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Numero do processo: 11808.720026/2016-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014
COFINS-IMPORTAÇÃO. ADICIONAL
O adicional de alíquota da Cofins-Importação, estabelecido pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, deve ser aplicado na importação dos produtos listados nesse mesmo dispositivo que estejam submetidos às alíquotas da COFINS-Importação estabelecidas no inciso II caput ou nos parágrafos do art. 8º da Lei nº10.865/2004, ainda que esteja prevista a redução, parcial ou total, ou majoração da alíquota.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ADICIONAL O adicional de alíquota da CofinsImportação, estabelecido pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, deve ser aplicado na importação dos produtos listados nesse mesmo dispositivo que estejam submetidos às alíquotas da COFINSImportação estabelecidas no inciso II caput ou nos parágrafos do art. 8º da Lei nº10.865/2004, ainda que esteja prevista a redução, parcial ou total, ou majoração da alíquota. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 80 8. 72 00 26 /2 01 6- 74 Fl. 132DF CARF MF 2 Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração da COFINSimportação, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à mercadoria admitida temporariamente para utilização econômica, com os seguintes valores: COFINSIMPORTAÇÃO R$ 6.186.787,56 JUROS DE MORA R$ 1.323.864,64 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.715.090,68 TOTAL R$ 12.325.742,88 No Termo de Verificação Fiscal de fl.10 e ss., o AFRFB autuante esclarece que: 1. O contribuinte formalizou pedidos de deferimento de regime aduaneiro de Admissão Temporária para utilização econômica, com pagamento proporcional dos tributos, pelo período de 100 meses; 2. Os pedidos foram deferidos pela autoridade aduaneira, com início de vigência a partir do desembaraço das respectivas Declarações de Importação (DIs), quais sejam, as de n° 14/08182671, 14/10280065, 14/12095257 e 14/10278850; 3. Nos despachos que concederam as referidas autorizações está discriminada a necessidade do recolhimento dos tributos em conformidade com a proporção do tempo em que o bem for permanecer sob o regime especial; 4. No caso em tela, os bens, importados pelo contribuinte sob o regime especial de admissão temporária, classificamse na NCM 8802.40.90. Com relação a esta posição, a Lei nº 10.865/2004, em seu art. 8o, § 12, inciso VI, reduz a zero a alíquota das contribuições PIS/PASEPImportação e COFINSImportação; 5. Contudo, o § 21 do supracitado art. 8o da Lei nº 10.865/2004 acrescentou à alíquota da CofinsImportação, o valor de um ponto percentual, mesmo para os bens classificados na posição NCM 8802.40.90; 6. Destarte, a alíquota da COFINSImportação a ser aplicada aos produtos importados classificados sob a NCM 8802.40.90 é de 1%, independentemente do que prevê o art. 8o, § 12, inciso VI da Lei 10.865/2014; 7. Tal entendimento é corroborado pelo Parecer Normativo Cosit n° 10, de 20 de novembro de 2014; 8. A Oceain Air, nas 4 importações objetos deste Auto de Infração, solicitou o Regime de Admissão Temporária para utilização econômica pelo período de 100 meses. Considerando, então, o disposto no art. 373, §2°, do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), têmse que a empresa deveria ter recolhido o valor integral referente ao adicional de 1% da COFINSImportação; 9. Assim, exigese, através do auto de infração que ora se lavra, para surtir os efeitos legais, o recolhimento dos tributos devidos conforme disposto no art. 373, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11808.720026/201674 Acórdão n.º 3402005.597 S3C4T2 Fl. 133 3 §2° do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), art. 79, da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 12, da Lei 12.844/2013, além do lançamento da multa de ofício pelo não recolhimento de tributos, com fundamento no art. 725, inciso I, do RA/2009 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e §1°, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, art. 14) e dos juros de mora, com fundamento no art. 748 do RA/2009. Devidamente cientificada em 08/03/2016 – fl.45, a interessada apresentou, impugnação, alegando em resumo que: 1. No que se refere, especialmente, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidente na importação de bens e serviços em geral, desde a edição da Lei n° 10.865, de 2004, o legislador, ciente da importância estratégica do setor aeronáutico para o desenvolvimento nacional, optou por reduzir a zero a alíquota incidente nas operações com aeronaves e determinadas partes e peças vinculadas; 2. Cabe destacar que o dispositivo que prevê a desoneração incisos VI e VII, §12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 salvo pequenas alterações na redação original, encontrase vigente até hoje, destacando que na importação de aeronaves classificadas na posição NCM 88.026, assim como na importação de partes e peças ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na sua manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e industrialização e na de seus motores, suas partes, peças, componentes, ferramentais e equipamentos, a alíquota de COFINS fica reduzida a zero; 3. Ocorre que, não obstante a desoneração completa da referida contribuição na importação de tais bens/equipamentos, recentemente, a autoridade aduaneira resolveu por lavrar o auto de infração que ora se impugna, entendendo de maneira absolutamente equivocada que o disposto no § 21 do artigo 8o da Lei n° 10.865/2004 resultaria na incidência da COFINS à alíquota de 1% nas importações promovidas a partir de agosto de 2013, dentre as quais, as importações das aeronaves em referência; 4. Conforme disposto no referido auto de infração, tal entendimento atual estaria justificado pela edição posterior a realização das importações do Parecer Normativo COSIT nº. 10, de 20 de novembro de 2014, que modificou o entendimento até então adotado pelas autoridades aduaneiras das diversas alfândegas do país, para, equivocadamente, orientar a cobrança do adicional de 1% da COFINS em todas as importações de aeronaves, partes, peças e equipamentos, o pagamento do adicional de COFINS correspondente a 1% do valor aduaneiro do bem/equipamento para desembaraço; 5. Quando da realização das respectivas importações das aeronaves, o entendimento totalmente adequado a legislação em vigor que prevalecia era o de que permanecia em vigor a redução à alíquota zero do adicional de COFINS nas importações de aeronaves. Tal fato é evidenciado pela realização do desembaraço das aeronaves pela autoridade aduaneira, que, entendendo não ser devido o referido adicional, corretamente não interrompeu o despacho de importação dos bens em questão; 6. Atualmente, encontramse reduzidas a zero as alíquotas das contribuições ao PIS e COFINS incidentes sobre a importação de aeronaves (classificação NCM 88.02) e suas partes e peças, bem como sobre a receita de venda no mercado interno dos mesmos bens e equipamentos; Fl. 134DF CARF MF 4 7. Basta uma análise perfunctória da legislação utilizada pela contribuinte para verificar que a mesma simplesmente desconsiderou a legislação que saliente se, permanece plenamente em vigor – e reduz a zero a alíquota da contribuição a COFINS incidente sobre a importação de aeronaves, partes e peças; 8. Como se vê, em nenhum momento a autoridade administrativa faz menção a legislação que trata da redução a zero da alíquota da COFINS, limitandose a proceder a cobrança do tributo citando, para tanto, a norma geral e respectiva alíquota geral da contribuição incidente sobre as operações de importação não submetidas a regramento específico.; 9. O §21, do artigo 8º. da Lei no. 10.865/2004 (redação atual) foi introduzido pela Medida Provisória nº 612, posteriormente convertida na Lei nº. 12.844/2013, e estabeleceu um adicional de um ponto percentual para as alíquotas aplicáveis quando da importação de determinados produtos; 10. Tal adicional, contudo, é inaplicável às operações de importação de aeronaves, partes e peças, sendo qualquer interpretação contrária violadora do ordenamento jurídico e princípios constitucionais em vigor, haja vista que, em suma: 11.1. O artigo 8º, §12 da Lei nº 10.865/2004 (que reduz a alíquota do PIS e da COFINS a zero) permanece plenamente em vigor, não tendo sido revogado pela norma que instituiu a cobrança do adicional da COFINS (art.8º, §21). Além disso, este dispositivo legal não fez qualquer referência à suspensão dos efeitos do favor fiscal concedido, nem versou de qualquer forma na majoração de alíquota para os setores beneficiados com tratamento tributário incentivado; 11.2. A norma que prevê a redução a zero da alíquota da COFINS tratase de norma especial de tributação, que afasta a regra geral que prevê a aplicação da alíquota de 7,6% de COFINS. Assim, não poderia a mesma ser derrogada por norma geral posterior, conforme preceitua o artigo 2°, §2°. da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro; 11.3. Admitirse que a importação de aeronaves, partes e peças esteja sujeita a incidência do adicional de 1% a título de COFINS, violaria o Acordo GATT, segundo o qual deve ser dado tratamento tributário isonômico entre produto nacional e importado, haja vista encontrarse a receita da venda, no mercado interno, de aeronaves e produtos aeronáuticos sujeitas a alíquota zero da COFINS, conforme já mencionado; 11.4. Há diversas evidências que corroboram com o argumento de que permanecem sujeitas a alíquota zero de COFINS as importações de aeronaves, dentre as quais orientação veiculada na página da Receita Federal que introduz o Manual de Despacho de Importação, que deixa claro manterse sujeita a alíquota zero de COFINS a importação dos produtos tratados no artigo 8°, §12 da Lei 10.865/2004; 12. Nesse sentido, vem entendendo o Poder Judiciário, já tendo sido proferidas diversas decisões que afastam a cobrança do adicional da COFINS na importação de produto sujeito a alíquota zero; 13. Por todo o exposto, requer que seja provida a presente impugnação, para o fim de reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, cancelandose integralmente a cobrança em tela. Ato contínuo, a DRJRIO DE JANEIRO (RJ) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11808.720026/201674 Acórdão n.º 3402005.597 S3C4T2 Fl. 134 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014 COFINSIMPORTAÇÃO.ADICIONAL O adicional de alíquota da CofinsImportação estabelecido pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, deve ser aplicado na importação de produto integrante de seu campo de incidência mesmo que em relação a tal produto exista redução, parcial ou total, ou majoração da alíquota da CofinsImportação, concedida diretamente pela norma, ou por ato infralegal, sejam as alíquotas aplicáveis ad valorem ou específicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014 JURISPRUDÊNCIA.COISA JULGADA Sentenças fazem coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende dos autos, a autuação em tela teve por base a análise de pedido de regime aduaneiro especial de Admissão Temporária, no qual foi constatada a falta de recolhimento do Adicional de COFINSImportação devida nas DI’s nº 14/08182671, 14/10280065, 14/12095257 e 14/10278850, relativos às importações de aeronaves (NCM 8802.40.90) no referido regime pelo prazo de 100 meses. Segundo a Autoridade Aduaneira, nos despachos que concederam as referidas autorizações está discriminada a necessidade do recolhimento dos tributos em conformidade com a proporção do tempo em que o bem for permanecer sob o regime especial, in verbis: Fl. 136DF CARF MF 6 Conforme art. 373, §2º, do Decreto nº 6.759/09, os valores a serem recolhidos a título de imposto de importação (II), de imposto sobre produtos industrializados (IPI) e das contribuições incidentes sobre a importação (PIS/PASEP Importação e COFINSImportação) deverão ser calculados na proporção do tempo de permanência dos bens no País, devendo esta proporcionalidade ser obtida pela aplicação do percentual de um por cento, relativamente a cada mês compreendido no prazo de concessão do regime, sobre o montante dos tributos originalmente devidos A empresa autuada teria deixado de recolher o Adicional da COFINS Importação à qual seria obrigada nas referidas operações aduaneiras, nos termos previstos no §21, art.8º da Lei nº 10.865/2004. Com relação às contribuições PIS/PASEPImportação e COFINSImportação, a Lei nº 10.865/2004, em seu art. 8o, § 12, inciso VI, reduziu a zero a alíquota do produto constante na NCM 8802.40.90 (aeronaves). A Recorrente afirma que no ramo de atividade de transporte aéreo em que atua, dado o forte interesse público que o lastreia e diante da sua relevância para o país, sempre foi beneficiada por incentivos fiscais estaduais e federais, concedidos com a finalidade de reduzir os custos das empresas do setor e consequentemente propiciar a prática de tarifas módicas, beneficiando assim toda a sociedade. Nessa direção, no âmbito federal, as alíquotas do PISImportação e COFINS Importação foram reduzidas a zero aplicadas na importação de aeronaves ( e não somente quando do pagamento de aluguéis e de contraprestação de arrendamento mercantil) e das parte e peças a serem empregadas na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves, nos termos do art.8º, §12, VI e VII da Lei nº10.865/2004. Tal cenário, contudo, não teria sido observado pela Autoridade Aduaneira que insiste em cobrar, por meio da presente autuação, adicional sobre a COFINSImportação invocando o §21, art.8º da Lei nº 10.865/2004, mas ignora a legislação plenamente em vigor que reduz a zero a alíquota da contribuição à COFINS incidente sobre a importação de aeronaves, partes e peças, nos termos estabelecidos no art.8º, §12, VI e VII da Lei nº10.865/2004. Ressalta que tal dispositivo permanece plenamente em vigor, mesmo após a introdução do §21, art.8º da citada lei, que em nenhum momento se prestou a revogar de forma expressa ou tácita o benefício de alíquota zero concedido. Pois bem, delineados os contornos da lide, percebese que se trata basicamente de matéria de direito, reduzindose a decidir se a legislação vigente à época permitia ou não a cobrança do adicional da COFINS nas importações dos produtos classificados na NCM 8802.40.90 (aeronaves). Primeiramente, cabe frisar que é ponto incontroverso nos autos que os produtos importados são aeronaves classificadas na posição 3802 da TIPI, e estão sujeitos à alíquota zero determinada no art.8º, §12, VI e VII da Lei nº10.865/2004 para a incidência da Cofins na importação, conforme conteúdo a seguir reproduzido: Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art.7º desta Lei, das alíquotas: (...). Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11808.720026/201674 Acórdão n.º 3402005.597 S3C4T2 Fl. 135 7 § 12 Ficam reduzidas a 0(zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (...) VI – aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; Posteriormente, por meio do art. 8º da Medida Provisória nº 540, de 02/08/2011, o adicional da alíquota da COFINSImportação foi criado com a finalidade extrafiscal de restabelecer o equilíbrio concorrencial entre os produtos importados e os nacionais, cuja produção restou contemplada pela contribuição previdenciária sobre a receita instituída pelos arts. 7o a 9o da Lei n° 12.546, de 2011. Tal finalidade está expressa na exposição de motivos nº122 MF/MCT/MDIC relativa a MP nº540/2011, convertida na Lei nº12.546/2011, que tratou da substituição da contribuição sobre a folha de salários pela CPRB (Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta) e, de forma simultânea, a criação do adicional da alíquota da COFINSImportação visando equilibrar a tributação entre os produtos importados e os nacionais, de que tratam os arts. 7º a 9º da Lei nº 12.546/2011, naqueles ramos de atividades sujeitos a essa nova forma de tributação previdenciária, in verbis: 33. Por fim, propõese instituir adicional na alíquota da COFINSImportação para os produtos que especifica. 34. Foi instituída contribuição sobre o faturamento de segmentos econômicos específicos, ou seja, os produtos vendidos no mercado interno passaram a ter o preço onerado, o que reduz a competitividade face aos mesmos produtos quantos importados. 35. Desta forma, a medida proposta trata da criação de adicional da COFINSImportação sobre produtos específicos, correlatos àqueles já onerados no mercado interno. Entre os produtos importados sobre os quais deverá incidir o adicional estão os calçados, indústria de confecções e móveis. 36. A medida proposta se alinha à alteração na sistemática de tributação da nova contribuição incidente sobre os setores mencionados, a qual será exigida com base na receita auferida pelas empresas, ao invés da folha de salários. Assim, por simetria, passase a exigir o adicional da COFINSImportação nas operações de importação destes mesmos produtos. 37. Embora a medida se destine à neutralidade na tributação do produto nacional e do importado, ela ensejará um aumento de arrecadação que dependerá do comportamento dos níveis de importação. 38. A importância e a urgência dessa medida decorrem da necessidade de neutralidade e simetria em decorrência da imposição tributária sobre o produto nacional, preservandose, assim, o ambiente concorrencial necessário à manutenção da produção e do nível de emprego no País. (negritos nossos) A época da ocorrência das importações, após a edição de várias medidas provisórias, a redação do dispositivo legal que previa o adicional a alíquota da COFINS Fl. 138DF CARF MF 8 Importação foi estabelecida pela MP nº612/2013, convertida na Lei nº12.844/2013, que em seu artigo 12 ratificou a nova redação do § 21 do art.8º da Lei nº 10.865/2004 com o seguinte texto: § 21 As alíquotas da CofinsImportação de que trata este artigo ficam acrescidas de um ponto percentual na hipótese de importação dos bens classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011, relacionados no Anexo I da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. Estabelecidas as bases legais da COFINSImportação e do adicional em comento, passase à análise da procedência da cobrança desse último no caso concreto. Como se sabe, a alíquota zero estabelecida pela legislação transcrita aos produtos importados em questão não significa não incidência ou isenção, mas tão somente que a tributação daquela operação ou produto foi zerada por opção do governante por razões econômicas envolvendo aquele ramo de atividade. Sendo que a qualquer momento as alíquotas podem ser restabelecidas, observandose os requisitos legais, quando o governante entender que tal benefício já não se faz mais necessário para a política econômica adotada. Disso, concluise que o fato das mercadorias envolvidas na autuação gozarem do benefício da alíquota diferenciada da regra geral não a exclui de maneira tácita de eventuais disposições legais posteriores que estabelecem outras obrigações tributárias quanto a contribuição, a exemplo do adicional de 1% da COFINSImportação. Observase pela leitura do § 21 do art.8º da Lei nº 10.865/2004 que estão sujeitos ao adicional em comento aqueles produtos que têm a sua alíquota da COFINS Importação reguladas pelo próprio art.8º da mesma lei e que o bem importado esteja entre aqueles relacionados no Anexo I da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. Conforme antes indicado, não resta dúvida que a alíquota zero para a COFINSImportação na importação de aeronaves é regulada pelo art.8º, §12, VI da Lei nº10.865/2004. Também, é certo que tais produtos classificados na posição 8802 estão incluídos no anexo I da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2001. Dessa forma, entendo correta a cobrança do adicional de alíquota da COFINSImportação sobre os referidos produtos. Nessa mesma direção, temse o Parecer Normativo Cosit nº10/2014 que indica a incidência do referido adicional sobre todos os produtos integrantes do anexo I e com alíquotas reguladas pelo art. 8º da Lei 10.865/2004, ainda que o produto seja beneficiado com redução provisória, parcial ou total, da alíquota aplicável, pois assim o adicional estaria cumprindo a sua função extrafiscal de gerar o equilíbrio entre os produtos importados e produtos nacionais. Reproduzse a ementa do citado Parecer que sintetiza o entendimento exposto: Assunto. Assunto. Adicional da alíquota da CofinsImportação estabelecido pelo § 21 do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004. Ementa. O adicional de alíquota da CofinsImportação estabelecido pelo § 21 do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004: a) entre 1o de dezembro de 2011 e 31 de julho de 2013 (período de vigência das redações do mencionado dispositivo conferidas pelo art. 21 da Medida Provisória n° 540, de 2011, pelo art. 21 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11808.720026/201674 Acórdão n.º 3402005.597 S3C4T2 Fl. 136 9 da Lei n° 12.546, de 2011, pelo art. 43 da Medida Provisória n°563, de 2012, e pelo art. 53 da Lei n° 12.715, de 2012), incidia apenas nas importações dos produtos referidos no § 21 do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004, que se submetiam à alíquota da CofinsImportação estabelecida no inciso II do caput do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004; b) a partir de 1º de agosto de 2013 (início da vigência da redação do citado dispositivo dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 612, de 2013) incide nas importações dos produtos referidos no § 21 do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004, estejam elas submetidas às alíquotas da Cofinslmportação estabelecidas no inciso II caput ou nos parágrafos do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004; c) deve ser aplicado na importação de produto integrante de seu campo de incidência mesmo que em relação a tal produto exista redução, parcial ou total, ou majoração da alíquota da Cofins Importação, concedida diretamente pelo art. 8º da Lei nº 10.865; de 2004, ou por ato infralegal, sejam as alíquotas aplicáveis ad valorem ou específicas; d) não incide na importação de produtos que não são citados no art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004, e que sofrem a incidência da CofinsImportação mediante a aplicação de alíquotas estabelecidas em dispositivo legal diverso deste; e) não incide na importação de produtos alcançados por imunidade da CofinsImportação, seja em razão da pessoa importadora ou do produto importado; f) não deve ser cobrado na importação de produtos alcançados por isenção da CofinsImportação, seja em razão da pessoa importadora ou do produto importado; g) não deve ser cobrado na importação de produtos alcançados por suspensão total da incidência, do pagamento ou da exigência da CofinsImportação; h) incide ordinariamente na importação de produtos alcançados por suspensão parcial da incidência, do pagamento ou da exigência da CofinsImportação, limitandose apenas sua cobrança à mesma proporção e ao mesmo prazo que forem aplicados na cobrança da contribuição. Na hipótese de a Cofins lmportação ser apurada mediante a aplicação de alíquota específica, o adicional deve ser calculado com base no valor aduaneiro do bem importado, conforme inciso I do art. 7o da Lei n° 10.865, de 2004; O pagamento do adicional da Cofins lmportação de que trata o § 21 do art. 8o da Lei n° 10.865, de 2004, não gera para seu sujeito passivo, em qualquer hipótese, direito de apuração de crédito da Cofins. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 8o; Medida Provisória n° 540, de 2 de agosto de 2011, arts. 7o a 10, 21 e 23; Lei n° 12.546, de 14 de dezembro de 2011, art. 21; Medida Provisória n° 563; de 3 de abril de 2012, art. 43; Lei n° Fl. 140DF CARF MF 10 12.715, de 17 de setembro de 2012, art. 53; Medida Provisória n°612, de 4 de abril de 2013, art. 18; Lei n° 12.844, de 19 de julho de 2013, art. 12. Dessa forma, por expressa disposição legal, o adicional de 1% (um por cento) é devido na importação das aeronaves da posição 88.02 da NCM, nos termos do § 21 do art.8º da Lei nº 10.865/2004, mesmo com previsão de alíquota reduzida a zero para a COFINS Importação, contida no § 12, inciso VI, do mesmo artigo 8º da Lei nº 10.865/2004. Por fim, em sentido inverso do que faz crer a Recorrente, cumpre salientar que a Autoridade Tributária não entendeu que houve a revogação expressa ou tácita do § 12, inciso VI, do art.8º da Lei nº 10.865/2004 pelo § 21 do art.8º da mesma lei. Ao contrário, foram corretamente aplicados os referidos dispositivos legais na autuação para concluir que ambos se encontravam em plena vigência e aplicáveis, sem qualquer incompatibilidade ou conflito entre eles por tratarem de hipóteses de incidência distintas e não dependentes, resultando acertadamente na cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação sobre as operações de importações de aeronaves da posição 8802 da NCM. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.950689/2015-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 06 89 /2 01 5- 03 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.950689/201503 Acórdão n.º 1401002.763 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 38380.24559.180314.1.3.047178. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/07/2012, no valor de R$ 49.410,25. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.950689/201503 Acórdão n.º 1401002.763 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem sequer é sabido o que não foi reconhecido; Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.950689/201503 Acórdão n.º 1401002.763 S1C4T1 Fl. 5 4 Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.950689/201503 Acórdão n.º 1401002.763 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.950689/201503 Acórdão n.º 1401002.763 S1C4T1 Fl. 7 6 Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.950689/201503 Acórdão n.º 1401002.763 S1C4T1 Fl. 8 7 Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.905847/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 15/08/2000
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/08/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 15/08/2000
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/08/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 15/08/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/08/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 15/08/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 47 /2 01 1- 23 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 3 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 4 3 deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.537. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos de documentação comprobatória do direito alegado. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.872, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.872): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543 B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 5 4 I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 6 5 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 7 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 8 7 Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 9 8 rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.905847/201123 Acórdão n.º 3301004.881 S3C3T1 Fl. 10 9 da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000025/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA ESCLARECER CONTRADIÇÃO ENTRE A CONCLUSÃO DO VOTO VENCEDOR E O DISPOSITIVO DO ARESTO
Constatado que há contradição entre a conclusão do voto vencedor e o dispositivo sintético do aresto, prolata-se nova decisão para sanar o respectivo vício.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-005.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
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Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA ESCLARECER CONTRADIÇÃO ENTRE A CONCLUSÃO DO VOTO VENCEDOR E O DISPOSITIVO DO ARESTO Constatado que há contradição entre a conclusão do voto vencedor e o dispositivo sintético do aresto, prolata-se nova decisão para sanar o respectivo vício. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA ESCLARECER CONTRADIÇÃO ENTRE A CONCLUSÃO DO VOTO VENCEDOR E O DISPOSITIVO DO ARESTO Constatado que há contradição entre a conclusão do voto vencedor e o dispositivo sintético do aresto, prolatase nova decisão para sanar o respectivo vício. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 00 25 /2 00 6- 48 Fl. 2935DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração (fls. 2.929/2.930), opostos em tempo hábil pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com base no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 353, de 2015, contra o Acórdão nº 3402004.967, de 20 de março de 2018 (fls. 2.875/2.927), cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (grifei): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições. PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Segundo a embargante, o resultado consignado pelo Presidente do Colegiado na folha de rosto do Acórdão, quanto às glosas de créditos relativos às aquisições de empresas inaptas, está em manifesta contradição com a conclusão do voto do Redator designado, uma vez que enquanto na folha de rosto constou provimento parcial para reverter as glosas em relação à empresa KiBelo Prod. e Equip. Ident. Animal LTDA, na conclusão do voto vencedor o redator designado consignou que o desprovimento foi integral nesta parte. A Procuradora da Fazenda Nacional ressaltou ainda que a empresa KiBelo Prod. e Equip. Ident. Animal LTDA. "(...) nem sequer foi mencionada no voto vencedor". No arrazoado elaborada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, após síntese dos fatos relacionados com a lide, inquina à decisão do vício de contradição entre o que decidiu o voto condutor do aresto embargado e o que constou no dispositivo do acórdão. Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402005.565 S3C4T2 Fl. 2.936 3 Com essas considerações e forte no art. 65, §7º do RICARF, o pleito foi admitido pelo Presidente desta Turma Ordinária e determinando a sua devolução ao Redator de origem, para inclusão em pauta e que o equivoco seja saneado mediante a prolação de um novo acórdão (fl. 2.933). Os autos, então, foram encaminhados para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O recurso preenche o requisito formal para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo Colegiado. Tratase os autos de Pedido eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao primeiro trimestre calendário do ano de 2004. Encaminhados para este CARF, o Recurso Voluntário foi julgado por esta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara e prolatado o Acórdão nº 3402004.967, de 20 de março de 2018. Da leitura do voto vencedor, entendese que, com relação às demais matérias em questão negouse provimento. Segue a conclusão do Voto Vencedor: “Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado quanto à glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas e a validade das operações de cessão de crédito.” No entanto, em contradição com a conclusão acima transcrita, o dispositivo (rosto do Acórdão) encontrase redigido da seguinte forma: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e em negar provimento quanto à atualização dos créditos pela SELIC; e, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso para, por falta de provas, reverter a glosa somente da empresa KiBelo Prod. e Equip. Ident. Animal LTDA., e em negar provimento quanto à validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto a estes itens o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.” Como se vê, verificase de imediato a contradição entre a conclusão do voto vencedor e o dispositivo, uma vez que enquanto o voto vencedor mantém todas as glosas dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas, o dispositivo afasta a glosa da empresa KiBelo Prod. e Equip. Ident. Animal LTDA. Fl. 2937DF CARF MF 4 Aduz ainda a embargante que, (...) "a empresa esta que, salvo melhor juízo, nem sequer é mencionada no voto". Como visto, o defeito prejudica a intelecção da decisão e neste sentido reclama aclaramento. Assim, o aresto embargado merece ser sanado no que tange à contradição apontada, qual seja, se o Colegiado entendeu por afastar ou por manter a glosa em questão. Pois bem. Para esclarecer essa questão, importante fazer uma breve retrospectiva do processo. Verificase nos autos que a Recorrente (empresa VITAPELLI) apresentou sua Manifestação de Inconformidade aduzindo que: "(...) a empresa Ki Belo Prod. e Equip. Identif. Animal Ltda., CNPJ 05.553.811/000133, empresa "suspensa" no CNPJ desde 21/12/2007 e "habilitada" no SINTEGRA desde 12/11/2003, conforme consultas de 2004; a declaração de inaptidão foi publicada depois do inicio do processo n° 15940.000434/200741, em 19/11/2007, não podendo retroagir. (Grifei) Momento seguinte quando da análise da Manifestação, a DRJ em Ribeirão Preto/SP, ao analisar as razões da VITAPELLI, consignou no voto condutor que (fls. 2.327): "(...) Entretanto, com relação às glosas referentes às aquisições da empresa Ki Belo Produtos e Equipamentos de Identificação Animal Ltda, conforme documento de fl. 480, na própria representação feita pela DRF/Presidente Prudente para solicitar a declaração de inaptidão da empresa, consta a afirmação de que os documentos por ela emitidos devem ser considerados inaptos a partir de 11/04/2005, período posterior ao analisado no presente processo. Também quanto a essa empresa, não há nos autos evidências de que os pagamentos a ela efetuados foram objeto de cessão de crédito a terceiros alheios à transação. Há cópias anexadas nos autos pela manifestante de comprovantes de transferência eletrônica disponível (TED) em que a própria empresa Ki Belo consta como favorecida (fls. 1.646 a 1.660). Assim, os créditos, glosados pela fiscalização para tal fornecedor, devem ser mantidos. (no caso revertidos) Excluindose a glosa dos valores das aquisições provenientes da empresa Ki Belo Produtos e Equipamentos de Identificação Animal Ltda., o crédito presumido deferido passa a ser o constante na tabela abaixo (valores de aquisições obtidos na planilha de fls. 1.480 a 1.484, em R$), de acordo com os dados, nomenclatura e fórmulas discriminados nos demonstrativos de fls. 1.489 a 1.491: (...)" Importa também ressaltar que no 'item 2' do Recurso Voluntário apresentado pela embargante, apresenta a seguinte afirmação: "2. Das Glosas dos créditos relativos a aquisições de matéria prima declaradas inaptas. Apesar da impugnação pontual de todos os fornecedores relacionados como inidôneos e/ou inaptos, além da farta documentação acostada aos autos, que comprovam o recebimento e o pagamento das mercadorias, o douto julgador tributário reconheceu parcialmente como indevidas, apenas as glosas relativas ao fornecedor Ki Belo Couro Comercial Ltda, mantendo intacta a pretensão do fisco quanto aos demais fornecedores". Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402005.565 S3C4T2 Fl. 2.937 5 Posto isto, restou evidente que o voto vencedor, com razão, não haveria que se pronunciar sobre as glosas relativas ao fornecedor (empresa) KiBelo Couro Comercial LTDA, uma vez que a decisão a quo já havia reconhecido como indevidas tais glosas. Assim, para sanar a contradição apontada no Acórdão embargado, entendo que a melhor redação seria da seguinte forma (acrescido da frase grafado no trecho destacado do início do Voto Vencedor) fl. 2.906: "Voto Vencedor Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto, ressalto minha discordância em relação aos seguintes pontos tratados neste voto: (i) à glosa de créditos relativas à aquisição de matérias primas das empresas fornecedoras (empresas inaptas), não conhecendo do recurso em relação a empresa KiBelo Couro Comercial LTDA (uma vez que a decisão recorrida já reconheceu como indevidas); e (ii) a validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros". Com os fundamentos acima expostos, proponho retificar a redação do dispositivo (Conclusão da decisão adotada, fl. 2.926) do Acórdão embargado nº 3402004.967, de 20 de março de 2018, passando a vigorar conforme abaixo: "Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário apresentado quanto à glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas, exceto em relação a empresa KiBelo Couro Comercial LTDA, e quanto a validade das operações de cessão de crédito". Conclusão Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição existente no dispositivo do Acórdão (conclusão do voto vencedor), retificando a sua redação final conforme o texto acima proposto. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.991528/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 15 28 /2 00 9- 13 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.991528/200913 Acórdão n.º 1401002.874 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 5.122,89 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 33714.30836.100206.1.3.047726, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 6.830,54, código 2089, recolhido em 30/04/2002, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.991528/200913 Acórdão n.º 1401002.874 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.991528/200913 Acórdão n.º 1401002.874 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.991528/200913 Acórdão n.º 1401002.874 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.004312/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO.
Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão.
Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
Numero da decisão: 9202-007.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.086, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.086, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 43 12 /2 00 8- 99 Fl. 173DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar obscuridade/erro material, face ao acórdão 9202006.086, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase de Auto de Infração para a exigência de multa, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não ter o contribuinte informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91. O Contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, restando, porém, julgado improcedente pela DRJ. A empresa, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa aplicada sob o comando do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfico. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido no sentido de se aferir a retroatividade benigna da norma perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. No Acórdão nº 9202006.086, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, às fls. 153/160, DEU PARCIAL PROVIMENTO, entendendo pela aferição da retroatividade perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, nos termos propugnados pelo recorrente. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202007.019 CSRFT2 Fl. 10 3 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Às fls. 162/166, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade/erro material, ao constar provimento PARCIAL, embora a tese defendida tenha sido acolhida integralmente. Os Embargos de Declaração restaram admitidos e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de Auto de Infração para a exigência de multa, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não ter o contribuinte informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91. O Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Embargos de Declaração oposto pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, em virtude de que sua tese alegada em sede de Recurso Especial foi acolhida integralmente, embora no dispositivo tenha constado PARCIAL PROVIMENTO. A questão da retroatividade benigna nas penalidades que envolvem a temática denominada cesta de multa – envolve a uniformização da tese jurídica, e o provimento final se relaciona com o pedido do Recurso Especial. Fl. 175DF CARF MF 4 Assim, onde constou como PARCIAL PROVIMENTO deve ser lido TOTAL PROVIMENTO. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202006.086, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000077/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
Por meio do RE 601.314/SP, submetido à sistemática de repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC, firmou-se o entendimento de que o art. 6º da LC nº 105/01 não configura quebra de sigilo bancário. Ainda que assim não fosse, o pleito do recorrente invoca a inconstitucionalidade da norma e o CARF não tem competência para se pronunciar neste sentido, conforme Súmula nº 2.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Em atendimento ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar na decretação de nulidade se os atos da administração tributária não ofenderam de qualquer forma a ampla defesa e o contraditório garantidos ao contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção de veracidade perfaz um instrumento variante e oscilante, o qual, sob um propulsor flexível e maleável, materializa a busca ótima e eficaz pela verdade dos autos. O ônus da prova se inverte de forma contínua, de acordo com as necessidades informacionais e documentais para a elucidação do que realmente ocorreu no caso concreto.
Ao término do procedimento fiscal, a presunção de omissão de receitas passa a ter conotação absoluta. A conclusão dali extraída é materializada na ocasião dos autos de infração. A tributação recai, então, sobre o produto do trabalho fiscal, construído pela fiscalização e não obstruído pela parte contrária, em termos probantes e em forma de alegações.
MULTA QUALIFICADA PRESUNÇÃO
A ocorrência de presunção, por si só, não é fator impeditivo à autoridade fiscal para constituir a multa qualificada, especialmente, quando não for o único elemento formador da convicção da fiscalização acerca do infrator ter agido ou se omitido intencionalmente sobre a ocorrência do fato gerador do tributo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Com relação aos demais lançamentos decorrentes IRPJ, aplica-se o reflexo, visto, serem oriundos do principal e referir-se à mesma matéria tributável, mantendo-se também os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS
Numero da decisão: 1201-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Por meio do RE 601.314/SP, submetido à sistemática de repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC, firmou-se o entendimento de que o art. 6º da LC nº 105/01 não configura quebra de sigilo bancário. Ainda que assim não fosse, o pleito do recorrente invoca a inconstitucionalidade da norma e o CARF não tem competência para se pronunciar neste sentido, conforme Súmula nº 2. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Em atendimento ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar na decretação de nulidade se os atos da administração tributária não ofenderam de qualquer forma a ampla defesa e o contraditório garantidos ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção de veracidade perfaz um instrumento variante e oscilante, o qual, sob um propulsor flexível e maleável, materializa a busca ótima e eficaz pela verdade dos autos. O ônus da prova se inverte de forma contínua, de acordo com as necessidades informacionais e documentais para a elucidação do que realmente ocorreu no caso concreto. Ao término do procedimento fiscal, a presunção de omissão de receitas passa a ter conotação absoluta. A conclusão dali extraída é materializada na ocasião dos autos de infração. A tributação recai, então, sobre o produto do trabalho fiscal, construído pela fiscalização e não obstruído pela parte contrária, em termos probantes e em forma de alegações. MULTA QUALIFICADA PRESUNÇÃO A ocorrência de presunção, por si só, não é fator impeditivo à autoridade fiscal para constituir a multa qualificada, especialmente, quando não for o único elemento formador da convicção da fiscalização acerca do infrator ter agido ou se omitido intencionalmente sobre a ocorrência do fato gerador do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Com relação aos demais lançamentos decorrentes IRPJ, aplica-se o reflexo, visto, serem oriundos do principal e referir-se à mesma matéria tributável, mantendo-se também os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Por meio do RE 601.314/SP, submetido à sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, firmouse o entendimento de que o art. 6º da LC nº 105/01 não configura quebra de sigilo bancário. Ainda que assim não fosse, o pleito do recorrente invoca a inconstitucionalidade da norma e o CARF não tem competência para se pronunciar neste sentido, conforme Súmula nº 2. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Em atendimento ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar na decretação de nulidade se os atos da administração tributária não ofenderam de qualquer forma a ampla defesa e o contraditório garantidos ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção de veracidade perfaz um instrumento variante e oscilante, o qual, sob um propulsor flexível e maleável, materializa a busca ótima e eficaz pela verdade dos autos. O ônus da prova se inverte de forma contínua, de acordo com as necessidades informacionais e documentais para a elucidação do que realmente ocorreu no caso concreto. Ao término do procedimento fiscal, a presunção de omissão de receitas passa a ter conotação absoluta. A conclusão dali extraída é materializada na ocasião dos autos de infração. A tributação recai, então, sobre o produto do trabalho fiscal, construído pela fiscalização e não obstruído pela parte contrária, em termos probantes e em forma de alegações. MULTA QUALIFICADA — PRESUNÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 00 77 /2 00 9- 31 Fl. 1687DF CARF MF 2 A ocorrência de presunção, por si só, não é fator impeditivo à autoridade fiscal para constituir a multa qualificada, especialmente, quando não for o único elemento formador da convicção da fiscalização acerca do infrator ter agido ou se omitido intencionalmente sobre a ocorrência do fato gerador do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Com relação aos demais lançamentos decorrentes IRPJ, aplicase o reflexo, visto, serem oriundos do principal e referirse à mesma matéria tributável, mantendose também os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Em decorrência de ação fiscal levada a efeito, em 29/05/2009, foi lavrado o auto de infração de fls. 01/87, para exigir: a) R$ 88.389,01 a título de Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples (fl.03), R$ ' 88.389,01 a título de contribuição ao Programa de Integração SocialSimples (f1.30), R$ 135.983,10 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples (fl. 41), R$ 271.966,19 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 12571.000077/200931 Acórdão n.º 1201002.477 S1C2T1 Fl. 3 3 SocialSimples (f1.52), R$ 67.991,55 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados Simples (f1.63) e, R$ 577.664,46 título de Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples (f1.74). 2. O enquadramento legal das exigências foi: a) para o IRPJ, o art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; § 2° do art. 2°, alínea "a" do § 1° do art. 3°, art. 50, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3' da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998; art. 186, 188 e 189 do RIR/99; b) para o PIS, o art. 3 0, "h" da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2°, inciso I, art. 3° e 90 da Medida Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições, o § 2° do art. 2°, alínea "h" do § 1° do art. 3", art. 5°, § 1" do art. 7" e art. 18 da Lei n o 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o § 2° do art. 2°, alínea "c" do § 1° do art. 3°, art. 5°, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1' e 2° da Lei Complementar n" 70, de 1991; o § 2° do art. 2°, alínea "d" do § 1° do art. 3°, art. 5 0, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3" da Lei n° 9.732, de 1998; e) para o IPI, o § 2° do art. 2°, alínea "e" do § 1° do art. 3°, art. 50, § 1° do art. 70 e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998 e; • f) para a Contribuição ao INSS, o § 2° do art. 2°, alínea "f' do § 1° do art. 3 0, art. 5°, § 1 0 do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 42 da Lei n" 9.430, de 1996 e art. 3" da Lei n° 9.732, de 1998. 3. A multa de ofício, para todos os casos, foi de 225% e está amparada no art. 44, §2`) da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 19 da Lei n° 9.317, de 1996. 4. As infrações imputadas ao contribuinte são: omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados, no montante de R$ 9.153.080,55, receitas escrituradas e não declaradas, no importe de R$ 2.092.004,65, além dos valores referentes à insuficiência de recolhimento, decorrente da mudança de faixa de tributação. 5. A ciência da exigência ocorreu por via postal (AR à f1.1.354) c, em 07/07/2009 protocolou a impugnação de fls. 1.356 a 1.394, onde inicialmente faz um histórico da autuação e, em preliminar sustenta que o fisco teria tido acesso aos seus extratos bancários antes de iniciado o procedimento fiscal, em absoluta dissonância com o disposto no artigo da Lei n" 8.021, de 1990 e, artigo 6" da Lei Complementar n" 105 de 2001 os quais transcreve. Prossegue afirmando que a quebra de sigilo bancário pressupõe o início do procedimento fiscal, situação que não teria ocorrido o que torna o feito ilegal, conforme entendimento esposado pelo Superior Tribunal dc Justiça, cuja ementa transcreve c pede a nulidade do lançamento. Fl. 1689DF CARF MF 4 6. Ainda na esteira da quebra de sigilo bancário, sustenta que a quebra de sigilo não foi autorizada pelo Judiciário, o que constitui afronta a Constituição Federal e à legislação Federal vigente; defende que o sigilo bancário está inserido nas cláusulas pétreas do artigo 5° da Constituição, mais especificamente o inciso X (intimidade, vida privada, honra e imagem) e transcreve manifestação doutrinária, ementa proferida pelo Superior Tribunal de Justiça junto ao Resp. n° 375665/RS, 93.00218980, DJO de 28.03.1994 e outra manifestação jurisprudencial para sustentar que o lançamento é inconstitucional e ilegal e que, não se argumente no sentido de que à autoridade julgadora não compete julgar essa matéria, posto que a matéria em pauta já foi decidida pelos tribunais de cúpula, bem como por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 7. Adentrando ao mérito do lançamento, pede o cancelamento da exigência posto que as movimentações bancárias não representam fato gerador do imposto de renda, conforme consta da Súmula 182 do TFR. Mais uma vez se socorre de doutrina e jurisprudência administrativa e argumenta no sentido de que o uso de presunção deve ser aplicado com cautela, sob pena de violação da legalidade, tipicidade, isonomia, capacidade contributiva, ampla defesa e, razoabilidade. 8. Contesta a exigência das tributações reflexas, sugerindo que dentre os valores depositados há valores pertinentes a despesas operacionais, receitas oriundas da prestação de serviços, lucros distribuídos os quais se submetem a regime de tributação próprio c que os valores referentes à movimentação bancária não podem servir para a incidência da contribuição social e, por fim, que para evitar o enriquecimento ilícito do fisco, o auto de infração deve ser cancelado. 9. Outro aspecto atacado pela defesa se refere à multa aplicada à razão de 225%, taxada como verdadeiro confisco pois estaria a ferir os princípios relativos à propriedade, à capacidade econômica e à proporcionalidade entre o tributo e o patrimônio. Desenvolve todo um arrazoado sobre confisco, discute acerca do caráter acessório da multa em relação ao tributo, para concluir que a mesma é autônoma em relação à obrigação principal. Entende que como o crédito tributário ora discutido tem origem em depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada com a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Sustenta que o fato de não conseguir demonstrar a origem dos valores depositados em suas contas correntes não constitui elemento capaz de qualificar a multa devida c que não pode persistir o argumento de que a multa foi agravada em função do não atendimento das intimações, posto que apresentou todos os documentos de que dispunha, inclusive os extratos bancários, atendendo parcialmente as solicitações do fisco, o que impede a exigência da multa aplicada. Transcreve jurisprudência do então Conselho de Contribuintes. Afirma que a multa imposta extrapola o limite do razoável, adentrando em sua esfera patrimonial de forma ilegal e indevida, razão pela qual requer a redução a patamares que não ultrapassem 20% do valor do tributo. 10. Pede a compensação dos valores pagos a título de Simples, posto que após as constatações a autoridade fiscal arbitrou o lucro, sem considerar os pagamentos efetuados. Contesta a exigência de juros calculados com base na taxa Selic e entende ser descabida a representação fiscal para fins penais, já que ausente a situação fática que permita a tipificação da conduta. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 12571.000077/200931 Acórdão n.º 1201002.477 S1C2T1 Fl. 4 5 11. Ao final, pede: a) a nulidade do auto de infração, face as preliminares levantadas; b) a anulação da exigência tendo em vista os argumentos apresentados na defesa; c) seja determinada a compensação dos valores pagos sob o código de Simples; d) seja reduzida a multa aos patamares descritos na defesa; e) sejam reduzidos os juros ao percentual de 1% ao mês; f) seja permitida a produção dos meios de prova admitidos em processo administrativo, especialmente, perícias, diligências c a juntada de novos documentos. 12. Juntou aos autos os documentos de fls. 1395 a 1399 e 1.402 a 1.494, representados exclusivamente, pela procuração outorgada aos defensores da causa, cópia da Declaração de Firma Mercantil Individual e a cópia integral dos autos de infração e do Relatório da Ação Fiscal. Decisão DRJ Em decisão de 05/03/2010, a 2° Turma da DRJ/CTA por unanimidade de votos rejeitar as preliminares de nulidade, ilegalidade, inconstitucionalidade e afronta a princípios constitucionais, indeferir o pedido de juntada de novos documentos c, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento, para manter as exigências de R$ 88.389,01 a título de IRPJSimples, R$ 88.389,01 a título de PISSimples, R$ 135.983,10 a título de CSLLSimples; R$ 271.966,19 a título de CofinsSimples, R$ 67.991,55 a título de IPISimples e; R$ 577.664,46 a título de contribuição ao INSSSimples, porém, reduzindo o percentual da multa de ofício de 225% para 150%, mais encargos, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por expressa previsão legal caracterizamse omissão de receita os valores creditados em contas de depósito mantidas juntos a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA. Fl. 1691DF CARF MF 6 A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendolhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado. No caso do Simples, verificada a omissão de receita, aplicase Os percentuais legalmente previstos sobre a receita bruta mensal auferida para a determinações dos impostos e contribuições devidos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de exigência fundamentada em irregularidade apurada em ação fiscal realizada na esfera do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos c decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. REGULARIDADE NA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Todos os requisitos para expedição de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, pela Delegacia da Receita Federal, foram observados no procedimento fiscal, conforme relatório circunstanciado, informando os motivos que exigiam a expedição da requisição e demonstrando a indispensabilidade do exame das informações acerca da movimentação financeira do contribuinte. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 12571.000077/200931 Acórdão n.º 1201002.477 S1C2T1 Fl. 5 7 PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS E PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. O protesto pela juntada de novos documentos aos autos, deve ser fundamentado e concomitante à apresentação da correspondente documentação, ficando prejudicado, destarte, o pedido efetuado no desfecho da peça impugnatória, no sentido de posterior juntada de documentos, frisandose que, até a data do presente julgamento, o suplicante não trouxe qualquer documentação adicional que pudesse justificar o referido pedido. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, desserve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. MULTA QUALIFICADA (150%). PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO MANIFESTO. CABIMENTO. Justificase a qualificação da multa quando a autoridade fiscal comprova por meios hábeis o intuito doloso do contribuinte de reiteradamente omitir valores à tributação, posto que, no período fiscalizado, do montante que transitou por suas contas correntes bancárias, informou na DIP Simples apenas 6,21% e, daquele mesmo montante, só escriturou no Livro Caixa 23,66%; caracterizando uma omissão de 93,79% do total. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A justificativa para o agravamento da multa é o não atendimento da intimação para prestar esclarecimentos, c não a prestação de forma insatisfatória. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A representação fiscal para fins penais está prevista em ato normativo ao qual a autoridade fiscal está vinculada por força do disposto no artigo 142 do CTN. TAXA SELIC É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Fl. 1693DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Preliminar Nulidade Inicialmente, cabe destacar que o trabalho fiscalizatório teve início início com a ciência da ora Recorrente em 23/06/08 do inteiro teor do Termo de Início de Ação Fiscal n 282/2008, fls. 96/98, emitido em 12/06/2008. Quanto às requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, encaminhadas ao Banco Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Canoinhas, todas foram emitidas em 05/08/2008, conforme apontam os documentos de fls. 156/157, 159/160, 162/163 e 165/166. No dia 23/06/08, data em que a ora Recorrente tomou conhecimento de que havia sido instaurado procedimento fiscal em seu nome, até a data da expedição das RMF transcorreram 42 dias, não havendo que se falr em tal ponto de qualquer nulidade ou irregularidade dos procedimentos adotados pela fiscalização A alegação de nulidade do lançamento não merece acolhimento vez que o lançamento contém a indicação dos dispositivos legais infringidos, garantindo o direito de ampla defesa da contribuinte desde o início, além disso, todos os fatos considerados para fins de lançamento fiscal foram integralmente apresentados, possibilitando a discussão de todos os pontos necessários para avaliação do lançamento fiscal. Os autos de infração foram instruídos com todos os elementos de prova que comprovam o ilícito, nos termos do art. 90 do PAF, tendo sido demonstrada exatidão a infração imputada ao contribuinte. Assim, não merece acolhimento a alegação preliminar de nulidade trazida pela Recorrente. Ilegalidade ou Inconstitucionalidade Defende a Recorrente que a quebra de sigilo bancário não foi autorizada pelo Judiciário, o que constitui afronta a Constituição Federal e à legislação Federal vigente; defende que o sigilo bancário está inserido nas cláusulas pétreas do artigo 5° da Constituição, mais especificamente o inciso X (intimidade, vida privada , honra e imagem). Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 12571.000077/200931 Acórdão n.º 1201002.477 S1C2T1 Fl. 6 9 A este respeito o presente julgador já se posicionou, em outras ocasiões, quanto à legalidade da medida concretizada pela autoridade tributária. À época dos fatos geradores indicados nesta autuação vigorava em plenitude a Lei Complementar nº 105/01 e, essencialmente, o seu art. 6º, que assim dispõe: “Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” O exame do quanto disposto no referido artigo de lei já seria suficiente para validar as nuances do lançamento, especificamente no ponto em que a fiscalização intima a as instituições financeiras requisitandolhe os respectivos extratos bancários. Neste contexto, a ação promovida pela fiscalização se mostrou indispensável à atividade da autoridade administrativa competente, especialmente no que lhe cabe a consumação do princípio da capacidade contributiva e o financiamento do erário público, o que certamente valida a aplicação do art. 6º da LC nº 105/01 ao caso concreto. Apesar das assertivas até então expostas, recentemente discutiuse no STF a possibilidade da ordinariamente alegada “quebra de sigilo bancário” e, assim, colocouse em voga a constitucionalidade do referido dispositivo. No entanto, por meio do RE 601.314/SP, submetido à sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, firmouse o entendimento de que a norma não configura quebra de sigilo bancário, mas sim transferência de informações entre bancos e o Fisco, ambos protegidos contra o acesso de terceiros, o que, por si, descartaria qualquer ofensa à intimidade e privacidade do contribuinte. É cediço que este Conselho Administrativo Fiscal (CARF) está atrelado ao entendimento proferido em decisões sob a sistemática de repercussão geral (RICARF, art. 62, §1º, inciso II, “b”). Uma vez definida a constitucionalidade da LC nº 105/01, agora sob a égide também do princípio da legalidade tributária, deve falecer a alegação do recorrente quanto à quebra de sigilo bancário. Ainda que assim não fosse, o pleito do recorrente invoca a inconstitucionalidade da norma e, dado o noticiado julgado recente do STF encerrando a discussão, o CARF não tem competência para se pronunciar em sentido contrário, conforme Súmula nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sob qualquer prisma lançado, não há como se acatar ou declarar ilegal ou inconstitucional a nulidade do trabalho fiscal, em razão da suposta quebra de sigilo bancário, de modo que indefiro o pleito do recorrente neste tópico. Fl. 1695DF CARF MF 10 Da exigência baseada em depósitos bancários Em relação ao lançamento o interessado sustenta que a exigência não pode prosperar posto que depósitos bancários não constituem renda nos termos do artigo 43 do CTN. A alegação da Recorrente não merece prosperar. Ressaltese que a sistemática adotada pelo fisco abre margem para que a empresa fiscalizada traga aos autos provas e alegações que ilidam, a todo o tempo, a presunção de veracidade que guia o procedimento fiscalizatório. Portanto a autuada teve diversas oportunidades de embasar seu suposto direito de forma documental, mas não o fez em nenhuma ocasião. A verdade aqui presumida se forma e se molda no número considerável de indícios e fatos envergando para uma mesma direção. Esta ganha força e, neste ponto, adquire o invólucro robusto de uma presunção absoluta, no passo em que a autuada e o responsável tributário não trazem quaisquer comprovações capazes de invalidála ou mesmo enfraquecêla. O posicionamento deste julgador é o de que a presunção de veracidade perfaz um instrumento variante e oscilante, o qual, sob um propulsor flexível e maleável, materializa a busca ótima e eficaz pela verdade dos autos. O ônus da prova se inverte de forma contínua, de acordo com as necessidades informacionais e documentais para a elucidação do que realmente ocorreu no caso concreto. Lançase uma presunção no intuito de estimularse a produção de provas e a prestação de esclarecimentos, culminando na concretização do princípio da verdade material. Essa ideologia essencial acaba refletindo todo o procedimento e atinge todos os pólos da relação tributária. Neste sentido, vejamos: “Inicialmente, o contribuinte, ao apresentar suas declarações fiscais e os livros que a embasam, eiva as informações ali dispostas de uma presunção relativa de veracidade, sob o amparo da presunção de boafé. Cabe à Fiscalização, desta forma, ilidir a primeira presunção, juris tantum, mantendo irretocável a segunda, no entanto. Detectando inconsistências e apontando a ausência de documentação hábil e idônea que suporte as informações prestadas pelo contribuinte, a fiscalização então encontra situação fáticojurídica que o permite inverter o ônus fiscal, de modo que esta passa a deter a presunção relativa de veracidade, agora recaindo sobre as irregularidades constatadas. Neste momento cabe ao contribuinte ilidila, trazendo documentação apta a confrontar as constatações atingidas. Importante ressaltar que a Fiscalização, neste momento, carreia inúmeras oportunidades ao contribuinte para que este desnature tal presunção, intimandoo e reintimandoo para a apresentação de documentos comprobatórios. (...) Veja, a fiscalização analisa a documentação inicialmente apresentada e instiga o contribuinte a cooperar com o Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 12571.000077/200931 Acórdão n.º 1201002.477 S1C2T1 Fl. 7 11 atingimento à uma verdade absoluta. A apresentação de documentações suplementares/complementares e/ou o esclarecimento de sua ausência depende exclusivamente da iniciativa e vontade, voluntária e autônoma, do ora recorrente. A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos, por si, autoriza a fiscalização, então, a materializar esta presunção relativa (...)” (Acórdão nº 1201001.520 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 05/10/2016) Em última instância, então, o instituto é acolhido definitivamente pelo fisco em face do contribuinte no momento em que as conclusões atingidas são prevalecentes em termos de grau de veracidade, a considerar as provas construídas durante o procedimento pelo primeiro, contrastando com a ausência de argumentos e provas contundentes por parte do segundo. O recorrente alega que a aplicação do art. 43 do CTN teria sido ignorada, neste contexto. De fato, devemos considerar que a simples movimentação financeira não comprova a existência de acréscimo patrimonial, uma vez incapaz de efetivar a ocorrência do fato gerador dos tributos em cobro. No entanto, conforme demonstrouse, a origem dos depósitos bancários fora vislumbrada. Os depósitos bancários deixam de ter o caráter oculto e passam a esmiuçar o conceito de receita, qual seja: são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais (CPC 00). Reiterese, a presunção é um instrumento/meio. O fim intentado é a verdade exprimida do procedimento fiscalizatório. O art. 43 do CTN recai sobre o fim e não sobre o meio. Ao término do procedimento fiscal, a presunção de omissão de receitas passa a ter conotação absoluta. A conclusão dali extraída é materializada na ocasião dos autos de infração. A tributação recai, então, sobre o produto do trabalho fiscal, construído pela fiscalização e não obstruído pela parte contrária, em termos probantes. Conforme exposto, as movimentações bancárias representavam montantes advindos de uma operação de vendas de mercadoria não submetida ao impacto fiscal anteriormente, tampouco ao pagamento correspondente. Fl. 1697DF CARF MF 12 Não está tributandose, agora, uma presunção relativa de veracidade, mas sim uma verdade resultante de um trabalho fiscal minucioso sob o qual fora utilizado tal instrumento, mas sob o qual não foram apresentadas provas pelo recorrente. Sobre esta verdade é aplicado devidamente o art. 43 do CTN e atribuída a capacidade contributiva da entidade. Neste ponto reputo devido o lançamento. Multa qualificada Alega a Recorrente a inexistência de pressuposto para a imposição da multa qualificada por entender ser excessiva. Entende que tendo o crédito tributário ora discutido origem em depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada com a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Primeiramente, cabe afastar o argumento trazido pela Recorrente de que a aplicação da multa qualificada de 150% resta excessiva. Isso porque, as multas aplicadas nos lançamentos de ofício são fixadas pela legislação tributária, cabendo à autoridade administrativa simplesmente observálas. A análise da movimentação bancária da Recorrente e o cotejo com as informações efetivamente declaradas ou oferecidas à tributação levaram a fiscalização à conclusão de que a Recorrente agiu com evidente intuito de fraude, ao praticar os atos descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 88/95). A qualificação da multa deuse com fundamento no artigo 44, parágrafo 1", da Lei 9.430/1996. Certamente, a omissão de receita, identificada através de depósitos bancários não comprovados, por si só, não configura situação suficiente para a aplicação da multa qualificada. Mas não é este o caso. O que analisamos nesses autos, é a conduta reiterada e contínua da Recorrente, consistente na movimentação de montante absurdamente superior ao declarado e escriturado em seus livros contábeis e fiscais, desacompanhados de documentação suficiente que comprovasse que os valores movimentados não configuram receita. No presente caso, a omissão de receita na escrita fiscal e na declaração da pessoa jurídica revelase dolosa quando se constata que apenas 23,66% das receitas auferidas e apuradas pela fiscalização foram escrituradas no Livro Caixa no anocalendário do 2004 e, o somente 6,21% foi efetivamente declarado na D1PJ Simples. Vemos que a legislação define com clareza o que é fraude. Já a caracterização do dolo, ou intuito de fraude depende do trabalho fiscal em demonstrar, no comportamento do contribuinte, a intenção de evitarse a tributação. No caso em discussão, fora identificada a ocorrência de ocorreu uma série de eventos que foram descritos às fls. 88/95 que por si só caracterizam a intenção dolosa do agente, justificando a aplicação da multa de 150%. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 12571.000077/200931 Acórdão n.º 1201002.477 S1C2T1 Fl. 8 13 Ora, a autoridade fiscal identificou um comportamento perene da Recorrente em omitir mais de 93% das receitas auferidas no ano fiscalizado. No presente caso, o interessado ocultou fatos tributáveis c assim, descumpriu a obrigação de efetuar o pagamento do imposto devido. Tendo esse valor de imposto devido ficado indisponível para o Estado, fazse, pois, necessário o ressarcimento por esta indisponibilidade monetária. Neste ponto da discussão, cabe trazer importante julgado deste Conselho que ratifica meu entendimento acima esposado (processo n. 10680.013909/200673 da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes – Redator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto): Ementa: MULTA QUALIFICADA — PRESUNÇÃO — presunção não é aspecto que, por si só, impeça à autoridade constituir a multa qualificada, em especial, quando não for o único elemento formador da convicção de ter o infrator agido ou se omitido intencionalmente. Vários fatos apontam para a circunstância de o sujeito passivo ter ocultado dolosamente a ocorrência da hipótese de incidência em valores superiores aos declarados. Se, por um lado, a presunção serviu para o propósito de quantificar tal omissão, por outro, não foi o único expediente probatório empregado pela autoridade para caracterizar a omissão em termos qualitativos, principalmente, no que se refere ao seu aspecto volitivo. Sendo assim, a multa de ofício no percentual de 150% deve ser mantida, uma vez que estão presentes os efeitos para sua qualificação, já que o contribuinte eximiuse do pagamento dos tributos, dificultou, uma vez que não apresentou seus documentos hábeis para comprovação de suas movimentações bancárias financeiras. Da inaplicabilidade da Taxa Selic Quanto à inaplicabilidade da Taxa Selic, invoco a Súmula Carf n. 4: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto à questão da Representação Fiscal para Fins Penas, trago a Súmula CARF n. 28 que assim dispõe: Súmula CARF nº 28 Fl. 1699DF CARF MF 14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Lançamentos Decorrentes CSLL/PIS/COFINS/IPI/INSS Por se tratarem de exigências decorrentes, conforme autos de infração de fls. 30/87, (art. 2" e seus parágrafos, da Lei n" 7.689, de 1988), aplicamse aqui os mesmos argumentos e fundamentos legais empregados na decisão referente ao IRPJ. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1700DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000186/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 11/05/2001
MISTURA DE ÁLCOOIS PRIMÁRIOS ALIFÁTICOS. REDUTOR DE FRICÇÃO. 2-BUTOXI-ETANOL.
O produto "Mistura de álcoois primários alifáticos aplicação especifica: redutor de fricção estado físico: liquido embalagem: bombonas" deve ser classificado na NCM 3403.99.00 pela aplicação das regras de classificação RGI 1, 3b e 6.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/05/2001
LAUDO PERICIAL
Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso.
Numero da decisão: 3401-005.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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REDUTOR DE FRICÇÃO. 2BUTOXIETANOL. O produto "Mistura de álcoois primários alifáticos — aplicação especifica: redutor de fricção — estado físico: liquido — embalagem: bombonas" deve ser classificado na NCM 3403.99.00 pela aplicação das regras de classificação RGI 1, 3b e 6. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/05/2001 LAUDO PERICIAL Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 01 86 /2 00 6- 38 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 387 2 Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório constante do Acórdão recorrido que julgou em parte procedente a impugnação: Trata o presente processo de dois autos de infração. O primeiro auto trata do Imposto de Importação, juros de mora, multa de oficio e multa do controle administrativo por ausência de licença de importação (fls. 0106) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 96.105,47. O segundo auto trata do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio (fls. 0711) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 70.877,53. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. A empresa autuada, mediante a DI n° 01/04713490, importou a mercadoria descrita na adição 01 como "Mistura de álcoois primários alifáticos — aplicação especifica: redutor de fricção — estado físico: liquido — embalagem: bombonas" e classificou a mercadoria no código 3823.70.30. Retirada amostra do produto e emitido laudo técnico Labor, a mercadoria foi identificada como "preparação lubrificante contendo 2butoxietanol e outros componentes em menor proporção", classificável no código 3403.99.00. Intimada a empresa autuada (fl. 34), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 3552. Seguem as alegações da empresa. Apresenta em anexo a impugnação laudo técnico com o fito de definir a natureza do produto e as propriedades a ele inerentes. Apresenta as folhas 3839 as conclusões do laudo em anexo. Alega que o Imposto de Importação já foi recolhido, sendo que as duas classificações fiscais possuem a mesma aliquota: 4,5% de II e 0% de IPI. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 388 3 Afirma que o lapso temporal de quatro anos entre a coleta e a lavratura da autuação fiscal ofende aos princípios da legalidade, celeridade processual e da segurança jurídica. Não cabe a cobrança da multa do controle administrativo uma vez que a mercadoria foi corretamente descrita. Em outros momentos, não houve a cobrança da multa por ausência de LI, como no caso da DI n° 01/00107154; tal fato configura mudança de critério jurídico Argúi a disparidade da multa do controle administrativo por representar quase três vezes mais do que o Imposto de Importação. Afirma que a infração em questão seria apenada com a multa do artigo 636, I, do Regulamento Aduaneiro vigente a época, em aplicação retroativa. Alega ofensa a princípios constitucionais diversos, como o da vedação ao confisco, proporcionalidade. Solicita a improcedência da autuação. Protesta pela intimação em endereço indicado a folha 52. Solicita pela produção de provas em direito admitidas. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde alega em síntese: de acordo com o estudo elaborado por profissional contratado pela Recorrente, a mercadoria em questão corresponde a um Éter, por ser um composto orgânico que se apresenta com um oxigênio ligado entre dois radicais orgânicos, no caso em tela, o butoxietanol e o ácido clorídrico. O parecer técnico concluiu que a classificação correta da mercadoria deveria ter sido na posição 2909.4929; aplicação da regra RGI 3a do Sistema Harmonizado; requer a anulação do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão central do contencioso é relativo a correta classificação fiscal da mercadoria. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 389 4 A empresa importou "Mistura de álcoois primários alifáticos — aplicação especifica: redutor de fricção — estado físico: liquido — embalagem: bombonas" e classificou a mercadoria no código 3823.70.30. A fiscalização solicitou laudo técnico, com retirada de amostra, que foi emitido pelo Laboratório Labor, fls. 94 e sgs. A mercadoria foi identificada no laudo como "preparação lubrificante contendo 2butoxietanol e outros componentes em menor proporção", classificável no código NCM 3403.99.00. As duas classificações estavam assim descritas na TEC, vigente à época do fato: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 390 5 Faço um parênteses para prestar alguns esclarecimentos básicos a respeito da Classificação de Mercadorias no Brasil e no mundo, e que servirão para criar a base normativa aplicável. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. O Sistema Harmonizado (SH) abrange uma Nomenclatura de mercadorias, composta por 96 capítulos, além das Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, Regras Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 391 6 Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). O Sistema Harmonizado (SH) tem 6 regras gerais que regem a classificação de mercadorias. As cinco primeiras são utilizadas para determinar a posição. A 6ª Regra determina que as 5 Regras anteriores devem ser utilizadas para a classificação nas subposições de 1º e 2º nível sucessivamente. A classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, tem por base a Nomenclatura do SH Sistema Harmonizado. As Regras Gerais para interpretação do SH Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto Legislativo nº 71/88, promulgadas pelo Decreto nº 97.409/88, é regida por determinadas regras a serem seguidas. A nomenclatura do Sistema Harmonizado foi incorporada pelo Brasil e a partir dela criada a NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, com o acréscimo de mais dois dígitos, para uso pelo Mercosul. A NCM também é a base da criação da TEC Tabela externa comum e da TIPI tabela do IPI, ambas tabelas com a determinação das alíquotas dos impostos aplicáveis. Após essas digressões voltemos ao caso concreto. A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes Regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 392 7 de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. ... Então, segundo consta nas regras apresentadas, temos que primeiramente fazer a comparação entre as descrições das posições NCM 3403 e 3823, discutidas pelo contribuinte e fiscalização na autuação: 3403 Preparações lubrificantes (incluídos os óleos de corte, as preparações antiaderentes de porcas e parafusos, as preparações antiferrugem ou anticorrosão e as preparações para desmoldagem,. À base de lubrificantes) e preparações dos tipos utilizados para lubrificar e amaciar matérias têxteis. Para untar couros, peleterias (peles com pelos) e outras matérias, exceto as que contenha, como constituintes de base, 70% ou mais em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. 3823 Ácidos graxos (gordos) monocarboxílicos industriais; óleos ácidos de refinação; álcoois graxos gordos industriais. Para auxílio na elucidação do caso podemos nos socorre das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Elas foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional pelo Decreto n.º 435, de 27 de janeiro de 1992. Tratase de material extenso e pormenorizado, que estabelece, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH. A base legal para isso foi o Decreto nº 97.409, de 23/12/1988 (DOU de 28/12/1988), que promulgou a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, bem como alterações posteriores. As NESH constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Consta da NESH as seguintes definições para a posição 3823: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 393 8 38.23 ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXILICOS INDUSTRIAIS; ÓLEOS ÁCIDOS DE REFINAÇÃO; ÁLCOOIS GRAXOS (GORDOS*)INDUSTRIAIS A ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXILICOS INDUSTRIAIS; ÓLEOS ÁCIDOS DE REFINAÇÃO Os ácidos graxos (gordos*) monocarboxilicos industriais são geralmente produzidos por saponificação ou por hidrólise de óleos e gorduras naturais. A separação dos ácidos graxos (gordos*) em produtos sólidos (saturados) e líquidos (insaturados) fazse geralmente por cristalização, com ou sem utilização de um solvente. A parte liquida (comercialmente conhecida como "ácido oMico" ou "oleina") contém ácido oMico, outros ácidos graxos (gordos*) insaturados (linoMico e linolênico, por exemplo) e ainda uma pequena quantidade de ácidos graxos (gordos*)saturados. A parte sólida (comercialmente conhecida como "ácido esteárico" ou "estearina') contém principalmente os ácidos palmitico e esteárico, e ainda uma pequena quantidade de ácidos graxos (gordos*) insaturados. ... Entre os ácidos graxos (gordos*) incluídos no presente grupo, podem citarse: 1)o ácido esteárico comercial (estearina), que é um produto branco e sólido de cheiro característico. E relativamente duro e um tanto quebradiço e vendese, geralmente, em forma de pérolas, de palhetas ou de pó. Comercializase também em forma liquida, quando é transportado quente em cisternas isotérmicas. 2)o ácido oléico comercial (oleina), que é um liquido oleoso, incolor a castanho, de cheiro característico. 3)os ácidos graxos (gordos*) do tall oil, que são principalmente compostos de ácido oléico e linoléico. Obtêmse pela destilação de tall oil em bruto e contêm, em peso, 90% ou mais (calculado sobre o produto seco) de ácidos graxos em virtude unicamente das suas qualidades lubrificantes especiais, tendo como constituinte básico o bissulfeto de molibdênio. 2) As preparações antiferrugem à base de lanolina e dissolvidas em white spirit, mesmo contendo, em peso, 70% ou mais de white spirit. 3) As pastas (massas*) não endureciveis, constituídas por uma mistura de vaselina e de sabão calcário e utilizadas para assegurar a lubrificação e a estanqueidade das juntas nos sistemas pneumáticos de frenagem (travagem) por depressão. Também se excluem desta posição: a) Os degrás artificiais (posição 15.22). Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 394 9 b) A grafita coloidal ou semicoloidal ou as pastas de grafita, da posição 38.01. c)As preparações para facilitar a aderência das correias de transmissão (posição 38.24), bem como as preparações antiferrugem da posição 38.24. B. ÁLCOOIS GRAXOS (GORDOS*) INDUSTRIAIS Os álcoois graxos (gordos*) industriais incluídos na presente posição são misturas de álcoois acíclicos obtidos, especialmente, por redução catalítica dos ácidos graxos (gordos*) industriais desta posição (ver o parágrafo A, anterior) ou dos seus ésteres, por saponificação do óleo de cachalote, por reação catalítica entre as olefinas, o óxido de carbono e o hidrogênio (síntese Oxo), por hidratação das olefinas, por oxidação de hidrocarbonetos ou por outros meios. Estes produtos são quase sempre líquidos. Contudo, alguns deles são sólidos. Os principais álcoois graxos (gordos*) industriais da presente posição são os seguintes: 1)o álcool laurílico industrial, que é uma mistura de álcoois graxos (gordos*)saturados, obtidos por redução catalítica dos ácidos graxos (gordos*) do óleo de coco. Liquido a temperatura normal, toma uma consistência semisólida a temperaturas mais baixas. 2)o álcool cetílico industrial, que é uma mistura dos álcoois cetilico e estearílico, sendo o primeiro preponderante; obtémse a partir do óleo de cachalote ou do óleo de espermacete. T um sólido cristalino e translúcido a temperatura ambiente. 3)o álcool estearilico industrial, que é uma mistura dos álcoois estearilico e cetilico, obtido por redução da estearina ou de óleos ricos em ácido esteárico ou ainda a partir do óleo de cachalote, por hidrogenação e hidrólise seguida de destilação. Este álcool apresentase sob a forma de um sólido branco cristalino a temperatura ambiente. 4)o álcool oleilico industrial, obtido por redução da oleina ou, por pressão hidráulica, a partir de álcoois derivados do óleo de cacholote. X' liquido 6 temperatura ambiente. 5)As misturas de álcoois primários alifáticos, habitualmente compostas por álcoois com seis a treze átomos de carbono. Tratase de líquidos obtidos geralmente pela síntese Oxo. Os álcoois graxos (gordos*) mencionados nos Fes 1) a 4), acima utilizamse sobretudo para a preparação de derivados sulfonados, cujos sais alcalinos constituem os agentes de superficie orgânicos da posição 34.02. Os álcoois graxos (gordos*) do n°5) empregamse sobretudo na fabricação de plastificantes para o policloreto de vinila. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 395 10 ... Os álcoois graxos (gordos*) industriais, que apresentam característica de ceras, são também incluídos nesta posição. A presente posição não compreende os álcoois graxos (gordos*) de constituição química definida com pureza de 90% ou mais (calculada relativamente ao peso do produto no estado seco) (posição 29.05, geralmente). A recorrente pretende ver classificada sua mercadoria na NCM 3823 ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXILICOS INDUSTRIAIS; ÓLEOS ÁCIDOS DE REFINAÇÃO; ÁLCOOIS GRAXOS (GORDOS*)INDUSTRIAIS, mais especificamente na parte da descrição que trata dos Álcoois graxos (gordos*) industriais. O que temos de concreto, após o laudo técnico, é que a mercadoria é composta majoritariamente pelo componente 2butoxi etanol (64,5%), um éter do etanol que é um tensoativo não iônico, que é apresentada em estado líquido embalado em bombonas, e é uma preparação lubrificante. Utilizandonos das regras de classificação de mercadorias do Sistema Harmonizado, RGISH temos que a classificação deverá ser efetuada pela substância que defina a característica essencial do produto, pela aplicação da Regra 3b. Como no caso em exame temos que 2butoxi etanol responde por 64,5% da composição do produto, ele é a substância prevalente, e a classificação deverá ser efetuada por ele. A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes Regras: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b)Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 396 11 a)A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. (grifos nossos) A empresa recorrente apresentou juntamente à impugnação laudo técnico, fls. 102 e sgs, por ela solicitado, para produto equivalente ao produto importado e em data posterior, em que o técnico esclarece que: A Empresa BJ QUÍMICA DO BRASIL LTDA (B)) nos solicita caracterizar o produto denominado RX72 SXE, fabricado pela Empresa denominada ROEMEX LTD. Segundo informa a empresa, este produto é uma mistura de tensoativo não iônico e aniemico em solução aquosa e alcalina, projetado para reduzir o coeficiente de atrito (fricção) metal metal susceptível de ser usado em água do mar, salmouras e fluidos de perfuração de poços. A BJ classificou o produto na posição 3823.70.30 (outras misturas de álcoois • primários alifáticos). A Secretaria da Receita Federal intimou a BJ a responder o Auto de Infração No 007/06 alegando que o produto deveria ter sido classificado na posição 3403.9900 (outras preparações lubrificantes incluindo óleos de cortes, antiaderentes para porcas e parafusos, etc). Para sustentar a sua posição a Receita Federal apresenta laudo técnico, cuja cópia a este anexamos, onde a análise química apresenta prevalência das substâncias 2butoxietanol (64,5%) um éter do etanol que é um tensoativo não iônico. De mesma natureza são o dodeciloxietanol (1,3%) e hexadeciloxietanol (3%). Os demais compostos, segundo o resultado analítico apresentado, são álcoois alifáticos (somando 13,75) e pequena quantidade do aldeído octanal (0,4%). Louvandonos na própria análise da Receita Federal, verificamos que a substância básica é o 2butoxietanol, um éter com a característica de agente tensoativo, impropriamente Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 397 12 designado "lubrificante". Os lubrificantes são imiscíveis com água, de alto peso molecular o que não se coadunam com a análise apresentada pela Receita Federal. Outro aspecto que o laudo técnico da Receita Federal não explica é a presença informada pelo fabricante de tensoativos aniiinicos. Isto nos faz deduzir que os álcoois (exceto os não iônicos) estão sob a forma de sulfatados ou sulfonados que são tensoativos aniônicos. Como já antecipamos, a substância básica de ambos os produtos aqui discutidos, é o 2butoxietanol, um éter de etanol. o seu processo produtivo parte do etilenoglicol e de um derivado halogenado do butano na posição 2. Em uma equação química: HO.CH2.CH2.0H + H3C.CHCLCH2.CH3 —# n H3C.CH2.CH(CH3).0.CH2CH2.0H + HC1 Etilenoglicol 2 Clorobuta no 2(butoxi)etanol Ac. clorídrico Segundo o nosso entendimento, baseado na prevalência do 2butoxietanol, a substancia estaria propriamente classificada na posição 29094929 (outros ésteres de etileno glicois). Como podemos verificar da leitura dos esclarecimentos prestados pela empresa, o técnico concorda com o laudo do Laboratório Labor que o produto é composto majoritariamente pelo composto 2butoxietanol, um éter de etanol. De acordo com Agência Européia de Produtos Químicos, da União Européia, informações no sítio echa.europa.eu/substanceinformation, o 2butoxietanol, também conhecido como éter monobutílico de etilenglicol, é um produto químico orgânico na classe de éteres de glicol (O etanol é também chamado de álcool etílico, ou simplesmente álcool, sendo o mais comum dos álcoois). O 2butoxietanol é um líquido combustível e é solúvel em água e na maioria dos solventes orgânicos: Esta substância é utilizada nos seguintes produtos: produtos de revestimento, produtos de exploração ou produção de petróleo e gás, enchimentos, massas, rebocos, massa de modelar, produtos de tratamento de superfícies metálicas, produtos de tratamento de superfícies não metálicas, reguladores de pH e produtos de tratamento de água produtos químicos, polímeros, semicondutores e produtos químicos para tratamento de água. Esta substância é usada nas seguintes áreas: mineração. Esta substância é utilizada para o fabrico de: produtos químicos. Esta substância é usada nas seguintes atividades ou processos no local de trabalho: transferência de produtos químicos, processos fechados e contínuos com exposição ocasional controlada, processos fechados sem probabilidade de exposição, processamento em lote fechado em síntese ou formulação, processamento em lote em síntese ou formulação com oportunidade para exposição, trabalho de laboratório e pulverização industrial. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 398 13 A liberação para o meio ambiente desta substância pode ocorrer a partir do uso industrial: em auxiliares de processamento em locais industriais, como uma etapa intermediária na fabricação adicional de outra substância (uso de intermediários) e de substâncias em sistemas fechados com liberação mínima. Segundo informações coletadas no sítio da Agência internacional para registro de substâncias tóxicas, https://www.atsdr.cdc.gov/phs/phs.asp?id=345&tid=61 e também o sítio da companhia CETESB do estado de São Paulo http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/produtos/ficha_completa1.asp?consulta=%C9TER%20M ONOBUT%CDLICO%20DE%20ETILENOGLICOL: o 2butoxietanol no meio ambiente vem de algumas atividades industriais. É geralmente produzido por uma reação de óxido de etileno com álcool butílico, mas também pode ser feito pela reação do etilenoglicol com sulfato de dibutila. O 2butoxietanol é amplamente utilizado como solvente em revestimentos de superfície protetores, tais como vernizes, lacas de secagem rápida, esmaltes, vernizes e tintas de látex. Também é usado como ingrediente em diluentes e removedores de tinta, removedores de verniz, produtos químicos agrícolas, herbicidas, calafetados de silicone, óleos de corte e fluidos hidráulicos. Ele tem outros usos em limpadores de metal, tinturas de tecidos e tintas, limpadores industriais e domésticos (como desengraxante) e compostos de limpeza a seco. Também é usado em sabonetes líquidos e em cosméticos. A forma de acetato deste composto é o acetato de 2butoxietanol. É também conhecido como acetato de etilenoglicol monobutil éter, butoxietil acetato, butilglicol acetato, etilenoglicol butil éter acetato, ácido acético 2butoxietil éster, glicol monobutil éter acetato, Butil Cellosolve acetato, ou Ektasolve EB acetato. Abreviações comuns para acetato de 2butoxietanol incluem BEA e EGBEA. O acetato de 2butoxietanol foi encontrado no ar, na água e no solo como contaminante. É um líquido incolor com um odor frutado. A maioria das pessoas pode começar a cheirar o acetato de 2butoxietanol ao ar a 0,10 � 0,48 ppm. É apenas moderadamente solúvel em água, mas é solúvel na maioria dos solventes orgânicos. Isto significa que quando acetato de 2butoxietanol e água ou 2butoxietanol e solventes orgânicos são misturados, as misturas formam uma camada, ao contrário da mistura de óleo e água que se separam em duas camadas. 2 O acetato de butoxietanol é um risco de incêndio quando exposto ao calor, faíscas, chamas ou oxidantes. O acetato de 2butoxietanol no ambiente também vem de algumas atividades industriais. É preparado fazendo reagir 2 butoxietanol com ácido acético, anidrido de ácido acético ou cloreto de ácido acético. O acetato de 2butoxietanol é amplamente utilizado como um solvente de evaporação lenta para lacas, vernizes, resinas epoxi e esmaltes. Também é usado em látex de acetato de polivinila, e pode ser usado em algumas formulações de tinta e removedor de manchas. (grifos nossos) Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 399 14 A partir dos esclarecimentos encontrados nos arquivos das agências especializadas no assunto podemos concluir que o 2butoxietanol não se enquadra na descrição da posição 3823. Os álcoois graxos gordos, a que se refere a posição 3823, são álcoois alifáticos derivados de gordura e óleos naturais (lipídios), originários de plantas, animais e algas. Também podem ser obtidos a partir do etileno proveniente do petróleo. Eles são usados como tenso ativos não iônicos de óleo disperso em água. As emulsões são tipos de dispersões coloidais (coloides) que ocorrem entre dois líquidos que não se misturam. Por exemplo, a água e o óleo não se misturam, mas a adição de um tensoativo não iônico sob agitação pode fazer com que gotas de óleo de dimensões coloidais (as partículas dispersas possuem tamanho entre 1 nm e 1000nm) fiquem espalhadas na água, formando uma emulsão instável. Nesse caso, os álcoois graxos funcionam como emulsificantes e são chamados de tensoativos porque diminuem a tensão superficial da água, facilitando a sua mistura com o óleo. Desse modo, os álcoois graxos são usados como produtos intermediários para diferentes tipos de tensoativos em produtos de limpeza, na indústria técnica química e de cosméticos, como solventes de graxas e ceras (que também são apolares), como veículos em pomadas farmacêuticas e como aditivos de óleos lubrificantes. https://alunosonline.uol.com.br/quimica/alcooisgraxos.html Eliminada a possibilidade de utilização da posição 3823, devemos avaliar se esta correta a posição 3403 identificada pela fiscalização: 3403 Preparações lubrificantes (incluídos os óleos de corte, as preparações antiaderentes de porcas e parafusos, as preparações antiferrugem ou anticorrosão e as preparações para desmoldagem, à base de lubrificantes) e preparações dos tipos utilizados para lubrificar e amaciar matérias têxteis. Para untar couros, peleterias (peles com pelos) e outras matérias, exceto as que contenha, como constituintes de base, 70% ou mais em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. A empresa informa, por meio de seus esclarecimentos técnicos apresentados que "este produto é uma mistura de tensoativo não iônico e aniemico em solução aquosa e alcalina, projetado para reduzir o coeficiente de atrito (fricção) metalmetal susceptível de ser usado em água do mar, salmouras e fluidos de perfuração de poços". E na página da empresa Roemex, exportadora e fabricante do produto, o mesmo encontrase identificado no grupo de produtos para perfuração e conclusões: Os lubrificantes são usados durante as operações de perfuração e tubulação enrolada (coiled tubing)1 para reduzir o torque (atrito rotativo) e o arrasto (atrito axial) no poço. Devido ao crescente foco em práticas de perfuração eficientes, além do alcance extensivo, poços de águas profundas e de alto 1 Coiled tubing é uma tubulação contínua enrolada em um carretel, que é depois esticada antes de ser introduzida no poço. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 400 15 ângulo sendo perfurados hoje, os lubrificantes estão se tornando uma necessidade para perfuração, completação, limpeza de poço, operações de cabos, operações de bobinas, tubulação de produção, etc. A Roemex pode fornecer vários lubrificantes para essas aplicações; Brine Lubricant RX72TL é um produto premium em nossa ampla gama de lubrificantes, é uma mistura de surfactantes nãoiônicos e aniônicos em uma solução aquosa que possui um excelente perfil ambiental. O lubrificante de salmoura RX72TL é projetado para reduzir o atrito de metal / metal e metal / formação em poços. É estável e solúvel na maioria das salmouras de completação e apresenta boa compatibilidade com o nitrilo e outros elastômeros comuns. O lubrificante de salmoura RX72TL também demonstra boa estabilidade térmica. O lubrificante de salmoura RX72TL é normalmente utilizado em água do mar ou salmouras completadas. Aplicações típicas são: Dar redução de torque em fluidos aquosos claros; a redução de torque esperada seria na região de 20 a 50% 1 3% de concentração é necessária para as operações de instalação em bobina, com fio, com aperto e conclusão. O produto RX 72 SXE encontrase atualmente fora de linha de fabricação, sendo substituído pelo produto RX 72TL que possui as mesmas características do anterior mas agrega algumas inovações. A Notas Explicativas do Sistema Harmonizado referentes a Posição 3403 citam expressamente as preparações químicas lubrificantes para reduzir a fricção entre as partes ou peças, que é como a mercadoria foi descrita pela recorrente "Mistura de álcoois primários alifáticos — aplicação especifica: redutor de fricção — estado físico: líquido — embalagem: bombonas": Nota Explicativa Página 523 (IN SRF 5/99): Com exclusão dos produtos contendo, em peso, enquanto constituintes de base, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (ver posição 27.10), a presente posição compreende, entre outros, as misturas preparadas dos seguintes tipos: A)As preparações lubrificantes para reduzir a fricção entre as partes ou peças móveis de máquinas, veículos, veículos aéreos ou outros dispositivos, aparelhos ou instrumentos. Em geral, estes lubrificantes são misturas de óleos ou gorduras animais, vegetais ou minerais ou têm por base estes produtos, e, freqüentemente, contêm aditivos, tais como grafita, bissulfeto de molibdênio, talco, negros de carbono, sabões calcários ou metálicos, breu (pez), produtos antiferrugem ou antioxidantes. Todavia, a presente posição também compreende as preparações lubrificantes sintéticas á base, por exemplo, de Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 401 16 sebaoto de dioctila ou de dinonila, de ésteres fosfóricos, de policlorobifenilas, de polietilenoglicol ou de polipropilenoglicol. Os lubrificantes sintéticos, em particular os que tenham por base silicone, e as preparações denominadas jet lube oils (ou synthetic ester lubes), são próprias para utilização em condições especificas (lubrificantes ignífugos, lubrificantes para rolamentos de instrumentos de precisão, para motores de reação (propulsão a jato), etc.). B) Os óleos e gorduras de estiragem (trefilagem) empregados em trefilaria para facilitar o deslizamento do fiomáquina nas fieiras. Citamse, entre outras: certas emulsões aquosas de sebo e ácido sulfúrico; misturas de sabão sódico, de estearato de alumínio, de óleos minerais e água; misturas de óleos, gorduras e sulfoleatos; misturas em pó de sabões calcários e de cal. C) Os óleos de corte. Geralmente estes óleos têm por base óleos animais, vegetais ou minerais, freqüentemente adicionados de agentes de superficie. As preparações para obtenção de óleos de corte (á base, por exemplo, de sulfonatos de petróleo ou de outros agentes de superfície) que, em geral, nesse estado, não se podem utilizar como óleos de corte, excluemse da presente posição (posição 34.02). D) As preparações antiaderentes de porcas e parafusos, que se empregam para desbloquear parafusos, porcas ou outras peças. São geralmente constituídas, no essencial, por óleos lubrificantes, podendo também conter lubrificantes espessos, solventes, agentes de superficie, agentes antiferrugem, etc. E) As preparações antiferrugem ou anticorroseio contendo essencialmente lubrificantes. F) As preparações para desmolagem á base de lubrificantes, utilizadas em diversas indústrias (por exemplo, plásticos, borracha, construção civil, fundição), tais como: 1) Os óleos minerais, vegetais ou animais ou outras gorduras (incluídos os sulfonados, oxidados ou hidrogenados), misturados ou emulsionados com ceras, lecitina ou antioxidantes. 2) As misturas contendo gorduras ou óleos, de silicone. 3) As misturas de pó de graflta, de talco, de mica, de bentonita ou de alumínio, com óleos, gorduras, ceras, etc. Todavia, são excluídas as misturas alimentícias ou preparações alimentícias de gorduras ou óleos animais ou vegetais dos tipos utilizados para desmoldagem (por exemplo, óleos de desmoldagem para a panificação (posição 15.17). Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 402 17 G) As preparações lubrificantes para tratamento de têxteis, couros, peles, peleterias (pele com pelo) etc. Estas preparações podem servir para lubrificar ou amaciar fibras têxteis no decurso de operações de fiação, engordurar couro, etc. Este grupo compreende, entre outras, as preparações constituídas por óleos minerais ou gorduras misturados com agentes de superficie (por exemplo, sulforricinoleatos) bem como as dispersadas em água próprias para lubrificar têxteis, contendo uma elevada proporção de agentes de superficie misturados com óleos minerais e com outros produtos químicos. A presente posição compreende igualmente: 1) As suspensões estabilizadas de bissulfeto de molibdênio em óleos minerais, contendo, em peso, 70% ou mais de óleo mineral, próprias para serem adicionadas em pequenas quantidades aos óleos lubrificantes de motores etc, em virtude unicamente das suas qualidades lubrificantes especiais, tendo como constituinte básico o bissulfeto de molibdênio. 2) As preparações antiferrugem à base de lanolina e dissolvidas em white spirit, mesmo contendo, em peso, 70% ou mais de white spirit. 3) As pastas (massas*) não endureciveis, constituídas por uma mistura de vaselina e de sabão calcário e utilizadas para assegurar a lubrificação e a estanqueidade das juntas nos sistemas pneumáticos de frenagem (travagem) por depressão. Também se excluem desta posição: a) Os degrás artificiais (posição 15.22). b) A grafita coloidal ou semicoloidal ou as pastas de grafita, da posição 38.01. c)As preparações para facilitar a aderência das correias de transmissão (posição 38.24), bem como as preparações antiferrugem da posição 38.24. (grifos nossos) Podemos verificar pela leitura da NESH acima reproduzida que a posição 3403 compreende as preparações lubrificantes para reduzir a fricção entre as partes ou peças móveis de máquinas, veículos, veículos aéreos ou outros dispositivos, aparelhos ou instrumentos, e também compreende as preparações lubrificantes sintéticas á base, por exemplo, de polietilenoglicol. Mediante todo o exposto, a partir das informações do laudo técnico, das informações prestadas pela empresa, e encontradas na página da internet do fabricante do produto temos que o produto importado se adequa perfeitamente às descrições contidas na posição 3403, inclusive com os esclarecimentos obtidos na NESH da posição. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 403 18 Como o produto em análise não contém óleos de petróleo ou de minerais betuminosos 2então devemos verificar as outras subposições existentes dentro da posição 3403. Dentro da subposição de primeiro nível 3403.9 temos duas possibilidades para a subposição de segundo nível 3403.91 ou 3403.99. O produto importado pela recorrente não é uma preparação para tratamento de matérias têxteis ou outras matérias, é um lubrificante para reduzir o atrito entre partes metálicas, conforme já esclarecido, sendo assim descartada a subposição 3403.91. Concluímos pela adequação da NCM 3403.99.00 já que não há desdobramentos a nível de item e subitem, pela aplicação das regras de classificação RGI 1, 3b e 6. Quanto ao laudo apresentado pela recorrente temos a esclarecer que de acordo com o art. 30 do Decreto Nº 70235/72, devem ser adotadas as conclusões de laudos técnicos emitidos órgãos aprovados, no caso o laboratório Labor, que emitiu o laudo técnico solicitado pela fiscalização e é um órgão técnico aprovado: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. §1º Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Não é vedado ao contribuinte apresentar provas como parte do contraditório e ampla defesa, e dentre essas provas existe a possibilidade de apresentação de laudo por ele solicitado. Entretanto devese atentar que: 2 Materiais betuminosos são associações de hidrocarbonetos solúveis em bissulfeto de carbono. São subdivididos em duas categorias: os asfaltos e os alcatrões. Fonte(s): http://etg.ufmg.br/~jisela/pagina/materiais%20betuminosos.pdf Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10711.000186/200638 Acórdão n.º 3401005.209 S3C4T1 Fl. 404 19 conforme art. 30 do Decreto nº 70.235/72 não se considera aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Assim sendo não é dado ao técnico que identifica a mercadoria opinar sobre a classificação fiscal do produto, ele deve se ater somente à identificação do produto. Por isso não foi considerada a sugestão de classificação fiscal apontada no laudo apresentado; conforme o art. 29 do Decreto nº 70.235/72 o julgador é livre para formar sua convicção, e poderá apreciar as provas livremente, sempre observado que as decisões deverão ser motivadas: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por todo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 418DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.002600/2002-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Para fins de apuração do coeficiente de exportação, de que trata o crédito presumido de IPI da Lei nº 9363/96, a definição da "Receita Operacional Bruta" deve ser extraído da legislação do IRPJ e abrange a totalidade das receitas da empresa.
CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 9303-007.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Para fins de apuração do coeficiente de exportação, de que trata o crédito presumido de IPI da Lei nº 9363/96, a definição da "Receita Operacional Bruta" deve ser extraído da legislação do IRPJ e abrange a totalidade das receitas da empresa. CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 00 /2 00 2- 79 Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.409 a 1.433), com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, e pela Contribuinte CARGILL AGRÍCOLA S/A (fls. 1.546 a 1.571), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3401002.016 (fls. 312 a 321) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 23 de outubro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI sobre as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como determinar a incidência da taxa Selic, a partir do protocolo do pedido, sobre o montante inicialmente indeferido. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.409 a 1.433) alegando divergência jurisprudencial quanto à: (a) impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, sustentando a inaplicabilidade do art. 62 A do RICARF ao caso dos autos; e (b) caso vencida nesta divergência, no que concerne ao termo inicial para a incidência da correção monetária, para que seja considerado como sendo 360 (trezentos e sessenta) dias após o protocolo do pedido ou a partir da ciência do DespachoDecisório em relação à parte inicialmente indeferida e, posteriormente, reconhecida pelo colegiado. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs CSRF/0203.718 e 930300.720; e 310200.914 e 3201001.765, respectivamente. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido parcialmente, nos termos do despacho s/n.º, de 24 de junho de 2015 (fls. 1.435 a 1.438), por entender como existente a divergência jurisprudencial apenas com relação à discussão quanto ao termo inicial de fluência da correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido a ser ressarcido. Não foi admitido quanto à alegação de não aplicação da taxa Selic ao pedido de ressarcimento, por supostamente ser inaplicável o entendimento do Superior Tribunal de Justiça quanto à incidência de correção monetária sobre o crédito presumido de IPI, manifestado no REsp n.º 933.164/MG, julgado em sede de recursos repetitivos, porque as decisões paradigmáticas não analisaram as situações submetidas ao julgamento do repetitivo do STJ, mas apenas o cabimento ou não de atualização monetária dos ressarcimentos de IPI em hipóteses gerais. Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 5 4 De outro lado, intimada a Contribuinte do acórdão de parcial provimento do recurso voluntário, opôs embargos de declaração (fls. 1.444 a 1.481) apontando a existência de inexatidões materiais no julgado, bem como os vícios de omissão e contradição. Acusou a decisão de ter deixado de se manifestar sobre “a abrangência do conceito de receita operacional bruta que fundamentou o entendimento externado no julgado”, bem como “a respeito dos insumos adquiridos por tais estabelecimentos nãoprodutores exportadores, os quais a empresa não computou no cálculo do incentivo à época da sua apuração”. Quanto à contradição, apontou a existência de incongruência entre a ementa, o resultado do julgamento consignado no acórdão e a conclusão do voto, no que diz respeito à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Na mesma oportunidade, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1.484 a 1.495) postulando a sua negativa de provimento. Consoante despacho s/n.º, de 09 de junho de 2017 (fls. 1.529 a 1.537), os embargos de declaração foram rejeitados em caráter definitivo, porque inexistentes os vícios apontados no acórdão embargado. No despacho foi consignado entendimento no sentido de existir consistência entre os fundamentos do voto e o resultado do julgamento, afastando a alegação de contradição; além disso, as incorreções na ementa não se constituem em inexatidão material que enseje a prolação de um novo acórdão e, por fim, que as matérias alegadas como ensejadoras de omissão foram debatidas e decididas pelo Colegiado embargado. Na sequência, intimada do despacho que rejeitou os aclaratórios, a Contribuinte insurgese por meio de recurso especial de divergência quanto a dois pontos: (a) requerendo a não inclusão das receitas de estabelecimentos não produtores exportadores no cálculo do coeficiente de exportação; e (b) postulando pela incidência da taxa Selic sobre a totalidade do pedido de ressarcimento e não apenas sobre a parcela indeferida. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 3403003.468 e 3403 003.445, respectivamente. Nos termos do despacho S/N.º, de 06 de outubro de 2017 (fls. 1.670 a 1.676), foi dado seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos dois temas abordados. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (1.678 a 1.690) requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade Os recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte atendem aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Fazenda Nacional gravita em torno da determinação do termo inicial de incidência de correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. De outro lado, no apelo especial da Contribuinte há insurgência quanto a dois temas: (a) possibilidade de inclusão das receitas de estabelecimentos não produtores exportadores no cálculo do coeficiente de exportação; e (b) incidência da taxa Selic sobre a totalidade do pedido de ressarcimento e não apenas sobre a parcela inicialmente indeferida e, posteriormente, reconhecida pelo Colegiado. Havendo pontos de intersecção entre os temas que são objeto de insurgência da Fazenda Nacional e da Contribuinte, a análise do mérito será divida por matérias, sendo abordados em cada tópico os pontos trazidos em sede recursal pelas partes. 1. Incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido: termo inicial e montante sobre o qual deve recair a correção monetária. No acórdão recorrido, foi determinada a incidência da taxa Selic sobre a parcela do crédito que havia sido inicialmente indeferida em despacho decisório, a partir do protocolo do pedido, por se entender caracterizada a resistência administrativa ao ressarcimento dos créditos pleiteados. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 7 6 Os paradigmas juntados pela Fazenda Nacional, opondose ao termo inicial da incidência da Selic fixado no acórdão recorrido, trouxeram dois posicionamentos diversos: aplicação da taxa Selic somente a partir da ciência do DespachoDecisório em relação à parte inicialmente indeferida e, posteriormente, reconhecida pelo colegiado (Acórdão 310200.914); ou que para o emprego da Selic, a resistência ilegítima do Fisco necessária somente ocorre a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento, conforme art. 24 da Lei n.º 11.457/2007 (Acórdão 3201001.765). A Contribuinte, por seu turno, busca modificar a decisão recorrida no que tange ao montante sobre o qual incidirá a correção monetária pela taxa Selic. O Colegiado a quo determinou a aplicação da taxa Selic sobre a parcela que havia sido inicialmente indeferida no despacho decisório. Nos termos dos julgados paradigmáticos, busca o Sujeito Passivo ver reformado o entendimento para que a totalidade do valor do crédito presumido de IPI objeto do pedido de ressarcimento tenha atualização monetária, e não somente a monta inicialmente indeferida. Preliminarmente à análise dos temas atinentes à taxa Selic, devese partir da premissa assentada na lide de que houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi deferido parcialmente e as compensações homologadas até o limite do crédito reconhecido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (fls. 158 a 163), direito de crédito posteriormente ampliado em sede de julgamento de recurso voluntário, nos termos do Acórdão n.º 3401002.016 (fls. 312 a 321). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Remanesce nos presentes autos, assim, a discussão quanto ao termo inicial de incidência da taxa Selic, bem como acerca da quantia sobre a qual deverá a mesma incidir. Com relação ao termo inicial da incidência da taxa Selic, tem prevalecido neste Colegiado entendimento no seguinte sentido, do qual não compartilha esta Relatora: é cabível a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido/restituído a título de crédito presumido de IPI, a contar do fim do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) de que dispõe a Administração Pública para análise do pedido, independentemente da época do protocolo do requerimento (art. 24 da Lei nº 11.457/07); referida construção de entendimento veio embasada no Resp nº 1.138.206/RS, submetido a julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual restou definido como prazo razoável para a Administração analisar processo o interregno de 360 (trezentos e sessenta dias); além disso, quando inaugurada a posição nesta 3ª Turma da CSRF, foi invocado o AgRg no Resp nº 1.467.934/RS, cujo Relator é o Ministro Sérgio Kukina, não submetido ao rito dos recursos repetitivos, no qual foi externado o posicionamento de que, tendo em vista o prazo de 360 dias estabelecido no Resp nº 1.138.206/RS, a partir do final do referido prazo é que deveria incidir a Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 8 7 correção monetária pela taxa Selic sobre o montante objeto do pedido de ressarcimento, por ter entendido o Ministro, naquele caso específico, que somente a partir dessa data caracterizarseia a mora administrativa. Anteriormente, nos julgamentos realizados por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9303005.172, de 17/05/2017, o posicionamento que prevalecia é de que tendo ocorrido o indeferimento injustificado do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, o qual posteriormente vem a ser reconhecido em sede de julgamento pela DRF ou pelo CARF, a correção monetária pela taxa Selic deveria incidir sobre o valor inicialmente indeferido, e desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Há também corrente segundo a qual deverá incidir a correção monetária pela taxa Selic sobre a totalidade do montante a ser ressarcido, desde a data do protocolo do pedido, até o efetivo recebimento, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Este o posicionamento adotado por esta Conselheira, por entender que a demora do aproveitamento do crédito de IPI dáse a partir do momento em que veiculado o pedido de ressarcimento, quando optou a Contribuinte por exercer o seu direito e restou caracterizada a mora do Fisco. Portanto, temse o entendimento de que: (a) é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI quando o seu aproveitamento decorre de oposição ilegítima do Fisco, nos termos do Resp nº 1035847/RS, submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF, consoante art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; e (b) o termo inicial da correção monetária deve ser a data do protocolo do pedido de ressarcimento, até o efetivo recebimento do crédito, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Com referido posicionamento acerca do termo inicial da incidência de correção monetária pela taxa Selic, não se está descumprindo a exigência regimental de observância dos julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2009). Explicase: (i) no Resp nº 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), a questão submetida a julgamento referiuse "à fixação, pelo Poder Judiciário, de prazo razoável para a conclusão de processo administrativo fiscal", tendo sido firmada a tese de que "Tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)". Não houve no julgamento a fixação de termo inicial para a incidência de correção pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido/restituído nos processos administrativos. A ementa do referido julgado foi redigida nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 9 8 DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 10 9 obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1138206/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 01/09/2010) (ii) o AgRg no Resp nº 1.467.934/RS, de Relatoria do Ministro Sérgio Kukina, trouxe o entendimento de que a correção monetária pela taxa Selic do montante a ser ressarcido deve darse a partir do fim do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) de que dispõe a Administração para apreciar o pedido de ressarcimento, pois, no seu entender, a partir daquele momento estaria caracterizada a mora administrativa, tendose embasado no Resp nº 1.138.206/RS, citado anteriormente. O AgRg no recurso especial nº 1.467.934/RS não foi submetido ao rito do art. 543C do CPC/73 (correspondente ao art. 1.036 do Novo CPC), razão pela qual não é de observância obrigatória. Os fundamentos do julgado foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1467934/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 06/03/2015) Com relação ao AgRg no REsp 1467934/RS, foram opostos embargos de divergência pela empresa recorrente naquele processo perante o Superior Tribunal de Justiça, Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 11 10 alegando que o termo inicial para a incidência da correção monetária pela taxa Selic deveria ser a data do protocolo do pedido. O recurso foi conhecido e, no julgamento de mérito concluído em 22/02/2018, negado provimento, por maioria de votos, mantendose o termo inicial da incidência da taxa Selic a partir dos 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido. Não obstante o resultado do julgamento, cujo acórdão ainda não foi publicado, mantémse posicionamento no sentido de que : é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ; a incidência da correção monetária darseá desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até o efetivo recebimento do crédito pela Contribuinte, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Tendo em vista que, conforme é possível depreenderse da interpretação do REsp n.º 1.035.847/RS, foi considerada como sendo mora injustificada a simples demora na análise do pedido de ressarcimento pela Administração Pública, a taxa Selic deverá incidir sobre a totalidade do montante que é objeto do ressarcimento. Portanto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte para: manter como termo inicial da incidência da taxa Selic a data do protocolo do pedido de ressarcimento, fazendo recair a atualização monetária sobre a totalidade do crédito reconhecido. 2. Inclusão das receitas de estabelecimentos não produtores exportadores no cálculo do coeficiente de exportação A Contribuinte sustenta, ainda, em sede de recurso especial, ter havido a indevida majoração da receita operacional bruta considerada pela Autoridade Fiscal no cálculo do crédito presumido de IPI, pois incluídas as receitas de estabelecimentos não produtores exportadores no cálculo do coeficiente de exportação. Entende que ao ser apurado o crédito presumido de forma centralizada, "a receita operacional bruta deve consistir no resultado da soma das receitas de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que façam jus ao benefício, ou seja, que se enquadrem no conceito de estabelecimento produtor exportador" (fl. 1.554 e 1.555). O art. 2º, §2º da Lei n.º 9.363/96 dispõe que em havendo mais de um estabelecimento da pessoa jurídica, a apuração do crédito presumido poderá ser efetuada de forma centralizada na matriz, in verbis: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 12 11 percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. De outro lado, a Lei n.º 9.779/99, em seu art. 15, inciso II, introduziu alteração na apuração do crédito presumido de IPI, tornando inequívoca a determinação de apuração centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: [...] II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Além disso, o art. 2º da Lei n.º 9.363/96, ao tratar da apuração do crédito presumido, faz referência à "receita operacional bruta do produtor exportador", evidenciando a impossibilidade de, na apuração do coeficiente de exportação, incluirse a receita operacional bruta de estabelecimentos outros, que não sejam "produtor exportador". Portanto, a razão entre a receita operacional bruta e a receita de exportação deverá ser obtida a partir dos estabelecimentos que desenvolvem as duas atividades: produção e exportação. Portanto, na apuração do coeficiente de exportação, incluemse na receita operacional bruta apenas os valores dos mesmos estabelecimentos produtores que realizam a exportação, não se podendo adicionar a receita de não produtores exportadores. Assim, o recurso especial da Contribuinte deve ser provido também nessa parte. Dispositivo Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 13 12 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e se dá provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de seu posicionamento em relação às suas conclusões nos dois recursos especiais. Seguindo a mesma linda do voto da relatora, analiso as matérias na mesma sequência em que feito por ela, pois há intersecção entre os dois recursos na matéria atinente à aplicação da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI. 1. Incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido: termo inicial e montante sobre o qual deve recair a correção monetária. A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 14 13 Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 15 14 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 16 15 Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidênca da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 17 16 DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 18 17 sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 19 18 Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, reconheço a incidênca da correção em relação aos créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, que foi a única matéria em que o contribuinte reverteu nas instâncias de julgamento. Correção esta a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento de alguns tributaristas, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 20 19 Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Portanto em relação à incidência da taxa Selic, nego provimento ao recurso especial do contribuinte e dou provimento ao recurso especial do Fazenda Nacional, reconhecendo que o seu termo inicial dáse a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido, somente sobre os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas. 2. Inclusão das receitas de estabelecimentos não produtores exportadores no cálculo do coeficiente de exportação Nesta matéria, este colegiado tem adotado, em sua maioria, o entendimento da validade normativa da Portaria MF nº 38/97 no período de sua vigência. Sendo esse exatamente o caso do presente processo, pois tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 3º trimestre de 2001. Veja como dispunha a Lei nº 9363/96 quanto à apuração do crédito presumido de IPI: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 21 20 Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Em obediência ao art. 6º acima transcrito, o Ministério da Fazenda expediu a Portaria MF nº 38/97 que dispôs sobre a composição do coeficiente de exportação nos seguintes termos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 9303007.367 CSRFT3 Fl. 22 21 III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Obviamente que o conceito adotado para a Receita Operacional Bruta não estava restrita às suas receitas decorrentes da exportação, mas à totalidade das suas receitas nos termos previstos na legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, nesta matéria. Conclusão Portanto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte e dou provimento ao recurso especial do Fazenda Nacional, reconhecendo que o termo inicial, para aplicação da taxa Selic, dáse a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido, somente sobre os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1734DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.006589/94-49
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2001
Ementa: "IPI — ISENÇÃO - Os incentivos fiscais previstos no artigo 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, com a redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.451/88, à exceção de seu § 1°, vigoraram até sua revogação pelo artigo 70 da Lei n° 8.191/91.
Recurso desprovido."
Numero da decisão: CSRF/02-01.055
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente
julgado.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 2a CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANONIMA Sessão de : 19 DE JUNHO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/02-01.055 "IPI — ISENÇÃO - Os incentivos fiscais previstos no artigo 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, com a redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.451/88, à exceção de seu § 1°, vigoraram até sua revogação pelo artigo 70 da Lei n° 8.191/91. Recurso desprovido." , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SON P- -El- • ROD: UES ,-PRESIDE , 1 E p\ , _, SERci OMES VELLOSO RELA FORMALIZADO EM: O 3 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, OTACÍLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Ausente justificadamente o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Processo n° : 10830.006589/94-49 2. Acórdão n° : CSRF/02-01.055 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANONIMA RELATÓRIO: Trata-se de Recurso Especial (fls. 128/131) interposto pela Fazenda Nacional contra decisão não unânime da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao Recurso Voluntário que julgou válida a isenção concedida pelo artigo 17, inciso III, do Decreto-lei n° 2.433/88, alterado pelo Decreto-lei n° 2.451/88 até a edição da Lei n°8.191/91, sendo o acórdão assim ementado: "IPI ISENÇÃO Os incentivos fiscais previstos no artigo 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, com a redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.451/88, à exceção de seu § 1°, VigUltiliiM até Uld tevoyeryji.v pelo artigo 7° da Lei n° 8.191/91. Recurso provido." Alega a Fazenda Nacional, em seu recurso, que a isenção em tela foi extinta em 05/10/90, no prazo de dois anos de vigência da Carta Federal, tal como previsto no § 1°, do artigo 41, ADCT. Em contra-razões (fls. 136/145), a Recorrida reitera as razões de seu recurso, no sentido de que a revogação da isenção em questão somente se deu com a edição da Lei n° 8.191/91, que expressamente revogou o artigo 17, do Decreto-lei n°2.433/88, alterado pelo Decreto-lei n°2.451/88. \\\É o relatório. 3. Processo n° : 10830.006589/94-49 Acórdão n° : CSRF/02-01.055 VOTO: CONSELHEIRO RELATOR SERGIO GOMES VELLOSO O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. O artigo 17, inciso III, do Decreto-lei n° 2.433/88, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.451/88, dispõe: "Art. 17 — Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, importados ou de fabricação nacional, bem como os acessórios, sobressalentes e ferramentas que tenham esses bens, quando: (--) III — adquiridos por órgãos ou entidades da administração pública, direta ou indireta, ou concessionárias de serviços públicos, destinados à: (--) c) prospecção, extração, refino e transporte através de dutos, de petróleo bruto, gás natural e derivados;" Por outro lado, o artigo 41, § 1°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias estabelece: "Art. 41 — Os poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° - Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei." Acontece que, dentro do prazo de 2 anos contados da promulgação da Constituição Federal, a União editou a Lei n° 7.988/89, a qual, em seu artigo 9°, revogou expressamente, mas tão somente, o parágrafo primeiro do artigo 17, do Decreto-lei n° 2.433/88, alterado pelo Decreto-lei n° 2.451/88. 4 . Processo n° : 10830.006589/94-49 Acórdão n° : CSRF/02-01.055 Desta iniciativa, tem-se que a União Federal efetivamente reavaliou os benefícios fiscais concedidos pelo supra mencionado artigo 17, do Decreto-lei n° 2.433/88, alterado pelo Decreto-lei n° 2.451/88, tanto é que revogou seu parágrafo primeiro. Por isso e tendo em vista que, posteriormente, foi editado a Lei, n° 8.191191, revogando, em seu artigo 7°, o dispositivo em comento, não há outra conclusão senão a de que o benefício fiscal estava em vigor até aquele momento. Importante destacar que a Lei de Introdução ao Código Civil estabelece normas sobre a vigência e eficácia das normas jurídicas, valendo transcrever seu artigo 2°: "Art. 2° - Não se destinando a vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § l° - A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando com ela seja incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior." Não possuindo a lei palavras inúteis, temos que a revogação do artigo 17, do Decreto-lei n° 2.433/88, alterado pelo Decreto-lei n° 2.451/88, somente se deu em 11/06/91, com a edição da Lei n°8.191/91. Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Especial. É como voto. tiSala de Ses 'oes, (DF) em 19 de junho de 2001 I '‘ 1') r SÉRG o ( OMES VELLOSO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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