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Numero do processo: 10660.000777/2003-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTOS EM DUPLICIDADE. NULIDADE DO SEGUNDO JULGAMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração no sentido de declarar nulo o segundo julgamento, pois a administração pelo princípio da autotutela tem o poder-dever de declarar nulo uma segunda decisão proferida, em atenção aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e da isonomia.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3801-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pelo Conselheiro, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTOS EM DUPLICIDADE. NULIDADE DO SEGUNDO JULGAMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração no sentido de declarar nulo o segundo julgamento, pois a administração pelo princípio da autotutela tem o poder-dever de declarar nulo uma segunda decisão proferida, em atenção aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e da isonomia. Embargos acolhidos.
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JULGAMENTOS EM DUPLICIDADE. NULIDADE DO SEGUNDO JULGAMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração no sentido de declarar nulo o segundo julgamento, pois a administração pelo princípio da autotutela tem o poderdever de declarar nulo uma segunda decisão proferida, em atenção aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e da isonomia. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pelo Conselheiro, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 07 77 /2 00 3- 13 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.000777/200313 Acórdão n.º 3801002.769 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.000777/200313 Acórdão n.º 3801002.769 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes em face do acórdão nº 380100.305, sessão de 19/10/2009, proferido por esta turma. Em síntese, sustenta que na apreciação do recurso voluntário interposto pela recorrente foram realizados dois julgamentos por colegiados distintos. Destaca que o primeiro julgamento corresponde ao Acórdão nº 29400.119, sessão de 9 de fevereiro de 2009, Relatora Magda Cotta Cardozo, da então Quarta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, que por unanimidade, negou provimento ao recurso. Esclarece que o segundo julgamento corresponde ao Acórdão nº 3801 00.305, sessão de 19 de outubro de 2009, Relatora Renata Auxiliadora Marcheti, da Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que também por unanimidade, negou provimento ao recurso. Argumenta, ainda, que a declaração da nulidade não trará qualquer prejuízo à recorrente, pois os débitos deste processo foram extintos por remissão, segundo despacho da Delegacia de origem. Por fim, requereu que fossem conhecidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, atribuindose efeitos infringentes, a fim de se declarar a nulidade do Acórdão nº 380100.305, sessão de 19 de outubro de 2009. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.000777/200313 Acórdão n.º 3801002.769 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é intempestivo, todavia dele tomase conhecimento por se tratar de nulidade absoluta. Como relatado, em face de erro na tramitação processual, ocorreram dois julgamentos por colegiados distintos, portanto foram proferidas duas decisões em relação ao recurso voluntário interposto pela recorrente. A primeira decisão referese ao Acórdão nº 29400.119, sessão de 9 de fevereiro de 2009, Relatora Magda Cotta Cardozo, da então Quarta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, enquanto a segunda corresponde ao Acórdão nº 3801 00.305, sessão de 19 de outubro de 2009, Relatora Renata Auxiliadora Marcheti, da Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É evidente que não podem prevalecer as duas decisões. O segundo julgamento contém vício de legalidade, assim a administração pelo princípio da autotutela tem o poderdever de declarar nulo o segundo acórdão proferido, em consonância com os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e da isonomia. A propósito, o art. 53 da Lei 9.784/99 dispõe: Art. 53 A Administração deve anular seus próprios atos quando eivados de vícios de legalidade, e pode revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Neste sentido a Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal: "A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada em todos os casos a apreciação judicial". Com efeito, a invalidação do segundo julgamento não fere o direito da recorrente, uma vez que os julgamentos tiveram o mesmo comando decisório, isto é, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso voluntário. Registrese, por oportuno, que a anulação do segundo julgamento não trará qualquer prejuízo à recorrente, uma vez que os débitos deste processo foram extintos por remissão, segundo despacho da Delegacia de origem, fl. 57. Como visto, o acórdão em discussão não produziu qualquer feito. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.000777/200313 Acórdão n.º 3801002.769 S3TE01 Fl. 14 5 Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e, atribuindose efeitos infringentes, declarar nulo o Acórdão nº 380100.305, sessão de 19 de outubro de 2009. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722170/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA
É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
MULTA DE MORA
Diante da caracterização da mora, a autoridade administrativa, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, não pode excluir a multa por atraso.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, na questão da inconstitucionalidade, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; c) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. MULTA DE MORA Diante da caracterização da mora, a autoridade administrativa, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, não pode excluir a multa por atraso. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, na questão da inconstitucionalidade, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; c) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros - Relator. Mauro José Silva Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio
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RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. MULTA DE MORA Diante da caracterização da mora, a autoridade administrativa, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, não pode excluir a multa por atraso. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 21 70 /2 01 1- 06 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, na questão da inconstitucionalidade, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; c) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32 A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 191 3 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio Fl. 401DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em referência, referente a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Os créditos tributários lançados por meio do presente processo são os descritos a seguir: AI 37.307.9990, referente a contribuições destinadas à Previdência Social, correspondente à parte do SAT e RURAL, competências 06 e 07/2007. AI 37.308.0000, referente a contribuições destinadas ao Terceiro SENAR , competências 06 e 07/2007 e AI 37.307.9982, CFL 68, por ter a empresa apresentador a declaração a que se refere a Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, GFIP, com informações incorretas ou omissas quanto aos fatos geradores de contribuição previdenciária, na competência 06/2007. Segundo Relatório Fiscal, a autuada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, e deixou de declarar a totalidade da contribuição devida decorrente dessa operação em GFIP. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0538.607 6ª Turma da DRJ/ CPS, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega nulidade do lançamento, uma vez que a contribuição em tela foi reconhecida inconstitucional mediante pronunciamento judicial, através de mandado de segurança impetrado em 29.08.2007, sendo incontroversa a identidade da matéria contida no presente lançamento com aquela decidida no processo judicial, estando a Administração Fazendária impedida de constituir o crédito tributário. Entende que tendo o MS sido julgado pelo TRF da 4a Região – POA, embora não transitado em julgado, os efeitos são imediatos, onde as disposições nele contidas são auto exequiveis, e retroagem não só à data da propositura, mas à data das disposições que alteraram os dispositivos do art. 25, da Lei 8.212/91, as quais foram julgadas inconstitucionais. Reitera que é nulo o presente lançamento diante da ausência da hipótese de incidência tributária, cujos fatos geradores tornaramse inexistentes a partir da lei 8.540/92, como também é ilegal a imposição da multa de ofício, por maltratar as disposições do art. 63, da Lei 9.430/96. Qualifica de equivocada a interpretação dada pela decisão recorrida de que a suspensão da exigibilidade do crédito ocorreu posteriormente ao início da ação fiscal, pelo Fl. 402DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 192 5 julgamento do Mandado de Segurança ocorrido em 06.10.2011, e, portanto, inatingível pela ausência de imposição de multa, defendendo que o crédito tributário deve submeterse às disposições do art. 63, citado acima, não sendo a data do julgamento pelo TRF causa determinante da suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que a suspensão do crédito ocorre desde a data do ajuizamento da Medida, possuindo efeitos ex tunc. Conclui que não há que se falar em incidência de multa de ofício e mora, devendo ser aplicada a Súmula 8, da CSRF, haja vista que o processo judicial manejado pela recorrente foi julgado procedente, reconhecendo a inconstitucionalidade incidental das contribuições em apreço, com efeitos agindo sobre o fato gerador desde a impetração, em 29.08.2007, sob pena de negar vigência ao art. 63, da Lei 9.430/96. Finaliza requerendo o conhecimento e provimento do recurso ordinário, com a reforma da decisão de 1a instância para decretar a nulidade do lançamento e, na hipótese de convalidação do lançamento, que seja provido para excluir a exigência da multa de ofício e moratória, na forma do art. 63, da Lei 9.430/96, e o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado judicial. É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, constatase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição decorrente da aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, e nem que tenha deixado de informar, na GFIP de 06/2007, a totalidade da contribuição devida. Ela apenas tenta demonstrar que o auto é nulo, tendo em vista a identidade da matéria contida no presente lançamento com aquela decidida no processo judicial, e que a Administração Fazendária está impedida de constituir o crédito tributário. Entretanto, cumpre esclarecer que a ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança. Ao contrário do que entende a autuada, a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo com o sobrestamento do feito como quer a recorrente, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. Cumpre observar que o presente lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário, já que não é possível a sua constituição após o término do prazo de decadência, mesmo com decisão judicial favorável ao fisco, uma vez que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Assim, tendo constatada a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal lançou corretamente o débito, em consonância com o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, protegendoo da decadência. A autuada alega que, embora a ação judicial não tenha transitado em julgado, os efeitos da decisão do TRF 4a Região são imediatos, onde as disposições nele contidas são autoexequíveis, e retroagem não só à data da propositura, mas à data das disposições que alteraram os dispositivos do art. 25, da Lei 8.212/91, as quais foram julgadas inconstitucionais. Porém, como a própria recorrente afirma, não houve decisão definitiva no processo do Mandado de Segurança e, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, diante da constatação de que a recorrente deixou de recolher o tributo devido, e que deixou de informar, em GFIP, fato gerador da contribuição social, não poderia deixar de lavrar os competentes AIs.. Mesmo porque, conforme petição inicial (fls. 185 a 210), o pedido formulado pela recorrente nos autos do citado MS não é no sentido de impedir a constituição do crédito Fl. 404DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 193 7 tributário por meio do lançamento, e sim no sentido de que seja reconhecida a inconstitucionalidade da contribuição. Portanto, como já exposto acima, a fiscalização não estava impedida de lançar o débito ora discutido. A autuada entende que é nulo o presente lançamento diante da ausência da hipótese de incidência tributária, cujos fatos geradores tornaramse inexistentes a partir da lei 8.540/92, como também é ilegal a imposição da multa de ofício, por maltratar as disposições do art. 63, da Lei 9.430/96. Contudo, cumpre observar que, no recurso especial 363856 o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualização até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Ocorre que, conforme verificase do relatório FLD, o presente débito também está fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não apenas nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário. Observase que o Ministro Marco Aurélio deixa claro, em seu voto, que a desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, é somente até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Assim, a Lei 10.256/2001, que fundamenta o débito lançado por meio dos AIs ora discutidos, encontra amparo na EC 20/98, e está em pleno vigor no ordenamento jurídico, não havendo que se falar em ilegalidade da exação em tela ou em nulidade do Auto. O art.63., da Lei 9.430/96, citado pela recorrente, estabelece que, “Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)” E o parágrafo primeiro do mesmo dispositivo legal determina que “O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” Os incisos IV e V, do art. 151, do CTN, deixa claro que suspende a exigibilidade do crédito a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Ocorre que, no caso dos autos, a medida liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito é de 06/10/2011, posterior, portanto, ao início do procedimento fiscal, que se deu em 18/03/2011. Dessa forma, não se aplica, ao caso, o disposto no art. 63, da Lei 6430/96, por força do que determina o seu parágrafo primeiro, sendo que a alegação de que a medida liminar possui efeito “extunc” não altera o fato de que a decisão judicial que suspendeu a Fl. 405DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 exigibilidade do débito ocorreu após o inicio do procedimento fiscal, não podendo a fiscalização deixar de lançar a multa de ofício, tendo em vista sua atividade vinculada. Conclui que não há que se falar em incidência de multa de ofício e mora, devendo ser aplicada a Súmula 8, da CSRF, haja vista que o processo judicial manejado pela recorrente foi julgado procedente, reconhecendo a inconstitucionalidade incidental das contribuições em apreço, com efeitos agindo sobre o fato gerador desde a impetração, em 29.08.2007, sob pena de negar vigência ao art. 63, da Lei 9.430/96. Todavia, conforme amplamente exposto acima, a empresa deixou de recolher o tributo por entender que o valor não era devido, e ingressou com ação judicial buscando o reconhecimento da ilegalidade da exação em comento. No entanto, ainda não ocorreu o trânsito em julgado da ação movida pela recorrente, e nem restou comprovado que houve depósitos judiciais das contribuições discutidas. E, reiterase, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento da contribuição devida, não poderia deixar de lavrar os competentes AIs. E o valor notificado foi acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o nãorecolhimento de toda a contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo na legislação discriminada nos relatórios que integram o AI. Assim, por determinação legal, não poderia o agente autuante excluir do crédito constituído por meio dos AIs os valores relativos às multas, como quer a recorrente, mesmo porque não consta que houve o depósito judicial da contribuição lançada. A recorrente demonstra uma preocupação descabida em relação aos encargos moratórios contidos nos AIs em questão. Vale ressaltar que o crédito lançado ficará aguardando o desenrolar da ação judicial e não será exigido enquanto estiver com a sua exigibilidade suspensa. E, na hipótese de decisão favorável ao contribuinte, o crédito será extinto, não havendo que se falar em juros ou multa decorrente do mesmo. No caso de decisão desfavorável ao contribuinte, a liminar concedida perde o efeito, retroagindo à data em que fora deferida. Nesse caso, os juros e multa serão devidos, uma vez que não houve o recolhimento da contribuição devida em época própria. Por todo o exposto, concluo que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, bem como a obrigação acessória descumprida, fazendo constar, nos relatórios que compõem os AIs, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado, as rubricas lançadas e as penalidades aplicada. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura dos Autos e os relatórios Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerram todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 194 9 VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 407DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 195 11 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 409DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 196 13 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10805.722170/201106 Acórdão n.º 2301003.765 S2C3T1 Fl. 197 15 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 29/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 11065.005468/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
Os honorários advocatícios, pagos pelo contribuinte, sem indenização, devem ser rateados entre os rendimentos tributáveis e os isentos/não tributáveis recebidos em ação judicial, podendo a parcela correspondente aos tributáveis ser deduzida para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto.
JUROS COMPENSATÓRIOS OU MORATÓRIOS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO.
São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis.
PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV). ISENÇÃO.
A isenção de rendimentos recebidos quando da rescisão de contrato de trabalho somente é concedida quando restar comprovado nos autos que o empregador instituiu programa de desligamento voluntário e que o contribuinte aderiu ao mesmo. Tratando-se de desligamento sem justa causa não há que se falar em PDV.
MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão a quantia de R$ 3.702,67.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios, pagos pelo contribuinte, sem indenização, devem ser rateados entre os rendimentos tributáveis e os isentos/não tributáveis recebidos em ação judicial, podendo a parcela correspondente aos tributáveis ser deduzida para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto. JUROS COMPENSATÓRIOS OU MORATÓRIOS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV). ISENÇÃO. A isenção de rendimentos recebidos quando da rescisão de contrato de trabalho somente é concedida quando restar comprovado nos autos que o empregador instituiu programa de desligamento voluntário e que o contribuinte aderiu ao mesmo. Tratando-se de desligamento sem justa causa não há que se falar em PDV. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte
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DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios, pagos pelo contribuinte, sem indenização, devem ser rateados entre os rendimentos tributáveis e os isentos/não tributáveis recebidos em ação judicial, podendo a parcela correspondente aos tributáveis ser deduzida para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto. JUROS COMPENSATÓRIOS OU MORATÓRIOS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV). ISENÇÃO. A isenção de rendimentos recebidos quando da rescisão de contrato de trabalho somente é concedida quando restar comprovado nos autos que o empregador instituiu programa de desligamento voluntário e que o contribuinte aderiu ao mesmo. Tratandose de desligamento sem justa causa não há que se falar em PDV. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 54 68 /2 00 8- 18 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 308 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão a quantia de R$ 3.702,67. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CARLOS HENTSCHNE foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 39/42, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, no valor total de R$ 76.187,69, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, no valor de R$ 162.802,91, conforme evidenciado pela Complementação da Descrição dos Fatos, a seguir reproduzida: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 309 3 Insta dizer que referida Notificação de Lançamento é resultado de Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) deferida parcialmente. A Notificação de Lançamento original, fls. 32/35, reduzia a restituição pleiteada na Declaração de Ajuste Anual, de R$ 5.050,40 para R$ 622,67, sendo que o valor do rendimento considerado omitido era de apenas R$ 16.100,84. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada improcedente, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1035.789, de 30/11/2011, fls. 182/187. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/01/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 194, o contribuinte apresentou, em 01/02/2012, recurso voluntário, fls. 195/216, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da natureza jurídica indenizatória dos juros de mora – art. 404 e § único do Código Civil Brasileiro – Os juros moratórios possuem natureza indenizatória, tendo a finalidade de indenizar a parte autora pelos prejuízos decorrentes da demora no adimplemento da obrigação de verbas que gozam de privilégios, por sua natureza alimentar. Os juros de mora recebidos pelo recorrente não constituem acréscimo patrimonial ou renda, a ensejar a criação de riqueza nova. Logo, não existe o fato gerador de que trata o art. 43 do CTN, capaz de autorizar a tributação dos juros de mora pelo imposto de renda. Do caráter confiscatório da multa de 75% Não é qualquer atraso no pagamento dos tributos que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 75%, quando a inflação anual gira em torno de 12%. A multa no percentual de 75% é inconstitucional, por ter caráter confiscatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 310 4 Do caráter indenizatório do Apoio Daqui. Da comprovação da adesão do recorrente ao programa do Apoio Daqui – O recorrente percebeu na reclamação trabalhista a verba denominada Indenização do Apoio Daqui, que possui a mesma natureza jurídica do PDV. Da cópia do Programa Apoio Daqui resta evidenciado que o programa nada mais era do que um PDV por meio do qual a empresa visava minimizar os impactos ao empregado no processo de reestruturação empresarial pelo qual a reclamada passava àquela época. Dos honorários advocatícios pagos diretamente pela reclamada, em alvará expedido unicamente em favor de sua procuradora na ação judicial – A incidência do IRPF sobre os valores relativos aos honorários advocatícios é incabível contra quem não percebeu o numerário. As verbas referente aos honorários advocatícios pagos na reclamatória trabalhista não devem ser utilizadas na apuração de eventual imposto devido pelo contribuinte, haja visto que tais valores em nenhum momento foram repassados ao recorrente. O contribuinte jamais usufruiu da referida quantia, pois a mesma foi paga diretamente pelo empresa reclamada aos patronos da causa. Dos efeitos do deferimento parcial da retificação do lançamento – Do deferimento parcial da retificação do lançamento, acabou sendo convalidado o pedido de restituição do imposto de renda constante na Declaração de Ajuste Anual, no montante de R$ 5.050,40. Considerando a homologação tácita havida, ressaltase que a contagem do prazo prescricional deve levar em conta a data da intimação do lançamento passado em 20/10/2008, motivo pelo qual não convém retardar a devida postulação, especialmente tendo em vista que o caráter independe de que se revestem o direito às repetições em questão. É o Relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 311 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de infração de omissão de rendimentos recebidos de forma acumulada em decorrência de ação judicial trabalhista movida pelo recorrente contra Brasil Telecom S/A. De pronto, cumpre dizer que quando do lançamento a autoridade fiscal ao determinar o valor do rendimento omitido, descontou o valor de R$ 57.586,96, relativo aos honorários advocatícios despendidos pelo contribuinte para o recebimento dos rendimentos tributáveis, que correspondeu a 95,35% dos rendimentos recebidos, tudo conforme determina o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Logo, temse que não houve tributação incidente sobre os honorários correspondente a parcela dos rendimentos tributáveis. Vale dizer que o dispositivo acima mencionado versa sobre os rendimentos tributáveis, sendo certo que quando autoriza a dedução de despesas necessárias ao recebimento dos rendimentos, tais como honorários advocatícios, está, por óbvio, se referindo às despesas necessárias ao recebimento de rendimentos tributáveis. Temse, portanto, que o rateio das despesas de honorários advocatícios entre os rendimentos tributáveis e os nãotributáveis fazse necessário justamente para atender ao que estabelece a legislação. Frisese que não existe previsão legal para que o contribuinte deduza dos rendimentos tributáveis despesas de honorários advocatícios necessários à percepção de rendimentos nãotributáveis. Ainda no que se refere aos honorários advocatícios, não procede a alegação do recorrente de que em relação a tais quantias não tenha ocorrido o fato gerador do imposto de renda, pois que os honorários foram entregues diretamente aos advogados. Na verdade, resta claro dos documentos acostados aos autos que o ônus do pagamento dos honorários advocatícios aqui em questão foi do recorrente. Ou seja, o contribuinte recebeu rendimentos no valor total de R$ 301.668,54 e desta quantia foi descontado e entregue diretamente aos patronos o valor correspondente aos honorários advocatícios, cujo ônus, conforme aqui já dito, foi do recorrente. Assim, não há que se falar em reparos ao lançamento, no que tange aos honorários advocatícios. Prosseguindo, o contribuinte afirma que a parcela correspondente aos juros de mora recebidos em decorrência da ação judicial trabalhista seria isento do imposto de renda, posto tratarse de indenização na demora do recebimento das verbas a ele devidas. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 312 6 Nesse aspecto, importa trazer a lume o art. 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art.55.São também tributáveis (Lei nº4.506, de 1964, art. 26, Lei nº7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Do artigo acima reproduzido verificase que a incidência ou não do imposto de renda sobre os juros moratórios acompanha o principal. Ou seja, se a verba é tributável os juros de mora também o são e, ao contrário, se a verba é isenta os juros de mora também serão isentos. No presente caso, apurouse que apenas 4,65% das verbas recebidas pelo contribuinte são isentas (FGTS, fls. 114). Logo, de conformidade com a legislação acima transcrita temse que a parcela dos juros de mora, correspondente ao FGTS, são rendimentos isentos, de modo que devese excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 3.702,67, equivalente a 4,65% do total dos juros de mora recebidos (R$ 79.627,38). Diz , ainda, o contribuinte que dentre as quantias recebidas da Brasil Telecom S/A, na demanda trabalhista, constou verba denominada de Indenização do Apoio Daqui, que seria isenta por ter a mesma natureza jurídica de Plano de Demissão Voluntária (PDV). Nesse aspecto, cumpre dizer que do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, fls. 245, consta que o contribuinte foi dispensado por justa causa. Logo, não há que se falar em demissão voluntária. E mais, da leitura do Programa Apoio Daqui, fls. 283/286, verificase que referido programa não previa a possibilidade de o empregado optar por permanecer na empresa. Ora, a característica essencial do PDV é justamente o desligamento voluntário do empregado em troca do recebimento de uma vantagem pecuniária. No presente caso, o empregado não tinha a opção de permanecer no emprego, de modo que a verba denominada de Indenização do Apoio Daqui foi recebida pelo contribuinte por mera liberalidade do empregador, conforme se infere da Declaração, fls. 247. Vale lembrar, ainda, que quando da rescisão de contrato de trabalho somente são isentos de tributação os rendimentos discriminados no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 313 7 V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de indenizações, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts. 111 e 176 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Daí resulta que todos os rendimentos não agasalhados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o transcrito art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, consolidado no art. 39 do RIR/1999, abstraindose de sua denominação, provenientes de acordo ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Nestes termos, temse que a verba denominada de Indenização do Apoio Daqui é tributável, posto não tratarse de quantia recebida em razão de adesão a PDV. Sobre o percentual de 75% da multa de ofício, que foi aplicada conforme disposto no art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, o recorrente afirma ser confiscatório. Vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação do contribuinte de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Por fim, devese examinar a alegação do recorrente de homologação tácita do pedido de restituição formulado mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual. Nesse aspecto, cumpre dizer que o prazo da homologação tácita é de cinco anos, sendo certo que, tratandose da DAA, exercício 2007, cujo lançamento foi notificado ao contribuinte em 2008, não há que se falar em homologação tácita. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 3.702,67. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.005468/200818 Acórdão n.º 2102002.813 S2C1T2 Fl. 314 8 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13701.002223/2007-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2003, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 55.595,72. O lançamento é decorrente da apuração de deduções indevidas a título de dependentes e pensão alimentícia judicial, bem como de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou os documentos probatórios para análise. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 01 .0 02 22 3/ 20 07 -3 1 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13701.002223/200731 Resolução nº 2801000.261 S2TE01 Fl. 90 2 A fim de melhor instruir os autos, foi o presente processo remetido à Delegacia da Receita Federal de origem para juntar dossiê da malha fiscal que embasou a autuação e os documentos apresentados pelo contribuinte do IRPF do exercício de 2003. Em atendimento ao pedido, foi juntada aos autos documentação de fls. 42/51. Em seguida, foi dada ciência ao contribuinte que se manifestou às fls. 53 e apresentou os documentos de fls. 54/58. A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 64/70, que restabeleceu a parcela R$ 2.544,00 de dedução a título de dependente e a parcela de R$ 8.476,59 da dedução a título de pensão alimentícia judicial. Regularmente cientificado daquele acórdão em 08/04/2011 (fl. 73), o interessado, representado por seu advogado (fl. 79), interpôs recurso voluntário de fls. 74/78, em 06/05/2011. Em sua defesa, alega, preliminarmente, que o acórdão recorrido foi prolatado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, sendo que, nos termos do Anexo II da Portaria 10.238/2007 da Receita Federal do Brasil, vigente à época da Sessão que julgou a Impugnação, a competência para processar e julgar matérias relacionadas ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), era das 1ª e 2ª e 3ª Turmas, ficando demonstrada a usurpação de função por parte da 4ª Turma, fato que basta para anulação do referido acórdão. Sustenta que a exigida comprovação da guarda referente aos enteados Gregory Siqueira Torraca e Yago de Paula Torraca, ambos filhos da sua atual companheira, é pura abstração, formalismo que a Fazenda está impedida de exigir. Aduz que juntou aos autos a comprovação da retenção do valor de R$ 21.928,62 a favor de Rosângela Telles de Lima Paz, conforme ofício nº 956/02 do MM. Juízo da 41ª Vara do Trabalho/RJ que determinou a retenção, deixando tal importância à disposição do juízo da 2ª Vara de Família de Bangu. Assim, tal valor decorre de uma condenação do Juízo da Vara de Família. Competiria à Fazenda diligenciar para que tal importância fosse oferecida à tributação pela beneficiária, não glosar simplesmente a dedução. Em relação ao imposto de renda retido na fonte, afirma que colaborou com a Administração Pública prestando a informação, cabendo, portanto, ao Fisco provocar o Juízo para recolher o valor aos cofres públicos. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Diferente do aduz o peticionário, a decisão guerreada foi proferida pela DRJ em BrasíliaDF, tendo em vista a transferência de competência instituída pela Portaria RFB n" 1.023, de 30 de março de 2009, publicada no DOU em 02/04/2009, conforme registrado no relatório do próprio acórdão. Ademais, de acordo com Anexo II da Portaria 10.238/2007 da Receita Federal do Brasil, compete a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília o julgamento das seguintes matérias: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e lançamentos decorrentes; Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF); Imposto de Renda Retido na Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13701.002223/200731 Resolução nº 2801000.261 S2TE01 Fl. 91 3 Fonte (IRRF); Contribuições; Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); demais tributos e contribuições não incluídos na competência das outras turmas e penalidades. Portanto, não se sustentam os argumentos do recorrente no que se refere à nulidade do acórdão recorrido, que se encontra fundamentado e revestido de legalidade, não podendo ser invalidado sem provas, demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedência. Também, não restou especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do lançamento, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Quanto ao mérito, o recorrente reclama a dedução do valor pleiteado a título de pensão alimentícia, argumentando que juntou aos autos a comprovação da retenção do valor de R$ 21.928,62 a favor de Rosângela Telles de Lima Paz, conforme ofício nº 956/02 do MM. Juízo da 41ª Vara do Trabalho/RJ. A decisão de primeira instância, ao apreciar essa matéria, assim se pronunciou: “Nos termos art. 8º, inciso II, alínea f, da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto devido no anocalendário a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. O interessado junta cópia do comprovante de rendimentos (fi. 08), que informa pagamento de pensão judicial a Rosângela Telles de Lima da Paz no valor de R$ 8.476,59. Além disso, os documentos de fls. 09/11 informam a existência de ação de alimentos n° 663 na 2a Vara de Família de Bangu (RJ). Desta forma, deverá ser considerada. Outrossim, os documentos de fls. 09/11 informam que foi realizada a transferência da importância de R$ 21.928,62, colocandoa à disposição do Juízo de Direito da 2a Vara de Família de Bangu (RJ), referente à ação de alimentos. Entretanto, o contribuinte não acostou aos autos nenhuma documentação probatória do montante pago a Rosângela Telles de Lima da Paz e seu representando Daniel Telles de Lima da Paz. Por outras palavras, não é possível afirmar se o valor total transferido foi efetivamente destinado ao pagamento da pensão alimentícia judicial. Deveria o contribuinte te apresentado documentos da ação de alimentos comprovando o montante destinado ao pagamento da pensão. É pertinente aqui transcrever o disposto no artigo 29 do Decreto n" 70.235/72: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. " (grifo nosso). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13701.002223/200731 Resolução nº 2801000.261 S2TE01 Fl. 92 4 Desta forma, a dedução de pensão alimentícia judicial corresponderá ao valor de R$ 8.476,59.” De fato os documentos de fls. 09/11 não são, por si sós, hábeis a comprovar a dedução do pagamento de pensão alimentícia judicial em 2002, no montante de R$ 21.928,62, aos beneficiários a Rosângela Telles de Lima da Paz e Daniel Telles de Lima da Paz, pois o fato de a importância de R$ 21.928,62 ter sido colocada à disposição do Juízo de Direito da 2ª Vara de Família de Bangu (RJ), conforme Ação de Alimentos nº 663, não demonstra que tal quantia foi efetivamente transferida aos beneficiários Rosângela Telles de Lima da Paz e Daniel Telles de Lima da Paz. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar cópias extraídas do referido processo judicial que demonstram que o valor colocado à disposição do Juízo de Direito da 2ª Vara de Família de Bangu (RJ) foi transferido aos beneficiários Rosângela Telles de Lima da Paz e Daniel Telles de Lima da Paz. Ainda, em observância ao princípio da verdade material, deve a autoridade preparadora verificar se houve a retenção/recolhimento do IRRF glosado, tendo em vista os termos do Avara Judicial de fl. 82, reproduzido a seguir: A Doutora ROBERTA LIMA CARVALHO, Juíza do Trabalho em exercício nesta 41ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições legais, DETERMINA à CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, Agência Justiça do Trabalho (2890), que, a vista do presente, efetue o pagamento à RECEITA FEDERAL (código 5936), da importância de R$ 14.040,79 (catorze mil e quarenta reais e setenta e nove centavos), COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS, depositada à disposição deste Juízo em 22.01.2002, na conta n° 4044.042.000460059, referente a parte do Imposto de Renda que incidiu sobre o crédito do reclamante MANOEL CARLOS GRACILIANO DA PAZ (CPF 388.892.18720), no processo n° 688/96, em que são partes: MANOEL CARLOS GRACILIANO DA PAZ E OUTRO, reclamantes, e CEDAE CIA. ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTO, reclamada. Após tais providências e ciência ao contribuinte, devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907144/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho – PresidenteSubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo transmitiu, em 14 de julho de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apurada em maio de 2006, com crédito dessa mesma contribuição decorrente do pagamento dessa mesma contribuição apurada em março de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 07 14 4/ 20 09 -0 5 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907144/200905 Resolução nº 3402000.622 S3C4T2 Fl. 166 2 Conforme despacho eletrônico emitido, a compensação não foi homologada, em virtude de o pagamento de que decorreria o alegado crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. A manifestação de inconformidade apresentada foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO), que indeferiu a solicitação, ensejando a interposição de recurso voluntário. Em suas razões recursais, a contribuinte alegou, em síntese, que, em março de 2004, obtivera um faturamento de R$ 68.299,01 (sessenta e oito mil duzentos e noventa e nove reais e um centavo), apurando, de um lado, um débito de Cofins de R$ 3.143,63 (três mil cento e quarenta e três reais e sessenta e três centavos) e, de outro, um crédito de R$ 3.408,59 (três mil quatrocentos e oito reais e cinqüenta e nove centavos). Destarte, terseia, no período de apuração em comento, crédito a seu favor no valor de R$ 264,96 (duzentos e sessenta e quatro reais e noventa e seis centavos) e, portanto, o pagamento efetuado em 15 de abril de 2004 seria indevido. Para comprovar suas alegações e seus cálculos, a contribuinte anexou a estes autos cópias de notas fiscais de prestação de serviços, de parte dos livros de prestação de serviços, Razão e Diário e, ainda cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo ao pagamento efetuado em 15 de abril de 2004. Ao final, a contribuinte solicitou que, diante de sua omissão em apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora, fossem apreciados os comprovantes trazidos para reverter a decisão sobre a compensação declarada. É o relatório. VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que, desde sua manifestação inicial sobre o despacho decisório, recebida como manifestação de inconformidade e apreciada na DRJ/RPO, a contribuinte alegou apenas questão de fato, qual seja, a existência do indébito alegado e, para comprovar, trouxe com sua manifestação cópia da DCTF e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e, agora, em grau de recurso, apresentou cópias de livros e documentos, conforme relatado alhures. Diante disso, julgo necessário remeter este processo à unidade preparadora para que, após verificação da autenticidade, sejam apreciadas as provas anexadas ao recurso e elaborado demonstrativo da Cofins devida em março de 2004 e, à vista do pagamento efetuado, o eventual indébito passível de restituição ou de compensação. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para as providências acima. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907144/200905 Resolução nº 3402000.622 S3C4T2 Fl. 167 3 É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720621/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS COM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
Os honorários advocatícios são dedutíveis, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, sendo certo que a apresentação de recibos são suficientes para comprovar a despesa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS COM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios são dedutíveis, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, sendo certo que a apresentação de recibos são suficientes para comprovar a despesa. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios são dedutíveis, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, sendo certo que a apresentação de recibos são suficientes para comprovar a despesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 06 21 /2 00 8- 31 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720621/200831 Acórdão n.º 2102002.770 S2C1T2 Fl. 126 2 Relatório Contra CELSO ANTONIO PERTICARRARI (ESPÓLIO) foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 22/25, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 2.866,08, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos do Departamento de Águas e Energia Elétrica, no valor de R$ 149.001,37. Inconformado com a exigência, o representante do contribuinte apresentou impugnação, fls. 66, onde alega, em síntese, que o valor considerado pelo Fisco como omitido corresponde aos honorários advocatícios despendidos para o recebimento do total da importância recebida do Departamento de Águas e Energia Elétrica, pagos às seguintes pessoas jurídicas: Morgado Cálculos Judiciais e Serv. de Inform., CNPJ n 04.304.703/000164 (R$ 2.865,48) Ovídio Collesi Advogados Associados, CNPJ n 66.869.280/000187 (R$ 143,270,23) e Rozeiro Cálculos Judiciais e Serv. de Inform., CNPJ n 04.200.612/000189 (R$ 2.865,66). A autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente em parte a impugnação, para apenas acolher as deduções relativas a Morgado Cálculos e a Rozeiro Cálculos, no valor de R$ 5.731,14, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1752.651, de 26/07/2011, fls. 92/95. A despesa com Ovídio Collesi Advogados Associados não foi acolhida em razão da seguinte fundamentação: No intuito de comprovar o valor de R$ 143.270,23, que teria sido despendido a título de honorários advocatícios, a impugnante apresenta os recibos de fls. 69 a 73, que não se revestem dos mínimos requisitos necessários para que sejam admitidos como prova, por não ter(em) sido identificado(s) o(s) signatário(s) dos documentos e não constar o reconhecimento de firmas, as quais, aparentemente, não condizem com a constante da petição acima mencionada, que noticiou ao Juízo a existência de “composição amigável para cumprimento do precatório judicial”. Ademais, tais recibos não se fazem acompanhar de outros elementos que lhe possam emprestar valor probante, a exemplo dos extratos bancários com a identificação dos valores líquidos recebidos pelo espólio. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 98, o representante do contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 101/106, em 26/10/2011, no qual afirma que não há determinação legal para que os recibos de honorários advocatícios sejam apresentados com firma reconhecida e que, para espancar qualquer tipo de dúvida apresenta declaração firmada pelo escritório Ovídio Collesi Advogados Associados, atestando que o mesmo recebeu o valor em questão. É o Relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720621/200831 Acórdão n.º 2102002.770 S2C1T2 Fl. 127 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de glosa de despesas com honorários advocatícios, no valor de R$ 143.270,23, que foi despendido em ação judicial trabalhista, movida pelo contribuinte contra o Departamento de Águas e Energia Elétrica. A decisão recorrida manteve a referida glosa sob a seguinte fundamentação: No intuito de comprovar o valor de R$ 143.270,23, que teria sido despendido a título de honorários advocatícios, a impugnante apresenta os recibos de fls. 69 a 73, que não se revestem dos mínimos requisitos necessários para que sejam admitidos como prova, por não ter(em) sido identificado(s) o(s) signatário(s) dos documentos e não constar o reconhecimento de firmas, as quais, aparentemente, não condizem com a constante da petição acima mencionada, que noticiou ao Juízo a existência de “composição amigável para cumprimento do precatório judicial”. Ademais, tais recibos não se fazem acompanhar de outros elementos que lhe possam emprestar valor probante, a exemplo dos extratos bancários com a identificação dos valores líquidos recebidos pelo espólio. De imediato, cumpre dizer que a autoridade julgadora de primeira instância não poderia negar validade aos recibos, fls. 69/73, apresentados pelo representante do contribuinte, salvo se houvessem nos autos indícios de inidoneidade dos mesmos. Se dúvida existia entre as assinaturas apostas nos recibos e no acordo firmado entre as partes, fls. 27/29, caberia a determinação de perícia técnica, para realização do competente exame grafotécnico. Aliás, observo que a assinatura aposta no Acordo, fls. 29, de fato não apresenta semelhança com as assinaturas apostas nos recibos. Contudo, as rubricas existentes nas demais folhas do referido documento guardam semelhança com aquelas apostas nos recibos. Entretanto, devese dizer que a semelhança por mim verificada assim como a possível divergência, não tem valor probante, posto que não sou perita e não tenho competência para fazer exames grafotécnicos em assinaturas. Competência esta que também falece à autoridade julgadora de primeira instância. Labora, ainda, em favor do contribuinte, o fato de que escritórios de advogados sempre cobram seus honorários, sendo bastante improvável que o contribuinte tenha sido agraciado com serviços advocatícios graciosos. Logo, se foi feito o acordo entre as partes, com a intervenção de um escritório advocatício, é bastante provável que o contribuinte, que foi Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720621/200831 Acórdão n.º 2102002.770 S2C1T2 Fl. 128 4 beneficiado com o acordo, tenha feito o pagamento dos honorários advocatícios previstos no acordo. Insisto, se dúvida havia quanto a idoneidade dos recibos, a glosa da dedução somente poderia ser feita diante de diligências que demonstrassem a inidoneidade ou pelo menos a inverdade existente nos referidos recibos. Digase, ainda, que de acordo com o dossiê fiscal, fls. 08/65, parte integrante do presente processo, se infere que a autoridade fiscal glosou a despesa com honorários advocatícios em razão da falta de apresentação dos recibos, que somente vieram aos autos com a apresentação da impugnação. Logo, com a apresentação dos recibos e das notas fiscais a motivação do lançamento foi superada pela defesa, sendo certo que a decisão recorrida buscou uma nova fundamentação para a manutenção do lançamento. Destaquese que quando da apresentação do recurso, a defesa juntou aos autos declaração, fls. 110, onde a pessoa jurídica Ovídio Collesi Advogados Associados confirma a autenticidade das informações contidas nos recibos, fls. 69/73. Observese que tal declaração também não traz a identificação do signatário, mas do conjunto de documentos acostados aos autos trazido pela defesa, podese inferir que a assinatura aposta na declaração, assim como aquela aposta no Acordo, fls. 29, sejam do advogado Ovídio Paulo Rodrigues Collesi, um dos advogados do escritório contratado pelo contribuinte. Nestes termos, devese cancelar o lançamento. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, reconhecendo o direito creditório, no valor R$ 39.399,32 (R$ 39.553,78 – R$ 154,46), com os acréscimos legais pertinentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10882.910069/2011-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 69 /2 01 1- 80 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 19): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 29, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910069/201180 Acórdão n.º 3802002.204 S3TE02 Fl. 40 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 27), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 29). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001510/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
DECADÊNCIA. MULTA DE OFICIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DOS COMPROMISSOS ASSOCIADOS AO REGIME AUTOMOTIVO GERAL.
O prazo decadencial do direito de promover o lançamento das multas disciplinadas pela Lei n° 9.449, de 1997 somente se inicia no primeiro dia do exerci´cio seguinte ao concedido para cumprimento dos compromissos inerentes ao Regime.
REGIME AUTOMOTIVO. RENUNCIA. POSSIBILIDADE.
Não há impedimento legal para que o contribuinte beneficiado pelo Regime Automotivo renuncia ao beneficio de redução do Imposto de Importação, devendo, contudo, promover o recolhimento da parcelas do II que deixou de ser recolhidos, acrescidos de multa e juros de mora.
Numero da decisão: 3302-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos, quanto ao mérito, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, e quanto à preliminar de decadência, os conselheiros José Antonio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva acompanhou o relator, na preliminar de decadência, pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Celso de Paula Ferreira da Costa OAB/SP nº 148255
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 27/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 DECADÊNCIA. MULTA DE OFICIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DOS COMPROMISSOS ASSOCIADOS AO REGIME AUTOMOTIVO GERAL. O prazo decadencial do direito de promover o lançamento das multas disciplinadas pela Lei n° 9.449, de 1997 somente se inicia no primeiro dia do exerci´cio seguinte ao concedido para cumprimento dos compromissos inerentes ao Regime. REGIME AUTOMOTIVO. RENUNCIA. POSSIBILIDADE. Não há impedimento legal para que o contribuinte beneficiado pelo Regime Automotivo renuncia ao beneficio de redução do Imposto de Importação, devendo, contudo, promover o recolhimento da parcelas do II que deixou de ser recolhidos, acrescidos de multa e juros de mora.
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MULTA DE OFICIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DOS COMPROMISSOS ASSOCIADOS AO REGIME AUTOMOTIVO GERAL. O prazo decadencial do direito de promover o lançamento das multas disciplinadas pela Lei n° 9.449, de 1997 somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao concedido para cumprimento dos compromissos inerentes ao Regime. REGIME AUTOMOTIVO. RENUNCIA. POSSIBILIDADE. Não há impedimento legal para que o contribuinte beneficiado pelo Regime Automotivo renuncia ao beneficio de redução do Imposto de Importação, devendo, contudo, promover o recolhimento da parcelas do II que deixou de ser recolhidos, acrescidos de multa e juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos, quanto ao mérito, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, e quanto à preliminar de decadência, os conselheiros José Antonio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva acompanhou o relator, na preliminar de decadência, pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Celso de Paula Ferreira da Costa – OAB/SP nº 148255 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 15 10 /2 00 5- 82 Fl. 4108DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES RELATOR Relator. EDITADO EM: 27/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Recursos Voluntário e de Ofício apresentados em face da decisão exarada no Acórdão nº 0822.990, da 2ª Turma da DRJ de Fortaleza, que por maioria dos votos decidiu por rejeitar as preliminares levantadas e no mérito, por unanimidade de votos, decidiu por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada. Adoto, por bem retratar o caso dos autos, trecho do relatório utilizado no acórdão de impugnação: Da autuação Trata o presente processo de auto de infração, por meio do qual são exigidas as multas estabelecidas art. 14 do Decreto no 2.072/96, impostas ao contribuinte por suposto descumprimento das condições previstas nos artigos 6º, 9º e 11 do mesmo Decreto, conforme quadro a seguir: Penalidade 1996 1997 1998 1999 TOTAL Multa de 70% sobre o valor FOB dos bens de Capital importados, previstas no inciso I, do art. 14 do Decreto n. 2.072, exigida pelo benficiário que descumprir a proporção entre as aquisições de “Bens de Capital”, produzidos no País, e as importações de “Bens de Capital” com redução do Imposto de importação, definida no art. 6º do mesmo Decreto. 61.612,64 341.172,01 2.293.034,88 3.375.968,27 6.066.787,80 Multa de 70% sobre o FOB nos Insumos importados como beneficiário na modalidade “oldcomer”, prevista no inciso VII do art. 14 do Decreto nº 2.072, que exceder a proporção definda no art. 9º do mesmo Decreto. 2.649.786,50 2.649.786,50 Multa de 70% sobre o FOB nos Insumos importados como beneficiário na modalidade “newcomer”, prevista no inciso VII do art. 14 do Decreto nº 2.072, no que exceder a proporção definida no art. 9º do mesmo Decreto. 14.645.695,11 14.645.695,11 Multa de 70% sobre o FOB nos Insumos importados como beneficiário na modalidade “newcomer” e sob as condições previstas no inciso II do art. 4º do Decreto nº 2.072, que concorrem para o descumprimento do “Índice Médio de Nacionalização” previsto no art. 11 do mesmo Decreto. 24.257.929,05 24.257.929,05 TOTAIS 61.612,64 2.990.950,51 2.293.034,88 42.274.592,43 47.620.198,46 Segundo descreve a fiscalização no “Termo de Verificação Fiscal”, documento integrante do auto de infração (fls. 11/80), o autuado, ainda sob a razão social J.I. Case do Brasil & Cia, havia sido habilitado ao Programa Regime Automotivo, como beneficiário “oldcomers”, por meio do Termo de Aprovação no 016/96, de 22/021996 (fl. 120), emitido pela Secretaria de Política Industrial, do então Ministério da Indústria, Comércio e Turismo. Posteriormente, já sob a razão social Case do Brasil & Cia, que viria a ser alterada para CNH Latin América Ltda, foi habilitado ao regime, também, como beneficiário “newcomers”, Fl. 4109DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10611.001510/200582 Acórdão n.º 3302002.115 S3C3T2 Fl. 4.060 3 por meio do Termo Aditivo no 016/II/97 (fls. 88 e 89), de 16/06/1997, ao incluir no programa uma nova linha de produção de tratores agrícolas e colheitadeiras de algodão e de grãos. Afirma a autoridade administrativa que o interessado apresentou, em 03/12/2004, uma série de considerações (Anexo 02 do Termo de Verificação Fiscal) no intuito eximirse das “multas contratuais, devidas pelo descumprimento das condições a que se submetera quando de sua habilitação ao Regime Automotivo, com o recolhimento dos tributos, o mesmo deveria ter manifestado sua intenção formalmente junto à Autoridade competente, pleiteando um eventual distrato.”, e, continua: “Se o fez, o Contribuinte não apresentou à Fiscalização qualquer documento que indicasse tal procedimento, assim como, não apresentou qualquer documento firmado pela União Federal, através de seu representante, que o eximisse das obrigações assumidas quando de sua habilitação ao Programa denominado Regime Automotivo. Ratifica tal fato, o Oficio n° 1236/02SDP/DIETE 1 , de 24 de dezembro de 2002, dirigido à douta Coordenação Geral de Administração Aduaneira, da Secretaria da Receita Federal — COANA / SRF, onde é informado o encerramento do Programa a que o Contribuinte fora habilitado, por decurso de prazo, com indicativo de "inadimplemento contratual". Isso vale dizer que aquela Autoridade reconheceu a vigência plena do Contrato firmado pelo Contribuinte com a União Federal, acusando, inclusive, o inadimplemento contratual, o que sujeitaria o Contribuinte ao recolhimento das respectivas multas contratuais.” Sendo assim, o recolhimento posterior e complementar dos tributos, não exigidos no curso do despacho aduaneiro por força da habilitação do Contribuinte no Programa denominado Regime Automotivo, modalidade "Newcomer", mesmo que feito de forma espontânea, não exime o Contribuinte da verificação do cumprimento de todas obrigações decorrentes de sua habilitação, assim como, não o exime da exigência das multas contratuais, devidas na medida de seu inadimplemento contratual. Da Motivação Relata o autuante que o lançamento é composto da exigência de quatro multas, cuja aplicação teria sido motivada pelo descumprimento das condições impostas pelos artigos 6º, 9º e 11, do Decreto no 2.072/96, conforme exposto a seguir: i) No que concerne ao descumprimento da proporção determinada pelo art. 6º do Decreto no 2.072/96, aduz a autoridade fiscal que os relatórios apresentados pelo contribuinte no decorrer do procedimento fiscal foram desconsiderados para efeito de comprovação do cumprimento Fl. 4110DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 das exigências previstas no Decreto nº 2.072/96, uma vez que estariam incompletos ou apresentariam discrepâncias quando comparados pelos dados obtidos junto ao Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Sendo assim, teria sido identificado um excedente nas importações no valor de R$ 8.666.839,71, referentes ao período 1996 a 1999, sujeitando o contribuinte à exigência no valor de R$6.066.787,80. Por último, a fiscalização afirma que “o critério definido pela Fiscalização, de considerar as importações em sua totalidade para as duas modalidades, não traz alterações nos valores finais da multa lançada, haja vista que o Contribuinte não comprovou qualquer aquisição no mercado nacional de bens de capital”; ii) Quanto ao descumprimento da proporção de dois terços determinada pelo art. 9º do Decreto no 2.072/96, a autuação se subdividiu em função da modalidade utilizada: a) No caso da modalidade “oldcomers”, a fiscalização sustenta que o contribuinte não teria apresentado documentação hábil a comprovação do cumprimento da proporção de dois terços definida no artigo 9°, do Decreto n° 2.072/96, e que, por conta disso, teria sido identificado em excedente no “valor de US$ 3.425.545,16 (Três milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, quinhentos e quarenta e cinco dólares norte americanos e dezesseis centavos), resultando ao lançamento no valor de R$ 2.649.786,50; b) Diferentemente, na hipótese da modalidade “newcomers”, a autoridade fiscal declara que aceitou os valores das exportações declarados pelo autuado e que, nesse caso, o descumprimento da condição teria sido no equivalente a US$11.907.266,02 (Onze milhões, novecentos e sete mil, duzentos e sessenta e seis dólares norte americanos e dois centavos), que levaria ao lançamento no valor de R$ 14.645.695,11. iii) Com relação ao descumprimento do “Índice Médio de nacionalização”, conforme disposto no art. 11 do mesmo Decreto, concluiu o autuante que o limite permitido pela fiscalização teria sido ultrapassado em US$23.769.189,40 (Vinte e três milhões, setecentos e sessenta e nove mil, cento e oitenta e nove dólares norte americanos e quarenta centavos), dos quais 22.455.596,29 (Vinte e dois milhões, quatrocentos e cinqüenta e cinco mil, quinhentos e noventa e seis dólares americanos e vinte e nove centavos) referemse a importação de insumos com redução do imposto de importação, que concorreram para o descumprimento do limite determinado. Sendo assim, deveria se exigir do contribuinte a multa prevista no artigo 14, inciso V, no valor de 70% do valor FOB da mercadoria que excedeu ao limite permitido, equivalente a 24.257.929,00. Da Decadência Ao final, a fiscalização tece comentários acerca do direito de constituição do crédito por parte da fazenda pública, sustentando que, no caso concreto, “o inicio da contagem do prazo decadencial para lançamento de Crédito Tributário somente se deu no primeiro dia do exercício seguinte ao do Fl. 4111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10611.001510/200582 Acórdão n.º 3302002.115 S3C3T2 Fl. 4.061 5 encerramento do Regime, 31 de dezembro de 2001, observado o caso em lide e a legislação de regência do Regime”. Sendo assim, conclui: ‘o prazo decadencial somente findaria em 31 de dezembro de 2006. Portanto, legítimo e fundamentado é o lançamento efetuado. Após análise dos argumentos lançados na Impugnação, DRJ, em decisão por maioria, decidiu manter parcialmente o auto de infração lavrado, em acórdão que assim foi ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1996, 1997, 1998, 1999 BENEFICIÁRIO “OLDCOMERS”. DECADÊNCIA PARCIAL A contagem do prazo decadencial, no caso do Regime Automotivo aplicado ao beneficiário “oldcomers”, somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao imediatamente posterior ao período que serviu de base ao cálculo das proporções e limites estabelecidos na legislação de regência da matéria. REGIME AUTOMOTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE RENÚNCIA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. PENALIDADES. Incabível a renúncia ao benefício de redução do Imposto de importação, após 31 de dezembro de 1999, de modo a querer eximirse o beneficiário das penalidades previstas no art. 14 do Decreto nº 2.072 de 1996 pelo descumprimento das condições impostas ao beneficiário do regime automotivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão foi assim resumida: Acórdão os membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza em: I) PRELIMINARMENTE, por maioria de votos, a) REJEITAR o pedido de diligência suscitado pelo julgador Luiz Aldeísio de Oliveira Maia, o qual ficou vencido; b) REJEITAR a nulidade suscitada quanto à renúncia ao Regime Automotivo como beneficiário “newcomers”, ficando vencido o relator Ícaro Nonato Lopes Cezar; Designado para redigir o voto vencedor o julgador Charles Pereira Nunes. c) REJEITAR a nulidade do Auto de Infração suscitada pelo julgador Luiz Aldeísio de Oliveira Maia”. d) DECLARAR A DECADÊNCIA do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente às importações efetuadas pelo contribuinte como beneficiário “oldcomers” relativo aos anos de 1996, 1997 e 1998, no valor de R$ Fl. 4112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 5.345.606,03. Vencidos os julgadores Ícaro Nonato Lopes Cezar e Luiz Aldeísio de Oliveira Maia. II) NO MÉRITO, por unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento para: a) MANTER : a.1) a parcela do crédito tributário motivada pelo descumprimento do índice estabelecido no art. 6o do Decreto no 2.072/96, referente ao valor parcial do lançamento relativo ao ano de 1999, no valor de R$ 46.408,67; a.2) a parcela do crédito tributário relativa a multa prevista no inciso V, do art. 14 do Decreto no 2.072, aplicada por descumprimento do “Índice Médio de Nacionalização” previsto no § 2º , “a”, do art. 11 do mesmo Decreto, no valor R$ 24.257.929,05; a.3) a parcela do crédito tributário relativa a multa prevista no inciso VII, do art. 14 do Decreto no 2.072, aplicada por descumprimento da proporção definida no art. 9º do mesmo Decreto, no valor de R$ 5.459.535,81. b) EXONERAR : b.1) a parcela do crédito tributário motivada pelo descumprimento do índice estabelecido no art. 6º do Decreto no 2.072/96, referente ao valor parcial do lançamento relativo ao ano de 1999, no valor de R$ 3.324.559,60; b.2) a parcela do crédito tributário relativa a multa prevista no inciso VII, do art. 14 do Decreto no 2.072, aplicada por descumprimento da proporção definida no art. 9º do mesmo Decreto, no valor de R$ 9.186.159,30. Votaram pela conclusão os julgadores Ícaro Nonato Lopes Cezar, Luiz Aldeísio de Oliveira Maia e Marli Gomes Barbosa. Irresignado com o teor do acórdão lavrado, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, aduzindo em síntese que: a) A Empresa não pertence ao regime automotivo newcomer. Caso não se entenda deste modo, deve ser declarada a decadência dos períodos devidos, devendo ser aplicado o art. 150§4º do CTN, pois ocorreram pagamentos; b) A parcela remanescente referente à multa prevista no art. 6º, Dec. 2.072/96 deve ser cancelada, pois a fiscalização desconsiderou a documentação juntada da Recorrente referente as notas fiscais emitidas (nº 119601; 119602; 119804; 119810 e 119830) pois fazem parte da instalação elétrica do prédio da Recorrente; c) Quanto às multas aplicadas alegou: c.1) a não ocorrência de descumprimento do regime automotivo; c.2) A Interpretação deve ocorrer de acordo com a Constituição Federal; c.3) Indevida a cumulação de multas; c.4) A ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício; Fl. 4113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10611.001510/200582 Acórdão n.º 3302002.115 S3C3T2 Fl. 4.062 7 É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator Os Recursos de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos exigidos e deles tomo conhecimento. De acordo com a minha compreensão, o presnete processo está relacionado com a aplicação de multas em decorrência de descumprimento de regras estabelecidas pelo Regime Automotivo, este previsto nas modalidades de: 1) Newcomer e 2) Oldcomer. Após a realização das 2 (duas) diligências propostas pela DRJ, que diminuíram consideravelmente o valor do débito diante da comprovação documental de parcial cumprimento das exigências do Regime Automotivo, dois pontos remanescem para discussão no presente processo, quais sejam; (i) a decadência dos lançamentos de multa efetuados e, (ii) a possibilidade de renuncia ao Regime Automotivo, com o conseqüente recolhimento espontâneo dos tributos exonerados. Inicialmente, passo a analisar a decadência, à vista das alegações da Recorrente de que aplicável ao caso o disposto no art. 150 § 4º do CTN. Entende que, em se tratando de multa de natureza tributária decorrente de benefícios relacionados ao Imposto de Importação, a contagem do prazo deve seguir o fator gerador do tributo. Informa que teria ocorrido pagamentos, ainda que parciais, durante os anos de 1997 a 1999. O voto condutor do acórdão Recorrido entendeu aplicável ao caso das multas o disposto no art. 173, I do CTN, que assim determina: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Também considerou que o inicio do prazo de contagem do prazo qüinqüenal seria contado a partir do primeiro dia do ano seguinte ao exercício que deveria ser comprovado. Sob tal raciocínio elaborou planilha com as datas pertinentes que segue abaixo copiada: Fl. 4114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 Em que pese os argumentos lançados no acórdão recorrido, entendo que em a contagem efetuada pelo voto condutor esta equivocada posto que no regime denominado oldcomer a comprovação do cumprimento das obrigações ocorre anualmente, assim para o ano de 1999, o prazo teria inicio em janeiro de 2000 e se extinguiria no do 31/12/2004. Tendo o lançamento ocorrido em 20/07/2005, estão atingidas pela decadência as multas relativas ao regime oldcomer nos anos de 1996 a 1999. E reforça ainda este entendimento o próprio decretolei nº 37/66 (imposto de importação) no art. 138 e 139, que assim veiculam: “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Neste sentido, dou provimento ao Recurso Voluntário bem como nego provimento ao Recurso de Ofício, para cancelar as multas relacionadas ao regime oldcomer. Já em relação ao regime denominado newcomer, transcrevo os artigos que teriam sido descumpridos: Art. 6º A proporção entre as aquisições de "Bens de Capital", produzidos no País, e as importações de "Bens de Capital" com redução do imposto de importação, deverá ser, no mínimo, por ano calendário, de um por um até 31 de dezembro de 1997 e de um e meio por um a partir de 1º de janeiro de 1998. Art. 9º O valor total FOB das importações de "Insumos" com redução do imposto de importação não poderá exceder, por ano calendário, dois terços do das "Exportações Líquidas". Parágrafo único. Excetuamse do disposto no caput deste artigo as matériasprimas, quando se tratar das importações a serem realizadas pelos fabricantes de "Autopeças". Contudo, para os newcomers há dispositivo que altera a contagem dos prazos, a saber: Art. 10. No caso de Newcomers fabricantes dos produtos relacionados nas alíneas a a g do inciso IV do art. 2º1, as 1 Art. 2º Para fins desse Decreto, consideramse: (...) Fl. 4115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10611.001510/200582 Acórdão n.º 3302002.115 S3C3T2 Fl. 4.063 9 proporções a que se referem os arts. 6º a 9º serão calculadas tomandose por base um período de três anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data do primeiro desembaraço aduaneiro das importações com redução do imposto de importação de "Insumos" ou de "Veículos de Transporte" e 31 de dezembro do ano subseqüente, findo o qual se utilizará o critério do ano calendário. Assim, apenas para o ano de 1996 é de ser reconhecida à decadência uma vez que o prazo de três anos acabou em 31/12/1999, tendo o prazo de cinco anos iniciado em 01/01/2000 e encerrado em 31/12/2004. Em relação aos demais anos afasto a decadência. Passo a analisar o mérito. Inicialmente em relação às exonerações efetuadas pela DRJ quanto à parcela do crédito tributário motivado pelo descumprimento do índice estabelecido no art. 6º do Decreto no 2.072/96; e a parcela do crédito tributário relativo a multa prevista no inciso VII, do art. 14 do Decreto no 2.072, aplicada por descumprimento da proporção definida no art. 9º do mesmo Decreto, que motivaram o Recurso de Ofício, entendo não haver reparos a fazer a decisão proclamada em primeira instancia. Tais exonerações foram resultado das duas diligencias efetuadas e da análise dos documentos apresentados pelo Recorrente. Corrobo com os argumentos exarados na decisão emitida pela DRJ para cancelar parcialmente as multas, razões a que faço remissão nos termos do art. 50 § 1º da Lei nº 9.784/99. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega que promoveu espontaneamente a renúncia aos benefícios do regime automotivo. Friso ainda que, a Recorrente alega que não usufruiu dos benefícios contidos no regime automotivo, pois mesmo antes do transcurso do prazo para a verificação do cumprimento dos respectivos índices e proporções, realizou o pagamento espontâneo dos tributos no regime normais de importação acrescidos de juros e multa de mora, que totalizaram cerca de R$ 8.167.129,12. Não menos importante, ao analisar o histórico dos autos, e como ressaltado pela impugnação, a renúncia ao benefício fiscal teria ocorrido em 29/08/2001, caracterizada por meio: i) da carta enviada, em 29/08/2001, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e IV "Beneficiários": empresas montadoras e fabricantes de: a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de três rodas ou mais e jipes; b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores de quatro rodas ou mais para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; c) veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga igual ou superior a quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez pessoas ou mais e caminhões tratores; d) tratores agrícolas e colheitadeiras; e) tratores, máquinas rodoviárias e de escavação e empilhadeiras; f) carroçarias para veículos automotores em geral; g) reboques e semireboques utilizados para o transporte de mercadorias; h) partes, peças e componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados – e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores; Fl. 4116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 Comércio Exterior (MDIC) (fls. 1.068/1.070), e ii) e das centenas de pedidos de retificação das Declarações de Importação feitos a Secretaria da Receita Federal (fls. 1.086/1.385). Destaco que o regime automotivo tinha por principal benefício para as empresas contempladas à possibilidade de importação com redução da carga tributária, e o que claramente se conclui a partir da leitura do art. 4º do Decreto 2.072/96: Art. 4º Observado o disposto no artigo anterior, os "Beneficiários" poderão importar, até 31 de dezembro de 1999: I "Bens de Capital", com redução de noventa por cento do imposto de importação; II "Insumos", com redução do imposto de importação de: a) setenta por cento em 1996; b) 55% em 1997; c) quarenta por cento em 1998; d) quarenta por cento em 1999. Art. 5º As "Montadoras de Veículos" poderão realizar "Importações Diretas" ou "Indiretas", até 31 de dezembro de 1999, de "Veículos de Transporte" com redução de cinqüenta por cento do imposto de importação. Parágrafo único. A redução prevista neste artigo não poderá resultar em pagamento de imposto de importação em valor inferior ao que seria devido mediante aplicação da alíquota correspondente constante da Tarifa Externa Comum. Assim, forçoso concluir que a aplicação das reduções não era nem mesmo obrigatória. A questão principal a ser analisada é se poderia o detentor do Regime desistir deste a qualquer tempo. Penso que sim. Primeiro porque a aplicação do beneficio nas importações era facultativa, tendo em vista a utilização do verbo “poderão”. Segundo, porque não há na legislação de regência (Decreto 2.072/96) nenhuma previsão em contrário. Sobre o tema merece destaque o voto vencido do relator Ícaro Nonato Lopes Cezar nos seguintes termos: Da renúncia ao Regime Automotivo como beneficiário “newcomers”. Aduz o autuado que, em 17/08/2001, já havia comunicado aos órgãos competentes sobre a impossibilidade de cumprimento das condições impostas pelo regime com beneficiário “newcomers”, assim como apresentado os comprovantes dos recolhimentos do tributo que havia deixado de ser recolhido no despacho aduaneiro, fatos que caracterizariam sua renúncia ao benefício fiscal. Por conta disso, as penalidades previstas na legislação referente ao regime automotivo não poderiam mais ser Fl. 4117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10611.001510/200582 Acórdão n.º 3302002.115 S3C3T2 Fl. 4.064 11 aplicadas, visto que não haveria mais “subsunção da situação concreta à hipótese legal de aplicação das multas, conforme previstas no art. 14, incisos I, V e VII do Decreto no 2.072/96”. Em síntese, o que o autuado alega é que as multas objeto da autuação não poderiam ser exigidas porque, naquele momento, ele já havia renunciado ao regime automotivo como beneficiário “newcomers”. Em confronto, a autoridade lançadora afirma que em nenhum momento ficou demonstrado que o contribuinte teria renunciado ao benefício, até porque, “o próprio representante da União, naquele Contrato, oficiou a Secretaria da Receita Federal (fls. 86/87), sobre o não cumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo Contribuinte. Em outras palavras, o contrato permanece vigente e com todos os seus efeitos” (fl. 3.643). Inicialmente, deve ficar claro que, ao contrário do que afirma a fiscalização, a renúncia ao Regime Automotivo, como beneficiário na modalidade “newcomers”, restou caracterizada por meio i) da carta enviada, em 29/08/2001, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) (fls. 1.068/1.070); e ii) dos pedidos de retificação das Declarações de Importação feitos a Secretaria da Receita Federal (fls. 1.086/1.385). Nesse momento, é preciso deixar claro que a renúncia ao regime não deve ser confundida com denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN2, naquela, o interessado pretende somente abdicar de um determinado beneficio, nessa, o contribuinte busca afastar os efeitos da punibilidade. Por isso, no caso em tela, a renúncia do contribuinte ao Regime Automotivo se caracterizou com a comunicação feita aos órgãos envolvidos. Os recolhimentos efetuados pelo interessado (fls. 1.760/2.194), que acompanharam referida renúncia, serviram apenas para afastar a possibilidade de o fisco o autuar com relação aos tributos que foram reduzidos no momento do Despacho Aduaneiro, com a respectiva multa de ofício, aos quais ficaria exposto após a renúncia, caso não efetuasse o pagamento. Portanto, entendo que os recolhimentos efetuados pelo autuado são irrelevantes para caracterização da renúncia ao regime e serviram somente para que o contribuinte pudesse usufruir da denúncia espontânea prevista no já mencionado art. 138 do CTN. Esclarecida a dúvida referente à formalização da renúncia, surge a principal questão a ser enfrentada no litígio: o interessado poderia, ainda durante o prazo para cumprimento das obrigações previstas na legislação, renunciar ao benefício fiscal sem ficar sujeito às penalidades previstas no Decreto no 2.072/96? O instituto jurídico da renúncia é definido como “ato de renunciar”; “desistência”, “recusa”, etc (Moderno dicionário da Língua Portuguesa Michaelis), caracterizandose, portanto, Fl. 4118DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 12 como um ato unilateral que somente seria admissível, tratando se de benefício fiscal, quando satisfeitas três condições essenciais: i) quando não houver proibição legal; ii) quando efetuada ainda durante o período no qual as condições impostas pela lei deveriam ser cumpridas, ou seja, antes do prazo para cumprimento das condições impostas pela legislação que disciplina o benefício; e iii) quando não houver repercussão na esfera de direitos de terceiros, atingindo somente quem a pratica. No que tange à existência do impedimento legal de se renunciar ao benefício, é importante consignar que o benefício fiscal do regime automotivo nada mais é do que uma isenção parcial concedida por um prazo determinado e sob determinadas condições, hipótese que se enquadra ao disposto no art. 178 do CTN3. Tal artigo parte do princípio de que a Fazenda Pública não pode frustrar o contribuinte após o cumprimento das condições impostas pela lei, tornando o referido benefício fiscal irrevogável durante o prazo para o qual foi concedido. No entanto, a garantia de irrevogabilidade da isenção concedida por prazo determinado e sob determinadas condições, prevista no já citado art. 178 do CTN, visa unicamente a segurança jurídica do beneficiário e impõe restrições ao Estado, não ao contribuinte. Por isso, não pode ser interpretado de forma inversa, impedindo que o contribuinte abdique de um determinado benefício. Portanto, não há lei que impeça o contribuinte a renunciar ao regime automotivo. Por fim, entendo que as contrapartidas impostas ao beneficiário do regime pela legislação representam apenas objetivos do Estado, mas não um direito a ser exercido ou reclamado, e que, por isso, não vislumbro ter ocorrido qualquer atentado à esfera de direitos de terceiros. Por outro lado, não entrevejo natureza contratual no Termo de Aprovação assinado entre o MDIC e o contribuinte (fl. 1.060), visto que referido documento simplesmente espelha as regras já estabelecidas na legislação para a concessão do benefício, ou seja, suas cláusulas não foram livremente acordadas entre as partes, mas impostas pela lei. Portanto, em síntese, vêse que, naquele momento, não havia nenhum impedimento legal para que o contribuinte renunciasse ao benefício fiscal em questão, uma vez que foram satisfeitas todas as condições para que o mesmo se utilizasse de tal instituto. (...) Por fim, esclareço que, por meio do ofício no 1236/02SDP/DIETE (fls. 86/87), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou a Secretaria da Receita Federal que o benefício, na modalidade “newcomers”, havia se encerrado, com indicativo Fl. 4119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10611.001510/200582 Acórdão n.º 3302002.115 S3C3T2 Fl. 4.065 13 de inadimplemento do regime com relação à alínea “a” do §2o, do art. 11, e ao art 9o , do Decreto no 2.072/96. Todavia, tal comunicação possui apenas caráter indicatório, servindo somente como indício capaz de iniciar o procedimento fiscal, mas não suficiente para sustentar a autuação, conforme se deduz do próprio texto do referido ofício: “Assim sendo, estamos encaminhando a essa Coordenação Geral, em anexo, cópia da documentação do programa e da restituição à União dos impostos relevados referentes a todas as importações realizadas com a redução do imposto de importação, para verificação fiscal e cambial.” (fl. 86). Os argumentos são contundentes e deles coaduno, motivo pelo qual os utilizo como razão de decidir, cancelando as multas relacionadas às infrações apontadas no regime newcomers, diante da renúncia espontânea efetuada pelo Recorrente. Importante frisar novamente que a renúncia ocorreu antes do fim do prazo para cumprimento das obrigações de contrapartida exigidas pela legislação de regência, considerando que as importações beneficiadas somente ocorreram a partir de 1998. Além disto os impostos reduzidos no período foram devidamente recolhidos, acrescidos de multa e juros de mora. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício nos termos do voto acima transcrito; e, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas relacionadas ao Regime oldcomer nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999, e as relacionadas ao Regime “newcomers” no ano de 1996, bem como pela improcedência das multas posteriores relacionadas ao regime newcomer ante a renúncia ao regime espontaneamente protocolado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 4120DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910786/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 86 /2 00 8- 26 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/04/2001 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910786/200826 Acórdão n.º 3802002.030 S3TE02 Fl. 259 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910786/200826 Acórdão n.º 3802002.030 S3TE02 Fl. 260 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10860.904993/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e, por unanimidade de votos, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e, por unanimidade de votos, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 49 93 /2 00 9- 61 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0538.484, de 25 de julho de 2012, da 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (DRJ/CPS), referente ao processo administrativo n° 10860.904993/200961, em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada, sendo considerado procedente o auto de lançamento. Nos autos verificase que não foram homologados os créditos, tendo em viusta que já haviam sido integralmente utilizados para quitação do débito do contribuinte, dessa forma para bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CPS, que assim relatou os autos: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (...) II — CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTE DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS — POSSIBILIDADE (...) (...) (...) é oportuno frisar que na antiga base de cálculo da contribuição relativa a ao COFINS e ao PIS, que era o faturamento, integravase também, segundo entendimento do Fisco, o montante devido a titulo deImposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, doravante denominada ICMS, de maneira indevida, pois tornava sua incidência inconstitucional, até o advento da Emenda n° 20/98, afrontando, sobremaneira, o principio constitucional da capacidade contributiva (artigo 145, § 1.º da Constituição Federal), posto que sua incidência atingia montante que não correspondia a sua verdadeira base de cálculo e, principalmente, o antigo conceito constitucional de faturamento (art. 195, I, b).Após fazer análise da legislação sobre o assunto, a manifestante conclui: De qualquer forma, como se constata pela análise das mudanças operada, sistemática imposta. às contribuições COFINS e PIS pela aludida novel legislação,tanto na seara constitucional como Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 5 4 na infraconstitucional, não houve nenhuma modificação atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição. (...) A sistemática do PIS e da COFINS, ora atacada, autoriza a cobr ança de tributo sobre o faturamento ou receita, acrescido de val or não caracterizado deste, o que viola a verdadeira capacidade da empresa Peticionária em c ontribuir com a mencionada contribuição. Ora as empresas não faturam impostos, a base de cálculo da con tribuição para o financiamento da seguridade social, não pode ser por eles integr ada, sob pena inclusive, vulnerarse o princípio da capacidade c ontributiva (art. 145 § 1.º da Constituição Federal). (...) O ICMS não é receita nem tampouco faturamento da empresa contribuinte.Sendo assim, a COFINS e o PIS não devem incidir sobre este imposto. Caso entendase o contrário, que o tributo deva incidir sobre o I CMS, a COFINS e o PIS passariam a financiar a Seguridade Soc ial, também por meio do ICMS. Ora, não é esta a intenção do leg islador. (...) Assim,não pode haver a incidência de COFINS e PIS sobre o IC MS, uma vez que a base de cálculo destas duas contribuições é o faturamento. (...) Por outro lado, caso se entenda que o faturamento engloba o val or total do que consta na fatura de venda de mercadoria, o IPI, n a hipótese de venda de produto industrializado por empresa indu strial, será também "faturado" ao comprador, mas à evidência n ão é receita da Empresa e sim da União. Não há lógica excluir o IPI, no caso, do conceito de faturamento e não fazer o mesmo co m o ICMS (...) (...) Diante do exposto, identificase que o tema tratado circunda a base de cálculo o PS/COFINS, o montante ou expressão numérica que sofrerá a aplicação de uma liquota, portanto, podese concluir que, após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n. 240.785, a base de cálculo do PIS/COFINS (faturamento ou receita) jamais poderá englobar receita ou faturamento de terceiros, sob ena estarmos esvirtuando estrutura de arrecadação dos impostos. (...) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 6 5 Assim, o ICMS não pode integrar a base de cálculo da COFINS e do PIS, pois o conceito de faturamento não abarca o imposto de competê ncia do Estado, sendo rendimento deste último e não do agente e conômico, afinal, ninguém comercializa o imposto, ninguém fatu ra o imposto. III— DA REPERCUSSÃO GERAL Importante destacar que a matéria em questão que se refere à ex clusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral no STF aguardando julgamento da ADC 18, d e relatoria do Min. Celso de Melo. (...) Isto posto, fica demonstrado que a matéria em questão é de cunh o constitucional de abrangência geral, não devendo ter qualquer impedimento da RFB em conhecer da matéria em destaque. IV REQUERIMENTO Isto posto, estando demonstrado os fundamentos que asseguram o direito da empresa contribuinte, requer: que sejam reunidos os processos a dministrativos destacados anteriormente uma vez evidenciados que tratam da mesma matér ia com o objetivo de organização e de economia processual. Queseja considerados os motivos do Pedido de reforma da Petici onária, seja reconsiderada a decisão prolatada nos presentes aut os, a fim de deferir o pedido de restituição formulado pela Petici onaria no que tange à demonstração dos valores pagos a maior, reconhecendo o seu direito à restituir no presente processo admi nistrativo e homologar os respectivos pedidos de compensações. À fl. 31 consta pedido de desistência do processo, com a informa ção de que o débito em discussão foi incluído no Refis. Conforme documento de fl. 48, em 25/03/2010 foi recebida pela manifestante a Intimação Saort MCF nº 146/2010, com o seguinte teor: 1.Em atenção aos requerimentos, protocolados em 26/02/2010, n os quais requer a desistência de autos administrativos para a inclusão no parcelamento a Lei no 10.941/2009, esclareço fazerse necessári a a correção do número do processo, devendo ser colocado o me smo número das manifestações de inconformidades apresentadas em dezembro de 2009. 2. É facultada vista aos requerimentos, no órgão emitente, para r epresentante legalmente habilitado, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento desta intimação, no horário das 08:30 à s 12:00 horas. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 7 6 A não correção do número não impedirá o julgamento da manife stação de inconformidade apresentada, ocasionando a não inclusão dos débitos no parcelamento. Assim, entendeu a DRJ/CPS por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação. A decisão restou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 6472, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, que foi acompanhado por outros cinco Ministros da Suprema Corte, onde este afirmou que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria (COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS.) já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 9 8 crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 10 9 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 2 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS . ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904993/200961 Acórdão n.º 3801002.111 S3TE01 Fl. 11 10 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos do cálculo da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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