegurando que não houve compensação desse crédito por outras formas, conforme solicitado na intimação (fl. 111). Não constam elementos contábeis e notas de insumos que ensejem créditos para a sistemática da nãocumulatividade Constatase assim que a r. decisão analisou expressamente a situação fática dos autos, conferindolhe a interpretação jurídica que entendeu cabível, não se vislumbrando Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13861.000034/200367 Acórdão n.º 3302005.409 S3C3T2 Fl. 344 7 qualquer vício que possa maculála visto que proferida conforme as disposições do 2art. 31 do Decreto nº 70.235, de 1972 e do 3§ 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Pleiteia a recorrente a nulidade do despacho decisório, por dois motivos: a) Cerceamento de defesa Quanto ao suposto cerceamento de defesa, a recorrente traz alguns argumentos, tais como a intimação genérica para apresentação de documentos, bem como a obrigatoriedade de diligência pela autoridade fiscal, segundo sua interpretação, quanto às disposições da IN n° 600/2005, acerca da comprovação do pretenso direito creditório. Pontuase a seguir as arguições da recorrente, demonstrandose à luz da legislação de regência e da prova dos autos que estas não têm procedência. Observase que a intimação de fl.274, solicita a apresentação das [Razões de fato e de direito, acompanhadas de documentação idônea, que ensejaram o direito creditório reclamado], logo a documentação solicitada diz respeito à comprovação da origem do crédito, hipótese fática dos autos, onde argui a recorrente que [...nos períodos de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, ao realizar a apuração da base de cálculo do PIS/ nãocumulativo devido o sistema que calcula o PIS cometeu um erro constituindo assim uma contribuição a ser compensada no valor de R$ 215.975,67, sendo certo que o valor correto seria de R$ 180.715,04. No mês subseqüente, apurandose novamente o Pis, pretendeuse como assim o fez, compensar o valor recolhido à maior.], sendo incabível a dificuldade apontada pela empresa para justificar a não apresentação de toda a documentação solicitada por não saber exatamente qual documentação estava sendo solicitada. Por oportuno, destacase o seguinte excerto do recurso voluntário: Assim, não obstante a Recorrente possua todos os documentos relacionados à apuração da mencionada contribuição desse período, os quais, como dito antes, ela tentou apresentálos mais de uma vez à Agente Fiscal incumbido pelo caso, o direito ao crédito pode ser facilmente aferido, independentemente da apresentação de outros documentos, bastando para isso tão somente que o Fisco analise valores consignados pela Recorrente nos DARFs mencionados no presente feito e os valores por ela declarados nas respectivas a DCTF e DIPJ da empresa.(grifei). Cabe destacar que o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal como se verá, a título exemplificativo: 2 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) 3 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 421DF CARF MF 8 · Código Tributário Nacional CTN, artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.(grifei). Cabe ressaltar, no presente caso, que em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, conforme legislação vigente à época dos fatos. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época das peças defensórias, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. Nesse sentido disciplina a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da apresentação da DCOMP: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13861.000034/200367 Acórdão n.º 3302005.409 S3C3T2 Fl. 345 9 direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.(grifei). A exegese que se depreende da norma acima citada assinala que tem a autoridade a prerrogativa de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal, não se constituindo como quer fazer entender a recorrente em uma obrigação da fiscalização para comprovar a liquidez dos créditos alegados, já que sua documentação está à disposição. Observese que pelos dispositivos acima citados, cabe ao sujeito passivo conservar a documentação comprobatória das operações realizadas e assim, apresentar à fiscalização, quando solicitado, a natureza dos créditos utilizados. Ademais, cabe ainda pontuar que essa fase é meramente procedimental, não cabendo falar em cerceamento de defesa, visto que somente quando instaurada a fase contenciosa, pela apresentação da manifestação de inconformidade, darseá o exercício processual do contraditório e ampla defesa, sendo este o momento da apresentação da prova na fase litigiosa, no entanto verificase que quando da manifestação de inconformidade, os documentos anexados foram os seguintes: DOCUMENTOS ANEXOS 01 — Documentos Societários, procuração; 02— Copia da Decisão; 03 — Cópia da declaração de compensação; 04— Cópia do Termo de Intimação n°082/07 b) Insuficiência de fundamentação Quanto à insuficiência de fundamentação, também não assiste razão à defesa, conforme se depreende pelos excertos do despacho decisório, fls.228/231: Não se poderá homologar a compensação, em razão da omissão das notas fiscais de compras de insumos, as quais, segundo informou a contribuinte, via telefone, ensejou o direito creditório reclamado, por não ter sido o crédito correspondente aproveitado no cálculo dos Pis não cumulativo daqueles períodos do compensação. Como, nos termos do artigo 170 da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, a compensação só é possível na presença do direito liquido e certo de crédito, a ausência da documentação solicitada prejudica o exame do pleito, impedindo o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação da compensação requerida. Fl. 423DF CARF MF 10 Constatase que a fundamentação foi precisa, clara e objetiva quanto à interpretação da legislação e quanto ao motivo que ensejou o indeferimento. Rejeitase assim a preliminar de cerceamento de defesa. Da decadência dos débitos não homologados Argui a recorrente a decadência/prescrição do direito da Fazenda Nacional em relação aos valores tidos como não compensados, nos seguintes termos: Com efeito, no caso em análise, os débitos compensados são relativos a fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro , fevereiro e março de 2003, com vencimento nos dias 1410212003, 14/03/2003 e 15/04/2003. Por outro lado, a empresa foi intimada do despacho que indeferiu a compensação em 16/04/2008. Nessa situação, considerando que esses débitos foram declarados pela Recorrente como compensados, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data de ocorrência do fato gerador, como preceitua o artigo 150, § 40 do CTN, e não na data da última declaração de compensação como equivocadamente sustenta o 1. Julgador "a quo". Notese que o processo trata do suposto direito creditório a que alude a recorrente, inexistindo no presente processo, a discussão sobre os débitos, logo a questão suscitada quanto à suposta decadência dos débitos não compensados, não faz parte do presente litígio. Apenas a título de esclarecimento, como a recorrente afirma que referidos débitos estão confessados em DCTF, não há que se falar em prazo decadencial, já que constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, nos termos do 4§ 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de Junho de 1984. 4 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13861.000034/200367 Acórdão n.º 3302005.409 S3C3T2 Fl. 346 11 Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, tomar conhecimento do recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e negarlhe provimento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901470/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 70 /2 01 3- 68 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901470/201368 Acórdão n.º 1402003.038 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 30/09/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901470/201368 Acórdão n.º 1402003.038 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901470/201368 Acórdão n.º 1402003.038 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901470/201368 Acórdão n.º 1402003.038 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721080/2012-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/10/2008
LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. DESNECESSIDADE.
É despiciendo o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCOMP, especificamente nesse caso, já que todos os valores foram declarados também em DCTF.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/10/2008
LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. DESNECESSIDADE.
É despiciendo o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCOMP, especificamente nesse caso, já que todos os valores foram declarados também em DCTF.
Numero da decisão: 9303-004.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. DESNECESSIDADE. É despiciendo o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCOMP, especificamente nesse caso, já que todos os valores foram declarados também em DCTF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. DESNECESSIDADE. É despiciendo o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCOMP, especificamente nesse caso, já que todos os valores foram declarados também em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. DESNECESSIDADE. É despiciendo o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCOMP, especificamente nesse caso, já que todos os valores foram declarados também em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/05/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. DESNECESSIDADE. É despiciendo o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCOMP, especificamente nesse caso, já que todos os valores foram declarados também em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 80 /2 01 2- 19 Fl. 865DF CARF MF Processo nº 19515.721080/201219 Acórdão n.º 9303004.887 CSRFT3 Fl. 865 2 Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivamente apresentado pela Fazenda Nacional, com amparo no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em face do Acórdão n° 3401002.586, de 25/04/2014, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação emitida espontaneamente pela contribuinte constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, não havendo a necessidade de toda a movimentação da máquina estatal para promover autuação fiscal. Recurso de Ofício Negado A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão da exoneração do lançamento com relação ao período de apuração de janeiro a março de 2008, sob a justificativa de que os débitos declarados em DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização já estão confessados, sendo desnecessário o lançamento de ofício. Para comprovar o dissenso foi apontado, como paradigma, o Acórdão nº 1402001.505, cujo teor da ementa foi transcrito no recurso, e reproduzo parcialmente, apenas no que interessa ao julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 RECURSO DE OFÍCIO TRIBUTO INFORMADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). APÓS VIGÊNCIA DA MP Nº 135, DE 2003. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. VALORES TRIBUTÁVEIS ESPONTANEAMENTE DECLARADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE AO DÉBITO ANTERIORMENTE CONFESSADO E NÃO RECOLHIDO. A confissão do débito em declaração de compensação não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.721080/201219 Acórdão n.º 9303004.887 CSRFT3 Fl. 866 3 administrativa (art. 142 do CTN), mas impede o lançamento da multa de ofício. Esta somente é aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata, não havendo previsão para sua cobrança no percentual de 75%, juntamente com o imposto, nos casos de compensação não homologada. Assim, a multa de oficio exigida por falta de recolhimento do tributo devido deve ser cancelada, já que restou demonstrado, nos autos, que o contribuinte havia informado o débito em DCOMP, antes do inicio do procedimento fiscal. (...) Na decisão recorrida foi exonerado crédito tributário porque os débitos declarados em DCOMP, apresentada antes do início da Fiscalização, já estavam confessados. Contrariamente, no paradigma em foco, não foi exonerado o crédito tributário lançado nas mesmas condições, porquanto nada obstante a espontânea transmissão de declaração de compensação, não há impedimento à realização do lançamento, ressalva feita à aplicação de multa de ofício, tendo em vista tratarse de atividade privativa e plenamente vinculada. Dado seguimento ao recurso especial, e o contribuinte, ciente da admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela União, não apresentou contrarrazões, sendo o expediente encaminhado ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Todos os débitos apresentados em DCTF foram apresentados antes do início da fiscalização, tendo sido exonerado o crédito tributário. Tendo em vista que após a publicação da MP n° 135/03, em 31/10/03, as DCOMP passaram a ser instrumento de confissão de divida, exceto as DCOMP consideradas não declaradas, é de se entender que o contribuinte havia confessado o débito antes do início do procedimento fiscal. A confissão do débito em declaração de compensação não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), mas impede o lançamento da multa de ofício. Esta somente é aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata, não havendo previsão para sua cobrança no percentual de 75%, juntamente com o imposto, nos casos de compensação não homologada. Porém o lançamento é despiciendo no presente caso, pois já houve a confissão de todos os débitos e foram apresentados todos os documentos necessários. E Fl. 867DF CARF MF Processo nº 19515.721080/201219 Acórdão n.º 9303004.887 CSRFT3 Fl. 867 4 apresentada a DCOMP, não há que se falar em necessidade do lançamento, em que pese o permissivo do art. 142 do CTN. Desta forma, entendo que, não há necessidade para a lavratura do Auto de Infração, não sendo necessário tal procedimento uma vez que todos os valores haviam sido informados em DCOMP, ainda que com a exigibilidade suspensa, nos termos da MP 135/03. A constituição em si do credito tributário por meio de auto de infração, seguindo os ritos do PAF, não trouxe qualquer prejuízo à contribuinte, mas não cabia esse procedimento no presente caso, especificamente. Isso posto, voto para negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 868DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909571/2013-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SALDO NEGATIVA DE IRPJ. OPERAÇÕES DE SWAP. OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
Comprovado parcialmente o oferecimento dos rendimentos de operações de SWAP à tributação, deve ser reconhecido na composição do saldo negativo do período o IRRF correspondente.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO.
Integram o saldo negativo de IRPJ as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação.
Numero da decisão: 1302-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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OPERAÇÕES DE SWAP. OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO. Comprovado parcialmente o oferecimento dos rendimentos de operações de SWAP à tributação, deve ser reconhecido na composição do saldo negativo do período o IRRF correspondente. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO. Integram o saldo negativo de IRPJ as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 95 71 /2 01 3- 20 Fl. 258DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica – Dcomp com demonstrativo do crédito de nº 42104.70933.261110.1.3.021921, utilizando crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício 2010 para quitação de débitos diversos. A este crédito foram vinculadas as compensadas veiculadas nas Dcomp’s de nº 01005.16765.190112.1.7.027871 e 04516.89798.190112.1.3.02 1607. Nos termos do Despacho Decisório de fl. 10, a Dcomp de nº 42104.70933.261110.1.3.021921 foi homologada parcialmente e as de nº 01005.16765.190112.1.7.027871 e 04516.89798.190112.1.3.021607 não foram homologadas, uma vez que o crédito do saldo negativo informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ relativa ao período analisado foi insuficiente. A insuficiência foi decorrente da confirmação parcial das retenções na fonte, devido a não confirmação de parcela do IRRF relativo a receitas financeiras que não foram oferecidas à tributação ( operações de SWAP), e da não confirmação de estimativas extintas por compensação. A contribuinte foi cientificada da decisão e apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 18/38, onde vem alegando, em preliminar, a falta de motivação do despacho decisório o que implicaria em cerceamento do seu direito de defesa, circunstância que levaria à nulidade do ato administrativo. No mérito, vem alegar que teria oferecido as receitas á tributação em exercícios anteriores. Em atendimento ao regime de competência, segundo alega, teria oferecido os rendimentos á tributação mês a mês, e não somente quando do resgate como pretende o despacho decisório. Traz documentos que alega serem cópias do livro razão a fim de comprovar o que alega. No tocante às estimativas cuja compensação não foi homologada vem apenas dizendo que apresentou manifestação de inconformidade no processo respectivo e, considerando que tal peça de irresignação tem efeito suspensivo, não poderia haver glosa de tais estimativas. Ao final requer o provimento de sua manifestação de inconformidade com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.909571/201320 Acórdão n.º 1302002.730 S1C3T2 Fl. 259 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IRPJ. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. TRIBUTAÇÃO DOS RESPECTIVOS RENDIMENTOS. O imposto de renda retido na fonte, sendo antecipação do imposto devido no final do período de apuração, pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção do imposto e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos da não homologação da compensação, inocorrendo cerceamento de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto condutor do acórdão recorrido o I. Relator aponta que: Analisando então as argumentações e documentos anexados, temos que a manifestante, com a finalidade de refutar a conclusão do Fisco, compareceu aos autos afirmando que a receita relativa á operações de SWAP estariam computadas na linha "06A/43 () Outras Despesas Financeiras", que apresenta um total de despesa declarada de R$ 36.679.524,66. Basicamente, a defesa alega que controla as receitas e despesas de SWAP em uma conta contábil específica, aparentemente uma conta de resultado mista, pois teve lançamentos a crédito e a débito no decorrer de todo o período de apuração, sendo seu saldo devedor levado para linha relativa a despesas financeiras (documento juntado às fls. 85/86 dos autos). Nesse documento, que a defendente afirma ter sido copiado do seu livro razão de nº 1, é possível perceber que os lançamentos a crédito (todos numerados de forma manual), correspondentes a ganhos decorrentes de operações de SWAP conforme afirmação da manifestante, têm registro de uma conta onde foi escriturada Fl. 260DF CARF MF 4 a contra partida. A conta da contra partida pertenceria ao ativo, como podemos verificar nos documentos juntados a partir da fl. 87 dos autos. A fim de comprovar o efetivo ingresso das receitas, a defendente também junta aos autos alguns extratos bancários. Contudo, nenhum dos lançamentos a débito efetuados na tal conta apresenta a informação da conta onde se deu o respectivo lançamento a crédito (contra partida), o que já serve para desqualificar tal documento ante a inobservância do método contábil básico das partidas dobradas. Juntese a isso o fato de não haver uma única prova de que os valores ali lançados correspondem, de fato, a despesas incorridas no período. Afinal, que despesas financeiras seriam essas que totalizaram R$ 14.988.095,57 no final o exercício, consumindo totalmente os ganhos de SWAP de R$ 4.469.345,34? Aparentemente nem mesmo a defendente sabe detalhar. (...) A escrituração da manifestante é ilógica e incompreensível, sendo, portanto, imprestável para o fim de comprovar o oferecimento das receitas de SWAP á tributação. (...) No que se refere às estimativas compensadas, o entendimento que prevalece no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil é no sentido de, apesar do caráter de confissão de dívida da DCOMP, ser bastante controvertida a exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativas mensais, tanto que há preceitos específicos na Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de Dezembro de 1997 DOU de 29/12/1997, a prescrever o lançamento de ofício apenas de multa isolada sobre os débitos das estimativas não extintas, afastando, a contrário senso, a possibilidade de lançamento de ofício para cobrança dos débitos de estimativas propriamente ditos. (...) Como a estimativa seria uma mera antecipação do tributo devido a ser apurado ao final do período, o valor mensalmente devido não assumiria a natureza de obrigação tributária e crédito tributário, não sendo passível, conseqüentemente, de lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União, vez que não atendidos os pressupostos de certeza e liquidez. Apesar de serem instrumentos de confissão de dívida, nem a DCTF nem a DCOMP teriam o poder de transformar em crédito tributário o que tem a natureza de mera antecipação do devido. Disto decorre que, mesmo declarada/confessada a antecipação (estimativa) do tributo como débito em DCTF ou DCOMP, em não sendo homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente porque o débito não será passível de cobrança e de inscrição em dívida ativa. Concluise daí que não se deve admitir a inclusão ao saldo negativo do período da estimativa cuja compensação fora não homologada, antes de regularmente Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.909571/201320 Acórdão n.º 1302002.730 S1C3T2 Fl. 260 5 extinta, pelo pagamento, ou pela reforma da decisão administrativa. Como consta dos autos, o Despacho Decisório relativo ao processo 10880.967559/201259 não convalidou as estimativas compensadas relativas aos meses de julho e setembro de 2009. Intimado do indeferimento do seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade naquele processo. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no acórdão DRJ nº 0955.792 – 2ª Turma da DRJ/JFA . O julgamento manteve a decisão proferida no despacho decisório, confirmando a homologação parcial da compensação da estimativa de janeiro de 2008, como se extrai do comando do acórdão que vai a seguir transcrito. “Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por MAIORIA de votos, considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para manter inalterado o despacho decisório atacado. Vencida a julgadora Mônica Barros de Andrade Tavares.” Como já dissemos, apenas após eventual decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, ou a regular extinção dos débitos das estimativas compensados naquela DCOMP, é que será possível o reconhecimento desta parte do indébito tributário relativo ao saldo negativo de IRPJ do Exercício 2010 (ano calendário 2009). Devese registrar, ainda, que não existe previsão legal de sobrestamento de julgamento na esfera administrativa. Ao contrário, vigora no âmbito administrativo o princípio da oficialidade, devendo o agente administrativo dar andamento ao processo administrativo fiscal, independentemente, de provocação. Neste contexto, mantida a não homologação das compensações das estimativas aqui tratadas, ainda que em decisão passível de recurso, fica também mantida a não convalidação das estimativas compensadas relativas aos meses de julho e setembro de 2009. Por fim, no que tange à alegação de que a glosa de crédito no montante de R$ 1.659.101,81 somente poderia resultar na cobrança de crédito tributário de valor original idêntico ao valor dessa glosa, temos a esclarecer que há um equívoco da manifestante que parece ter se esquecido, ou não tenha se dado ao trabalho de analisar os PERDCOMP apresentados, que os créditos foram corrigidos pela taxa Selic desde o encerramento do período de apuração até a data de apresentação da declaração da compensação. Como os débitos não compensados não estavam vencidos quando da apresentação da declaração de compensação, é óbvio que um determinado valor de crédito iria, em tese, quitar um de débito de valor superior ao valor original do crédito respectivo, pois este último, como dissemos, seria considerado pelo valor corrigido quando do encontro de contas. Fl. 262DF CARF MF 6 Cientificada do acórdão a Empresa apresentou Recurso Voluntário, alegando, resumidamente, que fez a comprovação mas que demonstrará um a um os lançamentos em conta de resultado e o oferecimento à tributação, bem como as contrapartidas dos lançamentos a débito apontados no acórdão recorrido. Sobre as estimativas compensadas e controladas no processo 10880.967559/201259, diz que recorreu da decisão de primeira instância e que, no caso de homologação fará jus à utilização da estimativa no saldo negativo e, caso contrário, não sendo homologada a compensação daquele processo, que terá o direito tão logo realize a quitação respectiva. Entende que é incorreta a glosa no presente processo, por esses motivos e que haveria dupla cobrança e enriquecimento do fisco caso se mantenha o procedimento adotado. No mínimo o processo deve permanecer suspenso até o julgamento daquele. Requer a nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação. Pede: a) seja efetuada a intimação da subscritora da presente para proceder à sustentação oral das razões anteriormente expostas; b) caso seja julgado pertinente, que o processo seja baixado em diligência para a apuração do crédito; c) a juntada de novos documentos que se façam necessários; d) seja julgado procedente o presente recurso, visando o deferimento do valor creditório pleiteado, bem como sejam homologadas as compensações pleiteadas. É o relatório. Voto A ciência do acórdão se deu em 20 de maio de 2015. O Recurso Voluntário foi apresentado em 18 de junho de 2015, portanto, tempestivamente. A representação é regular. Conheço do Recurso Voluntário. Afasto a preliminar de nulidade por falta de motivação do Despacho Decisório (DD) por considerar que tal não ocorreu. O motivo legal está descrito e o motivo de fato que levou à negativa de aproveitamento total do IRRF na composição da base de cálculo negativa está claro, tanto que foi plenamente entendido pela Recorrente. A lide é delimitada pelos seguintes valores que não foram aceitos na composição do saldo negativo de IRPJ: 1) IRRF OPERAÇÕES DE SWAP rendimento não oferecido à tributação a) CNPJ 01.701.201/000189 R$119.594,81 b) CNPJ 17.298.092/000130 R$471.680,65 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.909571/201320 Acórdão n.º 1302002.730 S1C3T2 Fl. 261 7 c) CNPJ 33.700.394/000140 R$368.290,88 2) ESTIMATIVA COMPENSADA DCOMP HOMOLOGADA PARCIALMENTE OU NÃOHOMOLOGADA a) julho de 2009 R$137.777,38 b) setembro de 2009 R$561.758,09 OPERAÇÕES DE SWAP Alega a Recorrente que a contabilização dos contratos de SWAP ocorrem na conta 3.4.7.05.1.07 SWAP Caixa com lançamentos a débito e a crédito, sendo levado a resultado o saldo da conta. Para comprovar a contabilização dos valores afirma: a) CNPJ 01.701.201/000189 R$119.594,81 que o valor do IRRF de R$119.594,81 referese ao rendimento bruto de R$531.532,53 que foi contabilizado pelo valor líquido de R$411.937,72. Verificandose o documento de folha 200, razão contábil, concluise que o valor de R$411.937,72 foi contabilizado como receita em 19 de junho de 2009 e o IRRF no valor de 119,594,81 também foi contabilizado como receita em 31 de julho do mesmo ano. Os valores correspondem ao comprovante de rendimentos de folha 82. b) CNPJ 17.298.092/000130 R$471.680,65 que o IRRF de R$471.680,65 referese ao rendimento bruto de R$2.096.358,43, sendo que o IRRF foi composto pelos montantes de R$311.942,29 e R$159.738,36 e que foi contabilizado o valor líquido de R$1.674.677,78, correspondente às seguintes parcelas, recebidas da instituição financeira: R$311.757,17, R$238.452,72 e R$1.074.467,89. Verificando o razão contábil da conta 3.4.7.05.1.07 SWAP Caixa (fl. 200) concluise que os valores de R$311.757,17 e R$238.452,72 foram lançados a crédito em 31 de janeiro de 2009; o valor de R$1.074.467,89 foi lançado a crédito em 30 de abril do mesmo ano. Dos valores do IRRF foi localizado apenas o de R$311.942,29, lançado a crédito em 31 de julho de 2009, ficando em aberto o valor de R$159.738,36. b) CNPJ 17.298.092/000130 R$471.680,65 que o IRRF de R$368.290,88 referese a um rendimento de R$1.473.163,50, composto pelos montantes de R$1.279.956,76 e R$193.206,74 e que o IRRF foi contabilizado nos montantes de R$48.301,69 e R$241.508,43. Em verdade Recorrente faz uma pequena confusão. Verificando o comprovante de rendimentos do UNIBANCO (fl. 84) concluise que o rendimento nominal de março foi de R$1.590.945,95 para um IRRF de R$319.989,19; e o de agosto, foi de R$241.508,43 para um IRRF de R$48.301,69. Assim, o rendimento bruto (nominal) foi de R$1.832.454,38 para um IRRF total de R$368.290,88. Fl. 264DF CARF MF 8 O valor do rendimento líquido, assim, do SWAP de março é R$1.279.956,76, lançado a crédito em 31 de março de 2009 na conta 3.4.7.05.1.07 SWAP Caixa (fl. 200). O IRRF e o rendimento de agosto estão lançados a crédito em 10 de agosto, considerando aceitável o equívoco que a Recorrente alega ter cometido de lançamento do valor cheio de R$241.508,43 ao invés do líquido (R$193.206,74). Todavia, não localizei o lançamento do valor do IRRF do resgate de março, no valor de R$319.989,19. Os valores correspondem aos comprovantes de rendimentos apresentados. Assim, considero os rendimentos de operações de SWAP parcialmente oferecidos à tributação, nos seguintes montantes: a) HSBC Bank Brasil S. A. resgatado em junho de 2009: valor bruto R$531.532,53, totalmente oferecido à tributação, fazendo jus a Contribuinte ao IRRF de R$ R$119.594,81; b)ITAÚ BBA resgatado em janeiro e abril: valor bruto R$2.096.358,43, não tendo sido oferecido à tributação o valor de R$159.738,36, fazendo jus a Contribuinte a um IRRF de R$435.680,56; c)UNIBANCO resgatados em março e agosto: valor bruto R$1.832.454,38, não tendo sido oferecido à tributação o valor de R$319.989,19, fazendo jus a Contribuinte a um IRRF de R$302.493,03. ESTIMATIVAS COMPENSADAS No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2009 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.909571/201320 Acórdão n.º 1302002.730 S1C3T2 Fl. 262 9 Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer integralmente o direito creditório relativo às estimativas compensadas, no valor R$699.535,47, Fl. 266DF CARF MF 10 e parcialmente em relação aos rendimentos de operações de SWAP não oferecidas a tributação, no valor de R$857.768,40, e homologar as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.722381/2016-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO PERICIAL.
Duas são as condições para isenção do IR, que o contribuinte receba proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, sendo portador de moléstia grave, acompanhada de Laudo Pericial Oficial.
Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2002-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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score : 1.0
