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Numero do processo: 11080.730868/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 08 68 /2 01 3- 34 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11080.730868/201334 Acórdão n.º 2401004.183 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/10/2013 (fls. 01/02). O Relatório Fiscal (fls. 13/15) informa que o fato gerador decorre dos serviços prestados por intermédio da cooperativa de trabalho das empresas UNIMED. Os valores apurados pelo Fisco decorrem dos fatos geradores das contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, com percentual de 15% incidente sobre o valor bruto das faturas emitidas no período de janeiro/2009 a dezembro/2010 e, porque a Contratante deixou de recolher as contribuições devidas sobre tais valores brutos das faturas de cooperativa de trabalho, foi emitido o Auto de Infração em apreço. Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 408/441), no qual alega, em apertada síntese, a ocorrência de inconstitucionalidade da contribuição apurada pelo Fisco. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Constatase que o lançamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A partir da competência 03/2000, tornouse devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838/SP EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Fl. 453DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11080.730868/201334 Acórdão n.º 2401004.183 S2C4T1 Fl. 4 5 Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002325/2003-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL.
Acolhem-se os embargos para sanar contradição existente entre a parte dispositiva da decisão e a sua fundamentação, de modo a esclarecer o que efetivamente foi decidido pelo colegiado.
Numero da decisão: 1201-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Acolhem-se os embargos para sanar contradição existente entre a parte dispositiva da decisão e a sua fundamentação, de modo a esclarecer o que efetivamente foi decidido pelo colegiado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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EXCLUSÃO. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado JATA ASSISTÊNCIA TÉCNICA AERONÁUTICA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Acolhemse os embargos para sanar contradição existente entre a parte dispositiva da decisão e a sua fundamentação, de modo a esclarecer o que efetivamente foi decidido pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 23 25 /2 00 3- 94 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.002325/200394 Acórdão n.º 1201001.247 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de embargos interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional relativos ao Acórdão nº 110200.207, de 20 de maio de 2010. Aduz a embargante a existência de contradição no acórdão, entre a fundamentação do voto condutor, que foi no sentido de dar provimento ao recurso, e a parte dispositiva da decisão, que foi no sentido de negar provimento ao recurso. Por despacho, foram os embargos admitidos para que o colegiado sobre eles se pronunciasse. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Preenchidos os pressupostos para a sua admissibilidade, devem os embargos ser conhecidos. Versam os autos sobre a exclusão da empresa em epígrafe do regime do Simples (Lei n° 9.317/96), promovida pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FNS n° 462.045, de 07 de agosto de 2003, fl. 09, com efeitos a partir de 01/01/2002, sob o fundamento de a contribuinte exercer atividade vedada à opção (CNAE 63231/02 Manutenção de aeronaves na pista). Toda a fundamentação do voto condutor foi no sentido de que, com o advento da Lei nº 10.964/04, a atividade da empresa em questão foi excetuada da restrição prevista pelo inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, ficando assegurada a sua permanência no Simples com efeitos retroativos à data de opção pelo regime, desde que não se enquadre nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. É o que também restou exposto no trecho final do voto condutor, transcrito pela embargante, bem como na própria ementa do julgado, que ostenta a seguinte redação: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 SIMPLES. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA AERONÁUTICA Ainda que as empresas de manutenção e assistência técnica aeronáutica possam desempenhar atividades de engenharia ou assemelhadas, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.964/04, elas podem ser optantes do Simples. SIMPLES. REINCLUSÃO RETROATIVA À DATA DA OPÇÃO Nos termos do disposto no § 1º do art. 4º da Lei nº 10.964/04, caso a empresa de manutenção e assistência técnica aeronáutica excluída do Simples tenha feito a Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11516.002325/200394 Acórdão n.º 1201001.247 S1C2T1 Fl. 4 3 opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, e desde que não se enquadre nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação, deve ela ser reincluída no Simples com efeitos retroativos à data de opção da empresa.” Contudo, a parte dispositiva da decisão ficou assim redigida (grifei): “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro José Sérgio Gomes.” Tendo sido o relator originário do acórdão em questão, posso assegurar tratarse, no caso, de mero erro material por ocasião da formalização do acórdão. Em realidade, o colegiado decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor, restando vencido apenas o conselheiro José Sérgio Gomes, que lhe negava provimento. Pelo exposto, acolho os presentes embargos para sanar a contradição apontada e reratificar o Acórdão nº 110200.207, de 20 de maio de 2010, cuja decisão passa a ter como proclamada a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro José Sérgio Gomes, que negava provimento ao recurso.” Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16095.000419/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/03/2005 a 31/03/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/09/2006 a 30/09/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO PROFERIDA COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DAQUELES QUE SUSTENTARAM O LANÇAMENTO
Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 2302-003.645
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos para que conste do Acórdão embargado o comando quanto à emissão de nova decisão de primeira instância, onde a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento enfrente, exclusivamente, as matérias de fato e de direito motivadoras do lançamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente e Relatora), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO PROFERIDA COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DAQUELES QUE SUSTENTARAM O LANÇAMENTO Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos para que conste do Acórdão embargado o comando quanto à emissão de nova decisão de primeira instância, onde a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento enfrente, exclusivamente, as matérias de fato e de direito motivadoras do lançamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 19 /2 00 7- 74 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente e Relatora), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000419/200774 Acórdão n.º 2302003.645 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 19/09/2007 e cientificada ao sujeito passivo acima identificado em 21/09/2007, de contribuições previdenciárias patronais, as relativas ao Seguro Acidente do Trabalho e as destinadas às terceiras entidades, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, em desconformidade com a norma legal, nas competências 12/2000, 03/2002, 02/2003, 03/2004, 03/2205 02/2006 e 09/2006. O Relatório Fiscal de fls. 57/65, traz que a notificada é entidade sem fins lucrativos, que não distribui resultados a seus dirigentes, que aplica integralmente seus recursos na consecução de suas atividades e em seu patrimônio, sendo que em caso de extinção, seus bens e direitos serão incorporados ao patrimônio do Estado. Desta forma, está excluída da abrangência da Lei n.º 10.101/2000, na forma do inciso II, do parágrafo 3º, do seu artigo 2º. Na sua peça de defesa a notificada alega que o crédito lançado está parcialmente decadente; que a fiscalização agiu com extremo rigor, não seno atentado para o princípio da dupla visita; que a lei permite o pagamento de PLR na forma como disposto pelas Convenções Coletivas de Trabalho da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo e respectivos Sindicatos a ela filiados, bem como da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e os Sindicatos a ela filiados. Aduz que os pagamentos de PLR são efetuados em conformidade com as convenções coletivas que possui o claro regramento estabelecido pela legislação. Acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campinas, às fls. 977/986, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do lançamento a competência de 12/2000, frente à decadência exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega: a) que as notificações sejam endereçadas ao seu patrono; b) a decadência da competência 03/2002; Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 c) excessivo rigor da fiscalização que não cumpriu com seu papel orientador; d) que não foi cumprido o papel da dupla visita para ver se a fundação cumpriu com as orientações anteriormente dadas, o que leva à nulidade da notificação; e) que não teve o intuito de fraudar a lei; f) que o órgão julgador atestou que o lançamento foi equivocado porque o Fisco não demonstrou que a entidade estava enquadrada na exceção prevista no §3º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; g) que comprovou que a PLR paga atende o disposto pela convenções coletivas e nos exatos termos da lei; h) para confirmar a regularidade no pagamento da PLR, junta documentos para comprovar sua filiação ao SINDUSFARMA Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo; i) que a juntada de documentos há de ser deferida porque as razões expostas na decisão recorrida não constavam da fundamentação da autuação, nos termos do §1º, do inciso III, do artigo 7º, da Portaria RFB n.º 10.875/2007; j) que restam plenamente atendidas as exigências legais para o pagamento da PLR, e k) por fim, requer o provimento do recurso para acatar as preliminares e declarar nula a notificação ou julgála improcedente. Alternativamente, requer que seja excluída a competência 03/2002, pela homologação tácita do crédito. Os autos vieram a julgamento e Acórdão deste Colegiado de nº 2302 003.422, datado de 08/10/2014, anulou a decisão de primeira instância nos termos do inciso II, art. 59 , do Decreto 70.235/72, porque foram modificados os fundamentos jurídicos do lançamento de débito, ocasionando cerceamento de defesa ao contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos embargou o Acórdão porque não foi atendido o parágrafo 2º do artigo 59 do Decreto 70.235/72, ou seja, não foram determinadas as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo: § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Os embargos foram acolhidos, porque com efeito, a decisão embargada não deixou explícitas as medidas a serem implementadas para o prosseguimento do processo administrativo. É o relatório. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000419/200774 Acórdão n.º 2302003.645 S2C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares INTIMAÇÃO AO PATRONO Quanto ao pedido de que as intimações sejam dirigidas ao endereço do patrono da recorrente, verifica se que tal pedido não pode ser acolhido, diante do que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, bem como art.10, I a IV, §§ 1º a 4º do Decreto nº 7.574/2011: Decreto nº 70.235/72 “Art. 23. Farse á a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Considera se domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.” Decreto nº 7574/2011 “Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n 9.532, de 1997, art. 67); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67); III – por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) no endereço da administração tributária na internet; b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113); ou IV por edital, quando resultarem improfícuos os meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 1 o , com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 27 de maio de 2009 , art. 25): a)no endereço da administração tributária na Internet; b)em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou c)uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1ºA utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 3 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 2 Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000419/200774 Acórdão n.º 2302003.645 S2C3T2 Fl. 5 7 passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , inciso II, com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 3 O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2 o somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 5 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá atos complementares às normas previstas neste artigo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). Portanto, concluise por descabida a pretensão de que as intimações, publicações ou notificações sejam efetuadas no endereço do patrono da recorrente, que é diverso do endereço do seu domicílio fiscal. DECADÊNCIA A notificação referese ao período 12/2000 a 09/2006 e foi lavrada em 19/09/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 21/09/2007. A decisão recorrida já reconheceu a decadência com base no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluiu do lançamento a competência 12/2000. Entendo que não há reparos a fazer no Acórdão recorrido, porque embora nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, tenha declarado inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editado a Súmula Vinculante n° 08, que após a sua da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a sua aplicação, é de se ver que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há nos autos prova de que o contribuinte tenha efetuado, no período lançado, outros recolhimentos previdenciários, até porque o Termo de Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Encerramento de Ação Fiscal às fls. 33, relaciona outras Notificações Fiscais de Lançamento de Débito no período ora lançado e o recorrente não colacionou qualquer prova de efetivo recolhimento de contribuições no período de 12/2000 a 09/2006. Por esta razão deve ser aplicado o artigo 173, I do CTN, mantendose apenas a exclusão da competência 12/2000, neste lançamento: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. DA NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA Compulsando os autos, em especial o Relatório Fiscal que sustenta o lançamento e o Acórdão recorrido é de se ver que este negou provimento à impugnação interposta pelo contribuinte, quanto ao mérito da notificação, mas por fundamentos diversos daqueles apontados pelo Fisco como a motivação do levantamento de débito. De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que originaram o lançamento foram os pagamentos efetuados aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, que não foram assim considerados porque entendeu que a Lei n.º 10.101/2000, não se aplica a recorrente, na forma como disposto pelo inciso II, do parágrafo 3º, do seu artigo 2º, que transcrevo a seguir Lei n.º 10101/2000 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) §3oNão se equipara a empresa, para os fins desta Lei: Ia pessoa física; IIa entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a)não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b)aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c)destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000419/200774 Acórdão n.º 2302003.645 S2C3T2 Fl. 6 9 d)mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis.(grifei) O Fisco traz no seu relatório que a recorrente é uma fundação sem fins lucrativos, cujos bens e direitos serão utilizados exclusivamente na consecução de seus objetivos e em caso de extinção tais bens e direitos serão incorporados ao patrimônio do Estado. Aduz, também, que os dirigentes não são remunerados, conforme o estatuto da entidade, o que a enquadra na exceção exposta no parágrafo 3º, do artigo 2º, da Lei n.º 10.101/2000. Transcrevo partes do Relatório Fiscal que trazem a motivação do lançamento: 3.2 Passemos então à notificada, que é uma Fundação, sem fins lucrativos, instituída pela Lei estadual N° 10.071 de 10.04.1968 (cópia acostada), e observemos o que reza os parágrafos 1° e 2 0 do artigo 30 da Lei que a instituiu : "Artigo 3° ( ... ) Parágrafo 1º A Fundação, sempre que possível, aplicará recursos na formação de patrimônio rentável. Parágrafo 2° Os bens e direitos da Fundação serão utilizados exclusivamente na consecução de seus objetivos. Parágrafo 3° No caso de extinção da Fundação, seus bens e direitos serão incorporados ao patrimônio do Estado. " Tais dispositivos são ratificados pelo artigo 7º e parágrafos do estatuto da notificada (cópia acostada), que também em consonância com a Lei, determina em seu artigo 5º , que a administração da FURP é de competência do Conselho Deliberativo (órgão de decisão) e da Superintendência (órgão executivo). Quanto a remuneração dos gestores temos em relação aos membros do Conselho Deliberativo, o parágrafo 5° do artigo 7°do Estatuto da FURP : "Artigo 7° ( ... ) Parágrafo 5º Os membros do Conselho Deliberativo farão jus a gratificação, por sessão a que comparecerem, correspondente a 5% da média dos salários atribuídos, no mês em que se realizar a sessão, aos Gerentes Gerais da FURP." E quanto a remuneração do Superintendente , o parágrafo 2° do artigo 12 do Estatuto: "Artigo 12 ( ... ) Parágrafo 2° O superintendente não será remunerado como administrador da FURP. Não haverá incompatibilidade, entretanto, para o exercício de atividades executivas no setor industrial , em cargo de confiança, cujo contrato realizará nos termos do artigo 18, com Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 o Conselho Deliberativo, se de que qualquer outra forma não for remunerado pelo poder público. " 3.3 Assim temos em síntese, que a notificada é uma entidade sem fins lucrativos, que não distribui resultados a seus dirigentes/administradores, aplica integralmente seus recursos na consecução de suas atividades e em seu patrimônio, e no caso de extinção da Fundação, seus bens e direitos serão incorporados ao patrimônio do Estado. Preenche assim, cumulativamente, todos os requisitos legais previstos no inciso II do parágrafo 3° do artigo 2°da Lei N° 10.10112000, retro transcrito, para estar excluída da abrangência da referida Lei; 4. Portanto, por todas as considerações aqui expostas, mormente o pagamento pela notificada de verba a título de participação nos resultados, sem o respaldo de norma infraconstitucional regulamentadora, caracteriza tal prestação como salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, não restando outra alternativa à fiscalização a não ser os valores devidos; A decisão recorrida, por sua vez, entendeu que a autoridade lançadora não demonstrou que a recorrente atende aos requisitos de tratam as alíneas do parágrafo 3º, do artigo 2º, da Lei n.º 10.101/2000, para não sujeitarse a mesma, além de dizer que o estatuto da entidade não faz menção de que não possui finalidade lucrativa. Todavia, mantém o crédito lançado, sob o argumento de que as Convenções Coletivas de Trabalho juntadas não estão em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000, que não há comprovação de que a entidade seja filiada aos sindicatos que avalizaram as Convenções e que não foram cumpridas as regras da Lei n.º 10.101/2000, para possibilitar que os pagamentos efetuados sejam tomados como Participação nos Lucros e Resultados, nos seguintes termos: "Embora a autoridade fiscal tenha fundamentado o presente lançamento nesses dispositivos, conforme subitens 11, 3.2 e 3.3 de seu relatório (fls. 29 a 31), é de se ressaltar que não consta da Lei instituidora da Fundação em questão (fls. 63 a 66) ; bem como do seu Estatuto (fls. 56 a 62) disposição expressa no sentido de que não possui finalidade lucrativa. Além do que essa autoridade deixou de demonstrar que essa Fundação atende, CUMULATIVAMENTE, os requisitos de que trata as alíneas acima transcritas Destarte, o lançamento há de ser mantido. Isto porque as Convenções Coletivas juntadas não estão em conformidade com o § 1 1 do art. 21 da Lei n° 10.101/200, acima transcrito. Isto porque não basta que haja a simples previsão de datas e de um valor a ser pago a título de PLR, como se verifica dessas Convenções. Pois, para que o PLR não constitua base de incidência da contribuição previdenciária é necessário que, repetindo, constem dos instrumentos de negociação regras claras e objetivas, mecanismos de aferição mediante a fixação de critérios e condições relativos à produtividade, qualidade ou lucratividade e, ainda, programas de metas pactuadas previamente entre os sindicatos de patrão e empregados, o que não se verificou. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000419/200774 Acórdão n.º 2302003.645 S2C3T2 Fl. 7 11 E, finalmente, porque não há provas nos autos de que a notificada e/ou seus empregados pertencem a algum dos sindicatos que foram partes dessas convenções. Ademais, as verbas recebidas por segurados empregados 'a título de "Participação nos Lucros Resultados" somente se excluem da base de cálculo das contribuições previdenciárias se comprovada a pertinência aos ditames da Lei que regulou a matéria (Lei n° 10.101/2000). Assim, a FURP ao se distanciar dos requisitos estabelecidos na norma reguladora, fica sujeita a tributação uma vez que a Lei n° 8.212/91, no art. 28, § 9°, alínea. J condicionou a exclusão dessa parcela à estrita observância da lei específica." Do exame das peças referenciadas vemos a não observância do principio da Imutabilidade do Lançamento, porque a decisão exarada inovou quanto aos fundamentos que nortearam o lançamento de débito, atitude que não lhe compete, nos termos do artigo 145, do Código Tributário Nacional. Tal diploma legal assinala que a constituição do crédito tributário é de competência da autoridade administrativa e que uma vez constituído e regularmente notificado ao sujeito passivo, a autoridade fiscal não mais poderá modificálo, salvo nas restritas hipóteses trazidas pelo citado artigo: “Art. 145. O lançamento regularmente modificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – impugnação do sujeito passivo; II – recurso de ofício; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149”. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; II. quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III. quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV. quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 V. quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI. quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII. quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX. quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Assim, se a autoridade fiscal cometeu qualquer irregularidade, contrária ao interesse do sujeito passivo, ele tem a oportunidade de anulálo por meio do exercício da impugnação administrativa ou através de ação judicial. Por outro lado, caso a autoridade administrativa julgadora entenda que o lançamento tributário não traduz a realidade dos fatos, seja porque contribuinte comprovou o pagamento da obrigação tributária, ou em razão do provimento das razões formuladas voltadas a demonstrar a existência de vícios ocorridos no lançamento fiscal ou ainda no exercício da verdade material, cabe a ela anular o lançamento e recorrer de ofício se ultrapassado o valor de alçada previsto na legislação tributária, devolvendo a matéria para reexame. Ressalto que a lei tributária confere a possibilidade da autoridade administrativa rever seus atos, ou seja, modificar os atos administrativos tributários praticados, como conferem os artigos 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional. Entretanto, esse poder conferido à Fazenda Pública de alteração do ato administrativo tributário não é ilimitado, não se confere à Administração Tributária poder irrestrito para modificar o ato administrativo tributário; ela encontra limites legais. O Decreto 70.235/1972, disciplina o Processo Administrativo Fiscal trazendo as fases do processo, a atuação da administração tributária, as condições para a elaboração do lançamento e a forma dos contribuintes exercerem seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Nas regras expostas pelo citado Decreto, vêse uma nítida diferenciação entre as fases de fiscalização, de lançamento e de julgamento, cabendo ao agente fiscal a verificação da correta aplicação da legislação tributária, com o adimplemento das obrigações, principais e acessórias, presentes na legislação. Quando a fiscalização verificar que o contribuinte não cumpriu com os ditames legais, procede à lavratura do pertinente auto de infração obedecendo os requisitos previstos na legislação e ao julgador cabe a responsabilidade de analisar a certeza do crédito lançado, com a verificação dos fatos expostos pelo Fisco e das razões e argumentos Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000419/200774 Acórdão n.º 2302003.645 S2C3T2 Fl. 8 13 apresentados pelo sujeito passivo. Após tal exame, o julgador pode decidir pela procedência, improcedência ou nulidade do lançamento. Destarte, não cabe ao julgador sanar o lançamento. Assim, se da análise dos fatos elencados a autoridade julgadora de 1ª Instância entendeu que não houve a comprovação do que foi trazido como motivação para a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, como no caso em análise, não lhe cabe manter o lançamento por fatos que entende cabíveis, mas totalmente diversos daqueles expostos pelo Fisco e cientificados ao sujeito passivo. É mister que somente a autoridade fiscal lançadora pode sanar o lançamento, sob pena de cerceamento de defesa. Ora se o contribuinte foi autuado por determinadas razões, contra as mesmas ofereceu impugnação, mas tem o débito mantido por fundamentos diversos daqueles apontados como a origem do fato gerador é claro o cerceamento ao seu direito de ter apresentado sua defesa ao que agora lhe está sendo exposto. A decisão de primeira instância, ao alterar questão fundamental presente no Relatório Fiscal quanto à motivação do lançamento, exorbitou da sua competência. O lançamento não versa sobre o descumprimento dos requisitos constantes da Lei n.º 10.101/2000, para que os pagamentos efetuados estejam ao abrigo das excludentes do salário de contribuição, conforme artigo 28§9º, letra"j" da Lei n.º 8.212/91, mas antes disso, trata da impossibilidade da recorrente se valer da Lei n.º 10.101/2000, para pagar PLR aos seus empregados, porque se encontra abarcada pela exceção imposta no §3º, do artigo 2º, do referido diploma legal. E sobre isso, e apenas isso, deveria se ater a decisão de primeira instância. Neste sentido, entendo que a decisão de primeira instância deve ser anulada, devido a falta de competência na realização do ato de modificar os fundamentos jurídicos do lançamento de débito, ocasionando cerceamento de defesa ao contribuinte. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que a decisão alterou o lançamento, exercendo função para qual não tinha competência, decido pela nulidade da decisão. Por todo o exposto, Voto por anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, devendo ser dada ciência ao contribuinte deste Acórdão, e, posteriormente, ser emitida nova decisão de primeira instância limitando a sua manifestação e decisão sobre os fatos trazidos pela autoridade fiscal lançadora, quanto à impossibilidade da recorrente se valer da Lei n.º 10.101/2000, para pagar PLR aos seus empregados, porque se encontra abarcada pela exceção imposta no §3º, do artigo 2º, do referido diploma legal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve enfrentar, exclusivamente, as matérias de fato e de direito motivadoras do lançamento. Após a emissão da nova decisão, deverá ser conferida ciência ao contribuinte e lhe aberto prazo recursal. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 18471.000064/2004-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUINTES OPTANTES PELO SIMPLES. A Lei 9.317, de 1996, em seu art. 18, determina a aplicação das presunções de omissão de receita existentes na legislação do IRPJ à microempresa e à empresa de pequeno porte. CHEQUES DEPOSITADOS E DEVOLVIDOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO INDÍCIO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Os cheques depositados e devolvidos não se prestam como indícios para presunção de omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO. A tributação diferenciada das operações envolvendo veículos usados, além de não ser facultada a optantes do SIMPLES FEDERAL, depende de prova documental das aquisições e revendas efetuadas.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se a contribuinte apura e paga tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a autoridade fiscal dispõe de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para formalizar o lançamento. Incabível a exigência de diferenças apuradas no mês de janeiro/99 se o lançamento somente é cientificado à contribuinte em 02/02/2004.
CÁLCULO DAS EXIGÊNCIAS POSTERIORES. EFEITOS DA RECEITA BRUTA ACUMULADA NO COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DO RECOLHIMENTO SIMPLIFICADO. Afastada parcialmente a imputação de omissão de receitas, seus efeitos devem ser excluídos do montante de receita bruta acumulada, apurando-se novos coeficientes para determinação dos tributos devidos na sistemática simplificada, relativamente aos períodos subseqüentes.
MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DECLARAR a decadência de do direito de o Fisco constituir os créditos tributários referentes a janeiro/99, suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUINTES OPTANTES PELO SIMPLES. A Lei 9.317, de 1996, em seu art. 18, determina a aplicação das presunções de omissão de receita existentes na legislação do IRPJ à microempresa e à empresa de pequeno porte. CHEQUES DEPOSITADOS E DEVOLVIDOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO INDÍCIO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Os cheques depositados e devolvidos não se prestam como indícios para presunção de omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO. A tributação diferenciada das operações envolvendo veículos usados, além de não ser facultada a optantes do SIMPLES FEDERAL, depende de prova documental das aquisições e revendas efetuadas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se a contribuinte apura e paga tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a autoridade fiscal dispõe de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para formalizar o lançamento. Incabível a exigência de diferenças apuradas no mês de janeiro/99 se o lançamento somente é cientificado à contribuinte em 02/02/2004. CÁLCULO DAS EXIGÊNCIAS POSTERIORES. EFEITOS DA RECEITA BRUTA ACUMULADA NO COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DO RECOLHIMENTO SIMPLIFICADO. Afastada parcialmente a imputação de omissão de receitas, seus efeitos devem ser excluídos do montante de receita bruta acumulada, apurando-se novos coeficientes para determinação dos tributos devidos na sistemática simplificada, relativamente aos períodos subseqüentes. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUINTES OPTANTES PELO SIMPLES. A Lei 9.317, de 1996, em seu art. 18, determina a aplicação das presunções de omissão de receita existentes na legislação do IRPJ à microempresa e à empresa de pequeno porte. CHEQUES DEPOSITADOS E DEVOLVIDOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO INDÍCIO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Os cheques depositados e devolvidos não se prestam como indícios para presunção de omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO. A tributação diferenciada das operações envolvendo veículos usados, além de não ser facultada a optantes do SIMPLES FEDERAL, depende de prova documental das aquisições e revendas efetuadas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se a contribuinte apura e paga tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a autoridade fiscal dispõe de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para formalizar o lançamento. Incabível a exigência de diferenças apuradas no mês de janeiro/99 se o lançamento somente é cientificado à contribuinte em 02/02/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 64 /2 00 4- 61 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 3 2 CÁLCULO DAS EXIGÊNCIAS POSTERIORES. EFEITOS DA RECEITA BRUTA ACUMULADA NO COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DO RECOLHIMENTO SIMPLIFICADO. Afastada parcialmente a imputação de omissão de receitas, seus efeitos devem ser excluídos do montante de receita bruta acumulada, apurandose novos coeficientes para determinação dos tributos devidos na sistemática simplificada, relativamente aos períodos subseqüentes. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DECLARAR a decadência de do direito de o Fisco constituir os créditos tributários referentes a janeiro/99, suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório Colhese da Resolução nº 110100.011 (fls. 304/309) o relato das ocorrências até então verificadas nestes autos: 256 AUTOMÓVEIS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro I/RJ, que por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 02/02/2004, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.144.055,95. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: I Do Lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 91/142, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, em 02/02/2004, do qual a interessada acima foi cientificada mesma data, consubstanciando exigência, na sistemática do SIMPLES, do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$33.958,41 (fls. 91); além das autuações reflexas referentes às contribuições "Social sobre o Lucro Liquido" — CSLL, no valor de R$54.211,01 (fls. 118); "Financiamento da Seguridade Social" — COF1NS, no valor de R$108.422,02 (fls. 126); "Programa de Integração Social" — PIS, no valor de R$33.958,41 (fls. 110) e "Contribuição para Seguridade Social — INSS", no valor de R$220.777,72 (fls. 134). Estes tributos, acrescido da correspondente multa de oficio de 75% e dos juros de mora, referemse aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 1999. II. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, efetuou o autuante o lançamento de oficio do IRPJ, que, de acordo com a descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, resultaram na apuração das infrações denominadas: 2.1 — "Omissão de Receitas — Depósitos Bancários Não Escriturados"— Art. 226 e 229 do RIR/94; 24 da Lei n°9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 70, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 3° da Lei n° 9.732/98; e Arts. 186, 188 e 199, do RIR199; 2.2 — "Insuficiência de Recolhimento" — Art. 5°, da Lei n° 9.317/96 c/c Art. 3o da Lei nº 9.732/98; e Arts. 186 e 188, do RIR/99; 3. Os lançamentos da CSLL; COFINS; PIS e INSS são mera decorrência dos fatos amealhados na apuração do IRPJ; 4. As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no Termo de Verificação Fiscal — fls. 89 e 90 e atentam para os seguintes fatos: 4.1 — que através dos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB — verificouse a incompatibilidade entre os valores declarados na DIPJ/2000 e a movimentação financeira da impugnante nas contas corrente de sua titularidade nos Bancos BCN S/A e Sudameris Brasil S/A; 4.2 — que a impugnante foi intimada, em 17/09/2003, conforme documento de fls. 75, a comprovar a origem dos valores depositados/creditados em suas contas correntes, os quais foram discriminados nas planilhas denominadas "Demonstrativo dos Depósitos/Créditos" que acompanharam a citada intimação; 4.3 — que a autuada foi reintimada, em 29/10/2003, a teor do documento de fls. 87, a apresentar os esclarecimentos solicitados na intimação anterior, sendolhe ressalvado que a não comprovação será considerada omissão de receitas; Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 5 4 4.4— que a fiscalizada em resposta, datada de 03/11/2003, anexada às fls. 88, informou não ter condições de identificar a origem dos depósitos e dos cheques constantes da movimentação bancária; 4.5 — que os valores discriminados nas planilhas denominadas "Demonstrativo dos Depósitos/Créditos", anexados às fls. 76/86, têm origem nos depósitos em valor superior a R$1.000,00, excluindose as transferências de outras contas, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários, e etc...; 4.6 — que os livros diário, entradas e saídas, apresentados pela fiscalizada, não foram escriturados de acordo com o que determina o disposto no art. 5° da Lei n° 9.716/98 e IN SRF n° 152/98, que davam tratamento diferenciado quanto à tributação referente a comercialização de veículos automotores usados; Da Impugnação 5. Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência no próprio auto de infração, em 02/02/2004, às fls. 91, apresentou a interessada, em 02/03/2004, a impugnação de fls. 147/187, instruída com os documentos de fls. 188/197, alegando, em síntese, o seguinte: 5.1 — argúi, em sede preliminar, a nulidade do lançamento, tendo em vista a simplicidade da demonstração dos depósitos efetuados que acompanham o lançamento, o que revela a deficiência da informação, prejudicando, desta forma, o seu direito de defesa, tendo assinalado as seguintes indagações: a) — Os valores informados são unitários ou totais diários? Correspondentes a valores em cheque ou dinheiro? b) — Através de qual procedimento o ilustre fiscal chegou a estes valores? c) — Se procedeu algum pedido de informações a instituição financeira mencionada? d) — Este pedido informava o seu desiderato? e) — Qual o indício que levou a ilustre fiscal suspeitar de omissão de receitas? f) — Consta do mandado de procedimento fiscal a verificação de omissão de receitas? g) — Como o ilustre fiscal atesta que estes valores apontados afetam o lucro da empresa e o seu resultado? h) — Houve assim prejulgamento do caso? i) — O ilustre fiscal analisou a correlação dos valores transferidos entre as contas correntes da empresa? j) — Quais são estas contas que foram consideradas? k) — Como foi elaborada esta correlação se nada é demonstrado ao contribuinte? 1) — O ilustre fiscal levou em consideração a forma de tributação das agências de automóveis que é efetuada sobre a diferença entre os valores pagos pelos automóveis e os valores de revenda (lucro — disponibilidade financeira)? m)— Como procedeu este cotejo uma vez que não há qualquer informação ao contribuinte? n) — Se o ilustre fiscal não efetuou e demonstrou os valores transferidos entre as contas mencionadas, como pode o contribuinte se defender? o) — Como é possível prestar esclarecimentos em 10 (dez) dias sobre depósitos que ocorreram há cinco anos, o que demonstra obviamente a necessidade de maior tempo para poder apurar os mesmos? p) — Mencionou o ilustre fiscal ao intimar o contribuinte em questão que o mesmo poderia efetuar a confissão espontânea de prováveis débitos no lapso de 20 dias após decorrido o inicio da fiscalização conforme determina a lei em vigor? 5.2 — reafirma a tese de nulidade, haja vista a exigência formulada não conter no corpo do Auto de Infração a descrição circunstanciada do fato que serviu de base para o lançamento; Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 6 5 5.3 — que o autuante lançou mão de apuração fictícia desconsiderando os documentos fiscais do contribuinte; 5.4 — que há a necessidade de ter critérios norteadores da empreitada arbitramental, tarefa esta que o exator fiscal só pode empreender segundo os balizamentos legais, não se lhe permitindo o arbítrio, de modo algum; 5.5 — que os fatos não foram convenientemente apurados nem comprovados, sendo que, "in casu, ao invés de se ater aos fatos reais, a autoridade fiscal fez, com os que supôs, um verdadeiro imbróglio com o direito"; 5.6 — que a autuação sem qualquer fundamento, sem justa causa, é nula, inepta, que se transforma em coação ilegal e prejudica tanto a Fazenda quanto o contribuinte; 5.7— no mérito, apesar de reconhecer que a autuação está baseada em presunção, manifesta o seu entendimento de que as informações constantes do indigitado "Termo de Verificação Fiscal" não são suficientes para fundar o lançamento; 5.8 — que "a adoção de método presuntivo para o efeito de apurarse a prática de evasão fiscal tãosó se justifica frente a indícios reveladores de haver o contribuinte agido no sentido de sonegar, de desviar da tributação valores sujeitos ao gravame"; 5.9 — que requerer extratos bancários e, após 60 dias, determinar a apresentação de esclarecimentos sobre os depósitos, no prazo de 10 dias e vencido este, reintimar, ofertando um prazo de apenas 3 dias para cumprimento sob pena de considerar os valores como omissão de receitas, constituise em coação, pois imputa ao contribuinte a prática de um crime contra a ordem tributária, antes mesmo de verificar qualquer irregularidade, olvidandose do devido processo legal, o que torna o ato administrativo que resultou no auto de infração anulável, nos termos do art. 147 do CC; 5.10 — que a requisição de extratos bancários representa uma violação do seu direito constitucional da privacidade, tornando ilegal a utilização dos levantamentos efetuados com base nestas provas; 5.11 — que os valores de depósitos não são necessariamente, fonte de recebimento de recursos tributários, nem são base legal para exigência fiscal, não se constituindo em aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, configurandose, apenas meros indícios; 5.12 — que a súmula 182 do extinto TRF já determinava ser ilegítimo o lançamento do IR arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, entendimento este professado pelo Conselho de Contribuinte, conforme demonstrado pelos vários arestos apresentados por aquele órgão; 5.13 — que o fisco inobservou o principio da verdade material sendo que "o levantamento efetuado se encontra desprovido de elementos fáticos que o sustentem, caracterizando verdadeiro delírio fiscal, desrespeitando inúmeros princípios administrativos e de direito;" 5.14 — pugna pela realização de perícia, na forma do art. 16 do PAF, tendo ofertado vários quesitos; 5.15 — por fim, requer seja julgado improcedente toda a imputação formalizada no AI; A Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações argumentando que: · Declarou inexistir cerceamento ao direito de defesa, pois o ato de lançamento atendeu todos os preceitos de ordem pública necessários a sua validade, tendo em conta o detalhamento do Termo de Verificação Fiscal a evidenciar a causa central da autuação, bem como toda sistemática aplicável à constituição do crédito tributário, e ainda considerando que os demonstrativos de depósitos efetuados individualizam os valores questionados, não sendo relevante destacar o fato de os depósitos terem sido realizados em dinheiro ou cheque. Mais à frente, observou que a fundamentação da exigência consta do referido Termo de Verificação Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 7 6 Fiscal, do qual consta que este faz parte constante e inseparável do Auto de Infração. · Observou que os extratos bancários foram fornecidos pela própria impugnante, e refutou a alegada necessidade de constar do MPF a indicação de que a verificação fiscal se pautaria na omissão de receitas, pois a ação fiscal destinase a analisar a exata tributação de um determinado imposto ou contribuição, além da necessidade de fazer verificações obrigatórias sobre a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, sendo a omissão de receitas uma das infrações a ser aferida. · Registrando que o MPF é claro quanto à necessidade de verificação dos recolhimentos na sistemática do SIMPLES, no período de 01/1999 a 12/1999, fez menção também à jurisprudência administrativa pacífica no sentido de que o referido Mandado é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. · Quanto à possibilidade de ela efetuar a confissão espontânea de "prováveis" débitos no lapso de 20 dias, após o início da ação fiscal, não há obrigatoriedade de tal constar da intimação fiscal, vez que expresso no art. 47 da Lei nº 9.430/96, e ainda ter por objeto débitos confessados pelos contribuintes, o que não é o caso das exigências aqui presentes, fundadas em omissão de receitas. · Rejeitou o pedido de perícia, cujos requisitos do art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72 sequer foram cumpridos, na medida em que este não se presta a produzir provas para a impugnante, mas sim firmar o convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova, o que não é ocaso, na medida em que a juntada de provas documentais era dever da impugnante, e as informações contidas no processo são suficientes para a solução do litígio. · Apresentou seus argumentos para afastar as alegações de quebra de sigilo bancário e de violação ao direito da privacidade, ressaltando, porém, que o acesso aos extratos bancários foi franqueado pela própria impugnante, sem a necessidade de expedição de requisição de movimentação bancária às instituições financeiras. · Esclareceu que a tributação se deu em razão da omissão de receitas ou rendimentos representada pelos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96, presunção legal que transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante comprovação, no caso, da origem dos recursos. Destacando a existente correlação lógica entre o fato conhecido – ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos, circunstanciou a Súmula 182 do extinto TRF no contexto legal anterior à Lei nº 9.430/96, e distinguiu a presunção legal veiculada nesta daquela até então presente no art. 6o da Lei nº 8.021/90, abordando ainda a possibilidade de se provar, por este meio, omissão de receitas. · Quanto à questão de que a forma de tributação da impugnante por ser uma agência de automóveis é efetuada sobre a diferença entre os valores pagos pelos automóveis e os valores de revenda, caracterizando disponibilidade financeira, esclareceu que se os critérios de apuração da exação fazem com que a posição jurídica fique muito distante da realidade dos fatos específicos Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 8 7 da atividade da defendente, não é circunstância que possa ser remediada pela atuação tanto da autoridade lançadora quanto da autoridade julgadora, só podendo ser alteradas pela própria impugnante mediante apresentação de provas que contrariem a presunção legal · Atestou a absoluta licitude dos procedimentos adotados pelo autuante ao identificar as contas correntes e individualizar os depósitos bancários não escriturados, destacando que os prazos fixados de 10 e 3 dias, em verdade, totalizaram, até a lavratura do auto de infração, 105 dias, tempo suficiente para apresentação de provas em contrário, não se configurando, de forma alguma, em coação, o aviso de que o não atendimento às intimações converteria os depósitos em omissão de receitas. · Registrou a ausência de impugnação administrativa relativamente à falta de recolhimento, apurada em confronto com os tributos informados em Declaração de Rendimentos, e declarou a definitividade da exigência, ressaltando, porém, que tendo em vista, que na sistemática do SIMPLES, a alíquota aplicável depende do valor tributável total, é imperativo aguardar a consolidação do crédito tributário no âmbito administrativo. · Declarou, por vim, a validade dos lançamentos relativos à contribuições CSLL, COFINS, PIS e INSS, por constituírem mera decorrência da apuração das duas primeiras infrações descritas no relatório. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/03/2008 (fl. 229), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/04/2008 (fls. 237/266), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade/impugnação. Argúi a nulidade do lançamento ante a ausência de elementos essenciais para sua defesa. Em suas palavras: Salientese que a simples indicação no demonstrativo de depósitos/créditos do período, do valor, do histórico, da moeda e da instituição financeira não é capaz de afastar a necessidade da prestação de outras informações relevantes sobre os valores questionados, tais como, o fim a que destinavam os documentos exigidos, qual o critério adotado pelo sr. auditor fiscal quando da apuração dos valores constantes nas planilhas de depósitos/créditos, dentre outras. Acrescentese a isso os exíguos prazos estabelecidos nos respectivos termos de intimação fiscal, denotando nítida tentativa de coação ilegal, pois, da forma como concedidos, certamente, a fiscalização estava ciente de que a Autuada não conseguiria cumprir tais exigências, por trataremse de dados cujos fatos ocorrerem a mais de quatro anos. Menciona que o ato, com estas deficiências, é incapaz de sustentar a verdade material dos fatos suscitados pela auditoria fiscal, e viola o disposto no art. 9o e no inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Destacando que, como peça acusatória, o ato administrativo deve ser claro, nítido, autoexplicável, coerente e exato em sua descrição, reproduz doutrina e menciona, ao final, a inobservância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Ressalta a indevida inclusão de valores que nem chegaram a ser creditados, vale dizer, de forma definitiva, nas contas bancárias de titularidade da Recorrente, ou seja, não houve, sequer, disponibilidade, seja financeira, seja econômica, dos valores representados naqueles respectivos títulos. Neste sentido, menciona que a maioria dos valores considerados pela Fiscalização são oriundos de depósitos em cheques, os quais não foram compensados, como por exemplo o depósito em cheque efetuado em 03/02/1999 e em 04/02/1999, no valor de R$ 1.200.00 e R$ 5.500,00. respectivamente, junto ao Banco BCN S/A (Demonstrativo dos Depósitos/Créditos Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 9 8 — fls. 76); em 04/02/1999 e 05/02/1999, os referidos cheques foram devolvidos, conforme notase pelos extratos apresentados pela Recorrente (fls. 10 e 11). Afirma, assim, que o demonstrativo de depósitos/créditos e o termo de verificação fiscal, os quais serviram de base para apuração e lançamento dos créditos tributários constantes no auto de infração não pode ser tomados como documentos hábeis a embasar a exigência fiscal que aqui se discute, na medida em que não trazem informações precisas e claras concernentes aos valores questionados, ao contrário, possuem informações totalmente contraditórias, criando verdadeira confusão de informações que acaba por tolher ao pleno exercício do direito de defesa da Autuada, ora Recorrente. Reproduz ementas de julgados administrativos neste sentido. Ainda, questiona a indevida exigência feita pelo sr. Auditor Fiscal para apresentação, pela própria Autuada, ora Recorrente, dos extratos bancários. Indevida, porque, a uma, a Autuada não poderia ser forçada a produzir prova contra si mesma; a duas, porque o seu direito ao sigilo bancário restou quebrado sem qualquer amparo legal. Ilícita seria a prova que sustenta a autuação, o que conduz, segundo a doutrina citada, à nulidade do lançamento. Opõese aos argumentos apresentados pela Turma Julgadora quanto à violação do sigilo bancário, defendendo que as pessoas jurídicas estão amparadas pelas garantias constitucionais citadas, e inclusive pode ser vítima de dano moral, a teor da súmula 227 do E. STJ e de julgado do mesmo Tribunal Superior. Reproduz doutrina acerca da garantia de inviolabilidade do sigilo bancário, e conclui pela necessidade de prévia autorização do Poder Judiciário para acesso ao banco de dados dos contribuintes pela administração tributária. Esclarece que sua pretensão não é a declaração de inconstitucionalidade das normas, mas sim a sua não aplicação por incompatibilidade com a Constituição Federal de 1988 e apresenta argumentos doutrinários neste sentido, com vistas ao controle da legalidade da norma jurídica tributária. Afirma a não caracterização de omissão de receitas, posto que a obrigação tributária somente se forma com a lei e o fato gerador, e para fins de incidência do imposto de renda, o art. 43 do CTN exige acréscimo patrimonial, ao lado de outros dispositivos que vedam a interpretação extensiva de disposição literal da norma tributária. Assim, não havendo lucro e, conseqüentemente, ausente qualquer acréscimo patrimonial em decorrência das supostas movimentações financeiras levantadas pelo sr.Auditor Fiscal, não há que se falar em obrigação tributária, muito menos em crédito tributário exigível e, por via de conseqüência, nem mesmo reflexos. Destaca novamente, neste ponto, os cheques que não foram efetivamente compensados e creditados nas contas bancárias auditadas. Reportase a julgados de Tribunais Regionais Federais para firmar a ausência de provas, na medida em que o auto de infração apenas se baseia em depósitos bancários, que não se prestam para afirmar a existência de qualquer irregularidade. Ressalta que em matéria de prova o Direito Tributário não admite presunções absolutas, estando assente a obrigatoriedade da comprovação inequívoca da vantagem para fins de incidência do imposto de renda, bem como a necessidade de prova de crédito em favor da contribuinte, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, para o que não se prestam meros extratos bancários. Registra que a apuração adotada não considera eventuais deduções incidentes sobre a base de cálculo, aferição da existência efetiva de lucros (já que neste caso somente poderia ser tributado a diferença positiva obtida com a revenda de veículos) e demais procedimentos previstos em lei, e assim assume o risco de tributar além do Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 10 9 que deveria ser tributado, ofendendo os princípios da capacidade contributiva, não confisco e isonomia tributária. Questiona a utilização da taxa SELIC para fins de cálculo dos juros de mora, e assevera que a multa aplicada tem cristalino caráter confiscatório, violando a garantia constitucional do direito de propriedade, além de deixar totalmente de lado o princípio da isonomia tributária e, conseqüentemente, o principio da moralidade da administração pública fiscal, bem como lesar os princípios da capacidade contributiva e da legalidade. Requer, assim, seja excluída a Taxa Selic, aplicandose os juros de mora de 1%, nos termos do parágrafo 1°, do artigo 161 do CTN, bem como seja reduzida a multa em patamar condizente com a realidade dos fatos e com a condição econômica da Recorrente. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento acompanhou esta Conselheira em sua proposta de conversão do julgamento em diligência, apresentada nos seguintes termos, depois de afastar a arguição de nulidade do lançamento e firmar a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo aos tributos devidos, na sistemática do SIMPLES, em janeiro/99, por meio de lançamento cientificado à contribuinte em 02/02/2004: [...] Todavia, as circunstâncias apontadas na defesa exigem o saneamento das possíveis irregularidades na determinação da base de cálculo antes do julgamento final das exigências aqui constantes. Isto porque, não obstante a autoridade lançadora assevere ter desconsiderado os cheques devolvidos, confirmase às fls. 111/112 a alegação da recorrente de que os depósitos em cheques, efetuados no Banco BCN S/A em 03/02/1999 e 04/02/1999, nos valores respectivos de R$ 1.200,00 e R$ 5.500,00, foram devolvidos em 04/02/1999 e 05/02/1999, e ainda assim considerados como indícios de omissão de receitas na planilha de fl. 76. Demais disto, constatase que a recorrente apenas exemplificou dois casos, pois há outras ocorrências semelhantes, como por exemplo o cheque de R$ 1.545,00 depositado em 18/03/1999 na mesma conta bancária, e devolvido em 19/03/1999 (fls. 130/131), mas ainda assim considerado naquela primeira data como indício de omissão de receitas. Observese, também, que há registros de devoluções de cheques sem depósito precedente de mesmo valor, mas antecedidos por depósitos de valores mais elevados, nos quais é razoável supor que os cheques devolvidos estivessem contidos. Tomese, por exemplo, o cheque nº 706137, no valor de R$ 2.160,00, que consta como depositado e devolvido em 23/02/1999, e novamente na mesma condição em 25/02/1999, sem que qualquer outro depósito neste valor tenha ocorrido entre estas datas. Entre elas há, tão só, um depósito em cheques no valor de R$ 9.376,00, no qual possivelmente aquele valor está contido (fl. 129). A autoridade lançadora, porém, também nestes casos, não promoveu qualquer dedução relativamente ao depósito global antes promovido, considerando integralmente o valor de R$ 9.376,00 como indício de receita omitida em 24/02/1999 (fl. 77). De outro lado há, dentre os créditos que se prestaram a caracterizar omissão de receitas, valores provenientes de depósitos em dinheiro e de transferências bancárias, que não são atingidos por esta discussão. Acrescentese, ainda, a necessidade de se observar que somente foram considerados na exigência os depósitos acima de R$ 1.000,00, razão pela qual a confrontação Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 11 10 com os cheques devolvidos deve levar em conta, apenas, aqueles que, quando antes depositados, foram considerados como indício de omissão de receitas. Frente a tais circunstâncias, o presente voto é no sentido de CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a autoridade lançadora reconstitua os cálculos da exigência, excluindo dos depósitos em cheque que deram ensejo à presunção de omissão de receitas, os valores correspondentes às posteriores devoluções, elaborando relatório circunstanciado das providências adotadas, e ao final cientificando a contribuinte, com reabertura do prazo do 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Consoante relatório de fl. 327, o fiscal autuante, embora entendendo que o ônus da prova seria do sujeito passivo, cumprindolhe individualizar cada operação com documentação hábil e idônea, para atender ao que solicitado na Resolução nº 110100.011, intimou a contribuinte a listar os cheques depositados que foram efetivamente devolvidos sendo que as intimações não foram atendidas. Ainda assim, o agente fiscal elaborou os demonstrativos "VALORES APURADOS CHEQUES DEVOLVIDOS", todos devidamente individualizados, redundando no também anexo" DEMONSTRATIVO DOS CHEQUES DEVOLVIDOS POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA" que, conforme convicção do CARF, devem ser excluídos do lançamento de ofício original. A tentativa de ciência à contribuinte do resultado da diligência por via postal restou improfícua (fls. 328/332), seguindose edital de intimação publicado em 29/12/2011 (fls. 333/334). Na sequência, os autos retornaram ao Conselho sem manifestação da contribuinte, mas às fls. 668/679 estão juntados documentos referentes ao fornecimento de cópia do processo a seus patronos. Os autos foram sorteados para relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, mas em 03/03/2015 a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara decidiu não conhecer do recurso para que o processo fosse distribuído a esta Conselheira, na forma do art. 49, §7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 (fls. 681/690). Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Nos termos do art. 63, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, submetese novamente ao Colegiado o exame das questões preliminares apreciadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Inicialmente cumpre declarar a decadência do direito de o Fisco constituir crédito tributário relativo aos tributos devidos, na sistemática do SIMPLES, em janeiro/99, por meio de lançamento cientificado à contribuinte em 02/02/2004. Isto porque, para o período em questão, a contribuinte apurou tributos devidos no valor total de R$ 162,00, promovendo o correspondente recolhimento em 10/02/1999 (confirmado nos sistemas informatizados da RFB sob nº 1601519173) e declarando sua apuração em 29/05/2000 (fl. 05). Neste contexto, sua apuração e recolhimento restaram homologados tacitamente, a teor do art. 150, § 4o do CTN, em 31/01/2004, não sendo mais possível sua revisão, até porque inexistente imputação de dolo, fraude ou simulação. Registrese que o lançamento, no período, restringiuse aos tributos incidentes sobre a receita omitida de R$ 249.886,06, nos valores principais de R$ 345,50 (IRPJ), R$ 345,50 (Contribuição ao PIS), R$ 2.498,86 (CSLL), R$ 4.997,72 (COFINS) e R$ 5.369,81 (INSS), exigidos com o acréscimo de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Assim, o presente voto é no sentido de DECLARAR a decadência do direito de o Fisco constituir os créditos tributários referentes a janeiro/99. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento, não tem razão a recorrente, pois o procedimento fiscal desenvolveuse com transparência e estão juntados aos autos todos os elementos necessários para a sua defesa. A autoridade lançadora não estava obrigada a explicitar o fim a que destinavam os documentos exigidos, pois a movimentação bancária integra o patrimônio da pessoa jurídica, refletindo operações tributáveis, acerca das quais é seu dever prestar informações, além de promover sua adequada escrituração e manter a guarda na forma do art. 7º, § 1º, da Lei nº 9.317/96. Relativamente à alegada exigüidade dos prazos concedidos, há que se considerar que desde o início do procedimento fiscal, em 17/06/2003, a contribuinte já estava ciente das verificações direcionadas à movimentação financeira mantida no anocalendário 1999, e entre a primeira intimação que exigiu a comprovação dos depósitos selecionados pela Fiscalização (fl. 75) e a formalização do lançamento transcorreram mais de 4 (quatro) meses, sendo certo que, depois de passados os 2 (dois) primeiros destes 4 (quatro) meses, a contribuinte reconheceu sua desídia na guarda da documentação correspondente, informando não ter escriturado regularmente suas operações, mas apenas a diferença entre preços de venda e de aquisição (fl. 88). Fl. 706DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 13 12 Por fim, no que tange aos critérios adotados para apuração dos valores constantes das planilhas juntadas aos autos, estão eles expostos no Termo de Verificação Fiscal, no qual a autoridade lançadora afirma ter excluído os depósitos/créditos inferiores a R$ 1.000,00, bem como os decorrentes de transferências de outras contas da própria Pessoa Jurídica; referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários, etc. Logo, eventual descompasso entre as providências que afirma ter adotado, e o resultado daí decorrente, consiste em divergência material passível de constatação e de saneamento, sem qualquer cerceamento do direito de defesa da interessada. Tanto é assim, que a contribuinte logrou identificar depósitos bancários que, considerados como indícios de omissão de receitas, foram estornados da conta bancária em momento seguinte. Diante destas circunstâncias, resta claro que não tem lugar, aqui, as argüições de coação ilegal ou de nulidade do lançamento, porque se alguma dificuldade houve na produção da defesa pela interessada, tal decorreu, apenas, de sua inobservância das normas legais que determinam a guarda dos documentos relativos às operações sujeitas à tributação, enquanto não prescritas as ações cabíveis. No mais, a suficiência das provas juntadas pela Fiscalização para fins de caracterização da infração, ou eventuais erros na determinação da base tributável, são aspectos que integram o mérito, e serão, mais adiante, apreciados. Por estas razões, REJEITASE a preliminar de nulidade do lançamento. Aduz a recorrente que outras informações relevantes seriam necessárias além do demonstrativo dos depósitos/créditos do período. Exemplifica que deveriam ter sido explicitados o fim a que destinavam os documentos exigidos, qual o critério adotado pelo sr. auditor fiscal quando da apuração dos valores constantes nas planilhas de depósitos/créditos, dentre outras. Mais à frente, aponta contradição nos referidos demonstrativos, genericamente alegando que as informações não são claras e precisas, e identificando, apenas, valores que nem chegaram a ser creditados, vale dizer, de forma definitiva, nas contas bancárias de titularidade da Recorrente, correspondentes a cheques depositados que teriam sido devolvidos. Como já amplamente exposto na decisão recorrida, cujos fundamentos são aqui adotados, a infração imputada à contribuinte decorre de presunção fixada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, a qual exige do Fisco a identificação de depósitos bancários cuja origem a beneficiária não logre comprovar, ônus do qual a autoridade lançadora se desincumbiu regularmente, inclusive explicitando, como já mencionado, os critérios adotados para determinação da matéria tributável. Aliás, foi justamente a transparência presente durante o procedimento fiscal que permitiu à recorrente identificar o erro cometido pela autoridade lançadora, ao deixar de excluir, dentre os depósitos submetidos à comprovação pela contribuinte, alguns que haviam sido devolvidos à instituição financeira nos dias seguintes à sua apresentação. Na conversão do julgamento em diligência assim se consignou acerca destas ocorrências: Todavia, as circunstâncias apontadas na defesa exigem o saneamento das possíveis irregularidades na determinação da base de cálculo antes do julgamento final das exigências aqui constantes. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 14 13 Isto porque, não obstante a autoridade lançadora assevere ter desconsiderado os cheques devolvidos, confirmase às fls. 111/112 a alegação da recorrente de que os depósitos em cheques, efetuados no Banco BCN S/A em 03/02/1999 e 04/02/1999, nos valores respectivos de R$ 1.200,00 e R$ 5.500,00, foram devolvidos em 04/02/1999 e 05/02/1999, e ainda assim considerados como indícios de omissão de receitas na planilha de fl. 76. Demais disto, constatase que a recorrente apenas exemplificou dois casos, pois há outras ocorrências semelhantes, como por exemplo o cheque de R$ 1.545,00 depositado em 18/03/1999 na mesma conta bancária, e devolvido em 19/03/1999 (fls. 130/131), mas ainda assim considerado naquela primeira data como indício de omissão de receitas. Observese, também, que há registros de devoluções de cheques sem depósito precedente de mesmo valor, mas antecedidos por depósitos de valores mais elevados, nos quais é razoável supor que os cheques devolvidos estivessem contidos. Tomese, por exemplo, o cheque nº 706137, no valor de R$ 2.160,00, que consta como depositado e devolvido em 23/02/1999, e novamente na mesma condição em 25/02/1999, sem que qualquer outro depósito neste valor tenha ocorrido entre estas datas. Entre elas há, tão só, um depósito em cheques no valor de R$ 9.376,00, no qual possivelmente aquele valor está contido (fl. 129). A autoridade lançadora, porém, também nestes casos, não promoveu qualquer dedução relativamente ao depósito global antes promovido, considerando integralmente o valor de R$ 9.376,00 como indício de receita omitida em 24/02/1999 (fl. 77). De outro lado há, dentre os créditos que se prestaram a caracterizar omissão de receitas, valores provenientes de depósitos em dinheiro e de transferências bancárias, que não são atingidos por esta discussão. Acrescentese, ainda, a necessidade de se observar que somente foram considerados na exigência os depósitos acima de R$ 1.000,00, razão pela qual a confrontação com os cheques devolvidos deve levar em conta, apenas, aqueles que, quando antes depositados, foram considerados como indício de omissão de receitas. Porém, embora intimada por duas vezes, a contribuinte não demonstrou os cheques depositados e devolvidos. Em consequência, dentre os cheques devolvidos identificados pela autoridade fiscal encarregada da diligência às fls. 320/325 somente é possível excluir aqueles que podem ser, indubitavelmente, vinculados a depósito bancário cuja origem foi questionada e não comprovada. Para firmar esta correspondência, é necessário que depósito em cheque de mesmo valor do cheque devolvido tenha sido promovido em data anterior, ou que exista depósito em cheque de maior valor em data anterior à devolução, dissociado de depósitos em cujo valor possa estar contemplado o cheque devolvido, mas que não tenha sido questionado pela Fiscalização. Neste sentido, confrontando o relatório de fls. 320/325 com os extratos bancários, não podem ser excluídos do montante de receitas presumidas os seguintes cheques devolvidos: · Todos os cheques devolvidos em janeiro/99 (R$ 17.847,00), dado que foi declarada a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário sobre as receitas presumidas neste período; · Cheques de R$ 600,00 e R$ 320,00 devolvidos em 04/02/99 porque os depósitos de R$ 600,00 e R$ 320,00 em 03/02/99 não foram questionados; Fl. 708DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 15 14 · Cheque de R$ 882,00 devolvido em 08/02/99 porque o depósito de R$ 882,00 em 05/02/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 897,00 devolvido em 11/03/99 porque o depósito de R$ 897,00 em 10/03/99 não foi questionado; · 3 (três) cheques de R$ 85,00 devolvidos em 15/03/99 porque os 3 (três) depósitos de R$ 85,00 em 11/03/99 não foram questionados; · Cheques de R$ 210,00 e R$ 200,00 devolvidos em 18/03/99 porque o depósito de R$ 525,00 em 17/03/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 500,00 e R$ 900,00 devolvidos em 19/03/99 porque os depósitos de R$ 500,00 e R$ 900,00 em 18/03/99 não foram questionados; · Cheque de R$ 540,00 devolvido em 25/03/99 porque o depósito de R$ 540,00 em 24/03/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 450,00 devolvido em 13/04/99 porque o depósito de R$ 450,00 em 14/04/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 535,00 devolvido em 04/05/99 porque o depósito de R$ 986,00 em 03/05/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 284,00 devolvido em 05/05/99 porque os depósitos de R$ 535 e R$ 986,00 em 03/05/99 não foram questionados; · Cheque de R$ 48,00 devolvido em 07/05/99 porque os depósitos de R$ 570,00 em 05/05/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 950,00 devolvido em 10/05/99 porque o depósito de R$ 950,00 em 07/05/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 320,00 devolvido em 24/06/99 porque o depósito de R$ 479,31 em 23/06/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 200,00, R$ 150,00 e R$ 260,00 devolvidos em 28/06/99 porque os depósitos de R$ 320 e R$ 440,00 em 25/06/99 não foram questionados; · Cheque de R$ 195,00 devolvido em 29/06/99 porque o depósito de R$ 861,00 em 28/06/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 195,00 devolvido em 05/07/99 porque o depósito de R$ 195,00 em 01/07/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 200,00 devolvido em 08/07/99 porque o depósito de R$ 500,00 em 06/07/99 não foi questionado; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 16 15 · Cheque de R$ 230,00 devolvido em 14/07/99 porque o depósito de R$ 430,00 em 13/07/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 845,00 e R$ 900,00 devolvidos em 16/07/99 porque o depósito de R$ 1.245,00 em 15/07/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 200,00 devolvido em 22/07/99 porque o depósito de R$ 470,00 em 20/07/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 125,00 devolvido em 26/07/99 porque o depósito de R$ 625,00 em 22/07/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 125,00 devolvido em 29/07/99 porque o depósito de R$ 125,00 em 27/07/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 650,00 devolvido em 09/08/99 porque o depósito de R$ 650,00 em 05/08/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 364,50, R$ 870,00, R$ 950,00 e R$ 687,00 devolvidos em 10/08/99 porque os depósitos de R$ 220,00, R$ 549,00 e R$ 975,00 em 09/08/99 não foram questionados; · Cheque de R$ 200,00 devolvido em 11/08/99 porque os depósitos de R$ 220,00, R$ 549,00 e R$ 975,00 em 09/08/99 não foram questionados; · Cheques de R$ 250,00 e R$170,00 devolvidos em 17/08/99 porque o depósito de R$ 450,00 em 16/08/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 47,00, R$ 72,00, R$ 69,00 e R$ 60,00 devolvidos em 18/08/99 porque o depósito de R$ 624,00 em 17/08/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 250,00, R$ 170,00 e R$ 170,00 devolvidos em 20/08/99 porque o depósito de R$ 420,00 em 18/08/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 47,00, R$ 72,00, R$ 69,00 e R$ 60,00 devolvidos em 23/08/99 porque o depósito de R$ 248,00 em 19/08/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 650,00, R$ 450,00, R$ 500,00, R$ 330,00 e R$ 610,00 devolvidos em 31/08/99 porque o depósito de R$ 916,41 em 30/08/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 80,00 devolvido em 01/09/99 porque o depósito de R$ 916,41 em 30/08/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 800,00 e 220,00 devolvidos em 10/09/99 porque os depósitos de R$ 220,00, R$ 947,00 e R$ 975,00 em 08/09/99 não foram questionados; Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 17 16 · Cheque de R$ 225,00 devolvido em 13/09/99 porque o depósito de R$ 968,00 em 10/09/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 100,00 devolvido em 22/09/99 porque os depósitos de R$ 978,00 e R$ 987,10 em 20/09/99 não foram questionados; · Cheque de R$ 800,00 devolvido em 18/10/99 porque o depósito de R$ 800,00 em 15/10/99 não foi questionado; · 6 (seis) cheques de R$ 85,00 devolvidos em 20/10/99 porque o depósito de R$ 510,00 em 18/10/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 267,00 devolvido em 01/11/99 porque o depósito de R$ 417,00 em 28/10/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 85,00 devolvido em 11/11/99 porque o depósito de R$ 220,00 em 09/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 85,00 devolvido em 17/11/99 porque o depósito de R$ 85,00 em 12/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 182,92 devolvido em 18/11/99 porque os depósitos de R$ 634,50 e R$ 225,00 em 17/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 240,00 devolvido em 1718/11/99 porque o depósito de R$ 634,50,00 em 17/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 685,00 devolvido em 22/11/99 porque o depósito de R$ 685,00 em 18/11/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 182,92 e R$ 240,00 devolvidos em 23/11/99 porque o depósito de R$ 422,92 em 19/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 90,00 devolvido em 25/11/99 porque o depósito de R$ 489,00 em 23/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 90,00 devolvido em 30/11/99 porque o depósito de R$ 90,00 em 26/11/99 não foi questionado; · Cheques de R$ 250,00 e R$ 380,00 devolvido em 01/12/99 porque o depósito de R$ 475,95 em 30/11/99 não foi questionado; · Cheque de R$ 380,00 devolvido em 03/12/99 porque o depósito de R$ 380,00 em 02/12/99 não foi questionado; e · Cheque de R$ 284,00 devolvido em 09/12/99 porque o depósito de R$ 284,00 em 07/12/99 não foi questionado. Nestes termos, ante a possibilidade de o cheque devolvido estar contemplado em um depósito anterior que não foi questionado e não integrou o conjunto de indícios que se prestou à presunção de omissão de receitas, sua dedução da base de cálculo não foi admitida, e Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 18 17 isto especialmente porque a contribuinte não apresentou os documentos necessários, quando intimada, para sustentar seu questionamento. Além disso, cumpre observar que cheques devolvidos em 01/03/99 (R$ 870,00, R$ 1.266,00, R$ 2.200,00 e R$ 1.745,00), 03/05/99 (R$ 2.300,00 e R$ 2.300,00) e 01/12/99 (R$ 950,00) devem ser deduzidos dos depósitos não comprovados nos meses imediatamente anteriores porque sua apresentação tem, necessariamente, aquela origem. Em síntese, os montantes de receitas omitidas podem ser reduzidos pelas parcelas demonstradas na coluna final do seguinte quadro: Período Cheques Devolvidos (A) Excluídos (B) Transferidos (C) Deduções Finais (D=AB+C) 01/99 17.847,00 17.847,00 02/99 41.317,00 1.802,00 6.081,00 45.596,00 03/99 58.472,00 3.502,00 (6.081,00) 48.889,00 04/99 49.659,00 450,00 4.600,00 53.809,00 05/99 12.878,00 1.817,00 (4.600,00) 6.461,00 06/99 11.660,00 1.125,00 10.535,00 07/99 15.909,00 2.820,00 13.089,00 08/99 79.545,00 7.767,50 71.777,50 09/99 20.187,45 1.425,00 18.762,45 10/99 18.610,00 1.310,00 17.300,00 11/99 20.894,79 2.147,84 950,00 19.696,95 12/99 25.210,00 1.294,00 (950,00) 22.966,00 Totais 372.189,24 43.307,34 328.881,90 Esclareçase, por oportuno, que embora a comprovação da origem dos depósitos bancários tenha sido regularmente exigida da contribuinte durante o procedimento fiscal, a presunção de omissão de receitas não se forma a partir de todos os valores que, questionados, não tiveram a sua origem demonstrada pelo sujeito passivo. Os históricos dos registros bancários permitem, muitas vezes, identificar que os depósitos bancários têm origem em contas do próprio sujeito passivo, ou que decorrem de empréstimos. Além disso, os registros a débito permitem apurar depósitos bancários estornados ou, como no presente caso, representados por cheques depositados e devolvidos. Assim, mesmo sem a colaboração do fiscalizado, a autoridade lançadora pode identificar os depósitos bancários efetivos, sobre os quais é possível erigir a presunção legal de omissão de receitas. Por esta razão, a mera indicação, por parte do sujeito passivo, de que depósitos bancários foram infirmados pela devolução dos cheques depositados, é suficiente para determinar as investigações aqui procedidas e, na parte em que confirmadas as ocorrências, hábil a desconstituir o indício e, por consequência, a presunção de omissão de receitas. Somente não infirmam o depósito bancário de origem não comprovada os cheques devolvidos acerca dos quais subsiste dúvida quanto ao momento em que foram depositados, dúvida que somente a contribuinte poderia solucionar, mas não o fez no curso da diligência. Em consequência, as receitas presumidamente omitidas são reduzidas na forma a seguir demonstrada: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 19 18 Depósitos de Origem Não Comprovada Período BCN Sudameris Total Deduções Omissão Final 01/99 249.886,05 249.886,05 02/99 579.527,77 579.527,77 45.596,00 533.931,77 03/99 591.057,38 591.057,38 48.889,00 542.168,38 04/99 624.936,65 624.936,65 53.809,00 571.127,65 05/99 141.821,45 141.821,45 6.461,00 135.360,45 06/99 523.865,94 523.865,94 10.535,00 513.330,94 07/99 1.052,00 393.288,51 394.340,51 13.089,00 381.251,51 08/99 409.508,58 409.508,58 71.777,50 337.731,08 09/99 251.349,43 251.349,43 18.762,45 232.586,98 10/99 5.043,04 235.276,27 240.319,31 17.300,00 223.019,31 11/99 344.259,28 344.259,28 19.696,95 324.562,33 12/99 326.498,88 326.498,88 22.966,00 303.532,88 Totais 2.193.324,34 2.484.046,89 4.677.371,23 328.881,90 4.098.603,28 Observese que o reconhecimento da decadência em janeiro/99 e a redução das receitas presumidamente omitidas têm, ainda, outro efeito na apuração dos tributos devidos na sistemática simplificada de recolhimentos: a alteração dos coeficientes utilizados para determinação dos tributos devidos, relativamente aos períodos subseqüentes, em razão da redução da receita bruta acumulada. A exigência inicial adotou os coeficientes indicados na última coluna do quadro abaixo, do qual resultaram tributos devidos sobre as receitas omitidas e insuficiência de recolhimento sobre os valores declarados, esta nos períodos em que o pagamento sobre as receitas declaradas adotou coeficiente inferior ao apurado em razão da nova receita bruta acumulada: Mês Rec.Bruta %Pago Diferença Rec.Bruta Base para o Coeficiente Apurado Coef. 1999 Declarada (fl. 05) Apurada Acumulada Rec.Decl. Om.Rec. Total Apurado jan 3.000,00 5,40% 249.886,05 252.886,05 3.000,00 117.000,00 120.000,00 5,00% 132.886,05 132.886,05 5,80% fev 579.527,77 832.413,82 579.527,77 579.527,77 7,40% rnar 5.000,00 5,40% 591.057,38 1.428.471,20 5.000,00 362.586,18 367.586,18 8,60% 228.471,20 228.471,20 10,32% abr 8.000,00 5,40% 624.936,65 2.061.407,85 8.000,00 624.936,65 632.936,65 10,32% mal 9.250,00 5,40% 141.821,45 2.212.479,30 9.250,00 141.821,45 151.071,45 10,32% jun 11.239,00 5,40% 523.865,94 2.747.584,24 11.239,00 523.865,94 535.104,94 10,32% jul 7.490,00 5,40% 394.340,51 3.149.414,75 7.490,00 394.340,51 401.830,51 10,32% ago 9.260,00 5,40% 409.508,58 3.568.183,33 9.260,00 409.508,58 418.768,58 10,32% set 7.900,00 5,40% 251.349,43 3.827.432,76 7.900,00 251.349,43 259.249,43 10,32% out 8.762,85 5,40% 240.319,31 4.076.514,92 8.762,85 240.319,31 249.082,16 10,32% nov 8.000,00 5,40% 344.259,28 4.428.774,20 8.000,00 344.259,28 352.259,28 10,32% dez 8.400,00 5,40% 326.498,88 4.763.673,08 8.400,00 326.498,88 334.898,88 10,32% Totais 86.301,85 4.677.371,23 86.301,85 4.677.371,23 4.763.673,08 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 20 19 Seguindo os mesmos critérios, mas excluindo as receitas omitidas apuradas em janeiro/99, bem como reduzindo as receitas presumidamente omitidas a partir de fevereiro/99 em razão da dedução dos cheques depositados e devolvidos, as exigências serão recalculadas segundo os seguintes coeficientes: Mês Rec.Bruta %Pago Diferença Rec.Bruta Base para o Coeficiente Apurado Coef. 1999 Declarada (fl. 05) Apurada Acumulada Rec.Decl. Om.Rec. Total Apurado jan 3.000,00 5,40% 3.000,00 3.000,00 3.000,00 5,00% fev 533.931,77 536.931,77 533.931,77 533.931,77 6,60% rnar 5.000,00 5,40% 542.168,38 1.084.100,15 5.000,00 118.068,23 123.068,23 6,60% 424.100,15 424.100,15 8,60% abr 8.000,00 5,40% 571.127,65 1.663.227,80 8.000,00 107.899,85 115.899,85 8,60% 463.227,80 463.227,80 10,32% mal 9.250,00 5,40% 135.360,45 1.807.838,25 9.250,00 135.360,45 144.610,45 10,32% jun 11.239,00 5,40% 513.330,94 2.332.408,19 11.239,00 513.330,94 524.569,94 10,32% jul 7.490,00 5,40% 381.251,51 2.721.149,70 7.490,00 381.251,51 388.741,51 10,32% ago 9.260,00 5,40% 337.731,08 3.068.140,78 9.260,00 337.731,08 346.991,08 10,32% set 7.900,00 5,40% 232.586,98 3.308.627,76 7.900,00 232.586,98 240.486,98 10,32% out 8.762,85 5,40% 223.019,31 3.540.409,92 8.762,85 223.019,31 231.782,16 10,32% nov 8.000,00 5,40% 324.562,33 3.872.972,25 8.000,00 324.562,33 332.562,33 10,32% dez 8.400,00 5,40% 303.532,88 4.184.905,13 8.400,00 303.532,88 311.932,88 10,32% Totais 86.301,85 4.098.603,28 86.301,85 4.098.603,28 4.184.905,13 Ainda, quanto à demonstração do acréscimo patrimonial para fins de incidência do imposto de renda, cumpre observar que o CARF já firmou em súmula a desnecessidade de aprofundamento do trabalho fiscal se caracterizada a existência de depósito bancário de origem não comprovada: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A incidência do IRPJ e da CSLL, porém, não se verifica sobre as receitas omitidas, mas sim sobre o lucro a partir delas determinado. E esta determinação se dá segundo a forma de tributação a que se sujeita a pessoa jurídica. No presente caso, tratandose de optante pela sistemática simplificada de recolhimento, nas alíquotas a partir de 5,4%, aplicadas sobre a receita do período, está embutido o percentual correspondente ao IRPJ, que vai de 0,13% a 0,65%, sendo este último inferior à aplicação da alíquota de 15% sobre lucro presumido nas atividades em geral, determinado pelo coeficiente de 8% incidente sobre as receitas. O mesmo se diga relativamente à CSLL, que representa de 0,4% a 1% da alíquota adotada para cálculo do SIMPLES, e equivale, aproximadamente, à aplicação da alíquota de 9% sobre a lucro presumido a 12% nas atividades em geral. Quanto à tributação, apenas, da diferença positiva obtida com a revenda de veículos, é certo que a Lei nº 9.716/98 admitiu a possibilidade de equiparação de operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, a operações de consignação: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 21 20 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Para operacionalizar esta forma de tributação, e tendo em conta especificamente o parágrafo único do seu art. 5º, a Instrução Normativa SRF nº 152/98, exige a comprovação concreta do valor de alienação e do custo dos veículos: Art. 1° A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1° Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. (negrejouse) Destaquese, inicialmente, que esta forma de tributação não está prevista para optantes do SIMPLES Federal. E nem poderia ser diferente, na medida que uma das atividades vedadas para permanência nesta sistemática de tributação é, justamente, a representação comercial (art. 9o, inciso XIII da Lei no 9.316/96). De toda sorte, para que o sujeito passivo pudesse apurar as bases de cálculo pela diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição, deveria comprovar tais valores com as notas fiscais de venda e de entrada, o que não se verificou ao longo do procedimento e do processo fiscal. No mais, está claro que a exigência não se baseia apenas em depósitos bancários, mas sim na sua omissão da escrituração e na ausência de comprovação de sua origem, como abordado extensamente na decisão recorrida, não se tratando de presunção absoluta, mas sim relativa, cumprindo à contribuinte desconstituir os indícios regularmente apontados pela Fiscalização – que tomaram como ponto de partida os extratos bancários emitidos por instituições financeiras, provas hábeis de que créditos favoreceram a fiscalizada –, providência na qual ela logrou êxito apenas parcial em seu recurso. Relativamente ao acesso às informações bancárias pela autoridade administrativa, esclareçase que os extratos bancários foram apresentados pela própria contribuinte, em resposta a intimação fiscal. Logo, não tem lugar, aqui, eventual discussão Fl. 715DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 22 21 acerca da quebra de sigilo bancário decorrente do uso da faculdade prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. A recorrente, porém, entende que a intimação fiscal para apresentação dos extratos bancários seria indevida porque não poderia ela ser forçada a produzir prova contra si mesma, e também porque, em razão desta exigência, seu direito ao sigilo bancário restou quebrado sem qualquer amparo legal. Quanto a este aspecto, cumpre esclarecer que o conhecimento da movimentação financeira do sujeito passivo pelo Fisco não poderia configurar, nem mesmo sob a ótica defendida pela recorrente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição, às autoridades administrativas, de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, parágrafo 5o e art. 6º, parágrafo único, ambos da Lei Complementar nº 105/2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário, e eventual apuração de ilícito penal. Haveria, então, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Importante citar a ementa do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no RESP nº 1.134.665/SP, sob relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 18/12/2009, julgando recurso especial representativo de controvérsia acerca do tema em questão: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringirseiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a Fl. 716DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 23 22 existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com Fl. 717DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 24 23 o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nestes termos, mais do que tratar da retroatividade da Lei Complementar nº 105/2001, o Superior Tribunal de Justiça frisou que o sigilo bancário não se presta como impedimento à apuração fiscal de patrimônio, rendimentos e atividades econômicas, com vistas a conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 25 24 Assim, nem mesmo a alegação da contribuinte de que não seria obrigada a produzir prova contra si mesma lhe socorre, ante os dispositivos legais que autorizam o Fisco, frente a negativas desta espécie, solicitar diretamente às instituições financeiras os extratos das operações realizadas pela fiscalizada. Resta afastada, nestes termos, qualquer ilicitude das provas que dão suporte à exigência, ou mesmo de ilegalidade das normas que a fundamentam. Portanto, caracterizadas as receitas omitidas por presunção legal, as quais a recorrente não logrou afastar integralmente, correta a exigência dos tributos incidentes sobre o lucro ou diretamente sobre o faturamento, consoante determina a legislação na sistemática do SIMPLES. Nestes termos, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base tributável os valores correspondentes aos cheques devolvidos que comprovadamente integraram depósitos bancários de origem não demonstrada, e reduzir as exigências em razão da recomposição dos coeficientes aplicáveis à receita apurada, determinados segundo os novos valores de receita bruta acumulada mensalmente. Quanto aos questionamentos dirigidos à aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, cabe apenas apontar a consolidação do entendimento deste Colegiado expresso em Súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. E, relativamente à penalidade aplicada, estando ela prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, qualquer discussão acerca de sua validade frente aos princípios aventados pela recorrente encontra óbice no que expresso em outra Súmula do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, relativamente à multa de ofício e aos juros de mora aqui aplicados, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Este voto, portanto, além de DECLARAR a decadência referente a janeiro/99 e REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para também exonerar os créditos tributários afetados pelas deduções de cheques devolvidos aqui admitidas e pela recomposição dos coeficientes de recolhimento do SIMPLES em razão da nova receita bruta acumulada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 719DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000064/200461 Acórdão n.º 1302001.731 S1C3T2 Fl. 26 25 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10930.907130/2011-99
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 13/09/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 30 /2 01 1- 99 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.508, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 28067.45192.300605.1.2.049028, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472471). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 533,65, referente ao pagamento efetuado em 13/09/2002, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 107.269,08. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907130/201199 Acórdão n.º 3802004.185 S3TE02 Fl. 93 3 período de apuração de 31/08/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/09/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907130/201199 Acórdão n.º 3802004.185 S3TE02 Fl. 94 5 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907130/201199 Acórdão n.º 3802004.185 S3TE02 Fl. 95 7 Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10680.005139/2004-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9101-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em resolução, retornando os autos à turma a quo para julgar o recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em resolução, retornando os autos à turma a quo para julgar o recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em resolução, retornando os autos à turma a quo para julgar o recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues, André Mendes de Moura, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 05 13 9/ 20 04 -2 3Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.005139/200423 Resolução nº 9101000.012 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração de CSLL, lavrado sob a acusação de que no ano calendário de 2002 não teriam sido computado lucros auferidos no exterior. A fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/20, verificou que a contribuinte possuía uma empresa controlada nas Ilhas Virgens Britânicas — Niobium Products Co. Ltd. que, por sua vez, controlava as seguintes empresas: • Niobuim Products Company GMBH, na Alemanha • Reference Metais Company, nos Estados Unidos; • CBMKAMM Ásia Co ltda., no Japão:. Pois bem, relatou a empresa à fiscalização: • Que, desde 1996, quando o Brasil passou a tributar os lucros auferidos no exterior, não ocorreu nenhum pagamento ou crédito de lucros para a controlada; • Que não obstante a falta de efetiva disponibilização dos lucros auferidos no exterior, na DIPJ de 1999 a contribuinte oferecera à tributação os lucros auferidos em 1996, 1997 e 1998 e, na DIPJ de 2000, o lucro auferido em 1999; • Que na DIPJ de 2001 não foram declarados lucros apurados no exterior; • Que na DIPJ de 2002, não obstante feita pela sistemática do lucro presumido, declarou os lucros apurados em 2000 e 2001, e • Que na DIPJ retificadora de 2003, ainda sob a sistemática do lucro presumido, declarou o lucro auferido em 2002. A contribuinte, não se conformando com o auto de infração, às fls.397/413 dele recorreu... (...) A douta 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, nos termos do ACÓRDÃO DRJ/JFA N°8275/04, julgando o feito, considerou o lançamento procedente em parte. Do voto condutor do Colegiado extraise, em síntese, o seguinte: • Que a tributação dos lucros auferidos no exterior entre os anos calendário de 1996 a 2001 dependia da ocorrência de uma das hipóteses de disponibilização, conforme a legislação então em vigor, sendo certo que a impugnante o fez sem que os lucros tivessem de fato sido disponibilizados; • Que, todavia, como os lucros correspondentes aos anoscalendário de 1996 a 1999 não haviam sido disponibilizados para a empresa no Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.005139/200423 Resolução nº 9101000.012 CSRFT1 Fl. 4 3 Brasil, na forma da legislação então vigente, teria restado indevida a utilização dos créditos do imposto de renda pago no exterior relativo a esses lucros; • Que, portanto, são inócuas todas as alegações apresentadas pela impugnante no sentido do aproveitamento daqueles expirados créditos, tanto com base na legislação que fundamente o lançamento como na forma do art. 273 do RIR/99, que trata da inobservância do regime de competência; • Que, neste caso concreto, devem ser afastados da base de cálculo o lançamento os lucros auferidos no exterior nos anos de 1996 a 1998, permanecendo apenas a adição referente ao anocalendário de 1999, na monta de R$ 11.378.040,00, no lugar daquelas relativas aos anos de 1996 a 1999, no valor de R$ 26.221.473,00; • Que, entretanto, não prospera a alegação da impugnante de que a CSLL devida pode ser compensada com o imposto de renda pago a maior visto que a falta de efetiva disponibilização do lucro e o conseqüente não atendimento à condição temporal estabelecida no § 4° do art. 1° da Lei 9.532/97 impedem a compensação pretendida, • Que, todavia, procede o pleito da impugnante para que seja levado em consideração o imposto pago no exterior a fim de compensar parte da CSLL relativa ao anocalendário de 2000; • Que, por fim, quanto aos demais argumentos, estes foram enfrentados quando do julgamento do processo de IRPJ. Houve, portanto, parte da decisão que foi favorável ao contribuinte, tendo a DRJ recorrido de ofício nos seguinte termos: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os membros da P. Turma de Julgamento desta Delegacia, por unanimidade, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos do voto proferido pelo relator. No que tange ao crédito exonerado, submetase à apreciação do Egrégio Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n.° 70.235/72, com as alterações posteriores, e a Portaria MF n.° 375/2001, por força de recurso necessário. Esclareçase que, quanto ao crédito exonerado, este acórdão só será definitivo após o julgamento em segunda instância. O Contribuinte foi cientificado dos termos da r. decisão em 15 de outubro de 2004 e em 05 de novembro de 1004, tempestivamente, portanto, apresentou recurso voluntário de fls. 447/467, dela recorreu, alegando, fundamentalmente, as mesmas razões de sua peça vestibular. Às fls. 479, despacho da Agência da Receita Federal em Araxá, DRF em Uberaba, encaminhando o recurso ao E. Conselho de Contribuintes, registrando que a contribuinte fizera o arrolamento de bens. A Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão cuja ementa transcrevo a seguir: Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.005139/200423 Resolução nº 9101000.012 CSRFT1 Fl. 5 4 CSLL — LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO BRASIL — COMPENSAÇÃO DO EXCEDENTE DE IRPJ PAGO NO EXTERIOR — INTELIGÊNCIA DO § 4° DO ART. 1° DA LEI 9.532/97, 411 C.C. ART. 21, § ÚNICO DA MP. 2.15835101 O art. 1, § 4°, da Lei 9.532/97, ao falar em cômputo da renda auferida no exterior por subsidiária de empresa no Brasil, no tributo por esta devido no país, como condição para aproveitamento do imposto pago no exterior, permite que este (o cômputo) se faça por ato da beneficiária última da renda, independentemente da realização, ou não, de alguma das hipóteses efetiva de disponibilizarão de lucros prevista na lei. Segue se daí, pois, que a compensação do excedente de IRPJ pago no exterior para efeitos de cálculo da CSLL, feita em face da realização da renda por ato da controladora brasileira é legitima e se coaduna com os propósitos do legislador ao tributar a renda mundial. Consta do Acórdão recorrido: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Destaquese que não foi analisado, portanto, o recurso de ofício da DRJ. A Fazenda Nacional, às fls. 494/511, apresentou recurso especial por meio do qual requer a reforma do acórdão ora fustigado, alegando contrariedade à lei no que se refere: i) à antecipação pela contribuinte da disponibilização dos lucros auferidos por controlada no exterior, e ii) aos requisitos e condições cujo cumprimento deveria ter sido observado para efetuar a compensação de imposto pago no exterior, incidente sobre lucros auferidos por controlada, com o IRPJ e a CSLL devidos no Brasil após o prazo estipulado em lei. Pede a manutenção integral do lançamento da CSLL, por considerar que: i) o comportamento do sujeito passivo de considerar disponibilizados os lucros auferidos por controlada sediada no exterior, em desacordo com o previsto na legislação de regência, é ilícito; ii) não há autorização legal para a compensação do imposto pago no exterior, incidente sobre lucros auferidos por controlada, com o IRPJ e CSLL devidos no Brasil, sobretudo após o prazo estipulado em lei; iii) o sujeito passivo deixou de adicionar ao lucro liquido, para a apuração do lucro real, os lucros auferidos no exterior por sua controlada, nos mencionados anosbase de 1996 a 2001; e iv) a autoridade autuante agiu de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizando o seu dever de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. O recurso foi admitido pelo presidente da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 512/514, sem fazer menção ao recurso de ofício da DRJ. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10680.005139/200423 Resolução nº 9101000.012 CSRFT1 Fl. 6 5 O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 521/532. O processo foi a mim distribuído por sorteio. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese à possibilidade de aproveitamento de imposto de renda pago no exterior contra débitos de CSLL, em face de aspectos temporais decorrentes da legislação de regência. Contudo, esta controvérsia não pode ser apreciada tendo em vista que o recurso de ofício não foi objeto de análise pela 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, turma que julgou os recursos voluntário e de ofício, conforme se constata pelos termos do acórdão recorrido, mas que só se manifestou sobre o recurso voluntário, provendoo. Não pode esta Turma da CSRF julgar o recurso de ofício em substituição à Turma Ordinária, sob pena de supressão de instância. Ademais, pelos termos regimentais, à CSRF só compete julgar recurso especial (art. 9o do RICARF Anexo I). Em vista disto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, por preencher os requisitos, e lhe dou provimento, mas tão somente para retornar o processo à Turma que julgou o recurso voluntário, para que se manifeste sobre o recurso de ofício. Os autos devem, depois, retornar a esta Turma para o julgamento do mérito do presente recurso especial, e dos outros, decorrentes do julgamento do recurso de ofício, caso sejam interpostos e admitidos. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000347/2001-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 28/02/1996 a 31/10/1998
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Por força do §2º do art. 62 do RICARF/2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros, nos julgamentos deste Tribunal Administrativo, as decisões do Supremo Tribunal Federal proferidas em sede de recursos com repercussão geral reconhecida.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, é de 10 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Joel Miyazaki - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/1996 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Por força do §2º do art. 62 do RICARF/2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros, nos julgamentos deste Tribunal Administrativo, as decisões do Supremo Tribunal Federal proferidas em sede de recursos com repercussão geral reconhecida. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, é de 10 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial da Fazenda negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Joel Miyazaki - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
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RESTITUÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VILELA RIBEIRO & FILHOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/1996 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Por força do §2º do art. 62 do RICARF/2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros, nos julgamentos deste Tribunal Administrativo, as decisões do Supremo Tribunal Federal proferidas em sede de recursos com repercussão geral reconhecida. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, é de 10 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Joel Miyazaki Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 03 47 /2 00 1- 13 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 258/267) contra decisão proferida no Acórdão nº. 340300.359 (efls. 238/246), de 24/05/2010, que deu provimento parcial ao recurso voluntário oferecido pela contribuinte, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1996 a 31/10/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP. INCONSTITUCIONALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL O direito de pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente, em virtude de declaração de inconstitucionalidade da legislação de regência, caduca em cinco anos contados da data da publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal, com efeito erga omnes, ou da Resolução do Senado Federal que suspende sua eficácia, conforme o caso. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não é conferida competência para apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. PIS/PASEP. VIGÊNCIA DA MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Face à. declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do art. 15 da Medida Provisória n° 1.212/95, convolada na Lei n° 9.715/98, no período de outubro/1995 a fevereiro/1996 a legislação que regia a contribuição para o PIS/Pasep era a Lei Complementar n°. 07/70 e posteriores alterações, sendo que, a partir de março/1996, aludida contribuição passou ser regulada por aquele primeiro diploma legal. Recurso provido em parte. Entendeu a turma julgadora que o prazo prescricional/decadencial de 5 anos para requerer restituição do tributo deveria ser contado a partir do dia 16/08/1999, data em que Fl. 329DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13882.000347/200113 Acórdão n.º 9303003.320 CSRFT3 Fl. 291 3 foi proferida a decisão pelo STF na ADIn nº. 14170/DF, declarando inconstitucional do art. 15 da Medida Provisória n° 1.212/95, convolada na Lei n° 9.715/98. Assim, em relação ao fato gerador ocorrido em 28/02/1996, entendeu a turma a quo não ter havido prescrição/decadência, vez que a contribuinte havia protocolizado o pedido de restituição em 02/08/2001, e decidiuse pelo cabimento da repetição pretendida. Eis o que afima o voto condutor do acórdão recorrido (efl. 245): Quanto à parcela remanescente do pedido de restituição, período fevereiro/96, não tendo se verificado a decadência do direito, deve ser repetida a diferença a maior em relação à apuração nos moldes da Lei Complementar n° 07/70 e posteriores alterações, mormente o adicional de alíquota carreado pela Lei Complementar n° 17/73, tomado como base de cálculo da exação o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, nos termos da Súmula CARP n° 15 (A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária). (negritei) Já quanto ao pedido protocolizado em 28/08/2001, referente aos fatos geradores ocorridos entre março/1996 a outubro/1998, entendeu a turma a quo incabível a restituição pretendida pela requerente, o que se verifica do seguinte trecho do voto condutor do acórdão ora recorrido (efl. 245): Com estas considerações, tendo em conta que o período de março/1996 a outubro/1998 encontrase regido pelas disposições da Medida Provisória n° 1.212/95 e reedições, convoladas na Lei n° 9.715/98, não há qualquer valor a ser repetido ao recorrente.(negritei) Recorre, pois, a Fazenda Nacional em relação ao dies a quo do prazo prescricional referente ao fato gerador ocorrido em fevereiro/1996, alegando que a contagem do referido prazo deveria iniciarse a partir da data do pagamento indevido. O recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do Despacho constante às efls. 301/302. Contrarrazões da contribuinte às efls. 303/313. É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição/decadência para fins de repetição de indébito referente a recolhimento efetuado relativo à contribuição para o PIS/PASEP. Notese que a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos entre março/1996 e outubro/1998, remanescendo o recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, por óbvio, tãosomente em relação ao fato gerador ocorrido em fevereiro/1996, período em que entendeu a turma julgadora não ter ocorrido a prescrição/decadência e que a contribuinte teria direito à repetição pretendida, razão pela qual o julgamento resultou em provimento parcial ao recurso voluntário. Salientese que o recurso fazendário limitouse à matéria relativa à prescrição, não questionando a existência ou não do direito à repetição. Por fim, ressaltese que não houve recurso especial apresentado pela contribuinte. Feitos os esclarecimentos preliminares devidos, temse que , por força do §2º do art. 62 do RICARF/2015, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo art. 543B (com repercussão geral reconhecida) da Lei nº. 5.869/73 (CPC/1973), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Desta feita, a matéria referente à prescrição da pretensão de repetição de indébito tributário já foi julgada pelo STF, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, no RE nº. 566.621, cujo julgado possui a seguinte ementa (grifos meus): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13882.000347/200113 Acórdão n.º 9303003.320 CSRFT3 Fl. 292 5 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621. Relatora Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL. DjE195 DIVULG. 10102011 PUBLIC.. 11102011) De acordo com o referido julgamento, o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de pagamentos indevidos, referentes aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 10 anos, estes aplicados tãosomente para os pedidos que tenham sido protocolizados/ajuizados antes da vigência da Lei Complementar nº. 118/2005, em 09/06/2005. Assim, até 08/06/2005, vale a chamada tese dos 5 + 5: corre o prazo de 5 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, para homologação tácita do lançamento (na forma do artigo 150, §4º do CTN); a partir daí, quando se tem por extinto o crédito tributário, passase a contar mais 5 anos para pleitear a restituição (na forma do artigo 168, I do CTN). Referida decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, de forma que, ao contribuinte que protocolizou pedido de repetição de indébito em período anterior a essa data – isto é, até 08/06/2005, inclusive goza do prazo de 10 anos para pleitear a repetição do indébito, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso ora sub judice, tendo sido o pedido administrativo de repetição de indébito protocolizado em 02/08/2001, temse que o crédito relativo ao fato gerador ocorrido Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 em fevereiro/1996 não foi alcançado pela prescrição, pois, nessa data, ainda não havia ocorrido o exaurimento do prazo decenal da prescrição. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel Miyazaki Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 19647.003911/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS. POSSIBILIDADE.
É possível a compensação de créditos tributários ante o reconhecimento da existência de saldos negativos por decisão deste Conselho, devidamente confirmada pela delegacia de jurisdição do contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS. POSSIBILIDADE. É possível a compensação de créditos tributários ante o reconhecimento da existência de saldos negativos por decisão deste Conselho, devidamente confirmada pela delegacia de jurisdição do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
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DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS. POSSIBILIDADE. É possível a compensação de créditos tributários ante o reconhecimento da existência de saldos negativos por decisão deste Conselho, devidamente confirmada pela delegacia de jurisdição do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 39 11 /2 00 6- 15 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.003911/200615 Acórdão n.º 1201001.222 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de processo de compensação que havia sido sobrestado mediante Resolução n. 1202000.163, da 2a Turma desta Câmara, até que ocorresse o julgamento definitivo do processo n. 19647.013200/200497. Como os fatos e a matéria jurídica já foram relatados naquela Resolução, peço vênia para reproduzir os seus principais trechos: Tratase de PER/DCOMP (fls. 01/04; 05/08; 09/12; 13/17 e 18/21), em que o contribuinte declarou a compensação de diversos débitos com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, exercício de 2003, no total de R$ 5.092.706,93. A DRF/RecifePE não homologou a compensação pretendida, pelas razões expostas no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 2.225), por considerar que os créditos alegados, relativos a pagamentos por estimativa e a retenções na fonte, foram integralmente utilizados para compensar débitos apurados em auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497, referente ao mesmo tributo e mesmo ano calendário. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte pediu a homologação da compensação, alegando, em síntese, que: i) a declaração de compensação foi apresentada antes da lavratura do auto de infração, o que confirma o direito creditório à época da declaração e, ii) o débito lançado no auto de infração está com a exigibilidade suspensa em face de recurso voluntário interposto contra a decisão de 1ª instância. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, consignando que “nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Cientificado dessa decisão em 25/02/2009 (cfe. AR, fl.225), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 26/03/2009 (fls. 160 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, e acrescenta: “caso porém se entenda que as declarações de compensação só poderiam ser homologadas caso provido o recurso do Recorrente interposto nos autos do processo administrativo n° 19647.013200/200497, requer então Fl. 481DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.003911/200615 Acórdão n.º 1201001.222 S1C2T1 Fl. 4 3 seja sobrestado o julgamento do presente feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário”. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte no processo n. 19647.013200/200497 foi submetido à análise da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, através do Acórdão n.º 1201000.285, de 09/07/2010, deulhe provimento parcial e determinou à unidade de jurisdição que efetuasse os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte. A decisão transitou em julgado, conforme manifestação do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exarada no Despacho n. 1201.000.094R, em 29/04/2013, que não admitiu, naquele processo, o Recurso Especial pleiteado pela Fazenda Nacional. Assim, os autos retornaram a este Conselho, após informação fiscal da Delegacia de Recife, para apreciação e julgamento das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como relatado, o crédito objeto de compensação nos autos dependia de decisão definitiva a ser prolatada no processo n. 19647.013200/200497, no qual se discutia Auto de Infração que havia recomposto o saldo negativo de IRPJ apurado pela interessada, de forma que, em princípio, não haveria créditos a compensar, nos termos do que foi destacado pela Resolução da 2a Turma: No presente caso, vale observar que a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento relativo ao anocalendário de 2002, recompôs o lucro no respectivo período utilizando os valores relativos ao IRRF e os valores pagos por estimativa correspondentes ao mesmo período utilizado na apuração do saldo negativo informado na PER/DCOMP. O auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497 foi reduzido pela compensação do IRPJ pago por estimativa e do IRRF lançados nas DIPJ, nos anos calendários de 2001 e 2002, conforme Fichas 12A, linha 18 – Imposto de Renda a pagar, nos valores apurados de R$ (11.413.421,21) e R$ (11.924.782,29), respectivamente. Com a decisão definitiva daquele processo, os autos baixaram para a Delegacia de Recife, que jurisdiciona o contribuinte, para adequação da sua situação àquilo que fora decidido pelo CARF. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.003911/200615 Acórdão n.º 1201001.222 S1C2T1 Fl. 5 4 Depois de tramitar pelos setores competentes, a autoridade responsável elaborou um Termo de Informação Fiscal, no qual indica a situação dos saldos negativos do contribuinte, a partir da seguinte cronologia: 1. A decisão proferida pela 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, conforme Acórdão nº 1201 000.285, nos autos do processo 19647.013.200/200497, tornouse definitiva na esfera administrativa, conforme decisão do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exarada no Despacho n° 1201.000.094R, em 29/04/2013. 2. A Unidade de Origem (SEFIS/DRFREC) por meio da Informação Fiscal lavrada em 19/05/2014, promoveu a apuração do saldo a pagar dos tributos autuados no processo 19647.013.200/200497, bem como, promoveu os ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. 3. O sujeito passivo foi cientificado e apresentou manifestação em 17/06/2014. 4. Houve necessidade de retificação da Informação Fiscal, face a equívocos constatados pela Fiscalização, conforme Termo de Ciência lavrado em 30/06/2014. 5. O sujeito passivo foi novamente cientificado e apresentou manifestação em 17/07/2014. 6. Finalmente, em 05/09/2014 foi lavrada nova Informação Fiscal, por meio da qual a Fiscalização se pronunciou acerca da manifestação do contribuinte. 7. Diante do exposto, solicitase que seja juntada ao presente processo cópia integral da documentação acostada no processo 19647.013.200/200497, abaixo indicada, para fins de conhecimento e adoção das medidas cabíveis. As compensações pleiteadas neste processo, no valor original de R$ 3.725.217,93 decorrem de créditos oriundos de saldos negativos do anocalendário de 2002, exercício 2003, conforme indicam as DCOMP de fls. 3/23. A Delegacia de Recife, ao aplicar a decisão proferida por este Conselho, reconheceu e convalidou a existência de saldos negativos para o período, conforme tabela a seguir: Exercício AC (Data Apuração) Acatado pela Fiscalização no TVF Utilizado para Compensar Infração neste Processo Saldo Disponível 2002 2001 (31/12/2001) 11.413.421,21 0,00 11.413.421,21 2003 2002 (31/08/2002) 11.924.782,29 0,00 11.924.782,29 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.003911/200615 Acórdão n.º 1201001.222 S1C2T1 Fl. 6 5 Como o saldo negativo disponível em 2003, apurado pela DRF depois da recomposição, é suficiente para suprir as compensações efetuadas, entendo pertinente a pretensão da interessada. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE provimento, para homologar as compensações deste processo, até o limite do crédito reconhecido pela Delegacia de Recife, observadas, no que couber, as decisões proferidas nos processos n. 19647.000697/200483, 19647.003910/200671 e 19647.003912/200660. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 16327.000540/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Heitor de Souza Lima Junior Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 40 /2 00 7- 25 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000540/200725 Acórdão n.º 2201002.746 S2C2T1 Fl. 81 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/SP1 (Fls. 28), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais DCTF, correspondente ao 1º e 4º trimestre do anocalendário de 2004, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher a título de multa de mora não paga o crédito tributário no valor de R$ 24.041,98 (fls. 15 e 16). Segundo os demonstrativos de fls. 17 a 20, a interessada pagou o tributo devido após o vencimento legal da obrigação, sem o acréscimo da multa moratória. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação de fls. 01 a 07, protocolizada em 13/04/2007, na qual, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. Passo adiante, 5ª Turma da DRJ/SP1 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Cientificado em 22/03/2011 (Fls. 36), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/04/2011 (fls. 37 a 47), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000540/200725 Acórdão n.º 2201002.746 S2C2T1 Fl. 82 3 Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado sob a justificativa de que, ao valerse de denúncia espontânea para pagamento de tributos no anocalendário de 2004, deixou a contribuinte de quitar montante correspondente à multa de mora. Em sua impugnação, alega a ora Recorrente que, a teor do art. 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação tanto da multa de ofício quanto da multa de mora, motivo pelo qual se configuraria absolutamente inconsistente a cobrança levada a efeito no Auto de Infração. Em análise àqueles argumentos, decidiu a primeira instância administrativa pela manutenção do lançamento, sob a justificativa de que, mesmo havendo a denuncia espontânea, a multa de mora seria devida; in verbis: Sobre a alegação de que o recolhimento foi efetuado de forma espontânea, o que afastaria a incidência das penalidades, cumpre destacar que se trata de valor declarado e pago em atraso e, portanto, de mero adimplemento intempestivo da obrigação. E, nesse caso, não se aplica os efeitos da espontaneidade referida no art. 138, que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações à legislação tributária desconhecidas do Fisco. (pág. 29 dos autos) Como se infere da análise do processo, a Recorrente realizou os pagamentos dos tributos, com vencimentos em 11/02/2004, 04/02/2004 e 29/12/2004, a destempo, em 27/02/2004, 31/03/2004 e 05/01/2005, respectivamente. Frisese que não há dúvidas de que o contribuinte declarou posteriormente o crédito tributário; sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de entender a fiscalização de que a denuncia espontânea não alcança a multa de mora. Especificamente quanto ao instituto da denúncia espontânea, imperioso transcreverse o art. 138 do Código Tributário Nacional: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” Ademais, a questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000540/200725 Acórdão n.º 2201002.746 S2C2T1 Fl. 83 4 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000540/200725 Acórdão n.º 2201002.746 S2C2T1 Fl. 84 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que os pagamentos extemporâneos de tributos declarados em DCTF'S, entregues após os citados pagamentos. Diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a interpretar as conseqüências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. A aludida Nota esclarece que, nos casos em que o contribuinte não apresenta DCTF, mas paga o débito, ou quando o pagamento do débito é feito concomitantemente com a entrega da DCTF, resta configurada a denúncia espontânea. Conseqüentemente, as multas moratórias não eram devidas quando dos pagamentos do IRRF realizados pelo contribuinte. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000540/200725 Acórdão n.º 2201002.746 S2C2T1 Fl. 85 6 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 18471.000499/2006-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. FRETE. AJUSTES. Para fins de comparação com o preço-parâmetro, o frete pago pelo importador, que inclusive integrou o preço de revenda, deve ser computado no custo de aquisição, ainda que pago a pessoa jurídica brasileira, relativamente ao trecho da importação efetuado em solo brasileiro.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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IMPORTAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. FRETE. AJUSTES. Para fins de comparação com o preço parâmetro, o frete pago pelo importador, que inclusive integrou o preço de revenda, deve ser computado no custo de aquisição, ainda que pago a pessoa jurídica brasileira, relativamente ao trecho da importação efetuado em solo brasileiro. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 99 /2 00 6- 78 Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 1.121/1.126, contra Acórdão nº 10517.138, de 13 de agosto de 2008, fls. 1.109/1.116, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. FRETE. AJUSTES. Para fins de comparação com o preçoparâmetro, o frete pago pelo importador integra o custo da mercadoria, ainda mais 'se assim contabilizado e declarado. Porém, o critério de cômputo do frete deve ter como características o equilíbrio do sistema1 e comparabilidade dos preços. O recurso foi interposto com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, aduzindo contrariedade aos parágrafos 6º e 7º do inciso II do art. 18 e ao art. 28, ambos da Lei nº 9.430, de 1996, além de contrariedade aos parágrafos 6º e 7º do inciso II do art. 241 do RIR/99. Destaca a Fazenda Nacional que a Fiscalização identificou que a empresa, no cálculo do Preço de Transferência, não adicionou ao preço do gás importado o valor do transporte referente à utilização do gasoduto BolíviaBrasil, que seria utilizado em toda a sua extensão para o transporte desse gás. Afirma que a legislação não faz distinção se o frete é relativo a transporte efetuado no Brasil ou no exterior e que, à luz do citado parágrafo 6º, o frete e o seguro arcados pelo importador, integram o custo. Colaciona jurisprudência do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes para corroborar sua tese, destaca que a DRJ observou que, para que não ocorra distorção na comparação do preçoparâmetro com o custo do gás importado da Bolívia, é necessário que no custo do gás importado esteja incluído o valor do transporte do gás pela utilização do gasoduto BolíviaBrasil, e pede pela manutenção dessa decisão de DRJ. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 209/2011, fls. 1.127/1.128, havendo a interessada apresentado Contrarrazões para argüir: a) que o preço pago À BG BOLÍVIA incluiu o custo do transporte do gás boliviano até o ponto de entrega situado na fronteira entre o Brasil e a Bolívia; b) que o gás boliviano adquirido foi integralmente entregue à COMGÁS, e entregue em diversos pontos do Estado de São Paulo; c) que o transporte do gás boliviano, do ponto em que recebido na fronteira brasileira até os locais de entrega no Estado de São Paulo foi Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.000499/200678 Acórdão n.º 9101002.206 CSRFT1 Fl. 1.315 3 efetuado pela TRANSPORTADORA BRASILEIRA GASODUTO BOLÍVIABRASIL S.A. TBG, às suas expensas, e no contrato consta que, além do encargo pelo transporte efetivo do gás, ela deve arcar com um encargo relativo à capacidade não utilizada; d) que não considerou como custo efetivo do gás o acréscimo do valor do frete pago à TBG; e) que o acórdão recorrido não deixou de aplicar o §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, mas apenas lhe conferiu interpretação diferente, não incluindo o frete interno, vez que este varia em função da localização do cliente final; f) que, de acordo com o Relatório da OCDE, pelo método PRL, o preço máximo de importação é obtido após retirarse, do preço de revenda, a margem bruta que compreende as despesas administrativas e de vendas do revendedor, e também o seu lucro líquido na operação, sendo este conceito adotado em nossa legislação por meio das alterações introduzidas pela Lei nº 9.959, de 2000; e g) que, de acordo com o art. 13 do DL nº 1.598, de 1977, as despesas de transporte e seguro que compõem o custo de aquisição da mercadoria são somente aquelas incorridas até a colocação do bem no estabelecimento do revendedor, ou até que este se encontre sob o seu poder e em condições de ser utilizado na sua destinação, e colaciona doutrina de Bulhões Pereira, além de voto proferido pelo ex Conselheiro Alexandre Jaguaribe, para corroborar sua tese. Pede, por fim, a interessada, que os autos de infração sejam cancelados, ou, senão isso, que tenham seu valor retificado. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidades, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A discussão reside na inclusão ou não, para efeito do cálculo do custo do produto importado para fins de determinação do Preço de Transferência pelo método PRL, do valor do frete pago pela importadora, ora interessada, a empresa transportadora brasileira. Para tanto, cumpre registrar, de início, que são fatos incontroversos que a recorrida tem como atividade importar gás natural da Bolívia , que a empresa fornecedora deste gás é uma pessoa jurídica vinculada, e que o único cliente da recorrida é a Companha de Gás de São Paulo, a COMGÁS, com a qual a interessada celebrou contrato cujos trechos destacados no Termo de Constatação de fls. 683/702, ora transcrevo: Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 “2.1 Objeto do Contrato (fls.240) A VENDEDORA aceita vender e DISPONIBILIZAR GÁS à COMPRADORA durante o PRAZO no PONTO DE ENTREGA, e acordo com as ESPECIFICAÇÕES, nas quantidades, datas e demais termos e condições definidos neste CONTRATO. A COMPRADORA aceita comprar e receber GÁS nas quantidades, datas e demais termos e condições definidos neste CONTRATO. 8.1 Pontos de Entrega (fls. 250) O GÁS será entregue pela VENDEDORA à COMPRADORA em qualquer um dos PONTOS DE ENTREGA acordados. As VENDAS DE GÁS FIRME máximas que a VENDEDORA está obrigada a DISPONIBILIZAR em cada PONTO DE ENTREGA, que são: Rio Claro, Limeira, Americana, Jaguariúna, Sumaré, Campinas, Guararema.” Ou seja, o gás não passa pelo estabelecimento do revendedor, que é a recorrida. Do contrato de compra e venda de gás celebrado entre BG Bolívia Corporation (vendedora) e a recorrida (compradora), fls. 199/236, destaco: ARTIGO 7o DO PONTO DE ENTREGA 7.1 O Gás a fornecer de acordo com os termos do presente Contrato será entregue pela Vendedora à Compradora no bordo de saída do medidor de saída GTB na interligação com o sistema TBG, junto à fronteira BolíviaBrasil. 7.2 A Vendedora será responsável pelo transporte do Gás entregue pela Vendedora nos termos do presente no Ponto de Entrega, e a Compradora será responsável pelo transporte do Gás após o Ponto de Entrega. (grifei) E no que diz respeito ao contrato celebrado relativo ao transporte no Brasil, temse que o mesmo ocorreu entre a Transportadora Brasileira Gasoduto BolíviaBrasil S.A – TBG, conforme documento de fls 676/682, tendo como objeto e zonas de entrega, respectivamente: CLÁUSULA 2 a OBJETO DO CONTRATO O presente Contrato de Transporte tem como objeto a prestação do Serviço de Transporte Firme pelo Transportador em beneficio do Carregador e está regulado pelo disposto neste Contrato de Transporte e nos Termos e Condições Gerais, parte Integrante deste Contrato. As Partes reconhecem que as alterações dos Termos e Condições Gerais deverão ser encaminhadas à ANP, para efeito do disposto no Parágrafo 1 o do Art. 58 da Lei n° 9478/97. CLÁUSULA 4 a ZONAS DE ENTREGA Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.000499/200678 Acórdão n.º 9101002.206 CSRFT1 Fl. 1.316 5 O Carregador terá o direito de requisitar que o Transportador disponibilize Quantidades de Gás em Pontos de Entrega localizados dentro da Zona de Entrega, incluindo, mas não limitado a, nos seguintes Pontos de Entrega: b) Americana/SP c) Itatiba/SP a) Limeira/SP d) Guararema/SP e) Jaguariúna/SP f) Sumaré/SP g) Campinas/SP h) Rio C!aro/SP Por ter celebrado um contrato com a empresa boliviana para receber o gás na fronteira e outro para transportar da fronteira até os pontos de entrega é que a recorrida entende que este custo de frete pago à empresa brasileira não deve ser incluído para efeito de cálculo com o preço parâmetro. Aliás, esta também foi a linha do voto vencedor no acórdão recorrido. Todavia, como se tratam de contratos entre partes vinculadas, considero oportuno trazer à colação informações do Termo de Constatação Fiscal a respeito do Gasoduto Bolívia Brasil: Informações a respeito do Gasoduto BolíviaBrasil: O Gasoduto BolíviaBrasil tem aproximadamente 3.150 km de extensão, sendo 557 km em solo boliviano e 2.593 km em solo brasileiro. Iniciase em Rio Grande na Bolívia alcançando a fronteira com o Brasil no Mato Grosso do Sul (Corumbá). O gasoduto é operado por duas empresas, uma do lado boliviano, a Gas Transboliviano S.A. GTB e outra do lado brasileiro, a Transportadora Brasileira Gasoduto BolíviaBrasil S.A. TBG, CNPJ 01.891.441/000193. Ambas empresas têm como sócios a Petrobrás, através de sua subsidiária Gaspetro Petrobrás Gás S.A. (ex Petrofertil); a BBPP Holdings Ltda, formada pela Broken Hill Proprietary Company BHP, El Paso Energy e Bristish Gás Américas Inc.; a Enron (Bolívia) C.V. a Shell e Fundos de Pensão Bolivianos. As participações acionárias das duas empresas, nos anos de 2001 e 2002, anos a que se refere a presente autuação, são demonstradas conforme abaixo: TBG ( Brasil) GTB (Bolívia) SÓCIOS % SÓCIOS % Gaspetro Petrobrás Gás S.A. 51 Gaspetro Petrobrás Gás S.A9 BBPP Holdings Ltda 29 BBPP Holdings Ltda 6 Enron 7 Enron 30 Shell 7 Shell 30 Fundos de Pensão Bolivianos 6 Fundos de Pensão Boliviano25 Conforme demonstrado acima, o grupo multinacional British'Gas ao qual pertente a empresa ora autuada, tem participação acionária no Gasoduto BolíviaBrasil, tanto em solo boliviano como em solo brasileiro. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 2. Pela utilização em solo brasileiro do Gasoduto BolíviaBrasil, a empresa ora autuada, pagou nos anos de 2001 e 2002, a título de transporte do gás à empresa Transportadora Brasileira Gasoduto BolíviaBrasil S.A. TBG, CNPJ 01.891.441/000193, as quantias de : R$ 22.184.562,39 (vinte e dois milhões cento e oitenta e quatro mil quinhentos e sessenta e dois reais e trinta e nove centavos) no ano de 2001, e, de R$ 84.812.085,61 (oitenta e quatro milhões oitocentos e doze mil e oitenta e cinco reais e sessenta e um centavos), no ano de 2002, vide balancetes às fls. 109 (anocalendário 2001) e fls. 155 (anocalendário 2002).” Consta ainda do referido termo que o gasoduto é utilizado em toda a sua extensão, ou seja, tanto em solo boliviano, como em brasileiro, e que o fluxo do gás é contínuo pois o mesmo não é descarregado na fronteira do Brasil com a Bolívia. Entretanto, em que pese haver um contrato para entrega do gás até a fronteira com a Bolívia, e outro de Corumbá até o Estado de São Paulo, com a conseqüente distribuição, o fato é que a recorrida arcou com um custo de frete para importação do produto e o incluiu na sua totalidade como custo de aquisição de mercadoria para revenda, conforme bem destacou a decisão de primeira instância ,o voto vencido da decisão recorrida, além da própria fiscalização, que consignou à fl. 696 dos autos, por ocasião do Termo de Constatação Fiscal: A terceira razão é a FISCALTRIBUTARIA, pois, tendo em vista que a empresa ora autuada considerou na formação do preço de revenda todos os seus custos, inclusive o custo por ela assumido junto à empresa Transportadora Brasileira BolíviaBrasil S/A TBG, portanto, o preçoparâmetro formado a partir do preço de revenda também tem nele embutido o valor pago à transportadora do gás. Dessa maneira, para que não haja distorção na comparação entre o preçoparâmetro com o custo do gás importado da Bolívia, é necessário que no custo do gás importado também esteja incluído o valor pago à Empresa Transportadora Brasileira Gasoduto BolíviaBrasil S.A. T BG pela empresa ora autuada. (Sublinhei) Assim, se o valor desse frete não for considerado no preço parâmetro, haverá uma distorção no cálculo. Analisando, ainda, o art. 18, §3º da Lei nº 9.430/96, na redação vigente à época, estabeleceu que “integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”, buscou o legislador dispor que todas as despesas com a importação arcadas pelo importador integram o cálculo do preço parâmatro. Atualmente o legislador permitiu a exclusão se esse transporte não for feito entre pessoas vinculadas ou com países com tributação favorecida, mas, na época, nem esta exclusão estava autorizada. Logo, devem ser incluídas todas as despesas com fretes relativas à importação, ainda que uma parte se refira a uma prestadora de serviços de transporte brasileira. No caso em análise, é se destacar que a transportadora brasileira é também pessoa jurídica vinculada, e o frete objeto desta discussão foi pago não só para a distribuição nos diversos pontos de entrega, mas também pelo transporte desde Corumbá até o local de revenda do produto. Também é oportuno esclarecer que o produto não é importado para ser revendido no estabelecimento do importador, mas sim diretamente nos seus locais de revenda. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.000499/200678 Acórdão n.º 9101002.206 CSRFT1 Fl. 1.317 7 A extensão do gasoduto no Brasil é bem maior do que a do trecho Boliviano. Excluir esses valores do cômputo do custo com fretes, ao contrário do que aduz o voto vencedor do acórdão recorrido, sequer confere comparabilidade aos preços, pois são custos bastante significativos em relação ao produto. À fl. 598, resta demonstrado que o frete em quase todos os meses de 2001 e início dos meses de 2002 chega inclusive a superar o valor do produto. A sede da importadora é no Rio de Janeiro. Ora, como bem observou a recorrida, de acordo com o art. 13 do DecretoLei nº 1.598/77, “ o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação”. Por conseguinte, o custo seria até o Rio de Janeiro. Entretanto, devese entender como “estabelecimento do contribuinte” o seu local de revenda. E se o local de revenda são os pontos da COMGÁS em São Paulo, a despesa até estes locais integra o custo de aquisição no caso em apreço, inclusive para os efeitos de computo dos ajustes de Preço de Transferência. Em relação ao argumento de estarem inclusos neste preço os encargos com Capacidade Não Utilizada, como ele também foi considerado no preço de revenda, até porque o contrato foi do tipo “ship or pay”, ou seja, o custo do transporte é devido independente da utilização ou não do gasoduto, também não podem ter sido excluídos do custo de aquisição para efeito do cálculo do preço de transferência, conforme já se manifestou a decisão recorrida, no voto vencido, cujo trecho ora colaciono: Em relação ao argumento de que o valor dos encargos de capacidade não utilizada teria de ser excluído do valor do frete, também não merece acolhida o argumento da recorrente, tendo em vista que é associado diretamente à aquisição e transporte do bem e também porque foi considerado pelo recorrente na formação do preço parâmetro. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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