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Numero do processo: 10875.904091/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 91 /2 01 4- 22 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10875.904091/201422 Acórdão n.º 1201001.799 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10875.904091/201422 Acórdão n.º 1201001.799 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10875.904091/201422 Acórdão n.º 1201001.799 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.900035/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Recurso Voluntário Provido
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NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 00 35 /2 00 9- 51 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – Dcomp nº 09096.62947.190109.1.3.048457, por meio da qual a contribuinte em epígrafe realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose do crédito no valor de R$ 178.067,62, relativo ao DARF de Cofins de Entidades Financeiras e Equiparadas (código 7987), recolhido em 20/07/2007, no valor R$ 5.110.220,46. Em 07/10/2009, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – Deinf/RJ emitiu o despacho decisório de nãohomologação da compensação (rastreamento nº 848606564), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins (código 7987) do período de apuração de junho de 2007, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP acima citada. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 20/10/2009 e apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade por meio da qual sustenta a existência do crédito informado na Dcomp. Alega que “em 22/09/2003, impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.000268000 (doc. 03), postulando o reconhecimento do seu direito de não se submeter à majoração da alíquota de COFINS imposta pelo artigo 18 da Lei nº 16.684/2003, posteriormente reiterada pelo inciso I do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, tendo depositado os valores em discussão em conta vinculada àquele feito.” Argumenta, também, que na DCTF retificadora apresentada em 18/09/2009 (antes da emissão do despacho decisório contestado) a Cofins do período de apuração de junho de 2007 foi declarada no valor total de R$ 6.576.203,79 da seguinte forma: R$ 1.644.050,95, suspenso por depósito judicial efetuado em conta vinculada ao MS citado; e R$ 4.932.152,84, liquidado com o DARF recolhido em 20/07/2007, no valor de R$ 5.110.220,46. Diz que recolheu indevidamente (por meio do DARF) a quantia de R$ 178.067,62 e que referido crédito consta demonstrado em planilha elaborada pelo contador responsável, na qual é envidenciada a base de cálculo da contribuição, e, também, em sua escrituração contábil (Livro Razão e Balancete). Pede, à vista do exposto, o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0649.599, sessão de 22/10/2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2007 a 31/06/2007 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 4 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/Dcomp, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. CONDIÇÕES. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte apresenta recurso voluntário com argumentos que repisam mesmo conteúdo da sua impugnação e outros que combatem a decisão recorrido. Em síntese suscita: A decisão da Delegacia de Julgamento é nula, pois indeferiu o direito creditório sob o único fundamento de que o DARF recolhido, do qual decorria pagamento a maior, tinha sido integralmente alocado em DCTF [a original]; Antes da prolação do despacho decisório [07/10/2009] procedeu à retificação da DCTF [18/09/2009] informando o débito da Cofins de junho/2007, que confrontando com a originalmente transmitida revela um valor a menor, de R$ 6.576.203,79, que caracteriza seu direito creditório; Anexou à manifestação de inconformidade (i) demonstrativo da base de cálculo da Cofins de junho/2007, assinada pelo contabilista responsável pela escrituração, (ii) cópias de folhas do livro Razão com a demonstração da "reversão de provisão" e lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da Cofins decorrente dessa reversão, e (iii) parte do balancete que espelhava o saldo das contas; No acórdão, a DRJ limitouse a asseverar que a contribuinte não comprovou materialmente o indébito bem como a base de cálculo do débito da Cofins; Os julgadores reconheceram a existência de documentos que indicavam a contabilização do alegado indébito, contudo, se lhes restavam dúvidas quanto à validade da DCTF retificadora e dos documentos acostados aos autos, deveriam converter o julgamento em diligência; Requer que a nulidade da decisão da DRJ não seja pronunciada, pois entende que seu direito creditório é "fulgurante"; Materialmente, o direito creditório advém das exclusões permitidas de que trata o inciso II, do § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e que, relativamente ao mês junho/2007, deduziu da base de cálculo a título de "sinistros efetivamente pagos" quantia menor que a assegurada pelo dispositivo legal, o que ocasionou o preenchimento incorreto da DCTF, elevando o valor a pagar da Cofins; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 5 4 Após as correções, resultou que os "pagamentos de indenizações por sinistros" no mês [sic] julho/2007 foram maiores, o que reduziu a Cofins devida de R$ 6.813,627,28 para R$ 6.576.203,79, do qual apurou valor de Cofins a maior, na quantia de R$ 178.067,62, tendo transmitindo a DCTF retificadora Demonstrara na impugnação, e também neste recurso, o erro em não adotar o valor correto da base de cálculo dos créditos das Contribuições, relativas ao ano de 2012, fato que importa a nulidade do lançamento; A comprovação da apuração descrita fazse por meio de balancete (fls. 129/132), elaborado conforme Resolução Normativa ANS nº 14/2007. A ausência de retificação do Dacon em nada fragiliza o direito creditório, vez que se trata de documento meramente informativo. O processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. Cumpre observar que em sede de manifestação de inconformidade não foi suscitada a nulidade do despacho decisório. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar Nulidade do acórdão recorrido A recorrente argumenta que a decisão da Delegacia de Julgamento é nula pois indeferiu o direito creditório sob um único fundamento: o DARF recolhido, do qual decorria pagamento a maior, tinha sido integralmente alocado na DCTF original. Não assiste razão à recorrente quanto á nulidade da decisão, no termos requerido, conforme denotase dos excertos do seu voto: No caso, a compensação não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado na DCOMP não existia, ou seja, na DCTF utilizada para a emissão do despacho decisório o DARF de Cofins (recolhido em 20/07/2007) indicado como origem do crédito para compensação estava totalmente utilizado para a quitação de um débito que foi validamente declarado em DCTF. Em contrapartida, na manifestação a contribuinte alega que o débito de Cofins de junho de 2007 é menor do que aquele que foi inicialmente declarado. Inicialmente a o referido débito havia sido declarado no valor de R$ 6.813.627,28 (com o valor de R$ 1.703.406,82 vinculado à ação judicial e com o depósito Fl. 139DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 6 5 efetuado) e a interessada afirma que ele é de R$ 6.576.203,79 (com o valor de R$ 1.644.050,95 vinculado ao depósito judicial), de forma que o valor incontroverso foi reduzido de R$ 5.110.220,46 (R$ 6.813.627,28 – R$ 1.703.406,82) para R$ 4.932.152,84 (R$ 6.576.203,79 – R$ 1.644.050,95), resultando em um suposto crédito de R$ 178.067,62 (R$ 5.110.220,46 – R$ 4.932.152,84). Em que pese a existência de DCTF retificadora em 18/09/2009 (antes da emissão do despacho decisório contestado) o fato é que a contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente o indébito tributário alegado e nem tampouco a base de cálculo do referido débito de Cofins, nos termos em que previstos no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN . É bem verdade que a interessada juntou ao processo uma planilha demonstrativa da base de cálculo da contribuição e algumas fichas do Livro Razão que indicam a contabilização do indébito alegado. No entanto, referidos documentos, não comprovam por si sós o crédito alegado, uma vez que a interessada não apresentou os documentos contábeis que evidenciam o valor efetivo da base de cálculo da contribuição em discussão. Em adição, e corroborando a necessidade de evidenciação do valor devido da contribuição, a ser realizado com base nos documentos contábeis da empresa, anotese que o único Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon do período (entregue em 07/08/2007) contradiz a tese da interessada, uma vez que em citado demonstrativo a Cofins de junho de 2007 consta declarado no exato valor de R$ 6.813.627,28. Ressaltese que, no presente caso, o ônus da prova cabe à contribuinte, pois a legislação pátria adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito. Citada interpretação pode ser depreendida da leitura do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e cujo rito processual deve ser adotado para a situação de fato (conforme previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, com as modificações da Lei 10.833/2003), e do artigo 333, do Código de Processo Civil (...) Constatase no entendimento do relator que, em realidade, o voto aponta para o motivo da não homologação da compensação expresso no despacho decisório, qual seja, o crédito indicado não existia, pois o DARF encontravase totalmente utilizado para quitação de débito declarado, não restando valor com direito a compensar. Os fundamentos eram a DCTF original. As razões de decidir dos julgadores a quo fundamentaramse na inexistência de conjunto probatório, ainda que se considerasse a DCTF retificadora, que ficou aclarada no enunciado da ementa ao expressar que "a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN)". Fl. 140DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, para a decisão recorrida, a recorrente apresentou duas declarações, em que a segunda DCTF retificadora substituiu a original. Daí decorre que há divergência material de valores informados pela contribuinte que somente poderiam ser aceitos se restassem plenamente comprovados por documentos hábeis acostados nos autos que sustentassem os demonstrativos e cópias do livro Razão. Ademais, tratandose de direito creditório, inconteste que a prova era da contribuinte que alegara direito creditório. Acerca das nulidades, cumpre transcrever os dispositivos que regem a matéria no processo administrativo fiscal, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com efeito, nulo seria o ato administrativo se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, situação que não se caracteriza nos autos. Não se colocou em dúvida a competência dos julgadores, não houve preterição do direito de defesa, vez que os julgadores enfrentaram todos os argumentos da manifestação de inconformidade da contribuinte capacitandoa a se defender plenamente através do presente recurso voluntário. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos requisitos legais apontados, não se enquadrando, portanto, em nenhum daqueles citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, os fatos suscitados que ensejam a nulidade serão enfrentados com mais profundidade no mérito, a seguir. Com essas considerações, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito O cerne da questão é em verdade o valor apurado da Cofins no mês junho/2007, cujo montante incontroverso apontado na DCTF original era de R$ 5.110.220,46 e reduziuse a R$ 4.932.152,84, na DCTF retificadora, transmitida em 18/09/2009. Da diferença decorre o valor alegado como crédito a ser compensado, de R$ 178.067,62, demonstrado no quadro: COFINS DCOMP Documento DCTF Paga (DARF) Pago a maior Crédito declarado direito creditório Despacho decisório (DCTF original) 5.110.220,46 5.110.220,46 zero 178.067,62 não há Despacho decisório (DCTF retificadora) 4.932.152,84 5.110.220,46 178.067,62 178.067,62 178.067,62 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 8 7 Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 9 8 prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operou se ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19740.900035/200951 Acórdão n.º 3201003.070 S3C2T1 Fl. 10 9 grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Conclusão Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o despacho decisório, por vício material. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721800/2009-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. HIPÓTESE EM QUE NÃO HOUVE APRESENTAÇÃO DE NEHUM DESTES.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada.
Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal.
Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
O Contribuinte, no entanto, não logrou êxito em juntar aos autos nenhum documento capaz de obstar o lançamento
Numero da decisão: 9202-005.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. HIPÓTESE EM QUE NÃO HOUVE APRESENTAÇÃO DE NEHUM DESTES. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. O Contribuinte, no entanto, não logrou êxito em juntar aos autos nenhum documento capaz de obstar o lançamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. HIPÓTESE EM QUE NÃO HOUVE APRESENTAÇÃO DE NEHUM DESTES. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. O Contribuinte, no entanto, não logrou êxito em juntar aos autos nenhum documento capaz de obstar o lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 18 00 /2 00 9- 67 Fl. 278DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 220101.506, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/08), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 900.786,65, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Terezinha”, localizado no município de Porto dos Gaúchos MT, com Área Total ATI de 8.393,0 ha. O Contribuinte apesentou impugnação às fl. 52/74. A DRJ de Campo Grande julgou integralmente procedente o lançamento, fls. 97/109. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 117/143, requerendo, em síntese, que fosse considerado o laudo técnico anexado para comprovar a existência das áreas preservadas, bem como a avaliação técnica do imóvel, homologando assim o valor do imposto suplementar apurado e efetivamente recolhido para a devida quitação do imposto em tela. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 227/235, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10183.721800/200967 Acórdão n.º 9202005.589 CSRFT2 Fl. 10 3 A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Como não há qualquer divergência entre o valor arbitrado pela fiscalização e o apurado pelo recorrente, conforme “Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel”, deve ser mantido o VTN apurado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra – SIPT. Às fls. 242/248, o Contribuinte interpôs Recurso Especial por divergência em relação às seguintes matérias: glosa da APP – Área de Preservação Permanente e glosa da ARL – Área de Reserva Legal em relação a prescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA. Às fls. 260/263, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso especial em relação às matérias arguidas: glosa da APP – Área de Preservação Permanente e à glosa da ARL – Área de Reserva Legal. Às fls. 265/276, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, alegando, no mérito, a imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA junto ao IBAMA, sob pena de não reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/08), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 900.786,65, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Terezinha”, localizado no município de Porto dos Gaúchos MT, com Área Total ATI de 8.393,0 ha. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à glosa da APP – Área de Preservação Permanente e à glosa da ARL – Área de Reserva Legal. Fl. 280DF CARF MF 4 A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10183.721800/200967 Acórdão n.º 9202005.589 CSRFT2 Fl. 11 5 o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da existência de ADA tempestivo para reconhecimento da Área como de Preservação Permanente e de Reserva Legal. O acórdão recorrido apontou a falta de documentos comprobatórios acerca da existência da área de reserva limitada. Tanto para ARL quanto para APP, bem como salientou a necessidade de que sejam cumpridas algumas exigências nesta comprovação. De modo que, a alegação simplista do Contribuinte de que estas áreas existem pelo simples fato de existirem não prosperou. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Quanto a Área de Reserva Legal a meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da ARL seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. (b) Já quanto a Área de Preservação Permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, discutese o Exercício 2006, observo que o contribuinte não apresentou ADA, as matrículas do imóvel não possuem averbação de nenhuma das áreas pleiteadas. Não foi anexado Laudo elaborado por profissional habilitado. E considerando a inexistência de qualquer tipo de prova hábil a comprovar a existência delas foi corretamente glosada a integralidade da área equivocadamente deduzida pelo Contribuinte, quais sejam 839,3 ha a título de APP e 6714,0 ha, a título de ARL, devendo tais áreas serem desconsideradas como de Reserva Limitada e tributadas conforme determina a legislação. Mantido, portanto, o lançamento. Cumpre registrar que a maioria do colegiado vota pelas conclusões em razão do entendimento um pouco mais restritivo, qual seja: (a) Para ARL o ADA precisa ser apresentado ao IBAMA até a data do fato gerador, e sua ausência pode ser suprida por averbação nas mesmas condições. Fl. 282DF CARF MF 6 (b) Para APP o ADA pode ser posterior ao exercício fiscal mas deve obrigatoriamente ser anterior ao início da ação fiscal. Contudo, no caso dos presentes autos esta diferença não altera o resultado do julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.901004/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter em diligência o julgamento, para cientificar o contribuinte do teor da Informação Fiscal de fls.719/720.
[assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cassio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter em diligência o julgamento, para cientificar o contribuinte do teor da Informação Fiscal de fls.719/720. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cassio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. Resolução/Carf, conforme a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 01 00 4/ 20 11 -8 6 Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 740 2 BNDES Participações SA transmitiu o Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/ DCOMP nº 23368.57314.260706.1.3.048604 (folhas 02 a 06), visando à restituição de indébito tributário, no montante original de R$ 1.271.028,20, com origem em pagamento a maior de COFINS (código de receita 5856) de julho de 2005, efetuado por meio de Darf recolhido em 29.12.2005, no valor total de R$ 1.297.421,57, e seu aproveitamento em compensação de débito de IRPJ relativo a junho de 2006. Intimada a apresentar livros/documentos e arquivos digitais referentes a operações ocorridas no ano de 2005 (Termo de Intimação 534 e 597/2011, às folhas 44, 45 e 193 a 195), a contribuinte disponibilizou o diário e o razão e fez a entrega de arquivos digitais. Ainda, fez referência a apresentação de Nota de uso interno (folhas 46 a 51), na qual discorre sobre os eventos relacionados à apuração do PIS e da COFINS referentes aos anos calendário de 2005 e alega que havia incluído na base de cálculo da exação o valor da receita decorrente da venda de bens registrados no ativo permanente (ações) que, nos termos da Solução de Consulta SRRF 7ª RF nº 36, de 2006, não integra a base de cálculo das contribuições sociais. O Despacho Decisório de fl. 248, apoiado no Parecer DIORT/DEMAC/RJO nº 121/2011 (fl. 239/247), decidiu: NÃO RECONHECER o direito creditório relativo ao pagamento a maior de COFINS (código: 5856) referente ao período de apuração de julho de 2005; e NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada através da DCOMP n° 23368.57314.260706.1.3.04860406937. Sobreveio manifestação de inconformidade (fls. 261/292), assim relatada pelo Acórdão da DRJ: Após a Emenda Constitucional n 20, com a edição da Lei n 10.833, a hipótese de incidência da COFINS deixou de estar limitada ao faturamento, passando a abarcar "o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". Entretanto, a própria Lei exclui a incidência da COFINS sobre algumas espécies de receitas e, em relação às receitas oriundas daquela venda de participações societárias realizada pela BNDESPAR, houve dúvida se não estariam justamente abarcadas pela previsão do inciso I ou pela do inciso II do 3o do artigo 1o da Lei n 10.833/2003, eis que, além do fato de que tais ativos estiveram classificados no ativo permanente por mais de um anocalendário, poderseia considerar que se tratava de receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, por força do Decreto n 5.442, de 9 de maio de 2005. Por outro lado, vale registrar que a intenção da BNDESPAR por ocasião da aquisição dos ativos nunca foi de especular. Muito pelo contrário, tais ativos haviam sido classificados no Ativo Permanente originariamente, em razão de não haver qualquer previsão de alienação dos mesmos nos momentos das respectivas aquisições. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 741 3 Não homologada a compensação, não resta outra alternativa à BNDESPAR senão apresentar Manifestação de Inconformidade, no prazo de 30 dias da intimação da decisão, instaurandose processo administrativo fiscal litigioso para verificação dos créditos tomados para compensação. O BNDES é o principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal e tem por objetivo primordial apoiar programas, projetos, obras e serviços que se relacionem com o desenvolvimento econômico e social do País. A BNDESPAR é uma sociedade por ações, constituída em 1982, controlada integral do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. As empresas integrantes do Sistema BNDES foram criadas com a finalidade de praticar operações que auxiliem o fomento da economia nacional ex vi d o artigo 8o da Lei n. 1.628/52 tendo como objeto a prática de atividades necessárias ao desenvolvimento da economia nacional. Sua ação é pautada nas diretrizes estratégicas formuladas em conjunto com o BNDES (principal instrumento do Governo Federal para os financiamentos de longo prazo com ênfase no estímulo à iniciativa privada nacional) e direcionada a apoiar o processo de capitalização e o desenvolvimento de empresas nacionais. Por ser uma subsidiária integral do BNDES, atua de forma aderente ao objetivo deste, que se consubstancia no desenvolvimento econômico do País. Em resumo, a BNDESPAR atua de acordo com políticas determinadas pelo Governo Federal, apoiando empresas nacionais, de forma a: Fortalecer as estruturas de capital das empresas e apoiar novos investimentos na economia; Apoiar a reestruturação da indústria através de fusões e aquisições; Apoiar o desenvolvimento de empresas emergentes; Apoiar o desenvolvimento de pequenas e médias empresas; Desenvolver a indústria de fundos fechados de "private equity"; e Contribuir para o desenvolvimento do mercado de capitais. A BNDESPAR desempenha atividades voltadas para o fortalecimento do mercado de capitais, dentre outras atividades previstas no artigo 4º de seu estatuto. Esse processo se dá pelo investimento em empresas nacionais através da subscrição de ações (participações societárias de caráter minoritário) e debêntures conversíveis e ainda, pelo fortalecimento e modernização do mercado de valores mobiliários. No contexto das atividades de fomento, as operações de apoio realizadas pela BNDESPAR, via de regra, são realizadas no longo prazo, razão pela qual, as inversões em participações societárias adquiridas com intenção de permanência são mantidas até o término do ano calendário subseqüente ao de sua aquisição, classificadas originariamente no subgrupo de Investimentos do Ativo Permanente. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 742 4 Foi com base nos aspectos acima destacados, não observados no parecer contra o qual se apresenta a presente manifestação, que foram emitidos diversos pareceres anteriores da própria Receita Federal em sentido contrário ao do despacho decisório ora recorrido. Foi formulada, com fulcro no art. 48 da Lei n. 9430/96, consulta específica a respeito da alienação de participações societárias da BNDESPAR. A consulta realizada pela BNDESPAR à Receita Federal teve como finalidade sanar dúvida referente à incidência de PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes da alienação de participação acionária de titularidade da BNDESPAR realizada em dezembro de 2005, cujo crédito, foi compensado no presente pedido de compensação (sic). A Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT N 36, de 06/02/2006 (fls. 74/82) elucidou parcialmente a consulta, restando assim ementada no tocante à COFINS, verbis: "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: BEM DO ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO. RECEITA NÃO INTEGRA A BASE DE CÁLCULO. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 06 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra a base de cálculo da Cofins. A mera intenção de alienação de participação societária permanente é incapaz de alterar a classificação, como não operacional, da receita decorrente de eventual concretização da operação. Dispositivos Legais: Art. 1o, § 3o, II, da Lei n° 10.833/2003; e art. 511 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999).” Há que se destacar que o tempo de manutenção da participação acionária nos ativos da BNDESPAR até sua alienação foi elemento determinante para que a Receita Federal concluísse que o ativo alienado preenchia os requisitos necessários para qualificálo como permanente, conforme sobressai do seguinte trecho da solução de consulta, verbis: "35. Dessa forma, a receita decorrente da alienação de participação societária em tela, mantida por mais de quatro anos, não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, por ser não operacional, decorrente da venda de ativo permanente." A conclusão da Solução de Consulta n 71/08, também é neste sentido. "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 71/08 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 6ª Região Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: REQUISITOS PARA CLASSIFICAÇÃO NO ATIVO PERMANENTE Do ponto de vista da aquisição de um bem, a simples intenção ou pretensão de vendêlo já descaracteriza a sua incorporação ao imobilizado. A entrada de um Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 743 5 bem no ativo imobilizado tem como condição básica a expectativa de permanecer no patrimônio da pessoa jurídica por mais de 12 meses com a finalidade de ser utilizado na manutenção das atividades da pessoa jurídica (ex: alugar). No caso de prazo inferior, o contribuinte deverá provar que não havia expectativa inicial de comercializar o bem. No caso dos imóveis alugados também deve ser demonstrado que havia expectativa de auferir benefícios econômicos com as locações. No caso de imóveis para atividades administrativas, devem ser apresentadas provas de que tais bens estavam destinados a estas atividades. Em não sendo satisfeitos os requisitos, para fins fiscais a classificação do bem no imobilizado é indevida, o que não permite a exclusão da receita auferida na alienação deste bem da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN (Lein n. 5172, de 25 de outubro de 1966); arts. 96 e 100; Lei n. 6404, de 1976, art. 179; Lei 10.637/2002; Lei n. 10.833, de 2003; Lei n. 10.684, de 2003; Parecer Normativo CST 3,de 28 de janeiro de 1980. Complementa a solução de consulta n. 80/2007 SRRF/ 6ª RF/Disit Sandro Luiz de Aguilar Chefe de Divisão (Data da decisão 23.5.2008)" A decisão acima ratifica as seguintes conclusões já alinhavadas na consulta específica realizada pela BNDESPAR: (i) a expectativa de permanência de um bem no ativo imobilizado por mais de 12 meses é condição para classificação no ativo permanente, o que confere natureza nãooperacional à receita decorrente de sua venda e (ii) quando o bem é comercializado antes do período de 12 meses não se presume a permanência, que deve ser provada. Também neste sentido, o Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n 3 de 28.01.1980 (D.O.U.: 04.02.1980), citado no item 25 do Parecer Consultivo n 80/2011, em que a Receita Federal orienta, no parágrafo 4o, que os resultados obtidos na alienação, baixa ou liquidação de bens do Ativo Permanente são considerados ganhos ou perdas de capital e, por conseguinte, classificados como Resultados NãoOperacionais: A definição de Investimentos e o tratamento a ser dado consta do Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n 108 de 28 de dezembro de 1978 (D.O.U.: 09.01.79), referido no item 4.2.1 do PN CST n 41 de 1980: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179., III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 744 6 permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. 7.1.1 A intenção de permanência, em certos casos, é presumida em função de critérios estabelecidos em lei. Por exemplo: a participação da companhia em sociedades coligadas e controladas, de que trata o art. 243 e seguintes da Lei n° 6.404/76, dados os reflexos da aquisição do investimento (expressiva participação do capital ou, então, assunção do controle societário); as participações decorrentes dos incentivos fiscais, cujas regras e princípios mostram, de maneira clara, que o poder público abre mão de parte de sua receita tributária, desde que aplicada em investimentos que, pela sua natureza, revestemse do caráter de permanência. 7.1.2 Da mesma forma, presumese a permanência em relação às participações em sociedades por quotas, em razão da ausência de título representativo da respectiva quota e pela formalidade exigida para a sua transferência, notadamente a necessidade de contrato escrito, registrado no órgão competente. 7.2 Ainda com relação a participações há que considerar as hipóteses de subscrição de ações, quotas ou quinhões de capital de outras sociedades, não seguida da imediata integralização. (...) 7.4 Finalmente, tem gerado dúvidas a restrição constante do final do inciso III do artigo 179 da Lei das S.A. A interpretação sistemática do dispositivo leva à conclusão de que a expressão "não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa", referese apenas aos "direitos de qualquer natureza" e não às "participações permanentes em outras sociedades". 7.4.1 Deste modo, as aplicações em direitos, não destinadas à manutenção da atividade da empresa, quando a intenção do investidor seja a de permanência, se classificam como investimento, passível de correção monetária. É o caso, por exemplo, das aplicações em imóveis não necessários à manutenção da atividade explorada e não destinados à revenda. Por sua vez, o Parecer Normativo COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n 100 de 01.12.1978 (D.O.U.: 07.12.1978) é também bastante taxativo na orientação de que bens classificados no Ativo Permanente e alienados posteriormente terão as receitas decorrentes da alienação classificadas como não operacionais. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 745 7 Através do parecer de fls. 239/247, o fisco, desconsiderando a própria Solução de Consulta para o caso específico e todo o tempo em que permaneceram no Ativo Permanente, entendeu que a receita decorrente de operação que deu origem ao crédito utilizado nas compensações não homologadas deveria ser classificada como receita operacional e, ainda, que sobre tal receita deveria incidir PIS/COFINS. O próprio Parecer Conclusivo n 121/2011 consignou que "a BNDESPAR tem suas participações societárias classificadas principalmente no ativo permanente". De fato, as ações alienadas em julho de 2005, sempre estiveram classificadas no Ativo Permanente. O Parecer também reconhece que as participações societárias permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições. Além disso, em diligência realizada na BNDESPAR, foi lavrado Termo de Verificação Fiscal MPF 201000.1594 de 21/10/2010 (doc.3), no qual a própria autoridade fiscal constatou que as ações alienadas no mês de novembro e dezembro de 2005 sempre estiveram contabilizadas no ativo permanente, razão pela qual a receita de tais vendas não integraria a base de cálculo da COFINS e do PIS, cf. trecho do termo transcrito abaixo: "Em Novembro/2005, a receita bruta de venda de ações foi de R$ 42.478.400,00, e em Dezembro/2005, de R$ 269.467.163,97, sendo que todas as participações alienadas em Novembro/2005 e Dezembro/2005 estavam registradas no Ativo Permanente, razão pela qual as receitas correspondentes não integram as bases de cálculo de PIS e COFINS". Ainda que prevalecesse o entendimento externado no parecer, o artigo 373 do Regulamento do Imposto de Renda, conjugado à Instrução Normativa n. 1.022/2010, considera como sendo Receitas Financeiras as receitas de títulos vinculados ao mercado aberto, os quais, por força do Decreto n 5.442, de 9 de maio de 2005, são sujeitos a alíquota zero de COFINS. O agente ampara a sua decisão na NPC 14 do IBRACON, mas não observa que a própria redação desta norma contábil exclui do âmbito de sua aplicação as sociedades de participação. Na clássica lição de Friedrich Müller, o texto normativo não se confunde com a norma, que é a aplicação prática de um determinado enunciado, que se origina no princípio para atingir a regra. Com efeito, a interpretação dos enunciados normativos do direito tributário não pode partir daqueles que enunciam regras. Há que se iniciar qualquer raciocínio interpretativo com fundamento nos princípios. O ordenamento jurídico se presta à proteção de valores de uma sociedade. Tais valores informam os princípios que, por sua vez, norteiam a interpretação das regras jurídicas. Assim, a Lei de tributação deve descrever, sob pena de ofensa a tal subprincípio (e, conseqüentemente, inconstitucionalidade) os 5 elementos do fato gerador principal, de forma clara: 1 Elemento Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 746 8 Material (hipótese de incidência), 2 Elemento Subjetivo (sujeito ativo e sujeito passivo), 3 Elemento Temporal, 4 Elemento Espacial e 5 Elemento Quantitativo (alíquota e base de cálculo). No caso, há uma aparente obscuridade na definição do elemento material da COFINS, que levou a não homologação das declarações de compensação que indicaram como crédito pagamento indevido de tal tributo. A BNDESPAR entende que deve prevalecer a sua intenção ao adquirir os ativos, alienados alguns anos mais tarde. O Fisco, através do parecer de fls. 239 e seguintes entendeu que a tal operação integra o objeto da BNDESPAR, desconsiderando todo o tempo em que permaneceram no Ativo Permanente e classificando a receita dele decorrente como operacional. A não homologação de tal crédito implica em ofensa ao princípio da igualdade, regulado, em matéria tributária, no CRFB artigo 150 II (isonomia fiscal ou igualdade tributária), segundo o qual é vedado aos Entes federativos instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. No caso concreto, haveria violação ao subprincípio da generalidade, no sentido de que todo contribuinte que exteriorizar idêntica capacidade contributiva deverá sofrer a mesma carga de tributação. Embora o artigo 153 2 , I, da CRFB/88, se refira especificamente ao imposto de renda, o operador do direito deverá interpretálo de forma sistemática (lex dixit minus quam voluit), buscando a generalidade em todo o sistema tributário, em razão da isonomia, da igualdade na tributação. Ademais, conforme já visto, o Parecer Conclusivo n 121/2011 esbarra no princípio do Nemo potest venire contra factum proprium, termo utilizado, na doutrina, por Ruy Barbosa Nogueira. De acordo com esse princípio, a Administração Pública não poderá contradizer uma decisão por ela tomada anteriormente. A Administração "não pode punir ou onerar alguém por ter seguido as instruções ou orientações ainda que o fisco as venha repudiar". Não haverá contradição entre uma vontade administrativa expectorada e uma vontade administrativa futura. Antes de se aplicar os enunciados normativos de direito tributário devese interpretálos. Ao contrário da aplicação, a interpretação, de fato, admite mais de um resultado, até mesmo porque, como admite Ricardo Lobo Torres, os métodos de interpretação são intercomunicáveis. O argumento do operador pode partir de dois ou mais métodos hermenêuticos, não existindo hierarquia entre eles: Podese falar ainda na interpretação benigna (em casos de dúvida, como o presente, aponta o artigo 112 do CTN que deve se interpretar em favor do contribuinte) e no método histórico, que não tem maior relevância na presente questão. Por outro lado, em razão da tipicidade fechada adotada pelo Direito Tributário brasileiro, não se pode admitir a interpretação Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 747 9 econômica, prófisco, que vai de encontro às garantias fundamentais, ao permitir que a autoridade fazendária promova a tributação independentemente da forma adequada, sempre que houver alguma exteriorização de riqueza (remonta ao Código Tributário Alemão de 1919, vigente até 1977). Na presente hipótese, vislumbrase claramente esta interpretação econômica, típica da jurisprudência dos interesses, que não pode ser admitida em hipótese alguma, pois configura claramente um excesso de exação, constituindo ato atentatório à moralidade administrativa em matéria tributária. Se o Parecer conclui que aquela receita tem caráter especulativo, ignorando o tempo em que os ativos permaneceram classificados como Ativo Permanente, que indicam a natureza não operacional dos mesmos, por que, então, não concluiu que se tratava de receita financeira, sujeita a alíquota zero, por força do Decreto n 5.442, de 9 de maio de 2005? Levandose em consideração que a conclusão pela incidência ou não de COFINS no caso depende, não meramente de sua classificação contábil, mas da verificação da real natureza da receita, se operacional ou não, a BNDESPAR entende ser imprescindível a realização de diligência e perícia para aferição de sua real natureza ex vi do artigo 18 do Decreto n. 70.235/72. Transcrevo os requerimentos finais: que sejam juntados ao processo, os documentos que acompanham a presente Manifestação; que seja concedido prazo adicional razoável, para serem juntados ao processo documentação suplementar ex vi da alínea "a" do parágrafo 4º do inciso V do artigo 16 do Decreto n°. 70.235 de 06/03/1972; que seja homologada a declaração de compensação que indicou como crédito pagamento indevido de COFINS, em função da alienação de valores mobiliários em julho de 2005, conforme entendimento firmado na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006, a qual concluiu pela não incidência de PIS/COFINS; subsidiariamente, que sejam homologadas as declarações de compensação que indicaram como crédito pagamento indevido de COFINS, porque o pagamento era mesmo indevido, por força do § 3o do artigo 1o da Lei 10.833,de 2003; a exclusão da multa, dos juros de mora e do valor correspondente à atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN; seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da glosa, nos termos do art. 151, III do CTN e do § 11 do art. 4 da Lei nº 9.430/96. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 16ª Turma da DRJ/RJ1. O voto condutor da decisão recorrida considerou que o fato de o contribuinte manter as ações no Ativo Permanente por mais de um exercício social não é suficiente para deduzir o caráter permanente da aplicação, devendose levar em consideração a sua principal atividade, concluindo que “...os resultados provenientes da alienação de suas participações societárias, compõem o seu resultado operacional, refletindo a estratégia de giro da carteira de Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 748 10 investimentos da BNDESPAR e visam contribuir com o orçamento de investimentos do Sistema BNDES, sempre aproveitando as oportunidades favoráveis do mercado, como afirmado pela própria interessada. Conseqüentemente, tais investimentos não poderiam ser classificados no Ativo Permanente. A sua correta classificação seria no Ativo Circulante, ou no Ativo Realizável a Longo Prazo, dado o tempo de duração do investimento.“ (fls. 660) O Acórdão nº 1245.821, de 25 de abril de 2012, fls. 497 a 519, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A alienação de participação societária com características que atendem o objeto social da sociedade integra a sua receita operacional, sujeitandose à norma de incidência da Cofins. SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica o disposto em solução de consulta, quando esta versar sobre fato distinto daquele objeto do litígio. RESULTADO DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. RECEITA FINANCEIRA. Não se considera receita financeira o resultado de alienação de ações, quando decorrentes da atividade principal da sociedade. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos objeto de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 16ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 527 a 565, após protestar pela tempestividade do apelo, rechaçar os encargos moratórios constantes do DARF em anexo à Comunicação nº 123/2013, haja vista o depósito integral do crédito questionado no processo nº 16682.720184/201016 e sintetizar os fatos relacionados com a lide, refuta a inaplicabilidade da Solução de Consulta nº 36 de 06/02/2006, reiterando os termos do voto vencido no Acórdão recorrido e do entendimento da Administração Tributária, plasmado na Solução de Consulta nº 71/08, da SRRF/6ªRF, e nos pareceres PNCST nº 3, de 1980; 41, de 1980; 108, de 1978; 100, de 1978, e; 114, de 1979. Invoca precedente administrativo que chancelaria o critério temporal para a determinação da classificação contábil da receita. Na continuação, retoma as digressões já oferecidas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 749 11 Conclui, requerendo: a) o reconhecimento do direito creditório, com a consequente homologação da compensação; b) a exclusão da multa, dos juros de mora e do valor correspondente atualização do valor monetária da base de calculo do tributo, na forma do parágrafo único do art. 100 c/c art. 112 do CTN; c) a manutenção da suspensão da exigibilidade do credito tributário decorrente da glosa, nos termos do art. 151, III do CTN e do § 11 do art.74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e; d) caso entenda ausente as evidências de que a receita tributada é nãooperacional ou sujeita a alíquota zero, requerse a anulação da decisão recorrida e a determinação da realização de diligências e perícias para a demonstração da real natureza da receita tributada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Através da Resolução Carf nº 3403000.522, de 27/11/2013, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: O recorrente invoca, como fundamento de seu direito creditório, a SRRF/7 RF/DISIT Nº 36, de 06/02/2006 (fls. 74 a 82.), segundo a qual a receita com venda de ações constantes do ativo permanente é não operacional, e por isso não deve compor a base de cálculo para a tributação de PIS/COFINS. Observase que tal consulta, nos termos de sua conclusão (itens 36 a 39, fls. 356) teve ineficácia parcial declarada, só sendo vinculante em relação ao disposto no seu item 39, abaixo transcrito: "39. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra as bases de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS.” (...) Todavia, a situação fática que subjaz à consulta formulada é distinta da que teria originado o direito creditório ora convertido. Enquanto lá se trata de alienações de participação societária permanente, formada em 06/08/2001, ocorridas em 13/12/2005, no presente processo, cuida se de alienações que ocorreram em julho de 2005. (...) Às folhas 474, o interessado, enquanto manifestante, produziu um demonstrativo dos ativos alienados: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 750 12 Diante desse quadro, percebese que, à exceção das da Paranapanema, adquiridas sem dezembro de 2004, todas as ações alienadas em julho permaneciam em carteira há mais de 1 (um) ano, fato que, pelo menos no que tange o aspecto temporal, caracterizaria a intenção do investimento permanente. Nada obstante, não está claro nos autos a classificação contábil dessas ações no momento da venda, se no circulante, no permanente, ou se foram reclassificadas para o circulante antes da venda. Essa informação é significativa, motivo pelo qual voto por que se converta o julgamento do recurso em diligência, baixandose o processo para a Autoridade Preparadora, para que se intime o interessado a esclarecer a dúvida, com apoio em documentação hábil e idônea. Em decorrência da diligência foi emitida a Informação Fiscal de fls.719/720. É o relatório. VOTO Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Esclarece a Informação Fiscal de fls.719/720: Logo, após a Intimação n° 223/2015 (fl. 677/678), o contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) anexa a resposta (fls. 683/697) conforme o pedido pelo CARF. 8.A registrar o engano cometido pelo CARF assim como pelo contribuinte: Conforme fl. 674 o relator descreve “desse quadro, percebese que, à exceção das da Paranapanema, adquiridas em dezembro de 2004, todas as ações alienadas em julho permaneciam Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16682.901004/201186 Resolução nº 3302000.666 S3C3T2 Fl. 751 13 em carteira há mais de hum ano, ...”. Se analizarmos o quadro dessa mesma folha, assim como o constante da Manifestação de Inconformidade – Doc. 02 – Relação Ativos Alienados e data Aquisição, verificaremos, que também as ações da ENERSUL foram adquiridas em dez/04. Assim sendo, o contribuinte segue no mesmo erro, à fl. 685, em suas considerações finais, citando a parcela de crédito a ser glosada, correspondente a somente alienação das ações da PARANAPANEMA, não citando nesse calculo as açõs da ENERSUL. Verificase dos autos que o contribuinte não foi cientificado da Informação Fiscal de fls.719/720, acima transcrita, na qual a fiscalização interpreta os fatos decorrentes das peças documentais acostadas aos autos pelo referido contribuinte. Nesse sentido, com vistas a dar cumprimento ao parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja o contribuinte regularmente intimado do teor da Informação Fiscal de fls.719/720. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação de inconformidade no tocante ao conteúdo da referida Informação Fiscal, devolvase o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 751DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.903808/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.005
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado no Pedido de Restituição já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do presente pleito. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte protestou por não ter sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito e requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 03 80 8/ 20 11 -7 7 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10530.903808/201177 Resolução nº 3201001.005 S3C2T1 Fl. 3 2 submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse, a partir do confronto das informações declaradas e prestadas pelo contribuinte, na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando o seguinte: a) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, sendo descabida a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário; b) o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material, encontrandose a contabilidade lastreada em documentação idônea; c) o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei nº 9.716/1998, fato esse que se comprova pela planilha de cálculo juntada ao recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; d) o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/1998, em sede de repercussão geral, devendose observar o teor do art. 26A do Decreto 70.235/72 e o art. 62A do RICARF; e) a Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998. Ao final, pugna o Recorrente pelo provimento do recurso voluntário para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.004, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 10530.903807/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.004): Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10530.903808/201177 Resolução nº 3201001.005 S3C2T1 Fl. 4 3 A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10530.903808/201177 Resolução nº 3201001.005 S3C2T1 Fl. 5 4 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10530.903808/201177 Resolução nº 3201001.005 S3C2T1 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801 000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10530.903808/201177 Resolução nº 3201001.005 S3C2T1 Fl. 7 6 apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, Balancete e livro Razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, consignando os resultados apurados em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1113DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.001116/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Ausentes tais vícios, os embargos não devem ser conhecidos.
Numero da decisão: 2301-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos embargos de declaração, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fabio Piovesan Bozza.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto Relator
(assinado digitalmente)
Fabio Piovesan Bozza Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Ausentes tais vícios, os embargos não devem ser conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos embargos de declaração, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fabio Piovesan Bozza. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 11 16 /2 00 7- 86 Fl. 564DF CARF MF 2 Fabio Piovesan Bozza – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Recorrente opostos contra o Acórdão nº 2803001.531 (fls. 494508), proferido em 15/05/2012, pela 3ª Turma Especial da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: " Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores referentes às competências anteriores a 12/2000, inclusive. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em 09/09/2013, o embargante apresentou os presentes Embargos de Declaração (fls. 522 a 525) sustentando obscuridade no acórdão embargado nos seguintes termos: 4. Ao apreciar a alegação de decadência formulada pela Embargante em seu Recurso Voluntário, o v. acórdão aduziu que "Do relatório DAD Discriminativo Analítico do Débito, constatase a não ocorrência de pagamentos referentes as Fl. 565DF CARF MF Processo nº 17546.001116/200786 Acórdão n.º 2301005.010 S2C3T1 Fl. 565 3 rubricas sub examine", o que obstaria a aplicação do art. 150, §4º, do CTN, ou seja, afastando o reconhecimento do fato gerador como termo inicial do prazo decadencial. 5. Ocorre que, com toda a vênia, houve efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias no período em questão pela Embargante, conforme corroboram os documentos anexos (doc. 02), abrangendo especificamente as competências de janeiro, fevereiro e maio/01. 6. Ressaltese que a análise dos referidos documentos é essencial ao correto deslinde do feito, pois, conforme reconhece esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive mediante decisão da Colenda Câmara Superior, a existência de antecipação de pagamento impõe a aplicação do prazo decadencial insculpido no art. 150, §4º, do CTN: (...) 7. Nesse sentido, renovada a vênia, o v. acórdão incorreu em obscuridade a ser sanada, cumprindo confrontar o entendimento adotado com a existência de recolhimento das contribuições previdenciárias nas competências controvertidas, o que, nos termos do próprio voto proferido, enseja a aplicação do art. 150, §4º, do CTN, com consequente extinção do crédito tributário com relação a tais competências tendo em vista que o lançamento se aperfeiçoou apenas em 29 de novembro de 2006. 8. Adicionalmente ao acima exposto, apontese que, muito embora o voto vencedor, proferido pelo Ilmo. Sr. Conselheiro Gustavo Vettorato, tenha decidido pela decadência até a competência de dezembro/00, aclarese que a autuação já havia sido retificada para excluir a exigência relativa a esta competência, em razão de pagamento verificado, causa de extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, I, do CTN, conforme se verifica às fls. 311 dos autos. Assim, cumpre ser aclarado também esse ponto na r. decisão embargada." Os embargos foram admitidos pelo presidente da 2ª Seção em 23/03/2014 (fls. 555 e 556), em decorrência da potencial existência de obscuridade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, dele conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Fl. 566DF CARF MF 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Alega a embargante que a decisão a quo contém obscuridade. No que tange à obscuridade do acórdão embargado em virtude da aplicação da regra decadencial do art 173, I, do CTN, ao passo que deveria ser aplicada a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN em virtude da existência de pagamentos parciais para as competências janeiro, fevereiro e maio de 2001 (fls. 531 a 542), não identificamos a apresentação das guias de recolhimento das referidas competências até o momento dos embargos de declaração, de forma que a aceitação dos comprovantes agora apresentados e a alteração da regra decadencial aplicável implicaria alteração significativa do acórdão embargado. Dessa forma, considerando que os embargos de declaração deverão se limitar a esclarecer obscuridades, omissões ou contradições constantes do Acórdão embargado, entendo que a eventual conversão em diligência para análise das guias de recolhimento não poderá ser feita nessa etapa do processo, de forma que o melhor momento para tal análise se dará no momento da execução fiscal. Nesse sentido, entendo que os embargos de declaração não devem ser acolhidos com relação à potencial obscuridade alegada. Com relação à questão de que o voto vencedor tenha sido pela decadência até a competência de dezembro/00 e que já havia retificação da autuação para exclusão da competência de dezembro/00 em razão de pagamento verificado (fls. 330 e 331), entendo que deve ocorrer a alteração do dispositivo do acórdão e do voto vencedor, para que fique claro que já houve reconhecimento da extinção do crédito tributário para a competência 12/2000 em que pese o reconhecimento da decadência abranja a competência 12/2000 nos seguintes termos "com base nos fatos geradores ocorridos a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN, ou seja, os períodos anteriores à 12/2000, inclusive este". Por fim, destaquese que consta no voto do redator designado o seguinte trecho: "Em que pese a corretude da maioria do voto do Relator, entendo que a data de corte decadencial inclui o período 12/2001", no entanto, a partir da leitura da conclusão do voto do redator designado e da própria ementa do acórdão, verificase que o redator se refere sempre ao período 12/2000 como data de corte, de forma que entendo que o referido trecho também deve ser corrigido, uma vez que está em contradição com o restante do acórdão. Com base no exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração para retificar o voto do Relator do Acórdão nº 2803001.531 (fls. 494508), para correção da contradição na conclusão do voto do relator, de forma que a conclusão do voto ficará com a seguinte redação: Texto Alterado a ser Transposto para a Ementa (fl. 494): CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, Fl. 567DF CARF MF Processo nº 17546.001116/200786 Acórdão n.º 2301005.010 S2C3T1 Fl. 566 5 devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores referentes às competências anteriores a 12/2000, inclusive, sendo que especificamente para a competência 12/2000, já havia sido reconhecida a extinção do crédito tributário conforme Acórdão do DRJ. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Texto Alterado a ser Transposto para o Voto (fl. 507): Em que pese a corretude da maioria do voto do Relator, entendo que a data de corte decadencial inclui o período 12/2000. Texto Alterado a ser Transposto para o Voto (fl. 508): Dessa forma, considerando que a data de consolidação do lançamento deuse em 29/11/2006, resta por decretar a extinção dos créditos tributários (art. 156, do CTN) por ocorrência do lapso decadencial que tiveram por base fatos geradores anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN, ou seja, os períodos anteriores à 12/2000, inclusive este. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito darlhe provimento, para declarar a extinção do crédito tributário, por decadência, com base nos fatos geradores ocorridos a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN, ou seja, os períodos anteriores à 12/2000, inclusive este, sendo que especificamente para a competência 12/2000, já havia sido reconhecida a extinção do crédito tributário conforme Acórdão do DRJ. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto – Relator Voto Vencedor Conselheiro Fábio Piovesan Bozza A divergência da maioria dos componentes da turma em relação ao voto do nobre relator referese somente ao conhecimento dos presentes embargos com o objetivo de alterar a ementa do acórdão embargado e do voto vencedor, para que ficasse claro que já teria havido o reconhecimento da extinção do crédito tributário para a competência 12/2000 por parte da fiscalização. Fl. 568DF CARF MF 6 No entanto, o acórdão embargado – em sua ementa, parte dispositiva e voto vencedor – já fez menção à extensão dos efeitos da decadência de modo a abarcar as competências havidas até 12/2000 (inclusive), não havendo contradição ou omissão a serem supridas. Por isso, o entendimento da maioria da turma foi pelo não conhecimento dos embargos também nessa parte. Fábio Piovesan Bozza – Redator Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.951794/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.610
Decisão: Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões.
Fez sustentação oral a Dra. Giselda Félix de Lima, OAB nº 96.343.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Relatório
Por bem transcrever os fatos e ser sintético, transcreve-se o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 54 e seguintes:
Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de PIS/PASEP, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração dezembro de 2004, no valor de R$ 30.532,13, transmitido através da Dcomp nº 09383.31702.240806.1.3.04-7077.
A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 40, proferido em 24/08/2009, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte.
Cientificado do despacho em 02/09/2009 (fl. 48), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/3, para alegar que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa.
Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação.
Com base em tal saldo, o interessado teria transmitido os pedidos de compensação, mas não teria atualizado a DCTF.
Alegou que o valor do débito estaria correto no Dacon e esclareceu que após ter recebido o despacho decisório, teria providenciado a retificação da DCTF.
Concluiu, para requerer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade.
Sobreveio, então, decisão da DRJ/Ribeirão Preto, não reconhecendo o direito creditório pleiteado:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO.
Retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário, fls. 64/76, onde explicou com maiores detalhes de onde existiria seu crédito e acostou alguns documentos ao recurso.
É o relatório.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Giselda Félix de Lima, OAB nº 96.343. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, transcrevese o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 54 e seguintes1: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de PIS/PASEP, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração dezembro de 2004, no valor de R$ 30.532,13, transmitido através da Dcomp nº 09383.31702.240806.1.3.047077. 1 Todas as páginas, referenciadas no presente voto, referemse ao eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 51 79 4/ 20 09 -4 7 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15374.951794/200947 Resolução nº 3302000.610 S3C3T2 Fl. 3 2 A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 40, proferido em 24/08/2009, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 02/09/2009 (fl. 48), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/3, para alegar que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa. Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação. Com base em tal saldo, o interessado teria transmitido os pedidos de compensação, mas não teria atualizado a DCTF. Alegou que o valor do débito estaria correto no Dacon e esclareceu que após ter recebido o despacho decisório, teria providenciado a retificação da DCTF. Concluiu, para requerer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Ribeirão Preto, não reconhecendo o direito creditório pleiteado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário, fls. 64/76, onde explicou com maiores detalhes de onde existiria seu crédito e acostou alguns documentos ao recurso. É o relatório. Voto Da análise dos autos, percebese que a contribuinte anexou ao Recurso Voluntário vários contratos do setor elétrico. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15374.951794/200947 Resolução nº 3302000.610 S3C3T2 Fl. 4 3 No caso em análise, a questão é saber se os contratos possuíam receitas que se sujeitavam ao regime cumulativo em razão do preço prédeterminado. Os contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003 tiveram suas receitas excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, vide legislação abaixo: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça quanto ao conceito de preço predeterminado: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15374.951794/200947 Resolução nº 3302000.610 S3C3T2 Fl. 5 4 generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. (REsp Nº 1.169.088/MT; Relator: Ministro Castro Meira) (grifos não constam no original) Diante da complexidade que envolve o tema, é necessária a conversão do feito em diligência para: 1. Identificar as receitas auferidas do contrato do qual decorrem, inclusive identificando as decorrentes de cada aditivo contratual; 2. Identificar o reajustamento e se estão dentro do conceito predeterminado; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 6. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP; 7. Elaborar relatório, separando as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e à incidência cumulativa, considerando as disposições do §3º do artigo 3º da IN SRF 658/2006; Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15374.951794/200947 Resolução nº 3302000.610 S3C3T2 Fl. 6 5 8. Intimar a Recorrente a apresentar os esclarecimentos, que entender necessários e, após a conclusão dos trabalhos, intimála para manifestar no prazo de 30 (trinta) dias em conformidade com o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904868/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.983
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.904868/201115 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.983 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto RESTITUIÇÃO Recorrente RODOBENS CAMINHÕES BAHIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 86 8/ 20 11 -1 5 Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10530.904868/201115 Resolução nº 3201000.983 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10530.904868/201115 Resolução nº 3201000.983 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10530.904868/201115 Resolução nº 3201000.983 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10530.904868/201115 Resolução nº 3201000.983 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1084DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007820/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
0 direito do contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a prescrição das declarações de compensações que integram os autos e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo Recorrente Dr. Alessandro Mendes Cardoso - OAB/MG no 76.714
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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DECADÊNCIA. 0 direito do contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a prescrição das declarações de compensações que integram os autos e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo Recorrente Dr. Alessandro Mendes Cardoso - OAB/MG no 76.714. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora - I ^ EDITADO EM: .rtI JUL 2011 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo da análise de diversas Declarações de Compensações — Dcomp, juntadas As fls. 01, 31/32, 37/40, 45/48, 57/60, 61/64, 65/68, 69/73, 74/77, 78/81 e retificadoras juntadas As fls. 41/44, 49/52 e 53/56, cujo crédito correspondente é o saldo negativo da CSLL apurado no ano-calendário de 1997. A autoridade a quo que detém competência inicial a apreciar o pedido da contribuinte indeferiu-o pelas seguintes razões, conforme relatado pela turma julgadora de primeira instância: 3. Apreciando as DCOMP 's apresentadas pelo contribuinte, acima identificadas, a DRF prolata o Despacho Decisório as fls. 278 a 282, nos seguintes termos: Esclarece, inicialmente, que as DCOMP's apresentadas foram declaradas ao amparo da "Ação Ordinária Declaratória com Pedido de Antecipação de Tutela", objetivando o "direito de deduzir integralmente a diferença IPC/BTNF de 1990, sem qualquer. postergação, como pretendeu a Lei n° 8.200/91, alterada pela Lei n" 8.682/93, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido". Informa que a ação impetrada pelo contribuinte transitou em julgado em 10 de agosto de 2000, "tornando definitiva a sentença proferida favoravelmente aos autores". 11.1 Analisando os procedimentos executados pelo contribuinte, constata: "Ao analisar os esclarecimentos acima, do contribuinte e os documentos fornecidos, verificamos que na apuração da base de cálculo da CSLL do ano calendário de 1995, procedeu a exclusão do saldo devedor de correção monetária IPC/BTNF Ws. 229). Como acabara de impetrar a ação em questão, efetuou a provisão de CSLL a pagar correspondente a exclusão efetuada. Em 1997, com a 1" sentença favorável, procedeu ã reversão da referida provisão (fls. 232/233). Portanto, o contribuinte usufruiu antecipadamente do pleito da ação judicial, já no ano calendário de 1995 (DIPJ 1996)." Em função das constatações. acima, a DRF conclui: "Assim, recomendo a não homologação da compensação dos débitos vinculados ao presente processo/ação judicial, devido a inexistência do crédito correspondente, pois o Saldo Negativo de CSLL do ano calendário de 1995 (R$ 3.603.347,13), quando ocorreu a exclusão do saldo devedor da Correção Monetária da 2 Processo n° 10680.007820/2003-25 SI-TE01 Acercldo n.° 1801-00.199 Fl. 2 Lei n° 8.200/91, foi totalmente utilizado na compensação das estimativas de CSLL de 1997 e 1998, conforme demonstrado ás fls. 96a 102". Irresignada com a não homologação das compensações solicitadas, esclareceu a contribuinte, consoante relatado: "A requerente é detentora de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no valor original de R$ 2.066.953,35, informado na DIPJ do ano-base de 1997, o qual já foi objeto de fiscalização e validado pela Secretaria da Receita Federal através do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n" 0610100/00278/02". [..] "Portanto, em maio de 1997, a requerente obteve judicialmente a confirmação do procedimento adotado em 1995, qual seja: o direito de deduzir integralmente na base de cálculo da CSL o saldo devedor da diferença de correção monetária, bem como os encargos de depreciação, amortização e baixas sobre a mais valia dos bens do ativo permanente existentes em 1990." Esclarece que no ano-base de 1995 deduziu integralmente o saldo devedor da Lei n" 8.200/91 na base de cálculo da CSLL, bem como os correspondentes encargos de depreciação. Como inexistia naquela data decisão definitiva quanto ao procedimento, constituiu provisão no exato valor do efeito produzido pelas exclusões efetuadas. Argumenta que "esta despesa coin a provisão da CSL sobre a diferença dedutivel de correção monetária da Lei n" 8.200/91 não produziu efeitos no lucro liquido que serviu de base da CSL do período-base de 1995, pois a DIPJ parte do lucro antes da CSL". Informa que, em 1997, diante da sentença favorável prolatada pelo Poder Judiciário, realizou a reversão contábil da provisão constituída na DIPJ/96. Argumenta que, "dessa forna, a requerente procedeu ci exclusão do referido valor para impedir a tributação desta receita, proveniente da reversão de provisão constituída em contrapartida de CSLL em 1995, e, portanto, considerada indedutivel naquele ano ". "0 crédito, no valor original de R$ 2.066.953,35, informado nos pedidos de compensação, existe e está demonstrado na DIPJ do ano-base de 1997. .Aleiiz disso, já foi objeto de análise pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal e homologado através do MPF n" 0610100/00278/02". Busca amparo em texto de Jaime Marins para invocar o principio da verdade material, afirmando que: "o crédito de CSLL apurado e declarado pela requerente no ano-base de 1997 é procedente e não é proveniente de uma exclusão do saldo devedor de Correção Monetária da Lei n" 8.200/91 em duplicidade". 3 A Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, ao apreciar o litígio, exarou o Acórdão n° 02-16.499/07, fls. 440 a 455, entendendo por não homologar as Dcomp, antes, porém, solicitando a realização de diligências junto 6. autuada. Assim fundamentou o referido acórdão, destacando-se os seguintes trechos: 11. A validação da compensação tributciria envolve, in dois tópicos: o reconhecimento do direito creditório utilizado e a sua suficiência na extinção dos débitos. 0 manifestante se insurge quanto ao indeferimento do crédito que resultou na não homologação das compensa cães. Então vejamos: ANÁLISE DO CRÉDITO UTILIZADO NAS DCOMP'S 14.0 contribuinte, por sua vez, argumenta que o crédito apurado em 1997 é legitimo e jci validado pelo .fisco em ação fiscal. Tendo enlvista estas alegações, o processo foi convertido em diligência para que fossem anexados os relatórios do fisco na auditoria decorrente do MPF 0610100/00278/2002, bem como o Auto de Infração dele decorrente e o resultado do processo administrativo 10680.018012/2002-11. Destes documentos, anexados as fls. 328 a 371, extrai-se, resumidamente: Analisando toda a documentação apresentada bem como as declarações do imposto de renda da pessoa jurídica dos anos- calendário de 1997 a 2001, o livro de apura cão do lucro real (LALUR) e as memórias de cálculo da CSLL e do IRPJ, veri ficamos que o contribuinte não adicionou integralmente, na apuração da base de cálculo da CSLL, os valores da conta Provisão para Riscos Fiscais (4.9.4.50.00-6), com exceção da subconta Provisão para Riscos Fiscais — Outros (4.9.4.50.90.3- 1.99.00 que foi adicionada nos anos calendário de 1997 e 1998. Questionado a respeito do procedimento adotado, o contribuinte alegou que entende não haver previsão legal para que os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa sejam adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, pois o dispositivo que rege a matéria art. 41, ss' 1", da Lei n" 8.981/95, aplicar-se-ia tão somente a apuração da base de cálculo do IRRI Face ao exposto, procedemos a adição dos valores das Provisões para Riscos Fiscais que deixaram de ser adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme planilha demonstrativa anexa a este Termo de Verificação Fiscal, recompondo a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro e procedendo ao lançamento de oficio enz Auto de Infração próprio de cujo Termo de Verificação Fiscal é parte integrante e indissociável. o fisco elaborou planilha demonstrativa das "provisões para riscos fiscais não adicionadas na base de calculo da CSLL" identificadas quando da auditoria. Esta planilha contempla débitos de PIS, INSS-COMPENSACA -0, SALA' RIO EDUCA 0 -0, 4 Processo n° 10680.007820/2003-25 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.199 Fl. 3 COFINS e OUTROS (fl. 335) Note-se que, dentre os tributos e contribuições identificados pelo fisco não está a provisão para a CSLL originada na ação judicial mencionada pelo contribuinte em sua impugnação, ou seja, decorrente da "dedução integral da diferença do IPC/BTNF de 1990, sem qualquer postergação". 14.10 fisco também elaborou demonstrativos da "compensação de Bases Negativas" e o demonstrativo de "apuração da CSLL" efetuadas no período auditado: 1997 a 2001. Note-se que. com referência ao ano calendário de 1997, objeto da lide, o fisco não apurou CSLL a ser exigida, considerando que as infrações apuradas foram absorvidas pela "base de cálculo negativa da CSLL" de períodos .anteriores. Coin este resultado, o impugnante argumenta que o "Saldo Negativo de CSLL" apurado na DIPJ/98 (AC 1997) "já foi objeto de análise pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal e homologado através do MPF n°0610100/00278/02". 14.2A origem do crédito de CSLL utilizado nas DCOMP's em litígio é decorrente de procedimentos autorizados pelo poder judiciário (em 1997), e executados antes do trânsito em julgado da ação (10/08/2000). Ou seja, trata-se de um procedimento semelhante àquele adotado pelo contribuinte em relação aos débitos de PIS, INSS-COMPENSAÇÃO, SALA' RIO EDUCAÇÃO, COFINS e OUTROS identificados ã fl. 335. Contudo, a auditoria promovida pelo fisco em fim cão do MPF 0610100/00278/2002, que resultou no Auto de Infração cadastrado no processo 10680.018012/2002-11 não contempla a verificação da "dedução da diferença do IPC/BTNF de 1990", nos moldes em que determinada pelo Poder Judiciário. Vale dizer, o procedimento que deu origem a apuração da CSLL no ano calendário de 1997 não foi aferido pelo fisco quanto do MPF 0610100/00278/2002. 24.Dessa forma, ao contribuinte cabia apurar o quantum devido e informar a administração a sua extinção através da compensação (sob condição resolutória de ulterior homologação). 0 instrumento criado pela Administração Pública para este fim, naquela data, reportava-se à DCTF. Confira-se: Instrução Normativa SRF n" 73, de 19 de dezembro de 1996 Art. 2" Deverão apresentar a Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF: III - as instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional, independentemente do valor mensal dos tributos e contribuições a declarar e do faturamento mensal. 5 CSLL declarada R$ ' 1.813.933,60 -,253.00,7 1?-$0;09., , , RS Valor compensado • $ „ 53 0J9,75» R$"6",-06 aci • Art. 7° A DCTF deverá conter as seguintes informa cães, relativas ao trimestre de competência: X- total do imposto apurado; XI- compensações; XII - valores com exigibilidade suspensa; XIII -pagamentos efetuados; XIV - parcelamentos concedidos; XV- o saldo apagar por tributo ou contribuição; s.sç 1° No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação. Ou seja, nos termos do art. 113 do CT1V, a administração instituiu a obrigação acessória da DCTF onde o contribuinte deveria, nos moldes do lançamento por homologação, informar a CSLL apurada e a sua forma de extinção, no caso, através da compensação de débitos. Ressalte-se ainda que, o procedimento deveria ser efetuado dentro do prazo previsto pela legislação de regência, e, ainda que extemporaneamente, limitado ao prazo decadencial previsto 110 § 4° do art. 150 do CTN. 25.1Foram apresentadas 03 (três) DCTF's destinadas aos 1", 2", 3°c 4° trimestres de 1997: DCTF Original - Data 1() trimestre 25/09/97 CSLL declarada R$ 0,00 Retificadora - Data i.05/06/98 CSLL declarada Retificadora - Data 7 02/09/2003 20 trimestre 30/10/97 R$ 0,00 - , 05/06/98 , R$ , 02/09/2003 3 0 trimestre 28/11/97 R$ 0,00 05/06/98 02/09i00. 4° trimestre 29/01/98 R$ 0,00 -05/06/98 R$0,00: !:92/09/2003 Dados extraídos dos documentos anexados As fls. 388 a 439 0 demonstrativo acima nos permite as seguintes constatações: Em um primeiro momento, quando da apresentação da DCTF original, o contribuinte não cumpriu com o determinado na legislação tributária vigente, ou seja, apurar e informar ao fisco a CSLL devida no decorrer do ano calendário de 1997. 6 Processo n° 10680.007820/2003-25 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.199 Fl. 4 A omissão cometida quando da apresentação das DCTF's originais se manteve quando da apresentação das primeiras retificadoras apresentadas — em 05/06/1998. As terceiras DCTF's apresentadas, aos 02/09/2003, continham as informações acerca da apuração da CSLL referente ao ano calendário de 1997. Contudo, não foram informados pagamentos para os valores apurados, mas pretendeu-se validar o crédito já utilizado nas DCOMP's em análise neste processo (apresentadas no período de maio a agosto/2003). 25.20 procedimento executado pelo contribuinte ern relação ã CSLL-estimativa apurada no ano calendário de 1997 não tem amparo na legislação vigente: - Inicialmente o fisco não foi informado dos dados de apuração da CSLL do período dentro do prazo decadencial, de modo que, não ocorreu a homologação tácita prevista no § 4" do art. 150 do CTN. - A informação prestada pelo contribuinte nas DCTF's retificadoras apresentadas em 02/09/2003 foi efetuada fora do prazo regulamentar, quando já transcorridos mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador (31/12/1997 — data da apuração da CSLL). - Mesmo considerando que o prazo decadencial para constituição da CSLL é de 10 (dez) anos, a utilização de pretenso crédito apurado em 1996 (restituição através da compensação) na extinção destes débitos já não era mais permitida em 2003 — data da apresentação das DCTF's - por força do art. 168 do CTN. - Na data em que apresentadas as DCTF's retificadoras — 02/09/2003 — a compensação tributciria acerca dos tributos e contribuições administrados pela SRF somente era efetuada através da apresentação de PERDCOMP, nos termos do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, na versão dada pela Lei le 10.637, de 2002. - As compensações informadas nas DCTF's retificadoras em 02/09/2003, com relação a CSLL, tiveram como único intento a validação das compensações declaradas nas DCOMP 's em análise neste processo, apresentadas antes da transmissão destas DCTF's. Vale dizer, na data cia apresentação das DCOMP 's, independentemente de qualquer outro motivo, o crédito utilizado era inexistente. 26.Assim sendo, considerando toda a argumentação acima despendida, as compensações informadas pelo contribuinte nas DCTF's apresentadas em 02/09/2003 não podem ser validadas. Conseqüentemente, inexistem as antecipações mensais invocadas pelo contribuinte, que deram origem ao pretenso Saldo Negativo de CSLL em 1997. C%13! 7 27.Diante da ausência dos valores antecipados no decorrer do ano calendário de 1997, inexiste Saldo Negativo de CSLL no ano calendário de 1997, independentemente do valor da CSLL apurada neste período. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO 28. Apesar de suficiente para o indeferimento do pleito, a inexistência do crédito não é o único motivo. Ainda que confirmado o saldo negativo de CSLL utilizado nas DCOMP 's, e não foi, o pretenso crédito data de 31/12/1997 e somente foi utilizado (sob condição resolutória) pelo contribuinte (através da DCOMP), quando já transcorrido o prazo previsto no art. 168 do CTN. 30. Tal como já mencionado anteriormente, é desnecessária a apreciação das alegações apresentadas pelo contribuinte acerca da apuração da CSLL no ano calendário de 1997, quer seja pela DECADÊNCIA DO DIREITO DE PEDIR, quer seja pela INEXISTÈNCIA DAS ANTECIPAÇOES durante o ano calendário em comento. Ou seja, qualquer que seja o valor apurado a titulo de CSLL quando da apuração anual ocorrida em 31/12/1997, não foram efetuadas quaisquer antecipações durante o período que ensejassem o "saldo negativo" em comento. Tempestivamente, a empresa recorreu a este órgão colegiado do acórdão proferido em primeira instância pelas seguintes razões: 1) o saldo negativo de CSLL do ano-base de 1997 foi apurado ern decorrência de antecipações realizadas a maior no decorrer do período; essas antecipações foram extintas mediante compensação com crédito de mesma natureza apurado no ano-base de 1995, nos termos da Instrução Normativa (IN) n° 21/1997; 2) as referidas compensações não foram acatadas pelo órgão julgador de primeira instância porque não foram informadas em DCTF original, mas somente na 3' DCTF retificadora; 3) esse raciocínio desconsidera a DIPJ apresentada, procedimentos fiscalizatórios anteriores e a composição do saldo de antecipações; 4) o fisco tomou conhecimento das compensações efetuadas quando da entrega da DIPJ/98, em 30 de abril de 1998; 5) o saldo negativo apurado na DIPJ/98 já está quantificado e declarado pelo contribuinte, independentemente da entrega da Declaração de Compensação — Dcomp; 6) ao se tratar deste saldo apurado na DIPJ, não lid que se falar em prescrição nos termos do artigo 168 do CTN, podendo, por conseguinte, ser utilizado a partir do ano de 2003; 7) este saldo não é um indébito, mas origina-se em urna sistemática legal que obriga o contribuinte a realizar antecipações durante o ano-calendário; 8 Processo no 10680.007820/2003-25 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.199 Fl. 5 8) a própria legislação autoriza a utilização do saldo para compensação nos exercícios seguintes; 9) é desnecessária e redundante a obrigação de declarar novamente este crédito; 10) uma vez entregue a DIPJ, o contribuinte tem o direito de recuperar o 'saldo de declaração', sem limitação temporal. o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES Analisados os fatos e as argumentações despendidas neste litígio, observo que o cerne da questão se centraliza, preliminarmente, na decadência declarada no acórdão ora debatido e na contrarrazdo levantada pela recorrente de que a entrega da DIPJ/98, relativa ao ano-calendário de 1997, é suficiente para exercer o direito da compensação do saldo negativo da CSLL ali informado. Não posso entender desta forma. inegável que a recorrente, na qualidade de contribuinte, tenha direito a restituir ou compensar tributo pago indevidamente ou a maior, deixando-se, por ora, de apreciar no presente caso a existência do alegado saldo negativo de CSLL. Todavia, é também inegável que existem diversas normas tributárias regulando essa matéria e, o que desmantela o raciocínio esposado pela recorrente, é que todas as normas infra-lei complementar devem ser interpretadas à luz da lex maior que alicerça todo o instituto da compensação tributária, artigo 170 do CTN, que dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir ã autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários coin créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos não pertencem ao original) Ressalve-se que o legislador deixou bem claro que a norma ordinária, lei, pode autorizar a compensação de créditos, mas desde que o faça nas condições e sob as garantias e com créditos líquidos e certos. Uma das condições para reaver o tributo recolhido a maior, ou indevidamente, pela restituição ou compensação, está em observar a legislação infra editada para exercer o seu direito de ação. Assim é que o acórdão vergastado esmerou-se em demonstrar que o contribuinte, no ano-calendário de 1997, compensou indevidamente as CSLL — estimativas devidas, visto não ter apresentado as DCTF em conformidade corn o que a norma tributária 9 dispunha, e, já sob a vigência das normas relativas as Declarações de Compensações, instrumento este exigido por lei para efetuar as compensações tributárias, veio a solicitar a compensação de saldo negativo de CSLL em prazo superior ao qüinqüenal estipulado no próprio Código Tributário Nacional. Deixo de reprisar as referidas normas, já transcritas no acórdão, referentes exigência de informar ao fisco as compensações efetuadas pelos contribuintes na vigência da IN SRF n° 21/97 nas DCTF entregues — IN SRF n° 73/96 (para as CSLL devidas e compensadas durante o ano-calendário de 1997), bem como a redação do artigo 168, inciso I, c/c o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 com posteriores redações, o qual dispõe no §1 0 : Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei no 10.637, de 2002) sç 1' A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluido pela Lei n° 10.637, de 2002) Pelo exposto, o contribuinte deveria ter solicitado: a) a compensação das CSLL, estimativas, devidas no ano-calendário de 1997 mediante a entrega de DCTF (mas entregou duas DCTF com valores zerados, só vindo a retificá-la em setembro de 2003); b) a compensação ou restituição do suposto saldo negativo de CSLL apurado em 1997, por Per Dcomp (Pedido de Restituição ou Declaração de Compensação) entregue até 31/12/2002. E ai entramos em outro ponto suscitado pela recorrente. A DIPJ não é o instrumento eleito por norma tributária para promover a compensação, conforme defende a recorrente. E um documento meramente informativo. E a administração, por força legal, tern que se manifestar sobre a homologação pretendida para que esta surta os efeitos jurídicos. Na seara tributária há evidente divergência, em se tratando de compensação, com a seara cível. Não são os mesmos institutos. Sao regrados distintamente, dada uma matéria ser de ordem pública e outra de ordem totalmente privada. Se, e somente se, a autoridade administrativa não se manifestar expressamente dentro do prazo decadencial de cinco anos, ai tem-se por homologada tacitamente a compensação declarada (§5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96). 0 que não se aplica ao presente caso. Por essas razões o termo utilizado convenientemente pelo legislador, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. E não outra. E, valendo-me da fundamentação do acórdão ora debatido, repiso que a lei ordinária lá citada (art. 74 da Lei n° 9.430/96) delegou A. autoridade administrativa analisar o Processo n° 10680.007820/2003-25 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.199 Fl. 6 cabimento da compensação pleiteada. Nada é feito com mero efeito declaratório, em se tratando de compensação tributária, mas sim constitutivo e desde que obedecido o tramite e instrumentos citados na legislação que regra a matéria. Louvável a rica argumentação sobre a questão meritória trazida no acórdão, que girou ao redor da verificação da existência ou não do saldo negativo da CSLL, informado na DIPJ/98, e concluiu sobre a inexistência deste. Todavia, deixo de apreciar tal embate, restando declarada a decadência do pedido formulado pela contribuinte e formalizado nas Dcomp apresentadas após 31/12/2002, cujo credito suporte é o saldo negativo da CSLL informado na DIPJ/98 (apurado em 31/12/97). CONCLUSÃO Voto, preliminarmente, em declarar decaído o direito da recorrente em solicitar a homologação das Declarações de Compensação entregues após 31/12/2002, cujo crédito seja o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ/98. ANA DE BARROS FERNANDES — Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10650.900488/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 04 88 /2 00 9- 12 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 465 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ALTA GENETICS DO BRASIL LTDA. (fls. 402 a 438) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380303.315 (fls. 385 a 390) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 19/07/2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 466 3 O presente processo tem origem em Declaração de Compensação (Per/Dcomp) de créditos de COFINS, resultantes de pagamento indevido ou a maior, com débitos de IRPJ e CSLL, transmitido pela Contribuinte em 21/07/2006 (fls. 17 a 22), o qual restou não homologado nos termos do despacho decisório proferido no processo administrativo de crédito nº 10650900.487/200978 (fl. 05), por ter a DRF/Uberaba MG constatado que o DARF discriminado na declaração de compensação foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando saldo disponível para compensação. Não resignada, apresentou manifestação de inconformidade e documentos DCTF original e retificadora, DACON original e PER/DCOMP (fls. 02 a 305), em cujo julgamento foi mantida a não homologação do pedido de compensação, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 0934.234 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 306 a 309), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DÉBITO INFORMADO EM DOCUMENTOS FISCAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de documentos fiscais (DCTF e DACON), para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar despacho decisório, cuja ciência pelo interessado deuse antes da transmissão dos documentos retificadores. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 313 a 322), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 380303.314 (fls. 394 a 399) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, pela impossibilidade de apresentação de provas e argumentos na fase recursal, sem que tenha sido comprovada uma das circunstâncias previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, configurandose a ocorrência da preclusão. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 410 a 446), alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de apreciação, em grau de recurso voluntário, de provas e argumentos apresentados posteriormente à impugnação. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 467 4 Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 3201 000.967. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) o Colegiado a quo deu interpretação extremamente formalista ao art. 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como que a não apreciação das provas apresentadas em qualquer momento processual acarreta apego demasiado à forma em detrimento da busca pela verdade material; (b) discorre sobre os princípios do processo administrativo que autorizam ser estendida a produção de provas para qualquer fase do processo a fim de resguardálo, sendo possível, inclusive, dispensar determinado formalismo sempre que não haja prejuízo a terceiros nem comprometa o interesse público; (c) ao contrário do entendimento consignado no acórdão recorrido, as provas anexadas ao recurso voluntário, consubstanciadas em documentos contábeis e fiscais da empresa, são hábeis para atestar a liquidez e certeza do crédito tributário pretendido compensar; (d) ao final, requer o provimento do recurso especial com a homologação da compensação e extinção da cobrança. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de julho de 2015 (fls. 462 a 464), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação "à possibilidade de apreciação, em grau de recurso voluntário, de provas e argumentos apresentados posteriormente à impugnação". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 466 a 474) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 468 5 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O mérito da demanda consiste na possibilidade de serem apreciados argumentos e provas trazidos na fase recursal, posteriormente ao julgamento de primeira instância. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º do art. 771 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, que reproduzem os termos dos §§ 4º e 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008. No âmbito do processo administrativo fiscal, portanto, da mesma forma que a impugnação, a manifestação de inconformidade, instaura a sua fase litigiosa (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constituise em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omitese em combater algum item da exigência fiscal na impugnação ou deixa de juntar os documentos que comprovem o seu direito, caracterizarseá a sua concordância com aquela parte, considerandose como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; 1 Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido ou a não homologação da compensação. [...] § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 469 6 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em aduzir na manifestação de inconformidade os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretentido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 470 7 Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anulase uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Diferentemente seria a situação de apresentação de razões e documentos complementares à impugnação/manifestação de inconformidade, em momento anterior ao julgamento de primeira instância, na qual se admitiria a possibilidade de o julgador proceder à análise dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo naquele momento processual em atenção aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Esse não é o caso dos presentes autos, em que o arrazoado quanto à certeza e liquidez do crédito tributário e juntada de documentos fiscais e contábeis deuse tão somente no recurso voluntário, caracterizandose a preclusão. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 471 8 próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Não é o que ocorre no caso dos autos. Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10650.900488/200912 Acórdão n.º 9303005.206 CSRFT3 Fl. 472 9 Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 472DF CARF MF
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