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Numero do processo: 10820.003978/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Segundo o teor da Súmula CARF n.º 02, é vedada a apreciação de matéria constitucional por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Descabido falar-se em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal segue os ditames da legalidade, intimando o contribuinte a se manifestar, por diversas vezes, quanto às alegações fiscais, facultando-lhe ampla produção probatória.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, I, DO
CTN. INAPLICABILIDADE. IRRF. NÃO RECOLHIMENTO.
Restando devidamente comprovado nos autos que, por meio de sentença, a responsabilidade do Recorrente se estendeu até momento posterior às datas de ocorrência dos fatos geradores, não prosperam alegações em sentido contrário. O recolhimento de IRRF é de responsabilidade da fonte pagadora, a qual, não o fazendo, incorre em infração à legislação tributária.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DEMONSTRADO.
Verificando-se ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude, exigível a multa qualificada, consoante o art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades.
Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto
70.235/72 e da Súmula CARF n. 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula nº 4 do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.095
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Segundo o teor da Súmula CARF n.º 02, é vedada a apreciação de matéria constitucional por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Descabido falarse em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal segue os ditames da legalidade, intimando o contribuinte a se manifestar, por diversas vezes, quanto às alegações fiscais, facultandolhe ampla produção probatória. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE. IRRF. NÃO RECOLHIMENTO. Restando devidamente comprovado nos autos que, por meio de sentença, a responsabilidade do Recorrente se estendeu até momento posterior às datas de ocorrência dos fatos geradores, não prosperam alegações em sentido contrário. O recolhimento de IRRF é de responsabilidade da fonte pagadora, a qual, não o fazendo, incorre em infração à legislação tributária. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DEMONSTRADO. Verificandose ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude, exigível a multa qualificada, consoante o art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplicase aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 698 2 constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 676 e ss.) interposto em 26 de agosto de 2009 contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 570 e ss.), do qual o Recorrente teve ciência em 05 de agosto de 2009 (fl. 673), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 514 e ss., lavrado em 08 de agosto de 2008, em decorrência de: (i) dedução indevida de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 699 3 despesas médicas, (ii) dedução indevida de despesas de livro caixa; e (iii) falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, verificadas nos anos calendário de 2003 a 2006.. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 PAF PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OBSERVÂNCIA. Cabe à autoridade administrativa, no processo exegético de solução de conflitos entre as normas, guiarse pelos princípios elementares que regem o processo administrativo, dentre eles o da verdade material, formalismo moderado, respeitada a legalidade e os direitos e garantias individuais emanados da CF: art. 5º., XXXIV, "a", LIV e LV. Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. O ordenamento jurídico traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO PROFISSIONAL. Não há que se falar na responsabilidade tributária de que trata o art. 133 do CTN, quando não restou comprovada a extinção da delegação a notário ou a oficial de registro. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é inconstitucional ou ilegal, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Lançamento procedente” (fl. 570). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 676 e ss., por meio do qual repisa, em síntese, os mesmos argumentos ventilados na impugnação: (a) aplicação dos princípios da oficialidade, verdade material, legalidade e ampla defesa, pela garantia constitucional também ao processo administrativo, contida no art. 5º, LV, sendo vedada a alegação de que matéria constitucional não pode ser analisada; (b) inexistência de responsabilidade tributária do Recorrente in casu, porquanto ele perdeu a titularidade do Segundo Tabelionato de Notas e Protestos de Letras e Títulos de Lins, conforme Portaria CGJ 21/2007, como confirmado por sentença judicial, devendo o débito recair, a teor do art. 133, I, do CTN, sobre aquele que o substituiu; (c) inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para correção monetária ou como juros de mora; e (d) falta de razoabilidade e caráter confiscatório das multas aplicadas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 700 4 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O auto de infração foi lavrado em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas de livro caixa e falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão A presente análise, contudo, fica restrita ao alegado pelo Recorrente em sede de recurso voluntário. Tendo em vista que ele basicamente suscitou os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação, cabe analisálos, da mesma forma como o fez a r. decisão recorrida. Inicialmente, é preciso asseverar que tanto o Decreto 70.235/72, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), representada pela Súmula nº 02 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), são claros ao impedirem a análise de inconstitucionalidade de normas, razão pela qual desde já reconheço a improcedência das alegações do Recorrente quanto a este aspecto. De qualquer maneira, não merece prosperar qualquer alegação no sentido de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que, ao longo do processo, foilhe ofertada ampla oportunidade de produção probatória, até mesmo em sede de recurso voluntário, em atenção ao princípio da verdade material. No que atine à responsabilidade pela falta de recolhimento, pelo Recorrente, do Imposto de Renda Retido na Fonte, referente aos rendimentos pagos a seus empregados, alega ele não ser mais o titular do 2° Cartório de Notas e Protestos de Lins (SP), como determinado pelo art. 2º da Portaria CGJ 21/2007, reproduzida na fl. 561 dos presentes autos, com o seguinte teor: "Artigo 2º. Designar o Sr. WAGNER LUIZ GONZAGA MOTA, Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica, para responder pela delegação correspondente ao 2° Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos, ambos da Comarca de Lins, a partir de 29 de março de 2007 até o julgamento do Recurso Administrativo interposto." A publicação da referida decisão, no Diário Oficial do Poder Judiciário, foi transcrita à fl. 425, sendo certo que, à fl. 427, consta a certidão de lavra do Poder Judiciário — Juiz de Direito da 2ª Vara da Comarca de Lins (SP), que declara o seguinte: "CERTIFICA, atendendo a pedido de pessoa interessada que pesquisando em Cartório verificou constar o Processo Administrativo sob n. 002/06 que o Juízo da 2ª Vara e Corregedor Permanente move em relação à ANTONIO PAULO BITTENCOURT VIEIRA, Tabelião do 2° Cartório de Notas e Protestos de Títulos. Certifica mais, que por r. decisão proferida pelo MM. Juiz Substituto, Dr. JOSIAS Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 701 5 MARTINS DE ALMEIDA JUNIOR em 28 de março de 2007, às fls. 746, foi nomeado o senhor WAGNER LUIZ GONZAGA MOTA — RG n. 5.053.470MG, para responder pelo aludido Cartório até resolver em definitivo a situação do Sr. Antonio Paulo Bittencourt Vieira." De fato, como bem observado pelo acórdão recorrido, em que pese haver decisão afastando o Recorrente do exercício da titularidade do Cartório em epígrafe, a responsabilidade do Recorrente se estendeu até 29/03/2007, considerandose que até esta data o Recorrente era o titular do cartório, momento esse posterior à ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a lavratura do auto de infração (31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006). Outrossim, o art. 2º da Portaria n.º 65/2007 (fl. 415), expedida pelo Desembargador Gilberto Passos de Freitas, Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, foi claro ao designar o Sr. Wagner Luiz Gonzaga Mota para responder pelo expediente, apenas a partir de 30/08/2007 (art. 1º). Nesse exato sentido, a corroborar o exposto, temse a aplicação do art. 129 do CTN ao caso vertente, ao tratar da responsabilidade por sucessão, o qual estatui que: “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nele referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” Ademais, à luz da documentação acostada aos autos, podese constatar que o contribuinte foi afastado temporariamente do serviço, para apuração de fatos que constam em processo administrativo disciplinar. Registrese que, conforme §2° do art. 36 da Lei n° 8.935, de 1994, mesmo durante o período de afastamento, o titular percebe metade da renda líquida da serventia e a outra metade será depositada em conta bancária especial, com correção monetária, à disposição do Poder Judiciário. Não se aplica ao caso vertente, destarte, a regra insculpida no art. 133 do CTN, porquanto não houve “aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional”. Ainda que assim não fosse, a falta de recolhimento de imposto de renda devido a título de carnêleão configura infração à legislação tributária, por parte do responsável tributário, tornando a responsabilidade pessoal do agente, como se extrai do art. 137 do CTN. Assim, de todos os ângulos analisáveis, vêse a responsabilidade do Recorrente pelo não recolhimento dos tributos devidos. Assim sendo, considerandose que a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte é da fonte pagadora (cf. Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal), é dela o ônus da prova, e, além de não o ter cumprido satisfatoriamente, é possível a caracterização de responsabilização e punição pela não retenção de um valor (cf. o mesmo Parecer Normativo supracitado – “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido”). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 702 6 Com relação à utilização da taxa SELIC a título de juros de mora, incide, neste esteio, a Súmula n.º 04 do CARF: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por derradeiro, cumpre analisar a questão da aplicação de multa qualificada de 150% sobre o imposto devido em virtude de dedução indevida de despesas médicas, despesas de livro caixa e não recolhimento de IRRF, que tem supedâneo no art. 44, §2º, da Lei n.º 9.430/96, tendo em vista que a fiscalização considerou ter havido apresentação reiterada, durante 4 anos, de documentos considerados inidôneos/inexistentes, nos seguintes termos: “Redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme item 1 do TERMO DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL 10/07/2008, enviado pelo Correio e recebido pelo sujeito passivo em 14/07/2008, PARTE INTEGRANTE DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, por meio do qual o contribuinte foi intimado a manifestarse sobre os fatos ali constatados e apresentar documentos que pudessem alterálos, mas até o presente momento ele não se manifestou muito menos apresentou qualquer documento. A dedução de despesas médicas com base em comprovantes inidôneos ou inexistentes, nos anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006, reiteradamente, durante quatro anos consecutivos, demonstra que o contribuinte agiu com o intuito de suprimir ou reduzir o Imposto de Renda Pessoa Física, sujeitandose, portanto, à multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n°11.488/2007.” (fl. 516) “A prática do contribuinte de declarar à Receita Federal despesas do livro caixa maiores que as apuradas em seu livro Diário, nos anoscalendário 2003 e 2006, reiteradamente, na maioria dos meses desses anos, demonstra que o contribuinte agiu com o intuito de suprimir ou reduzir o Imposto de Renda Pessoa Física, sujeitandose, portanto, à multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, § 1°, da Lei n.° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007.”(fls. 518, 521 e 522) O recurso tampouco deve ser provido quanto à multa qualificada de 150%, pois a justificativa apresentada no Termo de Verificação Fiscal para sua aplicação não foi afastada. A partir de uma breve análise dos autos, verificase ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude (qualificada, ainda, pelo dolo e simulação), conluio ou sonegação no caso vertente, pressupostos estes indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, a teor do que consta do art. 44, II, da Lei 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados. Não se vislumbra, inicialmente, a existência de conluio na forma descrita pelo art. 73 da Lei 4.502/74. É dizer, não há nos autos qualquer prova de que efetivamente houve um ajuste entre partes visando sonegar ou fraudar o fisco. De modo diverso, porém, a fiscalização logrou comprovar a existência de fraude, a partir da tentativa de redução ou exclusão do montante tributável, tendo em vista que, por quatro anos consecutivos, o Recorrente declarou à Receita Federal despesas do livro caixa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 703 7 maiores que as apuradas em seu livro Diário, entre os anoscalendário 2003 e 2006, reiteradamente, na maioria dos meses desses anos. No que atine à sonegação, por sua vez, entendida ex vi legis como “tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”, admito que, eventualmente, poderia até ser aviltada pela fiscalização como pressuposto da qualificação da multa de ofício, desde que efetivamente explicitasse ações ou omissões dolosas do contribuinte, o que não ocorreu. Restando, pois, comprovada pela fiscalização a conduta fraudulenta perpetrada pelo Recorrente, visando à ocultação do fato gerador do imposto de renda, considerando a divergência reiterada de valores entre as despesas incorridas e registradas, entendo que restou atendido o comando da Súmula CARF nº 14, até porque não houve qualquer outra alegação do Recorrente, que nem tentou justificar as infrações apontadas no auto de infração, devendo a decisão recorrida ser mantida, por seus próprios fundamentos. Com relação à argüição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Lei Maior, temse que igualmente insubsistente. Cabe afirmar, ab initio, que o princípio da vedação ao confisco, tal como explicitado no art. 150, IV, da Constituição Federal, impede a cobrança confiscatória de tributos e não de penalidades. Nessa esteira, é bem de ver que, a teor do que se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional, “tributo é toda prestação pecuniária, em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Ora, se o conceito de tributo, como preleciona o CTN, não abrange sanções de atos ilícitos, temse que as normas relativas a tributos não se estendem às penalidades, por tratarem de objetos absolutamente distintos. Confirase, neste ponto, a jurisprudência firmada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, ora CARF: “MULTA DE OFÍCIO É correto o lançamento da multa de ofício, como sanção por descumprimento da legislação tributária, o que não se confunde nem resulta do conceito de "caráter confiscatório" que é dirigido a tributos e não a penalidades.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 134.381, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 14/04/2004) “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a exigência, e de conseqüência, a cobrança da multa de lançamento de ofício, quando o dever legal venha de ser cumprido por iniciativa da autoridade administrativa, fato que não se confunde com o conceito de ‘caráter confiscatório’.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 133.777, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 05/11/2003) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 704 8 Não bastasse essa razão, por si só suficiente para rejeitar o pleito do Recorrente, vale ressaltar que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que, como se viu, é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula n. 2 do CARF. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006377/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2008
Ementa:
SIMPLES PROVA DA OPÇÃO
Se a Administração não desenvolveu um sistema capaz de permitir aos
optantes comprovar sua ação de optar, como fez em relação aos
comprovantes de entrega de declarações, é a Fazenda Pública que deve arcar com esse ônus.
Numero da decisão: 1201-000.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 36DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 33 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório O presente feito é inaugurado pelo pedido de inclusão no Simples Nacional, à fl. 01, no qual, consignou como razão de pedir que, in verbis: A empresa ora citada solicitou opção pelo simples nacional, mas não foi processada pelo sistema. Como parte desta missão, a empresa recolheu na condição de me/epp, os darf's gerados pelo sistema de pagamento dos tributos (pgdas), (...) Por meio do despacho decisório de fl. 11, seu pleito foi indeferido nos seguintes termos exatos: Trata o presente processo de Pedido de Inclusão no Simples Nacional, fls. 01, onde o contribuinte alega que a solicitação de opção não foi processada. Consulta à Solicitàção de Opção, em 14/07/2008, informou que não existia nenhuma solicitação de opção pelo SN, fls. 02. Não consta no sistema nenhuma solicitação de opção para 2008, conforme Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, em fls. 10. Considerando que, a princípio, não houve erro de processamento da solicitação de opção; Considerando que a solicitação de opção não foi encaminhada dentro do prazo legal, conforme disposto na Resolução CGSN n 2 4, "de 30/05/2007; Considerando o exposto acima, INDEFIRO a inclusão no Simples Nacional a partir de 01/01/2008. Tendo em vista todo o exposto, cientifiquese o contribuinte da presente decisão, informando que poderá apresentar manifestação de inconformidade ao Delegado de Julgamento dentro de trinta dias da ciência da decisão. Na fl. 13, o sujeito passivo apresenta manifestação de inconformidade com o seguinte teor, literalmente: Fl. 37DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 34 3 II. 1 – PRELIMINAR A empresa ora citada, agendou a opção pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007; II. 2 – MÉRITO Como parte desta missão, o contribuinte recolheu na condição de ME/EPP, os DARF'S gerados pelo sistema de pagamentos dos tributos (PGDAS), a partir da competência julho de 2007; migrado automaticamente para 2008, embora o contribuinte tenha formalizado a opção no Simples Nacional conforme o Termo de Opção pelo Simples Nacional, com a data de 30/07/2007 em anexo. • III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o indeferimento reclamado. A decisão de primeiro grau negou provimento ao pedido nos seguintes termos, in verbis: Conforme visto no Relatório, através da decisão proferida pela DERAT/RJO (fl. 11), o interessado teve seu PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL (fl. 1) indeferido. O pedido foi protocolado em 05/08/2008. Na decisão, a DERAT observou que, conforme consulta à fl. 2, em 14/07/2008, não existia nenhuma solicitação de opção. Acrescenta que o interessado não comprovou ter efetuado solicitação de opção pelo Simples Nacional, dentro do prazo legal, conforme Resolução CGSN n° 4/2007. De acordo com os artigos 7°, § 1°, e 17, da Resolução CGSN n° 4/2007, o pedido de inclusão no Simples Nacional, irretratável para todo o ano calendário, deve ser feito, por meio da internet, no mês de janeiro, ou, excepcionalmente, para o ano calendário de 2007, de 01/07/2007 a 20/08/2007. Mesmo em sede de manifestação de inconformidade, o interessado não comprova ter efetuado solicitação de opção pelo Simples Nacional, para 2007 ou 2008, dentro do prazo legal, conforme Resolução CGSN n° 4/2007. A tela juntada à fl. 14 não contém data. O indeferimento foi efetuado na forma da legislação. Os fatos que lhe deram causa não foram elididos. Deste modo, o indeferimento deve ser mantido. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 35 4 Ainda inconformado com o resultado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 66, nos seguintes termos, in verbis: II.1 — PRELIMINAR A empresa notificada optou pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007, muito embora não é demais observar que era optante do Simples Federal; II. 2 MÉRITO Observase que,o pedido de opção pelo Simples Nacional, foi realizado dentro do período compreendido entre 01/01/2007 a 20/08/2007, com efeitos retroativos a 01/07/2007. Razão não há para que a peticionante seja desenquadrada do Simples Nacional. Termo de opção do Simples Nacional; Termo de opção do Simples Federal; Extrato do Simples Nacional jul/2007; DAS competência jul/2007. A documentação acima discriminada e acostada juntamente com a presente defesa, tem por escopo comprovar os pagamentos mensais efetuado pela interessada, por intermédio do DAS, confirmado por amostragem, no "Extrato do Simples Nacional" são elementos que também comprovam a intenção de adesão ao Simples Nacional. De acordo com o "Termo de Opção pelo Simples Nacional", acostados nos autos a empresa realizou o seu pedido de ingresso no sistema, sem que haja qualquer noticia de indeferimento desta opção por existência de vedação legal. III A CONCLUSÃO Frisese ainda que para ganhar tempo na regularidade da mensagem: "Esta empresa não é optante pelo Simples Nacional" a empresa cumpriu as exigências "da época", preenchendo no formulário padronizado da Receita Federal "INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL", por não está disponível no sistema da SRF outros tipos de formulários como por exemplo: "REVISÃO NO SIMPLES NACIONAL" OU "REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL" , portanto , deuse entender que o contribuinte fez o primeiro pedido de inclusão no Simples Nacional, protocolado em 06/10/2008, quando na realidade a empresa agendou a solicitação no ano anterior para que pudesse ser enquadrada no Simples Nacional. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 36 5 É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Em relação ao recorrente ter realizado pelo meio apto a opção pelo sistema simplificado nacional, de fato, na fl. 14, como asseverado pela autoridade julgadora de primeiro grau, a tela juntada que registra a informação “Você já efetuou sua solicitação de opção pelo Simples Nacional” não está datada. Já na fl. 25, cópia da mesma tela foi juntada no recurso voluntário, mas desta vez com os seguintes dizeres na sua parte inferior: https://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/impressao.asp 30/07/2007”. A questão, então, seria valorar o caráter de prova desse item juntado aos autos. Essas cópias de telas e as próprias telas não possuem qualquer característica intrínseca que nos permita aferir se, de fato, registram a operação realizada na época própria. Apenas pelo contato com essas telas, nada nelas nos garante (nem a suposta data registrada em seu rodapé) que foram geradas pelo sistema ou que foram produzidas posteriormente. Elas se diferem totalmente dos recibos de cópias de declarações ou de certidões negativas de débitos, os quais são acompanhados de um número de controle único. Desse modo, se considerarmos indispensável que o contribuinte deveria fazer prova de que optou na época própria, ele deveria ter se valido de outro expediente para tanto (como ter filmado a operação, feito na frente de testemunhas ou diante de uma autoridade que conferisse ao ato fé pública). Todavia, não nos parece razoável impor tal ônus probante ao recorrente, especialmente, se levarmos em consideração que se trata de uma empresa de pequeno porte para quem a Constituição determina tratamento jurídico favorável. Em contraposição à nossa afirmação, poderseia dizer que quem alega deve provar. Nesse caso, como o recorrente é quem alega ter feito a opção, seria dele o ônus de comprovar essa alegação e não da Administração o encargo de provar que o contribuinte assim não procedeu. Todavia, essa forma de distribuir o ônus da prova há muito tempo foi mitigada para as relações em que há desequilíbrio entre as partes. No direito do consumidor, por exemplo, em razão da posição de inferioridade do consumidor em relação ao fornecedor, muitas das alegações daquele não precisam ser comprovadas; o ônus é invertido contra o fornecedor a fim de que comprove o oposto ao alegado pelo consumidor. No presente caso, o mesmo se dá. A Administração Pública, assim como o fornecedor nas relações de consumo, está naturalmente em situação de superioridade ao estabelecer a forma de optar. Essa posição de superioridade é ainda maior em relação a pequenos empreendimentos. Assim, se não desenvolveu um sistema capaz de permitir aos optantes comprovar sua ação de optar, como fez em relação aos comprovantes de entrega de declarações, é a Administração Pública que deve arcar com esse ônus. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 37 6 É interessante notar também que, numa certa medida, a própria Administração já considera a possibilidade de falhas no recebimento e processamento dessas opções. O próprio formulário de inclusão retroativa no Simples Nacional (fl. 01), especialmente confeccionado para esse fim pela Administração Pública, já registra, como situaçõespadrão de solicitação a serem consignadas pelo interessado com um simples “X” no campo próprio, falhas no processamento do pedido. Assim, seguramente, não deve ser tão incomum essa ocorrência. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 41DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 37280.000099/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que
exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à
legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se
a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda
aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.674
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) não
conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) não conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência do lançamento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 233 3 Relatório NET RIO S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.866.0858, referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31, da Lei nº 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mãodeobra cedida pela empresa CABLESAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA., apurada por aferição indireta com espeque no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 01/1997 a 10/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 34/41. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 27/12/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 308.456,99 (Trezentos e oito mil, quatrocentos e cinqüenta e seis reais e noventa e nove centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa CABLESAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA., que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, utilizandose o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço prestado contido nas Notas Fiscais , Faturas ou Recibos, nos termos do artigo 600, inciso I, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 99. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do procedimento, a então Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ Sul, achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos na DN nº 17.403.4/0114/2007, sintetizados na seguinte ementa: “ RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃODE OBRA – CONSTRUÇÃO CIVIL O Art. 31, § 3º da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95 bem como o Art. 46, § 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 612/92 (vigente até a competência março de 1997) e o Art. 42, § 2º do Regulamento de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Organização e Custeio e da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado até a competência dezembro de 1998) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsábel pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. Também a norma do Art. 30, inciso VI, incide no presente lançamento. TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Previdenciária tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” Em observância ao disposto no artigo 145, inciso II, do Código Tributário Nacional, c/c artigo 366, inciso I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, a autoridade previdenciária recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Incluído na pauta do dia 12/03/2008, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, entendeu por bem converter o julgamento em diligência com o fito de oportunizar a contribuinte interpor recurso voluntário contra a decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, recorrendo de ofício a esta instância administrativa sem conquanto intimar a notificada de aludida decisão, conforme Resolução nº 20600.093, às fls. 163/167. Em atendimento à diligência suso mencionada, a empresa NET RIO S/A interpôs recurso voluntário, às fls. 177/204, repisando as alegações suscitadas em sua impugnação, ressaltando, ainda, a aprovação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, impondo seja acolhida a decadência total da exigência fiscal. Devidamente intimada da decisão de primeira instância, a prestadora de serviços CABLESAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. não apresentou seu recurso, consoante se verifica dos documentos de fls. 229/231. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício não deve ser conhecido, como passaremos a demonstrar. Não obstante a legislação invocada pela autoridade julgadora de primeira instância, ao recorrer de ofício da decisão que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, o recurso não merece ser conhecido, em virtude da promulgação de legislação superveniente alterando o seu limite de alçada, senão vejamos: Consoante se positiva da decisão ora guerreada, o recurso de ofício da autoridade fazendária encontrou amparo no artigo 366, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (na redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007), c/c artigo 1º, inciso I, da Portaria MPS nº 158, de 11/04/2007, vigentes à época, que assim prescreviam: “ RPS – Decreto nº 3.048/99 Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; Portaria MPS nº 158/2007 Art. 1º Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2º, das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; II relevarem ou atenuarem, em valor superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), multa aplicada por infração a dispositivos da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991; e III declararem nulidade de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou de AutodeInfração (AI) com valor total originário (principal, multa e juros) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).” (grifamos) Entrementes, ao longo do trâmite processual do presente recurso, o limite de alçada fora alterado em algumas oportunidades, sobretudo após a unificação das Receitas Federal do Brasil e Previdenciária, nos termos da Lei nº 11.457/2007. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Atualmente, o recurso de ofício no caso de decisão que exonerar parte ou integralmente o crédito tributário, bem como o limite de alçada a ser observado, encontramse fundamentados no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, nos seguintes termos: “ Decreto nº 70.235/72 Art.34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Portaria MF nº 03/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001.” Conforme se depreende dos dispositivos legais acima transcritos, o limite de alçada fora alterado para o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), relativamente aos créditos exonerados em decisão de primeira instância. Assim, tratandose de norma processual, esta nova disposição legal deverá ser aplicada à época do julgamento do recurso, em detrimento à legislação vigente quando da interposição da peça recursal, consoante jurisprudência firme e mansa deste Colegiado, como fazem certo os julgados com suas ementas abaixo transcritas: “RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE LEGÍTIMA É legítima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 235 7 na apreciação do recurso. (Recurso de Ofício). Recurso de ofício não conhecido por falta de objeto. [...]” (5ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 151.280, Acórdão nº 105 16879, Sessão de 04/03/2008) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1991, 1992, 1993 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA RETROATIVIDADE DE REGRA PROCESSUAL PORTARIA MF nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela regra administrativa constante da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07.01.2008, deixase de conhecer o recurso de ofício, por se tratar de regra processual aplicável de imediato, com efeito, retroativo. Recurso de Ofício Não Conhecido.” (8ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 158.704, Acórdão nº 10809810, Sessão de 19/12/2008) “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO LIMITE ALÇADA. NÃO CONHECIDO. Não se conhece o Recurso de Ofício interposto antes da edição da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, que exonera o contribuinte do pagamento de tributo e multa de ofício em valor inferior R$1.000.000,00, por se tratar de norma processual de aplicação imediata. Recurso de ofício não conhecido.” (6ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 155.249, Acórdão nº 10617122, Sessão de 09/10/2008) Como se verifica, a norma processual tem aplicação imediata. Aliás, o próprio Código de Processo Civil (aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal) consagrou aludida regra, em seu artigo 1.211, in verbis: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” A jurisprudência judicial não discrepa desse entendimento, consoante se extrai dos seguintes julgados: Ementa: PROCESSUAL PENAL RECURSO DE OFÍCIO ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA LEGÍTIMA DEFESA RECURSO NÃO CONHECIDO. Ainda que o recurso tenha sido interposto antes das reformas trazidas pela Lei n.º 11.689/2008, é sabido que as normas processuais têm aplicação imediata, inclusive aos casos anteriormente julgados, como ocorre na hipótese em julgamento, pois, o Código de Processo Penal, em seu art. 2.º, consagrou o princípio segundo o qual o tempo rege o ato, ao dispor que ""a lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 realizados sob a vigência da lei anterior"". Portanto, diante do princípio da imediatividade que rege a sucessão das leis processuais no tempo, não sendo mais contemplado o reexame necessário da sentença de absolvição sumária, não é possível conhecer de recurso já abolido do ordenamento jurídico. Recurso de ofício não conhecido. Súmula: NÃO CONHECERAM DO RECURSO. (TJ/MG Número do processo: 1.0261.06.0387675/001(1) Relator: ANTÔNIO ARMANDO DOS ANJOS Data do Julgamento: 14/10/2008 Data da Publicação: 23/10/2008) (grifamos) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PELO DESPACHO DO JUIZ QUE DETERMINA A CITAÇÃO. ART. 174 DO CTN ALTERADO PELA LC 118/2005. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. EXCEÇÃO AOS DESPACHOS PROFERIDOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI. DEMORA NA CITAÇÃO. INÉRCIA DA EXEQUENTE. PRESCRIÇÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência desta Corte pacificarase no sentido de não admitir a interrupção da contagem do prazo prescricional pelo mero despacho que determina a citação, porquanto a aplicação do art. 8º, § 2º, da Lei 6.830/80 se sujeitava aos limites impostos pelo art. 174 do CTN; Contudo, com o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005, que alterou o art. 174 do CTN, foi atribuído ao despacho do juiz que ordenar a citação o efeito interruptivo da prescrição. 2. Por se tratar de norma de cunho processual, a alteração consubstanciada pela Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 ao art. 174 do CTN deve ser aplicada imediatamente aos processos em curso, razão pela qual a data da propositura da ação poderá serlhe anterior.[...] 6. Recurso especial nãoprovido.” (REsp nº 1074146/PE – Min. Benedito Gonçalves – Primeira Turma, Data Julgamento: 03/02/2009 – DJe 04/03/2009, Unânime) Na hipótese dos autos, com mais razão o limite de alçada hodierno deve ser levado a efeito em detrimento àquele vigente à época da interposição do recurso de ofício, tendo em vista tratarse de regra processual emitida/estabelecida pelo Fisco e de seu próprio interesse, visando à celeridade processual nos Órgãos Julgadores de segunda instância. Em outras palavras, se a autoridade fazendária entendeu por bem modificar o limite de alçada de recurso de sua exclusiva titularidade, concluise que não tem interesse de agir naqueles cujo valor encontrase abaixo de aludido piso, independentemente da época em que fora interposto o recurso de ofício. Em face do exposto, estando o RECURSO DE OFÍCIO em dissonância com as normas processuais que disciplinam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊ LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 236 9 Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 237 11 tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, do CTN). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 27/12/2005, com a devida ciência da contribuinte, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/1997 a 10/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.008943/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino
médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico (art. 8º, inciso II, “b”, da Lei n.º 9.250/1995 e art. 81, caput, do RIR/99).
Tendo o contribuinte apresentado documento subscrito por instituição de ensino confirmando os pagamentos, a dedução de despesa com instrução deve ser restabelecida.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
Cabe ao contribuinte, uma vez intimado, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as deduções efetuadas. Não o fazendo, subsiste a glosa.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-001.163
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas com instrução, bem como as deduções com despesas médicas no valor de R$ 20.430,00, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico (art. 8º, inciso II, “b”, da Lei n.º 9.250/1995 e art. 81, caput, do RIR/99). Tendo o contribuinte apresentado documento subscrito por instituição de ensino confirmando os pagamentos, a dedução de despesa com instrução deve ser restabelecida. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Cabe ao contribuinte, uma vez intimado, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as deduções efetuadas. Não o fazendo, subsiste a glosa. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 134 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas com instrução, bem como as deduções com despesas médicas no valor de R$ 20.430,00, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 84/85) interposto em 17 de setembro de 2010 (fl. 84) contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 72/78), do qual o Recorrente teve ciência em 20 de agosto de 2010 (fl. 83), que, por maioria de votos, vencido o julgador Ricardo França, por entender necessária diligência relativamente às glosas de despesas médicas, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 06/11, lavrada em 26 de maio de 2008, em decorrência de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas e com instrução, verificadas no ano calendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. FILHOS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, os filhos e enteados até vinte e um anos, maiores até vinte e Fl. 139DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 135 3 quatro anos cursando universidade ou escola técnica de 2° grau ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Só são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de educação préescolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 72). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 84/85, repisando as alegações contidas na impugnação, no tocante à parte remanescente do débito, não excluída pela decisão a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob análise cingese à dedução indevida de despesas médicas e de despesas com instrução. Cumpre, inicialmente, ressaltar que qualquer dedução apontada pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos está sujeita à comprovação, a teor do que restou regulamentado no Decreto n.º 3.000/99, em seu art. 73, in verbis: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 140DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 136 4 § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento.” O Conselho de Contribuintes pacificou entendimento no sentido de que documentos hábeis e idôneos que comprovem a prestação do serviço servem à dedutibilidade das despesas informadas na declaração de ajuste anual do imposto de renda. Em relação à dedução de despesas com instrução, o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99) determina o seguinte: “Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b").” Cumpre ressaltar, como bem destacado pelo acórdão recorrido, que o limite anual individual para dedução de despesas com instrução, aplicável ao anocalendário de 2004, é de até R$ 1.998,00, tendo em vista as alterações trazidas pela Lei n.º 10.451/2002, que elevou o limite. No presente caso, a Recorrida manteve a glosa de despesas com instrução uma vez que o contribuinte não acostou aos autos “(...) quaisquer documentos relacionados às despesas de instrução informadas (...)” (fl. 76). Não obstante, em seu recurso, o contribuinte traz documento subscrito pelo Colégio Agostiniano, instituição de ensino freqüentada por seus dependentes, confirmando os pagamentos relativos às mensalidades do ano de 2004 (fls. 128/129). Comprovadas, assim, as despesas com instrução, estas devem ser restabelecidas ate o limite legal de R$ 3.996,00. No tocante à glosa por dedução indevida de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 141DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 137 5 ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” No presente caso, a controvérsia gira em torno do preenchimento de requisitos dos recibos oferecidos, que comprovem serem dedutíveis as despesas realizadas pelo contribuinte. A Recorrida não aceitou os recibos oferecidos pelo contribuinte à Fiscalização, sob o argumento de que “Os recibos emitidos pelos profissionais Vera Lucia Costa e Souza (fls. 20/30) e Narjara Ramos Martins (fls. 31/42), não atendem aos requisitos estabelecidos pela legislação, pois não informam o endereço do prestador dos serviços” (fl. 77). Frisese que a finalidade da regra, ao exigir a discriminação do endereço do profissional, é, caso seja necessário, permitir que a Fiscalização entre em contato com o referido profissional para eventuais esclarecimentos. Diante de tal decisão, o Recorrente instruiu seu recurso com declarações das profissionais Vera Lucia Costa e Souza e Narjara Ramos Martins (fls. 99 e 113), em que afirmam, respectivamente, terem prestado serviços psicoterápicos aos dependentes do contribuinte e serviços fisioterápicos a um dos dependentes e ao contribuinte, informando ainda o endereço em que se situam. Tendo em vista o cumprimento do único requisito questionado pela Recorrida, a declaração da profissional Vera Lucia Costa e Souza deve ser aceita, cancelando se a glosa no valor de R$ 10.350,00, relativa aos serviços por ela prestados. Com relação à declaração da profissional Narjara Ramos Martins, esta também deve ser acolhida, pois também supre a exigência da Recorrida. Não obstante, verificase que o valor mencionado no referido documento, relativo aos serviços prestados (R$ 15.060,00), não reflete o somatório das quantias indicadas nos recibos entregues pelo contribuinte à fiscalização, qual seja R$ 10.080,00. Portanto, deixa o Recorrente de comprovar, em relação a essa profissional, as despesas médicas no valor de R$ 4.980,00, motivo pelo qual deve ser restabelecida a glosa apenas e tãosomente no montante de R$ 10.080,00. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 138 6 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas com instrução, bem como as deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.430,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 143DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720060/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO. INSUMOS.
Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao
crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como
insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou
produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.070
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas – Relatora (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 01/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra (Redator Designado), Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02). O crédito é relativo ao 3º Trimestre de 2007, no valor total de R$ 85.860,81 (fls. 01/03). A autoridade fiscal manifestouse (fls. 06/08) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter calculado crédito (i) sobre valores de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos e (ii) despesas não comprovadas. O Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul/RS, acatando as conclusões do Agente Fiscal (fls. 08), reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, mantendo a glosa dos valores relativos a créditos derivados de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos, e de créditos que se referiam a notas fiscais cuja titularidade não seria da Recorrente. Promovidas as verificações necessárias e após constatado que a Recorrente não possuía débitos em aberto perante a Receita Federal, que autorizassem a compensação de oficio de quaisquer valores, a Recorrente, uma vez intimada, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 44/52). A defesa apresentada limitouse a discutir a glosa dos valores relativos a créditos apurados sobre os custos de frete dos produtos acabados – requerendo, portanto, apenas a reforma parcial do Despacho Decisório proferido, conformandose com a glosa dos créditos derivados de notas fiscais que não seriam de sua titularidade. A Recorrente rechaça o procedimento fiscal, por entender que os custos incorridos com o transporte de produtos – ainda que entre estabelecimentos da empresa – configurase etapa essencial da venda dos bens. Isto porque é necessário para que ocorra a exportação (venda) dos produtos, que os mesmos sejam transferidos dos estabelecimentos produtores para aqueles que se encontram mais perto dos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande – de onde são transportados para o exterior. No mesmo sentido, produtos oriundos de uma unidade produtora no interior do Estado são trazidos para a Matriz da empresa, de onde podem ser diretamente vendidos. Assim, por se tratar se custo essencial à atividade, as despesas de frete dos produtos entre estabelecimentos não poderiam ser desqualificadas como insumos da atividade, o que lhe garante o direito ao crédito de COFINS, na sistemática não cumulativa, sobre tais dispêndios. Alega, ainda, que é incorreta a pretensão fiscal de limitar o direito ao crédito dos contribuintes, pois a incidência da COFINS se dá sobre a totalidade da receita da pessoa jurídica. Ou seja, se a incidência – na forma não cumulativa – se dá sobre o resultado integral da atividade econômica desenvolvida, então os créditos têm de ser garantidos sobre todos os custos desta atividade econômica, sob pena de não se cumprir a não cumulatividade estabelecida. Entende haver, portanto, ofensa ao princípio da isonomia, do não confisco e à própria não cumulatividade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720060/200896 Acórdão n.º 330201.070 S3C3T2 Fl. 2 3 Apresenta a Recorrente uma série de decisões da Receita Federal que evidenciam que o assunto é controverso mesmo dentro do próprio órgão. Alega, ainda que decisões contrárias ao creditamento, ainda que baseadas na Solução de Divergência nº 11/07 não podem prosperar, por ofensa ao princípio da hierarquia das normas, visto que Soluções de Divergência não poderiam ferir as disposições legais (que não criaram qualquer restrição ao crédito ora sob análise). Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 67/68), que manteve o que foi definido no Despacho Decisório, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Segundo a DRJ os custos de frete de produtos entre estabelecimentos não estariam vinculados à operação de venda, bem como a autoridade fiscal estaria obrigada a observar as manifestações do órgão a respeito da impossibilidade do creditamento pretendido. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 71/80), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de COFINS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa. No caso da Recorrente o transporte se deu, na maioria dos casos, entre estabelecimentos produtores e outros estabelecimentos que se encontravam mais perto dos portos através dos quais remete suas mercadorias para o exterior (exportação). Outra parte do frete contratado foi para remessa dos produtos de uma unidade produtora no interior do Estado para a matriz, onde são realizadas a maior parte das vendas. A Receita Federal tem se manifestado reiteradas vezes, em relação a uma série de custos de operações de contribuintes, contra o direito ao crédito, numa clara tendência restritiva. Tanto assim que as disposições contidas na Instrução Normativa nº 404/04 – que trata justamente da apuração não cumulativa da COFINS – estabelece que para fins da apuração do crédito a que o contribuinte tem direito, sobre os insumos utilizados na produção, o conceito de insumo é aquele trazido pela legislação do IPI. Vejamos: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” (destaquei) Da leitura dos dispositivos concluise que a Receita Federal, ao regulamentar a não cumulatividade trazida pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, pretendeu adotar os conceitos da legislação do IPI sem que, todavia, referida Lei assim determinasse. Vale recordar que desde o surgimento da não cumulatividade do PIS e da COFINS muito já se discutiu sobre sua natureza. A princípio discutiase se a não cumulatividade do PIS e da COFINS seguia o mesmo modelo – e, portanto, os mesmos princípios – da não cumulatividade do ICMS e do IPI. Após muitas discussões as decisões – tanto administrativas como judiciais – seguiram no sentido de reconhecer que a não cumulatividade das contribuições em tela é distinta daquela do ICMS e do IPI, especialmente porque a dos mencionados impostos segue regras próprias, estabelecidas na Constituição Federal. Evidencia tal distinção o fato de que a não cumulatividade do IPI e do ICMS tem por base, na apuração dos créditos, o valor do imposto que foi recolhido na etapa anterior da cadeia de produção ou venda. No caso da não cumulatividade do PIS e da COFINS, por outro lado, pouco importa o que foi pago na etapa anterior, bastando que o contribuinte esteja sujeito a uma saída tributada nos termos da não cumulatividade, para que tenha direito a creditarse de custos incorridos na atividade que gerou a receita tributada pelas contribuições. Portanto, os limites conceituais da não cumulatividade e/ou da apuração de IPI e ICMS não se aplicam à não cumulatividade do PIS e da COFINS, pois não há, na legislação destas contribuições, qualquer menção à esta aplicabilidade. Impera esclarecer que já externei meu posicionamento neste sentido, acompanhando o Ilustre Conselheiro Relator Walber Jose da Silva, por meio de declaração de voto, na oportunidade do julgamento do processo nº 10247.000001/200619, o qual foi decidido por maioria pela então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: “É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720060/200896 Acórdão n.º 330201.070 S3C3T2 Fl. 3 5 normas foram aplicadas) busquem as definições pré estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ........................................................................................ (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. ” Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em toda sua atividade. A este respeito também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao prolatar a decisão contrária a Recurso Especial do Procurador apresentado nos autos do Processo Administrativo nº 11065.101271/200647. Na ocasião, no bem lançado voto do ilustre relator Henrique Pinheiro Torres, a CSRF rechaçou a equiparação do conceito de “insumos” utilizado na legislação do PIS e da COFINS, àquele presente na legislação do IPI. In casu, a CSRF firmou posicionamento no sentido de total distinção de conceito de insumo para a legislação de IPI e para a legislação de PIS e Cofins. Vejamos: “A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: ‘Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720060/200896 Acórdão n.º 330201.070 S3C3T2 Fl. 4 7 Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.’ ” O crédito foi reconhecido, nesta decisão em particular, sobre dispêndios com serviços de remoção de resíduos industriais que, embora não possam ser considerados como aplicados diretamente no processo produtivo – nos termos adotados pela legislação do IPI – devem ser considerados como insumos na Lei nº 10.833/03. Superada esta primeira dificuldade, mister se faz analisar especificamente a despesa em discussão, qual seja, valor gasto com frete para o transporte dos produtos da Recorrente, com destino a outros estabelecimentos de sua titularidade – no mais das vezes visando mantêlos mais próximos dos portos de embarque de suas cargas com destino ao exterior (em operações de exportação), ou ainda, em estabelecimentos nos quais são realizadas as operações de vendas (internas – matriz) – entendo que não há como questionar a necessidade dos dispêndios em questão, para o desenvolvimento das atividades da empresa. O objeto social1 da empresa esclarece que a Recorrente é empresa exportadora e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. Sem dúvida são despesas operacionais, necessárias à atividade da Recorrente, atividade esta que gera a receita tributável pela COFINS não cumulativa. Logo, entendo que tais despesas são insumos essenciais ao desenvolvimento das atividades da Recorrente, razão pela qual geram direito ao crédito de COFINS não cumulativa. Neste sentido, com acerto a interpretação da Recorrente. Uma vez que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, é necessário reconhecer o direito do contribuinte à concessão do crédito, com base no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.833/03. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de COFINS, sobre frete entre estabelecimentos da Recorrente, objeto deste processo. 1 Art. 4°. A Sociedade tem por objeto social a indústria e o comércio de madeiras e seus similares, no mercado interno externo, bem como o florestamento, o reflorestamento e agroindústria, podendo, ainda, participar do capital de outras sociedades. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Consoante bem destacado pela i. Relatora “a controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de COFINS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa”, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte. Em que pese o excelente argumento do voto acima, discordo do entendimento da eminente Relatora, pelas razões que passo a expor. A propósito, vejamos o que reza(va) a Lei nº 10.833/03 quanto aos créditos que podem ser descontados, ressalvando que os grifos não constam do original: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720060/200896 Acórdão n.º 330201.070 S3C3T2 Fl. 5 9 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Dito isso, cabe verificar se o dispêndio em questão está contemplado pelo dispositivo legal acima transcrito. Pelo o que defluise do voto da ilustre Relatora, o gasto em apreço se enquadraria no inciso II do retro citado artigo, sob o fundamento de que o custo indicado está Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 diretamente vinculado à atividade da Recorrente, visto que uma de suas atividades é a exportação e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. No entanto, data maxima venia, discordo desse entendimento sobretudo porque aquele dispositivo contempla apenas os serviços utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete em apreço é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 16045.000247/2005-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: SIMPLES - EPP - Ano-calendário 2003:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PREQUESTIONAMENTO —
Apenas se toma conhecimento de matéria não prequestionada quando se
tratar de fato superveniente.
PAF PROVAS - Tratando-se de matéria de prova, o julgador formara
livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do Dec. 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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YAARI HOTEL - EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: SIMPLES - EPP - Ano-calendário 2003: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PREQUESTIONAMENTO — Apenas se toma conhecimento de matéria não prequestionada quando se tratar de fato superveniente. PAF PROVAS - Tratando-se de matéria de prova, o julgador formara livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do Dec. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. QUIAS PESSOA MONTEIRO-Presidente e Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppennann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barrett°, Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) Jose Sergio Gomes (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Relatório Trata-se de exigências, conforme fls. 232/282, para o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ; à Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS; A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL; à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins e à Contribuição para a Seguridade Social - INSS, apurados na sistemática do SIMPLES, referentes ao ano calendário de 2003, lavrados em 15/12/2005 e cientificados A interessada em 27/12/2005. O lançamento se dá por falta de escrituração de receitas e por suprimentos de numerários sem comprovação e ainda por insuficiência de recolhimento, conforme Relatório fiscal de fls.226/31. Enquadramento legal nos respectivos termos. Impugnação de fls. 286/288, faz-se acompanhar dos documentos de fis. 289/298, corn as seguintes razões de defesa (nos termos do relatório da decisão combatida): "(,) 1 — Em 22/11/2005, .foi apresentado em atendimento a intimação recebida em 20/10/2005, a análise idêntica da folha extraída do Livro Razão da conta corrente sócios, onde justifica-se que os suprimentos de Caixa .foram . feitos parte em dinheiro, por conta de recursos financeiros existentes na Pessoa Física do Sr. Arie Yaari, bem como esclarecido que esses valores permaneceram por poucos dias no Caixa da empresa, sendo reembolsados ao titular no mesmo Mês em alguns casos, e no mesmo ano todo o montante de RS 169.650,00 (..), descaracterizando assim omissão de receitas. [...] ementa de Acórdão do I" CC Contesta-se: Cabe ressaltar que as movimentações bancárias foram lançadas contra a conta Caixa, na data do ultimo dia de eada mês, assim não procede a afirmação de que os suprimentos serviram para cobrir estouro de Caixa, pois os valores entregues pelo titular da empresa para suprimento de caixa foram realizados em momentos emergências para pagamento de salários e ou fornecedores, e sempre em valores superiores its necessidades, justificando as devoluções no inesmo mês. Esclareceu também que o Sr. Arie Yaari (titular da empresa), tinha recursos suficientes em sua pessoa física com apresentação dos extratos pessoais e declaração c/c Imposto de Renda Pessoa Física, uncle justifica-se a origem do numerário e posteriores reembolsos, quando das disponibilidades de Caixa. Diante dos reembolsos realizados no mesmo 171êS e do montante no mesmo ano, não caracteriza-se omissão c/c receita, pois os recursos foram originados da pessoa física do titular, e submetidos a regular contabilização, comprovados coin documentos hábeis e idóneos, con forme atendimento em 22/11/2005, item 3. 2 Processo n° 16045.000247/2005-62 SI-CIT2 Acórdão n." 1102-00.426 Fl. 2 [...] Art. 282, do RIR/99 2 — Nos extratos dos Bancos HSBC e Pali Bank-Line, nos quais a empresa manteve contas, foi apurado pela fiscalização, o valor total de R$ 2.471.789,39 (.), sendo conforme relatório fiscal página 3(três), o valor total de Depósitos feito no HSBC de R$ 1.686.970,90 (..), e no 'tali de R$ 784.818,49 (..), considerados como depósitos bancários efetuados pelas operadoras de cartões de créditos e reservas de diárias com depósitos procedidos pelos clientes quo se hospedaram no Hotel; Contesta-se: Nos Livros Diário e Razão, e coin base nos extratos bancários também apresentados, durante o ano-calendário de 2003, houve resgates de Aplicações Financeiras, Empréstimos Bancários, no montante de R$ 192.886,53 (..), além dos Depósitos efetuados pelo titular Sr. Arie Yaari no montante de R$ 169.650,00 (..), além de devoluções de cheques e demais estornos bancários que geram depósitos, onde somados ao montante considerado como insuficiência de recolhimentos, ultrapassará o montante efetivo de depósitos efetuados pela empresa, conforme valores devidamente registrados pela Contabilidade, no montante de R$ 2.576.311,37 (..). Diante do exposto, como a empresa utilizou-se pelo regime de Caixa, não poderá ser penalizada por valores que superaram sua movimentação total de depósitos bancários, e nem tão pouco considerar-se todos os depósitos, como faturamento para base de cálculo de diferença a tributar, em razão de outras transações (tais como estornos, resgates de aplicações financeiras, etc...), pois houve justificativas, sendo apurado pela fiscalização o montante de R$ 2.679.629,47 (..). Para tanto faz juntada copia das folhas do Livro Razão da conta Contas Correntes Sócios; cópia da intimação e respectivo atendimento de 24/11/2005; cópia da Declaração de Firma Individual; cópia do CNPJ; cópia da procuração e do CIC e RG cio representante cia empresa. Requer cancelamento do Auto de Infração ciente em 27/12/2005, por inedida de elevada justiça! A decisão de fls.309/317, acórdão 05-26.573, de 24/08/2009, julga improcedente a impugnação e confirma o crédito lançado,mediante a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NA -0 CONTABILIZADAS. Não tendo a contribuinte, apesar de regularmente intimada, justificado a constatação .fiscal de falta de contabilização de depósitos bancários em contas-correntes com históricos relacionados ã receita da atividade da empresa, mantém-se a exigência. 3 SUPRIMENTO DE CAIXA. Suprimento de caixa efetuado por administrador, titular, sócio, acionista ou controlador cuja origem e efetiva entrega não sejam comprovados gera, por si mesmo, a presunção de omissão de receitas, que cabe a empresa afastar. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com as importáncias entregues, não bastando demonstrar que o acionista supridor possui capacidade .financeira bastante para suportar o montante suprido. As fls. 285, em 27/12/2005 há despacho que manda encaminhar os autos ARF competente para cientificar a Contribuinte. Intimação de fls.318, de 15/09/2009 dá ciência à Contribuinte da decisão proferida no acórdão, em 18/09/2009. As tls. 326/360, com data de 20/10/2009, o recurso especial é aviado, onde, a Recorrente, após narrar os fatos e sua insatisfação com o resultado da decisão combatida, inicia as razões ditas de direito, argüindo: a) ilegitimidade passiva da Recorrente no que concerne à parte do crédito tributário exigido nos Autos de Infração lavrados, tendo em vista não ser ela a beneficiada por parte dos repasses recebidos referentes a cartão de crédito, nas contas bancárias abaixo especificadas: a) Conta Corrente n° 05441-15, Agência n° 1243 do Banco ITISBC; e b) Conta Corrente n° 11990-7, Agência n° 1422, do Banco Esclarece que referidos valores de repasses foram recebidos por empresas constituídas por familiares do proprietário da empresa ora fiscalizada e que encontram-se . instaladas no mesmo estabelecimento fisico da ora Recorrente, corn a finalidade de complementar a exploração do ramo hoteleiro. Tais empresas são as seguintes:a) Yaari & Schucman Ltda. (Restaurante); e b) Ledo da Montanha Convenções e Eventos Ltda. Discorre sobre sujeição passiva para dizer que é importante verificar sobre quem deve recair se nela, contribuinte titular de direito das contas bancárias ou as empresas responsáveis por parte da movimentação financeira realizada que tratam-se de titulares de fato. Ressalta que a fiscalização conheceu esse mérito, mas "arbitrariamente" não acolheu as comprovações que realizou. Refere-se as decisões dos Conselhos de Contribuintes, onde é firme a jurisprudência de que, quando se tratar de lançamento corn base em valores movimentados em conta bancária de origem não justificada, a exigência deve ser endereçada ao contribuinte real, no presente caso, nas pessoas jurídicas que realmente movimentavam referidas contas bancárias. Invoca o artigo 142 do Código Tributário Nacional o qual transcreve, para dizer que o lançamento deveria incidir sobre os reais proprietários dos valores movimentados cm sua conta-corrente. Proceder de forma diversa implicaria em excesso por parte do fisco, passível de reparação. Processo no 16045.000247/2005-62 SI-CIT2 Ac6rdilo n.° 1102-00.426 Fl. 3 A legislação vai no sentido de que, restando provado que os valores creditados na conta de deposito pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas sera efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de deposito. Discorre sobre o procedimento dizendo-o superficial e pouco criterioso „ tampouco diligente, ao não reconhecer o verdadeiro pólo passivo de eventual obrigação tributária decorrente da movimentação financeira das contas correntes em apreço, deixou de apurar não só a origem dos depósitos, como a destinação dos recursos, nos exatos moldes do que se espera nas autuações fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, especialmente em se tratando de movimentação financeira. Assim sendo, deveria o Auditor-fiscal diligenciar junto as demais pessoas jurídicas. Como ficou demonstrado, o nobre Auditor-fiscal, ao invés de iniciar um novo Mandado de Procedimento Fiscal em nome das pessoas jurídicas, preferiu lançar toda exigência em seu nome, em desacordo com a jurisprudência dominante no Conselho de Contribuintes, da qual cita os acórdãos 101 -96602, 106-14392. Comenta que por essas razões a omissão de receitas, baseada em certos indícios, há de repousar, comparativamente, em dados concretos, objetivos e coincidentes, sólidos em sua estruturação, devendo ser descartadas as opções simplistas, baseadas em provas cujos dados levantados não são conclusivos. Pede o reconhecimento da sua ilegitimidade passiva perante os créditos aqui exigidos. b) interposição de pessoa Desse modo, a partir dessas considerações aduz que o lançamento se fez em seu nome e sob a justificativa de que teria omitido receitas decorrentes de repasses recebidos referentes ao cartão de crédito que teriam ingressado nas suas contas bancárias. Mas, apesar de constar como titular dessas contas bancárias elas serviam, também, para movimentar recursos financeiros de outras empresas constituídas por familiares, tais sejam, Yaari & Schueman Ltda. e Ledo da Montanha Convenções e Eventos Ltda, o que evidencia a titularidade de fato destas empresas, sobre parte dos valores movimentados nas sua contas bancárias, o que a mostra sua condição de mera titular de direito no que se refere a estes valores. Repete que a exigência fiscal deveria recair sobre os titulares de fato, como decidira o Conselho de Contribuintes, por exemplo, no acórdão 102-47246. c) da comprovação da interposição de pessoa e da origem e destinação dos depósitos bancários Aponta que em 26 de janeiro de 2006, apresentou impugnação, Es. 286 a 288, acompanhada de prova documental acostada ás Es. 289 a 298 onde comprovara a origem e destinação dos valores depositados nas sua contas correntes e, por conseqüência, demonstra a improcedência dos Autos de Infração lavrados. Demonstra esses valores em tabela inserida as fls.338, comenta sua destinação , segundo a titularidade de fato e, diz que se considerado os valores movimentados pelas referidas empresas, constata-se a comprovação a maior de receitas no montante de R$ 5 151.959,33 , motivo pelo qual deve ser cancelado o crédito tributário exigido, cancelando-se os Autos de Infração em comento. d) do efeito confiscatório da multa de oficio Noutro tópico discorre sobre a multa de oficio , contrapondo-se a sua aplicação, dizendo-a representar verdadeiro confisco, sem respeito ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Mantê-la implicaria no esgotamento da sua riqueza o que teria reflexo contrário ao direito A. propriedade esculpido no artigo 5°, XXII da Constituição Federal. Refere-se a decisão do STF e pede aplicação do disposto no artigo 59 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que prevê a aplicação de multa de 20% no caso de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal e pagos corn atraso. e) da inconstitucionalidade da utilização da taxa selic para correção de eventual débito. Diz que a partir de janeiro de 1997, por imposição do artigo 84 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com redação dada pelo parágrafo 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros de mora das obrigações tributárias passaram a ser calculados mediante a aplicação da taxa SELIC para remunerar empréstimos de capitais. Repisa a letra da Resolução n° 1.124/96 do Conselho Monetário Nacional que instituiu a taxa SELIC, definida pelas Circulares BACEN 2.868/99 e 2.900/99, para concluir a mesma só é aplicável aos mercados financeiros. Desta forma, se conclui que a Taxa SELIC é de natureza remuneratória de títulos, entretanto, títulos e tributos são conceitos diametralmente opostos, que não podem ser misturados. Persistir nesta exigência equipara contribuintes aos aplicadores, criando a anômala figura do "tributo rentável". Conclui, com o pedido de reconhecimento se sua ilegitimidade passiva, ante a comprovada interposição de pessoas, verificada na circulação de recursos que se fazia em seu nome mas pertencentes as empresas Yaari & Schucman Ltda. e Ledo da Montanha Convenções e Eventos Ltda., continua, "apenas para efeitos de argumentação" que, a persistir a exigência fosse a multa de oficio, bem corno os juros aplicados, revistos. Pede para realizar sustentação oral e a realização de todos os meios de prova em direito admitido. Despacho de fis.381 encaminha os autos ao CARF e, por sorteio, os recebo para relato. Este é o relatório. 6 Processo n° 16045.000247/2005-62 Si-CIT2 Acórclao n.° 1102-00.426 Fl. 4 Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de exigência decorrente de omissão de receitas, consubstanciada em valores depositados/creditados em contas-correntes, não escriturados pela contribuinte; omissão de receitas decorrente de suprimento de caixa pelo sócio da empresa autuada, não confirmado com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, e insuficiência de recolhimento, decorrente de reajuste dos percentuais de tributação da empresa (EPP). O Relatório Fiscal de fls.226/231, aponta que a empresa é optante pelo SIMPLES-EPP, atuando no setor hoteleiro, sem, contudo, oferecer refeições. Contudo, no mesmo local existem duas empresas que foram constituídas, por familiares, para complementar a exploração da hotelaria, YAARI & SHUCMAN LTDA CNPJ 054.723.500/0001-74, cuja atividade desenvolvida é de "restaurante" e LEÃO DA MONTANHA CONVENÇÕES E EVENTOS LIDA — CNPJ 03.827.407/0001-85, que desenvolve atividade de convenções e eventos.(Tambem optantes pelo SIMPLES). Intimada a Recorrente a apresentar os comprovantes de repasses recebidos referentes As vendas efetuadas através de cartões de crédito (receitas de faturamento da empresa), bem como o Livro Caixa ou Diário e Razão, devidamente escriturados, não o fez satisfatoriamente, o que resultou na presente ação fiscal, cujos valores tributáveis estão resumidos na tabela de fis.231, exigidos por omissões de receitas operacionais, na seguinte ordem: UM U1111.15211) (1 ) sup. 1111.1UICIIIINt (2) vi. Intl-raw» 4 trill. (3) W.I. II ILTIM,114F (4) 01t2003 56.042,52 78.170,53 - 02 190.040,62 52.567,23 137.473,39 03 171.320,31 59.725,58 111.594,73 04 155.014,67 84.006,26 71.008,41 05 266.897,90 89.700,52 177. 197,38 06 382.354,79 30.500,00 165.262,37 247.592,42 - 07 384.231,01 34.000,00 196.752,49 221.478,52 202.009,53 ' 172.964,91 08 341.006,14 12.000,00 150.996,61 09 215.476,95 50.000,00 92.512,04 10 136.397,26 43.150,00 76.198,76 103.348,50 35.286,33 - 11 122.501,58 87.215,25 12 . 50.505,64 66.567,71 A Recorrente, em suas razões impugnatórias aponta duas questões: a)que se realizada a análise dos documentos fornecidos para responder a intimação de 20/10/2005, através de idêntica folha extraída do Livro Razão da conta corrente 7 sócios, onde justifica-se que os suprimentos de Caixa foram feitos parte em dinheiro, por conta de recursos financeiros existentes na Pessoa Física do Sr. Alie Yaari, bem como esclarecido que esses valores permaneceram por poucos dias no Caixa da empresa, sendo reembolsados ao titular no mesmo mês em alguns casos, e no mesmo ano todo o montante de R$ 169.650,00 descaracterizada restara a omissão de receitas pretendida na ação fiscal. Aqui aponta que as movimentações bancárias eram lançadas contra a conta caixa no Ultimo dia do mês, portanto seria improcedente a afirmação de que os suprimentos serviriam para cobrir estouro de caixa. Ademais, os valores entregues pelo titular ocorreram em momento de emergência para pagamento de fornecedores e salários, sempre em valores superiores As necessidades, justificando as devoluções no mesmo mês. 0 Sr. Me Yaari ( titular da empresa ), tinha recursos suficientes em sua pessoa fisica com apresentação dos extratos pessoais e Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, onde justifica-se a origem do numerário e posteriores reembolsos, quando das disponibilidades de Caixa. b) Os valores apurados através dos extratos dos Bancos HSBC e Itau Bank- Line, nos quais a empresa manteve contas, considerados como depósitos bancários efetuados pelas operadoras de cartões de créditos e reservas de diárias com depósitos procedidos pelos clientes que se hospedaram no Hotel, diz contestá-los através dos Livros Diário e Razão, e com base nos extratos bancários também apresentados, durante o ano-calendário de 2003, porque houve resgates de Aplicações Financeiras, Empréstimos Bancários, no montante de R$ 192.886,53 ( Cento e Noventa e Dois Mil Oitocentos e Oitenta e Seis Reais e Cinqüenta e Três Centavos), alem dos Depósitos efetuados pelo titular Sr. Me Yaari no montante de R$ 169.650,00 ( Cento e Sessenta e Nove Mil Seiscentos e Cinqüenta Reais), além de devoluções de cheques e demais estornos bancários que geram depósitos, onde somados ao montante considerado como insuficiência de recolhimento, ultrapassaria o montante efetivo de depósitos efetuados pela empresa, conforme valores devidamente registrados pela contabilidade, no montante de R$ 2.576.311.37. Em sede de recurso as razões oferecidas alegam, em síntese, "ilegitimidade passiva; interposição de pessoa; comprovação da interposição de pessoa e da origem e destinação dos depósitos bancários, do efeito confiscatório da multa de oficio, da inconstitucionalidade da utilização da taxa selic para correção de eventual débito". Todavia essas matérias não foram objeto de prequestionamento, conforme anteriormente exposto, motivo pelo qual deixam de ser conhecidas, por se tratar de matéria temporal mente preclusa. James Marins,James [Direito processual tributário brasileiro(administrativo e judicial)2a.ed. São Paulo:Dialetica,2002, Ils.266], sobre este assunto ensina: Dó-se a preclusão temporal quando o contribuinte deixa de praticar ato processual a seu encargo ou o faz fora do prazo previsto na legislação ou .fixado pela administração, casos em que perde o contribuinte o direito de realizar o ato ou remanesce sem efeito o ato processual praticado extemporaneamente" Deste modo, as questões postas em litígio se circunscrevem aos argumentos e provas oferecidos em sede de impugnação, instancia na qual se instala o contraditório, nos termos do artigo 14 e 17 do Decreto 70235/1972, a seguir reproduzido: 8 Processo n° 16045.000247/2005-62 S1-C11'2 Acórao n.° 1102-00.426 Fl. 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Naquela defesa a Recorrente reporta-se, inicialmente, à exigência decorrente de suprimento de numerário. Neste item, discorda da assertiva fiscal de que os suprimentos serviram para cobrir estouro de caixa, alegando que: as movimentações bancárias forami lançadas na conta Caixa no ultimo dia de cada mês, os valores entregues pelo titular da empresa para suprimento de caixa foram realizados em momento de emergências para pagamento de salários/fornecedores e sempre em valores superiores ás necessidades, justificando as devoluções 120 111es1720 Os suprimentos questionados pela fiscalização e que ensejaram a exigência foram aqueles relacionados no Termo de Verificação, realizados nas seguintes datas: 05 e 10 de junho; 01 e 02 de julho; 11 e 15 de agosto; 30 de setembro e 09, 28 e 29 de outubro de 2003, mediante débito da conta caixa e crédito de conta corrente do titular. E, conforme descrito no Termo de Verificação, mesmo intimado a comprovar os lançamentos com documentos hábeis e idóneos, coincidentes e171 datas e valores com os referidos suprimentos, a Recorrente não o fez. Assim, restou comprovada as omissões desses suprimentos, pois, conforme copias das folhas dos livros Diário e Razão mais especificamente da CONTA CAIXA, dos meses acima referidos, fl. 184/205, se retirados da conta caixa, o mesmo restaria credor. Neste item, seja em sede de impugnação ou recurso, nenhum elemento de prova foi juntado, que possa militar a favor da tese da Recorrente, e tipificada se encontra a previsão do artigo 282 do RIR/1999, Decreto 3000, cuja redação é a seguinte: "Art. 282. Promda a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos niio .forem comprovadamente denionstradas." Dispositivo aplicável também às empresas optantes pela sistemática de apuração simplificada, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.317, 05 de dezembro de 1996. E como bem explicitado nas razões de decidir do acórdão combatido: Do dispositivo transcrito, vê-se tratar-se de uma presunção legal relativa de que a falta de comprova cão da origem e efetiva entrega do numerário constitui omissão de receita. As presunções legais relativas provocam a chamada "inversão do ônus da prova", cabendo à contribuinte provar que o Fisco está equivocado. 9 A comprovação da origem e da efetiva entrega deve ser detalhada. Deve ficar claro que o numerário teve origem externa a empresa e deve ser provada qual esta origem. A efetiva entrega também z deve ser comprovada, nos termos do Parecer Normativo CST n° 242, de 11 del/WT*09 de 1971: 1. (..) 2. A comprovação da veracidade do suprimento se faz, provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo e não coin a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. 3. Da mesma for o supridor terá que comprovar a origem dos seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre. Em relação à origem, não basta a prova de que o sócio é que supriu o caixa. Deve também ser comprovado de onde o sócio obteve o numerário. A efetiva entrega deve ser comprovada coin recibos ou comprovantes de depósitos da empresa. Assim, ainda que houvesse a comprovação de que o dinheiro teria saído de conta bancária do sócio, tal prova não seria suficiente. A jurisprudência é definida sobre a questão, como no Acórdão da Apelação Cível 46.818 do TFR, 5" Turma: Suprimentos de Caixa — Suprimentos a Caixa feitos por diretores coin numerário de origem não esclarecida (laudo pericial não conclusivo). Sendo débil o quadro probatório dos autos, aaa basta ci regularidade formal da escrita da empresa, conjugada capacidade financeira dos sócios dela diretores, para ilidir a cobrança, posto que o ponto nuclear da questão diz respeito a proveniência ou origem do dinheiro entregue por eles à Caixa, isto é, se produto de dividendos, aluguéis ou rendimentos, não explicada satisfatoriamente. (Tebechrani, Alberto. Regulamento do Imposto de Renda para 1990, volume II. Ed. Resenha Tributária, Sao Paulo, 1990. Pág. 354.). Destaques acrescidos. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Acerca da exigência decorrente de receitas não escrituradas, argumenta a impugnante que nos Livros Diário e Razão, e com base nos extratos bancários também apresentados, durante o ano- calendário de 2003, houve resgates de Aplicações Financeiras, Empréstimos Bancários, no montante de R$ 192.886,53 (...), além dos Depósitos efetuados pelo titular Sr. Arie Yaari no montante de R$ 169.650,00 (...), além de devoluções de cheques e demais estornos bancários que geram depósitos, onde somados ao montante considerado como insuficiência de recolhimentos, ultrapassará o montante efetivo de depósitos efetuados pela empresa, conforme valores devidamente registrados pela Contabilidade, no montante de R$ 2.576.311,37 (...). C01710 se vê, a impugnante pretende atribuir os créditos/depósitos C171 suas contas correntes a: (1) resgates de aplicações financeiras, (ii) empréstimos bancários, (iii) 10 Processo n° 16045.000247/2005-62 SI-CIT2 Acórdao n. ° 1102-00.426 Fl. 6 dep6sitos efetuados pelo sócio titulai; (iv) devoluções de cheques e (v) estornos bancários. Neste ponto, cumpre observar que descreve a fiscalização ter constatado qiie, nos extratos apresentados, encontram-se depósitos bancários efetuados pelas operadoras de cartão de crédito e reservas de diárias, com depósitos procedidos pelos clientes que se hospedaram no hotel, e, os históricos correspondentes aos créditos questionados foram relacionados no Relatório Fiscal (fls. 226/231) e neles não foram incluídos valores a titulo de devoluções de cheques e estornos bancários. Desse modo, eventuais créditos decorrentes dessas duos operações não integram os valores que ensejaram a exigência. Quanto aos demais motivos alegados para os créditos - (i) resgates de aplicações financeiras, (ii) empréstimos bancários, depósitos efetuados pelo sócio titular -, além de também não corresponderem aos históricos dos créditos questionados na autuação, tem-se a observar que alegação semelhante já havia sido apresentada, em resposta à intimação, no curso do procedimento, tendo a fiscalização descrito que fez a análise das rubricas então alegadas, verificando não justificarem os valores questionados. De todo modo, impõe-se consignor que a alegação de que movimentagão bancária decorre de empréstimos desacompanhado dos correspondentes contratos e outras provas documentais, com identificação do valor emprestado e da data de tal ocorrência, que permitam verificar a coincidência de data e valor coin o crédito em conta-corrente, não é suficiente para identificar a origem dos recursos e infirmar a presunção de omissão de receitas. 0 mesmo se diga em relação a alegação de resgates de aplicações, para os quais deveriam ser apresentadas provas documentais da aplicação e resgate, estes últimos coincidindo em data e valor do crédito/depósito questionado. E, quanto alegação de que os créditos questionados neste item decorreriam de depósito de sócio, observa-se que, para tanto, necessária seria a comprovação da origem destes recursos, além da efetividade da entrega, nas niesmas datas e com os mesmos valores dos créditos questionados, como já analisado no item anterior, nada restando comprovado. Reitere-se, ainda, que dentre os históricos dos valores questionados pela fiscalização também não consta nada relativo a empréstimo ou resgate, pelo que, também neste caso, caberia impugn ante comprovar a origem. Assim ll improcedente a pretensão de justificar os créditos em conta questionados pela fiscalização conic, sendo decorrentes de outras transações (como estornos e resgates c/c aplicação), na medida que desacompanhada, tal afirmação, da correspondente documentação com coincidência de datas e valores. 11 Argumenta também a impugnante ter utilizado o regime de caixa, pelo que não poderia ser penalizada por valores que superam sua movimentação total de depósitos bancários. Ora, se admite ter adotado o regime de caixa, conto constatou a fiscalização, deveria a contribuinte ter reconhecido em sua escrituração, de pronto, todos os valores recebidos a titulo de depósitos de clientes e de operadoras de cartões de crédito, relativos ãs reservas e demais históricos do extrato bancário questionados na autuação e que refletem suas receitas, o que, como visto, não ocorreu. Pelo contrário, os créditos nos bancos HSBC e Itaã, com os históricos indicados no Relatório Fiscal, somaram, no ano, o montante de R$ 2.471.789,39, valor superior aquele oferecido a tributação como receita de hospedagem que, como constatou a fiscalização, foi de R$ 1.199.675,35. E, repita-se, tctl diferença a contribuinte não comprovou ser correspondente aos alegados créditos de outra natureza. Improcedente também a pretensão de justificar parte dessa diferença pelo valor que deixou de ser recolhido a titulo de insuficiência de recolhimento, pois tributos não recolhidos correspondem a valores que deixaram de ser desembolsados e não são hábeis a justificar ingressos em contas bancárias. A lei exige que a contribuinte, intimada, comprove a origem dos créditos e o seu regular oferecimento à tributação, sob pena de serem n considerados receita omitida. Injustificável, pois, a pretensão de atribuir os depósitos questionados a origens sem provas documentais e a tributos não recolhidos. Acrescente-se, ainda, que, por meio da sistemática cio Simples, os valores devidos são obtidos mediante aplicação de percentucil sobre a receita, em função da faixa em que essa se enquadra, conforme preceitua a Lei n" 9.317, de 1996. Vê-se, portanto, que não se tributa os depósitos bancários (entradas) em si, mas a renda que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos Por outro lado, a ampliação do montante de receita, em face das infrações anteriores, ensejou a alteração de faixa e a conseqüente mudança dos percentuais, acarretando a insuficiência de recolhimento, objeto de exigência no item 3 da autuação. Desse modo, não afastadas as infrações por omissão de receitas, subsiste também a exigência por insuficiência de recolhimento, que delas decorre. Podem-se resumir as questões postas pela Contribuinte no contexto que respeita a análise das provas e, neste aspecto, o PAF, regulamentado através do Decreto 70235/1972, assim dispõe: Processo n° 16045.000247/2005-62 SI-C I T2 Acórdão n.° 1102-00.426 Fl. 7 Art. 29. Na aprecia 00 da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicçao, podendo determinar as diligc;.ncias que entender necessárias. Ou seja, a livre convicção faz parte da atividade judicante, em nada ferindo o devido processo legal. Nesta ordem de juizos NEGO provimento ao recurso. L---A-03IAS PESSOA MONTEIRO 13
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002423/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2003
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A não apresentação da escrituração contábil consubstancia-se
motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta segundo o critério do Custo Unitário Básico, da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, cabendo ao sujeito
passivo o ônus da prova em contrário.
REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a
apurar fatos geradores não informados em LDC e em GFIP, mas, sim,
lançamento de ofício, nos termos previstos no inciso IV do art. 149 do CTN.
Na formalização de LDC, o sujeito passivo assume integral responsabilidade
pela correcção dos fatos geradores confessados, restando ressalvado o direito
do fisco de apurar eventuais omissões não incluídas no citado documento
declaratório, ainda que relativas ao mesmo período.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula
Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse
atingidos
pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela
fiscalização.
PERICIA. INDEFERIMENTO.
É facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias
que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.860
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conceder
provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago d’Avila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2003 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A não apresentação da escrituração contábil consubstancia-se motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta segundo o critério do Custo Unitário Básico, da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a apurar fatos geradores não informados em LDC e em GFIP, mas, sim, lançamento de ofício, nos termos previstos no inciso IV do art. 149 do CTN. Na formalização de LDC, o sujeito passivo assume integral responsabilidade pela correcção dos fatos geradores confessados, restando ressalvado o direito do fisco de apurar eventuais omissões não incluídas no citado documento declaratório, ainda que relativas ao mesmo período. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PERICIA. INDEFERIMENTO. É facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2003 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A não apresentação da escrituração contábil consubstanciase motivo justo, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta segundo o critério do Custo Unitário Básico, da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a apurar fatos geradores não informados em LDC e em GFIP, mas, sim, lançamento de ofício, nos termos previstos no inciso IV do art. 149 do CTN. Na formalização de LDC, o sujeito passivo assume integral responsabilidade pela correcção dos fatos geradores confessados, restando ressalvado o direito do fisco de apurar eventuais omissões não incluídas no citado documento declaratório, ainda que relativas ao mesmo período. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PERICIA. INDEFERIMENTO. É facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago d’Avila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 874 3 Relatório Período de apuração MPF : Março/1997 a Janeiro/2005. Período de apuração do débito: 01/07/1997 a 31/03/2003. Data da lavratura da NFLD : 28/03/2005. Data da Ciência da NFLD: 28/03/2005. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do Recorrente em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração da mão de obra de obra parcial de construção civil, denominada Residencial Imbassahy, matrícula CEI n° 20.024.07237/70, apurada por aferição indireta com base no Custo Unitário Básico – CUB, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/23 e anexos. Relata o auditor fiscal notificante que os salários de contribuição da obra em questão foram apurados utilizando os preceitos instituídos pela Instrução Normativa INSS/DC 100/2003, a qual especifica critérios para o enquadramento de obras de construção civil, utilizandose como parâmetros a destinação do imóvel, o número de quartos, o número de pavimentos e o padrão da obra, tendo como objetivo enquadrar a edificação no Custo Unitário Básico CUB, para obtenção por aferição da remuneração da mão de obra empregada na construção e, por consequência, a contribuição social devida decorrente desta remuneração. Destaca a autoridade lançadora que foram solicitados, mediante TIAD a fl. 14, diversos documentos, entre os quais, os livros contábeis relativos ao período 03/1997 a 01/2005, os quais deveriam estar disponibilizados a partir de 14/02/2005. Aduz que, no curso da ação fiscal, a empresa apresentou apenas os Livros Contábeis, Diário e Razão, relativos aos exercícios de 1997 e 1998, motivo que ensejou a lavratura, na mesma ação fiscal, do Auto de Infração nº 35.635.0231. Acrescenta que não foi, igualmente, disponibilizada pela empresa, a documentação completa para análise da remuneração envolvida na obra. Para o período com contabilidade (1997 a 1998), não foi apresentada a maior parte dos documentos de suporte dos lançamentos contábeis relativos à obra em questão. Da mesma forma para o período sem contabilidade (1999 a 2003), a empresa apresentou apenas alguns poucos documentos que não refletiam as atividades necessárias para o andamento da construção, registrando o auditor a ausência de documentos relativos à movimentação e utilização de diversos materiais e mão de obra que são de aplicação e consumo obrigatórios nas obras executada pela empresa, tais como execução das fundações, consumo de areia, ferro, brita, madeira, cimento, tijolos, aquisição de aberturas tais como portas, janelas, pisos, azulejos, louças, materiais hidráulicos e elétricos, bem como materiais de acabamentos diversos tais como elevadores, tintas, luminárias, ferragens, entre outros. Informa o auditor notificante que, da análise dos livros contábeis apresentados (1997 e 1998), constatouse que a remuneração relativa à obra em questão não foi Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 devidamente registrada em conta de classificação contábil 1.1.10.08.009. Cita que os valores relativos aos proventos dos empregados, bem como custos trabalhistas e previdenciários, tais como o FGTS e encargo patronal do INSS, não foram devidamente contabilizados nesta conta, no período 06/1997 a 07/1998. Os itens citados são parte do custo de construção e por consequência deveriam ter sido lançados junto com os demais itens que compõem esses custos, como materiais de construção, materiais de consumo, pagamentos de taxas de serviço, serviços de terceiros etc. Constatou ainda a autoridade fiscal que a contabilidade (Diário de 1998), passou a registrar estes valores somente a partir de 08/1998, fato que estaria a demonstrar que a contabilidade apresentada para o período 1997 a 1998 não se mostrava representativa da realidade e não refletiria a real remuneração dos empregados a serviço da empresa. A ausência de documentos de suporte da contabilidade, a falta de documentos relativos à obra, no período sem contabilidade, a ausência de registro de remuneração e encargos em títulos próprios da contabilidade para o período apresentado e a não apresentação da contabilidade para o período 1999 a 2004 motivou o agente fiscal a apurar os salários de contribuição da obra por aferição indireta, com fulcro nas disposições inscritas no art. 487 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003. Relata o auditor que foram considerados e deduzidos da aferição os salários de contribuição inclusos em parcelamentos efetuados anteriormente ao presente lançamento pela empresa junto ao INSS relativo a obra em questão, bem como os salários de contribuição que constam de Folha de Pagamento da empresa e da GFIP, não objeto de parcelamento espontâneo pela empresa e que constam da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.635.0193, lavrada na mesma ação fiscal, relativas a obra em questão, para o período 02/2000 a 13/2000 e 10/2001 a 03/2003. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 32/49. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fl. 775. Informação fiscal a fl. 777. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 785/789. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 782/802, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30 de dezembro de 2005, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 804. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 805/823, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 875 5 • Que a autoridade lançadora parece não ter levado em consideração os débitos já constituídos em desfavor do Recorrente, sob o mesmo fato gerador, eis que sequer mencionou os ditos débitos na presente NFLD. Aduz que o auditor fiscal deveria ter feito o confronto analítico entre o débito ora lançado e o crédito previdenciário já constituído mediante as LDC n° 35.802.9910 e NFLD n° 35.635.0193), sob pena de contaminar o crédito apurado por falta de liquidez, certeza e exigibilidade. • Que o indeferimento da perícia solicitada pela autoridade julgadora primária contamina a decisão de primeira instância, a qual deve ser declarada nula. • Que a presente NFLD referese ao mesmo fato gerador já apurado na NFLD n° 35.635.0193. Aduz que nesta NFLD as contribuições devidas foram apuradas diretamente enquanto naquela as contribuições foram apuradas indiretamente. Afirma que a utilização de dois critérios de apuração das contribuições devidas consiste de dupla exigência tributária. • Que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. • Decadência parcial das obrigações tributárias que integram o lançamento; • Inadmissibilidade da utilização da Taxa Selic, eis que não foi instituída por lei. Ao fim, requer que o presente recurso seja recebido e julgado procedente. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2005, sextafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na segundafeira seguinte, digase, 02/01/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 de janeiro de 2006, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 876 7 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 28 de março de 2005, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1999, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 1999, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Rogase atenção ao fato de que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício todo o processo. A declaração de caducidade acima aduzida apenas tem o condão de extirpar do lançamento tributário tão somente as parcelas atingidas pelo citado instituto de direito tributário uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento tributário. Dessarte, o crédito tributário relativo às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. 2.2. DO INDEFERIMENTO DE PERICIA O Recorrente focaliza ainda sua inconformidade no fato de não ser deferida a produção de prova pericial requerida na impugnação, fato que, ao seu sentir, contaminaria a decisão de primeira instância, a qual deveria ser declarada nula. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide ocorreram os fatos ora em apreciação, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Impende observar, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. Ocorre que, ao fixar as regras básicas para a impugnação administrativa, o citado decreto outorga à autoridade julgadora de primeira instância a faculdade de indeferir as perícias requeridas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, mesmo que sejam atendidos os requisitos essenciais previstos na norma positiva acima desfiada, é facultado à autoridade julgadora de primeira instância indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 877 9 Nesse contexto, conforme expressamente consignado no item 33 da Decisão ora desafiada, a fl. 800, o órgão julgador a quo entendeu ser prescindível a perícia requerida, não cabendo a este Colegiado sindicar os elementos de sua convicção. 3. DO MÉRITO Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, o exame do mérito se cingirá aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro de 1999, inclusive. Em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse processual, razão pela qual não serão mais objeto de deliberação. Cumpre assentar igualmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO ARBITRAMENTO. Alega o Recorrente que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. A rogativa acima postada não merece florescer. Muito embora corretas se mostrem as alegações desfiadas pelo Recorrente, os fatos apontados pela fiscalização em seu Relatório Fiscal a fls. 17/23 apontam exatamente no sentido da ocorrência real das situações excepcionais apontadas pelo contribuinte como autorizadoras da condução do levantamento da base de cálculo por arbitramento. Senão vejamos: Cita a Autoridade Lançadora, ipsis litteris: 5 Dos motivos da aferição indireta 5.1 A auditoria na construção civil é realizada com base na escrituração contábil da empresa e na documentação relativa à obra. Desta forma, foi solicitado pela fiscalização, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 02/02/2005, em anexo, diversos documentos, entre os quais, os livros contábeis relativos ao período 03/1997 a 01/2005, a saber o Livro Diário e o Livro Razão para exame. Os mesmos deveriam estar a disposição desta fiscalização a partir de 14/02/2005. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 Durante o curso da ação fiscal, a empresa apresentou apenas os Livros Contábeis, Diário e Razão, relativos aos exercícios de 1997 e 1998, motivo que ensejou a lavratura do Auto de Infração nº. 35.635.0231, nesta ação fiscal. 5.2 Não foi também disponibilizada pela empresa, para exame pela fiscalização, a documentação completa para analise da remuneração envolvida na obra. Para o período com contabilidade (1997 a 1998), não foram apresentados a maior parte dos documentos de suporte dos lançamentos contábeis relativos a obra em questão. Da mesma forma para o período sem contabilidade (1999 a 2003), a empresa apresentou apenas alguns poucos documentos que não refletem as atividades necessárias para o andamento da construção, onde notouse claramente a ausência de documentos relativos a movimentação e utilização de diversos materiais e mão de obra que são de aplicação e consumo obrigatórios nas obras executada pela empresa, tais como execução das fundações, consumo de areia, ferro, brita, madeira, cimento, tijolos, aquisição de aberturas tais como portas, janelas, pisos, azulejos, louças, materiais hidráulicos e elétricos, bem como materiais de acabamentos diversos tais como elevadores, tintas, luminárias, ferragens, entre outros. 5.3 Da análise dos livros contábeis apresentados (1997 e 1998), constatouse que a remuneração relativa à obra em questão não foi devidamente registrada em conta de estoques, classificação contábil 1.1.10.08.009. Os valores relativos aos proventos dos empregados, bem como custos trabalhistas e previdenciários tais como o FGTS e encargo patronal do INSS não foram devidamente contabilizados nesta conta, no período 06/1997 a 07/1998. Os itens citados são parte do custo de construção e por consequência deve ser lançado junto com os demais itens que compõem estes custos, como materiais de construção, materiais de consumo, pagamentos de taxas de serviço, serviços de terceiros etc. Constatouse que a contabilidade (Diário de 1998), passou a registrar estes valores somente a partir de 08/1998. Tal fato demonstra que a contabilidade apresentada para o período 1997 a 1998 não espelha a realidade e não reflete a real remuneração dos empregados a serviço da empresa. 5.4 Conforme demonstrado no item anterior, onde constatouse a ausência de documentos de suporte da contabilidade, a ausência de documentos relativos a obra, no período sem contabilidade, a ausência de registro de remuneração e encargos em títulos próprios da contabilidade para o período apresentado e a não apresentação da contabilidade para o período 1999 a 2004, foi necessário apurar os salários de contribuição da obra por aferição indireta, tendo em vista o que dispõe a Instrução Normativa 100, no Artigo 487: No plano infraconstitucional, a matéria relativa à apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual dispõe em seu art. 33 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 878 11 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Esmiuçando a matéria em realce, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, inserida no conceito de “Legislação Tributária” adotado pelo codex, conferiu o detalhamento dos procedimentos fiscais a serem conduzidos pela fiscalização, assim dispondo em seu art. 487, verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 486. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 433 e 435, e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Parágrafo único. Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos à obra, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Art. 487. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I – quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil; II – quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado no § 6º do art. 65; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV – quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse do INSS; (grifos nossos) V – quando os documentos ou informações de interesse do INSS forem apresentados de forma deficiente. (grifos nossos) §1º Nas situações previstas no caput , a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 441, 619 e 623, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II– pela aferição do valor da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; (grifos nossos) III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. §2° Na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma da Seção III do Capítulo X do Título II, em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. §3° Na contratação de empreitada total a partir de fevereiro de 1999, não tendo o contratante usado da faculdade da retenção prevista no art. 200, aplicarseá a responsabilidade solidária em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. O Caso em espécie invoca o tratamento arquitetado nos artigos 449 a 469 da já citada IN INSS/DC nº 100/2003, os quais, pela sua relevância para o deslinde da controvérsia, tomamos a liberdade de reproduzilos adiante: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 879 13 Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 449. Para a apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON). (grifos nossos) § 1º Custo Unitário Básico (CUB) é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica n° 12.721, de 1993, e a Emenda n° 1, de 1999, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. § 2° Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da apresentação da DISO, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. § 3° Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; II na competência da emissão das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nestes documentos; III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. § 4° Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo SINDUSCON: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II – da unidade da Federação onde se situa a obra; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da Chefia de Divisão/Serviço de Receita Previdenciária da GerênciaExecutiva circunscricionante da obra. § 5° Para obras executadas fora da circunscrição da Gerência Executiva do estabelecimento centralizador da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo SINDUSCON ao qual o município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do § 4º deste artigo. Subseção II Do Enquadramento Art. 450. O enquadramento da obra de construção civil, em se tratando de edificação, será realizado de ofício, pelo INSS, de acordo com a destinação do imóvel, a área privativa, o número de pavimentos, o número de quartos da unidade autônoma, o Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 padrão e o tipo da obra, e tem por finalidade encontrar o CUB aplicável à obra e definir o procedimento de cálculo a ser adotado. §1° O enquadramento será único por projeto, ressalvado o disposto no § 3° do art. 451 e no § 3º deste artigo. §2° O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. §3º No caso de fracionamento do projeto conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 30, o enquadramento deverá ser efetuado em relação a cada bloco, a cada casa geminada ou a cada unidade residencial que tenha matrícula própria. Art. 451. O enquadramento da obra levará em conta as seguintes tabelas: I TABELA RESIDENCIAL, para os imóveis que se destinam a: a) residência unifamiliar; b) edifício residencial; c) hotel, motel, SPA e hospital. II TABELA COMERCIAL ANDARES LIVRES, para os imóveis que se destinam a: a) teatro, cinema, danceteria ou casa de espetáculos; b) supermercado ou hipermercado; c) templo religioso; d) prédio de garagens; e) posto de gasolina, com ou sem escritório, e com instalações para lanchonete, restaurante, loja de conveniência, serviço de lava rápido, serviço de alinhamento e balanceamento de rodas, entre outras; f) demais salas comerciais ou lojas com área livre acima de cem metros quadrados, sem paredes divisórias de alvenaria. III TABELA COMERCIAL SALAS E LOJAS, para os imóveis que se destinam a: a) escritório ou consultório; b) shopping Center; c) lanchonete ou restaurante; d) dependências de clube recreativo; e) escola; f) demais salas comerciais ou lojas com área livre até cem metros quadrados, sem paredes divisórias de alvenaria. IV TABELA DE GALPÃO INDUSTRIAL, para os imóveis que se destinam a: a) indústria; b) oficina mecânica; c) posto de gasolina, com ou sem escritório, e sem nenhuma das instalações especificadas na alínea "e" do inciso II; d) pavilhão para feiras, eventos ou exposições; e) depósito fechado; f) telheiro; g) silo, tanque ou reservatório; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 880 15 h) barracão; i) hangar; j) ginásio de esportes e estádio de futebol; l) estacionamento térreo; m) estábulo. V TABELA DE CASA POPULAR, para os imóveis que se destinam a: a) casa popular, definida no inciso XXV do art. 427; b) conjunto habitacional popular, definido no inciso XXVI do art. 427. §1° Quando no mesmo projeto constarem áreas com as características das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, efetuarseá o enquadramento conforme a área preponderante, sendo que, se houver coincidência de áreas, a tabela residencial prevalecerá sobre a tabela comercial salas e lojas, que, por sua vez, prevalecerá sobre a tabela comercial andares livres. §2° No caso de projeto que contenha unidades residenciais e área comercial, quando a área das unidades residenciais for coincidente ou preponderante, efetuarseá o enquadramento da obra como edifício residencial, sendo que o enquadramento subsequente nas tabelas 2Q ou 3Q será efetuado em função do número de quartos da parte residencial. §3° Havendo no mesmo projeto construções com as características mencionadas nas tabelas previstas nos incisos I, II ou III do caput e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V do caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos, na respectiva tabela, sendo que as obras referidas nas tabelas dos incisos IV ou V do caput serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, observado o disposto no § 1º deste artigo. §4º A obra que envolva acréscimo de área que tenha destinação distinta da construção já existente e regularizada, será enquadrada conforme a destinação do acréscimo constante no projeto, observandose o disposto no art. 475. . §5° O enquadramento de obra não prevista nas tabelas dos incisos I a V do caput deverá ser feito com aquela que mais se aproxime de suas características, seja pela destinação do imóvel ou por sua semelhança com as construções constantes do rol das mencionadas tabelas. §6º Se o SINDUSCON da localidade da obra não divulgar as tabelas do CUB para edificação comercial, casa popular ou para galpão industrial, deverá ser observado o disposto nos incisos II ou III do § 4º do art. 449. Art. 452. O enquadramento conforme o número de pavimentos da edificação será efetuado de acordo com as seguintes faixas: I H1, para obra com apenas um pavimento; II H4, para obra com dois a quatro pavimentos; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 III H8, para obra com cinco a oito pavimentos; IV H12, para obra com nove a doze pavimentos; V H16, para obra com treze a dezesseis pavimentos; VI H20, para obra com mais de dezesseis pavimentos. §1° Inexistindo os valores do CUB para H16 ou H20, serão utilizados os valores para H12. §2° Caso não sejam publicados os valores do CUB para H1, serão utilizados os valores da faixa imediatamente superior. §3º No caso de edificações classificadas como mistas, que tenham áreas residenciais e comerciais, o enquadramento quanto ao número de pavimentos efetuarseá da seguinte forma: I quando edificadas em um mesmo bloco, será o resultante da soma dos pavimentos de toda a obra. II quando edificadas em blocos distintos: a) prevalecendo uma das tabelas do art. 451, o número de pavimentos será o da edificação comercial ou residencial, conforme seja a prevalência; b) no caso de coincidência de áreas, o número de pavimentos corresponderá ao da edificação de maior número de pavimentos. Art. 453. O enquadramento conforme a quantidade de quartos da unidade autônoma do edifício residencial, excluído o quarto de empregada, será efetuado da seguinte forma: I 2Q, para edifício residencial composto de unidades com um ou dois quartos; II 3Q, para edifício residencial composto de unidades com três ou mais quartos. §1° Havendo no mesmo edifício apartamentos com dois e três quartos, o enquadramento será o correspondente ao de maior número de unidades, enquadrandose em 2Q quando houver coincidência, excluída a unidade do zelador e os boxes ou garagens. §2° A edificação classificada como residência unifamiliar, na Tabela Residencial prevista no inciso I do art. 451, será enquadrada na forma do caput deste artigo e a edificação destinada a hotel, motel, SPA ou hospital será enquadrada como 3Q. Art. 454. O enquadramento no padrão da construção será efetuado em função da área média, definida no inciso XVII do art. 427, da seguinte forma: I no caso de edificações enquadradas na tabela residencial e na tabela comercial salas e lojas: a) padrão baixo, para área média com até cem metros quadrados; b) padrão normal, para área média com mais de cem metros quadrados e até duzentos e cinquenta metros quadrados; c) padrão alto, para área média com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados. II no caso de edificações enquadradas na tabela comercial andares livres: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 881 17 a) padrão baixo, para área média de até cem metros quadrados; b) padrão normal, para área média com mais de cem metros quadrados e até quinhentos metros quadrados; c) padrão alto, para área média acima de quinhentos metros quadrados. §1° O enquadramento, previsto neste artigo, será efetuado de ofício pelo INSS unicamente em função da área média, independentemente do material utilizado. §2° O enquadramento de hotel, motel, SPA e hospital nos padrões alto, normal e baixo sujeitase à regra geral prevista no caput, sendo que na determinação da área média, considerarse á o número de unidades igual a um, ou seja, a área média será igual à própria área construída. §3° Para enquadramento de hotel, motel, SPA e hospital nos padrões alto, normal ou baixo, considerase a área média igual à própria área construída, observandose, quanto ao número de pavimentos, o enquadramento previsto no art. 452. §4° No caso de edificações que tenham áreas residenciais e comerciais, o enquadramento no padrão baixo, normal ou alto efetuarseá da seguinte forma: I prevalecendo uma das tabelas do art. 451, o enquadramento observará a área média residencial ou comercial, conforme seja a prevalência; II no caso de coincidência das áreas, adotarseá a área média do enquadramento mais vantajoso ao sujeito passivo. §5º Prevalecendo, no enquadramento previsto no § 4º deste artigo, a Tabela Residencial, o enquadramento subsequente nas tabelas 2Q ou 3Q será efetuado em função do número de quartos das unidades que compõem a parte residencial, excluídos a unidade do zelador e os boxes ou garagens. §6° O edifício de garagens será sempre considerado de padrão baixo, independentemente da área média. Art. 455. Quanto ao tipo, as edificações serão enquadradas da seguinte forma: I tipo onze, alvenaria; II tipo doze, madeira ou mista, se ocorrer uma ou mais das seguintes circunstâncias: a) pelo menos cinquenta por cento das paredes externas forem de madeira ou de metal; b) a estrutura for de metal; c) a estrutura for préfabricada ou prémoldada. §1° A classificação no tipo doze levará em conta unicamente o material das paredes externas ou da estrutura, independentemente do utilizado na cobertura, no alicerce, no piso ou na repartição interna. §2° Se o projeto e o memorial aprovados pelo órgão municipal não permitirem identificar qual material foi utilizado na estrutura ou nas paredes externas, a classificação será feita no tipo onze. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 §3° Para classificação no tipo doze, deverão ser apresentadas as notas fiscais de aquisição da madeira, da estrutura de metal ou da estrutura préfabricada ou prémoldada, ou outro documento que comprove ser a obra de madeira ou mista. §4° A utilização de lajes prémoldadas ou préfabricadas não será considerada para efeito do enquadramento no tipo doze. §5° Toda obra que não se enquadrar no tipo doze será necessariamente enquadrada no tipo onze, mesmo que empregue significativamente outro material que não alvenaria, como por exemplo: plástico, vidro, isopor, fibra de vidro, policarbonato e outros materiais sintéticos. Subseção III Do Cálculo da Remuneração da Mão de Obra e das Contribuições Devidas Art. 456. O Custo Global da Obra (CGO) será calculado pelo sistema informatizado do INSS, a partir do enquadramento da obra conforme procedimentos descritos nos arts. 450 a 455, mediante a multiplicação do CUB correspondente ao tipo da obra pela sua área total, submetida, quando for o caso, à aplicação de redutores, conforme previsto no art. 463. Art. 457. Para apuração da Remuneração da Mão de obra Total (RMT) despendida na obra, o sistema informatizado do INSS fará o escalonamento previsto na tabela abaixo, aplicando os percentuais tabelados sobre o produto obtido mediante a multiplicação do CUB correspondente ao tipo da obra pela área construída, na proporção do escalonamento, e somando os resultados obtidos: Faixas de área para cálculo Tipo 11 (alvenaria) Tipo 12 (madeira/mista) Nos primeiros 100 m2 4% 2% Acima de 100 m2 e até 200 m2 8% 5% Acima de 200 m2 e até 300 m2 14% 11% Acima de 300 m2 20% 15% Parágrafo único. No caso de conjunto habitacional popular definido no inciso XXVI do art. 427, utilizarseá, independentemente da área construída: I para obra em alvenaria (Tipo 11), o percentual de doze por cento; II para obra madeira ou mista (Tipo 12), o percentual de sete por cento. Art. 458. Havendo mais de uma edificação no mesmo projeto, aplicarseá o escalonamento da tabela prevista no art. 457 uma única vez para a área total do projeto, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 463, e não por Fl. 18DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 882 19 edificação isoladamente, independentemente do padrão da unidade, ressalvado o disposto no § 3º do art. 450. Art. 459. Havendo recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a este recolhimento será convertida em área regularizada pelo sistema informatizado do INSS, que dividirá o valor desta remuneração pela Remuneração da Mão de obra Total (RMT), definida no art. 457, calculada a partir do CUB vigente na competência do recolhimento efetuado, e multiplicará o quociente assim obtido pela área total da obra, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 463. Art. 460. A remuneração relativa à mão de obra própria, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas correspondentes contribuições foram recolhidas com vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 459, considerandose: I até dezembro de 1998, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra, com o endereço da obra e o nome do responsável; II a partir de janeiro de 1999, a remuneração constante em GFIP específica para a matrícula CEI, com comprovante de entrega, desde que comprovado o recolhimento das contribuições correspondentes; III a remuneração correspondente às contribuições recolhidas mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra, não sendo exigida a comprovação de apresentação de GFIP, quando se tratar de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física. Parágrafo único. Revogado Art. 461. A remuneração relativa à mão de obra terceirizada, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 459, considerandose: I até janeiro de 1999, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do prestador, com o endereço da obra, e que traga, no campo "observações", a identificação da matrícula CEI e o número da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços; II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP específica identificada com a matrícula CEI no campo "inscrição tomador CNPJ/CEI", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas Fl. 19DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 20 notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP específica para a obra, cujo comprovante de entrega tenha sido emitido pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira. c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto na alíneas “a” e “b” deste inciso, observado o disposto no § 2º. III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP específica para a obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. §1º Nas obras de pessoa física, poderão ser aproveitadas as remunerações de empresas contratadas, da seguinte forma: I – no caso de cooperativa de trabalho, a resultante da divisão da contribuição dos segurados cooperados que trabalharam na obra por zero vírgula trezentos e sessenta e oito, tomandose como base: a) de janeiro de 1999 a março de 2003, as contribuições individuais correspondentes a vinte por cento do saláriode contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pelos segurados cooperados, desde que estes tenham sido informados na GFIP específica para a obra emitida pela cooperativa; b) a partir de abril de 2003, as contribuições individuais descontadas dos segurados cooperados correspondentes a vinte por cento do saláriodecontribuição de cada um, efetivamente recolhidas pela cooperativa, desde que estes segurados tenham sido informados na GFIP específica para a obra emitida pela cooperativa. II – no caso de empreiteira ou subempreiteira, a remuneração declarada em GFIP específica para a obra, desde que comprovado o recolhimento integral das contribuições constantes dessa GFIP. §2º Para fins do previsto na alínea “c” do inciso II do caput, o valor da retenção será dividido por zero vírgula trezentos e sessenta e oito para apuração do valor correspondente à remuneração que será convertida em área pelos parâmetros definidos neste Título. §3º A remuneração relativa a período decadencial não poderá ser aproveitada para fins da dedução prevista neste artigo. Art. 462. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contido em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; II obtida com o resultado da divisão do valor da contribuição recolhida pelo contratante, incidente sobre o valor pago a Fl. 20DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 883 21 cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços esteja vinculado inequivocamente à obra, por zero vírgula trezentos e sessenta e oito; III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Parágrafo único. O disposto no inciso III do caput não se aplica à argamassa em pó adquirida para preparo na obra. Art. 463. Será aplicado redutor de cinquenta por cento para áreas cobertas e de setenta e cinco por cento para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da edificação, definida no inciso XVIII do art. 427, nas obras listadas a seguir: I quintal; II playground; III quadra esportiva ou poliesportiva; IV garagem e pilotis; V quiosque; VI área destinada à churrasqueira; VII jardim; VIII piscina préfabricada de fibra; IX telheiro; X estacionamento térreo; XI terraço sem paredes externas e divisórias internas; XII varanda; XIII área coberta junto às bombas e área descoberta destinada à circulação ou ao estacionamento de veículos nos postos de gasolina. § 1° Compete exclusivamente ao INSS a aplicação de percentuais de redução e a verificação das áreas reais de construção, as quais serão apuradas com base nas informações prestadas na DISO, confrontadas com as áreas discriminadas no projeto arquitetônico aprovado pelo órgão municipal. § 2° A redução será aplicada também às obras que envolvam acréscimo de área já regularizada. § 3° Não havendo discriminação das áreas passíveis de redução, no projeto arquitetônico, o cálculo será efetuado pela área total, sem utilização de redutores. § 4° Jardins, quintais e playgrounds sobre terreno natural não são considerados área construída e não deverão ser incluídos no cálculo da remuneração. § 5° A redução prevista neste artigo servirá apenas para o cálculo da remuneração por aferição, devendo constar na CND para fins de averbação a área total da edificação indicada no habitese, certidão da prefeitura municipal, planta ou projeto aprovados, termo de recebimento da obra, quando contratada Fl. 21DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 22 com a Administração Pública, ou em outro documento oficial expedido por órgão competente e não a área reduzida. Art. 464. A conversão, em área regularizada, da remuneração correspondente às contribuições vinculadas à obra, observará a legislação vigente na competência do recolhimento. Parágrafo único. Para conversão em metros quadrados da remuneração correspondente aos recolhimentos efetuados no período anterior à vigência da Instrução Normativa INSS/DC n° 69, de 10 de maio de 2002, no caso de obra de responsabilidade de pessoa jurídica, deverão ser aplicadas as regras estabelecidas na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 161, de 22 maio de 1997. Art. 465. A área regularizada, apurada de acordo com os arts. 460 a 462, será deduzida da área construída e, havendo diferença de área a regularizar, esta será dividida pela área total, submetida, quando for o caso, à aplicação de redutores, previstos no art. 463, e multiplicada pela RMT, definida no art. 457, calculada com base no CUB vigente na data do cálculo, obtendose, assim, a remuneração relativa a área a regularizar em relação a qual serão exigidas as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a outras entidades e fundos. Parágrafo único. Constatada a inexistência de recolhimento de contribuições relativas a remuneração despendida na execução da obra, a remuneração será obtida pela multiplicação da área construída pelo valor do CUB vigente na data do cálculo, aplicandose os percentuais especificados no art. 457. Art. 466. Para apuração das contribuições sociais devidas, serão aplicadas sobre a remuneração obtida na forma do art. 465 as alíquotas definidas para a empresa, utilizandose a alíquota mínima de oito por cento para a contribuição dos segurados empregados, sem limite, desconsiderandose qualquer redução relativa à incidência de CPMF. Art. 467. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados não vinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP específica para a obra. Art. 468. A remuneração da mão de obra relacionada aos serviços constantes no Anexo XV, que não integram o CUB, ainda que tenha ocorrido a retenção, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mão de obra com base no CUB. Art. 469. Quando a nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviços forem emitidos na competência seguinte à da prestação dos serviços, será considerada na regularização da obra, a remuneração contida na GFIP correspondente à competência da efetiva prestação de serviços, desde que haja vinculação inequívoca entre as informações prestadas na GFIP e o faturamento dos serviços. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 884 23 Da análise das normas insculpidas na legislação suso transcrita, avaliadas em conjunto com as razões aduzidas pelo auditor fiscal, constatase estarem presentes os requisitos legais autorizadores da apuração da base de cálculo das contribuições sociais em realce, mediante cálculo da mão de obra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, não logrando produzir o Recorrente, no finalismo do seu ônus legal, prova em sentido contrário capaz de ilidir o Salário de Contribuição apurado na forma prevista na legislação previdenciária. 3.2. DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO Pondera ainda o Recorrente que a presente NFLD referese ao mesmo fato gerador já apurado na NFLD n° 35.635.0193 e que, nesta, as contribuições devidas foram coletadas diretamente enquanto que, naquela, as contribuições foram apuradas indiretamente. Afirma que a utilização de dois critérios de apuração das contribuições devidas consiste de dupla exigência tributária. O apelo do Recorrente não procede. De plano compete esclarecer que o caso vertente não configura hipótese de revisão do lançamento que deu origem à NFLD nº 35.635.0193, como acredita o Recorrente, mas, sim, lançamento de ofício com fundamento no inciso IV do art. 149 do CTN c.c. art. 32, IV da Lei nº 8.212/91 e art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em razão da omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias nas GFIP correspondentes. Código Tributário Nacional CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) §2º A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do Fl. 23DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 24 crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Não se mostra despiciendo destacar que, a contar da competência 01/1999, a empresa é obrigada a declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias em que ela figura como parte na relação tributária. Conforme já salientado anteriormente, é prerrogativa dos Auditores Fiscais do Fisco Federal o exame da contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados. A apuração da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deve ser realizada com base na escrituração contábil da empresa e na documentação relativa à obra ou aos serviços de construção civil realizados, como assim determina o art. 486 da IN INSS/DC nº 100/2003. Ocorre que, apesar de formalmente intimada a tanto, a empresa não apresentou a escrituração contábil referente aos exercícios de 1999 a 2004, omissão essa que motivou a apuração do Salário de Contribuição da obra em destaque mediante aferição indireta, mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, como assim autorizam os §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas enunciadas no art. 33 da Lei nº 8.212/91 não conflitam com as disposições encartadas no art. 487 da IN INSS/DC nº 100/2003, as quais determinam que a base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil seja aferida indiretamente, quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado na legislação, conforme se configura o caso aqui vertido. De outro eito, não se pode igualmente olvidar que, nos termos do §7º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, o crédito tributário de titularidade da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, auto de infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 885 25 Nessa perspectiva, os fatos geradores declarados em GFIP, por já constituírem um instrumento legal de confissão de dívida, e, nessa condição, meio hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele representado, por questões meramente administrativas, visando à agilização na realização financeira do crédito tributário em prol da Fazenda Pública, foram levantados em apartado, através da NFLD nº 35.635.0193. Diante desse quadro, sendo o montante global das contribuições devidas no período fiscalizado apurado mediante aferição indireta, conforme determinação legal, é mister que, desse montante, seja subtraído aquele lançado mediante a NFLD nº 35.635.0193, como assim procedeu, corretamente, a fiscalização. O procedimento assim conduzido pela Autoridade Lançadora não configura qualquer irregularidade. Ao contrário, encontra previsão expressa na legislação tributária, conforme se depreende das disposições inscritas nos artigos 457 e 462 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003. Conforme detalhadamente demonstrado, a aritmética operada pelo auditor do fisco previdenciário não representa, ao contrário do que aponta a matemática que inspira o Recorrente, qualquer duplicidade de exigência tributária, mas, sim, uma única, rateada, no entanto, em duas partes complementares. 3.3. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Argumenta o Recorrente que a autoridade lançadora parece não ter levado em consideração os débitos já constituídos em seu desfavor, incidentes sob o mesmo fato gerador, eis que sequer mencionou os ditos débitos na presente NFLD. Aduz que o auditor fiscal deveria ter feito o confronto analítico entre o débito ora lançado e o crédito previdenciário já constituído mediante as LDC n° 35.802.9910 e NFLD n° 35.635.0193, sob pena de contaminar o crédito apurado por falta de liquidez, certeza e exigibilidade. O clamor acima alardeado não merece ouvidos. Conforme já exaustivamente iluminado, a não apresentação da escrituração contábil consubstanciouse motivo justo, suficiente e determinante para a apuração da base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica por aferição indireta, a qual foi levada a efeito segundo o critério talhado na legislação tributária vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Tivesse a empresa adimplido eficazmente as obrigações tributárias a ela impostas pela lei, a sindicância do Salário de Contribuição ora em tela teria sido realizada com base na contabilidade e nas GFIP do Recorrente, situação tal que dispensaria a execução de toda a miríade de operações atinentes à aferição indireta a que se viu obrigada a Autoridade Lançadora no cumprimento do seu dever de ofício. Nesse panorama, a conduta infracional perpetrada pelo Recorrente culminou por frustrar os objetivos da lei e, como consequência, prejudicou a atuação ágil e eficiente dos Fl. 25DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 26 agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Para não permitir que tórpidos venham a se valer da própria torpeza, mediante a intercalação artificial de embaraços e percalços no curso regular dos procedimentos fiscais, a lei, de forma expressa, promoveu a inversão do ônus probante nas situações em que o iter procedimental da fiscalização tenha que ser desviado por culpa ou dolo do sujeito passivo. É exatamente o que ocorre no caso da apuração da base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas hipóteses em que o agente do fisco tenha que se valer do expediente da aferição indireta para apurar a matéria tributável, em razão de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou de sua apresentação deficiente; de falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, ou, ainda, nos casos em que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, dentre outras. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente Fl. 26DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 886 27 pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Nessas situações, os agentes do fisco, adotando critérios próprios pautados na legislação ou na razoabilidade, tem que proceder à aferição indireta do montante devido, recaindo sobre os ombros do obrigado omisso, não a obrigação, mas, sim, o ônus da prova em contrário. No caso presente, promovida a apuração indireta com a utilização do critério de aferição fixado legislativamente, vem aos autos o Recorrente alegar que “... não parece ter levado em consideração os demais débitos já constituídos em desfavor da Impugnante sob o mesmo fato gerador, por não ter sequer Mencionado ditos débitos em sua NFLD. Por conta disso, o fiscal deveria ter feito o confronto analítico entre o débito lançado e o crédito previdenciário já constituído (LCD n° 35.802.9910 e NFLD n° 35.635.0193), sob pena de contaminar o crédito apurado por falta de liquidez, certeza e exigibilidade”. Ora, promovida a aferição indireta em razão da omissão do sujeito passivo, cabe a este o ônus da prova em contrário, e não ao fisco. A Autoridade Lançadora, amparada pela presunção de veracidade e legitimidade dos atos administrativos, como assim se qualifica o lançamento tributário, assevera de forma expressa, tanto no Relatório Fiscal a fls. 17/23, quanto na Informação Fiscal a fl. 777, haverem sido considerados na apuração no vertente crédito tributário não somente o crédito tributário constituído mediante a NFLD nº 35.635.0193, como, também, aquele decorrente do parcelamento atrelado à LDC 35.802.9910. Apresentou, ainda, o fisco, em seu Relatório Fiscal e anexos, como elemento de suas alegações, as demais notificações produzidas no curso da fiscalização, a memória de cálculo da aferição indireta, a relação dos Salários de Contribuição em cada competência para conversão em área regularizada e consequente dedução da aferição bem como os documentos fiscais de origem, assim como o correspondente Aviso de Regularização de Obra. O Recorrente teve a oportunidade, em diversas vezes, de contradizer os números apurados pelo fisco, na realização do ônus que lhe foi imposto pela lei. Assim não o fez, limitandose a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir o lançamento tributário em exame. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 28 3.4. DA TAXA SELIC. Pondera em defesa o Recorrente ser inaplicável a taxa SELIC como juros moratórios sobre débitos tributários, eis que não foi instituída por lei formal. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o detentor do capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação do percentual da taxa de juros (este flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual a taxa de juros que será utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Tal requisito, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 28DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 887 29 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 29DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 30 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13971.002423/200711 Acórdão n.º 230200.860 S2C3T2 Fl. 888 31 Atentese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos todos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos na competência novembro de 1999 e nas competências anteriores a esta, bem como aqueles referentes ao 13º salário desse mesmo ano. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 31DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 11060.000794/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Como o auditor fiscal foi
legitimado para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há nulidade por falta de prorrogação do MPF que é mero instrumento de controle da Administração.
DECADÊNCIA. Aplica-se o artigo 173, inciso I, do CTN quando a
autoridade não toma conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte (omissão completa) ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL INSS ANO-CALENDÁRIO
DE 2004 No Sistema Integrado de Pagamento de Impostos
e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social INSS é a receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3º da Lei nº 9317/1996.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ANO-CALENDÁRIO: 2005, 2006 Quando
não houver escrituração regular do Diário e Razão que permita a
apuração do lucro real, tem-se o arbitramento do lucro.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação
de declaração inexata por três anos-calendários seguidos, autorizam o agravamento da multa.
Numero da decisão: 1202-000.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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DECADÊNCIA. Aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN quando a autoridade não toma conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte (omissão completa) ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL INSS ANO CALENDÁRIO DE 2004 No Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social INSS é a receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3º da Lei nº 9317/1996. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ANOCALENDÁRIO: 2005, 2006 Quando não houver escrituração regular do Diário e Razão que permita a apuração do lucro real, temse o arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata por três anoscalendários seguidos, autorizam o agravamento da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 2 Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse os autos de Recurso Voluntário apresentado pela empresa NERI FERREIRA LOPES ME em razão da sua exclusão do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, consoante Ato Declaratório Executivo AD ExtraSIVEX N 005/2009, datado de 30 de março de 2009 (fls. 45), com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2005. O lançamento foi feito com base no montante excedente de receitas auferidas, com fundamento nos artigos 9º, I; 14, I, e 15, IV e § 3º da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e artigos 20, I, 23, I, e 24,VI, da Instrução Normativa do SRF n° 608/2006. A empresa foi cientificada dessa exclusão em 17 de abril de 2009 (AR fls 46). No lançamento, para o anocalendário de 2004, procedeuse ao recálculo dos montantes devidos na sistemática do SIMPLES adicionandose as receitas que não foram declaradas, resultando em exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, contribuição ao PIS e COFINS). Para os anos calendários de 2005 e 2006, foi calculado o IRPJ e reflexos com base no lucro arbitrado. Foram acrescidos também (i) o valor de multa de 150% (art. 44, inc. I, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996) uma vez que a empresa omitiu receitas de sua atividade de forma sistemática nos anos calendário de 2004 a 2006, caracterizandose, assim, a sonegação, como definido no artigo 71 da Lei n°4.502, de 1964; e (ii) os juros calculados com base na taxa SELIC. A empresa foi cientificada do lançamento em 26 de junho de 2009, apresentando sua Impugnação tempestivamente. RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO ( fls. 574/578) A exclusão da sistemática do SIMPLES e a lavratura dos autos de infração devese, em síntese, aos seguintes fatos: na revisão das declarações de rendimentos da pessoa física do contribuinte Neri Ferreira Lopes, CPF 300.750.17091, verificouse, no cruzamento com a declarações de informações econômicofiscais (DIPJ) de Tanac S.A. CNPJ 91.359.711/000102, que foram pagos rendimentos ao autuado como remetente de insumos/mercadorias (fls. 492/504). intimado a apresentar os documentos relativos às receitas declaradas, o contribuinte apresentou 57 talões de notas fiscais de produtor e vários outros documentos (contratos, planilhas, de fls. 103/189), onde se constatou a omissão de rendimentos, para sua comprovação, foi feita circularização junto à sociedade Tanac S. A. com a solicitação de documentos comprobatórios de aquisição de produtos rurais (fls. 50/55); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 2 3 a Tanac S. A. apresentou os documentos solicitados (de fls. 56/96 e 240/430); da análise desses documentos (contratos de compra e venda — fls.124/146) ficou claro que o contribuinte adquire matos de acácia de terceiros e os revende, mantendo atividade que o equipara à pessoa jurídica (arts. 150, 541 e 542, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). o total comercializado com a Tanac S/A foi de R$ 1.106.881,13, no ano calendário de 2004; R$ 1.539.585,65, no anocalendário de 2005, e R$ 1.122.261,08, no ano calendário de 2006; em consulta ao Sistema CNPJ da Receita Federal (fls. 505/507), constatou se que o contribuinte é responsável pela Firma Individual Neri Ferreira Lopes ME — CNPJ 93.153.955/000160, CNAE 0210107 —extração de Madeira em Florestas Plantadas, com início das atividades em 3/11/1989. Nesse momento, iniciouse a fiscalização de Neri Ferreira Lopes ME, cujo sócio administrador é Neri Ferreira Lopes. Constatouse também que é também sócio administrador da sociedade Neri Ferreira Lopes & Cia Ltda. — CNPJ 04.766.455/000110 (fl. 508); o contribuinte, na condição de microempresa, optou pelo Simples e submeteu à tal sistemática as seguintes receitas brutas: R$ 39.540,02, R$ 55.198,30 e R$50.787,93 nos anoscalendário de 2004 a 2006 (DIPJ fls. 509/562). Em razão da equiparação da atividade da pessoa física à pessoa jurídica, os valores comercializados com a sociedade Tanac S. A. também foram adicionados à receita bruta da firma individual; somandose os valores omitidos aos valores declarados, constatase que a firma individual Neri Ferreira Lopes ME auferiu, nos anoscalendários de 2004 e 2005, receita bruta superior aos limites de R$120.000,00 para microempresa, estabelecidos no art. 2°, inc. I, da Lei n°9.317, de 1996, e superior ao limite de R$ 240.000,00 no anocalendário de 2006, previsto no mesmo artigo com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, relativamente ao anocalendário de 2006; como a receita bruta excedia o limite estipulado para as microempresas foi formalizada a exclusão da sistemática do Simples com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2005, conforme Ato Declaratório Executivo já citado; a empresa, assim, foi intimada a apresentar a escrituração contábil dos anos calendário de 2005 e 2006 (fls. 431/32), elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, o que não foi atendido, portanto, ficou configurada a hipótese de arbitramento do lucro prevista no artigo 47, III, da Lei n° 8.981, de 1995; os lançamentos foram efetuados com base nas informações dos adquirentes das mercadorias que enviaram as planilhas e comprovantes das transações (fls. 240/230), pois as informações prestadas pelo contribuinte foram precárias e as diferenças não foram devidamente justificadas (intimações fls. 200/232 e 448/470); os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES (fls. 488/491) foram descontados dos valores apurados com base no lucro arbitrado. IMPUGNAÇÃO Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 4 A impugnante alega o seguinte: nulidade do Auto de Infração pela decadência, em relação aos fatos geradores referentes aos meses de janeiro a junho de 2004, uma vez que recebeu a notificação dos autos de infração em 10 de julho de 2009, após transcorridos 5 anos, consoante previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. CTN; nulidade do Auto de Infração pela extrapolação do prazo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, segundo os artigos 12 e 13 da Portaria RFB n° 4.066, de 2007; no cálculo do lucro arbitrado não foram desconsiderados todos os custos de beneficiamento da madeira e de transporte; não cabe o lucro arbitrado pois apresentou os contratos de compra de florestas nos anoscalendários de 2004 a 2006, demonstrando todos os pagamentos efetuados; para a regularização da contabilidade, na intimação, não ficou claro que deveria apresentar o desmembramento das contas de forma diária com o objetivo de identificar o lucro líquido pelo lucro real. a contabilidade foi dada como imprestável por ser resumida e mensal, sem que fossem apontadas deficiências e situações que não permitiram visualizar o lucro líquido pelo método do lucro real; o Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como a doutrina, tem entendido que não cabe o arbitramento do lucro em face da apresentação dos talonários fiscais, os quais permitem facilmente identificar a sua movimentação financeira; foi dado apenas o prazo de cinco dias para apresentar a escrituração de acordo com o disposto na legislação, ou seja, com lançamentos individualizados e diários. Tal prazo não se apresenta razoável frente à jurisprudência que é no sentido de que o arbitramento é medida extrema, por isso o prazo para a regularização deve ser razoável e suficiente para o seu atendimento; a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social — INSS — é a folha de pagamento dos funcionários e prólabore da direção, conforme determina o artigo 22 da Lei n° 8.212, de 1991, sendo completamente equivocada a atuação do fisco em efetuar a autuação com base no faturamento da pessoa jurídica, devendo ser cancelado, por isso, o auto de infração correspondente; o agravamento da multa de ofício é indevida, uma vez que os valores apurados pelo fisco foram em sua grande totalidade obtidos dos talonários de produtor rural apresentados pela empresa. Não houve a comprovação do dolo ou fraude para justificar a multa qualificada. A apresentação de declaração inexata, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da referida multa, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; a transmissão de dados à Receita Federal sempre foi feita pelo contador contratado, que tinha plenamente o comando do exercício de sua profissão, logo, não era supervisionado pela empresa; a autoridade lançadora viu somente o que lhe interessava, fazendo vistas grossas em relação às despesas. As despesas com a compra de acácia comprovamse Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 3 5 perfeitamente com contratos de compra e venda apresentados ao fisco e totalizam R$ 810.000,00, em 2004; R$ 786.800,00, em 2005, e R$ 163.000,00, em 2006. A apresentação desses contratos afasta qualquer hipótese de arbitramento do lucro; ao final requer: a) o reconhecimento da nulidade dos autos de infração; b) a decretação da decadência em relação aos meses de janeiro a junho de 2004; c) a improcedência dos lançamentos por não ser cabível o arbitramento do lucro; d) a improcedência do lançamento pela impossibilidade de escriturar os livro contábeis dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 em um prazo de 5 dias; e) caso não forem aceitas as razões anteriores, que se julgue improcedente o lançamento do INSS, uma vez que a base de cálculo utilizada foi o faturamento da empresa; e, f) seja reduzida a multa de ofício para 75%. A DRJ, em seu Acórdão nº 1811.298, não acolheu as preliminares e julgou procedente o lançamento, conforme segue: em relação ao Ato de Exclusão do SIMPLES: como a empresa foi cientificada em 17 de abril de 2009, e apresentou manifestação de inconformidade em 26 de junho de 2009,(AR fls 694), portanto fora do prazo estipulado pelo artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972, Nessas circunstâncias, não foi instaurada a fase litigiosa do processo e acarreta a preclusão processual, o que impede o julgador de conhecer as razões da defesa. Assim sendo, não reconhece a manifestação de inconformidade. Acrescentou que, na discussão do tópico seguinte, ficaria claro o motivo da a exclusão do SIMPLES. em relação ao Auto de Infração: as preliminares de decadência: Entende que se aplica o artigo 173, I, do CTN, pois o procedimento adotado pelo contribuinte de não declarar a maior parte de suas receitas, nos anoscalendários de 2004 a 2006, configura o claro propósito de não pagar os tributos devidos e retardar o conhecimento pela autoridade tributária, portanto, o dolo. Ainda, configurase sonegação o fato da omissão da receita ser exercida de forma contínua. Como no mês de janeiro, o fato gerador ocorreu em 31/1/2004, sendo o recolhimento em 11/2/2004, o prazo decadencial se inicia em 1º de janeiro de 2005 e termina em 31 de dezembro de 2009. as preliminares: de nulidade do Auto de Infração: a) Não vislumbra nenhum motivo para nulidade dos Autos de Infração, segundo o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN ou artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, pois: foram lavrados dentro do procedimento administrativo de fiscalização pela autoridade administrativa competente; foi identificado sujeito passivo, fato gerador; foi determinada matéria tributável e o montante do tributo foi calculado, suas penalidades e as disposições legais infringidas; a empresa foi devidamente cientificada do Auto de Infração e do pagamento ou exigência de impugnação em 30 dias.F Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 6 Não ocorreram as hipóteses do artigo 59 do mesmo Decreto, relacionados à incompetência do agente e ao cerceamento de defesa; b) Extrapolação do prazo para a conclusão dos trabalhos: O descumprimento dos prazos previstos nos artigos 12 e 13 da Portaria RFB nº 4066/2007 não afeta a validade do Auto, tendo em vista que a Portaria é mero controle interno do planejamento das atividades e da execução dos procedimentos fiscais, o que não afasta o disposto no artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972. No mérito: Do agravamento da multa de ofício: Esclarecido que a empresa incorreu em prática de sonegação fiscal, aplicase o agravamento da multa. Do arbitramento do lucro: Com a exclusão do SIMPLES, fica a empresa sujeita à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas (artigo 16 da Lei º 9317/1996). Pela qualidade das informações que tinha, a autoridade lançadora optou corretamente pelo lucro arbitrado. Em relação ao arbitramento do lucro, a recorrente alega que não foram consideradas as despesas e custos de R$786.800,00 e R$163.000,00, todavia, a autoridade lançadora considerou R$1.441.684,69 e R$1.060.436,31 (receita bruta de R$1.594.783,95 e R$ 1.173.049,01 x 90,4%) e apenas os valores de R$153.099,26 e R$112.612,70 como valor tributável pelo percentual de arbitramento do lucro de 9,60%. Da sistemática do SIMPLES e da base de cálculo da contribuição para a Seguridade Social – INSS: constam nos Autos, o cálculo da contribuição para o INSS somente para o anocalendário de 2004. Na sistemática do SIMPLES, a base de cálculo é a receita bruta e, não, a folha de pagamento e prólabore. Nos termos do artigo 3º da Lei nº 9317/1996, a opção pelo SIMPLES implica em pagamento unificado de IRPJ, contribuição ao PIS, COFINS, IPI e das contribuições para a Seguridade Social (Lei Complementar nº 84/1996; artigos 22 e 22A da Lei nº 8212/1991; artigo 25 da Lei nº 8870/1994) Para os anoscalendários de 2005 e 2006, como a exclusão ocorreu a partir da 1º de janeiro de 2005, a contribuição ao INSS fica sujeita ao artigo 22 da Lei nº 8212/1991. Cientificada em 9 de outubro de 2009, apresentou recurso tempestivo em 9 de novembro do mesmo ano, reiterando os argumentos apresentados em sua Impugnação, com exceção às preliminares de nulidade do Auto de Infração É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso é tempestivo e cumpre quesitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 4 7 Tratamse os Autos de exigência de tributos com base na sistemática do SIMPLES, para o anocalendário de 2004 (incluindo a contribuição ao INSS) e, para os anos calendários de 2005 e 2006, de exigência do IRPJ e seus reflexos (CSLL, na contribuição ao PIS, e na COFINS), sobre lucro arbitrado devido à constatação de não tributação de receitas auferidas, através de circularização com os adquirentes de seus produtos. A exigência dos tributos foi acrescida de multa de 150% e juros calculados com base na taxa SELIC. Importante esclarecer que, para o anocalendário de 2004, a autoridade lançadora procedeu ao cálculo dos tributos com base na sistemática do SIMPLES acrescendo as receitas não declaradas aos valores constantes na declaração apresentada. Para os anos calendários de 2005 e 2006, a autoridade efetuou o cálculo pelo regime de lucro arbitrado, utilizando percentual de 9,60% sobre o total da receita bruta declarada e não declarada. Preliminar de decadência Em preliminar, a recorrente requer que o lançamento referente ao ano calendário de 2004 seja considerado nulo porque o Auto de Infração foi cientificado em 10 de julho de 2008, portanto, já havia decaído o direito de lançar. De forma contrária, a DRJ entendeu que se aplica o disposto no artigo 173, I, do CTN, uma vez que a recorrente não declarou a maior parte de suas receitas, reiteradamente, durante os anoscalendários de 2004 a 2006, portanto, configurouse o dolo. Desse modo, concluiu a DRJ que o prazo se inicia em 1º de janeiro de 2005 e termina em 31 de dezembro de 2009, como a seguir fica demonstrado: Competência Fato Gerador Decadência Data Final de constituição do Crédito Tributário Janeiro/2004 31/1/2004 31/1/2009 10/7/2004 Fevereiro/2004 29/2/2004 27/2/2009 10/7/2004 Março/2004 31/3/2004 30/3/2004 10/7/2004 Abril/204 30/4/2004 29/4/2004 10/7/2004 Maio/2004 31/5/2004 30/5/2004 10/7/2004 Junho/2004 30/6/2004 29/6/2004 10/7/2004 Segundo o referido artigo, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 8 Quando fica constatada a fraude, dolo ou simulação, o dies a quo do prazo se desloca do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). A constatação da sonegação e intuito de fraude se deu no momento em que a contribuinte agiu, reiteradamente, de forma a ocultar ou se fazer desconhecer o fato gerador, e a autoridade, de fato, não poderia ter tomado conhecimento da atividade exercida pela contribuinte (omissão completa). Desse modo, concordo com a contagem a partir de 1º de janeiro de 2005 e término em 31 de dezembro de 2009. O auto de infração foi lavrado em 10 de julho de 2009, referente a receitas de vendas dos seus produtos que não foram registradas em contas de resultado durante o ano calendário de 2004. À luz do artigo 173, I, do CTN, a autoridade administrativa, ao deflagrar o procedimento de fiscalização, efetivamente analisou o que o sujeito passivo fez para apurar a base de cálculo do IRPJ e seus reflexos e constatou o intuito de fraude, dolo, sonegação, portanto o prazo de contagem se inicia em 1º da janeiro de 2005 e termina em dezembro de 2009, portanto, não conheço da decadência do IRPJ e reflexos, conforme Súmula do Supremo Tribunal Federal nº 8. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência e mantenho o Auto de Infração lavrado. Extrapolação do prazo para conclusão dos trabalhos Alega a recorrente que, como a fiscalização teve início em 26 de fevereiro de 2008, através do MPF 1010300.2008.00103.1, seu prazo para concluir os trabalhos se expirou em 26 de junho de 2008, isto é, 120 dias após seu início. Em 23 de junho de 2009, a autoridade lançadora encerrou o procedimento fiscal sob n°. 10103002009000659 momento em que lavrou o Auto de Infração contestado nesta impugnação. Não houve ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil prorrogando o prazo fiscalizatório, por mais 60 dias, conforme determina a Portaria RFB n°4.066/2007, nos artigos 12 e 13, que é o prazo máximo para cada prorrogação. Os artigos 12 e 13 da Portaria RFB n°. 4.066/2007, dispõem que: “Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência.” O artigo 15 da mesma Portaria diz sobre a extinção do Mandado de Procedimentos Fiscal o seguinte: “Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 5 9 O termo de encerramento se deu em 23 de junho de 2009 com a lavratura do auto de infração, do MPF iniciado em 26/02/2008, o fiscal dá por encerrada a ação fiscal com a ciência do auto de infração. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência e objetiva informar o sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado é apto e foi selecionado para executar a ação fiscal. Questões relacionadas à prorrogação do MPF, não invalidam os trabalhos desenvolvidos pela fiscalização, tendo em vista que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e se foi verificada situação descrita em lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Como o auditor fiscal foi legitimado para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há nulidade por falta de prorrogação do MPF que é mero instrumento de controle da Administração. Em relação ao assunto, temos os seguintes Acórdãos: 10249346/2008, 105 16397/2007, 10615155/2005, 20214692/2003, 20214693/2003, 20309129/2003, 203 09768/2004, e 30334941/2007. Assim, rejeito também esta preliminar. Mérito No mérito, questiona o Lucro Arbitrado, sua apuração e cálculo. O arbitramento do lucro se deu com base no artigo 47, II, da Lei nº 8981/1995, transcrito no artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 RIR/99, in verbis: "Art. 47 O Lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: ..... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único;” A recorrente alega que a fiscalização não lhe deu tempo para refazer sua contabilidade. Tal afirmação não prospera, uma vez que o Termo de Intimação Inicial é datado de 26 de fevereiro de 2008 e o procedimento de fiscalização se findou em 23 de junho de 2009. Em fevereiro de 2009, a recorrente foi intimada a explicar as diferenças entre as receitas de vendas a determinado cliente em confronto com a planilha fornecida pelo mesmo cliente. Em 7 de abril de 2009, a recorrente responde, pedindo desculpas pela demora, e explica que na planilha fornecida pelo cliente havia números de Notas Fiscais iguais e valores diferentes e pede que seja verificado. A fiscalização procedeu a análise da planilha, após, foram reenviadas à recorrente que respondeu em 19 de maio de 2009 dizendo, em resumo, que não conhece das Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 10 Notas Fiscais que não constam de lista que enviou à fiscalização em resposta à intimação. Em 23 de junho de 2009, encerrouse a fiscalização. Pelos fatos narrados, é descabida a alegação da recorrente e à fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar o lucro da empresa. O arbitramento, como visto, não foi opção, mas a única alternativa possível de apuração do lucro dada a falta de documentos e da escrituração nos termos do artigo 47 supra transcrito. Quanto à não consideração dos custos incorridos, a fiscalização seguiu os ditames do artigo 531 do RIR/99. O lucro arbitrado foi apurado com base no lucro presumido, utilizandose o percentual de 9,60%, correspondente à atividade da empresa. A contabilidade não foi considerada para a apuração do lucro real porque as informações eram muito precárias e muito diferentes em comparação com as receitas obtidas com os clientes. Também aqui não tem razão a recorrente. Constatado que houve ocultação das receitas auferidas com determinados clientes, cabia à autoridade fiscal recompor a base de cálculo. Base de cálculo da Contribuição para Seguridade Social é a folha de pagamento dos funcionários e não o faturamento da empresa A recorrente alega que a Contribuição para a Seguridade Social — INSS — foi lançada equivocadamente tomandose como base o seu faturamento, o que implicaria no cancelamento do auto de infração. Conforme os Autos, só foi feito lançamento da referida contribuição em relação ao anocalendário de 2004, tendo em vista que a apuração foi feita com base na sistemática do SIMPLES. Nessa sistemática, a base de cálculo da referida contribuição é a receita bruta e não a folha de pagamento dos funcionários e o prólabore dos diretores, como alega a recorrente. Nos termos do artigo 3° da Lei n° 9.317, de 1996, a opção pela sistemática do SIMPLES, implica no pagamento unificado do IRPJ; da Contribuição para o PIS/PASEP; CSLL; (d) COFINS; (e) IPI e (f) da Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar n 2 84,de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei n2 8.870, de 15 de abril de 1994. O valor devido, determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta dos percentuais previstos no artigo 5° da referida Lei n° 9.317, de 1996, correspondente aos tributos acima enumerados, e são rateado na forma do disposto no artigo 23 dessa mesma Lei. Assim, deve ser mantido o lançamento referente à contribuição ao INSS para o anocalendário de 2004. Multa agravada por infração qualificada – 150% A recorrente não concorda com a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, argumentando que a declaração inexata não enseja qualificação para multa. Cita várias decisões do Conselho do Contribuintes nesse sentido, Acórdãos 101 94189/2003, 10321835/2005 e 10706369/2001. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11060.000794/200960 Acórdão n.º 120200.517 S1C2T2 Fl. 6 11 A recorrente também não explicou as diferenças entre suas receitas de vendas e as apontadas pelos adquirentes de seu produtos, o que ensejou esse Auto e também a sua exclusão da sistemática do SIMPLES. A autoridade lançadora constatou que há receita não declarada, as quais foram incluídas no cálculo do lucro arbitrado para os anoscalendários de 2005 e 2006, e na apuração com base na sistemática do SIMPLES no ano de 2004. Consoante a Súmula nº 14 do CARF: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” É certo que temos decidido no sentido de que a simples existência de omissão de receitas não resulta em não termos multa qualificada automaticamente. Para a aplicação da multa qualificada é preciso que seja comprovado o evidente o intuito de fraude, justificando a exasperação da penalidade para 150%, o que não ficou evidenciado nesses autos. Para a qualificação da multa, é necessário que haja sonegação, fraude ou conluio, consoante o artigo 44, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, com a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Em face do exposto, a multa agravada deve ser mantida uma vez que houve a intenção de ocultar, tendo em vista que a empresa, reiteradamente, preencheu incorretamente as declarações enviadas à SRF durante todo os anoscalendários de 2004 a 2006. Desse modo, impediu que a fiscalização conhecesse os valores de receitas que foram adicionados no lançamento apenas. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e nego provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002424/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/03/2006
COMPENSAÇÃO FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que se aceite a compensação ou restituição, sobre os valores devidos à Previdência Social, de créditos oriundos de títulos da Dívida Externa Brasileira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Edgar Silva Vidal, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de pedido de compensação ou de pagamento de débitos junto ao INSS, utilizandose de créditos que a empresa acima identificada afirma possuir com a União, representados por cártulas. A Secretaria da Receita Previdenciária indeferiu o pleito, salientando que não há previsão legal que ampare a pretensão da requerente. Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou recurso alegando, em síntese, o que se segue. Esclarece que, tendo débito referente ao período de apuração de março de 2007, efetuou a compensação descriminada no requerimento administrativo de número 35464.002424/200711. Informa que é possuidora de títulos da Dívida Pública, que foram atualizados com base nos laudos paridade ouro, o que confere liquidez ao referido título e representa um crédito da autora contra a União de valor superior ao débito ora apontado. Entende que a decisão do Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária deve ser reformada, pois não analisou a permissão contida na Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97 e não se atentou para o fato de que, ao pagar juros no título antigo em 1965, a União abriu mão da prescrição e reconheceu a validade do título. Ressalta que os títulos da recorrente são da Dívida Externa Brasileira e não são reguladas pelas leis citadas no despacho de indeferimento e argumenta que a interpretação das leis leva ao entendimento de que é permitida a utilização dos Títulos da Dívida Pública para compensação de tributos. Discorre sobre a legislação e os conceitos de restituição e compensação, acrescentando que a impossibilidade de compensar apenas para o contribuinte fere o princípio da moralidade administrativa, posto que o portador de um título da vida pública deve pagar os tributos que incidam sobre suas atividades, enquanto o poder público lhe nega o direito de receber o que lhe é devido. Requer que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Em contrarazões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil manteve o indeferimento do pleito. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35464.002424/200711 Acórdão n.º 230101.861 S2C3T1 Fl. 7.8 3 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros, Relator A requerente solicita que sejam compensados créditos oriundos da Dívida Pública Federal com os valores devidos à Previdência Social. Contudo, vale esclarecer que a compensação requerida não encontra amparo legal. O Código Tributário Nacional – CTN, em seu art. 170, remeteu à lei a função de estipular as condições para que seja autorizada a compensação de créditos líquidos e certos, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário. De fato, a Lei 8.212/91, em seu art. 89, estipulou as condições em que poderá haver a compensação, ou seja: Art.89.Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido § 1ºAdmitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. §2ºSomente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido Assim, a compensação e restituição dos créditos atinentes aos Títulos da Dívida Pública que a recorrente afirma possuir não se encontram nas hipóteses previstas no art. 89 da Lei n.º 8.212/91. Ademais, o § 1º do art. 66 da Lei 8.383/91 assim determina: Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei). E, como no presente caso não houve recolhimento ou pagamento indevido de contribuições previdenciárias, não há que se falar em compensação ou restituição. Portanto, a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. E a lei 8.212/91 não autoriza a compensação requerida. E como o ato praticado pela administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a lei determina. E considerando que não é facultado ao administrador público eximirse de aplicar a lei, a autoridade administrativa, ao indeferir o pedido formulado pela recorrente, agiu em conformidade com os ditames legais, em obediência ao princípio da legalidade, e em observância ao contido no art. 2º da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. É oportuno trazer a lume o ensinamento do ilustre Wladimir Novaes Martinez que, ao comentar o art. 89 supra, assim se manifestou: “A compensação farseá por espécie de contribuição. Quem recolhe seguro acidentes do trabalho com taxa errada, a maior, deverá deduzir o excesso na própria contribuição destinada às prestações infortunística, e não na parte patronal da empresa. “ (MARTINEZ, Wladimir Novaes. Comentários à lei básica da previdência social – Tomo I: Plano de custeio. 4. ed. São Paulo: LTr, 2003, páginas 758/759) Assim, reiterase, a compensação requerida pela empresa não possue amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a amparála. A recorrente solicita que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Contudo, o processo administrativo fiscal ora sob análise se originou de um pedido de compensação e restituição, e não pela lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A recorrente deve requerer a suspensão da exigibilidade do crédito nos autos que discute o lançamento, e não no processo administrativo que discute o direito à compensação. Portanto, a pretensão da recorrente restou prejudicada. Nesse sentido, CONSIDERANDO que não existe previsão legal que ampare a pretensão da recorrente. CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35464.002424/200711 Acórdão n.º 230101.861 S2C3T1 Fl. 8.8 5 Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2011 Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Fl. 68DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11330.000852/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2003
Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO
FISCAL MOTIVADO.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria
recorrente, conforme relatório fiscal.
O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.094
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000852/200766 Acórdão n.º 230201.094 S2C3T2 Fl. 195 3 Relatório A presente NFLD referese às contribuições destinadas aos Terceiros, abrangendo as competências fevereiro a julho de 2003. Estão sendo cobradas as contribuições para as seguintes entidades: SESC(1,5%), SENAC(1,00%) e SEBRAE(0,6%), conforme relatório fiscal às fls. 14 e 15. Inconformada com a notificação, foi apresentada defesa pela autuada conforme fls. 27 a 42. Foi comandada diligência fiscal, fl. 122, para complementação do relatório fiscal. Houve elaboração de relatório aditivo, fl. 134. Reaberto o prazo para impugnação, a recorrente manifestouse às fls. 141 a 150. Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 165 a 172, manteve o lançamento em sua integralidade. Não concordando com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 178 a 190. Alega em síntese: a) São inconstitucionais as contribuições destinadas ao Sesc, Senac e Sebrae; b) As empresas prestadoras de serviços não são empresas comerciais; c) Há vício de motivação no lançamento, não foram explicitados os valores cobrados; d) Deve ser reconhecida a nulidade do lançamento. Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 191. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 14 a 15; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 07; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 05. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal: a sociedade empresária não recolheu a integralidade dos valores destinados aos Terceiros. A planilha à fl. 16 indica precisamente a origem das diferenças. Os recolhimentos efetuados pela autuada não foram suficientes para cobrir os valores devidos aos Terceiros nas competências fevereiro a julho de 2003. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Fl. 213DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000852/200766 Acórdão n.º 230201.094 S2C3T2 Fl. 196 5 Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte, ou somente de empresas comerciais. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas Fl. 214DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. As contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac podem ser exigidas de prestadoras de serviços, estando compatíveis com o ordenamento jurídico, conforme fls. 08 a 10. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 215DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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