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Numero do processo: 13678.000520/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no inciso XIV do art. 6º, da lei 7713/88.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR.
Não há isenção com relação à complementação de aposentadoria se os proventos oriundos de aposentadoria não estão contemplados com essa isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria devotos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos.
(assinado digitalmente).
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
(assinado digitalmente)
Reginaldo Paixão Emos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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MOLÉSTIA GRAVE. A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no inciso XIV do art. 6º, da lei 7713/88. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. Não há isenção com relação à complementação de aposentadoria se os proventos oriundos de aposentadoria não estão contemplados com essa isenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria devotos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. (assinado digitalmente). João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 05 20 /2 00 8- 67 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 418 2 Reginaldo Paixão Emos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JOSÉ NACIF CHERAIM FILHO, contra o Acórdão de julgamento n.º 0926.101 (efls. 58 e seguintes), que julgou, por maioria de votos, a impugnação improcedente. O Acórdão recorrido, assim dispõe: "Contra José Nacif Cheraim Filho, CPF 008.900.06687, nascido em 26/11/1945, foi lavrada a Notificação de Lançamento às fls. 23 a 25, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, reduzindo o saldo de imposto a restituir de R$7.608,92 para R$51,28.. O lançamento se reporta aos dados informados nas declarações de ajuste anual do interessado (fls. 47 a 51), entre os quais foram alterados os valores dos rendimentos tributáveis, em decorrência da omissão de rendimentos. Inconformado o contribuinte, por intermédio de seu representante (Procuração à fl. 08), apresenta impugnação às fls. 01 a 07, instruída com os documentos de fls. 09 a 45, alegando em síntese, que por ser portador de moléstia profissional, seus rendimentos de aposentadoria são isentos. Discorda do Parecer n° 015607 (processo 13678.000218/2004 85), alegando existência de nexo causal entre o ambiente de trabalho e a perda auditiva do contribuinte; mesmo estando aposentado pelo INSS desde 05/09/1994, ainda continuou prestando serviços para a empresa sob os mesmos agentes agressivos até 31/12/1998; que a ata do exame médico emitida pelo INSS consta que houve perda auditiva bilateral; e que a aposentadoria por tempo de serviço, não descaracteriza a existência da doença profissional. Solicita que o presente processo "seja anulado ou suspenso ou reunido o AI ora impugnado com o Processo em trâmite perante o E. Conselho de Contribuintes, haja vista o mesmo versar sobre o mérito direto do presente no que concerne à exigência referente aos valores de IRPF e encargos moratórios, com o conseqüente arquivamento ou suspensão do processo administrativo instaurado", citando o §1° do art. 9o , do Decreto n° 70.235/72. Anexa recurso voluntário que interpôs ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 31/10/2007, referente ao processo 13678.000218/200485 (fls. 32 a 45). Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 419 3 Com o objetivo de sustentar suas teses de defesa, o contribuinte cita acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina que entende virem ao encontro de seus argumentos". O recorrente interpõe Recurso Voluntário, alegando, em suma, que preenche todos os requisitos exigidos em Lei para a isenção pretendida, uma vez que apresentou laudo médico oficial e informando que já teve a oportunidade de ver outro processo seu, em caso semelhante julgado pelo CARF em resultado de deferimento do seu pleito (processo n.º 13678000218/200485). Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. O artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei). A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao detalhar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao detalhar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: … XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 420 4 O presente caso se assemelha muito ao que foi decidido no processo n.º 13678000218/200485, em que o contribuinte teve deferido seu recurso e reconhecimento da isenção pleiteada, pelas mesmas circunstâncias. Nesse sentido, foi bem analisado a questão pela DRJ de origem: "Notese que o processo que se encontra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, antigo Conselho de Contribuintes, n° 13678.000218/200485, tem como objeto o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre proventos de aposentadoria. Já a presente Notificação revisou o saldo do imposto de renda a restituir do exercício 2005 de R$7.608,92 para R$51,28. Portanto, são processos distintos e que não se enquadram na situação prevista no dispositivo enumerado do Decreto 70.235/72, a teor da interpretação conferida pela Portaria RFB n° 666/08. Os processos são distintos, mas a razão é a mesma da autuação: não reconhecimento da isenção por não ter o recorrente comprovado a moléstia grave, requisito para a concessão do benefício. O que levou a DRJ de origem a não reconhecer a moléstia grave foi o seguinte (efls. 58 e seguintes): "A Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais emitiu o Ofício n° 483 2006 em 18/09/2006, solicitando da Superintendência de Recursos Humanos de FURNAS, apresentação dos exames médicos demissionais e estudos audiométricos seriado e evolutivo de vários funcionários, sendo o contribuinte um deles. Também foi emitido o Ofício n° 5012006 em 25/09/2006, solicitando que o médico Edil Vilela apresentasse os relatórios de visitas aos locais de trabalho dos funcionários relacionados; exames médicos complementares que embasaram os laudos e dados médicos dos exames demissionais, uma vez que os funcionários foram aposentados por tempo de serviço, não tendo sido à época constatada incapacidade laboral. Deste modo, foi apresentada vasta documentação permitindo que a Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, composta por 3 (três) profissionais, emitisse o Parecer n° 015607, de 26 de março de 2007 (fl. 22), com o seguinte conteúdo: "Decisão: Após análise processual e dos documentos solicitados e apresentados pela Empresa Furnas, (tais como: evolução de estudo audiométricos, admissional e demissionai) e baseado nos critérios da legislação pertinente, tem a declarar que: 1 °) não é possível estabelecer o nexo causal; 2°) considerando o fato que o PAIR não progride quando o paciente é afastado da exposição; 3°) que a presença de PAIR por si só, não significa incapacidade para o trabalho; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 421 5 4°) o interessado foi aposentado por tempo de serviço, e não por incapacidade laborativa. Diante do exposto, a Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais conclui pelo indeferimento do pedido, por não se enquadrar em Doença Profissional." Cabe esclarecer que a sigla PAIR citada no parecer acima significa "Perda Auditiva Induzida por Ruído". Deve ser destacado, que não foi acatada a ata do exame médico emitida pelo INSS (fls. 103 e 104) e o Parecer do INSS (fl. 102), tendo em vista que os mesmos já foram devidamente analisados pela Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, composta por 3 (três) profissionais, que emitiu o Parecer n° 015607 (fi. 14). Ressaltese que estes documentos foram extraídos do processo n° 13678.000520/200867". Assim sendo e tendo em vista que "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) ", conforme estabelece o art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabe manter o lançamento. No citado processo (13678.000218/200485), o colegiado que compôs o julgamento no CARF naquela oportunidade, concluiu pelo seguinte: "(...) À conclusão da decisão recorrida, contrapõese o interessado, não apenas negando validade ao laudo em que se norteou aquela decisão (por “estar irregularmente instruído” e “com fundamentação alicerçada em documentos não juntados, como por exemplo, o exame admissional e o demissional”), mas, antes e em especial, pelo fato de que não poderia a Receita Federal do Brasil simplesmente desconsiderar o Parecer do INSS favorável ao Recorrente, atribuindo a si a responsabilidade única quanto à decisão de ser ou não o recorrente portador de moléstia profissional. Penso ter razão o interessado. A mim não ficou claro por qual razão a Receita Federal negou validade ao documento emitido pelo INSS (fl. 4). Talvez a resposta esteja à fl. 85, onde o Relator do despacho que indeferiu a restituição afirma: “O contribuinte apresentou Laudo médico e parecer, emitidos pela Previdência Social (fls.06/07), onde consta que o mesmo é portador de perda auditiva neurosensorial por ruído de origem ocupacional desde 1971. Conforme comprovante de rendimentos de fl.16, o contribuinte é aposentado por tempo de serviço. Face ao exposto, o processo foi encaminhado ao Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais — NUSAP, solicitando emissão de parecer visando reconhecer ou não se o requerente se enquadra na legislação que regula a isenção de IRPF.” [grifei] Ora, o fato, por si só, de o contribuinte ser aposentado por tempo de serviço (e Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 422 6 não por invalidez) não prejudica a fruição da isenção, de vez que a legislação assegura o benefício relativamente a proventos de aposentadoria ou reforma “percebidos pelos portadores de moléstia profissional”, sem vinculação ao tipo de aposentadoria. Inexistindo fato ou circunstância que desabone a documentação apresentada pelo interessado, entendo que seu direito à isenção deve ser reconhecido". Pois bem. O documento oficial expedido pelo INSS que reconhece a isenção encontrase na efl. 11/13. Na efl. 15 foi juntado o laudo Parecer Médico Pericial n°. 015607, objeto de questionamento. Dos autos verificase que o recorrente é aposentado por tempo de serviço. Já no enquadramento legal consta a omissão de rendimentos, decorrentes do recebimento da previdência geral e previdência privada complementar (efl. 27). Diante dos fatos apresentados e das provas carreada aos autos, tomo a mesma conclusão proferida no processo 13678.000218/200485, pela livre convicção e não por conexão de decisões, uma vez que esse julgador, segundo as regras do processo administrativo tem total liberdade de julgar conforme suas convicções, dentro da legalidade sem afastar regras legais ou normas específicas. Também não ficou claro no presente processo o porque foi desconsiderado o documento oficial expedido pelo INSS em que deferia a isenção, uma vez que o parecer médico contradiz o documento oficial emitido sem apontar maiores detalhes, e também por entender que a aposentadoria por tempo de serviço não seria objeto de consideração resultado final para a concessão da isenção. Porém, esse critério é irrelevante para que se possa deferir benefício. Nesse sentido, a matéria, no que tange aos requisitos para o us/ufruto da isenção em tela, já se encontra sumulada no CARF, assim descrito: Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifei. Já no que diz respeito aos valores percebidos tanto da previdência complementar, a compreensão é que também podem ser isentos do IR. Nesse sentido, sobre a os valores oriundos da previdência privada cumulada com a moléstia grave, são também objeto de isenções, conforme consta do art. Art. 39. "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 423 7 deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Assim, a previdência paga por entidade complementar, possui o benefício da isenção, não se confundindo com os resgates, os quais não têm a natureza de benefício de previdência complementar. A matéria já foi decidida de forma pacífica nesse CARF, conforme decisão in verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO. O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 424 8 proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária". (Processo 13900.000188/201155 , Acórdão 2401005.165 , julgado em 6 de dezembro de 2017). Cumpre destacar que não há descaracterização dos valores recebidos a título de previdência complementar, mas lançamento de forma a tributar a diferença omitida, que é justamente originária da previdência privada. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito darlhe provimento, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 425 9 Voto Vencedor Conselheiro Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Permitome discordar do relator. O contribuinte é aposentado por tempo de serviço e é portador de deficiência auditiva. A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, nos termos do art. 6º da lei 7.713/88, in verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) O INSS, por meio do parecer de 25/06/2003 (efls 11), havia dito: "concluímos que o segurado é portador de padecimento constante da Legislação Tributária que isenta de retenção na fonte o Imposto de Renda dos proventos de aposentadoria". No entanto, esse parecer foi analisado e restou refutado pelo Parecer 015607 do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais NUSAP. Por meio do Parecer 015607, de 26/03/2007 (efls 15), a junta médica do NUSAP concluiu que o caso não se enquadra como doença profissional. A concessão de isenção reclama interpretação literal por força do art. 111 do Código Tributário Nacional, o que veda qualquer extensão por parte do intérprete. Nesse sentido, se a deficiência auditiva não está contemplada no rol doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no art. 6º, inciso XIV da lei 7713/88, e se essa doença não foi reconhecida como moléstia profissional pela junta médica competente, não há, por conseguinte, direito à isenção de IRPF em relação aos proventos de aposentadoria. Quanto aos valores recebidos a título de previdência complementar, se não há isenção quanto aos proventos oriundos de aposentadoria, também não o há com relação à complementação de aposentadoria. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13678.000520/200867 Acórdão n.º 2301006.015 S2C3T1 Fl. 426 10 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.002775/2008-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
Numero da decisão: 2002-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente REGINALDO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 27 75 /2 00 8- 22 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13736.002775/200822 Acórdão n.º 2002001.179 S2C0T2 Fl. 38 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/9), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2007. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$4.500,90 para saldo de imposto a restituir de R$1.459,86. Considerando que o contribuinte já resgatara uma restituição de R$1.545,45, está sendo exigida dele restituição indevida a devolver de R$85,79. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$11.433,39, sendo parte do titular e outra parte do dependente (fl.7). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 22/8/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 4/9/2008, às fls. 3/19 dos autos, na qual o contribuinte contestou parcialmente a autuação, alegando que, a teor da lei nº 8.852, de 1994, os valores recebidos a título de adicional de tempo de serviço não seriam tributáveis. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/RJOII que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 24/28): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto n 2 70.235, de 1972, art. 17). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/8/2009 (fl. 32), o contribuinte, em 17/8/2009 (fl. 33), apresentou recurso voluntário, às fls. 33/35, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando que os valores recebidos a título de "adicional por tempo de serviço" seriam isentos a teor da Lei nº 8.852, de 1994. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13736.002775/200822 Acórdão n.º 2002001.179 S2C0T2 Fl. 39 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente do Comando da Marinha, os quais ele alega seriam isentos, fundamentando sua pretensão na Lei nº 8.852, de 1994. Não há reparos a se fazer à decisão de piso. Como esclarecido pelo colegiado de primeira instância, todos os rendimentos, abstraindose de sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não elencados no rol das isenções. A classificação dos rendimentos, para efeitos fiscais, será definida por sua natureza jurídica confrontada com a legislação tributária. As verbas isentas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física são aquelas expressamente previstas no art. 39 do RIR/1999, então vigente. A Lei nº 8.852, de 1994, dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Nesse sentido, cabe trazer a Súmula CARF nº 68, de observância obrigatória por este colegiado: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002280/2001-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/06/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/03/1997 a 30/04/1997, 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 30/09/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997, 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/05/2000
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 150, §4º, do CTN, quando existem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. O art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas.
TAXA SELIC. Súmula CARF nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-006.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à correção monetária. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a nulidade apontada pela recorrente e acolher a prejudicial de decadência para exonerar o lançamento relativo a março de 1995. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/06/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/03/1997 a 30/04/1997, 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 30/09/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997, 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 150, §4º, do CTN, quando existem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. O art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 577 1 576 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.002280/200147 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.908 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS Recorrente DISAPEL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/06/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/03/1997 a 30/04/1997, 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 30/09/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997, 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 150, §4º, do CTN, quando existem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. O art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 22 80 /2 00 1- 47 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 578 2 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à correção monetária. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a nulidade apontada pela recorrente e acolher a prejudicial de decadência para exonerar o lançamento relativo a março de 1995. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão de piso de fls. 444472: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado 0 auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS (fls. 63/71), que exige o recolhimento de R$ 1.929.443,83 a titulo de contribuição e R$ 1.447.082,78 a título de multa de lançamento de oficio, prevista no art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e art. 2° da Lei n° 7.683, de 02 de dezembro de 1988, c/c art. 4°, I, da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 106, II, “c”, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, e art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450, de 1985, art. 2° da Lei n° 7.683, de 1988, e an. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, e acréscimos legais. 2. A autuação se refere à diferença a maior entre o valor devido e o declarado em DCTF (fatos geradores ocorridos em março/1995, junho, julho, setembro e dezembro/1996; março, abril, julho, setembro e novembro/ 1997; janeiro, abril e junho/ 1998 e maio/2000), compensação indevida com créditos de PIS Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 579 3 (outubro/1998 a janeiro/ 1999) e exclusão do valor do PIS incidente sobre os produtos comprados (fevereiro/ 1999 a abril/2000), conforme descrito no Termo de Encerramento (fls. 72/76). Tem como fundamento legal o art. 3°, “b”, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alinea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP (aprovado pela Portaria MF n° 142, de 15 de julho de 1982), arts. 2°, I, 3°, 8°, I, e 9° da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. 3. Regularmente intimada em 05/04/2001, a interessada apresentou, em 07/05/2001, por meio de seu representante legal (mandato às fls, 144), a tempestiva impugnação de fls. 78/142, instruída com os documentos de fls. 145/198. 4. Às fls. 201/2012, consta oficio encaminhado pela interessada, em 22/05/2001, solicitando a substituição da impugnação apresentada às fls. 78/142 pela de fls. 204/268, haja vista, equivocadamente, ter juntado aos autos folhas com as alegações de defesa relativas ao lançamento de COFINS, processo n° 10980002282/200136, e viceversa. 5. Às fls. 204/268, a impugnação corrigida de PIS, observandose não existirem novas alegações, mas tãosomente as razões de defesa relativas a essa contribuição, que foram equivocadamente apresentadas no processo de COFINS e cujo teor é sintetizado a seguir. 5.1. Argúi, preliminarmente, que, tratandose de contribuição sujeita à modalidade de lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150, § 4° do CTN, já teria decaído o direito de o fisco efetuar o lançamento correspondente aos fatos geradores ocorridos anteriormente a abril/1996; cita decisões do Conselho de Contribuintes. 5.2. Argúi a nulidade do auto de infração em face de não estar descrita a fundamentação da autuação relativa aos anos de 1996 e 1997, o que infringiu o disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e lhe acarretou cerceamento do seu direito de defesa; que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5, LV, assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 5.3. Relata que teve decretada por sentença a sua falência, em 01/06/2000, nos autos do processo n° 31.180, em tramitação perante a 4” Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas da Comarca de Curitiba/PR (fls. 206); aduz que o art. 23 do Decretolei n° 7.661, de 21 de junho de 1945 (Lei de Falências), determina que não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis administrativas, sendo que nestas se incluem as multas fiscais; que no mesmo sentido existe Súmula do STF e que o Conselho de Contribuintes vem reiteradamente excluindo a aplicação da multa de oficio nesses casos; que a correção monetária dos débitos fiscais deve ser efetuada até a data da sentença declaratória da falência, ficando suspensa por um ano, a partir dessa data, nos termos do art. 10 do Decretolei n° 858, de 11 de setembro de 1969, que os juros de mora somente seriam exigíveis até a data da decretação da falência, conforme disposto no art. 26 do Decretolei n° 7.661, de 1945. 5.4. Quanto ao mérito, argumenta que compensou créditos de PIS com a exigência relativa aos meses de outubro/ 1998 a janeiro/ 1999; que esses créditos decorrem de recolhimento a maior, no periodo de janeiro/ 1989 a junho/ 1994, em Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 580 4 face da correção monetária indevida da sua base de cálculo; que possuía decisão judicial determinando o recolhimentos do PIS nos moldes da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, ou seja, com base na faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária alguma. 5.5. Argúi que, muito embora a materialidade da hipótese (faturamento) seja de seis meses passados, não é jurídico pensar que a hipótese já estivesse aperfeiçoada há seis meses, diante da clara disposição legal de que o mês de julho levaria em consideração, para efeito de base, o mês de janeiro; que as leis que indexaram a contribuição o fizeram a partir da ocorrência do fato gerador e, como o do PIS de julho e o próprio mês de julho e não, erroneamente, como querem as autoridades fiscais, o mês de janeiro; que todas as contribuintes estão obrigadas a indexar a contribuição a partir do fato gerador, e não de um outro momento qualquer tomado pela lei para exteriorizar um outro aspecto do mandamento da norma tributária (faturamento de seis meses passados); que 0 fato jurídico do PIS só se aperfeiçoará seis meses após a apuração do faturamento; que não se trata de prazo de recolhimento, mas de período necessário para o aperfeiçoamento do fato jurídico tributário do PIS; que sob pena de violação ao principio da legalidade (arts. 5°, II, e 150, II, da Constituição Federal), e vedada a correção monetária da base de cálculo do PIS sem lei que a estabeleça; cita decisões do STF e do Conselho de Contribuintes. 5.6. Quanto aos períodos de apuração de fevereiro/1999 a abril/2000, alega que excluiu da base de cálculo o valor do PIS incidente sobre os produtos por ela adquiridos, para evitar a dupla tributação de uma mesma receita, conforme autorizado pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 3°, § 2°, III, que determinou fossem excluídos da base de cálculo da contribuição os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, que discorda do entendimento defendido pelo fisco de que não existia legislação que regulamentasse esse dispositivo; que o ordenamento jurídico brasileiro determina expressamente que cabe à lei traçar os critérios da hipótese de incidência de um tributo ou contribuição (arts. 5°, II, 150, I, da CF. de 1988 e art. 97, 1, II e IV, do CTN), sob pena de flagrante inconstitucionalidade; que o art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.817, de 1998, in fine, ao exigir norma regulamentadora expedido pelo Poder Executivo, afronta o princípio dá legalidade tributária, vez que não cabe ao legislador delegar poderes ao Poder Executivo para estabelecer e instituir normas que regulamentem um dos critérios da hipótese de incidência tributária; que cabe aos decretos regulamentadores das leis tributárias tãosomente estabelecer regras para que a aplicação dessas mesmas leis seja uniforme em todo o território nacional e que foge da seara regulamentar disposição acerca de matérias reservadas às leis tributárias. 5.7. Argumenta que ou se considera inconstitucional a parte final do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ou se a tem como mero caráter administrativo, prático e dissociado dos elementos essenciais à redução; que, pelo fato de estar completamente descrita a redução da base de cálculo da Cofins, como todos os seus elementos essenciais, temse que essa norma é autoexecutável; que ao Poder Executivo jamais caberá dispor sobre normas que definam a hipótese de incidência tributária, salvo nos casos previstos no art, 153, § 1° da C.F. de 1988 (alteração das alíquotas do II, IE, IPI e IOF); que o Poder Judiciário vem se posicionando no sentido de que o dispositivo no art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718, de 1998, é autoaplicável; que a nãoobservância do inciso Ill do § 2° desse artigo acarreta a ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva (art. 145, § 1° da C.F. de 1988), do não confisco (art. 150, IV), da isonomia (art. 150, II) e da nãocumulatividade (arts. 195, § 4°, e 154, I). Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 581 5 5.8. Questiona a aplicação da taxa Selic como juros de mora; cita decisão do STJ, nos autos do Recurso Especial n° 215.881PR, que manifestouse pela ilegalidade e inconstitucionalidade da adoção dessa taxa; que 0 STJ considerou que os critérios para aferição da correção monetária e dos juros devem ser definidos com clareza pela lei, o que não teria ocorrido no caso em face de a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, não têla criado para fins tributários; que ela é de natureza remuneratória de ativos financeiros e que provoca aumento de tributo sem lei especifica a respeito, a par de ofender também os princípios da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica; que, ainda se admita a existência de leis ordinárias criando a taxa Selic para fins tributários, mesmo assim, a interpretação que melhor se afeiçoa ao art. 161, § 1° do CTN, é a de poder a lei ordinária fixar juros iguais ou inferiores a 1% ao mês, nunca superiores a esse percentual; que para a taxa Selic ser albergada para fins tributários, haveria a imperiosa necessidade de lei estabelecendo os critérios para sua exteriorização. 5.9. Argúi que o art. 192, § 3°, da C.F. de 1988 dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano; que mesmo se tratando de norma de eficácia contida ou limitada, sujeita à lei complementar, a doutrina moderna de Direito Constitucional é no sentido de inexistir norma constitucional despida totalmente de efeito ou eficácia, o que inibe o legislador ordinário de legislar em sentido contrário; que a taxa Selic reflete a remuneração dos investidores pela compra e venda dos títulos públicos e não os rendimentos do governo com a negociação e renegociação da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna; que com a fixação dessa taxa ao alvedrio exclusivo do Bacen há também inconstitucional delegação de competência tributária; que a taxa Selic e' fixada depois de ocorrido o fato gerador e por ato unilateral do Executivo. 5.10. Alega que a multa de oficio aplicada deve ser reduzida a patamares que não comprometam o principio constitucional da vedação ao confisco, consagrado implicitamente pela Constituição Federal em seu art. 5°, XXII; que o STF tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias não podem exceder a 30% do valor do tributo devido. Cientificada da decisão em 16.08.2001 (fls.416), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 14.09.2001 (fls. 417483), reproduzindo seus argumentos de impugnação. O recurso teve seu seguimento negado por ausência de depósito prévio de 30% do valor da exigência e foi encaminhado à inscrição em dívida ativa e posterior cobrança judicial. Ato contínuo, houve o cancelamento da exigência do depósito prévio por ordem judicial obtida pela Recorrente, cancelamento da inscrição em dívida e a reabertura do contencioso administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 582 6 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Ressaltase, que entre o período de 06/1996 a junho de 1998 e maio de 2000 não houve contestação por parte da Recorrente, motivo pelo qual foi considerada como matéria não contestada, inexistindo, por parte da Recorrente, qualquer insurgência contra decisão de piso. Sem mais, passase à análise da questões recursais. II Prejudicial de mérito II.2 Decadência para o lançamento de tributos Conforme exposto anteriormente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Neste caso, aplicase o prazo decadencial previsto no § 1º do referido artigo 150. Por outro lado, não havendo pagamento, não há o que se homologar e, nesse caso, aplicase à regra prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Esse entendimento, inclusive, já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 583 7 casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, no sentido de que, sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Havendo pagamento, aplicase a regra do §4º, do artigo 150. No presente caso, de todo período exigido, verificase que apenas no mês de 05/2000 não houve pagamento da contribuição, sendo que para os demais meses a autuação exige somente a diferença daquilo que foi apurado e recolhido, incidindo, assim, para o período em que houve pagamento parcial . a contagem do prazo decadencial previsto nos termos do artigo 150, §4º, do CTN . Nestes termos, aplicandose a regra do artigo 150, §4º, do CTN , verificase que o débito cobrado pela fiscalização do período de 03/1995 esta totalmente decaído, posto que ultrapassou o limite temporal previsto neste dispositivo, considerando que a Recorrente foi cientificada em 05.04.2001, fora do prazo decadencial de 05 anos que, findouse em 09/2000. Para os demais períodos não há decadência à ser aplicada, haja vista a observância do prazo de 05 dias para constituir o crédito tributário. III Nulidade do Auto de Infração Alega a Recorrente inexistir fundamento para exigência fiscal do período de 1996 a 1997, acarretando, assim, nulidade do Auto de Infração. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 584 8 Não assiste razão à Recorrente. Isto porque, no Auto de Infração consta que a autuação decorrente da insuficiência de pagamento do tributo, decorrente da diferença constatada entre o valor declarado e o efetivamente recorrido. O contexto constante no Auto de Infração e as planilhas carreadas aos autos demonstram claramente o real motivo da autuação, descabendo, assim, a alegação da Recorrente. III Exclusão da multa em virtude da decretação da falência A Recorrente requer a exclusão da multa exigida em virtude da decretação da falência, o que o fez com respaldo no artigo 23, III, do DecretoLei nº 7.661/45, que assim preceituava: Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. Não vejo como acolher o pleito da Recorrente. A uma, porque a determinação para excluir a penalidade por infração das leis penais e administrativas seria de competência do judiciário e não do órgão administrativo e, a duas, porque o lançamento é atividade vinculada e obrigatória, devendo ser observada pelas autoridades administrativas, a teor do que prevê o artigo 142, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nestes termos, deve ser aplicada a multa de ofício, posto sua exigência decorre de lei e é devida aos casos em que não houver o pagamento do tributo, nos termos da legislação aplicável para cada período do lançamento, vide embasamento legal constante no Auto de Infração. IV da Suspensão da Correção Monetária A Recorrente pleiteia a suspensão da correção monetária nos termos do artigo 1º, do DecretoLei nº 858/69, que assim preceitua: Art. 1º A correção monetária dos débitos fiscais do falido será feita até a data da sentença declaratória da falência, ficando suspensa, por um ano, a partir dessa data. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 585 9 A DRJ assim se pronunciou sobre o pedido da Recorrente: 37. É totalmente irrelevante a alegação de estar suspensa por um ano, a contar da data da sentença declaratória da falência, a aplicação da correção monetária sobre os débitos fiscais tratados nos autos, haja vista não constar exigência a esse título no lançamento fiscal em análise. 38. Cabe ressaltar que a dispensa de correção monetária sobre débitos fiscais, conforme previsto no art. 1° do Decretolei n° 858, de 1969, não mais faz sentido desde O1/01/1995, quanto a atualização de tributos e contribuições foi abolida dentro das medidas para a desindexação da economia. 39. Dessa forma, os valores dos débitos fiscais anteriormente convertidos em UFIR. diária passaram a ser expressos em reais, conforme disposto no art. 6° da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e art. 1° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A Recorrente, por sua vez, não se insurgiu quanto ao fundamento utilizado pela DRJ para afastar suas pretensões, tendo apenas repetido seu argumento de defesa, tornando, definitiva a decisão de piso. Assim, não deve ser modificada a decisão de primeira instância. V Equivoco na contagem dos juros moratórios, aplicáveis que são somente até a data da quebra ou decretação da falência Reportome ao item " III Exclusão da multa em virtude da decretação da falência" para afastar as pretensões da Recorrente. VI Da autuação referente ao período de 10/98, 11/98, 12/198, 01/99 e 02/99 Compensação da PIS com saldo credor de PIS, oriundo da correção monetária da base de cálculo A Recorrente, em linhas gerais, alega que possui o direito a compensação do do PIS, independentemente de qualquer ato administrativo e, que o PIS deveria ter sido recolhido pela Recorrente sem a correção monetária da base de cálculo, o que lhe gerou um crédito utilizado para compensar débitos do próprio PIS. Alega, ainda, que estava amparada por medida judicial e que o judiciário reconheceu seu direito de recolher o tributo sem incidência de correção monetária. No que diz respeito ao crédito de PIS alegado pela Recorrente, a matéria esta pacificada por este Conselho com a edição da Súmula CARF nº 15, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 15 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Contudo, entendo que a questão sobre a incidência de correção monetária, levado ao judiciário, não deve ser apreciada por este Conselho, por imposição da Súmula CARF Nº 01, a saber: Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 586 10 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nestes termos, deixo de conhecer da matéria tratada neste tópico. VII Da autuação referente ao período de 02/99 à 04/2000 exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas Quanto aos períodos de apuração de fevereiro/1999 a abril/2000, a Recorrente alegou que excluiu da sua base de cálculo o valor do PIS incidente sobre os produtos por ela adquiridos, com base no disposto no art. art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718, de 1998, que determinou fossem excluídos da base de cálculo da contribuição os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Questiona, ainda, se a regra prevista no referido dispositivo é autoaplicável ou se as pessoas jurídicas para poderem operar a exclusão deverão aguardar regulamentação. Em relação à não inclusão, na base de cálculo das Contribuições destinadas ao PIS/COFINS dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, tenho como correto o proceder da Fiscalização. Assim dispunha o já revogado inciso III do § 2° do artigo 3° da Lei n°9.718/98: "Art. 3 O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2 0 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III — os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Este dispositivo, ainda que elaborado com boa intenção pelo legislador tributário, não chegou a ser regulado pelo Poder Executivo, o que torna inviável sua aplicação. Não existe norma regulamentadora a descrever quais procedimentos serão adotados pelo contribuinte para fins de exercício da faculdade aparentemente conferida, o que aniquila por completo a pretensão da Recorrente quanto ao tópico. O STJ já se pronunciou sobre o assunto: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO.1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que "o art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10980.002280/200147 Acórdão n.º 3302006.908 S3C3T2 Fl. 587 11 do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas" (EDcl no REsp 654515/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 3/5/2005, DJ 6/6/2005). Precedentes: AgRg no Ag 667170/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18/8/2005, DJ 12/9/2005; AgRg no REsp 759.298/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/11/2009, DJe 13/11/2009; e REsp 749.340/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/11/2006, DJ 12/9/2007. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 503224 / RS) Portanto, inexiste previsão legal que legitime a exclusão de valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa juridica, pois não chegou a ser regulamentado, antes de ser revogado, o dispositivo legal que permitiria tal exclusão, devendo, assim, ser afastado o pedido da Recorrente. Por fim, as questões envolvendo desrespeito aos princípios constitucionais, capacidade contributiva, não confisco, isonomia, nãocumulatividade, aplicase a Súmula CARF nº 02. VIII Inaplicabilidade da Taxa Selic Neste tópico aplicase a Súmula CARF nº 04: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". IX O caráter confiscatório da multa aplicada Aplicase a Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". X Conclusão Diante do exposto, voto por acolher a prejudicial de mérito para dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento fiscal o débito do período de 03/1995. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 587DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900541/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 41 /2 01 4- 39 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.267 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900541/2014-39 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.267 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900541/2014-39 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.267 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900541/2014-39 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.267 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900541/2014-39 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 72DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.267 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900541/2014-39 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724514/2011-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2010
DIRF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DCTF NÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
Numero da decisão: 1001-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2010 DIRF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DCTF NÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
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AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DCTF NÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Constatada ausência de pagamento de tributos informados em DIRF, cabível o lançamento com multa de ofício ante a falta de registro em DCTF, ainda que esta não seja obrigatória para o sujeito passivo, visto que não há confissão de débito e, consequentemente, crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 54/57) que julgou procedente o lançamento efetuado no auto de infração às folhas 02 e 15/24, de Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao ano-calendário de 2010, no valor de R$ 15.427,35, acrescido de juros de mora e multa de ofício, num montante total de crédito tributário apurado de R$ 28.555,56, em razão de falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre aluguéis pagos à pessoa física. Em sua impugnação (folhas 26/28), a contribuinte questionou apenas a aplicação de multa, já que não teria recolhido o imposto devido por ignorância dos procedimentos legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 45 14 /2 01 1- 82 Fl. 83DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.348 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.724514/2011-82 No acórdão a quo, a exigência foi mantida, tendo em vista a falta de previsão legal para cancelamento ou redução de multa em razão das alegações apresentadas. Ciência do acórdão DRJ em data desconhecida, conforme despacho à folha 77. Recurso voluntário apresentado em 06/031/2012 (folha 61). A recorrente às folhas 61/62, alega, em síntese, que estava dispensada da apresentação da DCTF no período em questão, por ter sido optante do Simples naquele ano- calendário. Por esta razão, e pelo fato dos débitos estarem informados em DIRF, a autuação ensejaria multa de mora e não multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. Tendo em vista o princípio da ampla defesa e do contraditório, em benefício da contribuinte, considero que o recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A multa de ofício é estabelecida no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Já a multa de mora é determinada pelo art. 61 do mesmo diploma legal: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Observa-se que o lançamento de ofício, que constitui o débito, no caso de falta de recolhimento enseja a multa de ofício. Já o débito constituído e não pago, é acrescido de multa de mora. A declaração de débito em DCTF constitui o débito e corresponde a confissão de dívida. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) foi instituída em 02.11.1998 e disciplinada por atos normativos supervenientes, que determinam que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para Fl. 84DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.348 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.724514/2011-82 inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Débitos não constituídos por declaração em DCTF devem ser lançados de ofício. As demais declarações, como a DIRF, não constituem débito nem têm este caráter de confissão de dívida;os débitos ali informados não podem ser cobrados sem que seja efetuado o lançamento de ofício. Desta forma, justifica-se a diferença na aplicação das multas de ofício e de mora, respectivamente a débitos constituídos por lançamento de ofício, ainda que informados em outras declarações que não a DCTF, e àqueles declarados em DCTF. A aplicação de tal entendimento ao presente caso é materializada por disposição legal expressa no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002: Art. 9º Sujeita-se às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900768/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/07/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3301-006.258
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/07/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-03T18:35:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-03T18:35:33Z; Last-Modified: 2019-07-03T18:35:33Z; dcterms:modified: 2019-07-03T18:35:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-03T18:35:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-03T18:35:33Z; meta:save-date: 2019-07-03T18:35:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-03T18:35:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-03T18:35:33Z; created: 2019-07-03T18:35:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-03T18:35:33Z; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-03T18:35:33Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10530.900768/2013-73 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.258 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2019 Recorrente SUPERMERCADO RIO BRANCO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/07/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 68 /2 01 3- 73 Fl. 70DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.258 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900768/2013-73 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, requerido por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/Dcomp). Após análise eletrônica da solicitação, a DRF de origem proferiu despacho decisório, para não homologar a compensação, alegando que o pagamento indicado na Declaração teria sido utilizado para quitar outros débitos. Regularmente cientificado, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde argumenta que teria deixado de utilizar a totalidade dos créditos permitidos no período, em virtude da apuração da Cofins pela não cumulatividade. Esclarece que teria retificado o Dacon e transmitido um conjunto de PER/DCOMPs com vistas a possibilitar o aproveitamento integral do crédito relativo à Cofins no período. Juntou cópia do Dacon e PER/DCOMP(s) pertinentes. Por seu turno, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. Alegou que, retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Acrescentou que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa as alegações apresentadas na impugnação É o Relatório. Fl. 71DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.258 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900768/2013-73 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.254, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900759/2013-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.254): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou a existência do direito líquido e certo dos créditos pleiteados, entretanto, a decisão de piso entendeu por não confirmar os créditos por ausência de documentos e informações fiscais que comprovassem o seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A decisão de piso foi cristalina ao afirmar que o indeferimento da homologação ocorreu por falta de documentação comprobatória do crédito alegado. Foi interposto recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar os documentos necessários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 72DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.258 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900768/2013-73 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005544/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62-A do RICARF. Solicitada preferência, com julgamento ocorrido em 18/04/2012, manhã. Sustentação oral o patrono do sujeito passivo, Gustavo Froner Minatel OAB-SP 210198. Retificada, de ofício, a identificação do recorrente: PAULO CÉSAR MADUREIRA.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.005544/200561 Recurso nº Resolução nº 2101000.068 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de abril de 2012 Assunto Sobrestamento Recorrente PAULO CÉSAR MADUREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62A do RICARF. Solicitada preferência, com julgamento ocorrido em 18/04/2012, manhã. Sustentação oral o patrono do sujeito passivo, Gustavo Froner Minatel OABSP 210198. Retificada, de ofício, a identificação do recorrente: PAULO CÉSAR MADUREIRA. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Jose Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0325.717, proferido pela 3ª Turma da DRJ Brasília (fl. 112), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento, que incluiu na DIRPF do Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10830.005544/200561 Resolução n.º 2101000.068 S2C1T1 Fl. 2 2 exercício de 2001 rendimentos considerados omitidos, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, referente a processo trabalhista 00029/1992RT, no valor de R$237.468,65, auferidos da IBM Brasil, CNPJ 33.372.251/000156. A revisão da declaração resultou na alteração do imposto a restituir para R$13.909,96. Em sua defesa o contribuinte alegou que recebeu no anocalendário 2000, R$514.111,20 da IBM Indústria de Máquinas e Serviços Ltda., correspondentes as verbas indenizatórias deferidas em processo judicial trabalhista. Tais verbas foram apontadas como rendimentos nãotributados, todavia, a empresa efetuou, equivocadamente, a retenção e o depósito de R$ 64.943,88 relativos à IRRF. Esse valor, uma vez recolhido, foi lançado na declaração. O Agente Fiscal considerou parte das verbas (R$253.956,33) como rendimentos tributáveis recebidos de PJ, alterando o valor a ser restituído. Argumenta que ao determinar o valor hipoteticamente passível de tributação, o Agente Fiscal, mesmo da posse da cópia do processo trabalhista que deu origem ao rendimento, deixou de fundamentar sua decisão, não especificando quais seriam as verbas tributáveis e, muito menos, a natureza jurídica de cada uma delas. Resta configurado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que não está demonstrado qual o fundamento da reclassificação dos rendimentos e como se definiu o quantum a que se atribuiu a rubrica de Rendimento Tributável. 0 auto de infração é nulo de pleno direito. Não obstante a falta de fundamentação do ato administrativo, o Agente Fiscal equivocouse ao considerar verbas indenizatórias como rendimentos tributáveis. Como é cediço, não incide imposto de renda sobre verba indenizatória, pois esta não tem natureza jurídica de acréscimo patrimonial e sim de compensação de prejuízos sofridos. Transcreve excerto de doutrina e jurisprudência no sentido de sua argumentação. Entende que em razão do caráter indenizatório das verbas recebidas, o auto de infração deve ser declarado nulo e os valores equivocadamente apontados como tributáveis sejam restabelecidos como rendimentos nãotributáveis. Seja como for, o Agente Fiscal não fez nenhuma prova que caracterizasse os questionados rendimentos como passíveis de tributação, vício esse que, por si só, já traria a nulidade insanável do auto de infração. Requer a nulidade do auto de infração e homologação da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda entregue. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA JURÍDICA. É devido o lançamento do crédito tributário correspondente à omissão de rendimentos percebidos de pessoa jurídica. Os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista são tributáveis na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Lançamento Procedente Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.005544/200561 Resolução n.º 2101000.068 S2C1T1 Fl. 3 3 Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrar às questões suscitadas na peça recursal, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 258, de 2010: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração, o lançamento tributário decorre da classificação indevida de rendimentos recebidos acumuladamente. Sobre a matéria, há orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.005544/200561 Resolução n.º 2101000.068 S2C1T1 Fl. 4 4 FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN nº 287/09 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN nº 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito da matéria. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei nº 7.713/88 e o teor do Parecer nº 287/09, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000457/2007-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude está prevista desde a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, e subsistiu aplicável, no percentual de 75%, após as alterações promovidas pelas Leis nº 11.051/2004, 11.196/2005, 11.488/2007, 12.249/2010 e 13.097/2015.
Numero da decisão: 9101-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento e o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude está prevista desde a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, e subsistiu aplicável, no percentual de 75%, após as alterações promovidas pelas Leis nº 11.051/2004, 11.196/2005, 11.488/2007, 12.249/2010 e 13.097/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento e o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
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COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude está prevista desde a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, e subsistiu aplicável, no percentual de 75%, após as alterações promovidas pelas Leis nº 11.051/2004, 11.196/2005, 11.488/2007, 12.249/2010 e 13.097/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento e o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 04 57 /2 00 7- 13 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.384 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 132142) interposto pela Contribuinte contra acórdão 1101000.637 (fls. 94104) da 1°Turma da 1°Câmara que restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROCESSO DE CONSULTA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. NÃO IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Se o contribuinte não se manifesta contra resultado de consulta improcedente e declaração de compensação julgada não declarada, verificase a preclusão quanto à natureza do crédito objeto de compensação. COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. SÚMULA Nº 24 DO CARF. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, relativamente à aplicação da multa isolada, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e, relativamente à Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.385 3 aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, acompanhada pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. A Recorrente alega divergência de interpretação, apontando como paradigma o acórdão n. 9101001.313 e 9303002.115, cujas ementas abaixo transcrevo: Ementa do Acórdão Paradigma nº 9303002.115 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART 106, II, a do CTN. Deve ser aplicada retroativamente a Lei 11.488/07, a qual alterou a redação do artigo 18 da Lei 10.833/03, tendo deixado de prever multa isolada nas hipóteses de “compensação indevida”, passando a impor essa multa tão somente nos casos em que houvesse comprovação de falsidade na declaração, o que não foi o caso cuidado nos presentes autos. Ementa do Acórdão Paradigma nº 9101001.313 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA SOBRE A PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2003, 2004, 2005 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CANCELAMENTO DA MULTA ISOLADA. Aplicável a lei que menos penalizou, no período vigente entre o ato (compensação) e o julgamento. Aduz a Recorrente que: i) Não foi adotado pela Turma recorrida entendimento constante de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF. ii) Houve préquestionamento e a consequente apreciação pela câmara recorrida das matérias objeto do recurso. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.386 4 iii) Na decisão recorrida não se decidiu na apreciação de matéria preliminar, pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. iv) A divergência foi adequadamente demonstrada por meio de decisões paradigmas, que, até a presente data, não contrariam: a Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); ou c Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Despacho de Admissibilidade Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 158161) foi dado seguimento ao recurso. Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões (fls. 163166) na qual alega em síntese que que apesar da redefinição da redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em nenhuma de suas versões, a conduta promover a compensação indevida com créditos de natureza não tributária, deixou de ser apenada com a correspondente multa isolada: na redação original, estava prevista no seu caput, após as alterações, passou a ser tratada no seu parágrafo 4º, em conjunto com o art. 74, § 12, II da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, revelase inaplicável ao caso concreto o inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Adoto as razões do Despacho e Admissibilidade para conhecer do Recurso Especial. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Mérito Defende a Recorrente que em razão da nova redação dada pela Lei nº 11.051/04 ao artigo 18 da Lei nº 10.833/03, a multa isolada deveria ser cancelada em razão da aplicação do princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II do CTN. No presente caso, a compensação foi considerada como não declarada o que, segundo a legislação antiga (antes da edição da Lei 11.051/04) provocaria a aplicação da multa. Contudo, com a edição da Lei n. 11.051/04 que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, a situação dos autos não provoca a aplicação de multa, vez que inexistente dolo ou fraude. Com a nova legislação, criouse a figura da compensação nãodeclarada e a imposição da multa isolada ficou restrita aos casos em que comprovadamente ocorreu sonegação, fraude ou conluio. Vejamos como ficou a o texto legal com a edição da Lei 11.051/04: “Art. 4° O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. (...) § 3° (...) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3° deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.388 6 d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação." (NR) (...) Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Não tenho dúvidas de que o texto legal deixava muito claro que a multa isolada no caso de compensação considerada nãodeclarada seria aplicável somente nas hipóteses de cometimento das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. Não há espaço para dúvida. A identificação e comprovação de cometimento de tais infrações é condição indispensável para aplicação da multa isolada. Considerando o histórico acima trazido é possível verificar que a partir da vigência da Lei n. 11.051/04, de fato, as únicas hipóteses para aplicação de multa isolada por compensação nãodeclarada pela Receita Federal referemse às situações em que identificada conduta dolosa de sonegação, fraude ou conluio, situações essas que não fora identificadas nos presentes autos. Neste sentido, trago aqui o acórdão n. 9101001.676, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.389 7 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Assim é que, diante da alteração da legislação superveniente sobre a multa de ofício, bem como do respeito ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, alínea “c” do CTN, seria cabível a aplicação da lex mitior para exoneração da multa de ofício em referência, por não ter sido verificado, no caso concreto, nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003). Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.390 8 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada. O Conselheiro Relator restou vencido em seu entendimento de que a penalidade aqui exigida deveria ser cancelada. Decidiu a maioria qualificada do Colegiado que sua exigência encontra amparo legal. Como bem exposto no acórdão recorrido, tratase aqui de multa isolada por compensação indevida, aplicada em razão de Declarações de Compensação DCOMP apresentadas em 04/11/2004, veiculando créditos de natureza não tributária, vinculados a títulos ao portador emitidos pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A Eletrobrás. As DCOMP foram não homologadas em 16/03/2005, seguindose o lançamento das penalidades com fundamento no art. 18, §2º da Lei nº 10.833/2003, mediante aplicação do percentual de 75% sobre o valor dos débitos compensados. Referido lançamento foi cientificado à contribuinte em 12/02/2007. A penalidade foi mantida no acórdão recorrido, sob os fundamentos abaixo extraídos do voto condutor da Conselheira Relatora Nara Cristina Takeda Taga: [...] Dando por encerrada a problemática atinente à inviabilidade de compensação de débitos tributários com créditos de obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás, passase a análise do cabimento da multa isolada. O art. 74 da Lei nº 9.430/96 não admite a compensação com créditos de natureza não tributária. Por meio de Auto de Infração a DRF aplicou multa isolada no percentual de 75%, conforme legislação em vigor ao tempo do ajuizamento da ação (§2°, art. 18 da Lei n° 10.833/03). Posteriormente, a 3ª Turma da DRJ em Florianópolis ratificou o embasamento legal e, como se vê, as alterações legislativas posteriores mantiveram a penalidade em referência: Art. 18, § 4º (redação dada pela Lei 11.196/05) “§ 4º: Será também exigida multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I – no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II – no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. “Art. 18, § 4º (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07): Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.391 9 “§ 4º. Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado no forma de seu § 1º, quando for o caso .” O percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 é de 75% conforme se depreende do texto legal: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; “ Ante o exposto, cabível a multa isolada cominada, à época, no § 2º do art. 18 da Lei. 10.833/03. A recorrente, porém, argumenta que, como a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a penalidade em questão somente seria aplicável às DCOMP apresentadas com comprovada falsidade, impondose a retroatividade benigna da nova legislação em razão de a conduta em tela não ser mais passível de multa. Ocorre que, apesar de à época da apresentação da DCOMP (4/11/2004), não existir previsão de sua não declaração por veicular crédito que se refira a título público, hipótese acrescida ao §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 apenas com a edição da Lei nº 11.051/2004, a conduta de apresentar DCOMP veiculando crédito de natureza não tributária já se sujeitava a multa desde a redação original da Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.392 10 Como se vê, o caput previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida, dentre outras hipóteses, em razão de o crédito ser de natureza não tributária. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, qual seja, 75% nos casos em que não evidenciada uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Já com a Lei nº 11.051/2004, o referido dispositivo passou a estar assim redigido: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento que se impôs às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de natureza não tributária, em especial aqueles referentes a títulos públicos: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.393 11 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Todavia, vêse que a multa isolada continuou prevista para a hipótese de não declaração de compensação com crédito referente a título público (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “c” da Lei nº 9.430/96). Ou seja, ao menos a vedação que aqui interessa – compensação com créditos de natureza não tributária porque referente a título público – subsistiu após a Lei nº 11.051/2004. A inovação legislativa operouse no campo da exigibilidade dos débitos compensados, que, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de nãodeclaração, e não mais de nãohomologação. Assim, não se pode admitir que a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos casos de nãohomologação da compensação com créditos de natureza não tributária (in casu crédito vinculado a título público), deixou de existir. O § 4o do art. 18 reafirma o cabimento da penalidade do caput mesmo se a compensação sujeitarse a ato de nãodeclaração, e sua interpretação em conjunto com o § 2o do mesmo art. 18, em verdade, evidencia a majoração da penalidade, que passaria a ser a prevista no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (150%) para todos os casos de compensações sujeitas a nãodeclaração. A Lei nº 11.196/2005, porém, deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ ...................................................................................................... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) [...] Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.394 12 Assim, a penalidade temporariamente majorada para 150%, aplicável a todas as compensações com créditos de natureza não tributária, foi reduzida a 75%, caso não evidenciada fraude. Irrelevante, assim, se a compensação em questão passou a sujeitarse a não declaração. A penalidade por compensação indevida em razão da utilização de créditos de natureza não tributária era e permanece punida com a penalidade de 75%, caso não evidenciada fraude nesta conduta. Acrescentese que com a edição da Lei nº 11.488/2007 foi dada nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, mas a penalidade dirigida à compensação com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude permaneceu expressa nos mesmos termos no art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003. Vejase: Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” (NR) Ainda, com a edição da Lei nº 12.249/2010, foi adicionado ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 o seguinte parágrafo: § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.395 13 Com a posterior revogação do referido §15, a redação do dispositivo foi ajustada pela Medida Provisória nº 656/2014, e depois pela Lei nº 13.097/2015, nos seguintes termos: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Contudo, esta penalidade tem em conta compensações sujeitas a não homologação, o que exclui, no contexto normativo então vigente, as compensações com créditos de natureza não tributária, como antes exposto. Para tal conduta permanece a multa isolada de 75% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, originalmente em seu §2º c/c o caput e, a partir da Lei nº 11.051/2004, em seu §4º, elevada temporariamente a 150%, mas atualmente restabelecida em 75% pela Lei nº 11.196/2005. Inaplicável, portanto, a pretendida retroatividade benigna, na forma do art. 106, II do CTN. Por tais razões, deve ser negado provimento ao recurso especial da contribuinte, e mantida a penalidade exigida. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.396 14 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante os substanciosos debates empreendidos no Colegiado, abri divergência, tendo sido voto isolado, em discordância tanto em relação ao voto do i. Relator quanto em relação ao voto vencedor da i. Redatora designada. Discutese multa isolada em face de declaração encaminhada na vigência da redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, ocasião em que foi tipificada como não homologada. Faço uma digressão histórica sobre a legislação que trata da multa isolada em questão. Isso porque sobreveio uma profusão de alterações legislativas sobre o assunto. Na época da transmissão da declaração de compensação (04/11/2004), encontravase em vigor a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 . § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 . § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (Grifei) Assim, sendo o crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, caberia aplicação da multa isolada com base no inciso I (75%), ou no inciso II (150%), do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a depender do caso. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.397 15 Foram consideradas as compensações como não homologadas (efl. 7) Analisadas as DCOMP apresentadas pelo contribuinte, verificouse tratarse de compensações indevidas, tendo as mesmas sido DECLARADAS NÃO HOMOLOGADAS, em 16/03/2005, em Despachos Decisórios dos respectivos processos. (...) O contribuinte que procedeu às compensações indevidas mediante DCOMP às datas em que as presentes foram apresentadas, as quais resultem DECLARADAS NÃO HOMOLOGADAS fica sujeito a aplicação da penalidade prevista no Artigo 18, § 2° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, tomandoa em sua redação original (...) Aplicouse a multa isolada de 75%, por serem créditos de natureza não tributária (Títulos de Obrigações ao portador da Eletrobrás), situação que na época amoldava se ao tipo de compensação não homologada (efl. 8): Pelo exposto, fica o contribuinte sujeito a MULTA ISOLADA de 75% aplicada sobre os valores dos débitos compensados nas DCOMP declaradas não homologadas (...) Vale dizer que, posteriormente, com a Lei nº 11.051, de 29/12/2004, a redação do dispositivo alterouse: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (MANTIDO) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (MANTIDO) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Grifei). Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.398 16 Além da alteração da base de cálculo (valor total do débito indevidamente compensado), em face de declaração não homologada, passouse a se exigir imputação de multa isolada apenas no percentual de 150%, nos casos em que tivesse caracterizado evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Por outro lado, foi concebido o instituto da declaração não declarada, com percentuais de 75% e 150%. A legislação relacionou detalhadamente as hipóteses para se considerar a compensação não declarada, dentre as quais, créditos de natureza não tributária e de terceiros (o caso da Contribuinte). Na sequência, novas alterações foram empreendidas pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007 (conversão da MP nº 351, de 22/01/2007): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Grifei) Observase que se manteve a exigência de imputação de multa isolada apenas no percentual de 150%, alterandose a hipótese: de casos com evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, para quando se comprovasse falsidade na declaração. Para a compensação não declarada, mantevese os percentuais de 75% e 150%. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.399 17 Posteriormente, em nova alteração legislativa, promovida pela redação do § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, o tipo “declaração não homologada” teve penalidade restabelecida, contudo em percentual menor: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 19/01/2015, conversão da MP nº 656, de 07/10/2014) (Grifei) Não resta dúvidas de que o § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 13.097, de 19/01/2015, conversão da MP nº 656, de 07/10/2014), predica imputação de multa isolada para compensação não homologada, exatamente a tratada no caso concreto. Vale relembrar que, na época da transmissão das declarações, em face de compensação não homologada cabia imputação de multa isolada de 75% (redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003). E, não obstante alterações supervenientes, no qual se pode admitir que sobre a compensação não homologada deixou de recair qualquer penalidade, é indiscutível que, com o § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a multa isolada foi restabelecida, com o percentual de 50%. Amoldase, portanto, à hipótese predicada pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ora, a lei atual (§ 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) comina penalidade menos severa (50%) do que a prevista na lei vigente ao tempo do encaminhamento das declarações de compensação (75% conforme redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003). Aplicase, portanto, ao caso dos telas a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Como se pode observar, parto da premissa de que, uma vez qualificada a conduta, não há como ser alterada, independente de alterações legislativas supervenientes. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.400 18 No momento 1, a conduta jogar papel na calçada é qualificada como conduta de gravidade menor e é penalizada com a multa X. Posteriormente, no momento 2, a conduta jogar papel na calçada passa a ser qualificada como conduta de gravidade média, e é penalizada com a multa X, e a conduta de gravidade menor passa a ser penalizada como uma advertência. No momento 3, do julgamento, não se pode dizer que, como a conduta jogar papel na calçada, não obstante no momento 1 ser classificada como conduta de gravidade menor com penalidade multa X, como passou a ser classificada como conduta de gravidade média, e a conduta de gravidade média também e penalizada com a multa X, então cabe aplicar a lei posterior, para dizer que a conduta jogar papel na calçada continuou a ser penalizada com a multa X. O que se deve verificar é a qualificação da conduta relativa ao momento em que ocorreu o fato e penalidade vigente aplicável. E, no momento do fato, momento 1, conduta jogar papel na calçada é qualificada como conduta de gravidade menor. Se, no momento 2, a conduta jogar papel na calçada foi requalificada como conduta de gravidade média, tal reclassificação aplicase aos eventos posteriores à vigência da lei que instituiu a requalificação do fato. Se a conduta jogar papel na calçada ocorreu no momento 1, tratase de conduta de gravidade menor, e o que se pode discutir no futuro é sua eventual consequência jurídica, se permaneceria aplicável a multa X ou uma advertência imposta por legislação superveniente. Indo ao caso em debate, se no momento em que foi encaminhada a declaração, a conduta de se utilizar de créditos de natureza não tributária amoldase ao tipo “compensação não homologada”, tratase do tipo que deve ser levado em consideração no decorrer do restante de eventual processo litigioso. Tendo no momento 1, a conduta A (declaração com créditos de natureza não tributária) sido qualificada como categoria X (compensação não homologada), tal qualificação não é mais suscetível de mudança para o caso concreto. O que se pode discutir é eventual consequência jurídica da categoria X no ordenamento jurídico. Por exemplo, a categoria X tinha penalidade X1, e depois passou a ter penalidade X2. Não se pode alterar a qualificação da conduta da pessoa jurídica, porque legislação superveniente requalificou a conduta A de categoria X para categoria Y Ora, a conduta A no momento X1 é qualificada pela legislação ALFA como compensação não homologada. Se em momento X2 a conduta A passa a ser qualificada como compensação não declarada pela legislação BETA, tal enquadramento aplicase apenas aos eventos ocorridos após a vigência da legislação BETA. Não se pode retroagir a legislação BETA para requalificar eventos ocorridos no decorrer da vigência da legislação ALFA. Dizer que, não obstante o envio de declaração com crédito de natureza não tributária durante a vigência da redação original da Lei nº 10.833, de 2003 (que qualificava o fato como compensação não homologada, e tinha consequência jurídica a multa isolada de 75%), a multa isolada de 75% continuou a persistir porque com a alteração da Lei nº 10.833, de 2003, o envio de declaração com crédito de natureza não tributária passou a ser qualificado como compensação não declarada, sendo que a compensação não declarada tem por consequência jurídica a imposição de multa isolada também de 75%, é fazer retroagir a qualificação da conduta e por consequência a penalidade. Não se pode retroagir a qualificação Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11516.000457/200713 Acórdão n.º 9101004.225 CSRFT1 Fl. 1.401 19 da conduta, para se buscar a consequência jurídica aplicável. A qualificação da conduta é imutável, o que se pode discutir é eventual subsunção da conduta qualificada à norma superveniente. E é precisamente o caso dos autos. A qualificação da conduta, compensação não homologada, a partir da edição do § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a ter como consequência jurídica a imputação de multa isolada no percentual de 50%. Se inicialmente a conduta compensação não homologada tinha como consequência jurídica multa isolada de 75% (redação original da Lei nº 10.833, de 2003), na sequência passou período sem penalização, e com a edição do § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, restabeleceuse a multa isolada para o percentual de 50%, Assim sendo, na época dos fatos, a penalidade cabível era imputação de multa isolada de 75%. No presente momento, a penalidade cabível é a imputação de multa isolada de 50%, que deve ser a aplicada, em razão da retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. São minhas breves considerações, para dar provimento parcial ao recurso especial no sentido de reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%; André Mendes de Moura (assinado digitalmente) Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.720529/2017-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de origem para que esta informe se o contribuinte aderiu ao REFIS e se o crédito discutido neste processo administrativo foi incluído.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de origem para que esta informe se o contribuinte aderiu ao REFIS e se o crédito discutido neste processo administrativo foi incluído. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 22 .7 20 52 9/ 20 17 -2 7 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11522.720529/2017-27 Resolução nº 2002-000.100 S2-C0T2 Fl. 3 2 Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 91/94) contra decisão de primeira instância (fls. 77/82), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Trata, o presente processo, de impugnação à exigência formalizada através de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física, f. 6-11, resultante de procedimento de revisão de declaração do exercício 2014, ano-calendário 2013, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 51.073,48, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/04/2017. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu das seguintes infrações: Dedução indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Foi glosado o valor de R$ 75.660,00, declarado a este título, por falta de comprovação. Dedução indevida de Despesas Médicas. Foi glosado o valor de R$ 11.977,66 (Unimed Rio Branco Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 84.313.741/0001-12), declarado a este título, por insuficiência/falta de comprovação. Com base nisso, a Declaração de Ajuste Anual foi retificada de ofício, resultando na apuração do imposto nos termos do “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”. Os percentuais e critérios de cálculo da multa e dos juros constam do “Demonstrativo de Apuração da Multa de ofício e dos Juros de Mora”. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 09/05/2017 , fls. 54. Em 07/06/2017 o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 2-4, alegando, em síntese, que ora apresenta os documentos comprobatórios do seu direito à dedução das despesas glosadas. Postula pelo cancelamento do crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão primeira, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil - Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11522.720529/2017-27 Resolução nº 2002-000.100 S2-C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte foi cientificado em 11/12/2017 (fl. 88); Recurso Voluntário protocolado em 08/01/2018 (fl. 91), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 128/129). Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. O recorrente alega em sua defesa que aderiu ao PERT, ocorre que nos autos não consta nenhum documento confirmando, sendo assim, proponho aos meus pares, o encaminhamento destes autos à Unidade de Origem, para que informe se o contribuinte aderiu ao REFIS e se o crédito discutido neste processo administrativo foi incluído. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.915738/2009-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE.
Não há que se falar em ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou elemento capaz de infirmar débito constituído.
DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade do auto de infração: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, com a compreensão plena, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos fáticos e normativos da autuação.
Quando a decisão administrativa encontra-se devidamente motivada, com descrição clara dos fundamentos fáticos e jurídicos, não há que se falar em violação à ampla defesa e contraditório, sobretudo quando resta demonstrado que o sujeito passivo atacou, em seus recursos, os fundamentos da decisão
PRODUÇÃO DE PROVAS E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL.
Na ausência de elementos que configurem alguma das três hipóteses elencadas no § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, inexiste amparo legal para o acatamento de produção de provas e juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação.
Não há que se falar em diligência ou perícia com relação à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em sede de impugnação. Procedimentos de diligência ou de perícia não se afiguram como remédios processuais destinados a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
Numero da decisão: 3003-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou elemento capaz de infirmar débito constituído. DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade do auto de infração: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, com a compreensão plena, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos fáticos e normativos da autuação. Quando a decisão administrativa encontra-se devidamente motivada, com descrição clara dos fundamentos fáticos e jurídicos, não há que se falar em violação à ampla defesa e contraditório, sobretudo quando resta demonstrado que o sujeito passivo atacou, em seus recursos, os fundamentos da decisão PRODUÇÃO DE PROVAS E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL. Na ausência de elementos que configurem alguma das três hipóteses elencadas no § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, inexiste amparo legal para o acatamento de produção de provas e juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação. Não há que se falar em diligência ou perícia com relação à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em sede de impugnação. Procedimentos de diligência ou de perícia não se afiguram como remédios processuais destinados a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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(SUCESSORA DA TIM NORDESTE S/A E INCORPORADA PELA TIM S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou elemento capaz de infirmar débito constituído. DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade do auto de infração: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, com a compreensão plena, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos fáticos e normativos da autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 57 38 /2 00 9- 18 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Quando a decisão administrativa encontra-se devidamente motivada, com descrição clara dos fundamentos fáticos e jurídicos, não há que se falar em violação à ampla defesa e contraditório, sobretudo quando resta demonstrado que o sujeito passivo atacou, em seus recursos, os fundamentos da decisão PRODUÇÃO DE PROVAS E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL. Na ausência de elementos que configurem alguma das três hipóteses elencadas no § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, inexiste amparo legal para o acatamento de produção de provas e juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação. Não há que se falar em diligência ou perícia com relação à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em sede de impugnação. Procedimentos de diligência ou de perícia não se afiguram como remédios processuais destinados a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, no qual o interessado indica crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE – Remessas ao Exterior, para compensação de débito próprio. Em análise do PER/DCOMP, foi emitido despacho decisório eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada, pois o crédito indicado já havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito constituído. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo sustentou, em preliminar, falta de fundamentação e motivação do despacho decisório, implicando violação ao contraditório e ampla defesa. No mérito, a manifestante aduziu, em síntese, que erro no preenchimento de DCTF não pode alterar a realidade dos fatos, qual seja, de que é credora da Fazenda Nacional no que se refere aos recolhimentos efetuados entre 2004 a 2007. Sustentou, ainda, que os créditos utilizados na compensação são facilmente comprovados por meio de todos os documentos fiscais já apresentados, cabendo ao Fisco proceder à profunda análise da compensação efeituada, para que não se configure enriquecimento sem causa do Estado. A 2ª Turma da DRJ em Recife rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, negou provimento à manifestação de inconformidade, sustentando, em síntese, que não restaram comprovadas nos autos a certeza e a liquidez do crédito alegado. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e sustenta, em síntese, (i) preliminarmente, a falta de fundamentação do despacho decisório, fato que representaria afronta ao contraditório e à ampla defesa, afigurando-se, assim, como nulo de pleno direito. Aduz, ainda, que houve violação aos princípios da estrita legalidade, verdade material, proporcionalidade e razoabilidade. Neste caso, alega que a decisão recorrida deixou de considerar a DCTF retificadora, a qual possui a mesma natureza da DCTF original, como prova de seu direito creditório. Sustenta, então, que a decisão recorrida deveria ter procedido à perícia ou diligência, a fim de se apurar sua escrita fiscal, sob pena de violação a diversos princípios, entre os quais, a verdade material e a estrita legalidade. Cita jurisprudência para embasar seus argumentos. (ii) no mérito, a correção do procedimento de compensação realizado. Neste contexto, a recorrente aduz: 36. Da análise do Acórdão recorrido é possível verificar que o fiscal optou por aferir a inexistência do direito creditório da Recorrente com base exclusivamente em telas internas de controle da apuração da Empresa, que espelham somente valores consolidados, o que torna impossível a verificação da regularidade da compensação realizada pelo contribuinte. 37. Isto é, optou o fiscal por deduzir a inexistência do crédito apontado pelo contribuinte, ignorando os demais documentos postos à sua disposição pela Recorrente, assim como outros recursos e procedimentos cabíveis. 38. Certo é que a utilização exclusiva do sistema interno da Receita não pode ser suficiente para comprovar todo o direito da Recorrente, mormente se a mesma possui outros documentos capazes de auferir o crédito declarado e que não foram vislumbrados pelas telas emitidas pela fiscalização. 39. Isto porque a pesquisa realizada deixou de considerar informações cruciais para o entendimento da compensação realizada. Fl. 134DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 40. Data venia, causa espanto o fato do ilmo. Julgador de primeira instância ignorar o crédito claramente demonstrado e deduzido da análise de documentação já presente nos autos. 41. Além de não ter analisado a documentação juntada pela Recorrente, conclui-se que o Fisco optou por desconsiderar o crédito e o débito apontado pelo Contribuinte, não homologando a compensação analisando créditos e débitos não apontados pela Recorrente em sua PER/DCOMP ou DCTF. 42. Vale salientar o dever da Fiscalização de buscar a comprovação dos créditos do contribuinte constitui ônus também da Administração tributária, em homenagem ao principio da verdade material, a busca de elementos, in verbis: "IRF - SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - PREJUÍZOS FISCAIS SUCESSIVOS – RESTITUIÇÃO PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL - APLICAÇÃO NOS PROCESSOS DE RESTITUIÇÃO - A amplitude de poderes investigatórios conferidos à administração tributária, que caracterizam a busca da verdade material, deve ser aplicada em todos os tipos de procedimento, inclusive nos processos de restituição. Consequentemente, não tendo sido juntada aos autos prova importante para a restituição, é dever da autoridade tributária buscar a referida prova no âmbito da repartição ou pela intimação do sujeito passivo. Recurso provido." (grifou-se) 43. Se tivesse agido dessa maneira, o ilustre fiscal teria adotado procedimento amparado pelo Conselho de Contribuintes. 44. Com efeito, os documentos juntados aos autos demonstram de forma cabal a procedência da compensação realizada pela Recorrente. 45. Resta evidenciada, portanto, que a análise da compensação realizada pela fiscalização não levou em consideração os créditos e débitos apontados pelo contribuinte em sua PER/DCOMP, o que resultou na equivocada conclusão de que inexistiria o crédito indicado pela Recorrente à regular compensação postulada. 46. Portanto, também no mérito é patente a necessidade de provimento que reconheça a improcedência dos supostos débitos fiscais combatidos, uma vez que sua exigência é afastada pela comprovação de existência suficiente de crédito pela Recorrente. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu PER/DCOMP, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CIDE, período de apuração de junho de 2005. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuição declarada no período indicado no documento de arrecadação. Foi, então, emitido Despacho Decisório (fl. 7) 1 cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação e motivação, o erro no valor devido de CIDE informado na DCTF original, tendo aduzido que a DCTF retificadora teria trazido o valor correto, e a necessidade de diligência para a apuração de sua escrita fiscal. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório. Em preliminar, a decisão recorrida afastou o argumento de nulidade do despacho decisório, buscando demonstrar que a fundamentação do despacho foi suficientemente clara e objetiva, permitindo ao sujeito passivo o exercício da ampla defesa e contraditório – fato que teria sido confirmado na própria manifestação de inconformidade, na qual a manifestante expressa, com clareza, conhecimento acerca do motivo de não homologação da compensação, qual seja, o pagamento indicado como fonte do direito creditório havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito declarado em DCTF original, tendo a manifestante, inclusive, procedido à retificação do referido débito. No mérito, o colegiado a quo entendeu, em síntese, que a recorrente não logrou demonstrar o direito creditório alegado, em especial, o valor apurado da CIDE do período 06/2005, não tendo sido juntados quaisquer elementos da escrituração contábil e fiscal para comprovar o débito retificado, afastando, na ocasião, o pedido de diligência – por não atender aos requisitos estabelecidos pelo processo administrativo fiscal. Passo à análise dos argumentos trazidos no recurso. PRELIMINARES No tocante à preliminar de nulidade do despacho decisório, entendo que a decisão recorrida foi precisa em seus fundamentos. Explico. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 136DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Compulsando o despacho decisório, observa-se que aquela decisão exprime, de forma clara, os fundamentos fáticos e jurídicos que levaram à não homologação da compensação então analisada: o suposto crédito - decorrente do pagamento efetuado por meio de documento de arrecadação (DARF) atinente à CIDE do período de apuração 06/2005 - foi integralmente utilizado para a extinção do correspondente débito de CIDE, declarado em DCTF, não restando qualquer saldo creditório para a compensação pretendida. Tal motivação do despacho decisório é tão clara que o sujeito passivo demonstrou plenamente compreendê-la ao (i) retificar a DCTF atinente ao referido débito de CIDE e (ii) se defender, com argumentos específicos, diretamente direcionados ao fundamento da decisão de não homologação. Não vislumbro, desse modo, qualquer vício no despacho decisório. Em tal decisão, consta fundamentação objetiva e inteligível da não homologação da compensação, com descrição precisa dos fatos ocorridos e das normas jurídicas aplicáveis ao caso. Em casos como o presente, nos quais a decisão administrativa se apresenta minuciosa, com fundamentos claros e suficientes, não há que se falar em ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. No caso concreto, a partir do despacho decisório atacado, pôde a recorrente compreender plenamente a razão do indeferimento da compensação declarada, tendo atacado diretamente os fundamentos e motivos do indeferimento da compensação pleiteada, de sorte que se mostra improcedente a alegação de cerceamento de defesa. Em síntese, não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do contencioso administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, e clara compreensão, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos (fáticos e normativos) da decisão. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à alegação de que a decisão recorrida teria violado diversos princípios, entre os quais, a verdade material e a estrita legalidade. Explico. Em suma, a recorrente sustenta que a DCTF retificadora possui a mesma natureza da DCTF original, sendo apta para comprovar seu direito creditório. Aduz que a simples ocorrência de erro na declaração original não é suficiente para afastar seu direito creditório, impondo-se à autoridade administrativa a busca pela verdade material. Essa busca teria sido frustrada pelo colegiado de primeira instância, uma vez que furtou-se à realização de diligência ou perícia, sustentando o entendimento de que recairia sobre o sujeito passivo o ônus da prova. Neste ponto, a recorrente cita jurisprudência administrativa para reforçar seus argumentos. Argumenta que, sob o prisma da estrita legalidade, verdade material, razoabilidade e proporcionalidade, o entendimento do acórdão recorrido, segundo o qual a mera declaração retificadora não é suficiente para demonstrar o valor do débito nela indicado, deveria levar à realização de diligência, a fim de se apurar os fatos que deram origem à cobrança. Compulsando a decisão recorrida, observa-se que o colegiado a quo entendeu que a recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório. Segundo o colegiado de primeira instância, não foram apresentados, junto à impugnação, documentos hábeis a demonstrar o crédito pleiteado, em especial, o valor do débito de CIDE do período de 06/2005, cujo pagamento resultaria no direito creditório indicado na declaração de compensação. Fl. 137DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Nesse contexto, observa-se que o aresto recorrido assume, corretamente, que o ônus da prova recai sobre a manifestante, de maneira que a não comprovação do direito creditório, no momento da impugnação, deve ensejar a negativa de provimento por parte do órgão julgador. Além disso, o aresto recorrido pressupõe que, no âmbito das compensações, a mera apresentação de declarações é insuficiente para a demonstração do direito creditório: necessário se faz a apresentação de escrituração contábil e fiscal com documentos que a suportem para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Tendo em mente tais observações, não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida. Com efeito, não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material, estrita legalidade, proporcionalidade ou razoabilidade, quando a decisão recorrida se volta à análise dos elementos dos autos e conclui, após valorá-los, que não há prova suficiente do crédito alegado. Analisando os autos, observa-se que a recorrente realmente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal nem documentos que a suportem aptos a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Dos elementos dos autos, não há como afirmar a disponibilidade do crédito pleiteado, em especial, não há como atestar o valor do débito de CIDE informado na DCTF retificadora. Como bem assinalou o acórdão recorrido, a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito, de maneira que sua comprovação se revela pressuposto fundamental para a concreção da compensação. Nesse contexto, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No caso dos autos, já em sua manifestação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 138DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Tendo se eximido de apresentar quaisquer elementos probatórios para demonstrar suas alegações e, sobretudo, comprovar o valor de CIDE no período de apuração contestado, entendo que não assiste razão à recorrente, devendo prevalecer, neste aspecto, a decisão recorrida. No tocante à alegação de que o colegiado de primeira instância deveria proceder à diligência ou perícia, entendo que não assiste razão à recorrente, uma vez que todas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas no momento da manifestação de inconformidade, sobretudo quando as provas consistem em escrituração contábil-fiscal e documentos que a suportem. Sublinhe-se, a propósito, que o pedido de diligência, realizado na manifestação de inconformidade, foi para que fosse examinada a escrita fiscal da impugnante. Ocorre que nem mesmo os registros contábeis e fiscais foram apresentados então pela impugnante, afigurando-se descabido o pedido de diligência. Naturalmente, o órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências/perícias para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. A realização de diligência ou perícia não serve, entretanto, para suprir prova que deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade: perícia ou diligência não se afiguram como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Nesse prisma, há que se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. Nesse contexto, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos – como, por exemplo, razoável duração do processo e segurança jurídica. Ademais, como asseverou, de forma correta, o aresto recorrido, o pedido de diligência formulado não atendeu aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, de maneira que foi considerado, de forma correta, como não formulado. MÉRITO Apesar da ausência de provas na manifestação de inconformidade, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Não obstante, observa-se que a recorrente não apresentou, junto ao recurso voluntário, qualquer documento para demonstrar a apuração da CIDE do período de junho de 2005, mesmo após a decisão recorrida ter assinalado a necessidade de comprovação, com documentos hábeis e idôneos, do direito creditório alegado. Da análise dos autos, verifica-se que não há provas para (i) confirmar a veracidade das informações prestadas na DCTF retificadora, tornando-a apta a infirmar o débito de CIDE regularmente constituído na DCTF original e assumido no despacho decisório, nem para (ii) atestar a devida escrituração contábil do pagamento indevido e da compensação declarada. Fl. 139DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.346 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915738/2009-18 Quanto à confirmação do valor devido a título de CIDE – objeto da retificação, a recorrente poderia ter apresentado, por exemplo, o Razão da conta CIDE a Recolher (juntamente com suas contrapartidas), a fim de demonstrar a apuração da CIDE no referido período e, assim, infirmar o débito regularmente constituído na DCTF original. A recorrente restringiu-se, todavia, a alegar que houve erro, sem ter, ao menos, explicado qual a razão do erro ou qual o motivo da diferença de apuração no débito de CIDE cujo pagamento teria sido indevido ou a maior. Registre-se, ademais, que não há, nos autos, quaisquer elementos que comprovem a escrituração das operações atinentes (i) ao pagamento indevido e (ii) à própria compensação em análise - tal escrituração se mostra fundamental para aferição da certeza, liquidez e disponibilidade do direito creditório pleiteado. Neste caso, a recorrente poderia ter apresentado o Razão da conta CIDE a compensar, a fim de comprovar o lançamento do suposto pagamento indevido - lançamento a crédito na conta de despesas atinente à CIDE e lançamento a débito na conta do ativo CIDE a compensar - e da compensação declarada - lançamento a crédito na conta de CIDE a compensar e lançamento a débito na conta do passivo do tributo cujo débito foi objeto da compensação. Sublinhe-se que, em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 140DF CARF MF
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