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Numero do processo: 12898.000362/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
Constatado ter se operado a decadência, deve ela ser declarada
Numero da decisão: 1302-000.546
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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RECONHECIMENTO. Constatado ter se operado a decadência, deve ela ser declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 12898.000362/200979 Acórdão n.º 130200.546 S1C3T2 Fl. 619 2 Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela Defis/RJO em 26/03/2009: de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, de fls. 44/50, no valor de R$ 125.530,44; de Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de fls. 51/55, no valor de R$ 38.994,85; de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, de fls. 61/67, no valor de R$ 64.791,46; e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS de fl. 56/60, no valor de R$ 179.976,33, todos acrescidos da multa de ofício, no percentual majorado de 150% e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 76/96, decorre de arbitramento do lucro, nos trimestres do exercício de 2004, anocalendário de 2003, em vista da falta de apresentação pelo contribuinte, quando intimado, dos livros e documentos de sua escrituração (art. 530, inciso III do Regulamento para o Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) tendo como valor tributável a omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada (arts. 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996 e art.s 532 e 537 do RIR/1999) nas contas correntes de titularidade da interessada junto ao Unibanco S/A, números 1178547 e 8213099, da agência 515, conforme extratos bancários juntados às fls. 100/199 e relacionados de forma individualizada nas planilhas do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 77/94), totalizando R$ 5.999.211,53. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 27/04/2009, a impugnação de fls. 515/531, onde requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN), descreve a autuação, argüi a tempestividade, afirma estar impugnando a totalidade do auto de infração, e alega, em síntese: Que estaria decaído o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento objeto dos autos de infração, por força do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN, uma vez que os períodosbase autuados referemse ao ano de 2003, e o auto de infração somente foi lavrado em 26/03/2009, portanto, cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores, alertando para a inaplicabilidade do art. 45 as Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por força da Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, do Supremo Tribunal FederalSTF. Protesta que, analisando a planilha elaborada pela auditora fiscal, verificou as seguintes irregularidades que resultariam na exclusão nos créditos bancários glosados da importância de R$ 1.323.743,49: a) Devolução de cheques depositados – Afirma que, se computado tal valor, o mesmo se fará em duplicidade, pois já considerado o depósito inicial, e, mais ainda, por tratarse de estorno de crédito e não de novo depósito; b) Depósito Interagência – julga tratarse de débitos em conta e não de depósito, por configurarse em transferência entre contas; c) Resgate de Fundo – Protesta não se tratar de depósito, mas sim de regaste de aplicações financeiras; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 12898.000362/200979 Acórdão n.º 130200.546 S1C3T2 Fl. 620 3 d) Transferências Intercontas – Alega que os valores desta rubrica não podem ser considerados, por tratarse de transferência bancária entre agências bancárias, como o próprio nome indica; e) Depósito em dinheiro – Afirma que tais depósitos se originaram de numerários disponíveis em caixa, fato que pode se comprovado pelos inúmeros cheques emitidos e sacados diretamente ao caixa do banco, para suprimento de seu caixa. Protesta contra o agravamento da multa para o percentual de 150%, por não ter tentado “impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária de qualquer circunstância relacionada com os fatos em questão”, tendo apresentado toda a documentação e esclarecimentos solicitados. Justifica que foi impossível comprovar a origem de cada depósito, uma vez passados mais de cinco anos de sua ocorrência e por estar a empresa paralisada desde o início de 2004. Alega que a multa exigida é aplicada nos casos de “evidente intuito de fraude”, definido nos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/1964, transcrevendo o artigo 72, e evocando os princípios da tipicidade e da reserva legal, afirma que é responsabilidade do Fisco a apresentação e produção das provas de todos os fatos que ensejaram a exigência fiscal, de forma incontroversa, uma vez que o dolo e a culpa não se presumem. Protesta que não se pode afirmar o evidente intuito de fraude, uma vez que a autuação foi baseada, única e exclusivamente, em prova indireta de sua ocorrência, quando a Fiscalização teve à sua disposição todos os livros e documentos do sujeito passivo. Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes que afirmam a necessidade de prova inequívoca da infração, uma vez que o dolo e a culpa não se presumem, devendo ser devidamente provados. Requer que seja estendido aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento de IRPJ e encerra pedindo seja cancelada a exigência fiscal. A 5ª Turma da DRJ/RJOI, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, DAR PROVIMENTO EM PARTE À IMPUGNAÇÃO e MANTER EM PARTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO nos termos do relatório e voto que passaram a integrar o julgado, para manter devidos: a) O Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, ajustado para o valor de R$ 1.758,75; b) a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, ajustada para o valor de R$ 793,88; c) a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ajustada para o valor de R$ 1.319,06; d) a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ajustada para o valor de R$ 3.664,06; e) a Multa de ofício mantida no percentual majorado de 150% sobre os tributos e contribuições exigidos e demais acréscimos moratórios conforme legislação vigente. O acórdão segue assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM REGIDA PELO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 12898.000362/200979 Acórdão n.º 130200.546 S1C3T2 Fl. 621 4 Por força da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN, no caso da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública proceder ao lançamento somente se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art.173 do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada, não havendo que ser excluídos da glosa os créditos bancários cuja procedência se mantenha sem a devida justificativa e comprovação. MULTA QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Cabe a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando configurada sonegação e fraude na atitude da interessada de falta de apresentação de DCTFs e entrega de DIPJ sem qualquer movimento nos períodos em que se constata, pela sua movimentação bancária, o pleno exercícios de suas atividades. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 CSLL, COFINS E PIS. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem. O presidente da turma recorreu de ofício ao Carf/MF, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, tendo o auto de infração sido lavrado em 26/03/2009, já estaria decaído, desde 01 de janeiro de 2009, o direito da Fazenda Pública efetuar os lançamentos dos primeiro, segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2003, devendo ser mantido, portanto, somente os lançamentos referentes ao quarto trimestre de 2003, cujo direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento somente se extinguiria em 01 de janeiro de 2010. Tal entendimento se fez com base no art. 173, I, do CTN, em virtude da existência de dolo, fraude ou simulação e da ausência de pagamento. Por outro lado, foi excluído do lançamento relativo ao quarto trimestre o valor de R$ 2.782,54 referente à liquidação de aplicação em 01/10/2003 na conta corrente nº 821.3099, por se tratar de crédito cuja origem expressamente advém de resgate de aplicações Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 12898.000362/200979 Acórdão n.º 130200.546 S1C3T2 Fl. 622 5 financeiras, estando, a mesma, portanto, devidamente comprovada por sua essência, nos próprios extratos bancários que serviram à autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, e portanto, dele conheço. Decadência – períodos de apuração trimestrais – aplicação do art. 173, I A contagem do prazo decadencial foi realizada com base no art. 173, I, do CTN devido à existência de dolo, fraude ou simulação, bem como pela ausência de pagamento. O auto de infração foi lavrado em 26/03/2009. Dada a ultrapassagem do dies ad quem fixado por meio da contagem determinada no art. 173, I, do CTN, o acórdão recorrido reconheceu a decadência do direito de lançar relativo aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, com seus reflexos para os demais tributos lançados. Observada a norma legal aplicável, bem como a correta contagem dos prazos, concordo com a decisão tomada pelo acórdão recorrido. Resgate de aplicação financeira Por outro lado, o acórdão recorrido também exonerou a parcela de R$ 2.782,54 referente à liquidação de aplicação em 01/10/2003 na conta corrente nº 821.3099, por se tratar de crédito cuja origem expressamente advém de resgate de aplicações financeiras. Com efeito, se o valor se encontrava aplicado, o crédito levado a efeito pelo resgate da aplicação financeira possui justificação quanto a origem, posto que já pertencia ao patrimônio da autuada, não representando acréscimo de riqueza nova, sendo, também neste caso, correta a exoneração. Isto posto, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 12898.000362/200979 Acórdão n.º 130200.546 S1C3T2 Fl. 623 6 Sala das Sessões, 31 de março de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 35478.001518/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/2005
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN.
No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria
recorrente, conforme relatório fiscal.
O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.948
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 296 1 295 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35478.001518/200632 Recurso nº 247.537 Voluntário Acórdão nº 230200.948 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria Remuneração de Segurados. Recorrente TEXTIL JUDITH SA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35478.001518/200632 Acórdão n.º 230200.948 S2C3T2 Fl. 297 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelos segurados empregados, bem como a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros. Parte dos valores foram declarados em GFIP, outra parte não constou nas declarações. Também estão sendo cobradas contribuições referentes à glosa de compensação. O período do lançamento abrange as competências julho de 1997 a agosto de 2005, conforme relatório fiscal às fls. 169 a 173. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 188 a 197. Foi comandada diligência fiscal, fl. 224, para verificação da regularidade da compensação realizada pelo sujeito passivo. A fiscalização tributária prestou informações às fls. 232 e 233. Reaberto o prazo para manifestação, a autuada aditou os termos da defesa, na forma das fls. 237 a 239. Foi exarada a DecisãoNotificação, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 247 a 255. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 258 a 266. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • A NFLD não é clara nem precisa; devendo ser anulada; • O relatório dificulta a compreensão do lançamento; • Parte do crédito já se encontra prescrito; • A compensação foi realizada de acordo com a decisão judicial; • Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 295. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (homologação tácita). Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas, conforme relatório fiscal (DAD); mesmo porque o lançamento referese a glosa de compensação, e falta de pagamento integral das contribuições lançadas. Desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35478.001518/200632 Acórdão n.º 230200.948 S2C3T2 Fl. 298 5 Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. Conforme comprovante à fl. 01, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 22 de dezembro de 2005. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 169 a 173; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 54 a 106; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 42. Parte dos valores foram apurados na GFIP, que são registros elaborados pela própria recorrente. Ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD atendeu todos os requisitos exigidos na Instrução Normativa n 3 de 2005. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 169 a 173: a empresa remunerou segurados (empregados e contribuintes individuais), confessou os valores em GFIP e não recolheu integralmente os valores declarados. Para algumas competências, a empresa remunerou segurados, mas não apresentou a GFIP correspondente. Além do mais, houve glosa do saláriofamília e glosa da compensação realizada pela recorrente. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos documentos elaborados pela própria recorrente. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Os valores exigidos referentes à glosa de compensação correspondem ao montante que excedeu a atualização conferida pela decisão judicial proferida nos autos do processo (97.06128611), conforme esclarecimentos prestados às fls. 232 e 233. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a compensação não foi realizada de acordo com os critérios estabelecidos na decisão judicial. Está demonstrado na planilha às fls. 230 e 231, que os valores recolhidos e compensados, atualizados até outubro de 1997, com base nos índices previstos no provimento n° 24, de 29 de abril de 1997, da Corregedoria Geral da Justiça Federal da 3 a Região, totalizavam R$467.271,32. A recorrente utilizando outros critérios encontrou um valor de R$ 602.052,44; portanto há um excesso indevido, o que legitima a glosa realizada pela fiscalização federal. Os índices de correção monetária e juros utilizados pelo Fisco encontrase descritos às fls. 225 a 229. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo a extinção parcial do crédito tributário pela homologação tácita (art. 150, parágrafo 4º do CTN). É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720058/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO. INSUMOS.
Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao
crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como
insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou
produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado. Recurso Voluntário Negado
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DE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Redator designado. (Assinado digitalmente) EDITADO EM: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02). O crédito é relativo ao 1º Trimestre de 2007, no valor total de R$ 57.654,69 (fls. 01/03). 2. A autoridade fiscal manifestouse (fls. 06/08) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter calculado crédito sobre valores de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 3. O Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul/RS, acatando as conclusões do Agente Fiscal (fls. 08), reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, mantendo a glosa dos valores relativos a créditos derivados de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 4. Promovidas as verificações necessárias e após constatado que a Recorrente não possuía débitos em aberto perante a Receita Federal, que autorizassem a compensação de oficio de quaisquer valores, a Recorrente, uma vez intimada, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 36/44). 5. A Recorrente rechaça o procedimento fiscal, por entender que os custos incorridos com o transporte de produtos – ainda que entre estabelecimentos da empresa – configurase etapa essencial da venda dos bens. Isto porque é necessário para que ocorra a exportação (venda) dos produtos, que os mesmos sejam transferidos dos estabelecimentos produtores para aqueles que se encontram mais perto dos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande – de onde são transportados para o exterior. No mesmo sentido, produtos oriundos de uma unidade produtora no interior do Estado são trazidos para a Matriz da empresa, de onde podem ser diretamente vendidos. Assim, por se tratar se custo essencial à atividade, as despesas de frete dos produtos entre estabelecimentos não poderiam ser desqualificadas como insumos da atividade, o que lhe garante o direito ao crédito de PIS, na sistemática não cumulativa, sobre tais dispêndios. 6. Alega, ainda, que é incorreta a pretensão fiscal de limitar o direito ao crédito dos contribuintes, pois a incidência do PIS se dá sobre a totalidade da receita da pessoa jurídica. Ou seja, se a incidência – na forma não cumulativa – se dá sobre o resultado integral da atividade econômica desenvolvida, então os créditos têm de ser garantidos sobre todos os custos desta atividade econômica, sob pena de não se cumprir a não cumulatividade estabelecida. Entende haver, portanto, ofensa ao princípio da isonomia, do não confisco e à própria não cumulatividade. 7. Apresenta a Recorrente uma série de decisões da Receita Federal que evidenciam que o assunto é controverso mesmo dentro do próprio órgão. Alega, ainda que decisões contrárias ao creditamento, ainda que baseadas na Solução de Divergência nº 11/07 não podem prosperar, por ofensa ao princípio da hierarquia das normas, visto que Soluções de Divergência não poderiam ferir as disposições legais (que não criaram qualquer restrição ao crédito ora sob análise). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 330201.068 S3C3T2 Fl. 2 3 8. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 59/60), que manteve o que foi definido no Despacho Decisório, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Segundo a DRJ os custos de frete de produtos entre estabelecimentos não estariam vinculados à operação de venda, bem como a autoridade fiscal estaria obrigada a observar as manifestações do órgão a respeito da impossibilidade do creditamento pretendido. 9. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 63/72), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. 10. Vieramme, então, os autos para decidir. 11. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa. No caso da Recorrente o transporte se deu, na maioria dos casos, entre estabelecimentos produtores e outros estabelecimentos que se encontravam mais perto dos portos através dos quais remete suas mercadorias para o exterior (exportação). Outra parte do frete contratado foi para remessa dos produtos de uma unidade produtora no interior do Estado para a matriz, onde são realizadas a maior parte das vendas. A Receita Federal tem se manifestado reiteradas vezes, em relação a uma série de custos de operações de contribuintes, contra o direito ao crédito, numa clara tendência restritiva. Tanto assim que as disposições contidas na Instrução Normativa nº 247/02 (texto alterado pela IN 358/03) – que trata justamente da apuração não cumulativa do PIS – estabelece que para fins da apuração do crédito a que o contribuinte tem direito, sobre os insumos utilizados na produção, o conceito de insumo é aquele trazido pela legislação do IPI. Vejamos: “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” (destaquei) Da leitura dos dispositivos concluise que a Receita Federal, ao regulamentar a não cumulatividade trazida pela Lei nº 10.637/02, pretendeu adotar os conceitos da legislação do IPI sem que, todavia, referida Lei assim determinasse. Vale recordar que desde o surgimento da não cumulatividade do PIS e da COFINS muito já se discutiu sobre sua natureza. A princípio discutiase se a não cumulatividade do PIS e da COFINS seguia o mesmo modelo – e, portanto, os mesmos princípios – da não cumulatividade do ICMS e do IPI. Após muitas discussões as decisões – tanto administrativas como judiciais – seguiram no sentido de reconhecer que a não cumulatividade das contribuições em tela é distinta daquela do ICMS e do IPI, especialmente porque a dos mencionados impostos segue regras próprias, estabelecidas na Constituição Federal. Evidencia tal distinção o fato de que a não cumulatividade do IPI e do ICMS tem por base, na apuração dos créditos, o valor do imposto que foi recolhido na etapa anterior da cadeia de produção ou venda. No caso da não cumulatividade do PIS e da COFINS, por outro lado, pouco importa o que foi pago na etapa anterior, bastando que o contribuinte esteja sujeito a uma saída tributada nos termos da não cumulatividade, para que tenha direito a creditarse de custos incorridos na atividade que gerou a receita tributada pelas contribuições. Portanto, os limites conceituais da não cumulatividade e/ou da apuração de IPI e ICMS não se aplicam à não cumulatividade do PIS e da COFINS, pois não há, na legislação destas contribuições, qualquer menção à esta aplicabilidade. Impera esclarecer que já externei meu posicionamento neste sentido, acompanhando o Ilustre Conselheiro Relator Walber Jose da Silva, por meio de declaração de voto, na oportunidade do julgamento do processo nº 10247.000001/200619, o qual foi decidido por maioria pela então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: “É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 330201.068 S3C3T2 Fl. 3 5 supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ........................................................................................ (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. ” Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em toda sua atividade. A este respeito também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao prolatar a decisão contrária a Recurso Especial do Procurador apresentado nos autos do Processo Administrativo nº 11065.101271/200647. Na ocasião, no bem lançado voto do ilustre relator Henrique Pinheiro Torres, a CSRF rechaçou a equiparação do conceito de “insumos” utilizado na legislação do PIS e da COFINS, àquele presente na legislação do IPI. In casu, a CSRF firmou posicionamento no sentido de total distinção de conceito de insumo para a legislação de IPI e para a legislação de PIS e Cofins. Vejamos: “A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 330201.068 S3C3T2 Fl. 4 7 aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” O crédito foi reconhecido, nesta decisão em particular, sobre dispêndios com serviços de remoção de resíduos industriais que, embora não possam ser considerados como aplicados diretamente no processo produtivo – nos termos adotados pela legislação do IPI – devem ser considerados como insumos na Lei nº 10.637/02. Superada esta primeira dificuldade, mister se faz analisar especificamente a despesa em discussão, qual seja, valor gasto com frete para o transporte dos produtos da Recorrente, com destino a outros estabelecimentos de sua titularidade – no mais das vezes visando mantêlos mais próximos dos portos de embarque de suas cargas com destino ao exterior (em operações de exportação), ou ainda, em estabelecimentos nos quais são realizadas as operações de vendas (internas – matriz) – entendo que não há como questionar a necessidade dos dispêndios em questão, para o desenvolvimento das atividades da empresa. O objeto social1 da empresa esclarece que a Recorrente é empresa exportadora e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. Sem dúvida são despesas necessárias à atividade da Recorrente, atividade esta que gera a receita tributável pelo PIS não cumulativo. Logo, entendo que tais despesas são insumos essenciais ao desenvolvimento das atividades da Recorrente, ainda que pós produção, razão pela qual geram direito ao crédito de PIS não cumulativo. Neste sentido, com acerto a interpretação da Recorrente. Uma vez que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, é necessário reconhecer o direito do contribuinte à concessão do crédito, com base no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.637/02. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS pleiteado pela Recorrente, objeto deste processo. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas 1 Art. 4°. A Sociedade tem por objeto social a indústria e o comércio de madeiras e seus similares, no mercado interno externo, bem como o florestamento, o reflorestamento e agroindústria, podendo, ainda, participar do capital de outras sociedades. Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Consoante bem destacado pela i. Relatora “a controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa”, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte. Em que pese o excelente argumento do voto acima, discordo do entendimento da eminente Relatora, pelas razões que passo a expor. A propósito, vejamos o que reza(va) a Lei nº 10.637/02 quanto aos créditos que podem ser descontados, ressalvando que os grifos não constam do original: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Alterado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Redação do inciso I dada pela Lei nº 10.865/04) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Alterado pela Lei nº 11.787, de 25 de Setembro de 2008) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação original da Lei 10.637) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684/03) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865/04) III (VETADO) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684/03) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720058/200817 Acórdão n.º 330201.068 S3C3T2 Fl. 5 9 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865/04) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196/05) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684/03) (Revogado pela Lei nº 11.488/07) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.. (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Dito isso, cabe verificar se o dispêndio em questão está contemplado pelo dispositivo legal acima transcrito. Pelo o que defluise do voto da ilustre Relatora, o gasto em apreço se enquadraria no inciso II do retro citado artigo, sob o fundamento de que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, visto que uma de suas atividades é a exportação e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. No entanto, data maxima venia, discordo desse entendimento sobretudo porque aquele dispositivo contempla apenas os serviços utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete em apreço é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 28/11/2011 p or FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000404/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.943
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez
sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 57 a 77) apresentado em 26 de março de 20100 contra o Acórdão no 1624.039, de 21 de janeiro de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 45 a 55), cientificado em 02 de março de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de Cofins do terceiro trimestre de 2005, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da não cumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3 , I, da lei nº 10.833/2003. Em razão disso, não se aplica a esses produtos — notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente — o art. 17 da lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000404/200949 Acórdão n.º 330200.943 S3C3T2 Fl. 0 3 compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos de Cofins apurados no 3o trimestre de 2005. 5. Em despacho decisório de 26/05/2009 (fls. 6/8), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pleito, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 13/33, cujo teor resumo a seguir. 5.1) Observa inicialmente que, com o advento da lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições. 5.2) Afirma que a lei nº 10.865/2004, ao alterar a lei nº 10.485/2002 — com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações. 5.3) Depreende daí que as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 16). 5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. 5.5) Alega que a Fazenda Pública, ao indeferir o pedido de ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 do inconformismo que traz o recorrente a esta Delegacia de Julgamento” (fl. 17). 5.6) Passando a discorrer sobre o princípio da não cumulatividade, reafirma que o entendimento da DIORT a impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 20). 5.7) Invocando o art. 195 da Constituição Federal e alegando que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, assevera que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero. Acrescenta que tal vedação — sobre ser ilegal e inconstitucional — constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. 5.8) Afirmando que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática, declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fl. 29). 5.9) Assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a Delegacia de Arrecadação de São Paulo respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendolhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado. 5.10) Discorrendo ligeiramente acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência” (fl. 31), uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero. 5.11) Acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033/2004, não se aplica, excepcionalmente, à revenda de veículos e peças, o chefe da DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 32). 5.12) Rematando o arrazoado, requer que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000404/200949 Acórdão n.º 330200.943 S3C3T2 Fl. 0 5 ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 33). No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. 1. Violação à não cumulatividade Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000404/200949 Acórdão n.º 330200.943 S3C3T2 Fl. 0 7 Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000404/200949 Acórdão n.º 330200.943 S3C3T2 Fl. 0 9 descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000404/200949 Acórdão n.º 330200.943 S3C3T2 Fl. 0 11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000404/200949 Acórdão n.º 330200.943 S3C3T2 Fl. 0 13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 35564.004444/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/1995
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2301-001.905
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Centro / SP, que julgou procedente o lançamento, por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 022 a 023, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos por aferição indireta, devido è recorrente não ter apresentado a documentação para a elisão da responsabilidade solidária, determinada pela legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e em seus demais anexos.. Em 30/06/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 061 a 0116, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento, fls 0174 a 0181. Ponto a ressaltar na decisão é a afirmação de que o lançamento foi lavrado em substituição a outro lançamento, fls. 0175. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0187 a 0228, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP emitiu contrarazões, fls. 0265 a 0266, onde, em síntese, mantém a decisão proferida, enviando o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Quarta Câmara de Julgamento do CRPS (CAJ) analisou o processo e converteu o julgamento em diligência, fls. 0267 a 0270. A fiscalização respondeu à CAJ, sem dar ciência à recorrente, como determinou a CAJ, fls. 0271. Os autos foram enviados ao Conselho, fls 0276. A Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF, analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a partir das fls. 0277, para que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35564.004444/200617 Acórdão n.º 230101.905 S2C3T1 Fl. 322 3 1. A Fiscalização emita Parecer Conclusivo sobre a existência, ou não, de lançamento original, a data do julgado que anulou o lançamento original e que anexe a decisão que anulou o lançamento original, caso ele exista; e 2. Seja dada ciência da decisão da CAJ pela conversão em diligência, da resposta da Fiscalização, desta decisão e do Parecer da Fiscalização, citado no item 1, a fim de que a recorrente apresente, caso deseje, argumentos complementares sobre as informações, em prazo de quinze dias de sua ciência. O Fisco emitiu Parecer, informando, em síntese, que o lançamento original foi lavrado em 26/06/2003, fls.0285. A recorrente foi cientificada e afirma, em síntese, que o lançamento está decadente, a partir das fls. 0313. Os autos retornaram ao CARF, para análise e Decisão. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35564.004444/200617 Acórdão n.º 230101.905 S2C3T1 Fl. 323 5 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Destarte, como no lançamento original, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 06/2003, fls. 0285, e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 01/1995 a 08/1995 todas as contribuições apuradas devem ser excluídas do presente lançamento. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada. CONCLUSÃO Pelos motivos expostos, conheço do recurso e doulhe provimento, nos termos do voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Marcelo Oliveira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12965.000682/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.086
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-04T11:42:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-04T11:42:37Z; Last-Modified: 2011-08-04T11:42:37Z; dcterms:modified: 2011-08-04T11:42:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2b278b21-0214-4500-8ff6-07970f6c7d94; Last-Save-Date: 2011-08-04T11:42:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-04T11:42:37Z; meta:save-date: 2011-08-04T11:42:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-04T11:42:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-04T11:42:37Z; created: 2011-08-04T11:42:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-08-04T11:42:37Z; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-04T11:42:37Z | Conteúdo => Gio anni Christian / Rubens auricio - R ator EDITADO EM: 2 7/21), 1 S2-C1T2 Fl. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12965.000682/2007-16 Recurso n° 514.622 Voluntário Acórdão n° 2102 -01.086 — la Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria IRRF Recorrente JOAQUIM MAGALHÃES DA FONSECA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutklpresentes autos. ) Acordam os e -nbros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausêiia de litígio, nos termos do voto do RelafOr. Paiticipararn da s ssão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Nébia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Ausente, justificadamente, a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. : Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 15/16 da instância a quo, in verbis: Para Joaquim Magalhães da Fonseca, já qualificado nos autos, foi lavrada a Notificação de Lançamento, As fls. 03 a 05, exigindo R$ 3.450,70 de imposto de renda suplementar, R$ 2.588,02 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 1.139,76 de juros de mora (calculados até 31/07/2007). Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2005 (fls. 07 a 09), pois, conforme a Descrição dos Fatos, A. fl. 05 (verso e anverso), em razão dos documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da Receita Federal, apurou-se omissão de rendimentos recebidos a titulo de resgate de Contribuições A Previdência Privada (Rail Vida e Previdência S/A — R$ 1.063,55) e omissão de rendimentos do trabalho (INSS — R$ 12.998,52 com IRRF de R$ 80,92). Cientificado da notificação, o contribuinte apresentou a impugnação, As fls. 01/02, instruída pelos elementos de fls. 03 a 06, em que contesta o lançamento efetuado alegando, em síntese, que: 1- Por não ter recursos, ele próprio, sem auxilio de um contador, elaborou sua Declaração de Ajuste e, "por ser uma pessoa de pouca instrução", acabou cometendo o erro apontado pela Receita Federal — a omissão, por esquecimento, de uma renda no valor de R$ 1.063,55 referente a plano de previdência; Acredita que "um erro causado por ignorância", sem a menor intenção de sonegar ou omitir informações, não seja suficiente para a aplicação de urna multa de valor tão alto; no caso, R$ 7.178,48, "que significa seis vezes mais, o valor do qual foi esquecido na declaração(..)."; 3- Por fim, solicita o cancelamento do débito fiscal reclamado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a impugnação foi parcial e mesmo na parte impugnada,a os argumentos e provas apresentadas foram insuficientes para desconstituir o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a.Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolida-se administrativamente o crédito tributário não expressamente contestado. MULTA DE OFÍCIO. 2 Processo n° 12965.000682/2007-16 S2-C1T2 AcOrclaio n.° 2102-01.086 Fl. 13 Quando da revisão de declaração resulta imposto de renda suplementar, cabe a autoridade fiscal aplicar multa de oficio em decorrência de lei, 170S exatos percentuais nela definidos. Inconformado, o contribuinte apresentou o requerimento, de fls. 20/21, ao Delegado da unidade local, expondo uma série de aspectos subjetivos de sua pessoa, solicitando anistia ou subsidiariamente um parcelamento da divida. fl. 23, a unidade da RFB em Poços de Caldas tendo em vista o principio do duplo grau'de jurisdição bem como o do direito A ampla defesa, optou pelo encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ALEGAÇÕES DE NATUREZA SUBJETIVA 0 contribuinte faz somente colocações a respeito da suas condições pessoais subjetivas e apresenta um pedido de parcelamento e anistia. Não obstante, deve-se observar que, no âmbito do direito tributário, vige o principio da estrita legalidade. Para que determinada situação exerça influência na apuração do tributo, é necessário que esteja expressamente definida essa circunstância na legislação e não sendo não há corno considerar este argumento na apreciação do litígio. Regimentalmente, so cabe recurso de matéria onde houve sucumbência o que não ocorreu nesse caso e, por isso, deixo de conhecer o recurso nesse item, pela ausência de litígio. Particularmente, sobre as possibilidades de parcelamento, tal questão deverd ser tratada na liquidação da divida em procedimento administrativo próprio na unidade local da RFB. Assim, não tendo a contribuinte apresentado contestação com liame direto com o cerne do lançamento lhe foi imputadooto por NÃO CONHECER o recurso. Rub ns Mauricio Carvalho - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 13449.000142/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é
de cinco anos, contado da data da entrega do pedido ou declaração de
compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a
favor do contribuinte se os fatos nela registrados forem comprovados por
documentos hábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.042
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega do pedido ou declaração de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte se os fatos nela registrados forem comprovados por documentos hábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 07/06/2011 Fl. 342DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa Companhia Industrial do Sisal CISAL apresentou, em 13/02/2002, Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, referente ao 4º trimestre de 1997, cumulado com declaração de compensação. Tal pedido foi indeferido pela DRF de sua jurisdição, através de despacho decisório (fls. 22) do qual a Interessada foi cientificada em 10/08/2006 (AR às fls.29). Frisese que a razão central do indeferimento foi a não apresentação dos originais das notas fiscais de aquisições de insumos, haja vista que as mesmas foram incineradas pela Interessada, fato informado por ela mesma através do doc. de fls. 17. Inconformada com o indeferimento, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: i) a homologação tácita da compensação e ii) quanto a não apresentação das notas fiscais, que expirou o prazo de guardá las, e que o ressarcimento está evidenciado na sua escrituração, a qual foi apresentada ao Fisco e faz prova a seu favor. A manifestação de inconformidade foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. LEGITIMIDADE. ESCRITURAÇÃO FISCAL. DOCUMENTAÇÃO. Cabe à requerente demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado, mediante apresentação da documentação que deu respaldo à sua escrita fiscal e contábil. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Incabível falarse em homologação tácita antes de decorrido o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Fl. 343DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 13449.000142/200220 Acórdão n.º 330201.042 S3C3T2 Fl. 2 3 Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator No tocante a não apresentação dos originais das notas fiscais relativas as aquisições dos insumos, e a alegação de que o ressarcimento está evidenciado em sua escrituração, a qual faz prova a seu favor, têmse a ponderar o seguinte: i) Noção cediça, fatos controvertidos e relevantes devem ser provados, acostandose no processo as provas necessárias para a comprovação dos fatos alegados pelas partes; ii) Em matéria de prova prevalece o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Nesse sentido, temos o art. 36 da Lei nº 9.784/96 que estabelece que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Então, cabe ao Contribuinte a apresentação das notas fiscais; iii) Uma das formas de se provar o fato jurídico é através de documentos (art. 212, II, da Lei nº 10.406/02). No presente caso seria através das notas fiscais originais, as quais não foram apresentadas; iv) A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis. (Decretolei n.° 1.598/77, art. 9.°, § 1.°); v) Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos à fatos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. (Art. 37, da Lei nº 9.430/96, aplicável ao presente caso por analogia); Portanto, sem razão a Recorrente eis que, por falta de prova, não demonstrou a liquidez do seu pedido. Concernente a alegação de homologação tácita da compensação, apoiada na tese de que o termo inicial do prazo é a data do fato gerador do tributo, não assiste, também, razão à Recorente haja vista que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (dispositivo que disciplina a matéria) estabelece que o termo a quo de tal prazo é a data da entrega da declaração de compensação, vejamos: Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 344DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Defluise da simples leitura do excerto legal acima que os débitos objeto de pedido de compensação decaem após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, caso haja retificação, esse prazo contase da data de apresentação da declaração retificadora. No presente caso a declaração de compensação foi apresentada em 13/02/2002 e a ciência do despacho decisório (AR às fls. 29) ocorreu em 10/08/2006, portanto, a administração fazendária apreciou as compesações pleiteadas dentro do prazo de cinco anos, contado da apresentação do pedido/declaração de compensação. Dessarte, nesse particular, não assiste razão à Recorrente, não havendo que se falar em homologação da compensação, visto que o indeferimento ocorreu dentro do prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 345DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10540.002438/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
INEXISTÊNCIA DE QUESTIONAMENTO POR PARTE DO FISCO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO Se a exigência fiscal objeto do lançamento não decorre de equiparação da pessoa física à jurídica, mas de simples omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, sobre a matéria constante no auto de infração, não se instaurou qualquer litígio, mormente se o recorrente não logra comprovar a origem dos depósitos havidos em sua conta corrente.
Numero da decisão: 2201-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 INEXISTÊNCIA DE QUESTIONAMENTO POR PARTE DO FISCO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO Se a exigência fiscal objeto do lançamento não decorre de equiparação da pessoa física à jurídica, mas de simples omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, sobre a matéria constante no auto de infração, não se instaurou qualquer litígio, mormente se o recorrente não logra comprovar a origem dos depósitos havidos em sua conta corrente.
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MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO Se a exigência fiscal objeto do lançamento não decorre de equiparação da pessoa física à jurídica, mas de simples omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, sobre a matéria constante no auto de infração, não se instaurou qualquer litígio, mormente se o recorrente não logra comprovar a origem dos depósitos havidos em sua conta corrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 623DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fl. 02/54), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003, 2004, 2005, 2006, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 495.380,68, calculados até 30/11/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracaterizada por depósito bancários de origem não comprovada. As contas conjuntas foram repartidas e tributadas em nome de cada um dos dois titulares (Horozino Rodrigues da Silva/Juscelina Dias Melo), com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: O auto de infração foi lavrado sob a suposição de que não tenha demonstrado que a venda de carvão a que se referem os depósitos efetuados pelas Gerdau sejam relativos ao transporte de carvão produzido por terceiros, reais beneficiários dos créditos, para os quais apenas prestara serviços de transporte. Apresenta documentos para comprovar o alegado. Dos valores pagos pela Gerdau, admite que 30% se refiram ao frete que recebera, o que dá R$ 260.673,73. Deste total, porém, deve ser excluída a parcela não tributável de 60%, por se tratar de rendimentos brutos de transporte de carga. Os rendimentos de transporte de carga não podem ser exigidos da pessoa jurídica que detém em seu nome, pois, além de estar inativa desde 2002, tal procedimento contradiz a verdade material, uma vez que se trata de fato de rendimentos da pessoa física, como acima demonstrado. Não lhe pode ser exigido imposto sobre a produção de carvão vegetal, porque pertencem a terceiros. Transportava unicamente o produto e recebia os créditos apenas como pessoa interposta. Violase assim o princípio da motivação do ato administrativo, pois não poderia haver lançamento em seu nome, além de se praticar dupla exigência fiscal: do fornecedor e do transportador. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se aprecia o mérito de argumentos que não dizem respeito ao lançamento. Impugnação não conhecida Intimado da decisão de primeira instância, Horozino Rodrigues da Silva apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.002438/200753 Acórdão n.º 220101.162 S2C2T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal lavrou a exigência relativa à omissão de rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários alegou o recorrente que grande parte dos créditos bancários havidos em sua conta bancária referese a transporte autônomo de carvão vegetal. Por outro lado, diante das provas constantes dos autos concluiu a autoridade fiscal que “... ao contrário do que o contribuinte alega, concluise que, todos os depósitos/créditos efetuados pela GERDAU na conta bancária do mesmo se referem a venda de carvão vegetal e não a meros serviços de transporte. Diante das circunstâncias evidenciadas e em análise aos documentos e extratos bancários apresentados, ficou caracterizada a prática habitual de atividade comercial com o objetivo de lucro, fazendose necessária a equiparação a Pessoa Jurídica de acordo com o artigo n° 150 do RIR/99. Os rendimentos identificados na movimentação bancária do contribuinte, com a comprovação da origem através dos depósitos/créditos realizados pela Gerdau, serão tributados através da pessoa jurídica Horozino Rodrigues da Silva, CNPJ n° 16.396.178/000133, empresa individual já existente pertencente ao contribuinte em epígrafe.” Na seqüência, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA não conheceu da impugnação, sob o argumento de que “... não foram incluídos no auto de infração os depósitos que o contribuinte comprovara terem sido realizados pela Gerdau. A sua impugnação se limita a questionar a tributação destes créditos.” Contudo, em seu instrumento recursal afirma o suplicante que “... das notas fiscais de entrada e respectivo histórico financeiro emitidos pela Gerdau S.A., comprovando que os depósitos efetuados, se referem a (70%) do pagamento pela compra de carvão vegetal de Jacinto Pereira dos Santos, José Amilton dos Santos, Josefino Azevedo da Silva, Antônio Veiga Pinto e Aureliano da Silva Moreira, e (30%) pelo transporte efetuado por Horozino Rodrigues da silva.” Assevera, ainda, o recorrente que “... a Emérita 3ª Turma de julgamento não poderia não conhecer da Impugnação, haja vista que a mesma trata sim de fatos atinentes ao lançamento por considerar que este foi realizado de maneira equivocada posto que os fatos aludidos no mesmo se referem à autuação do contribuinte como transportador autônomo pessoa física e não como pessoa jurídica firma individual.” Pois bem, a autoridade fiscal ofertou ao contribuinte às fls. 34 a 52, relação constando todos os depósitos de origem não comprovada e, desta feita, deveria o recorrente, para contrapor ao levantamento efetuado pelo Fisco, provar a origem dos créditos ali discriminados. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ocorre que em relação à origem dos depósitos/créditos, relacionados às fls. 34 a 52, o recorrente não apresenta qualquer comprovação, limitandose a repetir a alegação feita anteriormente em sua Impugnação, qual seja, “... que este foi realizado de maneira equivocada posto que os fatos aludidos no mesmo se referem à autuação do contribuinte como transportador autônomo pessoa física e não como pessoa jurídica firma individual.” Com efeito, não há como considerar o contribuinte como transportador autônomo, posto que a fiscalização ao analisar os documentos e extratos bancários apresentados e diante das circunstâncias e evidencias, entendeu que restou caracterizada a prática habitual de atividade comercial com o objetivo de lucro, fazendose necessária à equiparação a Pessoa Jurídica. Nesse passo, cumpre reproduzir as conclusões da autoridade fiscal (fls. 05/10): A análise da documentação entregue, permitiu comprovar a origem dos depósitos/créditos realizados nas contas bancárias do contribuinte listados na planilha constante no Anexo n° 02, efetuados pela GERDAU e em concordância com os valores contidos na planilha "Histórico Financeiro" entregue. Não foi possível, no entanto, a comprovação efetiva de que esses depósitos/créditos se referiam a serviços de transporte de carvão vegetal posto que: Não foi entregue nenhuma Declaração da Gerdau detalhando as supostas operações de frete realizadas com o contribuinte. Foram apenas entregues duas planilhas (uma com nome "Histórico Financeiro" e outra com o nome "Relatório de Notas Fiscais de Entrada") onde constam os pagamentos ao contribuinte e relação das notas fiscais com indicação de serem referentes a tais pagamentos, mas com diferenças de valores que o contribuinte justificou como sendo devidas a adiantamentos feitos pela própria GERDAU a seus motoristas; As únicas informações que fazem alguma referência a frete, constantes nas duas planilhas entregues, são que o frete corresponde a 30% dos valores contemplados nas notas fiscais. Não foi informado pela GERDAU, em nenhum momento, que o serviço contratado com o contribuinte era apenas o frete, apesar de todo o valor depositado por ela na conta do contribuinte; Nas duas planilhas entregues consta o nome do Sr. Horozino Rodrigues da Silva como fornecedor através da sigla FNC que precede seu nome; Em nenhuma das notas fiscais entregues consta como transportador o em epígrafe, ao contrário, constam pessoas diversas e com a utilização de veículos que não constam em suas DIRPF's e nem no sistema Renavan como sendo de propriedade do Sr. Horozino Rodrigues da Silva. Ao mesmo tempo, não foi entregue nenhum documento que comprovasse efetivamente as supostas operações de frete realizadas pelo contribuinte acima identificado com os produtores rurais. A bem da verdade, já em sua impugnação o contribuinte silenciou a respeito da infração que lhe estava sendo imputada, não se instaurando o litígio, tornandose líquido e Fl. 626DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.002438/200753 Acórdão n.º 220101.162 S2C2T1 Fl. 3 5 certo, na esfera administrativa, o crédito tributário objeto deste auto de infração. A respeito do assunto, o professor Antônio da Silva Cabral, no livro Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, às fls. 467, item 144, ensina: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. Como se vê, pela ausência do contraditório probatório permanece incomprovada a origem dos recursos aportados em suas contas bancárias, não assistindo, portanto, razão ao recorrente. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 627DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13811.001573/2001-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ — COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — DILIGENCIA FISCAL — Comprovado de forma induvidosa, mediante a realização de diligência fiscal em torno de documentos comprobatórios
apresentados pelo sujeito passivo na fase recursal em relação A compensação do IRFONTE, admite-se a retificação do saldo negativo do imposto até o montante constante nos documentos apresentados e devidamente contabilizados pela contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.449
Decisão: ACORDAM os membros da lª Câmara / lª Turma Ordinária do
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do PRIMEIRA SECA() DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa FRANCI ODES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro Queiroz (Presidente), Edeli Pereira Bessa Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), José Ricardo da Silva (Relator) e Diniz Raposo e Silva (Suplente). (Õ\ 1 Processo n°13811.001573/2001-47 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 2 Relatório Trata-se de retorno de diligência fiscal, nos termos da Resolução n° 101- 02.662, de 28/05/2008. A contribuinte apresentou pedido de compensação de saldo negativo do IRPJ relativo ao ano-calenddáio de 2000 no valor de RS 12.772.404,61, com vistas a quitação de débitos fiscais. A DERAT/SPO deferiu em parte o pedido, sob a alegação de utilização a maior do 1RRF do que o efetivamente comprovado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ, a fim de dirimir as controvérsias no que se refere aos montantes oferecidos a tributação e ao montante do IRRF, solicitou diligência fiscal objetivando a apuração dos corretos valores. A Fiscalização, em atendimento ao pedido de diligencia, elaborou relatório as fls.655/673, no qual esclarece que: a) houve erro formal no preenchimento da declaração de rendimentos, sem qualquer consequência tributária, tendo em vista que o valor consignado na linha 32 da ficha 06 A (RS11.563.512,38) e o resultado da operação: Outras Receitas Financeiras Outros Rendimentos — Variações Monetárias Passivas; b) o contribuinte não trouxe nenhum documento para esclarecer a diferença de RS 743.233,72 referente as estimativas não comprovadas; c) no que tange a origem dos créditos pleiteados na DIPJ, no valor de RS9.611.289,15, foi comprovada retenção em valor superior, mas foi constatada omissão de receitas da ordem de RS21.407 021,80, sendo objeto de autos de infração de IRPJ e reflexos (proc. 19515.003599/2005-84) . A Turma de Julgamento deferiu restituição no valor de RS 8.173.174,69 (alem do já deferido pela DRF). Ciente da decisão, a interessada ingressou com o recurso voluntário, alegando, em síntese: 2 Processo n°13811.001573/2001-47 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 3 é descabida a dedução, levada a efeito pelo relator, que se refere a estimativas do ano-calendário de 2000; o trabalho de diligencia fiscal que serviu de base a decisão atestou que foram comprovadas retenções que totalizam R$ 10.119.878,44. As divergências entre os valores informados pelo contribuinte e os constatados na diligencia foram objeto de processo fiscal no qual constam intimeros anexos que comprovam a inexistência da divergência. Esse processo foi julgado em primeira instância, com expressiva redução do montante, e foi interposto recurso voluntario, ainda nab julgado; O 1RRF constante das DIRFs das fontes pagadoras refere-se, efetivamente, a direitos da recorrente a compensação pleiteada no valor de R$ 10.345.552,86 (RS 11.788.098,39 —RS 1.442.575,53), e não a R$ 10.119.878,44. Parte da diferença, no valor de R$ 225.644,42 é composta pelo IRRF retido pelo Banco Santander, no valor de R$ 219.434.58, que compõe o demonstrativo Anexo 4 (fl 33). 0 demonstrativo Anexo 3 e os informes de rendimentos apresentados pela Recorrente (Anexo 4) comprovam que o valor das retenções foi de RS10.345.522,86, superior ao pleiteado. Se a fiscalização reconheceu a existência do montante de R$ 10.119.878,44, esse valor, acrescido da retenção do Santander, constitui direito liquido e certo a compensação, porque se a decisão de 2a instancia do processo fiscal 19515.003599/2005-84 for favorável, nada devera ao Fisco, caso contrario, devera satisfazer aquela exigência tributária sem direito ao IRRF objeto deste recurso. Ao apreciar a matéria, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu pelo retorno dos autos a repartição de origem para que a fiscalização para que fossem esclarecidos alguns aspectos ainda pendentes. o relatório. 3 Processo n° 13811.001573/2001-47 Si -C1T1 Acórdtio n.° 1101-00.449 Fl. 4 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, trata-se de retorno de diligência, decidida nos termos da Resolução n° 101-02.662, de 29 de maio de 2008, cujos fundamentos extraídos do voto condutor encontram-se abaixo reproduzidos: Em trabalho de diligencia realizada a pedido da DRJ, a fiscalização atestou existir a comprovação de retenções na fonte no montante de RS 10.119.878,44. Conforme apurado no curso do processo, o valor das estimativas foi quitado mediante compensação com saldo negativo no período anterior (R$ 1.442.575,52, já reconhecido pela DERAT/São Paulo) e parte com imposto de renda retido na fonte (R$ 734.233,71, reconhecido pela DRJ). Do valor do IRRF atestado pela fiscalização (R$ 10.119.878,44), deduzido o valor utilizado para compensar as estimativas, resultou em R$ 9.385.644,73. Todavia, a decisão recorrida anotou que esse valor não pode ser integralmente considerado, porque nem todas as receitas sobre as quais incidiu foram oferecidas a tributação. Assim, no item 26 in fine do voto, ficou assentado que só podem ser consideradas as receitas efetivamente oferecidas a tributação (R$ 46.511.761,11) e o imposto sobre elas retido (R$ 9.615.750,22.). Porém, mesmo partindo dessas premissas (de que o rendimento não foi todo incluldo na declaração e que o total do imposto retido e aquele indicado na planilha 4.10 do Relatório de Diligência — R$ 10.119.878,44), há um equivoco na conclusão da decisão recorrida. Senão, vejamos: Com base no valor do imposto retido sobre as receitas oferecidas, conforme assentado na decisão, tem-se que, deduzida a parcela utilizada para compensar estimativas, restaria um crédito de imposto retido a compensar na declaração de R$ 8.881.516,51. Em síntese, o saldo negativo do IRPJ ficaria representado pelo somatório das estimativas (R$ 2.176.809.24) mais o saldo do IR/IF a compensar (R$ 8.881.516,51), resultando em R$ 11.058.325,75. 4 Processo no 13811.001573/2001-47 Si-CITI Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 5 Considerando que R$ 1.442.575,53 já foram deferidos pela DERAT, o saldo a ser deferido, seria de R$ 9.635.750,22 e não R$ 8.1 73.1 74.69, como concluiu a decisão recorrida. Assim, ainda que não fosse identificado nenhum equivoco no resultado da diligência, caberia a este Colegiado dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Recorrente o direito a restituição de R$ 734.233,71, além do já deferido. Ocorre que as planilhas contidas no Relatório de Diligência apresentaram equívocos, destacando-se, por sua ordem de grandeza, os dados referentes ao Unibanco, ao Banco Santander, a Cervejaria Astra, a AMBEV, a IBA Nordeste e a IBA Sudeste. Exemplificando apenas em relação aos dois maiores (Santander e IBA Sudeste), tem-se o seguinte: Conforme demonstrativo de fls. 662 e 663, atesta o fiscal que na demonstração dos rendimentos de aplicações financeiras e de mútuos e respectivo imposto retido na fonte incluídos na DIPJ, a recorrente declara: (a) tendo como fonte o Santander, rendimento auferido de R$1.385.256,10 e fonte de R$ 277.051,19; (b) tendo como fonte o IBA Sudeste, rendimento auferido de R$ 859.600,55 e IRRF de R$ 1 71.920,21. Porém, no levantamento feito pelo fiscal a partir de dados extraídos das DIREs constantes dos Sistemas da Receita, concluiu o fiscal, (0 quanto ao Santander, que o rendimento foi de R$ 288.083,10 e o IRRF foi de R$ 57.61 6,61; (ii) quanto ao IBA Sudeste, nada registrou. Os informes de rendimentos apresentados pelo Recorrente (fis. 774 a 846) divergem das DIRFs. Em relação ao Santander, há dois informes de rendimentos emitidos pela instituição. 0 primeiro, emitido em 13/10/2000 (fls. 806), com rendimentos auferidos em janeiro, fevereiro e junho, totalizando R$1.097.1 73,20 e retenção de IRRF de R$ 219.434,58. 0 segundo, emitido em 20/01/2004 (2' via) com rendimentos auferidos em junho, junho, agosto, setembro outubro, novembro e dezembro, totalizando R$ 288.083.10 e IRRF de R$ 57.616.61. Em relação ao IBA Sudeste, o informe de rendimentos de fls. 846 confirma os dados declarados pelo contribuinte. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência afim de que a fiscalização se manifeste sobre as divergências apontadas no demonstrativo de fls. 772, corroborado pelos documentos de fls. 774a 846 Em atendimento ao proposto pelo Colegiado, a autoridade diligenciante, após intimar a contribuinte e juntar aos autos os documentos por ela apresentados, elaborou o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1176/1181), conforme abaixo: 5 Processo no 13811.001573/2001-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 6 - DA ANALISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 0 contribuinte se manifestou em relação a três das divergências verificadas no demonstrativo de fl. 772, quais sejam: Banco Santander, IBA Polar S/A e IBA do Sudeste S/A, e informou que, em relação as demais diferenças, não apresentaria demonstrações por não estarem compondo o total de IRRF informado na DIP.1. Apresentamos, então, as verificações realizadas e conclusões relativas aos documentos apresentados pelo contribuinte: 1 - Banco Santander Brasil S/A: Verificações: Com base na planilha individual de recursos aplicados no Santander, foram feitas as verificações, Ines a mês, dos lançamentos nos mapas de controle de apropriação de rendimentos (juros) bem como do IRRF, todos documentos de controle interno do contribuinte. Em seguida, identificou-se que os somatórios mensais dos valores apropriados a titulo de juros nos referidos mapas encontram-se contabilizados nos Livros Diário e Razão pelos valores totais apurados em cada mês, bem como verifica-se a apropriação mensal a titulo de IRRF no Livro Conclusões: Em que pese não haver, na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, DIRE do Banco Santander para a Cervejarias Reunidas Skol/Caracu S/A no ano calendário 2000, e tampouco poder-se-ia atestar recolhimentos de IRRF efetivados pelo banco em razão de aplicações financeiras do contribuinte de forma individualizada, uma vez que o recolhimento do imposto de renda na fonte dos bancos é feito de forma consolidada, o contribuinte apresenta uma cópia do Informe de Rendimentos Financeiros do referido banco (fls. 1.107) e demonstrou ter contabilizado, pelo regime de competência, valores a titulo de juros sobre aplicações financeiras no montante de R$ 1.097.173,20, e R$ 219.434,63 a titulo de IRRF, sendo R$ 573.013,52 em 1999 (R$ 114.602,70 de IRRF) e R$ 524.159,68 no ano 2000 (com R$ 104.831,93 de IRRF). 2— IBA Polar S/A: Verificações: Com base na planilha individual de remuneração de mútuos da All/fBEV (documento de controle interno do contribuinte) e na cópia do Informe de Rendimentos entregue pela IBA Polar S/A para a Cervejarias Reunidas Skol/Caracu S/A relativo ao ano 2000, foram identificados os valores contabilizados pelo contribuinte nos Livros Diário e Razão a titulo de juros sobre mútuo e o IRRF, nos meses de Setembro e Outubro de 2000. Conclusões: 0 contribuinte contabilizou nos Livros Diário e Razão do ano 2000, R$ 46.64Z95 a titulo de juros sabre 6 Processo n° 13811.001573/2001-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 7 contratos de mútuos com empresa ligada e R$ 9.329,59 de IRRF. Na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil consta a retenção de IRRF de R$ 20.206,72 feita pela IBA Polar S/A por rendimentos pagos ao contribuinte. 3- IBA do Sudeste S/A: Verificações: Com base na planilha individual de remuneração de mútuos da AMBEV (documento de controle interno do contribuinte) e na cópia do Informe de Rendimentos entregue pela IBA do Sudeste S/A para a Cervejarias Reunidas Skol/Caracu S/A relativo ao ano 2000, foram identificados as valores contabilizados pela contribuinte nos Livros Diana e Razão a titulo de juros sabre mútuo e o IRRF, nos meses de Julho a Dezembro de 2000. Conclusões: Em que pese não haver, na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, DIRE da IBA do Sudeste S/A para o contribuinte em tela no ano 2000, este contabilizou, nos Livros Diário e Razão do ano 2000, R$ 859.600,56 a titulo de juros sobre contratos de mútuos com empresa ligada e R$ 171.920,11 a titulo de IRRF. Sendo estas as informações e conclusões obtidas, dá-se ciência do inteiro teor do presente relatório para manifestação do contribuinte no prazo de 30 (trinta) dias. A contribuinte manifestou-se tempestivamente (fls. 1172/1173), onde conclui que, diante das conclusões do AFRFB no relatório, não ficam dúvidas sobre a correta utilização na declaração do ano-calendário de 2000 dos valores de IRRF dos quais a Cervejarias Reunidas Skol Caracú S/A., possui os comprovantes de rendimentos e que perfaz o montante de R$ 10.345.522,86. Como visto acima, a diligência fiscal levada a efeito concluiu que ainda resta o montante de R$ 9.615.750,22 correspondentes as receitas incluidas na apuração do resultado do período-base em questão. As fls. 667/669, consta a relação dos rendimentos e respectivas retenções de lRFONTE consideradas na apuração das receitas omitidas, considerando que o total do imposto de renda retido foi de R$ 2.561.788,02, sendo que a importância de R$ 2.057.659,80 corresponde as retenções cujas receitas foram devidamente oferecidas à tributação. Nessas condições, do montante do imposto retido apurado em DlRF - R$ 10.119.878,44 — a parcela de R$ 504.128,22, encontra-se vinculada ao auto de infração lavrado na ação fiscal. Da diferença restante (R$ 10.119.878,44 — R$ 504.128,22 = R$ 9.615.750,22), a turma julgadora de primeiro grau afirma que o valor de R$ 734.233,71, já havia sido deduzido do tributo correspondente a estimativa mensal. Porém, houve erro de calculo por parte da decisão mencionada, conforme mencionado da resolução motivou a diligência fiscal. Considerado os valores apurados pela autoridade diligenciante e, levando-se em conta o erro praticado pela decisão recorrida, o montante apurado não alcança o total 7 Processo n° 13811.001573/2001-47 S1-C1 T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 8 pleiteado inicialmente pela recorrente, eis que foi reconhecido o valor de R$ 9.100.651,94, sendo que o contribuinte apontou o total de R$ 9.611.289,15, os quais, adicionados aos valores declarados a titulo de estimativas mensais e deduzidas do imposto de renda na Fonte totalizam R$ 11.277.461,17. Nessas condições, sou pelo provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a parcela de R$ 1.661.710,95 como direito ao crédito pleiteado pela contribuinte. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito suplementar no valor de R$ 1.661.710,95. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 8 Processo n°13811.001573/2001-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 9 Declaração de Voto Conselheira Ede li Pereira Bessa, Constato nos autos que o direito creditório em debate refere-se a Saldo Negativo de MPJ apurado no ano-calendário 2000, no valor original de R$ 11.788.098,39, apresentado, inicialmente, no valor atualizado de R$ 12.772.404,61. A apreciação inicial pela DERAT/SP resultou no reconhecimento da parcela de R$ 1.442.575,53 (fl. 161/163) porque confirmado, apenas, parte das estimativas declaradas. Glosou-se integralmente o IRRF deduzido (R$ 9.611.289,15) porque não evidenciado, na D1PJ, o oferecimento dos rendimentos de aplicações financeiras A. tributação, e estimativas no valor de R$ 734.233,71, porque não informadas em DCTF. A autoridade julgadora solicitou diligência antes do julgamento da manifestação de inconformidade, firmando dúvida quanto As receitas financeiras oferecidas A tributação, e buscando a identificação de cada um dos rendimentos que deram origem aos créditos pleiteados, a titulo de LRRF, de R$ 9.611.289,15. 0 procedimento fiscal desenvolvido em razão desta diligência, resultou na apuração de receitas financeiras que não haviam sido incluídas na apuração do IRPJ e, decotando-se o IRRF correspondente As receitas omitidas, apontou a autoridade fiscal que restava R$ 9.615.750,22 referente As receitas computadas na base de cálculo daquele período de apuração. De fato, no demonstrativo de fl s. 667/669, a autoridade fiscal relaciona os rendimentos e retenções de imposto correspondente As fontes pagadoras consideradas na apuração das receitas omitidas, identificando que naquelas operações houve retenção de imposto de renda no montante total de R$ 2.561.788,02, do qual R$ 2.057.659,80 correspondia ao imposto de renda retido sobre as receitas oferecidas A tributação. Em conseqüência, do total de IRRF apurado em DIRF (R$ 10.119.878,44) coube a dedução de R$ 504.128,22, vinculada ao auto de infração formalizado naquele procedimento fiscal. Do valor dai remanescente (R$ 9.615.750,22), a autoridade julgadora de l a instância observou que a parcela de R$ 734.233,71 havia sido utilizada para reduzir estimativas a pagar, motivo da declaração a menor constatada na DCTF. Todavia, ao recompor o direito creditório comprovado no período em análise, a autoridade julgadora equivocou-se em seus cálculos, como já bem apontado pela Conselheira Sandra Maria Faroni, na Resolução 101.02662. Considerado integralmente comprovadas as estimativas de R$ 2.176.809,23 apuradas (pagas ou reduzidas pela dedução de LRRF), e admitindo o MRF resultante o Processo n°13811.001573/2001-47 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 10 montante comprovado _id reduzido da parcela utilizada na liquidação das estimativas (R$ 9.615.750,22 — R$ 734.233,71 = R$ 8.881.516,51), a determinação do direito creditório reconhecido pela DRJ deveria ser assim recomposta: Pleiteado DRF DRJ Recomposição Estimativas 2.176.809,23 1.442.575,52 734.233,71 2.176.809,23 IRRF 9.611.289,15 - 8.881.516,51 8.881.516,51 Saldo Negativo 11.788.098,38 1.442.575,52 9.615.750,22 11.058.325,74 JA reconhecido (1.442.575,52) (1.442.575,52) Deferido 8.173.174,70 9.615.750,22 Além disto, a Conselheira Sandra Maria Faroni, naquela resolução, deu relevo ao demonstrativo de fl. 772 trazido em recurso voluntário, no qual a contribuinte aponta divergências entre os valores informados em DIRF e aqueles constantes dos informes de rendimento. Nele constatou: a) divergências nas quais os montantes admitidos no julgamento de l a instancia (informados em DIRF) eram superiores aos informes de rendimento. As fontes pagadoras com diferenças mais relevantes eram Unibanco, Cervejaria Astra, AMBEV e IBA Polar; b) divergências nas quais os montantes admitidos no julgamento de l a instancia (informados em DIRF) eram inferiores aos informes de rendimento. As fontes pagadoras com diferenças mais relevantes eram Banco Santander e IBA Sudeste. A diligência procedida pela autoridade fiscal concentrou-se nestas duas últimas divergências e naquela, de maior valor, vinculada ao primeiro grupo, correspondente IBA Polar. E, como relatado, constatou-se naquele procedimento que: c) no montante de IRRF retido em 2000 (R$ 10.119.878,44) estava computado 1RRF de R$ 20.206,72 relativo à IBA Polar, ao passo que a contribuinte contabilizara apenas retenções de R$ 9.329,59. Todavia, como se vê à fl. 667, esta diferença já havia sido constatada na diligência solicitada em l a instancia, associada à falta de contabilização das receitas correspondentes, razão pela qual a diferença de 1RRF permanece vinculada ao lançamento formalizado naquela ocasião; d) os valores contidos no informe de rendimentos do Banco Santander (R$ 219.434,58) foram contabilizados pela contribuinte, pelo regime de competência, ern 1999 (R$ 114.602,70) e em 2000 (R$ 104.83 93). 10 Processo n°13811.001573/2001-47 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00,449 Fl. 11 Considerando que esta fonte pagadora não se insere naquelas relativamente is quais foram apuradas receitas omitidas, resta comprovada uma parcela de IRRF pertinente ao ano-calendário 2000 superior àquela considerada até aqui (R$ 57.616,61); e) os valores contidos no informe de rendimentos da IBA Sudeste (R$ 171.920,11) foram contabilizados pela contribuinte, pelo regime de competência, em 2000. Considerando que esta fonte pagadora não se insere naquelas relativamente as quais foram apuradas receitas omitidas, resta comprovado IRRF do qual nenhuma parcela havia sido computada até aqui. Ressalto que o imposto de renda retido pela fonte pagadora Banco Santander, pertinente ao ano-calendário 1999, não pode ser aqui admitido como retenção, na medida em que tais retenções foram contabilizadas em observância ao regime de competência, e assim também foram consideradas como dedução, pela interessada, naquele período, como, alias, afirmou a autoridade fiscal, na segunda diligência procedida: [..] o contribuinte apresenta uma cópia do Informe de Rendimentos Financeiros do referido banco (fis. 1.107) e demonstrou ter contabilizado, pelo regime de competência, valores a titulo de juros sobre aplicações financeiras no montante de R$ 1.097.173,20, e R$ 219.434,63 a titulo de IRRF', sendo R$ 573.013,52 em 1999 (R$ 114.602,70 de IR1?F) e R$ 524.159,68 no ano 2000 (com R$ 104.831,93 de IRRF). Em conseqüência, admito como confirmadas no recurso voluntário as retenções de R$ 47.215,32 (R$ 104.831,93 — R$ 57.616,61) e de R$ 171.920,11, relativas as fontes pagadoras Banco Santander e IBA Sudeste, respectivamente. Contudo, mesmo considerando a retificação do erro de calculo verificado na decisão recorrida, tal não é suficiente para reconhecer integralmente o direito creditório inicialmente apontado pela interessada. Isto porque, somadas aquelas parcelas no total de R$ 219.135,43 ao 1RRF já comprovado até a decisão de l a instância (R$ 9.615.750,22 — R$ 734.233,71 = R$ 8.881.516,51), resta reconhecido apenas R$ 9.100.651,94 do total apontado pela contribuinte (R$ 9.611.289,15), que somado is estimativas declaradas e reduzidas por 1RRF (R$ 2.176.809,23), resulta em R$ 11.277.461,17 de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 200, e não R$ 11.788.098,38, como abaixo demonstrado: 11 Processo n° 13811.001573/2001-47 SI-C1 TI Acórdão n.° 1101-00.449 Fl. 12 Pleiteado DRJ Recomposição R.Voluntario 2.176.809,23 734.233,71 2.176.809,23 2.176.809,23 9.611.289,15 8.881.516,51 8.881.516,51 9.100.651,94 11.788.098,38 9.615.750,22 11.058.325,74 11.277.461,17 Ja. reconhecido (1.442.575,52) (1.442.575,52) (9.615.750,22) Deferido 8.173.174,70 9.615.750,22 1.661.710,95 Estimativas IRRF Saldo Negativo Portanto, considerando que a DERAT/SP já havia reconhecido à contribuinte R$ 1.442.575,52, e que a decisão de l a instância concedeu-lhe a parcela suplementar de R$ 8.173.174,70, resta reconhecer em favor da contribuinte a parcela de R$ 1.661.710,95, correspondente à retificação do erro de liquidação promovido na decisão recorrida (R$ 1.442.575,52) e ao diferencial de IRRF comprovado no presente recurso (R$ 219.135,43). Voto, assim, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito credite) *o suplementar de R$ 1.661.710,95. EDELI PEREIRA BE SS 12
score : 1.0
Numero do processo: 35376.000752/2003-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/1999
Ementa:
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
RESTITUIÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ARQUIVAMENTO DO PEDIDO
A não apresentação de documentos formalmente solicitados para a instrução do processo acarreta o arquivamento do mesmo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/1999 Ementa: INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. RESTITUIÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ARQUIVAMENTO DO PEDIDO A não apresentação de documentos formalmente solicitados para a instrução do processo acarreta o arquivamento do mesmo. Recurso Voluntário Negado
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CAMARGO AVARÉ ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/1999 Ementa: INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. RESTITUIÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ARQUIVAMENTO DO PEDIDO A não apresentação de documentos formalmente solicitados para a instrução do processo acarreta o arquivamento do mesmo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente . Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35376.000752/200348 Acórdão n.º 230200.985 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o processo de solicitação de reembolso das diferenças de salário maternidade pago à seguradas Rosângela Aparecida de Almeida Silva e Luciléia de Lourdes Dias no período compreendido entre 07/1999 e 11/1999, de acordo com a planilha demonstrativa de fls. 01. O requerimento foi protocolado em 16/07/2003 e às fls. 41, o contribuinte foi informado de que precisaria apresentar documentos para a instrução do processo, sob pena de arquivamento, o que de fato ocorreu frente a inércia do requerente. Em 31/07/2007, o processo é desarquivado por solicitação do contribuinte que às fls. 58, solicita substituição do requerimento inicial por outro, devido a preenchimento incorreto e junta documentos. Decisão administrativa de fls. 133/135, nega a solicitação do contribuinte. Inconformado, o mesmo apresenta recurso tempestivo, arguindo que não cumpriu as exigências solicitadas porque o AR Aviso de Recebimento foi assinado por funcionário da empresa, que não repassou ao proprietário para que fossem tomadas as providências necessárias. Requer a revisão do caso para que seja analisado novamente. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. No que tange à alegação da recorrente sobre a irregularidade da intimação, porque foi recebida por funcionário, ressaltamos que, conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.), desde que usualmente recebam a correspondência da empresa. Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Ainda, quanto à ciência por via postal, ressaltamos que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, consolidou o entendimento na Súmula CARF n.º9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Portanto, a recorrente não pode se eximir do cumprimento das exigências solicitadas formalmente para a instrução do pedido de reembolso, que era do seu interesse, por conta do recebimento da correspondência ter sido efetuado por funcionário da empresa. O reembolso pleiteado era do interesse do contribuinte que devia ter se empenhado em fornecer os elementos solicitados pela fiscalização para acatar o pleito. Não implementadas as condições necessárias, no prazo concedido, correto foi o procedimento de arquivamento do processo, conforme indica a legislação vigente. A posterior solicitação de desarquivamento de processo, é improcedente, eis que em desacordo com a legislação previdenciária vigente à época, mais precisamente a Instrução Normativa SRP n.º 03/2005,que no Título III, trata de Compensação, Restituição e Reembolso, cujos artigos 226 e 228, transcrevo: Art. 226. Na hipótese de requerimento protocolizado na UARP, a falta de apresentação de qualquer elemento necessário à instrução e análise do processo deverá ser comunicada ao sujeito passivo, mediante ofício enviado por meio postal ou por correio eletrônico. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35376.000752/200348 Acórdão n.º 230200.985 S2C3T2 Fl. 3 5 Parágrafo único. Não suprida a falta documental no prazo de dez dias, a contar da data do recebimento do oficio pelo sujeito passivo, o processo será arquivado. Art. 228. Nas situações previstas nos arts. 225 e 226, o sujeito passivo poderá apresentar novo pedido, observado o prazo prescricional definido no art. 218, não cabendo o desarquivamento do processo. (grifei) Assim, conforme a legislação, o contribuinte poderia ter apresentado novo requerimento, observando o prazo prescricional contido no artigo 218, da mesma Instrução, mas não cabendo, de forma alguma, o desarquivamento do processo. Ainda, como bem colocado pela decisão recorrida, é impossível deferir o pleito do recorrente, eis que a sua inércia no atendimento das solicitações efetuadas pelo fisco, não pode ser desconsiderada, haja vista que o deferimento do reembolso pressupõe a devolução de valores relativos a acréscimos legais para os quais o INSS não pode ser compelido a pagar, eis que não deu causa à mora na decisão do pedido de reembolso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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