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Numero do processo: 10945.005512/2001-45
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
Ementa:
DECADÊNCIA
Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador, independentemente da ocorrência de pagamento antecipado.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR
O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual se considera ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karen Jureidini Dias, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Possas.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora-Designada ad hoc.
EDITADO EM: 03/11/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual se considera ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karen Jureidini Dias, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Possas. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO – RedatoraDesignada ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 55 12 /2 00 1- 45 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDITADO EM: 03/11/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas. Relatório Primeiramente, cabe esclarecer que apresento relatório, voto e ementa no presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro José Ricardo da Silva, deixou o Colegiado sem promover a formalização da peça decisória (Despacho de Designação ad hoc de fls. 365). Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e acréscimo patrimonial a descoberto, referentes aos anoscalendário de 1995 a 1999 (fls. 154 a 169. A ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2001 (fls. 162). Em sessão plenária de 12/09/2005, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário interpostos pelo Contribuinte, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 10247.078 (fls. 263 a 271), assim ementado: “DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TRANSPORTE DE CARGAS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS CONDIÇÕES A tributação de quarenta por cento do rendimento proveniente de prestação de serviços de transporte de carga está condicionada a que o serviço seja executado somente pelo proprietário ou locatário do veículo, ainda que adquirido com reserva de domínio ou esteja sob alienação fiduciária. IRPF OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Na constância da sociedade conjugal os rendimentos próprios do cônjuge (salário) devem ser tributados e declarados por este na proporção de 100%, consoante prevêem os artigos 5 o e 6 o do RIR/94. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10945.005512/200145 Acórdão n.º 9900000.277 CSRFPL Fl. 367 3 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APROVEITAMENTO DE RECURSOS PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE COMPROVAÇÃO Somente pode ser aproveitado como fonte de recurso, em janeiro do exercício seguinte, o valor informado no campo de bens e direitos da correspondente Declaração de Ajuste Anual. IRPF GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Preliminar acolhida. Recurso negado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência suscitada pelo Conselheiro Relator, em relação ao anocalendário de 1995. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Oleskovicz que não acolhem a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 273 a 275, acolhidos conforme o Despacho nº 1020.270/2006 (fls. 276/277), prolatandose o Acórdão de Embargos nº 10248.448, de 25/04/2007, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Existindo omissão no voto condutor do acórdão, que deixou de abordar matéria enfrentada pela Câmara, cumpre ao colegiado ajustar a decisão. Embargos acolhidos.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos, para suprir a omissão apontada no voto condutor, e RERRATIFICAR o Acórdão n° 10247.078, de 12 de setembro de 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 287 a 291, julgado em 04/05/2009, prolatandose o Acórdão nº 930400.102, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O acréscimo patrimonial a descoberto situase dentre as hipóteses de lançamento por homologação em que o fato gerador do imposto de renda se concretiza no dia 31 de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o , do CTN). Recurso Especial Negado.” Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 313 a 321, visando a revisão do julgado pelo Pleno. Ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 910000.492, de 14/01/2011 (fls. 322). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, que seja aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que não teria sido efetuado pagamento antecipado. Nesse passo, quanto ao fato gerador ocorrido no anocalendário de 1995, o lançamento somente poderia ser efetuado em 1996, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro de 1997, de sorte que, contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2001. Como a ciência do auto se deu em julho de 2001 (fls. 162), o lançamento não teria ocorrido a destempo. Cientificado do acórdão recorrido e do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 14/04/2011 (fls. 325), o Contribuinte ofereceu, em 29/04/2011, as Contrarrazões de fls. 327 a 330, pedindo a manutenção da aplicação do art 150, § 4º, do CTN, considerando se o anocalendário de 1995 fulminado pela decadência. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, RedatoraDesignada had hoc Primeiramente, cabe esclarecer que apresento o voto a seguir, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro José Ricardo da Silva, deixou o Colegiado sem promover a formalização da peça decisória (Despacho de Designação ad hoc de fls. 365). Assim, ressalvo que o presente voto não reflete o meu posicionamento sobre a matéria. O Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e acréscimo patrimonial a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10945.005512/200145 Acórdão n.º 9900000.277 CSRFPL Fl. 368 5 descoberto, referentes aos anoscalendário de 1995 a 1999 (fls. 154 a 169. A ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2001 (fls. 162). O objeto do Recurso Extraordinário é a decadência, declarada em relação ao anocalendário de 1995. De plano, ressaltese que não há tributo cujo regime de lançamento seja o “de oficio”, originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de forma residual, em relação a tributos cujo regime é “por declaração” ou “por homologação”, em que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa, no sentido de efetuar um lançamento complementar em relação ao período de apuração. Considerandose que o imposto de renda encontrase entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amoldase à sistemática de lançamento por homologação, em que a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação, encontra respaldo no § 4º, do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Assim, no caso dos autos, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição de eventual crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, ou seja, da ocorrência do fato gerador, independentemente da ocorrência ou não de pagamento antecipado. Destarte, considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2001 (fl. 162), correto o acórdão recorrido, no ponto em que reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores que se concretizaram em 31/12/1995. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. MARIA HELENA COTTA CARDOZO – RedatoraDesignada ad hoc Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720080/2006-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, como houve apresentação do ADA posteriormente a tal marco, deve-se manter a glosa.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Impossível o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente. Vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, como houve apresentação do ADA posteriormente a tal marco, devese manter a glosa. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Impossível o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 80 /2 00 6- 70 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 509 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente. Vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 210200.644, da 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção deste Conselho (efls. 248 a 259), julgado na sessão plenária de 16 de junho de 2010, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer área de preservação permanente de 755,0 ha. e reduzir o arbitramento do VTN para R$ 9.542.802,04. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EXAME DE CONSTITUCIONAL1DADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF n° 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 510 3 Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do beneficio fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE.COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de oficio a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. PROVAS. A falta de comprovação das áreas ocupadas com benfeitorias, justifica a sua glosa. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Acatase o VTN indicado em laudo apresentado pelo contribuinte, mormente se no período de dois anos o valor do VTN apurado com base no SIPT sofre aumento de 48% e o valor apurado no laudo coincide com o menor valor apontado no SIPT. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de oficio aplicase a multa de oficio no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF n° 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 511 4 Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou, em 30 de março de 2011, recurso especial de divergência, na forma do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009 (efls. 262 a 275), onde defendeu a necessidade de apresentação tempestiva de ADA (no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR) para ser possível a dedução da área de preservação permanente e, ainda, que não poderia ser arbitrado o VTN com base no valor apontado em laudo técnico, o qual, por não apresentar grau de fundamentação 2, foi emitido sem a observância da Norma NBR 146533/2004. Mais especificamente: 1) Quanto à desnecessidade de apresentação do ADA. Fundamentou seu pedido, em síntese, na contrariedade ao teor do art. 17O, § lo da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. lo da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, c/c o art. 10, inciso II e §7o. da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e, ainda, em relação ao art. 10 do Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002 e aos art. 17 da IN SRF no 60, de 06 de junho de 2001 e arts. 111, II e 113, §§ 2o. e 3o. do CTN. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou, ainda, os seguintes paradigmas, alegados como divergentes em relação ao recorrido: Acórdão no 210100.478 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta laudo de avaliação que refute o VTN arbitrado, a preço de mercado em 01/01/2001. ÁREA DE PASTAGEM. Documento expedido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, com base em comprovação de vacina contra febre aftosa de bovinos, é hábil para Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 512 5 comprovar o quantitativo de animais da atividade pecuária, sobre o qual se deve calcular o índice de lotação. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Acórdão no 39100037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matricula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. 2. Quanto ao arbitramento pelo VTN, com base em laudo não possuidor de grau de fundamentação 2, consoante NBR 146533/2004. Entende aqui a recorrente que, para refutar o valor apurado pela fiscalização com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras), o contribuinte deve provar que o valor de seu imóvel apresenta preço inferior ao apontado no sistema da Receita Federal, por meio de documentação idônea e inequívoca. Ressalta que a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, por meio da NBR 146533, de 2004, estabeleceu procedimentos e condições exigíveis para a avaliação de imóveis rurais e de seus frutos e dos direitos sobre estes, e deve ser aplicada em todas as manifestações escritas de trabalhos sobre a matéria. Assim, para revisão do VTN Mínimo, seria necessária a apresentação de laudo técnico que atenda aos requisitos da ABNT, demonstrando os métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, e que aponte a existência de fatores que tornem o imóvel avaliado consideravelmente peculiar e diferente dos demais do município, o que não se verificou no caso em questão. Requer, assim, a Fazenda Nacional que seja reformado o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls .307 a 311. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 513 6 Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 23/12/2010 (efl. 325), o contribuinte ofertou, em 07/01/2011: a) Recurso Especial quanto a parte que lhe foi desfavorável do Acórdão, de e fls. 327 a 340, que teve seu seguimento negado consoante despachos de efls. 368 a 373; b) Contrarrazões (efls. 349 a 357), onde alega, em síntese: b.1) A existência de outras decisões deste mesmo CARF no sentido do recorrido; b.2) Que a data para apresentação do ADA deixou de existir em virtude da atual redação dada ao parágrafo 3° do artigo 9° da IN SRF no 256, de 2002 e b.3) Que não há o que se falar em falta de Laudo Técnico, até porque, para esta decisão de redução do VTN, utilizou a autoridade fiscal o Laudo Técnico nas decisões dos ITRs 2003 e 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso atende seus requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. As matérias serão analisadas na ordem em que foram apresentadas. 1) Quanto à desnecessidade de apresentação do ADA. A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2005. No caso concreto, se encontra ADA acostado aos autos, datado de 30/06/2006 (efl. 34). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. Entendo a princípio que, em se tratando de requisito para fins de redução da base de cálculo do ITR, a apresentação do ADA para fins da referida redução deveria se dar até a data de ocorrência do fato gerador (no caso 01/01/2005). Todavia, de se respeitar o fato de que a legislação vigente à época do fato gerador, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 73, de 18 de julho de 2000, em seu art. 17, inciso III, concedia prazo adicional ao contribuinte, possibilitando a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR – DITR, ressaltandose aqui meu entendimento de competência plena da referida Instrução Normativa para determinar a data para cumprimento de obrigação prevista em lei. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 514 7 In casu, a DITR do exercício de 2005 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2005, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 554, de 12 de julho de 2005. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2005 poderia ser entregue até o dia 30 de março de 2006. No presente caso, ele só foi apresentado em 30/06/2006, assim, em meu entendimento, de forma intempestiva. Faço notar, de forma a que todos possam firmar sua convicção acerca do tema e, considerando o posicionamento majoritário deste Colegiado no sentido de admissão do referido ADA desde que protocolizado antes do início da ação fiscal, que, além de intempestivo quanto ao prazo suprareferido, o referido ato tambem foi protocolizado após o início da ação fiscal, que se deu em 26/04/2006 (efls. 10/11). Assim, em meu entendimento, não suprida a obrigação de apresentação de ADA de forma tempestiva (considerado o prazo estabelecido pelo art. 17 da IN SRF no 60, de 2001, cujo termo inicial de contagem foi estabelecido pelo art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 554, de 2005) entendo que não é de se admitir a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, devendose dar provimento ao Recurso da Fazenda nesta seara, restabelecendose a glosa da área de preservação permanente, de 755,0 ha. Contudo, considerando que a maioria dos membros do colegiado entende que o marco temporal para entrega válida do ADA, para fins de exclusão da tributação da área de preservação permanente, é o início da ação fiscal, em cumprimento ao § 8º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, registro aqui essa razão de decidir da maioria, que acompanha este conselheiro relator, no caso, apenas pelas conclusões. 2. Quanto ao arbitramento pelo VTN, com base em laudo não possuidor de grau de fundamentação 2, consoante NBR 146533/2004. Aqui, faço notar que, com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, quando combinado com o art. 12, II, da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, somente é de se aceitar, no caso em questão, o arbitramento pelo SIPT, quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 515 8 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Não verifico, no extrato de efl. 67, a existência de valoração levando em consideração a aptidão agrícola da terra nua e, assim, rejeito a possibilidade de utilização do SIPT na forma realizada pela autoridade autuante. Considerado o acima disposto, entendo ser o laudo técnico anexado às efls. 35 a 49 o melhor critério de avaliação para fins de arbitramento do VTN, em especial ao se ponderar a relevante constatação do Colegiado a quo reproduzida a seguir, à qual acedo integralmente: “ (...) Como se vê, os valores do VTN apontados pelo laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte (R$ 9.542.802,04 R$ 255,00/ha) e no SIPT para o exercício 2003 (R$ 9.470.936,90 — R$ 253,08/ha) são praticamente idênticos. Ora, é bem verdade que o laudo apresentado pelo contribuinte não se enquadra no grau de fundamentação 2, contudo, o fato de o laudo ter chegado ao mesmo valor utilizado pela autoridade fiscal para o arbitramento do VTN no exercício 2003 não pode ser desprezado. Destaquese que ambos os procedimentos fiscais Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10183.720080/200670 Acórdão n.º 9202003.748 CSRFT2 Fl. 516 9 ocorreram simultaneamente, sendo que o Termo de Intimação, fls. 14/15, contempla o inicio da ação fiscal para os dois exercícios, quais sejam 2003 e 2005. (...)” Ainda, em favor da manutenção da avaliação pelo laudo, noto que a diferença entre o VTN/ha. constante do laudo e o VTN/ha. constante da ITR (inferior) já se constitui, a esta altura, em parcela incontroversa. Assim, nego provimento ao pleito da Fazenda Nacional quanto à esta matéria. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa da área de preservação permanente, no valor de 755,0 ha. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726083/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente LUIZA HERMINIA WAHRENDORFF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 83 /2 01 2- 86 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra o Acórdão n. 1041.644 exarado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), na qual é exigido o crédito tributário no valor consolidado em 03/2012 de R$ 12.894,42, relativo ao anocalendário 2009. Extraímos os principais aspectos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: "A fiscalização glosou dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 24.000,00 devido à falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme discriminado às fls. 12. A contribuinte interpôs impugnação (fls. 02/03) alegando, em resumo que: é portadora de doença grave (cegueira), portanto não tem condições de analisar e efetuar suas declarações; pedindo a ajuda de outras pessoas, não teve, então, conhecimento das intimações anteriores; pede reconsideração dos fatos, junta ao expediente laudo médico onde a contribuinte já teria isenção total do IR e, portanto, solicita a impugnação total ou parcial da referida notificação; requer seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado." A DRJ julgou improcedente a impugnação. Acerca da isenção, justificou que a existência de moléstia grave não estaria comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Quanto às glosas de despesas médicas, o relator encaminhou que deveriam ser mantidas, posto que, em relação aos profissionais Marlei Bonacina e Márcia Elisa de Oliveira, não são dedutíveis despesas com técnico de enfermagem. Cientificada da decisão em 27/12/2012, fl. 80, a contribuinte interpôs no dia seguinte recurso, no qual apenas pede que seja apreciado laudo pericial que deixou de ser apresentado na impugnação. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.726083/201286 Acórdão n.º 2402005.049 S2C4T2 Fl. 101 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Direito à isenção O documento hábil e exclusivo previsto na Lei para comprovação de moléstia que dá direito a isenção tributária é o laudo pericial emitido por serviço de saúde oficial do governo federal, municipal ou estadual. A data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando indicada no laudo, como determina expressamente o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): "§ 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifei) Não há dúvida que o documento de fl. 94, emitido pelo Departamento de Perícia Médica e Saúde do Trabalhador da Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos do Estado do Rio Grande do Sul atende aos requisitos normativos para o reconhecimento da isenção. Tratase de laudo emitido junta médica de órgão oficial, o qual atesta a data de início da Doença de Cegueira CID H54.0 como 25/09/2007. Sobre a validade desta prova, entendo que o princípio da verdade material impõe o seu conhecimento. A jurisprudência do CARF tem se manifestado majoritariamente neste sentido. Eis um julgado que privilegia o referido princípio: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte apresentou documento hábil (recibo e Alvará) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial — reclamatória trabalhista). Da mesma forma, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 apresentou documentos que demonstram ter efetuado doações declaradas a Conselho Municipal da Criança e Adolescente. ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastandose a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Acórdão n. 2801003.925, de 20/01/2015. Desse modo, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos pela contribuinte a partir de 25/09/2007 estão alcançados pela isenção do IRPF, haja vista que o laudo indica que a moléstia foi adquirida em caráter definitivo nesta data. Devem, portanto, ser excluídos da apuração fiscal os rendimentos pagos à contribuinte por todas as fontes pagadoras, quais sejam, Departamento Municipal de Previdência dos Servidores Públicos e Instituto Nacional do Seguro Social e IPERGS Regime Próprio de Previdência Social no anocalendário de 2009. Ressaltese que em sede recursal a recorrente somente se insurgiu sobre o direito à isenção, não tratando das glosas de despesas médicas. Conclusão Voto por conhecer do recurso para darlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.725646/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
Ementa:
DEPENDENTES. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Apenas podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual, os dependentes devidamente comprovados.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.869
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 Ementa: DEPENDENTES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Apenas podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual, os dependentes devidamente comprovados. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Apenas podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual, os dependentes devidamente comprovados. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 56 46 /2 01 3- 89 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10183.725646/201389 Acórdão n.º 2201002.869 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1265.592 da 18ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Contra o contribuinte foi lavrada notificação(fls. 4 a 11 ) relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2011, para apurar imposto a restituir de R$4.257,85. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foram apuradas as seguintes infrações: dedução indevida de dependentes no valor de R$5668,92, dedução indevida de despesas médicas no valor de R$14.714,57, dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$2958,23. Em 06/12/2013 , o contribuinte concorda em parte com o lançamento. Com relação aos dependentes solicita que sejam considerados Ana Maria e Reinaldo conforme documentação anexa. Quanto as despesas com instrução afirma que os gastos são em razão de Acordo Judicial e que cometeu um erro ao preencher os nomes. Afirma que teve gastos com os dois dependentes mencionados acima. No que se refere as despesas médicas , questiona o valor de R$9.321,93 alegando que se trata de despesas com tratamento próprio e que o valor de R$6072,57 se refere a ele próprio e os valores de R$1579,20 e R$1670,16 aos seus dois dependentes. Em 24/04/2014, o processo foi encaminhado para julgamento. Foi solicitada prioridade na tramitação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Seus netos estão sob sua guarda e dependência. Anexa ação de divórcio entre Euridice Pimenta de Oliveira Junior e Priscilla Andrade Martins Pimenta e certidão de nascimento onde podem ser confirmados os avós maternos. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEPENDENTES A legislação, mais especificamente, a lei 9.250/95 e o Decreto 3.000/99, estabelecem a possibilidade de deduções relativas a despesas como dependentes e especifica quem pode ser considerado dependente. Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... c) à quantia, por dependente, de:(Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) 1. R$ 1.584,60 (mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos) para o anocalendário de 2007;(Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007) 2. R$ 1.655,88 (mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e oito centavos) para o anocalendário de 2008;(Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007) 3. R$ 1.730,40 (mil, setecentos e trinta reais e quarenta centavos) para o anocalendário de 2009;(Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007) 4. R$ 1.808,28 (mil, oitocentos e oito reais e vinte e oito centavos) para o anocalendário de 2010;(Redação dada pela Lei nº 12.469, de 2011) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10183.725646/201389 Acórdão n.º 2201002.869 S2C2T1 Fl. 4 5 5. R$ 1.889,64 (mil, oitocentos e oitenta e nove reais e sessenta e quatro centavos) para o anocalendário de 2011;(Incluído pela Lei nº 12.469, de 2011) 6. R$ 1.974,72 (mil, novecentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos) para o anocalendário de 2012; (Incluído pela Lei nº 12.469, de 2011) 7. R$ 2.063,64 (dois mil, sessenta e três reais e sessenta e quatro centavos) para o anocalendário de 2013; (Incluído pela Lei nº 12.469, de 2011) 8. R$ 2.156,52 (dois mil, cento e cinquenta e seis reais e cinquenta e dois centavos) para o anocalendário de 2014; e(Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) 9. R$ 2.275,08 (dois mil, duzentos e setenta e cinco reais e oito centavos) a partir do anocalendário de 2015;(Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) ... Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. § 5o(Vide Lei nº 13.146, de 2015)(Vigência) Decreto 3000/99 Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. ... Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e5º, parágrafo único(Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): Io cônjuge; IIo companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IVo menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10183.725646/201389 Acórdão n.º 2201002.869 S2C2T1 Fl. 5 7 Vo irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VIos pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VIIo absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2ºOs dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). §3ºOs dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §2º). §4ºNo caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §3º). §5ºÉ vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §4º). ... Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, eLei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74,75,78a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Parágrafo único.O resultado da atividade rural apurado na forma dos arts. 63a 69 ou71, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 9ºe21). A legislação também estabelece que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 No presente caso, foram consideradas indevidas as deduções com os seguintes dependentes, pelas razões expostas: · Reinaldo Martins Custódio Neto Não comprovou a guarda judicial. · Ana Maria Martins Pimenta Não comprovou a guarda judicial. · Lucca Barroco Martins Não comprovou a guarda judicial. Na impugnação questionouse exclusivamente os dependentes Reinaldo Martins Custódio Neto e Ana Maria Martins Pimenta. Abaixo, trecho do voto condutor da decisão de primeira instância. A fiscalização glosou três dependentes por falta de documentos que comprovassem a guarda judicial conforme solicitado no Termo de Intimação. O interessado contesta apenas dois dependentes Ana Maria Martins Pimenta e Reinaldo Martins Custodio Neto, declarados sob o código 22 (filho ou enteado universitário ou cursando escola técnica de 2º grau até 24 anos). Entendo que até agora, a guarda judicial dos alegados dependentes não foi comprovada. O trecho da homologação do divórcio que define a guarda dos menores, que deveria ter sido apresentado quando do processo fiscalizatório, até agora não foi apresentado. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 16682.720400/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 40 0/ 20 12 -9 5 Fl. 11607DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.607 2 "Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento nº 03197.72690.211211.1.1.089080, no montante de R$ 45.659.810,53, relativo a crédito do PISExportação, apurado no 3º trimestre de 2010, pelo regime nãocumulativo. Vinculado ao referido direito creditório, foram transmitidas as seguintes Declarações de Compensação: DCOMP VINCULADAS 34375.78316.240212.1.3.084720 29740.23372.261212.1.7.080620 19093.49662.240212.1.3.088074 37653.27391.261212.1.7.080352 05946.90767.240212.1.3.082783 16052.56369.261212.1.7.085895 A DEMAC/RJO emitiu Parecer Conclusivo nº 211/2013 e Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório de R$ 16.446.575,78 e homologou parcialmente as Declarações de Compensação até o montante reconhecido. No referido Parecer consta consignado, que com o fito de instruir a análise do presente pedido de ressarcimento, bem como dos pedidos de ressarcimentos de PIS/Cofins exportação referentes aos trimestres dos anos de 2008 a 2010, foi dado início a ação fiscal, em 26/04/2012. A contribuinte, em resumo, foi intimada a: − Descrever o seu processo produtivo, identificando neste os bens e os serviços utilizados como insumos; − Apresentar planilha com os Percentuais de Rateio utilizados em cada mês dos anos de 2008 a 2010 para determinar os créditos referentes ao Mercado Interno e às Exportações, bem como as correspondentes memórias de cálculo que determinaram os referidos percentuais; − Apresentar Memórias de Cálculo trimestrais referentes a cada linha das fichas de apuração de créditos informados nos Dacon que serviram de base para os Pedidos de Ressarcimento em análise As informações solicitadas foram apresentadas por intermédio de arquivos digitais referentes às planilhas eletrônicas com os percentuais de rateio e às memórias de cálculo anuais correspondentes a cada linha das fichas de apuração do PIS e da Cofins não cumulativos informados em DACON. O procedimento realizado para se conhecer a metodologia de apuração de créditos de PIS e de Cofins utilizada pela empresa foi realizado por intermédio de reuniões e intimações entre auditores fiscais e representantes da empresa, resultando no Manual de Tomada de Créditos elaborado pela Gerência de Planejamento e Controle da Vale S/A. A análise inicial da documentação apresentada demonstrou a necessidade de mais dados, os quais foram solicitados para a contribuinte por intermédio do Termo de Intimação n.º I, através do qual que foi pedido à empresa: 1. No tocante aos créditos de bens para revenda apurados no ano calendário de 2008, explicações do motivo pelo qual o montante de aquisições de serviços de transporte, CFOP 1352, corresponde a mais de 77% dos créditos apurados a título de revenda de mercadorias; 2. Apresentação de determinadas cópias de notas fiscais relativas aos créditos de bens para revenda; Fl. 11608DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.608 3 3. Apresentação de planilha eletrônica, na qual constassem as aquisições de bens e materiais de uso e consumo; 4. Quanto aos créditos de serviços utilizados como insumo, apresentação de planilha com a descrição do correspondente serviço/item, como efetuado nas outras planilhas apresentadas. Através da Intimação II, a fiscalizada foi intimada a apresentar: 1) planilha especificando despesas de armazenagem e frete na operação de venda; 2) ajuste da planilha referente aos créditos de serviços utilizados como insumo; e 3) notas fiscais relativas a despesas de contraprestação de arrendamento mercantil. Em 05/09/2012, foi elaborado o Termo de Intimação III visando principalmente solicitar à VALE S/A a apresentação de arquivos digitais referentes aos registros contábeis, documentos fiscais e auxiliares. As solicitações do Fisco foram atendidas pela fiscalizada. Dos valores informados em Dacon a título de Bens Utilizados como Insumos, foram glosados os valores dos produtos adquiridos para uso e consumo. No conjunto de dados acostados aos autos pela empresa para lastrear os créditos relativos às aquisições de Bens Utilizados como Insumos, foi utilizado o CFOP para verificar a destinação que a interessada deu as referidas mercadorias. Em relação a tal conjunto de dados a autoridade fiscal relata que: i) as planilhas juntas consolidam mais de 1.200 mil registros; ii) grande parte da descrição dos produtos é codificada ou insuficiente para identificação de sua utilização; iii) no referido período a empresa utilizou mais de 88.000 (oitenta e oito mil) descrições diferentes; iv) a contribuinte informou o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP, mas não informou a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM vinculadas às aquisições, seja nas planilhas entregues à Fiscalização, seja nos arquivos digitais transmitidos; v) também não foi informado conta contábil ou qualquer referência de centro de custo para as mercadorias adquiridas. Ante a deficiência da descrição de itens de valores relevantes adquiridos no ano de 2010, principalmente por estar desacompanhada de outras informações importantes (NCM, conta contábil etc), a fiscalização conclui que, por intermédio das memórias de cálculo e dos arquivos digitais transmitidos, somente foi possível verificar o CFOP no qual a contribuinte classificou as referidas aquisições. Quanto a esse critério de aferição da natureza dos bens, menciona: que, por intermédio do Manual de Tomada de Créditos fornecido pela empresa, constatase que a metodologia adotada pela empresa para apurar créditos do mercado interno utiliza o CFOP como parâmetro de classificação das aquisições; verificase a partir da ação fiscal desenvolvida para apreciar os pedidos de ressarcimento de créditos de COFINSExportação referentes ao 4º trimestre de 2004 e a todos os trimestres de 2005, a própria empresa, ao ser solicitada a comprovar seus créditos, apresentou planilhas que dividia os valores em dispêndios utilizados na industrialização e despesas de uso e consumo, as quais possuem CFOP distintos. Fl. 11609DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.609 4 Informa que no Termo de Intimação I, foi solicitada à contribuinte a apresentação de planilha discriminando as aquisições de bens e materiais de uso e consumo. Entretanto, a contribuinte não apresentou a planilha solicitada, informando que as aquisições de bens e materiais já haviam sido incluídas nos arquivos digitais transmitidos à Administração Fazendária e frisando que o conceito de uso e consumo, na ótica da legislação do ICMS e/ou do IPI, corresponde às notas fiscais escrituradas sob os CFOP 1556 e 2556. Nesse sentido, a análise das planilhas ou dos arquivos digitais citados com base no CFOP mostra que a requerente considerou como créditos tanto os dispêndios utilizados na produção e na industrialização como os custos e despesas de uso e consumo, tais como as seguintes aquisições: CFOP 1407 – Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária, CFOP 1556 – Compra de material para uso ou consumo, CFOP 2407 Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária, e CFOP 2556 Compra de material para uso ou consumo. Como as importâncias relativas às aquisições de produtos para uso e consumo não geram créditos, somente os bens utilizados no processo produtivo serão considerados. Além das planilhas fornecidas pela fiscalizada, sempre que existiu nota fiscal eletrônica, foi verificado se o contribuinte se apropriou de crédito referente a operação de aquisição “sem o pagamento da contribuição para o Pis/Cofins” (Operações com suspensão, isentas ou não tributadas). Foram excluídas da base de cálculo dos créditos das contribuições para o Pis/Cofins todas as operações com suspensão e isenção apuradas com base em análise das Notas Fiscais Eletrônicas, das quais o contribuinte se creditou conforme planilhas fornecidas pela fiscalizada. O direito ao crédito do Pis/Cofins na importação pela aquisição de insumos, só surge com o efetivo pagamento das referidas contribuições, conforme preceitua o artigo 15, § 6º da Lei 10.865/2004 e, por sua vez, a contribuição na importação só é devida após a ocorrência de seu fato gerador, “a entrada da mercadoria em território nacional”. Preceitua o Decreto 6.759/2009, artigo 73, inciso I, que no caso de Despacho Aduaneiro de Consumo, que é o caso de insumos a serem aplicados no processo produtivo ou na prestação de serviços a entrada da mercadoria em território nacional (aduaneiro), ocorre na data do registro da Declaração de Importação (DI). Somente a partir deste momento, pode haver o creditamento quanto às operações de importação. Sendo vedado o creditamento em momento anterior. Deste modo devese excluir o crédito de período posterior ao da apuração. Examinandose, o arquivo “IMPORTACAO INSUMO 2010.xlsx”, também foi constatado que a contribuinte tomou crédito sobre diversas aquisições de bens para serem aplicados em operações de logística: máquinas e equipamentos e suas partes e peças relacionados ao transporte interno de bens dentro do estabelecimento ou entre estabelecimentos da empresa, ou relacionados à malha ferroviária, Fl. 11610DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.610 5 combustível para operações de logística, manutenção de equipamentos de logística, lanternas para sinalização náutica, etc. De acordo com o artigo 15º da Lei nº 10.865/2004, só dão direito ao crédito como insumos, aqueles adquiridos para prestação de serviços e para a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes. As operações de logística estão excluídas do conceito de industrialização e de prestação de serviços a terceiros. Em relação à aquisição de Serviços Utilizados como Insumos, geram créditos aqueles utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. A contribuinte forneceu em seu Manual de Tomada de Crédito a relação de contas contábeis e das unidades de controle (coluna UC na planilha), a qual foi utilizado na identificação da natureza do serviço prestado. Foram glosados, dentre outros: Serviços de logística; Estudos e pesquisas (conta 353034002); Prospecção e sondagens (conta 353035009); serviços de geologia (conta 353035010); Serviço de operação portuária (conta 353035017); Serviços de manutenção em equipamentos ferroviários (conta 353036003) e em equipamentos de telecomunicação (conta 353036007); serviços de dragagens (conta 353036015); serviços de manutenção de embarcações (conta 353036016). Quanto aos serviços de logística, não foram considerados os créditos vinculados as seguintes Unidades de Controle Operacional: LFC Logística Ferroviária – EFC; LFV Logística Ferroviária – EFVM; LIG Compartilhado Logística; LNG Logística Navegação; LPB Logística Portuária – Terminal Inácio Barbosa; LPD Logística Portuária – Terminal Produtos Diversos; LPG Logística Portos; LPI Logística Portuária – Terminal Ilha de Guaíba; LPM Logística Portuária – Terminal Praia Mole; LPN Terminal Carga Geral Norte; LPT Terminal Carga Geral Sul – TU. Entretanto, no que diz respeito aos mencionados serviços vinculados a atividade de logística ferroviária ou portuária, cabe ressaltar que foi aceita a parte dos créditos relativa às receitas que a empresa obtém com a venda destes serviços. Para tanto, foi efetuada uma apuração proporcional dos créditos, ou seja, a partir dos totais mensais de rendimentos auferidos pela contribuinte e dos totais de receita com serviços ferroviários e portuários, foi elaborada planilha com os percentuais e os respectivos créditos das atividades desenvolvidas pela empresa(fl. 10.982/10.987). Foram glosados, ainda, os serviços contabilizados em contas cuja Rubrica, ou, ainda, a rubrica de sua conta sintética foi considerada incompatível com a tomada de crédito. Sobre tais contas a fiscalização menciona: serviços cujo custo estava relacionado a contas que registraram itens de infraestrutura, de transporte, da etapa de “preset”, dentre outros, que não faziam parte da etapas produtiva, tiveram seu crédito glosado; a fiscalizada também registrou como serviço os gastos com aluguel, os quais estariam registrados em Fl. 11611DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.611 6 duplicidade, visto que as despesas com aluguel constam de linha específica no Dacon. Do parecer consta a tabela que relaciona as contas cujas operações foram excluídas do direito ao crédito. Considerando os processos produtivos da Vale S/A, o translado de minério de ferro das minas para pátios de carga e descarga, para industrialização ou para escoamento configura transporte interno, o qual não gera créditos na sistemática do PIS/Cofins nãocumulativo. Os serviços de manutenção em telecomunicação também não se subsumem em serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. Os entendimentos expostos aplicamse às demais aquisições relacionadas, motivo pelo qual os correspondentes valores devem ser desconsiderados no computo dos créditos da Cofins nãocumulativa. Quanto aos créditos relativos às despesas com energia elétrica, constatouse que a fiscalizada se creditou do valor de itens de notas fiscais, nas quais o fornecedor indica –através do código de situação tributária (CST) –tratase de aquisição sem incidência das contribuições para o Pis/Cofins (CST 08). O artigo 3º, § 2º, inciso II da Lei 10.637/2002 (Pis) e o mesmo artigo da Lei nº 10.833/2003 (Cofins) vedam expressamente o aproveitamento de crédito do Pis/Cofins referente às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições, no caso da venda ocorrer sem o pagamento das contribuições (exportação, alíquota zero, isenta ou não tributada). Deste modo, foram excluídas da base de cálculo dos créditos das contribuições para o Pis/Cofins todas as operações de aquisição com isenção das contribuições apuradas com base em análise das NFe, das quais o contribuinte se creditou conforme planilhas fornecidas pela contribuinte. Em relação ao créditos Sobre Bens do Ativo Imobilizado foram glosados os valores referentes a equipamentos e máquinas que não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, nas hipóteses previstas na legislação, dentre os quais: locomotivas; vagões de transporte de minério de ferro; dormentes ferroviários; caminhões; barcos de alumínio; Notebooks; mobiliário; livros; material de escritório e etc. A autoridade fiscal coloca que o translado do minério produzido pela VALE S/A e efetuado pelas suas ferrovias não se confundem com a produção do referido produto, mas tratase de serviço auxiliar executado em momento posterior, no escoamento e na distribuição do que foi produzido. Menciona que a própria empresa, em seu site na internet afirma que suas ferrovias fazem parte de uma grande infraestrutura logística para assegurar o escoamento de sua produção com agilidade e eficiência (fl. 10.981). Acrescenta que o mesmo entendimento para os equipamentos ferroviários aplicase às outras aquisições relacionadas – caminhões, barcos, equipamentos de informática, mobiliário, equipamentos médicos e etc. Em seus créditos, a empresa também computou o valor referente a equipamentos para medição e análise (balança, análise de granulometria, analisador de energia, medidor de vibrações, etc), para proteção e combate a incêndio (extintores, sinalizadores de extintores, Fl. 11612DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.612 7 etc), sistemas de telecomunicações, máquina fotográfica, equipamentos para comunicação/transmissão de dados (informática). Ainda em relação ao Mercado Interno, observouse a tomada de crédito de itens de notas fiscais, nas quais o fornecedor indicou no campo observações a existência de suspensão na operação de venda, ou então, indicou tratarse de operação não sujeita ao pagamento das contribuições através do código de situação tributária (CST 07 – Operação Isenta; CST 08 – operação sem incidência do Pis/Cofins; CST 09 Operação Suspensa). O artigo 3º, § 2º, inciso II da Lei 10.637/2002 (Pis) e o mesmo artigo da Lei 10.833/2003 (Cofins) vedam expressamente o aproveitamento de crédito do Pis/Cofins referente às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Como no caso deste item. Deste modo, foram, igualmente, excluídas da base de cálculo dos créditos das contribuições para o Pis/Cofins todas as operações sem incidência das contribuições apuradas com base em análise das NFe, das quais o contribuinte se creditou conforme planilhas fornecidas pela contribuinte. Em relação ao período aquisitivo dos Créditos na Importação, entendese que o direito só surge com o efetivo pagamento das referidas contribuições, conforme preceitua o artigo 15, § 6º da Lei 10.865/2004 e, por sua vez, a contribuição na importação só é devida após a ocorrência de seu fato gerador, “a entrada da mercadoria em território nacional”. Preceitua o Decreto 6.759/2009, artigo 73, inciso I, que no caso de Despacho Aduaneiro de Consumo, que é o caso de insumos a serem aplicados no processo produtivo ou na prestação de serviços a entrada da mercadoria em território nacional (aduaneiro), ocorre na data do registro da Declaração de Importação (DI). Somente a partir deste momento, pode haver o creditamento quanto às operações de importação. Sendo vedado o creditamento em momento anterior. Deste modo, excluiuse o crédito indevido referente às operações ocorridas no 1º trimestre de 2011, sujeitas à alíquota básica das contribuições e informado na linha 7 das Fichas 06B/16B. Devidamente cientificada do indeferimento parcial do pleito a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde inicialmente questiona a conduta da fiscalização alegando que, a despeito de ter fornecido todas as informações necessárias para esclarecer de forma clara o seu processo produtivo, inclusive franqueando visita aos Srs. Auditores para acompanhamento do processo produtivo, o Fisco promoveu a glosa de valores em relação aos quais faz jus. Defende que isso se deu em razão de o Fiscal desconhecer seu complexo processo produtivo, pelo que pugna pela produção de prova pericial visando o pleno conhecimento de seu processo produtivo, insumos, serviços e ativo imobilizado utilizado, inerentes às atividades desenvolvidas pela Impugnante, afastando qualquer dúvida que pudesse advir do exame da prova documental. Indica perito e formula quesitos. A manifestante, discorrendo sobre o conceito de insumo que prevalece nos tribunais administrativos, defende que a doutrina e a moderna jurisprudência (cita decisões judiciais e do CARF) convergem para uma definição de insumos que contempla, além das matériasprimas, Fl. 11613DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.613 8 materiais de embalagem e produtos consumidos no processo de industrialização, todo e qualquer elemento necessário à produção de bens, circulação de mercadorias ou prestação de serviços. E traz considerações acerca deste conceito no âmbito de outros tributos para concluir que se aplicariam no âmbito da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas. Assim, conclui seu arrazoado sobre o conceito de insumo: Em resumo, sustenta que: (a) se utilizado o conceito de despesas constante na legislação do imposto sobre a renda, faria jus aos créditos uma vez que todos os bens e serviços se constituem em despesas operacionais; (b) adotandose o conceito próprio esposado em diversas decisões do CARF, igualmente faria jus aos multicitados créditos, uma vez que são parte integrante e indissociável de seu processo produtivo; e (c) ainda que se adotasse o conceito de insumos constante na legislação do IPI, teria direito aos créditos uma vez que todos os bens e serviços estão relacionados intrinsecamente ao seu processo produtivo. Contesta a glosa de valores inseridos no montante informado em Dacon a título de Bens Utilizados como Insumo alegando que o conceito de insumos que dão direito ao creditamento não deve ser considerado de modo restritivo, mas sim de forma a abranger todos os insumos relacionados às atividades desenvolvidas pela Impugnante. Discorre, então, sobre o seu processo produtivo e conclui que os bens glosados consistem de insumo. Em síntese, explica que o processo se inicia no complexo minerador, onde ocorre a primeira etapa de beneficiamento do minério extraído, que é transportado até a usina de beneficiamento, depois ocorre o peneiramento com 17 linha de produção e a pelotização (pó de minério é transformado em pelotas). Finda esta etapa, o minério é estocado e depois transportado em vagões em até São Luiz do Maranhão, onde é armazenado em silos até que se formem os lotes a serem transportados em navios. Conclui que seu processo produtivo é complexo e que não deve ser considerado encerrado, para os fins de creditamento a título de PIS e COFINS, quando finda o beneficiamento. Isto porque para que possa efetivamente concluir as atividades por ela realizadas fazse necessário o escoamento da produção, no caso, até o Porto de São Luis. Assim defende o crédito em relação o óleo combustível utilizado pela Impugnante, bem como as partes e peças adquiridas para a consecução de suas atividades como correias e roletes. Aduz que Sequer é possível retirar o minério de ferro de dentro das minas na qual se verifica a exploração sem a utilização dos caminhões fora de estradas (movidos a óleo combustível) ou as esteiras (correias transportadoras) sobre as quais se move o minério de ferro. Acrescenta que a extração de minério de ferro não se limita somente às atividades realizadas dentro das minas, mas inclui a retirada do minério das citadas minas e, para tanto, as correias são essenciais para o transporte deste. O mesmo se dá em relação ao óleo combustível e o óleo lubrificante utilizado nos equipamentos necessários para a realização da extração mineral e demais partes e peças necessárias à consecução das atividades da empresa. Menciona ainda, que combustíveis e lubrificantes estão expressamente previstos como insumos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3 o , II de ambas as leis). Fl. 11614DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.614 9 No que concerne aos valores inseridos no montante informado a título de Serviços Utilizados como Insumo, defende o direito ao crédito alegando que os serviços cujos valores foram glosados seriam necessários ou essenciais à consecução da atividade de mineração. Nesse sentido, assim argumenta: ...para que se inicie a extração mineral, é necessária a realização de estudos e pesquisas bem como prospecção e sondagens. Como poderia a Impugnante continuar a exercer suas atividades sem que haja manutenção dos britadores, caminhões, viradores de vagão dentre tantos outros equipamentos necessários à produção dos minerais e seu escoamento até o porto de destino? Também a manutenção das embarcações é de fundamental relevo para as atividades perseguidas pela Impugnante, bem assim a manutenção da extensa malha ferroviária utilizada pela Impugnante, única via de transporte do minério de ferro, por seu porte representativo. Os serviços de telecomunicação também constituem em atividade essencial relativamente à produção de minério de ferro. Como já dito no que diz respeito à exploração em Carajás, os vagões viajam guiados por uma locomotiva por 30 horas em localidades ermas e carentes de comunicação. Esta comunicação é realizada exclusivamente por rádios e tem por objetivo identificar as diversas locomotivas que trafegam ao mesmo tempo e evitar que acidentes ocorram. A movimentação de carga dos portos (capatazia), a rebocagem e os demais serviços portuários, a despeito de não se agregarem ao processo produtivo, dele são parte indissociável. Sem tais etapas, o processo produtivo da Recorrente não cumpre os seus objetivos. Esclarece que a autoridade administrativa consignou que a contribuinte registrou indevidamente aquisições efetuadas no primeiro trimestre de 2011 como se fossem no primeiro trimestre de 2010. No entanto, tratase de crédito existente à época de sua apropriação e, portanto, passível de creditamento. Acrescenta que, ainda que não se pudesse considerar os serviços em questão na sua integralidade deveria ter sido observada a proporcionalidade no rateio efetuado pela fiscalização que não considerou os serviços portuários. Por fim, destaca que não há se falar em qualquer duplicidade no que diz respeito aos gastos com aluguel e arrendamento mercantil. Alega que fez corretamente a declaração dos mencionados gastos na DACON, sendo que o Fiscal não apontou, quer seja na decisão ou demonstrativos, onde estariam as duplicidades perpetradas. Portanto, não pode prevalecer a glosa em questão. Traz excertos de decisões do CARF a fim de corroborar o tal entendimento. Suscita que houve glosa indevida dos valores referente ao transporte interno(Frete) dos seus produtos desde a mina até o escoamento da produção nos Portos de destino. Com base em entendimento da Receita Federal, mediante Solução de Consulta nº 197/2011, da 8ª RF, o valor do transporte pago(frete) no transporte do produto do estabelecimento da empresa para o local do embarque de exportação gera direito a crédito com base na regra geral de tributação(art.3º, IX, e art.15, II, da Lei nº 10.833/2003). O valor do frete é considerado despesa de exportação, para fins de tomada desse Fl. 11615DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.615 10 crédito. Transcreve Acórdãos do CARF e do STJ para embasar seu pleito. A recorrente defende os créditos relacionados aos Bens do Ativo Imobilizado, remetendo a tudo o que disse acerca do creditamento referente aos bens de uso e consumo e serviços. Aduz que as locomotivas, vagões, dormentes ferroviários, caminhões, barcos, entre outros bens, a despeito de não se incorporarem ao processo produtivo dele são parte indissociável, sem os quais não seria possível a extração do minério de ferro e outros minerais. Sobre ao creditamento das Despesas de Energia Elétrica alega que teria sido constatado tratarse de crédito referente a itens de notas fiscais nas quais o fornecedor indica a existência de aquisição sem incidência do PIS e da COFINS, de modo que haveria vedação expressa a tal creditamento, porém há disposição expressa permitindo tal instituto. Vejase, a título de exemplo, os documentos anexos, que dão conta de que a fornecedora Eletronorte equivocouse ao consignar, por meio do código de situação tributária, a suposta não incidência das contribuições, sendo inequívoco o fato se tratar de operações tributadas. A própria Eletronorte exarou declaração consignando que equivocouse e que as operações referentes à energia elétrica com a impugnante são tributadas. A glosa perpetrada em relação à Aquisição de Bens ou Serviços não Sujeitos ao pagamento das contribuições se revela descabida, porquanto eivada de ilegalidade, à medida que desconfigura a técnica da nãocumulatividade aplicada ao PIS e a COFINS. A impossibilidade de creditamento referente a aquisições desoneradas do pagamento das contribuições em tela equivale a mero diferimento do tributo para etapa subseqüente da cadeia produtiva, esvaziandose de sentido o emprego da técnica da nãocumulatividade em patente desvio de finalidade do modelo fiscal adotado nas leis em comento. Cita doutrina e jurisprudência, este em relação ao IPI, concluindo pela possibilidade de creditamento do imposto em aquisições de produtos isentos. É dizer, a toda evidência, não poderia, no caso em debate, ter ocorrido a glosa dos créditos advindos de aquisições não oneradas pelo tributo (exportação, alíquota zero, isenção ou não tributação). Salienta que, a glosa dos créditos apurados sobre as compras de mercadoria com fim específico de exportação também não deve persistir, pelos mesmos motivos anteriormente elencados. É dizer, a desoneração da operação anterior não tem o condão de afastar o direito creditório na operação subseqüente. Ademais o critério utilizado para a glosa (CST) não merece prevalecer pois apresentase contraditório. Inferese das notas fiscais ora juntadas que, para o mesmo CST, há notas de produtos tributados e não tributados. Diante da existência dos equívocos cometidos pelos fornecedores, requer que o presente feito seja baixado em diligência para que a RFB promova o cruzamento dos dados consignados pelos fornecedores referente à tributação de seus produtos com os créditos correspondentes. Fl. 11616DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.616 11 Por fim, a recorrente defende que a decisão proferida não deve prevalecer na parte em que não acolhe as declarações retificadoras apresentadas após a lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal. Defende que, dada a complexidade de sua atividade e a grande quantidade de créditos gerados, é absolutamente normal que algumas declarações sejam objeto de retificação. Acrescenta que, ademais o Fiscal, ao analisar as planilhas do direito creditório o fez comparando as já com as declarações retificadoras, de modo que nada restou alterado após a análise da autoridade administrativa. Requer que sejam aceitas as declarações retificadoras por ela transmitidas. Ao final, a recorrente pugna pelo acolhimento de seus argumentos de defesa, ela realização de perícia e produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive ajuntada de novos documentos." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição ao PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.CRÉDITOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Fl. 11617DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.617 12 AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITO.GLOSA. Correta, por força de expressa determinação legal, a glosa imposta aos créditos apurados pela contribuinte a partir de aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, independentemente da utilização como insumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEIS, NORMAS OU ATOS. COMPETÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não são competentes para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, normas ou atos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do Fl. 11618DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.618 13 contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Fl. 11619DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720400/201295 Resolução nº 3201000.565 S3C2T1 Fl. 11.619 14 Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 11620DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 11516.006700/2008-80
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Numero da decisão: 2803-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 67 00 /2 00 8- 80 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.006700/200880 Acórdão n.º 2803003.990 S2TE03 Fl. 319 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.006700/200880 Acórdão n.º 2803003.990 S2TE03 Fl. 320 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de recurso voluntário que manteve o Autos de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV e § 5º da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, em razão da empresa acima identificada ter entregue na rede bancária Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 06/08, a empresa foi excluída Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 03, de 25/01/2008, por exercício de atividade vedada, com efeitos a partir de 01/01/2002. Porém, deixou de informar essa condição nas GFIP e, consequentemente, deixou de declarar a contribuição devida correspondente à parte da empresa, nas competências 06/2003 a 03/2007 e 05/2007 a 12/2007. Em recurso voluntário, apenas foi alegada a equivocada exlcusão do SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.006700/200880 Acórdão n.º 2803003.990 S2TE03 Fl. 321 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – O ato de exclusão e sua possível anulação deve ser apreciado em processo administrativo próprio, o que não demonstrou a parte ter questionado em momento próprio (art. 39, §6º, da Lei Complementar n. 123/2006 c/c , precluindo e consolidando o ato de exclusão do regime de apuração e arrecadação diferenciado. Ou seja, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa matéria é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos, conhecendose apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. III Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.006700/200880 Acórdão n.º 2803003.990 S2TE03 Fl. 322 5 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.006700/200880 Acórdão n.º 2803003.990 S2TE03 Fl. 323 6 Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retrotatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.006700/200880 Acórdão n.º 2803003.990 S2TE03 Fl. 324 7 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002751/2004-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003
NORMAS FISCAIS - CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se deve conhecer do recurso da Fazenda Nacional quando fundamentado em contrariedade à lei, se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e à decisão do STF foi sumulada com efeitos vinculantes.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso especial fazendário.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Regional Trabalho Médico Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 NORMAS FISCAIS CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso da Fazenda Nacional quando fundamentado em contrariedade à lei, se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e à decisão do STF foi sumulada com efeitos vinculantes. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso especial fazendário. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 27 51 /2 00 4- 13 Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10675.002751/200413 Acórdão n.º 9303003.294 CSRFT3 Fl. 1.486 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigência do PIS, em decorrência de falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2003. O colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as parcelas relativas aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a julho de 1999, atingidas pela decadência, e para retificar os demais valores exigidos no auto de infração para aqueles indicados na coluna "Diferença Apurada" da planilha juntada às fls. 858/859. O acórdão recebeu a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS, em havendo pagamento parcial, extinguese em cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4 2, do CTN. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não têm competência para apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não é nula a decisão que obedeceu os ritos do Decreto nº 70.235/72 e indeferiu o pedido de perícia, por entendêla desnecessária ao julgamento do mérito. PERÍCIA. PEDIDO REITERADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Se o julgador considera suficiente a realização de diligência, prejudicado resta o pedido perícia, que há de ser indeferido, a teor do disposto no art. 18 do Decreto n 2 70.235/72. PIS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. A prestação de serviços por terceiros não associados, especialmente hospitais e laboratórios, não se enquadram no conceito de atos cooperados, devendo, sobre eles, incidir a contribuição. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. EXCLUSÕES. DEDUÇÕES. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10675.002751/200413 Acórdão n.º 9303003.294 CSRFT3 Fl. 1.487 3 As exclusões da base de cálculo da contribuição, a partir do período de apuração de dezembro de 2001, admitidas para as operadoras de plano de assistência à saúde, são aquelas definidas no § 92 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, inserido pela MP nº2.15835/2001. ALÍQUOTAS. REDUÇÃO A ZERO. VENDA DE MEDICAMENTOS. LEI N2 10.147/2000. • Excluise da base de cálculo, a partir do período de apuração de abril de 2001, as receitas comprovadamente oriundas da venda de medicamentos, que tiveram a alíquota da contribuição reduzida a zero pela Lei n2 10.147/2000. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. No lançamento de ofício decorrente da falta de recolhimento da contribuição é cabível a aplicação da multa de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n2 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível a exigência, no lançamento de ofício, de juros de mora calculados com base na variação acumulada da taxa Selic, nos termos da previsão legal expressa no art. 13 da Lei nº 9.065, de 20/06/95. Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, por contrariedade à lei, onde requereu a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, para afastar a decadência parcial reconhecida pelo colegiado recorrido. O apelo fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fls. 947/946. Regularmente cientificado acórdão recorrido e do despacho que admitiu o apelo fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, e, também, recurso especial. Nas contrarrazões defende a não admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, ou o seu improvimento. Já no especial apresentado, requereu o cancelamento do auto de infração, sob o argumento de que a tributação deveria incidir, apenas, sobre os atos não cooperados. O recurso do sujeito passivo foi inadmitido, conforme despacho de fls. 1.087/1.088. Ainda não conformado, o sujeito passivo apresentou agravo de reexame, fls. 1.094 a 1.102. O agravo foi indeferido e, por conseguindo, mantido o despacho que inadmitiu o recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, fls. 1.140/1.141. O sujeito passivo veio novamente aos autos, fls. 1.146/1.150, para solicitar a revisão administrativa da base de cálculo da contribuição, com o intuito de ver excluídos todos os custos assistenciais decorrentes, tanto do atendimento a usuários próprios, quanto a dos usuários de outras operadoras, nos termos da Lei n.° 12.873, em 25 de outubro de 2013. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10675.002751/200413 Acórdão n.º 9303003.294 CSRFT3 Fl. 1.488 4 É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A teor do relatado, houve apresentação de recurso especial por parte da Fazenda Nacional e, também, do sujeito passivo. Acontece, porém, que apenas o da Fazenda Nacional foi admitido pelo Presidente do Colegiado recorrido. Assim, aqui só será examinado o Recurso da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Antes de passar ao exame do apelo fazendário, devese consignar que a petição do sujeito passivo requerendo a revisão administrativa da base de cálculo da contribuição, com o intuito de ver excluídos todos os custos assistenciais decorrentes, tanto do atendimento a usuários próprios, quanto a dos usuários de outras operadoras, nos termos da Lei n.° 12.873, em 25 de outubro de 2013, não será aqui examinada, uma vez que o recurso do sujeito passivo não foi admitido, o que, de per si, afasta qualquer possibilidade deste Colegiado discutir a matéria, já que o não segmento do recurso é barreira instransponível em questão de devolutividade. Feito esse esclarecimento, passase, de imediato à análise do recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Como visto no relatório, o apelo fazendário arrimouse em suposta contrariedade à lei do acórdão recorrido, mais precisamente, ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Acontece, porém, que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle, difuso, é verdade, mas a decisão foi sumulada, com efeito vinculante – STF Súmula Vinculante nº 8. Com isso, a decisão proferida interpartes, passou a ter efeitos erga omnis, vinculando a todos. De outro lado, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos ex tunc, retroagindo à data da edição do dispositivo legal eivado de vício, anulando em sua origem, como se a lei nunca tivesse existido. Essa retroatividade persiste mesmo no caso de haver sido modulados os efeitos da decisão, pois, uma vez declarada a inconstitucionalidade, a nódoa macula o dispositivo permanentemente desde a origem, o que a modulação faz é estender no tempo certos efeitos decorrentes da vigência da lei inconstitucional. A norma inconstitucional, salvo nas hipóteses de inconstitucionalidade superveniente, é natimorta, apenas sua certidão de óbito é que é emitida posteriormente. Voltando aos autos, a contrariedade à lei apontada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como supedâneo para o recebimento do seu recurso especial, não se verificou, pois o dispositivo apontado como violado, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e como tal, era nulo desde a origem. Assim, não há como conhecer do especial fazendário. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10675.002751/200413 Acórdão n.º 9303003.294 CSRFT3 Fl. 1.489 5 Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003913/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Embargos da Fazenda Acolhidos e Embargos do Contribuinte Rejeitados.
Inexiste omissão quando o órgão julgador não se pronuncia de ofício acerca de matérias não caracterizadas como de ordem pública, as quais deixaram se ser arguídas na impugnação.
CONTRADIÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração é aquela existente entre os fundamentos e a parte dispositiva da decisão embargada, não se caracterizando tal mácula quando se aponta descompasso entre o que ficou decidido e a legislação aplicável.
Numero da decisão: 2402-004.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração oposto pelo sujeito passivo e acolher aqueles interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, sem todavia, dar-lhes efeitos infringentes.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Embargos da Fazenda Acolhidos e Embargos do Contribuinte Rejeitados. Inexiste omissão quando o órgão julgador não se pronuncia de ofício acerca de matérias não caracterizadas como de ordem pública, as quais deixaram se ser arguídas na impugnação. CONTRADIÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração é aquela existente entre os fundamentos e a parte dispositiva da decisão embargada, não se caracterizando tal mácula quando se aponta descompasso entre o que ficou decidido e a legislação aplicável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração oposto pelo sujeito passivo e acolher aqueles interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, sem todavia, dar-lhes efeitos infringentes. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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EQUIP. INDUSTRIAIS E ARM. GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL E RODRIMAR S/A TRANSP. EQUIP. INDUSTRIAIS E ARM. GERAIS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no acórdão guerreado, na forma suscitada pela embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. OMISSÃO NÃO RECONHECIDA. Inexiste omissão quando o órgão julgador não se pronuncia de ofício acerca de matérias não caracterizadas como de ordem pública, as quais deixaram se ser arguídas na impugnação. CONTRADIÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração é aquela existente entre os fundamentos e a parte dispositiva da decisão embargada, não se caracterizando tal mácula quando se aponta descompasso entre o que ficou decidido e a legislação aplicável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Embargos da Fazenda Acolhidos e Embargos do Contribuinte Rejeitados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 13 /2 01 0- 96 Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração oposto pelo sujeito passivo e acolher aqueles interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, sem todavia, darlhes efeitos infringentes. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2402004.816 S2C4T2 Fl. 1.800 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.236/1.237) e pelo sujeito passivo (fls. 1.365/1.570) desafiando o Acórdão n.º 2401003.512 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 16/04/2014. O processo em questão contempla o Auto de Infração – AI n. 37.251.9148, referente à exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, decorrentes de glosas de compensações declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP que o fisco entendeu terem sido efetuadas irregularmente. De ofício, a Turma decidiu acolher parcialmente a decadência, por entender que na espécie seria aplicável o § 4.º do art. 150 do CTN, haja vista que em sede de memoriais a empresa teria demonstrado que nas competências excluídas (01 a 10/2005) a existência de recolhimento parcial da tributo. A decisão ficou assim registrada: "ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos rejeitar a argüição de nulidade do lançamento. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que anulava o lançamento. II) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 10/2005. II) Por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância. III) Pelo voto de qualidade, considerar indevidas as compensações, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que votaram por afastar as restrições pertinentes ao trânsito e julgado da ação judicial e da compensação realizada com créditos de terceiros do mesmo grupo econômico e, ainda, pelo fato de as empresas terem sido litisconsortes na ação judicial e considerar que é devida a restrição do limite de 30%. IV) Por unanimidade de votos, afastar a multa isolada." Foi com relação à decadência que a PFN vislumbrou a ocorrência de mácula no acórdão guerreado, haja vista que os documentos mencionados pelo relator não foram juntados e não haveria nos autos qualquer outra evidência a demonstrar a existência dos propalados recolhimentos. O sujeito passivo interpôs embargos de declaração alegando que a decisão do CARF merece saneamento, posto que eivada de omissões e contradições. Sintetizo abaixo as supostas máculas apontadas nos aclaratórios. Omissões Afirmou a embargante que a decisão hostilizada teria deixado de apreciar argumentos que foram apresentados em memoriais no dia 13/02/2014. As omissões teriam se dado nos seguintes pontos: Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 a) existência de erro material no lançamento, com relação aos períodos de 07 e 08/2006, decorrente da glosa em valores superiores aos que efetivamente foram compensados na GFIP; b) possibilidade de compensação imediata dos créditos, sem necessidade provimento judicial, posto que o STF declarou, com efeito erga omnes, a inconstitucionalidade da contribuição sobre a remuneração de trabalhadores avulsos, autônomos e administradores; c) inaplicabilidade do limite de 30% para as compensações. A empresa sustentou que os argumentos lançados nos memoriais merecem conhecimento, posto que se tratam de matérias de ordem pública, além de que o poder revisor atribuído ao CARF permite que este órgão exclua do lançamento as incorreções e ilegalidades, independente do momento processual em que as alegações são apresentadas. Assevera que o órgão embargado se omitiu sobre a existência de decisão do STJ, adotada sob a sistemática dos recursos repetitivos, na qual o Tribunal decidiu pela possibilidade de cessão de créditos tributários quando da apreciação da devolução dos empréstimos compulsórios incidentes sobre o consumo de energia elétrica (REsp n.º 1.119.558/SC). Contradições Para a embargante, a decisão atacada teria entrado em contradição na medida em que considerou irrelevante o fato da empresa cedente dos créditos ser do mesmo grupo econômico, uma vez que a própria legislação previdenciária prevê a solidariedade das empresas integrantes de um mesmo grupo econômico. Alega ainda que houve outra contradição, pois o voto vencedor afastou a multa isolada considerando que as empresa pertenciam ao mesmo grupo, afastando assim a existência de falsidade na declaração, mas manteve a exigência sob a justificativa de impossibilidade aproveitamento de créditos de terceiros no procedimento compensatório. Sustenta que a decisão é também contraditória, pois parte da premissa de que a compensação somente pode ser realizada após o trânsito em julgado da sentença, mas equipara liquidação da sentença com trânsito em julgado, institutos jurídicos diversos. Afirma ainda que os embargos da PFN para alterar o resultado em relação à decadência não devem ser acolhidos, uma vez que foram novamente trazidas à colação as guias que comprovam a antecipação de pagamento, conduzindo à declaração de decadência até a competência 10/2005. Ao final, requer que sejam conhecidos e providos os embargos, para que, uma vez sanados os vícios apontados, reformese o acórdão para cancelar as exigências contidas no auto de infração. É o relatório. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2402004.816 S2C4T2 Fl. 1.801 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade, eis que a legitimidade e a tempestividade encontramse em consonância com o § 1.º do art. 65 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Merecem, portanto, conhecimento os aclaratórios. Mácula apontada pela PFN De fato, observase que os memoriais mencionados no acórdão embargado não foram objeto de juntada antes do julgamento, motivo pelo qual os fatos adotados como fundamento para o reconhecimento da decadência parcial não se encontravam apresentados no processo, deixando a conclusão da turma carente de fundamento fático. Surgiu assim, uma das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração previstas no "caput" do art. 65 do Regimento Interno do CARF, qual seja, o descompasso entre o que ficou decidido e as provas constantes dos autos, caracterizando uma contradição entre as razões de decidir e o comando enunciado no acórdão. Ocorre que as guias referidas no acórdão embargado para demonstrar a decadência parcial das contribuições lançadas foram posteriormente juntadas aos autos como documentos que acompanharam os embargos de declaração apresentados pela empresa (doc. 07). São GPS do período de 01 a 10/2005, vinculados ao CNPJ n. 52.223.427/000829, único estabelecimento envolvido na apuração. Diante dessa constatação devem, de fato, ser expurgadas do lançamento, com base no § 4. do art. 150 do CTN, as competências de 01 a 10/2005, haja vista que agora consta dos autos os comprovantes de recolhimento. Assim, os embargos da Fazenda Nacional merecem acolhimento, todavia, sem alteração da contagem do prazo decadencial, mantendose o reconhecimento da decadência parcial. Omissões apontadas pelo sujeito passivo Alega a empresa que, por serem matérias de ordem pública, mesmo somente tendo sido aventadas em sede de memoriais, deveriam ser apreciadas as questões relativas a a) glosas de valores superiores aos que foram compensados (competências 07 e 08/2006); b) possibilidade de compensação independentemente de provimento judicial e c) inaplicabilidade do limite de 30% da contribuição devida como teto para compensação. Vejamos se tais questões podem ser tratadas como de ordem pública e, portanto, cognoscíveis em qualquer fase do processo administrativo. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Nos termos dos arts. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/1972, todas as matérias de fato e de direito para se contrapor ao lançamento devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Eis os dispositivos: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Portanto, os órgãos de julgamento administrativo devem se limitar a apreciar as questões trazidas pelo sujeito passivo em sua defesa. Todavia algumas matérias por transbordarem os limites da lide, atingindo interesses da sociedade em geral, as chamadas questões de ordem pública, podem ser enfrentadas em qualquer fase antes do trânsito em julgado da decisão definitiva proferida no processo administrativo fiscal. A preclusão só incidirá sobre as questões cuja ausência de argüição na época oportuna refirase a assunto que as partes possam dispor, ou seja, não afeta a questões de ordem pública. Para essas não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido argüida. Na seara tributária são várias as questões de ordem pública que chegam aos órgãos de julgamento e, mesmo não tendo sido suscitadas pela parte, devem ser conhecidas de ofício. É o caso das condições da ação (CPC, art. 267, VI e § 3. ), pressupostos processuais(CPC, art. 267, IV e § 3. ), nulidades absolutas (art. 59 do Decreto n. 70.237/1972 para o processo tributário federal), erros materiais (art. 463 do CPC), decadência (art. 210 do CC) e prescrição (§ 5. do art. 219 do CPC). Além dessas questões o próprio Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, no seu art. 62 determina não aplicação de dispositivos declarados inconstitucionais ou ilegais pelos tribunais superiores, nas situações ali mencionadas. Ocorre que as situações apresentadas pelo recorrente como passíveis de conhecimento de ofício pela Turma do CARF não se enquadram no conceito de matéria de ordem pública. A suposta existência de erro do fisco no cálculo da contribuição devida é Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2402004.816 S2C4T2 Fl. 1.802 7 assunto de que a parte pode dispor, não se constituindo em tema de interesse geral. Da mesma forma, a não observância do limite de 30% do valor devido para efetuar a compensação não pode ser considerada matéria que vá além dos limites da própria lide. Acerca da obrigatoriedade do trânsito em julgado da sentença, para se proceder à compensação requerida judicialmente é também matéria restrita às partes e que não se enquadram em condições de ação, pressupostos processuais, nulidades absolutas, erros materiais, decadência, prescrição, inconstitucionalidade ou ilegalidade reconhecidas pelos tribunais superiores, portanto, deve ser considerada preclusa, haja vista não ter sido arguida na defesa. Acerca da falta de observância do que ficou decidido pelo STJ no REsp n.º 1.119.558/SC, o qual teria sido julgado na sistemática dos recursos repetitivos, observase que este paradigma referese a cessão de créditos relativos a empréstimos compulsórios incidentes sobre o consumo de energia elétrica. Este julgado não pode ser aplicado à situação sobre testilha, posto que a compensação de contribuições previdenciárias segue legislação específica, não se podendo aplicar o que ficou decidido no REsp para justificar o encontro de contas levado a efeito pelo sujeito passivo no presente processo. Contradições apontadas pelo sujeito passivo Afirma a empresa embargante que, tendo a decisão reconhecido que os créditos foram cedidos por empresas de mesmo grupo econômico, houve contradição em não aceitar a compensação, uma vez que a própria legislação previdenciária prevê a solidariedade para essas situações. Esse argumento não merece ser acolhido pela via dos embargos, eis que a contradição a que se refere o "caput" do art. 65 do RICARF é entre a decisão e seus fundamentos, como se vê do dispositivo: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma."(grifei) Ora, no caso sob apreciação a decisão está em perfeita consonância com os fundamentos apresentados, uma vez que foi mantido o lançamento relativo às glosas por não ter sido admitida a cessão de créditos, mesmo entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Não se vislumbra qualquer contradição entre a parte dispositiva e a motivação do Relator. A essa mesma conclusão se chega quando se analisa o argumento de que teria havido contradição no acórdão que equiparou trânsito em julgado à liquidação da sentença. Na verdade o Relator entendeu que se ainda não havia sentença liquidada não se poderia falar em créditos líquidos passíveis de utilização no processo compensatório. É o que se vê do excerto que transcrevo: " Ora, se a sentença encontravase em fase de liquidação, os créditos ainda não eram líquidos, portanto, imprestáveis para compensação. De se concluir que o sujeito passivo efetuou o procedimento compensatório ao arrepio do que dispõe os arts. 170 e 170A do CTN." Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Vêse que, em absoluto, há choque entre essa fundamentação e o que ficou decidido no acórdão, portanto, afastase mais essa mácula apontada nos embargos do contribuinte. Também não se enxerga contradição no julgado em razão da utilização como argumento para afastar a multa isolada do fato dos créditos haverem sido transferidos entre empresas do mesmo grupo econômico. Tal entendimento é plenamente defensável na medida em que se reconheceu não haver informação falsa na GFIP, uma vez que os créditos existiam e, por pertencerem a empresas "coligadas", poderiam suscitar alguma dúvida quanto à legalidade de sua utilização para quitação de contribuições previdenciárias. Assim concluise que, embora os créditos de terceiros não fossem compensáveis, não se poderia aplicar a multa isolada uma vez que não restou caracterizada a falsidade na declaração, mas apenas divergência de interpretação da legislação fiscal. Assim, não podemos a acolher os embargos do sujeito passivo por não vislumbrar as omissões e contradições apontadas. Conclusão Voto por conhecer de ambos os embargos, rejeitando os apresentados pelo sujeito passivo e acolhendo aqueles interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, sem todavia, darlhes efeitos infringentes. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 18336.001524/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
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Numero da decisão: 3201-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Igor Saldanha, OAB/DF nº 20191.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA- Presidente
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Igor Saldanha, OAB/DF nº 20191. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 24 /2 00 5- 12 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 176 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, bem como da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 1.498.395,80 objeto do Auto de Infração fls. 01/12. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de nº 00/10066513, registrada em 20/10/2000, pleiteou a redução tarifária da alíquota “ad valorem” para os produtos classificados no código NCM 2710.00.41, que à época era a alíquota normal vigente para o imposto de importação, para a alíquota reduzida de 1,20%, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (PaísesMembros da Comunidade Andina). Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) o certificado de origem apresentado para instrução do despacho foi emitido em Caracas, na Venezuela, indica como país de origem da mercadoria, a Venezuela e declara como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A; b) a fatura comercial que instruiu o despacho de importação foi a PIFSB 1039/00, fl. 21, emitida em 14.11.2000 pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI); c) uma terceira empresa, a Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, consta na DI como exportadora conforme a fatura comercial apresentada na instrução do despacho; d) conforme o conhecimento de embarque a mercadoria foi embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil e recepcionada no Brasil pela Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS, na qualidade de importador, por conta do endosso que lhe foi conferido pela Pifco, e essa mesma empresa figura como exportadora, de acordo com o declarado pela PETROBRAS; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 177 3 e) diante dos fatos e documentos apresentados, a operação comercial foi analisada à luz da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto nº 3.325/99. Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, fls. 03/06: a) o certificado de origem emitido na Venezuela, cita apenas no campo 10 – OBSERVAÇÕES – o nome da Petrobras International Finance Company (Pifco), sem especificar conforme determina o art.9º o domicílio da empresa e o nº da fatura comercial emitida pela mesma; b) o número da fatura comercial (1198920) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura que instruiu a DI. “Para atender as exigências do artigo 9º, esse campo do certificado de origem deveria indicar o número da fatura emitida pela Pfico, ou então, ter sido deixado em branco, caso o número dessa fatura não fosse conhecido quando da emissão do certificado. Nessa situação, o importador deveria ter apresentado a declaração juramentada prevista no citado artigo, o que se tivesse sido o caso concreto, também deixou de ser observado”; d) na verdade, a operação realizada na importação da mercadoria difere da operação prevista no art. 2º do citado acordo, pois na realidade a operação original consistiu na venda das mercadorias pela PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A à Pfico situada nas Ilhas Cayman, como se observa pela indicação da fatura da PDVSA no Certificado de Origem; Diante dos fatos, a Fiscalização decidiu pela desclassificação do regime aduaneiro de tributação na modalidade redução, retificandoo para regime de tributação integral. Em função do constatado, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação e acréscimos legais. Cientificado do lançamento em 06/10/2005, conforme fl. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 01/11/2005 a impugnação de fls. 35/73, nos seguintes termos: invoca Acórdãos do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, cujo resultado em matéria semelhante lhe foi favorável, destacando que os Conselhos de Contribuintes foram concebidos para um escopo especial: orientar a aplicação das leis tributárias no âmbito da SRF e unificarlhes a interpretação para todo o Brasil, assim é “data máxima vênia”, necessário que suas decisões/jurisprudências sejam observadas, para que se mantenham firmes e coerentes em todas as unidades da Secretaria da Receita Federal; argúi que a crise mundial, restrições administrativas impostas na área cambial, a exigência dos prazos para entrega da documentação de importação, as dificuldades na captação de recursos por que passa o país, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 178 4 além de significativas especificidades geopolíticas dessas mercadorias, acarretam limitações aos negócios, inviabilizando alternativas comerciais que superam esses óbices. alega que por interesses vitais da economia do País e para equacionar o significativo rol de contingenciamentos, e como uma das alternativas comerciais, passou a PETROBRAS a comprar o produto, com o prazo necessário, mas uma das subsidiárias paga diretamente ao produtor exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente a PETROBRAS revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento até 180 dias; destaca que a Resolução nº 78 e o Acordo nº 91, não vedaram a compra direta com interveniência posterior de terceiros com finalidade de mera alavancagem financeira, e sem trânsito por outro país; descabe a perda da redução em face da não informação da quantidade, bem como pela emissão de fatura comercial depois do certificado de origem; ressalta que a fatura final, compreende o preço puro e idêntico, constante em ambas as faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; a mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do país produtor para o Brasil e, só muito raramente, haverá trânsito por outro país; ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; reitera que essas operações de intermediação de um terceiro país não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, observandose ainda o devido processo legal; alega que é improsperável a pretensa divergência entre os números constantes do Certificado de Origem e da fatura correspondente; basta observar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem, do respectivo certificado, efetivamente NÃO DIVERGE da fatura que instruiu o processo Pfico; em nenhum momento o enquadramento legal citado no auto, faz disposição quanto à perda do direito de redução nestes casos, logo o enquadramento legal não se coaduna com a penalidade imputada à impugnante; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 179 5 afirma que o Auto de infração está eivado de nulidade, por contrariar e negar vigência ao art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, ao não especificar de modo claro o que está sendo cobrado; indaga em atendimento ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, (art. 5º LV da CF/88), qual a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, vez que há na mesma autuação Fiscal, enquadramentos legais distintos e divergentes; traz a lume o art. 112 do CTN e conclui que o cerne do auto de Infração reside na impossibilidade material de correlacionar a fatura comercial da Pfico com a da PDVSA, o que não pode prosperar; em observância ao princípio da verdade material, requer a realização de perícia para comprovar se os documentos objeto da presente lide têm a devida adequação ou correlação às importações em questão, apresentando a quesitação às fls.66/67: Seria correto afirmar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem do respectivo certificado, diverge da fatura que instrui o processo Pfico ? Seria correto afirmar que ao observarmos o campo “INVOICE” se vê com clareza a identificação da Fatura Comercial (venezuelana) a que dispõe o d. Fiscal? Seria correto afirmar que a informação que consta no campo “INVOICE”, (fatura 1108920) é suficiente para se esclarecer o país de origem e demais dados da origem do produto? Por fim, seria correto afirmar que do certificado de origem se extrai referências suficientes/claras – OBSERVAÇÕES – sobre a participação de um operador de um terceiro país na transação? Com algumas diligências e análise de todos os documentos que compuseram a importação, seria possível afirmar que os produtos importados tem origem efetivamente na Venezuela, e se a mercadoria relacionada nos documentos mencionados no AI são as mesmas? Ressalta que quanto ao art.16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, podese afirmar que o perito oficial da SRF seria suficiente, e por isso não havia necessidade de nomeação de perito da parte, assim sendo não há como se refutar a apreciação da prova material ora apresentada pela impugnante, em respeito ao princípio do formalismo moderado. Ressalta que, tratandose de importações no interesse do País e sob rigoroso controle do Governo Federal, verificase desarrazoada a autuação, em que pese a erudição de seu signatário; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 180 6 traz à colação respeitável doutrina e jurisprudência administrativa e sintetiza a posição adotada pelo então Conselho de Contribuintes acerca de julgados sobre a matéria em questão ; reitera que há copiosa jurisprudência no Terceiro Conselho de Contribuintes acatando a tese da defesa e elenca resumidamente os fundamentos utilizados pelo Conselho de Contribuintes em matéria semelhante; argui a denúncia espontânea da infração e a inaplicabilidade ao caso da multa de ofício em decorrência do não lançamento da multa de mora, trazendo respeitável doutrina e jurisprudência quanto à matéria; requer ainda que seja declarado nulo por ilegalidade, e se caso não seja esse o entendimento, seja cancelado o Auto de Infração por sua manifesta improcedência/insubsistência. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0815.709 de 19/06/2009, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2000 PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2000 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração não definitivamente julgado, sobrevindo nova disposição de lei que deixa de definir o fato como infração, aplicase a retroatividade benigna expressa no inciso II, “a” do artigo 106 do CTN. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 181 7 Lançamento Procedente em Parte. O julgamento foi procedente em parte, no sentido de exonerar: o crédito tributário referente ao lançamento da multa de 75%, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 427.873,49; bem como, o crédito tributário referente ao lançamento da multa de ofício, por falta do recolhimento da multa de mora, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 10.765,27. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Através da Resolução 320100.174, de 01/10/2010, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse confirmado se a pessoa que tomou ciência da decisão DRJ, era empregado/funcionário da empresa, para fins de comprovação da tempestividade do rv, o que foi atestado. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata de importação através da Declaração de ImportaçãoDl de n° 00/10066513, registrada em 20/10/2000, onde se pleiteou a redução tarifária da alíquota “ad valorem” para os produtos classificados no código NCM 2710.00.41, que à época era a alíquota normal vigente para o imposto de importação, para a alíquota reduzida de 1,20%, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (PaísesMembros da Comunidade Andina). O julgamento da decisão a quo foi no sentido de julgar procedente em parte o lançamento para exonerar as quantias já relatadas. Registrese que o Certificado de Origem (efl.23) indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (gasolina) pela fatura comercial de nº 1198920, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1039/2000, anexada à efl. 24 emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 182 8 Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas no certificado de origem eram emitida pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a Recorrente era a destinatária da gasolina adquirida na Venezuela. Argumenta a Recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a verdade material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o benefício da preferência tarifária, tendo em vista que o número da fatura comercial (1198920) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura comercial que instruiu a DI, logo, às alegações fáticas da recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificado de origem decorrente da triangulação comercial por ela realizada, ou seja, divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI; dessa maneira, não há como prosperar o lançamento ora combatido. Na mesma linha de entendimento, cabe destacar a matéria apreciada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, decidindo pela manutenção do benefício apesar da existência de erros formais, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2001 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão nº 9303001.812, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/01/2012) Há várias outras decisões no mesmo sentido, como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/11/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 3201002.053 S3C2T1 Fl. 183 9 prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão de n° 3201001.923, de 19/03/2015, de relatoria de Daniel Mariz Gudiño) Dessa forma, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10218.720918/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em transformar o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, para que tenha a oportunidade de se manifestar dentro de 30 dias.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em transformar o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, para que tenha a oportunidade de se manifestar dentro de 30 dias. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 91 8/ 20 13 -1 8 Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10218.720918/201318 Resolução nº 2401000.477 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 1145.079 da 5a. Turma da DRJ/REC, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte relativamente ao crédito fiscal lançado tendo como base depósitos bancários cuja origem não fora comprovada/justificada. A ciência ao acórdão recorrido ocorreu em 03/04/2014 e o Recurso Voluntário foi interposto em 02/05/2014. O recorrente informa que é produtor rural, pecuarista, mora em lugar distante e que não possui organização administrativa suficientemente sofisticada para fazer frente ao cumprimento da complexa legislação tributária, como contabilidade, guarda de documentos, etc. Essa fragilidade é que teria originado o lançamento. Apresenta as seguintes razões de recorrer. 1. Juntou à peça impugnatória documentos para corroborar as alegações e afastar a tributação. Tais documentos teriam sido ignorados pelo julgador a quo. Alega cerceamento de defesa, pois apresentou livro caixa, e outros documentos que não foram analisados. 2. Solicitou perícia, o que não foi atendido, muito embora tenha atendido os pré requisitos constantes do decreto 70235/72. 3. O lançamento teria sido baseado exclusivamente em presunção, e que as provas apresentadas não foram analisadas. 4. Entende que o lançamento relativo ao período janeiro a dezembro de 2008 estariam fulminados pela decadência, tendo em vista que a ciência ao auto de infração ocorreu em 28/08/2013. Informa que efetuou pagamento de carnêleão naquele ano. Cita jurisprudência judiciária. 5. Afirma que não ficou comprovada a aquisição de renda tributável e que o lançamento não reflete a realidade dos fatos (verdade material), pois documentos probatórios foram apresentados e não analisados. Cita doutrina. Considera que os depósitos bancários não são renda do recorrente. Seriam receita bruta, decorrentes da atividade rural cujos custos de operação/despesas devem ser deduzidos, e que o resultado deveria ser tributado como receita da atividade rural, diferentemente do que foi feito no lançamento. Reproduz por amostragem fichas financeiras relativas à compra e venda de gado, que foram juntadas aos autos e não consideradas na decisão do acórdão guerreado. 7. Os valores lançados são absurdos, haja vista a variação patrimonial constante da DIRPF de R$ 203.349,28 para o ano. Não houve aumento patrimonial a descoberto e tampouco indicação, pela autoridade lançadora, de que haveriam sinais exteriores de riqueza. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10218.720918/201318 Resolução nº 2401000.477 S2C4T1 Fl. 4 3 8. Entende que o ônus da prova de que houve a omissão de rendimentos é da Administração Fazendária, na qualidade de acusadora. Não existem provas acusatórias irrefutáveis e, portanto, o auto de infração deve ser desconstituído. 9. Afirma que o art. 42 da Lei 9.430/96 é inconstitucional e cita jurisprudência do extinto TFR. 10. Teria havido afronta ao princípio da razoabilidade, pois não é razoável a criação de presunções legais, sem pertinência com a razão dos fatos, por mera vontade de aumentar a arrecadação ou como instrumento de inibir a evasão. A autoridade administrativa deve usar da lógica e praticar atos que sejam aceitáveis com razoabilidade, e o juiz deverá aplicar a lei da sensatez. 11. Tendo em vista que os depósitos bancários são originados de receita da atividade rural, deveriam ser tributados conforme o art. 18 da Lei 9.250/95, qual seja o arbitramento de 20% do lucro sobre aquela receita, incidindo sobre esse valor, então, a tributação. 12. A autoridade fiscal desconsiderou parcela do movimento lançado na DIRPF, no valor de R$ 1.763.058,00 declarado a título de receitas. 13. Solicita a retirada do lançamento dos valores relativos a trânsito bancário (i.e. valores que só passaram pela conta bancária, como transferência entre contas do mesmo titular, etc.). (obs. A autoridade fiscal informou no Termo de Verificação Fiscal que já teria efetuado tais exclusões) 14. A multa de ofício é exagerada e afronta o princípio de não confisco, violando princípios constitucionais, como o da proporcionalidade. 15. Reforça o pedido de diligência/perícia contábil para a análise dos documentos apresentados e certificação dos fatos. Inclui quesitos que entende o perito deva responder. Indica perito assistente. É o relatório. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10218.720918/201318 Resolução nº 2401000.477 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o recorrente pleiteia a análise dos documentos juntados aos autos por ocasião da impugnação e que não foram analisados pelo julgador a quo. Ficou comprovado no processo que o recorrente exerce atividade empresarial relacionada com a pecuária e apresentou documentos que, em tese, deveriam ser analisados. Considerando que tais documentos foram apresentados somente na impugnação, não foram objeto de análise pela autoridade fiscal. O recorrente apresentou livro caixa e fichas de compra/venda de gado, e também notas fiscais que não foram analisados pela autoridade fiscal. Voto para transformar o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os novos documentos trazidos aos autos em sede de impugnação. Ao final, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado em que fique evidenciado, com base nos novos elementos trazidos aos autos, se houve ou não comprovação de origem de depósitos já considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Em caso afirmativo, deverá a autoridade fiscal verificar se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pelo recorrente, discriminando, mensalmente: (i) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que foram oferecidos à tributação pelo recorrente; (ii) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que não foram oferecidos à tributação, discriminando aqueles decorrentes de atividade rural. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à análise dos fatos. Ao final, o recorrente deverá ser cientificado do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse sobre seu conteúdo. É como voto. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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