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Numero do processo: 16327.903792/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 92 /2 01 1- 94 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16327.903792/201194 Acórdão n.º 1301002.363 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905588/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.809
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 88 /2 01 2- 45 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.342, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.905588/201245 Acórdão n.º 3201002.809 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727941/2012-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade.
Numero da decisão: 9202-005.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 79 41 /2 01 2- 17 Fl. 232DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 48 a 52), relativa a imposto de renda da pessoa física, emitida em 19/11/2012, pela qual se procedeu à glosa de deduções de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. Essa alteração implicou lançamento de imposto suplementar de R$ 6.292,00 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, montou a R$ 11.995,69, cientificado à contribuinte em 29/11/2012 (efl. 58). Tal notificação decorreu falta de comprovação, após regular intimação, do efetivo pagamento de despesas médicas no montante de R$ 22.880,00; alegou o contribuinte que o valores teriam sido pagos em espécie, sem qualquer comprovação de seu ônus financeiro. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 27/12/2012, à efl. 02 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que tinha 84 anos de idade e realizou despesas médicas próprias pagas em dinheiro, mas apresenta declarações dos próprios médicos sobre tal ocorrência. A impugnação foi apreciada na 20ª Turma da DRJ/SPI que, por unanimidade, em 12/03/2013, no acórdão 1644.676, às efls. 102 a 106, julgou a impugnação improcedente por falta de documentação hábil e idônea para comprovar as despesas declaradas. Recurso voluntário Inconformado, o contribuinte, em 10/05/2013, apresentou recurso voluntário, às e fls. 117 a 120, no qual alega, em resumo, que: § fez prova cabal de que utilizou os serviços psiquiátricos e odontológicos e pagou por eles; § os beneficiários dos pagamentos confirmam que receberam os valores e realizaram os serviços; § se o fisco não comprova a falsidade ou inexatidão dos documentos apresentados, devem ser eles reconhecidos; § exigência de extrato bancário ou cópia de cheque para comprovação das despesas excede o que a lei demanda, pois há presunção de validade dos recibos pelo princípio da boafé. Acórdão CARF A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 16/02/2016, resultando no acórdão n° 2401004.122, às efls. 152 a 162, assim ementado: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10830.727941/201217 Acórdão n.º 9202005.461 CSRFT2 Fl. 233 3 A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, em razão da não comprovação do pagamento exigido na Notificação de Lançamento. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (Relator) e Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira fará o voto vencedor. RE do contribuinte Em 11/04/2016 (efl. 167), o contribuinte foi intimado do resultado do julgamento e, em 26/04/2016, interpôs recurso especial de divergência, às efls. 170 a 182. O contribuinte aponta divergência de entendimentos em acórdão que, diferentemente do recorrido, acatam os recibos como prova da despesa médica, bem como que essas sejam pagas em espécie. Alega ainda que no processo administrativo 10830.723077/200101, em que ocorreram as mesma glosas, de despesa e para o mesmo contribuinte, relativamente à declaração de ajuste anual de 2007, para pagamentos em espécie aos mesmos profissionais foram aceitas as deduções das despesas, ainda em sede de DRJ. Como paradigmas da divergência, indica os acórdãos: nº 10247.888, da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e nº 2802002.894 da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento. Admissibilidade do RE do contribuinte A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 10/06/2016, através do despacho de efls. 212 a 218, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que fosse analisada a divergência a respeito da comprovação de despesas médicas pagas em espécie por meio de recibos e declarações dos respectivos profissionais de saúde. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial e divergência, em 08/08/2016 (efl. 219); e apresentou contrarrazões em 20/08/2016, às efls. 220 a 230. No contraarrazoado o Procurador argumenta: Fl. 234DF CARF MF 4 a) a regra é a tributação, a dedução/isenção é exceção, por isso essa merece interpretação restritiva; b) para que se faça jus às deduções da declaração de ajuste anual é indispensável a comprovação com todos os requisitos legais, tal ônus é do contribuinte; c) documentos particulares (recibos e declarações) provam a declaração, mas não o fato declarado, cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de tais fatos com outros documentos; d) a presunção de veracidade dos recibos e declarações particulares só vale para as partes envolvidas, contestada por terceiros, o ônus de provar os fatos declarados cabe ao interessado; e) apresenta jurisprudência administrativa que confortam sua tese e pede que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Acerca do assunto, entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam, sim, a serviços comprovadamente realizados quando objeto de indagação pela autoridade fiscal, a partir de dúvida razoável, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Nesse sentido, é oportuno, conferir o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que traz essas condições para dedução desse tipo de despesa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10830.727941/201217 Acórdão n.º 9202005.461 CSRFT2 Fl. 234 5 CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que (a) as deduções estão sujeitas à comprovação e (b) deduções exageradas poderão ser glosadas inclusive sem audiência do contribuinte, conforme a seguir reproduzido: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Em uma visão sistêmica da legislação tributária, verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Portanto, em vista do exposto, podemos concluir que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais: (a) a prestação de serviço tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e (b) que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Todavia, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais ou da efetividade do serviço, e/ou do beneficiário deste e/ou do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea no caso de tal exigência, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Entendo que a conclusão acima esteja alicerçada no art. 73 do RIR/99, já transcrito. Dessarte, concluo que o acórdão recorrido esteve correto ao acatar o entendimento da instância de piso. Conclusão Pelos motivos acima expostos, voto por conhecer do recurso especial do contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 236DF CARF MF 6 Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903340/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.981
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 40 /2 01 1- 44 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903340/201144 Acórdão n.º 3302003.981 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.508. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903340/201144 Acórdão n.º 3302003.981 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903340/201144 Acórdão n.º 3302003.981 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903340/201144 Acórdão n.º 3302003.981 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.903340/201144 Acórdão n.º 3302003.981 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.721226/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/08/2012, 07/08/2012, 16/08/2012, 19/11/2012
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade das operações de importação praticadas.
IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. PENA DE CESSÃO DE NOME. A aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% do valor aduaneiro, somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente a fraude imputada com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários nas operações de importação.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA. Cumprido o ônus da prova pela fiscalização, demonstrada a ocorrência de subfaturamento dos preços de mercadorias, está correta a recomposição das bases de cálculo das operações de importação.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2012, 07/08/2012, 16/08/2012, 19/11/2012 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade das operações de importação praticadas. IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. PENA DE CESSÃO DE NOME. A aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% do valor aduaneiro, somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente a fraude imputada com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários nas operações de importação. BASE DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA. Cumprido o ônus da prova pela fiscalização, demonstrada a ocorrência de subfaturamento dos preços de mercadorias, está correta a recomposição das bases de cálculo das operações de importação. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri – Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 12 26 /2 01 3- 11 Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.470 2 Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 24ª Turma da DRJ/SPO, no Acórdão nº 1664.461, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido. Com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2012, 07/08/2012, 16/08/2012, 19/11/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA. CESSÃO DE NOME. Incorre na multa tipificada no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a pessoa jurídica importadora que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, acobertando assim o real adquirente das mercadorias. SUBFATURAMENTO. Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são contundentes no sentido de demonstrar a ocorrência de subfaturamento dos preços de mercadorias e remessa de divisas de forma ilícita ao exterior em pagamento de tais importações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório da decisão recorrida descreve os pormenores do caso em comento: O presente processo trata da aplicação de multa prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% (dez por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas pelas Declarações de Importação (DI) abaixo relacionadas, perfazendo o valor do crédito tributário exigido R$ 58.184,13. Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.471 3 As operações acima tratam de importações de embalagens para fertilizantes realizadas pela empresa TRANSPORTADORA BINACIONAL LTDA (doravante denominada BINACIONAL), fabricadas pela NEO CORP INTERNATIONAL LTD (doravante denominada NEO CORP INT), indústria localizada na Índia. Segundo o fisco, apesar de as mercadorias terem sido enviadas diretamente da Índia para o Brasil, a importadora declarou têlas adquirido de empresa sediada nos Emirados Árabes, denominada TEXCO VENTURES FZE (doravante denominada TEXCO). Referidas operações foram objeto de procedimento especial de controle aduaneiro por suspeita de fraude de valor. No curso do procedimento fiscal, compareceram perante a fiscalização para prestar esclarecimentos, CELSO ANTÔNIO GALLEGARIO (doravante denominado CELSO), presidente da BINACIONAL; CÉSAR ADOLFO DE SOUZA, despachante aduaneiro; e CHRISTOPHER PAOLO SCREMIN FIGUEIRA (doravante denominado CHRISTOPHER), apresentado como representante da empresa. Na ocasião, em que pese tenham alegado inicialmente que a negociação que antecedeu a compra das embalagens foi conduzida pessoalmente em Dubai, por CELSO, foi dito posteriormente que a negociação de preços teria sido feita por CHRISTOPHER através do seu email pessoal. Com relação à venda das embalagens, tendo em vista que todas já estariam negociadas também no mercado nacional, alegaram que teria sido MAYKOOL BARBOSA DE OLIVEIRA (doravante denominado MAYKOOL) a pessoa responsável pelas vendas às empresas brasileiras. Conforme os depoentes, CHRISTOPHER e MAYKOOL seriam ambos gerentes da BINACIONAL. Pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil revelaram que os valores declarados pela BINACIONAL nas suas importações são sensivelmente inferiores àqueles declarados pelos demais importadores em importações de produtos similares originários do mesmo país produtor no mesmo período de tempo. Enquanto os preços FOB por unidade declarados pela BINACIONAL estão entre US$ 1,81 e US$ 1,92, o preço FOB médio por unidade declarado pelos demais importadores é US$ 4,36. Segundo o fisco, as alegações da empresa de que suas embalagens seriam de qualidade inferior às dos demais não foram demonstradas. As fotos comprovando a visita ao fabricante, junto de cópia do passaporte, revelam que quem esteve na Índia visitando a NEO CORP INT foi CHRISTOPHER. A cópia do passaporte e o cartão BUYER CHINA IMPORT AND EXPORT FAIR apresentados revelam que o CELSO esteve na China, país em nada relacionado às importações sob análise. Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.472 4 Com relação ao “Contrato para Fornecimento de Produtos de Forma Fracionada”, supostamente firmado em 10/04/2012 entre BINACIONAL, TEXCO e NEO CORP INT, observa o fisco, entre outros, que: (i) embora nele conste que TEXCO é o único e exclusivo representante da fabricante NEO CORP INT, esta última possui 19 escritórios de representação distribuídos ao redor do mundo e não apenas um único em Dubai; (ii) a sede da empresa TEXCO corresponde a um endereço de caixa postal, cujo contrato de aluguel apresentado está vencido, sem assinatura do locador, sendo objeto de locação uma “mesaflexível compartilhada que tem todas as funções de uma estação de trabalho moderna com telefones, trabalho em rede e acesso à internet”, devendo o inquilino usar a instalação no máximo 5 horas por semana, devendo desocupála de seus pertences após o uso, sendo cobrado à parte qualquer excedente. Logo, conclui a autoridade fiscal que as fotos apresentadas junto com o contrato como se fossem do local não se referem à sala descrita no contrato, já que retratam aposento onde estão depositados diversos volumes de mercadorias. Pesquisas realizadas descobriram a existência de um sítio, na internet, pertencente à empresa NEO CORP BRASIL LIMITADA (doravante denominada NEO CORP BRASIL), que seria representante do fornecedor estrangeiro NEO CORP INT e que estaria localizada em Paranaguá, na Rua Bento Munhoz da Rocha, nº 1.777. Referido endereço já havia sido citado por CHRISTOPHER em seu depoimento à fiscalização como um segundo endereço da BINACIONAL, apesar de não constar nada a respeito nos cadastros da RFB. Em 22/10/2012, diligência realizada pelo fisco no citado endereço revelou que: (i) no conjunto comercial não havia qualquer identificação ostensiva da empresa que lá operava; (ii) um funcionário no local confirmou que lá operava a NEO CORP; (iii) CHRISTOPHER encontravase trabalhando no local. Instado a apresentar os e mails relacionados às negociações comerciais com TEXCO, este alegou impossibilidade em razão de haver sofrido o ataque de hackers. Em decorrência, a fiscalização gravou 2 CD’s com as mensagens eletrônicas armazenadas no computador de CHRISTOPHER, sendo os respectivos arquivos magnéticos objeto da devida autenticação. Na ocasião, foi apresentado ao fisco contrato de aluguel do local em nome de CELSO. CHRISTOPHER informou que o escritório diligenciado era da BINACIONAL, não tendo sido divulgado por questões de segurança. Quanto à empresa NEO CORP BRASIL, alegou tratarse de um projeto futuro ainda não concretizado. Da análise dos emails extraídos do computador de CHRISTOPHER, concluiu a autoridade fiscal pela existência de fato da empresa NEO CORP BRASIL, uma vez que: (i) o domínio neocorp.com.br foi adquirido e seu conteúdo formatado pelo trio CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL; (ii) a tomada de decisões no negócio de embalagens é compartilhada entre CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL, identificados como sócios da NEO CORP BRASIL, que atua como representante da fabricante indiana NEO CORP INT; (iii) as despesas decorrentes da estrutura física e operacional instalada no endereço diligenciado são discriminadas como despesas da NEO CORP BRASIL, inclusive o salário de CHRISTOPHER, quem firmou o contrato de representação com a indiana NEO CORP INT; (iv) a opção de a BINACIONAL figurar como importadora ostensiva, em detrimento da abertura de outra pessoa jurídica, deuse possivelmente em virtude de créditos tributários Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.473 5 acumulados pela transportadora que poderiam ser usufruídos na venda das embalagens, conforme orientação de contador. A fiscalização apurou, ainda, que nem a NEO CORP BRASIL nem a BINACIONAL possuem alvará expedido pela Prefeitura de Paranaguá para funcionarem no endereço diligenciado. Nem CHRISTOPHER nem MAYKOOL possuem vínculo formal com a BINACIONAL. Esta empresa, de outro lado, está localizada em endereço físico distinto do diligenciado e no endereço eletrônico “binacional.com.br”, sendo seus sócios CELSO ANTONIO CALLEGARIO E THAINA REGINA SANTANA CALLEGARIO. Conclui o fisco, assim, que a NEO CORP BRASIL, embora não tenha sido formalmente constituída, possui sítio próprio na internet, estrutura física e operacional atuantes, denominação própria, atividade definida e quadro societário distinto do da BINACIONAL, elementos que demonstram sua existência de fato, sendo ela a real adquirente das mercadorias importadas. E com relação ao contrato de fornecimento e lista de preços supostamente firmados entre BINACIONAL, TEXCO e NEO CORP INT, datado de 10/04/2012, a análise dos emails extraídos do computador de CHRISTOPHER revela que referidos documentos foram criados pela advogada MARIA EUGÊNIA CATAPRETA após a negociação com o fornecedor estrangeiro e apenas com o objetivo de fazer prova perante a Justiça Federal e a RFB da regularidade das importações, não refletindo as verdadeiras transações comerciais realizadas, tendo sido assinado apenas em agosto de 2012 pelos representantes do fabricante e do suposto vendedor. Das cotações dos preços de embalagens encontradas dentre as mensagens armazenadas no computador de trabalho de CHRISTOPHER, todas revelam preços significativamente superiores aos declarados pela BINACIONAL para as mercadorias importadas. Numa dessas mensagens, CHRISTOPHER envia a um possível fornecedor uma cotação fornecida pela própria NEO CORP INT, em 18/08/2012. Comparando a lista de preços repassada pela NEO CORP INT com as embalagens importadas pela BINACIONAL, temse que os preços CIF efetivamente pagos ao fornecedor estrangeiro, caso as transações tivessem ocorrido com base nesta lista e dependendo da gramatura de cada embalagem, teriam sido entre US$ 3,15 e US$ 3,95 nas unidades de 90X90X120 e entre US$ 5,05 e US$ 5,85 nas unidades de 90X90X140. O preço declarado pela transportadora para as unidades de 90X90X120 foi US$ 2,00 e para as unidades de 90X90X140 foi US$ 2,20. Ainda com relação aos preços efetivamente praticados nas operações, a análise dos emails extraídos do computador de CHRISTOPHER revela que (i) os preços declarados à Aduana não conferem com aqueles considerados pelos sócios (CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL) ao tratar do cálculo de custos e lucro da operação; (ii) mensagens encaminhadas a EVERALDO LUIZ PUHL, pessoa encarregada do setor financeiro do negócio de embalagens, permite demonstrar que além do câmbio oficial declarado à aduana brasileira, há um câmbio paralelo, cujo pagamento é feito via Paraguai, sendo que estes pagamentos representam aproximadamente 60% do valor total a pagar ao fornecedor estrangeiro, enquanto que os valores declarados à aduana brasileira representam apenas 40% desse valor; Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.474 6 (iii) há cópias de faturas comerciais cujo exportador declarado é a TEXCO e o importador a BINACIONAL, cujos valores são superiores aos constantes nos documentos de mesma numeração repassados à comissária de despachos EXACTA para fins de obtenção das Licenças de Importação. Segundo o fisco, a NEO CORP BRASIL, através de seus sócios CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL, produziu uma série de declarações ideologicamente falsas no intuito de enganar o DECEX e RFB, obtendo declarações de várias empresas nacionais sobre a falta de embalagens para fertilizantes (Big Bag) no mercado nacional, ressaltando que não havia a pretensão de competir com este segmento industrial brasileiro, quando se sabe que esta era a real intenção da empresa. Observa, ainda que a empresa AGROPORT COMÉRCIO DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pertencente ao MAYKOOL, foi uma das que assinou referidas declarações. Quando da diligência realizada ao endereço Av. Bento Munhoz da Rocha Netto, nº 1.777, a fiscalização encontrou documentos referentes à importação de 03 contêineres de embalagens de fertilizantes, cujo importador declarado seria a TRANSPORTADORA BINACIONAL SRL – empresa do grupo BINACIONAL localizada no Paraguai. Nestas operações, que não estariam submetidas à tributação no Brasil, o exportador declarado não era a TEXCO, mas sim o próprio fabricante NEO CORP INT, sendo o valor CIF unitário declarado de US$ 5,80. Intimadas a justificar a discrepância de preços, nem a BINACIONAL brasileira nem a paraguaia se manifestaram. A fiscalização, então, solicitou laudo técnico objetivando identificar as diferenças entre as mercadorias importadas que foram destinadas ao mercado brasileiro e aquelas destinadas ao Paraguai. Foram elaborados dois laudos técnicos, com base nos quais a fiscalização concluiu que não foram encontradas, entre as mercados destinadas ao mercado brasileiro e ao paraguaio, diferenças relevantes que justifiquem a diferença nos preços declarados. Quanto à origem dos recursos empregados nas operações de importação, apurou o fisco que: (i) a contabilidade da BINACIONAL apenas registra os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, sendo que os demais gastos envolvidos nas importações não foram contabilizados; (ii) os valores remetidos à comissária de despachos EXACTA para pagamentos dos custos envolvidos nas importações não foram identificados nos extratos bancários das contas correntes de titularidade da BINACIONAL; (iii) das nove remessas de recursos à EXACTA, apenas uma delas foi comprovada como de titularidade da BINACIONAL; (iv) BINACIONAL alegou que os recursos enviados à comissária foram objeto de saque no caixa, enquanto que extrato da EXACTA revela que ao menos um deles provém de depósito de cheque; (v) com relação a outras despesas decorrentes das operações, apurou o fisco que foram pagas por MAYKOOL, através de empresa de sua titularidade, a NACIONAL ORGANIZAÇÃO LOGÍSTICA DO TRANSPORTE DE CARGAS LTDA, e também pela BINACIONAL ASSESSORIA DE COMÉRCIO EXTERIOR E LOGÍSTICA LTDA, outra empresa do grupo BINACIONAL; (vi) não foi comprovada a destinação de valores que foram sacados, em dinheiro, da contacorrente da BINACIONAL, e transferidos para contas bancárias não identificadas. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.475 7 A partir dos elementos acima identificados, a fiscalização concluiu que a BINACIONAL apenas cedeu seu nome para figurar nas importações cuja real importadora é a NEO CORP BRASIL. A real vendedora das mercadorias seria a empresa indiana NEO CORP INT, uma vez que a TEXCO somente foi utilizada para permitir o subfaturamento das mercadorias. Caracterizaramse, assim, as infrações de fraude de valor, uso de documento falso e interposição fraudulenta de terceiros. Em consequência, foi objeto de lançamento no presente processo a multa prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% do valor aduaneiro. Referido valor foi obtido pela conversão, à taxa de câmbio da data dos fatos geradores, do valor das mercadorias, estimado com base no percentual de sonegação apurado nas operações, acrescido dos valores dos demais componentes do valor aduaneiro (frete, seguro, THC), presentes na documentação respectiva e/ou informados em sistemas. Cientificada do lançamento em 05/07/2013 (fls. 3.308/3.310), a interessada apresentou impugnação, em 16/07/2013, juntada às fls. 3.314 e seguintes, alegando em síntese que: 1) em preliminar, alega ilicitude de prova, com violação ao disposto no art. 3º da Lei 9.784/99 e aos princípios constitucionais presentes no art. 5º, incisos X, LV e LVI da CF/88. Em diligência realizada em imóvel no qual estava sendo instalada a nova sede da autuada, a autoridade aduaneira, sem a autorização judicial necessária, apoderouse de todos os arquivos e correspondências eletrônicas existentes no computador pessoal de CHRISTOPHER PAOLO SCREMIM FIGUEIRA, funcionário da autuada que não fazia parte do procedimento fiscalizatório, utilizandose de coação moral, o que caracteriza evidente desvio de poder e de finalidade. Requer, assim, sejam desentranhados dos autos todos e quaisquer arquivos obtidos no computador pessoal de CHRISTOPHER, tais como as correspondências eletrônicas e seus anexos, conforme relatórios de validação de fls. 583/634; 2) no mérito, alega que a interposição fraudulenta não ocorreu, sendo a autuada BINACIONAL a real importadora das mercadorias, inexistindo qualquer sociedade de fato entre CELSO, CHRISTOPHER E MAYKOOL; 3) esclarece que a autuada é empresa que atua há 35 anos no setor de transporte rodoviário nacional e internacional e logística, sendo extremamente séria em sua atuação. Em 2011, seu proprietário CELSO, objetivando ampliar a atuação da empresa no mercado, contratou CHRISTOPHER para contatos com fabricantes de embalagens para fertilizantes. Por omissão deste último, não foi feito o respectivo registro em sua CTPS. E como foi CHRISTOPHER quem negociou com a fabricante das embalagens, a NEO CORP INT, esta empresa forneceu por equívoco uma minuta inicial de contrato de representação indicando aquele como representante, embora o endereço informado seja o da autuada. Na contratação, ficou acertado que a autuada pagaria à CHRISTOPHER um bônus por cada operação realizada; 4) a BINACIONAL, então, fechou uma parceira com o Grupo NeoCorp (do qual fazem parte as empresas TEXCO, trading situada em Dubai, e NEO CORP INT, Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.476 8 fábrica situada na Índia), pela qual ficou estipulado que o Grupo Binacional (composto pela autuada e pela empresa paraguaia TRANSPORTADORA BINACIONAL SRL, do qual CELSO também é proprietário), seria o fornecedor exclusivo na América do Sul, e que as aquisições seriam feitas junto à TEXCO ou diretamente junto à fabricante. Junta correspondência eletrônica de 13/03/2012, para provar que o Grupo Binacional pagou por tal exclusividade. Nas negociações, as partes conseguiram chegar a ótimas condições recíprocas, especialmente no que se refere ao valor unitário das mercadorias; 5) paralelamente ao fechamento dessa parceria, a autuada começou a desenvolver a prospecção de negócios em face de possíveis adquirentes de embalagens, por meio de MAYKOOL, seu consultor e agente comercial, que recebia comissão por cada venda realizada; 6) esclarece que foi pessimamente orientada a criar um site só para a atividade de venda de embalagens importadas, dando ênfase à marca NEO CORP, que é de relevância mundial. Com o auxílio de seu funcionário CHRISTOPHER criou o site www.neocorp.com.br, cujo único objetivo era ser encontrada mais facilmente na internet por possíveis clientes. Observa que tal página eletrônica não se presta a provar a existência de uma sociedade de fato; 7) observa que o proprietário da autuada, CELSO, errou ao locar o imóvel localizado na Av. Bento Munhoz da Rocha, nº 1.777 em nome próprio, já que deveria têlo feito em nome da autuada, posto se destinar a espaço próprio para o setor de importação em desenvolvimento. Mas isso não representa a existência de uma sociedade de fato, ainda mais que foi reformado para ter o mesmo padrão das outras sedes e possui a identidade visual ora requerida. Cita correspondências das NEO CORP INT enviadas para a autuada para o endereço em tela; 8) também não comprova a existência de uma sociedade de fato, o fato de as despesas relativas ao setor de importação da autuada serem contabilizadas em apartado. Tais contas não passam de um controle interno da autuada para verificação mais rápida dos resultados desse novo setor; 9) conclui que a “estrutura física e operacional atuantes” verificada pela autoridade aduaneira são, na verdade, da própria autuada; 10) quanto ao fato de CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL serem citados em algumas poucas correspondências eletrônicas como sócios, devese ao fato de que tanto CHRISTOPHER, funcionário da autuada, quanto MAYKOOL, consultor comercial da operação, receberem comissões pela venda das mercadorias, e CELSO precisar motivar ambos perante possíveis ótimos clientes. Cada um se sentia, por seus próprios motivos, sócios de um projeto, e não sócios de fato entre si; 11) o fato de não ter requerido alvará de funcionamento para a Prefeitura de Paranaguá, e ter criado um site distinto utilizando o nome “Neo Corp Brasil Limitada”, em que pese tenham sido erros, não são suficientes, nem em conjunto nem isoladamente, para caracterizar uma sociedade de fato; Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.477 9 12) mesmo que se admitisse a existência de uma sociedade de fato, o que se faz só para argumentar, ainda assim o auto de infração não procede, porque os elementos citados pela autoridade aduaneira são posteriores às operações objeto deste processo administrativo. Isto porque as negociações referentes às importações autuadas ocorreram entre janeiro e fevereiro de 2012 (CHRISTOPHER esteve na Índia em 20/03/2012), enquanto que o sítio na internet foi adquirido em junho de 2012, o conteúdo da página eletrônica estava sendo discutido entre maio e junho de 2012, o contrato de locação da suposta sede de fato da NEO CORP BR passou a vigorar a partir de 30/06/2012, no início de julho a sala ainda estava passando por reformas. Ou seja, esses fatos ocorreram bem depois da negociação e aquisição das mercadorias apreendidas; 13) inúmeras são as provas de que a autuada é a real importadora das operações: (i) o próprio auto de infração reconhece que consta na contabilidade da autuada o pagamento das mercadorias; (ii) os valores declarados pela autuada estão em pleno acordo com os declarados pela exportadora, conforme os documentos oficiais de exportação; (iii) as retiradas feitas nas contas bancárias da autuada embasam os pagamentos de todos os tributos e custos relacionados às operações de importação, casando perfeitamente com as informações, documentos e recibos apresentados pela empresa EXATA COMISSÁRIA DE DESPACHOS ADUANEIROS LTDA, tanto no que se refere a valores, datas e espécies de movimentações. O fisco, todavia, prefere negligenciar todos os elementos congruentes tão somente porque não acredita que operações de grande monta possam ser feitas em espécie; 14) cita jurisprudência judicial e observa que a autuada tinha absoluta capacidade econômica para realizar as operações, o que afasta qualquer presunção de ocultação de um suposto real importador; 15) no tocante aos pagamentos de pequena monta feitos pela empresa NACIONAL – ORGANIZAÇÃO LOGÍSTICA DO TRANSPORTE DE CARGAS LTDA – ME, da qual MAYKOOL é sócio, esclarece que se trataram de amortizações de débitos que a NACIONAL tinha em face da autuada, não se referindo às operações de importação objeto deste processo administrativo; 16) em síntese, entende que não existem nos autos elementos capazes de sustentar a tese da existência de uma sociedade de fato como real importadora; 17) no tocante à base de cálculo da multa, entende que houve excesso na sua apuração, haja vista a não ocorrência de subfaturamento nas operações; 18) observa que as faturas indicadas às fls. 127/138, dúplices, mas com valores diferentes, nada tem a ver com as operações em tela, mas sim com pedidos de licença de importação para os quais a autuada não deu prosseguimento. Esclarece que as partes não chegavam a um acordo com relação ao preço das mercadorias – o que explica e justifica a diferença de valores das faturas enviadas. Aduz que com o embaraço e a consequente não venda das mercadorias ora apreendidas, a exportadora passou a recear sobre os ganhos que teria, o que gerou uma discussão sobre preços e, por decorrência, a emissão de documentos com valores diferentes; 19) com relação aos supostos “pagamentos via Paraguai”, esclarece que como a autuada negociou a exclusividade da venda das mercadorias na América do Sul, Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.478 10 ficou acertado que a TRANSPORTADORA BINACIONAL SRL arcaria com a indenização que a NEO CORP INT teria que pagar ao representante anterior. Referido pagamento se deu de forma parcelada até o final de 2012 e são justamente os valores mencionados como sendo “pagamento via Paraguai”, que a autoridade fiscal entendeu equivocadamente como os valores que complementariam o valor declarado das operações em questão. Cita, nesse sentido, correspondência eletrônica trocada entre CHRISTOPHER e o representante da NEO CORP INT, em março de 2013, em que aquele cobra o cumprimento da exclusividade já paga pela autuada; 20) com relação à diferença de preços das mercadorias importadas pela empresa paraguaia TRANSPORTADORA BINACIONAL SRL, entende que já restou exaustivamente demonstrado que há diferença significativa na qualidade de tais mercadorias que justificam a variação de preços, como atestado pelos dois laudos técnicos produzidos no PECA; 21) acrescenta que as discussões acerca das vantagens da abertura do mercado brasileiro para os produtos da NEO CORP INT ajudaram muito na queda dos preços para uma experiência inicial e promissora. Não há como se comparar a escala do mercado brasileiro com o paraguaio, razão pela qual qualquer exportador se disporá a vender mais barato para o Brasil; 22) quanto às cinco cotações recebidas por CHRISTOPHER de outros fabricantes, em valores bem superiores aos praticados, esclarece que (i) representam apenas o primeiro passo de possíveis negociações; (ii) foram cotados preços de embalagens para outros produtos, o que também explica a variação de preços. Logo, tais cotações não são prova de subfaturamento; 23) sobre as correspondências eletrônicas trocadas entre CELSO, MAYKOOL e CHRISTOPHER sobre a venda do único container liberado, nos quais constaria valor muito superior ao declarado na operação, esclarece que nele foram lançados outros custos prévios com o objetivo de demonstrar o valor do lucro final daquela operação, sobre o qual seriam calculadas as comissões de MAYKOOL e CHRISTOPHER; 24) cita jurisprudência judicial e conclui que não houve subfaturamento, mas sim negociações diferentes sobre mercadorias diferentes; 25) a leitura do auto de infração revela evidente tentativa de desmoralização da autuada, uma vez que (i) foram utilizados inúmeros documentos relativos a operações que acabaram não sendo realizadas pela autuada e que não têm relação com a autuação em tela; (ii) as declarações de empresas sobre a deficiência de embalagens no mercado nacional, ainda que idealizadas pela autuada, só refletem a realidade, não havendo nelas nenhuma falsidade ideológica; (iii) a autuada não mentiu sobre sua intenção de lucro ao iniciar a importação de embalagens, não havendo aí ilícito algum; (iv) o contrato para fornecimento de produtos de forma fracionada foi produzido, de fato, em agosto de 2012, mas seu conteúdo estava consubstanciado desde abril de 2012, não havendo qualquer irregularidade nesse fato; Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.479 11 26) os elementos presentes nos autos indicam a boafé da autuada, que efetuou o pagamento dos tributos devidos, apresentou os documentos solicitados, comprovou sua capacidade econômica, não podendo ser aplicada a pena de perdimento, em obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Cita jurisprudência judicial. 27) considerando que não houve interposição fraudulenta, utilização de documentos falsificados ou adulterados, muito menos subfaturamento, o que torna falso os motivos do ato administrativo, este deve ser declarado nulo. Além da invalidade do ato administrativo, verificase no caso violação dos princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade, caracterizando, ainda, desvio de finalidade e de poder, e ilicitude na obtenção da prova; 28) requer, ao final, sejam desentranhados os documentos obtidos de forma ilícita, seja reconhecida a nulidade do procedimento especial de fiscalização aduaneira e, em assim não sendo, seja no mérito julgado improcedente o auto de infração. Caso não seja reconhecida a improcedência, então que a multa seja aplicada sobre o valor declarado das operações. Em seu recurso voluntário, a empresa reitera os termos de sua impugnação, em especial os tópicos: preliminar de nulidade da prova; inocorrência de interposição fraudulenta; atividade de importação da Recorrente; inexistência de sociedade de fato Neo Corp Brasil Limitada; anterioridade das operações em face da sociedade de fato; prova de que as operações foram efetuadas pela Recorrente e inocorrência de subfaturamento das operações. Ao final, requer o provimento do Recurso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. DAS ALEGAÇÕES DE UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA Alega, preliminarmente, a Recorrente que as provas coletadas no computador do funcionário Christopher, foram obtidas de forma ilegal. Contrariamente ao alegado pela parte, não há mácula no procedimento fiscal realizado pela autoridade administrativa, pois: 1) Os emails coletados pela fiscalização são corporativos e não pessoais; 2) A fiscalização relata que não houve resistência dos envolvidos nessa coleta de provas; 3) Todos os relatórios de validação dos arquivos foram anexados a estes autos, cf. efls. 583/634; Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.480 12 4) Os emails foram colhidos, após o contribuinte ter sido devidamente intimado da realização do procedimento fiscal de fiscalização aduaneira, conforme competente e regular Mandado de Procedimento Fiscal. Portanto, não há que se falar em prova colhida de modo ilícito, mediante coação e sem autorização, tanto do proprietário da empresa, quanto judicial. Ademais, o ingresso dos AuditoresFiscais da Receita Federal nos recintos da empresa para proceder ao exame e à apreensão de documentos é possível sem qualquer autorização judicial, por estar a fiscalização amparada pela prescrição do art. 195 do CTN, verbis: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Desse modo, devem ser afastados os argumentos suscitados no recurso voluntário no que toca à parte da prova produzida. Ressaltese que emails são provas lícitas, pois no dia a dia da empresa tornouse comum a negociação e celebração de contratos serem realizadas eletronicamente. Essas transações ocorrem no meio empresarial nos mais variados contratos, especialmente nas fases de negociação, independentemente da complexidade ou valor envolvido. Enfim, o acesso ao conteúdo dos emails corporativos como meio de prova, resultaram de diligência nas instalações da Recorrente, devidamente amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal, não se tratam de mensagens pessoais, mas de interesse empresarial e, com isso, passível de análise e utilização pela fiscalização tributária. Dispõe o Código de Processo Civil que: Art. 332 do CPC/1973: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provas a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 369 do CPC/2015: Art. 369. As partes tem o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.481 13 especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Portanto, os emails possibilitaram a demonstração de vontade dos agentes envolvidos, a integridade de conteúdo, a autoria e a existência dos fatos, então podem ser utilizados como prova. Ademais, não vislumbro quaisquer outras nulidades do auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos artigos 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, pois a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à Transportadora Binacional identificar os fundamentos da exigência fiscal. Consta nos autos, que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. E, consta que os sócios prestaram esclarecimentos sobre os fatos narrados no auto de infração. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em qualquer violação a princípios constitucionais. CONFIGURAÇÃO DA CESSÃO DE NOME Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado contra a Recorrente, em decorrência da apuração de cessão de nome da pessoa jurídica com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários. Comprovouse que a empresa Transportadora Binacional Ltda. cedeu seu nome para a realização de operações de importação de terceiros, a Neo Corp Brasil Limitada. No âmbito das Declarações de Importação (DI) 12/15111861, 12/14384740, 12/14455010, 12/15111870 e 12/21625863, a Recorrente apresentouse como importadora e adquirente das mercadorias. Todavia, o real interveniente nas operações foi a Neo Corp Brasil Limitada, que é sociedade de fato. Em consequência, foi objeto de lançamento no presente processo a multa prevista pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% do valor aduaneiro: LEI Nº 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.482 14 Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Para aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07, coube à fiscalização identificar os reais intervenientes nas operações das DI listadas. Assim: 1) A Transportadora Binacional cedeu seu nome para figurar nas importações cuja real importadora foi a Neo Corp Brasil; 2) A Neo Corp Brasil é uma sociedade de fato formada por Celso, Christopher e Maykool; 3) A real vendedora das mercadorias seria a empresa indiana Neo Corp Int, uma vez que a Texco somente foi utilizada para permitir o subfaturamento das mercadorias. A existência da sociedade de fato Neo Corp Brasil foi exaustivamente comprovada documentalmente pela fiscalização. Assim, compulsando o extenso termo de verificação com todas as provas colhidas pela fiscalização em cotejo com a ausência de novos elementos no recurso voluntário, entendo que a decisão da DRJ/SPO não merece qualquer reparo. Por isso, na ausência de elementos de prova em contraposição ao acervo colacionado pela fiscalização, filiome ao entendimento da DRJ/SPO, que adoto como minhas razões de decidir, nos termos do art. 50, § 1o da Lei nº 9.784/99: Feitas essas considerações iniciais, analisemos os elementos de prova trazidos pelo fisco para demonstrar a existência da sociedade de fato denominada NEO CORP BRASIL: 1) pesquisas realizadas descobriram a existência de um sítio, na internet, pertencente à empresa NEO CORP BRASIL LIMITADA, que seria representante do fornecedor estrangeiro NEO CORP INT e que estaria localizada em Paranaguá, na Rua Bento Munhoz da Rocha, nº 1.777; 2) diligência realizada no endereço acima citado constatou a existência de um conjunto comercial, sem qualquer identificação ostensiva, no qual CHRISTOPHER se encontrava trabalhando, sendo extraído de seu computador duas mídias digitais com a gravação de mensagens eletrônicas. O contrato de aluguel desse imóvel encontravase em nome de CELSO. CHRISTOPHER informou que o escritório diligenciado era da BINACIONAL, não tendo sido divulgado por questões de segurança. Nem a NEO CORP BRASIL nem a BINACIONAL possuem alvará expedido pela Prefeitura de Paranaguá para funcionarem nesse endereço; 3) a análise dos emails extraídos do computador de CHRISTOPHER revelou que: (i) o domínio neocorp.com.br foi adquirido e seu conteúdo formatado pelo trio CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL; (ii) a tomada de decisões no negócio de embalagens é compartilhada entre CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL, identificados como sócios da NEO CORP BRASIL, que atua como representante da fabricante indiana NEO CORP INT; (iii) as despesas decorrentes da estrutura Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.483 15 física e operacional instalada no endereço diligenciado são discriminadas como despesas da NEO CORP BRASIL, inclusive o salário de CHRISTOPHER, quem firmou o contrato de representação com a indiana NEO CORP INT; (iv) a opção de a BINACIONAL figurar como importadora ostensiva, em detrimento da abertura de outra pessoa jurídica, deuse possivelmente em virtude de créditos tributários acumulados pela transportadora que poderiam ser usufruídos na venda das embalagens, conforme orientação de contador; 4) nem CHRISTOPHER nem MAYKOOL possuem vínculo formal com a BINACIONAL, sendo que esta empresa está localizada em endereços físico e eletrônico distintos daqueles da NEO CORP BRASIL, apresentando quadro societário igualmente distinto: CELSO ANTONIO CALLEGARIO E THAINA REGINA SANTANA CALLEGARIO; 5) com relação ao “Contrato para Fornecimento de Produtos de Forma Fracionada”, apresentado pela impugnante e supostamente firmado em 10/04/2012, entre BINACIONAL (compradora), TEXCO (vendedora) e NEO CORP INT (fabricante), análise dos emails extraídos do computador de CHRISTOPHER revela que referido documento foi criado pela advogada MARIA EUGÊNIA CATAPRETA após a negociação com o fornecedor estrangeiro e apenas com o objetivo de fazer prova perante a Justiça Federal e a RFB da regularidade das importações, não refletindo as verdadeiras transações comerciais realizadas, tendo sido assinado apenas em agosto de 2012 pelos representantes do fabricante e do suposto vendedor; 6) no tocante à origem dos recursos empregados nas operações de importação, apurou o fisco que: (i) a contabilidade da BINACIONAL apenas registra os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, sendo que os demais gastos envolvidos nas importações não foram contabilizados; (ii) os valores remetidos à comissária de despachos EXACTA para pagamentos dos custos envolvidos nas importações não foram identificados nos extratos bancários das contas correntes de titularidade da BINACIONAL; (iii) das nove remessas de recursos à EXACTA, apenas uma delas foi comprovada como de titularidade da BINACIONAL; (iv) BINACIONAL alegou que os recursos enviados à comissária foram objeto de saque no caixa, enquanto que extrato da EXACTA revela que ao menos um deles provém de depósito de cheque; (v) com relação a outras despesas decorrentes das operações, apurou o fisco que foram pagas por MAYKOOL, através de empresa de sua titularidade, a NACIONAL ORGANIZAÇÃO LOGÍSTICA DO TRANSPORTE DE CARGAS LTDA, e também pela BINACIONAL ASSESSORIA DE COMÉRCIO EXTERIOR E LOGÍSTICA LTDA, outra empresa do grupo BINACIONAL; (vi) não foi comprovada a destinação de valores que foram sacados, em dinheiro, da contacorrente da BINACIONAL, e transferidos para contas bancárias não identificadas. (...) Outro entendimento não nos parece possível em razão do robusto conjunto de provas trazido pelo fisco, tais como: existência de sítio próprio na internet, funcionamento efetivo da empresa em endereço físico indicado no referido sítio, correspondências eletrônicas entre CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL pelas quais se tratam como Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.484 16 sócios da NEO CORP BRASIL e discutem desde os textos que deveriam compor a apresentação da empresa na internet até a tomada de decisões no negócio de embalagens (vide fls. 26/45). A título de exemplo, reproduzimos a mensagem abaixo: Com relação ao “Contrato para Fornecimento de Produtos de Forma Fracionada”, pelo qual se pretendeu apresentar a BINACIONAL como importadora, a TEXCO como vendedora e a NEO CORP INT como fabricante, os documentos juntados às fls. 58/88 comprovam sua falsidade ideológica, posto que “fabricados” pela advogada MARIA EUGÊNIA CATAPRETA, unicamente com o objetivo de fazer prova perante a Justiça Federal e a RFB da regularidade das importações. Quanto aos recursos utilizados para custear as importações, em que pese a impugnante argumente haver demonstrado que as retiradas feitas nas suas contas bancárias embasam os pagamentos de todos os tributos e custos relacionados às operações, fato é que essa afirmação não se sustenta em face dos elementos colecionados em detalhes pelo fisco às fls. 173/202. Por meio deles, fica evidente que a contabilidade da BINACIONAL não registrou todos os gastos envolvidos nas operações; que BINACIONAL não logrou comprovar a origem da grande maioria dos recursos enviados à comissária de despachos EXACTA justamente para custear tais operações; que parcela desses custos foi assumida por empresa terceira, cujo sócio é MAYKOOL. Referidos elementos, quando analisados em conjunto, confirmam a tese do fisco de que a impugnante BINACIONAL não foi a real importadora das mercadorias, mas antes cedeu seu nome para a realização dessas operações. A real adquirente foi, na verdade, a NEO CORP BRASIL, cuja existência restou cabalmente demonstrada nos autos, sociedade de fato constituída pelos sócios CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL. Por óbvio, o fato de a BINACIONAL deter capacidade econômica para realizar as operações sob comento, em nada altera fato de a real adquirente ter sido a NEO CORP BRASIL. A título ilustrativo, reproduzimos o email abaixo, pelo qual CELSO, proprietário da impugnante, deixa claro aos seus sócios CHRISTOPHER e MAYKOOL que, Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.485 17 embora a BINACIONAL seja a importadora, caso haja algum problema no futuro, todos irão arcar com custas! Evidente, portanto, o caráter “de fachada” assumido pela impugnante enquanto importadora. Vejamos: Demonstrado, assim, que a real adquirente das mercadorias importadas foi a empresa NEO CORP BRASIL, reputamos como legítima a autuação ora combatida que pune a impugnante BINACIONAL pela cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, acobertando assim os reais intervenientes. A impugnante argumenta, todavia, que mesmo na hipótese de se admitir a existência de uma sociedade de fato, ainda assim o auto de infração não procede, porque os elementos citados pela autoridade aduaneira são posteriores às operações objeto deste processo administrativo. Isto porque as negociações referentes às importações autuadas ocorreram entre janeiro e fevereiro de 2012 (CHRISTOPHER esteve na Índia em 20/03/2012), enquanto que o sítio na internet foi adquirido em junho de 2012, o conteúdo da página eletrônica estava sendo discutido entre maio e junho de 2012, o contrato de locação da suposta sede de fato da NEO CORP BRASIL passou a vigorar a partir de 30/06/2012, no início de julho a sala ainda estava passando por reformas. Ou seja, esses fatos ocorreram bem depois da negociação e aquisição das mercadorias apreendidas. Semelhante alegação não se sustenta, posto que os fatos acima elencados, em que pese possam ter ocorrido após as negociações, são contemporâneos às operações autuadas, cujos registros ocorreram no período de agosto a novembro de 2012. Ademais, cumprem o papel de explicitar as providências adotadas pelos sócios CELSO, CHRISTOPHER e MAYKOOL em promover e alavancar o funcionamento da sociedade de fato por eles constituída. Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.486 18 BASE DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA Esta mesma 1ª Turma Ordinária, por esta mesma relatora, no julgamento do acórdão nº 3301002.975, em sessão de 18 de maio de 2016, reconheceu a ocorrência de subfaturamento nas operações de importação das partes que figuram neste processo, bem como a ocorrência de interposição fraudulenta. O julgado anterior referiuse ao exato quadro fáctico destes autos, bem como a defesa da Recorrente apresentou os mesmos argumentos. Os elementos de ambos os processos foram compilados conjuntamente pela Fiscalização. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2012 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE DOCUMENTAL. PENA DE PERDIMENTO. A constatação por parte da fiscalização da prática fraudulenta de subfaturamento na importação caracteriza hipótese de Dano ao Erário, sujeitando a mercadoria à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. Para a configuração da base de cálculo da multa aplicada foi devidamente comprovado o subfaturamento através dos elementos probatórios coletados pela fiscalização e bem apontados pela DRJ/SPO. A defesa da Recorrente foi desprovida de qualquer elemento de prova para afastamento da configuração da ocorrência de subfaturamento, ou seja, a base de cálculo foi corretamente aplicada pela fiscalização. Por isso, cumprido o ônus da prova pela fiscalização, demonstrada a ocorrência de subfaturamento dos preços de mercadorias, está correta a recomposição das bases de cálculo das operações de importação. Por isso, está correta a base de cálculo da multa aplicada nestes autos. Síntese Processual Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídicotributário. A fraude tributária é a violação intencional da norma jurídica tributária, sendo imprescindível a existência do dolo, que é a intenção de empregar expediente ardiloso para “mascarar” a ocorrência do fato jurídicotributário. Não basta a simples suspeita de fraude ou simulação para que o negócio jurídico realizado pelo contribuinte seja desconsiderado pela autoridade administrativa, é necessária a prova do intuito doloso aplicado com a finalidade de modificar as características essenciais do fato jurídicotributário. Sendo assim, ao demonstrar o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 10907.721226/201311 Acórdão n.º 3301003.458 S3C3T1 Fl. 3.487 19 efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. No que tange às infrações tributárias, o dolo e a culpa não podem ser presumidos, devem sim ser provados. E esse ônus da prova, segundo o art. 373 do CPC/15, é do fisco. Portanto, o lançamento tributário com a desconsideração do negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação, deve trazer a motivação através da prova dos fatos nele constituídos, como garantia da observância da estrita legalidade tributária e da tipicidade tributária. A autuação referese a graves condutas fraudulentas imputadas à Recorrente, todavia entendo que os elementos de caracterização dos ilícitos foram exaustivamente demonstrados pelos documentos anexados no Termo de Verificação Fiscal: declarações diversas; laudos técnicos, laudos técnicos complementares; extratos bancários; contratos diversos; emails; recibos; livros contábeis; páginas da internet; ofícios a órgãos públicos; notas fiscais; contratos de câmbio e etc. Ademais, foram os fatos e suportes probatórios muito bem apontados pela fundamentação da decisão da DRJ/SPO no acórdão nº 1664.461, que tomei como minhas razões de decidir (art. 50, § 1o da Lei nº 9.784/99), tendo em vista a total ausência de outros elementos probatórios trazidos pela Recorrente. Logo, no presente processo consta todo o suporte documental para avaliação da configuração das condutas ilícitas praticadas pela Recorrente, acarretando, por consequência, a manutenção da autuação fiscal. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a integralidade do auto de infração. Sala de Sessões, em 24 de abril de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 3487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001604/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 60 4/ 20 10 -1 9 Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recursos voluntário interpostos contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fls. 733/837), que julgou parcialmente procedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 306/314), relativo a fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2005 a 2008, o qual resultou em multa regulamentar no montante de R$ 5.869.889,28, além de juros de mora exigidos isoladamente, por falta de retenção e recolhimento de IRRF. Segundo consta do termo de verificação Fiscal (fls. 293/305): a) o lançamento decorre do fato de o sujeito passivo ter remunerado determinadas pessoas físicas com vínculo empregatício (diretores estatutários e superintendentes executivos) por meio de planos de previdência complementar por ele mantido; b) da conduta adotada pelo contribuinte, depreendese que o mesmo entendeu que: i) o fato de ter um plano de previdência complementar oferecido a todos os seus funcionários (dirigentes e empregados), confere o direito de ter outro plano (PGBL Plano de Benefícios Suplementares), disponível somente aos dirigentes da empresa; ii) o critério de elegibilidade neste plano empresarial não precisa ter requisitos expressos no seu regulamento, podendo ficar a cargo exclusivo da Instituidora; iii) o comitê de remuneração pode estipular de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar dos seus dirigentes e o regulamento deste “plano alternativo” (PGBL Plano de Benefícios Suplementares) não precisa ter regras claras quanto as contribuições; e iv) as contribuições feitas ao plano de previdência complementar não têm a única finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário; c) por outro lado, a fiscalização entende que: i) o art. 16 da Lei Complementar n° 109/2001 obriga o oferecimento dos planos a todos os empregados e dirigentes, portanto o plano empresarial oferecido apenas a seus dirigentes contraria a legislação; ii) o art. 10 da Lei Complementar n° 109/2001 obriga que tanto os requisitos de elegibilidade, como a forma de cálculo de benefícios, sejam claros e constem do regulamento do plano de benefícios, portanto o critério unilateral de elegibilidade contraria a legislação; iii) o art. 19 da Lei Complementar n° 109/2001 define objetivamente a finalidade das contribuições para os planos de previdência: prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, portanto não há previsão para outra finalidade; iv) o art. 38 do RIR/99 preconiza que a tributação independe da denominação dos rendimentos, portanto a legislação aplicada ao caso concreto claramente permite a caracterização destes pagamentos como rendimentos do trabalho; v) apesar de o contribuinte declarar que as contribuições efetuadas na previdência privada obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e que o plano levou em conta variáveis atuariais, o mesmo não comprovou estas afirmações, visto que não Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 4 3 apresentou as memórias de cálculo das contribuições; vi) as questões supracitadas somadas ao fato de os aportes serem realizados de forma habitual, mensal, com valores constantes e ainda os resgates dos participantes serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes, via de regra no mesmo mês, dão robustez probatória à caracterização destes pagamentos como verbas remuneratórias; e vii) por todo o conjunto de argumentos e provas, os valores pagos a este título devem ser considerados como rendimento do trabalho assalariado. A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 326/396), anexos de fls. 327/747, alegando que: 1) possui, atualmente, um único plano denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade contribuição variável, devidamente aprovado pela SUSEP, o qual contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para diretores estatutários e superintendentes executivos; 2) no entender da fiscalização, contudo, o fato de o Plano II contemplar a concessão de benefícios diferenciados para os diretores estatutários e superintendentes executivos não teria suporte nas normas legais que disciplinam a matéria, em razão do que considerou que o valor das contribuições suplementares pagas pelo recorrente para fazer frente aos referidos benefícios seria, na verdade, remuneração disfarçada, lavrando o presente Auto de Infração para exigência de IRRF que deixou de ser retido sobre o valor das contribuições patronais vertidas nos exercícios de 2005 a 2008; 3) parte da suposta multa isolada constante do auto de infração em questão já estaria extinta em razão da decadência que se operou, tendo em vista que o auto de infração em comento se refere a obrigações relativas aos períodos de 01/2005 a 12/2008 e foi lavrado somente em 10.12.2010, quando já passado o prazo decadencial relativamente ao período de 01/2005 a 11/2005; 4) considerando que, quanto às contribuições à previdência privada, todos os procedimentos adotados estão rigorosamente previstos na Constituição Federal, na Lei Complementar n° 109/01, nas diversas leis ordinárias e nas normas infralegais que regem a matéria no âmbito previdenciário e tributário, o questionamento fiscal se volta na verdade contra a própria legislação, posto que questiona as normas que regem o Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL; 5) os juros moratórios jamais poderiam incidir sobre a multa lançada, nem serem calculados com base na taxa Selic; 6) como se depreende do Relatório do Auto de Infração, a fiscalização se insurge apenas contra os aportes feitos pelo recorrente aos seus dirigentes no âmbito do PGBL Empresarial 6o Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares, entretanto, na base de cálculo das exações ora exigidas foram computadas também as contribuições básicas pagas aos dirigentes no âmbito do Plano II para Plano de Previdência na modalidade Plano Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benéfico Definido PBD Contribuições Básicas, conforme Contrato Previdenciário de 20.05.2000 (doc.13 da Impugnação – fls. 455/465), sendo o levantamento fiscal é Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 5 4 imprestável, o que implica nulidade do Auto de Infração como um todo porque a base de cálculo das respectivas exações está viciada; 7) foi cientificado em 10.12.2010 do auto de infração em comento, por meio do qual são exigidos valores a título de multa isolada, acrescida de juros, quanto às competências de janeiro/2005 a dezembro/2008, contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2005 e 11/2005 se operou a decadência, pois, considerando que a natureza do tributo ao qual a presente exigência fiscal se vincula é sujeita ao lançamento por homologação, aplica se a regra do art. 150, § 4º do CTN. Reproduz jurisprudência administrativa relacionada a exações diversas; 8) a Constituição Federal de 1988, no Título VIII – Da Ordem Social, nos arts. 194 a 204, cuida da Seguridade Social, compreendendo as ações dos poderes públicos e da sociedade destinadas a assegurar a todos os direitos à saúde, à previdência e à assistência social; 9) empresas que oferecem a seus empregados benefícios nestas áreas, por se tratar de atividades de elevado conteúdo social e econômico e, ainda, coadjuvante à do poder público, não poderiam ser oneradas com pesadas incidências tributárias, destacando, ainda, que tais prestações, entre as quais estariam incluídos os planos de previdência privada, não teriam relação com o trabalho prestado; 10) no caso concreto, cuidase de prestações no âmbito da previdência privada que, a despeito das normas constitucionais acima, o Fisco pretende indevidamente incluir na base de cálculo do IRRF incidentes sobre rendimentos do trabalho assalariado; 11) a previdência privada, justamente pela necessidade de transpor as limitações econômicas da previdência oficial, é onerosa e facultativa. Daí porque o legislador passou a estimular a participação das empresas na instituição de programas de previdência privada já com a edição do Decreto Lei n° 2.296/1986, que concede estímulos aos programas de previdência privada, para incentivar a formação de poupança de longo prazo; 12) por força do § 2º do art. 202 da CF/1988, as contribuições em causa não integram a remuneração dos participantes de Planos de Previdência Privada, não podendo em razão disso ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias, tampouco na base de cálculo das contribuições a terceiros e do IRRF; 13) o dispositivo constitucional é reproduzido pelo art. 68 da Lei Complementar nº 109/2001. Reproduz o art. 69, § 1º da Lei Complementar, que trata da não incidência de tributos sobre contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e a alínea “p” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que exclui o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, do salário de contribuição; 14) para efeito de imposto de renda, prevê a legislação a desoneração da pessoa física beneficiária quanto às contribuições recolhidas às empresas de previdência privada, conforme Lei n° 7.713/98, artigo 6o, inciso VIII, regulamentado no art. 39 do RIR/1999. Transcreve dispositivos; Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 6 5 15) nos termos § 2º do art. 202 da CF/88, basta que as contribuições da empresa destinadas a custear planos de previdência privada em benefícios de empregados e dirigentes sejam pagas a entidades de previdência privada regularmente constituídas, cujos planos tenham sido instituídos na forma da lei, para que não sejam consideradas integrantes da remuneração; 16) essa previsão constitucional equivaleria a verdadeira imunidade, devendo sua interpretação ser ampla, inadmitindose quaisquer limitações por normas de inferior hierarquia, sendo claro o seu significado, qual seja: essa verba não poderia ser inserida na remuneração dos empregados nem para efeito da incidência de direitos trabalhistas (13º salário, férias, FGTS e outras) nem para efeito de incidências tributárias (IRPF, IRPJ, contribuições previdenciárias e de terceiros, etc.). Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; 17) desde que as contribuições sejam vertidas para Planos de Previdência Privada estruturados e administrados por empresa que se dedica a essa atividade com o atendimento da legislação específica, não pode a fiscalização pretender que tais contribuições sejam consideradas pagamento de remuneração disfarçada, porque essa não é a sua natureza; 18) todos os fatos invocados pela Fiscalização para justificar a exigência de IRRF, considerados indícios da suposta ilegalidade que teria sido praticada pelo recorrente, estão previstos na legislação que disciplina a matéria, nos contratos e no regulamento do plano de previdência privada, este último devidamente aprovado pela SUSEP; 19) traz, em seguida, alguns dispositivos das Resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) n.º 6/97 e n.º 139/05, e das Circulares da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) n.º 101/99, n.º 183/02, n.º 338/07, que estabelecem normas e critérios de operacionalização do PGBL, destacando aqueles relativos a planos na modalidade contribuições variáveis, com valor e periodicidade livres, e direito de resgate. Afirma que, em se tratando de PGBL, o resgate seria um direito do participante, que deveria ser a ele oferecido, obrigatoriamente e a qualquer tempo, durante o prazo de diferimento, respeitados apenas os prazos de carência e intermediário entre os pedidos. 20) relata que a previdência privada, que, no princípio, era assemelhada à previdência oficial, evoluiu para abarcar modalidades semelhantes a poupanças forçadas, como é o caso do tipo PGBL, que se caracteriza, de um lado, pela total liberdade dos participantes e da instituidora quanto ao pagamento das contribuições, seja em relação aos valores aportados, seja em relação à periodicidade desses aportes, e, de outro, pela garantia do direito de resgate total ou parcial, a qualquer tempo, desde que respeitados os períodos de carência e intervalo entre os resgates previstos na legislação, sendo incabível, no seu entendimento, é imprecisa qualquer comparação do PGBL com a previdência oficial e com planos de previdência privada de outras modalidades, inclusive a exigência de cálculos atuariais para o PGBL, em face da sujeição a regras legais distintas e, em virtude disso, não há como pretender que as contribuições e os resgates feitos em consonância com a legislação que rege o tipo de Plano escolhido, como ocorre no caso concreto, impliquem descumprimento das normas que regem o Sistema de Previdência Complementar; 21) repisa que atualmente, possui aberto um único plano Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 7 6 denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo – Plano II – do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL, Renda Fixa, estruturado no regime financeiro de capitalização e na modalidade contribuição variável, aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123, o qual contemplaria contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para diretores estatutários e superintendentes executivos (6º Termo Aditivo). 22) seriam 4 (quatro) os instrumentos contratuais básicos que versariam sobre o Plano de Previdência Privada das empresas do grupo Bradesco, a saber: a) Convênio de Adesão ao Plano I – de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresa, de 20/06/1985, do tipo benefício definido, disponível a todos os empregados e diretores, fechado a novos participantes em 30/04/1999, aplicável atualmente apenas aos que a ele haviam aderido no passado (Plano I); b) Contrato Previdenciário de 20/05/1999, informando que em razão do fechamento do contrato acima, em 01/05/1999, decidiuse implementar plano de previdência privada na modalidade Contribuição Definida – FGB e de Benefício Definido – PBD para todos os empregados e dirigentes da empresa, também fechado a novos participantes em 30/04/2000, aplicável atualmente apenas aos que a ele haviam aderido no passado (Plano II); c) 6º Termo Aditivo de 30/07/1999 ao Contrato de Previdência Privada de 20/06/1985, instituindo Plano de Benefícios Suplementares na modalidade de um PGBL, aplicável ao Presidente do Conselho, aos Conselheiros, aos Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e aos investidos em cargos de assessor da Diretoria, participantes dos Planos I e II mantidos pela impugnante; d) Contrato Previdenciário de 20/05/2000, informando que em razão de os Contratos descritos nas letras “a” e “b” estarem fechados desde 30/04/1999 e 30/04/2000, respectivamente, decidiuse através de “Programa de Migração do Plano” fazer a migração do Plano II para Plano de Previdência na modalidade PGBL e de PBD – Contribuições Básicas, aplicável a todos os empregados e dirigentes da empresa, também denominado Plano II, conforme podese depreender do Regulamento do PGBL, com Benefício por morte e invalidez, aprovado pela SUSEP. Menciona que as regras do Plano II estariam definidas no Regulamento e Nota Técnica, nos Contratos – Contribuições Básicas e Contratos – Contribuições Suplementares; 23) os procedimentos adotados pela impugnante estão em consonância com a legislação previdenciária que rege a modalidade de Plano por ela mantido Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo, do tipo PGBL, renda fixa, estruturado no regime financeiro de capitalização e na modalidade de contribuição variável; 23) pela análise da legislação que rege a previdência privada observase que não exige a Constituição, nem a Lei Complementar n° 109/2001, nem exigia a legislação anterior, que os Planos estabeleçam benefícios em valores idênticos a todos os empregados e dirigentes da empresa, ao contrário disso, ao cuidar dos planos coletivos, como é o caso, prevê a Lei Complementar n° 109/01, em seu art. 26, § 2o, a possibilidade de haver “uma ou mais categorias específicas” de beneficiados vinculados a um mesmo empregador; 24) o Plano II prevê benefícios para todos os empregados e dirigentes da empresa, custeados com as contribuições normais, atendendo, portanto, à Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 8 7 condição de ser disponível a todos. Para a categoria dos dirigentes são previstas contribuições complementares, porque sendo a remuneração desses profissionais mais elevada, apenas as contribuições normais não permitiriam atingir os objetivos da Previdência Privada que é proporcionar na inatividade padrão de vida semelhante ao que o beneficiado tinha em atividade. Assim, a previsão de benefícios diferenciados além de não implicar qualquer violação da Lei Complementar n° 109/01, tem por finalidade exatamente o atendimento dos seus objetivos fundamentais. O objetivo da aposentadoria complementar é minorar para os empregados (e para seus dependentes) os efeitos dos riscos sociais a que estão sujeitos, no caso, a velhice, a doença e eventualmente a invalidez e a morte, e que dão origem à aposentadoria. Assim, planos devem oferecer aos dirigentes benefícios diferentes daqueles oferecidos aos demais empregados sob pena de, em relação a esses, a previdência privada não atingir seus objetivos; 25) ao questionar aquilo que é característica dos Planos PGBL, o que está fazendo a fiscalização é, em última análise, questionar o próprio mérito das normas constitucionais e legais que instituíram o atual sistema de previdência privada em vigor, o que só poderia ser feito por meio de alterações legislativas; 26) a exigência de que o plano de aposentadoria complementar se estenda de forma idêntica a todos os empregados e dirigentes da empresa é incompatível com a natureza do benefício, tanto que o legislador nos mais diversos ramos da direito (trabalhista, tributário etc.) jamais contemplou essa exigência. Cita decisão do CARF a esse respeito e afirma ter demonstrado que o Plano II mantido pela Impugnante atende integralmente à condição de ser disponível para todos, não podendo prosperar a pretensão da fiscalização de que para tanto referido Plano devesse prever benefícios de igual valor para todos; 27) tratandose de Plano de Previdência na modalidade de Contribuição Variável é inerente a ele a possibilidade de as contribuições serem feitas em qualquer valor e a qualquer tempo, como consta do Regulamento do Plano e das normas legais suscitadas e, em face disso, não há nada de ilícito ou violador das normas que regem a previdência complementar no procedimento da empresa, não podendo prosperar a pretensão fiscal de tributar tais contribuições só porque são efetuadas de forma variada e livre; 28) também não podem ser invocados para desqualificar tais contribuições o fato de seus valores serem substanciais em relação aos salários dos dirigentes porque a legislação não estabelece limites de valor para as contribuições patronais. Reproduz decisão judicial a respeito, proferida sob a égide do DecretoLei n° 2.296/86 e jurisprudência do STJ sobre auxílio educação e assistência a saúde e PLR; 29) os resgates ocorridos no caso concreto foram sempre parciais, sofreram a devida incidência dos tributos previstos na legislação, e foram efetuados com atendimento do prazo de no mínimo 60 (sessenta) dias previsto no Regulamento e no Contrato Previdenciário firmado em 20/05/2000, bem como do prazo de carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subsequente ao da contribuição, em consonância com a legislação mencionada. Os valores resgatados em cada ano 2005, 2006, 2007 e 2008 referemse apenas a parte do saldo das contribuições existentes dois anos antes em 31.12.2003, 31.12.2004, Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 9 8 31.12.2005 e 31.12.2006, respectivamente já afetados pela valorização das quotas do Fundo de Investimento, e não aos valores aportados nos anos imediatamente anteriores como parece sugerir o Fiscal, não se podendo falar que as contribuições aportadas não se destinam a plano de previdência. Em se tratando de PGBL, cujas contribuições são aplicadas em um Fundo de Investimento Financeiro Exclusivo FIFE e convertidas em quotas, é da essência do plano o direito de resgate nas condições contratadas, sem que isso implique em desvirtuar ou desnaturar o Plano que continua a ser de previdência privada; 30) a legislação sobre previdência privada, em especial o art. 202 da CF/88 e a Lei Complementar n° 109/2001, disciplinam a matéria definindo as linhas gerais de atuação tanto das empresas de previdência privada aberta e fechada como das empresas interessadas em conceder a seus empregados e dirigentes este benefício, estabelecendo apenas duas condições para que as contribuições da empresa a planos de previdência privada sejam assim consideradas, a saber: a) que as contribuições sejam pagas a empresa de previdência privada legalmente constituída, autorizada a instituir e operar planos estruturados na forma da legislação aplicável à espécie e aprovados pelos órgãos competentes e b) que o Plano seja disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa; 31) dos juros sobre a multa de ofício. A exigência de juros sobre a multa de ofício não teria suporte legal. A prevalecer a exigência fiscal, o que se admite apenas a título de argumentação, o Fisco lhe exigirá juros de mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido. Pelo que se infere da legislação que rege a matéria, esta somente autorizaria a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo. Faz menção, ainda, a acórdãos do Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhecendo o não cabimento da exigência. Conclui, com base nas normas que menciona, que não existiria base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada); 32) imprestabilidade da Selic para efeitos de cômputo dos juros de mora. os juros de mora no caso presente jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida pela autoridade fiscal, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa Selic acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN; 33) prova pericial. Solicita produção de prova pericial que confirme os fatos alegados na peça impugnatória, formulando para tanto os seguintes quesitos: 1 Na base de cálculo das exações em causa foram computadas também as contribuições básicas 4% efetuadas pela empresa em nome de seus dirigentesdiretores estatutários e superintendentes executivos? 2 Houve recolhimento de contribuições previdenciárias no período de 01/2005 a 11/2005, atingido pela decadência? 3 os resgates parciais realizados em 2005, 2006, 2007 e 2008 eram relativos a saldos existentes em 31.12.2003, 31.12.2004, 31.12.2005, 31.12.2006, respectivamente? Nomeia como seu perito o Sr. Sílvio Simonaggio, brasileiro, advogado, inscrito no CRC sob o Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 10 9 n° 99.254 e CPF n° 876.347.40853, com endereço à Rua Arizona, 1366, 4º andarcj. 42, telefone 35133500. Requer a contribuinte que seja acolhida a impugnação para o fim de se reconhecer a insubsistência dos auto de infração lavrado, se antes não for reconhecida a sua nulidade, bem assim a produção de prova pericial contábil que confirme todos os fatos alegados. Posteriormente, apresenta petição (fl. 751) solicitando a desconsideração dos argumentos referentes à ilegalidade da exigência de juros sobre a multa lançada, uma vez que existe previsão legal expressa para sua incidência. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação improcedente, conforme se extrai da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de imposto na fonte os aportes através de contribuições a planos de previdência complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Após o prazo para entrega de declaração de ajuste anual da pessoa física, verificada a falta de retenção, devese exigir da fonte pagadora multa de ofício e juros de mora isolados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo quanto à obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e ao indeferimento de seu pedido de perícia e, no mais, efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Especificamente com relação à negativa de realização de perícia, aduz que: a) a fiscalização se insurge apenas contra os aportes feitos aos seus dirigentes no âmbito do PGBL Empresarial 6o Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares; b) na base de cálculo das exações ora exigidas foram computadas também as contribuições básicas pagas pelo recorrente aos seus dirigentes no âmbito do Plano II para Plano de Previdência na modalidade Plano Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benéfico Definido PBD Contribuições Básicas, conforme Contrato Previdenciário de 20.05.2000 b) ao enfrentar a questão, entendeu a Turma julgadora que o recorrente não teria comprovado “a exclusão pretendida” e que por isto não havia a nulidade apontada; Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 11 10 c) não há como se afirmar que o autuado não produziu prova no sentido de que (apesar de o lançamento se referir ao PGBL Empresarial – 6º Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares), a base de cálculo da multa isolada tenha incluído também as contribuições básicas pagas pelo recorrente aos seus dirigentes para o Plano de Previdência na modalidade PGBL e PBD Contribuições Básicas, visto que a planilha anexada como documento 13 à sua impugnação e também os razões contábeis apresentadas na fase de fiscalização comprovam a existência de valores pagos durante o período autuado em relação a ambas as contribuições, inclusive as básicas indevidamente incluídas no auto de infração, o que torna imprestável o lançamento fiscal porque voltado exclusivamente contra as contribuições suplementares que são objeto do 6º Termo Aditivo de 30.06.1999. É o relatório. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Resolução nº 2402000.612 S2C4T2 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Antes de examinarmos de forma exauriente as razões recursais, constatase que há questões que necessitam ser dirimidas pela autoridade administrativa competente. Isso porque, de conformidade com o que foi suscitado pela recorrente, diligência requerida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em razão do julgamento de recurso voluntário relativo ao Processo nº 16327.001606/201008, teria resultado em redução da base de cálculo daquele lançamento. Aduz que referido processo, relativo a contribuições previdenciárias, tem base de incidência semelhante ao caso em discussão (que trata de multa isolada pelo não recolhimento de IRRF). Alega que, embora esteja evidenciado nos autos que conta com dois planos de previdência, o lançamento referese exclusivamente a um desses planos: o “PGBL Empresarial – 6º Termo Aditivo de 30/06/1999 Contribuições Suplementares”. A despeito disso, argumenta que foram incluídas na base de cálculo da exação também as contribuições relacionadas ao seu outro plano de previdência complementar denominado “Plano de Previdência na modalidade PGBL e PBD Contribuições Básicas”. De fato, a base de cálculo do lançamento engloba tãosomente os valores vertidos pela recorrente a titulo de contribuição ao PGBL Empresarial – 6º Termo Aditivo de 30/06/1999 Contribuições Suplementares. Desse modo, fazse necessário que o órgão fiscalizador esclareça as questões suscitadas no recurso voluntário. Diante deste quadro fático entendeuse pela necessidade de converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade autuante verifique se os valores do Plano de Previdência na modalidade PGBL e PBD Contribuições Básicas foram incluídos na base de cálculo do tributo e, caso se confirme essa hipótese, efetue a retificação do lançamento. Após a elaboração da Informação (Parecer), o Fisco deverá dar ciência ao recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que o contribuinte, caso deseje, apresente recurso complementar, exclusivamente em relação aos fatos abordados na presente diligência. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 888DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907193/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.228
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 93 /2 01 2- 49 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907193/201249 Acórdão n.º 3302004.228 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.830. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907193/201249 Acórdão n.º 3302004.228 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907193/201249 Acórdão n.º 3302004.228 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10882.907193/201249 Acórdão n.º 3302004.228 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10882.907193/201249 Acórdão n.º 3302004.228 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10882.907193/201249 Acórdão n.º 3302004.228 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10611.002021/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/04/2005
AUTO DE INFRAÇÃO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA
É cabível o lançamento de tributo em discussão na esfera judicial, para prevenção da decadência. Súmula Carf. nº 48.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3201-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se suspeito o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente), Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Súmula Carf. nº 48. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse suspeito o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente), Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 20 21 /2 00 8- 91 Fl. 232DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância: Tratase de lançamento para prevenir decadência no montante originário de R$ 457.137,18, incluindo juros de mora, relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Conforme relatado no Auto de Infração às fls. 0213, o impugnante obtivera, em 22/04/2005, concessão para promover a importação de uma aeronave sob o regime aduaneiro de admissão temporária para utilização econômica. Porém, realizara, antes do registro da correspondente Declaração de Importação (DI) – desembaraçada em 25/04/2005 – depósito integral do valor do IPI, conforme apurado pela repartição aduaneira na forma da legislação vigente à época, a fim de suspender a exigibilidade do imposto que seria devido na importação (lembrando que o referido regime aduaneiro prevê suspensão apenas parcial dos tributos). Ciente em 07/07/2008 (fls. 7980), o impugnante protocolou impugnação em 06/08/2008, questionando unicamente a incidência dos juros moratórios, pois alega que são indevidos pela inexigibilidade do crédito em função do prévio depósito judicial. A DRJ/São Paulo/SP, por meio do acórdão 16072.420, decidiu pela procedência parcial da impugnação, afastando a imputação de juros. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2005 DEPÓSITO INTEGRAL PRÉVIO AO REGISTRO DA DI. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. A realização do depósito do montante integral dos tributos incidentes na importação até a data de registro da DI afasta a incidência dos juros de mora. MATÉRIA NÃO CONSTESTADA. Considerase não impugnada a matéria que foi não expressamente constestada. A recorrente interpõe Recurso Voluntário, alegando: que a decisão recorrida exonerou apenas os juros moratórios, mas que a exigência deveria ser cancelada porque já houve a conversão em renda do valor depositado judicialmente, apresentando respctivo comprovante; invoca o princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10611.002021/200891 Acórdão n.º 3201002.851 S3C2T1 Fl. 233 3 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, e não houve suscitação de questões preliminares. Desse modo, tomo conhecimento do recurso e passo ao mérito. Não se controverte sobre o valor do lançamento (exceto os juros já cancelados na primeira instância), nem sobre a concomitância com o pedido judicial. A recorrente pede apenas o cancelamento do lançamento, por já ter havido a conversão em renda da União do valor de depósito judicial, em montante integral. Não lhe assiste razão .O lançamento para prevenção de decadência já se encontra sumulado no Carf, conforme Súmula 48: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Os depósito judiciais já convertidos em renda da União serão alocados ao presente processo, para a efetiva liquidação, e, em sendo integral, não restará valor a cobrar. Não obstante, formalmente, o Recurso Voluntário deve ser negado, para manter a constituição de ofício do crédito tributário pertinente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901129/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.657
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 29 /2 00 9- 29 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901129/200929 Acórdão n.º 3201002.657 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.464. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901129/200929 Acórdão n.º 3201002.657 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901129/200929 Acórdão n.º 3201002.657 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722561/2011-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial quando, ao tempo da interposição do apelo, o julgado indicado à guisa de paradigma já se encontrava reformado, tornando-se inservível para tal fim.
SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE.
O pagamento de comissão efetuado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação, à imobiliária, de serviços de intermediação junto a terceiros. Comprovada a ocorrência da prestação de serviços, é da imobiliária a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias.
Numero da decisão: 9202-005.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto à retroatividade benigna e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando, ao tempo da interposição do apelo, o julgado indicado à guisa de paradigma já se encontrava reformado, tornando-se inservível para tal fim. SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE. O pagamento de comissão efetuado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação, à imobiliária, de serviços de intermediação junto a terceiros. Comprovada a ocorrência da prestação de serviços, é da imobiliária a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias.
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando, ao tempo da interposição do apelo, o julgado indicado à guisa de paradigma já se encontrava reformado, tornandose inservível para tal fim. SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE. O pagamento de comissão efetuado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação, à imobiliária, de serviços de intermediação junto a terceiros. Comprovada a ocorrência da prestação de serviços, é da imobiliária a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto à retroatividade benigna e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 61 /2 01 1- 95 Fl. 2039DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Autos de Infração de Obrigações Principais e Acessórias, referentes às Contribuições Sociais devidas pela empresa e pelos segurados, destinadas à Seguridade Social (Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS), incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais pessoas físicas, pelos serviços prestados à empresa autuada. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 1.550/1.599, os pagamentos realizados pela empresa não transitaram em sua folha de salários, não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social (GFIP), tampouco foram lançadas na contabilidade, inexistindo recolhimento à Seguridade Social (GPS) das contribuições devidas: AI 37.315.7649: descumprimento de obrigação principal empresa; AI 37.315.7657: descumprimento de obrigação principal segurados contribuintes individuais; AI 37.315.7606: deixar a empresa de preparar folhas de pagamento com a indicação de todos os contribuintes individuais (corretores) (CLF30); AI 37.315.7614: deixar a empresa de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores relativos aos pagamentos aos corretores (CFL34); AI 37.315.7622: deixar a empresa de descontar da remuneração as contribuições previdenciárias (CFL59); AI 37.315.7630: deixar a empresa de declarar em GFIP fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL68). Em sessão plenária de 1012/2015, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402004.802 (fls. 1.863 a 1.886), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Devida contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.040 3 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o lançamento, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos formais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO DA FAZENDA. ÔNUS DA PROVA. A exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração ou notificações de lançamento, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. FASE PROCEDIMENTAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Uma vez que o procedimento preparatório do ato de lançamento é atividade meramente fiscalizatória, durante a qual não se aplica o contraditório ou a ampla defesa, não há que se falar em violação aos Princípios constitucionais posto que inexiste a exigência de pretensão fiscal tampouco litígio entre as partes. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos terceiros, mencionadas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66). MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual faz referência o art. 35A da Lei nº 8.212/91, aplicase ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias a partir da competência 12/2008. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente. Fl. 2041DF CARF MF 4 Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATO GERADOR, CONTRIBUIÇÃO E VALORES RECOLHIDOS. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devidas e as descontadas, e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, constitui infração à legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Oliveira fará declaração de voto" Cientificado do acórdão em 19/02/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.891 e informação de fls. 2.011), a Contribuinte interpôs, em 04/03/2016, o Recurso Especial de fls. 1.893 a 2.009, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir as seguintes matérias: Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.041 5 existência de vínculo entre a recorrente e os corretores, o que geraria a necessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por iniciativa da empresa; imposição da multa de ofício prevista no art. 35A, da Lei 8.212, de 1991, e comparação com multa de mora que possui natureza diversa; desconstituição das obrigações acessórias pela ausência de fato gerador e existência de multa mais benéfica. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 29/03/2016 (fls. 2.013 a 2.022), que admitiu as seguintes matérias: a) multa – retroatividade benigna; b) incidência de contribuição previdenciária sobre valores de comissões pagos diretamente pelo cliente; c) obrigações acessórias ausência de fato gerador; e d) multa por ausência de declaração de fato gerador em GFIP retroatividade benigna. Em seu apelo, a Contribuinte argumenta: Quanto à aplicação da multa de ofício às competências anteriores à edição da MP nº 449, de 2008 são três pontos em divergência quanto à multa de ofício: inaplicabilidade do art. 35A, da Lei 8.212, de1991, impossibilidade de soma da multa de mora do art. 35, na sua redação antiga, com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado § 5°, do art. 32, da Lei n. 8.212, de 1991, e retroatividade benigna do art. 35, com redação da Lei 11.941, de 2009 (percentual de 20%); a multa do art. 35A não pode ser utilizada e também não pode ser comparada com a soma da multa de mora da antiga redação do art. 35 e do art. 32 § 5o, e a multa de mora deve ser limitada em 20%, diante da nova previsão mais benéfica do art. 35, dada pela Lei 11.941, de 2009; basta verificar que no Auto de Infração está aplicada tanto a multa de mora quanto a multa de ofício, e o julgador quis fazer um comparativo entre ambas para dizer que deveria ser aplicada a mais benéfica, mas acabou convalidando a aplicação dúplice das punições; no caso dos autos, a lei mais benigna é o art. 35, com a nova redação, que limita a multa em 20%, nos termos decididos pelo acórdão paradigma, já que pela lógica não podem ser comparadas multas distintas; Quanto à ocorrência do fato gerador os pagamentos das comissões dos corretores foram realizados pelos adquirentes dos imóveis, sendo estes os verdadeiros sujeitos passivos, e não a empresa imobiliária; Fl. 2043DF CARF MF 6 o acórdão recorrido até mesmo reconhece que os pagamentos são feitos pelos compradores dos imóveis, mas entende que esse fato não é relevante para a responsabilização da imobiliária ao recolhimento das contribuições; fica evidente que o valor não passa pela contabilidade da Recorrente, já que o cheque é entregue ao corretor, exatamente como narra o acórdão paradigma; o art. 22, III, da Lei nº 8.212, de 1991 define a prestação de serviço direta como requisito para o recolhimento da contribuição previdenciária, porém observado o pagamento das comissões feito diretamente pelos clientes, eximese a empresa de responsabilidade tributária; afinal, os corretores não prestam serviços à empresa, pelo contrário, são remunerados diretamente pelos clientes que se propõem a adquirir os imóveis, cuja função do corretor nada mais é do que intermediar a transação; ou seja, os serviços dos corretores são endereçados aos seus clientes, e não à empresa, afastando a parte normativa que prevê o vínculo tributário quando houver prestação de serviços à imobiliária, o que não existe; e mais, a forma de contratação que se dá por iniciativa do cliente comprador não desconstitui os contratos firmados, passando ao cliente a sujeição passiva, nos termos narrados pelo acórdão padrão; a fiscalização altera a realidade fática, pois em nenhum momento a Recorrente oculta as transações imobiliárias para ocultar fatos geradores; é incontroverso que o pagamento das comissões é feito pelo adquirente, o que afasta o vínculo com a imobiliária e a responsabilidade de retenção de qualquer tributo; com efeito, não há que se falar na responsabilidade tributária da recorrente, seja porque em nenhum momento tenta ocultar o procedimento adotado na aquisição do imóvel, tendo o comprador total conhecimento do procedimento, seja porque sequer há a efetiva prestação de serviços à recorrente pelo corretor; à época do fato gerador não havia previsão legal de quem deve arcar com o pagamento da comissão, portanto a responsabilidade é do comprador, já que são feitos diretamente por ele; não se caracterizam os fatos geradores referentes aos supostos pagamentos feitos aos corretores pela recorrente, pois foram realizados por terceiros, sem qualquer relação com a empresa, ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido; assim, considerando que os recursos não saíram do caixa da empresa, muito menos com a finalidade de pagamento aos corretores, não há motivo para a empresa efetuar lançamentos na sua contabilidade e até mesmo possuir documentos a eles relacionados; assim, o pagamento da comissão do corretor é feita diretamente pelo cliente/comprador, sem qualquer registro em sua contabilidade; esse procedimento tem natureza civil (contrato de corretagem e não de prestação de serviço), não sendo passível de tributação; não há prática de procedimento fraudulento, pois não há a intenção de ocultar os fatos geradores; os compradores têm conhecimento do procedimento e anuem espontaneamente; diante da ausência de qualquer pagamento de corretagem pela empresa, não se caracterizam os fatos geradores criados pela fiscalização, e, com a agravante de lançamento Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.042 7 por aferição indireta, até mesmo porque não houve recusa ou sonegação de documentos e informações se estes sequer existem; a Lei nº 13.094, de 15/01/2015, que alterou a Lei nº 6.530, de 1980, inovou no ordenamento jurídico ao demonstrar que mesmo que a relação entre o corretor de imóveis autônomo e a imobiliária não caracteriza qualquer espécie de vínculo legal, o que inclui a responsabilidade tributária, verbis: "Art. 139. O art. 6º da Lei no 6.530, de 12 de maio de 1978, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 2º a 4º, renumerandose o atual parágrafo único para § lº: "Art. [...] § 2º O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empresatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3º Pelo contrato de que trata o § 2º deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. § 4º O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1º de maio de 1943. " a alteração legislativa apenas corrobora a tese de que as remunerações que o corretor aufere diretamente dos clientes não pode ser utilizada em desfavor da imobiliária, mesmo que esta atue para a formatação dos serviços prestados pelos corretores autônomos; com isso, resta pacificado que não é interesse do legislador exigir das empresas que se responsabilizem pelos recolhimentos/pagamentos das contribuições que surgem das relações privadas entre corretor e seu respectivo cliente, o que enseja o provimento do recurso para se anular de vez o crédito tributário; quanto às obrigações acessórias, as autuações por seu descumprimento esbarram diretamente na tese de fundo lançada nos autos, de ausência de fato tributável; quanto à autuação pela ausência de declaração em GFIP dos fatos geradores suscitados pela fiscalização (AI nº 37.315.7630), nos termos do art. 32, IV, da Lei 8.212/91, foi sido imputada a penalidade prevista no § 5o do mesmo dispositivo, de 100% do valor devido; não obstante a matéria de fundo do recurso (ausência do fato gerador) afasta essa obrigação acessória, ressaltandose que não foi aplicada a multa mais benéfica do art. 32A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/09; Fl. 2045DF CARF MF 8 o acórdão recorrido limitase a trazer precedente, sem sequer indicar os dados do processo, que afirma que devem ser confrontadas as penalidades apuradas aplicando se a que for menos severa, sendo que no caso dos autos sequer houve a confrontação das multas, o que pela lógica nem seria necessário diante da disparidade de percentuais. Quanto às obrigações acessórias as autuações por descumprimento de obrigações acessórias esbarram diretamente na tese de fundo lançada nos autos de ausência de fato tributável; o acórdão recorrido limitase a trazer precedente, sem sequer indicar os dados do processo que afirma que devem ser confrontadas as penalidades apuradas aplicando se a que for menos severa; no caso dos autos sequer houve a confrontação das multas, o que pela lógica nem seria necessário diante da disparidade de percentuais. conforme o paradigma, deuse provimento ao recurso em parte para aplicar o art. 32A ao cálculo da multa da GFIP (art. 32, IV), com fundamento no art. 106, do CTN. Ao final, a Contribuinte pede conhecimento e provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido e determinar a improcedência integral do lançamento. O processo foi encaminhado à PGFN em 31/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.023) e, em 13/04/2016, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 2.024 a 2.037 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.038), contendo os seguintes argumentos: Não comprovação da divergência quanto ao item "a" o Recurso Especial por divergência não confere ao sujeito passivo uma terceira instância para reapreciação da matéria de fato submetida às instâncias ordinárias (DRJs e Câmaras do Conselho), mas abre uma instância extraordinária, que não tem por finalidade reavaliar a justiça das decisões proferidas em sede ordinária, mas, tãosomente, a de uniformizar o entendimento das Câmaras acerca da aplicação do direito; a partir da uniformização do entendimento, o recorrente pode ser indiretamente beneficiado pela decisão, isto é, a instância extraordinária tutela diretamente o interesse público, sendo que o interesse particular pode ser indiretamente tutelado a depender do resultado da uniformização; diante disso, para que seja conhecido o recurso por divergência, deve estar patente a existência de casos semelhantes em que a justiça da decisão tenha se firmado de modo oposto; o interesse público demanda que casos semelhantes sejam decididos da mesma forma, ou seja, a justiça da decisão deve ser una, na medida em que todos os cidadãos têm o direito de receber o mesmo tratamento do Poder Público; nesse sentido, o recorrente não logrou demonstrar a existência de divergência jurisprudencial hábil a justificar o recebimento do Recurso Especial por ele interposto quanto ao item “a” – Multa – retroatividade benigna, uma vez que o paradigma representado pelo Acórdão nº 2403002.357 foi reformado pelo Acórdão nº 9202003.801, de Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.043 9 17/02/2016, que fixou o mesmo entendimento do acórdão recorrido, não sendo, assim, apto a configurar a divergência necessária: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. assim, a Contribuinte interpôs Recurso Especial em 07/03/2016, indicando como paradigma o Acórdão nº 2403002.357, que já havia sido reformado em 17/02/2016 pelo Acórdão nº 9202003.801; pelo acima exposto, uma vez que não foi caracterizada a divergência de entendimentos quanto à matéria recorrida no item “a” Multa retroatividade benigna, não deve o presente recurso ser conhecido quanto a essa matéria, por falta de um dos pressupostos de admissibilidade; Incidência de contribuição previdenciária sobre valores de comissões pagos diretamente pelo cliente diversamente do pretendido pela Recorrente, a contribuição incidente sobre os valores recebidos por contribuintes individuais (corretores) fica a cargo do tomador destes serviços (imobiliária), de forma que o simples fato de a imobiliária haver transferido o ônus do pagamento das comissões para os compradores não desqualifica sua relação pessoal e direta com o fato gerador, na condição de verdadeira tomadora dos serviços dos corretores autônomos; segundo a Fiscalização, comprovada a verdadeira relação entre os corretores de imóveis e a recorrente, o fato gerador das contribuições lançadas se constitui na prestação de serviços de intermediação imobiliária para Pessoa Jurídica mediante pagamento de comissão a título de remuneração, e consequentemente todas as obrigações acessórias decorrentes do fato gerador. assim, os protagonistas que compõem o fato gerador são: a) a empresa tomadora de serviços Paulo Baeta Empreendimentos Imobiliários, que se utiliza dos serviços dos corretores de imóveis para a "conclusão da intermediação imobiliária”; Fl. 2047DF CARF MF 10 b) o corretor de imóveis, segurado obrigatório do RGPS – Regime Geral de Previdência Social contribuinte individual, que presta serviços à recorrente mediante remuneração; c) a comissão imobiliária, que se constitui a remuneração do corretor de imóvel e base de cálculo da contribuição previdenciária, que é pago pela Paulo Baeta Empreendimentos Imobiliários indiretamente, destacando do valor da transação imobiliária pago pelo adquirente e repassando ao corretor; por bem fundamentar o lançamento fiscal, adotase as razões da DRJ de origem quanto à ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, tendo como sujeito passivo a Paulo Baeta Empreendimentos Imobiliários, verbis: "Conforme consta do Relatório Fiscal, para sustentação da tese de que a comissão de venda é custo direto do comprador, a autuada, na condição de intermediadora da operação, formaliza, juntamente com a incorporadora/construtora proprietária do imóvel, o contrato de promessa de compra e venda pelo valor líquido da operação, ou seja, exclui do “Valor de Negociação” (Tabela de Vendas) o valor da comissão de venda, impondo ao comprador o pagamento desse valor diretamente ao corretor responsável pela venda. No entanto, de acordo com o fluxo descrito no item 79 do Relatório Fiscal, elaborado a partir de informações prestadas pela própria empresa, pelos adquirentes diligenciados e corretores que prestaram depoimentos ao fisco, o fato de o cliente ter repassado diretamente ao corretor o valor correspondente à sua comissão de venda não significa que este pagamento está sendo feito por conta e risco do comprador, como se o corretor trabalhasse exclusivamente para ele (comprador) e a empresa estivesse fora do processo de venda. Portanto, ratificando o exposto pela fiscalização, ao adotar tal sistemática o propósito da empresa é livrarse da obrigação previdenciária principal, decorrente da transação imobiliária, pois a mesma está impedindo ou retardando o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador decorrente dessa prestação de serviço, não se trata apenas de um controle interno próprio, como aduz a autuada ao impugnar especificamente os itens 80 e 81 do Relatório Fiscal. Ressaltese que, no caso, o corretor está investido de autonomia para intermediar o negócio como representante da autuada (itens 63 a 70 do Relatório Fiscal) e não como profissional autônomo sem qualquer vínculo com esta, como alega a impugnante ao impugnar especificamente o item 59 do Relatório Fiscal. Conforme consta do item 70 do Relatório Fiscal" Conforme dito anteriormente (item 44), referido Pedido é o documento que inicia o processo de venda no âmbito da empresa Paulo Baeta, cujo documento identifica o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o “proponente comprador” e o “corretor” que age em nome da empresa Paulo Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.044 11 Baeta na operação imobiliária. O Anexo 04 traz cópias dos Pedidos de Reserva referentes às operações imobiliárias efetivadas com os compradores diligenciados.” Cabe observar ainda que no item 69 do Relatório Fiscal a fiscalização traz mais informações que vêm a confirmar que os corretores agiam como representantes da autuada, “dos 16 compradores de imóveis convocados pela auditoria fiscal, conforme consta dos Termos de Atendimento à Intimação, 13 responderam que o corretor responsável pela venda do imóvel identificouse como representante da empresa Paulo Baeta, inclusive alguns desses compradores preservaram o cartão de visita entregue pelo corretor naquela oportunidade, cujo cartão contém a identidade da empresa representada.” Nesse sentido, observe no Anexo 04, Diligência 05, fls. 13 e Diligência 12, fls .24 do mesmo anexo, as cópias dos referidos cartões. Os esclarecimentos prestados pelos compradores estão registrados no Termo de Atendimento à Intimação integrante do Anexo 04.” Nos termos da legislação previdenciária todo aquele que “presta serviço de natureza urbanaou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego” é segurador obrigatório da Previdência Social na categoria de “contribuinte individual” (Art.12, inciso V, alínea g, da Lei no 8.212, de 1991), que foi o que ocorreu no presente caso. (...) E, sobre as referidas remunerações também incidem as contribuições previdenciárias da parte do contribuinte individual, cuja a arrecadação e o recolhimento são de responsabilidade da empresa, nos termos do artigo 4º, caput, da Lei n.º 10.666 de 08/05/2003, a seguir transcrito. Portanto, temse que os valores pagos a título de comissão a esses “corretores” tratase, na realidade, de remuneração paga a segurados contribuintes individuais nos termos do art. 22, III, da lei 8.212.91, base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas nos Autos de Infração acima descritos. Ante o exposto, com base no conjunto probatório constante nos autos e no princípio da verdade material, ratificamos também o contido no item 93 do Relatório Fiscal, restou devidamente caracterizado o ato fraudulento a partir do não reconhecimento por parte da empresa do vínculo com o corretor de imóvel que lhe presta serviço de intermediação imobiliária, transferindo a responsabilidade do pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel, pois esta foi a realidade fática verificada, não se trata de uma situação inexistente como alega a impugnante. E, como consequência desse não reconhecimento a Empresa não incluiu os referidos corretores na folha de pagamento de prestação de serviços, não os declarou na GFIP do período correspondente, não contabilizou o pagamento em títulos próprios da sua contabilidade e tampouco efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (Decreto Lei nº Fl. 2049DF CARF MF 12 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000." nesse sentido é a jurisprudência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão 2402003.189 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. CONTRIBUIÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO A CARGO DO TOMADOR DE SERVIÇOS A contribuição incidente sobre os valores recebidos por contribuintes individuais fica a cargo do tomador destes serviços. AFERIÇÃO INDIRETA PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Acórdão 2401003.505 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.045 13 existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Comprovandose a prestação de serviço por pessoa física, presumese ocorrido o fato gerador de contribuições previdenciárias, cabendo a exigência das contribuições correspondentes, a menos que o sujeito passivo consiga comprovar a inexistência de remuneração. REGISTROS CONTÁBEIS TÍPICOS DE PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Havendo registros contábeis típicos de pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços e não tendo a empresa apresentado os esclarecimentos necessários à investigação dos fatos geradores, tem o fisco a prerrogativa de apurar as contribuições correspondentes, cabendo ao contribuinte demonstrar a improcedência destas. (...) ainda, no mesmo sentido, frisese entendimento citado no acórdão 2401003.505, proferido no julgamento do AgRg no Ag 1186813 (2009/00863509 02/ 02/2010), no qual o relator Ministro Benedito Gonçalves, assim argumentou: “De fato, muito embora a pessoa física também seja beneficiada pela atuação do corretor, não há como negar a prestação de efetivos serviços à seguradora, uma vez que o preenchimento de propostas/formulários, a realização de simulações, o cálculo dos prêmios, entre outras atividades, seguem critérios estabelecidos exclusivamente pelas companhias. A propósito, é notório que os corretores participam de treinamentos institucionais promovidos pelas empresas, com vistas a incrementar argumentos de vendas e a atrair o maior número de consumidores para o mercado. Recebem, inclusive, premiações pelos resultados positivos de seu trabalho. Logo, não há como deixar de reconhecer que as seguradoras utilizam a prestação de serviço (intermediação) dos corretores, e dela diretamente se beneficiam, para conseguirem os seus objetivos sociais. As regras de experiência afastam o argumento das seguradoras de que oscorretores atuam por conta e ordem dos segurados. Antes, ao contrário: os segurados não possuem qualquer controle ou ingerência sobre a retribuição devida aos corretores de seguros. Apenas lhes é informado o montante do prêmio a ser pago pelo eventual negócio jurídico a ser celebrado.” em face do exposto, ocorrido o fato gerador, impõese a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores recebidos por corretores imobiliários advindas da Fl. 2051DF CARF MF 14 intermediação na venda de imóveis, assim como a imposição das multas aplicadas por descumprimento das obrigações acessórias. Multa por ausência de declaração de fato gerador em GFIP retroatividade benigna o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo amulta de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449/2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega dadeclaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo”. tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento); assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.046 15 contudo, a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Tal dispositivo remete a aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”; a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão recorrido e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91; essa foi a conclusão a que chegou a Turma recorrida e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado é o artigo 35 A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96); nessa linha de raciocínio, a NFLD (AIOP) e o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449/08. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial da contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Turma a qua, por seus próprios fundamentos. Fl. 2053DF CARF MF 16 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Contribuinte. No acórdão recorrido, discutiuse Autos de Infração de Obrigações Principais e Acessórias, referentes às Contribuições Sociais devidas pela empresa e pelos segurados, destinadas à Seguridade Social (Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS), incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais pessoas físicas, pelos serviços prestados à empresa autuada. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 1.550/1.599, os pagamentos realizados pela empresa não transitaram em sua folha de salários, não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social (GFIP), tampouco foram lançadas na contabilidade, inexistindo recolhimento à Seguridade Social (GPS) das contribuições devidas: AI 37.315.7649: descumprimento de obrigação principal empresa; AI 37.315.7657: descumprimento de obrigação principal segurados contribuintes individuais; AI 37.315.7606: deixar a empresa de preparar folhas de pagamento com a indicação de todos os contribuintes individuais (corretores) (CLF30); AI 37.315.7614: deixar a empresa de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores relativos aos pagamentos aos corretores (CFL34); AI 37.315.7622: deixar a empresa de descontar da remuneração as contribuições previdenciárias (CFL59); AI 37.315.7630: deixar a empresa de declarar em GFIP fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL68). O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido para rediscutir as seguintes matérias: a) multa – retroatividade benigna; b) incidência de contribuição previdenciária sobre valores de comissões pagos diretamente pelo cliente; c) obrigações acessórias ausência de fato gerador; e d) multa por ausência de declaração de fato gerador em GFIP retroatividade benígna. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento da matéria tratada no item "a", tendo em vista que o julgado paradigma, representado pelo Acórdão nº 2403002.357, fora reformado antes da interposição do Recurso Especial. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.047 17 Com efeito, o apelo foi interposto em 04/03/2016 (carimbo aposto às fls. 1.893), porém em 17/02/2016, dito paradigma foi reformado por meio do Acórdão nº 9202 003.801, que deu provimento ao Recurso Especial do Procurador, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabelece: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, DOU de 15/02/2016) Ressaltese que, independentemente da inserção, pela Portaria MF nº 39, de 2016, do § 15 no art. 67, do Anexo II, do Ricarf, o acórdão reformado antes da interposição do recurso nunca foi aceito como paradigma, pela simples aplicação do efeito substitutivo da decisão a quo pela decisão ad quem. Assim, tendo em vista que, à data da interposição do Recurso Especial o paradigma já se encontrava reformado, não conheço da matéria tratada no item "a" multa retroatividade benigna. No mérito do Recurso Especial, tratase de exigência de obrigações principais e acessórias, incidentes sobre pagamentos efetuados a corretores autônomos, cujo vínculo com a empresa Recorrente foi reconhecido pela Fiscalização. A Contribuinte alega, em síntese, que os pagamentos em questão foram efetuados diretamente aos corretores pelos adquirentes das unidades imobiliárias, de sorte que Fl. 2055DF CARF MF 18 esses constituiriam os efetivos sujeitos passivos da obrigação tributária, portanto a eles caberia o ônus do recolhimento das contribuições. No seu entender, o art. 22, III, da Lei nº 8.212, de 1991, definiria a prestação de serviço direta como requisito para o recolhimento da contribuição previdenciária, o que não teria ocorrido no presente caso. Ademais, assevera que não houve intenção de ocultar os fatos geradores, tampouco recusa ou sonegação de documentos e informações a justificar aferição indireta. Por fim, argumenta que a Lei nº 13.094, de 15/01/2015, que alterou a Lei nº 6.530, de 1980, demonstra que, mesmo que haja relação entre o corretor de imóveis autônomo e a imobiliária, isso não caracteriza qualquer espécie de vínculo legal, o que inclui a responsabilidade tributária. A despeito das alegações do Contribuinte, as Contribuição Sociais incidentes sobre os valores recebidos pelos corretores autônomos fica a cargo do tomador dos serviços, ou seja, da imobiliária, sendo irrelevante a transferência, por meio de contrato entre particulares, do ônus do pagamento das comissões aos compradores das unidades imobiliárias, já que ditos contratos não desqualificam a relação pessoal e direta da imobiliária com o fato gerador, na condição de verdadeira tomadora dos serviços dos profissionais. Nesse sentido é o art. 123 do CTN: "Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." Assim, comprovada a real relação entre os corretores de imóveis e a imobiliária, o fato gerador das Contribuições Sociais caracterizase pela prestação de serviços de intermediação imobiliária para Pessoa Jurídica, mediante pagamento de comissão a título de remuneração, sobre a qual incidirão todas as obrigações principais e acessórias. No que tange à comprovação da efetiva relação entre os corretores e a imobiliária, o acórdão recorrido traz extenso arrazoado, que ora reproduzo: "Trago, para tanto, a robusta fundamentação do r. acórdão de primeiro grau senão vejamos: "Conforme consta do Relatório Fiscal, para sustentação da tese de que a comissão de venda é custo direto do comprador, a autuada, na condição de intermediadora da operação, formaliza, juntamente com a incorporadora/construtora proprietária do imóvel, o contrato de promessa de compra e venda pelo valor líquido da operação, ou seja, exclui do “Valor de Negociação” (Tabela de Vendas) o valor da comissão de venda, impondo ao comprador o pagamento desse valor diretamente ao corretor responsável pela venda. No entanto, de acordo com o fluxo descrito no item 79 do Relatório Fiscal, elaborado a partir de informações prestadas pela própria empresa, pelos adquirentes diligenciados e corretores que prestaram depoimentos ao fisco, o fato de o cliente ter repassado diretamente ao corretor o valor correspondente à sua comissão de venda não significa que este pagamento está sendo feito por conta e risco do comprador, como se o corretor trabalhasse exclusivamente para ele (comprador) e a empresa estivesse fora do processo de venda. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.048 19 Portanto, ratificando o exposto pela fiscalização, ao adotar tal sistemática o propósito da empresa é livrarse da obrigação previdenciária principal, decorrente da transação imobiliária, pois a mesma está impedindo ou retardando o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador decorrente dessa prestação de serviço, não se trata apenas de um controle interno próprio, como aduz a autuada ao impugnar especificamente os itens 80 e 81 do Relatório Fiscal. Ressaltese que, no caso, o corretor está investido de autonomia para intermediar o negócio como representante da autuada (itens 63 a 70 do Relatório Fiscal) e não como profissional autônomo sem qualquer vínculo com esta, como alega a impugnante ao impugnar especificamente o item 59 do Relatório Fiscal. Conforme consta do item 70 do Relatório Fiscal 'Conforme dito anteriormente (item 44), referido Pedido é o documento que inicia o processo de venda no âmbito da empresa Paulo Baeta, cujo documento identifica o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o 'proponente comprador' e o 'corretor' que age em nome da empresa Paulo Baeta na operação imobiliária. O Anexo 04 traz cópias dos Pedidos de Reserva referentes às operações imobiliárias efetivadas com os compradores diligenciados.' Cabe observar ainda que no item 69 do Relatório Fiscal a fiscalização traz mais informações que vêm a confirmar que os corretores agiam como representantes da autuada, 'dos 16 compradores de imóveis convocados pela auditoria fiscal, conforme consta dos Termos de Atendimento à Intimação, 13 responderam que o corretor responsável pela venda do imóvel identificouse como representante da empresa Paulo Baeta, inclusive alguns desses compradores preservaram o cartão de visita entregue pelo corretor naquela oportunidade, cujo cartão contém a identidade da empresa representada.' Nesse sentido, observe no Anexo 04, Diligência 05, fls. 13 e Diligência 12, fls. 24 do mesmo anexo, as cópias dos referidos cartões. Os esclarecimentos prestados pelos compradores estão registrados no Termo de Atendimento à Intimação integrante do Anexo 04.' Nos termos da legislação previdenciária todo aquele que 'presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego' é segurador obrigatório da Previdência Social na categoria de 'contribuinte individual' (Art.12, inciso V, alínea g, da Lei no 8.212, de 1991), que foi o que ocorreu no presente caso. (...) Portanto, temse que os valores pagos a título de comissão a esses 'corretores' tratase, na realidade, de remuneração paga a segurados contribuintes individuais nos termos do art. 22, III, da Fl. 2057DF CARF MF 20 lei 8.212.91, base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas nos Autos de Infração acima descritos. Ante o exposto, com base no conjunto probatório constante nos autos e no princípio da verdade material, ratificamos também o contido no item 93 do Relatório Fiscal, restou devidamente caracterizado o ato fraudulento a partir do não reconhecimento por parte da empresa do vínculo com o corretor de imóvel que lhe presta serviço de intermediação imobiliária, transferindo a responsabilidade do pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel, pois esta foi a realidade fática verificada, não se trata de uma situação inexistente como alega a impugnante. E, como consequência desse não reconhecimento a Empresa não incluiu os referidos corretores na folha de pagamento de prestação de serviços, não os declarou na GFIP do período correspondente, não contabilizou o pagamento em títulos próprios da sua contabilidade e tampouco efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (Decreto Lei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000." Destarte, a relativa autonomia do corretor para intermediar o negócio não era exercida em seu nome e sim como legítimo representante da empresa. Nesse sentido, o acórdão recorrido colaciona trechos do Relatório Fiscal (fls.1550 a 1599), conforme a seguir: "Ademais, cabe ressaltar que todo o controle da venda, inclusive o pagamento da comissão do corretor, é exercido pela Empresa. Segundo o fluxo acima descrito, a documentação que integra o processo de venda assim como os cheques referentes ao sinal e à comissão do corretor são encaminhados à direção da Empresa para conferência da transação realizada e aferir o real valor da comissão de venda no sentido de constatar se esta não foi cobrada a maior. O cheque relativo ao sinal é destinado à incorporadora/construtora e o da comissão de venda fica sobrestado na Empresa até à efetivação do negócio (assinatura do contrato) quando é liberado ao corretor. Diante desses fatos, não há como sustentar que o corretor não tenha vínculo com a Empresa e que o pagamento da comissão de venda seja realizado no âmbito do comprador e corretor, sem qualquer participação da Empresa, com o propósito de livrarse da obrigação principal previdenciária decorrente da transação imobiliária. 83. Para ilustração da prática adotada pela Empresa objetivando a transferência do pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, observe o caso do adquirente do apartamento nº 614 do Edifício Rivoli, no Setor Sudoeste, Brasília/DF, senhor Lincoln da Costa e Oliveira, devidamente intimado pela auditoria fiscal para apresentar documentos e prestar esclarecimentos no âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal. (Anexo 04, Diligência 05) 84. Referido comprador pagou pelo imóvel o valor total de R$ 621.000,00, conforme consta da Tabela de Venda apresentada a esta auditoria fiscal (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 10), sendo R$ 61.560,00 a título de sinal; R$ 273.240,00 a serem pagos em 60 Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.049 21 parcelas mensais e 4 semestrais (valor da poupança); e o saldo remanescente de R$ 277.760,00 (valor do financiamento) quando da emissão do habitese. A soma desses valores totaliza R$ 612.560,00, conforme registra o Pedido de Reserva e Proposta de Compra nº 13310. (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 11) 85. Além desses valores, o comprador pagou mais R$ 8.440,00 ao senhor José Everaldo R. Ferreira, CPF 379.518.94149, Corretor de Imóveis (CRECIDF 9357) da Equipe de Vendas da empresa Paulo Baeta (vide cartão entregue ao comprador – Anexo 04, Diligência 05, Fls. 13) pela prestação dos serviços de intermediação da venda do imóvel acima identificado, conforme consta do Recibo de Pagamento de Autônomo –RPA entregue ao comprador (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 12). O pagamento ao corretor foi efetuado mediante transferência eletrônica, conforme recibos emitidos pelo caixa eletrônico do Banco do Brasil (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 14 e 15). 86. A soma dos valores pagos pelo adquirente (61.560,00 + 273.240,00 + 277.760,00 + 8.440,00) totaliza R$ 621.000,00, que equivale ao “Valor de Negociação” constante da “Tabela de Vendas’ (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 10). Porém, o Pedido de Reserva e Proposta de Compra assim como o Contrato de Promessa de Compra e Venda firmado entre o comprador e a incorporadora/construtora, proprietária do imóvel, com a intermediação da empresa Paulo Baeta, exibem o valor de R$ 612.560,00 (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 11 e 17). Observe que a diferença entre o “valor da negociação” (R$ 621.000,00) e o “valor do contrato” (R$ 612.560,00) equivale exatamente à importância paga a título de comissão de venda (R$ 8.440,00). 87. Semelhante ao caso acima relatado, a auditoria fiscal possui documentação comprobatória de mais 15 (quinze) adquirentes de imóveis de diferentes empreendimentos, todos devidamente intimados a prestar esclarecimentos vinculados ao presente Mandado de Procedimento Fiscal e relativos aos imóveis adquiridos com a intermediação da empresa Paulo Baeta. Referidos adquirentes, responderam também a um questionário versando sobre questões relativas ao processo de aquisição do respectivo imóvel, através dos quais a maioria confirma, em síntese, as seguintes questões: que o imóvel a que se refere a documentação apresentada foi adquirido com a intermediação imobiliária da empresa Paulo Baeta; que o valor do Pedido de Reserva e Proposta de Compra assim como do Contrato de Promessa de Compra e Venda não contemplam o valor da comissão de venda, cujo valor foi pago 'por fora' diretamente ao corretor; que o corretor responsável pela venda identificouse como representante da empresa de intermediação imobiliária Paulo Baeta. Fl. 2059DF CARF MF 22 88. Vale destacar a declaração de alguns adquirentes que fugiram à regra estabelecida pela Empresa quanto ao pagamento da comissão de venda, conforme segue abaixo: adquirente do apartamento 301, Residencial Moliére, em Águas Claras, BrasíliaDF, senhora Eliana Souza dos Santos, que pagou a título de comissão de venda a importância de R$ 6.217,85, cujo pagamento foi feito por meio do cheque nº 003670 do Banco do Brasil, nominativo a empresa de intermediação imobiliária Paulo Baeta; (Anexo 04, Diligência 02, Fls. 11) adquirente do apartamento 604, Edifício L’Essence, localizado na SQSW 300, Bloco N, Setor Sudoeste, BrasíliaDF, senhora Giovana Segurado Coelho, a qual pagou a importância de R$ 18.498,00, a título de comissão de venda, ao corretor Marcello Adrianni de Oliveira Fagundes e ao Supervisor Renato Rosa de Almeida Nogueira. Porém, o pagamento foi feito por meio de transferência eletrônica para a conta de Cláudio Quintana de Arruda, Gerente de Vendas da empresa Paulo Baeta. (Anexo 04, Diligência 04, Fls. 26) 89. O Demonstrativo 5 elaborado a partir de documentos apresentados à auditoria fiscal pelos adquirentes de unidades imobiliárias, apresenta casos concretos efetivados pelo contribuinte no período fiscalizado, os quais constituem prova material dessa prática lesiva ao fisco já incorporada aos procedimentos da Empresa. 90. Observese, no referido demonstrativo, que o “Valor de Negociação” é o valor que compõe a “Tabela de Vendas” definida pela incorporadora/construtora com a assessoria da empresa de intermediação imobiliária Paulo Baeta. O “Valor da Comissão do Corretor” corresponde ao percentual negociado entre as duas empresas. Posteriormente, a empresa intermediadora apresenta esse percentual da comissão com os corretores. E o “Preço de Venda” é resultado da subtração entre o “Valor de Negociação” e o “Valor da Comissão do Corretor”. 91. Do ponto de vista do comprador, esta prática não traz para este nenhum custo adicional, pois o valor que está pagando pelo imóvel é o valor de venda apresentado pela empresa no ato da negociação e nada mais. A diferença verificada entre a Tabela de Venda (valor negociado) e o contrato de promessa de compra e venda corresponde ao valor da comissão devida ao corretor. (...) 92. Diante do exposto, percebese com clareza a manobra fraudulenta arquitetada pela empresa Paulo Beta em parceria com as incorporadoras/construtoras responsáveis pelos empreendimentos com a quais firmou contrato de prestação de serviços de intermediação imobiliária no período fiscalizado, com o claro objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal decorrente dessa prestação de serviço. 93. Portanto, o ato fraudulento está caracterizado a partir do não reconhecimento do vínculo com o corretor de imóvel que lhe Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 9202005.455 CSRFT2 Fl. 2.050 23 presta serviço de intermediação imobiliária transferindo a responsabilidade do pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel. E como conseqüência desse não reconhecimento, a Empresa não inclui o corretor na folha de pagamento de prestação de serviços, não declara na GFIP do período correspondente, não contabiliza o pagamento em títulos próprios da sua contabilidade e tampouco efetua o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000." Acrescentese o depoimento do próprio Gerente de Vendas da Empresa, acerca de suas competências institucionais, que compreenderiam: credenciamento de corretores de imóveis que demandam a empresa por lançamentos imobiliários; análise dos respectivo currículos, inclusive pesquisa junto ao CRECI, sobre eventual registro de condutas desabonadoras que possam prejudicar a imagem da imobiliária; organização de equipes de vendas, direcionando o perfil do corretor às necessidades do empreendimento quanto à localidade, tamanho, material de acabamento, nível econômico dos clientes potenciais, entre outros. Como se pode constatar, a Fiscalização logrou comprovar a vinculação dos corretores autônomos com a empresa, de sorte que não há reparos a fazer no acórdão recorrido. Com efeito, verificase o descumprimento do estabelecido no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991. Por derradeiro, anotese que o Contribuinte cita a seu favor a edição da Lei nº 13.094, de 15/01/2015, que alterou a Lei nº 6.530, de 1980, conforme a seguir: "Art. 139. O art. 6º da Lei no 6.530, de 12 de maio de 1978, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 2º a 4º, renumerandose o atual parágrafo único para § lº: "Art. [...] § 2º O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3º Pelo contrato de que trata o § 2º deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. § 4º O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1º de maio de 1943. " Fl. 2061DF CARF MF 24 De plano, verificase a absoluta impossibilidade de aplicação da nova lei ao presente caso, em respeito ao art. 144 do CTN, já que sua vigência é posterior à ocorrência os fatos geradores ora tratados. Com efeito, dita lei inova no tratamento da matéria, definindo novas obrigações (contrato de associação devidamente registrado) e dando novos efeitos às relações entre imobiliária e corretores autônomos (ausência de vínculo empregatício e previdenciário). Ainda que fosse possível ultrapassar esse óbice o que se admite apenas para argumentar a novel legislação também não seria aplicável, tendo em vista que restaram carcaterizados os elementos caracterizadores do vínculo, o que inviabilizaria a pretensão. Quanto às obrigações acessórias, estas restam mantidas, por decorrência da manutenção da exigência das obrigações principais, inclusive a multa por falta de declaração em GFIP. Nesse passo, não há que se falar em retroatividade benigna mediante a aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da MP nº 449, de 2008, uma vez que dito dispositivo não comporta o lançamento de multa por decumprimento de obrigação principal combinado com o de multa por decumprimento de obrigação acessória. Com efeito, na nova legislação, a multa pelo descumprimento concomitante de obrigações principais e acessórias encontrase capitulado no art. 35A, que especifica multa de ofício única. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, exceto quanto à retroatividade benigna e, na parte conhecida, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2062DF CARF MF
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