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Numero do processo: 10380.100534/2005-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
INCORPORAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, quando a empresa incorporadora não comunicou tal fato, na forma determinada pela legislação, e respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA.
A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dois e meio por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração trimestral de imposto de renda.
Numero da decisão: 1302-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 INCORPORAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, quando a empresa incorporadora não comunicou tal fato, na forma determinada pela legislação, e respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dois e meio por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração trimestral de imposto de renda.
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LUCRO INFLACIONÁRIO Recorrente DUNAS PRAIA HOTEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 INCORPORAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, quando a empresa incorporadora não comunicou tal fato, na forma determinada pela legislação, e respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dois e meio por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração trimestral de imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 10 05 34 /2 00 5- 84 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 146 2 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0819.169, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 123 a 127), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: " ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Tanto a empresa incorporada, na condição de contribuinte, quanto a empresa incorporadora, na condição de responsável tributário, figuram no pólo passivo da obrigação tributária relativa a fatos anteriores à incorporação. Comprovado nos autos que a sucessora tomou ciência das intimações, do lançamento e pôde se defender plenamente, não há nulidade no Auto de Infração em que a empresa incorporada consta como contribuinte. A empresa sucessora responde pelo pagamento do tributo devido pela sucedida, sujeitandose, inclusive, à multa de ofício e juros de mora aplicados no lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir de 1° de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deve considerar realizado mensalmente, no mínimo, 1/120 do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, corrigido monetariamente." A decisão recorrida, assim, resumiu os autos: "Em decorrência da revisão das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2000, contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, em 14/10/2005, o Auto de Infração do Imposto de Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 147 3 Renda Pessoa Jurídica, de fls. 02/10, com exigência de crédito tributário no montante de R$ 83.558,11, conforme demonstrativo consolidado de fl. 01. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 03/04, o lançamento decorreu da apuração da seguinte infração fiscal: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. "Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem a observância do percentual de realização • mínima previsto na legislação de regência". Instruem a peça os documentos de fls. 11/85. Inconformada com a imposição, ciência em 18/10/2005 (AR de fls. 88), foi apresentada em 17/11/2005 impugnação (fls. 89/92) patrocinada pela empresa NOTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 01.247.806/000141, incorporadora da empresa autuada. Como preliminar de nulidade o impugnante alega que a autuação foi lavrada contra sujeito passivo inexistente no mundo jurídico, pelo fato da autuada ter sido incorporada e extinta em 03/07/2001. Quanto ao mérito, argumenta em síntese: • A construção do hotel iniciouse na década de noventa e não foi concluída; • No exercício de 2000 foi celebrado instrumento particular de compra e venda, sendo apurado prejuízo contábil da venda do prédio inconcluso; • Apurou pela primeira vez resultado (até então em fase pré operacional), contabilizado o resultado da venda do seu ativo principal. Naquela ocasião, realizou todo o saldo do lucro inflacionário acumulado (apresenta demonstrativo e cópias do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR)." Os julgadores a quo rejeitaram a preliminar de nulidade do auto de infração, por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que, à data da constituição do crédito tributário, a autoridade fiscal não tinha conhecimento da ocorrência de incorporação, tendo o procedimento fiscal e o auto de infração sido cientificados à Incorporadora, que, inclusive, respondeu às intimações e apresentou Impugnação em nome da autuada. Em relação ao mérito da autuação, consideraram que a argumentação do sujeito passivo de que apurou prejuízo contábil se mostra consistente apenas em relação ao quarto trimestre do anocalendário de 2000, em relação ao qual não houve constituição de crédito tributário, posto que tal fato foi considerado pelo agente autuante. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 148 4 Quanto aos demais trimestres do referido período, o sujeito passivo deveria ter realizado o percentual mínimo do lucro inflacionário estipulado na legislação, pelo que seria procedente o lançamento de ofício. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fls. 133 a 135, no qual reitera todos os termos da Impugnação, acrescentando que: a) há prova nos autos da apuração de prejuízo em relação ao terceiro trimestre de 2000, devendo ser desconstituído o lançamento relativo a tal período; b) acata o lançamento referente aos 1º e 2º trimestres de 2000, pelo que já teria procedido ao recolhimento dos valores exigidos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. Da admissibilidade do Recurso O sujeito passivo principal foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22 de dezembro de 2010 (fl. 132), tendo apresentado o seu Recurso em 20 de janeiro de 2011, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procurador, devidamente constituído à fl. 97. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. Da preliminar de nulidade Como relatado, desde a Impugnação, a pessoa jurídica Nota Empreendimentos e Participações Ltda, sucessora por incorporação da autuada, sustenta a nulidade do auto de infração, por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que o lançamento deveria ter sido realizado em seu nome (Incorporadora) e não no da Dunas, já extinta, por ocasião do lançamento. A matéria foi cuidadosamente abordada na decisão recorrida, de modo que, não tendo sido trazidas novas razões no Recurso Voluntário, valhome do disposto no art. 57, §3º, do RI/CARF, para adotar os fundamentos da instância a quo: "No auto de infração, identificase como contribuinte a empresa Dunas Praia Hotel S/A, CNPJ n° 06.571.137/000182, a qual foi incorporada em 30/07/2001 pela empresa Nota Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 149 5 Empreendimentos e Participações LTDA, CNPJ n° 01.247.806/000141 (fl. 116). Neste caso, a empresa sucessora tinha por obrigação comunicar à RFB a ocorrência do evento de incorporação no prazo máximo de trinta dias, conforme Instrução Normativa de n° 02, de 2001, vigente à época dos fatos, verbis. Instrução Normativa SRF n° 2, de 2 de janeiro de 2001 Art. 43. É obrigatória a comunicação, pela pessoa jurídica, de toda a alteração referente aos seus dados cadastrais, bem assim de seu quadro de sócios e administradores, no prazo máximo de trinta dias, contado da alteração. (...) Art. 45. São privativas da matriz as alterações cadastrais relativas a: (...) XV — incorporação; (grifos nossos) Registrese que a empresa incorporadora apresentou a declaração de Imposto de Renda informando o evento de incorporação somente em 04/01/2006 (fl. 117) e comunicou o evento cadastral de incorporação à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, apenas em fevereiro de 2008, conforme extrato de fl. 118. O procedimento fiscal iniciouse em 23/06/2005, com ação fiscal relativa ao anocalendário de 2000, tendo a empresa recebido e atendido parcialmente às intimações fiscais relacionadas à incorporada, na condição de sua sucessora, conforme atestam os documentos contábeis da empresa Dunas Praia Hotel fornecidos ao autuante e anexados ao presente processo às fls. 63/85. Há de se ressaltar que em 27/06/2005 um representante da empresa r DUNAS PRAIA HOTEL S/A, em resposta a termo de intimação (fl. 11), apenas informa (fl. 59) da suspensão de atividades da então fiscalizada e solicita prazo para a apresentação de documentos, sem mencionar a ocorrência de qualquer evento de incorporação. Assim, o agente fiscal não tinha, na data da lavratura do auto de infração (14/10/2005), conhecimento da incorporação ocorrida, não havendo como ele registrar naquela peça impositiva o nome empresarial da empresa incorporadora. Não obstante, suscita a incorporadora, que acompanhou e forneceu esclarecimentos e documentos à fiscalização durante todo o procedimento fiscal, a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 150 6 Diante disso, fazse necessário esclarecer os efeitos tributários da incorporação. Quando uma empresa é incorporada, a obrigação tributária da qual ela era contribuinte é transferida para a incorporadora na condição de responsável. Assim dispõe o art. 132 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN): Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (destaques acrescidos) Segundo o art. 121, II, do CTN, o sujeito passivo se constitui responsável quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso, a disposição expressa de lei é o artigo 132 acima transcrito. Por outro lado, a incorporadora não reveste a condição de contribuinte, a qual, segundo o inciso I do art. 121 do CTN, se caracteriza por ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Em síntese, a condição da incorporadora é a de responsável, enquanto a da incorporada é a de contribuinte, estando ambas no pólo passivo da relação tributária. O impugnante quer fazer crer que a intimação seria nula porque feita à pessoa jurídica extinta por incorporação, já que o sujeito passivo da obrigação tributária seria a pessoa jurídica que remanesceu do ato da incorporação, isto é, a sociedade incorporadora. Mas tal alegação não procede, pois, como visto, ambas, incorporada e incorporadora, estão no pólo passivo. Apesar de no campo "Identificação do Contribuinte" constar apenas a empresa incorporada Dunas Praia Hotel S/A, foi a incorporadora que foi notificada do lançamento de ofício. Caso isso não tivesse ocorrido, isto é, se a incorporadora não houvesse sido notificada, aí sim, restaria prejudicado seu direito à ampla defesa. Contudo, não é esse o caso. Como já dito, a empresa incorporadora, Nota Empreendimentos e Participações LTDA, é quem, na qualidade de responsável, foi notificada do lançamento de ofício, tanto é que providenciou a impugnação ao lançamento. Assim, no caso concreto, a não identificação da empresa Nota Empreendimentos e Participações LTDA, como sucessora do contribuinte no corpo do auto de infração, configurase incorreção sanável, conforme situação prevista no art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972 — PAF. Destarte, afasto a preliminar de nulidade aduzida pela defesa." Essa, inclusive, é a conclusão, a contrario sensu, da Súmula CARF nº 112: "É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 151 7 liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração." (Destacouse) Não se observa, no caso, qualquer prejuízo à defesa em relação à autuação fiscal, na medida em que a Incorporadora a exerceu plenamente, como já o vinha realizando, ao longo do procedimento fiscal. Ademais, acolher a alegação da Recorrente seria beneficiála pela própria torpeza, algo vedado no nosso arcabouço legislativo. A Recorrente, na condição de Incorporadora, deixaria de cumprir sua obrigação de comunicar o ato de Incorporação à Administração Tributária, para, em seguida, alegar a nulidade da autuação pelo lançamento realizado na pessoa jurídica extinta pela Incorporação que ela própria não comunicou. Não merece, de fato, ser acatada a nulidade. III. Do mérito O mérito da autuação se refere à realização do percentual mínimo do lucro inflacionário, conforme tratado pelos art. 439 e 440 do RIR/99: "Seção II Lucro Inflacionário Acumulado até 31 de dezembro de 1995 Subseção I Disposições Gerais Art. 447.O saldo do lucro inflacionário remanescente em 31 de dezembro de 1995, atualizado monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regras contidas nesta Seção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 7º). Parágrafo único. Para fins de cálculo do lucro inflacionário realizado nos períodos de apuração a partir de janeiro de 1996, os valores dos ativos que estavam sujeitos à atualização monetária, existentes em 31 de dezembro de 1995, deverão ser registrados destacadamente na contabilidade da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 7º, §1º). Subseção II Realização do Lucro Inflacionário Art. 448. Em cada período de apuração, considerarseá realizada parte do lucro inflacionário proporcional ao valor, realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo existentes em 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 5º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 7º). Parágrafo único. O lucro inflacionário realizado em cada período de apuração será calculado de acordo com as seguintes regras (Lei nº 9.065, de 1995, art. 5º, §1º): Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 152 8 I será determinada a relação percentual entre o valor dos bens e direitos realizados no período de apuração e a soma dos seguintes valores: a) a média do valor contábil do ativo permanente no início e no final do período de apuração; b) a média dos saldos, no início e no fim do período de apuração das contas representativas do custo dos imóveis não classificados no ativo permanente, das contas representativas das aplicações em ouro, das contas representativas de adiantamentos a fornecedores de bens; II o valor dos bens e direitos realizados no período de apuração será a soma dos seguintes valores: a) custo contábil dos imóveis existentes no início do período de apuração e baixados no curso deste; b) valor contábil, dos demais bens e direitos baixados no curso do período de apuração; c) quotas de depreciação, amortização e exaustão, computadas como custo ou despesa operacional do período de apuração; d) lucros ou dividendos, recebidos no período de apuração de quaisquer participações societárias registradas como investimento; III o montante do lucro inflacionário realizado no período de apuração será determinado mediante a aplicação da percentagem de que trata o inciso I sobre o lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995. Art.449. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado na forma do artigo anterior (Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º )." Pouco, porém, permanece em litígio. É que, enquanto a decisão referendou a ausência de constituição de crédito tributário em relação ao quarto trimestre de 2000, a Recorrente acata a procedência do lançamento quanto ao primeiro e segundo trimestres do mesmo anocalendário. A discussão persiste, portanto, apenas em relação ao terceiro trimestre, no qual a Recorrente sustenta a apuração de prejuízo fiscal e de realização integral do saldo de lucro inflacionário, conforme demonstrado à fl. 107, supostamente registro constante da Parte A do seu Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O referido registro, porém, é totalmente incompatível com as informações prestadas pelo sujeito passivo na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.100534/200584 Acórdão n.º 1302003.432 S1C3T2 Fl. 153 9 Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2000, na qual não consta, em relação ao terceiro trimestre, a apuração de prejuízo contábil (fl. 29) e nem a realização do saldo do lucro inflacionário (fl. 33); nem ainda, em relação ao quarto trimestre, o prejuízo fiscal reduzido da alegada realização no trimestre anterior, mas o valor integral apurado no exercício (fls. 34 e 56), o qual pode, inclusive, ter sido objeto de compensação nos exercícios seguintes. É ainda incompatível com os próprios registros no Livro Diário, onde o recebimento da 3ª parcela da venda que resultou na apuração do prejuízo somente foi recebida em 03/10/2000 (fl. 100) e a apuração do custo da vendo somente ocorre em 15/12/2000 (fl. 69), portanto no quarto trimestre. Somente em 31/12/2000 (fl. 87), também, que surge o prejuízo que a Recorrente estranhamente pretende entender registrado no Lalur desde 30/09/2000. Assim, como referendou a decisão contestada, está correto o lançamento que exigiu a realização do lucro inflacionário em relação aos quatro trimestres, deixando de constituir crédito tributário em relação ao quarto trimestre, por ter havido o aproveitamento do prejuízo apurado. Isto posto, voto por NÃO ACOLHER a preliminar de nulidade e por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.902501/2011-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
INEXATIDÃO MATERIAL.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 01 /2 01 1- 38 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 136 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 34543.87450.050307.1.2.047222, em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$14.079,29 recolhido em 30.09.2004 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 57, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Valor do crédito pleiteado do PER/DCOMP: 14.079,29 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. [...] Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento Legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.469, de 20.12.2013, efls. 7680: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição autorizada por lei. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. Mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. IRPJ. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. PARCELAMENTO EM ANDAMENTO. É vedada a restituição de recolhimentos relativos a crédito tributário incluído em processo de parcelamento em andamento, por faltarlhes os atributos de certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 16.06.2014, efl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.07.2014, efls. 81129, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 137 3 III DO DIREITO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo, o julgador deve sempre buscar a verdade material dos. fatos, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além. daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A busca pela verdade deve funcionar como verdadeiro norte do processo administrativo, de modo que a autoridade administrativa competente deve sempre sopesar os dados contidos nos autos e a realidade aplicável ao caso, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir seu convencimento. [...] Como se vê, em decorrência do principio da verdade material, corolário do processo administrativo, temse que o julgador não pode se ater aos dados contidos nos autos, devendo utilizar de todos os meios possíveis e ilícitos para alcançar a verdade dos fatos. No presente caso, em que pese a PER/DCOMP ter vinculado DARF utilizado para pagamento de débito devidamente declarado em DCTF, tal pagamento ocorreu quando já havia iniciado fiscalização na empresa Recorrente, motivo pelo qual o auditor autuante não considerou o pagamento efetivado, sob argumento de falta de espontaneidade. Assim, o i. auditor fiscal autuante [...] lavrou auto de infração para a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o lucro Liquido CSSL, abarcando os valores objeto da DCTF retificadora apresentada em 09/01/2006. Ora, ilustres julgadores! Se os valores objeto da presente PER/DCOMP tivessem sido integralmente vinculados e utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF, como aduzido [...] no julgamento do manifesto de inconformidade, qual a necessidade de se lavrar auto de infração para cobrança destes mesmos valores? É fato certo e notório que os valores utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF não foram considerados pelo fiscal autuante. O próprio Termo de Verificação Fiscal deixa claro tal fato ao enunciar que "Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de oficio. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados" [...]. Todavia, não obstante a realidade existente (auto de infração para cobrança dos valores declarados em DCTF retificadora, por não considerar os pagamentos efetuados), a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se valeu do princípio da verdade material, se atendo ao simples fato de que o crédito reclamado na PER estava vinculado a débito confessado em DCTF, sem considerar o auto de infração lavrado para cobrança destes valores. Ocorre que o princípio da verdade material é corolário do processo administrativo, devendo ser amplamente observado, sob pena de afronta às disposições legais. Desta maneira, considerando que os pagamentos vinculados aos débitos confessados em DCTF foram objeto de autuação, e devendo a Administração Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 138 4 Pública valerse do princípio da verdade material, temse que o pedido de compensação merece ser homologado, devendo ser reformada a decisão que indeferiu tal pedido. DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO A ilustre julgadora, em citação totalmente fora de contexto, uma vez que em nenhum momento argumentou a respeito da existência de prescrição do direito de pleitear a restituição; citou o artigo 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional, que trata sobre o prazo prescricional. [...] Da data do pagamento indevido até a data de transmissão do pedido de restituição/compensação, decorreu o lapso temporal inferior a 02 (dois) anos. Considerando que nos termos do artigo 168, do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, em caso de pagamento indevido ou a maior, evidente que o crédito objeto do presente pedido de compensação não se encontra abarcado pela prescrição, uma vez que da data da extinção do crédito tributário [...] até a data do pedido de restituição [...], decorreu lapso temporal bem inferior ao prazo limítrofe de 05 (cinco) anos. Assim, temse que não há o que falar em prescrição do direito de se pleitear a restituição do crédito tributário pago indevidamente. DA CONSISTÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO ORA PLEITEADO COM O DÉBITO INDICADO NA PER/DCOMP O acórdão [...] aduziu que para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido è que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário e sim de suspensão. Ainda, afirmou que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando, daí, que, por não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, disse que a orientação passada pelo fiscal autuante foi de que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados, razão pelo qual os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de oficio. Logo, a autoridade a quo não pode reconhecer crédito algum, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição. Tais argumentos são desprovidos de razão, motivo pelo qual não merecem prosperar. Primeiramente cumpre sa salientar que os argumentos lançados pela i. Julgadora/Relatora são contraditórios. Num primeiro momento aduz que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF, motivo pelo qual restou inexistente o crédito reclamado na PER. Num segundo momento, aduz de forma contrária, reconhecendo que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento. Todavia, aduz que por Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 139 5 não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se reconhece a certeza e a liquidez necessárias à pretendida restituição, uma vez que o parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e não de extinção. Ora! Razão não assiste a Julgadora Tributária. Em que pese o parcelamento ser causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e ainda estar em vigência, tal fato não pode ser motivo para o indeferimento do presente pedido. E assim o é porque, em que pese serem relativos ao mesmo tributo, os créditos objeto do pedido de compensação não foram considerados pelo auditor fiscal autuante, tendo sido lavrado auto de infração que está sendo pago através de parcelamento. Ou seja, tratase de hipóteses distintas, uma vez que o próprio fiscal autuante não considerou os pagamentos efetuados através do DARF, motivo pelo qual não poderiam ser utilizados para pagamento do débito objeto de autuação, e, muito menos, sua compensação com outros débitos ser condicionada ao término do parcelamento. Se o fiscal autuante, no momento da lavratura do auto de infração, não considerou os pagamentos realizados através dos DARF's, autuando a Recorrente pelo não pagamento do tributo, tais pagamentos não poderiam ser utilizados para pagamento do auto de infração. Se os pagamentos realizados através de DARF pudessem ser utilizados para pagamento do débito objeto de fiscalização, o i. auditor fiscal autuante deveria considerar os pagamentos realizados, lavrando auto de infração somente em relação à multa e aos juros, pela não consideração da espontaneidade do pagamento. Ou então, o próprio fisco, no momento da consolidação do débito do Parcelamento Excepcional PAEX, deveria abater o valor dos pagamentos efetuados por meio de DARF's. E se assim não o fez, não pode o Julgador Tributário, ao analisar os pedidos de compensação, condicionar o deferimento da PER/DCOMP ao término do parcelamento, uma vez que ps créditos objeto da PER não foram dados como garantia do parcelamento, até mesmo porque a lei não exige tal garantia, sendo que, em caso de não pagamento das parcelas, o Fisco deve se valer de outros meios legais de cobrança. Ora, ilustres julgadores! Qual outra conduta possível que a Recorrente deveria se valer a não ser o pedido de compensação? O pagamento indevido ocorreu, uma vez que os pagamentos efetivados não foram considerados pelo fiscal autuante e sequer abatidos no momento do parcelamento. Logo, não haveria outra conduta a ser realizada pela Recorrente a não ser valerse do pedido de compensação. E condicionar o deferimento deste pedido ao término do parcelamento, fadaria o crédito à ocorrência de prescrição. Ademais, em pesquisa ao site da Receita Federal do Brasil, no campo perguntas e respostas, constatouse que não podem ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; e o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 140 6 Ou seja, como o débito objeto do auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente foi parcelado, tendo o débito sido consolidado, não pode ser objeto de compensação. Além disso, o argumento da Julgadora Tributária no sentido de que os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação. Com os valores lançados de oficio, em razão da orientação repassada ao contribuinte pelo autuante, não merece prosperar. E assim o é porque no Termo de Verificação Fiscal o fiscal autuante tão somente consignou que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados. Tal fato não pode induzir o Julgador Tributário à conclusão que chegou de que os pagamentos deveriam ter sido objeto de compensação com os valores lançados de oficio, sendo incluídos no processo de parcelamento. O fato de o fiscal autuante ter facultado a possibilidade de compensação com os débitos lançados, não obrigada o contribuinte a agir de tal maneira, conforme afirma o julgador tributário. A compensação com os valores lançados seria uma faculdade do contribuinte, que pode se valer ou não desta prerrogativa, de acordo com o seu interesse. E por ter a Recorrente aderido ao Parcelamento Excepcional PAEX, para quitação dos débitos, achou por bem compensar os créditos oriundos do pagamento indevido realizado por meio de DARF's com outros débitos que não os lançados, exercendo sua faculdade de compensar os créditos com os débitos que entendeu adequado. Assim, resta evidente que o condicionamento estabelecido pelo i. Julgador Tributário, de deferimento do pedido de compensação ao término do parcelamento é indevido, merecendo ser reformada a r. decisão recorrida, uma vez que a compensação dos pagamentos efetuados com os valores lançados de oficio era mera faculdade do contribuinte, que por ter aderido ao PAEX, entendeu compensar os créditos devidos com outros débitos que não os lançados de oficio. Por fim, cumpre esclarecer, que condicionar o deferimento do pedido de compensação com o término do parcelamento, fere direito líquido e certo da Recorrente.em ter restituído/compensado débito pago indevidamente, uma vez que esperar o término do parcelamento para poder requerer a compensação certamente fará com o direito de compensação esteja prescrito, em total afronta à legislação pátria vigente. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO TOTALMENTE DIFERENTE DA R. RECORRIDA EM RELAÇÃO AO MESMO CASO DOS AUTOS Como visto anteriormente, foram objeto de fiscalização e posterior autuação os seguintes tributos: CSSL e IRPJ. O caminho trilhado em relação aos dois tributos foi o mesmo, qual seja: o contribuinte efetuou o pagamento através de DARF's, sendo que o pagamento não foi considerado pelo auditor fiscal autuante sob o argumento de falta de espontaneidade, uma vez que os pagamentos ocorreram quando já havia iniciado o procedimento fiscalizatório. Em razão de o fiscal autuante não ter considerado os pagamentos efetivados por meio dos DARF's, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento ou Restituição' e Declaração de Compensação PER/DCOMP, para compensar os pagamentos não acolhidos pelo auditor fiscal autuante com outros débitos, uma vez Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 141 7 que o débito objeto do auto de infração lavrado em seu desfavor fora parcelado através da adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX. Em primeira.análise, os pedidos de compensação foram indeferidos, sendo proferido despacho decisório de não homologação de compensação, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na declaração. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em relação a todos os pedidos de compensação, sendo que parte dos manifestos foram encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB e outra parte à 3ª Turma da DRJ/REC. Os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 3ª Turma da DRJ/REC tiveram o destino delineado anteriormente, cujas argumentos são refutados no presente recurso, em razão do seu indeferimento. Já os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB, teve caminho totalmente diverso, com a procedência do pedido sob o argumento de que: como afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal, ao apurar a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, deixou de deduzir o valor pago e declarado pela interessada em DCTF retificadora. Em razão disto, resta claro que a empresa recolheu indevidamente e tem direito de repetição do indébito, pois a autuação já contemplou no lançamento de oficio aquele valor. a compensação pode ser homologada até o limite daquele crédito, tendo em vista que comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional para absorver o débito tributário. por fim, aduz que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, que é o caso dos autos, motivo pelo qual julgou procedente a manifestação de inconformidade formulada, reconhecendo o crédito do sujeito passivo, homologando a compensação até o limite daquele crédito, nos termos da legislação de regência. Como se vê, em relação ao mesmo caso, alguns manifestos de inconformidade teve destino totalmente diverso, sendo julgados procedentes, em total atenção à realidade ocorrida nos autos, por restar liquido e certo o direito da Recorrente à compensação. Portanto, temse que, no presente caso, devese dado o mesmo tratamento dispensado aos pedidos de compensação julgados pela 4ª Turma DRJ/BSB, com o julgamento de procedência do presente Recurso Voluntário, pela existência de direito líquido e certo da Recorrente à compensação e por ser medida da mais lidime justiça. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: IV DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 142 8 a) Que seja recebido e processado o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reconhecendo a existência de crédito e anulando a r. decisão recorrida que não homologou as compensações efetivadas, uma vez que devidamente comprovada a existência do crédito; b) a homologação do pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, pelos próprios e jurídicos fundamentos deste Recurso; c) a juntada dos documentos (PER/DCOMP, DCTF, DARF, auto de infração, Termo de Verificação Fiscal e comprovante de parcelamento) ora anexados; d) o cadastramento do Advogado MÁRCIO EMRICH GUIMARÃES LEÃO. OAB/GO 19.964, para o recebimento das intimações provenientes destes autos, no endereço constante do rodapé desta; e) Pugna, ainda, pela juntada posterior de documentos que reputar pertinentes. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Os argumentos atinentes ao Auto de Infração formalizado no processo nº 13116.000427/200656, efls. 3853 e 133134, devem ser ali tratados (art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente não instaurou no tempo, no lugar e na forma própria a fase litigiosa no procedimento (art. 14 do 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 143 9 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que se encontra no ARQUIVO DEL REC FED EM ANAPOLISGO desde 29.07.2010. Ocorre que o contencioso do lançamento de ofício não pode ser inaugurado nos presentes autos, que trata do Per/DComp, cujo rito está previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que se refere as alegações pertinentes ao parcelamento formalizado nos processos nºs 18208.001246/200712, 18208.001247/200767 e 18208.001248/200710, efls. 5455, vale ressaltar que cabe a autoridade preparadora da unidade de origem de circunscrição da Recorrente analisar a matéria, nos termos do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. Ademais, o referido processo encontrase no SETOR PROC ELETRÔNICO REFIS DRF ANA GO desde 01.06.2007, efl. 132. Para fins de esclarecimento vale discriminar os débitos de IRPJ objeto de parcelamento, efls. 5455, e aqueles que foram lançados, conforme o Auto de Infração, efls. 3853: Período de Apuração Débitos de IRPJ Parcelamento Valores Originais R$ Débitos de IRPJ Auto de Infração Valores Originais R$ 1º Trimestre de 2001 18.072,18 44.628,47 2º Trimestre de 2001 28.040,19 28.040,19 3º Trimestre de 2001 66.039,94 66.039,94 4º Trimestre de 2001 1º Trimestre de 2002 2º Trimestre de 2002 580,97 580,97 3º Trimestre de 2002 771,22 771,22 4º Trimestre de 2002 1º Trimestre de 2003 3.302,68 2º Trimestre de 2003 3.082,22 3º Trimestre de 2003 2.139,94 4º Trimestre de 2003 11.034,07 60.936,80 1º Trimestre de 2004 4.667,85 107.022,23 31.119,06 107.022,23 2º Trimestre de 2004 95.700,78 3.456,45 23.043,00 95.700,78 3º Trimestre de 2004 1.016,43 1.016,43 4º Trimestre de 2004 O Auto de Infração foi lavrado em 2006 e somente em 2007 a Recorrente efetuou a adesão ao parcelamento e como visto nem todos os débitos de IRPJ lançados no Auto de Infração foram parcelados. Relativamente ao pedido de cadastramento do patrono para o recebimento das intimações provenientes destes autos, temse que consta no enunciado da Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Por conseguinte, o pleito da Recorrente não pode ser deferido, uma vez que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 144 10 No caso de prescrição da repetição de indébito em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir a partir da data do pagamento indevido (art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). Verifica se que não houve o transcurso do prazo prescricional, haja vista que a Recorrente formalizou o Per/DComp em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ, código 0220, do segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$14.079,29 recolhido em 30.09.2004. No que tange ao resultado do julgamento em outro procedimento, vale ressaltar que a cada processo autônomo, como é o caso dos presentes autos, prevalece o princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 145 11 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 146 12 A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.469, de 20.12.2013, efls. 7680, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado no PER, razão pela qual foi indeferido o pedido de restituição. Alega a inconformada que efetuou pagamento indevido do IRPJ, que restou evidenciado seu crédito, por ocasião da autuação efetuada e relativa ao ano calendário 2004, quando realizou, durante o procedimento fiscal, os recolhimentos listados no quadro à fl. 03, que não foram considerados pelo autuante em razão do procedimento de fiscalização em andamento e, consequente ausência de espontaneidade. Afirma ainda, que os valores lançados de ofício através do Auto de Infração lavrado foram incluídos em processo de parcelamento em 14/09/2006, valores divididos em 120 parcelas, o que comprova com o extrato PAEX fls. 54/55. [...] Como se observa, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Por outro lado, sabese que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, e sim de suspensão, nos termos dos arts. 151 e 156 do CTN, adiante transcritos: [...] No caso concreto, conforme se relatou, o contribuinte pleiteia restituição de recolhimentos do IRPJ relativos ao mesmo tributo e mesmo período de apuração incluído em processo de parcelamento que se encontra em andamento na DRF de sua jurisdição, ou seja, o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando daí que, por não estar o crédito Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13116.902501/201138 Acórdão n.º 1003000.501 S1C0T3 Fl. 147 13 tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, transcrevese a seguir orientação repassada ao contribuinte pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal cuja, cópia foi trazida pela inconformada, fl. 53: “Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de ofício. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados” Portanto, os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de ofício, na realidade, deveriam ter sido incluídos no processo de parcelamento, a pedido do interessado, para apuração do montante a parcelar, se não o foram, só após extinção do montante parcelado, é que poderão ser restituídos ou compensados com outros débitos a critério do contribuinte. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição, nos termos do art. 170 do CTN). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001342/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
LANÇAMENTO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CABIMENTO. DEVER. SÚMULA CARF 17.
Quando a exigibilidade do crédito estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo, a fiscalização efetuará o lançamento para prevenção da decadência sem a exigência da multa de ofício.
LANÇAMENTO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. CABIMENTO. SÚMULA CARF 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3401-005.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CABIMENTO. DEVER. SÚMULA CARF 17. Quando a exigibilidade do crédito estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo, a fiscalização efetuará o lançamento para prevenção da decadência sem a exigência da multa de ofício. LANÇAMENTO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. CABIMENTO. SÚMULA CARF 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
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CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CABIMENTO. DEVER. SÚMULA CARF 17. Quando a exigibilidade do crédito estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo, a fiscalização efetuará o lançamento para prevenção da decadência sem a exigência da multa de ofício. LANÇAMENTO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. CABIMENTO. SÚMULA CARF 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 42 /2 00 6- 06 Fl. 478DF CARF MF 2 Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 226 a 2531, datado de 04/09/2006, por meio do qual é exigida COFINS referente ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2005, no valor de R$ 235.338,32, acrescida de juros de mora, perfazendo o total original, na data da autuação, de R$ 324.254,74. Na autuação, narrase que o crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa por força das decisões proferidas nos Autos dos Mandados de Segurança (MS) no 1999.61.03.0047908 e no 2005.61.00.0219562, em tramitação perante 3ª Vara Federal de São José dos Campos e na 2ª Vara Federal da Subseção Judiciaria de São Paulo (art. 151, incisos II e IV do CTN), e que, afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável ao sujeito passivo, este deverá (conforme teor e extensão do julgado) recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da divida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados, a serem convertidos em renda da União. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 222 a 225, narrase que: (a) a empresa discute em juízo, nos dois MS citados, a inconstitucionalidade de alterações promovidas na Lei Complementar no 70/1991, pelos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718/1998, pleiteando o não recolhimento da COFINS sobre seus atos cooperativos em face de inexistência de base de cálculo; (b) no MS no 1999.61.03.0047908, foi deferida liminar em 14/12/1999, confirmada por sentença datada de 15/01/2001, permitindo ao contribuinte efetuar o recolhimento da COFINS nos termos da Lei Complementar no 70/1991, afastando as alterações promovidas pela Lei no 9718/1998, tendo sido interposto recurso de apelação pela União, recebido em efeito devolutivo e pendente de apreciação no TRF; (c) no MS no 2005.61.00.0219562, foi deferida medida liminar em 03/10/2005, afastando a exigibilidade de recolhimento sobre os atos cooperativos, aguardandose sentença; (d) com base nas decisões, o contribuinte não recolheu COFINS entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005; e (e) os valores devidos na forma estabelecida pela no 9.718/1998 devem permanecer com exigibilidade suspensa, para prevenção da decadência, conforme art. 63 da Lei no 9.430/1996. Ciente da autuação em 18/09/2006 (fl. 257), a empresa apresentou Impugnação em 19/10/2006 (fls. 259 a 285), alegando, basicamente, que: (a) houve sentença confirmando também a segunda liminar, estando pendentes de julgamento os embargos interpostos pela empresa; (b) a impugnação não tem o mesmo objeto dos processos, pois não questiona a exigência da exação, ou sua base de cálculo, mas a regularidade do lançamento fiscal, que não pode subsistir porque o crédito está com exigibilidade suspensa; e (c) ainda que subsistente o lançamento, indevidos são os juros moratórios, porque inexiste mora. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16327.001342/200606 Acórdão n.º 3401005.993 S3C4T1 Fl. 479 3 A decisão de primeira instância (fls. 342 a 354), proferida em 21/08/2008, foi, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, entendendo os julgadores de piso que os “efeitos da decisão judicial não definitiva que afasta a exigência de tributo nos moldes pretendidos pelo Fisco, apenas impedem a autoridade de proceder sua cobrança, mas não obstam o lançamento do crédito, para prevenir a decadência, que é obrigatório por força do artigo 142, do CTN e do artigo 63, da Lei 9.430/96” (sic), e que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta”. Ciente da decisão de piso em 19/09/2008 (fl. 372), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 20/10/2008 (fls. 374 a 392), reiterando as razões de impugnação. À fl. 463, a unidade preparadora da RFB atesta a tempestividade da peça recursal e envia o processo ao CARF, onde, após ser distribuído a relator que deixou o colegiado sem incluir o processo em pauta de julgamento, o processo é novamente distribuído, por sorteio, a este relator, em outubro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Em consulta ao sítio web do TRF da 3ª Região (www.trf3.jus.br), verificase que: (a) o MS no 1999.61.03.0047908 foi baixado à vara de origem, tendo transitado em julgado em 09/08/2010, com parcial provimento à apelação e à remessa oficial, para reconhecer a validade da aplicação da Lei 9.718/98, garantido o recolhimento do imposto nos termos do artigo 8o da referida lei; e (b) o MS no 2005.61.00.0219562 se encontra sobrestado, em função dos RE no 672.215/CE (Tema 536 Incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo) e no 597.315/RJ (Tema 516 Sujeição passiva das cooperativas à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS). Cabe salientar, contudo, que os processos judiciais, que versam sobre matéria distinta da aqui discutida, não obstam a decisão sobre os dois temas remetidos a este colegiado administrativo: (a) possibilidade jurídica do lançamento para prevenir a decadência; e (b) possibilidade jurídica de exigência de juros de mora em lançamento efetuado para prevenir a decadência. Quanto à possibilidade jurídica de lavratura de auto de infração para exigência de crédito tributário com exigibilidade suspensa, para prevenir decadência, expressamente dispõe o art. 63 da Lei no 9.430/1996, na redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001: Fl. 480DF CARF MF 4 “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2o A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” (grifo nosso) Assim, a lavratura de autuação para prevenção da decadência, nos casos de suspensão da exigibilidade a que se referem os incisos IV (concessão de liminar em mandado de segurança) e V (concessão de liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial) do art. 151 do Código Tributário Nacional não só apresenta fundamento jurídico como constitui reclamo legal, sendo dever da fiscalização efetuar o lançamento, excluída a aplicação da multa de ofício no caso de suspensão antes do início de qualquer procedimento fiscal. A matéria é assentada neste CARF, e plasmada na Súmula CARF no 17 (vinculante, conforme Portaria MF no 383/2010). Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. E é igualmente pacífica nesta corte administrativa a análise do segundo tema submetido ao colegiado: a possibilidade de incidência de juros de mora sobre crédito com exigibilidade suspensa. A Súmula CARF no 5 (também vinculante, conforme Portaria MF no 277/2018), sobre o assunto, estabelece: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, é regular o lançamento efetuado, e, na ausência de comprovação de depósito integral da quantia em debate, correta a incidência de juros de mora sobre o crédito com exigibilidade suspensa. O próprio texto do art. 63 da Lei no 9.430/1996, aqui reproduzido, e vigente, endossa tanto uma quanto outra conclusão sumulada neste CARF, de que o lançamento é regular e de que os juros de mora são devidos, diante da ausência de depósito integral. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16327.001342/200606 Acórdão n.º 3401005.993 S3C4T1 Fl. 480 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 482DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.902818/2009-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
Mantém-se o indeferimento da compensação, quando não afastados os motivos trazidos pelo Despacho Decisório.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa suscitada pelo contribuinte; (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência; e, (iii) no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Mantémse o indeferimento da compensação, quando não afastados os motivos trazidos pelo Despacho Decisório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Relatório Tratase de Declaração de Compensação n° 09760.80250.070809.1.7.04 2157, de 07/08/2009, efl. 02, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (COFINS não cumulativa de mar. / 2009) com crédito (R$ 48.552,36) decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (código de receita: 0220) do 2° trimestre de 2008, vencimento em 31/07/2008. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 09), que analisou as informações e decidiu que: "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alegou que retificou o cálculo do saldo de IRPJ a recolher relativo ao 2° trimestre de 2008, inicialmente declarado no valor de R$ 746.216,59, dividido em três quotas de R$ 248.738,86; e que após constatação de erro na apuração do referido imposto, apurou novo IRPJ recolher, no valor de R$ 600.559,50 (sendo três quotas de R$ 200.186,50). A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (DRJ Ribeirão preto) (efl. 33/37). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ Ribeirão Preto: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 08, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada' a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado, como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, 'não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 15/18, acompanhada dos documentos de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 149 3 fls. 19/28, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório alegou insuficiência de créditos para Compensação de débitos, referente ao processo 13830.902816/200985, por meio do PER/Dcomp n° 22171.29854.070809.1.7.048929, compensandose um crédito original, no valor de R$ 48.552,36, relativo a 1ª quota de IRPJ do 2° trimestre de 2008; b) o despacho decisório alegou insuficiência de créditos para compensação . de débitos, referente ao processo n° 13830.902818/200984, por meio do PER/Dcomp n° 09760.80250.070809.1.7.042157, compensandose um crédito Original, no valor de R$ 48.552,36, relativo a 2a. quota de IRPJ do 2° trimestre de 2008; c) o despacho decisório alegou 'insuficiência de créditos para compensação de débitos, referente ao processo n° 13830.902817/200930, por meio do PER/Dcomp n° 09237.89292.070809.1.7.045030, compensandose um crédito original, no valor de R$ 48.552,36, relativo a 3a quota de IRPJ do 2° trimestre de 2008; d) a Manifestante apurou em sua contabilidade, 2° trimestre de 2008, um saldo de IRPJ a recolher, no valor de R$ 746.216,59, dividido 'em três quotas de R$ 248.738,86; e) após constatação de erro na apuração do referido imposto, apurouse novo IRPJ recolher, no valor de R$ 600.559,50, sendo três quotas de R$ 200.186,50, perfazendo assim um pagamento a maior de imposto na cifra de R$ 145.657,09, sendo R$ 48.552,36 pagos a maior por quota do 2° trimestre de 2008; f) a manifestante retificou as DCTF, em 27/10/2009, informando à RFB, os novos valores . de IRPJ a recolher. Ao final, requer que sejam considerados os créditos de IRPJ pagos a maior e que sejam desconsiderados os débito; cobrados nos despachos decisórios supra mencionados, face à atual retificação das DCTF, corroborando as compensações solicitadas. É o relatório. A decisão de primeira instância (efl. 33/37) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que, se há contradição nos valores declarados nas sucessivas DCTFs e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele originariamente declarado, incumbialhe, nesta fase processual (recursal), declarar o motivo que a levou a redução do débito de IRPJ do 2° trimestre de 2008, apresentando as provas pertinentes (registros contábeis e fiscais), de modo a permitir albergar sua tese de redução do débito originariamente declarado. Isto porque, conforme aquela decisão ressaltou, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional (art. 170 do CTN) exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. Em resumo assim dispôs a decisão de primeira instância: a DCTFretificadora do 3° trimestre de 2008, fls. 26 e 31 dos autos, declara que o débito de IRPJ, período de apuração: 2° trimestre de 2008, corresponde ao montante de R$ 746.216,60; que foi dividido em três quotas, conforme consta do despacho decisório. se há contradição na DCTF e desejando a recorrente fazer valer montante diversa daquele originariamente declarado, incumbialhe, nesta fase processual, declarar o motivo que a Fl. 150DF CARF MF 4 levou a redução do débito de IRPJ do 2° trimestre de 2008, apresentando as provas pertinentes (registros contábeis e fiscais), de modo a permitir albergar sua tese de redução do débito originariamente declarado. Ademais, no caso dos autos, a contribuinte pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTPretificadora do 2° trimestre de 2008, que, por sua vez, diverge da DCTFretificadora do 3° trimestre de 2008, ambas apresentadas na manifestação de inconformidade como elementos de prova do indébito em questão. A par disso, ressaltese que a DCTF é confissão de divida, constituindo instrumento hábil e suficiente para a exigência de referido crédito tributário. Assim, tendo sido o pagamento efetuado na mesma cifra em que foi confessada a dívida tributária, conforme se vê na DCTFretificadora do 3° trimestre de 2008 (fl. 31), não se verifica, como conseqüência, qualquer crédito a favor da contribuinte. Por fim, mister se faz ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão, das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Dai porque é necessário que aos autos venham as provas, notadamente contábeis, mesmo porque se trata de contribuinte sujeito ao regime de apuração do lucro real. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 15/02/2012 (efl. 41) a Interessada interpôs recurso voluntário (42/146), protocolado em 16/03/2012 (efl. 42), em que alega, em resumo: que houve cerceamento de seu direito de defesa, já que as justificativas trazidas no Despacho Decisório, para a glosa do crédito, seriam completamente insuficientes para possibilitar a defesa; que somente com a prolação do v. acórdão recorrido, pela DRJ/Ribeirão Preto, é que a RECORRENTE teve conhecimento do real motivo da glosa (§ 4o, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72); que a diferença entre o valor informado na DCTF do 2o Trimestre do anocalendário 2008, de R$ 650.835,00, e o montante pago de R$ 600.559,50 referese a depósitos judiciais correspondentes a quantias controversas discutidas em juízo; que por equívoco na DCTF do 3o Trimestre do anocalendário 2008 a RECORRENTE deixou de incluir na ficha "Trimestre Anterior" o valor retificado do IRPJ devido do 2o Trimestre; que por um .lapso de sua contabilidade, deixou de excluir da base de cálculo do IRPJ do 2o Trimestre do anobase de 2008 (i) os valores dos custos despendidos com inovações tecnológicas, conforme autoriza o art. 17 e seguintes da Lei n° 11.196/05 e (ii) as despesas decorrentes da variação cambial passiva, nos termos do art. 375 e 377 do RIR/99; que anexa contratos de câmbio que demonstram, mesmo que por amostragem, a configuração da aludida variação cambial; por fim requer diligência. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 150 5 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. De início cabe afastar a acusação do recorrente de que teria havido cerceamento do direito de defesa. Alega a recorrente que as justificativas trazidas no Despacho Decisório, para a glosa do crédito, seriam completamente insuficientes para possibilitar a defesa. O próprio recorrente admite que seus registros contábeis foram retificados e que tal retificação teria redundado em pagamento a maior de IRPJ referente ao segundo trimestre de 2008. Como o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 e art. 170 do CTN), fazse necessário, conforme os dispositivos legais citados, demonstrar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se fazer conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Por tal razão era imprescindível que a própria recorrente trouxesse aos autos a comprovação de seu pleito de restituição do alegado pagamento a maior de IRPJ. Ou seja, o pedido de restituição/compensação de crédito não continha (no ato da apresentação da PERDcomp transmitida em 07/08/2009, efl. 02) os atributos necessários de liquidez e certeza (já que o valor declarado correspondia ao valor recolhido, conforme atesta o despacho decisório de fls. 07), os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do CTN. Neste sentido, o despacho decisório citado fundamentou o indeferimento do pedido de restituição/compensação com base nos artigos 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96, razão pela qual não se sustenta a acusação de cerceamento do direito de defesa. Observo que no caso em apreciação, o recorrente pretende trazer nesta segunda instância e pela primeira vez os documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 152DF CARF MF 6 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não se sustenta a alegação do recorrente de que estaria referindose a fatos ou razões só trazidas aos autos pela decisão de primeira instância (DRJ). Isto porque os fatos foram tardiamente trazidos pelo próprio contribuinte. Isto porque os atributos necessários de liquidez e certeza deveriam ter sido demonstrados já na primeira oportunidade que o recorrente teve para tal, qual seja, na apresentação da manifestação de inconformidade a ser apreciada pela DRJ. Mesmo para este CARF a recorrente ainda reluta em apresentar seus registros contábeis, anexado parcialmente contratos de câmbio que teriam redundado no suposto crédito, desacompanhados de seus registros contábeis. No mesmo sentido concluiu a decisão de primeira instância, que aqui reproduzo as suas razões por aderir integralmente: De inicio, convém consignar que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica. de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 151 7 Assim, em síntese, quando a contribuinte transmite uma Declaração de compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário (indébito) Contra a Fazenda Nacional para extinguir um crédito tributário (débito fiscal) constituído em seu nome. Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marilia não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de n° 09760.80250.070809.1.7.042157. Contra esse Despacho Decisório de fl. 08, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 15/18, na qual informa que o valor do indébito com o qual declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor total de R$ 48.552,36, relativo ao 2° trimestre de 2008. Acerca disso, a contribuinte afirma que o valor devido inicialmente a titulo de IRPJ, 2° trimestre/2008, corresponderia a R$ 746.216,59, que foi parcelado em três quotas, no valor de R$ 248.738,86, como indicado em sua DCTF original. Todavia, conforme adverte a Recorrente, efetuou uma nova apuração do IRPJ do 2° trimestre de 2008, concluindo que o IRPJ devido no período perfazia a cifra de R$ 600.559,50, que dividida em três quotas, resultou no valor de R$ 200.186,50, ou seja, R$ 48.552,36 pago a maior em cada quota do IRPJ do 2° trimestre de2008. De fato, há de se observar que, originariamente, a DCTF do 1° semestre de 2008 , apontava débito de IRPJ 2° trimestre de 2008, na cifra de. R$ 746.216,59, que dividida em três quotas, resultou no montante de R$ 248.738,86 para cada quota., conforme se vê no documento de fl. 30 dos autos. Contudo, em 27/10/2009, após a transmissão da PER/Dcomp e ciência do despacho decisório, que se deram em 30/03/2009 e 07/10/2009, respectivamente, a contribuinte / retificou sua DCTF do 1° semestre de 2008 para alterar, para menos, o quantum da divida declarada no 2° trimestre do anocalendário de 2008, de R$ 746.216,59 para R$ 650.835,00. Fl. 154DF CARF MF 8 Nesse ponto, duas observações a serem feitas. Em primeiro lugar,, cumpre observar que ainda que o valor retificado pela contribuinte em sua DCTF — 1° semestre de 2008 seja menor do que aquele originariamente declarado, constatase que o valor: retificado, na cifra de R$ 650.835,00, é diferente daquele informado pela contribuinte como devido, no montante de R$ 600.559,50, conforme consta de sua manifestação de inconformidade (fl. 18 dos autos). Em segundo lugar, registrese que a DCTFretificadora do 3° trimestre de 2008, fls. 26 e 31 dos autos, declara que o débito de IRPJ, período de apuração: 2° trimestre de 2008, corresponde ao montante de R$ 746.216,60; que foi dividido em três quotas, conforme consta do despacho decisório. Ora, se há contradição na DCTF e desejando a recorrente fazer valer montante diversa daquele originariamente declarado, incumbialhe, nesta fase processual, declarar o motivo que a levou a redução do débito de IRPJ do 2° trimestre de 2008, apresentando as provas pertinentes (registros contábeis e fiscais), de modo a permitir albergar sua tese de redução do débito originariamente declarado. Ademais, no caso dos autos, a contribuinte pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTPretificadora do 2° trimestre de 2008, que, por sua vez, diverge da DCTFretificadora do 3° trimestre de 2008, ambas apresentadas na manifestação de inconformidade como elementos de prova do indébito em questão. A par disso, ressaltese que a DCTF é confissão de divida, constituindo instrumento hábil e suficiente para a exigência de referido crédito tributário. Assim, tendo sido o pagamento efetuado na mesma cifra em que foi confessada a dívida tributária, conforme se vê na DCTFretificadora do 3° trimestre de 2008 (fl. 31), não se verifica, como conseqüência, qualquer crédito a favor da contribuinte. Por fim, mister se faz ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão, das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Dai porque é necessário que aos autos venham as provas, notadamente contábeis, mesmo porque se trata de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 152 9 contribuinte sujeito ao regime de apuração do lucro real, para o qual exige a lei contabilidade regular, a ver pelo artigo 7° e seu § 4°, e também o artigo 8°, inciso I, "b", ambos do Decretolei n° 1.598, de 1977, dispondo que a pessoa jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, sendo que ao fim de cada períodobase de incidência 'do imposto deverá apurar o lucro liquido mediante a elaboração do balanço patrimonial e da demonstração de lucros du prejuízos acumulados, seguindo a demonstração do lucro real, qu4e deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real Indispensáveis, .portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto de renda a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros "Diário" ou "Lalur", a demonstração do resultado do exercício, etc, tudo a dar sustentação à veracidade do indébito. No presente caso, a recorrente, em sua . peça impugnatória, apenas apresentou sua DCTF retificadora do 2° trimestre de 2008, que por sinal, é conflitante tanto com o valor informado na manifestação de inconformidade, como com o valor declarado na DCTF retificadora do 3° trimestre de 2008. Portanto, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Assim, para o caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão / impossibilidade de o fazer em outro momento. Neste sentido a recente decisão da CARF/CARF, no acórdão 9303006.241 (3ª Turma), sessão de 25 de janeiro de 2018: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Fl. 156DF CARF MF 10 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 153 11 Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 158DF CARF MF 12 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 154 13 recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Fl. 160DF CARF MF 14 Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13830.902818/200984 Acórdão n.º 1001000.819 S1C0T1 Fl. 155 15 É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, Fl. 162DF CARF MF 16 podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904883/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/08/2006
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 48 83 /2 01 1- 60 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904883/201160 Acórdão n.º 1301003.604 S1C3T1 Fl. 3 2 provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.904884/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.904883/201160 Acórdão n.º 1301003.604 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da ausência de comprovação de recolhimento indevido de estimativa e na impossibilidade de se retificar a origem do crédito pleiteado para saldo negativo de IRPJ. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na PER/DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que não houve mero erro no preenchimento da PER/DComp, tampouco haveria que se falar em inexatidões materiais em seu preenchimento, tratandose, em realidade, de pedido do contribuinte para alteração da natureza jurídica do pedido, uma vez que PER/DComp indicava tratarse de pagamento indevido de estimativa, mas, na realidade, de saldo negativo de IRPJ. Concluiu não haver prova de recolhimento indevido de estimativa, indeferindo o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado e não homologando as compensações declaradas. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10580.904883/201160 Acórdão n.º 1301003.604 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.599, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.904884/2011 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.599): "O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou Per/DComp utilizandose de créditos decorrentes de IRPJ (estimativa) pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O acórdão recorrido, por sua vez, superou a fundamentação utilizada no despacho decisório em razão de posterior alteração de entendimento por parte da RFB por meio do art. 10 da IN RFB nº 900, de 2008, e da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, tanto em relação à admissão ao direito de restituição ou de compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, quanto à sua aplicação aos PER/DComp originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estivessem pendentes de decisão administrativa. Aduz que o contribuinte não trouxe prova do recolhimento a maior e que o pedido de retificação do PER/DComp para se considerar como origem do crédito o saldo negativo de IRPJ, em vez de pagamento indevido ou a maior de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.904883/201160 Acórdão n.º 1301003.604 S1C3T1 Fl. 6 5 estimativa, não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 78 da IN RFB nº 900, de 2008 Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.904883/201160 Acórdão n.º 1301003.604 S1C3T1 Fl. 7 6 REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe." Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.904883/201160 Acórdão n.º 1301003.604 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901879/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/06/2004
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.901879/200800 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.088 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUCTIVA ENGENHARIA LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/06/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 79 /2 00 8- 00 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901879/200800 Acórdão n.º 3302006.088 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não havia sustentado a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que "temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, (...) portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo" (sic). Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, que fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 05035.491, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de prova do direito creditório pleiteado. Ressaltou a DRJ que o contencioso administrativo não se prestava ao pedido formulado pelo contribuinte, havendo rito específico para pedido de cancelamento, e que a autoridade encarregada da cobrança haveria de cuidar para que, comprovada a coincidência entre os débitos exigidos por meio da DCOMP e os relacionados com o pagamento alegado, não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegando não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promovera o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destacou o recorrente que o pagamento integral do débito ocorrera antes mesmo da ciência da não homologação da compensação declarada, não podendo ser compelido ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustentou, ainda, que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário e que, muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que fosse promovida a revisão de ofício. Por fim, pediu que, em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, fosse a repartição de origem oficiada para que não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.901879/200800 Acórdão n.º 3302006.088 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.068, de 24/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13819.900462/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.068): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13819.901879/200800 Acórdão n.º 3302006.088 S3C3T2 Fl. 5 4 comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, por meio de DARF, o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP. Assim, no que cinge ao suposto crédito declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13819.901879/200800 Acórdão n.º 3302006.088 S3C3T2 Fl. 6 5 cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Observese, entretanto, que há indícios de que o débito antes pretendido compensar foi pago por meio de DARF pelo contribuinte antes da emissão do despacho decisório, devendo a unidade responsável avaliar se o referido pagamento é passível de alocação ao débito oriundo da DCOMP em comento. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10611.002007/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010
CAIXAS DE SOM AMPLIFICADAS E ALTO-FALANTES. DIREITO ANTIDUMPING. As caixas de som com entrada tipo P2 de 3,5mm ou RCA, independente se alimentadas por corrente contínua, ou alternada, se típicas para uso em notebooks, tocadores de MP3, tablets, e televisões, e não sejam destinados a uso em veículos terrestres, constituem exceção à regra antidumping que estabelece sobretaxa sobre as caixas de som importadas da República Popular da China.
CAIXAS DE SOM AMPLIFICADAS E APARELHOS AMPLIFICADORES DE SOM. DISTINÇÃO.
As caixas de som amplificadas diferem-se dos aparelhos amplificadores de som pelo fato de que elas possuem como função principal a transformação de energia elétrica em som, ainda que com alguma amplificação. Já os aparelhos amplificadores de som tem como função principal a amplificação propriamente dita da energia elétrica que a ele é enviada.
CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA E A MULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA.
Diante da constatação de erro na classificação de mercadoria, é correta a imposição de multa que tenha como hipótese tal fato.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não constitui cerceamento de defesa quando a prova deixa de ser produzida pela negativa do interessado em arcar com os custos de perícia.
Numero da decisão: 3302-006.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as medidas antidumping relativamente às declarações de importação registradas a partir da vigência da Resolução Camex nº 66, de 11.12.2007. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado)
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 CAIXAS DE SOM AMPLIFICADAS E ALTO-FALANTES. DIREITO ANTIDUMPING. As caixas de som com entrada tipo P2 de 3,5mm ou RCA, independente se alimentadas por corrente contínua, ou alternada, se típicas para uso em notebooks, tocadores de MP3, tablets, e televisões, e não sejam destinados a uso em veículos terrestres, constituem exceção à regra antidumping que estabelece sobretaxa sobre as caixas de som importadas da República Popular da China. CAIXAS DE SOM AMPLIFICADAS E APARELHOS AMPLIFICADORES DE SOM. DISTINÇÃO. As caixas de som amplificadas diferem-se dos aparelhos amplificadores de som pelo fato de que elas possuem como função principal a transformação de energia elétrica em som, ainda que com alguma amplificação. Já os aparelhos amplificadores de som tem como função principal a amplificação propriamente dita da energia elétrica que a ele é enviada. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA E A MULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA. Diante da constatação de erro na classificação de mercadoria, é correta a imposição de multa que tenha como hipótese tal fato. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA Não constitui cerceamento de defesa quando a prova deixa de ser produzida pela negativa do interessado em arcar com os custos de perícia.
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 CAIXAS DE SOM AMPLIFICADAS E ALTOFALANTES. DIREITO ANTIDUMPING. As caixas de som com entrada tipo P2 de 3,5mm ou RCA, independente se alimentadas por corrente contínua, ou alternada, se típicas para uso em notebooks, tocadores de MP3, tablets, e televisões, e não sejam destinados a uso em veículos terrestres, constituem exceção à regra antidumping que estabelece sobretaxa sobre as caixas de som importadas da República Popular da China. CAIXAS DE SOM AMPLIFICADAS E APARELHOS AMPLIFICADORES DE SOM. DISTINÇÃO. As caixas de som amplificadas diferemse dos aparelhos amplificadores de som pelo fato de que elas possuem como função principal a transformação de energia elétrica em som, ainda que com alguma amplificação. Já os aparelhos amplificadores de som tem como função principal a amplificação propriamente dita da energia elétrica que a ele é enviada. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA E A MULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 20 07 /2 01 0- 10 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 3 2 Diante da constatação de erro na classificação de mercadoria, é correta a imposição de multa que tenha como hipótese tal fato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA Não constitui cerceamento de defesa quando a prova deixa de ser produzida pela negativa do interessado em arcar com os custos de perícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as medidas antidumping relativamente às declarações de importação registradas a partir da vigência da Resolução Camex nº 66, de 11.12.2007. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório A Recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração tendo como fundamento a aplicação de direito antidumping sobre bens cuja classificação fiscal se discute, tudo conforme Relatório de Ação Fiscal MPF 06151002010002022 e MPF 0615100201000251 2de fls. 44 e seguintes. Segundo os mencionados Relatórios de Ação Fiscal (item 05, efls. 57 e seguintes) a Recorrente Importou os equipamentos abaixo relacionados. Sist. de audio 2.0, modelo SP201, Sist. de audio 2.1 C3 TECH, mod 683601, Sist de Audio 2.1 C3 TECH, mod 683951, Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 4 3 Sist de Audio SOUNDBAR 4.1C3 TECH . SB480B Sist. de Audio 5.1 C3 TECH mod. SP590BS Sist de Audio 2.1 C3 TECH mod. SP300WB Sist de Audio 2.0 C3 TECH mod. ST150G Sist de Audio 2.0 C3 TECH mod. TCS3150 Sist de Audio 5.1 C3 TECH mod. B511ME As importações ocorreram de junho de 2007 a março de 2010. Conforme o citado Relatório de Ação Fiscal "Em um primeiro momento o importador insistiu em classificar as mercadorias importadas na posição 8518.50.00 alegando tratarse de "aparelhos elétricos de amplificação de som" e não e altofalantes." (item 6.3, e fls. 75) O Relatório ainda salientou que as soluções de consulta apontaram no sentido de que as mercadorias nunca deveriam ser classificadas na posição 85.18.50.00, dos "aparelhos elétricos de amplificação de som": Todas as soluções de Consulta anexo 02, unânime, de forma concluíram que a correta classificação fiscal de acordo com Nomenclatura Comum do Mercosul baseada no Sistema Harmonizado seria ora 8518.21.00 ora 8518.22.00, único receptáculo distinguindose apenas se são Altofalante montado no seu (8518.21) ou se são Altofalantes múltiplos montados no mesmo receptáculo (8518.22). Ou seja, as mercadorias objeto das Consultas nunca deveriam ser classificadas na posição 8518.50.00 conforme praticava o importador. (efls. 76) O Relatório ainda salienta que a solução de divergência n. 04 publicada pela COANA em 19.06.2009 concluiu pela classificação no código 8518.21.00, ou seja, alto falantes. A questão é se os produtos seriam "altofalantes", mesmo montados em seus receptáculos (posição 8518.21.00, se único, ou posição 8518.22.00, se múltiplos) ou "aparelhos elétricos de amplificação de som". Neste sentido merece destaque a explicação técnica de efls. 86, no sentido de que a simples existência de um amplificador na caixa de som não o transforma em "aparelhos elétricos de amplificação de som", eis que "devem ser considerados e classificados como "altofalantes" mesmo aqueles altofalantes que tiverem um amplificador montado no mesmo receptáculo." O Relatório também destaca que a Resolução CAMEX n. 66, de 11.12.2007 (Editada durante o período das importações) fixou direitos antidumping sobre a importação de altofalantes classificados nas posições 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, quando originários da República Popular da China, com as seguintes exceções. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 2º Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. O mencionado Relatório interpretou que apenas os altofalantes destinados a notebooks seriam abrangidos pela exceção, mas não aqueles destinados a computadores. "Ora, se a norma tivesse a intenção de excluir os altofalantes utilizados o em computadores teria feito de forma explicita como fez para os o outros equipamentos." efls. 90. O Item 8 (efls. 91) destaca que "como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade Local da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)" Contudo, no caso das mercadorias sujeitas a medidas de defesa comercial, o artigo 9 "h" da Portaria Secex n. 36/2007 exige o licenciamento NÃO AUTOMÁTICO. Além da exigência das medidas antidumping foram imputadas as seguintes infrações à Recorrente: Erro da Classificação Tarifária (9.1.1. efls. 94) O Relatório de Ação Fiscal aponta que a Recorrente praticou infração fiscal ao classificar como aparelhos elétricos de amplificação de som, aquilo que a fiscalização entende ser caixa de som ou altofalante, recolhendo multa sobre algumas e não recolhendo sobre outras, verbis: "Como é de se observar o interessado recolheu a multa relativa à classificação incorreta Nomenclatura Comum do Mercosul para algumas Declarações de importação e para outras deixou de recolher baseado em processos de consulta que supostamente amparavam estas importações." efls. 101. Contudo, a fiscalização entende que nenhum dos processos de consulta eram válidos à época das importações, razão pela qual deveriam ter sido recolhidas todas as multas aplicadas, reconhecendo tão somente pagamento a maior de R$ 1.500,00. Importação sem licença de importação (9.1.2. efls. 103) O já mencionado Relatório de Ação Fiscal imputou ao Recorrente a conduta de importar mercadoria sem licença de importação, eis que segundo ela teria usado a classificação 8518.50.00, que reputa equivocada pelas razões já esposadas, o que configuraria "erro de classificação tarifária" tipificado no artigo 636 do Decreto 4543/2002. Impugnação da Recorrente. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 6 5 A Impugnação foi apresentada às efls. 483 a 496, por meio da qual sustenta que não houve classificação incorreta, eis que defende serem aparelhos de amplificação de som e não altofalantes, o que teria o condão de anular todo o Auto de Infração. Ademais, requer perícia, fixando os quesitos e indicando perito, bem como junta farta documentação, inclusive Sentença proferida em processo judicial no qual questiona judicialmente a natureza de alguns destes produtos. Há cópia da Impugnação acostada às fls. 793 e seguintes. Em sua Impugnação a Recorrente afirmou que a sua tese encontrase materializada na sentença proferida nos Autos do Mandado de Segurança n. 5001.353 96.2010.404.7208/SC, impetrado pela Recorrente em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajai, SC., onde alega que discute a exigência da medida antidumping. Pela leitura da decisão acostada às efls. 796 e seguintes é possível aferir que se trata da análise da adequação das seguintes mercadorias às normas antidumping: TCS3150; TCS3252; CT683601; CT683951 Decisão proferida pela DRJ no Recife PE (efls. 837 e seguintes) A DRJ, ao apreciar o caso, prolatou a decisão de fls. 837 a 864 por meio da qual julgou a Impugnação PROCEDENTE EM PARTE, exonerando a Recorrente de multa de R$1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) e mantendo o crédito de R$ 1.575.816.05 (hum milhão, quinhentos e setenta e cinco mil, oitocentos e dezesseis reais e cinco centavos.) A referida decisão manteve o entendimento da fiscalização no que diz respeito à classificação das mercadorias, mantendo a multa por importação ao desamparo de licenciamento, a multa sobre incorreção na classificação de mercadoria, bem como entendeu que a conduta não configura em reexame da classificação fiscal, tendo por fim negado a produção de laudo técnico. Recurso Voluntário (efls. 868) A Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual reiterou os argumentos já tecidos quando da Impugnação. Em sede de preliminar, alega cerceamento de defesa por indeferimento da perícia requerida quando da apresentação da Impugnação. No mérito, sustenta que se tratamse de Sistemas de Audio destinados a aparelhos de áudio e vídeo, e não caixas de som e altofalantes, especialmente que não são destinados a automóveis e tratores, razão mais que suficientes a que não se subsumam à norma antidumping em questão. Alega também ser indevida que a multa de 1% exigida por suposto erro na classificação das mercadorias, eis que defendem serem os produtos "aparelhos elétricos de amplificação de som" Resolução CARF n. 3202000.270, (efls. 11301143) Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 7 6 A questão foi submetida ao CARF e por esta mesma Turma foi expedida a Resolução de n. 3202000.270, (fls. 11301143) no sentido de converter o julgamento em diligência para que fosse constatada a correta classificação da mercadoria importada. Contudo, às fls. 1197 foi acostada a informação de que a perícia não foi realizada em razão da recusa do contribuinte em arcar com os seus custos. Resolução CARF n. 3302000.545, (efls. 11981204) A questão foi novamente submetida ao CARF e também por esta turma foi expedida nova resolução (3302000.545) onde restou assinalado que a perícia foi deferida mas não foi realizada por recusa do contribuinte no pagamento do valor dos honorários. Na ocasião foi determinada a juntada aos autos do PROCESSO MDIC/SECEXRJ 52500.016460/200616. Ofício n. 05.190/2013/CGMC/DECOM/SECEX Por meio do Ofício n. 05.190/2013/CGMC/DECOM/SECEX juntado as fls. 1210 restou informado que as caixas de som MODELO VC7200 da marca VICINI não se subsumem ao conceito de caixa de som de que trata a Resolução Camex n. 66/2007, conforme Nota Tecnica n. 40/2013/CGMC/DECOM/SECEX. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, se reveste das formalidades legais e é de competência deste colegiado, razões pelas quais dele conheço. O Recurso Voluntário (efls. 868 e seguintes) tratou dos seguintes tópicos. I. Nulidade da decisão por cerceamento de defesa ante o indeferimento da perícia requerida. II. Inaplicabilidade do direito antidumping aos altofalantes destinados a aparelhos de audio e vídeo. III. A correção na classificação das mercadorias e a consequente inaplicabilidade da multa por classificação incorreta. 2. Nulidade por cerceamento de defesa indeferimento de perícia. O argumento de nulidade por indeferimento de perícia não deve prosperar eis que a própria Resolução 3302000.545 salientou que a perícia foi deferida quando da Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 8 7 Resolução 3302000.270, contudo apenas não foi realizada em razão da Recorrente não ter concordado com o seu custo, razão pela qual é de se rejeitar a preliminar arguida. 3. Concomitância Em sua Impugnação a Recorrente trouxe aos autos fragmentos da sentença proferida nos Autos do Mandado de Segurança n. 5001.35396.2010.404.7208/SC, impetrado por ela em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajai, SC., onde alega que discute a exigência da medida antidumping. Pela leitura da decisão acostada às efls. 796 e seguintes é possível aferir que o processo judicial trata da análise da adequação das seguintes mercadorias às normas antidumping: TCS3150; CT683601; CT683951; TCS3252, sendo que este último não é objeto do presente Processo Administrativo. Como das nove mercadorias de que versa o presente processo, três já se encontram sob análise do Poder Judiciário, é de se reconhecer a concomitância em relação a estes produtos, aplicandose a Sumula Carf n. 1, segundo a qual Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Por esta razão, não é de se conhecer o presente Recurso Voluntário no que diz respeito aos produtos a cujo respeito já foi ajuizada ação perante o Poder Judiciário, sejam eles: Sist. de audio 2.1 C3 TECH, mod 683601, Sist de Audio 2.1 C3 TECH, mod 683951, Sist de Audio 2.0 C3 TECH mod. TCS3150. 4. Classificação fiscal das mercadorias O ponto nodal do presente processo consiste em saber se os bens importados sobre os quais versa o presente feito, e nele se encontram arrolados, se subsumem conceito de que trata a exceção do artigo 2º da Resolução CAMEX 66/2007. O CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, conforme o deliberado na reunião realizada no dia 11 de dezembro de 2007, com fundamento no inciso XV do art. 2º o Decreto nº 4.732, de 10 de junho de 2003, e tendo em vista o que consta nos autos do processo MDIC/SECEXRJ 52500.016460/200616, resolve: Art. 1º Encerrar a investigação com a fixação de direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por quilograma Art. 2º Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 9 8 vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Art. 3º Tornar públicos os fatos que justificaram esta decisão, conforme o Anexo a esta Resolução. Art. 4º Revogar a Resolução CAMEX nº 25, de 07 de junho e 2007, publicada no Diário Oficial da União D.O.U., em 29 de junho de 2007, mantidos os efeitos durante sua vigência. Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União D.O.U. e terá vigência de até cinco anos, nos termos do disposto no art. 57 do Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. MIGUEL JORGE Presidente do Conselho" Pela leitura da referida resolução é possível aferir que a norma visou sobretaxar os bens denominados "altofalantes" ou "caixas de som", mas contudo, excluiu os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Percebese que a intenção foi restringir a importação dos altofalantes e caixas de som, que nada mais são do que o altofalantes montados em um suporte, mas não restringir os equipamentos que servem para amplificar o som de notebooks, e aparelhos de audio e video nos quais indubitavelmente se encaixam os smartphones, tablets, tocadores de música desde que não sejam de uso em veículos terrestres ou, em outras palavras, som automotivo, admitindose que sejam apropriados ao uso em balsas e outros veículos náuticos. Analisando a Nota Técnica Técnica n. 40/2013/CGMC/DECOM/SECEX é possível aferir que a caixa amplificadora analisada não se encaixa na norma antidumping por ser algo além de um altofalante, mas sim um verdadeiro sistema de amplificação de sons de fontes diversas, como violões, cartões de memória, microfones e uma infinidade de equipamentos que se conectam por entradas USB e portas USB. A partir da leitura da norma e da referida Nota Técnica entendese que é possível a este colegiado realizar a classificação dos bens submetidos à análise às fls. 1169 e seguintes também descritos às fls. 599 e seguintes. A questão fulcral consiste em saber se as mercadorias são "alto falantes", ainda que equipados com algum componente eletrônico de amplificação ou melhoria do som, ou se são "aparelhos de amplificação de som". PRODUTO 1 Sistema de Audio 2.0 Modelo SP201. Este equipamento é nitidamente um par de caixas de som para ser utilizada em computadores de mesa (desktop) ou portáteis (notebook) pois são equipados tão somente com entrada P2 de 3,5mm, típicas de headphones, das quais são equipados a grande maioria de Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 10 9 computadores, tocadores de música (dos quais o Ipod é o exemplo mais comum) e smartphones. É de se destacar que os equipamentos de som automotivo geralmente não são dotados de uma saida P2, razão pela qual, embora seja tecnicamente possível, não é usual que tal sistema seja utilizado em veículos automotores e tratores. Merece destaque ainda o fato de que o referido sistema é alimentado com corrente alternada de 110 volts, e a eletricidade que abastece a grande maioria dos veículos automotores terrestres é corrente contínua 12 volts ou 24 volts. Por ser nitidamente um altofalante (posição 8518.21.00) para notebook, a mercadoria está albergada pela exceção de que trata o artigo 2. da Resolução CAMEX 66/2007. Por trataremse de caixas de som para computadores (posição 8518.21.00), não devem ser aplicadas as regras antidumping, contudo, por serem caixas de som e não equipamentos amplificadores de som (posição 8518.50.00), deve ser mantida a multa de 1% por classificação incorreta da mercadoria, bem como a multa de 30% por falta de licenciamento eis que não sujeita a medida de defesa comercial. PRODUTO 2 Sist. de Audio 2.1 C3 TECH Modelo SP683601. Em razão da concomitância com ação judicial, não é de se conhecer do presente Recurso Voluntário no que diz respeito a este produto. PRODUTO 3 Sist. de Audio 2.1 C3 TECH Modelo SP683951 Em razão da concomitância com ação judicial, não é de se conhecer do presente Recurso Voluntário no que diz respeito a este produto. PRODUTO 4 Sist. de Audio Soundbar 4.1C3 TECH, Modelo SB490B Este equipamento é um Soundbar, ou seja, um sistema integrado de som que usualmente se usa reproduzir, em maior volume (possui quatro caixas satélite e um subwoofer, dai a especificação 4.1) de equipamentos de som portáteis que usam a conexão P2, bem como RCA, leitor de cartões de memória e entrada USB, utilizada em praticamente todos os equipamentos eletrônicos, inclusive notebooks. O equipamento é alimentado por corrente alternada de 110 ou 220 volts, razão pela qual não se espera que seja normalmente utilizado em veículos, que são dotados de corrente contínua de 12 ou 24 volts, o que pode ser adaptado via transformador, mas não é comum. Por ser nitidamente um altofalante para, smartphones, tocadores de música MP3, e notebook, desde que usando um adaptador RCAP2, a mercadoria está albergada pela exceção de que trata o artigo 2. da Resolução CAMEX 66/2007. Definitivamente, o fato do altofalante possuir um sistema de amplificação e de leitura de cartões não o transforma em amplificador. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 11 10 Conclusivamente, em relação a este produto, é de se dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a incidência das medidas antidumping, eis que se trata de um aparelho que pode ser utilizado em notebooks, mas por serem caixas de som e não equipamentos amplificadores de som (posição 8518.50.00), deve ser mantida a multa de 1% por classificação incorreta da mercadoria, bem como a multa de 30% por falta de licenciamento eis que não sujeita a medida de defesa comercial. PRODUTO 5 Sist. de Audio 5.1 C3 TECH Modelo SP590BS Este equipamento é um tipo de home theater 5.1, ou seja, que possui 5 caixas de som satélite mais um subwoofer, ou seja, um sistema integrado de amplificação de som que usualmente se usa para se reproduzir musicas a partir de smartphones e notebooks, aumentando o seu volume. O equipamento é alimentado por corrente alternada de 110 ou 220volts, razão pela qual não se espera que seja normalmente utilizado em veículos, que são dotados de corrente contínua de 12 ou 24 volts, o que pode ser adaptado via transformador, mas não é comum. Por ser nitidamente um Home Theater para televisores ou notebooks, desde que usando um adaptador RCAP2, a mercadoria está albergada pela exceção de que trata o artigo 2. da Resolução CAMEX 66/2007. Conclusivamente, em relação a este produto, é de se dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a incidência das medidas antidumping, eis que se trata de um aparelho que pode ser utilizado em notebooks, mas por serem caixas de som e não equipamentos amplificadores de som (posição 8518.50.00), deve ser mantida a multa de 1% por classificação incorreta da mercadoria, bem como a multa de 30% por falta de licenciamento eis que não sujeita a medida de defesa comercial. PRODUTO 6 Sist. de Audio 2.1 C3 TECH Modelo SP300WB Este equipamento é classicamente utilizado para amplificar a potência (possui duas caixas satélite e um subwoofer, dai a especificação 2.1) do som processado por equipamentos como TVS ou Mini System, pois possui uma entrada RCA, típica destes produtos. Contudo como a conexão entre o RCA e a saída P2 de 3,5mm é muito fácil, este sistema é usualmente empregado em computadores. O equipamento é alimentado por corrente alternada de 110 volts, razão pela qual não se espera que seja normalmente utilizado em veículos, que são dotados de corrente contínua de 12 ou 24 volts, o que pode ser adaptado via transformador, mas não é comum. Por ser nitidamente um altofalante para TVS, Mini Systems e computadores, dos quais o notebook é um exemplo, desde que usando um adaptador RCAP2, a mercadoria está albergada pela exceção de que trata o artigo 2. da Resolução CAMEX 66/2007. Contudo, o fato do produto possuir um sistema de amplificação de som, a mercadoria não pode ser interpretada como um amplificador. Conclusivamente, em relação a este produto, é de se dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a incidência das medidas antidumping, eis que Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 12 11 se trata de um aparelho que pode ser utilizado em notebooks, mas por serem caixas de som e não equipamentos amplificadores de som (posição 8518.50.00), deve ser mantida a multa de 1% por classificação incorreta da mercadoria, bem como a multa de 30% por falta de licenciamento eis que não sujeita a medida de defesa comercial. PRODUTO 7 Sist. de Audio 2.0 C3 TECH Modelo ST150G Este equipamento é classicamente utilizado para amplificar a potência do som processado por equipamentos como Mini System, pois possui uma entrada RCA, típica destes produtos. Contudo como a conexão entre o RCA e a saída P2 de 3,5mm é muito fácil, este sistema é usualmente empregado em computadores, tocadores de MP3 e Smartphones. O equipamento é alimentado por corrente alternada de 110 volts, razão pela qual não se espera que seja normalmente utilizado em veículos, que são dotados de corrente contínua de 12 ou 24 volts, o que pode ser adaptado via transformador, mas não é comum. Por ser nitidamente um altofalante Mini Systems, smartphones, tocadores de MP3 e notebooks, desde que usando um adaptador RCAP2, a mercadoria está albergada pela exceção de que trata o artigo 2. da Resolução CAMEX 66/2007. Contudo, o fato do produto possuir um sistema de amplificação de som, a mercadoria não pode ser interpretada como um amplificador. Conclusivamente, em relação a este produto, é de se dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a incidência das medidas antidumping, eis que se trata de um aparelho que pode ser utilizado em notebooks, mas por serem caixas de som e não equipamentos amplificadores de som (posição 8518.50.00), deve ser mantida a multa de 1% por classificação incorreta da mercadoria, bem como a multa de 30% por falta de licenciamento eis que não sujeita a medida de defesa comercial. PRODUTO 8 Sist. de Audio 2.0 C3 TECH Modelo TCS3150 Em razão da concomitância com ação judicial, não é de se conhecer do presente Recurso Voluntário no que diz respeito a este produto. PRODUTO 9 Sist. de Audio 5.1 C3 TECH Modelo B511ME Este equipamento é um tipo de home theater 5.1, ou seja, que possui 5 caixas de som satélite mais um subwoofer, ou seja, um sistema integrado de altofalantes amplificados usualmente se usa para conectar e aumentar a potência de equipamentos de som como televisões e notebooks. Sendo assim, prestase tanto como alto falante de equipamentos menores, como smartphones, como também para reproduzir músicas de pendrive e de notebooks, por meio de conexão USB. O equipamento é alimentado por corrente alternada de 110 ou 220volts, razão pela qual não se espera que seja normalmente utilizado em veículos, que são dotados de corrente contínua de 12 ou 24 volts, o que pode ser adaptado via transformador, mas não é comum. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 13 12 Por ser nitidamente um Home Theater para televisores ou notebooks, desde que usando um adaptador RCAP2, a mercadoria está albergada pela exceção de que trata o artigo 2. da Resolução CAMEX 66/2007. Conclusivamente, em relação a este produto, é de se dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a incidência das medidas antidumping, eis que se trata de um aparelho que pode ser utilizado em notebooks, mas por serem caixas de som e não equipamentos amplificadores de som (posição 8518.50.00), deve ser mantida a multa de 1% por classificação incorreta da mercadoria, bem como a multa de 30% por falta de licenciamento eis que não sujeita a medida de defesa comercial. 5. A análise da classificação das mercadorias e a consequente redução da multa de 1% do valor da mercadoria por classificação incorreta. A Recorrente insurgese contra a imposição da multa sobre classificação incorreta de todas as mercadorias, o fazendo na forma do artigo 711 do Dec. 6.759/09. Isto porque segundo a Recorrente (efls. 890) o próprio Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (efls. 95) admite que houve pagamento parcial. "Em consulta ao Sistema Sinal 06 da Receita Federal do Brasil foram encontrados recolhimentos relativos a multa acima descrita para quinze declarações de importação, informação esta que coincide com os DARFs apresentados pelo contribuinte em respota ao Termo de Intimação e início de ação fiscal. (...) Como é de se observar o interessado recolheu a multa relativa a Classificação Incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul para algumas Declarações de Importação e para outras deixou de recolher baseado em processos de consulta que supostamente amparavam estas importações. Fazse necessário algumas observações para o claro entendimento dos recolhimentos exigidos no quadro acima. Por estas razões a Recorrente sustenta que: (i) não incidem as multas sobre as mercadorias corretamente classificadas e (ii) já houve pagamento de diversas delas. Contudo, quando da análise da aplicação da referida multa pela DRJ Recife (efls. 860 e seguintes) restou demonstrado que apenas 14 Declarações de Importação realizadas pela Recorrente foram correta e tempestivamente retificadas, bem como houve uma exigência em duplicidade de apenas três multas quais sejam as: 08/16871307; 08/19047915; 09/05921288, gerando um crédito de R$ 1.500,00. Por outro lado, comparando se a tabela elaborada pela fiscalização contendo todas as Adições das DI (setenta e duas) que foram objeto de retificação, às fls.76 a 81, verificase que, dessa relação, apenas quatro DI de 2008, sete DI de 2009 e três DI de 2010 (total: quatorze), apresentaram recolhimento da multa regulamentar pelo sujeito passivo, quando da retificação da classificação, antes da autuação. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 14 13 Na conferência entre essa relação (quatorze DIs retificadas, antes da autuação, com o pagamento da multa regulamentar), com a relação de DI constantes do demonstrativo de apuração dessa multa, às fls. 32 a 40 dos autos, temse duplicidade de cobrança relativamente a apenas três DI (R$ 500,00 de multa em cada uma, o que totaliza, a favor do contribuinte, R$ 1.500,00 um mil e quinhentos reais), a saber: (...) Quanto às mercadorias incorretamente classificadas nas demais DI, cujo pagamento da multa por incorreção a defendente afirma ter feito, não há provas nos autos que lhe deem razão, uma vez que não foram anexados documentos comprobatórios desses pagamentos que, segundo ela, teriam sido feitos posteriormente à autuação. Portanto, relativamente ao valor total da multa por incorreção na classificação tarifária apurada (1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias erradamente classificadas na NCM), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003, cujo valor total constante do AI foi de R$ 35.684,13 (trinta e cinco mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e treze centavos), deve ser exonerada a quantia de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais)." Todo este raciocínio parte da premissa de que a Recorrente classificou incorretamente as mercadorias, o que deve ser confirmado por este Colegiado, uma vez que os aparelhos importados na verdade são altofalantes (posição 8518.21.00 ou 8518.21.00), ainda que com alguma eletrônica necessária à amplificação do sinal, o que não os retira da condição de altofalantes, e não "equipamentos amplificadores de som" (posição 8518.50.00), o que pressuporia que a função primordial fosse a amplificação, e não a reprodução, como é o caso concreto. Por esta razão, voto no sentido de que seja negado provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito à exoneração das multas relativas aos produtos que foram corretamente classificados. 6. A análise da classificação das mercadorias e a consequente redução da multa de Controle Administrativo das Importações (30%) Em relação à multa do Administrativo das Importações, que pressupõe a correta descrição das mercadorias importadas, especificamente quando sujeitas a medidas de defesa comercial, é importante destacar que as mercadorias importadas não foram corretamente descritas como "equipamentos amplificadores de som" (posição 8518.50.00) quando na verdade são altofaltantes" (posição 8518.21.00 ou 8518.21.00). Por esta razão, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário mantendo as no que diz respeito à que seja dado provimento ao Recurso Voluntário mantendo a multa de Controle Administrativo das Importações. 7. Conclusões. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10611.002007/201010 Acórdão n.º 3302006.032 S3C3T2 Fl. 15 14 Conclusivamente, temse em razão da concomitância não é de se conhecer o recurso em relação aos bens cuja análise foi submetida ao Poder Judiciário (Sist. de audio 2.1 C3 TECH, mod 683601, Sist de Audio 2.1 C3 TECH, mod 683951, Sist de Audio 2.0 C3 TECH mod. TCS3150). É de se afastar a preliminar de cerceamento de defesa eis que a perícia solicitada não foi realizada por ausência de pagamento do seu custo, por parte da própria Recorrente. Quanto à parte conhecida do Recurso, voto no sentido de dar provimento relação apenas à exclusão da incidência dos direitos antidumping exigidos de todas as mercadorias cujas declarações de importação foram registradas a partir da vigência da Resolução Camex nº 66, de 11.12.2007. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 1264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.012152/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 21 52 /2 00 7- 62 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Em sessão plenária de 20/02/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.430 (efls. 46 a 50), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.” O processo foi encaminhado à PGFN em 22/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 51) e, em 24/06/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 58), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 52 a 57, rejeitados conforme despacho de 19/09/2014 (efls. 60 a 62). Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 22/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 63) e, em 29/09/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 64 a 77 (Despacho de Encaminhamento de efls. 78). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir as seguintes questões: a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento; e c) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação às matérias "b" e "c", conforme despacho de 14/06/2016 (efls. 79 a 84). Em seu apelo, relativamente às matérias que obtiveram seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Da necessidade de baixa dos autos para revisão do lançamento Fl. 101DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 101 3 é imperiosa a observância da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais; é de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade; desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastandose sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável. Da natureza formal do vício apontado no acórdão recorrido pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados nos artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, determinandose a revisão do lançamento ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 04/11/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 94), a Contribuinte ofereceu, em 10/11/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 95), as Contrarrazões de efls. 96/97, contendo os seguintes argumentos: o erro na construção do lançamento acarreta vício insanável, razão pela qual devem ser canceladas as exigências; somandose a esse entendimento, destacase que a apuração do crédito tributário em questão ocorreu sob a forma de tributação prevista no art. 12, da Lei n° 7.713, de 1988, que à época tratava desse objeto, contudo, à luz da decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ, foi assentada a inconstitucionalidade do art. 12, da Lei n° 7.713, de 1988; Fl. 102DF CARF MF 4 importante recordar que, com base no enquadramento legal pertinente ao caso, os rendimentos originários de decisão judicial devem ser tributados, inclusive com a retenção do Imposto de Renda na Fonte; no entanto, o valor recebido diz respeito a um rendimento que representou a soma de valores correspondentes a seis anoscalendário e, proporcionalizando o total ao período equivalente, identificase que o rendimento anual não atinge o nível mínimo de rendimento necessário para a tributação do Imposto de Renda Pessoa Física; dessa forma, não há subsistência na permanência do lançamento, o que já foi reconhecido pelo CARF, conforme o Acórdão n° 2801003.430, e em face da prevalência do entendimento da legislação específica e da forma estabelecida pelo STJ, obedecendo ao princípio da legalidade e a lealdade, compreendese que a aplicação deve contemplar a especificidade do caso, devendo assim ser cancelada a exigência tributária. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. No caso do acórdão recorrido, entendeuse que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente, feito em desacordo com entendimento externado pelo STJ em julgamento realizado na sistemática do art. 543C, do CPC, deveria ser cancelado, dandose provimento do Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela manutenção do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Alternativamente, pede que seja considerado que o vício seria formal. Assim, tratandose de discussão acerca da existência e natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No que tange ao primeiro ponto abordado possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 10320.451, limitandose a colacionar a respectiva ementa na forma abaixo: Paradigma Acórdão nº 10320451 “Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 102 5 por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado.” (destaques da Fazenda Nacional) Compulsandose o inteiro teor deste paradigma, constatase que se tratou do julgamento de Recurso de Ofício em que a decisão de primeira instância retificou equívocos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, para incluir origens de recursos. Confirase: "A decisão recorrida não merece reparos. A diligência requerida pela autoridade a quo foi oportuna e esclarecedora, retificando equívocos ocorridos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, como se pode ver no Relatório de fls 180/185. (...) Examinadas as alegações da interessada em confronto com as cópias das folhas do Livro Razão n° 7, que foram anexadas ao processo na diligência fiscal e no recurso, bem como, o relatório de diligência de fls. 180/185, verificamos que resta comprovada a ocorrência de equívocos no levantamento fiscal e na confecção do demonstrativo do fluxo financeiro. A autoridade julgadora de primeira instância acatou as conclusões da diligência e, à vista das alegações apresentadas no aditivo à impugnação de fls. 86/87, comprovada pelos lançamentos do Livro Razão, bem como, dos documentos anexados pela contribuinte, concluiu por incluir entre os recursos disponíveis em fevereiro de 1994 a quantia de CR$ 23.504.146,33 relativa a aplicações financeiras efetuadas no Banco Itati e resgatadas no correr do mês, conforme lançamento de fls. 96 do Razão (fls. 122 e 190), o que resultou na anulação do excesso de dispêndios apurado pelos AuditoresFiscais diligenciantes. Acatou ainda a inclusão no saldo de Contas a Receber no Início do Mês de setembro o saldo da conta Cliente F. Marinho Confecções Ltda., no valor de R$ 5.134,20, tendo em vista a comprovação de que esta conta mantevese sem movimentação desde o fim de julho de 1994. Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora comprovam a ocorrência de erros na apuração de excesso de dispêndios que embasa imputação de omissão de receitas. Retificado o Demonstrativo do Fluxo Financeiro pelas razões e montantes detalhados na fundamentação da r. decisão, reproduzida no relatório deste acórdão restou demonstrado que não ocorreu excesso de Fl. 104DF CARF MF 6 dispêndios nos meses de fevereiro, outubro e novembro e nos meses de março, maio, setembro e dezembro tiveram seus valores reduzidos conforme quadros demonstrativos também transcritos no relatório." (grifei) Assim, evidenciase que não há similitude fática entre este paradigma e o aresto recorrido, já que, nesse último, tratouse de lançamento assentado em interpretação de dispositivo legal de forma contrária ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já no paradigma, deliberouse sobre uma decisão de primeira instância que reduziu o valor da omissão de rendimentos apurada em demonstrativo de fluxo financeiro, em virtude da comprovação de erros na apuração de excesso de dispêndios. Destarte, ausente a similitude fática, não resta demonstrada a divergência suscitada, de sorte que essa primeira matéria possibilidade de baixa dos autos para revisão do lançamento não pode ser conhecida. Quanto à segunda matéria suscitada natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 240100018 e 301 31801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração, em virtude de equívoco no método de apuração do tributo. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ri% 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 103 7 NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. De outro lado, este primeiro paradigma, em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamentos Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Fl. 106DF CARF MF 8 Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFICIO NEGADO." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase mais uma vez que inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. No recorrido, repitase que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de Recurso de Ofício relativo a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase as passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a Fl. 107DF CARF MF Processo nº 19647.012152/200762 Acórdão n.º 9202007.273 CSRFT2 Fl. 104 9 conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, mais uma vez não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo com base neste segundo paradigma, de sorte que essa segunda matéria natureza do vício que macula o lançamento também não pode ser conhecida. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 108DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002575/2008-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/08/2004, 21/08/2004
PRELIMINAR. NULIDADE. ART. 37 da IN SRF Nº 28/1994. INEFICÁCIA ANTES DA IN SRF Nº 510/2005. INOCORRÊNCIA.
A expressão "imediatamente", presente na redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, determinava que as informações pertinentes fossem prestadas no mesmo dia do embarque. Assim, o referido dispositivo já dispunha da densidade normativa necessária e suficiente para tipificar uma obrigação tributária acessória e, em decorrência, para impor aos transportadores o respectivo cumprimento.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que acatou a preliminar, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiros Alan Tavora Nem (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
(assinado digitalmente).
Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/08/2004, 21/08/2004 PRELIMINAR. NULIDADE. ART. 37 da IN SRF Nº 28/1994. INEFICÁCIA ANTES DA IN SRF Nº 510/2005. INOCORRÊNCIA. A expressão "imediatamente", presente na redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, determinava que as informações pertinentes fossem prestadas no mesmo dia do embarque. Assim, o referido dispositivo já dispunha da densidade normativa necessária e suficiente para tipificar uma obrigação tributária acessória e, em decorrência, para impor aos transportadores o respectivo cumprimento. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. ART. 37 da IN SRF Nº 28/1994. INEFICÁCIA ANTES DA IN SRF Nº 510/2005. INOCORRÊNCIA. A expressão "imediatamente", presente na redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, determinava que as informações pertinentes fossem prestadas no mesmo dia do embarque. Assim, o referido dispositivo já dispunha da densidade normativa necessária e suficiente para tipificar uma obrigação tributária acessória e, em decorrência, para impor aos transportadores o respectivo cumprimento. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que acatou a preliminar, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiros Alan Tavora Nem (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 75 /2 00 8- 72 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 104 2 (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. (assinado digitalmente). Carlos Alberto da Silva Esteves Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0721.229 da DRJ/FNS, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 2ª Turma da DRJ/FNS (fls. 63/66), exarado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de RS 10.000,00 (dez mil reais), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarques de mercadorias que ocorreram nos navios GREAT HARVEST e TIIEOFANO M. no porto de Paranaguá (PR), nos dias 11 e 13 de agosto de 2004, havendo a respectiva informação sido registrada pelo transportador após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da IN SRF nº 24, de 1994, com redação dada pela IN SRF nº 510. de 2005. Em conseqüência. foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 07, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 18/11/2008 (fl. 01). o sujeito passivo irresignado apresentou. em 17/12/2008, os documentos colacionados às fls. 31 a 59 e a impugnação de fls. 28 a 30, onde, em síntese: Nega ter cometido a infração sob apreço por ter entregado à Receita Federal todos os documentos pertinentes aos embarques Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 105 3 realizados para exportação. sem que portanto tenha tentado causar qualquer embaraço à fiscalização aduaneira; Alega que o embarque de granéis, à época a que se refere a autuação, era feito antecipadamente pelos exportadores e seus representantes, porém a conclusão dessas operações eram realizadas somente após a saída do navio. à vista do laudo de quantificação emitido por engenheiros agrônomos, razão pela qual protocolizou a entrega de documentos e mais tarde, as informações foram corrigidas no sistema pelos exportadores; Não obstante isso, contesta também a aplicação da penalidade em causa,ao argumento de que os embarques ocorreram em 2004 e o dispositivo normativo aplicado só passou a vigorar em 15/02/2005, com a publicação da IN SRF nº 510; Em razão disso, após noticiar que a empresa autuada está sem atividade desde 2004. requer o cancelamento do Auto de Infração hostilizado." Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/FNS julgou improcedente a Impugnação (fls. 28/30), por ter deixado de registrar "dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, disciplinada nos termos do art. 37. capim e inciso II, da citada instrução normativa que. na redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005", portanto responde pela a infração, que deve ser mantida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 77/80) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) "que as informações dos respectivos navios teriam sido inseridas no sistema, após o prazo de 07 dias estabelecido no art. 37 da IN SRF nº 24 de 1994 com redação dada pela IN SRF nº 510 de 2005" e b) aplicação da irretroatividade da lei tributária prevista na Constituição Federal no art. 150, III, "a". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte que deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração em razão de que "não existe obrigação tributária haja vista que o fato gerador do auto de infração ocorreu anteriormente à IN aplicada.", o que não se pode prosperar, pois a IN SRF nº Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 106 4 28/1994 que vigorava à época dos fatos, já trazia expressamente, a necessidade do registro no SISCOMEX em seu art. 37, "in verbis": "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos (grifo nossos)." Como corretamente no voto proferido pela DRJ (fls. 64) "no caso vertente, de plano, convém esclarecer que a obrigação acessória de que trata a espécie, ao revés do que alega o impugnante. não diz respeito à entrega de documentos. mas sim ao registro dos dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX.", em outras palavras, os documentos entregues e protocolizados de forma física não substituí o dever do contribuinte em registrar tais dados no SISCOMEX de forma eletrônica. Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. A presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque. Importante ressaltar que a partir da nova redação dada ao § 2º do art. 102 do Decretolei nº 37/1966 pelo art. 40 da Lei nº 12.250/2010, na seara aduaneira, o benefício da denúncia espontânea, antes restrito as penalidades de natureza tributária, foi ampliado e incluiu as infrações de natureza administrativas. Embora a suposta infração cometida tenha ocorrido antes da nova redação do citado preceito legal, inequivocamente, tratase de situação que se amolda perfeitamente ao que determina o art. 106, II, “b”, do CTN., "in verbis": "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;"(grifo nosso). Considerando que o contribuinte informou os dados de embarque no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX em 28/09/2004 e 01/10/2004 (fls. 10) e, ainda, que o Auto de Infração só fora lavrado em 05/11/2008, com ciência dada pelo contribuinte em 18/11/2008 (fls. 01), ou seja, o contribuinte prestou as informações antes a qualquer ação fiscalizadora, com isso, concluise que a penalidade administrativa exigida do contribuinte deve ser excluída em razão da tempestiva denúncia espontânea, como demonstrado, resumidamente, nos enunciados das ementas dos seguintes Acórdãos nºs (3302005.244– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , 3101000.997 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária e 9101000.344 da Câmara Superior de Recursos Fiscais 1ª Turma). "PENALIDADE ADUANEIRA DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. EXCLUSÃO POR DENÚNCIA Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 107 5 ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Na seara aduaneira, atualmente, a denúncia espontânea da infração exclui tanto a responsabilidade tanto pelas penalidades de natureza tributária, quanto pelas penalidades de natureza administrativa. E em razão da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “b”, do CTN, a exclusão da responsabilidade alcança também a penalidades administrativa relativa à infração cometida antes da vigência da nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei 12.350/2010." "MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas." "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicarseá legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna" Pelo o exposto, com fundamento na retroatividade benigna, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando o Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 108 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Em que pese o voto proferido pela eminente Relatora, data venia, divirjo quanto a sua interpretação da legislação de regência aplicável ao caso concreto. A recorrente assevera que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações sobre a desconsolidação da carga foram prestadas antes do início do procedimento administrativo, que culminou com o presente lançamento, assim, estando a situação fática se amoldando às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 109 7 apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea não passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Creio que a legislação supra não alterou Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10907.002575/200872 Acórdão n.º 3002000.347 S3C0T2 Fl. 110 8 o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinhome ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Por conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na íntegra o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.901851/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IPI. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido e com ciência ao sujeito passivo no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo, nos termos do parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
O prazo de cinco anos para homologação da compensação, previsto no parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, possui natureza jurídica de prazo prescricional, sendo, portanto, matéria de ordem pública, passível de apreciação em qualquer momento processual.
Numero da decisão: 3401-005.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido e com ciência ao sujeito passivo no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo, nos termos do parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. O prazo de cinco anos para homologação da compensação, previsto no parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, possui natureza jurídica de prazo prescricional, sendo, portanto, matéria de ordem pública, passível de apreciação em qualquer momento processual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido e com ciência ao sujeito passivo no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo, nos termos do parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. O prazo de cinco anos para homologação da compensação, previsto no parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, possui natureza jurídica de prazo prescricional, sendo, portanto, matéria de ordem pública, passível de apreciação em qualquer momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 51 /2 00 8- 64 Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.044 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Trata o presente caso de Despacho Decisório Eletrônico, às fls. 868/872, que analisou o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 31065.41239.131005.1.3.013038, referente a créditos de IPI apurados no 3º trimestre de 2005. O valor solicitado/utilizado foi de R$981.982,12, tendo sido reconhecido, inicialmente, apenas R$ 285.431,46, tomando por base as conclusões da Informação Fiscal às fls. 858/861: 6 — CRÉDITOS DO IPI (art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999) => No exame dos livros, documentos e arquivos digitais disponibilizados à fiscalização, apurouse o que segue: 6.1 — Os insumos adquiridos (MP, PI e ME), no trimestre calendário, para industrialização dos produtos (item 4), encontramse refletidos nas notas fiscais vinculadas ao PER/DCOMP. Em relação aos insumos importados (CFOP 3.101), verificouse que o imposto (IPI) foi recolhido no desembaraço alfandegário (Código da Receita: 1038— IPI / Vinculado a Importação). 6.2 — Os créditos refletidos no(s) Livro(s) de Registro de Apuração do IPI, no trimestrecalendário, encontramse escriturados no(s) Livro(s) de Registro de Entradas de Mercadorias, conforme notas fiscais vinculadas ao PER/DCOMP. 6.3 — Inexistência de insumos destinados à industrialização de produtos não tributados (NT). 6.4 — Existência de correlação entre os insumos (MP, PI e ME) adquiridos e os produtos industrializados pelo estabelecimento (item 4). 6.5 — No exame do(s) arquivo(s) digital(is) de Notas Fiscais de Saídas de Mercadorias, verificouse que as operações se reportam aos produtos industrializados (item 4) ou revendidos pelo estabelecimento. 6.6 — 0 Saldo Credor do IPI, no trimestrecalendário, decorre da incidência do imposto (IPI) sobre os insumos (MP, PI e ME) utilizados na fabricação de produtos tributados à alíquota: ZERO (item 4), acrescido do Crédito Presumido (IPI) escriturado. 6.7 — O crédito solicitado foi estornado, em 31/10/2005, conforme registro à(s) folha(s): 62/63, do Livro de Registro de Apuração do IPI n° 25. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.045 3 6.8 — Nas pesquisas (Sistema: CNPJ) em relação à situação cadastral dos principais fornecedores, não se verificou irregularidade. 6.9 — A ação fiscal resultou na apuração do "Crédito de IPI", no valor de R$ 981.982,12 (novecentos e oitenta e um mil, novecentos e oitenta e dois reais e doze centavos), conforme abaixo demonstrado (coluna D). 7 — Mediante o apurado (subitem 6.9) e considerando o saldo existente, proponho o deferimento do "Crédito de IPI", no valor de R$ 285.431,46 (duzentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e um reais e quarenta e seis centavos), conforme refletido no Demonstrativo de Apuração do Ressarcimento (coluna O), que faz parte integrante deste procedimento. 2. Posteriormente, no entanto, quando da emissão do Despacho Decisório, esse valor foi ainda reduzido para R$ 272.674,33, pelas razões que se seguem, constantes do referido documento: De acordo com o apurado no Demonstrativo de Apuração do Ressarcimento de IPI no 3° trimestre de 2005 (fl. 852), foi apurado pela fiscalização o direito do contribuinte ao crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$285.431,46 (duzentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e um reais e quarenta e seis centavos). Porém, considerando a planilha elaborada pela fiscalização à fl. 852, observase que devem ser excluídos do saldo credor as compras realizadas de CFOP 1.653 compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final pois se classificam neste código as compras de combustíveis ou lubrificantes a serem consumidos em processo de industrialização de outros produtos, na prestação de serviços ou por usuário final. Tais insumos utilizados no processo produtivo não se integraram ao produto final nem tampouco sofreram qualquer alteração em decorrência do contato direto com o produto em fabricação. Assim, retificando os valores da planilha, de acordo com o Livro de Registro de Apuração do IPI, às fls. 817/841, excluímos os valores de CFOP 1.653 em 07/2005, 08/2005 e 09/2005: 3. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 876/878, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.046 4 A requerente apresentou declaração de compensação através do PER/DCOMP nº 31065.41239.131005.1.3.013038, relativa ao 3º trimestre de 2005, transmitida por via ,eletrônica, pleiteando a compensação do saldo credor de IPI no valor de R$285.431,46 (duzentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e.trinta e um reais e quarenta e seis centavos). (...) Na análise dos documentos a Auditora Fiscal, baseandose apenas no CFOP em que foram lançados os documentos, excluiu do saldo credor os valores lançados no CFOP 1.653, relativo a compras de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final, com o argumento de que tais insumos não se integram no produto final nem tampouco sofrem qualquer alteração em decorrência do contato direto com o produto em fabricação. Os documentos excluídos em cada período de apuração estão demonstrados no quadro abaixo, perfazendo o total de R$12.757,13 (doze mil, setecentos e cinquenta e sete reais e treze centavos). (...) Com a exclusão, só foi reconhecido o direito a requerente de compensar o valor de R$ 272.674,33. Embora louvável o trabalho da fiscalização, ele ocorre em equívoco ao excluir créditos legítimos a que a requerente tem direito, visto que os produtos envolvidos na notas fiscais acobertadas pelo CFOP glosado são Álcool Etílico 95% NCM 2207.20.10, utilizado como insumo na fabricação do Anti Séptico Bucal — classificação fiscal 3306.90.00— Alíquota do IPI: zero. O CFOP 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final, entre outros, foi criado pelo Ajuste SINIEF 09/2003 com a finalidade específica para lançamento das operações com combustíveis, derivados ou não de petróleo, e lubrificantes, que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2004. A nota explicativa do referido código diz, textualmente "Classificamse neste código as compras de combustíveis ou lubrificantes a serem consumidos em processo de industrialização de outros produtos, na prestação de serviços ou por usuário final". 4. Em Sessão de 22/07/2014, a DRJ Belém (DRJ/BEL) decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Conforme se observa, através do relatório que fundamentou o deferimento parcial de fls. 1010/1014, a unidade de origem excluiu os créditos decorrentes das compras realizadas no CFOP 1653 compra de combustível ou lubrificante por Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.047 5 consumidor ou usuário final, pois se classificam neste código as compras de combustíveis ou lubrificantes a serem consumidos em processo de industrialização de outros produtos, na prestação de serviços ou por usuário final, alegando que tais insumos utilizados no processo produtivo não se integraram ao produto final nem tampouco sofreram qualquer alteração em decorrência do contato direto com o produto em fabricação. A contribuinte, ao apresentar a manifestação de inconformidade, apenas argumenta, de forma genérica, que o Álcool Etílico95% é utilizado como insumo na fabricação do AntiSéptico Bucal e o Diluente 401 e Solução 3902E, são utilizadas na rotulagem e marcação dos produtos fabricados pela requerente. Entretanto, não logra provar tal argumentação. (...) Somente geram direito aos créditos de IPI, que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 c/c IN SRF nº 33/99, as aquisições de produtos que se enquadram no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados, e as aquisições de insumos cuja prova de integrarem o processo produtivo da empresa foi devidamente realizada pela interessada com documentos hábeis e idôneos. Por fim, a unidade de origem deverá providenciar a apartação da parte não impugnada para cobrança imediata. 5. O contribuinte teve ciência do Acórdão da DRJ por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 22/05/2015, conforme "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM", à fl. 919. 6. Irresignado com a decisão da DRJBEL, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19/06/2015, às fls. 923/951, nos seguintes termos: I DOS FATOS 1. Em 13/10/2005, a Recorrente apresentou declaração de compensação para liquidar débitos de sua titularidade com créditos de IPI apurados no 3º Trimestre de 2005, no valor total de R$ 981.982,12. (...) 5. Apesar de a Recorrente ter comprovado, mediante a apresentação de diversos documentos contábeis, os créditos de IPI apurados no 3º trimestre de 2005, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil concluiu suas análises propondo o deferimento apenas parcial do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 285.431,46. (...) 7. Além de ter acolhido todos os fundamentos da Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.048 6 Bernardo, o r. despacho decisório glosou, ainda, parcela do crédito de IPI, no valor de R$ 12.757,13, em razão de ter desconsiderado os créditos apropriados em aquisições de Álcool Etílico, equivocadamente classificados na CFOP n° 1.653, tendo sido, ao final, reconhecido crédito apenas no valor de R$272.674,33. 8. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do r. despacho decisório que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologou apenas parcialmente as compensações declaradas em 17/03/2011. 9. Ou seja, apenas após ter transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, tendo ocorrido, assim, a homologação tácita das compensações, nos termos do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, foi proferido o r. despacho decisório que não reconheceu parcela do direito creditório pleiteado. (...) 14. Além disso, especificamente com relação à parcela do crédito glosada pelo r. despacho decisório ao argumento de que as aquisições de produtos de CFOP n° 1.653 não ensejariam a apropriação de créditos de IPI, a Recorrente demonstrou que o produtos adquiridos são efetivamente utilizados como insumo no processo de industrialização e, portanto, a apropriação dos créditos de IP1 decorrentes de sua aquisição é legitima. 15. Sobreveio, então, a r. decisão recorrida que, de forma absolutamente genérica, inclusive desconsiderando a ocorrência da homologação tácita (o que, aliás, deveria ser reconhecida de ofício), manteve o indeferimento parcial do direito creditório pleiteado, ao argumento de que (...) (...) II DO DIREITO II.1 Da Homologação Tácita das Compensações 17. De início, cabe destacar que, independentemente de qualquer discussão acerca da existência e comprovação (ou não) do direito creditório pleiteado, o r. despacho decisório que não reconheceu parcela do crédito de IPI relativo ao 3º trimestre de 2005 foi proferido após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, disposto no §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, de modo que a compensação já estava homologada tacitamente no momento da prolação da decisão administrativa. (...) 29. Independentemente de qualquer discussão que possa existir sobre qual seria o termo final do prazo de 5 (cinco) anos previsto no §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, certo é que, especificamente no caso concreto, tanto o dia 27/01/2011 (data da assinatura do despacho decisório), quanto o dia 17/03/2011 (data da regular intimação da Recorrente), conduz ao Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.049 7 reconhecimento da homologação tácita da declaração de compensação apresentada em 13/05/2005. (...) II.2 DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.2.1 Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório 41. Ainda que não se reconheça a ocorrência da homologação tácita no caso concreto, o que se admite apenas para se argumentar, o recurso voluntário deverá ser provido para decretar a nulidade da r. decisão recorrida. (...) 43. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou que, embora classificado na CFOP n° 1.653, o produto que ensejou a apropriação dos créditos de IPI é efetivamente utilizado em seu processo de industrialização, de modo que a apropriação de créditos de IPI decorrente de sua entrada é absolutamente legítima. (...) 45. Ocorre, porém, que, considerando o entendimento manifestado pela 3ª Turma da DRJ/BEL, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada especificamente para comprovar a utilização do álcool etílico em seu processo industrial. (...) 52. Pelo exposto, e demonstrado que a decisão administrativa foi proferida prematuramente, impedindo a Recorrente de comprovar o direito creditório pleiteado, está caracterizado o cerceamento do seu direito de defesa, garantido no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º da Lei n° 9.784/99. (...) II.3 Dos Créditos Glosados Apropriados em Razão da Aquisição dos Produtos de CFOP n° 1.653 (...) 62. Com efeito, o álcool etílico adquirido pela Recorrente é utilizado como matériaprima na fabricação do AntiSéptico Bucal, comercialmente denominado "Colgate Plax", conforme se pode verificar do Bill of Materials anexa (doc. 02). 63. Apenas a título de esclarecimento, o mencionado Bill of Materials se trata do sistema gerencial, no qual constam as Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.050 8 informações acerca dos processos produtivos da Recorrente, neste caso, especificamente sobre o produto "Colgate Plax". 40. Em outras palavras, é na Bill of Materials que se encontra todo o segredo empresarial sobre o produto fabricado pela Recorrente. 65. Notese que tal sistema é organizado por níveis e subníveis, de forma a separar as matériasprimas utilizadas de acordo com as diversas etapas de produção. Dessa forma, há um nível para cada produto identificados por um código SKU único para cada produto em cada uma de suas formas de apresentação comercial, o qual é subdividido em subníveis para cada fase do processo produtivo (havendo ainda outros subníveis tantos quanto forem necessários para os insumos empregados em cada uma destas fases). 66. Por meio da Bill of Materials relativa ao produto "Colgate Plax", portanto, é possível verificar facilmente que o álcool etílico adquirido pela Recorrente (e equivocadamente classificado na CFOP n° 1.653) é efetivamente utilizado como matériaprima na industrialização do produto "Colgate Plax". 67. Ademais, e para corroborar a sua alegação, a Recorrente, acosta aos autos planilha de controle interno evidenciando o consumo do álcool etílico na industrialização do produto "Colgate Plax", de acordo com as baixas no "estoque" (doc. 03). 68. De se ressaltar que essa planilha de controle interno decorre de detalhamento do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, documento fiscal hábil a comprovar os fatos alegados pela Recorrente (doc. 04). 7. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 8. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 9. Preliminarmente, o Recorrente alega que, quando da emissão, e mesmo da ciência do Despacho Decisório, já teria ocorrido a homologação tácita da compensação ora discutida, pois o PER/DCOMP (contendo a compensação) foi transmitido em 13/10/2005, o Despacho Decisório foi emitido em 31/01/2011 (data da última assinatura, quando o ato administrativo restou perfeito), com ciência ao Recorrente por via postal em 17/03/2011 (fl. 874). 10. Deve ser destacado que o contribuinte não suscitou essa questão quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, mas apenas no Recurso Voluntário. No entanto, a perda do direito do Fisco de não homologar a compensação significa a perda do direito de cobrar o respectivo crédito tributário, ou seja, ocorre a prescrição do Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.051 9 crédito tributário, que é matéria de ordem pública, cognoscível em qualquer momento processual, inclusive de ofício. Assim, conheço do argumento apresentado. 11. Superada essa questão, entendo que tem razão o Recorrente. Com efeito, o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96, determina o seguinte: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 12. Tendo a DCOMP sido entregue/transmitida em 13/10/2005, o Fisco tinha até 13/10/2010 para homologar ou não a declaração. Como só deu ciência ao contribuinte do Despacho Decisório com a homologação apenas parcial em 17/03/2011, constatase que extrapolou o prazo limite, o que acarreta a homologação tácita da compensação: 13. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 13819.901851/200864 Acórdão n.º 3401005.755 S3C4T1 Fl. 1.052 10 Fl. 1052DF CARF MF
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