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Numero do processo: 10970.720069/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado.
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OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 69 /2 01 1- 09 Fl. 559DF CARF MF 2 qualidade, negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração de PIS e COFINS relativamente ao segundo trimestre de 2006. Basicamente, nos termos do descrito no TVF, o lançamento foi levado a efeito tendo em vista o seguinte: Glosa de despesas de frete na operação de venda: valores constantes como créditos a descontar na linha 07 das fichas 6A (PIS) e 16A (COFINS) dos DACON a título de "despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda". Averba a fiscalização nos termos das legislações de regência que só poderão ser descontados créditos relativos à despesas incorridas com fretes utilizados na operação de venda e de bens adquiridos para revenda quando o ônus for suportado pelo vendedor. Intimado a segregar os lançamentos contábeis a esse título, discriminando, separadamente, as despesas com fretes na operação de venda, das despesas de combustíveis, lubrificantes, armazenagem, concluiu a fiscalização que descabe o crédito com despesas de armazenagem e que das despesas de fretes contabilizadas somente podem ser deduzidas aquelas referente a contratações "de fretes ocorridas nas operações de vendas de mercadorias", não podendo ser deduzidas as despesas com combustível e lubrificantes utilizados pela empresa em sua frota. O documento 14 detalha os valores das glosas; O outro item do auto de infração referese à subvaloração da base imponível das contribuições por não ter o contribuinte oferecido à tributação as "bonificações recebidas de fornecedores em disponibilidade". Informa a fiscalização que "o recebimento destas disponibilidades ocorreu de formas variadas, quais sejam, recursos em moeda contabilizados a débitos em contas correntes bancárias, ou ordens de pagamento sem identificação ou cheques em carteira, posteriormente destinadas a depósito em contas bancárias do sujeito passivo". Afirmou o Fisco: Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10970.720069/201109 Acórdão n.º 3402004.939 S3C4T2 Fl. 552 3 Conclui a fiscalização "que o art. 1º, § 2º, da Lei 10.637/2002 (PIS) e o art. 1º, § 2º, da Lei 10.833/2003, preconizam que os recursos auferidos a título de bonificações em disponibilidade (verbas repassadas pelos fornecedores) devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativa pois se enquadram no conceito de faturamento", e acresce: Na sequência a fiscalização detalha a forma como a empresa vinha contabilizando tais valores para demonstrar a distorção que ela acarreta, pois "esta receita de bonificações vai para a apuração da base de cálculo de IRPJ e da CSLL, mas não vai para a base de cálculo do PIS e COFINS devidos". Esta distorção fica evidenciada pela fiscalização, conforme o que abaixo reproduzse: O documento 15 demonstra os valores da base de cálculo das contribuições refeitas pelo Fisco, e os valores finais a pagar encontramse nos "Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS e da Movimentação dos Saldo de Créditos a Descontar", conforme docs. 07 e 13, respectivamente. Impugnado o lançamento, a DRJ/JFA (fls. 509/514) manteve o mesmo na íntegra. Não resignada, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 519/535). Alegou em síntese: EM RELAÇÃO À GLOSA DOS FRETES Que dedicase "ao comércio atacadista de mercadorias em geral, na modalidade de atacadistadistribuidor, adquirindo grandes quantidades de mercadorias diretamente dos fabricantes, de outros atacadistas ou de importadores, armazena, revende tais Fl. 561DF CARF MF 4 mercadorias e as entrega, diretamente nos estabelecimentos varejistas, compradores, por meio de veículos próprios e de terceiros, nos mais diversos pontos do território nacional". No ano de 2007, averba, utilizava 240 caminhões de sua propriedade para entrega de mercadorias revendidas em cerca de 1.500 estabelecimentos em pelos menos 17 estados da Federação. Entende, em suma, que para que seja admitido o princípio da nãocumulatividade "todos os custos e despesas necessárias à atividade comercial sobre os quais tenha incidido as guerreadas contribuições nas etapas anteriores sejam passíveis de creditamento". Entende que a expressão "despesas com frete" constante das leis de regências das contribuições no sistema não cumulativo "não tem um sentido único de "fretes contratados", nem pode ser interpretada de forma isolada sem se considerar todo o complexo jurídico tributário que levou à implantação da incidência do PIS e da COFINS, pelo regime nãocumulativo", discorrendo sobre tal tese. Ou seja, em suma, entende que devem ser admitidas as despesas por ela incorridas para entregar as mercadorias que revende utilizandose de frota própria. Entende que "a lei utiliza a palavra FRETE e não expressão frete contratado". Colaciona jurisprudência que vai ao encontro de sua assertiva. E conclui, no ponto, que tem direito de aproveitar, "a título de despesas com frete", os gastos incorridos e pagos, na compra de combustíveis e de lubrificantes que utilizou em veículos de sua propriedade que fizeram a entrega aos compradores das mercadorias a ele vendidas"; SOBRE AS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS DE FORNECEDORES, EM DISPONIBILIDADES Alega que tais bonificações foram recebidas incondicionalmente, independente de qualquer contrapartida por parte da compradora e que são destinados, basicamente, a reduzir os custos das diversas mercadorias compradas da empresa bonificadora com o objetivo de incentivar as vendas de seus produtos. Elas permitem, alega, que os fornecedores reduzam os custos das mercadorias a serem revendidas, "tornando os preços finais de venda mais atrativos e competitivos". Consigna que elas não representam receitas e que foram corretamente contabilizadas a crédito de contas de descontos obtidos e de uma contra representativa de ações comerciais de incentivo a vendas, e que, por tal, não integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS, e como, continua, são contas de resultado são encerradas no balanço como redutoras de custo das mercadorias vendidas e provocam aumento do lucro líquido, tendo sido tributadas pela CSLL e pelo IRPJ. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire A GLOSA DE CRÉDITOS A empresa informa que efetua, em veículos próprios, a entrega das mercadorias que revende e alega que os valores glosados da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins são indevidos visto que não há previsão de limitação alguma, quanto ao direito do contribuinte de considerar como créditos no cálculo da COFINS, de despesas realizadas com fretes feitos com utilização de veículos próprios, como é o caso dos combustíveis e lubrificantes O inciso IX do art. 3º e o inciso II do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, que admitem o crédito para a Cofins e PIS/Pasep relativamente à “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10970.720069/201109 Acórdão n.º 3402004.939 S3C4T2 Fl. 553 5 vendedor”, não se aplica à empresa, pois a armazenagem e frete aí mencionados, evidentemente, referemse aos serviços de terceiros, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, e não às despesas próprias. O transporte de produtos, executado por empresa dedicada a atividade comercial, entre seus estabelecimentos ou destes para os clientes, não caracteriza o frete da operação de venda de que trata a legislação. Ainda assim, em que pese a extensa argumentação recursal no sentido de tentar demonstrar que despesas com combustíveis e lubrificantes, quando efetuadas por empresas que efetuam a entrega das mercadorias vendidas por meio de transporte próprio, geram crédito de PIS/Pasep e Cofins, entendo que, para a solução da lide no presente lançamento, a discussão sobre se as despesas com esse tipo de operação se caracterizam como aquelas relativas “frete na operação de venda” é de todo dispensável, tendo em vista a norma de regência. Os citados incisos IX do art. 3º e II do art. 15, da Lei 10.833/2003, estabelecem para a Cofins e para o PIS/Pasep, respectivamente, que “do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Dessumese que, nos termos do comando legal transcrito, para que a empresa possa se apropriar de créditos relativo “frete na operação de venda”, é indispensável que o ônus seja suportado pelo vendedor, o que não ocorre no caso em tela. A recorrente informa que “no exercício da sua atividadefim, prevista no contrato social, de atacadistadistribuidor, revende mercadorias adquiridas no atacado, diretamente das indústrias ou de importadores, a comerciantes varejistas ou a outros atacadistas e as entrega nos estabelecimentos indicados pelos compradores, utilizando veículos (caminhões) de sua propriedade e assumindo todo o ônus do transporte (frete), cujo custo está embutido no preço das mercadorias revendidas”, e ainda que “os custos dos combustíveis consumidos são incluídos nos preços das mercadorias revendidas”. Significa dizer que a impugnante transfere o ônus da despesa de frete para o comprador, o que é exatamente o inverso do que preconiza o dispositivo legal acima citado. Na verdade, é normal no comércio atacadista, e até mesmo no varejista, a transferência do custo do transporte da mercadoria vendida ao comprador, quando o local de entrega for distante da sede da vendedora. Algumas empresas cobram o valor do frete de forma destacada, outras, como a impugnante, embutem esse valor no preço final da mercadoria vendida. Em qualquer dos casos não existe direito ao crédito de PIS/Pasep e Cofins, visto que o ônus não é suportado pelo vendedor e sim pelo comprador. Portanto, correta a glosa. A INCLUSÃO DAS BONIFICAÇÕES NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES No presente auto de infração, foram tributados como “omissão de receitas” os valores recebidos, em moeda, de fornecedores a título de bonificações cujo objetivo seria a promoção de ações comerciais e precificação. Fl. 563DF CARF MF 6 Quanto à base de cálculo da contribuição para a Cofins, a Lei 10.833/2003 estabelece: Art 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Assim, não existe dúvida de que toda e qualquer receita auferida pela empresa integra a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a para a Cofins. A impugnante alega que por não representarem receitas, os respectivos valores, em consonância com as normas brasileiras de contabilidade e os princípios contábeis geralmente aceitos, foram corretamente contabilizados a crédito de contas de descontos obtidos e uma conta representativa de ações comerciais de incentivo a vendas. Em verdade, os valores recebidos são descontos e não receitas auferidas. Ora, descontos, sejam eles incondicionais ou não, são valores que reduzem o total pago em uma determinada compra. No caso, a empresa em vez de redução recebeu um acréscimo de receita. Usando dos exemplos constantes no Termo de Verificação Fiscal (TVF), teríamos a seguinte situação: a empresa pagou R$ 100,00 recebeu os mesmos R$ 100,00 em mercadorias e mais um acréscimo de R$ 10,00. Desconto não é, visto que a adquirente ao invés de pagar menos, recebeu mais. Até se poderia admitir hipótese de desconto, se, no exemplo acima, a empresa ao receber os R$ 10,00 de bonificação usasse como base de cálculo dos créditos de PIS/Pasep e Cofins, o valor de R$ 90,00. Assim, outra não pode ser a conclusão de que tais bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Nesse sentido, vários julgados da 3ª Turma da CSRF. Como exemplo, citese o Acórdão 9303004.608, de 26/01/2017, cuja ementa, neste mérito, dispõe: COFINS NÃOCUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10970.720069/201109 Acórdão n.º 3402004.939 S3C4T2 Fl. 554 7 É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 565DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722043/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/05/2014
Interposição fraudulenta presumida
Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação.
Aplica-se a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, em co-autoria com o real beneficiário, e ainda, declara-se a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ - PARECER/CAT No. 1067/2009.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Aplicase a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ PARECER/CAT No. 1067/2009. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 20 43 /2 01 4- 65 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 261 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1666.163 (fls. 161 a 199), de 26 de fevereiro de 2015, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO – que julgou, por maioria de votos, improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 12/08/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 9.327,60, em virtude dos fatos a seguir escritos. A empresa em epígrafe não apresentou documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos que demonstre o financiamento de suas importações, o que configura a presunção legal tipificada no § 2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76 e por conseqüência a incidência da pena de perdimento. Devido a impossibilidade de apreensão das mercadorias passíveis de perdimento, incidiu o disposto no § 3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976. Assim, foi lavrado o presente Auto de Infração para a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 15/08/2014 (fls. 3), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 02/09/2014, na forma do artigo 56 do Decreto no 7.574/2011, de fls. 97 à 135, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: PRELIMINARMENTE DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO SEM MPFF (MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO) Com o simples compulsar do "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e do "Termo de Intimação SAPEA n° 030/2014", podemos observar que estão alicerçados em suposto Registro de Procedimento Fiscal de número 201400272 do qual nunca foi dado conhecimento a ora impugnante, o que já gera a nulidade de todo o procedimento. Ocorre que o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização é o meio legal e adequado para dar início ao procedimento especial de fiscalização aduaneira, e conforme verificado, nem mesmo no auto de infração consta a indicação de seu número. Transcreve trecho da Portaria Coana n° 33, de 16 de novembro de 2003. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 262 3 A Receita Federal possui meios específicos e adequados para o desempenho das suas funções, de forma a preservar os direitos dos contribuintes, nestes termos a Portaria n° 3.014 da Secretaria da Receita Federal do Brasil, já prescrevia a necessidade de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização. Transcreve trecho da Portaria n° 3.014 da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Não podemos deixar de salientar que no caso sob exame não se tem notícias da expedica̧õ de Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalizaçaõ, sendo que a impugnante nunca tomou ciência do mesmo. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E DE FUNDADA SUSPEITA Com o compulsar do "Termo de Início da Ação Fiscal e Retencã̧o de Mercadorias" e o "Termo de Intimação SAPEA nº 030/2014" não observamos em momento algum a indicaçaõ de fatos que levariam a uma fundada suspeita de ilegalidade punível com perdimento da mercadoria de forma a motivar a fiscalização. Nos "Termo de Início da ação Fiscal e Retençaõ de Mercadorias" e o "Termo de Intimação SAPEA n° 030/2014", ou mesmo do MPF, não foi encontrado fato que pudesse ser interpretado como indício de ilegalidade que pudesse submeter a presente operação de importação ao procedimento especial de fiscalização, como pretende a autoridade fiscal. Ocorre que o Decretolei 37 de 1966, recepcionado em nosso ordenamento como Lei Ordinária, que organiza os serviços aduaneiros em território nacional, é hialino ao explicitar que somente com fundada suspeita de ilegalidade a Receita Federal poderá adotar o procedimento especial de fiscalização. Transcreve o artigo 53 do DecretoLei n° 37/66. Da mesma forma o Regulamento Aduaneiro, Decreto 6759/2009, prescreve que para que uma mercadoria seja retida e submetida a processo de fiscalização devem estar presente, necessariamente fatos que embasem uma fundada suspeita de ilegalidade penalizada com perdimento de mercadoria. Transcreve o artigo 793 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Junta textos da doutrina de Paulo Cesar Alves Rocha. Junta textos da jurispruden̂cia: (TRF4 AG: 25073 PR007.04.00.025073 4); (TRF 4 AG: 10564 PR 2008.04.00.0105647). Como já mencionado, o MPFF é um instrumento de garantia do sujeito passivo que dá maior eficácia normativa ao Princípio do Devido Processo Legal. A inobservan̂cia de suas regras, a não demonstração clara e objetiva do que se pretende fiscalizar, bem como a não indicaca̧õ do que teria gerado a fundada suspeita, vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e Contraditório. Nesse sentido, é importante destacar que a autoridade fiscal deixa de apontar a fundada suspeita, ou motivar a fiscalização, e não demonstra, de forma objetiva, o objeto da fiscalização a ser executado no procedimento fiscal, o que acarreta a nulidade do procedimento fiscal. DA AUSÊNCIA DE ATRIBUIÇAÕ DO AUDITOR FISCAL Também podemos observar que até o presente momento, não foi apresentado ao contribuinte, o ato administrativo que delegou ao respeitável auditor atribuica̧õ para a execucã̧o do processo especial de fiscalizaçaõ, devidamente assinado pelo Inspetor Chefe, ou pelo Chefe do Sapea, quando houver ato de delegação de atribuica̧õ. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 263 4 Para tanto, caberia ao titular da unidade da SRF emitir MPFF determinando o início da acã̧o fiscalizadora descrita na epigrafada Instrução Normativa, nomeando auditor para sua execução, ou até mesmo delegar esta atribuição ao Chefe do Sapea, o que não resta comprovado no caso em tela. O presente caso tratase de circunstância de competência específica do Auditor Fiscal da Receita Federal que, para atuar em objeto da IN 1.169, sempre estará na dependência de ato circunstanciado e especial, emanado pelo InspetorChefe ou da COANA, nomeando um auditor federal para a execução do procedimento especial. Nesse diapasão, já restou comprovada a necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, autorizando o procedimento especial de fiscalização e nomeando Auditor Fiscal para execução. DO MÉRITO AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL Compulsando o presente auto de infraçaõ, podemos observar quando da descrição dos fatos e enquadramento legal que diz o respeitável auditor fiscal que estaria a impugnante incorrendo em ocultaca̧õ do real comprador ou responsável pela importação. Contudo, no caso em tela, para lastrear a referida multa, invocam a ocultaca̧õ do real comprador e a presuncã̧o de dano ao erário com esteio no art. 23, inciso V e parágrafos 1º e 2º do DecretoLei 1.455/76. Com a simples leitura dos dispositivos invocados fica claro que a presunção invocada não se subsume aos fatos narrados não podendo prosperar. A presunção está firmada no fato de não restar comprovado a origem dos recursos empregados na operaçaõ de importação, o que é de fácil comprovação. Junta textos da doutrina de Heleno Tavares Torres. Despreza o respeitável auditor fiscal que a Sosecal possui capital social integralizado no valor de R$1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil reais), e que no exercício de 2013 a empresa auferiu receita bruta operacional na monta de R$24.375.538,29, fechando 2013, com um lucro líquido de R$88.835,29, segundo Demonstrativo de Resultado (doc. 03). Também deixa de observar que segundo o balanço patrimonial (doc. 04) a empresa possui um ativo circulante de R$9.770.376,12 no exercício de 2013, logo é insubsistente a fundamentação de ausência da capacidade financeira. Também colacionado foram, em resposta aos quesitos 08, 14 e 15 da intimaçaõ 030/2014, comprovante de transferen̂cia eletrônica que comprova que os custos tributários foram arcados pela Sosecal, assim como, contrato de câmbio em nome da Sosecal que indica os dados bancários da Impugnante, comprovando a Disponibilidade e transferen̂cia dos recursos empregados. Nesta senda, não há que se dizer que não restou comprovada a origem dos recursos empregados na importação ou a sua efetiva transferência, estes restam comprovados pelos documentos ora colacionados jogando por terra a presunção suscitada. Junta textos da jurispruden̂cia: (TRF4a R. AC 2006.70.00.0176647/PR – 2a T. Rel. Des. Fed. Otávio Roberto Pamplona DJe 13.06.2012 p. 148) Nesta feita, por mais este motivo, deve o auto de infração ser julgado improcedente, tendo em mente que a presunção legal invocada aos fundamentos do auto de infraçaõ não prospera em face da capacidade financeira da adquirente, efetiva comprovação da origem e transferência dos recursos. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 264 5 O AUTO DE INFRAÇÃO É INTEGRALMENTE BASEADO EM INDÍCIOS A fiscalização faz inúmeras presuncõ̧es consubstanciadas em fatos e alegações não comprovados e ignora justificativas apresentadas pela importadora, não logrando êxito na sua tarefa legal de provar aquilo que afirma. Junta textos da jurispruden̂cia administrativa: (DRJFNS Ac. 0710040 Delegado da Receita Federal J. 22. 06.2007 ); (CARF Proc. 12466004106200426 (320100496) Rei. Cons. Adm. J. 01.07.2010) Junta textos da doutrina de Moacyr Amaral dos Santos. Em virtude do princípio da verdade real, aplicável ao processo administrativo, a Administracã̧o deve provar suas alegacõ̧es por meio de provas robustas, e não através de meras suposicõ̧es que não demonstram qualquer correlação entre a conduta da importadora e a ser aplicada. Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado. Portanto, tendo em vista que as alegações da RFB são baseadas apenas em suposições, sem o necessário arcabouço de provas, nem mesmo a prova do nexo de causalidade entre as condutas que esta visa penalizar e o caso concreto, não há como subsistir a imposição da pena de perdimento em questão. Assim, ante o exposto, concluise que a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência do fato, gerando a insubsistência da autuação. DA NÃO CARACTERIZAÇAÕ DA OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE Também não deve prosperar a alegação de ocultação do real adquirente. Observe que em momento algum quis a Impugnante ocultar o real adquirente, pelo contrário, desde o início declara operação de importaca̧õ por conta própria, ou seja, figura como importadora e adquirente, sendo que a respeitável autoridade aduaneira momento algum logrou êxito em comprovar que a empresa Sosecal S.A. não é a real adquirente das mercadorias. A ocultação do suposto real adquirente significa manter recôndito da relação obrigacional tributária, dolosamente, mediante o emprego de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, o verdadeiro sujeito passivo, o que geralmente se opera atendendo aos seguintes requisitos: a) conluio entre as partes: acordo prévio entre o real beneficiário, geralmente o detentor do capital, e um terceiro sem capacidade econômicofinanceira compatível com a operaçaõ de comércio exterior, que é utilizado para tentar fazer parecer às autoridades tributárias tratarse do sujeito passivo quando não o é; b) o propósito de enganar terceiro ou fraudar a lei: o fim objetivado tentar enganar a ação fiscalizatória da RFB, ocultar o real beneficiário da operação de comércio exterior e suprimir ou não recolher os tributos devidos, com o fito de fraudar a legislação; c) a discordan̂cia consciente entre a vontade e a declaraçaõ: uma terceira pessoa conscientemente tenta encobrir a verdade, o real enquadramento tributário, o real sujeito passivo, mediante declaração falsa. Ocorre que, no presente caso, nenhum destes requisitos restou demonstrado, ou até mesmo abordado, não havendo como os fatos narrados no auto de infração se subsumirem em ocultaçaõ, interposiçaõ, simulação ou fraude. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 265 6 A definicã̧o do delito de interposica̧õ fraudulenta no dizer do legislador, corresponde: aquele em que alguém prestase a intermediar negócio com recursos ou coisas que sabe ser produto de crime antecedente. A esse delito foi atribuída uma qualificação de crime equivalente à receptacã̧o, como se vê do item 23 da mencionada Exposição de Motivos da Lei n° 9.613/98. Portanto, a condição para aplicação da sanca̧õ é que a interposta pessoa saiba que os recursos financeiros empregados nas operacõ̧es tem̂ origem em um dos crimes antecedentes tipificados no artigo l9 da referida Lei. Vale aduzir que nessa conduta o dolo á essencial, portanto, a intençaõ criminal há de restar comprovada. Há de reconhecerse que essa tipologia infracional "interposição fraudulenta" tipificada no inciso III, parágrafo primeiro, do art. 19 da Lei acima, exige um NEXO DE CAUSALIDADE entre a interposta pessoa e o crime antecedente. Sem essa vinculação, que há de ser dolosa, não poderá se configurar crime algum. Junta textos da doutrina de Angela Sartori: (SARTORI, Angela, O delito de interposição fraudulenta de terceiros na importaca̧õ e o real alcance da norma. COMEXDATA, http://www.comexdata.com.br/index.php?PID=1000000501) Descabe, pois, nos termos de direito, aplicar a pena de perdimento, ou reter mercadorias a pretexto de que quaisquer outras hipotéticas infrações à legislação aduaneira pudessem configurar a referida interposição fraudulenta. Assim, uma suspeita de subfaturamento, por exemplo, não se sujeitaria a esse rito procedimental extremo, devendo solucionarse pelo Acordo de Valoração Aduaneira. Diante de todo o exposto, entendemos que a pena de perdimento aplicada aos casos de interposição fraudulenta e falsidade só insurge no mundo jurídico quando praticada com a finalidade de ocultar dinheiro ilícito, fruto de crime antecedente, nos termos do artigo 23 da Lei n° 9.613/1998. DA AUSÊNCIA DE DOLO E DE DANO AO ERÁRIO Sabese que a pena de perdimento aplicada pela fiscalizaçaõ requer a presença de expediente fraudulento ou de simulaca̧õ (dolo/máfé). No presente caso porém, não há qualquer referência a fraude ou simulação realizado pela Impugnante, entendendo a fiscalização apenas por ocultacã̧o do "real comprador" ou "responsáveis pela operação" meramente com base na variedade de produtos importados pela Impugnante. Para a caracterização do delito punível com a medida mais grave, qual seja, a pena de perdimento, é necessária a clara visualização do dolo especifico, ou seja, da consciência da prática do ato fraudulento visando a obtencã̧o de vantagem que não seria auferida de outro modo, de maneira a se justificar sua prática. A demonstraçaõ de máfé ou dolo dos agentes envolvidos na operação é exigência. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (STJ , Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 08/10/2013, TI PRIMEIRA TURMA); (STJ AgRg no REsp: 1156417 SC 2009/01746582, Relator: Ministro SÉRGIO KUKINA, Data de Julgamento: 19/09/2013, TI PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/09/2013). Cumpre ressaltar que a Impugnante possui plena capacidade econômica e financeira, como já demonstrado, para realizar as importações diretamente, não sendo necessária interposta pessoa de modo a realizar qualquer tipo de fraude. Ainda que se aceitasse a possibilidade de uma participacã̧o em interposiçaõ fraudulenta, esta se daria com o objetivo, dolo, devidamente representado, qual seja, Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 266 7 ou a incapacidade financeira de custear a importação, o que não se verifica, ou ainda o afastamento das obrigações tributária dela devida, o que nunca ocorreu. A Receita entende que a ocultaca̧õ do real adquirente ou do encomendante tem o escopo de afastar as obrigações tributárias principais e acessórias do processo de importação. Contudo, tal afastamento nunca foi verificado visto que todas as obrigações fiscais foram cumpridas, não havendo nenhum dano ao erário decorrente da referida operaçaõ. Nos casos em que a importação por encomenda não decorre de fraude comprovada, mas possui apenas interpretaca̧õ controversa das relações comerciais existentes entre a importadora e terceiros, para se definir quem seria o efetivo destinatário das mercadorias, fica premente a necessidade de caráter objetivo para a aplicação de pena de perdimento, qual seja, o dano ao erário que nunca ocorreu. O auto de infraca̧õ impugnado em momento algum aponta, de forma especifica e direta, qualquer prejuízo incorrido pelo Erário em relação aos fatos abrangidos na fiscalização e tampouco o dolo ou máfé da impugnante. Nesse sentido, a autoridade aduaneira expõe os prejuízos que condutas desta natureza podem causar, mas deixa de relacionar, no caso concreto, qual o prejuízo resultante da importação fiscalizada. Isto posto, a jurisprudência é uníssona em dizer que a pena de perdimento inexiste quando não existir dano ao Erário, ou, ainda, diante da ausen̂cia de provas sobre como o contribuinte se beneficiaria com o suposto ilícito, o que se subsume perfeitamente ao presente caso. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (STJ , Relator: Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 21/11/2006, T2 SEGUNDA TURMA); (STJ , Relator: Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Data de Julgamento: 16/02/2006, T2 SEGUNDA TURMA) Deste modo concluise que, se não houve ocultação de qualquer sujeito envolvido na operação de importacã̧o, tampouco prejuízo ao erário, dolo ou máfé da Impugnante, e sendo o caso de extrema dúvida a respeito das circunstancias materiais do fato, da extensão de seus efeitos e da autoria, da imputabilidade e da punibilidade, há de ser afastada a penalidade de perdimento das mercadorias, visto que não foi caracterizada boa ou máfé consubstanciada em dano ao Erário na operaçaõ em questão. Repitase: só há interposição fraudulenta se verificado o dolo em: 1) realizar operação a que não se tinha capacidade: 2) supressão de tributos. Reiterase: NÃO HOUVE DANO AO ERÁRIO. Ora, se não foram verificadas nenhuma dessas hipóteses. COM QUE MOTIVO A AUTORA REALIZARIA A PRÁTICA DE OCULTACÃO DO REAL ADQUIRENTE?! A pena de perdimento almeja punir os intervenientes do comércio exterior brasileiro que dolosamente transgridam as normas aduaneiras que ocasionam dano ao Erário. Dessa forma, para que a mesma seja válida e justificadamente aplicada, fazse necessária a comprovação de que o agente agiu dolosamente, bem como que o ato acarretou dano ao Erário. Impende enfatizar que não foram apresentados pela autoridade aduaneira quaisquer fatos objetivos que apontem para acõ̧es dolosamente promovidas pela impugnante a fim de infringir as normas aduaneiras. Por mais este fator, percebese que a atuaçaõ da impugnada é desmedida e totalmente contrária aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, considerada a total inexisten̂cia de elemento doloso por parte da impugnante. Pelo contrário, pela apresentaca̧õ dos documentos solicitados, atendimento a intimação fiscal e toda análise da operaçaõ só podemos concluir que não houve dolo. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 267 8 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA Conforme demonstrado nos tópicos anteriores, à ora Impugnante fora aplicada pena de multa em razão de supostos indícios de que estaria cedendo seu nome e de que haveria, interposição fraudulenta, sendo tal penalidade aplicada com base no disposto nos artigos 23, V, parágrafos 1º e 2º do DL 1.455/1976 e 33 da Lei 11.488/2007. A fiscalização faz inúmeras presuncõ̧es consubstanciadas em fatos e alegações não comprovados e ignora justificativas apresentadas pela importadora, não logrando êxito na sua tarefa legal de provar aquilo que afirma. Interessante que os ditos indícios são as únicas "provas" colacionadas aos autos para tentar comprovar a suposta ocultacã̧o do real comprador, deixando de colacionar provas admitidas em direito. Ora, a situaçaõ demandaria justamente o inverso: caberia ao Fisco demonstrar efetivamente a ocorrência da ocultação do real comprador, e a incapacidade financeira do importador. Repitase, a aludida atividade vinculada não se mostra compatível com a dúvida. Observe que em momento algum quis a Impugnante ocultar o real adquirente, pelo contrário, desde o início declara operação de importaca̧õ por conta própria, ou seja, figura como importadora e adquirente, sendo que a respeitável autoridade aduaneira em momento algum logrou êxito em comprovar que a empresa Sosecal S.A. não é a real adquirente das mercadorias. Desta feita, não há como prosperar a multa aplicada à empresa SOSECAL S.A., ora Impugnante, pois não houve comprovação que a Impugnante não é a real adquirente das mercadorias. DOS PEDIDOS Por todo o exposto, pede e espera a Impugnante seja declarada a nulidade dos Autos de Infração, nos termos das preliminares arguidas, ou caso ultrapassadas, seja reconhecida insubsisten̂cia dos mesmos, bem como, em virtude das razões aqui expendidas. Provará o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial pelos documentos em anexo, requerendo, desde já, com fulcro no art. 16, § 4º, "a" e § 5º do Decreto n° 70.235/72, a juntada posterior dos documentos necessários à comprovação do direito alegado que não estão sob sua guarda. A decisão ora recorrida julgou improcedente o pedido do Contribuinte por maioria de votos, vencidos o relator Jorge Lima Abud e o julgador Renato Yoshikawa, com a designação da julgadora Tânia Regina Coutinho Lourenço para redação do voto vencedor. Tendo em vista a decisão da DRJ/SPO negando a procedência da impugnação do Contribuinte, este ingressou com um Recurso Voluntário (fls. 207 a 236) visando modificar o Acórdão ora recorrido e julgar insubsistente o Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 268 9 O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1666.163, é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais, motivos pelo qual conheço. O acórdão recorrido ficou assim ementado (fls. 161): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/05/2014 Interposição fraudulenta presumida Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação. Aplicase a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ PARECER/CAT No. 1067/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De forma sucinta o que se discute nos autos é o fato de o beneficiário da operação de comércio exterior ser ou não o importador de fato e não haver a comprovação de origem, disponibilidade e a transferência dos recursos para realizar a referida operação. No Recurso Voluntário o Contribuinte reitera e reforça os argumentos já expostos quando da Impugnação. A Fiscalização, por meio do Auto de Infração (fls. 3 a 5), entendeu que o Contribuinte cedeu o seu nome para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação. Salientase que no presente caso, quando da análise pela DRJ, julgouse por maioria de votos improcedente o pedido do Contribuinte. Neste contexto, citase trechos do voto vencedor como razões para decidir por bem expressar os fatos e a subsunção destes à legislação aplicável (fls. 193 e seguintes): Ao apreciar a impugnação o relator demonstrou sua convicção por meio dos seguintes argumentos: Se o importador de fato, aquele que financia a importação não foi identificado – como é próprio da prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – não cabe a multa de 10% prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007, mas a declaração de inaptidão do CNPJ, prevista no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, o importador de fato poderá deixar de ter o seu CNPJ declarado inapto, na medida em que identificar para a fiscalização quem foi o financiador da importação, ou seja o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR). Assim, não se teria mais uma prática presumida, mas sim uma prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Isso a doutrina denomina de ‘denuncia premiada’ quando a interposta pessoa traz o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) para dividir consigo o pólo passivo da autuação referente à exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 269 10 Portanto, incabível a infração por "cessão de nome" tipificada no artigo 33 da Lei n° 11.488/07 para o presente caso Tendo em vista discordância de tal entendimento, algumas considerações devem ser tecidas para compreensão da conclusão prevalente. Então, vejamos: Muitas vezes a empresa prefere concentrarse em sua atividadefim, terceirizando as atividadesmeio. Isso também ocorre no comércio exterior. Por vezes, uma empresa nãoimportadora precisa importar mercadorias, e recorre a outra, especialista na área. Atualmente, há duas formas de terceirização das operações de comércio exterior reconhecidas e regulamentadas pela SRFB, sendo que ambas devem atender a determinadas condições previstas na legislação: Importação por Conta e Ordem, e Importação por Encomenda. CARACTERÍSTICAS DA IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM Na primeira, importação por conta e ordem, há o real adquirente e o importador. A importação é feita pelo importador, por conta o adquirente assume o custo da operação e ordem o adquirente toma as decisões. O importador, neste caso, é apenas um prestador de serviços. CARACTERÍSTICAS DA IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA Nesta operação, a importação é promovida por pessoa jurídica importadora, para revenda a outra encomendante predeterminada. O importador aqui é um revendedor. ESCOLHA ENTRE AS DUAS OPÇÕES: A empresa deve observar o tratamento tributário específico dessas operacõ̧es e alguns cuidados especiais, a fim de não ser surpreendida por autuação ou até mesmo perdimento das mercadorias. Há diferença de custos entre ambas, além de diferentes efeitos e obrigações tributárias a que estão sujeitas essas duas operações, não só na esfera federal, mas também no âmbito estadual. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM INTRODUÇAÕ: Nesse tipo de operaçaõ, uma empresa – a adquirente , interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços – a importadora por conta e ordem – para que esta, utilizando os recursos originários da contratante (quem suporta o custo da operação é a adquirente), providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente. (...) O QUE É A IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM ? Nela, quem importa de fato é a adquirente, pois é a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Faz isso por meio da interposta pessoa (a importadora por conta e ordem), que é mera mandatária da adquirente. Mesmo que a importadora, além de executar o despacho de importação, também intermedie o negócio no exterior, contrate transporte, seguro, etc. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 270 11 É a adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação. A operaca̧õ cambial para pagamento de uma importação por conta e ordem pode ser realizada em nome da importadora ou da adquirente, tanto faz (diferente do caso de importaca̧õ por encomenda). A importadora por conta e ordem pode, inclusive, fechar o cam̂bio em seu nome, o que não muda o fato de que a mercadoria é do adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, isso não muda o fato de que a operação ocorre efetivamente entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. REQUISITOS, CONDIÇÕES E OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS: (...) CUIDADOS ESPECIAIS: Na importação por conta e ordem de terceiro, o fato do importador, na qualidade de mandatário do adquirente, registrar a DI em seu nome, não caracteriza uma operação própria, mas, sim, por ordem do adquirente, do mandante, que o contratou para tal fim. Ainda que o importador recolha os tributos incidentes na importação, ou venha a efetuar pagamentos ao fornecedor estrangeiro, com recursos financeiros fornecidos pelo adquirente (como adiantamento ou acerto de contas) para a operação contratada, a empresa contratante é a real adquirente das mercadorias importadas e não a empresa contratada, que é, nesse caso, uma mera prestadora de serviços. Embora seja a importadora que promova o despacho de importação em seu nome e efetue o recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadorias (II, IPI, COFINSimportação, PIS/PASEPimportaca̧õ e CIDEcombustíveis), é a adquirente – a mandante da operação de importação – aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Conseqüentemente, embora o importador seja o contribuinte dos tributos federais incidentes sobre as importações, o adquirente das mercadorias é responsável solidário pelo recolhimento desses tributos, seja porque ambos tem̂ interesse comum na situaçaõ que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. (vide arts. 124, I e II da Lei no 5.172, de 1966 – CTN; arts. 103, I, e 105, III, do Decreto no 4.543, de 2002; arts. 5o , I, e 6o, I, da Lei no 10.865, de 2004; e arts. 2o e 11 da Lei no 10.336, de 2001). Ocultação do real adquirente – Interposição fraudulenta de terceiros: A caracterização de indícios de irregularidades nesse tipo de operação autoriza a aplicação de procedimentos especiais de controle, previstos na IN SRF n. 52, de 2001, na IN SRF n. 206, de 2002, assim como na IN SRF 228/02, podendo a mercadoria permanecer retida por até 180 dias, para execução do correspondente procedimento de fiscalização, visando a apurar as eventuais irregularidades ocorridas. A ocultação do real adquirente na importação, mediante fraude ou simulação, além de acarretar o perdimento da mercadoria, tem sérias implicações perante a legislação de valoração aduaneira, porque pode ocultar transações entre pessoas relacionadas – Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 271 12 que têm tratamento normativo distinto – e do Imposto de Renda, relativamente aos preços de transferência. Dispõem ainda os artigos 59 e 60 da Lei n. 10.637/2002 que se presume fraudulenta a interposição de terceiros em operação de comércio exterior quando não comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados, sujeitando a mercadoria à pena de perdimento e o importador à declaração de inaptidão de sua inscrição. Alegações da autoridade fiscal para a autuação PRESUÇÃO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E DA CESSÃO DE NOME A Declaração de Importação nº 14/08735700 foi selecionada para o canal cinza de conferência aduaneira pela CoordenaçãoGeral de AdministraçãoAduaneira – Coana. Essa seleção é decorrente de fortes evidências e também da constatação de indícios da ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias ou responsável pela operação de importação em outra DI anteriormente registrada pela Sosecal. A parametrização para o canal cinza implica na seleção da DI para submissão ao procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN RFB 1169/11 para apuração dos elementos indiciários de fraude e que são puníveis com a pena de perdimento das mercadorias objeto de infrações à legislação aduaneira. Atuando na DI 14/08735700 como adquirente das mercadorias, a Sosecal S/A é que deve dispor dos recursos necessários à realização dessa operação de importação. Analisando as operações de importação realizadas anteriormente pela Sosecal S/A foi constatado que essa empresa realizou a nacionalização de uma grande variedade de produtos. Essa diversidade de produtos exigiria um grupo de empregados significativo tanto para o gerenciamento dos diferentes fornecedores das mercadorias no exterior quanto para a distribuição dos produtos no mercado nacional, porém, foi verificado que a Sosecal S/A informou à RFB ter um quadro de funcionários composto de apenas quatro empregados. Esse fato revela mais um indício da ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias ou do responsável pela operação de importação nas DI registradas em nome da Sosecal S/A. Assim, lavrouse o auto de infração para exigência da multa prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488, de 2007. Nesse sentido, encontrase o PARECER PGFN/CAT Nº 1067/2009, que trata do assunto em pauta e sustenta a presente autuação: Ementa: CNPJ. Declaração de inaptidão da inscrição de pessoa jurídica neste cadastro. Hipótese de interposição fraudulenta na importação/exportação. Art. 81 da Lei no 9.430, de 1996 e art. 33 e parágrafo único da Lei no 11.488, de 2007. Inexistência de fundamento para retroação desta última norma. Não caracterização de pena ou sanção. CTN, art. 106, II, “c”. (...) III – CONCLUSÃO. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 272 13 54. A conclusão é: a) houve interposição fraudulenta presumida, ou seja, o real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador/exportador e este não comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação: aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição, ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei no 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e, ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ; b) se houve interposição fraudulenta e o importador/exportador ostensivo comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação: aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição, sem declaração da inaptidão no CNPJ, ou, se antes do advento desta norma, incide a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei no 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário e, caso se trate de inexistência de fato, a declaração da inaptidão da inscrição do contribuinte no CNPJ. 55. São estas as considerações que submeto à apreciação de Vossa Senhoria, propondo seja remetido o processo à Unidade consulente, para ciência deste parecer. 56. Outrossim, é recomendável que a orientação em comento seja adotada uniformemente no âmbito desta ProcuradoriaGeral e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante do que se sugere à remessa de cópia deste Parecer àquela Secretaria e às Unidades da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Assim, se o real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação, aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição. Por todo o exposto, julgo improcedente a impugnação constante do presente processo. Com o exposto, de acordo com os autos do processo e a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12466.722043/201465 Acórdão n.º 3301004.224 S3C3T1 Fl. 273 14 Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900343/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/10/2006
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 43 /2 01 2- 00 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900343/201200 Acórdão n.º 3301004.221 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.756. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900343/201200 Acórdão n.º 3301004.221 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900343/201200 Acórdão n.º 3301004.221 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.991191/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.093
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 11 91 /2 00 9- 44 Fl. 138DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.991191/200944 Acórdão n.º 3402005.093 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 140DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.991191/200944 Acórdão n.º 3402005.093 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 142DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.991191/200944 Acórdão n.º 3402005.093 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723467/2013-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 34 67 /2 01 3- 11 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10980.723467/201311 Acórdão n.º 1001000.363 S1C0T1 Fl. 145 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 12681.71, de 29/08/2014 (efls. 105/107), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional n° 00.05.42.41.77, registrado em 15.04.2013, de lavra da DRF/CuritibaPR, em face das seguintes atividades econômicas vedadas: a) 70204/00 – atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica; b) 7490 1/04 – atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários (fls.4). 2 O indeferimento foi fundamentado no art.17, inciso XI, da Lei Complementar n° 123, de 14.12.2006. 3 Em Manifestação de Inconformidade às fls.2/3, recebida em 17.05.2013, o interessado diz que “realmente a atividade apresentada no relatório é vedada ao Simples Nacional”. Afirma, contudo, que “a empresa não faz uso da atividade mencionada” e que “houve um equívoco na análise das atividades da empresa em questão por parte da Receita Federal”. 4 O interessado alega, ainda, que “as atividades que constam no CNPJ, Alteração Contratual e Alvará (conforme anexos) estão enquadradas no Simples Nacional”. Pede a inclusão no Simples Nacional. 5 A DRFCuritiba intimou, em 11.12.2013, o interessado a prestar esclarecimentos acerca das atividades econômicas realizadas (fls.17), após o que, o interessado apresentou a petição de fls.20/21, recebida em 26.12.2013, na qual reafirmou os termos da petição de fls.2/3, informando, assim, sobre suas atividades: As atividades mencionadas não configuram atividades vinculadas as instituições financeira, e nem mesmo executa nenhuma transição financeira é uma atividade que APENAS faz o envio das correspondências para as instituições financeiras Ou seja, o CNAE 66193/02: 1) EXERCE ATIVIDADE DE RECEPÇÃO E ENCAMINHAMENTOS DE PROPOSTAS REFERENTE A OPERAÇÕES DE CRÉDITO DE CONCESSÃO DE ALGUMA INSTITUIÇÃO CONTRATANTE DE SEUS SERVIÇOS; E 2) EXERCE ATIVIDADE DE RECEPÇÃO E ENCAMINHAMENTO DE PROPOSTAS REFERENTES A OPERAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL DE CONCESSÃO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA CONTRATANTE DE SEUS SERVIÇOS. A DRFCuritiba lavrou, em 26.12.2013, termo de retenção de bloco de notas fiscais de serviços, de nºs 001 a 050 (fls.77). 7 A DRF/Curitiba prestou Informação Fiscal às fls.96/99. 8 Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls.102/104. Relatados. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.723467/201311 Acórdão n.º 1001000.363 S1C0T1 Fl. 146 3 A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois "não restou demonstrado que o interessado elidiou de seu objeto social as atividades econômicas vedadas ao ingresso no Simples Nacional". O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. INTERMEDIAÇÃO E AGENCIAMENTO DE SERVIÇOS E NEGÓCIOS. Mantémse o termo de indeferimento se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 11/09/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 111, a recorrente apresentou recurso voluntário em 15/10/2014 (efls. 113/118), conforme carimbo aposto à efl. 113. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.723467/201311 Acórdão n.º 1001000.363 S1C0T1 Fl. 147 4 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto posto, como a data de ciência foi no dia 11/09/2014 (quintafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na sextafeira, dia 12/09/2014. Tendo em vista que o decurso de trinta (30) dias se deu no sábado, dia 11/10/2014, o prazo recursal encerrouse no primeiro dia útil seguinte, na segundafeira, dia 13/10/2014. Como o recurso voluntário foi apresentado em 15/10/2014, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.008736/2002-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9101-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.001764/2007-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.001764/2007-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16327.001764/200754, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 87 36 /2 00 2- 22 Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10380.008736/200222 Acórdão n.º 9101003.312 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário para deferir Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Alega a Fazenda Nacional, em apertada síntese, que o contribuinte deve demonstrar que, na data da opção (entrega da DIPJ), estava regular perante o Fisco (art. 60 da Lei nº 9.069/95). A recorrente argumenta, em síntese que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma (910100.458), cujo voto destaca o entendimento segundo o qual o contribuinte deveria comprovar a regularidade fiscal no momento em que entrega a declaração. E ressalta que a questão do momento em que se deve aferir a regularidade fiscal do contribuinte já está pacificada por meio da Súmula CARF nº 37, porém, que cabe ao contribuinte, em qualquer momento do processo administrativo, provar que na data da opção pelo benefício estava regular perante o Fisco. Ao final requer a PFN seja o recurso conhecido e provido, para reforma do acórdão recorrido, com o conseqüente indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC apresentado pelo contribuinte. Cientificada do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, a interessada apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.311, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 16327.001764/200754. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.311): O Recurso Especial manejado é tempestivo, porém precisa ser revisto no tocante à sua admissibilidade. É que, ao analisar o pleito o colegiado a quo aplicou, ao caso concreto, o enunciado da Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10380.008736/200222 Acórdão n.º 9101003.312 CSRFT1 Fl. 4 3 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. A referida Súmula CARF nº 37 foi publicada em 14/07/2010. Ocorre que o acórdão paradigma (nº 910100.458) foi proferido na sessão de 4 de novembro de 2009, sendo portanto anterior à Súmula e contraria o entendimento sumular, porque assentou entendimento no sentido de que a prova da regularidade fiscal prova da quitação somente pode ser feita até a data do despacho decisório. Observese do seguinte trecho colhido do voto: Poderia a contribuinte, até a data do despacho decisório, fazer prova de sua regularidade, em relação aos fatos geradores ocorridos até da entrega da DIPJ do anocalendário 1997, o que não o fez. Em suma: à época da entrega da DIPJ/98 pela contribuinte, efetuada em 24.04.98, conforme recibo de fls. 03, havia débitos fiscais em seu nome, não tendo a Contribuinte, até a data do despacho decisório, apresentado a posterior prova de sua regularidade fiscal, o que prejudica a concessão do beneficio fiscal requerido, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95. Assim, como o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (e alterações), tem dispositivo específico determinando que não serve como paradigma o acórdão que, na data do exame de admissibilidade, deduza tese que contrarie Súmula ou Resolução do Pleno da CSRF art. 67, § 12, III, manifestase por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674248/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2002
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS
A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz.
Numero da decisão: 3201-003.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/03/2002 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA. requereu restituição de pagamento indevido da Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 48 /2 01 1- 68 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.674248/201168 Acórdão n.º 3201003.381 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo a restituição devido à inexistência do crédito pleiteado, uma vez que o pagamento tido como origem do crédito encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente informou ser contribuinte do ICMS que incide sobre o valor da operação de saída das mercadorias do seu estabelecimento, figurando na relação jurídicotributária apenas e tão somente como agente arrecadador de uma receita do Estado, em razão do quê tem direito à restituição do valor pago a maior a título de Cofins, em decorrência da indevida inclusão em sua base de cálculo dos valores recolhidos a título de ICMS no período. Na sequência, teceu comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins e sobre o conceito de receita, faturamento e renda, apoiandose em decisões judiciais e ensinamentos de doutrinadores, alegando que o ICMS não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição ao PIS e à Cofins, que apenas transita por seus cofres em direção aos cofres públicos, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Por fim, solicitou a realização de perícia capaz de atestar que os valores por ele devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, bem como a exatidão do montante a ser restituído. Nos termos do Acórdão nº 06051.818, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento decidido ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, excetuandose a hipótese em que referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.375, de 01/02/2018, proferido no julgamento do processo 10880.674245/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.375) 1: 1 O voto da relatora originária restou vencido, sendo ora reproduzido tão somente o voto vencedor. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.674248/201168 Acórdão n.º 3201003.381 S3C2T1 Fl. 4 3 A recorrente postula o provimento de seu recurso diante da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. No voto vencido, a nobre relatora entende pela aplicação da decisão proferida pelo STF no RE 574.706/PR, julgado na sistemática de Repercussão Geral sob o fundamento de que o próprio STJ, em recente decisão, acompanhou a Corte Superior. Ocorre que, aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF2. No tema 313 do STJ "legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" temse decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos, no REsp nº 1.144.469 /PR, com trânsito em julgado em 13/03/2017, no sentido de que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins, firmada a seguinte tese:" ii) O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Deveras, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Ademais, a decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos proferida no REsp nº 1.144.469 /PR continua vigente e eficaz conquanto não reformada pelo Órgão. Conclusão Firmado nos fundamentos expostos, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.674248/201168 Acórdão n.º 3201003.381 S3C2T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000690/2006-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS IMPORTAÇÃO. LEITE EM PÓ PARA CONSUMO HUMANO. REGRAS DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. O leite em pó para o consumo humano, conforme consta aos autos, esta sendo dado ao consumo a outro que não a sua destinação, conforme dispõe o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite em pó integral como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição.
Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõe-se a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre isenção, mas também à redução de alíquota zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente.
PIS IMPORTAÇÃO. LEITE EM PÓ PARA CONSUMO HUMANO. REGRAS DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. O leite em pó para o consumo humano, conforme consta aos autos, esta sendo dado ao consumo a outro que não a sua destinação, conforme dispõe o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite em pó integral como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição.
Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõe-se a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre isenção, mas também à redução de alíquota zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente.
Numero da decisão: 9303-006.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello,que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COFINS IMPORTAÇÃO. LEITE EM PÓ PARA CONSUMO HUMANO. REGRAS DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. O leite em pó para o consumo humano, conforme consta aos autos, esta sendo dado ao consumo a outro que não a sua destinação, conforme dispõe o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite em pó integral como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição. Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõe-se a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre isenção, mas também à redução de alíquota zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente. PIS IMPORTAÇÃO. LEITE EM PÓ PARA CONSUMO HUMANO. REGRAS DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. O leite em pó para o consumo humano, conforme consta aos autos, esta sendo dado ao consumo a outro que não a sua destinação, conforme dispõe o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite em pó integral como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição. Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõe-se a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre isenção, mas também à redução de alíquota zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente.
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LEITE EM PÓ PARA CONSUMO HUMANO. REGRAS DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. O leite em pó para o consumo humano, conforme consta aos autos, esta sendo dado ao consumo a outro que não a sua destinação, conforme dispõe o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite em pó integral como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição. Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõese a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre isenção, mas também à redução de alíquota zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente. PIS IMPORTAÇÃO. LEITE EM PÓ PARA CONSUMO HUMANO. REGRAS DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. O leite em pó para o consumo humano, conforme consta aos autos, esta sendo dado ao consumo a outro que não a sua destinação, conforme dispõe o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite em pó integral como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição. Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõese a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre isenção, mas também à redução de alíquota zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 90 /2 00 6- 43 Fl. 374DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello,que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº380301.335 , proferido pela extinta 3º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a regra de redução de alíquota a zero abrange o produto importado mesmo quando utilizado na fabricação de outros produtos destinados ao consumo humano. Reproduzo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A autoridade autuante afastou a “isenção” de que trata o art. 1º, inciso XI, do Decreto nº 5.630/2005, com base no fato de que o leite em pó importado não se destinaria ao consumo humano, nos termos previstos no Decreto, mas à fabricação de chocolate e queijo, conforme informado pelo próprio contribuinte. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINSIMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. LEITE EM PÓ DESTINADO AO CONSUMO HUMANO. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11075.000690/200643 Acórdão n.º 9303006.229 CSRFT3 Fl. 375 3 A regra de redução da alíquota a zero abrange o produto importado mesmo quando utilizado na fabricação de outros produtos destinados ao consumo humano. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 PISIMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. LEITE EM PÓ DESTINADO AO CONSUMO HUMANO. A regra de redução da alíquota a zero abrange o produto importado mesmo quando utilizado na fabricação de outros produtos destinados ao consumo humano". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, requer que seja conhecido e totalmente provido o recurso. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº310200.650. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, fls.168/169. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 220/224, requer que seja negado provimento ao recurso especial ora contrarrazoado, para manter integralmente a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela extinta 3º Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que deu provimento ao recurso voluntário, por entender relativamente à interpretação extensiva aplicada ao disposto do art. 1, XI, do Decreto nº 5.630/05, que reduziu reduzindo à zero a alíquota do PISIMPORTAÇÃO e COFINSIMPORTAÇÃO, na importação de leite em pó utilizado na fabricação de produtos alimentícios. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, Fl. 376DF CARF MF 4 além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. In caso, tratase de exigência da CofinsImportação e do PISImportação em face da discordância sobre a redução das alíquotas, previstas no inciso XI do art. 1° do Decreto n° 5.630, de 2005, utilizada pela Contribuinte na importação de mercadoria (leite em pó integral) submetida a despacho aduaneiro com base na declaração de "importação" n° 06/03412860, registrada em 24/03/2006. Com efeito, para redução do PIS e da COFINS alíquota zero, encontrase prevista no inciso XI do art. 1° do Decreto n° 5.630, de 2005, que assim dispõe: Art. 1° Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social— COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: XI — leite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano. Sem embargo, a norma inserida no inciso XI do art. 10 do Decreto n° 5.630, de 2005, acima transcrita, dispõe que o único requisito para usufruir da redução, contempla apenas a mercadoria (leite em pó integral) que seja dada destinação exclusiva ao consumo humano. Isto é, não a outro produto que não o leite em pó integral. Diametralmente oposto do que consta nos autos. A própria Contribuinte declarou que o leite em pó integral ou desnatado, não se destina exclusivamente ao consumo humano, e sim, para industrialização. Vejamos: Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11075.000690/200643 Acórdão n.º 9303006.229 CSRFT3 Fl. 376 5 Fl. 378DF CARF MF 6 Dessa forma, não há o que se falar em redução das contribuições, o leite em pó, como descrito na lei, deve ser destinado exclusivamente para o consumo humano, não produto dele derivado, mesmo que destinado ao consumo humano. Resta evidente, que o produto, como afirmado pela própria Contribuinte está sendo dado ao consumo a outro que não o leite em pó integral, pois, passado pelo processo de industrialização, o leite como tal não mais existe, portanto impossível seu consumo nessa condição. Neste sentido, assiste razão a Fazenda Nacional. Contudo, a um óbice a ser vencido. Como é de conhecimento desta turma, tenho posicionamento literal sobre aplicação de anistia e isenção. Por sua vez, a decisão recorrida considerou mesmo que o produto não tenha destinação ao consumo humano, admitiu aplicação da regra que reduz a alíquota a zero, por meio de interpretação extensiva, de modo a ampliar seu alcance à hipótese não prevista em lei. Neste passo, o artigo 1º, XI, do Decreto nº 5.630/2005, deve ser interpretado literalmente, conforme dispõe o art. 111 do CTN, in verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Registrese que o art. 111 do CTN não se aplica exclusivamente isenção, mas também à redução de alíquota a zero, pois ambas as hipóteses implicam na ausência de pagamento de tributo, razão pela qual devem ser interpretadas literalmente. Pela literalidade da norma prevista no art. 1º, XI, do Decreto n 9 5.630/2005, a alíquota zero se aplica na importação de leite em pó destinado ao consumo humano, se utilizado para outra destinação, processo industrial, e produtos estranhos ao leite em pó, como queijos e chocolates, não se aplica a redução de alíquota. Por derradeiro, por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgar apenas conflitos jurisprudências, utilizo subsidiariamente em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015. Vejamos: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11075.000690/200643 Acórdão n.º 9303006.229 CSRFT3 Fl. 377 7 Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000287/2005-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CONHECIMENTO. CONTRARIEDADE À SÚMULA CARF N. 14. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁCTICA E COTEJO ANALÍTICO.
Não se pode conhecer o recurso cujo paradigma apresentado vai de encontro à Súmula CARF n. 14, e que também não diverge do acórdão recorrido por ausência de similitude fáctica, paralelamente à falta de cotejo analítico.
Numero da decisão: 9101-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo e Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 CONHECIMENTO. CONTRARIEDADE À SÚMULA CARF N. 14. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁCTICA E COTEJO ANALÍTICO. Não se pode conhecer o recurso cujo paradigma apresentado vai de encontro à Súmula CARF n. 14, e que também não diverge do acórdão recorrido por ausência de similitude fáctica, paralelamente à falta de cotejo analítico.
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CONTRARIEDADE À SÚMULA CARF N. 14. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁCTICA E COTEJO ANALÍTICO. Não se pode conhecer o recurso cujo paradigma apresentado vai de encontro à Súmula CARF n. 14, e que também não diverge do acórdão recorrido por ausência de similitude fáctica, paralelamente à falta de cotejo analítico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo e Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 87 /2 00 5- 42 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 06 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no regime do SIMPLES, relativamente ao ano calendário 2001, decorrente da acusação fiscal de (i) diferença de base de cálculo, com a imputação de multa de ofício no percentual de 150%, e (ii) insuficiência de recolhimento, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (Efls. 57 ss.), transcrito abaixo: "(...) Por outro lado, comparando os valores da receita bruta declarados na Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica, relativa ao exercício de 2002, ano calendário de 2001, com os valores escriturados nos livros fiscais, constatamos que a fiscalizada declarou à Receita Federal cerca de 11% da receita auferida no referido ano. Da mesma forma, nos exercícios de 2003 e 2004, anos calendário de 2002 e 2003, os valores da receita bruta declarados foram bastante inferiores à receita auferida nos referidos anos, representando a receita declarada 9,47% e 8,44%, respectivamente, da receita auferida naqueles anos. Relativamente ao ano calendário de 2004, em virtude de ainda não haver expirado o prazo para a entrega da Declaração Anual Simplificada bem como da DIPJ, relativa ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, esta fiscalização comparou os valores recolhidos a título de simples, com a receita escriturada nos livros fiscais da fiscalizada, tendo constatado que não houve grandes alterações na relação entre a receita auferida e a receita oferecida à tributação federal. O demonstrativo "Levantamento da Receita" anexo, doc. de fls. 61/62, apresenta os valores das vendas escrituradas nos livros fiscais da fiscalizada, o valor da receita bruta declarado na Declaração Anual Simplificada, a diferença apurada, bem como a relação percentual entre a receita declarada e a receita auferida. Neste sentido, constatamos que a fiscalizada deixou de oferecer à tributação federal a maior parte da receita auferida nos anos calendário de 2001 a 2004, ao que parece com a finalidade de reduzir o pagamento de tributo, obrigação essa amparada pela Lei 9137/96 que disciplina as microempresas e empresas de pequeno porte, cujos procedimentos encontramse configurados na Lei n. 4.729/65, art. 1, incisos I e II, e na Lei 8.137/90, art. 1, inciso I e art. 2, inciso I. Sobre as receitas omitidas incidirá multa de oficio qualificada de acordo com o artigo 44 da Lei 9430/96 (150%), e juros de mora à taxa Selic. As diferenças encontradas por esta fiscalização, relativamente ao exercício de 2002, ano calendário de 2001, constituirão base de cálculo para o lançamento dos valores não declarados do SIMPLES no ano calendário de 2001. Quanto às diferenças relativas aos demais anos calendário examinados, serão objeto de lançamento de oficio fora do SIMPLES, em virtude da exclusão da empresa desta sistemática, a partir do ano calendário de 2002. Este termo é parte integrante dos Autos de Infração a seguir lavrados, para instruir a cobrança do crédito tributário correspondente. (...)" Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 4 3 Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação (Efls. 203 ss.) sustentando os pontos enumerados pelo relatório da decisão de primeira instância: " Preliminarmente reclama a contribuinte que a empresa não pode ser unilateralmente excluída do SIMPLES por ato da receita federal sem que a mesma possa exercer seu direito de defesa. Também não pode o fisco autuar enquanto a controvérsia do ato declaratório não for definitivamente decidida na esfera administrativa. Solicita que o presente litígio seja apenas analisado após a verificação da exclusão da empresa do SIMPLES Volta a contribuinte a reclamar o seu direito de defesa, pois foi excluída do regime simplificado sem direito ao contraditório. Cita a respeito ementa de decisão judicial. A contribuinte explica que a impugnação administrativa suspende o ato de exclusão e que a decisão sobre a procedência ou não da mesma afetará diretamente os autos decorrentes da exclusão. Desta forma, conclui a contribuinte que não poderia a fiscalização realizar a autuação dos impostos e contribuições como demais pessoas jurídicas enquanto não fosse resolvido o litígio referente à exclusão do SIMPLES. Cita, ementa de acórdão da DRJ/Fortaleza e alega que os autos de infração devem ter sua exigibilidade suspensa. Afirma que foram utilizadas para apuração da receita bruta informações obtidas junto à base do Estado do Rio Grande do Norte (MOVECO) e que a contribuinte tem direito a impugnar estes dados. No mérito, nas fls. 60 a 65, a contribuinte contesta a utilização por parte da fiscalização das informações do fisco estadual, através do documento designado de MOVECO, alegando que além de ser prova emprestada, neste documento não pode ser auferida a verdadeira receita bruta da empresa, pois podem existir saídas sem ter a respectiva receita. Referese ainda que este documento não é prova e sim mero indicio que prevista ser complementado com outras provas. Na fl. 165 afirma expressamente: "Observese na sentença retro que até mesmo a prova emprestada dos livros fiscais do ICMS, por si só, não merecem fé para embasar lançamento fiscal do SIMPLES, quanto mais, um único documento do fisco estadual, como é o caso dos presentes autos". Em seguida a contribuinte reclama que a autuante errou na consideração da base de cálculo do SIMPLES, pois considerou valores declarados e as informações constantes do livro do ICMS e do fisco estadual, duplicando as bases de cálculo. às fls. 170 a 173, afirma que as multas nos percentuais de 150% e 75% são inconstitucionais. às fls. 173 a 176, reclama da aplicação da Taxa SELIC como juros de mora em matéria tributária. Finaliza requerendo a suspensão da exclusão e dos processos decorrentes e que sejam totalmente insubsistentes os autos de infração do presente processo." Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em RecifePE proferiu o acórdão n. 12.900 (Efls 234 ss.), mantendo o lançamento em questão, pelas razões resumidas na seguinte ementa: Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 5 4 "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e da Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2001. Ementa: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de aliquota inferior a efetivamente aplicável. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos imposto e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. Lançamento Procedente" Em face da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 251 ss.) basicamente nos mesmos termos de sua impugnação administrativa. Do julgamento do recurso pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resultou o acórdão n. 10323.221 (Efls. 278 ss.), em que substancialmente se manteve o lançamento, mas se afastou a qualificação da multa uma vez que não consubstanciada a fraude. Leiase a sua ementa: "SIMPLES — RECOLHIMENTOS A MENOR — Legítimo o lançamento de ofício das diferenças apuradas relativas a recolhimentos de valores declarados a menor em face da utilização de alíquota inferior a aplicável. SIMPLES — BASE DE CÁLCULO — Procede a exigência dos tributos componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença da receita bruta declarada e a registrada no Livro de Apuração do ICMS. RECEITA BRUTA — APURAÇÃO — PROVA EMPRESTADA — Não constitui prova emprestada a utilização do Livro de Apuração do ICMS para apuração da receita bruta, sendo do contribuinte o ônus da prova da existência de saídas que não configurou receitas. MULTA NÃOCONFISCO — A multa, necessariamente sanção de ato ilícito, há de ser um ônus significativamente pesado, capaz de desestimular a conduta ensejadora da sua cobrança, pelo que a ela não se aplica o princípio do não confisco. MULTA QUALIFICADA — A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam a qualificação da multa, que somente se justifica quando comprovado o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosas, descrito na Lei n° 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL — IRPJ — Face à intima relação de causa e efeito entre eles existente, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido em relação ao lançamento principal. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTONIO EDILTON QUEIROZ (FI). ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso . para excluir a qualificação da multa de Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 6 5 ofício, reduzindo seu percentual para 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Contra o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efls. 290 ss.), pretendendo fosse restabelecida a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% por ter se configurado a ação dolosa, ao qual dado seguimento pelo despacho de admissibilidade às Efls. 302 ss. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões (Efls. 312 ss.). Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose ao caso concreto, considerandose estar diante da prova suficiente à omissão de receita, mas não do evidente intuito de fraude, como prevaleceu na Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 7 6 decisão recorrida, considerase que o acórdão paradigma vai de encontro à Súmula CARF n. 14, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Não bastasse essa razão a impossibilitar o conhecimento do recurso, como previsto na regra regimental citada inicialmente, a ela adicionase a ausência de cotejo analítico no recurso e também de distanciamento entre as situações subjacentes aos acórdãos comparados. No que se refere ao cotejo, observase que a Fazenda Nacional limitouse a fazer a seguinte colocação em seu recurso quanto ao paradigma apresentado: "A tese acolhida pelo hostilizado acórdão vem sendo repelida pelas demais Câmaras que compõem o Primeiro Conselho, vejamos o acórdão paradigma extraído da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, como se infere da leitura das seguintes ementas: "Número do Recurso: 150127 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 11543.005508/200253 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: PETROMARÍTIMA LTDA. Recorrida/Interessado: 5a TURMAIDRJRIO DE JANEIRO/RJ I Data da Sessão: . 26/07/2006 00:00:00 Relator: Luis Alberto Bacelar Vida! Decisão: Acórdão 105:15847 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Ementa: ANOCALENDÁRIO: 1997, 1998 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS RETIFICAÇÃO Ficando provado nos autos, quer por laudo da Policia Federal, quer pelo conjunto de fatos analisados, a impossibilidade da Recorrente haver entregue as declarações de rendimentos retificadoras, deve ser mantido o lançamento tomandose como base as declarações originais, mormente quando existe a obrigação de serem tais declarações entregues na unidade local da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona o domicilio fiscal da declarante. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LUCRO PRESUMIDO Auferindo o contribuinte receita de diversas atividades, com percentual de presunção de lucro diferentes, cabe a aplicação do percentual relativo a atividade de maior taxação em caso de lançamento de omissão de receitas por falta de contabilização de depósitos bancários não justificados. MULTA QUALIFICADA APLICABILIDADE E PERCENTUAL Caracterizado o evidente intuito de fraude, pela prática reiterada de omitir receitas através da falta de contabilização da movimentação bancária, é aplicável a multa de oficio qualificada no percentual legalmente definido de 150%." (Destacouse) Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 8 7 Acolher o pensamento da C. Câmara é entender que a norma contida no art. 44, II, da Lei no 9.430/96, exige, além das provas carreadas aos autos demonstradoras da sua conduta dolosa, confissão da contribuinte de que tinha a consciência e vontade de praticar o ato ilícito. (...)" Vêse que não foi realizado um cotejo suficiente a proceder à devida comparação entre as decisões recorrida e paradigma, demonstrando a manifestação de posicionamentos divergentes diante do julgamento de situações fácticas semelhantes, similitude esta que também não pôde ser verificada, quando então realizado este trabalho pelo próprio julgador. Isso porque, diferentemente do acórdão recorrido, o paradigma, que partiu de uma situação fáctica de omissão de receitas decorrente da existência de depósitos bancários não contabilizados e insuficiência de recolhimento do imposto em função de utilização indevida do coeficiente do lucro presumido, discutiu a apresentação de declarações retificadoras eO mencionado percentual de presunção, pouco também se dedicando ao detalhamento da questão da qualificação. Leiase: “(…) Não vejo motivos para discórdia em tomo da efetiva entrega das declarações retificadoras do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, pois, além de outras evidências, das quais cuidaremos adiante, fica comprovado de pronto que a Recorrente não fez qualquer entrega de declaração retificadora pelo que se segue: Conforme se observa às fls. 732, expediente do Chefe do CAC Méier, este colocou a impressão dos quatro carimbos que eram utilizados para recepção de documentos a disposição do Delegado da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, o qual oficiou o Superintendente Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro no sentido de fazer a perícia dos documentos, ou seja: verificar se algum dos carimbos apostos no modelo (documento 4) corresponde aos apostos nos recibos de entrega de declaração (documentos 1,2, e 3) Em Laudo de n° 10735/04SR/RJ, fls. 739/741 os Peritos Criminal Federal CONCLUIRAM que as impressões apostas nos documentos questionados (1,2,e 3) não foram produzidas por qualquer dos carimbos que originaram as impressões do document (4). Desta maneira, não vejo motivo para maiores discussões do assunto. Se os, 4 (quatro) carimbos existentes no CAC Méier não foram utilizados para a suposta recepção, então efetivamente não houve entrega de declaração retificadora e o recebimento não tem valor pois fora dado com carimbo alheio a Secretaria da Receita Federal. Firmada assim, objetivamente, minha posição de que efetivamente não foram entregues declarações retificadoras, passemos então aos motivos subjetivos porque não teria a Recorrente apresentado tais declarações. Primeiro é extremamente estranho que num momento em que as DIPJ são enviadas por meio eletrônico, via Internet, a Recorrente tenha escolhido o CAC Méier, em jurisdição fiscal diferente da sua, inclusive em outro estado da federação, para dar procedimento a tal expediente. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 9 8 Segundo é imperativo que se a Recorrente tivesse efetivamente apresentado declaração retificadora teria também retificado sua contabilidade, seu livro caixa, o que não foi feito pois ao proceder a auditoria fiscal os Auditores Fiscais da Receita Federal se depararam com os depósitos bancários à margem da contabilidade. E atentem que são muitos, nada menos que 6 (seis) contas. Em todas as suas respostas aos termos de intimação fiscal datados de 2002, evidentemente, a Recorrente informou que os depósitos tomados posteriormente como omissão de receitas, pertenciam a outras empresas, as quais não podia identificar em face da retenção dos documentos pela Polícia Federal. Precisamente no dia 20 de maio de 2002, em resposta a termo de intimação fiscal, fls. 29, a Recorrente afirma que "...e os demais ano Calendários de 1997 e 1998, são oriundos de outras empresas de que faço parte do quadro societário, para concluir, afirmamos que esta declaração prevalece sobre qualquer outra." Em resposta a termo de intimação fls. 05, a Recorrente coloca a disposição da Fiscalização "Uma Pasta contendo Declarações I.R.P.J. 199811997; 1999/1998; Assim é que, além da divergência dos carimbos, uma acurada analise dos auto, considerando todo o exposto, me levam a convicção de que não teria motivos a Recorrente para apresentar declaração retificadora antes da chegada da fiscalização. Observamos ainda o ato falho da recorrente ao afirmar "que por razões desconhecidas, tais declarações não foram analisadas e não aparecem nos bancos de dados da Receita Federal, o que estranha, pois atuou dentro dos ditames da Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001" Estranha este relator que a Recorrente tenha entregue as declarações em 2000, obedecendo aos ditames de portaria baixada em 2001. Cumpre também repetir aqui o que já muito bem observado pela decisão recorrida, quanto às informações prestadas as fls. 7/20, em atendimento à intimação de fls. 4, fazerem referência a valores contidos nas declarações originais e não as supostas retificadoras, que naquela data já teriam sido entregues. Finalmente, e conforme já noticiado na ementa da r. Decisão recorrida a declaração retificadora deveria, obrigatoriamente, ser entregue na unidade de jurisdição da Recorrente, ou seja; na Agência da Receita Federal de Vila Velha, Espirito Santo. Entretanto, entendo que mesmo que fosse efetivamente entregue a declaração tudo continuaria como dantes, com relação ao anocalendário de 1998. É que ao retificar a DIPJ — simples declaração de informação anual, a Recorrente não teria resolvido o seu problema de declaração dos valores omitidos pois, este procedimento, obrigatoriamente deveria ter ocorrido com a retificação da DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, elemento adequado para formalização do lançamento. Pelo exposto voto por rejeitar a preliminar. 2) Quanto ao percentual de presunção aplicado. Extraímos da nona alteração contratual da Recorrente, fls. 701, que tem a mesma como ramo de atividade o comércio atacadista de combustíveis e lubrificantes não especificados e não classificados, salvatagem, transporte marítimo e rodoviário, limpeza de tanque e navio, transbordos de óleos, reciclagem de resíduo oleoso, pequenos reparos em navios, aluguel de chata e lanchas, construção de embarcações e estruturas flutuantes e o serviço de navegação de apoio portuário em geral. Conforme citado pela própria Recorrente o § 1° do artigo 24 da Lei 9.249/95, Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 10 9 assim se expressa: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1° No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Deste modo aqui ficam as palavras da lei como fundamento para rejeitar o argumento da Recorrente de que o percentual de presunção do lucro deveria ser de 1,6%. Conforme se contata dos autos a Fiscalização implorou para que a Fiscalizada informasse a origem dos recursos mantidos em 06 contas bancárias à margem da contabilidade e não foi atendida, restandolhe proceder, corretamente, como o fez. 3) Multa de 150%. Para finalizar também nego provimento a alegação que no caso a conduta omissa da Recorrente constituiu na simples não declaração do tributo, não havendo qualquer atividade tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária, não cabendo assim a multa de 150%. Aqui está, mais uma vez, a fiscalização coberta de razão ao aplicar a multa agravada, bem como os Julgadores de primeira instância que a mantiveram. Afinal de contas tratase de 6 (seis) contas em diferenciados bancos mantidas ao longo de pelo menos 02 (dois) anos à margem da contabilidade, conduta que, sem sombra de dúvidas caracteriza o intuito de ocultar da fiscalização a real receita obtida. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, com efeito extensivo aos autos de infração reflexos ou decorrentes.” Nesse sentido, conforme adiantado, para além da impossibilidade de conhecimento do recurso em razão da Súmula CARF n. 14, também não se fizeram presentes o devido cotejo analítico e o paralelismo entre as decisões recorrida e paradigma, uma vez que possuíram objetos diferentes, que não permitiram a sua comparação para fins de análise de divergência. Finalmente, anotase que os conselheiros os quais votaram pelas conclusões o fizeram por diferentes fundamentos. O conselheiro André Mendes de Moura acompanhou a relatora quanto à ausência de similitude fáctica. Cristiane Silva Costa compreendeu não ser o caso de aplicação da súmula, mas concordou com a ausência de similitude e de cotejo analítico. Rafael Vidal de Araújo anuiu com a ausência de cotejo e, Luís Flávio Neto, acompanhou integralmente a relatora, com exceção da aplicação da Súmula CARF n. 14. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13433.000287/200542 Acórdão n.º 9101003.481 CSRFT1 Fl. 11 10 Assim sendo, VOTA POR NÃO CONHECER o recurso especial. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 543DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000763/2002-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/02/1995 a 15/01/1997
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
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PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PONTES LOPES TRANSPORTES EXPRESSOS LTDA EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/02/1995 a 15/01/1997 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 07 63 /2 00 2- 23 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10855.000763/200223 Acórdão n.º 9303006.297 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 29200.035, de 21 de novembro de 2008 (efolhas 214 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 15/02/1995 a 15/01/1997 PRESCRIÇÃO DO DIREITO A RESTITUIÇÃO. Quando se pleiteia direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade da MP n° 1.212/95, por violação ao principio da anterioridade — que afastou sua aplicação no período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996—, o prazo prescricional de 5 anos para os pedidos de restituição começa a contar da publicação da decisão do STF na ADIn n° 1.4170/DF, em 16/08/1999. Assim, o direito à restituição dos valores pagos com base na referida MP podia ser exercido até 16/08/2004. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei n° 9.715/98. Aplica se, quanto aos fatos geradores entre outubro de 1995 .e fevereiro de 1996, o disposto na LC n° 7/70, nos termos da IN SRF no 6/2000. BASE DE CALCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA N° 11 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10855.000763/200223 Acórdão n.º 9303006.297 CSRFT3 Fl. 4 3 Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6° da LC n° 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp n° 144.708RS e Súmula 11, do 2° CC), sendo a alíquota de 0,75%. Em relação aos fatos geradores ocorridos até fevereiro de 1996, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito de restituição da diferença entre o valor por ele recolhido e o valor que seria efetivamente devido nos termos da LC n° 7/70. Recurso provido em parte. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 232 e segs) diz respeito ao termo inicial para contagem do prazo de repetição do indébito, se da publicação da decisão do STF na ADIn n° 1.4170/DF ou do pagamento indevido. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 358 e segs. A contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Não há reparos em relação ao exame de admissibilidade. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito; se a data da publicação do ADin nº 1.417 ou do pagamento antecipado. A decisão, contudo, deve ser tomada à luz de outra premissa. O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10855.000763/200223 Acórdão n.º 9303006.297 CSRFT3 Fl. 5 4 crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da Resolução n° 49/95 na contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição. O prazo contase, sempre, da data do pagamento do tributo/contribuição, ou, como adiante se verá, do respectivo fato gerador. Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10855.000763/200223 Acórdão n.º 9303006.297 CSRFT3 Fl. 6 5 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10855.000763/200223 Acórdão n.º 9303006.297 CSRFT3 Fl. 7 6 O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. O pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 15/02/2002, como consta à efolha 5. Não decaiu/prescreveu, por conseguinte, o direito à repetição do indébito para os recolhimentos decorrentes de fatos geradores havidos depois do dia 15/02/1992, que compreende toda matéria objeto dos autos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 401DF CARF MF
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