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Numero do processo: 10580.727253/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.257
Decisão: CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA.
Sendo imprescindível à apreciação do recurso voluntário a análise do teor da sentença proferida em sede da Ação Anulatória nº 0039628-73.2010.4.01.3300, deve o feito ser convertido em diligência para que a Recorrente apresente os documentos solicitados.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. Sendo imprescindível à apreciação do recurso voluntário a análise do teor da sentença proferida em sede da Ação Anulatória nº 0039628-73.2010.4.01.3300, deve o feito ser convertido em diligência para que a Recorrente apresente os documentos solicitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727253/200941 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.257 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2013 Assunto Conversão em diligência Recorrente LICEU SALESIANO DO SALVADOR Recorrida FAZENDA NACIONAL CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. Sendo imprescindível à apreciação do recurso voluntário a análise do teor da sentença proferida em sede da Ação Anulatória nº 003962873.2010.4.01.3300, deve o feito ser convertido em diligência para que a Recorrente apresente os documentos solicitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório: Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.249.9180, lavrado em 09/11/2009, em face de Liceu Salesiano do Salvador, no valor de R$ 4.393.231,83 (quatro milhões, trezentos e noventa e três mil duzentos e trinta e um reais e oitenta e três centavos), referente a contribuições previdenciárias da parte patronal e SAT/RAT, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 27 25 3/ 20 09 -4 1 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10580.727253/200941 Resolução nº 2302000.257 S2C3T2 Fl. 3 2 incidentes sobre valores pagos a segurados empregados, a título de remuneração, no período de 01/2005 a 12/2006. Segundo o Relatório Fiscal, a Recorrente deixou de ser classificada na categoria de Entidades Isentas de Contribuições Sociais a partir de Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 0001/2007, de 20/09/2007, contudo, não efetuou a retificação da GFIP, deixando de recolher contribuições previdenciárias patronais. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) mantido o lançamento, através de Acórdão cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. PEDIDO. As entidades educacionais que promovem assistência social beneficente, desde que atendam os requisitos da legislação, fazem jus à isenção das contribuições para a seguridade social, previstas no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal. A isenção tem de ser requerida à Receita Federal do Brasil, não sendo automática, conforme preceitua o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 0001/2007 é nulo, conforme declarado pela sentença proferida em sede da Ação Anulatória nº 39628 73.2010.4.05.3300, em trâmite perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia. A Recorrente é reconhecida como de entidade de utilidade pública municipal e estadual, tendo direito adquirido à isenção. O STF reconheceu, em sede do RE nº 566.622, a repercussão geral acerca da imunidade às contribuições sociais das entidades de assistência social, conforme art. 195, §7º, da Constituição Federal. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10580.727253/200941 Resolução nº 2302000.257 S2C3T2 Fl. 4 3 O valor correto do lançamento é R$ 3.334.031,65 (três milhões trezentos e trinta e quatro mil e trinta e um reais e sessenta e cinco centavos), uma vez que a fiscalização não considerou a base de cálculo corretamente. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto: Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de não ter a Recorrente recolhido as contribuições previdenciárias da parte patronal, apesar de ter sido excluída da categoria de Entidades Isentas de Contribuições Sociais a partir de Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 0001/2007. Afirma a Recorrente que ingressou com a Ação Anulatória nº 0039628 73.2010.4.01.3300, com o objetivo de anular o Ato acima referido, em que foi proferida sentença que julgou parcialmente procedente o seu pedido. Em relação ao processo supra mencionado, verificouse, através dos sítios eletrônicos da Justiça Federal, que se encontra pendente de julgamento de apelação pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ocorre que não foi possível o acesso à decisão judicial, cujo teor deve ser esclarecido a fim de possibilitar o deslinde da questão em exame. Diante do exposto, deve a Recorrente ser intimada para apresentar os documentos necessários a elucidar o alcance e os efeitos do decisum supra mencionado, quais sejam, cópia da petição inicial e da sentença proferida em sede da Ação Anulatória nº 003962873.2010.4.01.3300, bem como certidão narrativa em que conste a atual situação do feito. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, e determino A CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja a Recorrente intimada para apresentar, na íntegra, cópia da petição inicial e da sentença proferida em sede da Ação Anulatória nº 003962873.2010.4.01.3300, bem como certidão narrativa em que conste a atual situação do feito. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 35171.000175/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/05/2002
DECADÊNCIA.
Aplicando-se qualquer das normas relativas a decadência (Art. 150, §4º do CTN ou art. 173, inciso I, CTN), infere-se que não decorreu o prazo quinquenal para o fisco previdenciário exigir o crédito que julga devido.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DECORRENTE DAS RETENÇÕES IMPOSTAS PELO ART. 31 DA LEI 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO.
Prestado o serviço mediante cessão de mão-de-obra, a retenção de 11%, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991, é devida e deve ser compulsoriamente repassada aos cofres públicos.
BASE DE CÁLCULO. ERRO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS
É certo que o ato administrativo presume-se legítimo, cabendo prova em contrário. Não havendo produção de prova, a cobrança perpetrada pelo agente fazendário permanece válida. Art. 36 da Lei 9.784/99.
Recurso Voluntário NEGADO.
Crédito tributário MANTIDO.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Juliana Campos de Carvalho - Relatora
Liege Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
Numero da decisão: 2302-002.785
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/05/2002 DECADÊNCIA. Aplicando-se qualquer das normas relativas a decadência (Art. 150, §4º do CTN ou art. 173, inciso I, CTN), infere-se que não decorreu o prazo quinquenal para o fisco previdenciário exigir o crédito que julga devido. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DECORRENTE DAS RETENÇÕES IMPOSTAS PELO ART. 31 DA LEI 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. Prestado o serviço mediante cessão de mão-de-obra, a retenção de 11%, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991, é devida e deve ser compulsoriamente repassada aos cofres públicos. BASE DE CÁLCULO. ERRO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS É certo que o ato administrativo presume-se legítimo, cabendo prova em contrário. Não havendo produção de prova, a cobrança perpetrada pelo agente fazendário permanece válida. Art. 36 da Lei 9.784/99. Recurso Voluntário NEGADO. Crédito tributário MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Juliana Campos de Carvalho - Relatora Liege Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
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Aplicandose qualquer das normas relativas a decadência (Art. 150, §4º do CTN ou art. 173, inciso I, CTN), inferese que não decorreu o prazo quinquenal para o fisco previdenciário exigir o crédito que julga devido. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DECORRENTE DAS RETENÇÕES IMPOSTAS PELO ART. 31 DA LEI 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. Prestado o serviço mediante cessão de mãodeobra, a retenção de 11%, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991, é devida e deve ser compulsoriamente repassada aos cofres públicos. BASE DE CÁLCULO. ERRO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS É certo que o ato administrativo presumese legítimo, cabendo prova em contrário. Não havendo produção de prova, a cobrança perpetrada pelo agente fazendário permanece válida. Art. 36 da Lei 9.784/99. Recurso Voluntário NEGADO. Crédito tributário MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 17 1. 00 01 75 /2 00 3- 91 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 Juliana Campos de Carvalho Relatora Liege Lacroix Thomasi Presidente da Turma Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 35171.000175/200391 Acórdão n.º 2302002.785 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Referese a presente ação fiscal à cobrança de contribuições previdenciárias, no período de 01/03/1999 a 31/05/2002, incidentes sobre (fls. 36/37): "3.1 As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados trabalhadores autônomos que prestaram serviços sem vinculo empregatício à Prefeitura conforme recibos de pagamento a autônomos , cujos valores encontramse discriminados no relatório de fatos geradores, onde relaciona o número da Nota de Empenho respectiva; 3.2 Os valores pagos aos Prestadores de serviços ,pelos serviços prestados à Prefeitura , conforme Notas Fiscais de serviços , cujos valores encontramse discriminados no relatório de fatos geradores , onde relaciona o número na nota de empenho e o número na nota fiscal de serviço respectivamente. 3.3 Os valores de mão de obra incluídas nas notas fiscais de serviços / faturas , foram apurados , por aferição indireta com aplicação ,11% sobre os seguintes percentuais sobre o total bruto das notas fiscais de serviços: Pavimentação : 10% Terraplanagem : 15% Obras de arte (pontes e viadutos) : 45% Drenagem : 50% Outros : 40%." Consta do relatório fiscal de fls. 34/37 que a base de cálculo foi apurada por meio de aferição indireta por não ter o Município apresentado os contratos de empreitadas de construção civil e GRPS recolhidas em nome da construtora, embora solicitado mediante TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. Além disso, restou constatado que o Município/Contratante não exigiu do executor da obra a comprovação do seu recolhimento na ocasião da quitação das faturas (fls. 37). Intimado (fls. 160), o sujeito passivo apresentou Impugnação, fls. 165/171, alegando: a) Que a empresa vencedora da licitação e responsável pela obra, subcontratou outras empresas para a realizar a construção. Ocorre que entre as Notas de Empenho que serviram de base de cálculo para o lançamento de débito previdenciário, estão as notas de empenhos pagos a Construtora Melo de Azevedo Ltda. e a Estacom Engenharia S/A que fizeram o recolhimento direto ou através de empresas que subempreitaram a obra; b) Que a Construtora Melo de Azevedo Ltda., respondeu por duas obras no Município de Santarém, matriculadas no CEI sob o n° 500054243076 e 388800164375 e que ao efetuar o pagamento dos seus funcionários, recolheu a respectiva contribuição previdenciária.; Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 c) Que em relação as matrículas CEI sob o n° 500054243076 e 388800164375, afirmou que cinco empresas prestaram serviços nessas obras; d) Que a IN INSS nº 69 exige em seus artigos 19 e 20 e seus parágrafos que o identificador na guia de recolhimento seja o CNPJ, dificultando assim, a comprovação do recolhimento face ao esfarcelamento dos recolhimentos; e) Quanto aos serviços pela empresa Estacom Engenharia S/A, ocorreu a mesma situação, haja vista que a empresa subcontratou outras empresas para realizar os serviços, passando as empresas subcontratadas a recolherem suas contribuições previdência no seu CNPJ e não no CEI da Obra; f) Como os históricos dos empenhos só relatam que as obras são de urbanização da cidade, aplicou o auditor fiscal o percentual de 11% sobre 40% do valor da nota, entretanto, nos serviços de urbanização incluiu pavimentação cujo percentual de 11% recaiu sobre apenas 10% do valor do serviço e em relação a terraplenagem, os 11% recaíram sobre apenas 15% do valor do serviço. g) Requereu a exclusão da base de cálculo da presente NFLD referentes aos empenhos relacionados na tabela contida na impugnação. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Divisão do Instituto Nacional do Seguro Social, às fls. 673/674, solicitou ao Serviço de Fiscalização esclarecimentos a respeito do levantamento fiscal. Isto porque, no entender da Auditora Previdenciária, responsável pela análise das defesas e dos recursos, embora o presente lançamento tenha como objeto a cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a trabalhadores autônomos sem vínculo empregatícios e sobre os valores pagos aos prestadores de serviço de mãodeobra (11% do valor da nota fiscal/faturas), conforme se observa no Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04 a 12) e Fundamentos Legais das Rubricas (fls.28 a 30) foram incluídas as contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração dos empregados, sendas estas omitidas do relatório fiscal. Mais adiante, observou a auditora que nas NFLD's nºs 35.526.1294 e n° 35.526.1286, o Município havia alegado, em sua defesa, que possuía Regime Próprio de Previdência de seus servidores. Para comprovar sua alegação juntou cópia da Lei nº 15.018/94 (Lei do Montepio) e da Lei nº 16.411/99. Por tais razões, determinou a elaboração de relatório complementar. Encaminhados os autos para o auditor responsável pela fiscalização, restringiuse a defender, de forma evasiva, a legalidade do débito, ressaltando que os documentos apresentados pelo sujeito passivo eram insuficientes para comprovar suas alegações (fls. 677). Devolvido o processo ao Núcleo de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém (fls. 689/696), foi dito pelo Sr. Álvaro Barros Barbosa Lima, chefe do NUFIS, em despacho: a) Considerandose a data inicial para a contagem do prazo decadencial, seja da ocorrência do fato gerador da obrigação principal ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado ou mesmo das outras regras do Art. 173 do CTN, verificou que o prazo da Fazenda Nacional em fazer lançamento ou corrigir aquele já realizado havia expirado há muito tempo, eis que os períodos de ocorrência dos fatos geradores estão registrados entre 1999 a 2002, segundo as peças da NFLD já mencionada e o respectivo Relatório de fls. 36 a 39; Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 35171.000175/200391 Acórdão n.º 2302002.785 S2C3T2 Fl. 216 5 b) Que a análise do processo só deveria ser feito pelo próprio auditor que lançou o débito por conhecer os atos e fatos motivadores tanto da exigência quanto das pendências apontadas; c) Que o processo já foi remetido para pronunciamento do AuditorFiscal autuante (fls. 676) o qual se manifestou arguindo serem insuficientes os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte e, por se tratar de levantamento complexo, seria necessária a sua vinda à sede do Município, conforme consta às fls. 677; d) Que o processo já tinha sido encaminhado anteriormente à DRF/Santarém e apresentado a este NUFIS em 21/01/2010, sendo encaminhado ao SEFIS/DRF/BELÉM para manifestação do Auditor, em 24/05/2010, no sentido de atender a demanda estampada no Despacho de fls. 682, o que não aconteceu; e) Verificou que a própria AFPS analisou o processo e propôs a realização de diligência por não conseguir determinar, mesmo com amparo nos elementos dos autos, a verdadeira situação dos acontecimentos que motivaram a feitura da NFLD e o respectivo Relatório, o que também implicou na dificuldade de atendimento por parte da DRF/SANTARÉM; f) Que os indicativos dos dois diplomas legais alegados pelos Municípios (quanto ao Regime Próprio de Previdência) são suficientemente esclarecedores, pois definem que a partir de 1994 havia somente uma expectativa de implantação de um sistema previdenciário próprio, cuja formatação só começou a ser implementada a partir de junho de 1999. Não se sabendo, até mesmo, se prosperou ou não; h) Que a fiscalização abraçou os períodos de 04/1996 a 12/1998, sendo que nesta época não haveria razão para indagar sobre a existência de regime próprio antes de junho de 1999, eis que nem mesmo a entidade interessada demonstrou a concretude de tal ocorrência; i) Ao final, sugeriu o encaminhamento dos autos ao NURAC/DRF/SANTARÉM para os registros e demais providências de sua alçada e posteriormente à DRJ/BELÉM, para prosseguimento do feito e atendido o rito procedimental ao deslinde da querela. Encaminhados os autos para julgamento, a DRJ/BEL (Delegacia Regional de Julgamento de Belém) votou pela procedência parcial da impugnação, exonerando parte do crédito tributário (fls. 704/708). Tais foram os fundamentos: a) Ao realizar pesquisa no sistema de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, Plenus/CONRET Consulta Valores de Retenção 11% Declarados e Recolhidos, fls. 700/703, constatouse, que, realmente, não há nenhuma retenção na no CEI 500054243076 Obra de Construtora Mello de Azevedo Ltda. O mesmo resultado foi obtido ao se consultar eventuais valores de retenção 11% relacionado a matrícula CEI 388800164375 Obra de Construtora Mello de Azevedo Ltda Obra PM Santarém, ou seja, nenhuma retenção foi efetuada nesses CEFs para o período objeto do litígio, nem declarada em GFIP nem recolhida em GPS; b) Que a dificuldade alegada pelo Impugnante (comprovação dos recolhimentos em razão da IN INSS nº 69/02 exigir que o identificador na guia seja pelo CNPJ) teve Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 6 origem no descumprimento da ordem de Serviço INSS/DAF n° 209/99. Detalhou a forma de preenchimento da GPS para cumprimento do estabelecido pelo art. 31 da Lei 8.212/91 aduzindo que a importância retida deveria ser recolhida pela contratante em Guia da Previdência Social (GPS) preenchendose no 'campo 5' o CNPJ/CGC/CEI do estabelecimento da contratada; c) Ao analisar as notas fiscais e respectivas GPS de fls. 282/303, emitidas pela Souza Terraplenagem Ltda., foi possível estabelecer o vínculo com a matrícula CEI 388800164375, "Construtora Mello de Azevedo Ltda. Obra PM Santarém", e com a Construtora Mello de Azevedo Ltda, portanto os valores destacados da retenção no corpo das notas fiscais e recolhidos em GPS, código de pagamento 2631 % contidas na Tabela 01, devem ser subtraídos das respectivas competências da NFLD. Também devem ser subtraídos as retenções, contidas na Tabela 01, recolhidas no código 2631 relativas às empresas R. Oliveira Terraplanagem Ltda e Armação Novo Horizonte, conforme abaixo: d) Que os demais documentos não são suficientes para estabelecer eventuais vínculos com as notas fiscais que serviram de base para a lavratura da NFLD, não havendo Fl. 768DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 35171.000175/200391 Acórdão n.º 2302002.785 S2C3T2 Fl. 217 7 sequer cópia dos contratos que estabeleceram os contornos dessas relações entre a Prefeitura e a empreiteira e dessa com as subempreiteiras; e) Que as provas carreadas aos autos relativas à empresa Estacom Engenharia S/A, fls. 637/671, CEI 337200252578, temse que são insuficientes. Apesar do código de pagamento das GPS ser o 2631, essas Guias não estão acompanhadas das respectivas notas fiscais, conforme exigência normativa; f) No tocante a alegação do Município de que o auditor fiscal aplicou o percentual de 11% sobre 40% do valor da nota, quando nos serviços de urbanização inclui pavimentação cujo percentual de 11% recai sobre apenas 10% do valor do serviço e terraplenagem, o percentual de 11% incide sobre apenas 15% do valor do serviço, afirmou o Relator que além do estabelecido no Relatório Fiscal, depreendese do Relatório de Fatos Geradores, às fls. 36 e 39, que não foi aplicado um único percentual; Intimada do julgado (fls. 743), o Município de Santarém apresentou recurso voluntário, alegando: a) Preliminarmente, decadência do crédito tributário tendo em vista que o período do fato gerador ocorreu entre 1999 e 2002 e a ciência do lançamento tomada pelo sujeito passivo foi cancelada por decisão proferida pela Auditora Fiscal do INSS, em despacho confinado nas fls. 695 dos autos; b) Que a Construtora Melo de Azevedo Ltda., respondeu por duas obras no Município de Santarém, matriculadas no CEI sob o n° 500054243076 e 388800164375 e que ao efetuarem o pagamento dos seus funcionários já recolheram a contribuição previdenciária dos mesmos e posteriormente ao fazer o levantamento fiscal o Auditor Previdenciário lançou como débito valores referentes a obra, havendo assim dupla cobrança sob uma mesma contribuição; c) Que em relação as matrículas CEI sob o n° 500054243076 e 388800164375, afirmou que cinco empresas prestaram serviços nessas obras; d) Que a IN INSS nº 69, exige em seus artigos 19 e 20 e seus parágrafos que o identificador na guia de recolhimento seja o CNPJ, dificultando assim, a comprovação do recolhimento, face ao esfarcelamento dos recolhimentos; e) Quanto aos serviços pela empresa Estacom Engenharia S/A, ocorreu a mesma situação, haja vista que a empresa subcontratou outras empresas para realizar os serviços, passando as empresas subcontratadas a recolherem suas contribuições previdência no seu CNPJ e não no CEI da Obra; f) Como os históricos dos empenhos só relatam que as obras são de urbanização da cidade, o auditor fiscal aplicou o percentual de 11% sobre 40% do valor da nota, entretanto, nos serviços de urbanização incluiu pavimentação cujo percentual de 11% recai sobre apenas 10% do valor do serviço e em relação à terraplenagem, os 11% recaem sobre 15% do valor do serviço. g) Requereu a exclusão da base de cálculo da presente NFLD referentes aos empenhos relacionados na tabela contida na impugnação. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 8 Eis o relatório. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 35171.000175/200391 Acórdão n.º 2302002.785 S2C3T2 Fl. 218 9 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Sendo tempestivo o recurso, passo a sua análise. I Da Preliminar de Decadência: Tratase a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (DEBCAD 35.526.1308), lavrada em face do Município, em procedimento de verificação de cumprimento de obrigações previdenciárias no período de apuração de 01/03/1999 a 31/05/2002, que resultou na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 1.956.290,75, com ciência do sujeito passivo em 05/02/2003. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos Fl. 771DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 10 do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), são exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento parcial a contagem do prazo qüinqüenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes, o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, para a norma insculpida no art. 150 CTN o fato gerador dá início a contagem do prazo, vejamos: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Válido destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária. Não é necessária a antecipação do recolhimento em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. No caso em análise, qualquer que seja a norma aplicada (art. 150, §4º do CTN e art. 173, I, CTN), não decorreu o prazo quinquenal para o fisco previdenciário exigir o crédito previdenciário. É de notar que o débito compreende o período de apuração de 01/03/1999 a 31/05/2002 e a ciência do sujeito passivo ocorreu em 05/02/2003, logo, em tempo suficiente para validar a cobrança. Neste tópico, afasto as razões expostas pelo Município Santarém. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 35171.000175/200391 Acórdão n.º 2302002.785 S2C3T2 Fl. 219 11 II Das retenções de 11% sobre as Notas Fiscais/Faturas de mãodeobra: Defende a Recorrente que as notas de empenhos que serviram de base de cálculo para o lançamento de débito estão às notas de empenhos pagos à Construtora Melo de Azevedo Ltda e à ESTACOM Engenharia S/A as quais fizeram os recolhimentos diretos ou através de empresas com quem empreitaram parte da obra. A retenção dos 11% sobre o valor da Nota Fiscal/Fatura foi instituído pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91 que assim estabelece: "Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no§5º do art. 33. (Redação dada pela Lei n° 9.711; de 1998). §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuirdes destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço". (grifo nosso) Para a norma previdenciária, considerase empresa os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, vide: "Lei nº 8.212/91 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional;" Pela leitura da norma acima, inferese que o Município de Santarém, assim qualificado como tomador de serviço, estava obrigado a reter 11% do valor da nota fiscal/fatura, no momento do pagamento do serviço executado mediante mãodeobra ou empreitada, independentemente de qualquer recolhimento por parte do prestador. Em consonância com a norma estabelecida no art. 128 do CTN a qual atribui a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário, ao tomador do serviço é imposta a responsabilidade pelo recolhimento das retenções cujos valores são aproveitados pelo prestador quando do pagamento das suas contribuições mensais. Vide transcrição do artigo: Fl. 773DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 12 "Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." grifo nosso Segundo entendimento majoritário do Supremo Tribunal Federal (RE no 393.946MG, Rel. Min. Carlos Velloso), a natureza jurídica destas retenções é uma mera antecipação daquilo que seria devido no final de cada mês. Neste toar, o fato das empresas Construtora Melo de Azevedo Ltda e ESTACOM Engenharia S/A recolherem diretamente as contribuições previdenciárias relativas aos empregados registrados na obra, não tem o condão de eliminar a cobrança, porquanto a retenção dos 11% é devida, independentemente de pagamento ou não pelo prestador. De mais a mais, os valores da retenção destacados no corpo das notas fiscais (emitidas pela Souza Terraplenagem Ltda) e recolhidas em GPS com código 2631 (fls. 282/303), as quais estabelecem vínculo com a matrícula CEI 388800164375 (CONSTRUTORA MELLO DE AZEVEDO LTDA OBRA PM SANTARÉM e com a CONSTRUTORA MELLO DE AZEVEDO LTDA.), foram considerados pela DRJ sendo determinada a subtração das respectivas competências da NFLD. Também foram subtraídas as retenções contidas na Tabela 01, recolhidas no código 2631, relativas às empresas R. Oliveira Terraplanagem Ltda e Armação Novo Horizonte. Ressalto que na decisão da DRJ, afirmou o Relator que ao realizar pesquisa no sistema de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, Plenus/CONRET Consulta Valores de Retenção 11% Declarados e Recolhidos, fls. 700/703, constatou que realmente não há nenhuma retenção no CEI 500054243076 Obra de Construtora Mello de Azevedo Ltda. O mesmo resultado foi obtido ao consultar eventuais valores de retenção de 11% relacionada ao CEI 388800164375 Obra de Construtora Mello de Azevedo Ltda Obra PM Santarém. Ou seja, nenhuma retenção foi efetuada para o período objeto do litígio, nem declarada em GFIP, nem recolhida em GPS (fls. 706). Logo, para as notas fiscais cuja retenção restou comprovada, a DRJ já afastou a cobrança das contribuições previdenciárias, sendo devido o saldo remanescente, pois nenhuma prova no sentido contrário foi trazido pelo Município em sua defesa. III Da Base de Cálculo: Aduziu a Recorrente que os históricos dos empenhos só relatam que as obras são de urbanização da cidade o que fez o auditor fiscal aplicar o percentual de 11 % sobre 40% do valor da nota, quando se sabe que nos serviços de urbanização inclui pavimentação cujo percentual de 11 % recai sobre apenas 10% do valor do serviço e terraplenagem que os 11 % recaem sobre apenas 15% do valor do serviço. Em que pese a insurgência do sujeito passivo, mais uma vez, deixou de comprovar quais bases de cálculo, especificamente, foram apuradas de forma equivocada. O ato administrativo presumese legítimo, cabendo prova em contrário. Inexistindo, a cobrança perpetrada pelo agente fazendário permanece válida. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: "Lei n° 9.784/99: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 35171.000175/200391 Acórdão n.º 2302002.785 S2C3T2 Fl. 220 13 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei" Vale ressaltar que de acordo com o relatório fiscal (fls. 37), os percentuais identificados pelo sujeito passivo foram considerados pelo agente previdenciário. Sendo assim, não havendo prova em contrário, reputo válido o lançamento. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, 15 de Outubro de 2013 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 10930.720258/2010-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PRESUMIDA. CABIMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO IRREFUTÁVEL.
Penalidade por deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma estabelecida legalmente, bem como deixar de prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização (art. 32, III e §11 da Lei 8.212/91, com a redação da Medida Provisória 449, de 03.12.2008 c/c com o art. 224, III do Regulamento da Previdência social aprovado pelo Decreto 3.038/99).
A sucessão empresarial, bem como a consequente sucessão tributária, não exige necessariamente sempre ser formalizada, cabendo ao Fisco, quando munido de indícios e provas contundentes e irrefutáveis, reconhecer a presunção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.960
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PRESUMIDA. CABIMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO IRREFUTÁVEL. Penalidade por deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma estabelecida legalmente, bem como deixar de prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização (art. 32, III e §11 da Lei 8.212/91, com a redação da Medida Provisória 449, de 03.12.2008 c/c com o art. 224, III do Regulamento da Previdência social aprovado pelo Decreto 3.038/99). A sucessão empresarial, bem como a consequente sucessão tributária, não exige necessariamente sempre ser formalizada, cabendo ao Fisco, quando munido de indícios e provas contundentes e irrefutáveis, reconhecer a presunção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 02 58 /2 01 0- 69 Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.334 2 (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.335 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pela empresa FRIGORÍFICO PLATINA LTDA. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta, bem como manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (fl. 163), a constituição do crédito tributário deveuse ao fato de que, no período entre dezembro de 2004 a dezembro de 2007, o contribuinte teria deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, em que pese regularmente intimado para tal. 3. Emerge do relatório fiscal que o contribuinte deixou de apresentar acordos, convenções e dissídios coletivos; apólices de seguro de vida; atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria ou conselhos; atas de reuniões da CIPA; CAGED; Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos; cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador; estatuto social; Livro de inspeção do trabalho; Plano de Contas; Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado com respectivos valores; cópia das escrituras e relação de veículos integrantes do ativo imobilizado, com descrição, placa/chassi/RENAVAM e valor. Ademais, aponta o referido relatório que o contribuinte não prestou esclarecimentos por escrito sobre o recolhimentos sem declaração em GFIP, nas competências 13/2005, 13/2006 e 13/2007; e por fim, que não foram elaboradas as respectivas GFIP, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 04. 4. Após ser devidamente cientificada do lançamento, em 27/12/2010, conforme AR, de fl. 1258 e informações consignadas na fl.1299, a autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 660/680). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância, em 19/04/2012, rejeitou as alegações apresentadas em acórdão (fls. 1303 a 1309) que restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2007 SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PRESUMIDA A sucessão tributária a não precisa sempre ser formalizada, admitindose a sua presunção quando existentes indícios e provas convincentes. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 5. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1315/1326), no qual, aponta que a obrigação assim imposta é manifestamente Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.336 4 ilegal, posto que pertence a terceiro, qual seja, à Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola – Coopérola. 6. Apontou que o descumprimento da obrigação acessória ocorreu porque não detém autonomia para interferir no sigilo fiscal e contábil de outra pessoa jurídica, de modo a atender à solicitação fiscal. 7. Enfatiza que o crédito tributário referente à competência de dezembro de 2004 a dezembro de 2005 sequer poderia a si ser atribuído em virtude da ocorrência da decadência, que no presente caso, entende ocorrer em 05 (cinco) anos. 8. Quanto à ocorrência de sucessão, tece considerações acerca de que esta não pode ser simplesmente presumida como a auditoria fiscal o fez, devendo haver um conjunto probatório suficiente que demonstra a efetiva ocorrência. 9. Acredita o contribuinte ter demonstrado e comprovado que não houve qualquer vínculo jurídico entre a Coopérola e o Frigorífico Platina, logo, não havendo que se falar na sucessão tributária do art. 133 do CTN. 10. Ao final, com base em toda exposição fática e jurídica, pugnou pelo cancelamento da auto de infração. 11. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.337 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO LANÇAMENTO 2. Conforme consta no relatório fiscal de lançamento o lançamento referese a descumprimento de obrigação acessória, qual seja ter o contribuinte deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações cadastrais financeiras e contábeis de interesse do Fisco, referentes ao período de 2004 a dezembro de 2007. 3. A recorrente, por sua vez, insurgese quanto a legalidade da imputação de cumprimento de obrigação que pertença a terceiro, por entender que o crédito tributário encontrase parcialmente atingido pelo prazo decadencial. 4. Afirma que possui contabilidade totalmente distinta da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola, não havendo qualquer relação junto a esta que justificasse tal medida fiscal. 5. Ademais reúne argumentos no sentido que dada a correta interpretação do ordenamento jurídicotributário, não pode a Receita Federal, afirmar que no caso em tela, trata se de sucessão tributária, sendo que o Código Tributário, ao seu ver, não permite interpretação extensiva que permita a presunção de sucessão tributária ainda que não tenha ocorrido aquisição, de fato, de um estabelecimento comercial. 6. Do batimento entre os fatos apresentados pela fiscalização e dos argumentos inferidos pelo contribuinte, percebese que nos autos, o Fisco muniuse de provas contundentes e irrefutáveis de que houve sucessão tributário entre as empresas envolvidas. Tanto é que a recorrente quando intimada a apresentar documentos que a eximiria de qualquer responsabilidade fiscal, assim não o fez. 7. A situação fática apresentada pela fiscalização, essa extraída com fidelidade de documentos e informações apresentadas pelo contribuinte, comprovam a evidente situação de sucessão tributária, ou seja, foi de transferência dos negócios de uma empresa para outra, justamente para furtarse às obrigações fiscais contraídas pela Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola. 8. Ao descrever todo o procedimento fiscal, o Fisco ao longo de minuciosas 51 páginas de relato fiscal descreveu os fatos que o levaram a considerar a sucessão tributária, fatos esses incomuns a empresas que não tem qualquer ligação comercial, como tenta Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.338 6 convencer a recorrente, sendo eles claramente elencados na decisão a quo, os quais, peço vênia para citálos, in verbis: “ O Frigorífico Pérola do Norte Ltda desde 1989 possui contrato de concessão de uso e serviço público do matadouro do Mun. Sto Antônio da Platina, que incluiu não só a exploração do serviço público, como o uso do imóvel e das suas instalações. Em abril de 2001, transferiu esse contrato e todos os direitos dele decorrentes para entidade que, além de vários outros pontos em comum, possui nome muito semelhante ao seu, qual seja, para a Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola (atual Coopperola Cooperativa de Transporte Pérola) e posteriormente, em junho de 2007, o transferiu à Impugnante, Frigorífico Platina Ltda, que, além de também ter pontos em comum com as outras envolvidas, possui em seu quadro social José Henrique Vieira Junior, filho do sócio da empresa Frigorífico Perola do Norte (vide lançamento contábil de cópia às fls. 137, contrato social às fls 146, procuração de fls. 149, etc.) O Impugnante, Frigorífico Perola do Norte, por inúmeras vezes, compareceu à Justiça do Trabalho, respondendo como segunda Reclamada ou como única Reclamada, relativamente a direitos trabalhistas decorrente prestação de serviços em período que os empregados teriam laborado para a sua antecessora, Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola . Além desse comparecimento, o Impugnante arcou com o ônus financeiros e o ônus de fornecimento de documentos de vários acordos celebrados em razão dessas Reclamatórias (FGTS, Seguro Desemprego, anotação em CTPS, etc.). Dentre as Reclamatórias Trabalhistas em que o Frigorífico Platina Ltda figura como Reclamado, destacase aquela que tem por Reclamante o Srs. José Onias dos Santos (cópia da petição inicial às fls. 137 e seguintes), que constou como associado cooperado da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola tendo preenchido alí vários cargos, inclusive de direção. De acordo com a petição inicial da reclamatória, ele foi admitido para prestar serviços à Reclamada, Frigorífico Platina Ltda., como encarregado de produção, admitido em maio de 2001 e demitido em 2007. O Reclamante relatou que a empresa antecessora, Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola, sempre foi uma fraude: que seus legítimos proprietários eram José Henrique Vieira, que faz parte do quadro societário do Frigorífico Perola do Norte Ltda, e João Roberto da Silva, que vendeu sua parte para Manoel Vilella Carvalho Sobrinho, cuja irmã, Maria Donizeti de Carvalho, tornouse presidente da pretensa Cooperativa. Acrescenta que José Henrique e Manoel Vilella, transacionaram o patrimônio da citada Cooperativa e mudaram a sua razão social para Frigorífico Platina Ltda. Afirma que embora José Henrique formalmente não faça parte do contrato social do Frigorífico Platina Ltda., continua de fato compondo a empresa, pois, de acordo com a segunda alteração contratual do Frigorífico Platina Ltda, José Henrique Viera Júnior, filho de José Henrique Vieira, integra o quadro societário da Reclamada, Frigorífico Platina Ltda (50% das cotas). Para provar que a Cooperativa era uma fraude, o Reclamante cita, dentre ouros, que esta entidade jamais distribuiu lucro aos seus cooperados. Afirma que parte significativa dos pseudo sócios da Cooperativa continuaram trabalhando para o Frigorífico Pérola do Norte Ltda . Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.339 7 Embora conste da Ata de Assembléia da Cooperativa a sua mudança para Londrina, há certidões em processos trabalhistas examinados pela Autoridade Lançadora testando que a entidade Cooperativa não foi localizada naquele endereço. O sócio administrador do Frigorífico Platina Ltda, Sr. Alexandre Oliveira Marques foi segurado empregado da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola, no período de 02/05/2005 a 23/07/2007. Alguns Presidentes ou Diretores da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola, como, por exemplo, Paulo Moacir Crestani, Agnaldo Moreira, Elton Rodrigues da Silva, Ademilson Soares da Silva, foram registrados como empregados na própria Cooperativa e, em seguida, como empregados do Frigorífico Platina Ltda. Conforme relação constante do Relatório Fiscal , elaborada com base em RAIS e CNIS, um número significativo de empregados e cooperados da Cooperativa de Produtos de Origem animal Perola foram admitidos como empregados pelo Frigorífico Platina Ltda. Constam na escrita do Frigorífico Platina Ltda lançamentos contábeis de aquisição de equipamentos, instalações, maquinários, acessórios, móveis e utensílios da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola pelo Frigorífico Platina Ltda. Dúvidas não há, pois, do vinculo jurídico existente entre a Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola e o Frigorífico Platina Ltda...) (fls.1307/1309)” 9. Cumpre destacar que os autos em questão tratam de descumprimento de obrigação acessória, sendo que esse Conselho já se pronunciou, no sentido de considerar a sucessão das empresas envolvidas, na ocasião da apreciação do recurso voluntário interposto na obrigação principal, processo nº 10930.720264/201016, cujo acórdão restou ementado nos termos a seguir: “DECADÊNCIA Matéria de ordem pública que mesmo não sendo questão ventilada em impugnação, não encontra óbice para ser analisada em fase recursal, sem atingir a supressão de instância. No caso em tela não houve comprovação de nenhum recolhimento, mormente nas exações apontadas, razão pela qual há de se aplicar o artigo 173, I do CTN. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS No caso em tela a recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição d documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do víndulo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10930.720258/201069 Acórdão n.º 2803002.960 S2TE03 Fl. 1.340 8 No caso em tela não eé necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao artigo 21 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção. No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão “por qualquer título”, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade. Recurso Voluntário Negado (Ac. 2301003.797, 3ª Câmara da 1 ª Turma , da ª Seção de Julgamento do CARF, Relator: Wilson Antônio de Souza Corrêa, 16.08.2013).” 10. Dessa forma, considerando os fatos elucidados pela fiscalização os quais, demonstram sem deixar dúvida a existência de sucessão entre as empresas envolvidas nos autos, bem como levando em consideração que o Conselho já se reconheceu tal situação em julgamento recente como citado supra, estamos convencidos de que deve ser mantida a decisão proferida pelo colegiado de primeira instância. CONCLUSÃO 11. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento nos termos acima delineados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10480.905408/2011-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 08 /2 01 1- 39 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 173 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 174 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 03821.54722.180907.1.3.044376), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 18/09/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS, Código (informado) 8109, apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/01/2003 14/02/2003 14/02/2003 12.067,13 12.067,13 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 1.367,27, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, relativo a agosto de 2007, no valor de R$ 1.447,12, com vencimento em 20/09/2007. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 06/06/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 932682089, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/06/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 15/07/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 175 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 176 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 177 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 178 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 179 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905408/201139 Acórdão n.º 3801002.268 S3TE01 Fl. 180 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 11020.003359/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 01/12/2006
DECADÊNCIA
A decadência o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL já pronunciou, aplicando-se o prazo previsto no CTN. De forma que, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Assim, como ocorre no presente, tratando-se de lançamento por homologação e a lei não fixa prazo, devendo ser aplicado o artigo 150, §4°, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO
A legislação não deixa margem de dúvida que, quanto ao auxílio doença, nos 15 primeiros dias é de responsabilidade do empregador em pagar o salário do empregado em sua integralidade. Sendo, portanto, e como consequência responsabilidade deste o recolhimento de contribuição previdenciária.
No caso em tela a Recorrente impetrou mandado de segurança onde não consta o expresso pedido para excluir o salário de contribuição a terceiros, o que determina o estrito comportamento dentro da regra normal.
MULTA
Deixar o contribuinte de cumprir com suas obrigações junto a Previdência Social, não recolhendo as contribuições sociais, incide aplicação de multa, mas, com a retroatividade da apliação da penalidade mais benéfica, que, no presente caso, cabe a sanção imposta no artigo 61 da Lei 9.430-96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.743
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2002, anteriores a 09/2002, de acordo com o disposto no art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes a pagamentos de cestas básicas como prêmios, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes a pagamentos de auxílio doença nos quinze primeiros dias de afastamento, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; d) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. Impedido: Leonardo Henrique Pires Lopes.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(Assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa Relator
(Assinado digitalmente)
Mauro José Silva Redator
(Assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Bernadete de Oliveira Barros
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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De forma que, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, como ocorre no presente, tratandose de lançamento por homologação e a lei não fixa prazo, devendo ser aplicado o artigo 150, §4°, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO A legislação não deixa margem de dúvida que, quanto ao auxílio doença, nos 15 primeiros dias é de responsabilidade do empregador em pagar o salário do empregado em sua integralidade. Sendo, portanto, e como consequência responsabilidade deste o recolhimento de contribuição previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 33 59 /2 00 7- 00 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 No caso em tela a Recorrente impetrou mandado de segurança onde não consta o expresso pedido para excluir o salário de contribuição a terceiros, o que determina o estrito comportamento dentro da regra normal. MULTA Deixar o contribuinte de cumprir com suas obrigações junto a Previdência Social, não recolhendo as contribuições sociais, incide aplicação de multa, mas, com a retroatividade da apliação da penalidade mais benéfica, que, no presente caso, cabe a sanção imposta no artigo 61 da Lei 9.43096. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2002, anteriores a 09/2002, de acordo com o disposto no art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes a pagamentos de cestas básicas como prêmios, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes a pagamentos de auxílio doença nos quinze primeiros dias de afastamento, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; d) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. Impedido: Leonardo Henrique Pires Lopes. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira –Presidente (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa – Relator (Assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator (Assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Fl. 530DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 530 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Bernadete de Oliveira Barros Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Relatório A Fiscalização exarou a NFLD DEBCAD: 37.124.2983 em desfavor da Recorrente, no período apurado que corresponde aos meses de FEV.1999 a DEZ/2006, tudo em conformidade com o Relatório Fiscal acostado às fls. 356/364, corresponde a: i) contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, referente a diferenças de contribuições previdenciárias referentes à parcela dos empregados não descontada destes, da empresa para o Fundo do Regime Geral de Previdência Social, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientas do Trabalho — RAT e as destinadas a terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, INCRA E SEBRAE); ii) contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, assim como a contribuição pessoal destes não descontada quando do pagamento da remuneração; iii) contribuições incidentes sobre valores pagos a freteiros autônomos e destinadas a terceiros (SEST/SENAT); iv) contribuições incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho, relativamente a serviços prestados por cooperados; v) V glosas de compensações efetuadas em montante superior ao determinado pelo poder judiciário e glosa de valores compensados relativos a gastos com atendimento médico/hospitalar de empregados. O crédito foi apurado através dos seguintes levantamentos: CT — Cooperativas de Trabalho período MAR.2000 a DEZ.2006 – contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, não declaradas em GFIP; SIN — SALÁRIO IN NATURA CESTAS DE ALIMENTOS — período de mar.2006 a dez.2006 contribuições previdenciárias e de terceiros incidentes sobre os valores de aquisição das cestas de alimentos fornecidas aos empregados que não faltam ao trabalho — prêmio assiduidade, não declaradas em GFIP; A empresa não possui Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT para esta modalidade de alimentação e, mesmo que tivesse, como o direito de receber está vinculado à assiduidade ao trabalho, estaria em desacordo com a legislação que disciplina o PAT. SAT — DIFERENÇA DE SAT — período de 03/2006 a 13/2006 – CNPJ 88.634.977/000101 diferenças de contribuições previdenciárias destinadas ao SAT/RAT, de 2% para 3%, conforme atividade preponderante da empresa; SA2 — SAT — período de 03/2006 a 13/2006 CNPJ 88.634.977/001183 —diferenças de contribuições previdenciárias destinadas ao SAT/RAT, de 1% para 3%, conforme atividade preponderante da empresa; RST — GLOSA REEMBOLSO ACID TRABALHO — período de 11/2002, 01/2003, 03/2004 a 06/2004, 02/2006 a 12/2006 — recolhimento de contribuições previdenciárias em valores inferiores aos efetivamente devidos. Diferenças referemse à compensação indevida de gastos efetuados pela empresa no atendimento médico/hospitalar de empregados, vítimas de acidentes de trabalho; PA — PGTO CONTRIB INDIVIDUAL — período de 02/1999 a 12/2006 — contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos prestadores de serviços autônomos; Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 531 5 PFP — FRETE PESSOA FÍSICA — período de 12/1999 a 12/2006 — contribuições previdenciárias e de terceiros incidentes sobre as remunerações pagas a prestadores de serviço de fretes pessoas físicas; PRL — PRO LABORE — período de 04/1999, 10/1999, 03/2000, 08/2000 a 10/2000, 03/2001, 03/2002, 10/2003, 03/2005 e 11/2006 — contribuições incidentes sobre as remunerações dos diretores, recebidas a título de participação nos lucros juntamente com os empregados nas rubricas PPR Setorial e PPR Coletivo. Não há previsão legal para que os valores pagos a diretores nestas condições não integrem o saláriodecontribuição. GLO — GLOSA COMPENSAÇÃO 15 DIAS SAL — período de 09/2005 e 10/2005 — Glosa de compensações de contribuições previdenciárias referente ao processo judicial n° 2003.71.07.0003184, com pedido de exclusão da responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, relativas aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado ao trabalho por motivo de doença. A decisão judicial autoriza a compensação de contribuições previdenciárias cujos encargos foram suportados pela empresa, respeitado o limite de 30% do valor das contribuições vincendas. Entretanto, a empresa compensouse também da contribuição destinada terceiros, que não foram contemplados na decisão judicial, os quais foram glosados pela fiscalização. O relatório informa que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a existência de pagamentos a empregados e contribuintes individuais não informados em folhas de pagamento e não declarados por meio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP' s. Também não foram informados em GFIP os valores pagos a cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho e não identificados os beneficiários dos créditos das cestas de alimentos fornecidas aos empregados através do Programa Somos Parceiros, constituindo, em tese, crime de sonegação fiscal. Devidamente cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em 18/09/2007, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva parcial, em 17/10/2007, deixando de se manifestar sobre o levantamento RST — Glosa Reembolso Acidente do Trabalho, e, requerendo, fls. 380/381, a emissão de guias para pagamento dos lançamentos referentes aos levantamentos PA Pagamento Contribuinte Individual, competências 06/2003, 08/2003 a 12/2006, e PFP — Frete Pessoa Física, competências 03/2005, 05/2005 a 12/2006. Apresentou defesa, tempestivamente, alegando que os fatos geradores que ensejaram o lançamento ocorreram no período entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2006, portanto, grande parte desses créditos tributários encontramse extintos por força da decadência, na forma do artigo 156 do Código Tributário Nacional. Alega que o artigo 45 da Lei 8.212/91, contraria o prazo conferido pelo CTN, recepcionado como Lei complementar, que fixa em cinco anos o prazo decadencial para o lançamento. Assim, a Lei 8.212/91 é hierarquicamente inferior ao Código Tributário Nacional, eis que, como referido, esse foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como Lei complementar. Em matéria de mérito argumenta que a contribuição decorrente dos serviços prestados por cooperativas de trabalho não se enquadra em nenhuma das bases de incidência Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 previstas pelas alíneas do inciso I do artigo 195, portanto, deve ser respeitado o disposto no § 40 deste artigo 195, em conjunto com o estabelecido no artigo 154, I, da Constituição Federal. Refere que a Lei n° 9.876/99, a qual instituiu nova contribuição social a cargo das pessoas jurídicas, é lei ordinária, portanto inegável a violação ao disposto no § 40 do artigo 195 e artigo 154, I, ambos da Constituição Federal, restando clara a sua inconstitucionalidade. Faz referência à Ação Direta de Inconstitucionalidade, impetrada pela Confederação Nacional das Indústrias que objetiva a declaração de inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91; há redação que lhe deu o artigo 10 da Lei n° 9.876/99, a qual obteve da ProcuradoriaGeral da República parecer favorável. Conclui, dizendo que a NFLD deve ser cancelada, uma vez que é ilegal a cobrança dessa contribuição previdenciária. Eis o relatório. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 532 7 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. DA DECADÊNCIA QUANTO a decadência o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL pronunciou se recentemente, aplicandose o prazo previsto no CTN. De forma que, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de lançamento por homologação e a lei não fixa prazo, entendo ser aplicado o artigo 150, §4°, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que foi de 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo 150,§4°, uma vez que os valores lançados foram objeto de recolhimento previdenciário parcial. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência janeiro de 2002, inclusive esta. MÉRITO CESTA IN NATURA – NÃO INCIDÊNCIA SALÁRIO CONTRIBUIÇÃO Do que trata a matéria de contribuição previdenciária sobre a parcela ‘in natura’ cesta de alimento, aduz a Recorrente que não há incidência contribuição previdenciária sobre esses valores, pois correspondem às cestas de alimentos concedidas aos empregados, por meio do programa "Somos Parceiros" e se trata de prêmio esporádico, gratificação não habitual. Segundo a defesa estas cestas são concedidas como prêmio assiduidade, a quem não incorra em faltas ao serviço durante um mês. Ou seja, tratase de verba independente daquela de caráter remuneratório, sem característica de contraprestação. Ressalta que a concessão de cestas básicas deve ser considerada como fornecimento de parcela ‘in natura’, devendo ser excluída da incidência da contribuição previdenciária, nos termos do § 9°, letra "c", do artigo 28 da Lei 8.212/91, durante todo o período em que foram concedidas. Por sua vez no RL a fiscalização reconhece o programa instituído dentro da empresa, e este reconhecimento é quanto as suas características, assim expresso: ...”Para conceder esta vantagem a empresa criou o programa "Somos Parceiros", que consiste na entrega de cestas de alimentos para o empregado que não faltar, ou para os empregados do setor que a média de faltas ficar abaixo da meta prevista. (GN). Todavia, não lhe concede credibilidade a fiscalização, uma vez que a Recorrente não está inserida no PAT. Bem, reconhecidamente há o programa de incentivo ao trabalhador, independente de estar relacionado no PAT – Programa de Alimento ao Trabalhador no Ministério do Trabalho, e este possui todas as características de ausência de caráter remuneratório e não habitual, então é ‘in natura’ e como tal não incide Salário Contribuição. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 533 9 Ora a CLT em seus dispositivos 457 e 458 esclarece o que significa salário remuneratório e, já a Lei 8.21291 diz em seu dispositivo quais serão as verbas passíveis de contribuir com a previdência, ‘in verbis’: CLT Art. 457: Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. § 2 Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregador. § 32 (...) Art. 458: Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força de contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...) Mas, por sua fez, como dito, se o artigo 28 da Lei n° 8.212/91, estabelece que, a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades integram o saláriodecontribuição. O § 9° do mesmo artigo, por sua vez, estabelece quais parcelas não integram o saláriode contribuição. “In verbis”: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição: a) ... .... c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; Ora, a fiscalização não foi omissa quando reconhece que o programa da empresa denominado ‘Somos Parceiros’ até apresenta características de não remuneratório e não habitual, mas não foi aprovado pelo Ministério do Trabalho, razão pela qual não está revestido de legalidade, tornandose ganho habitual. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 Ocorre que entendeu a fiscalização que não estando revestido de legalidade não pode ser reconhecido no ordenamento jurídico, e não sendo reconhecido o programa, os pagamentos tornamse habituais. Todavia, penso que para ter valia no PAT, nem sempre é necessário estar inscrito no MTE. Porque mais importante que meras formalidades é o atendimento ao seu objetivo, que é alimentar o trabalhador. No caso em tela, em que pese a virtuosa iniciativa da Recorrente, o seu programa não foi APROVADO PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO, mas o fiscalizador reconheceu a sua aplicação, razão assaz para dar ao seu programa o contorno do PAT. Razão pela qual, neste quesito, há imperfeição o lançamento efetuado pela fiscalização. Dado que reconhece o contorno do programa do empregador ao PAT, não podendo incidir contribuição previdenciária. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO Incide Contribuição Previdenciária ao salário de auxílio de doença nos primeiros quinze dias do afastamento conforme legislação em vigência, contrário ao que alega a Recorrente. É bem verdade que a Recorrente aviou mandado de segurança, cujo qual já há sentença, mas esta afastou a incidência das contribuições previdenciárias (alíquotas de 2,0% e 3,0%), mas não foi julgado o pedido relativo às contribuições destinadas a terceiros, sendo portanto devida esta contribuição, pois não existe autorização para que a mesma deixe de ser cobrada. Como dito acima a legislação previdenciária não afastou a cobrança da contribuição previdneicária, ao contrário, ela permanece em pleno vigor, ou seja, conforme dispõe a Lei n.° 8.213/91, artigo 59, o auxíliodoença como benefício previdenciário será devido ao segurado que ficar incapacitado para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos. E, o artigo 60 traz que o auxíliodoença será devido ao segurado empregado a partir do 16° (décimo sexto) dia do afastamento da atividade, sendo que no parágrafo 3°, consta, expressamente, que durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado o seu salário integral. E, face ao parágrafo 9, letra "a", artigo 28, da Lei 8.212/91, somente destaca como não integrante do saláriodeContribuição, os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, e, considerando que o auxiliodoença como benefício previdenciário será devido ao segurado empregado' a partir do 16° (décimo sexto) dia do afastamento da atividade, os valores recebidos nos primeiros quinze dias de afastamento por doença enquadramse no conceito de saláriodecontribuição na forma prevista no artigo 28, I, da Lei n.° 8.212/91. Como na arrecadação das contribuições, devidas à outras entidades e fundos (terceiros), aplicamse as regras gerais da contribuição previdenciária, porquanto comuns a basedecálculo, privilégios e garantias conferidos por Lei às espécies tributárias, não há como acatar os argumentos apresentados na peça recorrente, já que o ‘mandamus’ aviado não julgou pedido relativo às contribuições destinadas a terceiros, sendo portanto devida esta contribuição, não existindo autorização para que a mesma deixe de ser cobrada. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 534 11 DAS COOPERATIVAS – NÃO INCIDÊNCIA Alega Recorrente que não pode incidir Salário Contribuição sobre pagamentos realizados a cooperados. O que não lhe assiste razão. É que, de conformidade com a legislação em vigor, não há de se falar em não incidência, uma vez que disposto na legislação previdenciária, art. 22, IV, Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.876/99, com vigência a partir de 03/2000, a previsão de recebimento sobre pagamento de cooperados, não há ilegalidade. DA CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I ... ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Na clareza da lei, cessa sua interpretação. Então não há imperfeição no lançamento realizado pela fiscalização. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS EM DECORRÊNCIA DOS RISCOS AMBIENTAIS DE TRABALHO. Há exigência legal para o custeio dos benefícios previdenciários, em decorrência dos riscos ambientais do trabalho, ex vi o que trata o artigo 22, inciso II da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I .... II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 Esta lei, até o presente momento está em pleno vigor, porque não considerada inconstitucional pela casa apropriada, razão pela qual não nada de ilegal e ou inconstitucional aplicado pela fiscalização. Ainda que fosse inconstitucional, não cabe ao CARF pronunciarse a respeito, pois ao Tribunal Excelsior é dada a exclusividade. Razão, então, não assiste ao Recorrente. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A fiscalização não ultrapassou o que determina a lei, ao contrário, seguiua de toda sua conformidade e exigência. Diz a Recorrente que os valores distribuídos aos Diretores, a título de participação nos lucros, observam os termos da Lei n° 10.101/2000, o que determina sua desvinculação do salário e a sua não integração na base de cálculo da contribuição previdenciária. Alega ainda que a distribuição de lucros aos Diretores tem por fundamento condições diferentes das estabelecidas aos demais funcionários, considerando a peculiar condição do cargo que exercem, já que estes têm relação direta com os resultados da sociedade. Mas, não é salário. Mas não assiste razão a Recorrente, como já muito dito, na clareza da lei cessa sua interpretação. Ora, a Lei 8.212/91 fala da PLR quanto aos funcionários, veja: Artigo 28. Entendese por saláriodecontribuição: .... § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... J) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; E a lei específica fala somente dos empregados e não dos sócios, como quer fazer acreditar a defesa. E, o artigo 2° da Lei n° 10.101, de 19/12/2000, é muito claro neste sentido: Art. 2° participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (..) § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 535 13 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 1 índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. Para os sócios há a retirada dos lucros, implicando em remuneração pelo capital aplicado, incidindo a contribuição previdenciária (art. 201, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99). E quanto a remuneração oriunda do trabalho dos sócios sempre integrará o saláriodecontribuição. Poderia a Recorrente ter demonstrado que os pagamentos realizados eram exclusivamente de lucro e da participação dos diretores nos resultados, mas não o fez, razão pela qual foi considerado remuneração do trabalho, incidindo ao pagamento do salário contribuição, como determina a lei. Assim, neste quesito, entendo que não assiste razão ao Recorrente. MULTA O Recorrente deixou de cumprir com suas obrigações junto a Previdência Social, não recolhendo as contribuições sociais, razão pela qual a Fiscalização aplicoulhe, além das penalidades previstas, a multa por descumprimento. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas foram as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, constantes em folhas de pagamentos e na contabilidade da empresa e não informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP.34 Por outro lado, tenho que a multa a ser aplicada deverá ser a mais benéfica, que penso ser a do Artigo 61 da Lei 9.430 DE 1996. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Portanto, considerando a retroatividade da aplicação da pena mais branda, o artigo supramencionado, tenho, que é a que mais favorece ao Recorrente, devendoselhe ser aplicada, como dito, se mais benéfica. CONCLUSÃO Por todo o exposto e acudindo as exigências para admissibilidade, do recurso conheço, e julgo parcialmente procedente a peça recorrente para dar provimento no que trata do prazo decadencial de 5 anos, a contar do exercício seguinte ao fato gerador, aplicandose lhe o artigo 150, §4° do CTN, bem como para reconhecer que não incide contribuição previdenciária em programa que atende a exigência do PAT, ainda que não tenha ocorrido a formalização da inscrição no MTE. Também, quanto a multa, penso que deve ser aplicado o dispositivo que mais beneficia a Recorente, e, no caso em tela, penso ser a inteligência do artigo 61 da Lei 9.430 de 1996. No mais, julgo procedente o lançamento fiscal autuado. É como voto. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa – Relator Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 536 15 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 16 No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 537 17 fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Portanto, votamos pelo não provimento do Recurso quanto à inclusão do valor da cesta básica in natura na base de cálculo da contribuição previdenciária. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 18 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio a respeito das matérias constantes nestes autos que foram objeto de controvérsia entre os nobres conselheiros, e dou parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos que se seguem. DA DECADÊNCIA 2. Sobre a decadência, acompanho a conclusão do nobre relator, uma vez que o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212, 1991, e editou a Súmula Vinculante 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 3. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei 11.417, de 2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 538 19 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 4. Ainda sobre o assunto, a Lei 11.417, de 2006, dispõe o seguinte: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 5. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 6. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 20 direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 7. Compulsando os autos, depreendese do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, que foram analisadas folhas de pagamento, GFIP e GRPS (fls. f. 58 a 136). Além disso, consta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (fls. 359), que a fiscalização examinou livro diário nº 24; folha de pagamento, GFIP, comprovante de recolhimento e outros. Assim, verificase que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 8. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418) 9. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 10. E com base nas informações expostas acima, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte, tendo em vista que a recorrente reconheceu a lavratura do auto realizada em 18/09/2007, referente às contribuições do período de 01/02/1999 a 31/12/2006, ficam Fl. 548DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 539 21 alcançadas pela decadência quinquenal as competências 02/1999 a 08/2002, restando mantidas as competências 09/2002 a 12/2006. DA CESTA BÁSICA – EMPRESA NÃO CADASTRADA NO PAT 11. Quanto à cesta básica, peço vênia ao douto redator, pois divirjo do seu pensamento, uma vez que entendo ser indevida a incidência de contribuição social previdenciária que entende pela incidência de contribuição social previdenciária sobre tais valores, de cunho remuneratório, afastando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a qual dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso, estaria supostamente amparada em premissa específica e não serve de aplicação genérica. 12. Não obstante peço vênia ao douto redator por divergir do seu pensamento, uma vez que entendo ser indevida tal incidência e que o posicionamento reiteradamente adotado pelo STJ RECURSO ESPECIAL PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL. AUXÍLIO CESTAALIMENTAÇÃO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA INDEVIDA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. RECURSO REPETITIVO. 1. "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório" (Súmula 98/STJ). 2. Compete à Justiça Estadual processar e julgar litígios instaurados entre entidade de previdência privada e participante de seu plano de benefícios. Precedentes. 3. O auxílio cestaalimentação estabelecido em acordo ou convenção coletiva de trabalho, com amparo na Lei 6.321/76 (Programa de Alimentação do Trabalhador), apenas para os empregados em atividade, não tem natureza salarial, tendo sido concebido com o escopo de ressarcir o empregado das despesas com a alimentação destinada a suprir as necessidades nutricionais da jornada de trabalho. Sua natureza não se altera, mesmo na hipótese de ser fornecido mediante tíquetes, cartões eletrônicos ou similares, não se incorporando, pois, aos proventos de complementação de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada (Lei 7.418/85, Decreto 5/91 e Portaria 3/2002). 4. A inclusão do auxílio cestaalimentação nos proventos de complementação de aposentadoria pagos por entidade fechada de previdência privada encontra vedação expressa no art. 3º, da Lei Complementar 108/2001, restrição que decorre do caráter variável da fixação desse tipo de verba, não incluída previamente no cálculo do valor de contribuição para o plano de custeio da entidade, inviabilizando a manutenção de equilíbrio financeiro e atuarial do correspondente plano de benefícios exigido pela legislação de regência (Constituição, art. 202 e Leis Complementares 108 e 109, ambas de 2001). 5. Julgamento afetado à Segunda Seção com base no procedimento estabelecido pela Lei nº 11.672/2008 e pela Resolução STJ nº 8/2008. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 22 6. Recurso especial provido. (REsp 1207071/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 27/06/2012, DJe 08/08/2012) 13. Programa de Alimento ao Trabalhador no Ministério do Trabalho, e este possui todas as características de ausência de caráter remuneratório, e, como tal, não incide Salário Contribuição. 14. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. DA PLR PAGA AOS DIRETORES 15. A recorrente afirma a impossibilidade de se incidir contribuição previdenciária sobre os valores pagos e suscita nulidade dos lançamentos decorrentes dos pagamentos a título de PLR, por considerar que a instância a quo inovou nos critérios jurídicos da autuação, ao considerar que não restou demonstrada a participação de representante sindical nos acordos coletivos, uma vez que no lançamento original o auditor fiscal não faz qualquer ressalva quanto a esse aspecto. 16. Tal conclusão, entretanto, não merece prevalecer, pois equivocase o contribuinte ao afirmar que essa formalidade não deveria ter sido objeto de apreciação do Colegiado de primeira instância, isso porque basta ler o texto do relatório fiscal para perceber que um dos motivos enumerados expressamente para descaracterizar a PLR foi o fato de as metas estabelecidas pela empresa serem desiguais entre funcionários, gerentes e alta gerência, além de a empresa não ter apresentado as metas que deveriam ser parte integrante do acordo relativamente a esses funcionários, conforme item 2.2. do relatório fiscal, f. 691. 17. Com isso resta demonstrado que agiu corretamente a primeira instância ao analisar essa questão, até porque não lhe restava outra alternativa, tendo em vista que tais itens foram objeto da impugnação da recorrente e, por consequência, caberia ao órgão julgador a análise pormenorizada desse critério. 18. Ainda sobre a PLR o colegiado de primeira instância tece argumentos fundamentados sobre o fato de os acordos coletivos não terem a participação do sindicato, para ao final concluir que a quantia paga tratase de pagamento de prêmio e não de PLR “(...) não ocorreu a necessária participação do sindicato na elaboração da PLR concernente aos gerentes e à alta administração (...). A participação dos resultados da empesa em decorrência do cumprimento de metas preestabelecidas não fixadas em acordos coletivos que tratem da PLR se enquadra perfeitamente no conceito de prêmio. Os gerentes e os empregados que exercem a alta gerência, na realidade não receberam a PLR prevista em lei, mas prêmios, os quais estão sujeitos à tributação”. (f. 17/18). 19. No entanto, se analisarmos os acordos coletivos que constam nos autos, perceberemos que a Cláusula quarta item 4.3 prevê que “os empregados que exercem cargos de gerência terão a participação nos resultados da HUNTER DOUGLAS definida em metas previamente acordadas e formalizadas com a Diretoria Geral, sendo certo que referidas metas farão arte do presente instrumento para todos os efeitos”, ou seja, o sindicato teve ciência da situação em questão e ainda assim promoveu a assinatura do acordo coletivo. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11020.003359/200700 Acórdão n.º 2301002.743 S2C3T1 Fl. 540 23 20. Cumpre mencionar que a participação sindical nos acordos de PLR se trata de formalidade exigida pela legislação a ser observada para assegurar o direito dos trabalhadores ao recebimento dos benefícios e que os documentos trazidos aos autos possuem regras para os pagamentos acordados entre representantes da empresa e representantes dos segurados empregados, de maneira que para chegarse a esse ponto concluise que houve uma negociação prévia entre as partes. 21. Assim, não cabe ao fisco ignorar os termos acordados entre as partes, bem como a autonomia de ambos. Isso por que a entidade responsável pela tutela dos direitos trabalhistas da categoria não apresentou óbice aos termos do acordo apresentado e assim, a função primordial de proteção aos direitos dos participantes dos planos restou cumprida. 22. Ademais, ao meu ver, o fato de estabelecer metas adjetivas para gerentes e ocupantes de cargos especiais é uma característica razoável, tendo em vista que não seria adequado, ou até mesmo isonômico, estabelecer metas iguais para aqueles que, em função do seu cargo, terão mais responsabilidade pelo resultado da empresa do que outros. 23. Dessa forma, entendo que resta incontestável a necessidade de metas diferenciadas para determinados cargos no âmbito empresarial, da mesma forma que resta comprovado a participação do sindicato no estabelecimento das regras da PLR, tendo conhecimento das regras adjetivas elaboradas posteriormente, sendo assim, não se pode ignorar os termos que restaram afixados por ambas as partes e corroborados pela entidade sindical. 24. No caso concreto, ao analisar pormenorizadamente o instrumento de acordo identifico presente os requisitos necessários para excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de PLR. CONCLUSÃO 25. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 11/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Numero do processo: 10865.900890/2008-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 89 0/ 20 08 -0 9 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.154, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL estimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 05/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.294 (fls. 347 a 355), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 5 4 O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 364 a 365. Este é o Relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.294 (fls. 347 a 355), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação (retificadora) por ela apresentada em 28/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de CSLL do mês de maio/2003, no valor de R$ 26.141,76. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.294, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como Fl. 371DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 7 6 crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003 (Ficha 17), às fls. 83, a Contribuinte apurou CSLL anual no valor de R$ 36.839,63 e realizou deduções a título de CSLL mensal paga por estimativa no montante de R$ 255.200,46, o que resultou em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 218.360,83. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ (Ficha 16) e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de CSLL em 2003 DIPJ DARF jan/03 36.032,06 36.012,82 fev/03 28.466,83 25.613,77 mar/03 25.369,49 25.208,27 abr/03 21.814,26 21.662,03 mai/03 26.174,28 26.141,76 jun/03 16.482,89 16.469,48 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 8 7 jul/03 27.325,85 27.327,01 ago/03 23.516,59 23.517,42 set/03 25.499,72 23.977,77 out/03 26.825,37 28.945,73 Total 257.507,34 254.876,06 Como mencionado, para a apuração do saldo negativo, foram deduzidos R$ 255.200,46 a título de estimativas mensais na Ficha 17 da DIPJ. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor, porque há divergências entre as estimativas constantes da Ficha 16 da DIPJ, os DARF´s correspondentes e o montante deduzido a esse título na Ficha 17 da DIPJ. Estas questões não foram dirimidas porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 364/365, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 05298.90157.280704.1.7.04 0404 em que o contribuinte utilizou o Fl. 373DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 9 8 pagamento da estimativa de CSLL do mês de maio de 2003, no valor de R$ 26.141,76 para compensação de débito próprio. A compensação não foi homologada, porque o pagamento encontrase totalmente vinculada ao débito correspondente e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocada e que seu crédito era saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco de se multiplicar indevidamente o crédito para o contribuinte, ressaltando que há mais processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31344.03323.230609.1.6.03 6500 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de maio de 2003, no valor de R$ 26.141,76 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de CSLL desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Em síntese, a DRF/Limeira/SP registra: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, juntado aos autos); que a decisão do CARF implica na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo é temerária; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 10 9 e que o pagamento de estimativa não pode ser convertido em saldo negativo. Diante destes comentários, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifeste sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar se de cumprilas”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.294, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 11 10 A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 07372.76811.221208.1.2.030666, retificado pelo PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 12 11 Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.294, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de CSLL em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.03 6500; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de CSLL em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900890/200809 Resolução nº 1802000.380 S1TE02 Fl. 13 12 Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12045.000326/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/07/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/07/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 03 26 /2 00 7- 84 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000326/200784 Acórdão n.º 2301003.674 S2C3T1 Fl. 325 3 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 2. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 3. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 4. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 5. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 6. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 7. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 8. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 9. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 10. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 11. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000326/200784 Acórdão n.º 2301003.674 S2C3T1 Fl. 326 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 12. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 13. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 14. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 15. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 16. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 17. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 18. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 19. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 20. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 21. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 22. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000326/200784 Acórdão n.º 2301003.674 S2C3T1 Fl. 327 7 Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 14041.000181/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/04/1997
LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE.
A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.
É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente VIA ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/04/1997 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 81 /2 00 9- 49 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000181/200949 Acórdão n.º 2402003.910 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 02/1997 a 04/1997. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 21/29), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 35/127) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0343.962 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 131/146) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, entendendo que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 149/162) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 163/164). É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente deixou de pagar as contribuições previdenciárias referentes às competências 02/1997 a 04/1997. No presente caso, ocorreu um novo lançamento em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal, este foi veiculado por meio das NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Assim, a regra prevista no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (CTN) concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade das decisões que anularam as NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087 deverá levar em consideração a regra estampada no artigo 42 do Decreto 70.235/1972, Lei do Processo Administrativo Fiscal (PAF), in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; (g.n.) III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de segunda instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000181/200949 Acórdão n.º 2402003.910 S2C4T2 Fl. 4 5 definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de segunda instância no âmbito do processo administrativo federal transitam em julgado e geram a coisa julgada formal administrativa, que é o impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida, também chamada de preclusão máxima administrativa. Essas decisões são atos administrativos, e, portanto, estão sujeitas aos princípios e atributos inerentes ao regime jurídico público administrativo, seja em relação aos seus efeitos, seja em relação à sua validade. Nos termos do artigo 37 da Constituição Federal, constatase que o princípio da publicidade deverá ser observado por toda a Administração Pública, incluindo a Administração Tributária. A Lei 9.784/1999, diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, explicita como critério de observância obrigatória a “divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição” (art. 2o, parágrafo único, inciso V). Ainda nos termos dos artigos 26 e 28 dessa Lei 9.784/1999, a intimação de decisões proferidas no âmbito administrativo tributário é obrigatória e será realizada pelo órgão competente em que tramita o processo administrativo. Lei 9.784/1999: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. ......................................................................................................... Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. O art. 23 do Decreto 70.235/1972 prevê como modalidades de intimação das decisões proferidas no âmbito do contencioso administrativo tributário a pessoal, por via postal e por meio eletrônico. E, essas modalidades de intimação são materializadas ou realizadas no momento em que ocorrer a ciência do sujeito passivo, nos termos do parágrafo 2° desse mesmo artigo retromencionado. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)Art. 23. Farseá a intimação: (...) (g.n.) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No mesmo sentido dispunha o art. 34 da Portaria MPS no 520/2004 que a intimação dos atos processuais seria realizada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Portaria MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MPS nº 520 de 19.05.2004, publicada no D.O.U.: 20.05.2004 Das Intimações Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000181/200949 Acórdão n.º 2402003.910 S2C4T2 Fl. 5 7 II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Nesse contexto, as decisões proferidas em processo administrativo, tributários ou não, têm a publicidade como um requisito de validade e de produção de seus efeitos. A rigor, não se pode dizer sequer que o ato administrativo já esteja inteiramente formado (perfeito) enquanto não ocorrer a sua publicidade prevista na lei, que no presente caso será no momento em que o sujeito passivo tomar ciência da decisão proferida pela Corte Administrativa (na época o Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS). Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade do lançamento fiscal. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. No caso concreto, faltou a configuração a data do termo inicial para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal, já que se tratava de lançamento substitutivo. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000181/200949 Acórdão n.º 2402003.910 S2C4T2 Fl. 6 9 O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco no Relatório Fiscal um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000181/200949 Acórdão n.º 2402003.910 S2C4T2 Fl. 7 11 “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10218.720974/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada.
Numero da decisão: 2201-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 09 74 /2 00 7- 04 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/03), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 56.634,05, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Continental”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8942, com área declarada de 3.000,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, de 20,0 ha e de 2.380,0 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 43.200,00 para R$ 300.000,00, com base no valor de R$ 100,00/ha indicado no SIPT, conforme demonstrado à fl. 02. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: · apresenta um breve resumo da Notificação de Lançamento e informa que a questão cingese ao exame da legalidade das glosas levadas a efeito pela fiscalização ao revisar a DITR do exercício de 2004, bem como da alteração do VTN; · mostra o que consta do Termo de intimação fiscal; · o impugnante, em atenção à intimação, encaminhou ao Auditor Fiscal, a quem incumbiu a revisão da declaração, os seguintes documentos: 1) cópia da anotação da responsabilidade técnica, devidamente registrada no CREA; 2) cópia do comprovante de entrega do ADA ao IBAMA, devidamente protocolado sob o n°. 41000428598, em 14.09.98; 3) laudo de avaliação do imóvel; · entende o impugnante que a exigência do ITR pelo lançamento de ofício, ora impugnado, é ato administrativo de exigência tributária ilegal. Faltalhe, pois, o fundamento de validade. De fato, a glosa das áreas de preservação permanente e de utilidade limitada na DITR de 2004 não tem amparo em lei. A Lei 9.393 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720974/200704 Acórdão n.º 2201002.301 S2C2T1 Fl. 3 3 de 1996 não estabelece a obrigação de apresentar o ADA, para efeito de exclusão do ITR sobre essas áreas; · o impugnante exibiu a cópia do Ato Declaratório Ambiental à fiscalização, com protocolo do IBAMA, e não sabe o motivo de sua rejeição. Não mereceu sequer uma palavra de explicação; · do mesmo modo aconteceu em relação às outras glosas. Quanto ao laudo técnico exibido, nem uma palavra mereceu, dando o motivo de seu não acolhimento; · mostra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário sobre a desnecessidade de Ato Declaratório do IBAMA e conclui que apresentou o ADA. Mas, se não o tivesse apresentado, mesmo assim, esse ato não pode ser condição de reconhecimento de exclusão da base de cálculo do ITR, das áreas em causa; · no tocante à averbação no Registro de Imóveis de áreas de reserva legal, mostra decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara; · se não há sustentação legal, como dito no mencionado julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exigir a averbação no Registro de Imóveis da área reservada em lei, com maior razão para obrigar o contribuinte a exibir o denominado ADA. A existência das áreas que sofreram a glosa está mais do que comprovada. Mas o certo é que o impugnante não está obrigado à prévia comprovação da área de reserva legal (Lei 9.393/96, art. 10, §7°); · observa que a obrigatoriedade do ADA teve início no exercício de 2001, por exigência de instrução normativa que não tem força de obrigar, porquanto somente a lei, formal e material, obriga e, nesse sentido, mostra decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes; · lembra que a Medida Provisória n°. 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao introduzir o § 7º no art. 10 da Lei 9.393/96, dispensou a apresentação pelo contribuinte do malsinado ato declaratório do IBAMA. Essa circunstância é objeto de decisão no acórdão do Superior Tribunal de Justiça, mostra a ementa, julgado do STJ e mais uma decisão administrativa; · conclui que o lançamento de ofício praticado não pode prosperar. Como ato administrativo, que é, padece do vício da ilegalidade, como demonstrado. Por essa razão, o lançamento que exige o ITR do exercício de 2004 deve ser desconstituído; · sem embargo do exposto, em que o impugnante postula a desconstituição do lançamento de ofício do ITR do exercício de 2004, por vício de ilegalidade, o impugnante, conquanto venha apresentando suas declarações, na esperança de obter vitória no Judiciário, já informou ao Auditor Fiscal revisor que a propriedade em causa fora invadida por Joaquim de Barros Primo, perdendo assim a posse do imóvel. Não bastasse isso, no Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ano de 2000, um estelionatário conseguiu, junto aos Cartórios de Altamira e São Félix do Xingu, trocar, na matrícula do imóvel, o nome de seu adquirente, no caso, do impugnante, por outro, de nome PAULO FERNANDO DIAS (o impugnante é PAULO FERNANDES DIAS), em virtude de utilização de procuração falsa e escritura lavrada na Comarca de Araguaína, em Tocantins, transferindoo posteriormente para Ednei José Ferreira; · em razão desse fato, o impugnante ajuizou, além da ação reivindicatória, que fora distribuída na Comarca de São Félix do Xingu, no ano de 2003, propôs a ação declaratória de nulidade de ato jurídico, perante o Juízo da Comarca de São Félix do Xingu, Estado do Pará, que tramita sob o n°. 2007.1.0021; · em face da invasão à Fazenda Planície Verde e de sua transferência a Ednei José Ferreira pelo falsário PAULO FERNANDO DIAS, o impugnante acabou por perder a propriedade. Quer dizer, neste momento, a mencionada Fazenda não pertence mais ao impugnante. Por esse motivo, o ITR exigido e impugnado, se não for reconhecida a ilegalidade do lançamento, não cabe por ele, impugnante, ser pago; · finalmente, requer: ·· que seja julgado procedente a impugnação e improcedente o lançamento de ofício, desconstituindoo, em face de sua ilegalidade; ·· seja cancelado o lançamento praticado e cobrado o imposto de quem detém somente a posse ou a posse e o domínio do bem imóvel, segundo prova já produzida. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o titular do seu domínio útil ou mesmo o possuidor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer um deles. Assim, cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como tal na correspondente DITR/2004 e no Cadastro de Imóveis Rurais da RFB CAFIR. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA VTN. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720974/200704 Acórdão n.º 2201002.301 S2C2T1 Fl. 4 5 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme disposto no processo administrativo fiscal PAF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 29/03/2011 (fl. 61pdf), Paulo Fernandes Dias apresenta Recurso Voluntário em 28/04/2011 (fls. 78pdf e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente (20,0 ha) e de reserva legal (2.380,0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 43.200,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 300.000,00, com base no SIPT. Em sua peça recursal alega preliminarmente o recorrente que “... embora não estivesse na posse do imóvel, apresentou a declaração do ITR, no intuito tentar garantir uma futura reintegração, o que não ocorreu até o presente momento”. Pois bem, quanto à alegação que não possui a posse do imóvel, cumpre registrar que a exigência do ITR regese pela Lei n.° 9.393/1996, que dispõe em seu artigo 4º que “Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. Da simples leitura desse dispositivo concluise que o imposto é devido por qualquer pessoa que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Isso posto, compulsandose os autos, verificase às fls. 109/117pdf, que o contribuinte juntou ao recurso Escritura Pública e Título Definitivo demonstrando ser o legítimo proprietário do imóvel objeto do lançamento. Além do mais, não há nos autos qualquer prova de que tenha perdido a propriedade do imóvel rural (Fazenda Continental, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8942) e, por essa razão, tenha ajuizado Ação Declaratória de Nulidade de Ato Jurídico, como faz crer o recorrente em sua peça recursal. Cumpre esclarecer que enquanto não for apresentada comprovação efetiva de transferência de propriedade do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração, não há como excluir o contribuinte da relação tributária, apesar da Ação Reivindicatória carreada aos autos às fls. 19/26. Ademais, em seu apelo o próprio contribuinte reafirma ser real proprietário do imóvel, razão pela qual apresentou a DITR/2004 em seu nome. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Portanto, correta a eleição do contribuinte como sujeito passivo da obrigação tributária. No mérito, afirma o suplicante que a área total do imóvel é de 1.806,5 ha, sendo que a áreas de preservação permanente e de reserva legal correspondem a 1.445,20 ha. Assevera ainda que “... está efetivamente havendo a incidência do ITR sobre 1.806,5 ha, referente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, em razão da falta de apresentação da ADA no IBAMA e do registro da reserva legal na matrícula do imóvel.” No que tange à apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, impende registrar que sua entrega tornouse obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, conforme determina a Lei n° 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) Do exposto, verificase que o ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR. De acordo com a IN/SRF nº 435/2004, o prazo para a protocolização no Ibama do requerimento do ADA expirou em 30/03/2005, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2004 (30/09/2004). Portanto, diferentemente do que faz crer o recorrente, a partir da edição da Lei nº 10.165/2000 a entrega do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, é obrigatória. Quanto à área de preservação permanente, verificase que o recorrente não logrou comprovar efetivamente sua existência na propriedade. Além do mais, o ADA apresentado em 15/09/1998 não faz qualquer menção de APP no imóvel (fl. 17). Logo, deve ser mantida a glosa da área preservação permanente. No que diz respeito à necessidade de averbação da área de reserva legal, compete deixar assentado que o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720974/200704 Acórdão n.º 2201002.301 S2C2T1 Fl. 5 7 (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Pelo se vê, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não ocorreu no presente caso. Sobre o arbitramento do VTN, cumpre reproduzir a ressalva feita pela autoridade recorrida: Observase, ainda, que o Requerente nada questionou em relação à alteração do VTN de R$ 43.200,00 para R$ 300.000,00, com base no menor valor, por aptidão agrícola (terras de florestas), indicado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se localiza o imóvel, de R$ 100,00/ha. Assim, considerase não impugnada essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67, da Lei nº 9.532/1997. De fato, compulsandose a Impugnação apresentada, verificase que o contribuinte não questiona o VTN arbitrado pela fiscalização. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada. Ainda que fosse possível discutir a matéria, o que se admite apenas a título de argumentação, verificase que não é possível considerar para fins de comprovação do Valor da Terra Nua o laudo de avaliação juntado aos autos pelo contribuinte, uma vez que se limita a informar o valor da terra nua da propriedade (fl. 16), verbis: Avaliação: Em virtude do imóvel rural estar invadido por Terceiros (Grileiros), não há permissão para se fazer uma vistoria no local, assim só podemos avaliar o valor da terra nua através do método comparativo com terras vizinhas e através de mapas topográficos e geográficos da região. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Valor da Terra Nua: R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Considerações: O valor da terra nua é bastante baixo devido aos seguintes fatores: a) Distancia do imóvel em relação a cidade mais próxima: 120 kms. b) Não há estrada e pontes para o trânsito de veículos e o acesso à propriedade só é possível a pé ou à cavalo através de trilhas. c) A topografia do imóvel é bastante montanhosa. d) Há a ocorrência de áreas bastante pedregosas. Assim, deve ser mantido o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11080.908634/2011-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância.
PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE.
O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-005.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB-RS 90.645.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 71 1 70 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.908634/201147 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.228 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente CÁPSULA CINEMATOGRÁFICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OABRS 90.645. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 86 34 /2 01 1- 47 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de processo constituído para tratamento de DComp eletrônica que utiliza crédito de pagamento a maior ou indevido de PIS, no valor de R$ 657,51, do total pago em DARF de R$ 1.068,81, referente ao mês de outubro de 2005. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a Compensação sob a alegação de que o valor já teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada a empresa, em síntese, alegou que o débito de Cofins relativo ao período de apuração de 10/2005 não corresponde ao DARF de pagamento. Entende que apesar de ter informado em DCTF que o valor efetivamente apurado estava de acordo com o despacho decisório da DRF, a existência do crédito independe dos valores informados em suas declarações. Aduziu que as DCTFs não são documentos legitimadores do crédito, pois isso poderia causar distorções. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre referiu que o despacho decisório está de acordo com o valor apresentado pelo próprio contribuinte em DCTF, corroborado pelo recolhido via DARF, e que para contrapor tais dados verificou que a Manifestante não juntou aos autos nenhum documento comprobatório que indicasse o erro de pagamento alegado. Aduziu, ainda, que os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da Cofins são elementos indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DCTF E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração apresentada DCTF, e o recolhimento em DARF, estão de acordo com o valor considerado pela DRF jurisdicionante. Cientificada da decisão em 16 de agosto de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 13 de setembro de 2013, em que: a) reclama pela nulidade da decisão recorrida por não ter o Colegiado promovido a instrução do processo mediante solicitação/intimação à Manifestante para apresentação dos documentos contábeis/fiscais que comprovassem o montante das receitas que haveriam de lhe conferir o direito ao crédito utilizado na DComp; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.908634/201147 Acórdão n.º 3803005.228 S3TE03 Fl. 72 3 b) no mérito, inova no argumento trazido na manifestação de inconformidade pretendendo a reprodução no presente julgamento da decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62A do RI/CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de Nulidade A falta de comprovação do alegado crédito constituise, no acórdão combatido, em fundamento subsidiário, que teve como prejudicial o fundamento erigido na questão principal contrário ao interesse da Manifestante: o direito de não incluir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de cessão temporária de direitos de veiculação de fonogramas. No voto condutor o Julgador a quo mencionou de forma expressa a necessidade de anexação dos elementos de verificação e mensuração do reclamado direito, consubstanciados na escrita contábil e fiscal. De fato, a decisão proferida por meio de despacho decisório eletrônico suprime a manifestação esclarecedora prévia do contribuinte. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 elucida todas as providências que o contribuinte inconformado com o despacho decisório deve tomar na feitura da sua defesa, inclusive determinando a anexação das provas que possuir. Nesse formato de decisão administrativa, a manifestação de inconformidade é o primeiro esclarecimento que o contribuinte presta. Há situações em que os elementos de prova colacionados nessa defesa são insuficientes ao juízo do julgador de primeira instância, que, com base no dispositivo acima, não tem permitido a complementação das provas por meio de diligência, vindo a julgar pela improcedência das razões do contribuinte. Por essa razão e com arrimo no princípio da verdade material que deve informar o processo administrativo fiscal , não se tratando de processo de determinação e exigência de crédito tributário, penso que o julgador não deve levar a extremo o princípio da preclusão da prova. Contudo, para afastálo é imperioso que o recorrente preencha a lacuna da sua defesa, conforme apontado pela decisão de primeira instância, suprindo o recurso voluntário com as provas que possuir e, de preferência, se necessário, de acordo com a conformação da causa, aparelhandoo com demonstração gráfica do direito em disputa. A decisão de primeiro grau já lhe dá esse norte, de modo a poder o recorrente aprumar a sua defesa. Somente diante de provas cabais com que instrumentalizado o recurso poderia o julgador de segunda instância propugnar: (i) pelo seu provimento, se abraçasse tese distinta da decisão recorrida ou diante de causa madura, na hipótese de mérito não apreciado na primeira instância; (ii) pela anulação da decisão de primeiro grau para apreciação do mérito, caso não o tenha sido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Não é o que se dá neste processo, em que o recurso voluntário novamente não se fez acompanhar das provas do direito alegado. É dever do inconformado com decisão administrativa de juntar à sua defesa as provas que possuir, segundo o ditame da norma que regula, em específico, o processo administrativo fiscal, segundo disposição do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Esta norma mandamental não é ofuscada pela norma genérica do art. 29 da Lei nº 9.784/99[1] (que regula a atividade de instrução da Administração, para tomada de decisões, seja de ofício ou por impulsão do órgão responsável pelo processo), que não possui um comando para a Administração, sobretudo quando a decisão em meio eletrônico se dá sobre as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte. Não resta, pois, violado o direito à ampla defesa, que daria ensejo à nulidade da decisão. De mais a mais, restaria ineficaz a decretação de nulidade de decisão de piso, vez que a questão da prova é prejudicada pelo direcionamento dado à presente decisão. Ante o exposto, rejeito a preliminar. Mérito Na manifestação de inconformidade a Manifestante nada aduz acerca da origem do seu crédito perante a RFB. E como não trouxe elementos de prova a decisão de piso ficou circunscrita à questão da falta de prova do alegado. No recurso voluntário, a Recorrente vem sustentar que o crédito utilizado na DComp sob análise decorre de pagamento indevido de Cofins vinculado a receitas de cessão de uso de fonogramas, que por sua natureza não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da contribuição, valores pagos que estão regidos pela sistemática de apuração cumulativa, prevista na Lei nº 9.718/98. Tal questão não foi prequestionada perante o órgão julgador de primeira instância, tendo precluído o direito de a Recorrente apresentála em grau de recurso. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.908634/201147 Acórdão n.º 3803005.228 S3TE03 Fl. 73 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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