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Numero do processo: 10314.006998/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO ARCOS CIRÚRGICOS.
Os produtos com denominação comercial ARCOS CIRÚRGICOS APARELHO DE RAIO X 7500 SISTEMA RADIO CIRÚRGICO TIPO "C" MÓVEL, MODELO EVERVIEW, SISTEMA GE OEC MÓVEL, SERIE 8800, classificam-se na NCM 9022.14.90.
Numero da decisão: 3201-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO ARCOS CIRÚRGICOS. Os produtos com denominação comercial ARCOS CIRÚRGICOS APARELHO DE RAIO X 7500 SISTEMA RADIO CIRÚRGICO TIPO "C" MÓVEL, MODELO EVERVIEW, SISTEMA GE OEC MÓVEL, SERIE 8800, classificam-se na NCM 9022.14.90.
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Os produtos com denominação comercial ARCOS CIRÚRGICOS APARELHO DE RAIO X 7500 SISTEMA RADIO CIRÚRGICO TIPO "C" MÓVEL, MODELO EVERVIEW, SISTEMA GE OEC MÓVEL, SERIE 8800, classificamse na NCM 9022.14.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatora. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 69 98 /2 00 8- 31 Fl. 807DF CARF MF 2 Relatório Referese o presente processo a auto de infração decorrente de desclassificação fiscal de mercadorias. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratamse de Autos de Infração lavrados em ato de Revisão Aduaneira para a desclassificação fiscal de aparelhos de Raios X, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, importados pela empresa autuada, através de Declarações de Importações registradas em 19/03/2004, 14/09/2006 e 21/07/2006, relativos ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos (correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP e à COFINS). Os Autos de Infração lavrados dizem respeito aos lançamentos para cobrança das diferenças do Imposto sobre a Importação II, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, do PIS/PASEP – Importação e da COFINS, com respectivas multas de ofício, além da multa de um por cento do valor aduaneiro por classificação incorreta, gerando um crédito tributário no valor de R$ 150.069,07. A fiscalização entendeu que a mercadoria importada pela interessada, declarada detalhadamente conforme transcrição a seguir, não apresenta correta classificação 9022.14.90, como Outros aparelhos de raios X para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários, mas sim 9022.14.19, como Outros aparelhos de raios X de diagnóstico para usos médicos,cirúrgicos ou veterinários. [...] A interessada impugnou os autos de infração alegando que: discute basicamente se os aparelhos importados têm função de diagnosticar uma patologia ou não. no registro de produtos da fabricante GE junto à ANVISA consta a subposição 9022.14.90, sendo que a fiscalização não mencionou, o que viola os princípios da legalidade e da verdade material. a classificação fiscal na posição 9022.14.90 é absolutamente correta e adequada para os produtos importados que não tem a função de diagnosticar. a Fiscalização simplesmente diz que os produtos importados têm função de diagnosticar doenças, mas, em momento algum, isto está comprovado no auto de infração, o que gera nulidade no lançamento que foi baseado em presunções. pleiteia laudo técnico para os equipamentos importados. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10314.006998/200831 Acórdão n.º 3201002.589 S3C2T1 Fl. 94 3 Essa DRJ/SP, no sentido de esclarecer a correta classificação dos equipamentos descritos, atendendo ao pleito da interessada, resolveu devolver o processo à origem para que fosse realizada diligência para identificação dos produtos em questão. Assistente técnico oficial respondeu aos quesitos elaborados por esta DRJ/SP, identificando as mercadorias objeto deste processo como aparelhos de raiosX tipo arco em C, 8800 e 7500, diferentes nos modelos mas com as mesmas características e fundamentos tecnológicos, corretamente descritos nas declarações de importação, sendo concebidos para fornecerem imagens fluoroscópicas em tempo real durante os procedimentos cirúrgicos, tendo por finalidade gerar imagem em tempo real da parte interna do paciente para auxiliar em procedimentos cirúrgicos, cirurgias vasculares, ortopédicas, gastroenterológicas e procedimentos de hemodinâmica cardíaca, não apresentando funções secundárias. O mesmo assistente respondeu aos quesitos elaborados pela interessada, dizendo que implante de marcapassos, implante de desfibriladores, redução de fraturas e fixação das mesmas com auxílio de hastes e fixação de parafusos e hastes na coluna vertebral são considerados tratamento, não sendo comum a utilização de um arco cirúrgico em uma sala de raios X convencional para fins diagnósticos e nem a sua utilização para raios X de tórax e de coluna vertebral para fins diagnósticos. Com relação a pacientes politraumatizados, que chegam a um prontosocorro para que seja feito o diagnóstico de fraturas, caso estejam estáveis, são enviados para o departamento de radiologia equipado com aparelhos de raios X convencionais para diagnósticos. Diz ainda que não é possível acompanhar um procedimento cirúrgico utilizando um aparelho convencional de raios X e nem este é o equipamento ideal para diagnosticar fraturas ou outros tipos de patologias do sistema digestivo, respiratório, circulatório ou urinário e que o aparelho de raios X convencional e um arco cirúrgico tem concepção, projeto e aplicações diferentes, não podendo ser tecnicamente apontados como "semelhantes" quanto ao seu emprego, avanço tecnológico e funcionalidade A interessada manifestouse quanto ao laudo técnico alegando que: o que se discute na presente demanda é se os aparelhos importados têm função de diagnosticar patologia ou não. o técnico constatou que os aparelhos importados são utilizados apenas em cirurgias após o diagnóstico do problema do paciente. não se classificam no código 9022.14.19 pois sua função principal não é diagnosticar. Fl. 809DF CARF MF 4 o laudo diz que os aparelhos não têm função secundária, ou seja, destinamse ao acompanhamento de procedimentos cirúrgicos e realizam o registro desses procedimentos através de imagens. em todos os procedimentos que utilizam arcos cirúrgicos o perito afirmou serem considerados tratamentos. os arcos cirúrgicos são essenciais durante intervenções cirúrgicas. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/03/2004, 14/09/2006, 21/07/2006 Aparelhos de raios X do tipo arcos cirúrgicos. Tratandose de aparelhos de raios X para diagnósticos, utilizados em centros cirúrgicos, apresentam classificação fiscal 9022.14.19. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, quanto ao mérito da classificação fiscal, entendeuse que, com base nas regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, bem como pelas NESH e o laudo técnico produzido, o tipo de equipamento objeto da autuação possui a qualidade em fornecer imagens que podem ser utilizadas para diagnósticos, ainda que não seja comum essa função. Para efeito de classificação fiscal, o que efetivamente importaria seriam as características dos produtos, que, in casu, são para raios X e possibilitam diagnósticos por profissionais especializados. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitera as razões de impugnação, especialmente, afirmando que É o relatório. Voto Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10314.006998/200831 Acórdão n.º 3201002.589 S3C2T1 Fl. 95 5 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente auto de infração tem como objeto a desclassificação fiscal das mercadorias importadas, basicamente, sob o critério de identificálas como equipamentos de diagnóstico. Assim, de acordo com a Recorrente o correto enquadramento tarifário seria na NCM 9022.14.90 (Outros aparelhos de raios X para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários), ao passo que para o Fisco, seria na NCM 9022.14.19 (Outros aparelhos de raios X de diagnóstico para usos médicos,cirúrgicos ou veterinários). Na Nomenclatura Comum do Mercosul, os códigos tarifários em disputa, estão assim consignados: 90.22 Aparelhos de raios X e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluindo os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios X e outros dispositivos geradores de raios X, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, poltronas e suportes semelhantes para exame ou tratamento. 9022.1 Aparelhos de raios X, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluindo os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia: 9022.12.00 Aparelhos de tomografia computadorizada 9022.13 Outros, para odontologia 9022.13.1 De diagnóstico 9022.13.11 De tomadas maxilares panorâmicas 9022.13.19 Outros 9022.13.90 Outros 9022.14 Outros, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários 9022.14.1 De diagnóstico 9022.14.11 Para mamografia 9022.14.12 Para angiografia 9022.14.13 Para densitometria óssea, computadorizados 9022.14.19 Outros 9022.14.90 Outros Portanto, resta hialino que o critério classificatório empregado para esses aparelhos diz respeito é a sua utilização em procedimentos de intervenção cirúrgica ou para a realização de diagnósticos. Embora a decisão recorrida tenha afirmado que esse tipo de aparelho tem como função a realização de diagnósticos, verificase, especialmente pelo laudo técnico produzido pela fiscalização, que se essa ocorrer, é totalmente acidental e periférica, pois sua função principal é o auxílio na realização de procedimentos cirúrgicos, produzindo imagens em tempo real. Essa característica é inconteste, quando se analisa o laudo técnico referido, do qual se extraiu excertos que corroboram as conclusões: Fl. 811DF CARF MF 6 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10314.006998/200831 Acórdão n.º 3201002.589 S3C2T1 Fl. 96 7 Fl. 813DF CARF MF 8 Por conseguinte, pela aplicação da primeira Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado, mostrase correta a classificação fiscal empregada pela Recorrente, como aliás, já se decidiu nesse Conselho, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/02/2003 a 01/01/2008 O produto com denominação comercial ARCOS CIRÚRGICOS MODELO RADIUS classificase na NCM 9022.14.90. Não se cuida o referido produto de aparelho de Raio X destinado à realização de diagnósticos, mas de equipamento destinado e utilizado na monitoração, visualização e registro de operações em procedimentos cirúrgicos, razão pela qual não se classifica na NCM 9022.14.19. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 3403003.577– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária) Em face do exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 814DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722195/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese do artigo 530, inciso III, de falta de entrega da escrituração que ampararia a tributação com base no lucro real, é objetiva e por si só suficiente para ensejar o arbitramento.
Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. ICMS DISPENSADO PELO ESTADO DE MINAS GERAIS. EXCLUSÃO. A receita bruta que deve servir de base de cálculo para o lucro arbitrado é aquela prevista no artigo 279 do RIR/99 e corresponde ao "produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Não se inclui na receita bruta valores não cobrados dos clientes, conforme devidamente mencionado nas notas fiscais de venda dos produtos.
LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. No caso de lançamento pelo lucro arbitrado efetuado com base no inciso III do artigo 530 do RIR/99 (deixar de apresentar de livros e documentos solicitados em intimações), para que se possa aplicar o disposto no artigo 770 do RIR/99 (tributação de aplicações financeiras pelo regime de caixa), é necessário que o contribuinte demonstre que se encaixa na situação ali apresentada, trazendo aos autos as notas de corretagem e demais documentos que comprovem tanto a natureza dos rendimentos quanto a eventual ocorrência dos eventos de alienação, resgate ou cessão do título. Ausentes tais documentos, a tributação ocorrerá sobre a receita bruta conhecida, conforme puder ser apurada pela fiscalização.
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência de uma consolidada posição judicial para a matéria, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este Tribunal Administrativo para o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, assim, unidade judicativa. Deve ser mantido o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em parte, por preclusão, e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para considerar como base de cálculo do lucro arbitrado os valores constantes do campo "valor total da nota".
ANTONIO BEZERRA NETO- Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 07/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA, LIVIA DE CARLI GERMANO (vice-presidente), ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese do artigo 530, inciso III, de falta de entrega da escrituração que ampararia a tributação com base no lucro real, é objetiva e por si só suficiente para ensejar o arbitramento. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. ICMS DISPENSADO PELO ESTADO DE MINAS GERAIS. EXCLUSÃO. A receita bruta que deve servir de base de cálculo para o lucro arbitrado é aquela prevista no artigo 279 do RIR/99 e corresponde ao "produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Não se inclui na receita bruta valores não cobrados dos clientes, conforme devidamente mencionado nas notas fiscais de venda dos produtos. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. No caso de lançamento pelo lucro arbitrado efetuado com base no inciso III do artigo 530 do RIR/99 (deixar de apresentar de livros e documentos solicitados em intimações), para que se possa aplicar o disposto no artigo 770 do RIR/99 (tributação de aplicações financeiras pelo regime de caixa), é necessário que o contribuinte demonstre que se encaixa na situação ali apresentada, trazendo aos autos as notas de corretagem e demais documentos que comprovem tanto a natureza dos rendimentos quanto a eventual ocorrência dos eventos de alienação, resgate ou cessão do título. Ausentes tais documentos, a tributação ocorrerá sobre a receita bruta conhecida, conforme puder ser apurada pela fiscalização. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência de uma consolidada posição judicial para a matéria, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este Tribunal Administrativo para o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, assim, unidade judicativa. Deve ser mantido o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em parte, por preclusão, e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para considerar como base de cálculo do lucro arbitrado os valores constantes do campo "valor total da nota". ANTONIO BEZERRA NETO- Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA, LIVIA DE CARLI GERMANO (vice-presidente), ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA.
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese do artigo 530, inciso III, de falta de entrega da escrituração que ampararia a tributação com base no lucro real, é objetiva e por si só suficiente para ensejar o arbitramento. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. ICMS DISPENSADO PELO ESTADO DE MINAS GERAIS. EXCLUSÃO. A receita bruta que deve servir de base de cálculo para o lucro arbitrado é aquela prevista no artigo 279 do RIR/99 e corresponde ao "produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Não se inclui na receita bruta valores não cobrados dos clientes, conforme devidamente mencionado nas notas fiscais de venda dos produtos. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. No caso de lançamento pelo lucro arbitrado efetuado com base no inciso III do artigo 530 do RIR/99 (deixar de apresentar de livros e documentos solicitados em intimações), para que se possa aplicar o disposto no artigo 770 do RIR/99 (tributação de aplicações financeiras pelo regime de caixa), é necessário que o contribuinte demonstre que se encaixa na situação ali apresentada, trazendo aos autos as notas de corretagem e demais documentos que comprovem tanto a natureza dos rendimentos quanto a eventual ocorrência dos eventos de alienação, resgate ou cessão do título. Ausentes tais documentos, a tributação ocorrerá sobre a receita bruta conhecida, conforme puder ser apurada pela fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 21 95 /2 01 4- 17 Fl. 18305DF CARF MF 2 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência de uma consolidada posição judicial para a matéria, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este Tribunal Administrativo para o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, assim, unidade judicativa. Deve ser mantido o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em parte, por preclusão, e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para considerar como base de cálculo do lucro arbitrado os valores constantes do campo "valor total da nota". ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA, LIVIA DE CARLI GERMANO (vicepresidente), ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de multa de 75% e juros Selic, em virtude do arbitramento dos lucros dos anos calendário de 2010 e 2011. O Termo de Verificação Fiscal aponta as seguintes irregularidades como causa para o arbitramento dos lucros: • Apresentação de declarações de rendimentos de 2010 e 2011 indicando o regime de tributação com base no lucro real trimestral, porém zeradas. Fl. 18306DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.306 3 • Informações contábeis obtidas junto ao SPED desamparadas da documentação probatória da escrituração contábil, no anocalendário 2010; • Falta de apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) e documentos referentes ao anocalendário 2011; • Falta de apresentação de livros e documentos solicitados em intimações; • Ausência de contabilidade regular; • Não informou ao fisco, através da entrega da DCTF, a totalidade dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. O arbitramento foi efetuado com base no artigo 530, III, do RIR/1999, que estabelece: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A base de cálculo utilizada para o arbitramento foram os valores de receita constantes das notas fiscais de vendas de produtos e serviços apresentadas ao SPED fiscal em 2010 e 2011, bem como os valores de ganho de capital e o ganho financeiro (resultante da diferença entre os descontos concedidos conta contábil 3720 e os descontos obtidos Conta contábil 4280) informado na Escrituração Contábil Digital ECD de 2010. A contribuinte então apresentou impugnação, instruída com laudo pericial e, posteriormente, juntou aos autos notas fiscais relativas ao período de janeiro de 2010 a agosto de 2011. Dentre as inconsistências alegadas no laudo pericial apresentado estavam a incorreção do valor da receita tributável utilizada no arbitramento, visto que não foi observado que deve ser excluído o valor do ICMS dispensado na operação nos termos do RICMS/MG. A empresa alegou, assim, que a receita tributável deve ser apurada conforme o "valor total da nota fiscal" e não o "valor total dos produtos" como fez o Fisco, em vista da dispensa de ICMS nas notas fiscais de vendas concedida pela legislação estadual de Minas Gerais. Em 30 de julho de 2015, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade autuante esclarecesse como foram apurados os valores mensais das receitas brutas de revenda de mercadorias que serviram da base para o arbitramento e, na hipótese em que tais valores tenham sido obtidos sem a exclusão dos respectivos ICMS dispensados, fosse feito o levantamento dos novos valores a serem considerados e efetuada uma nova apuração. O Relatório de Diligência Fiscal de fls.18.20018.203 assim se pronunciou acerca da pretendida exclusão de ICMS da base de cálculo dos tributos: Fl. 18307DF CARF MF 4 A relação de notas fiscais utilizadas para obtenção da receita encontrase nos documentos intitulados Planilha de Receita de Vendas Notas Fiscais Eletrônicas 2010 e Receita de Vendas Notas Fiscais Eletrônicas de 2011, neste processo de exigência do crédito tributário. Na sua elaboração levouse em conta o conceito de receita bruta do art. 279 do RIR/99. O contribuinte na peça de impugnação interpreta que o fisco utilizou o conceito de faturamento bruto no cálculo da receita e apresentou a nota fiscal n° 4048 — CFOP 2.102 (Compra para Comercialização), a título de exemplo. Assim sendo, compra não foi e nem poderia ter sido computada como receita nas planilhas de notas fiscais emitidas pela fiscalizada e consideradas como receita pelo fisco. O contribuinte listou notas fiscais informando que o fisco se equivocou ao considerar o valor de receita o valor da mercadoria e o valor do ICMS destacado no campo referente ao mesmo nas notas fiscais, uma vez que existe redução do mesmo com fundamento no Anexo IV do RICMS/2002. Pelo que se pode concluir, tratase de algum benefício fiscal na operação que permite ao vendedor a manutenção do crédito quando da compra da mercadoria mesmo com redução quando da venda das mesmas mercadorias, visto que no Livro Registro e Apuração do ICMS não foram feitos estornos de crédito de ICMS. Em resumo, podese concluir que se trata de algum crédito de ICMS, que não influencia o valor de receita tributável para efeito de arbitramento do lucro da fiscalizada e não se encaixa nas exclusões da base de cálculo dos tributos, previstas na apuração da receita bruta do artigo 279 do RIR/99, mesmo estando as notas fiscais apresentadas na peça impugnatória com fundamentação legal incompleta para a obtenção de algum beneficio fiscal a título de ICMS. Assim sendo, não houve necessidade de recálculo de valores exigidos nos autos de infração. Cientificada do conteúdo acima, a empresa apresentou as seguintes razões: a) a DRJ/RJO aponta, em sua resolução, uma diferença entre o somatório das notas fiscais eletrônicas emitidas e o valor das receitas brutas apuradas pela fiscalização; b) essa diferença é explicada pelo fato de que, do total de notas fiscais emitidas, uma parcela significativa se refere a saídas que não têm o condão da alterar sua receita tributável, eis que não se trata de vendas por exemplo, algumas devoluções não excluídas e, principalmente, remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais; c) notase que apenas em janeiro de 2010 houve mais de 5 milhões de reais em saídas que não representam receitas, o que evidencia que não se pode simplesmente adotar o total das notas fiscais de saída como base para arbitramento da receita tributável da contribuinte; Fl. 18308DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.307 5 d) reitera a necessidade de se expurgar da receita bruta tributável o ICMS que não foi efetivamente recebido pela empresa, não podendo compor sua receita bruta; e) apesar do equívoco de ter sido mencionada na impugnação a nota fiscal nº 4048 (que é uma nota de entrada e não de saída), no laudo pericial anexado à mesma impugnação está utilizada de forma correta uma nota de venda de mercadoria, comprovando a tese defendida, de que o ICMS foi efetivamente dispensado pelo Estado de Minas Gerais; e f) diante disso, não há como prevalecer a alegação da autoridade autuante de que o ICMS dispensado não influencia o valor da receita tributável para efeito de arbitramento do lucro. Em 13 de maio de 2016 a DRJ/RJO julgou a impugnação parcialmente procedente, exonerando a parcela de R$ 15.716,85 a título de IRPJ, relativa à dedução de IRRF e a perdas em operações day trade (compensação com ganhos de períodos seguintes). O acórdão 1281.411 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VINCULAÇÃO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O princípio da capacidade contributiva prestigiado pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e os documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária, no caso de pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido. LANÇAMENTO FISCAL. UTILIZAÇÃO DE PRESUNÇÃO. A obtenção do valor da receita bruta através das notas fiscais eletrônicas emitidas pela interessada constitui uma prova direta e não uma presunção. RECEITA BRUTA. CONCEITO. O conceito de receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. RECEITA BRUTA CONHECIDA. LUCRO ARBITRADO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será Fl. 18309DF CARF MF 6 determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. LUCRO ARBITRADO. ICMS. BASE DE CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO. O ICMS não se enquadra nas exclusões previstas no conceito de receita bruta, razão pela qual o referido imposto integra a base de cálculo do lucro arbitrado. IRPJ DEVIDO. DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CONDIÇÕES. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado poderão deduzir do IRPJ devido o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras, desde que comprovem que os referidos rendimentos foram computados na base de cálculo referente àquele período de apuração. PERDAS EM OPERAÇÕES DAY TRADE. COMPENSAÇÃO. O resultado mensal de operações day trade, se negativo, poderá ser compensado com os resultados positivos de operações de day trade apurados nos meses subsequentes. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. A apreciação das questões de afronta a princípios constitucionais (legalidade, capacidade contributiva, isonomia, confisco, direito a propriedade, etc.) de norma legalmente inserida no ordenamento jurídico nacional achase reservada ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. O lançamento da multa de ofício no percentual de 75% resulta de previsão legal para os casos de lançamentos ocorridos em função de falta de pagamento, de falta de declaração ou de declaração inexata. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2010, 2011 PIS, COFINS, CSLL. DECORRÊNCIA. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, o decidido quanto ao principal. PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Somente o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, pode ser excluído da receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 27 de junho de 2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27 de julho de 2016, requerendo que suas razões sejam apreciadas em conjunto com o laudo pericial apresentado quando da impugnação, e alegando, em síntese: (i) durante a fiscalização a empresa prestou todas as informações que lhe foram solicitadas, bem como forneceu todos os documentos que lhe foram exigidos, "dentro das limitações ressaltadas nas respostas aos Termos de Intimação". (ii) a fiscalização teve acesso a todas as notas de entrada e de saída da Impugnante nos exercícios de 2010 e 2011, bem como à própria Escrituração Contábil Digital (ECD) do ano de 2010 e o SPED, de modo que poderia ter desenvolvido trabalho minucioso para apurar o lucro real, no entanto preferiu a via menos complexa do arbitramento. Fl. 18310DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.308 7 (iii) a autoridade autuante não cuidou de buscar a verdade material dos fatos, furtando se em cumprir o dever de prova das premissas que fundamentariam a exigência então questionada. (iv) não há como prevalecer o entendimento do acórdão recorrido de que o Fisco teria cumprido o seu múnus ao simplesmente requisitar ao contribuinte que este entregasse toda a sua escrita e, diante das dificuldades "não impeditivas" de apuração do lucro real, simplesmente desconsiderou a parte que não lhe interessava (despesas/deduções), arbitrando o lucro com base na receita bruta levantada pela mesma documentação contábilfiscal que havia sido desconsiderada. (v) o acórdão recorrido não compreendeu o argumento da contribuinte quando ela alega que não foi buscada a verdade material e que a autuação se deu com base em presunção. Nesse ponto, não se discute que a apuração da receita bruta é prova direta, o que se defende é que tecnicamente não seria cabível, no caso, o arbitramento do lucro, já que as informações prestadas pela contribuinte são suficientes para apurar o lucro real. (vi) o Termo de Verificação Fiscal deixa transparecer que seria do contribuinte a obrigação de comprovar a origem das receitas, sendo que a simples falta dessas informações serviria de causa para o arbitramento dos tributos. Não obstante, tal argumento somente comprova o fato de que foi utilizada mera presunção para fundamentar o lançamento, entendendo a autoridade autuante que o ônus da prova seria do contribuinte, quando na verdade seria do fisco já que este detinha elementos para apuração de toda a matéria tributável. (vii) o arbitramento do lucro é medida excepcional, devendo ser utilizado apenas em casos extremos. (viii) houve incorreções no lançamento, tendo em vista que: (viii.a) a receita bruta aferida levou em consideração valores que não representam receita, referente ao ICMS dispensado pelo Estado de Minas Gerais. (viii.b) quanto ao IRRF retido, o acórdão recorrido concordou que tal valor não foi deduzido do apurado como devido no auto de infração, no entanto não considerou procedente a exclusão por entender que não restou comprovado que os respectivos rendimentos integraram a base de cálculo do IRPJ. No entanto, tal argumento não deve prosperar pois, nos termos do artigo 770 do RIR/99, no lucro arbitrado a contribuinte só tem obrigação de adicionar rendimentos de aplicações financeiras ao lucro quando da alienação, resgate ou cessão do título (regime de caixa). Assim, não demonstrada pelo Fisco a ocorrência de tais eventos, os rendimentos não deveriam ser adicionados ao lucro arbitrado. (viii.c) o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não pode ser considerado como parcela de sua receita, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário 240.785/MG. Não obstante tal julgado não tenha tido reconhecida a repercussão geral, a jurisprudência administartiva deve se alinhar à da Corte Suprema, trazendo segurança jurídica para o sistema. Ressaltase, ademais, que a matéria está com repercussão geral conhecida nos autos do RE 574.076, de forma que a decisão poderá ter efeito vinculante nos termos do artigo 62 do RICARF. Fl. 18311DF CARF MF 8 (ix) não são aplicáveis as penalidades exigidas pois estas infringem princípios como o da vedação ao confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade e da equidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente contesta o presente lançamento afirmando que o lucro não poderia ter sido arbitrado, haja vista que ela teria apresentado as informações e documentos solicitados durante o procedimento de fiscalização. Ocorre que não parece ter sido este o caso. Conforme narrou o Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração (TVF), a autoridade autuante teve dificuldades inclusive para localizar o sujeito passivo. De fato, a diligência teve início após suspeita de encerramento irregular das atividades, detectado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, que cancelou a inscrição estadual da Villagio em 25/10/2011. Em 31/10/2013, em diligência in loco no endereço declarado ao fisco, constatouse que a empresa não se encontrava no endereço declarado à Receita Federal. Esgotadas as opções de localização, foi então elaborado Edital para ciência do início de procedimento fiscal, afixado em 05/11/2013. A partir daí, a empresa não atendeu à maioria das intimações, tendo havido, quando muito, apresentação de respostas a determinados itens dos diversos termos de intimação por ela recebidos. Vejamos: O TVF reporta que o Termo de Início Fiscalização (TIAF) fez solicitações de livros, documentos e esclarecimentos conforme detalhado naquele documento. Em 19/12/2013 um Termo de Intimação Fiscal (TIF 365/2013) foi encaminhado ao endereço residencial dos sócios da Villagio, para cientificálos da ação fiscal em curso. Em 13/01/2014 foi elaborado novo TIF (23/2014), solicitando livros, documentos e esclarecimentos ali detalhados (basicamente os mesmos descritos no TIAF). Em 06/03/2014, a empresa encaminhou cópia em folhas soltas do Livro Registro de Entradas, Saídas e Apuração do ICMS, referentes a 2010 e 2011, solicitando dilação de prazo para atendimento aos demais itens do TIAF. Nesta data, a empresa então tomou ciência pessoal do TIF 84/2014, no qual foram feitas novas solicitações de documentos e esclarecimentos. Em 03/04/2014 a empresa solicitou novo prazo para atender ao TIF 23/2014. O prazo decorreu sem que tal intimação tenha sido atendida. Em 03/04/2014 apresentou resposta a um item do TIF 84/2014, com informações sobre valores de venda dos veículos. Fl. 18312DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.309 9 Em 28/04/2014 a empresa tomou ciência pessoal do TIF 168/2014, no qual foram solicitadas informações sobre a emissão de determinadas notas fiscais. A resposta a este TIF foi apresentada em 13/05/2014. Em 28/08/2014 a empresa apresentou planilha declarando os valores de receitas tributáveis provenientes de operações em bolsa de valores e assemelhados e operações a título de day trade. No dia 09/09/2014 a empresa foi intimada do TIF 342/2014, o qual solicitava esclarecimentos quanto à inexistência de estabelecimento constada em diligência pelo fisco. Em resposta, informou ter formalizado a interrupção temporária de atividades, conforme requerimento protocolado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG) e documento básico de entrada do CNPJ (DBE) apresentado à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O TVF reporta, ainda, que a empresa, além de apresentar DIPJs zeradas para os anoscalendário 2010 e 2011, não apresentou o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) nos períodos fiscalizados. Além disso, apresentou Escrituração Contábil Digital (ECD) apenas para o anocalendário 2010, estando omissa quanto a 2011. Percebese que durante todo o procedimento fiscal a autoridade autuante buscou obter a documentação contábil e fiscal da recorrente para verificar a apuração de seu IRPJ pelo regime do lucro real, conforme opção da contribuinte, contudo a própria recorrente não permitiu que a apuração por tal regime fosse possível ao deixar de entregar os documentos solicitados. Não há que se dizer que os valores declarados através do SPED e ECD (esta existente apenas para 2010) davam conhecimento à autoridade fiscal de sua receita bruta, pois tais documentos por si sós não servem para atestar a regularidade da escrita fiscal do contribuinte, eis que são necessários os documentos que respaldam tais lançamentos. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica a impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Em situações como esta o arbitramento é medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumpra suas obrigações fiscais quando lhe seja conveniente. Cumpre notar que o arbitramento do lucro da recorrente fundamentouse no art. 530, III, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 18313DF CARF MF 10 Em relação ao seu argumento de que arbitramento é uma medida extrema, partilho do entendimento de que tal procedimento deva ser utilizado com parcimônia, principalmente naqueles casos em que a lei, apesar de delimitar objetivamente as situações que ensejariam o arbitramento, deixa margem a alguma subjetividade, como é o caso de se considerar a “escrituração imprestável”. Todavia, no caso concreto, não há margem para subjetividade, não se aplicando ao caso esse argumento de que foi utilizado medida extrema. A hipótese de arbitramento por falta de entrega dos livros contábeis é fechada e objetiva, não comportando margem a dúvidas já que, por si só, dá conta da necessidade da medida. Dessa maneira, não resta dúvida sobre a adequação da metodologia empregada pela autoridade autuante quando do arbitramento do lucro para fins de apuração dos tributos cobrados, pois durante o procedimento fiscal, mesmo reiteradamente intimada para tanto, a recorrente não apresentou seus livros contábeis e fiscais. O fato de a recorrente apresentar seus livros contábeis e fiscais em sede de impugnação não é suficiente para desconstituir o lançamento tributário pelo regime do lucro arbitrado pois, diante da ausência de atendimento às intimações para apresentação daqueles documentos durante o procedimento fiscal, não cabia à autoridade autuante agir de maneira distinta. Este entendimento encontrase pacificado neste Conselho em vista do enunciado da Súmula CARF n.º 59, transcrita abaixo: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Correto, portanto, o arbitramento do lucro da recorrente diante ausência de apresentação dos livros contábeis e fiscais durante o procedimento fiscal. Passo a analisar as alegadas incorreções no lançamento. Primeiramente, ressalto que não conheço do recurso quanto ao argumento relativo à natureza jurídica dos valores correspondentes à diferença entre descontos concedidos e descontos obtidos (item IV.2.2 do Recurso Voluntário). Isso porque tal discussão não foi aventada na impugnação e, consequentemente, não foi tratada no acórdão recorrido não tendo se instalado o contraditório neste item. Vejamos os demais argumentos levantados. ICMS dispensado pelo Estado de Minas Gerais O laudo pericial contábil apresentado em conjunto com a impugnação explica que em Minas Gerais uma particularidade relativa à apuração do ICMS faz com que o valor indicado no campo "valor total dos produtos" da nota fiscal seja maior que o valor indicado no campo "valor total da nota", sendo a diferença indicada no campo "informações complementares" a título de ICMS dispensado, conforme exemplo abaixo: Fl. 18314DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.310 11 Tal procedimento observa o artigo 43 do Regulamento do ICMS de Minas Gerais Decreto nº 43.080/2002 e seu Anexo IV Parte 1 Item 2.1, que prevê redução de base de cálculo condicionada a que o remetente deduza o valor do imposto do preço da mercadoria e o indique no campo "informações complementares" da nota fiscal, conforme segue: Art. 43. Ressalvado o disposto no artigo seguinte e em outras hipóteses previstas neste Regulamento e no Anexo IV, a base de cálculo do imposto é: (...) Anexo IV Parte 1 Item 2.1 Fl. 18315DF CARF MF 12 Na resposta à diligência a autoridade autuante afirma que "tal redução constituise em algum benefício fiscal na operação, que permite ao vendedor a manutenção do crédito quando da compra da mercadoria, mesmo com redução quando da venda das mesmas mercadorias, visto que no Livro Registro de Apuração do ICMS não foram feitos estornos de crédito de ICMS". Diante disso, o acórdão recorrido conclui que "Vale enfatizar, que o Estado criou um crédito “presumido” em razão de um custo “fictício” (que verdadeiramente não ocorreu, mas que o contribuinte pode utilizar como crédito), daí a razão de ser chamado benefício. Ora, se o custo é fictício e não incidiu efetivamente (tanto é que nem a empresas o contabilizou como tal) não há como ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, salvo se houvesse expressa previsão legal nesse sentido." A premissa da qual partiu a conclusão do acórdão recorrido está todavia equivocada já que, conforme visto, não se trata de crédito presumido mas de verdadeira redução de base de cálculo. A diferença é importante pois enquanto o crédito presumido reporta uma relação entre o fisco estadual e a empresa, materializandose nos livros de apuração do ICMS desta, e cujo valor não necessariamente reduz o preço do produto, a redução de base de cálculo, da forma como prevista no dispositivo legal acima comentado da legislação mineira, necessariamente consiste em um menor valor cobrado dos clientes, ou seja, em uma menor receita bruta. Sendo a receita bruta a base de cálculo do lucro arbitrado, deve esta ser considerada pelo seu valor real, devendo assim ser considerado o valor efetivamente cobrado dos clientes "valor total da nota", e não o montante indicado no campo "valor total dos produtos" da nota fiscal. Neste sentido, voto por acolher o recurso voluntário nesta parte, de forma que o lucro arbitrado deve considerar como receita bruta o "valor total da nota", conforme indicado nas notas fiscais juntadas aos autos (fls. 1.36218.172). Fl. 18316DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.311 13 IRRF retido Quanto ao IRRF retido, o acórdão recorrido concordou que tais retenções existiram, mas o valor não foi deduzido do apurado como devido no auto de infração porque não restou comprovado que os respectivos rendimentos integraram a base de cálculo do IRPJ. A Recorrente alega que tal argumento não deve prosperar pois, nos termos do artigo 770 do RIR/99, no lucro arbitrado só existe a obrigação de tributar rendimentos de aplicações financeiras quando da alienação, resgate ou cessão do título (regime de caixa). Ocorre que, não obstante a alegação acima, a Recorrente argumenta que caberia ao Fisco demonstrar que tais eventos (alienação, resgate ou cessão do título) ocorreram, não trazendo, assim, prova de que manteve os investimentos em questão. A questão é que estamos diante de situação em que o lucro foi arbitrado com base nas informações que a autoridade autuante conseguiu obter, em vista da ausência de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Em tal situação, não é possível transferir ao fisco o ônus da prova de demonstrar que os investimentos da recorrente foram alienados, resgatados ou cedidos, do contrário estarseia beneficiando o contribuinte de sua própria torpeza, eis que ele seria premiado com a não tributação ao não apresentar documentos. Para que se possa aplicar o disposto no artigo 770 do RIR/99 (tributação pelo regime de caixa), é necessário que o contribuinte demonstre que se encaixa na situação ali apresentada, trazendo aos autos as notas de corretagem e demais documentos que demonstrem tanto a natureza dos rendimentos quanto a eventual ocorrência dos eventos de alienação, resgate ou cessão do título. De fato, sem tais documentos sequer se pode afirmar com certeza tratarse de rendimentos auferidos em aplicações financeiras. Neste sentido, nego provimento ao recurso voluntário quanto a este item. Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS Nesse ponto valhome das razões de decidir do i. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, no acórdão 3402002.958, julgado em 15/03/2016, para manter lançamento. Isso porque, dada a inexistência de uma posição judicial para a matéria, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este tribunal administrativo sobre o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, ainda, unidade judicativa. Reproduzo as razões do mencionado voto, as quais acolho em sua integralidade: Da ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS Em relação a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, a questão não é nova no âmbito do contencioso tributário, razão pela qual, inclusive, já foi objeto de diferentes súmulas do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 18317DF CARF MF 14 Súmula n. 68 A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Súmula n. 94 A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Não se olvida, todavia, do atual precedente firmado pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 240.785, o qual depois de quase uma década de pedidovista do Ministro Gilmar Mendes restou assim ementado: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (STF; RE 240.785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15122014 PUBLIC 16122014 EMENT VOL0276201 PP00001). Apesar de tratarse de precedente Pretoriano, referida decisão não apresenta caráter vinculativo, uma vez que veiculada em caso não afetado por repercussão geral. Em verdade, o leading case que pretende solucionar essa demanda com efeito vinculante e erga omnes é o RExt n. 574.7061, submetido ao regime de repercussão geral, bem como a ADC n. 18. Não obstante, por conta do precedente firmado no RE 240.785 do STF, já existem decisões do próprio STJ contrárias às suas súmulas n. 68 e 94, conforme se observa do seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. I A existência de repercussão geral no RE 574.706PR, em relação à matéria ora debatida, não impede sejam julgados os recursos no âmbito desta Corte. II O ICMS é um imposto indireto, ou seja, tem seu ônus financeiro transferido, em última análise, para o contribuinte de fato, que é o consumidor final. III Constituindo receita do EstadoMembro ou do Distrito Federal, a parcela correspondente ao ICMS pago não tem natureza de faturamento ou receita, mas de simples ingresso financeiro, não podendo compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. IV Conquanto a jurisprudência desta Corte tenha sido firmada no sentido de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e do extinto FINSOCIAL, posicionamento sedimentado com a edição das Súmulas 68 e 94, tal discussão alcançou o Supremo Tribunal Federal e foi analisada no RE 240.785/MG, julgado em 08.10.2014, que concluiu que "a base de cálculo da COFINS somente Fl. 18318DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.312 15 poderia incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços. Dessa forma, assentou que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento" (Informativo do STF n. 762). V Agravo regimental provido. (STJ; AgRg no AREsp 593.627/RN, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/03/2015, DJe 07/04/2015). A análise dos precedentes e súmulas acima referidos nos remetem a uma única conclusão: depois de décadas de debate a respeito da questão aqui tratada nossos Tribunais judiciais foram incapazes de dar uma solução definitiva para esta discussão, o que só reforça a atualidade da obra Carnaval tributário, do jurista gaúcho Alfredo Augusto Becker. Assim, se a jurisprudência judicial é vacilante e, portanto, imprestável para solucionar a demanda, não resta alternativa senão nos debruçarmos sobre a jurisprudência administrativa formada por este Tribunal, de modo a prestigiála e, por conseguinte, ao menos no âmbito do CARF, prover de alguma segurança jurídica àqueles que aqui litigam, o que também redundará em um tratamento materialmente igualitário entre diferentes contribuintes e, ainda, em uma efetiva unidade judicativa neste Tribunal, o que, nas palavras de STRECK e ABBOUD, faz com que o jurisdicionado tenha a sensação de está participando de um “jogo limpo" [nota de rodapé: "Exigir coerência e integridade quer dizer que o aplicador não pode dar o drible da vaca hermenêutico na causa ou no recurso, do tipo 'segundo minha consciência, decido de outro modo'. O julgador não pode tirar da manga do colete um argumento que seja incoerente com aquilo que antes se decidiu. Também o julgador não pode quebrar a cadeia discursiva 'porque quer' (ou 'porque sim')." (ABBOUD, Georges. STRECK, Lênio. "O NCPC e os precedentes – afinal, do que estamos falando?". "In" Precedentes. Salvador: Juspodivm, 2015. p. 176.).]. Neste esteio, insta destacar que o CARF possui uníssona jurisprudência no sentido de entender como válida a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme se observa do julgado abaixo referido e exemplarmente colacionado: Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 18319DF CARF MF 16 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. Diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei no 9.718/98, a base de cálculo da contribuições sociais devidas pelas empresas comerciais passou a ser a receita bruta de vendas de bens e serviços, o que foi respeitado pela fiscalização, uma vez que nos autos de infração não foram tributadas receitas diversas do faturamento. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. À luz do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78 o ICMS integra a receita bruta porque é imposto incidente sobre vendas, inexistindo amparo legal para sua exclusão das bases de cálculo. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose do lançamento de diferenças não declaradas e não recolhidas, apuradas em procedimento de ofício, incide a multa de 75% sobre o valor dos débitos apurados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. (CARF; Número do Processo 13973.000214/200462; Contribuinte SALOMÃO JOSÉ DEQUECH ME; RECURSO VOLUNTÁRIO; Data da Sessão 29/01/2016; Relator ANTONIO CARLOS ATULIM; Nº Acórdão 3402002.898; V.U.) (g.n.). No mesmo sentido: PAs ns. 11516.721381/201212; 11634.720109/201198; 10830.002239/201166, dentre tantos outros. Assim, levando em consideração a posição deste Tribunal administrativo para o tema vis a vis do vacilante entendimento dos nossos Tribunais judiciais para o mesmo assunto, me sinto obrigado a acatar o entendimento até então consolidado pelo CARF, uma vez que manifestações de caráter judicativo não devem refletir posições pessoais dos seus membros; ao contrário, devem sedimentar uma posição institucional do Tribunal para o assunto. Assim, voto pelo não provimento do recurso voluntário nesta parte. Penalidades aplicadas Quanto à pugnada inaplicabilidade da multa no patamar de 75% por ferir, no entender da recorrente, princípios como o da vedação ao confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade, a questão não comporta dissensão. A Lei 9.430, em seu art. 44, I, determinou este percentual. Estando tal lei vigendo, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade. Nesse sentido, a matéria encontrase sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 18320DF CARF MF Processo nº 13603.722195/201417 Acórdão n.º 1401001.774 S1C4T1 Fl. 18.313 17 Diante disso, deve ser mantida a multa aplicada. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso em parte (na parte relativa à natureza jurídica dos valores correspondentes à da diferença entre os descontos concedidos e descontos obtidos) e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso, especificamente para considerar como base de cálculo do lucro arbitrado, quanto às receitas de vendas de produtos, os valores constantes do campo "valor total da nota" nas notas fiscais juntadas aos autos (fls. 1.36218.172), e não o montante indicado no campo "valor total dos produtos" como constou do auto de infração. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 18321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002328/2004-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRA I IVO FISCAL
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF), PRORROGAÇÃO.
CONFIGURAÇÃO.
De conformidade com o § JG do art. 13 da Portaria SRE n9- 3007, de 26 de novembro de 2001, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, AUTORIZAÇÃO TÁCITA DO AUTUADA,
Tendo a autuada dirigido correspondência à instituição financeira, solicitando o fornecimento de extratos bancários para atendimento à intimação fiscal nesse sentido, cuja cópia (da intimação) anexou àquela correspondência, foi tacitamente autorizado o fornecimento à Receita Federal do Brasil (RFB) dos
dados requisitados, não havendo, portanto, que se falar em "quebra de sigilo bancário irregular"
DENÚNCIA. ART. 908 DO RIR11999. CIÊNCIA AO DENUNCIADO.
DESCABIMENTO.
O art. 908 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999 (Decreto nº 3,000, de 26 de março de 1999), em nenhum momento, determina que a denúncia apresentada deva ser dada a conhecer ao denunciado
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, EXTINÇÃO
MERAMENTE FORMAL. CONTINUIDADE DA ATIVIDADE,
Descabe a alegação de crio na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária quando a empresa, embora formalmente extinta em março de 1999, continuou movimentando suas contas-correntes e operando na compra e venda de caminhões depois daquela data, tendo sido devidamente revertida,de oficio, a baixa da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNR1), antes da lavratura dos autos de infração,
CSLL. PIS, COHNS. DECORRÊNCIA.
Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA.
ADIANTAMENTOS DE. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. CHEQUES
DEPOSITADOS E DEVOLVIDOS:. EXCLUSÃO.
Excluem-se do montante dos depósitos bancários de origem não identificada os valores que não correspondem a depósitos em contas bancárias ("adiantamentos de operações de crédito") e outros que, apesar de corresponderem a depósitos, referem-se a cheques que acabaram por ser devolvidos ("cheques depositados e devolvidos").
Numero da decisão: 1803-000.536
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Ni11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 1847L00232812004-1i Recurso n" 174.265 Voluntário Acórdão n" 1803 -00336 — 3 Turma Especial Sessão de 5 de agosto de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS - AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MARQUEDIESEL VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRA I IVO FISCAL Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF), PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. De conformidade com o § JG do art. 13 da Portaria SRE n9- 3007, de 26 de novembro de 2001, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, AUTORIZAÇÃO TÁCITA DO AUTUADA, Tendo a autuada dirigido correspondência à instituição financeira, solicitando o fornecimento de extratos bancários para atendimento à intimação fiscal nesse sentido, cuja cópia (da intimação) anexou àquela correspondência, foi tacitamente autorizado o fornecimento à Receita Federal do Brasil (RFB) dos dados requisitados, não havendo, portanto, que se falar em "quebra de sigilo bancário irregular" DENÚNCIA. ART. 908 DO RIR11999. CIÊNCIA AO DENUNCIADO. DESCAMEM°. O art. 908 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999 (Decreto n2 3,000, de 26 de março de 1999), em nenhum momento, determina que a denúncia apresentada deva ser dada a conhecer ao denunciado ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, EXTINÇÃO MERAMENTE FORMAL. CONTINUIDADE DA ATIVIDADE, Descabe a alegação de crio na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária quando a empresa, embora fbrmalmente extinta em março de 1999, continuou movimentando suas contas-correntes e operando na compra e venda de caminhões depois daquela data, tendo sido devidamente revertida, ror paï SELENE DE kl iuik ORA.E.S c.r}i pel/ Ernitido :::,{),...enr:rj:; E() w:1,) DF (:: AR l vI 1 El 418 de oficio, a baixa da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNR1), antes da lavratura dos autos de infração, CSLL. PIS, COHNS. DECORRÊNCIA. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. ADIANTAMENTOS DE. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. CHEQUES DEPOSITADOS E DEVOLVIDOS:. EXCLUSÃO.. Excluem-se do montante dos depósitos bancários de origem não identificada os valores que não correspondem a depósitos em contas bancárias ("adiantamentos de operações de crédito") e outros que, apesar de corresponderem a depósitos, referem-se a cheques que acabaram por ser devolvidos ("cheques depositados e devolvidos"), Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes - Presidente Sérgio Rodrigues Mendes - Relator 30 SEI 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fis.. .314 a 317): I No dia 27 12.2004, liaram lavrados quatro autos de infração para exigir da interessada; a) imposto sobre a renda no valor de R$ 60 467,23 (IRRI — lis. 128/141); b) contribuição para o Programa de Integração Social no valor de R$ 24.206,75 (PIS — /Is 142/153); c) contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 4.5.935,89 (CSLL fls 1.54/167); d) contribuição para o financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 108,816,80 (COFINS !E: ERGV..) RODRGUES MLNDE ){()E-9,20'1;" par S)L E NE FE PRP_ 41"'P', DE M Or-U\1::S Auianlicãr.10 2iEn5.!E-,a 10 rrca ;14;Gle} RODWG1.3ES 2 Errlinln 1U ilaka cj) 2 Fl 419 Sl-TE03 H 372 1)1 . (,AR1. 1V11. Processo IV 18471MO2328/2004-11 Acórdão ii" 1803-00.53G fls. 168/179); e) multa proporcional de 75 % (Setenta e cinco por cento, e f) juros de mora 2 O auto de infração que exige IRPJ decorreu do arbitramento dos seus lucros dos anos-calendário de 1999, 2000, 2001, 2002, ein virtude de ela, mesmo intimada, não ter apresentado ao autuante a sua escrituração comercial e os respectivos documentos 3. Os lucros foram arbitrados com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada; e o procedimento fiscal .foi fundamentado nos artigos 530, 532 e 537 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26.03,1999 (RIN1999), no art. 47, III, da Lei n° 8.981, de 1995, e nos artigos 27, I, e 42 da Lei n°9.430, de 1996. 4. Os autos de infração que exigem CSLL, COFINS e PIS .foram lavrados em decorrência do arbitramento dos lucros e embasados na legislação de cada um desses tributos, cujos dispositivos se encontram citados no corpo dos respectivos autos de infração. 5. No termo de verificação e constatação fiscal - TVCF (sls 126 e 127), o autuante relatou, em resumo.: 5.1. que a ação fiscal que culminou com a lavratura dos presentes autos de infração foi provocada por denúncia,- 5.2. que constatou que a interessada, apesar de extinta em 08.03 1999 por liquidação voluntária, confirme a certidão de baixa n° 07,5/99 (lis 18) e o comprovante de inscrição e de situação cadastral da SRF anexo, movimentou recursos em contas bancárias no período de 1999 a 2002; 5.3 que, intimada, ela apresentou extratos de suas contas bancárias mantidos no BCN e no Banco Mercantil de São Paulo, relativos a periodos posteriores à sua extinção e esclareceu que, naquela época, pretendia — mas por circunstâncias adversas não conseguiu — constituir uma nova empresa, e naquele meio tempo, utilizou as referidas contas bancárias para realizar operações de compra e venda de caminhões; e 5.4. que, então, intimou-a a promover a sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), conjorine determina o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 200, de 2002, e a apresentar a documentação das operações de compra e venda de caminhões acima citadas 6 Cientificada dos lançamentos em 28,12.2004, a interessada, inesignada impugnou-os no dia vinte e seis seguinte 07s 197/22.5) Apresentou cinco arguições preliminares. A primeira, relativa ao mandado de procedimento fiscal (MPF); a segunda, relativa à quebra do seu sigilo bancário; a terceira, relativa à decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário sobre latos geradores FEHM:IRA DE Auft;nfiez,u.io r»ir mE;HDEs EIiFIIj "J .jp-.10 DF CARI' MI 1'1. 420 ocorridos há mais de cinco anos da ciência do instrumento de constituição do crédito; a quarta, relativa ao cerceamento do seu direito de defesa, e a quinta, relativa ao erro havido na identificação do sujeito passivo. 7. Sobre o MPF, disse, em síntese.. 71, que, embora haja nos autos noticia da prorrogação do mandado de procedimento fiscal (MPF) que autorizou a sua fiscalização, dele não foi cientificada; 7 2 que o MPF não é mera fOrmalidade administrativa; e 7.3. que a jurisprudência sobre a matéria é a de que a falta de MPF que ampare a ação do Fisco torna nulo o lançamento_ 8. Sobre a quebra do seu sigilo bancário, alegou, em resumo, que ela fbi efetuada de fbnna irregular, por não ter sido autorizada pelo Judiciário, razão pela qual também é nulo o lançamento, conforme denota a jurisprudência administrativa, exemplificada pela ementa do Acórdão 106- 11.067, de 07.12 1999, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que transcreveu na impugnação 9 ri 10 Argumentou, ainda, que houve cerceamento do seu direito de defesa por duas razões a primeira, por não ter sido cientificada da denúncia que provocou a fiscalização; a segunda, pelo fato de o auto de infração lhe ter sido entregue no dia seguinte ao do vencimento cio prazo que lhe foi concedido para apresentar a sua escrituração e a respectiva documentação. 11. Por fim, observou que houve erro na identificação cio sujeito passivo, uma vez que, à época da lavratura do auto de infração (2004), ela já se encontrava extinta, como o In óprio autuante fez constar nos autos. 12 Contra o mérito, ponderou, em suma, que o autuante, em seu levantamento, computou alguns valores que não correspondem a depósitos em suas contas bancárias e outros que, apesar de corresponderem a depósitos, referem-se a cheques que acabaram por ser devolvidos. 13 Encontra-se às fls. 289 e 290 a Resolução DRJ/1?.10 N° 34, de 13.04.2007, por meio da qual foi determinada a realização de diligência para que o autuante ou outro servidor designado pelo chefe da unidade administrativa lançadora se manifestasse sobre os .sobreditos valores 14. Na informação fiscal datada de 18,10 2007 (fis _294), prestada em atendimento à citada tesolução, o autuante disse que, "Uma vez que o interessado em tela encontrava-se extinto por liquidação voluntária desde 08/03/99 e não é encontrado no local do domicílio, foi, consoante EDITAL/DEFIS/R10 N° 119, de 29 de junho de 2007, publicado em 4 de julho de 2007, em anexo, intimado a '..03 . :201{.! por SI:1=21C) RODRIGUE.-SAaJr3Es i...)2.1.19.! 2010 por SELENE FERRE OHAE.S AkÉçrolicado r:ronitirJel °ri 30 009f2U; ri ft ni 2iiit1H:20 10 por ,9;Ep...c.,1(:) 1,..lingt,rip 4 D1' CA RI . MI I' I . 42 1 Processo IV 18471,00232812004-11 SI-TE03 Acórdão a" 1803-00.536 El 373 apresentas os elementos de prova dos fatos descritos na sua impugnação". A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (11s, 311 e 312): ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendát io 1999, 2000, 2001, 2002 [ LUCRO ARBITRAMENTO ESCRITURAÇÃO RECUSA DE APRESENTAÇÃO. Faz-se mister o arbitramento do lucro do contribuinte que se recusa a exibir à fiscalização, seus livros e documentos, ou simplesmente não os possui. ASSUNTO. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário.. 1999, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos cuja origem coincida com a do auto de infração relativo ao imposto de tenda colhem a mesma sorte deste, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas Lançamento Procedente em Parte Cientificada da referida decisão em 16/04/2008 (AR, de lis, 324-verso), a tempo, em 15/05/2008, apresenta a interessada recurso de fis,. 328 a 350, instruído com os documentos de fls. 351 a 354, reiterando os argumentos anteriormente apresentados e destacando mais os seguintes: a) que não foram apensadas aos autos as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RIVIF) utilizadas para a quebra de sigilo bancário irregular; b) que não foram anexados aos autos o Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência n" 2003-02678-0, matriz do procedimento fiscal, e os Termos de Intimação a ele pertinentes; c) que o prazo para apresentação de livros e documentos revelou-se exíguo; d) que não houve intimação para apresentação de livros e documentos; e e) que, no mérito, os valores contestados ("cheques depositados e devolvidos") não se referem, apenas, aos meses de janeiro e fevereiro de . PODRIGDE. MENDES 0 ,;/ n 9 , 20 - 1 pur' SELENE FERREIHR 5 rrjIirrrrrrrrr l''.(1rFA-1(.1,1E.r.:_r. fr.:11:N ....rn Eludido rr:rn • f .1 •r'r Dr CARI rvl 1 . 1:] 422 1999, como deu a entender a decisão recorrida, podendo-se verificar o mesmo em outros meses e anos. Em mesa para .julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos .formais e materiais, torno conhecimento do recurso. Preliminar de nulidade do lançamento por falta de ciência de prorrogação de MPF Não procede a preliminar arguida.. Mencionam-se, a respeito, os seguintes precedentes administrativos: MPF PRORROGAÇÃO - DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO - ENTREGA AO CONTRIBUINTE - EFEITO - A partir da Portaria SRF II" 3.007/2001, a prorrogação do MPF se faz por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa infbimação disponível para o contribuinte fiscalizado, na internei. O fornecimento do extrato das prorrogações, previsto no ,sr 2" do art. 13 da referida Portaria, portanto, não tem o eleito de firmalizar a prorrogação do Mandado Tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente e em nome da Secretaria da Receita Federal, confirme Mandado de Procedimento Fiscal expedido e prorrogado por autoridade competente, a mera ausência nos autos de comprovação do recebimento pelo contribuinte do leferido extrato não constitui vício a ensejar a nulidade do procedimento fiscal e, muito menos, do auto de infração dele decorrente. (Acórdãos irs 104-21536 e 21.5.53, de 26/04/2006 e 27/04/2006, respectivamente, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) [ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE — MPF — PRORROGAÇÃO — DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO — ENTREGA AO CONTRIBUINTE - PRELIMINARES DE NULIDADE REJEITADAS - A partir . da Portaria n" 3007/2001, a prorrogação do MPF se faz por intermédio de registro eletrônico, détuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível para o emiti ibuinte fiscalizado na internet. Tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, conforme MPF expedido e prorrogado por autoridade competente, a mera ausência nos autos de comprovação cio seu recebimento pelo contribuinte não enseja nulidade do procedimento fiscal e/ou do auto de infração dele decorrente, nem tampouco por cerceamento de defesa. /flJO clit:Wtàlmooto t.t r.(..;P:5 RODRIGUES ítD Ot:..1 (}W2010 pot SELE-NE. FERREIRA DE ORAES Aut ,:mtirdrio íi 2t.;;) . t121- ) t O t .,,ot RODt'tK;UES t.41:1‘)DE Emitido ::to :W/OW2t)r 1Mjsr€c) t'azodn 6 DF CA N1 I . 423 Processo n" 18471,002328/2004-11 514E03 Acórdào n° 1803-0(1,536 H 374 (Acórdão n° 102-47 884, de 20/9/2006, da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) 1 MPF FALTA DE ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO AUSÊNCIA DE PREJUi20. INFORMAÇÃO DISPONIVEL NA INTERNET. Não há como reconhecer a nulidade do lançamento tributário pelo fato de o agente fiscal ter deixado de entregar ao contribuinte, "quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo", o demonstrativo de emissão e prorrogação dolfrIPF, ante a ausência de prejuízo ao contribuinte na hipótese, visto que as infinmações contidas em referido demonstrativo já se encontravam disponíveis à Recorrente via Internet (Acórdão n" 103-22.776, de 6/12/2006, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) .1 MPF. PRORROGAÇÃO NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE . EMISSÃO E PRORROGAÇÃO EFEITO — A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internei, a teor do art 13, § 1", da Portaria SRF n° 3 007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado A falta de finnecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. (Acórdão n" 106-17.192, de 16/12/2008, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Já a jurisprudência transcrita pela Recorrente, de fls. 206 (Acórdão n° 201- 76462, de 19/09/2002, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes), diz respeito a situação diversa da aqui tratada - falta do próprio MPF -, e não falta de ciência de prorrogação de MP.F. Preliminar de nulidade do lançamento por quebra irregular de sigilo bancário (falta de autorização judicial) Não procede a preliminar arguida. O acesso às informações sobre movimentação financeira independe de autorização judicial (Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001). Assim, os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes, sem que isso constitua violação do sigilo bancário, uma vez que se trata de exceção expressamente prevista em Lei. Por outro lado, qualquer discussão que se intente sobre a constitucionalidade ou não da referida Lei Complementar esbarra no contido na Súmula Carf n" 2, de seguinte teor: vc,!. RCADFZIGUES iEHDES UU .'CV2010 SELENE FERRERA DE tvl ORAE.;::; Nor:w..1GuEs Emitido í n 77 Dr CARI' MI 1'1. 424 O CARF não é competente para Se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, consta, de fls,. 7, correspondência da Recorrente dirigida ao Banco Brasileiro de Descontos S.A. - adquirente do Banco Mercantil de São Paulo (Finasa) e do Banco de Crédito Nacional (BCN), solicitando o fornecimento de extratos bancários para atendimento à intimação fiscal nesse sentido, de fls. 6, cuja cópia (da intimação) anexou àquela correspondência. Ou seja, a própria Recorrente tacitamente autorizou aquela instituição financeira a fornecer à Receita Federal do Brasil (RFB) os dados requisitados dos dois bancos que havia incorporado. Não há, portanto, que se falar em "quebra de sigilo bancário irregular". Dai porque irrelevante, no caso, a existência, ou não, de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e, se existente, a sua apensação ou não aos autos. Preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa Esta preliminar, arguida pela recorrente, se fundamenta nas seguintes razões: a) não ter sido cientificada da denúncia que provocou a fiscalização; b) não ter sido anexado aos autos o Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência e os termos dele decorrentes; c) o auto de infração lhe ter sido entregue no dia seguinte ao do vencimento do prazo que lhe foi concedido para apresentar a sua escrituração e a respectiva documentação; e d) não ter havido intimação para apresentação de livros e documentos. Não procede a preliminar arguida. A uma, porque não se justifica a ciência, à recorrente, da denúncia que provocou a fiscalização. É que a presunção legal de inocência, a que se refere a interessada não impede venha, qualquer pessoa fisica ou jurídica, contribuinte ou não do imposto de renda, a ser fiscalizada pela Receita Federal do Brasil (RFB). No tocante ao disposto no art. 908 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999 (Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999), este, em nenhum momento, determina que a denuncia apresentada deva ser dada a conhecer ao denunciado, como pretende a Recorrente. A duas, porque foi, sim, anexada aos autos cópia do Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D) de n° 07.1,90,00-2003-02679-0, a ris, 180, o qual foi devidamente cientificado à ora Recorrente. SEJ'r:GIG) 1\11:7:1,1DE. iuio .1 (1)r--;ACES ErniLido (f.a 1=i)z(1-dri 8 H 425 S1-TE03 F1. .375 11E (:,\RI M[ Processo n" 18471,002328/2004-11 Acórdão n " 1803-00,536 De qualquer modo, a presente ação fiscal teve o seu início com o Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPF-F), de fls. 1, e não com o referido MPF-D, do qual independe. A três, porque não há que se falar em "tempo exíguo", "pressa", "açodamento", "desconforto" ou "impaciência" do Agente Fiscal em promover o lançamento (fls. 342 e 344). Na realidade, desde 07/10/2004, havia a interessada sido intimada (Termo de Intimação de Os, 11) a apresentar a documentação das operações de compra e venda de caminhões que, em 30/09/2004, afirmara ter efetuado com as contas-correntes bancárias em seu nome, comprometendo-se, ainda, nesta ocasião, a comprovar "em breve" essas operações (fls. 10), Não atendida essa intimação, foi ela novamente intimada, em 25/10/2004 (Termo de Reintimação de fls. 12). Finalmente, em 07/12/2004, foi ela intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, a escrituração das operações da atividade do período de 1999 a 2002 com a respectiva documentação (Os, 13). Pelo que se verifica, num prazo de 88 (oitenta e oito) dias que medeia de 30/09/2004 a 27/12/2004, ou seja, quase três meses, manteve-se absolutamente silente a Recorrente, sem qualquer manifestação sua a respeito das intimações e reintimações da fiscalização.. Como, então, dar crédito à afirmação recusai de que "o contribuinte tinha se dirigido à Repartição para explicar que o prazo concedido era insuficiente e que somente tinha conseguido a documentação referente a 1999 e foi surpreendido com a lavratura do malsinado Auto de Infração" (fls. 342)? A quatro, porque, se reclama a Recorrente ter sido "exíguo" o prazo para apresentação de livros e documentos, como pode ela afirmar - abstraindo-se do que havia dito anteriormente - que não teria sido intimada? Preliminar de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo Não procede a preliminar arguida. A recorrente, embora formalmente extinta em março de 1999, continuou movimentando suas contas-correntes e operando na compra e venda de caminhões depois daquela data, como reconhecido por um de seus sócios (Os.. 10), Desse fato, aliás, se originou a denúncia de "prática de comercialização de veículos (caminhões) sem utilização de documento fiscal", de que decorreu a presente ação fiscal (fls. 15). Por último, é de se destacar que foi devidamente revertida, de oficio, a baixa da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNN), antes da lavratura dos autos de infração (fls. 19), Mérito J,-;1111,..:11 l j nr pof SELENE FERR Ernilido 9 AD. O CRED 2-rev-001AD. O CR ED 15 000,00 1 1 9Q00,00 D AD. O CRED 154an-991Av. EJE3 CART 140.350,76 DF CA RE ME H 426 No mérito, procede, em parte, a irresignação da Recorrente. Realmente, computou o autuante alguns valores que não correspondem a depósitos em suas contas bancárias, e outros que, apesar de corresponderem a depósitos, referem-se a cheques que acabaram por ser devolvidos. No primeiro caso, estão os lançamentos indicados, na relação de fis. 114 a 125 como "Adiant,. Op. Créd,", por estarem devidamente identificadas a operação que originou o lançamento (operações de crédito) e a origem dos recursos (a instituição bancária), a saber: Devem ser, pois, excluídas das matérias tributáveis relativas ao 1RPJ, à CRI., ao Pis e à Cotins os valores relativos à rubrica "Adiant. Op.. Créd.", no ano-calendário de 2000, no total de R$ 78.000,00 (R$ 29.000,00 em fevereiro, R$ 19.000,00 em maio, e R$ 30.000,00 em junho). Já quanto ao lançamento "Av, E/B Cart.", seja o que for que isso signifique, somente foi considerado, pela fiscalização, no dia 15 de janeiro de 1999, sendo que, por compor o primeiro trimestre daquele ano, foi cancelado pela decisão de primeira instância, por força de decadência. Por fim, no que se refere aos "cheques depositados e devolvidos", ao contrário do que afirmou a instância a quo (fls. 323), esse fato não ocorreu apenas nos meses de janeiro e fevereiro de 1999, mas em outros meses e anos diferentes daqueles considerados decaídos (a saber, primeiro a terceiro trimestres de 1999), como a seguir se observa, exemplificativamente: :íIl 26'0 ;1. 20 O j:-.;ERGI(T? RODRIGUEE; R ,IENCE:1 ri.or SELEM:: HEE:1.'1 .1:1RA i C}RALS Awe i dic.ado :011/21:110 por SER.G1C) FM)DRI r1-131../12 51 MF1,11:11.:S Emil1do 30101...1;20 ir.1 i...1111is1 rio 10 Extrato Conta Corrente HO di Conte DC 694.356 1 e [Tipo da Canta DEPOSITO A VISTil c_s9_,...ocoo 1 Parlado tklf FalhaAgirlela 15/S Nume CPF/CNPJ MARRDEDIESEL VEICULOS LIDA 032.365.454/0001-52 DL (ARE ' NIT' H 427 Processo n" 18471.002328/2004-11 S1-1E03 Acórdão n " 1803-00,536 F I 376 DIA HISTÓRICO LOTE DOCTO FAEMMENTO SALDO SALDO ANTERIOR 2 832,71- 01 CPMF 844 020130 11,69 - 01 IOF 801 000000 0.88 - 01 IOF S/UTIL LIMITE 977 020201 31,78- 2.871,06-,/ 06 DEPOSITO CHEQUES 007 158119 3.320,00/ 06 PART JR CC GARAHT 986 020201 442,94- 0,00 07 CH CEPOS DEVOL 675 4 000002 3.040,00 - 07 JUROS S/ ADEPOS 806 000000 112.85- 3 152,85. 08 CPMF 844 020206 12,73- 3.16556- 15 cfmr 844 020213 0,42- 3.168,00- 22 DEPOS DINHEIRO 007 • 158136 5.500.00 22 TAR. S/ ADEPOS 921 000002 18,90 - 22 TAR.MAN.C/C ATIVA 921 000001 8,50- 22 JUROS Si ADEPOS 806 000000 244,49 - 22 CODERT. CC GARANI 990 000000 76.76 - 22 PG ENCS CC GARANT 986 020201 1.985,35- 0,00 27 TAR, S/ ADEPOS 921 000001 18,90- 27 UTILIZ. CC GARANT 989 000000 18,90 0.00 28 TAR.MAN.C/C ATIVA 921 000001 8,50 - 28 UTILIZ. CC GARANT 989 000000 8,50 0,00 BCN - C/C 094.358 Data Hist6riC0 Valor 23-0 Depósito Dinheiro TOtar.E::-.--t:::::::-.?•;.•::;".......:':/. ..................................... i!'ff.•'....'::",:"...:.:.:...i bi ii- ellill De ..- it Ch •' • ue Depósito Dinheiro 13-mar-02 TOtáf:::.:ii:;•;:•;•;-i.i::.:;::::•:.:::;.:::;:•1,:i.:•:,:-.:',::i:E:-.ii'il.:.:.':,::i..•:'::::.::".:.:;:::..5:-.-::--:'....:" 1j 300000 Ni!~ 8-abr-02 Tõtát-::::',':';:g.4:;•:.É-:,'.-1,:::,',::::::;:r4,. P;',.::.V:U",',r,':?."5:-... .'2.'-:•:•:',•'-'-::::;-3:4200. D • • .- lb Dinheiro 2.500,00 Total.:--....z:•-.;:i.f:.,',..,,;:.•;;.•;•.,:,,i'-..'....!:::i'''' Pósit RUI : '....-.. :!;,,..:::.z.:;.-.n;:v,yilr,.'1.:.:"::,:;.:::'.:::.....;': "'"""n::::::'.̀:..':;; n:::..:::::"::::: . ' .„ ' . 5000,00 Millelliellielellillillellie -.•'•:.:',:':ã -,••••...'77Áiti100,1.20 18_juw2 . :,......,' o Dinheiro 2.000.00 • --- , - ,•,•,,:.=.:::::?•-.:;=.., .':•.aocio,or+ 25-out-02 Depósito Dinheiro 5,00000 AO A2'aIdc Jij ri ín26.'0W:201d ROORIGUES OW09'2010 por ;;;ELENE FERREIRA DE M Autenticado di(jifatreenIe 20/(02010 SERGI() RC)IMIC-RJES r;IDEs ent 30.rogf'201i) da Faznda I DE; C.ARF El 42l7: r". 11 BANCO UtlICA r IR Cr SAC AD SÃ • cxTeoro :c • rtARVere.. • a 47' CAM, GRPME-R J 111 kJ1.101r;IU )1E199U -81[28542i3O2180--67. 1 ' .e91°1 .9) j011:999, mAROUEDIESEL VCICUL08 • .7"-""k LInA.ege-4'..:.J.,“ 4.. Da CA4T4 - 247-4.7-40.3500 troo _ ....._.. IGAR.01,..CAN4M1 •-!;RE , -, .. 1 Atte IMILRIOR „ ^ . .. ., ,-. ..._ . ...... . :. '. 76.709.6S ., ,,, . • .. , . . ..... 29 9 CH.COMPE.00C CH.DEFP'JIEV." à27213 45, 000008 : :,44:7175;0r. 0"- 29 CH.DEP.DEU. 000019 —.", , '. 397.0E- 29 CHA£P.DEV.- 000122 - -; ..: • 1:000,0e - 29 0.1.0CP.DEu. 00e3l7 r.. : '' 2.750,00 - 29 cHALP.Veu. 001347 x "'.1.494,CC - 29 CA.U.P.80".; I19251 -;;;',.; 29 CP.DEP.0EV. 461026' .un.%V. - 1:0W,CD- 29 04.r:et-P.13EU. 01095? -- -; - - 540,0D - 30 DEP.CYEPUZ0 247217 '. 42.59a400_;.. 3C 30 DEP •044COUE5 i'.4-. .P9.CAIXA 24,21, 327C/ S e , SS. C35. 53- 3r. ekt.tEp -Intçr. nocial 3 - 3: CH ..ezp .DEti . 002331 I .250,nn- 3: Ci4 . ZEP.DEV. 000046 .398,ÇC- 3C cH.zEp .rt:U. C1C293 3:: CW.ZER.Dra. 00719a !.: c±4.0EP.L'Ev. 010)44 •. 78s,0r.-- 3:: Cg .EP-,Drt.l .. 010196 t .195.CC- 3: Cg ., Dr" .DEU. 01q45-4 4SG,GC- 3:: t.".1-f.,UE.0.M.). 33=3 . ? .400.1",C- 3z t>g .ncP.84,.v. 382094 1.237,C2- 3: t." k4 .2LP .ZEV. 411474 Z.00C,UC- .1: ..:4,2EvEDOR 00000!... .. 3.-.- 10r- DO.nrv - C000C2, , 3,RI- ... . $,..,,. .mu.... 150.2V 4-nov-99 CR COMP 20.000,00 10-nov-99 111111 Depso Ch • • 7.8+4,00 Depósno Cheque 3300.00 25-rbov-99 MI DepteÁlo Cheque 2.365,00 MI Depôsmi 30-nov-99 DepósIto Cheque . .. ..,,, d!pitalnmrile RODRK:'*ilES MEI'IDEI'.-3.05;09i2Cil O por SELEMIE EEPEO DE OPA ES Aulenheada digitahvenlem 2Gf0e,;2n !O por SER 310 ROORIGUFS MONDES Emitido ern 30 ow2 u €0 1 )::310 iOuo d Etmend:.; 12 O • C"- i . rr P I - a N,. \ N, \ \ \ , , t, \ \ \ , MáRsRaz~ imsasa*0 - '',"^ lx*NPWW5Maige • '; 1, 1 ÇZ''=" 08.'='6P.N 2x1,0..so.roh.1 x g! e 7AalAm2 gw(g2 --RgE5 i 2R 5 2 35InfiSISWMAEURs aR ,,--..... 1........ • • i! d353 .gEni%49. 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'::11+4.12t1 -árt)14.7Fr.r.V., .. , • '''-' 11 858 94- 19-abr-00 Depósito Cheque 2A00100 • 20-abr-00 Depósito Cheque 18.500,00 25-abr-00 Depósito Cheque 18.940,00 • 26nabr-00 Depósitopheque 11.000,00 26-abr-00 Depósito Cheque 730,00 28-abr-00 Depósito Cheque 10138,00 28-abr-00 Depósito Cheque 1.300,00 TOtat.:''.''' '''-""'''"'":U_;:.:'.... -....., , ,.....:,_,:::.:_..4;13:245',00 Devem Ser; por conseguinte, também excluídas das matérias tributáveis relativas ao IRPI, à CS1-1-, ao Pis e à Cotins as parcelas correspondentes à rubrica "cheques depositados e devolvidos", nos anos-calendário de 1999 a 2002, constantes, estas, dos extratos bancários de fIS 23 a 112, e atinentes, exclusivamente a períodos não cancelados por decadência pelo acórdão recorrido (a saber, fls., 322: lucros arbitrados correspondentes aos três primeiros trimestres de 1999 - 'RR] . e CSLI„ e receitas auferidas até trinta de novembro daquele ano - Pis e Cofins), devendo a repartição de origem proceder aos levantamentos e aos cálculos necessários. Demais exigências Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos á ensejarem conclusões diversas. Assinadodirmiiu'2iJiii .=.18., :»31 1) por EFPGO FODEF(UE 1DE oE,;091201D pol SELEITE i'EPREIR.,:, ORAES 10orSERGIC) i:ii1Wdo 14 H 431 81-TE03 Fl. 378 Dl (..ARI Processo ri 18471,002328/2004-11 Acórdão " 1803-00,536 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento arguidas e, no mérito, DAR PROVIMENTO, EM PARTE, ao recurso, para EXCLUIR das matérias tributáveis relativas ao IRPJ, à CSLL, ao Pis e à Cofins (depósitos bancários de origem não identificada) os valores relativos à rubrica "Adiant, Op. Créd,", no ano-calendário de 2000, no total de R$ 78.000,00 (R$ 29,000,00 em fevereiro, R$ 19.000,00 em maio, e R$ 3(1000,00 em junho) e as parcelas correspondentes à rubrica "cheques depositados e devolvidos", nos anos-calendário de 1999 a 2002, constantes, estas, dos extratos bancários de fls, 23 a 112, e atinentes, exclusivamente a períodos não cancelados por decadência pelo acórdão recorrido (a saber, fls. 322: lucros arbitrados correspondentes aos três primeiros trimestres de 1999 - IRPJ e CSLL, e receitas auferidas até trinta de novembro daquele ano - Pis e Cotins), devendo a repartição de origem proceder aos levantamentos e aos cálculos necessários. É como voto, Sérgio Rodrigues Mendes por 51.1.1.:1',10iCn F',.1.1)11/F11,1(11,jr.rE,"1-1:1 L4Er,iDE,1.5 ( 1) n:,1 09,'21{110 pCif SELEI1L-7.: FERREIRA DE L1 2‘.11: 11):11 , 20 j) S.1.1r,1( 1.-1(1)11.-11,G1 DRIC-1,13E1..1.S WiE1N11)ES Enilid n 1110. , 0 1,1)":111 I r.11pI iirii a 35 k. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 18471002328200411 Interessado : MARQUEDIESEL VEÍCULOS LTDA. Acórdão : 1803-00536 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CA.RF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 3,,,O 0,5 ac)a,,r) \<£.0.k..LAL)L3 „Maristela Cie sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: E] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; com Embargos de Declaração,
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Numero do processo: 10950.003587/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/10/2008
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 9202-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 579 1 578 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10950.003587/201011 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.215 – 2ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria SUBROGAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE SUBPRODUTOS DE BOVINOS ALECRIM LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/10/2008 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 35 87 /2 01 0- 11 Fl. 580DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de exigência de contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, Lei nº 8.212, de 1991) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212/91), incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais, adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período de 06/2005 a 11/2005, 02/2006 a 02/2008 e 10/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 180/196. Em sessão plenária de 12/03/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401002.296 (fls. 474 a 482), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF. Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por subrogação da empresa adquirente, impõe se reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos. Recurso Voluntário Provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 27/03/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 483) e, em 28/03/2012, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 484 a 497 (Despacho de Encaminhamento de fls. 498), rejeitados conforme o despacho de fls. 504 a 507. Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 06/06/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 508) e, em 12/06/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 509 a 537, conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 569, visando rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 580 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 615/2012, de 24/09/2012 (fls. 571 a 573). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição; nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, § 4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92; sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária; aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195; pois bem, como é sabido no RE nº 363.852/MG a Suprema Corte se debruçou sobre a contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física com empregados (Lei 8.212/91, art. 12, V, letra "a"), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212/91 redação dada pelas Leis nº 8.540/92 e 9.528/97); importante registrar que o Recurso Extraordinário nº 363.852/MG tem origem no MSG nº 1998.38.00.0339353, impetrado perante a 16ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, em 27/08/1998, cuja causa de pedir foram as Leis nº 8.540/92 e 9.528/97, então vigente à época da impetração; o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis nº 8.540/92 e 9.528/97, sob o fundamento de que à luz da redação primitiva do art. 195, I, da Constituição Federal, não havia previsão para incidência de contribuição social sobre a receita bruta da comercialização da produção, daí a instituição válida da exação somente poderia ocorrer por meio de lei complementar, conforme determinação do §4º do art. 195, da Carta Política; portanto, como a Lei nº 8.540, de1992, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição tudo na forma do pedido inicial (...)"; esa ressalva foi reiterada pelo Relator Ministro Marco Aurélio, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, que, embora não tenha acolhido os aclaratórios, afirmou o seguinte: Fl. 582DF CARF MF 4 "O Plenário defrontouse com processo subjetivo e, em acórdão que contém fundamentação minunciosa, acabou por acolher pedido formulado na inicial de mandado de segurança. Assim o fez com as cautelas próprias, ou seja, assentando, após a declaração de inconstitucionalidade de preceitos, o direito da impetrante de não ser compelida à retenção do recolhimento de contribuição social ou do recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos rurais de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate até que legislação nova baseada na Emenda Constitucional nº 20/98 venha instituir a contribuição". o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão ora hostilizada demonstra, às escâncaras, que apenas foi abordada no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 conferida pela Lei nº 8.540, de 1992; noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei nº 8.212/91; o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural; apenas essa lei Lei nº 8.540, de 1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 596.177/RS, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade; ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; com efeito, após o julgamento do RE 363.852/MG, diversos contribuintes passaram a sustentar que é inconstitucional a contribuição sobre o total da produção do empregador rural pessoa física até os dias atuais, sem considerar a existência da Lei n.º 10.256/2001, editada sob a vigência da EC 20/98; outros, ainda, passaram alegar que mesmo após a edição desse diploma legal, a cobrança da contribuição seria indevida pelo fato de ter sido alterado somente o caput do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, mantida a redação dos incisos e do art. 30, IV, da LCPS, conferida pelas Leis declaradas inconstitucionais pelo STF; o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis nº 8.540/92 e 9528/97, previa duas espécies de contribuição previdenciária incidente sobre a receita da Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 581 5 comercialização da produção: a) contribuição devida pelo empregador rural pessoa física; b) a contribuição do segurado especial; a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF abrangeu tão somente a contribuição incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, pois, conforme explicitado, essa foi a causa de pedir do mandando de segurança nº 1998.38.00.0339353, gênese do RE nº 363.852/MG; nesse sentido, interpretase que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi apenas parcial, nada afetando a contribuição do segurado especial, a qual tem previsão constitucional no art. 195, § 8º da CF; em termos claros: a decisão proferida pelo STF só abrange o produtor rural empregador. logo, retomando o raciocínio anterior, se o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis nº 8.540/92 e 9.528/97, sob o fundamento de que à luz da redação primitiva do art. 195, I, da Constituição Federal, não havia previsão para incidência de contribuição social sobre a receita bruta da comercialização da produção, daí considerando que a instituição válida da exação somente poderia ocorrer por meio de lei complementar, conforme determinação do § 4º do art. 195, da Carta Política, esse mesmo fundamento não poderia ser aplicado ao segurado especial cuja previsão para incidência de contribuição social sobre o resultado da comercialização da produção tem assento constitucional específico no artigo 195, § 8º; ao longo de todo o julgamento do RE ficou explicitado que a instituição de contribuição sobre o total da produção somente seria constitucional em relação ao segurado especial, que atua em regime familiar, nos termos do art. 195, § 8º, da CF: “Vale frisar que, no artigo 195, temse contemplada situação única em que o produtor rural contribui para a seguridade social mediante a aplicação de alíquota sobre o resultado de comercialização de produção, ante o disposto no § 8º do citado artigo 195 – a revelar que, em se tratando de produtor, parceiro, meeiro e arrendatários rurais e pescador artesanal bem como dos respectivos cônjuges que exerçam atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, dáse a contribuição para a seguridade social por meio de aplicação de alíquota sobre o resultado da comercialização da produção. A razão do preceito é única, não se ter, quanto aos neles referidos, a base para a contribuição estabelecida na alínea “a” do inciso I do artigo 195 da Carta, isto é, a folha de salários. Daí a cláusula contida no § 8º em análise “... em empregados permanentes...”. (Min. Marco Aurélio, fl. 1888) “De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição – a folha de salários – a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção” (Min. Marco Aurélio, fl. 1889) “Ora ,a contribuição sobre o resultado da comercialização da produção rural do art. 195, § 8º, existe precisamente porque seu Fl. 584DF CARF MF 6 destinatário – o produtor rural sem empregados permanentes – não pode, é obvio, contribuir sobre folha de salários, faturamento ou receita, já que não dispõe de empregados, nem é pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada. Logo, é imediata a conclusão de que o sujeito passivo objeto pela parte inicial do art. 25 não se enquadra na exceção do art. 195, § 8º, reservada, em caráter exclusivo, ao segurado especial, que recebe proteção constitucional em vista de sua vulnerabilidade socioeconômica. Não entrando na exceção do art. 195, §8º, subsumese o empregador rural pessoa física à regra geral o art. 195, I, que estabelece a contribuição social devida pelo empregador sobre diferentes base de cálculo, notadamente a folha de salários – dentre os quais não se encontra, está claro, o “resultado” ou a “receita bruta proveniente da comercialização de sua produção” (Min. Cezar Peluso, fl. 19141915). no sentido da validade da contribuição previdenciária exigida do segurado especial, aliás, já decidiu a 1ª Turma do TRF da 4ª Região, nos autos AI nº 002893818.2008.404.7100/RS, transcrevese trecho do voto do Relator (Des. Joel Ilan Paciornik): “Necessário, antes de prosseguir, um esclarecimento. O julgado acima levava em conta redações já revogadas da Lei 8.212/1991. Isso porque, conforme se explicará adiante, não se pode considerar indevida a contribuição prevista no artigo 25, I, da Lei 8.212/91, relativamente ao segurado especial, definido no inciso VII do artigo 12 da Lei 8.212/91. (…) Pois bem, não há dúvidas de que a decisão proferida no RE n.° 363.852 declarou a inconstitucionalidade da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural em relação aos produtores rurais que não se amoldem à categoria dos segurados especiais, visto que o aludido recurso extraordinário foi interposto por pessoa jurídica adquirente de produtos cujos fornecedores eram pessoas físicas empregadoras.” (…) De se notar que o parágrafo 8º do artigo 195 da Constituição define base de cálculo para contribuição previdenciária, especificamente, para o segurado especial, que não se enquadra em nenhuma das outras categorias de segurado, definidas no artigo 12 da Lei 8.212/1991.” (negritos apostos) no mesmo sentido: “MANDADO DE SEGURANÇA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA POR ADQUIRENTE DE PRODUTOS RURAIS SEGURADOS ESPECIAIS E PESSOAS FÍSICAS LEI Nº 8.212/91, ART. 25 C.C. ART. 30, III E IV, DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS Nº 8.540/92, 8.870/94, 9.528/97 E 10.256/2001 (NOVO FUNRURAL) – LEGITIMIDADE. I –(...). II Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 582 7 É legítima a contribuição previdenciária de segurados especiais e pessoas físicas produtoras rurais prevista no artigo 25 c.c. art. 30, III e IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas Leis nº 8.540/92, 8.870/94, 9.528/97 e 10.256/2001 (denominada Novo FUNRURAL), pois têm assento na redação originária do artigo 195 da Constituição Federal, a dos segurados especiais no § 8º do referido artigo, e a dos empregadores pessoas físicas produtoras rurais no próprio inciso I, "b", enquadrandose na expressão "faturamento", por isso não se exigindo lei complementar para sua instituição (art. 195, § 4º), de outro lado também não se confundindo com aquela contribuição exigida das agroindústrias (§2º do art. 25 da Lei 8870/94, incidente sobre "o valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado", declarada inconstitucional pelo Egrégio STF, quando do julgamento da ADIn nº 1103/DF (Tribunal Pleno, Rel. para acórdão Min. Maurício Corrêa, DJ 25/04/97, pág. 15197), justamente por não se enquadrar no conceito de "faturamento" recepcionado pelo atual Texto Constitucional. III Remessa oficial provida, reformando a sentença para denegar a segurança. Agravo retido prejudicado.(REOMS 200661050109410, JUIZ SOUZA RIBEIRO, TRF3 SEGUNDA TURMA, 11/02/2010)” (Destaque nosso) assim sendo, com relação aos “sem empregados” (segurado especial – art. 12, VII da Lei nº 8.212/91), a contribuição desde sempre esteve autorizada pelo texto constitucional (art. 195, § 8º, da CF), bem assim sua ampla regulamentação sempre esteve no art. 25 da Lei 8.212/91; portanto, a discussão no âmbito do RE n.º 363.852/MG restringiuse à constitucionalidade da contribuição social incidente sobre a receita oriunda da comercialização da produção do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição prevista no art. 22, da Lei n.º 8.212/91 e, ainda, antes da redação conferida pela Lei n.º 10.256/2001; na linha desse arrazoado, releva notar que a redação original do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 contemplava apenas a contribuição do segurado especial, prevendo a alíquota de 3% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. A Lei n.º 8.540/92, além de acrescentar ao dispositivo a contribuição do empregador rural pessoa física (caput do art. 25), reduziu a alíquota de contribuição do segurado especial de 3% para 2% (inciso I) e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho (inciso II); para melhor visualização das alterações legislativas, importa trazer a lume o texto do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 antes e depois da Lei n.º 8.540/92: Redação original Art. 25. Contribui com 3% (três por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no inciso VII do art. 12. Redação conferida pela Lei n.º 8.540/92 Fl. 586DF CARF MF 8 Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. ora, entender que a decretação de inconstitucionalidade perpetrada pelo STF atingiu a integralidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, ou seja, inclusive os incisos, seria chegar ao absurdo de dizer que o segurado especial estaria desobrigado da contribuição para a previdência social, porquanto a base de cálculo e alíquota de sua contribuição estão dispostas nesses incisos; com certeza, essa não é a conclusão que se extrai de uma leitura atenta do RE nº 363.852/MG, uma vez que a contribuição do segurado especial sequer foi objeto da ação mandamental; houve, portanto, apenas declaração parcial de inconstitucionalidade da Lei nº 8.540/92 no comando dirigido ao empregador rural pessoa física; se a inconstitucionalidade decretada no RE nº 363.852/MG em nada afetou o segurado especial, por conseguinte, mantiveramse hígidos os incisos do art. 25, da Lei nº 8.212/91; então, intuitivo concluir que o fato de a Lei nº 10.256/2001 ter alterado apenas o caput do art. 25 da LCPS em nada obsta a cobrança da contribuição substitutiva da folha de pagamento a cargo do empregador rural pessoa física, pois à exação se aplicam os mesmos incisos do art. 25 que permaneceram vigendo no ordenamento jurídico relativamente ao segurado especial; igual raciocínio se aplica para o art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/91, que também se trata de norma dirigida tanto ao empregador rural pessoa física como o segurado especial; confirase a redação do preceptivo legal atualizada pela Lei n.º 9.528/97: “IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992)”. (g.n.) a obrigação tributária por subrogação do adquirente quanto ao segurado especial não restou prejudicada pelo RE nº 363.852/MG; nesse sentido, o art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, permaneceu produzindo seus efeitos no ordenamento jurídico; despiciendo, portanto, que a redação conferida pela Lei n.º 9.528/97 não tenha sido alterada pela Lei n.º 10.256/2001; Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 583 9 como é possível perceber da leitura do acórdão proferido pelo Plenário do STF no RE nº 363.852/MG, a subrogação em si não possui nada de inconstitucional; a decretação de insubsistência da obrigação tributária por subrogação do adquirente da produção do empregador rural pessoa física, ordenada no RE 363.852/MG, somente permanece se presente o quadro jurídico analisado pelo STF, isto é, ausência de previsão no art. 195, I, da CF para cobrança de contribuição sobre receita bruta e lei ordinária tratando da matéria (Lei 8.540/92); alterado esse contexto por novel legislação, in casu, a Lei n.º 10.256/2001, editada após a EC 20/98, válida a arrecadação da contribuição por meio da técnica da substituição tributária, nos termos do art. 30, inciso IV, da LCPS, que permaneceu vigendo no ordenamento em relação ao segurado especial; Na esteira desse entendimento, a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (TRF4, AC 2007.70.03.0049589, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 11/05/2010). [grifos acrescidos] “PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO. ARTS. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da LEI 8.212/91. LEI N° 10.256/2001. EXIGIBILIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. RESERVA DE PLENÁRIO. DECLARAÇÃO DE Fl. 588DF CARF MF 10 INCONSTITUCIONALIDADE. DESNECESSIDADE. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA DE RECOLHIMENTO. 1. Com a edição das Leis n°s 8.212/91 PCPS Plano de Custeio da Previdência Social e Lei n° 8.213/91 PBPS Plano de Benefícios da Previdência Social, a contribuição sobre a comercialização de produtos rurais teve incidência prevista apenas para os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar (Lei nº 8.212/91, Art. 12, VII e CF/88, Art. 195,§ 8º), à alíquota de 3%. O empregador rural pessoa física contribuía sobre a folha de salários, consoante a previsão do art. 22. 2. O art. 1º da Lei 8.540/92 deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da Lei 8.212/91, cuidando da tributação da pessoa física e do segurado especial. A contribuição do empregador rural , antes sobre a folha de salários, foi substituída pelo percentual de 2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural para o pagamento dos benefícios gerais da Previdência Social, acrescido de 0,1% para financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho. 3. Quanto aos segurados especiais, a Lei nº 8.540/92 reduziu a sua contribuição de 3% para 2% incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento da complementação dos benefícios decorrentes de acidentes do trabalho, além de possibilitar a sua contribuição facultativa na forma dos segurados autônomos e equiparados de então. 4. O art. 30 impôs ao adquirente/consignatário/cooperativas o dever de proceder à retenção do tributo. 5. Os ministros do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciarem o RE 363.852, em 03.02.2010, decidiram que a alteração introduzidapelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 infringiu o § 4º do art. 195 da Constituição na redação anterior à Emenda 20/98, pois constituiu nova fonte de custeio da Previdência Social, sem a observância daobrigatoriedade de lei complementar para tanto: 6. A decisão do STF diz respeito apenas às previsões legais contidas nas Leis n°s 8.540/92 e 9.528/97 e aborda somente as obrigações subrogadas da empresa adquirinte, consignatária ou consumidora e da cooperativa adquirente da produção do empregador rural pessoa física (no caso específico o "Frigorífico Mataboi S/A"). 7. O STF não tratou das legislações posteriores relativas à matéria, até porque o referido Recurso Extraordinário foi interposto na Ação Ordinária n° 1999.01.00.111.3782, o que delimitou a análise da constitucionalidade da norma no controle difuso ali exarado. 8. O RE 363.852 não afetou a contribuição devida pelo segurado especial, quanto à redução de contribuição prevista Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 584 11 pelos mesmos incisos I e II, do artigo 25, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 8.540/92, como retro mencionado. Portanto, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada. 9. A Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao artigo 195 da CF/88 e permitiu a cobrança também sobre a receita de contribuição do empregador, empresa ou entidade a ela equiparada: 10. Em face do permissivo constitucional (EC nº 20/98), a "receita" passou a fazer parte do rol de fontes de custeio da Seguridade Social. A conseqüência direta dessa alteração é que, a partir de então, foi admitida a edição de lei ordinária para dispor acerca da exação em debate nesta lide, afastando definitivamente a exigência de lei complementar como previsto no disposto do artigo 195, § 4º, com a observância da técnica da competência legislativa residual (art. 154, I). 11. Editada após a Emenda Constitucional n° 20/98, a Lei nº10.256/2001 deu nova redação ao artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e alcançou validamente as diversas receitas da pessoa física, ao contrário das antecessoras, Leis nº 8.540/92 e 9.528/97, surgidas na redação original do art. 195, I, da CF/88 e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica vigente. 12. Não cabe o argumento de que os incisos I e II foram declarados inconstitucionais e, portanto, inexiste a fixação de alíquota, o que tornaria a previsão do Caput "letra morta". Na hipótese, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada quanto ao segurado especial. 13. Com a modificação do Caput pela Lei n° 10.256/2001, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física. 14. O empregador rural pessoa física não se enquadra como sujeito passivo da COFINS, por não ser equiparado à pessoa jurídica pela legislação do imposto de renda (Nota Cosit n° 243, de 04/10/2010), não se podendo falar, assim, em "bis in idem", mas apenas a tributação de uma das bases econômicas previstas no art. 195, I, da CF, sem qualquer sobreposição. 15. A contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, nos moldes do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, vem em Fl. 590DF CARF MF 12 substituição à contribuição incidente sobre a folha de salários, a cujo pagamento estaria obrigado na condição de empregador, mas foi dispensado pela Lei n° 10.256/2001. 16. Nos termos do artigo 30, III, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 11.933/2009, cabe à empresa adquirinte, consumidora ou consignatária e à cooperativa a obrigação de recolher a contribuição de que trata o artigo 25, da Lei n° 8.212/91 até o dia 20 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção. 17. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física, a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/01. (...)” (TRF 3, APELAÇÃO CÍVEL 1601121, Processo: 2010.61.02.0056030, Relator DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ LUNARDELLI, Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento 28/06/2011, Data da Publicação/Fonte DJF3 CJ1 DATA:17/08/2011 PÁGINA: 213) [grifos acrescidos] “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL. PRODUTOR RURAL. PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 363.852/MG. ART. 25 DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS 8.540/92 E 9.528/97. LEI 10.256/2001, NOVA REDAÇÃO AO ART. 25 DA LEI 8.212/91. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97 até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, disponha sobre a contribuição. No sentido do texto, observese a ementa do referido julgado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) 2. Com a edição da Lei nº 10.256/2001 não há que se falar em inconstitucionalidade da contribuição previdenciária discutida no presente feito, prevista no art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91, eis que cobrada com espeque no art. 195, I, alínea b, da Constituição Federal, com redação dada pela EC nº 20/98. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 585 13 3. Considerando que a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, não existe inconstitucionalidade na cobrança e tendo em vista que a parte autora pleiteia a repetição de contribuições pagas somente a partir de 2002, não assiste à requerente direito a restituição. 4. Apelação improvida.” (TRF 5ª Região, Processo: 000525045.2010.4.05.8000 Órgão Julgador: Primeira Turma, Rel. Desembargador Federal Francisco de Barros e Silva (Substituto), Data Julgamento 30/06/2011, Fonte: Diário da Justiça Eletrônico Data: 07/07/2011 Página: 302) [grifos acrescidos] logo, nesse ponto, da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG); o referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256/2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; vejase que, no RE nº 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 sob a égide (após) da Emenda Constitucional nº 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário; a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei nº 10.256/2001, que fundamentou o lançamento; em conclusão, a declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE nº 363.852/MG se referiu, exclusivamente, ao caput do art. 25 da Lei de Custeio, com redação dada pela Lei n.º 8.540/92, na parte dirigida ao empregador rural pessoa física. Em outros termos, a declaração de inconstitucionalidade foi apenas parcial, permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25. Da mesma forma, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, apenas em relação ao empregador rural pessoa física e se existente o mesmo contexto jurídico analisado no julgamento do STF; no caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram no período de 12/2003 a 05/2007, ou seja, após a Lei n.º 10.256/2001, editada com arrimo na EC nº 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração; Fl. 592DF CARF MF 14 observase ainda no mesmo sentido: Acórdão 20500.676 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2006 CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Contribuições sociais devidas decorrentes da subrogação na aquisição de produto rural de produtor pessoa física, conforme art. 25 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 8.540/92, Lei 9.528/97 e Lei 10.256/01, art. 30, incisos III e IV da Lei 8.212/91. JUROS , SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que: é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. À Administração Pública não cabe o exame da constitucionalidade das Leis. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão nº 20500.676 “A recorrente afirma que a contribuição do produtor rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção é inconstitucional, pela equivalência da sua base de cálculo com base da contribuição do segurado especial, por ter instituída por lei ordinária, quando deveria ter sido por lei complementar e por violação ao princípio constitucional da igualdade (...) In casu, tratase de contribuições dos produtores rurais pessoas fisicas e o art. 25, incisos lei! da Lei n° 8.212/1991 dispõe o seguinte: (...) A mesma lei no art. 30 inciso IV determinou que a empresa adquirente ficaria subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa fisica e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 encimado. (...) Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional.” logo, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; nesse teor, vejase que a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, já sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 586 15 MF nº 256, de 22/06/2009, já decidiu sobre os estreitos limites do controle de constitucionalidade efetivado na via incidental: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003. REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO EXPRESSA DO ART. 3º, § 1º, LEI N° 9.718/98 PELA LEI N° 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor à época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, alegada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte.” (acórdão nº 340100387, processo administrativo nº 10580.011972/200351). delineado esse contexto, no qual ainda não superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei nº 10.256/2001, mesmo após o RE nº 363.852/MG, o que inclusive já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF’s da 3ª, 4ª e 5ª Regiões, não poderia o Colegiado valerse do disposto no RICARF para estender a declaração de inconstitucionalidade nos termos do acórdão recorrido; idêntico raciocínio vale ainda com mais razão para as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural do segurado especial; não há no Regimento Interno qualquer norma que autorize o Colegiado, mediante dedução, presunção, ilação ou interpretação a entender pela inconstitucionalidade desta ou daquela norma, esse mister cabe ao Poder Judiciário; nesse teor, vejase que matéria pertinente já foi até mesmo objeto de enunciado de Súmula Vinculante, verbis: Fl. 594DF CARF MF 16 “Súmula Vinculante Nº 10: viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.” repitase ainda uma vez mais tudo o quanto já se expôs. Seja no sentido de que as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural do segurado especial não foram objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF; seja no sentido de que a subrogação em si nada possui de inconstitucional e que a Lei nº 10.256/2001 não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF em nenhum momento, não sendo atribuição regimental do CARF esse mister; como se vê, nada a agasalhar o entendimento ventilado na decisão recorrida que estribou seu posicionamento no art. 62, inciso I, do RICARF e não utilizou o entendimento ventilado no acórdão proferido pelo STF no RE nº 363.852/MG como mero subsídio; assim, ainda que se valendo do disposto no art. 62A do RICARF, o CARF deve aterse aos estritos limites objetivos da demanda, não sendo lícito fazer ilações para, mediante interpretação extensiva, alcançar situações não previstas, não alijadas pela pecha de inconstitucionalidade e assim declaradas pelo Poder incumbido pela Constituição Federal de tal mister; tal situação se revela ainda de maior gravidade quando se constata que a decisão utilizada como parâmetro de referência foi tomada em controle incidental de constitucionalidade, com efeitos inter partes, portanto, antes da edição de Resolução pelo Senado Federal; logo, por todas as razões acima expostas, impõese a reforma do aresto, de forma a restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose o lançamento em sua integralidade. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento de seu recurso. Cientificada em 26/10/2012 (AR Aviso de Recebimento de fls. 576), a Contribuinte quedouse silente (fls. 577). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência de contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, Lei nº 8.212, de 1991) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212/91), incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais, adquiridos junto a pessoas físicas Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 587 17 Os valores são referentes aos períodos de 06/2005 a 11/2005, 02/2006 a 02/2008 e 10/2008, portanto exigidos já sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual até o momento não paira qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade. A Fazenda Nacional visa rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001. Destarte, tendo em vista que esta foi a única matéria do acórdão recorrido e do Recurso Especial, não há como sequer discutirse a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda que se pudesse discutir a constitucionalidade de dispositivo legal vigente e não declarado inconstitucional pelo STF o que se admite apenas para argumentar a decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da impossibilidade de estenderse à Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, a inconstitucionalidade declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, como se naquela assentada o Excelso Pretório tivesse condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola de forma ampla, estendendo seus efeitos a legislação superveniente, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98. Esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Fl. 596DF CARF MF 18 Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Destarte, a exigência pela sistemática de subrogação, descrita no art. 30, IV, da Lei nº 8212, de 1991, também encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade a maculála. Confirase o voto do Min. Marco Aurélio: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com efeito, a referência ao termo “subrrogação”, e ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate. Por fim, ressaltese que a exigência das contribuições do adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212, de 1991, que não foi questionado ou mesmo mencionado na declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de 2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos. Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão recorrido, colacionase a ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS: "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 588 19 DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador' (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.' (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe‑ 226 DIVULG 14‑ 11‑ 2013 PUBLIC 18‑ 11‑ 2013)" Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Da Alegada Inconstitucionalidade Contribuição Sobre A Receita Bruta Proveniente Da Aquisição De Produtor Rural Pessoa Física A base do Recurso referese a discussão não apenas da aplicação de decisão do STF, bem como a delimitação do alcance da referida decisão, e quais os dispositivos legais teriam sido efetivamente declarados inconstitucionais pelo STF, por meio do RE 363.852/MG. Assim, quanto ao mérito da questão cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da questão, considerando o recurso apresentado. Confesso que a interpretação trazido pelo recorrente realmente foi por mim adotada em relação aos primeiros processos analisados acerca do tema, todavia, após um estudo mais sistematizado acerca da matéria, considerando diversas ponderações trazidas por conselheiros deste Conselho, tive a oportunidade de alterar meu entendimento acerca do tema, conforme posicionamento adotado em diversos outros votos aos quais tive a oportunidade de relatar. Dessa forma, passo a proferir meu entendimento acerca do tema, alterando a posição adotada no recorrido, acompanhando o relator no mérito. Fl. 598DF CARF MF 20 Assim, passo a apresentar meu posicionamento acerca do tema. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91, conforme identificado pela autoridade fiscal: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97 A subrrogação descrita neste AIOP está respaldada tanto no que dispõe o art. 30, IV (relatório fiscal), III, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97, bem como no Regulamento da Previdência Social – Decreto 3048/99, conforme relatório de fundamentos legais FLD, fls. 75: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 589 21 de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge face o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial à contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Fl. 600DF CARF MF 22 Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Dita decisão merece ser levada em consideração quando envolver lançamento de contribuições sobre fatos geradores sob a égide da legislação anterio, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 590 23 (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste Fl. 602DF CARF MF 24 serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 591 25 outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Cite se do TRF: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 604DF CARF MF 26 §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 592 27 e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea Fl. 606DF CARF MF 28 "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, enquanto relatora de processo envolvendo questão idêntica, tive a oportunidade de verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do tema subrrogação (propriamente dito) art. 30, III e IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 593 29 A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Fl. 608DF CARF MF 30 Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 594 31 que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontra se também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo (conforme relatório FLD), bem como no Decreto 3048/1999: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento (Decreto 3048/99) a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e Fl. 610DF CARF MF 32 II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10950.003587/201011 Acórdão n.º 9202005.215 CSRFT2 Fl. 595 33 §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem Fl. 612DF CARF MF 34 do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. Contribuições destinadas ao Senar Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez tendo sido afastada a dúvida acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso III e IV plenamente respaldado encontrase o exigência legal objeto do presente lançamento. Face ao exposto, acompanho o relator em seu voto, apenas esclarecendo a mudança do meu posicionamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 613DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.722681/2014-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Marcio Henrique Sales Parada e Cecília Dutra Pillar, que a rejeitaram. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Marcio Henrique Sales Parada e Cecília Dutra Pillar, que a rejeitaram. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto. RELATÓRIO: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 85 .7 22 68 1/ 20 14 -6 6 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19985.722681/201466 Resolução nº 2202000.739 S2C2T2 Fl. 142 2 Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) Suplementar (fls. 25/29 e 44/48), referente aos exercícios 2010 e 2011, anoscalendário 2009 e 2010, nos valores respectivos de R$ 6.306,77 e de R$ 5.008,65, em razão de trabalho de malha em que foi apurado omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora: Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE, no valor de 18.792,61 e R$ 18.294,80, respectivamente. Na impugnação (fls. 02), o contribuinte informa que efetuou a retificação das declarações com base na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.343/2013, por motivo de bitributação. Traz os documentos de fls. 03/17. Em procedimento de revisão da matéria de fato, a autoridade fiscal proferiu o Termo Circunstanciado de fls. 75/78 e o Despacho Decisório de fls. 79, mantendo o lançamento, por entender que o contribuinte não se enquadrava nas condições da referida IN, em razão de sua aposentadoria ter ocorrido em 1997 e por constar informação nas DIRF das fontes pagadoras de 2004 a 2006, de rendimentos com exigibilidade do imposto suspensa, denotando a existência de processo judicial. Ciente dessa decisão, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 84 e documentos de fls. 92/94. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS), no Acórdão nº 0440.470, às fls. 99/102, julgou improcedente a impugnação, por não ter o sujeito passivo comprovado que fazia jus à exclusão desses rendimentos da tributação imposta. O contribuinte teve ciência do acórdão em 13/05/2016 (AR defls. 107) e, inconformado, interpôs, em 23/05/2016, o recurso voluntário de fls. 109, acompanhado dos documentos de fls. 117/132, alegando que: que as retificações de suas declarações foram feitas em cumprimento da IN RFB nº 1.343/2013, a fim de obter os benefícios dessa IN, não havendo intenção de omitir rendimentos; que foram desconsideradas as declarações originais, nas quais constaram os rendimentos objetos da notificação e o imposto a pagar; e que houve erro no julgamento, uma vez que os impostos foram pagos no prazo previsto, conforme comprovantes fornecidos pela Receita Federal em anexo. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Preliminar de conversão do julgamento em diligência Durante os debates acerca deste processo, o ilustre Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa suscitou preliminar de conversão do julgamento em diligência, para que a Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19985.722681/201466 Resolução nº 2202000.739 S2C2T2 Fl. 143 3 unidade de origem trouxesse aos autos cópia das Declarações de Ajuste Anual originais dos exercícios 2010 e 2011 e correspondentes comprovantes de pagamentos (DARFs). No recurso voluntário o contribuinte faz uma inovação ao alegar que não foi considerado que o imposto já foi pago quando da apuração realizada nas declarações originais, uma vez que esse argumento não trazido na impugnação. Assim, entendese que não se deve conhecer desse argumento, tendo em vista que o momento para apresentação das razões de fato e de direito ocorre na impugnação, sob pena de preclusão, conforme art. 16, III, e do art. 17, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), a seguir: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Ademais, a entrega espontânea de retificadora constituise em faculdade do contribuinte. E essa retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente as informações prestadas na declaração originalmente transmitida, por força art. 18 da Medida Provisória (MP) nº 2.189, de 23 de agosto 2001, a seguir transcrito: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Por consequência, o pagamento efetuado pelo contribuinte com base na DIRPF original adquire o caráter de pagamento indevido, após a entrega da retificadora. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19985.722681/201466 Resolução nº 2202000.739 S2C2T2 Fl. 144 4 VOTO VENCEDOR Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Redator designado. Em que pese o bem fundamentado voto da ilustre Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, peço vênia para divergir, pois entendo que os valores recolhidos pelo Contribuinte antes do início do procedimento fiscal, quando ele gozava de espontaneidade, não podem ser exigidos com multa de ofício. CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Não se pode exigir, por meio de Notificação de Lançamento, multa de ofício sobre um crédito tributário que foi extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [..] Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Muito embora a declaração retificadora realmente substitua a declaração original, fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, conforme prevê o inciso I do art. 156 do CTN. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19985.722681/201466 Resolução nº 2202000.739 S2C2T2 Fl. 145 5 No entanto, no presente caso, não constam dos autos nenhuma informação sobre as declarações originais apresentadas pelo Contribuinte nem sobre os pagamentos efetuados relativos àquelas declarações. Portanto, penso que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1. Anexe aos autos cópia das Declarações de Ajuste Anual originais dos exercícios 2010 e 2011 (anoscalendário 2009 e 2010); 2. anexe aos autos os comprovantes de pagamentos (DARFs) correspondentes ao imposto de renda dos exercícios 2010 e 2011 (anoscalendário 2009 e 2010), informando se os mesmos encontramse disponíveis ou se foram restituídos; 3. dê vista ao Recorrente do resultado essa diligência, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.725212/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.243
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que entendia pela desnecessidade da diligência
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que entendia pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Presidente (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Fl. 9499DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 2 2 Relatório Os autos de infração a folhas 4.276 a 4.320 exigem da autuada o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 20.852.078,91. No termo de verificação fiscal a folhas 4.257 a 4.274 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraem-se as observações e argumentos resumidos adiante. Foram verificadas as seguintes infrações à legislação tributária: contabilização como subvenção ou doação para investimento dos descontos obtidos na liquidação antecipada de passivo do programa Fomentar; existência de saldo credor na conta de ativo 1.1.1.01.00008 Caixa -Recebimento Itaberaí, ao passo que as justificativas apresentadas não abordaram o montante integral do saldo credor; falta de adição no Lalur das despesas com brindes e doações lançadas na conta 3.3.1.03.00006 - Brindes e Doações - e na conta 3.3.2.04.00020 -Donativos e Contribuições; no tocante à perda no recebimento de créditos, observância dos procedimentos mínimos estabelecidos no art. 9° da Lei n° 9.430, de 1996 e arts. 340, 342 e 249, inciso I, do RIR 1999; glosa do prejuízo gerado em 2008 e compensado nos anos seguintes, pois embora durante o ano-calendário 2008, o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal, diante da contabilização imprópria como subvenção para investimento, a fiscalização apurou lucro tributável. Contabilização imprópria de subvenção para investimento Quanto a este ponto concluiu-se que o desconto obtido com a liquidação antecipada do contrato com o Fomentar, constitui verdadeira subvenção para custeio e que, por se caracterizar como receita operacional, deve compor a apuração do IRPJ e CSLL sobre o Lucro Real, bem como a base de cálculo do PIS e da COFINS. Entendeu-se haver desvinculação entre o benefício decorrente do desconto com a liquidação antecipada e a execução da expansão ou modernização do parque industrial incentivado. A Lei Estadual n° 15.518 de 05/01/2006 admite a desnecessidade de ampliação ou modernização do estabelecimento industrial do beneficiário do leilão, porque, do montante a ser aplicado na ampliação ou modernização do empreendimento, poderia ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa, aprovado pelo Fomentar e objeto do empréstimo. Deste modo firmou-se que, se a subvenção é para investimentos, para expandir ou modernizar, é necessário que algo seja acrescentado à economia local, não se trata do passado, e isso não se consegue com projetos já implementados e concluídos anteriormente à concessão do benefício do desconto da liquidação antecipada. A reutilização do projeto antigo, já empregado para a obtenção do financiamento, fora reputada incompatível com o que está disposto no art. 443 do RIR 1999, descaracterizando a subvenção para investimento. Fl. 9500DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 3 3 Saldo credor de caixa O contribuinte informou que, na migração de dados de seu sistema de controle contábil, a data de alguns lançamentos a crédito foi alterada para o 1° dia do mês, de maneira que os fatos contábeis posteriores ao dia 1° foram lançados antecipadamente. Reputou-se que o saldo credor de caixa constitui presunção legal de omissão de receita. Uma vez comprovado o saldo irregular, o ônus da prova inverte-se para o contribuinte, o qual pode vir a apresentar comprovantes inequívocos de que os fatos contábeis ocorreram em momento posterior. Apresentados documentos que justificaram parcialmente o saldo credor, o valor cuja justificativa não foi apresentada serviu de base para o lançamento do crédito tributário. A base da infração do IRPJ gerou reflexo na apuração da CSLL, PIS e Cofins. Glosa de despesas com brindes, doações, donativos e contribuições Intimado para apresentar as notas fiscais ou outros comprovantes de aquisição, o contribuinte apresentou parte da documentação. Os comprovantes das operações realizadas confirmaram que as despesas possuíam natureza de brinde, doação, donativo e contribuição, indedutíveis na apuração de IRPJ e CSLL. Os valores lançados das infrações foram extraídos do Razão das contas citadas. A infração gera reflexo na apuração da CSLL. Glosa de despesas com perdas no recebimento de créditos Em relação às baixas de valor superior a R$ 5.000,00 e inferior ou igual a R$ 30.000,00, exigiu-se a comprovação de cobrança administrativa (por exemplo, protesto do título). Já em relação às baixas de valor superior a R$ 30.000,00, comprovar o ajuizamento da respetiva ação. No tocante ao ano-calendário 2008, o contribuinte apresentou comprovantes de venda a crédito que na somatória, perfazendo o montante de R$ 85.162,47. Em relação aos anos-calendário 2009 e 2010, foram aceitas comprovações de liquidação de débito em processo de recuperação judicial, bem como protesto de títulos. Glosa de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL No ano-calendário de 2008, o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 3.778.939,84, conforme escriturado na página 13 do Lalur n° 14. Verificadas as infrações mencionadas anteriormente, o resultado passa a ser lucro real e base de cálculo positiva de CSLL de R$ 6.242.210,35. Fl. 9501DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 4 4 Considerando que nos anos-calendário 2009 e 2010, o contribuinte compensou o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa - que com este lançamento se tornaram inexistentes –foi glosada a compensação de IRPJ e CSLL. Impugnação Em 23.07.2013 o sujeito passivo apresentou a impugnação juntada a folhas 4.335 a 4.365. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. Preliminar – a multa de ofício - caráter confiscatório A multa de 75% é uma verdadeira afronta aos direitos do contribuinte e não pode nunca ser validada, pois não se enquadra nos ditames legais. Ao contrário, é um verdadeiro confisco, instituto que é vedado pela Constituição Federal. Assim, caso se confirme, no todo ou em parte, o auto de infração, requereu-se que a multa de ofício seja aplicada dentro dos paramentos normais ocorrentes em casos tais; e ainda, que sejam levadas em consideração as reiteradas decisões judiciais, que sistematicamente tem derrubado o astronômico percentual de 75% para o patamar, ainda alto, de 20%, a exemplo das citadas na impugnação. Omissão de receitas por presunção legal Nas informações e justificativas apresentadas à fiscalização, a contribuinte alega que informou que a conta contábil Caixa Recebimento Itaberaí é transitória, de movimentação interna, para controle, segurança e gerenciamento dos recebimentos de clientes, onde são feitos lançamentos a débito (débito a caixa recebimento/crédito a contas a receber clientes), pela movimentação de acertos diários, com os entregadores, que trazem valores em espécie, cheques à vista e cheques pré-datados. E, lançamentos a crédito (crédito a caixa recebimento/débito a bancos, conta custódia) pelas saídas e depósitos efetuados conforme a liquidez das entradas. Argumentou-se, então, que, pela característica de conta transitória, de movimentação interna, e não de conta caixa efetiva, não há como falar em saldo credor. A conta caixa da empresa, onde realmente há movimentação de pagamentos a terceiros, é a conta 1.1.1.01.00001 Fundo - Fixo Itaberaí, que tem uma movimentação pequena e, também não apresenta saldo credor. Analisando-se o auto de infração e fazendo-se uma conciliação entre as contas do Razão, movimentação financeira e arquivo do contábil (ECD) e o arquivo SINCO, verificou-se que alguns documentos não foram apresentados à época para a fiscalização. Esses documentos agora são digitalizados e anexados à impugnação e buscam comprovar a origem de todos os recursos movimentados na Conta Caixa Recebimento Itaberaí. Fl. 9502DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 5 5 Os documentos digitalizados e anexados foram retirados da contabilidade da empresa e retratam sua realidade contábil, confirmando não existir saldo credor de caixa, a não ser na movimentação diária, mas tal estouro é amplamente sustentado por saldo anterior que compõe a mesma movimentação. Argui o contribuinte que houve um erro de fato na entrega dos arquivos digitais ECD 2008, 2009 e 2010, mas foi aberta pelo fiscal a possibilidade para retificação deles. Entretanto, mesmo tendo sido aceito pela fiscalização a retificação dos arquivos, a empresa só conseguiu retificar o arquivo de 2010. Alega-se que a mesma retificação não foi aceita nem realizada para os exercícios de 2008 e 2009 pelo programa da RFB, pois eles já tinham sido registrados na Junta Comercial. Protesta que eles deveriam ser acatados, por se tratar de erro de fato. Não obstante a impossibilidade de retificação por meio do programa Sped, dos arquivos ECD 2008 e 2009, a impugnante alega que produziu para esses anos o arquivo validador SINCO (programa disponibilizado e validado pelo sítio da RFB na Internet), devidamente disponibilizada à fiscalização, em meio magnético, no qual ficou comprovada a inexistência de saldo credor na conta Caixa Recebimento Itaberaí. Conclui afirmando que tal arquivo representa a realidade da escrituração contábil da empresa, e não aquele que consta no banco de dados da RFB, uma vez que houve erro de fato que não pode ser reparado em função do registro anterior. Assim, supostamente superadas as omissões de receitas nos períodos apurados pela fiscalização, conforme farta documentação apresentada, espera a impugnante, que sejam afastadas de vez as infrações a esse item relacionadas. Custos, despesas operacionais e encargos - despesas não necessárias A impugnação deste item será apenas parcial, tendo em vista que os fatos descritos para as despesas lançadas na conta 3.3.2.04.00020 - Donativos e Contribuições - não serão objetos de contestação. O crédito tributário apurado será objeto de parcelamento. O pedido do sujeito passivo foi submetido à análise do fiscal autuante, que, depois de observar que a concordância não abrangia os lançamentos de Cofins e de contribuição para o PIS, calculou o montante da IRPJ e da CSLL, bem como da multa e dos juros de mora respectivos, que correspondem à parte não litigiosa do crédito tributário. A folhas 4.454, a autoridade preparadora informa que foi transferida para o processo nº 10120.726.580/2013-89 a parte não litigiosa do crédito tributário. Entretanto, a autuação em relação às despesas lançadas na conta 3.3.1.03.00006 - Brindes e Doações é impugnada. A impugnante afirma que trata-se de reposição de mercadorias entregues com peso a menor do que aquele constante na NF originária, em face do natural descongelamento dos produtos comercializados, e não de brindes e doações, como equivocadamente foi lançado. A impugnante, portanto, reputa que cometeu apenas erro de ordem formal ou de nomenclatura na emissão da NF, não podendo por isso ser penalizada, haja vista que vendeu, Fl. 9503DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 6 6 recebeu e não promoveu a entrega de brindes, mas apenas repôs ao adquirente o que lhe era de direito. Invoca-se em favor do argumento o disposto no § 2o, do art. 147, do CTN, além de um precedente de decisão administrativa atribuída ao Carf. Perdas no recebimento de créditos - inobservância dos requisitos legais Sem razão o auditor fiscal ao promover a indevida glosa dos créditos, que foram classificados pela impugnante como perdas. A glosa, na ótica da fiscalização, se justifica pela falta de adoção das medidas previstas no art. 9º da Lei 9.430/96. As planilhas financeiras anexadas, que foram extraídas da contabilidade da contribuinte, demonstram que houve equívoco por parte da fiscalização, conforme demonstrado na tabela de fls 9379 e seguintes. Subvenção e recuperação de custos Segundo o fisco, observa-se falta de sincronismo entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado. Argumenta o impugnante que mesmo que a lei não especifique tal sincronismo, efetivamente aplicou os recursos do benefício na melhoria e expansão da sua unidade industrial, muito além dos recursos advindos da subvenção. Tal fato poderia ser igualmente constatado em sua escrituração contábil, cuja comprovação fora acostada pela própria fiscalização. Segundo a fiscalização, a redução do saldo devedor do ICMS pode ser justificada apenas pela modernização do parque industrial incentivado. Contudo, reputou-se que a fiscalização quis criar um fato novo, ao se apegar apenas ao vocábulo modernização, para definir a aplicação da subvenção. A impugnante alega que investiu não apenas em modernização, mas também em implantação e expansão do seu parque industrial, que é visível a olho nu e pela própria produção atual comparada com aquela existente na data da assinatura do contrato do Fomentar. Aliás, sem aplicação desses benefícios não seria possível o crescimento da contribuinte. Prossegue afirmando que se a Lei Estadual 15.518, de 2006, prevê a desnecessidade de ampliação ou modernização do estabelecimento industrial do beneficiário do leilão, porque, do montante a ser utilizado poderão ser abatidos os investimentos já realizados desde o início da implantação do projeto, a impugnante não fez nada de errado, estando protegida pelo manto da legalidade de uma lei que está em pleno vigor. Conclui arguindo que se a lei estadual está em desacordo com a legislação federal, que seja ela questionada por quem de direito, e não pela fiscalização. O benefício é legal e, como tal, deve assim ser tratado. Saldo insuficiente - compensação de prejuízo Fl. 9504DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 7 7 Alega o impugnante que não pode prosperar a glosa em causa, uma vez que, superadas as infrações anteriores, deve ser restabelecido o resultado fiscal apurado pela impugnante em 2008, 2009 e 2010. O pedido Uma vez demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a impugnante que seja acolhida a impugnação, cancelando-se o débito fiscal, bem como as autuações reflexas. Contudo, caso não seja esse o entendimento, e em face do grande volume de informações e documentos analisados, requer que seja realizada nova diligência para comprovação dos fatos e fundamentos aqui alegados. Postulação de juntada posterior de documentos Em 12 de novembro de 2013, por meio da petição a folhas 4.461 a 4.463, a qual ele denomina de emenda à impugnação, o sujeito passivo requer a juntada e a apreciação de novos documentos comprobatórios, os quais afirma dizerem respeito à imputação fiscal de omissão de receitas caracterizada em virtude de saldo credor de caixa. Esses papéis foram juntados a folhas 4.474 a 9.015. A folhas 9.016, a autoridade preparadora informa que a maior parte dessa documentação (4.888 das 4.904 páginas) foi apresentada em meio digital e que foi juntada aos autos depois de convertida em arquivo no formato PDF. Acórdão nº 02-56.515 - 3ª Turma da DRJ/BHE De início decidiu-se pelo não conhecimento da petição juntada a folhas 4.461 a 4.463, denominada de “emenda à impugnação” pelo próprio sujeito passivo, visto que foi apresentada em 12 de novembro de 2013, mais de quatro meses depois de dada a ciência do lançamento e depois de esgotado o prazo de trinta dias fixado pelo artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, entendeu-se que não consta da petição nenhuma justificativa para sua apresentação extemporânea. Tampouco se tomou conhecimento dos papéis que acompanham a petição e que se acham a folhas 4.474 a 9.015, visto que, por determinação do mesmo artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, os documentos comprobatórios das alegações do sujeito passivo devem ser apresentados juntamente com a impugnação, no mesmo prazo para ela fixado. Pedido de realização de diligência Fl. 9505DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 8 8 Entendeu-se que a impugnante não demonstra a necessidade da diligência que requer. Em verdade, suas alegações poderiam ser comprovadas com a mera exibição de documentos que integram ou deveriam integrar a sua contabilidade, caso existam. Contestação da imputação de omissão de receita por saldo de credor de caixa Firmou-se o entendimento de que se depois de levados em conta os esclarecimentos e documentos apresentados ainda persistir algum saldo credor, é lícito ao fisco presumir que o saldo credor de caixa é decorrência de omissão de receitas, no que se acha amparado por determinação legal (artigo 12, § 2º, do Decreto-lei nº 1.598, de 1977; artigo 281, inciso I, do RIR 1999). Adita-se, ainda que a conta "Caixa Recebimento Itaberaí" seja transitória, conforme argumenta a impugnante, isso não significa que não mereça o tratamento de omissão de receita eventual saldo credor nela observado e que não seja justificado. O esboço de movimentação que a impugnante apresenta em sua defesa até reforça a conclusão de que, se a conta em causa apresentar saldo credor não justificado, fica caracterizada a omissão de receita. É que, de acordo com esse esboço, todo débito efetuado nessa conta tem como contrapartida um crédito na conta destinada a escriturar as receitas de vendas. Já o registro a crédito dessa conta tem como contrapartida débito em conta representativa de movimentação bancária. Logo, concluiu a autoridade julgadora que se o saldo da conta se torna credor é porque houve registro de transferências para as contas bancárias de mais recursos do que o montante contabilizado simultaneamente em virtude do recebimentos por vendas. Uma vez que não se pode transferir aos bancos uma quantia maior do que entrou na conta em virtude da realização de vendas, reputou-se lícito presumir que o saldo credor é resultado da omissão de vendas ou de quaisquer outras receitas. Salientou-se que os recursos que saem dessa conta concretamente alimentam as contas bancárias da autuada. Os débitos nela registrados têm como face real o recebimento de cheques (pré-datados ou não) e de dinheiro vivo, que são os meios de pagamento usados pelos clientes da autuada para quitar as compras por eles efetuadas, os quais são depois depositados em contas bancárias. Portanto, ainda que se trate de uma conta usada para em caráter transitório, cada registro corresponde a uma operação que ocorreu efetivamente, e não a um evento simbólico ou imaginário. Uma vez que cada registro de débito, de fato, representa uma disponibilidade financeira da empresa, não seria o caráter transitório dessa conta que lhe retiraria a natureza de conta caixa. Em consequência, cumpria à autuada demonstrar que de tal conta não saíram mais recursos do que nela entraram. Não o fazendo, configurou-se a omissão de receita, até mesmo em virtude de disposição legal expressa. Portanto, os saldos credores observados não decorrem de terem sido desprezados os saldos devedores transportados do dia anterior. Embora suscite essa objeção, a impugnante não traz nenhuma prova de sua alegação. Fl. 9506DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 9 9 Da mesma forma, entendeu-se infundada a alegação de que os saldos credores teriam surgido em decorrência de ter havido uma inversão na ordem de escrituração, de tal modo que as saídas de recursos seriam registradas antes de o serem as entradas. Firmou-se que o saldo credor que o autuante considerou como omissão de receita foi aquele apurado no encerramento de cada dia em que se observou a anomalia em questão (01/10/2008, 01/01/2009 e 04//04/2010). Uma vez que se trata do saldo observado ao final do dia, contribuíram para a sua formação todas as entradas e saídas de recursos registradas ao longo desse mesmo dia, assim como o saldo transportado do dia anterior. Por fim, ainda durante a fase de fiscalização, a autuada argumentou que, de acordo com as regras de escrituração segundo o regime de competência, a contabilização dos atos e fatos administrativos se faz num período mensal, assim sustentando a tese de que eventuais saldos credores observados ao final de determinado dia poderiam ser compensados com o saldo devedor apurado em dias subseqüentes, desde que situados dentro dum mesmo mês. Tal tese é inteiramente equivocada, segundo a autoridade julgadora. Não existe nenhuma norma legal nem tampouco regra ou princípio contábil que determine ser o período de um mês o mínimo intervalo que se deve levar em conta na auditoria da escrituração contábil ou fiscal. De resto, entendeu-se que a impugnante se propõe a demonstrar, em relação a cada um dos três saldos credores apurados pela fiscalização que eles não teriam ocorrido e que a conta caixa sempre teve saldo devedor, inserindo em sua peça de defesa planilhas a que chama de resumos diários do Razão. Todavia, esse último esforço da impugnante para ilidir a imputação fiscal mostrou-se mais uma vez infrutífero, porque inteiramente desacompanhado de provas. Em suma, ao impugnar o lançamento, a impugnante volta a alegar que nem todos os erros teriam sido corrigidos e insiste na alegação de que, abolidos tais erros, nenhum saldo credor surgiria na contabilidade. Entendeu-se que uma vez que a escrituração digital havia sido validamente entregue pela autuada no cumprimento de suas obrigações acessórias, não basta alegar que as informações por ela mesma prestadas estavam erradas. Seja durante a fiscalização, seja durante o litígio administrativo, cumpria à autuada e à impugnante demonstrar e sobretudo comprovar com documentos hábeis esses erros. Contudo, conforme já salientado, reputou-se que nenhum documento novo relativamente à matéria ora discutida foi validamente apresentado no momento em que os lançamentos foram impugnados. Contestação da glosa de despesas com brindes e doações Decidiu-se no sentido de que para que se admitisse a retificação ou a alegação da autuada de que não teria havido dedução indevida, caberia a ela comprovar que as notas Fl. 9507DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 10 10 fiscais em questão corresponderam à operação alegada, e não à remessa de brindes e doações. Nenhuma prova da alegação, contudo, foi juntada aos autos. Uma vez firmado que o inciso VII do artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1995 (ao qual corresponde o inciso VIII do parágrafo único do artigo 249 do RIR 1999) veda expressa e categoricamente a dedução de despesas com brindes, e uma vez que apenas foi alegado mas não comprovado de que se tratou de operação diversa, manteve-se integralmente as exigências fiscais correspondentes à matéria discutida nesta subseção. Contestação da glosa de despesas com perdas no recebimento de créditos Entendeu-se que apesar de a impugnante assegurar que a autuada satisfez todos os requisitos e condições estabelecidos na norma citada para permitir a dedução das suas supostas perdas, a verdade é que, ao serem examinados as justificativas e documentos juntados por ela chega-se a conclusão diametralmente oposta. Com respeito à frequente alegação de que os créditos deduzidos como perda teriam valor unitário inferior a R$ 5.000,00, notou-se que a fiscalização já havia excluído dos valores que intimou a autuada a comprovar aqueles registros na contabilidade com essa característica. E eles constituem a maioria, conforme se pode verificar pelo exame da cópia das páginas respectivas do livro Razão a folhas 3.832 a 3.972. Logo, firmou-se que cumpriria a autuada esclarecer porque razão teria efetuado o registro das baixas de forma agrupada, o que não está de acordo com a forma de contabilização determinada pelo artigo 10 da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, durante a ação fiscal, identificou-se que os autuantes também aceitaram que uma parte da dedução era legítima em virtude de a autuada ter apresentado documentos hábeis para comprovar o cumprimento efetivo do limite de R$ 5.000,00 para valores que haviam sido agrupados. Feita essa consideração genérica, passou-se ao exame de uma por uma das alegações, das justificativas e dos documentos apresentados pela impugnante no concernente a essa matéria, através de quadro demonstrativo. De todo o exposto, reputou-se que uma vez que a impugnante não comprova com documentação hábil e idônea que a dedução das perdas com o recebimento de crédito observou as disposições legais sobre o assunto, manteve-se integralmente as exigências fiscais correspondentes à matéria discutida nesta subseção. Argüições concernentes à imputação de contabilização incorreta de subvenções públicas De início coube a autoridade julgadora salientar que a impugnante limitou-se a alegar genericamente que cumpriu a legislação goiana, em vez de demonstrar com provas hábeis que de fato empregou os recursos recebidos na forma exigida pela legislação federal para que fizessem jus ao tratamento fiscal privilegiado dado às genuínas subvenções públicas para investimento. Fl. 9508DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 11 11 Notou-se que o cumprimento das condições estipuladas nos contratos de empréstimos concedidos no âmbito do programa Fomentar não satisfez as exigências da legislação federal para o tratamento favorecido. Recordou-se que o programa Fomentar se limita a conceder um financiamento para o contribuinte, sem que ficasse caracterizada nenhuma subvenção, pois inicialmente os recursos emprestados deviam ser integralmente ressarcidos, acrescidos de juros e correção. Assim, entendeu-se que em nada favorece à causa da autuada alegar, como faz a impugnante, que haviam sido cumpridas todas as obrigações assumidas nos contratos firmados com o programa Fomentar. Embora a impugnante não faça prova dessa alegação, presumiu-se que de fato as coisas assim se passaram, pois a subsequente obtenção de desconto na quitação dos empréstimos estava condicionada pela legislação estadual a que não houvesse inadimplemento dos contratos com o Fomentar. No entanto, reputou-se que o ganho indevidamente classificado pela autuada como subvenção para investimento é o desconto no valor da dívida. E, segundo a autoridade julgadora, é este que é objeto da exigência fiscal (e não as vantagens concedidas pelo programa Fomentar original), e em relação a ele, nem a legislação goiana, nem as provas (na verdade, a falta delas) apresentadas pela impugnante permitiriam classificá-lo como subvenção para investimento. Assim, não importaria a nomenclatura usada na legislação estadual ou municipal. Firmou-se que somente as subvenções que estritamente acatarem os requisitos estabelecidos taxativamente pela legislação federal é que farão jus ao benefício consistente na sua exclusão da base tributável dos tributos federais. Ademais, explanou-se que, em consequência de sucessivas alterações na legislação estadual, na época dos fatos abrangidos pelo lançamento fiscal os descontos concedidos na quitação antecipada das dívidas para com o programa Fomentar deixaram de ser condicionados à expansão da capacidade produtiva ou à instalação de novas unidades produtivas. Além disso, a legislação goiana dispensou o beneficiário de até mesmo prestar contas do emprego que fez do ganho resultante do desconto, limitando os requisitos para a sua concessão o cumprimento dos contratos firmados com o programa Fomentar original e também a incorporação ao capital social de valor equivalente ao benefício recebido. Prossegue-se com o raciocínio de que uma vez que já não existia vinculação entre o recebimento do benefício e a obrigação de ampliar as unidades produtivas existentes ou de instalar novas, nem mesmo se a autuada tomasse, por conta própria, a iniciativa de empregar a subvenção recebida com tal fim, o enquadramento no disposto no artigo 443 do RIR 1999 se torna possível. É que essa norma dispõe que se classifica como subvenção para investimento aquelas recebidas como estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 9509DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 12 12 Assim, decidiu-se que se a vantagem é concedida ao contribuinte sem exigir dele semelhante iniciativa, não se pode dizer que ele foi estimulado a ampliar ou instalar unidades de produção. De qualquer forma o entendimento se deu no sentido de que a impugnante não comprova que, de fato, os recursos recebidos foram direta e inteiramente empregados no aumento da capacidade instalada. Assim, diferentemente do que sustenta a impugnante, a subvenção recebida pela autuada se enquadraria no disposto no artigo 392, inciso I, do RIR 1999. O racional exposto pela autoridade julgadora se deu no sentido de que o benefício cujo tratamento tributário se discute no presente processo não é a vantagem porventura auferida pela autuada com a obtenção de empréstimos no âmbito do programa Fomentar, mas o desconto que auferiu pela liquidação antecipada desses empréstimos. Explicou-se que quando tal benefício foi instituído, o ganho obtido com esses descontos devia ser investido na ampliação ou modernização do parque produtivo. Todavia, os descontos que são objeto do presente lançamento fiscal foram obtidos quando a legislação goiana havia mudado inteiramente e já não vinculava a concessão do desconto a nenhum projeto novo de expansão da capacidade produtiva. Portanto, mesmo que os contratos firmados no âmbito do programa Fomentar não estipulassem que a finalidade do empréstimo fosse o reforço do capital de giro, os descontos em causa não poderiam enquadrar-se como subvenção para investimento. Neste sentido adicionou-se que, embora a sincronia não esteja expressamente prevista na legislação, o Parecer Normativo CST nº 112, de 1979, nada mais fez que explicitar o conteúdo que nela já estava implícito. Tal parecer teve o propósito de conciliar duas normas que à primeira vista pareciam conflitantes, uma vez que, enquanto o artigo 392, inciso I, do RIR 1999 dispõe que as subvenções correntes para custeio ou operação serão computadas no lucro real, o artigo 443 do mesmo RIR 1999 estipula o contrário em relação às subvenções para investimento concedidas como estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos. Visto que, nos termos do artigo 111 do CTN, as leis tributárias que concedem isenção ou exclusão de tributos devem ser interpretadas literalmente, concluiu-se pela constatação de que Parecer Normativo CST apenas determina que aquela sincronia entre o recebimento do benefício e o investimento na ampliação da capacidade produtiva é indispensável, do contrário não estaria confirmado que os recursos recebidos foram empregados nos termos desejados pelo legislador. Com efeito, afirma a autoridade julgadora, sem que haja essa sincronia, não é possível assegurar que precisamente o que foi recebido foi usado somente e exclusivamente na promoção do fim visado pelo legislador. Quanto à afirmação de que a escrituração comprovaria que a autuada empregou os recursos obtidos, diferentemente do que alega a impugnante, entendeu-se que não se encontram nos autos tais elementos. Fl. 9510DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 13 13 Os documentos presentes no processo apenas permitiriam inferir que, como a autuada realizou operações que resultaram na quitação antecipada das dívidas contraídas no âmbito do programa Fomentar, as autoridades do estado de Goiás consideraram que ela havia cumprido as cláusulas dos contratos de financiamento, as quais estipulavam, entre outras obrigações, a execução, dentro do cronograma avençado, dos projetos de ampliação da capacidade produtiva. No entanto, salientou-se que a subvenção de que trata o lançamento fiscal não são os empréstimos concedidos no âmbito do Fomentar, mas sim os ganhos obtidos posteriormente com a liquidação antecipada da dívida acumulada com aquele programa. Quanto a esse benefício específico, não se acha nenhum comprovante de que os recursos respectivos obtidos pela autuada foram empregados na expansão de sua capacidade produtiva. E ainda que houvesse, isso não mudaria a natureza da subvenção recebida, pois a legislação estadual deixou de exigir que o ganho obtido com a liquidação antecipada da dívida com o Fomentar fosse empregado na expansão da capacidade produtiva. Segundo a impugnante, informações constantes do item 2 do termo de verificação fiscal demonstrariam o crescimento da empresa autuada através do crescimento da receita bruta, o que, por sua vez, comprovaria que a autuada empregou a subvenção recebida de acordo com o artigo 443 do RIR 1999. Contudo, reputou-se que o argumento da impugnante é equivocado. Entendeu-se que a norma invocada não exige que o contribuinte beneficiário da subvenção aumente sua receita bruta, mas sim, que empregue os recursos recebidos do poder público na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Evidentemente, se a empresa amplia sua capacidade produtiva, é provável que passe a gerar mais receitas. Mas não existiria uma correlação necessária e exclusiva entre um fator e outro, de modo que um aumento na receita seja inelutavelmente associado a uma ampliação da capacidade produtiva, ou que constitua prova desta. Em suma, entendeu-se que uma vez que se acha plenamente comprovado nos autos o benefício recebido pela autuada não configurando subvenção para investimento, a sua exclusão da base de cálculo dos tributos federais é indevida. Daí se seguiu também que devem ser mantidas integralmente as exigências fiscais discutidas nesta subseção. Contestação da glosa da compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa Firmou-se que parte das irregularidades imputadas pelo lançamento não teve como conseqüência imediata a exigência de IRPJ e de CSLL, porque a diferença tributável encontrada foi compensada com o resultado negativo que a autuada havia apurado no mesmo ano-calendário a que se fere a infração, ou com o saldo compensável de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Essa compensação realizada pelo autuante, por sua vez, teria acarretado a diminuição do saldo compensável em exercícios subseqüentes. Uma vez que a autuada, antes da ação fiscal, havia compensado esse saldo nos exercícios subseqüentes, a autoridade fiscal Fl. 9511DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 14 14 também incluiu no auto de infração um outro item, no qual se exige a diferença de IRPJ e de CSLL em decorrência da diminuição do saldo disponível para compensação em exercícios subseqüentes. Argüição de que a multa de 75% é confiscatória Entendeu-se que o percentual de 75% da multa pelo lançamento de ofício é o cominado taxativamente pelo artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Essas normas, vigentes na época dos fatos geradores abrangidos pelo lançamento, aplicou-as estritamente o autuante. Logo, arguiu-se que acatar a impugnação apresentada implicaria negar aplicação à legislação vigente. Não obstante, à autoridade administrativa é vedado negar aplicação a qualquer norma em vigor, a pretexto de que seria incompatível com outras normas de escalão superior. Tal faculdade confere-se apenas aos órgãos do Poder Judiciário. Em suma reputou-se que a Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ, em seu artigo 7º dispõe que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Por sua vez, a disposição referida da Lei nº 8.112, de 1990, estabelece que entre os deveres do servidor está o de observar as normas legais e regulamentares. Autos de infração de contribuição para o PIS, Cofins e CSLL Os autos de infração de contribuição para o PIS, Cofins, IRRF e CSLL compartilham com o de IRPJ os mesmos fundamentos de fato, segundo a autoridade julgadora. Conclusão À vista do exposto, votou-se por não conhecer da petição e dos documentos juntados a fls. 4.474 a 9.015, e por julgar improcedente a impugnação, para indeferir o pedido de realização de diligência e para manter integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, Cofins e contribuição para o PIS, assim como as multas e os juros de mora respectivos. Recurso Voluntário O recurso voluntário delineia a defesa em idêntico raciocínio à impugnação. Acrescenta-se a preliminar contestando o entendimento externado pelo v. acórdão recorrido quanto a suposta confiscatoriedade da multa de ofício em percentual de 75%. O ora recorrente pugna pela imprestabilidade e pela ausência de menção específica a tal pleito. Fl. 9512DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 15 15 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Preliminar – Da Multa de Ofício Confiscatória De início cabe esclarecer que a constatação elencada em sede preliminar é totalmente equivocada. O ora recorrente afirma que o v. acórdão recorrido teria sido imprestável quanto a alegação de confiscatoriedade da multa de ofício aplicada em 75%, não fazendo qualquer menção a tal pleito. Ocorre que a análise de tal controvérsia fora pormenorizada inequivocamente em fls. 9412 a 9414. Em suma, entendeu-se que não cabe a autoridade administrativa negar aplicação a legislação vigente, de modo que tal faculdade competiria apenas aos órgãos do Poder Judiciário. O percentual de 75% da multa pelo lançamento de ofício está expressamente prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Estaria impedida a Administração de deixar de aplicar referida lei a pretexto de que esta seria inconstitucional ou ilegal. A autoridade julgadora esclareceu que a Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJs, em seu artigo 7º dispõe que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Por sua vez, a disposição referida da Lei nº 8.112, de 1990, estabelece que entre os deveres do servidor está o de observar as normas legais e regulamentares. Quanto ao CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), o mesmo raciocínio se aplica. O entendimento neste sentido é totalmente pacificado perante este Conselho e inclusive sumulado: Fl. 9513DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 16 16 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não cabe, então, à Administração, de modo geral, questionar a constitucionalidade dos veículos normativos vigentes, mas apenas aplicá-los e adaptá-los da melhor forma possível a realidade fática. Deste modo não há que se falar na imprestabilidade do acórdão proferido, o qual de modo cristalino e evidente manifestou um posicionamento acerca da confiscatoriedade da multa de ofício de 75%. O racional caminha no mesmo sentido da jurisprudência unívoca deste Conselho. Assim, a preliminar suscitada deve ser afastada. Subvenção para Investimento O presente julgador já se manifestou acerca das subvenções em outras oportunidades. O entendimento firmado norteia a formação de um sistema que harmoniza de forma perfeita a mens legis (a intenção essencial do legislador federal), o ordenamento jurídico como um todo e as melhores práticas contábeis, de modo que o tratamento tributário às subvenções conferido reflete apenas a conexão entre estas facetas de modo sincrônico. De início cabe definir que a subvenção tem a natureza de um auxílio, uma ajuda, que parte do Estado e é diretamente direcionado à instituições privadas, as quais, otimizando o cumprimento de seu objeto social, estão de alguma forma privilegiando e favorecendo o atingimento ao interesse público. As subvenções para investimento perfazem recursos cuja destinação está necessariamente atrelada a criação de bens e de aplicação financeira ou, de outro modo, a implantação ou expansão de determinados empreendimento econômicos. Especificamente a esta espécie de subvenção, rege a sistemática implementada por meio do art. art. 443 do RIR/99 e do §2º do art. 38 do Decreto-Lei nº 1598/77: “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 38. §2º e Decreto-Lei nº 1. 730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I - registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou Fl. 9514DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 17 17 II - feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (...)” “Art 38 - Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º - As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (...)” A contabilização expressamente exigida perfaz uma transferência de renda. Os recursos devem ser reconhecidos em conta de Reserva de Capital e, assim, não devem transitar pelo resultado da entidade. A contrapartida deste crédito, assim, deve perfazer um débito em conta de ativo que não impacte diretamente no resultado do período contábil em que foram aplicados os recursos. O PN CST nº 112/78, especificamente reforçando a contabilização iminente destes recursos, indica o seu reconhecimento inequívoco em Conta de Ativo Permanente. Já as subvenções correntes, para custeio ou operação, estão ligadas ao suporte direto dos gastos ligados à atividade da empresa, fazendo frente aos seus custos e despesas operacionais. Eis a dicção legal do art. 44, inciso IV, da Lei nº 4506/64 e art. 392, inciso I, do RIR/99: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I – O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II – O resultado auferido nas operações de conta alheia; III – As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Fl. 9515DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 18 18 IV – As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” “Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I - as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV );” Neste caso exige-se o reconhecimento dos recursos em conta de resultado, especificamente como receita bruta operacional. É fundamental, assim, pelo regime de competência, que a receita seja reconhecida em bases sistemáticas e racionais, no decorrer do período contábil e confrontando com as despesas correspondentes. A lógica do sistema e o caso concreto O que o legislador fez foi exatamente adequar as melhores práticas contábeis à finalidade essencial que intentava. Mas foi além, ao minar as possibilidades de uma destinação diversa. Busca-se essencialmente resguardar o atendimento ao interesse público como algo absoluto e como objetivo indissociável da própria natureza de uma subvenção. O tratamento tributário que se confere é apenas uma consequência do tratamento contábil, mas visa equilibrar a relação entre as partes envolvidas, especificamente suavizando (no caso das subvenções para investimento) o contribuinte do ônus de ter que concretizar o interesse público. Veja, quando a lei concede um benefício unilateral, acaba por ferir preceitos basilares firmados na Carta Constitucional, como o princípio da livre concorrência e da livre iniciativa. Isto pois supondo a premissa de uma situação de igualdade e equivalência entre empresas concorrentes em um determinado segmento do mercado, sua auto regulação é esperada pela própria sistemática do capitalismo e não por qualquer ação do Poder Público neste sentido, tampouco em sentido contrário. A intervenção estatal, neste cenário, beneficiando exclusivamente uma das partes, causa um desequilíbrio nos efeitos da relação jurídica estabelecida, invadindo a esfera privada a ponto de ofender diretamente o ordenamento jurídico e as questões da ordem econômica ali resguardadas. Para tanto, quando da caracterização deste benefício como subvenção, cria-se uma nova relação jurídica sobre a qual impõe-se um ônus ao contribuinte de cumprir com o interesse público, manifestado concretamente na destinação específica deste instrumento. Há, no entanto, o restabelecimento de um aparente equilíbrio apenas. Uma vez que a relação agora estabelecida diretamente entre Estado e beneficiário se dá em um contexto de patente oneração a este último. Fl. 9516DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 19 19 Explica-se. O retorno que o Estado espera na concretização do interesse público deve provir de um reflexo direto da atividade operacional da empresa; mas o primeiro (Estado) não pode fornecer recursos que impactem diretamente nos resultados da última (a empresa beneficiária), sob pena de ofensa à livre concorrência e a livre inciativa. Ora o Estado estaria contribuindo diretamente com a lucratividade de uma empresa privada, de modo individualizado. Como o Poder Público espera uma melhora na atividade operacional do subvencionado, mas não pode atuar diretamente sobre esta, atua indiretamente, através dos investimentos. Mas isso acaba por gerar um desequilíbrio financeiro/econômico para o contribuinte, que recebe recursos somente para a implementação de seu ativo permanente, mas deve necessariamente apresentar resultados bons, ou seja, otimizar a sua atividade operacional, para fazer sentido o benefício e a intenção do legislador na busca pelo atendimento ao interesse público. O que irá mitigar este desequilíbrio prejudicial ao contribuinte, então, será o reconhecimento contábil e o consequente tratamento tributário conferido às subvenções para investimento, que notadamente desoneram o contribuinte através do não pagamento de IRPJ e CSLL. Assim, o tratamento contábil e, por consequência, tributário conferidos à subvenção para investimento compõem parte de um sistema que visa blindar a mens legis, a intenção do legislador. Há, neste passo, a necessidade de demonstração de atendimento às facetas citadas, sob pena de colocar em xeque a harmonia e equilíbrio do sistema que estas conjuntamente estabelecem. Para tanto, o Estado deve cobrar esta demonstração e o contribuinte tem o dever de concretizá-la, sob pena de perda do benefício, caso haja comprovado descomprometimento com o atendimento ao interesse público e, assim, afrontando diretamente a mens legis da lei federal. Vale ressaltar, principalmente para a construção do raciocínio daqui em diante, que a mens legis referida atribui-se ao legislador introdutor e regulamentador dos institutos de subvenção, já transcritos anteriormente. Tratam-se das leis que servirão de base para o perfeito entendimento do que vem a ser uma subvenção (tanto para investimento quanto corrente) e o seguimento ou não das diretrizes ali impostas pelas legislações estaduais. A análise particular e peculiar da legislação do Estado de Goiás (e do FOMENTAR) nos dará conotação diversa das conclusões até então expostas. O v. acórdão recorrido brilhantemente constrói a evolução legislativa e a manifestação concreta do benefício, especialmente sob o enfoque das ações do Estado e as reações esperadas do beneficiário e vice-e-versa: “(...) A princípio, a vantagem oferecida pelo programa limitava-se a conceder, com recursos do governo estadual, empréstimos de longo e médio prazo em montante igual a até 70% do ICMS devido pelos seus empresários, os quais, em contrapartida, deviam apresentar e executar projetos de ampliação de suas instalações industriais. Somente os Fl. 9517DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 20 20 projetos aprovados previamente é que recebiam o benefício, o qual se formalizava mediante contrato firmado com o agente financeiro do governo estadual. Posteriormente, com a edição da Lei Estadual n° 13.436, de 1998, regulamentada pelo Decreto Estadual n° 5.036, de 1999, os contratos de financiamento com recursos do Fomentar passaram a ser objeto de oferta pública (leilão) com vistas à sua liquidação antecipada, ocasião em que seriam concedidos descontos de até 89% do saldo devedor do ICMS, a serem aplicados na ampliação ou modernização de seu parque industrial, dentro do prazo máximo de 20 anos da data do leilão (...) Contudo, com a publicação da Lei Estadual n° 15.518, de 05/01/2006, passou-se a admitir a desnecessidade de ampliação ou modernização do estabelecimento industrial do beneficiário do leilão, porque, do montante a ser aplicado na ampliação ou modernização do empreendimento, poderia ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo Fomentar. A mesma Lei Estadual n° 15.518, de 2006 também determinou que a incorporação do montante da dívida perdoada, no leilão, ao capital social da empresa, junto com o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos (anteriormente) aprovados pelo Fomentar, desoneraria a empresa beneficiária de qualquer outra comprovação perante o estado de Goiás.(...)” Há, neste caso, nítida inversão, por parte da lei goiana, entre os instrumentos jurídicos escolhidos e utilizados para a consecução do interesse público. Um empréstimo perfaz contrato do qual uma das partes recebe, para usar ou utilizar, algo, que deve ser restituído, ou dado outro em mesmo gênero, quantidade e qualidade, após um determinado tempo. Ocorre que os recursos destinados ao beneficiário têm como contrapartida o atendimento a um interesse da coletividade. O empréstimo não é o contrato adequado e apropriado a blindar direitos constitucionais das partes, quando o princípio que o rege é o da supremacia do interesse público. A contraprestação por parte da instituição privada se torna incerta, inestimável e, além, imensurável. Para tanto, a subvenção surge como instrumento capaz de intermediar as vontades e obrigações deste contrato em consonância com princípios basilares do pátrio ordenamento jurídico. Como adiantado, trata-se de um mecanismo cuja destinação é específica e cujo o sistema que a resguarda torna a relação jurídica estabelecida relativamente equilibrada, sem onerar excessivamente nenhuma das partes. É o instrumento que consegue absorver a prevalência do interesse público sobre o privado sem prejudicar financeiramente/economicamente de modo latente a segunda esfera. Conclusão irretorquível se dá no sentido de que as vantagens iniciais concedidas pelo Estado de Goiás exigindo como contrapartida o investimento na apresentação e execução Fl. 9518DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 21 21 de projetos de ampliação de suas instalações industriais deveriam ser veiculadas por uma subvenção para investimento. A intenção é que se garanta o equilíbrio das partes, se atendam princípios constitucionais e se atinja mens legis, ou seja, que o sistema de que esta é ditada encontre campo fático. Da mesma forma, torna-se totalmente inócua e imprestável a inserção de uma subvenção em um contexto que não exige qualquer controle e/ou comprovação de contraprestação por parte do subvencionado (beneficiário) em atendimento ao interesse público. Não há imposição ferrenha do princípio da supremacia do interesse público, portanto, não há que se falar na necessidade um instrumento específico para conter seus impactos e efeitos. Neste contexto, o empréstimo poderia hipoteticamente instrumentalizar a relação jurídica que se estabelece em um segundo momento, por óbvio, se adaptando a conclusão também hipotética, anteriormente disposta, de que a primeira etapa deveria ser instrumentalizada por uma subvenção. Mas ressalte-se que não é o foco desta discussão. Nitidamente está-se usando um fato pretérito, ou seja, o cumprimento de um contrato de empréstimo, para naturar um contrato de subvenção para investimento em um momento posterior. O que a lei faz, ao final, é caracterizar uma subvenção sem, no entanto, moldar o sistema para tanto, o que causa naturalmente um desequilíbrio e não atende a mens legis, o interesse da coletividade. Não nos parece lógico. O lógico, então, seria que a primeira parte veiculasse a operação por meio de uma subvenção, onde claramente fora condicionada a realização de empreendimentos. E a segunda, sem qualquer condição, tampouco comprovação fosse veiculada por outra espécie de contrato que não a subvenção. Tal divagação, no entanto, não norteará o mote da controvérsia, uma vez que a lei estadual especificamente instrumentalizou a segunda operação através de uma subvenção para investimento, conforme a redação dada pela Lei Estadual n° 13.436, de 1998. Certo é que, no contexto de inserção da Lei nº 15.518, de 2006, a ausência de comprovação perante o Estado desvincula naturalmente o beneficiário de atribuir a tal subvenção uma destinação específica, o que impossibilita a caracterização de qual espécie de subvenção está a se tratar. Como dito, cada espécie tem um sistema jurídico próprio que exige a harmonia entre algumas facetas: a mens legis, uma destinação específica que deve estar em consonância com o ordenamento jurídico; o reconhecimento contábil; e o consequente tratamento tributário. A contabilização atribuída a cada uma é específica e distinta. Surgem, como consequência, parâmetros fiscais distintos, e é neste momento que, apesar das disposições legais produzidas por parte do Poder Legislativo do Estado de Goiás, se concretiza a necessidade de intervenção da Administração Tributária no que lhe concerne. Fl. 9519DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 22 22 Ora, o beneficiário, como contribuinte, não pode sofrer o ônus da tributação sobre a totalidade dos recursos dispendidos se não há comprovação robusta que torne certa a destinação específica de todos estes. Neste ponto é falha a legislação estadual e urge a atuação da Fiscalização. Deve-se exigir a formação de conjunto probatório hábil e idôneo, capaz de discriminar inequivocamente através da contabilidade da entidade, ou por outros meios, quais dos recursos recebidos e dispendidos de fato transitaram no resultado e quais foram alocados no ativo permanente, como um investimento ou implantação de ativo imobilizado. Somente desta forma será possível determinar de qual espécie de subvenção estamos falando e se há ou não o respectivo cômputo no lucro real, para fins de incidência ou não do IRPJ e da CSLL. O preceito fundamental que aqui deve ser materializado é o princípio da verdade material. Em contramão, a fiscalização e o v. acórdão recorrido se apegaram exclusivamente à legislação goiana para determinar o descompasso desta no momento em que institui uma subvenção para investimento, mas não lhe concede uma destinação específica. Como consequência aplicaram, por exclusão, a sistemática de uma subvenção corrente a todos os recursos, sem qualquer comprovação para respaldar tal ato. Isto, como se sabe, tem um impacto muito grande sobre os efeitos fiscais/tributários. Há um apego exacerbado a formalidade e a letra da lei. Tal racional não nos parece justo, então, diante de todo o sistema que rege o tratamento de uma subvenção: o reconhecimento contábil que é exigido e principalmente a identificação de atendimento a mens legis e ao interesse público. Em última instância podemos reputar certamente que tal presunção da fiscalização coloca em xeque o princípio da capacidade contributiva. Instaura-se, neste passo, total assimetria informacional entre: a Administração Tributária, que reputa unilateralmente todos os recursos como subvenção corrente e assim autua o contribuinte; o Estado de Goiás, que expressamente caracteriza os recursos como subvenção para investimento, mas não exige qualquer comprovação; e o contribuinte, que, a princípio, deve seguir as imposições legais para fazer jus ao benefício. A conclusão atingida deve ser no sentido de que, apesar do equívoco conceitual aplicado pela Lei de Goiás aqui exposto, o contribuinte não pode sofrer consequências nefastas e generalistas acerca da destinação que este dá aos recursos. Necessariamente deve-se primar pelo atendimento a mens legis, a intenção do legislador em positivar o interesse público, neste caso concreto representado pelo intento do legislador estadual de efetivação de planos de desenvolvimento e de incentivos fiscais buscando atrair atividades industriais, principalmente alimentícias, preconizando de forma direta a geração de emprego e renda para o Estado de Goiás. Assim, não faz sentido a Fiscalização renegar as disposições estaduais e autuar o contribuinte de maneira unilateral, respaldado única e exclusivamente por esta renegação. Fl. 9520DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 23 23 A postura adotada pela fiscalização não compulsionou a composição de um conjunto probatório robusto. Optou-se pelo meio mais fácil e prático, desconsiderando a legislação estadual e reputando as subvenções como correntes. Deste modo não se vislumbrou a real destinação dos recursos, mas sim uma presunção de que todos estes foram destinados ao custeio da operação/atividade da ora recorrente. Não nos parece razoável tal postura da fiscalização. Na falta de controle por parte do Estado, que não exige referida comprovação, deveria partir tal ato da fiscalização, uma vez que tal controle impacta diretamente na arrecadação da União. Sua função, como órgão da administração, seria a de conduzir o processo para delimitar exatamente o que fora utilizado para fins de custeio e o que fora para fins de investimento na entidade. Apenas desta forma seria possível identificar exatamente o fato gerador, o nascimento da obrigação tributária, a constituição definitiva do crédito tributário e, assim, a iminente arrecadação tributária, respaldados, todos os elementos, pela justiça constitucional. Assim, sob a égide do princípio da verdade material a autuação merece ser convertida em diligência. Ao ver deste julgador, esta parte da fiscalização fora toda enviesada sob um prisma distorcido do sistema que rege uma subvenção (interesse público) e do papel da Administração Tributária na identificação exata da matéria tributável. Neste sentido, cabe destaque ao Acórdão nº 9101002.346 – 1ª Turma da CSRF, em Recurso Especial do Procurador, de relatoria do Ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, sobre o qual peço vênia para reproduzir pontos em total alinho com o raciocínio aqui desenvolvido: “SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Espera-se que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Fl. 9521DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 24 24 PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS. Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação. (...) Quando se fala em estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos deve ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Deve-se se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Fl. 9522DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 25 25 Se o ente subvencionador, por motivos próprios, decidir não se preocupar em verificar se as condições estabelecidas para a transferência dos recursos foram atendidas, trata-se de entendimento a ser aplicado na sua jurisdição. O que não se pode admitir é que uma omissão de um ente federativo (o Estado subvencionador) tenha repercussão nas regras de tributação estabelecidas no âmbito de competência de outro ente federativo (a União). Só porque o Estado "legitima" a transferência de recursos dessa natureza, tal atitude não impede a Fazenda Nacional de verificar se as condições para enquadramento de subvenção para investimento estão sendo cumpridas. Não há a "afronta" ao pacto federativo mencionada pela Contribuinte. Pelo contrário. Tal situação seria caracterizada, precisamente, se as condições impostas pelo Estado se prestassem a impedir a União de exercer o poder de executar as leis federais. (...)” Deve restar inequívoca, portanto, a necessidade da Fiscalização em respaldar seus atos de acordo com o princípio da verdade material e sob uma interpretação sistemática da lei, primando pelo respeito a intenção essencial imposta pelo legislador federal que introduziu e regulamentou a subvenção, suas peculiaridades, condições e efeitos. Das provas Veja, a fiscalização trouxe à tona as exclusões feitas no lucro real pelo ora recorrente e reputou simplesmente que tais exclusões seriam indevidas, pois os recursos recebidos não seriam referentes a subvenção para investimento, mas sim a subvenções correntes, o que incorreria na conclusão de que tais valores deveriam ser mantidos no resultado como receitas operacionais e, portanto não deveriam sofrer a referida exclusão. Em fls. 135 a 137 constam as movimentações da “Conta: 3.4.1.03.00001 - Resultados Posit. Liquidação Ant.” nos anos de 2008, 2009 e 2010. Já em fls. 138 a 156 apresenta-se o LALUR, onde o contribuinte procedeu a exclusão dos valores transferidos na contabilidade para o resultado do exercício. São com essas provas que a fiscalização se baseia, somado a sua interpretação da legislação, para efetuar o lançamento. O contribuinte, em contrapartida, se resumiu a apresentar tabelas e fazer alegações em qualquer comprovação acerca de dados e informações que supostamente apontam para o crescimento da entidade após o recebimento dos recursos referentes ao desconto de liquidação do financiamento. Demonstra, por exemplo, a respectiva monta aplicada em investimento ou ativo imobilizado: Fl. 9523DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 26 26 Veja, são provas unilaterais de ambas as partes, que deveras reputam-se insuficientes para formar a convicção do presente julgador. Segundo inclusive o entendimento firmado no v. acórdão recorrido, os documentos presentes de fato no processo apenas permitem inferir que, como a autuada realizou operações que resultaram na quitação antecipada das dívidas contraídas no âmbito do programa Fomentar, as autoridades do estado de Goiás consideraram que ela havia cumprido as cláusulas dos contratos de financiamento, as quais estipulavam, entre outras obrigações, a execução, dentro do cronograma avençado, dos projetos de ampliação da capacidade produtiva. Em outras oportunidades o presente julgador já desnaturou autuações deste gênero que incidiam exclusivamente sobre algum ano-calendário específico, por não reputar correta a necessidade de concomitância entre o recebimento dos recursos e sua destinação (determinação do PN CST nº 117/74). Entendeu-se que, uma vez provado que houve uma linearidade, proporcionalidade e razoabilidade em investimentos destinados a expansão de empreendimentos econômicos ao longo dos anos subsequentes, não poderia a fiscalização concluir que durante um ano específico houve o desvio de finalidade em relação a monta correspondente a diferença entre o recurso recebido e o recurso aplicado naquele ano, e, assim, descaracterizar a subvenção para investimentos. Não parece nem um pouco razoável, de modo que se existem provas robustas nos autos da existência de investimentos nos anos seguintes ao da autuação, a análise que se faz é de que a autuação não deva incidir sobre um ano específico, mas ao final do prazo legal de concessão do benefício, confrontando as contas de recebimento e destinação dos recursos. Fl. 9524DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 27 27 No entanto, ressalte-se a necessidade de uma ligeira linearidade da destinação dos recursos ao longo do prazo para fins de controle do atendimento ao interesse público. Ora, no caso presente estamos falando de um prazo de 20 anos para a ampliação e/ou modernização do parque industrial da ora recorrente, a contar da data da realização do leilão. Além disso, cabe reiterar que a Lei nº 15.518, de 2006, expressamente dispensa a empresa beneficiária da necessidade de comprovação da destinação dos recursos perante o Estado de Goiás. Portanto, a conversão em diligência, conforme todo o exposto, deve se prestar como uma forma de controle dos anos-calendário de 2008, 2009, 2010. Algo que deveria partir do Estado, mas que por atingir diretamente a arrecadação da União e a esfera de alcance e atuação da Administração Tributária, compete inequivocamente a esta última. O presente Conselho só conseguirá atingir uma proporcionalidade e uma razoabilidade em seu julgamento se tiver acesso aos documentos que comprovem ou não a destinação destes valores. Certo é que deve ser rechaçada a possibilidade de autuação por exclusão, baseado em julgamento estritamente formal, sem o apego a situação fática. A forma como contabilizados os recursos e comprovadamente destinados é que ditarão naturalmente sua exclusão ou não do lucro real, para fins de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a delegacia de origem informe o seguinte em relação ao período autuado: i-) dos valores relativos as subvenções (decorrentes da liquidação antecipada dos contratos de financiamento do FOMENTAR), excluídos do lucro real e que, por conseqüência, embasaram a presente autuação fiscal: a-) quais destes foram creditados em conta de reserva de capital e debitadas em conta de ativo permanente (investimentos, imobilizados, intangíveis); b- ) quais foram efetivamente confrontadas com custos e despesas operacionais. ii-) verifique a existência de documentação contábil ou fiscal que demonstre os investimentos e implantações no ativo imobilizado realizados pela empresa ao longo dos 20 (vinte) anos subseqüentes (limitados a presente data) a efetiva entrada dos recursos provenientes da liquidação antecipada dos contratos de financiamento do FOMENTAR na entidade. Após, intime-se a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias e retornem os autos para julgamento. É como voto. Fl. 9525DF CARF MF Processo nº 10120.725212/2013-13 Resolução nº 1201-000.243 S1-C2T1 Fl. 28 28 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Fl. 9526DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916331/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.953
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 31 /2 01 1- 99 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.916331/201199 Acórdão n.º 3402003.953 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 70DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916331/201199 Acórdão n.º 3402003.953 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 72DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916331/201199 Acórdão n.º 3402003.953 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 74DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916331/201199 Acórdão n.º 3402003.953 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 76DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916331/201199 Acórdão n.º 3402003.953 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728960/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade de despesa médica está condicionada à comprovação do pagamento dos valores, se assim solicitado pela autoridade tributária. No caso dos autos, não foi comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 13864.000521/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL.
O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido.
ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA.
É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.
Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir:
Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS
Toda empresa está obrigada a reter e recolher a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento de sua remuneração.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato.
INDENIZAÇÃO
As rubricas intituladas Indenização e Indenização Especial, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial.
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Numero da decisão: 2301-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Andréa Brose Adolfo redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Toda empresa está obrigada a reter e recolher a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento de sua remuneração. REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato. INDENIZAÇÃO As rubricas intituladas Indenização e Indenização Especial, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
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NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 21 /2 01 0- 29 Fl. 207DF CARF MF 2 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Toda empresa está obrigada a reter e recolher a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento de sua remuneração. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato. INDENIZAÇÃO As rubricas intituladas “Indenização” e “Indenização Especial”, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13864.000521/201029 Acórdão n.º 2301003.739 S2C3T1 Fl. 3 3 Fl. 209DF CARF MF 4 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, não arrecadadas pela empresa e não recolhidas. Conforme Relatório Fiscal (fls. 32), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas “Indenizações” e “Insuficiência de Saldo” (levantamento Z1), bem como os pagamentos realizados a pessoas físicas enquadradas como segurados empregados pela fiscalização (levantamento 01). A autoridade lançadora explica que o crédito apurado foi lançado em levantamentos distintos, a fim de separar os períodos em que a multa é mais benéfica ao contribuinte, sendo ora a legislação anterior, ora a atual. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0533.970, da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 936, vol. V, do processo 13864.000536/201097), julgou a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário, excluindo a parte do levantamento Z1 que se refere à “Insuficiência de Saldo”, por entender tratarse de parcela isenta, e o levantamento 01, ao argumento de que não restou caracterizado o vínculo empregatício entre a empresa e os seguranças que lhe prestaram serviços. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.261, vol. XX, do processo 13864.000536/201097), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração lavrados contra a recorrente na mesma ação fiscal, para se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. No mérito, faz breve síntese da legislação que rege a matéria, frisando que nem todo valor pago ao trabalhador integra a base de cálculo do tributo, mas apenas as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, não se constituindo em remuneração valores pagos pela empresa que ostentem natureza indenizatória, ou verbas que apresentem um caráter assistencial. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13864.000521/201029 Acórdão n.º 2301003.739 S2C3T1 Fl. 4 5 Sustenta que qualquer importância recebida pelo trabalhador que não encontre uma vinculação direta com o trabalho prestado não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entende que a NFLD é nula em razão da não comprovação da efetiva ocorrência dos fatos geradores da contribuição, e que a decisão recorrida pretendeu justificar a ação ilegal em dispositivos não aplicáveis ao caso, que não justificam a inversão pretendida de ônus da prova. Assevera que a simples identificação de rubricas em folha de pagamento como “férias indenizadas” e “abono indenizatório” não justifica a imposição tributária , sendo o lançamento discutido temerário e desprovido de fundamento legal, e lista princípios jurídicos envolvidos na matéria procedimental administrativa. Aduz que a Auditora Fiscal buscou constituir o crédito pelo critério arbitrário da exclusão, presumindo simplesmente que como os valores não foram lançados sob a rubrica “Férias Indenizadas” então teriam natureza salarial, e insiste na assertiva de que caberia à autoridade autuante o exame da natureza dos lançamentos efetuados, sendo descabida a presunção de que todos os pagamentos efetuados aos empregados listados nas planilhas “Indenização” e “Indenização Especial” corresponderiam à remuneração.. Entende que caberia à fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador, mediante demonstração clara e objetiva de que tais verbas se enquadram no conceito de salário de contribuição, caracterizada pela habitualidade do seu pagamento, destacando que não há qualquer indício de habitualidade na concessão dos valores pagos pela recorrente, sendo que os pagamentos em tela configuramse em verdadeiras gratificações/indenizações eventuais dos seus beneficiários. Conclui que, não havendo previsão contratual e/ou habitualidade no pagamento de determinado valor ou na concessão de determinada utilidade ao empregado, não restará configurada a natureza salarial dessa prestação, e transcreve o item “7”, da alínea “d”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, para tentar demonstrar a não incidência de contribuições sobre verbas recebidas a título de gratificações não eventuais. Inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Finaliza requerendo que sejam acolhidas as suas razões, para dar integral provimento ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado integralmente o Auto de Infração que originou o presente processo. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Fl. 211DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração listados, a fim de se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. Porém, os autos cujos objetos tratam de matérias conexas foram apensados, e serão julgados conjuntamente. Contudo, os processos que tratam de matéria cuja análise independe da apreciação do mérito do presente recurso, podem ser julgados em separado, pois o resultado de um não interfere no outro. É o caso, por exemplo, dos lançamentos da retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços, ou da contribuição incidente sobre fretes e serviços prestados por contribuintes individuais. Tais matérias não tem relação com os presentes autos, que tratam de contribuição incidente sobre verbas pagas pela empresa a segurados empregados, consideradas remuneratórias pela fiscalização. Portanto, apenas as matérias conexas serão analisadas em conjunto. Dessa forma, passo à análise do mérito, registrando o que se segue. Verificase que a recorrente não nega que tenha realizado os pagamentos apontados pela fiscalização. Ela apenas tenta demonstrar que as verbas pagas não possuem natureza salarial e não integram o salário de contribuição. Porém, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13864.000521/201029 Acórdão n.º 2301003.739 S2C3T1 Fl. 5 7 O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Cumpre observar que o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza “salárioutilidade” e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salárioutilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Na doutrina, há várias correntes; porém, a que tem maior aplicação determina que a regra geral é que, se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui salário. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio ou for fornecida gratuitamente, então integrará o salário para todos os efeitos legais. A CF menciona “os ganhos habituais”, ou seja, todos os ganhos de cunho remuneratório, sejam eles em dinheiro ou utilidades. E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou o pagamento de verbas denominadas “Indenização” e “Indenização Especial”. Apesar de intimada por meio de TIF, a recorrente não esclareceu a origem de tais pagamentos, se limitando a informar que tratamse de férias indenizadas. Fl. 213DF CARF MF 8 Ocorre que a autoridade lançadora verificou, e comprovou nos autos, que as férias indenizadas são pagas em título próprio, sob rubrica de mesmo nome, constante das folhas de pagamento. Ademais, a empresa não comprovou suas afirmações. Não apresentou, à fiscalização, elementos que demonstrassem que os pagamentos em comento se referiam a férias indenizadas. Assim, constatase que a empresa paga verbas intituladas “Indenização” e “Indenização Especial”, não esclarece a que se refere tais pagamentos, e defende que cabe à fiscalização comprovar que tais verbas não seriam indenizatórias. Porém, entendo que cabe à recorrente, e não à fiscalização, comprovar suas alegações, ou seja, que as rubricas em tela são de cunho indenizatório. Contudo, não o fez, insistindo em afirmar apenas que não há habitualidade no pagamento, e que esses pagamentos se configuram em gratificações/indenizações. Todavia, conforme exposto acima, gratificação é remuneração, e deve integrar o salário de contribuição. Cumpre ressaltar que o conceito de indenização pressupõe a reparação de um dano sofrido pelo trabalhador. No caso em tela, a recorrente não comprovou a existência desse dano. Assim, resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de “Indenização” e “Indenização Especial” em favor dos seus segurados empregados não se trata de reparação de um dano, ou de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber tais quantias. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária e às terceiras entidades, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. A recorrente cita o art 28, § 9o, “e”, “7”, para tentar demonstrar que tais valores não podem integrar a base cálculo da contribuição previdenciária, por serem pagamentos eventuais. Contudo, constatase que a recorrente não comprovou que estamos diante de um pagamento eventual, já que não esclareceu a origem desses pagamentos. Ela precisaria demonstrar a que se referem essas rubricas, uma vez que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13864.000521/201029 Acórdão n.º 2301003.739 S2C3T1 Fl. 6 9 Por todo o exposto, e como a recorrente não comprovou tratarse de ganho eventual, entendo que tais rubricas devam integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. A recorrente inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Contudo, tal questionamento não foi trazido perante a primeira instância administrativa, tendo sido feito somente em sede recursal. O Decreto 70.235/72 é claro ao estabelecer que “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” E a recorrente não comprovou a ocorrência das hipóteses contidas no § 4º, do art. 16, do mesmo normativo legal, que determina que: Art. 16 (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, considerando que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do referido Decreto, transcrito acima, entendo que não deva ser conhecida a parte do recurso que trata de tal matéria. Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Fl. 215DF CARF MF 10 Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Com relação à multa, esta Relatora não desconhece que a maioria dos membros deste Colegiado retroagem a norma para aplicar a multa de mora mais benéfica, observando o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Contudo, tal matéria não foi trazida no recurso voluntário e, por entender que não se trata de matéria de ordem pública, não há que conhecêla de ofício. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13864.000521/201029 Acórdão n.º 2301003.739 S2C3T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, redator original para o voto vencedor, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Peço vênia a i. Conselheira Relatora, mas divirjo quanto ao não conhecimento da matéria suscitada pela Recorrente, qual seja, ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida. Em contraponto ao decidido pela i. Relatora, entendo que o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dito isso, conheço da matéria suscitada. Quanto ao mérito da questão, acompanho o entendimento da i. Relatora: [...] Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Fl. 217DF CARF MF 12 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. É como voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910975/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.920
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 5/ 20 11 -1 3 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910975/201113 Resolução nº 3402000.920 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.110, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910975/201113 Resolução nº 3402000.920 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13896.910975/201113 Resolução nº 3402000.920 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 198DF CARF MF
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